FACULDADE BOA VIAGEM MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EMPRESARIAL MARIA DE FÁTIMA DA NÓBREGA BEZERRA A relação entre a percepção da espiritualidade na organização e o comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental : estudo de caso com um grupo de líderes do Banco do Brasil no estado de Pernambuco. Recife, 2006 A relação entre a percepção da espiritualidade na organização e comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental: estudo de caso com um grupo de líderes do Banco do Brasil no estado de Pernambuco. Maria de Fátima da Nóbrega Bezerra Orientadora, Lúcia Barbosa, Ph. D. Projeto de Dissertação apresentado para aprovação à Coordenação do Mestrado em Gestão Empresarial da Faculdade Boa Viagem. Recife, 2006 AGRADECIMENTOS Enumerar agradecimentos nesse momento é tarefa fácil e importante, pois durante as etapas, várias pessoas se revelaram essencial para a realização desse estudo. A Professora Lúcia Barbosa, minha orientadora, pelo apoio na escolha do tema escolhido e pela confiança depositada na realização desse trabalho. A Professora Sônia Calado interferências que muito contribuíram para e ao Professor Régis pelas a melhoria do estudo e todos os outros professores que nos brindaram com a sua sabedoria. As minhas colegas de turma Mônica Cavalcanti e Simone pelo companheirismo, e a todos os outros os colegas que, de uma forma ou de outra, dividiram conosco os seus conhecimentos. A Elda, também colega de mestrado, agradeço em especial pelo empenho em criar as condições para a realização da pesquisa no Banco do Brasil e a todos os funcionários dessa instituição, que dispensaram um pouco do seu tempo para com boa vontade responder à pesquisa. A minha família pelo carinho, apoio e estímulo. A Deus que me deu todas as condições para a realização desse trabalho. Para Marília, criança especial, que em toda sua inocência, iniciou a mim e a minha família espiritualidade. no caminho da RESUMO Esse estudo trata das relações existentes entre espiritualidade nas organizações e o comprometimento afetivo, normativo e instrumental. O estudo empírico foi conduzido em duas etapas, em uma primeira etapa exploratória, composta de um painel e do pré-teste, buscou-se explorar a percepção do construto “espiritualidade nas organizações” e na segunda buscou-se identificar os níveis de relações entre a percepção do respondente da espiritualidade na sua organização e a relação com o comprometimento afetivo, normativo e instrumental na organização, além da confirmação da viabilidade da aplicação do modelo de Rego, Cunha & Souto (2005) em cultura diferente da portuguesa, onde se originou o instrumento. Foram entrevistados 100 líderes, dos mais diversos setores, todos funcionários do Banco do Brasil, no estado de Pernambuco. A pesquisa utilizou para medir a espiritualidade percebida o modelo de Rego, Cunha e Souto (2005) e para medir o comprometimento foi utilizado o modelo de Meyer, Allen e Smith (1993) . Utilizando técnicas estatísticas para análise dos dados coletados foi possível concluir que os funcionários que percebem a organização como mais espiritualizada tendem a desenvolver maior comprometimento afetivo e normativo, enquanto que os menos espiritualizados tendem a demonstrar maior comprometimento instrumental. Através da análise dos dados coletados, também foi possível confirmar a viabilidade da utilização do modelo de Rego, Cunha & Souto para a realidade brasileira. Esse estudo mostrou que um determinado conjunto de características organizacionais relacionadas a espiritualidade influi no comprometimento organizacional, predominantemente o afetivo. SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO 3 1.1 Colocação do problema 3 1.2 Justificativa 9 1.2.1 Justificativa teórica 9 1.2.2 Justificativa prática 11 1.3 Objetivos 12 1.3.1 Geral 12 1.3.2 Específicos 13 2.FUNDAMENTAÇÃO TEORICA 13 2.1 O Homem e suas dimensões 14 2.2 A busca de um sentido para a vida 17 2.3 Espiritualidade 19 2.4 Espiritualidade nas organizações 22 2.5 Espiritualidade e liderança 26 2.6 Comprometimento organizacional 31 2.7 Espiritualidade e comprometimento organizacional 35 3.METODOLOGIA 36 3.1 Natureza da pesquisa 36 3.2 Delimitação da pesquisa 37 3.2.1 População e amostra 37 3.3 Instrumentos de coleta de dados 38 3.4 Método de coleta de dados 41 3.5 Análise e interpretação dos dados 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42 APÊNDICE A - ROTEIRO DOS PAINÉS 48 ANEXO 1 – QUESTIONÁRIO UTILIZADO 53 1. INTRODUÇÃO 1.1 Colocação do problema O mundo vem passando por constantes e significativas transformações que colocam as empresas diante da necessidade de se adaptarem a um novo ambiente bastante competitivo, veloz e permeado por incertezas. A velocidade dessas mudanças permite um nivelamento tecnológico das empresas aumentando a competitividade entre elas. Entretanto, para Milkovich & Boudreau (2000), ainda que as instalações físicas, os equipamentos e os recursos financeiros sejam necessários para a organização, as pessoas são particularmente importantes, pois, elas trazem o brilho da criatividade para a empresa. Conscientes das mudanças que se aceleram em sua direção, as organizações criam programas para desenvolver seus funcionários de modo que eles possam enfrentar a globalização, a competitividade, a inovação tecnológica e também para acompanhar a rápida disseminação de informações. Nesse processo pode ser esquecida a transmissão de valores, de ética e de sentido para o trabalho, ou seja, dimensões que completam o ser humano. Na busca desesperada para tornar seus funcionários um diferencial competitivo, as organizações não percebem que essas transformações mundiais exigem que elas passem a ter uma visão holística dos indivíduos que procura levar em conta , o corpo, a mente, a alma e o espírito; uma visão que, no pensamento de Wilber (2000), abarca a ciência, a arte e a moral; que inclui disciplinas como física, biologia, estética, a sociologia e espiritualidade. Por considerarem o homem como um ser de necessidades materiais e também espirituais, Ashmos & Duchon (2000) mostram que a facilidade de se conseguir bens materiais e o declínio de instituições como família, igreja e clubes sociais estão levando o homem cada vez mais a buscar um sentido para a realização do trabalho e fazer deste o único laço consistente com outras pessoas e a única via para satisfazer as necessidades humanas de conexão e distribuição. A essa necessidade de se buscar um sentido para o trabalho, vários autores (ASHMOS & DUCHON, 2000; MILLIMAN ET AL. 2003; MATOS, 2001) chamam do “despertar da espiritualidade nas organizações”. O surgimento natural desse sentimento nas organizações serviu de impulso para o interesse sobre esse assunto e o tema foi relacionado em vários livros e trabalhos com algumas variáveis tais como: estilos de liderança (HAWLEY,1995); satisfação no trabalho, intenção de deixar a empresa; envolvimento com o trabalho (MILLIMAN, ET AL.,2003); cidadania (MATOS,2001) e comprometimento (REGO, CUNHA & SOUTO,2005). Em um dos primeiros livros escritos com a intenção de abordar a espiritualidade nas organizações, Hawley (1995), justifica seu interesse pelo tema analisando as questões fundamentais enfrentadas pelos gerentes e líderes contemporâneos não mais como de tarefas e estruturas e sim, como questões de espírito. Para Rego, Cunha & Souto (2005), por exemplo, quando as organizações criam espaços espiritualmente ricos, os indivíduos tendem a comprometer-se mais com as organizações. Hoje é visível no comportamento dos indivíduos que estes se interessam por coisas além de dinheiro e procuram no trabalho a obtenção de significado para a vida. Neste contexto, Matos (2001) aborda amplamente essa procura de sentido pelo ser humano e estende o assunto para as organizações, sugerindo que os seus líderes podem conduzir os indivíduos nessa busca. Ele comenta que a falta de conscientização para a missão pessoal, que explica tantos desvios, está no baixo nível educacional das populações. Ele afirma que não se trata apenas de escolaridade e ensino, estes também bastante deficientes, mas trata-se de educação integral - valores, inteligência, sentimentos, vontade, conhecimento, transcendência. Para ele isso não significa treinar, mas educar para a vida. Ainda de acordo com Matos (2001), nenhuma organização se desenvolve eficazmente sem o exercício normal da autoridade, da ordem e da disciplina. Só que esses são valores que vêm de dentro das pessoas, por um processo de educação do espírito, e não por força coercitiva exterior caracterizadora da prepotência. O crescente interesse pelo assunto motivou alguns trabalhos acadêmicos que se esforçam para embasar o conceito de espiritualidade nas organizações (DEHLER & WELSH, 1994; FRESHMAN, 1999; MITROFF & DENTON, 1999; ASHMOS & DUCHON, 2000; BENEFIEL,2003). Em um dos trabalhos pioneiros sobre espiritualidade nas organizações, Mitroff & Denton (1999) pesquisaram, entre outros itens, o que seria um trabalho com significado e descobriram ser aquele em que se é respeitado como pessoa, em que a empresa é ética, o trabalho é interessante, além de existir sentimento de se estar servindo a comunidade. Nesse estudo os entrevistados revelaram que eram mais capazes de demonstrar no trabalho sua inteligência do que suas emoções ou sentimentos e muitos deles desejavam ardentemente poder expressar sua espiritualidade no local de trabalho. Os autores concluem o trabalho afirmando a necessidade de integrar espiritualidade com gerenciamento. Alguns estudos, ainda com a intenção de fortalecer a pesquisa da espiritualidade nas organizações, abordaram o tema juntamente com famosas teorias. Tischler (1999) relacionou o surgimento da espiritualidade no local de trabalho com a Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow. Ele considera que com a evolução industrial e a estabilidade da maioria dos povos dos países desenvolvidos, estas sociedades deslocam os interesses das necessidades de sobrevivência e segurança para necessidades de uma ordem mais elevada. No seu pensamento, isso pode explicar muito dos fenômenos recentes nos negócios, entre eles, a procura de maior significado no trabalho. King & Nicol (1999) propuseram uma integração das teorias de Carl Jung e de Elliot Jaques como uma fonte da introspecção gerencial para promover o desenvolvimento espiritual individual dentro do contexto da organização. A Teoria da Complexidade e a espiritualidade no local de trabalho é assunto do estudo realizado por Dent (2003) que questiona a ausência e consideração das dimensões ou tradições espirituais da sabedoria nesta teoria. A necessidade de um melhor conceito de espiritualidade foi percebida por Ashmos & Duchon (2000), que desenvolveram estudo com o objetivo de definir o termo e apresentar suporte empírico para medir esse fenômeno. Eles definem espiritualidade no local de trabalho como sendo o reconhecimento de que os empregados têm uma vida interior que alimenta e é alimentada pelo trabalho com significado. Ashmos & Duchon (2000) desenvolveram e validaram um instrumento de medida da espiritualidade no trabalho para três níveis de análise: individual, unidade de trabalho e organização. Nesse instrumento eles determinaram sete dimensões que explicam a espiritualidade no nível individual (condições de comunidade; significado no trabalho; vida interior; obstáculos a espiritualidade; responsabilidade pessoal; conexões positivas com outras organizações e contemplação) , duas para o nível da unidade de trabalho ( sentido de comunidade; valores da unidade de trabalho) e duas para o nível de análise organizacional (valores organizacionais; alinhamento entre o individuo e a organização). Antes desses autores, outros trabalhos também tiveram a intenção de definir melhor o construto espiritualidade nas organizações (KRIGER & HANSON, 1999; DEHLER & WELSH, 1994) como também as práticas básicas que parecem ser essenciais para manter uma cultura espiritual com sucesso. Por ser considerado um fenômeno ainda abstrato alguns trabalhos fazem contestações sobre o assunto. Benefiel (2003), por exemplo, em seu estudo tenta responder várias questões, entre elas, qual o tipo de método de pesquisa mais apropriado para estudar a espiritualidade e se é apropriado mensurar a espiritualidade. Um dos mais expressivos trabalhos empíricos sobre espiritualidade nas organizações é o de Milliman, Czaplewski & Ferguson (2003). Eles se basearam no trabalho desenvolvido por Ashmos & Duchon (2000) e testaram o grau em que três das dimensões da espiritualidade (trabalho com significado; sentido de comunidade; alinhamento do individuo com os valores da organização) explicam cinco atitudes no trabalho (comprometimento organizacional, intenção de abandono, satisfação intrínseca no trabalho; envolvimento na função; auto-estima de base organizacional). Este é um dos poucos trabalhos que relaciona diretamente a espiritualidade no local de trabalho com variáveis que envolvem a rotina do comportamento dos indivíduos na organização e que confirmam a importância de se considerar o tema como algo que está se tornando indispensável para o novo modelo de gerenciamento das organizações. Estes resultados são ratificados pelo recente trabalho de Rego, Cunha & Souto (2005), que serve como base para esse estudo. Eles se utilizaram de achados da literatura, mais precisamente dos escritos de Ashmos & Duchon (2000) e de Milliman, Czaplewski & Ferguson (2003), para desenvolver seu próprio instrumento para medir espiritualidade e relacionaram o tema com o comprometimento afetivo, normativo e instrumental nas organizações. Considerando-se o cenário mundial onde está se fortalecendo a necessidade das pessoas de uma busca por um sentido na vida e de uma descoberta do seu papel no mundo, pode-se perceber que o assunto espiritualidade nas organizações não está esgotado. O surgimento de novos textos na literatura prova o grande interesse pelo tema (MATOS, 2001; HUNTER, 2004; BONDER, 2001). Na internet, só em português, o termo aparece citado em mais de 1.200 páginas e se for pesquisado em inglês, a esse número somam-se mais 1.980. É um valor expressivo, visto que não estão considerados os sinônimos como o espírito da empresa, empresa com alma, espiritualidade no local de trabalho, entre outros. A vantagem competitiva sustentável começa a ser percebida por Hawley(1993), como necessária as empresas e isso só é possível através do desenvolvimento integral do indivíduo. Entretanto, tão importante quando a consciência da organização do valor da espiritualidade é a consciência de cada um dos líderes que compõem essa organização. Eles são agentes transformadores do pensar, do sentir e do sonhar de seus seguidores e podem contribuir para que estes sejam pessoas melhores e para que possam encontrar o seu verdadeiro sentido de viver. Algumas empresas, como por exemplo, o Banco do Brasil têm se preocupado em discutir o tema espiritualidade com seus funcionários. Parece haver um entendimento de que é possível criar uma relação entre o homem como um ser total, nas suas dimensões material, intelectual, emocional e espiritual e a economia nos limites de uma organização.Fonte Apesar de o assunto começar a fazer parte da pauta das organizações, em pesquisa literária realizada para esse trabalho, poucos foram os estudos encontrados que relacionassem o tema espiritualidade ao comportamento do indivíduo dentro da organização. Com o intuito de preencher parte da lacuna existente na literatura, este trabalho levanta as seguintes questões: 1. Até que ponto existe relação entre a percepção da espiritualidade da organização, de acordo com o modelo de Rego, Cunha & Souto (2005), e o comprometimento de um grupo de indivíduos no Banco do Brasil em Pernambuco? 