Instituto Superior de Engenharia do Porto
Departamento de Engenharia Informática
Ramo de Computadores e Sistemas
Projecto 5º Ano
Tecnologias da Informação
e Comunicação
vs
Exclusão Social
Autor/Número
Sérgio Francisco dos Santos Morais / 990348
Orientador
Dr. Constantino Martins
Porto, Setembro de 2004
Agradecimentos
“Não há no mundo exagero mais belo que a gratidão”
La Bruyère (escritor francês 1645-1695)
Aproveito este espaço para agradecer a todas as pessoas que directamente
ou indirectamente contribuíram e me ajudaram na elaboração deste projecto, pelo
seu apoio e incentivo, com um agradecimento especial:
ü Ao meu orientador Dr. Constantino Martins, pelo interesse, ajuda e
apoio que me prestou. Pela disponibilidade que teve para
esclarecimento de dúvidas que foram surgindo e para a revisão das
diversas versões do projecto;
ü Ao Eng.º Paulo Ferreira pela ajuda que me deu na parte final do
projecto;
ü Ao Eng.º Carlos Vaz de Carvalho pela autorização concedida para a
entrega dos inquéritos aos alunos. Pela revisão do inquérito e pelas
suas sugestões;
ü À Eng.ª Bertil Marques e ao Eng.º António Costa pela entrega e
recolha dos inquéritos aos seus alunos;
ü Aos alunos que preencheram os inquéritos;
ü À minha família e amigos pela motivação e incentivo que me deram
e pela paciência que tiveram para suportar dias e noites sem a
minha atenção.
A todos o meu muito obrigado.
I
Resumo
Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica, em que as Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC) tem um papel importante e decisivo.
As TIC fazem parte integrante do nosso quotidiano ao ponto de ser quase
impossível viver sem elas. Muitas das nossas tarefas diárias dependem e
continuarão a depender dessas tecnologias. Estão em todo o lado, nas nossas
casas, nas escolas, nos locais de trabalho e de lazer, etc..
São várias as suas aplicações praticas, englobando diversas áreas de
actividade, desde a educação à medicina, passando pela própria administração
pública.
O termo “Sociedade da Informação” (SI) faz cada vez mais parte do nosso
vocabulário. A SI é uma reorganização da sociedade que põe, nessa mesma
sociedade, a informação em primeiro lugar e que se apoia nas TIC para a difusão
dessa informação [4]. É importante mudarmos a nossa mentalidade para
acompanharmos esta nova evolução da sociedade que se está a viver e a sentir.
Mas, se umas pessoas têm condições e adaptam-se facilmente a esta nova
realidade, o mesmo já não se poderá dizer de outras que, por vários motivos tem
mais dificuldades em acompanhar, originando uma maior desigualdade entre as
pessoais e as classes sociais. Criam-se dois grupos de pessoas completamente
distintos: os incluídos e os excluídos da era digital.
Para tentar diminuir este grupo de risco (os excluídos digitais) e permitir
que um maior número possível de pessoas tenham as mesmas possibilidades e
condições de acesso às TIC, algumas medidas e iniciativas já foram postas em
pratica, mas muitas ainda não passaram do “papel”. Medidas essas, que devem
ser tomadas principalmente ao nível da formação nas escolas, para fomentar os
estudantes para o contacto com as TIC.
Não podemos ver as tecnologias apenas pelo seu lado positivo, porque
também apresentam alguns problemas tecnológicos, filosóficos e sociais que
impedem a inclusão digital e favorecem a exclusão social.
II
Relativamente ao estudo feito aos alunos do 1º ano do Departamento de
Engenharia Informática (DEI) do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP),
verifica-se que, antes de entrarem nesta Instituição de Ensino Superior (IES), não
eram excluídos digitais no que respeita a computadores, Internet e telemóveis. Os
alunos têm boas possibilidades de acesso a estas tecnologias, quer em suas casas,
quer noutros locais. O ISEP contribui muito para o aumento dos conhecimentos
dos alunos, fundamentalmente em computadores e na Internet.
III
Índice de matérias
Agradecimentos......................................................................................... I
Resumo.....................................................................................................II
Índice de matérias...................................................................................IV
Lista de figuras..................................................................................... VIII
Lista de tabelas......................................................................................... X
Lista de abreviaturas...............................................................................XI
Prefácio.................................................................................................. XII
1 - Introdução........................................................................................... 1
1.1 - Objectivos .........................................................................................1
1.2 - Enquadramento..................................................................................1
1.3 - Motivação ..........................................................................................2
1.4 – Organização do relatório.....................................................................3
1.5 - Resumo.............................................................................................5
2 – Tecnologias da Informação e Comunicação ....................................... 6
2.1 - Evolução histórica..............................................................................6
2.2 – Definição ..........................................................................................8
2.3 – Análise ...........................................................................................11
2.4 – Internet ..........................................................................................12
2.5 – Impacto na sociedade e nas organizações ..........................................12
2.6 – Algumas aplicações praticas ..............................................................13
2.6.1 – Teletrabalho..............................................................................13
2.6.2 – Comércio electrónico (e-commerce) .............................................14
2.6.3 – Videoconferência .......................................................................14
2.6.4 – Informática médica ....................................................................15
2.6.5 – Telemóvel .................................................................................15
2.6.6 – Ensino à distância (e-learning).....................................................16
2.7 – Resumo..........................................................................................16
3 – Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação .......... 18
IV
3.1 – As TIC em Portugal ..........................................................................18
3.1.1 – Condições perante o trabalho ......................................................18
3.1.2 – Grupo etário..............................................................................19
3.1.3 – Nível de escolaridade..................................................................20
3.1.4 – Local de utilização ......................................................................22
3.1.5 – Nas escolas de ensino não superior..............................................23
3.1.6 – Nos agregados domésticos, por região .........................................23
3.1.7 – Nos agregados domésticos em geral ............................................24
3.1.8 – Densidade telefónica ..................................................................25
3.2 – Índice de acesso digital no mundo.....................................................26
3.3 – O uso da Internet no mundo.............................................................27
3.4 – Resumo..........................................................................................29
4 – Sociedade da Informação................................................................. 30
4.1 – Definição ........................................................................................30
4.2 – Implicações.....................................................................................31
4.2.1 – Nos postos de trabalho...............................................................31
4.2.2 – Na sociedade em geral ...............................................................32
4.3 – A construção da SI em cada país .......................................................33
4.4 – A importância da segurança dos dados na SI ......................................33
4.5 – Resumo..........................................................................................34
5 – Exclusão Social ................................................................................. 35
5.1 – Definição ........................................................................................36
5.2 – Exclusão digital................................................................................36
5.2.1 – Definição ..................................................................................37
5.2.2 – Exclusão Social vs Exclusão Digital ...............................................37
5.2.3 – Problemas e consequências.........................................................39
5.2.4 – Causas......................................................................................40
5.2.5 – Alguns números.........................................................................41
5.3 – Inclusão digital ................................................................................43
5.3.1 – Preocupações de Portugal ...........................................................45
5.4 – Algumas questões............................................................................46
5.5 - Resumo...........................................................................................51
V
6 – Combate à exclusão digital............................................................... 54
6.1 – Motivos para combater .....................................................................54
6.2 – Formas de combate .........................................................................55
6.2.1 – Maior disponibilidade nos pontos de acesso públicos ......................56
6.2.2 – Apostar na formação ..................................................................57
6.2.3 - Integração das TIC nas escolas de ensino obrigatório.....................62
6.2.4 – Doação de equipamentos............................................................70
6.2.5 – Uso de sistemas operativos e outras aplicações gratuitas................70
6.2.6 - Governo electrónico (e-government).............................................72
6.2.7 - Uma maior acessibilidade às pessoas com necessidades especiais ....73
6.2.8 – Baixo custo do hardware e software e no acesso à Internet ............81
6.2.9 – Promoção de conteúdos multilíngues e úteis .................................81
6.2.10 – Uma maior interesse e participação das empresas........................82
6.3 – Iniciativas nacionais .........................................................................83
6.3.1 – “Aveiro Digital” ..........................................................................83
6.3.2 – “Projecto Ágora” ........................................................................84
6.3.3 – “Espaços Internet” .....................................................................84
6.3.4 – “Comunidades em movimento”....................................................85
6.3.5 – “Comité para Democratização da Informática” (CDI) ......................85
6.3.6 – “Maia Digital” ............................................................................86
6.4 – Iniciativas internacionais...................................................................88
6.4.1 – Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação.........................88
6.4.2 – eEurope....................................................................................90
6.5 – Resumo..........................................................................................93
7 – Pontos negativos das tecnologias .................................................... 96
7.1 – Problemas das tecnologias ................................................................97
7.1.1 - Custos elevados das tecnologias...................................................97
7.1.2 - Má usabilidade das aplicações ......................................................99
7.1.3 - Novo e ambíguo vocabulário tecnológico ..................................... 100
7.1.4 - Excesso e fraca qualidade da informação na Internet.................... 101
7.1.5 - Abuso das imagens e elementos gráficos como atracção visual ...... 101
7.1.6 - Preservação da informação limitada temporariamente................... 102
VI
7.1.7 - Saber mais acerca das tecnologias, e não só saber como se usa .... 102
7.1.8 - Isolamento das pessoas do mundo real como uma das causas da
exclusão social ................................................................................... 103
7.1.9 – Burlas informáticas, ameaças à segurança dos sistemas e à
privacidade dos dados ......................................................................... 104
7.2 – Resumo........................................................................................ 105
8 - Metodologia..................................................................................... 107
8.1 – Objectivos..................................................................................... 107
8.2 - Recolha dos dados.......................................................................... 108
8.3 – Resultados e análises ..................................................................... 108
8.3.1 – Interpretação dos resultados ..................................................... 109
8.4 – Resumo e conclusões finais............................................................. 120
9 - Conclusão ........................................................................................ 121
9.1 – Considerações pessoais .................................................................. 124
9.2 – Desenvolvimentos futuros............................................................... 125
10 - Glossário........................................................................................ 127
11 - Referências.................................................................................... 136
Anexo.................................................................................................... 142
VII
Lista de figuras
FIGURA 1 – A RELAÇÃO ENTRE AS TI E AS TIC........................................................10
FIGURA 2 – EXEMPLOS DE HARDWARE E SOFTWARE NECESSÁRIO PARA O SISTEMA DE
VIDEOCONFERÊNCIA ...................................................................................14
FIGURA 3 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR GRUPO ETÁRIO ....19
FIGURA 4 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR NÍVEL DE
ESCOLARIDADE ........................................................................................21
FIGURA 5 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR LOCAL DE
UTILIZAÇÃO. ...........................................................................................22
FIGURA 6 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET NOS AGREGADOS
FAMILIARES.............................................................................................24
FIGURA 7 – GRÁFICO DA DENSIDADE TELEFÓNICA. ....................................................25
FIGURA 8 – CRESCIMENTO DO NÚMERO DE UTILIZADORES NA INTERNET POR PAÍSES. ...........27
FIGURA 9 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE SERVIDORES NA INTERNET . ................................28
FIGURA 10 – SERVIDORES INTERNET POR MIL HABITANTES. .........................................28
FIGURA 11 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA NO
MUNDO EM 1999 E 2002. ..........................................................................42
FIGURA 12 – A RELAÇÃO ENTRE INCLUÍDOS E EXCLUÍDOS DIGITAIS . ...............................44
FIGURA 13 – DESEMPENHO DOS ALUNOS NUMA PROVA RELACIONANDO TER OU NÃO TER
COMPUTADOR..........................................................................................49
FIGURA 14 – DESEMPENHO DOS ALUNOS NUMA PROVA RELACIONANDO TER OU NÃO TER ACESSO
À INTERNET . ...........................................................................................49
FIGURA 15 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET NOS SECTORES DE ACTIVIDADE . .........50
FIGURA 16 – COMPUTADORES COM ACESSO À INTERNET NUM LOCAL DE ACESSO PÚBLICO. .....56
FIGURA 17 – AS TIC E OS IDOSOS . .....................................................................58
FIGURA 18 – OS IDOSOS E O INTERESSE NAS TIC.....................................................60
FIGURA 19 – AS TIC E AS CRIANÇAS ....................................................................61
FIGURA 20 – OS COMPUTADORES NAS ESCOLAS . ......................................................62
VIII
FIGURA 21 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO MÉDIO DE ACESSOS DIÁRIOS Á INTERNET NAS ESCOLAS..66
FIGURA 22 – EXEMPLO DE UM “ESPAÇO INTERNET ” EM PENEDONO. ................................85
FIGURA 23 – O PRESIDENTE DA ONU, KOFI ANNAN, NO DISCURSO DE ABERTURA DA CIMEIRA
MUNDIAL SOBRE A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO..................................................88
FIGURA 24 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 1 DO INQUÉRITO. ......... 110
FIGURA 25 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 2 DO INQUÉRITO .......... 111
FIGURA 26 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 3 DO INQUÉRITO .......... 112
FIGURA 27 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 4 DO INQUÉRITO .......... 113
FIGURA 28 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 5 DO INQUÉRITO. ......... 115
FIGURA 29 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 6 DO INQUÉRITO. ......... 116
FIGURA 30 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 7 DO INQUÉRITO. ......... 117
FIGURA 31 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 8 DO INQUÉRITO. ......... 118
FIGURA 32 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 9 DO INQUÉRITO. ......... 119
IX
Lista de tabelas
TABELA 1 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET PELAS CONDIÇÕES PERANTE O
TRABALHO .............................................................................18
TABELA 2 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR GRUPO ETÁRIO............19
TABELA 3 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR NÍVEL DE ESCOLARIDADE .
........................................................................................20
TABELA 4 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR LOCAL DE UTILIZAÇÃO. ..22
TABELA 5 – COMPUTADORES DISPONÍVEIS E COM ACESSO À INTERNET NAS ESCOLAS
DE ENSINO NÃO SUPERIOR, POR TIPO DE ESTABELECIMENTO......................23
TABELA 6 – POSSE DE COMPUTADOR E LIGAÇÃO À INTERNET NOS AGREGADOS
DOMÉSTICOS, POR REGIÃO.
.........................................................23
TABELA 7 – POSSE DE COMPUTADOR E LIGAÇÃO À INTERNET DOS AGREGADOS
DOMÉSTICOS..........................................................................24
TABELA 8 – DENSIDADE TELEFÓNICA (ACESSOS TELEFÓNICOS PRINCIPAIS E SERVIÇO
MÓVEL TERRESTRE )...................................................................25
TABELA 9 – ÍNDICE DO ACESSO DIGITAL EM 2002.....................................26
TABELA 10 – TABELA EXEMPLO PARA EXPLICAÇÃO NA APRESENTAÇÃO DOS
RESULTADOS ........................................................................ 109
TABELA 11 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 1 DO INQUÉRITO. ........ 109
TABELA 12 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 2 DO INQUÉRITO. ........ 110
TABELA 13 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 3 DO INQUÉRITO. ........ 112
TABELA 14 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 4 DO INQUÉRITO. ........ 113
TABELA 15 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 5 DO INQUÉRITO. ........ 114
TABELA 16 – RESULTADOS ESTAT ÍSTICOS DA QUESTÃO 6 DO INQUÉRITO. ........ 116
TABELA 17 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 7 DO INQUÉRITO. ........ 117
TABELA 18 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 8 DO INQUÉRITO. ........ 118
TABELA 19 – RESULTADOS ESTATÍSTICOS DA QUESTÃO 9 DO INQUÉRITO. ........ 119
X
Lista de abreviaturas
Ao longo deste projecto utilizaram-se diversas siglas que se descrevem na
lista seguinte, juntamente com o seu significado:
TI
Tecnologias da Informação
TIC
Tecnologias da Informação e Comunicação
SI
Sociedade da Informação
INE
Instituto Nacional de Estatística
RCTS
Rede Ciência Tecnologia e Sociedade
RCCN
Rede da Comunidade Científica Nacional
UMTS
Universal Mobile Telecommunication System
GSM
Global System for Mobile Communication
ME
Ministério da Educação
IST
Instituto Superior Técnico
PCD
Portal do Cidadão com Deficiência
UIT
União Internacional de Telecomunicações
REFER
Rede Ferroviária Nacional
UMIC
Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento
CPS
Centro de Políticas Sociais
FGV
Fundação Getúlio Vargas
CDI
Comité para a Democratização da Informática
UE
União Europeia
ONU
Organização das Nações Unidas
ISEP
Instituto Superior de Engenharia do Porto
IPP
Instituto Politécnico do Porto
DEI
Departamento de Engenharia Informática
FCCN
Fundação para a Computação Científica Nacional
IES
Instituição de Ensino Superior
XI
Prefácio
O presente projecto foi realizado no 2º semestre do ano lectivo de
2003/2004, no âmbito da cadeira de Projecto do 5º ano da Licenciatura em
Engenharia Informática do ISEP, escola do Instituto Politécnico do Porto (IPP).
Apresenta as vantagens e a importância das TIC, analisa o problema da
exclusão social, em particular a exclusão digital causado pela crescente
propagação das TIC no dia a dia. Dá a conhecer as causas, algumas formas de
combate à exclusão digital e o que tem sido feito para isso. Faz uma análise crítica
dos “defeitos” das tecnologias. Apresenta também um caso pratico que, entre
outros objectivos, pretende saber o nível de conhecimento e de uso das TIC, que
os alunos do 1º ano do DEI apresentavam antes de entrarem no ISEP.
Para a elaboração deste projecto foram usadas várias fontes de informação,
incluindo a maior de todas, a Internet, além de alguns livros técnicos da área das
TIC.
É dado maior destaque e importância aos computadores e em particular a
Internet, porque são as que mais tem interesse de analisar neste projecto.
Tentou-se ao máximo apresentar a informação de uma forma clara e
organizada para uma melhor exposição do tema, bem como para uma melhor
interpretação dos leitores.
Por norma, a escrita de palavras e expressões em inglês são assinalados no
formato itálico, como por exemplo, software.
Todos os textos adaptados são devidamente assinalados e referenciados no
capítulo “Referências”. Além de alguns textos adaptados, muito frequentemente
são dadas opiniões de forma a valorizar ainda mais este trabalho.
XII
Introdução
1 - Introdução
Este capítulo introdutório consiste basicamente na apresentação do
projecto. Indica os seus objectivos, o enquadramento, as motivações pessoais e
institucionais que levaram a realizar este projecto. Depois segue-se uma descrição
da organização do projecto, incluindo o n.º de capítulos e a descrição de cada um,
bem como algumas normas usadas. Por fim, é feito um resumo deste capítulo.
1.1 - Objectivos
Este projecto tem como objectivo analisar o problema da exclusão social, e
em particular a exclusão digital causada pela crescente propagação das TIC.
Pretende investigar as causas da exclusão digital, as suas formas de
combate e quais as iniciativas que promovem a inclusão digital.
Pretende também saber o nível de conhecimento e de uso das TIC que os
alunos do 1º ano do departamento de Informática de uma IES1, apresentavam
antes de entrarem nessa IES. Saber qual a contribuição que a IES deu para a
inclusão digital dos alunos e perceber quais as tecnologias que esses alunos tem
sempre ao seu dispor em sua casa ou noutro local, sempre que necessitem.
1.2 - Enquadramento
Estamos agora a atravessar uma nova era, a era do conhecimento e da
informação, na qual as TIC tem um papel fundamental e decisivo.
O funcionamento da SI depende dessas mesmas tecnologias e da crescente
propagação das redes digitais de informação.
A globalização permite que as pessoas estejam cada vez mais unidas, mais
unificadas. Permite também que o longe se faça perto e que a informação chegue
1
A IES escolhida foi o ISEP, porque neste caso é a que tem mais interesse em analisar.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
1
Introdução
depressa quando e onde nós queremos. Provoca um melhoramento notável da
qualidade de vida das pessoas.
As TIC ligam cada vez mais as pessoas à escala mundial, permitindo a
criação e a troca de grandes quantidades de informação e um aumento do
conhecimento colectivo [7].
Mas, infelizmente, por diversas razões nem todos tem as mesmas
possibilidades de aceder, nem de usufruir das vantagens das TIC. Isso cria um
grupo de risco que é considerado de excluído do mundo digital. O contraste é
mais acentuado entre os chamados países industrializados e os do terceiro mundo.
Mas, também dentro de um mesmo país pode haver contrastes acentuados.
É fundamental criar condições de igualdade no acesso às TIC, para que
todos possam tirar partido dos seus benefícios e ao mesmo tempo combater as
causas que levam a novas formas de exclusão do conhecimento. São algumas as
iniciativas e propostas do governo que já foram postas em pratica, mas mesmo
assim ainda há um longo caminho a percorrer.
1.3 - Motivação
O que me levou a escolher este projecto foi o facto de ser um tema de
estudo interessante, actual e desafiador. Também porque abrange uma das
minhas áreas de interesse, as TIC.
Também para a própria IES na qual pertenço como aluno (ISEP) e em
particular para o DEI, este projecto é uma importante ferramenta de estudo e de
análise, pois permite reflectir e compreender melhor a problemática da exclusão
digital (causas, consequências para a sociedade, formas de combate e o que tem
sido feito para reduzir este problema).
Pelo o que eu sei, o DEI do ISEP ainda não fez nenhum estudo sobre este
assunto, ou se fez, pelo menos não o expôs publicamente.
Este pode muito bem ser o ponto de partida e uma fonte de incentivo para
que, no futuro se faça um estudo ainda mais elaborado sobre este assunto,
incluindo dados estatísticos de todos os alunos do ISEP através de um inquérito,
tal como foi feito para este projecto (ver anexo). É importante que esses mesmos
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
2
Introdução
resultados sejam expostos e analisados publicamente para o conhecimento de
todos.
Tendo o DEI como função dar formação em Informática, é importante
saber se os seus novos alunos são ou não excluídos digitais e se estão
minimamente preparados para frequentar o curso.
A exclusão digital é um tema importante de análise e reflexão, apesar de
ainda não ser tão divulgado entre nós como devia de ser.
1.4 – Organização do relatório
A estrutura deste projecto encontra-se dividida em onze capítulos, que a
seguir se descrevem:
•
O primeiro capítulo, de nome “Introdução” são apresentados os objectivos
do projecto, o enquadramento, as motivações pessoais e institucionais e a
sua organização;
•
O segundo capítulo, de nome “Tecnologias da Informação e Comunicação”
faz uma abordagem às TIC. Descreve a sua evolução histórica, algumas das
possíveis definições, importância, impacto e implicações nas organizações e
na sociedade em geral. São também referidas algumas das aplicações
praticas das TIC no dia a dia (teletrabalho, comércio electrónico,
videoconferência, Informática médica, telemóvel e ensino à distância);
•
O terceiro capítulo, de nome “Os números das Tecnologias da Informação e
Comunicação” é a continuação do anterior. É basicamente um capítulo
estatístico, que apresenta a taxa de uso das TIC em Portugal, através de
vários critérios (grupo etário, condições perante o trabalho, nível de
escolaridade, etc.). Apresenta também o índice de acesso digital e o uso da
Internet no Mundo;
•
O quarto capítulo, de nome “Sociedade da Informação” é o mais pequeno e
foca essencialmente o conceito de SI e a sua relação com as TIC. São
apresentadas algumas das suas definições e as implicações nos postos de
trabalho e na sociedade em geral;
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
3
Introdução
•
O quinto capítulo, de nome “Exclusão Social” é um dos principais, porque
centra-se propriamente no tema do projecto. Foca o problema da exclusão
social e em particular a exclusão digital. Apresenta algumas das possíveis
definições de exclusão social e exclusão digital e a relação entre as ambas.
São também referidas algumas das causas, problemas e consequência da
exclusão digital, as suas formas de combate e o que tem sido feito para
isso;
•
O sexto capítulo, de nome “Combate à exclusão digital” é a continuação do
anterior, porque dá ênfase às formas de combate à exclusão digital, bem
como a descrição de algumas iniciativas nacionais e internacionais que tem
sido postas em pratica para minimizar este problema;
•
O sétimo capítulo, de nome “Pontos negativos das tecnologias” apresenta
uma análise crítica dos “defeitos” das tecnologias. Descreve alguns
problemas tecnológicos, filosóficos e sociais que impedem a inclusão digital
e favorecem a exclusão social.
•
O oitavo capítulo, de nome “Metodologia” acompanha as abordagens
teóricas feitas nos capítulos anteriores. Apresenta os resultados estatísticos
e a análise de um inquérito realizado aos alunos do 1º ano do DEI do ISEP;
•
O nono capítulo, de nome “Conclusão”, apresenta uma conclusão geral de
todo o projecto. Inclui também as considerações pessoais e os possíveis
desenvolvimentos futuros;
•
O décimo capítulo, de nome “Glossário”, apresenta um pequeno glossário
de alguns termos técnicos relacionados com as TIC, sendo muitos deles
utilizados neste projecto;
•
Por fim, o décimo primeiro e ultimo capitulo, de nome “Referências”, lista
as fontes das citações usadas neste projecto.
A acompanhar os capítulos, encontra-se em anexo o enunciado do inquérito
feito aos alunos, que foi usado para a metodologia.
No final de cada capítulo existe um subcapítulo que resume o respectivo
capítulo.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
4
Introdução
1.5 - Resumo
Este projecto tem como objectivo analisar o problema da exclusão social, e
em particular a exclusão digital causada pela crescente propagação das TIC.
Pretende investigar as causas da exclusão digital, as suas formas de
combate e quais as iniciativas que promovem a inclusão digital.
Pretende também saber o nível de conhecimento e de uso das TIC que os
alunos do 1º ano do departamento de Informática de uma IES, apresentavam
antes de entrarem nessa IES. Saber qual a contribuição que a IES deu para a
inclusão digital dos alunos e perceber quais as tecnologias que esses alunos tem
sempre ao seu dispor em sua casa ou noutro local, sempre que necessitem.
O que me levou a escolher este projecto foi o facto de ser um tema de
estudo interessante, actual e desafiador. Também porque abrange uma das
minhas áreas de interesse, as TIC.
Também para a própria IES na qual pertenço como aluno (ISEP) e em
particular para o DEI, este projecto é uma importante ferramenta de estudo e de
análise.
Tendo o DEI como função dar formação em Informática, é importante
saber se os seus novos alunos são ou não excluídos digitais e se estão
minimamente preparados para frequentar o curso.
O projecto é constituído por onze capítulos e por um anexo que contem o
enunciado do inquérito usado para o estudo pratico.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
5
Tecnologias da Informação e Comunicação
2 – Tecnologias da Informação e
Comunicação
“Todo o esforço técnico e científico só tem sentido
quando dirigido ao Homem e ao seu destino”
Albert Einstein
Este capítulo tem como objectivo fazer um breve estudo sobre as TIC.
Apresenta uma evolução histórica da tecnologia até aos nossos dias,
algumas das possíveis definições de TIC, bem como a explicação de cada uma das
palavras que constitui a sua sigla. É feita uma análise das TIC, incluindo a sua
importância e as vantagens. Segue-se uma pequena descrição sobre a Internet e
a sua importância como meio de difusão da informação e do conhecimento. É
analisado o impacto que as TIC causam na sociedade e nas organizações, bem
como uma breve descrição de algumas das suas aplicações praticas no dia a dia.
Por fim, é feito um resumo do capítulo.
2.1 - Evolução histórica
Historicamente, um dos maiores impactos a nível da comunicação foi o
aparecimento do telégrafo2 e, principalmente do telefone3, com a transmissão oral
de informação, o que evitava a deslocação das pessoas e proporcionava uma
maior flexibilidade na comunicação privada entre empresas (primeira revolução
das comunicações, segunda vaga de inovações - ciclo K2 de Kondratiev4). Uma
das grandes desvantagens existentes era a dificuldade em ultrapassar grandes
distâncias, o que impossibilitava uma rápida difusão. Esta situação veio a ser
perspectivada de uma forma completamente diferente com a invenção do
2
Inventado por Samuel Morse em 1838.
Inventado por Alexander G. Bell em 1876.
4
Economista russo que na década de 20 sugeriu ciclos económicos de maior período (da ordem
das 5 décadas e meia).
3
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
6
Tecnologias da Informação e Comunicação
telégrafo sem fios5 e das emissões rádio intercontinentais em 1915 (segunda
revolução das comunicações, terceira vaga de inovações – ciclo K3).
Em 1956 surgiu o telefax que possibilitou a transmissão de documentos
através de um dispositivo de codificação/descodificação com output em papel.
Com este equipamento surgiram novas possibilidades nas comunicações à
distância. Trouxe muitas vantagens para as empresas, facilitando a transacção de
documentação de caracter comercial entre clientes e fornecedores.
Em 1958, os EUA lançavam o primeiro satélite activo para telecomunicações
(Score), seguido pelo Telstar para comunicações entre os EUA, Europa e o Japão
(terceira revolução das comunicações, quarta vaga de inovações – ciclo K4) [2].
A descoberta dos materiais semicondutores e a tecnologia dos sistemas
digitais proporcionou que a partir dos anos 60 se dessem os primeiros passos
numa nova era tecnológica que facilitou o aparecimento e aperfeiçoamento de
novos meios de comunicação, tal como o computador, fax, modems e as redes.
Um longo caminho foi percorrido depois da transformação do telefone no
principal meio de comunicação, pessoa ou de negócios, nas décadas de 70 e 80.
Hoje, a primeira geração de comunicações digitais electrónicas está bem
implantada. Deu-se o desenvolvimento dos meios e das capacidades dos sistemas
de informação e de telecomunicações [2].
Com recente avanço tecnológico das telecomunicações, da Informática e
em particular com a chegada da Internet em meados dos anos 90, assistimos a
um aumento nunca imaginado no volume de informações que circulam à escala
mundial. Alguns autores afirmam tratar-se de uma “revolução informacional”,
comparada à revolução industrial nos séculos XVIII e XIX. A Internet seria um
veículo revolucionário, assim como o foi a locomotiva a vapor na revolução
industrial [60].
Estas tecnologias começaram a aparecer quando o Homem descobriu que a
informação podia ser digitalizada para conseguir que esta seja armazenada,
duplicada e transmitida de uma forma fácil, barata e à escala global. Para isso,
são necessárias tecnologias de computação (computadores) para ler, processar,
armazenar e debitar informação; tecnologias da comunicação (telefones, satélites,
5
Inventado por G. Marconi em 1896.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
7
Tecnologias da Informação e Comunicação
etc.) para retransmitir essa informação e pessoas que consigam transformar essa
informação em conhecimento [27].
2.2 – Definição
Antes de definirmos as TIC, é melhor começar por explicar o significado de
cada uma das 3 palavras que compõem a sigla, bem como a relação existente
entre Tecnologias de Informação (TI) e as TIC:
Tecnologia
A letra T refere-se a “Tecnologia” e tem origem nas seguintes palavras
gregas: techné6 e logia7.
Técnicas são meios e processos de actuar sobre objectos reais, com base
em conhecimentos adequados geralmente fundamentados na ciência. Daí resulta
que tecnologia é o conhecimento voltado para a prática (saber fazer),
conhecimento esse, adquirido e organizado em relação a uma determinada área
de intervenção do ser humano na realidade que o cerca [3]. Ou, por outras
palavras, é a capacidade de solucionar problemas e de responder às necessidades
[9].
