UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS CURSO BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA GIULLYANNE LIMA DE ARAÚJO ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERÂMICOS DESTINADA A EDIFÍCIOS DE PEQUENO PORTE: ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE MOSSORÓ - RN MOSSORÓ - RN 2011 GIULLYANNE LIMA DE ARAÚJO ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERÂMICOS DESTINADA A EDIFÍCIOS DE PEQUENO PORTE: ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE MOSSORÓ - RN Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a obtenção do título de Bacharel em Ciência e Tecnologia. Orientador: Profª. Dra. Halane Maria Braga Fernandes Brito - UFERSA MOSSORÓ - RN 2011 Ficha catalográfica preparada pelo setor de classificação e catalogação da Biblioteca “Orlando Teixeira” da UFERSA A662a Araújo, Giullyanne Lima de. Alvenaria Estrutural com blocos cerâmicos destinada à edifícios de pequeno porte: estudo de caso na cidade de Mossoró. / Guillyanne Lima de Araújo. -- Mossoró, 2011. 62f. il. Monografia (Graduação em Bacharelado em Ciência e Tecnologia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Orientador: Profª. Dra. Sc. Halane Maria Braga Fernandes Brito. 1. Construção civil. 2. Alvenaria estrutural. 3. Blocos cerâmicos. I. Título. CDD: 637.1 Bibliotecária: Marilene S. de Araujo CRB/5 1013 GIULLYANNE LIMA DE ARAÚJO ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERÂMICOS DESTINADA A EDIFÍCIOS DE PEQUENO PORTE: ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE MOSSORÓ - RN Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a obtenção do título de Bacharel em Ciência e Tecnologia. DATA DE APROVAÇÃO: ___/___/2011 BANCA EXAMINADORA _____________________________ Profª. D. Sc. Halane Maria Braga Fernandes Brito Presidente _____________________________ Prof. M. Sc. Raimundo Gomes de Amorim Neto Primeiro Membro _____________________________ Profª. D.Sc. Marília Pereira de Oliveira Segundo Membro AGRADECIMENTOS Acima de tudo, agradeço a Deus por seu Amor incondicional, misericórdia, proteção e providência perfeita; Aos meus pais, Ivanaldo e Luzinete, por terem me dado a minha vida e suas vidas; Às minhas avós: Lindalva, por suas orações e vigília constante; e Isabel, que tenho certeza que intercede por mim junto a Deus lá no céu; A toda a minha família pelo apoio e incentivo; A todos os professores que compartilharam comigo, ao longo do curso, seus conhecimentos; Aos meus amigos da Universidade, pelo apoio, paciência, ajuda, encorajamento, carinho e pelos ótimos momentos que vivemos juntos durante esses 3 anos de curso; Às amigas, em especial, àquelas que não preciso citar nomes, pois sabem que são e sempre serão muito importantes para mim. Sem elas não teria sido tudo tão divertido, mesmo nos momentos de dificuldades. A minha orientadora, Halane Maria Braga Fernandes Brito, por me disponibilizar seu tempo, sua atenção e por sua paciência e cuidado durante a realização deste trabalho. À Empresa REPAV - Rosário Edificações e Pavimentação LTDA, por permitir o meu estágio na área da engenharia civil, experiência de grande valia para a realização desse trabalho de conclusão de curso. RESUMO Para o desenvolvimento deste trabalho realizou-se um estudo detalhado sobre Alvenaria Estrutural por meio de uma pesquisa bibliográfica e de um estudo prático, através de um período de observação direta da execução desse sistema no canteiro de obra de um edifício de pequeno porte. Esse projeto está em processo de execução na cidade de Mossoró - RN e faz parte do programa “Minha Casa, minha Vida” do governo federal, de responsabilidade da Empresa REPAV - Rosário Edificações e Pavimentação LTDA, em parceria com a Caixa Econômica Federal. Foi enfatizado o uso de blocos cerâmicos, por ser esse o tipo de unidade utilizada na obra em questão. Devido ao aumento da procura por essa técnica construtiva e da necessidade de aperfeiçoá-la, para que possa melhor se adequar às necessidades da modernidade, que partiu o estímulo para a realização deste trabalho. Foi feito um levantamento das vantagens e desvantagens da Alvenaria Estrutural, sua modulação e execução dos projetos, com a finalidade de comprovar a eficiência produtiva do sistema: racionalização, simplicidade construtiva, rapidez, economia e redução dos resíduos gerados, entre outros parâmetros. Palavras-chave: Construção civil. Alvenaria Estrutural. Blocos cerâmicos. Edifício de pequeno porte. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Pirâmides de Gizé.....................................................................................................12 Figura 2 - Farol de Alexandria .................................................................................................13 Figura 3 - Coliseu......................................................................................................................13 Figura 4 - Catedral de Reims....................................................................................................13 Figura 5 - Edifício Monadnock.................................................................................................14 Figura 6 - Edifício Central Parque da Lapa..............................................................................15 Figura 7 - Bloco cerâmico estrutural de paredes vazadas.........................................................18 Figura 8 - Bloco cerâmico estrutural com paredes maciças (com paredes internas maciças)..18 Figura 9 - Bloco cerâmico estrutural com paredes maciças (com paredes internas vazadas)...18 Figura 10 - Bloco cerâmico estrutural perfurado......................................................................19 Figura 11 - Desenho dos tipos de blocos..................................................................................20 Figura 12 - Dimensões de uma unidade....................................................................................39 Figura 13 - Detalhe típico canto de paredes..............................................................................40 Figura 14 - Amarração em “L”.................................................................................................41 Figura 15 - Amarração em “T”.................................................................................................41 Figura 16 - Desenho dos tipos de amarrações dos blocos.........................................................42 Figura 17 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Vista panorâmica do condomínio..43 Figura 18 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Vista panorâmica de cima do condomínio................................................................................................................................44 Figura 19 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Planta Baixa...................................45 Figura 20 - Vazado de um bloco preenchido com graute (Prisma cheio).................................46 Figura 21 - Legenda das seqüências da 1ª e 2ª fiadas...............................................................47 Figura 22 - Parte da planta da primeira fiada dos apartamentos...............................................48 Figura 23 - Foto da primeira fiada do Bloco A.........................................................................49 Figura 24 - Parte da planta da segunda fiada dos apartamentos...............................................50 Figura 25 - Elevação das paredes dos apartamentos................................................................ 51 Figura 26 - Parte da planta de Elevação da parede 25............................................................. 52 Figura 27 - Detalhe de um espaço entre uma laje e outra para passagem dos canos................53 Figura 28 - Tampas de concreto celular utilizadas para vedação dos Shafts............................54 Figura 29 - Canos hidrossanitários passando sobre as paredes e por entre o Shaft..................54 Figura 30 - Detalhe dos canos passando por dentro dos shafts.................................................55 Figura 31 - Cobertura dos canos hidrossanitários finalizada................................................... 55 Figura 32 - Eletrodutos passando por entre os vazados dos blocos..........................................56 Figura 33 - Detalhe de dois blocos perfurados de um lado a outro..........................................57 Figura 34 - Detalhe de um bloco cuja primeira capa foi rasgada.............................................57 Figura 35 - Cano de Combate a Incêndio descendo sobre a parede.........................................58 Figura 36 - Duto de gás passando por entre rasgo na parede....................................................59 Figura 37 - Dutos de gás que subirão para o próximo andar pelos shafts.................................59 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Dimensões de fabricação de blocos cerâmicos estruturais.....................................19 Quadro 2 - Faixas granulométricas de areias recomendadas para graute.................................22 Quadro 3 - Faixa granulométrica recomendada para pedrisco utilizado no graute...................22 Quadro 4 - Traços recomendados para argamassa de assentamento.........................................24 Quadro 5 - Fator de eficiência da alvenaria para diversos tipos de unidades;..........................27 Quadro 6 - Fatores relacionados à mão-de-obra que afetam a resistência da alvenaria...........29 Quadro 7 - Dimensões para alguns blocos de modulação 20 e largura de 14 cm.....................46 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Resistência característica da alvenaria em função da resistência das unidades.....27 Gráfico 2 - Resistência da alvenaria para diferentes argamassas..............................................28 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................09 1.1 JUSTIFICATIVA................................................................................................................10 1.2 OBJETIVO..........................................................................................................................11 