Foto: ©Digital Art/Corbis/VMI Esta revista faz parte integrante do Diário Económico n.º 5614 FEVEREIRO 2013 Inovação tecnológica ao serviço da educação Espírito Santo Ventures investe na Weduc IBERGRANATUM Romã ibérica promove crescimento no Alentejo 4 8 10 12 14 Weduc Educar activamente já não custa nada. É este o lema da Weduc, uma plataforma de comunicação em rede que liga pais, alunos, professores e escolas, utilizando o modelo de rede social, com total segurança e privacidade. Entrevista Apoiar a transição da I&D de ponta em Portugal para o mercado é a missão do programa COHiTEC e da iniciativa Act. Pedro Vilarinho lidera ambos processos e acompanha de perto projectos de elevado potencial de crescimento. BES Express Cash Imagine que na sua empresa não precisa de ir fisicamente ao banco fazer o depósito de numerário e cheques para que os montantes sejam automaticamente creditados na sua conta. Já é possível. E é um serviço BES. Case-study Estreou-se em 1995 só com cinco funcionários e uma capacidade de produção de 700 pares de solas por dia. Hoje, a Atlanta pode produzir até 20 mil pares diários e é líder ibérica no sector. A inovação sustenta o crescimento. Case-study A proximidade de Aljustrel ao município espanhol de Lepe ditou a cooperação na produção e transformação da romã, um fruto de crescente interesse a nível mundial. A Ibergranatum dá seguimento ao projecto. WEDUC Primeira rede social 4 FEV 13 para a educação EDUCAR ACTIVAMENTE JÁ NÃO CUSTA NADA. É ESTE O LEMA DA WEDUC, UMA PLATAFORMA DE COMUNICAÇÃO EM REDE QUE LIGA PAIS, ALUNOS, PROFESSORES E ESCOLAS, UTILIZANDO O MODELO DE REDE SOCIAL COM TOTAL SEGURANÇA E PRIVACIDADE. A Weduc é a única rede social no mundo dedicada à educação a 360º. Criada e desenvolvida em Portugal, a plataforma está já a ser utilizada por muitas escolas públicas e privadas, escolas de actividades e entidades ligadas ao mundo educativo, permitindo aos pais ter uma visão e relação alargada com todos os agentes educativos que fazem parte da sua vida real. A Weduc permite construir uma rede de ligações seguras dentro da plataforma, acedendo às mensagens, fotografias, vídeos ou avaliações com toda a conveniência de um computador com ligação à Internet, ‘tablet’ ou ‘smartphone’. Mais do que uma plataforma de escolas, a Weduc diferencia-se pela sua abrangência. Os pais conseguem acompanhar, com total privacidade, e numa única plataforma, a educação dos seus filhos nas várias entidades educativas que frequentam, desde a escola curricular, a escolas de actividades (como música, línguas e desporto), aos explicadores. A Weduc lançou, a 15 de Janeiro último, a versão gratuita e qualquer escola, professor ou encarregado de educação pode espoletar o processo de utilização da plataforma com um registo, sendo sempre validada a identidade das várias instituições e entidades participantes para garantia de privacidade. Os promotores acreditam que este novo modelo de adesão vai permitir a massificação da utilização da plataforma e a possibilidade de se desenvolver a educação em rede, começando por uma turma, escola ou associação de pais e alargando a nível regional. A comunicação escola-família tem sido uma prioridade nos actuais modelos pedagógicos, mas na prática não existem soluções reais que permitam aos pais a proximidade e envolvência pretendida, até porque os estilos de vida são cada vez mais SEGURANÇA, ACESSIBILIDADE E ABRANGÊNCIA A Weduc assume-se como uma nova forma de interagir e evoluir na educação em Portugal. A diferenciação desta inovadora plataforma reside na utilização de um modelo de relacionamento social seguro aplicado à educação, em que os pais têm um papel activo muito relevante, efectivando a relação escola-família. A integração de um alargado leque de entidades participantes – onde se incluem escolas curriculares, escolas de actividades, explicadores, associações de pais e outras entidades educativas – numa rede organizada e com regras de privacidade muito exigentes representa outro dos factores distintivos da iniciativa ‘made in’ Portugal. A acessibilidade, suportada num modelo-base sem custos, que considera uma visão agregadora da comunicação e disponibilização de conteúdos de várias entidades, desde o micro-produtor ao grande editor, é outro dos elementos diferenciadores a considerar. ESPÍRITO SANTO VENTURES E BUSYANGELS INVESTEM NA WEDUC Os últimos desenvolvimentos da Weduc dão conta do investimento da Espírito Santo Ventures, a sociedade de capital de risco do Grupo Espírito Santo, nesta rede social para a educação, criada e desenvolvida em Portugal, e já em utilização em muitas escolas por todo o país. A plataforma Weduc assume-se como um projecto inovador e diferenciador, no qual a Espírito Santo Ventures investiu com vista a apoiar a sua massificação, ao tornar gratuito o acesso ao serviço. O objectivo do investimento passa também por promover a internacionalização da plataforma, ao financiar a entrada no mercado brasileiro no decorrer do primeiro semestre de 2013. O investimento estimado nesta fase é de um milhão de euros. Recorde-se que a indústria