2. Até que ponto o modelo de Rego, Cunha & Souto (2005) é compatível com a percepção da espiritualidade dos respondentes e o que os mesmos percebem como mudanças alavancadoras dessa espiritualidade? 1.2.Justificativas 1.2.1 Justificativa teórica Parece um tema emergente, mas a espiritualidade do homem já era objeto de pesquisa de antigos filósofos como Sócrates e Agostinho. Esse assunto, antes restrito as religiões, está hoje penetrando campos inesperados, como por exemplo, as organizações de trabalho. Surpreendentemente, a espiritualidade parece surgir como uma espécie de tábua salvadora para as angústias atuais. As constantes tensões têm feito com que empresários e seus gerenciadores permaneçam abertos a qualquer possibilidade de ajuda e a espiritualidade parece ser um dos caminhos adequados para a reorganização desse caos. Esse cenário tem levado inúmeros autores e pesquisadores a desenvolverem estudos sobre esse assunto, mas a maioria se resume a definir o termo espiritualidade nas organizações (DEHLER & WELSH , 1994; MITROFF & DENTON,1999; BENEFIEL,2003; OTTAWAY,2003), relacionar espiritualidade e religião (KRIGER & HANSON,1999) ou mesmo relacionar algumas famosas teorias com o construto (TISCHLER,1999; DENT,2003). Vem daí a motivação inicial deste estudo, pois como visto, existe uma lacuna teórica na intersecção das pesquisas sobre espiritualidade com o comportamento dos funcionários dentro das organizações, sendo ainda mais notável quando se refere ao contexto brasileiro. Esse trabalho é relevante já que apresenta oportunidade do assunto ser estudado de forma empírica no Brasil enriquecendo a literatura existente e contribuindo para o aprofundamento da matéria. Esse estudo é importante também para o entendimento das organizações e seus líderes de que o homem é um ser composto por corpo, mente e alma, sendo impossível dissociar uma parte das outras. Se for considerada a espiritualidade parte da inteligência humana como afirmaram Zohar & Marshall (2002), é certo que ela estará onde o homem estiver, seja com os familiares, na igreja, na comunidade e é claro, no trabalho. Dessa forma, diante dos novos conceitos que surgem a cada dia nas organizações e que valorizam a confiança, a justiça, a criatividade, a harmonia e a inteligência coletiva, e depois de estudado o homem-máquina, o homem-intelectual e o homem-emocional, é inevitável, em um tempo que brota nos indivíduos uma crescente necessidade de buscar um sentido para o seu trabalho, que o interesse pelo tema espiritualidade tome importância nos debates sobre as novas formas de gerenciar pessoas. Assim, fazem-se necessários trabalhos empíricos de modo a conseguir resultados comprovados de que a prática da espiritualidade no ambiente de trabalho traz reais benefícios ou não para a organização e seus membros, evitando-se assim o uso de modismos muitas vezes baseados apenas em teorias. Os resultados desse estudo podem ser de grande importância para o Banco do Brasil que poderá utilizá-los para o entendimento da prática da espiritualidade no local de trabalho, como também para conhecer áreas do comportamento organizacional que podem ser influenciadas por esse sentimento. O presente estudo replicará as metodologias aplicadas por Rego, Cunha & Souto (2005), em um ambiente diferente do contexto português onde foram inicialmente aplicadas. Além disso, busca agregar conhecimento à linha de pesquisa que tem usado métodos e terminologias similares no exame do fenômeno espiritualidade dentro das organizações. 1.2.2 Justificativa prática A escolha pelo Banco do Brasil se deu pela facilidade de acesso à instituição e também por esta começar a dar os primeiros sinais de que considera o tema espiritualidade nas organizações como importante para o seu desenvolvimento e para o desenvolvimento dos seus funcionários. Segundo informações obtidas no site oficial do Banco do Brasil (www.bancodobrasil.com.br), no relacionamento com seus funcionários e colaboradores, o Banco visa contribuir para catalisar os potenciais intelectual, profissional, cultural, ético e espiritual desse público para que, em sua plenitude, sejam replicados na sociedade. Coerente com essa visão, o Banco lançou a ouvidoria interna com o objetivo de democratizar e humanizar as relações de trabalho. Por meio das denúncias e reclamações que acolhe, a ouvidoria propõe melhorias nos processos, garantindo que as manifestações dos funcionários estejam presentes no aprimoramento das políticas e práticas de gestão de pessoas e responsabilidade sócio-ambiental no Banco do Brasil. O comprometimento do Banco do Brasil com a qualidade de vida de seus funcionários e colaboradores pode ser observado por meio de benefícios e ações que, de alguma forma, alcançaram os 86.291 funcionários, os 10.600 estagiários, os 5.488 contratados temporários e os 4.745 adolescentes trabalhadores que o Banco mantinha em seu quadro ao final do primeiro semestre de 2005. O Banco do Brasil afirma considerar os funcionários como seu maior valor. Funcionários que, a cada dia, formam e fortalecem a imagem da Empresa. Para essa organização, funcionários são ao mesmo tempo, clientes e o primeiro contato do Banco com o público externo. Homens e mulheres fundamentais na realização de suas campanhas (www.bancodobrasil.com.br). 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo Geral O objetivo geral deste estudo é investigar o nível de associação positiva ou negativa entre a percepção de um grupo de líderes do Banco do Brasil em Pernambuco em relação a espiritualidade na sua organização e o comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental destes funcionários para com a instituição. 1.3.2 Objetivos específicos Com o intuito de esclarecer esse objetivo geral que abrange duas áreas de conhecimento (espiritualidade e comprometimento) são colocados os seguintes objetivos específicos: 1.3.2.1 Objetivos específicos da primeira pergunta de pesquisa a) Identificar o nível percebido pelos respondentes da dimensão da espiritualidade “espírito de equipe”. b) Identificar o nível percebido pelos respondentes da dimensão da espiritualidade “alinhamento com os valores da organização”. c) Identificar o nível percebido pelos respondentes da dimensão da espiritualidade “sentido de comunidade”. d) Identificar o nível percebido pelos respondentes da dimensão da espiritualidade “alegria no trabalho”. e) Identificar o nível percebido pelos respondentes da dimensão da espiritualidade “oportunidades para a vida interior”. f) Caracterizar o nível de comprometimento afetivo, normativo e instrumental. g) Verificar a existência e o nível da relação entre as dimensões da espiritualidade abordadas nesse estudo e o comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental. 1.3.2.2 Objetivos específicos da segunda pergunta de pesquisa a) Verificar a avaliação global de “espiritualidade percebida” da organização por parte dos respondentes. b) Estabelecer, por regressão linear, os pesos de cada dimensão do modelo de Rego, Cunha & Souto (2005) que permitem explicar o sentimento global da “espiritualidade percebida”. c) Comparar os pesos encontrados com os utilizados no modelo em questão. d) Verificar, por análise de variância, até que ponto as dimensões do modelo citado explicam a variância da variável “espiritualidade percebida”. e) Compreender a percepção dos respondentes no que respeita as mudanças que levariam a uma maior espiritualidade na organização. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esse estudo considera o significado e as implicações da espiritualidade dentro do contexto do local de trabalho e sua relação com o comprometimento organizacional, além da compatibilidade do modelo de Rego,Cunha & Souto (2005), desenvolvido em Portugal, com a percepção da espiritualidade dos respondentes da pesquisa.. Sendo assim, o capítulo seguinte estruturado em seis seções trata primeiramente do conceito de espiritualidade. A segunda seção focaliza a evolução do construto “espiritualidade nas organizações”. Na terceira o foco é dirigido para o tema comprometimento organizacional, na seção seguinte discutiremos a relação entre espiritualidade e comprometimento organizacional e finalmente nas últimas seções são abordados o tema cultura e valores de forma a justificar o interesse pela segunda pergunta de pesquisa gerada nesse estudo. 2.1 Espiritualidade O interesse pela espiritualidade do homem precede os estudos da espiritualidade nas organizações. Trata-se de um campo infinito porque, de uma forma ou de outra, todos os grandes filósofos discutiram questões ligadas a alma. Bombassaro, Paviani & Zugno (2003), referem-se a Sócrates como o autor de uma espécie de teoria da ação humana onde é introduzida a noção do não-saber, processo no qual se experimentam dúvidas, perguntas, questões e problemas e jamais respostas ou certezas sobre o espírito humano. Santo Agostinho (1998, p.56), em um diálogo com a sua própria razão fala para si mesmo: “tu queres existir, viver e entender.... No entanto, desejas saber se estas coisas subsistirão para sempre, ou se nada subsistirá, ou se alguma dessas coisas permanecerá e alguma outra perecerá... .” Na continuação da exploração das idéias dos filósofos é possível se deparar com citações como a de Lucrécio ( Apud BOMBASSARO, PAVIANI & ZUGNO, 2003.p.50-51): “Digo primeiro que o espírito a que muitas vezes chamamos pensamento, e em que coloca a ordem e o regimento da vida, é parte do homem, tal como as mãos, os pés e os olhos fazem parte do ser vivo “. Ao trazer o tema espiritualidade para os dias de hoje encontra-se o assunto sendo discutido em livros escritos por rabinos, filósofos, físicos, teólogos e administradores envolvidos e encantados com o crescimento das necessidades espirituais apresentadas pelo homem seja nos momentos de família, de comunidade ou de trabalho. Um importante trabalho foi realizado por Zohar & Marshall (2006), onde eles discutiram experiências científicas que comprovam a existência de um ponto no cérebro ao qual referiram-se como uma inteligência espiritual que é utilizada para resolver questões de sentido e valor. Em suas conclusões o que dá vida a humanidade é a necessidade de colocar os empreendimentos dentro de uma estrutura com maior significado e propósito e isto só é possível com o uso da inteligência espiritual. Para eles essa parte espiritual que existe no homem, o impele a perguntar por que esta fazendo alguma coisa e a procurar um modo de melhor fazê-la. Esse estudo parece completar o de Goleman (1995). No livro que revolucionou o assunto inteligência, ele afirmou termos dois tipos de inteligência: a racional e a emocional e que o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional. Zohar & Marshall (2002) apresentaram então, a inteligência espiritual como sendo o terceiro “Q” formador da inteligência humana, juntamente com o QI (Quociente de Inteligência) e o QE (Quociente Emocional). Para eles o “QS” ou Quociente Espiritual, como dito anteriormente, é a inteligência com que se aborda e se soluciona problemas de sentido e valor e é a fundação necessária para o funcionamento eficiente do QI e do QE. Seria assim a inteligência final. É consenso entre muitos autores a existência dessa essência espiritual do homem (Modin,2005; Vaill,1997; Wilber,2000;Bonder,2001; Matos,2001;Barros,2003), entretanto, os conceitos atribuídos ao tema por esses estudiosos são bastante subjetivos. Bonder (2001), líder da Congregação Judaica do Brasil, afirma ser a espiritualidade uma produção constante de inquietação humana e suas dúvidas. O tema é assim também entendido por Matos (2001). Para ele o surto de espiritualidade, que atinge escala mundial, significa abrir-se para uma nova perspectiva de desenvolvimento a procura de respostas para algo que no íntimo da grande maioria, ainda está vago, impreciso inconsistente, mas que esboça a reação ao vazio existencial, a angústia, a falta de significado e as falsas lideranças. Seguindo essa linha de subjetividade, Dalai Lama (2000, p.32-33), autoridade no assunto espiritualidade e natural do Tibet, onde a reverência ao sagrado faz parte de uma cultura milenar, apresenta um conceito de espiritualidade mais acessível e compreensivo que não faz referências a buscas ou transcendências, mas simplesmente ao amor. