III Seminário Linguagem e Identidades: múltiplos olhares
UM OLHAR SOBRE A IDENTIDADE MARANHENSE:
A CONTRIBUIÇÃO DO LÉXICO DA CANA-DE-AÇÚCAR
Luís Henrique Serra1
José de Ribamar Mendes Bezerra2
RESUMO
Este estudo é uma investigação da relação entre o léxico da cana-de-açúcar e a identidade
maranhense. A variação terminológica nesse universo será considerada como uma das
formas de se observar a variedade e a riqueza da cultura do Estado. Por meio de dados de
diferentes localidades serão demonstradas as distintas formas lexicais relacionadas a uma
mesma ideia ou conceito, configurando-se os diferentes modos de ver o mundo de cada
uma das distantes localidades do Estado. Por essa análise foi possível observar que o léxico
da cana-de-açúcar é tão rico e diversificado quanto as diferentes identidades da cultura do
Maranhão.
PALAVRAS-CHAVE: léxico da cana-de-açúcar. Identidade. Maranhão.
ABSTRACT
This study is an investigation of relation between the lexic of sugar cane and Maranhão´s
identity. The variation in this universe will be regarded as one of ways to observe the
variety and the rich of State´s culture. Using data from different locations will be showing
the different lexical forms related one idea or concept, setting up the different ways of
seeing the world of each one of diverse localities from the state. By this analyze was
possible seeing that the lexicon of sugar is so rich and diverse as the different cultural
identities of Maranhão.
KEY-WORDS: lexic of sugar cane. Identity. Maranhão.
1.
Introdução
O Maranhão é um estado com uma diversidade cultural inesgotável. Os diversos
grupos sociais com as diversas etnias, que convivem juntos no Estado fazem do Maranhão
um caldeirão cultural rico, com culturas diferenciadas e particulares em cada ponto do
1
Graduando em Letras pela UFMA, auxiliar de pesquisas do Projeto Atlas Linguístico do Maranhão
(ALiMA) e bolsista de iniciação científica do programa do PIBIC/CNPq.
2
Doutor em Linguística, professor do Curso de Letras da UFMA, é do Atlas Linguístico do Maranhão
(ALiMA). Orientador deste trabalho.
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território. Nesse caldeirão de raças e culturas, como se pode sempre esperar, a língua
apresenta as mesmas características de seu povo e de sua cultura: a heterogeneidade e a
multiplicidade de formas. No que concerne ao português falado no Maranhão, no nível do
léxico, a língua aqui falada apresenta um conjunto infinito de elementos que denota a
forma de ver o mundo dos maranhenses, bem como seu modo de organizar a realidade que
os rodeia. Estão, pois, refletidas no léxico as manifestações artísticas, culturais e sociais do
Maranhão razão porque o léxico é um nível da língua em que a identidade maranhense se
evidencia com maior força.
Levando em consideração a importância da cultura da cana-de-açúcar para o
Maranhão, em suas mais diversas formas, isto é, cultural, artística e econômica, o universo
da cana-de-açúcar, no Estado, contribui para o entendimento da identidade maranhense. No
Maranhão, a cana-de-açúcar é utilizada das mais diversas maneiras, como no consumo e
produção de cachaça e de rapadura para a produção de álcool e açúcar.
Neste trabalho, investigaremos a terminologia do universo da cana-de-açúcar em
três localidades do Estado – ao norte, São Bento e Central do Maranhão e ao leste, Buriti –
para investigar a heterogeneidade desse universo, sobretudo por meio da língua.
Objetivamos analisar como esse universo da identidade maranhense se apresenta e quais
são as particularidades desse ambiente, sobretudo com relação ao português falado no
Maranhão, em diferentes localidades. Partiremos do pressuposto de que mesmo em uma
linguagem especializada, em que se espera univocidade das unidades linguísticas, os
elementos refletem e, consequentemente, apresentam a mesma heterogeneidade que se
observa entre os grupos sociais/culturais no Estado.
É nosso objetivo mostrar que a variação diatópica encontrada nessa linguagem
especializada tem origem nas diferentes experiências e diferentes formas de organização
social dos indivíduos participantes dessa essa atividade nos diferentes locais.
2. A cana-de-açúcar no Maranhão
A história da cana-de-açúcar no Brasil confunde-se com a própria história
brasileira. Uma das primeiras culturas produzidas no Brasil, a cana-de-açúcar, segundo
Lima (1998), chegou aqui por intermédio dos escravos de Cabo Verde que vinham de seu
país para trabalhar em terras brasileiras. Moura (2006) afirma que, durante muito tempo, a
produção de açúcar sustentou a balança comercial brasileira, fazendo assim do açúcar um
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produto fundamental para a América portuguesa do século XVI. Lima (1998) afirma ainda
que, em meados do século XVII, o Brasil era o maior produtor mundial de açúcar. No
Estado Colonial do Maranhão, os primeiros engenhos surgiram no município de Itapecuru,
em 1622, multiplicando-se logo depois pelos municípios de Mearim, Guimarães e Pindaré
(LIMA, 1998).
