EMPREENDEDORISMO E PRÁTICAS FINANCEIRAS NAS MICROEMPRESAS DE ITABIRA-MG Erasmo Lage Vieira (Funcesi) Ricardo Lanna Campos (Funcesi) Wanderson Rocha Bittencourt (Funcesi) Camila Lage Fonseca (Funcesi) RESUMO O desenvolvimento da economia brasileira incentiva a criação de empreendimentos em micros e pequenas empresas. Os empreendedores podem ser classificados quanto ao perfil de inserção no mercado: empreendedores por necessidade e empreendedores por oportunidade. Este trabalho foi realizado com o objetivo de identificar e analisar as práticas financeiras adotadas pelas microempresas de Itabira/MG, fundadas por empreendedores com diferentes perfis de inserção no mercado, bem como identificar seus conhecimentos sobre técnicas de gestão financeira. A metodologia deste trabalho se baseou numa abordagem qualitativa descritiva, com realização de entrevistas semi-estruturadas com os gestores. Os resultados da pesquisa demonstraram que os empreendedores, independente do perfil de inserção no mercado, possuem pouco conhecimento sobre as técnicas financeiras. A gestão financeira se fundamenta, em geral, na experiência dos gestores. Apesar disso, as empresas apresentaram crescimento nos últimos anos, ou seja, os empreendimentos se tornaram viáveis a partir de uma gestão financeira pratica empírica. Palavras-Chave: Empreendedorismo. Gestão Financeira. Microempresa. Abstract The development of the Brazilian economy encourages the creation of new projects in micro and small businesses. Entrepreneurs can be classified according to their insertion profile in the market: entrepreneurs by necessity and by opportunity entrepreneurs. This work was carried out in order to identify and analyze financial practices adopted by small firms Itabira / MG, founded by entrepreneurs with different profiles of market integration and to identify their knowledge of financial management techniques. The methodology of this study was based on a qualitative descriptive approach, with performance of semi-structured interviews with managers. The survey results showed that entrepreneurs, regardless of the insertion profile in the market, have little knowledge of the financial techniques. Financial management is based, in general, the experience of managers. Nevertheless, the companies reported growth in recent years, the business became viable with an empirical financial management practices. Ken words: entrepreneurship, financial management, microenterprise. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br INTRODUÇÃO O empreendedorismo tem recebido atenção de governantes de todo o mundo, que tem direcionado esforços e investimentos ao setor. Este fato deve-se à importância das micro e pequenas empresas na geração de empregos, distribuição de renda e criação de valor, fatores essenciais ao desenvolvimento econômico de qualquer país. Neste contexto, corroboram para esta afirmativa, dados apresentados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em 2008, mostrando que o setor é responsável por 51% da força de trabalho do setor privado, 28% do faturamento do setor formal, 20% do Produto Interno Bruto brasileiro e 38% da massa salarial. Neste cenário, considera-se empreendedor a pessoa que é movida por desafios e tem capacidade de perceber novas possibilidades de negócios. Pode-se afirmar, com base em Lemes Junior e Pisa (2010), que o sucesso de um empreendimento deve-se em especial a dois fatores: à visão do empreendedor e ao conhecimento que o mesmo tem sobre gestão financeira. Assim, são dois e distintos os perfis dos empreendedorismo: os empreendedores por necessidade e os empreendedores por oportunidade. O empreendedor por necessidade enxerga, no novo investimento, a oportunidade de sustento, já que a falta de emprego não lhe deixa alternativas, sendo esta, uma visão voltada à segurança e à estabilidade. Ao contrário, a visão por oportunidade é focada em inovações, arrojada, audaciosa, persistente e de longo prazo. O despreparo de alguns empreendedores e a precariedade de seus mecanismos de planejamento e gestão financeira é destacado por Lemes Júnior e Pisa (2010) como fatores que contribuem para o elevado índice de fechamento das micro e pequenas empresas até o quinto ano de existência. Diante dessa realidade, esse trabalho de pesquisa torna-se relevante devido ao seu objetivo de identificar e analisar as práticas financeiras adotadas pelas microempresas de Itabira/MG, fundadas por empreendedores que apresentam diferentes perfis de inserção no mercado. Para tal, são verificados aspectos sobre o conhecimento que os empreendedores de diferentes perfis possuem sobre as técnicas de gestão financeira, o processo de abertura das microempresas, as técnicas de investimento e financiamento adotadas e os fatores de sucesso e fracasso de uma microempresa. Se, tradicionalmente, as literaturas e as faculdades de administração privilegiam as grandes empresas, este estudo possibilitou