Insper Instituto de Ensino e Pesquisa
Faculdade de Economia e Administração
Luís Gustavo Bettoni
O IMPACTO DE VARIÁVEIS SOCIOECONÔMICAS E
PESQUISAS DE OPINIÃO SOBRE ELEIÇÕES
PRESIDENCIAIS BRASILEIRAS
São Paulo
2014
Luís Gustavo Bettoni
O impacto de variáveis socioeconômicas e pesquisas de
opinião sobre eleições presidenciais brasileiras
Monografia apresentada ao curso de Ciências
Econômicas, como requisito parcial para a
obtenção de grau de Bacharel do Insper Instituto
de Ensino e Pesquisa.
Orientador: Prof. João Manoel Pinho de Mello,
Ph.D. - Insper
São Paulo
2014
Bettoni, Luís Gustavo Bettoni
O impacto de variáveis socioeconômicas e pesquisas de
opinião sobre eleições presidenciais brasileiras.
32 f.
Monografia: Faculdade de Economia e Administração.
Insper Instituto de Ensino e Pesquisa.
Orientador: Prof. João Manoel Pinho de Mello, Ph.D.
1.Eleições 2.Candidato incumbente 3.Indicadores
socioeconômicos 4.Pesquisas de opinião
FOLHA DE APROVAÇÃO
Luís Gustavo Bettoni
O impacto de variáveis socioeconômicas e pesquisas de opinião sobre
eleições presidenciais brasileiras.
Monografia apresentada ao curso de
Ciências Econômicas, como requisito
parcial para a obtenção de grau de
Bacharel do Insper Instituto de Ensino e
Pesquisa.
Aprovado em:
Banca Examinadora
Prof. João Manoel Pinho de Mello, Ph.D.
Orientador
Instituição: Insper
_________________________
Assinatura:
Prof. Doutor Carlos Alberto Furtado de Melo
Instituição: Insper
_________________________
Assinatura:
Prof. Sérgio Firpo, ph.D.
Instituição: FGV
_________________________
Assinatura:
Agradecimentos
Aos meus pais e familiares que dedicaram todos esforços e crenças em mim
com os quais aprendi o valor e da vida e a enfrentar as dificuldades. À minha tia
Célia, que calorosamente me acolheu e me adotou como um filho.
A todos que me influenciaram a escolher esse caminho, com calorosas e
inesquecíveis discussões políticas e econômicas, em especial meu pai Odécio,
meu tio Emílio, minha avó Luzia e professor Milton. Ainda a todos que dedicaram
tempo e atenção permitindo minha formação e ser quem hoje sou, em especial
à Prof. Lúcia, Prof. Luzia, Prof. Ana, Prof. Cidinha, Prof. Maria Izabel, Prof.
Giselda, Prof. Vânia, Prof. Marilena, Prof. Vânia, Prof. César.
Ainda a esta universidade, seu corpo docente e todos seus funcionários, em
especial, o pessoal da biblioteca, os professores e ao meu orientador, que
partilharam comigo parte de seu grande conhecimento e tempo. Agradeço em
especial Leandro, que mais do que um professor se tornou um grande amigo.
Ainda a todos amigos de longa data, em especial os que ainda mantenho
contato, Fernando, João, Johan, Leandro, Lino, Pedro, Ruan Às grandes
amizades iniciadas na faculdade em especial Leo, Gui, Toku, Flávio, Rafa, Artur,
Luiz, Edu, GB, Tarraf. Em especial a meus grandes amigos economistas Sérgio
e Felipe. Às amizades inesquecíveis do intercâmbio, em especial Mathias, Rafa,
Julia, Hanna e Jonathan, que foi como um irmão nesses seis meses.
Dessa forma, ainda que porventura não anteriormente mencionados, dedico este
trabalho a todos que tenham de alguma maneira contribuído, seja através desse
projeto propriamente dito ou através da minha própria formação.
Resumo
BETTONI, Luís Gustavo. O impacto de variáveis socioeconômicas e pesquisas
de opinião sobre eleições presidenciais brasileiras. São Paulo, 2014. 32 p.
Monografia – Faculdade de Economia e Administração. Insper Instituto de
Ensino e Pesquisa.
O presente trabalho propõe analisar os resultados das eleições presidenciais
brasileiras para o período compreendido entre 1994 e 2014. De forma mais
específica o que aqui se propõe é uma análise de possíveis fatores
determinantes para o resultado sobre o candidato do incumbente. Visando tal
finalidade serão utilizadas ferramentas estatísticas e econométricas para a
identificação e comparação desses fatores, que consistem em indicadores
socioeconômicos e resultados de pesquisa de opinião.
Palavras-chave: Eleições. Candidato incumbente. Indicadores
socioeconômicos. Pesquisas de opinião.
Abstract
BETTONI, Luís Gustavo. The impact of socioeconomics variables and opinion
polls on the Brazilian presidential election. São Paulo, 2014. 32 p. Monograph –
Faculdade de Economia e Administração. Insper Instituto de Ensino e Pesquisa.
The present paper proposes to analyze the results of Brazilian presidential
elections for the period comprehended between 1998 and 2014. More specifically
what is proposed here is an analysis of possible factors for the outcome of the
candidate of the incumbent. Aiming such purposes statistical and econometric
tools are going to be used to identify and compare these factors, which consist of
socioeconomics indicator and results of opinion polls.
Keywords: Elections. Incumbent candidate. Socioeconomics indicators. Opinion
polls.
