UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Administração Amábili Sierra Fernandes Amanda Regina Pilla Emiliana Ridolphi Miguel Marcos Henrique Ribeiro Pereira APLICAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA EM UMA EMPRESA DE CONFECÇÃO Myko’s Indústria e Comércio Ltda Lins-SP LINS – SP 2012 AMÁBILI SIERRA FERNANDES AMANDA REGINA PILLA EMILIANA RIDOLPHI MIGUEL MARCOS HENRIQUE RIBEIRO PEREIRA APLICAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA EM UMA EMPRESA DE CONFECÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, sob a orientação do Professor Me. Ricardo Yoshio Horita e a orientação técnica da Profa Ma. Heloisa Helena Rovery da Silva. Lins – SP 2012 Fernandes, Amábili Sierra; Pilla, Amanda Regina; Miguel, Emiliana Ridolphi; Pereira, Marcos Henrique Ribeiro. F398a Aplicação da produção enxuta em uma empresa de confecção: Myko’s Indústria e Comércio Ltda. / Amábili Sierra Fernandes; Amanda Regina Pilla; Emiliana Ridolphi Miguel; Marcos Henrique Ribeiro Pereira. – – Lins, 2012. 94p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Administração, 2012. Orientadores: Ricardo Yoshio Horita; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. Produção Enxuta. 2. Desperdício. 3. Layout. I Título. CDU 658 AMÁBILI SIERRA FERNANDES AMANDA REGINA PILLA EMILIANA RIDOLPHI MIGUEL MARCOS HENRIQUE RIBEIRO PEREIRA APLICAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA EM UMA EMPRESA DE CONFECÇÃO Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Administração. Aprovada em: ____/____/____ Banca Examinadora Prof. Orientador: Ricardo Yoshio Horita Titulação: Mestre em Ciências da Computação pela Universidade Federal de São Carlos Assinatura: ____________________________ 1° Prof (a): ______________________________________________________ Titulação________________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ____________________________ 2° Prof (a): ______________________________________________________ Titulação________________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ____________________________ AO PAI CELESTE Que sempre me orientou em todos os momentos. Que nunca está longe e tem acompanhado minha caminhada ao longo dos anos. Obrigada por me ensinar a viver, amar, sorrir, sonhar... “Alguém me disse que é longe o céu..., mas sintome perto quando oro a Tí”. AOS MEUS PAIS José Luiz e Sara, que não mediram sacrifícios para me educar. Que sempre me incentivaram a correr atrás de meus sonhos e me ensinaram que tudo dependeria de mim e de meus esforços. Que me fizeram acreditar que tudo era possível, mesmo quando achei que não tinha solução. Que me deram amor e me consolaram quando mais precisei. “Volte, estaremos te esperando de braços abertos, independente do que acontecer.” Jamais esquecerei esta frase. Desculpe pelas decepções, pelas minhas falhas, pelas preocupações que passaram por mim. Este diploma é para vocês... Obrigada por tudo, AMO VOCÊS! A MEUS FILHOS Angel e Álani, que foram meu incentivo para esta jornada. Tudo que fiz foi pensando em vocês. Em poder oferecer o melhor e nunca deixar faltar nada. “Vai para escolinha de novo mamãe?, Fica comigo hoje!” Somente eu sei o quanto doeu escutar isso, esperar o choro parar e sair de fininho. Perdão pela ausência, pelos momentos que não pude estar ao lado de vocês. AMO VOCÊS mais que tudo e não sei como seria minha vida hoje sem vocês ao meu lado. AOS MEUS IRMÃOS Eduardo e Andréa, que tanto amo e que me deram forças para concluir o curso. “Minha família é especial, não há no mundo outra igual. Família é um presente do Pai Celestial. Com ela sempre viverei e ela sempre honrarei, pois só com ela a eternidade passarei...” AOS MEUS AMIGOS A todos os amigos de sala, que de alguma forma contribuíram nos trabalhos e apresentações. Em especial a Amanda, Emiliana e Marcos, que estiveram mais próximos de mim neste último ano. A conclusão deste trabalho foi graças a vocês. Muito obrigada, pelos conselhos e momentos de alegria. Não poderia esquecer a galera do churras... vocês são demais, passamos bons momentos juntos e com certeza serão inesquecíveis. “Amigos são a família que Deus nos permite escolher.” AO PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI Que me deu a oportunidade de realizar este curso com bolsa de estudo integral. Meu muito obrigada! EM ESPECIAL A MINHA MÃE Que deixou de viver estes quatro anos, para que eu pudesse realizar um sonho. Sei que neste momento não realizo apenas um sonho meu e sim o da Senhora também. Perdoe-me pelo meu jeito de ser, pelas minhas irritações, estresses, pela ausência. Obrigada por muitas vezes deixar os seus compromissos de lado para que eu pudesse cumprir os meus. Em palavras jamais vou conseguir expressar toda a gratidão e amor que sinto. Agora te devolvo sua vida... te amo, te amo, te amo!!! Amábili Sierra Fernandes A DEUS Obrigada, Senhor, por mais esta conquista. Em cada momento pude sentir Tua presença, sobre tudo nos momentos difíceis. Foi em Ti que busquei conforto e acima de tudo esperança e otimismo. Com Tua proteção sei que posso muito mais. AS MINHAS MÃES Mercedes e Cláudia que na simplicidade de gestos, palavras e exemplos me ensinaram a viver com dignidade, por sempre me incentivarem a alcançar meus objetivos, acreditar na minha capacidade e estarem ao meu lado sempre que precisei, sendo a minha segurança e o meu porto seguro. Sei que em seus pensamentos e orações estou todos os dias. Agradeço a Deus pela felicidade detê-las como Mães. Amo vocês. AOS MEUS FAMILIARES Que me apoiaram e acompanharam em cada instante e em todos os momentos da minha vida. Em especial meus tios Silvio, Paula, Kelli, e irmão Luiz Henrique, se hoje sou o que sou é por causa de vocês e seus ensinamentos, pois tudo é consequência do amor e do carinho que me transmitem. Vocês fazem parte da minha vitória. Amo vocês. AO MEU NAMORADO Hugo, que esteve presente em todos os momentos, principalmente nesses anos de faculdade. Agradeço pelo apoio nos momentos de dificuldades, pelo carinho, paciência e por entender a minha ausência. Obrigada por tudo, sua companhia foi fundamental para mais essa conquista e será para muitas outras que estão por vir. E o que temos de melhor? O amor e o companheirismo. Tudo é lindo quando se diz: Eu e você. Obrigada por tudo. Te amo! AOS AMIGOS Que de alguma forma e cada um do seu jeito me ajudaram nessa conquista e me fizeram conhecer uma nova página da vida, a página da alegria incondicional, onde amizade nos faz ser feliz! Em especial para meus amigos Amábili, Emiliana e Marcos, pessoas maravilhosas que encontrei pelo caminho e tenho certeza que nada é por acaso. Vivemos muitos momentos juntos, que com certeza ficaram guardados aqui dentro de mim. Essa é a nossa vitoria! Amigos são anjos que levantam nossos pés quando nossas próprias asas se esquecem de como voar. Por isso meus amigos, o meu muito obrigado! Amanda Regina Pilla A DEUS, Por me dar forças quando já não as tinha, que me iluminou todas as vezes que pensei em desistir, pela saúde, fé e perseverança que sempre me deu. Sonhar, planejar e esperar no Senhor, porque só Deus não é ilusão. Só porque nossos olhos não podem ver, não quer dizer que não seja real. AOS MEUS PAIS, Marco e Cida, que em todos os momentos difíceis de minha vida estiveram ao meu lado me incentivando e dando apoio. Quando surgiram os obstáculos eles estavam por perto, para dar conselhos, colo e me dizer para nunca desanimar. Obrigada pela maravilhosa criação e ótima educação que me deram, pois elas foram a base para a pessoa que me tornei. Obrigada por todo amor, carinho e compreensão e peço desculpas pelos momentos de angústia e preocupações causados por mim. Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado, e vocês sempre acreditaram. Essa conquista é de vocês, é por vocês, é para vocês. Os amo muito... A MEU MARIDO, Leandro, meu companheiro e amigo, que esteve presente desde o início de minha jornada, obrigada por todas as vezes que teve paciência em aguentar meus estresses, meus choros, que me incentivou quando pensei em desistir, que compartilhou comigo alegrias e momentos importantes e peço desculpas pelas minhas ausências durante a realização deste trabalho. Dedico também a você essa vitória, pois foi com a sua ajuda que consegui alcançar meu objetivo. Sozinha eu posso ir mais rápido, mas ao seu lado com certeza sempre irei mais longe. Te amo! AOS MEUS AMIGOS, Amábili, Amanda e Marquinho, companheiros de caminhada, amigos de todas as horas, meu muito obrigada por tudo, sempre. Agradeço pelo ombro amigo, pelas experiências trocadas, alegrias compartilhadas, preocupações, ajudas, pelos finais de semana de intenso estudo...enfim, por tudo! Não importa se iremos nos falar com menos frequência e até mesmo que um dia nos deixemos de falar, mas vocês sempre estarão em minha memória e em meu coração, pois vocês são parte da minha história e estão no álbum de memórias da minha vida. Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade. Emiliana Ridolphi Miguel A DEUS Por me fazer sonhar, crer que é possível, iluminar meu caminho, meus pensamentos, me dar sabedoria, paz, paciência, e acima de tudo muita e muita fé. Sem ELE nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos hoje, desfrutando, juntos, deste momento tão importante e especial. A MINHA FAMILIA. Pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos (bons e ruins) desta e de outras caminhadas, sempre presente em minha vida, incentivando, apoiando, dando conselhos, até quando me queixava de cansaço, desanimo (foram muitas vezes) eles estavam lá com uma palavra inspiradora não me deixando desistir jamais. Em especial as minhas tias e tios que fizeram parte da minha criação e educação, contribuindo diretamente pela pessoa que sou hoje. “Se por acaso a dor chegar, ao teu lado vão estar pra te acolher e te amparar, pois, não há nada com um lar, tua família volta pra ela, tua família te ama e te espera”. AO MEU IRMÃO Michel, que nas brincadeiras sempre me falava a verdade, perguntando como estavam as notas, as matérias, sem contar na importância que tem em minha vida, como irmão mais velho que ele teima em frisar (risos). Dedico também a você essa conquista meu irmão. Te amo! MÃE, AVÓ E AVÔ (In memorian) Mesmo ausentes foram grandes responsáveis pela minha luta, garra e vontade de concluir essa etapa tão importante, sei que ao realizar meu sonho realizo também o deles que infelizmente não terão a oportunidade de viver este momento tão especial. Nos olhos do meu avô que chegou ver o inicio do curso era claro o brilho de satisfação e orgulho, mesmo com tal idade me cobrava e ficava bravo quando eu faltava por motivos banais. Os três são à base da minha vida minha estrutura, minha inspiração, meu espelho. Sem palavras para agradecer, demonstrar o significado e a importância dos três. “Cedo ou tarde a gente vai se encontrar tenho certeza numa bem melhor”. Saudade eterna. A MINHA NOIVA Viviene, companheira de todas as horas, responsável por dar início ao curso, por me incentivar a fazer o vestibular, me apoiar nas horas mais complicadas, tolerar minhas impaciências, por me motivar quando mais eu precisava, por compartilhar comigo as felicidades e tristezas durante o curso. Durante os finais de semana, feriado e outras datas que tive que me ausentar para o desenvolvimento deste trabalho, peço desculpas e agradeço a compreensão. Me ajudou a administrar meu tempo para alcançar este sonho. Os frutos que serão colhidos com certeza também serão seus. “Com você ao meu lado o sonho se torna realidade”. Te Amo muito! AOS MEUS AMIGOS De classe e extra classe, em especial, Amábili, Amanda e Emiliana, que estavam presentes em todos os momentos, que sempre estiveram prontas para ouvir e aconselhar e todos os que contribuíram para esta conquista (quem fez parte sabe, não da para citar todos os nomes), me fazendo sorrir, mesmo quando meus lábios não queriam, que me ajudaram a não cair, e fizeram a diferença em minha vida, que quando olho para traz lembro com alegria e gratidão. Dedico também aos amigos que começaram e não puderam concluir o curso. O importante na vida não é o que temos e sim QUEM temos. Amigos são irmãos que nós escolhemos. Guardarei todos em meu coração, obrigado por tudo SEMPRE. Marcos Henrique Pereira Ribeiro AGRADECIMENTOS Aquele que permitiu tudo isso ao longo de nossas vidas, a Deus. Obrigada pelos momentos que passamos juntos, por suas orientações e proteção. Às nossas amadas famílias, de modo muito especial, pelo incentivo e compreensão nos muitos momentos de ausência. Ao nosso orientador Me Ricardo Yoshio Horita e orientadora técnica Ma. Heloisa Helena Rovery da Silva,.pela atenção, esclarecimentos e por compartilhar conosco seus conhecimentos. Aos professores do curso em geral, por suas riquíssimas contribuições aos alunos do curso. À empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. e seu proprietário Carlos Roberto Marola, por nos permitir realizar a pesquisa, dando-nos apoio e esclarecendo nossas dúvidas. Amábili Sierra Fernandes Amanda Regina Pilla Emiliana Ridolphi Miguel Marcos Henrique Pereira Ribeiro RESUMO O que diferencia as empresas competitivas em relação aos seus concorrentes é a preocupação com o aperfeiçoamento contínuo com intuito de atingir melhor posição no mercado. Uma alternativa para conseguir esta melhoria é buscar o aumento da eficiência no seu sistema produtivo através da utilização de técnicas desenvolvidas pelo Sistema de Produção Enxuta. A Toyota, uma empresa estabelecida no Japão, foi a pioneira na aplicação dos métodos deste sistema, que compõe-se de 14 princípios, que são o alicerce do Sistema Toyota de Produção e a incorporação destes pelos colaboradores da organização é essencial para o sucesso de sua implementação. O segredo do sucesso da Toyota vem de um resultado direto da excelência operacional, excelência esta alcançada com a utilização de ferramentas de melhoria de qualidade que se tornaram famosas no mundo inteiro, tais como just-in-time (JIT), kaizen, layout e optimized production technology – OPT (tecnologia de produção otimizada), ferramentas estas que ajudaram a provocar a revolução da produção enxuta. O objetivo deste trabalho é demonstrar a importância dos conceitos do Sistema de Produção Enxuta aplicados ao ambiente produtivo, bem como a aplicação de alguns de seus conceitos em um sistema de produção real, descrevendo as dificuldades encontradas na sua implementação. Para atingir o objetivo foi realizada uma a revisão bibliográfica para aprofundar os conceitos vinculados ao Sistema Toyota de Produção e em uma segunda etapa buscou-se verificar a aplicação na empresa Myko's Indústria e Comércio Ltda., localizada na cidade de Lins, empresa de pequeno porte na área de confecção. Com a pesquisa realizada pode-se perceber que a utilização das técnicas abordadas neste estudo possibilita o aprimoramento da produção através da diminuição dos desperdícios, buscando eliminar esforços de produção que não agregam valor ao produto e, como consequência, o lead time dos processos. Palavras-chave: Produção Enxuta. Desperdício. Layout. ABSTRACT The difference between competitive companies and its competitors is the concern with the continuous improvement in order to achieve a better position in the market. An alternative to reach this improvement is to search the increase of the efficiency in its productive system through the use of techniques developed by the Lean Production System. Toyota, a company established in Japan, has been a pioneer in the application system`s methods, which consists in 14 principles that are the Toyota Production System’s foundation and the incorporation of these principles by the employees of the organization is essential to its implementation to be a success. The secret of Toyota's success comes from a direct result of operational excellence, and this excellence is achieved with the use of quality improvement tools, which became famous around the world, such as just-in-time (JIT), Kaizen, layout and optimized production technology - OPT, tools that helped to incite the revolution of lean production. The objective of this work is to demonstrate the importance of the concepts of Lean Production System applied to the productive environment, and the application of some of its concepts in a real production system, describing the difficulties found to this implementation. To reach the objective was conducted a bibliographic research to deepen the concepts related to the Toyota Production System and in a second step was made a verification if these concepts are applied at the Ltda. Commerce and Industry Myko`s company, that is located in Lins city and is a small business in the sewing area. With the survey can be seen that the use of the techniques broached in this study allows the production improvement through the reduction of waste, seeking to eliminate production efforts that do not add value to the product, and consequently, neither to the lead time processes. Key words: Lean production. Waste. Layout. