Foto: ©Digital Art/Corbis/VMI
Esta revista faz parte integrante do Diário Económico n.º 5614 FEVEREIRO 2013
Inovação tecnológica
ao serviço da educação
Espírito Santo Ventures investe na Weduc
IBERGRANATUM
Romã ibérica promove crescimento no Alentejo
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Weduc
Educar activamente já não custa nada.
É este o lema da Weduc, uma plataforma
de comunicação em rede que liga pais, alunos,
professores e escolas, utilizando o modelo
de rede social, com total segurança e privacidade.
Entrevista
Apoiar a transição da I&D de ponta em Portugal
para o mercado é a missão do programa
COHiTEC e da iniciativa Act. Pedro Vilarinho
lidera ambos processos e acompanha de perto
projectos de elevado potencial de crescimento.
BES Express Cash
Imagine que na sua empresa não precisa
de ir fisicamente ao banco fazer o depósito
de numerário e cheques para que os montantes
sejam automaticamente creditados na sua
conta. Já é possível. E é um serviço BES.
Case-study
Estreou-se em 1995 só com cinco funcionários
e uma capacidade de produção de 700 pares
de solas por dia. Hoje, a Atlanta pode produzir
até 20 mil pares diários e é líder ibérica
no sector. A inovação sustenta o crescimento.
Case-study
A proximidade de Aljustrel ao município
espanhol de Lepe ditou a cooperação
na produção e transformação da romã,
um fruto de crescente interesse a nível mundial.
A Ibergranatum dá seguimento ao projecto.
WEDUC
Primeira
rede social
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FEV 13
para a educação
EDUCAR ACTIVAMENTE
JÁ NÃO CUSTA NADA.
É ESTE O LEMA DA WEDUC,
UMA PLATAFORMA DE COMUNICAÇÃO
EM REDE QUE LIGA PAIS, ALUNOS,
PROFESSORES E ESCOLAS, UTILIZANDO
O MODELO DE REDE SOCIAL
COM TOTAL SEGURANÇA
E PRIVACIDADE.
A Weduc é a única rede social no mundo dedicada à educação a 360º. Criada e desenvolvida em Portugal, a plataforma está já a ser utilizada por muitas escolas públicas e privadas,
escolas de actividades e entidades ligadas ao
mundo educativo, permitindo aos pais ter uma
visão e relação alargada com todos os agentes educativos que fazem parte da sua vida real. A Weduc permite construir uma rede de ligações seguras dentro da plataforma, acedendo às mensagens, fotografias, vídeos ou avaliações com toda a conveniência de um computador com ligação à Internet, ‘tablet’ ou ‘smartphone’.
Mais do que uma plataforma de escolas, a Weduc diferencia-se pela sua abrangência. Os pais
conseguem acompanhar, com total privacidade,
e numa única plataforma, a educação dos seus
filhos nas várias entidades educativas que frequentam, desde a escola curricular, a escolas de
actividades (como música, línguas e desporto),
aos explicadores.
A Weduc lançou, a 15 de Janeiro último, a versão
gratuita e qualquer escola, professor ou encarregado de educação pode espoletar o processo de
utilização da plataforma com um registo, sendo
sempre validada a identidade das várias instituições e entidades participantes para garantia de
privacidade.
Os promotores acreditam que este novo modelo
de adesão vai permitir a massificação da utilização da plataforma e a possibilidade de se desenvolver a educação em rede, começando por uma
turma, escola ou associação de pais e alargando
a nível regional.
A comunicação escola-família tem sido uma prioridade nos actuais modelos pedagógicos, mas na
prática não existem soluções reais que permitam
aos pais a proximidade e envolvência pretendida,
até porque os estilos de vida são cada vez mais
SEGURANÇA,
ACESSIBILIDADE
E ABRANGÊNCIA
A Weduc assume-se como uma nova forma
de interagir e evoluir na educação em Portugal. A diferenciação desta inovadora plataforma reside na utilização de um modelo
de relacionamento social seguro aplicado à
educação, em que os pais têm um papel activo muito relevante, efectivando a relação
escola-família.
A integração de um alargado leque de entidades participantes – onde se incluem escolas curriculares, escolas de actividades,
explicadores, associações de pais e outras
entidades educativas – numa rede organizada e com regras de privacidade muito
exigentes representa outro dos factores
distintivos da iniciativa ‘made in’ Portugal.
A acessibilidade, suportada num modelo-base sem custos, que considera uma visão
agregadora da comunicação e disponibilização de conteúdos de várias entidades,
desde o micro-produtor ao grande editor, é
outro dos elementos diferenciadores a considerar.
ESPÍRITO SANTO VENTURES
E BUSYANGELS INVESTEM NA WEDUC
Os últimos desenvolvimentos da Weduc dão conta do investimento da Espírito Santo Ventures, a
sociedade de capital de risco do Grupo Espírito
Santo, nesta rede social para a educação, criada
e desenvolvida em Portugal, e já em utilização em
muitas escolas por todo o país.
A plataforma Weduc assume-se como um projecto inovador e diferenciador, no qual a Espírito Santo Ventures investiu com vista a apoiar a
sua massificação, ao tornar gratuito o acesso ao
serviço.
O objectivo do investimento passa também por
promover a internacionalização da plataforma,
ao financiar a entrada no mercado brasileiro no
decorrer do primeiro semestre de 2013. O investimento estimado nesta fase é de um milhão de
euros.
