Plano de Sensibilização Turística Para a População de São Vendelino / RS Rita Lourdes Michelin – orientadora1 Danuza Formentini2 Elisa Schaefer3 Fernanda Klafke Beati4 Letícia Lando de Almeida5 Winicius Pegoraro Cignachi6 Centro de Ensino Superior Cenecista de Farroupilha – CESF Faculdade Cenecista de Bento Gonçalves – FACEBG Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC Resumo: O presente artigo visa apresentar a importância das atividades práticas na disciplina de Planejamento e Organização do Turismo, buscando aliar teoria e prática para o desenvolvimento do turismo pelos futuros bacharéis em Turismo. Por meio dessa disciplina e com o interesse da prefeitura municipal de São Vendelino/RS, iniciou-se a elaboração de um plano de desenvolvimento turístico para o município. Para a realização do mesmo os discentes elaboraram pesquisas de opinião, que foram aplicadas a população do município, com o objetivo de elaborar o diagnóstico e o prognóstico, percebendo-se a necessidade de se trabalhar com a sensibilização turística da população de São Vendelino como primeira etapa para o desenvolvimento da atividade turística no município. Palavras-chave: Vendelino/RS. planejamento; sensibilização turística; desenvolvimento; São Introdução 1 Mestre em Turismo (USC), Bacharel em Turismo (PUCRS). Professora dos cursos de Turismo da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Faculdade Cenecista de Bento Gonçalves (FACEBG) e Centro de Ensino Superior Cenecista de Farroupilha (CESF). Endereço eletrônico: [email protected] 2 Acadêmica de Turismo (CESF). Agente Publicitária na empresa Rádio Editora Vox Ltda. Endereço eletrônico: [email protected] 3 Acadêmica do curso de Turismo (CESF). Endereço eletrônico: [email protected] 4 Acadêmica do curso de Turismo (CESF). Agente de viagem na empresa Nostra Serra Agência de Viagens e Turismo Ltda. Endereço eletrônico: [email protected] 5 Acadêmica do curdo de Turismo (CESF). Estagiária da Prefeitura Municipal de Farroupilha. Endereço eletrônico: [email protected] 6 Acadêmico do curso de Turismo (CESF). Endereço eletrônico: [email protected] Responsabilidade e compromisso social são aspectos de discussão pertinentes à atividade turística, que vêm ganhando espaço nos cursos superiores de Turismo das universidades brasileiras. Não só na forma de conteúdo didático, mas também na discussão do papel do acadêmico do curso na sociedade. É também necessário, que o acadêmico tenha conhecimento da dimensão da extensão universitária, sendo compreendida como uma prestação de serviços da universidade à sociedade, cuja meta final é a melhoria das condições de vida dos indivíduos e sua integração social. Abre-se a partir deste pressuposto, uma série de possibilidades de desenvolvimento de projetos, e é com essa consciência que o Curso de Bacharelado em Turismo, do Centro de Ensino Superior Cenecista de Farroupilha apresentou um Plano de Sensibilização Turística ao Município de São Vendelino. O plano visa colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, o que complementa a bagagem teórica e prática dos alunos através do contato com a comunidade local, setor privado e poder público. A relevância desse Plano é explicada pelo potencial turístico de São Vendelino e pela imensa satisfação por parte da população, em residir no mesmo. O turismo, quando trabalhado nos municípios, é um fenômeno que envolve o poder público, setor privado e a comunidade local. Para que seu desenvolvimento se dê de forma responsável, tem-se como uma alternativa eficiente promover o interrelacionamento entre esses três segmentos, objetivando que todos tenham uma visão correta do que se trata o fenômeno turístico e a ele atribuir os devidos valores como possibilidade de desenvolvimento econômico, cultural e social. Para o desenvolvimento responsável da atividade turística, é necessário um equilíbrio entre os três segmentos. Só assim é possível maximizar os efeitos positivos e minimizar os pontos negativos, gerando novos postos de trabalho, elevando, então, a qualidade de vida da população local. Pensar o turismo e o planejamento desta atividade de forma responsável significa sensibilizar os atores locais envolvidos direta ou indiretamente no seu desenvolvimento, para que compreendam as vantagens e desvantagens desta atividade. Deve-se trabalhar visando primeiramente, a população local e seu bem-estar, o que consequentemente refletirá em um desenvolvimento satisfatório do turismo. Processos metodológicos A metodologia a ser aplicada no presente trabalho teve um viés qualitativo, com pesquisa de opinião objetivando a identificação da visão da comunidade local, poder público e setor privado, acerca do turismo em São Vendelino. Por meio de