Acção Pessoal
Este esquema de reunião sobre Acção Pessoal pretende ser um roteiro para o
aprofundamento deste tema. Deverá por isso ser adaptado e aprofundado de acordo com
a realidade de cada grupo. Os tempos indicados para os TE’s são apenas uma indicação
e deverão ser adaptados ao grupo. O esquema deverá ser desenvolvido pelos animadores
da reunião de forma a interpelar o grupo tendo em atenção que o objectivo final é
promover o assumir de um compromisso de grupo e individual na evangelização dos
jovens, através da proposta do MEJS.
Monição Inicial
- Objectivo da reunião: conhecer o processo da Acção Pessoal e promover o assumir
desta forma de evangelização como compromisso de grupo e individual
- Importância para o grupo: forma de testemunho cristão no mundo enquanto
participante no MEJ e na Igreja
- Viver uma forma de amizade verdadeiramente à “imagem de Cristo”
Oração inicial
Cântico: Caminhar contigo
Leitura: Jo 4, 1-45
Cochicho:
ƒ Qual o objectivo de Jesus na conversa com a Samaritana?
ƒ Qual o ponto de partida para atingir o Seu objectivo?
ƒ De onde Jesus tira o alimento, a força para agir daquele jeito?
Complementação:
Jesus aceitou a mulher como ela era e acreditou nela.
Jesus não se impôs, mas procurou levar a uma descoberta.
Aceitou o diálogo com todos os seus riscos.
Partiu da situação concreta em que a mulher se encontrava, da sua realidade. A
mulher começa por colocar-se na defensiva, mas Jesus parte da resposta
agressiva da mulher e tenta continuar a conversa. Ainda assim, Jesus continua
estranho à realidade da mulher. Ela não consegue ver mais longe que o balde, a
corda...
Jesus não desistiu da conversa, aceitou a mulher como ela era e continuou a
provocar. Foi uma conversa progressiva, que foi entusiasmando, até chegar a
uma revelação final. Jesus não começou a falar de religião, mas da vida da
samaritana.
A conversa levou a uma mudança de atitude: foi libertadora-transformadora. A
mulher deixou-se interpelar.
No fim da conversa a mulher está mais feliz, diferente: ela comprometeu-se. A
mulher descobre algo novo para a sua vida que a transforma.
Como é que nós tentamos chegar aos jovens que estão ao nosso lado? Tentamos
impor as nossas ideias? Ou aceitamos os outros como eles são e partimos da sua
realidade para os levar a descobrir Cristo?
E nós, deixamo-nos também interpelar por Jesus? Temos a coragem de O
anunciar aos outros jovens pelo nosso jeito de viver?
Jesus encontra o alimento para a Sua acção pela relação com o Pai. E nós,
buscamos também alimento na oração e na Eucaristia?
Que importância tem para nós a Acção Pessoal? Como nos preparamos para
fazer a Acção Pessoal?
Pai-Nosso
São João
TE/A (20 min) – Ler os textos e responder às perguntas (anexo 1)
Complementação
- A Acção Pessoal é o apostolado que cada um faz, a nível pessoal, com qualquer pessoa
das suas relações (pais, irmãos, amigos, colegas…) e, preferencialmente, é realizado
com jovens (conforme objectivo do MEJS).
- A Acção Pessoal é um processo de evangelização que pretende levar-nos a:
ƒ Conhecer a realidade da pessoa (a sua vida, o seu ambiente familiar, a sua
família, os seus problemas), como Jesus que parte da vida da Samaritana, do
poço, da água, dos seus problemas diários e daquilo que ela tão bem conhecia.