Recorde-se que a indústria das tecnologias na
educação é cada vez mais competitiva e inovadora e tem atraído a atenção dos investidores em
todo o mundo.
Em 2012, o investimento de capitais de risco nos
Estados Unidos neste sector ascendeu a 600 milhões de dólares, quase mais 50% do que em
2011.
A Espírito Santo Ventures, que investe em empresas de base tecnológica com modelos de negócio inovadores e grande potencial de crescimento
em todo o mundo, está atenta ao potencial deste sector e escolheu a Weduc como o primeiro investimento na área educativa.
GÉNESE DA WEDUC
A Weduc foi fundada em 2009 por Pedro
Barros e Paulo Mateus, dois ex-colegas de
faculdade (ver entrevista nas páginas seguintes) e um conjunto de empreendedores
portugueses, com o objectivo de materializar a visão de uma educação ligada em
rede e de dotar a solução de uma dimensão
internacional. A plataforma conta já com
cerca de 13 mil utilizadores, distribuídos por
escolas de todo o país.
FEV 13
exigentes. Aproveitando as tendências de utilização da Internet com os novos modelos de relacionamento sociais, a Weduc assume-se como uma
nova forma de interagir e evoluir na educação em
Portugal.
A Weduc é uma ferramenta profissional a
que qualquer escola pode ter acesso, independentemente da sua dimensão, uma vez
que não exige qualquer infra-estrutura ou
investimento. Basta um computador ligado
à Internet.
A plataforma disponibiliza a cada escola
a possibilidade de apresentar informação
sobre si, alargando a sua visibilidade e presença institucional.
E porque o sucesso de uma escola passa
também pela capacidade de ir ao encontro
das expectativas dos pais, a Weduc facilita
esse processo, ao mesmo tempo que promove o seu envolvimento e fidelização.
A Weduc funciona também como repositório de informação, apresentando-se como
uma solução ecológica, que poupa recursos
e rentabiliza procedimentos, ao usar a facilidade digital na execução de tarefas rotineiras.
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DR
UMA SOLUÇÃO PARA
TODAS AS ESCOLAS
ENTREVISTA A PEDRO BARROS E PAULO MATEUS | Administradores da Weduc
“Estamos certos que temos algo
de único e muito bom”
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FEV 13
GÉNESE, EVOLUÇÃO E PROJECTOS DA ÚNICA REDE SOCIAL NO MUNDO DEDICADA À EDUCAÇÃO A 360º, QUE CONTOU
RECENTEMENTE COM O INVESTIMENTO DA ESPÍRITO SANTO VENTURES. JÁ EM FASE DE INTERNACIONALIZAÇÃO.
Podem falar um pouco do vosso percurso académico e profissional anterior ao lançamento
da Weduc, no sentido de como influenciaram
o surgimento da plataforma?
Pedro Barros (PB) – A história começa como colegas de faculdade, no ISEG, onde estudámos Gestão. Mais tarde reencontrámo-nos com alguma
maturidade profissional, carreiras internacionais,
o Paulo ligado à área financeira com uma visão de
globalização e consultor internacional, e eu ligado
ao marketing e comunicação com competências
nos modelos de relacionamento e comunicação
digital. E com um ponto em comum: ambos pais.
Quando e em que contexto percebeu que existia uma oportunidade para criar uma plataforma de comunicação em rede para a educação?
Paulo Mateus (PM) – Passava muito tempo fora
do país e sentia uma grande necessidade de poder estar mais próximo do dia-a-dia dos meus filhos. Havia uma grande lacuna nos modelos de
comunicação das escolas com a família e a ideia
de uma plataforma dedicada à educação acabou por ser natural, pois estávamos habituados
a utilizar plataformas de comunicação para nos
relacionarmos com amigos ou colegas espalhados pelo mundo. Adaptámos esse conceito para
as escolas, com um foco grande na privacidade e
um modelo mais social, alinhado com as tendências de comunicação na Internet.
Com quem partilhou inicialmente a ideia e qual
o grande factor de inovação? Pode dizer-se que
é uma espécie de Facebook da educação?
PB - Começámos por envolver muitas pessoas ligadas à área educativa, como professores e directores, para incorporarmos as suas necessidades,
mas sem nunca perdermos a visão de encarregado de educação, na qual residia a grande diferença. A vida educativa de uma criança não se esgo-
ta na escola curricular; passa também pela relação com as escolas de desporto, de línguas, música, ATL ou explicadores. Podermos dar aos pais o
poder de ter todas as pessoas que intervêm na vida dos seus filhos numa única plataforma, com todo o histórico de notas, fotografias, vídeos e ficheiros, era um grande factor de diferenciação, facilmente percebido por todos os interlocutores. Não
desenvolvemos a plataforma na perspectiva tradicional da aplicação informática, mas com uma lógica abrangente e social, onde a semelhança com
o Facebook é na perspectiva da simplicidade da
utilização, interacção e comunidade, mas não tem
nada que ver com o fazer amigos ou com a abertura na partilha de informação.
Paulo Mateus e Pedro Barros,
administradores da Weduc
Qual a importância do investimento da Espírito Santo Ventures na plataforma e o que re-
‘
presenta o facto de ser o primeiro investimento da capital de risco na área educativa?
