CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO CEARÁ FACULDADE CEARENSE CURSO DE SERVIÇO SOCIAL ESTER BARROS ALBUQUERQUE FAMÍLIA × INSTITUCIONALIZACÃO: CONCEPÇÃO DOS IDOSOS INTITUCIONALIZADOS NO RECANTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS FORTALEZA-CEARÁ JANEIRO-2015 ESTER BARROS ALBUQUERQUE FAMÍLIA × INSTITUCIONALIZACÃO: CONCEPÇÃO DOS IDOSOS INTITUCIONALIZADOS NO RECANTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Monografia apresentada ao curso de graduação em Serviço Social do Centro de Ensino Superior do Ceará, outorgado pela Faculdade Cearense-FAC como requisito parcial para a obtenção de grau de Bacharel em Serviço Social. Orientadora: Prof. Ms. Dra. Mariana de Albuquerque Dias Aderaldo. FORTALEZA-CEARÁ JANEIRO-2015 ESTER BARROS ALBUQUERQUE FAMÍLIA × INSTITUCIONALIZACÃO: CONCEPÇÃO DOS IDOSOS INTITUCIONALIZADOS NO RECANTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Monografia apresentada ao curso de graduação em Serviço Social do Centro de Ensino Superior do Ceará, outorgado pela Faculdade Cearense -FAC como requisito parcial para a obtenção de grau de Bacharel em Serviço Social. Data de aprovação: ____/ ____/____. BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ Prof.ª Ms. Mariana de Albuquerque Dias Aderaldo. (Orientadora/ Faculdade Cearense) _______________________________________________________ Prof.ª Ms. Flaubênia Maria Girão de Queiroz ( Faculdade Cearense) _______________________________________________ Prof.ª Ms. Cícera Geórgia Félix de Almeida (Universidade Federal do Ceará) Aos meus pais e aos meus irmãos que, com muito carinho е apoio, não mediram esforços para qυе еυ chegasse аté esta etapa dе minha vida. AGRADECIMENTOS A Deus, meu refúgio, fortaleza e socorro bem presente nas horas de angústia. Aos meus pais, que me ensinaram a caminhar pela vida com honestidade e perseverança. Obrigada por apostarem em mim e renunciarem a muitas coisas para que eu alcançasse meus ideais. Essa vitória é também de vocês. Às minhas irmãs, Arquese, Danielle e Dayane, e ao meu cunhado, Davi, pelo carinho e pelas palavras de incentivo e fé. Vocês não sabem o quanto são importantes para mim. Aos meus sobrinhos, Ariádinne e Artur, pela alegria contagiante, espalhada por seu sincero sorriso infantil. Às minhas queridas amigas, Cristiana, Débora Maria, Thaís, Nara Gonçalves, Débora Bezerra, Elizandra Carvalho, e demais colegas de turma pela solidariedade, troca de experiências e ajuda mútua. Seu carinho e companheirismo tornaram esta caminhada menos fatigante. À assistente social Naiandra, por sua disposição em ajudar. Seu apoio foi essencial para que essa pesquisa fosse possível. Aos mestres, pela troca de saberes e pela disposição em ensinar. Em especial à minha orientadora, Mariana Albuquerque Dias Aderaldo, pela paciência e compreensão. Professora, sua ajuda foi imprescindível para vencer esta etapa. “Na minha velhice, não me rejeiteis; ao declinar de minhas forças, não me abandoneis.” (Sl 70. 9) RESUMO Este estudo teve como objetivo compreender como se estabelecem as relações familiares na perspectiva do idoso institucionalizado no Recanto do Sagrado Coração de Jesus, localizado na Avenida da Universidade, n° 3106, bairro Benfica, Fortaleza/Ceará. Os objetivos específicos foram: traçar o perfil sociodemográfico do idoso institucionalizado; analisar os significados atribuídos pelos idosos ao conceito de família; investigar alterações nos vínculos familiares percebidos pelo idoso após a institucionalização. Quanto à natureza da pesquisa, esta caracterizou-se por ser de abordagem qualitativa, pois buscou refletir teoricamente as categorias velhice, família e institucionalização. A coleta de dados se deu a partir da pesquisa de campo, com entrevistas semiestruturadas das quais participaram seis idosas. Esta pesquisa permitiu a compreensão de que as idosas, mesmo institucionalizadas, continuam atribuindo significados positivos a seus familiares, destacando diferentes aspectos necessários à relação familiar saudável, entre eles o amor, a importância da união e da boa convivência e a relação de ajuda mútua atribuída à instituição familiar. Palavras-chave: Velhice, Família, Institucionalização. ABSTRACT This study aimed to understand how to establish family relationships in perspective elderly institutionalized in Recanto do Sagrado Coração de Jesus. The institution is located at 3106, Avenida da Universidade, Benfica, Fortaleza-CE. The specific goals were: to trace the sociodemographic profile of institutionalized elderly; analyze the meanings attributed by the elderly to the concept of family; investigate changes in family ties noticed by the elderly after institutionalization. The nature of research is characterized by being a qualitative approach, as sought theoretically reflect the age categories, family, institutionalization. Data collection occurred from the research field, with semi-structured interviews in which six elderly took part. This research allowed that we could understand that even though institutionalized elderly continue attributing positive meanings to their families, highlighting different and necessary aspects to healthy family relationship, including love, the importance of unity and coexistence and mutual aid relationship attributed to family institution. Key Words: Elderly, Family, Institutionalization. LISTA DE SIGLAS AVDs – Atividades de Vida Diária ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia ILPIs – Instituições de Longa Permanência para Idosos PNI – Política Nacional do Idoso OMS – Organização Mundial da Saúde SUS – Sistema Único de Saúde SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................10 2 A VELHICE.......................................................................................13 2.1 Aspectos psicossociais relacionados ao envelhecimento...............14 2.2 Envelhecimento saudável × envelhecimento ativo .........................19 3 FAMÍLIA ...........................................................................................22 3.1 Conceituando família...................................................................... 22 3.2 Papel da família diante do envelhecimento de seus membros........23 4 INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA (ILP) ...........................28 4.1 Breve histórico da institucionalização de idosos .............................28 4.2 Critérios mínimos para o funcionamento das ILPs .........................30 5 PERCURSO METODOLÓGICO ......................................................33 5.1 O lócus da pesquisa .......................................................................33 5.2 Caracterização dos participantes da pesquisa ...............................36 6 RESULTADOS .................................................................................38 6.1 Concepção de velhice.....................................................................38 6.2 Por que institucionalizar?.................................................................40 6.3 Relações familiares × idosos institucionalizados..............................47 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................51 REFERÊNCIAS ....................................................................................53 ANEXOS................................................................................................58 10 1 INTRODUÇÃO O interesse em pesquisar as relações familiares de idosos residentes em uma instituição de longa permanência surgiu a partir da convivência com meus avós durante minha infância e adolescência. Nesse período, pude vivenciar a importância da relação idoso-família, uma vez que o idoso carrega consigo uma história de vida, sabedoria e experiência que pode ser repassada e compartilhada. A inserção do idoso no convívio familiar possibilita dignidade e qualidade de vida a ele. Nessa perspectiva, a família deveria perceber-se como sociedade essencial à fase da velhice, pois pode garantir apoio e proteção aos indivíduos mais velhos. Essas observações despertaram no pesquisador o interesse de conhecer de forma mais aprofundada como os idosos em situação de acolhimento institucional relacionam-se com seus familiares. O envelhecimento populacional é um fenômeno observado em todo mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo existam aproximadamente 600 milhões de idosos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2010). No Brasil o número de pessoas com idade superior a 60 anos cresceu de forma acelerada, passando de três milhões, em 1960, para sete milhões em 1975, e vinte milhões em 2008, ou seja, um aumento de quase 700% em menos de 50 anos. Atualmente, 550 mil novos idosos são incorporados anualmente à população brasileira (VERAS, 2009). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008), o número de idosos no Brasil é de aproximadamente 28 milhões, o que corresponde a cerca de 9% da população total. Isso tem ocorrido em decorrência da queda da fecundidade e mortalidade, controle das doenças infecciosas, avanço científico e crescimento das tecnologias na assistência à saúde. Contudo, a condição de longevidade associa-se à fragilização pelo envelhecimento, tornando o idoso vulnerável às diversas situações de vida e saúde. O envelhecimento é um processo dinâmico e contínuo, no qual ocorrem alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que progressivamente reduzem a capacidade do indivíduo de adaptar-se ao meio ambiente, resultando em maior fragilidade. Diante desse contexto, destaca-se a assistência ao idoso que apresenta limitações físicas ou mentais decorrentes do processo de envelhecimento, exigindo uma maior demanda de cuidados, geralmente 11 exercida pelos filhos ou por um parente próximo (CARVALHO FILHO; NETTO; GARCIA, 2006). O Estatuto do Idoso destaca a obrigação da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público de assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária, apontando o seio familiar como primeiro e principal lócus de efetivação desses direitos (SILVA; BESSA; OLIVEIRA, 2004). A família do idoso pode ser um espaço de afetividade e pertencimento necessários no processo de envelhecimento. No entanto, o número de idosos institucionalizados cresce significativamente no Brasil. Sem o respaldo familiar do sistema formal (representado pelo Estado) e com a falta de engajamento da sociedade, aumenta para o idoso a possibilidade de sua inserção em uma instituição asilar (FLORIANO; AZEVEDO; OLIVEIRA, 2012). O fenômeno da institucionalização da velhice está ocorrendo devido a fatores como transformações na estrutura familiar e na sociedade, ocasionando a inserção dos integrantes da família no mercado de trabalho, especialmente a mulher, o que resulta em enfraquecimento do suporte de cuidado aos idosos. Outro fator que merece ser destacado é a redução no total de filhos por casal, resultando em menor número de pessoas disponíveis para prestar cuidados ao idoso. A Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI)* é considerada um sistema social organizacional. Quando a família procura uma instituição de longa permanência (ILP) para idosos como local para seu familiar morar, ela está tentando proporcionar um ambiente que ofereça cuidados e companhia, além de um espaço de convivência e socialização. Porém, na maioria das vezes, os idosos são asilados contra sua vontade, necessitando de adaptações para inserir-se na instituição. Além disso, muitos familiares, após a institucionalização do idoso, não retornam para visitá-lo, transferindo os cuidados aos profissionais da instituição (RISSARDO; FURLAN; GRANDIZOLLI, 2011). Pode-se relacionar essa postura familiar de transferência dos cuidados ao idoso a relações intergeracionais conflituosas e problemas de relacionamentos familiares nunca resolvidos. A partir da inserção do idoso em ILPs, indaga-se como tem sido a presença da família na vida do idoso e como a família consegue empoderar-se do seu papel, 12 apesar da institucionalização. A partir desses questionamentos, surgiu a seguinte problematização: como se estabelecem as relações familiares na perspectiva do idoso após o acolhimento institucional em uma instituição de longa permanência? Diante do exposto, esse estudo teve como objetivo principal compreender como se estabelecem as relações familiares na perspectiva do idoso institucionalizado; além disso, ao longo da pesquisa, procurou-se analisar os significados atribuídos pelos idosos aos conceitos de velhice e família, bem como investigar de que modo os idosos percebem a institucionalização. Este estudo teve uma abordagem de cunho qualitativo com uma pequena parcela da população do abrigo (não teve como foco o fator numérico, mas a qualidade dos dados coletados). Na pesquisa de campo, utilizou-se uma entrevista semiestruturada que abordava variáveis de identificação no intuito de investigar, através de observação e entrevista, captando o envelhecimento institucionalizado. Foram utilizados na fundamentação teórica da pesquisa autores como: Moragas, 2004; Beauvoir,1990; Mascaro, 1997. O estudo foi dividido em cinco capítulos. O primeiro conceitua a velhice, descrevendo brevemente os estigmas e estereótipos, além dos aspectos psicossociais relacionados ao envelhecimento saudável e ativo. O segundo capítulo trata de família, seus diferentes conceitos, múltiplas composições e o papel exercido diante do envelhecimento de seus membros. O terceiro capítulo tem como temática a institucionalização do idoso, por isso se inicia com um breve histórico das instituições de longa permanência (ILPS) – surgimento, aspectos estruturais e legislação relacionada –, além de discutir os critérios mínimos para o funcionamento das (ILPS). O quarto capítulo é o relato sobre o lócus da pesquisa, como também a caracterização das participantes da pesquisa em relação aos objetivos do estudo. O quinto capítulo aborda as percepções dos entrevistados acerca da categoria – que compreende os idosos acolhidos no abrigo –, da velhice, do fato de estarem institucionalizados e de questões referentes às suas relações familiares. Esta pesquisa é relevante para a sociedade por buscar a sensibilização para o fenômeno do envelhecimento. Conhecer de forma mais aprofundada temáticas tão complexas acerca da vida do idoso acolhido facilita a elaboração de estratégias a serem implementadas com o objetivo de promover a manutenção e o fortalecimento dos vínculos familiares, que muitas vezes encontram-se fragilizados em decorrência da institucionalização. 