ƒ Ajudar o outro a acordar para a sua realidade
ƒ Ajudá-lo a crescer ajudando-o a encontrar um caminho, a descobrir os seus
valores, a acreditar nele mesmo
ƒ Ajudar o outro a criar ânsia da transformação, enquanto actor na sua vida e na
vida daqueles que o rodeiam
ƒ
ƒ
ƒ
ƒ
Mostrar pelas atitudes um Cristo vivo – ser para o outro um sinal de Deus
Ajudá-lo a descobrir Cristo – criar ânsia de conversão, experiência de Cristo
Ajudá-lo a despertar para o seu compromisso baptismal
Como consequência possível, ajudá-lo a entrar no Movimento
- A finalidade da Acção Pessoal é iniciar um processo de Evangelização – o objectivo é
evangelizar a pessoa. Neste processo a amizade toma o papel principal. Na nossa
vivência com o outro deixamos transparecer o nosso “jeito de ser”, aquilo que realmente
somos. Se somos cristãos as nossas atitudes, mais do que as nossas palavras, deixam
transparecer os valores do Evangelho, as atitudes de Cristo. Assim, o nosso papel deve
ser de interpelação do outro levando-o a descobrir Cristo.
- Não é finalidade da Acção Pessoal tornar a pessoa dependente de nós, tirando-lhe a
liberdade nem ser paternalista resolvendo os seus problemas à nossa maneira. É antes
uma forma de ajudar o outro a ser mais livre levando-o a resolver os seus problemas por
si mesmo para que possa construir o seu caminho, à semelhança da conversa de Jesus
com a Samaritana, levando-a a perceber os seus erros e iluminando a vida da mulher
através da Sua revelação como o Messias.
- A Acção Pessoal não tem como objectivo principal levar novas pessoas para o grupo,
é antes o assumir do nosso compromisso com a missão do Movimento – “Evangelização
do jovem pelo jovem” – podendo esse processo terminar ou não com a integração da
pessoa no nosso grupo. É na Acção Pessoal que fazemos a nossa primeira experiência
enquanto animadores cristãos.
- Acção Pessoal é um apostolado pessoal que eu faço pessoalmente em nome da Igreja.
Como a nossa forma de estar na Igreja se realiza na nossa participação no grupo esta
nossa acção deverá ser partilhada com o grupo e rezada com o grupo. Este
conhecimento que o grupo vai tendo da pessoa que acompanhamos é importante para
que o grupo conheça a pessoa e numa possível integração da pessoa as coisas aconteçam
o mais naturalmente possível.
- Para fazer Acção Pessoal é necessário que nós próprios estejamos evangelizados.
“Ninguém pode dar aquilo que não tem”. Além disso não somos nós que convertemos
ninguém: Cristo é que converte, nós “somos apenas as suas mãos”, daí a necessidade da
minha oração pela pessoa que acompanho.
- Sempre que o processo de Acção Pessoal origine a entrada de uma pessoa no nosso
grupo será preferível fazer a integração pela EPA, se a houver, por ser um grupo mais
pequeno.
- A entrada de novas pessoas é sempre importante para o grupo porque vai fazer com
que o grupo se motive e insira o novo elemento na vida do Movimento, mas é
importante que nenhuma pessoa entre no grupo sem ser por um processo de Acção
Pessoal.
TE/B (30 min) – Ler o texto (Anexo 2) e fazer um cartaz síntese: O que é a Acção
Pessoal? O que podemos fazer para promover a realização da Acção Pessoal no nosso
grupo?
Plenário: Partilha do TE/B
Esclarecimento de dúvidas
Complementar se necessário
Oração Final: (a preparar pelo animador da reunião e deverá promover o assumir de
um compromisso)
Anexo 1 – textos TE/A
O Pedro participava de um secretariado do Movimento. Como o Secretariado tinha
pouca gente ele resolveu falar com os seus amigos e convidá-los para entrarem no
grupo. Então ele disse ao Luís: “Luís, entra no meu grupo de jovens! Aquilo é fixe! A
gente canta muito, brinca, reflecte umas coisas… Fazemos encontros com muito
pessoal… é uma festa! E ainda conhecemos lá umas miúdas giras… É fixe! Entra que
vais gostar!” O Luís ficou entusiasmado e entrou no grupo.
-Achas que isto é Acção Pessoal? Porquê?