interpretação e análise das pesquisas pode-se estabelecer as melhores estratégias de sensibilização para cada uma das três instâncias. Como método utilizou-se a coleta de dados e informações, pesquisa documental, assim como observação através de visitas de campo. Os instrumentos utilizados foram pesquisas, com questões abertas e fechadas, para a comunidade local, o setor privado e o poder público. No dia 21 de Março de 2009, foi realizada uma visita de campo no Município de São Vendelino, com o objetivo de observação e aproximação do objeto de estudo e nos dias 01 e 03 de Maio de 2009 foram aplicadas as pesquisas. A pesquisa teórica foi realizada com objetivo de aprofundar os conhecimentos para construção e embasamento teórico, esse que servirá de base para apresentar a importância da sensibilização dos atores envolvidos no desenvolvimento da atividade turística em São Vendelino. A pesquisa documental foi realizada desde o início do trabalho para melhor conhecer a realidade do município. Delimitação do objeto de estudos: São Vendelino / RS O município de São Vendelino localiza-se na encosta do planalto, na região turística dos Vales, microrregião turística do Vale do Cai, a 75km da capital do estado Porto Alegre. A população do município, de acordo com o IBGE em 2007 era de 1.794 habitantes7. São Vendelino teve sua colonização datada a partir da segunda metade do século XIX, por descendentes de alemães. Tendo como primeiro nome Colônia Santa Maria da Soledade no dia 18 de janeiro de 1877, o decreto nº 6.480 emancipa o centro da Colônia, e passa a chamar-se, São Vendelino. No entanto, somente no ano de 1988 realmente acontece a emancipação de São Vendelino para município através de um plebiscito. O nome dado, São Vendelino, se intitula “o pequeno paraíso”, uma herança da cidade co-irmã Sankt Wendel, no Estado de Saarland, na Alemanha de onde vieram alguns habitantes da colônia, outro fator que influenciou no nome foi a fervorosa devoção dos alemães católicos ao Santo. 7 Informações obtidas através do site do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, www.ibge.gov.br Acesso em 03 de Abril de 2009. A cidade de São Vendelino localiza-se em um ponto “estratégico” quando se fala em turismo no Rio Grande do Sul, pois está na ligação entre a Serra e o Vale, sendo caminho de ligação entre a capital, Porto Alegre e alguns dos principais destinos turísticos da Microrregião da Uva e do Vinho. Referenciando turismo e suas interfaces Inúmeras sãos as definições quanto a atividade turística e suas interfaces, de acordo com Cooper et al.(2001, p.40-41) [...] o turismo pode ser pensado como sendo uma ampla gama de indivíduos, empresas, organizações e lugares, que se combinam de alguma forma para proporcionar uma experiência de viagem. O turismo é uma atividade multidimensional e multifacetada, que tem contato com muitas vidas e atividades econômicas diferentes. Desta forma, percebe-se a amplitude da atividade turística e a sua relação com as diferentes áreas e indivíduos. Por se tratar de uma atividade multifacetada percebe-se a necessidade da atuação conjunta e participativa dos atores envolvidos no processo, objetivando um desenvolvimento responsável e adequado do turismo. Desenvolvimento esse que deve considerar as potencialidades socioculturais e ambientais a serem utilizadas visando a sua manutenção e valorização, contribuindo, assim, para a não degradação dessas. São Vendelino possui a capacidade de trabalhar o turismo cultural, motivado pelos potenciais que o local possui, e isso nos direciona a avaliar outros conceitos, que farão com que entendamos que aspectos são contemplados por este segmento do turismo. Sendo assim, podemos conceituar “cultura” através do apresentado por Laplantine (1999, apud MICHELIN, 2008, p.31-32) como sendo [...] o conjunto de comportamentos, saberes e saber-fazer característicos de um grupo humano ou de uma sociedade dada, sendo essas atividades adquiridas através de um processo de aprendizagem e transmitidas ao conjunto de seus membros. Em São Vendelino este aspecto cultural fica muito evidente, principalmente no que diz respeito às tradições alemãs cultivadas pela comunidade. Compreendendo fatores como gastronomia, dialeto alemão, a musicalidade, e principalmente a questão arquitetônica, que está retratada no estilo de construção utilizado pelos imigrantes, presente em algumas edificações que ainda são passíveis de preservação no município. Além do patrimônio que pode ser utilizado pelo município de São Vendelino como incentivador à prática do turismo cultural, observou-se o potencial topográfico da cidade, que já atrai visitantes para o município em determinadas épocas e em alguns eventos de aventura, [...] consideram-se atividades de aventura as experiências físicas e sensoriais recreativas que envolvem desafio, riscos avaliados, controláveis e assumidos que podem proporcionar sensações diversas: liberdade; prazer; superação, etc. – a depender da expectativa e a experiência de cada pessoa e do nível de dificuldade de cada atividade [...]