uma maior aproximação com as microempresas, buscando identificar a sua real necessidade de existência. Os referenciais teóricos elaborados por pesquisadores são vinculados às organizações de grande porte, não apresentando aplicabilidade imediata quando direcionadas para as organizações de pequeno porte, criando VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br assim uma lacuna entre às práticas cotidianas e a teoria (ESTHER, CUNHA; SANÁBIO, 2006). Desta forma, este trabalho se justifica pela contribuição para as microempresas no aspecto da importância da utilização da administração financeira. O resultado desta pesquisa serve como instrumento para auxiliar os futuros empreendedores, bem como fonte de pesquisa acadêmica, por abordar um tema de grande importância na gestão de uma microempresa. EMPREENDEDORISMO A formação do conceito de empreendedorismo passa por várias interpretações e estas sofrem influências de acordo com o período em que foram escritas as obras. Alguns autores, dentre os quais Kirzner (1986), Schumpeter (1961) e Hisrich, Peters e Shepherd (2009), associam o termo à coordenação dos recursos produtivos, outros com a introdução da postura inovadora e por último com a evolução da economia. Desta forma, não se apresenta um conceito conclusivo para o termo empreendedorismo. Neste cenário, de acordo com Kirzner (1986), o empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. Neste mesmo contexto, Schumpeter (1961) e Kirzner (1986) têm o mesmo entendimento afirmando que o empreendedor é um exímio identificador de oportunidades, apresentando características como a curiosidade e busca pelas informações. Estas qualidades permitem ao empreendedor aumentar seu grau de conhecimento, ampliando, assim, sua percepção acerca das oportunidades. Para um economista, conforme entendimento de Hisrich, Peters e Shepherd (2009), o empreendedor é aquela pessoa que combina recursos para aumentar seu valor, enquanto o psicólogo define empreendedor como uma pessoa impulsionada por determinadas forças para obter algo. Já um homem de negócio vê o empreendedor como um concorrente agressivo ou um aliado que utiliza as melhores maneiras para trabalhar com os recursos existentes. Entretanto, mesmo reconhecendo a diversidade de conceitos sobre empreendedorismo, tornase mais fácil definir o tema a partir da identificação dos princípios em uma perspectiva empresarial, administrativa e pessoal: iniciativa, organização e riscos. Na visão de Dornelas (2001) e Dolabela (2000), o empreendedor é o individuo que detecta uma oportunidade, criando ou comprando um negócio, introduzindo inovações, agregando valores, assumindo o risco de forma calculada, sendo esses na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir. Abordando o empreendedorismo a partir de outro enfoque, mas não muito distante, Bernardi (2003) credita o sucesso de um empreendimento à personalidade do empreendedor. Para o referido autor, o empreendedorismo vincula-se ao senso de oportunidade, dominância, agressividade, energia para realizar, autoconfiança, otimismo, dinamismo, independência, persistência, flexibilidade e resistência a frustrações, criatividade, propensão ao risco, liderança carismática, habilidade de equilibrar sonho e realização e de relacionamento. Dois tipos de empreendedorismo são listados por Lemes Junior e Pisa (2010): o empreendedorismo por oportunidade e o empreendedorismo por necessidade. Os citados autores consideram que entender a diferenciação entre estes dois tipos de empreendedorismo é essencial para que se percebam as razões do Brasil ser o país com a maior taxa de VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br empreendedorismo do mundo, e ao mesmo tempo, deter taxas alarmantes de mortalidade de Micro e Pequenas Empresas (MPE’s) até o quinto ano de vida. Lemes Júnior e Pisa (2010) utilizam a Teoria das Necessidades de Maslow para explicar o empreendedorismo por necessidade. É apontado que a pirâmide é composta por cinco categorias de necessidades, que seriam capazes de justificar o comportamento humano em função da busca da satisfação de cada uma delas: necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, participação e afeição, necessidade de estima e auto-realização. As necessidades fisiológicas referem-se às necessidades básicas (sono, fome) e somente a partir da satisfação destas necessidades, o homem parte em busca da satisfação da necessidade seguinte, até chegar ao topo, a necessidade de auto-realização. Assim, os empreendedores por necessidade iniciam seu próprio negócio, quase sempre de maneira informal, movidos pela necessidade de garantir a sobrevivência (necessidade fisiológica), a mais baixa na escala de valores proposta. Outro ponto fundamental levantado pelos autores refere-se à ausência de oportunidades de emprego, direcionando os indivíduos para a criação do próprio negócio, uma vez que não lhes resta alternativa. Já o