1 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra Curso Superior de Tecnologia em Logística JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS PAULO ROBERTO VITAL ANÁLISE DO PROCESSO LOGISTÍCO PARA O REAPROVEITAMENTO DE MATERIAIS E RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (MRCC) LINS/SP 1º SEMESTRE/2012 2 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS PAULO ROBERTO VITAL ANÁLISE DO PROCESSO LOGISTÍCO PARA O REAPROVEITAMENTO DE MATERIAIS E RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL(MRCC) Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins para obtenção do Título de Tecnólogo em Logística. Orientador: Prof. Me Alexandre Teso LINS/SP 1º SEMESTRE/2012 3 JOSÉ ANTÔNIO DOS SANTOS PAULO ROBERTO VITAL ANÁLISE DO PROCESSO LOGISTÍCO PARA O REAPROVEITAMENTO DE MATERIAIS E RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL(MRCC) Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins para obtenção do Título de Tecnólogo em Logística sob a orientação do Prof. Me Alexandre Teso Data de aprovação______/______/_____ ______________________________________ Orientador Prof. Me Alexandre Teso ______________________________________ Examinador 1 ______________________________________ Examinador 2 4 DEDICATÓRIA A Deus pela força espiritual, ao meu pai José Vital, pois graças a ele adquiri valores éticos, perseverança e honestidade, que constituem meu caráter e definem meu ser; a minha mãe Iraci Siqueira Vital, aos meus filhos e a minha irmã Luzia. 5 AGRADECIMENTOS Aos docentes do Curso de Logística, por estarem presentes no nosso caminho, de forma positiva ou negativa, pois de uma forma ou de outra acabaram por desenvolver nosso senso crítico que muito foi utilizado na elaboração deste trabalho. À todos os nossos amigos, colegas de classe e companheiros que sempre nos apoiaram direta ou indiretamente na realização deste trabalho. 6 RESUMO O acúmulo de resíduos urbanos na construção civil, em todo o planeta, provoca diversos problemas para a sociedade. No Brasil a situação não é diferente, pois se produz cada vez mais resíduo de diversas categorias, provocando assim o aumento necessitando dessa forma que cada município estabeleça um sistema adequado de gerenciamento desses. Este trabalho teve como objetivo realizar um estudo de caso na Central de reciclagem de resíduos da construção civil localizada em São José do Rio Preto. Sabe-se que a indústria da construção civil evoluiu muito, tanto no que diz respeito à engenharia como na gestão e comercialização do seu negócio. Assim surgem os conceitos da logística tradicional e da logística reversa na construção civil, que é um meio de aumentar a competitividade entre as empresas. A principal característica desse trabalho é a ampla variedade de materiais e a grande diferenciação de processos e produtos, dificultando a implementação desses conceitos e processos. Reciclar o entulho se faz através de uma rede em um nível, enquanto a reciclagem da areia se baseia na estrutura de uma rede em dois níveis. A rede de logística reversa pode gerar economias minimizando o desperdício e reduzindo custos. O avanço tecnológico no setor da construção civil tem provocado grandes modificações, ganhando em termos de qualidade, produtividade, redução de custos e competitividade entre as empresas. Utilizar-se de práticas de racionalização e otimização, o emprego de tecnologias de materiais e de técnicas operacionais mais aprimoradas empregadas na indústria da construção civil a sua diversidade de materiais empregados e a grande utilização de recursos naturais mostram a importância do reaproveitamento desses na indústria da construção civil. No Brasil, o reaproveitamento do entulho ainda é restrito, sendo utilizado basicamente como material para aterro e, em muito menor escala, à conservação de estradas de terra. Palavras chave: Tratamento de entulho. Logistica. Logistica de reversa. 7 ABSTRACT The accumulation of waste on building sites around the world, causes many problems for society. In Brazil the situation is no different, as it produces more waste of various categories, thereby necessitating increased so that each municipality establish an adequate system of management. This study aimed to conduct a case study in Central recycling construction waste located in Sao Jose do Rio Preto. It is known that the construction industry has evolved considerably, both with regard to engineering and in management and marketing of your business. Thus arise the concepts of traditional logistics and reverse logistics in construction, which is a means of increasing competition between companies. The main feature of this work is wide variety of materials and great differentiation of products and processes, making the implementation of these concepts and processes. Recycling the rubbish is done through a network level, while recycling the sand is based on the structure of a network at two levels. The reverse logistics network can generate savings by minimizing waste and reducing costs. Technological advances in the construction industry has caused major changes, gaining in terms of quality, productivity, cost reduction and competitiveness between companies. Practices are used to rationalize and optimize the use of material technologies and operational techniques employed in the most improved construction industry its diversity of materials used and the great use of natural resources show the importance of reuse of the building industry civil. In Brazil, the reuse of the rubble is still limited, mainly being used as material for landfill and to a much lesser extent, the maintenance of dirt roads. Keywords: Treatment of rubble. Logistics. Reverse Logistics. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 4.1 Foto do Ponto de Apoio da Avenida Solon Varginha........................ 35 Figura 4.2 Triagem manual de RCD e outros materiais – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP..................................... 35 35 Triagem manual de RCD e outros materiais Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP....................................................... 36 Figura 4.4 Carregamento de caminhão com RCD............................................. 36 Figura 4.5 Primeiro material do processo de reciclagem................................... 37 Figura 4.6 Triturador: Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto: Figura 4.3 SP...................................................................................................... ..................... 38 Figura 4.7 Esteira que conduz os rachões......................................................... 38 Figura 4.8 Figura4.11 Material após ter passado por uma espécie de peneira (areia e brita 0)............................................................................................... 39 Materiais após ter passado por uma espécie de peneira (brita 0 e brita 1)............................................................................................... 39 39 Fábrica de Artefatos – Usina de Reciclagem de São José do Rio 40 40 Preto – SP......................................................................................... Tubo de água pluvial......................................................................... 40 Figura4.12 Guias de sargetas............................................................................ 41 Figura4.13 Filetes para guias de praças............................................................ 41 Figura4.14 Tampas para boca-de-lobo.............................................................. 42 Figura4.15 Bancos e mesa................................................................................ 42 Figura4.16 Blocos............................................................................................... 43 Figura4.17 Peças para calçadas públicas.......................................................... 43 Figura4.18 Postinhos para alambrados............................................................... 44 Figura4.19 Ferragens para estruturas dos Artefatos........................................... 