Sumário
1. Introdução…............................................................................................08
2. Revisão Bibliográfica…...........................................................................11
1. Perspectiva Sociológica.....................................................................11
2. Perspectiva Psicológica.....................................................................12
3. Teoria da Escolha Racional...............................................................13
4. Estudos Empíricos.............................................................................14
5. Literatura Nacional.............................................................................14
3. Metodologia…….....................................................................................18
1. Dados…….........................................................................................18
2. Modelo…........................................................................................…20
3. Método de Estimação…….................................................................21
4. Resultados…..................................................................................…21
1. Resultados Esperados…...........................................................…21
2. Resultados Obtidos……................................................................22
3. Previsão das Eleições Atuais…….................................................25
5. Atualização do Modelo.......................................................................26
4. Conclusão…….......................................................................................27
Referências Bibliográficas.................................................................................28
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1.Introdução
As eleições constituem nos dias de hoje uma das principais ferramentas democráticas,
permitindo, por meio do voto, que os eleitores escolham seus representantes, e por
conseguinte, as diretrizes sociais e econômicas que serão adotadas no país pelos
próximos anos.
Tendo em vista as possíveis repercussões de uma eleição sobre a economia e sobre
os indivíduos dessa sociedade, prever seus resultados é de grande importância,
podendo auxiliar nas decisões de investimento das empresas e dos demais agentes
da economia (consumidores/financiadores).
Frente a isso uma questão de suma importância pode ser levantada: que fatores
ajudam a compreender os resultados eleitorais e que poderiam ser utilizados para
ajudar na predição de uma eleição futura?
As eleições presidenciais brasileiras de 2014 mostraram claramente o impacto dessas
previsões com oscilações da bolsa de valores a cada nova divulgação de pesquisas
eleitorais, principalmente pesquisas de intenção de voto, que constituem atualmente
uma das mais importantes ferramentas de predição eleitoral.
Segundo Figueiredo (1994) as pesquisas de opinião pública de forma geral, nas quais
se encaixa a intenção de voto, se disseminaram com as eleições de 1994 e se
tornaram “parte integrante das campanhas eleitorais modernas”, de tal forma que
estas podem ser definidas segundo o autor como “aquelas onde o político tem um
olho no eleitor e outro nos resultados da pesquisa”.
Contudo, conforme aponta esse autor a importância das pesquisas de opinião não se
limita apenas às pesquisas de intenção de voto. Carreirão (1999), por exemplo,
considera a pesquisa de avaliação do governo como fator de suma importância para
a compreensão do resultado eleitoral.
Essa relação apontada por Carreirão (1999) está ligada ao que Martins (2010) define
como a “visão econômica do comportamento eleitoral”, segundo a qual os indivíduos
podem associar aos governantes seu bem estar. Essa associação ocorre à medida
9
em que o bem estar reflete as condições econômicas, tendo essa associação impacto
sobre os resultados eleitorais.
Na mesma linha, o sociólogo e colunista do jornal Valor Econômico, Alberto Carlos
Almeida, ressalta a racionalidade da decisão de voto dos eleitores em função dos
benefícios que adquirem com determinadas políticas adotadas pelo governo. Dessa
forma, um brasileiro residente no nordeste do país que é beneficiado por programas
implementados durante o governo petista, ao apoiar o atual governo é tão racional
quanto um paulista que não é beneficiado por tais programas ao rejeitar o atual
governo.
Radmann (2001) por sua vez destaca outro componente das pesquisas de opinião: a
confiança no presidente. Essa importância se justifica tendo em vista o
comportamento do eleitor brasileiro, caracterizado em grande medida pela descrença
nos partidos e pela falta de interesse por política. A consequência desse
comportamento é o voto na “pessoa do candidato" com base em características
pessoais do mesmo. Dessa forma a importância dessa variável pode ser
compreendida a partir da ‘síntese’ feita por ela a respeito do comportamento do eleitor
brasileiro: “O eleitor brasileiro vota em quem conhece, porque confia”.
Radmann (2001) ainda cita Silveira (1998) que também analisa a questão do
comportamento do eleitor brasileiro baseado na construção da imagem do candidato,
considerando como relevantes dimensões simbólicas como gosto e sensibilidade.
Libanio e Menezes Filho (2003) também apontam a sobreposição da imagem do
candidato sobre a própria fidelidade partidária. Ainda assim, segundo eles poder-seia relacionar a aprovação positiva de um candidato, decorrente em parte do
desempenho socioeconômico durante sua gestão, à continuidade da mesma, ainda
que por meio de outro candidato.
Dessa forma, o trabalho proposto visa estimar um modelo de previsão de resultados
de eleições presidenciais brasileiras, sob a ótica dos candidatos à reeleição ou
aqueles indicados pelo presidente em exercício, a partir de alguns fatores
considerados pela literatura como relevantes.
Visando tal finalidade, propõe-se uma regressão econométrica que modele os
resultados das eleições presidenciais brasileiras compreendidas entre os anos de
10
1998 e 2014 em função de pesquisas de opinião (avaliação do desempenho
governamental) e de indicadores socioeconômicos (como inflação, crescimento do
PIB, desemprego e renda) para esse período.
Nos últimos anos esse tipo de abordagem vem crescendo e oferecendo resultados
formidáveis a exemplo da predição da última eleição presidencial dos EUA realizada
por Nate Silver, que acertou os resultados em todos os 50 estados americanos.
Contudo, a implementação de tais abordagens para o caso brasileiro é complexa,
considerando que ocorreram poucas eleições posteriormente à redemocratização do
país e que mesmo posteriormente a esse período há dificuldades para obtenção dos
dados seja por falta de sistematização ou simplesmente por inexistência dos mesmos,
motivo pelo qual as eleições de 1994 não puderam ser incorporadas.