empreendedorismo por oportunidade pode ser definido como o desejo de aproveitar uma oportunidade de negócio existente no mercado, através da criação de uma empresa por iniciativa própria (LEMES JUNIOR; PISA, 2010). Todo o processo de planejamento e criação na nova empresa se inicia a partir da identificação da oportunidade. É importante destacar que a oportunidade é característica difícil de ocorrer no cotidiano das pessoas. Entretanto, ao se implantar a inovação e consolidar o conceito, imediatamente surgirão as imitações. Este fato exige que se invista continuamente no desenvolvimento de novas tecnologias e novas linhas de produto, amenizando ou até neutralizando a concorrência. O empreendedor, de acordo com Bernardi (2003), quer por oportunidade ou por necessidade, deve possuir algumas características próprias que são necessárias para o desenvolvimento e sucesso do negócio. Dentre as características necessárias ao bom empreendedor, o autor descreve: a dominância, energia para realizar, autoconfiança, otimismo, dinamismo, independência, persistência, flexibilidade e resistência a frustrações, criatividade, propensão ao risco, liderança carismática, equilíbrio e habilidade de se relacionar bem. O empreendedor, decorrente da sua necessidade de existência, assume uma visão de como o mercado é constituído. O empreendedor por necessidade enxerga basicamente no novo investimento a oportunidade de sustento, já que a falta de emprego não lhe deixa alternativas. Neste cenário, Lemes Junior e Pisa (2010) e Dolabela (2000) afirmam que a visão de um empreendedor por necessidade é uma visão imediatista, que exige pressa. Normalmente, esta visão, não tem sustentação em um conhecimento mais profundo das potencialidades do empreendedor, que quase nunca teve oportunidade de fazer esta avaliação. Dolabela (2000) ressalva ainda que, a visão de quem empreende por necessidade é voltada à segurança e à estabilidade, com isso este investidor não está disposto a arriscar. No entanto, este tipo de visão limita e até mesmo impede o sucesso de seu empreendimento. Conforme destacado por Dornelas (2001), Lemes Junior e Pisa (2010), a disponibilidade de correr riscos e a disposição de inovar são características essenciais para a consolidação de um empreendimento. Esta visão, do empreendedorismo por necessidade, pode justificar, em parte, o alarmante índice de 56% de morte das empresas antes do quinto ano de existência. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br O empreendedor por oportunidade é aquele que visualiza as necessidades do mercado e das prováveis demandas, quer sejam atuais ou futuras, ou ainda de novas ideias, investindo em novos empreendimentos voltados para a inovação do mercado e a satisfação de seus ideais. Neste contexto, a visão do empreendedor por oportunidade é focada em inovações, arrojo e audácia. Para Teodoro e Oliveira (2006), o empreendedor por oportunidade acredita que o fracasso é uma fonte de aprendizagem e, por isto, procura aprender com seus erros. Dornelas (2001) e Lemes Junior e Pisa (2010) fazem alusão que o empreendedor por oportunidade tem a visão de como será o futuro do seu negócio e a habilidade de implementar seus sonhos. Ou seja, este tem a capacidade de sonhar e de realizar seus sonhos. Trata-se de uma visão voltada ao concreto, à realização. Assim, esta é uma visão imaginativa voltada a novos desafios, não havendo o medo de arriscar e do desconhecido. Desta forma, o empreendedor por oportunidade se enxerga independente, livre para tomar as decisões sobre seus negócios e prestar contas apenas a si mesmo, a fugir da posição de subordinado e abandonar a rotina. MICRO E PEQUENA EMPRESA A definição de micro empresa está ligada diretamente a dois fatores: à classificação quanto ao faturamento ou quanto ao número de empregados, sendo utilizado de acordo com entendimentos individuais. Para Lemes Júnior e Pisa (2010), a classificação de micro e pequenas empresas sofrem alterações em função dos objetivos das instituições que têm competência para fazer esta classificação. Assim, diante desta constatação, optou-se, neste trabalho, por apresentar os critérios utilizados pelo SEBRAE, Banco Nacional de Dese.nvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Lei do Simples Nacional, por serem instituições responsáveis pela legislação e enquadramento das empresas no Brasil. Para os efeitos da Lei Complementar 123 de 14 de dezembro de 2003, consideram-se como microempresas a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário cuja receita bruta não ultrapasse a quantia de R$ 240.000,00. Ressalta-se que este critério também é utilizado pelo BNDES, com a seguinte diferença: é considerada microempresa aquela que obtiver receita bruta R$ 1,2 milhão, conforme circulares 10 e 11/2010, datadas de 05 de março de 2010. O critério de classificação das microempresas utilizado pelo SEBRAE (2009) é o número de empregados, separados de acordo com