44 Figura4.20 Máquina onde é misturado os reciclados de RCD com cimento....... 45 Figura4.21 Outros modelos de artefatos – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP.............................................................................. 45 Figura 4.9 Figura4.10 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Resíduos sólidos da Construção civil - Áreas de reciclagem Diretrizes para projeto, implantação e operação............................. 18 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas AEC - Associação das Empresas de Caçambas COMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CSCMP (Council of Supply Chain Management Professionals), IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas LR – Logistica Reversa NBR – Norma Brasileira PGCC - Projeto de Gerenciamento da Construção Civil PIGRCC - Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil. PNRS – Plano Nacional de Resíduos Sólidos RCC – Residuos da Construção Civil RLEC – Reverse Logistics Executive Council RSU – Resíduos Sólidos Urbanos 11 SUMÁRIO INTRODUÇÂO………………………………………………………………………… 12 Metodología da pesquisa…………………………………………………………... 15 CAPÍTULO I…………………………………………………………………………… 16 1 CONSTRUÇÃO CIVIL............................................................................. 16 2 Reciclagem............................................................................................... 18 2.1 Tipos de residuos gerados na construção civil……………………………. 19 3 Sustentabilidade……………………………………………………………... 19 CAPÍTULO II………………………………………………………………………….. 22 2 LOGÍSTICA.............................................................................................. 22 2.1 Visão da logística na atualidade……………………………………………. 23 2.2 Logística reversa……………………………………………………………… 23 CAPÍTULO III………………………………………………………………………….. 27 3 TRATAMENTO DO ENTULHO NO BRASIL……………………………... 27 3.1 Definição………………………………………………………………………. 27 3.2 O reaproveitamento dos resíduos com algumas soluções………………. 29 3.3 O poder público e as experiências no reaproveitamento e reciclagem…………………………………………………………………….. 30 CAPÍTULO IV....................................................................................................... 32 A PESQUISA – ESTUDO DE CASO................................................................... 32 4 COMPLEXO DE RECICLAGEM............................................................. 4.1 Central de reciclagem de resíduos da construção civil localizada em São José do Rio Preto..................................................................... 32 4.2 Processo logístico de transporte, produção e estocagem........................ 32 CONCLUSÃO...................................................................................................... 46 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 49 32 12 INTRODUÇÃO É sabido que a construção civil é a maior consumidora de recursos naturais, como a madeira, água, energía e minerais. Quando se fala em sistema logística, o reverso é uma importante ferramenta para contribuir na organizacão e sustentabilidade. Para tanto, chegou-se a seguinte conclusão: a logística destaca-se, como primordial e relevante diferencial para as organizações, todavía, notadamente, há uma necessidade extrema de que os trabalhos entre os participantes sejam integrados, buscando a melhora e a organização desses recursos. O entulho da Construção Civil, uma montanha diária de residuos formada de argamassa, areia, cerâmicas, concretos, madeira ,metáis, papeis, plásticos, pedras, tijolos, tintas, etc, tornou-se um sério problema nas cidades brasileiras. De acordo com a resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente( CONAMA), as prefeituras estão proibidas de receber os residuos de Construção e demolição no aterro sanitário. Cabe a cada municipio elaborar um plano integrado de gerenciamneto de residuos na Construção Civil. Variáveis de resíduos de construções são muito diferenciadas e é necessário desenvolver técnologías, pois as já existentes não conseguem medir as características dos resíduos em tempo real, de forma que mesmo agregados reciclados de excelente qualidade são empregados em funções menos exigentes, desvalorizando o produto. Por intermédio de levantamento bibliográfico e pesquisa de campo, o objetivo da pesquisa é observar e analisar o processo logístico para o reaproveitamento de materiais e resíduos da construção civil e como a transformação de um resíduo em produto comercial pode ser efetivamente utilizado pela sociedade, alem de oferecer grandes oportunidades para aumentar a sustentabilidade social e ambiental, observando que oferece também significativos riscos ambientais para a saúde dos trabalhadores que não estejam cientes de como deve ser realizado um processo profissional de reaproveitamento. Praticamente todas as políticas adotadas com intuito de diminuir o impacto ambiental acarretam a redução na geração de matérias primas. Consequentemente reduz a utilização de aterros, o despejo em depósitos irregulares e o excesso de 13 consumo dos recursos naturais não renováveis. A demanda de construções nas cidades é crescente, quanto maior a cidade mais problemática é a questão de RCD na construção civil e o não reaproveitamento do mesmo leva a falta de locais apropriados para seu descarte. Sua reciclagem traria benefícios ao meio ambiente por não desmatar ou poluir novas áreas, reduziria o custo com matéria prima, além da criação de empregos na área de reciclagem. Em nosso país, passou-se a ter preocupação neste sentido, mas, ainda não existem extruturas suficientes para direcionar uma correta análise e/ou estruturação das cadeias reversas. Além disso, faltam competências pessoais a serem desenvolvidas para que a cadeia reversa obtenha sucesso, e como fica a questão da governança corporativa da cadeia. O interesse em abordar esse tema se deve ao fato de sentir certa preocupação com os problemas ambientais provocados pelo descarte incorreto dos RCC e a logística reversa em uma grande interface com o desenvolvimento sustentável, uma vez que a viabilização das cadeias reversas permite o reaproveitamento de produtos obsoletos, subprodutos e resíduos, diminuindo os volumes descartados no ambiente e a extração de novos recursos naturais. O trabalho está dividido em quatro capitulos. No CAPÍTULO I teremos uma breve descrição da Constrção Civil. Neste capítulo foram abordados os problemas enfrentados até bem pouco tempo com relação aos RCC, pois não havia qualquer preocupação ambiental em relação aos resíduos gerados pelo setor da construção. Porém, à medida que as questões ambientais se tornaram mais presentes no dia-a-dia foi inevitável a preocupação sobre o que fazer e qual a melhor forma de se gerenciar esses resíduos. A prática da reciclagem de resíduos de construção apresenta vantagens ambientais e econômicas. No CAPÍTULO II teremos uma breve descrição capítulo foram abordados alguns conceitos empresarial, que é o de sobre a respeito da a Logistica. Neste função da logística gerenciar o funcionamento da logística integrada que engloba a realização de forma eficiente e ágil, o fluxo de materiais que vai dos fornecedores e atinge os consumidores garantindo a sincronização com o fluxo de informações que acontece no sentido contrário. 