De qualquer modo, considerando a importância de predições eleitorais, espera-se que
a partir dos resultados do presente trabalho seja possível prever resultados de futuras
eleições presidências brasileiras, de forma a otimizar as decisões de investimentos
dos indivíduos e das empresas. Ainda, espera-se que seja possível uma melhor
compreensão dos fatores que levam os eleitores a tomarem suas decisões de voto,
corroborando determinados fatores levantados pela literatura e refutando outros.
Deste modo, o presente trabalho começa apresentando uma revisão literária das
principais perspectivas teóricas a respeito do comportamento do voto do eleitor e os
principais estudos já conduzidos a respeito do perfil do eleitor brasileiro.
Posteriormente, apresenta-se o modelo estimado no presente estudo e os principais
resultados obtidos. Ainda, apresenta-se uma aplicação do modelo à última eleição
presidencial brasileira (2014), e compara-se os resultados obtidos com os
efetivamente observados.
Por fim, com base nos dados já disponíveis da última eleição (2014), o modelo foi
atualizado de forma a incorporar essas novas informações. Vale ressaltar que outra
dificuldade encontrada no decorrer do trabalho foi a obtenção e consolidação desses
últimos dados que ainda não se encontram devidamente sistematizados.
11
2.Revisão Bibliográfica
Os fatores que determinam as decisões de voto dos eleitores encontram-se
analisados em ampla literatura. Segundo Radmann (2001) as principais perspectivas
teóricas a respeito do comportamento eleitoral são a sociológica, a psicológica e a
economicista/teoria da escolha racional.
2.1 Perspectiva Sociológica
Segundo a abordagem sociológica, as decisões dos indivíduos partem de seu
contexto, englobando, segundo Castro (1992), aspectos histórico-estruturais e
culturais que determinam as principais características sociais, econômicas e políticas
da sociedade e que levam a formação de partidos políticos.
Os partidos políticos por sua vez são compostos por grupos de indivíduos que se
identificam frente a ‘características’ similares, e tem o poder de influenciar a decisão
de voto desses indivíduos. Dessa forma, segundo Figueiredo (1991), a dinâmica
política é determinada pelos coletivos sociais e não pelos indivíduos.
Segundo Castro (1992) a abordagem sociológica se divide a grosso modo em duas
correntes: marxista e não marxista. A primeira corrente, segundo a autora, enfatiza a
relevância de fatores econômicos e sociais, relacionados à existência de classes
sociais, que conjuntamente à própria participação política implicaria na identificação
com os partidos políticos, determinando a decisão do voto.
Contudo, segundo a autora, mais recentemente um ramo mais microeconômico se
desenvolveu a partir dessa corrente, o marxismo analítico. Conforme pode ser
observado em Przeworski (1989), essa corrente analisa a decisão eleitoral,
sobretudo no âmbito partidário, sob uma ótica mais estratégica visando o apoio mais
amplo da sociedade de forma a conseguir se eleger.
Por fim, as correntes não marxistas, segundo Castro (1992), se diferenciam das
marxistas à medida em que ressaltam a importância não apenas de fatores
socioeconômicos, mas também de fatores culturais ou até mesmo origem, etnia, e
religião para a formação da decisão do voto.
12
2.2 Perspectiva Psicológica
A abordagem psicológica por sua vez busca entender a decisão do voto em um nível
anterior, mais individual, analisando a própria formação da ‘identidade social e
política’, e a partir disso, tenta explicar o processo de formação de opiniões dos
indivíduos.
Para a perspectiva psicológica as atitudes políticas são resultantes desse processo
de formação de identidade e opinião através da ‘socialização política’, que segundo
Figueiredo (1991), consiste basicamente na interação social.
Esse processo de socialização por sua vez é fundamental para a decisão de voto dos
indivíduos. Sobre essa perspectiva de análise, a importância desse processo é tão
significante que as tradições familiares possuem mais peso nas decisões eleitorais do
que aspectos ideológicos e estritamente racionais.
Dessa forma, conforme sumarizado por Radmann (2001), a identificação com os
partidos políticos, e por consequência a decisão de voto, está atrelada à
personalidade e à crença de cada indivíduo, que são por sua vez formadas a partir da
‘socialização política’.
Dessa forma, essa socialização que forma o alicerce da decisão do eleitor se inicia,
segundo Figueiredo (1991), no ambiente social de cada indivíduo e não em
decorrência das origens sociais e econômicas, como defendido pelos expositores da
vertente sociológica.
Contudo, dada a incompletude dessas duas vertentes sobre o comportamento
eleitoral
(sociológica
e
psicológica)
quando
analisadas
individualmente,
e
considerando sua complementariedade surgiu outra vertente, a psicossociológica,
que busca explicar a participação política a partir do posicionamento do indivíduo na
sociedade, considerando aspectos de ambas vertentes.
Essa abordagem se baseia, segundo Castro (1992), nas atitudes dos indivíduos e
busca entender as motivações que levam à decisão do voto, considerando ainda
fatores como lealdade partidária e a imagem que os eleitores formam a respeito do
partido e dos próprios candidatos.
13
2.3 Teoria da Escolha Racional
A vertente da teoria da escolha racional parte por sua vez de uma perspectiva
econômica, considerando que os indivíduos não fazem suas escolhas com base em
seu contexto ou em características individuas, como defendido pelas perspectivas
anteriores.
Segundo Radmann (2001), sob essa perspectiva os indivíduos são racionais e tomam
suas decisões em decorrência dos incentivos econômicos a que se encontram
expostos, ponderando os custos e benefícios de suas decisões.
Segundo Figueiredo (1991), o eleitor responderia às medidas do governo como uma
espécie de juiz, sendo o voto seu mecanismo de recompensa ou punição para os
governantes em função das políticas adotadas serem ou não satisfatórias para esse
eleitor, ou seja, atenderem ou não a seus próprios interesses.