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Logo da empresa ....................................................................... 21 Figura 2: Mesa de Luz .............................................................................. 25 Figura 3: Mesa de Corte ........................................................................... 26 Figura 4: Mesas de Silk ............................................................................ 27 Figura 5: Linha de Produção ..................................................................... 28 Figura 6: Estoque de aviamentos em uso - linhas .................................... 29 Figura 7: Estoque de aviamentos em uso – golas e punhos .................... 29 Figura 8: Layout das Máquinas de Costura .............................................. 30 Figura 9: Fornecedores ............................................................................. 33 Figura 10: Clientes .................................................................................... 34 Figura 11: Retrabalho ............................................................................... 42 Figura 12: Espaços de trabalhos recomendados para algumas posturas típicas ....................................................................................................... 51 Figura 13: Layout por processo ou funcional ............................................ 55 Figura 14: Layout em linha ....................................................................... 56 Figura 15: Layouts combinados ................................................................ 56 Figura 16: Layout por posição fixa ............................................................ 57 Figura 17: Layout celular .......................................................................... 58 Figura 18: Célula de manufatura com seis máquinas operadas com dois operadores ................................................................................................ 59 Figura 19: Conceito Pulmão, Tambor e Corda .......................................... 66 LISTA DE SIGLAS JIT: Just-in-time OPT: Optimized Production Technology (tecnologia de produção otimizada) STP: Sistema Toyota de Produção SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................... 18 CAPÍTULO I – MYKO´S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ................ ..... 21 1 A EMPRESA............................................................................. 21 1.1 História da empresa .................................................................. 21 1.2 Localização ............................................................................... 22 1.3 Missão ...................................................................................... 22 1.4 Objetivo..................................................................................... 23 1.5 Visão ......................................................................................... 23 1.6 Valores ...................................................................................... 23 1.7 Atividades realizadas para o funcionamento da empresa......... 23 1.7.1 Área administrativa e financeira ................................................ 23 1.7.2 Recebimento dos pedidos ........................................................ 23 1.7.3 Arte (desenho do silk) ............................................................... 24 1.7.4 Preparação da tela.................................................................... 24 1.7.5 Corte ......................................................................................... 26 1.7.6 Silk ............................................................................................ 26 1.7.7 Costura ..................................................................................... 28 1.7.8 Embalagem ............................................................................... 31 1.8 Colaboradores .......................................................................... 31 1.9 Produtos comercializados ......................................................... 32 1.10 Política de qualidade................................................................. 32 1.11 Fornecedores ............................................................................ 32 1.12 Clientes ..................................................................................... 33 CAPÍTULO II - APLICAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA EM UMA EMPRESA DE CONFECÇÃO ..................................................................................... 35 2 INTRODUÇÃO ......................................................................... 35 2.1 Produção .................................................................................. 36 2.2 Produção Enxuta ...................................................................... 37 2.3 Just-in-time (JIT) ....................................................................... 41 2.3.1 JIT e utilização da capacidade .................................................. 47 2.3.2 JIT - Uma filosofia e um conjunto de técnicas .......................... 47 2.4 Layout ....................................................................................... 48 2.4.1 Dimensionamento do número de máquinas ............................. 50 2.4.2 Dimensionamento dos espaços no layout industrial ................. 50 2.4.2.1 Espaço de trabalho ................................................................... 50 2.4.2.2 Superfície de ocupação ............................................................ 51 2.4.2.3 Situações a serem observadas no planejamento do layout industrial...................................................................................................... 52 2.4.3 Linha de montagem .................................................................. 53 2.4.4 Tipos de layout.......................................................................... 54 2.4.4.1 Layout por processo ou funcional ............................................. 54 2.4.4.2 Layout em linha ........................................................................ 55 2.4.4.3 Layouts combinados ................................................................. 56 2.4.4.4 Layout por posição fixa ............................................................. 57 2.4.4.5 Layout celular ou célula de manufatura .................................... 57 2.5 Kaizen ....................................................................................... 59 2.5.1 O melhoramento ....................................................................... 60 2.5.2 Sistema de sugestões para controle total da qualidade............ 61 2.5.3 Kaizen: a prática e o controle total da qualidade ...................... 62 2.5.4 Administração multifuncional e de desdobramento de plano de ações........................................................................................................... 63 2.5.5 Kaizen e a mão de obra ............................................................ 64 2.6 Optimized production technology – Tecnologia de produção otimizada - (OPT) ................................................................................... 64 2.6.1 A ferramenta OPT e seus princípios ......................................... 65 2.6.2 Drum-buffer-rope (Tambor-depósito-corda) .............................. 66 2.6.3 Programação de produção com software ................................. 67 2.6.4 Vantagens do OPT .................................................................... 67 2.6.5 Limitações do OPT ................................................................... 68 CAPÍTULO III – ESTUDO DE CASO MYKO'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA .................................................................................................. 69 3 INTRODUÇÃO ......................................................................... 69 3.1 Pontos de desperdício .............................................................. 69 3.2 Redefinição do layout ............................................................... 71 3.3 Eliminação do gargalo existente ............................................... 73 3.4 Parecer final .............................................................................. 74 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO I ........................................................... 76 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO II .......................................................... 77 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO III ......................................................... 78 CONCLUSÃO ........................................................................................... 79 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 80 APÊNDICES ............................................................................................. 83 ANEXOS .................................................................................................. 91 18 INTRODUÇÃO As empresas competitivas diferenciam-se em relação às demais, devido à preocupação pelo aperfeiçoamento contínuo, enquanto outras convivem com os mesmos problemas sem dar atenção à evolução de seu empreendimento. Pensando nisto, o que motiva as empresas a procurarem o aperfeiçoamento é conseguir uma melhor posição no mercado. Uma alternativa para conseguir esta melhoria é buscar aumentar e eficiência no seu sistema produtivo através da utilização de técnicas desenvolvidas pelo Sistema de Produção Enxuta. A Toyota, uma empresa estabelecida no Japão, foi a pioneira na aplicação dos métodos de produção enxuta e o pensamento enxuto é a essência desta abordagem para qualquer empresa ou organização, em qualquer setor ou país. A filosofia da produção enxuta foi criada nesta empresa, desencadeando uma transformação em todas as indústrias em relação aos métodos de produção e é apontada como a melhor entre seus concorrentes em todo o mundo devido a sua qualidade. (LIKER, 2005) A produção enxuta foi implementada em companhias ao redor do mundo e desde a publicação de A máquina que mudou o mundo (Machine that changed the world), enxuta é a palavra que tem sido usada para referir-se ao Sistema Toyota de Produção (STP) que significa fazer mais com menos: menos esforço humano, menos espaço, menos invenção, menos investimento em novas ferramentas. (CARVALHO; LOPES, 2011) Existem 14 princípios que são o alicerce do STP e este sistema domina as tendências industriais há aproximadamente 15 anos; porém a maioria das empresas concentra-se somente em algumas ferramentas deste sistema. O segredo do sucesso da Toyota vem de um resultado direto da excelência operacional, a qual é baseada em métodos de melhoria de qualidade e ferramentas que se tornaram famosas no mundo inteiro, tais como just-in-time (JIT), kaizen, layout e optimized production technology – OPT (tecnologia de produção otimizada), ferramentas estas que ajudaram a provocar a revolução da produção enxuta. (LIKER, 2005) Martins e Laugeni (2006) afirmam que o JIT procura não apenas eliminar os desperdícios, mas também, colocar o componente certo, no lugar certo e na hora certa. As partes são produzidas em tempo, ou seja, no prazo de 19 atenderem as necessidades de produção, ao contrário da abordagem tradicional de produzir para caso as partes sejam necessárias. O JIT leva a estoques bem menores, custos mais baixos e melhor qualidade do que os sistemas convencionais. Um importante aspecto, na visão de Souza e Silva (2007), refere-se ao fato de que o layout deve ser estabelecido a partir de um estudo planejado do sistema de informações relacionando com a distribuição de móveis, equipamentos e pessoas pelo espaço disponível, da forma mais racional possível. Considera também, que o arranjo físico acaba por influir na motivação, gerando maior ou menor eficiência no trabalho. Outro fator importante utilizado pelo STP é o kaizen, palavra formada a partir do termo KAI, que significa modificar, e ZEN, que significa para melhor. O método para realização de kaizens nas empresas é associada à outra palavra, Gemba Kaizen, que é um termo japonês que significa lugar verdadeiro, ou seja, o lugar onde ocorre o trabalho que agrega valor e os seus métodos têm a finalidade de melhoramento contínuo, desenvolvendo um trabalho em grupo para identificar os problemas e suas causas, utilizando as ferramentas adequadas. (SILVA et al., 2008) O sistema OPT foca os esforços da empresa em um único resultado: fazer dinheiro. Dessa forma, três indicadores financeiros são mais importantes: lucro líquido, retorno sobre investimento e fluxo de caixa. A grande vantagem trazida pelo OPT é sua simplicidade na focalização das restrições críticas ou gargalos. Esta ferramenta traz mais vantagens quando aplicada em linhas de produção complexas com várias estações de trabalho. (MARTINS; LAUGENI, 2006) Para constituição deste trabalho foi realizada uma pesquisa de campo na empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda., que atua no ramo de confecções e está no mercado há 25 anos. O objetivo deste estudo foi demonstrar a importância dos conceitos da produção enxuta aplicados no ambiente produtivo. Durante a pesquisa chegou-se a questão: O sistema de produção enxuta permite à empresa minimizar as perdas do processo produtivo, aumentando a sua eficiência tornando o processo ágil e competitivo? 20 Em resposta a tal questionamento surgiu a seguinte hipótese: a utilização das técnicas desenvolvidas pelo sistema de produção enxuta aprimora a organização com suas ferramentas e técnicas, diminuindo os desperdícios, buscando eliminar esforços de produção que não agregam valor ao produto, e desta forma diminuindo o tempo dos processos, minimizando os gargalos e possibilitando, através do kaizen a melhoria contínua do processo. Os métodos e técnicas de pesquisa utilizados encontram-se descritos no Capítulo III. O trabalho está estruturado da seguinte forma: Capítulo I – descrição e apresentação da empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. Capítulo II – aborda conceitos teóricos sobre a produção enxuta, mostrando quais ferramentas podem ser utilizadas. Capítulo III – demonstra o resultado da pesquisa e mostra o confronto entre a teoria e a prática. E no final são apresentadas as propostas de intervenção e a conclusão. 21 CAPÍTULO I MYKO´S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA 1 A EMPRESA Com a finalidade de atingir os objetivos propostos, foi realizado um estudo de caso na empresa de confecções Myko’s Indústria e Comércio Ltda. por meio de pesquisa de campo, observando as principais características que serão apresentadas no decorrer deste capítulo. Figura 1: Logo da empresa Fonte: Myko’s, 2012 1.1 História da Empresa A empresa Myko's surgiu a partir de uma necessidade de crescimento pessoal de seu proprietário, Carlos Roberto Marola. Por anos, trabalhou em um banco, mas sentia que podia ir além do que o trabalho que exercia permitia, almejava muito mais que aquilo que tinha naquele momento e então, decidiu se arriscar. Após pedir sua demissão no banco, começou a trabalhar como vendedor de móveis e nesta função permaneceu por três meses. Depois desta fase, em setembro de 1986, ingressou como sócio no ramo de confecções, juntamente a dois amigos. Passados dois meses, a confecção não prosperou devido ao fato que ocorreu na época do governo Sarney, quando a moeda corrente era o cruzado 22 e os juros atingiram níveis elevados, inviabilizando o negócio. Na divisão dos equipamentos da empresa, nenhum dos sócios teve interesse em ficar com os maquinários, e assim, começava uma nova fase na vida de Marola, pois foi ele quem optou em ficar com toda a estrutura que possuíam. Em fevereiro de 1987, sem recursos financeiros disponíveis, conseguiu dinheiro emprestado, foi a São Paulo, pesquisou preços de várias matérias primas possibilitando retomar seus negócios, comprando 1kg de elanca. Ao retornar, desmanchou um agasalho que possuía, para descobrir como o mesmo era montado. Após muita análise e estudos, criou um molde e confeccionou outro idêntico e desta forma começava a vender algumas peças para amigos e conhecidos. Nesta fase, fazia todo o processo sozinho, desde o recebimento do pedido até a entrega do mesmo. A primeira instalação da Myko's foi em um quarto pequeno e com o aumento dos pedidos, mudaram-se para ambientes maiores, até que em 2001 compraram seu próprio prédio. As negociações de compra do prédio começaram em abril de 2001 e se estendeu até agosto do mesmo ano e no dia 02/01/2002, a confecção do Marola começou a funcionar no seu atual prédio. A Myko’s está no mercado há 25 anos, entregando produtos com qualidade e agilidade, proporcionando satisfação a seus clientes e assim conquistando seu espaço. 