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano, tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia e que trazem felicidade tanto para a própria pessoa como para os outros (DALAI LAMA, 2000, p.32-33). Dalai Lama (2000) apresenta a espiritualidade num contexto mais próximo da realidade espiritual que se pode facilmente vivenciar e Boff (2001) segue o seu pensamento quando trata a espiritualidade como inerente ao ser humano e que se revela pela capacidade de diálogo consigo mesmo e com o próprio coração, se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela compaixão, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitude fundamental. Essa variedade de conceitos levou o filósofo Barros (2003, p.5), a escrever um artigo que discorre sobre as dificuldades científicas do entendimento da espiritualidade, para ele o exame profundo da espiritualidade foge do domínio da ciência e aos cientistas é permitido apenas a investigação de certos fenômenos a ela relacionados e conclui: ”A espiritualidade em si, enquanto representativa da vivacidade do ser, de suas potencialidades de existência, representa , ela mesma, a dimensão de infinito que habita em cada homem, não importa a finitude de suas circunstâncias.” Apesar do pensamento de Barros, muitos continuam a tentar entender e explicar o fenômeno da espiritualidade. O que é espiritualidade? É religião? Um jogo de opiniões? Um estado de consciência? A realização de um trabalho com alma? (Butts,1999). Dar uma resposta a essa última pergunta é o desejo de muitos estudos que envolvem organizações (Arruda,2005; Freshman,1999; Kriger,1999; Benefil,2003). A velocidade das mudanças cria uma sensação de falta de continuidade de direção e senso de progresso, de falta de realizações e coerência, um sentimento de falta de significado. Uma alternativa é ir além das soluções mundanas e é esse impulso que constitui a base do interesse contemporâneo pela espiritualidade na vida organizacional ( Vaill, 1997). Se como afirmam Zohar & Marshall (2002), a espiritualidade faz parte da inteligência do ser humano, é natural que o interesse pelo tema enveredasse para a área organizacional. 2.2 A evolução da espiritualidade nas organizações Nessa seção, abordaremos o construto “espiritualidade nas organizações”. A subseção o homem e suas dimensões tem a finalidade de entender o homem como um ser integral e a importância de se considerar essa integralidade. A subseção a busca de um sentido para a vida mostra que o esquecimento da dimensão espiritualidade gera um vazio existencial e discute o papel das organizações nesta busca de sentido. A subseção espiritualidade nas organizações aborda o conceito da “espiritualidade nas organizações” e procura fundamentar as dimensões da espiritualidade aqui estudadas. Por fim, trataremos da relação entre espiritualidade e liderança em uma tentativa de fundamentar a escolha dos líderes como elementos dessa pesquisa. 2.2.1. O homem e suas dimensões O estudo profundo do ser humano sempre foi de interesse dos estudiosos. Existencialistas, estruturalistas, marxistas e tomistas, evolucionistas e espiritualistas, ateus e cristãos estão todos de acordo em atribuir ao estudo do homem uma importância capital. Entretanto, esse estudo sempre foi realizado de maneira fragmentada (Modin,2005 ). Para Modin (2005), um novo modo de se estudar o homem impõe-se só depois de Kant quando ele tentou elaborar uma antropologia de índole prática, mostrando que o homem é um ser diferente em seu valor, na sua dignidade, na sua condição de pessoa, e que a essas características deve corresponder comportamento adequado. Dessa forma obtém-se uma série de novas imagens do homem: o homem-econômico, o homem-instintivo, homem-utópico, o homem-angustiado, o homem-cultural, o homem-religioso. No entendimento de Chanlat (1996) a cultura dominante separou corpo, mente e espírito. Dilacerou o ser humano em mil fragmentos. Sobre cada fragmento desenvolveu um saber especializado que nos ajudam a debelar ancestrais inimigos da humanidade, como doenças, superação de distâncias e encurtamento do tempo. Mas todos eles encerram certo reducionismo: onde está o ser humano em sua integralidade? Nos estudos de Modin (2005), ele faz uma viagem pela antropologia filosófica e dá grande destaque ao Homo somaticus e ao Homo vives. Para ele o corpo é uma realidade física e material que possui uma dimensão somática com várias funções. Pode-se mesmo dizer que elas se referem a toda atividade humana. A somaticidade ou dimensão corpórea do homem é componente fundamental do existir e do viver. Ou seja, o corpo é elemento essencial do homem. Sem ele: não pode alimentar-se, reproduzir-se, aprender, comunicar-se, divertir-se. É mediante o corpo que o homem é um ser social, um ser no mundo. Zohar & Marshall (2002) escreveram que no início do século XX a dimensão intelectual do ser humano foi muito discutida. A capacidade de raciocinar que o ser humano usa para solucionar problemas lógicos ou de grande importância, deu origem a testes psicológicos que tinham a intenção de medi-la e indicar as habilidades e talentos das pessoas Essa dimensão tem sido muito valorizada nas organizações de hoje. A dimensão emocional do homem foi estudada em profundidade por Goleman (1995). Ele analisou o cérebro, mais especificamente a mente racional (a que pensa) e a mente emocional ( a que sente). No seu entendimento a emoção se refere a um sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos, e uma gama de tendências para agir. Para esse autor, isso inclui tristeza, ira, medo, prazer, amor, surpresa, entre outros sentimentos. De acordo com ele é possível um aprendizado que permita ao homem se utilizar da inteligência para reagir com maior equilíbrio diante desses sentimentos, o que ele chamou de inteligência emocional. A dimensão espiritual do homem sempre foi tema do pensamento de antigos filósofos. Agostinho (1998) estudou o homem com uma paixão extraordinária. Nos Solilóquios ele declara querer aprender, sobretudo dois temas: a alma e Deus e se propõe a iniciar com o estudo da alma, porque é nela que Deus se manifesta mais limpidamente. Nos tempos atuais outros autores escreveram sobre a dimensão espiritual do homem (DALAI LAMA, 2000; BOFF, 2001; BONDER 2001), mas como já citado anteriormente, foram Zohar and Marshall (2002) que abordaram esse assunto mais empiricamente ao apresentarem estudos com grande volume de provas científicas do ponto de espiritualidade no cérebro humano. Eles definem esse ponto como a inteligência espiritual e afirmam ser usada quando se lida com problemas existenciais, problemas de velhos hábitos, nas neuroses, ou quando temos problemas de doença ou sofrimento. Várias ciências foram criadas com a intenção de estudar o ser humano, mas para Bergamini (1982) é, sobretudo do ponto de vista comportamental que muito se tem escrito e lido sobre o assunto. Entretanto, para Heschell (apud MONDIN, 2005), o homem nos interessa na sua totalidade, não por esse ou aquele de seus aspectos. Para ele, as ciências especializadas (antropologia, lingüística, medicina, psicologia, sociologia, economia), tendem a limitar a totalidade do indivíduo, considerando o ponto de vista de uma função ou de um impulso particular. O conhecimento do homem resulta fragmentado: muito frequentemente toma-se uma parte pelo todo. De acordo com essas idéias, muitos autores, entre eles Wilber (2000), defendem uma visão holística do homem e do mundo em todas as suas dimensões. Wilber lembra que os gregos tinham uma bela palavra: Kosmos, que significa o todo padronizado de toda a existência, incluindo os reinos físico, emocional, mental e espiritual e que nós reduzimos a matéria, o corpo, a mente, a alma e o espírito a nada além da matéria. Wilber (2000) sugere uma Teoria de Tudo que procura levar em conta todas essas dimensões com uma visão abrangente, equilibrada e complexa, tal como aparecem no ser, na cultura e na natureza. Ele defende uma visão que abarca a ciência, a arte e a moral; que inclui disciplinas como a física, a espiritualidade, a biologia, a estética, a sociologia e a oração contemplativa; que se apresenta na forma de uma política integral, uma medicina integral, uma economia integral, uma espiritualidade integral... . Para ele essa visão integral convida as pessoas a serem um pouco mais completas, um pouco menos fragmentadas, em nosso trabalho, em nossa vida e em nosso destino. Apesar de considerar o homem um ser de quatro dimensões, Bonder (2001), considera algumas instituições, entre elas as organizações empresariais, não levam em consideração o ser humano integral. A dimensão espiritual tem sido esquecida criando vazios existenciais e despertando a busca de um sentido para a vida. Na subseção seguinte abordaremos essa busca de sentido da vida e sua migração para as organizações. 2.2.2 A busca de um sentido para a vida. O Papa João Paulo II (1997) considera que existe no mundo contemporâneo uma grande tensão. Trata-se de uma tensão quanto ao sentido da vida humana, quanto ao significado que se pode e deve dar a ela, para que seja digna do homem, de tal forma que valha a pena ser vivida. A questão do sentido da vida aparece como tema principal de algumas palestras do Papa João Paulo II. Para ele ética e sentido da vida estão intimamente ligados. A responsabilidade ao mesmo tempo pessoal – pela própria vida, e social – pela justiça, pela paz e pela ordem moral do próprio ambiente e da sociedade caracterizam o homem que tem consciência do sentido da vida. O pensamento de João Paulo II é compartilhado por Bonder (2001) que afirma ser a paz e a alegria sentimentos que se produzem quando se estar em dia com nossas obrigações e direitos. A maioria das pessoas não sabe o sentido da própria vida. Quando se pede as pessoas que identifiquem seu objetivo de vida, elas , em geral se vêem presas a sua falta de objetivo e pensam em si mesmas como seres incompletos ou sem luz (Whiteley,2002). A busca de um sentido para a vida deixou de ser apenas uma assunto discutido entre religiosos. Filósofos, sociólogos e psicólogos estão entre os profissionais que se uniram ao pensamento dos religiosos para estudar a crise de valores atual e o questionamento do homem sobre qual o seu papel aqui na terra. Para Zohar & Marshall (2002) o grande problema na mente do homem moderno é o do sentido. Matsuura (2004), diretor geral da Unesco, pensa que a crise de sentido da vida está relacionada com uma crise de valores sem precedentes pelo qual o mundo está passando. Para ele, existe a impressão, amplamente difundida de que os valores deixaram de existir, mas é possível que nunca antes tantos valores tenham estado em disputa na historia da humanidade. O assunto sentido da vida também já é tema de autores que estudam o comportamento humano. No pensamento de Bergamini (1982), o homem contemporâneo, por uma série de razões dele próprio, dos grupos sociais e do ambiente em que vive, tem apresentado um aumento dos estados conhecidos como de ansiedade e de angústia. Nesta situação o equilíbrio tão importante à capacidade de serem felizes inexiste pelo fato das pessoas não estarem capacitadas a atuar de forma consciente e produtiva na resolução de seus próprios problemas. Cooper & Sawaf (1997) se preocuparam com esse sentimento de busca constante de significado do ser humano e afirmam que o que se procura nos negócios e na vida não está lá fora, nas últimas tendências da tecnologia: está dentro do homem. Para ele essas respostas têm estado no íntimo do ser humano o tempo todo, mas muitos respeitam, não não as valorizam, não as utilizam da melhor forma a sua capacidade. Cooper & Sawaf (1997) completam que a essência de uma vida plena de significados e sucesso é estar sintonizado com o nosso interior, que é mais profundo do que análises psicológicas ou controle, do que retórica e as aparências . Essa busca de sentido tem levado o homem a uma maior conscientização de sua dimensão espiritual. Para Vaill (1997), em tempos de confusão, medo, perda e dúvida, os seres humanos voltam-se para fontes transcendentes de significado em busca de socorro e reinspiração. A busca de sentido é a principal motivação na vida do homem. É essa busca que nos torna as criaturas espirituais que somos. E quando essa necessidade profunda de sentido deixa de ser satisfeita é que a vida nos parece rasa ou vazia e por isso a crise fundamental do nosso tempo é de natureza espiritual. Mundialmente há uma demanda por valores não materiais, por uma redefinição do ser humano como um ser que busca um sentido plenificador, que está a procura de valores que inspirem profundamente sua vida ( Boff,2001). Os seres humanos são primariamente criaturas que procuram significado e valor e que precisam da sensação de que está fazendo algo que vale a pena e do impulso de um propósito. Sem isso adoece ou morre ( Zohar & Marshall,2006). Para muitos, o trabalho é o centro da existência e muitas dessas experiências ocorrem dentro do contexto do trabalho. Entretanto, avaliando a relevância dos recursos humanos no desempenho eficaz da organização, poucos consideram que o ambiente organizacional promove o desenvolvimento espiritual do individuo (King,1999).A educação para a espiritualidade passa pela conscientização do valor transcendente do trabalho. É impossível pensar em dignidade despojando o homem do sentido do trabalho, como meio de realizar a vida ( Matos, 2001). Modim (2005) conclui que existe uma profunda distância que separa a esfera do trabalho da do ser do homem. No trabalho o homem exprime a si mesmo, faz sua e assimila parte da realidade do mundo, humaniza parcialmente o cosmo, mas em ser profundo, a realidade posta em ação pelo trabalho torna-se alheio ao homem, não enriquece efetivamente o seu ser. O trabalho demonstra um aspecto muito significativo do ser humano: sua continua autotranscendência. Essa ligação entre trabalho e espiritualidade já pode