14 No CAPÍTULO III teremos uma breve descrição sobre o Tratamento do entulho no Brasil. Este capítulo aborda os conceitos sobre os resíduos da construção civil, que com a evolução da civilização, tornaram-se um grande problema na administração da grande maioria das cidades brasileiras, devido a enorme quantidade gerada e à falta de espaço ou soluções que absorvam esse problema. Desta forma, é necessário visar um planejamento sustentável desse setor, com sugestões para os seus possíveis empregos, tentando assim, minimizar os danos ambientais gerados pela má administração. Quase todas as atividades desenvolvidas no Brasil no setor da construção civil geram entulho. O CAPÍTULO IV abordará a Pesquisa de Campo (Estudo de Caso). A pesquisa foi realizada no Complexo de Reciclagem em uma usina que tem capacidade de reciclar 100 toneladas por hora, que mantém uma fabrica de artefatos que produz 15 tipos de peças e um escritório. É de propriedade municipal, tem como finalidade reciclar os resíduos da construção civil e utilizar na manutenção cotidiana de São José do Rio Preto S.P proporcionando ganho ambiental e uma economia aos cofres municipais. De acordo com o gerente, Norival Teixeira da Costa, a cidade de São José do Rio Preto produz 1,2 mil toneladas por dia, 65% é encaminhado à usina de reciclagem e os outros 35% são depositados em 5 aterros sanitários privados que mantém parceria com a prefeitura, além de uma usina privada. A pesquisa está ilustrada por fotos feitas pelos autores que servem como subsídios para sustentar as informações existentes no trabalho. Finalmente serão embasamento do trabalho. apresentadas as REFERÊNCIAS utlizadas no 15 1 METODOLOGÍA DE PESQUISA Para a elaboração deste trabalho, foi realizada uma pesquisa bibliográfica através da coleta de dados em livros, jornais, teses, artigos e do meio eletrônico (internet), utilizados para embasar teoricamente os principais conceitos sobre o tema abordado.Foi realizado ainda um estudo de caso para verificar como se processam as atividades de reciclagem e reaproveitamento de Resíduos Sólidos da Contrução Civil (RSCC) na Central de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil, localizada em São José do Rio Preto, estado de São Paulo. 16 CAPÍTULO I 1 CONTRUÇÃO CIVIL Até bem pouco tempo, não havia qualquer preocupação ambiental em relação aos resíduos gerados pelo setor da construção. Porém, à medida que as questões ambientais se tornaram mais presente no dia-a-dia foi inevitável à preocupação sobre o que fazer e qual a melhor forma de se gerenciar esses resíduos. A prática da reciclagem de resíduos de construção apresenta vantagens ambientais e econômicas. A cadeia produtiva da construção civil exerce uma influência é responsável por cerca de 40% da formação bruta de capital e emprega uma considerável massa de trabalhadores. Por outro lado, a depender da tecnologia, se utiliza algo entre 20% e 50% do total dos recursos naturais consumidos pela sociedade (SCHENINI; BAGNATI; CARDOSO, 2004). A geração de resíduos sólidos na construção favorece as perdas do setor, porem nem toda perda vai se transformar em resíduo, pois uma parte pode ser reaproveitada na própria obra, como, por exemplo, grandes espessuras de argamassas decorrentes de problemas de prumo. Os resíduos da construção civil (RCC), também denominados entulho, representam grande parte da produção de resíduos sólidos urbanos. Quando mal gerenciados, eles causam problemas nas cidades, como diminuição da vida útil de aterros sanitários, surgimento de depósitos em locais impróprios, provocando a obstrução dos cursos d’água, bueiros e galerias, aumentando as chances de enchentes, além de criar ambiente propício, juntamente com outros resíduos, para proliferação de vetores prejudiciais às condições de saneamento e saúde humana (LIMA, 1999). A especialização, os processos de gestão dos resíduos em canteiro de obras, o tratamento e reutilização dos RCC, entre outros, aparecem como um ramo da engenharia civil, visando à reutilização racional dos recursos não renováveis e à necessidade de reduzir o descarte de rejeitos evitáveis (PINTO, 2001). As experiências indicam que a reciclagem é importante, e pode substituir a deposição irregular do entulho pela sua reciclagem. 17 Durante a fase de construção, o entulho é constituído pelas sobras dos materiais adquiridos e danificados ao longo do processo produtivo, tais como: restos de concreto e argamassa produzidos e não utilizados ao final do dia de trabalho; entre esses materiais encontra-se ainda a alvenaria demolida devido ao retrabalho, a argamassa que cai durante a execução do revestimento e não pode ser reaproveitada, sobras de tubos, aço, madeiras, eletrodutos, entre outros. Alguns fatores contribuem para a geração do entulho: a) projetos com detalhamentos insuficientes; b) má qualidade dos materiais e componentes; c) cultura de recursos abundantes e cultura do desperdício do setor; d) falta de preocupação da engenharia em racionalizar o processo para não gerar desperdícios; e) baixa qualificação do pessoal que executa os serviços; f) ausência de procedimentos operacionais e mecanismo de controle de execução e inspeção dos serviços. (KILBERT, 1994, apud CARNEIRO et al., 2001). Para que se possam minimizar esses aspectos negativos provocados pelo acúmulo de entulhos Kilbert, 1994, (apud CARNEIRO et al., 2001) consideram importante levar em consideração as seguintes diretrizes: a) minimizar o consumo de recursos (conservar); b) maximizar a reutilização de recursos (reutilizar materiais e componentes); c) usar recursos renováveis ou recicláveis (renovar / reciclar); d) proteger o meio ambiente (proteção da natureza); e) criar um ambiente saudável e não tóxico (utilizar não tóxicos); f) buscar qualidade na criação do ambiente construído (aumentar a qualidade). A Resolução CONAMA nº. 307/02 trouxe importante regulamentação sobre o tema, na medida em que estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, bem como fixou prazos para que os municípios apresentem um Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil. (PIGRCC). O quadro abaixo, mostra como são classificados os resíduos da construção civil de acordo com a NBR 15114 – 30.06.2004 – 1 ed. 18 Quadro 1 Resíduos sólidos da Construção civil - Áreas de reciclagem - Diretrizes para projeto, implantação e operação. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL a)De construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplenagem. b)De construção, demolição, reforma e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, etc.), argamassa e concreto. c)de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios fios, etc.) produzidos nos canteiros de obra. CLASSE A Resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plástico, papel, papelão, metais, vidros, madeiras e outros. CLASSE B Resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/ recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso. CLASSE C Resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros. CLASSE D Fonte: ABNT NBR 15114 Primeira edição 30.06.2004 Válida a partir de30.07.2004. Licença de uso exclusivo para Furnas Centrais Elétricas S.A. Cópia impressa pelo sistema CENWEB em 18/05/2005. 2 RECICLAGEM Reciclar significa transformar os restos descartados pelas residências, fábricas, lojas e escritórios em matéria-prima para a fabricação de outros produtos. Não importa se o papel está rasgado, a lata amassada ou garrafa quebrada. Ao final, tudo vai ser dissolvido e preparado para compor novos objetos e embalagens. “A matéria orgânica também pode ser reciclada, no qual sobras de comida, dentre outros resíduos orgânicos, sofrem ação dos micróbios, formando adubo para o solo. (RODRIGUES, et al, 1997, p 56). 19 A reciclagem tem papel fundamental na preservação do meio ambiente, e isso é possível, diminuindo a extração de recursos naturais; devolvendo para a terra uma parte de seus produtos, com a compostagem; reduzindo o acúmulo de resíduos nas áreas urbanas, com o reaproveitamento de vidro, papel, papelão, plástico etc. trazendo benefícios a sociedade, a economia e ao meio ambiente. (RODRIGUES, et al, 1997) 2.1 Tipos de Resíduos Gerados na Construção Civil A remoção dos entulhos dispostos irregularmente nas áreas de bota-fora das cidades, os transtornos sociais causando danos ao meio ambiente, representam custos elevados para o poder público e para a sociedade, apontando para a necessidade do estabelecimento de novos métodos para a gestão pública de resíduos da construção e demolição. (PINTO, 1995). A indústria da construção civil apresenta um índice surpreendente e elevado de perdas. Isto ocorre por falhas ou omissões na elaboração dos projetos e na sua execução; além da má qualidade dos materiais, acondicionamento impróprio dos materiais, má qualificação da mão de obra, falta de equipamentos e uso de técnicas adequadas da construção, falta de planejamento na montagem dos canteiros de obra, falta de acompanhamento técnico na produção e ausência de uma cultura de reaproveitamento e reciclagem dos materiais. A figura abaixo mostra as possíveis soluções na reutilização ou na destinação final de vários tipos de resíduos gerado nas grandes construções dos centros urbanos das grandes e pequenas capitais brasileiras. 