C
iências
ontábeis
ADMINISTRAÇÃO
Caderno de Língua Portuguesa
Dom Alberto
Prof: Jane Jordan Klein
C122
KLEIN, Jane Jordan
Caderno de Língua Portuguesa Dom Alberto / Jane Jordan Klein. –
Santa Cruz do Sul: Faculdade Dom Alberto, 2010.
Inclui bibliografia.
1. Administração – Teoria 2. Ciências Contábeis – Teoria 3. Língua
Portuguesa – Teoria I. KLEIN, Jane Jordan II. Faculdade Dom Alberto III.
Coordenação de Administração IV. Coordenação de Ciências Contábeis
V. Título
CDU 658:657(072)
Catalogação na publicação: Roberto Carlos Cardoso – Bibliotecário CRB10 010/10
Página 2
Apresentação
O Curso de Administração da Faculdade Dom Alberto iniciou sua
trajetória acadêmica em 2004, após a construção de um projeto pautado na
importância de possibilitar acesso ao ensino superior de qualidade que,
combinado à seriedade na execução de projeto pedagógico, propiciasse uma
formação sólida e relacionada às demandas regionais.
Considerando esses valores, atividades e ações voltadas ao
ensino sólido viabilizaram a qualidade acadêmica e pedagógica das aulas, bem
como o aprendizado efetivo dos alunos, o que permitiu o reconhecimento pelo
MEC do Curso de Administração em 2008.
Passados seis anos, o curso mostra crescimento quantitativo e
qualitativo, fortalecimento de sua proposta e de consolidação de resultados
positivos, como a publicação deste Caderno Dom Alberto, que é o produto do
trabalho intelectual, pedagógico e instrutivo desenvolvido pelos professores
durante esse período. Este material servirá de guia e de apoio para o estudo
atento e sério, para a organização da pesquisa e para o contato inicial de
qualidade com as disciplinas que estruturam o curso.
A todos os professores que com competência fomentaram o
Caderno Dom Alberto, veículo de publicação oficial da produção didáticopedagógica do corpo docente da Faculdade Dom Alberto, um agradecimento
especial.
Lucas Jost
Diretor Geral
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PREFÁCIO
A arte de ensinar e aprender pressupõe um diálogo entre aqueles que
interagem no processo, como alunos e professores. A eles cabe a tarefa de
formação, de construção de valores, habilidades, competências necessárias à
superação dos desafios. Entre estes se encontra a necessidade de uma
formação profissional sólida, capaz de suprir as demandas de mercado, de
estabelecer elos entre diversas áreas do saber, de atender às exigências legais
de cada área de atuação, etc.
Nesse contexto, um dos fatores mais importantes na formação de um
profissional
é
saber
discutir
diversos
temas
aos
quais
se
aplicam
conhecimentos específicos de cada área, dispondo-se de uma variedade ampla
e desafiadora de questões e problemas proporcionada pelas atuais
conjunturas. Para que isso se torne possível, além da dedicação daqueles
envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, é preciso haver suporte
pedagógico que dê subsídios ao aprender e ao ensinar. Um suporte que
supere a tradicional metodologia expositiva e atenda aos objetivos expressos
na proposta pedagógica do curso.
Considerando esses pressupostos, a produção desse Caderno Dom
Alberto é parte da proposta pedagógica do curso da Faculdade Dom Aberto.
Com este veículo, elaborado por docentes da instituição, a faculdade busca
apresentar um instrumento de pesquisa, consulta e aprendizagem teóricoprática, reunindo materiais cuja diversidade de abordagens é atualizada e
necessária para a formação profissional qualificada dos alunos do curso.
Ser um canal de divulgação do material didático produzido por
professores da instituição é motivação para continuar investindo da formação
qualificada e na produção e disseminação do que se discute, apresenta, reflete,
propõe e analisa nas aulas do curso. Espera-se que os leitores apreciem o
Caderno Dom Alberto com a mesma satisfação que a Faculdade tem em
elaborar esta coletânea.
Elvis Martins
Diretor Acadêmico de Ensino
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Sumário
Apresentação
03
Prefácio
04
Plano de Ensino
06
Aula 1
Comunicação, leitura e escrita
11
Aula 2
Língua, linguagem e sociedade
18
Aula 3
Linguagem, funções da linguagem e leitura
27
Aula 4
Tópicos gramaticais: parônimos e homônimo
36
Aula 5
Exercícios
37
Aula 6
Estudo do parágrafo
39
Aula 7
Formas de elaboração da introdução do parágrafo
42
Aula 8
Principais problemas de Coesão
49
Aula 9
Concordância
77
Aula 10
Gêneros textuais
87
Aula 11
Redação oficial ATA
Aula 12
Crase
97
104
Página 5
Centro de Ensino Superior Dom Alberto
Plano de Ensino
Curso: Administração/Ciências Contábeis
Carga Horária (horas): 60
Identificação
Disciplina: Língua Portuguesa
Créditos: 4
Semestre: 1º
Ementa
Língua, linguagem e sociedade. Linguagem oral e linguagem escrita. Norma culta, variedades lingüísticas e
contextos comunicativos. Leitura e interpretação de textos. Gêneros textuais. Redação técnica: conceitos,
normas e estrutura. Aspectos gramaticais.
Objetivos
Geral: Ampliar a competência lingüística do aluno, tanto na modalidade oral quanto escrita, para se
expressar de modo eficaz, satisfazendo os requisitos básicos da profissão.
Específicos: Desenvolver a leitura reflexiva, desenvolvendo a capacidade de apreender o essencial num
texto e relacionando o texto com seu contexto. Conhecer diferentes tipos de texto, especialmente os
relacionados à área administrativa, a fim de ampliar as possibilidades de interação comunicativa tanto oral
quanto escrita. Desenvolver a capacidade de produzir textos, conhecendo sua estrutura e organização e
estabelecendo coesão e coerência. Revisar de forma contínua elementos gramaticais para que haja
domínio da norma culta da língua, sabendo-se usá-la adequadamente nos mais variados contextos
comunicativos formais e informais.
Inter-relação da Disciplina
Horizontal: A disciplina, através de atividades de leitura, interpretação e produção de textos, possibilita uma
interação entre diferentes habilidades lingüísticas, ampliando as alternativas de comunicação oral e escrita.
Vertical: Ao abordar competências no uso da língua, o estudo da Língua Portuguesa prepara o aluno para
a elaboração adequada de diferentes tipos de texto, especialmente aqueles que fazem parte das atribuições
dos profissionais dos Cursos de Administração e Ciências Contábeis. Além disso, a disciplina, ao
desenvolver a habilidade de expressão oral e escrita, amplia a capacidade comunicativa, favorecendo a
realização de trabalhos, seminários, apresentações orais, etc., que integram a formação discente em várias
disciplinas dos Cursos.
Competências Gerais
Desenvolver a capacidade de usar satisfatoriamente a língua em diferentes situações de interação social
bem como em processos de leitura e produção textual.
Competências Específicas
Reconhecer características linguísticas e estruturais de diferentes gêneros textuais a fim de proporcionar
adequada leitura e redação de textos bem como uso satisfatório da língua em situações comunicativas.
Habilidades Gerais
Analisar diferentes tipos de textos, investigando suas características linguísticas e estruturais para elaborar
de modo adequado textos próprios da atuação profissional em Administração e Ciênicas Contábeis..
Habilidades Específicas
Elaborar diversos gêneros textuais próprios da área de formação e atuação profissional, utilizando a
modalidade padrão da língua portuguesa; Usar adequadamente a língua em situações de interação social;
Produzir textos coesos e coerentes; Ler criticamente diversos tipos de texto, identificando sua estrutura e
ideias principais e secundárias.
Conteúdo Programático
PROGRAMA:
Página 6
Missão: "Oferecer oportunidades de educação, contribuindo para a formação de profissionais conscientes e competentes,
comprometidos com o comportamento ético e visando ao desenvolvimento regional”.
1. Língua, linguagem e sociedade
1.1. Conceitos de língua, linguagem e fala
1.2. Funções da linguagem
1.3. Variedades lingüísticas
2. Estudo do texto
2.1. Fatores de textualidade
2.2. Gêneros textuais
2.3. Leitura e interpretação de textos
3. Estudo do parágrafo
3.1. Estrutura e organização
3.2. Elementos de coesão e coerência
3.3. Análise e produção de parágrafos
4. Redação técnica
4.1. Mensagens eletrônicas
4.2. Requerimento
4.3. Convocação
4.4. Ata
4.5. Ofício
5. Recapitulação de aspectos gramaticais
5.1. Ortografia
5.2. Acentuação gráfica
5.3. Concordância verbal e nominal
5.4. Pronomes de tratamento
5.5. Regência verbal e nominal
5.6. Pontuação
5.7. Parônimos e homônimos
Estratégias de Ensino e Aprendizagem (metodologias de sala de aula)
Aulas expositivo-interativas. Atividades em grupo e/ou individuais. Atividades de leitura e produção textual.
Apresentações orais.
Avaliação do Processo de Ensino e Aprendizagem
A avaliação do processo de ensino e aprendizagem deve ser realizada de forma contínua, cumulativa e
sistemática com o objetivo de diagnosticar a situação da aprendizagem de cada aluno, em relação à
programação curricular. Funções básicas: informar sobre o domínio da aprendizagem, indicar os efeitos da
metodologia utilizada, revelar conseqüências da atuação docente, informar sobre a adequabilidade de
currículos e programas, realizar feedback dos objetivos e planejamentos elaborados, etc.
A forma de avaliação será da seguinte maneira:
1ª Avaliação
–
Peso 8,0 (oito): Prova;
–
Peso 2,0 (dois): Trabalho. Este trabalho, que aborda a produção de parágrafo, a coesão e a
coerência, poderá ser feito individualmente ou em grupo de até três alunos e deverá ser postado na
categoria “Tarefas” (no portal www.domalberto.edu.br, acesso restrito a aluno, na disciplina de Língua
Portuguesa) até o dia 1°/10/2010. Em caso de trabalho realizado em grupo, somente um aluno insere o
trabalho, devendo os nomes dos componentes do grupo serem indicados no trabalho, que deve ser
formatado em Word versão 2003.
2ª Avaliação
Peso 8,0 (oito): Prova;
Peso 2,0 (dois): referente ao Sistema de Provas Eletrônicas – SPE (maior nota das duas
provas do SPE)
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Missão: "Oferecer oportunidades de educação, contribuindo para a formação de profissionais conscientes e competentes,
comprometidos com o comportamento ético e visando ao desenvolvimento regional”.
Avaliação Somativa
A AFERIÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR DE CADA DISCIPLINA É FEITA ATRAVÉS DE NOTAS INTEIRAS DE ZERO A DEZ,
PERMITINDO-SE A FRAÇÃO DE 5 DÉCIMOS.
O aproveitamento escolar é avaliado pelo acompanhamento contínuo do aluno e dos resultados por ele
obtidos nas provas, trabalhos, exercícios escolares e outros, e caso necessário, nas provas substitutivas.
Dentre os trabalhos escolares de aplicação, há pelo menos uma avaliação escrita em cada disciplina no
bimestre.
O professor pode submeter os alunos a diversas formas de avaliações, tais como: projetos, seminários,
pesquisas bibliográficas e de campo, relatórios, cujos resultados podem culminar com atribuição de uma
nota representativa de cada avaliação bimestral.
Em qualquer disciplina, os alunos que obtiverem média semestral de aprovação igual ou superior a sete
(7,0) e freqüência igual ou superior a setenta e cinco por cento (75%) são considerados aprovados.
Após cada semestre, e nos termos do calendário escolar, o aluno poderá requerer junto à Secretaria-Geral,
no prazo fixado e a título de recuperação, a realização de uma prova substitutiva, por disciplina, a fim de
substituir uma das médias mensais anteriores, ou a que não tenha sido avaliado, e no qual obtiverem como
média final de aprovação igual ou superior a cinco (5,0).
Sistema de Acompanhamento para a Recuperação da Aprendizagem
Serão utilizados como Sistema de Acompanhamento e Nivelamento da turma os Plantões Tira-Dúvidas que
são realizados sempre antes de iniciar a disciplina, das 18h30min às 18h50min, na sala de aula.
Recursos Necessários
Humanos
Professor.
Físicos
Laboratórios, visitas técnicas, biblioteca, etc.
Materiais
Recursos Multimídia.
Bibliografia
Básica
ANDRADE, Maria Margarida de; HENRIQUES, Antonio. Língua portuguesa: noções básicas para cursos
superiores. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
AZEREDO, José Carlos. Fundamentos de gramática do português. 2.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2002.
MEDEIROS, João Bosco. Redação empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
______. Correspondência: técnicas de comunicação criativa. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis:
Vozes, 1992.
Complementar
ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. São Paulo: Ática, 1994.
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar a gramática. São Paulo: FTD, 2004.
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lubia Scliar. Português instrumental: de acordo com as atuais
normas da ABNT. 25. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Editora da Fundação, 2002.
SOARES, Magda; CAMPOS, Edson. Técnica de redação: as articulações lingüísticas de pensamento. Rio
de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1978.
Periódicos
Revistas: Exame, Carta Capital.
Sites para Consulta
http://www.gramaticaonline.com.br
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Missão: "Oferecer oportunidades de educação, contribuindo para a formação de profissionais conscientes e competentes,
comprometidos com o comportamento ético e visando ao desenvolvimento regional”.
http://www2.uol.com.br/linguaportuguesa
http://www.classecontabil.com.br
http://www.fecap.br/adm_online
Outras Informações
Endereço eletrônico de acesso à página do PHL para consulta ao acervo da biblioteca:
http://192.168.1.201/cgi-bin/wxis.exe?IsisScript=phl.xis&cipar=phl8.cip&lang=por
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Missão: "Oferecer oportunidades de educação, contribuindo para a formação de profissionais conscientes e competentes,
comprometidos com o comportamento ético e visando ao desenvolvimento regional”.
Cronograma de Atividades
Aula
Consolidação
Avaliação
Conteúdo
Proposta de trabalho e avaliação. Objetivos das aulas de
Português. Importância do ato de ler e escrever. Leitura e
análise de texto
Guia Ortográfico, Discussão sobre inter-relações sobre língua
e sociedade. Conceitos de língua, linguagem e fala. Funções
da linguagem
Variedades lingüísticas. Tópicos gramaticais: parônimos,
homônimos, uso dos porquês, dificuldades ortográgicas
Estudo do texto. Fatores de textualidade. Leitura e análise de
textos.
Estudo do parágrafo. Estrutura e organização de parágrafos.
Coesão e Coerência textual.
Gêneros textuais: estrutura e organização de parágrafos.
Resumo e resenha.
1ª
2ª
3ª
4ª
5ª
6ª
7ª
Tópicos gramaticais, pontuação. Trabalho de avaliação.
Consolidação
1ªavaliação
1
1
e
Sistematização
dos
Conteúdos
da
9ª
Recursos
AE, VI
QG, AP
AE, TG
QG, DS, AP
AE, TI
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
AE, TG, TI
QG. AP, PS
AE
QG, AP, PS
AE, TG, TI
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
Primeira Avaliação
Análise e correção da prova. Tópicos gramaticais:
concordância nominal e verbal, pronomes de tratamento.
Estudo da redação técnica: características e tipos de texto.
Mensagens eletrônicas.
8ª
Procedimentos
10ª
Requerimento e convocação: produção textual
AE ,LB
QG, AP, PS
11ª
Tópicos gramaticais: acentuação gráfica, crase
AE, TI
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
AE
QG, AP, PS
12ª
Ata e Ofício. Produção textual e interpretação textual.
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Revisão dos
tópicos gramaticais
Consolidação e sistematização dos Conteúdos da 2ª
Avaliação.
13ª
2
2
Segunda Avaliação
3
Avaliação Substitutiva
Legenda
Código
AE
TG
TI
SE
PA
Descrição
Aula expositiva
Trabalho em grupo
Trabalho individual
Seminário
Palestra
Código
QG
RE
VI
DS
FC
Descrição
Quadro verde e giz
Retroprojetor
Videocassete
Data Show
Flipchart
Código
LB
PS
AP
OU
Descrição
Laboratório de informática
Projetor de slides
Apostila
Outros
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Missão: "Oferecer oportunidades de educação, contribuindo para a formação de profissionais conscientes e competentes,
comprometidos com o comportamento ético e visando ao desenvolvimento regional”.
AULA 1
1. COMUNICAÇÃO, LEITURA E ESCRITA
O homem, sendo um ser social por excelência, porque vive em grupos e é
dotado da capacidade de refletir, tem usado suas habilidades para manter relações
com seus semelhantes, o que lhe possibilita partilhar pensamentos e emoções. E
esse partilhar, antes da evolução do homem até o estágio homo sapiens, se
estabelecia através de algumas “modalidades de significantes”, listadas por Vicente
de Paulo Saraiva: pintura, escultura, música, dança. Mas a capacidade de pensar
fez o homem criar outra ferramenta de comunicação - a palavra.
A palavra, como um dos recursos mais fecundos da comunicação, é o
instrumento que o homem possui para difundir idéias, expressar emoções e
defender posições. Por isso, seu uso adequado tem sido amplamente defendido não
só por profissionais ligados à área da comunicação, mas também por aqueles que
vêem no domínio da palavra um requisito essencial para obtenção de sucesso no
mercado de trabalho, independentemente do campo de atuação. Nessa linha de
raciocínio, João Bosco Medeiros enfatiza:
“O sucesso empresarial também depende de um sistema de comunicação eficaz,
tanto interna, quanto externamente. A comunicação imprecisa, ambígua e
insuficiente tem gerado a ruína de muitos empresários.” (MEDEIROS, 2005, p. 17)
Diante disso, que estratégias adotar para estabelecer uma comunicação
eficiente? Exercitar a leitura e a escrita e tornar-se um bom leitor.
Quais são as características do bom leitor?
►Um bom leitor cria possibilidades mais amplas de integração e ação social;
►Um bom leitor é aquele que capta o explícito e o implícito, as “entrelinhas”
subjacentes ao texto, as intenções do autor;
►É aquele que constrói uma leitura crítica do mundo;
►É ainda aquele que aprecia a potencialidade da língua concretizada no texto e
avalia o que se diz e como as coisas são ditas;
►Um bom leitor incorpora à leitura os seus conhecimentos prévios e as suas
experiências de vida para atingir o significado do texto.
Assim, em um mesmo texto diferentes possibilidades de leitura podem surgir. Mas é
preciso ressaltar que uma leitura só é válida quando autorizada pelo texto e
fundamentada por indicadores que permitem uma ou mais interpretações.
Que leituras podem ser feitas a partir do seguinte texto?
Página 11
ZERO HORA, 28 DE FEVEREIRO DE 2002.
Enfim, o bom leitor é aquele que constrói significado/sentido no texto. E a
atividade de leitura é um exercício que prepara o indivíduo para a vida em
sociedade, devendo, por isso, ser cultivada e aperfeiçoada. Isso porque:
“Não basta, porém, ser alfabetizado para fazer da leitura um ato de ‘crítica’, que
envolve constatação, reflexão e transformação de significados. [...] A leitura é
uma atividade necessária no mundo de hoje e não deve restringir-se às
finalidades de estudo. É preciso ler para se informar, para participar, para
ampliar conhecimentos e alcançar uma compreensão melhor da realidade
atual.” (ANDRADE; HENRIQUES, 1999, p. 49)
O domínio da leitura conduz ao domínio da escrita, prática indispensável
no contexto atual, já que o homem escreve para dar ordens, avisar alguém, receitar,
registrar vivências, pedir, etc. inicio9-10). Para esses autores, “a escrita já nasceu
com mil utilidades” (2003, p. 9-10) e a sua invenção foi um sucesso: “veio para ficar
e se espalhar pelo mundo, e foi uma arma poderosíssima nas mãos dos povos que a
dominavam, de tal forma que, hoje, os povos que não dispõem dela dependem da
escrita dos outros para sobreviverem. E, mesmo dentro de países civilizados, o
cidadão que não sabe escrever também depende dos que sabem para ficar vivo.”
(2003, p. 10).
A dificuldade ou a ausência do culto à escrita pode tornar-se fator gerador de
“exílio”, “colonização” e “dominação” do homem na sociedade, pois, segundo Faraco
e Tezza,
O domínio da escrita é tão importante que, durante séculos, só se permitia
que uma pequeníssima parcela da sociedade aprendesse a ler e a escrever.
