LÍNGUA ESTRANGEIRA E ORALIDADE NAS PRIMEIRAS SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL Jorge Augusto da Silva LOPES1 Carolina Elis PEREIRA2 Juliana Silva FERNANDES3 Resumo: Este trabalho relata as atividades do projeto “Língua Estrangeira e oralidade nas primeiras séries do Ensino Fundamental” realizadas em conjunto com a escola EMEF Lucas Thomas Menk no município de Assis, com a participação de alunas do Curso de Letras da UNESP-Assis. O projeto em questão tem como objetivo principal elaborar propostas para a produção de material didático para o ensino de Língua EstrangeiraInglês, com ênfase na oralidade, para o aprendiz infanto-juvenil nas primeiras séries do ensino fundamental. As atividades realizadas envolvem levantamento de material, discussão de dinâmicas de interação e sua aplicação no contexto da sala de aula. Apresentamos as justificativas e os objetivos que fundamentam esse projeto, seguido de uma descrição e avaliação das atividades desenvolvidas. Palavras-chave: língua estrangeira; inglês; oralidade; ensino fundamental. 1. INTRODUÇÃO Neste artigo tecemos algumas observações a respeito das atividades realizadas no projeto intitulado “Língua Estrangeira e oralidade nas primeiras séries do Ensino Fundamental”, desenvolvido dentro do programa Núcleo de Ensino da UNESP-Campus de Assis. Tendo como local de atuação a escola EMEF Lucas Thomas Menk, no município de Assis e contando com a colaboração Carolina Elis Pereira e Juliana Silva Fernandes, alunas do Curso de Letras, este projeto tem como objetivo principal discutir e elaborar propostas para a produção de material didático pedagógico para o ensino de Língua Estrangeira-Inglês, centrado na modalidade oral da língua, para o aprendiz infanto-juvenil, das primeiras séries de Ensino Fundamental. Alicerçando-nos em uma abordagem de ensino de línguas que congrega fatores cognitivos e afetivos envolvidos no processo de aprender uma nova língua e centrando-nos na modalidade oral da língua, esse projeto envolve três etapas, a saber: – levantamento e seleção de materiais na língua-alvo, com traços marcantes de oralidade - canções, poemas, jogos, histórias e rimas – potencialmente apropriados para serem utilizados com crianças. – discussão visando propostas de atividades e dinâmicas de interação que promovam a prática individual e interpessoal da língua-alvo, tendo em vista o material previamente selecionado. – aplicação dessas atividades no contexto da sala de aula. 1 Professor de Língua Inglesa – Departamento de Letras Modernas – FCL – UNESP – Campus de Assis Aluna do Curso de Licenciatura em Letras – bolsista do Projeto Núcleo de Ensino – FCL – UNESP – Campus de Assis 3 Aluna do Curso de Licenciatura em Letras – FCL – UNESP – Campus de Assis 2 760 Recorrendo às propostas de atividades para o ensino língua inglesa para crianças e jovens, apresentadas por Lewis & Bedson, (1999) Reilly & Ward, (1997), Philips (1997) e Wright (1993,1995 e 1997), foi realizado um levantamento de canções, jogos e poemas apropriados para atividades voltadas para alunos nessa faixa etária, no contexto da sala de aula das escolas da rede pública de ensino. Com vistas a identificar as atividades e os materiais que favoreçam a prática oral da língua-alvo e promovam a interação e a participação dos alunos, procuramos obter subsídios para desenvolver material didático-pedagógico que auxilie e estimule o professor a realizar atividades centradas na oralidade, nas aulas de língua inglesa com os alunos das primeiras séries do Ensino Fundamental. O trabalho que ora apresentamos compreende, inicialmente, uma breve exposição com as justificativas que norteiam a elaboração desse projeto. Prosseguimos com uma descrição e avaliação das atividades realizadas junto aos alunos e concluímos com algumas considerações sobre as limitações e possíveis desdobramentos de projetos que tenham como foco Ensino Fundamental e o ensino de Inglês-Língua Estrangeira para crianças. 