1.3 METODOLOGIA...............................................................................................................11 2 REVISÃO DE LITERATURA...........................................................................................12 2.1 HISTÓRICO.......................................................................................................................12 2.2 ALVENARIA ESTRUTURAL..........................................................................................15 2.2.1 Definição e Classificação...............................................................................................15 2.2.2 Materiais.........................................................................................................................17 2.2.3 Componentes..................................................................................................................17 2.2.3.1 Blocos............................................................................................................................17 2.2.3.2 Armaduras.....................................................................................................................21 2.2.3.3 Graute............................................................................................................................21 2.2.3.4 Argamassa.....................................................................................................................23 2.2.4 Elementos........................................................................................................................25 2.3 FATORES QUE AFETAM A RESISTÊNCIA DA ALVENARIA...................................26 2.3.1 Resistência das Unidades..............................................................................................26 2.3.2 Resistência da Argamassa.............................................................................................28 2.3.3 Qualidade da Mão-de-obra...........................................................................................29 2.4 ALVENARIA ESTRUTURAL VERSUS CONCRETO ARMADO.................................30 2.4.1 Vantagens da Alvenaria Estrutural..............................................................................34 2.4.2 Desvantagens da Alvenaria Estrutural........................................................................36 2.5 CONCEITOS BÁSICOS DE UM PROJETO DE ALVENARIA ESTRUTURAL...........36 2.5.1 Coordenação de projetos...............................................................................................36 2.5.2 Projeto Arquitetônico....................................................................................................37 2.5.2.1 Simetria.........................................................................................................................37 2.5.2.2 Modulação.....................................................................................................................38 2.5.2.3 Amarração das paredes.................................................................................................40 3 ESTUDO DE CASO.............................................................................................................42 3.1 PROJETOS.........................................................................................................................44 3.1.1 Projeto Arquitetônico....................................................................................................44 3.1.2 Projeto Executivo...........................................................................................................45 3.1.2.1 Modulação.....................................................................................................................45 3.1.2.2 Planta Baixa..................................................................................................................47 3.1.2.3 Elevação das paredes....................................................................................................51 3.1.3 Projeto Hidrossanitário.................................................................................................53 3.1.4 Projeto Elétrico..............................................................................................................56 3.1.5 Projetos Complementares.............................................................................................58 4 CONCLUSÕES....................................................................................................................60 5 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................61 9 1 INTRODUÇÃO Em uma construção há a necessidade indispensável de uma estrutura que a sustente, como os pilares, as colunas, as vigas, etc. Porém, na Alvenaria Estrutural as próprias paredes funcionam como estrutura de sustentação, devido à isto, este sistema exige um cuidado extra na sua execução. A modulação tem que ser perfeita, os blocos devem ter tamanhos exatos e de maneira alguma devem ser cortados, o que se observa com isso é uma incrível redução no desperdício de material. A construção é mais rápida, visto que não há vigas e pilares e o bloco em si é maior do que um tijolo comum. Outra vantagem é que a obra se mantém muito mais limpa e sua execução é simples. A Revista Téchne enfatizou na sua edição de número 34 que “(...) a utilização de blocos com diferentes resistências é apenas uma entre várias formas de economizar com a alvenaria estrutural. Os maiores ganhos do sistema estão relacionados com a racionalização oferecida ao construtor.” Os projetos de execução de uma edificação que se utiliza do sistema de Alvenaria Estrutural são altamente explicativos. As plantas conduzem os executores ao procedimento correto de disposição dos blocos, mostram o lugar certo de cada um na primeira e na segunda fiadas da parede - as demais fiadas são repetições das iniciais - assim fica muito mais fácil e prático de se trabalhar, mas é preciso obedecer rigorosamente às amarrações, pois como já foi mencionado no parágrafo anterior, as paredes possuem também função de resistência aos esforços. No projeto hidráulico e elétrico ficam discriminados como vai ser a distribuição dos canos e dos eletrodutos que passarão por dentro dos vazados dos blocos e isso dispensa cortes dos mesmos. Os projetos que mostram as vistas das paredes são chamadas de paginações e deixam bem claros os lugares de portas, janelas, quadros de luz, vergas, contra−vergas, tomadas, interruptores, tubulações, amarrações dos blocos, etc. Para se ter um bom projeto a Alvenaria Estrutural não pode ser vista meramente como um conjunto de paredes superpostas, resistindo o seu peso próprio e outras cargas adicionais. Deve ser compreendida como um processo construtivo racionalizado, projetado, calculado e construído em conformidade com as normas pertinentes, visando funcionalidade com segurança e economia. (S. M. Baptista Kalil, 2004, p. 04) 10 1.1 JUSTIFICATIVA A alvenaria estrutural teve seus altos e baixos ao longo de sua história, no Brasil chegou ao ponto do quase esquecimento e da associação apenas às obras populares, porém atualmente está ganhando uma crescente notoriedade nos canteiros de obras brasileiros. Na publicação de agosto de 2003, a revista Arquitetura & Construção destacou que as vantagens econômicas chegam a até 30% de redução nos custos com relação ao uso de métodos construtivos convencionais, como o concreto armado. Essa visível economia, dentre outras vantagens, incentivou algumas construtoras a investirem nos blocos estruturais e a buscarem soluções para os problemas patológicos desse sistema, observados nas edificações construídas antes dos anos 80. Novas fábricas de materiais surgiram e pesquisas têm sido desenvolvidas com o apoio de empresas de cerâmica, concreto, etc., isso vem elevando o interesse do meio técnico pelo uso da alvenaria estrutural. No Rio Grande do Norte, especificamente em Mossoró, a alvenaria estrutural é comumente utilizada em obras do governo, como o projeto “Minha casa, minha vida” financiado pela Caixa Econômica Federal. Devido à procura por esse projeto ser muito alta, a indústria da construção civil optou por esse método para atender a demanda, por ser uma técnica que oferece rapidez, economia e redução da geração de resíduos. Logo, se tornou indispensável para as construtoras locais o domínio desse sistema, sendo valorizado e apreciado pelas mesmas. Apesar das inúmeras vantagens, segundo Camacho (2006) há uma limitação do projeto arquitetônico quanto à sua estrutura, ou seja, não é permitida em uma construção projetada a partir de alvenaria estrutural nenhuma modificação, como quebra de paredes. Assim, obras arrojadas e adaptação da arquitetura para um novo uso são descartadas, daí o porquê de a maioria das indústrias da construção civil optarem pelo uso de técnicas convencionais em obras mais ambiciosas, mesmo sendo mais caras e dispendiosas. 11 1.2 OBJETIVO Este trabalho teve como objetivo estudar a utilização correta da alvenaria estrutural, com a finalidade de fazer um levantamento das vantagens e desvantagens do uso desse tipo de técnica, comparando-a ao método construtivo tradicional que se utiliza do concreto armado. Para tanto será inicialmente dissertado sobre os princípios básicos que regem a alvenaria estrutural, desde a apresentação de sua definição ao seu manejo correto, bem como também será reportado todo o processo produtivo da alvenaria estrutural em uma construção específica, a fim de que, a partir de uma experiência direta, seja possível atestar com clareza os pontos principais que se deseja qualificar neste trabalho. 1.3 METODOLOGIA Para a composição deste trabalho foram feitas análises e observações, além de um estudo direto sobre o processo de execução de um projeto com alvenaria estrutural, no canteiro de obra do residencial Jardins do Alto, situado no município de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte e executado pela empresa REPAV - Rosário Edificações e Pavimentação. Esse empreendimento contempla 4 blocos, cada qual com 4 pavimentos, sendo inteiramente feito por alvenaria estrutural. Adotaram-se para a realização dessa obra blocos estruturais cerâmicos, sendo este tipo de bloco o mais citado durante o trabalho. 