13 2 A VELHICE A velhice é uma das etapas de um ciclo natural composto de nascer, crescer, envelhecer e morrer, no entanto, durante muito tempo, a velhice foi identificada como doença. Intervenções científicas tentavam retardar o envelhecimento e seus males através de medidas de higiene e muitas teorias foram elaboradas com o objetivo de explicar e decifrar os mistérios dessa fase (MASCARO, 1997). É importante destacar que o processo de envelhecer não é resultado de um único fator, mas representa muitos fenômenos funcionando conjuntamente, por isso o envelhecimento humano precisa ser considerado num contexto amplo, no qual se relacionam aspectos biológicos, psicológicos, sociais, históricos, ambientais e culturais (MASCARO, 1997). Envelhecer está diretamente relacionado ao avançar da idade. Para melhor compreensão dessa temática, destacam-se alguns conceitos (NETTO, 2006). 1- Idade cronológica – A idade cronológica refere-se ao tempo transcorrido a partir da data de nascimento do indivíduo. Segundo esse critério, considera-se idoso o indivíduo a partir de 65 anos (em países desenvolvidos) e de 60 anos (em países em desenvolvimento). Tal critério é bastante utilizado em instituições, trabalhos científicos e outros aspectos legais. 2- Idade biológica – Define-se como o grau de conservação das funções responsáveis pela adaptação individual ao meio em comparação com a idade cronológica. Vale salientar que o envelhecimento biológico se manifesta de maneira distinta entre os diferentes indivíduos, visto que está relacionado a fatores externos, como disponibilidade de recursos socioeconômicos. 3- Idade psicológica – A idade psicológica refere-se à relação entre idade cronológica e aspectos subjetivos como percepção, aprendizagem, memória e autoestima. É a dimensão psíquica dos impactos biológicos, sociais e psicológicos decorrentes do acúmulo de experiência de vida. Corresponde a fatores que podem determinar o comportamento de uma pessoa diante de determinadas situações. 4- Idade social – A idade social significa a capacidade de adaptação do indivíduo à execução do comportamento esperado para sua idade, em seu contexto social. Nesse sentido, o desempenho de papéis pode se 14 modificar ao longo do tempo, impactando as experiências de envelhecer e podendo assumir imagens preconceituosas e repletas de estereótipos. Ainda sobre esses conceitos, salienta-se que as manifestações somáticas que caracterizam a última fase da vida começam a evidenciar-se geralmente próximo aos quarenta anos, bem antes da idade cronológica demarcada socialmente como seu início. 2.1 Aspectos psicossociais relacionados ao envelhecimento As transformações que caracterizam a senescência ocorrem de forma dinâmica e contínua, e decorrem de alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que progressivamente reduzem a capacidade do indivíduo de adaptar-se ao meio ambiente, gerando uma maior fragilidade (CARVALHO FILHO; NETTO; GARCIA, 2006). Como resultado, o conceito que prevalece sobre velhice é negativo, quer seja avaliado pela ótica individual ou social. Doenças, declínio, solidão, desprestígio, abandono, pobreza e maus tratos são persistentemente associados às vivências individuais (FARIA, 2010). Em diferentes sociedades, o adjetivo velho desperta a sensação de algo obsoleto, inútil e fora de época. Denota algo depreciativo e é um vocabulário aplicável a alguém que deixou de fazer planos, de temperamento difícil, cheio de manias, independentemente da idade cronológica. Isso reforça os estereótipos, muitas vezes reproduzidos pelos contos de fada, nos quais os velhos estão associados a personagens como bruxas e pessoas perversas; a questão da velhice pode, inclusive, estar ligada à ideia de decadência ou pobreza (ALCÂNTARA, 2004). Falando sobre velhice, Beauvoir (1990) destaca: O velho – salvo exceções – não faz mais nada. Ele é definido por um exis, e não por uma práxis. O tempo o conduz a um fim – a morte – que não é o seu fim, que não foi estabelecido por um projeto. E é por isso que o velho aparece aos indivíduos ativos como uma ‘’ espécie estranha’’, na qual eles não se conhecem. Eu disse que a velhice inspira uma repugnância biológica; por uma espécie de autodefesa, nós a rejeitamos para longe de nós; mas essa exclusão só é possível porque a cumplicidade de princípio com todo empreendimento não conta mais no caso da velhice (BEAUVOIR, 1990, p.226). Tanto entre idosos como entre não idosos a percepção da chegada da velhice se associa a aspectos ruins. Características como desânimo, perda de vontade de viver e dependência física são muitas vezes apontadas como sinais de envelhecimento. A maioria de adultos não idosos percebe um número de aspectos negativos superiores ao de positivos quando pensa em envelhecimento. Além disso, 15 as debilidades físicas e doenças, a perda da autonomia e a discriminação são componentes da imagem de envelhecimento (VENTURI; BOKANY, 2007). Ao refletir sobre velhice, os resultados da ação do tempo no organismo humano é o aspecto que se destaca no imaginário social. Isso limita e denigre a concepção de envelhecimento, bem como impulsiona os indivíduos a maquiarem a todo custo este processo. Envelhecer, ao que parece, é uma das mais difíceis etapas da vida de um ser humano porque ainda não somos capazes de ver além das alterações físicas. Não reconhecemos, por trás dessa aparência, muitas vezes assustadora, as experiências vividas, resultando em crescimento e realizações pessoais profundos, que aí deixaram suas marcas. Vivemos em uma cultura em que os jovens e adultos procuram ignorar a realidade do envelhecimento gradual de cada um. Com o progresso moderno, diminuímos o valor do envelhecer, não consideramos o idoso como detentor de extensos e sólidos conhecimentos, talentos e experiências que podem auxiliar as gerações futuras (GUIMARÃES, 2007). Salienta-se que, ao se conceituar velhice, é necessário considerar, além da deformação biológica do corpo humano à medida que o tempo passa, o fato de que aspectos emocionais, cognitivos e sociais contribuem fortemente para sua configuração. Estudos sobre envelhecimento em diferentes grupos sociais demonstraram uma diversidade de maneiras de envelhecer profundamente influenciada pela cultura e transcendente aos fatos naturais e universais (FARIA, 2010). Essa realidade pode ser observada em países em desenvolvimento, como o Brasil, no qual a velocidade com que o aumento do número de idosos tem acontecido, nas últimas décadas, gera uma série de questões cruciais, que repercutem na sociedade como um todo, principalmente porque aspectos sociais – como acentuada desigualdade, pobreza, pouco acesso a oportunidades educacionais e baixa adoção de cuidados em saúde são vivenciados por grande parte da população e determinam o estado biopsicossocial ao longo de todo o curso da vida, comprometendo a qualidade dos anos adicionais vividos (VERAS, 2009). De forma geral, os idosos são considerados como uma categoria independente do restante da sociedade, que tem vivenciado isolamento social superior ao experimentado por outros grupos, como crianças, adultos, operários e funcionários públicos (MORAGAS, 2004), sendo vítimas de um sistema injusto que favorece dentro de sua própria categoria vantagens a uma pequena minoria em 16 detrimento do atendimento às necessidades básicas da maioria dos indivíduos (VON SIMSON; NERI; CACHIONI, 2006). A rotulagem estética negativa do idoso constitui um processo similar ao que experimentaram outros grupos, tais como os deficientes físicos e os negros que se viram marginalizados porque não se encaixavam no ideal estético promovido pela sociedade de massa. A rejeição apresentada por boa parte da população diante de um idoso cujo corpo revela a marca dos anos constitui uma resposta aprendida mediante a pressão social que insiste nos valores juvenis e força a aceitá-los como único padrão de beleza (MORAGAS, 2004). Além disso, Von Simson (2006) destaca que os idosos são vistos como um fardo econômico para as instituições sociais, para as gerações mais jovens e para os próprios familiares. São comparados com crianças abandonadas, porém geram menos compaixão. Essa visão de dependência faz com que se torne pior a condição social do idoso, levando ao medo de envelhecer. No Brasil, por exemplo, o envelhecimento é visto muitas vezes como um peso para a sociedade, acarretando graves problemas. Assim, a subida da expectativa de vida de 43 para 70 anos em cinco décadas tornou-se motivo para tristeza e preocupação, um problema social, apontado como um motivo para se reformular o sistema previdenciário. A valorização da juventude e o fortalecimento da imagem de que somos um país jovem faz com que o pessimismo voltado à velhice aumente (VON SIMSON, NERI, CACHIONI; 2006). De maneira geral, ainda há uma visão estereotipada e um estigma acerca dos idosos, pois eles são rejeitados pela sociedade, principalmente, por terem perdido sua força e capacidade de trabalho e não se constituírem nem produtores nem reprodutores, devendo ser tutelados como um menor (FARIA, 2010). A desvalorização dos idosos tem refletido em prejuízos ao grupo de indivíduos que ultrapassa os sessenta anos. Nos últimos anos, é evidente a falta de respeito aos idosos por parte dos jovens, a piora na qualidade do atendimento de saúde e o aumento do preconceito contra a velhice. A violência, o desrespeito e os maus-tratos fazem parte do cotidiano de muitos idosos brasileiros. Ocorrem casos de violência urbana, como assaltos e estupros; violência física e psíquica praticados por familiares; descumprimento dos direitos da terceira idade cometido por agentes públicos diversos. No campo econômico, a maioria dos idosos não recebe qualquer 17 tipo de preparo para enfrentar a aposentadoria, enquanto os economicamente ativos estão em sua grande maioria trabalhando no mercado informal (VENTURI; BOKANY, 2007). No entanto, a velhice pode assumir diferentes roupagens e, certamente, essas significações provêm das relações sociais e de poder socialmente estabelecidas (MASCARO, 1997). Em algumas sociedades indígenas, por exemplo, o velho é aquele que detém mais conhecimento e sabedoria, advindos de sua experiência de vida e, por isso, possui um status social mais elevado (FARIA, 2010). É o caso de muitos países desenvolvidos, nos quais o envelhecimento populacional ocorreu em um cenário socioeconômico favorável, permitindo ao idoso integração e bem-estar social (SANTOS, ANDRADE, BUENO, 2009; VERAS, 2009). Nesse contexto, tal fenômeno passa a ser concebido como uma experiência heterogênea, um fato biológico, no qual os indivíduos reagem constantemente, a partir de suas referências pessoais e culturais, um modo específico de viver, contrapondo-se ao conceito de que a velhice é uma etapa da vida na qual os indivíduos são passivos e submissos (FARIA, 2010). No sentido de combater ideias pejorativas, a expressão “velho” vem sendo substituída por “idoso”, que significa “a passagem do tempo” e “aquele que tem bastante idade”. A denominação de “fase da velhice” foi substituída por “terceira idade” e, mais recentemente, por “maturidade” (MASCARO, 1997). Maior ênfase tem sido dada a aspectos positivos, como a sabedoria, a tranquilidade, o senso de humor, a liberdade para se fazer o que quer, a prudência, a aceitação e o senso de realização pessoal que podem advir com o avançar da idade (VON SIMSON, NERI, CACHIONI; 2006). Destaca-se ainda a criação de instrumentos como o Estatuto do Idoso (2003), que aponta o Estado e a sociedade como responsáveis pela garantia dos direitos civis, políticos, individuais e sociais pessoa idosa: Art. 10. É obrigação do Estado e da sociedade assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis. § 1º O direito à liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos: I – faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; II – opinião e expressão; III – crença e culto religioso; IV – prática de esportes e de diversões; V – participação na vida familiar e comunitária; VI – participação na vida política, na forma da lei; 18 VII – faculdade de buscar refúgio, auxílio e orientação. § 2º