Atualmente, o Brasil é um dos principais cultivadores da cana-de-açúcar no
mundo, ficando entre os principais produtores de açúcar, etanol e outros derivados da canade-açúcar. O IBGE, no censo agropecuário de 2006, registrou o cultivo da cana-de-açúcar
em mais de seis mil localidades brasileiras, o que representa mais de 19 milhões para a
economia brasileira.
O Ministério da Agricultura registra, no ano de 2010, mais de 18 mil toneladas de
cana-de-açúcar produzidas no território brasileiro. No Maranhão, a produção alcançou
mais de 1 milhão de toneladas (Ministério da Agricultura, 2010).
Segundo o IBGE (2009), o município de São Raimundo das Mangabeiras, ao sul
do Maranhão, produz 1.200 mil toneladas de cana-de-açúcar por ano, ficando como o
principal município produtor no Estado (IBGE, 2009).
Como evidenciam os dados acima, o Maranhão está na rota das grandes
produções de cana-de-açúcar no Brasil. É importante lembrar que boa parte dessa produção
passa pelas mãos do micro e do pequeno agricultor maranhense, colocando-os entre os
principais atores de nossa economia e de nossa cultura.
3. O léxico, a cultura e a identidade
A definição de léxico ainda é alvo de discussão no âmbito da Lexicologia e da
Terminologia, visto que são muitas as definições de léxico encontradas. Para muitos
autores o léxico é um conjunto de elementos linguísticos que têm a função de nomear o
mundo e os fenômenos que nele se apresentam. Nessa perspectiva, léxico é o conjunto de
elementos semanticamente válidos, isto é, que têm um referencial extralinguístico, isto é,
que são, segundo a nomenclatura de Mattoso Câmarai (cf. SILVA; KOCH, 2000), os
elementos livres; outros autores, por sua vez, defendem que léxico é formado pelo
conjunto de elementos presos, livres semanticamente válidos ou não. Para este trabalho,
achamos oportuna a definição dada por Biderman:
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“O léxico, saber partilhado que existe na consciência dos falantes de uma
língua, constitui-se no acervo do saber vocabular de um grupo sóciolinguístico-cultural. Na medida em que o léxico configura-se como a
primeira via de acesso a um texto, representa a janela através da qual uma
comunidade pode ver o mundo, uma vez que esse nível da língua é o que
deixa transparecer os valores, as crenças, os hábitos e os costumes de
uma comunidade, como também, as transformações tecnológicas,
transformações sócio-econômicas e políticas ocorridas numa
sociedade.”(BIDERMAN, 2001, p 9)
Conforme observamos na definição de Biderman (idem), o léxico é uma das
fontes mais seguras das que nos dá informações sobre o comportamento e sobre a forma de
ver o mundo de um povo. Pelo acervo lexical de uma determinada língua, passeiam todas
as histórias, experiências e sensações que os falantes de uma língua têm, ao longo de sua
existência. Conforme nos assegura Biderman (Idem.), é no léxico que o homem guarda
suas experiências para utilizá-las em seu dia a dia, em sua sobrevivência. Nessa
perspectiva, sendo a língua uma importante ferramenta humana, é explicável o fato de que
em determinadas localidades ligadas ao mar, como em colônias de pescadores e tribos
indígenas, o número de elementos linguísticos, ou lexias relacionadas com às figuras
marítimas seja maior, dada a necessidade que aqueles falantes têm, em sua íntima relação
com o mar. (SAPIR, 1961).
A própria formação de uma língua, a estrutura de seus elementos, os processos de
formação de palavras, a frequência de alguns processos neológico, bem como as
regularidades do sistema linguístico identificam as línguas, sendo o nível do léxico um dos
mais importantes na definição de uma língua e de seus falantes. O próprio ato de nomear as
coisas confere ao léxico um estatuo importante dentro dos níveis linguísticos, pois é por
meio dele que o homem toma conhecimento do mundo, de uma cultura, de um povo, em
outras palavras, é por meio do léxico que o homem se apropria do mundo e o domina
(BIDERMAN, 2001).
Conforme nos afirma Benveniste (apud Krieger,Finatto, 2004), ao estudarmos a
nomenclatura de uma ciência (e acrescentamos, de uma cultura), adquirimos todo o
conhecimento dessa ciência (ou dessa cultura), visto ser o léxico um repositório encontrado
pelo homem, ao longo de sua existência,para registrar e guardar o seu conhecimento.