dois ramos de atividade distintos: indústria e construção; comércio e serviços. Evidencia-se que no ramo da indústria e construção civil, a empresa pode ter até 19 empregados para se enquadrar como microempresa, sendo este número de até nove para o setor de serviços e comércio, assim. Acima destes números a empresa já se enquadra como pequena empresa. No ano de 2006, conforme SEBRAE (2010), 83.6% das empresas enquadravam-se na categoria de micro e 13,9 na de pequena empresa. Com relação à distribuição por ramo de atividade, os números indicam que 861.493 microempresas estão no ramo do comércio, 714.016 no setor de serviços, 234.062 na indústria e 63.670 na construção civil. Já as pequenas empresas estão concentradas na proporção de 125.372 no comércio, 133.056 em serviços, 42.975 estão na indústria e 10.290 na construção civil. Assim, a microempresas VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br estão concentradas preferencialmente no ramo de comércio, enquanto as pequenas empresas estão concentradas em sua maioria no setor de serviços. Finalizando, Lemes Júnior e Pisa (2010) alertam que esta dificuldade de caracterização, graças aos diferentes critérios adotados, tanto quantitativos quanto qualitativos, representa um entrave para se estudar as MPE no Brasil. Dados divulgados pelo SEBRAE em conjunto com o DIEESE indicam que existiam no ano de 2008, 16,2 milhões de MPEs, concentrando 28 milhões de postos de trabalho, 38% da massa salarial, 20% do PIB e 2,7% das exportaçõesO contexto atual das MPE’s atesta a grande importância do setor para a economia nacional. Cumpre destacar o posicionamento de Lemes Júnior e Pisa (2010) de que quando se alinham as condições econômicas, fatores culturais, legais e sociais em diretrizes de apoio, o setor se expande e responde com geração de emprego e renda. Finalizando, os referidos autores listam aspectos favoráveis e desfavoráveis às atividades empreendedoras. Como aspectos favoráveis, destacam-se a infra-estrutura comercial e profissional, o tamanho da população e a inserção no comércio internacional. Os pontos desfavoráveis são as dificuldades de acesso ao capital, devido ao alto custo e à burocracia, os elevados encargos e carga tributária, a desconsideração de características regionais e a precariedade da educação básica e do ensino do empreendedorismo. Os fatos relatados apontam que, se por um lado o governo tem se esforçado e criado leis de proteção e incentivo ao empreendedorismo, como o Simples Nacional e linhas de crédito, ainda há muito que ser feito, especialmente em termos de capacitação profissional e educação empreendedora. Administração financeira Zdanowicz (1998) descreve a administração financeira como uma eficiente ferramenta para uma boa gestão empresarial, pois possibilita gerenciar a aplicação dos recursos financeiros e sua distribuição de forma eficiente, visando o cumprimento de seus objetivos. Conforme Hoji (2000), o principal objetivo econômico das empresas é a maximização de seu valor no mercado a longo prazo. Desta forma, aumenta-se a riqueza de seus proprietários que investiram recursos com finalidade de obter um retorno compatível com o risco assumido. A administração financeira tem por finalidade obter o capital necessário para saldar os compromissos assumidos, dentro dos prazos estabelecidos. As decisões tomadas pela administração financeira são fundamentais para o bom desenvolvimento da empresa, podendo representar sua liquidez e sucesso ou uma série de problemas financeiros que encaminham a empresa para o fracasso. De acordo com Zdanowicz (1998), através do conhecimento de fluxo de caixa é possível que o administrador financeiro planeje ações, de forma a obter liquidez e capital de giro como forma de cumprir com as obrigações assumidas com terceiros. Estas decisões baseiam-se nas entradas e saídas de caixa, ou seja, nas compras e vendas realizadas, que servem como estimativa para projeção de investimentos. Gitman (2008) divide as decisões financeiras em dois grupos: decisões de investimentos e decisões de financiamentos. As decisões de investimento determinam a composição e tipos de VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br ativos da empresa. Já as decisões de financiamento determinarão a composição e os tipos de recursos financeiros que serão usados pela empresa. Várias são as atividades de investimento de uma empresa, podendo variar desde valores monetários, a aquisição de bens permanentes ou softwares que facilitem a realização dos trabalhos. Para Braga (2009), os investimentos dizem respeito tanto a estrutura de ativos, quanto aos novos projetos. O autor ainda salienta sobre a importância das empresas se manterem atualizadas para acompanhar a concorrência, o que exige que novos projetos sejam realizados para a implementação. As decisões de financiamentos, para Braga (2009), são de inteira responsabilidade do administrador financeiro, e algumas