2. JUSTIFICATIVA Sintetizando as observações a respeito do processo de ensinar e aprender línguas, apresentadas no PCN – LE, pode-se afirmar que aprender língua pressupõe a relação entre aprender conhecimento e aprender o uso deste conhecimento. Entende-se que é o uso da língua, pelos participantes do mundo social, que sustenta e promove o processo de construção de significados e, igualmente, desencadeia o processo de aquisição da língua. No que concerne ao ensino de língua estrangeira, proporcionar aos aprendizes oportunidades para seu envolvimento no uso de língua diferente e garantir seu engajamento discursivo nessa língua são objetivos que ultrapassam a mera assimilação e manipulação de conteúdos e envolvem a compreensão e expressão de significados, conhecimentos e valores. Conforme ressalta Brown (1994), aprender uma segunda língua é um processo complexo e dinâmico que envolve um número aparentemente infinito de variáveis. Talvez mais do que outras disciplinas que compõem o currículo escolar, no processo de ensinar e aprender uma nova língua concentram-se desafios à identidade pessoal, social e cultural do aprendiz, nos quais enleiam-se fatores cognitivos e afetivos, diretamente vinculados à sua personalidade. Tolerância às diferenças e ambigüidades, disponibilidade de correr riscos, predisposição auditiva ou visual, ansiedade, inibição, motivação e auto-estima compõem alguns desses fatores permanentemente presentes no convívio com uma nova língua. Em seus primeiros contatos com a língua estrangeira, no contexto da sala de aula, o aprendiz vivencia a insegurança de ultrapassar os limites da língua materna e a curiosidade por outras possibilidades de conhecer e interpretar o mundo. É fundamental que esse convívio inicial 761 venha contribuir para despertar a percepção e a curiosidade das crianças e jovens quanto à rede de semelhanças e diferenças entre a língua materna e a língua estrangeira, bem como ampliar suas visões de mundo e a compreensão de sua identidade social e cultural. Ensinar língua estrangeira para crianças e jovens requer do professor atenção especial à relação oralidade/escrita. Nesse sentido Phillips (1993) destaca que atividades com foco na modalidade oral da linguagem, na percepção e produção da articulação oral, são indicadas como potencialmente apropriadas para serem desenvolvidas com esses aprendizes. Membro de uma equipe responsável pelo desenvolvimento de material didático pedagógico para o ensino de inglês – língua estrangeira para crianças e jovens, Phillips observa que, quanto mais jovem o aprendiz maior sua predisposição para atividades em que o uso da língua envolve diretamente a oralidade. Jogos, canções, poemas acompanhados de movimentação física, rimas, histórias simples e repetitivas, pequenos diálogos com reconhecido valor comunicativo, fazem da aula de língua estrangeira uma experiência agradável e estimulante para os alunos, mantêm alto o nível de motivação e favorecem a interação e participação de todos os alunos. Ainda no que diz respeito à relação oralidade/escrita, vale destacar as observações de Ong (1998: 87) ao afirmar que, . . . A comunicação oral congrega as pessoas. . . . a expressão oral é mais conforme às tendências agregativas do que às analíticas e dissecadoras, . . . é igualmente mais conforme ao pensamento situacional do que ao pensamento abstrato, mais conforme a uma certa organização humanística do conhecimento, que envolve as ações dos seres humanos e antropomórficos, indivíduos interiorizados, do que a que envolve coisas impessoais. Vale acrescentar, também, que atividades com foco na oralidade favorecem a percepção da cadência rítmica da língua, a criação de um ambiente de equilíbrio harmônico e rítmico entre os alunos e possibilitam dinâmicas que contribuem para manter o nível de disciplina e motivação na sala da aula. No projeto que propomos, pretendemos trabalhar com alunos das séries inicias do Ensino Fundamental, visando explorar atividades para o ensino da língua inglesa, com ênfase na oralidade. Destacamos a pertinência de um trabalho de tal natureza, uma vez que a maioria do material didático disponível para o ensino de inglês junto a crianças e jovens está centrado na modalidade escrita da língua. 