Dessa forma para esta vertente de pensadores, segundo Figueiredo (1991), o que
importa para os eleitores, principalmente os mais pobres, é se o candidato adotou
determinadas medidas de seu interesse ou se a oposição pode adotá-las ou mantêlas e não o partido em si.
Ainda, alguns autores dessa vertente aprofundam-se nas premissas econômicas
adotadas, como Downs (1957), que a partir de uma visão utilitarista assume um perfil
mais estratégico dos eleitores, de modo que estes, sendo racionais, tomam suas
decisões visando maximizar seus ganhos.
Tendo em vista a existência de imperfeições de mercado, como assimetria de
informação, informação incompleta e os próprios custos para obter essa informação,
o autor defende que os eleitores não agem de forma irracional ao decidir o voto, pelo
contrário, considerando essas imperfeições suas decisões são estritamente racionais.
Sob essa ótica, a ideologia partidária seria apenas uma forma de reduzir os custos de
escolha, tendo em vista que o eleitor não precisaria saber de ‘propostas específicas’.
Contudo, conforme apontado por Castro (1992), essa teoria é incompleta e
insuficiente para explicar o comportamento eleitoral tendo em vista que não considera
fatores que não sejam estritamente econômicos, ou seja, não são considerados
fatores sociológicos e psicológicos que são fundamentais para entender essa decisão.
14
2.4 Estudos Empíricos
Do mesmo modo que no plano teórico, em termos pragmáticos não parece haver
consenso na literatura para explicar os resultados eleitorais em função da decisão do
voto.
Carreirão (1999), por exemplo, sintetiza alguns estudos que encontram resultados
divergentes a respeito da importância, em particular, de indicadores econômicos para
a decisão eleitoral.
Favoravelmente o autor cita, por exemplo, Kramer (1971) e Tufte (1975), que
encontram para os EUA correlação entre os principais indicadores econômicos e voto
no partido do presidente, e Lewis-Beck (1988), que também encontra relação entre
resultado eleitoral e economia, mas englobando as principais nações industrializadas.
No lado oposto o autor cita Paldam (1991), que ao analisar 197 eleições em 17 países
encontra efeitos desprezíveis entre esses indicadores e a decisão eleitoral, e Powell
& Whitten (1993), que analisando mais de 100 eleições em 19 países, embora não
descartem a importância das variáveis econômicas, ressaltam a necessidade de
incorporar variáveis políticas.
2.5 Literatura Nacional
Quanto à literatura nacional, Carreirão (1999) a considera “não tão sistemática” e cita
alguns trabalhos, como Lavareda (1989), que analisa a derrota eleitoral como
consequência do fracasso do Plano Cruzado e outros autores como Figueiredo
(1994), Albuquerque (1995), Singer (1998) que analisam o comportamento eleitoral
em função do Plano Real.
Carreirão (1999), particularmente, considera como fator de suma importância a
avaliação do desempenho do governo (ADG), analisando sua relação com intenção
de voto para o período compreendido entre 1986 e 1998. Ele elenca ainda, para o
mesmo período a relação entre ADG e a situação econômica com base em
indicadores econômicos e em função das avaliações dos diferentes planos
econômicos que foram instaurados no período.
Martins (2010) também analisa a relação entre condições econômicas e o
comportamento eleitoral. Ele relaciona as condições econômicas ao bem estar dos
15
indivíduos e os possíveis impactos eleitorais caso essas condições sejam associadas
aos governantes. Ele conclui para o caso português que a economia é de fato uma
variável importante.
Alberto Carlos Almeida (2014), ressalta ainda que determinadas particularidades que
parecem muitas vezes determinar a decisão de voto dos eleitores, como classe e
região, são no fundo fruto de um comportamento intrínseco a todos os eleitores, a
racionalidade, de forma que, independentemente do seu perfil, os eleitores votam na
verdade com base nos benefícios adquiridos com as políticas adotadas, ou a serem
adotadas, pelo governo.
Dessa forma para Almeida (2014), um brasileiro residente no nordeste ao apoiar o
atual governo, que implementou projetos que beneficiam esse eleitor, é tão racional
quanto um paulista que não é beneficiado por tais programas ao rejeitar o mesmo
governo.
Carreirão (2002) por sua vez considera ainda, com base em Singer (1998), a
importância de outro fator que não econômico: o nível de escolaridade. Segundo
Carreirão (2002), Singer (1998) defende o voto baseado na “identidade ideológica”,
que é delineada com base na identificação esquerda-direita, sendo que o eleitor
consegue, usando seu “conhecimento intuitivo”, formar sua própria “identidade
ideológica”, mesmo sem diferenciar exatamente esquerda ou direita.
Libanio e Menezes Filho (2003) também encontram educação, como variável
importante para explicar o resultado eleitoral. Eles analisam as reeleições de governos
estaduais a partir de uma série de dados socioeconômicos de painel para o período
compreendido entre 1982 e 1998 e encontram também como variáveis importantes,
além da educação, proporção de pessoas na agricultura e pobreza.
Libanio e Menezes Filho (2003) citam ainda Menezes Filho (2001) e Picchetti (2001)
em que são analisados, respectivamente, a importância da escolaridade e do
desemprego sobre o bem estar dos indivíduos, que em ambos os casos decorrem,
segundo os autores, do impacto que essas variáveis exercem sobre a desigualdade.
À medida em que estas variáveis afetam o bem estar, elas tenderiam a ter implicações
sobre o resultado eleitoral.
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Outros autores consideram ainda variáveis mais subjetivas na decisão do voto.