O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de valores, ideias e crenças, dos espaços e dos objetos pessoais. § 3º É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Sobre a sobrevida na velhice, vale envelhecimento está relacionado à salientar que o processo de acumulação de anos, não sendo obrigatoriamente um processo patológico, não é uma doença, nem necessariamente limitante, podendo ser uma fase tão sã quanto outras. Assim podemos definir esse processo vital de diferentes formas (MORAGAS, 2004). Em nome da integração, uma posição aceitável seria conceber aos idosos um papel social com menos tensões que permita viver de acordo com as menores possibilidades vitais, visto que seus órgãos e serviços foram afetados pelo decorrer do tempo, enquanto as tarefas físicas mais exigentes devem ser atribuídas às gerações jovens (MORAGAS, 2004). É importante optar por vislumbrar a velhice apenas como o que ela realmente é: uma fase em que as pessoas que vivem o suficiente para envelhecer, que terão que vivenciar ou, ainda, uma das etapas a ser percorrida na trajetória da vida. Compreender que, por mais que se busque adiar o envelhecimento através de múltiplos artifícios, é inevitável, em vida, a chegada do mesmo. Sobre esse aspecto, Beauvoir (1990) exorta: [...] paremos de trapacear; o sentido de nossa vida está em questão no futuro que nos espera; não sabemos quem somos, se ignorarmos quem seremos: aquele velho, aquela velha, reconheçamos-nos neles. (BEAUVOIR, 1990, p. 12). Em suas palavras, a autora chama à sensibilização de que a velhice não pode ser encarada como uma temática a ser tratada no futuro, mas como uma questão contemporânea a cada indivíduo, pois faz parte da totalidade que é composta por nascer – crescer – amadurecer, devendo as condições para o envelhecimento de qualidade serem construídas no presente. Sobre a importância social dada à construção dessas condições, a autora denuncia o desinteresse dos jovens em adquirir meios de captar, de saber ouvir e de descobrir com clareza e inteligência a forma como são criadas as políticas da velhice, e afirma que o tratamento que dispensamos à velhice “denuncia o fracasso de toda a nossa civilização”. 19 2.2 Envelhecimento saudável × envelhecimento ativo A portaria que institui a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa considera “o conceito de saúde para o indivíduo idoso relacionado mais à sua condição de autonomia e independência que à presença ou ausência de doença orgânica”. O foco da saúde está intimamente relacionado à funcionalidade global do indivíduo, conceituada como a competência de gerir a própria vida ou cuidar de si mesmo (BRASIL, 2005). Dentro dessa nova perspectiva, o envelhecimento saudável é considerado um construto multidimensional, resultado do somatório entre saúde física, saúde mental e independência na vida diária. Um estado em que apesar da existência de doenças crônicas, as mesmas encontram-se controladas, não estando associadas à limitação das atividades ou à restrição da participação social. Nesse sentido, um idoso com uma ou mais doenças pode ser considerado um idoso saudável, se comparado com outro com as mesmas afecções, no entanto, sem controle destas, apresentando sequelas e incapacidades associadas (RAMOS, 2003). Conservar a autonomia e independência à medida que se envelhece é uma meta fundamental para indivíduos e governantes. Nesse contexto, valores como interdependência e solidariedade entre gerações despontam como princípios importantes, visto que o envelhecimento ocorre dentro de um cenário que envolve outras pessoas, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família, fazendo com que a qualidade de vida que as pessoas terão na terceira idade depende, em parte, da maneira como as gerações posteriores irão oferecer ajuda e apoio mútuos, quando necessário (BRASIL, 2005). Idosos saudáveis são indivíduos que podem contribuir social e economicamente em trabalhos voluntários ou remunerados, ajudam a cuidar dos netos, são participativos em questões políticas, dentre outras atividades. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de três milhões de idosos apoiam instituições que acolhem crianças abandonadas, adultos dependentes de drogas, moradores de rua, doentes de AIDS e outros necessitados. Na França, uma rede de supermercado verificou que os idosos faltam menos no trabalho, são mais motivados do que os jovens, contribuem para reduzir as tensões internas nas empresas, são mais tolerantes e mais experientes (VON SIMSON, NERI, CACHIONI; 2006). Ao se manterem saudáveis, a maioria das pessoas mais velhas pode continuar a representar um recurso vital para as famílias e comunidades, para isso, 20 são necessários artifícios que permitam que as pessoas continuem a trabalhar de acordo com suas capacidades e preferências à medida que envelhecem, e para prevenir e retardar incapacidades e doenças crônicas que são caras para os indivíduos, para as famílias e para os sistemas de saúde (BRASIL, 2005). Vale lembrar que envelhecer saudável é uma conquista relacionada a um estilo de vida construído paulatinamente, adquirida em longo prazo, como resultado do somatório de fatores determinantes favoráveis, como boa alimentação, atividade física e condições adequadas de saneamento. Enfim, faz-se necessário que fatores determinantes positivos exerçam influência sobre os indivíduos ao longo de toda a vida. Em complementação a esse paradigma, desponta o ideal de “envelhecimento ativo”, que procura transmitir uma mensagem mais abrangente do que “envelhecimento saudável”, e reconhecer, além dos cuidados com a saúde, outros fatores que afetam o modo como os indivíduos e as populações envelhecem (BRASIL, 2005). A abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos humanos das pessoas mais velhas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e autorrealização. Trata-se de uma política de planejamento estratégico que abandona o enfoque fundamentado nas necessidades e assume uma abordagem pautada em direitos, permitindo o reconhecimento do direito dos idosos à equidade de oportunidades em todos os aspectos da vida à medida que envelhecem, apoiando a responsabilidade dos mais velhos no exercício de sua participação político-comunitária (BRASIL, 2005). A perspectiva de curso de vida para o envelhecimento ativo reconhece que os mais velhos não constituem um grupo homogêneo e que a diversidade entre os indivíduos tende a aumentar com a idade. Sabe-se que os países podem custear o envelhecimento se os governos, as organizações internacionais e a sociedade civil implementarem políticas e programas de “envelhecimento ativo” que melhorem a saúde, a participação e a segurança dos cidadãos mais velhos, tendo em vista o exercício de cidadania, as necessidades, preferências e habilidades das pessoas mais velhas e que incluam uma perspectiva de curso de vida que reconheça a importante influência das experiências de vida para a maneira como os indivíduos envelhecem (BRASIL, 2005). 21 Sobre o papel do Estado, o Estatuto do Idoso (2003) destaca: “Art. 9° É obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade”. A palavra “ativo” vai além da capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho, alude à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis. A amplitude dessa definição permite que mesmo indivíduos idosos que se aposentam e os com alguma doença ou necessidade especial possam ser considerados ativos e continuar a contribuir para seus familiares, companheiros, comunidades e países. O alvo do envelhecimento ativo é proporcionar uma vida mais saudável e a qualidade de vida no período da velhice, inclusive para as pessoas frágeis ou fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados (BRASIL, 2005). Envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos populacionais, é o processo de potencialização das oportunidades relacionadas aos direitos da cidadania, com objetivo de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos à medida que envelhecem. Tal política é importante para permitir que as pessoas continuem produtivas de acordo com suas competências e preferências ao longo do processo de envelhecimento e para evitar e amenizar as incapacidades e doenças crônicas que trazem ônus aos indivíduos, famílias e sistemas de saúde (BRASIL, 2005). Pode-se concluir que estimular as potencialidades individuais através do acesso a bens, serviços e interações sociais favoráveis é um dos fundamentos para a construção de uma velhice mais digna. Tal garantia perpassa pelos entes político, social e familiar, e vem sendo formulada através de lutas. Vale salientar que a velhice ativa é uma construção da coletividade para a coletividade e que ficar inerte não pode ser uma opção em meio a esse processo, pois o jovem de hoje será o idoso de amanhã, que poderá ter maior qualidade de vida como fruto de programas e políticas exitosas, além do conjunto de princípios e valores morais fundamentados no respeito ao ser humano, independentes de sua idade. 22 3 FAMÍLIA De forma geral a família pode ser compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa (BRASIL, 2005) e constitui a entidade responsável pelo aprendizado social. As relações familiares estabelecem a preparação para as relações na sociedade, sendo caracterizadas pela inclusão de todos os seus membros. A função universal da família é a de preservar a espécie, porém, dentre as suas atribuições, capacitar para a cidadania parece a meta a ser atingida em qualquer espaço domiciliar. Isso porque os indivíduos necessitam da adequação social para desenvolverem seu papel (VIEIRA, 2004). 3.1 Conceituando família O termo “família” vem de uma expressão latina cujo correspondente grego é okonomia, do qual derivou a palavra economia. Baseado nisso, pode-se também compreender a família como uma organização econômica. Encontrada em toda a sociedade humana, a família certamente precede o próprio homem, pois pode ser identificada em várias espécies animais. No entanto, sua existência universal não imprimiu estaticidade em suas características, pelo contrário, estas têm se modificado de acordo com as diferentes épocas (VIEIRA, 2004). Nas últimas décadas, a composição da família tornou-se multifacetada, podendo ser identificada biologicamente, legalmente ou como uma rede social construída com laços e ideologias. Para alguns indivíduos, família inclui apenas pessoas relacionadas pelo casamento, nascimento, ou adoção; para outros, essa instituição inclui tios, tias, amigos próximos, parceiros e até animais de estimação (POTER PERRY, 2009). A concepção de padrões familiares distintos, cada família com sua própria história e suas próprias explicações, permitiu que a definição desse termo se apresentasse como modelo construído historicamente, o que não ocorre quando o padrão de família é visto como norma, pois, nesse caso, aceitam-se determinados valores, regras, crenças e padrões, que geralmente inviabilizam a aceitação de outras formas de vida familiar, em outros momentos históricos (VIEIRA, 2004). Quanto à forma como é composta a família, pode ser classificada em: família nuclear, família ampliada, família de monoparentais, família mista e relacionamentos de padrões alternativos. Cada arranjo familiar possui características específicas: a família nuclear consiste em marido, mulher e algumas vezes crianças; a família 23 ampliada refere-se à inclusão de parentes à família nuclear; a família de monoparentais é formada quando apenas um dos pais participa do núcleo familiar; a família mista é estabelecida quando os cônjuges trazem crianças de relacionamentos anteriores para um novo relacionamento; já os relacionamentos e padrões alternativos referem-se à agregação de adultos, membros da geração de suporte, grupos comuns com crianças, parceiros vivendo juntos, dentre outros (POTER, PERRY, 2009). Cada família possui uma estrutura e um modo de funcionamento, aspectos que estão intimamente ligados e interagindo. A estrutura é baseada no curso e nos padrões de relacionamento, os quais formam as bases do poder e os papéis desempenhados. A estrutura implicará na capacidade da família de responder às crises, sendo necessário que ela evite os extremos de rigidez ou flexibilidade. Quanto ao funcionamento, refere-se ao processo utilizado pela família para alcançar seus objetivos. Para isso, exigem-se processos, como comunicação entre membros, resolução de tensões, ajuste de objetivos e utilização adequada de recursos internos e externos (POTER, PERRY, 2009). Apesar das diferentes composições, o que define a família é a capacidade de satisfazer as inúmeras necessidades de seus componentes, quer físicas (alimentação, habitação, cuidados durante doenças), psíquicas (autoestima, amor, afeto e equilíbrio psíquico) ou sociais (identificação, relação, comunicação, pertencer a um grupo) (MORAGAS, 2004). No entanto, a forma como a família exerce esse papel tem se modificado como reflexo das transformações sociais e econômicas das últimas décadas. Até a época em que os povos viviam em comunidades agrícolas, dedicando-se à economia familiar, o lar era o centro não só das atividades econômicas como também das educacionais, sociais, recreativas e religiosas (VIEIRA, 2004). Atualmente, embora a família seja responsável pelas principais decisões relativas a seus membros, muitos dos cuidados que outrora eram exercidos diretamente por ela foram delegados a organizações terceiras, exemplo disso ocorre com a educação dos filhos ou a prevenção e o tratamento de doenças (MORAGAS, 2004). 