ser vista nas colocações atuais de alguns empresários De todas as maneiras, o fato de colocarem questões ligadas a espiritualidade atesta as dimensões da crise que nos assola. Significa que os bens materiais que eles produzem e os valores que inspiram suas práticas não devem estar sendo suficientes. Há um vazio profundo, um buraco imenso dentro do seu ser, suscitando questões como gratuidade e espiritualidade ( Boff,2001). A subseção seguinte discute a questão da espiritualidade nas organizações e a sua importância no encontro do sentido da vida. 2.2.3 Espiritualidade nas organizações O homem não nasceu só para trabalhar, mas o trabalho consome mais da metade da sua existência. O trabalho livra o ser humano do ócio, da preguiça e do vício, além de trazer felicidade. Ao desprender produtivamente sua energia e a sua inteligência o indivíduo aumenta seus poderes e sua participação no contexto social, o que lhe traz alegria e felicidade, que é o critério de excelência da arte de viver ( Oliveira, 2002). O trabalho constitui um prolongamento da personalidade. Constitui realização. Constitui uma das maneiras pelas qual a pessoa se define, mede seu valor e sua humanidade (Drucker,2002). A interesse pelo papel do trabalho na vida das pessoas não é uma novidade desta década. Bergamini (1982, p. 19) comenta: “Um dos aspectos do comportamento humano, cujo estudo mais tem sido incentivado na atualidade, é aquele que procura compreender como as pessoas vivem e resolvem seus problemas dentro do contexto do trabalho”. Para ela, a administração das empresas tem deixado claro que o elemento humano se caracteriza como fator preponderante na facilitação da chegada aos objetivos da empresa. Desde o comentário de Bergamini (1982) a importância do ser humano nas organizações apenas tem aumentado. Bohander, Snell & Sherman (2003), consideram que as pessoas têm um papel central para a obtenção da vantagem competitiva de uma empresa. Robbins (2004), por exemplo, aborda a necessidade de se realizar estudos sistemáticos sobre o comportamento humano para que se possa melhorar a acurácia na explicação e previsão do comportamento. Em seu livro, farta evidência é apresentada de que, algumas variáveis como características biográficas, valores, atitudes têm impacto sobre a rotatividade, absenteísmo, cidadania e satisfação no trabalho. Nos últimos anos outras variáveis que podem influenciar o comportamento do individuo nas organizações tornaram-se objetos de estudos, entre elas, a espiritualidade. Autores como Vaill (1997) e Senge (2002) referem-se à espiritualidade como parte do processo de aprendizagem necessário aos indivíduos dentro da organização. (1997), no trabalho acontecem Para Vaill ao mesmo tempo, diversos fatores confusos, onerosos, recorrentes e inevitáveis que geram sentimentos de falta de direção, ausência de coerência e perda de significado, a aprendizagem espiritual pode contribuir para que o indivíduo possa permanecer reinspirado ao longo de todas essas turbulências. Senge (2002. p.168) discute as características das organizações que aprendem e referese a Henry Ford como uma fonte de astúcia empresarial e utiliza-se de uma citação de sua autoria para reforçar a sua idéia da necessidade da espiritualidade no processo de aprendizagem: “O que precisamos ... é do reforço da alma proporcionado pelo poder invisível esperando para ser usado... sei que existem reservatórios de força espiritual dos quais nós, descuidadamente nos afastamos...” . A espiritualidade também aparece relacionada com o trabalho nos estudos de Morris (1997). Ele percebe a crise existencial do ser humano nos dias de hoje, recorre a princípios da Filosofia e, baseado nos pensamentos de grandes nomes como Aristóteles e Platão, apresenta quatro necessidades espirituais universais: a singularidade como indivíduos, união com algo maior do que o eu, utilidade aos outros e compreensão da vida e do trabalho. A discussão sobre o tema espiritualidade nas organizações, de acordo com o próprio autor, começou com Hawley (1993). Ele comenta que existe uma nova agenda administrativa. Questões usuais como produtividade, organização, finanças e lucro continuam presentes, não tão fundamental como antes, mas que existem questões vitais que explodiram na consciência do mundo nos últimos anos. Para ele seriam questões de felicidade, questões básicas da alma, questões sobre vazio pessoal. Interessados nesta busca da felicidade e de sentido através do trabalho, muitos autores começaram a desenvolver pesquisas com o intuito de conceitualizar o construto espiritualidade nas organizações. No primeiro estudo quantitativo com o objetivo de desenvolver instrumento para medir a espiritualidade nas organizações Ashmos & Duchon (2000) cometam que, embora espiritualidade seja uma idéia relativamente nova no local de trabalho, não é nova na experiência humana. Todas as grandes religiões encorajam algum nível de vida contemplativa e na busca do significado e propósito da vida a harmonia com os outros é fundamental. Entretanto, para Hawley (1995), espiritualidade não é religião. Colocando de modo simples ele vê a espiritualidade como um objetivo a ser alcançado, enquanto que a religião seria o caminho para alcançar esse objetivo. Esse pensamento foi completado por Rego, Cunha & Souto (2005) que utilizaram--se do instrumento desenvolvido por Ashmos & Ducan (2000) para medir a relação entre espiritualidade e comprometimento no trabalho e concluíram: A espiritualidade nos locais de trabalho significa, pois, que os seres humanos são sensíveis a temas como: justiça, confiança, tratamento respeitador e digno, possibilidade de obterem no trabalho significado para a vida e uma organização que nutre espiritualidade não é a que induz as pessoas a se adaptarem a determinadas crenças e práticas religiosas (REGO, CUNHA & SOUTO .2005, p. 4-5 ). Esse trabalho (REGO, CUNHA & SOUTO,.2005) deu origem a cinco dimensões da espiritualidade nas organizações. A teoria seguinte explica e fundamenta essas dimensões da espiritualidade. 2.1.3.1 Dimensões da espiritualidade nas organizações Espiritualidade no trabalho envolve um esforço para achar um propósito na vida, para desenvolver uma conexão com os colegas de trabalho e outras pessoas associadas com o trabalho, além do alinhamento entre suas crenças e os valores da organização ( MITROFF & DENTON,1999).A essas dimensões Rego, Cunha & Souto (2005) acrescentaram que a espiritualidade também envolve a alegria no trabalho e o respeito a espiritualidade e valores espirituais do individuo.Os trabalhos destes autores originaram as cinco dimensões da espiritualidade aqui estudadas e que são explicadas a seguir. A) Espírito de comunidade na equipe Essa dimensão da espiritualidade no local de trabalho envolve ter uma profunda conexão ou relacionamento com outros que se articula com um senso de comunidade (ASHMOS & DUCHON,2000). Para esses autores ela ocorre no nível grupal do comportamento humano e diz respeito a interações entre empregados e seus colegas, além de envolver um profundo senso de conexão entre as pessoas, incluindo apoio, liberdade de expressão e atenção. A importância do espírito de comunidade é comentada por Dalai Lama (2004), quando discute a felicidade no trabalho. Ele lembra que devemos ter um cuidado especial com os relacionamentos humanos no trabalho, prestar atenção em como interagimos uns com os outros e tentar manter os valores humanos essenciais ao trabalho. Bergami (1982) considera que o ser humano, ao nível de sentimento, tem uma necessidade de inclusão que inclui ser capaz de ter interesse por outros em um nível satisfatório e conseguir também que outras pessoas tenham interesse por si ao mesmo nível satisfatório.Ela comenta que o trabalho é um vínculo social e um vínculo comunitário. Para a maioria das pessoas, o trabalho é o único laço fora da família e geralmente mais importante. Para Zohar & Marshall (2006), a presença do espírito de equipe em uma organização é um dos sinais de que ela fomenta uma cultura espiritualizada. Nessa organização as pessoas que trabalham nos diferentes departamentos ou setores desta organização cooperam entre si para que suas metas sejam atingidas. B ) Alinhamento com os valores da organização Essa dimensão é representada pelos itens característicos do sentimento dos indivíduos quando eles experimentam um forte senso de alinhamento entre os seus valores pessoais e a missão e o propósito da sua organização (MITROFF AND DENTON, 1999). Para Bergamini (1982), esse processo se dá através da adaptação, que tem uma conotação de auto-realização, onde o individuo não só recebe e aceita os valores da organização e ajusta-se a eles, como também impõe no meio de forma produtiva, suas formas de pensar, seus valores, opiniões e crenças. Alinhamento também significa que indivíduos acreditam que gerentes e empregados na sua organização tem valores próprios e uma forte consciência e preocupação com o bemestar dos empregados e comunidade ( ASHMOS & DUCHON,2000). Esses valores contêm um elemento de julgamento, baseado naquilo que o indivíduo acredita ser correto, bom ou desejável (ROBBINS,2002). Quando os indivíduos se identificam com os valores da organização eles internalizam esses valores e agem instintivamente sem precisar processar as informações (DEHLER,1994). Em outras palavras Hawley (1993), também se refere a importância do alinhamento entre os valores da organização e do indivíduo, para ele é importante pensar em o quanto se acredita no próprio trabalho, além de encarar os valores básicos da empresa. C) Sentido de comunidade O aspecto fundamental da espiritualidade no trabalho envolve também um profundo senso de significado e propósito no trabalho (MILLIMAN, CZAPLEWSKI & FERGUSON, 2003). O ser humano busca no trabalho, não só a sua sobrevivência, mas a realização dos seus sonhos. Ele só é completo quando sente que o seu trabalho não é somente útil para ele, mas também para a sua família e para a sociedade (OLIVEIRA, 2002). No trabalho o homem exprime a si mesmo, comunica a si mesmo, faz sua e assimila parte da realidade do mundo, humaniza parcialmente o cosmo,mas em seu ser profundo, a realidade posta em ação pelo trabalho torna-se alheio ao homem, não enriquece efetivamente o seu ser. O homem não trabalha apenas para si mesmo, mas também e, sobretudo para os outros (MONDIN, 2005). Na opinião do Dalai Lama (2004), uma visão de vida que se concentra na mera produção de bens ou serviços e não na busca da felicidade não basta para assegurar que esse sentimento seja definitivo. Para que ela ocorra, deve-se acrescentar-lhe mais um elemento – deve-se considerar também os resultados das atividades realizadas e o efeito que terá no próprio homem, na sua família, na sociedade e no mundo. A expressão de espiritualidade no trabalho envolve suposições que cada pessoa tem no seu interior motivações, verdades e desejos de se envolver em atividade que dão grande significado a sua vida e a vida dos outros. (ASHMOS & DUCHON,2000; HAWLEY,1993). D) Alegria no trabalho Rego, Cunha & Souto (2006) afirmam que os seres humanos necessitam de viver o sentido de pertença, definem a sua identidade em função das relações com os grupos a que pertencem, procuram sentido para o seu trabalho e sua vida e procuram alegria nas atividades cotidianas. O s seres humanos tem uma capacidade inata de experimentar satisfação por meio do trabalho e satisfação na vida. Ainda assim, pode exigir algum esforço identificar e eliminar os obstáculos que nos impedem de experimentar a alegria no trabalho, que é o nosso direito inato (CUTLER, 2004). De acordo com Chappell (1994), os valores comuns, um sentido compartilhado de objetivo, podem transformar uma empresa em uma comunidade onde o trabalho diário assume um significado e uma satisfação mais profundos. A satisfação com o trabalho tende a deixar o individuo mais feliz globalmente, e os que são mais felizes na vida tendem a ser mais felizes no trabalho. ( DALAI LAMA,2004). E) Oportunidades para a vida interior Rego, cunha & Souto (2005) consideram que essa dimensão abrange itens referentes ao modo como a organização respeita a espiritualidade e os valores espirituais do individuo. Muitos indivíduos estão sofrendo de uma perda de significado e finalidade de suas vidas, criando uma desolação espiritual. O ambiente de trabalho, muitas vezes é o centro da sua existência, e frequentemente contribui para essa desolação e impedem o crescimento individual. No entanto, se a gerência reconhecer os benefícios mútuos de estimular esse crescimento a contribuição da empresa pode ser verdadeiramente positiva (OLIVEIRA,2002). Para Ashmos & Ducan (2000) isso acontece quando há o reconhecimento pela organização e pelos seus líderes, de que os empregados têm uma vida interior que alimenta e é alimentada, pela realização de trabalho com significado num contexto de comunidade. Na seção a seguir são apresentadas colocações sobre liderança e sua relação com espiritualidade nas organizações. 2.2.4 Espiritualidade e liderança Liderança é o processo de conduzir pessoas as ações ou influenciar o comportamento e a mentalidade de outras pessoas (MAXIMIANO, 2000) em direção ao alcance de objetivos (ROBBINS, 2002). De forma a justificar a escolha de líderes como elementos dessa pesquisa nessa subseção são apresentados trechos da literatura que mostram a importância desse sujeito para o desenvolvimento da espiritualidade no local de trabalho. 