www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br SEGUNDA-FEIRA, 4 DE JULHO, 2011 | ANO 3 | Nº 465 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA O corpo do ex-presidente Itamar Franco será levado hoje a Belo Horizonte para receber honras fúnebres no Palácio da Liberdade. ➥ P36 Waldemir Barreto/Ag. Senado Escolas públicas de Pernambuco e Rio de Janeiro estimulam interesse dos alunos por meio de jogos virtuais e redes sociais. ➥ P14 R$ 2,00 Empréstimos ao comércio são os que mais crescem na carteira do BNDES O destino de recursos do banco de fomento, como os R$ 4 bi para viabilizar a negociação entre Pão de Açúcar e Carrefour, são questionados diante do pequeno aumento no ritmo de investimentos em infraestrutura e da baixa destinação a pequenas empresas. Enquanto isso, estratégia de guerra está armada para sustentar a discussão entre Pão de Açúcar e Casino com a rivalização jurídica dos ex-ministros da Justiça Márcio Thomaz Bastos (esq.) e José Carlos Dias. ➥ P4 Montagem com fotos de Marcela Beltrão e Eduardo Knapp/Folhapress Aeroportos podem ter soluções baratas Para especialistas, Brasil deveria seguir modelos de baixo custo testados em outros países para reduzir filas e melhorar atendimento, que podem ser implantados no curto prazo. Um dos exemplos é o compartilhamento de balcões de check-in. ➥ P10 Longe dos tempos de glória, GWI quer abrir o capital INDICADORES ▼ Ainda se recuperando do abalo da crise de 2008 em seus fundos alavancados, gestora já tem conselho de administração e auditores. ➥ P30 ▼ Parceria garante nova fase para o basquete nacional ■ Confederação Brasileira de Basquete e Brunoro Sport Business se unem para aumentar investimentos no esporte. ➥ P24 ▼ ▼ ▼ ▲ ▲ ▲ ▲ ▲ 1.7.2011 TAXA DE CÂMBIO COMPRA VENDA Dólar Ptax (R$/US$) 1,5591 1,5599 Dólar Comercial (R$/US$) 1,5567 1,5573 Euro (R$/€) 2,2618 2,2631 Euro (US$/€) 1,4507 1,4508 Peso Argentino (R$/$) 0,3791 0,3795 JUROS META EFETIVA Selic (ao ano) 12,25% 12,17% BOLSAS VAR.% ÍNDICES Bovespa - São Paulo 1,59 63.394,34 Dow Jones - Nova York 1,36 12.582,77 Nasdaq - Nova York 1,53 2.816,03 S&P 500 - Nova York 1,44 1.339,67 FTSE 100 - Londres 0,74 5.989,76 Hang Seng - Hong Kong feriado EUA guiam decisões do investidor Taxa de desemprego e definição do Congresso sobre dívida americana darão tom do mercado na semana. ➥ P32 2 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 NESTA EDIÇÃO OPINIÃO Henrique Manrezza Phonak planeja ampliar lojas próprias e crescer atendendo SUS Empresado gruposuíçoSonova, especializada em equipamentosauditivos, busca crescer2%acima do mercadonesteano. Aideia dePetroStern, presidente da Phonak, éfornecer material ao Sistema Únicode Saúde . Em2010,a filialbrasileirafaturouUS$ 60milhões. ➥ P23 Expert no ABC paulista, MZM prepara expansão em São Paulo Com 15 anos de atuação na Grande São Paulo, construtora agora mira em bairros da capital paulista como a Pompeia e o Butantã. Para a companhia, terrenos paulistanos são mais caros, mas o valor mais alto e a procura mais intensa compensam. ➥ P18 Ernesto Carriço Sérgio Vale Fabio Feldmann Economista-chefe da MB Associados Consultor em sustentabilidade Um novo Banco Central? Ampliar a cidadania socioambiental O mais recente relatório de inflação, a peça mais importante utilizada pelo repertório retórico do Banco Central, trouxe um banco mais enxuto nas palavras. Aquela visão meio tortuosa da conjuntura, com várias justificativas para o injustificável, cedeu lugar a um tom mais comedido, ao foco das causas básicas da inflação e uma novidade: estão olhando mais para frente. Há preocupação mais explícita agora com as expectativas de inflação, com os impactos do salário mínimo em 2012, quando subirá 14%, e do próprio aquecimento do mercado de trabalho em geral e com a continuidade de um cenário fiscal benigno, para usar uma palavra cara ao banco. Mas a síntese dessa percepção se deu nas próprias projeções para 2012, que mostram um IPCA acima da meta nos cenários estudados, resultado bem diferente do que o banco vinha insistindo em sugerir. Em outras palavras, nas atuais condições o IPCA chegaria a 4,5% apenas em 2013. Essa nova percepção do banco é uma aproximação com a realidade. Não é que o banco descobriu que agora a situação está ruim, mas houve uma convergência de análise do banco com o mercado. Vale aqui o velho adágio do antes tarde do que nunca. Entretanto, a vitória de um banco mais realista não está totalmente cantada. Ainda há resquícios no texto de que o cenário inflacionário está ficando mais favorável, por todas as razões espúrias que já discutimos nesse espaço. Basicamente, ainda se conta com uma melhora no cenário de commodities, que de fato ocorrerá, e que ainda poderá nublar a visão da inflação para os próximos trimestres. O país discute o licenciamento ambiental como se este fosse um mero conjunto de exigências cartoriais e burocráticas a gerar mais custos ao país. Tornou-se comum ouvir que as dificuldades do licenciamento são empecilhos ao desenvolvimento e que exigências ambientais não passariam de caprichos de ambientalistas xiitas e retrógrados, no governo ou na sociedade civil. A avaliação ambiental de empreendimentos, no Brasil genericamente denominada EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental), é um dos instrumentos mais importantes para a democracia. A razão é simples: somente através desses estudos e das respectivas audiências públicas o cidadão comum tem acesso a projetos que podem afetar concretamente a sua vida. De estradas, hidrelétricas, shoppings centers, até empreendimentos imobiliários com grande impacto, precisam ser debatidos antes da implantação. Muitas vezes, o debate traz melhorias nos projetos que passam a ser incorporadas no decorrer do licenciamento.Importantes obras de infraestrutura hoje instaladas seriam rejeitadas por uma avaliação técnica e por um olhar socioambiental: Angra dos Reis, Rio-Santos, Usina de Balbina no Amazonas, o Minhocão na cidade de São Paulo, entre outras. Uma crise internacional mal conduzida, que leve a Grécia a um impasse, pode reviver os dramas do Lehman Brothers em 2008 Mulheres brasileiras são as que mais influem nas decisões de consumo Pesquisa recente da Sophia Mind constata que em 66% das famílias brasileiras são as mulheres que decidem o que e onde comprar. Significa que num mercado que movimenta R$ 1,97 trilhão anualmente, cerca de R$ 1,3 trilhão é decidido pelo público feminino. ➥ P28 Transferência da Vulcabras para a Índia causa indignação na Bahia O maior grupo calçadista nacional, que tem 14 unidades em cidades baianas, já iniciou o processo de mudança da produção para o país asiático. Em Itapetinga já foram demitidas três mil pessoas, mas o total de demissões pode chegar a 18 mil em todo o estado. ➥ P26 É fato ainda que o problema principal não seja as commodities, mas a demanda doméstica que pressiona itens difíceis de reversão, como os serviços. Apesar desse toque de realidade do banco, a impressão que fica é que as dificuldades em acertar o passo desde o começo do ano passado podem colocar mais pressão nos juros nos próximos meses. Ao demorar a elevar a Selic em 2010, o BC deixou a inflação subir além do aceitável e trabalhar para trazê-la para a meta exigirá um esforço que terá que ir além da retórica. Isso joga por terra, por exemplo, o desejo de ter taxa real de juros a 2% em 2014. Significa também que a Selic deverá subir novamente em 2012. E ainda num cenário básico, a Selic deve chegar ao final do governo Dilma ainda em dois dígitos e precipitado justamente por um final de governo pressionado pelos gastos com os jogos e pelo ano eleitoral difícil que Dilma deverá enfrentar no final de seu mandato. Por conta das distorções em que se encontra a política fiscal, é mais verdade ainda que a pressão de controlar a economia fique nas mãos do BC. Menos mal que o banco finalmente tenha percebido o sentido dessa necessidade. O que pode desviar esse caminho? Uma crise internacional mal conduzida, que leve a Grécia a uma solução que gere impasse no sistema bancário europeu pode reviver os dramas do Lehman Brothers de 2008. E os impactos aqui de uma nova crise podem ser piores do que os sentidos em 2009 basicamente porque já gastamos política econômica além da conta na última crise, principalmente a fiscal. ■ É comum ouvir que dificuldades do licenciamento são empecilhos ao desenvolvimento e que exigências ambientais são meros caprichos Hoje, não há dúvida de que a localização escolhida para as nossas usinas nucleares é a pior possível, isto é, próxima a grandes centros urbanos. No caso de um acidente, condenaria uma das regiões de maior importância ecológica e paisagística do Brasil. A Rio-Santos, se fosse melhor discutida, teria um outro traçado mais condizente com a vocação turística da região do Litoral Norte de São Paulo e Sul Fluminense. Balbina não seria um dos péssimos exemplos da equação área inundada/produção de energia e o Minhocão não teria provocado a degradação de todo o entorno por onde passou, afetando a vida e a propriedade de milhares de pessoas. Antes da exigência da avaliação ambiental no Brasil, fortalecida constitucionalmente pela Constituição Federal de 88, governos implantavam projetos à revelia absoluta da sociedade: os cidadãos tomavam notícia dos empreendimentos pelo ronco dos tratores, sem que lhes fosse possibilitado acesso à informação sobre os mesmos e seus impactos. Até então, a democracia estava restrita ao exercício de mecanismos formais de cidadania, É óbvio, por outro lado, que precisamos melhorar muito o processo de licenciamento e de avaliação ambiental, de modo a torná-lo menos burocrático e cartorial e mais eficaz. Para isso, torna-se necessário se inovar no Brasil através da introdução da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), que já é praticada há muitos anos no exterior. A AAE permitiria que os programas e planos setoriais pudessem ser avaliados em um nível macro, deixando para os EIA-Rimas a avaliação na esfera exclusiva dos empreendimentos em si. Com isso, estes últimos seriam mais concisos, sem volumes e volumes de informações, frutos da compilação de estudos acadêmicos, que dificultam, no concreto, a leitura e avaliação pelos diretamente afetados pelos empreendimentos. Nas cidades, teríamos que implementar o estudo de impacto de vizinhança, que consta no Estatuto das Cidades, por mim introduzido por emenda nesta legislação. Certos empreendimentos, pela sua natureza, dispensam o Relatório Ambiental Preliminar versão simplificada, mas deveriam estar associados a esse mecanismo de avaliação de impactos socioambientais. Com isso, teríamos um grande ganho no exercício da cidadania. ■ Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 3 Divulgação PRODUTORES DE VINHO ITALIANO QUEREM SEDUZIR BRASILEIROS Avanço Henrique Manreza BandalargapodeunirTelebrásao sistema Eletrobras e à Petrobras ATelebrás deverá ser parceira das outras duas estatais na exploração das fibras óticas dessas empresas para oferta de banda larga, disse na sexta-feira Cezar Alvarez, secretário-executivo do Ministério das Comunicações. “É em cima da estrutura dessas empresas públicas que a Telebrás existe”, disse Alvarez à agência Reuters, acrescentando que a orientação da presidente Dilma Rousseff é levar a sinergia entre as estatais ao máximo. Uma hipótese mencionadapor ele é a de a Telebrás formar Sociedade de Propósito Específico (SPE) com as outras estatais para cuidar do serviço de banda larga regionalmente. Retrocesso Thaier al-Sudani/Reuters União Africana rejeita ordem de detenção contra Muamar Kadafi Em Siena, na região da Toscana, 350 vinicultores produzem cerca de 35 milhões de garrafas do tinto Chianti Classico. Os italianos dizem que este vinho não é simplesmente uma bebida alcoólica, mas um alimento líquido com alma. ➥ P16 A rejeição à ordem emitida pelo Tribunal Penal Internacional foi aprovada sexta-feira na reunião de cúpula da UA em Malabo, na Guiné Equatorial. Em resolução, a União Africana “decidiu que os Estados membros não vão cooperar com a ordem”, ao mesmo tempo em que pede ao Conselho de Segurança “aplicar os dispositivos para anular a sentença do TPI sobre a Líbia”. A UA também se declarou preocupada com a maneira pela qual o promotor do Tribunal Penal Internacional administra a situação no país africano. Assinala ainda que “a ordem de detenção complica seriamente os esforços destinados a encontrar uma solução política negociada para a crise.” TRÊS PERGUNTAS A... Divulgação ...CARLOS VISETTI Diretor-geral no Brasil da Trumpf, fabricante de bens de capital “Queremos entrar nos estaleiros, mas ainda não vendemos” fabricante de máquinas ferramenta espera dobrar a receita, até 2015, projeta Carlos Visetti, seu diretor-geral. Fabricantes de implementos rodoviários (chassi, freios), máquinas agrícolas, móveis, equipamentos para Tecnologia da Informação e fabricantes de outras máquinas estão puxando as vendas da alemã Trumpf no Brasil. A filial brasileira da Qual a perspectiva de crescimento da Trumpf no Brasil para este ano? Nosso ano fiscal terminou agora em junho. Em 2010/2011, devemos chegar perto de ¤ 50 milhões. Em relação ao ano passado, isso significa alta de quase 80%. Até 2014/2015, esperamos dobrar de tamanho no Brasil. Quais os principais investimentos planejados neste ano? Que setores estão puxando as vendas? Um é garantir disponibilidade de peças para reposição e melhorar do atendimento via call center. Também estamos ampliando o showroom, onde os clientes podem testar as máquinas, criando uma divisão dedicada a máquinas 3D, de solda, solda híbridas e outra dedicada a serviços. Dubes Sônego Implementos rodoviários (chassi, freios), máquinas agrícolas, móveis, equipamentos para TI fabricantes de outras máquinas ferramentas. Queremos entrar nos estaleiros, também, mas ainda não vendemos nenhuma máquina para eles. 4 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 DESTAQUE CONCORRÊNCIA Editado por: Cláudia Bredarioli [email protected] BNDES amplia financiamentos a comércio e serviços Empréstimos a empresas desses setores evoluíram em ritmo maior que os destinados a infraestrutura nos últimos três anos Ruy Barata Neto [email protected] Diante da iminência da liberação de cerca de R$ 4 bilhões para a viabilização da fusão entre o Pão de Açúcar o Carrefour, os questionamentos em torno do papel desempenhado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ganham ainda mais força se observada a trajetória da liberação dos empréstimos subsidiados ao longo dos últimos três anos. No período, o financiamento ao setor de infraestrutura — um dos gargalos do país que será sede de megaeventos esportivos — evoluiu menos quando comparado à variação de recursos liberados para negócios da indústria, comércio e serviços. Segundo os relatórios de desempenho setorial divulgados pelo banco, de 2008 até 30 de abril deste ano, os desembolsos para o comércio e serviços cresceram 235% e na área industrial, 198%, enquanto o volume aportado para infraestrutura aumentou aumentou apenas 103%. Nos últimos 12 meses terminados em abril deste ano, a liberação de recursos para a indústria alcançou o montante de R$ 78,6 bilhões, mas a infraestrutura obteve R$ 52,1 bilhões. O BNDES justifica o salto pelo plano de capitalização da Petrobrás — que demandou recursos da ordem de R$ 25 bilhões. Não fosse isso, os dois setores estariam equilibrados. Mas o fato é que o financiamento da indústria, comércio e serviços passou a evoluir em ritmo maior. Isso ocorreu entre 2008 e 2009, quando o banco iniciou política de apoio às grandes fusões corporativas: Votorantim Celulose e Aracruz (celulose e papel); Friboi e Bertin; Sadia e Perdigão (ambas alimentos e bebidas), Oi e Brasil Telecom (telefonia móvel), além de Totvs e Datasul (software). O montante de desembolsos para a indústria aumentou 63% enquanto que infraestrutura evoluiu 39% no acumulado do período. “Hoje podemos dizer que esse banco que financia grandes empresas concorre com o ban- Para Mansueto Almeida, do Ipea, o banco que financia grandes empresas concorre com o que fomenta a infraestrutura co de financiamento à infraestrutura, que tem um impacto social muito maior”, afirma o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto Almeida. Para Arthur Barrionuevo Filho, especialista em fusões e aquisições do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), é momento de se esclarecer as prioridades do BNDES como banco de fomento estatal. O economista refuta a ideia difundida pelo governo de que o apoio à megafusão no varejo se dê apenas com recursos captados em operações próprias do setor privado por meio do BNDESpar, braço de investimentos do banco. “Qualquer aplicação financeira pode trazer retorno, o problema é que os recursos para esses investimentos podem contar com repasses do Tesouro, o que exige subsídios do governo”, diz Barrionuevo. “É difícil dizer que se trata apenas de dinheiro privado”. Indústrias foram mais beneficiadas com recursos do BNDES do que obras de infraestrutura Carteira O BNDES diz que, em grande parte, os recursos utilizados no apoio às fusões são da carteira do BNDES-Par, com verba proveniente de rendimentos de investimentos em participações societárias, em debêntures e de venda de ações de mais de 150 empresas. O banco limita-se a dizer que “as operações nas quais o BNDES-Par participa não são realizadas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)”, uma das fontes públicas de financiamento do BNDES. Em nota, o BNDES ressalta que a carteira de ações totalizou R$ 102,9 bilhões, em 31 de dezembro de 2010, relativos a 81,8% do ativo total. O segundo maior ativo da BNDES-Par é a carteira de debêntures, no valor de R$ 13,1 bilhões na mesma data. O lucro do braço de investimento foi R$ 3,9 bilhões em 2010, valor equivalente ao que deve ser aplicado na operação entre Carrefour e Pão de Açúcar. Já o lucro total do sistema BNDES no ano passado atingiu o recorde de R$ 9,9 bilhões. ■ EVOLUÇÃO DOS FINANCIAMENTOS SETORIAIS DO BNDES Desde 2009, indústria supera infraestrutura nos desembolsos anuais DESEMBOLSOS DO BNDES, EM R$ BILHÕES 80 70 60 50 40 30 20 10 0 63,5 2008 2007 54,0 2009 54,0 2011 48,7 52,4 52,1 39,0 26,4 7,8 11,2 10,1 9,6 5,0 5,6 6,9 AGRO 2010 INDÚSTRIA 17,3 21,1 26,1 COMÉRCIO 25,6 35,1 INFRAESTRUTURA DESEMBOLSOS DO BNDES — VARIAÇÃO SOBRE PERÍODO ANTERIOR, EM % 2009 2008 0 2010 2011/2007 234,6 197,7 0 2011* 0 91,2 0 0 0 0 12,0 23,2 46,4 -5,6 AGRO 103,5 47,7 62,8 45,6 43,6 54,5 56,7 -3,7 -15,0 INDÚSTRIA Fontes: BNDES e Brasil Econômico 37,1 38,8 COMÉRCIO *12 meses até abril 7,6 -0,6 INFRAESTRUTURA Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS ➤ ● Ex-ministros da Justiça já sustentam juridicamente a discussão entre Pão de Açúcar e Casino, mesmo antes da abertura de um processo criminal. ➤ ● Expectativa é que discussão entre Pão de Açúcar e seu sócio francês Casino chegue ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). ➤ ● Pequenos varejistas reclamam que não têm acesso ao crédito oferecido pelo BNDES, enquanto o banco de fomento poderá disponilibizar R$ 4 bilhões para o Pão de Açúcar. Marcela Beltrão EM PAUTA Controlador do Casino tem reunião hoje com Luciano Coutinho Esta segunda-feira deverá ser decisiva para o destino do grupo Pão de Açúcar. Jean Charles Naouri, presidente e controlador do francês Casino, sócio de Abílio Diniz na rede brasileira, se reúne com a cúpula do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em local não revelado. Embora a disposição de Naouri seja refutar a proposta de fusão do Pão de Açúcar com a também francesa Carrefour — que concorre diretamente com o Casino no país de origem, o presidente da instituição financeira estatal, Luciano Coutinho, tentará convencê-lo a abrir caminho para a operação. O BRASIL ECONÔMICO apurou que, além da possibilidade de compensação financeira, o negócio poderá envolver outras contrapartidas de interesse do Casino, como ativos do Carrefour na Ásia e no Brasil. Ricardo Rego Monteiro Repasses somam quase R$ 300 bilhões Valor elevará dívida do BNDES para com o Tesouro para mais de 50% do endividamento total O volume de recursos repassados pelo Tesouro ao longo dos últimos três anos deve chegar a quase R$ 300 bilhões com a nova capitalização aprovada, na semana passada, pelo Congresso Nacional na ordem de R$ 55 bilhões. De acordo com cálculos do técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto Almeida, o valor elevará a dívida do banco com o Tesouro para mais de 52% das suas dívidas totais adquiridas com outras fontes de financiamento dentre as quais está o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo Almeida, estes débitos não passavam de 10% em 2007. “Os empréstimos do Tesouro para o BNDES foram os que cresceram muito nos últimos três anos”. O impacto disso é que o governo aumenta seu endividamento soberano por meio da emissão de títulos públicos. Essa dívida cresce a um ritmo de R$ 20 bilhões por ano, segundo o economista, por conta do diferencial de juros — já que governo paga taxa de retorno a investidores de 12,25% ao ano e empresta para o BNDES a 6%, sendo que ainda há outros programas com taxas mais atrativas. “São operações custosas e o governo sabe que não dá mais para continuar desse jeito”. Mesmo assim, os repasses do Tesouro ao longo dos últimos anos foram ainda maiores do que o necessário para cobrir os empréstimos liberados pelo BNDES. Almeida diz que o volume de repasses do governo ao banco de fomento foi quase 38% maior que os R$ 164,8 bilhões emprestados no Economista destaca que o governo diz que não tem dinheiro para saúde e educação, mas ao mesmo tempo faz uma série de operações na quais o custo fiscal para o país não fica explícito período. A “sobra” possibilitou ao BNDES acumular um caixa reserva superior a R$ 50 bilhões. Segundo o economista, teria sido este caixa de reserva o que possibilitou ao BNDES aumentar as aplicações em títulos públicos e em depósitos interfinanceiros. Além disso, o banco também gastou com retorno de dividendos ao governo, valor próximo a R$ 10 bilhões por ano. Segundo Mansueto, apenas nos últimos dois anos, o Tesouro obteve R$ 24 bilhões com pagamento de dividendos — algo considerado como anacrônico pelo economista, uma vez que “secar” as reservas do banco, que poderiam ser aplicadas em novos empréstimos, exigirá mais repasses. A justificativa de retomada de dividendos pode estar na necessidade de o Ministério da Fazenda compor metas de superá- vit primário — poupança obrigatória para o pagamento da dívida soberana. Mas Mansueto diz que o efeito não está trazendo resultado prático, já que a trajetória da dívida líquida sobre o PIB não está caindo. A crítica de Almeida é a de que a política de financiamento do BNDES é incoerente, visto que são projetos nos quais o setor privado tem capacidade de agir de forma independente por meio de captações em bancos privados e em parcerias internacionais. “A negociação não está sendo colocada como parte do debate sobre orçamento público. O governo diz que não tem dinheiro para saúde e educação, mas ao mesmo tempo faz uma série de operações nas quais o custo fiscal para o país não fica explícito”, diz. “E aposto que muitos deputados nem sabem disso”. ■ R.B.N. 6 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 DESTAQUE CONCORRÊNCIA Grupos Pão de Açúcar e Casino armam uma estratégia de guerra Dois ex-ministros da Justiça foram contratados antes mesmo de haver um processo criminal em curso Pedro Venceslau [email protected] As precauções jurídicas tomadas pelo empresário Abilio Diniz e seu sócio francês, Jean Charles Naouri, do Casino, lembram os lances do famoso jogo de tabuleiro War. Mesmo sem a existência de processos criminais instaurados dos dois lados da trincheira, os desafetos investiram alto para contratar advogados criminalistas que valem por um exército: o ex-ministro da Justiça de Lula, Márcio Thomaz Bastos, do lado de Diniz, e o exministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, José Carlos Dias, por Naouri. “Contratar dois advogados desse porte sem que haja um processo criminal e ostentar isso na imprensa é uma estratégia que me lembra o jogo War. Os dois lados colocam exércitos fortemente armados na fronteira e mandam seus diplomatas tomarem uísque para negociar. Alguém pode dar o primeiro tiro. Ou não”, compara o advogado criminalista Fábio Tofic, do escritório Tofic & Fingermann Advogados. Notas publicadas na imprensa nos últimos dias reforçam essa metáfora ao relatar que os dois “generais” teriam almoçado em um conhecido restaurante paulista. Enquanto as duas partes não tomam a iniciativa de declarar uma guerra jurídica que provavelmente terminaria no Superior Tribunal Federal (STF) ou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), as declarações públicas dão sinais das estratégias adotadas. Partiram de Dias as frases mais cortantes, como a que comparou os movimentos de Abilio Diniz a um “golpe de Estado corporativo”. Bastos respondeu publicamente. Segundo um experiente advogado que trabalhou com Thomaz Bastos no Ministério da Justiça, a munição verbal escolhida reflete muito mais o estilo dos advogados do que o temperamento dos seus clientes. No meio jurídico, a decisão de contratar dois ex-ministros da Justiça para cuidar do caso tem uma explicação simples: “Em primeiro lugar, o que um exministro escreve é lido com mais atenção e cuidado. Além disso, boa parte das nomeações para os tribunais passa pelo ministro da Justiça”, diz um ex-integrante do primeiro escalão do Ministério da Justiça. O tabuleiro estratégico está armado. O Casino pode ser Advogados têm mantido trocas públicas de acusações, supondo que guerra jurídica possa terminar no STF ou no Cade GUERRA DE EX-MINISTROS JOSÉ CARLOS DIAS MÁRCIO THOMAZ BASTOS MINISTRO DA JUSTIÇA DE FHC ENTRE 1999 E 2000 MINISTRO DA JUSTIÇA DE LULA ENTRE 2003 E 2007 FORMAÇÃO USP FORMAÇÃO CASOS FAMOSOS É o advogado de defesa do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, acusado de matar a ex-namorada acusado de manipular a Bolsa de Valores ao comprar US$ 1 bilhão em ações do Pão de Açúcar. Ao perceber o movimento, o grupo de Abilio Diniz pediu aos acionistas que não vendessem ações da empresa. Naouri também acusa Diniz de ter rompido o acordo de acionistas ao manter negociações “secretas” e “hostis” com o Carrefour. Para Marcus Elidius, professor-doutor em direito comercial pela PUC-SP, a contratação de dois ex-ministros tem um caráter preventivo para ver se existe concorrência desleal. “Trata-se de um presença justificável, uma vez que é muito provável que o caso termine no STF.” Além da esfera criminal, o professor explica que o processo vai por outro caminho paralelo e obrigatoriamente deverá ser submetido ao