das tecnologias na educação é cada vez mais competitiva e inovadora e tem atraído a atenção dos investidores em todo o mundo. Em 2012, o investimento de capitais de risco nos Estados Unidos neste sector ascendeu a 600 milhões de dólares, quase mais 50% do que em 2011. A Espírito Santo Ventures, que investe em empresas de base tecnológica com modelos de negócio inovadores e grande potencial de crescimento em todo o mundo, está atenta ao potencial deste sector e escolheu a Weduc como o primeiro investimento na área educativa. GÉNESE DA WEDUC A Weduc foi fundada em 2009 por Pedro Barros e Paulo Mateus, dois ex-colegas de faculdade (ver entrevista nas páginas seguintes) e um conjunto de empreendedores portugueses, com o objectivo de materializar a visão de uma educação ligada em rede e de dotar a solução de uma dimensão internacional. A plataforma conta já com cerca de 13 mil utilizadores, distribuídos por escolas de todo o país. FEV 13 exigentes. Aproveitando as tendências de utilização da Internet com os novos modelos de relacionamento sociais, a Weduc assume-se como uma nova forma de interagir e evoluir na educação em Portugal. A Weduc é uma ferramenta profissional a que qualquer escola pode ter acesso, independentemente da sua dimensão, uma vez que não exige qualquer infra-estrutura ou investimento. Basta um computador ligado à Internet. A plataforma disponibiliza a cada escola a possibilidade de apresentar informação sobre si, alargando a sua visibilidade e presença institucional. E porque o sucesso de uma escola passa também pela capacidade de ir ao encontro das expectativas dos pais, a Weduc facilita esse processo, ao mesmo tempo que promove o seu envolvimento e fidelização. A Weduc funciona também como repositório de informação, apresentando-se como uma solução ecológica, que poupa recursos e rentabiliza procedimentos, ao usar a facilidade digital na execução de tarefas rotineiras. 5 DR UMA SOLUÇÃO PARA TODAS AS ESCOLAS ENTREVISTA A PEDRO BARROS E PAULO MATEUS | Administradores da Weduc “Estamos certos que temos algo de único e muito bom” 6 FEV 13 GÉNESE, EVOLUÇÃO E PROJECTOS DA ÚNICA REDE SOCIAL NO MUNDO DEDICADA À EDUCAÇÃO A 360º, QUE CONTOU RECENTEMENTE COM O INVESTIMENTO DA ESPÍRITO SANTO VENTURES. JÁ EM FASE DE INTERNACIONALIZAÇÃO. Podem falar um pouco do vosso percurso académico e profissional anterior ao lançamento da Weduc, no sentido de como influenciaram o surgimento da plataforma? Pedro Barros (PB) – A história começa como colegas de faculdade, no ISEG, onde estudámos Gestão. Mais tarde reencontrámo-nos com alguma maturidade profissional, carreiras internacionais, o Paulo ligado à área financeira com uma visão de globalização e consultor internacional, e eu ligado ao marketing e comunicação com competências nos modelos de relacionamento e comunicação digital. E com um ponto em comum: ambos pais. Quando e em que contexto percebeu que existia uma oportunidade para criar uma plataforma de comunicação em rede para a educação? Paulo Mateus (PM) – Passava muito tempo fora do país e sentia uma grande necessidade de poder estar mais próximo do dia-a-dia dos meus filhos. Havia uma grande lacuna nos modelos de comunicação das escolas com a família e a ideia de uma plataforma dedicada à educação acabou por ser natural, pois estávamos habituados a utilizar plataformas de comunicação para nos relacionarmos com amigos ou colegas espalhados pelo mundo. Adaptámos esse conceito para as escolas, com um foco grande na privacidade e um modelo mais social, alinhado com as tendências de comunicação na Internet. Com quem partilhou inicialmente a ideia e qual o grande factor de inovação? Pode dizer-se que é uma espécie de Facebook da educação? PB - Começámos por envolver muitas pessoas ligadas à área educativa, como professores e directores, para incorporarmos as suas necessidades, mas sem nunca perdermos a visão de encarregado de educação, na qual residia a grande diferença. A vida educativa de uma criança não se esgo- ta na escola curricular; passa também pela relação com as escolas de desporto, de línguas, música, ATL ou explicadores. Podermos dar aos pais o poder de ter todas as pessoas que intervêm na vida dos seus filhos numa única plataforma, com todo o histórico de notas, fotografias, vídeos e ficheiros, era um grande factor de diferenciação, facilmente percebido por todos os interlocutores. Não desenvolvemos a plataforma na perspectiva tradicional da aplicação informática, mas com uma lógica abrangente e social, onde a semelhança com o Facebook é na perspectiva da simplicidade da utilização, interacção e comunidade, mas não tem nada que ver com o fazer amigos ou com a abertura na partilha de informação. Paulo Mateus e Pedro Barros, administradores da Weduc Qual a importância do investimento da Espírito Santo Ventures na plataforma e o que re- ‘ presenta o facto de ser o primeiro investimento da capital de risco na área educativa? PM – A Espírito Santo Ventures entendeu muito bem o potencial da plataforma e o modelo de negócio que tínhamos desenhado. A experiência de toda a equipa e a profissionalização