762 3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES Iniciamos esta parte deste artigo com um breve relato sobre a implantação do projeto na escola onde as atividades de ensino da língua inglesa foram aplicadas, para então apresentarmos uma descrição dos tipos de atividades realizadas. A aplicação das atividades elaboradas durante o processo de levantamento de material e discussão das dinâmicas a serem trabalhadas em sala de aula foi realizada na escola municipal EMEF Thomas Menk, escola considerada de bom padrão, localizada em um bairro de classe média na cidade de Assis. Crianças entre 9 e 10 anos, cursando as 3ª e 4ª séries do ensino fundamental, no período diurno, foram reunidas em dois grupos de aproximadamente 25 alunos que passaram a participar de um encontro semanal de 1 hora e meia, no período da tarde, às quintas-feiras, para as aulas de língua inglesa, ministradas pelas alunas estagiárias do projeto. A direção e o corpo de funcionários da escola colocaram a disposição dessas alunas/professoras uma sala de aula e os materiais da biblioteca da escola, bem como aparelhos de áudio e um conjunto de jogos pedagógicos. Neste sentido, conforme relatam as estagiárias, a escola oferecia todo o material necessário para a confecção de cartazes, jogos e outros acessórios utilizados durante a aula. As alunas estagiárias buscaram criar um ambiente visualmente estimulante para os alunos, decorando a sala de aula com cartazes, mapas, fotos e ilustrações diversas que de algum modo apresentassem informações em língua inglesa. Procuraram também dispor as cadeiras da sala de modo a facilitar a interação entre os alunos e as professoras, estabelecendo assim um espaço apropriado para a realização das atividades previamente definidas. Vale ressaltar que a escola concedeu total liberdade para a aplicação das atividades previstas. O entusiasmo das crianças pelas aulas de língua inglesa, mesmo como atividade extra-curricular, seu interesse, motivação e disposição para participar das atividades propostas durante as aulas, segundo relatos das estagiárias, inicialmente geraram momentos de grande alvoroço, decorrentes da curiosidade e dos ímpetos próprios da infância. Os pais dessas crianças também tiveram uma reação bastante positiva pelo fato da escola estar oferecendo aulas de língua estrangeira para seus filhos. Suas atitudes com relação ao trabalho das alunas estagiárias compreendiam desde um acompanhamento e verificação constante do que era produzido nos cadernos de seus filhos até, por exemplo, a solicitação às professoras de tradução de letras de música. Podemos afirmar que a qualidade da interação entre as professoras, os alunos e seus pais e o apoio da direção da escola foram fundamentais para proporcionar aos alunos contatos e vivências prazerosos com a língua estrangeira, através das atividades desenvolvidas na 763 sala de aula e, igualmente, criar um espaço apropriado para investigar o potencial didático dessas atividades, tendo em vista os objetivos principais do projeto ao qual estavam vinculadas. Para a formulação de atividades e dinâmicas para o ensino de inglês, centradas na oralidade, as estagiárias recorrerem principalmente às propostas veiculadas nos trabalhos de Wright (1993), que apresentam uma série de ilustrações, desenhos e atividades para o ensino de inglês como língua estrangeira; Wright (1995, 1997), que apresentam uma série de atividades relacionadas ao uso de histórias para o ensino de inglês para crianças; Philips (1997) e Reilly & Ward (1997), que apresentam propostas de atividades que envolvem jogos, canções, histórias, poemas em língua inglesa para o público infantil: Lewis & Bedson (1999), que apresentam um conjunto de jogos, organizados a partir de temas específicos, tais como família e amigos, o corpo e roupas, animais, comida, etc. Também foi utilizado o livro My English Songbook (1981), que contem canções rimas e poemas direcionados às crianças. As estagiárias procuraram adequar a apresentação dos temas