Radmann (2001) cita Silveira (1998) que considera o “eleitor não racional”, que utiliza
dimensões simbólicas (como sensibilidade e gosto) para a construção da imagem dos
candidatos e para a posterior escolha.
Radmann (2001) cita ainda outros autores, como Castro (1994) e Almeida (1998), que
analisam o ceticismo dos brasileiros com relação a partidos e participação política, o
que faz com que seja fundamental na definição do voto justamente a imagem do
candidato. Uma das formas de analisar esse fator seria através de pesquisas de
opinião, como confiança e popularidade.
Todavia, para Radmann (2001) o comportamento eleitoral brasileiro é apenas um
reflexo da própria estrutura política, não sendo esse comportamento necessariamente
devido à opção política, mas sim à mera utilização das ferramentas disponíveis no
‘sistema de crenças’ e na ‘cultura política’ desses eleitores.
Lavareda (2011) ressalta ainda o papel das campanhas eleitorais, que impactam no
processo de formação da ‘imagem do candidato’, analisando as eleições presidenciais
de 1998, 2002 e 2006.
Segundo o autor, a eleição de 1998 foi caracterizada, do lado do partido em exercício,
pela sobreposição de mensagens ligadas a entusiasmo, orgulho e ainda pela
exploração da insegurança e do medo diante às mudanças que seriam resultantes da
vitória da oposição. Por outro lado, a oposição, que não conseguiu se eleger, tentou
explorar mais um sentimento de ‘raiva’ no eleitor.
Contudo, considerando a eleição de 2002 o autor ressalta a importância do contexto
em que tais campanhas se inserem tendo em vista que a campanha motivada pela
'raiva', que se mostrou anteriormente um fracasso, contribuiu para a vitória do governo
petista nesse ano.
Essa eleição evidenciou ainda outro fator de suma importância para o resultado
eleitoral: a aversão a determinado partido ou candidato, que segundo o autor pode ser
oriunda do ressentimento e da frustração dos eleitores ao se sentirem enganados por
promessas não cumpridas pelos candidatos eleitos.
17
Já em 2006 em um ambiente econômico favorável, segundo o autor, volta a ter papel
fundamental a campanha motivada pelo entusiasmo. Contudo, nessa eleição, como a
de 1998, o medo de mudança, no sentido de retrocesso, com perda de direitos e
benefícios adquiridos, é um dos fatores mais explorados.
Lavareda (2011) ainda apresenta resultados de um experimento neuropolítico pioneiro
nas eleições de 2010 com investigação de respostas psiconeurofisiológicas à
capacidade de transferência de afetividade, e consequentemente de votos, de um
candidato a outro.
Este estudo, através de análises cerebrais de um grupo selecionado de indivíduos
permitiu avaliar, por exemplo, a transferência de votos de Lula para Dilma nas eleições
de 2010. Segundo Lavareda (2011), um dos principais resultados foi o significativo
aumento das respostas emocionais positivas quando aos indivíduos foram
apresentadas imagens de Dilma juntamente com ex-presidente, fornecendo indícios
do poder de transferência de votos entre esses candidatos.
Contudo, segundo Libanio e Menezes Filho (2003) mesmo com o predomínio da
imagem do candidato sobre a fidelidade partidária ainda assim é possível relacionar o
desempenho socioeconômico e a aprovação de um candidato à permanecia de sua
‘gestão’, ainda que por meio de outro candidato.
Portanto, a literatura considera uma lista significativa de variáveis como importantes
para determinar a decisão de voto e o resultado eleitoral. O presente trabalho pretende
analisar essa questão justamente considerando que, mesmo com a existência do
predomínio da imagem do candidato sobre a fidelidade partidária, é possível
relacionar os resultados obtidos pelo candidato do incumbente ao próprio governo de
seu ‘predecessor’. A base para isso tem como foco indicadores socioeconômicos e
resultados de pesquisa de opinião à medida em que se acredita com isso ser possível
analisar grande parte dos fatores relevantes considerados pela literatura.
18
3.Metodologia
O presente trabalho propõe uma análise dos resultados das eleições presidenciais
brasileiras compreendidas entre os anos de 1998 e 2014. Mais precisamente, propõese uma análise dessas eleições considerando os resultados obtidos pelo candidato
incumbente, ou o candidato por ele indicado, em cada um dos estados brasileiros,
com base em diversos fatores considerados relevantes para explicá-los.
Esses fatores constituem na verdade dois grupos de informações: pesquisas de
opinião, como intenção de voto no candidato incumbente; e indicadores
socioeconômicos, como inflação, crescimento do PIB, desemprego e renda.
3.1 Dados
Tendo em vista os objetivos do presente trabalho, foram coletados da base de dados
do Cesop resultados de pesquisa de opinião realizados pelo Ibope nos anos eleitorais
entre 1998 e 2010. Mais especificamente as variáveis de interesse coletadas foram o
número de entrevistados que avaliaram o desempenho do governo federal, como
ótima e boa, e o total de entrevistados.
Vale ressaltar que ao longo do estudo foram analisados tanto os resultados
considerando o total de entrevistados quanto os resultados ao se descontar do total o
número de eleitores que não souberam ou não responderam. Tendo em vista que o
primeiro caso resultou em melhores resultados, os dados foram então considerados
sem descontar esses eleitores.
Os dados foram coletados utilizando tabulação cruzada, por meio do software SPSS,
para cada uma das regiões brasileiras nos meses de março, maio, julho, agosto e
setembro nos anos eleitorais supracitados, com exceção do mês de julho de 1998 em
que, devido à falta de dados, foi feita a média simples dos meses de maio e agosto.