3.2 Papel da família diante do envelhecimento de seus membros A Política Nacional do Idoso aponta a família como a primeira das instituições responsáveis por assegurar ao idoso participação na comunidade, defesa da sua dignidade, bem-estar e direito à vida. Vale destacar que na velhice os mecanismos 24 de defesa de equilíbrio da personalidade são ameaçados por inúmeras tensões. A saúde geralmente torna-se o ponto mais frágil do idoso. A incapacidade, funcional ou cognitiva, tende a torná-lo mais carente de cuidados, e a necessidade de auxílio – físico, financeiro ou afetivo – faz com que muitos idosos não tenham possibilidade de viver de forma independente (CAMARGOS; RODRIGUES; MACHADO, 2011). Nesse contexto, é essencial a família do idoso compreender seu papel, uma vez que ela está presente no dia a dia dele, tendo que lidar com o processo de envelhecer e com os problemas que podem se desenvolver com o avançar da idade. Essa dinâmica vem ocasionando mudanças na própria estrutura familiar, em que famílias envelhecem junto com os seus membros, reorganizando-se para suprir as demandas da velhice, o que fez despontar a intergeracionalidade como uma das características do processo de envelhecimento coletivo (REIS et al., 2011). A dinâmica familiar se estabelece adequando-se aos intercâmbios decorrentes das diferentes etapas da vida, produzindo o mecanismo da compensação vital. Ou seja, o indivíduo nasce completamente dependente de cuidados e com ligação extrema aos pais; à medida que cresce, vai adquirindo independência até chegar à completa autonomia; então, ao chegar à velhice, quando surgem limitações de diversos tipos, é previsível o surgimento de um novo tipo de relação devido às maiores necessidades dos pais, nas quais o filho intervém para compensá-las com sua atenção e com seus cuidados. Na idade avançada, a família tem um papel fundamental nas soluções, por isso muitos pais que viveram de modo independente optam por residir com os filhos ou próximo a eles (MORAGAS, 2004). No entanto, é necessário bom senso da parte dos adultos e jovens ao enfrentarem a modificação de papel – de provedor para receptor de cuidados – imposta continuamente pelo envelhecimento, de forma a evitar o surgimento de posturas inadequadas. Beauvoir (1990) relata que indiretamente o indivíduo adulto age para com o idoso de modo a submetê-lo às suas tiranias, uma vez que o adulto não se arrisca a passar ordens de maneira clara. Portanto as atitudes do adulto, aliadas à cumplicidade dos outros membros familiares, consistem em vencer a resistência e vigor do idoso. Ao tratar o idoso com prudência excessiva, prejudica-lhe a autonomia e infantiliza-lhe, além de enganar-lhe ao omitir os fatos. Diante do que foi dito, Beauvoir (1990) afirma que: 25 O que caracteriza a atitude prática do adulto para com os velhos é sua duplicidade. O adulto inclina-se até a moral oficial que vimos impor-se nos últimos séculos, que o abriga a respeitar os velhos. Mas ele tem interesse em tratar os idosos como seres inferiores, e em convencê-los de sua decadência. Irá aplicar-se em fazer sentir a seu pai as deficiências de incapacidades deste, a fim de que o velho lhe ceda a direção dos negócios, poupando-o dos conselhos e resignando-se a um papel passivo. Se a pressão da opinião o obriga a assistir seus velhos pais, ele pretende governá-los a seu modo: terá tanto menos escrúpulos quanto mais os julgar incapazes de tomarem conta de si próprios. (BEAUVOIR, 1990, p. 268). Baseado nisso, pode-se afirmar que muitas vezes a família assume uma postura preconceituosa, tornando-se indiferente às potencialidades do idoso e, sob pretexto de protegê-lo, deprecia-o, dando destaque às limitações, que às vezes ainda não se manifestaram. Assim, conseguem de forma ditatorial manipulá-los e convencê-los a abandonar suas funções de costume, tornando-os indivíduos totalmente inertes. No entanto, salienta-se que o respeito às diferenças e a valorização do indivíduo são fatores essenciais a uma convivência salubre. Uma família estruturada pode proporcionar ao idoso um espaço social menos competitivo, menos agressivo e mais adequado às suas necessidades, um meio favorável para manter a identidade pessoal e evitar os perigos do meio ambiente, uma atmosfera que dê significado às suas vidas, ao atribuir ao idoso seu papel na transmissão dos valores familiares e propiciar a valorização dele pelos membros das jovens gerações. As relações intergeracionais são solidárias e garantem ajuda em momentos críticos, quando se percebe a necessidade da compensação entre gerações e se educam os jovens para praticá-la, impulsiona-se a integração entre as diferentes idades e a redução dos conflitos sociais (MORAGAS, 2004). Quanto ao apoio às necessidades fisiológicas, a participação da família em atividades como alimentação são um diferencial, a refeição em família, por exemplo, eleva a qualidade dessas atividades. A convivência do idoso numa família possibilita dietas melhor balanceadas, pouco frequentes quando ele mora sozinho. A relação do idoso com a família propicia saúde física, devido ao controle e à qualidade da alimentação. Outro aspecto importante é a inviabilidade da vida independente de indivíduos idosos por gerar elevados custos econômicos e ser pouco aconselhável do ponto de vista físico e psíquico (MORAGAS, 2004). No que se refere à questão econômica, diferentes cenários podem ser observados. Salienta-se que o idoso, em resposta aos processos limitativos resultantes da idade, requer maior número de medicamentos, alimentação e outros cuidados. Em algumas famílias o que se apresenta é que os filhos constituem, em 26 caso de necessidade, a principal parte da ajuda econômica aos idosos. No entanto, muitos idosos convivem em uma estrutura familiar que dispõe de recursos financeiros escassos, participando do núcleo familiar como principal provedor. Com isso, a necessidade de amparar parentes desempregados ou doentes compromete, por exemplo, os custos com os cuidados de sua saúde (IBGE, 2008). Quanto aos cuidados de saúde, a família é um intermediário útil na procura de recursos, visto que o indivíduo idoso pode apresentar dificuldades na compreensão dos atuais sistemas de saúde, que se mostram cada vez mais complexos (MORAGAS, 2004). Além disso, muitos idosos apresentam doenças crônicas diante das quais a atenção prestada pelos familiares a certas funções – como auxílio na administração medicamentosa, incentivo à adequação alimentar e vigilância de intercorrências – pode impactar positivamente na saúde. Ainda sobre condições de saúde, salienta-se que um elevado número de idosos apresenta limitações importantes, necessitando de auxílio para a realização de atividades complexas, como realizar compras, atender telefone, utilizar transporte público, ou mesmo para a realização de necessidades básicas e de autocuidado, como banhar-se, vestir-se, alimentar-se e mobilizar-se. Acerca desse aspecto, Montezuma, Freitas e Monteiro (2008) destacam que a família encontra grande dificuldade para definir quem será o cuidador do idoso dependente, visto que tal papel está relacionado à disponibilidade de tempo e boa vontade para assumir as tarefas, que são muito pesadas e exigentes, mudam drasticamente a rotina e provocam excessivo desgaste físico e mental. Nesse contexto, a função de cuidador, na maioria das vezes, surge como uma obrigação, relacionada aos fortes laços familiares e à gratidão pela dedicação dos pais durante toda a vida. Sobre essa função, observa-se a influência cultural e de gênero, pois, apesar das mudanças na divisão sexual dos papéis sociais, o que predomina é que as mulheres assumem o papel de cuidadora dos idosos doentes, enquanto os homens se responsabilizam pela tomada de decisões e pelo apoio financeiro (MORAGAS, 2004). Ainda sobre a capacidade familiar de prestar cuidados, destaca-se que, quando existe com um cenário de disfuncionalidade, as famílias podem ter a sua habilidade assistencial prejudicada e não conseguir prover o atendimento das necessidades, resultando em interferência na independência, autonomia e qualidade de vida dos idosos. A diminuição da renda e a falta de acesso à assistência médica, 27 falta de moradia, violência e a presença de doenças agudas ou crônicas são alguns dos problemas enfrentados pelas famílias atuais. Além disso, na família moderna desponta a problemática da escassez de espaço e de tempo. Geralmente os membros adultos têm diversos afazeres relacionados ao trabalho e ao estudo, estando a maior parte do tempo fora de casa por força de seus compromissos, o que pode resultar em prejuízos na assistência familiar, mesmo aos idosos residentes com filhos e netos (ZIMERMAM, 2000). Vale salientar que aspectos como número de filhos, viuvez, separações, migrações, condições sociais e de saúde, os diferentes tipos de arranjos familiares e a qualidade dos laços estabelecidos entre os membros da família são fatores que podem colocar o idoso, do ponto de vista emocional e material, em situação de segurança ou de vulnerabilidade (CAMARGOS; RODRIGUES; MACHADO, 2011). No entanto, para os idosos que não podem contar com a ajuda informal, resta como principal alternativa a institucionalização, visto que existe uma carência por parte do Estado na oferta de programas formais que prestem assistência aos idosos que não possuem auxílio da família ou recursos financeiros e necessitam de apoio (CAMARGOS; RODRIGUES; MACHADO, 2011). 28 4 INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA (ILP) O fenômeno do envelhecimento populacional tem gerado grandes desafios aos governos, família e sociedade em geral, principalmente quando se questiona: “Quem cuidará dos idosos?”. Mediante as novas demandas por cuidado, o fenômeno da institucionalização tem aumentado nas últimas décadas. 4.1 Breve histórico da institucionalização de idosos As instituições de longa permanência que abrigam idosos são “instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania” (BRASIL, 2005). O surgimento destas instituições teve início, por volta do século V da era cristã. A literatura registra que o primeiro asilo foi fundado na Inglaterra pelo papa Pelagio II, que transformou sua casa em um hospital para velhos. No Brasil, as primeiras casas de apoio surgiram no final do século XIX, com o intuito de abrigar soldados velhos que haviam prestado serviço à pátria. Antes da existência das casas de acolhimento, os idosos sem apoio familiar eram obrigados a viver nas ruas junto a pessoas com diversos perfis: mendigos, doentes mentais, crianças abandonadas, desempregados. Com o intuito de resolver esse problema social, foi fundado em 1890 o asilo São Luiz, primeira instituição com a finalidade de acolher exclusivamente idosos (ARAÚJO, SOUZA E FARO, 2006). Segundo Groisman (1999), o asilo São Luiz foi uma instituição particular e possuía os objetivos de receber idosos de ambos os sexos, sem distinção de cor ou nacionalidade e comprovadamente desamparados. A eles ofereciam casa, sustento, vestuário, médico e farmácia, e, em caso de morte, um decente sepultamento. Nas primeiras décadas do século XX, esse asilo tornou-se uma instituição beneficente modelo, alcançando uma relevante visibilidade social. Porém, a criação de quartos particulares para velhos que não eram desamparados modifica o aspecto filantrópico da institucionalização da velhice e o transforma também em uma fonte de lucro. Pestana e Santos (2008) afirmam que foi principalmente a partir da década de 1980 que se pôde ver um crescente número de instituições de prestação de serviços com o objetivo de prover aos idosos cuidados integrais à saúde. A residência de idosos em instituições de longa permanência (ILPs) no Brasil não é tida como um ato comum. Um estudo das características das instituições de longa permanência na região Nordeste, realizado pelo IBGE no ano 29 2000, identificou 103 mil idosos em condições de residência em domicílios coletivos, o que representa aproximadamente 0,8% da população idosa. No Nordeste, essa porcentagem é bem menor, em torno de 0,3%. No Ceará apenas 0,1% dos idosos residem em ILPs, sendo que são considerados domicílios coletivos pelo IBGE conventos, presídios, hotéis e hospitais. O mesmo estudo relatou que no Nordeste grande parte das ILPs são privadas/filantrópicas: 81,4%, as quais se dividem entre filantrópicas religiosas, que são mais da metade, e as legais. Há também um pequeno número de instituições privadas com fins lucrativos (12,6%) e uma minoria pública (6,0%). No Ceará, esse dado é ainda mais crítico, pois apenas 7,6% dos municípios possuem ILPs; ao todo são cerca de 30 instituições, a maioria localizada em Fortaleza (10) e em Juazeiro do Norte (7). O baixo número de idosos nas instituições de longa permanência se dá por diversos fatores, dentre eles a pequena quantidade de instituições, altos custos e preconceitos ligados ao fato de que os idosos atualmente preferem ser cuidados pelas famílias (IPEA, 2008). Embora não seja elevada a quantidade de idosos morando em instituições de longa permanência, a demanda pela institucionalização do idoso tende a crescer, como resultado da mudança no perfil demográfico, da situação de pobreza em que vive grande parte da população e das modificações na estrutura familiar, que se apresenta com menor número de membros e aumento na quantidade de idosos de sua composição. Nesse contexto, os membros mais velhos e frágeis apresentam maior longevidade, significando uma convivência familiar intergeracional mais prolongada, o que gera a necessidade de se rever o suporte familiar disponível ao idoso, visto que esse apoio pode ficar limitado (SANTOS; PAIVA; BARHAM, 2011). Para Araújo, Paúl e Martins (2011), a família é, sem dúvida, uma estrutura essencial de apoio. É a primeira unidade social onde a pessoa se insere, e a primeira instituição que contribuiu para o desenvolvimento e a socialização, sendo uma realidade de chegada, permanência e partida do ser humano. No entanto, nem todas as famílias possuem condições psicossociais e econômicas de prestar cuidados adequados ao seu idoso (ALCÂNTARA, 2004). Diante disso, a instituição de longa permanência adquire caráter protetor, pois exerce o papel da família em atender as necessidades dos idosos, supre a falta de programas voltados à sua 30 permanência na comunidade e no seio familiar e propõe a política nacional do idoso (VON SIMSOM; NERI; CACHIONE, 2006). A partir do que foi dito, percebe-se que o atendimento a idosos em instituições em sua maioria é voltado às classes mais carentes e ainda jovens da população idosa. A procura pelas ILPs é realizada não só por idosos com dependência que necessitam de cuidados especiais, mas também por idosos jovens com faixa etária de 60 a 65 anos que foram afastados do mercado de trabalho e da convivência familiar (VON SIMSOM; NERI; CACHIONE, 2006). 