XVII Seminário de Atualização em Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal Análise operacional de um trator autocarregável na extração e carregamento de madeira de pinus em primeiro desbaste Dailon Joatã Prochnow Gomes1; Jean Alberto Sampietro2; Franciny Lieny Souza1; Marcelo Bonazza3; Gabriel Corso Pellens4 Graduando em Eng. Florestal da Universidade do Estado de Santa Catarina – Centro de Ciências Agroveterinárias/UDESC-CAV ([email protected]; [email protected]); 2 Prof. Dr. Departamento de Eng. Florestal UDESC/CAV ([email protected]); 3Mestrando em Eng. Florestal UDESC-CAV ([email protected]); 4Eng. Florestal, MSc., Agroflorestal Paequerê Ltda ([email protected]) 1 Introdução e objetivos dulado, com densidade de 2200 árvores/ha, As operações de desbaste visam direcionar com DAP médio de 18,22 cm, altura média o potencial produtivo de sítios florestais, de 13,21 m e volume médio individual de obtendo ao final da rotação, árvores de 0,1974 m3. maior valor comercial. Porém, esta ope- Foi analisada na operação de desbaste seleração muitas vezes apresenta onerosidade tivo e sistemático, a atividade de extração e devido a limitação por fatores de ordem carregamento da madeira em sistema de totécnica e econômica, acarretando em altos ras curtas, onde as árvores eram derrubadas custos operacionais e baixa taxa de retorno. e processadas com emprego de motosserra, Assim, a análise operacional de sistemas de sendo que em seguida, no interior do talhão, colheita de madeira, independentemente do um trator florestal carregador, marca Motograu de mecanização utilizado, se torna al- cana, modelo CM 100 F, realizava o carreternativa de ferramenta para se avaliar cor- gamento da madeira no compartimento de reções e alterações no processo de produ- carga de um trator florestal autocarregável, ção com o intuito de racionalizar e otimizar marca Valtra, modelo 1580 (especificações os recursos utilizados. técnicas na Tabela 1), que, posteriormente, O objetivo do presente trabalho foi realizar realizava o baldeio da madeira até pátios analisar operacionalmente um trator Flo- intermediários e, depois, carregava as toras restal autocarregável nas atividades de ex- em veículos de transporte. tração e carregamento de madeira de Pinus No desbaste foram retirados cerca de 45% taeda L. em primeiro desbaste. do povoamento, sendo cortadas e extraídas sistematicamente árvores a cada seis linhas plantio e seletivamente árvores suprimidas, Material e métodos tortuosas ou bifurcadas. O estudo foi realizado nas áreas de uma A análise operacional foi realizada a partir empresa florestal na região serrana de SC. de um estudo de tempos e movimentos, Os plantios eram compostos por Pinus taeda utilizando o método de tempo contínuo, com nove anos de idade, tendo como prinsendo avaliado o ciclo operacional de trabacipal objetivo ao final do ciclo de rotação lho efetivo tanto no baldeio como no carde 24 anos, a produção de madeira para laregamento. Os elementos do ciclo no balminação e serraria. O relevo era plano à ondeio foram subdivididos em: deslocamento 32 Resumos Expandidos Tabela 1. Especificações técnicas do trator estudo piloto e, então, calculado o númeflorestal autocarregável. ro mínimo de observações do ciclo para a atividade de baldeio e para o carregamento, Especificação Descrição Trator para um erro de amostragem máximo de 10%. Também, determinou-se a disponiMarca Valtra bilidade mecânica, eficiência operacional, Modelo 1580 sendo a produtividade efetiva calculada Motor MWM 229 para a operação em geral (baldeio e carrePotência 145 cv (106,6 kW) gamento), somente para o baldeio, e para o Tração 4x4 carregamento em dois sortimentos (1,90 e Tipo de rodado Pneus Peso - 6.250 kg 2,35 m de comprimento). Capacidade do Resultados e discussão compartimento de carga 10.000 kg Tempo de uso ±12 anos Implemento (grua) Alcance máximo na horizontal 7,60 m Área de abertura da grua 0,40 m2 Momento de carga - 110 kNm Momento de giro-torque 25,3 kNm Peso 2.100 kgf vazio (DLV); manobra e carregamento (MC); deslocamento carregado (DLC); preparação para descarregamento (PDP); deslocamento da grua carregada (DGC); deslocamento da grua vazia (DGV) e; preparação para baldeio (PB). Para a atividade de carregamento, os elementos do ciclo foram subdivididos em: preparação para carregamento (PC); deslocamento da grua vazia (DGV); deslocamento da grua carregada (DGC); arrumação da carga (AC); deslocamento entre pilhas (DLVP) e; preparação para baldeio (PB). O horizonte de amostragem foi determinada conforme metodologia proposta por Barnes (1977) [1], sendo, primeiramente, realizado um Na maior parte do tempo, o trator florestal autocarregável se encontrou em interrupções (63%). O baldeio correspondeu a 29% do tempo total. E somente 9% do tempo foi consumido pela atividade de carregamento (Tabela 2). Tabela 2. Distribuição percentual do tempo