3 SUSTENTABILIDADE Discutir sobre sustentabilidade tem sido um tema muito importante ao longo das últimas quatro décadas e isto pode ser percebido pela grande quantidade de documentos de compromissos produzidos por diversas instituições governamentais, ONG’s e congressos espalhados pelo Brasil e no mundo. Essa discussão veio à tona com o lançamento do Relatório da Comissão Brundtland em 1987, também conhecido como Nosso Futuro Comum. Esse 20 documento emerge em um contexto considerado como “a década perdida”, em razão das crises econômicas que atingiram em sua maioria, os países da América Latina. (TADEU, 2012, p.146). Dessa forma, a fenda que dividia esses países considerados subdesenvolvidos dos seus precursores desenvolvidos, se tornava cada vez mais profunda. Apesar disso, falta ainda perceber com clareza a aplicabilidade de tais ações pactuadas, na busca pelo desenvolvimento de uma construção civil sustentável. Existem muitos esforços por meio de certos setores produtivos que buscam criar alternativas sustentáveis para solucionar os problemas urbanos, como por exemplo, os programas de reciclagem de resíduos de demolição. A eficiência desses programas seria mais eficaz se o material a ser reciclado tivesse como prioridade a sua qualidade, porem tudo isto implica em uma prévia separação dos resíduos no canteiro de obras, o que normalmente não acontece por falta de fiscalização do encarregado da obra, que nem sempre fiscaliza que tipos de resíduos são depositados nas caçambas. A manutenção da produção de maneira a atender o crescente consumo requer o uso cada vez maior de recursos naturais e energéticos. (...) a utilização de um padrão tecnológico que parte do pressuposto da inesgotabilidade dos recursos ambientais, bem como a grande diversificação e mobilidade dos poluentes, são também aspectos a serem considerados neste processo sistemático e maciço de degradação ambiental e contribuem para o crescente fenômeno de escassez dos recursos ambientais (...) Isso se deve principalmente ao fato de que, até alguns anos atrás, estes recursos eram considerados bens livres (ou seja, que têm valor de uso e não têm valor de troca), disponíveis em quantidade ilimitada e de apropriação gratuita. (BURSZTYN & ARAÚJO,1997). Não é possível separar a sociedade da natureza, pois a natureza não é um espaço passivo à disposição do homem, como tem sido entendido nestes últimos séculos, mas um espaço em movimento dinâmico, cíclico, em que a inter-relação e a interdependência garantem sua reprodução e manutenção. As concepções de planejamento, regulação e participação democrática são centrais para se programar uma gestão local sustentável. Boa parte das teorias que visam a sustentabilidade do desenvolvimento carecem de investigações que aprofundem a dimensão político democrática, o que representa um dos mais importantes fatores limitadores da implementação de estratégias de desenvolvimento sustentável. (FREY, 1996). 21 Para o autor, existem três abordagens de desenvolvimento sustentável: 1) econômico liberal de mercado; 2) ecológico-tecnocrata e 3) política de participação democrática. É de conhecimento dos estudiosos e também da população que o mundo muda a cada instante e como consequência dessa mudança, novos produtos são lançados, outros aprimorados, sendo estas mudanças para atender as necessidades dos indivíduos e do próprio sistema. O que antes era a grande novidade, hoje já foi suplantado. Neste regime de sistema de mudanças, as empresas procuram se destacar perante as demais, trazendo ao sistema produtos personalizados, procurando assim, atender os mercados que se tornam ao longo do tempo cada vez mais específicos. Entretanto, a mentalidade do consumidor também se altera neste processo e, buscando atender assim mercados que se tornam ao longo do tempo cada vez mais específicos. (TADEU, 2012, p.147). Ter um negócio sustentável é uma nova exigencia do mercado e aqueles que acharem o caminho para se diferenciar,serão os mais beneficiados, poderão ganhar espaço no mercado, agregarão valor a seus processos e à sua competitividade.Para isso é necessário que haja uma mudança da agenda das empresas debe ser feita para que todas as dimensões defendidas no desenvolvimento sustentável, tais como:dimensões economica, ambiental e social, possam ser levadas em conta por ocasião das tomadas de decisão. (TADEU, 2012, p.148). 22 CAPÍTULO II 2 LOGÍSTICA O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenagem eficientes e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do cliente.(ASLOG,2010). Uma das origens da palavra logística porde ser encontrada na sua etimología francesa, do verbo loger, que significa alojar e se constitui num termo de origem militar. A logística foi desenvolvida com a finalidade de colocar recursos certos no local certo, na hora certa, com um só objetivo, o de vencer batalhas. (ASLOG,2010). A função da logística empresarial é gerenciar o funcionamento da logística integrada que engloba a realização de forma eficiente e ágil, o fluxo de materiais que vai dos fornecedores e atinge os consumidores garantindo a sincronização com o fluxo de informações que acontece no sentido contrario. Os serviços de logística envolvem alguns segmentos, como a distribuição física, a administração de materiais e suprimentos, as operações de movimentação de materiais, de produtos, transportes e outros. A intenção é acelerar "a disponibilidade de produtos e materiais nos mercados e pontos de consumo com máxima eficiência, rapidez e qualidade, com custos controlados e conhecidos" (FONTANA & AGUIAR,2011). As novas tecnologias associadas à crescente industrialização e o crescimento populacional, acompanhados pela execução de obras de edificações nos centros urbanos, resultam em fontes de geração de resíduos sólidos para as cidades. De acordo com Ângulo (1999), estes resíduos vêm se tornando um problema oneroso e complexo, causando sérios problemas ambientais. O impacto ambiental causado pelos resíduos da construção civil, seja de construção ou de demolição, é perceptível nos lixões, que são fonte de proliferação de animais indesejados; no abandono destes materiais em locais impróprios, tais como às margens ou em leitos de rios, causando assoreamento, poluição da água e enchentes, interferindo na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto no presente quanto no futuro. A construção de uma rede logística reversa que permita o reaproveitamento 23 desses resíduos contribuirá para a solução do problema, reduzindo as disposições clandestinas de resíduos de construção e demolição, bem como a demanda por aterro sanitário para estes materiais. 2.1 Visão da logística na atualidade A visão da logística atual não pode mais só se preocupar em abordar os fluxos físicos informacionais e tradicionais, desde o ponto de origem ate o local de consumo. Logística atual deve abranger desde os fluxos físicos, a gestão da produção (materiais, insumos e produtos acabados) e toda a indução da informação, tanto no sentido direto como no reverso. A logística reversa, na atualidade, desempenha um papel fundamental e de suma importância nas decisões das organizações públicas e privadas, neste novo conceito de fazer logística, verificase que pelo ambiente globalizado que vivemos a logística é mais global e mais abrangente. (CARVALHO, 2002 p. 31). Através dos conceitos de logística reversa surge à possibilidade de recuperar e reciclar os resíduos sólidos gerados pelos setores produtivos, como exemplo a recolha e reprocessamento de pilhas, baterias, pneus, embalagens diversas e os próprios resíduos de construção civil. O novo conceito de logística no ambiente globalizado que as organizações e a sociedade estão inseridas, tem varias denominações. A CSCMP (Council of Supply Chain Management Professionals), logística é definida como sendo a parte do processo da cadeia de abastecimento ou suprimentos que