2.5.1 Educação para espiritualidade Muito se discute o desempenho dos líderes nos dias de hoje. Vaill (1997) enfatiza que o sistema escolar formal, os prepara muito mal para o mundo confuso em que vivem e que esse se apresenta, principalmente, como um sistema de controle, e não como um sistema educacional no sentido exato da expressão, no qual a liberação da mente e do espírito dos alunos é o objetivo primordial. Em sua opinião considera que um aprendizado eficiente tem quatro focos principais: os sistemas de aprendizado, a liderança, a cultura e a espiritualidade. Para ele a Filosofia e a prática do aprendizado institucional contêm suposições profundas e abrangentes a respeito do conhecimento em si, em relação às quais a maioria dos educadores é indiferente ou ignorante. Para Teixeira (2005), não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem. Ela aborda o tema educação e a importância de se levar em consideração a integralidade do ser humano nesse processo. Para ela o ser humano como ser multidimensional, é um ser social, biológico, cultural, econômico, ético, plural, político. É ainda, um ser infantil, neurótico, delirante e também racional. Chanlat (1996), teórico reconhecido mundialmente pelos estudos organizacionais que vem desenvolvendo, tem alertado sobre as dimensões esquecidas do ser humano nas organizações, pensamento complementado por Hawley (1995) que escreveu ser as questões fundamentais enfrentadas pelos gerentes e líderes contemporâneos não mais de tarefa e de estrutura, e sim questões de espírito. No entendimento de Rinesmith (1993) preparar as pessoas e as organizações com a mentalidade e o nível de habilidade apropriada é um desafio em todos os níveis do crescimento organizacional. Ele afirma que a habilidade das pessoas de mudar, crescer e se desenvolver é o que faz ou destrói a capacidade de uma organização de passar por vários estágios desse desenvolvimento. O desenvolvimento é visto por Milkovich (2000), como um processo de longo prazo para aperfeiçoar as capacidades e motivações dos mesmos a fim de torná-los futuros membros valiosos da organização. No entendimento de Hawley (1995), é necessário permitir um novo paradigma que tenha uma base espiritual para que esse desenvolvimento se dê por completo. Em face da realidade descrita, Chanlat (1996), pensa que a importância da presença na vida do indivíduo de pessoas preparadas que possam conduzi-lo no processo de desenvolvimento espiritual é fundamental para que ele encontre o sentido do seu viver e para a realização no seu trabalho, podendo vir a criar um maior nível de satisfação em todos os aspectos de sua vida. Ele entende que, mesmo em meio ao turbilhão de informações e as pressões para o desenvolvimento do indivíduo, a organização pode promover condições para que seus líderes desenvolvam a espiritualidade. Para Matos (2001), a educação para a espiritualidade passa pelo valor transcendente do trabalho. É impossível pensar em dignidade despojando o homem do sentido do trabalho como meio de realizar a vida. Whiteley (2002), em uma observação mais profunda relata que o mundo está passando por uma crise de liderança, já que muitas pessoas que ocupam posições de poder dentro das organizações relutam em se adaptar e em acompanhar as necessidades atuais. De acordo com Matos (2001), aprender a sentir, a extravasar as emoções, a vivenciar a solidariedade, a praticar a amizade, a enxergar além do convencional os valores superiores, significa dar sentido autêntico à espiritualidade no relacionamento. No seu entendimento, nesse clima brotam as lideranças, competentes em negociar e integrar e que concretizam a unidade do todo, na diversidade de vocações, talentos, conhecimentos, habilidades, sonhos, visão e estratégias. Para ele, lideranças integradas por valores – verdades comuns – objetivos e metas de consenso formam uma organização feliz, como forte condicionador de atitudes e comportamentos positivos. Criam o espírito da empresa que dinamiza o entusiasmo em realizar. 2.5.2 Líder espiritualizado Tracy Goss ( apud WHITELEY ,2002), chama atenção para o fato de que os líderes de negócios de hoje estão reinventando tudo, exceto a si mesmos. A menos que os executivos percebam que precisam mudar não só o que fazem, mas também quem eles são, não só o sentido que têm de tarefa, mas o sentido que têm de si mesmos, eles fracassarão. Ratificando o pensamento de Whiteley (2002), Hawley (1995), sugere um novo modelo que chama de liderança administrativo/espiritual – diz que as funções dos líderes e gerentes são diferentes e que, a própria base da liderança é espiritual. Para ele os gerentes se preocupam com objetivos e metas, os líderes com a visão; os gerentes se interessam por honestidade, os líderes por integridade; os gerentes trabalham com prioridades, os líderes com valores básicos; os gerentes criam planos e estratégias, os líderes criam e mantém um estado mental; os gerentes são conseguidores de recursos, os líderes doadores de visão, gratidão, valores; os gerentes trabalham com o esforço humano, o líder em um nível mais abstrato da energia, do coração e do espírito das pessoas. Matos (2001) ainda comenta que uma das causas essenciais de insucesso, tanto no plano pessoal quanto social e espiritual, é a fragmentação que se reflete na empresa pela desintegração das lideranças, a partir daí, desdobra-se por toda a comunidade interna e mesmo externa a organização. Para esse autor, há em todo espírito humano uma carência de infinito, uma vontade de saber e compreender sua vocação no mundo. Cabe ao líder despertar a consciência e estimular seus liderados na procura do seu destino. O papel essencial do líder é ajudar a abrir o espírito para a criatividade. Para Matos (2001), o líder com visão espiritual tem um perfil típico: está em paz consigo e com a humanidade, educa o tempo todo, valoriza contribuições e desempenhos, é firme na adversidade, possui humildade, paciência e esperança; está conectado às situações e voltado ao transcendente, sendo essa sua característica essencial; alguém que tem fé e irradia sua crença no eterno bem. Hawley (1995) afirma que primeiro é necessário modelar a integridade pessoal e em seguida exigi-las aos subordinados, pois o gerente precisa estabelecer seus próprios valores, viver impecavelmente a partir deles e fazer isso abertamente para que os outros o imitem. Para Boff (1997) a missão principal das figuras exemplares é ensinar permanentemente a cuidar do ser em todas as suas dimensões, corporal, mental e espiritual. Só então seremos plenamente humanos. Cacioppe (2000) afirma que os líderes empresariais bem sucedidos do século XXI serão líderes espirituais. Eles sentir-se-ão confortáveis com a sua própria espiritualidade, e saberão como alimentar o desenvolvimento espiritual dos outros. Os líderes atuais mais bem sucedidos já aprenderam essa lição. Visto que as variáveis de interesse nesse estudo são espiritualidade e comprometimento, e que o tema espiritualidade já foi abordado no que interessa para a realização desse trabalho o foco na seção seguinte está direcionado para o tema comprometimento organizacional. 2.3 Comprometimento organizacional Esse trabalho estuda a relação entre espiritualidade nas organizações e comprometimento organizacional. Na primeira metade deste capítulo abordamos a espiritualidade nas organizações. A seguir o foco é direcionado para o comprometimento organizacional com destaque para conceitos apresentados na literatura, seus antecedentes e conseqüentes, além de suas dimensões. 2.3.1 Comprometimento organizacional - conceitos Atitudes são afirmações avaliadoras – favoráveis ou desfavoráveis - em relação a objetos, pessoas ou eventos e que refletem como o indivíduo se sente em relação a alguma coisa (ROBBINS,2002). Entre tantas atitudes do funcionário desejadas pela organização, a maior parte dos estudos do comportamento organizacional tem foco em três delas: satisfação com o trabalho, envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional ( ROBBINS,2002) . Essas atitudes relacionadas com o trabalho revelam avaliações positivas ou negativas que os trabalhadores têm em relação a diversos aspectos de seu ambiente de trabalho. Esse estudo se limita a estudar apenas o comprometimento organizacional. Nesse contexto de demandas por ajustes e mudanças, as organizações se vêm, entre tantos outros dilemas, frente a necessidade de manter uma força de trabalho comprometida com a sua missão e valores e, portanto, capaz de empreender esforços em prol de mudanças necessárias e, simultaneamente, tomar decisões que afetam os contratos psicológicos historicamente construídos entre as pessoas e a própria organização (Rocha & Bastos,1999). Os estudos sobre comprometimento organizacional trazem como marca importante a excessiva fragmentação e pulverização de medidas, tornando-se premente a necessidade de análise conceitual que permita estabelecer de forma mais consensual os limites do próprio conceito de comprometimento ( Bastos, Brandão e Pinho,1997). No Brasil foi realizado um trabalho de mapeamento sobre comprometimento. Bastos (1993), afirma, neste trabalho, que as atuais abordagens ou enfoques de comprometimento originaram-se de três disciplinas. O enfoque instrumental ou calculativo teria evoluído com Becker que tem como base a Sociologia. De Weber teria surgido a noção de comprometimento como decorrente da autoridade e subordinação legitimadas no contexto de trabalho. Das teorias organizacionais, de autores como Barnad, March & Simon e Etzioni, teria surgido a tradição atitudinal ou afetiva; mas suas idéias também teriam influenciado o enfoque instrumental ou calculativo, bem como o normativo. Da Psicologia Social de Azjen e Fishbein teria emergido uma segunda influência sobre o enfoque normativo, enquanto das ideais de Kurt Lewin e festinger teria nascido a abordagem comportamental. O conceito de comprometimento assume importância ainda maior quando se reveste de aspectos que atendem tanto aos interesses da organização – um individuo mais comprometido é mais produtivo – quanto aos interesses dos próprios indivíduos, já que a falta de comprometimento pode significar pouca perspectiva de transformar o trabalho em instrumento de auto-realização ( Rocha & Bastos,1999). São vastos os estudos sobre esses temas na literatura em geral. Entretanto, para Bastos, Brandão & Pinho (1997), existe uma dispersão do conceito de comprometimento. Eles explicam que no cotidiano pelo menos três usos do conceito de comprometimento são mais freqüentes: comprometimento no sentido de “compromisso”, com envolvimento: esse modo de pensar o comprometimento descreve formas de como as pessoas se comportam em relação a determinados alvos; “ com comprometimento” seria o oposto de descompromissadamente e indicaria o grau de atenção, de esforço e cuidado que a pessoa coloca ao realizar algo. Finalmente, um terceiro uso freqüente refere-se a relação entre condições que conduzem a produtos indesejados: comprometer como prejudicar, impedir. Entretanto, Bastos e seus amigos acreditam que apesar de tantos significados hoje o conceito perdeu sua amplitude e conserva apenas o significado de “ engajamento” e eliminou-se o seu conteúdo de valoração negativa, passando a significar adesão, forte envolvimento do individuo com variados aspectos do seu ambiente de trabalho, em especial com a sua organização empreendedora. Ainda, de acordo com Bastos, Brandão & Pinho (1997) o conceito de comprometimento que predomina nos estudos é o de “disposição”. Eles afirmam que comprometimento é tomado como estado, caracterizado por sentimentos ou reações afetivas positivas, tais como lealdade em relação a algo ao qual se associam intenções comportamentais específicas. A consecução de objetivos, o alcance das metas e a competitividade de uma empresa passam, necessariamente, pelo grau de comprometimento organizacional de seus empregados (SIQUEIRA ,2001). No pensamento de Borges-Andrade & Pilati (2001), existem múltiplos objetos que podem funcionar como alvo de comprometimento: a organização, o sindicato, a profissão e a carreira. Para esses autores mesmo quando o alvo é a organização, existe pouca concordância quanto ao significado do termo comprometimento. Comprometimento é definido por Robbins (2002) como a situação em que o trabalhador se identifica com uma empresa e seus objetivos, desejando manter-se parte dessa organização. Entretanto, para Allen& Meyer (1996), comprometimento organizacional pode ser definido como uma ligação psicológica entre o empregado e a sua organização que faz com que seja menos provável que o indivíduo saia voluntariamente da instituição. Estudos específicos sobre dimensionalidade das medidas de comprometimento, associados aqueles que buscaram aprimorar os modelos explicativos de outros fenômenos organizacionais, fortalecem a tentativa de se decompor o conceito, passo inicial para a construção de distintas tipologias de comprometimento organizacional (Bastos, Brandão & Pinho,1997). Nesta direção dois principais trabalhos estruturaram várias contribuições ao proporem a diferenciação de tipos de comprometimento organizacional. Na subseção seguinte o referencial teórico se atem a detalhar aspectos relacionados a esses trabalhos. 