12 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 HISTÓRICO O uso da alvenaria é observado desde muito tempo, na antiguidade. Por volta de 10.000 a.C., os persas e os assírios utilizavam tijolos secos ao sol em suas construções, já em 3.000 a.C. têm-se registros do uso de tijolos queimados em fornos. De acordo com Ramalho e Corrêa (2003), as famosas Pirâmides de Gizé (Figura 1): Quéfren, Queóps e Miquerinos, foram construídas em blocos de pedra que datam de aproximadamente 2600 anos antes de Cristo. A pirâmide maior, túmulo do faraó Queóps, mede 147 m de altura e sua base é um quadrado de 230 m de lado. Em sua construção foram utilizados aproximadamente 2,3 milhões de blocos, com peso médio de 25 kN. Outros grandes exemplos de obras feitas nesse período são o Farol de Alexandria (Figura 2), com 165 metros de altura, construído por volta de 280 anos antes de Cristo em uma das ilhas em frente ao porto de Alexandria, Faros, com altura equivalente a um prédio de 45 pavimentos. Foi destruído por um terremoto no século XIV, restando apenas as suas fundações como prova de sua existência. E o Coliseu (Figura 3), um grande anfiteatro com capacidade para 50.000 pessoas, com mais de 500 m de diâmetro e 50 m de altura. Construído por volta do ano 70 d.C. possuía 80 portais, de forma que todas as pessoas que estivessem assistindo aos espetáculos lá realizados pudessem entrar e sair com grande rapidez. Figura 1 - Pirâmides de Gizé Fonte: <tilesexperts.com/wordpress/os-misterios-das-piramides-de-gize/> 13 Figura 2 - Farol de Alexandria Figura 3 - Coliseu Fonte:<pt.wikipedia.org/wiki/Coliseu_de_Ro ma> Fonte: <historiando-ral.blogspot.com> Na Idade Média, os opulentes castelos e catedrais também utilizaram a alvenaria como método construtivo. A Catedral de Notre-Dame de Reims (Figura 4), exemplo de catedral gótica, foi construída no período entre 1211 e 1300 depois de Cristo. Ainda mencionando Ramalho e Corrêa (2003) - “As catedrais góticas em geral, e a catedral de Reims em particular, podem ser citadas como os grandes exemplos de estruturas de alvenaria com interiores que conferem sensação de amplitude e grandeza.” Figura 4 - Catedral de Reims Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Notre-Dame_de_Reims> 14 No século XVIII, o matemático Euler equacionou a carga de flambagem de colunas e em 1880 foram feitas as primeiras pesquisas experimentais sistemáticas em alvenaria de tijolos realizadas nos Estados Unidos da América. Um marco da construção civil desse período é o edifício Monadnock (Figura 5), em Chicago – EUA, construído em 1891. Com 16 pavimentos, 65 metros de altura e paredes com 1,80 metros de espessura, o Monadnock encerrou a linhagem de prédios desse porte, a partir de então, edifícios com paredes mais esbeltas, mais econômicos e práticos surgiram. (Camacho 2006). Figura 5 - Edifício Monadnock Fonte: <es.wikipedia.org/wiki/Edificio_Monadnock> No início do século XX, a alvenaria estrutural foi deixada em segundo plano devido ao surgimento do aço e do concreto armado. Estes e outros novos materiais possibilitaram a construção de obras mais arrojadas. Novas técnicas com caráter científico – diferentes das técnicas passadas que seguiam regras puramente empíricas – também se consolidaram, relegando assim à alvenaria um caráter quase que exclusivamente de elemento de fechamento. Porém, em 1923, a Brebner leva à público os resultados de ensaios realizados por dois anos, marcando assim o início da alvenaria estrutural armada. É nesse período que, de acordo com Camacho (2006), a alvenaria foi redescoberta. No Brasil, segundo Ramalho e Corrêa (2003), o sistema construtivo em alvenaria é utilizado desde que os portugueses aqui desembarcaram no início do século XVI. Entretanto, a alvenaria com blocos estruturais, que pode ser encarada como um sistema construtivo mais 15 elaborado e voltado para a obtenção de edifícios mais econômicos e racionais demorou muito a encontrar o seu espaço. Foi no final da década de 60, mais precisamente em 1966, com a construção do conjunto habitacional “Central Parque da Lapa” (Figura 6), em São Paulo que o uso da alvenaria estrutural no Brasil se intensificou. Esse edifício possuía quatro pavimentos em blocos de concreto. Já em 1977, com a construção de um edifício de nove pavimentos, também em São Paulo, cujos blocos utilizados eram sílico-calcáreos, iniciou-se a Alvenaria Estrutural Armada. E na década de 80, houve a introdução dos blocos cerâmicos e de concreto na Alvenaria Estrutural. Em 1988, em São Paulo, quatro edifícios de dezoito pavimentos em blocos de concreto foi um marco da construção civil no Brasil, sendo considerados os mais altos da América do Sul, na época. Figura 6 - Edifício Central Parque da Lapa Fonte: <www.apsconstrucoes.com.br/outros%20produtos/alvenaria/alvenaria.html> 2.2 ALVENARIA ESTRUTURAL 2.2.1 Definição e classificação Segundo Cavalheiro (1996), Alvenaria “é o produto da composição básica, em obra, de tijolos ou blocos unidos entre si por argamassa, constituindo um conjunto resistente e 16 estável.” - e Alvenaria Estrutural “é toda a estrutura em alvenaria, predominantemente laminar, dimensionada por procedimentos racionais de cálculo para suportar cargas além de seu peso próprio.” De acordo com Richter (2007), em função da presença ou não de armaduras, a alvenaria pode ser classificada como armada, parcialmente armada ou não armada e protendida. a) Armada: quando, além dos blocos e das juntas de argamassa, é utilizada uma armadura passiva imersa em graute em regiões pré-definidas, dando maior flexibilidade à arquitetura, proporcionando maiores vãos; b) Parcialmente armada: quando, além dos blocos e das juntas de argamassa, existe uma armadura passiva colocada em algumas regiões com finalidade pré-definida; c) Não armada: quando se compõe apenas de blocos e juntas de argamassa, mais utilizada em regiões de baixa atividade sísmica, como o Brasil; d) Protendida: quando o elemento resistente possui armadura ativa, submetendo a alvenaria a esforços de compressão. Ainda segundo Richter (2007), em função do tipo de material empregado, ela pode ser de concreto, cerâmica ou sílico-calcária. Conforme o tipo da unidade utilizada, poderá ser de blocos ou de tijolos. a) Alvenaria estrutural de concreto: são mais amplamente utilizados, pois os blocos podem ser fabricados em qualquer lugar, devido à facilidade no encontro da matéria-prima. Tem um custo relativamente baixo e uma alta resistência; b) Alvenaria estrutural cerâmica: é menos utilizada que a alvenaria de concreto pela dificuldade de se encontrar boas argilas, mas tem menor custo. Possui menor resistência à compressão; c) Alvenaria estrutural sílico calcário: dependendo da localização da obra, o custo x benefício pode não ser vantajoso. Possui boa resistência. 17 2.2.2 Materiais Segundo Cavalheiro (2006), os constituintes básicos dos componentes utilizados na alvenaria estrutural são o cimento, cal, areia, argila, pedrisco e seus compostos no estado fresco, como a argamassa e o graute (micro-concreto), além de constituintes inseridos nos componentes, como o aço. 2.2.3 Componentes As unidades estruturais, tijolos ou blocos; as armaduras, construtivas ou de cálculo; o graute e a argamassa são os principais componentes empregados na construção de estruturas em alvenaria estrutural. É igualmente indispensável o uso de peças pré-fabricadas como: vergas, contravergas, coxins, e acessórios em geral, com o intuito de agilizar o processo construtivo. 2.2.3.1 Blocos As unidades são os componentes básicos da alvenaria estrutural, responsáveis pela definição das características resistentes da estrutura sendo necessário um cuidado especial ao escolher o tipo de bloco que se utilizará na construção de um edifício. No mercado atualmente existem diversos tipos de blocos: blocos cerâmicos, blocos de concreto, blocos sílicocalcáreos, blocos de concreto celular, com as mais variadas dimensões e resistências. Será aqui considerado apenas o bloco cerâmico, por ser este o tipo utilizado no estudo de caso em questão. De acordo com a ABNT NBR 15270-2 (2005) existem quatro tipos de blocos cerâmicos voltados para a alvenaria estrutural. Observa-se que “os blocos cerâmicos estruturais são produzidos para serem assentados com furos na vertical”, devido à função estrutural que as paredes exercem. São eles: 18 a) Bloco Cerâmico Estrutural: Componente da alvenaria estrutural que possui furos prismáticos perpendiculares às faces que os contêm. b) Bloco Cerâmico Estrutural De Paredes Vazadas: Componente da alvenaria estrutural com paredes vazadas, empregado na alvenaria estrutural não armada, armada e protendida, conforme representado esquematicamente na figura 7. Figura 7- Bloco cerâmico estrutural de paredes vazadas. Fonte: ABNT NBR 15270-2 (2005) c) Bloco Cerâmico Estrutural Com Paredes Maciças: Componente da alvenaria estrutural cujas paredes externas são maciças e as internas podem ser paredes maciças ou vazadas, empregado na alvenaria estrutural não armada, armada e protendida, conforme representado esquematicamente nas figuras 8 e 9. Figura 8 — Bloco cerâmico estrutural com Figura 9 — Bloco cerâmico estrutural paredes maciças (com paredes internas com maciças) internas vazadas) Fonte: ABNT NBR 15270-2 (2005) Fonte: paredes ABNT maciças (com paredes NBR 15270-2 (2005) d) Bloco Cerâmico Estrutural Perfurado: Componente da alvenaria estrutural cujos vazados são distribuídos em toda a sua face de assentamento, empregado na alvenaria estrutural não armada, conforme representado esquematicamente na figura 10. 