Por conseguinte, enquanto as técnicas são os meios e os processos de
actuar na realidade, as tecnologias são os conhecimentos em que esses meios e
processos de actuação se baseiam.
Informação
A letra I refere-se a “Informação”, que é uma das características mais
marcantes da era em que vivemos. É também marcante a forma como ela é
trabalhada, como circula e é difundida na imprensa, televisão, publicidade, meios
informáticos, etc. [3].
Ao longo dos últimos anos foi sendo correctamente sustentada a ideia que
a Informação é um dos principais recursos que uma organização possui para fazer
6
de onde originou a palavra “técnica” (saber fazer).
Conhecimento organizado e que deu origem à terminação de muitas áreas científicas como a
Biologia, Geologia, Ecologia, etc.
7
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
8
Tecnologias da Informação e Comunicação
face às contínuas exigências do mercado e, em ultima análise, ao seu próprio
sucesso [39].
De uma forma resumida, Informação é um conjunto de dados articulados
entre si, com sentido ou significado [3].
Comunicação
A letra C refere-se a “Comunicação” de dados por meios electrónicos,
normalmente a uma distância considerável.
É muitas vezes implementada por redes de equipamentos de envio e
recepção de dados, com ou sem fios e ligações por satélite.
Tecnologias de Informação (e Comunicação)
Tecnologias de Informação são como a expressão indica, tecnologias que
têm a ver com o tratamento da informação. Consistem em processos de
tratamento, controlo de informação, baseados fundamentalmente em meios
electrónicos (computadores ou sistemas informáticos). É quase sinónimo de
Informática.
Mas, informação implica comunicação. De tal modo, esta relação entre
informação e comunicação é importante que, actualmente, a tendência é utilizarse a designação de TIC em vez de apenas TI, uma vez que o tratamento da
informação cada vez mais se articula com os processos de transmissão ou
comunicação dessa informação ou comunicação dessa informação de uns locais
para outros, a pequenas ou grandes distâncias [3].
A combinação das tecnologias de informação com as tecnologias de
comunicação torna possível o desempenho de certas actividades e da transmissão
da informação em qualquer localização geográfica [2].
Para esses processos de transmissão normalmente usam-se redes de
comunicação, compostas por canais através dos quais a informação viaja,
podendo ser originada e dirigida a telefones, TV, satélites, sensores, alarmes,
computadores de todos os géneros, caixas automáticas, etc. [2].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
9
Tecnologias da Informação e Comunicação
A figura seguinte resume a relação existente entre as TI e as TIC:
Tecnologia
Informação
Tecnologias
de
Informação
(TI)
Processos de
transmissão
ou
comunicação
Tecnologias de
Informação e
Comunicação
(TIC)
F IGURA 1 – A RELAÇÃO ENTRE AS TI E AS TIC.
No entanto, apesar da explicação do acrónimo, não há nenhuma definição
universalmente aceite de TIC, porque os conceitos, os métodos e as aplicações
envolvidas evoluem rapidamente [10].
Várias são as definições que podem ser dadas por várias instituições. Por
exemplo, numa vertente mais ligada à educação, a “QCA Schemes of Work for
ICT” define como sendo o conjunto de todas as facilidades de computação e de
comunicação que suporta o ensino, a aprendizagem e muitas actividade da
educação [34]. Também pode-se definir como sendo dispositivos que permitem o
armazenamento, tratamento e comunicação de informação digital.
Onde houver informação, num sentido amplo, ou seja, dados obtidos da
realidade ou criados pela mente humana, onde se puder proceder a um
tratamento dessa informação por meios/mecanismos electrónicos e onde houver
lugar à comunicação dessa informação assim manipulada, aí estarão as TIC [3].
As TIC abrangem qualquer produto que armazene, recupere, manipule,
transmita ou recepcione informação electrónica de uma forma digital [10].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
10
Tecnologias da Informação e Comunicação
2.3 – Análise
A era em que vivemos está marcada pelo surgimento e desenvolvimento
das TIC e pela sua propagação em praticamente em todos os sectores da vida
social, pelo menos nas sociedades tecnologicamente desenvolvidas [3]. Das
grandes empresas às grandes superfícies comerciais, da indústria à investigação
científica, da arquitectura à medicina, do ensino aos nossos documentos pessoais,
as TIC tornaram-se parte integrante das nossas vidas e termos como Sociedade
da Informação, Auto Estradas da Informação passaram a fazer parte do dia a dia,
em casa e nos nossos locais de trabalho [39].
O computador tornou-se num comum instrumento de trabalho, útil e
utilizado em muitos fins na vida institucional, profissional e pessoal [3].
Transformou o mundo do conhecimento pelo seu poder de auxiliar a humanidade
em todos os seus projectos de pesquisa, de tratamento e armazenamento de
dados e aumento vertiginoso da velocidade de troca de informações a qualquer
distância [1].
O computador e outros meios informáticos poderão limitar ou até mesmo
substituir o Homem nas tarefas de grande precisão e extremamente repetitivas8,
assim como nas actividades potencialmente perigosas9, para que possa dedicar a
actividades mais criativas. O computador não limita a capacidade de raciocínio,
mas abre a possibilidade de aquisição de novos conhecimentos e de
desenvolvimento pessoal [39].
As TIC representam o suporte de um dos bens mais preciosos para as
organizações actuais, a informação [2]. Permitem o rompimento das barreiras
geográficas e a livre circulação de informação e conhecimento. Aumentam a
produtividade, qualidade e rentabilidade do trabalho [4].
O computador, Internet, TV digital interactiva, câmara de vídeo digital,
máquina fotográfica digital e telemóveis são alguns dos exemplos mais conhecidos
de TIC.
8
9
Por exemplo, numa linha de montagem.
Por exemplo, na manipulação de químicos altamente tóxicos.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
11
Tecnologias da Informação e Comunicação
2.4 – Internet
É uma rede global que consiste em milhares de redes independentes de
computadores, de empresas privadas, entidades, instituições [39].
É um bom exemplo de integração em formato digital, de imagem, texto,
vídeo, gráfico e áudio através da criação de documentos multimédia acessíveis em
qualquer parte do mundo.
As
capacidades
multimédia
interactivas,
quando
associadas
às
potencialidades da fibra óptica enquanto meio físico privilegiado de comunicação,
a preços acessíveis, levará a um mundo de oportunidades [2].
Em muito devido à Internet, qualquer utilizador pode navegar por todo o
mundo e contactar com milhões de pessoas de diversas nacionalidades [8].
2.5 – Impacto na sociedade e nas organizações
As TIC tem um grande impacto e um papel fundamental na sociedade
actual, pois estão presentes em praticamente todas as actividades do dia a dia.
Directa ou indirectamente podemos encontrar a utilização dos meios informáticos
nas mais variadas actividades e situações. É cada vez mais difícil encontrar uma
empresa/organização que não faça uso das tecnologias para o aumento da
produtividade, qualidade e organização.
A actividade empresarial tem vindo a ser fortemente influenciada nas
ultimas décadas pela evolução das TIC [47]. São várias as incidências sociais da
informatização
de
uma
empresa/organização.
As
TIC
não
reduzem
necessariamente o número de trabalhadores numa empresa, mas obriga à sua
reorganização, à implementação de planos de formação adequados aos
equipamentos e programas utilizados, contribuindo para melhorar a produtividade
e a qualidade das actividades desempenhadas. Importante é compreender que o
sucesso empresarial ou institucional não está em possuir as tecnologias sob a
forma de equipamentos, mas sim na utilização que delas é feita na organização, o
que exige uma clara aposta na flexibilização, na autonomia, na qualificação e na
formação dos utilizadores.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
12
Tecnologias da Informação e Comunicação
A utilização de meios informáticos no tratamento de informações pessoais
pode, se realizado por pessoal não autorizado, permitir acesso ilegítimo a dados
privados das pessoas. O cruzamento de informações na elaboração de bases de
dados com objectivos comerciais, muitas das quais desenvolvidas sem controlo
legal desejável, tornou-se uma actividade comum nos nossos dias, embora já
exista, há vários anos, legislação que visa a protecção dos dados pessoais
informatizados.
As TIC e em particular o computador necessitam como qualquer outro
equipamento de um período de aprendizagem e adaptação por parte de quem o
vai utilizar, face às suas próprias necessidades específicas [39].
Além de uma mudança qualitativa das comunicações electrónicas, há
também uma alteração quantitativa na velocidade de transmissão dos dados, que
em conjunto, permite que determinados trabalhos possam ser realizados onde
quisermos. Favorecerá a globalização da economia e da competitividade [2].
2.6 – Algumas aplicações praticas
As TIC tem muitas aplicações praticas no dia a dia. Neste subcapítulo
focamos as seguintes:
2.6.1 – Teletrabalho
É um modo flexível de trabalho cobrindo várias áreas de actividade, em que
os trabalhadores podem desempenhar as suas funções remotamente a partir de
um qualquer local que não o do local de trabalho, numa parte do seu horário de
trabalho.
As TIC constituirão cada vez mais ferramentas indispensáveis no
desempenho do trabalho remoto, eliminando as barreiras geográficas e permitindo
a partilha de informação num ambiente electrónico disperso [0]. Levam a uma
maior simplicidade e facilidade nos procedimentos de trabalho e uma maior
facilidade de coordenação, contribuindo para a redução da complexidade
organizacional [2].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
13
Tecnologias da Informação e Comunicação
2.6.2 – Comércio electrónico (e-commerce)
É uma forma cómoda de se fazer compras sem ser necessário sair de casa,
bastando para isso um computador com acesso à Internet.
O comércio electrónico é o uso de tecnologia electrónica nas várias
componentes da actividade comercial. Faz sentir os seus efeitos em processos
empresariais tão diferentes como o estabelecimento de contacto entre o
comprador e o vendedor, a publicidade, a promoção, o apoio ao cliente, a
encomenda, o pagamento, a distribuição e a entrega. Tudo isto a custos
reduzidos. Implica a alteração e simplificação de alguns processos de negócio [0].
2.6.3 – Videoconferência
Permite que pessoas localizadas em sítios distintos geograficamente,
possam comunicar entre si em tempo real.
As aplicações mais comuns são as reuniões de trabalho de uma mesma
organização, o ensino à distância, a recolha de testemunhos em casos jurídicos e
as comunicações via Internet entre utilizadores domésticos.
Tem como vantagens o facto de não necessitar de deslocamento físico das
pessoas, poupando tempo e dinheiro e permitir arquivar a reunião, possibilitando
o seu revisionamento em qualquer altura [42].
F IGURA 2 – EXEMPLOS DE HARDWARE E SOFTWARE NECESSÁRIO PARA O SISTEMA DE
VIDEOCONFERÊNCIA [42].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
14
Tecnologias da Informação e Comunicação
2.6.4 – Informática médica
A Informática médica resulta da interligação das TIC com a medicina. É a
aplicação dos computadores, comunicações, TI e sistemas de informação a todos
os campos da medicina (cuidados médicos, educação médica e investigação
médica).
Por outras palavras, é uma disciplina que estuda os aspectos científicos da
informação biomédica e as novas tecnologias de tratamento de informação, com o
objectivo de auxiliar a prestação de cuidados de saúde [41].
2.6.5 – Telemóvel
O telemóvel provocou um grande impacto na vida quotidiana e temos de
admitir que corresponde a uma profunda necessidade.
O aparelho que há uns tempos atrás servia apenas para comunicação oral,
hoje em dia está cada vez está interligado com a grande rede mundial, a Internet.
Tem evoluído a uma grande velocidade e hoje é muito mais do que um simples
meio de comunicação oral.
Desde a segunda geração de comunicações móveis (GSM) até à terceira
(UMTS) nota-se uma evolução espectacular na quantidade e qualidade dos
serviços móveis, o que nos faz pensar que estamos cada vez mais dependentes
deste aparelho. Os telemóveis actuais permitem entre outras coisas, aceder à
Internet (email, páginas web etc.) e usufruir de uma série de serviços úteis.
A recente terceira geração permite velocidades mais elevadas de
transmissão de dados, conteúdos multimédia de qualidade, aumento da
capacidade da rede que teoricamente permite aos operadores ultrapassar
eventuais problemas de saturação. O acesso à Internet poderá ser feito a uma
velocidade mais rápida que os modems normais, e sem limite. Ao estarmos a
telefonar é possível ver no ecrã, em tempo real a outra pessoa com quem
falamos, caso esta também possua um telemóvel UMTS [30].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
15
Tecnologias da Informação e Comunicação
2.6.6 – Ensino à distância (e-learning)
Consiste na utilização da Internet na aquisição e/ou aperfeiçoamento de
conhecimentos à distância. É a integração da tecnologia web em processos de
ensino/aprendizagem [43].
Além da redução de custos [43], tem como vantagens o facto de o aluno
poder participar na aula em qualquer parte do mundo e em qualquer altura, não
sendo necessário deslocar-se fisicamente à sala de aula, o que muito vantajoso
para os deficientes físicos. Com a utilização da comunicação assíncrona permite
que os alunos possam escolher as melhores alturas para aceder à aula e mesmo
assim participar por inteiro nas discussões da aula. Há um elevado nível de
interacção dinâmica entre o professor e os alunos e entre os próprios alunos [44].
2.7 – Resumo
A humanidade assistiu a avanços tecnológicos das telecomunicações, da
Informática e em particular à chegada da Internet em força, a meados dos anos
90. Gerou-se um aumento do volume de informações que circulam à escala
mundial. Alguns autores afirmam tratar-se de uma “revolução informacional”,
comparada à revolução industrial nos séculos XVIII e XIX [60].
Um dos marcos importantes ao nível da comunicação foram as invenções
do telégrafo eléctrico e do telefone. Essas inovações caracterizaram o
aparecimento de uma primeira revolução das comunicações. Para acabar com as
limitações existentes foi inventado o telégrafo sem fios e as emissões rádio
intercontinentais que caracterizou a segunda revolução das comunicações. Com a
invenção do telefax em 1956 apareceram novas possibilidades nas comunicações
à distância, que trouxe grandes vantagens para as empresas. O lançamento do
primeiro satélite activo para comunicações (Score), seguido pelo Telstar
caracterizou a terceira revolução das comunicações [2].
A partir dos anos 60, a cada vez mais rápida evolução tecnológica permitiu
o aparecimento e aperfeiçoamento de novos meios de comunicação tal como o
computador, o fax, os modems e as redes.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
16
Tecnologias da Informação e Comunicação
A sigla TIC é o acrónimo de 3 palavras chave: tecnologia, informação e
comunicação. As TIC são uma junção das tecnologias de informação com
processos de transmissão e comunicação [3]. Não há nenhuma definição
universalmente aceite mas qualquer uma que se possa dar deve abranger
qualquer produto que armazene, recupere, manipule, transmita ou recepcione
informação electrónica de uma forma digital [10].
A Internet é um bom exemplo de integração em formato digital, de
imagem, texto, vídeo, gráfico e áudio através da criação de documentos
multimédia acessíveis em qualquer parte do mundo. Permite navegar por todo o
mundo e contactar milhões de pessoas.
As TIC tem diversas aplicações praticas. O teletrabalho é um modo flexível
de trabalho cobrindo várias áreas de actividade, em que os trabalhadores podem
desempenhar as suas funções remotamente a partir de um qualquer local que não
o do local de trabalho, numa parte do seu horário de trabalho [0].
O comércio electrónico é o uso de tecnologia electrónica nas várias
componentes da actividade comercial. Faz sentir os seus efeitos em processos
empresariais tão diferentes como o estabelecimento de contacto entre o
comprador e o vendedor, a publicidade, a promoção, o apoio ao cliente, a
encomenda, o pagamento, a distribuição e a entrega [0].
A videoconferência é um sistema que permite a utilizadores situados em
sítio distintos geograficamente, comunicar em tempo real [42].
A Informática médica é aplicação dos computadores, comunicações, TI e
sistemas de informação a todos os campos da medicina (cuidados médicos,
educação médica e investigação médica) [41].
O e-learning consiste na utilização da Internet na aquisição e/ou
aperfeiçoamento de conhecimentos à distância. É a integração da tecnologia web
em processos de ensino/aprendizagem [43].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
17
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3 – Os números das Tecnologias da
Informação e Comunicação
“Quando algo se tornou omnipotente a ponto de se confundir
com o ar que se respira, é extremamente perigoso ignorá-lo,
desprezá-lo ou banalizá-lo, sem proceder à sua correcta avaliação”
Gilbert Hottois
Este capítulo é a continuação do anterior. Como o próprio nome indica, é
um capítulo basicamente estatístico.
Apresenta e analisa os números relativos, principalmente ao uso do
computador e da Internet em Portugal, mediante vários critérios (grupo etário,
nível de escolaridade, condições perante o trabalho, local de utilização, etc.).
Apresenta e analisa também o índice de acesso digital e o uso da Internet no
mundo. Por fim, é feito o resumo do capítulo.
3.1 – As TIC em Portugal
Neste subcapítulo podemos ver alguns dados estatísticos relativos ao uso
das TIC em Portugal, mediante vários critérios.
3.1.1 – Condições perante o trabalho
Computador (%)
Internet (%)
Total (activos)
27,8
17,3
Empregados
Desempregados
28
24,1
17,4
16,1
Total (inactivos)
Estudantes
20,4
79,6
15
59,8
Outros
3,4
2,1
Nota: Os dados referem-se à população com 15 ou mais anos.
(Fonte: Indicadores Sociais 2002 do Instituto Nacional de Estatística «INE»)
Tabela 1 – O uso do computador e da Internet pelas condições perante o
trabalho.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
18
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
Como podemos ver na tabela acima, os activos usam mais o computador e
a Internet do que os inactivos. Isso deve-se provavelmente a uma maior
necessidade e dependência desse grupo de pessoas nestas tecnologias para que
os objectivos das empresas sejam cumpridos.
Dentro da classe dos inactivos, os estudantes são de muito longe, o grupo
que mais usa o computador e a Internet. Isso provavelmente deve-se também a
uma certa dependência por estas tecnologias, mas para outros fins, quer para
investigação, estudo, realização de trabalhos escolares, etc. Embora ainda não em
número suficiente, muitas escolas do país estão equipadas com computadores
com acesso à Internet que permite aos alunos uma utilização mais facilitada.
3.1.2 – Grupo etário
Anos
Total
Computador (%)
25
Internet (%)
16,4
15-24
55,4
38,6
25-34
35-44
38,3
26
26,6
16
45-54
>=55
17,9
4,2
10,2
2,2
Nota: Os dados referem-se à população com 15 ou mais anos.
(Fonte: Indicadores Sociais 2002 do INE)
Tabela 2 – O uso do computador e da Internet por grupo etário.
60
50
%
40
Computador
Internet
30
20
10
0
15-24
25-34
35-44
45-54
>55
Anos
F IGURA 3 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR GRUPO ETÁRIO.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
19
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
Relativamente ao grupo etário, a taxa de uso do computador e da Internet
vai diminuindo com à medida que a idade avança. Essa diminuição vai desde os
55,4%/38,6% na faixa 15-24 anos até aos 4,2%/2,2% na faixa >= 55 anos, para
o computador e Internet respectivamente.
Isso pode dever-se pelo facto de a população jovem ser na generalidade
mais formada, ter melhores condições para aprender, sentir-se mais preparada
para lidar com as novas tecnologias e ser mais facilmente adaptável a mudanças.
Não esquecendo que já nasceram “ambientados” e rodeados por estas
tecnologias10.
Por outro lado, no que respeita à população mais idosa, temos o reverso da
medalha, ou seja, sendo este na generalidade um grupo mais frágil e menos
apoiado, sentem muito mais dificuldades em se adaptar a mudanças e às
linguagens tecnológicas. Sendo estas tecnologias recentes e não contemporâneas
desta faixa etária é normal a dificuldade na adaptação e o medo ao enfrenta-las.
Mas, prevê-se que, daqui a umas décadas, essa diferença não seja tão
grande entre os jovens e os idosos, na medida em que as gerações mais jovens
de hoje, no futuro não terão tantas dificuldades na adaptação a mudanças
tecnológicas como sentem os idosos de hoje.
3.1.3 – Nível de escolaridade
Total
Computador (%)
25
Internet (%)
16,4
Até ao 3º ciclo
14
7,5
Ensino Secundário
Ensino Superior
70,1
79,8
51
64,2
Nota: Os dados referem-se à população com 15 ou mais anos.
(Fonte: Indicadores Sociais 2002 do INE)
Tabela 3 – O uso do computador e da Internet por nível de escolaridade.
10
Tappscott apelidou a nova geração de “N-geners” (geração digital) que, de acordo com o próprio
é a primeira geração a crescer cercada pelos meios digitais.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
20
%
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Computador
Internet
Até ao 3º ciclo
Ensino
Secundário
Ensino Superior
Nível de escolaridade
F IGURA 4 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR NÍVEL DE
ESCOLARIDADE .
O nível de escolaridade e a taxa de uso do computador e Internet estão
directamente relacionados, isto é, à medida que aumenta o nível de escolaridade
também aumenta a taxa de uso dessas tecnologias.
O facto de as maiores taxas de uso serem no ensino superior pode dever-se
por um lado a um maior interesse, maturidade, dependência desses alunos por
essas tecnologias, quer seja para estudo, investigação ou para a realização de
trabalhos académicos. Por outro lado, na generalidade, as escolas de ensino
superior estão mais e melhor equipadas de computadores e Internet do que as
escolas de nível de escolaridade mais baixo.
O uso dessas tecnologias nas faixas mais jovens é maioritariamente para
fins lúdicos e de entretenimento e não para estudo e trabalho.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
21
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.1.4 – Local de utilização
Computador (%)
Internet (%)
Em casa
70,8
60,5
No trabalho
Na escola
51,2
26,2
43,6
28
Outro local
11,3
12,5
Nota: Os dados referem-se à população com 15 ou mais anos.
(Fonte: Indicadores Sociais 2002 do INE)
%
Tabela 4 – O uso do computador e da Internet por local de utilização.
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Computador
Internet
Em casa
No trabalho Na escola
Outro local
Local de utilização
F IGURA 5 - GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR LOCAL DE
UTILIZAÇÃO.
O local mais frequente de utilização do computador e da Internet é de
longe a própria casa do utilizador, ou seja 70,8% e 60,5% para computador e
Internet respectivamente.
É curioso o facto de tanto em casa como no local de trabalho, o
computador ser mais usado do que a Internet enquanto que na escola e noutros
locais acontece o inverso.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
22
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.1.5 – Nas escolas de ensino não superior
Total
Público
Privado
Computadores disponíveis
2001/2002
2002/2003
56622
70627
43847
53520
12775
17107
Acesso à Internet
2001/2002
2002/2003
31969
43905
23965
31973
8004
11932
Nota: Valores em unidades.
(Fonte: Departamento de Avaliação Prospectiva e Planeamento do Ministério da Educação (ME))
Tabela 5 – Computadores disponíveis e com acesso à Internet, nas escolas do
ensino não superior, por tipo de estabelecimento.
É notável o aumento do número de computadores e, destes os que tem
acesso à Internet. Este aumento abrange tanto o sector público como o privado. É
possível que este aumento continue a notar-se ao longo dos próximos anos,
embora ainda a um ritmo lento.
Do ano lectivo 2001/2002 para 2002/2003 houve um aumento de cerca de
25% do número de computadores nas escolas (56622 para 70627) mas, no que
respeita à Internet houve um aumento de 37% no mesmo período de tempo
(31969 para 43905). Em 2002/2003 dos 70627 computadores disponíveis, apenas
43905 tinham ligação à Internet, que corresponde a cerca de 62%.
3.1.6 – Nos agregados domésticos, por região
Portugal
Continente
Norte
Centro
Lisboa e V. Tejo
Alentejo
Algarve
R. A. Açores
R. A. Madeira
2001
Computador (%)
Internet (%)
24
13
25
13
21
10
24
11
30
17
19
11
16
12
20
14
12
7
2002
Computador (%)
Internet (%)
28
16
29
16
25
13
28
14
34
21
22
15
22
16
24
17
18
9
(Fonte: INE)
Tabela 6 – Posse de computador e ligação à Internet dos agregados
domésticos, por região (NUTS II).
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
23
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.1.7 – Nos agregados domésticos em geral
Computador
Ligação à Internet
1995
11
Não disponível
1997
14
Não disponível
1999
21
5
2000
22
9
2001
24
13
2002
28
16
Nota: Valores em %
(Fonte: INE)
Tabela 7 – Posse de computador e ligação à Internet dos agregados
domésticos.
30
25
%
20
Computador
Ligação à Internet
15
10
5
0
1995
1997
1999
2000
2001
2002
Anos
F IGURA 6 – GRÁFICO DA UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR E DA INTERNET NOS AGREGADOS
FAMILIARES.
É de salientar a evolução contínua ao longo dos anos quer da posse do
computador, quer da Internet nos agregados domésticos. Quanto à posse do
computador, entre 1995 a 2002 houve uma evolução de 11% para 28%
respectivamente. No que respeita à Internet, entre 1999 e 2002 houve um
aumento de 5% para 16%, respectivamente.
Devido a uma maior dependência, diminuição do custo e manutenção dos
equipamentos e serviços, é possível que nos próximos anos esta evolução
continue e a um ritmo ainda mais acelerado do que o actual.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
24
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.1.8 – Densidade telefónica
Densidade telefónica
(Acessos telefónicos principais)
Densidade telefónica
(Serviço móvel terrestre)
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
35,8
38
39,7
40,6
41,6
42,2
43,9
43,1
3,4
6,6
14,9
30,4
45,9
65,2
81,2
82,3
Nota: Para os cálculos da densidade telefónica foram utilizadas as estimativas da população do INE
actualizadas com os dados do Recenseamento de 2001. Unidades em %.
(Fonte: INE)
Tabela 8 - Densidade telefónica (acessos telefónicos principais e serviço
móvel terrestre).
90
80
70
%
60
50
Acessos telefónicos principais
40
Serviço móvel terrestre
30
20
10
0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
Anos
F IGURA 7 – GRÁFICO DA DENSIDADE TELEFÓNICA.
A densidade telefónica no que respeita aos acessos telefónicos principais
pouco ou nada alterou ao longo dos anos, variando entre os 35,8% em 1995 e os
43,1% em 2002, notando-se um aumento muito ligeiro de ano para ano.
Já o serviço móvel terrestre teve uma evolução galopante no mesmo
período de tempo, variando entre os 3,4% e os 82,3%, ultrapassando
definitivamente os acessos telefónicos principais em 1999.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
25
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.2 – Índice de acesso digital no mundo
A União Internacional de Telecomunicações (UIT) elaborou uma lista de
178 países do mundo e o respectivo índice digital de 2002. Nessa lista, Portugal
ocupa o 32º lugar, ou seja na “2ª divisão”.
O índice de acesso digital engloba 8 variáveis, que abarcam 5 áreas
(disponibilidade e infra-estruturas, recursos de acesso, nível de educação,
qualidade nos serviços de TIC e utilização da Internet) [24].
Muito Alto
Dinamarca
Islândia
Suécia
Coreia(Rep.)
Noruega
Holanda
Hong Kong
Finlândia
Taiwan
Canadá
EUA
Suíça
Singapura
Japão
Luxemburgo
Áustria
Alemanha
Austrália
Bélgica
N. Zelândia
Itália
França
Eslovénia
Israel
Alto
0.85
0.83
0.82
0.82
0.79
0.79
0.79
0.79
0.79
0.78
0.78
0.77
0.76
0.75
0.75
0.75
0.74
0.74
0.74
0.72
0.72
0.72
0.72
0.70
Irlanda
Chipre
Estónia
Espanha
Malta
Rep. Checa
Grécia
Portugal
EA Unidos
Macau
Hungria
Bahamas
Bahrein
Polónia
Eslováquia
Croácia
Chile
Barbados
Malásia
Lituânia
Qatar
Brunei Darussalam
Letónia
Uruguai
Seicheles
Dominica
Argentina
Trinidad
Bulgária
Jamaica
(…)
Médio
0.69
0.68
0.67
0.67
0.67
0.66
0.66
0.65
0.64
0.64
0.63
0.62
0.60
0.59
0.59
0.59
0.58
0.57
0.57
0.56
0.55
0.55
0.54
0.54
0.54
0.54
0.53
0.53
0.53
0.53
(…)
Belarus
Líbano
Tailândia
Turquia
Macedónia
Panamá
Venezuela
Belize
S. Vicente
Bósnia
Suriname
África do Sul
Colômbia
Jordânia
Sérvia Montenegro
Arábia Saudita
Peru
China
Fiji
Botsuana
Irão
Ucrânia
Guiana
Filipinas
Oman
Maldivas
Líbia
Rep. Dominicana
Tunísia
Equador
(…)
Baixo
0.49
0.48
0.48
0.48
0.48
0.47
0.47
0.47
0.46
0.46
0.46
0.45
0.45
0.45
0.45
0.44
0.44
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.43
0.42
0.41
0.41
(…)
Zimbabué
Honduras
Síria
Papua NG
Vanuatu
Paquistão
Azerbeijão
S. Tomé
Tajiquistão
Guiné Eq.
Quénia
Nicarágua
Lesoto
Nepal
Bangladesh
Iémen
Togo
Ilhas Salomão
Cambodja
Uganda
Myanmar
Congo
Camarões
Gana
Laos
Malawi
Tanzânia
Haiti
Nigéria
Djibouti
(…)
0.29
0.29
0.28
0.26
0.24
0.24
0.24
0.23
0.21
0.20
0.19
0.19
0.19
0.19
0.18
0.18
0.18
0.17
0.17
0.17
0.17
0.17
0.16
0.16
0.15
0.15
0.15
0.15
0.15
0.15
(…)
(Fonte: UIT [24])
Nota: Valores em %.
Tabela 9 – Índice do acesso digital em 2002.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
26
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
Nesta lista, Portugal encontra-se em último lugar da União Europeia (UE),
atrás da Grécia, Irlanda ou Espanha. À excepção do Canadá, a maioria dos países
que aparecem nos 10 primeiros lugares, pertencem à Europa e Ásia. O grupo com
acesso digital muito alto pertence sobretudo a países da Europa Central e
Ocidental, Golfo e América Latina. Surpreendente ou talvez não é o primeiro lugar
ocupado pela Dinamarca e apenas o 11º pelo EUA.
A UIT garante que este índice distingue-se de todos os restantes até agora
publicados porque cruza dados como a educação e o poder de compra [24].
Mas, de acordo com um estudo publicado no “The Economist”, Portugal
subiu um lugar, passando à frente da Grécia, no respeita apenas ao acesso à
Internet [29].
3.3 – O uso da Internet no mundo
Para provar a vertiginosa revolução das TIC, está o aumento do uso da
Internet e do número de servidores em todo o mundo.
Em 1999, havia cerca de 276 milhões de utilizadores da Internet. Esse valor
aumentou para 604 milhões em 2002 [51], a uma taxa média de 30% ao ano.
Esta evolução não se deu somente nos EUA, onde nasceu a Internet, mas
também outros países tiveram crescimentos significativos.
(Fonte: The Internet Monitor11)
F IGURA 8 – C RESCIMENTO DO NÚMERO DE UTILIZADORES NA INTERNET POR PAÍSES.
11
http://www.proactiveinternational.com
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
27
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
Quanto ao número de servidores na Internet, nota-se igualmente um
acentuado aumento de ano para ano, como se pode verificar na seguinte figura:
(Fonte: Internet Software Consortium12)
F IGURA 9 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE SERVIDORES NA INTERNET.