PM – A Espírito Santo Ventures entendeu muito
bem o potencial da plataforma e o modelo de negócio que tínhamos desenhado. A experiência de
toda a equipa e a profissionalização de um parceiro institucional é muito importante e vai ajudar a
ultrapassar obstáculos. Portugal não é tradicionalmente um país empreendedor, mas está cheio de
criativos e batalhadores e essa percepção é visível
no relacionamento que a Espírito Santo Ventures
tem connosco, enquanto promotores. Respeitam
a nossa estratégia e dão-nos motivação e apoio.
Têm surgido muitas novas empresas com ideias
inovadoras ligadas à educação, portanto o facto
de termos sido destacados com a confiança deste
parceiro é para nós uma enorme satisfação.
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A Weduc, sendo a única rede social no mundo
dedicada à educação a 360º, pretende chegar
a outros mercados. Pode falar um pouco da
estratégia de internacionalização prevista?
PM – Temos recebido vários contactos de diferentes países, mas preferimos ser cautelosos na
abertura formal a novos mercados, embora qualquer escola possa utilizar a versão inglesa da plataforma. Estamos a preparar as versões brasileira e espanhola, pois ainda este semestre teremos, a partir do Brasil, a abordagem à América
Latina, com equipa própria.
A conveniência de um acesso 24 horas, mesmo através de um
‘smartphone’, aproxima os pais e torna-os mais intervenientes
na educação dos filhos.
Em que fase de maturação se encontra a Weduc e quais os próximos passos?
PM – Um, envolve a internacionalização a partir
do Brasil, e outro, o lançamento de um novo serviço da plataforma, para o qual estamos a procurar fornecedores de produtos e serviços ligados à
área educativa que nos ajudem a acrescentar valor às escolas e seus públicos.
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Uma ideia inovadora depara-se sempre com
alguma resistência. Quais os factores de resistência mais comuns e como procuram contorná-los?
PB – A evangelização da digitalização na comunicação escolar é um trabalho que teremos de fazer, ultrapassando o mito de que isso afasta mais
os pais da escola. Pais mais informados constroem relações mais fortes com a escola e com
os educadores e participam mais. É muito difícil,
com o estilo de vida que temos, conseguir estar
a uma sexta-feira às 11 horas para falar com a
directora de turma. A conveniência de um acesso 24 horas, mesmo através de um ‘smartphone’,
aproxima os pais e torna-os mais intervenientes
na educação dos filhos. Sempre abordámos as
escolas para mostrar a mais-valia que a Weduc
podia levar aos seus projectos pedagógicos, mas
agora estamos também a utilizar a recomendação dos pais e das associações de pais para implementar mais rapidamente a Weduc.
Fotos: Bernardo S. Lobo
Qual tem sido a receptividade à plataforma?
A ideia é massificar a sua utilização. Isso está
a ser conseguido?
PM – Sempre tivemos a melhor das receptividades, o que nos deu a convicção de que a Weduc seria um sucesso. Nos últimos dois anos, temos estado a preparar a plataforma com mais funcionalidades e para um novo modelo de adesão num formato mais viral, mas sem perder a garantia de que
todas as escolas e utilizadores são reais. No final
do ano passado conseguimos, com a participação
da Espírito Santo Ventures no nosso capital, fechar
um plano de implementação que passa por disponibilizar a Weduc sem qualquer custo, numa versão-base muito potente, e desenhar um plano de
internacionalização ambicioso. Só com a partilha
de visão deste novo accionista é que conseguíamos atingir o nosso objectivo de democratizar o
acesso à Weduc, quer seja um grande colégio, uma
escola pública ou um simples explicador.
ENTREVISTA A PEDRO VILARINHO | Director do Act e do COHiTEC
“O foco está em projectos
de elevado potencial
de crescimento”
APOIAR A TRANSIÇÃO DA I&D DE PONTA EM PORTUGAL PARA O MERCADO.
A VISÃO DE QUEM LIDERA O PROGRAMA COHITEC E A INICIATIVA ACT.
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FEV 13
‘
re uma entrevista em que se avalia um conjunto de factores que têm que ver com a equipa proponente, como por exemplo a intenção empreendedora ou o domínio da tecnologia. Em segundo
lugar, avalia-se, com base no formulário de candidatura, um conjunto de factores relacionados
com a tecnologia, como por exemplo as suas características únicas ou a gama de aplicações que
pode potenciar.
As áreas de investigação em que surgem mais
projectos são também as mais promissoras
no que toca ao potencial de mercado?
Não. Tipicamente surgem mais projectos nas
áreas em que o investimento em ciência tem sido maior e as opções de saída profissional para
os investigadores é mais limitada. O potencial de
Tipicamente surgem mais projectos nas áreas em que o
investimento em ciência tem sido maior e as opções de saída
profissional para os investigadores é mais limitada.
lugar, induzir competências na área de comercialização de tecnologia nos participantes. A característica distintiva do COHiTEC (e do Act) é o foco em projectos de elevado potencial de crescimento e, por isso, todo o Programa é construído
em torno da procura de necessidades de mercado que, não estando ainda satisfeitas, podem ser
cobertas por produtos obtidos pelas tecnologias
propostas pelos investigadores. Os projectos com
maior potencial são posteriormente apoiados no
âmbito do Act, no desenvolvimento do plano de
negócios e na procura de investidores.
