PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA Antonio Celio Moreira Junior "MICRODUREZA APLICADA NA COMPARAÇÃO DE TENSÕES RESIDUAIS APÓS PROCEDIMENTOS DE FABRICAÇÃO NO AÇO 1045" São João Del Rei 2014 Antonio Celio Moreira Junior " MICRODUREZA APLICADA NA COMPARAÇÃO DE TENSÕES RESIDUAIS APÓS PROCEDIMENTOS DE FABRICAÇÃO NO AÇO 1045" Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Universidade Federal de São João Del Rei, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica Área de Concentração: Materiais e Processos de Fabricação Orientador: Prof. Dr. Frederico Ozanan Neves Coorientador: Prof. Dr. Alex Sander Chaves da Silva São João Del Rei 2014 Moreira Junior, Antonio Celio M838m Microdureza aplicada na comparação de tensões residuais após procedimentos de fabricação no aço 1045 [manuscrito] / Antonio Celio Moreira Junior . – 2014. 65f. ; il. Orientador: Frederico Ozanan Neves. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica. Referências: f. 66-73. 1. Engenharia mecânica - Teses 2. Soldagem - Teses 3. Tensões residuais - Teses 4. Microdureza - Teses I. Neves, Frederico Ozanan (orientador) II. Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica III. Título CDU 620.1 DEDICATÓRIA É com muita satisfação que dedico essa dissertação à meus pais Antonio Célio Moreira e Gessilene Aparecida Costa Moreira, à minha esposa Talita de Oliveira Teixeira, à minha filha Sofia Oliveira Moreira e para meus irmãos Alisson Costa Moreira e Sthefanny Cristine de Almeida. Dedico também à todos os amigos e parceiros que contribuíram direta e indiretamente na execução dessa dissertação. AGRADECIMENTOS Quero agradecer primeiramente Deus, por ter me dado forças em todos os momentos de dificuldades que passei. Gostaria de agradecer o Professor Frederico Ozanan Neves por me propiciar uma oportunidade ímpar, também pela paciência e pelo companheirismo. Ao Professor Alex Sander Chaves Silva por me transmitir todo o conhecimento necessário para a execução deste projeto, além de confiar no estudo que estou concluindo. Agradecer a todos os professores do curso de Pós Graduação em Engenharia Mecânica. A todos os funcionários e técnicos que colaboraram para a conclusão do projeto de pesquisa. À CAPES, pela bolsa de estudos concedida. A todo mundo, um muito obrigado. EPÍGRAFE É muito melhor lançar-se em busca de conquistas grandiosas, mesmo expondo-se ao fracasso, do que alinhar-se com os pobres de espírito, que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta, onde não conhecem nem vitória, nem derrota”. (Theodore Roosevelt) RESUMO A realização de testes experimentais em laboratórios na área da Engenharia tem o intuito de investigar e conhecer o comportamento físico de determinadas estruturas, além de validar situações reais em processos de fabricação. Foi abordado nesta pesquisa um processo de soldagem por arco elétrico com gás de proteção GMAW - Gas Metal Arc Welding, o qual é executado com diversos parâmetros que influenciam e determinam a realização da solda. Destes parâmetros, a corrente e a velocidade de soldagem foram analisadas seguindo especificações do fabricante dos consumíveis utilizados na realização da solda. Três níveis de corrente de soldagem foram adotadas; 140 A, 160 A, 176 A; juntamente com estes valores a velocidade de soldagem também foi estudada e determinada com o auxílio de um dispositivo elaborado para parametrizar o tempo gasto para a execução do cordão de solda. Foram utilizados três níveis de velocidade de soldagem; 4,5 mm/s, 5,4 mm/s e 6,4 mm/s.Também foi realizado um processo de usinagem no material soldado a fim de obter uma superfície com melhor acabamento, além da possibilidade de estabelecer a influência deste processo sobre as condições soldadas e também do material em estado bruto. Esta pesquisa tem como objetivo comparar os valores das microdurezas das peças soldadas com as soldadas e posteriormente fresadas para após uma análise estatística indicar a melhor condição de fabricação quando utilizadas chapas de aço carbono 1045. Foram encontrados resultados adequados quanto às condições de fabricação, onde recomenda-se soldar e fresar o produto do que somente soldar. Palavras Chave: Soldagem GMAW, Tensões Residuais, Microdureza ABSTRACT The conduct of experimental tests in laboratories in Engineering aims to investigate and know the physical behavior of certain structures, and validate real situations in manufacturing processes. Gas Metal Arc Welding, which runs with different parameters that influence and determine the completion of the weld - a process of electric arc welding with GMAW shielding gas was addressed in this research. Of these parameters, the current and welding speed were analyzed following manufacturer specifications of consumables used to perform welding. Three levels of welding current were adopted; 140 A, 160 A, 176 A; these values along with the welding speed was also investigated and determined with the aid of a device designed to parameterize the time spent for the execution of the weld bead. Three levels of welding speed were used; 4.5 mm / s 5.4 mm / s 6.4 mm / s.Também was carried out a machining process on the weld material to obtain a better surface finish, and the possibility to determine the influence on this process welded and also the material conditions in the raw state. This research aims to compare the values of microhardness of welded with welded parts and subsequently milled to after a statistical analysis indicates the best condition used when manufacturing of carbon steel 1045 results found suitable for the conditions of manufacture, which recommends If welding and milling the product than just welding. Keywords: Welding GMAW, Residual Stresses, Microhardness LISTA DE FIGURAS Figura 2.1. Esboço de um equipamento básico para soldagem GMAW (Rodrigues, 2011 p. 20).. .............................................................................................................. 20 Figura 2.2. Esquema do processo de soldagem GMAW (Mota, 2013 p. 23) ........... 21 Figura 2.3. Transferências metálicas em relação a parâmetros de soldagem (Rodrigues, 2011; p. 24) ............................................................................................ 25 Figura 2.4. Polaridades utilizadas na soldagem GMAW (SENAI, 2008) ................. 26 Figura 2.5. Variáveis das polaridades da soldagem MIG/MAG (Souza et al. 2009 p. 193)............. .............................................................................................................. 27 Figura 2.6. Modelo das três barras; à esquerda as barras fixas nas bases e à direita a barra central sofrendo um aquecimento (Adaptado de Marques et al. 2009) ......... 32 Figura 2.7. Comportamento da tensão residual sobre a barra aquecida (Marques et al. 2009, p. 116) ........................................................................................................ 33 Figura 2.8. Comportamento de tensões residuais em barras e chapas soldadas (Adaptado de Marques et al. 2009) ........................................................................... 34 Figura 2.9. Tensão de compressão causada pelo processo de fresamento (Norcino, 2013 p. 29).. .............................................................................................................. 35 Figura 2.10. Tensões de tração na superfície causada pelo processo de fresamento (Norcino, 2013 p. 30) ................................................................................................. 36 Figura 2.11. Geometria do indentador e da impressão Vickers (Carvalho, 2013 p. 54)............... .............................................................................................................. 38 Figura 3.1 Chapa no estado recebido com dimensões de 100 x 100 x 3,2mm ...... 42 Figura 3.2 Chapas em estado recebido com dimensões 100 x 50 x 3,2mm .......... 42 Figura 3.3 Retificador de tensão utilizado para a soldagem MIG/MAG .................. 44 Figura 3.4 Dispositivo parametrizador da velocidade de soldagem MIG/MAG ....... 45 Figura 3.5 Chapas retificadas após o corte ............................................................ 46 Figura 3.6 Posicionamento da tocha de soldagem para o início do procedimento . 46 Figura 3.7 Destaque das regiões afetadas pelo procedimento de soldagem MIG/MAG.... .............................................................................................................. 47 Figura 3.8 Microdurômetro utilizado para a coleta de dados .................................. 48 Figura 3.9 Equipamento Mesotom utilizado para o corte das chapas .................... 48 Figura 3.10 Vista frontal e lateral dos filetes retirados da chapa soldada ................. 49 Figura 3.11 Politriz utilizada para lixamento dos corpos de prova ............................ 49 Figura 3.12 Chapas preparadas para o ensaio de microdureza Vickers .................. 50 Figura 3.13 Posições de execução das micro indentações ...................................... 50 Figura 3.14 Centro de usinagem utilizado para o fresamento .................................. 51 Figura 3.15 Chapa após o processo de fresamento ................................................. 52 Figura 4.1. Comparação entre as microdurezas em relação às correntes ............. 55 Figura 4.2. Comparação das microdurezas entre as posições sequenciais ............ 56 Figura 4.3. Comparação entre durezas médias de chapas em estado recebido com as chapas soldadas................................................................................................... 58 Figura 4.4. Análise das condições de fabricação ..................................................... 61 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 Diferentes processos por fusão a arco elétrico ...................................... 19 Tabela 2.2 Relação de materiais aplicáveis na soldagem MIG/MAG ...................... 20 Tabela 2.3 Vantagens e desvantagens do processo MIG/MAG .............................. 21 Tabela 2.4 Alguns gases e misturas utilizados no MIG/MAG .................................. 23 Tabela 2.5 Tipo e valores dos parâmetros aplicáveis na GMAW ............................ 27 Tabela 3.1. Composição química do aço ABNT 1045 .............................................. 41 Tabela 3.2. Especificações de chanfro, espessura e método de soldagem ............. 43 Tabela 3.3. Valores específicos para o eletrodo utilizado no procedimento ............. 43 Tabela 4.1. Valores da microdureza Vickers (HV) das chapas soldadas ................. 53 Tabela 4.2. Análise entre as condições de soldagem .............................................. 54 Tabela 4.3. Análise do contraste entre as correntes de soldagem ........................... 54 Tabela 4.4. Análise do contraste entre as posições simétricas ................................ 55 Tabela 4.5. Análise do contraste das posições sequenciais .................................... 55 Tabela 4.6. Análise do contraste da interação entre corrente e posição .................. 56 Tabela 4.7. Medidas da microdureza em relação ao recebido ................................. 57 Tabela 4.8. Análise das velocidades de soldagem com o estado recebido .............. 57 Tabela 4.9. Análise das correntes de soldagem em relação ao estado recebido ..... 58 Tabela 4.10.Valores de microdureza Vickers (HV) após o processo de fresamento....... ......................................................................................................... 