2.3.2 Dimensões do comprometimento organizacional . O apelo psicológico é destacado nos estudos de O’Reilly e Chatman (1986) como o núcleo central do construto, esse apelo seria o grau em que o indivíduo interioriza ou adota características ou perspectivas da organização e poderia ser gerado por diferentes mecanismos que eles denominaram de bases de comprometimento.Os autores discriminaram três bases ou processos de comprometimento: a) complacência ou troca, quando atitudes e comportamentos ocorrem em função de recompensas especificas e não por partilhar crenças; b) identificação ou afiliação: o individuo aceita a influência para manter a relação satisfatória pelo desejo de afiliação, respeitar os valores, mas não assumi-los feito seus; c) internalização, envolvimento que se apóia na identidade entre valores e objetivos pessoais e organizacionais. Trabalhos de pesquisa conceitual e de mensuração desenvolvido por Allen& Meyer; Meyer & Allen (apud ALLEN & MEYER, 1996) resultaram em uma visão de três componentes do comprometimento. Para esses autores, de acordo com essa perspectiva a ligação psicológica entre empregados e sua organização pode se apresentar de três formas distintas: afetiva, continuada ( instrumental) e normativa. a) Comprometimento afetivo O comprometimento afetivo, é definido por Allen & Meyer (1996) como aquele que se refere a identificação emocional para com a organização. Empregados com forte comprometimento afetivo permanecem na organização porque querem ficar. Para Siqueira (2001) o comprometimento afetivo se dá quando o indivíduo internaliza os valores da organização, identifica-se com suas metas ou envolve-se com os papéis de trabalho, desempenhando-os de forma a facilitar a consecução dos objetivos do sistema. O vínculo afetivo destaca a natureza emocional que pode unir individuo e organização, em função do atendimento de expectativas e necessidades pessoais. Expressa-se através de sentimentos de gostar, sentir-se leal, desejar se esforçar em prol da organização (Rocha & Bastos,1999). b) Comprometimento normativo O comprometimento normativo é visto por Allen & Meyer (1996) como o comprometimento baseado no senso de obrigação para com a organização. Empregados com forte comprometimento normativo ficam na organização porque sentem o dever de ficar. Para Siqueira (2001) o vínculo normativo se constitui num conjunto de pensamentos de reconhecimento de obrigações e deveres morais para com a organização, os quais são também acompanhados ou revestidos de sentimentos de culpa, incômodo, apreensão e preocupação quando o empregado pensa ou planeja se retirar da organização. Rego, Cunha & Souto (2005) afirmam que, é provável que as pessoas que sentem obrigações e deveres de lealdade para com a organização tendam a adotar comportamentos organizacionalmente positivos. Entretanto, esses sentimentos não despertam o mesmo entusiasmo e envolvimento que os produzidos pelo comprometimento afetivo. A concepção psicológica de comprometimento organizacional normativo está assentada numa esfera cognitiva, pressupondo que o trabalhador normativamente comprometido acredita ter obrigações e deveres morais para com a organização, devendo se comportar de forma que possa demonstrá-los ( Siqueira,2001). Para Rego, Cunha & Souto (2005) parece haverem razões para presumir que as organizações têm interesse em promover os laços afetivos e normativos dos seus colaboradores, e para reduzir o vigor do laço instrumental. c) Comprometimento instrumental Nas conclusões de Allen & Meyer (1996) o comprometimento continuado ou duradouro refere-se ao comprometimento baseado no reconhecimento do empregado dos custos associados com a sua saída da organização. Para eles, empregados com forte comprometimento continuado permanecem nas suas organizações porque precisam ficar. Siqueira (2001) define o comprometimento continuado como a avaliação positiva dos resultados (posição alcançada na organização, acesso a certos privilégios ocupacionais, benefícios oferecidos pelo sistema a empregados antigos, planos específicos de aposentadoria) conseqüentes dos investimentos do empregado e pela possibilidade percebida de perder ou de não ter como repor essas vantagens caso se desligue da organização. Para ela seu desenvolvimento, ou aparecimento, pode ser atribuído a atribuído a um raciocínio econômico, podendo ser representado mentalmente por crenças, percepções ou avaliações a respeito de uma relação social de troca. Para Rego, Cunha & Souto (2005) é provável que os colaboradores com mais forte laço instrumental não sintam qualquer propensão para facultarem a organização algo mais do que aquilo a que estão estritamente obrigados. 2.3.3 Fatores antecedentes e conseqüentes do comprometimento organizacional A multideterminação do comportamento humano no contexto organizacional torna extremamente complexa a tarefa de se identificar os fatores preditores do comprometimento (BORGES-ANDRADE & PILATI, 2001). Para esses autores, no Brasil, são preditores menos importantes as variáveis demográficas, pessoais e ocupacionais e de maior importância os aspectos mais “macro” como suporte e imagem organizacionais. Os antecedentes do comprometimento foram estudados em detalhes em meta-análise realizada por Mathieu e Zajac (1990). Eles apresentaram um resumo de vários estudos encontrados fora do Brasil. Suas conclusões mostraram que maiores idades associam-se a níveis mais elevados de comprometimento e que os indivíduos que têm consciência de sua competência pessoal são mais comprometidos. Os resultados mostram ainda que o comprometimento tende a decrescer com o aumento do nível educacional e que trabalhos mais variados geram maior comprometimento do indivíduo. Aspectos das relações grupoliderança mostram-se positivamente associadas a comprometimento: interdependência das tarefas, comportamentos de estruturação, comunicação e consideração do líder e estilo participativo. No pensamento de Borges-Andrade & Pilati (2001) vários tópicos podem implicar mudanças nos padrões de comprometimento. Para ele a autogestão das carreiras pode acontecer à custa do afrouxamento no comprometimento organizacional. Outro fator seria a terceirização e redução de pessoal que gera um sinal psicológico de que não existe vínculo entre a empresa e o empregado. Os autores destacam ainda que a organização do trabalho em torno de equipes autônomas e o comprometimento com as mesmas geram uma limitação no compromisso organizacional. Comprometimento poderá vir a ser um melhor preditor de vários produtos humanos no contexto do trabalho, como rotatividade, absenteísmo,e desempenho. Como visto anteriormente espiritualidade nas organizações e comprometimento organizacional são as variáveis desse estudo, sendo assim é necessário nesse ponto apresentar uma breve explanação teórica sobre as conclusões dos trabalhos realizados que abordam a relação entre essas variáveis, o que é feito na seção a seguir. 2.4 Espiritualidade e comprometimento organizacional A literatura que relaciona a prática da espiritualidade nas organizações e o comprometimento organizacional ainda é escassa. Entretanto, é notável a preocupação de diversos autores com as transformações organizacionais do momento e a manutenção do comprometimento. Rocha & Bastos (1999) comentam que no atual contexto de mudanças, as organizações se vêm, entre tantos outros dilemas, frente a necessidade de manter uma força de trabalho efetivamente comprometida com a sua missão e seus valores. Rego, Cunha & Souto (2005) sugerem que a criação de espaços espiritualmente ricos nas organizações pode gerar comprometimento da força de trabalho. Para eles, nessas organizações, os seus membros satisfazem as necessidades espirituais, experimentam um sentido de segurança psicológica e emocional, sentem-se valorizados como seres intelectuais e experimentam sentidos de propósito, de autodeterminação, de alegria e de pertença. Em contrapartida da recepção destes recursos espirituais e motivacionais, desenvolvem maior ligação afetiva e sentem o dever de responder reciprocamente, de serem mais leais, mais dedicados, mais produtivos. No entendimento de Rego, Cunha & Souto (2005), se os seres humanos são, também, seres espirituais que procuram sentido e significado para o seu trabalho, a ser realizado num contexto de comunidade, então as organizações que dificultam estes anseios e desígnios serão elas próprias penalizadas. As pessoas assumirão compromissos e sacrifícios extraordinários pelo que elas consideram como sendo uma causa verdadeira (Vaill,2002). Essa seção encerra a fundamentação teórica referente a primeira pergunta de pesquisa. Visto que uma segunda pergunta foi gerada na colocação do problema, que indaga sobre a compatibilidade do modelo usado nesse trabalho com a percepção dos respondentes, e que de acordo com Laraia (2004) o modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança cultural. Dada a importância do assunto cultura na percepção e desenvolvimento dos valores de um individuo a teoria a seguir trata do assunto cultura e valores. 2.5 Cultura O instrumento utilizado neste trabalho para medir espiritualidade nas organizações foi desenvolvido e aplicado em Portugal que possui cultura diferente da brasileira.Assim, essa subseção aborda o conceito de cultura e valores . Será focalizada a idéia de que a cultura varia de uma sociedade para outra e examinado como isso ajuda a compreender variações dos valores em diversos países. Cultura é o sistema integrado de padrões de comportamentos aprendidos, os quais são característicos dos membros de uma sociedade e não o resultado de uma herança biológica. Cada sociedade isolada tem sua cultura distintiva (LARAIA, 2004). Esse conceito permite ao autor concluir que o efeito lógico desse fato é que os comportamentos característicos dos membros de uma sociedade, sob muitos aspectos, são expressivamente, diferentes dos comportamentos característicos dos membros de todas as outras sociedades. Assim cada cultura tem características gerais em comum com todas as outras, mas nas suas especificações cada cultura é diferente de outra sob alguns aspectos. Em seus estudo, Laraia (2004), baseado nesses fatos, estabelece o conceito de relatividade cultural que afirma que os padrões do certo e do errado (valores) e dos usos e atividade (costumes) são relativos a cultura da qual fazem parte. Sendo assim, homens de cultura diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas. Antropólogos e sociólogos observaram longamente estas diferenças. Por exemplo, em uma sociedade em que a produção artesanal representa a base da economia e da produtividade, em lugar das organizações formais, descobriu-se que o trabalho tinha um valor completamente diferente e frequentemente ocupava muito menos tempo da pessoa. As distinções delineadas entre o meio e o fim, entre as atividades ocupacionais, econômicas em geral e sociais das organizações tendem a ser muito mais obscuras e sistemas de atitudes e crenças muito mais coesos. O curso da historia delineou muitas variações nas características sociais nacionais, nas visões de sentido de vida (MORGAN,1996) A cultura é um dos pontos-chave na compreensão das ações humanas, funcionando como um padrão coletivo que identifica os grupos, suas maneiras de perceber, pensar, sentir e agir. Mais do que um conjunto de regras, de hábitos e artefatos, cultura significa construção de significados compartilhados pelo conjunto de pessoas pertencentes a um mesmo grupo social. (PIRES,MACEDO,2006). Nova,2004 distingui a cultura em dois setores: o da cultura espiritual ou não-material e o da cultura material. A cultura não-material compreende o domínio das idéias: a ética, as crenças, os conhecimentos, as técnicas, os valores, as normas, etc. A cultura material é constituída dos artefatos e objetos em geral. Para entender a cultura em países diferentes é necessário entender a sociedade e cultura nacionais, suas concepções de vida em sociedade, seus valores e a forma de governo. (PIRES & MACEDO,2006). 2.6 Valores Os valores são definidos por Schwartz (1999) como critérios ou metas que transcendem situações específicas, que são ordenados por sua importância e que servem como princípios que guiam a vida do indivíduo. O pensamento de Robbins (2002) completa essa definição, para ele, os valores representam convicções básicas de julgamento, naquilo que o indivíduo acredita ser correto, bom ou desejável. Eles estabelecem a base para a compreensão das atitudes e da motivação, além de influenciarem nossas percepções. Estudos sobre valores humanos estão presentes na literatura há muitos anos. Kroeber (1952), relaciona estreitamente valores e cultura. Ele apresenta dois planos de investigação dos chamados fenômenos sociais. O primeiro que tenta medir, experimentar e dispensar a consideração de valores. A segunda aceita os valores como inerente a cultura e característicos dela. Ele lembra que no passado os valores eram afirmados e encarados como produtos diretos da divindade, fora da natureza, ou como emanações da alma. Entretanto, ele considera que os valores culturais residem no homem e são supra pessoais, isto é, há muito mais valores instalados em qualquer individuo a partir do exterior, direta ou indiretamente da sua sociedade, do que ele é capaz interiormente e sozinho. O assunto também é foco de estudos mais recentes. A teoria de Schwartz(1992) propõe a existência de dez tipos motivacionais de valores. Ele sintetiza esses tipos motivacionais em duas dimensões bipolares: A primeira dimensão refere-se à tendência das pessoas a seguir seus interesses ou a se manter conforme as normas sociais, a qual ele deu o nome de mudançaversusconsevação , enquanto a segunda refere-se à motivação das pessoas para promover seus interesses, mesmo em detrimento dos outros, ou transcender os interesses pessoais, promovendo o bem-estar dos outros e da natureza, chamada de autopromoçãoversusautotranscendência . Como é possível observar, esta tipologia encontra bastante correspondência com a que propõe Triandis (1995) acerca do individualismo e coletivismo horizontal-vertical. Diferencia-se, porém, por sua ênfase nos valores em lugar das atitudes e por considerar que as orientações pessoal e social não são opostas, dando origem a um conjunto de valores que atende às aspirações pessoais e não compromete a estrutura social. Existe um padrão típico que é seguido pelas pessoas quando adotam um ou outro valor como um princípio-guia nas suas vidas. Este padrão implica os critérios de orientação apresentados a seguir. Valores Pessoais. As pessoas que assumem tais valores usualmente mantêm uma relação pessoal contratual, visando alcançar metas pessoais. Procuram garantir seus próprios benefícios ou as condições nas quais estes possam ser alcançados sem ter uma referência particular (papel ou status). Para Rokeach (1973), esses valores são considerados de foco intra-pessoal. Em Schwartz (1994), atendem a interesses individuais. Valores Centrais. Essa expressão é usada para indicar o caráter central ou adjacente destes valores; eles figuram entre e são compatíveis com os valores pessoais e sociais. Em termos da tipologia de Schwartz (1990, 1994), tais valores servem a interesses mistos (individuais e coletivos). Considerando