Procuram fazer uma selecção rigorosa dos
projectos que se apresentam ao programa
COHiTEC. Que factores são determinantes para avançar?
Os projectos são seleccionados com base em dois
critérios fundamentais. Em primeiro lugar, decor-
mercado não está directamente relacionado com
a área de investigação que está na base dos projectos. Já recebemos projectos de elevado potencial numa grande diversidade de áreas.
Face à escassez de recursos públicos, faria
sentido definir áreas prioritárias de apoio à
investigação?
Não me parece uma boa ideia, porque se poderia
estar a colocar o futuro da investigação na mão
de decisores que não têm – e/ou não podem ter
– toda a informação necessária para definir essas prioridades. A redução do investimento público em investigação pode ser perigosa, porque poderemos estar a hipotecar o futuro e a deitar a
perder os resultados alcançados nas últimas décadas. Além disso, não estou muito certo de que
possa ter um impacto significativo nas contas do
Estado. Na minha opinião, poder-se-á melhorar a
Bruno Barbosa
Imagine que está perante uma plateia de investigadores responsáveis por investigação
com potencial para chegar ao mercado. O que
lhes diria sobre as vantagens do COHiTEC e do
Act? Como os cativaria?
O Act (Acelerador de Comercialização de Tecnologias) é uma iniciativa da COTEC, que tem por
objectivo ajudar os investigadores de instituições de I&D portuguesas no processo de comercialização de tecnologia, desde o laboratório até
ao mercado. O Programa COHiTEC é a porta de
entrada nesta iniciativa e consiste numa acção
de formação que tem dois objectivos principais.
Em primeiro lugar, ajudar a avaliar o potencial
comercial de produtos que podem ser obtidos a
partir das tecnologias propostas pelos investigadores que participam no Programa. Em segundo
utilização dos recursos através de ganhos de escala – por exemplo, fundindo unidades de investigação que realizam trabalhos em áreas muito
próximas – ou colocando no terreno um processo
de avaliação que promova o mérito e elimine do
sistema os que já tiveram a sua oportunidade e
não a aproveitaram.
Existem projectos que, mesmo premiados em
concursos de ideias e de empreendedorismo
internacionais, têm dificuldade em encontrar
investidores. Em que áreas é mais difícil atrair
investidores e porquê?
Não há qualquer relação entre a avaliação de um
projecto num concurso de ideias/empreendedorismo e o ‘due dilligence’ realizado por um investidor. Um projecto pode ganhar o concurso de planos de negócio mais prestigiado do mundo e não
resistir cinco minutos ao ‘due dilligence’ de um in-
Pedro Vilarinho,
Que implicações tem tido o ambiente de austeridade na área em que actua, quer do lado
das empresas, quer dos investidores?
Como actuamos somente em projectos de elevado potencial de crescimento, o número de projectos que acompanhamos até aos investidores é
reduzido e, como tal, ainda não sentimos essa dificuldade. De qualquer forma, os próximos projec-
tos que irão precisar de investimento são da área
das ciências da vida e, por isso, já estamos à procura de investidores internacionais.
Qual o balanço do programa COHiTEC no que
toca a volume de negócios e emprego criado
pelas empresas que por ele têm passado? Alguma tem potencial para ter a dimensão de
uma Apple dentro de dez ou vinte anos?
Não temos informação completa sobre todas as
empresas que foram criadas por participantes no
Programa COHiTEC. Sabemos que foram apresentados 116 projectos de negócios nas sessões
finais do COHiTEC e que, destes projectos, 16 resultaram em empresas, e ainda que há pelo menos mais nove que foram criadas por promotores
que participaram no Programa. Das empresas
que acompanhámos pós-COHiTEC temos mais
informação. O montante investido nestas em-
presas excede os 15 milhões de euros, empregam
cerca de 35 pessoas e somente uma delas já está a facturar: em 2012 facturou cerca de dois milhões de euros. Uma das empresas apoiadas pelo Act acabou de inaugurar uma fábrica, na qual
foram investidos cerca de 20 milhões de euros e
que começará a facturar no primeiro trimestre
deste ano, prevendo-se que em 2012 facture mais
de cinco milhões de euros.
Tem acompanhado de perto, enquanto jurado, o Concurso Nacional de Inovação BES. Que
balanço que faz da iniciativa?
O BES Inovação é, na minha opinião, a iniciativa
mais importante no fomento ao empreendedorismo que se realiza em Portugal. O prestígio que
alcançou, a sua longevidade e as parcerias que
tem conseguido forjar permitem-lhe atrair projectos de grande qualidade.
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vestidor. A razão tem que ver com o nível de detalhe com que o projecto é avaliado nestas duas situações. Por isso, não acho estranho que muitos
projectos que ganham concursos não encontrem
depois investidores. As áreas em que é mais difícil
atrair investidores são aquelas em que a tecnologia está mais longe do produto final – por exemplo, na engenharia de materiais – ou em que as
barreiras regulamentares são muito importantes
– por exemplo, nas ciências da vida.
