1 A GOAL PROGRAMMING À LUZ DA THEORY OF CONSTRAINTS (TOC), COMO FERRAMENTA DE OTIMIZAÇÃO DE RESULTADOS ORGANIZACIONAIS E A SUA UTILIZAÇÃO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO. Luiz Fernando Dalmonech Aliomar Lino Mattos Resumo: Acredita-se que a aplicação da goal programming possa propiciar informações de valor para as empresas, através da melhor combinação da produção para otimização de resultados. As restrições são fornecidas pela Teoria das Restrições propiciando informações para a armar e resolver o problema, identificando as variáveis relacionadas com as metas e com os objetivos. Percebe-se que a otimização da linha de produção (produtos) leva à maximização dos lucros ou maximização da riqueza, levando a empresa a obter o diferencial de mercado, permitindo assim um posicionamento privilegiado em função da capacidade de investimentos e da geração de caixa, bem como um diferencial em custo. Acredita-se também, que mesmo sendo de utilização para um cenário presente, pode ser associada a outras ferramentas e fornecer informações importantes para um horizonte futuro. Tema: Aplicação de Modelos Quantitativos na Gestão de Custos I summarize: it is Believed that the application of the goal programming can propitiate information of value for the companies, through the best combination of the production for optimize of results. The restrictions are supplied by the Theory of the Restrictions propitiating information for to arm and to solve the problem, identifying the variables related with the goals and with the objectives. It is noticed that the optimize of the production line (products) it takes to the maximize of the profits or maximize of the wealth, taking the company to obtain the market differentiate, allowing like this a privileged positioning in function of the capacity of investments and of box's generation, as well as a differentiate in cost. It is also believed, that same being of use for a present scenery, it can be associated to other tools and to supply important information for a future horizon. Fear: Application of Quantitative Models in the Administration of Costs 1 2 2 3 A GOAL PROGRAMMING À LUZ DA THEORY OF CONSTRAINTS (TOC), COMO FERRAMENTA DE OTIMIZAÇÃO DE RESULTADOS ORGANIZACIONAIS E A SUA UTILIZAÇÃO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO. 1- Introdução Presume-se que as informações fornecidas pela ferramenta de otimização denominada de Goal Programming possam ser de grande valia para a tomada de decisão, principalmente, com a evolução da tecnologia que envolve os Hardwares e softwares permitindo a sustentação necessária desta ferramenta e com isso, proporcionando melhores informações para o desenvolvimento da contabilidade no mundo dos negócios. Para o uso de ferramentas na solução de problemas, Iudícibus (2000) é da opinião de que o contador possa ganhar mais operacionalidade utilizando ferramentas e criando modelos dentro das organizações. Hansen e Mowen (2001) complementam Iudícibus afirmando que o uso de ferramentas não restringe o gestor de utilizar o seu próprio julgamento para alterar qualquer das estimativas produzidas por métodos formais, visto que faz parte do processo decisório a maturidade profissional, o conhecimento adquirido e sua visão de futuro do tomador de decisão. Quanto ao problema em si, Horngren et al (2000:279) relata o problema da produção: “(...). O problema de estabelecer as programações de produção e o mix de produtos mais vantajosos é essencialmente o de maximizar a margem de contribuição total em face de muitas restrições”. CSILLAG (1995:167) complementa Horngren e cita algumas restrições: “O parâmetro ‘tempo’ poderá compreender os itens: projeto, ferramental, produção e outros. O parâmetro ‘qualidade’ poderá compreender os itens de eficiência, aparência, durabilidade, segurança, e confiabilidade. O parâmetro ‘custo’ pode compreender os itens de projeto, ferramental e equipamentos, produção outros”. Tendo a empresa uma linha de múltiplos produtos, tornar-se-á necessário estabelecer critérios de produção, onde a procura seja satisfeita assim como o objetivo da empresa. Assim, Hansen e Mowen (2001) citam a necessidade das organizações de manufatura e de serviços precisarem escolher a combinação de produtos que irão produzir e vender (empresa x mercado x capacidade produtiva). Assim, a necessidade de ferramentas de otimização da produção tem impacto na tomada de decisão, que por sua vez tem impacto significativo na rentabilidade da empresa, pois o mercado exerce forte domínio sobre a produção. No entanto, a empresa pode e deve empenhar-se para produzir e vender a combinação que lhe dê maior rentabilidade. 