Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Lato Sensu em Gestão de Cooperativas
Trabalho de Conclusão de Curso
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO E TENDÊNCIAS
Autor: Idelma Maria Alves
Orientador: MSc. Sebastião Eustáquio Pereira
Brasília - DF
2015
IDELMA MARIA ALVES
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO E TENDÊNCIAS
Artigo apresentado ao curso de Pós-Graduação em Gestão de
Cooperativas da Universidade Católica de Brasília como
requisito parcial para obtenção do título de MBA em Gestão de
Cooperativas.
Orientador: MSc. Sebastião Eustáquio Pereira
Brasília-DF
2015
Artigo de autoria de Idelma Maria Alves, intitulado “COOPERATIVISMO DE
CRÉTIDO E TENDÊNCIAS”, apresentado como requisito parcial para obtenção do
certificado de Especialista em Gestão de Cooperativas da Universidade Católica de Brasília,
apresentado em 01/06/2015.
_____________________________________________________________________
Prof. MSc. Sebastião Eustáquio Pereira
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa – UCB
Brasília
2015
Ao meu Deus e à minha família, bases
da minha vida.
4
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO E TENDÊNCIAS
IDELMA MARIA ALVES
Resumo:
Este trabalho de análise bibliográfica tem por objetivo identificar se o cooperativismo de
crédito no Distrito Federal, vem seguindo a tendência mundial dos bancos comerciais, a qual
consiste na concentração de atividades, por meio do fenômeno das fusões e incorporações
entre empresas. Apesar de o fenômeno estar presente nas instituições comerciais há algum
tempo, no cooperativismo de crédito, do DF, o debate sobre o tema foi intensificado a partir
do ano de 2007, visando acompanhar a concorrência, ser mais competitivo, alavancar
mercado, fortalecer a marca e ganhar em escala. Nesse contexto analisou-se o comportamento
do cooperativismo de crédito em relação ao processo de fusão e incorporação. A pesquisa
bibliográfica, de natureza qualitativa, foi realizada em quatro etapas do Método Educar pela
Pesquisa (MEP). O método exploratório possibilitou estudar conceitos de cooperativas de
crédito, fusão e incorporação, bem como as tendências, que facilitaram a discussão teórica
deste trabalho. A partir da revisão de literatura e da análise de dados do Banco Central, dos
últimos dez anos, conclui-se que o segmento de cooperativismo de crédito do DF, tem
seguido a tendência mundial e vem ganhando força competitiva para enfrentar a concorrência.
Palavras-chave: Cooperativas de crédito. Fusão e incorporação. Tendências.
1
INTRODUÇÃO
“Itaú e Unibanco anunciam fusão e criam maior banco do hemisfério sul”. (PORTAL
UOL, 2008). O anúncio, no dia 3 de novembro de 2008, deixou o mercado financeiro
animado e ao mesmo tempo inquieto. Haja vista a nova instituição passou a ocupar o sexto
lugar em valor de mercado entre os bancos dos EUA e da América Latina, e ficou entre os 20
maiores do mundo, naquele ano. Por um lado a medida demonstrou solidez dos bancos
nacionais e por outro, alertou para uma maior concentração e menos concorrência no setor
financeiro. (PINHA 2008 e 2009).
O mesmo autor afirma que as cooperativas de crédito ainda têm pequena participação
no mercado brasileiro, representando apenas 3% do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Mesmo com a atuação diferenciada dos bancos comerciais, Pinha ressalta que as cooperativas
de crédito devem seguir a mesma linha dos bancos e intensificar o processo de fusão e
incorporação, visando ganho em escalas e redução de custos operacionais.
A presidenta do Desjardins, um dos maiores sistemas de cooperativas de crédito do
mundo, Monique F. Leurox “disse que o processo de fusão foi difícil, mas necessário para as
cooperativas canadenses. Agora elas têm maior base de associados, maiores receitas, maiores
ativos e forte base de capital, além de haver uma significativa redução dos custos”. (PINHA
2008 e 2009).