Cade. “Durante todo esse processo, o prestígio dos dois advogados vai contar muito”, diz o professor. ■ USP CASOS FAMOSOS Representou a construtora Camargo Corrêa, alvo da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Foi o principal consultor jurídico do governo no caso do “mensalão” e na quebra de sigilo do caso Francenildo RETAGUARDA Papel de Thomaz Bastos seria o de defender negócio junto ao governo Mais do que altamente simbólica para o mundo do direito, a contratação de Márcio Thomaz Bastos é entendida por especialistas como um passo à frente de Abilio Diniz no jogo de xadrez que se tornou a operação de compra do Carrefour. Com uma batalha envolvendo seu sócio francês em pleno andamento, o empresário teria se adiantado para levar vantagem no duelo. A chegada do ministro da Justiça de Lula — tido como estrategista e com ótimo trânsito político — seria uma forma de já pensar que, depois de resolvido o imbróglio societário, será preciso concentrar-se no embate com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Responsável por julgar negócios que levem à concentração de mercado, o atual perfil do órgão — técnico e composto por jovens — começou a ser desenhado durante a gestão de Bastos, lembra um advogado próximo ao ex-ministro. “A espinha dorsal do Cade tem muito do Márcio. Sua contratação serve para sinalizar o poder de fogo que Abilio Diniz tem nesse caso. O ex-ministro mescla conhecimentos do sistema antitruste com relações políticas bem costuradas”, diz. Certos dos desdobramentos societários e regulatórios que a operação terá ao longo dos próximos anos, especialistas não creem, porém, que algo relevante ocorra na seara criminal. “Seria uma surpresa. A não ser que o Casino tenha guardado uma ficha muito forte. Um trunfo do qual ainda não tenha lançado mão”, diz o fundador de uma tradicional banca paulista. Esse advogado entende que Thomaz Bastos foi contratado para defender o negócio no governo. “Bastos tem trânsito livre no governo e também tentará mostrar aos franceses que a participação do BNDES não configura ingerência”, afirma. Arbitragem polêmica Instaurado há cerca de um mês, o processo de arbitragem solicitado pela rede varejista francesa para questionar o namoro entre o concorrente Carrefour e Diniz no Brasil ensaia os primeiros passos. O painel será aberto na Câmara Internacional de Comércio, cuja sede fica em Paris. Por tradição, o tribunal analisa os processos previamente para evitar vícios que possam validar a decisão final. Essa primeira fase pode durar seis meses. Luciano Feltrin Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 7 8 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 DESTAQUE CONCORRÊNCIA Pequeno varejista tem dificuldade de acesso a banco de fomento Supermercados de menor porte também preveem mais dificuldade para negociar preços com fornecedores Murillo Constantino SOB A ÓTICA DOS PEQUENOS Pequenos varejistas dizem que terão de aumentar preços para repassar possível reajuste por parte dos fornecedores ● Acesso a recursos do BNDES não é fácil devido ao nível de exigência do banco de fomento. Para a modalidade de crédito direto a aprovação do financiamento pode durar um ano. ● O apoio do governo à fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour não é vista com bons olhos. A negociação vai criar um concorrente feroz, com forte influência entre os fornecedores, os quais vão tentar recuperar o prejuízo no pequeno varejo. Cintia Esteves [email protected] Enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assina embaixo para a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, os pequenos varejistas ainda veem os recursos do banco de fomento como um sonho distante. Na rede Futurama, com sete lojas em São Paulo, a ideia de conseguir um financiamento não foi levada adiante pois o nível de exigência do banco é muito alto. “É um processo muito trabalhoso e eles pedem muitas garantias”, diz Antonio de Souza, gerente da empresa. A Super Rede, central de negócios que concentra seis supermercados nordestinos, possui cerca de R$ 195 milhões em financiamentos junto ao BNDES, mas este valor poderia ser maior segundo o presidente da associação, Gladson Lemos. “Temos dificuldade para acessar o BNDES. Eles exigem muita documentação e níveis altos de faturamento por par- Cerca de 30% da indústria nacional desaprova a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, segundo pesquisa da Firjan; juntas, as duas empresas terão 27% do varejo brasileiro te das empresas”, afirma. O valor mínimo de financiamento no chamado crédito direto é de R$ 10 milhões. Abaixo desta quantia, as empresas devem recorrer aos bancos privados, os quais repassam recursos do BNDES. Recentemente, o atacadista Tenda conseguiu seu primeiro empréstimo junto ao banco de fomento. O montante de R$ 50 milhões será usado para expansão e levou um ano para ser aprovado. “Tivemos de apresentar um projeto. Foi trabalhoso, mas valeu a pena, pois o custo é muito mais barato”, diz Marco Gorini, diretor da Vox Cred, financeira do grupo Tenda. O executivo acredita que em uma próxima oportunidade o prazo para aprovação deva ser reduzido para cerca de seis meses. “Foi nosso primeiro financiamento com o banco, por isso demorou”. Não é só em relação aos financiamentos que os varejistas se sentirem preteridos. Para os executivos, o governo não deveria apoiar a fusão entre Pão de Açúcar e Car- refour. Juntas, as empresas dominarão 27% do varejo brasileiro. Batalha dos fornecedores Atualmente, negociar a venda de produtos para Pão de Açúcar e Carrefour, separadamente, é tarefa para gladiadores. Assim, a união das empresas promete aumentar o martírio de muitos fabricantes. Mas, como nesta briga ninguém parece disposto a levar desaforo para casa, os fornecedores vão tentar recuperar a margem de lucro perdida para os gigantes durante as negociações com o pequeno varejo. “Como também não podemos ficar com o prejuízo, vamos repassar possíveis aumentos aos consumidores”, diz Lemos, da Super Rede. Em maio deste ano, o Pão de Açúcar deu uma pequena amostra de como eles são duros nas negociações. Na ocasião, a Globex, que reúne as operações de eletroeletrônicos do grupo, trabalhava com um estoque de produtos de dois meses e um prazo médio de pagamento aos fabricantes de 51 dias. Na época, a empresa anunciou que não considerava a negociação adequada e que renegociaria com os fornecedores para diminuir a quantidade de estoque ou ampliar o prazo de pagamento. A indústria, por sua vez, dá sinais de insatisfação. Pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revela que 30% dos fabricantes nacionais desaprovam a fusão. “Vai diminuir a opção de compras. O vendedor e produtor de mercadorias para supermercados serão prejudicados”, diz Eduardo Vieira, presidente da Firjan. Ele afirma que a fusão não beneficiará as exportações, confirme divulgou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. “Senão, essas empresas já estariam exportando. E não há razão para exportar apenas porque uma empresa brasileira terá 11% do capital de uma companhia estrangeira”, diz Vieira. ■ Com ABr Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 9 Parques: até o fim de 2012, serão cem em toda a cidade Theatro Municipal: a grande casa de ópera da América Latina Museu do Futebol: em dois anos e meio, mais de 1 milhão de visitantes Metrô de São Paulo: R$ 2 bilhões investidos até 2012 O QUE ESPERAR DE UMA CIDADE QUE TEM TUDO? TUDO. Represa de Guarapiranga São Paulo é sempre uma estreia. São Paulo se reinventa todos os dias. Novas pessoas, culturas diferentes, lugares que se multiplicam. Uma cidade que conta histórias nas ruas, nos Biblioteca Mário de Andrade: totalmente restaurada prédios e nos parques como o da Represa de Guarapiranga, agora revitalizada. Visitar São Paulo é levar histórias de seus restaurantes, museus como o do Futebol, único do gênero no Brasil, e teatros como o Municipal, ainda mais moderno e emocionante. São Paulo acolhe quem quiser se misturar e mergulhar nesse caldeirão de atrações para todos os gostos e bolsos. São Paulo é cultura, diversão, arte, Ciclofaixa: 45 km ligando quatro parques da cidade Fotógrafos: Jefferson Pancieri, Sylvia Masini, Caio Pimenta, Fábio Góis, Alex André Diniz, Nage Gonzaga, Fernando Conti (Secom), Paulo Dias (Seme), Luiz Guadagnoli (Secom) e Ronaldo Franco. Metrô: foto de divulgação. criatividade. É uma combinação de experiências que nunca se repetem. São Paulo. Cidade criativa. VENHA PARA SÃO PAULO. CIDADEDESAOPAULO.COM CONSULTE SEU AGENTE DE VIAGENS. 10 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 BRASIL Editora: Elaine Cotta [email protected] Subeditora: Ivone Portes [email protected] Aeroportos têm solução barata Modelos de operação e tecnologias disseminadas no exterior poderiam ampliar a capacidade dos aeroportos Dubes Sônego [email protected] O governo promete para esta semana um plano de contingência para evitar apagões aéreos no período das férias de julho. Será uma solução provisória, que tende a se repetir no final do ano, caso não sejam feitas mudanças estruturais. Na avaliação de especialistas, porém, o Brasil poderia seguir o exemplo de outros países e adotar no curto prazo uma série de tecnologias baratas, já testadas e em aplicação lá fora, com efeitos mais efetivos e duradouros. A principal delas é a que permite o uso compartilhado de balcões totens de check-in. Mas há ou- tras, como quiosques de auto atendimento para a entrega de bagagens e portões de acesso às salas de embarque que identificam o passageiro pela leitura das impressões digitais. Uma das alternativas consideradas mais simples e efetivas é o compartilhamento de balcões de check-in. Companhias como a Sita, especializada no desenvolvimento de sistemas de TI para aeroportos e companhias aéreas, estima que a capacidade dos aeroportos brasileiros poderia aumentar 40% apenas com a adoção da medida. Nas áreas internacionais de nove dos principais aeroportos brasileiros, o modelo já funciona com sucesso. Mas depende de si- nal verde da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para implantação nos voos domésticos. Característico do modelo de operação de aeroportos europeus, o check-in compartilhado evita que balcões de atendimento fiquem ociosos. Se uma companhia aérea não tem embarques marcados para determinado horário, outra pode ocupar as posições. Para acessar os softwares de gestão de embarque, basta que os funcionários entrem no sistema com seus nomes e senhas. A identificação da companhia que ocupa a posição é feita por um monitor de vídeo instalado acima do balcão. “Só há vantagens para todo mundo”, afirma o consultor Mozart Mascarenhas Alemão, ex-superintendente da Infraero no aeroporto de Viracopos, em Campinas, e consultor de infraestrutura aeroportuária. “Estaria implantado em seis meses, sem gastos significativos em infraestrutura”, diz Norbert Steiger, vice-presidente regional de vendas e relacionamento para a América Latina e Caribe da Sita, uma das maiores fornecedoras de sistemas de TI para aeroportos e companhias aéreas do mundo. Hoje, nas áreas de embarque nacionais, predomina o modelo americano de operação. O aeroporto provê o espaço e as companhias aéreas implantam a tecnologia para operar nele. Com a Uma das alternativas mais simples e baratas é o compartilhamento de balcões de check-in e totens de autoatendimento Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 11 Marcello Casal Jr./ABr Brasil negociará com Rússia fim do embargo Uma missão brasileira desembarca hoje em Moscou, na Rússia, com o objetivo de negociar o fim do embargo imposto pelo país à carne do Paraná, Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, criticou a má qualidade de traduções, para o idioma russo, dos documentos encaminhados pelo Brasil às autoridades sanitárias. "Estamos falando de um mercado de US$ 4 bilhões, temos que atender aos nossos clientes", disse. André Penner A modernização dos terminais de atendimento ajudaria a reduzir as filas nos aeroportos REFORÇO AUTOMATIZADO ● 1 Balcão de check-in compartilhado Associados aos balcões de check-in compartilhados, poderiam ampliar rapidamente a capacidade dos principais aeroportos brasileiros, para voos nacionais. O modelo já é adotado na área internacional de algumas aeroportos do país. 2 ● Autoatendimento no despacho de bagagem Não é tão disseminado mundialmente quanto os totens de autoatendimento para check-in. Mas aeroportos como o de Montreal, no Canadá, já adotam a tecnologia. Lá, 560 mil unidades de bagagem foram despachadas assim em 2010. 3 ● Identificação de acesso por digitais Em alguns aeroportos europeus, como o de Dusseldorf, na Alemanha, funcionam portões de acesso às áreas de embarque que identificam o passageiro pelas digitais. São destinados principalmente à viajantes frequentes. para o curto prazo brasileiros em cerca de 40%, em seis meses, dizem especialistas situação dos terminais piorando a cada dia, o governo Dilma já se manifestou favorável à adoção do modelo de uso comum também nos voos nacionais. Mas, segundo a Anac, a mudança precisaria passar por audiência pública, antes de ser adotada. E não há nem data prevista para que o debate aconteça. Associado a quiosques de atendimento, o modelo de compartilhamento de infraestrutura tem efeito multiplicador. Segundo Christian Jahncke, diretor da Sita para o aeroporto de Dusseldorf, normalmente seis posições de check-in tradicionais são capazes de processar 120 embarques, por hora. Se associadas a dez quiosques de atendi- mento, as mesmas posições processam 300. Quem tem o bilhete em mãos, só entregar a mala. No aeroporto de Montreal, no Canadá, a experiência foi mais longe. Lá, foram implantados 125 quiosques de autoatendimento que, além do check-in, permitem que o passageiro imprima o adesivo identificador da bagagem e a despache sozinho. Segundo Antoine Rostworowski, gestor do aeroporto, no ano passado 35% dos 13 milhões de passageiros que passaram pelo empreendimento fizeram check-in em algum dos quiosques e despacharam 560 mil bagagens, sem o auxílio de atendentes. Outros 25% dos passageiros usaram a internet ou te- lefones celulares para confirmar presença no voo e apenas 40% fizeram o check-in tradicional. O executivo diz que, agora, a meta é chegar a 80% de índice de autoatendimento, nos próximos cinco anos. Com o compartilhamento do check-in, uma série de outros sistemas de operação dos aeroportos poderiam ser implantados, avalia Steiger, da Sita. Esteiras de bagagens comuns para voos diferentes, por exemplo. A seleção do que vai para onde é feita com scanners. “É relativamente barato”, diz Alemão. “E é uma tendência. Acredito que os próximos aeroportos brasileiros, como o de Natal, já terão”. Seria bom acelerar o processo. ■ Navegação aérea será modernizada Nova tecnologia permitirá que mais aviões compartilhem o espaço aéreo brasileiro O Brasil começou no ano passado a implantar a infraestrutura que permitirá a adoção de um novo sistema de navegação aérea até a Copa de 2014. Ele será baseado em dados, e não em voz, como o atual, e permitirá que mais aviões usem as rotas aéreas brasileiras ao mesmo tempo. Na avaliação de consultores como Jorge Barros, da NvTec, porém, o governo avança em ritmo mais lento do que necessário, principalmente na reciclagem dos gestores do tráfego aéreo que vão usá-lo. “A demanda cresce de forma geométrica, os serviços de forma linear”, diz o especialista, ex-tenente-coronel da Força Aérea. Segundo Barros, o modelo de navegação usado ainda hoje no Brasil é essencialmente o mesmo adotado após o fim da Segunda Guerra Mundial. Para se guiarem, os aviões têm como referência uma série de antenas de rádio instaladas em terra. O modelo tem o inconveniente de demandar a instalação de mais antenas para abertura de novas rotas e de ter custos de manutenção muito altos, afirma o consultor. Segundo ele, são comuns casos de vandalismo e roubo de peças. Sem contar que sobre o mar aos aviões ficam longos período sem referência de navegação e comunicação, como aconteceu com o voo 447 da Air France, que caiu no mar em maio de 2009. Com a implantação do novo sistema, a comunicação entre as aeronaves, suas bases de operação e os controladores de voo deixará de ser feita por voz, como hoje, e passará a ser feita por dados. E a navegação poderá ser feita por meio de GPS, com muito mais precisão. Barros dá um exemplo. Hoje, nas aerovias brasileiras, o intervalo de decolagem entre um voo e outro que seguirá na mesma rota internacional é de pelo menos meia hora. A distância lateral de segurança entre as aeronaves deve ser de 8 quilômetros. O novo sistema permitirá que o tempo entre uma decolagem e outra seja sensivelmente reduzido e a distância lateral Sistema deverá estar em operação até a Copa de 2014, ampliando a capacidade das aerovias brasileiras de segurança poderá cair para 3 quilômetros. Mesmo problemas como a frequente troca de portões de embarque em cima da hora vai acabar. Segundo Barros, isso acontece hoje porque a comunicação entre as aeronaves, o controle de tráfego aéreo, os aeroportos e a companhias aéreas é toda feita por voz. Quando um voo atrasa e a programação original dos embarques precisa ser alterada em função disso, alguém precisa passar a mão no telefone para solicitar a atualização dos painéis que indicam os portões de embarque. Com a comunicação por dados, as informações circularão mais rápido e isso será automático. ■ D.S. 12 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 BRASIL Divulgação DIREITO DO CONSUMIDOR HIDRELÉTRICA Light aceita pagar R$ 100 mil de multa para cada bueiro que explodir no Rio Começam as obras no primeiro canteiroda usina de Belo Monte Após dois meses de negociação, a Light, concessionária de energia elétrica do Rio, aceitou, pela primeira vez, incluir no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que está sendo negociado com o Ministério Público do estado a previsão de multa para cada explosão de bueiro na cidade. A decisão, entretanto, só vai ser formalizada pela empresa na próxima quarta-feira (6). O consórcio construtor da usina hidrelétrica de Belo Monte (CCBM) já começou a instalar o primeiro canteiro de obras no Rio Xingu, no Pará. Como previsto, o consórcio aguardava apenas a abertura da primeira janela hidrológica, que é o período com menor incidência de chuvas na região, para começar a obra. As primeiras movimentações de equipamentos e operários começaram no dia 23 de junho. Ideia é tornar sistema ágil Aeroportosnoexterior já usam biometria para aumentar a segurança Fabiana Monte [email protected] Aeroportos no exterior utilizam a biometria para aumentar níveis de segurança e dar agilidade a questões operacionais , como gestão do tráfego de passageiros, por exemplo. Soluções baseadas nessa tecnologia identificam o usuário a partir de características físicas únicas de cada indivíduo, como impressão digital, íris e palma da mão, e já são usadas em aeroportos na Inglaterra e na Dinamarca, entre ouros países, diz Clóvis Chiaravalloti, diretor de práticas da Unisys, que presta serviços na área de tecnologia, como integração de sistemas, para aeroportos. De acordo com o executivo, uma das possibilidades é usar a biometria para agilizar a identificação de passageiros, cujo benefício direto é dar vazão mais rapidamente ao trânsito de pessoas no aeroporto. “Os viajantes frequentes podem ser identificados antecipadamente por meio de reconhecimento facial, da íris ou da digital e passam a ter uma identidade biométrica. As portas da área de embarque podem identificar automaticamente essas pessoas e liberar o acesso”, exemplifica. Também há impactos na área de segurança. Clóvis Chiaravalloti diz que a biometria permite que os aeroportos otimizem o uso de recursos de segurança, pois, com passageiros frequentes previamente identificados, é possível colocar mais atenção aos desconhecidos. Além disso, como a biometria garante veracidade da identidade do passageiro, elimina a necessidade de apresentação de documentos no portão de embarque. “As barreiras passam a ser automáticas e de autosserviços. Esse processo aumenta o fluxo de passageiros e os níveis de segurança, embora essa segurança não seja notada”, diz. ■ Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 13 Marcela Beltrão BALANÇA INDÚSTRIA Superávit comercial até junho é 64,6% maior que o do primeiro semestre de 2010 Produção industrial brasileira atinge patamar recorde O superávit comercial do primeiro semestre deste ano ficou em US$ 12,985 bilhões, 64,6% acima do resultado registrado em igual período de 2010 (US$ 7,886 bilhões), segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As exportações somam US$ 118,3 bilhões no período e as importações, US$ 105,321 bilhões. O superávit comercial de junho chegou a US$ 4,4 bilhões, 95% superior a igual mês de 2010. A produção da indústria brasileira voltou a crescer em maio após a queda de abril e atingiu patamar recorde, mas o ritmo de expansão está mais lento, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta em maio foi de 1,3% ante abril e de 2,7% sobre igual mês de 2010. O crescimento anual reverte dois meses seguidos de taxas negativas. Estrutura de rede merece atenção E integração de diferentes sistemas dá inteligência à operação de aeroportos A rede de comunicação é um elemento que merece atenção no processo de modernização de aeroportos. A avaliação é de Thiago Siqueira, diretor de tecnologia da Avaya, que fornece soluções de comunicação e de infraestrutura. O argumento do executivo é que a nova geração de soluções tecnológicas, como câmeras de monitoramento digital, depende da rede dos aeroportos para funcionar adequadamente. “Temos uma carência muito grande dessa infraestrutura e há muita coisa a ser melhorada, porque ela é a base para suportar as demais aplicações, apesar de não aparecer diretamente para o usuário”, explica. Modernizar essa infraestrutura inclui a adoção de políticas de prevenção e controle de falhas, por exemplo. Para Clóvis Chiaravalloti, diretor de práticas da Unisys, o investimento na infraestrutura de comunicação é importante, mas não é o principal. Na avaliação do executivo, o fator crítico do processo de modernização de aeroportos é a integração das inúmeras aplicações do ambiente. “Se forem instaladas mil câmeras de segurança no aeroporto de Guarulhos, vou colocar mil pessoas, em todos os turnos, para monitorar o que as câmeras mostram? Não. É preciso tratar esse volume de informação de forma inteligente”, exemplifica. A Unisys tem um projeto nesta área no aeroporto internacional de Barcelona, no qual é utilizado um software, integrado ao monitoramento por vídeo, que captura e avalia as informações, identificando o nível e atenção que cada situação merece. “Nos aeroportos mais modernos, começa a haver uma integração da segurança com a operação do aeroporto”, diz Chiaravalloti. “Quando um avião pousa, por exemplo, automaticamente o sistema de operação informa ao de segurança, que dá início ao monitoramento por vídeo, inclusive com recurso de reconhecimento facial, caso necessário”, completa. ■ F.M. 14 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 INOVAÇÃO & EDUCAÇÃO Editor: Elaine Cotta TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA EMPREENDEDORISMO GESTÃO [email protected] Olimpíada digital ajuda escolas Por meio de jogos virtuais e redes sociais, instituições públicas de Pernambuco e Rio de Janeiro conseguem ampliar Rafael Abrantes [email protected] Seja na escola ou em casa, a atenção dos jovens e adolescentes está cada vez mais conectada às atrações e praticidades do mundo digital. A popularização de smartphones e netbooks demonstram este fenômeno, que tradicionalmente é ignorado pelas coordenações das escolas e controlado nos círculos familiares. Há três anos, esta revolução nos hábitos — inspiradora da geração Y — foi compreendida pela Secretaria de Educação de Pernambuco como um desafio — talvez o maior do ensino público estadual. Como voltar a mobilizar os jovens com as atividades da escola e garantir o aprendizado? A dúvida parece ter encontrado uma resposta na criação da Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE), desenvolvida pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com as empresas Joy Street, Jynx, Manifesto e Meantime. “A ideia é engajar e qualificar os jovens por meio da linguagem digital dos jogos e redes sociais”, diz Luciano Meira, professor do Departamento de Psicologia da UFPE. “Observamos que 50% dos alunos abandonam a escola antes da graduação e apenas 10% exibem as competências desejadas”, afirma. O projeto consiste na organização de jogos online para estudantes do ensino fundamental e médio, em torno de uma narrativa RPG e com desafios aliados aos conteúdos curriculares exigidos na rede de ensino e também pelo Enem. Segundo Meira, a OJE não é um jogo educacional, nem vídeo game. “Identificamos como jogos conversacionais, que promovem o aprendizado periférico e mais qualidade no diálogo entre alunos e professores”. Mestres e alunos têm acesso à plataforma OJE (www. educacao.pe.gov.br/oje) para criar seus avatares e interagir no espaço virtual. O bom desempenho nos jogos rende pontos (moedas) que podem valer prêmios. O principal desafio, a Olimpíada, ocorre ao longo do ano, e em equipes, que devem contar com a participação de um professor-orientador. “Desde o início do projeto, vemos que os jovens estão super motivados”, relata Meira. Segundo ele, os usuários gastam, em média, 15 minutos nas ferramentas virtuais , com picos de acesso registrados por volta das 21h, período no qual os estudantes estão em casa —o que comprova o interesse. Em 2010, aproximadamente 40 mil alunos per- O investimento médio na plataforma é de R$ 4 mil para cada escola. No ano passado, Pernambuco investiu R$ 3 milhões para equipar suas escolas públicas nambucanos de toda rede estadual participaram da Olimpíada, e mais 60 mil no Rio de Janeiro, outro estado que aderiu à ideia. O investimento médio na plataforma é de R$ 4 mil para cada escola por ano — somando R$ 3 milhões em Pernambuco em 2010. O programa já está em fase inicial de aplicação nas escolas públicas do Acre e em duas escolas privadas de Recife. Surpreendentemente, o principal obstáculo à participação dos estudantes na Olimpíada, destaca Meira, são os próprios professores. “Nem todos aceitam o método. Muitos professores desconhecem o potencial dos computadores”. A conclusão da maratona de jogos e seleção das equipes vencedoras ocorre todo ano em gingana que conta com a presença dos estudantes, professores e colegas. Em junho passado, as equipes Bolcheviques, de Caruaru, e Black Power, de Cabrobó, saíram campeãs pernambucanas de 2010, e premiadas com iPads e PlayStation 3. Agora, a