3 4 2 Contextualização 2.1 Desenvolvimento Histórico: Segundo Buffa (1979: 747), a programação começou em 1952, com Charnes e Cooper, com o trabalho: Blending Aviation Gasolines – A Study in Programming Activities. Logo após, Henderson e Schlaefer, 1954, com o trabalho: Mathematical Programming, de Harvard Businnes Review , e Buffa (1968), com o trabalho Operations Management: Problems and Models: John Willey, New York. Vadja em 1956 com o trabalho: The Theory of Games and Programming e em 1958 com outro trabalho denominado de Readilings in Linear Programming. Mutos outros autores ajudaram a desenvolver a Programação Linear, até chegar ao estágio atual desta ferramenta, dentre eles, Metzger e Schwarzbek (1958 e 1961), Greene e Chatto e Hicks (1959) dentre outros. Porém, segundo IGNIZIO (Apud Rangel et al, 2003), quem desenvolver primeiramente o método foi Charnes e Cooper, em 1961, com o livro Management Models and Industrial Applicatations of Linear Programming (2 volumes), ficando registrado o trabalho dos mesmos autores, em 1952, citado pelos mesmos como o marco da programação linear. Complementando os trabalhos apresentados até então, o último trabalho apresentado foi o de Oliveira et al (2002) com modelos matemáticos aplicados na otimização florestal e Rangel et al (2003) criando modelo pelo solver do excel. 2.2 Definições Necessárias 2.2.1 Goal Programming (Evolução) Supõe-se que pela Goal Pragramming, o tomador de decisão utilize o modelo de decisão baseado em maximização ou minimização de objetivos e que seja capaz identificar, descrever, e formar a função objetivo, estabelecendo metas com destaque de prioridades, através de pesos e definindo os gargalos ou restrições para o alcance dos objetivos e metas. atribuindo pesos a cada meta, situando às em diferentes níveis de prioridade. Segundo Lapponi (2000:409), os modelos não lineares se tornam lineares depois de transformados de uma transformação com logaritmos, citando as funções: exponencial, logarítmica, potencial, polinomial, dentre outras, o que resulta na resolução dos problemas via computador, pelo método de programação linear. Isto resulta em que embora se tenha determinado várias denominações de programação, a que realmente se desenvolve na solução dos problemas é a Linear, com o ajuste ocorrendo via computador e softwares. 4 5 Segundo Buffa (1979: 697), a programação linear é uma nova técnica matemática estabelecida na época da Segunda Guerra Mundial, e relata: “Seu valor com relação à administração da produção reside no fato de que os problemas de distribuição de grande complexidade, implicando um grande número de variáveis, podem freqüentemente ser resolvidos por essa maneira. Antes do estabelecimento da programação linear, esses tipos de problemas só poderiam ser tratados por meio de modelos gráficos e esquemáticos”. Corrar e Theófilo et al (2004) também descrevem o surgimento da técnica de Programação Linear por George B. Dantzig, durante a Segunda Guerra Mundial, confirmando Buffa (1979), e posteriormente por outros pesquisadores que a desenvolveram. Existem várias limitações para o modelo de programação linear, dentre elas, o citado por Rangel et al (2003) que é a de ser unidimensional, não permitindo estabelecer várias metas. Buffa (1979) cita também o fato do método requerer que todas as relações fossem lineares, ou seja, uma progressão aritmética. O método se desenvolveu, e surgiu a programação quadrática, permitindo então a progressão geométrica, que segundo Buffa, permitiu aproximar ‘mais de perto as curvas reais de custo. Surgiu também a programação dinâmica como forma de permitir estágios múltiplos, ou seja, integrar os métodos citados, de acordo com os problemas. Corrar e Theóphilo (2004) citam, que a Goal Programming é uma extensão da Programação Linear, com o objetivo de desenvolver problemas de empresas com objetivos múltiplos, inclusive com medidas heterogêneas, porém correlaciondas. Este fato entre as Programações surgidas após