selecionados às sugestões de Reilly & Ward (op.cit.) no que diz respeito à seqüência das atividades a serem desenvolvidas durante a aula de língua estrangeira. Para estas autoras, uma aula de língua estrangeira para crianças deve prever uma dinâmica de atividades que ofereça aos alunos momentos para a prática de material lingüístico anteriormente apresentado e momentos para a apresentação e prática de novos conteúdos. A partir dessa perspectiva, a dinâmica sugerida por Reilly & Ward (op. cit.15) compreende a seqüência de atividades: 1 – uma canção já conhecida pelos alunos; 2 – novo conteúdo lingüístico; 3 – uma atividade manual que envolva o novo conteúdo apresentado; 4 – uma canção, poema ou história que envolva o novo conteúdo apresentado; 5 – um jogo já conhecido ou atividades de Total Physical Response (TPR) 6 - uma história já conhecida pelos alunos. Os temas selecionados para serem trabalhados com os alunos foram: identificação pessoal, família e amigos; cores; números; partes do corpo; animais; alimentos. Tendo em vista as obras utilizadas para consulta, as alunas/professoras procuraram levantar e preparar material ilustrativo correspondente para acompanhar a apresentação e desenvolvimento daqueles temas. Como não foi adotado nenhum dos livros didáticos para o ensino de língua inglesa, disponíveis no mercado, uma vez que o objetivo principal do projeto previa a elaboração de propostas para a produção de material didático-pedagógico, as alunas/professoras foram responsáveis pela confecção de todos os materiais utilizados nas aulas. 764 Apresentamos, a seguir, uma descrição mais detalhada das atividades realizadas em sala de aula, em que foram abordados o tópico identificação pessoal, família e amigos e o tópico partes do corpo. As atividades realizadas no decorrer da apresentação do tópico identificação pessoal, família e amigos envolveram principalmente jogos, canções e a confecção de desenhos e ilustrações. Este tópico e as atividades a ele associadas representam um ponto de partida mais apropriado para os primeiros encontros com o grupo, favorecem a interação e a comunicação e requerem conteúdo lingüístico facilmente assimilável. Nos primeiros encontros com os alunos, foram desenvolvidos os jogos Hello Game, Zip-Zap, Identity Swap e Names Chant, apresentados no livro Games for Children de Lewis & Bedson (1999). Posteriormente, ao final e ao início desses encontros, a canção Hello-Goodbye dos Beatles foi utilizada; a letra da canção foi apresentada aos alunos e trabalhada na dinâmica TPR, com acréscimo de vocabulário complementar (stand up, sit down, open, close, etc.). Estas atividades estão mais relacionadas à identificação pessoal e amigos. Algumas canções e rimas do livro My English Songbook também foram utilizadas nesses primeiros encontros com vistas a proporcionar momentos de descontração entre os alunos. Para a maioria dos alunos essas aulas de língua inglesa representavam seus primeiros contatos com uma língua estrangeira. Em situações como essa, fatores de ordem psicológica diretamente associados aos traços da personalidade dos alunos, tais como autoestima, nível de ansiedade, inibição, entre outros, constituem elementos potencialmente influentes no processo convivência com as diferenças que uma nova-língua coloca para o aluno. A insegurança dos alunos principalmente frente aos desafios de um sistema sonoro que lhe é desconhecido pode ser motivo para indisciplina; os jogos e canções trabalhadas nesses primeiros encontros, devem contribuir para desenvolver a auto-confiança do aluno, criando nele expectativa positivas em relação às suas possibilidades de aprender uma nova-língua. As atividades relacionadas à família envolveram os jogos Family Ties, Uniting Families e Family Tree (Lewis & Bedson, op.cit.) e a confecção de desenhos para ilustrar e praticar o vocabulário utilizado. Embora não diretamente ligadas ao tema família, algumas canções, rimas e versos, igualmente retiradas do livro My English Songbook, foram trabalhados, visando criar um ambiente mais calmo e/ou estimular