questões que se referem à composição dos recursos devem ser levantadas a fim de montar a estrutura de financiamento mais adequada. São elas: definição da proporção entre os recursos permanentes e temporários, identificação da necessidade de se utilizar recursos próprios e de financiamentos a longo prazo, decisões se o re-investimento de lucros é suficiente para atender as necessidades de recursos próprios, definição de como será a reação do mercado com o lançamento de novas ações, qual será o impacto dos custos frente aos financiamentos e, finalmente, a questão sobre a possibilidade de arrendamento dos ativos fixos, em substituição à sua aquisição. Os financiamentos empresariais, de acordo com Braga (2009), ocorrem de duas formas: através de capital próprio ou do capital de terceiros. O capital próprio é representado pelas contas que compõem o patrimônio líquido e o capital de terceiros são representados pelas contas que compõem o passivo circulante e não-circulante. A integralização de aumentos de capital, de acordo com Braga (2009), ocorre através de fontes externas de captação de recursos. Porém as vendas de ativos, redução de estoque, contas a receber e outros ativos, na visão do autor não representam fontes de financiamentos, mas sim realocação de fundos. Os financiamentos, de acordo com Santos (2005), são formados por todos os recebimentos e pagamentos referentes à captação de recursos para financiar os investimentos da empresa. Gitman (2008) define os passivos circulantes como uma fonte espontânea e barata de financiamento de curto prazo não garantido. As contas a pagar e despesas a pagar são passíveis de negociação de prazo com os fornecedores, que deverão ser pagas com uma maior lentidão sem atingir o crédito da empresa, gerando um financiamento sem vinculação de ativos específicos como garantia de dívida. O capital de giro assume grande importância no desempenho operacional das empresas, no entendimento de Gitman (2004), pois cobre normalmente mais da metade dos ativos totais investidos. Por esta razão, uma administração inadequada ou equivocada do capital de giro, certamente tem como conseqüência graves problemas financeiros, podendo levar a empresa à insolvência. O capital de giro é definido por Braga (2009) como sendo recursos investidos em ativos e passivos circulantes formados basicamente por estoque, conta caixa, contas a receber e fornecedores. Também conhecido capital circulante, pois é transformado constantemente dentro do ciclo operacional da empresa. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br O equilíbrio financeiro de acordo com Silva (1995) é a estabilidade econômica da empresa, ou seja, a garantia de que as receitas serão suficientes para pagar as despesas decorrentes no período. Segundo este conceito, somente a presença de um capital circulante liquido positivo não se torna indicador seguro de um equilíbrio financeiro. É necessário que se identifique nos ativos circulantes as contas de longo prazo (permanentes) e as variáveis (sazonais). Finalizando, Silva (1995) ensina que para manter em equilíbrio financeiro, uma alternativa da empresa é financiar suas necessidades variáveis com dividas de curto prazo, utilizando os recursos de longo prazo para financiar todas suas necessidades permanentes. METODOLOGIA A presente pesquisa é qualitativa e descritiva, uma vez que busca identificar e analisar em profundidade as práticas financeiras adotadas pelas microempresas de Itabira/MG, fundadas por empreendedores que apresentam diferentes perfis de inserção no mercado. Para uma melhor evidenciação e escolha das empresas foi adotado o sistema de classificação do SEBRAE. Desta forma, este tipo de classificação permitiu entrevistar os gerentes sem divulgar os valores das empresas, tendo como base somente a quantidade de funcionários, proporcionado uma maior autenticidade das respostas. Este trabalho realizou-se por meio de uma pesquisa de campo, na qual foram realizadas entrevistas semi-estruturadas junto aos empreendedores nas suas microempresas, constituindo assim, os sujeitos de pesquisa. Teve como universo as microempresas do segmento de vestuário que atuam no comércio da cidade de Itabira/MG. Conforme os dados da Câmara de Diretores Lojistas e da Junta Comercial de Itabira, este segmento é o que apresenta o maior número de microempresas da cidade, razão pela qual foi escolhido para embasar um estudo sobre empreendedorismo. Este trabalho desenvolveu-se com base em uma amostra de seis microempresas do segmento de vestuário, em conformidade com o tema abordado. A escolha do segmento se deveu à grande concentração de microempresas atuantes neste ramo na cidade, o que se tornou um fator facilitador para a coleta de dados. A amostra foi selecionada de acordo com os dois perfis de empreendedores. Foram três empresas de propriedade dos empreendedores por necessidade e três empresas de propriedade de empreendedores por