. (Ministério do Turismo, p.40). Assim sendo, o potencial turístico são os recursos a serem trabalhados para transformá-los em atrativos turísticos e posteriormente em produtos turísticos, processo esse que requer um bom planejamento. Planejar por si só é uma atividade que requer alta habilidade do indivíduo responsável por esta tarefa, que precisa estar ciente do objeto a ser planejado e os objetivos que se quer alcançar, evitando assim desperdício de tempo, dinheiro e mão-deobra em algo que poderá não trazer uma recompensa a altura de todo o esforço despendido. Deste modo, podemos analisar o conceito de planejamento através de Molina (2005, p.45), que assim escreve: Planejamento é um processo racional, sistemático e flexível, cuja finalidade é garantir o acesso a uma situação determinada, à qual não poderia chegar sem ele. Por sua vez, o processo de planejamento coordena e orienta as iniciativas e decisões, com o objetivo de obter um estado ou condição desejada. Partindo da idéia de que o planejamento é necessário para toda e qualquer atividade que se queira desenvolver com sucesso e com o mínimo de riscos possíveis, percebemos que este processo é fundamental também para o desenvolvimento da atividade turística. No entanto, têm-se inúmeros obstáculos para alcançarmos um planejamento eficaz nesta área, pois [...] o planejamento do turismo é tarefa muito árdua, em primeiro lugar, porque o próprio objeto do planejamento, o turismo, é de difícil definição e apreensão e, em segundo, porque planejar implica prever, de alguma forma, o que vai acontecer no futuro, e este é cada vez menos previsível (BARRETTO, 2005, P.9). Nesta citação, percebe-se que existe uma dificuldade em analisar e planejar o turismo, visto que este depende muito de uma continuidade de trabalhos que devem existir a longo prazo. Segundo Ander-Egg (1978, p. 15) “[...] pode-se dizer que planejar é um conjunto de procedimentos mediante os quais se introduz uma maior racionalização, organização, ações e atividades previstas antecipadamente [...]”, dessa forma, percebe-se a seqüência necessária ao desenvolvimento do planejamento da atividade turística, entretanto, esta condição nem sempre é respeitada e pode ser interrompida por diversos fatores, principalmente ao planejar-se o turismo em municípios, quando periodicamente, ocorrem trocas de administrações e partidos, fazendo com que o planejamento retorne ao inicio. De acordo com Barretto (2005, p.41): Planejar turismo significa harmonizar o atendimento às necessidades e propiciar o bemestar de sujeitos sociais provenientes de outro lugar, dentro de uma sociedade receptora e seu meio ambiente, e dos sujeitos dessa sociedade receptora em relação aos turistas e entre si. Tornar o turismo uma atividade satisfatória para a comunidade receptora, na mesma medida em que é atraente aos visitantes, é uma tarefa extremamente delicada. O turismo não pertence às ciências exatas, mas sim às ciências humanas, e tornar esta atividade realmente interessante e condizente com a realidade do local só é possível quando temos o legítimo engajamento da população no seu processo de planejamento, que jamais deve ser confundido com falsas reuniões participativas que convocam a população para colocar o que já está sendo feito sem, no mínimo, uma abertura para sugestões por parte dos mais envolvidos. Para Barretto (2005, p.21) “esse planejamento que ouve a comunidade não deve ser confundido com as campanhas de conscientização que constam de algumas diretrizes de planejamento oficial de turismo” e que tem a intenção de convencer a população e não pedir a sua opinião, como se faz necessário. “A verdadeira integração não é comum, e essa falta de integração apropriada representa a principal razão da existência de tanta insatisfação com o turismo [...]” (PEARCE; BUTLER, 2002, p.87), que pode resultar em um índice de irritação muito elevado da população com os turistas. Nos mais extremos sentimentos de irritação, a população que não foi bem instruída do funcionamento da atividade, começa a questionar os benefícios que o turismo pode oferecer e se realmente é interessante dar continuidade ao trabalho. Desta forma, constata-se que a sensibilização da comunidade, referente à atividade turística, mostra-se como uma ferramenta eficiente contra os mais superficiais descontentamentos da população, uma vez que este trabalho deixa a população ciente do que se trata o turismo, além de abordar e deixar claro como é seu funcionamento e como isto afeta positiva e negativamente todo o município. Fazer esta abordagem com a população é entendida como parte da “fórmula” do sucesso da atividade, visto que a comunidade local é a melhor conhecedora de seus pontos fortes e fracos, além do livre arbítrio de ser a favor ou contra o desenvolvimento do turismo em determinado destino. Para o Ministério do Turismo (2007, p.20) “[...] a sensibilização favorece o comprometimento com as novas propostas e é um recurso importante quando se deseja motivar e levar o indivíduo ou o grupo a agir em prol de um bem maior [...]”