1.2 Localização A empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. está localizada na rua Dom Pedro II, nº 802, na cidade de Lins, estado de São Paulo e ocupa uma área de aproximadamente 900 m², na qual é distribuída escritórios e a área de produção com máquinas e equipamentos de costura. 1.3 Missão A missão da empresa Myko’s é oferecer aos seus clientes produtos bem 23 elaborados e com ótimo acabamento, adquirindo matérias-primas de qualidade e sempre buscando fornecedores qualificados, podendo então atender a necessidade dos clientes oferecendo produtos e serviços exclusivos. 1.4 Objetivo O objetivo da empresa é oferecer um produto completo, de boa qualidade e com um bom acabamento, mesmo que isso possa encarecer o produto, pois a empresa depende de seus clientes e vice versa, sendo esta relação entre clientes e fornecedores sempre estreita e importante para manterse no mercado. 1.5 Visão A visão da empresa segundo seu proprietário é de aumentar o leque de clientes em potencial e destacar-se sempre por sua qualidade, agilidade e pontualidade. 1.6 Valores Manter a honestidade, a ética e responsabilidade nos negócios em todos os sentidos, pois assim terão sempre a confiança de seus fornecedores e também de seus clientes que se sentem com segurança para poder fazer o pedido e receber aquilo que ele exatamente está esperando. 1.7 Atividades Realizadas para o Funcionamento da Empresa 1.7.1 Área Administrativa e Financeira Coordenar a equipe, contratar funcionários, administrar a folha de pagamento, compras, finanças e banco, são atividades executadas pelo próprio dono da empresa. 1.7.2 Recebimento dos Pedidos 24 Nesta primeira etapa, o cliente entra em contato com a empresa. Caso ainda não seja cliente, é realizado um cadastro através da coleta das informações necessárias para recepção do pedido: razão social, CNPJ, inscrição estadual, nome fantasia, endereço, telefone, e-mail e outras informações caso seja necessário. Após sua identificação, o cliente passa as informações sobre seu pedido, tais como: modelo, quantidade, tamanho, cor, estampa, tecido a ser utilizado, forma de pagamento, que pode ser à vista ou para trinta dias e o prazo para a entrega dos produtos confeccionados. A seguir será descrito o processo de fabricação de pedidos de camisetas. 1.7.3 Arte (desenho do silk) Ao passar informações sobre seu pedido, o cliente define se o que está sendo solicitado terá ou não algum tipo de estampa, que pode ser desenho ou algo escrito. Nessa etapa, a arte é feita no computador através de um programa chamado Corel Draw, em que já são detalhadas as cores e o tamanho que o desenho ficará na camiseta. Assim que a arte tenha sido elaborada, ela é impressa em papel vegetal ficando pronta para gravação nas telas. Posteriormente, estando a arte aprovada pelo cliente, o processo passa para a fase seguinte que se subdivide em preparação da tela e corte. 1.7.4 Preparação da tela A preparação da tela se divide em quatro etapas: realçar o desenho, escolha do tamanho da tela a ser utilizada, limpeza da tela e transferência da arte para a tela. a) Realçando o desenho: ao receber a arte já impressa, o responsável pela preparação da tela, coloca a mesma dentro de uma caixa de papelão comum. Do lado de dentro da tampa da caixa é passado thinner e então, a caixa é fechada para que o desenho fique no escuro e abafado por aproximadamente cinco minutos. Este processo 25 é realizado para que a arte fique mais nítida, realçando o desenho; b) Tamanho da tela: enquanto a arte fica na caixa, a tela é escolhida de acordo com seu tamanho (pequena, média, grande, estreita ou larga); c) Limpeza da tela: após ser escolhida, a tela passa por um processo de limpeza. Primeiramente deve ser limpa com thinner, para retirar qualquer resíduo da arte que estava anteriormente. Depois é passada na tela uma emulsão verde e desta forma é colocada para secar no escuro (parte inferior da mesa de luz). Esta etapa ocorre em aproximadamente quinze minutos; d) Transferência da arte para tela: depois que a tela está seca, a arte é centralizada na parte superior da mesa de luz, e os objetos descritos a seguir são colocados um sobre o outro respectivamente: a tela, uma espuma do tamanho da arte, uma madeira fina também do tamanho da arte e um peso. Depois as luzes são acesas por três minutos, para que a arte possa passar para a tela. Figura 2: Mesa de Luz Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. Em seguida, a tela é colocada no tanque com água por 5 minutos, para que a emulsão verde que estava onde o desenho foi transferido se desprenda da tela. Após este tempo a tela é passada por um jato de água para retirar este 26 excesso. Finalizada esta etapa, deve-se aguardar cerca de 30 minutos para que ela seque ou se estiver com muita urgência pode-se utilizar um secador para adiantar o processo. 1.7.5 Corte Enquanto a tela está sendo preparada, outro colaborador inicia os cortes dos tecidos de acordo com o pedido, para que os processos “caminhem” juntos, assim quando todas as peças a serem silkadas estiverem cortadas, a tela já está pronta para ser utilizada. Figura 3: Mesa de Corte Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. 1.7.6 Silk 27 A Myko’s possui quatro mesas para realizar o silk: três mesas maiores com capacidade de 20 peças cada (60 no total) para fazer costas e frente das camisetas e uma mesa menor para fazer bolsos e mangas com capacidade de 42 peças. Figura 4: Mesas de Silk Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. As peças quando saem da etapa do corte já estão separadas por tamanho, então, são estendidas nas mesas (para cada peça existe um marcador para centralizar a mesma, isso evita que os silks fiquem em posições diferentes), depois a tela é encaixada no marcador e a tinta é passada sobre a tela. As peças são silkadas uma por vez, primeiro as costas e frente e depois as mangas e bolsos. A secagem varia com as condições climáticas do dia. Em dias de calor, a secagem é quase instantânea, caso contrário a secagem é mais lenta. O tipo de tecido também deve ser levado em consideração na secagem. Depois de secas, são recolhidas e separadas novamente por tamanhos e passadas para a etapa da costura. A limpeza das mesas de silk é feita duas ou três vezes por ano (dependendo do uso) e é realizada somente para retirar os excessos de resíduos de tecidos e tintas que ficam na cola existente nas mesas. Esta cola 28 serve para fixar as peças e evitar que elas escorreguem durante o processo do silk, sendo que ela é passada nas mesas geralmente após a terceira limpeza, pois ela vai enfraquecendo, e não a cada encomenda. Para a limpeza é utilizada água rás e espátula de ferro e para finalizar é usado um pano seco para tirar retirar os resíduos que ainda tenham permanecido. 1.7.7 Costura Após as peças serem silkadas, são enviadas para o setor de costura, onde é feita a montagem e cada etapa é realizada em uma máquina específica. Atualmente a Myko’s possui dezessete máquinas de costura, sendo que em cada uma é realizado um tipo de costura como: gola, manga, barra e colocação de elástico (no caso de calças). O trabalho realizado pelas costureiras não é padronizado, elas são preparadas para confeccionarem qualquer peça em todas as suas etapas. Quando uma costureira termina seu processo, ajuda a outra costureira a finalizar outra etapa, dando assim continuidade ao serviço. Figura 5: Linha de Produção Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. Próximo às mesas de costura ficam os estoques de aviamentos em uso, 29 dando agilidade às costureiras no momento de troca de linhas e fios, também ficam próximos ao setor materiais como: botões, golas, punhos, etiquetas, sacos para embalagens e outros materiais menores. Figura 6: Estoque de aviamentos em uso - linhas Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. Figura 7: Estoque de aviamentos em uso – golas e punhos Fonte: Elaborado pelos autores, 2012 30 Figura 8: Layout das Máquinas de Costura Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. Legenda 1º Máquina Vivinho – Produz Vivinho 2º Máquina Interloque – Fecha agasalhos, blusas e calças. 3º Máquina Galoneira – Faz barra de calças, prega gola e vivinho. 4º Máquina Galoneira – Faz barra de calças, prega gola e vivinho. 5º Máquina Galoneira – Faz barra de calças, prega gola e vivinho. 31 6º Máquina Pespontadeira – Faz qualquer tipo de costura e rebatido. 7º Máquina Overloque – Fecha Camisetas 8º Máquina Reta – Faz bico, camisetas e várias outras costuras. 9º Máquina Reta – Faz bico, camisetas e várias outras costuras. 10º Máquina Interloque – Fecha agasalhos, blusas e calças. 11º Máquina Interloque Jeans – Especialmente para fechar jeans 12º Máquina Overloque – Fecha Camisetas 13º Máquina Elastiqueira – Rebate elástico 14º Máquina Overloque – Fecha Camisetas 15º Máquina Overloque – Fecha Camisetas 16º Máquina Singer – Prega Botão 17º Máquina Casadeira – Faz casinhas para botão. 1.7.8 Embalagem Após terminada a fase da costura, as camisetas prontas são colocadas em uma mesa própria para organização das peças já prontas, elas são esticadas e dobradas, colocadas nas embalagens e separadas por tamanho. 1.8 Colaboradores A empresa começou em 1987 com apenas um colaborador o qual compõe o quadro até os dias de hoje: o próprio dono, Carlos Roberto Marola. Era ele quem exercia todas as funções desde vendas até a execução da mão de obra e, com a sobrecarga de serviços e o desejo de expandir seu negócio, houve a necessidade da expansão do quadro de colaboradores. Atualmente a Myko’s conta com uma equipe de sete colaboradores capacitados, tendo cada um, sua área de atuação: a) quatro no setor de costura, sendo que uma delas auxilia no corte; b) um no silk; c) um para auxiliar as costureiras e finalizar o processo (verifica se a peça está sem defeitos, passa a mesma caso seja necessário, dobra e coloca na embalagem); d) e o próprio dono, que desempenha funções como desenhar a arte, 32 corte dos tecidos e é responsável pelo setor administrativo da confecção. Porém, se necessário, realiza todas as funções do processo. 1.9 Produtos Comercializados Dentre as variedades de confecções realizadas pela Myko’s, destacam- se os principais: uniformes, calças, saias, vestidos, camisas sociais, camisetas. Entre janeiro e fevereiro considera-se um período crítico onde concentram maior volume por pedido. São produzidas em média de 250 a 300 camisetas por dia, considerando que as camisetas são somente de uma cor. Esta classe de encomenda tem um facilitador, pois como as peças são monocromáticas, não há perda de tempo na produção no que se refere à troca de linhas e fios das máquinas de costura. 1.10 Política de Qualidade A política de qualidade da empresa é a satisfação dos clientes, atendendo por completo suas necessidades e procurando superar as suas expectativas. 1.11 Fornecedores Os fornecedores trabalham em conjunto para obter o sucesso da organização. Cada fornecedor possui sua particularidade. Alguns deles após a solicitação de material ter sido feita, o produto adquirido é remetido e a entrega é feita no dia seguinte ao pedido. Dependendo do fornecedor, pode ocorrer uma demora de 20 a 25 dias se não estiver disponível o material requisitado. Como cada tipo de produto solicitado tem seu tempo de remessa, a empresa mantém um estoque de segurança para cada tipo, ficando mais atentos aos pedidos dos clientes, observando os materiais que tem mais saída e aqueles que a reposição é demorada. Caso ocorra de não ter o material necessário para atender o pedido do 33 cliente, será preciso comprar com algum distribuidor, porém o preço pago pelo material será maior e o lucro por peça cairá. Mas este procedimento só é feito quando se trata de algum cliente antigo e que tenha muita urgência. Os principais fornecedores da empresa Myko’s são: Figura 9: Fornecedores Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. 1.12 Clientes A empresa conta com um quadro amplo de clientes que são empresas privadas, públicas e até pessoas autônomas, como segue na imagem abaixo. Não possuem muitos clientes permanentes, mas os garantem dando ótimo atendimento e oferecendo produtos com qualidade. Alguns clientes não são da cidade de Lins e por gostarem dos produtos da Myko’s, fazem seus pedidos por telefone e o proprietário faz a entrega pessoalmente ou envia por correio, desta forma não deixa margem para a concorrência, agradando e satisfazendo a todos, como por exemplo, o IAL, que está presente no quadro de clientes há 20 anos. 34 Figura 10: Clientes Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. 35 CAPÍTULO II APLICAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA EM UMA EMPRESA DE CONFECÇÃO 2 INTRODUÇÃO Na administração da produção ocorreu o surgimento de novas filosofias, e em outras ocasiões novas teorias, ferramentas e técnicas foram apresentadas aos envolvidos ligados às questões da gestão dos sistemas produtivos. Atualmente as empresas competitivas possuem diferenças em relação às empresas medianas, aperfeiçoando-se continuamente, enquanto outras convivem com os mesmos problemas por muito tempo. Pensando nisso, o que motiva as empresas a procurarem o aperfeiçoamento é conseguir melhor posição no mercado. Portanto, a técnica conhecida como produção enxuta mostra-se eficaz na melhoria e na eficiência do sistema produtivo. A referência internacional em produção enxuta é a montadora de automóveis Toyota, que criou seu próprio sistema de produção, levando a empresa à resultados muito superiores aos obtidos pelas montadoras norte-americanas e europeias, as quais adotavam, naquela época, o tradicional sistema de produção em massa. O sistema de produção enxuta utiliza diversas ferramentas e técnicas e procura aprimorar a organização de forma a atender as necessidades dos clientes no menor prazo, com a mais alta qualidade e ao mais baixo custo, ao mesmo tempo tenta aumentar a segurança e a moral de seus colaboradores, envolvendo e integrando todas as partes da organização. A produção enxuta cita uma série de princípios para eliminar desperdícios durante a produção, buscando atingir as expectativas dos clientes. Suas técnicas procuram minimizar as perdas dentro das empresas, gerando produtos ao menor custo, possibilitando à organização produzir a um preço menor e sem a perda da qualidade. A utilização desse sistema é importante para o processo produtivo, pois busca a otimização da produção, procurando sempre produzir o máximo com o mínimo de recursos ou, em outras palavras, com a máxima produtividade. 