oportunidade. Os empreendedores foram identificados quanto ao perfil de acordo com suas próprias colocações durante a entrevista, sendo que três deles citaram terem aberto suas empresas devido a necessidade de sustento, causados pelo desemprego e os outros três disseram ter visto no mercado a oportunidade de aumentar a renda. A análise dos dados realizou-se através da técnica de análise de conteúdo. Assim, foi possível uma maior interpretação dos dados a partir dos depoimentos obtidos junto aos entrevistados. Partindo do principio que alguns entrevistados possuem pouco conhecimento técnico sobre gestão financeira, este método permitiu a investigação a partir do conteúdo simbólico das mensagens. ANÁLISE DOS DADOS VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Existem dois perfis de inserção dos empreendedores no mercado: por necessidade e por oportunidade. O primeiro perfil se refere a pessoas que procuram em seus novos empreendimentos uma maneira de garantir o sustento próprio. São normalmente pessoas que se encontram desempregadas e buscam em suas novas atividades um meio de sobrevivência. Já os empreendedores por oportunidade enxergam nas falhas do mercado, a oportunidade de investir em novos ramos ou mesmo de expandir seus negócios. O empreendimento, seja por necessidade ou por oportunidade, exige dos empreendedores conhecimento mínimo na área financeira. É fundamental para o desenvolvimento das atividades, bem como da sustentação da empresa no mercado, que os empreendedores possuam conhecimento sobre gerenciamento de caixa, controle de estoques, investimentos e financiamentos. Lemes Junior e Pisa (2010) apontam que a falta de preparo dos empreendedores são os maiores responsáveis pelo alto índice no Brasil de fechamento das micro e pequenas empresas. De acordo com os dados da entrevista, identifica-se que os entrevistados deixam em evidência as características dos empreendimentos, seja por necessidade ou por oportunidade. Além disso, todos os entrevistas possuíam experiência profissional adquirida anteriormente em outras empresas. Pela pesquisa realizada, constatou-se que não houve planejamento para abertura das empresas. Os empresários acreditavam no sucesso do investimento utilizando como parâmetro experiências profissionais anteriores e apostavam no retorno financeiro maior do que os índices de rendimentos oferecidos pela poupança. Quando solicitados a definir gestão financeira, os empreendedores relacionaram gerir financeiramente suas empresas com a realização de compras em momentos considerados corretos. Foi citada, também, a necessidade de realizar boas vendas e receber dentro do prazo estabelecido, além de conseguir empréstimos em bancos e trabalhar equilíbrios entre prazos de compras e vendas. As respostas dos empreendedores relacionadas à gestão financeira demonstram que, apesar de não utilizarem termos técnicos para definir o tema, os empreendedores possuem noção sobre o assunto, já que citaram os principais fatores que fazem parte da gestão financeira. É preciso destacar ainda que os conhecimentos dos empreendedores em gestão financeira estão voltados apenas para os financiamentos e investimentos de curto prazo. O termo investimento em curto prazo é relacionado por todos os empreendedores por necessidade, como sendo o tempo que o cliente leva para realizar seus pagamentos, enquanto os empreendedores por oportunidade citaram-no como pagamento das dívidas da empresa. No que tange ao financiamento de curto prazo, os empreendedores o definem como o tempo obtido pela empresa para realizar o pagamento de empréstimos, adquiridos nas instituições bancárias. Outra definição obtida foi que este tipo de financiamento é resultante das vendas ao cliente e destacam ainda o crescimento das taxas de juros de acordo com o prazo do que entendem ser financiamento. Foi identificado que o termo liquidez é definido por todos os empreendedores como liquidação, ato de transformar a mercadoria existente nas empresas em dinheiro através da VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br realização de vendas que atraiam o cliente. De acordo com Silva (1995), liquidez é a capacidade de transformar os ativos da empresa em dinheiro. Observa-se que as definições de liquidez relatadas pelos entrevistados possuem coerência com a teoria, apesar da ênfase dada ao termo liquidação de mercadorias. O capital de giro é definido pelos empreendedores como recurso para repor estoques, ou ainda como mercadorias que possuem pouco retorno financeiro, mas, que possuem boa movimentação, fazendo com que o capital esteja disponível, para realizar novas compras e pagamentos. Já o equilíbrio financeiro é apontado pelos empreendedores por necessidade, como mercadorias que são vendidas com facilidade, e apresentam rápido retorno financeiro, funcionando como fonte para repor estoques. Já os empreendedores por oportunidade, definem o equilíbrio financeiro, como o ponto de