Posteriormente à coleta, calculou-se o percentual dos entrevistados que avaliaram o
governo como e ótimo e bom e por se tratar de uma análise de eleição federal
considerando os dados de cada um dos estados brasileiros, os resultados de cada
região foram aplicados para todos seus estados constituintes de forma homogênea.
19
Posteriormente foram realizados ajustes de forma a levar em conta a constituição
populacional de cada um destes estados.
Tendo em vista problemas de disponibilidade de informações, os dados de avaliação
do governo federal para a eleição de 2014 foram obtidos do Datafolha seguindo os
mesmos critérios adotados para a seleção dos dados dos demais anos.
Os candidatos eleitorais de cada ano eleitoral analisado bem como os resultados
efetivos foram coletados no próprio site do TSE. Os dados coletados foram referentes
às eleições presidenciais de 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014.
Quanto aos indicadores socioeconômicos foram coletadas séries referentes ao PIB,
nível de emprego, inflação e renda. Sendo que para estas três últimas séries foram
considerados dois valores, a média dos três anos anteriores à eleição e o ano da
eleição. Para o PIB utilizou-se apenas o ano da eleição e para a variação do PIB foram
utilizados os mesmos dados das demais séries.
Coletou-se, a partir da base de dados do IPEA, o PIB estadual anual a valores
constantes, do IBGE, entre os anos de 1995 e 2010. Ainda foi coletado a variação do
PIB a preços constantes.
Também foi coletado da base de dados do IPEA a taxa de desemprego anual, série
do IBGE, obtida a partir do PNAD (pesquisa nacional por amostra de domicílios). A
série foi coletada para o mesmo período da série anterior com exceção dos anos em
que houve censo, para os quais foram coletados a série taxa de desocupação – 10
anos ou mais, série também do IPEA.
Os dados referentes à inflação foram também obtidos do IBGE a partir da PME. A
série obtida foi o IPCA (índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), percentual
acumulado ao ano, para o mesmo período das séries anteriores. Contudo, como os
dados são coletados apenas nas cidades de alguns estados, para os estados sem
dados, foram considerados os dados do estado pertencente à mesma região
geográfica e com características mais similares.
Tendo em vista a melhor especificação do modelo (conforme apresentado nas
próximas sessões), para a incorporação da eleição de 2014 ao modelo foram
coletadas ainda informações da inflação dos últimos anos (2011-2014).
20
Os dados referentes à renda foram obtidos do IBGE a partir da PME (pesquisa mensal
de emprego). Para o período entre 1995 e 2002 foi coletada a série rendimento médio
nominal do trabalho principal, efetivamente recebido no mês de referência, pelas
pessoas de 10 anos ou mais de idade. Já para o período subsequente até 2010 foi
coletada a série rendimento nominal médio, do trabalho principal, das pessoas
ocupadas de 15 anos e mais. Fez-se necessário a coleta de ambas as séries em
decorrência do encerramento da série antiga e da adoção de uma nova série.
Posteriormente esses dados foram ajustados pela inflação, conforme série acima
mencionada.
Ainda foi coletada da base de dados do IPEA a população residente (estimativa) a
nível estadual para o período supracitado, com exceção dos anos de recenseamento,
nos quais obteve-se as séries de população residente do IBGE com base nos dados
do Censo.
Conforme apresentado nas próximas sessões, as primeiras especificações dos
modelos foram estimadas inicialmente sem os dados de 2014, que foram
posteriormente incluídos no modelo. Dessa forma, para incorporar 2014 no modelo
foram coletadas apenas as variáveis consideradas relevantes pelas especificações
inicialmente implementadas.
3.2 Modelo
Com o intuito de analisar a disputa do governo federal no nível dos estados, foram
considerados dois casos para a construção do modelo: o primeiro caso, mais
genérico, considera tanto situações em que o próprio presidente concorre à reeleição
quanto casos em que alguém indicado por ele concorre; já no segundo caso, são
considerados apenas os casos em que o candidato exerce ele próprio o cargo de
presidente.
Ainda, são feitas análises ao longo do ano eleitoral de forma a analisar a evolução da
avaliação do governo federal e o impacto de variáveis socioeconômicas, sobretudo
em períodos ainda distantes da corrida presidencial.
O modelo de forma geral analisa os resultados sobre o segundo turno das eleições a
fim de determinar de fato o resultado eleitoral. Contudo, paralelamente, são feitos
21
alguns ajustes a fim de elaborar um modelo para prever se vai ocorrer um segundo
turno.
3.3 Método de estimação
A estimação do modelo eleitoral foi realizada utilizando o método de estimação dos
Mínimos Quadrados Ordinários (MQO), com dados em painéis.
O método de Mínimos Quadrados tem por objetivo a minimização da soma dos
quadrados da diferença entre o modelo e o observado, que correspondem ao erro do
modelo. Dessa forma, tem-se:
𝑛
𝑛
𝑀í𝑛𝑖𝑚𝑜 ∑(𝜀𝑖𝑡 )² = 𝑀í𝑛𝑖𝑚𝑜 ∑(𝑌𝑖𝑡 − Ŷ𝑖𝑡 )²
𝑖=1
𝑖=1
Já a utilização de dados em painel tem como principal característica a variação ao
longo do tempo e do espaço, o que permite uma melhor análise da dinâmica do
comportamento das variáveis explicativas e de como se relacionam com a variável
resposta.