O número de servidores de Internet de todo o mundo em 1991 era
praticamente insignificante. A partir de 1994, começou-se a notar um
impressionante crescimento até 2002 [7].
Em Portugal, nota-se um aumento do número de domínios, que pode ser
um indicador desse crescimento. A taxa média de crescimento anual do número
de domínios ronda os 125%, que traduz o interesse das instituições portuguesas
pelo uso da Internet [7].
F IGURA 10 – SERVIDORES INTERNET POR MIL HABITANTES [7].
12
http://www.isc.org
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
28
Os números das Tecnologias da Informação e Comunicação
3.4 – Resumo
Em Portugal em 2002, mais de um quarto da população portuguesa possuía
computador (28%), número este que tende a aumentar. Ao mesmo tempo 16%
das famílias portuguesas possuíam igualmente ligação à Internet. O crescimento
das TIC em Portugal é um facto.
O grupo etário que mais utiliza o computador e, por consequência, usufrui
do serviço da Internet é o que se situa entre os 15-24 anos. Com alguma
naturalidade se encara o facto de, com o aumento da idade, se verificar um
acentuado decréscimo na utilização quer do computador quer da Internet –
apenas 17,9% das pessoas com 45-54 anos utilizam o computador. O local onde
preferencialmente os portugueses se servem do computador é em casa.
Quanto ao ensino superior, os números são esmagadores. Somos cada vez
mais dependentes dessa máquina – 80% tira partido do computador e 65% da
Internet.
Por outro lado, em 2002, a densidade telefónica de serviço móvel terrestre
em Portugal era de 82,3% e o número de assinantes do serviço TV CABO tinha
crescido 13% relativamente ao ano anterior.
Quanto ao índice de acesso digital no Mundo de 2002, Portugal ocupava o
32º lugar, o ultimo da UE. Essa lista tem em conta algumas variáveis, tais como a
disponibilidade e infra-estruturas, recursos de acesso, nível de educação,
qualidade nos serviços de TIC e utilização da Internet.
A comprovar a vertiginosa revolução das TIC, assistimos a um aumento do
uso da Internet e o aumento do número de servidores de Internet em todo o
mundo. Portugal também não foi excepção nesse progresso.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
29
Sociedade da Informação
4 – Sociedade da Informação
“Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
e as sociedades.”
Este capítulo tem como objectivo fazer uma introdução a um novo conceito,
o de Sociedade da Informação 13 (SI). Serve como complemento aos dois capítulos
anteriores para uma melhor compreensão dos que se seguem.
Faz uma abordagem teórica ao conceito de SI, incluindo algumas das suas
possíveis definições, a sua relação com as TIC, as implicações nos postos de
trabalho e na sociedade em geral. Analisa também a importância da segurança
dos dados como condição essencial para um bom desenvolvimento e
funcionamento da SI. No fim, é feito um resumo do capítulo.
4.1 – Definição
Está a ocorrer uma mudança fundamental de uma sociedade industrializada
para uma baseada na informação [48]. Da mesma forma que a sociedade
industrial passou por transformações sociais e técnicas (processos de trabalho e
relações pessoais), a SI está a passar pelo mesmo [1]. Esta revolução da
informação afecta o modo como as pessoas vivem, aprendem, trabalham e como
os governos interagem com a sociedade civil. A informação é uma ferramenta
poderosa do desenvolvimento económico e social [48].
Segundo o “Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal 14”, a
SI refere-se a um modo de desenvolvimento social e económico em que a
13
Este termo teve origem nos trabalhos de Bell, Dordick e Dizard, em 1973/79, 1981 e 1982,
respectivamente [4].
14
Foi aprovado pelo Conselho de Ministros no dia 17 de Abril de 1997 e presente à Assembleia da
República, em sessão plenária no dia 30 de Abril [0].
Trata-se de uma iniciativa do governo em relação à inclusão digital na SI. Apresenta programas
que tem como objectivo integrar, coordenar e fomentar as acções para a utilização das TIC, de
forma a contribuir para a inclusão social na nova sociedade.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
30
Sociedade da Informação
aquisição, armazenamento, processamento, valorização, transmissão, distribuição
e disseminação de informação conducente à criação de conhecimento e à
satisfação das necessidades dos cidadãos e das empresas, desempenham um
papel central na actividade económica, na criação de riqueza, na definição da
qualidade de vida dos cidadãos e das suas práticas culturais [0].
Ou seja, a SI é uma sociedade onde a componente da informação e do
conhecimento desempenha um papel nuclear em todos os tipos de actividade
humana em consequência do desenvolvimento da tecnologia digital, e da Internet
em particular, induzindo novas formas de organização [19] e uma significativa
aceleração das mudanças, na economia e na sociedade [2]. Permite que as
pessoas acedam e partilhem informação e conhecimento quase instantaneamente
em qualquer parte do mundo [48].
A aposta na SI beneficia não apenas as grandes empresas, mas também o
cidadão comum. É possível usufruir de serviços gratuitos, fazer compras e serviços
bancários sem sair de casa, participar de discussões, relacionar-se com outras
pessoas, etc. [20].
4.2 – Implicações
É natural que a SI provoque certas transformações a vários níveis. Neste
subcapítulo são destacadas as implicações a nível dos postos de trabalho e na
sociedade em geral.
4.2.1 – Nos postos de trabalho
A SI reflecte-se ao nível de novas actividades e postos de trabalho. Existirá
cada vez maior número de pessoas envolvidas em profissões relacionadas com a
informação e conhecimento, não só no que diz respeito ao surgimento de novos
postos de trabalho, como até no surgimento de novas empresas e novos serviços
intermediários, ligados directa ou indirectamente à informação [4]. As TIC não
devem ser vistas como causadoras de desemprego.
O trabalho na nova sociedade terá uma natureza essencialmente intelectual
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
31
Sociedade da Informação
e criativa valorizando o papel do indivíduo, com a correspondente libertação das
tarefas mecânicas e repetitivas, em favor da criatividade. Contudo, este papel
poderá vir a ser desvalorizado pela submissão à tecnologia e, estando esta em
constante evolução, implicará uma actualização contínua de conhecimentos e
competências individuais [7].
O trabalho essencialmente criativo pode fazer surgir novas oportunidades
para os elementos que até aqui estavam marginalizados, nomeadamente aqueles
que são portadores de deficiências motoras [1].
Para que a sociedade do futuro evolua é necessário a especialização e a
qualificação dos trabalhadores da SI.
4.2.2 – Na sociedade em geral
A construção da SI permite uma sociedade mais participada e unida,
porque o conhecimento e as competências são cada vez mais considerados como
activos mais importantes das pessoas e das organizações [1].
A SI permite aumentar a inteligência humana e alterar o modo como
trabalhamos e vivemos. É possível aproveitar a SI para melhorar a qualidade de
vida das pessoas, a eficiência das organizações sociais e a economia.
O Estado tem um papel importante para preparar as pessoas para a SI e
sensibiliza-las como sendo esta uma tarefa importante, de forma a garantir que a
SI é uma sociedade para todos [7].
Na SI, o carácter digital dos documentos disponíveis transformou o
conhecimento num recurso dinâmico que pode ser armazenado e utilizado a
qualquer momento [8].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
32
Sociedade da Informação
4.3 – A construção da SI em cada país
Em cada país, a SI constroi-se em diferentes condições e projectos de
desenvolvimento social, económico e político diferentes, segundo estratégias
adequadas a cada contexto [21]. Mas, em todos deve haver metas de inclusão e
igualdade social e económica [21].
Os valores humanos universais de igualdade, justiça, democracia,
solidariedade, tolerância mútua, progresso económico, protecção do ambiente e
respeito pela diversidade deverão ser os fundamentos da uma SI mundial e
verdadeiramente integradora [48].
A promessa da SI é aumentar a nossa capacidade de comunicar e partilhar
informação e conhecimento para aumentar a possibilidade de um mundo mais
pacífico e próspero para todos os seus habitantes. No entanto, a maioria da
população mundial só poderá beneficiar desta revolução da informação se lhe for
dada a capacidade de participar plenamente na nova sociedade baseada no
conhecimento [48].
4.4 – A importância da segurança dos dados na SI
Para o desenvolvimento da SI, as questões da segurança e da privacidade
são fundamentais, dado que os cibercrimes15 constituem ameaças graves para as
economias baseadas na informação [48].
Os nossos dados pessoais contidos em muitas bases de dados por todo o
mundo podem circular de um lado para o outro sem nós darmos conta disso. É
preciso ter a certeza que esses mesmos dados estão protegidos perante terceiros
para a confiança das pessoas aumentar, para que não tenham medo de aceder
por exemplo à sua conta bancária colocando a password, pensando que alguém a
pode “apanhar”.
15
Tais como a intromissão em sistemas informáticos alheios, a disseminação de vírus informáticos
e a utilização abusiva de informações pessoais.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
33
Sociedade da Informação
Com o aumento do comércio electrónico e das transacções em linha,
proteger a privacidade e garantir uma infra-estrutura segura de TIC são factores
importantes para uma SI estável [48].
4.5 – Resumo
Podemos definir SI como sendo uma sociedade onde a componente da
informação e do conhecimento desempenha um papel nuclear em todos os tipos
de actividade humana em consequência do desenvolvimento da tecnologia digital,
e da Internet em particular, induzindo novas formas de organização da economia
e da sociedade [19].
A SI provoca implicações a vários níveis. Reflecte-se também ao nível de
novas actividades e postos de trabalho. Existirá um cada vez maior número de
pessoas envolvidas em profissões relacionadas com a informação, não só no que
diz respeito ao surgimento de novos postos de trabalho, como até no surgimento
de novas empresas e novos serviços intermediários, ligados directa ou
indirectamente à informação [4].
A construção da SI permite uma sociedade mais participada e unida,
porque o conhecimento e as competências são cada vez mais considerados como
os activos mais importantes das pessoas e das organizações [1].
Em cada país, a SI está se construindo de forma, condições e projectos de
desenvolvimento social, económico e político diferentes, segundo estratégias
adequadas a cada contexto [21]. Mas, em todos deve haver metas de inclusão e
igualdade social e económica.
Para o desenvolvimento da SI, a questão da segurança é um factor muito
importante, porque os cibercrimes constituem ameaças graves para as economias
baseadas na informação. A protecção da privacidade e a garantia de uma infraestrutura segura de TIC são factores importantes para uma SI estável [48].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
34
Exclusão Social
5 – Exclusão Social
“A exclusão digital não é ficar sem computador ou telefone celular.
É continuarmos incapazes de pensar, de criar e de organizar novas formas,
mais justas e dinâmicas, de produção e distribuição de riqueza simbólica e material”
Gilson Schwartz
O mesmo homem que foi capaz de inventar o avião, de viajar à Lua, de
revolucionar as telecomunicações, não conseguiu reverter alguns dos requisitos
mínimos para a sobrevivência como a alimentação e a água potável para todos, a
eliminação do analfabetismo, entre outros. Assim, diversos “mundos” coexistem
numa única realidade e o facto de haver a introdução e a disseminação das TIC,
especialmente a partir da década de 90, levanta as discussões sobre a
necessidade de se combater a exclusão digital com o objectivo de minimizar a
exclusão social [61].
Depois de nos capítulos anteriores termos visto o que são as TIC, de
percebermos o conceito de SI, esta é a altura de entrarmos na temática lançada
para este projecto, as TIC vs Exclusão Social e analisarmos em particular o
problema da exclusão digital, resultante da desigualdade de acesso às TIC.
Este capítulo começa por dar algumas das possíveis definições de exclusão
social. Relativamente à exclusão digital, o capítulo apresenta algumas das suas
definições, as possíveis relações com a exclusão social, os problemas e as
consequências que provoca, algumas das suas possíveis causas e os números no
mundo. Depois é focada a inclusão digital e as preocupações de Portugal a esse
respeito. Segue-se um conjunto de perguntas e possíveis respostas acerca deste
tema. Por fim, é feito um resumo do capítulo.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
35
Exclusão Social
5.1 – Definição
O termo exclusão pode levar a ideia do “estar fora”, assim como o termo
inclusão, o antónimo de exclusão, a ideia de “estar dentro”. Esta visão dualista,
simplificada do termo exclusão é muito mais complexa [59].
A exclusão social é um problema complexo que afecta uma grande parte da
população mundial, limitando e diferenciando umas pessoas das outras.
Entre os estudiosos deste tema, não existe nenhuma definição consensual
[49], mas poderemos constatar que está relacionada em parte com a insatisfação,
mal-estar do ser humano quando este se encontra numa situação em que não
pode realizar aquilo que deseja para si próprio e para a sua família [45]. Implica
privação, falta de recursos ou, de uma forma mais abrangente a não participação
plena na sociedade, nos diferentes níveis em que esta se organiza: ambiental,
cultural, económico, político, social, étnico, sexual, religioso [40].
É um conceito abrangente que engloba vários tipos de excluídos: os da
saúde, dos lares, da educação, do emprego, entre outros.
5.2 – Exclusão digital
Como já vimos anteriormente, as TIC oferecem novas e interessantes
oportunidades de acesso ao conhecimento [55].
Mas, a revolução da informação e a “explosão” das TIC criou um novo
factor e mais uma forma de manifestação da exclusão social, aprofundando ainda
mais as diferenças entre as classes sociais. Este novo factor de exclusão dividiu a
sociedade em dois grupos. Um grupo é composto por aqueles que têm acesso às
TIC e aproveitam ao máximo os seus benefícios, e o outro, por aqueles que não
tendo esse acesso, nem conhecimentos, são vítimas da nova cultura da
informação e das suas tecnologias.
Assim, além das suas vantagens, o uso e a generalização das TIC, incluindo
a popularidade dos computadores e o crescimento da Internet na sociedade
obriga-nos a conviver com um outro tipo de exclusão, a digital.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
36
Exclusão Social
A Organização das Nações Unidas (ONU) considera-a como sendo uma das
quatro mazelas da actualidade, como a fome, o desemprego e o analfabetismo
[56].
5.2.1 – Definição
A exclusão digital 16 é um fenómeno multidimensional que inclui diversas
barreiras [55] que impedem que uma fracção da população tenha contacto com as
TIC. Os elementos dessa população vivem numa ignorância digital e não estão
preparados para lidar com as novas tecnologias, sendo denominados de excluídos
digitais. Podemos considerar que são o “lado negro” da SI.
Segundo Marcuss Gomes, a exclusão digital refere-se à distância entre
indivíduos, empresas e regiões geográficas em diferentes níveis sócio-económicos
em relação às oportunidades de acesso às TIC e ao uso da Internet para uma
variedade de acções e actividades [57].
De entre outras definições possíveis, uma delas remete à distância entre os
que estão fazendo uso das novas tecnologias e os que não estão [59].
Os excluídos digitais estão privados de ter acesso aos grandes fornecedores
de conteúdo, de trocar informações e produzir conhecimentos.
Existem várias palavras sinónimas de exclusão digital, tais como infoexclusão, cyber-exclusão, analfabetismo digital, divisão digital (digital divide),
“apharteid” digital ou hiato digital.
5.2.2 – Exclusão Social vs Exclusão Digital
A exclusão digital é uma das facetas de um outro tipo de exclusão mais
amplo, a exclusão social. Mas, apesar dessa associação, não se pode dizer que
existe uma relação directa entre ambos, apesar de estarem muitas vezes
relacionados.
A exclusão digital pode ser ou não causada directamente pela exclusão
social. Muitas das pessoas que tem emprego, boas possibilidades económicas e
16
O termo tem a sua origem nos EUA com a publicação de um artigo de Jonatham Webber e Amy
Harmon no jornal Los Angeles Times, em 1995, de acordo com Larry Irvin [57].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
37
Exclusão Social
alto de nível de escolaridade, possuem forte resistência, desconhecimento e
repulsa ao uso das TIC. Mas, por outro lado, a exclusão social pode provocar ou
agravar ainda mais a exclusão digital, na medida que por exemplo os baixos
rendimentos impedem que as pessoas comprem os equipamentos necessários.
A exclusão digital não reduz e até pode agravar a exclusão social, na
medida em que as principais actividades económicas, governamentais e boa parte
da produção cultural da sociedade está na rede. Estar fora da rede é ficar fora dos
principais fluxos de informação e desconhecer seus conhecimentos básicos é uma
ignorância [40]. Mas, esta linha de raciocínio, entretanto, é questionável. O acesso
à Internet e às informações não implica, necessariamente, maior nem melhor
conhecimento. E mesmo que uma parte das informações se transformasse em
conhecimento, isso não significaria, obrigatoriamente, um maior equilíbrio social,
político e económico [61].
A exclusão social pode não ser causada pela exclusão digital, na medida em
que existe diversas formas de exclusão, que nada tem a ver com a exclusão digital
(por exemplo, a racial, religiosa, etc.).
Para que o combate à exclusão digital seja possível, é importante resolver
outras formas de exclusão social, como a educação, alimentação, emprego, etc.
Não é lógico analisar a exclusão digital separada da realidade social, política e
económica em que um país se insere, e não é o único desafio e nem o mais
importante [61]. Como podemos falar em inclusão digital se as pessoas que não
sabem ler nem escrever ?. A opinião de Bill Gates17, ilustra isso : “sempre que se
fala sobre a exclusão digital, penso: tudo bem, vocês querem mandar
computadores para a África, mas que tal comida e electricidade ? [61].
A exclusão digital é tratada de forma semelhante à exclusão social. Fala-se
também num processo de alfabetização digital, semelhante ao processo de
combate ao analfabetismo. Os discursos e análises relativas ao tema recaem,
quase sempre, na pobreza e miséria. Procura-se explicar o fenómeno da exclusão
digital baseado na falta de rendimentos e esquecem-se as componentes culturais
e sociais [59].
17
Esta opinião encontra-se publicado a revista “PC World” em 22/02/2001. Também disponível em
http://pcworld.terra.com.br/pcw/update/2555.html [61].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
38
Exclusão Social
5.2.3 – Problemas e consequências
As consequências da exclusão digital são mais sérias do que imaginamos e
isso requer da sociedade um envolvimento maior no processo de formação. Aos
excluídos digitais não restará sequer a função de operário, pois as tarefas
repetitivas ficarão com as máquinas. As actividades intelectuais, estratégicas e
sobretudo o trabalho de equipa serão reservados a quem integrar a realidade
tecnológica.
Quem for excluído estará fora das grandes mudanças, do conhecimento, da
aprendizagem, das informações, do mundo dinâmico e fica sujeito a perder bons
empregos. Há quem diga e com razão que quem não souber usar minimamente o
computador é considerado analfabeto.
O conceito de SI perderá o sentido, as vantagens e ficará limitado se
permitirmos a criação de uma classe de excluídos digitais. Será início da
desigualdade e da indiferença dos que serão colocados à margem de uma nova
sociedade que, nascendo hoje, suportará o futuro da humanidade [8].
Infelizmente, a tendência da diferença entre os que tem acesso e os que
não tem seja cada vez maior [61].
Um importante indicador do poder económico de um país é o seu grau de
desenvolvimento científico e tecnológico. Isso também pode ser medido, pela
facilidade com que a população acede às TIC. Quanto mais desenvolvido um país
for maior é a facilidade com que as pessoas acedem às TIC.
A taxa de exclusão digital dos países é medido em termos do número de
telefones, computadores e utilizadores da Internet. Entre grupos de pessoas
dentro do mesmo país, essa medição se faz em termos de raça, sexo, idade,
localização e rendimento, etc. [59].
Além dos números é importante analisar as razões do não uso das TIC.
Pode estar relacionado por alguma limitação lançada pelo governo. Por exemplo,
na China, o governo regulamentou o acesso às notícias internacionais, inclusive
com relação às trocas de mensagens entre as pessoas, impondo uma forte
restrição editorial e, principalmente, limitando a liberdade de opinião e expressão
dos cidadãos chineses também no ambiente digital [61].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
39
Exclusão Social
5.2.4 – Causas
Inúmeras são as causas que contribuem directa ou indirectamente para o
fenómeno da exclusão digital, das quais salientamos as seguintes:
•
Financeiras
O uso das TIC torna-se dispendioso para muitas pessoas, porque implica
custos periódicos de utilização, manutenção e de actualização. Além disso, a
tecnologia evolui a um ritmo alucinante tornando os equipamentos obsoletos em
pouco tempo, exigindo a sua substituição.
Num país como o nosso, que infelizmente não é considerado rico nem
industrializado é natural que seja difícil a muitas pessoas suportarem estes custos,
principalmente os mais carenciados e idosos. O receio do aumento das despesas
com as telecomunicações é um dos grandes obstáculos para um maior uso das
TIC.
•
Políticas
A existência de um governo que não motive, não tome medidas eficazes,
claras e coerentes para a propagação das TIC, é certo que contribuirá fortemente
para uma alta taxa de exclusão digital no seu país.
O governo tem um papel importante e é um dos principais responsáveis,
devendo adoptar soluções de forma a que as tecnologias cheguem a um maior
número de pessoas possível.
Neste contexto, por vezes pode ser importante a cooperação entre
empresas, organizações e instituições de forma a que em conjunto os problemas
possam ser resolvidos de uma forma mais fácil.
A prioridade deve ser dada as pessoas socialmente e financeiramente
desfavorecidas e aos deficientes.
Sem a iniciativa, apoio e intervenção do governo é muito difícil a diminuição
da percentagem de excluídos digitais para um consequente desenvolvimento do
país. A formação é uma das soluções em que se deve apostar mais.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
40
Exclusão Social
•
Sociais e pessoais
A mentalidade das pessoas pode ser considerada uma das causas do não
uso das TIC. A ignorância, o medo, a falta de ambição, curiosidade e vontade de
aprender por parte das pessoas faz com que estas tenham mais dificuldades em
adaptarem-se a esta nova realidade.
Neste contexto, a vontade é fundamental e não adianta o governo adoptar
as melhores medidas e os melhores projectos do mundo se não existir um espírito
de inovação da própria pessoa. Nunca se pense que é tarde para aprender, que o
digam os muitos idosos que frequentam os diversos cursos promovidos por
algumas câmaras municipais do país.
O próprio meio social desfavorece se não existir uma cultura e um hábito
tecnológico por parte das pessoas com quem se relaciona mais.
•
No desenvolvimento económico e tecnológico do país
O grau de desenvolvimento económico e tecnológico de um país são
factores importantes e determinantes para a propagação das TIC na população.
Por vezes, prende-se com a conectividade e falta de infra-estruturas das
telecomunicações. Quando não existe uma razoável é preciso construi-la e isso
envolve tempo e dinheiro não suportável por muitos países. Este problema afecta
principalmente os países subdesenvolvidos, que são precisamente os que não tem
condições para isso. É importante implantar a tecnologia no país para que este se
possa desenvolver e inovar.
Pelo menos, no caso português, a falta de infra-estruturas tecnológicas
evidencia-se mais nas regiões rurais, porque são por natureza zonas desertas,
atrasadas, com predominância da população idosa.
5.2.5 – Alguns números
Aproximadamente 10% da população mundial tem acesso à Internet [64],
ou seja, 90% não tem. Dos que tem acesso, cerca de 56% são provenientes dos
EUA, Canadá e Europa.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
41
Exclusão Social
Vamos de seguida analisar os números do acesso aos computadores e à
Internet em várias localizações geográficas do mundo:
F IGURA 11 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET POR LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA NO
MUNDO EM 1999 E 2002 [51].
Dos cerca de 605 milhões de utilizadores da Internet em 2002, 193
pertenciam à Ásia/Pacífico, 170 ao Canadá/EUA e 169 à Europa em contraste com
os apenas 6 milhões pertencentes à parte sul de África. Quase na mesma
proporção se verifica no que respeita ao uso de computadores.
Estes valores demonstram bem o contraste existente a nível de acesso
digital nas várias regiões do planeta.
Os países com mais acesso e consequentemente menos excluídos são
precisamente aqueles que tem maior poder económico, mais desenvolvimento e
com melhores infra-estruturas tecnológicas. O acesso às tecnologias é mais uma
forma de reflectir as diferenças entre os ricos e os pobres, entre os países
desenvolvidos e os não desenvolvidos.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
42
Exclusão Social
5.3 – Inclusão digital
Para diminuir a exclusão digital temos de promover a inclusão digital 18, que
tal como o próprio nome indica é o inverso da exclusão digital.
Pode-se considerar a inclusão digital como um conjunto de tentativas e de
esforços com o objectivo de tentar igualar todos no acesso às TIC e ao mesmo
tempo fazer diminuir o risco da divisão da sociedade em dois grupos.
Assumpcao, considera como sendo os esforços de fazer com que as
populações das sociedades contemporâneas possam obter os conhecimentos
necessários para utilizar com um mínimo de proveito, as capacidades dos recursos
de TIC existentes e possam dispor de acesso físico regular aos equipamentos que
possibilitam a existência destas tecnologias [14].
Bonilla vai mais além na sua definição, pois para ele a inclusão digital
significa a participação efectiva, onde os indivíduos têm capacidade não só de usar
e manusear o novo meio mas, também, de prover serviços, informações e
conhecimentos, conviver e estabelecer relações que promovam a inserção das
múltiplas culturas nas redes, em rede [15].
A inclusão digital não é missão exclusiva do governo porque as empresas,
as escolas, as instituições têm de estar juntos nesta luta. Na política tecnológica
conduzida pelo governo tem de prevalecer a ideia de que a democracia plena só é
possível com oportunidades iguais para todos [11].
O acesso à informação e ao conhecimento deve ser assegurado sem
qualquer tipo de discriminação social, porque a SI é uma sociedade para todos.
Se todos temos direito a uma casa digna, acesso à saúde, aos transportes, à
educação, também temos direito à inclusão digital. É importante que se prenda
nos seguintes direitos fundamentais:
“Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela
palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de
18
Alguns dos conceitos usados como sinónimos são: alfabetização digital, info-inclusão ou infoalfabetização.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
43
Exclusão Social
informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem
discriminações”.
Artigo 37.º - Liberdade de expressão e informação,
ponto 1 da Constituição da República Portuguesa
A partir dos direitos civis, sociais e políticos, há a necessidade de considerar
que a cidadania plena implica igualmente o direito ao acesso à informação e à
comunicação. É que nas sociedades contemporâneas esta “4ª geração” de direitos
é condição necessária para o exercício e o acesso aos restantes direitos de
cidadania [58].
Papel Sociedade
Univ ersidades
Favorecida
Acesso
Possui
T IC
Classe social
Incluídos
digit a is
Desfavorecida
Ex cluídos
digit a is
T IC
Classe social
Não possui
Papel
Sociedade
Univ ersidades
Sem acesso
F IGURA 12 – A RELAÇÃO ENTRE INCLUÍDOS E EXCLUÍDOS DIGITAIS [40].
Geralmente, os incluídos digitais tem um papel na sociedade, pertencem a
uma classe social favorecida e tem acesso à universidade. Pelo contrário os
excluídos digitais geralmente pertencem a uma classe social desfavorecida, não
tem papel na sociedade e não tem acesso à universidade.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
44
Exclusão Social
5.3.1 – Preocupações de Portugal
Segundo, o “Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal”,
algumas medidas foram ou ainda vão ser tomadas, para combater a injustiça: [0]
•
Apetrechar os estabelecimentos escolares para a SI;
•
Equipar as bibliotecas a arquivos públicos com computadores multimédia;
•
Promover programas de informação ao cidadão;
•
Apoiar as associações culturais, centros de juventude e colectividades de
cultura e recreio;
•
Fomentar iniciativas de autarquias locais para a democratização do acesso
à SI;
•
Dar Prioridade a Programas de Integração na SI dos cidadãos com
deficiências.
A mensagem do nosso Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio dirigida
a todos os portugueses, mostra as preocupações de Portugal a este respeito [7]:
“Os desafios da chamada Sociedade da Informação existem para todos
nós... Os cidadãos deverão utilizar os recursos da Sociedade da
Informação para criar novos espaços de diálogo entre si... Tenho a
certeza de que, em conjunto, saberemos transformar as novas
possibilidades tecnológicas em poderosas vantagens”.
Jorge Sampaio (Presidente da República)
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
45
Exclusão Social
5.4 – Algumas questões
Neste subcapítulo são apresentadas algumas questões e possíveis respostas
relacionadas com os efeitos da exclusão digital na sociedade.
1 - As TIC representam uma ponte para o conhecimento ou um novo
factor de exclusão ?
Nós já conhecemos os benefícios das TIC, o seu grau de implantação e
utilização nas organizações e na sociedade. Mas, também sabemos que
constituem mais um factor de exclusão. Em que é que ficamos ?
Existem 2 diferentes visões do que as TIC invocam na sociedade. Ambas
são contrastantes, mas verdadeiras [55]. Por um lado, podem constituir mais um
factor de exclusão social mas, por outro, podem ajudar a superar alguns dos
tradicionais factores de exclusão já existentes, promovendo novos métodos de
ensino e pode especialmente beneficiar grupos sociais que estão distanciados do
ensino tradicional.
Os idosos são um bom exemplo da primeira visão. Concentram-se neles
vários factores de exclusão: idade avançada, baixos rendimentos, incapacidade,
nível de escolaridade baixo, etc. Para eles, as TIC tem actuado como mais como
um factor de exclusão do que de inclusão. Os idosos tem pouco ou nenhum
acesso às TIC. Pior ainda é o desinteresse que eles tem às tecnologias, vistas
como “não sendo para eles”, favorecendo a sua auto-exclusão [55].
Por outro lado, há um interessante potencial das TIC para a inclusão,
porque exercem influência em dois aspectos essências: motivação e processos de
ensino [55]. Neste contexto, a multimédia é importante porque permite uma
construção mental mais rica do que as clássicas linhas de texto favorecendo a
aprendizagem. A junção de som, imagens, gráficos, texto, animações aliado à
interactividade facilita a construção e a retenção do conhecimento e ajuda o
professor na construção do conhecimento e na transmissão da informação aos
alunos. Permite da mesma forma a auto-aprendizagem.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
46
Exclusão Social
As TIC estimulam os alunos a desenvolverem habilidades intelectuais,
permite ganhar um maior interesse em aprender e a concentrarem-se mais,
estimulam a busca de mais informações sobre um assunto [35]. Não esquecendo
o e-learning, na sua capacidade de quebrar barreiras geográficas no ensino.
Ou seja, se para uns as TIC representam uma ponte para o conhecimento,
para outros representa mais um factor de exclusão na sociedade.
2 – A exclusão digital envolve apenas a parcela da sociedade mais pobre
e com menos habilitações ?
Há sempre a ideia que sim, mas está errada, porque há médicos,
professores, engenheiros, advogados e outros profissionais bem qualificados e
bem remunerados que ainda não tem qualquer “intimidade” com as TIC.
No âmbito do programa “Aveiro Cidade Digital” dedicado ao tema “Saúde e
Tecnologias da Informação e Comunicação” realizado no ano 2000, José Cabeças,
presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, disse que a
actual geração de médicos ainda pertence ao grupo de excluídos digitais e sugeriu
às faculdades de medicina que introduzam nos seus sistemas de aprendizagem as
ferramentas informáticas de base para que os futuros clínicos não sintam as
mesmas dificuldades.