36 2.1 Produção No mundo globalizado e com mercado cada vez mais competitivo, empresas têm buscado os mais diversos recursos para que assim consigam se destacar e aumentar sua competitividade perante seus concorrentes, procurando compreender como sobreviver em um mercado com disputas cada vez mais acirradas. (MILANI; OLIVEIRA, 2010) Conforme afirmam Costa, Lima e Veiga (2008), com a relação entre a revolução nos modelos de negócio e as mudanças ocorridas nos sistemas de produção, estabeleceu-se uma dinâmica para a solução dos problemas no que diz respeito à eficiência e eficácia destes sistemas. O efeito é o aumento no nível de competição, onde o resultado é o crescimento dos padrões globais de desempenho e das expectativas dos clientes, ou seja, cada vez mais as empresas devem estar aptas a competirem, adequando-se às mudanças de demanda do mercado, evolução tecnológica e estratégia competitiva. De acordo com Milani e Oliveira (2010), para a manutenção da competitividade e garantia da sobrevivência, as empresas necessitam de uma gestão altamente eficaz, que seja capaz de romper paradigmas e tragam o comprometimento com a melhoria contínua. São diversos os métodos de trabalho e práticas gerenciais criadas para solucionar problemas produtivos nas organizações, no entanto, existem diversas limitações em sua adoção pelas empresas quando se considera suas diferentes aplicações. Já para Martins e Laugeni (2006), a função produção é entendida como conjunto de atividades que levam à transformação de um bem tangível em outro com maior utilidade e acompanha o homem desde sua origem, empregando a atividade produtiva como meio de subsistência e de forma organizada, assim surge o artesanato que posteriormente evoluiu para as fábricas, logo após o advento da revolução industrial. Os artesões que até então trabalhavam em suas próprias oficinas, começaram a serem agrupados nas primeiras fábricas. Essa verdadeira evolução na maneira como os produtos eram fabricados trouxe consigo algumas exigências, como: a) padronização dos produtos e seus processos de fabricação; b) o treinamento e a habilitação da mão de obra direta; c) a criação e desenvolvimento dos quadros gerenciais e de supervisão; 37 d) o desenvolvimento de técnicas de planejamento, controles financeiros e da produção. e) o desenvolvimento de técnicas de vendas. Para definições mais técnicas, podem-se citar autores como Riggs, Mayer e Monks. Riggs afirma que o sistema de produção é um processo planejado pelo qual elementos são transformados em produtos úteis, ou seja, um procedimento organizado para se conseguir a conversão de insumos em produtos acabados; Mayer entende que em uma organização fabril, produção é a fabricação de um objeto material, mediante a utilização de mão de obra, materiais e equipamentos; Monks apresenta uma definição mais concisa, onde para ele, os sistemas de produção transformam insumos em produtos de maior valor; insumos são recursos como mão de obra, materiais e capitais; por outro lado, os produtos variam desde artigos montados até todo tipo de serviços. (apud RUSSOMANO, 1995) Cada empresa adota um sistema de produção para realizar as suas operações e produzir seus produtos ou serviços da melhor maneira possível e, com isso, garantir sua eficiência e eficácia. O sistema de produção é a maneira pela qual a empresa organiza seus órgãos e realiza suas operações de produção, adotando uma interdependência lógica entre todas as etapas do processo produtivo, desde o momento em que os materiais e matérias-primas saem do almoxarifado até chegar ao depósito como produto acabado. (CHIAVENATO, 2005) Administrar o sistema produtivo é utilizar, da melhor forma, os recursos destinados à produção de bens e serviços para geração de valor ao consumidor, sempre ressaltando a importância da avaliação da capacidade produtiva e da demanda de mercado. (MILANI; OLIVEIRA, 2010) 2.2 Produção Enxuta A Toyota no Japão foi a pioneira na aplicação dos métodos de produção enxuta e o pensamento enxuto destila a essência da abordagem enxuta para qualquer empresa ou organização, em qualquer setor ou país. Para enxugar a empresa é preciso entender os clientes e o que eles valorizam. Para manter a empresa focada nestas necessidades deve-se definir as atividades dentro da 38 empresa e mais tarde, da mesma forma as atividades na cadeia maior de abastecimento. Para satisfazer os clientes, é necessário eliminar ou pelo menos reduzir as atividades com perdas e que os clientes não desejariam pagar por elas. (HINES; TAYLOR, 2000) Segundo Liker (2005), a Toyota chamou a atenção mundial pela primeira vez em 1980, quando notaram a eficiência e qualidade japonesa e por volta de 1990 ficou evidente que havia algo mais especial em relação a Toyota, quando comparada com outras indústrias automobilísticas do Japão. Os carros não surpreendiam pelo design ou desempenho, embora rodassem com suavidade e seu design fosse bastante sofisticado. O modo como a Toyota concebia e fabricava seus veículos levava a uma inacreditável consistência nos processos e produtos e seus carros planejados eram velozes e mais confiáveis, a um preço competitivo, mesmo pagando salários altos aos seus funcionários. Igualmente impressionante era o modo como a Toyota resolvia seus problemas e ressurgia ainda mais forte. Henry Ford, no início do século XX, criou o sistema de produção em massa, porém os engenheiros da Toyota constataram a ineficácia deste sistema para o Japão no período pós-guerra e para competir novamente no mercado automobilístico, a Toyota necessitava de um modelo que fosse capaz de otimizar a produção reduzindo custos, foi criado então: o Sistema Toyota de Produção (STP). A Toyota foi revolucionária, pois não havia outro modelo como este no Japão e, o único modo de vencer era trabalhar junto aos funcionários, mostrando como e o que era para ser feito. Então, aos poucos, com dedicação e colaboração de todos, os resultados e benefícios do novo sistema começaram a surgir. (MILANI; OLIVEIRA, 2010) O problema naquela época estava em como reduzir custos e simultaneamente produzir em pequenas quantidades, sendo então os princípios fundamentais do STP desenvolvidos a partir dessas necessidades. (COSTA; LIMA; VEIGA, 2008) Afinal, qual é a real contribuição do Sistema Toyota de Produção e por que as empresas desejam tanto adotar essa prática de gestão? A produção enxuta tem se destacado como diferencial competitivo, pois se relaciona à capacidade que as empresas possuem de planejar estrategicamente suas operações produtivas. (MILANI; OLIVEIRA, 2010, p. 5) A produção enxuta não é simplesmente um modelo de gestão, ela 39 representa um marco revolucionário na reconfiguração do sistema produtivo contemporâneo e é o ponto principal da profunda transformação ocorrida nos sistemas de produção, alterando o modelo em massa para uma produção controlada e enxuta. (MILANI; OLIVEIRA, 2010) O produtor enxuto, em contraste ao produtor em massa, combina as vantagens do artesanato e da produção em massa, enquanto evita o alto custo do primeiro e a rigidez do último. Isso requer manter menos que a metade do inventário necessário, resultando em quantidades menores de produtos defeituosos e produzir uma melhor e maior variedade de produtos. (HAYES; PISANO, 2009) A produção enxuta foi implementada em companhias ao redor do mundo e desde a publicação de A máquina que mudou o mundo, Machine that changed the world, enxuta é a palavra que tem sido usada para referir-se ao Sistema Toyota de Produção (STP), que significa fazer mais com menos: menos esforço humano, menos espaço, menos invenção, menos investimento em novas ferramentas. (CARVALHO; LOPES, 2011) Outro aspecto importante na produção enxuta e a maneira de realizar melhorias neste sistema de produção é identificar os problemas e este é somente o primeiro passo. Para as pessoas poderem realizar modificações consistentes, elas precisam saber como realizá-las e saber quem é responsável por elas. (MARTINS; LAUGENI, 2006) Os desperdícios, de uma maneira ampla, devem também ser identificados em toda a cadeia de valor de cada produto para posterior eliminação. Fazem parte dessa cadeia de valor a definição do produto, o gerenciamento de informações, desde o aceite do pedido até o planejamento detalhado da entrega e a transformação física dos materiais. As etapas dos processos devem ser desenhadas para poder ocorrer continuamente. Desta forma é possível fornecer ao cliente o que ele deseja e somente quando ele deseja. Produzir somente o que o cliente deseja é um conceito básico da produção enxuta. (MARTINS; LAUGENI, 2006) O sistema produtivo pode ser considerado em duas categorias: produzir contra a demanda ou sistema de puxar e produzir contra previsões de demanda ou para estoque ou sistema de empurrar. Algumas empresas aplicam a política de não produzir nada até que um consumidor faça um pedido, 40 enquanto outros acreditam que os produtos devam ser feitos em grandes quantidades na esperança de que serão consumidos. A principal vantagem do sistema empurrado é a previsibilidade da programação e carga das máquinas, o que resulta na computadorização, tornando possível fazer planos envolvendo a produção de produtos com mix variados. (HAYES; PISANO, 2009) De acordo com Liker (2005), o verdadeiro trabalho de implementação do conceito enxuto, implica na interação dos trabalhadores ativos nas sugestões de melhoria e o Modelo Toyota vai muito além, ele estimula, ampara e de fato exige o envolvimento dos funcionários. Trata-se mais de uma cultura do que um conjunto de técnicas para eficiência e melhoria. Existem 14 princípios que são alicerce do STP: a) Princípio 1 - basear as decisões administrativas em uma filosofia de longo prazo, mesmo que em detrimento de metas financeiras de curto prazo; b) Princípio 2 - criar um fluxo de processo contínuo para trazer os problemas à tona; c) Princípio 3 - usar sistemas puxados para evitar a superprodução; d) Princípio 4 - nivelar a carga de trabalho (Heijunka); e) Princípio 5 - construir uma cultura de parar e resolver problemas, para obter a qualidade desejada logo na primeira tentativa; f) Princípio 6 – tarefas padronizadas são as bases da melhoria contínua e da capacitação dos funcionários; g) Princípio 7 - usar controle visual para que nenhum problema fique oculto; h) Princípio 8 – usar somente tecnologia confiável e plenamente testada que atenda aos funcionários e processos; i) Princípio 9 - desenvolver líderes que compreendam completamente o trabalho, vivam a filosofia e a ensinem aos outros; j) Princípio 10 - desenvolver pessoas e equipes excepcionais que sigam a filosofia da empresa; k) Princípio 11 - respeitar sua rede de parceiros e de fornecedores, desafiando-os e ajudando-os a melhorar; l) Princípio 12 - ver por si mesmo para compreender completamente a situação (Genchi Genbutsu); 41 m)Princípio 13 - tomar decisões lentamente por consenso, considerando completamente todas as opções e implementá-las com rapidez; n) Princípio 14 - tornar-se uma organização de aprendizagem pela reflexão incansável (Hansei) e pela melhoria contínua (Kaizen). Embora as razões para que seja implantada a produção enxuta sejam muitas, devem-se também ser considerados os problemas e dificuldades encontrados pelas empresas no processo de implantação e que podem estar relacionados à questão da mudança, pois provocam falta de compreensão da filosofia de trabalho. (MILANI; OLIVEIRA, 2010) No sistema de produção enxuta, tenta-se chegar à perfeição, a qual dificilmente se alcança, pois muitas empresas que dizem ter este sistema implantado têm, às vezes, apenas um conjunto de ferramentas em uso ou departamentos específicos operando em partes dentro do conceito de produção enxuta. Assim, para a implementação de um sistema de produção enxuto é necessário a utilização de suas diversas ferramentas e técnicas, tais como: just-in-time (JIT), layout, kaizen e optimized production technology – OPT (tecnologia de produção otimizada). (MARTINS; LAUGENI, 2006) 2.3 Just-in-time (JIT) A produção just-in-time, ou JIT, tem recebido maior atenção que qualquer outro novo conceito ou técnica de manufatura e isto pode ser atribuído à filosofia do JIT ter sido um sucesso impressionante de produção do Japão. (ETTKIN; HUNT; RAISZADEH, 1990) A técnica do JIT foi desenvolvida para combater o desperdício, pois toda atividade que consome recursos e não agrega valor ao produto é considerada um desperdício. Sendo assim, estoques, os quais ocupam espaço e custam dinheiro, transporte interno, paradas intermediárias devido esperas no processo, refugos e retrabalhos, são formas de desperdício e consequentemente devem ser eliminadas ou reduzidas ao máximo. (MARTINS; LAUGENI, 2000) Conforme ilustrado na figura a seguir, o retrabalho (termo usado em relação aos produtos que podem ser consertados fora da linha) deveria ser encarado como forma de perda e cada item deveria representar uma forma de 42 estoque excessivo. (HUTCHINS, 1993) Figura 11: Retrabalho Fonte: Hutchins, 1993, p.46 Eliminar desperdícios significa analisar todas as áreas e as atividades realizadas nelas para que possam ser eliminadas aquelas que não agregam valor à produção, como relaciona Hutchins (1993): a) Entregas imprevisíveis ou não confiáveis: quanto menos confiáveis são as entregas, maior é a necessidade de estoques. Estes estoques comprometem o capital da empresa. Este problema está relacionado a falhas na entrega do fornecedor, possibilidade da falta de matéria prima, dimensionamento do estoque de segurança; b) Má qualidade dos fornecedores: estabelecer relacionamentos colaborativos de longo prazo com fornecedores, baseados no mútuo interesse na quantidade das vendas do produto final; c) Estoques de materiais em processo na fábrica: se forem melhor estimados diminuindo o material em processo, o resultado representará o grau de oportunidade de melhoramento através do JIT. 43 Numa fábrica JIT ideal esse número deverá ser zero e quebras de máquina, absenteísmo, preparação de máquina, capacidade da máquina, habilidade do operador, planejamento do processo, mix de produtos, variações do material e modificações no produto, são algumas causas que devem ser minimizadas. Tanto acadêmicos quanto jornais profissionais na área de produção e gerenciamento de inventários têm apresentado muitas discussões sobre as características do JIT e embora não haja uma definição universal do que o constitui, as seguintes afirmações são geralmente aceitas como os 4 dos mais importantes componentes do JIT: (ETTKIN; HUNT; RAISZADEH, 1990) a) funcionários flexíveis e mais envolvidos no processo da tomada de decisão; b) redesenhar o layout da planta a fim de melhorar o fluxo de produtos e componentes compartilhados; c) relacionamentos mais estreitos com fornecedores, como por exemplo, o desenvolvimento de parcerias; d) flexibilidade de equipamentos, que inclui a troca de equipamentos para outros menores, mais simples e padronizados ou reduzir os tempos de produção. O just-in-time é um termo utilizado para indicar que um processo é capaz de responder instantaneamente a uma demanda, sem necessidade de qualquer estoque adicional, seja na expectativa de demanda futura ou como resultado de ineficiência no processo. A principal meta do JIT é o atingimento de estoque zero, não apenas limitado ao estoque da empresa, mas sim pensando em toda a cadeia de suprimentos. Deve-se pensar sempre em questões como: Por quê, afinal, mantemos estoque? ou Por quê temos estoques intermediários em vez de apenas produto sendo efetivamente processado em cada instante?, pois assim causas se tornam evidentes, das quais cada uma pode ser pormenorizada em detalhes ou subcausas. (HUTCHINS, 1993) Para Hutchins (1993), existe algo que diferencia umas empresas das outras quando se diz respeito ao sucesso do programa JIT: não há estoques. Isto significa ausência total de estoque e é preciso pensar em todos os setores da empresa no quais normalmente há estoque e perguntar-se o por quê de 44 estoque de matérias-primas, ferramentas, peças, combustível e lubrificantes. Conforme citam Martins e Laugeni (2000), os dez mandamentos do JIT são: a) jogue fora velhos e ultrapassados métodos de produção; b) pense em formas de fazê-lo funcionar; c) trabalhe com as condições existentes; d) não espere a perfeição – 50% está muito bom no começo; e) corrija imediatamente os erros; f) não gaste muito dinheiro com melhorias; g) a sabedoria nasce nas dificuldades; h) pergunte Por quê? pelo menos cinco vezes até que encontre a verdadeira causa; i) é melhor a sabedoria de dez pessoas ao conhecimento de uma; j) as melhorias são ilimitadas. O just-in-time não é um termo para um novo conceito, ele representa um objetivo, uma meta, a qual é a total eliminação dos estoques e a manutenção de mínimo material em processo e, para atingir este objetivo, sendo necessário envolver, desenvolver e integrar muitos conceitos e técnicas, como por exemplo, através da mudança no pensamento gerencial e nos valores da cultura industrial. (HUTCHINS, 1993) Hoje a filosofia do JIT é mais uma filosofia gerencial, pois ela busca não apenas eliminar o