59 Tabela 4.11.Análise das condições após o fresamento em relação ao soldado............ .......................................................................................................... 60 Tabela 4.12.Análise do contraste entre tratamentos, correntes e velocidades de soldagem..... .............................................................................................................. 60 Tabela 4.13.Valores em HV das correntes utilizadas independente do procedimento............................................................................................................. 61 Tabela 4.14.Valores em HV da interação entre corente e velocidade de soldagem na condição soldada e fresada....................................................................................... 62 LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS Letras Latinas GMAW Gas Metal Arc Welding SMAW Shielded Metal Arc Welding AWS Associação Americana de Soldagem ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ASTM Sociedade Americana para Ensaios e Materiais HV Dureza Vickers CC+ Corrente Contínua Positiva CC- Corrente Contínua Negativa ZF Zona Fundida ZTA Zona Termicamente Afetada SST Soma quadrática do total de dados SSA Soma quadrática dos tratamentos SSI Soma quadrática dos valores das correntes de soldagem SSP Soma quadrática dos valores das posições de medidas SSV Soma quadrática dos valores das velocidades de soldagem SSAP Soma quadrática dos valores da interação entre tratamento e posição SSIP Soma quadrática dos valores da interação entre corrente e posição SSERRO Soma dos erros de todos os dados GL Graus de liberdade MSSC Média da soma quadrática do contraste [Kgf/mm²] MSSERRO Média da soma quadrática do erro Letras Gregas = Tensão Residual = Tensão uniaxial na direção x [MPa] [MPa] SUMÁRIO CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO .................................................................................. 15 CAPÍTULO 2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................. 18 2.1. Soldagem ................................................................................................. 18 2.2. Soldagem MIG/MAG (GMAW).................................................................. 19 2.3. Parâmetros da Soldagem GMAW ............................................................ 25 2.4. Tensões Residuais ................................................................................... 29 2.4.1. Tipos de Tensões Residuais .................................................................... 29 2.4.2. Tensões Residuais na Soldagem ............................................................. 31 2.4.3. Tensões Residuais no Fresamento .......................................................... 35 2.5. Qualificação das Tensões Residuais por Ensaios de Dureza .................. 36 CAPÍTULO 3 - MATERIAIS E MÉTODOS................................................................. 40 3.1. Material ..................................................................................................... 41 3.2. Corpos de Prova....................................................................................... 44 CAPÍTULO 4 - ANÁLISE DE RESULTADOS ............................................................ 53 4.1 Comparação dos corpos de prova soldados ................................................. 53 4.2 Comparação de cada parâmetro com o estado recebido ............................. 57 4.3 Comparação entre as chapas soldadas/fresadas com as soldadas ............. 59 CAPÍTULO 5 - CONCLUSÕES ................................................................................. 63 CAPÍTULO 6 - SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ................................ 65 CAPÍTULO 7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................. 66 ANEXO I .................................................................................................................... 74 ANEXO II ................................................................................................................... 77 15 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Atualmente indústrias necessitam de um acompanhamento dos processos de fabricação para se obter uma maior produção e qualidade além de um menor custo operacional. Devido aos procedimentos utilizados durante a fabricação, produtos podem apresentar defeitos estruturais tornando essencial o controle para o resultado final. A qualidade final de um produto é dependente de parâmetros operacionais cujos podem influenciar no nível de tensões residuais existentes no produto. Essas tensões são originadas a partir de processamentos térmicos ou mecânicos tais como, fundição, soldagem e usinagem. Durante estas operações, o estado normal do material se altera devido às forças introduzidas, as que permanecem após o cessamento são definidas por tensões residuais. Essas tensões são notadas no material devido a ocorrência da deformação plástica do material. O conhecimento e o controle destas tensões no material são de fundamental importância para a estrutura produzida, pois após o procedimento de fabricação as tensões residuais podem ter naturezas distintas: as trativas e as compressivas. Se em determinada região existir tensões do tipo trativas, trincas podem aparecer quando o produto for submetido a solicitações cíclicas. Já para tensões do tipo compressivas, a resistência à fadiga é aumentada. Em literaturas são encontradas diferentes metodologias para determinar as tensões residuais, as quais podem ser medidas diretamente por equipamentos complexos e técnicas como a difração de raios x, o ultrassônico, o eletromagnético ou ainda a técnica do furo cego. Vantagens e desvantagens podem ser encontradas em cada técnica, onde a escolha de cada uma depende da exatidão, complexidade, aplicabilidade, custo e composição química do material em utilização. 16 Recentemente os testes de dureza vem sendo muito utilizados para determinar a natureza das tensões residuais por serem considerados uma técnica simples, de fácil aplicação e com um baixo custo operacional comparada às citadas anteriormente. Os processos de soldagem induzem tensões residuais no material devido ao alto gradiente térmico aplicado à região de fusão. Devido a este gradiente altos níveis de tensões podem ser obtidos, e se forem de natureza trativas, podem danificar a peça soldada. Parâmetros operacionais do processo de soldagem são fundamentais para o resultado final da chapa soldada, destaca-se a corrente e a velocidade de soldagem como um dos principais. O processo de soldagem adotado tem uma grande importância e vasta utilização em setores industriais como automotivos, navais, aeronáuticos entre outros. Industrialmente, a soldagem por arco elétrico com proteção gasosa GMAW Gas Metal Arc Welding é muito utilizada pela capacidade de produção. Neste procedimento existe a possibilidade de soldar automaticamente com o auxílio de robôs, porém o controle deste processo é alvo de constantes estudos e pesquisas devido a existência de diversos parâmetros influentes no resultado final de uma chapa soldada. Por outro lado, o procedimento de fresamento é muito utilizado em diversas aplicações e com inúmeras finalidades, o qual pode ser utilizado para proporcionar uma superfície com melhor acabamento dependendo da necessidade. O aço carbono ABNT 1045 é um aço de médio teor carbono, com propriedades mecânicas adequadas além de ser utilizado em uma ampla área nos setores de produção e manutenção. Esta pesquisa tem como objetivo contribuir com pesquisas científicas na área de produção e recuperação de peças utilizando o método de soldagem. Deseja-se também determinar valores de microdurezas Vickers em chapas soldadas afim de estimar a tensão residual nas regiões indentadas. 17 Na sequencia, comparar os valores das microdurezas das chapas soldadas com os valores obtidos nas chapas que não foram submetidas ao processo para saber se o procedimento de soldagem beneficiou ou danificou a chapa dentro dos parâmetros utilizados. Por fim, realizar um processo de fresamento frontal para dar um acabamento na chapa soldada e realizar as mesmas medições de microdurezas para determinar a influência deste procedimento sob as chapas soldadas. Com o auxílio de uma análise estatística, espera-se encontrar dentro do intervalo de valores estabelecidos pelo fabricante, valores adequados dos parâmetros utilizados para obter dados concretos que viabilizam a fabricação por estes meios de fabricação. 18 CAPÍTULO 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Soldagem Um dos métodos mais utilizados nos últimos tempos entre os processos de produção disponíveis para construir, reforçar e recuperar peças ou estruturas é a soldagem, pois este é considerado muito prático e de fácil aplicação em diversos tipos de materiais disponíveis nos setores de fabricação. A praticidade dos processos de soldagem se dá por conta da vasta utilização desde estruturas simples até naquelas que dependem de um alto nível de qualidade e responsabilidade, como, por exemplo, componentes microeletrônicos ou indústrias como do tipo naval, automobilística, ferroviária entre outras (MARQUES et al. 2009). Para a realização de um processo de soldagem existem atualmente diferentes tipos de equipamentos, materiais e procedimentos. Sendo assim a Sociedade Americana de Soldagem (AWS) define a soldagem como uma operação que visa estabelecer a coalescência localizada de um determinado material, gerada por um aquecimento com ou sem aplicação de pressão. Devido à existência de distintas técnicas e procedimentos disponíveis para a execução de uma solda, este assunto torna-se um tanto complexo. Uma das categorias responsáveis por maior parte de utilização nos setores industriais é a soldagem feita por uma fusão proporcionada por arco elétrico. Alguns procedimentos por este meio de soldagem estão descritos na Tabela 2.1. A escolha e a utilização de cada procedimento dependem da necessidade de trabalho em cada operação. 19 Tabela 2.1 Diferentes processos por fusão a arco elétri co Soldagem por fusão à arco elétrico MIG-MAG Eletrodo Tubular Eletrodo revestido 2.2. Eletrogás Arco submerso Plasma e TIG Soldagem MIG/MAG (GMAW) Um dos diferentes processos de soldagem existentes para a fabricação no setor industrial é a soldagem por arco elétrico com gás de proteção. Referenciado por GMAW (Gas Metal Arc Welding) este processo proporciona uma fusão de um eletrodo metálico alimentado continuamente pela máquina de soldagem, protegida por gases característicos deste processo: inertes ou ativos. A fabricação por este meio de soldagem é muito efetiva devido às vantagens ligadas à este procedimento. De acordo com Rodrigues (2011), a sua utilização se justifica por obter em condições adequadas, uma alta produtividade, altas taxas de transferência do eletrodo além de uma boa penetração de material quando comparadas com outros processos. Destaca-se ainda, segundo Marques et al. (2009), a capacidade de manutenção e fabricação de estruturas, a recuperação de peças desgastadas e até o reforçamento de superfícies metálicas. Com o decorrer dos anos, avanços e estudos tecnológicos foram desenvolvidos no intuito de obter novos procedimentos e materiais para a execução de um processo de soldagem. A partir daí, a soldagem GMAW passou a ser muito utilizada industrialmente, com capacidade de produção em grande escala e de qualidade uniforme para todas as peças devido a possibilidade de automatização do processo (MARQUES et. al. 2009, NILO JR. 2003). Na Figura 2.1 são esboçados componentes de um equipamento básico utilizado para efetuar uma solda utilizando o processo GMAW convencional. 