0 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA AMBIENTAL MESTRADO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM GESTÃO E TECNOLOGIA AMBIENTAL Luiz Fernando Dullius Schaefer GESTÃO DE RISCOS EM UMA EMPRESA DE GALVANOPLASTIA COM PROCESSO DE OXIDAÇÃO NEGRA DO VALE DO RIO PARDO/RS Santa Cruz do Sul 2013 1 Luiz Fernando Dullius Schaefer GESTÃO DE RISCOS EM UMA EMPRESA DE GALVANOPLASTIA COM PROCESSO DE OXIDAÇÃO NEGRA DO VALE DO RIO PARDO/RS Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental – Mestrado, Área de Concentração em Gestão e Tecnologia Ambiental, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologia Ambiental. Orientador: Prof. Dr. Jorge André Ribas Moraes Santa Cruz do Sul 2013 2 Luiz Fernando Dullius Schaefer GESTÃO DE RISCOS EM UMA EMPRESA DE GALVANOPLASTIA COM PROCESSO DE OXIDAÇÃO NEGRA DO VALE DO RIO PARDO/RS Esta Dissertação foi submetida ao Programa de Pós Graduação – Mestrado em Tecnologia Ambiental, Área de Concentração em Gestão e Tecnologia Ambiental, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologia Ambiental. Dr. Djalma Dias da Silveira Professor examinador – UFSM Drª Ana Lúcia Becker Rohlfes Professora examinadora - UNISC Dr. Ênio Leandro Machado Professor examinador – UNISC Dr. Jorge André Ribas Moraes Professor Orientador - UNISC Santa Cruz do Sul 2013 3 AGRADECIMENTOS Uma etapa muito importante foi vencida, deixo meus sinceros agradecimentos a estas pessoas especiais que fizeram parte deste acontecimento. Primeiramente agradeço a Deus pelas forças concedidas e por me guiar durante esta caminhada. Aos coordenadores, professores e funcionários do mestrado em Tecnologia Ambiental, em especial ao meu orientador Jorge André Ribas Moraes, que sempre se prontificou em me auxiliar e ensinar. Aos professores Ana Lúcia Becker Rohlfes e Ênio Leandro Machado pelo auxílio e disponibilidade em contribuir e enriquecer a pesquisa, e por participarem da banca examinadora. Ao professor Djalma Dias da Silveira da UFSM, por participar da banca examinadora. A empresa estudada, que generosamente forneceu informações e documentos importantes para o desenvolvimento da pesquisa. Aos amigos que conheci durante esta trajetória que me ajudaram no crescimento pessoal e profissional. Aos meus pais e irmãos pelo carinho, confiança, força e compreensão, que ajudaram a me manter firme ao longo desta caminhada. A minha esposa Alexandra, pela compreensão, paciência, preocupação, confiança e amor que recebi em todos os momentos. Aos meus filhos amados Thomás e Rafael, pela compreensão em momentos que tive que estar ausente para trabalhar na pesquisa. À todos que, de uma forma ou outra, participaram desta conquista. 4 RESUMO Na presente pesquisa analisou-se uma empresa de galvanoplastia da região do Vale do Rio Pardo/RS, que realiza o processo de oxidação negra a frio. Analisou-se as etapas do processo produtivo, quanto as atividades e efluentes gerados, com o objetivo de levantar os riscos e perigos relacionados no processo e os níveis de poluição que a empresa pode estar gerando em seus efluentes. Levantou-se parâmetros para análise dos efluentes, sendo quantificados os metais pesados alumínio, cobre, ferro e níquel, bem como Demanda Química de Oxigênio (DQO), nitrogênio amoniacal e pH, onde todos os parâmetros avaliados nos efluentes estão de acordo com os limites permissíveis pela legislação ambiental. Riscos ambientais e ocupacionais foram avaliados a partir da proposição de uma nova ferramenta de gestão de riscos, desenvolvida através das ferramentas Análise Preliminar de Riscos (APR) e Hazard Rating Number (HRN). A aplicação da ferramenta mostrou resultados satisfatórios de análise e quantificação dos riscos do processo, possibilitando priorizar as atividades mais críticas e realizar análises detalhadas nas causas e recomendações das medidas mitigadoras para estes riscos, além dos custos relacionados às adequações sugeridas. Palavras-chave: Galvanoplastia, oxidação negra a frio, efluentes, gestão de riscos 5 ABSTRACT The present study analyzes an electroplating company in Vale do Rio Pardo / RS, which performs the process of cold black oxide. The stages of production process were analyzed considering the activities and effluents, with the objective of raising the risks and hazards in the process and the levels of pollution that the company may be generating in its effluents. The parameters for analysis of effluent were risen being quantified heavy metals aluminum, copper, iron and nickel, as well as Chemical Oxygen Demand (COD), ammonia nitrogen and pH, where all the parameters in the effluents comply with the limits allowable by environmental legislation. Environmental and occupational risks were evaluated from the proposition of a new risk management tool, developed using the Preliminary Risk Analysis (PRA) tool and Hazard Rating Number (HRN). The tool application showed satisfactory analysis results and the procedure risks quantification, allowing prioritize the most critical activities and carry out detailed cause analyzes and recommendations of mitigating measures related to these risks, as well as costs related to the suggested adjustments. Keywords: Electroplating, Room temperature blackening, effluents, risk management 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Processo clássico de galvanoplastia 20 Figura 2 – Oxidação negra em aços diversos 22 Figura 3 – Oxidação negra em aço inox 22 Figura 4 – Oxidação negra em bronze, cobre e latão 23 Figura 5 – Oxidação negra em zinco 23 Figura 6 – Oxidação negra em peças de armas de fogo 23 Figura 7 – Caracterização e classificação de resíduos sólidos 30 Figura 8 – Processo da gestão de riscos 44 Figura 9 – Triângulo ALARP 49 Figura 10 – Metodologia da pesquisa 57 Figura 11 – Máquina de jateamento 60 Figura 12 – Detalhe do filtro de poeiras 60 Figura 13 – Operador realizando a atividade de jateamento de peças 61 Figura 14 – Detalhe do interior da máquina, local onde o jateamento é realizado 61 Figura 15 – Peças a serem jateadas, oxidadas e com impurezas 62 Figura 16 – Peça após o jateamento, vista de frente 62 Figura 17 – Peça após o jateamento, vista lateral 63 Figura 18 – Bancada com os tanques das soluções do processo de condicionamento e oxidação negra 64 Figura 19 – Peças sendo lavadas em água, após jateamento 64 Figura 20 – Peças sendo banhadas na solução condicionante 65 Figura 21 – Peças sendo banhadas na solução condicionante, manuseio do operador 65 Figura 22 – Peças sendo banhadas na solução oxidante 66 Figura 23 – Peças sendo retiradas após serem mergulhadas na solução oxidante 66 Figura 24 – Peças sendo lavadas em água, após a oxidação 67 Figura 25 – Peça sendo mergulhada no recipiente com óleo protetivo 68 Figura 26 – Peça pendurada para secagem, após oleamento 68 Figura 27 – Peça pronta, após todas as etapas do processo de oxidação negra a frio 69 Figura 28 – Processo de oxidação negra a frio realizado na empresa estudada 70 Figura 29 – Esquema de uma linha típica de oxidação negra a frio 71 7 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Tabela I do item II do Art. 16 da Resolução CONAMA nº 430, que estabelece os padrões de lançamento de efluentes 28 Quadro 2 – Categorias de riscos 47 Quadro 3 – Modelo de APR 48 Quadro 4 – Ferramenta para análise de riscos APR - HRN 55 Quadro 5 – Identificação do CNAE conforme atividade principal da empresa e o grau de risco, de acordo com o Quadro I da NR-4 74 Quadro 6 – Quadro II da NR-4 – Dimensionamento do SESMT 74 Quadro 7 – Identificação do agrupamento para dimensionamento da CIPA, de acordo com o Quadro III da NR-5 75 Quadro 8 – Dimensionamento da CIPA, de acordo com o Quadro I da NR-5 75 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Riscos ocupacionais e Agentes agressores 37 Tabela 2 – Consequências dos Riscos Físicos 39 Tabela 3 – Consequências dos Riscos Químicos 40 Tabela 4 – Consequências dos Riscos Ergonômicos 42 Tabela 5 – Consequências dos Riscos de Acidentes 43 Tabela 6 – Probabilidade de Exposição (PE) 50 Tabela 7 – Freqüência de Exposição (FE) 50 Tabela 8 – Probabilidade Máxima de Perda (MPL) 50 Tabela 9 – Número de Pessoas expostas ao risco (NP) 51 Tabela 10 – Número de Classificação de Riscos (HRN) 51 Tabela 11 – Comparação de parâmetros das amostras com a legislação ambiental 77 Tabela 12 – Perigos/riscos observados 78 Tabela 13 – Priorização dos riscos conforme nível e categoria 79 Tabela 14 – Causas dos riscos conforme APR–HRN 80 Tabela 15 – Recomendações e investimentos para adequação dos riscos conforme APR-HRN 81 Tabela 16 – Resumo das APR–HRN conforme investimento 82 9 LISTA DE ABREVIATURAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas Al Alumínio ALARP As Low As Reasonably Practicable APR Análise Preliminar de Riscos CA Código de Aprovação CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CLT Consolidação das Leis do Trabalho CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente CONSEMA Conselho Estadual de Meio Ambiente Cu Cobre DBO5 Demanda Bioquímica de Oxigênio BS British Standards DEFAP Departamento de Florestas e Áreas Protegidas DI Distritos Industriais DQO Demanda Química de Oxigênio DRH Departamento de Recursos Hídricos EPI Equipamento de Proteção Individual Fe Ferro FE Frequência de Exposição FEPAM Fundação Estadual de Proteção Ambiental FISPQ Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos FZB-RS Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul HRN Hazard Rating Number HSE Health and Safety Executive ISO International Organization for Standardization LI Licença Instalação LO Licença de Operação LP Licença Prévia MPL Probabilidade Máxima de Perda MTE Ministério do Trabalho 10 NBR Norma Brasileira Regulamentadora Ni Níquel NH4 Nitrogênio Amoniacal NP Número de Pessoas NR Norma Regulamentadora NTK Nitrogênio Total Kjeldahl OSHAS Occupational Health and Safety Assessment Services PCMSO Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PE Probabilidade de Exposição PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais SEMA Secretaria Estadual do Meio Ambiente SEMMAS Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade SESMT Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho SISNAMA Sistema Nacional do Meio Ambiente SS Sólidos Sedimentáveis UNISC Universidade de Santa Cruz do Sul ZI Zona Industrial ZIP Zona Industrial Preferencial 11 SUMÁRIO CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ....................................................................... 13 1.1 Estrutura do trabalho ............................................................................. 15 1.2 Objetivos .................................................................................................. 16 1.2.1 Objetivo geral .......................................................................................... 16 1.2.2 Objetivos específicos ............................................................................... 16 1.3 Justificativa .............................................................................................. 16 CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................. 18 2.1 Galvanoplastia ......................................................................................... 18 2.1.1 Oxidação negra ........................................................................................ 21 2.1.1.1 Processo químico da oxidação negra a quente e a frio ........................ 24 2.1.1.2 Etapas do processo de oxidação negra .................................................. 25 2.2 Legislação ambiental ............................................................................... 26 2.2.1 Legislação ambiental estadual ............................................................... 31 2.2.2 Legislação ambiental municipal ............................................................ 33 2.3 Segurança do trabalho e higiene ocupacional ...................................... 35 2.3.1 Riscos ocupacionais e agentes agressores .............................................. 37 2.3.2 Legislação aplicada à segurança do trabalho ....................................... 43 2.3.3 Gestão de riscos ....................................................................................... 44 2.3.3.1 Ferramentas para a gestão de riscos ..................................................... 46 2.4 Avaliação e controle de metais pesados em efluentes industriais ....... 52 2.4.1 Técnicas para avaliação e controle de metais pesados em efluentes industriais ................................................................................................. 52 CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA ................................................................... 54 CAPÍTULO 4 – RESULTADOS ....................................................................... 58 4.1 Seleção das empresas de galvanoplastia da região do Vale do Rio Pardo/RS .................................................................................................. 58 4.2 Diagnóstico da empresa selecionada ..................................................... 58 4.3 Análise de metais pesados em efluentes ................................................ 76 4.4 Aplicação de ferramentas de gestão de riscos ...................................... 78 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÃO ......................................................................... 84 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 86 APÊNDICE 1 – Solicitação enviada a prefeitura de Santa Cruz do Sul/RS . 91 12 APÊNDICE 2 – APR–HRN preenchidas .......................................................... 92 ANEXO A – Mapa do município de Santa Cruz do Sul/RS dividido por áreas e zonas ........................................................................................................ 102 ANEXO B – FISPQ dos produtos químicos ..................................................... 103 ANEXO C – Resultados das análises físico-químicas ...................................... 114 13 CAPITULO 1 – INTRODUÇÃO Metais e compostos químicos são utilizados em processos como matéria prima, em indústrias químicas, de produção de couros e do setor de tratamento de superfícies (pintura, anodização, galvanoplastia). Estas indústrias são fontes de emissão de efluentes líquidos e resíduos diversos, contendo metais em proporções variadas (MUXEL, et al., 2007). De acordo com Riani (2008, p. 17), “a crescente industrialização, acompanhada do uso de metais pesados nos processos industriais nas últimas décadas, resultou num aumento da contaminação do meio ambiente”, onde métodos de controle e tratamento de efluentes são indispensáveis para essas empresas geradoras. Uma das principais atividades geradoras de efluentes contaminados com metais pesados é a galvanoplastia, em seu processo de recobrimento e acabamento de superfícies. As indústrias de galvanoplastia, principalmente as de pequeno porte, “[...] são responsáveis por uma parcela considerável de contaminação de águas por lançamento de efluentes em sua maioria sem tratamento” (RIANI, 2008, p. 18). A galvanoplastia “[...] é um processo eletroquímico de deposição de uma fina camada metálica sobre uma superfície, da ordem de micrômetros, para proporcionar proteção contra a corrosão e melhorar o aspecto estético” (MATTOS, 2011, p. 16). Conforme Riani (2008, p. 18), também pode-se definir o processo de galvanoplastia como [...] o processo de deposição metálica em peças por meio de banhos químicos e eletroquímicos, seguidos de lavagens. Os efluentes gerados nesse processo podem causar danos ao meio ambiente por conterem teores de metais pesados acima dos limites que a legislação permite. Uma série de produtos químicos são utilizados nos processos de galvanoplastia, onde uma grande parte destes é perdida durante o processo, por práticas inadequadas, falta de controle de qualidade ou operações onde os produtos vão direto a estação de tratamento ou a rede hídrica local. Estes produtos químicos geralmente são altamente tóxicos, prejudicando o meio ambiente e criando um grande passivo ambiental. Segundo Pedro (2010), a elevada toxicidade destes produtos e substâncias químicas exige um rígido controle ambiental, através do tratamento de efluentes que atenda os requisitos e parâmetros das legislações ambientais, minimizando os impactos no meio ambiente. 