Para Araújo (2008) a evolução das cooperativas e da própria economia acontece de
forma interativa. As cooperativas atuam na qualidade de clientes e fornecedoras das
5
tendências da economia. De acordo com o especialista, do ponto de vista estratégico,
organizacional, diretivo e de avaliação, as tendências já em evolução ao longo dos últimos
anos, ganharão mais força ainda, nos próximos anos. São elas: “nível de cooperação entre as
pessoas; fortalecimento do nível de concorrências; estruturas organizacionais mais enxutas,
princípio de ser maior não é o melhor e o aumento de fusões entre cooperativas”.
Para enfrentar a concorrência, as vantagens competitivas devem ser: reais, para serem
reconhecidas pelo mercado, sustentadas, por meio dos pontos fortes da cooperativa que
proporcionem a efetivação das vantagens competitivas e duradouras, para se consolidar no
mercado. (ARAÚJO, 2008)
Conforme Oliveira (2003) em decorrência da economia global, as cooperativas devem
possuir competências tanto no mercado interno quanto no externo, para reduzir os preços. As
estruturas organizacionais mais enxutas, segundo Ávila e Kotler apud (Araújo, 2008), se deve
aos processos de terceirização e descentralização produtiva, em virtude da atuação de
empresas especialistas em determinado segmento de atividade empresarial, cuja execução dos
serviços seja melhor e mais barata. As organizações de terceirização proporcionam serviços
eficazes a custos menores, devido a suas escalas de operação e de seus níveis de
especialização.
“O tema fusão e incorporação de cooperativas de crédito foi discutido no auditório da
OCB em outubro de 2007”. O tema veio à tona no cooperativismo de crédito brasileiro, no
ano de 2007, devido à preocupação dos dirigentes em acompanhar a globalização do sistema
financeiro internacional, à concorrência entre os bancos e às exigências do mercado.
(OCBDF, 2015).
Nesse contexto, objetivo geral deste estudo é analisar as tendências do cooperativismo
brasileiro, nos últimos dez anos. Tendo como objetivo específico identificar se o
cooperativismo de crédito, no Distrito Federal, está seguindo a tão anunciada tendência da
aglutinação por meio dos processos de fusão e incorporação.
A escolha do ramo de crédito para a pesquisa se deve ao fato do segmento possuir um
vasto material bibliográfico, disponibilidade de dados e fácil acesso às informações, além de
ser regulamentado por instituições de referência nacional conferindo credibilidade à pesquisa.
O arcabouço teórico está organizado em três seções além desta introdução, sendo que na
segunda seção faz-se uma revisão de literatura. A terceira seção discorre sobre a metodologia
utilizada e a quarta seção apresenta os resultados, discussão e conclusões.
2
REFERENCIAL TEÓRICO
Para a revisão de literatura foram consultados artigos, dissertações, teses, revistas
especializadas, legislações, livros e sites abordando temas sobre cooperativismo, cooperativas
de crédito e de fusões e incorporações de cooperativas. Entretanto, na pesquisa realizada, dos
treze ramos cooperativistas, o que mais sobressaiu foi o ramo de crédito, enfatizando a
importância de as cooperativas se atentarem para os processos de fusões e incorporações,
razão pela qual o estudo foi concentrado em cooperativas de crédito.
2.1 COOPERATIVISMO DE CRÉTIDO
Segundo Araújo (2008) cooperativas de crédito:
São instituições constituídas sob a forma de sociedade limitada, com a forma e
natureza jurídica próprias, não sujeitas à falência. Têm como finalidade o
atendimento exclusivo de seus associados, e possuem as seguintes características:
6
adesão voluntária de associados em número ilimitado; variação automática de
capital em função da administração de associados; e singularidade de voto, qualquer
que seja a participação do cooperado no capital.
Araújo (2008) ainda classifica as cooperativas de crédito em dois grupos: a) as
cooperativas de crédito mútuo, que possuem em seu quadro social pessoas físicas de
profissões ou atividades comuns ou vinculadas a alguma entidade. Podendo,
excepcionalmente, na forma da lei, admitir no quadro social pessoas jurídicas; b) as
cooperativas de crédito rural, o quadro social também é composto por pessoas físicas que
desenvolvam, na área de atuação da cooperativa, atividades agrícolas, pecuárias ou extrativas
ou relacionadas a operações de captura e transformação do pescado. Excepcionalmente, e na
forma da lei poderá ter pessoas jurídicas no seu quadro social.