. Além disso, o trabalho de sensibilização possibilita aos munícipes redescobrirem o próprio lugar onde vivem, pois estarão sensíveis a enxergar além do que os olhos conseguem ver. E é a partir desta essência que surgem os mais interessantes roteiros turísticos. Através da sensibilização é possível alcançar um trabalho harmonioso de parceria entre o poder público, empresários, sociedade civil e instituições de ensino. Quanto melhor for o entendimento e o entrosamento entre esses segmentos, maior será o aproveitamento dos recursos turísticos da sua cidade e da região, e maiores serão as oportunidades de trabalho para todos (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2007, p.21) Esse estágio de trabalho apenas é possível de acontecer quando tivermos efetivamente a participação de todos os setores envolvidos no processo do seu desenvolvimento. Interferências positivas são resultados de esforços realizados para o bem comum de todos os atores envolvidos, numa reciprocidade de ajuda na busca continua do objetivo em comum. Somente quem trabalha diretamente com a atividade pode transmitir as reais ansiedades que os envolvem e contribuir na busca da solução mais adequada para aquela situação. O planejamento, quando há um envolvimento, e isso compreende todos os setores, consegue despertar e reforçar o sentimento de comprometimento com a nova atividade. “Com um planejamento dessa natureza a comunidade pode manter seu próprio sentimento de pertença e desenvolver o turismo de acordo com suas prioridades e habilidades” (MURPHY apud BARRETTO, 2005, p.20). O bom andamento desta tarefa assegura resultados que refletirão diretamente na qualidade de vida, que sempre, deve ser prioridade em qualquer programa de desenvolvimento do turismo, afinal, se um lugar é bom para quem vive nele certamente será bom para aquele que o vem visitar. Levando em consideração o que foi citado acima, pode-se perceber como é importante a realização de um processo de planejamento em que as ações a serem realizadas considerem o desenvolvimento responsável da atividade turística através da participação. Fica claro também, que esse planejamento deve se desprender das questões estruturais e de operacionalidade, voltando-se com a mesma preocupação para o desenvolvimento de uma política de relações entre comunidade local e as atividades pelas quais esta terá que presenciar e por muitas vezes estar inserida. Este tipo de relação, quando trabalhada seguindo uma linha de pensamento e de ações pré-determinadas por um processo de planejamento, trará outro tipo de benefício ao processo de forma geral. Evitar ao máximo a ocorrência de impactos negativos e otimizar a ocorrência de impactos positivos também será uma conseqüência do planejamento turístico participativo. Para que isso ocorra, primeiramente é necessário desenvolver a capacidade de se identificar os focos que podem vir a se tornarem possíveis impactos. Partindo deste pressuposto, [...] trata-se enfim de ter a paisagem para ver e não para ser. Penso que esse é o desafio de analisar a atividade turística para além dos atributos positivos e negativos e atingir-se a compreensão da complexidade (RODRIGUES, 2000, p. 53). Os impactos podem trazer benefícios e malefícios para a cidade, agindo sobre três fatores principais, o ambiente, a economia, e o fator sociocultural. Estes por sua vez, serão analisados para que possam trazer a São Vendelino mais interferências positivas que negativas. Dentre os impactos que podem vir a ser negativos para a cidade pode-se citar a capacidade de carga turística que será atrelada tanto às variáveis ecológicas quanto a sociais e culturais. Seabra (apud MARINHO; BRUHNS, 2003, p.108) apresenta a definição da OMT – Organização Mundial de Turismo – para capacidade de carga como sendo “ o máximo de uso que se pode fazer sem que causem efeitos negativos sobre seus próprios recursos biológicos, sem reduzir a satisfação dos visitantes ou sem que se produza efeito adverso sobre a sociedade receptora, a economia ou cultura local.” Sendo assim, entende-se