14 De acordo com Almeida e Boaventura (1997), citados por Riani (2008, p. 17), “os metais pesados possuem a capacidade de se acumular na flora e na fauna, causando problemas aos seres vivos e ao meio ambiente.” Fergusson (1990), citado por Milanez (2003), diz que os resíduos que contêm metais pesados são perigosos para o meio ambiente e à saúde humana, pois quando depositados de forma errônea, podem infiltrar-se no solo e atingir lençóis freáticos, entrando assim no ecossistema aquático, nos rios e nos mares, sendo incorporados na cadeia alimentar, aumentando sua concentração nos seres vivos através do efeito da bioacumulação. Entre os principais contaminantes utilizados nos processos de galvanoplastia estão os metais cromo, zinco, níquel, cobre, cádmio e prata, que por suas características são indicados para revestimento de peças. A presente pesquisa trata especificamente do processo de galvanoplastia denominado oxidação negra. As etapas deste processo são realizadas a temperatura ambiente, sendo assim denominado de oxidação negra a frio, que consiste em produzir um filme de óxido preto uniforme e aderente o qual apresenta uma proteção média contra corrosão (BALLES, 2004). Além da proteção contra corrosão uma grande vantagem é que este processo não altera as dimensões e propriedades físicas ou mecânicas da peça tratada. A cor escura resultante do processo da oxidação negra é empregada para fins decorativos, assim como para proteção temporária contra a corrosão, onde a camada oxidada absorve e retém óleos protetivos. Entre exemplos de aplicações pode-se destacar componentes de máquinas operatrizes, ferramentas de corte manuais e de máquinas, blocos de máquinas hidráulicas, parafusos, engrenagens e molas (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). O propósito desta pesquisa é analisar indústrias de galvanoplastia que possuem o processo de oxidação negra na região do Vale do Rio Pardo/RS, quanto ao seu processo de tratamento, destino dos efluentes, bem como nível de contaminação do efluente, que será medido, verificando a conformidade com as legislações ambientais vigentes. Para análise dos processos classificados como mais críticos em termos ambientais e ocupacionais, aplicou-se ferramentas de gestão de riscos para caracterização e avaliação destes processos, para assim propor sugestões e melhorias. 15 1.1 Estrutura do trabalho A presente pesquisa está organizada com a seguinte estrutura: Capítulo 1 – Introdução: O assunto é apresentado em uma visão glogal, detalhando os objetivos da pesquisa, a justificativa e importância da sua realização. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica: Demonstra a fundamentação lógica em que se baseou a pesquisa. Este capítulo primeiramente trata do ramo e atividades de galvanoplastia de uma forma geral, e após se introduz a oxidação negra, que é um processo específico da galvanoplastia, referenciando os processos de oxidação negra a frio e a quente, bem como as etapas do processo. O capítulo apresenta uma revisão das legislações ambientais vigentes, no âmbito federal, estadual e municipal, bem como um resumo das legislações trabalhistas vigentes no país e agentes agressores e riscos ocupacionais do trabalho. A gestão de riscos é apresentada como uma forma de gerenciar e controlar os riscos ligados à segurança do trabalho e questões ambientais evidenciadas na empresa, através de utilização de metodologias de análise e quantificação de riscos. O último assunto deste capítulo trata de técnicas e formas de avaliação da contaminação de efluentes e resíduos gerados nas empresas de galvanoplastia, analisando-se a contaminação por metais pesados. Capítulo 3 – Metodologia: Caracteriza as metodologias utilizadas na pesquisa e demonstra a metodologia aplicada para aquisição de resultados e conclusões, que contém as seguintes etapas: Seleção das empresas de galvanoplastia do Vale do Rio Pardo/RS; diagnóstico da empresa selecionada; análise dos metais pesados contidos nos resíduos; aplicação de ferramentas de gestão de riscos; sugestão de melhorias nos processos produtivos; identificação dos custos a serem aplicados. Capítulo 4 – Resultados: Discute e demonstra os resultados da pesquisa, conforme as etapas sugeridas na metodologia. Capítulo 5 – Conclusão: De forma resumida recapitula os resultados da pesquisa. 16 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Analisar o processo de oxidação negra que ocorre em uma empresa de galvanoplastia localizada no Vale do Rio Pardo/RS, por meio de ferramentas de gestão de riscos. 1.2.2 Objetivos específicos 1 Avaliar o nível de poluição dos efluentes em uma empresa do ramo de galvanoplastia, que emprega o processo de oxidação negra a frio, do município de Santa Cruz do Sul, localizado no Vale do Rio Pardo/RS; 2 Verificar a situação da empresa referente às legislações ambientais municipais, estaduais e federais vigentes; 3 Avaliar o processo produtivo da indústria investigada e propor medidas corretivas e mitigadoras; 4 Avaliar os possíveis riscos ocupacionais que os trabalhadores podem estar expostos nas atividades ligadas ao processo de oxidação negra, sugerindo medidas de proteção coletivas e/ou individuais; 5 Desenvolver e aplicar uma ferramenta de gestão de riscos para os processos produtivos classificados como os mais críticos em termos de gestão ambiental e de segurança ocupacional. 1.3 Justificativa Conforme Oliveira (1990), citado por Riani (2008), as indústrias de galvanoplastia são de grande importância no contexto da economia de um país, analisada tanto pela diversidade de aplicação de seus produtos, como pelos aspectos sociais especificamente relacionados à mesma. Contudo, é imprescindível a atenção quanto aos efeitos que seus despejos industriais podem causar ao meio ambiente e à saúde humana. A poluição ambiental devido à evolução da indústria é um dos problemas mais significativos deste século. Muitos efluentes residuais industriais contêm metais pesados, que são de grande preocupação ambiental e devem ser removidos e tratados antes do descarte ou 17 reciclagem do efluente, devido a sua toxicidade aos seres humanos e outros organismos vivos (GHAZY; RAGAB, 2011). Os processos de galvanoplastia “incluem riscos a saúde daqueles que manipulam o processo ou está presente no ambiente onde estes acontecem” (SILVA, 2009, p. 1). A implementação de normas e exigências legais referentes a segurança do trabalho, ou a implantação da gestão de segurança do trabalho nas empresas, é um aspecto de fundamental importância e sucesso do empreendimento, onde devem ser envolvidos além dos aspectos normativos, a avaliação de aspectos operacionais, a política, o gerenciamento e o comprometimento da alta administração com o processo de mudanças e melhorias contínuas das condições de trabalho, de segurança e saúde (ARAÚJO, 2005). Quando há um bom nível de controle da exposição aos riscos no ambiente de trabalho a contaminação pode ser controlada e minimizada. A avaliação de riscos e a elaboração de estratégias de controle de exposição auxiliam na adoção de boas práticas e implementação de soluções de controle de baixo custo (KEEN, et al., 2013). Os resíduos galvânicos apresentam em sua composição em geral a soma de resíduos gerados nos processos de limpeza, recobrimento e lavagens de peças. Segundo Milanez (2003, p.1) “após tratamento de sedimentação, e algumas vezes neutralização, o lodo resultante é constituído por uma série de metais, graxas e ácidos.” De acordo com Pacheco, et al. (2002) técnicas de controle de processos ou tecnologias que visem a redução do volume, toxicidade ou concentração de resíduos são necessárias para prevenção a poluição, podendo trazer um processo mais eficiente, redução de gastos com insumos e menor passivo ambiental. Por exigências de legislações ambientais é necessário o gerenciamento adequado dos processos e tratamento dos efluentes residuais de processos galvânicos, afim de que as concentrações liberadas ao meio ambiente estejam enquadradas nos limites permissíveis (COSTA, et al., 2002). Portanto é imprescindível um correto gerenciamento dos processos e riscos encontrados em empresas de galvanoplastia, com o objetivo de evitar acidentes de trabalho e doenças ocupacionais e também evitar a degradação e contaminação do meio ambiente, onde as empresas ficam, desta maneira, adequadas conforme as legislações trabalhistas e ambientais. 18 CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este capítulo primeiramente trata do ramo e atividades de galvanoplastia de uma forma geral, e após se introduz a oxidação negra, que é um processo específico da galvanoplastia, referenciando os processos de oxidação negra a frio e a quente, bem como as etapas do processo. O capítulo apresenta uma revisão das legislações ambientais vigentes, no âmbito federal, estadual e municipal, bem como um resumo das legislações trabalhistas vigentes no país e agentes agressores e riscos ocupacionais do trabalho. A gestão de riscos é apresentada como uma forma de gerenciar e controlar os riscos ligados à segurança do trabalho e questões ambientais evidenciadas na empresa, através de utilização de metodologias de análise e quantificação de riscos. O último assunto deste capítulo trata de técnicas e formas de avaliação da contaminação de efluentes e resíduos gerados nas empresas de galvanoplastia, analisando-se a contaminação por metais pesados. 2.1 Galvanoplastia A galvanoplastia é um processo ou técnica aplicada em metais ou plásticos a fim de recobrir estes materiais com uma camada metálica, através de eletrodeposição de metais em áreas preparadas por processos eletrolíticos ou químicos, para adquirir resistência a corrosão, proteção contra oxidação, maior durabilidade, melhoramento de propriedades superficiais (resistência, espessura, condutividade, lubrificação), preparação para operações de soldagem, isolamento elétrico e melhor acabamento estético (PUGAS, 2007). Na galvanoplastia o tratamento de superfícies é realizado utilizando-se diversos elementos. De acordo com Wiederholt (1965), citado por Pedro (2010), o cádmio, chumbo ou zinco são utilizados normalmente para proteção contra corrosão. O cobre, cromo, ouro e prata são utilizados para efeitos decorativos. A platina e a prata são usadas na cobertura de contatos elétricos. O antimônio, bronze e cromo são utilizados em superfícies de peças que sofrerão atrito. Os tratamentos com estes elementos são feitos através de processos químicos ou eletrolíticos. Basicamente o processo de galvanoplastia se divide em duas etapas: limpeza da peça e aplicação da camada metálica. A limpeza das peças tem como objetivo a deposição das camadas galvânicas, através do desengraxamento (solventes orgânicos, soluções alcalinas, 19 sais e detergentes), que tem a finalidade de retirar os óleos e graxas da superfície da peça, e decapagem (ácidos e álcalis), que remove a camada oxidada da peça. Em seguida a peça é lavada com água para remover contaminantes. A segunda etapa, após a limpeza das peças é o revestimento metálico, onde as matérias primas empregadas no revestimento variam conforme a sua aplicação. Os efluentes de uma galvanoplastia podem ser classificados em quatro categorias: - Efluentes ácidos (soluções de ácido sulfúrico, nítrico e fluorídrico) contendo cromo (tóxicos); - Efluentes ácidos isentos de cromo, contendo outros metais (cobre, zinco, cádmio, níquel – tóxicos); - Efluentes alcalinos (sais de sódio, zinco e potássio, emulsionantes orgânicos e detergentes sintéticos) contendo cianetos (ânions tóxicos); - Efluentes alcalinos isentos de cianeto, contendo outros ânions (hidróxidos, silicatos – ânions tóxicos) (BRAILE, et al. 1979, apud RIANI, 2008, p. 22). A Figura 1 mostra as etapas de um processo clássico de galvanoplastia. 20 Figura 1 – Processo clássico de galvanoplastia Emissões gasosas Preparação mecânica Resíduos sólidos Desengraxe Lavagem Decapagem ácida Lavagem Processo Lavagem final Produto acabado Efluente líquido tratado Efluentes líquidos Resíduos sólidos Fonte: RIANI, 2008, p. 23. Além das substâncias utilizadas no processo da galvanoplastia, durante as sucessivas etapas, as peças que estão sendo tratadas são lavadas em água, o que gera uma grande quantidade de efluentes líquidos contaminados. Portanto os efluentes gerados em um processo de galvanoplastia, muitas vezes, possuem componentes com altos potenciais toxicológicos, provenientes da composição e das reações ocorridas nos banhos (SILVA, 2009). Os resíduos sólidos provenientes de processos de galvanoplastia devem ser tratados ou ter o destino correto pelo seu alto potencial de contaminação e risco ambiental, agressivos ao 21 meio ambiente e ao ser humano. Estes resíduos devem ser corretamente classificados em função de suas propriedades físico-químicas e com base na presença e quantidade limite de contaminantes em sua massa. Em termos de segurança do trabalho e saúde ocupacional, o processo galvânico apresenta muitos riscos aos trabalhadores, entre eles riscos químicos como névoas ácidas, alcalinas, vapores e névoas contendo contaminantes metálicos e cianetos, riscos físicos como umidade e temperatura do ambiente elevada e riscos de acidentes como choques elétricos e queimaduras (SILVA, 2010). 2.1.1 Oxidação negra O ferro é o elemento químico predominante na composição dos aços, onde se encontra na forma de óxidos estáveis. Na metalurgia o metal é fabricado da extração do óxido do minério, através de aquecimento. A corrosão é o retorno do metal ao seu estado natural mais estável, o de óxido natural. O termo “corrosão” acontece quando o metal é convertido a um estado não metálico, através da reação do metal com elementos do seu meio. “Em resumo, este fenômeno é provocado pela existência de áreas com diferenças de potencial na superfície metálica” (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008, p. 3). Como a natureza busca um equilíbrio constante, alcançando estado de menor energia, os metais perdem elétrons para o meio, convertendo-se em óxidos, formando a corrosão. Desta forma o metal perde suas propriedades essenciais, como a resistência mecânica, elasticidade e ductibilidade. Quando é formada uma camada homogênea e resistente de óxidos sobre a superfície de um metal, esta camada o protege contra agressões do meio. Este processo de oxidação protege o metal contra a corrosão (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). A oxidação negra consiste em produzir um filme de óxido preto uniforme e aderente, o qual apresenta uma proteção média contra corrosão (BALLES, 2004). Além da proteção contra corrosão uma grande vantagem é que este processo não altera as dimensões e propriedades físicas ou mecânicas da peça tratada. Este processo é utilizado onde não é aceitável a aplicação de camadas de acabamento e recobrimento metálico ou alteração das dimensões em peças. É usado também como acabamento estético ou decorativo e para redução de brilho em peças. 22 Conforme Goueffon, et al. (2009) a oxidação negra propicia às peças tratadas resistência ao desgaste corrosivo durante o armazenamento, bem como um baixo risco de contaminação. O processo de oxidação negra é utilizado em peças para armas de fogo, ferramentas de corte, componentes e blocos de máquinas hidráulicas, correntes, engrenagens, parafusos, ferramentas manuais, corpos de válvulas, componentes automotivos, entre outros (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). As Figuras 2 à 6 mostram peças onde o processo de oxidação negra foi aplicado. Figura 2 - Oxidação negra em aços diversos Fonte: disponível em: <http://www.clevelandblackoxide.com>. Acesso em: 27 mai. 2013. Figura 3 - Oxidação negra em aço inox Fonte: disponível em: <http://www.clevelandblackoxide.com>. Acesso em: 27 mai. 2013. 