desperdício, mas também em colocar o componente certo, no lugar certo e na hora certa, onde as partes são produzidas em tempo de atenderem às necessidades de produção, o que leva a estoques menores, custos mais baixos e melhor qualidade. (MARTINS; LAUGENI, 2000) É importante que se entenda que o JIT é apenas uma das formas de se alcançar o verdadeiro objetivo do Sistema Toyota de Produção, ou seja, aumentar os lucros através da completa eliminação de perdas. (GHINATO, 1995) A meta final somente será atingida quando o JIT estiver presente em toda a cadeia de suprimentos e por isso, as relações entre fornecedores e consumidores são fundamentais no alcance do JIT. (HUTCHINS, 1993) Russomano (1995), salienta que o objetivo do sistema de produção justin-time é o de aumentar o retorno sobre o investimento da empresa através do 45 aumento da receita, da redução dos custos e do imobilizado e da participação dos empregados no processo produtivo e isso é conseguido através da aplicação de alguns preceitos como: preparo rápido de máquinas, disposição física celular, redução de estoques, círculos de controle de qualidade, lotes de produção pequenos, qualidade absoluta, produção puxada e manutenção preventiva. Para que a receita seja aumentada pode-se melhorar a qualidade, com uma produção mais rápida, com lotes menores e melhor movimentação, o que irá permitir melhor atendimento às necessidades dos consumidores. Já a redução de custo pode ser obtida através de alterações no processo com cortes no material e na mão de obra e o imobilizado reduzido através de um estoque menor, com entregas mais escalonadas por parte dos fornecedores. (RUSSOMANO, 1995) Também para Martins e Laugeni (2000), a aplicação adequada do sistema JIT leva a empresa a obter maiores lucros e melhor retorno sobre o capital investido, pois com esse método é possível reduzir custos, estoques e melhorar a qualidade. Entretanto, no just-in-time, o principal aspecto sacrificado é a utilização da capacidade. Quando ocorrem interrupções na produção ao se usar um sistema tradicional, os estoques permitem que cada estágio continue trabalhando, atingindo assim a alta utilização da capacidade, produzindo mais componentes. A redução do nível de estoque permite enxergar os problemas que ocorrem na produção a fim de reduzi-los. No sistema JIT, qualquer interrupção irá afetar o resto do processo ao longo de toda a produção. Técnicas de arranjo físico e de fluxo também são importantes no JIT, pois longas rotas de processos ao longo da fábrica fornecem oportunidades para a geração de estoques e não agregam valor aos produtos e reduzem a velocidade de atravessamento de produtos. (SLACK et al., 1996) Para Slack et al. (1996), algumas práticas básicas de trabalho formam a preparação para a organização e para seus funcionários, sendo fundamentais na implementação do JIT, tais como: a) Disciplina: os padrões de trabalho no que diz respeito a segurança dos funcionários e da empresa, devem ser seguidos por todos o tempo todo; 46 b) Flexibilidade: expandir as responsabilidades, aplicando tanto aos gerentes quanto ao pessoal do chão de fábrica; a) Igualdade: políticas de recursos humanos que são injustas e separatistas devem ser descartadas. Muitas empresas oferecem condições diferentes para diferentes níveis de pessoal, como estacionamentos e refeitórios especiais para funcionários da produção e administrativo; b) Autonomia: delegar cada vez mais responsabilidade às pessoas envolvidas nas atividades diretas do negócio, ao chão de fábrica, como por exemplo, autoridade para parar a linha caso encontre algum problema na qualidade; c) Desenvolvimento de pessoal: criar mais membros da empresa que possam suportar os rigores de ser competitivo, o que assegura um mix de pessoas com maior conhecimento trabalhando em atividades de aprimoramento; d) Criatividade: buscar aprimorar o trabalho e fazê-lo com excelência, pensando sempre em melhorá-lo para a próxima vez em que for realizado. Estudos de casos mostraram benefícios de um programa JIT implementado por completo em uma empresa: a) 80 a 90% de redução no investimento em inventários; b) 80 a 90% de redução no tempo de espera de produção; c) 75% de redução em retrabalho; d) 50% de redução de espaços necessários. Segundo citam Ettkin, Hunt e Raiszadeh (1990), como as grandes empresas têm utilizado o JIT, as pequenas companhias também vem implementando em suas operações, pois estão sendo forçados a mudar seu estilo de produção para poder adequar-se às necessidades dos grandes fabricantes. Se o conceito JIT é funcionar de forma eficaz em empresas de manufatura de pequeno porte, os pequenos fabricantes então devem desenvolver uma compreensão clara dos elementos básicos do sistema JIT, pois de acordo com uma pesquisa realizada, estas pequenas empresas geralmente não entendem o que é o sistema JIT e o que é envolvido na implementação deste programa. Elas devem entender os princípios básicos e a 47 filosofia do JIT e se eles estão sendo competitivos na economia global. De acordo com Slack et al. (2002), a qualidade do desempenho da produção deve ser alta, porque distúrbios na produção devido a erros irão reduzir o fluxo de materiais, a confiabilidade interna de fornecimentos, além de gerar o aparecimento de estoques, caso os erros reduzam a taxa de produção. 2.3.1 JIT e utilização da capacidade Ainda para Slack et al. (2002), mesmo num ambiente avançado de JIT, o atingimento de altos padrões em todos os objetivos de desempenho da produção requer alguns sacrifícios. No JIT, o principal aspecto sacrificado é a utilização da capacidade. Quando ocorrem interrupções de produção no sistema tradicional, os estoques permitem que cada estágio continue trabalhando, atingindo, portanto, alta utilização de capacidade. Essa alta utilização não necessariamente faz com que todo o sistema produza mais componentes. Normalmente, a produção extra vai para os grandes estoques isoladores. No sistema JIT, qualquer interrupção irá afetar o resto do sistema, causando interrupções ao longo de toda a produção. Isso necessariamente levará à baixa utilização da capacidade, ao menos em curto prazo. Contudo, os defensores do JIT argumentam que não há vantagem em produzir componentes só para mantê-los em estoque. A menos que esta produção seja útil e possibilite à empresa em sua totalidade produzir produtos vendáveis, não há razão para produzi-la. Na verdade, produzir apenas para manter alta utilização de capacidade não só não tem sentido, como é contraprodutivo, já que o estoque extra produzido serve somente para dificultar o aprimoramento da produção. Para um dado nível de demanda, os requisitos de capacidade são geralmente mais baixos sob condições do JIT (SLACK et al., 2002) 2.3.2 JIT - Uma filosofia e um conjunto de técnicas Para entender o JIT, deve-se analisá-lo em dois níveis. No aspecto mais geral, o JIT é normalmente chamado de uma filosofia de manufatura: isto é, dá uma visão clara, que pode ser utilizada para guiar as ações dos gerentes de 48 produção na execução de diferentes atividades em diferentes contextos. Ao mesmo tempo, o JIT é uma coleção de várias ferramentas técnicas, as quais fornecem as condições operacionais para suportar essa filosofia. (SLACK et al., 2002) 2.4 Layout O estudo do layout pode trazer consequências desastrosas se não forem observadas algumas recomendações. É necessário um estudo planejado do sistema de informações relacionado com a distribuição de móveis, equipamentos e pessoas pelo espaço disponível, da forma mais racional possível, considerando também, que o arranjo físico acaba por influir na motivação, gerando maior ou menor eficiência no trabalho. (ARAUJO, 2001) Abrantes (2004) aborda que a falha humana pode ser decorrente de condições inadequadas, que muitas vezes poderão estar relacionadas com o layout implantado, além de causar desconforto, doenças e/ou acidentes, podem induzir ao erro, diminuindo o rendimento humano, afetar o trabalhador em suas atividades e como resultado, afetar os resultados da empresa. Na elaboração do layout, como citam Martins e Laugeni (1998), algumas etapas devem ser seguidas: a) determinar a quantidade a produzir; b) determinar quantidade de turnos de trabalho; c) planejar o todo e depois as partes; d) planejar o ideal e depois o prático; e) seguir a sequência: local → layout global → layout detalhado →implantar e reformular sempre que necessário (até onde for possível); f) calcular o número de máquinas; g) selecionar o tipo de layout e elaborar o layout considerando o processo e as máquinas; h) planejar o edifício; i) desenvolver instrumentos que permitam a clara visualização do layout; j) utilizar a experiência de todos; 49 k) verificar o layout e avaliar a solução; l) vender o layout; m) implantar. Conforme Rocha (1995), o prédio deve ser adaptado ao arranjo desejado e as disposições de máquinas, equipamentos, área de circulação, depósitos e demais itens necessários vão determinar as dimensões do prédio a ser construído, e quando a fábrica está em operação, as modificações do arranjo físico devem ser adaptadas ao prédio existente, o que pode limitar a realização do layout ideal. Busca-se com o estudo do layout, a utilização racional do espaço físico disponível, reduzir ao mínimo as movimentações de materiais, produtos e pessoas, obter um fluxo coerente de fabricação, oferecendo melhores condições de trabalho aos funcionários, evitar investimentos desnecessários, permitir manutenção, possibilitar supervisão e obtenção da qualidade e obter soluções flexíveis, isto é, possíveis de serem modificadas sem maiores atropelos. Araujo (2001) considera necessário efetuar estudos para modificar o layout quando surgem alguns indicadores de mau aproveitamento de espaço: a) Demora excessiva: é um indicador de que algo naquele ambiente precisa ser modificado, decorrente de uma deficiência da distribuição espacial; b) Fluxo confuso de trabalho: o fluxo indevido causa demora no andamento burocrático, assim como decisões errôneas, consultas desnecessárias a pessoas só por estarem próximas e demora excessiva em fluxos secundários; c) Excessiva acumulação: a má distribuição espacial pode gerar acúmulo de pessoas e documentos. As unidades crescem e fica difícil aumentar o espaço físico, pois esta decisão não depende deste crescimento; d) Má projeção de locais de trabalho: decorre na maioria das vezes, do fato de a projeção ter sido elaborada por pessoal não qualificado ou ter sido elaborada segundo a vontade de cada grupo de pessoas destinadas a determinado espaço; e) Perda de tempo no deslocamento de uma unidade a outra: lapso de tempo percorrido entre unidades da organização criam desperdício de 50 tempo. A elaboração e análise de processos podem detectar esse tipo de deficiência. A elaboração do layout é uma atividade multidisciplinar, que envolve diversas áreas da empresa. Por isso, é importante utilizar a experiência de todos na elaboração, na verificação e na determinação de soluções. (MARTINS; LAUGENI, 2006) 2.4.1 Dimensionamento do número de máquinas É essencial no arranjo físico que se conheça a quantidade de itens a ser colocada a disposição, calculando a quantidade de máquinas em função da produção e eficiência delas. (ROCHA, 1995) Conforme Martins e Laugeni (2006), a quantidade de equipamentos a ser utilizada depende do número de turnos, das especificações técnicas de cada equipamento e de suas capacidades produtivas, que poderá se limitar dependendo dos gargalos, isto é, dos processos ou equipamentos que limitam a capacidade da produção e que devem ser identificados. 2.4.2 Dimensionamento dos espaços no layout industrial Segundo Abrantes (2004), um layout industrial é formado por um conjunto de postos de trabalhos e seus complementos, e cada um possui complexidades, configurações e características próprias, que podem variar de acordo com os processos de fabricação existentes nas plantas industriais. 2.4.2.1 Espaço de trabalho Conforme Abrantes (2004), os espaços de trabalhos são necessários para o organismo realizar os movimentos requeridos para o trabalho e o dimensionamento correto é fundamental para que os operadores possam desempenhar bem suas atividades. Os espaços para os operadores trabalharem, vão estar relacionados com as dimensões do corpo humano, postura do corpo e com os movimentos exigidos pelo trabalho e com o tipo de atividade a ser executada. As posturas mais usuais são em pé, sentado e 51 deitado, porém dependendo da atividade a ser realizada, exigem que os funcionários se desloquem em várias direções, variando o espaço de trabalho. Figura 12: Espaços de trabalhos recomendados para algumas posturas típicas Fonte: Abrantes, 2004, p. 33 É importante afirmar que o dimensionamento adequado dos espaços é um grande avanço para tornar os ambientes de trabalho seguros e corretos. 2.4.2.2 Superfície de ocupação Rocha (1995) afirma que cada máquina a ser colocada no chão, ocupa uma superfície proporcional a suas dimensões e que além dessa área, há necessidade de duas áreas adicionais. A primeira tem por objetivo proporcionar a realização do trabalho pelo operador; a segunda, possibilitar que as máquinas próximas sejam operadas. A área ocupada por uma máquina é resultante do somatório de três 52 superfícies: a) Superfície estática: correspondente à projeção do equipamento no solo, aquela ocupada pela máquina no chão; b) Superfície gravitacional ou de gravitação: é a área reservada para possibilitar estocagem próxima às máquinas, permitir operação, abastecimento e retirada de produtos prontos; c) Superfície de circulação: destinada a circulação de materiais e pessoas em torno da máquina. 2.4.2.3 Situações a serem observadas no planejamento do layout industrial Conforme Araujo (2001), alguns aspectos e informações devem ser observados e coletados pelo gerente responsável, antes de ser iniciada a adoção do layout, tais como: detalhes do trabalho executado em cada unidade, quantidade de colaboradores, necessidade de comunicação dentro da unidade, isolamento auditivo ou visual, compartimentação (isolamento físico), iluminação, portas e janelas, localização de mesas e cadeiras e quantidade de equipamentos e máquinas. Estas informações permitirão uma visão ampla da área que será estudada para a implantação do layout. De acordo com Abrantes (2004), no planejamento ou análise do arranjo físico não se pode pensar isoladamente nos postos de trabalho, mas sim, em um conjunto de variáveis que irão harmonizar e integrar os equipamentos, a mão de obra, os materiais, ás áreas de movimentação. Deve-se observar os vários princípios que regem um layout, principalmente o Principio da Satisfação e Segurança. Existem várias variáveis que podem ser estudadas: a) Riscos existentes nos processos: deve se ter em mente que pessoas trabalharão neste ambiente e os riscos devem ser eliminados. Estes riscos podem ser relacionados com: riscos físicos (ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações, infrassom e ultrassom), riscos químicos (poeiras, fumaças, névoas, neblinas, gases e vapores) e riscos biológicos (bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários e vírus) existentes nos ambientes de trabalhos e que podem ser prejudiciais à saúde dos colaboradores; 53 b) Ruído: um dos grandes problemas encontrados em uma unidade industrial é o ruído. Áreas ruidoras devem ser isoladas dos demais centros de produção e às vezes pode-se diminuir o ruído de máquinas instalando silenciadores nas válvulas de descarga de ar comprimido; c) Calor: ao se planejar o layout destas áreas é importante determinar o menor número de funcionários a esse risco e realizar o mapeamento dos índices de sobrecarga térmica, para adotar medidas de proteção, bloqueio e propagação do calor; d) Poluentes: é importante que o meio produtivo seja localizado em área com boa ventilação, pé direito alto e ventos contrários ao local ocupado; e) Aproximação e localização dos postos de trabalho: a folha de registro dos equipamentos e máquinas determina as fronteiras dos postos de trabalho, evitando desconforto, acidentes e atrito entre operadores; f) Corredores: através dos corredores pode-se determinar os menores percursos para a circulação de materiais, facilitar o trânsito de pessoas e o abastecimento dos postos de trabalho. Estes devem ser retos e contínuos, curtos e funcionais, devem-se evitar corredores sem saídas, interrompidos ou que não levam a lugar algum; g) Estocagem: para o armazenamento de materiais é importante que as áreas sejam demarcadas, quer nos armazéns, quer nas áreas produtivas. O dimensionamento correto impede que materiais sejam colocados em corredores, ou lugares inadequados, que são causadores de acidentes. 