As cooperativas de crédito são regidas pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971,
que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas em geral, e pela Lei
Complementar nº 130, de 17 de abril de 2009, que instituiu o Sistema Nacional de Crédito
Cooperativo (SNCC). Conforme o Banco Central do Brasil (BCB) (2014) a referida Lei
Complementar proporcionou ao ramo de cooperativismo de crédito mais segurança e
estabilidade regulatória, uma vez que fortaleceu a diversificação dos serviços financeiros
prestados aos associados. Além disso, deixou o segmento de crédito melhor estruturado,
permitindo assim um enfoque sistêmico, com ganho em escala, e ampliando o número de
associados, por abrir novas possibilidades de vínculos associativos, como por exemplo, as
cooperativas de empresários e as de livre admissão.
De acordo com o BCB (2014) a rede de cooperativismo de crédito possui 1.172 sedes,
com 5.252 pontos de atendimento, 4.080 postos de atendimento, esses últimos são conhecidos
como PACs [sic], distribuídos em todo o país. Conforme dados do Portal do Cooperativismo de
Crédito (2015), atualmente, a maioria das cooperativas singulares estão vinculadas a um dos 6
diferentes sistemas de crédito: SICOOB, SICREDI, UNICRED, CECRED, CONFESOL e
UNIPRIME. Entretanto, ainda existem 250 cooperativas singulares desvinculadas dos
sistemas, apesar da constante orientação do BCB para que as cooperativas financeiras filiemse às centrais ou aos sistemas organizados em três níveis, ou seja, cooperativas singulares,
centrais e confederações.
O BCB (2014) recomenda às cooperativas aperfeiçoarem seus mecanismos de controle
e de governança, aumentar a qualidade e diversificar seus produtos e serviços financeiros, de
modo que sejam competitivas e sustentáveis no mercado financeiro nacional. Além de
desconcentrarem sua linha de atuação das regiões mais ricas e se estabelecerem em áreas
desprovidas de recursos financeiros.
Conforme o BCB (2014) as cooperativas de crédito ganharam mais confiança a partir
da instituição do Fundo Garantidor do Cooperativismo (FGCoop)1, ocorrida em 2014,
oferecendo maior segurança aos cooperados. O FGCoop foi criado para proteger depositantes
e investidores nas situações de intervenção ou liquidação extrajudicial de cooperativas e
futuramente contratar operações de assistência e de suporte financeiro. Inclusive operações de
liquidez com as entidades associadas diretamente ou por meio das centrais ou federações.
Objetivando transparência e redução do risco moral associado à implementação do FGCoop,
foram iniciados estudos, visando consolidar as estruturas de controles internos e auxiliares na
supervisão das cooperativas de crédito.
1
O FGCoop funciona da mesma forma que o Fundo Garantidor de Créditos. Garante créditos de até R$
250 mil nas situações de decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial de cooperativas. A Resolução
4.284 do Conselho Monetário Nacional aprovou a criação do FGCoop, em 5 de novembro de 2013.
7
2.2 TENDÊNCIAS DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO
O desvirtuamento do cooperativismo, destacando-se na evolução e nos problemas
causados pela trajetória da própria cooperativa, resultou uma organização social complexa
atualmente. A cooperativa é administrada por gestores que são seus sócios, mas que enfrenta
problemas tal como uma empresa comercial moderna. Assim, do ponto de vista
socioeconômico, a cooperativa para acompanhar e adaptar-se ante a modernização global,
vem desvirtuando-se dos seus princípios básicos doutrinários. (Benini, 2009).
Muitas cooperativas, buscando eficiência e competitividade e, muitas vezes
sobreviver dentro do sistema capitalista estão, cada vez mais utilizando estratégias
empresariais: sendo heterogestionadas, utilizando força de trabalho assalariada e
(não associada), grosso modo, com finalidade de reprodução do capital, sendo a
legislação que as regula um entrave. (Benini, 2009)
Outra tendência é o forte crescimento das cooperativas de crédito, com média anual de
20%. (PINHEIRO, 2008). Conforme o presidente da Unicred em nota publicada no site
Correio Braziliense, citou que “as cooperativas de crédito tem crescido no Brasil a um ritmo
mais intenso do que os bancos”. E o ritmo de crescimento torna-se mais acelerado,
representando 3,5% dos ativos totais do sistema financeiro do país. Um dos motivos desse
crescimento é o acesso a este segmento. Apesar de ser inclusivo, hoje praticamente toda
pessoa se enquadra nos requisitos para se tornar um associado de cooperativa de crédito,
graças à Lei complementar nº 130 de 2009, do BCB, que ampliou as possibilidades de
vínculos associativos. (CORREIO BRAZILIENSE, 2014).