20 Figura 2.1. Esboço de um equipamento básico para soldagem GMAW (Rodrigues, 2011 p. 20) A vasta utilização deste procedimento se justifica pela aplicação desde pequenas indústrias até nas responsáveis por grandes produções e alta qualidade. Isto se dá pela possibilidade de realizar uma solda em diferentes tipos de materiais como os ferrosos e os não ferrosos, relacionados na Tabela 2.2. Ressalta-se que para soldar materiais ferrosos deve-se utilizar gases ativos, enquanto que os gases inertes podem ser utilizados para soldar tanto ferrosos como não ferrosos (MARQUES et al. 2009; WAINER, 2004). Tabela 2.2 Relação de materiais aplicáveis na soldagem MIG/MAG Ligas Ferrosas Ligas Não Ferrosas Aços inoxidáveis Cobre e suas ligas Ferros fundidos Alumínio e suas ligas Aços baixo carbono Níquel e suas ligas Aços baixa liga Titânio, Magnésio e suas ligas Os gases específicos da soldagem GMAW tem o principal objetivo de proteger a região da solda, pois se o metal entrar em contato com o ar atmosférico quando estiver em estado de fusão defeitos e/ou imperfeições podem ser ocasionados (FREITAS et al. 2009). Com o alto gradiente térmico aplicado a região da peça, é necessário uma proteção adequada, feita por gases inertes como o Argônio (Ar) e/ou Hélio (He) ou ativos como o Dióxido de carbono (CO2) ou o Oxigênio (O2). 21 Na Figura 2.2 é mostrado um procedimento básico da soldagem MIG/MAG, que une duas partes metálicas. Figura 2.2. Esquema do processo de soldagem GMAW (Mota, 2013 p. 23) Vantagens e desvantagens podem ser obtidas ao utilizar este procedimento de soldagem segundo Nilo Jr. (2003), as quais podem ser vistas na Tabela 2.3. Pela existência de muitos parâmetros que caracterizam o procedimento de soldagem GMAW, limitações ou alterações são encontradas quando estes parâmetros são utilizados ou regulados de forma inadequada. Tabela 2.3 Vantagens e desvantagens do processo MIG/MAG Vantagens Desvantagens O eletrodo é alimentado continuamente, Ocorrência de trincas, A velocidade de soldagem é elevada, Rápida velocidade de A taxa de deposição é alta, resfriamento, Visibilidade total da poça de fusão, Regulagem complexa, Possível controlar a penetração da solda, Porosidade no cordão de solda, Pode ser soldada em várias posições, Geração de tensões residuais trativas. 22 Muitos estudos são realizados na determinação de parâmetros fundamentais para um bom desenvolvimento e uma melhor qualidade dos cordões de solda produzidos. Na comparação entre procedimentos de soldagem, Marques et al. (2009) destaca a soldagem GMAW mais complexa do que a soldagem com eletrodos revestidos. Esta complexidade se justifica pela dificuldade de ser ajustado devido à existência de diversos parâmetros que influenciam a qualidade final do cordão de solda. De acordo com Hermans e Den Ouden (1999), são destacados a corrente de soldagem, a tensão do arco, a polaridade de soldagem, a composição e o diâmetro do eletrodo, o gás de proteção e a velocidade de soldagem como parâmetros influentes na qualidade final da solda. 2.2.1. Gases de Proteção De acordo com Tatagiba et al. (2012); Rosado (2008); Marques et al. (2009) o gás de proteção é essencial para resultados satisfatórios ao final da soldagem. Além de proteger a região da solda contra os efeitos nocivos do ar, pode proporcionar uma estabilidade do arco elétrico, nas transferências metálicas. O estudo dos gases de proteção utilizados na soldagem por arco elétrico é considerado bastante complexo, pela existência de diversos gases, composições e misturas. Na literatura os primeiros registros da utilização dos gases foram em 1948 onde se utilizava um gás inerte, o Argônio (Ar) para soldar o alumínio. Em 1951 tornou-se possível a soldagem dos aços, pois o Oxigênio passou a ser misturado com o Argônio. Dois anos depois, segundo Machado (1996) o Dióxido de carbono (CO2) começou a ser misturado nos gases inertes (Argônio ou Hélio) com o intuito de tornar o processo mais barato. Para esta mistura Moyer (2002) destaca que se utilizado de (3 - 25)% do CO2 a produtividade e a qualidade do cordão de solda aumentam; os autores Suban e Tusek (2001) relatam ainda que a adição do gás carbônico pode aumentar a penetração e a dureza do cordão de solda. 23 Desde então a praticidade e a versatilidade do processo vem ganhando espaço com a possibilidade de utilizar diversas composições envolvendo gases com diferentes níveis e misturas que proporcionam um resultado adequado ao final do processo. Segundo a Associação Americana de Soldagem (AWS), os diferentes gases e misturas disponíveis para a realização de uma soldagem por este processo são especificados por normas técnicas, no caso, a AWS A5.32. Alguns destes gases e misturas podem ser observados na Tabela 2.4, onde se relaciona a natureza e as aplicações destes. Tabela 2.4 Alguns gases e misturas utilizados no MIG/MAG INERTE ATIVO Gás ou mistura Aplicação Gás ou mistura Aplicação Argônio (Ar) Quase todos menos o aço Ar + 3 a 5% O2 Diversos aços Ar + 20 a 50 % He Al, Mg, Cu e suas ligas CO2 puro Aços carbono Hélio (He) Al, Mg, Cu e suas ligas Ar + CO2 + O2 Aços carbono Nitrogênio (N2) Cobre e suas ligas Ar + 20-50% CO2 Diversos aços Pela Tabela 2.4 nota-se uma maior utilização do gás Argônio do que o Hélio, ambos inertes. Esta utilização se justifica pela densidade do Argônio, visto que este é mais pesado que o Hélio. Para uma proteção feita com o Hélio é necessário uma vazão maior, cerca de 3 vezes a mais do que a feita pelo Argônio (FREITAS et al. 2009). 2.2.2. Transferências Metálicas A transferência metálica é definida segundo Souza et al. (2011); Cabral (2011); Mota (2013) como a transferência de uma parte do eletrodo para a poça de fusão através do arco elétrico. Diversas variáveis influenciam a transferência metálica, tais como a corrente de soldagem, o gás de proteção, a polaridade da corrente e o comprimento do arco elétrico (MARQUES et al. 2009, KIM e EAGAR, 1993). 24 Existem basicamente três modos distintos de transferência metálica, variando de acordo com o tamanho, a forma e a frequência em que o metal se desprende da ponta do eletrodo. De acordo com a regulagem de parâmetros operacionais é que se resulta no modo da transferência (MOTA, 2013). A transferência por curto circuito acontece quando uma gota se forma na ponta do eletrodo até atingir uma dimensão que chega a tocar na superfície da poça de fusão fazendo com que aconteça um curto circuito, transferindo assim a gota metálica para a região a ser soldada (SOUZA et al. 2011; FERREIRA FILHO, 2007; MOTA, 2013). Segundo Souza et al. (2011), com este modo de transferência obtém-se muitos respingos podendo comprometer a capacidade e o tempo de produção, pois além da perda de material é necessário uma limpeza da peça. A transferência do tipo globular acontece quando maiores dimensões da gota metálica são atingidos na ponta do eletrodo, fazendo com que esta não suporte o seu peso e se desprenda em direção à poça de fusão. Para este modo de transferência a soldagem deve ser feita em posição plana (FERREIRA FILHO, 2007; DOBIGNIES, 2008). Outro modo de transferência metálica é denominado por spray, onde as gotas formadas tem diâmetros muito pequenos e desprendem-se mais facilmente do eletrodo (RIBEIRO, 2012). De acordo com Mota (2013); Marques et al. (2009), para soldar chapas mais espessas a transferência adequada e a por spray, devido a altas temperaturas obtidas. Vantagens e desvantagens podem ser encontradas em cada tipo de transferência durante e após o processo de soldagem de acordo com a regulagem dos parâmetros operacionais. Segundo Kim et al. (2003) o controle dos modos de transferência metálica é essencial para obter qualidade, produtividade e custos de uma junta soldada. Na Figura 2.6 pode-se estabelecer o tipo de transferência predominante relacionada com parâmetros operacionais da soldagem. 25 Figura 2.3. Transferências metálicas em relação a parâmetros de soldagem (Rodrigues, 2011; p. 24) O controle e o monitoramento dos resultados obtidos na soldagem são possíveis com alterações de parâmetros fundamentais do processo. Ao alterar valores de parâmetros como corrente e velocidade de soldagem pode-se estabelecer um comparativo com a melhor condição de soldagem para o material utilizado. 2.3. Parâmetros da Soldagem GMAW O processo de soldagem por arco elétrico com gás de proteção - GMAW é dependente de parâmetros operacionais básicos, onde a escolha e a regulagem adequada destes são influentes na capacidade e qualidade de produção. Segundo Aloraier (2010) as dimensões do cordão de solda também são afetadas pela regulagem do cordão de solda. Muitos estudos e testes experimentais são realizados a fim de determinar a influência dos distintos parâmetros envolvidos neste processo de soldagem. A escolha e a regulagem adequada destes parâmetros são dependentes de vários testes executados. 26 2.3.1 Corrente A corrente de soldagem é fundamental para a execução do processo de soldagem por arco elétrico com gás de proteção - GMAW. Dois tipos de correntes podem ser utilizadas neste processo, a positiva e a negativa. De acordo com Puhl (2011); Souza et al. (2009); Moreira (2008) a polaridade mais utilizada neste processo é a positiva (CC+), pois é possível obter boas condições de transferência de metal, boa penetração de material além de produzir poucos respingos comparados com a polaridade negativa, devido as forças eletromagnéticas estarem concentradas na ponta do eletrodo contribuindo no desprendimento da gota. Em um outro estudo, Giraldo (2009) ressalta que a corrente de soldagem deste processo está diretamente ligada à velocidade de alimentação do arame, desde que a extensão do eletrodo seja constante. Sendo assim para maiores velocidades de alimentação do arame maiores valores de corrente devem ser utilizados. O nível de corrente é adotado a partir de fatores como o material, o tipo e o diâmetro do eletrodo e a transferência adequada para o processo. Se para a realização da solda for utilizada uma polaridade negativa, altas velocidades de deposição podem ser obtidas, porém podem resultar em baixa penetração de material no cordão de solda, além de uma transferência irregular com muitos respingos (MARQUES et al. 2009; CIRINO, 2009). Na Figura 2.4 pode-se observar o esquema de ligação dos cabos nos polos do equipamento de soldagem. Figura 2.4. Polaridades utilizadas na soldagem GMAW (SENAI, 2008) 27 Comparando a quantidade de calor gerada em cada polaridade, Puhl (2011); Souza et al. (2009) afirmam que cerca de 30% do calor é transferido à peça e o restante transferido ao eletrodo na polaridade negativa, obtendo assim uma maior taxa de fusão do que na polaridade positiva que tem o balanço de calor inverso. Esta comparação pode ser visto na Figura 2.5. Figura 2.5. Variáveis das polaridades da soldagem MIG/MAG (Souza et al. 2009 p. 193) A formação adequada do cordão de solda é dependente do tipo e do nível de corrente adotado para a execução da solda. Fatores como composição do eletrodo, o gás de proteção e o tipo de transferência metálica também influenciam na qualidade do cordão de solda. Na Tabela 2.5 são mostrados estes fatores de acordo com especificações adequadas para o processo. Tabela 2.5 Tipo e valores dos parâmetros aplicáveis na GMAW Corrente positiva CC+ Diâmetro do eletrodo Corrente Tensão Gás de ER-70S-6 (mm) (A) (V) proteção 0,8 60 - 200 18 - 24 0,9 70 - 250 18 - 26 Ar + 8 - 20% 1,0 80 - 300 18 - 32 de CO2 1,2 120 - 380 18 - 34 1,6 225 - 550 28 - 38 Fonte: ESAB 28 2.3.2 Velocidade de Soldagem Um dos parâmetros essenciais para o controle de produção no processo de soldagem por arco elétrico com gás de proteção - GMAW é a velocidade de soldagem, pois influencia na quantidade de calor aplicada a área de fusão. A velocidade de soldagem é definida pela taxa de deslocamento da tocha de soldagem em relação ao tempo gasto para realizar o cordão de solda (MOREIRA, 2008; NILO JR., 2003). Dependendo dos valores da velocidade de soldagem, Sabio (2007); Groetelaars (2005); Nilo Jr. (2003), afirmam que podem ser obtidas descontinuidades e alterações dimensionais como a largura e penetração no cordão de solda. Este é um parâmetro que deve ser regulado e adequado juntamente com a corrente de soldagem, visto que são parâmetros diretamente proporcionais. Contudo para maiores valores de corrente, maiores velocidades de soldagem devem ser adotadas (CIRINO, 2009). O aumento da velocidade e da corrente de soldagem pode resultar em descontinuidades como falta de fusão, mordeduras ou porosidades. A penetração de material no cordão de solda também é influenciada pela velocidade de soldagem, pois segundo Mota (2013) a penetração reduz na medida em que a velocidade atinge valores menores que 30 cm/min.. Isto acontece pelo fato do arco elétrico tender mais para a poça de fusão do que para o metal base. Para realizar a soldagem por arco elétrico com gás de proteção - GMAW de forma convencional é necessário contar com a habilidade do operador para controlar o deslocamento da tocha de soldagem sobre a chapa, contudo tempos distintos são gastos para a soldagem de peças de mesmo tamanho. Uma das maiores vantagens deste processo é a possibilidade de utilizar mecanismos que parametrizam a velocidade de soldagem. 29 2.4. Tensões Residuais Com o desenvolvimento industrial dos últimos anos é fundamental entender e controlar os processos de fabricação tanto como os produtos fabricados. A qualidade dos produtos é oriunda dos distintos procedimentos, parâmetros, equipamentos e materiais utilizados para a fabricação (ROCHA et al. 2009). O estado final de um produto depende da tensão residual, pois falhas ou distorções podem aparecer após a fabricação. Muitos estudos vem sendo realizados no intuito de conhecer, controlar e evitar os defeitos que possam surgir (ESTEFEN et al. 2008; RODRIGUES, 2011; AMOROS, 2008; REIS, 2012). A tensão residual, segundo Estefen et al. (2008); Cofiño (2010); Neto et al. (2011) é definida por uma força resultante no interior de uma estrutura após procedimentos térmicos ou mecânicos, onde o comportamento, estado e magnitude destas tensões podem ser determinadas pela resistência mecânica da estrutura. De acordo com Hauk (1997), as tensões residuais são forças auto equilibrantes que podem ser ocasionadas por deformações plásticas. Além das deformações plásticas, destaca-se também segundo Reis (2012), a taxa resfriamento do material aquecido e a transformação de fase da microestrutura como mecanismos geradores das tensões residuais. 2.4.1. Tipos de Tensões Residuais Pode-se classificar estas tensões quanto a sua área de abrangência, podendo atingir distâncias interatômicas até grandes volumes do material. As tensões do tipo macroscópicas são definidas por forças que se estendem por grandes porções volumétricas comparadas com o tamanho do grão do material, causando deformações uniformes para muitos grãos devido a deformação plástica não uniforme ou ainda por altos gradientes térmicos com magnitudes e direções distintas em diferentes áreas do material (REIS, 2012; COFIÑO, 2010; SOUSA, 2012). 30 De acordo com Carvalho (2013), este é o tipo de tensão residual de maior interesse para a Engenharia devido aos seus efeitos sobre os materiais. Segundo Sousa (2012); Sharpe Jr e Sharpe (2008), processos como torneamento, fresamento, retificação e soldagem são causadores deste tipo de tensão residual. Existem também as tensões microscópicas que atingem uma região bem menor, isto é, um grão ou uma parte dele. Mais além existem as submicroscópicas que por sua vez distâncias interatômicas interiores ao grão são atingidas. Em materiais metálicos sujeitos a processos que produzam descontinuidades na rede cristalina como vazios e impurezas é que esta tensão ocorre (SUTERIO, 2005; COFIÑO, 2010; REIS, 2012). O conhecimento e o controle na qualidade de produção são possíveis através de métodos que qualificam ou quantificam as tensões residuais. Inicialmente as medições eram feitas a partir de métodos que danificavam a superfície do material, denominadas como técnicas destrutivas. Segundo Reis (2012), estas técnicas alteram o estado de equilíbrio das tensões existentes no material e são medidas através do alívio de tensão. Este alívio é calculado através de formulações matemáticas. Aquelas que danificam, mas não chegam a comprometer a integridade e a estrutura do material são denominadas por técnicas semidestrutivas. São exemplos a técnica do furo cego, que consiste na execução de um furo próximo a extensômetros que medem as deformações causadas pela retirada de material no furo (RIBEIRO, 2012). Um novo conceito que qualifica as tensões residuais se enquadra nesta técnica e vem sendo muito utilizada atualmente, esta é a técnica da indentação. A indentação vem ganhando espaço pela facilidade de aplicação juntamente com o baixo custo operacional para a coleta de dados, porém por este modo as tensões não são medidas diretamente e sim qualificadas de acordo com a natureza das tensões residuais. 31 Segundo Rocha et al. (2009) para a escolha da técnica adequada, é necessário conhecer parâmetros como a natureza e geometria do material além do custo final para a obtenção de dados. Por último, as técnicas não destrutivas não danificam o material pois os dados são coletados por equipamentos mais complexos como a difração de raios x, ultrassom ou eletromagnético. Segundo Reis (2012), estas técnicas coletam qualquer tipo de tensão no material. Com distintas técnicas para a medição de tensões residuais, Metz et al. (2007) ressalta que comparações feitas a partir das propriedades físicas do material pode ser um método eficaz na identificação da natureza da tensão em determinados locais. 2.4.2. Tensões Residuais na Soldagem Devido a fusão proporcionada pela soldagem por arco elétrico, o material fica sujeito à variações dimensionais. Além destas variações, uma alteração na microestrutura ou uma mudança de fase do material podem ocorrer. Após a soldagem, três áreas distintas podem ser notadas no material: a (ZF) zona fundida, a (ZTA) zona termicamente afetada (SILVA et al. 2011; Poorhaydar et al. 2005). As dimensões de um material variam de acordo com o gradiente térmico aplicado. Essas variações ocorrem durante o ciclo térmico de soldagem e podem ser representadas matematicamente pela equação da dilatação térmica: ; Onde: 32 O aquecimento localizado durante o processo de soldagem faz com que o calor atue de forma heterogênea no material, causando deformações plásticas não uniformes gerando as tensões residuais (COFIÑO, 2010). Um material metálico submetido a fontes de calor tende a se dilatar, quando resfriado a tendência é que ele se contraia, acontecendo fenômenos de dilatação e compressão. Segundo Estefen et al. (2008); Cofiño (2010); Ribeiro (2010) e Rodrigues (2011), estes fenômenos ocasionam dois tipos de tensões residuais as trativas e as compressivas. Alguns estudos relacionam a natureza das tensões residuais geradas na soldagem com modelos como das barras cilíndricas (MARQUES et al. 2009; RIBEIRO, 2010; RODRIGUES, 2011). Na figura 2.6 é esboçado este modelo, onde três barras cilíndricas de aço com tamanhos iguais são fixadas em duas bases para que não ocorra alguma variação dimensional. Figura 2.6. Modelo das três barras; à esquerda as barras fixas nas bases e à direita a barra central sofrendo um aquecimento (Adaptado de Marques et al. 2009) Inicialmente a barra central é aquecida e tenta se expandir, porém é impedida pelas laterais que não foram submetidas ao calor. Essa restrição exercida por estas barras faz com que a barra central sofra uma compressão que aumenta na medida em que se aumenta a temperatura, a deformando plasticamente em compressão assim que atinja o limite de escoamento em compressão do material. 33 Neste estágio, tensões de compressão atuam na barra central e de tração nas barras laterais. Quando o aquecimento é cessado ocorre uma inversão no estado de tensão, pois o esforço de compressão da barra central tende a diminuir. À medida em que a temperatura cai a barra tenta diminuir de comprimento, mas as barras laterais impedem essa diminuição. Por fim, enquanto a temperatura continua caindo, tensões de tração atuam na barra central até atingir o limite de escoamento de tração do material deformando-a plasticamente. Na Figura 2.7 pode ser observado esse comportamento. Ressalta-se que nestes estágio atuam tensões de compressão nas barras laterais e de tração na central (MARQUES et al. 2009; RODRIGUES, 2011). Figura 2.7. Comportamento da tensão residual sobre a barra aquecida (Marques et al. 2009, p. 116) Na soldagem de chapas de aço pode ser observado o mesmo comportamento das tensões residuais, onde a barra central se equivale a regiões mais próximas do cordão de solda, enquanto que as laterais se equivalem ao restante do material. A relação entre as barras e a chapa soldada pode ser observada na Figura 2.8. 34 Figura 2.8. Comportamento de tensões residuais em barras e chapas soldadas (Adaptado de Marques et al. 2009) De acordo com Estefen et al. (2008), quando conhecidas as tensões residuais nas regiões próximas ao cordão de solda, pode-se caracterizar a integridade estrutural de toda a peça sabendo o quanto ela foi afetada. É fundamental então, o conhecimento e o controle das tensões para resultados como capacidade e qualidade de produção. Ao considerar a natureza das tensões residuais, Reis (2012); Moreira (2008), afirmam que regiões onde existem tensões trativas, existe uma tendência a aparecer trincas ou imperfeições. A geração destas forças é considerada como um dos maiores problemas encontrados ao relacionar falhas em processos de soldagem, pois segundo Xiaoyan et al. (1996) os carregamentos cíclicos que as estruturas soldadas são submetidas podem ocasionar um processo de fadiga. Os defeitos ocasionados pelo nível das tensões de tração podem ser reduzidos ao realizar a técnica do pré-aquecimento ou ainda por um tratamento térmico após a soldagem (RODRIGUES, 2011). Se as forças encontradas no material forem de compressão, o material sofre um enrijecimento. Este tipo de tensão residual é considerada como benéfica. 35 Segundo Reis (2012), benefícios ou malefícios das tensões residuais podem estar diretamente ligadas a três fatores básicos, sendo eles o tipo de material (comportamento quando sujeito a deformações plásticas), o tipo de esforço que o material será submetido e a natureza das tensões residuais. 