19 Figura 10 — Bloco cerâmico estrutural perfurado Fonte: ABNT NBR 15270-2 (2005) Abaixo segue um quadro com as características dimensionais de um bloco cerâmico de módulo igual a 10 centímetros. Quadro 1 — Dimensões de fabricação de blocos cerâmicos estruturais Dimensões LxHxC Dimensões de fabricação Cm Módulo dimensional Largura Altura Bloco M = 10 cm (L) (H) principal (5/4)M x (5/4)M 11,5 24 x (5/2)M (5/4)M x (2)M x 24 (5/2)M 11,5 19 (5/4)M x (2)M x 29 (3)M (5/4)M x (2)M x 39 (4)M (3/2)M x (2)M x 29 (3)M 14 19 (3/2)M x (2)M x 39 (4)M (2)M x (2)M x 29 (3)M 19 19 (2)M x (2)M x 39 (4)M Bloco L – bloco para amarração em paredes em L. Bloco T – bloco para amarração em paredes em T. Fonte: ABNT NBR 15270-2 (2005) Comprimento (C) Bloco ½ Amarração (L) 11,5 - Amarração (T) 36,5 11,5 - 36,5 14 26,5 41,5 19 31,5 51,5 14 - 44 19 34 54 14 34 49 19 - 59 Na figura 11 é possível observar os tipos de blocos cerâmicos existentes no mercado atualmente, seus diferentes tamanhos e formatos são fundamentais para uma modulação precisa e segura. 20 Figura 11 - Desenho dos tipos de blocos Fonte: Camacho (2006) 21 2.2.3.2 Armaduras De acordo com Ramalho e Corrêa (2003), as barras de aço utilizadas nas construções em alvenaria são as mesmas utilizadas nas estruturas de concreto armado, porém serão sempre envolvidas por graute, para que o trabalho conjunto com o restante dos componentes da alvenaria seja seguramente garantido. Uma exceção é feita para as armaduras colocadas nas juntas das argamassas de assentamento. Nesse caso, é importante ressaltar que o diâmetro deve ser de no mínimo 3,8 mm, não ultrapassando a metade da espessura da junta. Estão sempre presentes na forma de armadura construtiva, características da alvenaria não armada, ou de cálculo, presentes na alvenaria armada. Sua função básica é absorver os esforços de tração ou compressão provenientes do vento ou desaprumo ou outras ações, e também possuem função construtiva, com o objetivo de prevenir patologias como fissuras nas paredes. 2.2.3.3 Graute Na ABNT NBR 8798 (1985), define-se graute como o elemento para preenchimento dos vazios dos blocos e canaletas de concreto para solidarização da armadura a estes elementos e aumento de capacidade portante, composto de cimento, agregado miúdo, agregado graúdo, água e cal ou outra adição destinada a conferir trabalhabilidade e retenção de água de hidratação à mistura. Segundo esta norma brasileira o graute é considerado fino quando agregado graúdo possui dimensão máxima inferior ou igual a 4,8mm, e grosso quando o agregado graúdo possui dimensão superior a 4,8mm. Os Quadros 2 e 3 mensuram as faixas granulométricas de areia e pedrisco recomendados para a composição do graute, por serem os agregados miúdo e graúdo, respectivamente, são diretamente ligados à resistência desse componente. 22 Quadro 2 - Faixas granulométricas de areias recomendadas para graute Granulometria – porcentagem retida acumulada nas peneiras Abertura da peneira Tipo 1 Tipo 2 9,5 0 0 4,8 0-5 0 2,4 0-20 0-5 1,2 15-50 0-30 0,6 40-75 25-60 0,3 70-90 65-90 0,15 90-98 85-98 0, 075 95-100 95-100 (mm) Fonte: Kalil (2004) apud Prudêncio (2002) Quadro 3 – Faixa granulométrica recomendada para pedrisco utilizado no graute Abertura da peneira (mm) %Retida acumulada 12,5 0 9,5 0-15 4,8 70-90 2,4 90-100 1,2 95-100 Fonte: Kalil (2004) apud Prudêncio (2002) 23 2.2.3.4 Argamassa A argamassa é composta por um ou mais aglomerantes, o cimento e a cal, por um agregado miúdo, a areia, e pela água em quantidade suficiente de maneira que seja possível produzir uma mistura plástica de boa trabalhabilidade. Sua principal função é transferir uniformemente as tensões entre os tijolos e os blocos, compensando as irregularidades e as viações de dimensão dos mesmos. A argamassa também serve para ajudar as unidades de alvenaria a resistirem aos esforços laterais e selar as juntas contra a entrada de água e vento nas edificações. Por ser o agente ligante que integra a alvenaria, a argamassa deve ser forte, durável e capaz de garantir a integridade e estanqueidade da mesma, devendo também possuir certas propriedades elásticas, trabalhabilidade e ser econômica. A argamassa deve ter capacidade de retenção de água suficiente para que quando em contato com unidades de elevada absorção inicial, não tenha suas funções primárias prejudicadas pela excessiva perda de água para a unidade. É importante também que seja capaz de desenvolver resistência suficiente para absorver os esforços que possam atuar na parede logo após o assentamento. (J. S. Camacho, 2006, p. 11) Segundo Richter (2007) dependendo da função que a parede exercerá é que se escolhe o tipo de argamassa a ser utilizado, dependendo também das condições de exposição da parede e do tipo de tijolo ou de bloco que compõe a estrutura. No caso das alvenarias como elementos estruturais, tende-se a especificar o uso de argamassas com alto consumo de cimento e com grande resistência á compressão, porém nem sempre uma argamassa resistente é a mais indicada. Kalil (2004) classificou a argamassa nos seguintes tipos: Mistas, Semi-prontas e Industrializadas. As argamassas Mistas se subdividem em: • Argamassa tipo M: recomendada para alvenarias que terão contato com o solo, tendo como exemplo fundações, muros de arrimo, etc. Possui grande durabilidade e boa resistência à compressão; • Argamassa tipo S: recomendada à alvenarias sujeitas ao esforço de flexão, tendo boa resistência à compressão e à tração na interface das unidades de alvenaria; 24 • Argamassa tipo N: recomendada para o uso geral em alvenaria, sem contato com o solo. Apresenta média resistência à compressão e boa durabilidade; • Argamassa tipo O: recomendada para o uso em unidades de alvenaria maciças, onde a tensão de compressão não exceda 0,70 MPa e não esteja em contato com um meio agressivo. Tem baixa resistência à compressão, sendo mais utilizadas nas paredes de ambientes internos. No Quadro 4 estão contidos os traços recomendados para cada tipo de argamassa citados acima. Quadro 4: Traços recomendados para argamassa de assentamento Traço em volume Tipo de Resistência argamassa media aos 28 Cimento Cal Hidratada Areia dias (MPa) M 1 0,25 2,8 a 3,8 17,2 S 1 0,25 a 0,5 2,8 a 4,5 12,4 N 1 0,5 a 1,25 3,4 a 6,8 5,2 O 1 1,25 a 2,5 5,0 a 10,5 2,4 Fonte: Richter (2007) apud American Society for Testing and Materials - ASTM (1987) As argamassas do tipo Semi-prontas são do tipo usinadas de cal e areia, servem tanto para assentamento da alvenaria, quanto para revestimento. A essa mistura de cal e areia adiciona-se, no preparo da massa na obra, cimento. As argamassas industrializadas são subdivididas em dois grupos: • Argamassas prontas. Chegam à obra armazenadas em baldes ou contêineres, preservando sua plasticidade por um período maior de tempo, pois são adicionados à sua composição aditivos especiais. Esse tipo de argamassa industrializada ainda não se firmou no mercado brasileiro, pois seu uso não é comum; • Argamassas que necessitam de adição de água em sua composição final. Esse tipo é o mais utilizado no Brasil, sendo comercializado em sacos ou a granel. 25 2.2.4 Elementos Segundo Cavalheiro (2006), os elementos são partes da obra elaboradas com os componentes da alvenaria estrutural. Os elementos básicos da alvenaria estrutural são os seguintes: a) Parede - lâmina vertical apoiada de modo contínuo em toda a sua base, com comprimento maior que cinco vezes a espessura. A parede de alvenaria classifica-se em: • Parede Resistente, Estruturais ou Portantes - toda aquela dimensionada para resistir cargas além do seu peso próprio. É também chamada de parede estrutural ou portante; • Parede Não Resistente ou de Vedação - toda a parede que no projeto não é considerada com a finalidade de suporte de cargas, além do seu peso próprio. É também dita de vedação ou não portante, podendo ser uma parede hidráulica, com a finalidade de embutir as tubulações; • Parede de Contraventamento ou Enrijecedoras - aquela destinada a promover o travamento da estrutura, absorvendo esforços provenientes de ações externas e de efeitos de segunda ordem. Chamada também de parede de travamento, podendo ser ainda pilar-parede. b) Pilar - todo o elemento estrutural em que a seção transversal retangular utilizada no cálculo do esforço resistente possui relação de lados inferior ou igual a cinco, prevalecendo no caso de seções compostas, as dimensões de cada ramo distinto; c) Cinta - elemento construtivo estrutural apoiado continuamente na parede, ligado ou não às lajes ou às vergas das aberturas e que transmite cargas para as paredes resistentes, tendo função de amarração; d) Verga - elemento estrutural colocado sobre vão de abertura geralmente não maior que 1,20 m, com a finalidade de transmitir cargas verticais para os trechos de parede adjacentes ao vão; e) Contraverga - elemento estrutural colocado sob o vão de abertura com a finalidade de absorver eventuais tensões de tração; f) Viga - elemento estrutural linear sobre vão geralmente maior que 1,20 m, dimensionado para suportar cargas verticais, transmitindo-as para paredes ou pilares; g) Enrijecedor - elemento estrutural vinculado a uma parede resistente, objetivando o enrijecimento horizontal na direção perpendicular a mesma; 26 h) Diafragma (laje) - elemento estrutural laminar trabalhando como chapa em seu plano e que, quando horizontal e convenientemente ligado às paredes resistentes, tem a finalidade de transmitir esforços de seu plano médio às paredes. i) Coxim - elemento estrutural não contínuo, apoiado na parede, com a finalidade de distribuir cargas verticais. As lajes mais utilizadas são as maciças ou pré-moldadas. As lajes maciças são as mais recomendadas, pois distribuem melhor as cargas, podendo ser moldadas in loco, mais utilizadas em edifícios de grande e médio porte; pré-fabricadas, mais comumente usadas em edifícios de pequeno porte; e armadas em uma ou duas direções. 2.3 FATORES QUE AFETAM A RESISTÊNCIA DA ALVENARIA A resistências das unidades, da argamassa, a qualidade da mão-de-obra e a esbeltez do elemento são fatores que influenciam em demasia a resistência à compressão das paredes e dos pilares de alvenaria. 2.3.1 Resistência das Unidades A resistência das unidades e a resistência da alvenaria se relacionam diretamente, o “fator de eficiência da parede” é a relação entre a primeira sobre a segunda, este será maior para alvenaria confeccionada com blocos do que com tijolos, e conforme a resistência das unidades cresce, o fator de eficiência diminui. A resistência das unidades é segundo Camacho (2006), fator determinante para a resistência final da alvenaria. O Quadro 5, extraído do livro Projetos de Edifícios de Alvenaria Estrutural, de Jefferson Sidney Camacho (2006), apresenta valores aproximados do fator de eficiência para diferentes alvenarias. 