Entretanto, como forma de corrigir as deficiências, foram ministrados
cursos de formação na Universidade de Aveiro (UA) que abrangeram um total de
duas centenas de médicos e funcionários do Hospital e dos vários centros de
saúde do concelho [13].
Os médicos não devem temer as novas tecnologias, e até pelo contrário
deve saber explorá-las. O seu conhecimento da área da medicina deve ser
complementado com o das TIC.
Devem dominar minimamente esta área de conhecimento de tal forma que
saibam gerir os registos electrónicos dos seus doentes, conhecer e saber usar as
aplicações médicas que são colocadas ao seu dispor, permitindo desta forma
prestar bons e actualizados serviços médicos.
O
médico
deve
estar
constantemente
actualizado
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
das
novidades
47
Exclusão Social
aplicacionais na área da saúde, senão sujeita-se a tornar-se um excluído digital.
Da mesma forma, nunca se deve pensar que os professores, mesmo os da
área de Informática nunca serão excluídos digitais. Como as TIC estão em
constante evolução, os professores precisam de ter uma actualização quase
permanente ao longo da sua vida profissional.
3 – Para promover a inclusão digital basta apenas dar o equipamento
necessário às pessoas ?
A inclusão digital não é só dar telemóveis, colocar computadores com
ligação à Internet e outros equipamentos tecnológicos à frente das pessoas. Isto
não resolve o problema se as pessoas não sabem trabalhar com as tecnologias. É
fundamental que as pessoas sejam ensinadas por professores qualificados a
explorarem e tirarem partido das vantagens e o que de melhor essas tecnologias
podem oferecer, permitindo que as pessoas tenham uma melhor participação na
sociedade.
Além de saber utilizar o computador e a Internet, é fundamental saber
distinguir a informação útil da inútil, a falsa e prejudicial da verdadeira e acima de
tudo treinar a capacidade crítica face aos conteúdos [58].
Logo, é importante uma “educação digital” de forma estarem capacitadas a
usar as tecnologias para aplica-las de forma efectiva [54].
4 – No desempenho escolar, os alunos que têm acesso pleno aos
computadores e à Internet estarão em vantagem em relação a outros
que não tem ?
Em princípio sim, pelo menos tem condições para isso. Mas, ter condições
não é sinónimo de sucesso. As TIC permitem aos alunos facilitar a realização de
certos trabalhos, aumentar conhecimentos sobre determinadas áreas do saber. Os
documentos digitais tais como: enciclopédias, livros, dicionários são uma mais
valia para que o aluno permita aumentar os seus conhecimentos. Estas são
ferramentas de apoio que se forem bem aproveitadas são úteis e produtivas até
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
48
Exclusão Social
mesmo para os professores.
Mas, para adquirir os conhecimento não basta ter os meios, é também
necessário saber como usa-los e como adquirir a informação a partir deles.
A seguir é apresentado um estudo que mostra a influência do uso do
computador e da Internet no desempenho de uma prova:
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) fez um estudo
estatístico a escolas e turmas aleatoriamente (288 mil alunos, 12 mil turmas, 7 mil
escolas, 22 mil professores e 7 mil directores de escolas estaduais, municipais e
particulares de todos os estados e do Distrito Federal, no Brasil).
O gráfico seguinte é referente aos alunos que estão na 4ª série do ensino
fundamental em 2001 e o desempenho é relativo à prova de Matemática [25].
F IGURA 13 – DESEMPENHO DOS ALUNOS NUMA PROVA RELACIONANDO TER OU NÃO TER
COMPUTADOR [25].
F IGURA 14 – DESEMPENHO DOS ALUNOS NUMA PROVA RELACIONANDO TER OU NÃO TER
ACESSO À INTERNET [25].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
49
Exclusão Social
Como podemos ver no gráfico anterior, os alunos que tinham computador
são os que obtiveram maior desempenho. Mas, pelo facto de terem mais do que
um computador não faz aumentar o sucesso.
Os que tinham acesso à Internet foram os mais bem sucedidos do que os
que não tinham (177.98 contra os 185.75).
Podemos concluir que o uso do computador e da Internet favorece
positivamente o rendimento escolar.
5 – Quais os sectores de actividade mais excluídos digitalmente ?
Segundo dos dados estatísticos do Centro de Políticas Sociais (CPS) e da
Fundação Getúlio Vargas (FGV), podemos ver a distribuição do uso do computador
e da Internet nos vários sectores de actividade:
Nota: Valores em %.
F IGURA 15 – O USO DO COMPUTADOR E DA INTERNET NOS SECTORES DE ACTIVIDADE [25].
Analisando os dados podemos concluir que os sectores agrícola e de
construção são os mais excluídos digitalmente. Por outro lado, os menos excluídos
são os serviços.
Este é um estudo brasileiro, mas podemos fazer uma analogia ao caso
português, porque em princípio os valores não devem ser muito diferentes.
O sector primário é o mais excluído porque é o que menos necessidade tem
das tecnologias e onde predomina as pessoas com nível de formação mais baixo.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
50
Exclusão Social
Por outro lado, o sector terciário é o menos excluído, porque é onde existem mais
profissões ligadas à informação e ao conhecimento em que a tecnologia é
fundamental. Também porque predominam as pessoas com nível de formação
mais elevado.
6 – As competências nas TIC afectam o recrutamento num emprego ?
Cada vez mais os postos de trabalho serão tecnológicos, mais ligados à
informação e ao conhecimento. As TIC fizeram desaparecer muitos postos de
trabalho mas, por outro lado fez aparecer outros novos. Em quase todos os
anúncios de emprego são exigidos conhecimento básicos de Informática.
Tanto o acesso às TIC como os conhecimentos que elas exigem tornam-se
essenciais para a nossa capacidade de inserção profissional e para o nosso papel
de cidadãos activos.
Assim, as não competências nas TIC afecta negativamente o recrutamento
na grande maioria dos empregos.
5.5 - Resumo
A exclusão social é um problema complexo que afecta uma grande parte da
população mundial, limitando e diferenciando umas pessoas das outras.
Não existe uma definição consensual [49], mas poderemos constatar que
está relacionada em parte com a insatisfação, mal-estar do ser humano quando
este se encontra numa situação em que não pode realizar aquilo que deseja para
si próprio e para a sua família [45].
A exclusão social pode ter raízes económicas, políticas, étnicas, sexuais,
religiosas, etc. [49].
Mas, a revolução da informação e a “explosão” das TIC criou um novo
factor de exclusão social, aprofundando ainda mais as diferenças entre as classes
sociais. Este novo factor de exclusão dividiu a sociedade em dois grupos. Um
grupo é composto por aqueles que têm acesso às TIC e aproveitam ao máximo os
seus benefícios, e o outro por aqueles que não tendo esse acesso, nem
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
51
Exclusão Social
conhecimentos, são vítimas da nova cultura da informação e das suas tecnologias.
Assim, o uso e a generalização das TIC, obriga-nos a conviver com um
outro tipo de exclusão, a digital.
Várias podem ser as causas que contribuem para a exclusão digital. As
causas financeiras são uma delas, na medida em que os custos de aquisição e de
manutenção dos equipamentos e do acesso à Internet são elevados para muitas
pessoas. Num país como o nosso é por vezes difícil suportar estes custos.
Por outro lado, a existência de um governo que não motive, não tome
medidas eficazes, claras e coerentes para a propagação das TIC, é certo que
contribuirá fortemente para uma alta taxa de exclusão digital no seu país. O
governo tem um papel importante e é um dos principais responsáveis, devendo
adoptar soluções de forma a que as tecnologias cheguem a um maior número de
pessoas possível.
A própria mentalidade, a ignorância, o medo, a falta de ambição,
curiosidade e vontade de aprender das pessoas faz com que tenham mais
dificuldades em adaptarem-se a esta nova realidade tecnológica. O próprio meio
social desfavorece se não existir uma cultura e um hábito tecnológico por parte
das pessoas com quem se relaciona mais.
O grau de desenvolvimento económico e tecnológico de um país são
factores importantes e determinantes para a propagação das TIC na população.
Por vezes, prende-se com a conectividade e falta de infra-estruturas das
telecomunicações.
Este
problema
afecta
principalmente
os
países
subdesenvolvidos.
Por todo o mundo existem excluídos digitais. Os países com mais acesso ao
computador e à Internet são aqueles que tem maior poder económico, maior
desenvolvimento e melhores infra-estruturas tecnológicas.
Para diminuir a exclusão digital temos de promover a inclusão digital, que
como o próprio nome indica é o combate à exclusão digital. Assumpcao, considera
como sendo os esforços de fazer com que as populações das sociedades
contemporâneas possam obter os conhecimentos necessários para utilizar com um
mínimo de proveito, as capacidades dos recursos de TIC existentes e possam
dispor de acesso físico regular aos equipamentos que possibilitam a existência
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
52
Exclusão Social
destas tecnologias [14]. É importante que a inclusão digital se prenda nos direitos
básicos fundamentais.
As TIC podem servir como uma ponte para o conhecimento, mas também é
um novo factor de exclusão social.
A exclusão digital não envolve apenas a parcela mais pobre e com menos
habilitações da sociedade, porque existem profissões bem qualificadas em que os
seus profissionais são excluídos digitais, como por exemplo, médicos, professores,
advogados, etc.
Para promover a inclusão digital não basta dar os equipamentos para as
pessoas. Deve ser complementado com formação de modo a tirarem o melhor
proveito das tecnologias, porque não adianta dar um computador a um idoso se
não souber trabalhar com ele.
Os alunos que tem computador e acesso à Internet geralmente tem
melhores desempenhos escolares do que os outros, porque é mais uma forma de
obterem conhecimento e de aprenderem melhor.
O sector de actividade mais excluído digitalmente é o primário, enquanto
que o menos excluído é o terciário, porque o uso das TIC neste sector é mais
necessário e mais utilizado.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
53
Combate à exclusão digital
6 – Combate à exclusão digital
“Mais importante do que as palavras e as promessas são as acções.”
Não basta olharmos para os números e lamentarmos as estatísticas porque
isso não nos leva a lado nenhum. É importante por mãos à obra e fazer algo para
tentar resolver o problema da exclusão digital e reverter as estatísticas negativas.
São algumas as iniciativas de várias instituições/organizações, umas já
postas em pratica, mas muitas ainda por diversas razões nem sequer saíram do
papel.
Este capítulo é a continuação do anterior. Depois de sabermos o que é a
exclusão digital, este capítulo centraliza-se precisamente no seu combate e
consequentemente no fortalecimento da SI.
São descritas algumas formas de combate à exclusão digital, incluindo
exemplos de projectos, software e equipamentos que foram produzidos para esse
efeito. Segue-se um conjunto de iniciativas nacionais e internacionais que visam a
inclusão digital. Por fim, é feito o resumo do capítulo.
6.1 – Motivos para combater
Podem ser apontados pelo menos cinco motivos para combater a exclusão
digital [53]:
•
Os conhecimento em Informática são fundamentais para obter melhores
empregos;
•
A Internet ajuda na desburocratização de serviços públicos;
•
A Internet é a maior biblioteca do mundo. Em poucos minutos, é possível
reunir informações suficientes para a realização de um bom trabalho
escolar e dados importantes para a execução de tarefas profissionais;
•
O e-mail permite a transferência de uma quantidade enorme de
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
54
Combate à exclusão digital
conhecimento de um ponto a outro do planeta. As conversas pela rede
mundial de computadores são mais baratas que por meio de telefone;
•
As ferramentas de um computador permitem a organização da vida em
diversos níveis. É possível elaborar desde um simples orçamento doméstico
a um complexo demonstrativo financeiro de uma grande empresa.
Embora por vezes não se dê a devida importância, o combate à exclusão
digital é fundamental para o desenvolvimento de um país e para a democratização
do acesso à informação e ao conhecimento.
6.2 – Formas de combate
Várias são as formas de fazer com que as TIC cheguem a um maior
número possível de pessoas, evitando o agravamento da taxa de exclusão digital e
proporcionando o fortalecimento da SI.
Tendo em vista esse objectivo, existem vários projectos e iniciativas
propostos pelo governo e de algumas instituições/organizações.
As acções de inclusão digital devem ter em conta as populações com
necessidades especiais, idosos, com baixa escolaridade, com impedimentos ou
limitações intelectuais, físicas, sensoriais, motoras [53]. Não esquecendo que
existem públicos, níveis de acesso e níveis de conhecimento diferentes [53].
A exclusão digital é um problema complexo que apresenta desafios práticos
e políticos. As soluções que funcionam nos países desenvolvidos não podem ser
simplesmente transferidas para os países em desenvolvimento. Precisam de estar
fundamentadas no entendimento das necessidades e condições locais [59].
A partilha de experiências, a elaboração de projectos em conjunto favorece
a inclusão digital e consequentemente a social [54].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
55
Combate à exclusão digital
6.2.1 – Maior disponibilidade nos pontos de acesso públicos
As TIC devem ser postas à disposição das pessoas de uma forma gratuita
ou muito facilitada nos pontos de acesso publico 19.
O facto de haver cada vez mais bibliotecas equipadas20 com computadores
com acesso à Internet e as aplicações mais comuns21, possibilita a grande parte
da população contactar e usufruir das TIC de uma forma gratuita. Qualquer
pessoa pode ter acesso22, bastando para isso tornar-se sócio da biblioteca, que
também é gratuito. Evita que as pessoas desfavorecidas e com dificuldades
económicas fiquem “de fora” da SI.
Os pontos de acesso às TIC devem estar localizados preferencialmente em
locais onde reside grande parte dos excluídos, para que essas pessoas possam ir
com maior facilidade e se possível junto de pontos de referência conhecidos na
região.
F IGURA 16 – COMPUTADORES COM ACESSO À INTERNET NUM LOCAL DE ACESSO PÚBLICO.
Iniciativa conjunta da REFER e da UMIC
Uma iniciativa conjunta da Rede Ferroviária Nacional (REFER) e da Unidade
de Missão, Inovação e Conhecimento (UMIC), promete pôr os utentes dos
comboios a navegar pela Internet.
19
Como por exemplo as bibliotecas, agências de correios e de emprego, associações culturais,
sindicatos e centros de informação para a juventude.
20
Na região do Grande Porto, são exemplos, a biblioteca municipal de V. N. Gaia, a municipal do
Porto e a Almeida Garret, também no Porto.
21
Aplicações Office (ex. Word, Excel, Powerpoint, Access) e outras mais comuns (ex. Winzip).
22
Normalmente, esse acesso está limitado a 1 hora por dia.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
56
Combate à exclusão digital
A partir do final de Maio de 2004 foram instalados em 31 estações de
caminhos de ferro quiosques multimédia com acesso a informações sobre a REFER
ou sobre as cidades onde os quiosques serão instalados, e ainda informações de
utilidade pública como farmácias de serviço, hospitais e transportes.
Estes pontos terão também uma área lúdica onde será possível tirar
fotografias e enviá-las por correio electrónico.
Ao todo serão 64 pontos de banda larga para familiarizar as pessoas com
as novas tecnologias. Esta é uma das iniciativas de um conjunto de acções
preparadas para promover a SI e é comparticipada em 65% por fundos
comunitários.
Durante o primeiro ano o acesso à Internet será completamente gratuito
[29].
6.2.2 – Apostar na formação
As competências nas TIC são fundamentais hoje em dia e a formação
permite adquirir essas mesmas competências. Não adianta colocar computadores
à disposição das pessoas de forma gratuita se não sabem trabalhar com eles.
É importante que haja cada vez mais escolas de formação e cursos
relacionados com as TIC, em especial de Informática, para que as pessoas
possam adquirir os conhecimentos mínimos necessários.
Em Portugal, existem diversas escolas e centros que ministram cursos,
alguns deles gratuitos, destinados por vezes a públicos diversos (crianças, jovens,
activos, desempregados, idosos, etc.).
Mas, a quantidade de cursos não significa qualidade, porque o professor
tem de ser uma pessoa com grande capacidade de relacionamento interpessoal e
capaz de transmitir os conhecimentos de uma forma clara que permita aos alunos
compreenderem, motivarem-se e tirarem o melhor proveito das TIC.
Mesmo que uma pessoa não seja digitalmente excluída não deve prescindir
periodicamente desse tipo de cursos para se actualizar, tendo em conta que a
tecnologia evolui a um ritmo alucinante. Esta “reciclagem” dos conhecimentos é
importante para que as pessoas mantenham-se sempre actualizadas, para
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
57
Combate à exclusão digital
corresponder correctamente às necessidades e exigências da sociedade.
É preciso ter em conta que existem diversos públicos alvo com
características e necessidades diferentes:
Idosos
Os idosos não devem ser esquecidos, porque são um grupo frágil. Como se
costuma dizer, nunca é tarde para aprender e muitos dos idosos até se mostram
mais interessados e com mais empenho do que muitos jovens.
F IGURA 17 – AS TIC E OS IDOSOS .
Sendo as TIC recentes, é natural que os idosos sejam o grupo etário que
mais dificuldades tem em acompanhar e perceber esta mudança. Isto também
deve-se ao facto de as diferentes tecnologias se generalizarem entre os
utilizadores em períodos de tempo cada vez mais curtos. A diferença tecnológica
entre os tempos das suas infâncias e o dos dias de hoje são bastante acentuadas
e não acompanhadas convenientemente o que dificulta a sua adaptação.
A faixa etária dos idosos é a que menos tem contacto com as TIC, muitas
vezes porque não tem conhecimentos nem oportunidades de acesso. Também
pela maior probabilidade de incapacidade e de terem uma deficiência.
Mesmo assim, a tendência que se aponta é que haja cada vez mais pessoas
idosas a terem contacto com as TIC.
Muitos dos idosos que usam a Internet sentem-se mais “novos” e são
muitas vezes incentivados pelos mais jovens.
Actualmente, existem vários projectos camarários de incentivo aos idosos
para o contacto com as TIC. Esses projectos por vezes consistem em cursos
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
58
Combate à exclusão digital
gratuitos de Informática, incluindo a Internet.
Essas pessoas normalmente, sentem-se extremamente motivadas e
interessadas em aprender a trabalhar com o computador. Isto prova que as TIC
podem chegar a qualquer um, mesmo que à partida se pense ser impossível ou
difícil.
O medo, a ausência de conteúdos específicos, a escassez de recursos
financeiros, a falta de conhecimentos ou a inadequação do equipamento são
algumas causas que levam a maioria dos idosos a evitar as TIC.
A psicóloga e gerontóloga Cecília Raso, acredita que, muitas vezes o que
impede o idoso de ter acesso à tecnologia é a questão social e económica do país.
Ter um computador em casa, fazer um curso, manter uma linha telefónica para a
Internet é sinal de despesa.
Por outro lado, se a maioria das pessoas da terceira idade já estão
aposentadas, é precisamente através dos conhecimentos de Informática que
muitas retornam à actividade profissional. Marciana Nunes Guedes, de 67 anos,
ex-administradora de empresas, aposentada há doze anos, tornou-se digitadora
de livros numa biblioteca, após fazer um curso de Informática. Marciana também
cria e desenvolve cartões de aniversário e natalícios.
Os computadores e em particular a Internet não servem só para trabalhar,
proporcionam também cultura e entretenimento. Há cursos virtuais, compras,
jogos, salas de debate, chats, bibliotecas virtuais e até namoro. Para a
gerontóloga Cecília Raso, as pessoas da terceira idade costumam ter medo do
novo e do desconhecido e muitas vezes precisam do incentivo da família para
começar. “O espírito não envelhece. As pessoas acham que só os jovens
têm projectos de vida. A informática estimula a socialização. Não
substitui a presença humana, mas é um paliativo para a solidão”, diz.
Estudos de David Lansdale23 mostram que o uso da Internet pode ajudar a
superar depressão, a solidão e o desamparo, comuns nos idosos. Hildebrando
Lamberti, de 65 anos, confirma: “Com ela brinco, faço amigos, tenho
emoção” [5].
23
Especialista norte-americano em geriatria da Univeridade de Stanford.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
59
Combate à exclusão digital
É natural o receio no primeiro contacto com a tecnologia e normalmente os
idosos tratam as máquinas como “bichos de sete cabeças”. Mas, é quase certo
que a maior parte deles à medida que praticam começam a gostar e a
entreterem-se com os computadores. Descobrem um novo mundo totalmente
diferente daquilo que eles próprios imaginavam. Por vezes, os próprios
professores que leccionam os cursos ficam admirados com tanto interesse,
dedicação e entusiasmo que os idosos demonstram.
F IGURA 18 – OS IDOSOS E O INTERESSE NAS TIC.
“Uma das minhas filhas trabalhava numa empresa de informática,
por isso, sempre conversávamos em casa sobre as novidades da
informática. Eu entusiasmei-me para aprender e no início eu achava
tudo muito estranho e tinha um grande bloqueio para aprender”
Rosa Schutz, aposentada
A Rosa joga bridge no computador com pessoas de vários lugares do
mundo, faz pesquisas na Internet sobre doenças ou outros temas e lê artigos que
lhe interessam. Ela também usa a Internet para comprar bilhetes para
espectáculos ou peças de teatro e para trocar emails com os seus amigos.
"O meu marido não quis mais aprender a usar o computador. Ele
não se interessa. Ainda bem que eu tive coragem de continuar (...)",
disse a Rosa.
Ela começou a frequentar um curso de Informática para idosos, onde
aprendeu os passos básicos para utilizar o computador.
"Será que ainda consigo ?"
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
60
Combate à exclusão digital
A insegurança de Rosa não é um facto isolado. Muitas pessoas mais velhas
têm bloqueios para aprender. No fundo, têm medo de não conseguir aprender
algo novo [6].
O computador pode compensar algumas das perdas que acompanham
normalmente as idades avançadas e pode oferecer mais uma oportunidade para
aprender [55]. É especialmente útil para os idosos que vivem em lares e que tem
pouca mobilidade.
Crianças e jovens
Por razões naturais, a faixa etária jovem é a que apresenta maiores
facilidades em inserir na nova SI e a que está mais preparada para ingressar no
mundo do trabalho ou que até já faz parte dele.
Uma das razões que os jovens tem mais facilidade em arranjar emprego,
além obviamente da idade é o facto de a grande maioria já estar inserida na SI,
possuírem uma cultura tecnológica considerável e estarem preparadas em lidar
com as novas tecnologias. São praticamente contemporâneos desta revolução.
Em particular para as crianças já existem diversos cursos de Informática e
Internet de forma a que os mais novos possam inteirar-se desde muito cedo nas
tecnologias, permitindo uma adaptação mais fácil ao longo da vida.
F IGURA 19 – AS TIC E AS CRIANÇAS.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
61
Combate à exclusão digital
Activos (nas condições perante o trabalho)
Uma das razões que levam os activos a ter formação nas TIC, é muitas
vezes devido à possibilidade e desejo de subida de posto na empresa onde
trabalham. Quando essa possibilidade aparece, as pessoas consciencializam-se
que a formação nas TIC é um cartão de visita e uma “obrigação” para a
concretização desse desejo. Outras vezes, a razão é a necessidade de se fazer
uma “reciclagem” dos conhecimentos.
6.2.3 - Integração das TIC nas escolas de ensino obrigatório
Sendo o sistema de ensino obrigatório na generalidade gratuito e
frequentado por muitos alunos, é importante aproveita-lo para promover a
inclusão digital, de forma a preparar esses alunos desde muito cedo como futuros
cidadãos da SI. Permite que eles se consciencializem e se adaptem à nova
realidade, impedindo o seu afastamento por motivos económicos.
A criação de centros de Informática nas escolas pode ser uma das soluções,
bem como a inclusão nos planos de estudos de disciplinas obrigatórias
relacionadas com as TIC, ou mesmo sessões de formação.
Deve haver um maior envolvimento não só dos professores mas também
dos próprios pais dos alunos.
F IGURA 20 – OS COMPUTADORES NAS ESCOLAS.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
62
Combate à exclusão digital
De seguida, são apresentados alguns programas que promovem o ensino
secundário, bem como outros projectos e iniciativas propostas pelo governo.
Graças a isso, Portugal, no que respeita ao número de utilizadores da Internet
apresenta um crescimento exponencial em relação a 1994 [7].
Revisão curricular no ensino secundário
As TIC vão ser obrigatórias no ensino secundário, segunda a nova revisão
curricular do ensino secundário. Esta alteração da reforma curricular entrará em
vigor já no ano lectivo de 2004/2005 e dará grande importância à formação
tecnológica.
As alterações são muitas e vão de encontro à nova realidade do mercado
de trabalho e da evolução que a sociedade portuguesa sofreu na última década.
Por este motivo, seria impensável que as TIC não estivessem incluídas nesta
revisão do ME, que contou com a colaboração e a participação de professores,
investigadores, individualidades dos mais diversos sectores da sociedade
portuguesa, associações profissionais, sociedades científicas e organizações
sindicais e empresariais.
Todos os cursos, tanto da área das ciências como de letras, terão
obrigatoriamente uma disciplina de TIC, com a carga horária semanal de 2
unidades lectivas de 90 minutos, integrando a componente de formação geral.
Esta disciplina conciliará os objectivos de sensibilização para a Informática e de
formação em torno de ferramentas de produtividade como gestão de ficheiros,
processamento de texto, folha de cálculo, apresentações, navegação na Internet,
correio electrónico ou tratamento de imagem.
Outra das disciplinas previstas é a de Aplicações Informáticas, que surge
como um desenvolvimento da disciplina de formação básica (TIC), nomeadamente
em bases de dados, gestão e manutenção de redes, desenho assistido por
computador, webdesign, gestão de projectos ou multimédia.
Outra boa notícia é a criação de um curso dedicado à Informática, cujas
disciplinas são: Tecnologias da Informação; Bases de Programação; Aplicações
Informáticas; Planeamento, Montagem e Manutenção de Rede e Equipamentos
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
63
Combate à exclusão digital
Informáticos.
Finalmente, determinados cursos terão disciplinas específicas. É o caso do
curso de Construção Civil e Edificações, que terá as cadeiras de Computação
Gráfica e Desenho de Construção, e o curso de Electrotécnica e Electrónica, que
inclui as disciplinas de Sistemas Analógicos e Digitais e de Telecomunicações.
Projecto Minerva
A primeira tentativa de introdução sistemática das novas tecnologias nas
escolas de ensino não superior deu-se com o Projecto “Meios Informáticos No
Ensino: Racionalização, Valorização, Actualização” (MINERVA), um projecto do ME,
e gerido pelo mesmo, que vigorou entre 1985 e 1994.
O principal objectivo é a evolução acelerada das TI, a sua difusão crescente
e o seu efeito transformador sobre a sociedade. Este trabalho foi desenvolvido
numa articulação inovadora entre IES e escolas dos restantes níveis de ensino.
Este
desenvolvimento
efectuou-se
nas
vertentes
da
formação
de
professores e de formadores de professores, na exploração e desenvolvimento de
materiais (incluindo documentação e software educativo), investigação, apoio
directo ao trabalho dos professores nas escolas, e na criação de condições
logísticas para a instalação e utilização destes meios (nomeadamente através da
criação de Centros de Apoio Local e Centros Escolares Minerva), com o objectivo
último e amplo de renovar de uma forma inovadora o sistema educativo.
Um dos domínios em que mais de metade dos Pólos do Projecto MINERVA
se envolveu de forma especial desde 1989/90 foi o da Telemática Educativa,
investindo nas componentes de investigação, acção, formação e desenvolvimento
de actividades e projectos telemáticos, de forma a manter a ligação e a coesão
entre escolas, reforçar a sua capacidade de apoio mútuo, facilitar o lançamento e
desenvolvimento de outros projectos educativos e contribuir para a construção e
disponibilização de recursos partilhados por todos.
Depois de 1994, este projecto deu origem ao serviço telemático educativo
“BBS-MINERVA”, sediado na secção de Ciências da Educação da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e ao Grupo Nacional de
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
64
Combate à exclusão digital
Telemática Educativa (EDUCOM), que integrou os docentes formadores ligados ao
Projecto MINERVA, responsáveis pela dinamização e acompanhamento das
actividades relacionadas com a utilização de meios telemáticos em contextos
educativos.
Pela sua longevidade e implantação a nível nacional (cerca de 25 pólos
espalhados pelo país), o Projecto Minerva foi um marco importante na
sensibilização de professores e alunos para as TIC.
No entanto, convém referir que uma das principais causas do insucesso do
Projecto Minerva nas escolas do ensino secundário, se deveu à falta de formação
académica adequada na área de Informática, dos responsáveis pelo mesmo, nas
diferentes escolas [7].
Programa Internet na Escola
Este programa do Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), insere-se no
conjunto de medidas do “Livro Verde para a Sociedade da Informação”.
O programa comprometeu-se assegurar a instalação de um computador
multimédia e a sua ligação à Internet na biblioteca ou mediateca das escolas,
pretendendo deste modo contribuir para uma igualdade e melhoria do acesso à
informação, seja em CD-ROM seja através da Internet, a disponibilização na rede
de materiais produzidos pela escola e ainda como forma de permitir às escolas a
partilha e cooperação com outras escolas, com a rede da comunidade científica e
outras.
Este programa concretizou-se, numa primeira fase, pela instalação na
biblioteca ou mediateca de todas as escolas do ensino não superior, público e
privado, do 5º ao 12º ano, de um computador com capacidades multimédia e sua
ligação à Internet. Foram ainda abrangidas algumas escolas do 1º ciclo,
bibliotecas e associações, num total de mais de 1600 escolas ligadas no início do
ano lectivo de 97/98. Numa segunda fase (Setembro 1999) estendeu-se a mais de
1900 escolas, cerca de 250 bibliotecas e 15 museus.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
65
Combate à exclusão digital
Para esta ligação à Internet, a Fundação para a Computação Científica
Nacional (FCCN24), organismo que tem fornecido acesso à Internet às IES,
implementou 15 pontos de acesso à rede, distribuídos por todo o país e sediados
em IES ou laboratórios de investigação do Estado. Esta extensão da já existente
Rede da Comunidade Científica Nacional (RCCN), constitui a Rede Ciência
Tecnologia e Sociedade (RCTS25).
A infra-estrutura disponibilizada, permite o acesso RDIS (Rede Digital de
Integração de Serviços) a 64/128 kbps a todas as escolas, sem encargos
adicionais para as mesmas. Este acesso permite assim a alunos e professores um
acesso gratuito, rápido e fiável à Internet. É importante referir que, o número
médio de acessos diários à Internet nas escolas teve uma taxa de crescimento a
rondar os 25% em 1998 e 1999 [7].
(Fonte: FCCN / Observatório das Ciências e das Tecnologias)
F IGURA 21 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO MÉDIO DE ACESSOS DIÁRIOS À INTERNET NAS
ESCOLAS.
Com o objectivo de acompanhar o programa Internet na Escola, foi criada a
Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (uARTE) tendo a seu cargo a
tarefa de acompanhamento de todo o processo, funcionando como elemento de
24
25
http://www.fccn.pt
http://www.rcts.pt
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
66
Combate à exclusão digital
ligação entre escolas e os vários parceiros, nomeadamente as Associações
Científicas, Educacionais e Profissionais, Centros de Formação de Professores e o
ME. A promoção de actividades mobilizadoras do uso da Internet na escola e de
produção de materiais constituem outras vertentes da actuação deste grupo de
trabalho.