estrategicamente, planeja e coordena programa e controla com eficiência e eficácia o fluxo no sentido direto e reverso, a armazenagem de produtos, os serviços e toda a relação de informação, do ponto de origem até o ponto de consumo, proporcionando assim a satisfação dos clientes e de toda a organização. (CAMPOS & BRASIL, 2007 p. 26), 2.2 Logística reversa Define-se como Logística Reversa (LR) um processo de movimentar um produto de seu ponto de consumo para o ponto de origem para recuperar o valor ou para o seu descarte apropriado. A logistica reversa é considerada um foco 24 empresarial, preocupada em retornos no mercado e não um processo desenvolvido visando o alcance da sustentabilidade. ( TADEU, 2012,p.152). Por meio dos programas de Logística Reversa, as empresas podem substituir, reutilizar, reciclar e descartar os seus produtos de maneira eficiente e eficaz, atendendo às atuais exigências do mercado e as diversas leis ambientais. Logística Reversa engloba todos os processos descritos acima, porém de modo inverso. O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou descarte apropriado para coleta e tratamento de lixo. (ROGERS & TIBBEN-LEMBKE,1999). Existem diferenças fundamentais entre a Logística convencional e seu sistema reverso, dentre as quais estão: Na Cadeia Logística convencional os produtos são puxados pelo sistema, enquanto que na Logística Reversa existe uma combinação entre puxar e empurrar os produtos pela cadeia de suprimentos. Isto acontece, pois há, em muitos casos, uma legislação que aumenta a responsabilidade do produtor. Quantidades de descarte já são limitadas em muitos países. Os Fluxos Logísticos Reversos não se dispõem de forma divergente, como os fluxos convencionais, mas sim podendo ser divergentes e convergentes ao mesmo tempo. O processo produtivo ultrapassa os limites das unidades de produção no sistema de Logística Reversa. Os fluxos de retorno seguem um diagrama de processamento pré-definido, no qual os produtos (descartados) são transformados em produtos secundários, componentes e materiais. Os processos de produção aparecem incorporados à rede de distribuição. Ao contrario do processo convencional, o processo reverso possui um nível de incerteza bastante alto. (MUELLER, 2005). Enquanto a logística tradicional trata do fluxo dos produtos ( fabrica X cliente), a logística reversa trata do retorno de produtos, materiais e peças do consumidor final ao processo produtivo da Empresa. A definição de logística reversa baseia-se nos conceitos da (RLEC – Reverse Logistics Executive Council), que define logística reversa, como sendo a atividade que planeja, executa e controlam o fluxo de insumos (matéria prima), produtos em processos e produtos já acabados (bem como todo o fluxo de informação econômica, social e ambiental desta relação), desde o ponto de consumo ao ponto de origem, de maneira eficaz e eficiente, que objetiva recuperar resíduos ou eliminar valor de forma adequada, cuidando do impacto e 25 dos custos desta relação estratégica interligada com os fatores econômicos, sociais e ambientais. (RAZZOLINI FILHO & BERTÉ,2008 p. 40). A globalização das organizações públicas e privadas bem como a sociedade, na atualidade, atribui a logística reversa as seguintes prioridades: planejar, aplicar, programar, impulsionar, propor e controlar com eficiência, a recuperação e o retorno de um produto ao fim de seu ciclo de vida. Propondo a redução no consumo de recursos naturais, a reutilização do material recuperado, o descarte e o armazenamento deste resíduo e a possibilidade de propor ações para a reaplicação ou a refabricação de outro produto. As seguintes atividades são relacionadas por Lambert et al. (1998) como parte da administração logística em uma empresa: serviço ao cliente, processamento de pedidos, comunicações de distribuição, controle de inventário, previsão de demanda, tráfego e transporte, armazenagem e estocagem, localização de fábrica e armazéns/depósitos, movimentação de materiais, suprimentos, suporte de peças de reposição e serviços, embalagem, reaproveitamento e remoção de refugo e administração de devoluções. De todas estas atividades, fazem parte diretamente da logística reversa o reaproveitamento, a remoção de refugo e a administração de devoluções. Logística Reversa é o processo logístico de retirar produtos novos ou usados de seu ponto inicial na cadeia de suprimento, como devoluções de clientes, inventório excedente ou mercadoria obsoleta, e redistribuí-los usando regras de gerenciamento dos materiais que maximizem o valor dos itens no final de sua vida útil original. Uma operação de logística reversa é consideravelmente diferente das operações normais. Deve-se estabeler pontos de recoleção para receber os bens usados do usuário final, ou remover ativos da cadeia de suprimento para que se possa atingir um uso mais eficiente do inventário / material. Requer sistemas de embalagem e armazenagem que garantam que a maior parte do valor que ainda há no item usado não se perca por um manuseio incorreto. Também requer frequentemente de um meio de transporte que seja compatível com o sistema logístico regular. A disposição dos materiais pode incluir a devolução de bens ao inventário ou armazém, devolução de bens ao fabricante original, venda dos bens num mercado 26 secundário, reciclagem, ou uma combinação que gere o maior valor para os bens em questão. 27 CAPÍTULO III 3 O TRATAMENTO DO ENTULHO NO BRASIL 3.1 Definição Os resíduos da construção civil tornaram-se um grande problema na administração da grande maioria das cidades brasileiras, devido a enorme quantidade gerada e à falta de espaço ou soluções que absorvam esse problema. Desta forma, é necessário visar um planejamento sustentável desse setor, com sugestões para os seus possíveis empregos, tentando assim, minimizar os danos ambientais gerados pela má administração. Quase todas as atividades desenvolvidas no Brasil no setor da construção civil geram entulho. O alto índice de perdas do setor construtivo é a principal causa geradora de entulho. Nas obras de reforma, falta a consciencia de uma cultura de reutilização e reciclagem para reutilizar o entulho gerado pelas demolições durante o processo. . No Brasil, produz-se 850.000t /mes de entulho, enquanto que no Japão 6.000t/mês. Podemos concluir que em alguns países o reaproveitamento do entulho já é uma prática, viabilizando a técnica como a economia. Entretanto o reaproveitamento de entulho é restrito, praticamente, à sua utilização como aterro sanitário e em muito menor escala para a conservação de estradas de terra. De acordo com a Norma Brasileira NBR 10004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1987), resíduos sólidos são definidos como ‘’resíduos nos estados sólidos ou semissólidos que resultam da atividade da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição”. Dentre os resíduos sólidos, encontram-se os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle da poluição, bem como, determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água resto das atividades, 28 podendo se apresentar no estado sólido, semissólido ou líquido, desde que não seja passível de tratamento convencional. No Brasil, a primeira atividade pública relacionada com resíduos sólidos, no caso, o serviço de limpeza urbana, deu-se em 25 de novembro de 1880, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. No decorrer do tempo, essas atividades foram sofrendo mudanças e atualmente são bastante diferenciadas de um município para o outro (IPT/CEMPRE, 2000). Com a industrialização e o aumento do crescimento populacional no século XX, surgiram diversos problemas da quantidade de entulhos gerada pela população, tornando cada vez mais difícil o gerenciamento adequado dos resíduos, ocasionando entre outros problemas a poluição dos recursos naturais (água, solo e ar) além de problemas relacionados à saúde pública, uma vez que estes resíduos contribuem para o surgimento e a proliferação de doenças. Atualmente, várias áreas do conhecimento estão correlacionadas à questão dos resíduos sólidos, como: saneamento básico, meio ambiente, aspectos sociais e