FEV 13
director do Acelerador de Comercialização
de Tecnologias (Act) da COTEC e do COHiTEC
BES EXPRESS CASH
Inovação e pioneirismo
nos serviços financeiros
IMAGINE QUE NÃO PRECISA DE IR FISICAMENTE AO BANCO FAZER O DEPÓSITO DE NUMERÁRIO E CHEQUES
PARA QUE OS MONTANTES SEJAM AUTOMATICAMENTE CREDITADOS NA SUA CONTA. O BES IMAGINOU E FEZ. CHAMA-SE BES EXPRESS
CASH. CONHEÇA AS VANTAGENS.
A gestão eficiente dos meios de pagamento físicos
(numerário e cheques) por parte dos clientes sempre foi uma preocupação do Banco Espírito Santo
(BES), no sentido de procurar medidas para melhorar a sua eficiência.
A relação de proximidade entre o BES e os seus
clientes empresa permitiu estudar e apresentar
soluções que respondem às necessidades dos
mesmos, incluindo a análise e desenvolvimento
de um serviço de depósito remoto, que teve início em 2010, depois de uma extensa investigação
a nível europeu com vários especialistas em numerário e da participação em diversas conferências sobre o tema.
Recorrendo a todas as valências acumuladas, a
área de Operações do BES iniciou o desenho e implementação de um serviço integrado de Gestão
de Tesouraria para os seus clientes empresa, envolvendo um conceito de depósito remoto ainda
em fase embrionária na Europa.
“O conceito de depósito remoto, permitindo uma
gestão optimizada da tesouraria das empresas,
é um conceito recente. Destaca-se o carácter de
inovação e pioneirismo que este produto representa, não só no mercado português, mas igualmente
no mercado europeu, sendo o BES um banco pioneiro nesta inovação”, explica Ana Delgado, directora do Departamento Executivo de Operações dirigido e coordenado por Jorge Lopes da Silva. Ana
Delgado acabou de defender no ISCTE Business
School uma tese sobre “Gestão de Tesouraria em
Clientes: Depósito Remoto”, tendo como orientador o professor Vivaldo Mendes.
O projecto desenvolvido pelo BES, que veio a dar
origem ao serviço BES Express Cash, vem contribuir para a inovação nos serviços financeiros,
uma área com grande destaque a nível europeu e
que tem colocado Portugal na linha de frente nos
‘benchmark’ e ‘case-studies’ internacionais.
Jorge Lopes da Silva e Ana Paula Delgado,
O BES desenvolveu um serviço integrado de gestão de tesouraria para os seus clientes empresa,
que envolve o tratamento automático de numerário (notas e moedas) e cheques, permitindo o
seu crédito automático em conta de depósito à
ordem, nas instalações do cliente, sem necessidade de transporte físico dos mesmos.
O equipamento de depósitos e respectivo ‘software’ são disponibilizados ao cliente no âmbito
Bernardo S. Lobo
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DEPÓSITO DE NUMERÁRIO E CHEQUES
SEM SAIR DA EMPRESA
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o assessor da Administração e a directora do Departamento
Executivo de Operações do BES, responsável pelo
desenvolvimento do novo serviço BES Express Cash
• Crédito imediato sem necessidade
de transporte físico dos valores
• Data-valor do próprio dia no numerário
• Ganho de um dia de data-valor
nos cheques
• Eficiência operativa no ‘back-office’
do cliente
• Tratamento automático de grandes
volumes de numerário
• Detecção imediata de notas suspeitas
• Maior segurança nos depósitos
pela eliminação do risco nas deslocações
ao banco
• Informação de gestão acrescida
Com o serviço BES Express Cash, o BES disponibiliza ao cliente um serviço à sua medida,
com a possibilidade de combinação entre as
soluções disponíveis de notas, moedas e cheques de acordo com as suas necessidades.
Para cada loja, ponto de venda ou centro de
distribuição são definidas as componentes
necessárias, desde os equipamentos (como a
digitalizadora de cheques, equipamento para
depósito de notas, equipamento para depósito de moedas, instalação e configuração dos
equipamentos, substituição do equipamento
no final do prazo de vida útil e fornecimento de consumíveis), à assistência técnica, na
qual se inclui o ‘help desk’ telefónico e assistência técnica aos equipamentos e ‘software’
em qualquer horário de funcionamento do
cliente, com um nível de serviço a definir pelo
mesmo.
A oferta disponibilizada pelo BES Express
Cash prevê ainda formação presencial sobre a utilização do equipamento e respectivo
‘software’ (com disponibilização de manuais
do utilizador) e a disponibilização de informação de gestão, nomeadamente informação
sobre fluxos financeiros.
O serviço contempla ainda o crédito em conta de depósitos à ordem (depósito em conta dos valores de numerário e dos cheques
e antecipação de datas-valor), bem como a
gestão do transporte e tratamento de valores, que envolve um seguro de valores e a
possibilidade de monitorização ‘on-line’ dos
equipamentos e gestão de ‘plafonds’.
sulta em detalhe das imagens dos cheques depositados e do seu estado: compensado, devolvido
ou rejeitado. No caso de o estado do cheque ser
“rejeitado”, é ainda indicado o motivo da sua rejeição ou invalidação na conferência de requisitos (por exemplo, falta de assinatura, falta de data, rasuras, etc.).
Com o serviço BES Express Cash, o BES assegura
ainda a existência de um seguro de valores que
faz a cobertura de todos os montantes depositados nos equipamentos.