Escrever era uma questão de segurança social, política ou religiosa: só
pessoas de determinadas classes ou castas tinham esse direito, exercido
sempre sob estrito controle.” (2003, p. 10) Com o passar do tempo, a
vigilância foi sendo amenizada e a escrita, popularizada de tal modo que é
impensável “um mundo sem palavras escritas(FARACO; TEZZA, 2003, p. 911).
Página 12
Para Faraco e Tezza, a escrita é indispensável porque amplifica a
linguagem oral em dois aspectos: a escrita atravessa o tempo e atravessa o
espaço. Por romper a linha temporal, faz história – na dupla acepção do termo. Ao
ultrapassar barreiras geográficas, no envio de uma carta ou de um e-mail, por
exemplo, a escrita possibilita a construção de uma memória de informações a serem
compartilhadas por pessoas de/em diversos lugares. Essas duas peculiaridades da
escrita, as quais são sintetizadas na noção de “permanência”, asseguram que “a
escrita dominou o mundo” (FARACO; TEZZA, 2003, p. 12)
Se a escrita domina o mundo, o homem precisa dominá-la para se revelar
apto a interagir socialmente.
Diante dessa necessidade de aprimoramento da capacidade de expressão
escrita, algumas dicas são fundamentais:
►Ler atentamente bons textos, assumindo uma postura crítica;
►Ler autores da área que pretende seguir;
►Observar a forma de escrever dos autores;
►Corrigir deficiências do aprendizado da Língua Portuguesa;
►Dominar técnicas de redação e recursos lingüísticos básicos;
►Produzir textos.
É importante destacar que produzir bons textos não significa produzir
textos literários. Um texto bem elaborado é aquele que atende a determinados
fins, seja no âmbito artístico, seja no profissional. Por exemplo, se o objetivo do
redator é relatar pormenorizadamente tudo o que aconteceu numa reunião
administrativa de uma empresa, ele precisará escrever uma ata, tipo de texto que se
organiza segundo algumas normas específicas. Agora, se a intenção de um autor é
produzir uma história a partir de acontecimentos do cotidiano e envolver o leitor
numa narrativa literária, deverá escrever uma crônica. Portanto, quando se escreve
um texto, é necessário atender aos objetivos da produção textual, obedecendo a um
sistema de regras ligado não só a normas lingüísticas, mas também à tipologia
textual.
Outro elemento importante na construção de um texto é a atenção ao
contexto comunicativo. Quem será o leitor do texto? Que linguagem adotar para
estabelecer comunicação com determinado leitor e para obedecer à característica do
texto? Ao escrever um e-mail, por exemplo, o nível de linguagem usado quando se
comunica com um amigo não é o mesmo quando o interlocutor é o chefe de
trabalho.
Página 13
A atividade de escrita, então, pressupõe conhecimento do assunto a ser
abordado, clareza das intenções/objetivos da produção textual, adequação à
modalidade da língua e ao tipo de texto e ajuste de estrutura e expressão à
característica do leitor/receptor. Além disso, o processo de escrita é baseado em
noções de apresentação formal do texto, como a estrutura dissertativa - que exige a
divisão do texto em, no mínimo, três parágrafos – e a estrutura da redação técnica –
que possui linguagem e diagramação próprias.
Em síntese:
Organizar adequadamente a produção de um texto significa considerar o
que se escreve, para que se escreve, como se escreve e para quem se
escreve.
ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL
1. Imagine a seguinte situação: você é auxiliar administrativo de uma empresa
do setor fumageiro e está trabalhando em sua sala. O telefone toca. É seu pai,
pedindo que você vá depressa para o hospital porque sua mãe sofreu um acidente.
Antes de sair do local de trabalho, você precisa deixar um aviso, informando que
precisou sair mais cedo por motivos pessoais. Como você escreveria um aviso para
o seu chefe, informando o ocorrido?
2. Diante da situação apresentada acima, considere que você ainda precisa
avisar sua esposa. Que torpedo você enviaria a ela, noticiando os fatos?
Página 14
LER É UM EXERCÍCIO. UM CONVITE À LEITURA:
Nadando em letras
Estes dias, enquanto conversava com amigos, o assunto “literatura” veio à
tona. Decepcionei-me ao saber que muitos detestavam ler e espantei-me com a
razão: ler seria, na opinião deles, complicado, difícil. Sei lá, isso ficou lá num canto
empoeirado da minha mente, até que reapareceu, e na hora certa; na hora em que
nadava. Curioso, mas os atos de ler e de nadar têm muito mais comum do que
aparentemente se pensa. Ler, assim como nadar, são atividades para as quais
devemos treinar, aprender.
Algo gradual; não se começa nadando em uma piscina de 50 metros, assim
como não se aprende a ler com um livro de Eco, mas com treino chegamos lá.
No princípio, mesmo uma piscina curta é um desafio. A borda oposta parece
tão distante; uma eternidade marcada por lentas braçadas nos separa dela. De
repente a gente vai e volta, as braçadas ficam rápidas e fortes; procuramos uma
piscina grande. Um dia aprendemos que, ao chegar perto da borda, basta dar uma
meia cambalhota, impulsionar com os pés e daí nadar ainda mais rápido. Depois da
velocidade, vem o gosto pela distância, este junto com as temidas cãibras – mais
treino. Dois, três quilômetros são (quase) brincadeira. Próximo desafio: água aberta e
fria, rio, correnteza; desafio! O melhor de tudo é que a qualquer momento podemos
lembrar dos estágios anteriores, isto é, ter consciência de que melhoramos de fato.
Ler é similar. Quando começamos, qualquer textinho é um desafio. O ponto
final não chega nunca, nos perdemos ao mudar de linha; nossa própria leitura mental
não consegue encontrar a entonação certa. Enfim, é um calvário de letrinhas.
Quando os textos ficam curtos, pulamos para livretos e aos poucos desenvolvemos
consciência do conteúdo que expõem, assim como na piscina quando aprendemos
seus truques; em resumo, adquirimos experiência, a qual é vital para ir adiante.
Então pulamos para livros complicados, grandes, clássicos de autores famosos ou
não.
Eles dão um nó na gente e não é raro que tenhamos que ler determinadas
partes duas vezes, ou retornar alguns capítulos para compreender o contexto. São as
“cãibras gramaticais”, digamos assim – mais treino.
O que vem depois: outras línguas, outros autores, mais desafios .... quem
sabe até mesmo escrever? E assim como a natação, o nostálgico “olhar para trás” é
gratificante e neste caso, culturalmente impagável.
Pessoalmente, leio muito. Sou do time do Luís Fernando Veríssimo: se não
tenho nada para ler, corro para a torneira do banheiro para ler “quente/fria”. Talvez
por isso repudie aquela imagem esterotipada que fazem dos leitores, com seus
pesados óculos, pele pálida, característica apatia, chatice e aversão a convívio
pessoal e afins. Ela apenas intimida aqueles que lêem, nutre um preconceito, que
assim como a maioria, é detestável e infundado. E chegou aquela hora de passar a
mensagem final e se tenho uma, ela é: leiam! Ler é mentalmente saudável; nadar (ou
praticar qualquer forma de esporte) é fisicamente saudável e como o ditado latino
prescreve, mens sana incorpore sano, isto é, mente sã em corpo são.
Rafael Accorsi/Universidade de Freiburg, Alemanha
(Gazeta do Sul, 7 ago. 2002)
Página 15
1.
A exemplo dos amigos do autor do texto, que detestavam ler, apresente
outras razões possíveis para tanta resistência à leitura.
2.
Na visão do autor do texto, a leitura também é complicada e difícil? Explique.
3.
Considere a seguinte afirmação: “Ler, assim como nadar, são atividades para
as quais devemos treinar, aprender”. Segundo o texto, como se desenvolve o
processo de leitura?
4.
Que estratégia lingüística o autor utiliza para explicar como se desencadeiam
os estágios de leitura?
5.
A partir da leitura do texto, explique o que são “calvário de letrinhas” e
“cãibras gramaticais”.
6.
O autor se opõe a uma visão tradicional de leitor, definida como ”aquela
imagem esterotipada que fazem dos leitores, com seus pesados óculos, pele pálida,
característica apatia, chatice e aversão a convívio pessoal e afins”. Qual a razão
dessa oposição?
7.
A referência a Luís Fernando Veríssimo não é casual. Por que Rafael Accorsi
o citou?
8.
No final do texto, o autor propõe uma reflexão-síntese construída pela
analogia entre nadar e ler e pela citação de um provérbio latino. Explique, com suas
palavras, essa reflexão.
DOMÍNIO DA LÍNGUA PORTUGUESA E MERCADO DE TRABALHO
A Língua Portuguesa e o Mercado de Trabalho
Vanessa Loureiro Correa*
O programa de televisão "O Aprendiz 3", transmitido pelo canal fechado People
and Arts e retransmitido pela TV Pampa, mostra a luta de doze candidatos por
uma vaga na empresa de Roberto Justus, âncora do programa. Esse emprego é
em Nova York e o salário é em torno de U$ 250.000 anuais, além de todos os
confortos, ou seja, carro, apartamento, alimentação e outras vantagens. Para
serem merecedores da vaga, os candidatos precisam mostrar liderança,
criatividade, conhecimento técnico e, também, domínio da língua materna e de
uma língua estrangeira.
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Vários estudiosos da língua portuguesa escreveram sobre a importância de se
saber mais de um nível de linguagem para a conquista da vaga. Justus não
perdoou os competidores que, em algum momento, usaram termos ou aspectos
gramaticais inadequados. Foi incisivo e falou, por alguns minutos, sobre a
importância das línguas nas empresas. Provou que um excelente executivo não
pode contar somente com o conhecimento da secretária para que a comunicação
ocorra. O próprio Roberto demonstrou, em todos os programas, um alto nível de
domínio das línguas portuguesa e inglesa.
Muitos podem estar pensando que isso só ocorreu no programa porque o
emprego era bom. Porém, revistas especializadas como Você S/A informam que,
atualmente, o domínio lingüístico está sendo usado como fator de seleção, tendo
em vista o bom currículo dos candidatos. Há empresas que pedem a conjugação
de um verbo, outras fazem "ditado" de palavras portuguesas e inglesas, mas a
grande maioria pede mesmo é a elaboração de uma redação. Sem sombra de
dúvida que a escritura de um texto é, de fato, a melhor maneira de se avaliar o
candidato. Além dos aspectos gramaticais, pode-se verificar se ele sabe coesão,
coerência, partes textuais e outros elementos que constituem uma produção
textual.
Sendo assim, torna-se evidente que a inserção no mercado de trabalho não
depende mais de um domínio somente técnico. Aqueles que ainda têm
problemas com a língua materna terão de correr atrás do prejuízo se quiserem
encontrar colocação. Ainda que se possa usar o nível coloquial com os amigos e
em situações informais, tem-se que dominar o culto para apresentar um
diferencial. Não tem escapatória, a mensagem é clara: mãos à obra!
* Mestre em Lingüística Aplicada pela PUCRS, professora do Curso de Letras da ULBRA e tutora de
Língua Portuguesa no ULBRA EAD. Coordenadora das Licenciaturas do ISEE.
Texto disponível em: http://www.ulbra.br/ead/linportuguesa.htm
Acesso em: 16 ago. 2008.
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AULA 02
2. LÍNGUA, LINGUAGEM E SOCIEDADE
2.1. CONCEITOS DE LINGUAGEM, LÍNGUA E FALA
A comunicação em nossa sociedade pode ser realizada de diversas formas:
através da palavra, do corpo, do gesto, da imagem, do som. Essas formas de
comunicação são linguagens que se valem de diversos recursos para produzir
significados. A linguagem é um processo comunicativo pelo qual as pessoas
interagem entre si. Além da linguagem verbal, cuja unidade básica é a palavra
(falada ou escrita), existem também as linguagens não verbais. Há ainda linguagens
mistas, que intercalam a verbal com a não verbal. Veja os exemplos:
Linguagem Verbal
Linguagem
não
verbal
Linguagem
mista
(verbal
e
não
verbal)
Texto opinativo (editorial), poema, ata, ofício, requerimento
Música, dança, pintura, fotografia, escultura
Notícia de jornal (texto escrito e imagem, fotografia), sites da
Internet, história em quadrinhos, cinema, teatro, novela
Segundo Dileta Martins e Lúbia Zilberknop (2003), no mundo moderno o
homem não vive sem a comunicação, que é uma “força de extraordinária vitalidade
na observação das relações humanas e no comportamento individual [...] Provado
está que a comunicação é um processo social e, sem ela, a sociedade não existiria”
(2003, p. 23). Como processo indispensável à sobrevivência do homem na
sociedade, é preciso ter domínio da comunicação e esta se estabelece através de
diversos recursos, como a palavra, os gestos, os movimentos, os símbolos, o
silêncio, etc. Mas de todos esses recursos, a palavra é o instrumento que tem sido
preferido pelo ser humano para expressar seu pensamento, interagir com o outro e
se fazer compreender.
O uso da palavra como instrumento de comunicação é regido por um código
específico, que é dominado por um grupo de pessoas ou por toda uma comunidade
e que possibilita a troca e a construção de mensagens. Esse código é a língua.
O que é língua?
“Língua é um código que possibilita a comunicação. É um sistema de signos,
combinações e de sons, de caráter abstrato, utilizado na fala.” (MEDEIROS,
2005, p. 28)
A língua portuguesa é o código que
brasileiros usam nas diversas situações de
comunicação e interação social. Por isso, quanto
maior for o domínio da língua portuguesa, maiores
serão as possibilidades de obter uma
comunicação eficiente. Dominar de forma
competente uma língua não significa somente
conhecer o seu vocabulário; é necessário dominar
A língua portuguesa, assim como
outras línguas neolatinas, originouse do latim vulgar. Durante a
expansão marítima, no século XV,
foi levada pelos portugueses a
outros continentes. Hoje é falada por
200 milhões de pessoas. Habitantes
de Portugal, Moçambique, Angola,
Cabo Verde, Macau, São Tomé e
Príncipe, Guiné-Bissau falam a
língua portuguesa.
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as suas leis combinatórias, isto é, fazer uma
combinação de palavras que propicie sentido.
O falante de língua portuguesa pode conhecer o sentido das palavras, mas se
não respeitar as leis de combinação das palavras, não produzirá significado, sentido.
Como código que possibilita a comunicação na sociedade, a língua assume
um caráter social, pois o indivíduo sempre recorre ao mundo dos signos lingüísticos
para formular suas mensagens. Dino Pretti (1984) sintetiza a relação entre língua e
sociedade:
“Nas grandes civilizações, a língua é o suporte de uma dinâmica social, que
compreende não só as relações diárias entre os membros da comunidade,
como também uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos
meios de comunicação de massa até a vida cultural, científica e literária.”
(PRETTI, 1984, p. 53)
É preciso destacar que a língua pertence a toda uma comunidade, evolui e
transforma-se historicamente. Quando se fala em língua, deve-se abandonar a
busca da homogeneidade e da instabilidade. A língua é mutável. Como exemplo
dessas mudanças, pode-se observar o vocabulário: algumas palavras perdem ou
ganham fonemas (sons); outras deixam de ser utilizadas; outras palavras são
criadas de acordo com as necessidades das pessoas – é o caso dos neologismos e
dos empréstimos de outras línguas com as quais uma comunidade tem contato.
Como podemos observar a flexibilidade e as mudanças da língua? Vejamos os
textos:
Texto 1:
Em nossa última conversa, dizia-me o grande amigo que não esperava viver
muito tempo, por seu um “cardisplicente”.
_ O quê?
_ Cardisplicente. Aquele que desdenha do próprio coração.
Entre um copo e outro de cerveja, fui ao dicionário.
_ “Cardisplicente” não existe, você inventou - triunfei.
_ Mas se eu inventei, como é que não existe? – espantou-se o meu amigo.
Semanas depois deixou em saudades fundas companheiros, parentes e bemamadas. Homens de bom coração não deveriam ser cardisplicentes.
Questão: “Mas se eu inventei, como é que não existe?”
Segundo se deduz da fala espantada do amigo do narrador, a língua, para ele, era
um código aberto,
(a) ao qual se incorporariam palavras fixadas no uso popular.
(b) A ser enriquecido pela criação de gírias.
(c) Pronto para incorporar estrangeirismos.
(d) Que se amplia graças à tradução de termos científicos.
(e) A ser enriquecido com contribuições pessoais.
Texto 2:
Explicação moderna para uma pergunta antiga
_ Pai, como é que eu nasci?
_ Boa pergunta, filhão. Muito bem, tínhamos mesmo que ter essa conversa um
dia. O que aconteceu foi o seguinte: eu e sua mãe nos conhecemos após nos
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encontrarmos num Chat desses da net, que existem para se conversar. O papai
marcou uma interface com a mamãe num cybercafé e acabamos plugados. A seguir,
a mamãe fez uns downloads no joy-stick do papai e quando estava tudo pronto para
a transferência de arquivo, descobrimos que não havia qualquer tipo de firewall
conosco. Como era tarde demais par dar o ESC, papai acabou fazendo o upload de
qualquer jeito com a mamãe e, nove meses depois, você apareceu. Entendeu?
(Gazeta do Sul, Gazeta Mix, 02 mar. 2006, p.6)
De que forma o pai explicou o nascimento do filho?
A língua é um código aceito por convenção. Por isso, um indivíduo,
isoladamente, não consegue modificá-la. As transformações da língua são
ocasionadas por alterações lingüísticas surgidas em comunidades ou grupos sociais.
Além disso, a língua é usada tanto na escrita quanto na fala. A fala,
segundo Medeiros, “é regida pelo uso consensual que os falantes fazem dos
elementos do sistema” (2005, p. 28). Além disso, a fala é um ato intencional e
individual, de vontade e de inteligência. Tanto a fala quanto a escrita são “usos
individuais da língua” (CEREJA; MAGALHÃES, 2005, p. 21), pois os indivíduos não
falam e escrevem da mesma forma.
Como enfatiza Medeiros (2005), a língua escrita e a língua falada
apresentam diferenças de forma, gramaticalidade e recursos expressivos:
Estabelece-se diferença fundamental entre língua falada e língua escrita. A
primeira é livre, desativada de componentes situacionais; a segunda é presa
às regras da gramática e ao padrão considerado culto. Uma é criativa,
espontânea; outra cuidada, elaborada. Ainda que a língua seja a mesma, a
expressão escrita difere muito da oral, podendo-se facilmente comprovar que
ninguém fala como escreve, ou vice-versa. (2005, p. 29).
O autor também ensina que na língua falada há mais contato entre os
falantes, enquanto na escrita há mais distanciamento, pois “o contato entre quem
escreve e quem lê é indireto” (2005, p. 29). Nesse sentido, o autor afirma que a
língua falada é concreta, não apresenta grande preocupação gramatical, tem
vocabulário reduzido e constantemente renovado e pode contar com outros recursos
extralingüísticos, como os gestos, as expressões faciais, a postura. A língua escrita,
ao contrário, é abstrata, conservadora, refletida e exige maior esforço para
elaboração e obediência às regras gramaticais. Seu vocabulário deve ser preciso e
apurado.
DIFERENÇAS ENTRE LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA
LÍNGUA FALADA
LÍNGUA ESCRITA
Vocabulário restrito e repetições de palavras
Vocabulário amplo e variado
Emprego de gírias e neologismos
Emprego de termos técnicos
Uso de onomatopéias
Uso de vocabulários eruditos e abstratos
Emprego restrito de certos tempos verbais
Emprego do mais-que-perfeito, subjuntivo,
futuro do pretérito
Ausência de rigor na colocação pronominal
Rigor na colocação pronominal
Supressão de pronomes relativos, como cujo
Emprego de pronomes relativos
Subjetividade e uso de expressões emotivas
Objetividade e ausência de expressões
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Frases feitas, clichês, chavões, provérbios
Sintaxe simples
Frases inacabadas
Formas contraídas e omissão de palavras no
interior das frases
Predomínio de orações coordenativas
emotivas
Uso criativo de frases
Sintaxe elaborada
Frases construídas com rigor gramatical
Clareza na redação, sem omissões e
ambigüidades
Uso de orações coordenadas e subordinadas
Quadro adaptado de Medeiros (2005)
Medeiros ainda observa que tanto a língua falada/oral quanto a língua escrita
apresentam níveis ou registros:
Em situações formais, a expressão se dá coma utilização de uma língua mais
gramatical, com pronúncia cuidada. Em situações menos tensas, como a do
meio familiar, a língua adquire características de informalidade, e as
preocupações com a clareza e a correção tornam-se menos rigorosas.