econômicos de coleta de lixo, e mais recentemente, o aproveitamento de gases provenientes de aterros sanitários. Porém, apesar de bastante visado pela sociedade, este assunto ainda não tem recebido a atenção necessária do poder público. (JUCÁ 2002). O Brasil, por ser um país em desenvolvimento, tem no setor da construção um grande alavancador de empregos, tanto de forma direta como indireta. Absorve um percentual significativo da mão de obra, inclusive aquela de baixo nível de escolaridade que outros setores da indústria não empregam. Portanto, é um setor estratégico para a redução do déficit habitacional e para a redução do desemprego. Porém, não se pode esquecer que a construção civil é uma atividade que utiliza um grande volume de recursos naturais, consome grande quantidade de energia, polui o ar, a água e solo e produz grandes quantidades de resíduos. Os resíduos são heterogêneos, compostos por concreto, argamassas, blocos, cerâmicas, solo, areia, argila, metais ferrosos, madeiras, plásticos, latas de tintas, borrachas, papelão, etc. Partes significativas desses resíduos são depositadas ilegalmente, acumulam-se nas cidades, gerando custos e agravando problemas urbanos, como enchentes e engarrafamentos de tráfego. (PINTO, 1995). 29 A quantidade de entulho gerado nas construções que são realizadas nas cidades brasileiras demonstra um enorme desperdício de material. Os custos deste desperdício são distribuídos por toda a sociedade, não só pelo aumento do custo final das construções como também pelos custos de remoção e tratamento do entulho. Atualmente, no Brasil, é comum a disposição irregular de entulho e, por esse motivo, esses resíduos são considerados como sendo um problema de limpeza pública, acarretando uma série de inconvenientes para toda a sociedade, tais como: altos custos para o sistema de limpeza urbana, saúde pública (exemplo a dengue), enchentes, assoreamento e contaminação de cursos d’água, contaminação de solo, erosão, obstrução de sistemas de drenagem urbanos, etc. Esses resíduos são gerados quer por demolições, obras em processo de renovação, quer por edificações novas, em razão do desperdício de materiais resultante da característica artesanal da construção. 3.2 O Reaproveitamento dos resíduos com algumas soluções A reciclagem ou o reaproveitamento, representa uma redução considerável do custo da remoção, bem como o tratamento de doenças para o município, pois produz uma cadeia de benefícios de relevante importância. Dessa forma estende o tempo de vida útil dos aterros, preserva os recursos naturais, transforma uma fonte de despesa em fonte de receita e impede a contaminação de novas áreas de despejo. Segundo Zordan, et al (1998), a forma mais simples de reciclagem do entulho é a sua utilização em pavimentação: base, sub-base ou revestimento primário, na forma de brita corrida ou ainda em mistura de resíduos com solo. a) Vantagens: É a forma de reciclagem que exige menor utilização de tecnologia ou que implica em menor custo no processo; b) Permite a utilização de todos os componentes minerais do entulho (tijolos, argamassas, materiais cerâmicos, areias, pedras etc.), sem a necessidade de separação de nenhum deles; Economia de energia no processo de moagem do entulho (em relação a sua utilização em 30 argamassa), uma vez que, usando-o no concreto, parte do material permanece com granulometria graúda; c) Possibilidade de utilização de uma maior parcela do entulho produzido, como o proveniente de demolições e de pequenas obras que não suportam o investimento em equipamentos de moagem / trituração; d) Maior eficiência do resíduo quando adicionado aos solos em relação à mesma adição feita com brita; e) Utilização como agregado para o concreto: o entulho processado pelas usinas de reciclagem pode ser utilizado como agregado para o concreto não estrutural, a partir da substituição dos agregados convencionais (brita e areia). E com possibilidade de melhorias econômicas no desempenho do concreto em relação aos agregados convencionais, quando se utiliza um baixo consumo de cimento. Uma boa opção para o reaproveitamento de sobras de madeiras inservíveis nos canteiros de obras é a transformação em combustíveis, nos fornos de padarias, ou como se nota nas figuras abaixo, como carvão vegetal. Uma solução ecologicamente correta, já que a madeira usada nas obras é fiscalizada na origem pelas autoridades competentes, sem o impacto do desmatamento, minimizando os aterros, gerando trabalho e renda. 3.3 O poder público e as experiências no reaproveitamento e reciclagem A primeira usina de reciclagem de entulhos do hemisfério sul, foi implantada em São Paulo no ano de 1991, com uma capacidade programada de processar 700 m³/ dia. (TÉCHNE,2001). Durante algum tempo o material nela britado foi utilizado na pavimentação de ruas. Ao ser elaborado o projeto, o mesmo não levou em consideração a dimensão da cidade, assim como a necessidade de um sistema de coleta que contemplasse inclusive pontos intermediários de recepção, e dessa forma teve a necessidade de ser desativada em função dos altos custos de transporte. Essa usina possuía como objetivo inicial produzir 20.000 blocos de 31 concreto/dia com uma redução de 70% (setenta por cento) no custo em relação aos blocos oferecidos no mercado. Uma revisão desse projeto está sendo feita e a administração municipal está procurando transferi-la para local mais adequado. A produção de agregados a partir dos entulhos, que é um das formas mais simples de seu reaproveitamento, gera economias de cerca de 80% (oitenta por cento) em relação ao preço dos agregados convencionais. (TÉCHNE, 2001) . Sua reutilização, por outro lado, dispensa a extração de matéria prima da natureza, conservando-a sob dois aspectos: a) não degrada o solo com a remoção; b) não polui o ar com os gases emitidos pelas máquinas e caminhões empregados na extração e transporte. Em se tratando da qualidade de vida do ser humano, questões como conforto térmico, também são importantes na análise do ambiente construído, visto que o bem-estar do homem está condicionado ao meio onde ele se abriga. É, portanto, necessário encontrar materiais de menor condutividade térmica com consequente redução da transferência de calor e menor consumo energético no controle da temperatura interna das edificações. Desta forma, entende-se que é possível a confecção de blocos de concreto para vedação com adição de resíduos de construção das fases de revestimento/acabamento com gesso e da fase de concretagem como agregados no concreto, que mantenham suas propriedades mecânicas e termo físicas contribuindo com resultados econômicos e ambientais positivos e de fácil implementação. Ao mesmo tempo em que atenderá aos requisitos legais da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), contribuirá para a conservação do meio ambiente, bem como com o estabelecimento de novas parcerias e cooperativas no mercado da construção civil. (TÉCHNE, 2001). 32 CAPÍTULO IV A PESQUISA – ESTUDO DE CASO 4 COMPLEXO DE RECICLAGEM 4.1. Central de reciclagem de resíduos da construção civil localizada em São José do Rio Preto. O Complexo de Reciclagem onde foi realizada a pesquisa possui uma usina que tem capacidade de reciclar 100 toneladas por hora, uma fabrica de artefatos que produz 15 tipos de peças e um escritório. É de propriedade municipal, está instalada em um terreno de 15,6 metros quadrados, tem como finalidade reciclar os resíduos da construção civil e utilizar na manutenção cotidiana de São José do Rio Preto, proporcionando ganho ambiental e uma economia aos cofres municipais. De acordo com o gerente, Norival Teixeira da Costa, a cidade de São José do Rio Preto produz 1,2 mil toneladas por dia, 65% é encaminhado à usina de reciclagem e os outros 35% são depositados em 5 aterros sanitários privados que mantém parceria com a prefeitura, além de uma usina privada. Atualmente, a prefeitura tem 12 funcionários na usina e 4 na fábrica de artefatos, que não atendem a demanda, pois o ideal seria mais 8 funcionários na usina e 2 na fábrica, além de 10 funcionários da Associação das Empresas de Caçambas (AEC) que separa os plásticos, papelão, vidros, ferro, cobre, alumínio, madeira, lascas, entre outros, dos entulhos recebidos que não pode ser triturados. 