Um servidor web, criado e mantido por esta equipa, constitui uma das
formas de apoio do programa, que recorrerá ainda ao uso de outros serviços da
Internet para comunicação com as escolas: correio electrónico, conferências
electrónicas, conversa e arquivos de ficheiros.
Por outro lado, as escolas dispõem dos seus próprios endereços de correio
electrónico e espaço para as suas páginas de WWW, nos respectivos pontos de
acesso à rede. Desta forma, podemos dizer que as escolas não se encontram “de
facto” na Internet, uma vez que não possuem um servidor web próprio e sofrem
de várias limitações, como por exemplo não estarem ligadas 24 horas por dia à
Internet.
O computador colocado nas escolas pelo programa Internet na Escola foi
instalado na biblioteca, na medida em que este local deve constituir-se como um
centro de recursos multimédia, funcionando em livre acesso e destinado à
consulta e produção de documentos em diferentes suportes e ser, por isso, o
espaço onde é possível a toda a comunidade escolar utilizá-lo directa e livremente.
É importante que se diga que a instalação de um único computador para a
Internet não impede a ligação em rede a este computador de outros que
multipliquem o número de postos de acesso. Não significa que não possam vir a
ser instalados outros computadores com acesso à Internet noutros espaços da
escola. Contudo, correspondendo esta possibilidade apenas a uma ínfima
percentagem de escolas portuguesas, é também na biblioteca que poderão ter
que se desenvolver actividades de ensino que apelem ao uso da Internet. Neste
caso, as decisões sobre a sua utilização devem ser tomadas de acordo com as
estratégias de ensino e aprendizagem pensadas pelos professores e implicam uma
articulação de meios, equipamentos e materiais a utilizar, os modos de
agrupamento dos estudantes, a organização do espaço, as formas de
comunicação e interacção e, em última análise, o repensar da própria articulação
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
67
Combate à exclusão digital
entre o espaço físico da biblioteca e o espaço físico da aula.
É de salientar que uma medida menos conseguida para ser concretizada no
ano de 2000, era a instalação de um computador multimédia por sala de aula nos
ensinos básicos e secundário, pressupondo a ligação desses computadores a uma
rede local com acesso às redes telemáticas nacionais e internacionais.
Conscientes das potencialidades educativas da Internet, muitos professores
e alunos começaram a explorar os seus serviços, utilizando-a para pesquisa de
informação, para dar a conhecer a escola, as suas actividades e os trabalhos
realizados pelos seus alunos e para desenvolver projectos comuns de telemática
educativa, a nível regional, nacional ou internacional [7].
Criação dos cursos tecnológicos
A criação dos cursos Técnico-Profissionais, em particular o Curso TécnicoProfissional de Informática/Gestão, em 1986, e a sua posterior transformação no
Curso Tecnológico de Informática, veio trazer uma nova “força” às escolas, em
termos da introdução das TI.
De facto, a necessidade de equipar as escolas com tecnologias adequadas
ao cumprimento dos programas estabelecidos pelo ME banalizou o contacto com
estas novas tecnologias, bem como o seu uso alargado, no seio das escolas. Em
particular, algumas disciplinas obrigaram ao investimento em tecnologias pouco
conhecidas nas escolas do ensino secundário: as redes de computadores.
Como consequência dos cursos de Informática, no seio das escolas,
começaram a aparecer os primeiros técnicos especializados em Informática, já
que se tornou necessária a contratação de docentes com formação académica na
área de Informática, de forma a assegurarem a leccionação das diferentes
disciplinas dos planos curriculares desses cursos.
Estava assim criado um foco dinamizador no seio das escolas, que permitiu
dar uma resposta adequada à revolução tecnológica que se avizinhava: a
introdução da Internet nas escolas [7].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
68
Combate à exclusão digital
Programa Nónio-Século XXI
O programa Nónio-Século XXI foi uma iniciativa do ME. Suportado pela
experiência do projecto Minerva, tem como objectivo apoiar e adaptar o
desenvolvimento das escolas às novas exigências colocadas pela SI: exigências de
novas infra-estruturas, de novos conhecimentos e de novas práticas.
Tendo em vista as transformações quotidianas na sociedade, o programa
pretende a melhoria das condições em que funciona a escola e o sucesso do
processo ensino-aprendizagem, o desenvolvimento do mercado nacional de
criação de software para educação com finalidades pedagógicas e de gestão, a
contribuição do sistema educativo para o desenvolvimento de uma sociedade de
informação mais reflexiva e participada.
Tem a duração de quatro anos lectivos, estando sujeito a uma avaliação
anual e uma avaliação final.
Apesar
das
dificuldades
em
aceder
ao
programa,
devido
aos
condicionalismos impostos pelo regulamento de candidatura, são muitas as
escolas que têm apresentado projectos bastante válidos.
Ainda no âmbito do Programa Nónio Século XXI, foi disponibilizado o
sistema Profmail, que tem o objectivo de facilitar as tarefas quotidianas dos
professores (marcações de visitas de estudo, troca de informações entre
professores do mesmo nível de ensino ou das mesmas áreas disciplinares,
dinamização de projectos educativos inter-escolas), fomentando o trabalho
colaborativo, recorrendo desta forma ao correio electrónico, possibilitando a
constituição de redes específicas de conhecimento. As contas de correio
electrónico são disponibilizadas gratuitamente aos professores que as desejarem.
Com o aumento da utilização e aquisição de telemóveis, o acesso à Internet
poderá sofrer um aumento significativo por parte dos alunos e professores,
fazendo com que estes possam assumir um papel de destaque em relação às TIC
existentes nas escolas. Projectos como o NetMóvel vêm contribuir para a utilização
dos telemóveis no acesso à Internet [7].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
69
Combate à exclusão digital
Programa Cidades Digitais
Criado pelo MCT, lançado em 1998, este programa funciona como uma
extensão do programa Internet na Escola.
O programa Cidades Digitais, suportado pela RCTS, encontra-se a dinamizar
iniciativas viradas para a produção e utilização de conteúdos de uso cultural e
educativo, criação de clubes Internet, disponibilizar endereços na Internet,
lançamento de programas de oferta de equipamentos informáticos às escolas e
dinamização de uma rede de alto débito para fins educativos [7].
6.2.4 – Doação de equipamentos
Uma das barreiras que se coloca à inclusão digital é o preço dos
equipamentos (computadores, modems, etc.). Perante este problema é necessário
encontrar com imaginação soluções a custo zero ou muito reduzido.
As empresas26 e outras organizações podem liderar ou participar em
campanhas de doação de computadores e outros equipamentos para escolas,
centros comunitários de Informática, pessoas desfavorecidas e carenciadas. Além
disso, podem incentivar seus funcionários a também fazer o mesmo [54].
Grande parte dos computadores abandonados não têm qualquer valor
comercial 27, mas a sua funcionalidade mantêm-se intacta o que permite tirar
partido deles se for utilizado o software adequado [12].
6.2.5 – Uso de sistemas operativos e outras aplicações gratuitas
As políticas da Microsoft em relação aos seus produtos (Windows, Office,
etc.), além de serem um absurdo, contribuem para a exclusão digital. As
26
Geralmente com um ciclo de 2, 3 ou mais anos, as empresas trocam o seu parque de
computadores [54].
27
O modelo de comercialização dos computadores pessoais tem conduzido a enormes desperdícios
de hardware em parte devido às conveniências do mercado. Os computadores têm que ser cada
vez mais potentes porque as aplicações informáticas são mais pesadas (exigem mais capacidade
de processamento e mais memória disponível) e vice-versa , esta lógica circundante mascara uma
certa incompetência da industria de software que não optimiza os seus produtos na ânsia de lançar
"rapidamente" para o mercado aplicações com mais funcionalidades e assim superar a
concorrência [12].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
70
Combate à exclusão digital
aplicações informáticas (ex. sistemas operativos) são muito caras e não são para o
“bolso” de qualquer um. Graças ao Linux é possível utilizar máquinas menos
poderosas, mais baratas e programas gratuitos. A utilização e a propagação de
sistemas operativos e outras aplicações gratuitas, ou até mesmo o licenciamento
gratuito de software favorece a uma diminuição da exclusão digital.
É importante que estas aplicações sejam devidamente aproveitadas pela
sociedade, quer nas instituições públicas, escolas, universidades e cidadãos em
geral. Devem ser usados como forma de combater a exclusão digital
nomeadamente nas instituições de ensino28, porque proporcionam um acesso livre
e democrático às TIC.
Uma das aplicações mais interessantes deste tipo de sistemas prende-se
com a sua excelência técnica, pois são mais "magros" que a maioria do software
comercial. Esta característica favorece a sua instalação em computadores antigos
o que permite desenvolver soluções informáticas gratuitas.
Uma boa parte da informação que circula em suportes digitais é produzida
em formatos proprietários, que torna acessível apenas a quem utiliza software de
um único fabricante. Isto é uma protecção ao mercado de software e faz com que
os construtores de software além de serem donos das aplicações, sejam donos
também da informação sem pagarem nada por isso.
Generalizar a utilização de formatos de informação livre, sistemas
operativos e aplicações gratuitas para combater a exclusão digital implica
sensibilizar as organizações para a sua adopção, nomeadamente o sistema de
ensino público, organismos e departamentos do estado.
Outra das questões importantes é promover a publicação de conteúdos
informativos por parte do estado português em formatos livres. A nossa
administração pública utiliza preferencialmente formatos proprietários e fechados
para produzir e publicar conteúdos. Obriga os cidadãos a utilizarem software
comercial (caro) e hardware de ultima geração (também caro) para obterem as
informações, que de outra forma são impossíveis de obter. É urgente promover
28
As grandes universidades técnicas em Portugal já utilizam em maior ou menor escala este tipo
tecnologias, mas ainda estamos longe da sua generalização no meio académico, mesmo nas
instituições onde se ensina e investiga tecnologias de informação.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
71
Combate à exclusão digital
junto das instituições públicas para que os documentos electrónicos sejam
publicados em formatos universais [12].
O uso do software livre também gera uma certa polémica nas políticas de
inclusão digital. Alguns defendem que a inclusão digital seja feita exclusivamente
com software livre. Mas, por outro lado existem casos de sucesso também com
software proprietário.
A escolha entre software livre ou software proprietário está mais
relacionada com a definição de uma política de Informática do que de uma política
de inclusão digital. O Windows tem mais de 90% do mercado de sistemas
operativos. Este argumento é usado tanto pelos defensores de software livre,
como os de software proprietário. Para quem prefere o Linux, o uso do Windows
nos programas de inclusão digital reforçaria a posição monopolista da Microsoft.
Mas, para quem prefere o Windows, o uso do Linux e de outras soluções de
software livre, não prepararia as pessoas para o mercado, já que as empresas
usam principalmente as soluções da Microsoft [54].
6.2.6 - Governo electrónico (e-government)
É o uso da tecnologia para aumentar o acesso e melhorar o fornecimento
de serviços do governo para os cidadãos [26].
O governo electrónico possibilita entre outros serviços, a entrega da
declaração de impostos, pagamento de contas via Internet, voto electrónico,
orçamento participativo, solicitação informatizada de documentos, de auxíliomoradia, de seguro desemprego, etc.
Na maior parte dos países, os princípios gerais que orientam o governo
electrónico são a democratização do acesso à informação, a universalização na
prestação dos serviços públicos, a protecção da privacidade individual e a redução
das desigualdades sociais e regionais [26].
Mas, também acha-se que não é assim tão consensual considerar esta
como uma das medidas para combater a exclusão digital. É uma questão
discutível porque pode dar a ideia de ser mais uma vantagem das TIC do que uma
medida para combater a exclusão digital. Não adianta colocar o governo
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
72
Combate à exclusão digital
electrónico à disposição das pessoas, se boa parte não sabe usar o computador e
muito menos a Internet. Este serviço é bom e útil mas apenas para aqueles que
estão incluídos na SI, pois são apenas estes que tiram proveito das vantagens. É
difícil de imaginar que os idosos das aldeias isoladas de Tras-os-Montes possam
enviar a declaração do IRS via Internet, mas o contrário se passa com a maior
parte da população das regiões urbanas e costeiras onde essa actividade torna-se
normal.
A utilização das TIC na administração pública é importante para aproximar
o governo dos cidadãos e vice-versa, mas apenas para aqueles que já estão
inseridos na SI.
6.2.7 - Uma maior acessibilidade às pessoas com necessidades
especiais
Também nas TIC, a tendência de produzir para a maioria e esquecer as
pessoas com necessidades especiais29 ainda se mantêm. Este grupo de pessoas
não deve ser esquecido e necessita de um cuidado especial.
As novas tecnologias geram dificuldades quando a sua utilização é vedada a
pessoas com necessidades especiais. Por exemplo, os conteúdos na Internet, as
aplicações multimédia, as interfaces e as características dos equipamentos de
comunicações móveis.
O acesso deve ser compreendido não apenas como o acesso à rede de
informações, mas também a eliminação de barreiras arquitectónicas, de
comunicação e de acesso físico [53]. É importante a disponibilização de conteúdos
informativos em formatos alternativos30, estimular projectos de adaptação de
equipamentos informáticos, o desenvolvimento de software para uso por pessoas
portadoras de necessidades especiais, estimular o desenvolvimento de projectos
em tecnologia assistiva tais como adaptadores de teclados e rato, cadeiras
ergonómicas, adaptação de estação de trabalho, etc., garantir nos equipamentos
29
30
Por exemplo, pessoas com deficiências várias e idosos.
Tal como fitas de áudio, braille, etc.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
73
Combate à exclusão digital
a possibilidade de conexão de periféricos especiais, bem como recursos de som,
vídeo e imagem [53].
As pessoas com deficiências31 várias apresentam, em geral dificuldades
especiais no acesso à formação básica e profissional tendo poucas oportunidades
de participar no mercado de trabalho e no convívio social. No que respeita ao
mercado de trabalho, deve de haver a igualdade de oportunidades, através da
adequação dos recursos físicos, tecnológicos e humanos [53].
Por exemplo, os que têm deficiências sensoriais ou motoras poderão ser
vítimas de exclusão se as páginas web e o respectivo conteúdo forem inacessíveis
aos browsers e outros dispositivos de interacção utilizados pelos deficientes.
Deve-se tirar partido das interfaces gráficas, como webcams para benefício
dos surdos-mudos, dar prioridade ao desenvolvimento de sintetizadores de voz
(conversores de texto digital em discurso sintetizado) para benefício dos cegos, e
desenvolver aplicações (como jogos e outros programas interactivos) com vista a
estimular o desenvolvimento das capacidades intrínsecas dos indivíduos com
deficiências mentais [33].
Com a ajuda das TIC, os deficientes podem ter uma participação mais
activa na sociedade, como trabalhar via teletrabalho e aprender via e-learning.
Embora para os deficientes já exista algumas opções de acessibilidade, os
computadores ainda não são muito “amigáveis” para os idosos [55]. Um simples
click no rato pode ser difícil para quem tem artrites ou perda de flexibilidade nos
dedos. Pode ser difícil “enfrentar” o teclado, se nunca aprendeu a dactilografar ou
se a vista é fraca [55].
De seguida são apresentados alguns exemplos de produtos e de serviços
que foram criados para facilitar o acesso das TIC aos deficientes:
Leitor de páginas HTML
Antónia Vieira, especialista de Sistemas da IBM, é deficiente visual e
participa de programas de voluntariado.
31
Em Portugal, existem cerca de 650 mil pessoas com deficiências várias, cerca de 7% da
população total [17].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
74
Combate à exclusão digital
Ela usa um software, chamado IBM Home Page Reader, que lê as páginas
da Internet. A empresa utiliza o software nos seus projectos de inclusão digital
para deficientes visuais. Para diferenciar o texto normal dos links de hipertexto, o
programa usa duas vozes diferentes: uma feminina e outra masculina.
O utilizador pode escolher a velocidade de leitura. O programa lê textos em
sete
idiomas,
incluindo
o
português
brasileiro.
“Ele
me
dá
muita
independência, mas ainda não a 100%”, explica Antónia. O software apenas
não é capaz de descrever imagens, apenas lê o seu título [54].
Serviço “Teletexto” da RTP
Nos últimos anos, Portugal tem dado alguns passos no sentido de melhorar
a acessibilidade da SI.
Em 1999, a RTP passou a disponibilizar legendagem para pessoas com
deficiência auditiva através do serviço de teletexto e no mesmo ano, o governo
aprovou legislação que obriga a Administração Pública a disponibilizar a
informação na Internet sem barreiras para pessoas com necessidades especiais
[23].
Tecnologias móveis ao serviço dos invisuais
Dois ex-alunos do Instituto Superior Técnico (IST) desenvolveram no
INESC, um sistema de introdução de escrita nas tecnologias móveis para invisuais.
O uso dos telemóveis é uma das áreas onde os deficientes visuais sentem
mais dificuldades. Enviar e receber mensagens escritas é praticamente impossível,
a não ser que exista software e interfaces que facilitem a tarefa.
O professor Carlos Bastardo é invisual mas, com a ajuda deste sistema já
consegue enviar e receber mensagens escritas de telemóveis. A interface funciona
num computador de bolso e com a ajuda de um teclado Braille e de um sistema
de alta voz Carlos Bastardo consegue saber o que está a escrever. O software
baseia-se nos modelos de Markov, que permitem antecipar o caracter ou palavra
pretendido pelo utilizador.
Para estas pessoas é uma ajuda preciosa. Para Carlos Bastardo este
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
75
Combate à exclusão digital
sistema permite enviar mensagens escritas mas também organizar toda a agenda
telefónica, uma operação que era impossível até agora.
Pedro Branco e André Campos desenvolveram o sistema quando estavam a
trabalhar no projecto final de curso no IST. Dois anos depois estão a tentar levar a
interface para ao mercado.
Os fabricantes de tecnologia foram os principais contactos para colocar o
sistema no mercado mas, André Campos afirma que “estamos a tentar
negociar um acordo com os operadores para disponibilizar este software
acoplado a um aparelho PDA que tenha preços acessíveis e possa ser
adquirido pela maioria das pessoas”.
Mesmo com o sistema em fase de desenvolvimento os dois ex-alunos do
Técnico já pensam em futuras aplicações. Uma delas é um sistema de navegação
urbana por GPS.
Enquanto esta nova etapa ainda não está em funcionamento, torna-se
fundamental que a interface de introdução de escrita amadureça e fique disponível
no mercado para que os cidadãos com necessidades especiais ao nível da visão
possam usufruir destas inovações tecnológicas. Esperemos agora que este sistema
fique disponível em português e não em brasileiro como funciona agora no
protótipo [29].
Sistema informático para invisuais
O ME e a Vodafone apresentaram um novo sistema informático para
pessoas invisuais. O software integra um programa de leitura de ecrã e um
sintetizador de voz que traduz os dados em linguagem oral. Este sistema permite
a crianças e professores com deficiência audiovisual trabalhar no computador sem
dificuldade.
Chama-se Hal e é a nova versão do sistema informático para cegos que usa
uma voz real e em português. O programa conjuga um leitor de ecrã, com o
sintetizador realspeak e permite trabalhar em ambiente Windows. A definição de
voz é muito superior à dos habituais sistemas de leitura facilitando assim a
utilização por invisuais menos experientes. A Fundação Vodafone promoveu e
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
76
Combate à exclusão digital
financiou o trabalho de investigação que ficou a cargo de algumas empresas
portuguesas. O software vai ser distribuído pelo ME a cerca de 350 crianças cegas
do ensino básico, secundário e superior e a 30 professores com as mesmas
limitações visuais [29].
“Intercomunicando”
Um conjunto de aplicações para facilitar a comunicação entre deficientes
ligados a uma mesma rede local está já a ser testado pela Associação Nacional de
Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente (AFID).
Desenvolvido através de uma parceria entre esta associação, o IST e
Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), o programa Intercomunicando
destina-se a deficientes que não tenham a capacidade de utilizar linguagem verbal
para a comunicação.
O “Intercomunicando” utiliza assim a linguagem pictográfica para traduzir
as palavras em imagens, podendo os utilizadores escolher as imagens a partir de
uma tabela de forma a elaborar frases. Para os não têm possibilidade de usar o
rato como interface de comunicação com o computador, é utilizado um sensor que
substitui esse periférico.
O projecto Intercomunicando tem já dois anos e foi financiado pelo
CITE2000 do Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração de Pessoas
com Deficiência. Neste âmbito foram desenvolvidos vários módulos de software
que podem ser vistos no site na Internet [17].
“Ver lupa”
Lançado pelo Portal do Cidadão com Deficiência (PCD), esta aplicação tem
como objectivo melhorar as condições de visualização por parte das pessoas com
deficiência visual.
Permite às pessoas com dificuldades visuais ter a possibilidade de ampliar
os textos, imagens sem ter que fazer cópia de programas, podendo assim utilizar
esta aplicação independentemente do computador que esta a utilizar.
Para utilizar esta aplicação basta clicar no botão com o nome “Ver Lupa”,
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
77
Combate à exclusão digital
colocado no canto superior direito, no menu superior, e logo de seguida vai
aparecer uma janelinha no meio da página, onde se pode ampliar o texto e o
tamanho da janela. Infelizmente esta aplicação só trabalha com o Internet
Explorer 5.5 ou superior [17].
Windows e Office XP respondem a utilizadores com necessidades
especiais
Considerando que no passado os utilizadores deficientes tinham de esperar
quase dois anos por um software de tecnologia de assistência à utilização, ou por
aparelhos que apoiassem um sistema operativo acabado de chegar ao mercado, o
Windows XP destaca-se pela rapidez com que chegou a esta categoria de
utilizadores.
No desenvolvimento do Windows XP compatível com as necessidades do
utilizadores deficientes várias empresas trabalharam com a Microsoft entre as
quais a Compaq. Este trabalho permitiu a disponibilização de leitores, ampliadores
de ecrã, teclados no ecrã, de equipamentos como o teclado para uma mão e
dispositivos de ampliação para comunicação no momento em que o Windows XP
chegou ao mercado.
À semelhança do Windows XP, o Microsoft Office XP também disponibiliza
soluções que respondem às necessidades de acessibilidade dos utilizadores, por
exemplo,
as
aplicações
do
Office
XP
têm
funcionalidades
básicas
de
reconhecimento de discurso, o que permite que os utilizadores introduzam e
editem dados, acedam a menus de controlo e executem comandos através de um
microfone.
Outras empresas tem produtos com os mesmos objectivos, como a
Assistive Technology, IntelliTools, Kurzweil Educational Systems, Macromedia,
Madentec, ScanSoft e ZYGO Industries. Com produtos compatíveis com o
Windows XP destacam-se as empresas Ai Squared, Dolphin Computer Access,
Freedom Scientific, GW Micro, Interactive Solutions, NXi Communications e Tash
[17].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
78
Combate à exclusão digital
“Olhar o futuro”
Os deficientes visuais têm agora um novo instrumento de formação na área
das novas tecnologias, que permite uma aprendizagem em Windows e Internet,
através de um CD-Rom interactivo. “Olhar o Futuro” foi desenvolvido em parceria
entre a Célula 2000, Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e a
Universidade do Minho, em 2003, tendo em vista facilitar aos cegos o acesso a
toda a informação de uma forma simples e eficaz.
A ideia partiu da Célula 2000, no âmbito do apoio do Secretariado Nacional
para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (SNRIPD), e traduzse na prática num CD-Rom interactivo de formação para actualização de Windows
e Internet para invisuais.
O método é simples. Basta introduzir o CD no computador e,
automaticamente, a pessoa cega ou amblíope pode aprender a utilizar o
computador na sua própria casa mediante as instruções de uma voz que explica,
por exemplo, a utilizar o teclado, a navegar na Internet ou a imprimir um texto em
braille.
Inovador em Portugal, este projecto pretende simplificar o uso dos
computadores para os invisuais, “dotando-os de um instrumento de
formação que permita colmatar carências e se adeque às necessidades
de, por exemplo, não utilizarem o rato ou verem o cursor”, explicou
Manuela Cruz, directora da Célula 2000. “Muitas pessoas com este tipo de
deficiência estão por vezes isoladas do mundo. Com esta formação
podem participar em chats de conversação, podem estudar e obter uma
série de oportunidades que antes não tinham”, sublinhou a responsável.
Considerando que o acesso à informação é um dos principais problemas
dos deficientes visuais, Manuela Cruz defende que este projecto abrirá mais uma
porta no domínio da informática.
Uma das mais valias do projecto “Olhar o Futuro” é a auto-formação dos
invisuais sem que haja necessidade de saírem de casa.
“Uma pessoa cega tem muita dificuldade em ser inserida na formação
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
79
Combate à exclusão digital
normal. Num contexto de aulas com mais dez ou quinze pessoas não
consegue aprender, porque não conseguimos usar o rato. Não
acompanhamos a formação a esse ritmo”
Leonardo Silva, da ACAPO
Sublinhando
que
este
CD-Rom
é
um
contributo
forte
para
o
desenvolvimento das capacidades dos invisuais, o presidente da ACAPO destaca a
importância no contacto com o mundo.
“Com este CD-Rom pretende-se fazer com que pessoas que não
têm facilidade em aprender novas tecnologias, porque vivem no interior
ou não têm meios, incentivando-a a iniciar-se na área da informática”,
lembrou.
O acesso à Internet facilita, por exemplo, aos invisuais treinarem e
aprenderem em off site através do “Ler para Ver”, fundamental para as pessoas
cegas.
“É de extrema importância, porque o objectivo da ACAPO é permitir que
a sociedade seja mais inclusiva para os deficientes visuais, numa
sociedade que tende cada vez mais a ser de comunicação.”
Leonardo Silva
Com o acesso à Internet, os deficientes invisuais podem retirar diversas
vantagens: trabalhar através do teletrabalho, gerir um negócio a partir de casa,
participar em programas educativos on-line, enviar e receber correio electrónico
ou participar em videoconferências.
Tratando-se
de
um
protótipo,
este
CD-Rom interactivo não será
comercializado [17].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
80
Combate à exclusão digital
6.2.8 – Baixo custo do hardware e software e no acesso à
Internet
Na medida em que permite que um maior número de pessoas tenham
possibilidades económicas para comprar e manter os equipamentos e os serviços.
As promoções e a concorrência nos preços praticado pelas empresas poderão ser
algumas das forma de resolução deste problema, bem como uma maior facilidade
no pagamento.
6.2.9 – Promoção de conteúdos multilíngues e úteis
A ausência de conteúdos multilíngues e úteis é um problema que limita
sobretudo o acesso à Internet.
O inglês é a língua do mundo mais falada e é o idioma oficial 32 da Internet.
Pelo facto de não ser compreendida por uma grande parte da população, coloca
mais um obstáculo na utilização da Internet. Até mesmo alguns sites portugueses
lamentavelmente estão escritos apenas em inglês.
Deverá ser promovida a criação de conteúdos multilíngues em todos os
formatos de TIC, e em particular na Internet, a fim de garantir a preservação da
diversidade cultural, língua e tradições [48]. Desta forma permite que um maior
número de pessoas possam aceder e compreender as informações que veiculam
na Internet.
O desejo de aquisição de informação é o que motiva as pessoas a
utilizarem a Internet. Portanto, a ausência de informação relevante ou
interessante é considerada mais uma barreira no acesso à Internet [59].
Logo, é importante manter conteúdos interessantes e úteis de modo a que
as pessoas possam motivar-se e tirar melhor proveito no acesso. É certo que isso
torna-se uma tarefa difícil devido a um público tão heterogéneo [59].
32
Cerca de 52% das páginas disponíveis estão em inglês, enquanto apenas 2,81% em português
[61].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
81
Combate à exclusão digital
6.2.10 – Uma maior interesse e participação das empresas
Há várias formas de as empresas contribuírem para reduzir o problema da
exclusão digital. Entre elas, a doação de computadores, o desenvolvimento de
tecnologias de inclusão digital, a promoção da capacitação tecnológica de
professores de escolas públicas, o financiamento de computadores e acesso à
Internet em escolas públicas e o apoio a centros comunitários e escolas de
Informática.
Como a inclusão digital não se resume ao acesso físico à tecnologia, as
empresas podem auxiliar também na criação de conteúdos relevantes para as
comunidades onde actuam e na integração do uso desta tecnologia no dia a dia
das pessoas. Isto pode ser feito com a criação de centros comunitários de
Informática, que podem servir para as pessoas comunicarem-se de uma forma
mais barata, como também no auxílio da adopção do uso do computador nas
actividades económicas desenvolvidas na região, como o pequeno comércio, a
pequena propriedade agrícola, o artesanato e a pequena indústria.
As empresas do sector de tecnologia33, possuem um incentivo natural para
contribuir para a inclusão digital, pois trata-se de colocar no mercado de trabalho
pessoas preparadas para adoptar as suas soluções tecnológicas. Ao ampliar o uso
da tecnologia, essas empresas podem democratizá-la e auxiliar o avanço da
inclusão digital.
Mesmo para as empresas que actuam noutros sectores económicos existem
motivos fortes para contribuir para a inclusão digital de funcionários, fornecedores
e clientes. Uma delas é a importância crescente da tecnologia como ferramenta de
actuação em outras áreas sociais, como educação, saúde e segurança. Outra é o
aumento da produtividade, pois quem for incluído digital pode usar de forma mais
eficiente os recursos tecnológicos.
É fundamental a participação das empresas também para motivar a acção
do Estado. As empresas tem outra visão operacional e política e podem dar o
exemplo. As experiências de sucesso de empresas na inclusão digital podem ser
33
Tais como operadoras de telecomunicações, fabricantes de computadores e equipamentos de
informática e fornecedores de software.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
82
Combate à exclusão digital
aproveitadas pelos governos em programas mais amplos. O conhecimento gerado
pelas iniciativas corporativas serviria para criar acções mais eficientes do Estado.
Os casos bem sucedidos das iniciativas privadas poderiam servir de base para
iniciativas mais amplas do governo [54].
A política de uso dos recursos tecnológicos no local de trabalho pode ser
uma ferramenta importante de inclusão digital. Para quem não tem computador, o
local de trabalho apresenta-se muitas vezes como a única forma de acesso à
Internet.
Há vários benefícios para as empresas que investem na inclusão digital, tais
como qualificação da mão-de-obra, um acesso mais eficiente da informação pelos
funcionários, elevação da qualidade do capital humano e social, desenvolvimento
da comunidade e aumento da auto-estima [54].
A empresa pode promover campanhas de doação de computadores,
componentes e periféricos entre seus funcionários, fornecedores e clientes, que
beneficiam programas de inclusão digital de várias instituições [54].
6.3 – Iniciativas nacionais
Neste subcapítulo, são apresentadas algumas iniciativas nacionais que se
preocupam em combater a exclusão digital.
A
ideia
principal
é
aproximar
as
pessoas
das
tecnologias,
independentemente dos seus valores sociais e pessoais, promovendo assim a
inclusão digital.
6.3.1 – “Aveiro Digital”
É um projecto português, que pertence ao programa “Cidades Digitais”
criado pelo MCT. O objectivo do “Aveiro Digital 34” é melhorar a qualidade da vida
urbana, reforçar a competitividade económica e o emprego, apoiar a integração
social dos cidadãos com necessidades particulares.
34
http://www.aveiro-digital.com
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
83
Combate à exclusão digital
O programa pretende a construção de uma comunidade digital que
contribuirá para o melhoramento da qualidade da vida e do bem-estar das
pessoas. Procura reunir todos os cidadãos através do acesso público e universal à
informação, e assim, estimular um verdadeiro diálogo social.