23 Figura 4 - Oxidação negra em bronze, cobre e latão Fonte: disponível em: <http://www.clevelandblackoxide.com>. Acesso em: 27 mai. 2013. Figura 5 - Oxidação negra em zinco Fonte: disponível em: <http://www.clevelandblackoxide.com>. Acesso em: 27 mai. 2013. Figura 6 - Oxidação negra em peças de armas de fogo Fonte: disponível em: <http://www.clevelandblackoxide.com>. Acesso em: 27 mai. 2013. A oxidação negra pode ser obtida através de processos térmicos ou químicos. Nos processos térmicos, o revestimento é obtido através do aquecimento da peça em torno de 480ºC, fazendo com que a superfície da peça reaja com o ar atmosférico até a formação do 24 óxido preto (magnetita). A peça é resfriada ao ar ambiente e oleada. O aquecimento das peças geralmente é realizado em fornos (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). Nos processos químicos as peças são mergulhadas em diversos banhos químicos que produzem um filme de óxido. A oxidação negra através de processo químico pode ser realizada a quente ou a frio. O processo a quente utiliza soluções cáusticas misturadas com água, e sob a ação de temperaturas entre 135ºC e 140ºC formam uma camada preta de óxido ferroso na superfície das peças. Este processo é utilizado para peças de aço com teor de cromo inferior a 12%. A oxidação negra a frio é realizada em temperatura ambiente, obtida através de banhos em soluções alcalinas líquidas diluídas em água, onde reações químicas produzem um filme preto uniforme nas peças mergulhadas nos banhos. Este processo é utilizado para peças de aço e ferro fundido com teor de cromo inferior a 12% (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). O processo químico é mais prático, rápido e eficiente do que o processo térmico, porém pode produzir efluentes com diversas substâncias tóxicas. 2.1.1.1 Processo químico da oxidação negra a quente e a frio O processo de oxidação a quente é realizado através de banhos de nitratos e cromatos aquecidos a uma temperatura de ebulição. Este processo é muito eficaz, fornecendo uma maior resistência a corrosão e boa estética, comparando ao processo realizado a frio. O processo a frio é basicamente composto pelas seguintes etapas: limpeza da peça, aplicação da solução oxidante, secagem e oleamento. Todas as etapas são feitas à temperatura ambiente. De acordo com Ruhland (2010) na oxidação negra a frio o processo de escurecimento das peças é realizado a temperatura ambiente, sem calor, formando o revestimento entre 2 à 5 minutos. O processo a frio pode substituir o processo a quente, mas o revestimento não é tão durável e a coloração preta não é tão intensa. Os dois processos fornecem uniformidade e estabilidade dimensional, onde a espessura de óxido negro formada fica em torno de 0,000020 polegadas, tornando estes acabamentos ideais para componentes que necessitam de precisão, que não podem possuir uma espessura variável, o que acontece em revestimentos de galvanoplastia tradicionais. Comparando os dois processos, o a quente além de demorar de 15 a 30 minutos, necessita o aquecimento dos banhos, e portanto praticamente não é utilizado, enquanto que o 25 processo a frio leva em torno de 2 minutos e é realizado totalmente em temperatura ambiente (ZEMPULSKI; ZEMPULSKI, 2008). 2.1.1.2 Etapas do processo de oxidação negra O acabamento final das peças a serem processadas depende de vários fatores, entre eles a limpeza inicial das peças, desengraxe, banhos ácidos ou alcalinos e oleamento, sendo estas etapas intercaladas por banhos em água corrente com pH controlado. O controle destas etapas irá determinar a qualidade da oxidação negra ao final. As etapas do processo são descritas por Zempulski e Zempulski (2008): - Limpeza mecânica: retira sujeiras da superfície da peça, tendo como exemplo o polimento, o esmerilhamento, o tamboramento e o jateamento, que é o melhor sistema de limpeza mecânica e mais utilizado; - Desengraxe: tem por objetivo retirar materiais orgânicos, como óleos e graxas, através de banhos em solventes orgânicos ou soluções alcalinas; - Enxágue: remove o excesso de desengraxante e de resíduos do jateamento; - Decapagem: remove ferrugem e películas indesejadas de oxidação, deixando a superfície de peças limpas e isentas de impurezas e óxidos. A decapagem ácida é a mais comum e econômica. - Enxágue: remove partículas e resíduos ácidos; - Secagem: etapa preliminar a oxidação, realizada em estufa, para que a camada de óxidos seja homogênea em toda a superfície das peças; - Oxidação negra: as etapas anteriores são uma preparação da superfície das peças para a oxidação, onde as peças são emergidas em banhos com soluções apropriadas, a uma determinada temperatura, onde ocorrem reações a quente ou a frio, para formação do óxido negro de ferro; - Enxágue e secagem: tem como objetivo remover álcalis da etapa anterior e preparar a superfície das peças para o acabamento final; - Proteção final: é o revestimento pós acabamento, que melhora o nível de proteção contra corrosão, após a oxidação negra. É definido como oleamento, onde as peças são mergulhadas em óleo, cera ou verniz. 26 Uma linha típica do processo de oxidação negra a frio possui as seguintes etapas e tempo de duração1: 1 – Desengraxe, com duração de 15 à 20 minutos; 2 – Enxágue em água: duração de 30 segundos; 3 – Condicionamento: duração de 1 minuto; 4 – Enxágue em água: duração de 30 segundos; 5 – Oxidação: duração de 1 minuto; 6 – Enxágue em água: duração de 30 segundos; 7 – Oleamento desaguante e protetivo, com duração de 15 à 20 minutos; 8 – Secagem ao ar. Verifica-se que todas as etapas do processo de oxidação negra a frio sugerido produzem algum tipo de efluente. 2.2 Legislação ambiental Alguns artigos da Constituição Brasileira de 1988 possuem importância fundamental a proteção do meio ambiente. No artigo 225 (BRASIL, 1988), que expressa uma grande preocupação com as questões ambientais, fica assegurado que: Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988). A Lei 6.938 de 31 de agosto de 1981 (BRASIL, 1981) estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental. De acordo com a Lei, A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana (BRASIL, 1981). 1 Referência retirada da homepage da empresa Durferrit do Brasil Química Ltda, disponível em <http://www.durferrit.com.br>, acesso em: 02 mar. 2013. 27 No anexo VIII da Lei 6.938 (BRASIL, 1981), a atividade de galvanoplastia é considerada como de alto potencial poluidor e utilizadora de recursos ambientais. O SISNAMA deverá ser constituído pelos órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público, que são responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. Os municípios e estados poderão elaborar normas complementares e padrões relacionados com o meio ambiente, observando os que forem estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, que é o órgão consultivo e deliberativo do governo federal. O CONAMA, portanto, através de resoluções define legislações ambientais no âmbito federal. A Resolução CONAMA nº 01, de 23 de janeiro de 1986 (BRASIL, 1986), descreve que a poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: - Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população; - Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; - Afetem desfavoravelmente a biota; - Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; - Lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. A Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005 (BRASIL, 2005), “Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências”. Esta Resolução define condições, parâmetros, padrões e diretrizes para gestão do lançamento de efluentes em corpos de água receptores. Também são estabelecidos padrões e limites para controle dos lançamentos de efluentes industriais. A Resolução CONAMA nº 430, de 13 de maio de 2011 (BRASIL, 2011), complementou e alterou a Resolução CONAMA nº 357. As principais alterações referentes a efluentes industriais são: - O §4º do Art. 34 da Resolução CONAMA nº 357, que trata das condições de lançamento de efluentes, foi complementado e substituído pelo item I do Art. 16 da Resolução CONAMA nº 430; - A Tabela X do §5º do Art. 34 da Resolução CONAMA nº 357, que trata dos padrões de lançamento de efluentes, foi complementada e substituída pela Tabela I do item II do Art. 16 da Resolução CONAMA nº 430, mostrada no Quadro 1, onde alguns dos principais contaminantes encontrados em efluentes de galvanoplastia estão assinalados. 28 Quadro 1 – Tabela I do item II do Art. 16 da Resolução CONAMA nº 430, que estabelece os padrões de lançamento de efluentes Fonte: Resolução CONAMA nº 430/2011. A RESOLUÇÃO CONAMA nº 237, de 19 de dezembro de 1997, dispõe sobre procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. De acordo com a Resolução, Art. 2º A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. 29 § 1º Estão sujeitos ao licenciamento ambiental os empreendimentos e as atividades relacionadas no anexo 1, parte integrante desta Resolução (BRASIL, 1997). O Anexo 1 da Resolução nº 237 relaciona as atividades ou empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental, onde os serviços de galvanoplastia estão citados. Portanto, indústrias ou serviços de galvanoplastia são consideradas como efetiva ou potencialmente poluidoras. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. As normas instituídas pela ABNT são entituladas como NBR – Norma Brasileira Regulamentadora. A NBR 10004/2004, cujo título é “Resíduos sólidos – Classificação”, auxilia no gerenciamento adequado para os resíduos sólidos, classificando-os quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e a saúde pública. A norma define os resíduos sólidos: Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso solução técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, 2004). A NBR 10004/2004 classifica os resíduos em: a) Resíduos de classe I – perigosos; b) Resíduos de classe II – não perigosos; - Resíduos de classe II A – não inertes; - Resíduos de classe II B – inertes. A Figura 7 resume os critérios e etapas que auxiliam na caracterização e classificação dos resíduos sólidos. 30 Figura 7 – Caracterização e classificação de resíduos sólidos Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, 2004. A NBR 10004/2004 lista a classificação dos resíduos perigosos no Anexo A – Resíduos perigosos de fontes não específicas e Anexo B – Resíduos perigosos de fontes específicas. 31 Os resíduos galvânicos, de uma forma geral, são considerados como perigosos de classe I, que [...] em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem apresentar risco a saúde pública, provocando ou acentuando, de forma significativa, um aumento de mortalidade ou incidência de doenças, e/ou apresentarem efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada (MILANEZ, 2003, p. 7). A utilização dos metais pesados como cromo, zinco, níquel, chumbo, cobre, ferro, entre outros, contidos nos resíduos galvânicos em determinada concentração leva a considerá-lo perigoso, ou seja, resíduo de classe I. 2.2.1 Legislação ambiental estadual A Lei Estadual nº 11.520, de 03 de agosto de 2000, estabelece o Código Estadual do Meio Ambiente, onde em seu artigo 227 define que A coleta, o armazenamento, o transporte, o tratamento e a disposição final de resíduos poluentes, perigosos, ou nocivos, sujeitar-se-ão à legislação e ao processo de licenciamento perante o órgão ambiental e processar-se-ão de forma e em condições que não constituam perigo imediato ou potencial para a saúde humana e o bem-estar público, nem causem prejuízos ao meio ambiente. O Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), através de sua Resolução CONSEMA nº 01/95, instituiu seu regimento interno, que definiu as competências do Conselho, no Art. 1º do Capítulo I, estando entre elas: I - propor a Política Estadual de Proteção ao Meio Ambiente, para homologação do Governador, bem como acompanhar sua implementação; II - estabelecer, com observância da legislação, normas, padrões, parâmetros e critérios de avaliação, controle, manutenção, recuperação e melhoria da qualidade do meio ambiente natural, artificial e do trabalho; [...] A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), criada em 1999, é responsável pela política ambiental do RS. É constituída por três departamentos - Departamento Administrativo, Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (DEFAP) e Departamento de Recursos Hídricos (DRH), e por duas vinculadas - Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) e Fundação Zoobotânica do RS (FZB-RS) (2013, <http://www.sema.rs.gov.br>). 32 A FEPAM é a instituição responsável pelo licenciamento ambiental no Rio Grande do Sul, e desde 1999 é vinculada à SEMA. No Rio Grande do Sul, os municípios são responsáveis pelo licenciamento ambiental das atividades de impacto local (conforme Código Estadual de Meio Ambiente, Lei 11.520/2000). A definição destas atividades e o regramento do processo de descentralização do licenciamento foi estabelecido pelo CONSEMA (2013, <http://www.fepam.rs.gov.br/ institucional/institucional.asp>). O convênio que repassa a competência para os licenciamentos e fiscalizações ambientais entre a FEPAM e o município de Santa Cruz do Sul foi firmado no documento “Convênio de Delegação de Competência em Ações de Meio Ambiente”, de 03 de setembro de 2007, Convênio que celebram entre si a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler - FEPAM com a interveniência da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, pelo qual a FEPAM delega ao Município de SANTA CRUZ DO SUL, competências para o licenciamento e fiscalização ambiental de atividades desenvolvidas no referido município (Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler – FEPAM, 2007). Os serviços de galvanoplastia estão citados na tabela “Convênios por município e porte”, tabela esta fornecida pela FEPAM em que são estabelecidas ao município de Santa Cruz do Sul as atividades com potencial poluidor, onde a atividade de galvanoplastia está caracterizada como de alto potencial poluidor (2013, <http://www.fepam.rs.gov.br/central/ licenc_munic_ativ.asp?municipio=SANTA%20CRUZ%20DO%20SUL>). A Resolução CONSEMA nº 128/2006 fixa padrões e parâmetros para emissão de efluentes líquidos a serem lançados em águas superficiais no estado do Rio Grande do Sul. Esta Resolução se aplica a todas as atividades geradoras de efluentes líquidos, as quais lançam os mesmos em águas superficiais. Em seu Artigo nº 10 determina os padrões de emissão dos efluentes líquidos, para que possam ser lançados em corpos d’água superficiais, de maneira direta ou indireta. A Resolução também fixa os padrões de emissão para Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5), Demanda Química de Oxigênio (DQO), Sólidos Sedimentáveis (SS), Nitrogênio Total Kjeldahl (NTK), Fósforo e Coliformes Termotolerantes ou Escherichia coli, dos efluentes líquidos de fontes poluidoras, conforme as faixas de vazão. 33 2.2.2 Legislação ambiental municipal No município de Santa Cruz do Sul/RS, o órgão responsável pela cobrança e aplicação de legislações ambientais é a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (SEMMAS). Entre diversas atribuições, o órgão fiscaliza as normas referentes ao meio ambiente, licencia a localização e funcionamento das atividades industriais, gerencia os resíduos sólidos, promove o licenciamento ambiental com gestão plena. O Licenciamento Ambiental é o processo administrativo realizado para licenciar a instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos ou atividades que utilizam recursos naturais ou sejam potencialmente poluidores, podendo causar degradação ambiental. No licenciamento ambiental são avaliados impactos causados pelo empreendimento, tais como: seu potencial ou sua capacidade de gerar líquidos poluentes (despejos e efluentes), resíduos sólidos, emissões atmosféricas, ruídos e o potencial de risco, como por exemplo, explosões e incêndios. Cabe ressaltar, que algumas atividades causam impactos ao meio ambiente principalmente na sua instalação. É o caso da construção de estradas e indústrias (loteamentos), por exemplo (2013, <http://www.santacruz.rs.gov.br/index.php?acao=areas&areas_id=23&acao2=conte udo&menus_site_id=457>). A Licença Ambiental define regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental a serem seguidas pelo empreendimento ou atividade, que sendo licenciado, assume compromissos para a manutenção da qualidade ambiental do local onde se instalará. Ela segue três etapas de licenciamento: Licença Prévia (LP) - Licença que deve ser solicitada na fase de planejamento da implantação, alteração ou ampliação do empreendimento. Aprova a viabilidade ambiental do empreendimento, não autorizando o início das obras. Licença Instalação (LI) - Licença que aprova os projetos. É a licença que autoriza o início da obra/empreendimento. É concedida depois de atendidas as condições da Licença Prévia. Licença de Operação (LO) - Licença que autoriza o início do funcionamento do empreendimento/obra e o prosseguimento das atividades. É concedida depois de atendidas as condições da Licença de Instalação (2013, <http://www.santacruz. rs.gov.br/index.php?acao=areas&areas_id=23&acao2=conteudo&menus_site_id= 457>). A Licença de Operação (LO) autoriza o início das atividades do empreendimento, que em geral tem prazo de validade de quatro anos, podendo variar conforme as especificidades de cada atividade, como por exemplo, porte e potencial poluidor do empreendimento. 