4.2. Processo logístico de transporte, produção e estocagem. A Resolução 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) dispõe 33 sobre o gerenciamento de resíduos e determina que as prefeituras e as construtoras façam um planejamento sobre o destino do entulho. A resolução foi o primeiro documento a definir responsabilidades de todos os elementos envolvidos no processo de destinação dos resíduos. Com essas novas regras o gerador tem como exigir que o transportador contratado por ele, também cumpra a responsabilidade de destiná-los a locais regularizados já que, em tese não há mais tolerância para depósito em aterros, bota-foras clandestinos, lotes vagos e outras destinações irregulares. O construtor deve se certificar junto ao município do credenciamento do transportador bem como se certificar de que o material tenha sido destinado a uma área licenciada pela prefeitura. Aos municípios coube a responsabilidade pelo desenvolvimento de diretrizes técnicos para um Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PIGRCC) que oferecesse meios de orientar o gerador, fiscalizar o receptor e dar sustentabilidade legal a esse processo. É dentro desse contexto que a prefeitura de São José Do Rio Preto exige o Projeto de Gerenciamento da Construção Civil (PGCC) para as obras maiores de 500 metros quadrados de construção. A prefeitura disponibiliza um arquivo eletrônico modelo para a elaboração dos projetos. Este projeto é um documento utilizado para diagnosticar e remediar o problema do entulho em cada obra particular realizada na cidade, onde o potencial gerador do entulho estima quais os tipos de entulho será gerado, quanto entulho vai ser gerado, quais ações de redução de geração de entulho serão tomadas e quais destinações finais ambientalmente corretas serão escolhidas para o entulho gerado. É um dos documentos obrigatórios para o pedido de Alvará de Construção. Após o pedido de Alvará este projeto é encaminhado para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para sua avaliação, onde é confrontado com algumas perguntas: Quais são as principais características da obra? Quais são os principais materiais escolhidos para a obra? A estimativa de geração de entulho é consistente com a obra proposta? São utilizadas soluções para diminuir ou reutilizar o entulho dentro da própria obra? 34 Para que o gerador do entulho comprove a destinação correta de seu entulho é só exigir a empresa que transportou seu entulho, o Controle de Transporte de Resíduos carimbado e assinado pelo recebedor final. Apenas os responsáveis da Central de reciclagem, Áreas de Transbordo e Triagem devidamente licenciadas podem carimbar tais documentos. Foi sancionado a lei Municipal 9.393/ 2006, que regulamenta o descarte de resíduos da construção civil e os volumosos nos pontos de Apoio ou recolhidos por empresas especializadas que entregam à Central dos Resíduos da Construção Civil. Além disso, as caçambas tem prazo de 24 a 36 horas para permanecerem em ruas e avenidas. Quem descumprir a determinação paga multa no valor de R$ 3.400,00. Para facilitar o recebimento dos entulhos e dar agilidade no processo logístico de reaproveitamento de resíduos, a cidade conta com 18 pontos de apoio de Pequenos Entulhos, espalhados em pontos estratégicos da cidade. Com 16 destes pontos em pleno funcionamento, (Atlântica, Jardim Castelinho, Solo Sagrado, Jardim Yolanda, São Francisco, Vitória Régia, Jd Conceição, Ana Célia, Antunes, Parque das Flores, João Paulo ll, Parque da Idadania, Jd São José Do Rio Preto l, Santo Antonio, Anna Angélica e Solon Varginha) e outros dois que passam por adequações. Os locais são destinados para que as pessoas possam depositar materiais recicláveis e entulho de construção civil. Os entulhos depositados são recolhidos pela prefeitura e encaminhado para a usina de reciclagem. Em 2011 foram recolhidos quase 30 mil toneladas de entulhos. Os caminhões da prefeitura recolhe todo o entulho dos pontos de apoio e leva para a usina de reciclagem, onde os funcionários da Associação das Empresas de caçambas faz uma primeira triagem manual do material onde são separados dos entulhos, materiais que não pode ser triturados: plásticos, papelão, vidros, ferro, cobre, alumínio, madeira, lascas, entre outros. Todos os entulhos recebidos na usina, passa pelo mesmo processo. Os materiais que não são reciclados são separados e destinados a outro centro de reciclagem. As fotos abaixo ilustram o trabalho e demonstram como é o funcionamento da Central de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil que está localizada em 35 São José do Rio Preto, estado de São Paulo, onde o estudo de caso foi realizado. Figura 4.1: Foto do Ponto de Apoio da Avenida Solon Varginha – S. José do Rio Preto - SP. Fonte: O autor, 2012 Os locais são destinados para que as pessoas possam depositar materiais recicláveis e entulho de construção civil. Os entulhos depositados são recolhidos pela prefeitura e encaminhado para a usina de reciclagem. Em 2011 foram recolhidos quase 30 mil toneladas de entulhos. Os caminhões da prefeitura recolhe todo o entulho dos pontos de apoio e leva para a usina de reciclagem, onde os funcionários da Associação das Empresas de caçambas faz uma primeira triagem manual do material onde são separados dos entulhos, materiais que não pode ser triturados: plásticos, papelão, vidros, ferro, cobre, alumínio, madeira, lascas, entre outros. Nas figuras, 4.2 e 4.3 mostra a primeira triagem. Figura 4. 2: Triagem manual de RCD e outros materiais – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto-S.P. Fonte:O autor,2012 36 Todos os entulhos recebidos na usina passam pelo mesmo processo. Os materiais que não são reciclados são separados e destinados a outro centro de reciclagem. Figura 4.3: Triagem manual de RCD e outros materiais – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor,2012 . Figura 4.4: Caminhão despejando material a ser reciclado – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte:O autor,2012 37 O material cai em uma espécie de peneira onde é retirada a terra do material a ser triturado. Esta terra cai em uma esteira onde é retirada da linha de reciclagem e é armazenada em um ponto próximo da usina. Conforme mostra na figura a baixo. Este material é usado em base e sub-base de pavimentação. Figura 4.5: Primeiro material do processo de reciclagem – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte: O autor,2012 Para retirar os vestígios de aço que possa ter, é usada uma força magnética fixada sobre a esteira no início do processo, evitando assim que o britador possa danificar e tenha que parar a linha de reciclagem. Em seguida o material é molhado para amenizar o excesso de poeira na hora de ser triturado. 38 Figura 4.6: Triturador – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto - SP Fonte: O autor,2012 Após ser triturado o material cai em uma espécie de peneira que separa os resíduos em quatro granulometrias (rachão,areia, brita 0 e brita 1). Em seguida os rachões são retirados da linha de reciclagem através de um esteira e os outros três materiais seguem em outra esteira, onde é novamente peneirado e armazenados em lugares apropriados. Estes processos são mostrados nas figuras a seguir. Figura 4.7: Esteira que conduz os rachões – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor,2012 39 Figura 4.8: Material após ter passado por uma espécie de peneira (areia e brita 0) – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte: O autor,2012 Figura 4.9 Materiais após ter passado por uma espécie de peneira (brita 0 e brita 1). Fonte: O autor,2012 Ao término do processo, se inicia o reaproveitamento do material. O município usa a terra para base de pavimentação e aterros e ainda partes dos outros materiais são usados em obras da prefeitura e usado na fabrica de artefatos que produz 15 tipos de peças, entre os quais: a) tubo de água pluvial; b)guia de sargeta; c)postinhos para alambrado; 40 d)filetes para guias de praças; e)tampa de boca-de-lobo; f) bancos, mesas; g) blocos, h)peças para fazer calçadas de terreno publico, etc. Figura 4.10: Fábrica de Artefatos – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Estas manilhas são utilizadas para redes coletoras de águas pluviais, drenagem de ruas, avenidas e rodovias, galerias e bueiros. Figura 4.11: Tubo de água pluvial – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 41 Estes artefatos ilustrados na figura 4.12 e 4.13 são utilizadas em guias e sargetas de ruas, avenidas e outros logradouros públicos . Figura 4.12: Guias de sargetas – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Figura 4.13: Filetes para guias de praças – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Estas peças são fabricadas em diversos tamanhos e são utilizadas para tapar bueiros , caixas de inspeção e caixas de passagem. 