27 Quadro 5 - Fator de eficiência da alvenaria para diversos tipos de unidades. Tijolo cerâmico 18 a 30% Tijolo de concreto 60 a 90% Bloco de concreto 50 a 100% Bloco cerâmico 15 a 40% Fonte: Camacho (2006) Aliado à tabela acima, segue o gráfico 1, nele é possível observar o comportamento da resistência característica da alvenaria em função da resistência das unidades. Gráfico 1 - Resistência característica da alvenaria em função da resistência das unidades. Fonte: Camacho (2006) 28 2.3.2 Resistência da Argamassa De acordo com Camacho (2006), “as resistências da argamassa e da alvenaria estão fracamente relacionadas quando se trabalha com unidades de resistência relativamente baixa.” Observa-se que à medida que esta resistência aumenta, a argamassa passa a influenciar na resistência final da alvenaria. O gráfico 2 apresenta a influência da resistência da argamassa na resistência final da alvenaria. Gráfico 2 – Resistência da alvenaria para diferentes argamassas. Fonte: Camacho (2006) 29 2.3.3 Qualidade da Mão-de-obra “A qualidade da mão-de-obra empregada na confecção da alvenaria tem grande influência na sua resistência final.” (Camacho, 2006) Os principais fatores relacionados à mão-de-obra, ainda extraindo de Camacho (2006), e que devem ser controlados durante a montagem da alvenaria são: a) Controle da argamassa: o traço da argamassa deve ser mantido o mesmo durante toda a construção, ou variar conforme especificação de projeto; b) Juntas: devem-se preencher completamente as juntas, evitando reentrâncias. A espessura deve ser mantida a mais uniforme possível; c) Assentamento: deve-se evitar a perturbação das unidades logo após o assentamento, o que poderá alterar as condições de aderência entre unidade e argamassa; d) Prumo da parede: paredes construídas com desaprumo ou não alinhadas em pavimentos consecutivos estão sujeitas às excentricidades adicionais de carregamento, introduzindo solicitações não previstas na fase de projeto. A tabela 6 relaciona as imperfeições que podem surgir, caso os fatores acima não recebam os cuidados necessários, com o efeito que as mesmas terão sobre a resistência da alvenaria. Quadro 6 - Fatores relacionados à mão-de-obra que afetam a resistência da alvenaria Fator Redução na resistência Reentrância nas juntas 25% Variação na espessura das juntas (16 mm) 25% Desvio de prumo (12 mm) 15% Juntas verticais não preenchidas nenhuma Fonte: Camacho (2006) 30 2.4 ALVENARIA ESTRUTURAL VERSUS CONCRETO ARMADO De acordo com Cavalheiro (1996), no campo das edificações no Brasil podem-se estabelecer duas formas básicas de construir: pelo Sistema Convencional, empregando estruturas reticuladas de concreto armado moldadas “in loco”, e pelos Sistemas Industrializados, norteados pela pré-fabricação dos seus elementos ou execução “in loco”, mas de forma mecanizada e racionalizada. A alvenaria estrutural se situa entre os sistemas industrializados, uma vez que o componente básico de seus elementos estruturais, o bloco ou o tijolo, é uma peça modular, feita em usina ou indústria cerâmica e o sistema construtivo é racionalizado. Segundo Coêlho (1998), adotar a alvenaria estrutural como método construtivo consiste em construir prédios com paredes autoportantes, admitindo-se a não utilização da estrutura de concreto armado tradicional, porém, muitas vezes, há a necessidade de ser mesclado os dois processos para que haja uma perfeita adequação ao projeto arquitetônico e quando há falta de recursos construtivos no processo de alvenaria estrutural, entre outros motivos. Este mesmo autor ainda afirma que “(...) o bom seria não se ter a estrutura de concreto armado tradicional como coadjuvante do processo construtivo da alvenaria estrutural...”. Fazendo um comparativo entre esses dois sistemas, Cavalheiro (2006) observa: a) Paredes Nos prédios de concreto armado as paredes desenvolvem apenas a função de vedação, carregando assim a estrutura reticulada com o seu peso próprio, a qual será tanto mais robusta quanto maior for a densidade dos componentes de vedação para garantir, em princípio, melhor performance acústica. Na alvenaria estrutural as paredes desempenham, simultaneamente, as funções de vedação e de estrutura, absorvendo as cargas permanentes e acidentais, tendo melhoria acústica, em geral, como conseqüência das unidades mais resistentes empregadas. As paredes nesse sistema servem ainda de alojamento para os dutos elétricos. b) Fundações As cargas das lajes nas estruturas de concreto armado são conduzidas para as vigas, as quais transferem os esforços daí originados, somados aos dos seus carregamentos específicos 31 (paredes de vedação e eventuais reações de vigas secundárias), para os pilares e, por fim, de forma pontual para as fundações. Assim, as cargas distribuídas e concentradas dos prédios comuns acabam, no caso de fundações em sapatas, por se distribuírem em pequenas superfícies, originando no solo tensões relativamente elevadas. Já nas estruturas em alvenaria estrutural as paredes, por serem resistentes, absorvem os esforços e assim todas as cargas acabam por se distribuírem em superfícies maiores. Sapatas corridas são utilizadas ao longo de todo o perímetro das paredes resistentes, resultando em baixas tensões no solo. No caso de fundação em estacas, as seções das vigas baldrames na alvenaria estrutural resultam bastante reduzidas, face ao aproveitamento da rigidez da parede que é resistente. Outro aspecto a considerar é que a perfeição dimensional das unidades da alvenaria estrutural pode proporcionar um alívio de até 25% nas fundações diretas, fruto da inexistência do “entulho de revestimento”, ou até da inexistência do próprio revestimento, e da distribuição, em geral regular, de cargas na base da construção. c) Formas Normalmente, não há uma perfeita coincidência entre espessuras de vigas e pilares de concreto armado, gerando recortes nas formas, os quais as tornam onerosas, principalmente se houver reduções de dimensões das seções dos pilares nos andares superiores. Em algumas situações as formas nas estruturas de concreto armado são complexas e sempre caras, face ao limitado reaproveitamento. Na alvenaria estrutural as fôrmas podem inexistir, reduzindo significativamente o uso da madeira, a não ser quando a opção é pela execução de lajes moldadas “in loco” (ou algum outro detalhe especial). E mesmo neste caso há um ganho da redução do escoramento, pelo aproveitamento das paredes como apoio parcial das formas. Numa obra comum de concreto armado a madeira corresponde a quase 50 % do preço do concreto empregado, ou seja, cerca de 12 % do custo total. d) Armadura É inerente às estruturas de concreto armado a existência de armaduras “trabalhadas” e em grande quantidade. Já na alvenaria estrutural as armaduras podem até inexistir (apenas construtivas e de amarração) e quando necessárias são retas, sem ganchos ou dobras, na sua grande maioria. Ao contrário do que pode ocorrer no concreto armado, as armaduras na 32 alvenaria estrutural são bem protegidas da corrosão. Por outro lado, o consumo de aço, mesmo na alvenaria estrutural armada, é inferior ao do concreto armado para obras correntes. e) Etapas e Tempos As fases de execução de uma obra em concreto armado convencional são bem diferenciadas entre si e, obrigatoriamente, seqüenciais: execução de formas, colocação das armaduras, concretagem, retirada das formas, alvenaria de vedação e instalações, usualmente com rasgos indiscriminados nas paredes. Na alvenaria estrutural, pela simultaneidade das etapas, ocorre uma economia de tempo que pode chegar a 50%, na execução até as instalações básicas, acelerando o cronograma da obra e conseqüentemente diminuindo os encargos financeiros. f) Mão-de-obra As estruturas de concreto armado exigem mão-de-obra bastante especializada: pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, armador, apontador, além de servente e ajudante especial. Já na alvenaria estrutural este elenco é bem mais reduzido pela simultaneidade das etapas de execução, a qual induz à polivalência do operário através de relativamente fácil treinamento. Assim, na medida em que o pedreiro executa a alvenaria, ele próprio, por exemplo, pode colocar a ferragem e eletrodutos nos vazados dos blocos, podendo ainda deixar instaladas peças pré-moldadas como vergas, peitoris, marcos, etc. g) Racionalização Enquanto no concreto armado a racionalização exige uma certa “sofisticação” para ser implantada, na alvenaria estrutural ela é simples, favorecida, principalmente, pela coordenação modular do projeto. h) Revestimentos A elevada precisão dimensional das unidades de alvenaria estrutural resultam em economia de revestimento. Em alguns casos, chapisco e emboço podem ser dispensados sem prejudicar a uniformidade de espessura do reboco. Já nas obras de concreto armado as alvenarias de vedação são executadas com blocos ou tijolos comuns, os quais, em geral, deixam muito a desejar em termos de precisão de dimensões, onerando bastante o revestimento em pelo menos uma das faces da parede.As 33 espessuras adicionais para regularização dos revestimentos é da ordem de 7% do custo da obra convencional não racionalizada. Por outro lado, a inexistência de recortes na alvenaria estrutural resulta, também, em economia nas áreas revestidas com azulejo. i) Entulho A madeira utilizada nas formas das estruturas convencionais de concreto armado e os tijolos ou blocos de dimensões pouco precisas e baixa resistência, empregados para vedação de vãos estruturais não coordenados modularmente, são itens de acentuado peso na composição final do entulho deste tipo de obra. Alguns estudos mostram que numa obra convencional entra 1,8 t/m² de material e fica apenas 1,2 t/m², ou seja, 0,6 t/m² é entulho que sai. E a retirada de cada caminhão de entulho (6m³) de uma obra pode equivaler ao custo de uma ou mais semana de pedreiro Como na Alvenaria Estrutural as dimensões dos blocos e sua resistência são mais precisos e não