2.4.3. Tensões Residuais no Fresamento O fresamento é um processo definido como uma retirada de material proporcionada por uma ferramenta cortante. Esta ferramenta é fixa a uma máquina fresadora, que exerce um contato sobre a superfície de um material fixo em uma mesa que se move em sentidos lineares (FERRARESI, 1977). Considera-se o fresamento vantajoso e prático se comparados com outros processo de usinagem, por obter resultados como boa qualidade superficial além de alta produtividade (BANIN JUNIOR, 2009). Deformações plásticas no material podem ser ocasionados segundo Norcino (2013), devido a força de compressão que a ferramenta exerce na superfície da peça. Dependendo dos parâmetros utilizados, diferentes tipos de tensões residuais podem ser obtidas. Na Figura 2.9 é mostrado um comportamento onde tensões de compressão são resultantes na superfície do material causadas pelo efeito mecânico da ferramenta. Ressalta-se que baixos valores de velocidade de corte favorece o efeito mecânico. Figura 2.9. Tensão de compressão causada pelo processo de fresamento (Norcino, 2013 p. 29) 36 Para velocidades de corte maiores, ocorre uma deformação plástica ocasionada pelo efeito térmico. A temperatura obtida pelo atrito da ferramenta promove uma transformação de fase da microestrutura do material, nesse caso tensões residuais de tração são encontradas na superfície do material. Na Figura 2.10 é possível observar esta reação. Figura 2.10. Tensões de tração na superfície causada pelo processo de fresamento (Norcino, 2013 p. 30) Combinando efeitos mecânicos e térmicos, Neto et al. (2011) afirma que tensões de tração ou de compressão podem ser geradas. Isto vai depender dos parâmetros operacionais, da temperatura atingida nas camadas superficiais e nas alterações metalúrgicas do material. Parâmetros como velocidade, avanço e profundidade de corte ajustados adequadamente contribuem de forma significativa para o estado das tensões residuais. Durante a execução do fresamento pode-se utilizar o fluido de refrigeração, que contribui para que o gradiente térmico não atinja altos valores (NETO et al. 2011). A velocidade de corte e o avanço segundo Fonseca et al. (2008), influenciam as propriedades superficiais das peças como a dureza, a tensão residual e a rugosidade. 2.5. Qualificação das Tensões Residuais por Ensaios de Dureza Para o controle da qualidade de um produto, é muito comum utilizar ensaios mecânicos. Através destes, são possíveis determinar características específicas e propriedades mecânicas após procedimentos de fabricação (RODRIGUES, 2011). 37 Os testes de dureza são muito comuns para avaliar e caracterizar propriedades mecânicas de um material. A dureza de um material segundo Callister (2007) é definida pela resistência à penetrações ou danos na superfície. Estudos como de Pulecio (2010); Dias et al. (2010); Teixeira et al. (2013) resumem estes testes em indentações realizadas na superfície de um material ocasionando deformações similares às geometrias dos indentadores. A técnica da indentação consiste na compressão de penetradores com diferentes geometrias sobre uma superfície limpa e plana durante um intervalo de tempo. É um procedimento considerado versátil, simples, com baixo custo operacional e com vantagens como na determinação da dureza, do módulo de elasticidade, do limite de resistência do material além de qualificar as tensões residuais nas regiões indentadas (ARAÚJO, 2011; SOUSA, 2012; VANIMISSETI, et al. 2006; MANEIRO e RODRÍGUEZ, 2006; RODRIGUES, 2011). Os testes de dureza são diferenciadas pelas geometrias dos indentadores que podem ser esféricos, cônicos ou piramidais (CARVALHO, 2013; MOTA, 2013). De acordo com estas geometrias é que são definidos os testes como o Rockwell, Brinell e Vickers. O ensaio de dureza Vickers se baseia na compressão por uma carga determinada de um indentador de diamante com forma piramidal de base quadrada e um ângulo entre as faces de 136° (PIANA et al. 2005). Estudos consideram o método Vickers mais vantajoso comparado com outros métodos por possuir uma escala contínua de dureza, produzir impressões pequenas além da possibilidade de ser aplicado em diversos tipos de materiais. Na Figura 2.11 é mostrado o esquema de uma indentação com penetrador piramidal. 38 Figura 2.11. Geometria do indentador e da impressão Vickers (Carvalho, 2013 p. 54) Com a evolução dos testes de dureza Vickers tornou-se possível realizar ensaios de microdureza, os quais visam uma medição em pequenas áreas com precisão e eficiência em regiões críticas como as afetadas pelo calor de uma soldagem (TEIXEIRA et al. 2013). Estes ensaios são normalizados pela ASTM (E384) onde são definidos padrões para a carga e o tempo de aplicação para determinado material. Para a realização dos ensaios de microdureza, a superfície do material deve ser muito bem preparada não podendo conter oxidações ou imperfeições. Contudo, a superfície deve ser plana, limpa, lixada e polida para que não ocorra distorções nas medidas. É necessário um microdurômetro para a medição das micro impressões deixadas pelo indentador (MOTA, 2013). 39 Esta técnica vem sendo muito utilizada atualmente para a qualificação de tensões residuais como em estudos de Reis (2012); Sousa (2012) e Carvalho (2013). Existem basicamente quatro formas para determinar as tensões residuais utilizando ensaios de dureza, como a variação da dureza de um material, a relação entre força e profundidade da indentação, a medição da forma geométrica e também a deformação ao redor da indentação. A qualificação destas tensões depende da resistência que o penetrador sofre para indentar a superfície do material, pois se existir tensões residuais do tipo trativas na região do material o indentador é penetrado com mais facilidade do que quando existir tensões do tipo compressivas, que possui uma dureza maior (SOUSA, 2012; CARVALHO, 2013; MACKENZIE e TOTTEN, 2006). 40 CAPÍTULO 3 MATERIAIS E MÉTODOS Neste capítulo são apresentados os materiais e métodos utilizados na pesquisa a fim de qualificar as tensões residuais obtidos em processos de fabricação. O estudo foi realizado em um aço carbono ABNT 1045. Deste, foram confeccionados corpos de prova que foram submetidos ao procedimento soldagem GMAW, na sequência um processo de usinagem por fresamento. Após esta etapa foram realizados ensaios de microdureza em posições pré-estabelecidas proporcionando informações fundamentais do comportamento mecânico do material. Todos os procedimentos adotados para o processo de soldagem e o fresamento bem como os ensaios de microdureza seguem o fluxograma seguinte. Aquisição do material Preparação dos corpos de prova Análise química do material Escolha dos parâmetros de soldagem Ensaios de soldagem Preparação das amostras para fresamento Preparação para microdureza Fresamento Preparação para microdureza Análise de resultados 41 3.1. Material O material utilizado para o desenvolvimento da pesquisa foram chapas laminadas de aço ABNT 1045 (médio teor carbono). A composição química específica do aço utilizado segue na Tabela 3.1. Tabela 3.1. Composição química do aço ABNT 1045 C ABNT 1045 Mn P 0,45 0,68 0,010 Si 0,20 Ni Al 0,020 0,020 Cr V Cu 0,030 0,010 0,020 Este material foi adotado por ser considerado um metal com muita utilização industrial, apesar de não obter uma boa soldabilidade devido à porcentagem de carbono em sua composição. Esta soldabilidade é representada pela equação do carbono equivalente adotada pelo International Istitute of Welding (IIW): Resultados maiores que 0,40 significa que o metal não tem boa soldabilidade (INFOSOLDA, 2014). A média soldabilidade deste material foi um dos fatores que impulsionou o estudo, pois é necessário um maior controle dos parâmetros para a realização da solda. Foram adquiridos chapas de aço em estado laminado, que continham dimensões de 100 x 100 x 3,2 mm conforme a Figura 3.1. 42 Figura 3.1 Chapa no estado recebido com dimensões de 100 x 100 x 3,2mm Na sequencia foram cortadas ao meio a fim de obter duas partes metálicas resultando em dimensões de 100 x 50 x 3,2 mm. Figura 3.2 Chapas em estado recebido com dimensões 100 x 50 x 3,2mm O corte das chapas foi determinado com base em especificações técnicas, as quais determinam o tipo de chanfro, a espessura e o método de soldagem mais adequado para obter a coalescência destas duas partes metálicas. Na Tabela 3.2 é possível observar estas informações. 43 Tabela 3.2. Especificações de chanfro, espessura e método de soldagem (Fonte: INFOSOLDA) O eletrodo utilizado para a execução do cordão de solda foi o AWS ER-70S-6 com diâmetro de 0,8 mm. Segundo o fabricante existem alguns diâmetros diferentes para o mesmo eletrodo, o qual deve ser utilizado dependendo do tipo de material a ser soldado e também dos parâmetros operacionais. Na Tabela 3.3 são especificados parâmetros essenciais para o procedimento relacionados com o diâmetro do eletrodo. Tabela 3.3. Valores específicos para o eletrodo utilizado no procedimento Corrente positiva CC+ Diâmetro do eletrodo Corrente Tensão Gás de ER-70S-6 (mm) (A) (V) proteção 0,8 60 - 200 18 - 24 0,9 70 - 250 18 - 26 Ar + 8 - 20% 1,0 80 - 300 18 - 32 de CO2 1,2 120 - 380 18 - 34 1,6 225 - 550 28 - 38 Fonte: ESAB 44 O gás de proteção utilizado na soldagem das chapas seguiu especificações segundo a Tabela 3.3, que consiste na mistura de Argônio (Ar) e Dióxido de carbono (CO2). Denominado como AGAMIX 20, o gás continha 80% de Argônio com 20% de CO2. Os teores desta mistura segundo Moyer (2002), Suban e Tusek (2001) são utilizados para aumentar a produtividade, a qualidade, a penetração e a dureza no cordão de solda. 3.2. Corpos de Prova Com os consumíveis adequados para a soldagem do aço 1045, foram determinados três valores de corrente de soldagem para a execução da solda. Existe um intervalo que varia de 60 - 200 A para a utilização da corrente, onde após testes preliminares, foram adotados valores de 140 A, 160 A e 176 A. O equipamento utilizado para a soldagem MIG/MAG foi um retificador de tensão constante da marca Bambozzi - Mega Plus 250. Este retificador permite efetuar uma soldagem com polaridade positiva, onde o eletrodo é conectado ao polo positivo enquanto a peça conectada ao negativo. Na Figura 3.3 é mostrado este equipamento. Figura 3.3 Retificador de tensão utilizado para a soldagem MIG/MAG 45 A velocidade de soldagem é um dos parâmetros essenciais para os resultados de uma solda, porém quando feita de forma manual, tempos distintos são gastos para a execução do cordão de solda podendo gerar descontinuidades ou outros defeitos. Para reduzir a influência do operador no processo foi desenvolvido um dispositivo que parametriza a velocidade de soldagem conforme a Figura 3.4. Com a tocha de soldagem fixa a uma haste do dispositivo, este dispositivo promove um deslocamento da peça em direção à tocha em três níveis distintos de velocidade. As velocidades utilizadas neste estudo proporcionadas pelo dispositivo foram de 4,5 mm/s, 5,4 mm/s e 6,4 mm/s. Figura 3.4 Dispositivo parametrizador da velocidade de soldagem MIG/MAG Ao adotar os três níveis de corrente, com os três de velocidade de soldagem e considerando as três réplicas de cada condição foram soldados 27 corpos de prova com o objetivo de comparar o efeito de cada parâmetro no estado final da chapa soldada. Optou-se utilizar chapas retificadas para a execução da solda para facilitar os ensaios de microdureza dos corpos soldados. Na Figura 3.5 é mostrada uma chapa retificada pronta para o processo de soldagem. 