expectativa é organizar uma Olimpíada nacional. Para Fred Vasconcelos, CEO da Joy Street, o objetivo é ser a “principal start-up de tecnologias educacionais lúdicas do país”. “Quem sabe teremos a importância de uma ‘Discovery’ no segmento dos games”, completa Meira. ■ 2 1 Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 15 QUINTA-FEIRA SEXTA-FEIRA SUSTENTABILIDADE TECNOLOGIA ADRIANA FREYBERGER Pós-doutora pela USP e consultora do Instituto Brasil Leitor a atrair alunos interesse dos alunos pelas disciplinas tradicionais do currículo Fotos: divulgação Brincadeiras do imaginário e os espaços do parque infantil 3 A principal pergunta que faço ao observar um parque infantil é: por que esse espaço não acompanha a diversidade e a dinâmica das brincadeiras infantis. Sendo o parque parte do currículo escolar, como são trabalhadas as atividades nesse espaço? Onde são construídas nossas casinhas, cabanas ou castelos? Para responder a essas perguntas, buscamos compreender quais são as diferentes partes que compõe os parques infantis e como é possível alterálas para estimular brincadeiras mais ricas e dinâmicas, potencializadoras do desenvolvimento infantil. Um bom parque infantil será diferente em cada região do nosso país, conforme a cultura local e as propostas educativas de cada escola. É somente pelo uso que ele é transformado em um ambiente para brincar. E não só cuidar, mas participar junto com a criança enriquece a brincadeira, pois cabe ao adulto complementar a demanda da criança, oferecendo-lhes oportunidades de ampliar seu repertório, linguagem, estímulo motor, entre outras ações que compõe o currículo da educação infantil. O espaço é sentido pelo homem mediante seus órgãos, sendo-lhe difícil situar-se e perceber o espaço sem a visão, a audição, o olfato e o tato. Embora a visão seja o órgão principal para a percepção espacial, os outros sentidos ampliam e enriquecem o espaço visual. O espaço da educação infantil, ao sugerir A criança cheiros, sons, cores, texturas, canque brinca, tos e recantos, cria o hábito, o gosexperimenta, cria e to pela descoberta e pela pesquisa. os órgãos sensoriais possibirecria tem maiores Aguçar lita novas experimentações sugere possibilidades novos conhecimentos. Para pedagogia, esse ambiente é estimulador e de se desenvolver a base para um projeto educativo inintegralmente fantil de qualidade. Mas é o corpo o principal elemento da criança, é com ele que ela brinca, joga, experimenta sensações e desenvolve-se. O educador, ao compartilhar dessa concepção, medeia com maior facilidade às situações de aprendizado e as relações entre crianças e adulto/crianças. Nesse contexto possuir áreas para brincar com o corpo é privilegiar diferentes materiais. O espaço é um dos fatores que influenciam o tipo de brincadeira. Locais abertos são mais propícios a brincadeiras, jogos coletivos e corporais, enquanto ambientes fechado induzem a jogos com miniaturas, de tabuleiro e brincadeiras solitárias. Espaços integrados favorecem atividades coletivas e espaços segmentados geram espaços cada vez menores e mais funcionais. As referências de espaço nos são dadas pelos vazios existentes entre os volumes construídos, pelas aberturas e vãos, pelos desníveis do terreno, pela vegetação etc. Limitar o espaço do parque a uma quadra ou a um gramado plano, é restritivo e pobre´para desenvolvimento pleno da criança. Ter arranjos volumétricos que configurem espaços menores traz segurança e aconchego, sem limitar sua exploração. A criança que brinca, experimenta, cria e recria tem maiores possibilidades de se desenvolver integralmente. E o espaço da escola, ou os ambientes educativos, quando bem planejado, influenciam positivamente o seu desenvolvimento. ■ UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLEMENTINO FRAGA FILHO COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO Rua Prof. Rodolpho Paulo Rocco nº 255 - UFRJ - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro/RJ Tel.: 2562-2207 Fax: 2562-6037 E-mail:[email protected] AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO SRP Nº 04/2011 1. Estudantes e professores de Pernambuco se reúnem em gincana para definir os campeões da OJE 2010; 2. A equipe Bolcheviques, de Caruaru, joga até a vitória na categoria Ensino Médio, com 8.036 pontos; 3. Doze equipes de nove cidades pernambucanas chegaram à final no Recife DATA HORA 14/07/11 09:30h DESCRIÇÃO DO SERVIÇO Valor estimado Aquisição de material médico cirúrgico R$ 2.621.312,33 O Edital completo poderá ser obtido no sítio do comprasnet ou junto à CPL, trazendo um CD virgem. Os esclarecimentos que se fizerem necessários poderão ser obtidos através dos telefones 21-25622207 / 2562-2754 ou no que couber no Serviço de Licitação e Contrato. Rio de Janeiro, 07 de julho de 2011 Luiz Fernando de Q. Rodrigues Pregoeiro 16 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 EMPRESAS Editora: Rita Karam [email protected] Subeditoras: Estela Silva [email protected] Isabelle Moreira Lima [email protected] Italianos querem colocar vinho na taça brasileira 1 1 País ultrapassa a França como maior produtor mundial e adota estratégia agressiva para conquistar novos mercados no exterior Françoise Terzian, da Toscana* [email protected] Em um território de 70 mil hectares cravado bem no meio da Toscana, entre a capital das artes, Florença, e a terra dos páreos, Siena, 350 produtores de vinho produzem cerca de 35 milhões de garrafas do tinto Chianti Classico por ano, uma espécie de joia da coroa toscana que custa entre R$ 60 e R$ 250 no Brasil e reflete no copo o sabor da uva sangiovese e as imagens dos cinematográficos vinhedos cultivados há séculos por gerações das mesmas famílias. Por conta do terroir único, do clima continental da região e da ligação dos proprietários das vinícolas com o vinho em todas as fases de produção, os italianos costumam adicionar doses de poesia ao Chianti Classico. Dizem, com orgulho, que este vinho com denominação de origem controlada e garantida não é simplesmente uma bebida alcoólica, mas um alimento líquido com alma. Esse poder de sedução italiano ajudou o país a conquistar, nas colheitas 2010/2011, o título de maior produtor mundial de vinhos, deixando os franceses com seus Bordeaux e Borgonha para trás. A Comissão europeia revela que o país do Chianti Classico produziu 49,6 milhões de hectolitros no ano, atingindo ¤ 7,82 bilhões, ante os 46,2 milhões de hectolitros processados pela França. Contudo, os franceses ainda exportam mais vinho que os italianos - ¤ 6,3 bilhões contra ¤ 3,9 bilhões. Cerca de 60% da produção italiana de vinhos são representadas por bebidas com os DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), a exemplo do Chianti Classico produzido por vinícolas como Rocca delle Macìe, Tenuta di Liliano, Castello di Verrazzano, Castello Di Ama e Fattoria di Cinciano. Após um período de prejuízos ocasionado pela crise financeira global, que afetou viníco- “ A grande comunidade italiana no Brasil é o melhor embaixador do nosso produto no país Marco Pallanti las do mundo todo, os produtores de Chianti Classico aumentaram em 37% suas vendas no segundo semestre do ano passado.“Os primeiros meses deste ano confirmam um aumento da demanda, tendência que indica uma recuperação“, diz Marco Pallanti, presidente do Consorzio Vino Chianti Classico. Nos últimos anos, o vinho que precisa ter 90% de uva sangiovese em sua composição e que leva o símbolo do Gallo Nero (galo negro) na garrafa tem despertado o paladar de consumidores de países mais jovens, além dos tradicionais mercados compradores como Estados Unidos e Alemanha. Isso, claro, tem a ver com as missões para a região de Chianti, aposta em marketing e investimentos em replantio de vinhedos. Potencial brasileiro O Brasil é um dos grandes alvos dos produtores do Chianti Classico. Embora o país seja responsável por apenas 1% de todo vinho produzido na região, o que equivale a cerca de 353 mil garrafas, Pallanti diz que o cenário leva a crer que o Brasil incrementará suas compras nos próximos anos. “Além do desenvolvimento econômico vivenciado pelo país, a grande comunidade italiana que vive no país atua como o melhor embaixador do nosso produto“, afirma Pallanti. Isso tudo sem falar da cozinha brasileira, especialmente a do sul, que o presidente do consórcio diz harmonizar bem com o Chianti Classico. O ano da Itália no Brasil, a ser celebrado em 2012, é esperado com expectativa pelos produtores.“Acredito muito no Brasil, o que explica eu ter ido 20 vezes ao país nos últimos 15 anos. Além de São Paulo e do Rio de Janeiro, há uma grande demanda por vinho em Santos e Londrina”, diz Sergio Zingarelli, presidente da Rocca delle Macìe. ■ *Viajou a convite do Instituto Italiano para o Comércio Exterior Chianti Classico Valorização do real e aumento do poder aquisitivo permitem ao brasileiro buscar sofisticação É fato que o brasileiro está habituado a beber vinhos argentinos, como os Malbec, e chilenos, a exemplo dos Cabernet Sauvignon, não só por apreciar a bebida dos países vizinhos, mas também por estímulo do preço mais baixo. Não por acaso, essas são as nacionalidades dos vinhos mais importados hoje pelo Brasil. O cenário, contudo, está mudando, de carona na valorização da moeda brasileira e no aumento do poder aquisitivo. Pelo menos é isso o que dizem importadores de vinhos como Decanter, Enoteca Fasano e Expand. Todos estão aumentando a oferta de rótulos e volumes de bebidas europeias, de olho na migração dos consumidores para bebidas mais sofisticadas. “A uva sangiovese, que é a base do Chianti Classico, tem um perfil mais elegante e sutil. Os vinhos Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 17 Murillo Constantino Fibria vai investir R$ 15 bilhões até 2025 A líder mundial do segmento de celulose de eucalipto pretende dobrar sua capacidade de produção. A Fibria planeja atingir 10 milhões de toneladas anuais até 2025. Segundo o novo presidente da empresa, Marcelo Castelli, cerca de 50% dos recursos serão obtidos no mercado na forma de empréstimos. O restante será pago via geração de caixa próprio, o que deve incluir a venda da fábrica de Piracicaba (SP) e de 120 mil hectares de plantio de eucalipto no Rio Grande do Sul. Fotos: divulgação 2 A ORIGEM DO CHIANTI CLASSICO Vinho com denominação de origem controlada e garantida é produzido em cidades situadas entre Florença e Siena e com pelo menos 90% de uvas sangiovese NÚMEROS Área territorial 70 mil hectares Área total dos vinhedos 10 mil hectares Produção em 2010 FLORENÇA 265 mil hectolitross Membros do consórcio Chianti Classico S. CASCIANO IN VAL DI PESA 570 TAVARNELLE VAL DI PESA MAIORES COMPRADORES MUNDIAIS ESTADOS UNIDOS ITÁLIA ALEMANHA 12% CANADÁ 8% 7% REINO UNIDO 7% SUIÇA 4% JAPÃO 3% HOLANDA 3% SUÉCIA RÚSSIA 2% BRASIL 1% OUTROS 2% 0 5 10 15 TOSCANA 27% 24% GREVE IN CHIANTI BARBERINO VAL D´ELSA RADDA IN CHIANTI POGGIBONSI CASTELLINA IN CHIANTI GAIOLE IN CHIANTI CASTENUOVO BERARDENGA 20 25 30 Fonte: Consorzio Vino Chianti Classico SIENA 3 1 Marco Pallanti, presidente do consórcio de produtores de vinho Chianti Classico, área localizada na região da Toscana, entre Florença e Siena 2 Adega de Chianti Classico, que hoje reúne 350 produtores que seguem regras como utilização de, no mínimo, 90% da uva toscana sangiovese 3 Um dos muitos vinhedos cinematográficos das cidades que compõem a região produtora do vinho Chianti, como Castellina in Chianti e Radda in Chianti, cuja colheita ocorre em outubro mira consumidores de vinhos chilenos chilenos e argentinos, por sua vez, apresentam maior potência e corpo, o que é atraente para os iniciantes em vinhos”, explica Edson Hermann, proprietário da importadora Decanter, que traz para o Brasil rótulos como o Rocca delle Macìe, um dos maiores produtores de Chianti Classico e representação que foi da Expand durante anos. Com mais dinheiro, o consumidor de vinho tem buscado bebidas mais sofisticadas, o que beneficia os vinhos italianos. Brasileiros estão migrando dos produtos da América Latina para os europeus em busca de melhor qualidade No Brasil, o consumo dos italianos ainda se concentra em regiões de maior prestígio, como Piemonte e Toscana. Regiões menores como Abruzzo e Sicília, também produtoras de vinho, têm mais dificuldade em emplacar seus rótulos no Brasil. A exceção é o Lambrusco, um frizante (intermediário entre o espumante e o vinho) adocicado produzido na região da Emilia-Romagna que responde por cerca de 80% de todo vinho italiano importado pelo Brasil. Ele custa entre R$ 10 e R$ 30 no país e suas vendas deve continuar em rota de ascensão. No segundo semestre, a Expand vai passar a importar a bebida. Bebidas sofisticadas Mesmo assim, a empresa vê grande potencial na venda de rótulos europeus mais sofisticados, o que a leva a comercializar três marcas de Chianti Classico em seu portfólio, como os do produtor Fonterutoli. “Os consumidores de vinho estão mi- grando do Novo Mundo para o Velho Mundo, em busca de melhor qualidade”, afirma Otávio Piva de Albuquerque Filho, diretor comercial da Expand. Na Enoteca Fasano, Angélica Marchi, gerente-geral de vendas, diz estudar a importação de novos rótulos de Chianti Classico para atender ao aumento da demanda de vinhos italianos que está ocorrendo no Brasil. Hoje, ela trabalha com o I Massi, do produtor Il Colombaio di Cencio ■ F.T. 18 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 EMPRESAS IMÓVEIS 1 IMÓVEIS 2 Incorporadora PDG Realty assume controle da companhia de shoppings REP Com operação, REP receberá aumento de capital de R$ 200 milhões A construtora e incorporadora PDG Realty comprou 33,54% da Real Estate Partners Desenvolvimento Imobiliário (REP). A operação, cujo valor não foi informado, prevê a redução e eliminação da fatia que a PDG possui na LDI Desenvolvimento Imobiliário. A construtora e incorporadora do país irá, então, adquirir da LDI as ações ordinárias da REP, utilizando créditos provenientes de tal redução de capital. Desse total, R$ 100 milhões serão subscritos pela PDG e a outra metade pela LDI.Com isso, a PDG, que já possuía diretamente 25% da REP, passa a ser controladora da companhia, com participação de 54,27%. A LDI, por sua vez, ficará com os 45,73% restantes. A REP atua no desenvolvimento, planejamento, implantação e administração de centros de conveniência e serviços (CCS), entre outros. Henrique Manreza PREÇO R$ 350 mil é o valor teto dos imóveis que a MZM pretende construir, voltados para a classe média. 1.252 é o total de unidades residenciais e comerciais que a MZM já lançou neste ano. O presidente da MZM Construtora, Francisco Diogo Magnani: é mais fácil vender em São Paulo MZM faz expansão na Grande SP Construtora tradicional do ABC Paulista investe R$ 40 milhões para entrar na capital paulista, Osasco e Guarulhos Michele Loureiro [email protected] Depois de 15 anos com atuação focada na região do ABC Paulista, a MZM Construtora expande seus negócios para a capital paulista e cidades vizinhas. O objetivo é quintuplicar o Valor Geral de Vendas (VGV) neste ano e saltar dos R$ 150 milhões somados em 2010 para R$ 750 milhões. Para isso, a companhia aposta em imóveis destinados à classe média, com valores de até R$ 350 mil, e em margens de ganho maiores. Para viabilizar o processo de expansão dos negócios, a MZM Construtora vai desembolsar cerca de R$ 40 milhões para a compra de terrenos e para a montagem de estandes de vendas e apartamentos decorados. Segundo o presidente da MZM Construtora, Francisco Diogo Magnani, a decisão de Na capital, construtora já tem projetos no Butantã e mira os bairros da Pompeia e de Santo Amaro ampliar a área de atuação está atrelada a intenção de aumentar as margens de ganho da companhia. “No ABC Paulista, temos índice de cerca de 14% do valor total do imóvel. Já em São Paulo, esse valor chega a cerca de 21%”, explica. Magnani defende que apesar de ter terrenos mais caros, São Paulo concentra maior volume de mão de obra disponível e tem uma procura maior por imóveis, o que acaba compensando os investimentos em terrenos. “Estamos em fase de negociação com áreas na Pompeia e em Santo Amaro, mas já temos empreendimentos em andamento no bairro do Butantã e nas cidades de Guarulhos, Osasco e Carapicuíba”, diz o executivo. Neste ano, a construtora já lançou três empreendimentos e pretende entregar outros seis até dezembro, somando 1.252 unidades, entre residenciais e comerciais. “Não vamos deixar de atuar no ABC Paulista, que continua como parte importante dos negócios”. Outra aposta da MZM é o investimento em imóveis voltados para a classe média, com unidades entre R$ 180 mil e R$ 350 mil. “As incertezas sobre reajustes nos valores do programa Minha Casa, Minha Vida afetaram o mercado. Mas nossa aposta na classe média tem apresentado bons resultados e vários empreendimentos foram totalmente vendidos no lançamento”, afirma Magnani. Mão de obra As constantes reclamações das construtoras em relação à escassez de mão de obra qualificada também interferem no andamento das obras da MZM. Segundo Magnani, há um fenômeno de “transferência de profissionais” no mercado. “Como a demanda está aquecida, os profissionais estão escassos e em vez de pensar em programas de qualificação de funcionários, muitas construtoras acabam tirando profissionais das outras. A disputa está muito grande.” O executivo afirma que a MZM está iniciando um processo de treinamento de funcionários para evitar os atrasos em obras. “A intenção é que os funcionários chamem familiares e pessoas do círculo de convivência para fazer parte da nossa equipe. Com o treinamento adequado é possível garantir o número ideal de funcionários.” Enquanto o treinamento não acontece, a MZM enfrenta problemas em uma de suas obras. “Temos atraso de cerca de quatro meses em um empreendimento de Santo André, mas foi um erro no cálculo da obra que prejudicou o tempo de construção da estrutura”, explica. ■ Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 19 20 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 REPUBLICAÇÃO DO AVISO AO MERCADO, PUBLICADO EM 27 DE JUNHO DE AVISO AO EDP - ENERGIAS Companhia Aberta CNPJ/MF nº 03.9 Rua Bandeira Paulista, nº 530, 14º a Código ISIN B Código de Negociação na Nos termos do disposto na Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) nº 358, de 3 de janeiro de 2002, conforme alterada (“Instrução CVM 358”), no artigo 53 da Instrução CVM nº 400, de 29 de dezembro de 2003, conforme alterada (“Instrução CVM 400” acionista da EDP - ENERGIAS DO BRASIL S.A. (“Companhia”), em conjunto com (ii) BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (“Coordenador Líder” ou “Santander”), (iii) BANCO MORGAN STANLEY S.A. (“Morgan Stanley” comunicam que foi protocolizado na ANBIMA - Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (“ANBIMA”), em 19 de maio de 2011, o pedido de registro da oferta pública de distribuição secundária d 1. A OFERTA A Oferta compreenderá a oferta pública de distribuição secundária de, inicialmente, 19.919.510 (dezenove milhões, novecentas e dezenove mil, quinhentas e dez) Ações de emissão da Companhia e de titularidade do Acionista Vendedor, a ser realizada no Brasil, em mercado de balcão não-organizado, em conformidade com a Instrução CVM 400 e com o Regulamento de Listagem do Novo Mercado da BM&FBOVESPA (“Regulamento do Novo Mercado” e “Novo Mercado”, respectivamente), sob coordenação dos Coordenadores da Oferta, com a participação do Banco Caixa Geral - Brasil, S.A. (“Coordenador Contratado”) e determinadas instituições consorciadas autorizadas a operar no mercado de capitais brasileiro, credenciadas junto à BM&FBOVESPA S.A. - Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (“BM&FBOVESPA”) que aderirão à Oferta mediante assinatura de carta-convite bem como outras instituições financeiras contratadas para participar da Oferta de Varejo (conforme definido no item 3.1 abaixo) (“Instituições Consorciadas” e, em conjunto com os Coordenadores da Oferta e o Coordenador Contratado, “Instituições Participantes da Oferta”). Serão também realizados, simultaneamente, esforços de colocação das Ações (i) nos Estados Unidos da América, para investidores institucionais qualificados (qualified institutional buyers), conforme definidos na Rule 144A, editada pela U.S. Securities and Exchange Commission (“SEC”), em operações isentas de registro, previstas no U.S. Securities Act de 1933, conforme alterado (“Securities Act”) e nos regulamentos editados ao amparo do Securities Act; e (ii) nos demais países, que não os Estados Unidos da América e o Brasil, para investidores que sejam pessoas não residentes nos Estados Unidos da América ou não constituídos de acordo com as leis daquele país (non U.S. Persons), de acordo com a legislação vigente no país de domicílio de cada investidor e com base na Regulation S no âmbito do Securities Act, editada pela SEC e, em ambos os casos, desde que tais Investidores Estrangeiros (conforme definido abaixo) sejam registrados na CVM e invistam no Brasil nos termos da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, conforme alterada (“Lei 4.131”), ou da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.689, de 26 de janeiro de 2000, conforme alterada (“Resolução CMN 2.689”) e da Instrução nº 325 da CVM, de 27 de janeiro de 2000, conforme alterada (“Instrução CVM 325”) (“Investidores Estrangeiros”). Os esforços de colocação das Ações junto a Investidores Estrangeiros, exclusivamente no exterior, serão realizados em conformidade com o Placement Facilitation Agreement (“Contrato de Distribuição Internacional”), a ser celebrado entre o Acionista Vendedor, a Companhia, o Santander Investment Securities, Inc. (“Santander Investment Securities”), o Morgan Stanley & Co. LLC (“Morgan Stanley & Co.”), o Itau BBA USA Securities, Inc. (“Itaú BBA USA”), o Banco Espírito Santo de Investimento S.A., o Espírito Santo Financial Services, Inc. (“Espírito Santo Financial Services”) e o Caixa - Banco de Investimento, S.A. (“Caixa - Banco de Investimento” e, em conjunto com Santander Investment Securities, Morgan Stanley & Co., Itaú BBA USA, Banco Espírito Santo de Investimento S.A. e Espírito Santo Financial Services, “Agentes de Colocação Internacional”). Nos termos do artigo 24 da Instrução CVM 400, a quantidade total de Ações inicialmente ofertada poderá ser acrescida de um lote suplementar de até 1.991.950 (um milhão, novecentas e noventa e uma mil, novecentas e cinquenta) Ações, em percentual equivalente a até 10% (dez por cento) das Ações inicialmente ofertadas, nas mesmas condições e no mesmo preço (“Ações Suplementares”), conforme opção para distribuição de tais Ações Suplementares a ser outorgada pelo Acionista Vendedor ao Morgan Stanley (“Agente Estabilizador”), as quais serão destinadas exclusivamente a atender um eventual excesso de demanda a ser constatado no decorrer da Oferta (“Opção de Ações Suplementares”). O Agente Estabilizador terá o direito exclusivo, a partir da data de assinatura do Contrato de Distribuição (conforme definido no item 2 abaixo), e por um período de 30 (trinta) dias contados do primeiro dia útil (inclusive) após a publicação do Anúncio de Início da Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A. (“Anúncio de Início”), de exercer a Opção de Ações Suplementares, no todo ou em parte, em uma ou mais vezes, após notificação aos demais Coordenadores da Oferta, desde que a decisão de sobrealocação das Ações Suplementares tenha sido tomada em comum acordo entre o Agente Estabilizador e os demais Coordenadores da Oferta, no momento em que for fixado o Preço por Ação (conforme definido no item 6 abaixo). A Oferta será realizada no Brasil, mediante registro junto à CVM, em conformidade com os procedimentos previstos na Instrução CVM 400, na Instrução CVM 471 e no Código ANBIMA. Não foi nem será realizado nenhum registro da Oferta ou das Ações na SEC, na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários em Portugal ou qualquer agência ou órgão regulador de qualquer país diverso do Brasil. As Ações, sem considerar as Ações Suplementares, serão colocadas pelas Instituições Participantes da Oferta de forma individual e não solidária, em regime de garantia firme de liquidação a ser prestada pelos Coordenadores da Oferta, nos termos do Contrato de Distribuição (conforme definido no item 2 abaixo). As Ações que forem objeto de esforços de colocação no exterior pelos Agentes de Colocação Internacional junto a Investidores Estrangeiros serão obrigatoriamente adquiridas e liquidadas no Brasil junto aos Coordenadores da Oferta, em moeda corrente nacional, nos termos do artigo 19, parágrafo 4º da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976 e alterações posteriores (“Lei 6.385”). O início da realização do processo de Oferta foi aprovado pelo Conselho de Administração Executivo do Acionista Vendedor no dia 13 de maio de 2011, tendo sido objeto de dispensa de parecer prévio pelo Conselho Geral e de Supervisão do Acionista Vendedor. 2. REGIME DE DISTRIBUIÇÃO Após a conclusão do Procedimento de Bookbuilding (conforme definido no item 6 abaixo), a celebração do Contrato de Coordenação, Garantia Firme de Liquidação, Aquisição e Colocação de Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A., a ser celebrado entre o Acionista Vendedor, os Coordenadores da Oferta, a Companhia e a BM&FBOVESPA (“Contrato de Distribuição”) a concessão do registro da Oferta pela CVM, a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo (conforme definido no item 3 abaixo), as Ações, sem considerar as Ações Suplementares, serão distribuídas no Brasil, em mercado de balcão não-organizado, em regime de garantia firme de liquidação, a ser prestada pelos Coordenadores da Oferta, nas respectivas proporções de garantias de forma individual e não solidária, em conformidade com o disposto no Contrato de Distribuição e na Instrução CVM 400. 