suas funções psicossociais, os valores centrais podem ser divididos em dois grupos: (a) Valores de Existência. A questão é garantir a própria existência orgânica (estabilidade pessoal, saúde e sobrevivência). Eles são importantes para todas as pessoas, principalmente em contextos de escassez econômica, onde cada um busca sua sobrevivência; e (b) Valores Suprapessoais. As pessoas que assumem estes valores procuram alcançar seus objetivos independentemente do grupo ou da condição social. Descrevem alguém que é maduro, com preocupações menos materiais, sem se limitar a características descritivas ou traços específicos para iniciar uma relação ou promover benefícios (beleza, conhecimento, justiça social e maturidade). Tais valores enfatizam a importância de todas as pessoas, não exclusivamente daqueles indivíduos que compõem o grupo. Assim, eles são compatíveis com os valores pessoais e sociais. Valores Sociais. As pessoas que assumem estes valores primam pela convivência com os demais. Em Rokeach (1973), correspondem aos valores de foco interpessoal, enquanto que em Schwartz (1994) assemelham-se aos valores relacionados com os interesses coletivos. Tais valores são assumidos por indivíduos que se comportam como alguém que gosta de ser considerado, que deseja ser aceito e integrado no endogrupo ou objetiva manter um nível essencial de harmonia entre os atores sociais em um contexto específico. Para Nova (2004) em todas as sociedades existem noções a respeito do que é correto e do que é errado, do que é bom e do que é mau, do que é belo e do que é feio. Essas noções são valores sociais. Outra classificação de valores apresentada na literatura é o Rokeach Value Survey que consiste em dois conjuntos de valores. O primeiro desses grupos é chamados de valores terminais e referem-se as metas que uma pessoa gostaria de atingir durante a vida. O outro conjunto chamado valores instrumentais,e contém os modos preferenciais de comportamento ou meios para atingir as metas dos valores terminais ( ROBBINS,2002). Alguns dos adjetivos utilizados por Dalai Lama (2000) para caracterizar o que vem a ser a espiritualidade encontram-se na classificação dos valores de Rokeach entre eles: sentido de realização, harmonia, felicidade, perdão, contentamento, responsabilidade. Essa ligação entre valores e espiritualidade permite relembrar que cada sociedade isolada tem uma cultura distintiva (LARAIA,2004), com valores inerentes e característicos dela (KROEBER,1952).Esses valores influenciam nossas percepções (ROBBINS,2002) e servem como princípios que guiam a vida do indivíduo (SCHWARTZ ,1999). Como base nesses pensamentos, pode-se perguntar até que ponto o instrumento de Rego, Cunha & Souto (2005), desenvolvido em uma cultura diferente da brasileira ,que possui valores próprios, é compatível com a percepção de espiritualidade dos respondentes desta pesquisa. Compreender a relação entre espiritualidade e comprometimento organizacional, além de confirmar a compatibilidade do modelo de Rego, Cunha e Souto (2005) com a percepção dos elementos que responderam a essa pesquisa pode favorecer o desenvolvimento de uma cultura espiritualizada na instituição estudada. A seguir são apresentadas as escolhas metodológicas do estudo que tem a intenção de responder essas questões. 3. Metodologia No início deste trabalho, foi exposto o problema de pesquisa de interesse desse estudo que gerou as seguintes questões de pesquisa: 1. Até que ponto existe relação entre a percepção da espiritualidade da organização, de acordo com o modelo de Rego, Cunha & Souto (2005), e o comprometimento de um grupo de indivíduos no Banco do Brasil em Pernambuco? 2. Até que ponto o modelo de Rego, Cunha & Souto (2005) é compatível com a percepção da espiritualidade dos respondentes e o que os mesmos percebem como mudanças alavancadoras dessa espiritualidade? Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos utilizados na investigação dessas questões. Na primeira subseção será descrita a natureza da pesquisa, seguida da subseção “delimitação da pesquisa” que trata da população e amostra participante desse estudo. Em seguida o foco será direcionado para os instrumentos utilizados na coleta de dados que traz informações sobre como a etapa exploratória do estudo, a validação semântica do instrumento, o pré-teste desse instrumento e o conteúdo do instrumento final utilizado. Em uma quarta subseção são descritos os métodos utilizados para a coleta de dados e finalmente a quinta e última subseção trata da análise dos dados coletados. 3.1 Natureza da pesquisa A estratégia de pesquisa adotada neste trabalho é de estudo de caso. A unidade de análise, ou seja, o caso em si, são os líderes do Banco do Brasil de agências do estado de Pernambuco, que participam dos cursos oferecidos pelo Núcleo de Gestão de Pessoas – Regional Recife. O estudo aborda o nível de análise individual, sendo o nível organizacional desconsiderado. Dessa forma, considera as percepções dos indivíduos acerca do ambiente de trabalho, mas utiliza os resultados para avaliações organizacionais. Vale salientar que não se pretende estudar tudo sobre o caso, mas somente as proposições delimitadas no problema de pesquisa e resumidas na questão de pesquisa. A investigação teve início com uma pesquisa exploratória na literatura para uma análise dos dados secundários em trabalhos já realizados sobre o tema em questão. Em seguida foi realizado um estudo descritivo e teve como locus de investigação o Banco do Brasil. A pesquisa será baseada no trabalho de Rego, Cunha & Souto (2005) que confirmou a relação de associação entre espiritualidade e comprometimento afetivo, instrumental e normativo dos indivíduos na organização. Este é um estudo quantitativo e qualitativo, intencional, correlacional que utilizou como população líderes das agências do Banco do Brasil no estado de Pernambuco que participaram dos cursos oferecidos pelo Núcleo de Gestão de Pessoas - Regional Recife . O estudo será não aleatório porque os gerentes que terão a probabilidade de participar da pesquisa serão apenas os participantes dos cursos oferecidos no período de 05 de julho a 31 de agosto de 2006. 3.2 Delimitação da pesquisa 3.2.1 População e amostra ( corrigir os números) Compõem o universo da pesquisa os líderes das agências do Banco do Brasil no estado de Pernambuco, distribuídos em 280 agências ligadas ao Núcleo de Gestão de Pessoas Regional Recife - que de acordo com a gerência do núcleo somam 585 indivíduos assim distribuídos: Quadro 1 – Número de funcionários do Núcleo de Gestão de Pessoas – Regional Recife do Banco do Brasil. Função Quantidade Gerente Administrativo 28 Gerente de Agência 158 Gerente de Expediente 106 Gerente de Contas 293 Total 585 Fonte: Gerência do Núcleo de gestão de Pessoas, Regional Recife , Banco do Brasil, Maio,2006 A amostra, não-aleatória, será constituída pelos gerentes participantes dos cursos oferecidos pelo núcleo, no período de 01 de julho a 31 de agosto de 2006, totalizando aproximadamente 200 elementos de pesquisa. A inclusão apenas dos gerentes como elementos do estudo se deu pelas seguintes razões: 1) A literatura pesquisada (HAWLEY, 1995; HUNTER, 2004; CACIOPPE, 2000; MATOS,2001) mostra os líderes como detentores de um papel fundamental na difusão do fenômeno espiritualidade dentro das organizações, sendo de grande importância a análise de sua percepção com relação a espiritualidade da organização e 2) Há possibilidade de um maior retorno nos questionários , visto que os mesmos serão administrados pessoalmente nos cursos destinados a essa amostra. 3.3 Instrumentos de coleta de dados 3.3.1 Etapa exploratória A etapa exploratória teve o intuito de identificar a posição do Banco do Brasil diante do tema espiritualidade (anexar entrevista ). Para tal foi realizada entrevista com a Sra. Elda gerente regional de gestão de pessoas – núcleo Recife. Através do seu profundo conhecimento sobre os princípios e valores do banco foi possível descobrir já existir interesse do Banco do Brasil pelo tema espiritualidade. Por estar ciente de toda o calendário de cursos disponíveis para os líderes das agências do Banco do Brasil no estado de Pernambuco, a entrevistada já selecionou de imediato a amostra disponível para a pesquisa. 3.3.2 Validação semântica do instrumento Para conhecer o entendimento dos líderes das agências do Banco do Brasil no estado de Pernambuco sobre espiritualidade na organização foi inicialmente realizada uma exposição do assunto. Essa exposição aconteceu em uma das salas de treinamento do Núcleo de Gestão de Pessoas- Regional Recife e participaram dela 14 líderes que se encontravam presente no curso de Gestão de Carreira oferecido por essa instituição. Entretanto, antes da exposição do assunto foi entregue aos participantes, instrumento onde era solicitado que escrevessem palavras que no seu entender eram relacionadas a espiritualidade. Ao final da apresentação do tema, foi entregue aos respondentes caderno contendo questões baseado no instrumento de Rego, Cunha & Souto ( já validado no Brasil e em Portugal) ,em que os entrevistados responderam se as sentenças propostas relacionavam-se com o tema espiritualidade. Esse momento da pesquisa teve a intenção de fazer uma validação semântica do instrumento final ( Rego, Cunha & Souto ) no contexto pernambucano, visto que o termo espiritualidade é muito subjetivo. 3.3.3 Pré-teste Iniciar Diante dos resultados obtidos que assemelhava o entendimento dos entrevistados sobre espiritualidade ao entendimento dos autores do instrumento escolhido para coleta dos dados da pesquisa ( Rego, Cunha & Souto, 2005), foi realizado , em um segundo momento, um préteste que teve a intenção de verificar se as questões propostas eram claras para os respondentes. Responderam ao pré-teste um grupo de 10 líderes do Banco do Brasil de agências de Pernambuco, que se encontravam, por motivos variados, nas dependências da Gerência de Recursos Humanos – Regional Recife, no momento da aplicação do pré-teste. Foi utilizado um questionário estruturado, anônimo, contendo questões do tipo fechadas com escala tipo Likert de seis pontos. Diferentemente do primeiro momento da pesquisa, que abordava apenas o tema espiritualidade, o pré-teste já instrumento utilizado na pesquisa apresentava o formato final do e continha questões demográficas, questões sobre comprometimento e duas questões aberta. 3.3.4 Instrumento Final Inicar O instrumento final é dividido em quatro partes . A primeira, composta de duas questões abertas, será utilizada na verificação do escore que o respondente atribui a espiritualidade em sua organização e na verificação das mudanças que ele faria em sua organização para que ela fosse considerada totalmente espiritualizada. Além disso, a segunda questão aberta permitirá uma comparação dos itens listadas no questionário com aquelas que, na percepção dos entrevistados são as mais relevantes. Para a identificação das dimensões de comprometimento organizacional, em na segunda parte do questionário, será adotado como instrumento uma escala de 18 itens, tipo “Likert” com variação de 1 a 5, que de acordo com Rocha & Bastos (1999) foi originalmente aplicada por Meyer, Allen e Smith (1993), com modificação do instrumento original proposto por Meyer e Allen (1991) e previamente validado para o contexto brasileiro por Medeiros (1997). A versão do instrumento será a mesma utilizada por Rocha & Bastos (1999) em trabalho desenvolvido no próprio Banco do Brasil. O instrumento citado aborda três fatores do comprometimento. O primeiro fator, comprometimento afetivo, é integrado por nove itens. O segundo fator, comprometimento instrumental, contém cinco itens. E finalizando, o terceiro fator agrupa quatro itens que avaliam o comprometimento normativo. Todos os fatores apresentam carga fatorial superior a . 55 e grau de confiabilidade maior que .73. A terceira parte conterá 17 itens, e refere-se as dimensões da espiritualidade na organização.Cada indivíduo será convidado a assinalar, mediante uma escala de seis pontos, o grau de veracidade de cada afirmação. Elas estarão assim distribuídas: sentido de comunidade – cinco itens; alinhamento dos indivíduos com os valores da organização – cinco itens; sentido de préstimo a comunidade – três itens; alegria no trabalho – dois itens; oportunidades para a vida interior- dois itens. A descrição de cada um desses fatores encontra-se no quadro 2 deste capítulo. Quadro 2 – Dimensões da Espiritualidade Dimensões Itens relacionados Sentido de comunidade na Espírito da equipe, zelo mútuo entre os seus membros, sentido de equipe comunidade e propósito comum. Alinhamento do indivíduo Compatibilidade de valores e da vida interior do individuo com com os valores da os valores da organização. Abarca ainda um item respeitante ao organização sentimento de que os lideres procuram ser úteis a sociedade. Préstimo a comunidade O trabalho realizado corresponde a importantes valores da vida do individuo e é útil a comunidade. Alegria no trabalho O sentido de alegria e de prazer no trabalho. Oportunidades para a vida Modo como a organização respeita a espiritualidade e os valores interior espirituais do individuo. Fonte: Rego, Cunha & Souto, Espiritualidade e Comprometimento Organizacional, 2005 A quarta e última parte do instrumento trata dos dados demográficos dos respondentes. 3.4 Método de coleta de dados O método de coleta de dados utilizado nesta pesquisa, de acordo com a definição de Cooper & Schindler (2003), foi o de interrogação/comunicação. Nesse processo o pesquisador questiona os sujeitos e coleta as respostas através de meios pessoais ou impessoais. Antes do início dos cursos, a pesquisadora compareceu as salas de treinamento e entregou em mãos aos respondentes, questionários auto-administrados. Apesar do tipo de instrumento de coleta de dados utilizado ( auto-administrados), a pesquisadora esteve presente durante todo o tempo em que os indivíduos responderam as questões, de modo a auxiliar caso surgisse algum tipo de dúvidas. Os questionários foram recolhidos imediatamente após o término das respostas. 