Os responsáveis do Aveiro Digital realizaram um guia para toda a população
de Aveiro (jovens, população activa, pessoal afecto a área da saúde, membros da
administração publica, empresas comerciais e industriais) ao fornecer e incentivar
o acesso público e universal à informação [31].
6.3.2 – “Projecto Ágora”
A acção promovida pela Intercooperação e Desenvolvimento 35 (INDE), tem
por objectivo capacitar comunidades marginalizadas da área metropolitana de
Lisboa.
O programa consiste entre outras coisas, em evitar a marginalização das
populações mais pobres dotando-as de competências pessoais e profissionais para
inserção no mercado de trabalho, ajudar a combater o isolamento das
comunidades através da utilização da Internet permitindo a comunicação com o
exterior e testar as TIC enquanto elemento mobilizador para as comunidades [31].
6.3.3 – “Espaços Internet”
É uma rede nacional com a participação em diversas câmaras municipais de
todo o país.
O projecto “Espaço Internet36” é um espaço público de acesso gratuito às
novas tecnologias e serviços, permitindo que qualquer um possa usufruir das TIC.
Estes espaços tem como objectivos permitir a todas as pessoas a utilização
dos meios, de forma a massificar o uso das TIC e ajudar a dar os primeiros passos
na Informática e em particular na Internet.
35
36
http://www.inde.pt
http://www.espacosinternet.pt
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
84
Combate à exclusão digital
Estes programas são financiados pelo Programa Operacional para a
Sociedade de Informação (POSI). Há um processo de atribuição, a toda a
população interessada, de um Diploma de Competências Básicas em Tecnologias
de Informação mediante várias acções de formação [32].
F IGURA 22 – EXEMPLO DE UM “ESPAÇO INTERNET” EM PENEDONO.
6.3.4 – “Comunidades em movimento”
O programa “Comunidades em Movimento 37” é a continuação do programa
“Pelas Minorias”, aprovado pelo MCT. Constitui uma acção de apoio à integração
social de minorias étnicas residentes em Portugal.
Envolve cerca de 40 associações de imigrantes que ficam coordenadas em
rede. A formação em TIC é um dos meios para sensibilizar esses públicos para as
vantagens do seu uso no reforço das pequenas e médias empresas e assim
desenvolver a sua participação na construção da SI [31].
6.3.5 – “Comité para Democratização da Informática” (CDI)
O CDI38 é uma organização brasileira, não governamental e sem fins
lucrativos que, desde 1995, desenvolve o trabalho pioneiro de promover a
inclusão social utilizando as TIC como um instrumento para a construção e o
exercício da cidadania [52][31].
37
38
http://www.baisite.com
http://www.cdi.org.br
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
85
Combate à exclusão digital
O CDI39 promove programas educativos e profissionalizantes através das
Escolas de Informática e Cidadania (EIC’s) [31].
As EIC’s são criadas através de uma parceria entre o CDI e organizações
comunitárias, tais como associações de moradores, ONG’s e grupos religiosos
[31]. Através dessas escolas, o CDI implementa programas educativos no Brasil e
no exterior, com o objectivo de mobilizar os segmentos excluídos da sociedade
para transformação de sua realidade. Trabalham em parceria com comunidades
de baixos rendimentos e públicos com necessidades especiais, tais como
deficientes físicos e visuais, jovens em situação de rua, presidiários, população
indígena, entre outros. O domínio das novas tecnologias não só abre
oportunidades de trabalho e de rendimento, como também possibilita o acesso a
fontes de informação e espaços de sociabilidade [52].
O projecto “Escolas Informáticas” nas favelas tem por objectivo reintegrar
os membros de comunidades pobres, principalmente as crianças e os jovens,
reduzindo os níveis de exclusão social a que estão submetidos no Brasil e em todo
o mundo. Em complemento com este trabalho de levar as TIC às populações mais
desfavorecidas, o CDI promove a cidadania, alfabetização, ecologia, saúde,
direitos humanos e a não violência [31].
6.3.6 – “Maia Digital”
O “Maia Digital 40” é um projecto que está em curso e tem a duração de três
anos, com um investimento de 8,4 milhões de euros.
É destinado principalmente a todos os cidadãos do concelho da Maia. É
uma aposta na inovação e no conhecimento que pode colocar a Maia num lugar
de excelência na SI. O projecto envolve parcerias activas com instituições públicas
e privadas e contribui para uma melhor qualidade de vida dos cidadãos e para
uma maior competitividade das empresas no concelho, através de um acesso mais
fácil e rápido ao conhecimento e aos serviços proporcionados pelas TIC [38].
As várias vertentes deste projecto são:
39
Foi uma das primeiras organizações não governamentais e sem fins lucrativos a “atacar” o
problema da exclusão digital na América Latina [18].
40
http://www.maiadigital.pt
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
86
Combate à exclusão digital
Infra-estruturas
Infra-estruturas de comunicações e servidores
Infra-estruturas geo-referenciação de conteúdos Internet e móvel
Autarquia Digital
Modernização Processos Administrativos
Mobilidade Gestão, Fiscalização e Manutenção
Torre do Lidador
PMOTs online
Cartão do Munícipe
Inovação Empresarial
Directório Exaustivo das Empresas da Maia
Centro de Demonstração em Economia Digital
Centro de Assistência Técnica
Gestão de cadeias temporárias de produção
Informação e sensibilização Segurança no Trabalho
Educação
Campus Virtual Integrado
Laboratórios de Informáticas nas Escolas do 1º Ciclo
Centro de e-learning
Educação Online
Visualização de escolas e espaços desportivos
Conteúdos
Fórum da Maia
Cidade Desportiva
Quinta da Gruta (ambiente)
Desenvolvimento Municipal Sustentado
Sistema Integrado Gestão Monitorização Ambiental
Saúde Online
[38]
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
87
Combate à exclusão digital
6.4 – Iniciativas internacionais
Existem também um conjunto de iniciativas internacionais que visam uma
maior implantação das TIC bem como um fortalecimento da SI.
Vamos destacar duas dessas iniciativas, uma delas num âmbito mundial e
outra a nível da UE:
6.4.1 – Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação
Com o patrocínio da ONU e organização da UIT 41, realizou-se em Genebra
(Suíça), entre 10 e 12 de Dezembro de 2003 a primeira parte da Cimeira Mundial
sobre a Sociedade da Informação 42 [19].
O presidente da ONU, Kofi Annan no discurso de abertura afirmou que a
tecnologia criou a era da informação, mas que a construção da sociedade do
conhecimento depende de cada um de nós [46].
F IGURA 23 – O PRESIDENTE DA ONU, KOFI ANNAN, NO DISCURSO DE ABERTURA DA
C IMEIRA MUNDIAL SOBRE A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO.
Durante os 3 dias, a reunião contou com a participação de mais de 10 mil
pessoas de 176 países [54], incluindo mais de 6000 delegados, 60 líderes do
governo (incluindo o de Portugal) e entidades intergovernamentais, organizações,
sociedade civil, sector privado e jornalistas [19].
41
É a agência da ONU para as telecomunicações.
Podem ser consultadas algumas notas desta cimeira em http://www.onuportugal.pt/Notes_layout_-_Portuguese.pdf, e mais informações sobre esta cimeira em http://www.itu.int/wsis
42
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
88
Combate à exclusão digital
“A participação de tantos líderes na Cimeira é muito importante
pois será a primeira oportunidade de transmitir a um fórum global e ao
mais alto nível, os desafios que advêm da Sociedade da Informação.
Muitos foram os benefícios do desenvolvimento massivo da informação
e das tecnologias da comunicação, especialmente ao nível dos postos de
trabalho e riqueza gerada, mas esta transformação cria também
preocupações legítimas, entre as quais, a garantia do acesso à
informação e às tecnologias da comunicação, preservando ao mesmo
tempo os direitos humanos e a liberdade, segurança e privacidade.”
Yoshio Utsumi, Secretário-Geral da UIT [19].
Foram discutidos, entre outros assuntos, o problema da exclusão digital, as
experiências de sucesso no seu combate e também como as TIC podem contribuir
para a redução da desigualdade social [54].
Esta cimeira é uma oportunidade única para dar o contributo activo para a
eliminação da exclusão digital [48].
Esta primeira parte da cimeira teve como objectivo a adopção da
Declaração de Princípios para a Sociedade da Informação e a preparação de um
plano de acção final [19] de modo a ser posto em pratica antes da segunda parte
da cimeira. Estes documentos abrangem uma ampla gama de temas claramente
definidos [48] e pretendem associar os benefícios da informação e das tecnologias
da comunicação ao desenvolvimento económico e social numa perspectiva global
[19]. São para serem executados pelos governos, instituições e todos os sectores
da sociedade civil, de modo a enfrentar os novos desafios de uma SI que evolui
continuamente, identificando especificamente formas para ajudar a reduzir as
disparidades existentes entre os povos que têm acesso à rede mundial de
informação e comunicação e aqueles que o não têm [48].
No último dia, foi divulgada uma declaração final 43, que, entre outros
pontos, aponta o desafio de se usar a tecnologia para promover as metas de
desenvolvimentos previstas na Declaração do Milénio, da ONU: a erradicação da
pobreza extrema e da fome, a conquista da educação primária universal, a
43
http://www.itu.int/wsis/documents/doc_single-en-1161.asp
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
89
Combate à exclusão digital
promoção da igualdade entre os sexos e da valorização da mulher, a redução da
mortalidade infantil, o combate à sida, malária e outras doenças, a garantia da
sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento de parcerias globais para se
alcançar um mundo mais pacífico, justo e próspero.
O relatório traz uma lista de princípios essenciais para uma SI que beneficie
todos:
• Melhoria do acesso à infra-estrutura de informática e comunicação, bem
como à informação e ao conhecimento;
• Elevação da capacidade de acesso;
• Aumento da confiança e da segurança no uso da tecnologia;
• Criação, em todos os níveis, de um ambiente que incentive a adopção da
tecnologia;
• Desenvolvimento e ampliação das aplicações da tecnologia;
• Incentivo e respeito à diversidade cultural;
• Reconhecimento do papel dos meios de comunicação;
• Atenção às dimensões éticas da SI;
• Incentivo à cooperação internacional e regional.
Ao lado de governos e do terceiro sector, as empresas têm um papel
importante na transformação das TIC em ferramenta de inclusão social. Elas
podem contribuir para o desenvolvimento de acções complementares à política
pública, auxiliando as comunidades a se desenvolverem, a gerarem rendimento e
a ganharem autonomia [54].
Os temas relacionados com o desenvolvimento serão fulcrais na segunda
parte, a realizar em Tunis (Tunísia), de 16 e 18 de Novembro de 2005. Irá avaliar
os progressos obtidos e aprovar qualquer outro Plano de Acção a seguir [48].
6.4.2 – eEurope
Em 2000, os responsáveis políticos da UE estavam conscientes que, para
poder competir com os EUA e outras grandes potências da economia mundial, a
economia europeia precisava de uma profunda modernização.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
90
Combate à exclusão digital
Reunido em Lisboa, em Março de 2000, o Conselho Europeu fixou um novo
e muito ambicioso objectivo para a Europa até 2010: o de tornar a economia
baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de
garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e
com maior coesão social.
O Conselho Europeu adoptou igualmente uma estratégia concreta para
atingir este objectivo. A “estratégia de Lisboa” abrange domínios como a
investigação, a educação, a formação profissional, o acesso à Internet e as
transacções em linha.
Todos os anos, na Primavera, o Conselho Europeu reúne-se para ver os
progressos alcançados na aplicação da “estratégia de Lisboa” [16].
A pedido do Conselho, a Comissão apresentou em Junho de 2002 [62], um
novo plano de acção intitulado “eEurope 2005” para promover a utilização da
Internet na UE. Até 2005, a Europa deverá dispor de modernos serviços públicos
em linha, nomeadamente nos domínios da administração, da formação e da
saúde. Todos os utilizadores deverão ter acesso, a preços competitivos, a uma
infra-estrutura segura de banda larga. Por outras palavras, deverão poder enviar e
receber dados, voz e imagem através de linhas de elevado débito ou de ligações
via
satélite,
contando
com
uma
infra-estrutura segura, que garanta a
confidencialidade das suas mensagens.
Para explorar plenamente o potencial electrónico da Europa e para fazer
aceder as empresas e os cidadãos a redes de comunicação a nível mundial e a
baixo custo, que ofereçam uma grande variedade de serviços, há ainda muito a
fazer. Por exemplo, todas as escolas da UE deverão dispor de acesso à Internet e
os professores deverão aprender a utiliza-la. Deverá haver legislação europeia
para reger o comércio electrónico e matérias como os direitos de propriedade
intelectual, os pagamentos electrónicos e a venda à distância de serviços
financeiros.
As pequenas e médias empresas (PME) são a coluna vertebral da economia
europeia. Com demasiada frequência, a sua competitividade e dinamismo é
dificultada por regulamentações restritivas, que podem ser diferentes de um país
para outro. Uma parte da “estratégia de Lisboa” prevê uma carta das pequenas
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
91
Combate à exclusão digital
empresas e a disponibilização dos meios financeiros necessários para a criação de
empresas no sector das tecnologias de ponta.
Uma das prioridades da UE é aumentar o investimento na formação das
pessoas, que são o seu capital mais precioso. A UE reconhece a importância da
educação e da aprendizagem ao longo da vida, da necessidade de aprender várias
línguas e de adquirir competências tecnológicas. A falta de pessoal qualificado
afecta os serviços de telecomunicações e de Internet na Europa [16].
O objectivo geral do “eEurope 2005” é incentivar o desenvolvimento de
serviços, aplicações e conteúdos e, simultaneamente, intensificar a implantação do
acesso em banda larga à Internet, aliado ao objectivo de acesso para todos, a fim
de lutar contra a exclusão social.
Tem em conta os seguintes tópicos:
•
Serviços públicos modernos em linha;
•
Governo electrónico;
•
Serviços de aprendizagem electrónica (e-learning);
•
Serviços de telemedicina (e-health);
•
Um ambiente dinâmico para os negócios electrónicos (e-business);
•
Uma infra-estrutura de informação segura;
•
A disponibilidade em massa de um acesso em banda larga a preços
concorrenciais;
•
Uma avaliação comparativa e a divulgação das boas práticas [62].
Este novo plano de acção surge no seguimento de um outro, “eEurope
2002” aprovado em 2000, que se centrava sobretudo na extensão da
conectividade Internet na Europa. O “eEurope 2005” visa traduzir essa
conectividade por um acréscimo da produtividade económica e uma melhoria da
qualidade e da acessibilidade dos serviços em proveito dos cidadãos europeus,
apoiando-se numa infra-estrutura em banda larga segura (protegida) e disponível
ao maior número de cidadãos possível [62].
O “eEurope 2002” produziu já grandes mudanças e fez aumentar o número
de cidadãos e empresas ligados à Internet. Está a oferecer às pessoas a
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
92
Combate à exclusão digital
possibilidade de participarem na sociedade e está também a contribuir para que
os trabalhadores adquiram as qualificações necessárias numa economia virada
para o conhecimento. Está a introduzir os computadores e a Internet nas escolas
em toda a UE e a pôr as administrações públicas em linha [63].
6.5 – Resumo
Várias são as razões para a importância de tomarmos medidas eficazes
para baixar a taxa de exclusão digital.
As acções de inclusão digital devem ter em conta as características das
populações, nível económico, pessoal e social. As acções também dependem do
nível de desenvolvimento dos países.
São várias as formas de promoção da inclusão digital. A primeira delas é a
disponibilidade das TIC nos pontos de acesso público. Permite que pessoas
desfavorecidas e que não tem possibilidades de ter um computador, possam
usufruir de uma forma gratuita.
A formação nas TIC é fundamental para o desenvolvimento pessoal. O
aumento do número de escolas e de cursos desta área facilita que as pessoas
tenham mais competências para por exemplo, ingressar no mercado de trabalho.
É preciso ter em conta que existem diversos públicos alvo com características e
necessidades diferentes: crianças, jovens, idosos, activos, etc.
Sendo o sistema de ensino obrigatório geralmente gratuito e frequentado
por muitos alunos, é importante aproveita-lo para promover o uso do computador
e da Internet. Pode ser feito através de disciplinas obrigatórios nos vários cursos
ou por sessões de formação. O governo já fez alguns esforços nesse sentido, tal
como o projecto Minerva, programa “Internet na Escola”, a criação de cursos
tecnológicos de Informática, Programa “Nónio-Século XXI”, etc.
As campanhas de doação de equipamentos permitem que os mais
desfavorecidos possam adquir computadores gratuitamente. Os preços dos
equipamentos são muito altos e constitui normalmente um entrave para muitas
pessoas. As empresas podem liderar essas campanhas e ajudar, porque grande
parte dos computadores abandonados por essas empresas não tem qualquer
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
93
Combate à exclusão digital
utilidade, nem valor comercial mas, são preciosos para os mais carenciados.
O uso de sistemas operativos e outras aplicações gratuitas permite que
gratuitamente as pessoas possam aceder às informações. Senão teriam de
comprar software proprietário muito caro. O sistema operativo Linux é um
exemplo de software livre e gratuito e o Windows um exemplo de software
proprietário.
As pessoas com necessidades especiais não devem ser esquecidas. Deve-se
reforçar a disponibilização de conteúdos informativos em formatos alternativos,
adaptação de equipamentos informáticos, desenvolvimento de software para uso
por pessoas portadoras de necessidades especiais, desenvolvimento de projectos
em tecnologia assistiva tais como adaptadores de teclados e rato, cadeiras
ergonómicas, adaptação de estação de trabalho, etc., garantir nos equipamentos
a possibilidade de conexão de periféricos especiais, bem como recursos de som,
vídeo e imagem [53].
Deve ser promovida a existência de conteúdos multilíngues e úteis na
Internet de forma a não afastar ainda mais as pessoas. A existência de informação
desinteressante ou num idioma desconhecido não motiva as pessoas.
Várias iniciativas nacionais são responsáveis por programas de inclusão
digital. São exemplos, o programa “Aveiro Digital”, “Projecto Ágora”, “Espaços
Internet”, “Comunidades em Movimento”, “Comité para a Democratização da
Informática” e o “Maia Digital”.
A nível internacional existe eEurope, e a Cimeira Mundial para a Sociedade
da Informação. O “eEurope 2005” é um plano de acção apresentado pela
Comissão Europeia para promover a utilização da Internet na UE. Até 2005, a
Europa deverá dispor de modernos serviços públicos em linha, nomeadamente nos
domínios da administração, da formação e da saúde. Todos os utilizadores
deverão ter acesso, a preços competitivos, a uma infra-estrutura segura de banda
larga.
A Cimeira Mundial para a Sociedade da Informação foi organizada pela UIT,
com o patrocínio da ONU. A primeira parte realizou-se em Dezembro de 2003 e
teve como objectivo a adopção da Declaração de Princípios para a SI e a
preparação de um plano de acção final [19] de modo a ser posto em pratica antes
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
94
Combate à exclusão digital
da segunda parte da cimeira. Abrangem uma ampla gama de temas claramente
definidos [48] e pretendem associar os benefícios da informação e das tecnologias
da comunicação ao desenvolvimento económico e social numa perspectiva global
[19]. São para serem executados pelos governos, instituições e todos os sectores
da sociedade civil [48]. No último dia, foi divulgada uma declaração final, que,
entre outros pontos, aponta o desafio de se usar a tecnologia para promover as
metas de desenvolvimentos previstas na Declaração do Milénio, da ONU.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
95
Pontos negativos das tecnologias
7 – Pontos negativos das tecnologias
Sempre que se fala ou se discute acerca das tecnologias ficamos quase
sempre com a ideia de que elas só nos trazem vantagens e que é tudo positivo.
Mas, infelizmente não é bem assim, porque existe também o lado “negro” da
questão.
Normalmente, damos apenas relevo aos aspectos físicos e económicos das
tecnologias [67] e não aos seus reais efeitos. As tecnologias podem permitir uma
melhor acessibilidade no acesso à informação mas, nem sempre os seus efeitos
são benéficos.
Da mesma forma que o Homem inventou e evoluiu as tecnologias a um
ritmo alucinante, fez também com que não tivesse um controlo total sobre todas
as suas consequências (positivas e negativas). O Homem altera a tecnologia mas
também o seu comportamento é alterado e influenciado pela tecnologia.
As tecnologias são construídas e melhoradas para que um maior número de
pessoas as possa usar, mas, também possuem alguns “defeitos” de vários tipos
que dificultam a concretização desse mesmo objectivo. O seu uso vem levantar
uma série de questões e problemas, que vão desde os tecnológicos aos filosóficos
[65] e sociais. Mais e melhores estradas contribuíram para o aumento do número
de veículos a circular, mas também contribui para o aumento da poluição e do
número de acidentes. Um melhor conhecimento desses mesmos problemas
poderá ajudar a diminuir os seus efeitos negativos ou a probabilidade de eles
virem a acontecer.
Este capítulo permite dar uma visão crítica das tecnologias, analisando
algumas características negativas que impedem a inclusão digital, e que por sua
vez favorece a exclusão social. É dado maior destaque às tecnologias de
computadores e Internet. Por fim, é feito um resumo do capítulo.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
96
Pontos negativos das tecnologias
7.1 – Problemas das tecnologias
De seguida é feita uma análise e critica de alguns “defeitos” e problemas
das tecnologias que impedem a inclusão digital e favorecem a exclusão social.
7.1.1 - Custos elevados das tecnologias
Os custos podem ser considerados um dos principais factores para que
muitas pessoas não tenham acesso às tecnologias.
O uso das tecnologias implica custos altos de aquisição, manutenção e de
actualização que não são economicamente suportáveis para muitas pessoas. Ainda
por cima, sabendo que evoluem a um ritmo alucinante num curto espaço de
tempo. O que hoje em dia é uma tecnologia do “ultimo grito”, daqui a alguns anos
já é “peça de museu de antiguidades”.
Além do custo do computador propriamente dito, há ainda a acrescentar
possíveis custos com a aquisição de software44, consumíveis45, formação,
reparações,
upgrades
periódicos
de
software46 e hardware47, periféricos
acessórios48, ligações em rede, custos com a Internet, etc.
Evolução das várias versões do software
O tempo de vida de um computador é muito mais curto do que por
exemplo um rádio ou mesmo uma televisão. A culpa não se deve ao hardware, até
porque alguns componentes físicos de um computador, normalmente duram muito
tempo (processador, memória, drive de disquetes, se bem estimados duram
muitos anos). A culpa é das sucessivas actualizações de software que somos
obrigados a fazer periodicamente, cada vez mais poderosas e pesadas e que
exigem hardware cada vez mais actual.
44
Por exemplo, sistema operativo Windows, anti-vírus, aplicações de tratamento de imagem.
Por exemplo, tinteiros e toners que custam quase tanto como as impressoras.
46
Por exemplo, as sucessivas actualizações do Windows, Office e anti-vírus.
47
Por exemplo, colocar mais memória e/ou um processador melhor para responder aos requisitos
de uma aplicação mais recente.
48
Por exemplo, impressora, scanner, webcam.
45
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
97
Pontos negativos das tecnologias
Por vezes, as diferenças entre uma versão e a anterior são tão poucas e
insignificantes que se torna um absurdo que haja uma nova versão. Ou é por um
novo grafismo, uma ou outra nova funcionalidade, uma troca nas posições de
algumas opções, mas que, já é o suficiente para trazer problemas de
incompatibilidade com versões mais antigas da mesma aplicação.
É esta a verdadeira realidade do comércio que favorece tanto os fabricantes
de software como os de hardware (mais memória, um melhor processador, uma
melhor placa gráfica porque um determinado programa assim o exige para
funcionar convenientemente). Mas quem fica prejudicado no meio disto tudo é o
utilizador comum porque tem de estar constantemente a fazer actualizações de
modo a acompanhar a realidade.
Um documento criado a partir de uma aplicação com um formato
proprietário exige que as pessoas que pretendam ler essa informação tenham na
sua posse pelo menos essa versão da aplicação, senão ficam sujeitas a não
conseguirem ler o ficheiro. Por sua vez, essa versão pode obrigar a que seja
necessário a fazer upgrades ao computador de modo a que correspondam aos
requisitos tecnológicos exigidos para essa aplicação.
Para nosso benefício, os anti-vírus obrigam a que sejam feitos upgrades
(com períodos de meses).
Hoje em dia, uma pessoa que tenha um computador antigo e que precise
de uma versão da aplicação Office que seja contemporânea e de acordo com a
capacidade do computador, não pode comprar legalmente porque certamente já
não se encontra à venda, nem tão pouco pode fazer uma cópia de um exemplar
ainda “resistente”. Isso obriga a que se tenha de comprar um computador mais
recente para que possa adquirir e instalar uma versão Office também recente, e
que se encontra à venda.
Assim, a disponibilização de documentos electrónicos pode servir como
ferramenta de exclusão dos utilizadores de computadores mais antigos [65].
Propriedade de um software com mais restrições
O problema anterior poderia ser resolvido com um simples empréstimo de
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
98
Pontos negativos das tecnologias
um exemplar do software por um amigo ou pela empresa. Mas, as liberdades que
nós temos com os nossos livros não se podem extender a um software registado.
Legalmente, não se pode dar nem tão pouco emprestar um exemplar de
um software registado a alguém como acontece com um livro, mesmo que seja
num curto espaço de tempo. Qualquer software mesmo da propriedade de uma
empresa, legalmente não pode ser emprestado aos seus empregados para usarem
em suas casas para proveito próprio.
Um livro é um objecto físico, mas um software não é físico, é algo não
visível que provoca certas limitações quanto à cedência ou transferência de
propriedade.
Formatos livres vs formatos proprietários
O uso de programas proprietários49 é mais um factor de exclusão, porque
além das licenças serem caras, esses programas não podem ser emprestados nem
copiados legalmente para outras pessoas. Originam formatos proprietários que só
podem ser lidos por quem comprar o respectivo programa proprietário e tendo em
conta as diferentes versões.
Mesmo alguns softwares livres, embora sejam gratuitos e possam ser
emprestados e copiados legalmente, possuem algumas restrições nas suas várias
versões, tal como acontece com o formato pdf. Por exemplo, um ficheiro pdf
criado com o Acrobat Distiller 6.0 não pode ser aberto com o Acrobar Reader 4.0.
A versão 3.0 é para o Windows 3.11. Isso obriga a que as pessoas tenham de ter
quase sempre uma das ultimas versões do software para que os ficheiros possam
ser criados e lidos sem problemas de compatibilidade.
7.1.2 - Má usabilidade das aplicações
Apesar de ultimamente as interfaces serem mais gráficas, mais atractivas
visualmente e aparentemente melhores do que nos sistemas anteriores [65], elas
não escondem alguns problemas de má usabilidade. Esses problemas resultam de
erros de desenho e de estrutura das interfaces que causam confusões e
49
Por exemplo, o Windows, Office, etc.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
99
Pontos negativos das tecnologias
dificuldades para os utilizadores, principalmente para os novatos ou com menos
experiência.
Por exemplo, no Word 2000, para ler um ficheiro do disco usa-se um botão
com um desenho de uma pasta, para gravar usa-se um botão com o desenho de
uma disquete [65]. Esse desenho de uma disquete serve tanto para gravar um
documento para a disquete como para o disco rígido. Outro exemplo é o caso dos
menus que se alteram automaticamente [66].
A má usabilidade torna-se mais um dos obstáculos para uma maior
produtividade e dificulta a adaptação das pessoas para o uso do computador.
A resolução destes problemas é difícil do lado do produtor de software
porque de acordo com a teoria de que no desenvolvimento de uma interface com
o utilizador, o que é melhor para o utilizador raramente é fácil para o programador
[69].
O utilizador é desta forma obrigado a adaptar-se aos sucessivos erros de
usabilidade existentes nas interfaces e com a pratica vai-se “ambientando” a essas
falhas.
7.1.3 - Novo e ambíguo vocabulário tecnológico
As tecnologias obrigam-nos a ligar diariamente com novas palavras técnicas
que se tornam confusas de perceber para a maioria das pessoas. Palavras como
robôs, memória, email, download, auto-estradas da informação são alguns dos
exemplos.
Mesmo algumas palavras assumem num contexto tecnológico significado
diferente do que normalmente estamos habituados. Um exemplo muito simples é
o significado de “informação”. Se para um informático é qualquer sequência de
símbolos (caracteres) com ou sem significado, para uma pessoa normal é uma
sequência de símbolos (caracteres) com significado [65]. Também as palavras
“memória e “conhecimento” sofreram uma mudança brutal de significado com a
evolução tecnológica [66].
Actualmente, exige-se que as pessoas tenham uma literação em termos
tecnológicos para que se integrarem mais facilmente na era tecnológica.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
100
Pontos negativos das tecnologias
7.1.4 - Excesso e fraca qualidade da informação na Internet
Normalmente, o que motiva as pessoas a utilizarem a Internet é o desejo
de aquisição de informações úteis. A ausência de informação relevante ou
interessante é considerada como mais uma das barreiras para a democratização
no acesso à informação.
A Internet está sempre em constante construção e qualquer entidade ou
pessoa individual pode colocar conteúdo na rede. Em princípio não existe qualquer
limite à variedade de conteúdos nem entidades oficiais que avaliem esses
conteúdos como próprios ou não para estarem on-line. Consequentemente, muita
da informação é de má qualidade. Muitas vezes, a questão não é saber se existe o
que pretendemos, mas onde e com que qualidade. Os conteúdos disponibilizados
vão desde economia, saúde, política, cinema até mesmo propaganda nazi.
Mas, o problema da informação não se reduz à sua fraca qualidade. Um
outro problema é o seu excesso. Através da Internet é possível encontrar imensa
informação sobre quase todos os temas possíveis. Se isso por um lado é positivo,
por outro lado é negativo porque para encontrar uma determinada informação
útil é preciso ter muita paciência e perder muito tempo. Mas, pior ainda é o facto
de não existir nenhum controlo sobre a origem e a veracidade dos dados, o que
nos leva por vezes a encontrar informação errada ou incompleta.
7.1.5 - Abuso das imagens e elementos gráficos como atracção
visual
Muitos dos sites da Internet baseiam-se em imagens e gráficos para atrair
visualmente as pessoas, que em termos de conteúdo são pobres e deixam muito a
desejar. A abundância de elementos gráficos (por vezes enganadores) constitui
por si só uma nova linguagem com símbolos cujo conhecimento é difícil e confuso
[65], além de atrasar a abertura da página. Esta “invasão” de imagens e
elementos gráficos por vezes animados e com cores muito coloridas ajuda a dar
uma boa impressão do site, por vezes sem as pessoas avaliarem se o conteúdo é
realmente útil ou não.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
101
Pontos negativos das tecnologias
Um exemplo de um site que é contra esta política é o do Instituto de
Meteorologia (http://www.meteo.pt). É um site simples baseado em texto, com
muito poucas imagens, rápido de carregar e que nos dá a informação essencial
que nós precisamos.
Do ponto de vista da funcionalidade e da performance, muitos sites
encontram-se desenhados de forma a não funcionarem sem as imagens, excluindo
do seu público, invisuais, pessoas que utilizam apenas browsers modo texto [65].