que é necessária maior atenção no planejamento dos locais que por ventura poderão tornar-se atrativos da cidade, levando em consideração os limites máximos de utilização para que esses potenciais tornem-se atrativos a serem utilizados de forma responsável pela atividade turística pensando no seu desenvolvimento sustentável. Dentro do segmento turístico, é importante que as pessoas que pretendem trabalhar com turistas estejam capacitadas para lhes oferecer um atendimento hospitaleiro de excelência e um serviço satisfatório. No entanto, para que isso ocorra surge novamente a necessidade de um processo de sensibilização da comunidade, para compreender a expectativa dos turistas por um atendimento e serviços diferenciados e de qualidade. Para finalizar os entendimentos necessários para a sensibilização turística da comunidade local de São Vendelino, chegamos ao que todos os locais que desejam desenvolver-se através do turismo querem chegar, que é a questão do produto turístico. O produto turístico corresponde a um pacote de componentes tangíveis e intangíveis, baseados numa atividade, num destino. O produto turístico é composto por bens, serviços auxiliares, recursos naturais e culturais, infraestrutura e equipamentos, preço, entre outros. Ele se diferencia dos outros por ter características próprias, fazendo com que o consumidor se desloque para obtê-lo, além disso, o desenvolvimento do turismo exige cada vez mais, uma adaptação dos produtos turísticos no que se refere a demanda do segmento turístico. Portanto, a partir do conhecimento de produto turístico, é possível defini-lo dentro do segmento turístico, e quais suas exigências nos dias atuais, é necessário também considerar e analisar o que pode ser denominado produto turístico, dentro de um município, analisando todos os aspectos que o englobam e seus componentes baseados no tipo de atrativos e roteiros criados dento do município. Concluindo esta linha de conceitos, que devem ser levados em consideração no momento do planejamento, fica claro a necessidade de se trabalhar cada um dos fatores acima descritos de maneira criteriosa e profissional. De nada adianta trabalhar algum fator de maneira isolada, já que o resultado final de um plano sempre dependerá de um conjunto de ações direcionadas a um objetivo comum, com exigências que devem ser atendidas com o mesmo empenho em todos os momentos. Saber conceituar, ou identificar cada um destes fatores que designarão as ações é um conhecimento básico e imprescindível para o sucesso deste processo de planejamento. Análise diagnóstica da situação atual de São Vendelino Por meio do diagnóstico busca-se conhecer detalhadamente a situação atual do objeto de planejamento, sendo, nesse caso, o município de São Vendelino. De acordo com Molina e Rodríguez (2001, p.94-95), “[...] no diagnóstico se analisa a situação do objeto ou objetos que se pretende modificar com a finalidade de compreender sua estrutura, composição e comportamento no sentido atual, assim como a função que ele cumpre no âmbito geral em que se desenvolve”. Assim para identificarmos a situação atual do município, optamos por realizar pesquisas de opinião com a comunidade local, o poder público e o setor privado. Essas foram interpretadas e analisadas a fim de construir o entendimento da opinião dos três segmentos acerca do turismo. Foram aplicadas em dois dias de visita dos discentes da disciplina de Planejamento e Organização do Turismo II do CESF, ao município de São Vendelino. Para análise das pesquisas e elaboração do diagnóstico foram consideradas as opiniões acerca das mudanças necessárias para a melhora da qualidade de vida da população local e contribuição para o desenvolvimento da atividade turística em São Vendelino através do plano de sensibilização. No total foram realizadas vinte e nove pesquisas com a comunidade local, cinco com o poder público e seis com o setor privado. O reduzido número em relação ao poder público se deu pelo fato da indisponibilidade dos representantes no período de aplicação das entrevistas e em relação ao setor privado porque o município é pequeno e realmente não tem um grande número de estabelecimentos nessa área. A partir da aplicação as pesquisas foram tabuladas e analisadas, dando origem ao diagnóstico do município de São Vendelino. Analisando as entrevistas com a comunidade local, chamou a atenção o fato de que todos os entrevistados sentem orgulho do lugar onde vivem, fato que demonstra a valorização do local e de sua cultura pelos munícipes. Em relação ao entendimento dos entrevistados sobre o turismo, percebeu-se tanto na comunidade local como no setor privado um conhecimento superficial, principalmente acerca do planejamento do turismo, o