Com este inovador serviço, o BES permite ao
cliente efectuar um total ‘outsourcing’ de todas
as actividades relacionadas com a gestão dos
seus pagamentos em numerário (notas e moedas) e cheques, desde a sua recepção do consumidor, até ao seu crédito em conta de depósitos
à ordem.
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SERVIÇO À MEDIDA
DO CLIENTE
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Corbis/VMI
©
do serviço BES Express Cash e permitem o depósito directo de todos os valores em numerário recebidos pelo cliente, realizando a contagem automática e verificação da autenticidade de todas
as notas.
O equipamento é monitorizado ‘on-line’ e permite efectuar créditos diários na conta do cliente,
na hora definida pelo mesmo, todos os dias do
ano, de acordo com os montantes depositados no
equipamento.
Com esta solução, o cliente tem a vantagem de
poder antecipar o depósito em numerário em um
dia, para os depósitos efectuados dentro do período indicado, tendo os fundos creditados e disponíveis no próprio dia do depósito e não no dia
seguinte, como aconteceria caso necessitasse
de transporte diário de valores pela empresa de
transporte de valores.
O equipamento e ‘software’ disponibilizados ao
cliente permitem ainda a captura da imagem do
cheque e o processamento central das remessas
de cheques submetidas, o que se traduz no crédito do valor dos cheques na conta do cliente. Com
esta solução, o cliente beneficia da vantagem de
antecipar em um dia o crédito na sua conta, assim como a correspondente disponibilização de
fundos, sem necessidade de transporte físico diário dos cheques.
O BES desenvolveu ainda um ‘software’, único no
mercado, que disponibiliza informação de gestão sobre os cheques depositados, numa visão do
cliente e da sua gestão de tesouraria, em que o
tipo de consultas permitidas varia em função do
perfil de utilizador definido pelo próprio.
Este novo ‘software’ permite ao cliente uma con-
VANTAGENS
PARA O CLIENTE
CASE-STUDY
Solas da Lixa para as principais
marcas de calçado europeias
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É a partir da Lixa, no concelho de Felgueiras, que
a Atlanta fornece o mundo e as principais marcas
de calçado europeias com as solas que produz.
Investimentos constantes em equipamentos e
em I&D levaram a que uma pequena empresa,
fundada em 1995 com apenas cinco funcionários
e uma capacidade de produção diária de 700 pares de solas monocolor, se transformasse numa
referência no sector.
“Podemos dizer que um dos pontos de viragem foi
em 2003, quando construímos um pavilhão industrial de raiz, com uma área coberta de 2500 metros quadrados. No ano seguinte, instalámos um
ERP [Enterprise Resource Planning] e implementámos o sistema de Gestão de Qualidade”, recorda
Joana Meireles, administradora da empresa.
O crescimento da Atlanta tem sido constante e
contínuo, acompanhado da necessidade de aumentar as instalações – que hoje abrangem já oito
mil metros quadrados de área coberta –, de comprar novos equipamentos e formar equipas de trabalho capazes de fazer os produtos e prestar os
serviços que caracterizam a cultura da empresa.
O resultado do investimento está patente numa
capacidade de produção instalada de 20 mil pares de solas por dia – em monocolor, bicolor e tricolor, e em diversos materiais – e na presença directa e indirecta nos mercados europeu, asiático e americano, sem descurar oportunidades em
qualquer latitude.
Fotos: João Manuel Ribeiro
FEV 13
ESTREOU-SE EM 1995 COM APENAS CINCO FUNCIONÁRIOS E UMA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO
DE 700 PARES DE SOLAS POR DIA. HOJE, A ATLANTA PODE PRODUZIR ATÉ 20 MIL PARES DIÁRIOS E É LÍDER IBÉRICA NO SECTOR.
A INOVAÇÃO SUSTENTA O CRESCIMENTO.
“Orgulhamo-nos de ser considerada uma empresa de referência no sector, reconhecida pelos nossos pares, caracterizada pela capacidade técnica, de inovação e de desenvolvimento do produto”, reconhece a responsável.
Um dos factores de diferenciação que contribui
para o posicionamento da empresa no mercado reside na “forte capacidade de criar e produzir
novos modelos, tendo em conta as tendências de
moda, e em curtos espaços temporais”, adianta
Joana Meireles, lembrando a importância do trabalho realizado com vários estilistas portugueses e estrangeiros, e dos olheiros que percorrem
constantemente as principais capitais europeias
a aferir a apetência dos consumidores.
“Na Atlanta criamos verdadeiras parcerias com
os clientes no desenvolvimento do seu produto. Dizemos muitas vezes que fazemos projectos chave-na-mão. Ajudamos o cliente na selecção das solas, mas também dos modelos de calçado, aportando informação sobre as tendências
de moda. O cliente pode chegar à Atlanta sem
uma ideia do que quer, mas provavelmente sairá
com uma colecção de calçado definida para produção”, explica a administradora da empresa.
A Atlanta prima por um nível de serviço e de produto “de excelente qualidade”, marcado pela “capacidade de resposta a nível temporal, não só na
criação do modelo, como na entrega do produto”, um aspecto que se reveste de “primordial e
crescente importância” no segmento pronto moda, lembra a administradora.
“Os ciclos de produção do calçado têm vindo progressivamente a diminuir e nós temos de acompanhar esta tendência, o que obriga a ter equipamentos de ponta, grandes ‘stocks’ de matéria-prima e pessoal qualificado para o efeito”, justifica.