2.4.3 Linha de montagem Conforme Martins e Laugeni (2006), a linha de montagem é uma série de trabalhos comandados pelo operador, que devem ser executados em sequência e que são divididos em postos de trabalho, nos quais trabalham um ou mais operadores, com ou sem o auxílio de máquinas. O que se procura nesse tipo de layout é otimizar o tempo dos operadores e das máquinas, realizando o que se denomina balanceamento da linha. Para o balanceamento, deve-se em primeiro lugar, determinar o tempo de ciclo, que é a frequência 54 com que uma peça deve sair da linha ou, em outras palavras, o intervalo de tempo entre duas peças consecutivas (o tempo de produção). Em seguida, deve-se verificar se o número teórico de operadores é suficiente para os requisitos de produção, determinando o número real de operadores. 2.4.4 Tipos de layout Os principais tipos de layout, conforme Martins e Laugeni (2006) são por processo ou funcional, em linha, combinados, por posição fixa e celular ou célula de manufatura. 2.4.4.1 Layout por processo ou funcional Para as empresas que possuem uma variedade de produtos, o layout tradicional tem sido o por processo ou funcional, pois neste tipo de arranjo os fluxos de materiais são variáveis e a produção é diversificada, devido aos diferentes tipos de produtos fabricados pela indústria. Neste caso, a movimentação de materiais é intensa e as máquinas são agrupadas de acordo com suas funções e como este processo requer tempo para a preparação da variação dos produtos fabricados, este arranjo impõe a produção em lotes, gerando filas, maiores estoques e lead time de produção. (CORRÊA; GIANESI, 1993) De acordo com Rocha (1995), neste layout, o fator determinante na localização física é a função produtiva dos equipamentos, pois as máquinas com processos iguais são colocadas em conjunto, havendo separação de área por função. Assim, como os produtos não são padronizados, a produção não segue uma sequência de operação. Martins e Laugeni (2006) acrescentam que o material é que se desloca buscando diferentes processos. Este layout é flexível para atender a demanda do mercado, por ter a opção de diversificação de produtos. Rocha (1995) descreve algumas vantagens e desvantagens deste layout: a) Vantagens: melhor utilização das máquinas, menor investimento, a quebra de máquina não ocasiona a parada de toda a produção, 55 adaptação a produção não contínua, melhor avaliação de operadores, flexibilidade e uso dos melhores colaboradores em trabalhos mais difíceis; b) Desvantagens: planejamento difícil, devido à variedade de produtos que pode ser fabricada, longo percurso para os produtos de seção em seção, maior área ocupada, movimentação elevada de material e produto, dificuldade de controle (máquinas e estoques), fluxo de material deficiente e tempo de fabricação não padronizado e mais longo. Figura 13: Layout por processo ou funcional Fonte: Martins; Laugeni, 2006, p. 138 2.4.4.2 Layout em linha Martins e Laugeni (2006) afirmam que neste tipo de arranjo o material percorre um caminho previamente determinado, por isso, as máquinas são colocadas de acordo com a sequência das operações. Este é indicado para produção sem diversificação, em grande quantidade e constante e devido a estes fatores, requer grande investimento em máquinas e normalmente costuma gerar em seus operadores, monotonia e estresse. As vantagens deste arranjo, segundo Rocha (1995) é o fato de um estoque reduzido de material em processo, pequeno manuseio de material, produção contínua, menor especialização de mão de obra, tempo de produção 56 conhecido, fabricação de produtos padronizados, produção elevada, melhor controle de produção e de pessoal, facilidade de treinamento das pessoas e facilidade de planejamento e supervisão. Porém são desvantagens: o alto investimento em equipamentos, uma máquina quebrada implica na paralisação da linha, custo elevado se as máquinas não forem utilizadas com toda sua capacidade produtiva, falta de flexibilidade, devido a produção de um único produto por linha ou de usar cada máquina isoladamente. De acordo com Corrêa e Gianesi (1993) o que determina este layout ser por produto, é o fato de somente ser aplicável a processos a produzir grandes quantidades de poucos produtos padronizados, não sendo viável a empresas que buscam ganhar mercado pela diversificação de produtos. Figura 14: Layout em linha Fonte: Rocha, 1995, p. 117 2.4.4.3 Layouts combinados Estes layouts ocorrem para que sejam aproveitados alguns processos do layout funcional e em linha. Figura 15: Layouts combinados Fonte: Martins; Laugeni, 2006, p. 141 Neste caso para a realização de um determinado produto, este passa em uma linha constituída de áreas com máquinas de mesmo tipo como o layout 57 funcional, continuando o processo com uma linha clássica. (MARTINS; LAUGENI, 2006) 2.4.4.4 Layout por posição fixa Confome Martins e Laugeni (2006), neste arranjo o material permanece fixo e as máquinas se deslocam até o local para executar os processos necessários. Algumas das características deste tipo de layout é que serve para a fabricação de um produto único, em pequena quantidade e geralmente de grandes dimensões físicas, como navios, aviões, grandes prensas. Figura 16: Layout por posição fixa Fonte: Martins; Laugeni, 2006, p. 140 58 2.4.4.5 Layout celular ou célula de manufatura No layout celular máquinas diferentes são agrupadas em um único local, possibilitando a fabricação do produto inteiro. O material é que se desloca dentro da célula, buscando os processos necessários. Possui como característica a flexibilidade quanto ao tamanho de lotes por produto, permitindo qualidade e produtividade, diminuindo o transporte do material e estoques elevados. (MARTINS; LAUGENI, 2006) Para Corrêa e Gianesi (1993), o arranjo celular é geralmente utilizado pelas empresas que adotam o sistema just-in-time, devido a suas características e vantagens, tais como: menor estoque de produtos em processo, menores custos de movimentação de materiais, menores lead times de produção, planejamento da produção mais simplificado, controle visual das operações e menos trocas de ferramentas. Figura 17: Layout celular Fonte: Martins; Laugeni, 2000, p. 112 Ainda de acordo com Corrêa e Gianesi (1993), a célula em geral, obedece a forma de U, permitindo que um número reduzido de colaboradores operem as máquinas, reduzindo os custos operacionais e consequentemente os operadores desta célula terão maior conhecimento do trabalho, contribuindo na melhoria da qualidade, como mostra figura a seguir: 59 Figura 18: Célula de manufatura com seis máquinas operadas com dois operadores Fonte: Corrêa; Gianesi, 1993, p. 75 Moura (1984) afirma que as máquinas dispostas em “U” reduzem as distâncias, possibilitando aos operadores trabalharem em várias delas, consecutivamente. O objetivo de redução do tempo de preparação é aumentar a flexibilidade. Tal configuração reduz a distância percorrida pelo material. 2.5 Kaizen Segundo Martins e Laugeni (2006), Kaizen quer dizer modificar ou mudar para melhor e foi inserido na administração no ano de 1986 por Masaaki Imai. Esta ferramenta tem como objetivo a melhoria contínua e é utilizada até mesmo na vida social e seu conceito tornou-se filosofia organizacional e comportamental. O mesmo procura a eliminação de perdas em todas as etapas da organização. Um passo importante para conseguir a melhoria continua é apresentar algo novo todos os dias, sendo assim, existem algumas ações que desmotivam o sucesso da implantação do kaizen como: estar ocupado para estudar o assunto, encontrar uma boa ideia e achá-la imatura, não se responsabilizar por algo, deixar para o próximo buscar algo melhor. Para não deixar isso acontecer existe também algumas possíveis ações como: descartar ideias fixas e convencionais, pensar em como fazer algo e não no porque, buscar conselhos de mais pessoas e lembrar que a criatividade surge com a necessidade. 60 De acordo com Rother e Shook (1999), um evento kaizen pode ser entendido como um time dedicado a uma rápida implantação de um método ou ferramenta da manufatura enxuta, em uma área em particular e em um curto período de tempo. O kaizen como filosofia na administração pode ser segmentado gerando kaizen de projeto, kaizen de planejamento e kaizen de produção, cada um com um foco. O primeiro desenvolvendo novos conceitos e produtos, o segundo atuando no planejamento de produção, finanças e marketing, o terceiro que visa eliminar os desperdícios no chão de fábrica e melhorar o conforto e segurança no trabalho. O kaizen busca a melhoria contínua não apenas dos gerentes, mas também dos operários diferente da Gestão da Qualidade Total e abrange varias técnicas como por ex: gestão da qualidade total, melhoria contínua, just-in-time, 5S, zero defeitos, kanban, projeto de novos produtos, entre outros. (MARTINS; LAUGENI, 2006) 2.5.1 O melhoramento Segundo Imai (1992), o kaizen abrange também técnicas usadas como: controle total da qualidade, robótica, sistema de sugestões, automação, disciplina no local de trabalho, melhoramento da qualidade e produtividade, entre outros, buscando o melhoramento interminável. Já na administração existem dois importantes componentes, a manutenção e o melhoramento, que buscam respectivamente manter os padrões atuais com relação ao operacional, tecnológico e administrativo e também melhorar estes padrões. Os funcionários mais qualificados, ao seguir os padrões, desenvolvem uma criatividade maior gerando assim um melhoramento no processo, contribuindo para a melhoria dos padrões. Para começar ninguém pode questionar o valor do melhoramento, já que ele é genérico e bom por si só, ele é bom por definição. Sempre e onde quer que sejam feitos melhoramentos na empresa, eles levarão posteriormente, a melhoramentos em áreas como qualidade e produtividade. (IMAI, 1992, p.8) Para Rother e Shook (2003) Kaizen é uma forma de buscar muitos e pequenos melhoramentos, sem muito investimento, atingindo padrões cada vez mais elevados. O principal caminho é o investimento na cabeça das pessoas, 61 pois assim teremos um melhoramento gradual e interminável. O melhoramento vem dos problemas, por isso o kaizen é contra a acomodação e oferece indícios para a identificação dos mesmos, buscando resolvê-los e aperfeiçoando os padrões. Na qualidade total, o kaizen trata de diversos pontos como a qualidade das máquinas, operários e condições fornecidas, não apenas qualidade do produto ou serviço. (IMAI,1992) Segundo Liker e Meier (2006), a identificação correta de um problema é a etapa fundamental da ferramenta kaizen onde é necessária a aplicação de maior esforço. Entre as décadas de 50 e 60 foram criados dois ciclos, o de Deming e o de Controle da Qualidade que buscavam respectivamente integrar pesquisa, projeto, produção e vendas com o objetivo de conquistar e satisfazer o cliente, desenvolver um controle sobre custos, segurança, produtividade, matéria prima, processo, administração, produto final, agregando valores e qualidade ao produto. Nesta época iniciou a implantação das ferramentas de controle, no kaizen, este controle tornou-se ferramenta de administração visando também o melhoramento de desempenho de todos os funcionários independente do cargo. (IMAI,1992) De acordo com Paranhos (2007), o ciclo de Deming é um fluxo interdependente de ações que geram um melhoramento continuo composto de quatro princípios: planejamento, execução, verificação e ação. 2.5.2 Sistema de sugestões para controle total da qualidade No kaizen o controle total da qualidade abrange a garantia da qualidade, redução de custos, cumprimento de quotas, entregas, melhoramento de produtividade, fornecedores, desenvolvimento de novos produtos, marketing, plano de ação, vendas e serviços, buscando assim o desenvolvimento e aprimoramento do desempenho total. (IMAI,1992) Para Oakland (1994), o kaizen disponibiliza o sistema de sugestões visando melhorar a qualidade e a produtividade, redução de preços e aumento de participação no mercado. Segundo Imai (1992), o sistema de sugestões possibilita o envolvimento do funcionário com sugestões, onde as melhores ideias são incorporadas à 62 estratégia da empresa que trabalhando junto ao controle de qualidade contribui para o melhoramento, sendo assim, quanto mais ideias melhor, com isso os funcionários ganham um reconhecimento que ajuda na autoestima e no desempenho. Uma das características dos operários japoneses é que eles usam o cérebro, bem como as mãos. Os nossos operários fornecem 1,5 milhões de sugestões por ano e 95 por cento delas são colocadas em prática. (IMAI, 1992, p.14) 2.5.3 Kaizen: a prática e o controle total da qualidade De acordo com Rother e Shook (1999), existem dois níveis de kaizen : o de fluxo, também conhecido como de resultado, que enfoca no fluxo de valor dirigido ao gerenciamento e o de processo que enfoca em processos individuais, dirigido às equipes de trabalho e líderes de equipe. Para Imai (1992), o nível de administração do kaizen de processo é focado mais para o processo e para os esforços dos funcionários, que normalmente reflete em um bom resultado, ele é trabalhado em longo prazo onde visa apoiar o desempenho e o melhoramento dos funcionários e processos, pode ser avaliado através de índices de participação, problemas resolvidos, relatórios apresentados e as empresas recompensam os funcionários com reconhecimento e homenagens. Já o de fluxo é focado em resultado, trabalhado em curto prazo, onde o importante é o resultado independente do quanto o funcionário trabalhou, podendo ser avaliado pelos números de vendas, custos e lucros, a recompensa é feita com base na economia feita. O ideal para uma tomada de decisão é utilizar os dois modelos, que devem ser aplicados em todas as classes da organização desde a alta gerência até o chão de fábrica. No kaizen o melhoramento é feito de pouco em pouco todos os dias e o investimento é feito em pessoas, dependendo do esforço e determinação dos funcionários. Por outro lado existe a inovação que é feita com espaço de tempo onde as mudanças são maiores e o investimento também é maior dependendo muitas vezes de informatização, sistemas, tecnologias. (IMAI, 1992) Segundo Razeghi (2008), o kaizen é uma filosofia de melhoria contínua, já a inovação é uma filosofia de criação contínua, sendo as duas muito importantes para o crescimento, a melhoria e a criatividade. 63 Criatividade é muito mais do que uma questão de recursos. É uma questão de recursos mentais. “Faça acontecer e descubra uma forma” são ordens frequentes proferidas por aqueles que são responsáveis por trazer inovação. (RAZEGHI, 2008, p.104) Para Imai (1992), o controle total da qualidade foca na qualidade das pessoas, para assim alcançar a qualidade nos produtos e serviços. As pessoas devem estar preparadas para identificar, trabalhar e resolver um problema. O controle da qualidade total deve direcionar a empresa para lucros mais altos, estimular os funcionários a usarem todo o potencial, criar produtos de qualidade com base na opinião dos consumidores, e sempre que for criado um produto de qualidade e bem aceito deve-se padronizá-lo. Qualidade significa conformidade com especificações, que variam consoante às empresas de acordo com as necessidades dos clientes, a qualidade deve ser planejada e não inspecionada. (MUTO; TAVEIRA, 2006) O kaizen pode ser segmentado em três níveis: administração, grupo e pessoas. O primeiro foca nas questões logísticas e estratégicas, oferecendo o incentivo para manter o progresso e a moral, o segundo tem como foco o trabalho em grupo, desenvolvimento de novos procedimentos e padrões, oferecendo todo o suporte para isso, já o terceiro foca na forma de sugestões, influenciando os funcionários a pensar em algo melhor e buscar colocar em prática. (IMAI,1992) Segundo Chiavenato (2006), o kaizen, não tem como base a participação de equipes de especialistas, mas sim a participação de todos os funcionários, o trabalho em equipe é fundamental, pois, todos os assuntos são responsabilidades de todas as pessoas. Sendo assim o kaizen requer pessoas incentivadas a pensar, que sejam críticas e construtivas. 