3.5 Análise e interpretação dos dados Iniciar O trabalho de análise dos dados da segunda, terceira e quarta partes do questionário terá caráter descritivo e serão computadas as médias, os desvios-padrão e as correlações entre as variáveis do estudo e tem a intenção de responder os objetivos específicos da primeira pergunta de pesquisa. Serão apresentados também os resultados das regressões com o objetivo de mostrar se as variáveis da espiritualidade explicam os três tipos de comprometimento. Para esse procedimento, de cálculos dos dados estatísticos, será utilizado o software SPSS – Statistical Package for Social Science, em sua versão 6.0 para Windows. Será realizada ainda uma análise de clusters, onde os indivíduos serão agrupados em função do sentido de espiritualidade com a finalidade de testar se os grupos, organizados de acordo com as percepções de espiritualidade, divergiram também em matéria de comprometimento. Os dados da primeira parte do questionário composta por duas perguntas abertas, serão submetidos ao método de análise de conteúdo, que de acordo com Cooper & Schindler (2003) tem o objetivo de medir o conteúdo semântico das respostas. Essa analise objetiva responder aos objetivos específicos gerados pela segunda pergunta de pesquisa. Os resultados da investigação são apresentados no capítulo seguinte. 4. Resultados Este capítulo apresenta os resultados do estudo e as respectivas análises. Na primeira seção são expostos os resultados da etapa exploratória realizada através de entrevista com a gerente de recursos do Núcleo de Gestão de Pessoas. Na segunda seção é feita uma descrição dos dados demográficos dos respondentes. A partir da terceira seção são expostos os resultados dos processos estatísticos utilizados nessa pesquisa. Esse estudo não buscou determinar causalidade entre as variáveis estudadas, mas levantar as relações entre as elas para uma melhor compreensão da percepção dos respondentes quanto a espiritualidade na sua organização. A seguir seguem os resultados da investigação. 4.1 Resultados do estudo exploratório A entrevista com a gerente de recursos humanos do Núcleo Regional de Pessoas ocorreu 10 meses antes da pesquisa final. Através da entrevista foi possível perceber o interesse do Banco do Brasil pelo tema “espiritualidade nas organizações”.Nessa entrevista foi revelado que nos cursos oferecidos pelo Banco de Brasil para desenvolvimento pessoal, estão incluídos temas que se relacionam de alguma forma com o desenvolvimento espiritual do individuo, como por exemplo, responsabilidade social, ecologia, etc. Ela nos informou que na sede do núcleo acontecem regularmente cursos destinados aos gerentes das agências. Daí a idéia sugerida pela própria gerente, que tem total conhecimento da programação desses cursos, de que a pesquisa fosse realizada junto aos indivíduos participantes, o que viria a facilitar a coleta dos dados, já que o instrumento seria devolvido logo após ser respondido. As informações quanto ao número de gerentes nas agências de Pernambuco e o provável número de participantes desses cursos, obtidas nessa entrevista , foi fundamental para que se definisse a amostra ideal para esse estudo. avaliação semântica Resultados do pré-teste 4.2 Resultados dos dados estatísticos 4.2.1 Dados demográficos dos respondentes Os participantes da pesquisa final totalizaram 10 indivíduos com idade média de 30 anos, sendo 50 % do sexo masculino e 50% do sexo feminino e que têm como média de tempo de trabalho no Banco do Brasil 10 anos. 4.2.2 Médias, desvios-padrão e correlações Regressões Análise de Clusters Análise de conteúdo 5. Discussões e conclusões 5.1 Relação espiritualidade x comprometimento 5.2 Limitações do estudo Esse estudo apesar de sua importância para as organizações apresenta algumas limitações. Primeiramente, o fato da espiritualidade nas organizações ainda ser um tema pouco explorado e que tem escassa literatura que possa basear teoricamente o assunto.Segundo, a dificuldade de se pesquisar cientificamente o tema devido ao seu significado subjetivo e por último o fato da pesquisa se constituir um estudo de caso, o que impede de generalizar a percepção de espiritualidade da organização para a cultura brasileira. 5.3 Implicações práticas 5.4 Sugestões para trabalhos futuros Considerando-se que esse assunto é muito subjetivo, sugere-se aqui trabalhos futuros no sentido de unificar o conceito de “espiritualidade nas organizações”, além da realização de trabalhos que discutam a correlação com temas mais atuais como cidadania organizacional, comportamentos inovadores e qualidade de vida. Seria interessante também a realização de trabalhos no sentido do aperfeiçoamento do instrumento utilizado. 5.5 Conclusões De acordo com a fundamentação teórica desse estudo é possível concluir que o homem é um ser complexo composto por quatro dimensões: corporal, intelectual, emocional e espiritual. Apesar de tudo, as organizações de trabalho, onde os indivíduos passam a maior parte das suas vidas, parecem esquecer essa verdade, concentrando seus esforços no desenvolvimento intelectual do ser humano. Entretanto, a grande variedade de livros e trabalhos atuais, sobre a importância da dimensão espiritual nas organizações parece despertar para um novo paradigma. Referências bibliográficas AGOSTINHO, SANTO. Solilóquios e Vida Feliz. 2° edição. São Paulo: Paulus. p.56,1998. ALLEN, N. J. & MEYER, J. P. Affective, Continuance, and Normative Commitment to the Organization : An Examination of Construct Validity. Journal of Vocational Behavior. V. 49, p. 252-276,1996. 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Com base na exposição a respeito da Espiritualidade nas organizações indique palavras ou frases que você acha que podem estar relacionados com espiritualidade nas organizações. 1)_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2)_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3)_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Faculdade Boa Viagem Curso de Mestrado Profissional em Gestão Empresarial Orientação: Prof. Lúcia Barbosa Aluna: Maria de Fátima da Nóbrega Bezerra PESQUISA: A relação entre a percepção da espiritualidade na organização e comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental : estudo de caso com um grupo de líderes do Banco do Brasil no estado de Pernambuco. Dispomos de uma lista com 19 sentenças obtidos na literatura que são consideradas, ou não, relacionadas com a espiritualidade nas organizações. Em sua opinião, essas sentenças estão relacionadas, ou não, com a espiritualidade nas organizações? Marque o parêntese que exprime a sua opinião. 1. Sentir alegria no trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 2. Sentir o grupo de trabalho como parte de uma família. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 3. Valores espirituais respeitados no local de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 4. Realizar trabalho relacionado com o que considera importante na vida. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 5. Sentir-se bem com os valores que predominam na organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 6. O grupo /equipe incentiva a criação de um espírito de comunidade. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 7. Há lugar para a espiritualidade no local de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 8. Existe uma ligação entre o trabalho e os benefícios para a sociedade como um todo. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 9. Ir ao trabalho com prazer. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 10. As pessoas do grupo se apóiam umas as outras. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 11. O grupo se preocupa com os mais desfavorecidos da comunidade. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 12. Ligação com os objetivos da organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 13. Acreditar que os membros do grupo se preocupam realmente com os outros. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 14. Bons sentimentos acerca do futuro da organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 15. Pessoas ligadas por um propósito comum. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 16. Vida interior dos funcionários respeitada pela organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 17. Sentimento de utilidade a sociedade quando na realização do trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 18. Ajuda da organização para que o funcionário viva em paz consigo mesmo. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 19. Preocupação dos líderes em serem úteis a sociedade. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado Anexo A Questinário que será aplicado FACULDADE BOA VIAGEM MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EMPRESARIAL PESQUISA DE DISSERTAÇÃO : A relação entre a percepção da espiritualidade na organização e comprometimento organizacional afetivo, normativo e instrumental : estudo de caso com um grupo de líderes do Banco do Brasil no estado de Pernambuco. Mestranda: Maria de Fátima da Nóbrega Bezerra Orientadora: Lúcia Barbosa, Ph. D. Prezado(a) Sr.(ª) Estou realizando estudo sobre a Espiritualidade nas Organizações e o Banco do Brasil foi o local escolhido para realização da pesquisa por dar mostras de que se interessa pelo tema. Sua ajuda, respondendo as perguntas do questionário em anexo, levará apenas alguns minutos e vai gerar uma contribuição muito importante para a precisão e sucesso desse estudo. Não é necessário se identificar. Caso tenham interesse, poderei no futuro disponibilizar os resultados dessa pesquisa de forma digitalizada. Estamos ao seu dispôr para, se eventualmente, sentirem necessidade de esclarecimento para alguma das perguntas ou realizar algum comentário. Agradeço sinceramente a sua colaboração. Atenciosamente. Fátima Nóbrega Parte I Por favor, pense na sua organização e assinale em que grau as afirmações seguintes são verdadeiras ou falsas. Responda de acordo com aquilo que ocorre na sua organização – e não como gostaria que fosse. Utilize, por favor, a escala de seis pontos seguinte, colocando à frente de cada afirmação o número correspondente à sua resposta. A afirmação é completamente falsa Na maior parte, é falsa É um pouco falsa É um pouco verdadeira Na maior parte, é verdadeira Sinto alegria no meu trabalho. As pessoas do meu grupo/equipe sentem-se parte de uma família. Os meus valores espirituais não são valorizados pelo Banco. O trabalho que eu realizo está relacionado com aquilo que considero importante na vida. Sinto-me bem com os valores que predominam no Banco. O meu grupo/equipe incentiva a criação de um espírito de comunidade. No Banco, não há lugar para a minha espiritualidade. Vejo que existe uma ligação entre o meu trabalho e os benefícios para a sociedade como um todo. Na maior parte dos dias, é com prazer que venho para o trabalho. Acredito que as pessoas do meu grupo/equipe se apoiam umas às outras. O meu grupo/equipe preocupa-se com os mais desfavorecidos na comunidade. Sinto-me ligado aos objetivos do Banco. Acredito que os membros do meu grupo/equipe se preocupam realmente uns com os outros. As pessoas sentem-se bem acerca do seu futuro no Banco. Sinto que as pessoas do meu grupo/equipe estão ligadas entre si por um propósito comum. A afirmação é completamente verdadeira O Banco respeita a minha “vida interior”. Quando trabalho, sinto que sou útil à sociedade. O Banco me ajuda para que eu viva em paz comigo mesmo. Os líderes do Banco preocupam-se em ser úteis à sociedade. Parte II Eu não me sinto emocionalmente ligado ao Banco. Eu não sinto um forte senso de integração com o Banco. No Banco eu não me sinto como uma pessoa de casa. O Banco tem um imenso significado pessoal para mim. Eu realmente sinto os problemas do Banco como se fossem meus. Eu seria muito feliz em dedicar o resto da minha carrreira ao Banco. Na situação atual ficar no Banco é uma necessidade tanto quanto um desejo. O Banco merece a minha lealdade. Eu devo muito ao Banco Eu acho que teria poucas alternativas se deixasse o Banco. Se eu decidisse deixar o Banco agora, minha vida ficaria bastante desestruturada. Mesmo que eu quisesse, seria muito dificil para mim deixar o Banco agora. Uma das poucas consequencias negativas de deixar o Banco agora seria a escassez de alternativas imediatas. Se eu já não tivesse dado tanto de mim para o Banco, eu poderia considerar trabalhar em outro lugar. Eu me sentiria culpado se deixasse o Banco agora. Eu não deixaria o Banco agora porque eu tenho uma obrigação moral com as pessoas daqui. Mesmo se fosse vantagem para mim, eu sinto que não seria certo deixar o Banco agora. Eu não sinto nenhuma obrigação em permanecer no Banco. Por favor, pense agora nos sentimentos com relação a sua organização e assinale em que grau as afirmações seguintes são verdadeiras ou falsas. Responda como você realmente se sente e não como gostaria de se sentir. Utilize, por favor, a escala de seis pontos seguinte, colocando à frente de cada afirmação o número correspondente à sua resposta. A afirmação é completamente falsa Na maior parte, é falsa É um pouco falsa É um pouco verdadeira Na maior parte, é verdadeira 1 2 3 4 5 A afirmação é completamente verdadeira 6 PARTE III: Existe hoje um sentido de vazio existencial e muitas pessoas têm recorrido ao trabalho para preencher esse espaço. Pensando nisso, faça a seguinte indagação a você mesmo: “O que deveria acontecer no meu trabalho para que eu encontrasse nele um sentido para a vida? Por favor, com base na indagação anterior, indique abaixo uma mudança que, na sua opinião, poderia ocorrer na sua organização para que o seu trabalho tivesse mais sentido? _________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ PARTE IV Sexo: M F Tempo na organização : ________________ Idade : _________