de um parceiro institucional é muito importante e vai ajudar a ultrapassar obstáculos. Portugal não é tradicionalmente um país empreendedor, mas está cheio de criativos e batalhadores e essa percepção é visível no relacionamento que a Espírito Santo Ventures tem connosco, enquanto promotores. Respeitam a nossa estratégia e dão-nos motivação e apoio. Têm surgido muitas novas empresas com ideias inovadoras ligadas à educação, portanto o facto de termos sido destacados com a confiança deste parceiro é para nós uma enorme satisfação. FEV 13 A Weduc, sendo a única rede social no mundo dedicada à educação a 360º, pretende chegar a outros mercados. Pode falar um pouco da estratégia de internacionalização prevista? PM – Temos recebido vários contactos de diferentes países, mas preferimos ser cautelosos na abertura formal a novos mercados, embora qualquer escola possa utilizar a versão inglesa da plataforma. Estamos a preparar as versões brasileira e espanhola, pois ainda este semestre teremos, a partir do Brasil, a abordagem à América Latina, com equipa própria. A conveniência de um acesso 24 horas, mesmo através de um ‘smartphone’, aproxima os pais e torna-os mais intervenientes na educação dos filhos. Em que fase de maturação se encontra a Weduc e quais os próximos passos? PM – Um, envolve a internacionalização a partir do Brasil, e outro, o lançamento de um novo serviço da plataforma, para o qual estamos a procurar fornecedores de produtos e serviços ligados à área educativa que nos ajudem a acrescentar valor às escolas e seus públicos. 7 Uma ideia inovadora depara-se sempre com alguma resistência. Quais os factores de resistência mais comuns e como procuram contorná-los? PB – A evangelização da digitalização na comunicação escolar é um trabalho que teremos de fazer, ultrapassando o mito de que isso afasta mais os pais da escola. Pais mais informados constroem relações mais fortes com a escola e com os educadores e participam mais. É muito difícil, com o estilo de vida que temos, conseguir estar a uma sexta-feira às 11 horas para falar com a directora de turma. A conveniência de um acesso 24 horas, mesmo através de um ‘smartphone’, aproxima os pais e torna-os mais intervenientes na educação dos filhos. Sempre abordámos as escolas para mostrar a mais-valia que a Weduc podia levar aos seus projectos pedagógicos, mas agora estamos também a utilizar a recomendação dos pais e das associações de pais para implementar mais rapidamente a Weduc. Fotos: Bernardo S. Lobo Qual tem sido a receptividade à plataforma? A ideia é massificar a sua utilização. Isso está a ser conseguido? PM – Sempre tivemos a melhor das receptividades, o que nos deu a convicção de que a Weduc seria um sucesso. Nos últimos dois anos, temos estado a preparar a plataforma com mais funcionalidades e para um novo modelo de adesão num formato mais viral, mas sem perder a garantia de que todas as escolas e utilizadores são reais. No final do ano passado conseguimos, com a participação da Espírito Santo Ventures no nosso capital, fechar um plano de implementação que passa por disponibilizar a Weduc sem qualquer custo, numa versão-base muito potente, e desenhar um plano de internacionalização ambicioso. Só com a partilha de visão deste novo accionista é que conseguíamos atingir o nosso objectivo de democratizar o acesso à Weduc, quer seja um grande colégio, uma escola pública ou um simples explicador. ENTREVISTA A PEDRO VILARINHO | Director do Act e do COHiTEC “O foco está em projectos de elevado potencial de crescimento” APOIAR A TRANSIÇÃO DA I&D DE PONTA EM PORTUGAL PARA O MERCADO. A VISÃO DE QUEM LIDERA O PROGRAMA COHITEC E A INICIATIVA ACT. 8 FEV 13 ‘ re uma entrevista em que se avalia um conjunto de factores que têm que ver com a equipa proponente, como por exemplo a intenção empreendedora ou o domínio da tecnologia. Em segundo lugar, avalia-se, com base no formulário de candidatura, um conjunto de factores relacionados com a tecnologia, como por exemplo as suas características únicas ou a gama de aplicações que pode potenciar. As áreas de investigação em que surgem mais projectos são também as mais promissoras no que toca ao potencial de mercado? Não. Tipicamente surgem mais projectos nas áreas em que o investimento em ciência tem sido maior e as opções de saída profissional para os investigadores é mais limitada. O potencial de Tipicamente surgem mais projectos nas áreas em que o investimento em ciência tem sido maior e as opções de saída profissional para os investigadores é mais limitada. lugar, induzir competências na área de comercialização de tecnologia nos participantes. A característica distintiva do COHiTEC (e do Act) é o foco em projectos de elevado potencial de crescimento e, por isso, todo o Programa é construído em torno da procura de necessidades de mercado que, não estando ainda satisfeitas, podem ser cobertas por produtos obtidos pelas tecnologias propostas pelos investigadores. Os projectos com maior potencial são posteriormente apoiados no âmbito do Act, no desenvolvimento do plano de negócios e na procura de investidores. Procuram