O modelo consiste, de forma geral, na regressão do resultado eleitoral em função do
conjunto de variáveis socioeconômicas e de pesquisa de opinião pública a respeito do
governo. A especificação geral do modelo pode representada por:
Restultado𝑖𝑡= = 𝛽0 + 𝛽1 VAR_PIB𝑖𝑡 + 𝛽2 𝐼𝑃𝐶𝐴𝑖𝑡 + 𝛽3 𝑅𝐸𝑁𝐷𝐴𝑖 + 𝛽4 DESEMPREGO𝑖 + 𝛽5
𝐴𝑉𝐴𝐿𝐼𝐴ÇÃ𝑂𝑖 + 𝜀𝑖
Como a decisão eleitoral de um ano em determinado estado não é completamente
independente do resultado em outro estado neste mesmo ano, foi feito um ajuste
através do comando cluster do Stata. Além disso, foi feita uma ponderação dos dados
por meio do tamanho populacional de cada estado.
3.4 Resultados
3.4.1 Resultados Esperados
Com base na especificação geral do modelo, espera-se que as variáveis relacionadas
ao PIB e à renda estejam positivamente relacionadas ao resultado eleitoral do
candidato do incumbente à medida em que são positivamente relacionados ao bem
22
estar dos eleitores. Já desemprego e inflação são esperados se relacionarem de
forma negativa por terem relação negativa com o bem estar.
Ainda, é esperada uma relação positiva entre o resultado eleitoral e avaliação do
governo, já que esta refletiria a percepção da população a respeito de seu bem estar.
Na realidade, é esperada uma forte correlação entre pesquisas de opinião e a variável
resposta (o resultado eleitoral).
3.4.2 Resultados Obtidos
Por meio do software Stata, foram realizadas uma série de regressões, sendo que em
alguns casos utilizou-se apenas a avaliação do governo como variável explicativa,
principalmente para analisar os resultados mais próximos ao período eleitoral. Em
outros casos acrescentou-se variáveis socioeconômicas a fim de analisar o impacto
dessas sobre o resultado, sobretudo em períodos mais distantes à eleição. Em todos
os casos foram realizadas regressões com dados de avaliação do governo federal em
diferentes meses dos anos eleitorais.
O primeiro caso analisado consistiu na regressão do resultado eleitoral do segundo
turno, de todos anos analisados, em função da avaliação do governo federal e
variáveis socioeconômicas testando várias especificações (variação do PIB, IPCA,
renda e desemprego).
O resultado de forma geral foi condizente com o esperado, ou seja, observou-se um
crescente peso das avaliações do governo com a aproximação das eleições. O mês
de julho, contudo, representou uma exceção a esse resultado, apresentando
comportamento divergente em relação aos demais meses analisados. A tabela a
seguir apresenta os resultados obtidos para o mês de maio considerando como
variáveis explicativas IPCA e variação do PIB.
Variável explicativa
Coeficiente
Desvio Padrão
P-valor
Constante
50,8007
3,0641
0,000
Avaliação Maio
0,2338
0,0475
0,016
IPCA
-1,3681
0,2771
0,016
Variação PIB
-0,0776
0,7559
0,925
23
Analogamente essas especificações foram testadas para os demais meses e também
para o primeiro turno, sendo resultados semelhantes obtidos. Dessa forma, foram
considerados apenas avaliação e IPCA para os demais modelos. A tabela a seguir
apresenta os resultados obtidos em função do IPCA e da avaliação para maio.
Variável explicativa
Coeficiente
Desvio Padrão
P-valor
Constante
51,0819
3,7888
0,001
Avaliação Maio
0,2236
0,0721
0,053
IPCA
-1,3893
0,2311
0,09
A tabela a seguir apresenta os coeficientes obtidos em cada mês para o primeiro e
para o segundo turno.
Primeiro Turno -Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
47,8376 50,0666 49,9548 49,1741
46,5517
Coeficiente Avaliação
0,2302
0,1816
0,1949
0,1948
0,2283
Coeficiente IPCA
-2,5425
-2,5097
-2,6024
-2,4893
-2,3787
Segundo Turno - Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
51,2096 51,0819 52,4033 51,3778
48,6534
Coeficiente Avaliação
0,2278
0,2236
0,2100
0,2141
0,2482
Coeficiente IPCA
-1,4845
-1,3893
-1,5284
-1,4013
-1,2843
Ainda, foram analisados os resultados eleitorais em função apenas da avaliação do
governo, conforme apresentado pelas tabelas a seguir.
Primeiro Turno - Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
27,4048 28,3711 29,8091 27,9412
24,6135
0,3458
0,3918
0,3327
0,2969
0,3353
24
Segundo Turno - Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
39,2785 39,0718 40,5713 39,4254
36,8082
0,2954
0,3365
0,3072
0,2704
0,2933
Posteriormente foram analisados apenas os casos em que houve reeleição. A tabela
a seguir apresenta o resultado do segundo turno utilizando dados de avaliação de
maio.
Variável explicativa
Coeficiente
Desvio Padrão
P-valor
Constante
19,8134
10,9440
0,321
Avaliação Maio
1,1338
0,0467
0,026
IPCA
-2,2579
2,9908
0,588
Conforme era esperado, o resultado de forma geral aponta um maior impacto da
avaliação do candidato sobre o resultado eleitoral neste cenário mais restrito quando
comparado ao caso mais geral, em que também são considerados os candidatos
indicados pelo presidente em exercício (sucessor). Além disso, neste caso o IPCA não
se mostrou mais relevante como variável explicativa do resultado eleitoral. A tabela a
seguir apresenta os resultados obtidos para reeleição
Primeiro Turno - Apenas Reeleição
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
15,5635 34,3892 17,8975 18,6267
22,7847
0,9303
0,6646
0,4324
0,9000
0,8367
Segundo Turno - Apenas Reeleição
Variável Explicativa
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
Constante
23,5659
19,79
14,4749
16,9241
23,9786
Coeficiente Avaliação
0,8916
0,9797
1,1698
1,0488
0,7898
25
3.4.3 Previsões das Eleições Atuais
Com base nos modelos estimados foram feitas previsões do atual cenário das
eleições federais do Brasil, sendo inicialmente analisado um possível segundo turno
e, posteriormente, o resultado eleitoral propriamente dito, decidido pelo segundo
turno.