3. PROCEDIMENTO DA OFERTA Após o encerramento do Período de Reserva (conforme definido no item 3.1 (a) abaixo), a realização do Procedimento de Bookbuilding (conforme definido no item 6 abaixo), a assinatura do Contrato de Distribuição e do Contrato de Distribuição Internacional, a concessão do registro da Oferta pela CVM, a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A. (“Prospecto Definitivo”), as Instituições Participantes da Oferta realizarão a distribuição das Ações por meio de duas ofertas distintas, quais sejam, a oferta de varejo (“Oferta de Varejo”) e a oferta institucional (“Oferta Institucional”), conforme descritas, respectivamente, nos itens 3.1 e 3.2 abaixo, observado o disposto na Instrução CVM 400 e a dispersão acionária prevista no Regulamento do Novo Mercado. Conforme descrito nos itens 3.1 e 3.2 abaixo, o público-alvo da Oferta consiste em (i) investidores pessoas físicas, jurídicas e clubes de investimento (registrados na BM&FBOVESPA, nos termos da regulamentação em vigor), residentes, domiciliados ou com sede no Brasil, que decidirem participar da Oferta de Varejo, por meio da efetivação de Pedidos de Reserva no Período de Reserva, observado o valor mínimo de investimento de R$3.000,00 (três mil reais) e o valor máximo de investimento de R$300.000,00 (trezentos mil reais) por investidor (“Investidores Não Institucionais”); e (ii) investidores pessoas físicas, jurídicas e clubes de investimento cujas intenções específicas ou globais de investimento excedam o valor de R$300.000,00 (trezentos mil reais), fundos de investimentos, carteiras administradas, fundos de pensão, entidades administradoras de recursos de terceiros registradas na CVM, entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (“BACEN”), condomínios destinados à aplicação em carteira de títulos e valores mobiliários registrados na CVM e/ou na BM&FBOVESPA, seguradoras, entidades de previdência complementar e de capitalização, investidores qualificados nos termos da regulamentação da CVM, Investidores Estrangeiros e outros investidores institucionais (“Investidores Institucionais”). Não há inadequação específica da Oferta a determinado grupo ou categoria de investidor. No entanto, a Oferta não é adequada a investidores avessos ao risco inerente ao investimento em ações. Como todo e qualquer investimento em ações, a aquisição das Ações apresenta certos riscos e possibilidades de perdas patrimoniais que devem ser cuidadosamente considerados antes da tomada de decisão de investimento. Os investidores devem ler a seção “Fatores de Risco” do Prospecto Preliminar de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A. (“Prospecto Preliminar”) e também os itens “4 - Fatores de Risco” e “5 - Riscos de Mercado” do Formulário de Referência da Companhia, para ciência dos fatores de risco que devem ser considerados em relação à aquisição das Ações. Os Coordenadores da Oferta, com a expressa anuência do Acionista Vendedor e da Companhia, elaborarão plano de distribuição das Ações, nos termos do artigo 33, parágrafo 3º da Instrução CVM 400 e do Regulamento de Listagem do Novo Mercado, no que diz respeito ao esforço de dispersão acionária, o qual leva em conta a criação de uma base acionária diversificada de acionistas e relações da Companhia com clientes e outras considerações de natureza comercial ou estratégica dos Coordenadores da Oferta e da Companhia, observado que os Coordenadores da Oferta assegurarão (i) a adequação do investimento ao perfil de risco de seus clientes; (ii) o tratamento justo e equitativo a todos os investidores; e (iii) o recebimento prévio pelas Instituições Participantes da Oferta dos exemplares do Prospecto Preliminar para leitura obrigatória, de modo que suas eventuais dúvidas possam ser esclarecidas junto aos Coordenadores da Oferta. 3.1. Oferta de Varejo: A Oferta de Varejo será realizada junto a Investidores Não Institucionais que realizem solicitação de reserva antecipada mediante o preenchimento de formulário específico (“Pedido de Reserva”) durante o período compreendido entre 4 de julho de 2011, inclusive, e 6 de julho de 2011, inclusive (“Período de Reserva”), destinado à aquisição de Ações no âmbito da Oferta. Os Investidores Não Institucionais que sejam, nos termos do artigo 55 da Instrução CVM 400, Pessoas Vinculadas terão seus Pedidos de Reserva cancelados em caso de excesso de demanda superior em 1/3 (um terço) à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Suplementares). No contexto da Oferta de Varejo, o montante de, no mínimo, 10% (dez por cento) e, no máximo, 15% (quinze por cento) do total das Ações ofertadas, considerando as Ações Suplementares, caso aplicável, (“Ações Objeto da Oferta de Varejo”), será destinado prioritariamente à colocação pública junto a Investidores Não Institucionais no âmbito da Oferta de Varejo. Na eventualidade de a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não Institucionais ser superior à quantidade de Ações destinada à Oferta de Varejo, haverá rateio, conforme disposto no item (h) abaixo. Os Pedidos de Reserva serão efetuados pelos Investidores Não Institucionais de maneira irrevogável e irretratável, exceto pelo disposto nos itens (b), (c), (e), (i), (j), (k) e (l) abaixo, observadas as condições do próprio instrumento de Pedido de Reserva, de acordo com as seguintes condições: (a) observado o disposto no item (b) abaixo, os Investidores Não Institucionais interessados poderão realizar reservas de Ações junto a uma única Instituição Consorciada, conforme seu respectivo procedimento, mediante o preenchimento de Pedido de Reserva celebrado em caráter irrevogável e irretratável, exceto pelo disposto nos itens (b), (c), (e), (i), (j), (k) e (l) abaixo, durante o Período de Reserva. O Investidor Não Institucional que seja Pessoa Vinculada deverá indicar, obrigatoriamente, no respectivo Pedido de Reserva, sua qualidade de Pessoa Vinculada, sob pena de ter seu Pedido de Reserva cancelado pela respectiva Instituição Consorciada; (b) caso seja verificado excesso de demanda superior em 1/3 (um terço) à quantidade de Ações inicialmente ofertadas, sem considerar as Ações Suplementares, não será permitida a colocação, pelas Instituições Consorciadas, de Ações junto a Investidores Não Institucionais que sejam (i) administradores ou controladores da Companhia; (ii) administradores ou controladores de quaisquer das Instituições Participantes da Oferta e/ou de quaisquer dos Agentes de Colocação Internacional; (iii) outras pessoas vinculadas à Oferta, ou (iv) cônjuges, companheiros, ascendentes, descendentes ou colaterais até o segundo grau de qualquer uma das pessoas referidas nos itens (i), (ii) e (iii) anteriores (“Pessoas Vinculadas”), sendo que, nesse caso, os Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas serão automaticamente cancelados; (c) cada Investidor Não Institucional poderá estipular, no respectivo Pedido de Reserva, o preço máximo por Ação como condição de eficácia do seu Pedido de Reserva, nos termos do parágrafo 3º do artigo 45 da Instrução CVM 400. Caso o Investidor Não Institucional opte por estipular um preço máximo por Ação no Pedido de Reserva e o Preço por Ação (conforme definido no item 6 abaixo) seja fixado em valor superior ao preço máximo por Ação estipulado pelo investidor, o respectivo Pedido de Reserva será automaticamente cancelado pela respectiva Instituição Consorciada; (d) após a concessão do registro da Oferta pela CVM, a quantidade de Ações adquiridas (ajustada em decorrência do rateio, se for o caso, conforme descrito no item (h) abaixo) e o respectivo valor do investimento dos Investidores Não Institucionais serão informados a cada Investidor Não Institucional até as 12:00 horas do dia útil imediatamente posterior à data de publicação do Anúncio de Início, pela Instituição Consorciada que houver recebido o respectivo Pedido de Reserva, por meio de mensagem enviada ao endereço eletrônico fornecido no Pedido de Reserva ou, na sua ausência, por telefone, correspondência ou fax, sendo o pagamento limitado ao valor do Pedido de Reserva; (e) cada Investidor Não Institucional deverá efetuar o pagamento do valor indicado, conforme previsto no item (d) acima, junto à Instituição Consorciada com quem tenha efetuado o respectivo Pedido de Reserva, em recursos imediatamente disponíveis, até as 10:30 horas da Data de Liquidação (conforme definida no item 4 abaixo). Não havendo pagamento pontual, a Instituição Consorciada na qual tal reserva foi realizada obriga-se a garantir a liquidação por parte do Investidor Não Institucional e o Pedido de Reserva será automaticamente cancelado pela Instituição Consorciada junto à qual o Pedido de Reserva tenha sido realizado; (f) após as 16:00 horas da Data de Liquidação (conforme definida no item 4 abaixo), desde que confirmado o crédito correspondente ao produto da colocação das Ações na conta de liquidação, a BM&FBOVESPA, em nome de cada uma das Instituições Consorciadas junto a qual o Pedido de Reserva tenha sido realizado, entregará a cada Investidor Não Institucional que com ela tenha feito a reserva, o número de Ações correspondente à relação entre o valor do investimento pretendido constante do Pedido de Reserva e o Preço por Ação (conforme definido no item 6 abaixo), ressalvadas as possibilidades de desistência prevista nos itens (i) e (j) abaixo, as possibilidades de cancelamento previstas nos itens (b), (c) e (e) acima, (k) e (l) abaixo e a possibilidade de rateio prevista no item (h) abaixo. Caso tal relação resulte em fração de Ação, o valor do investimento será limitado ao valor correspondente ao maior número inteiro de Ações; (g) caso a totalidade dos Pedidos de Reserva de Ações realizados por Investidores Não Institucionais seja igual ou inferior à quantidade de Ações Objeto da Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Suplementares, não haverá rateio, sendo todos os Investidores Não Institucionais integralmente atendidos em todas as suas reservas e eventuais Ações não alocadas no montante ofertado aos Investidores Não Institucionais serão destinadas a Investidores Institucionais, nos termos descritos no item 3.2 abaixo; (h) caso a totalidade dos Pedidos de Reserva de Ações realizados por Investidores Não Institucionais seja superior ao montante de Ações Objeto da Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Suplementares, será realizado o rateio proporcional de tais Ações entre todos os Investidores Não Institucionais que tiverem preenchido Pedidos de Reserva durante o Período de Reserva, observando-se o valor individual de cada Pedido de Reserva e desconsiderando-se as frações de Ações. Opcionalmente, a critério dos Coordenadores da Oferta e do Acionista Vendedor, a quantidade de Ações Objeto da Oferta de Varejo poderá ser aumentada para que os pedidos excedentes dos Investidores Não Institucionais possam ser total ou parcialmente atendidos, sendo que, no caso de atendimento parcial, será observado o critério de rateio descrito neste item; (i) na hipótese de ser verificada divergência relevante entre as informações constantes do Prospecto Preliminar e as informações constantes do Prospecto Definitivo que altere substancialmente o risco assumido pelo Investidor Não Institucional, ou a sua decisão de investimento, nos termos do parágrafo 4º do artigo 45 da Instrução CVM 400, o Investidor Não Institucional poderá desistir do Pedido de Reserva, sem qualquer ônus, até as 16:00 horas do 5º (quinto) dia útil subsequente à data de publicação do Anúncio de Retificação, devendo, para tanto, informar sua decisão à Instituição Consorciada que houver recebido o respectivo Pedido de Reserva (por meio de mensagem eletrônica, fax ou correspondência enviada ao endereço da Instituição Consorciada, conforme dados abaixo) em conformidade com os termos estipulados no respectivo Pedido de Reserva, que será então cancelado pela respectiva Instituição Consorciada. Caso o Investidor Não Institucional não informe, por escrito, à Instituição Consorciada sobre sua decisão de desistência do Pedido de Reserva no prazo mencionado acima, será presumido que tal Investidor Não Institucional manteve o seu Pedido de Reserva e, portanto, tal Investidor Não Institucional deverá efetuar o pagamento em conformidade com os termos e no prazo previsto no respectivo Pedido de Reserva; (j) na hipótese de suspensão ou modificação da Oferta, respectivamente nos termos do artigo 20 e do artigo 27 da Instrução CVM 400, as Instituições Consorciadas deverão acautelar-se e se certificar, no momento do recebimento das aceitações da Oferta, de que o Investidor Não Institucional está ciente de que a Oferta foi alterada e de que tem conhecimento das novas condições estabelecidas. A revogação, suspensão ou qualquer modificação na Oferta serão imediatamente divulgadas por meio do Diário Oficial do Estado de São Paulo e do Jornal Brasil Econômico, também utilizados para a publicação deste Aviso ao Mercado e do Anúncio de Início, conforme disposto no artigo 27 da Instrução CVM 400 (“Anúncio de Retificação”). Caso o Investidor Não Institucional já tenha aderido à Oferta, cada Instituição Consorciada deverá comunicar diretamente ao Investidor Não Institucional que tenha efetuado Pedido de Reserva junto a tal Instituição Consorciada a respeito da modificação efetuada. O Investidor Não Institucional poderá desistir do Pedido de Reserva até as 16:00 horas do 5º (quinto) dia útil subsequente à data em que foi comunicada por escrito a suspensão ou a modificação da Oferta. Nesta hipótese, o Investidor Não Institucional deverá informar sua decisão de desistência do Pedido de Reserva à Instituição Consorciada que tenha recebido o seu Pedido de Reserva, em conformidade com os termos e no prazo estipulado no respectivo Pedido de Reserva, o qual será automaticamente cancelado pela referida Instituição Consorciada. Caso o Investidor Não Institucional já tenha efetuado o pagamento, os valores depositados serão devolvidos sem juros ou correção monetária, sem reembolso e com dedução de quaisquer tributos eventualmente aplicáveis, se a alíquota for superior a zero, no prazo de 3 (três) dias úteis contados da comunicação do cancelamento do seu Pedido de Reserva. Caso o Investidor Não Institucional não informe, por escrito, à Instituição Consorciada sobre sua decisão de desistência do Pedido de Reserva no prazo mencionado acima, será presumido que tal Investidor Não Institucional manteve o seu Pedido de Reserva e, portanto, tal Investidor Não Institucional deverá efetuar o pagamento em conformidade com os termos e no prazo previsto no respectivo Pedido de Reserva; (k) na hipótese de (i) não haver a conclusão da Oferta; (ii) resilição do Contrato de Distribuição; (iii) cancelamento da Oferta; (iv) revogação da Oferta, que torne ineficazes a Oferta e os atos de aceitação anteriores ou posteriores; ou ainda; (v) em qualquer outra hipótese de devolução de Pedido de Reserva em função de expressa disposição legal, todos os Pedidos de Reserva serão automaticamente cancelados e cada Instituição Consorciada comunicará aos Investidores Não Institucionais que com ela tenham realizado Pedido de Reserva o cancelamento da Oferta, o que ocorrerá, inclusive, por meio de publicação de aviso ao mercado. Caso o Investidor Não Institucional já tenha efetuado o pagamento, os valores depositados serão devolvidos sem juros ou correção monetária, sem reembolso e com dedução de quaisquer tributos eventualmente aplicáveis, se a alíquota for superior a zero, no prazo de 3 (três) dias úteis contados da comunicação do cancelamento da Oferta; (l) na hipótese de descumprimento, ou indícios de descumprimento, por qualquer Instituição Consorciada, de qualquer das obrigações previstas no respectivo termo de adesão ao Contrato de Distribuição ou em qualquer contrato celebrado no âmbito da Oferta, ou ainda, de qualquer das normas de conduta previstas na regulamentação aplicável à Oferta (incluindo, sem limitação, aquelas previstas na Instrução CVM 400, e, especificamente, na hipótese de manifestação indevida na mídia durante o período de silêncio, conforme previsto no artigo 48 da Instrução CVM 400), tal Instituição Consorciada, e sem prejuízo das demais medidas julgadas cabíveis pelos Coordenadores da Oferta (i) deixará de integrar o grupo de instituições financeiras responsáveis pela colocação de Ações no âmbito da Oferta, a critério exclusivo dos Coordenadores da Oferta, devendo cancelar todas as reservas ou intenções de investimento que tenham recebido e informar imediatamente os respectivos investidores sobre o referido cancelamento; (ii) arcará com quaisquer custos relativos à sua exclusão como Coordenador Contratado e/ou Instituição Consorciada, conforme o caso, incluindo custos com publicações e honorários advocatícios, inclusive custos decorrentes de eventuais demandas de potenciais investidores; e (iii) poderá ser suspenso(a), por um período de até 6 (seis) meses contados da data da comunicação da violação, de atuar como Coordenador Contratado ou Instituições Consorciadas, conforme o caso em ofertas de distribuição pública coordenadas pelos Coordenadores da Oferta. Nesse caso, a Instituição Consorciada deverá restituir integralmente aos investidores os valores eventualmente dados em contrapartida às Ações, conforme aplicável, no prazo de 3 (três) dias úteis da data de divulgação do descredenciamento da Instituição Consorciada, sem qualquer remuneração ou correção monetária e com dedução, se for o caso, dos valores relativos aos tributos incidentes; e (m) os Investidores Não Institucionais deverão realizar a aquisição das Ações mediante o pagamento à vista, em moeda corrente nacional, de acordo com o procedimento descrito neste item 3.1. As Instituições Participantes da Oferta somente atenderão aos Pedidos de Reserva feitos por Investidores Não Institucionais titulares de conta-corrente bancária ou de conta de investimento nelas aberta ou mantida pelo respectivo Investidor Não Institucional. As Instituições Consorciadas poderão, a seu exclusivo critério, exigir a manutenção de recursos em conta de investimento nela aberta e/ou mantida, para garantia do Pedido de Reserva. Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 21 2011, PARA INCLUSÃO DOS LOGOTIPOS DAS INSTITUIÇÕES CONSORCIADAS MERCADO ENBR3 S DO BRASIL S.A. de Capital Autorizado 983.431/0001-03 andar, CEP 04532-001, São Paulo - SP RENBRACNOR2 a BM&FBOVESPA: “ENBR3’’ ”), na Instrução CVM nº 471, de 8 de agosto de 2008 (“Instrução CVM 471”), e de acordo com o Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para as Atividades Conveniadas (“Código ANBIMA”), (i) EDP - ENERGIAS DE PORTUGAL, S.A. (“Acionista Vendedor”), ”), (iv) BANCO ITAÚ BBA S.A. (“Itaú BBA”) e (v) BES INVESTIMENTO DO BRASIL S.A. - BANCO DE INVESTIMENTO (“BESI” e, em conjunto com o Coordenador Líder, Morgan Stanley e Itaú BBA, “Coordenadores da Oferta”), e ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames, de emissão da Companhia e de titularidade do Acionista Vendedor (“Ações” e “Oferta”, respectivamente). Dessa forma os Investidores Não Institucionais interessados na realização do Pedido de Reserva deverão ler cuidadosamente os termos e condições estipulados nos respectivos Pedidos de Reserva, bem como as informações constantes do Prospecto Preliminar. 3.2. Oferta Institucional: A oferta institucional será realizada junto a Investidores Institucionais (“Oferta Institucional”). Após o atendimento dos Pedidos de Reserva, nos termos do item 3.1 acima, as Ações remanescentes serão destinadas à colocação pública junto a Investidores Institucionais, por meio dos Coordenadores da Oferta, que deverão apresentar suas intenções de investimento durante o Procedimento de Bookbuilding, e do Coordenador Contratado, não sendo admitidas para Investidores Institucionais reservas antecipadas e inexistindo valores mínimo ou máximo de investimento, e assumindo cada Investidor Institucional a obrigação de verificar se está cumprindo os requisitos acima para participar da Oferta Institucional. Caso o número de Ações objeto de intenções de investimento recebidas de Investidores Institucionais durante o Procedimento de Bookbuilding (conforme definido no item 6 abaixo) exceda o total de Ações remanescentes após o atendimento dos Pedidos de Reserva dos Investidores Não Institucionais, nos termos e condições descritos acima, terão prioridade no atendimento de suas respectivas ordens os Investidores Institucionais que, a critério da Companhia, do Acionista Vendedor e dos Coordenadores da Oferta, levando em consideração o disposto no plano de distribuição, nos termos do parágrafo 3º do artigo 33 da Instrução CVM 400, melhor atendam ao objetivo desta Oferta de criar uma base diversificada de acionistas formada por investidores com diferentes critérios de avaliação, ao longo do tempo, sobre as perspectivas da Companhia, seu setor de atuação e a conjuntura macroeconômica brasileira e internacional. Até as 16:00 horas do primeiro dia útil subsequente à data de publicação do Anúncio de Início, os Coordenadores da Oferta informarão aos Investidores Institucionais a quantidade de ações alocadas e o valor do respectivo investimento. A entrega das ações alocadas deverá ser efetivada na Data de Liquidação (conforme definida no item 4 abaixo), mediante pagamento à vista, em moeda corrente nacional, no ato da aquisição das Ações e em recursos imediatamente disponíveis, do valor resultante do Preço por Ação multiplicado pela quantidade de Ações alocadas a cada Investidor Institucional, de acordo com os procedimentos previstos no Contrato de Distribuição. Os Investidores Estrangeiros deverão realizar a aquisição das Ações por meio dos mecanismos previstos na Resolução CMN 2.689, da Instrução CVM 325 e da Lei 4.131. 4. PRAZOS DA OFERTA O prazo para a distribuição das Ações terá início na data de publicação do Anúncio de Início e se encerrará na data de publicação do Anúncio de Encerramento de Distribuição Pública Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A. (“Anúncio de Encerramento”), limitado ao prazo máximo de até 6 (seis) meses, contados a partir da data da publicação do Anúncio de Início (“Prazo de Distribuição”). Os Coordenadores da Oferta e o Coordenador Contratado terão o prazo de até 3 (três) dias úteis, contados a partir da data de publicação do Anúncio de Início, exclusive, para efetuar a colocação de Ações (“Período de Colocação”). A liquidação física e financeira da Oferta está prevista para ser realizada no último dia do Período de Colocação (“Data de Liquidação”), exceto com relação à distribuição de Ações Suplementares, cuja liquidação ocorrerá no 3º (terceiro) dia útil contado a partir da data de exercício da Opção de Ações Suplementares, conforme aplicável (“Data de Liquidação das Ações Suplementares”). A data de início da Oferta será divulgada mediante a publicação do Anúncio de Início, em conformidade com o previsto no parágrafo único do artigo 52 da Instrução CVM 400. O término da Oferta e seu resultado serão anunciados mediante a publicação do Anúncio de Encerramento, em conformidade com o previsto no artigo 29 da Instrução CVM 400. 5. INFORMAÇÕES SOBRE A GARANTIA FIRME DE LIQUIDAÇÃO A garantia firme de liquidação consiste na obrigação individual e não solidária dos Coordenadores da Oferta de aquisição e liquidação das Ações (exceto as Ações Suplementares), que tenham sido adquiridas porém não liquidadas pelos seus respectivos investidores na Data de Liquidação, na proporção e até o limite individual de garantia firme de cada um dos Coordenadores da Oferta, nos termos do Contrato de Distribuição. A garantia firme de liquidação é vinculante a partir do momento em que for concluído o Procedimento de Bookbuilding (definido no item 6 abaixo), assinado o Contrato de Distribuição, publicado o Anúncio de Início, disponibilizado o Prospecto Definitivo e concedido o registro da Oferta pela CVM. Caso as Ações adquiridas (exceto as Ações Suplementares) por investidores não sejam totalmente liquidadas por estes até a Data de Liquidação, os Coordenadores da Oferta liquidarão financeiramente, pelo Preço por Ação fixado de acordo com o Procedimento de Bookbuilding (conforme definidos no item 6 abaixo), na Data de Liquidação, a totalidade do saldo resultante da diferença entre (i) o número de Ações objeto da garantia firme de liquidação prestada, nos termos do Contrato de Distribuição; e (ii) o número de Ações efetivamente adquiridas e liquidadas por investidores no mercado (sem considerar as Ações Suplementares), observado o limite da garantia firme de liquidação prestada de forma individual e não solidária por cada Coordenador da Oferta. O preço de revenda de tal saldo de Ações junto ao público, pelos Coordenadores da Oferta, durante o Prazo de Distribuição, será o preço de mercado das Ações, limitado ao Preço por Ação (conforme definido no item 6 abaixo), ficando ressaltado que as atividades de estabilização descritas no item 7 abaixo, em algumas circunstâncias, não estarão sujeitas a tais limites. 6. 8. DIREITOS, VANTAGENS E RESTRIÇÕES DAS AÇÕES As Ações garantem aos seus titulares os direitos, vantagens e restrições estabelecidos pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei das Sociedades por Ações”), pelo Estatuto Social e pelo Regulamento do Novo Mercado, dentre os quais se incluem os seguintes: (a) direito de voto nas assembleias gerais da Companhia, sendo que cada Ação corresponde a um voto; (b) observadas as disposições aplicáveis da Lei das Sociedades por Ações, direito ao dividendo anual mínimo obrigatório, em cada exercício social, não inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido de cada exercício, ajustado nos termos do artigo 202 da Lei das Sociedades por Ações, e dividendos adicionais eventualmente distribuídos por deliberação da assembleia geral, incluindo o direito ao recebimento de dividendos integrais, que vierem a ser declaradas pela Companhia a partir da Data de Liquidação; (c) direito de alienar as Ações, nas mesmas condições asseguradas aos acionistas controladores, no caso de alienação, direta ou indireta, a título oneroso do controle da Companhia, tanto por meio de uma única operação, como por meio de operações sucessivas (tag along) nos termos do artigo 34 do Estatuto Social da Companhia; (d) no caso de liquidação da Companhia, direito ao recebimento dos pagamentos relativos ao remanescente do seu capital social, na proporção da sua participação no capital social da Companhia; (e) fiscalização da gestão da Companhia, nos termos previstos na Lei das Sociedades por Ações; e (f) direito de alienar as Ações em oferta pública a ser realizada pelos acionistas controladores, em caso de cancelamento do registro de companhia aberta ou de cancelamento de listagem das Ações no Novo Mercado, pelo seu Valor Econômico, apurado mediante laudo de avaliação elaborado por empresa especializada e independente. 9. NEGOCIAÇÃO NA BM&FBOVESPA E NOVO MERCADO Em 13 de junho de 2005, a Companhia, seus administradores e os acionistas controladores à época celebraram o Contrato de Participação no Novo Mercado com a BM&FBOVESPA, o qual entrou em vigor em 13 de julho de 2005, aderindo ao segmento especial do mercado de ações da BM&FBOVESPA denominado Novo Mercado, regido pelo Regulamento do Novo Mercado, o qual estabelece regras de governança corporativa mais rigorosas que as disposições da Lei das Sociedades por Ações, particularmente em relação à transparência e proteção aos acionistas minoritários. As principais regras relativas ao Novo Mercado estão descritas de forma resumida no Formulário de Referência da Companhia, que está à disposição dos investidores nos endereços indicados no item 12 abaixo. Para informações sobre a Companhia, incluindo seu setor de atuação, suas atividades, e situação econômica e financeira, leia o Formulário de Referência da Companhia. As Ações foram admitidas à negociação no Novo Mercado, sob o código “ENBR3”. 