4.2. Critérios mínimos para o funcionamento das ILPs Os aspectos estruturais e funcionais das ILPs são problemáticos e merecem atenção. As deficiências da estrutura dessas instituições já eram citadas em 1970 por Beauvoir, que, em seu livro A velhice, descreve os asilos como estruturas antigas que dificultavam a mobilidade do idoso por possuírem, em sua maioria, inúmeras escadas, cômodos antigos e sombrios, além de armários coletivos. Nessas instituições, oferecia-se a mesma refeição para todos os moradores, não existindo regimes apropriados para cada um, e havia precariedade de atendimento médico, visto que havia apenas um médico disponível para atender a todos os internos. Em contrapartida às deficiências estruturofuncionais das ILPs, o poder público criou documentos específicos para normatização delas, como a resolução n° 283 de 26 de setembro de 2005, que determina critérios mínimos necessários às instituições de longa permanência para idosos. Dentre eles, estão a posse de alvará sanitário atualizado expedido pelo órgão competente e a comprovação da inscrição de seu programa junto ao Conselho do Idoso. Dentre as exigências estruturais contidas nessa resolução, pode-se citar a construção de instalações físicas com condições adequadas de habitação, higiene, salubridade, segurança e garantia de acessibilidade a todas as pessoas com dificuldade de locomoção e de instalações prediais de água, esgoto, energia elétrica, telefonia e outras existentes de acordo com as exigências locais para obras e com as normas técnicas brasileiras. Também aponta, de forma bem específica, o padrão para ambientes utilizados para atividades individuais e qual o mínimo de ambientes destinados a atividades coletivas: 4.7.7 - A Instituição deve possuir os seguintes ambientes: 4.7.7.1 Dormitórios separados por sexos, para no máximo 4 pessoas, dotados de banheiro. a) Os dormitórios de 01 pessoa devem possuir área mínima de 7,50 m², incluindo área para guarda de roupas e pertences do residente. 31 b) Os dormitórios de 02 a 04 pessoas devem possuir área mínima de 5,50 m² por cama, incluindo área para guarda de roupas e pertences dos residentes. c) Devem ser dotados de luz de vigília e campainha de alarme. d) Deve ser prevista uma distância mínima de 0,80 m entre duas camas e 0,50 m entre a lateral da cama e a parede paralela. e) O banheiro deve possuir área mínima de 3,60 m², com 1 bacia, 1 lavatório e 1 chuveiro, não sendo permitido qualquer desnível em forma de degrau para conter a água, nem o uso de revestimentos que produzam brilhos e reflexos. 4.7.7.2 Áreas para o desenvolvimento das atividades voltadas aos residentes com graus de dependência I, II e que atendam ao seguinte padrão: a) Sala para atividades coletivas para no máximo 15 residentes, com área mínima de 1,0 m² por pessoa b) Sala de convivência com área mínima de 1,3 m² por pessoa 4.7.7.3 Sala para atividades de apoio individual e sociofamiliar com área mínima de 9,0 m². [...] 4.7.7.5 - Espaço ecumênico e/ou para meditação 4.7.7.6 - Sala administrativa/reunião 4.7.7.7 - Refeitório com área mínima de 1m² por usuário, acrescido de local para guarda de lanches, de lavatório para higienização das mãos e luz de vigília. [...] Resumindo, a instituição deve apresentar uma infraestrutura física que facilite o acesso e a movimentação dos residentes, proporcione prevenção de acidentes e redução dos riscos à saúde dos idosos e permita a socialização, assim como a manutenção da individualidade e da privacidade. Quanto aos serviços prestados, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que é o órgão responsável pela política federal para as ILPIs, determina que as instituições devem oferecer serviços na área social, psicológica, médica, odontológica, de enfermagem, nutricional, farmacêutica, atividades de lazer atividades de reabilitação física, apoio jurídico e administrativo (IPEA, 2008). Destaca-se ainda que as instituições devem realizar atividades de educação permanente na área de gerontologia, com intuito de aprimorar tecnicamente os recursos humanos envolvidos na prestação de serviços aos idosos (BRASIL, 2005). No que se refere ao exercício da cidadania, a instituição deve assegurar os direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e individuais; respeitar a liberdade de credo e o direito de ir e vir; preservar a identidade e a privacidade do idoso, garantindo um ambiente de respeito, dignidade e acolhedor, que permita a convivência e a integração dos idosos, favoreça o desenvolvimento de atividades conjuntas com pessoas de outras gerações, incentive e promova a participação da família e da comunidade na atenção, desenvolva atividades que estimulem a 32 autonomia, promova condições de lazer e realize atividades e rotinas para prevenir e coibir qualquer tipo de violência e discriminação contra pessoas nela residentes (BRASIL, 2005). Ainda sobre a manutenção do direito dos idosos institucionalizados, pode-se citar o Estatuto Nacional do Idoso (2004), que traz no seu capítulo II, artigo 49, o seguinte: Art. 49 As entidades que desenvolvem programas de institucionalização de longa permanência adotarão os seguintes princípios: I. Preservação dos vínculos familiares; II. Atendimento personalizado e em pequenos grupos; III. Manutenção do idoso na mesma instituição, salvo em caso de força maior; IV. Participação do idoso nas atividades comunitárias, de caráter interno e externo; V. Observância dos direitos e garantia dos idosos; Enfim, perpassando as características dispostas no arcabouço legal, existe a expectativa de que as ILPIs lembrem um lar e ofereçam suporte semelhante ao encontrado na vida em família, que visa à promoção, recuperação e manutenção da autonomia do idoso, além do estabelecimento e da manutenção dos vínculos afetivos sociais e familiares. Vieira destaca três tipos de estabelecimentos expostos pela portaria SAS73/2001 que prestam assistência à terceira idade. 1. A instituição criada para idosos dependentes e independentes na execução de suas AVDs. 2. A instituição destinada a idosos dependentes e independentes que necessitam de auxílio e de cuidados especializados. 3. A instituição destinada a idosos dependentes e que precisam de assistência integral. Embora existam vários documentos que tentam definir e classificar esses estabelecimentos, a diferenciação e classificação parecem estar, em todos os casos, diretamente relacionadas ao tipo de paciente que eles atendem e às suas necessidades. O que se pretende é adequar a assistência à necessidade do idoso, evitando o desperdício e a ociosidade de recursos materiais e humanos disponíveis na instituição. (VIEIRA, 2004, p.178). 33 5 PERCURSO METODOLÓGICO O presente capítulo refere-se ao delineamento do estudo na instituição. Trata- se de pesquisa de abordagem qualitativa. A abordagem qualitativa acontece quando o interesse não está focalizado em contar o número de vezes em que uma variável aparece, mas sim que qualidade elas apresentam (LEOPARDI, 2001). Para obtenção dos dados, utilizou-se a pesquisa de campo, que é definida por Gil (2002) como um estudo de cunho empírico que se realiza em determinado local, com o intuito de investigar uma dada realidade, em que, através de observações, entrevistas ou questionários, obtém-se suporte para captar elementos que possam explicar o fenômeno em questão. Sobre essa modalidade de pesquisa, Severino (2014) afirma: Na pesquisa de campo, o objeto/fonte é abordado em seu meio ambiente, próprio. A coleta dos dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador. Abrange desde os levantamentos (surveys), que são mais descritivos, até estudos mais analíticos. 5.1 O lócus da pesquisa A pesquisa de campo foi realizada no Recanto do Sagrado Coração de Jesus, em Fortaleza-CE, uma associação civil e religiosa, de direito privado, de caráter formativo e assistencial, sem fins lucrativos, fundada em 02 de setembro de 1917, sediada na Avenida da Universidade, 3106, Benfica, Fortaleza-CE, inscrita no CNPJ 07.370.422/0001-06. A instituição mantém o seu caráter beneficente, procurando resgatar a dignidade da pessoa humana, através da promoção integral, visto que a sua atividade social tem sido sempre de acordo com as demandas dos mais necessitados. Numa trajetória de mais de oito décadas de serviços em favor dos pobres, o Dispensário já prestou diferentes modalidades de serviço no limiar de sua história, sob a direção das Senhoras Católicas, assistindo a velhice abandonada, através de visitas domiciliares e da distribuição de víveres e remédios. No final da década de 1920, as Filhas da Caridade assumiram as obras sociais do Dispensário, dando continuidade à ação caritativa, levando às famílias não só ajudas materiais, mas o conforto de sua presença amiga e da palavra orientadora para suas vidas. A estrutura organizacional do Recanto do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza contempla quatro áreas: social, saúde, nutrição e gestão. A equipe multiprofissional é composta por assistente social, educador físico, enfermeiro, 34 psicólogo e terapeuta ocupacional, além dos profissionais auxiliares que se distribuem entre os diversos serviços, como segurança, limpeza, alimentação, entre outros serviços gerais. A estrutura física da instituição é ampla com salas apropriadas para os profissionais, espaços de convivência para a realização de atividades coletivas, capela, cozinha, refeitório, lavanderia, além de alas residenciais nas quais localizamse os quartos, sendo que cada moradora reside em quarto particular com banheiro. Atualmente a instituição promove o desenvolvimento humano através de ações de caridade e assistenciais para a velhice desamparada e a população que vive nas ruas. Para isso realiza trabalhos com pessoas em situação de rua através do Projeto Globalização da Caridade com o objetivo de proporcionar, no período da manhã, atendimento a 130 (cento e trinta) beneficiários, oferecendo local para banho, lavanderia, oficinas profissionalizantes, alimentação material e espiritual. Também desenvolve o Projeto A Arte de Envelhecer, que proporciona moradia com qualidade de vida a mulheres na faixa etária acima de 60 anos. A população do estudo foi constituída por todas as idosas residentes na instituição, que se enquadravam nos critérios de inclusão. Utilizou-se para a categorização de idoso o critério adotado pelo art. 2º da Lei nº 8.842/94, que considera idosa a pessoa com 60 anos ou mais. Foram estabelecidos como critérios de inclusão no estudo: ter idade igual ou superior a 60 anos, ser residente em regime de internamento na instituição por um período superior a um ano, possuir parentes vivos, não possuir limitações que impossibilitem a comunicação verbal, aceitar participar da pesquisa mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO 1). Foram critérios de exclusão: ter idade menor de 60 anos, ser portador de alterações que comprometam a comunicação verbal, recusar-se a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Durante o período de entrevista, residiam na instituição 30 idosas; destas, oito apresentavam déficit cognitivo que impossibilitava a comunicação, quatro não possuíam familiares vivos, doze recusaram-se a participar da pesquisa. A amostra final foi composta por seis idosas (FIGURA 1). 