a Linear e a própria Programação Linear, é forte, pois os autores sempre citam como o mesmo Dantzig como criador da técnica. Um exemplo de utilização do método de Programação Dinâmica é o SOLVER, do Excel, utilizado por Rangel et al (2003) no desenvolvimento de seu trabalho, pois utiliza o método simplex, desenvolvido por Dantzig (Buffa, 1979:720), como pode ser encontrado no Office® na seção de ajuda, onde cita: “Os problemas lineares e de inteiros usam o método simplex com limites sobre as variáveis e o método de desvio e limite implementado por John Watson e Dan Fystra, da Frontiline Sustems, Inc.”, utiliza também os métodos não lineares desenvolvidos por Leon Lasdon da University of Texas em Austin, e Allan Waren, da Cleveland State University”. No caso do SOLVER do Microsoft Excel® , que é usado para solução do problema de Goal Programming, na caixa de diálogo, existe a ‘opção do Solver’, que consiste em “presumir como linear”, fato que Corrar et al (2004:414) citam: “Na janela Opções do Solver, selecionamos as opões Presumir Modelo Linear (afinal, Goal Programming é uma extensão da Programação Linear) e usar escala automática, mantendo as demais especificações conforme a seleção padrão”. Após o desenvolvimento da Programação pelo Método Simplex, a Tecnologia da Informação, e a utilização de software permitiu o código de programação de alto nível, denominado de algoritmo(algorithm), diversos progressos foram feitos, e hoje, o maior problema não está na execução dos cálculos e sim na definição de variáveis e na organização das informações e montagem do problema, na formal de equações ou inequações. 5 6 Portanto, hoje, tem-se condições de definido o problema e de resolvê-lo com o maior grau de precisão e rapidez, pelos programas, quando estas restrições passam a ser múltiplas, ou seja, restrição por mão-de-obra, horas-máquina, matérias-primas, etc., torna-se necessário utilizar a Goal Programming, que através de Softwares pode trabalhar com números enormes de variáveis e que propiciam soluções precisas e rápidas. Um destes programas é o Lindo®, que também se utiliza modelos do solver, porém com maior capacidade de desenvolvimento de problemas, uma vez que pode trabalhar com mais de 50.000 restrições e 200.000 variáveis. Existem vários programas, dentre eles o SOLVER, que existe integrado a planilha eletrônica do EXCEL®, sendo de menor capacidade. 2.3 Teoria das Restrições - Theory of Constraints (TOC) A teoria das Restrições tem por objetivo identificar, avaliar, mensurar e propor correções para as restrições (gargalos) da organização. Ela está inteiramente voltada para o desenvolvimento contínuo e fornece informações sobre as restrições. A empresa tem que otimizar os resultados em função destas restrições, como relatam Hansen e Mowen (2001) que uma maneira de se fazer o melhor uso de qualquer restrição consistente é assegurar que a combinação ótima de produtos seja produzida. Dentre as restrições de produtos, tem-se a limitação por fatores externos, tal qual a demanda do mercado, chamada de Restrição Externa. Como Restrição Interna, tem-se a limitação por tempo de mão-de-obra, de disponibilidade de maquinários, capacidade produtiva, limite de estocagem, capacidade financeira, etc. Hansen e Mowen também (2001:751) relatam sobre as restrições, classificando-as em: 2.3.1 Restrição Interna Consistente: “Se, por outro lado, uma combinação de produtos usar todos os recursos limitados de uma restrição, então a restrição é uma restrição consistente”. Cita-se o exemplo o retorno sobre ativo, que é o giro do estoque x a margem de contribuição unitária. Assim, produtos que tem alta margem de contribuição unitária podem não ter alto giro, o que pode não ocasionar a maximização da riqueza. 