fazer uma selecção rigorosa dos projectos que se apresentam ao programa COHiTEC. Que factores são determinantes para avançar? Os projectos são seleccionados com base em dois critérios fundamentais. Em primeiro lugar, decor- mercado não está directamente relacionado com a área de investigação que está na base dos projectos. Já recebemos projectos de elevado potencial numa grande diversidade de áreas. Face à escassez de recursos públicos, faria sentido definir áreas prioritárias de apoio à investigação? Não me parece uma boa ideia, porque se poderia estar a colocar o futuro da investigação na mão de decisores que não têm – e/ou não podem ter – toda a informação necessária para definir essas prioridades. A redução do investimento público em investigação pode ser perigosa, porque poderemos estar a hipotecar o futuro e a deitar a perder os resultados alcançados nas últimas décadas. Além disso, não estou muito certo de que possa ter um impacto significativo nas contas do Estado. Na minha opinião, poder-se-á melhorar a Bruno Barbosa Imagine que está perante uma plateia de investigadores responsáveis por investigação com potencial para chegar ao mercado. O que lhes diria sobre as vantagens do COHiTEC e do Act? Como os cativaria? O Act (Acelerador de Comercialização de Tecnologias) é uma iniciativa da COTEC, que tem por objectivo ajudar os investigadores de instituições de I&D portuguesas no processo de comercialização de tecnologia, desde o laboratório até ao mercado. O Programa COHiTEC é a porta de entrada nesta iniciativa e consiste numa acção de formação que tem dois objectivos principais. Em primeiro lugar, ajudar a avaliar o potencial comercial de produtos que podem ser obtidos a partir das tecnologias propostas pelos investigadores que participam no Programa. Em segundo utilização dos recursos através de ganhos de escala – por exemplo, fundindo unidades de investigação que realizam trabalhos em áreas muito próximas – ou colocando no terreno um processo de avaliação que promova o mérito e elimine do sistema os que já tiveram a sua oportunidade e não a aproveitaram. Existem projectos que, mesmo premiados em concursos de ideias e de empreendedorismo internacionais, têm dificuldade em encontrar investidores. Em que áreas é mais difícil atrair investidores e porquê? Não há qualquer relação entre a avaliação de um projecto num concurso de ideias/empreendedorismo e o ‘due dilligence’ realizado por um investidor. Um projecto pode ganhar o concurso de planos de negócio mais prestigiado do mundo e não resistir cinco minutos ao ‘due dilligence’ de um in- Pedro Vilarinho, Que implicações tem tido o ambiente de austeridade na área em que actua, quer do lado das empresas, quer dos investidores? Como actuamos somente em projectos de elevado potencial de crescimento, o número de projectos que acompanhamos até aos investidores é reduzido e, como tal, ainda não sentimos essa dificuldade. De qualquer forma, os próximos projec- tos que irão precisar de investimento são da área das ciências da vida e, por isso, já estamos à procura de investidores internacionais. Qual o balanço do programa COHiTEC no que toca a volume de negócios e emprego criado pelas empresas que por ele têm passado? Alguma tem potencial para ter a dimensão de uma Apple dentro de dez ou vinte anos? Não temos informação completa sobre todas as empresas que foram criadas por participantes no Programa COHiTEC. Sabemos que foram apresentados 116 projectos de negócios nas sessões finais do COHiTEC e que, destes projectos, 16 resultaram em empresas, e ainda que há pelo menos mais nove que foram criadas por promotores que participaram no Programa. Das empresas que acompanhámos pós-COHiTEC temos mais informação. O montante investido nestas em- presas excede os 15 milhões de euros, empregam cerca de 35 pessoas e somente uma delas já está a facturar: em 2012 facturou cerca de dois milhões de euros. Uma das empresas apoiadas pelo Act acabou de inaugurar uma fábrica, na qual foram investidos cerca de 20 milhões de euros e que começará a facturar no primeiro trimestre deste ano, prevendo-se que em 2012 facture mais de cinco milhões de euros. Tem acompanhado de perto, enquanto jurado, o Concurso Nacional de Inovação BES. Que balanço que faz da iniciativa? O BES Inovação é, na minha opinião, a iniciativa mais importante no fomento ao empreendedorismo que se realiza em Portugal. O prestígio que alcançou, a sua longevidade e as parcerias que tem conseguido forjar permitem-lhe atrair projectos de grande qualidade. 