Do ponto de vista legal, o Conselho Monetário Nacional (CMN) adotou medidas que
impactaram positivamente no cooperativismo brasileiro em especial nas cooperativas de
crédito. Essas cooperativas perceberam o grande potencial dos pequenos negócios e têm
superado as expectativas, quando se trata de atendimento financeiro a pequenas e
microempresas e a microempreendedores individuais. Com isso vem aumentando sua
participação no sistema financeiro. (BCB, 2014).
Conforme o BCB (2014) os microempreendedores individuais, as micro e pequenas
empresas representam uma considerável parcela do mercado que ainda não foi totalmente
abrangida por agentes financeiros, proporcionando oportunidades para os bancos em geral.
Mas conquistará esse cliente potencial, a instituição que oferecer os serviços mais adequados
às suas necessidades. Isso inclui escala, tecnologia e excelência no atendimento.
Em relação às perspectivas do segmento das cooperativas de crédito, espera-se que
ele continue aumentando sua participação no Sistema Nacional Financeiro (SNF) em
termos de ativos, captações, patrimônio, para atender à demanda de serviços e
produtos financeiros de forma ampla, capilar e competitiva. Nesse sentido, também
é desejada a continuidade do aumento de postos de atendimento e de aglutinação de
cooperativas de crédito, com objetivo de gerar ganho de escala, mais eficiência e
sustentabilidade do empreendimento cooperativo.
Para tanto, espera-se que o recente FGCoop – primeiro órgão de unicidade do SNCC
– exerça papel importante no desenvolvimento do segmento cooperativista,
fortalecendo a credibilidade e a solidez de todo o segmento representando relevante
instrumento para que as cooperativas ampliem seu volume operacional, atraiam
novos cooperados e possam oferecer crédito mais barato à população. (BCB, 2014).
Nestes últimos anos, temos assistido a uma forte tendência mundial, no sentido da
concentração das atividades produtivas em torno de um número cada vez mais
reduzido de grupos econômicos. No cooperativismo de crédito não pode ser
diferente.
8
Por isso, temos que seguir os exemplos das grandes empresas e intensificarmos este
processo tão necessário para que as cooperativas se tornem cada vez mais
competitivas, seja para poder abraçar uma fatia mais significativa do mercado, ou
seja para não ser engolidas pela concorrência. A realidade nos coloca diante dessa
tendência. Temos duas opções: promovermos fusões ou incorporações. No atual
cenário não podemos nos dar ao luxo de caminharmos sozinhos! (PINHA, 2008 e
2009).
2.3 FUSÕES E INCORPORAÇÕES SOCIETÁRIAS: DEFINIÇÕES
A Lei nº 6.404 de 1976 estabelece em seu artigo 227 que “A incorporação é a
operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em
todos os direitos e obrigações”. E no artigo 228: “A fusão é a operação pela qual se unem
duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e
obrigações”.
Fusão, segundo Pires (2010), é assim definida:
O instituto da fusão é tratado de maneiras distintas pela doutrina, haja vista o seu
estudo por alguns como gênero e por outros como espécie. No primeiro caso, a fusão
subdivide-se em duas hipóteses: a fusão propriamente dita (também denominada
fusão por constituição ou fusão própria), em que há o desaparecimento da
personalidade jurídica das sociedades envolvidas na operação em decorrência da
criação de uma nova sociedade, que sucede àquelas em todos os seus direitos e
obrigações; a segunda hipótese, denominada fusão imprópria, tem natureza jurídica
de incorporação, pois não há a extinção da personalidade jurídica de uma das
sociedades envolvidas.
O conceito de incorporação, conforme Bautista e Miranda (2009), é:
Na Incorporação societária, uma empresa denominada incorporadora absorve outra
sociedade denominada incorporada. Neste instituto, a sociedade incorporada deixa
de existir, ela extingue-se, mas, assim como na fusão ela não se dissolve. A empresa
incorporadora assume as responsabilidades e os débitos da incorporada, ou seja, os
credores da incorporada terão seus créditos garantidos pela incorporadora. Isto
implica que os ativos das empresas são somados e os passivos da incorporada
assumidos.