42 Figura 4.14: Tampas para boca-de-lobo – Usina de Reciclagem de São josé do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Mesas e bancos são colocados em escolas, praças, creches e outros logradouros públicos. Figura 4.15: Bancos e mesa – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Os blocos são os mais consumidos, por ter maior utilidade. Eles são usados em quase todas as contruções pública do município. 43 Figura 4.16: Blocos – Usina de Reciclagem de São josé do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Estes artefatos são utilizados em lugares para tráfego de pedestres, praças e calçadões. Figura 4.17: Peças para calçadas públicas – Usina de Reciclagem de São josé do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Os postinhos servem para cercar os logradouros públicos que não seja coveniente usar os blocos. 44 Figura 4.18: Postinhos para alambrados – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP. Fonte: O autor, 2012 Todos os artefatos feitos com os resíduos reciclados, utiliza uma estrutura de ferro para proporcionar maior resistência e durabilidade e também são misturados com cimento em uma betoneira, conforme mostra as figuras, 4.19 e 4.20. Figura 4.19: Ferragens para estruturas dos Artefatos – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte: O autor, 2012 45 Figura 4.20: Máquina onde é misturado os reciclados de RCD com cimento – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte: O autor, 2012 A figura 4.21, ilustra outros artefatos feitos com materiais reciclados de RCD. Figura 4.21: Outros modelos de artefatos – Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP Fonte: O autor, 2012 46 CONCLUSÃO Este trabalho teve como objetivo realizar um estudo de caso na Central de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil, localizada em São José do Rio Preto, S.P, para observar como é processada a reciclagem de entulhos oriundos da Construção Civil. Sabe-se que a gestão dos resíduos sólidos urbanos é um dos impasses ambientais de maior gravidade na sociedade moderna. A pressão exercida pelo contínuo despejo somada a problemática da destinação final vem aumentando ainda mais a complexidade das soluções de manejo de resíduos. Para tanto é necessario que se desenvolva uma postura adequada a cada território, com a proposta de adoção de um modelo diferenciado de tratamento dos resíduos, onde serão adotadas progressivamente novas tecnologias de modo que, a longo prazo, apenas 15% dos resíduos sejam destinados ao aterro sanitário. Embora a adoção de adequadas soluções tecnológicas seja fundamental, a problemática dos resíduos sólidos urbanos não esta somente na solução de sistemas e tecnologias, mas se estende ao âmbito político, de modo que o desafio esteja também na alteração do sistema de valores da sociedade, compatibilizando-o com as exigências de sustentabilidade socioambientais. A conscientização da população para a coleta seletiva aparece como uma das saídas para a valorização dos resíduos sólidos, pois aumenta a quantidade de material que pode ser reutilizado e/ou reciclado, diminuindo a utilização de matéria-prima, além de aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Porém, a forma como é gerenciada faz com que, muitas vezes, o processo seja “degradante” para o operador ecológico. Estando a venda dos materiais coletados predominantemente nas mãos de depósitos particulares, há uma valorização de alguns produtos em detrimento de outros e a precarização do trabalho dos operadores, que além de serem mal remunerados, vivem em condições sanitárias inadequadas. Com isso, o papel ecológico da coleta seletiva fica comprometido. Esta pesquisa não se esgota aqui, pois ainda se tem muito a pesquisar e fazer em relação ao reaproveitamento de materiais e resíduos da construção civil. 47 A logística reversa ainda é de maneira geral, uma área com baixa prioridade, devido ao fato de ter pequena participação no mundo empresarial. Na realidade, o processo de logística reversa, encontra-se em estágio inicial, e muitas organizações não conseguem ainda visualizar os ganhos oriundos desta área. Porém, pressões externas, como novas leis ambientais, maior exigência por parte do consumidor, a necessidade de reduzir custos, entre outras, têm impulsionado essas organizações a prestar mais atenção ao processo de logística reversa e aos benefícios a curto e longo prazo que podem ser alcançados quando este é aplicado corretamente. Pode-se observar através da pesquisa realizada na Usina de Reciclagem de São José do Rio Preto – SP que o reaproveitamento dos RCC (Resíduos da Construção Civil), regulamentados pela Resolução 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que dispõe sobre o gerenciamento de resíduos e determina que as prefeituras e as construtoras façam um planejamento sobre o destino do entulho. A resolução foi o primeiro documento a definir responsabilidades de todos os elementos envolvidos no processo de destinação dos resíduos. As fotos em anexo, são um comprovante dessa dinâmica. Com essas novas regras o gerador tem como exigir que o transportador contratado por ele, também cumpra a responsabilidade de destina-los a locais regularizados já que, em tese não há mais tolerância para depósito em aterros, bota-foras clandestinos, lotes vagos e outras destinações irregulares. O construtor deve se certificar junto ao município do credenciamento do transportador bem como se certificar de que o material tenha sido destinado a uma área licenciada pela prefeitura. Aos municípios coube a responsabilidade pelo desenvolvimento de diretrizes técnicos para um Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PIGRCC) que oferecesse meios de orientar o gerador, fiscalizar o receptor e dar sustentabilidade legal a esse processo. Para facilitar o recebimento dos entulhos e dar agilidade no processo logístico de reaproveitamento de resíduos, a cidade conta com 18 pontos de apoio de Pequenos Entulhos, espalhados em pontos estratégicos da cidade. A pesquisa demonstra portanto,que ao se utilizar os RCC para se produzir novos materiais reutilizaveis nos mais diferentes setores dessa área, 48 pois é sabido que o problema referente a geração de residuos é um problema que acompanha o desenvolvimento da humanidade. Este problema, no entanto, só se tornou relevante por ocasião da Revolução Industrial, dos avanços tecninológicosque possibilitaram aos indivídos o acesso cada vez maior dos individuos aos bens de consumo, que por sua vez incentivou o aumento da produção industrial, que tem como consequencia maior a degradação ambiental. 49 REFERÊNCIAS ABNT, NBR 10004. Resíduos Sólidos – Classificação. ABNT. Rio de Janeiro-RJ. 1987. ABNT NBR15114 Primeira edição 30.06.2004Válida a partir de30.07.2004 Licença de uso exclusivo para Furnas Centrais Elétricas S.A.Cópia impressa pelo sistema CENWEB em 18/05/2005. ÂNGULO, S. C; ZORDAN, S. E; JOHN, V. M. Desenvolvimento sustentável e a reciclagem de resíduos na construção civil. São Paulo: Departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica de São Paulo, 1999. 12 p. ASLOG –Associação Brasileira de Logística. Disponível em: http://www.aslog.org.br. Acesso em: 07/04/11. BURSZTYN, M & ARAÚJO, C.H. Da utopia à exclusão: vivendo nas ruas de Brasília. RJ. 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