O Zé ouviu falar de Acção Pessoal. Então resolveu: “Vou tentar fazer isto com a Rita”.
Começou a ir a casa dela, a sair com ela… Ele estava a achar muito bom, pois já há
muito tempo que estava interessado nela. Agora estava a dar certo, começaram a
namorar. Então o Zé disse: “Rita, porque é que não entras para o meu grupo de jovens?
Assim podíamos ficar juntos mais tempo…” A Rita achou o máximo e entrou.
-Achas que isto é Acção Pessoal? Porquê?
A Ana era doida por essa história de Acção Pessoal! Já tinha tentado várias vezes mas
agora com o Paulo é que estava a fazer tudo direitinho. Ela achava que era uma grande
responsabilidade e não queria errar. Por isso não contou nada a ninguém até ter a certeza
que estava a dar certo. Às vezes o Paulo fazia-lhe perguntas que ela não sabia
responder. Mesmo assim achou que não era bom pedir ajuda nem ao SP nem à EPA.
Um dia a Ana achou que o Paulo estava pronto para entrar no Movimento. Então
resolveu fazer uma surpresa ao grupo. Levou o Paulo para a reunião geral e disse: “Este
é o Paulo! O novo elemento do nosso grupo!”
-Achas que isto é Acção Pessoal? Porquê?
O João ainda não conhecia muita gente na turma nova. Queria tornar-se amigo de todos,
mas pensou “Vou tentar com um de cada vez”. No dia seguinte, no intervalo começou a
falar com a Maria, meteu conversa, quis conhecer a vida dela… Foi o primeiro passo de
uma grande amizade. A partir daí começaram a falar mais e um dia ela partilhou um
problema com o João. Ele tentou ajudar o melhor possível e sacrificou-se até para
ajudar a Maria. Alguns pensavam que estavam a namorar. Mas não, o João só queria ser
amigo dela, ajudá-la, crescerem juntos. Daí a uns tempos a Maria arranjou um
namorado, mas a amizade com o João continuou. A Maria gostava muito do João, havia
alguma coisa diferente nas suas atitudes, ficava entusiasmada com a sua alegria, a sua
sinceridade, a sua amizade, o seu sentido de justiça e a sua capacidade de perdoar. Ele
ajudava-a sempre nos seus problemas e dúvidas, interpelava-a, questionava-a, não fazia
as coisas por ela mas dava-lhe sempre um apoio incrível nas horas difíceis… Um dia
perguntou-lhe: “Porque é que tu és assim?” e então o João respondeu-lhe. “Quem me
ajudou a ser assim foi o grupo de jovens a que eu pertenço. Lá eu comecei a descobrir
Jesus Cristo, que me entusiasmou, que se tornou o modelo que eu procuro imitar. Para
isso leio todos os dias o Evangelho e vou tentando viver à Sua maneira. Lentamente
vamo-nos transformando e vou ficando mais parecido com este Cristo Jovem.” Maria
interrompeu e disse: “Porque é que nunca me convidaste para esse grupo? Já muita
gente me disse para entrar em grupos de jovens mas nunca me interessei… Mas esse teu
jeito de ser deixou-me interessada!”
O João disse-lhe:”Não fiz amizade contigo para entrares para o grupo. A minha amizade
é para te ajudar, com o meu jeito ir crescendo contigo. O que desejo é que sejas uma
pessoa mais autêntica e acho que Jesus Cristo te pode ajudar também! Se quiseres entrar
no meu grupo vou ficar muito feliz. Mas se não quiseres nada muda na nossa amizade.
E já que a conversa vai por aí, vou contar-te um segredo… todos os dias rezo por ti.
Muitas vezes falo de ti às pessoas do meu grupo, peço-lhes conselhos para saber como
te ajudar o melhor possível… Já que estás interessada vou falar-te um pouco sobre o
grupo, como se organiza, o que costumamos fazer, para já ires preparada. O resto vais
descobrir depois e construir com a tua participação…
-Achas que isto é Acção Pessoal? Porquê?