Uma das formas de aumentar a velocidade de carregamento das páginas é
aumentar a largura de banda. Mas fica mais barato colocar as páginas com menos
imagens e mais texto do que aumentar a largura de banda.
7.1.6 - Preservação da informação limitada temporariamente
Não temos garantias que a informação digital preservada no mesmo
suporte e formato possa ser lida passadas algumas décadas. É devido à
desactualização tanto de hardware como de software. Não é possível, com o Word
2000 abrir um documento gravado com as primeiras versões (1.0 e 2.0). Toda a
gente consegue ler um livro do século XVIII mas, ler uma disquete de 5 ¼ tornase uma tarefa complicada senão mesmo impossível, porque há alguns anos que
essas disquetes caíram em desuso [66].
Se a informação for mesmo imprescindível e se prevermos que a sua
importância se mantêm durante as próximas décadas, não devemos guarda-la
apenas em formato digital. O melhor é mesmo imprimir essa informação, (mesmo
que ocupe centenas de páginas), usando um tipo de letra adequado à sua leitura
óptica e ao reconhecimento informático [65].
7.1.7 - Saber mais acerca das tecnologias, e não só saber como
se usa
Nas campanhas de promoção da inclusão digital dá-se apenas importância
ao “saber usar” uma determinada tecnologia. É também fundamental saber como
essas tecnologias funcionam. Além de saber como pesquisar informação na
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
102
Pontos negativos das tecnologias
Internet deve-se saber também perceber como essa informação chega aos nossos
olhos.
A agravar encontra-se o facto de as tecnologias normalmente não
funcionarem sozinhas e de serem cada vez mais complexas [65]. As novas
tecnologias da informação funcionam tendo como suporte a electricidade e as
redes de comunicações [65]. Para perceber e assegurar o bom funcionamento das
novas tecnologias é necessário perceber e dominar as outras que lhe estão
associadas. Muitas vezes, o pleno funcionamento de uma tecnologia é impedido
não pelo mau funcionamento da tecnologia em si, mas pela incompreensão das
tecnologias de suporte [66].
É importante saber o que fazer com o lixo tóxico criado pelos equipamentos
informáticos velhos (monitores, impressoras, etc.).
7.1.8 - Isolamento das pessoas do mundo real como uma das
causas da exclusão social
Muitas pessoas preferem o mundo virtual em vez do real. As pessoas que
passam imenso tempo em frente a um ecrã de computador, a usar a Internet,
tendem a esquecer as outras facetas da sua vida. Logo, o desempenho nessas
situações deteora-se. Os canais de IRC50, a WWW51 e os MUDs52 são algumas das
ferramentas da Internet onde se podem encontrar utilizadores viciados. Os MUDs
são provavelmente a ferramenta mais perigosa [68].
Esta excessiva perca de tempo, faz com que as pessoas fiquem com menos
contacto com outras pessoas e do convívio social. O isolamento do mundo real,
além da exclusão social, é responsável pela origem ou agravamento de problemas
sociais e psicológicos. Alguns utilizadores viciados perdem ou não adquirem
capacidades sociais para interagir com as pessoas no mundo real [68].
50
IRC (Internet Relay Chat) - Sistema que permite a dois ou mais utilizadores da Internet
conversar entre si através de palavras escritas.
51
WWW (World Wide Web) – Conjunto de documentos multimedia (texto, som, imagem e/ou
vídeo) interligados entre si.
52
Os MUDs são jogos onde os utilizadores podem assumir papeis (como reis, mágicos e
guerreiros) que nunca poderiam desempenhar na vida real. São muito exigentes em termos de
tempo para conhecer os mundos virtuais onde se desenrolam, de forma a poder-se ser um bom
jogador.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
103
Pontos negativos das tecnologias
Através da Internet, normalmente as pessoas procuram “conversar” com
outras com os mesmos interesses, gostos e ideias de modo a reforçar e a
confirmar ainda mais a nossa posição. Esta procura de pessoas parecidas
connosco impede que haja alternativas das nossas ideias [66].
7.1.9 – Burlas informáticas, ameaças à segurança dos sistemas e
à privacidade dos dados
Acções
como
a
intromissão
em
sistemas
informáticos
alheios,
a
disseminação de vírus informáticos e a utilização abusiva de informações pessoais
destabilizam os sistemas, causando imensos problemas no seu funcionamento.
Agrava-se o facto de muitas destas acções poderem ser feitas sem que os autores
sejam identificados. O anonimato pode criar problemas quando as acções são mal
intencionadas e são um dos responsáveis das burlas informáticas.
A existência destes tipos de crimes e falhas de segurança retira a confiança
que as pessoas depositam nas tecnologias e faz com que tenham receio as usar.
A falta de segurança e de privacidade pode causar problemas a nível de
ansiedade. É certo que através da Internet, nós não podemos ser fisicamente
agredidos. Mas, corremos o risco de sofrer situações53 que podem causar uma
grande tensão [68].
Como já sabemos, a Internet é um meio de comunicação por excelência
onde empresas, instituições e as pessoas trocam informações sobre as suas
ideias, actividades, etc. Os nossos dados pessoais contidos em muitas bases de
dados espalhados por todo o mundo podem circular de um lado para o outro sem
nós darmos conta disso, aumentando o risco que esses dados possam vir a ser
descobertos ilegalmente.
É preciso ter a certeza que esses mesmos dados estão protegidos perante
terceiros para que as pessoas não tenham medo de aceder por exemplo à sua
conta bancária sob pena de alguém descobrir a password de acesso.
53
Por exemplo, insultos verbais e roubos.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
104
Pontos negativos das tecnologias
A facilidade e o baixo custo no cruzamento de informações no formato
digital favorece a sua maior utilização para fins comerciais, mas ao mesmo tempo
torna-se uma ameaça séria à nossa privacidade [68].
7.2 – Resumo
Normalmente, quando falamos ou ouvimos falar nas tecnologias são
referidos apenas os pontos positivos e as suas vantagens. Ficamos com a ideia
errada de que as tecnologias são sempre favoráveis para as pessoas e que só
trazem benefícios. Mas, nem sempre é assim porque têm inerentes alguns
aspectos tecnológicos, filosóficos e sociais que são “desconfortáveis” para a
sociedade.
Os custos com as tecnologias são um dos factores a ter em conta. A
evolução das versões de software proprietário e a consequente necessidade de
actualização do hardware nada ajuda a diminuir os custos.
A má usabilidade das aplicações impedem que as pessoas se adaptem mais
facilmente às tecnologias. Os erros de usabilidade causam confusão e são um dos
obstáculos para uma maior produtividade.
As tecnologias obrigam-nos a conviver diariamente com novas palavras
técnicas que se tornam confusas de perceber para a maioria das pessoas. Mesmo
algumas assumem num contexto tecnológico significado diferente do que
normalmente estamos habituados. Actualmente, exige-se que as pessoas tenham
uma literação em termos tecnológicos para se integrarem mais facilmente na era
tecnológica. Além de saber usar é também importante saber como as tecnologias
funcionam, tendo em conta que uma tecnologia normalmente não funciona
sozinha.
A facilidade de publicação de um site na Internet faz com que haja cada
vez mais informações com fraca qualidade e ao mesmo tempo aumente a
dificuldade em encontrar uma determinada informação específica. Muitos dos sites
baseiam-se em imagens e gráficos para atrair visualmente as pessoas cujo
conteúdo é pobre. Essa abundância de elementos gráficos transmite conhecimento
cuja compreensão é difícil e confusa [65].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
105
Pontos negativos das tecnologias
O isolamento do mundo real causado pelo excessivo uso do computador,
em particular da Internet é uma das causas para a exclusão social. Faz com que
as pessoas fiquem com menos contacto com outras pessoas e é responsável pela
origem ou agravamento de problemas sociais e psicológicos.
As burlas informáticas, as ameaças à segurança dos sistemas e à
privacidade dos dados retira a confiança que as pessoas depositam nas
tecnologias e faz com que tenham receio as usar.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
106
Metodologia
8 - Metodologia
“Se para uns o mundo é claro, para outros é claro que não é”
Neste capítulo apresentam-se os conceitos relativos à metodologia usada
neste projecto. Acompanha e complementa as abordagens teóricas feitas nos
capítulos anteriores.
São descritos os objectivos da metodologia, a forma como foi feita a
recolha dos dados, a apresentação e a discussão dos resultados obtidos. Por fim,
é feito um resumo do capítulo e uma conclusão geral dos resultados obtidos.
8.1 – Objectivos
Pretende-se realizar um estudo aos alunos do 1º ano do departamento de
Informática de uma IES, em particular os do ISEP. Sobre esses alunos pretende-se
os seguintes objectivos:
•
Conhecer o nível de conhecimento e de uso das TIC54 que esses alunos
tinham antes de entrarem na IES, de forma a avaliar o grau de exclusão
digital. Permite também avaliar se eles entraram na IES com boas bases
tecnológicas e minimamente preparados para frequentar o curso;
•
Saber qual a contribuição da IES para o aumento dos conhecimentos dos
alunos, em relação às TIC, no final do 1º ano;
•
Perceber quais as tecnologias que os alunos tem sempre ao seu dispor em
sua casa ou noutro local, sempre que necessitem.
54
O inquérito foi limitado apenas ao estudo de algumas tecnologias (computador, Internet, TV
digital interactiva, máquina fotográfica digital, câmara de vídeo digital e telemóvel), porque em
reuniões com o orientador e outras pessoas foi decidido que estas eram as que tinham mais
interesse para a IES. Destas tecnologias foi mais focado o computador e a Internet.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
107
Metodologia
8.2 - Recolha dos dados
A recolha dos dados foi baseada num inquérito (ver em anexo) entregue
aos alunos em papel. Foi realizada no dia 1 de Junho de 2004, a 48 alunos do 1º
ano de ambos os regimes (diurno e nocturno) do curso de Engenharia Informática
do ISEP.
O inquérito é constituído por nove questões com respostas de escolha
múltipla, baseadas em cruzes e cada uma com um objectivo próprio de análise.
Nas questões 1,2,3 e 7 era apenas permitido assinalar uma resposta55 para cada
coluna56. Nas restantes questões, era possível assinalar mais do que uma resposta
para cada coluna. Foi previamente testado num grupo de dez pessoas para tentar
encontrar eventuais problemas ou ambiguidades de interpretação nas questões.
8.3 – Resultados e análises
A ferramenta utilizada para a análise e tratamento dos dados foi o Microsoft
Excel 57. A sua escolha foi devido à sua facilidade de utilização, à pouca
complexidade dos dados e também porque permite a conversão dos valores das
frequências para gráficos, permitindo uma visualização dos resultados mais fácil e
intuitiva.
Para cada questão do inquérito, os resultados são apresentados tanto numa
tabela de frequências absolutas e relativas, como num gráfico.
Os valores não percentuais de cada célula das tabelas indicam o número de
alunos que assinalaram como resposta a combinação linha/coluna correspondente.
Os valores percentuais são obtidos relacionando o respectivo número de respostas
assinaladas por cada célula com o número total de alunos inquiridos (48).
Por exemplo, suponhamos a seguinte tabela resultante de um hipotético
inquérito feito a 50 alunos:
55
56
57
Cada resposta (linha) corresponde a um nível ou opção diferente (ver em anexo).
Cada coluna corresponde a uma tecnologia diferente (ver em anexo).
http://www.microsoft.com/office/excel/default.asp
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
108
Metodologia
Computadores
Internet
%
Muito Bons
Bons
...
13
17
...
%
26
34
...
25
20
...
50
40
...
Tabela 10 – Tabela exemplo para explicação na apresentação dos resultados.
Com estes dados pode-se concluir que desses 50 alunos, 13 responderam
no nível “Muito Bons” no que respeita a computadores, ou seja, 26% do total de
alunos. Por outro lado, 25 alunos responderam no nível “Muito Bons” no que
respeita à Internet, ou seja, 50%.
As
duas
colunas
“Computadores”
e
“Internet”
são
de
resposta
independente, ou seja, a resposta de uma não influencia a resposta de outra.
8.3.1 – Interpretação dos resultados
Os resultados obtidos para cada questão foram os seguintes:
1 - Antes de entrar no ISEP qual o nível de conhecimento que tinha de
cada uma das seguintes tecnologias ?
Computadores Internet
%
Muito Bons
Bons
Razoáveis
Poucos
Nenhuns
Máquina
TV digital Câmara de
fotográfica
Interactiva vídeo digital
digital
%
%
%
Telemóveis
%
%
11
17
23
35
13
16
27
33
1
5
2
10
1
10
2
21
4
14
8
29
15
17
31
35
15
5
0
31
10
0
15
4
0
31
8
0
13
20
9
27
42
19
17
14
6
35
29
13
13
12
5
27
25
10
10
6
0
21
13
0
Tabela 11 – Resultados estatísticos da questão 1 do inquérito.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
109
Metodologia
45
40
35
Muito Bons
Bons
%
30
25
Razoáveis
20
Poucos
Nenhuns
15
10
5
Telemóveis
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
Computadores
Internet
TV digital
interactiva
0
F IGURA 24 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 1 DO INQUÉRITO.
Antes de entrarem no ISEP, grande parte dos alunos já tinham bons ou
razoáveis conhecimentos de computadores e de Internet. Nenhum deles
respondeu que não tinha nenhum conhecimento destas duas tecnologias.
A tecnologia que apresentou piores resultados foi a TV digital interactiva,
porque a grande maioria tinha poucos conhecimentos (42%) e apenas um aluno
(2%) tinha muito bons conhecimentos. O telemóvel foi a que apresentou melhores
resultados, ou seja, 31% e 35% dos alunos responderam que tinham muito bons
e bons conhecimentos respectivamente.
2 - Antes de entrar no ISEP qual o nível de uso que tinha em cada uma
das seguintes tecnologias ?
Computadores Internet
%
Sabia usar bem
Sabia usar
razoavelmente
Não sabia usar
Máquina
TV digital Câmara de
fotográfica Telemóveis
interactiva vídeo digital
digital
%
%
%
%
%
37
77
37
77
6
13
12
25
18
38
37
77
11
23
11
23
24
50
27
56
23
48
10
21
0
0
0
0
18
38
9
19
7
15
1
2
Tabela 12 – Resultados estatísticos da questão 2 do inquérito.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
110
Metodologia
90
80
70
%
60
Sabia usar bem
50
Sabia usar razoavelmente
40
Não sabia usar
30
20
10
Telemóveis
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
TV digital
interactiva
Internet
Computadores
0
F IGURA 25 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 2 DO INQUÉRITO.
A esmagadora maioria respondeu que sabia usar bem a Internet, o
computador e o telemóvel, com 77% cada. Destas três tecnologias, apenas 2%
disse que não sabia usar o telemóvel.
Por outro lado, a TV digital interactiva é a que tem menor nível de uso,
porque 58% disse que sabia usar razoavelmente e 38% que não sabia usar.
Nas
restantes
tecnologias,
a
maioria
respondeu
que
sabia
usar
razoavelmente.
Os bons conhecimentos de computadores e de Internet, pode dever-se ao
facto de talvez muitos destes alunos já terem tido no ensino secundário pelo
menos uma disciplina de TI ou virem mesmo de um curso tecnológico de
Informática.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
111
Metodologia
3 - Qual a contribuição que o ISEP lhe deu até hoje para o aumento dos
seus conhecimentos nas seguintes tecnologias ?
Computadores Internet
%
Contribui muito
Contribui pouco
Nenhuma
contribuição
Máquina
TV digital Câmara de
fotográfica Telemóveis
interactiva vídeo digital
digital
%
%
%
%
%
34
11
71
23
26
10
54
21
0
13
0
27
1
12
2
25
1
11
2
23
1
11
2
23
3
6
12
25
35
73
35
73
36
75
36
75
Tabela 13 – Resultados estatísticos da questão 3 do inquérito.
80
70
60
%
50
40
Contribui muito
Contribui pouco
30
Nenhuma contribuição
20
10
Telemóveis
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
TV digital
interactiva
Internet
Computadores
0
F IGURA 26 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 3 DO INQUÉRITO.
A grande contribuição do ISEP incidiu no aumento de conhecimentos nos
computadores e Internet. Cerca de 71% e 54% dos alunos acharam que o ISEP
contribui muito para o aumento dos seus conhecimentos nessas duas tecnologias,
respectivamente. Este resultado era de esperar pelo facto de se tratar de alunos
de um curso de Informática.
Para cada uma das restantes quatro tecnologias, cerca de 74% dos alunos
achou que o ISEP não contribui em nada para o aumento dos conhecimentos.
Talvez isso deve-se ao facto de se tratar de alunos apenas do 1º ano, pelo que a
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
112
Metodologia
contribuição aumentará ao longo do curso, mesmo para as restantes tecnologias.
4 - Quais das seguintes tecnologias, tem sempre ao seu dispor em sua
casa sempre que precise (mesmo que não goste ou não saiba usar) ?
Computador
Internet
TV digital
interactiva
47
98
42
88
6
13
%
Máquina
Câmara de
fotográfica Telemóvel
vídeo digital
digital
11
23
20
42
Nenhum
47
98
0
0
Nenhum
Telemóvel
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
TV digital
interactiva
Internet
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Computador
%
Tabela 14 – Resultados estatísticos da questão 4 do inquérito.
F IGURA 27 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 4 DO INQUÉRITO.
O computador, a Internet e o telemóvel estão disponíveis em casa da larga
maioria dos alunos. Destas tecnologias, o computador e o telemóvel estão ao
dispor da quase a totalidade dos alunos (98%), enquanto que a Internet está um
pouco atrás com 88%. Este baixo valor em relação ao computador poderá deverse em parte ao seu custo de manutenção, ainda não possível de sustentar para
alguns alunos e pela possibilidade de poderem aceder no ISEP. Os altos valores no
computador e na Internet são devidos ao facto de se tratar de tecnologias
indispensáveis para que um aluno da área da Informática possa atingir os seus
objectivos.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
113
Metodologia
A TV digital interactiva é a que está menos disponível, com apenas 13%.
Talvez por ser cara e não ser ainda muito divulgada.
5 - Se você não tem em sua casa alguma(s) das tecnologias
2
não tem interesse em conhecer essa(s)
tecnologias
é cara a compra e/ou manutenção
3
não conhece bem
4
não gosta de a(s) usar
1
quando precisa tem sempre alguém que lhe
empresta
(ex. familiares, amigos, empresa, etc.)
6 quando precisa, tem acesso no ISEP
quando precisa, recorre a um local público
7 que faculta essa(s) tecnologias
(ex. biblioteca, cybercafé, etc.)
8 não precisa dela(s)
tem uma deficiência que lhe impede de a(s)
9
usar
10 é lhe difícil usa-la(s) e manusea-la(s)
5
11 outra razão diferente das anteriores
Máquina
fotográfica digital
%
%
%
%
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
2
0
0
1
2
3
6
1
2
1
4
8
2
4
28 58 30 63
4 8
3 6
3 6
0 0
1
Telemóveis
Câmara de
vídeo digital
%
TV digital
Interactiva
Internet
Computadores
anteriormente referidas, é porque:
%
2
0
0
20 42
2 4
1 2
0
0
0
0
0
0
3
6
4
8
3
6
0
0
5 10
0
0
1
2
0
0
0
0
2
3
6
1
2
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
9
19
7
15
4
8
0
0
0
0
0 0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
2
4
1
2
1
2
0
0
0
0
0
0
3
6
2
4
1
2
0
0
Tabela 15 – Resultados estatísticos da questão 5 do inquérito.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
114
Metodologia
65
60
55
50
45
40
Computadores
%
Internet
35
TV digital Interactiva
Câmara de vídeo digital
30
Máquina fotográfica digital
Telemóveis
25
20
15
10
5
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
F IGURA 28 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 5 DO INQUÉRITO.
A principal razão de os alunos não terem em casa a TV digital interactiva,
câmara de vídeo digital e máquina fotográfica é o facto de serem tecnologias
caras quer na compra, quer na manutenção. A segunda causa é a não
necessidade delas.
A maioria dos alunos que não tem acesso à Internet em casa, justificam-se
pela possibilidade de poderem aceder no ISEP.
Quanto ao computador, dos pouquíssimos que não tem em casa justificamse pela possibilidade de terem alguém que lhes empresta, por poderem aceder no
ISEP e também porque recorrem a um lugar público para facultar essa tecnologia.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
115
Metodologia
6 - Se não tiver ou mesmo que não tivesse algumas das seguintes
tecnologias em sua casa, quais delas tinha acesso (por empréstimo,
oferta, aluguer, acesso numa biblioteca, ISEP, etc.) sempre que
precisasse ?
Computador Internet
32
67
%
34
71
Máquina
TV digital Câmara de
Fotográfica Telemóvel
interactiva vídeo digital
digital
9
19
17
35
18
38
Nenhum
16
33
4
8
Tabela 16 – Resultados estatísticos da questão 6 do inquérito.
80
70
60
%
50
40
30
20
10
Nenhum
Telemóvel
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
TV digital
interactiva
Internet
Computador
0
F IGURA 29 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 6 DO INQUÉRITO.
Em geral, mesmo que os alunos não tivessem um computador e Internet
em casa, eles tinham grandes possibilidades de ter acesso na mesma as estas
tecnologias, ou seja, 67% e 71% respectivamente.
Apenas 19% dizem que tinham acesso à TV digital interactiva, o que
comprova mais uma vez, a sua pouca utilização e implantação.
De salientar ainda os 8% que não tinham possibilidades de aceder a
nenhuma das tecnologias em estudo.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
116
Metodologia
7 - Em média, qual a frequência de uso que você faz das seguintes
tecnologias ?
Computador Internet
%
6 a 7 dias por semana
2 a 5 dias por semana
1 a 2 dias por semana
Nunca/Raramente
46
1
1
0
96
2
2
0
Máquina
TV digital Câmara de
fotográfica Telemóvel
interactiva vídeo digital
digital
%
40
7
1
0
83
15
2
0
%
1
2
3
42
2
4
6
88
%
0
2
6
40
0
4
13
83
%
1
3
11
33
2
6
23
69
%
41
3
3
1
85
6
6
2
Tabela 17 – Resultados estatísticos da questão 7 do inquérito.
100
90
80
70
6 a 7 dias por semana
%
60
3 a 5 dias por semana
50
1 a 2 dias por semana
40
Nunca/Raramente
30
20
10
Telemóvel
Máquina
fotográfica
digital
Câmara de
vídeo digital
TV digital
interactiva
Internet
Computador
0
F IGURA 30 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 7 DO INQUÉRITO.
Nota-se que 96% e 83% dos inquiridos usam respectivamente o
computador e a Internet diariamente. É muitas vezes motivado pela necessidade
de realizar trabalhos académicos e de investigação no âmbito do curso. Apenas
2% disse que usava estas duas tecnologias, 1 a 2 dias por semana.
No que respeita à TV digital interactiva, máquina fotográfica e câmara
digital, a grande maioria nunca ou raramente usa.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
117
Metodologia
8 – Actualmente, em que locais normalmente acede a cada uma das
seguintes tecnologias ?
Computador
%
(sem usar a Internet)
Cod.
1
Na sua própria casa
2
No ISEP
3
Num local público (ex. biblioteca, cybercafé)
4
Em casa de outras pessoas
5
No local de trabalho
6
Noutro local diferente dos anteriores
43
28
9
9
16
1
90
58
19
19
33
2
Apenas a
Internet
%
36
36
9
11
25
5
75
75
19
23
52
10
Tabela 18 – Resultados estatísticos da questão 8 do inquérito.
100
90
80
70
Computador (sem usar a
Internet)
%
60
50
Apenas a Internet
40
30
20
10
0
1
2
3
4
5
6
Cód.
F IGURA 31 – GRÁFICO DAS FREQUÊNCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 8 DO INQUÉRITO.
Os locais onde os alunos acedem mais ao computador e à Internet é na sua
própria casa, ou seja, 90% e 75% respectivamente. De notar que, no acesso à
Internet também 75% acedem a partir do ISEP.
No ISEP, os alunos acedem mais à Internet do que propriamente a outras
aplicações de trabalho no computador.
De salientar o pouco uso em locais públicos, com apenas 19% dos
inquiridos, em cada uma das duas tecnologias.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
118
Metodologia
9 - Como foi que obteve os conhecimentos que actualmente tem de
Internet ?
Cod.
1
Sozinho sem ajuda de revistas/livros/jornais
2
Sozinho com ajuda de revistas/livros/jornais
%
58
29
17
38
29
21
8
2
17
21
28
14
3 Num curso de formação
8
4 Por amigos, pais ou outros familiares
18
5 No ensino secundário
14
6 No ISEP
10
7 Noutra escola de ensino superior
4
8 Por um professor particular
1
9 Numa empresa que tenha ou que esteja a trabalhar 8
10 De outra forma diferente das anteriores
10
Tabela 19 – Resultados estatísticos da questão 9 do inquérito.
70
60
50
%
40
30
20
10
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Cod.
F IGURA 32 – GRÁFICO DAS FREQUENCIAS RELATIVAS DA QUESTÃO 9 DO INQUÉRITO.
A forma com que a maioria dos alunos obteve os conhecimentos de
Internet foi sozinhos sem ajuda de revistas, livros ou jornais (58%), o que
demonstra o interesse manifestado e a vontade de aprender por parte dos alunos.
O ISEP contribui em apenas em 21% dos alunos para a obtenção dos
conhecimentos actuais de Internet.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
119
Metodologia
8.4 – Resumo e conclusões finais
Pretende-se realizar um estudo aos alunos do 1º ano do departamento de
Informática de uma IES, em particular os do ISEP. Tem como objectivo conhecer
o nível de conhecimento e de uso das TIC que esses alunos tinham antes de
entrarem na IES, saber qual a contribuição da IES para o aumento dos
conhecimentos dos alunos, em relação às TIC, no final do 1º ano e perceber quais
as tecnologias que os alunos tem sempre ao seu dispor em sua casa ou noutro
local, sempre que necessitem.
A recolha dos dados foi baseada num inquérito (ver em anexo) entregue
aos alunos em papel. Foi realizada a 48 alunos do 1º ano do curso de Engenharia
Informática do ISEP. A ferramenta utilizada para análise e tratamento dos dados
foi o Microsoft Excel.
Os resultados do inquérito permitiram obter a informação necessária aos
objectivos propostos nesta metodologia.
Relativamente a esses objectivos podemos concluir que:
•
Antes de entrarem no ISEP, os alunos não eram excluídos digitais no que
respeita a computadores, Internet e telemóveis devido aos seus altos níveis
de conhecimento e de uso;
•
Os alunos têm boas possibilidades de acesso aos computadores, Internet e
telemóveis quer em suas casas, quer noutros locais. Mas, nas outras
tecnologias já não se pode dizer o mesmo, principalmente a TV digital
interactiva, na qual apresenta muito pouco uso, conhecimentos e
possibilidades de acesso;
•
O ISEP contribui muito para o aumento dos conhecimentos dos alunos,
fundamentalmente em computadores e na Internet. Nas restantes
tecnologias, o ISEP não contribui praticamente nada.
Os resultados e as conclusões obtidas podem estar influenciados por se
tratar de alunos de um DEI, que à partida estão mais familiarizados com as TIC,
principalmente com os computadores e a Internet. Logo, não é lógico generalizar
esses resultados e conclusões a todos os alunos do ISEP.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
120
Conclusão
9 - Conclusão
“Todos têm o direito de participar livremente na
vida cultural de suas comunidades, para usufruir das artes e
participar nos avanços científicos e dos seus benefícios.”
Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, artigo 47º
Este projecto permitiu compreender a importância das TIC, analisar o
problema da exclusão digital provocada pela desigualdade no acesso às TIC e
perceber de que forma a massificação das TIC afecta a exclusão social e em
particular a exclusão digital.
Relativamente às TIC (ver capítulo 2), podemos concluir que:
•
Sofreram nas ultimas décadas grandes transformações, a um ritmo muito
acelerado, devido aos grandes avanços tecnológicos e de serem mais
acessíveis a nível de preço;
•
Fazem e continuarão a fazer parte das nossas vidas devido aos seus
benefícios e à grande dependência que temos com as TIC;
•
Tem um grande impacto na sociedade e nas organizações, porque além de
estarem presentes em quase todas as actividades do dia a dia, contribuem
para alterar as relações económicas e a forma como se organizam as
nossas sociedades e as empresas;
•
Existem variadas aplicações praticas no dia a dia, desde os telemóveis ao
teletrabalho, passando pelo comércio electrónico, Informática médica, elearning, videoconferência, etc.;
•
Permitem unir as pessoas e facilitar as suas relações pessoais, sociais e
económicas devido à facilidade, velocidade e capacidade de transmissão e
tratamento das informações.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
121
Conclusão
Os valores estatísticos do uso das TIC (ver capítulo 3), indicam que:
•
Na generalidade, existe uma elevada taxa de excluídos digitais em todo o
Mundo, tornando-se cada vez mais problemático porque impede a
igualdade no acesso à informação e ao conhecimento que é cada vez mais
importante para o desenvolvimento pessoal e social;
•
Os países menos desenvolvidos apresentam maiores taxas de exclusão
digital porque são os que tem maior índice de pobreza e miséria e
consequentemente
mais
dificuldades
em
obterem
infra-estruturas
tecnológicas que possibilitem a utilização das TIC;
•
Em Portugal, os valores da taxa de exclusão digital não são positivos,
apesar de se notar uma ligeira melhoria nos últimos anos, no que respeita
ao número de computadores e de acessos à Internet. Essa melhoria
reflecte-se quer, no número de computadores nos domicílios quer nas
escolas;
•
O número de servidores e de utilizadores da Internet aumentam cada vez
mais de ano para ano.
Quanto à exclusão digital (ver capítulo 5), podemos concluir que:
•
É um grave problema, que afecta uma grande parte da população mundial,
com
valores
muito
elevados.
Afecta
principalmente
os
países
subdesenvolvidos;
•
Impede o desenvolvimento pessoal e social, porque impede que as pessoas
tenham acesso à informação e ao conhecimento;
•
Aumenta a diferença entre os ricos e os pobres, porque em geral, se os
pobres não tem possibilidades de aceder às TIC, ficam cada vez mais
arredados de adquirir informação, ao contrário do que acontece com os
ricos;
•
É o lado “negro” da SI, porque impede o seu fortalecimento;
•
Apesar de estar muitas vezes associado à exclusão social, não há uma
relação directa entre ambos, porque não existe uma verdadeira relação
causa-efeito entre eles.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
122
Conclusão
No que respeita ao combate à exclusão digital (ver capítulo 6), verificou-se
que:
•
Há algum esforço nesse sentido, a comprovar por algumas iniciativas, quer
nacionais quer internacionais, apesar de ainda haver muito a fazer;
•
É fundamental que se pense mais sobre este assunto, e que, se adoptem
medidas eficazes, senão ocorrerá um agravamento das desigualdades
sociais. Deverá haver uma maior preocupação com as pessoas com
necessidade especiais porque são as que tem mais dificuldades em
incluírem-se digitalmente;
•
Não é uma tarefa apenas do governo, porque deverá haver um maior
envolvimento de organizações, empresas e da sociedade em geral.