Nas linguagens especializadas, conforme nos demonstram os inúmeros estudos
feitos pela Socioterminologia, os termos de um determinado domínio trazem as
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características históricas e sociais dos falantes dos tecnoletos. Essas características vão
produzir traços marcantes nas linguagens especializadas. Como observamos em nosso
estudo sobre o léxico dos plantadores de mandioca do Maranhão (SERRA, 2010) nãol
encontramos construções prefixais, muito provavelmente pelo fato de que os falantes dessa
linguagem terem tido, em sua formação, pouco contato com a escola. Esse fato se projeta
na linguagem especializada desses indivíduos, por meio desse traço linguístico-identitário,
visto serem os prefixos, em sua grande maioria, elementos das linguagens de indivíduos
que viveram mais o processo de escolarização, do que aqueles cuja linguagem foi
investigada.
Todos esses fatos apontam para o léxico como um importante nível da língua
quando se quer estudar a identidade de um povo, ou mesmo de um grupo social. No nosso
caso, nos propomos a estudar a cultura da cana-de-açúcar no estado do Maranhão por
pensarmos que esse produto faz parte da identidade do povo maranhense, sobretudo, das
localidades do continente maranhense. Por isso, um estudar a linguagem dos personagens
de nossa história e economia, bem como de nossa cultura, contribui para desvendar a
cultura maranhense, dada a importância dos agricultores maranhenses para a formação
identitária do Estado.
4. Metodologia: a recolha e a análise dos dados
Os dados aqui apresentados foram extraídos do banco de dados terminológico da
cana-de-açúcar do Projeto Atlas Liguístico do Maranhão – ALiMA, mais exatamente de
sua vertente Produtos Extrativistas e Agroextrativistas Maranhenses. O banco é composto
por materiais de áudio e vídeo, bem como de textos impressos e digitais sobre o consumo e
produção da cana-de-açúcar no Estado e no Brasil. Compõem também esse banco de dados
um conjunto de 150 imagens digitais e impressas do universo laboral do micro e do
pequeno agricultor de cana-de-açúcar, produzidas no momento da aplicação do
questionário, em diferentes localidades maranhenses.
Os dados da vertente estão sendo utilizados para produção de um glossário
socioterminológico da cana-de-açúcar, ainda em fase de elaboração. Mesmo já tendo sido
criada uma versão digital preliminar do glossário, ainda está sendo feita a recolha de mais
dados, tendo sido essa fase completada em três localidades, a saber, São Bento, Buriti e
Central do Maranhão.
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A recolha dos dados é feita por meio de aplicação de um questionário semânticolexical a indivíduos que apresentam o seguinte perfil socioeconômico: homens e mulheres,
com idade superior a 18 anos, naturais das localidades pesquisadas, com experiência de
mais de 5 anos na atividade da cultura da cana-de-açúcar e seu beneficiamento.
A aplicação dos questionários é registrada por meio de gravador digital, para
depois ser tratada digitalmente; é armazenada em CR-ROM, ouvida e transcrita
grafematicamente.
O trabalho com os termos do universo da cana-de-açúcar no Maranhão, que será
apresentado a seguir, foi realizado de acordo com as seguintes etapas:

Pesquisa bibliográfica e documental sobre a produção e o
consumo da cana-de-açúcar no Maranhão;

Seleção, no banco de dados do Projeto ALiMA, do material
transcrito que comporá o corpus analisado;

Seleção dos termos que comporão a amostra deste estudo;

Composição do quadro comparativo dos termos do universo
da cana-de-açúcar nas três localidades investigadas.
O corpus selecionado contém 35 termos e suas respectivas variantes. Para este
estudo selecionamos uma amostra com 25 termos distribuídos nos quadros a seguir.
5. O léxico da cana-de-açúcar no Maranhão: diferentes olhares
A seguir, apresentamos um quadro comparativo dos termos do universo laboral do
micro e pequeno agricultor de cana-de-açúcar do Maranhão, em três diferentes municípios
do Estado. O quadro é composto por quatro colunas verticais e sete colunas horizontais: na
coluna vertical, estão inseridos os conceitos do universo da cana-de-açúcar; nas colunas
horizontais, as localidades e os termos correspondentes de cada conceito, mostrando como
cada comunidade nomeaia de forma particular a uma mesma entidade.
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5.1.
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Quadro comparativo da cana-de-açúcar – Maranhão
CONCEITO
Buriti
Central do maranhão
São Bento
Buraco feito no chão para o plantio
da cana-de-açúcar
vala/cova
buraco/cova/vala
vala/ cova
Organização aleatória dos pés de
cana-de-açúcar na roça
plantar salteado
perna de caldeirão
pé de galinha
salteado
nó da cana
nó da cana
nó de cana
engenhoca/rolo
engenhoca
moenda/rolo
serepintina
serpentina
serpentina
engenho
casa de engenho
casa do
engenho
Pequenas articulações encontradas
no tronco da cana-de-açúcar, em
que se pode encontrar o olho da
cana
Máquina elétrica ou manual em
que se mói a cana para extração do
suco da cana
Tubo do alambique em forma de
espiral, que serve para condensar o
vapor do caldo da cana e
transportar para um recipiente.