(MEDEIROS, 2005, p. 29-30).
Exercícios:
1) Coloque V (verdadeiro) e F (falso) nas alternativas a seguir:
(
) A língua, como elemento de comunicação, sofre mudanças, que variam no
tempo e no espaço. Por isso, o modo como falamos e escrevemos hoje não é o
mesmo de épocas anteriores.
(
) Enquanto a língua falada necessita de nexos entre frases, a escrita dispensa
esses elementos, pois sua comunicação dispõe de outros recursos (como a riqueza
vocabular) que auxiliam a comunicação.
(
) A gíria é um elemento de criatividade e expressividade usada na língua e é
admitida na fala.
(
) Na língua falada, é comum o uso de períodos subordinados, que são mais
longos e demonstram mais cuidado na elaboração lingüística.
(
) A língua falada é mais espontânea, usa clichês, frases feitas, que, na língua
escrita, são evitados.
2) Leia o diálogo estabelecido entre dois jovens, Viviane e Juliana, no telefone a
respeito de um trabalho em grupo para a faculdade.
_ Oi, Ju, cê acabou o trabalho?
_ Já detonei, Vi! Só que não deu para passar na facu! O Giba ficou pegando no
meu pé pra arrumar uns lances nuns gráficos.
_ Ah! Falei que ia dar zica. Mas cê tá ligada que tem que escrever uma carta pra
secretaria para entrega fora do prazo, né?
_ Desencana. O Giba disse que ia resolver essa parada...
_ Ah, então beleza! Dá um toque pro Marquinho, falô? Bejão!
a) Que expressões, palavras demonstram a oralidade da língua?
b) Em que contextos comunicativos a língua falada deve se manter mais formal
ou se apresentar de forma espontânea, como acontece no diálogo entre os
universitários do texto acima?
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No uso da língua, o locutor deve ajustar sua fala e/ou escrita ao contexto
comunicativo e especialmente ao interlocutor, já que a língua oferece uma
multiplicidade de possibilidades de uso. Medeiros explica como o locutor/redator
deve proceder ao elaborar seu texto, considerando o interlocutor:
“Assim, o redator empresarial utiliza uma variante mais elaborada da Língua
Portuguesa se o texto que escreve se destina a pessoas de grau elevado de
instrução; se se dirige a um público de grau de escolarização reduzido, deve
fazer uso de uma variante mais adequada a esse nível.” (MEDEIROS, 2005, p.
30)
Outro ponto a destacar é que a língua falada e a língua escrita são formas
diferentes de comunicação. Nenhuma é melhor ou pior do que a outra. Cada uma
delas é apropriada a uma determinada forma de comunicação.
Apesar de reconhecer as diferenças de níveis da língua oral e da língua
escrita, Medeiros é categórico ao afirmar que é imprescindível o domínio da língua
escrita na sociedade atual:
“Note-se que, no entanto, a falta de domínio da língua escrita é estigmatizante e
que no atual momento é crescente a importância da língua escrita como meio
de informação científica e tecnológica.” (MEDEIROS, 2005, p. 30)
2.2. INTENÇÃO COMUNICATIVA E FUNÇÕES DA LINGUAGEM
Toda vez que se estabelece uma interação entre as pessoas ocorre uma
situação comunicativa. Todo o ato de comunicação verbal envolve sempre seis
componentes básicos, descritos nos anos 1960 pelo formalista russo Roman
Jakobson:
# o locutor (aquele que diz algo a alguém)
# o interlocutor (aquele com quem o locutor se comunica)
# a mensagem (o texto, isto é, o que foi transmitido entre os falantes)
# o código (a língua portuguesa)
# o canal (a língua oral, ou seja, o meio físico que conduz a mensagem até o
interlocutor)
# o referente (o assunto da mensagem)
Esses elementos podem ser esquematizados:
Referente
Mensagem
Locutor ....................................................................................Interlocutor
Canal
Código
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Quando as pessoas interagem por meio da linguagem, há sempre uma
intenção, explícita ou implícita, de modificar o pensamento ou o comportamento do
interlocutor. Não existe texto neutro. Não há fala ou escrita vazia de sentido.
Assim, é possível dizer que toda situação comunicativa é pautada em uma intenção
comunicativa. E o sucesso das interações verbais, seja na condição do locutor, seja
na do interlocutor, depende da capacidade de o falante lidar com a intencionalidade,
pois, por meio dela, é possível impressionar, ordenar, ofender, persuadir, informar,
pedir, implorar, solicitar, etc.
Dependendo da intenção comunicativa do falante, ele organizará a linguagem
embora a maioria das pessoas acredite que o uso da linguagem se dá de modo
automático. Segundo Cereja e Magalhães, é por isso que “raramente se percebe
que o modo como se organiza a linguagem está diretamente ligado à função que se
deseja dar a ela, isto é, à intenção do locutor.” (2005, p. 33)
A linguagem desempenha sempre uma função na comunicação de acordo
com a ênfase que o falante queira dar a um dos componentes do ato comunicativo.
Nas palavras de Medeiros, “A linguagem estrutura-se em função do fator de
comunicação (referente, emissor, receptor, canal, mensagem, código) a que se
inclina” (2005, p. 41). Dependendo do objetivo da comunicação, o locutor recorrerá a
determinados elementos da linguagem.
“Função pode ser entendida como serventia. Assim a linguagem serve para
comunicar, para exprimir emoções, para levar o receptor a uma ação, para
agradar, embelezar, para esclarecer algo da própria linguagem ou,
simplesmente, para manter viva a comunicação.” (MEDEIROS, 2005, p. 41)
Assim como são seis os componentes da comunicação, são também seis as
funções da linguagem: emotiva, conativa, referencial, metalingüística, fática e
poética.
Função referencial
Função emotiva
“Fundamento de toda comunicação; sua principal
preocupação é estabelecer relação entre a
mensagem e o objeto a que se refere. Por isso,
denota, referencia, informa. É uma função que
procura essencialmente dar à linguagem qualidades
de
objetividade,
verificabilidade,
evitando
ambigüidades e confusões entre a mensagem e a
realidade codificada. [...] é utilizada para produzir
textos impessoais, objetivos”. (MEDEIROS, 2005, p.
41)
“Estabelece relação entre a mensagem e o emissor.
Quando utiliza essa função, o redator, embora
também exponha idéias sobre o referente (função
referencial), tem em vista, principalmente, exteriorizar
emoções, apresentar sua atitude em relação ao
objeto, que poderá ser bom, ruim, belo, feio,
agradável, desagradável. Não há preocupação com o
referente nem com o receptor, mas com as
afirmações do eu.” (MEDEIROS, 2005, p. 41-42)
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Função conativa
Função poética
Função fática
Função metalingüística
“É a função que está centrada no destinatário; tem
como objetivo influenciar-lhe o comportamento;
estabelece relação entre a mensagem e o receptor,
uma vez que toda comunicação objetiva obter do
receptor uma reação.” (MEDEIROS, 2005, p. 42)
“Função da linguagem que consiste na atualização
das potencialidades estruturais da língua. Estabelece
relação da mensagem consigo mesma. As
características físicas do signo (som e visualização)
são valorizadas; o sentido que daí advém não é
previsto em uma mensagem convencional, utilizada
nas relações diárias.” (MEDEIROS, 2005, p. 42)
“O objetivo da função fática é estabelecer
comunicação, controlar sua eficácia, prender a
atenção do receptor, ou cortar a comunicação. Está
centrada no contato físico ou psicológico. Apenas
aproxima receptor e emissor.” (MEDEIROS, 2005, p.
44)
“Essa função está centrada no código, isto é, seu
objeto é a própria linguagem e seu objetivo é definir o
sentido dos signos que dificultam a compreensão do
receptor. Serve para dar explicações ou precisar o
código utilizado pelo emissor.” (MEDEIROS, 2005, p.
45)
IMPORTANTE:
As funções da linguagem não existem isoladas em cada texto. Embora uma delas
acabe predominando, elas convivem, mesclam-se, entrecruzam-se o tempo todo,
obtendo-se de suas combinações os mais diferentes efeitos.
EXERCÍCIOS
1) Identifique qual função da linguagem predomina nos fragmentos:
a) “Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”
(Casimiro de Abreu)
b) Apesar de todas as oportunidades oferecidas pela organização, o funcionário não
demonstrou crescimento, pois continua desempenhando suas atividades de modo
inadequado, além de desperdiçar tempo, o que dificulta o alcance das metas.
Portanto, senhor, tenho convicção de que, para o sucesso de nossa empresa, é
necessário diminuir a carga horária dele e substituí-lo aos poucos por outro
profissional, cujo perfil se aproxima das nossas expectativas.
c) Pessoal! A OAB acaba de divulgar a lista dos candidatos aprovados no exame.
Consegui! Fui aprovada!
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d) Aos dezesseis dias do mês de março do ano de dois mil e seis, às dezenove
horas, na sala de reuniões da empresa Fontoura SA, situada na Rua Silva Jardim,
82, Porto Alegre, reuniram-se o diretor geral, Adonildo da Silva, o coordenador
administrativo e financeiro, Felipe Ferreira, e a secretária administrativa, Caroline
dos Santos, para discutir as novas metas da organização. O diretor destacou que a
principal meta da empresa para o ano seguinte é o aumento nas vendas de produtos
alimentícios, principal foco da organização.
e) Alô! Como vai? Você está me ouvindo?
f) “Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez
Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não”
(Raul Seixas)
g) Estrangeirismo é a utilização na língua oral ou na escrita de palavra ou expressão
de língua estrangeira. Shopping center é um exemplo.
2) A maioria dos textos de jornais e revistas especializadas na área de
Administração são construídos seguindo uma função da linguagem. Leia uma
parte de um artigo sobre a história da Administração no Brasil para responder
às questões: Qual função da linguagem é dominante no texto? Por que tal
função predomina nesse tipo de produção textual?
“O início da valorização da ciência da Administração no Brasil está relacionado a
uma necessidade de aprimoramento da Administração Pública Federal para a
adoção de mudanças e reformas sociais que permitissem alavancar o
desenvolvimento do país. Transformações, idealizadas durante a gestão do
presidente Getúlio Vargas, que a burocracia existente até então não era capaz de
processar pelo seu despreparo técnico-profissional. Foi na Era Vargas, nas décadas
de 30 e 40, que a Administração começou a ganhar espaço, importância e status
como atividade profissional e campo de ensino, pesquisa e documentação. A criação
da Lei 4.769, em 1965, que regulamentou a profissão, foi o resultado de um
processo de amadurecimento dos primeiros administradores brasileiros, que
perceberam a incapacidade de evoluir sem a proteção legal de seus direitos e da
definição clara das atividades privativas do Administrador. Até 1930, o ensino da
Administração Pública era sempre agregado aos cursos de Comércio, Direito,
Ciências Sociais ou Engenharia. Mas é nessa época que começam a chegar no país
as idéias de Frederick M. Taylor e Henry Fayol sobre a então chamada
Administração Científica. Com o objetivo de preparar a máquina do Poder Executivo
para as metas e propósitos da Revolução de 30, tornando-as duradouras e
eficientes, o regime de Vargas trouxe consigo o fortalecimento de uma nova área de
estudos que, por conseqüência, terminou resultando em uma nova profissão:
Técnico de Administração. Embora o termo hoje nos remeta a uma qualificação de
nível médio, na época referia-se aos postos máximos do serviço público, aos experts
em Administração.” (Revista Brasileira de Administração, nº 50, set. 2005)
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3. Na internet e nas bibliotecas, há um grande acervo de textos que dão dicas
de como o contabilista deve se comportar para obter sucesso profissional.
Leia
um
texto,
extraído
do
site
http://www.multiempresa.com.br/_etiqueta001.htm, em 2 de agosto de 2006.
ETIQUETA EMPRESARIAL
Saiba como fazer do marketing pessoal uma estratégia dentro e fora do mundo
dos negócios
Todo mundo quer aparecer na mídia. Andy Warhol já dizia que todos têm os seus 15
minutos de fama; alguns querem mais.
Um bom marketing pessoal faz milagres. Mas deve ser sutil, discreto, inteligente.
Não pense que um armário cheio de marcas de grife fará de você o "bam-bam-bam"
do qual todos querem informações. Roupa não é tudo. Você precisa ter o que falar.
A exposição excessiva aos holofotes da imprensa pode ser desastrosa.
Abaixo, damos algumas dicas para quem quer levar sua imagem até a imprensa:
Marketing de sucesso
- Fale na mídia, de preferência sobre a sua área de atuação profissional;
- Não use chavões;
- Participe de entidades de classe;
- Se for capaz, publique livros e artigos;
- Freqüente cursos de pós-graduação;
- Mantenha a mídia informada sobre os seus projetos empresariais e pessoais
relevantes;
- Procure um caminho original quando seus conhecimentos forem requisitados;
- Conserve amizades dos tempos de colégio e universidade;
- Não se deixe picar pela mosca da vaidade;
- Mantenha a vida pessoal fora das pautas dos jornalistas.
Caso você queira um trabalho mais profissional, contrate uma assessoria de
imprensa. O trabalho do marketing eficiente envolve um conjunto de ações de
comunicação que procura ordenar a aparição do cliente na imprensa em ocasiões
pontuais. E, para isso, nada melhor que um jornalista para mostrar o caminho das
pedras.
a) Qual a intenção do autor ao produzir esse texto?
b) Que função da linguagem predomina no texto? Que marcas lingüísticas
podem justificar sua resposta?
c) De todas as dicas apontadas para obter sucesso na área da Contabilidade,
qual é a mais importante no seu ponto de vista? Por quê?
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AULA 03
LINGUAGEM, FUNÇÕES DA LINGUAGEM E LEITURA
A identificação das funções da linguagem é um exercício para ampliar a
competência de leitura, que depende não só do reconhecimento das inter-relações
das linguagens, mas também da capacidade de apontar a intenção de um texto e de
considerar dos gêneros textuais
EXERCÍCIOS
1. (ENADE-2005)
(Laerte. O condomínio)
(Laerte. O condomínio)
(Disponível em: http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/index-condomínio.html)
As duas charges de Laerte são críticas a dois problemas atuais da sociedade
brasileira, que podem ser identificados pela crise
(A) na saúde e na segurança pública.
(B) na assistência social e na habitação.
(C) na educação básica e na comunicação.
(D) na previdência social e pelo desemprego.
(E) nos hospitais e pelas epidemias urbanas.
2. (ENADE-2005) Leia e relacione os textos a seguir.
O Governo Federal deve promover a inclusão digital, pois a falta de acesso às
tecnologias digitais acaba por excluir socialmente o cidadão, em especial a
juventude.
(Projeto Casa Brasil de inclusão digital começa em 2004.
In: MAZZA, Mariana. JB online.)
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Comparando a proposta acima com a charge, pode-se concluir que
(A) o conhecimento da tecnologia digital está democratizado no Brasil.
(B) a preocupação social é preparar quadros para o domínio da informática.
(C) o apelo à inclusão digital atrai os jovens para o universo da computação.
(D) o acesso à tecnologia digital está perdido para as comunidades carentes.
(E) a dificuldade de acesso ao mundo digital torna o cidadão um excluído social.
VARIAÇÕES LINGÜÍSTICAS
Segundo Carlos Alberto Faraco e Cristóvão Tezza (1992), a língua “é um
imenso conjunto de variedades” (1992, p. 11). As diferenças perceptíveis no uso de
uma língua caracterizam as diferenças lingüísticas, que são decorrentes de distintos
fatores. Mauro Ferreira (2003) explica que já na Antigüidade Clássica, Horácio,
grande poeta e intelectual latino, indicava a possibilidade de os usuários de uma
determinada língua usarem-na de forma diferente embora todos tenham
conhecimento das estruturas gerais de funcionamento desse código:
Há
uma grande diferença
se fala um deus ou um herói;
se um velho amadurecido
ou um jovem impetuoso na flor da idade;
se uma matrona autoritária
ou uma ama dedicada;
se um mercador errante
ou um lavrador
de pequeno campo fértil [...]
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(Horácio, Arte poética)
O fragmento de um poema de Horácio explicita a idéia de que, dentro de um
mesmo idioma, a estrutura da língua possa sofrer variação devido a uma série de
fatores, como a idade do falante, o grupo social a que pertence, a relação entre ele e
o ouvinte, etc. Algumas dessas variações são facilmente perceptíveis, outras são
mais sutis. Tais variações são chamadas variações lingüísticas.
As variações lingüísticas são causadas por três fatores principais: o tempo
histórico, o ambiente geográfico e o grupo sociocultural.
VARIAÇÃO HISTÓRICA
Como a língua não é estática nem imutável, com o passar do tempo é natural
ocorrer mudança na forma de falar, na grafia de palavras e no significado dos
vocábulos. Essas transformações surgidas ao longo do tempo recebem o nome de
variações históricas.
Veja como Carlos Drummond de Andrade comenta a variação histórica de
uma língua:
Antigamente
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não
faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziamlhes pé-de-alferes, arrastando asas, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. [...] Os mais jovens, esses iam ao
animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de
aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa onze varas, e até calças pardas; não admira que
dessem com os burros n’água.
[...] Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e
com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia
de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era
artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar escondido,
atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas tetéias.
[...] Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos lombrigas, asthma os gatos, os
homens portavam ceroulas, botinas e capa-de-goma [...] não havia fotógrafos, mas retratistas, e os cristãos
não morriam: descansavam. Mas tudo isso era antigamente, isto é, outrora.
Carlos Drummond de Andrade
VARIAÇÃO GEOGRÁFICA
Observe os versos:
“E o coração vazio voa vadio
Como uma pipa no ar.”
(Boca Livre, CD Songboca, 1994)
“O céu povoado de inquietas
pandorgas. Outros meninos
erguem-nas, o dia inteiro.”
(Osman Lins)
Conforme explica Ferreira (2003), os termos pipa e pandorga são variações
de nome de um brinquedo, o qual também ser chamado de papagaio, tapioca,
maranhão, arraia ou quadrado, dependendo da região do falante. Nesses casos em
que num determinado lugar o objeto recebe um nome e em outro lugar esse mesmo
objeto é conhecido por outra expressão tem-se um exemplo de variação geográfica
no vocabulário: “o nome do brinquedo muda de lugar para lugar, de região para
região” (2003, p. 77).
Ferreira ainda destaca que “Além de estar presente no vocabulário, a
variação geográfica pode ser constatada também em certas estruturas de frases e
principalmente na pronúncia. A pronúncia característica dos falantes de uma região
Página 29
é comumente chamada de sotaque: sotaque nordestino, sotaque mineiro, sotaque
gaúcho, etc.” (2003, p. 77)
VARIAÇÃO SOCIOCULTURAL
A variação sociocultural, segundo Ferreira (2003), não é difícil de ser
constatada. O autor explica essa variação da seguinte forma:
Suponha, por exemplo, que alguém diga a seguinte frase:
• Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão. [Frase 1]
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la,
por exemplo, pela profissão: um advogado? um trabalhador braçal da construção
civil? Um médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão?
E quem usaria a frase a seguir?
• Obviamente faltou-Ihes coragem para enfrentar os ladrões. [Frase 2]
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes de grupos sociais
economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas vezes, não freqüentaram a
escola, ou, quando muito, fizeram-no em condições não-adequadas.
Já a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades
socioeconômicas melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com
a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa
forma, "aperfeiçoaram" seu modo de utilização da língua.
Para Ferreira (2003), “a comparação entre as duas frases permite concluir,
portanto, que as condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos,
gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua” (p. 78).
Essas variações recebem o nome de variações socioculturais. É nesse tipo de
variações que estão incluídos os estrangeirismos e as gírias.
EXERCÍCIOS
1. Leia este relato de um professor português que, em 1960, mudou-se de seu país
e veio morar no Brasil:
“Vim em 1960 e fui dar aula no Colégio Salesiano de Recife. Logo na primeira
semana, fui chamado pela direção: um pai se queixara de que eu ofendera sua filha.
É que eu dissera ‘cale-se, rapariga’, sem saber que, no Nordeste, rapariga significa
prostituta.”
a) Com que significado o professor pretendeu utilizar a palavra rapariga, ao falar
com a aluna?
b) Que tipo de variação lingüística gerou o problema? Justifique.