35 Figura 1 Composição da amostra da pesquisa. O período de coleta de dados ocorreu durante os meses de maio e junho de 2014. Ela aconteceu em oito visitas à instituição. A primeira visita foi de reconhecimento, momento no qual a direção da instituição foi contatada, autorizando a pesquisa e informando quais as idosas que se adequavam nos critérios estabelecidos. Nessa mesma data, ficou acordado com a assistente social que nas duas visitas seguintes o pesquisador seria inserido nas atividades sociais de rotina com o intuito de promover a familiarização com as idosas; somente após esses encontros iniciais as entrevistas seriam realizadas. Esse primeiro processo facilitou muito na captação dos idosos. Para a execução investigativa, utilizou-se de entrevista semiestruturada (ANEXO 2) que abordou as variáveis de identificação (nome, idade, sexo, escolaridade); sociais (número de filhos, renda familiar, situação conjugal) e nove perguntas abertas relacionadas à temática sob estudo. Todas as entrevistas foram gravadas e posteriormente ouvidas e transcritas (FIGURA 2). Os dados foram analisados a partir do método de análise de conteúdo, que consiste em um conjunto de técnicas que busca compreender criticamente o significado aberto ou oculto das mensagens, envolvendo, assim, a análise do conteúdo dos discursos, os enunciados das falas, a busca do sentido das mensagens, a linguagem, a expressão verbal e os enunciados, que são encarados como indicadores significativos necessários à compreensão dos problemas ligados as práticas humanas e a seus componentes psicossociais (SEVERINO, 2014). 36 Gravador Figura 2. Entrevista à idosa. 5.2 Caracterização dos participantes da pesquisa IDOSA 1 Nascida em Massapê/CE, tem 89 anos, é viúva tem Ensino Médio completo, é aposentada e trabalhava como costureira, nunca teve filhos, está há 05 anos na instituição. IDOSA 2 Nascida em Massapê/CE, tem 81 anos, é viúva, tem Ensino Médio completo, é aposentada, trabalhava como secretária, está há 07 anos na instituição. Tinha apenas um filho, que faleceu há quatro anos. IDOSA 3 Nasceu no Município de Quixadá/CE, tem 92 anos, viúva, tem Ensino Fundamental Completo, era doméstica, é pensionista, nunca teve filhos, está há 11 anos na instituição. IDOSA 4 Nasceu no estado de Pernambuco, tem 84 anos, solteira, nunca casou, tem Ensino Superior completo, é aposentada como professora, tem uma filha adotiva, está há 03 anos na instituição. IDOSA 5 Nasceu em São Luís/MA, tem 83 anos, é divorciada, estudou até a quarta série do Ensino Fundamental, é aposentada, tem uma filha, está há 05 anos na instituição. 37 IDOSA 6 Nascida em Manaus, tem 71 anos, é solteira, nunca casou, está há 07 anos na instituição, terminou o Ensino Médio, era professora de Inglês, é aposentada, nunca teve filhos, tem um irmão. 38 6 RESULTADOS Durante o período de coleta de dados, participaram da pesquisa 6 idosas que residem no Recanto do Sagrado Coração de Jesus. A apresentação e a discussão dos resultados foram organizadas em quatro etapas: Caracterização dos participantes da pesquisa; Concepção de velhice; Por que institucionalizar?; Relações familiares × idoso institucionalizado. A investigação dos aspectos sociodemográficos permitiu o primeiro contato com a realidade das idosas. Os dados obtidos nesse momento inicial constituem as primeiras peças do quebra-cabeça que tentamos elucidar. Apesar do enfoque qualitativo deste estudo, algumas informações obtidas podem ser destacadas, dentre elas a predominância de idade superior a 80 anos, que exemplifica o grande avanço da expectativa de vida dos brasileiros e o grau de escolaridade das idosas, visto que elas possuem pelo menos quatro anos de estudo, sendo que, no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada em 2008 pelo IBGE, as taxas de analfabetismo dos idosos são alarmantes: 32,2% deles não sabiam ler e escrever; 51,7% tinham menos de 4 anos de estudo. Pode-se considerar que, no cenário da institucionalização, o hábito de estudo (leitura) torna-se um passatempo complementar, reduzindo a inatividade. 6.1 Concepção de velhice A velhice é a fase da vida que vem após a maturidade e que traz consigo efeitos específicos ao homem, como resultado do decorrer dos anos (VIEIRA, 2004). Conversar sobre velhice desperta nos indivíduos sentimentos diversos, que vão nortear a forma como se conceitua essa fase. Diante da pergunta “Qual seu entendimento sobre velhice?”, pode-se categorizar diferentes definições: IDOSA 06 – 71 anos, institucionalizada há 07 anos: Velhice é uma coisa completamente natural; se você não morre quando novo, você vai morrer depois de velho. IDOSA 01 – 89 anos, institucionalizada há 05 anos: Eu não entendo por nada, não me preocupo de ser velha não, que todo mundo fica velho [...] ninguém quer ficar velho, mas fica com a passagem do tempo, os anos vão passando e a gente vai chegando naquela vida de velhice. Quem não morre nova pensa que não vai ficar velha, aí que fica velha mesmo. IDOSA 04 – 84 anos, institucionalizada há 03 anos: A velhice é um dom de Deus, a velhice é a passagem dos anos porque a gente não espera viver tanto. Minha mãe viveu só 75 anos e minha irmã morreu com 38 anos. Nas falas anteriores, pode-se verificar que as idosas percebem a velhice como algo natural e inevitável; de fato, a única maneira de não ficar velho é morrer antes, assim o envelhecimento é a continuidade da vida. Apesar disso, percebe-se 39 que, para o idoso, esse processo pode ser algo desafiador e causador de grande insatisfação. É o que será observado nos relatos a seguir. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: É a pior coisa, velhice a gente tem que aceitar, agora a gente não pode se integrar porque tá velha, já morreu. IDOSA 01 – 89 anos, institucionalizada há 05 anos: Vocês pensam que vão ficar toda vida novinha andando nas casas atrás disso e daquilo, vão nada, vão pra lá, chega um dia que você não tem nem condição de sair de casa. IDOSA 02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Eu não gosto de jeito nenhum, a minha vida era muito boa, eu casei muito bem, vivia muito feliz, todo mundo gostava de mim, minha vida mudou completamente, a velhice eu não adoto, ser velho pra mim é morrer porque quem não morre novo de velho não escapa, e eu já tou numa idade muito avançada, né? E eu fico triste em ir praquele buraco. Dentre as grandes contradições da velhice, destaca-se o fato de que muitas pessoas desejam a longevidade, mas poucos desejam ser “velhos’’, por significar “o que não tem mais uso por ser gasto pelo tempo”. Mas a grande problemática da velhice não recai apenas sobre esse paradoxo, mas também sobre o binômio saúde/doença. O dilema não é ser jovem ou velho, mas ser saudável ou doente, autônomo ou não (VIEIRA, 2004). Apesar das perdas enfrentadas com o avançar da idade, como prejuízo na estética corporal e comprometimento da função dos sistemas (como visual, auditivo, cardiovascular), é possível encarar a velhice de forma otimista. Nesse contexto, a manutenção da autonomia é um aspecto indispensável. IDOSA 03 – 92 anos, institucionalizada há 11 anos: Levo uma vida maravilhosa de velho, graças a Deus ainda ando de ônibus sozinha, desço do ônibus, as pessoas têm o maior orgulho de pegar na minha mão pra me ajudar a atravessar a rua, só encontro gente boa. A vida de velho é maravilhosa eu tenho saúde, durmo bem, me alimento bem, faço minhas coisas, lavo meu banheiro, minhas roupa, às vezes faço minha comida quando não me agrado com a daqui, eu não conto nada ruim da minha velhice. IDOSA 04 – 84 anos, institucionalizada há 03 anos: A gente nem sabe o que dizer sobre a velhice, mas é um dom de Deus, é bom viver, viu? Mas quando a gente luta pra fazer as coisas certas, é bom viver para fazer bem aos outros, trabalhar, estudar. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: Sinto-me bem em ser uma mulher idosa, pois me cuido, cuido da minha saúde e do meu bemestar, estar em paz comigo mesma é mais importante que qualquer coisa, a paz de espírito é tudo pra mim, me faz rejuvenescer por dentro [...], eu faço tudo no meu quarto, eu que varro, eu que passo pano molhado, eu que lavo o banheiro, eu que faço tudo. Para uma velhice bem-sucedida, faz-se necessário manter uma boa saúde e bom funcionamento físico, mental e social, fatores indispensáveis na qualidade de vida. A perda da saúde no idoso pode ter diversos motivos, mas a imagem social 40 dominante sobre o processo de envelhecimento, muitas vezes, está distante da realidade. O melhor é, ao longo da vida, desenvolver ações e atitudes que permitam ao indivíduo desfrutar de uma velhice bem-sucedida, tanto do ponto de vista físico e funcional como psicossocial (VIEIRA, 2004). Park (2006) fala que o que se considera é a juventude da alma, a condição de espírito que motiva e gera vontade de viver. Com essa visão moderna de terceira idade, saúde não tem idade, todos passam a viver melhor, na confiança de que a velhice não é algo assustador, sinônimo de doença e solidão. Velhice é o período em que o homem se encontra de frente com a própria vida. Infelizmente alguns desperdiçam o convívio com uma fonte tão rica de conhecimentos. 6.2 Por que institucionalizar? Neste momento do estudo, despontam as questões sobre a institucionalização, como quem optou por ela, além da percepção dos idosos acerca da família, com quem os idosos residiam antes da institucionalização, e quais fatores determinaram o ingresso do idoso no Recanto do Sagrado Coração de Jesus. Para melhor compreensão do perfil das participantes, a tabela seguinte resume os dados relacionados à constituição familiar, citados pelas idosas entrevistadas (TABELA 1). Tabela 1. Apresentação dos dados relacionados à constituição familiar, citados pelas idosas institucionalizadas Dados Estado civil Total de idosas (N) Viúva 04 Solteira 02 Total de filhos 0 03 01 03 Familiares com quem residiam antes da institucionalização Filhos casados 02 Cônjuges 03 Filhos solteiros 01 Dados colhidos pela pesquisadora Ester Barros Albuquerque. 41 De acordo com a tabela, observa-se que quatro das idosas são viúvas e duas nunca se casaram; quanto ao número de filhos, três não tiveram filhos e três tiveram apenas um. Antes da institucionalização, três idosas residiam com o cônjuge, uma morava com a filha solteira e a neta, duas moravam com o(a) filho(a) casado(a) e netos. Sobre a institucionalização, a tabela 2 retrata resumidamente dados fornecidos pelas entrevistadas. Tabela 2. Dados relacionados à institucionalização das idosas Dados Quem decidiu pela institucionalização Familiar Próprio idoso Tempo de institucionalização 1-5 anos 6-10 anos > 10 anos Total de idosas (N) 02 04 03 02 01 Dados colhidos pela pesquisadora Ester Barros Albuquerque. Quem decidiu pela institucionalização foi o próprio idoso (04 idosas) ou sua família (02 idosas). Três das participantes residem no abrigo de um a cinco anos, duas de seis a dez anos e uma reside há mais de dez anos. Os motivos para o afastamento do idoso do seio da família foram os mais diversos, conforme se observa nos depoimentos a seguir. Nota-se que a família nuclear construída pelas idosas ao longo da vida é bastante reduzida. Sabe-se que o pequeno número de descendentes é um fator que pode predispor à institucionalização, visto que muitas vezes o indivíduo do qual se esperava o cuidado pode não dispor de tempo suficiente para assumir o papel de cuidador. Essa indisponibilidade de tempo torna-se um problema mais agravante quando o idoso apresenta perdas funcionais, necessitando de atenção especial para atividades rotineiras, pois pode gerar situações características de descaso e maustratos ao idoso, sendo necessária, como medida protetiva a transferência do idoso para instituições de longa permanência. Um estudo realizado em uma ILPI em São Paulo corrobora essa ideia, pois, em grande parte, a admissão ao asilo se deu pela escassez do vínculo familiar (MARTINS et al., 2006). IDOSA 04 – 84 anos, institucionalizada há 03 anos: Quem me trouxe pra cá foi um padre que foi me visitar, viu meu estado, porque estava prostrada e 42 não me levantava, aí ele falou com minha filha, ela ficou contente porque trabalhava e não podia cuidar de mim. As pessoas que ela arranjava eram pessoas muito ruim, não me davam água, depois minha filha arranjou outra que me banhava e dava de comer, ela ficou com pena de mim e falou com um padre, ele viu minha situação, ficou com pena de mim e me trouxe pra cá, minha filha ficou na expectativa de que quando pudesse me devolvesse, mas agora tá dando problema porque o padre não quer que eu saia, a assistente social quer falar com minha filha, mas ela não quer vir e eu acho que ela não vai comparecer porque ela tá muito cansada de insistir que eu voltasse porque ela deixava o emprego pra cuidar de mim. Eu não queria vir pra cá, eu vim à força porque era o jeito. A temática institucionalização do idoso remete a preconceitos, como local para depósito de velhos ou local para esperar a morte chegar. Essa afirmativa se torna mais intensa quando a decisão pela institucionalização é tomada pela família do idoso, já que mais da metade dos idosos encontrados em situação de institucionalização estão ali por decisão da família no contexto de que no asilo teriam melhor assistência médica, mas sempre com a promessa de que em breve voltariam para casa (ALCÂNTARA, 2004). Destaca-se que, ao mesmo tempo que a família pode ser considerada o lócus do amor e compreensão, pode tornar-se um local de grandes conflitos. Vale salientar que geralmente no âmago da família caem as máscaras e convenções sociais, podendo predominar, entre parentes próximos, um tratamento grosseiro, desrespeitoso e até violento. Assim, o seio familiar, que era pra ser um local de proteção, pode tornar-se inseguro à convivência do idoso. IDOSA02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Meu filho me trouxe pra cá, antes eu morava com ele, ele casou e me levou pra casa dele, só que não deu certo, porque a mulher dele não me queria lá [...], nós brigava muito, teve um dia que ela chegou até a me empurrar, aí meu filho viu eu sofrendo por causa dela e me trouxe pra cá [...]