2.3.2 Restrições Externas Consistentes: A restrição externa consistente ocorre quando a quantidade a produzir é limitada pela demanda de produtos, ou seja, o mercado absorve uma quantidade (X) e nada além dela. Dentre os cálculos de variáveis envolvidas, existem três principais mensurações da Teoria das Restrições que são citadas por Horngren et al (2000:499): 6 7 “As três principais mensurações da Teoria das Restrições são a margem de contribuição via throughput costing (igual ao valor em $, das vendas menos os custos dos materiais diretos), investimentos ou estoque (igual à soma dos custos dos materiais do estoque, dos materiais diretos, estoque de produtos semi-acabados e estoque de produtos acabados; custos de P&D e custos de equipamentos e edificações; e custos operacionais (igual a todos os custos, exceto os de materiais diretos, em que se incorre para a obtenção da contribuição da produção”. Portanto, a otimização vem como ferramenta útil, com finalidade de propiciar a melhor combinação de produtos, levando em consideração a margem de contribuição total e unitária, os custos da produção e os investimentos, acrescentando ainda aos mesmos o tempo ocioso ou improdutivo, que também passa a ser um dado importante na tomada de decisão. 2.4 Gargalos A opinião de Horngren (2000) sobre a influência da Theory of Constraints (TOC), é a de que ela (TOC), enuncia métodos para maximizar o resultado operacional, diante de gargalos da produção. Neste contexto, ela dá ênfase ao gerenciamento dos pontos de estrangulamento, como chave do aumento do desempenho do sistema como um todo, propiciando análises e informações de modo que a empresa seja sempre proativa, ou seja, esteja sempre à frente das restrições (problemas) procurando soluções. Existem etapas para o gerenciamento dos gargalos, conforme Horngren(2000:499): “As quatro etapas do gerenciamento dos gargalos de produção são: (a) reconhecer que a operação sobrecarregada determina a margem de contribuição via throughput costing, (b) procurar e identificar o gargalo de produção, (c) manter o gargalo de produção em operação e a ele subordinar todas as operações não estranguladas e (d) aumentar a eficiência e a capacidade do gargalo de produção”. O gargalo exige gerenciamento e desenvolvimento contínuo, exigindo uma ‘organização que aprende’, já que o cenário em que está inserida a empresa sofre mutações ambientais constantes, o que requer também ajustes constantes. 2.5 Etapas da Resolução do problema segundo Horngren (2000:286): 2.5.1 Determinar o objetivo: Esta função é a Função Objetiva do Modelo • Maximizar o lucro operacional; • Minimizar custos 2.5.1.1 Especificações das restrições: “Uma restrição é uma inequação ou igualdade que deve ser satisfeita pelas variáveis de um modelo matemático”. Horngren (2000:286). OBS: Tafner (2000: 257), relata sobre as restrições como: “... um conjunto de vetores a forma F = f(X1, X2, X3,...,XN) que aplicados à função g(X1, X2, X3,...,XN) são iguais (=) a uma constante C; este conjunto é também conhecido como superfície de nível C de g, ou simplesmente Nc; o 7 8 problema da otimização consiste exatamente em identificar, dentre os elementos desse dado conjunto Nc, aqueles que tornam máximo (ou mínimo) os valores de F”; O Goal Programming surgiu com a flexibilização da Programação Linear, acrescentando-se variáveis de desvio e transformando as restrições em metas, priorizadas de acordo com critérios do processo decisório. . Esta transformação já foi citada por Field (apud Oliveira, 2002), onde diz que as metas são obtidas por transformação das inequações em equações através da inserção das variáveis de desvio, que neste trabalho são as variáveis de letra Ws. Assim, o objetivo deste trabalho é o de verificar se a ferramenta Goal Programming pode ser considerada uma ferramenta estratégica, tendo em vista: 1) As informações obtidas via Goal Programming são úteis na tomada de decisão em nível estratégico? 2) É possível determinar o melhor mix de produtos a serem produzidos, de acordo com as metas do planejamento estratégico? 3) Alterando o cenário, é possível utilizar o Goal Programming como ferramenta de análise de sensibilidade? 2.6 Desenvolvimento prático utilizando o Software Lindo® – Estudo de Caso adaptado de Buffa (1979:725) A Indústria Capixaba de Laminados Plásticos S/A fabrica um único material em forma de folha de plástico, em três tamanhos, isto é, espessuras. A empresa tem duas instalações completas para a produção, ambas constituídas no mesmo local; a elas nos referimos como fábrica ‘A’ e fabrica ‘B’. A fábrica ‘B’ é de projeto mais recente e foi construída especificamente para produzir os tamanhos 1 e 2 de modo econômico, visto que esses dois tamanhos correspondiam à maior demanda. Contudo, a fábrica ‘B’ é menos econômica do que a ‘A’, quando se trata do tamanho 3. Os números se acham resumidos na tabela 1. Também vemos na tabela 