34 A Lei Orgânica do município de Santa Cruz do Sul/RS, criada em 03 de abril de 1990, rege a autonomia do município na criação de normas, procedimentos e competências, respeitando princípios estabelecidos nas Constituições Federal e Estadual. Em seu item VI do Art. 5º cita a competência do município em “proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas” (SANTA CRUZ DO SUL, 1990). A Lei Orgânica ainda trata da parte ambiental nos seguintes artigos: Art. 160. O Município deverá atuar no sentido de assegurar a todos os cidadãos um meio ambiente saudável e equilibrado, uma vez que constitui bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida. [...] Art. 161. O Município deverá atuar mediante planejamento, orientação, controle e fiscalização das atividades públicas ou privadas, causadoras efetivas ou potenciais de alterações significativas no meio ambiente. Parágrafo único. O Município exercerá controle sobre o adequado uso, transporte e armazenamento de produtos tóxicos, bem como sobre o destino final de seus resíduos. Art. 162. O Município, ao promover a ordenação de seu território, definirá zoneamento e diretrizes gerais de ocupação, que assegurem a proteção dos recursos naturais, em consonância com o disposto na legislação estadual pertinente. Art. 163. A política do Município e o seu plano diretor deverão contribuir para a proteção do meio ambiente, através da adoção de diretrizes adequadas de uso e ocupação do solo urbano (SANTA CRUZ DO SUL, 1990). O Código de Posturas Municipais e o Plano Diretor do Município são leis que complementam a Lei Orgânica de Santa Cruz do Sul/RS. O Código de Posturas foi instituído em Santa Cruz do Sul pela Lei nº 1.145 de 14 de abril de 1965 e estabelece normas de polícia administrativa municipal e multas aos infratores. Os artigos 103 e 104, deste Código, tratam de licenças para estabelecimentos industriais, onde estes só poderão entrar em funcionamento com prévia licença da Prefeitura. Para aquisição da licença, o estabelecimento deve comprovar requisitos quanto a sua construção, dimensões do prédio e área construída, especificação de arejamento e iluminação e indicação da distância do prédio para as ruas e habitações vizinhas. Os artigos 251 ao 254 tratam de indústrias insalubres, com o seguinte texto: Art. 251 - Dentro do perímetro da cidade e povoações é expressamente proibida a instalação de quaisquer estabelecimentos industriais que pela natureza dos produtos, pelas matérias primas usadas, pelos combustíveis empregados ou por qualquer outro possam prejudicar a saúde pública. Art. 252 - O requerimento de licença para a instalação de qualquer dos estabelecimentos citados no artigo anterior deverá indicar os fins a que se destina o estabelecimento, natureza das matérias primas e combustível a ser empregado, local em que fica situado o mesmo e distância mínima deste em relação às habitações vizinhas. 35 Art. 253 - Recebido o requerimento o Prefeito, consultada a autoridade sanitária estadual para se manifestar sobre a conveniência da licença, a despachará ou não. Art. 254 - O alvará de licença mencionará o local em que deverá funcionar o estabelecimento e a distância a que deverá o mesmo ficar das habitações vizinhas (SANTA CRUZ DO SUL, 1965). Em 2007, através da Lei Complementar nº 335, foi instituído o Plano Diretor de Desenvolvimento Social e Urbano do Município de Santa Cruz do Sul/RS. Ele regula e ordena a ocupação do solo, a expansão urbana e a preservação ambiental no município. Para isso, a área do município foi subdividida em diversas zonas, visando ordenar o crescimento da cidade e proteger os interesses da coletividade. Foram delimitados os locais para estabelecimento de indústrias, denominados Zona Industrial (ZI), Distritos Industriais (DI) e Zona Industrial Preferencial (ZIP), os quais são definidos, além de outras zonas como residenciais e comerciais, no Mapa V anexo ao Plano Diretor, que pode ser observado no Anexo A. Art. 26. A Zona Industrial destina-se à instalação de atividades industriais de qualquer porte e natureza, sendo permitida ainda a implantação de atividades de comércio e serviço. [...] Art. 27. Os Distritos Industriais - DI - são áreas destinadas à instalação de indústrias [...] [...] Art. 33. A atividade preferencial nas áreas da Zona Industrial Preferencial será a industrial (SANTA CRUZ DO SUL, 2007). 2.3 Segurança do trabalho e higiene ocupacional Segurança do trabalho é a área ou ciência que atua na prevenção ou minimização de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. São medidas adotadas para proteger a integridade e a capacidade de trabalho dos trabalhadores. Além de ser uma obrigação legal para as empresas, a segurança do trabalho traz inestimáveis benefícios de valor técnico, administrativo e econômico. Dentre algumas delas se pode citar: estabilidade operacional em razão do equilíbrio permanente da mão de obra; melhor produtividade, devido ao bom estado de espírito de quem trabalha em lugar seguro; 36 menor número de reparos em maquinaria e instalações e menos desperdício de materiais; mais estabilidade nos custos operacionais; melhor ambiente social na empresa; melhor imagem da empresa na comunidade e diante das autoridades competentes; diminuição do absenteísmo e afastamentos em razão da diminuição de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. As questões de saúde e segurança no trabalho são objetos de atenção contínua nos diversos segmentos industriais, pois as conseqüências apresentadas pelos acidentes e doenças do trabalho afetam tanto aos trabalhadores, a indústria, o governo e a sociedade. A higiene ocupacional pode ser definida como [...] a ciência e arte dedicada à prevenção, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos existentes ou originados nos locais de trabalho, os quais podem prejudicar a saúde e o bem-estar das pessoas no trabalho, enquanto considera os possíveis impactos sobre o meio ambiente em geral (SHERIQUE, 2007 p. 300). Um trabalhador exposto em um ambiente insalubre, contaminado por agentes físicos, químicos ou biológicos, dependendo das condições e níveis de exposição a esses agentes, pode vir a desenvolver uma doença, que o incapacitará para o trabalho. Após o tratamento da incapacidade, o trabalhador poderá estar novamente em condições de trabalhar, retornando ao mesmo local onde contraiu a doença. Desta forma a doença provavelmente voltará, e o trabalhador poderá ficar totalmente incapacitado para o trabalho (BREVIGLIERO; POSSEBOM; SPINELLI, 2011). Portanto tratamos a doença, que é a conseqüência, e não a causa, que é a exposição ao ambiente contaminado e os agentes nocivos que ele apresenta. Aplicando a higiene ocupacional deve-se tratar o ambiente de trabalho, realizando um reconhecimento dos agentes nocivos e prejudiciais presentes. Após o reconhecimento estes agentes devem ser avaliados para saber se existe risco a saúde. A avaliação dos agentes nocivos deve ser realizada de forma adequada, e nesta etapa são escolhidos e definidos a metodologia e estratégias de avaliação ambiental. Concluindo o processo, devem ser adotadas medidas de controle e contínuo monitoramento dos riscos no ambiente de trabalho. Entre elas pode-se citar: medidas de engenharia para proteger o ambiente de trabalho de forma coletiva. Desta forma a fonte do risco é controlada. Caso não haja possibilidade da adoção deste tipo de medida, deverão ser adotadas medidas de proteção diretamente no trabalhador. 37 2.3.1 Riscos ocupacionais e agentes agressores Os riscos são caracterizados pela probabilidade de causar acidente ou doença ocupacional, pelo seu potencial, em função de sua concentração, natureza, intensidade e tempo de exposição. São divididos em 5 grupos de riscos, caracterizados pelos respectivos agentes agressores. Os cinco grupos são os agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. A Tabela 1 apresenta os riscos ocupacionais e os agentes agressores. Tabela 1: Riscos ocupacionais e Agentes agressores RISCOS FÍSICOS Ruídos RISCOS QUÍMICOS Poeiras RISCOS BIOLÓGICOS Vírus Vibrações Fumos Bactérias Radiações não ionizantes Neblinas Fungos Gases Parasitas Vapores Bacilos Frio RISCOS ERGONÔMICOS Esforço físico intenso RISCOS DE ACIDENTES Arranjo físico inadequado Levantamento e transporte manual de peso Máquinas e equipamentos sem proteção Controle rígido de produtividade Iluminação inadequada Imposição de ritmos excessivos Eletricidade Calor Pressões anormais Umidade Substâncias compostas ou produtos químicos em geral Trabalho em turno e noturno Jornadas de trabalho prolongadas Monotonia e repetitividade Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico Probabilidade de incêndio ou explosão Armazenamento inadequado Animais peçonhentos Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Fonte: ARAÚJO, 2005, p. 222. Os agentes físicos tem capacidade de modificar as características do meio ambiente. A ação independe da pessoa estar exercendo sua atividade e do contato direto com a fonte. Em geral ocasionam lesões crônicas e imediatas (DELTA & AMBIENTEC, 1998). Segundo Araújo (2005) os cuidados que se deve ter com cada um dos riscos apresentados neste grupo são: a) Ruído: Dependendo do nível de pressão sonora (ruído), tempo de exposição e susceptibilidade individual, os efeitos nocivos podem ser irrecuperáveis. O 38 isolamento acústico na fonte, ajustes mecânicos, melhorias na edificação, diminuição do tempo de exposição e protetores auriculares atenuam os efeitos. b) Vibrações: Podem ser localizadas ou generalizadas, causadas por contato direto com ferramentas manuais ou elétricas pneumáticas. As vibrações de corpo inteiro afetam motoristas de caminhão, ônibus e tratores, provocando dores lombares e lesões na coluna. A medida mais prática é reduzir o tempo de exposição. Também pode-se utilizar equipamentos de proteção coletiva para minimizar o risco, como pisos ou bases absorventes de vibração. Não existem equipamentos de proteção individuais para minimizar o problema. c) Radiações ionizantes: Risco para operadores de raio-X e inspetores de solda. O controle da exposição deve ser realizado na fonte, utilizando-se barreira de proteção (chumbo ou material compatível), minimizar o tempo de exposição e utilização de equipamentos de proteção individuais adequados. d) Radiações não ionizantes: Radiações do tipo infravermelho (operações de fornos e soldagem oxiacetilênica) e ultravioleta (solda elétrica) podem causar queimaduras, lesões na pele e problemas visuais. O controle da exposição deve ser realizado na fonte, utilizando-se barreira de proteção, minimizar o tempo de exposição e utilização de equipamentos de proteção individuais adequados. e) Frio: O tempo de exposição deve ser controlado e minimizado, alternando-se com pausas em ambiente com temperaturas normais. Durante a exposição o trabalhador deve obrigatoriamente utilizar equipamentos de proteção individual (roupas protetoras). f) Calor: O uso de lentes de contato por operadores de fornos, soldadores (arco voltaico) e outros expostos a calor extremo pode ocasionar danos à visão. As medidas de proteção são isolamento térmico da fonte, melhoria da edificação, diminuir o tempo de exposição crítica e utilização de equipamentos de proteção individuais adequados. g) Pressões anormais: Envolve atividades de mergulho. Devem ser respeitados tempo de mergulho e despressurização compatível com as condições do trabalho. Para a proteção do trabalhador o tempo de exposição a este risco deve ser controlado. h) Umidade: Atividades exercidas em locais alagados ou com grande umidade podem ocasionar problemas de pele, devem ser utilizadas roupas protetoras e, em alguns casos, proteção respiratória. O tempo de exposição ao risco deve ser controlado e minimizado. 39 A Tabela 2 apresenta as consequências dos riscos físicos causadas nos trabalhadores que estão expostos a esses riscos. Tabela 2: Consequências dos Riscos Físicos RISCOS FÍSICOS Ruído CONSEQÜÊNCIAS Cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição, aumento da pressão arterial, problemas do aparelho digestivo, taquicardia, perda auditiva, perigo de infarto Vibrações Cansaço, irritação, dores nos membros, dores da coluna, doença do movimento, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias, etc Radiações ionizantes Alterações celulares, câncer, fadiga, problemas visuais, acidentes de trabalho Radiações não ionizantes Queimaduras, lesões nos olhos, na pele e em outros órgãos Frio Caibras, choque térmico, falta de coordenação, entre outros Calor Taquicardia, aumento de pulsação, cansaço, irritação, prostração térmica, choque térmico, fadiga térmica, perturbações das funções digestivas, hipertensão, entre outros Pressões anormais Dores de cabeça, náusea, embolia, perigo de morte Umidade Doença do aparelho respiratório, quedas, doenças da pele, doenças circulatórias Fonte: ARAÚJO, 2005, p. 223. Os riscos ou agentes químicos são todas as substâncias, compostos ou produtos químicos que possam penetrar no organismo nas formas de poeiras, fumos, neblinas, névoas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou serem absorvidos pelo organismo através das vias cutânea (pele), respiratória (nariz) e digestiva (boca) (SHERIQUE, 2007). Sistemas de proteção contra a contaminação devem ser projetados primeiramente objetivando-se a coletividade, como por exemplo, medidas ou projetos de engenharia, adequações nas instalações e ambientes de trabalho, instalação de sistema de ventilação ou exaustão localizada. O tempo de exposição aos agentes químicos devem ser controlados e minimizados. Em último caso a proteção no trabalhador deve ser utilizada, que são os equipamentos de proteção individual (máscara com filtro químico ou mecânico, óculos de segurança, luvas, roupas especiais, aventais e botas impermeáveis). As vias de penetração e contaminação dos agentes químicos são: a) Via cutânea (pele): Uma das funções da pele é a proteção a agentes externos. Algumas substâncias químicas, penetrando pelos poros da pele, tem o poder de 40 fixação no tecido adiposo subcutâneo, entrando na circulação sanguínea e intoxicando o organismo (DELTA & AMBIENTEC, 1998). Uma das causas da penetração e contaminação de agentes tóxicos no organismo ocorre quando o trabalhador não utiliza a proteção adequada, que são equipamentos de proteção individuais específicos, como máscaras para proteção respiratória, óculos de segurança, luvas, aventais e botas impermeáveis. b) Via digestiva (boca): A ingestão de substâncias tóxicas, normalmente, pode ser considerada como acidental. A ingestão direta de substâncias químicas ou indireta, através da contaminação dos alimentos, causa sérios problemas à saúde. A realização das refeições em locais inadequados e sem higiene pode ocasionar este tipo de contaminação aos trabalhadores. c) Via respiratória (nariz): Esta é a via mais rápida de acesso dos contaminantes para o organismo, que através do sistema circulatório, pode alcançar vários órgãos vitais. A Tabela 3 apresenta as consequências dos riscos físicos causadas nos trabalhadores que estão expostos a esses riscos. Tabela 3: Consequências dos Riscos Químicos RISCOS QUÍMICOS Poeiras minerais (sílica, asbesto, carvão mineral) CONSEQÜÊNCIAS Silicose (quartzo), asbestose (amianto), pneumoconiose dos minérios de carvão (mineral) Poeiras vegetais (algodão, bagaço de cana-de-açúcar) Bissinose (algodão), bagaçose (cana-de-açúcar) Poeiras alcalinas (calcário) Doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema pulmonar Poeiras incômodas Podem interagir com outros agentes prejudiciais presentes no ambiente de trabalho, aumentando a sua nocividade Fumos metálicos Doença pulmonar obstrutiva, febre de fumos metálicos, intoxicação específica de acordo com o metal Névoas, gases e vapores Ácido clorídrico, ácido