. Ele mesmo dizia,: “Mãe, eu vou trazer a senhora pra cá porque essa mulher que eu casei não presta”. Através desse discurso, podemos observar claramente o que foi citado por Beauvoir (1990) em relação à família e aos seus idosos, de que, quando há uma relação de afeto entre os pais e os filhos, estes serão prováveis cuidadores daqueles na velhice, no entanto a influência ou imposição (direta ou indireta) dos cônjuges poderá limitar a dedicação para com os pais. A impossibilidade de residir sozinho, quer por problemas econômicos, quer por problemas de saúde, também foram apontados como motivo para a institucionalização: IDOSA 01 – 89 anos, institucionalizada há 05 anos: A morte da minha mãe e do meu marido, primeiro morreu minha mãe, depois meu marido, aí não deu pra ficar morando sozinha porque eu não conseguia pagar aluguel, energia sozinha, aí eu resolvi vir pra cá, meu irmão me trouxe. 43 IDOSA 03 – 92 anos, institucionalizada há 11 anos: A decisão de vir pra cá foi minha porque eu vi que não podia mais pagar a casa, água, luz e comida, ainda morei uns dias com a sobrinha do meu marido, mas viver na casa dos outros não quero não, por isso vim pra cá. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: Foi minha, foi de livre e espontânea vontade porque eu acho que o casal deve morar só, minha filha já morou comigo muito tempo quando ela teve os meninos, ela tinha a casa dela, aí quando ela foi ter o mais velho, ela foi morar comigo, só como eu vim pra Fortaleza e ela ficou em São Luís, vim pra cá, porque eu não queria morar sozinha. IDOSA 06 – 71 anos, institucionalizada há 07 anos: Foi minha mesmo, eu conheci e vim pra cá, por causa da minha condição financeira não dava pra eu ficar morando na minha casa, que era muito grande e eu não podia pagar água, luz, imposto, empregado, não dava pra eu sustentar isso tudo, aí eu vim pra cá, que é mais barato, é bom, ainda bem que encontrei aqui, foi Deus que me guiou. Apesar do estigma relacionado à institucionalização, observa-se nos depoimentos anteriores que as participantes foram ao abrigo de idosos voluntariamente, confirmando o discurso de Freitas e Noronha (2010), que diz que, apesar da conceituação negativa, os estigmas vêm aos poucos sendo quebrados e o perfil do idoso institucionalizado se modifica. Atualmente, encontram-se idosos que estão nas instituições por falta de escolha ou por vontade própria, pois, embora tenham família, resolveram ir para uma instituição por diversos motivos, como ser viúvo, não ter filhos, preferir ser independente em lugar de incomodar os filhos e netos, maus tratos familiares, entre outros. Segundo Scharfstein (2006), pessoas que decidem viver em uma instituição são pessoas que perderam ou nunca tiveram familiares próximos, não têm renda fixa ou autonomia física e mental para administrar a sua vida, ou podem também considerar que a instituição representa uma alternativa de amparo, proteção e segurança. No entanto, a institucionalização leva os idosos a ter uma vida reprimida, levando a uma extinção da sua identidade, pois o ambiente institucional faz com que o idoso perca o controle de sua vida, predominando uma adaptação às normas, incluindo horários para deitar, levantar e alimentar-se, uso de uniformes, além de ter sua privacidade violada na aceitação de dividir o quarto com pessoas estranhas (ALCÂNTARA, 2004). No estudo de MARTINS et al., 2006, alguns idosos colocam a instituição como um local muito hostil para se viver, e evidenciaram intensa angústia por estarem longe de suas casas e filhos, além de não conseguirem formar vínculos 44 com outros moradores da instituição, que se encontram na mesma condição que eles. IDOSA03 – 92 anos, institucionalizada há 11anos: Eu não gosto das atividades daqui, elas quase sempre se reúnem no pátio, mas eu não vou pra lá, eu acho uma perca de tempo, fico é aqui ajeitando as minhas coisas lavando meu banheiro, e minha roupa, tem uma mulher que lava as roupa, aqui só que eu não gosto do jeito que ela lava, não acho que fica bem lavada [...]. Às vezes a mulher da cozinha faz umas carnes lá de um jeito... eu não gosto. Vale lembrar que os idosos são indivíduos que construíram ao longo da vida um modo específico de realizar suas atividades diárias e de passar o tempo, apresentando-se diversas vezes muito resistentes a mudanças na rotina. Tal resistência é exemplificada na insatisfação relatada pela idosa em relação às atividades grupais desenvolvidas, a forma como o serviço de lavanderia é executado, entre outros. Além do aspecto da despersonificação, a institucionalização também pode gerar impactos na saúde dos idosos. Para alguns deles, a quebra das relações sociais gera uma fragilidade que resulta em depressão e solidão, que adiantam o fim da vida. Um estudo apontou que, dentre 174 pessoas que faleceram em uma instituição, metade morreu antes de um ano de internação, um percentual de 19% morreu em menos de um mês de internação e outros 21% tinham entre um e seis meses. Apesar de alguns já estarem em fase terminal, outros morreram porque se tornaram deprimidos ao chegarem na ILP (ALCÂNTARA, 2004). IDOSA 02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Eu já amanheço o dia com uma tristeza, minha filha, fico aqui tão isolada, no meio dos estranhos, tão fora do que eu era, é bom quando tem algum movimento, alguma coisa, porque passa rápido o dia, as meninas vêm me chamar pra participar, eu vou. IDOSA 03 – 92 anos, institucionalizada há 11 anos: Na minha vida tudo mudou pra solidão. A vida que eu tinha com meu filho e com meu marido do meu lado, eu tinha empregada, vivia num ambiente bom, muitos amigos, hoje não, a cada dia fico mais solitária. Apesar de as idosas entrevistadas não contribuírem com a estatística de mortalidade citada no parágrafo anterior, elas retratam claramente o fenômeno do isolamento e da solidão relacionados com a institucionalização; parece que o sentimento de indivíduo com importância social ficou restrito ao passado. Para alguns idosos, principalmente os colocados contra a vontade, a chegada à casa de repouso torna-se traumática. A tristeza por estarem sozinhos e distantes da vida que construíram, de seus objetos pessoais, como casa, móveis e pequenas 45 recordações construídas com o tempo, é frequente. Além disso, muitos acabam aos poucos perdendo vínculos com a família, que passa a visitá-los com menos frequência. O turbilhão de sentimentos negativos advindos do fato de não serem cuidados de perto pela sua família é comum, e outros referem-se aos intensos sentimentos de dor ocasionados pelo desinteresse da família em tê-los próximos. No entanto existem diversas maneiras de se enfrentar a mesma situação. Mesmo estando distantes da família, o discurso de algumas idosas aponta predominantemente aspectos positivos, evidenciando uma boa adaptação e enfrentamento adequado da institucionalização. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: Aqui é ótimo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. [...] Eu acho muito bom, foi a melhor coisa que aconteceu porque muitos velhos estão abandonados aí no meio da rua e eu achei um amparo aqui com as irmãs de caridade, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, foi uma coisa de Deus, foi por causa de uma carteira de identidade que eu fui tirar ali, eu passei por aqui e conheci, foi um milagre de Deus, eu nem esperava, aí eu vim pra cá. Isso foi dois meses depois que minha mãe faleceu. Alguns idosos encaram a casa de repouso como um local no qual têm a possibilidade de ter contatos com outras pessoas, ter apoio médico e emocional. Para essas idosas, as atividades desenvolvidas na instituição são momentos prazerosos, de muita interação, além de diminuírem a ociosidade. IDOSA 02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Eu gosto de participar das atividades daqui, não perco um, aí elas me ligam e perguntam eu posso ir hoje aí eu falo não porque vai ter uma atividade hoje [...]. Todas as atividades que tem aqui eu participo, as meninas que fazem as atividades vêm me chamar aqui no meu quarto porque elas sabem que eu gosto, e todas elas gostam de mim, tenho até foto com elas. As atividades que são desenvolvidas na instituição têm um papel muito importante, pois ocupam o dia a dia dos idosos e estimulam os vínculos, além disso podem minimizar o sofrimento causado pela ausência de família e ajudar a melhorar-lhes a vida (MARTINS et al., 2006). Após a abordagem sobre institucionalização, questionou-se às idosas sobre o que elas pensam acerca de família. Vale salientar que nesse estudo foi compreendido por família a instituição composta por companheiro, filhos, netos ou parentes – irmãos, tios e sobrinhos (HEREDIA et al., 2004). Através das respostas, observa-se que elas destacaram diferentes aspectos intrínsecos à relação familiar, dentre eles o amor e a importância da união e da boa convivência. Rissardo et al. (2011) afirma que, para os idosos, o mais importante é a 46 família viver unida – algo insignificante para muitos, mas de extrema relevância para essa população, muitas vezes privada do afeto familiar. Idosa 01 – 89 anos, institucionalizada há 05 anos: Família é uma pessoa que a gente ama... e a gente tem aquela coisa sabe... que tem família, uma necessidade de uma convivência boa com a família e vai e é assim. Idosa 02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Família serve porque um dia a gente precisa deles né, mas aqui eu tenho minha acompanhante que faz tudo por mim, me dá tudo que eu preciso, meus remédios na hora certa. Família é um conforto. IDOSA 03 – 92 anos, institucionalizada há 11 anos: A família unida é a coisa mais importante do mundo, família é muito importante. IDOSA 04 – 84 anos, institucionalizada há 03 anos: Família é bom em umas partes em outras nem serve né, porque às vezes é muito difícil. É bom quando se ama quando a gente ama é bom. Família é pra se ajudar um ao outro. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: Pra mim família é tudo. Em uma análise mais aprofundada, observam-se ainda citações sobre a relação de ajuda mútua atribuída à instituição familiar. Sem dúvida, diante da família, o indivíduo assume suas dificuldades econômicas, de relacionamento e principalmente as ligadas ao processo saúde-doença, e, como resposta, aguarda o suprimento de suas necessidades. Sobre esse aspecto, Moragas (2004) afirma que, de forma geral, o que importa para os idosos é o potencial de relação e ajuda, a certeza de que existe alguém que, em momentos de necessidade, quer física, psíquica, econômica ou social, proporcionará o apoio solicitado de forma concreta e resolutiva. Essa pessoa é o responsável ou cuidador principal, a quem, em caso de necessidade, o idoso pode recorrer, pois corresponderá às suas solicitações. Algumas idosas também citaram situações de desajustes que podem permear a dinâmica familiar, dentre elas a quebra dos laços afetivos, como gerador de violência, situações de estresse que desajustam a funcionalidade familiar e modificações nos valores familiares. IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: [...] Mas na época de hoje essa palavra família desapareceu né, a gente vê filho matando pai, pai matando filho, não tem mais aquele aconchego de família, o mundo eu acho que tá muito doido. IDOSA 06 – 71 anos, institucionalizada há 07 anos: Família é importante, mas às vezes acontecem coisas contra a vontade da gente, a morte dos nossos pais quando a gente é criança, aí a gente cai nas mãos dos outros. 47 Vieira (2004) afirma que a modernização da sociedade provocou reestruturação do papel e das funções realizadas pela família; com isso, os laços familiares passaram a depender quase que unicamente dos vínculos gerados com o convívio diário, no entanto, quando esses vínculos não são legítimos, serão rompidos diante da responsabilidade para com os membros da família. Em um estudo realizado em uma ILPI privada da zona sul da cidade de São Paulo, também foi identificado que, para aqueles idosos, as famílias da atualidade modificaram-se em relação àquelas de gerações anteriores, no que se refere aos valores que permeiam a constituição familiar – o enfoque voltou-se aos bens e objetos materiais propiciados pelo dinheiro, em detrimento dos ensinamentos e virtudes – principalmente por influência negativa da televisão, da falta de tempo para se encontrar, da velocidade da sociedade pós-moderna (RISSARDO et al., 2011). A família, para os idosos, é algo de extrema importância. Como apontado anteriormente, os sentimentos negativos que se tem com relação à família, na maioria das vezes, dizem respeito ao fato de eles se sentirem esquecidos pelos membros de sua família nuclear, e até mesmo pelos da família extensa. Os idosos, depois que vão para a instituição, acabam perdendo o contato com a maioria dos membros da família. 