A Lei 5.764/71 dispõe sobre fusão e incorporação das sociedades cooperativas:
Art.57. Pela fusão, duas ou mais cooperativas formam uma nova sociedade.
§ 1º Deliberada a fusão, cada cooperativa interessada indicará nomes para
comporem comissão mista que procederá aos estudos necessários à constituição da
nova sociedade, tais como o levantamento patrimonial, balanço geral, plano de
distribuição de cotas-partes, destinos dos fundos de reserva e outros e o projeto de
estatuto.
[...]
Art. 58. A fusão determina a extinção das sociedades que se unem, para formar a
nova sociedade que lhe sucederá nos direitos e obrigações.
Art. 59. Pela incorporação, uma nova sociedade cooperativa absorve o patrimônio,
recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou de
outras cooperativas. [...]
Art. 60. As sociedades cooperativas poderão desmembrar-se em tantas quantas
forem necessárias para atender aos interesses dos seus associados, podendo uma das
novas entidades ser constituída como cooperativa central ou federação de
cooperativas, cujas autorizações de funcionamento e arquivamentos serão requeridos
conforme o disposto nos artigos 17 e seguintes.
9
2.4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS FUSÕES E INCORPORAÇÕES
Souza (2006) afirma que as cooperativas seguem a tendência geral das sociedades
empresárias: o fenômeno da concentração. Essa tendência agregativa vem crescendo ao longo
dos anos, visando aumentar a dimensão empresarial, proporcionando economias de escala,
por meio de aumento do tamanho e da abrangência empresarial e independência da empresa
em relação ao seu meio, se tornando mais competitiva.
Amaral e Braga (2012) sustentam que as fusões e incorporações de cooperativas de
crédito é uma importante alternativa, do ponto de vista estratégico, favorecendo o crescimento
e a sobrevivência das cooperativas que estão com dificuldade financeira ou de alavancagem
de mercado. Os resultados da pesquisa dos dois autores demonstraram que de uma maneira
em geral, as fusões e incorporações proporcionaram benefícios tanto para os cooperados
quanto para as cooperativas. Os associados passaram a ter serviços e produtos diversificados,
melhores benefícios monetários no curto prazo e melhora dos níveis de eficiência em relação
às taxas médias praticadas. Já as cooperativas conquistaram maior sustentabilidade financeira
e se tornaram maiores, mais competitivas e mais sólidas, fortalecendo assim a credibilidade e
a expansão do sistema cooperativo de crédito.
Segundo Pinha (2008 e 2009) da união de duas grandes cooperativas de crédito,
oriundas de sistemas diferentes, a Unicred-BH, do sistema Unicred e a Credicom, do sistema
Sicoob, surgiu o Sicoob Credicom ocupando o primeiro lugar entre as cooperativas de crédito
da área de saúde no país. De acordo com o autor a fusão das duas instituições resultou em
ganho de escala, redução de custos, expansão da área de atuação e fortalecimento do setor.
O processo de fusão e incorporação de cooperativas, especificamente a Crediminas, é
irreversível e o mais indicado para o fortalecimento do sistema. Haja vistas as dificuldades
operacionais sofridas por algumas cooperativas, a concorrência exacerbada, a forte supervisão
do Banco Central e os benefícios esperados como: alavancagem dos negócios, ganhos de
escala e profissionalização da gestão. “Com isso, as cooperativas ganham uma melhor e maior
estrutura patrimonial, o que permite o pleno atendimento das necessidades de seus associados,
seus verdadeiros donos.” (SISTEMA DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO DO BRASIL SICOOB, 2012).
As desvantagens do processo de fusão e incorporação são: redução inicial de
empregos, desestruturação de plantas locais, quebra de contratos individuais, aumento do
custo de observância e perda de características locais e regionais. Os especialistas ainda
alertaram sobre possível agravamento de problemas decorrentes da união de duas ou mais
cooperativas problemáticas, os dados precisam ser reais, e auditoria externa. (PORTAL DO
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO, 2014).