No ciclo produtivo, toda a matéria-prima é sujeita
Joana Meireles,
administradora da Atlanta
SOLA INOVADORA
FAVORECE POSTURA
CORRECTIVA
A Atlanta tem uma patente de um calçado
que favorece a postura correctiva. Em causa
está um calçado inovador, desenvolvido em
pareceria com o médico Alves da Silva, que
se distingue do calçado dito convencional por
apresentar uma ergonomia diferente, marcada pelo declive no dedo grande do pé e no
calcanhar. A sola é feita numa conjugação de
materiais que permitem manter uma determinada resiliência e a palmilha está equipada
com uma placa de infra-vermelhos.
A empresa tem em desenvolvimento um projecto de validação científica deste calçado, em
pareceria com o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP) e uma universidade
portuguesa. As novidades estão para breve.
ATLANTA FACTS
& FIGURES
878 colaboradores
• 20 mil solas (capacidade
•
de produção diária)
•
2000 modelos de solas registados
no IHMI
•
7,2 milhões de euros de facturação
em 2012 (mais 10% face a 2011)
•
95% do volume total de vendas
em exportação directa e indirecta
• Presente directa e indirectamente nos
mercados europeu, asiático e americano
•
10% de crescimento da facturação
constantemente em I&D. Nessa área, Joana Meireles destaca um projecto que está a decorrer
para o desenvolvimento de uma matéria-prima,
e outro para desenvolvimento de um dispositivo/
aplicação para colocação em calçado, entre outros ainda em fase embrionária.
CÓPIAS LESAM INVESTIMENTO EM I&D
Apesar de devidamente registadas no Instituto
de Harmonização no Mercado Interno (IHMI), as
solas da Atlanta são alvo constante de cópias por
parte de empresas concorrentes, que as vendem
a preços baixos sem qualquer tipo de investimento em desenvolvimento.
Joana Meireles lembra que este tipo de concorrência desleal deita por terra todo o trabalho inerente à criação e desenvolvimento de um modelo, nomeadamente a pesquisa das tendências de
moda – que apenas se consegue com anos de experiência e muitas viagens –, o trabalho dos estilistas no desenvolvimento do desenho, o desenvolvimento da planta e da forma, e a selecção dos
materiais e dos acabamentos.
A ineficácia do sistema judicial em Portugal levou mesmo a equacionar deslocalizar a empresa para Espanha, onde para além de “um sistema judicial mais eficiente”, existe uma conjuntura “mais favorável ao desenvolvimento dos negócios” e “menos custos de contexto”.
Os custos de contexto e ineficácia do sistema judicial, em paralelo com dificuldades nos licenciamentos, burocracia e excessiva carga fiscal, representam, de resto, os obstáculos com que a
Atlanta hoje se depara e que são “transversais a
todas as empresas portuguesas”, conclui a responsável.
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a um rigoroso controlo de qualidade, o que, juntamente com a capacidade técnica adquirida ao
longo dos anos, permite fazer “produtos de qualidade superior” e produzir solas de “grande complexidade técnica”, salienta.
Para conseguir dar “uma resposta mais vertical” às necessidades dos clientes, a Atlanta lançou em 2011 uma nova unidade de pré-fabricação. “Era uma área que não dominávamos completamente, mas éramos muito aliciados pelos
clientes para a trabalhar. Percebemos o que já
se fazia no mercado, comprámos equipamento e
constituímos uma equipa de trabalho, obviamente aproveitando uma série de sinergias e conhecimento que já existiam na empresa e que constituem uma mais-valia”, recorda a administradora.
Para responder atempadamente aos desafios e
às necessidades do mercado, a Atlanta investe
FEV 13
como objectivo para 2013
CASE-STUDY
Três faces de um projecto inovador.
António Parreira, responsável da Ibergranatum, Nelson Domingos Brito,
presidente da Câmara de Aljustrel, e o produtor/agricultor João Pacheco.
A romã como motor
de desenvolvimento de Aljustrel
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FEV 13
A APROXIMAÇÃO DE ALJUSTREL AO MUNICÍPIO ESPANHOL DE LEPE DITOU A COOPERAÇÃO NA PRODUÇÃO
E TRANSFORMAÇÃO DA ROMÃ, UM FRUTO DE CRESCENTE INTERESSE A NÍVEL MUNDIAL. A EMPRESA IBÉRICA IBERGRANATUM
DÁ SEGUIMENTO AO PROJECTO.
Se a região de Lepe, em Espanha, tem uma zona
de regadio e se desenvolveu, Aljustrel também se
pode desenvolver.
Foi este o pressuposto que norteou a aproximação da Câmara Municipal de Aljustrel ao Ayuntamento de Lepe, e que veio a dar origem ao protocolo de colaboração entre a Associação de Beneficiários do Roxo (ABROXO), em Aljustrel, e a Asociación General de Empresarios de Lepe (AGELEPE). Objectivo? Identificar oportunidades de cooperação e desenvolvimento para ambos os territórios.
“Aljustrel é um concelho com forte dependência
do sector mineiro. A criação de alternativas a esta actividade constitui-se como uma prioridade
para o município, em particular potenciando as
excelentes condições para a agricultura de que o
território dispõe, beneficiando da expansão da rede secundária de Alqueva”, lembra Nelson Brito,
presidente da autarquia de Aljustrel.