2. (ENADE)
Samba do Approach
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Página 30
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Fica ligada no link
Que eu vou confessar, my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei o meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um nouveau riche
Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite uma drag queen.
(Zeca Baleiro)
I - “(...) Assim, nenhum verbo importado é defectivo ou simplesmente irregular, e
todos são da primeira conjugação e se conjugam como os verbos regulares da
classe.” (POSSENTI, Sírio. Revista Língua. Ano I, n.3, 2006.)
II - “O estrangeirismo lexical é válido quando há incorporação de informação nova,
que não existia em português.” (SECCHIN, Antonio Carlos. Revista Língua, Ano I,
n.3, 2006.)
III - “O problema do empréstimo lingüístico não se resolve com atitudes reacionárias,
com estabelecer barreiras ou cordões de isolamento à entrada de palavras e
expressões de outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio
inventivo do povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com
energia irradiadora e tem de conformar-se, queiram ou não queiram os seus
gramáticos, à condição de mero usuário de criações alheias.”
(CUNHA, Celso. A língua portuguesa e a realidade brasileira. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro, 1972.)
IV - “Para cada palavra estrangeira que adotamos, deixa-se de criar ou desaparece
uma já existente.” (PILLA, Éda Heloisa. Os neologismos do português e a face social
da língua. Porto Alegre: AGE, 2002.)
O Samba do Approach, de autoria do maranhense Zeca Baleiro, ironiza a mania
brasileira de ter especial apego a palavras e a modismos estrangeiros. As assertivas
que se confirmam na letra da música são, apenas,
(D) II e IV.
(A) I e II.
(E) III e IV.
(B) I e III.
(C) II e III.
O “CERTO” E O “ERRADO” NO IDIOMA
Observe novamente as frases:
“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.”
“Obviamente faltou-lhes coragem para enfrentar os ladrões.”
Qual dessas frases é gramaticalmente correta?
Mas, se tanto a frase 2 como a frase 1 dizem a mesma coisa, se qualquer
pessoa que seja falante de nosso idioma pode compreendê-las perfeitamente, por que
considerar uma frase correta e outra errada? Como determinar o que é certo e o que é
errado em um mesmo idioma?
Página 31
Ferreira enfatiza que, “de modo geral, os falantes de um idioma são levados a
aceitar como ‘correto’ o modo de falar do segmento social que, em conseqüência de
sua situação econômica e cultural privilegiada, tem maior prestígio na sociedade.
Assim, o modo de falar desse grupo social passa a servir de padrão, enquanto as
demais variedades lingüísticas, faladas por grupos sociais menos prestigiados, passam
a ser consideradas ‘erradas’.” (2003, p. 81)
É importante estar ciente de que, em princípio, não existe uma forma melhor
("mais certa") ou pior ("mais errada") de falar. Trata-se apenas de uma
diferenciação que se estabelece com base em critérios sociais e em situações
de uso efetivo da língua. (FERREIRA, 2003, p. 81)
Nessa mesma linha de raciocínio, Faraco e Tezza defendem a idéia de que há
atribuição de valor diferente entre uma e outra variedade lingüística e que essa
valoração está ligada a condicionamentos históricos e sociais:
as variedades mantêm uma relação de valor umas com as outras. Em bom
português, a verdade é que todas as sociedades humanas estabelecem uma
hierarquia entre suas variedades, atribuindo valores a este ou àquele traço da
fala. Por motivos sociais e históricos, algumas variedades são consideradas
boas (a essas damos o nome técnico de variedades padrões ou língua padrão) e
outras más. (FARACO; TEZZA, 1992, p. 13).
Assim, proferir a frase "Eles não teve peito de encará os ladrão" está
lingüisticamente correto, já que é possível compreender as idéias que expressa, mas
está gramaticalmente incorreto, pois o enunciado não obedece aos padrões definidos
pela gramática normativa.
LÍNGUA CULTA E LÍNGUA COLOQUIAL
As proposições de Ferreira (2003) sinalizam que, convencionalmente, é
considerada "certa" ou "modelar" a variedade lingüística utilizada pelos falantes que
integram o grupo de maior prestígio social. Essa é a chamada língua culta, falada e
escrita em situações mais formais, pelas pessoas de maior instrução e é difundida
principalmente pela ação da escola e dos meios de comunicação.
Já a língua coloquial “é uma variante mais espontânea, utilizada nas relações
informais entre os falantes. É a língua do cotidiano, sem muita preocupação com as
normas. O falante, ao utilizá-la, comete deslizes gramaticais com freqüência
considerável. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de expressões
populares, frases feitas, gírias, etc”. (FERREIRA, 2003, p. 81)
Numa comparação entre a língua culta e a língua
IMPORTANTE!
coloquial, é possível constatar que, em certos aspectos, Empregar a língua culta
as diferenças entre as duas são bem evidentes, mas, em não
significa,
outros, os limites não são tão claros, ficando difícil, necessariamente,
“falar
nesses casos, definir uma "fronteira" entre o que é culto e difícil”, usando palavras e
o que é coloquial.
expressões raras. Usar a
As diferenças percebidas com mais facilidade entre língua culta significa falar
a língua coloquial e a língua culta são as mesmas (ou escrever) obedecendo
às regras da gramática
observáveis entre a língua falada e a língua escrita.
normativa.
Página 32
ADEQUAÇÃO E INADEQUAÇÃO LÍNGÜÍSTICA
Quando uma pessoa se comunica com outra(s), para que esse ato se
realize de forma eficiente, é necessário que ela faça a adequação da linguagem.
Há situações em que a relação entre os interlocutores é mais descontraída, mais
informal ou pessoal, casos em que fica mais adequado o emprego de uma
linguagem informal, mais "solta". Outras vezes, essa relação é mais impessoal,
mais distanciada, o que requer uma linguagem mais formal, “mais cuidada”" .
São vários os fatores que, isoladamente ou combinados, levam o falante a
adequar sua linguagem às circunstâncias do ato de comunicação. Entre esses
fatores, destacam-se:
# o interlocutor (não se fala do mesmo modo com um adulto e com uma
criança);
# o assunto (não se fala sobre a morte de uma pessoa amiga da mesma
maneira que' se fala sobre a derrota do time de futebol);
# o ambiente (não se fala do mesmo jeito em um templo religioso e em um
churrasco com amigos);
# a relação falante-ouvinte (não se fala da mesma maneira com um amigo e
com um estranho; ou em uma relação informal e em uma relação formal).
Em um ato de comunicação, a influência desses e de outros fatores resulta num
maior ou menor grau de formalidade ou informalidade na linguagem. O grau de
formalidade do redator empresarial, por exemplo, deve ser alcançado considerando-se
o “público-alvo” do texto. Se o interlocutor for um sujeito com pouca escolarização, a
variedade lingüística utilizada dever ser menos formal. Agora se o falante for um
indivíduo culto, a língua culta deve ser adotada para a comunicação.
Observando as variantes lingüísticas adotadas no meio empresarial, João Bosco
Medeiros (2005) constata que os profissionais desse ramos têm usado geralmente um
“nível comum tenso”, ou seja, não têm redigido textos em linguagem só compreensível
para doutores, nem escrito textos com uma variedade que agrida o padrão culto da
língua. E essa é uma saída correta para adequar a língua ao contexto de
comunicação?
EXERCÍCIOS
1. Em cada situação a seguir, indique se a linguagem utilizada pelo falante está
adequada ou inadequada.
a) Um advogado, num tribunal de júri, diz: “Tá na cara que a testemunha ta enrolando”.
b) Um advogado, num tribunal de júri, diz: “É evidente que a testemunha está faltando
com a verdade.”
c) Um advogado, batendo um papo com um amigo, diz-lhe, a respeito de um
julgamento: “Tava na cara que a testemunha tava enrolando.”
Leia o texto a seguir para responder às questões 2 a 4.
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2. (MEC) Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o contraste
entre marcas de variação de usos da linguagem em:
a) situações formais e informais
b) diferentes regiões do país
c) escolas literárias distintas
d) textos técnicos e poéticos
e) diferentes épocas
3. (MEC) No poema, a referência à variedade padrão da língua está expressa no
seguinte trecho:
a) “A linguagem / na ponta da língua” (v. 1 e 2)
b) “A linguagem / na superfície estrelada de letras” (v. 5 e 6)
c) “[a língua] em que pedia para ir lá fora” (v. 14)
d) “[a língua] em que levava e dava pontapé” (v. 15)
e) “[a língua] do namoro com a priminha” (v. 17)
4. Analise as assertivas.
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I. Embora o sujeito-lírico afirme que “figuras de gramática, esquipáticas” (v. 11) o
atropelam, ele parece dominar regras do padrão culto da língua, como se percebe no
uso dos pronomes no verso 12.
II. O verso 14 poderia receber o pronome “mim” depois da preposição “para” na
expressão “para ir lá fora” e essa alteração não provocaria inadequação em relação às
regras da língua culta.
III. O uso reiterado de pronomes de primeira pessoa indica um posicionamento pessoal
do sujeito-lírico acerca da língua portuguesa e de suas variações lingüísticas.
Qual(is) da(s) alternativa(s) está(ao) correta(s)?
a)
Apenas I.
b)
Apenas I e II.
c)
Apenas I e III.
d)
Apenas II e III.
e)
Todas estão corretas
5. (ENADE – 2006)
Jornal do Brasil, 3 ago. 2005.
Tendo em vista a construção da idéia de nação no Brasil, o
argumento da personagem expressa
(A) a afirmação da identidade regional.
(B) a fragilização do multiculturalismo global.
(C) o ressurgimento do fundamentalismo local.
(D) o esfacelamento da unidade do território nacional.
(E) o fortalecimento do separatismo estadual.
6. (ENADE – 2007) Vamos supor que você recebeu de um amigo de infância e seu
colega de escola um pedido, por escrito, vazado nos seguintes termos:
“Venho mui respeitosamente solicitar-lhe o empréstimo do seu livro de Redação para
Concurso, para fins de consulta escolar.”
Essa solicitação em tudo se assemelha à atitude de uma pessoa que
(A) comparece a um evento solene vestindo smoking completo e cartola.
(B) vai a um piquenique engravatado, vestindo terno completo, calçando sapatos de
verniz.
(C) vai a uma cerimônia de posse usando um terno completo e calçando botas.
(D) freqüenta um estádio de futebol usando sandálias de couro e bermudas de
algodão.
(E) veste terno completo e usa gravata para proferir uma conferência internacional.
Página 35
TÓPICOS GRAMATICAIS: PARÔNIMOS E HOMÔNIMOS
Algumas palavras confundem tanto no momento de escrever quanto no de falar,
porque, embora sejam diferentes no sentido, apresentam semelhança na escrita e na
pronúncia – as parônimas – ou apresentam diferença na escrita e semelhança na
pronúncia – as homônimas.
As palavras parônimas e homônimas mais comuns são:
Acender: pôr fogo
Vou acender meu cigarro.
Ascender: subir
Vou ascender profissionalmente quando tiver um
diploma de curso superior.
Eu vou atuar como administrador em empresa do
ramo fumageiro.
Atuar: agir
Autuar: processar, lavrar auto de infração
Comprimento: extensão
O fiscal vai autuar todas as empresas que
estiverem com contabilidade fraudulenta.
O comprimento da mesa é 1m.
Cumprimento: saudação; ato de cumprir
Caçar: perseguir a caça
Aceite meus cumprimentos pela formatura.
Que tal caçar os pássaros que estão invadindo a
lavoura de arroz?
Cassar: anular, tirar os direitos políticos de
Alguns políticos ameaçaram cassar o presidente
Lula.
O último censo realizado no Brasil mostrou
diminuição da desigualdade social.
Censo: recenseamento
Senso: juízo claro
Cessão: ato de ceder, doação
Seção ou secção: corte, divisão
Nem todo mundo tem bom senso.
A cessão de brinquedos para entidades carentes foi
uma excelente atividade promovida pelo Lions.
A seção de esportes da Gazeta do Sul apresenta
reportagens especialmente sobre futebol
Iremos amanhã à sessão do filme de Elizabeth
Taylor
Sessão: reunião, assembléia
Concerto: harmonia; composição musical
Conserto: reparo
Delatar: denunciar
Concerto de música clássica nem sempre atrai
grande público.
O conserto do sapato ficou excelente.
O presidente da câmara vai delatar quatro políticos
envolvidos no mensalão.
Dilatar: estender, retardar; aumentar de
volume
Os pulmões contraem-se e dilatam-se.
Descrição: representação; ato ou efeito de Você já fez a descrição da turma de alunos?
descrever
Guardando sigilo, tu agirás com discrição.
Discrição: ato de ser discreto, reserva
Emergir: vir à tona
Emergiu o escândalo do mensalão na política
brasileira.
Imergir: mergulhar
Eminente: alto, excelente
Iminente: que está prestes a ocorrer
Preciso imergir na piscina para pegar meu óculos
que caiu enquanto nadava.
Aquele é um eminente conferencista.
O parto de uma mulher com quase nove meses de
gestação está iminente.
Página 36
Flagrante: ato de ser surpreendido em O criminoso foi apanhado em flagrante.
alguma situação; evidente; patente
Fragrante: perfumado, aromático
Infligir: aplicar (pena ou repreensão)
Como esse sabonete é fragrante!
Infringir: violar, transgredir, desrespeitar
Mandado: ordem judicial
Um guri infringiu a lei ao arrombar uma casa.
O mandado de prisão foi levado até o acusado.
O delegado infligiu-lhe um duro castigo.
Acabam em 2006 os mandatos de deputados.
Mandato: período de missão política
Ratificar: confirmar
A palestrante ratificou sua presença no evento.
Preciso retificar o texto do redator da CPI.
Retificar: corrigir
Soar: dar ou produzir som ; ecoar
O sino da igreja soa todas as manhãs.
Suar: transpirar
Tachar: censurar, notar defeito em
Quem corre muito, sua.
Márcio T. Bastos tachou o presidente de mentiroso.
O governo taxou fortemente as bebidas e cigarros.
Taxar: estabelecer preço ou imposto; avaliar,
julgar
Tráfego: trânsito
O tráfego de caminhões é proibido nas principais
ruas da cidade.
Tráfico: comércio ilícito
Vultoso: volumoso
Vultuoso:
atacado
(congestão da face)
O tráfico de drogas é proibido, mas existe.
Fez um negócio vultoso essa semana.
de
vultuosidade Seu rosto estava vultuoso e irreconhecível.
EXERCÍCIOS
1. Qual das alternativas completa adequadamente o período: “O guarda ________ em
________ o motorista que _________ as normas de trânsito.
a) atuou – fragrante – infringiu
d) atuou – flagrante – inflingiu
b) autuou – fragrante – infringiu
e) autuou – flagrante – infringiu
c) atuou – fragrante – infligiu
2. Preencha os espaços com seção, sessão ou cessão:
a) “Durante a ___________ parlamentar, uma _____________ do partido do
Governo manifestou-se contrária à ____________ de terras a imigrantes do Japão.
b) Na _________ plenária estudou-se a __________ de direitos territoriais a
estrangeiros.
3. Complete as lacunas com uma das opções indicadas entre parênteses:
a) Cidadãos ___________________ antecederam-me neste cargo. (eminente –
iminente)
b) Ao fim das investigações, a verdade ______________ , e tudo ficou bem
esclarecido. (emergiu – imergiu)
c) É inadmissível que se ______________ pessoas por religião, sexo ou cor.
(descriminem – discriminem)
d) Se as leis forem ____________________, as penas terão de ser aplicadas.
(infligidas – infringidas)
e) As despesas com a reforma do prédio serão __________. (vultosas – vultuosas)
Página 37
f) Por sua solidariedade, ______________-no de benfeitor da humanidade.
(taxaram – tacharam)
g) Está ________________ a mudança da legislação salarial. (eminente – iminente)
h) O _________________ dos representantes classistas, em todas as instâncias, é
de três anos. (mandado – mandato)
i) Quando, algum tempo depois, ele voltou, trazia as orelhas vermelhas e o rosto
____________. (vultuoso – vultoso)
4. Leia as frases abaixo:
I – Assisti a um _______ de meu computador.
II – Ele fez ao filho a ___________ de uma parte das terras.
III – De tempo em tempo se faz um novo ________ da população.
Escolha a alternativa que oferece as seqüência certa de vocábulos para a
seqüência das lacunas.
a) conserto, sessão, censo
d) conserto, cessão, censo
b) concerto, seção, senso
e) concerto, cessão, senso
c) conserto, secção, censo
5. Assinale a alternativa em que o significado não corresponde à palavra dada:
a) Expiar: pagar (a culpa), remir
d) Ratificar: confirmar
b) Sela: arreio
e) Flagrante: perfumado
c) Seção: corte, divisão
6. Escolha, entre as alternativas abaixo, a que propõe a substituição dos termos ou
expressões em destaque, sem que haja alteração no sentido da sentença
apresentada abaixo:
Parecia estar prestes a acontecer a punição do réu, visto que os fatos já
indicavam que ele realmente teria desrespeitado as leis e, nesse sentido toda a
população já está censurando de indevida a atitude do acusado.
a)
iminente – porquê – infringido – taxando
b)
iminente – porque – infligido – tachando
c)
eminente – por que – infringido – tachando
d)
eminente – porque – infligido – tachando
e)
iminente – porque – infringido - tachando
7. Assinale a alternativa correta:
a) Trouxeram-me um ramalhete de rosas brancas flagrantes.
b) O governo, cada vez mais, procurar controlar o tráfico no trânsito.
c) Os ladrões, apesar das tentativas de fuga, foram pegos em flagrante.
d) As despesas de mudança será vultuosas.
e) Os jogadores espanhóis soaram muito na partida contra o Brasil, pois
fizeram muitos esforços físicos para acompanhar o ritmo dos brasileiros.
Página 38
Aula 06
ESTUDO DO PARÁGRAFO
Nas diversas situações do nosso cotidiano, convivemos com textos. Estes
podem ser uma conversa entre amigos, uma propaganda, uma história em
quadrinhos, um ata, um resumo, um ofício, uma resenha. Cada um desses textos
tem um modo específico de elaboração com estrutura, linguagem e objetivos
distintos. Um texto pode ser mais narrativo, enquanto outro serve-se especialmente
da descrição ou da argumentação. E é por isso que, no ensino fundamental e médio,
são estudados os modos de organização de um texto: narração, descrição e
dissertação/argumentação.
A escolha por um desses modos de organizar um texto depende da intenção
e das necessidades comunicativas do redator. Nesse sentido, se o objetivo do
locutor é, por exemplo, instruir seu interlocutor, ele produz um texto que se organiza
em torno de argumentos, uma vez que seu objetivo é convencer. Se o objetivo é
contar fatos reais ou fictícios, ele pode optar por produzir um texto que apresente em
sua estrutura os fatos, as pessoas ou personagens envolvidas, o momento e o lugar
em que os fatos ocorreram. Se é transmitir conhecimentos, o locutor deve construir
um texto que exponha os saberes de forma eficiente.
Dependendo da situação de produção de texto, este pode ser extenso ou
curto. O importante é organizar adequadamente as idéias do texto e, para isso,
existe o parágrafo, que é uma unidade de composição, uma microestrutura de uma
totalidade, o texto. Estruturalmente, os parágrafos são blocos ou parcelas de texto
que estabelecem seqüência de informações, mantendo a unidade de sentido. Os
parágrafos, à semelhança das orações que os compõem, mantêm relações de
sentido entre si. Por isso, os parágrafos têm funções importantes em relação à
coerência do texto: eles contribuem para assegurar a unidade e para possibilitar a
progressão das idéias.
Qual a importância do parágrafo no texto?
A divisão do texto em parágrafos é uma estratégia para facilitar a
compreensão do leitor, fazendo com que o receptor acompanhe a linha de raciocínio
do autor. Além disso, segundo Faraco e Tezza (2003), “O parágrafo tem, antes de
tudo, uma importância visual. O texto dividido em parágrafos ‘descansa’ a vista do
leitor, impedindo que o olhar se perca num emaranhado sem fim de linhas” (2003, p.
208)
Um texto dissertativo-argumentativo é formado, geralmente, por um parágrafo
que introduz o tema da redação, outros que o desenvolvem e um último que conclui
o texto. A paragrafação serve para o autor indicar o movimento de um texto.