a participação de todos os alunos. Quanto ao tópico partes do corpo, as atividades desenvolvidas em sala de aula envolveram, igualmente, jogos, canções e confecção de desenhos e ilustrações, bem como atividades de TPR. 765 Para o tema partes do corpo existe um número extenso de canções tradicionais já bastante utilizadas, tais como Head and shoulders, knees and toes e If you are happy and you know it, entre outras. Associado a esse tema, também foi trabalhado o tema números, uma vez que algumas dessas canções, por exemplo, Ten Little Fingers, apresentam esses dois conteúdos. É importante registrar que o uso de canções favorece a percepção dos traços melódicos e rítmicos da língua e, igualmente, contribuí para a harmonização do grupo. As canções referentes ao corpo, também, favorecem as dinâmicas TPR e envolvem aspectos físico-motores e aspectos sensoriais da criança. Quanto às atividades que envolviam jogos relacionados ao vocabulário referente às partes do corpo e envolviam também a confecção de desenhos e ilustrações, podemos mencionar os jogos Body Fishing, Face Dice e Monster Waltz (Lewis & Bedson, op.cit.). Os jogos exigiram maior empenho das professoras em termos de preparação prévia e controle da sala de aula, pois atividades desse tipo podem levar a situações de alvoroço e agitação entre os alunos. Nesse sentido, o trabalho com jogos associado, principalmente, à confecção de desenhos facilita a criação de momentos de concentração e tranqüilidade entre os alunos. Podemos afirmar que, de maneira geral, tendo em vista a seqüência de atividades sugeridas por Reilly & Ward (op. cit.), as professoras procuraram desenvolver e manter uma dinâmica de sala de aula que respondesse aos interesses e necessidades dos alunos, com vista a manter um alto nível de motivação. Jogos, canções, poemas e rimas - atividades tipicamente centradas na oralidade - certamente fazem parte desta seqüência e constituem estímulos dinâmicos e envolventes com potencial para garantir ao jovem aprendiz de língua estrangeira seu engajamento no processo discursivo nessa nova língua. Tendo em vista os autores e obras, anteriormente mencionadas, às quais as professoras recorreram como material básico de apoio para o levantamento e produção de material didático-pedagógico para o ensino de língua inglesa com foco na oralidade, as atividades realizadas em sala de aula, juntamente com alunos da 3ª e 4ª séries de uma escola da rede municipal de ensino constituíram momentos de prática e experimentação quanto à adequação dessas atividades ao perfil, expectativas e necessidades dos alunos daquela faixa etária e grau de escolarização. Passamos, a seguir, a algumas considerações quanto aos resultados dos trabalhos realizados em sala de aula, tendo em vista os objetivos delineados no projeto que apresentamos. 766 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando os objetivos básicos delineados em nosso projeto, qual seja, propor atividades para o ensino da língua inglesa, com ênfase na modalidade oral, os trabalhos desenvolvidos pelas alunas/professoras permitiram explorar as potencialidades e limitações das atividades propostas, bem como observar as reações dos alunos em termos de sua motivação para o aprendizado e em termos de seu desempenho na língua-alvo. É importante destacar, conforme constatação das professoras, que os alunos demonstraram necessidade de um contato visual e até mesmo tátil com algo diretamente relacionado assunto abordado na aula. Rimas, canções e poemas associados a material visual estimulante e variado, bem como a objetos trazidos para a sala de aula devem, sempre que possível, compor o conjunto de atividades realizadas com os alunos. É importante, também observar, conforme a experiência das professoras, que a ênfase na oralidade não deve excluir o trabalho com a modalidade escrita; os alunos sentem necessidade de registrar em seus cadernos os conteúdos trabalhados em sala de aula. Também as expectativas de alguns pais, com relação ao que seus filhos estão fazendo na escola, pressupõem a existência de livros