há rasgamento dos mesmos, bem como o reduzido ou nenhum uso de formas, acarreta em uma acentuada economia quanto à geração de entulho. Nessas obras racionalizadas entra 1,0 t/m² e fica 0,8 t/m², reduzindo assim em 67% o material não aproveitável a ser retirado. j) Integração de Projetos A alvenaria estrutural, como sistema de construção racionalizado, exige do projetista da estrutura uma integração bem maior com os projetos de arquitetura e instalações do que no caso dos projetos de estruturas convencionais de concreto armado, até pelo fato da dupla função das paredes. Assim, esta coordenação já deve existir na fase do anteprojeto arquitetônico. Isto é uma condição bastante favorável para evitar dissabores, tão comuns nas obras convencionais, pelo “desencontro” de projetos. Nada impede, entretanto, que um determinado projeto arquitetônico, já pronto, possa ser adaptado para alvenaria estrutural. Como qualquer sistema construtivo, é claro, a alvenaria estrutural tem suas limitações. Enquanto nas estruturas de concreto armado existe uma grande liberdade de concepção do projeto arquitetônico, na alvenaria estrutural o horizonte do projetista é mais restrito, dentro da concepção racional do uso da parede resistente (superposição das paredes). Por outro lado, uma parede definida resistente não pode ser remanejada posteriormente pelo usuário, enquanto no concreto armado a liberdade de remoção é total. Na alvenaria estrutural, 34 entretanto, nem todas as paredes são, necessariamente, previstas como resistentes e, assim, podem ser removidas as de vedação. Relativamente a recalques diferenciais, sabe-se que as estruturas em concreto armado, pela sua alta hiperestaticidade, redistribui sem grandes deformações as cargas provenientes deste agente. O mesmo não ocorre nas obras de alvenaria estrutural não armada, podendo ocorrer, neste caso, deformações inaceitáveis, originando fissuração na alvenaria. Agora, se a alvenaria for armada, ou possuir corretas armaduras construtivas, conferindo solidariedade ao conjunto, a transferência de cargas ocorrerá plenamente e a estrutura apresentará excelente desempenho. Recalques diferenciais da ordem de 0,25% do vão considerado são aceitáveis neste tipo de alvenaria, em face de sua grande rigidez. Concluindo, Cavalheiro (2006) observa que, pelas características expostas nos itens Estrutura, Alvenaria e Revestimento, os Processos em Alvenaria Estrutural podem se tornar de 35 a 60% mais baratos do que aqueles convencionais que empregam Estruturas Reticuladas de Concreto Armado. 2.4.1 Vantagens da Alvenaria Estrutural a) Redução no desperdício de materiais e mão-de-obra Os blocos utilizados na alvenaria estrutural são mais resistentes e duráveis do que os tijolos comuns, esta característica confere um menor número de quebras do material durante o processo de execução das paredes. E também, como é estritamente proibido o rasgamento de paredes para a passagem de tubulação elétrica e hidráulica, ocorre uma diminuição considerável da geração de entulhos e há um maior aproveitamento da mão-de-obra. b) Economia de fôrmas Por não serem necessários os pilares e as vigas no projeto, a alvenaria estrutural gera economia de fôrmas e da mão-de-obra que seria utilizada na execução destes elementos. As únicas fôrmas a serem utilizadas serão aquelas empregadas na concretagem das lajes, sendo fôrmas lisas, baratas e de grande aproveitamento. 35 c) Redução significativa na utilização de argamassa nos revestimentos Devido à elevada qualidade dos blocos utilizados, como já foi citado, e pela maior atenção que se tem na execução, há uma considerável redução dos revestimentos. É comum o revestimento interno ser feito com uma camada de gesso aplicada diretamente sobre a superfície dos blocos, e no caso dos azulejos, eles também podem ser colados diretamente sobre os blocos. 5-d) Redução no número de especialidades na obra Ao dispensar a execução de pilares e vigas, torna-se desnecessária a presença de profissionais como carpinteiros e ferreiros no canteiro de obras. Da mesma forma, ao simplificar o projeto hidráulico passando a tubulação pelo interior das paredes, a necessidade da presença constante do encanador na execução da edificação fica drasticamente reduzida. Necessita-se de mão-de-obra especializada somente para a execução da alvenaria, diferentemente do que ocorre nas estruturas de concreto armado e aço. e) Maior rapidez e facilidade de construção Devido ao projeto possuir especificações na modulação, como a posição exata em que cada tijolo deve ir de forma encaixada, e por ser possível executar mais de uma etapa da construção simultaneamente, há uma considerável redução no tempo de execução do projeto. f) Redução de custos A redução de custos que se obtém está intimamente relacionada à adequada aplicação das técnicas de projeto e execução, podendo chegar, segundo a literatura, até a 30%. g) Robustez estrutural Decorrente da própria característica estrutural, resultando em maior resistência à danos patológicos decorrentes de movimentações, além de apresentar maior reserva de segurança frente a ruínas parciais. 36 2.4.2. Desvantagens da Alvenaria Estrutural a) O projeto arquitetônico fica mais restrito Como as paredes da alvenaria estrutural são partes da estrutura, ou seja, são elas que suportam os carregamentos atuando como elementos de sustentação, que em métodos convencionais cabem às vigas e aos pilares, não podem ser quebradas. Dessa forma, não são permitidas modificações no arranjo arquitetônico, o que pode vir a ser um problema bastante sério já que a edificação não poderá sofrer mudanças para se adaptar as novas necessidades dos usuários que possam surgir ao longo de sua vida útil. b) Dependência entre projetos de arquitetura, estruturas e instalações Como a modulação já tem sua marcação certa e não pode ser alterada, bem como a impossibilidade de se furar as paredes (sem um controle cuidadoso desses furos), faz com que os projetos de instalações elétricas e hidráulicas fiquem bastante limitados, sem haver a possibilidade de remanejamento ou adaptações dos posicionamentos dos canos, tendo estes que seguir à risca a disposição idealizada nos projetos. Observa-se também que é preciso haverem juntas de controle e dilatação a cada 15m. c) Necessidade de uma mão-de-obra bem qualificada A alvenaria estrutural exige uma mão-de-obra qualificada e apta a fazer uso de instrumentos adequados para sua execução. Isso significa um treinamento prévio da equipe contratada para sua execução. Caso contrário, os riscos de falhas que comprometam a segurança da edificação crescem sensivelmente. 2.6 CONCEITOS BÁSICOS DE UM PROJETO DE ALVENARIA ESTRUTURAL 2.6.1 Coordenação de projetos Segundo Kalil (2004), “medidas de racionalização e de controle de qualidade na fase de construção dependem diretamente das especificações originadas da etapa de projeto, 37 devendo nelas conter as informações necessárias de forma a ocorrer um planejamento eficiente para a etapa de execução.” Para um projeto que utiliza a técnica construtiva da alvenaria estrutural é extremamente importante que haja a compatibilização entre todos os projetos da edificação (arquitetônico, estrutural, elétrico, hidro-sanitário e incêndio). Além de observar os aspectos da compatibilização, o projetista deverá ter atenção especial com os fatores já estabelecidos no projeto, como os custos da edificação, os prazos a serem atendidos e se há existência de especificações técnicas pré-estabelecidas. Na execução dos projetos em alvenaria estrutural, os profissionais responsáveis devem pensar exclusivamente em alvenaria estrutural, descartando comparações com outros sistemas estruturais. Como já falado anteriormente, a alvenaria estrutural tem suas particularidades e procedimentos próprios de funcionamento e execução. 2.6.2 Projeto Arquitetônico Esse é o projeto precursor de uma edificação, pois não só define o formato que a obra terá como também determina como haverão de ser os outros projetos, ou seja, qualquer problema com o projeto arquitetônico afeta diretamente os demais. Na elaboração de um projeto arquitetônico devem ser considerados a simetria em planta, a modulação (horizontal e vertical), bem como a passagem dos dutos e a paginação. 2.6.2.1 Simetria De acordo com Kalil (2004), na realização do projeto é preciso ter atenção no equilíbrio entre a distribuição das paredes resistentes com a área da planta, para que seja possível haver uma simetria externa da edificação. Ainda segundo a autora, “deve-se distribuir as paredes estruturais em ambas as direções com o intuito de garantir a estabilidade do edifício em relação às cargas horizontais, diminuindo o surgimento de esforços de torção na edificação.” Formas em planta L, U, T e X não são recomendas, além de elevarem o preço da construção, dificultam os cálculos. Em qualquer caso que utilize a alvenaria estrutural, seja 38 em pequenas ou grandes elevações, o correto é fazer uso de uma arquitetura o mais simétrica possível, evitando formas complexas devido à limitação de simetria. 