9.1. Restrição à Venda de Ações (Lock-up): O Acionista Vendedor, a Companhia, os administradores da Companhia, EDP - Investment & Services Limited e Balwerk Consultadoria Econômica e Participações Sociedade Limitada firmarão acordo de não disposição de ações ordinárias de emissão da Companhia (lock-up), pelo qual não poderão emitir, oferecer, vender, contratar a venda, dar em garantia, outorgar opções de compra ou de qualquer outra forma onerar ou dispor, direta ou indiretamente, quaisquer ações ordinárias de emissão da Companhia de sua titularidade, ou valores mobiliários conversíveis ou permutáveis por, ou que representem um direito de receber ações de emissão da Companhia, ou que admitam pagamento mediante entrega de ações de emissão da Companhia, bem como negociar ações ordinárias de emissão da Companhia e derivativos lastreados em ações ordinárias de emissão da Companhia, a partir da assinatura do Contrato de Distribuição e por um período de 90 (noventa) dias contados da publicação do Anúncio de Início, exceto com relação às Ações Suplementares e às ações ordinárias de emissão da Companhia objeto de empréstimo a ser concedido ao Agente Estabilizador objetivando as atividades previstas no Contrato de Estabilização. Tal restrição à venda de ações não será aplicável a determinadas hipóteses descritas nos acordos de lock-up. 10. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA ESCRITURADORA DAS AÇÕES A instituição financeira contratada para os serviços de escrituração das ações ordinárias de emissão da Companhia é a Itaú Corretora de Valores S.A. 11. CRONOGRAMA DA OFERTA Encontra-se abaixo um cronograma das etapas da Oferta, informando seus principais eventos a partir do protocolo na ANBIMA do pedido de análise prévia da Oferta: Ordem dos Eventos PREÇO POR AÇÃO O preço de venda por Ação (“Preço por Ação”) será fixado após (i) a efetivação dos Pedidos de Reserva no Período de Reserva; e (ii) a finalização do procedimento de coleta de intenções de investimento a ser conduzido pelos Coordenadores da Oferta junto a Investidores Institucionais no Brasil, em conformidade com os artigos 23, parágrafo 1º, e 44 da Instrução CVM 400, e no exterior, pelos Agentes de Colocação Internacional (“Procedimento de Bookbuilding”), tendo como parâmetro (a) a cotação das ações ordinárias de emissão da Companhia na BM&FBOVESPA; e (b) as indicações de interesse, em função da qualidade da demanda (por volume e preço), coletadas junto aos Investidores Institucionais durante o Procedimento de Bookbuilding. A cotação de fechamento das ações ordinárias de emissão da Companhia na BM&FBOVESPA em 15 de junho de 2011 foi de R$37,59 (trinta e sete reais e cinquenta e nove centavos) por ação. As condições finais da Oferta, incluindo o Preço por Ação e a determinação da quantidade de Ações a serem ofertadas, serão aprovadas pelo Conselho de Administração Executivo do Acionista Vendedor, antes da concessão do registro da Oferta pela CVM, na sequência de parecer prévio ou mediante dispensa de parecer prévio do Conselho Geral e de Supervisão do Acionista Vendedor, conforme o caso. A escolha do critério de preço de mercado para a determinação do Preço por Ação foi devidamente justificada, tendo em vista que tal preço não promoverá a diluição injustificada na participação societária dos atuais acionistas da Companhia e que o valor de mercado das Ações a serem adquiridas foi aferido com a realização do Procedimento de Bookbuilding, o qual reflete o valor pelo qual os Investidores Institucionais apresentarão suas ordens de aquisição de Ações no contexto da Oferta. Os Investidores Não Institucionais que efetuarem Pedidos de Reserva durante o Período de Reserva no âmbito da Oferta de Varejo não participarão do Procedimento de Bookbuilding nem, portanto, do processo de determinação do Preço por Ação. Será aceita a participação de Investidores Institucionais que sejam considerados Pessoas Vinculadas no Procedimento de Bookbuilding, mediante sua participação até o limite máximo de 15% (quinze por cento) do total das Ações objeto da Oferta. Nos termos do artigo 55 da Instrução CVM 400, caso seja verificado excesso de demanda superior em 1/3 (um terço) à quantidade de ações inicialmente ofertada (excluídas as Ações Suplementares), será vedada a colocação de ações para Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas, sendo as ordens de investimento realizadas por Instituições Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas automaticamente canceladas. As Instituições Participantes da Oferta, e/ou suas afiliadas, poderão celebrar operações com derivativos, tendo as Ações como ativo de referência, de acordo com as quais se comprometerão a pagar a seus clientes a taxa de retorno das Ações, contra o recebimento de taxas de juros fixas ou flutuantes (incluindo operações de total return swap). Os investimentos realizados pelas pessoas mencionadas no artigo 48, §2º da Instrução CVM 400 para proteção (hedge) de operações com derivativos tendo as Ações como ativo de referência (incluindo operações de total return swap) contratadas com terceiros são permitidos na forma do artigo 48 da Instrução CVM 400 e não serão considerados investimentos realizados por Pessoas Vinculadas para os fins do artigo 55 da Instrução CVM 400, desde que tais terceiros não sejam Pessoas Vinculadas. A participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas no Procedimento de Bookbuilding poderá impactar adversamente a formação do Preço por Ação e o investimento nas ações por Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas poderá promover redução da liquidez das Ações no mercado secundário. (1) 7. ESTABILIZAÇÃO DE PREÇO DAS AÇÕES O Agente Estabilizador, por intermédio da Morgan Stanley Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., poderá, a seu exclusivo critério, realizar operações bursáteis visando à estabilização do preço das ações ordinárias de emissão da Companhia na BM&FBOVESPA, a partir da data de assinatura do Contrato de Distribuição e por um período de 30 (trinta) dias contados do 1º (primeiro) dia útil (inclusive) após a publicação do Anúncio de Início, observadas as disposições legais aplicáveis e o disposto no Contrato de Prestação de Serviços de Estabilização de Preço das Ações Ordinárias de Emissão da EDP - Energias do Brasil S.A. (“Contrato de Estabilização”), o qual foi previamente submetido à análise e aprovação da CVM e da BM&FBOVESPA, nos termos do artigo 23, parágrafo 3º da Instrução CVM 400 e do item II da Deliberação CVM nº 476, de 25 de janeiro de 2005, antes da publicação do Anúncio de Início. Não existe obrigação por parte do Agente Estabilizador, ou da Morgan Stanley Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., de realizar operações de estabilização e, uma vez iniciadas, tais operações poderão ser descontinuadas a qualquer momento, observadas as disposições do Contrato de Estabilização. O Contrato de Estabilização estará disponível para consulta e obtenção de cópias junto ao Agente Estabilizador e à CVM, nos endereços indicados no item 12 abaixo. Evento Data Prevista(1) 1. Protocolo na ANBIMA do pedido de análise prévia da Oferta, por meio do procedimento simplificado previsto na Instrução CVM 471. 19 de maio de 2011 2. Publicação de Fato Relevante comunicando o protocolo na ANBIMA do pedido de análise prévia da Oferta, por meio do procedimento simplificado previsto na Instrução CVM 471. 19 de maio de 2011 3. Publicação do Aviso ao Mercado (sem a indicação dos logos das Instituições Consorciadas) Disponibilização do Prospecto Preliminar Início das apresentações do Roadshow Início de Procedimento de Bookbuilding 27 de junho de 2011 4. Republicação do Aviso ao Mercado (com a indicação dos logos das Instituições Consorciadas) Início do Período de Reserva 4 de julho de 2011 5. Encerramento do Período de Reserva 6 de julho de 2011 6. Encerramento das apresentações do Roadshow Encerramento do Procedimento de Bookbuilding Fixação do Preço por Ação Assinatura do Contrato de Distribuição, do Contrato de Distribuição Internacional e demais contratos relacionados à Oferta 7 de julho de 2011 7. Concessão do Registro da Oferta pela CVM Publicação do Anúncio de Início Disponibilização do Prospecto Definitivo 8 de julho de 2011 8. Início da negociação das Ações da Oferta na BM&FBOVESPA Início do prazo para exercício da Opção de Ações Suplementares 11 de julho de 2011 9. Data de Liquidação da Oferta 13 de julho de 2011 10. Encerramento do prazo para o exercício da Opção de Ações Suplementares 11. Data máxima para Liquidação das Ações Suplementares 12. Data máxima para publicação do Anúncio de Encerramento 9 de agosto de 2011 12 de agosto de 2011 8 de janeiro de 2012 Todas as datas previstas são meramente indicativas e estão sujeitas a alterações, suspensões, aditamentos ou prorrogações a critério da Companhia e dos Coordenadores da Oferta. Na hipótese de suspensão, cancelamento, modificação ou revogação da Oferta, este cronograma será alterado. Quaisquer comunicados ao mercado a tais eventos relacionados à Oferta serão informados por meio de publicação de aviso nos jornais Diário Oficial do Estado de São Paulo e do Jornal Brasil Econômico, veículos também usados para divulgação do Aviso ao Mercado e do Anúncio de Início, e no website da Companhia (www.edpbr.com.br/ri). Para informações sobre suspensão, cancelamento, modificação ou revogação da Oferta, bem como para informações a respeito de prazos, termos, condições e forma de devolução e reembolso dos valores dados em contrapartida às Ações, nos casos de suspensão, cancelamento, modificação ou revogação da Oferta, veja item 3.1 acima. Para informações sobre os prazos, condições e preço de revenda no caso de alienação de ações adquiridas pelos Coordenadores da Oferta, nos termos descritos no Contrato de Distribuição, veja item 5 acima. 22 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 12. INFORMAÇÕES ADICIONAIS A aquisição das Ações apresenta certos riscos e possibilidades de perdas patrimoniais que devem ser cuidadosamente considerados antes da tomada de decisão de investimento. Recomenda-se aos potenciais investidores que leiam o Prospecto Preliminar, em especial a seção “Fatores de Risco”, bem como os itens “4 - Fatores de Risco” e “5 - Riscos de Mercado” do Formulário de Referência da Companhia, antes de tomar qualquer decisão de investir nas Ações. O Prospecto Preliminar contém informações adicionais e complementares a este Aviso ao Mercado, que possibilitam aos investidores uma análise detalhada dos termos e condições da Oferta e dos riscos a ela inerentes. É recomendada aos investidores a leitura do Prospecto Preliminar antes da tomada de qualquer decisão de investimento. Os investidores que desejarem obter exemplar do Prospecto Preliminar ou informações adicionais sobre a Oferta ou, ainda, a realização de reserva de Ações, deverão dirigir-se, a partir da data de publicação deste Aviso ao Mercado, aos seguintes endereços e páginas da rede mundial de computadores das Instituições Participantes da Oferta e/ou da CVM. • Companhia EDP - ENERGIAS DO BRASIL S.A. Rua Bandeira Paulista, nº 530, 14º andar, São Paulo - SP At.: Sr. Miguel Dias Amaro Tel.: (0xx11) 2185-5900 - Fax: (0xx11) 2185-5920 www.energiasdobrasil.com.br • Acionista Vendedor EDP - ENERGIAS DE PORTUGAL S.A. Praça Marquês de Pombal, nº 12, Lisboa - Portugal At.: Sr. Miguel Viana Tel.: +351210082824 - Fax: +351210082829 www.edp.pt • (ii) BM&FBOVESPA, situada na Rua XV de Novembro, nº 275, na Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo (www.bmfbovespa.com.br - neste website acessar - “Ofertas Públicas - EDP - Energias do Brasil S.A.”, posteriormente acessar “Prospecto Preliminar”); (iii) Companhia, com sede na Rua Bandeira Paulista, nº 530, 14º andar, na Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo (www.edpbr.com.br/ri - neste website acessar “Informações Financeiras/ Prospectos”); (iv) Coordenador Líder, com sede na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, nº 2.041 e nº 2.235, Bloco A CEP 04543-011, Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo (www.santandercorretora.com.br - neste website, no lado direito da página, abaixo do item “Ofertas Públicas”, clicar no logo da Companhia e depois em “Prospecto Preliminar”); (v) Morgan Stanley, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.600, 6º andar e 7º andar (parte) - CEP: 04538-132, na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, (www.morganstanley.com.br/ prospectos - neste website, no item “Prospectos Locais”, acessar “Prospecto Preliminar - EDP - Energias do Brasil S.A.”); (vi) Itaú BBA, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.400, 3º ao 8º, 11º e 12º andares, Itaim Bibi - CEP 04538-132, Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo (http://www.itaubba. com.br/portugues/atividades/prospectos.asp - neste website acessar “Oferta de Ações da EDP - Energias do Brasil Prospecto Preliminar”); (vii) BESI, com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.729, 6º andar (www.besinvestimento. com.br - neste website acessar “Mercado de Capitais” e na sequência acessar “Prospecto Preliminar Ações EDP”); e (viii) Coordenador Contratado, com sede na Rua Joaquim Floriano, nº 960, 17º andar, CEP 04534-004, Itaim Bibi (www.bcgbrasil.com.br - neste website acessar “Divulgação de Informações”, em seguida clicar em “Ofertas Públicas de Distribuição”, onde encontrará o arquivo “EDP Energias do Brasil: Prospecto de Oferta Pública”). Nos termos da Instrução CVM 400, da Instrução CVM 471 e do Código ANBIMA, a Companhia, o Acionista Vendedor e o Coordenador Líder protocolizaram junto à ANBIMA o pedido de análise prévia da Oferta na CVM, em 19 de maio de 2011, estando a presente Oferta sujeita à prévia aprovação e registro da CVM. Coordenadores da Oferta BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, nº 2.041 e nº 2.235, Bloco A, CEP 04543-011, São Paulo - SP At.: Sr. Glenn Mallett Tel.: (0xx11) 3012-7162 - Fax: (0xx11) 3553-7099 www.santander.com.br BANCO MORGAN STANLEY S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.600, 6º andar e 7º andar (parte), Itaim Bibi, CEP 04538-132, São Paulo - SP At.: Sr. Paulo Mendes Tel.: (0xx11) 3048-6000 - Fax: (0xx11) 3048-6010 www.morganstanley.com.br BANCO ITAÚ BBA S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.400, 3º ao 8º, 11º e 12º andares, Itaim Bibi, CEP 04538-132, São Paulo - SP At.: Sr. Adriano Lima Borges Tel.: (0xx11) 3708-8000 - Fax: (0xx11) 3708-8107 www.itaubba.com.br BES INVESTIMENTO DO BRASIL S.A. - BANCO DE INVESTIMENTO Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.729, 6º andar, Itaim Bibi - CEP 04538-905, São Paulo - SP At.: Sr. Francisco Bianchi Tel.: (0xx11) 3074-7318 - Fax: (0xx11) 3074-7462 www.besinvestimento.com.br Este Aviso ao Mercado não constitui uma oferta de venda de Ações nos Estados Unidos da América, em Portugal ou em qualquer outra jurisdição em que a venda seja proibida, sendo que a Companhia, o Acionista Vendedor e os Coordenadores da Oferta não pretendem registrar a Oferta ou as Ações na SEC, na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Portugal ou e qualquer agência ou órgão regulador do mercado de capitais de qualquer outro país, exceto o Brasil. As Ações não poderão ser objeto de oferta (i) nos Estados Unidos da América ou a pessoas consideradas U.S. Persons, conforme definido no Securities Act, exceto se registradas na SEC ou de acordo com uma isenção de registro do Securities Act ou (ii) em Portugal, exceto se a investidores qualificados nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 30º e 110º do Código dos Valores Mobiliários, ou a 99 (noventa e nove), e/ou menos, investidores não qualificados através de uma oferta particular. Os Agentes de Colocação Internacional não têm qualquer responsabilidade sobre a distribuição pública das Ações no Brasil, bem como em relação às informações contidas neste Aviso ao Mercado. O Prospecto Preliminar contém informações adicionais e complementares a este Aviso ao Mercado e sua leitura possibilita uma análise detalhada dos termos e condições da Oferta e dos riscos a ela inerentes. É recomendada aos investidores a leitura do Prospecto Preliminar e do Formulário de Referência da Companhia, especialmente as seções que tratam sobre os riscos aos quais a Companhia está exposta, antes da tomada de qualquer decisão de investimento. “Será admitido o recebimento de reservas, a partir da data indicada neste Aviso ao Mercado, para aquisição das Ações que somente serão confirmadas pelo adquirente após o início do Período de Distribuição.” “LEIA O PROSPECTO PRELIMINAR E O FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA ANTES DE ACEITAR A OFERTA.” “O registro da presente Oferta não implica, por parte da CVM, garantia de veracidade das informações prestadas ou em julgamento sobre a qualidade da Companhia, bem como sobre as Ações a serem distribuídas.” O investimento em ações representa um investimento de risco, posto que é um investimento em renda variável e, assim, investidores que pretendam investir nas Ações estão sujeitos a perdas patrimoniais e riscos, inclusive àqueles relacionados às Ações, à Companhia, ao setor em que atua, aos seus acionistas e ao ambiente macroeconômico do Brasil, descritos no Prospecto Preliminar e no Formulário de Referência, e que devem ser cuidadosamente considerados antes da tomada de decisão de investimento. O investimento nas Ações não é, portanto, adequado a investidores avessos aos riscos relacionados à à volatilidade do mercado de capitais. Ainda assim, não há nenhuma classe ou categoria de investidor que esteja proibida por lei de adquirir as Ações. • Coordenador Contratado BANCO CAIXA GERAL - BRASIL, S.A. Rua Joaquim Floriano, nº 960, 17º andar, CEP 04534-004, Itaim Bibi, São Paulo - SP At.: Sr. Miguel Granado Tel.: (0xx11) 3509-9300 - Fax: (0xx11) 3509-4446 www.bcgbrasil.com.br • Instituições Consorciadas Nas dependências das Instituições Consorciadas credenciadas junto à BM&FBOVESPA para participar da Oferta. Informações adicionais sobre as Instituições Consorciadas poderão ser obtidas na página da rede mundial de computadores da BM&FBOVESPA (www.bmfbovespa.com.br). São Paulo, 04 de julho de 2011. ”A(O) presente oferta pública (programa) foi elaborada(o) de acordo com as normas de Regulação e Melhores Práticas da ANBIMA para as Ofertas Públicas de Distribuição e Aquisição de Valores Mobiliários, atendendo, assim, a(o) presente oferta pública (programa), aos padrões mínimos de informação exigidos pela ANBIMA, não cabendo à ANBIMA qualquer responsabilidade pelas referidas informações, pela qualidade da emissora e/ou ofertantes, das Instituições Participantes e dos valores mobiliários objeto da(o) oferta pública (programa). Este selo não implica recomendação de investimento. O registro ou análise prévia da presente distribuição não implica, por parte da ANBIMA, garantia da veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade da companhia emissora, bem como sobre os valores mobiliários a serem distribuídos”. O Prospecto Preliminar estará disponível nos seguintes endereços e websites: (i) CVM, situada na Rua Sete de Setembro, nº 111, 5º andar, na cidade do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro, e na Rua Cincinato Braga, nº 340, 2º, 3º e 4º andares, na Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo (www.cvm.gov.br - neste website acessar “Cias Abertas e Estrangeiras”, após acessar “Prospectos de Ofertas Públicas de Distribuição Preliminares”, após, no item “Secundárias”, “Ações” e acessar o link referente à “EDP - Energias do Brasil S.A.”, posteriormente clicar em “Prospecto Preliminar”); INSTITUIÇÕES CONSORCIADAS Desde 1927 corretora Corretora de Valores corretora corretora de valores, desde 1953 COORDENADORES DA OFERTA AGENTE ESTABILIZADOR COORDENADOR CONTRATADO COORDENADOR LÍDER Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 23 EMPRESAS Divulgação LEILÃO ELETRÔNICOS Apple e fabricante da Blackberry pagam US$ 4,5 bilhões por patentes da Nortel Samsung cria unidade de componentes para reformular unidade de painéis de LCD A Apple e a Research In Motion são parte do consórcio de seis companhias que pagaram US$ 4,5 bilhões por patentes remanescentes da falida Nortel Networks, em um leilão no qual o Google e a Intel saíram derrotados. Microsoft, EMC, Ericsson e Sony também fazem parte do grupo, anunciou a Nortel. A venda inclui mais de 6 mil patentes e as mais valiosas se relacionam à tecnologia 4G. A mudança marca uma renovação da estrutura da unidade de componentes, criada em 2009 mas abolida no mesmo ano para dar poder às unidades de forma que atuassem como companhias separadas. “A meta da criação de uma unidade é melhorar a cooperação e gerar sinergias entre as unidades de chips de memória, sistemas LSI, LCDs, assim como a Samsung Mobile Display”, disse. Phonak sofistica aparelhos auditivos para conquistar clientes do SUS Companhia suíça também expande número de lojas no país, chegando a 28, com objetivo de crescer 7% neste ano Henrique Manreza Dubes Sônego [email protected] Integrante do grupo suíço Sonova, que no ano passado faturou mundialmente cerca de 1,6 bilhão de francos (R$ 2,75 bi) com a venda de equipamentos médicos, a Phonak, de equipamentos para deficientes auditivos, tem planos de ampliar sua rede de lojas próprias e de distribuidores autorizados no Brasil. Ao lado da sofisticação do portfólio oferecido aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), este será um dos principais movimentos da empresa neste ano para crescer 2% acima do mercado, que na avaliação de Pedro Stern, presidente da Phonak no país, deverá se expandir 4% ou 5%. No ano passado, a filial brasileira faturou cerca de US$ 60 milhões. A rede de lojas próprias da empresa será ampliada de 22 para 28 unidades, enquanto a de distribuidores autorizados, que atuam com a marca e protocolos técnicos da Phonak, receberá o reforço de mais seis. Atualmente, tem entre 30 e 35. Os investimentos somam pouco mais de R$ 2 milhões. A expansão do número de lojas é importante, diz Stern, porque os equipamentos para deficientes auditivos demandam uma série de ajustes posteriores, até que o paciente se adapte a eles. E quanto mais moderno e sofisticado o dispositivo, mais complexo o suporte técnico. Além disso, as pilhas precisam ser trocadas toda semana e a durabilidade média dos equipamentos é de três a cinco anos. Já a ampliação do portfólio de produtos oferecidos à rede pública de saúde segue a lógica de que os deficientes auditivos têm buscado aparelhos mais discretos visualmente, e que ofereçam recursos adicionas aos exigidos pelo SUS. São modelos resistentes a água ou com sistema de conexão sem fio com celulares ou iPhones, por exemplo. Segundo Stern, lá fora, os aparelhos convencionais, aqueles com todo o sistema abrigado em um dispositivo fixado atrás da orelha, representam 20% do mercado. Outros dois tipos de Pedro Stern, presidente da Phonak: rede pública não está atenta à demanda dos deficientes auditivos Mercado brasileiro segue tendência internacional de busca por aparelhos mais modernos e discretos para deficientes auditivos aparelhos, o CRT e o interauricular, que levam parte ou todos os componentes do sistema para dentro do canal auditivo, dividem os 80% restantes. Aqui, na rede pública, Stern afirma que os aparelhos convencionais ainda são mais de 55% do total. Uma realidade que o executivo espera que mude rapidamente. Aparelhos discretos Na avaliação de Marcelo Hueb, doutor em otorrinolaringologia e membro da sociedade brasileira da especialidade, há de fato uma busca por aparelhos com mais recursos, discretos ou alinhados com as tendências de moda, que reduzam o estigma dos deficientes auditivos. É um movimento parecido ao que aconteceu com os óculos. Mas na rede pública, o processo tende a ser retardado pelo modelo de compra que ainda predomina no governo, baseado em preço. “As demandas individuais dos pacientes não costumam se consideradas. O que dificulta a adaptação e leva muitos a guardarem o parelho na gaveta”, diz o médico. Ainda assim, esse é um mercado disputado e com receita atrativa. São de 250 mil a 300 mil aparelhos por ano, com preços que variam de R$ 1 mil a mais de R$ 12 mil. O potencial, porém, é bem maior. Em países onde o diagnóstico é mais disseminado, de 0,5% a 1% da população tem indicação para uso de aparelhos auditivos. No Brasil, o percentual representaria milhões de pessoas. ■ EXPANSÃO 300 mil É o número de aparelhos para deficientes auditivos vendidos anualmente no Brasil. No início da década passada, a média anual era de cerca de 60 mil. APARELHO 1.0 US$ 100 A Fundação Otorrinolaringologia, ligada a USP, criou um aparelho auditivo básico com esse valor, para produção no país. Hoje, só a Starkey produz no Brasil. 