ESTRUTURA DO PARÁGRAFO-PADRÃO
A estrutura do parágrafo-padrão em um texto dissertativo compreende três
partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.
a) introdução: consiste em um período que expressa, de maneira geral e suscinta,
a idéia-núcleo do parágrafo, ou seja, contém a frase-chave do resto do parágrafo.
Página 39
b) desenvolvimento: é formado por períodos secundários, que constituem
explicações, detalhes e desenvolvimento da idéia-chave.
c) conclusão: é um período que anuncia o clímax do parágrafo ou sintetiza seu
conteúdo.
Observe um exemplo de parágrafo-padrão e as partes que o compõem.
O futebol da várzea está em extinção. A prática quase centenária do jogo de bola
nos terrenos vazios e nos saudosos “campinhos” é escassa nos dias de hoje. Nos
anos 30 eram comuns as peladas que reuniam jovens de todas as idades, dos 10
aos 50 anos e times que disputavam o poder da pelota. Primeiro veio a especulação
imobiliária e muitos dos terrenos destinados à prática do esporte se foram na
construção de edifícios. Depois vieram os anos de denúncias vazias e a falta de
moradias populares. Conseqüentemente, aumentaram as ocupações de áreas
urbanas não construídas, o que acarretou a diminuição radical dos jogos de
bola nos campinhos.
O parágrafo-padrão apresenta
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Exposição da idéia central do parágrafo. Objetivos: apresentar
a idéia-núcleo e estimular a continuação da leitura.
Desdobramento da idéia núcleo.
Objetivo: expor idéias secundárias que explicam ou esclarecem
a idéia central, através de exemplos, comparações, etc.
Conclusão ou fechamento do parágrafo.
Objetivo: finalizar o parágrafo, propondo uma retomada das
idéias, um questionamento, uma opinião, etc.
Exercícios
1. Identifique as partes (introdução, desenvolvimento e conclusão) dos
parágrafos a seguir:
a) A realidade brasileira deixa claro que o país é palco de grandes contradições
sociais, culturais e econômicas. A origem disso pode ser procurada e provavelmente
será encontrada na exploração do Brasil pelas grandes potências, que contavam
com o apoio de nossa elite e com a falta de voz ativa dos menos favorecidos. Além
disso, é preciso considerar que o país tem sido governado de maneira irresponsável
por alguns políticos. A atuação de Fernando Collor de Mello é exemplar nesse
sentido, pois permitiu que os “anões do orçamento” desviassem verbas públicas que
poderiam minimizar os problemas sociais da grande maioria da população em vez
de aumentar os cofres de uns poucos privilegiados. Diante dessas contradições e
dessas injustiças, os brasileiros precisam encontrar uma forma de tornar o país
menos contraditório e socialmente e economicamente mais justo.
Página 40
b) Hoje não se diz mais “cercou um frango”, diz-se “engoliu um frango”. Há quem
confunda uma coisa com outra e, confundindo-as, chegue a achar que noutros
tempo o torcedor tinha mais graça. A expressão “cercou um frango” era realmente
perfeita. Quando alguém, na arquibancada, pela primeira vez, gritou ”cercou um
frango”, todo mundo viu o frango, o gesto familiar de cercar um frango, o quíper de
braços abertos, acocorado, cerca a bola daqui, cerca a bola dali, a bola aos saltos,
fugindo, como um frango. Não se sente o mesmo no ”engoliu um frango”, embora o
torcedor vá ao ponto de, às vezes, medir ou pesar o frango. Este não foi frango, foi
uma galinha, e das gordas. Ou este foi um peru, e argentino. A verdade é que antes,
muito antes de se dizer “cercou um frango”, o torcedor, em relação ao gol, já
pensava no verbo engolir ou comer, mais em comer do que engolir. A prova está no
apelido de “Guloso” que se deu a um quíper da Mangueira. (Mário Filho, 1994, p.
150)
2. Analise o parágrafo abaixo. As frases de que se compõem constituem o
desenvolvimento de uma idéia anterior. Escolha, entre as alternativas abaixo, a
frase que contém a orientação básica do parágrafo, isto é, a introdução.
.................................................................. Temos criado, nesse país, uma geraçãotartaruga, uma geração medrosa, recolhida para dentro de si. E estamos todos
impregnados por esse espírito de tartaruga. Não temos coragem para contestar
nossos dirigentes, para nos opor às suas idéias e criar soluções alternativas. Agimos
apenas de maneira reativa, negativa, covarde.
a) Precisamos assumir o desafio de educar nossas crianças para desenvolver o
instinto da águia.
b) Com o atual sistema de ensino, estimulamos o espírito do medo e da covardia e
dele nos contaminamos.
c) Procuramos em nossas escolas fazer com que nossas crianças se recolham para
dentro de si e percam a agressividade – o instinto próprio do homem corajoso, capaz
de vencer o perigo que se lhe apresenta.
3. Os dois parágrafos a seguir encontram-se fora da ordem dada pelos autores.
Restitua a ordenação original, numerando, em ordem crescente, os períodos.
a) ( ) O quebra-quebra dominou o centro da cidade, e o governo perdeu o controle
da situação. ( ) No saldo final do protesto, 700 pessoas presas, 65 feridas e 20
mortas. ( ) Era a rebelião popular contra a vacinação antivariólica obrigatória. ( )
Arandelas de gás partidas, postes de iluminação vergados, fragmentos de vidro por
toda parte, paralelepípedos arrancados, bondes virados e incendiados. ( ) Entre 11
e 14 de novembro de 1904, o Rio de Janeiro transformou-se em praça de guerra. (
) A população montou barricadas para enfrentar os vacinadores e os soldados, que
foram agredidos com latas e pedras.
b) ( ) No decorrer desse período, suas faturas conosco chegaram ao montante de
centenas de milhares de cruzados. ( ) A nossa fábrica de cinzeiros Prudentina &
Irmãos, de Presidente Prudente, negocia com a empresa Comercial São José há 15
anos. ( ) Declaramos que as contas foram todas pagas até agora e tão prontamente
quanto as condições comerciais permitem. ( ) A Comercial São José nunca fez
negócios conosco que não pudesse saldar e dela podemos afirmar que é honesta e
merecedora de crédito.
Página 41
FORMAS DE ELABORAÇÃO DA INTRODUÇÃO DO PARÁGRAFO
Há várias formas de começar a redação de um parágrafo, de introduzir a idéia
central a ser desenvolvida. Os modos mais comuns de iniciar um parágrafo são:
interrogação, declaração inicial e divisão.
a) interrogação: o parágrafo começa com uma pergunta, seguindo-se o
desenvolvimento sob forma de resposta ou de esclarecimento.
O fez do Betinho o Betinho? Sua capacidade de reduzir a vida pública a um
serviço em benefício dos excluídos. Nada mais. Isso pode soar banal, ou mesmo
laudação de necrológico. Desde que foi descoberta a banalidade do mal, deixou-se
de prestar atenção na fome, casa para quem não tinha morada e trabalho para o
desempregado. São coisas que, pela ordem moral das coisas, todo mundo deveria
ter.... (ZH, 11 ago. 1997)
b) declaração inicial: o autor afirma ou nega alguma coisa para, a seguir, justificar
ou fundamentar a asserção. É a forma mais tradicional de formular a introdução.
Em junho deste ano, a luz de Betinho começou a enfraquecer. Sem poder
se alimentar, o sociólogo acabou internado com pneumonia bacteriana, infecção oral
e insuficiência hepática, mas o tratamento não adiantou. Tanto insistiu que retornou
para casa, onde foi montada uma UTI portátil. (...) (ZH, 11 ago. 1997)
c) divisão: consiste em apresentar a idéia-núcleo do parágrafo sob a forma de
discriminação das idéias a serem desenvolvidas.
Duas realizações se destacam do rico legado deixado por Betinho: a
criação do Ibase e a campanha de Ação da Cidadania contra a Miséria e pela
Vida. O Ibase, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, é uma das mais
atuantes organizações não-governamentais do país. (...) A campanha contra a fome,
lançada em 1992, foi um obstinado trabalho em favor dos 32 milhões de brasileiros
totalmente desamparados. (...)
Exercício
Identifique o tipo de introdução dos parágrafos a seguir:
a) O caos se instalou no transporte coletivo. Acompanhando um estudante que
embarca no ônibus no centro e se desloca até o Campus, poderemos perceber a
situação. Os ônibus estão sucateados e os estudantes não têm onde sentar porque
todos os bancos já estão ocupados por pessoas que moram em regiões distantes do
centro, nas quais a lotação passa antes. Os estudantes precisam fazer acrobacias
para passar na roleta e manter consigo os materiais diante de batidas e pisões dos
outros passageiros. Ao final do trajeto, o estudante chega ao seu destino, mas está
cansado e atrasado.
Página 42
b) O que é violência cotidiana? Os exemplos são muitos. É a crescente
concentração de renda em privilégio dos 20% mais ricos, que aumentou não só
entre 1960 e 1970, mas também entre esta data e 1976. É a exploração do trabalho.
Talvez o exemplo mais flagrante daquilo que pode ser chamado de violência
cotidiana pode ser encontrado no tempo de locomoção diária entre a residência e o
trabalho, que em média para quem mora nas zonas periféricas de São Paulo é de 4
horas. A observação a um desses exemplos mostrará claramente a violência por que
passam aqueles que levam adiante as engrenagens produtivas.
c) Para obter sucesso profissional, duas práticas devem ser seguidas à risca: o
estudo contínuo e seriedade. Um profissional que não mantém uma educação
continuada pode perder espaço no mercado de trabalho por ignorar teorias e ações
recentes sobre determinada função de seu ramo de atuação. Aquele sujeito que não
mantém uma postura correta e brinca durante os exercícios de suas atividades
demonstra aos seus superiores e colegas que não tem a seriedade necessária para
o trabalho. Assim, estudar e manter seriedade são requisitos básicos para quem
quer alcançar êxito profissional.
FORMAS DE ELABORAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO
O desenvolvimento do parágrafo pode ser feito de várias formas. A principais
maneiras de desenvolver a idéia-chave da introdução são:
a) comparação: consiste em desenvolver a idéia-núcleo através de uma
comparação que pode apontar semelhanças ou diferenças entre as idéias
apresentadas na introdução.
Nos 1.143,017 Km do território sul-africano, é possível encontrar atrações
turísticas tão variadas como as existentes no Brasil, que é oito vezes maior. A
região vinícola da Província do Cabo lembra muito a zona do vinho do Rio
Grande do Sul; as matas e savanas do interior do país correspondem aos
cerrados e florestas da Amazônia e do mato Grosso. Diante de tantas
semelhanças, só um olhar ingênuo ignora que África e América são terras parecidas.
b) exemplificação: consiste na apresentação de casos, fatos, ocorrências que
ilustram o que se está tratando.
Muitos poluidores químicos contribuem para degradar os rios. Os resíduos
industriais são o exemplo mais dramático do prejuízo causado às fontes
naturais de água, pois contêm uma série de elementos químicos altamente
prejudiciais à vida aquática, como o benzeno, o aldeído e várias espécies de
ácidos. Os agrotóxicos são também poluidores que alcançam os rios,
envenenando e matando vários organismos, principalmente os peixes. Além
desses, os esgotos residenciais transportam para os rios diversos tipo de
poluidores químicos, dentre os quais o mercúrio. Assim, com vários agentes
nocivos, o rio tende a desaparecer, pois não há vida que suporte tanto mal.
Página 43
c) apresentação de causas e/ou efeito: consiste na apresentação de razões,
motivação ou conseqüências relacionadas à idéia central anunciada na introdução.
As florestas tropicais vêm desaparecendo rapidamente. As motivações e as
conseqüências da destruição dessas matas estão sendo denunciadas
constantemente pelos ecologistas, preocupados com o futuro do planeta.
Destrói-se a floresta porque ela é um banco potencial para a fabricação de
medicamentos e uma fonte de matéria-prima para a satisfação de inúmeras
necessidades: alimentação, utensílios, móveis, energia. A destruição das
matas também resulta da agricultura intensiva, que destrói a vegetação nativa
das áreas cultivadas. A destruição da floresta provoca o desaparecimento de
plantas, animais e da cultura de muitos povos. Diante dessa quadro lamentável,
cabe a nós buscar uma estratégia para impedir que as florestas desapareçam pó
completo e que parte de nossa “memória ambiental” mantenha-se viva para o
conhecimento de gerações posteriores.
d) apelo ao testemunho de autoridade: consiste na recorrência a frases, citações,
relatos proferidos por um especialista ou uma autoridade para conferir ao texto maior
credibilidade.
Quantos diabos há? O número é infinito. Segundo o célebre doutor em
demonologia, Dr. Blook, o cálculo é simples, porque cada homem tem um
diabo que o acompanha sempre como sua própria sombra, devendo, portanto,
o número de diabos ser igual ao número de criaturas de que se compõe a
humanidade e isso sem contar os demônios vadios, que andam pelo ar, pelo
solo, pelas águas, sem ocupação, passando..... Assim, fica fácil perceber que o
número de diabos é igual ao número de homens, vadios ou não, existentes no
mundo.
EXERCÍCIOS
1. Leia os excertos a seguir e identifique como são desenvolvidos os
parágrafos.
a) A prática de redação é muito importante para a formação profissional. Não é
apenas pela necessidade de redigir cartas, relatórios, ofícios que um administrador,
por exemplo, precisa saber escrever. A prática da redação é fundamental porque é
um excelente treinamento para a organização do raciocínio e para o
desenvolvimento da capacidade de expressão. Nesse sentido, todos devem
aperfeiçoar a competência comunicativa.
b) A violência é um dos problemas mais graves no Brasil e pode estar associada ao
desnível social, econômico e cultural da população. Constantemente jovens,
crianças e adultos são expostos a agressões, roubos e morte, por exemplo.
Segundo a professora de Sociologia da Universidade de São Paulo, a violência deve
ser entendida como um fenômeno atrelado à desigualdade social: quanto mais
dificuldades maiores são as chances de se cometer violência.. Nesse sentido, podese concluir que ações violentas são motivadas pro questões sociais, motivadas pelas
pelo altos índices de miséria e injustiça social.
c) As estratégias que a sociedade adota para combater a violência são diversas. Um
exemplo dessas medidas são as baseadas na emoção, na ação impulsionada pelo
Página 44
sentimento. Outra forma encontrada busca resolver a violência com base no
conhecimento popular, já que o conhecimento científico sobre o tema raramente é
levado em consideração. Como reflexo, o tratamento das pessoas violentas evoluiu
muito pouco no decorrer do século XX. Como se percebe, ainda não existem
soluções definitivas para acabar com a violência.
2. Elabore um desenvolvimento para o parágrafo a seguir:
A realidade brasileira é marcada por contradições sociais, culturais e econômicas.
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
Diante dessas contradições, os brasileiros precisam se perguntar qual é de fato o
significado do dia 7 de setembro para o nosso país.
FORMA DE ELABORAÇÃO DE CONCLUSÃO DO PARÁGRAFO
A redação da conclusão de um parágrafo pode reorganizar enfaticamente as
principais idéias do desenvolvimento. Isso pode ser feito através da elaboração de
uma frase expressiva, de uma frase que reafirma a tese do parágrafo, de uma frase
interrogativa que deixa questões ao leitor, etc. Por isso, a conclusão pode ser do tipo
síntese, proposta ou pergunta.
Nos parágrafos a seguir, observe as conclusões:
a)
Os problemas encontrados no Gol (Grande Ônibus Lotado) não são poucos.
Depois de muitos minutos em uma parada de ônibus, chega o GOL. Logo na
entrada, é aquele empurra-empurra e, como música ao fundo, ouve-se “um passinho
pra frente pessoal”. Todos respiram o mesmo gás carbônico, porque num contexto
como esse o oxigênio já nem existe mais. Chegando ao destino, um alívio:
finalmente a viagem acabou. Após o término das aulas, o sufoco recomeça. E
pode contar, no outro dia, novamente tudo irá se repetir.
b)
A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do
coração. Somente na última década, segundo informações da Secretaria da Saúde
do Estado de São Paulo, o paulista se infartou vinte vezes mais do que no decênio
anterior. O stress causado pela vida intensa acelera os batimentos cardíacos, por
intermédio da injeção exagerada de adrenalina, e apressa o surgimento de doenças
do coração. Assim, nesse contexto, há como não sofrer problemas cardíacos?
Na redação de um parágrafo, devem-se observar algumas características para
que o texto tenha qualidade. E quais são essas qualidades?
•
O parágrafo deve ter unidade: as idéias e frases devem ser coerentes. Isto é,
as frases devem estar intimamente inter-relacionadas de tal modo que todas
relacionem-se ao tema.
•
Mas,
As frases podem ser ligadas por elementos de coesão conforme o sentido que
expressam:
porém,
Elementos de coesão
todavia, contudo, no
entanto,
Idéia que expressam
Adversidade
Página 45
entretanto
Enquanto, ao passo que, à proporção que, à
medida que
Tanto... quanto, como, assim como, do que
Embora, ainda que, se bem que, mesmo que
Porque, visto que, uma vez que, já que
Conseqüentemente, por conseguinte, de modo que
Logo, portanto, desse modo, assim, então
Proporção
Comparação
Concessão
Causa
Conseqüência
Conclusão
Evitar a redação de frases muitos longas, como também somente o uso de
frases curtas. A variação no comprimento das frases do parágrafo é um
procedimento para realçar as idéias.
•
A simplicidade deve prevalecer sobre a linguagem rebuscada. Não usar
palavras cujo significado não seja familiar. Exemplo: O Senhor Mauro da Costa é um
quiropedista. Pedicuro)
•
Evitar repetições de palavras e idéias. Exemplos:
Isto acontece com os velhos já idosos há 20 anos atrás.
O poder aquisitivo de adquirir bens.
O trabalho apresenta um estudo pertinente sobre o perfil do contabilista. Nesse trabalho,
são apresentadas dez competências necessárias ao contabilista no século XXI.
•
Evitar ambigüidades.
A especialidade da loja é vender cama para crianças de ferro.
Despediram-se os empregados.
È proibido dirigir um carro ébrio. O funcionário obteve licença por doença de dez dias.
•
Evitar chavões, lugares-comuns:
O presente trabalho apresenta....
Desde os tempos mais remotos,....
A cada dia que passa....
Eu não tenho palavras para dizer....
Hoje em dia este é um assunto muito debatido.
•
Observar a norma culta da língua portuguesa: cuidar ortografia, concordância,
regência, etc.
•
Empregar corretamente a pontuação. A pontuação inadequada pode alterar o
sentido da frase. Exemplo:
Meu amigo saiu, não está aqui.
Meu amigo? Saiu não, está aqui.
Meu amigo saiu? Não está aqui?
•
Evitar o uso de abreviaturas.
•
Evitar fragmentos de frases: escrever frases sempre com sentido completo.
Exemplo: “Embora não tenhamos vendido muito.” Observe-se que a frase ficou
inacabada; é um fragmento apenas. Estaria completa com a oração principal:
“Embora não tenhamos vendido muito, recebemos elogios do diretor.”
Página 46
PROPOSTA DE REDAÇÃO ENADE 2006
QUESTÃO 10 – DISCURSIVA
Leia com atenção os textos abaixo.
Duas das feridas do Brasil de hoje, sobretudo nos grandes centros urbanos, são a
banalidade do crime e a violência praticada no trânsito. Ao se clamar por solução,
surge a pergunta: de quem é a responsabilidade?
São cerca de 50 mil
brasileiros assassinados a
cada ano, número muito
superior ao de civis mortos
em países atravessados por
guerras. Por que se mata
tanto?
Por
que
os
governantes
não
se
sensibilizam
e
só
no
discurso tratam a segurança
como prioridade? Por que
recorrer a chavões como
endurecer as leis, quando já
existe legislação contra a
impunidade? Por que deixar
tantos jovens morrerem,
tantas mães chorarem a
falta dos filhos?
Diante de uma tragédia urbana, qualquer reação das
pessoas diretamente envolvidas é permitida. Podem sofrer,
revoltar-se, chorar, não fazer nada. Cabe a quem está de
fora a atitude. Cabe à sociedade perceber que o drama que
naquela hora é de três ou cinco famílias é, na verdade, de
todos nós. E a nós não é reservado o direito da omissão.