2.6.2.2 Modulação A modulação de um arranjo arquitetônico ou a coordenação modular é o ajuste de todas as dimensões da obra, horizontais e verticais, e também o pé-direito, como múltiplo da dimensão básica da unidade, a fim de evitar cortes e desperdícios na fase de execução. É um procedimento absolutamente fundamental para que uma edificação em alvenaria estrutural possa atender uma das principais vantagens de se utilizar esse sistema, ser econômica e racional. Se as dimensões de uma edificação não forem moduladas, como os blocos não devem ser cortados, os enchimentos resultantes certamente levarão a um custo maior e uma racionalidade menor para a obra em questão. Esse custo mais elevado se verifica não só em relação à mão-de-obra para execução dos enchimentos propriamente ditos, mas também pelo seu efeito negativo no próprio dimensionamento da estrutura como um todo. O fato de as paredes estarem trabalhando isoladas, conseqüência praticamente inevitável dos enchimentos, faz com que a distribuição das ações entre as diversas paredes de um edifício seja feita de forma a penalizar em demasia alguns elementos e conseqüentemente a economia do conjunto. De acordo com Ramalho e Corrêa (2003), o componente básico da alvenaria estrutural é a unidade, esta será sempre definida pelo comprimento, largura e altura. São o comprimento e a largura que definem o módulo horizontal, ou módulo em planta, e a altura define o módulo vertical a ser adotado nas elevações. É muito importante que o comprimento e a largura sejam iguais ou múltiplos para que se possa ter um único módulo em planta. Caso isso realmente ocorra, a amarração das paredes será em suma simplificada, concedendo mais agilidade ao sistema construtivo. Porém, caso contrário, será preciso utilizar unidades especiais para uma correta amarração das paredes, acarretando desagradáveis conseqüências para o arranjo estrutural. (Ver Figura 12) 39 Figura 12 - Dimensões de uma unidade Fonte: RAMALHO e CORRÊA (2003) Na modulação deve-se escolher a melhor solução para o encontro de paredes, aberturas, grauteamento de furos e utilização de pré-moldados. Para um bom desempenho geral da estrutura, é necessário que seja feita a distribuição dos blocos de forma a evitar o aparecimento de junta prumo, ou seja, evitar pontos em que os blocos sobrejacentes não ultrapassem o bloco inferior. O módulo a ser adotado é aquele que se adapte melhor a uma arquitetura préestabelecida ou que propicie uma concepção arquitetônica mais interessante. Há dois tipos de modulação: a horizontal e a vertical. a) Modulação horizontal - será a medida da largura do bloco. Como para alvenaria estrutural os blocos cerâmicos portantes devem ter largura nominal de 14 cm ou 19 cm, a medida modular será 15 cm ou 20 cm (largura do bloco mais 1 cm de espessura da junta). No caso de se adotar módulo de 15 cm, as dimensões internas dos ambientes em planta devem ser múltiplas de 15, como por exemplo 60 cm, 1,20 m, 2,10 m, etc. Se o módulo utilizado foi 20 cm, as dimensões internas devem ser múltiplas de 20, como por exemplo 60 cm, 1,20 m, 1,40 m, 2,80 m, etc. b) Modulação vertical - Esse procedimento é mais simples. Deve-se ajustar a distância do piso ao teto para que seja múltiplo do módulo vertical a ser adotado, normalmente a altura nominal do bloco, 20 cm. A largura do bloco e o módulo horizontal adotado não influem na escolha do módulo vertical. Dessa forma, pode-se concluir que uma obra de alvenaria estrutural, que se pretenda racionalizada, deve apresentar todas as suas dimensões moduladas. Ajustes até podem ser realizados, mas em pouquíssimos pontos e apenas sob condições muito particulares. 40 A figura 13 mostra como ocorre a modulação no canto das paredes, por onde deve-se começar a marcação da alvenaria. Figura 13 - Detalhe típico canto de paredes (Fonte: Catálogo Técnico da Cerâmica Selecta - Blocos Cerâmicos para Alvenaria Estrutural) 2.6.2.3 Amarração das Paredes Na modulação da alvenaria é indispensável que se tenha no projeto de execução o tipo de amarração das paredes utilizadas. Trata-se de um mecanismo cuja finalidade é garantir que haja uma distribuição uniforme dos esforços de uma parede para a outra, de forma que seja possível reduzir as tensões em paredes muito carregadas e as aumentando em outras paredes pouco carregadas, ou seja, cria-se um estado de uniformização de tensões. Segundo a ABNT NBR-10837 (1989), a união e solidarização de paredes que se cruzam podem ocorrer pela amarração direta ou pela amarração indireta. • Amarração direta: Esse tipo é executado com 50% dos blocos penetrando alternadamente na parede interceptada; 41 • Amarração indireta: É feita por meio da disposição de barras metálicas ou em forma de treliças soldadas. Podem-se utilizar também peças em forma de chapa metálica de resistência comprovadamente eficiente. É especificado que as ligações sejam feitas à uma distância máxima de três fiadas uma da outra. Existem dois tipos de amarração nos formatos em “L” e em “T”, como mostram as figuras 14 e 15, na qual a união das paredes estruturais é realizada, preferencialmente, pela interpenetração com os blocos contra-fiados (ver figura 16). Richter (2007) apud Sabbatini (2003) diz que, no caso deste tipo de união não ser possível, recorre-se à união por reforço metálico, com a condição de que seja eficiente para evitar fissuras e permitir a distribuição de esforços entre as paredes. É possível, para estas uniões, se fazer uso de duas soluções distintas: telas de aço galvanizadas eletro soldadas ou estiradas, posicionada nas juntas de argamassa; ou grampos metálicos em “U”, imersos em pilaretes totalmente grauteados, obtidos pelo preenchimento completo dos vazios contíguos. Figura 14 - Amarração em “L” Figura 15 - Amarração em “T” Fonte: Ramalho e Corrêa (2003) Fonte: Ramalho e Corrêa (2003) 42 Figura 16 - Desenho dos tipos de amarrações dos blocos. Fonte: CAMACHO (2006) 3 ESTUDO DE CASO Esse estudo foi realizado no canteiro de obra do Edifício Residencial Jardins do Alto, situado no município de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte. A empresa executora do projeto é a Rosário Edificações e Pavimentação LTDA - REPAV, mediante contrato com a Caixa Econômica Federal para realização do Programa “Minha Casa, minha vida” do governo federal. Esse programa consiste em um financiamento mais fácil e mais acessível às pessoas com uma renda a partir de 1.200 reais até 4.900 reais, concedendo um subsídio de até 17.000 reais no valor do imóvel. 43 O projeto consiste em quatro blocos de apartamentos, cada qual com quatro pavimentos, sendo oito apartamentos por pavimento. São, no total, 128 apartamentos. As áreas equivalentes da obra são: • Área do terreno: 7.200,00 m2; • Área privativa do apartamento: 49,97 m2; • Área comum do pavimento tipo: 49,72 m2; • Área total dos blocos: 7.216,64 m2; • Área apoio de lazer, gás, lixo e guarita: 66,26 m2; • Área total construída: 7.282,90 m2. Esse empreendimento é considerado de pequeno porte por não exceder a quantidade limite de cinco pavimentos. Pela figura 17 e 18 pode-se ter uma idéia de como ficará o condomínio Jardins do Alto quando for concluído. Figura 17 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Vista panorâmica do condomínio. Fonte: Acervo da empresa executora, Rosário Edificações e Pavimentação LTDA - REPAV. 44 Figura 18 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Vista panorâmica de cima do condomínio. Fonte: Acervo da empresa executora, Rosário Edificações e Pavimentação LTDA - REPAV. 3.1 PROJETOS Como o recomendado, todos os projetos foram desenvolvidos com base no projeto arquitetônico, qualquer alteração feita na execução destes passou por uma prévia avaliação do engenheiro responsável pela obra. 3.1.1 Projeto Arquitetônico O projeto arquitetônico do edifício, como já foi mencionado neste trabalho, é fundamental para a elaboração dos demais projetos. A arquitetura do edifício deve ser feita pensando na modulação, principalmente, para que assim possa ser feita com o melhor aproveitamento e desempenho possível. Na figura 19 pode-se analisar o projeto arquitetônico, através da maquete eletrônica do mesmo, da obra em estudo. 45 Figura 19 - Maquete eletrônica do projeto arquitetônico. Planta Baixa. Fonte: Acervo da empresa executora, Rosário Edificações e Pavimentação LTDA - REPAV. 3.1.2 Projeto Executivo É por meio deste projeto que as especificações de modulação, distribuição das vigas, pilares, em fim, que as soluções elaboradas pelos engenheiros projetistas estarão discriminadas, bem como a maneira como estas soluções deverão ser executadas na obra. Esse projeto, como todos os demais, deve ser claro, fácil de interpretar e conciso. Caso isso não ocorra o risco de haver uma falta de comunicação entre os executores do projeto e o que os projetistas imaginaram para a construção gera vários problemas, como atraso nos prazos, retrabalhos para correção de erros e redução da produtividade. 3.1.2.1 Modulação A modulação utilizada no edifício do estudo em questão foi a seguinte: para alvenaria com tijolos comuns, utilizados nas varandas e divisórias das cozinhas, a dimensão dos blocos é de 14x19x44 (140mm de largura, 190mm de altura e 440mm de comprimento); por sua vez, 46 para a alvenaria estrutural em si, foram utilizados os seguintes blocos, com suas respectivas dimensões, representados no Quadro 7: Quadro 7 - Dimensões para alguns blocos de modulação 20 e largura de 14 cm. Modulação 20 - largura 14 cm. Denominação do bloco Dimensão Nominal Dimensões Padronizadas (mm) (cm) (LxAxC) Largura Altura Comprimento Bloco padrão 14x19x44 140 190 440 Canaleta “U” (calha baixa) 14x9,5x30 140 70 - 70 290 Canaleta “U” (calha alta) 14x19x30 140 190 290 Bloco com função de ajuste 14x19x0,4 140 190 40 Tipo “J” 14x19x30 140 190 - 70 290 A resistência de um prisma cheio (Figura 20), ou seja, de um bloco preenchido com concreto, no projeto é estimado em 4,80 Mpa, porém o calculado por ensaios de compressão feitos no laboratório da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi de 6,42 MPa. Assim, com esse resultado, a resistência é adequada diante do esperado. Já no caso do prisma vazio, bloco sem nenhum preenchimento, a resistência estimada é de 4,5 Mpa, porém a calculada no mesmo laboratório foi de 5,48 MPa. Também nesse caso a resistência excede as expectativas, sendo favorável para uma estrutura segura do edifício. Figura 20 - Vazado de um bloco preenchido com graute (Prisma cheio). Fonte: Acervo pessoal. 