sulfúrico, soda cáustica, cloro – irritação das vias aéreas superiores; Hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono, monóxido de carbono – dor de cabeça, náuseas, sonolências, convulsões, coma, morte; Butano, propano, aldeídos, cetonas, cloreto de carbono, tricloroetileno, benzeno, tolueno, alcoóis, percloroetileno, xileno – ação depressiva sobre o sistema nervoso, danos aos diversos órgãos, ao sistema formador do sangue. Fonte: ARAÚJO, 2005, p. 224. Os riscos biológicos surgem do contato de certos microorganismos com o homem em seu local de trabalho. Em função das características peculiares de algumas atividades ou 41 locais de trabalho, a probabilidade do contato é muito maior, como, por exemplo, o trabalho em coleta de lixo, rede de esgotos, hospitais, laboratórios de análises e veterinárias. De acordo com Araújo (2005, p. 229), Da mesma forma que os agentes químicos, os agentes biológicos podem entrar no organismo através das vias cutânea, digestiva e respiratória. As medidas preventivas incluem o controle médico, aspectos preventivos de proteção individual e coletiva, higiene no local de trabalho, utilização de roupas adequadas e vacinação. Os riscos biológicos estão presentes no ambiente de trabalho pelo contato do trabalhador com microorganismos, como bacilos, bactérias, fungos, protozoários, parasitas, vírus e animais peçonhentos. Este contato pode causar várias manifestações como (DELTA & AMBIENTEC, 1998): - Ferimentos e machucados que podem provocar infecção por tétano, hepatite, tuberculose, micoses de pele, e podem ser levados por outros funcionários para o ambiente de trabalho; - Diarréia causada pela falta de asseio e higiene em ambientes de alimentação ou refeições; - Alergias provocadas por bolor; - Pediculoses (piolhos e parasitas); - Escabiose (sarna), provocada por parasita. Os riscos ergonômicos são necessariamente caracterizados pela relação homem/atividade. Este grupo trata de riscos relacionados ao processo produtivo e das tarefas executadas em situações inadequadas, tais como: postura inadequada, cadeira sem regulagens, monotonia e trabalhos repetitivos que se tornam agentes potenciais de acidentes ou de doenças ocupacionais. A ergonomia Trata de uma série de cuidados que envolve o homem e as particularidades inerentes a cada tarefa que realiza na condição de trabalho, observadas as características e limitações individuais. Para tanto, esse trabalho deve ser entendido em sua forma mais ampla, não apenas relacionado ao esforço físico, mas em todas as suas dimensões. Só assim serão plenamente atingidos os objetivos de potencializar os resultados desse trabalho e de minimizar os esforços, o desgaste e os possíveis danos à integridade da saúde humana provenientes dessa condição (BARBOSA FILHO, 2001, p. 36). A ergonomia é a ciência que estuda a relação homem e o ambiente de trabalho. Os agentes ergonômicos podem causar distúrbios psicológicos e fisiológicos, provocando sérios 42 danos ao trabalhador, em função das alterações no organismo e no seu estado emocional. Estas podem comprometer a produtividade individual e coletiva, o relacionamento familiar e profissional e a saúde. É fundamental adequar o homem às condições de trabalho, levando em consideração a praticidade, o conforto físico e psíquico. As adequações dos locais ou condições de trabalho requer melhorias nas condições de higiene, no relacionamento interpessoal, modernização de máquinas e equipamentos, uso de ferramentas adequadas, racionalização das tarefas, postura adequada, simplificação e diversificação do trabalho. A Tabela 4 demonstra as consequências dos riscos ergonômicos causadas aos trabalhadores quando estes estão expostos a estes riscos. Tabela 4: Consequências dos Riscos Ergonômicos RISCOS ERGONÔMICOS Trabalho físico pesado, posturas incorretas e posições incômodas CONSEQÜÊNCIAS Cansaço, dores musculares, fraqueza, hipertensão arterial, úlcera duodenal, doenças do sistema nervoso, alterações do ritmo normal de sono, acidentes, problemas de coluna, etc Ritmos excessivos, monotonia, trabalho em turnos, jornada prolongada, conflitos, ansiedade, responsabilidade Cansaço, dores musculares, fraqueza, alterações do sono, da libido e da vida social com reflexos na saúde e no comportamento, hipertensão arterial, taquicardia, angina, infarto, diabetes, asma, doenças nervosas, doenças do aparelho digestivo (gastrite, úlcera, etc), tensão, ansiedade, medo, etc Fonte: ARAÚJO, 2005, p. 229. Os riscos de acidentes são aqueles cujos agentes se manifestam em pontos específicos do ambiente de trabalho, sua ação independe da pessoa estar exercendo a atividade, mas depende do contato direto com a fonte do risco. Geralmente ocasionam lesões agudas e imediatas (queimaduras, escoriações, cortes, etc). Os riscos de acidentes mais comuns no ambiente de trabalho envolvem, principalmente, os aspectos construtivos das edificações e a utilização de máquinas e equipamentos. É fundamental que os aspectos corretivos de manutenção predial e de equipamentos sejam atendidos pelo empregador. A Tabela 5 demonstra as consequências dos riscos de acidentes causadas aos trabalhadores quando estes estão expostos a estes riscos. 43 Tabela 5: Consequências dos Riscos de Acidentes RISCOS DE ACIDENTES Arranjo físico deficiente CONSEQÜÊNCIAS Acidente, desgaste físico excessivo Máquinas sem proteção Acidentes graves Instalações elétricas inadequadas Curto circuito, choque elétrico, incêndio, queimaduras, acidentes fatais Matéria prima sem especificação Acidentes, doenças profissionais, queda da qualidade de produção Ferramentas inadequadas Acidentes, principalmente nos membros superiores Falta de EPI ou inadequado ao risco Acidentes, doenças profissionais Transporte de materiais ou equipamentos sem as devidas precauções Acidentes Edificações com defeitos de construção a exemplo de piso com desníveis, escadas fora de especificação, ausência de saídas de emergência, mezaninos sem proteção, passagens sem a altura necessária Quedas, acidentes Falta de sinalização das saídas de emergência, da localização de escadas e caminhos de fuga, alarmes, extintores de incêndios Ações desorganizadas nas emergências, acidentes Armazenagem e manuseio inadequado de gases e líquidos inflamáveis, curtos circuitos, sobrecargas de redes elétricas Fonte: ARAÚJO, 2005, p. 230. Incêndios, explosões 2.3.2 Legislação aplicada à segurança do trabalho A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi aprovada pelo Decreto-lei nº 5.452 em 1º de maio de 1943, e entrou em vigor em 10 de novembro do mesmo ano. Ela institui as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho. A CLT dedicou o Capítulo V, Título II, à segurança e medicina do trabalho. A CLT foi o instrumento jurídico inicial do que viria a ser a prática efetiva da prevenção e institucionalização das atividades destinadas à segurança e saúde no trabalho no Brasil. Aprovadas pela Portaria nº 3.214 do Ministério do Trabalho (MTE), de 8 de julho de 1978, as Normas Regulamentadoras (NR) são um complemento a CLT. As NR são continuamente atualizadas por meio de Portarias complementares do MTE. O MTE é o órgão responsável pela representação política e social do governo, atuando no campo das relações públicas, acompanhando o andamento de projetos, providenciando a 44 publicação oficial e divulgando as matérias relacionadas com a área de atuação do governo para as questões de trabalho. 2.3.3 Gestão de riscos Uma empresa deve adotar meios de gerenciar seus riscos, com o objetivo de controlálos e evitá-los, mantendo os riscos abaixo dos valores tolerados. Para isso deve-se realizar um levantamento e análise geral das atividades e riscos nos ambientes de trabalho, utilizando ferramentas de análise de risco para identificar os riscos existentes e montando estratégias para controle e acompanhamento de medidas mitigadoras adotadas. Conforme Korre e Durucan (2009) o processo de gestão de riscos envolve a comunicação e consulta com as partes interessadas, definindo e identificando os riscos, e em seguida analisar, avaliar, tratar e monitoramento dos riscos. O objetivo do processo da gestão de riscos é repetir os critérios de avaliação, adaptando-os e modificando-os, levando a um processo de melhoria contínua. A metodologia utilizada é composta pelas funções conforme Figura 8: Figura 8: Processo da gestão de riscos Identificar perigos Avaliar riscos Comparar com risco tolerado Tratar riscos Monitorar riscos Fonte: Adaptado de Cardella (2008). Conforme a norma ISO 31000, Todas as atividades de uma organização envolvem risco. As organizações gerenciam o risco, identificando-o, analisando-o e, em seguida, avaliando se o risco deve ser modificado pelo tratamento do risco a fim de atender a seus critérios de risco. Ao longo de todo este processo, elas comunicam e consultam as partes interessadas e monitoram e analisam criticamente o risco e os controles que o modificam, a fim de assegurar que nenhum tratamento de risco adicional seja requerido (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005, p. 5). A norma ainda conceitua a gestão de riscos como atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização, no que se refere a riscos, onde a análise de riscos é o processo de 45 compreender a natureza do risco, determinando seu nível de risco (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005). De acordo com Cicco (2003), as normas internacionais de segurança e saúde no trabalho, como a OSHAS (Occupational Health and Safety Assessment Services) 18002 e BS (British Standards) 8800, descrevem que uma avaliação de riscos é um processo global, que estima a magnitude dos riscos, a fim de decidir se estes são ou não são toleráveis. Para o risco ser tolerável, ele deve ser reduzido a um nível que pode ser suportado pela organização, levando em conta suas obrigações legais e sua política de segurança e saúde no trabalho. Uma gestão de riscos deve abranger além dos riscos isolados, uma visão geral do processo, e também envolver as pessoas neste processo, avaliando seu grau de comprometimento e treinamento para realizar as tarefas. Em um processo de gestão de riscos devem ser definidas ferramentas para monitoramento, como indicadores de segurança, os quais podem ser acompanhados e auditados, e a partir daí obter um diagnóstico de segurança (CARDELLA, 2008). Para auxiliar no processo de gestão, auditorias podem ser implantadas, onde a ISO 19.011 (2002), norma da ABNT que trata de diretrizes para auditorias em sistemas de gestão ambientais e de qualidade, afirma que a auditoria é baseada em alguns princípios, que a torna uma ferramenta eficaz e confiável em apoio a políticas de gestão e controles, fornecendo informações sobre as quais uma organização pode agir para melhorar seu desempenho. Convém que a implementação do programa de auditoria seja monitorada e, a intervalos apropriados, analisada criticamente para avaliar se seus objetivos foram alcançados e identificar oportunidades para melhoria. Convém que os resultados sejam relatados à Alta Direção. Conclusões da auditoria podem apontar assuntos tais como: a) a extensão da conformidade do sistema de gestão com o critério de auditoria, b) a implementação eficaz, manutenção e melhoria do sistema de gestão, e c) a capacidade do processo de análise crítica pela direção em assegurar a contínua pertinência, adequação, eficácia e melhoria do sistema de gestão (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2002, p. 16). Quando os riscos se tornam ou se manifestam como fatos reais, eles são considerados uma emergência, e medidas de controle devem ser adotadas. De acordo com Cardella (2008, p. 78), A ocorrência de eventos perigosos, não programados sob condições controladas, caracteriza a situação de emergência ou simplesmente emergência. O risco é um 46 dano ou perda potencial e os fatores que o produzem estão em estado latente. A emergência é a manifestação desses fatores em fatos reais. Furacões, terremotos, enchentes, incêndios, vazamentos de substâncias tóxicas são exemplos de emergências. O controle de emergências é o poder de levar a situação para um estado conveniente, evitando danos e perdas. Conceitos de perigo e risco estão descritos nas normas de gestão de segurança e saúde no trabalho OSHAS 18001, OSHAS 18002 e BS 8800. Perigo é a “fonte ou situação com potencial para provocar danos em termos de lesão, doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente do local de trabalho, ou uma cominação destes” (CICCO, 2003, p. 8). Risco é a “combinação da probabilidade de ocorrência e da consequência de um determinado evento perigoso” (CICCO, 2003, p. 10). 2.3.3.1 Ferramentas para a gestão de riscos Cardella (2008, p. 133) define a Análise Preliminar de Riscos (APR) como “uma técnica de identificação de perigos e análise de riscos que consiste em identificar eventos perigosos, causas e consequências e estabelecer medidas de controle.” É preliminar porque é utilizada como primeira abordagem do objeto de estudo, mas em um grande número de casos é suficiente para estabelecer medidas de controle de riscos. A APR é utilizada para uma análise inicial qualitativa. Apesar das características básicas de análise inicial, é muito útil como uma ferramenta de revisão geral de segurança em sistemas já operacionais. A priorização das ações é determinada pela caracterização dos riscos, ou seja, quanto mais prejudicial ou maior for o risco, mais rapidamente deve ser preservada. Alberton (1996) descreve que os princípios e metodologias da APR consistem em uma revisão geral de aspectos de segurança, descrevendo todos os riscos e adotando categorias conforme sua gravidade, conforme Quadro 2. Após o reconhecimento e a descrição dos riscos são identificadas as suas causas e efeitos, o que permitirá a elaboração de ações e medidas de prevenção ou correção das possíveis falhas detectadas. A priorização das ações é determinada pela categorização dos riscos, ou seja, quanto mais prejudicial ou maior for o risco, mais rapidamente deve ser solucionado. Desta forma, a APR tem sua importância maior no que se refere à determinação de uma série de medidas de controle e prevenção de riscos desde o início operacional 47 do sistema, o que permite revisões de projeto em tempo hábil, no sentido de dar maior segurança, além de definir responsabilidades no que se refere ao controle de riscos. 2 Quadro 2: Categorias de riscos CATEGORIA TIPO I DESPREZÍVEL CARACTERÍSTICAS - Não degrada o sistema, nem seu funcionamento - Não ameaça os recursos humanos - Degradação moderada / danos menores II MARGINAL OU LIMÍTROFE - Não causa lesões - É compensável ou controlável - Degradação crítica - Lesões III CRÍTICA - Danos substanciais - Coloca o sistema em risco e necessita de ações corretivas imediatas para a sua continuidade e recursos humanos envolvidos - Séria degradação do sistema IV CATASTRÓFICA - Perda do sistema - Mortes e lesões Fonte: ALBERTON (1996) adaptado DE CICCO e FANTAZZINI (1993), disponível em <http://www.eps.ufsc.br/disserta96/anete/cap5/cap5_ane.htm#531>. Acesso em: 26 jul. 2013. O Quadro 3 apresenta um modelos de APR, onde observa-se que a ferramenta analisa os riscos, indentificando-os, relacionando suas causas e consequências, e sugerindo medidas de controle. O foco da APR são todos os eventos do tipo perigoso ou indesejável, podendo o objeto da análise ser uma área, sistema, procedimento, projeto ou atividade. 2 ALBERTON (1996), disponível em <http://www.eps.ufsc.br/disserta96/anete/cap5/cap5_ane.htm#531>. Acesso em: 26 jul. 2013. 48 Quadro 3: Modelo de APR APR Análise Preliminar de Riscos Orgão Folha Número Data Objeto da análise: Fase: Executado por: Evento indesejado ou perigoso Causas Consequências Medidas de controle de risco e de emergência Fonte: Adaptado de Cardella (2008). O objetivo da avaliação de riscos é comparar o nível de risco encontrado durante o processo de análise, com base em critérios previamente estabelecidos, para determinar se uma atividade deve prosseguir ou continuar, se é necessário um tratamento de risco, e priorizar estes riscos para o tratamento (KORRE; DURUCAN, 2009). O ALARP – As Low As Reasonably Practicable, foi desenvolvido no conceito de “razoavelmente praticável”, onde “as low as reasonably practicable” significa "tão baixa quanto razoavelmente praticável", em que se avalia a diminuição do risco em função da dificuldade, tempo e dinheiro necessários para controlá-lo. Assim, o ALARP representa o nível em que se espera que os riscos do local de trabalho estejam controlados.3 O ALARP é um conceito defendido e aplicado pela Health and Safety Executive - HSE, que é uma entidade reguladora britânica ligada a saúde e segurança no trabalho. O princípio do ALARP requer que todo risco deve ser reduzido para um nível mínimo, porém dentro de viabilidades econômicas e práticas que justifiquem a sua implementação. Deste modo evita-se trabalhar em regiões classificadas com risco alto ou inaceitável, mas também pode-se evitar desperdícios econômicos e de tempo com implementações de segurança que tragam baixo retorno em termos de redução de risco. 