equilíbrio entre compras e vendas, receitas e gastos. A análise desenvolvida, deixa à mostra o limitado conhecimento que os empreendedores têm sobre os termos comuns e de uso freqüente no sistema financeiro. Somente um empreendedor por oportunidade procurou a CDL para treinamento em gestão financeira deixando claro a pouca preocupação com o tema. Assim, é importante ressaltar o risco gerir um empreendimento sem o conhecimento mínimo necessário para que ele tenha êxito. A precariedade dos mecanismos de planejamento, gestão financeira e a postura demonstrada pelos empreendedores pesquisados apresentam uma forma de administrar através de decisões de forma empírica, o que pode levar as empresas a prejuízos. Órgãos como SEBRAE disponibilizam estudos sobre as micro e pequenas empresas no Brasil, bem como auxiliam os interessados em abrir seus negócios, analisando a viabilidade, gastos e recursos necessários, possibilitando a criação de empresas mais sólidas. É importante ressaltar, que a prática empírica, levaram os proprietários a procurarem o auxílio de amigos, parentes donos de comércios para abertura das empresas. Braga (2009) ressalta que os investimentos representam, também, a oportunidade de novos projetos, mas devem ser bem estruturados e planejados. Quando solicitados a relatar sobre a estrutura de financiamentos das empresas, constatou-se que eram utilizados linhas de créditos bancários e de fornecedores, quando necessário. Com relação às fontes de recurso para financiar o capital de giro, os empreendedores disseram utilizar também os recursos da própria empresa, ressaltando que reduzem as compras em períodos de quedas nas vendas, destacando esses períodos como de início de ano. As compras efetuadas pelos empreendedores por oportunidade são financiadas por fornecedores e capital da própria empresa. Já entre os empreendedores por necessidade, um utiliza cheque especial, sendo que os outros dois disseram não comprar caso não tenha recurso disponível na empresa. De acordo Gitman (2008), as contas a pagar e despesas a pagar, são passíveis de negociação de prazo com os fornecedores, que deverão ser pagas com uma maior lentidão sem atingir o crédito da empresa, gerando um financiamento sem vinculação de ativos específicos como garantia de dívida. Constata-se que os empreendedores por oportunidade incentivam e se beneficiam das garantias de recebimento e menores prazos oferecidos pelas financiadoras de cartões de crédito e débito. Assim, realizam as vendas com maior garantia de recebimento e menores prazos, o que disponibiliza um maior fluxo de caixa para a empresa. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br A determinação do saldo mínimo de caixa é realizada pelos empreendedores por oportunidade baseando em experiências anteriores, sendo que os empreendedores por necessidade não possuem um saldo mínimo de caixa ou o determinam de forma a não utilizar o cheque especial. Quando questionados a definir e relatar sobre a utilização de outras técnicas de análise de investimentos, payback, TIR e VPL, identificou que os empreendedores não as conhecem. O Sobre o aspecto relacionado ao sucesso ou fracasso das empresas foi solicitado, aos entrevistados, a falar sobre a evolução da empresa quanto ao aumento de número de clientes, vendas, estoque e a disponibilização de novos produtos, verificou-se que todas as empresas tiveram aumento do número de clientes e das vendas. A respeito da gestão de estoque, contatou-se que o investimento ocorre apenas em períodos sazonais para os dois tipos de empreendedores, sendo que alguns empreendedores disseram ser contra manter estoque, em função da compra de mercadoria, para estocagem, configurar em deixar o capital parado, o que de acordo com os empreendedores não é aconselhável. Por esta razão, conforme Gitman (2004), uma administração inadequada ou equivocada do capital de giro, certamente tem como consequência grandes problemas financeiros, podendo levar a empresa à insolvência, fato que tem o consenso dos empreendedores que preferem não manter altos estoques. Apenas a falta de segurança no reduto da empresa e a oportunidade de trabalhar com um bom salário foram citadas como fatores que levariam os empresários por necessidade a encerrar as atividades de suas empresas. Todos os empresários por oportunidade disseram não ter motivos para agir de tal forma. Enfocando a visão empreendedora sob o prisma das necessidades humanas, Dolabela (2000) afirma que a visão de quem empreende por necessidade é voltada à segurança e à estabilidade. Para Teodoro e Oliveira (2006) o empreendedor por oportunidade acredita que o fracasso é uma fonte de aprendizagem, e por isto procura aprender com seus erros. A segurança de receber um salário fixo ao final de cada mês pode ser considerada como atrativo pelos empreendedores em comum acordo com as citações de Dolabela (2000) para que levem o empreendedor por necessidade a cogitar