2.5.4 Administração multifuncional e de desdobramento de plano de ações Existem dois conceitos básicos de administração, o multifuncional e o desdobramento do plano de ações, ambos apoiam o controle total da qualidade. A primeira coordena as atividades para a realização das metas, já a segunda implanta os planos de ações. Os dois conceitos foram criados para contribuir nas tomadas de decisões, elaboração de metas, aumentar os lucros. A administração multifuncional tem como objetivo integrar a produção, 64 engenharia, finanças, vendas e serviços, para conseguir melhorar cada vez mais os treinamentos, satisfazer os consumidores, controlar custos, desenvolver novos produtos. Se esta administração não for desenvolvida bem, perderá qualidade, aumentará os custos, diminuirão os lucros, os produtos não serão entregue nos prazos. (IMAI,1992) Uma equipe multifuncional inclui projetistas, engenheiros, manutenção, atendimento ao cliente, todos interligados buscando o melhor resultado para a empresa e produtos. (DAVIS; AQUILANO; CHASE, 1999) 2.5.5 Kaizen e a mão de obra Segundo Imai (1992), o que dá inicio ao kaizen é um problema, gerado tanto no processo, como no produto ou na administração. Se não existe problema não tem estímulo para o melhoramento, um grande problema é que muitas vezes os funcionários deixam um problema para outra pessoa resolver. O funcionário que tem o interesse em crescer deve conhecer não apenas a sua tarefa e sim o processo como um todo, estando preparado para novas oportunidades. A verdadeira solução de um problema necessita de identificação da raiz e não da fonte, muitas vezes identificam-se apenas as consequências e não encontram o motivo verdadeiro do mesmo. (LIKER, 2004) O kaizen busca a satisfação do consumidor, se o mesmo não estiver satisfeito os esforços foram inúteis, a maioria das vezes a satisfação é dividida em qualidade, programação ou custos. Para manter um produto de qualidade, deve ser confiável. É muito importante uma boa relação com seus fornecedores, o mesmo deve ser pontual, ter um bom preço e matéria-prima de qualidade. (IMAI,1992) 2.6 Optimized production technology – Tecnologia de produção otimizada - (OPT) OPT é uma técnica desenvolvida por um grupo de pesquisadores israelenses, na qual fazia parte o físico Eliyahu Goldratt, o principal divulgador de seus princípios. 65 Conforme Corrêa e Gianesi (1993), o OPT é um sistema de administração da produção que se compõe de dois elementos fundamentais: sua filosofia e um software proprietário. A meta principal das empresas é o lucro, e o sistema de manufatura contribui para isso atuando em três elementos: fluxo, estoque e despesas operacionais. Segundo a filosofia, para a empresa ganhar mais dinheiro, é necessário que, o nível da fábrica, aumente o fluxo e ao mesmo tempo reduzam os estoques e as despesas operacionais. Atingindo este objetivo estará aumentando seu desempenho a fim de aumentar o lucro líquido, o retorno sobre investimento e o fluxo de caixa. Ainda segundo Corrêa e Gianesi (1993), as definições destes três elementos são: a) Fluxo: é a taxa segundo o qual o sistema gera dinheiro através da venda de seus produtos; b) Estoque: é todo dinheiro que a empresa empregou nos bens que pretende vender; c) Despesas Operacionais: dinheiro que o sistema gasta a fim de transformar estoque em fluxo. 2.6.1 A ferramenta OPT e seus princípios Segundo Slack, Chambers e Jhonston (2002), o OPT é uma técnica computadorizada que auxilia a programação de sistemas produtivos, ditado por recursos mais carregados, que são os gargalos. Se a taxa de atividade em qualquer parte do sistema exceder a do gargalo, alguns itens estarão sendo produzidos sem que possam ser utilizados. Se a taxa de trabalho cai abaixo do ritmo no gargalo, todo sistema é subutilizado. Ainda conforme Slack, Chambers e Jhonston (2002), há determinados princípios por trás do OPT, os quais demonstram seu foco nos gargalos: a) nível de utilização de um não gargalo é realizado por alguma outra restrição, não por sua própria capacidade; b) balanceia o fluxo, não a capacidade; c) capacidade e prioridade devem ser estabelecidas olhando todas as restrições; 66 d) os gargalos governam tanto a taxa de produção como os estoques do sistema; e) uma hora perdida num recurso gargalo é uma hora perdida para sempre em todo sistema; f) uma hora poupada num recurso não-gargalo é uma miragem; g) o lote de transferência pode não ser igual ao lote de processamento; h) utilização e ativação de um recurso não são sinônimos. Não adianta fabricar se não há venda do produto; i) o lote de processamento deveria ser variável e não fixo; j) os tempos de produção são resultados da programação e não podem ser determinados a priori. 2.6.2 Drum-buffer-rope (Tambor-depósito-corda) Segundo Slack et al. (2008), o conceito tambor-depósito-corda vem da Teoria das Restrições. É uma ideia que ajuda a decidir exatamente onde o controle deveria ocorrer. Se o gargalo é a restrição principal, ele deveria ser o ponto de controle de todo processo. Figura 19: Conceito Pulmão, Tambor e Corda Fonte: Slack et al., 2008, p. 348 O gargalo é o tambor, porque é ele quem determina o ritmo que o resto do processo deve seguir. Por não ter capacidade suficiente, um gargalo está trabalhando o tempo todo. É sensível manter a manutenção de um pulmão de estoque antes dele, para ter certeza de que ele sempre tenha algo em que trabalhar. Ele também restringe a produção de todo processo, qualquer tempo perdido no gargalo afetará a produção em um todo, fazendo que não valha a 67 pena para as partes do processo antes do gargalo trabalhar a capacidade plena, o trabalho se acumularia posteriormente ao longo do processo até o ponto onde o gargalo está restringindo o fluxo. Portanto, alguma forma de comunicação entre o gargalo e a entrada do processo é necessária para ter certeza de que as atividades antes do gargalo não provoquem superprodução. Essa comunicação é chamada de corda. 2.6.3 Programação de produção com software Segundo Marchese (2010), existem dois algoritmos distintos para implementar a técnica do OPT. Um refere-se aos recursos gargalos designado por módulo OPT com uma lógica de programação finita para frente definindo a sequência de produção contínua do recurso crítico, ou seja, unidade seguida de unidade, de modo a não existir tempo morto, sem preocupações com os restantes recursos do sistema; outro, designado por módulo Server referente aos recursos não gargalos com uma lógica de programação infinita para trás, tendo em consideração as quantidades e as datas de chegada dos materiais aos depósitos. Este módulo vai exigir coordenação entre a chegada de material vindo do recurso gargalo e não-gargalo de modo a não existirem pausas na produção. Ainda segundo Marchese (2010), o número de indústrias a utilizar esta técnica de gestão de produção é relativamente escasso. Por essa razão o software utilizado tende a ser de elevado valor, sendo normalmente atribuído às empresas todo o direito de utilização e comercialização. Outro aspecto importante a referir é a falta de atualização que provoca a um elevado custo de manutenção, criando assim insatisfação aos seus utilizadores. Novas versões surgem quer pela necessidade de atualização do sistema quer pela melhoria dos aspectos ergonômicos na utilização destes sistemas. 2.6.4 Vantagens do OPT O OPT auxilia as empresas na redução dos seus lead-times (cerca de 30%) e dos estoques (cerca de 40 a 75%), também facilita a flexibilidade do sistema produtivo para alterar o seu mix de produção, considera também os 68 recursos-gargalo como merecedores de especial atenção, porque são destes recursos que depende a produção da empresa. E é nesta perspectiva que o OPT auxilia as empresas a focalizarem as suas atenções nos problemas que possam comprometer o desempenho. Os resultados da implementação do OPT fazem-se notar rapidamente, pois o esforço de implementação é menor devido à focalização da atenção em poucos pontos considerados críticos. O método pode ser usado como um simulador da fábrica. (CORRÊA; GIANESI,1993) 2.6.5 Limitações do OPT Como o OPT é um sistema computadorizado, ele centraliza a tomada de decisões. Resta pouca área de manobra para os operadores, o que pode dificultar um maior comprometimento da força de trabalho com os objetivos da empresa. Outra desvantagem é o elevado preço por se tratar de um software proprietário a empresa cria uma dependência com o seu fornecedor ao adaptálo. Para, além disso, o software OPT não tem uma interface amigável para o utilizador, apesar de o fornecedor esforçar-se para resolver esse problema. (CORRÊA; GIANESI,1993). Uma dificuldade do método OPT é a identificação dos recursos gargalos, já que muitos fatores podem contribuir para mascarar gargalos verdadeiros, como lotes excessivos, práticas tradicionais na produção, entre outros. Se o gargalo for erradamente identificado, o desempenho do sistema fica comprometido. OPT é um sistema que requer certa habilidade analítica do programador, o que exige treino extensivo e perfeita compreensão dos princípios envolvidos. (CORRÊA; GIANESI,1993) 69 CAPÍTULO III ESTUDO DE CASO MYKO'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA 3 INTRODUÇÃO Com o objetivo de demonstrar que o sistema de produção enxuta busca aprimorar a organização com suas ferramentas e técnicas, procurando diminuir o tempo dos processos, minimizar os desperdícios e possibilitando a melhoria contínua, foi realizada uma pesquisa de campo na empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda., no período de fevereiro a outubro de 2012. Para a realização da pesquisa, foram utilizados os seguintes métodos e técnicas: Método de Estudo de Caso: foi realizado um estudo de caso na empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda., analisando aspectos voltados para a área de produção. Método de Observação Sistemática: foram observados, analisados e acompanhados os procedimentos realizados pela empresa, como suporte para o desenvolvimento do estudo de caso. Método Histórico: foram analisados os dados e evolução histórica da empresa, além da pesquisa bibliográfica como suporte para o desenvolvimento do estudo de caso. Para a eficácia da aplicação dos métodos, foram utilizadas as seguintes técnicas: Roteiro de Estudo de Caso (Apêndice A) Roteiro de Observação Sistemática (Apêndice B) Roteiro do Histórico da empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. (Apêndice C) Roteiro de entrevista para o Gerente Geral (Apêndice D) Roteiro de entrevista para os Funcionários (Apêndice E) 3.1 Pontos de desperdício O processo produtivo da empresa Myko’s utiliza a produção puxada, ou 70 seja, confecciona somente através de pedidos e, durante todo o processo de produção, procuram utilizar, da melhor forma, os materiais disponíveis evitando sobras. A filosofia do JIT visa a eliminação do desperdício, procurando atingir o estoque zero. A empresa analisada mantém um estoque de matéria prima para atender instantaneamente a demanda que surgir, pois normalmente alguns clientes necessitam que os produtos acabados sejam entregues em curtíssimo espaço de tempo. Como sua produção é puxada, há a necessidade de uma variedade de matéria prima, como tecidos de diversas cores e tipos, o que não significa que o estoque seja elevado em quantidade e sim em variedade. Já com o estudo do layout, busca-se a utilização racional do espaço físico, reduzindo ao mínimo as movimentações de materiais, produtos e pessoas, oferecendo melhores condições de trabalho, evitando investimentos desnecessários, permitindo manutenção, supervisão e obtenção da qualidade e especialmente redução do tempo de atividades que não agregam valor ao produto final. Na empresa Myko’s, o arranjo físico foi adaptado ao prédio existente, limitando a realização de um layout ideal. Não foram detectados pontos críticos na produção, devido ao fato de que a mesma atende a demanda dentro do tempo solicitado por seus clientes, estando algumas vezes com suas instalações ociosas em determinados períodos. Porém, em outros períodos específicos há uma grande demanda de serviços. Neste contexto, o que se pode observar é o fato de que há alguns pontos em relação ao espaço físico disponível que podem ser melhorados para maior eficiência na produção. O kaizen é uma forma de atingir muitos e pequenos melhoramentos com pouco investimento, buscando alcançar padrões cada vez mais elevados. O principal caminho é o investimento na mentalidade dos colaboradores, pois assim é possível atingir uma melhoria gradual e contínua. Na confecção, o proprietário não utiliza a técnica kaizen na sua produção, porém esta ferramenta pode ser utilizada periodicamente através de eventos kaizen para assim conseguir o melhoramento contínuo da sua produção, a fim de minimizar os problemas e agregar qualidade. Os eventos kaizen são reuniões formais ou informais em datas pré-definidas em que o proprietário se reúne com os colaboradores e colhe informações do que é preciso mudar e como esta 71 mudança pode ocorrer, implantando as melhores ideias e avaliando os resultados depois de um período. O OPT é um sistema de administração de produção que se compõem de dois elementos fundamentais: sua filosofia e um software proprietário, ou seja, auxilia a programação de sistemas produtivos focado nos possíveis gargalos existentes no processo. Devido à empresa ser de pequeno porte e esta ferramenta ser de alto custo, torna-se inviável a utilização da mesma. Entretanto, diante de um aumento da produtividade, a utilização do OPT ajudará a identificar os possíveis gargalos, porém para este investimento precisará ser analisada a relação do custo e benefício para a sua implantação. 3.2 Redefinição do layout Sendo a empresa de pequeno porte, o proprietário não vê a necessidade de mudança no layout, entretanto, é preciso alterá-lo, seja com a demanda atual ou com um possível aumento de produção. Para alcançar o arranjo físico ideal, é necessário utilizar racionalmente o espaço físico disponível e reduzir ao mínimo, as movimentações de materiais, produtos e pessoas, para assim obter um fluxo coerente de fabricação e oferecer melhores condições de trabalho aos funcionários. Será detalhado abaixo o fluxo atual da empresa, podendo ser visualizados, no ANEXO A, alguns pontos que podem prejudicar o desempenho do processo produtivo: a) Etapa 1: estoques - os estoques de matéria prima encontram-se em pontos diferentes, sendo que alguns dos estoques ficam no meio da linha de produção atrapalhando o fluxo; b) Etapa 2: mesas de corte - as mesas de corte ficam próximas aos estoques, porém distantes uma da outra, atrapalhando o processo produtivo por encontrarem-se no centro da produção, não apresentando um fluxo lógico do processo produtivo; c) Etapa 3: material do corte para o silk - após o material ser cortado, é enviado para uma mesa de apoio, aguardando para ser silkado; d) Etapa 4: preparação da tela - o responsável pelo setor do silk prepara a tela enquanto o material aguarda na mesa de apoio; 72 e) Etapa 5: mesas de silk - enquanto aguarda a secagem das telas, o funcionário organiza o material cortado nas mesas para receber silk; f) Etapa 6: material do silk para a costura - após o material ser silkado é levado para uma mesa de apoio, que se encontra longe deste processo, aumentando o tempo de movimentação de material e desperdiçando tempo; g) Etapa 7: costura - o setor de costura encontra-se no local correto e recebe o material da funcionária que auxilia as costureiras; h) Etapa 8: verificação do material acabado - a mesma funcionária que auxilia as costureiras recebe o material pronto, verifica se não há defeito, dobra, embala e envia para o estoque de material acabado; i) Etapa 9: estoque de material acabado - local onde as peças que foram confeccionadas ficam guardadas até a data prevista para a entrega. Mediante explicações acima, para que o layout fique de forma adequada, deverá sofrer as seguintes alterações, as quais podem ser observadas no ANEXO B: a) Etapa 1: estoque de matéria prima - alterar todo o estoque de matéria prima que hoje encontra-se no centro da linha de produção, para uma área inativa próxima a uma porta utilizada para o recebimento de material, permitindo uma melhor organização destas matérias primas (tecidos para confecções); b) Etapa 2: mesas de corte - após mudança acima, as mesas de corte serão reorganizadas próximas ao novo local do estoque de matéria prima para que não haja excessiva movimentação de material; c) Etapa 3: material do corte para o silk - esta mesa de apoio deverá ficar entre as mesas de corte e as mesas de silk, auxiliando a movimentação de material de um setor para o outro, ficando assim no fluxo correto; d) Etapa 4: preparação da tela - esta etapa do processo não sofrerá alterações, pois encontra-se na localização ideal dentro do processo produtivo; e) Etapa 5: mesas de silk - estas ficarão ao lado do novo local das mesas de corte, ficando próximas ao setor de preparação das telas; 73 f) Etapa 6: material do silk para a costura - esta mesa de apoio deverá fica entre o setor do silk e o de costura, diminuindo assim a grande movimentação de material existente; g) Etapa 7: costura - como o setor de costura já se encontra no fluxo correto, este não sofrerá alterações; h) Etapa 8: verificação do material acabado - não há a necessidade de alterações em sua localização; i) Etapa 9: estoque de material acabado - o armazenamento do produto acabado deverá ficar próximo a escada do corredor de entrada e saída. 