e cadernos que explicitem o que as crianças realmente estão aprendendo nas aulas. Quanto às atividades, centradas na oralidade, desenvolvidas na sala de aula, algumas recomendações se fazem apropriadas com vistas a facilitar o trabalho do/a professor/a. No caso da utilização de jogos é importante destacar a necessidade de uma preparação prévia para evitar problemas na sua realização na sala de aula; as regras e os objetivos dos jogos apresentados devem ficar bem claros aos alunos de modo que eles possam desempenhar o conteúdo lingüístico que é solicitado. Todo material extra a ser utilizado no jogo deve estar à disposição dos alunos; cuidados também devem ser tomados quanto à organização do espaço necessário para a realização do jogo. As canções, as rimas e os poemas também exigem uma preparação, principalmente quanto aos seus aspectos sonoros e rítmicos, uma vez que um dos objetivos principais deste tipo de material é familiarizar os alunos com a sonoridade da língua; os alunos certamente percebem qualquer hesitação por parte do professor o que poderá prejudicar o andamento das atividades propostas. Vale mencionar que, caso haja acompanhamento de algum instrumento musical, a atividade adquire um caráter extremamente instigante para os alunos; instrumentos de percussão certamente acrescentam colorido especial a este tipo de atividade. 767 Por fim, à guisa de conclusão, é oportuno destacar que os trabalhos desenvolvidos no decorrer desse projeto, junto ao Núcleo de Ensino UNESP-Assis, representam um ponto de partida para projetos e pesquisas mais abrangentes que visem investigar o lugar da oralidade no ensino de língua estrangeira nas séries do Ensino Fundamental, tanto do ponto de vista da preparação do professor, da preparação do material didático, quanto do desempenho, nível de motivação e interesse dos alunos. As expectativas institucionais em relação ao lugar do ensino de língua estrangeira nas escolas da rede pública de ensino igualmente despontam como possível alvo para investigações de pesquisas de tal natureza. Dentre os resultados iniciais dos trabalhos realizados no decorrer desse nosso projeto, destaca-se a exigência de uma formação específica do/a professor/a em vista das características próprias do público infantil, principalmente no que diz respeito aos seus conhecimentos e sua fluência na modalidade oral da língua inglesa; conhecimento musical certamente contribui para o bom desenvolvimento das atividades, principalmente daquelas que envolvem canções, rimas e poemas. Quanto ao material didático selecionado e trabalhado em sala de aula, consideramos como um ponto de partida para experiências semelhantes para que se possa observar suas potencialidades em outras situações de ensino e, caso necessário, adequá-lo às demandas específicas que essas situações apresentam. Nesse sentido, entendemos que os resultados das experiências realizadas no decorrer do projeto que ora descrevemos contribuem com elementos para desencadear novas pesquisas que tenham como objetivo investigar o processo de ensino/aprendizagem de língua estrangeira nas primeiras séries do Ensino Fundamental. 768 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, MEC – Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Estrangeira. Brasília: MEC/SEF,1998. BROWN, H.D. Principles of Language Learning and Teaching Pedagogy. Englewood Cliff. NJ: Prentice Hall Regents, 1994. LEWIS, G. & BEDSON, G. Games for Children. Oxford: Oxford University Press, 1999. ONG, W. Oralidade e Cultura Escrita. Tradução de E. A. Dobránszky. Campinas: Papirus, 1998. PHILLIPS, S. Young Learners. Oxford: Oxford University Press, 1997 REILLY, V. & WARD S. M. Very Young learners. Oxford: Oxford University Press, 1997 UNIVERSITY OF YORK/MACMILLAN PUBLISHERS. My English Songbook. London: Macmillan Publishers, 1981. WRIGHT, A. Storytelling with children. Oxford: Oxford University Press, 1995. _____. 1000+Pictures for Teachers to Copy. Oxford: Oxford University Press, 1993. _____. Creating Stories with Children. Oxford: Oxford University Press, 1997 769