2 que os custos variáveis da operação horária da fábrica ‘A’ são de R$1.125,00, enquanto que atingem a R$1.300,00 para a fábrica ‘B’, e que ambas as fábricas podem operar no máximo até 100 horas por semana. O custo horário variável inclui toda a mão-de-obra, suprimentos, energia, etc., mas não inclui o custo da matéria-prima. Este é idêntico, para um dado tamanho, em cada uma das fábricas e pode, por isso, ser considerado irrelevante no que tange ao problema. A tabela 2 fornece os valores da receita decorrente das vendas e as demandas máximas para os três tamanhos. Ao planejar a produção, podemos admitir que quantidades até esses valores inclusive podem ser produzidas, ou abaixo delas, se for mais econômico. O Diretor da Indústria Capixaba solicitou aos Gerentes de Vendas, de Produção e ao Controller para desenvolverem um modelo que maximizasse a margem de contribuição total, pela diminuição dos custos ou pelo aumento da receita e que determinasse a distribuição dos três tamanhos entre as duas fábricas. Tabela 1 – Dados da produção 8 9 Horas p/ 45 kg Tamanhos Incógnitas Fábrica A Fábrica B 1 X 0,25 0,20 2 Y 0,40 0,25 3 Z 0,35 0,40 Custo variável por hora (CV/H) R$1.125,00 R$1.350,00 Máximo de horas semanal 100 100 Tabela 2 – Dados de Vendas Tamanho Incógnitas 1 X 2 Y 3 Z Receita de Vendas/45kg R$ 450,00 R$ 540,00 R$ 675,00 Demanda Máxima por semana em lotes de 45kg 310 300 125 Tabela 3 – dados e complementos: Fábrica A Fábrica B Excesso de Demanda XA = ? XB= ? WX = excesso demanda produto 1 (desvio) YA = ? YB = ? WY = excesso demanda produto 2 (desvio) ZA = ? ZA = ? WZ = excesso demanda produto 3 (desvio) OBSERVAÇÕES: XA = produto X produzido na Fábrica A; XB = produto X produzido na Fábrica B; YA = produto Y produzido na Fábrica A; YB = produto Y produzido na Fábrica B; ZA = produto Z produzido na Fábrica A; ZB = produto Z produzido na Fábrica B; WX = desvio de demanda do produto X; WY = desvio de demanda do produto Y; e WZ = desvio de demanda do produto Z. 2.6.1 Restrições: A) Restrição pela Demanda: Tabela 3 Sabe-se por dados fornecidos estão restritos pela demanda: XA + XB + WX= 310, onde as variáveis correspondem às quantidades que quer calcular; YA +YB + WY = 300, onde as variáveis correspondem às quantidades que quer calcular; ZA + ZB+ WZ = 125, onde as variáveis correspondem às quantidades que quer calcular. 9 10 A variável de desvio é calculada pelo programa, pois já está dentro de seu desenvolvimento a utilização de Programação Linear, Programação Não Linear. Programação Quadrática e Programação Dinâmica, o que evita o uso da fórmula abaixo, a título de ilustração para a resolução do problema. D= ΔM Mi Onde: • • • Mi = Meta que se quer alcançar; Mo = Meta otimizada obtida nos cálculos; e ΔM = variação das metas Mi e Mo; 2.6. 2 Restrição pelo tempo de fabricação: Fábrica A: De acordo com a tabela 1, pode-se desenvolver a fórmula: 0,25XA + 0,40YA + 0,35ZA = 100, que é uma inequação. Para torná-la uma equação, ou seja, em uma meta, insere-se o WFA, que é o tempo ocioso da fábrica A, assim, a fórmula se torna uma equação: 0,25XA + 0,40YA + 0,35ZA + WFA = 100 Fábrica B: mesmo processo da Fábrica A. 0,20XB + 0,25YB + 0,40ZB+ WFB = 100 Usando a tabela 1 e acrescentando o WFB, que é o tempo ocioso da Fábrica B. FUNÇÃO DA RECEITA TOTAL A SER OBTIDA RESPEITANDO AS RESTRIÇÕES DA DEMANDA: RVT = Preço de venda (PV) x a quantidade (Q), assim, RT = PV x Q. RVT = 450XA + 450XB + 540YA + 540YB + 675ZA + 675ZB Função do Custo Variável Total: Somatório de CVTA + CVTB Fábrica A: Custo Variável Total da Fábrica A (CVTA) CVTA = 1.125 * (0,25XA + 0,40YA + 0,35ZA) Fábrica B: Custo Variável total da Fábrica B (CVTB) 10 11 CVTB = 1.350*(0,20XB + 0,25YB + 0,40ZB) CVT = CVTA + CVTB Margem de Contribuição total (Produtos da Fábrica A e B): MCT = RVT - CVT + 450XA + 450XB + 540YA + 540YB + 675ZA + 675ZB - 1.125 * (0,25XA + 0,40YA + 0,35ZA) - 1.350*(0,20XB + 0,25YB + 0,40ZB) = 168,75XA + 180XB + 90YA + 202,50YB + 281ZA + 135ZB. O objetivo é maximizar este resultado, ou seja, maximizar a margem de contribuição (MC). 