24 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 EMPRESAS Divulgação ENERGIA ALIMENTOS Eletrobras inaugura projeto em Minas Gerais de capacitação profissional em energia solar Cosan cria empresa para atuar no mercado de bens de consumo alimentares O projeto denominado Procel é uma parceria entre a Eletrobras e o Centro Universitário UNA. A parceria prevê a formação de sete centros de capacitação em energia solar térmica nas cinco regiões brasileiras, com a previsão de formação de 2 mil alunos em cinco anos, para trabalhar com sistemas de aquecimento solar de água. Serão investidos R$ 2,9 milhões da Eletrobras e R$ 1 milhão da universidade. Dona de marcas tradicionais em açúcar como União e Da Barra, a Cosan Alimentos nasce com uma receita de R$ 1,2 bilhão e terá como meta avaliar o potencial de novas categorias de produtos alimentícios. A companhia, que terá gestão independente, mas manterá seus vínculos com o grupo Cosan, não releva, por enquanto, quais são os novos segmentos de mercado nos quais pretende atuar. Basquete enterra a crise com nova gestão Marcelo Dória (à esq.), da BSB, e Luís Felipe de Barros, da CBB: nova estratégia para participar das Olimpíadas Confederação muda estrutura e aumenta faturamento da modalidade a partir de parceria com empresa focada em negócios Fábio Suzuki [email protected] Entre os esportes mais populares do país e com ídolos do porte de Oscar e Hortência, o basquete brasileiro passa por um momento de reconstrução iniciado há dois anos com mudanças em sua estrutura e um novo modelo de gestão adotado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB). A iniciativa devese aos vários anos de uma crise que perdurou por toda a década passada, tanto dentro como fora das quadras, e visa retomar os momentos de ouro da modalidade. A expectativa é que as mudanças sejam coroadas com uma vaga da seleção masculina para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, depois de 16 anos fora da competição. A mudança de diretoria da CBB, há dois anos, foi o ponto de partida para a nova fase do basquete no país. Antes disso, a modalidade enfrentou problemas políticos e administrativos que levaram o torneio nacional a ter um racha com equipes montando campeonatos paralelos, além de ver os principais jogadores do país, como os que defendem equipes americanas da NBA, se recusarem a vestir a camisa da seleção por falta de pagamento do seguro dos atletas. “Era um cenário devastador. Nosso caixa estava no zero e tínhamos 25 escritórios de advocacia atuando simultaneamente em ações diversas contra a entidade", afirma Luís Felipe de Barros, diretor-executivo da CBB. "E esse processo de reconstrução não é rápido nem fácil, mas já realizamos meta- Após faturar apenas R$ 11 milhões em 2009, a CBB projeta alcançar uma receita de R$ 24 milhões ao final deste ano de das iniciativas necessárias para recolocar o basquete no seu lugar”, diz o diretor. A principal ação da entidade foi profissionalizar a gestão da entidade por meio de uma parceria com a Brunoro Sport Business que vai até 2012. Como resultado, a CBB saiu de um faturamento de apenas R$ 11 milhões proveniente do patrocínio de uma única empresa, a estatal Eletrobras, para uma receita estimada em R$ 24 milhões neste ano com novos parceiros como Bradesco e Travel Ace. “Além de montar estratégias de marketing, atuamos co- mo consultoria e auditoria em todas as áreas da Confederação. A ideia é desenvolver um plano de negócios para a entidade até 2020”, diz Marcelo Doria, presidente da BSB. O objetivo dos envolvidos na iniciativa é atingir um faturamento de R$ 45 milhões nos próximos anos. "Temos esse potencial e vamos trabalhar para atingi-lo", afirma Barros. Nova fase Além da nova gestão, a CBB melhorou também a estrutura ligada diretamente à prática da modalidade, tendo como desta- ques a criação da Escola Nacional de Treinadores, com o objetivo de formar técnicos de ponta em todo o país, e do Departamento de Ciência e Alta Performance, que abrange um time com 50 profissionais como médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, fisiologistas e nutricionistas. “Como resultado, baixamos para zero o número de contusões no ano passado em treinos e jogos da seleção, sendo que havíamos perdido sete jogadores no ano anterior”, diz o diretor da CBB. Mesmo não tendo a supervisão direta da entidade, a cria- Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 25 Divulgação AVIAÇÃO 1 AVIAÇÃO 2 Companhia Pluna oferece voos diários entre Belo Horizonte e Montevidéu KLM inaugura voo comercial de Amsterdã a Paris com bioquerosene A companhia aérea uruguaia Pluna está oferecendo frequências diárias de Belo Horizonte para Montevidéu, além de conexões para Buenos Aires, Santiago e Assunção. A capacidade da rota passará de 2,8 mil assentos para 5,4 mil mensalmente. Desde a inauguração da rota em fevereiro, a empresa alcançou a marca de cinco mil clientes transportados e uma ocupação média de 65%.. A KLM operou na semana passada um voo comercial com bioquerosene. O voo transportou 171 passageiros em um Boeing 737-800 e decolou do Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, com destino ao Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O combustível foi produzido com óleo de cozinha reutilizado, fornecido pela SkyNRG, consórcio fundado pela KLM com o Grupo Mar do Norte e a Associação Spring. Murillo Constantino Confederação paga alto para repatriar estrelas Valor corresponde ao seguro de atletas que defendem times da Europa e da NBA ção do torneio Novo Basquete Brasil (NBB) há dois anos, com a organização de uma liga formada pelas equipes, foi outra importante mudança que marcou a nova fase vivida pela modalidade no país. O campeonato substituiu o defasado Campeonato Brasileiro de Basquete e ajudou a melhorar a imagem do esporte junto ao público. “A criação do NBB foi um grande feito para o basquete brasileiro”, diz Barros, sobre a liga que tem a entidade como coordenadora. “É ótimo para o esporte ter os clubes caminhando com seus próprios pés”, afirma. ■ GESTÃO DE RESULTADOS Bom trabalho realizado no esporte pela CBB é verificado na comparação de diversas áreas da modalidade desde o ano passado 2010 2011 FATURAMENTO DA CBB R$ 11 milhões R$ 24 milhões* NÚMERO DE SELEÇÕES (categorias de base até adulto) 7 12 NÚMERO DE COMPETIÇÕES 8 12 PESSOAS DENTRO DA CBB 13 28 DIAS DE TREINO (masculino e feminino somados) 565 1.192 Fonte: Confederação Brasileira de Basquete (CBB) *expectativa A seleção brasileira masculina de basquete tentará uma das duas vagas do pré-olímpico da modalidade que ocorre no final de agosto em Mar del Plata, na Argentina, para voltar a disputar os Jogos Olímpicos depois de 16 anos fora da competição. Para ter uma equipe competitiva e alcançar o objetivo, a Confederação Brasileira de Basquete desembolsará mais de US$ 100 mil de seguro para ter na equipe os principais jogadores do país, que hoje defendem equipes da Europa e da NBA. “A expectativa não pode ser outra se não a vaga para as Olimpíadas. Não existe outro objetivo e a equipe terá todas as condições para alcançá-lo”, diz Luís Felipe de Barros, diretor-executivo da CBB. Na última década, a seleção brasileira sofreu com a ausência de jogadores que defendem times da liga americana NBA. Entre eles estão como Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers), Leandrinho (Toronto Raptors), Thiago Splitter (San Antonio Spurs) e Nenê Hilário (Denver Nuggets), cujos contratos estão na casa das dezenas de milhões. E para contar com os atletas, há a necessidade de pagar o seguro dos jogadores, cujo valor varia de US$ 10 mil a US$ 20 mil. “Era um custo que não era pago anteriormente e a culpa caía nos atletas. Todos achavam que os jogadores que não queriam vestir a camisa da seleção”, comenta Barros. Valor a ser pago em seguro de atletas ultrapassa os US$ 100 mil Além de contar novamente com os principais atletas do país, a CBB aposta também na qualidade do atual treinador da equipe, o argentino Rubén Magnano, que levou a seleção argentina ao título olímpico em 2004, em Atenas. Ausência de peso Apesar dos esforços da CBB em formar uma equipe forte para buscar a vaga na Olimpíada de Londres, no próximo ano, o pivô Nenê Hilário, um dos principais jogadores brasileiros da atualidade, pediu dispensa da seleção brasileira que brigará pela vaga olímpica em agosto. Em nota divulgada na última sexta-feira, dia 24, o atleta alegou “motivos contratuais e pessoais”. Na disputa por uma das duas vagas para os Jogos Olímpicos, a CBB aponta como principais rivais Porto Rico, República Dominicana, Canadá e Argentina como os principais rivais. ■ F.S. CBC Industrias Pesadas S/A torna público que requereu na CETESB a Licença Prévia para Caldeiras geradoras de vapor para usos diversos - exclusive para aquec. À Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, Km 68, Medeiros, Jundiaí. Câmara Municipal de São José dos Campos - AVISO DE CHAMAMENTO PÚBLICO para compor subcomissão para julgamento de propostas técnicas e seus eventuais recursos apresentados nas licitações para contratação de Agência de Propaganda para prestação de serviços de publicidade, durante os exercícios de 2011 e 2012 - Prazo para inscrição: de 04/07/2011 a 20/07/2011 - Informações: o edital completo contendo todas as informações poderá ser baixado do site www.camarasjc.sp.gov.br. - Em 1°/07/2011 - Ver. Juvenil Silvério - Presidente. 26 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Britta Pedersen/AFP Empregos exportados Tijolo brasileiro no muro A Bahia assiste atônita à movimentação da gigante de calçados Vulcabras Azaleia para começar a produzir na Índia. A transferência do maior grupo calçadista brasileiro para a Ásia está deixando um rastro de milhares de demitidos em cidades baianas. Segundo a prefeitura de Itapetinga (BA), nos últimos meses a empresa dispensou 3 mil funcionários em fábricas na região Centro-Sul do estado. A migração pode deixar 18 mil baianos sem emprego. Além de Itapetinga, a Vulcabras Azaleia tem unidades em 14 cidades da Bahia. Conforme fontes locais, profissionais de gerência já foram transferidos para Nova Délhi. Linhas de produção de fábricas baianas também estariam sendo embarcadas para a Índia. É com um apelo extra que Roger Waters, ex-baixista, compositor e vocalista do Pink Floyd, volta ao Brasil em março de 2012 para apresentar sua turnê The Wall em Porto Alegre (dia 17), São Paulo (dias 21 e 22) e Rio (25). Segundo a Time for Fun, a produção ao ar livre de The Wall na América do Sul será em uma escala “nunca antes vista pelo público”. Pela primeira vez no giro, que já rodou pelos EUA, Canadá e Europa, os shows ocorrerão em estádios. A nova versão de The Wall foi a turnê mais lucrativa em arenas fechadas nos Estados Unidos em 2010. The Wall foi apresentado pela primeira vez ao vivo pelo Pink Floyd em 1980. O álbum de mesmo nome, de 1979, está entre os cinco discos mais vendidos em todos os tempos nos EUA. O espetáculo vai levar ao palco uma parede de 137 metros de largura e 11 metros de altura, feita com 3 mil tijolos. Guarda-chuva renovável “Sempre fiz uso desse suplemento e nunca um controle feito anteriormente apresentou problema. Sou extremamente cuidadoso com isso e tenho a consciência tranquila de que não fiz nada para melhorar artificialmente meudesempenho” A CPFL Energia e a Ersa Energias Renováveis devem concluir em agosto a criação da CPFL Energias Renováveis. Segundo Wilson Ferreira Junior revela na próxima edição da Ibef News, a nova empresa concentrará ativos das duas companhias em Pequenas Centrais Hidrelétricas, parques eólicos e usinas termelétricas. E chegará ao mercado com capacidade total instalada de 4.375 MW (megawatts). Plano de concreto Executivos da empresa portuguesa Carfel, fabricante de equipamentos produtores de blocos de concreto, baixaram no Ceará para negociar a instalação de uma indústria no Estado. O grupo pretende instalar no Brasil uma fábrica de máquinas para produção de blocos de concreto, para abastecer a cadeia produtiva da construção civil. Outros estados estão sendo analisados pela empresa de Portugal. PÉS DE QUILATE A Nike também rendeu sua homenagem à aposentadoria de Ronaldo. A gigante americana de material esportivo deu de presente ao ex-jogador um par de chuteiras totalmente em ouro com o logotipo R9. O R9 Mercurial Golden também é uma forma de agradecer ao Fenômeno pela forcinha que deu à Nike como garoto-propaganda. A marca já criou outra chuteira de ouro para Ronaldo no passado, vendida a US$ 5,4 mil. Cesar Cielo, nadador, sobre seu exame antidoping, que acusou o uso da substância proibida furosemida, geralmente encontrada em diuréticos. Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 27 Fotos: divulgação Ouro express Depois de Dubai e de Las Vegas, chegou a vez de Londres receber a primeira máquina de ouro da Europa. Produzida pela alemã Ex Oriente Lux, a Gold To Go disponibiliza ouro em barras e moedas de vários tamanhos, como um equipamento de refrigerantes ou snaks. Por medidas de segurança, a máquina é feita de aço endurecido e está ligada a um sistema de câmeras e alarmes. MARCADO ● O antropólogo Roberto DaMatta, o sociólogo Carlos Antonio Costa Ribeiro, e o deputado federal, professor e ex-BBB Jean Wyllys se reunem, amanhã, na Espm-RJ, para mais uma edição do projeto Juventudes Brasileiras. [email protected] Lambida a dois Pouco pano Depois de desembarcar recentemente no Brasil, onde abriu sorveterias em Brasília (DF) e São Paulo (SP), a famosa rede argentina Freddo analisa formas de expandir o número de lojas no país. Uma das alternativas em estudo é a associação com um ou até vários grupos brasileiros. Além de esparramar seu sorvete em outros pontos de São Paulo, o grupo negocia meter sua pazinha em outras cidades do Brasil. Como Porto Alegre (RS) e Rio (RJ). Parece que a musa do jogador de futebol Cristiano Ronaldo está se especializando em posar com pouca roupa. Depois de inúmeras campanhas de lingerie, Irina Shayk volta a mostrar as curvas que conquistaram o craque português em fotos de biquini para a marca alemã Bruno Banani. As imagens foram feitas logo após a russa voltar do batizado do filho de Ronaldo, na Madeira, em Portugal. O Haiti é aqui Disparou o número de haitianos entre os trabalhadores autorizados a atuar no estado do Amazonas no primeiro trimestre deste ano. Eles foram maioria entre as autorizações de trabalho no Estado no período. Seguiram os japoneses e os coreanos. GIRO RÁPIDO Território israelense A TVZ elegeu as belas paisagens de Tel Aviv, em Israel, para fotografar sua campanha de Verão 2012. A top israelense Or Grossman posou para as lentes do badalado fotógrafo André Passos. Mãos à obra A Multiplan já oficializou o início das obras das lojas do ParkShoppingSãoCaetano, em São Paulo. A inauguração do novo centro comercial está marcada para 27 de outubro. Rock in radio O Rock in Rio 2011 vai ter uma rádio para chamar de sua. Na edição brasileira deste ano, pela primeira vez o evento terá uma rádio oficial. O canal será criado pelo grupo Dial Brasil (controlador da Mix Rio FM e da SulAmérica Paradiso) no ambiente web, com a bênção da promotora do evento. E vai seguir no ar mesmo depois da edição. Na rede O RioSul, em parceria com o Clube da Primeira Fila, acaba de lançar-se no e-Commerce. As fashionistas poderão comprar as novidades lançadas nos desfiles e recebê-las com exclusividade nas lojas do shopping. Abrindo as portas Bertrand Rindoff-Petroff/AP Caso sério Foi revelado, na última semana, um segredo guardado a sete chaves pela ex-top model Linda Evangelista durante cinco anos. O bilionário francês Francois-Henri Pinault, casado com a atriz Salma Hayek, é o pai do filho de 4 anos da ex-modelo. Evangelista foi flagrada em um tribunal em Manhattan, em Nova York, tentando fazer um acordo financeiro com os advogados de Pinault. De acordo com documentos do tribunal de família, o chefe-executivo do conglomerado que conta com marcas como Gucci, Botegga Veneta e Yves St. Laurent no valor de US$ 28 bilhões é o pai legítimo do menino Augustin. Apesar do mistério ter sido revelado, ainda há muita especulação sobre o caso: Pinault também é pai de Valentina, nascida de sua união com Hayek, que tem quase a mesma idade do herdeiro de Evangelista. O empresário afirma que Augustin foi concebido no início de 2006, quando estava 'temporariamente' separado de Hayek, com quem casou-se em 2009, em Veneza. A rede D'Pil inaugura 58 unidades em São Paulo nesta semana. O investimento foi de cerca de R$ 5 milhões. Jogo certo Patrocinadora da Brasil Game Show (BGS), a maior feira de games da América Latina, a Sony está produzindo jogos com legenda e áudio em português do Brasil. O próximo título será o Uncharted 3, jogo mais esperado do ano para o PlayStation 3. Com Karen Busic [email protected] 28 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 CONSUMO POPULAR PAULO VIEIRA LIMA EXPRESSAS Um outro perfil para o mercado imobiliário A nova classe média mudou o cenário do setor da habitação. Depois de muito tempo com dedicação quase exclusiva aos clientes A/B, o mercado ganha outro contorno. É significativo o número de projetos diferenciados e de maior qualidade para o público emergente. Este é assunto para o seminário Tendências do Mercado Imobiliário, que se realiza amanhã em São Paulo e reúne bancos e empreendedores. A iniciativa é do Sindicato da Habitação (Secovi), em conjunto com o Instituto Data Popular. Reajustes ameaçam quem compra imóvel na planta Pesquisas mostram que nenhum lançamento de produto deve ignorar o poder de influência das consumidoras. Elas são leais às marcas O público feminino prestigia as marcas e decide a compra As organizações procuram entender o comportamento feminino em relação às marcas Desde que a mulher deu os primeiros passos para a emancipação, passando a exercer profissões remuneradas e avançou em direção à independência em relação aos seus companheiros, o mercado já deveria ter se preparado para tratá-la como alguém que não consome produtos. A mulher consome marcas e, quando decide por uma delas, sua dedicação vai além da fidelidade. Ela é leal, diz André Alves, diretor da Cauduro Associados. Ele observa que nunca as organizações se preocuparam tanto em entender o comportamento das mulheres e a sua relação com as marcas. De acordo com a última pesquisa da Sophia Mind, citada por Alves, as mulheres controlam 66% do consumo das famílias brasileiras. Ou seja, do R$ 1,972 trilhão gasto anualmente com bens e serviços no país, R$ 1,3 trilhão é decidido por elas, valor que transforma o Brasil em um dos maiores mercados femininos no mundo. “ A mulher decide. Não deve ser tratada como um público à parte. Ela é o principal público Quando uma empresa vai lançar um produto, deve obrigatoriamente reconhecer que a mulher não é um público à parte. Ela é o principal público, na visão do diretor da Cauduro. André Alves ressalta que o sexo feminino possui uma grande influência no consumo das famílias brasileiras. As mulheres escolhem desde a marca de fralda do bebê até a marca de cueca do marido, passando pela alimentação da família, cosméticos, material escolar e o destino das próximas férias. ■ TRÊS PERGUNTAS A... O que explica toda esta força determinando a decisão de compra? Diretor da Cauduro Associados Antes de comprar aquecedor de ambiente, pesquise O site BuscaPé (www.buscape.com.br) comparou o preço de aquecedores de ambiente em diferentes lojas eletrônicas. A maior diferença registrada na pesquisa foi de R$ 54,54 para o aquecedor Cadence AQC408 Elétrico, uma variação de 91,27% quando comparado com o preço mais baixo (R$ 59,76) com o mais alto (R$ 114,30). CADENCE AQC408 ELÉTRICO Se no passado elas não tinham voz, atualmente as mulheres sinalizam os rumos e o futuro da maioria dos produtos colocados no mercado. ...ANDRÉ ALVES Enquanto prossegue forte a demanda, há um alerta do gestor de obras da Requadra — Desenvolvimento Imobiliário, engenheiro Luciano Radünz. Ele comenta que os reajustes do Índice Nacional da Construção Civil superam o aumento salarial dos trabalhadores. Radünz lembra que a maioria dos contratos de imóveis na planta tem reajuste feito pelas incorporadoras até a entrega das chaves. O aumento, absorvido com facilidade pelas classes mais altas, pode ser um problema para a classe C. A mulher faz várias coisas simultaneamente. Não tem tempo a perder, e por isso age com praticidade. Se a marca facilitar a escolha será melhor. Esta objetividade não transparece quando elas escolhem os produtos... Não é isso? Elas são detalhistas, usam a emoção e isto leva as empresas a se preocupar com design e formas capazes de agradá-las. Mas é preciso, principalmente, que o produto ou serviço inspire confiança, inovação e segurança. Enfim, elas estão na maioria das vezes fazendo compras para a família. Caso haja falha na comunicação sobre o produto ou serviço, qual a consequência para quem está fazendo o lançamento ou procurando efetuar a venda? Elas são formadoras de opinião e os depoimentos valem como aprovação ou rejeição. Uma comunicação equivocada, com enfoque falho em relação ao público feminino, pode ser fatal para a marca. MENOR PREÇO MAIOR PREÇO R$ 59,76 R$ 114,30 VARIAÇÃO 91,27% PHILCO COMFORT ÓLEO MENOR PREÇO MAIOR PREÇO R$ 269,91 R$ 278,91 VARIAÇÃO 3,33% Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 29 Fotos: divulgação Não dê voltas para comprar imóvel Em Brasília, três ônibus circulam pelas ruas divulgando o lançamento de quase 3 mil imóveis da MGarzon. Há ofertas para todas as faixas de renda e em vários locais da cidade. A estratégia foi criada pela Eugênio Marketing com o slogan “Não dê voltas para comprar imóvel. Siga nossa seta”. Durante a campanha, a MGarzon aproveita para anunciar oportunidade de emprego para quem pretende atuar como corretor na empresa. [email protected] Pizzarias discutem modernidade e profissionalização E porque tudo pode acabar em pizza, São Paulo se responsabiliza por utilizar 1 tonelada de farinha de trigo por ano. São 40 mil pizzas produzidas por hora e 6 mil pizzarias em funcionamento na cidade. E é só porque o brasileiro não come pizza durante o almoço é que, ainda, não superamos Nova York em consumo. Em julho, técnicos, empresários e trabalhadores do setor estarão reunidos em São Paulo na ExpoPizzaria e no Congresso ExpoPizzaria-Sebrae, quando representantes de vários estados vão debater temas de interesse comum. Patrícia Galassino, diretora da JKPG, empresa organizadora do evento, diz que um dos propósitos é propiciar atualização técnica e profissional para os participantes. O trabalho do Sebrae na correalização dos eventos pressupõe orientação para que os congressistas tenham informações para se firmarem como empresários. Galassino diz que os eventos são oportunidades para descansar da rotina do trabalho e uma ajuda na absorção de conceitos de modernização. Cidades como Ilha Bela querem ampliar a recepção de visitantes Estâncias reforçam vocação turística São Paulo tem estradas modernas, infraestrutura de alimentação, hospedagem e atrações para todos os níveis e gostos. Entretanto, mesmo os paulistas não conhecem bem tudo o que é possível desfrutar em seus municípios. Na Associação das Prefeituras das Cidades Estâncias do Estado de São Paulo (Aprecesp), seu presidente Antonio Luiz Colucci, que é prefeito da cidade de Ilhabela, se articula com seus colegas — ao todo 67 prefeituras associadas — para estabelecer uma grande agenda cultural e turística. Colucci assegura que a proposta vislumbra tempos muito além da Copa do Mundo. Setores industriais como o automobilístico precisam de R$ 200 mil de investimento para gerar um emprego e, pelos cálculos do presidente da Aprecesp, bastam R$ 20 mil para que uma atividade turística gere, de imediato, um emprego direto. Em quatro anos, 1 bilhão com perda de audição de cauda. Não é um templo da música. Lá funciona o Espaço Phonak, cuja diretora de marketing é Marisa Zavagli, mestre em fonoaudiologia. É aberto ao público, oferece orientação gratuita e alerta para a Espaço Phonak oferece orientação necessidade de cuidados com a O barulho em excesso como o perda auditiva. A fonoaudióloga ronco de motores ou o bate-estadiz que 10% da população brasica nas construções afeta os ouvileira tem algum grau de perda na dos de quem vive nas grandes ciaudição e, em termos mundiais, dades. Na Avenida Rebouças, em até 2015 haverá 1 bilhão de pesSão Paulo, há quase tudo isto e soas com este tipo de problema, um refúgio onde pontuam fotos caso não se acelere a conscientide Plácido Domingo ou Amy Wização para os cuidados neste segnehouse, uma lareira e um piano mento da saúde. São Paulo produz 40 mil pizzas por hora e tem 6 mil pizzarias em pleno funcionamento na cidade Tatu na Boa usa TV como suporte de venda Loja virtual tem preço garantido Meu Móvel de Madeira inova Ronald Heinrichs revela que passou nervoso ao adquirir um produto usando a internet. Pagou o preço cheio e a seguir o valor baixou. Agora, como diretor da loja virtual Meu Móvel de Madeira (www.meumoveldemadeira.com.br), Heinrichs criou o Programa Preço Garantido. Se o preço cair, o consumidor recebe a diferença em crédito para futuras compras. Quando isto acontece, o cliente é avisado por e-mail. A loja trabalha com madeira de floresta plantada para a produção de móveis sustentáveis. O site aceita cartões de crédito e, dependendo do valor total, há chances de parcelamento em até dez vezes, “sem interesse de concorrer com os magazines tradicionais”. Entre os sites de compras paira a ameaça de que sobreviverão, apenas, os que tiverem fortes diferenciais em relação aos milhares de concorrentes surgidos todos os dias no competitivo mundo do comércio eletrônico. O Tatu na Boa, dirigido por Débora Giacóia e Rudy Galera, optou pelo caminho cada vez mais trilhado pelos sites de compras coletivas, que é o atendimento a uma região espe- cífica e foca a área geográfica da cidade do Rio de Janeiro. Os diretores do site apostam que podem ganhar a dianteira em relação aos demais porque contam com a linguagem do vídeo e usam a TV Tatu para mostrar reportagens sobre os produtos e serviços em promoção. A equipe da TV Tatu dá impulso à abordagem que é feita aos internautas que acessam o www.tatunaboa.com. Monique Valadão , Claudia Sardinha , Débora Giacóia, Rudy Galera e Juliana Castro 30 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 FINANÇAS CURSO FBM DE IFRS PARA CERTIFICAÇÃO INTERNACIONAL DO ICAEW. AGORA COM EXAME EM PORTUGUÊS. www.grupofbm.com.br Editora: Maria Luíza Filgueiras [email protected] Subeditora: Priscila Dadona [email protected] Passada a crise, GWI quer abrir o capital Gestora de fundos do coreano Mu Hak You já é sociedade anônima, até com conselho de administração; balanço de 2010, no entanto, mostra prejuízo de R$ 7,3 milhões Mariana Segala [email protected] Pesadamente abalada pelos efeitos da crise financeira de 2008, a gestora GWI Asset Management avança nos passos necessários para realizar o que pode ser sua maior investida institucional. A empresa do coreano Mu Hak You — até o estouro da bolha do subprime notabilizada pela rentabilidade dos fundos e, então, em poucos pregões praticamente viraram pó, tão alavancados que eram — quer abrir o capital. A gestora diz que a abertura de capital, no momento, não é a prioridade, uma vez que está voltada para o desempenho das carteiras e a captação de novos investidores. Mas já foi transformada, no fim do ano passado, em sociedade anônima de capital fechado. “Com isso, os padrões de governança corporativa e contábeis da empresa passam a ser regidos pela Lei das Sociedades por Ações”, detalha a administração da GWI em comunicado. A empresa já criou um conselho de administração e começou a divulgar demonstrações finananceiras auditadas pela Ernst&Young Terco. Mas o primeiro balanço e relatório de administração divulgados pela companhia não mostram uma situação muito animadora. A GWI teve prejuízo líquido de R$ 7,3 milhões em 2010, resultado de uma receita 76% menor que a registrada em 2009 — apesar de a carteira de ativos sob gestão ter crescido 82% no período. “O ano de 2010 foi de grande dificuldade para os gestores de fundos de investimentos de renda variável”, justificou You no documento, mencionando a volatilidade do mercado em função da situação econômica dos Estados