Anexo 2 – texto TE/B
A finalidade do MEJShalom é a evangelização da Juventude e todo o processo faz de
nós encontristas apóstolos, evangelizadores. Isso é feito em grupo através do trabalho
apostólico desenvolvido pelo SP ou pelas EPA’s. Mas também individualmente somos
chamados a ser apóstolos nos ambientes onde vivemos diariamente: na família, na
escola, faculdade ou trabalho, no grupo de amigos, enquanto nos divertimos… Não
somos cristãos só dentro das paredes da igreja, só quando é cómodo porque estamos
com o grupo onde todos são cristãos! Toda a nossa vida tem de ser testemunho do
encontro com Cristo que nos transformou! E isso vê-se nas atitudes, na forma de estar,
nas opiniões, nas relações humanas, nas amizades… No Movimento, como em toda a
história da Igreja, sempre teve grande importância o testemunho pessoal de cada
encontrista no processo de dar a conhecer o Movimento a outros jovens. É por aquilo
que falamos, pela alegria que mostramos, pelo que contamos das experiências que
vivemos no Movimento, do que aprendemos e do que transforma a nossa vida, é pelo
nosso testemunho de vida que podemos motivar outros jovens para conhecer a proposta
do Movimento. Mas mais do que trazer gente para o Movimento, o essencial é
evangelizar e é aí que surge a Acção Pessoal.
A Acção Pessoal não serve para resolver a falta de gente dos grupos, não é um angariar
de sócios, não é arranjar gente para encher a sala ou para ter gente suficiente para fazer
aquela actividade que o padre pediu…
A Acção Pessoal é um processo individual, que cada pessoa faz com o objectivo de
evangelizar alguém das suas relações, sobretudo outros jovens. Não é uma
evangelização de massas, mas sim um processo de amizade, onde quem desenvolve um
projecto de Acção Pessoal deixa transparecer o seu jeito de ser, ao jeito do Evangelho,
ao jeito do próprio Cristo! Por isso as suas atitudes, a sua vida é para o outro uma
interpelação que o levam a descobrir Cristo. É preciso conhecer a realidade da pessoa,
ser para o outro um sinal de Deus e a partir daí ajudá-lo a crescer, a descobrir os seus
valores, a descobrir Cristo e o Evangelho, assumindo um compromisso na Igreja, que
poderá passar pelo Movimento. É um processo sem pressões, sem dependências, sem
paternalismos. A Acção Pessoal é um processo e leva tempo, exige dedicação à pessoa.
É uma acção de evangelização pessoal mas não isolada, é realizada com o Cristo e em
comunhão com a Igreja. Por isso terá de estar sempre presente a oração pela pessoa com
quem se faz Acção Pessoal e a partilha do processo com a EPA ou SP.
Hoje vemos que a Acção Pessoal é cada vez mais difícil e menos frequente no
Movimento. Trazem-se pessoas para os grupos, mas não se faz um verdadeiro processo
de evangelização. Muitos encontristas nem sabem o que é a Acção Pessoal, não têm a
preocupação de fazer da sua vida uma forma de evangelização. Se nos sentimos tão
felizes com o Encontro que fazemos com Cristo, se a vida no Movimento nos
transforma e nos anima, se é tudo tão bom… como podemos calar? Como podemos não
partilhar tudo isto com quem vive ao nosso lado? Estamos sempre em missão, longe da
nossa terra ou dentro da nossa casa! É fundamental voltar a criar no Movimento esta
dimensão apostólica porque, embora não seja esse o objectivo principal da Acção
Pessoal, a entrada de novas pessoas para o Movimento poderá ser uma consequência
importante. Quem já passou pela experiência de ter gente nova a entrar para o grupo
certamente sentiu como foi importante para o revitalizar, para motivar e fortalecer a
vida em grupo. E é sobretudo um responder sério e comprometido ao desafio de
evangelização que o próprio Cristo nos faz: “Ide por todo o mundo e anunciai a BoaNova!”.
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Acção Pessoal Este esquema de reunião sobre Acção Pessoal