2.7 Utilizando Software para Desenvolvimento do Problema A introdução do objetivo é o primeiro passo. Deste modo a função de maximizar ou minimizar deve estar definido. Vale lembrar que o programa de otimização deve resolver problemas individualizados e não vários problemas (o conjunto de vários problemas é na realidade uma confusão e certamente as respostas obtidas serão incorretas), ou seja, deve-se formar equações ou inequações de variáveis com certo grau de correlação. A seguir, as restrições ou limitações são lançadas após a expressão SUJEITO A (SUBJECT TO), como mostrado na tela abaixo. 11 12 Foram acrescentadas nas inequações, as variáveis WX, WY e WZ, que são as variáveis de desvios, ou válvulas de ajustes da demanda, de modo que se quebra o rigor da programação linear, tal qual feita no cálculo das horas de produção com as variáveis WFA e WFB, propiciando ajustes pela otimização condicionada, ou seja, que propicia ao tomador de decisões acrescentar outras variáveis que possam influenciar no resultado. Esta transformação já foi citada por Field, onde diz que as metas são obtidas por transformação das inequações em equações através da inserção das variáveis de desvio, que neste trabalho são as variáveis de letra Ws. A seguir, estando o objetivo e as restrições de acordo bem definidas, no menu solve e clicando com o mouse no item solve, o problema é resolvido e aparece na tela o resultado da otimização, conforme mostra a janela abaixo: 12 13 13 14 A seguir, aparece a tela abaixo, onde os dados vão ser gerados em relatórios em tela. Nos relatórios constam os dados das análises de erros por tentativa, conforme mostrado abaixo: Assim, as respostas ao nosso problema são respectivamente: XA =185 e XB =125 YA = 0 e YB = 300 ZA = 125 e ZB = 0 Tem-se ainda um tempo ocioso na Fábrica A de 10 horas, que é o WFA. 14 15 3.0 Conclusão Buffa (1979:714) define bem a importância da Programação Linear, onde cita: “(...). Se não existisse a programação linear só poderíamos estimar as soluções achando talvez, de vez em quando, uma solução melhorada com base na inspiração de algum indivíduo”. Esta afirmação continua valendo para o Goal Programming. Deste modo, o problema que está presente nas empresas é de grande complexidade e as soluções exigem longo tempo, mesmo realizado por computadores. Com softwares, a precisão é mais acurada, assim como a velocidade de obtenção de respostas, o que facilita o processo decisório. Neste artigo, foi um caso simples que propicia resposta rápida, conforme se pode ver no relatório, com 3(três) tentativas. No relatório inicial, o resultado foi de se produzir na Fábrica A, 185 unidades do produto X (XA), 125 produtos Z (ZA), tendo 10 horas de tempo ociosidade na produção destes produtos (WFA). Na Fábrica B, o resultado foi de produzir 125 unidades do produto X (XB), e 300 unidades do produto Y (YB), não restando tempo ocioso (WFB = 0).Os desvios da demanda também foram zeros, ou seja, WA = WB = WZ = 0. O resultado da maximização do lucro (margem de contribuição), obteve-se o resultado de R$149.625,00, que é obtido pela diferença entre a Receita Total (Σ das vendas dos produto X, Y e Z) menos (-) o Custo variável Total (Σ dos custos variáveis totais dos produtos X, Y e Z). Em relação aos custos totais variáveis, houve um decréscimo (redução) de R$ 11.250,00, relacionada com a ociosidade de 10 horas de produção (diferença entre as horas disponíveis 100 menos as horas efetivamente usadas 90). Deste modo, a empresa diminuiu o custo variável total (CVT) de R$247.500,00 para 236.250,00, o que permitiu aumentar a margem de contribuição total (MCT). Alterando o cenário, é possível utilizar o Goal Programming como ferramenta de análise de sensibilidade, pois pode o gestor, conforme demonstrado no Anexo B, onde foi modificada a demanda do produto X, aumentado-a em 100 unidades. Isto pode ocorrer em virtude de produtos sazonais, campanha publicitária, promoções, etc, que influenciam na demanda do produto. Assim, o resultado alcançado modificou-se, passando a MCT para R$ 157.243,80, com a Fábrica A, passando a produzir 225 unidades do produto X (XA – produto X fabricado na Fábrica A) e 125 unidades do produto Z (ZA). A Fábrica B passou a produzir 175 unidades do produto X(XB) e 260 unidades do produto Y. Assim, houve um desvio (WY = 40) da produção anterior do Anexo A (300 unidades, para 260 unidades no Anexo B). O desvio é a diferença entre a meta e o resultado obtido, podendo ser para baixo da meta d- para cima da meta d+; neste caso foi abaixo da meta, já que a demanda era de 300 unidades