3 Referência retirada da homepage da HSE - Health and Safety Executive, disponível em <http://www.hse.gov.uk/risk/theory/alarpglance.htm>, acesso em: 28 jul. 2013. 49 A Figura 9 representa o triângulo do ALARP, que é dividido em três regiões ou zonas de risco, onde a medida em que o risco aumenta sua magnitude, se torna inaceitável. Na primeira região os riscos são admissíveis, e são assumidos pela organização. A segunda, é conhecida como “Zona ALARP”, onde é feita uma análise do custo/benefício da implementação de medidas mitigadoras para os riscos. Na terceira, o risco não pode ser aceito, é inadmissível. Figura 9: Triângulo ALARP Terceira região Segunda região Primeira região Fonte: Adaptado de Core e Durucan (2009). O método Hazard Rating Number (HRN) que significa número de classificação de riscos, baseia-se no conceito de redução de risco ALARP. Cada perigo é avaliado de forma individual, primeiramente sem as medidas de segurança e posteriormente, aplicando-se uma nova análise dos riscos, com as medidas implantadas. Conforme os autores Silva e Souza (2011) este método é considerado quantitativo onde valores numéricos são atribuídos aos riscos, através da análise de alguns fatores onde chegase a um nível de risco. 50 Os fatores são: - A probabilidade de ocorrência ou exposição (PE), que consiste em verificar o grau de exposição que uma pessoa pode ter com a área de perigo. Este índice é classificado conforme Tabela 6. Tabela 6 – Probabilidade de Exposição (PE) Probabilidade de Exposição (PE) 0 Quase impossível Não pode acontecer 1 Improvável Apesar de concebível 2 Possível Mas não atual 5 Alguma chance Poderia acontecer 8 Provável Grande chance de acontecer (sem surpresa) 10 Muito provável De se esperar 15 Certo Nenhuma dúvida Fonte: The Safety & Health Practioner, 1990 apud CORRÊA, 2011, p. 33. - A freqüência de exposição ao perigo (FE), que elenca a freqüência em que a pessoa está exposta ao perigo. Este índice é classificado conforme Tabela 7. Tabela 7 – Freqüência de Exposição (FE) Freqüência de Exposição (FE) 0,1 Raramente 0,2 Anualmente 1 Mensalmente 1,5 Semanalmente 2,5 Diariamente 4 Em termos de hora 5 Constantemente Fonte: The safety & Health Practioner, 1990 apud CORRÊA, 2011, p. 34. - A probabilidade máxima de perda (MPL), onde deve ser levada em conta o grau máximo de dano que pode causar. Este índice é classificado conforme Tabela 8. Tabela 8 – Probabilidade Máxima de Perda (MPL) Probabilidade Máxima de Perda (MPL) 0,1 Arranhão/ contusão leve 0,5 Dilaceração/ doenças moderadas 1 Fratura/ enfermidade leve (temporária) 2 Fratura/ enfermidade grave (permanente) 4 Perda de 1 membro/ olho ou doença séria (temporária) 8 Perda de 2 membros/ olho ou doença séria (permanente) 15 Fatalidade Fonte: The safety & Health Practioner, 1990 apud CORRÊA, 2011, p. 34. 51 - O número de pessoas expostas ao risco (NP), que quantifica as pessoas que estão expostas ao perigo. Este índice é classificado conforme Tabela 9. Tabela 9 – Número de Pessoas expostas ao risco (NP) Número de Pessoas expostas ao risco (NP) 1 1 – 2 pessoas 2 3 – 7 pessoas 4 8 – 15 pessoas 8 16 – 50 pessoas 12 Mais de 50 pessoas Fonte: The safety & Health Practioner, 1990 apud CORRÊA, 2011, p. 34. Diante dos levantamentos dos fatores PE, FE, MPL e NP pode-se chegar ao seguinte cálculo para analisar o nível de risco, através da fórmula: NÍVEL DE RISCO = PE x FE x MPL x NP O nível de risco aplicado na Tabela 10, nos fornece a classificação do risco, bem como seu tempo de ação recomendado para minimizá-lo ou eliminá-lo. Tabela 10 – Número de Classificação de Riscos (HRN) Número de Classificação de Riscos (HRN) Aceitável 0-1 Risco aceitável – considerar possíveis ações Muito baixo 1-5 Até 1 ano Baixo 5-10 Até 3 meses Significante 10-50 Até 1 mês Alto 50-100 Até 1 semana Muito Alto 100-500 Até 1 dia Extremo 500-1000 Ação imediata Inaceitável >1000 Parar atividade Fonte: The safety & Health Practioner, 1990 apud CORRÊA, 2011, p. 35. Corrêa (2011, p. 35) ainda explica as classificações dos riscos: - Risco muito baixo: não são requeridas medidas de controle significativas, mas é recomendável o uso de EPI e a aplicação de treinamento; - Risco baixo: medidas de controle devem ser consideradas; - Risco significante: medidas de controle adicionais devem ser implementadas ao sistema instalado na máquina dentro de um mês; - Risco alto: medidas de controle de segurança devem ser implementadas dentro de uma semana; - Risco muito alto: medidas de controle de segurança devem ser implementadas dentro de um dia; - Risco extremo: medidas de controle de segurança devem ser imediatas; 52 - Risco inaceitável: deve-se cessar a operação de trabalho da máquina ou equipamento até que as medidas de controle tenham sido adotadas. 2.4 Avaliação e controle de metais pesados em efluentes industriais Indústrias de galvanoplastia, metalúrgicas, curtumes, produção de cerâmicas ou vidros, liberam quantidades elevadas de metais pesados no meio ambiente (OVES; KHAN; ZAIDI, 2013). Efluentes contendo metais pesados não devem ser descartados na rede pública para tratamento em conjunto com a rede doméstica. Conforme Aguiar, Guarino e Novaes (2002, p. 1145), “alguns metais pesados são substâncias altamente tóxicas e não são compatíveis com a maioria dos tratamentos biológicos de efluentes existentes. [...] As principais fontes de poluição por metais pesados são provenientes dos efluentes industriais, de mineração e das lavouras.” Usualmente a contaminação de rios ou lagos acontece através da descarga de efluentes contendo metais pesados não tratados. As legislações ambientais fixam limites para descarte de efluentes em corpos hídricos, onde existem valores máximos permitidos de metais pesados que podem estar contidos em um efluente industrial para seu descarte. Os corpos aquáticos estão sendo contaminados por concentrações de íons metálicos gerados pela atividade industrial, a qual está em crescimento. Tais íons podem ser disseminados via cadeia alimentar. Conforme Carvalho, Bosco e Jimenez (2004, p. 734): Metais pesados em excesso podem causar muitas doenças e sérios problemas fisiológicos, já que são acumulativos no corpo humano. Os resíduos contendo cádmio, cromo, manganês e níquel possuem alto poder de contaminação e, com facilidade, atingem os lençóis freáticos ou mesmo reservatórios e rios, que são as fontes de abastecimento de água das cidades. O contato com a pele pode causar dermatite alérgica e, mais raramente, provocar ulcerações na pele formando cicatrizes, perfurações do septo nasal, câncer, distúrbios afetivos, irritação neuromuscular, cefaléia, náuseas e desmaios. Há também suspeitas de que possam afetar o sistema imunológico de seres humanos. 2.4.1 Técnicas para avaliação e controle de metais pesados em efluentes industriais O que determina o tratamento específico a ser adotado em um efluente industrial é a forma em que os metais encontram-se nestes efluentes. De acordo com Aguiar, Guarino e Novaes (2002, p. 1146) “a remoção dos metais pesados presentes em efluentes industriais pode ser feita por meio de diversos processos, tais como precipitação por via química, osmose reversa, adsorção em carvão ativado ou alumina e oxi-redução.” 53 Os metais pesados em efluentes industriais, por possuírem carga iônica, podem inibir o processo de tratamento de compostos orgânicos, onde o tratamento mais utilizado é o biológico. Portanto antes de realizar este tipo de tratamento deve-se remover a carga iônica do efluente. O tratamento clássico de efluentes contendo metais pesados envolve processos físico-químicos de precipitação, troca iônica, adsorção e extração por solventes. O método mais utilizado atualmente é a precipitação química, que pode ser feita, por exemplo, pela adição de uma base (geralmente hidróxido de cálcio) ao efluente, de modo que haja a formação de produtos insolúveis sob a forma de hidróxidos e óxidos. Processos subseqüentes de sedimentação e filtração são então realizados para que, posteriormente, a água tratada possa ser recuperada (CARVALHO; BOSCO; JIMENEZ, 2004, p. 734). Como afirma Aguiar, Guarino e Novaes (2002), métodos alternativos com baixos custos e mais eficientes nos tratamentos de efluentes com metais pesados são necessários em virtude do aumento considerável da quantidade de geração de efluentes desta natureza, aliados a legislações ambientais cada vez mais rigorosas. Alguns exemplos desses métodos são: Ultrafiltração; remoção por biomassa de plantas aquáticas; utilização de matéria orgânica morta; emprego de microrganismos; precipitação de metais por solos incinerados; precipitação e flotação de sulfetos e resinas de troca-iônica. As resinas de troca iônica são muito utilizadas nas indústrias para a remoção de íons em água potável ou em águas de caldeira e na purificação de substâncias orgânicas e inorgânicas. Entretanto, a utilização desse material no tratamento de efluentes contendo metais pesados é economicamente inviável. Desse modo, várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de se empregar trocadores iônicos naturais, como por exemplo, os aluminossilicatos, os quais apresentam baixo custo e alta disponibilidade (AGUIAR; GUARINO; NOVAES, 2002, p. 1146). 54 CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa de natureza quantitativa, que “é a que tem o objetivo de mensurar algumas variáveis, transformando os dados alcançados em ilustrações, como tabelas, quadros, gráficos ou figuras” (SANTOS; CANDELORO, 2006, p. 72). As pesquisas de delineamento exploratório tem o objetivo de proporcionar ampla visão sobre o tema selecionado (SANTOS; CANDELORO, 2006). A pesquisa exploratória realiza descrições precisas da situação e quer descobrir as relações existentes entre os elementos componentes da mesma. Essa pesquisa requer um planejamento bastante flexível para possibilitar a consideração dos mais diversos aspectos de um problema ou de uma situação (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 69). A técnica de pesquisa utilizada na análise do processo de oxidação negra foi a “observação sistemática”, onde o observador tem um controle do fenômeno ou fato que estará sendo estudado, e terá expectativas de encontrar determinadas respostas para suas indagações iniciais, junto com a população com a qual irá trabalhar. Conforme Santos e Candeloro (2006), a observação partirá sempre da atuação fundamental de nossos sentidos e é preciso estar aberta a novas demandas para que sejamos afetados pelos objetos estudados, através de nossa sensibilidade. A metodologia utilizada neste trabalho foi constituída por diversas etapas, onde primeiramente foi realizada uma pesquisa com o objetivo de rastrear e selecionar empresas do ramo de galvanoplastia na região do Vale do Rio Pardo/RS. Para isso, foi feito contato com o setor de cadastro ou setor de alvarás das prefeituras de todos os municípios do Vale do Rio Pardo/RS, que contempla 24 municípios, sendo estes: Arroio do Tigre, Barros Cassal, Boqueirão do Leão, Candelária, Encruzilhada do Sul, Estrela Velha, General Câmara, Gramado Xavier, Herveiras, Ibarama, Lagoão, Pantano Grande, Passa Sete, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Segredo, Sinimbu, Sobradinho, Tunas, Vale do Sol, Vale Verde, Venâncio Aires, Vera Cruz. Após a seleção das empresas, foram analisados dados e informações sobre o processo produtivo e documentos técnicos, como Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) dos produtos utilizados, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Avaliou-se a Licença Ambiental da empresa, onde estão definidas as regras, condições, restrições e 55 medidas de controle ambiental a serem seguidas, onde a empresa assumiu compromissos para manutenção da qualidade ambiental no local onde ela está instalada. Na etapa seguinte foram realizadas análises do ambiente de trabalho e das etapas do processo de oxidação negra a frio, e também foram coletados e analisados os efluentes gerados no processo. Quanto a gestão de riscos, foram aplicadas as ferramentas denominadas Análise Preliminar de Risco (APR) e Hazard Rating Number (HRN), as quais foram utilizadas para identificar os riscos nas etapas do processo de oxidação negra a frio e assim sugerir pontos de melhorias a serem implementados. A partir dessas duas ferramentas desenvolveu-se uma nova ferramenta para a gestão de riscos, a qual pode ser vista no Quadro 4. A APR e HRN foram utilizadas por sua facilidade de aplicação para os colaboradores das empresas e por fornecerem informações detalhadas sobre os riscos, além de possibilitar a sua quantificação, o que auxilia na priorização para eliminação ou minimização dos riscos. Quadro 4: Ferramenta para análise de riscos APR–HRN A primeira parte é composta por campos típicos da ferramenta APR, que são dados gerais que definem o perigo e risco da atividade ou acontecimento a ser analisado, detalhando suas causas, efeitos e recomendações para minimizar ou eliminar os riscos. Acrescentou-se 56 um campo na ferramenta desenvolvida para inserção de fotografias do perigo/risco, visando auxiliar e facilitar o reconhecimento do local ou atividade analisada. A segunda parte é a quantificação do risco, através da seleção da categoria do risco e aplicação da ferramenta HRN, que fornece um nível e classificação para o risco, sugerindo o tempo de ação para eliminá-lo ou minimizá-lo. Na sequência sugeriu-se uma nova análise utilizando-se novamente a ferramenta HRN, levando em conta a aplicação das recomendações. Isso permite uma rápida visualização da diferença de valores do nível e classificação do risco comparandose a situação atual com uma situação posterior a aplicação das recomendações. Avaliou-se os efluentes gerados nos processos produtivos por meio de análises físicoquímicas realizadas na Central Analítica da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. A amostragem foi realizada seguindo instruções de coleta fornecidas pelos técnicos da UNISC, que posteriormente realizaram as análises, empregando o método de Espectrometria de Absorção Atômica para avaliação do alumínio (Al), ferro (Fe), cobre (Cu) e níquel (Ni), método de dicromatometria para avaliação da Demanda Química de Oxigênio (DQO), método de Nessler para avaliação do nitrogênio amoniacal (NH4) e método de potenciometria para avaliação do pH, seguindo metodologias descritas por Rice, et al. (2012) no livro Standard methods for the examination of water and wastewater. Por fim, analisou-se a aplicação de legislações referentes a localização geográfica da empresa, ao ambiente de trabalho e aos efluentes e resíduos gerados durante o processo, sugerindo-se melhorias e adequações nos processos produtivos, além dos custos que a empresa teria para estas adequações. As etapas da metodologia aplicada a esta pesquisa podem ser resumidas conforme a Figura 10. 57 Figura 10 – Metodologia da pesquisa Seleção das empresas de galvanoplastia do Vale do Rio Pardo/RS Diagnóstico da empresa selecionada Análise de metais pesados em efluentes Aplicação de ferramentas de Gestão de Riscos Sugestão de melhorias nos processos produtivos Identificação dos custos a serem aplicados 58 CAPÍTULO 4 – RESULTADOS Neste capítulo apresenta-se os resultados da pesquisa, seguindo os passos da metodologia proposta, onde primeiramente foi realizada a seleção das empresas de galvanoplastia da região do Vale do Rio Pardo/RS, após realizou-se um diagnóstico da empresa analisando os processos produtivos e documentações, a análise de metais pesados nos efluentes gerados, a aplicação de ferramenta para a gestão de riscos, para ao final sugerir melhorias e adequações a serem realizadas, incluindo os custos destas adequações para a empresa. 