9 vestidor. A razão tem que ver com o nível de detalhe com que o projecto é avaliado nestas duas situações. Por isso, não acho estranho que muitos projectos que ganham concursos não encontrem depois investidores. As áreas em que é mais difícil atrair investidores são aquelas em que a tecnologia está mais longe do produto final – por exemplo, na engenharia de materiais – ou em que as barreiras regulamentares são muito importantes – por exemplo, nas ciências da vida. FEV 13 director do Acelerador de Comercialização de Tecnologias (Act) da COTEC e do COHiTEC BES EXPRESS CASH Inovação e pioneirismo nos serviços financeiros IMAGINE QUE NÃO PRECISA DE IR FISICAMENTE AO BANCO FAZER O DEPÓSITO DE NUMERÁRIO E CHEQUES PARA QUE OS MONTANTES SEJAM AUTOMATICAMENTE CREDITADOS NA SUA CONTA. O BES IMAGINOU E FEZ. CHAMA-SE BES EXPRESS CASH. CONHEÇA AS VANTAGENS. A gestão eficiente dos meios de pagamento físicos (numerário e cheques) por parte dos clientes sempre foi uma preocupação do Banco Espírito Santo (BES), no sentido de procurar medidas para melhorar a sua eficiência. A relação de proximidade entre o BES e os seus clientes empresa permitiu estudar e apresentar soluções que respondem às necessidades dos mesmos, incluindo a análise e desenvolvimento de um serviço de depósito remoto, que teve início em 2010, depois de uma extensa investigação a nível europeu com vários especialistas em numerário e da participação em diversas conferências sobre o tema. Recorrendo a todas as valências acumuladas, a área de Operações do BES iniciou o desenho e implementação de um serviço integrado de Gestão de Tesouraria para os seus clientes empresa, envolvendo um conceito de depósito remoto ainda em fase embrionária na Europa. “O conceito de depósito remoto, permitindo uma gestão optimizada da tesouraria das empresas, é um conceito recente. Destaca-se o carácter de inovação e pioneirismo que este produto representa, não só no mercado português, mas igualmente no mercado europeu, sendo o BES um banco pioneiro nesta inovação”, explica Ana Delgado, directora do Departamento Executivo de Operações dirigido e coordenado por Jorge Lopes da Silva. Ana Delgado acabou de defender no ISCTE Business School uma tese sobre “Gestão de Tesouraria em Clientes: Depósito Remoto”, tendo como orientador o professor Vivaldo Mendes. O projecto desenvolvido pelo BES, que veio a dar origem ao serviço BES Express Cash, vem contribuir para a inovação nos serviços financeiros, uma área com grande destaque a nível europeu e que tem colocado Portugal na linha de frente nos ‘benchmark’ e ‘case-studies’ internacionais. Jorge Lopes da Silva e Ana Paula Delgado, O BES desenvolveu um serviço integrado de gestão de tesouraria para os seus clientes empresa, que envolve o tratamento automático de numerário (notas e moedas) e cheques, permitindo o seu crédito automático em conta de depósito à ordem, nas instalações do cliente, sem necessidade de transporte físico dos mesmos. O equipamento de depósitos e respectivo ‘software’ são disponibilizados ao cliente no âmbito Bernardo S. Lobo FEV 13 DEPÓSITO DE NUMERÁRIO E CHEQUES SEM SAIR DA EMPRESA 10 o assessor da Administração e a directora do Departamento Executivo de Operações do BES, responsável pelo desenvolvimento do novo serviço BES Express Cash • Crédito imediato sem necessidade de transporte físico dos valores • Data-valor do próprio dia no numerário • Ganho de um dia de data-valor nos cheques • Eficiência operativa no ‘back-office’ do cliente • Tratamento automático de grandes volumes de numerário • Detecção imediata de notas suspeitas • Maior segurança nos depósitos pela eliminação do risco nas deslocações ao banco • Informação de gestão acrescida Com o serviço BES Express Cash, o BES disponibiliza ao cliente um serviço à sua medida, com a possibilidade de combinação entre as soluções disponíveis de notas, moedas e cheques de acordo com as suas necessidades. Para cada loja, ponto de venda ou centro de distribuição são definidas as componentes necessárias, desde os equipamentos (como a digitalizadora de cheques, equipamento para depósito de notas, equipamento para depósito de moedas, instalação e configuração dos equipamentos, substituição do equipamento no final do prazo de vida útil e fornecimento de consumíveis), à assistência técnica, na qual se inclui o ‘help desk’ telefónico e assistência técnica aos equipamentos e ‘software’ em qualquer horário de funcionamento do cliente, com um nível de serviço a definir pelo mesmo. A oferta disponibilizada pelo BES Express Cash prevê ainda formação presencial sobre a utilização do equipamento e respectivo ‘software’ (com disponibilização de manuais do utilizador) e a disponibilização de informação de gestão, nomeadamente informação sobre fluxos financeiros. O serviço contempla ainda o crédito em conta de depósitos à ordem (depósito em conta dos valores de numerário e dos cheques e antecipação de datas-valor), bem como a gestão do transporte e tratamento de valores, que envolve um seguro de valores e a possibilidade de monitorização ‘on-line’ dos equipamentos e gestão de ‘plafonds’. sulta em detalhe das imagens dos cheques depositados e do seu estado: compensado, devolvido ou rejeitado. No caso de o estado do cheque ser “rejeitado”, é ainda indicado o motivo da sua rejeição ou invalidação na conferência de requisitos (por exemplo, falta de assinatura, falta de data, rasuras, etc.). Com o serviço BES Express Cash, o BES assegura ainda a existência de um seguro de valores que faz a cobertura de todos os montantes depositados nos equipamentos. Com este inovador serviço, o BES permite ao cliente efectuar um total ‘outsourcing’ de todas as actividades relacionadas com a gestão dos seus pagamentos em numerário (notas e moedas) e cheques, desde a sua recepção do consumidor, até ao seu crédito em conta de depósitos à ordem. FEV 13 SERVIÇO À MEDIDA DO CLIENTE 11 Corbis/VMI © do serviço BES Express Cash e permitem o depósito directo de todos os valores em numerário recebidos pelo cliente, realizando a contagem automática e verificação da autenticidade de todas as notas. O equipamento é monitorizado ‘on-line’ e permite efectuar créditos diários na conta do cliente, na hora definida pelo mesmo, todos os dias do ano, de acordo com os montantes depositados no equipamento. Com esta solução, o cliente tem a vantagem de poder antecipar o depósito em numerário em um dia, para os depósitos efectuados dentro do período indicado, tendo os fundos creditados e disponíveis no próprio dia do depósito e não no dia seguinte, como aconteceria caso necessitasse de transporte diário de valores pela empresa de transporte de valores. O equipamento e ‘software’ disponibilizados ao cliente permitem ainda a captura da imagem do cheque e o processamento central das remessas de cheques submetidas, o que se traduz no crédito do valor dos cheques na conta do cliente. Com esta solução, o cliente beneficia da vantagem de antecipar em um dia o crédito na sua conta, assim como a correspondente disponibilização de fundos, sem necessidade de transporte físico diário dos cheques. O BES desenvolveu ainda um ‘software’, único no mercado, que disponibiliza informação de gestão sobre os cheques depositados, numa visão do cliente e da sua gestão de tesouraria, em que o tipo de consultas permitidas varia em função do perfil de utilizador definido pelo próprio. Este novo ‘software’ permite ao cliente uma con- VANTAGENS PARA O CLIENTE CASE-STUDY Solas da Lixa para as principais marcas de calçado europeias 12 É a partir da Lixa, no concelho de Felgueiras, que a Atlanta fornece o mundo e as principais marcas de calçado europeias com as solas que produz. Investimentos constantes em equipamentos e em I&D levaram a que uma pequena empresa, fundada em 1995 com apenas cinco funcionários e uma capacidade de produção diária de 700 pares de solas monocolor, se transformasse numa referência no sector. “Podemos dizer que um dos pontos de viragem foi em 2003, quando construímos um pavilhão industrial de raiz, com uma área coberta de 2500 metros quadrados. No ano seguinte, instalámos um ERP [Enterprise Resource Planning] e implementámos o sistema de Gestão de Qualidade”, recorda Joana Meireles, administradora da empresa. O crescimento da Atlanta tem sido constante e contínuo, acompanhado da necessidade de aumentar as instalações – que hoje abrangem já oito mil metros quadrados de área coberta –, de comprar novos equipamentos e formar equipas de trabalho capazes de fazer os produtos e prestar os serviços que caracterizam a cultura da empresa. O resultado do investimento está patente numa capacidade de produção instalada de 20 mil pares de solas por dia – em monocolor, bicolor e tricolor, e em diversos materiais – e na presença directa e indirecta nos mercados europeu, asiático e americano, sem descurar oportunidades em qualquer latitude. Fotos: João Manuel Ribeiro FEV 13 ESTREOU-SE EM 1995 COM APENAS CINCO FUNCIONÁRIOS E UMA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE 700 PARES DE SOLAS POR DIA. HOJE, A ATLANTA PODE PRODUZIR ATÉ 20 MIL PARES DIÁRIOS E É LÍDER IBÉRICA NO SECTOR. A INOVAÇÃO SUSTENTA O CRESCIMENTO. “Orgulhamo-nos de ser considerada uma empresa de referência no sector, reconhecida pelos nossos pares, caracterizada pela capacidade técnica, de inovação e de desenvolvimento do produto”, reconhece a responsável. Um dos factores de diferenciação que contribui para o posicionamento da empresa no mercado reside na “forte capacidade de criar e produzir novos modelos, tendo em conta as tendências de moda, e em curtos espaços temporais”, adianta Joana Meireles, lembrando a importância do trabalho realizado com vários estilistas portugueses e estrangeiros, e dos olheiros que percorrem constantemente as principais capitais europeias a aferir a apetência dos consumidores. “Na Atlanta criamos verdadeiras parcerias com os clientes no desenvolvimento do seu produto. Dizemos muitas vezes que fazemos projectos chave-na-mão. Ajudamos o cliente na selecção das solas, mas também dos modelos de calçado, aportando informação sobre as tendências de moda. O cliente pode chegar à Atlanta sem uma ideia do que quer, mas provavelmente sairá com uma colecção de calçado definida para produção”, explica a administradora da empresa. A Atlanta prima por um nível de serviço e de produto “de excelente qualidade”, marcado pela “capacidade de resposta a nível temporal, não só na criação do modelo, como na entrega do produto”, um aspecto que se reveste de “primordial e crescente importância” no segmento pronto moda, lembra a administradora. “Os ciclos de produção do calçado têm vindo progressivamente a diminuir e nós temos de acompanhar esta tendência, o que obriga a ter equipamentos de ponta, grandes ‘stocks’ de matéria-prima e pessoal qualificado para o efeito”, justifica. No ciclo produtivo, toda a matéria-prima é sujeita Joana Meireles, administradora da Atlanta SOLA INOVADORA FAVORECE POSTURA CORRECTIVA A Atlanta tem uma patente de um calçado que favorece a postura correctiva. Em causa está um calçado inovador, desenvolvido em pareceria com o médico Alves da Silva, que se distingue do calçado dito convencional por apresentar uma ergonomia diferente, marcada pelo declive no dedo grande do pé e no calcanhar. A sola é feita numa conjugação de materiais que permitem manter uma determinada resiliência e a palmilha está equipada com uma placa de infra-vermelhos. A empresa tem em desenvolvimento um projecto de validação científica deste calçado, em pareceria com o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP) e uma universidade portuguesa. As novidades estão para breve. ATLANTA FACTS & FIGURES 878 colaboradores • 20 mil solas (capacidade • de produção diária) • 2000 modelos de solas registados no IHMI • 7,2 milhões de euros de facturação em 2012 (mais 10% face a 2011) • 95% do volume total de vendas em exportação directa e indirecta • Presente directa e indirectamente nos mercados europeu, asiático e americano • 10% de crescimento da facturação constantemente em I&D. Nessa área, Joana Meireles destaca um projecto que está a decorrer para o desenvolvimento de uma matéria-prima, e outro para desenvolvimento de um dispositivo/ aplicação para colocação em calçado, entre outros ainda em fase embrionária. CÓPIAS LESAM INVESTIMENTO EM I&D Apesar de devidamente registadas no Instituto de Harmonização no Mercado Interno (IHMI), as solas da Atlanta são alvo constante de cópias por parte de empresas concorrentes, que as vendem a preços baixos sem qualquer tipo de investimento em desenvolvimento. Joana Meireles lembra que este tipo de concorrência desleal deita por terra todo o trabalho inerente à criação e desenvolvimento de um modelo, nomeadamente a pesquisa das tendências de moda – que apenas se consegue com anos de experiência e muitas viagens –, o trabalho dos estilistas no desenvolvimento do desenho, o desenvolvimento da planta e da forma, e a selecção dos materiais e dos acabamentos. A ineficácia do sistema judicial em Portugal levou mesmo a equacionar deslocalizar a empresa para Espanha, onde para além de “um sistema judicial mais eficiente”, existe uma conjuntura “mais favorável ao desenvolvimento dos negócios” e “menos custos de contexto”. Os custos de contexto e ineficácia do sistema judicial, em paralelo com dificuldades nos licenciamentos, burocracia e excessiva carga fiscal, representam, de resto, os obstáculos com que a Atlanta hoje se depara e que são “transversais a todas as empresas portuguesas”, conclui a responsável. 13 a um rigoroso controlo de qualidade, o que, juntamente com a capacidade técnica adquirida ao longo dos anos, permite fazer “produtos de qualidade superior” e produzir solas de “grande complexidade técnica”, salienta. Para conseguir dar “uma resposta mais vertical” às necessidades dos clientes, a Atlanta lançou em 2011 uma nova unidade de pré-fabricação. “Era uma área que não dominávamos completamente, mas éramos muito aliciados pelos clientes para a trabalhar. Percebemos o que já se fazia no mercado, comprámos equipamento e constituímos uma equipa de trabalho, obviamente aproveitando uma série de sinergias e conhecimento que já existiam na empresa e que constituem uma mais-valia”, recorda a administradora. Para responder atempadamente aos desafios e às necessidades do mercado, a Atlanta investe FEV 13 como objectivo para 2013 CASE-STUDY Três faces de um projecto inovador. António Parreira, responsável da Ibergranatum, Nelson Domingos Brito, presidente da Câmara de Aljustrel, e o produtor/agricultor João Pacheco. A romã como motor de desenvolvimento de Aljustrel 14 FEV 13 A APROXIMAÇÃO DE ALJUSTREL AO MUNICÍPIO ESPANHOL DE LEPE DITOU A COOPERAÇÃO NA PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DA ROMÃ, UM FRUTO DE CRESCENTE INTERESSE A NÍVEL MUNDIAL. A EMPRESA IBÉRICA IBERGRANATUM DÁ SEGUIMENTO AO PROJECTO. Se a região de Lepe, em Espanha, tem uma zona de regadio e se desenvolveu, Aljustrel também se pode desenvolver. Foi este o pressuposto que norteou a aproximação da Câmara Municipal de Aljustrel ao Ayuntamento de Lepe, e que veio a dar origem ao protocolo de colaboração entre a Associação de Beneficiários do Roxo (ABROXO), em Aljustrel, e a Asociación General de Empresarios de Lepe (AGELEPE). Objectivo? Identificar oportunidades de cooperação e desenvolvimento para ambos os territórios. “Aljustrel é um concelho com forte dependência do sector mineiro. A criação de alternativas a esta actividade constitui-se como uma prioridade para o município, em particular potenciando as excelentes condições para a agricultura de que o território dispõe, beneficiando da expansão da rede secundária de Alqueva”, lembra Nelson Brito, presidente da autarquia de Aljustrel. Em encontros e reflexões conjuntas rapidamente se percebeu que a produção de romã, um fruto que está a gerar