do produto Y, mas por prioridade de margem de contribuição, que é maior do produto X. Nesta opção, houve um ganha de MCT de R$ 18.900,00 em referência ao Anexo A. No entanto, o tempo ocioso de 10 horas obtido no Anexo A, deixou de existir no anexo B, ocupando-se todo o tempo disponível de produção. No Anexo C, houve diminuição do Custo Variável no produto X, produzindo na Fábrica A, passando de 0,25 por unidade para 0,20 e na Fábrica B, o mesmo produto passou o Custo Variável de 0,20 por unidade para 0,25, mantendo todos os dados anteriores do Anexo A. O Resultado obtido foi de MCT de 149.312,50, com redução de custos de R$ 10.968,75, produzindo na fábrica A, 210 unidades do produto X (XA), e 125 unidades do produto Z (ZA); na Fábrica B, a produção calculada foi de 100 unidades do produto X (XB) e 300 unidades do 15 16 produto Y (YB), com tempo ocioso na Fábrica A de 14,25 horas de produção, assim, WFA = 14,25. No Anexo A, o resultado obtido é para um cenário presente, o que faz com que seja necessário o julgamento do Gestor. Neste caso, CSILLAG (1995) recomenda a Técnica de Vantagem e Desvantagem, a Técnica de Avaliação por Comparação e Custear todas as idéias ou soluções. É possível determinar o melhor mix de produtos a serem produzidos, de acordo com as metas do planejamento estratégico, levando em consideração o ajuste da empresa ao ambiente em um cenário presente ou futuro (projetado). Como já citado, as mudanças necessárias aos ajustes são constantes e cada ajuste requer conhecimentos, astúcia, maturidade e informações e capacidade de análise destas informações pelo tomador de decisão. Assim, mesmo o resultado sendo exato e melhor entre todas as possibilidades, esta não é uma ferramenta absoluta, necessitando assim de integração com demais ferramentas, como por exemplo, Análise de Investimentos, quando a demanda for maior do que a capacidade produtiva da empresa, assim como Análises do tipo Comprar ou Fazer, Fazer horas extras ou Não Fazer horas Extras, Arrendar ou Comprar, e outras, ajustando sempre ao ambiente e às condições da empresa. Para este caso específico, de uso da ferramenta de análise do tipo Se e Então, é valido a criação de um fator de correção de valores. Exemplo: Fator de correção de Vendas pode ser criado a partir de um crescimento calculado por dados históricos, em percentual, de modo que a demanda possa ser atualizada por dados, que alteram o valor dos coeficientes das inequações ou equações do problema, bem como fator de correção do resultado meta; pode-se criar fatores de correção dos custos, de área, de produção, de demanda, etc, de acordo com o problema. Nestes casos, se tem a otimização condicionada, onde o gestor pode analisar vários cenários, com alterações que se julgue como de ajustamento com o ambiente num período de tempo específico. Estes valores podem ser condicionados por experiência, ou por meio de ferramentas de análise de dados, incluindo, por exemplo, a regressão para determinar taxa de crescimento, ou outras variações de relevância para o trabalho. As informações obtidas via Goal Programming são úteis na tomada de decisão em nível estratégico. Neste trabalho, trabalhou-se com a MCT como peso. Em situações, onde o gestor quer estabelecer prioridades, torna-se necessário estabelecer os pesos. Estes, podem ser obtidos pela fórmula: Fator de P1 = 1+ p1 Σ (p1 + p2 + p3 + ....pn) onde p = peso ou grau de importância relacionada com as metas (prioridades). Deste modo, a função F= f(X1, X2, X3,...,XN) teria como metas: p1. X1 + p2. X2+ p3. X3 + ....pn.Xn = meta Deste modo, os pesos são estabelecidos pelo gestor, mediante estimativas ou fatores calculados, visando priorizar metas. Neste artigo, a prioridade foi definida por margem de contribuição. Não 16 17 existindo este processo natural de grau de importância, o gestor estabelece critérios de cálculo, priorizando metas cujos resultados são tidos como prioridades. Mesmo tendo os pesos definidos, pode o gestor criar meios de atualização dos mesmos, mediante fatores de atualização, que podem se obtidos por critérios estabelecidos pelo gestor, atualizando os coeficientes das equações ou inequações e as metas esperadas. O método de cálculo pode ser obtido pela utilização de estimativas probabilísticas, histograma, análise de regressão, ou outro método que propicie