46 Figura 3.5 Chapas retificadas após o corte Com os parâmetros operacionais determinados seguindo as especificações adequadas de operação, as chapas foram colocadas no dispositivo de velocidade para que se pudesse iniciar a solda. A tocha de soldagem foi posicionada na junta para executar o passe de raiz, a folga da junta media 2 mm com uma altura do arco elétrico de 17 mm. A Figura 3.6 mostra o processo MIG/MAG e o posicionamento para o início do procedimento. Figura 3.6 Posicionamento da tocha de soldagem para o início do procedimento 47 Após realizar a soldagem das chapas, foram encontrados três regiões distintas e que podem ser facilmente visualizadas na Figura 3.7. A ZF(zona fundida) é representada pelo cordão de solda, a ZTA (Zona Termicamente Afetada) é caracterizada pela parte mais escura da peça a o metal base é configurado o restante do material. Zona Fundida Zona Termicamente Afetada Metal Base Figura 3.7 Destaque das regiões afetadas pelo procedimento de soldagem MIG/MAG Com a necessidade de determinar o parâmetro com mais influência na soldagem das chapas de aço em relação ao valor da dureza, ensaios de microdureza foram realizados. Dependendo do valor obtido e de uma análise estatística, pode-se concluir se a chapa foi ou não danificada e por qual parâmetro. Os ensaios de microdureza são padronizados pela norma ASTM - E 384, onde ressalta que a superfície de corpo de prova deve ser plana, lixada e polida se necessário para que aconteça uma leitura correta das impressões deixadas pelo indentador. 48 O equipamento utilizado para a realização dos ensaios, de marca Mitutoyo MVK-G1 Hardness Tester, permite através de uma ocular a visualização e a medição das microimpressões. Na Figura 3.8 pode-se observar este equipamento. Figura 3.8 Microdurômetro utilizado para a coleta de dados As chapas tiveram que ser preparadas para o ensaio de microdureza, pois o equipamento não permite a análise da chapa com as dimensões em que foram recebidas. Inicialmente as chapas foram seccionadas ao meio e na sequência cortados filetes desta parte com dimensões de aproximadamente 50 x 10 mm. Na Figura 3.9 é mostrado o equipamento utilizado para cortar as chapas. A Figura 3.10 esboça os filetes retirados das chapas. Figura 3.9 Equipamento Mesotom utilizado para o corte das chapas 49 Figura 3.10 Vista frontal e lateral dos filetes retirados da chapa soldada Para o ensaio de microdureza Vickers, os corpos de prova foram preparados com lixas de 400, 600, 800, 1000, 1200 e 1500 mesh com o auxílio de uma máquina politriz modelo PANAMBRA DP - 9ª. Essa politriz (Figura 3.11) disponível no Laboratório de Materiais da Universidade Federal de São João del Rei, proporciona o lixamento com um fluxo de água constante, seguindo especificações da norma ASTM E 3 - 01. Figura 3.11 Politriz utilizada para lixamento dos corpos de prova Na Figura 3.12 destaca-se os corpos de prova preparados para o ensaio de microdureza, onde todas as chapas foram lixadas de formas similares para todas as amostras. 50 Figura 3.12 Chapas preparadas para o ensaio de microdureza Vickers Este estudo tem o interesse em conhecer a dureza no material todo e não somente nas regiões mais próximas ao cordão de solda, por isso foram adotadas posições de medidas para a realização das indentações conforme a Figura 3.13. Figura 3.13 Posições de execução das micro indentações 51 Conforme especificações da norma, para a realização do teste de microdureza foram adotados parâmetros como carga e tempo de aplicação, sendo a) Carga utilizada: 500g b) Tempo de aplicação: 20 seg. Teve-se também o interesse em saber a dureza das chapas obtidas após o fresamento. As metades não utilizadas na preparação das primeiras medidas, foram submetidas ao processo de fresamento, em seguida ao seccionamento e ao lixamento. A partir dos filetes fresados foi feita a indentação nas mesmas regiões sob as mesmas condições das chapas somente soldadas Para o processo de fresamento das chapas foi utilizado um centro de usinagem Discovery 560 da Romi e comando SINUMEIK 810D (Figura 3.14 ) Figura 3.14 Centro de usinagem utilizado para o fresamento Os parâmetros utilizados durante o fresamento foram velocidade e profundidade de corte e avanço, onde seguem: a) velocidade de corte (Vc) = 250 m/min; b) profundidade de corte (Ap) = 0,3 mm; c) avanço (a) = 100 mm/min. 52 Os corpos foram usinados por um fresamento frontal com uma fresa de topo de 2 arestas cortantes. As chapas submetidas ao processo de fresamento podem ser vistas na Figura 3.15 com os procedimentos necessários para o experimento. Na sequencia as mesmas foram submetidas à mesma preparação para o ensaio de microdureza e por fim, comparadas com as chapas que foram submetidas somente à soldagem. Parte fresada da chapa Figura 3.15 Chapa após o processo de fresamento 53 CAPÍTULO 4 ANÁLISE DE RESULTADOS A seguir são apresentados os resultados e discussões dos experimentos e ensaios realizados. Através de análises experimentais, estatísticas e conceituais, serão discutidos os resultados. 4.1 Comparação dos corpos de prova soldados Inicialmente foram analisados os valores da microdureza obtidas após o processo da soldagem por arco elétrico com gás de proteção das chapas de aço carbono 1045. Utilizando a análise de variância, cuja metodologia pode ser conferida nos Anexos I e II, pode-se estabelecer comparações entre condições de soldagem, um dos objetivos da pesquisa. Todos os resultados obtidos estão com um nível de confiança de 95%. Na Tabela 4.1 são mostrados os valores da microdureza Vickers (HV), onde ressaltam o nível de corrente (140 A, 160 A e 176 A), as velocidades de soldagem V1 = 4,5 mm/s; V2 = 5,4 mm/s; V3 = 6,4 mm/s e também as posições de medida (P1 a P6) de acordo especificações da Figura 3.13. Tabela 4.1. Valores da microdureza Vickers (HV) das chapas soldadas 140 A P1 245 V1 248 247 248 V2 251 248 250 V3 252 249 P2 250 253 253 251 253 254 252 253 250 P3 255 255 256 254 257 257 254 254 252 160 A P4 256 255 256 252 255 251 253 255 253 P5 250 249 250 249 254 248 250 249 250 P6 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P1 246 250 252 253 252 250 256 254 V1 V1 248 247 253 255 249 248 248 252 249 250 252 254 255 250 248 251 247 250 249 254 253 251 250 259 252 V2 249 249 252 254 254 253 V2 253 245 252 253 255 256 255 254 252 250 252 250 254 253 251 251 253 249 V3 249 249 252 255 255 255 V3 252 248 253 255 257 254 253 250 255 176 A P2 254 253 253 261 260 255 252 255 258 P3 257 258 256 260 255 256 258 256 260 P4 255 260 258 257 254 254 259 257 259 P5 256 259 256 252 250 253 258 258 258 P6 254 258 253 250 252 251 251 252 255 54 Tabela 4.2. Análise entre as condições de soldagem GL SST SSI SSV SSP SSIV SSIP SSPV SSIPV SSERRO Média Fcalc Ftab 1800,42 161 488,9753 2 244,48765 59,38081 3,080387 DIFERENTE 13,04938 2 6,5246914 1,584708 3,080387 IGUAL 501,679 5 100,3358 24,36942 2,298431 DIFERENTE 22,39506 4 5,5987654 1,35982 2,455767 IGUAL 87,54321 10 8,754321 2,126237 1,919467 DIFERENTE 55,24691 10 5,5246914 1,341829 1,919467 IGUAL 186,8642 20 9,3432099 2,269265 1,668538 DIFERENTE 444,6667 108 4,117284 Na Tabela 4.2 é mostrado a análise entre a soma quadrática entre todas as medidas (SST), a soma quadrada das medidas envolvendo todas as correntes (SSI), (SSV) é a soma quadrática entre todas as velocidades, SSP a soma quadrada entre as posições de medidas ao longo da chapa. As outras representam as interações das condições citadas. O SSERRO é o erro embutido em toda a soma, GL é o grau de liberdade para cada variável e Ftab é dado na Tabela de Distribuição de Fisher, de acordo com o nível de confiança e os graus de liberdade de cada variável e do erro. Através desta análise, foi possível distinguir valores das microdurezas quando comparados com o nível de corrente devido a quantidade de calor introduzida no material. Ao realizar o contraste entre as condições de corrente (Tabela 4.3) constatou-se uma diferença entre a de 176 A com as outras com relação ao nível de microdureza. Tabela 4.3. Análise do contraste entre as correntes de soldagem MSSC 176 A / 160 A 280,3333 160 A / 140 A 9,481481 176 A / 140 A 436,0093 MSSERRO Fcalc Ftab 4,117284 68,086957 3,92 4,117284 2,3028486 3,92 4,117284 105,8973 3,92 DIFERENTE IGUAL DIFERENTE Ao analisar os dados obtidos, notou-se que o valor da microdureza aumentou à medida em que se aumentou a corrente (Figura 4,1). Em um estudo de Souza et al. (2013) o mesmo comportamento em chapas soldadas ocorreu porém para um aço carbono 1020. 55 255,4 252,1 251 140 A 160 A 176 A Figura 4.1. Comparação entre as microdurezas em relação às correntes Comparando as posições de medida através do contraste, também foi apresentada diferença. Notou-se que para as posições simétricas 1 e 6, 2 e 5 assim como as 3 e 4 não foi encontrada diferença em relação aos valores de microdurezas. Contudo, houve o interesse em analisar estes valores nas posições sequenciais mostrando onde existiu a diferença das microdurezas. Nas Tabelas 4.4 e 4.5 é possível observar estas análises. Tabela 4.4. Análise do contraste entre as posições simétricas MSSC Posição (1 - 6) 0,888889 Posição (2 - 5) 14,22222 Posição (3 - 4) 14,22222 MSSERRO Fcalc Ftab 4,117284 0,2158921 3,92 4,117284 3,4542729 3,92 4,117284 3,4542729 3,92 IGUAL IGUAL IGUAL Tabela 4.5. Análise do contraste das posições sequenciais MSSC Posição (1 - 2) 206,7222 Posição (2 - 3) 227,5556 MSSERRO Fcalc 4,117284 50,208396 4,117284 55,268366 Ftab 3,92 3,92 DIFERENTE DIFERENTE 56 255,5 253,04 250,7 Posição 1 Posição 2 Posição 3 Figura 4.2. Comparação das microdurezas entre as posições sequenciais De acordo com esta análise, nas regiões mais próximas ao cordão de solda que sofreram mais influência do aporte térmico notou-se maiores valores de microdureza. Em estudos de Souza et al. (2013) e Neto et al. (2011) também foram encontrados resultados similares. A interação entre a corrente e a posição de soldagem pode ser observada na Tabela 4.6. Tabela 4.6. Análise do contraste da interação entre corrente e posição Posição 1 MSSC MSSERRO Fcalc Ftab 176 A - 160 A 46,72222 4,117284 11,34783 3,92 DIFERENTE 160 A - 140 A 10,88889 4,117284 2,644678 3,92 IGUAL 176 A - 140 A 102,7222 4,117284 24,94903 3,92 DIFERENTE Posição 2 MSSC MSSERRO Fcalc Ftab 176 A - 160 A 107,5556 4,117284 26,12294 3,92 DIFERENTE 160 A - 140 A 8 4,117284 1,943028 3,92 IGUAL 176 A - 140 A 56,88889 4,117284 13,81709 3,92 DIFERENTE Posição 3 MSSC MSSERRO Fcalc Ftab 176 A - 160 A 50 160 A - 140 A 3,555556 176 A - 140 A 26,88889 4,117284 12,14393 4,117284 0,863568 4,117284 6,530735 3,92 3,92 3,92 DIFERENTE IGUAL DIFERENTE Constatou-se que é diferente em qualquer posição de medida, o nível de microdureza quando relacionada a corrente de 176 A. 57 4.2 Comparação de cada parâmetro com o estado recebido Para estabelecer um critério de comparação, foi necessário realizar ensaios de microdureza no material em estado bruto de laminação e comparar com os das chapas soldadas possibilitando determinar a influência do processo. Na Tabela 4.7 é mostrado os valores de microdureza Vickers (HV) das posições de medidas da chapa em estado recebido, as quais seguiram especificações da Figura 3.13. Tabela 4.7. Medidas da microdureza em relação ao recebido ESTADO RECEBIDO 238 242 240 240 242 238 239 243 240 240 243 239 240 242 241 241 242 240 Após as medições das chapas em estado bruto de laminação, comparou-se com as chapas soldadas para determinar a influência dos parâmetros velocidade e corrente de soldagem. Estas análises podem ser conferidas nas Tabelas 4.8 e 4.9. Tabela 4.8. Análise das velocidades de soldagem com o estado recebido 4,5 mm/s GL Média Fcalc Ftab SST 2683,5 71 SSA 2167,167 3 SSP 217,8333 5 SSAP 162,5 15 SSERRO 136 48 5,4 mm/s GL 722,3889 254,9608 2,798061 DIFERENTE 43,56667 15,37647 2,408514 DIFERENTE 10,83333 3,823529 1,880175 DIFERENTE 2,833333 Média Fcalc Ftab SST SSA SSP SSAP SSERRO 6,4 mm/s 2668,986 2133,819 159,7361 178,7639 196,6667 71 3 5 15 48 GL 