total operacional do trator florestal autocarregável nas atividades de baldeio, carregamento e interrupções. Elemento % de tempo Atividade de baldeio 29,2 Atividade de carregamento 8,4 Interrupções 64,9 Dentre os elementos do ciclo operacional da atividade de baldeio (Tabela 3), observou-se que o trator florestal autocarregável ficou a maior do tempo realizando manobra e carregamento de toras (65,7%). Tal resultado, foi devido ao trator florestal autocarregável aguardar e deslocar-se no interior do talhão seguindo o trator florestal carregador, que carregava a madeira em seu compartimento de carga, sendo necessária uma grande quantidade de toras para preencher o compartimento de carga, o que gerava um grande número de deslocamen- 33 XVII Seminário de Atualização em Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal tos por parte do trator carregador, resultando em elevado consumo de tempo da operação. Os elementos DLV e DLC, foram o segundo e terceiro elementos que mais consumiram tempo, respectivamente. Isso ocorreu em função dos pátios intermediários de madeira ficarem distante do talhão aonde ocorria a operação de desbaste, necessitando a máquina fazer longos deslocamentos entre as áreas. Quanto às interrupções, a maior parte ocorreram devido às paradas por manutenção corretiva (87,8%) (Tabela 5). Então, devido ao elevado tempo em interrupções, a disponibilidade mecânica encontrada foi de 37,62% e a eficiência operacional de 37,55%, sendo estes valores considerados baixos. Isso ressalta a necessidade de troca da máquina, pois, esta apresentava um tempo de uso em torno de 12 anos e, portanto, apresentando diversos problemas mecânicos decorridos de seu elevado tempo de Tabela 3. Distribuição percentual dos eleuso. mentos do ciclo operacional efetivo da atividade de baldeio do trator florestal autocarregável . Tabela 4. Distribuição percentual dos elementos do ciclo operacional efetivo da atividade de carregamento do trator florestal % de Elemento autocarregável . tempo Deslocamento vazio 14,6 Manobra e carregamento 65,7 Deslocamento carregado 6,5 Preparação para carregamento 2,5 Preparação para descarregamento 2,7 Deslocamento da grua vazia 42,9 Deslocamento da grua carregada 5,1 Deslocamento da grua carregada 34,4 Deslocamento da grua vazia 4,0 Arrumação da carga 9,6 Preparação para baldeio 1,4 Deslocamento entre pilhas 9,3 Preparação para baldeio 1,3 Dentre os tempos da atividade de carregamento, verificou-se que os elementos DGV e DGC consumiram a maior parte do tempo total do ciclo operacional (Tabela 4). Em seguida, foram os elementos AC e DLVP que mais consumiram tempo. Esse resultado difere do resultado relatado por Santos et al. (2009) [2], que verificaram que a arrumação da carga e arrumação das pilhas ocuparam maior parte do tempo de um carregador florestal, sendo justificado em função da baixa qualidade das pilhas de madeira para carregamento na margem da estrada, afetando a atividade de carregamento, porém, isso não se verificou no presente estudo. 34 Elemento % de tempo Tabela 5. Distribuição percentual dos tempos das interrupções do trator florestal autocarregável . Interrupção % de tempo Manutenção corretiva 87,8 Manutenção preventiva 8,4 Parado devido à chuva 0,5 Auxílio à veículos de transporte 0,6 Acoplamento do compart. de carga 0,5 Pausas do operador 2,3 A produtividade efetiva média geral da má- Resumos Expandidos quina, considerando ambas as atividades de baldeio e carregamento, foi de 6,34 m3cc he-1. Considerando-se somente a atividade de baldeio, a produtividade média foi de 3,87 m3cc he-1. E considerando somente a atividade de carregamento, a produtividade média foi de 14,94 m3cc he-1, sendo superior a produtividade média carregando toras de sortimento de 2,35 m de comprimento (16,76 m3cc he -1), do que no sortimento de 1,9 m (12,53 m3cc he-1). Conclusões As interrupções foram responsáveis por maior parte do total do ciclo operacional, ocorrendo, principalmente, devido à paradas por manutenção, que foram ocasionadas devido ao elevado tempo de uso da máquina, sugerindo sua troca. Na atividade de baldeio, a maior parte do tempo foi consumido realizando manobra e carregamento, seguido dos deslocamentos vazio e carregado. Na atividade de carregamento, a maior parte do tempo foi consumido pelos deslocamentos da grua vazia e carregada, seguido pela arrumação da carga nos veículos de transporte e deslocamento. A produtividade da máquina ficou comprometida devido à baixa eficiência operacional, sendo que o carregamento de sortimento de maior comprimento mais produtivo do que menor comprimento de tora. Referências [1] BARNES, R.M. Estudos de movimentos e de tempos - projeto e medida do trabalho. Americana, São Paulo, Blucher, 1977. 635p. [2] SANTOS, M.D. et al. Avaliação técnica de um carregador florestal com diferentes sortimentos de madeira. Ambiência, v.5, n.1, p.13-26, 2009. 35