Não podemos seguir vendo a vida dos nossos jovens
escorrer pelas mãos. Não podemos achar que evoluir é
aceitar crianças de 11 anos consumindo bebidas alcoólicas
e, mais tarde, juntando esse hábito ao de dirigir, sem a
menor noção de responsabilidade. ( ... ) Queremos diálogo
com nossos meninos. Queremos campanhas que os
alertem. Queremos leis que os protejam. Queremos mantêIos no mundo para o qual os trouxemos. Queremos - e
precisamos - ficar vivos para que eles fiquem vivos.
(O Dia, Caderno Especial. Rio de
Janeiro, 10 se!. 2006.)
(O Globo. Caderno
Especial. 2 se!.
2006.)
Com base nas idéias contidas nos textos acima, responda à seguinte pergunta,
fundamentando o seu ponto de vista com argumentos.
Como o Brasil pode enfrentar a violência social e a violência no trânsito?
Observações:
• Seu texto deve ser dissertativo-argumentativo (não deve, portanto, ser escrito em
forma de poema ou de narração).
• O seu ponto de vista deve estar apoiado em argumentos.
• Seu texto deve ser redigido na modalidade escrita padrão da Língua Portuguesa.
• O texto deve ter entre 8 e 12 linhas.
Página 47
Página 48
AMBIGÜIDADE
Página 49
AMBIGÜIDADE
•
A ambigüidade pode ser usada para obter
um efeito de sentido no receptor.
•
Para obter coesão e coerência é preciso,
portanto, evitar essa ambigüidade, causada por
pontuação imprópria, por problemas de
construção textual e por emprego de palavras
com mais de um sentido, que podem gerar, de
forma não intencional, mais de uma
possibilidade de interpretação.
Página 50
• O computador tornou-se um aliado do homem,
mas esse nem sempre realiza todas as suas
tarefas.
• Para que não ocorra ambigüidade, pode-se
escrever essa frase assim:
• O computador, apesar de ser um aliado do
homem, não consegue realizar todas as tarefas
humanas.
Página 51
AMBIGÜIDADE
Observe alguns casos freqüentes de ambigüidade, que podem ser
problemáticos:
a) problemas com o uso de pronomes possessivos
• Raquel preparou a pesquisa com Sílvio e fez sua apresentação.
b) problemas com o uso de pronomes relativos
• Visitamos o teatro e o museu cuja qualidade artística é inegável.
c) problemas com o uso de formas nominais
• O pai viu o filho chegando em casa bem tarde.
d) colocação inadequada de palavras
• O cliente aborrecido recusou o vinho por causa da safra.
Página 52
EXERCÍCIOS
Crime hediondo
Promotor usa informática para reproduzir
homicídio
1. A manchete publicada pelo jornal O Estado
de São Paulo apresenta a possibilidade de
uma interpretação absurda.
a) Que interpretação é essa?
b) Qual a expressão que dá margem a essa
leitura?
Página 53
EXERCÍCIOS
• 2. Qual é a interpretação adequada da
manchete transcrita?
• 3. No texto a seguir, extraído da revista
Veja, em 10 de março de 2004, há uma
ambigüidade. Identifique-a e refaça o
trecho, procurando desfazer a
ambigüidade.
• “Gastou mais de 12 milhões de dólares
herdados do pai, cuja família fez fortuna no
ramo de construção de estradas de ferro,
com festas, viagens, bebidas e mulheres.”
Página 54
REDUNDÂNCIA
A redundância pode dificultar o entendimento
do texto em virtude do uso de idéias e palavras
repetidas ou desnecessárias, que comprometem a
clareza da mensagem.
Para evitar essa repetição, é preciso tirar
palavras supérfluas a fim de sintetizar informações e
não comprometer a qualidade do texto.
A repetição pode ser um recurso estilístico quando
há uma intenção especial em repetir palavras ou idéias,
como é perceptível em textos humorísticos, publicitários,
literários, etc.
Mas há casos em que se deve evitá-la, para que a
linguagem não se torne inadequada.
Página 55
Veja alguns casos comuns de
redundância:
a) palavras próximas e idênticas
• O povo exige seus direitos, os direitos
do povo devem ser respeitados.
b) repetições exageradas
• O ministro apresentou sua proposta de
trabalho, mas o ministro não foi claro
em várias questões e as
argumentações do ministro não foram
aceitas.
Página 56
EXERCÍCIOS
1. Reescreva estas frases, eliminando a redundância.
a) Atualmente, nos grandes centros urbanos, ocorre
uma onda de violência que vem causando um pânico
crescente, nos dias de hoje, entre as pessoas.
b) É preciso coragem! Encare as dificuldades de frente.
c) Este mês ganhei um brinde grátis pela assinatura de
uma revista.
d) na volta das férias, tivemos uma surpresa inesperada:
o caso das provas desaparecidas chegara a seu
desenlace final.
e) Entre dentro de casa e fique aqui ou saia já para fora.
Não quero esse vaivém.
f) há poucos dias atrás seriam aceitas estas evidências
tão claras como provas do atentado.
Página 57
2. Identifique a ambigüidade nas frases e reescreva
cada uma, optando por um dos sentidos possíveis.
a) O médico examinou o cliente
preocupado.
b) A diretora contratou a professora. Ela
reside próximo à escola.
c) Michele telefonou para Rodrigo e
avisou-lhe sua amiga ia chegar
naquela semana.
d) Peguei o ônibus correndo.
e) Vi um desfile andando pela cidade.
Página 58
3. Assinale a ÚNICA frase em que a ordem de
colocação das palavras NÃO produz
ambigüidade.
a) Rossi pede ao STF processo por calúnia
contra Motta.
b) É só colocar as moedas, girar a manivela e
ter a escova já com pasta embalada nas mãos.
c)Casal procura filho seqüestrado via Internet.
d) Câmara torna crime porte ilegal de armas.
e) Regressou a Brasília depois de uma cirurgia
cardíaca com cerimonial de chefe de Estado.
Página 59
4. Observe o seguinte texto:
Perigo
• Árvore ameaça cair em praça do Jardim Independência
Um perigo iminente ameaça a segurança dos moradores
da Rua Lúcia Tonon Martins, no Jardim Independência. Uma
árvore, com cerca de 35 metros de altura, que fica na Praça
Conselheiro da Luz, ameaça cair a qualquer momento. Ela foi
atingida, no final de novembro do ano passado, por um raio e,
desde este dia, apodreceu e morreu.
•
A árvore, de grande porte, é do tipo Cambuí e está muito
próxima à rede de iluminação publica e das residências. “O
perigo são as crianças que brincam no local”, diz Sérgio
Marcatti, presidente da Associação de Bairro.
• (Jornal Integração, 16 a 31 ago. 1996)
•
Página 60
• a) O que pretendia afirmar o presidente da Associação?
• b) O que ele afirma, literalmente?
• c) Na placa abaixo, podemos encontrar o mesmo tipo de
ambigüidade que havia na declaração de Sérgio
Marcatti. O que tornaria divertida a leitura da placa?
CUIDADO ESCOLA!
NOTA: Para responder, leve em conta as seguintes
acepções do termo “perigo”, constantes do Novo
dicionário de Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira:
Perigo: 1. Circunstância que prenuncia um mal para
alguém ou para alguma coisa. 2. Aquilo que provoca tal
circunstância; risco. 3. Estado ou situação que inspira
cuidado; gravidade.
Página 61
ESTRATÉGIAS PARA ELIMINAR PROBLEMAS DE
COESÃO
ELIPSE
•
É o apagamento da segunda ocorrência
do termo, que fica, assim, subentendido no
enunciado.
Tive dois grandes amigos na vida, além de meus
filhos. Um deles foi Guilherme da Silveira, patrono
de Bangu. O outro, o professor Flávio Costa.
Muitos dizem que fui um grande jogador. Não
tenho motivos para discordar. (Domingos da
Guia, ex-jogador de futebol da Seleção Brasileira)
Página 62
ESTRATÉGIAS PARA ELIMINAR PROBLEMAS
DE COESÃO
PALAVRAS REFERENCIAIS
•
São palavras usadas para retomar
expressões ou frases anteriores,
evitando a repetição desnecessária de
vocábulos.
• Fabiano Gonçalves ouvira falar em juros
e prazos. Isto lhe dera uma impressão
bastante penosa: sempre que os
homens sabidos lhe diziam palavras
difíceis, ele saía logrado.
Página 63
EXERCÍCIOS
•
1. Leia o fragmento seguinte, extraído de notícia publicada em jornal
sob o título Separatistas do Quebec mudam estratégia.
• Em uma desafiante mudança de estratégia, os separatistas
do Quebec anunciaram ontem que permanecerão no
Parlamento federal - apesar de sua recente derrota no
referendo sobre a secessão – a fim de lutar contra as
propostas que sejam apresentadas com o objetivo de manter
o Quebec como parte integrante do Canadá. (Gazeta do
Povo, 3 nov. 1995)
•
O pronome possessivo sua, que aparece no fragmento, refere-se ao
antecedente:
a) secessão
b) recente derrota
c) separatistas do Quebec
d) Parlamento federal
e) desafiante mudança de estratégia
Página 64
2. Assinale a única alternativa quer pode substituir
o termo em destaque, no trecho abaixo:
• Vencera meu pai; dispus-me a aceitar o diploma e o
casamento, Virgília e a câmara dos deputados.
• _ As duas Virgílias, disse ele num assomo de ternura
política. Aceitei-os; meu pai deu-me dois fortes abraços.
a) Virgília e o casamento
b) Virgília e a ternura política
c) o diploma e a câmara dos deputados
d) ternura política e o casamento
e) o diploma e o casamento
Página 65
TRABALHO DE AVALIAÇÃO
1º BIMESTRE
1.
Indique as partes dos parágrafos-padrão, apontando o modo
como elas são construídas.
•
Duas nações acostumadas a batalhar sobre as águas medirão
forças no campo: Inglaterra e Suécia. No futebol, elas possuem
estilos parecidos. A diferença maior está na ambição. Os homens
de amarelo pretendem chegar, no mínimo, até as oitavas-de-final.
Os súditos fiéis querem repetir o feito de 1966 – o título. Dia 20
de junho, em Colônia, duas defesas fortes, meio campo com bom
toque de bola farão sua queda-de-braço. Um time tem o que falta
no outro. Na Inglaterra não há um articulador como Svensson e,
agora, falta um artilheiro. Na Suécia não há um xerife como Terry.
Desse confronto, o que o espectador pode esperar é, pelo
menos, um jogo atraente sem um franco favorito. (adaptado de
Gazeta do Sul, 23 maio 2006)
Página 66
TRABALHO
Será que os brasileiros, atualmente, seriam capazes
de dar a própria vida pelo seu país? Certamente não.
Isso ocorre porque foi-se o tempo em que o amor à
pátria era colocado em primeiro plano, chegando até
mesmo aos níveis de adoração e idolatria. O que
percebemos hoje são inúmeros casos de corrupção,
de sonegação de impostos, de banditismo, mostrando
que os nossos homens fazem qualquer coisa para
alcançar seus objetivos, mesmo que isso seja
prejudicial ao desenvolvimento de sua nação. Resta
saber se as gerações no próximo século assistirão ao
que vemos todos os dias nas TVs, rádios e jornais:
uma desvalorização patriótica sem precedentes.
Página 67
2. Indique qual das alternativas é a introdução
do parágrafo a seguir.
•
Segundo o Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Básica, 55% dos
alunos da 4ª série são praticamente
analfabetos. O Indicador Nacional de
Analfabetismo Funcional indica que 74%
dos brasileiros adultos estão nessa
condição. Não há nenhuma
discrepância: todos os resultados
mostram que nossa educação é
péssima.
Página 68
• ( ) O sistema educacional brasileiro
vive um momento de crise.
• ( ) O Brasil está diante de dois
problemas: convencer de que nossa
educação é péssima e, então, tentar
melhorá-la.
• ( ) O pessimismo educacional toma
conta do país.
Página 69
3. Numere, em ordem crescente, a seqüência de frases
que compõem o parágrafo.
•
( ) Na verdade, o ressurgimento de Itamar é uma
manobra típica do manjadíssimo político acostumado
a semear cizânia para obter dividendos pessoais. ( )
O ex-presidente Itamar Franco, que governou o país
de outubro de 1992 a dezembro de 1994, voltou ao
cenário político nacional. ( ) Isso ocorreu no mesmo
momento em que o ex-governador Anthony Garotinho,
que busca febrilmente a candidatura ao Palácio do
Planalto, estava em Minas para arrebanhar apoio de
Itamar. ( ) Há duas semanas, numa entrevista em
Juiz de Fora, ele surpreendeu seu próprio partido, o
PMDB, ao anunciar que pretende ser candidato a
presidente da República.
Página 70
(
) Entre aqueles com mais de 50, a
percentagem triplicou. ( ) Ao chegar à meiaidade, a maioria das pessoas começava a
orientar sua vida pela perspectiva de
aposentadoria. ( ) O que se constata é que a
presença de alunos maduros nas salas de aula
é uma transformação em curso no Brasil devido
às alterações no mercado de trabalho e ao
aumento da expectativa de vida dos brasileiros.
(
) No entanto, hoje já não é assim. (
)
Segundo dados do IBGE, a proporção de alunos
com idade acima de 40 anos nas universidades
brasileiras dobrou de 1991 a 2000.
Página 71
4. PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE UM PARÁGRAFOPADRÃO
(JB ECOLÓGICO. JB, Ano 4, n. 41, junhoPágina
2005,
p.21.)
72
Agora é vero. Deu na imprensa internacional, com base
científica e fotos de satélite: a continuar o ritmo atual da
devastação e a incompetência política secular do Governo e
do povo brasileiro em contê-la, a Amazônia desaparecerá
em menos de 200 anos. A última grande floresta tropical e
refrigerador natural do único mundo onde vivemos irá virar
deserto.
Internacionalização já! Ou não seremos mais nada. Nem
brasileiros, nem terráqueos. Apenas uma lembrança vaga e
infeliz de vida breve, vida louca, daqui a dois séculos.
A quem possa interessar e ouvir, assinam essa
declaração: todos os rios, os céus, as plantas, os animais, e
os povos índios, caboclos e universais da Floresta
Amazônica. Dia cinco de junho de 2005. Dia Mundial do
Meio Ambiente e Dia Mundial da Esperança.A última.
•
(CONCOLOR, Felis. Amazônia? Internacionalização já! In: JB
ecológico. Ano 4, no 41, jun. 2005, p. 14, 15. fragmento)
Página 73
A
tese
da
internacionalização,
ainda
que
circunstancialmente possa até ser mencionada por pessoas
preocupadas com a região, longe está de ser solução para
qualquer dos nossos problemas. Assim, escolher a Amazônia
para demonstrar preocupação com o futuro da humanidade é
louvável se assumido também, com todas as suas
conseqüências, que o inaceitável processo de destruição das
nossas florestas é o mesmo que produz e reproduz diariamente
a pobreza e a desigualdade por todo o mundo.
Se assim não for, e a prevalecer mera motivação “da
propriedade”, então seria justificável também propor devaneios
como a internacionalização do Museu do Louvre ou, quem
sabe, dos poços de petróleo ou ainda, e neste caso não
totalmente desprovido de razão, do sistema financeiro mundial.
(JATENE, Simão. Preconceito e pretensão. In: JB ecológico. Ano
4, no 42, jul. 2005, p. 46, 47. fragmento)
Página 74
• A partir das idéias presentes nos
textos acima, expresse a sua
opinião, escreva um parágrafopadrão, respondendo à pergunta:
qual a melhor maneira de se
preservar a maior floresta
equatorial do planeta?
• Use a norma culta da língua. O
parágrafo deve ter, no mínimo, 08
linhas, e no máximo, 12 linhas.
Página 75
Um bom trabalho!!!
Página 76
ANEXO 07
1.CONCORDÂNCIA
Concordância é um princípio lingüístico que orienta a combinação das
palavras na frase. É a harmonia de flexão entre dois termos ou mais termos. Na
língua portuguesa há dois tipos de concordância: Quando a concordância se faz
entre sujeito e predicado, ela é expressa na flexão do verbo e, por isso, é chamada
concordância verbal. Quando a concordância se efetua entre artigo, numeral,
adjetivo e pronome em relação ao substantivo a que se referem, temos a
concordância nominal.
1.2 CONCORDÂNCIA NOMINAL
Regras gerais:
1- Adjetivos, artigos, pronomes e numerais concordam em gênero e número
com o substantivo a que se referem.
Ex: As primeiras alunas de cada classe foram ao zoológico.
2- O adjetivo ligado a substantivos de mesmo gênero e número vai normalmente
para o plural:
Ex: Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio do concurso.
Mãe e filha carinhosas passeiam sempre juntas.
3- O adjetivo ligado a substantivos de gênero diferente vai normalmente para o
masculino plural:
Ex: Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
Vaso e jarra permaneciam jogados no chão.
4- O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próximo:
Ex: Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
Luxuosa casa e carros ele possui hoje.
5- O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o sujeito.
Ex: Meus amigos estão atrapalhados.
Minhas amigas estão confusas.
6- Quando dois adjetivos se referem a um único substantivo precedido de artigo,
a concordância pode ser feita de dois modos. Considere o substantivo língua e os
adjetivos alemã e inglesa:
a) O substantivo fica no singular e coloca-se também um artigo na frente do
segundo adjetivo.
Ex: Nesta escola, estuda-se a língua alemã e a inglesa.
b) O substantivo vai para o plural e não se coloca o artigo na frente do
segundo adjetivo.
Ex: Nesta escola, estudam-se as línguas alemã e inglesa.
Página 77
Casos Especiais:
1-A palavra meio concorda com o substantivo quando é numeral (significa
metade) e fica invariável quando é advérbio(significa um pouco) .
Ex: Comi meia pêra.
Minha mãe está meio cansada.
2- As expressões é proibido, é bom, é necessário, é preciso e outras semelhantes
são invariáveis quando seu sujeito não for precedido de artigo. Se houver artigo, a
expressão deixará de ser invariável e concordará com o sujeito.
Ex: Comida com pouca gordura é bom para a saúde.
A comida com pouca gordura é boa para a saúde.
Era necessário licença para construir.
Era necessária a licença para construir.
É proibido entrada de pessoas estranhas.
É proibida a entrada de pessoas estranhas.
Eram precisos os aparelhos.
Era preciso aparelhos.
3- As palavras anexo, incluso, só (=sozinho), obrigado,quite, leso, mesmo e
próprio, concordam com o nome a que se referam.
Ex: Ela mesma veio até aqui.
Eles próprios escreveram.
As propostas estão inclusas no relatório.
Denunciaram seus crimes de lesa-pátria
Obrigada!- agradeceu a vendedora.
Estavam quites com o serviço militar.
As crianças continuavam sós.
Observe as cópias anexas ao contrato.
Observação: A expressão em anexo é invariável: Observe as cópias em anexo ao
contrato.
4- menos, alerta e pseudo (advérbios) não variam.
Ex: Havia menos pessoas na praia.
Os vigias estavam alerta.
Denunciaram a pseudodentista
5- muito, pouco, bastante, meio, caro e barato variam se forem empregadas
como pronomes indefinidos, adjetivos ou numerais. Ficam invariáveis quando
são advérbios.
Ex: Havia muitas queixas contra ele. (pronome indefinido)
Pareciam muito tímidas. (advérbio)
Poucos convidados restavam na festa. (advérbio)
Fizeram bastantes críticas ao trânsito. ( pronome indefinido)
As cervejas continuaram bastante geladas. (advérbio)
Estavam meio distraídas durante a palestra. (advérbio)
A receita pede meia xícara de açúcar. (numeral)
As passagens de avião estão muito caras.(adjetivo)
Os computadores custam caro. (advérbio)
A pizza daqui continua barata. (adjetivo)
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Neste brechó vendem-se smokings barato.(advérbio)
6- O adjetivo possível varia de acordo com o artigo que antecede as palavras mais
e menos, que expressam o grau superlativo.
Ex: Visitamos os mais belos museus possíveis.
O palestrante recebeu cumprimentos o mais expressivos possível.
Estas cadeiras parecem as mais confortáveis possíveis.
Exercícios:
1-Faça a concordância com uma das formas indicadas nos parênteses:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
Demonstrou (menos - menas) aptidão para a carreira musical.
Seria (preciso – precisa) muita paciência com o hóspede.
O candidato conseguiu (bastante – bastantes) votos na eleição.
A luz do abajur estava (meio – meia) forte.
Praticaram um crime de (leso – lesa) à pátria.