6.3 Relações familiares × idoso institucionalizado Falar sobre “relações” remete à ideia de ligação, convivência e envolvimento. Em se tratando de relações familiares, vale lembrar que a família é um sistema dinâmico em intercâmbio que pretende (ou deve pretender) ajudar a pessoa a desenvolver uma presença afetiva, responsável e livre no mundo (REIS et al., 2011). Mas, no contexto do idoso institucionalizado, como fica a relação idoso-família? Através dos discursos das idosas, podem ser observadas diferentes realidades acerca da relação familiar. A tabela 3 resume essas informações: 48 Tabela 3. Dados relacionados à relação familiar Dado Total de idosas (N) Principais parentes com quem se relacionam Filhos 02 Irmãos 02 Sobrinhos 02 Netos 0 Outros parentes 0 Como classifica a relação com a família Ótima 03 Boa 02 Mais ou menos 01 Frequência de visitas Mensal 02 Quinzenal 02 Semanal 01 Pelo menos a cada seis meses 01 Mantém contato frequente por telefone Sim 03 Não 03 Dados colhidos pela pesquisadora Ester Barros Albuquerque. Verifica-se que os principais parentes com os quais as idosas se relacionam são os filhos (02), irmãos (02) e sobrinhos (02); a respeito de como classificam a relação com a família, três idosas consideram ótima, duas consideram boa e uma considera mais ou menos. Quanto à frequência com que recebem visitas dos principais familiares, duas idosas são visitadas mensalmente, duas quinzenalmente, uma semanalmente e uma idosa recebe visita pelo menos a cada seis meses. Além do contato por visita, três idosas o mantêm frequentemente por telefone e três não. As falas seguintes descrevem de forma mais aprofundada como são as relações familiares. 49 IDOSA 01 – 89 anos, institucionalizada há 05 anos: É ótima, me dou muito bem com eles [...]. Sim, recebia às vezes visita do meu irmão e da minha cunhada, só que agora eles tão doente, a minha sobrinha vem às vezes, só que ela trabalha muito e tá cuidando dos pais dela [...]. Ela mal vem, umas duas vezes no ano. [...] às vezes ela me liga pra me dar notícia do meu irmão e da minha cunhada. IDOSA 02 – 81 anos, institucionalizada há 07 anos: Minha relação com elas é boa [...]. Sim, minhas primas, elas vêm me visitar, trazem presentes pra mim, visitam às vezes porque aqui tem muito movimento e atrapalha minha vida, sabe? Eu gosto de participar das atividades daqui, não perco uma, aí elas me ligam e perguntam eu posso ir hoje, aí eu falo não porque vai ter uma atividade hoje [...]. Mesmo assim elas vêm me visitar umas duas vezes no mês. E sempre que eu preciso de alguma coisa elas trazem aqui pra mim. Quase todos os dias a gente conversa por telefone. IDOSA 03 – 92 anos, institucionalizada há 11 anos: Ótima, minha filha é tudo pra mim [...]. Eu é que vou, ela vinha, uma vez uma irmã perguntou pra ela: “Por que que você não vem mais visitar sua mãe aqui?”. Ela disse: “Irmã, se eu vier pra cá minha mãe não sai, e assim ela passa o dia comigo.”. Nós vamos pro shopping, nós almoçamos fora, ver as novidades, mas um dia eu pretendo alugar um apartamento e morar mais perto dela [...]. Todo final de semana minha filha manda um carro pra vim me buscar e no final da tarde eu volto [...]. Minha filha é ótima, ela me liga várias vezes ao dia. IDOSA 04 – 84 anos, institucionalizada há 03 anos: Ótima, gosto muito das minhas sobrinhas, elas me ligam pra vir me buscar pra eu ficar alguns dias com elas [...]. Recebo visita das minha sobrinhas frequentemente, vou na casa delas, passo uns dias lá, depois venho embora. Verifica-se nas falas anteriores que, apesar de as idosas estarem fora do convívio familiar, existe um esforço de ambas as partes para preservar o contato, a afetividade e alguma forma de assistência por parte da família. O suporte emocional é essencial para a sanidade mental dos idosos, porém se sabe que, nos tempos atuais, diversas razões podem impossibilitar que a família esteja presente na vida do idoso na forma que eles desejam. Vale salientar que, ao envelhecer, o idoso deixa transparecer que necessita de mais cuidado, atenção, amor e afeto e, também, que nessa fase da vida esses sentimentos afloram e a necessidade de estar com a família se intensifica (RISSARDO et al., 2011). IDOSA 05 – 83 anos, institucionalizada há 05 anos: A minha relação com meu irmão é financeira porque nós temos uma casa juntos e ele vem aqui deixar o aluguel. Eu tenho minha aposentadoria, mas esse dinheiro da casa também é muito importante, minha relação com ele é mais ou menos [...]. Sim, ele sempre vem aqui me ver pra poder deixar o dinheiro [...]. a gente só fala por telefone se ele atrasar, aí eu ligo pra cobrar ele. IDOSA 06 – 71 anos, institucionalizada há 07 anos: É boa, eu tenho um sobrinho que ele passou mais de um ano pra vir aqui, aí disse que não vem porque eu choro, mas eu não choro com consentimento, minha filha, porque dói, minha filha, ninguém queira provar a separação da família a gente se vê impossibilitada de fazer as coisas, tem medo de agir, não é bom não [...]. Eu não recebo mais visita da minha filha porque ela ficou chateada com o pessoal daqui que destratou ela [...]. Eu ligo todos os dias pra falar com ela, só que eu não sei o que está acontecendo que ela não atende mais meus telefonemas. 50 Percebe-se que, apesar do contato com a família, para duas idosas essas relações estão fragilizadas, vemos isso claramente no depoimento da idosa 5, cuja relação com o irmão aparenta um mero negócio. Já no depoimento da idosa 6, essa fragilização é exemplificada pelo distanciamento manifestado pela filha, o que provoca nas idosas sentimentos de angústia e solidão. RISSARDO et al. (2001) destaca que o distanciamento da família na vivência com o idoso gera revolta e mágoa, sentimentos acompanhados pelo esquecimento do ser humano, que está relacionado à ambição pelos bens materiais, ou seja, o ser humano está se esquecendo de si e de seus familiares por focalizar sua preocupação no seu status financeiro. Independentemente do tipo de relação familiar estabelecido, com a institucionalização a convivência com os familiares resume-se ao contato em alguns dias da semana, alguns dias do mês ou em espaços temporais mais dilatados. Como resultado, a carência afetiva se manifesta significativamente na vida cotidiana dos idosos, fortalecendo que a família deve estar presente nessa etapa, para prestar o suporte necessário. Além disso, o vínculo familiar diminuído pode gerar sentimentos negativos em relação à família, na maioria das vezes, pelo fato de os idosos se sentirem esquecidos (RISSARDO et al., 2011). 51 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante da caracterização do perfil sociodemográfico das idosas institucionalizadas no Recanto do Sagrado Coração, verificou-se que em sua maioria possuíam idade superior a setenta anos, todas elas frequentaram a escola por pelo menos quatro anos, e sua família nuclear é composta por um pequeno número de pessoas, sendo que as idosas tiveram no máximo um filho, ou seja, o núcleo familiar apresentava-se constituído por pequeno grupo de pessoas. As idosas percebem a velhice como algo natural, e inevitável na continuidade da vida; metade das idosas encara essa fase com pessimismo, no entanto a outra metade consegue vislumbrá-la de forma otimista, sendo que essas últimas enfatizam em seus discursos a manutenção da autonomia como aspecto indispensável. Quanto aos aspectos relacionados à institucionalização, as idosas residem no abrigo há mais de três anos, sendo que mais da metade das participantes foram por conta própria. Verificou-se que os principais motivos para o afastamento do idoso do seio da família foram a indisponibilidade de tempo dos familiares para prestar os cuidados demandados pelos idosos e a impossibilidade de residir sozinho, quer por problemas econômicos, quer por problemas de saúde. Quanto aos impactos da institucionalização, o sentimento de tristeza e solidão, apesar de ser citado por todas, afeta as idosas com intensidade diferente. Quatro idosas relataram muita tristeza por estarem sozinhas e distantes da vida que construíram, de seus objetos pessoais, como casa, móveis e pequenas recordações construídas com o tempo. No entanto, o discurso de duas idosas aponta predominantemente aspectos positivos, evidenciando uma boa adaptação e enfrentamento adequado da institucionalização. Quanto à forma como se estabelecem as relações familiares, as idosas destacaram diferentes aspectos necessários à relação familiar saudável, dentre eles o amor, a importância da união e da boa convivência e a relação de ajuda mútua atribuída à instituição familiar. A forma como as idosas classificaram a relação com a família variou de financeira a ótima. Todas as seis idosas recebem visitas dos familiares, mas a frequência com que recebem varia de duas vezes ao ano a semanal. Apesar de as idosas estarem fora do convívio familiar, existe um esforço para preservar o contato, a afetividade e alguma forma de assistência por parte da 52 família, mas duas das idosas passam por um processo de fragilidade nas relações familiares. Diante do exposto, faz-se necessário fazer intervenções no sentido de que idosos institucionalizados possam visualizar aquele ambiente como forma de constituir novos laços afetivos, afinal as pessoas lá residentes permanecem na instituição por longos anos; além disso, o estabelecimento de novos laços pode amenizar a tristeza e a solidão provocadas pela distância da família. Um dos métodos que podem ser utilizados nesse intuito são as atividades diárias e a estimulação de vínculos entre os próprios idosos institucionalizados. Compreender quais os motivos da institucionalização e como se estabelecem as relações familiares com os idosos institucionalizados pode ampliar o conhecimento acerca das necessidades do idoso referentes à relação familiar. Com isso, espera-se fornecer subsídios aos profissionais que lidam com os idosos nesse contexto para subsidiar intervenções com vista a minimizar situações de conflitos e melhorar a qualidade de vida do idoso, além de estimular formas especiais de cuidados com os idosos que contam com o suporte familiar. 53 REFERÊNCIAS ALCÂNTARA A. O. Velhos institucionalizados e família: entre abafos e desabafos. São Paulo: Alínea, 2004. ALMEIDA, L.; AZEVEDO, R. C. S.; REINERS, A. A. O.; SUDRE, M. R. S. Cuidado realizado pelo cuidador familiar ao idoso dependente, em domicílio, no contexto da estratégia de Saúde da Família. In: Texto & contexto – Enfermagem. [online]. 2012, v. 21, n.3, p. 543-548. ISSN 0104-0707. ANDRADE, A. N. et al. Frailty in the elderly: conceptual analysis. Texto & contexto – Enfermagem [online]. 2012, v. 21, n. 4, p. 748-756. ISSN 0104-0707. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 283, de 26 de setembro de 2005. 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O tempo de entrevista é de aproximadamente 30 minutos. Gostaria de informá-lo(a) que: - A sua participação é voluntária. - O(A) Sr.(a) terá o direito e a liberdade de negar-se a participar da pesquisa ou dela retirar-se a qualquer momento, se assim desejar, independente do motivo e sem nenhum prejuízo à sua pessoa e nem ao seu atendimento na Instituição. - Não sendo divulgada a sua identidade (seu nome), bem como qualquer informação que possa identificá-lo(a). - Comprometo-me em utilizar os dados coletados unicamente para fins acadêmicos, a fim de atender os objetivos da pesquisa. - Caso precise entrar em contato comigo, você terá acesso, em qualquer momento da pesquisa, para esclarecimento de eventuais dúvidas. Informo-lhe o meu telefone: Ester Barros Albuquerque, (85) 88531027. Se o(a) Sr.(a) tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da pesquisa, também pode entrar em contato comigo. Eu, ___________________________________________________________, fui informado sobre o que o pesquisador quer fazer e porque precisa da minha colaboração, e entendi a explicação. Concordo em participar da pesquisa. ________________________________________ Assinatura do Participante __________________________________________ Assinatura do Pesquisador Responsável Data: ANEXO B ROTEIRO DE ENTREVISTA 1. Dados de identificação a) Iniciais:______________________ Idade:_________________ b) cor/ raça: ( ) branca ( ) negra ( ) parda ( ) amarela ( ) indígena ( ) asiática c) Estado civil: () casada ( ) solteira – sem união estável ( ) solteira – com união estável ( ) viúva () outra: ________________________________ d) Profissão: ___________________________________________________ e) Escolaridade ( )não alfabetizada ( )alfabetizada ( ( )1° grau : 5ª – 8ª série ( ) 1° grau : 1ª - 4ª série )2° grau ( )superior e) Total de filhos: _____________________ f) Total de filhos vivos: _________________ g) Tem outros familiares vivos ( ) Sim ( ) Não Se sim descrever: __________________________________________________________________________ ________________________________________________________________ h) Há quanto tempo mora no recanto do Sagrado Coração? 2. Questões norteadoras 1) Qual o seu entendimento sobre velhice? 2) O que a senhora pensa sobre família? 3) Para a senhora o que é o acolhimento? 4) Qual a sua opinião sobre residir na instituição? 5) De quem foi a decisão de morar nessa instituição? 6) Quais os motivos que levaram a residir na instituição? 7) Como é a relação com seus familiares? 8) Seus familiares a visitam? Com que frequência? 9) Qual a sua opinião sobre residir na instituição?