3.3 Eliminação do gargalo existente Diante da demanda atual, não existem problemas críticos no processo produtivo, porém se ocorrer um aumento excessivo de produção, o setor de silk que hoje é considerado o gargalo, precisará ser modificado. Caso haja um aumento na demanda, os setores de molde e corte, não sofrerão necessidade imediata de alterações, já que o funcionário que utiliza o molde é o mesmo que exerce a função de corte e devido os moldes já estarem prontos; sendo que atualmente este setor tem capacidade ociosa. Para atender sua demanda atual, a empresa dispõe de três mesas de silk, com capacidade para silkar um lote de 60 peças por vez, sendo que o funcionário do setor consegue em um dia de trabalho produzir 120 peças. Atualmente é utilizada apenas 50% de sua capacidade produtiva, pois o funcionário responsável é contratado para trabalhar apenas no período da tarde. Mediante este contexto, a disponibilidade de um colaborador em período integral, conseguiria eliminar o tempo ocioso, produzindo 240 peças por dia, sendo esta aproximadamente, a quantidade produtiva diária do setor de costura, pois hoje este setor em 9 horas/dia consegue confeccionar 250 peças/dia. Porém, seria necessário fazer uma análise com mais cautela, pois devese prever o tempo de secagem dos produtos silkados, pois caso as peças produzidas no período da tarde não secarem, tais produtos somente poderiam 74 ser trabalhados pela equipe de costura no dia seguinte, resolvendo parcialmente o problema da produção. Outra opção seria se a empresa, em um eventual aumento de produção, para que o lote não fique limitado a 60 peças, manter seis mesas de silk (o dobro do que há atualmente), para melhor atender a demanda. Ao invés de silkar 60 peças por lote, teriam a capacidade de silkar 120 peças por vez, atingindo a capacidade para 240 peças por dia, sendo que todas as peças poderiam ser silkadas no período da manhã, possibilitando dar o tempo de secagem para que as peças possam ser produzidas no mesmo dia. Como o silk hoje produz 120 peças/dia, ele torna-se um gargalo para o setor produtivo, entretanto, atualmente, o setor de costura não fica com seu tempo ocioso, pois, enquanto aguardam a finalização de um lote do silk, são confeccionadas peças referentes a pedidos com prazo maior de entrega. Em um eventual aumento de produção ou caso haja necessidade de substituição de colaboradoras, a falta de padronização neste setor pode gerar problemas na produção, pois as costureiras não seguem um padrão na execução dos serviços (todas trabalham em função da finalização de um mesmo pedido). Quando uma colaboradora finaliza uma etapa de produção antes da outra colaboradora, a primeira procura auxiliar àquela que estiver precisando finalizar um trabalho, e este processo funciona devido às colaboradoras estarem trabalhando juntas há algum tempo. Sendo assim, elas têm consciência dos serviços que devem ser executados, trabalhando em sincronismo umas com as outras. No setor de embalagem, devido a atual demanda, a colaboradora possui tempo ocioso, permitindo auxiliar as costureiras. Com o aumento da produção, a pessoa responsável deverá dedicar-se somente ao setor a que é destinada. Para que o layout seja melhor aproveitado, o estoque de material acabado deve ser deslocado para a área inativa do piso superior, desocupando espaço na linha de produção. Para esta movimentação do estoque, é conveniente a implantação de um elevador simples para transporte de produtos acabados. Este elevador poderá ser uma caixa de pequenas dimensões acionado por um pequeno motor; deste modo aceleraria o transporte de produtos acabados, evitando acidentes no transporte através das escadas, o qual irá, também, agilizar o processo. 75 Para adequação do arranjo físico e proporcionar melhores condições de trabalho, é proposto que a cozinha, que atualmente fica ao lado do setor de costura, seja remanejada para outra sala da área superior inativa do prédio. Após as análises realizadas, seguem as devidas modificações no ANEXO C. 3.4 Parecer final Após analisar o processo produtivo da empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. foi possível constatar que atualmente a empresa não sente a necessidade de mudanças, devido à existência de tempo ocioso e de sua demanda ser baixa. Na empresa estagiada, o proprietário busca evitar desperdícios de matéria prima no corte e o seu processo produtivo permite confeccionar e entregar produtos nos prazos estabelecidos, apresentando bons resultados, oferecendo qualidade em seus produtos, fidelizando seus clientes e consequentemente obtendo boa lucratividade. Como comentado anteriormente, a empresa mantém um estoque necessário para atender a demanda. Com base na teoria do layout, é possível comprovar a necessidade de alteração do arranjo físico, buscando agilizar o processo produtivo, minimizando tempo e movimentações de materiais. Embasado nas informações teóricas e práticas apresentadas e desenvolvidas neste trabalho, conclui-se que a utilização de alguns conceitos do sistema de produção enxuta contribuirá na otimização e eficiência da produção, através da eliminação de desperdícios no processo produtivo, entretanto, em relação à demanda atual, não sofrerá grandes impactos em sua eficiência. 76 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO I Com base nas visitas e pesquisa realizada, conclui-se que o ponto a ser melhorado na empresa está ligado ao layout, havendo a necessidade de redefinir o arranjo físico atual. Sendo assim, propomos as alterações conforme detalhado no tópico 3.2, onde todos os setores devem ser reorganizados, tornando o fluxo contínuo, diminuindo a movimentação de material e pessoas, eliminando o desperdício de tempo, proporcionando benefícios e melhores resultados. Conforme a teoria pesquisada e análise do estudo de caso, observa-se a importância do layout em qualquer empresa, independentemente do seu ramo ou tamanho, pois o seu estudo e aplicação de forma adequada contribui na melhoria do processo produtivo. 77 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO II Com a pesquisa realizada na empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda., chega-se a conclusão de que, embora atualmente não represente problema crítico na atividade produtiva, pois as instalações, na grande maioria do tempo, atendem as necessidades de seus clientes, poderia melhorar a eficiência da produção através de uma adequação no setor de silk para trabalhar em conjunto ao setor de costura, e poderia se tornar um gargalo caso haja um aumento considerável na demanda. Caso haja a necessidade de atender a um aumento da demanda, propomos a análise do tópico 3.3, no qual foi descrito: a) a contratação do colaborador em tempo integral, eliminando o período ocioso e o gargalo existente ou a implantação de mais três mesas de silk, tornando o processo mais eficiente, conseguindo produzir a quantidade necessária para atender o setor de costura. Caso esta proposta seja implantada e as mesas de silk comecem a produzir com 100% de sua capacidade (9 horas/dia), o setor de costura precisará ser analisado em futura pesquisa para melhorar a eficiência da produção, através da padronização dos serviços executados. Assim a empresa precisará verificar o custo benefício de cada opção e analisar qual é a mais viável atualmente. 78 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO III Atualmente a capacidade do setor de silk é de 60 peças por vez, conseguindo confeccionar 120 peças/dia, porém somente após a confecção da capacidade total do dia, as peças são encaminhadas ao setor de costura, formando um único e grande lote. Buscando diminuir o tempo do processo produtivo, propomos que a cada lote (60 peças) silkado, o mesmo seja encaminhado para a costura, procurando utilizar o conceito mais próximo do Just in Time ao processo. Isto diminuiria o tempo total de produção e permitiria detectar eventuais problemas na produção. . 79 CONCLUSÃO Atualmente as organizações bem sucedidas caracterizam-se por intensos e contínuos esforços em busca de um diferencial para destacar-se no mercado. Uma das formas de alcançar este objetivo encontra-se na aplicação do sistema de produção enxuta ou Sistema Toyota de Produção. A utilização deste modelo, através de suas ferramentas e técnicas, permite identificar os pontos necessários para aprimorar a organização de forma a atender as necessidades dos clientes, com maior qualidade, menor prazo e o mais baixo custo possível. A revisão bibliográfica agregou uma série de fundamentos sobre o sistema de produção enxuta e de como a sua utilização contribui para a evolução e melhoramento do processo produtivo através da redução de atividades que não agregam valor ao produto final, visando a diminuição dos estoques, produzindo apenas o que a demanda exige, buscando a produção just-in-time, minimizando as perdas, aumentando a eficiência, produzindo mais com menos recursos necessários, tornando o empreendimento mais ágil e competitivo, aumentando então as oportunidades de negócios. A teoria afirma que as empresas pensam que trabalham com a produção enxuta na sua totalidade, mas na realidade trabalham apenas com uma ou outra ferramenta. Analisando a empresa pesquisada, constatou-se a necessidade de uma alteração no arranjo físico, ainda que atualmente, pela demanda de seus produtos, este não afete a produtividade. Já com um possível aumento de produção o desempenho do processo produtivo ficará prejudicado. Para eliminar o gargalo existente, foi proposto o aumento na quantidade de mesas de silk, o que irá aumentar a produtividade do processo produtivo como um todo. O assunto não está esgotado, pois o Sistema Toyota de Produção é mais que um conjunto de ferramentas, é uma cultura baseada em 14 princípios que deve ser cultivada entre os colaboradores a todo momento e em todos os níveis da empresa, podendo outros acadêmicos aprofundar os conceitos expostos no presente trabalho. 80 REFERÊNCIAS ABRANTES, A. F. Atualidade em ergonomia: logística, movimentação de materiais, engenharia industrial, escritórios. São Paulo: Imam, 2004. ARAUJO, L. C. G. 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In: Encontro Científico e Simpósio de Educação UNISALESIANO I – Lins, SP, Brasil, 17 a 20 de out. 2007 83 APÊNDICES 84 APÊNDICE A - Roteiro de estudo de caso 1 INTRODUÇÃO Serão apresentados os objetivos do estudo de caso, assim como os métodos e técnicas utilizadas na coleta de dados e as facilidades e dificuldades encontradas na pesquisa de campo. Será realizado um estudo de caso, na empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. – Lins/SP, analisando os conceitos do Sistema de Produção Enxuta. 1.1 Relato do trabalho realizado referente ao assunto estudado: a) Conhecer o processo produtivo. b) Detectar pontos de perdas. c) Execução das atividades que não agregam valor. d) Através dos conceitos do Sistema de Produção Enxuta, corrigir os pontos falhos detectados. 1.2 Discussão Através da pesquisa realizada, será feito um confronto entre a teoria estudada e a prática realizada pela empresa. 1.3 Parecer final sobre o caso, e sugestões sobre manutenção ou modificações de procedimentos. 85 APÊNDICE B – Roteiro de observação sistemática I IDENTIFICAÇÃO Empresa: _______________________________________________________ Localização: _____________________________________________________ Ramo de atividade: _______________________________________________ II ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS a) Histórico da empresa. b) Instalações e infraestrutura. c) Demanda d) Processo Produtivo: situação atual e) Cronometrar o tempo de execução das atividades. f) Detectar possíveis perdas ocorridas no processo produtivo g) Avaliar pontos que possam ser aplicados conceitos relativos ao Sistema de Produção Enxuta. 86 APÊNDICE C – Roteiro histórico da empresa Myko’s Indústria e Comércio Ltda. I IDENTIFICAÇÃO Empresa: _______________________________________________________ Localização:_____________________________________________________ Atividade Econômica: _____________________________________________ Data de Fundação:________________________________________________ II ASPECTOS A SEREM DESCRITOS a) Fundação. b) Evolução da Empresa. c) Evolução das Atividades. d) Investimentos. e) Perspectivas. 87 APÊNDICE D – Roteiro de entrevista para o gerente geral I IDENTIFICAÇÃO Função:_________________________________________________________ Tempo de Função: ________________________________________________ Formação:_______________________________________________________ Experiência: _____________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. Qual a relevância de utilizar as ferramentas da produção enxuta na empresa? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2. Na sua opinião, ter uma produção enxuta gera competitividade? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 Quais os benefícios de trabalhar com o sistema de produção puxado? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4 O just-in-time auxilia os gerentes de produção na execução de suas atividades, como você trabalha com esta ferramenta? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 88 5 O kaizen é a melhoria contínua e a qualidade total aplicada na produção. Você observa isto na sua empresa? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6 Você considera o layout da sua empresa adequado? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6.1 No caso de aumento de produção o layout atual atenderá a nova demanda? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7 Você como líder, vê cooperação e espírito de equipe nos seus funcionários? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 8 Quando surge o conflito nas equipes, o mesmo pode ser considerado como motivador de mudanças e ter uma colocação positiva? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 89 APÊNDICE E – Roteiro de entrevista para os funcionários I IDENTIFICAÇÃO Função: ________________________________________________________ Tempo de Função:________________________________________________ Formação: ______________________________________________________ Experiência:_____________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Quais os tipos de pedidos (modelos de roupas) que a empresa atende? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2 Qual o “carro chefe”, o modelo que é mais solicitado? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 Como vocês evitam desperdícios no processo produtivo? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4 Todas as costureiras estão preparadas para assumir a função que outras realizam? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 90 5 Quando ocorrem atrasos na entrega dos pedidos, quais os principais motivos? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6 Vocês sabem o tempo médio gasto para atender a um determinado pedido? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7 Vocês tem alguma sugestão para melhorar a qualidade da produção? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 91 ANEXOS 92 ANEXO A – LAYOUT ATUAL 93 ANEXO B – LAYOUT COM FLUXO ORGANIZADO 94 ANEXO C – LAYOUT COM IMPLANTAÇÃO DA PROPOSTA