que foi observado da mesma forma pelas respostas do poder público. Geralmente a palavra “turismo” remete apenas a viagem e lazer e os indivíduos esquecem ou não adquiriram, até o momento, o conhecimento de que se trata de algo muito mais amplo e complexo que exige planejamento e desenvolvimento responsável. No município há uma boa receptividade tanto pela comunidade local quanto pelo setor privado e poder público para o desenvolvimento do turismo. Mesmo com essa boa receptividade percebeu-se que os pesquisados ainda não conseguem visualizar toda a gama de conseqüências que a atividade turística envolve, tanto positiva quanto negativamente. A visão do poder público é que o município detem inúmeros potenciais que podem ser aproveitados pelo turismo e reconhecem ainda a falta de infraestrutura para o desenvolvimento da atividade. Além da infraestrutura sabe-se que o bem-estar da população também é de extrema importância para o desenvolvimento adequado do turismo, sendo assim, o fato de que os pesquisados da comunidade local responderam que sentir-se-iam bem com a presença de turistas no município é um fator positivo para o desenvolvimento do turismo. Observando as respostas do setor privado a questão econômica do desenvolvimento do turismo foi o principal benefício por eles levantado, percebendo-se que ainda falta uma sensibilização adequada de todos a respeito dos benefícios e malefícios que o turismo pode gerar para um local. No que tange os benefícios e malefícios que o turismo poderia gerar ao município, observou-se que a maioria dos entrevistados, seja da comunidade local ou do setor privado, citam apenas benefícios provenientes da atividade. Por esse motivo, verifica-se a importância de um plano de sensibilização, podendo assim suprir as necessidade de conhecimento dos atores envolvidos com relação aos aspectos relacionados a implantação da atividade turística. É também ligado a esse fator, que se torna importante a existência de um planejamento feito por profissionais da área, visto a constante necessidade de maximizar os impactos positivos e a minimização dos negativos. Mostrar aos atores locais os possíveis riscos advindos de um planejamento nãoprofissional e não preocupado com a qualidade de vida dos residentes, é muito importante no sentido de termos uma comunidade ciente do funcionamento da atividade, ao mesmo tempo em que se mostra a ela que a sua participação neste processo é de fundamental importância, pois, nem a mais simples das tarefas poderá apenas trazer resultados positivos, assim como não existe nenhuma atividade, desde que seja planejada, que terá apenas consequências negativas. Tem-se em todas as atividades pontos fortes e fracos que precisarão ser trabalhados para que atendam aos objetivos propostos pelo trabalho. A população demonstrou interesse em participar de trabalhos que contribuiriam para o desenvolvimento do turismo no município, aumentando significativamente as possibilidades de sucesso da atividade. Quanto aos atrativos do município, a comunidade local mencionou com bastante ênfase os naturais e mostrou pouco reconhecimento quanto aos seus patrimônios culturais, ou quando citados, referidos de forma geral como a cultura, demonstrando que os patrimônios culturais ainda não se encontram bem definidos pela comunidade local como possíveis atrativos. Da mesma forma, o poder público destinou grande parte das respostas as belezas naturais além de evidenciar a parte histórica e cultural do município, com ênfase nos eventos culturais e de lazer realizados na cidade. Sobre a proposta de sensibilização da população, o poder público acredita ser a peça chave para o desenvolvimento do turismo no município. A sensibilização tem como objetivo deixar o indivíduo sensível a perceber o que realmente há de interessante a ser trabalhado pelo turismo e os diferenciais do seu município que o torna capaz de despertar o interesse nos turistas pela visitação. Visão de futuro: proposições para o município. Após a elaboração do diagnóstico, da situação em que se encontra o município de São Vendelino e o entendimento acerca do turismo pela população local, através das pesquisas aplicadas a cada segmento, elaborou-se o prognóstico como uma ferramenta para direcionar as ações que tem como finalidade sensibilizar a população do município. Após a análise das entrevistas percebeu-se a necessidade de se trabalhar com um plano de sensibilização turístico para a população de São Vendelino, pois o que se observou é que existe o interesse no desenvolvimento do turismo no município. Entretanto, o conhecimento acerca dessa área pela população local ainda é superficial, necessitando ser aprofundado, apresentado tanto os pontos positivos quanto os