4.1 Seleção das empresas de galvanoplastia da região do Vale do Rio Pardo/RS Através da pesquisa nas prefeituras da região do Vale do Rio Pardo/RS, foram rastreadas e selecionadas as empresas do ramo de galvanoplastia. Para isso, foi feito contato com o setor de cadastro ou setor de alvarás das prefeituras de todos os municípios da região, onde o município de Santa Cruz do Sul foi o único a apresentar empresas no ramo de Galvanoplastia, e o único a possuir uma empresa que realiza o processo de oxidação negra a frio. Para ter acesso aos dados das empresas elaborou-se uma “Solicitação”, entregue na Secretaria da Fazenda da prefeitura de Santa Cruz do Sul, a qual pode ser vista no Apêndice 1. A pesquisa então ficou limitada aos estudos de oxidação negra a frio que ocorrem nesta única empresa identificada. 4.2 Diagnóstico da empresa selecionada Para diagnosticar a empresa selecionada, primeiramente fez-se a observação e análise no processo produtivo da oxidação negra a frio, e após analisou-se as documentações fornecidas pela empresa, como FISPQ dos produtos químicos, Licença Ambiental, PPRA e PCMSO. Segundo o proprietário a oxidação negra é realizada em média duas vezes por semana, variando a quantidade de peças e o peso destas. As peças são recebidas e armazenadas até que atinjam uma quantidade mínima para serem processadas. Quando não há uma quantidade suficiente, o processo é realizado apenas uma vez por semana. Esta atividade é realizada como prestação de serviços para outras empresas. 59 A pesquisa foi realizada em um lote de 5 peças de aço, num total de 12 quilos. Segundo informações fornecidas pela empresa essa quantidade ou peso semanal de peças é considerado corriqueiro. Todas as etapas são realizadas em temperatura ambiente. As soluções utilizadas nos tanques (condicionante e oxidante) e óleo protetivo não são aquecidas. A temperatura registrada no setor da oxidação negra foi de 27,2ºC, medida com aparelho Termo-Higro-Decibelímetro-Luxímetro, modelo THDL-400, marca Instrutherm. A medição foi realizada pelo pesquisador, no dia doze de julho de 2013, às 15:30 horas. Todo o processo é realizado por um funcionário, onde notou-se que este não realiza a troca das luvas entre as diversas etapas, o que pode ocasionar contaminação nas soluções. A seguir descreve-se as etapas do processo de oxidação negra a frio realizadas na empresa estudada. 1ª etapa: preparação das peças As peças devem ser limpas de impurezas como graxas, óleos e tintas antes da oxidação. Para isso é realizado o jateamento das peças com pó de óxido de alumínio e ar pressurizado, feito em uma máquina própria para este fim. A máquina utilizada é um gabinete de jateamento (Figura 11), que possui um sistema de exaustão e purificação, que elimina os sacos coletores de pó e os ciclones. O sistema de exaustão possui filtros, que elimina a saída de poeiras para o ambiente externo (Figura 12). A máquina possui um sistema de purificação do abrasivo utilizado no jateamento, através de cascata, que auxilia na separação do abrasivo (que é automaticamente reutilizado) e impurezas das peças. Apresenta também sistemas de isolamento e enclausuramento, onde o operador não tem contato direto com a peça e muito menos com a poeira gerada no processo. A parte interna, onde o processo é realizado, possui iluminação e exaustão, o que auxilia na boa visibilidade do operador. O acionamento da pistola de jateamento é realizado por pedal. A Figura 13 mostra o operador realizando o jateamento e a Figura 14 mostra o interior da máquina. A Figura 15 representa a peça antes do processo, enquanto as Figuras 16 e 17 mostram as peças após o processo de jateamento, onde estão prontas para as próximas etapas, que são o condicionamento e a oxidação negra. O filtro da máquina de jateamento é limpo em média uma vez por semana. A substituição do filtro é realizada somente quando este apresenta algum defeito. Conforme informações do proprietário da empresa, em quatro anos de utilização da máquina o filtro não 60 foi substituído. O resíduo e filtro (caso seja substituído) são acondicionados em bombonas específicas para resíduos sólidos classe I, e periodicamente recolhidos por empresa terceirizada especializada e autorizada para o correto descarte. Figura 11: Máquina de jateamento Figura 12: Detalhe do filtro de poeiras 61 Figura 13: Operador realizando a atividade de jateamento de peças Figura 14: Detalhe do interior da máquina, local onde o jateamento é realizado Peça a ser jateada Pistola com ar pressurizado e pó de óxido de alumínio 62 Figura 15: Peças a serem jateadas, oxidadas e com impurezas Figura 16: Peça após o jateamento, vista de frente 63 Figura 17: Peça após o jateamento, vista lateral 2ª etapa: condicionamento O processo de condicionamento e oxidação negra é realizado em um setor específico, onde três tanques contendo as misturas dos produtos químicos estão colocados em uma bancada. Os tanques permanecem fechados e são somente abertos no momento da realização do processo (Figura 18). Notou-se que os tanques não estão identificados e que apenas dois tanques são utilizados. As peças, após serem jateadas, são mergulhadas em um recipiente com água (Figura 19), para remoção de possíveis poeiras. Após são mergulhadas no tanque com condicionador (Figuras 20 e 21) por um minuto, retornando ao recipiente com água, para lavagem. A solução condicionante é composta por uma mistura de água com o condicionador Blackfast 551, na proporção 9:1. A FISPQ do Blackfast 551 encontra-se no Anexo B. A Figura 20 mostra a falta de organização no lay-out do processo, onde os recipientes com água para as lavagens entre os banhos não possui local fixo, sendo colocados no piso em frente a bancada dos tanques. A solução do tanque de condicionamento é substituída uma vez ao ano. Este resíduo é acondicionado em bombonas específicas para resíduos sólidos classe I, e recolhido por empresa terceirizada especializada e autorizada para o correto descarte. Caso seja necessário, é feita reposição no período entre a substituição da solução. A água do recipiente utilizada para a lavagem das peças é despejada no tanque instalado no setor, que é conectado a rede hídrica de esgotos. 64 Figura 18: Bancada com os tanques das soluções do processo de condicionamento e oxidação negra Figura 19: Peças sendo lavadas em água, após o jateamento 65 Figura 20: Peças sendo banhadas na solução condicionante Figura 21: Peças sendo banhadas na solução condicionante, manuseio do operador 3ª etapa: oxidação negra Após o condicionamento, as peças estão prontas para a oxidação negra. As peças são mergulhadas no tanque com oxidante (Figuras 22 e 23). A oxidação dura um minuto, e após são lavadas em um recipiente com água (diferente do recipiente utilizado na lavagem inicial e do condicionamento) (Figura 24). A solução oxidante é composta por uma mistura de água com a solução oxidante Blackfast 181, na proporção 3:1. A FISPQ do Blackfast 181 encontrase no Anexo B. 66 A solução do tanque de oxidação é substituída uma vez ao ano. Este resíduo é acondicionado em bombonas específicas para resíduos sólidos classe I, e recolhido por empresa terceirizada especializada e autorizada para o correto descarte. Caso seja necessário, é feita reposição no período entre a substituição da solução. A água do recipiente utilizada para a lavagem das peças é despejada no tanque instalado no setor, que é conectado a rede hídrica de esgotos. Figura 22: Peças sendo banhadas na solução oxidante Figura 23: Peças sendo retiradas após serem mergulhadas na solução oxidante 67 Figura 24: Peças sendo lavadas em água, após a oxidação 4ª etapa: oleamento Posterior a oxidação as peças são mergulhadas em óleo. O produto utilizado é o Óleo Protetivo Blackfast 833B (Anexo B), e está condicionado em um recipiente próximo aos tanques do processo de oxidação negra. Nesta etapa as peças ficam submersas no óleo por cerca de quinze minutos (Figura 25), e após isso, ficam penduradas para secagem a temperatura ambiente (Figura 26), ficando assim concluído o processo. A Figura 27 mostra uma peça pronta após o processo de oxidação negra a frio. O óleo utilizado é substituído uma vez ao ano. Este resíduo é acondicionado em bombonas e recolhido por empresa terceirizada especializada e autorizada para o correto descarte. Caso seja necessário, é feita reposição no período entre a substituição do produto. 68 Figura 25: Peça sendo mergulhada no recipiente com óleo protetivo Figura 26: Peça pendurada para secagem, após oleamento 69 Figura 27: Peça pronta, após todas as etapas do processo de oxidação negra a frio O resumo das etapas do processo de oxidação negra a frio da empresa estudada é demonstrado na Figura 28. O Efluente 1 e Efluente 2, que são produtos das lavagens, representam as amostragens analisadas nesta pesquisa. 70 Figura 28 – Processo de oxidação negra a frio realizado na empresa estudada Preparação Mecânica da peça, através de jateamento Resíduos sólidos Lavagem Efluente 1 (as duas lavagens são realizadas no mesmo recipiente) Condicionamento Utiliza água misturada com o produto Blackfast 551, na proporção de 9:1; duração do banho: 1 minuto; Lavagem Oxidação negra Utiliza água misturada com o produto Blackfast 181, na proporção de 3:1; duração do banho: 1 minuto; Efluente 2 Lavagem Oleamento Peça mergulhada no produto Blackfast 833B, por 15 minutos Secagem ao ar em temperatura ambiente Produto acabado Efluentes líquidos Resíduos sólidos Legenda: Efluentes líquidos provenientes das lavagens Efluentes líquidos provenientes das soluções dos produtos químicos utilizados no processo Produto das lavagens, utilizado como amostragem para análise desta pesquisa 71 A empresa fabricante dos produtos químicos utilizados no processo de oxidação negra a frio, sugere uma linha típica de processo, demonstrado na Figura 29, contendo as etapas, tempo de duração e produtos químicos utilizados. Figura 29: Esquema de uma linha típica de oxidação negra a frio Fonte: Durferrit do Brasil Química Ltda, Disponível em: <http://www.durferrit.com.br>. Acesso em: 02 mar. 2013. A empresa estudada realiza o processo com alterações em uma das etapas. A etapa 1 de desengraxe (Figura 29), sugerida pelo fabricante dos produtos químicos, utiliza reagentes, que foram substituídos pelo processo de jateamento das peças, que possui um ótimo rendimento 72 na limpeza de óleos, graxas, tintas e outras impurezas, conforme informações fornecidas pela empresa estudada. Além das observações e análises realizadas no setor de oxidação negra e as atividades realizadas pelos trabalhadores neste setor, foi analisado o PPRA da empresa, que demonstra os riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores estão expostos. O PPRA foi elaborado por uma empresa de consultoria em segurança e saúde do trabalho, estando o mesmo assinado e com data do ano de 2012, o que demonstra o interesse da empresa com a questão da segurança dos seus colaboradores. No PPRA os riscos químicos são identificados e detalhados pelas substâncias químicas utilizadas: Blackfast 181: - Perigo/Fator de risco: Níquel como composto inorgânico solúvel (exposição respiratória, contato com a pele, contato com os olhos); - Dano: Não classificável como carcinogênico humano; dano no pulmão; câncer nasal; - Controles existentes: Respirador purificador de ar tipo peça semifacial filtrante para partículas PFF2 (Código de Aprovação – CA – 21337); Luva de segurança contra agentes mecânicos e químicos (CA 10398); Óculos de segurança (CA 14990); Luva de segurança contra agentes químicos (CA 25313); Luva de segurança contra agentes mecânicos (CA 28909); - Eficácia dos controles existentes: Não avaliado; - Intensidade ou concentração da exposição: Não avaliado; - Avaliação do risco: Alto; - Critério para monitoramento da exposição: Semestral. Blackfast 833B: - Perigo/Fator de risco: Aguarrás mineral (varsol) (exposição respiratória, contato com a pele, contato com os olhos); - Dano: Danos para olhos, pele e rins; náusea; comprometimento do sistema nervoso central; - Controles existentes: Respirador purificador de ar tipo peça semifacial filtrante para partículas PFF2 (CA 21337); Luva de segurança contra agentes mecânicos e químicos (CA 10398); Óculos de segurança (CA 14990); - Eficácia dos controles existentes: Não avaliado; 73 - Intensidade ou concentração da exposição: Não avaliado; - Avaliação do risco: Alto; - Critério para monitoramento da exposição: Semestral; Além dos riscos químicos o PPRA reconheceu riscos ergonômicos: - Arranjo físico, leiaute ou mobiliário inadequado; - Iluminação inadequada; - Posturas extremas/forçadas. No PPRA estes riscos estão avaliados como de risco baixo ou irrelevante, não sendo necessários um monitoramento das exposições. No PCMSO da empresa os seguintes exames médicos são exigidos para os trabalhadores do processo de oxidação negra: - Consulta ocupacional: Necessária nas seguintes situações: admissão, após frequência anual, demissão, mudança de função, retorno ao trabalho; - Hemograma completo: Necessário nas seguintes situações: admissão, após frequência anual, demissão, mudança de função, retorno ao trabalho; - Níquel: Necessário nas seguintes situações: admissão, após frequência semestral, demissão, mudança de função, retorno ao trabalho. Verificando a legislação trabalhista, a Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4) classifica as empresas conforme sua atividade econômica, denominada Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE (Quadro 5), também fornecendo o grau de risco para cada atividade, que pode variar de 1 (atividades classificadas como de menor risco) à 4 (atividades classificadas como de maior risco). Conforme esta classificação, as indústrias de galvanoplastia são enquadradas no grupo C – Indústrias de Transformação, no CNAE nº 25.39-0, denominado “Serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais”, sendo classificadas como grau de risco 4. Portanto, pela classificação do Ministério do Trabalho e Emprego as empresas do ramo de galvanoplastia são consideradas como sendo de risco máximo. Isto implica que essas empresas devem ter um cuidado ainda maior com relação à segurança dos seus colaboradores quando comparadas a empresas classificadas como de risco 1, 2 ou 3. 74 Quadro 5: Identificação do CNAE conforme atividade principal da empresa e o grau de risco, de acordo com o Quadro I da NR-4 Fonte: BRASIL, 1978. Através do grau de risco o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) de uma empresa ou estabelecimento pode também ser dimensionado de acordo com a NR-4 (Quadro 6). Quadro 6: Quadro II da NR-4 - Dimensionamento do SESMT Fonte: BRASIL, 1978. 75 A empresa estudada possui atualmente nove funcionários, e de acordo com os dados do Quadro 6, uma empresa de grau de risco 4, deve constituir SESMT apenas acima de 50 funcionários, onde neste caso o SESMT é composto por um técnico em segurança do trabalho. Portanto a empresa em estudo não necessita de SESMT, o que não exime estas empresas de terem o cuidado em segurança dos seus colaboradores, independente da presença de um profissional ligado à segurança do trabalho. De acordo com as normas NR-4 e a NR-5 é realizado o dimensionamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Deve-se identificar o agrupamento para dimensionamento da CIPA, de acordo com o CNAE da empresa (Quadro 7). Quadro 7: Identificação do agrupamento para dimensionamento da CIPA, de acordo com o Quadro III da NR-5 Fonte: BRASIL, 1978. Após identificado o agrupamento, que é C-13, dimensiona-se a CIPA conforme o nº de funcionários, de acordo com o Quadro 8. Quadro 8: Dimensionamento da CIPA, de acordo com o Quadro I da NR-5 Fonte: BRASIL, 1978. A empresa analisada possui atualmente nove funcionários, e portanto se enquadra na primeira coluna de dimensionamento da CIPA, conforme Quadro 8. O dimensionamento 76 mostra que a empresa não necessita constituir CIPA. Como a NR-5 diz que toda empresa deve constituir CIPA, a norma exige a designação de um responsável pelo cumprimento dos objetivos da NR-5 na empresa ou estabelecimento. Neste caso, cabe ao proprietário da empresa designar algum colaborador que será o responsável pelas questões de segurança e saúde ocupacional dos demais colaboradores. A empresa possui um funcionário treinado e capacitado, que é denominado representante da CIPA. O mesmo deve auxiliar em questões de segurança e saúde dos funcionários e do ambiente de trabalho. 