crescente interesse a nível mundial, cumpria o objectivo de cooperação transfronteiriça. “A cultura da romã está em grande expansão, e tanto em Lepe como no Alentejo existem agricultores a desenvolver essa cultura”, explica, por seu lado, António Parreira, presidente da ABROXO e que encabeça também a Ibergranatum, a empresa ibérica entretanto criada em Portugal e em Espanha para explorar o potencial deste fruto. Com o mesmo nome, os mesmos estatutos e o mesmo conselho de administração, as empresas são ambas participadas em 50% por cada uma das associações, estando previsto o alargamento a outras entidades que venham a ter interesse no sector, nomeadamente os produtores de romã. O estudo entretanto encomendado ao Centro Tecnológico de la Agroindustria (ADESVA) veio atestar o interesse na romã e trazer outras informações úteis, como a adaptação da cultura às condições locais, as variedades mais favoráveis e mais compatíveis com o que se faz a nível internacional, a definição de técnicas a praticar, sem esquecer as questões relacionadas com o regadio. Fotos: Neves António A romã beneficia de numerosas formas de aproveitamento, tanto para indústria alimentar, como para as indústrias especializadas em assuntos de saúde ou cosmética. No que toca à indústria alimentar, a oferta no mercado contempla bagos frescos, bagos congelados, bagos desidratados, sumos, néctares, marmeladas, barritas, vinhos, alimentos para crianças e iogurtes. Um dos mais recentes extractos à venda no mercado de suplementos nutricionais obtém-se a partir da casca de romã, um produto com propriedades anti-oxidantes, anti-cancerígenas e protectoras do sistema cardiovascular, que se vende em forma de pó ou cápsulas, como complemento nutricional. No que respeita a produtos de saúde e beleza, a romã é utilizada sob a forma de extractos de compostos anti-oxidantes, apresentados em cápsulas e bagos, cremes, óleos, tónicos e xaropes. Outra das possibilidades de utilização da romã é a alimentação animal, à qual se pode destinar a casca húmida do fruto. FEV 13 O POTENCIAL DA ROMÃ 15 O estudo revelou ainda tratar-se de uma cultura com mercado e viabilidade económica e de fácil implementação por parte dos agricultores. “O investimento num hectare de romã é o equivalente ao investimento num hectare de olival. A cultura demora três anos a desenvolver e tem um rácio de aproveitamento de produto fresco de qualidade de 40%a 60%”, revela António Parreira. O estudo realizado pela ADESVA representa apenas uma parte do apoio técnico que a empresa pretende dar aos agricultores que a ela se associem, através de entradas no seu capital. O modelo de organização prevê que os agricultores apenas tenham de se preocupar com o cultivo, enquanto a Ibergranatum se encarrega da conservação, distribuição, comercialização, transformação e escoamento de toda a matéria-prima. “Vamos procurar o escoamento em todas as áreas possíveis e nos mercados que possam rentabilizar mais o produto”, explica António Parreira. O investimento na produção fica por conta dos agricultores, mas a Ibergranatum dá uma ajuda no encaminhamento para as linhas de financiamento previstas no PRODEP, ao mesmo tempo que tenta negociar linhas de financiamento mais favoráveis junto da banca. “A empresa fica ao serviço de todos e os dividendos são distribuídos, ou reinvestidos”, explica António Parreira, lembrando a receptividade à entrada de investidores interessados no pólo industrial a que a romã deverá dar origem. Em causa estão não só as unidades de conservação, como as de transformação em sumo e, numa fase posterior, a de preparação de embalagens de romã pronta a consumir. “Estas unidades industriais estão previstas para a zona que tiver mais área de cultura, que acredito que seja Portugal, pelo potencial da zona de regadio”, explica António Parreira. A parceria ibérica pode mesmo vir a dar origem ao maior pomar de romãs da Península Ibérica. O líder associativo lembra que, neste momento, o maior pomar de romã fica em Espanha e tem apenas 2000 hectares, uma área facilmente ultrapassável pela abrangência da zona de regadio do Roxo, que este ano ascenderá aos 16 mil hectares, podendo chegar, a curto prazo, a 23 mil hectares, resultado da conclusão da ligação Alqueva-Roxo. “Precisamos de agro-indústria para desenvolver o regadio no Alentejo, e a romã pode vir a ser um grande motor de desenvolvimento da região”, aponta António Parreira. Por agora, esta parceria ibérica aponta apenas para a romã mas, segundo o autarca alentejano, Nelson Brito, poderá vir a ser alargada a outras culturas e actividades que venham a revelar-se úteis para o desenvolvimento da empresa e da região. Para além de actuar como catalisador, “sentando os parceiros à mesma mesa”, a Câmara de Aljustrel promete continuar a dinamizar iniciativas como a Feira do Campo Alentejano e a apostar no alargamento dos parques empresarias do concelho, no sentido de acolher novas empresas associadas à actividade agrícola. Sem esquecer o investimento na requalificação de infra-estruturas de apoio à actividade económica, nomeadamente à agricultura.