Local onde a cana-de-açúcar é
beneficiada para a produção de
cachaça, açúcar, mel e rapadura.
Como vemos no quadro, mesmo em comunidades muito próximas, a variação não
deixa de ocorrer. Assim como na língua geral, na língua especializada, a variação é um
fenômeno que se estende a todos seus níveis de análise.
5.1 Discutindo o quadro
O léxico da cana-de-açúcar apresenta inúmeras variações, como constatamos na
pesquisa: o termo cova encontra sinônimos (vala, buraco) nas diferentes localidades. Em
Buriti e São Bento, a abertura feita para o plantio da cana-de-açúcar é conhecido como
cova; em Central do Maranhão, além de cova e vala, registramos o termo buraco,
terminologia mais próxima do léxico geral. Uma outra variação curiosa é a concernente ao
campo plantação: quando os plantadores de cana-de-açúcar nomeiam o modo de
organização da plantação, observamos uma variação considerável nas três localidades: Em
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Buriti registramos o sintagma verbal plantar salteado, em São Bento é utilizado o adjetivo
salteado; em Central do Maranhão, o mesmo salteado e plantar salteado documentado nos
outros municípios, é conhecido como perna de caldeirão e pé de galinha. Vale a pena
investigar a motivação desse termo, uma vez que ele é evidenciador da forma de apreensão
da realidade e, consequentemente, da construção da identidade da comunidade.
Como podemos observar, o universo linguístico da cana-de-açúcar no Maranhão é
um universo amplo e que apresenta variação diatópica. Isso nos leva a considerar a
hipótese da variação em linguagens especializadas, defendida pela Socioterminologia. Nas
comunidades pesquisadas, são muitas as variantes encontradas: variantes fonológicas
(serpentina, serepentina), lexicais (engenhoca, rolo, moenda) e morfossintáticas (nó da
cana, nó de cana, engenho, casa do engenho). Esse conjunto de variáveis demonstra que o
olhar de uma determinada comunidade para um dado objeto faz com que a terminologia
concernente a esse objeto seja diferente, daquela utilizada em outra determinada
localidade, mostrando, desse modo, que o léxico é um dos mais importantes meios de
evidenciação da identidade de uma comunidade.
6. Conclusão
O universo da cana-de-açúcar no Maranhão tem sua terminologia própria e
variada. Isso mostra que a atividade constitui um universo particular no âmbito da cultura
do Estado. A cultura da cana-de-açúcar no Maranhão mostra variações significativas
dependendo da comunidade em que ela é utilizada. Cada comunidade nomeia esse
universo cultural de acordo com sua relação com o mundo e com suas experiências
comunitárias, transformando o léxico em um reflexo da identidade de cada uma delas.
Central do Maranhão oferece um bom exemplo dessa ideia: o homem, partindo da
semelhança entre os objetos de seu universo nomeia as coisas; assim o termo pé de galinha
nasce da semelhança que há entre a forma de plantar separado e o pé da ave doméstica, que
tem os dedos mais distantes do que os do ser humano. O léxico, desse modo, é um
importante meio de verificação da forma de pensar de uma comunidade, de como essa
comunidade organiza seu meio e o percebe. Observamos que a forma de produção do
micro e pequeno agricultor é semelhante nos municípios ora investigados, porém sua
terminologia é ampla e variável, resultado da contribuição dos traços culturais e históricos
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para a construção da identidade do grupo social encontrado em cada uma das localidades
visitadas para nossa pesquisa.
É importante observar que o resultado demonstrado aqui representa só uma parte
dos resultados já conseguidos. Ao longo do desenvolvimento da pesquisa esperamos
conseguir maisresultados e mais amostras que demonstrem a variação linguística nessa
linguagem especializada. Com essa primeira amostra, já podemos constatar a variação e a
multiplicidade desse universo tão rico e importante para o Maranhão.
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NOTAS
i
Câmara (cf.SILVA, KOCH, 2000) faz a distinção de três tipos de formas: as formas presas, livres e
dependentes. Para o linguista carioca, as formas presas são as formas que têm seu significado atrelado a uma
forma livre, como – mente, em somente, ou casualmente; forma livre é aquela que em um contexto discursivo
ou mesmo fora dele o vocábulo tem valor semântico, como as formas livro, casa e obedecer. Já as formas
dependentes são aquelas unidades do léxico que têm a capacidade de modificar-se na estrutura de uma frase
sem mudar o sentido dela, nem tão pouco a sua função na frase. São geralmente os pronomes, clíticos e
preposição.
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