Unidos e da Europa. “Mesmo com uma realidade muito mais saudável e uma perspectiva de crescimento bastante significativa, a bolsa brasileira apresentou a mesma volatilidade e incerteza dos mercados exteriores.” O prejuízo levou a empresa a uma complicada situação de passivo a descoberto, num total de mais de R$ 4 milhões. Significa dizer que a GWI terminou o ano GWI Asset Management terminou o ano com mais obrigações do que o total de seus bens e direitos: “passivo a descoberto” chegou a R$ 4 milhões e, para fazer frente aos compromissos, dono se comprometeu a realizar aumento de capital de R$ 7,5 milhões com bens e direitos que, somados, não cobriam o valor das suas obrigações. Para melhorar os indicadores financeiros e fazer frente a compromissos com bancos, governo e fornecedores, You se comprometeu a fazer um aporte de R$ 7,5 milhões na empresa ao longo deste ano.Procurada, a GWI não informou se o aumento de capital foi realizado. Desempenho Considerado uma pessoa de trato difícil pelos que o conhecem, You ganhou fama por seus fundos figurarem seguidamente entre os mais rentáveis do mercado, em parte fruto da alavancagem das carteiras. O mesmo elemento que ampliou os resultados positivos, no entanto, levou os fundos à bancarrota. As cotas do antigo GWI Fia — apropriadamente rebatizado GWI Leverage (alavancagem, em inglês) — chegaram a valer perto de R$ 440 mil em maio de 2008, caindo para pouco mais de R$ 6 mil em dezembro, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desde lá, dobraram de valor, mas o prejuízo está longe de ser recuperado. O fundo, que teve resgates congelados na crise, tem 505 cotistas e patrimônio de R$ 108,6 milhões. As carteiras sem alavancagem, por outro lado, têm desempenho bem melhor. As cotas do GWI Classic, com 146 cotistas e patrimônio de R$ 80 milhões, já valem R$ 546 mil, bem mais perto dos seus valores mais altos, na casa dos R$ 600 mil. Em 12 meses, enquanto o Ibovespa ganhou 2,41%, o fundo rendeu 16,56%. A recuperação das carteiras, segundo a GWI, se baseou em algumas premissas. A gestão de risco agora é mais rígida, enquanto a política de “buy-andhold” (comprar e manter) foi flexibilizada, ampliando o dinamismo das operações. A gestora passou a operar com cinco corretoras, para diluir o risco de concentração de ativos em cenários de estresse, e a alavancagem é usada com “maior conservadorismo”. Para demonstrar comprometimento com os cotistas, o próprio You e seus funcionários fizeram repetidos aportes nas carteiras. ■ DIVERSIFICAÇÃO Gestora aposta também no segmento imobiliário Além de fundos de ações, a gestora do coreano Mu Hak You está se embrenhando também nas carteiras imobiliárias. A GWI Real Estate, empresa de empreendimentos imobiliários do grupo fundada em 2006, encerrou neste ano a captação do fundo GWI Condomínios Logísticos. A carteira, ativa desde 2009, possui atualmente mais de 70 investidores e R$ 75 milhões de ativos sob gestão. Uma oferta pública de cotas (conduzida pela corretora Socopa) entre agosto do ano passado e fevereiro deste ano pretendia levantar quase R$ 44 milhões. Conseguiu R$ 24 milhões. “O setor imobiliário é menos volátil, razão pela qual a gestora se dedicou a ele depois da crise”, diz um consultor do segmento. O primeiro ativo do fundo foi o condomínio logístico Global Cumbica, empreendimento instalado em um terreno de 106 mil metros quadrados nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, na cidade de Guarulhos. M.S. DESEMPENHO DOS FUNDOS DA CASA Rentabilidade e patrimônio dos veículos no fim de junho FUNDO DE AÇÕES (NOME E LANÇAMENTO) CLASSIC (1/9/99) COTA, PATRIMÔNIO, EM R$ EM R$ MILHÕES DIA MÊS ANO ACUMULADO EM %** 546.259 80,20 1,40% 0,01% -0,18% 2.631,30 LEVERAGE (13/2/04) 13.941 108,57 5,13% 3,12% -4,32% -72,12 PRIVATE (8/2/05) 41.068 201,86 8,27% -2,17% -14,30% -58,93 PIPES* (7/4/08) 9.786 31,64 1,03% -5,59% -12,26% -2,14 DIVIDENDOS* (1/10/09) 8.812 6,74 0,41% -18,17% 1,25% -11,88 HIGH GROWTH (2/3/10) 9.924 3,81 4,16% 2,30% -9,06% -0,76 10.385 2,59 0,53% -1,29% -2,92% 3,85 SMALL E MID CAPS (23/9/10) Fonte: GWI *Em 29/6/2011 **Desde o início do fundo Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 31 Adriano Machado/Bloomberg BB e Mapfre formam 2º maior grupo segurador O braço de seguros do Banco do Brasil aportou R$ 332,6 milhões na parceria estabelecida com o grupo de seguros espanhol Mapfre. A transação foi anunciada em maio e concluída na sexta-feira. O Grupo Segurador BB e Mapfre forma o segundo maior do setor no Brasil em arrecadação de prêmios de seguro. O acordo cria duas sociedades, divididas igualmente em participação acionária: a primeira inclui seguros pessoais, imobiliário e agrícola; a segunda, reúne os ramos de veículos e riscos especiais. Miguel Rojo/AFP Fundos da GWI e gestor Mu Hak You possuem 5,22% das ações do frigorífico Marfrig Carteira troca Americanas por Marfrig Ações do frigorífico representam quase metade do patrimônio do principal fundo da GWI O estilo fundamentalista de gerir fundos de Mu Hak You parece se basear no princípio da concentração. O coreano já foi o principal acionista individual de Lojas Americanas, mas hoje nem ele nem os fundos da GWI constam entre os principais detentores dos papéis. A posição nas ações da B2W, empresa de varejo on-line controlada pela Lojas Americanas, aliás, foi apontada pelo gestor como uma das razões para o fraco desempenho das carteiras no primeiro semestre de 2010. A grande aposta de You atualmente está no frigorífico Marfrig. Cerca de 47% do patrimônio do principal fundo da gestora — o GWI Leverage — está alocado nas ações da empresa, segundo os últimos dados disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de abril. As mesmas ações também compõem a carteira de outros fundos, como o GWI Classic (em que representam 16%), o GWI Pipes (14%) e o GWI Small Caps. Companhias, como a Profarma e a Viver (antiga Inpar), compõem o portfólio básico dos fundos da gestora Ações de outras empresas também se repetem nas carteiras, caso de Profarma e Viver (antiga Inpar). “Essa concentração não é uma prática muito usual. É um risco bem relevante que a gestora assume”, diz um analista de empresas que cobre os papéis da Marfrig. O tamanho da posição dos fundos na empresa, e o histórico do gestor, o levam a olhar para as ações com uma certa dose de ressalva. “Um eventual desmonte ocasionaria um movimento relevante no papel.” O percentual de ações em cir- culação no mercado (free float) da Marfrig é de 37% e os fundos da GWI detêm pouco mais de 5% das ações ordinárias da empresa. “A concentração não chega a ser exatamente excessiva. O problema está na alavancagem, que também é o diferencial dos fundos”, considera um ex-funcionário da gestora. Desde 2009, a GWI lançou três novos fundos de ações, focados em setores específicos. Um é voltado a ações de dividendos, outro a small caps e o terceiro, a empresas com alto potencial de crescimento. ■ M.S. 32 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 INVESTIMENTOS RENDA FIXA Flávia Furlan [email protected] Paísem“luademel”cominflaçãofocaEUA Dúvidas quanto à recuperação econômica dos Estados Unidos, após a crise de 2008, ainda pairam no ar e é por isso que divulgações do país têm mexido fortemente com o mercado. Nesta semana, o destaque fica por conta de dados de trabalho, com o relatório de emprego dos setores privado e público (payroll) na sexta-feira. "Existe uma forte suspeita de que o nível de desemprego estrutural, que é o mínimo que se atinge em condições normais, tenha subido nos EUA", diz o economista da corretora Banif CVC, Mauro Schneider, para quem o que prevalece em relação à economia americana não é otimismo e, sim, incerteza. O economista da Renascença, Marcelo Nascimento, aponta a geração líquida de 80 mil vagas no mercado de trabalho dos EUA para junho, ainda insuficiente para reativar a economia do país. "A própria taxa de desemprego esperada, de 9,1%, é muito alta para padrões americanos, que ainda enfrentam problemas de recuperação". Já o estrategista de renda variável do HSBC, Carlos Nunes, diz que espera a criação de 105 mil vagas, ante o consenso do mercado de 85 mil. "O mercado vai acompanhar de perto essa leitura de emprego, até mesmo para ver se o Banco Central americano vai tomar mais medidas de flexibilização de aperto monetário". Na Europa, a semana é marcada pela reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, para definição da nova taxa de juro. Segundo estimativas, deve ser elevada em 0,25 ponto percentual, para 1,50% ao ano. "Seria surpresa se não tivesse essa elevação", afirma Schneider. Nunes, do HSBC, diz que mais importante do que a definição será o discurso do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, em que sinalizará o que esperar para a inflação."O mercado vai ver a tônica para a política monetária e se o BCE está dando mais foco aos países centrais ou aos periféricos". Existem duas realidades diferentes entre essas nações, com as do segundo grupo enfrentando problemas fiscais. "O aumento do juro prejudica o acesso dos países periféricos ao mercado de dívida". Inflação No Brasil, de acordo com Nascimento, da Renascença, o principal indicador da semana é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a ser divulgado na quinta-feira, que deve ser o primeiro em muito tempo a vir praticamente zerado em relação ao mês anterior, com alta de 0,10%. "A economia brasileira está em ritmo de expansão razoável, adequado para a estrutura econômica. Os indicadores estão bastante confortáveis", diz. Já Schneider, da Banif CVC, explica que o resultado da inflação se dá pela queda sazonal de preços agrícolas, tendo pouca relação com uma desaceleração da atividade econômica. Nunes, do HSBC, espera uma variação de 0,08% do índice, ante 0,47% no mês anterior, o que mostra uma "lua de mel" do mercado com a inflação, que deve durar dois meses. Desta forma, ele indica que os investidores se posicionem, na bolsa, em empresas com maior exposição ao mercado interno e em blue chips (ações mais negociadas), se houver volta de fluxo de capital. "Estamos mais otimistas em bancos, varejo e consumo", diz. No Brasil, será divulgada ainda a produção, venda e exportação de veículos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), primeiro dado expressivo de atividade de junho, que mostrará se o aperto monetário tem tido efeito, segundo Schneider. ■ INDICADORES E EVENTOS DA SEMANA SEGUNDA-FEIRA (4/7) 5h30 6h 7h 8h30 11h | (Zona do Euro) — Confiança do investidor | (Zona do Euro) — Índice de Preços ao Produtor | (Brasil) — IPC-Fipe | (Brasil) — Boletim Focus | (Brasil) — Balança comercial semanal | (China) — Sondagem de serviços | (EUA) — Feriado nacional (mercados fechados) TERÇA-FEIRA (5) 5h30 6h 7h 8h 10h 11h | (Zona do Euro) — PMI composto e de serviços | (Zona do Euro) — Vendas no varejo | (Alemanha) — Pedidos à indústria | (Brasil) — Índice de preço ao produtor de maio – IBGE | (Brasil) — Indicadores industriais (capacidade instalada) | (EUA) — Pedidos à indústria QUARTA-FEIRA (6) 6h30 7h 7h 8h | (Portugal) — Leilão de títulos | (Japão) — Indicador coincidente e antecedente | (Alemanha) — Pedidos à indústria | (Brasil) — Sondagem de serviços Fontes: Banco Fator, Gradual Investimentos e Concórdia Corretora 11h | (EUA) — ISM composto, exceto manufatura 12h30 | (Brasil) — Fluxo cambial semanal | (Brasil) — Produção, venda e exportação de veículos - Anfavea Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano ITAU PERSONNALITE RF MAXIME FICFI BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI BB RENDA FIXA LP PLUS ESTILO FIC FI CAIXA FIC EXECUTIVO RF LONGO PRAZO CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI BB RENDA FIXA 200 FIC FI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI BB RENDA FIXA LP 100 FICFI 1/jul 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 1/jul 1/jul 1/jul 1/jul 30/jun 10,39 10,37 10,36 9,99 9,38 9,14 7,97 7,46 7,05 6,88 5,31 5,19 5,18 5,02 4,73 4,67 4,12 3,87 3,71 3,56 Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano BB REF DI LP PREM ESTILO FIC FI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI BB REF DI PLUS ESTILO FIC FI BB REFERENCIADO DI 5 MIL FIC FI BB NC REF DI LP PRINCIPAL FIC FI HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS BB REF DI 200 FIC FI ITAU PREMIO REF DI FICFI BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER SANT FIC FI CLAS REF DI 30/jun 1/jul 1/jul 1/jul 30/jun 1/jul 1/jul 1/jul 1/jul 1/jul 10,57 10,22 10,17 8,52 8,27 7,98 7,92 6,92 6,50 6,08 5,30 5,19 5,16 4,38 4,22 4,14 4,10 3,62 3,42 3,18 Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI CAIXA FMP FGTS VALE I ITAU ACOES FI BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO BA FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA MAXI UNIBANCO BLUE FI ACOES SANTANDER FIC FI ONIX ACOES ALFA FIC DE FI EM ACOES BB ACOES PETROBRAS FIA 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 15,30 14,26 1,96 (0,08) (0,20) (0,28) (2,33) (2,95) (7,07) (12,59) (9,27) (9,84) (9,91) (10,75) (10,88) (10,92) (12,92) (12,70) (15,75) (13,06) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 1,00 1,00 1,00 1,10 1,50 2,00 3,00 3,50 4,00 4,00 80.000 50.000 50.000 30.000 5.000 5.000 200 50 300 100 DI Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 0,70 1,00 1,00 2,50 2,47 3,00 3,00 4,00 4,50 5,00 100.000 80.000 50.000 5.000 100 30 200 1.000 100 100 AÇÕES Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 1,90 4,00 4,00 4,00 4,00 5,00 2,50 8,50 2,00 200 1.000 200 100 200 MULTIMERCADOS Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano ITAU EQUITY HEDGE ADV MULT FI BTG PACTUAL MULTIE FI MULTIM BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI ITAU PERS K2 MULTIM FICFI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC ITAU PERS MULTIE MULT FICFI SANT FIC FI ESTRAT MULTIM SANT FI CAP PROT VG7 MULT SANT CAPITAL PROT 3 FI MULT SANT FICFI CAP PROT VG6 BR MULT 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 30/jun 13,45 11,02 10,61 10,50 10,47 10,29 7,64 4,18 2,26 1,47 6,47 5,27 5,22 4,96 5,28 5,02 3,82 (3,29) (2,42) (5,67) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 1,10 1,50 1,50 1,50 1,25 2,00 2,50 2,30 2,50 10.000 50.000 50.000 20.000 5.000 10.000 5.000 5.000 5.000 QUINTA-FEIRA (7) 5h30 5h30 7h 8h 8h45 9h 9h15 9h30 | (Espanha) — Leilão de títulos | (Reino Unido) — Produção industrial | (Alemanha) — Produção industrial | (Brasil) — IGP-DI | (Europa) — Decisão de taxa de juros | (Brasil) — IPCA de junho | (EUA) — Relatório de emprego do setor privado | (Europa) — Entrevista coletiva de Trichet após decisão de juros SEXTA-FEIRA (8) 3h | (Alemanha) — Balança comercial 8h | (Brasil) — IPC-S 9h | (Brasil) — Emprego e salário na indústria - IBGE 9h30 | (EUA) — Relatório de emprego dos setores privado e público (payroll) 11h | (EUA) — Estoques no atacado 16h | (EUA) — Crédito ao consumidor *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico IBOVESPA (EM PONTOS) 67.500 67.000 66.500 Máxima Mínima Fechamento 66.000 67.076,76 66.164,94 67.058,02 65.500 10h Fonte: BM&FBovespa 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 33 BOLSA Sobe e desce na semana 12,17% foi a variação das ações preferenciais do Pão de Açúcar na semana, o melhor desempenho da carteira do Ibovespa no período. Na ponta oposta, os papéis da B2W registraram desvalorização de 4,25%. HOME BROKER recomendação para manutenção por entender que o preço de conversão criava uma espécie de teto de curto prazo, “impedindo uma valorização de seus títulos acima disso”. No entanto, os preços estão cerca de 13% abaixo deste teto, configurando um potencial de valorização (upside). O preço-alvo de longo prazo é de R$ 47 por ação. Outro motivo apontado por Montes para a alteração será a realização de uma leilão A-3, agora em julho, no qual a empresa irá ofertar 1.200 megawatts (MW) de energia. “Vemos condições de competitividade da empresa para esse leilão como excepcionais, tendo enorme chance de sucesso“, aponta o documento. Com o sucesso deste leilão, a empresa mais que dobraria de tamanho - “o que certamente será um trigger para as ações“. A capacidade atual da empresa é de 1.080 MW. MPX Energia Lopes Filho eleva para compra a recomendação para ações A Lopes Filho elevou a recomendação para as ações da MPX Energia de manutenção para a compra. A mudança se deu, segundo relatório assinado por Alexandre Montes, porque quando anunciou a emissão de debêntures conversíveis, a equipe da corretora havia rebaixado a CONSTRUÇÃO Cingapura aumenta participação acionária na BR Properties “A #VALE5 anuncia recompra de ação e a cotação dispara 4,5%. A #PETR4 confirma megapoço de petróleo em Santos e o papel não anda. É a vida!” @picapautrader, investidor “O relógio está correndo. Se parlamentares não chegarem a acordo sobre aumento do limite de endividamento nos EUA, o circo vai pegar fogo” @Ricamconsult, Ricardo Amorim, economista O fundo soberano de Cingapura, Government of Singapore Investment Corporation (GIC), aumentou a fatia na companhia brasileira de incorporação BR Properties. O fundo atingiu participação correspondente a 6,60% do total de ações ordinárias de emissão da companhia, que totalizam 11.534.618 ações. Segundo o GIC, trata-se de diversificação de portfolio e que não altera a composição do controle acionário ou a estrutura administrativa da companhia. O fundo soberano também tem aplicações na administradora de shoppings Aliansce, com 5,3% do capital. LEIA E ASSINE O BRASIL ECONÔMICO. Prezado Assinante, a Central de Atendimento e Venda de Assinaturas passa a atender nos telefones: 0800 021 0118 (São Paulo e demais localidades) | (21) 3878-9100 (Capital do RJ) [email protected] De segunda a sexta-feira, das 6h30 às 18h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 14h. www.brasileconomico.com.br 34 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 INVESTIMENTOS Cristiane Fensterseifer Analista da Geração Futuro Investimento em imóveis versus bolsa Após valorização de 85% no preço dos imóveis em São Paulo nos últimos três anos (índice da Fipe) é natural que muitos se interessem em adquirir imóveis para investimento. O movimento em manada em direção a um tipo de ativo, embora comum, nem sempre se mostra acertado, principalmente após uma grande alta nos preços. O que ocorreu recentemente na bolsa brasileira ilustra bem. Enquanto o Ibovespa acumulou alta de 100% de 2003 a 2006, o número de investidores pessoa física ampliou-se 157%, para 219 mil. Alta mais impressionante aconteceu em 2007, quando o número de investidores mais que dobrou, enquanto a bolsa subia 44% no ano. Este crescimento não continuou nos períodos que seguiram a crise, quando o número de investidores cresceu apenas 18% em 2008 (e a bolsa caiu 41%), e 3% em 2009, quando a bolsa recuperou e se valorizou 83%. Conclusão: a quantidade de investidores que entraram na bolsa em alta superou muito o número dos que compraram ações a preços "de banana". Isso demonstra a propensão a investir no mercado em alta, e o risco de perder o melhor momento: comprar na baixa. A comparação da alta nos imóveis com a migração de investidores para o mercado acionário é válida em um momento em que muitos gestores consideram a bolsa "barata", enquanto muitos investidores fogem das ações, abalados ainda pelo sentimento de quem perdeu dinheiro na crise. Após tempo de estagnação na bolsa e alta dos imóveis, no que vale a pena investir? A quantidade de investidores que entraram na bolsa em alta superou o número dos que compraram ações a preços “de banana”, correndo o risco de perder o melhor momento: comprar na baixa BOLSAS INTERNACIONAIS (COMPORTAMENTO NA SEMANA) (EM PONTOS) DOW JONES 12.700 12.525 12.350 12.175 12.000 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL S&P 500 1.350 1.330 1.310 1.290 1.270 NASDAQ 2.830 2.796 2.762 2.728 2.694 O movimento em manada em direção a um tipo de ativo, embora comum, nem sempre se mostra acertado, principalmente após uma grande alta nos preços 2.660 DAX 7.500 Um indicador muito utilizado para comparar o “custo” das ações é o P/L, valor em mercado dividido pelo lucro acumulado por uma empresa. O P/L atual do índice Ibovespa considerando os lucros dos últimos 12 meses das companhias que o compõe, segundo a Bloomberg, está em 9x, comparado a 15x em junho de 2010, já que o preço das ações caiu e o lucro das empresas aumentou. Podemos comparar com o que é pago hoje por um imóvel para alugar.Caso tenha custado R$ 100 mil e renda um aluguel de 0,6% do seu valor ao mês (média de mercado), reinvestido pela Selic, geraria um "lucro" de R$ 7,7 mil em um ano, o que, considerado o valor pago pelo imóvel, leva a um P/L de 13x, muito superior ao P/L atual do Ibovespa. É difícil afirmar que o ciclo de alta dos preços dos imóveis continuará, bem como prever se haverá ou não valorização na bolsa. No entanto, o histórico de valorização e o custo atual de cada um amplia o questionamento entre um e outro. Coloque de um lado da balança a alta sem precedente dos imóveis, que levou os preços no Brasil a superarem os de locais mais valorizados no mundo, um setor altamente dependente de crédito — com tendência de escassez e alta no custo — e um cenário inflacionário e de juros em alta, que desencoraja compradores, e de outro uma bolsa que cai no ano em 12 meses, nesta mesma economia que vai bem e vende tantos imóveis, e talvez surja a resposta. ■ 7.375 7.250 7.125 7.000 FTSE-100 6.000 5.900 5.800 5.700 5.600 Fonte: CNN Money e Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 35 Poupança Rendimento 0,57% este é o rendimento das cadernetas com aniversário hoje. Até o dia 27 de junho, a captação líquida (saques menos depósitos) ficou negativa em R$ 2,7 bilhões, perfazendo saldo de R$ 385,6 bilhões. MOEDAS (COTAÇÕES DE FECHAMENTO) DÓLAR (R$/US$) JURO FUTURO (Fechamento de 1/jul — em % ao ano) EURO (US$/€) 1,620 COMMODITIES (Índice CRB — em pontos) 1,460 340 12,60 6 1,442 1,603 3 337 1,424 12,48 4 1,406 12,35 3 3 334 1,388 12,23 2 3 331 12,100 328 2 1,585 1,568 1,550 1,370 27/JUN 1/JUL 27/JUN 1/JUL 24/JUN 27/JUN 28/JUN 29/JUN 30/JUN 1/JUL JUL/11 AGO/11 SET/11 OUT/11JAN/12ABR/12JUL/12OUT/12JJJAN/13ABR.13 JUL.13 OUT.13JAN/14ABR.14 JUL.14 OUT.14JAN/15 Fontes: Bloomberg, BC, BM&FBovespa e Brasil Econômico Balanço da indústria brasileira de fundos RENTABILIDADE ACUMULADA (em %) FUNDOS DE INVESTIMENTOS Tipos Semana Mês Ano 12 meses 1,49 1,24 1,48 1,18 1,37 -2,50 -1,31 -2,27 -2,72 -3,16 -7,06 1,15 -7,98 -4,46 -6,71 2,99 13,26 2,02 8,13 3,70 0,18 0,19 0,14 -0,27 0,86 0,88 0,79 0,20 5,39 5,52 5,85 4,55 10,97 11,23 12,45 6,49 0,18 0,17 0,21 0,15 0,51 0,81 3,47 3,72 5,79 9,99 10,98 12,11 AÇÕES Ibovespa Ativo Dividendos IBrX Ativo Livre Sustent/Governança RENDA FIXA Curto Prazo Referenciado DI Renda Fixa Renda Fixa Índices MULTIMERCADOS Macro Multiestrategia Juros e Moedas (EM R$ BILHÕES) APLICAÇÕES RESGATES 2.320 2.195 143 2.278 2.155 136 2.236 2.115 129 2.194 2.075 122 2.152 2.035 JAN/11 115 JAN/11 JUN/11 JAN/11 JUN/11 CAPTAÇÃO LÍQUIDA HISTÓRICA (em R$ milhões) (em %) ÍNDICES 2008 CDI Ibovespa IBrX Dólar 12,38 -41,22 -41,77 31,94 DISTRIBUIÇÃO POR CATEGORIA Patrimônio líquido 2009 9,88 82,66 72,84 -25,49 Demais 10,42% Renda fixa 30,09% Previdência 11,37% Ações 10,06% Multimercados 21,63% Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) 2010 TRIMESTRE 2011 9,75 1,04 2,62 -4,31 5,43 -10,10 -7,25 -4,98 1 2 3 4 2008 2009 2010 2011 30.883,14 -17.892,58 -36.409,83 -32.489,28 9.546,99 17.227,67 52.156,59 13.233,12 29.754,15 27.778,07 37.975,17 22.446,66 53.492,19 3.755,89 0,00 0,00 CAPTAÇÃO POR CATEGORIA (em R$ milhões) Categoria Referenciado DI 12,16% JUN/11 Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) RENTABILIDADE HISTÓRICA Curto prazo 4,27% CAPTAÇÃO LÍQUIDA Curto Prazo Referenciado DI Renda Fixa Multimercados Cambial Dívida Externa Ações Previdência Exclusivo Fechado FIDC Imobiliário Participações Off-Shore Total Geral PL 77.053,22 219.507,47 543.064,96 390.516,21 768,93 497,11 181.573,68 205.321,81 2.658,70 56.339,96 3.552,85 71.935,28 52.262,48 1.805.052,67 Aplicações Semana Resgates Captação líquida Aplicações No Ano Resgates Captação líquida 7.546,22 6.390,16 9.734,55 4.229,82 2,79 0,16 382,41 930,76 0,00 1.194,53 NB 200,74 NB 30.612,14 9.799,20 6.729,67 9.598,09 4.366,30 6,34 0,03 505,41 677,38 0,00 3.317,14 NB 30,59 NB 35.030,15 -2.252,99 -339,51 136,46 -136,48 -3,55 0,13 -123,00 253,38 0,00 -2.122,60 NB 170,15 NB -4.418,01 287.121,65 214.785,80 353.330,52 159.511,55 187,90 32,89 18.889,32 32.419,91 1.308,31 62.147,74 0,00 8.814,92 NB 1.138.550,49 271.792,95 214.057,82 298.036,91 189.518,35 256,04 1,76 20.779,77 19.987,29 161,02 66.122,19 0,00 588,29 NB 1.081.302,41 15.328,70 727,98 55.293,60 -30.006,80 -68,14 31,12 -1.890,45 12.432,62 1.147,28 -3.974,45 0,00 8.226,63 NB 57.248,08 36 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 MEMÓRIA Corpo de Itamar Franco será cremado hoje Ex-presidente foi velado ontem em Juiz de Fora e receberá honras fúnebres de ex-governador no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte Pedro Venceslau [email protected] Por um capricho do destino, o rápido período de agonia do expresidente Itamar Franco no Hospital Albert Eistein, em São Paulo, coincidiu com a série de homenagens do meio político ao também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que completara 80 anos. Enquanto um lutava pela vida longe dos holofotes, o outro colhia o reconhecimento pela criação do Plano Real e a consequente estabilização econômica do Brasil. Saudado como o único ex-presidente vivo que honrou esta posição por não voltar ao varejo político, FHC teve um aniversário consagrador. Já quando o então candidato a senador Itamar Franco completou 80 anos, no dia 28 de junho do ano passado, a data passou praticamente em branco fora de Minas Gerais. Ao ser convidado para comentar a morte de Itamar, FHC escreveu mais um capítulo, talvez o último, da polêmica em torno da paternidade do Real, uma mágoa que Itamar cultuou até o fim. E ele guardava o ódio na geladeira, segundo Tancredo Neves. “Devolvo a Itamar a audácia de ter me nomeado”, disse FHC. Simples assim. Itamar era o presidente, mas no processo de criação do Plano Real sua participação foi lembrada como coadjuvante. Depois de ter deixado a presidência, sua passagem do governo de Minas Gerais foi marcada pela radicalização política movida pelo nacionalismo. O corpo de Itamar Franco será cremado hoje, em Belo Horizonte, e, com ele, também se vai a polêmica. Deixou a capital paulista no domingo em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) rumo a Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde aconteceu o velório na Câmara Municipal. Do aeroporto da Serrinha até a Câmara, o caixão foi transportado em “ Dirigente do país em um momento crucial da nossa história recente, Itamar nos deixa uma trajetória exemplar de honradez pública Dilma Roussef presidente do Brasil cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros, aplaudido pela população pelas ruas onde passou. Hoje, o corpo será transladado para Belo Horizonte, onde receberá honras fúnebres como ex-governador de Minas Gerais, no Palácio da Liberdade. Em mais uma demonstração de ecumenismo político, a presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias . A presidente ofereceu o Palácio do Planalto para que a família velasse o corpo do ex-presidente. “Dirigente do país em um momento crucial da nossa história recente, Itamar nos deixa uma trajetória exemplar de honradez pública”, informou em nota oficial. Aplausos e vaias Ao longo do dia de ontem, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e diversas comitivas de políticos estiveram em Juiz de Fora para o velório. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), e mais de 45 senadores, entre eles o senador Fernando Collor (PTB), foram recebidos pelo senador Aécio Neves (PSDB). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do velório. Apesar de estar no espectro político oposto ao de Itamar, Lula permaneceu cerca de 30 minutos e foi bastante aplaudido. Já o senador Fernando Collor (PTB-AL) saiu sob vaias depois de tentar cumprimentar algumas pessoas . No curto período em que permaneceu como senador em 2011, Itamar Franco declinou de todas as tentativas de aproximação promovidas pelo colega de parlamento Fernando Collor de Mello. Quando Collor era o presidente e Itamar seu vice, entre 1990 e 1992, os dois viviam às turras. Diante do histórico, muitos estranharam a declaração de Collor no twitter após a morte de Itamar. “Itamar foi um companheiro inexcedível durante o período que militamos juntos”. ■ ESTABILIDADE ECONÔMICA Morre aos 81 anos o presidente do Plano Real A carreira política de Itamar Franco começou aos 28 anos, em 1958, quando filiou-se ao PTB. Nascido em Salvador (BA), cresceu em Juiz de Fora (MG), onde se elegeu prefeito em 1972 pelo MDB (atual PMDB). Em 1975 deixou o cargo para concorrer ao Senado, reeleito em 1983 e 1987. Seu maior feito, contudo, foi assumir a presidência da República, após o impeachment de Fernando Collor de Mello, em outubro de 1992. Itamar teve de enfrentar um cenário de desequilíbrio econômico, Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 37 Elza Fiuza/ABr Dilma deve comparacer ao velório em BH A presidente Dilma Rousseff embarcará nesta manhã para Belo Horizonte para acompanhar o velório do ex-presidente Itamar Franco, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Segundo o Planalto, Dilma parte de Brasília às 9h30 e deve retornar à capital federal ainda pela manhã. O corpo será velado durante todo o dia e seguirá para cremação em Contagem no final da tarde. Suas cinzas serão levadas para Juiz de Fora e colocadas no túmulo da mãe de Itamar. José Cruz/ABr Perrella assume vaga do senador no Congresso Filiado a partido governista, o novo senador é presidente do Cruzeiro Esporte Clube Itamar Franco foi prefeito, senador, presidente e governador sustentado por uma hiperinflação anual de 1.500%. Em menos de oito meses, quatro ministros da Fazenda se sucederam para combater o dragão: Gustavo Krause, Paulo Haddad, Eliseu Resende e Fernando Henrique Cardoso (remanejado da pasta de Relações Exteriores). Em dois anos de mandato, Itamar deu fim ao crescimento mensal de dois dígitos da inflação: em 27 de fevereiro de 1994, lançou o Plano Real. A proposta era criar uma moeda indexada à inflação, a URV, que seria convertida em uma nova moeda, o Real, a partir de julho do mesmo ano. Deixando este legado, Itamar assumiu o governo de Minas Gerais em 1998. De 2003 a 2005 foi embaixador do Brasil na Itália. Faleceu no sábado (2) no cargo de Senador, eleito em 2010. Agências A cadeira de Itamar Franco no Senado será ocupada pelo exdeputado e presidente do Cruzeiro, José Perrella de Oliveira Costa, que é filiado ao PDT, um dos partidos que compõem a base de Dilma Rousseff no Congresso. O novo senador, porém, já foi do PSDB e é próximo aos tucanos mineiros. Primeiro suplente de Itamar Franco, Perrella divulgou nota no sábado, 3, lamentando a morte do senador e ex-presidente. Presidente do Cruzeiro, o exdeputado é mais conhecido pela atuação como dirigente esportivo. “Os compromissos do expresidente para com Minas e o Brasil são conhecidos por várias gerações de mineiros, e deles todos nós nos orgulhamos. Tive a honra de ter sido indicado pelo meu partido, o PDT, como suplente do senador Itamar nas últimas eleições. Lamentando profundamente as circunstâncias, manifesto a todos os mineiros o meu compromisso de dar o melhor de mim para garantir a continuidade do trabalho do senador Itamar em defesa dos interesses de Minas”, disse Perrella. Aos 55 anos, ele chega ao Senado graças a um acordo costurado no grupo político de Aécio Neves (PSDB-MG), que fez um “dobradinha” com Itamar Franco nas eleições do ano passado. A carreira política de Perrela começou há pouco mais de uma década. Antes de chegar ao Senado, ele disputou três eleições: para deputado federal, estadual e, por último, para senador em 2006, quando ficou em quarto lugar. No ano passado, concorreu como primeiro suplente de Itamar para o Senado. Com o falecimento do senador, o oposicionista PPS, presidido por Roberto Freire, perde sua única cadeira no Senado e fica esvaziado em Minas Gerais. Já o governista PDT salta de quatro para cinco senadores e ganha mais poder de barganha no Congresso. Antes de chegar ao Senado, Perrella disputou três eleições: para deputado federal, estadual e, por último, para senador em 2006, quando ficou em quarto lugar Itamar, que havia contraído uma pneumonia grave devido ao tratamento contra lecemia sob o qual era submetido desde o dia 21 de maio, morreu no sábado após ter um acidente vascular cerebral (AVC). Divorciado, deixou duas filhas. “É um exemplo para todos nós que fazemos a vida pública. Ele teve a coragem de lançar o Plano Real, que manteve o Brasil nos trilhos de uma boa economia”, disse o vice-presidente Michel Temer durante o velório. Já os ex-presidentes Lula e Collor não deram declarações à imprensa, assim como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). ■ P.V. 38 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 PONTO FINAL Ahmad Al-Rubaye/AFP CARTAS CONFISSÕES SOB TORTURA Com relação à reportagem “Pimentel: fusão Pão de Açúcar-Carrefour será estratégica ao país” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE em 29/6/2011), o ministro parece achar que hoje em dia ainda é adequada uma estratégia antiética, mas a pretensa operação nada mais é que um modo de o empresário deixar de cumprir o contrato firmado com o Casino para ganhar mais vendendo ao Carrefour. Ilegal, imoral e antiético. Em troca, promoveria desemprego em elevada quantidade, arrocho ainda maior aos fornecedores e maiores preços aos consumidores, dada a boçal concentração que promoveria no mercado. Não será com estratégias antiéticas que o país se firmará internacionalmente. José Carlos Rio de Janeiro (RJ) Com relação ao artigo “O BNDES paga a conta novamente”, (publicado na página 2 da edição de 1º/7/2011), como o próprio deputado Roberto Freire diz, “a coisa funciona assim: o governo não pode intervir no mercado, mas os supermercados podem intervir no governo”. Antonio R. Omane São Paulo (SP) Dinheiro público mais uma vez indo pelo esgoto sem compostura nenhuma por esse governo desgovernado. Angelo Costacurta São Paulo (SP) As notícias sobre a evolução social no Brasil merecem mais destaque. Como no caso de uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, que constatou um quadro muito positivo, numa comparação com alguns dos países que integram o grupo denominado de Brics. Os dados podem ser resumidos em alguns pontos. No caso da população pobre, no Brasil a evolução foi de 20%, enquanto a classe rica teve essa evolução de 1,7%. Na China o número de pobres que tiveram uma evolução econômica foi maior, atingindo 8,5%, mas, por outro lado, para os que são considerados ricos, a evolução atingiu 20%. Não houve portanto a diminuição da diferença social. Na Índia, outro integrante dos Brics, o percentual dos pobres que evoluíram de classe chegou a 1%, enquanto nos ricos o percentual atingiu 2,8%. E, na África do Sul, país que foi incluído recentemente entre os Brics, 9,8% dos pobres subiram de classe, enquanto na classe rica a evolução atingiu 7,6%. É claro que no Brasil ainda temos muitos problemas, com muita diferença social a ser superada. Mas os resultados positivos têm de servir de incentivo para a implementação de políticas sociais que envolvam o setor público, mas também os demais segmentos da sociedade. E que não se limitem a medidas assistencialistas. E sobretudo, que tenham regularidade e muito controle nas verbas que venham a ser aplicadas. Uriel Villas Boas Santos (SP) Com relação à reportagem “Ex-FMI, Strauss-Kahn é libertado em Nova York” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE em 1º/7/2011), e agora, José? Ele foi exposto aos olhos do mundo em função do moralismo da sociedade americana e porque fez uma gestão no Fundo Monetário Internacional (FMI) que aproximou o organismo dos países emergentes. Isso desagradou a Obama, Sarkozy, Berlusconi e Cia. E, provavelmente, seus acusadores e aqueles que o derrubaram não se retratarão. Como é que fica isto? Depois disso tudo parece que mais uma vez a “democracia americana” vai confeccionar mais uma pizza. E depois nos chamam de subdesenvolvidos. Por sinal, por que por lá não investigam o desvio de US$ 19,6 bilhões retirados em dinheiro do Iraque e que foram parar (supõe-se) nas mãos das famílias Bush e de Dick Chenney? Rui Gerbiassi São Paulo (SP) Cartas para a Redação: Av. das Nações Unidas, 11.633, 8.º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP). E-mail: [email protected] As mensagens devem conter nome completo, endereço, telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretores Executivos Alexandre Freeland, Paulo Fraga e Ricardo Galuppo [email protected] Brasil Econômico é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000 - Fax (11) 3320-2158 Mulher iraquiana usando tradicional modelo de burca, carrega o filho bebê, enquanto participa de manifestação em Bagdá, Iraque, pedindo perdão ou um novo julgamento para iraquianos condenados com base em confissões conseguidas sob tortura. As condenações aconteceram no período de ocupação do país por tropas dos Estados Unidos. Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta Brasília Maeli Prado, Simone Cavalcanti Rio de Janeiro Ricardo Rego Monteiro Editores Executivos Arnaldo Comin, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato Gaspar, Tania Aquino (Paginadores), Infografia Alex Silva (Chefe), Anderson Cattai, Monica Sobral Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Bueno, Wellington Reis (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Informações econômicas e estatísticas Pedro Cássio Produção gráfica Ivanilson Fernandes, Márcia Fernandes, Samuel Coelho Editores Conrado Mazzoni (On-line), Elaine Cotta (Brasil), Fabiana Parajara (Destaque), Maria Luiza Filgueiras (Finanças), Rita Karam (Empresas) Subeditores Estela Silva, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Ivone Portes (Brasil), Luciano Feltrin (Projetos Especiais), Micheli Rueda (On-line), Priscila Dadona (Finanças) Repórteres Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli, Daniela Paiva, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Eva Rodrigues, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Felipe Peroni, Flávia Furlan, Françoise Terzian, João Paulo Freitas, Karen Busic, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Mariana Celle, Mariana Segala, Martha S. 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(DF/GO) Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico 39 Samuel Kinoshita Economista da Ideias Consultoria Marcelo Mariaca Presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School Índices de preços de imóveis no Brasil Falta de engenheiros, excesso de administradores Evidências anedóticas sugeriam que um expressivo aumento nos preços dos imóveis tomava curso, mas poucos elementos concretos estavam disponíveis para avaliar a questão. A recente divulgação da criação de índices de preços de imóveis colocou ferramentas importantes à disposição dos analistas. Índices de preços de imóveis são importantes em diversas situações. Por exemplo, contribuem na construção de indicadores de risco do sistema financeiro, são medidas de riqueza, auxiliam na decisão entre comprar ou alugar um imóvel, são insumos na análise e na escolha de políticas econômicas, entre outras funções. Segundo o Eurostat, instituto responsável pelas estatísticas da União Europeia, são quatro as principais abordagens metodológicas utilizadas no cálculo dos índices de preços de imóveis: estratificação, regressão hedônica, método das vendas repetidas e avaliação. No Brasil, dois novos índices de preços de imóveis foram anunciados recentemente, o FipeZap e o IGMI-C. O índice FipeZap de preços de imóveis anunciados é uma parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e o portal de classificados ZAP. O FipeZap, calculado a partir de 2008, adota a metodologia da estratificação, que consiste em dividir a amostra em categorias que captem aproximadamente o valor de um imóvel (número de quartos, localização, etc). Este índice utiliza os anúncios de venda ou locação de apartamentos prontos que estão cadastrados no site Zap Imóveis. O ponto forte deste índice é a sua rica base de dados (hoje com quase 200 mil anúncios). Assumindo que a relação entre os preços de imóveis transacionados e os preços dos imóveis que não foram transacionados seja constante, torna-se possível obter uma medida representativa dos preços dos imóveis nas regiões pesquisadas. Boa notícia: a procura por cursos de engenharia, produção e construção cresceu 33%, enquanto a demanda de calouros por cursos de administração caiu 10%, de 2007 a 2009, segundo pesquisa de uma consultoria com base em dados do Ministério da Educação. Nada contra os cursos de administração, mas tudo a favor dos cursos de engenharia. Essa mudança de escolha é consequência do momento por que passa o país, com a retomada do crescimento. O mercado para engenheiros praticamente explodiu e empresas de todos os setores sofrem com a falta de profissionais. Pelas estimativas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), existe um déficit de 20 mil engenheiros por ano, e a demanda deve aumentar em decorrência dos projetos do PAC, do programa Minha Casa, Minha Vida, da exploração do pré-sal e das obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A Confederação Nacional da Indústria fala num déficit de 30 mil por ano. A Foxconn, empresa chinesa que produzirá os cobiçados tablets da Apple no Brasil, está encontrando dificuldades para recrutar engenheiros. A existência dos índices mencionados é um grande avanço para o país. Mas ainda existe muito espaço para o aprimoramento e a ampliação das metodologias disponíveis Já o IGMI-C, índice geral do mercado imobiliário comercial, é um índice trimestral de rentabilidade do mercado brasileiro de imóveis comerciais. O IGMI-C é calculado pela Fundação Getulio Vargas com base em informações fornecidas por atores do mercado imobiliário (entidades de classe, consultores, administradores e gestores de carteiras imobiliárias, incorporadores, entre outros) e a sua série histórica tem início no ano de 2000. No quarto trimestre de 2010, a amostra do IGMI-C era composta de 190 imóveis individuais, divididos entre shopping centers, estabelecimentos comerciais, hotéis, imóveis industriais e de logística e outros. Ambos os índices corroboram a tese de que houve substancial elevação dos preços dos imóveis. Segundo o FipeZap, o preço do m² dos apartamentos anunciados na cidade de São Paulo subiu 96% entre janeiro de 2008 e maio de 2011. Em 2011, a alta para o índice que agrega as sete cidades pesquisadas é de 12%. A existência dos índices mencionados acima é um grande avanço para o país. Ainda existe muito espaço para o aprimoramento e a ampliação das metodologias disponíveis. Felizmente, essa evolução provavelmente ocorrerá de maneira natural, já que o enorme potencial do mercado imobiliário brasileiro demandará cada vez mais recursos e pesquisa de qualidade. ■ Não se trata de minimizar a importância dos cursos de administração — nos Estados Unidos, eles respondem por quase 20% dos formandos. O que falta é melhorar a qualidade do ensino Só para completar o cenário, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, se a economia apresentar um crescimento médio de 3,5% ao ano, o plantel de profissionais não será suficiente para atender à demanda por engenheiros já em 2015. Em 2008, o Brasil formou pouco mais que 47 mil engenheiros, número bem abaixo dos outros países do Bric: Rússia (190 mil por ano), Índia (220 mil) e China (incríveis 650 mil). Em decorrência desse cenário, o governo já está com programa para aumentar a oferta de vagas para os cursos de engenharia, bem como para tentar reduzir as altas taxas de evasão nas faculdades. Além de formar novas fornadas de engenheiros, o Cofea sugere a atualização dos profissionais de engenharia que não atuam na área — cerca de um terço dos 475 mil engenheiros existentes no Brasil.Portanto, trata-se de uma boa notícia o aumento do interesse dos universitários pela engenharia. A queda da procura pelos cursos de administração revela outros problemas. Enquanto as vagas dos cursos de engenharia ficaram congeladas por décadas, em razão do baixo crescimento da economia e da baixa procura pelos profissionais, pipocaram cursos de administração pelo Brasil afora. Segundo o Ministério de Educação, havia 1,1 milhão de universitários matriculados em faculdades de administração em 2009. Na educação a distância, 61,5% das vagas eram distribuídas em administração e pedagogia. Sobram administradores de empresas no mercado? A resposta é outra: faltam profissionais com real qualificação. Há, sim, uma forte demanda de todos os setores da economia por administradores, já que as empresas, cada vez mais, estão focando a qualidade nos seus processos de gestão. A questão é que a maior parte dos profissionais, formados por instituições de segunda linha, não está preparada para esse desafio. Nas últimas três décadas foram criados centenas de cursos de administração, grande parte deles de baixa qualidade e a preços módicos. Primeiro, porque havia uma forte demanda. Segundo, porque os cursos de administração exigem menos investimentos que os cursos de engenharia. Não se trata de minimizar a importância dos cursos de administração nos Estados Unidos, eles respondem por quase 20% dos formandos. O que falta é melhorar a qualidade do ensino para que o diploma tenha de fato alguma validade no mercado. ■ Fotos:divulgação FRASES “Será um lançamento sensacional” “Não é preciso inventar a roda” Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, José Graziano da Silva, novo diretor-geral da Organização das Nações para a Agricultura e Alimentação (FAO), sobre as medidas para acabar com a fome no mundo. “São necessários programas conhecidos, como aumentar a produtividade da agricultura familiar, desenvolver os mercados locais de alimentos, porque é aí que se produz a segurança alimentar”, explica ele, que assumirá o cargo dia 1º de janeiro de 2012. Trata-se do primeiro latino-americano a dirigir a FAO desde que organização foi criada, em 1945. fazendo suspense sobre o lançamento que a rede social deve anunciar no decorrer desta semana. Blogs da área de tecnologia vêm especulando sobre uma série de produtos em desenvolvimento no Facebook, incluindo o lançamento de um esperado aplicativo da rede social para o iPad, da Apple, e outro para compartilhamento de fotos no iPhone. 40 Brasil Econômico Segunda-feira, 4 de julho, 2011 Brasil Econômico é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A., com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 - [email protected] É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômica S.A. ÚLTIMA HORA Governo reduz investimentos em 14% Carlos Moraes/Ag. O Dia Para garantir o corte de R$ 50,7 bilhões no Orçamento e assegurar o cumprimento da meta de superávit primário em 2011, o governo está economizando em uma área preservada nos últimos dois anos: os investimentos. Estes valores somaram R$ 17,76 bilhões no primeiro semestre, o que representa uma queda de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi poupado dos cortes. De janeiro a junho, os gastos com o projeto somaram R$ 12,196 bilhões, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado. Como nos últimos anos, os restos a pagar – recursos autorizados em anos anteriores e transferidos para liquidação nos exercícios seguintes – continuam a sustentar os investimentos. Do total gasto em investimentos federais em 2011, 84% vieram de verbas de anos anteriores. Em relação ao PAC, a proporção chega a 87%. Ao comentar a evolução dos desembolsos da União, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que esses gastos volta- [email protected] Diretor Adjunto Quem vai conseguir pôr mais banca? rão a crescer neste segundo semestre. Segundo ele, a legislação eleitoral obrigou o governo a antecipar pagamentos de obras públicas para o primeiro semestre em 2010, o que interferiu a base de comparação. “Não estamos falando de investimentos pequenos porque a base já estava alta no ano passado.” ■ ABr Carlos Garcia Rawlins/Reuters Esquerda francesa quer volta de Strauss-Kahn Pesquisa realizada pela Harris Interactive e publicada ontem pelo jornal Le Parisien mostrou que 60% dos eleitores de esquerda da França querem que o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn retorne à política. Entre o público em geral, 49% dos entrevistados querem que o político retome sua carreira depois que o caso em que ele foi acusado de ataque sexual nos Estados Unidos sofreu uma reviravolta, pois surgiram dúvidas sobre a credibilidade de sua acusadora. A pesquisa foi feita depois que Strauss-Kahn foi solto de prisão domiciliar na sexta-feira e antes das acusações ele era considerado rival do presidente francês, Nicolas Sarkozy, nas eleições de 2012. ■ Reuters Doença de Chávez preocupa população Costábile Nicoletta Lucas Jackson/Reuters Apoiadores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, promoveram ontem manifestações por uma rápida recuperação do presidente, cuja revelação de que está lutando contra um câncer sacudiu o país. Desde 10 de junho, Chavez passa por tratamento em um hospital cubano, após ter feito cirurgia para a remoção de um tumor maligno. Não há informações de quando ele poderá retornar. O líder de 56 anos esperou até 30 de junho para admitir que estava com câncer. Apenas Chávez, seus médicos e aliados mais próximos sabem se as células malignas já se espalharam ou se foram contidas. Há especulações de que ele esteja com câncer no intestino e que possa enfrentar meses de quimioterapia. ■ Reuters Divulgação Vipetro acha petróleo no Espírito Santo A companhia petrolífera reportou a presença de óleo no poço 1VITA11ES, que integra o bloco ES-T-392, no norte do Espírito Santo. A Vipetro não informou a quantidade de petróleo encontrada no poço instalado em terra. A petrolífera mantém 13 pontos de perfurações no estado e em 2009 comunicou a existência de óleo no bloco ES-T-391 à Agência Nacional de Petróleo (ANP). Criada em 2007 e detentora de 100% dos blocos capixabas, a Vipetro planeja atingir produção diária de 2,7 mil barris a partir de 2014. Há especulações no mercado de que para atingir a meta a petrolífera negocia a entrada de um sócio estratégico disposto a injetar capital no caixa de investimentos. ■ Bloomberg As bancas de advocacia contratadas para defender as empresas envolvidas num dos mais polêmicos processos de fusão corporativa dos últimos tempos no país dão a medida do peso econômico e político do episódio. Abílio Diniz, presidente do conselho de administração do grupo Pão de Açúcar, chamou Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça durante quase os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2007. O conglomerado francês Casino, sócio de Diniz no Pão de Açúcar e seu inimigo figadal desde que se confirmou, na semana passada, a negociação entre a varejista brasileira e o concorrente Carrefour, trouxe para seu lado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula. Os serviços de Bastos e de Dias custam mais que o empréstimo que vários pequenos varejistas pleiteiam no BNDES e não conseguem Bastos e Dias, mais do que experientes juristas, conhecem como poucos os escaninhos de Brasília por onde devem passar documentos capazes de aprovar ou bloquear uma transação desse porte. Como exministros recentes, igualmente conhecem bem os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a estrutura burocrática do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em ambas as esferas judiciais, provavelmente há funcionários indicados por Bastos e Dias. Possivelmente, a junção do Pão de Açúcar com o Carrefour será analisada pelo Cade ou o STF — ou nas duas casas, como descrevem os repórteres Pedro Venceslau e Luciano Feltrin na página 6 desta edição. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disposto a entrar na operação com mais de R$ 4 bilhões, deveria ficar atento a esses detalhes para avaliar se se trata de um bom negócio para a instituição e para o bem do serviço público. Os pareceres e as defesas de Bastos e de Dias nesse caso, segundo colegas de profissão de ambos, custam dois dígitos de milhões de reais. Uma quantia às vezes até maior que o empréstimo que vários pequenos varejistas pleiteiam no BNDES e não conseguem, conforme apurou a repórter Cíntia Esteves, em história que pode ser conferida na página 8. Curiosamente, apesar da dificuldade das pequenas redes, o setor de comércio foi um dos mais aquinhoados nos últimos anos com verbas do banco público, de acordo com levantamento usado como base para a reportagem das páginas 4 e 5, produzida pelo jornalista Ruy Barata. No mesmo texto, demonstra-se que a área de infraestrutura não conta com os mesmos privilégios orçamentários, apesar de todas as carências brasileiras nesse setor sobejamente lembradas por todos os meios de comunicação e em estudos do próprio BNDES. Será, de fato, necessário usar dinheiro público para dar suporte à internacionalização de empresas que têm facilidade de buscar recursos em outras instituições financeiras? ■ www.brasileconomico.com.br