Em encontros e reflexões conjuntas rapidamente se percebeu que a produção de romã, um fruto
que está a gerar crescente interesse a nível mundial, cumpria o objectivo de cooperação transfronteiriça.
“A cultura da romã está em grande expansão, e
tanto em Lepe como no Alentejo existem agricultores a desenvolver essa cultura”, explica, por seu
lado, António Parreira, presidente da ABROXO e
que encabeça também a Ibergranatum, a empresa ibérica entretanto criada em Portugal e em Espanha para explorar o potencial deste fruto.
Com o mesmo nome, os mesmos estatutos e o
mesmo conselho de administração, as empresas são ambas participadas em 50% por cada
uma das associações, estando previsto o alargamento a outras entidades que venham a ter
interesse no sector, nomeadamente os produtores de romã.
O estudo entretanto encomendado ao Centro
Tecnológico de la Agroindustria (ADESVA) veio
atestar o interesse na romã e trazer outras informações úteis, como a adaptação da cultura
às condições locais, as variedades mais favoráveis e mais compatíveis com o que se faz a nível
internacional, a definição de técnicas a praticar,
sem esquecer as questões relacionadas com o
regadio.
Fotos: Neves António
A romã beneficia de numerosas formas de aproveitamento, tanto para indústria alimentar,
como para as indústrias especializadas em assuntos de saúde ou cosmética.
No que toca à indústria alimentar, a oferta no mercado contempla bagos frescos, bagos congelados, bagos desidratados, sumos, néctares, marmeladas, barritas, vinhos, alimentos para
crianças e iogurtes.
Um dos mais recentes extractos à venda no mercado de suplementos nutricionais obtém-se
a partir da casca de romã, um produto com propriedades anti-oxidantes, anti-cancerígenas
e protectoras do sistema cardiovascular, que se vende em forma de pó ou cápsulas, como
complemento nutricional.
No que respeita a produtos de saúde e beleza, a romã é utilizada sob a forma de extractos
de compostos anti-oxidantes, apresentados em cápsulas e bagos, cremes, óleos, tónicos e
xaropes.
Outra das possibilidades de utilização da romã é a alimentação animal, à qual se pode destinar a casca húmida do fruto.
FEV 13
O POTENCIAL DA ROMÃ
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O estudo revelou ainda tratar-se de uma cultura
com mercado e viabilidade económica e de fácil
implementação por parte dos agricultores. “O investimento num hectare de romã é o equivalente
ao investimento num hectare de olival. A cultura
demora três anos a desenvolver e tem um rácio
de aproveitamento de produto fresco de qualidade de 40%a 60%”, revela António Parreira.
O estudo realizado pela ADESVA representa apenas uma parte do apoio técnico que a empresa
pretende dar aos agricultores que a ela se associem, através de entradas no seu capital.
O modelo de organização prevê que os agricultores apenas tenham de se preocupar com o cultivo,
enquanto a Ibergranatum se encarrega da conservação, distribuição, comercialização, transformação e escoamento de toda a matéria-prima.
“Vamos procurar o escoamento em todas as áreas possíveis e nos mercados que possam rentabilizar mais o produto”, explica António Parreira.
O investimento na produção fica por conta dos
agricultores, mas a Ibergranatum dá uma ajuda
no encaminhamento para as linhas de financiamento previstas no PRODEP, ao mesmo tempo
que tenta negociar linhas de financiamento mais
favoráveis junto da banca.
“A empresa fica ao serviço de todos e os dividendos são distribuídos, ou reinvestidos”, explica António Parreira, lembrando a receptividade à entrada de investidores interessados no pólo industrial a que a romã deverá dar origem.
Em causa estão não só as unidades de conservação, como as de transformação em sumo e, numa fase posterior, a de preparação de embalagens de romã pronta a consumir. “Estas unidades
industriais estão previstas para a zona que tiver
mais área de cultura, que acredito que seja Portugal, pelo potencial da zona de regadio”, explica
António Parreira.
A parceria ibérica pode mesmo vir a dar origem
ao maior pomar de romãs da Península Ibérica.
O líder associativo lembra que, neste momento, o
maior pomar de romã fica em Espanha e tem apenas 2000 hectares, uma área facilmente ultrapassável pela abrangência da zona de regadio do Roxo, que este ano ascenderá aos 16 mil hectares,
podendo chegar, a curto prazo, a 23 mil hectares,
resultado da conclusão da ligação Alqueva-Roxo.
“Precisamos de agro-indústria para desenvolver o regadio no Alentejo, e a romã pode vir a ser
um grande motor de desenvolvimento da região”,
aponta António Parreira.
Por agora, esta parceria ibérica aponta apenas
para a romã mas, segundo o autarca alentejano, Nelson Brito, poderá vir a ser alargada a outras culturas e actividades que venham a revelar-se úteis para o desenvolvimento da empresa
e da região.
Para além de actuar como catalisador, “sentando
os parceiros à mesma mesa”, a Câmara de Aljustrel promete continuar a dinamizar iniciativas como a Feira do Campo Alentejano e a apostar no
alargamento dos parques empresarias do concelho, no sentido de acolher novas empresas associadas à actividade agrícola. Sem esquecer o investimento na requalificação de infra-estruturas
de apoio à actividade económica, nomeadamente à agricultura.
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