a ideia de encerrar as atividades. Com isso, apresentada a maior diferenciação entre os dois perfis de empreendedores. Aqueles que abriram suas empresas por necessidade possuem uma maior fragilidade ao fechamento do estabelecimento por motivo de um bom emprego, devido às dificuldades presentes e o baixo faturamento. Fato agravado por uma falta de planejamento e desconhecimento de gestão. Os empreendedores por oportunidade por apresentarem uma situação estável com um bom faturamento desconsideram está possibilidade apesar de terem pouca diferenciação em relação aos conhecimentos da gestão financeira. Quanto às expectativas, para os próximos cinco anos, são as mesmas dentre os empreendedores entrevistados, que destacaram principalmente o crescimento da empresa, a aquisição do imóvel comercial próprio e expansão do ramo de atividades, como principais expectativas. Conhecer as técnicas de investimentos torna-se importante de acordo com Santos (2005) porque permite verificar se as tomadas de decisões relacionadas às novas aquisições ou reformas em busca de desenvolvimento, encontram-se acima de sua capacidade de caixa e requerem financiamento junto a terceiros. Avaliar a capacidade de caixa, conforme VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br destaca Santos (2005) é dos um fatores considerados pelos empreendedores, que planejam melhorias de investimento a longo prazo. CONSIDERAÇÕES FINAIS O empreendedorismo é a atividade realizada por pessoas que buscam a oportunidade de gerar renda própria através da criação de novos empreendimentos. São dois os tipos de empreendimentos: por oportunidade e por necessidade. Destaca-se que os dois tipos de empreendimentos requerem que os empresários tenham noções de administração financeira que os auxiliem a gerir seus empreendimentos de forma segura, evitando correr riscos desnecessários. As pesquisas atestaram que os empreendedores possuem pouco conhecimento sobre as técnicas disponíveis, desconhecendo o significado e a aplicação de termos financeiros bastante comuns à gestão financeira, como capital de giro, investimentos a curto e longo prazo e liquidez. Detectou-se, também, que os empreendedores não foram treinados, o que demonstra a necessidade de busca conhecimentos técnicos, em virtude da importância de se preparar e realizar uma gestão financeira que atenda às necessidades das empresas. Quanto a descrição e análise do processo de abertura das microempresas, pode-se afirmar, com base nos dados analisados, que os empreendedores não utilizaram nenhuma ajuda especializada para abrir suas empresas. Os dados indicaram também, que os empresários utilizaram capital próprio para iniciar suas atividades. No que se refere às técnicas de investimento e financiamento adotadas, é baixa a utilização de capital de terceiros, fornecedores e bancos. É também comum, a aquisição de mercadorias à vista (quando dispões do capital). Na falta de capital os estoques ficam a níveis baixos comprometendo os fluxos de caixa, gerando desequilíbrio no capital de giro. Os dados demonstraram similaridade de posicionamento entre os dois tipos de empreendedores, embora a motivação para iniciar o empreendimento seja diferente. Assim, pode-se constatar que os empreendedores consideraram como fatores de sucesso o crescimento das lojas no que se refere ao aumento das vendas e da clientela, e dos estoques apenas em períodos sazonais. Os empreendedores são contra manter estoques elevados por se configurar em capital de giro parado, fator que deve ser considerado, já que a má administração do capital de giro pode levar a empresa à insolvência. Com relação aos fatores negativos, os mais citados foram a necessidade de se realizar cobranças, a falta de segurança e em caso isolado a má relação com funcionários. Estes fatores demonstram as conseqüências de um mau planejamento e treinamento no momento da abertura da empresa. Desta forma, apenas algumas práticas são adotadas pelos empreendedores, como financiamentos e controle de caixa. Porém, o pouco conhecimento financeiro dos empreendedores impossibilita que a utilização de tais práticas seja feita de maneira correta, quando confrontados as atitudes com relação à saúde financeira das empresas, as experiências utilizadas pelos empreendedores e a teoria. Apesar do pouco conhecimento dos empreendedores na área financeira pode-se detectar que as empresas possuem um faturamento anual que atende as expectativas dos proprietários, o que permite avaliar, que se houvesse um VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br maior entendimento acerca da administração e técnicas financeiras disponível, muito provavelmente estes empresários teriam maior sucesso em sua carreira. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Tibúrcio. Administração de capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 2009. BERNARDI, Luiz Antônio. 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