Inicialmente foi considerando o modelo mais geral, em que são considerados tanto os
anos em que houve reeleição quanto aqueles em que houve nomeação de sucessor
do presidente em exercício, com a seguinte especificação:
Resultado 1º turno 𝑖𝑡= = 𝛽0 + 𝛽1 𝐼𝑃𝐶𝐴𝑖𝑡 + 𝛽2 𝐴𝑣𝑎𝑙𝑖𝑎çã𝑜_𝑆𝑒𝑡𝑒𝑚𝑏𝑟𝑜𝑖 + 𝜀𝑖
Com 95% de confiança, o resultado encontrado foi 40,87% de chance de reeleição,
em linha com o efetivamente registrado. Considerando o mesmo modelo mas restrito
apenas aos anos em que houve reeleição efetivamente, o resultado foi 34,33%.
Contudo, retirando o IPCA do modelo (melhor especificação para avaliar o resultado
do primeiro turno em anos de reeleição), o resultado foi 48,04%.
Os resultados encontrados foram bem próximos ao efetivamente observado nas
urnas, considerando que a candidata à reeleição Dilma Rousseff recebeu 41,69% dos
votos válidos.
Já a análise para o segundo turno considerando o mesmo modelo utilizado
inicialmente para a previsão do primeiro turno resultou em 51,65% das intenções de
voto para a candidata à reeleição, valor bem próximo ao observado nas urnas, 51,64%
dos votos válidos.
Analogamente ao observado na previsão do primeiro turno, a previsão utilizando a
melhor especificação do modelo apenas para os anos de reeleição (especificação que
leva em conta apenas a avaliação do candidato como variável resposta) mostrou-se
mais distante do resultado efetivamente observado nas urnas, resultando em 60,79%.
Dessa forma, os modelos mais gerais, em que se considera todos os anos do período
analisado e não apenas reeleição, forneceram resultados mais próximos aos
efetivamente obtidos nas atuais eleições. Isso pode indicar particularidades
observadas nesse último ano eleitoral ou ao próprio contexto socioeconômico que o
país vive nos últimos anos ou ainda ser decorrente do baixo tamanho amostral.
26
3.5 Atualização do Modelo
Ainda, posteriormente à eleição ocorrida em 2014, os modelos foram atualizados de
forma a incorporar os novos dados. Os resultados encontram-se sintetizados nas
tabelas seguintes.
Primeiro Turno -Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Coeficiente IPCA
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
46,3967 49,6690 49,4743 49,0647
46,9097
0, 2682
0, 2062
0, 2302
-2, 5229 -2, 5057 -2, 6107 -2, 4983
-2, 4005
0, 2010
0, 2140
Segundo Turno - Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Coeficiente IPCA
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
50,5219 51,9543 52,7523 52,6915
50,3953
0, 2657
0,2132
0, 2392
-1, 4929 -1, 4287 -1, 5671 -1, 4565
-1, 3535
0, 2345
0, 2287
Primeiro Turno – Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
27,1970 29,7102 31,2799 29,9773
27,2612
0, 3735
0, 3548
0,3301
0,2869
0,3122
Segundo Turno – Todos os Anos
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Agosto
Setembro
39,1606 40,5742 41,8308
41,5633
39,3170
0, 3280
0, 2750
0, 3095
0, 3081
Julho
0, 2725
Primeiro Turno - Apenas Reeleição
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
14,7395 21,7417 11,2280 10,9964
15,2554
0, 8716
0,8107
0, 7238
1,0216
0, 9918
Segundo Turno - Apenas Reeleição
Variável Explicativa
Constante
Coeficiente Avaliação
Março
Maio
Julho
Agosto
Setembro
19,0591 12,4542
9,0386
11,8194
18,3559
0, 9688
1, 2986
1, 1816
0, 9314
1,1785
27
4.Conclusão
De forma geral os resultados obtidos pelo presente trabalho foram condizentes com o
esperado com um crescente peso das avaliações do governo com a aproximação das
eleições e com um peso ainda maior sobre avaliação do candidato quando analisado
o cenário restrito aos anos de reeleição propriamente ditos. Além disso, os resultados
encontrados para as previsões eleitorais de 2014 foram bem próximos ao
efetivamente observados nos dois turnos da eleição presidencial.
Dessa forma, os resultados encontrados parecem confirmar a importância da
avaliação do governo federal para explicar os resultados eleitorais, como elencado
por Carreirão (1999), e a questão da transferibilidade do voto de um candidato a outro
por ele indicado, conforme analisado em Libanio e Menezes Filho (2003) e Lavareda
(2011).
Ainda, cabe uma interessante observação em relação à eleição presidencial de 2014,
sobretudo na campanha eleitoral desenvolvida pelos candidatos. De forma
semelhante ao ocorrido nas reeleições analisadas por Lavareda (2011), a candidata
à reeleição construiu sua campanha principalmente sobre o medo de uma mudança
de governo, que poderia acabar com importantes benefícios adquiridos pela
população, como o Bolsa Família.
Contudo, ainda é interessante notar a importância do contexto econômico, que não
sendo favorável ao atual governo foi explorado pela oposição e resultou em um
resultado eleitoral bem acirrado.
Por fim, vale ressaltar que os resultados obtidos no presente estudo devem ser
analisados com cautela tendo em vista sobretudo o tamanho amostral analisado e
outras possíveis variáveis, mais subjetivas, que podem não terem sido levadas em
consideração.
28
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