Os guarda-costas mantiveram-se (alerta – alertas) durante a viagem do
presidente.
g) Entreguei-lhe (em anexo – em anexos) as fotos solicitadas.
h) Água da fonte é (bom – boa) para a saúde.
i) É (necessário – necessária) a prevenção contra a Aids.
2- De acordo com o exemplo, reescreva as frases, substituindo a palavra destacada
pela que estáentre parênteses e refazendo a concordância nominal. Se houver duas
concordâncias válidas indique-as.
Ex: Mantivemos guardado nosso melhor sonho. (idéias)
Mantivemos guardadas nossas melhores idéias.
a) O tribunal considerou desnecessário o seu depoimento. (explicações)
b) Um fraco rei torna fraco o bravo povo. (gente)
c) O museu expôs esculturas e pinturas famosas. (quadros)
d) O museu expôs pinturas e esculturas famosas. (quadros)
e) O museu expôs famosas pinturas e esculturas. (quadros)
f) As pinturas e as esculturas do museu são famosas. (quadros)
g) Os especialistas consideram rara esta pintura e esta escultura. (quadro)
3- Assinale a alternativa que completa adequadamente as lacunas da frase.
a) A biblioteca já informou ............ vezes que, para a retirada de livros e revistas
........... de seu acervo, é ................. a apresentação de documento de identidade e
de comprovante de endereço.
a) bastante – raras – obrigatório
b) bastantes – raras – obrigatório
c) bastante – raros – obrigatória
d) bastantes – raros – obrigatório
e) bastantes – raros – obrigatória
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b) “É ...... discussão entre homens e mulheres ......... ao mesmo ideal, pois já se
disse .......vezes que da discussão, ainda que ........... acalorada, nasce a luz.”
a)
b)
c)
d)
e)
bom – voltados – bastantes – meio
bom – voltadas – bastante – meia
boa – voltadas – bastante – meio
boa – voltados – bastante –meia
bom – voltadas – bastantes – meia
c) Meninas, avisem a ............ colegas que vocês .......... é que vão dirigir os ensaios
da peça.
a) vossos – mesmos
b) seus – mesmas
c) vossos – mesmas
d) seus – mesma
e) vossos – mesmo
4- Um clube convidou seus associados para uma festa, publicando em um de seus
boletins informativos o seguinte texto:
O Departamento Social programou para o dia 30 de outubro a maior
festa do chope que o Clube já realizou. Comidas típicas alemãs e muito chope
distribuídos gratuitamente a noite toda.
Um rapaz, sócio do clube, foi à festa sem jantar e sem levar dinheiro.Lá chegando,
constatou que o chope era gratuito, mas, para sua surpresa, a comida era paga.
Pergunta-se: o rapaz leu erradamente o convite, ou foi o clube que redigiu
mal? Explique sua resposta.
5- Em duas entradas de um parque público de uma cidade, foram afixados estes dois
avisos:
É proibido
a entrada de animais
É proibida
a entrada de bicicletas
a) Explique por que essas frases não são coerentes entre si quanto à
concordância nominal.
b) Indique qual das duas frases apresenta erro de concordância nominal e
reescreva-a fazendo a correção
6- Assinale o período em que a concordância está correta:
a) O aluno está quites com a tesouraria do colégio.
b) Papagaios, araras e jaçanãs estavam presos.
c) Os viajantes chegaram cansadol
d) Os funcionários mesmo pediram as contas.
7- Tendo em vista as regras de concordância, assinale a opção em que as duas
formas entre parênteses podem completar corretamente a lacuna do enunciado:
a) Atitudes e hábitos geralmente ............. (questionados / questionadas)
b) Vocabulário e fraseologia restritamente ........... ( utilizados /utilizadas)
c) Grupos e pessoas lingüisticamente .............. (diferenciados / diferenciadas)
Página 80
d) Crítica e objeções inteiramente ................. ( infundados / infundadas)
e) Segredos e originalidade igualmente ........... (desejados / desejadas)
EXERCÍCIOS:
1)
Leias as frases a seguir e assinale C para concordância nominal correta
e I para concordância nominal incorreta.
( ) As alunas não deveriam reclamas do novo professor. Foram elas mesmas que
pediram a substituição anterior.
( ) É proibido a entrada com bebida alcoólica no acampamento dos escoteiros.
( ) Os certificados inclusos deverão ser assinados pelo diretor.
( ) A ricota com cebolinha está muito bom.
( ) A cópia anexa do documento deve ser enviada ao juiz em envelope lacrado.
( ) A cautela é necessária no trato com os animais ferozes.
2)
Leia as frases a seguir:
• O homem e a mulher alta atravessaram a rua.
• O homem e a mulher altos atravessaram a rua.
Considerando as regras de concordância nominal, explique se há diferença de
sentido entre uma frase e outra.
3)
Tendo em vista as regras de concordância, decida qual(is) forma(s) entre
parênteses pode(m) completar corretamente os enunciados.
a)
As
ações
e
manias
geralmente
______________.
(questionados/questionadas)
b)
Vocabulário
e
expressões
restritamente
______________
(utilizados/utilizadas) mostram problemas de redação.
c)
Críticas e objeções completamente _____________ (infundados/infundadas)
não devem aparecer em resenhas.
Leia com atenção o parágrafo a seguir.
1
2
3
4
5
6
7
Alheios à discussão, a atual dupla da Ferrari vive situações bem diferentes hoje:
um necessita de tratamento cirúrgico e o outro descansa no Brasil. Schumacher
deve ser operado nos próximos dias, para a retirada dos pinos que foram
colocados em sua perna direita após o acidente do ano passado em Silvertone.
Diferentemente da situação do companheiro de equipe, Barrichelo está de férias
no Brasil, aproveitando para curtir o verão carioca com o filho e a esposa
afetuosa. Assim, Schumacher e Barrichelo vivem momentos distintos nesse
verão de calor intenso.
a) De que modo foi construída a introdução do parágrafo?
b) O desenvolvimento do parágrafo apresenta:
( ) comparação
( ) apelo a testemunho de autoridade
Página 81
( ) exemplificação
( ) apresentação de causa/conseqüência
a)
O enunciado apresenta infração quanto às regras de concordância exigidas
pela norma culta da língua. Identifique a infração e reescreva o trecho em que ela
ocorre de acordo com a norma culta.
5) Complete as lacunas com uma das formas indicadas entre parênteses.
a) O pintor dispõe de tintas que, puras ou misturadas, _____ (lhe, lhes) _______
(permite, permitem) dar a seus quadros cores que imitam a natureza.
b) O problema é sério, e as circunstâncias atuais ______ (o, os) _____ (faz, fazem)
ainda mais (grave, graves).
c) O problema é sério, e a circunstância atual ______ (o, os) _____ (faz, fazem)
ainda mais (grave, graves).
1.3 CONCORDÂNCIA VERBAL
Regra geral: o verbo concorda com seu sujeito em pessoa e número.
Os novos recrutas mostraram muita disposição.
Eu mostrei meu trabalho na Feira do Livro. (você (ou ele) mostrou, nós (eu
e...) mostramos...).
João e Maria assinaram o contrato hoje.
Vossa Senhoria pode ir à reunião no dia de março?
REGRAS ESPECIAIS
1) Nomes próprios de lugar ou títulos de obras:
__ verbo no plural se precedido de artigo;
__ verbo no singular se não houver artigo precedendo-o ou se o artigo estiver no
singular.
Os Estados Unidos concederam ajuda financeira àquele país.
Contos Novos é uma das obras de Mário de Andrade.
Em títulos de obras, com o verbo “ser” e predicativo do singular,
admite-se também o verbo no singular:
Os Sertões é um livro muito interessante.
2) Pronome de tratamento: usa-se o verbo na 3ª pessoa.
Vossa Senhoria está melhor agora?
Você está bem?
Página 82
3) Em frases com sujeito inexistente, o verbo fica na terceira pessoa do singular. É
o caso de verbos que indicam fenômenos da natureza: sempre na 3 pessoa do
singular.
Choveu ontem.
Ventou muito nessas noite.
Geou em Santa Cruz do Sul.
4) Verbo haver: sempre na 3ª pessoa quando é empregado no sentido de existir ou
de tempo transcorrido.
Haverá descontentes no governo e na oposição.
Havia cinco anos não ia a Brasília.
Faz dez dias que não durmo.
Semana passada fez dois meses que iniciou a apuração das irregularidades.
5) Verbo + pronome se: Os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e
indiretos, quando apassivados, concordam com o sujeito:
Vendem-se apartamentos funcionais e residências oficiais.
Vendem-se casas e terrenos a prazo.
Para obterem-se resultados são necessários sacrifícios.
6) Verbo + pronome se: Verbo transitivo indireto (isto é, que rege preposição) fica
na terceira pessoa do singular; o se, no caso, não é apassivador pois verbo transitivo
indireto não é apassivável:
Precisa-se de serventes de pedreiro.
Assiste-se a mudanças radicais no País.
Precisa-se de homens corajosos para mudar o País. (E não *Precisam-se
de...)
Trata-se de questões preliminares ao debate. (E não *Tratam-se de...)
1. Indique qual das formas verbais entre parênteses preenche adequadamente
as frases a seguir, de acordo com a variedade padrão.
a) A rádio e a televisão local ________________ (interrompia – interrompiam) a
todo momento a programação para anunciar a tempestade que se aproximava da
cidade.
b) Nem um nem outro comentário ________ (abalou – abalaram) sua decisão.
c) Dentro de alguns minutos _________________ (será divulgada – serão
divulgadas) a nota de avaliação final e a lista dos aprovados) deste ano.
d) O diretor, ela e eu ______________ (participarão – participaremos) do curso de
especialização em Marketing.
Página 83
2. Assinale a opção em que o verbo haver é impessoal e, portanto, não deveria
estar no plural:
a) Os infratores se haverão com a Justiça.
b) No último final de semana, houveram muitos assassinatos na periferia de São
Paulo.
c) Alguns políticos hão de cumprir suas promessas.
3. Complete as lacunas com uma das opções indicadas:
a) com essas medidas, acredito que não ____ (haverá – haverão) mais problemas
de ordem econômica.
b) Já ___ (faz –fazem) três dias que ele não aparece por aqui.
c) Penso que ___(deve – devem) existir meios para que vocÊ possa atingir seu
objetivo.
d) ____ (há – a) muito tempo, __________( aconteceu - aconteceram) ali alguns
fatos estanhos.
e) O relógio da sala __________ (bateu – bateram) quatro horas. Agora, _______(falta - faltam) apenas trinta minutos para ele chegar com as novidades.
4. Os enunciados a seguir apresentam infração às regras de concordância exigidas
para a escrita. Identifique tais infrações e reescreva os trechos em que eles ocorrem
de acordo com a norma culta.
a) um dos sinais de desespero é a incoerência. Fala-se coisas que antes eram ditas
de outra forma. O governo está com esse sintoma. (Folha de São Paulo, 28 maio
2001)
b) Como se tratam de documentos protegidos pelo sigilo bancário, a comissão
decidiu não divulgar a ata da reunião. (Folha de São Paulo, 24 ago. 2001)
5. Assinale a alternativa em que tanto A quanto B estão adequadas à modalidade
escrita padrão.
1) a. O juiz havia assinado o mandado na véspera.
b. O juiz tinha assinado o mandado na véspera.
2) a. Tem vários pontos de vista diferentes.
b. Trata-se de vários pontos de vista diferentes.
3) a. Havia várias pessoas descontentes com a polícia.
b. Existiam várias pessoas descontentes com a polícia.
4) a. O sorteio foi suspenso porque houveram muitas reclamações no Procon.
b. O sorteio foi suspenso porque ocorreu muitas reclamações no Procon.
6. Observe a concordância estabelecida na construção “verbo + se” em dois
textos da seção “Classificados”.
Vende-se terras 12ha s/ benf. Rincão da Lagoa; 20ha s/ benf.. R$ 7.000,00 por ha.
F. 9785 2165.
Vende-se terreno na Prainha, lugar alto e cercado. 3743-2143.
a) Um dos textos não obedece a regra de concordância. Qual? Por quê?
Página 84
b) Procure explicar qual seria a razão para o erro de concordância no texto.
7. Complete as lacunas com uma das formas verbais indicadas entre parênteses.
a) Quando cheguei à cidade, _____ (havia – haviam) apenas dois apartamentos
disponíveis para aluguel.
b) ________ (deve haver – devem haver) muitos feridos no acidente da viaduto.
c) ________ (deve existir – devem existir) muitas razões para o divórcio.
d) _______ (vai fazer – vão fazer) cinco anos que não viajo.
Exercícios:
1-Faça a concordância verbal adequada, usando uma das alternativas dos
parênteses:
a) Grande parte dos nossos alunos .......do sexo masculino. (é – são)
b) .............. casas . (vende-se / vendem-se)
c) Fui eu que ........... a carta. (enviou / enviei)
d) Fui eu quem ............. a carta. ( enviou /enviei)
e) No relógio da Igreja ......9horas. ( soou / soaram)
f) Aquilo ........ os meus pertences. (é / são)
g) A nomeada para o cargo ........ eu. ( fui / foi)
h) Novecentos reais ....... pouco. ( é/ são)
i) ..... vinte minutos que estamos à sua espera. (faz / fazem)
j) ...... poucas vagas para o curso. (havia /haviam)
2- Com base nas frases do exercício1, faça o que se pede:
a) Justifique sua resposta para o item a.
b)Compare suas respostas para os itens c e d e justifique-as.
a) Justifique suas respostas para os itens i e j.
3- Passe o sujeito das frases a seguir para o plural, obedecendo à concordância
correta:
a) Ouve-se noticiário pelo rádio.
b) Demorou a chegar até nós.
c) Começa muito tarde o programa noturno.
d) Era sempre eu o culpado.
e) Cobre-se botão.
4- Passe para o plural os termos destacados, efetuando a concordância correta:
a) Houve festa durante o ano todo.
b) Haverá feriado este mês?
c) Existe caso de leptospirose em São Paulo?
d) Precisa-se de empregos.
e) Vende-se apartamento na praia.
5- a) Substitua o verbo existir, na frase a seguir, pelo verbo haver.
Existem algumas pessoas boas, nesse mundo. É uma pena que sejam
poucas.
b) Qual é a função sintática de algumas pessoas boas na frase original e na sua
resposta?
c) Justifique a concordância do verbo haver na sua resposta.
Página 85
6- Copie as frases, fazendo a concordância nominal adequada:
a) O garoto e as garotas ficaram .......... com a festa. (entusiasmado)
b) Encontrei os livros e as revistas .......... pelo professor. (sugerido)
c) O conjunto possui cantores e banda ......... . (maravilhoso)
d) Sua excelência, o ministro, é muito ............ . (honesto)
e) Ouvimos apenas a primeira e a segunda .......... do discurso. (parte)
f) Elas ............ expuseram suas idéias sobre a vida. (mesmo)
g) Muito ............, disse a garota. (obrigado)
h) Carla não quis sair porque está .............cansada. (meio)
i) ............, estamos enviando os documentos. (anexo)
j) Ela escreve ......... . (confuso)
k) Eles .......... chegaram às duas horas por causa do trânsito. (só)
l) As fotos estão................ aos documentos. (anexo)
m) Então ............ todos os documentos necessários ao processo. (incluso)
n) Ela .......... cortou seu cabelo. (mesmo)
o) Ela estava ............ irritada com a filha. (meio)
p) Nós ........... fizemos nossas ........... declarações de renda. (mesmo/ próprio)
q) São as............... flores que escolhi. (mesmo)
r) Minha blusa de lã custou muito .................(caro)
Página 86
ANEXO O7
4.1. GÊNEROS TEXTUAIS
Nas diversas situações do nosso cotidiano, convivemos com textos. Estes
podem ser uma conversa entre amigos, uma propaganda, uma história em
quadrinhos, um ata, um resumo, um ofício, uma resenha. Cada um desses textos
tem um modo específico de elaboração com estrutura, linguagem e objetivos
distintos. Nesse sentido, se o objetivo do locutor é, por exemplo, instruir seu
interlocutor, ele produz um texto que se organiza em torno de argumentos, uma
vez que seu objetivo é convencer. Se o objetivo é contar fatos reais ou fictícios,
ele pode optar por produzir um texto que apresente em sua estrutura os fatos, as
pessoas ou personagens envolvidas, o momento e o lugar em que os fatos
ocorreram. Se é transmitir conhecimentos, o locutor deve construir um texto que
exponha os saberes de forma eficiente.
Ao interagirmos com outras pessoas por meio da linguagem (oral ou
escrita), produzimos certos tipos de texto. Constituindo os chamados gêneros
textuais ou discursivos, esses gêneros foram criados para a fim de atender a
determinadas necessidades de interação verbal. Por isso, de acordo com o
momento histórico, pode nascer um gênero novo, podem desaparecer gêneros de
pouco uso ou, ainda, um gênero pode sofrer mudanças até transformar-se em um
novo gênero.
A escolha do gênero textual é feita de acordo com os diferentes elementos
que participam do contexto, tais como: quem está produzindo o texto, para quem
está produzindo o texto, com que finalidade, em que momento histórico, em que
suporte, etc.
A escolha dos gêneros textuais deve considerar a circulação do texto, ou
seja, em que contexto será veiculado o texto. Assim, os gêneros textuais estão
ligados a esferas de circulação. Observe:
Esfera de circulação
Gêneros textuais
Esfera jornalística
Notícia, reportagem, editorial, entrevistas, crônica, carta do
leitor
Esfera
de Resumo, resenha crítica, artigo, ensaio, monografia,
divulgação científica dissertação, tese, relatório
Esfera da redação Ata, carta comercial, requerimento, ofício, e-mail, aviso,
técnica e
da edital, currículo, memorando
comunicação
empresarial
Cada gênero textual possui uma estrutura, uma linguagem, uma forma
própria de elaboração que se relaciona com o objetivo do locutor. Um resumo, por
exemplo, é utilizado para expor uma síntese de um livro, de um artigo, de um
filme, através de uma linguagem clara, objetiva que prioriza a impessoalidade e a
imparcialidade, pois o redator deve manter-se fiel às idéias apresentadas no texto
e isentar-se de emitir opiniões e comentários críticos.
Página 87
O resumo é uma sinopse, a apresentação concisa de um texto, em que se
destacam os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais
idéias do autor da obra. A finalidade do resumo é a difusão das informações
contidas em livros, artigos, teses, etc., priorizando-se a apresentação das
questões mais pertinentes de uma obra. Deve conter uma introdução, um
desenvolvimento e uma conclusão.
Já a resenha crítica possui outros objetivos e, por isso, sua estrutura é
distinta da do resumo. Vamos conhecer as características de uma resenha?
Além da sinopse de uma obra, a resenha crítica fornece dados informativos de
uma produção (livro, artigo, monografia, tese, filme, peça de teatro e outras obras
artísticas) e emite um opinião a respeito dela, recomendando-a ou não. Isto é, a
resenha apresenta uma crítica que pode ser favorável ou desfavorável. Deve
conter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
O resenhista pode fazer referências a outras obras, comparar, fazer
citações, contra-argumentar, sempre com a intenção de justificar seu ponto de
vista.
A resenha tem sido utilizada como meio de estimular os estudantes à leitura
e à capacidade de entendimento, síntese e crítica. O objetivo da resenha é
informar o leitor de forma sucinta, objetiva e clara sobre o assunto tratado no texto
original, acrescentando-se, no caso de uma resenha crítica, a possibilidade de
comentários e opiniões, bem como de posicionamento a respeito do tema
discutido.
Para tanto, a resenha crítica resume as idéias centrais da obra, avalia as
informações nela contidas e a forma como foram expostas.
Quanto à estrutura, segue o mesmo formato de um resumo, ou seja, deve
possuir título, introdução, desenvolvimento e conclusão. Não deve ser extensa,
limitando-se, ao máximo, a dez por cento do tamanho do texto resenhado.
Para a elaboração de uma resenha, há um roteiro básico:
1. Na introdução, apresentar:
☻ Referências bibliográficas do texto resenhado: identificar o autor, título, local,
edição, editora, ano
☻ Credenciais do autor: informações gerais sobre sua formação, atividades,
experiências de quem fez o estudo, quando, por que, onde.
2. No desenvolvimento, destacar:
☻ Um resumo das idéias principais, enfatizando o tema, os argumentos do autor,
as seções da obra (os capítulos do livro, por exemplo).
☻ Citações bibliográficas se considerar necessário.