47 3.1.2.2 Planta Baixa A planta baixa no projeto executivo indica as paredes sem revestimento. Nela contêm as plantas representativas da primeira e da segunda fiadas, os blocos que deverão ser usados para a elevação de cada parede e os pontos de graute. A figura 21 representa a legenda da planta baixa do condomínio residencial Jardins do Alto. Observam-se nesta figura os detalhes precisos da seqüência de cada uma das fiadas. Figura 21 - Legenda das seqüências da 1ª e 2ª fiadas. Fonte: ENECOL - Engenharia Estrutural e Consultoria LTDA para Rosário Edificações e Pavimentação LTDA - REPAV. A planta da primeira e da segunda fiadas mostra o posicionamento adequado dos blocos, a marcação correta de cada um para iniciar a elevação das paredes. Define também a localização das aberturas, como portas, janela, passagens de circulação de ar, etc. 48 a)Primeira fiada Primeiramente são assentados os blocos nos encontros de paredes, assim obtêm-se uma melhor amarração entre elas e evitam-se as juntas a prumo a fim de se ter uma melhor distribuição das tensões entre as paredes. Ramalho e Correa (2003) diz que, quando a dimensão entre blocos de canto ou borda é um número par multiplicado pelo módulo, os blocos se apresentarão paralelos, porém, caso essa dimensão seja um valor ímpar vezes o módulo, os blocos se apresentarão perpendiculares. Destaque para a figura 22 que exemplifica a planta baixa da primeira fiada de um dos apartamentos da obra em estudo, e para a figura 23 que mostra a sua execução. É interessante observar as ferragens por entre os vazados dos blocos que também receberão o graute. Figura 22 - Parte da planta da primeira fiada dos apartamentos. Fonte: ENECOL para REPAV. 49 Figura 23 - Foto da primeira fiada do Bloco A. Fonte: Acervo da empresa executora, Rosário Edificações e Pavimentação - REPAV. b) Segunda fiada Nesse caso, deve-se ter uma atenção especial com relação às juntas a prumo, procurando evitá-las ao máximo. “As fiadas subseqüentes são definidas de modo a se produzir a melhor concatenação possível entre os blocos". (Ramalho e Corrêa 2003). O que os autores quiseram dizer com isso é que a junta vertical deve ficar exatamente no meio do bloco superior de forma a promover uma maior unicidade no conjunto, como um quebra-cabeça alternado- Ver figura 24. Para as outras fiadas, deve-se repetir a primeira fiada nos números ímpares e a segunda fiada nos números pares. 50 Figura 24 - Parte da planta da segunda fiada dos apartamentos. Fonte: ENECOL para REPAV. 51 3.1.2.3 Elevação das paredes A planta contendo as elevações das paredes ou paginações deve indicar a posição em que irão passar os eletrodutos e os canos hidrossanitários, locais de descida das prumadas de luz e água, amarração entre as paredes e detalhamentos sobre a ferragem necessária. Deve fornecer as posições dos quadros de distribuição das instalações elétricas e sua solução estrutural. Também devem ser representadas as aberturas (portas e janelas), localizando as vergas, contra-vergas e/ou blocos canaletas, conforme mostram as figuras 25 e 26. Figura 25 - Elevação das paredes dos apartamentos. Fonte: Acervo da empresa executora REPAV. 52 Figura 26 - Parte da planta de Elevação da parede 25. Fonte: ENECOL para REPAV. 53 3.1.3 Projeto Hidrossanitário Para a elaboração do projeto hidrossanitário, é recomendado que o engenheiro projetista e o arquiteto entrem em comum acordo quanto aos seus respectivos projetos, pois assim, evita-se que haja interferência entre os demais. Como o recomendado pelas Normas Brasileiras de execução de Alvenaria Estrutural, na obra em questão não houve rasgamento dos blocos para a passagem dos canos dos sistemas hidráulico e de esgoto. Entre uma laje e outra foram deixados espaços para que os canos pudessem descer sobre as paredes, denominados “Shafts”, como mostra a figura 27. Figura 27 - Detalhe de um espaço, Shaft, entre uma laje e outra para passagem dos canos. Fonte: Acervo pessoal. Para que os canos não ficassem expostos, a solução utilizada foi a aplicação de “tampas” de concreto celular, com isopor em sua composição a fim de deixá-los mais leves para um melhor manuseio. Conforme os detalhes apresentados nas figuras 28, 29, 30 e 31. 54 Figura 28 - Tampas de concreto celular utilizadas para vedação dos Shafts. Fonte: Acervo Pessoal. Figura 29 - Canos hidrossanitários passando sobre as paredes e por entre o Shaft. Fonte: Acervo pessoal. 55 Figura 30 - Detalhe dos canos passando por dentro do shaft. Fonte: Acervo Pessoal. Figura 31 - Cobertura dos canos hidrossanitários finalizada. Fonte: Acervo pessoal. 56 3.1.4 Projeto Elétrico No projeto elétrico os eletrodutos passam entre os vazados dos blocos, porém houve a necessidade de se fazer alguns rasgos para a instalação de caixas de luz, interruptores, telefonia, etc. Esses rasgos não ultrapassam a primeira capa do bloco, não interferindo assim, na eficácia da função de sustentação estrutural das paredes. Já no caso de pontos muito próximos, como tomadas e interruptores que se encontram na mesma posição de um lado e de outro das paredes, foi preciso fazer rasgos profundos nesses locais de encontro. Estes rasgos foram feitos na parte central dos blocos e não coincidem em nenhum momento com prumadas grauteadas. Para que isso não enfraqueça a sustentação das paredes, os buracos, após a instalação das caixas elétricas, foram suficientemente preenchidos com concreto. A figura 32 demonstra como os eletrodutos passam por entre os vazados dos blocos; na figura 33 tem-se o detalhe de dois rasgos profundos, feitos de um lado a outro da parede; já a figura 34 mostra um eletroduto passando por entre um rasgo simples. Figura 32 - Eletrodutos passando por entre os vazados dos blocos. Fonte: Acervo Pessoal. 57 Figura 33 - Detalhe de dois blocos perfurados de um lado a outro. Fonte: Acervo pessoal. Figura 34 - Detalhe de um bloco cuja primeira capa foi rasgada. Fonte: Acervo Pessoal. 58 3.1.5 Projetos Complementares Os projetos complementares seguiram os mesmos conceitos dos demais projetos. O projeto de combate a incêndio foi semelhante ao procedimento do hidrossanitário, pois os canos passaram por entre shafts de um andar para o outro. Segue figura 35. Figura 35 - Cano de Combate a Incêndio descendo sobre a parede. Fonte: Acervo Pessoal. Todavia, os dutos de passagem de gás tanto passaram por entre os shafts, quanto foi preciso quebrar a primeira capa dos blocos para que fossem instalados, como mostram as figuras 36 e 37. 59 Figura 36 - Duto de gás passando por entre rasgo na parede. Fonte: Acervo pessoal. Figura 37 - Dutos de gás que subirão para o próximo andar pelos shafts. Fonte: Acervo pessoal. 60 4 CONCLUSÕES Após o término deste trabalho, concluiu-se a importância que a Alvenaria Estrutural tem no campo da Construção Civil. O destaque que esse sistema vem ganhando não é em vão, suas vantagens sobrepõem-se às suas desvantagens e por ser uma técnica tão econômica, satisfaz às carências do mercado. Por meio da revisão bibliográfica, foi possível um aprofundamento na teoria sobre a Alvenaria Estrutural, conceitos, histórico, os elementos e componentes necessários para a sua execução, bem como a complexidade dos projetos. Compreendeu-se a dependência que existe entre os mesmos, começando pelo projeto arquitetônico, que deve atender aos padrões recomendados com medidas múltiplas do módulo. É a partir deste que todas as demais plantas são elaboradas. Um dos pontos mais enfatizados foi a atenção que é preciso se ter com o assentamento dos blocos, ou seja, à modulação. A posição de cada bloco é perfeitamente indicada na planta baixa e caso não seja respeitada, existem os riscos de aparecerem patologias, como fissuras e trincas. Além do mais, não se pode esquecer jamais que as próprias paredes funcionam como estrutura de sustentação e suportam cargas além de seu peso próprio, por isso que elas não devem sofrer rasgos que afetem sua resistência, nem qualquer outra interferência que comprometa a edificação. O estudo de caso na obra em questão, por sua vez, foi deveras significativo para comprovar a eficiência e eficácia da Alvenaria Estrutural. Na prática observou-se a rapidez na execução do projeto por meio desse sistema, a economia de material e a significativa redução de entulho. A obra comumente se encontrava limpa, sem resquícios de blocos quebrados e a evolução da construção, em tão pouco tempo, foi impressionante. Os profissionais responsáveis por executar os projetos o faziam sem nenhum empecilho, pelo contrário, a maioria alegava que essa técnica construtiva era simples e prática, fácil de realizar. Por fim, de acordo com os objetivos propostos neste trabalho, conclui-se que estes foram alcançados com êxito e que foi de extrema valia toda pesquisa e observação feita sobre a Alvenaria Estrutural, atestando a qualidade de tal sistema. 61 5. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15270-2 Componentes cerâmicos Parte 2: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – Terminologia e requisitos. Rio de Janeiro, 2005. ______.NBR 15270-3 - 2005 - Componentes cerâmicos Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR 07171 - 1992 - Bloco cerâmico para alvenaria. Rio de Janeiro, 1992. ______. NBR 10837 - 1989 - Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto. Rio de Janeiro, 1989. ______. NBR 08798 - 1985 - Execução e controle de obras em alvenaria estrutural. Rio de Janeiro, 1985. ______. NBR 14322 - 1999 - Paredes de Alvenaria Estrutural. Rio de Janeiro, 1999. COÊLHO, Ronaldo Sérgio de Araújo. Alvenaria estrutural. UEMA - Universidade Estadual do Maranhão. São Luís, 1998. CAMACHO, Jefferson Sidney. Projetos de Edifícios de Alvenaria Estrutural. Universidade Estadual Paulista, Ilha solteira, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.nepae.feis.unesp.br/Apostilas/Projeto%20de%20edificios%20de%20alvenaria% 20estrutural.pdf>. Acesso em: 19 de mar. 2011. CAVALHEIRO, Odilon Pancaro. Curso básico de alvenaria estrutural. UFSM Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 1996. KALIL, Silvia Maria Baptista. Apostila Alvenaria Estrutural. PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul, 2004. 62 RAMALHO, M.A.; CORRÊA, M.R.S.; Projeto de edifícios de Alvenaria Estrutural. PINI, São Paulo, 2003. REVISTA TÉCHNE. Alvenaria estrutural. 34- MAI/JUN 1998. P. 26-31. Disponível em: <http://www.ecivilnet.com/artigos/alvenaria_estrutural.htm> Acesso em: 19 mar. 2011. RICHTER, Cristiano. Alvenaria estrutural - Processo Construtivo e Racionalizado. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2007. Catálogos Técnicos: - Sistemas Construtivos Bricka. Alvenaria Estrutural - Manual de execução e Treinamento. Disponível em: <http://www.bricka.com.br/downloads/alv-exe.pdf> Acesso em: 22 mar. 2011. - Multibrik S.A. Indústria e Comércio (Cerâmica Selecta) - Manual de Alvenaria Estrutural Detalhes construtivos. Disponível em: <http://www.selectablocos.com.br>. Acesso em: 22 mar. 2011. 63