2.5 FUSÕES E INCORPORAÇÕES DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO NO
BRASIL
Pinha (2008 e 2009) afirma que presenciamos uma forte tendência mundial, nos
últimos anos, rumo à concentração de atividades produtivas gerando um número cada vez
mais reduzido de grupos econômicos. Segundo o autor “No cooperativismo de crédito não
pode ser diferente”. Informou ainda que o Sicoob do estado do Espírito Santo vem reduzindo
o número de cooperativas ao longo dos anos e pretende diminuir de 11 para 3 cooperativas.
Esse plano tem o objetivo de ganhar força para ampliar sua atuação com os postos de
atendimento cooperativos.
Também em 2011, o grande desafio é empreender novo esforço para convencer
dirigentes e associados dos benefícios advindos dos processos de aglutinação de
10
cooperativas, através de estudos socioeconômicos e financeiros específicos e, assim,
promover o fortalecimento do SICOOB SISTEMA CREDIMINAS. (SICOOB,
2014).
Tabela 1 - Quantidade de cooperativas de crédito no Brasil, nos últimos 10 anos, incluindo abril/2015
Tipo de cooperativa Dez/05 Dez/06 Dez/07 Dez/08 Dez/09 Dez/10 Dez/11 Dez/12 Dez/13 Dez/14 Abr/15
Confederação
Cooperativas
centrais
Cooperativas
singulares
Total
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
38
37
37
38
38
38
38
38
37
38
36
1.400
1.414
1.427
1.414
1.366
1.331
1.273
1.215
1.170
1.123
1.110
1.439
1.452
1.465
1.453
1.405
1.370
1.312
1.254
1.209
1.163
1.148
Fonte: Elaborada pela autora apud Banco Central (2015)
2.6 INCORPORAÇÕES DE COOPERATIVAS NO DISTRITO FEDERAL
“O tema fusão e incorporação de cooperativas de crédito foi discutido no auditório da
OCB em outubro de 2007”. Nesse evento, realizado em Brasília, o então diretor da Cocecrer,
Davi Andrade, apresentou casos concretos de fusões entre cooperativas rurais ocorridas no
estado de São Paulo e apontou dois motivos para o fenômeno: a concorrência dos bancos e
queda da taxa Selic. O diretor ainda afirmou que a tendência de fusões e incorporações é
mundial. (OCBDF, 2015).
As cooperativas de crédito existentes no Distrito Federal estão relacionadas na tabela a
seguir.
Tabela 2 - Relação das instituições cooperativas do ramo de crédito existentes no DF, inclusive confederação e
x
central.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
Aspomcred-Coop.de ECM dos Servidores Polícia Militar do DF
Confebrás-Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito
Cooperforte-Coop.de ECMF de Instituições Financeiras Públicas Federais
Cooservcred-Coop. de ECM dos Servidores do DF LTDA
Credsef-Coop. de ECM dos Servidores da Secretaria Fazenda do DF
Sicoob Cabe-Cred-[sic] Coop. de ECM dos Servidores Militares e Civis das Forças
Armadas e Auxiliares
Sicoob Confederação-Confederação Nacional das Cooperativas do Sicoob Ltda
Sicoob Cooperplan-Coop. de ECM dos Servidores do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão
Sicoob Credfaz-Coop. de ECM dos Servidores Secretaria da Fazenda do DF
Sicoob Brasília-Coop. de Crédito Rural de Brasília LTDA
Sicoob Credijustra-Coop. de ECM dos Servidores da Justiça do Trabalho LTDA
Sicoob Credilojista-Coop.de Crédito dos Lojistas do DF
Sicoob Empresarial-Coop. de ECM dos Pequenos Empresários, Microempresários e
Microempreendedores da Produção Industrial do DF
Sicoob Executivo-Coop. de ECM dos Servidores do Poder Executivo Federal LTDA.
Sicoob Judiciário-Coop.de ECM dos Servidores do Poder Judiciário no DF
Sicoob Legislativo-Coop.de ECM dos Servidores do Poder Legislativo Federal
Sicoob Planalto Central DF [sic] -Central das Coop. de Crédito do DF LTDA.
Unicred Asacred- Coop. de Ec. e Créd. Mútuo dos Adv. Púb. Fed. Def. Púb. Fed. e
Del. da Pol. Federal do DF
Unicred Centro Brasileira - Coop. Centro Brasileira de Econ. e Crédito Mútuo dos
11
Profissionais da Saúde Ltda.