4.3 Análise de metais pesados em efluentes Foram avaliados os efluentes dos dois recipientes com a água utilizada para a lavagem das peças, os quais são despejados na rede de esgotos. O objetivo foi quantificar e identificar as concentrações de substâncias químicas que estes efluentes apresentam, principalmente os metais pesados que poderiam estar presentes nos resíduos líquidos. Para isso, foram analisadas duas amostras, denominados Efluente 1 e Efluente 2, conforme Figura 28. O Efluente 1 foi coletado no recipiente onde são feitas a lavagem inicial (após o jateamento) e a lavagem após o condicionamento, e o Efluente 2 foi coletado no recipiente onde são feitas as lavagens das peças após o processo de oxidação. Nas duas amostras foram analisados os seguintes parâmetros: Efluente 1: pH, NH4, DQO, Fe e Al; Efluente 2: pH, NH4, DQO, Fe, Cu, Ni. A Tabela 11 compara os resultados das amostras com a legislação ambiental. Verificase que todos os parâmetros analisados estão de acordo ou abaixo dos limites máximos de emissão de efluentes fixados pela legislação. O relatório de análise das amostras está no Anexo C. A seleção dos metais analisados nos Efluentes 1 e 2 correspondem a descrição do fabricante nas FISPQ dos produtos químicos. As FISPQ estão no Anexo B. O parâmetro Alumínio foi selecionado em razão da utilização de pó de alumínio no jateamento das peças. O parâmetro Ferro foi selecionado em razão do material das peças processadas. 77 Tabela 11 – Comparação de parâmetros das amostras com a legislação ambiental NA 0,23 18,5 0,82 <0,001 CONAMA nº 430/2011 N/A 1,0 N/A 15,0 2,0 CONSEMA nº 128/2006 10,0 0,5 400 10,0 1,0 <0,5 6,0 20,0 Entre 5 e 9 20 Entre 6 e 9 Parâmetros Efluente 1 Efluente 2 Alumínio (mg L-1) Cobre (mg L-1) DQO (mg L-1) Ferro (mg L-1) Níquel (mg L-1) Nitrogênio amoniacal (mg L-1) pH 0,37 NA <2,0 0,53 NA <0,5 5,9 NA – Não avaliado N/A – Não fornecido pela legislação Conforme pesquisa realizada por Neto, et al. (2008) em diversas empresas do ramo de galvanoplastia localizadas no estado de Minas Gerais, os efluentes gerados em uma empresa de galvanização de zinco a quente, continha cerca de 90 g L-1 de ferro total, 35 g L-1 de zinco e menores quantidades de alumínio, níquel e cobre, em meio de ácido clorídrico (pH = 0,6). Ainda cita-se a pesquisa de Ladeira e Pereira (2008) onde amostras de resíduos de empresas de galvanoplastia sinalizaram a presença de ferro e zinco, não sendo estes os elementos predominantes nas amostras, mas verificou também a existência de outros elementos, como níquel, cádmio, alumínio, manganês, cobre, flúor, cromo e cálcio. O cádmio e o cromo são os contaminantes responsáveis pelo enquadramento destes como perigosos. O estudo apresentou um cenário do setor de galvanoplastia de forma a orientar as empresas quanto a necessidade de eliminação ou redução dos níveis de contaminantes, de forma a reclassificar seus resíduos como não perigosos. Comparando-se os resultados obtidos nos efluentes do processo de oxidação negra a frio, verifica-se que processos tradicionais de galvanoplastia utilizam uma maior quantidade e variedade de metais pesados e outras substâncias químicas em seus processos, gerando efluentes e resíduos com nível de contaminação mais elevados, muitas vezes acima dos limites permissíveis pelas legislações ambientais, necessitando de sistema de tratamento eficiente para normalização dos efluentes. Apesar dos efluentes do processo de oxidação negra a frio conterem metais pesados, a empresa estudada emite, nas condições atuais de produção e conforme a quantidade e peso das peças processadas no dia da amostragem desta pesquisa, níveis menos impactantes comparados a empresas de galvanoplastia que realizam processos convencionais. Conforme a Licença de Operação da empresa estudada, emitida pela SEMMAS do município de Santa Cruz do Sul, a empresa não pode lançar nenhum tipo de efluente gerado na atividade em 78 corpo hídrico, solo ou pluvial sem o devido tratamento. A empresa deve manter um monitoramento periódico de seus efluentes, onde mudanças na quantidade ou peso de peças processadas deverá alterar os resultados das análises comparadas as realizadas nesta pesquisa, verificando a necessidade de tratamento dos efluentes antes do descarte. 4.4 Aplicação de ferramentas de gestão de riscos Para a gestão de riscos criou-se uma nova ferramenta, baseada nas ferramentas APR e HRN, onde foram levantados todos os perigos e riscos ambientais e ocupacionais relacionados as atividades e etapas do processo produtivo da oxidação negra a frio da empresa pesquisada. A ferramenta desenvolvida e denominada APR–HRN, se encontra no Quadro 4. Foram observados seis perigos/riscos, onde a ferramenta APR–HRN foi aplicada, descritos da Tabela 12. A nova ferramenta aplicada aos perigos/riscos estão detalhados no Apêndice 2. Tabela 12 – Perigos/riscos observados Nº da APR-HRN Descrição do perigo/risco 1 Manuseio de peças oxidadas e com impurezas/Intoxicação ou contaminação do colaborador 2 Contato com poeiras nocivas/Contaminação por aspiração ou contato com a pele com poeiras nocivas 3 Postura incorreta/Dores, lesões, distúrbios ou doenças osteomusculares 4 Manuseio e operação com produtos químicos/Contaminação ou intoxicação durante as operações e manuseio de produtos químicos 5 Derramamento de produtos químicos/Contaminação do solo, intoxicação dos funcionários 6 Derramamento de produtos químicos na rede de esgotos/Contaminação da água da rede de esgotos Para a aplicação da ferramenta o processo produtivo de oxidação negra a frio foi observado, onde foram feitas análises das atividades qualitativamente, através de registros fotográficos dos riscos e detalhamento da realização das atividades e quantitativamente com o 79 enquadramento dos riscos conforme os fatores de avaliação da ferramenta HRN, com o objetivo de classificar o nível de cada risco. Após a aplicação da ferramenta, organizou-se as APR–HRN por nível de risco e categoria conseguiu-se visualizar os riscos prioritários a serem atacados com o objetivo de minimizá-los ou eliminá-los (Tabela 13). Tabela 13 – Priorização dos riscos conforme nível e categoria NÍVEL DE RISCO (HRN) CATEGORIA DE RISCO Nº da APR-HRN 60 III 3 Postura incorreta/Dores, lesões, distúrbios ou doenças osteomusculares 48 III 4 Manuseio e operação com produtos químicos/Contaminação ou intoxicação durante as operações e manuseio de produtos químicos 45 III 6 Derramamento de produtos químicos na rede de esgotos/Contaminação da água da rede de esgotos 45 III 1 Manuseio de peças oxidadas e com impurezas/Intoxicação ou contaminação do colaborador 45 III 2 Contato com poeiras nocivas/Contaminação por aspiração ou contato com a pele com poeiras nocivas 15 III 5 Derramamento de produtos químicos/Contaminação do solo, intoxicação dos funcionários Descrição do perigo/risco Como as APR – HRN nº 1, 2 e 6 obtiveram a mesma classificação quanto a categoria e nível de risco, analisou-se outras informações das ferramentas, onde priorizou-se a APR– HRN nº 6 pela probabilidade de causar enfermidade grave (permanente) e por não possuir atualmente nenhuma medida de segurança referente ao risco. A próxima APR–HRN selecionada foi a nº 1 por possuir apenas uma medida de segurança já existente na empresa referente ao risco, enquanto que a APR–HRN nº 2 possui três medidas de segurança já existentes. As causas dos ricos das APR–HRN são analisadas na Tabela 14. 80 Tabela 14 – Causas dos riscos conforme APR–HRN Causa do risco APR-HRN 3 4 1 2 Uso incorreto dos EPIs X X X X Fornecimento de EPIs incorretos X X X X Falta de treinamento ou informações X X X X Poeira de óxido de alumínio, ferro, e impurezas das peças que são jateadas, no momento de colocar e retirar as peças do interior da máquina, e no momento da limpeza do filtro da máquina X Falta de organização no leiaute no setor de oxidação negra X X Respingos de produtos químicos durante as atividades das etapas do processo e no momento do manuseio destes produtos X Falta de identificação nas embalagens ou recipientes de produtos químicos X Falta de pré-tratamento dos resíduos antes do descarte 6 X Posturas incorretas na realização das atividades Falta de adequação do local prevendo este risco, quanto as adequações físicas e proteção dos funcionários 5 X X Observou-se que as causas “Uso incorreto de EPIs”, “Fornecimento de EPIs incorretos” e “Falta de treinamento ou informação” são relacionadas à quatro APR–HRN. Esta informação indica que trabalhando-se, por exemplo, na causa “Uso incorreto de EPIs”, ela seria eliminada em quatro APR–HRN. Na Tabela 15 relacionou-se todas as recomendações colocadas nas APR–HRN, onde verificou-se que a maioria das recomendações não agrega custo para a empresa, podendo ser absorvido pela empresa e pelos próprios funcionários. As recomendações 1 à 8 da Tabela 15 são sugeridas em quatro APR–HRN. Esta informação indica que, por exemplo, adequando-se os itens 1 à 8 os riscos serão minimizados ou eliminados, sem custo para a empresa. A tabela também mostra as APR–HRN nº 1, 2 e 4 não agregam custo referente as adequações, enquanto que as APR–HRN nº 3, 5 e 6 agregam custo em apenas uma das recomendações de cada APR–HRN, podendo ser facilmente visualizado. 81 Tabela 15 – Recomendações e investimentos para adequação dos riscos conforme APR–HRN Recomendações APR-HRN 3 4 5 2 1 - Treinar os funcionários quanto a correta utilização dos EPIs X X X X (Observação 1) 2 - Analisar os riscos presentes nesta atividade X X X X (Observação 1) 3 - Verificar se os EPIs fornecem real proteção contra os agentes agressores X X X X (Observação 1) 4 - Verificar indicação de EPIs no PPRA X X X X (Observação 1) 5 - Adquirir EPIs corretos para os riscos, com CA X X X X (Observação 2) 6 - Treinar os funcionários quanto a correta realização das atividades X X X X (Observação 1) 7 - Registrar o treinamento através de Ordem de Serviço X X X X (Observação 1) 8 - Informar os funcionários a respeito dos riscos que estão expostos X X X X (Observação 1) X X X (Observação 3) 9 - Criar procedimentos contemplando a segurança para estas atividades 10 - Realizar análise ergonômica para as atividades realizadas X 11 - Adequar máquina e bancada de trabalho X 12 - Realizar pausas para descanso e alongamentos ou ginástica laboral X 13 - Organizar leiaute X 6 Investimento (R$) 1 1.200,00 (Observação 4) (Observação 5) X (Observação 1) (Observação 3) X 14 - Acompanhar e controlar a saúde ocupacional dos funcionários através de exames médicos contemplados no PCMSO X (Observação 1) 15 - Identificar corretamente todas as embalagens, tanques e recipientes de produtos químicos utilizados no setor X (Observação 3) 16 - Disponibilizar as FISPQ dos produtos químicos aos funcionários X X (Observação 3) 17 - Adequar as instalações físicas para evitar que o líquido se espalhe (sistemas de contenção, piso impermeável, etc) X (Observação 6) 18 - Formação de Brigada de Emergência na empresa X 600,00 (Observação 7) 19 - Monitorar periodicamente o efluente gerado X 411,50 (Observação 8) 82 Observação 1: A empresa estudada já possui serviço de acessoria terceirizado referente a segurança e medicina do trabalho; Observação 2: A empresa já fornece EPIs com CA para os funcionários; Observação 3: Custo pode ser absorvido pela empresa, através da mão de obra dos próprios funcionários; Observação 4: Custo médio de mercado para realização de laudos de análise ergonômica das atividades do processo (consultou-se profissional experiente da área de ergonomia) Observação 5: As adequações de bancadas e máquinas devem ser feitas somente após a análise ergonômica dos postos de trabalho, para que as adequações sejam realmente eficientes; a empresa pode, no caso da bancada onde estão os tanques do processo de oxidação negra, retirar um dos tanques que não é utilizado, e colocar os recipientes de lavagem (retirando-os do chão); Observação 6: O piso atual é impermeável (concreto polido), e a empresa pode adotar medidas de contenção para vazamentos, como disponibilizar no setor de oxidação negra materiais absorventes, como por exemplo serragem ou estopas; Observação 7: Custo médio de mercado para realização de treinamento (consultou-se empresa especializada em treinamentos de segurança); Observação 8: Custo das análises conforme realizadas nesta pesquisa (consultou-se a Central Analítica da UNISC). Os investimentos referentes as recomendações dispostas na Tabela 15 resumem-se na Tabela 16. Tabela 16 – Resumo das APR–HRN conforme investimento Nº da APR-HRN 3 4 6 1 2 5 CATEGORIA DE RISCO III III III III III III NÍVEL DE RISCO (HRN) 60 48 45 45 45 15 INVESTIMENTO P/ADEQUAÇÃO R$ 1.200,00 R$ 411,50 R$ 600,00 A aplicação da ferramenta APR–HRN mostrou resultados satisfatórios de análise e quantificação dos riscos do processo na empresa estudada, possibilitando priorizar as 83 atividades mais críticas e realizar análises detalhadas nas causas e recomendações das medidas mitigadoras para estes riscos, além dos custos relacionados às adequações sugeridas. 84 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÃO O processo de oxidação negra a frio foi estudado em uma empresa de galvanoplastia do Vale do Rio Pardo/RS, onde amostragens de efluentes gerados nas lavagens de peças do processo foram analisados, sendo que os resultados das análises, principalmente metais pesados, ficaram abaixo dos limites permissíveis pelas legislações ambientais para efluentes industriais. Analisando-se a localização geográfica da empresa no município de Santa Cruz do Sul/RS, conforme o mapa de zoneamento de usos do Plano Diretor do município, a empresa está situada em zona residencial, o que demonstra que podem existir riscos na área entorno a empresa, que conforme a FEPAM é de alto potencial poluidor. Observou-se que o PPRA da empresa contempla apenas os produtos químicos Blackfast 181 e Blackfast 833B do processo de oxidação negra a frio, e não refere-se ao condicionante Blackfast 551. Portanto há necessidade de revisão e atualização do programa, pois se o produto não é contemplado ou reconhecido, não são analisados os riscos vinculados a ele, nem sugerem-se medidas de prevenção ou proteção. Como o PCMSO é baseado no PPRA, exames médicos para monitoramento e acompanhamento da saúde dos trabalhadores que mantêm exposição ao Blackfast 551 não são realizados. A ferramenta desenvolvida para gestão de riscos APR–HRN foi utilizada nas atividades do processo, para detalhamento dos perigos e riscos e quantificação do nível de risco de cada atividade. Com isso os riscos foram organizados de forma a priorizar ações de minimização, eliminação e adequação das atividades mais críticas. Uma análise das causas dos riscos foi realizada onde verificou-se que as mesmas causas se repetem em diversas APR–HRN, mostrando que a eliminação de uma causa podem tornar mais segura várias atividades. Um levantamento de custos e investimentos foi realizado levando em conta as recomendações relacionadas nas APR–HRN, onde concluiu-se que a maioria das adequações sugeridas não agrega custo para a empresa. A união de duas ferramentas de análise de riscos já existentes transformada em uma nova ferramenta se mostrou eficiente com resultados satisfatórios para o controle dos riscos na empresa estudada. Enquanto que a ferramenta APR é utilizada para uma avaliação qualitativa, a HRN realiza uma avaliação quantitativa. A nova ferramenta APR–HRN apresenta diversas informações sobre detalhes dos riscos, que são muito valiosas para organização e priorização das ações referentes a eliminação ou minimização dos riscos. 85 A APR–HRN não se limita a ser utilizada em um processo produtivo específico, podendo ser utilizada em qualquer sistema ou processo já existente, onde seja necessária a análise de riscos. A nova ferramenta desenvolvida pode ser utilizada como uma das estratégias de gestão de riscos, pois ela irá analisar os riscos isoladamente, mas também mostrar uma visão global do processo, envolvendo também pessoas, que devem estar comprometidas e treinadas para que a gestão seja eficiente e contínua. 86 REFERÊNCIAS AGUIAR, M. R. M. P.; GUARINO, A. W. S.; NOVAES, A. C. Remoção de metais pesados de efluentes industriais por aluminossilicatos. 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