711,2731 173,5989 2,798061 DIFERENTE 31,94722 7,797288 2,408514 DIFERENTE 11,91759 2,908701 1,880175 DIFERENTE 4,097222 Média Fcalc Ftab SST SSA SSP SSAP SSERRO 2732,319 2386,486 130,5694 83,26389 132 71 3 795,49537 289,271 2,798061 DIFERENTE 5 26,113889 9,49596 2,408514 DIFERENTE 15 5,5509259 2,018519 1,880175 DIFERENTE 48 2,75 58 Tabela 4.9. Análise das correntes de soldagem em relação ao estado recebido 140 A GL Média Fcalc Ftab SST SSA SSP SSAP SSERRO 160 A 2109,111 1558,111 302,1111 135,5556 113,3333 71 3 5 15 48 GL 519,3704 219,9686 2,798061 DIFERENTE 60,42222 25,59059 2,408514 DIFERENTE 9,037037 3,827451 1,880175 DIFERENTE 2,361111 Média Fcalc Ftab SST SSA SSP SSAP SSERRO 176 A 2163,875 1818,042 79,45833 79,70833 186,6667 71 3 5 15 48 GL 606,0139 155,8321 2,798061 DIFERENTE 15,89167 4,086429 2,408514 DIFERENTE 5,313889 1,366429 1,880175 DIFERENTE 3,888889 Média Fcalc Ftab SST SSA SSP SSAP SSERRO 3454,875 2954,375 150,7917 185,0417 164,6667 71 3 5 15 48 984,79167 287,0648 2,798061 DIFERENTE 30,158333 8,791093 2,408514 DIFERENTE 12,336111 3,595951 1,880175 DIFERENTE 3,4305556 Nota-se que, para qualquer velocidade de soldagem utilizada, as chapas sofrem modificações em relação às que não foram soldadas. O mesmo ocorre quando analisadas as correntes de soldagem. Segundo Cofino (2010), isto acontece devido ao gradiente térmico que altera o estado das tensões residuais no material. Por estes dados, nota-se também que ocorreu um aumento do valor da microdureza das chapas soldadas em relação ao estado recebido. Na Figura 4.3 é possível analisar esta diferença. Comparação das durezas médias 252,9 237,7 Estado Recebido Soldadas Figura 4.3. Comparação entre durezas médias de chapas em estado recebido com as chapas soldadas 59 4.3 Comparação entre as chapas soldadas/fresadas com as soldadas A realização do processo de fresamento é comum em diversas situações, como em peças que foram submetidas à soldagem. Dependendo da aplicação, a peça soldada necessita de uma superfície bem acabada. Contudo, após realizar os ensaios de microdureza nos corpos de prova soldados os mesmos foram submetidos ao processo de fresamento com o intuito de determinar o nível de dureza e entender o comportamento das tensões residuais após a usinagem. Para obter estas informações, um novo ensaio de microdureza foi realizado nos corpos de prova fresados. Estes foram preparados de forma análoga para o ensaio onde depois de coletados os dados, foi possível estabelecer uma comparação entre chapas soldadas com as soldadas/fresadas. Os valores da Tabela 4.10 estão expressos em microdureza Vickers (HV). Tabela 4.10. Valores de microdureza Vickers (HV) após o processo de fresamento 140 A P1 V1 276 278 261 255 V2 254 279 270 V3 278 270 P2 280 272 269 264 257 271 274 270 271 P3 286 275 270 268 264 280 279 267 273 P4 286 276 280 271 270 263 280 275 275 160 A P5 270 258 271 277 269 270 270 270 274 P6 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P1 P2 270 V1 270 273 279 282 280 274 V1 268 290 268 269 270 270 279 270 274 260 269 276 262 270 275 277 269 263 267 271 280 275 276 280 282 281 276 273 279 V2 V2 269 272 272 275 280 278 275 276 280 277 275 276 280 280 278 276 291 282 276 266 286 283 269 265 252 290 290 V3 V3 269 256 249 268 271 252 268 298 295 270 246 270 278 265 260 265 290 284 Na Tabela 4.11 encontra-se a análise dos dados coletados. 176 A P3 284 274 280 273 274 280 294 299 295 P4 270 290 274 275 285 290 300 295 299 P5 268 286 270 268 280 280 290 290 293 P6 280 289 263 280 290 276 300 285 290 60 Tabela 4.11. Análise das condições após o fresamento em relação ao soldado GL SST SSA SSP SSI SSV SSAP SSAI SSAV SSIV SSIP SSVP SSAPI SSAPV SSAVI SSIVP SSAPVI SSERRO Média Fcalc Ftab 59168,4043 323 40557,4846 1 40557,48 1614,129 3,88487 DIFERENTE 1444,12654 5 288,8253 11,49483 2,255861 DIFERENTE 3867,58025 2 1933,79 76,96204 3,037667 DIFERENTE 211,932099 2 105,966 4,217295 3,037667 DIFERENTE 185,237654 5 37,04753 1,474438 2,255861 IGUAL 1000,17284 2 500,0864 19,90271 3,037667 DIFERENTE 89,7098765 2 44,85494 1,785162 3,037667 IGUAL 2249,64198 4 562,4105 22,38312 2,413444 DIFERENTE 66,4197531 10 6,641975 0,264341 1,874729 IGUAL 220,512346 10 22,05123 0,877607 1,874729 IGUAL 239,82716 10 23,98272 0,954477 1,874729 IGUAL 245,179012 10 24,5179 0,975777 1,874729 IGUAL 2236,04938 4 559,0123 22,24788 2,413444 DIFERENTE 670,358025 20 33,5179 1,333964 1,619386 IGUAL 456,839506 20 22,84198 0,909078 1,619386 IGUAL 5427,33333 216 25,12654 Para as condições de tratamento (soldado ou soldado/fresado) representado na Tabela 4.22 foram encontradas diferenças significativas ao utilizar as chapas de aço 1045. Estas diferenças encontradas podem ser observadas na Tabela 4.12, onde é mostrada a análise do contraste entre as condições de fabricação. Tabela 4.12. Análise do contraste entre tratamentos, correntes e velocidades de soldagem TRATAMENTOS SOLDADO COM SOLDADO E USINADO CORRENTES 176 A - 160 A 160 A - 140 A 176 A - 140 A VELOCIDADES ( 6,4 - 5,4 ) mm/s ( 5,4 - 4,5 ) mm/s ( 6,4 - 4,5 ) mm/s MSSC MSSERRO 39711,6327 25,12654 MSSC MSSERRO Fcalc Ftab 1580,465 3,845755 DIFERENTE Fcalc Ftab 2773,5 25,12654 110,3813 3,88487 DIFERENTE 5,35185185 25,12654 0,212996 3,845755 IGUAL 3022,51852 25,12654 120,2919 3,88487 DIFERENTE MSSC MSSERRO Fcalc Ftab 36,6712963 71,1851852 210,041667 25,12654 1,459464 3,88487 IGUAL 25,12654 2,833067 3,88487 IGUAL 25,12654 8,359354 3,845755 DIFERENTE 61 Ao fazer um comparativo dos valores de microdurezas, nota-se uma diferença entre os tratamentos utilizados. Na Figura 4.2 é possível observar que a operação de fresamento das chapas soldadas aumentou a dureza quando comparada com a das chapas soldadas. Isto ocorre segundo Norcino (2013), devido aos parâmetros de usinagem utilizados que podem resultar em tensões de compressão. Comparação entre os procedimentos de fabricação 275,3 252,9 Soldados Soldados e fresados Figura 4.4. Análise das condições de fabricação Para as chapas submetidas ao fresamento após a soldagem foi encontrado o mesmo comportamento em nível de durezas quando comparadas às que foram somente soldadas, onde a corrente de 176 A obteve-se maior dureza. Esta diferença pode ser notada pelos valores da Tabela 4.14. Tabela 4.13. Valores em HV das correntes utilizadas independente do procedimento 140 A 160 A 176 A 261,4 261,8 269,0 Existe uma relação entre corrente e velocidade de soldagem, onde à medida em que se aumenta a corrente deve-se aumentar a também a velocidade de soldagem. De acordo com Cirino (2009) esta relação existe para que a quantidade de material depositado no cordão de solda seja controlada. 62 Após determinar que o fresamento aumentou o nível de microdureza, despertou-se o interesse em conhecer a condição com melhores resultados em relação à microdureza. Na Tabela 4.14 é possível observar os valores desta interação, onde maiores valores são encontrados quando utilizados corrente de 176 A juntamente com a velocidade de 6,4 mm/s. Tabela 4.14. Valores em HV da interação entre corente e velocidade de soldagem na condição soldada e fresada Corrente x Velocidade 140 A 160 A 176 A 4,5 mm/s 273,4 272,5 275,2 5,4 mm/s 268,7 277,0 279,5 6,4 mm/s 272,8 264,9 293,2 63 CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES Esta pesquisa tem como objetivo determinar procedimentos adequados para a soldagem, seguida de fresamento, de chapas de aço carbono 1045, através da investigação das tensões residuais utilizando ensaios de microdureza. Além disso, determinar dentre os parâmetros utilizados, os melhores valores de operação. Pode-se então concluir que: - A soldagem, dentro dos parâmetros utilizados, aumentou a dureza das chapas de aço carbono comparada ao estado recebido. Entre os parâmetros de soldagem utilizados: - Todas as correntes introduziram tensões residuais compressivas, porém maiores níveis destas tensões foram encontrados quando utilizado a corrente de 176 A; - O aumento da intensidade da corrente aumentou também o nível de microdureza nas regiões próximas ao cordão de solda; - Além de resultar em maiores níveis de tensões compressivas, a corrente de 176 A contribui para obter uma maior produtividade devido à taxa de deposição de material; - Ficou constatado que existe uma interação positiva entre a velocidade de soldagem e a corrente de soldagem. Pois, com a combinação da maior corrente (176 A) com a maior velocidade (6,4 mm/s), mais tensões compressivas foram introduzidas, contribuindo para a resistência à fadiga e à tração, como também para a produtividade, além de reduzir a possibilidade de propagação de trincas. 64 Ao utilizar o procedimento de usinagem após a soldagem, encontrou-se ainda maiores valores de microdureza, gerando tensões de compressão (benéficas). Considerando a resistência à fadiga e a produtividade, esta pesquisa sugere que dentro dos parâmetros avaliados, é recomendável fresar o produto soldado nas condições em que foram estabelecidas neste trabalho, e utilizar a maior velocidade juntamente com a maior corrente de soldagem. 65 CAPÍTULO 6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Utilizar chapas com dimensões maiores (comprimento e espessura); Utilizar mais posições de medida ao longo da chapa; Estabelecer velocidades de soldagem maiores, afim de colaborar com a produtividade. Quantificar as tensões residuais através de diferentes técnicas como a difração de raios x ou o método do furo cego. Soldar fora dos parâmetros recomendados pelo fabricante para observar o comportamento das tensões residuais verificando se a faixa recomendada é a faixa de melhor desempenho. Comparar as medidas de microdureza obtidas apenas no fresamento com as chapas em estado bruto de laminação. 66 CAPÍTULO 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALORAIER, A., et al. "Role of welding parameters using the flux cored arc welding process of low alloy steels on bead geometry and mechanical properties". Journal of Materials Engineering and Performance, dez. 2010. AMOROS, R. T. "Avalição de Tensões Residuais em chapas planas de aço carbono, destinadas a processos de corte a laser, pelo método da anisotropia planar". 2008. 147 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Desenvolvimento de Tecnologia, Instituto de Engenharia do Paraná, Curitiba, 2008. ARAÚJO, R.; "Análise Numérica do Comportamento Mecânico de um Filme [(Cr1-x,Alx)N] Durante o Ensaio de Dureza com Penetrador Esférico". 2011. 82 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de São João del Rei, São João del Rei, 2011. BANIN JÚNIOR, J. R.; "Análise de Tensões Residuais, integridade superficial e forças de usinagem no fresamento de topo de aço SAE 4340 endurecido". 2009. 115 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial, São Bernardo do Campo, 2009. CABRAL, T. S. et al.; "Desenvolvimento e Estudo da Viabilidade de um Injetor de Arame Adicional para O Processo de Soldagem MIG/MAG e FCAW". 6° COBEF - Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, 11 a 15 de abril de 2011, Caxias do Sul - RS, Brasil, 10p. CALLISTER, W. D. "Materials Science and Engineering: An Introduction". 7. ed. New York: J. Wiley & Sons, 2007. 975p. 67 CARVALHO, F. S. G. de. "Extrusão a Quente de Tubos: Análise Experimental da Distribuição de Tensões Residuais na Parede do Tubo". 2013. 104 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de São João del Rei, São João del Rei, 2013. CIRINO, L. M.; "Estudo dos efeitos da polaridade na soldagem com corrente contínua e alternada pelos processos TIG E MIG/MAG". 2009. 