20 Sicoob Agroambiental - Coop. de Econ. e Crédito Mútuo dos Empregados da Embrapa
e dos Servidores do IBAMA
Fonte: OCDF 2015
3
METODOLOGIA
O procedimento técnico utilizado para escrever o artigo foi o da pesquisa
bibliográfica, que consiste na mais simples técnica de pesquisa, já que ela possibilita estudar
um tema e explicar uma questão problema fundamentando-se nas informações e dados
secundários extraídos de publicações correntes e de referências. Quanto aos objetivos
utilizou-se a pesquisa exploratória e a abordagem qualitativa de análise que objetivam
interpretar e dar significados as informações e dados analisados. O material de pesquisa
utilizado foi: livros, revistas especializadas, leis, artigos, dissertações e teses disponíveis na
rede mundial de computadores. Os dados específicos sobre cooperativas de crédito foram
obtidos por meio dos sites do Banco Central do Brasil, SESCOOP, OCB e OCBDF. A
pesquisa bibliográfica, para Cervo, Bervian e Silva (2007, p.61), “constitui o procedimento
básico para os estudos monográficos, pelos quais se busca o domínio do estado da arte sobre
determinado tema”.
A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida em quatro etapas. Em primeiro lugar
realizou-se um levantamento bibliográfico procurando temas relacionados a cooperativismo
no Brasil, cooperativas e cooperativas de crédito. Para tanto utilizou-se da biblioteca do
Centro Corporativo Sicoob bem como da internet. Encontrou-se uma quantidade significativa
e diversificada de material.
Em segundo lugar, foram separados os materiais que tratavam sobre tendências do
cooperativismo. Com o avanço da leitura, verificou-se que o ramo de cooperativismo de
crédito atualmente encontra-se bem estruturado o que possibilitaria coletar informações mais
precisas e consistentes. Então o estudo foi direcionado para o segmento de crédito.
Na terceira etapa da pesquisa, depois de consultar inúmeros artigos observou-se uma
quase unanimidade em relação à tendência de união entre cooperativas de crédito, para
fortalecer o segmento. Então foi necessário selecionar material específico sobre fusão e
incorporação de cooperativas de crédito. Esta etapa foi necessária para construir
conhecimentos sobre o tema e objeto de estudo e redigir a Referencial Teórico do trabalho.
Finalmente, fez-se um levantamento de dados, dos últimos dez anos, por meio de
documentos disponíveis nos sítios do Banco Central, para informações gerais referentes ao
cooperativismo de crédito brasileiro, e da OCDF, para dados específicos do Distrito Federal.
4
RESULTADOS, DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
O estudo demonstrou que em meados da década de 2000, o cooperativismo brasileiro
começou a debater o tema de fusões e incorporações de cooperativas. O debate foi
intensificado a partir de 2007 e nos dois anos seguintes. País como o Canadá, por exemplo, já
havia passado pelo difícil processo de fusão e incorporação de cooperativistas, mas depois da
fase complicada e natural em toda mudança, as cooperativas já estavam apresentando bons
resultados.
12
A pesquisa constatou que houve uma redução de 25,4% no número de cooperativas de
crédito no cenário nacional, nos últimos dez anos, considerando inclusive o mês de abril de
2015. Isso representa que 291 entidades do ramo de crédito deixaram de existir, na última
década.
No Distrito Federal, houve sete incorporações entre cooperativas de crédito, sendo
uma em 2005 e as demais a partir de 2011. Dessas incorporações somente a de 2005 era
ligada ao sistema Unicred e as outras seis estavam vinculadas ao Sicoob. Isso comprova a
eficácia do esforço articulado pelo Sicoob, iniciado em 2011, no sentido de orientar seus
dirigentes e associados, para a tendência mundial da concentração de atividades.
A tabela a seguir apresenta as sete instituições que passaram pelo processo de
incorporação no Distrito Federal.