negativos da atividade turística em um local. Sendo assim, o plano divide-se em três programas: Programa Comunidade Local; Programa Setor Privado e Programa Poder Público, e esses em projetos específicos. Tendo como base os dados coletados na pesquisa, percebeu-se a necessidade de desenvolver programas específicos para cada segmento, para que atendam integralmente as necessidades de cada parte, objetivando a melhor realização do processo de sensibilização com questões voltadas especificamente a cada público envolvido. Após o desenvolvimento dos programas e projetos pertinentes a cada segmento como meio de atingir o objetivo de sensibilização dos atores locais acerca da atividade turística, poderá, a partir deste trabalho, ser iniciado o processo de desenvolvimento ou não, visto que é a partir desta atividade prática que teremos uma decisão coletiva sobre a sua implantação do turismo no município de São Vendelino. Considerações Finais Com a finalização do plano de sensibilização turística do município de São Vendelino, concluímos que o município está em fase de desenvolvimento. Quanto ao turismo, este possui um grande potencial turístico, tanto natural quanto cultural, mas que ainda precisam ser trabalhado para se tornarem atrativos. Assim, com a dedicação dos alunos do curso de Turismo para estudar o município, colocando em prática as questões teóricas desenvolvidas em sala de aula. Juntamente como as análises das pesquisas de opinião realizadas com a comunidade local, poder público e setor privado, percebemos que estes têm interesse no desenvolvimento do turismo no município, pois são receptivos e aceitam a proposta de lá haver um trabalho participativo. Entretanto, ainda há uma noção superficial da atividade turística, sendo assim, é necessário um trabalho de sensibilização dos mesmos, capacitando-os para o correto desenvolvimento do turismo, evitando assim os pontos negativos que esta atividade possa gerar. Como foi visto no decorrer deste artigo, a questão do planejamento pode ser enquadrada como peça chave para o desenvolvimento da atividade turística em São Vendelino. A própria população, em todas as suas instâncias e de acordo com as pesquisas realizadas, consegue identificar uma gama de pontos que podem ser trabalhados e apontados como atrativos ao turista. Apesar desta condição, o plano de sensibilização da população local acerca do turismo, através dos seus programas e projetos, facilita o relacionamento entre a própria atividade e a população. Os moradores, que serão os mais afetados pelas mudanças no seu cotidiano, como já vêem no local alguns potenciais atrativos, precisam ser sensibilizados para que entendam de que forma agir e os cuidados que devem tomar para que esse desenvolvimento da atividade turística ocorra da melhor maneira possível. Falar em Turismo como uma atividade planejada transcende o popular conceito de que se trata do ato de viajar. Pensá-la desta forma simplória poderá acarretar em danos irreversíveis nos mais diferentes aspectos dentro de uma comunidade. Trata-se, no entanto de uma atividade que inexiste sem uma contextualização com a vida dos moradores do local ao qual está inserida. Avaliando isto, deve-se buscar desenvolver todos os programas apontados, pois somente seguindo as linhas que neles estão descritas, pode-se atingir o objetivo de sensibilizar a população em questão. Desta forma, podemos novamente afirmar o quão importante é a abordagem deste assunto, de sensibilização dos atores locais, corresponde ao sucesso da atividade turística que prima pela qualidade de vida da população local, e que acima de tudo deve ter como foco o respeito por aqueles que aceitam expor a sua realidade à estranhos. Este mesmo respeito deve acontecer àqueles que procuram por destinos turísticos e que desejam satisfazer-se com o que a comunidade tem de maior valor, ou seja, a sua cultura e os demais aspectos do cotidiano de suas vidas, bem como as características naturais de grande potencial a serem explorados através do ecoturismo e do turismo de aventura. Esta busca pela satisfação de todos os envolvidos condiz com o compromisso do turismo, como uma atividade que necessita de planejamento, e de ser uma atividade responsável e respeitosa com a comunidade e que transpõe os aspectos econômicos. Trabalhar nesta linha de pensamento significa a busca por uma atividade com retornos financeiros a longo prazo, no entanto, capaz de se manter no mercado solidamente por contar com o apoio daqueles que são fundamentais para a sua concretização: a população local. Referências ANDER-EGG, Ezequiel. Introdicion a la planificacion. Buenos Aires: El Cid Editor, 1978. BARRETTO, Margarita. 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