112 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. COFINÕ, R. C. "Análise das Tensões Residuais em uma junta soldada em condição overmatch". 2010. 82 f. TCC (Graduação) - Curso de Engenharia Mecânica, Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial, São Bernardo do Campo, 2010. DIAS, A.M.S.; GODOY, G.C.; MODENESI, P.J.; " Análise numérica do ensaio de indentação em materiais com comportamento frágil". Revista Matéria, vol.15, n.1, pp. 56-69, 2010 DOBIGNIES, A. A.; "Estudo do rendimento de deposição de material na soldagem MIG/MAG em condições de transferência metálica por curto circuito forçado". 2008. 148 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008. ESTEFEN, S. et al., "Análise de evolução do estado das tensões residuais de soldagem" - 2008, Conferência de tecnologia de soldagem e inspeção, Centro de Tecnologia do SENAI-RJ. FERRARESI, D. "Fundamentos da usinagem dos metais". São Paulo: Edgard Blucher, 1977. FERREIRA FILHO, D.; "Influência do gás de proteção na soldagem MIG/MAG do aço inoxidável ferrítico com arames ferríticos". 2007. 110 f. Dissertação 68 (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2007. FONSECA M. C. et al.; "Estudo das Tensões Residuais geradas na usinagem por fresamento de amostras de aço SUPERDUPLEX". 5° CONEM Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, 18 a 22 de agosto de 2008, Salvador, Bahia, Brasil, 7p. FREITAS, M. J. S. M et al.; " Efeito do Hélio em um gás de proteção a base de Ar e O2 na soldagem MIG/MAG de aço carbono em junta de topo com chanfro". 5° COBEF - Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, 14 a 17 de abril de 2009, Belo Horizonte, MG, Brasil, 10p. GIRALDO, J. et al. "Construcción de curvas de corriente de soldadura contra velocidad de alimentación de alambre para El proceso GMAW". Dyna, vol. 76, n. 157, p. 205-212. mar. 2009. GROETELAARS, P. J. "Influência da variação de parâmetros de soldagem sobre a transferência metálica e perfil do cordão no processo MIG/MAG duplo-arame". 2005. 74 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2005. HAUK, V. "Structural and residual stress analysis by nondestructive methods: evaluation, application, assessment". Elsevier, 1997. 640p. HERMANS, M. J. M.; DEN OUDEN, G. "Process behavior and stability in short circuiting gas metal arc welding". Welding Journal. p.137-141, abr. 1999. INFOSOLDA. "Carbono Equivalente" [2014]. Disponível <http://www.infosolda.com.br/biblioteca-digital/livros-senai/metalurgia/130carbono-equivalente.html. Acesso em: 10 de Junho de 2014. em: 69 KIM, Y.; EAGAR T. W. "Analysis of Metal Transfer in Gas Metal Arc Welding". Welding Journal. Welding Research Supplement, v. 72, n. 6, p. 269-278, Abr. 1993. KIM, I.S. et al., "A study on relationship between process variables and bead penetration for robotic CO2 arc welding", J. Mater. Process Technol., 2003, p. 136:139 - 145. MACHADO, I. G., "Soldagem e técnicas conexas: Processos". Porto Alegre: Copyright, 1996. 477 p. MACKENZIE, D. S.; TOTTEN, E. G. "Analytical characterization of aluminum, steel, and superalloys". Boca Raton, FL: CRC Press - Taylor & Francis Group. 2006. MARQUES, P. V.; MODENESI, P. J.; BRACARENSE, A. Q.; "Soldagem: Fundamentos e tecnologia". 3. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2009. 363 p. MANEIRO, M. A. G.; RODRÍGUEZ, J. “A procedure to prevent pile up effects on the analysis of spherical indention data in elastic-plastic materials”. Mechanics of Materials, Madrid, Spain, 2006. METZ, M.; SANTOS, C.; ROCHA, A.; “Análise Qualitativa Das Tensões Residuais Longitudinais Em Barras Trefiladas De Aço SAE 1045 Através Do Método Slliting”. 8º Congresso Ibero americano De Engenharia Mecânica. Cusco, 2007. p-1213 MOTA, J. E. da. "Avaliação da aplicação do processo GMAW-CW em aço naval ASTM A131 A". 2013. 107 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Departamento de Instituto de Tecnologia, Universidade Federal do Pará, Belém, 2013. 70 MOREIRA, H. S. "Estudo da influência dos parâmetros da soldagem MIG e da morfologia do cordão no comportamento à fadiga de juntas soldadas de um eixo traseiro veicular". 2008. 84 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia, Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, Escola Politécnica de São Paulo, São Paulo, 2008. MOYER, N. "The evolution of shielding gas". Welding Journal, p. 51-52, 2002. NETO A. V. L. et al. ; "Análise comparativa das tensões residuais em chapa de material metálico ferroso laminado após a soldagem com eletrodo revestido". 6° COBEF - Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, 11 a 15 de abril de 2011, Caxias do Sul - RS, Brasil, 9p. NETO G. H. R. et al.; "Determinação da Tensão Residual média induzida pela operação de fresamento frontal". 6° COBEF - Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, 11 a 15 de abril de 2011, Caxias do Sul - RS, Brasil, 10p. NILO JR., L. P., "Otimização de um processo de solda MIG/MAG para aplicação na industria automobilística através da utilização da técnica do projeto e análise de experimentos". 2003. 111 f. Dissertação - Engenharia de Produção, Universidade Federal de Itajubá, Itajubá, 2003 NORCINO, A. B.; "Uma contribuição ao estudo das Tensões Residuais no fresamento". 2013. 101 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual Paulista, Ilha Solteira, 2013. PIANA, L. A., et al. "Numerical and experimental analyses on the indentation of coated systems with substrates with different mechanical properties, Thin Solid Films", 491, pp 197 – 203, 2005. PUHL, E. B., "Desenvolvimento de tecnologias no processo MIG/MAG para aumento de produtividade e melhoria da qualidade mediante o uso da 71 polaridade negativa". 2011. 82 f. Dissertação - Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. PULECIO, S. A. R.; "Modelamento do ensaio de indentação instrumentada usando elementos finitos e análise dimensional - Análise de unicidade, variações experimentais, atrito e geometria e deformações do indentador". 2010. 167 f. Tese (Doutorado) - Curso de Engenharia Mecânica, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. REIS, F. A. R. C.; "Medição de tensões residuais com indentador instrumentado e interferômetro radial". 2012. 165 f. Dissertação - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012. RIBEIRO, P. P. G., "Influência dos parâmetros de soldagem GMAW e GMAWCW sobre a diluição e relação reforço/largura em revestimentos". 2012. 125 f. Dissertação - Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2012. RIBEIRO, J. C. R. dos S. "Análise de tensões residuais e deformações em soldadura". 2010. 71 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica, 2010. ROCHA, A. S.; NUNES, R. M.; HIRSCH, T. K.; "Comparação entre difração de raios X e "método do furo cego" para medição de tensões residuais em barras cilíndricas". Revista Matéria, vol.14, n.3, pp. 965-976, 2009. RODRIGUES, T. V. "Tratamento térmico pós soldagem para alívio de tensões residuais em chapas de aço soldadas : Modelagem e análise experimental". 2011. 131 f. Dissertação - Engenharia Mecânica, Centro Federal de Educação Tecnológico Celso Suckow da Fonseca, Rio de Janeiro, 2011. 72 ROSADO, T. M. V. B.; "Inovação do processo MIG/MAG: Análise de produtividade e emissão de fumos". 2008. 81 f. Dissertação - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008. SÁBIO, A. D. "Estudo da viabilidade operacional do processo de soldagem MAG com alimentação adicional de arame frio". 2007. 147 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Departamento de Instituto de Tecnologia, Universidade Federal do Pará, Belém, 2007. SHARPE JR., W. N.; SHARPE, W. N. "Handbook of experimental solid mechanics". Springer Verlag, Nova York, 2008. 1097 p. SILVA, J. M. V. B. de S.; "Adaptação de um sistema automatizado para medição de microdureza". 2006. 101 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2006. SOUSA, D. A. de. "Determinação de Tensões Residuais em Materiais Metálicos por meio de Ensaio de Dureza". 2012. 140 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de São João del Rei, São João del Rei, MG, 2012. SOUZA, D.; RESENDE, A. A. de; SCOTTI, A. "Um modelo qualitativo para explicar a polaridade na taxa de fusão no processo MIG/MAG". Soldagem e Inspeção, São Paulo, v. 14, n. 3, p.192-198, set. 2009. SOUZA, D. et al. "Influência da regulagem de parâmetros de soldagem sobre a estabilidade do processo MIG/MAG operando em curto circuito". Soldagem e Inspeção, São Paulo, v. 16, n. 01, p.22-32, jan. 2011. SOUZA, E. C. N; GARUZZI, J. M; DURÃO, B. R; "Estudo da corrente de soldagem sobre o perfil de dureza em soldas produzidas pelos processos GMAW e FCAW, utilizando o aço SAE 1020". 2013, 119 f. TCC (Graduação) Curso de Engenharia Mecânica, Faculdades Integradas de Aracruz, Aracruz, 2013. 73 SUBAN, M.; TUSEK, J. "Dependence of melting rate in MIG/MAG welding on de type of shielding gas used". Journal of Materials Processing Technology, p. 185-192, 2001. SUTERIO, R.; "Medição de tensões residuais por indentação associada à holografia eletrônica". 2005. 169 f. Tese - Engenharia Mecânica,Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005. TATAGIBA, L. C. S.; GONÇALVES, R. B.; PARANHOS, R.; "Tendências no desenvolvimento de gases de proteção utilizados na soldagem MIG/MAG". Soldagem e Inspeção, São Paulo, v. 17, n. 3, p.218-228, set. 2012. TEIXEIRA F. R. et al.; "Avaliação da microdureza de revestimentos metálicos depositados pelo processo GMAW-CW com utilização de diferentes gases de proteção". 7° COBEF - Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação, 20 a 24 de maio de 2013, Penedo, Itatiaia - RJ, Brasil, 9p. VANIMISSETI, S.K., NARASIMHAN, R., “A numerical analysis of spherical indentation response of thin hard films on soft substrates”, International Journal of Solids and Structures, v. 43, pp. 6180-6193, 2006. WAINER, E.; BRANDI, S. D.; MELO, F. D. H. de. "Soldagem: Processos e Metalurgia". São Paulo: Edgard Blucher Ltda, 2004. 506 p. XIAOYAN, L., HONGGUAN, Z., XITANG, T., 1996, “A Study of Fatigue Crack Growth and Crack Closure in Mechanical Heterogeneous Welded Joints”, Engineering Fracture Mechanics v. 45, n. 4, pp. 689 – 697. 74 ANEXO I PLANEJAMENTO FATORIAL O modelo estatístico empregado considera: 75 O teste de hipóteses busca definir se as variáveis tem ou não influência e também se sua interação afeta a variável de resposta. O somatório dos quadrados das diferenças é representado pelas expressões a seguir: 76 Para a análise estatística das hipóteses, tem-se que é uma soma de variáveis aleatórias normalmente distribuídas como chi-quadrado e respectivamente com seus graus de liberdade. Para facilitar a demonstração das equações define-se o grau de liberdade do erro como: Então temos: Para que a hipótese nula seja verdadeira, devemos ter a seguinte situação: ou seja não existe influência da variável ou não existe interação entre as variáveis de influência. 77 ANEXO II PLANEJAMENTO ALEATORIZADO POR NÍVEIS onde: é a média geral é o parâmetro que define cada tratamento é um componente devido a erros aleatórios ANÁLISE DE UM MODELO DE EFEITOS FIXOS CONTRASTE O contraste é uma combinação linear dos totais que permite a comparação das médias dos tratamentos. A soma dos quadrados para qualquer contraste é dada por: 78 O teste de hipóteses busca definir se existe diferença entre as médias dos tratamentos analisados. O contraste é testado assim: Para que a hipótese nula seja verdadeira, devemos ter a seguinte situação: , ou não existe diferença entre as médias analisadas.