Com o caso pratico realizado (ver capítulo 7), demonstrou-se que:
•
Antes de entrarem no ISEP, os alunos não eram excluídos digitais no que
respeita a computadores, Internet e telemóveis devido aos seus altos níveis
de conhecimento e de uso;
•
Os alunos têm boas possibilidades de acesso a estas tecnologias, quer em
suas casas, quer noutros locais;
•
Das outras tecnologias já não se pode dizer o mesmo, principalmente a TV
digital interactiva, na qual apresenta muito pouco uso, conhecimentos e
possibilidades de acesso. As causas prendem-se sobretudo com o seu alto
custo;
•
O ISEP contribui muito para o aumento dos conhecimentos dos alunos,
fundamentalmente em computadores e na Internet. Nas restantes
tecnologias, o ISEP não contribui praticamente nada;
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
123
Conclusão
9.1 – Considerações pessoais
Depois de terminar este projecto, estou plenamente convicto de que foram
atingidos os objectivos propostos inicialmente.
A realização deste projecto permitiu-me aprender mais, assimilar novos
conceitos e ideias, enriquecendo os meus conhecimentos.
Foi um trabalho de investigação algo complexo porque trata-se de um tema
algo subjectivo e sujeito a muitas discussões. Além disso, ainda não há muita
informação disponível a esse respeito.
Exigiu de mim muito trabalho, dedicação e empenho, mas, valeu a pena o
esforço pelo resultado obtido. Tive muito gosto em realiza-lo, porque foi
interessante e motivador.
Espero que este projecto seja útil, interessante e de fácil interpretação aos
leitores, e que, simultaneamente, sirva como alerta às pessoas de que há muita
desigualdade no acesso à informação, que nem todos tem acesso à Internet e que
é urgente tomar medidas para reverter esta situação.
Após o desenvolvimento deste projecto sou capaz de:
•
Compreender a importância, as vantagens e o impacto que as TIC tem na
sociedade;
•
Conhecer mais em pormenor algumas aplicações praticas das TIC no dia a
dia;
•
Ter uma noção mais clara do conceito de SI e o que representa para todos
nós;
•
Compreender o problema da exclusão digital e as suas consequências;
•
Perceber a relação entre a exclusão social e a exclusão digital;
•
Saber quais as várias formas de combate à exclusão digital;
•
Reconhecer a importância dos esforços para ajudar as pessoas com menos
condições para integra-las na SI.
•
Perceber a importância e a influência que as acções do governo tem para
solucionar este problema;
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
124
Conclusão
•
Ter conhecimento de algumas iniciativas nacionais e internacionais que
promovem a inclusão digital;
•
Saber o nível de conhecimento e de uso das TIC, que os alunos do 1º ano
do DEI tinham antes de entrarem no ISEP;
•
Saber qual a contribuição do ISEP para o aumento dos conhecimentos de
algumas tecnologias aos alunos no final do 1º ano.
No entanto, as dificuldades que encontrei foram as seguintes:
•
Essencialmente, na procura de informação, porque este tema ainda não é
muito divulgado. Após várias pesquisas em livrarias e bibliotecas não
encontrei nenhum livro especifico ou relacionado com o tema da exclusão
digital. Mesmo na Internet as muito poucas informações que encontrei
eram muito básicas, semelhantes e repetitivas;
•
Gostaria de ter estendido o caso pratico aos alunos dos restantes
departamentos do ISEP. Mas para isso, era necessário mais tempo e a
colaboração de mais pessoas, visto que o ISEP é constituído por muitos
departamentos e alunos;
•
No início, algumas dificuldades em escolher uma estrutura para o projecto.
Mas, à medida que o tempo passava essas dificuldades foram dissipadas.
9.2 – Desenvolvimentos futuros
Seria interessante que, este projecto fosse o ponto de partida para mais
análises e investigações sobre este tema, e que, despertasse o interesse de mais
pessoas, incluindo docentes, investigadores e alunos.
O caso pratico poder-se-ia alargar a mais alunos do ISEP, estendendo por
exemplo aos outros departamentos. Permitiria retirar conclusões mais concretas,
inclusive verificar se os resultados obtidos pelos alunos do DEI se podem
generalizar para todos os alunos do ISEP, ou se este é um caso particular. Os
resultados deveriam ser publicados para o conhecimento de todos. Mas, para essa
extensão dos inquéritos a mais alunos era necessário o envolvimento de mais
pessoas e de mais tempo disponível, daí a razão de neste caso só se ter
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
125
Conclusão
restringido a alunos do DEI.
O outro desenvolvimento que seria ainda mais interessante de realizar no
futuro era o de extender o inquérito a outros departamentos de Informática de
mais IES do país. Permitiria descobrir se em Portugal existe algum perfil
tecnológico de alunos de Informática e servir para o governo tomar medidas se
assim se justificasse de forma a evitar a exclusão digital.
Este projecto poderia servir como fonte de informação ou modelo para uma
tese de mestrado e ou de doutoramento, para quem tenha interesse em estudar
este área.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
126
Glossário
10 - Glossário
Este capítulo apresenta um pequeno glossário de alguns termos técnicos
relacionados maioritariamente com as TIC, sendo muitos deles utilizados neste
projecto.
ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line)
Tecnologia utilizada para transmitir informação digital, a velocidades entre os 256 Kbps e os 6
Mbps, sobre linhas telefónicas normais, facultando uma ligação permanente. A assimetria da linha
refere que a utilização do canal de comunicação pende para um dos lados. Neste caso, o fluxo de
dados é maior para o utilizador (download). O ADSL permite também a utilização analógica como a
conversação habitual (voz) [50].
Alfabetização digital
Processo de aquisição de habilidades básicas para o uso de computadores, redes e serviços de
Internet.
Aplicação
Programa de software desenhado para uma determinada função, como um processador de texto
ou uma folha de calculo [1].
Banda larga
Técnica para transmitir uma grande quantidade de dados, voz e vídeo a longas distâncias [1].
Bit
Acrónimo de binary digit. Unidade básica de informação num sistema de numeração binária
(composto apenas de zeros (0) e uns (1)) [1].
Browser
Folheador, em português. São os programas que permitem navegar no WWW. É um cliente para
extracção de informação de um servidor web ou gopher.
Tipicamente, é um programa num computador pessoal que acederá, através de uma linha
telefónica, a um servidor contendo informações de interesse.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
127
Glossário
Byte
Conjunto de 8 bits utilizados para designar um caracter, letra ou número [1].
CD-ROM (Compact disc-read only memory)
Tecnologia de armazenamento óptico, exclusivamente de leitura, utilizada pelos discos compactos
[1].
Ciberespaço
Um neologismo adaptado para a realidade, depois de utilizado em ficção, onde esse mesmo termo
servia para descrever o mundo virtual, criado através da interligação de todas as redes de
computadores [50].
Cliente
Programa que pede serviços a outro computador chamado de servidor e que estabelece a
interacção necessária com o utilizador [1].
Cliente - servidor
Envio de informações pela rede envolvendo programas servidor para fornecer dados aos
programas clientes instalados em computadores. O servidor realiza gestão de comunicações,
fornecimento de serviços de bases de dados etc. e o cliente realiza funções de utilizador.
Comércio electrónico (e-commerce)
É a compra e venda de bens e serviços através da Internet. Esses negócios estão normalmente
disponíveis 24 horas por dia, embora na maior parte dos casos não se possa dizer o mesmo das
entregas [50].
Conexão
Ligação do seu computador a um computador remoto
Correio electrónico (email)
Correio
transmitido
por
meios
electrónicos,
normalmente, redes informáticas. Uma carta
electrónica contém texto (como qualquer outra carta) e pode ter, eventualmente em anexo um ou
mais ficheiros.
Datagrama
Pacote individual de dados sem nenhuma informação que o relacione com qualquer outro que
tenha sido enviado [1].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
128
Glossário
Digital
Alusivo ao tratamento de informação em base 2 (zeros e uns) [50].
DNS (Domain Name System)
É o conjunto de regras e/ou programas que constituem um Servidor de Nomes da Internet. Um
servidor de nomes faz a tradução de um nome alfanumérico (ex. microbyte.com) para um número
IP (ex. 192.190.100.57). Além das conversões nome<->IP e IP<->nome, um DNS pode também
conter informações sobre como encaminhar correio electrónico até que ele chegue à máquina final.
Domain Name
O único nome que identifica um site da Internet.
Os nomes de domínio têm sempre duas ou mais partes separadas por pontos. A parte esquerda é
a mais específica, e a parte direita é a mais geral. Uma máquina pode ter mais do que um nome
de domínio, mas um nome de domínio aponta sempre para apenas uma máquina.
Domínio
Nome vinculado a um endereço na Internet que identifica uma organização.
Download
Processo que permite carregar ficheiros através dum servidor. Ao fazer download do ficheiro
escolhido, presente no servidor remoto, este é copiado para um disco local [50].
E-government (governo electrónico)
Serviços do governo à população disponíveis em meios electrónicos, como a Internet [54].
E-learning
Ensino à distância, usando as TIC [54].
Fórum de discussão
Em inglês, newsgroup. Num fórum de discussão, ou seja, grupo de news, escreve-se publicamente
sobre o tema indicado pelo nome do grupo.
Freeware
Software de domínio público e que, por isso, pode utilizar-se livremente [1].
GSM (Global System for Mobile Communications)
Um sistema de comunicação móvel utilizado, nomeadamente, em telemóveis. Este sistema utiliza
uma variação do TDMA e é o mais utilizado actualmente, operando nos 900 ou 1800 Mhz [50].
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
129
Glossário
Hardware
Componentes físicos de um computador bem como os seus periféricos [1].
Host
Computador central, também chamado de servidor ou nó.
HTML (HyperText Markup Language)
Linguagem usada para representação de informação em hipertexto usada na WWW.
HTTP (Hypertext Transport Protocol).
É o protocolo que define como é que dois programas/servidores devem interagir, de maneira a
transferirem entre si comandos ou informação relativos ao WWW.
Internet
É uma imensa rede de redes que se estende por todo o planeta. Os meios de ligação dos
computadores desta rede são variados, desde rádio, linhas telefónicas, ISDN, linhas digitais,
satélite, fibras ópticas, etc..
internet
Com um i minúsculo, designa uma rede de redes apenas, e não especificamente a Internet.
IP (Internet Protocol)
O protocolo que especifica o formato de pacotes de dados e esquemas de endereçamento que
existe na Internet e outras redes. Este protocolo pode ser combinado com TCP, responsável pela
ligação virtual entre a fonte e o destino [50].
IP Number
Número identificador de uma máquina na Internet. Cada uma tem um identificador único.
Largura de banda
Medida da quantidade de informação que pode passar por um canal, geralmente expressa em bits
por segundo [1].
Link
No WWW, uma palavra destacada indica a existência de um link, que é uma espécie de apontador
para outra fonte de informação. Escolhendo esse link, obtém-se a página de informação que ele
designava e que pode, por sua vez, ter também vários links.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
130
Glossário
Login
Identificação de um utilizador perante um computador. Fazer o login é o acto de dar a sua
identificação de utilizador ao computador.
Logout
Acto de desconectar a sua ligação a um determinado sistema ou computador.
Megabyte
Um milhão de bytes ou um milhar de kilobytes.
Memória
Armazenamento primário de um computador, como a RAM, distinto de um armazenamento
secundário como o disco rígido [1].
Modem
Aparelho que converte os sinais digitais em analógicos e vice-versa (modular, desmodular), e que
permite a comunicação de dois computadores através de linha telefónica [1].
Motor de busca
Aplicações/Base de dados que possibilitam a busca por assuntos.
Há 2 tipos: os pesquisa através da catalogação (directórios) ou através da procura de todas as
palavras existentes nas várias páginas web.
Multimédia
Forma de apresentar a informação, através de um computador, utilizando vários meios, como
texto, gráficos ou som [1].
net
Em português, rede.
Net
É uma abreviatura para designar a Internet.
Nó
Computador ou qualquer outro dispositivo conectado a uma rede [1].
Online
Por oposição a offline, online significa "estar em linha", estar ligado em determinado momento à
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
131
Glossário
rede ou a um outro computador. Para alguém, na Internet, "estar online", é necessário que nesse
momento essa pessoa esteja a usar a Internet.
Open source
Software cujo código fonte está disponível. Permite a qualquer utilizador dominar completamente
os conceitos que estão por detrás de uma aplicação informática aumentando assim os seus
conhecimentos técnicos sobre determinadas matérias que a médio longo prazo se podem
transformar num importante incentivo à produção de tecnologias de informação [12].
Pacote
Unidade básica de informação numa rede [1].
Placa de som
Adaptador que aumenta a capacidade de reprodução do som digital num computador [1].
Protocolo
Definição do sistema de comunicação de um computador. Acordo entre diferentes sistemas para
trabalhar em conjunto. Conjunto de normas que permitem padronizar um procedimento repetitivo
[1].
Proxy
Em português, procuração. Um servidor (programa) proxy (ou com capacidades de proxy) recebe
pedidos de computadores ligados à sua rede e, caso necessário, efectua esses mesmos pedidos
(de HTTP, Finger, etc.) ao exterior dessa rede (nomeadamente, a Internet), usando como
identificação o seu próprio número IP e não o número IP do computador que requisitou o serviço.
É útil quando não se dispõem de números IP registados numa rede interna ou por questões de
segurança.
pt
Código ISO atribuído para identificação de Portugal.
Rede
Interconexão de um ou mais computadores através de hardware e software. [1].
Servidor (server em inglês)
Computador que proporciona recursos numa rede e que fornece a informação aos clientes [1]. Ou
seja, é um programa que atende a pedidos de clientes remotos.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
132
Glossário
Set-up box
Adaptador multimédia interactivo com capacidade de descodificação e descompressão [1].
Shareware
Software cedido pelo seu criador com o objectivo de ser utilizado em regime de prova e pago caso
o utilizador o considere útil [1].
Sistema operativo
Programa de controlo que dirige as funções internas de um computador [1].
Site
Um site da Internet é um dos nós/computadores existentes. Por exemplo, um site FTP é um
computador algures que oferece o serviço de FTP (idêntico a FTP server).
Software
Programas de sistemas ou aplicações escritos numa linguagem que é entendida pelo computador
[1].
Software livre
Programa de computador em que o utilizador é livre para usar, copiar, distribuir e modificar, sem a
necessidade de pagar licença para qualquer empresa. O código fonte é aberto, podendo ser
estudado e modificado [54].
Software proprietário
Programa de computador cujos direitos autorais pertencem a uma empresa. O utilizador precisa
pagar uma licença para usá-lo e não pode distribuí-lo ou modificá-lo [54].
TCP (Transmission Control Protocol).
Um dos protocolos Internet do conjunto TCP/IP, que implementa o nível 4 do modelo OSI, através
transporte de mensagens com ligação lógica.
TCP/IP
Conjunto de protocolos da Internet, definindo como se processam as comunicações entre os vários
computadores. Pode ser implementado virtualmente em qualquer tipo de computador, pois é
independente do hardware.
Geralmente, para além dos protocolos TCP e IP (porventura os 2 mais importantes), o nome
TCP/IP designa também o conjunto dos restantes protocolos Internet: UDP, ICMP, etc.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
133
Glossário
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
Tecnologias utilizadas para tratamento, organização e disseminação de informações.
Telemática
Ciência que trata da manipulação e utilização de informação através do computador. Utiliza-se um
conjunto de técnicas e de serviços de comunicação à distância que associam meios informáticos
aos sistemas de telecomunicações.
Telemedicina
Aplicação dos computadores e das telecomunicações à prática médica (remota e local), ao
processo de ensino-aprendizagem e à investigação científica na área das ciências médicas.
Teletexto
É a transmissão de texto à distância. Esta informação viaja junto com ondas rádio de alguns canais
de TV, sendo comum determinados modelos de televisão incluírem módulos de descodificação de
teletexto. O teletexto disponibiliza informação generalista, notícias, agenda de espectáculos,
farmácias de serviço, etc.
Teletrabalho
Actividade profissional realizada à distância física do local convencional de trabalho, ou seja, da
empresa contratante.
Televisão digital
A transmissão de sinais de televisão utilizando sistemas digitais em vez de analógicos. A TV digital
interactiva permite a programação dos programas que se deseja ver ou gravar, a interacção com
programas emitidos, etc. [50].
UMTS (Universal Mobile Telecommunications System)
A terceira geração (3G) tecnológica de comunicações móveis que permite velocidades de
transferência de até 2 Mbps. Além da voz e dados informáticos, o UMTS permite a transmissão de
vídeo e áudio através de linhas terrestres (cabo ou wireless) e satélite [50].
URL (Uniform Resource Locator)
Em português, localizador uniformizado de recursos. Método de especificação de um determinado
recurso na Internet, seja ele obtido por FTP, News, Gopher, Mail, HTTP, etc.. Pretende uniformizar
o maneira de designar a localização de um determinado tipo de informação na Internet. Ex.
http://www.insa-lyon.fr, pedido por HTTP, da homepage (WWW) do INSA de Lyon.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
134
Glossário
Videoconferência
Sistema de comunicação que, através de uma rede de computadores, permite que vários
participantes remotos possam ver-se e conversar em tempo real [1].
web
Em português, teia. Abreviatura para designar a World Wide Web.
WWW (World Wide Web)
Sistema de organização da informação da Internet através de ligações de hipertexto. Em sentido
estrito é o conjunto de servidores que empregam o protocolo HTTP. Em sentido lato, são os
recursos acessíveis através da FTP, HTTP, TELNET e WAIS [1].
WWW server
Um computador que fornece serviços e possui informação acessível no WWW.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
135
Referências
11 - Referências
[0] Ministério da Ciência e da Tecnologia; “Livro Verde para a Sociedade da Informação em
Portugal”; 1997
[1] Terceiro, José; “Sociedade Digital – do homo sapiens ao homo digitalis”; Relógio D’Água; 1997
[2] Sousa, Maria; “Teletrabalho em Portugal – difusão e condicionantes”; FCA Editora; 1999
[3] Azul, Augusto; “Introdução às Tecnologias de Informação 1”; Porto Editora; 1998
[4] Sousa, Sérgio; “Recursos Humanos & Tecnologias de Informação”; FCA Editora; 1999
[5] “Revista electrónica brasileira «Idade Activa»”;
http://www.techway.com.br/techway/revista_idoso/comportamento/comportamento_daniela.htm
[6] “Radio Suíça Internacional – Uma empresa da SRG SSR idée suisse”;
http://www.swissinfo.org/spt/swissinfo.html?siteSect=2105&sid=4491082
[7] Amaral, Adelino; “Abordagem Colaborativa à Gestão do Conhecimento: Soluções Educativas
Virtuais”; 2002
[8] Autor desconhecido; “Sociedade Digital”; Maio 1999;
http://www.terravista.pt/guincho/3703/cap4.html
[9] Coelho, Hélder; “Tecnologias da Informação”; Publicações Dom Quixote; 1986
[10] “tutor2u – Supporting Teachers & Inspiring Students”;
http://www.tutor2u.net/business/ict/intro_what_is_ict.htm
[11] Lima, Marcelo; “Vote contra a exclusão digital”;
http://www.administracao.go.gov.br/exclusao_digital.htm
[12] http://www.vfxira-be.org/info-acesso.html
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
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Referências
[13] “Programa Aveiro Digital 2003 – 2006”;
http://www.aveiro-digital.pt/default.asp?func=7&idnoticia=25
[14] Assumpção, Rodrigo; “Relatório Final da 1ª Oficina de Inclusão Digital”; Ministério do
Planejamento, Brasília; 2001; http://www.sampa.org
[15] Pretto, Nelson; Bonilla, Maria ; “Sociedade da informação: democratizar o quê?”;
http://www.faced.ufba.br
[16] Fontaine, Pascal; “A Europa em 12 lições”; União Europeia; 2003
[17] “Portal do Cidadão com Deficiência”; http://www.pcd.pt
[18] “Associação Brasileira de Ensino à Distância”; http://www.abed.org.br
[19] “Plano de acção para a Sociedade de Informação”;
http://www.umic.pcm.gov.pt/UMIC/SociedadedaInformacao
[20] Muniz, Adriano; Ferreira, Claudio; “A Sociedade da Informação em países pobres”;
http://www.ime.usp.br/~is/ddt/mac339/projetos/2001/demais/adriano/fase2.htm
[21] Ministério da Ciência e da Tecnologia do Brasil; “Programa Bibliotecas do FUST”; 2001
[22] Zartarian, Vahé; Noel, Emile; “CiberMundos”, Ambar
[23] “Programa Nacional para a Participação dos Cidadãos com Necessidades Especiais na Sociedade
da Informação”; UMIC; Presidência do Conselho de Ministros; 2003;
http://www.umic.gov.pt/NR/rdonlyres/26E9F10C-A9FA-4258-B93BBEC95EB48594/140/IV_Prog_Nac_Partic_CNE.pdf
[24] “OBERCOM – Observatório da Comunicação”;
http://www.obercom.pt/2004/artigos_detalhe.asp?id_noticias=249
[25] “Mapa de Exclusão Digital”; Centro de Políticas Socais; 2003
http://www2.fgv.br/ibre/cps/mapa_exclusao/apresentacao/Texto_Principal_Parte1.pdf
[26] Ministério brasileiro do planeamento, orçamento e gestão; http://www.governoeletronico.gov.br
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
137
Referências
[27] “O distrito da Guarda e a Sociedade da Informação”; 1998;
http://www.domdigital.pt/guarda-digital/parte4.htm
[28] Simon, Imre; “A Universidade diante das novas tecnologias de informação e comunicação”;
1997; http://www.ime.usp.br/~is/papir/opiniao.html
[29] Site oficial do programa da RTP, “2010” ; http://2010.flmid.com
[30] Monteiro, Anabela; “3G/UMTS”; 2003
[31] “INDE – Intercooperação e Desenvolvimento”;
http://www.inde.pt/Projectos/Nacionais/Agora/ConfInfoExclusao.htm
[32] “Site oficial da Câmara Municipal de Pombal”; http://www.cm-pombal.pt/cultura7.html
[33] Ribeiro, José; “Info-Exclusão compreendê-la e combatê-la”;
http://student.dei.uc.pt/~jribeiro/CTPinfoexclusao.htm
[34] “Becta ICT Advice”;
http://www.ictadvice.org.uk/index.php?section=tl&cat=001001006&rid=1701
[35] Kampff, Adriana; Dias, Márcia; “Reflexões sobre a construção do conhecimento em ambientes de
pesquisa e de Autoria multimédia”;
http://www.cinted.ufrgs.br/renote/set2003/artigos/reflexoessobreacontrucao.pdf
[36] “AS TIC na educação e na formação de adultos – Desafios e oportunidades”;
http://www.eu2001.se/education/eng/docs/rigaws2_pt.pdf
[37] Instituto para a Inovação na Formação; “Inofor em Notícia”, 2003;
http://expressoemprego.clix.pt/Studio/companysites/inofor/imag/INOFOR_0703.PDF
[38] Projecto “Maia Digital”; http://www.maiadigital.pt
[39] Sousa, Sérgio; “Tecnologias de Informação”,4ª edição actualizada; FCA Editora
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
138
Referências
[40] Silva, Chirley; Machado Murilo; “A era da exclusão informacional”;
http://www.ced.ufsc.br/~ursula/3211/SemExc.ppt
[41] Gomes, Ana; “A Informática Médica”; 2002
[42] Oliveira, José; “Videoconferência por IP: Aplicações”; 2003
[43] Tavares, Maria, “Standards de E-learning”, 2003
[44] Macedo, Horácio; “Ferramentas de E-Learning”; 2002
[45] http://ciaris.ilo.org/portugue/frame/r1-3.htm
[46] http://www.w3.org/TR/REC-html40
[47] Matos, José Cardoso; “A Importância da Qualificação dos Recursos Humanos”;
http://www.uniweb.pt/uniweb/WP_RHumanos.pdf
[48] http://www.onuportugal.pt/WSISFAQ-layout_-_Portuguese.pdf
[49] “A exclusão social dentro da sociedade brasileira”
[50] Matos, José; “Dicionário de Informática e Novas Tecnologias”; FCA Editora; 2003
[51] http://www.weforum.org/pdf/Gcr/GITR_2003_2004/Progress_Chapter.pdf
[52] “Comité para a democratização da Informática” (CDI); http://www.cdi.org.br
[53] “Oficina para a Inclusão Digital”; 2001
http://www.governoeletronico.gov.br/governoeletronico/publicacao
/down_anexo.wsp?tmp.arquivo=E15_202inclusao_digital_relatorio_final.pdf
[54] Instituto Ethos; “O que as empresas podem fazer pela inclusão digital”;
http://www.ethos.org.br/DesktopDefault.aspx?TabID=3684&Alias=Uniethos&Lang=pt-BR
[55] http://www.elearningeuropa.info
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
139
Referências
[56] Marcuzzo, Mónica; “A exclusão digital e a Internet”
[57] Gomes, Marcuss; “Inclusão Digital e Governo electrónico”
[58] Debates da Presidência da República; “Os Cidadãos e a Sociedade da Informação”; Imprensa
Nacional – Casa da Moeda; 1999
[59] Martignago, Abraão; Marcel, Angelo; Junior, Seilor; Bortolon, Rodrigo; Pombeiro, Orlei; “Exclusão
Digital”; http://www.spei.br/wokshop/Art-21.doc
[60] http://www2.uol.com.br/cultvox/novos_artigos/exclusaodigital.pdf
[61] Iizuka, Edson; “Um estudo exploratório sobre a exclusão digital e as organizações sem fins
lucrativos da cidade de São Paulo”; 2003;
http://www.rits.org.br/rets/download/centro_estudos_cap5_060804.zip
[62] http://europa.eu.int/scadplus/leg/pt/lvb/l24226.htm
[63] Comissão interministerial para a inovação e conhecimento – 1ª reunião; “eEurope2005: uma
sociedade da informação para todos”; Unidade de Missão Inovação e Conhecimento; 2002
[64] Macadar, Marie; “Desmistificando a Inclusão Digital”;
http://integracao.fgvsp.br/ano5/20/opiniao.htm
[65] Ferreira, Paulo; “Influência das Tecnologias na Acessibilidade”; 2000
[66] Ferreira, Paulo; “Os Malefícios da Tecnologia”; 2001
[67] Ferreira, Paulo; “Tecnology and Sustainability”; 2001
[68] Sousa, Ivo; “O lado negro da Internet”; 1999
[69] Pereira, João Paulo; “Interacção Homem-Máquina”; 1998
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
140
Anexo
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
141
Anexo
Inquérito
Este inquérito destina-se a fazer um estudo sobre o grau de exclusão digital dos alunos do 1º
ano do ISEP relativamente às Tecnologias de Informação e Comunicação.
Nota: O conteúdo das respostas deste inquérito terá um carácter confidencial, não sendo
relevante para o estudo a identificação individual dos alunos.
Agradeço a sua colaboração.
Importante:
•
•
•
•
Por favor, responda às perguntas sequencialmente e siga as instruções que lhe vão
aparecer a itálico.
Responda com um X nos quadrados.
No caso de se enganar coloque um círculo à volta do quadrado correspondente.
Responda com sinceridade.
Muito obrigado pela sua colaboração.
1 – Antes de entrar no ISEP qual o nível de conhecimento que tinha em cada uma das
seguintes tecnologias ?
Computadores
Internet
TV digital
Interactiva
Câmara de
vídeo digital
Máquina
fotográfica
digital
Telemóveis
Muito Bons
Bons
Razoáveis
Poucos
Nenhuns
2 – Antes de entrar no ISEP qual o nível de uso que tinha em cada uma das seguintes
tecnologias ?
Computadores
Internet
TV digital
Interactiva
Câmara de
vídeo digital
Máquina
fotográfica
digital
Telemóveis
Sabia usar bem
Sabia usar
razoavelmente
Não sabia usar
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
142
3 – Qual a contribuição que o ISEP lhe deu até hoje para o aumento dos seus
conhecimentos nas seguintes tecnologias ?
Computadores
Internet
TV digital
interactiva
Máquina
Câmara de
fotográfica
vídeo digital
digital
Telemóveis
Contribui muito
Contribui pouco
Nenhuma contribuição
4 – Qual(ais) das seguintes tecnologias, tem sempre ao seu dispor em sua casa sempre que
você precise (mesmo que não goste ou que não saiba usar) ?
(se necessário pode assinalar mais do que uma resposta)
Computador
Internet
TV digital
interactiva
Câmara de
vídeo digital
Máquina
Fotográfica
digital
Telemóvel
(Se assinalou todas as respostas desta pergunta avance para a pergunta 6)
5 – Se você não tem em sua casa alguma(s) das tecnologias anteriormente referidas, é
porque: (se necessário pode assinalar mais do que uma resposta em cada coluna)
Computadores
Internet
TV digital
interactiva
Câmara
Máquina
de
fotográfica
vídeo
digital
digital
Telemóveis
não tem interesse em
conhecer essa(s)
tecnologia(s)
é cara a compra e/ou
manutenção
não conhece bem
não gosta de a(s) usar
quando precisa tem
sempre alguém que
lhe empresta
(ex. familiares, amigos,
empresa, etc.)
quando precisa, tem acesso
no ISEP
quando precisa, recorre a
um local público
que faculta essa(s)
tecnologia(s)
(ex. biblioteca, cybercafé, etc.)
não precisa dela(s)
tem uma deficiência que lhe
impede de a(s) usar
é lhe difícil usa-la(s) e
manusea-la(s)
outra razão diferente
das anteriores
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
143
6 – Se não tiver ou mesmo que não tivesse alguma(s) das seguintes tecnologias em sua
casa, qual(ais) delas tinha acesso (por empréstimo, oferta, aluguer, acesso numa biblioteca,
ISEP, etc.) sempre que precisasse ? (se necessário pode assinalar mais do que uma resposta)
Computador
Internet
TV digital
Interactiva
Câmara de
vídeo digital
Máquina
fotográfica
digital
Telemóvel
7 – Em média, qual a frequência de uso que você faz das seguintes tecnologias ?
Dias por semana
Computador Internet
TV digital
interactiva
Câmara
de vídeo
digital
Máquina
fotográfica
digital
Telemóvel
6a7
3a5
1a2
Nunca/Raramente
8 – Actualmente em que local(ais) normalmente acede a cada uma das seguintes
tecnologias ? (se necessário pode assinalar mais do que uma resposta em cada coluna)
Computador
(sem usar a Internet)
Apenas a Internet
Na sua própria casa
No ISEP
Num local público (biblioteca, cybercafé, etc.)
Em casa de outras pessoas
No local de trabalho
Noutro local diferente dos anteriores
9 - Como foi que obteve os conhecimentos que actualmente tem de Internet ?
(se necessário pode assinalar mais do que uma resposta)
Sozinho sem ajuda de revistas/livros/jornais
Sozinho com ajuda de revistas/livros/jornais
Num curso de formação
Por amigos, pais ou outros familiares
No ensino secundário
No ISEP
Noutra escola de ensino superior
Por um professor particular
Numa empresa que tenha ou que esteja a trabalhar
De outra forma diferente das anteriores
Muito obrigado pela sua colaboração.
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
144
“TIC vs Exclusão Social”
Sérgio Francisco dos Santos Morais
Setembro 2004
Tecnologias da Informação e Comunicação vs Exclusão Social
145
Download

TIC vs Exclusao Social - Departamento de Engenharia