visualizar cenário futuro, ou alteração do cenário presente. Exemplo de Fator de Correção de Metas (k): K=1 + Ê 100 onde: Ê = valor que se acredita ser real em cenário condicionado futuro ou presente, obtido por probabilidade, por estimativa ou por outra ferramenta, como exemplo a regressão, o histograma, etc. EX: o provável aumento de 10% nas vendas no próximo período. A fórmula daria o resultado de: K = 1 + (10% :100) = 1+0,1 = 1,1. Assim, com a venda atual de 50.000, passaria para o valor de R$50.000 x 1,1(k) = 55.000,00, corrigindo a meta em 10%. Como K é uma constante, a atualização seria: k.v( sendo V uma variável específica) ou, k . f(X1, X2, X3,...,XN ) ou k . g(X1, X2, X3,...,XN ) para atualização de objetivos ou metas. 4.0 Referências Bibliograficas 1- ATKINSON, Anthony A .; BANKER, Rajiv D.; KAPLAN, Robert S.; YUNG, S. Mark. 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Anexo B Introduzindo dados no programa: de max até end MAX 168.75XA + 90YA + 281ZA + 180XB + 202.50YB + 135ZB Subject to 450XA + 450XB + 540YA + 540YB + 675ZA + 675ZB >= 385875 18 19 281.25XA + 450YA + 393.75ZA + 270XB + 337.50YB + 540ZB <= 247500 0.25XA + 0.40YA + 0.35ZA + WA = 100 0.20XB + 0.25YB + 0.40ZB + WB = 100 XA + XB + W1 = 400 YA + YB + W2 = 300 ZA + ZB + W3 = 125 END Relatório de resultados: LP OPTIMUM FOUND AT STEP 1 OBJECTIVE FUNCTION VALUE 1) 157243.8 VARIABLE XA YA ZA XB YB ZB WFA WFB W1 W2 W3 VALUE 225.000000 0.000000 125.000000 175.000000 260.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 40.000000 0.000000 REDUCED COST 0.000000 151.199997 0.000000 0.000000 0.000000 258.950012 603.000000 810.000000 18.000000 0.000000 69.949997 ROW SLACK OR SURPLUS DUAL PRICES 2) 18900.000000 0.000000 3) 0.000000 0.000000 4) 0.000000 603.000000 5) 0.000000 810.000000 6) 0.000000 18.000000 7) 0.000000 0.000000 8) 0.000000 69.949997 NO. ITERATIONS= 1 RANGES IN WHICH THE BASIS IS UNCHANGED: VARIABLE XA YA ZA XB YB ZB WA WB OBJ COEFFICIENT RANGES CURRENT ALLOWABLE COEF INCREASE 168.750000 49.964283 90.000000 151.199997 281.000000 INFINITY 180.000000 94.500000 202.500000 22.500000 135.000000 258.950012 0.000000 603.000000 0.000000 810.000000 ALLOWABLE DECREASE 94.500000 INFINITY 69.949997 18.000000 118.124992 INFINITY INFINITY INFINITY 19 20 W1 W2 W3 0.000000 0.000000 0.000000 18.000000 188.437500 69.949997 RIGHTHAND SIDE RANGES CURRENT ALLOWABLE RHS INCREASE 385875.000000 18900.000000 247500.000000 INFINITY 100.000000 0.000000 100.000000 0.000000 400.000000 325.000000 300.000000 INFINITY 125.000000 160.714294 ROW 2 3 4 5 6 7 8 INFINITY 22.500000 INFINITY ALLOWABLE DECREASE INFINITY 0.000000 10.937500 8.750000 50.000000 40.000000 35.714287 Anexo C MAX 168.75XA + 90YA + 281ZA + 180XB + 202.50YB + 135ZB Subject to 450XA + 450XB + 540YA + 540YB + 675ZA + 675ZB >= 385875 281.25XA + 450YA + 393.75ZA + 270XB + 337.50YB + 540ZB <= 247500 0.20XA + 0.40YA + 0.35ZA + WFA = 100 0.25XB + 0.25YB + 0.40ZB + WFB = 100 XA + XB + WX = 310 YA + YB + WY = 300 ZA + ZB + WZ = 125 END LP OPTIMUM FOUND AT STEP 4 OBJECTIVE FUNCTION VALUE 1) 149312.5 VARIABLE VALUE XA 210.000000 YA 0.000000 ZA 125.000000 XB 100.000000 YB 300.000000 ZB 0.000000 WFA 14.250000 WFB 0.000000 WA 0.000000 WB 0.000000 WZ 0.000000 REDUCED COST 0.000000 101.250000 0.000000 0.000000 0.000000 164.000000 0.000000 45.000000 168.750000 191.250000 281.000000 ROW SLACK OR SURPLUS 2) 0.000000 3) 10968.750000 4) 0.000000 5) 0.000000 6) 0.000000 DUAL PRICES 0.000000 0.000000 0.000000 45.000000 168.750000 20 21 7) 8) 0.000000 0.000000 NO. ITERATIONS= 191.250000 281.000000 4 RANGES IN WHICH THE BASIS IS UNCHANGED: VARIABLE XA YA ZA XB YB ZB WA WB WX WZ OBJ COEFFICIENT RANGES CURRENT ALLOWABLE COEF INCREASE 168.750000 11.250000 90.000000 101.250000 281.000000 INFINITY 180.000000 101.250000 202.500000 INFINITY 135.000000 164.000000 0.000000 802.857178 0.000000 45.000000 0.000000 168.750000 0.000000 281.000000 ALLOWABLE DECREASE 101.250000 INFINITY 164.000000 11.250000 101.250000 INFINITY 56.250000 INFINITY INFINITY INFINITY RIGHTHAND SIDE RANGES CURRENT ALLOWABLE ALLOWABLE RHS INCREASE DECREASE 385875.000000 0.000000 INFINITY 247500.000000 INFINITY 10968.750000 100.000000 INFINITY 14.250000 100.000000 52.500000 17.812500 310.000000 39.000000 0.000000 300.000000 31.451612 0.000000 125.000000 27.857143 0.000000 ROW 2 3 4 5 6 7 8 21