Tabela 3 – Relação nominal de cooperativas incorporadoras e incorporadas, no DF
Nome das cooperativas
Na ordem: primeiro o nome da incorporadora e entre parênteses o da incorporada
Cooperativa Goiana de Economia e Crédito Mútuo dos Profissionais da Saúde
Ltda. - Unicred Goiana (incorporação da Cooperativa de Economia e Crédito
Mútuo dos Profissionais da Saúde de Brasília e Região Geoeconômica Ltda. Unicred Brasília e RGE)
Mês/Ano da publicação
no Diário Oficial
Maio/2005
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores do Poder Judiciário e
Ministério Público -Sicoob Judiciário (da Cooperativa de Economia e Credito
Mútuo dos Servidores do Ensino Superior do Distrito Federal)
Julho/2011
Sicoob - Credindústria - Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Pequenos
Empresários, Microempresários e Microempreendedores da Produção Industrial do
Distrito Federal Ltda. (da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Pequenos
Empresários, Microempresários e Microempreendedores do Distrito Federal Ltda.
- Sicoob Credibrasil)
Maio/2011
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores da Secretaria de Saúde
do DF Ltda. - Sicoob Cred’saúde (da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo
dos Trabalhadores em Ensino no Distrito Federal - Cred-Ensino; mudança da
denominação social para Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos
Servidores da Secretaria da Saúde e dos Trabalhadores em Ensino do DF Ltda. –
Sicoob CrediDF)
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados da Embrapa Ltda. Sicoob Crediembrapa (incorporação da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo
dos Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - Sicoob Credibama).
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores do Ministério da
Fazenda e dos Órgãos Vinculados à Presidência da República Ltda. - Sicoob
Credfaz Servidor Federal (incorporação da Cooperativa de Crédito dos
Funcionários do Ministério da Fazenda - Cooperminf.)
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores do Poder Executivo
Federal em Brasília Ltda. - Sicoob Executivo (incorporação da Cooperativa de
Economia e Crédito Mútuo dos Servidores da Secretaria de Saúde e dos
Trabalhadores em Ensino do DF Ltda. - Sicoob Credidf.)
Janeiro/2012
Agosto/2014
Janeiro/2015
Janeiro/2015
Fonte: Banco Central do Brasil
Pode-se concluir que, no cenário nacional, o número de entidades do segmento de
crédito foi reduzido em 25,4%, na última década. E no Distrito Federal, o cooperativismo de
crédito está seguindo a tendência dos bancos comerciais, bem como das cooperativas em
geral, no restante do país, no sentido de concentrar as atividades para fortalecer a marca,
eliminar concorrência entre as próprias cooperativas, se tornar mais competitivo no mercado,
ganhar em escala, reduzir custos e aumentar a abrangência de atuação.
13
As cooperativas de crédito do Distrito Federal cresceram mais que os bancos
comerciais da região, no período investigado e estão diversificando seus produtos e serviços,
para enfrentar a concorrência acirrada com os bancos.
Fica como sugestão de pesquisas futuras a necessidade de verificar o impacto sofrido
pelas cooperativas que passaram pelo processo de incorporação, no DF.
COOPERATIVE CREDIT AND TRENDS
IDELMA MARIA ALVES
Abstract:
This literature review work aims to identify if credit cooperatives in Federal District, are
following the global trend of trade banks, which is the concentration of activities, through the
phenomenon of mergers and acquisitions between companies. Although the phenomenon is
present in commercial institutions for some time, the credit union, the Federal District, the
debate on the issue was intensified from 2007, to follow the competition, to be more
competitive, leveraging market, strengthen the brand and gain scale. In this context it was
analyzed the credit union's behavior in relation to the merger and incorporation process. The
bibliographical research, qualitative in nature, was conducted in four stages of the Method
Educate by Search (MES). The exploratory method made it possible to study concepts of
credit unions, mergers and acquisitions, which facilitated the theoretical discussion of this
work. From the literature review and the Central Bank data analysis, the last ten years, it is
concluded that the cooperative segment of the DF credit, has followed the global trend and is
gaining competitive strength to compete.
Keywords: Credit cooperatives. Mergers and acquisitions. Trends.
14
REFERÊNCIAS
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15
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LISTA DE TABELAS
1 TABELA 1: Quantidade de cooperativas de crédito no Brasil, nos últimos 10 anos,
incluindo abril/2015
2 TABELA 2: Relação das instituições cooperativas do ramo de crédito existentes no DF,
inclusive confederação e central.
3 TABELA 3: Relação nominal de cooperativas incorporadoras e incorporadas, no DF.
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Idelma Maria Alves - Universidade Católica de Brasília