2. Na conclusão, apontar:
Página 88
☻ Comentários e opiniões acerca da obra resenhada, salientando respostas para
questões como o texto resenhado apresenta conclusão ou não? Onde está? Quais
foram as conclusões?; Metodologia do autor: que métodos utilizou? Que técnicas
utilizou? Entrevistas? Questionário? Teoria do autor: que teoria serve de apoio ao
estudo apresentado? Qual o modelo teórico apresentado?
☻ Crítica do resenhista: julgamento da obra. Apreciação da obra: Qual a
contribuição da obra? As idéias são originais? Há aprofundamento do tema?
☻ Indicações do resenhista: a quem é dirigida a obra? Pode ser adotada em
alguma disciplina ou curso? Qual?
Exemplo de resenha crítica
Em sua recente obra voltada à área de Administração, Idalberto
Chiavenato, no livro Gestão de pessoas, publicado pela editora Campus, em 2003,
mostra a nova maneira de administrar juntamente com as pessoas e o novo papel
de consultoria interna que está se consolidando na maior parte das organizações
bem-sucedidas.
Nesse sentido, Chiavenato desenvolve uma pesquisa voltada para
Recursos Humanos, ampliando sua produção científica, que inclui, entre outros,
Introdução à Teoria Geral da Administração e Administração e Marketing. Seu
livros constituem referência básica dos cursos de Administração de empresas,
pois abordam, de maneira prática e crítica, os desafios e tendências atuais na
administração de negócio, de pessoas, etc.
Para o autor, administrar com as pessoas, consideradas agora parceiras do
negócio e não mais meros recursos empresariais, passou a ser o mais importante
desafio interno das empresas em plena Era da Informação.
Chiaventao destaca os novos desafios da Gestão de Pessoas,
desenvolvendo a tese de que o ambiente dinâmico e competitivo são os fatores
determinantes no processo de gerenciamento de recursos humanos. Na
perspectiva do autor, em uma época em que a globalização, a competição, o forte
impacto da tecnologia e as célebres mudanças tornaram-se os maiores desafios
externos. Assim, a vantagem competitiva das empresas está na maneira de utilizar
o conhecimento das pessoas e colocá-lo rápida e eficazmente em ação na busca
de soluções satisfatórias e de novos produtos e serviços inovadores. O
pesquisador salienta que tudo isso deve estar focalizado no cliente.
Ao referir-se à seleção e à avaliação do desempenho e às relações
interpessoais nas organizações, Chiavenato sublinha que as pessoas devem ser
consideradas não como objeto de trabalho, mas como capital intelectual, como
fonte de conhecimento. A transformação das pessoas -- de meras fornecedoras de
mão-de-obra para fornecedoras de conhecimento -- é a nova revolução que está
ocorrendo nas organizações bem-sucedidas, enfatiza o escritor. Nas palavras
dele, “Isso decorre de uma nova cultura e de uma nova estrutura organizacional
na qual se privilegiam o capital intelectual e o aporte de valor que somente as
Página 89
pessoas podem proporcionar, desde que devidamente preparadas e motivadas
para tanto” (CHIAVENATO, 2003, p. 41).
O autor destaca que o talento humano passou a ser tão importante quanto
o próprio negócio, pois é o elemento essencial para sua preservação,
consolidação e sucesso. E assim os programas de incentivo e recompensa devem
ser pautados nessas novas considerações.
Baseando-se nessas reflexões, Chiavenato conclui seu texto declarando
que o desafio para o processo de gestão de pessoas reside no fato de as
empresas e organizações conscientizarem-se de tratar os colaboradores como
capital intelectual e não como objeto de trabalho.
O livro de Chiavenato é elaborado de forma organizada, utilizando uma
linguagem simples e de fácil compreensão. Dividida em capítulos ordenados, que
possibilitam um desenvolvimento lógico das idéias, a obra apresenta uma
referência básica para estudantes que buscam conhecimentos sólidos acerca do
processo de gestão de recursos humanos. Além de trazer informações reflexivas,
críticas e pertinentes a formação universitária e empresarial, o texto ilumina uma
conexão entre a teoria da administração e a prática da administração. Assim, a
leitura do livro pe indicada tanto para graduando quanto para empresários e
administradores que buscam novas fontes de informação e conhecimento.
EXERCÍCIO
1- O que é gênero textual? O que deve ser levado em consideração ao
analisar um gênero textual? A que esferas de circulação deve ser
relacionado os gêneros textuais\?
2- Identifique, no texto, as partes da resenha crítica, apontando expressões
e informações que comprovam cada um dos segmentos da resenha crítica.
a. Como se caracteriza a linguagem dessa resenha?
b. A que público se destina essa resenha?
Página 90
REDAÇÃO TÉCNICA
A redação técnica pode ser definida como qualquer produção textual que usa
uma linguagem objetiva, dando preferência à eficácia e a exatidão da comunicação
e eliminando marcas da subjetividade do autor (opiniões pessoais, crenças,
deduções subjetivas, etc). Conforme destaca Othon Garcia (2002), “Nesses casos, a
redação oficial, a correspondência comercial e bancária, os papéis e documentos
notariais e forenses constituem redação técnica” (p. 394).
A redação técnica pode englobar variados tipos de texto, que combinam
descrição, narração e argumentação, dependendo de quem escreve, para que
escreve, o que escreve. Pertencem, portanto, à redação técnica textos como
manuais de instrução, pareceres, relatórios, atas, bulas, ofícios, etc.
Neste capítulo, serão destacados apenas os textos que fazem parte do
cotidiano do Administrador ou do Contador, priorizando o esclarecimento sobre
aquilo que realmente será utilizado nas atividades práticas dessas profissões. As
correspondências oficiais e comerciais fazem parte da chamada redação técnica e
há vários autores que se dedicam ao estudo de textos administrativos, cartas
comerciais, correspondência oficial, dentre os quais João Bosco Medeiros, Dileta
Martins e Lúbia Scliar Zilberknop.
Conforme Medeiros (2001), as correspondências podem ser de vários tipos:
•
•
•
•
Particular, pessoal ou social: trocada entre particulares. Os assuntos são
íntimos, particulares.
Bancária: enfoca assuntos relacionados à vida bancária;
Comercial: ocupa-se da transação comercial ou industrial;
Oficial: tem origem no serviço público, civil ou militar.
Os textos comerciais e oficiais servem para a comunicação empresarial, para o
registro de reuniões, para a solicitação de recursos, documentos, etc. Para cada um
desses objetivos existe um tipo de texto: ofício, mensagem eletrônica, ata,
requerimento.
No contexto da redação empresarial, ou seja, produção de textos
administrativos, são necessárias algumas observações. Estas variam desde o
cuidado aos objetivos do autor e observação à estrutura de cada tipo de texto até às
qualidades da redação técnico-administrativa.
Para que essa comunicação seja eficiente é necessário ficar atento a algumas
particularidades da redação técnica, as quais seguem os princípios básicos de
qualquer tipo de composição textual. A bibliografia atual sobre o assunto destaca
algumas exigências para se escrever um bom texto:
•
Concisão: evitar detalhes e palavras desnecessários como também o uso
de adjetivação excessiva e de muitos advérbios; observar o meio termo:
não ser tão conciso a ponto de a informação não ser suficiente.
•
Precisão vocabular: termos com sentido preciso vocabulário amplo.
•
Uso de palavras simples e conhecidas: evitar palavras prolixas.
Página 91
•
Uso de frases simples e diretas: evitar frases intercaladas e com sintaxe
complexa; optar por orações coordenadas em vez de subordinadas.
•
Uso limitado de verbos no gerúndio e no particípio e de tempos
compostos. Evitar iniciar frases com “sendo...”.
•
Uso da língua culta: observar as regras da gramática normativa e não
utilizar gírias, chavões, expressões estereotipadas.
•
Ênfase na informação.
•
Exatidão: evitar palavras vagas, compridas, difíceis que podem não ser
entendidas pelo receptor. Nesse sentido, evitar o uso de alguns, quase
todos, muitos, poucos, há dias... que são palavras e expressões vagas.
•
Coerência de idéias: enfatizar os pontos-chave convenientemente; fazer
uma transição natural entre uma frase e outra; construir frases com sentido
completo.
•
Clareza: o texto deve ser tão claro que até um estrangeiro que conheça
um pouquinho a língua portuguesa possa entender a mensagem.
•
Cortesia: ser educado, agradável e cortês na redação para suscitar
reações positivas no receptor.
•
Atenção ao receptor: um dos elementos mais importantes numa
correspondência é o receptor. Evitar, portanto, excesso de pronomes
pessoais, como eu, nós.
•
Simplificação: restringir a redação ao essencial. Veja:
a) Acusamos o recebimento → Recebemos
b) Anteriormente citado → Citado
c) Segue anexo a esta → Anexamos
d) Será prontamente atendido → Será atendido
e) Um cheque nominal no valor de → Um cheque de
f) O corrente mês de julho → Neste mês
Página 92
ATENÇÃO!
Na redação dos textos empresariais, deve-se chamar atenção para algumas
expressões que devem ser banidas da redação:
a) Agradecemo-lhe antecipadamente...
b) Venho por meio deste....
c) Ansiosamente aguardamos resposta...
d) Lamentamos informar...
e) Permita-me dizer...
f) O presente ofício...
g) No devido tempo...
h) Cordiais abraços...
i) Cordiais saudações...
j) Manifestando nossas considerações e apreço, despedimo-nos.
Na redação técnica, também é preciso observar a estética: distribuir de
modo harmônico o texto na folha; não encaminhar ofícios ou requerimentos, por
exemplo, em folhas cuja impressão não é de qualidade ou em folhas amassadas.
Além disso, o redator deve dominar a estrutura de cada tipo de texto. Como o
objetivo das relações comerciais é criar, manter e encerrar negociações, a
correspondência comercial, para atingir seus objetivos, submete-se à exigência de
certas normas e orientações quanto à elaboração e circulação de documentos
próprios ao mundo do trabalho.
Vamos conhecer a estrutura de uma ata, de um ofício, de um requerimento e
de uma mensagem eletrônica, que são os textos mais comuns nos contextos
administrativo e contábil.
REQUERIMENTO
Quando alguém deseja solicitar alguma coisa a uma entidade, órgão, setor,
deve escrever um tipo de texto específico: o requerimento, que deve ser claro e
objetivo.
Requerimento é um documento específico de solicitação e, através dele, a pessoa
física ou jurídica requer algo a que tem direito (ou pressupõe tê-lo), concedido por
lei, decreto, ato, decisão, etc.
O requerimento, assim como os demais textos técnicos, possui uma estrutura
particular. São elementos que o compõem:
a) Invocação: os termos devem ser escritos por extenso (coloca-se a função
profissional do receptor, não o nome dele);
Página 93
b) Texto: inicia-se o pelo nome do requerente, sua qualificação (ou representação
se for pessoa jurídica), exposição do ato legal em que se baseia o requerimento e o
objeto desse requerimento (quando o pedido for amparado por uma lei específica).
c) Fecho: em que entram as expressões
Nesses termos
Pede deferimento
ou
Nesses termos
Aguarda deferimento
Após a expressão, deve ser mencionar a data e apresentar a assinatura do
requerente (ou seu representante legal).
Senhor Prefeito Municipal de Vacaria /RS,
Prodesa – Indústria e Comércio S.A., com sede na Avenida
Assis Brasil, 2069, em Porto Alegre, por seu Presidente e
Representante Legal, Luís Carlos Soares, industrial,
brasileiro, casado, residente em Porto Alegre, na Rua
Filadélfia, 1260, nos termos do Decreto nº 45/2000,
assinado por V. Exª. em 10 de maio de 2000, em que
concede isenção de impostos sobre serviços de qualquer
natureza, por dez anos, a indústrias que venham a instalarse nesse município no ano 2000, vem requerer que Vossa
Excelência outorgue à Prodesa a referida isenção. Para
isso, consta em anexo toda documentação exigida no
decreto citado.
Nesses termos
Pede deferimento
Vacaria, 30 de junho de 2006.
Luís Carlos Soares
Luís Carlos Soares
Presidente
Página 94
Senhor Presidente,
Analice da Silva, brasileira, solteira, Secretária Executiva da
Mols & Mols Ltda., residente e domiciliada na Rua Ernesto
Alves, nº 412, em Santa Cruz do sul, tendo em vista que:
a) é funcionária efetiva na empresa desde 1995;
b) participou de todos os cursos de qualificação profissional
oferecidos pela empresa, alcançando ótimo desempenho
conforme avaliação dos instrutores;
c) busca aperfeiçoamento contínuo, através de curso
superior, para ampliar sua formação
vem solicitar a Vossa Senhoria uma bolsa de estudos para que
o curso universitário seja realizado com mais proveito e em um
período mais curto.
Nesses termos
Pede deferimento
Santa Cruz do sul, 24 de setembro de 2006.
Analice da Silva
Analice da Silva
Secretária Executiva
MENSAGEM ELETRÔNICA
No contexto atual, a Internet tem se constituído como uma das ferramentas de
trabalho e, considerando essas circunstâncias, as mensagens eletrônicas são
usadas para estabelecer comunicação à distância com maior rapidez, substituindo o
telefone, a carta, o telegrama. Através dessas mensagens (os populares e-mails)
são feitas comunicações, inclusive as empresariais, pois proporcionam rapidez e
eficiência e podem ser enviadas e recebidas a qualquer instante, conforme a
conveniência do destinatário. Nesse sentido, mensagens eletrônicas são formas
atuais de comunicação.
A mensagem eletrônica, criada a partir do uso intenso da Internet, deu origem
a um tipo de texto, que apresenta características de outros tipos de texto, como o
memorando, a carta, o bilhete, a conversa face a face. A predominância de uma
dessas características depende da maneira como e-mail é usado.
Mensagem eletrônica (e-mail) é uma mensagem recebida através de um sistema
de correio eletrônico.
Página 95
IMPORTANTE!
☻Como o e-mail é utilizado em diversas situações comunicacionais, formais e
informais, a linguagem pode variar.
☻ Em geral, os parágrafos são curtos para dar maior clareza e fluência na leitura do
texto.
☻ A mensagem eletrônica apresenta estrutura-padrão de uma carta. Assim, a
estrutura de uma mensagem eletrônica compreende:
→ Vocativo
→Texto
→ Despedida
→ Assinatura
☻ Não se pode esquecer de colocar o destinatário (link “para”) e preencher o tema
da mensagem (link “assunto”).
©EXERCÍCIOS
1. Diz o provérbio que “Com vinagre não se apanham moscas!”. Por que a falta de cortesia é
considerada uma falha da redação técnica? E que expressões podem manifestar cortesia sem
ser exageradas?
2. Na elaboração de textos técnicos, a objetividade é qualidade essencial. Considerando que
objetividade, segundo Medeiros (2006), é a “qualidade da linguagem direta, sem rodeios; é o
contrário da empolação (...) não é melosa nem artificial” (p. 103) e que é caracterizada pela
clareza e precisão lingüística, avalie o requerimento a seguir, julgando se ele atende a esse
item ou não e identificando elementos de texto que sustentam seu ponto de vista.
Senhor Presidente da Sul América Indústria Moveleira,
considerando a tradição da empresa e a estimada atenção dispensada
aos ex-funcionários por Vossa Senhoria, diretor dessa organização,
Pedro Ramos, comerciário, brasileiro, casado, residente em Pelotas,
na Rua José Bonifácio, 10, pede-lhe a gentileza e a fineza de enviar,
através do correio ou e-mail eletrônico, algumas informações
imprescindíveis que o requerente está ansiosamente aguardando para
a comprovação de suas atividades de gerência nessa empresa durante
Página 96
o ano passado, a saber:
a) ata da reunião de 20 de dezembro de 2005 (mas observe se a ata
está assinada por Vossa Senhoria e mande-a com reprodução
legível);
b) parecer do representante da ISO 9001 sobre o funcionamento dos
programas de informática (especialmente aquele último);
c) formulário da inscrição da empresa ao Concurso Administração
Legal (não pode ser o formulário que respondido pelo supervisor,
deve ser o outro)
Agradecendo atenção e manifestando considerações e apreço,
aguarda retorno.
Nesses termos
Pede deferimento
Pelotas, 30 de outubro de 2006.
Pedro Ramos
Pedro Ramos
Comerciário
REDAÇÃO OFICIAL
ATA
A ata é um registro em que se relata os acontecimentos de uma reunião,
assembléia ou convenção. As atas podem ser de vários tipos: ata de assembléia
geral extraordinária, ata de assembléia geral ordinária, de condomínio, de posse, de
fundação de entidade, etc.
Uma das particularidades da ata é que deve ser assinada pelo presidente ou
secretário sempre e pelos participantes da reunião em alguns casos.
Ata é o resumo escrito dos fatos e decisões de uma assembléia, sessão ou reunião
para um determinado fim.
1.
Geralmente, as atas são transcritas à mão pelo secretário, em livro próprio,
que deve conter um termo de abertura e um termo de encerramento,
assinados pela autoridade máxima da entidade ou por quem receber daquela
autoridade delegação de poderes para tanto. A autoridade também deverá
numerar e rubricar todas as folhas do livro.
Termo de abertura
Página 97
Este livro contém 100 (cem) folhas numeradas de 1 (um) a 100 (cem), por mim
rubricadas, e se destina ao registro das Atas das Reuniões da Diretoria da
Sociedade Amigos Fraternos, com sede no município de Ribeirão Preto, na Rua
Visconde das Silva, número vinte e três. A minha rubrica é a seguinte SApp.
Ribeirão Preto, 23 de janeiro de 2004.
Sadi Appel
SADI APPEL
Presidente
Este livro, que contém cinqüenta folhas, todas numeradas, destina-se às
anotações, em forma solene de registro, de todos os atos necessários à fundação,
instalação e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Direito Médico, cuja sigla
anotar-se-á como SODIME. Esta empresa está localizada na Avenida Osvaldo
Aranha, 425, Natal. Os atos iniciados à existência jurídica da SODIME vão por mim
anotadas, Joelmir Mendes, brasileiro, divorciado, médico e advogado inscrito no
CREMERN sob o número 2.025, na OAB/RN sob o número 3.174 e no CPF/MF sob
o número 105.477.044-01, RG. 247.707 SSP/RN, residente e domiciliado em
Natal/RN na Rua Rui Barbosa, 1110, Condomínio Milano bloco "B", apartamento
802, bairro Lagoa Nova. Este livro está contém minha rubrica - JM - em todas folhas .
Natal, 23 de agosto de 1998.
Joelmir Mendes
JOELMIR MENDES
Presidente
Termo de encerramento
Este livro contém 100 (cem) folhas numeradas de 1 (um) a 100 (cem), que,
rubricadas pelo Presidente Sadi Appel, destinaram-se ao registro das Atas das
Reuniões da Diretoria da Sociedade Amigos Fraternos, com sede no município de
Ribeirão Preto, na Rua Visconde das Silva, número vinte e três, conforme se lê no
Termo de Abertura.
Ribeirão Preto, 29 de outubro de 2005.
Sadi Appel
SADI APPEL
Presidente
Página 98
Este livro, que contém cinqüenta folhas, todas numeradas, destinou-se às
anotações, em forma solene de registro, de todos os atos necessários à fundação,
instalação e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Direito Médico, cuja sigla é
SODIME. A empresa, localizada na Avenida Osvaldo Aranha, 425, Natal, tem como
representante jurídico Joelmir Mendes, brasileiro, divorciado, médico e advogado
inscrito no CREMERN sob o número 2.025, na OAB/RN sob o número 3.174 e no
CPF/MF sob o número 105.477.044-01, RG. 247.707 SSP/RN, residente e
domiciliado em Natal/RN na Rua Rui Barbosa, 1110, Condomínio Milano bloco "B",
apartamento 802, bairro Lagoa Nova, conforme descrito do Termo de Abertura deste
livro.
Natal, 10 de março de 2000.
Joelmir Mendes
JOELMIR MENDES
Presidente
2. A ata é um documento de valor jurídico. Portanto, deve lavrada de tal forma
que nada lhe poderá ser acrescentado ou modificado.
3. Deve-se sintetizar de maneira clara e precisa as ocorrências verificadas (os
fatos e decisões).
4. O texto deve ser compacto, sem parágrafos e sem espaços para evitarem-se
acréscimos. Pode ser digitado, manuscrito ou datilografado, mas sem
rasuras.
5. Se houver engano no momento de escrever e o secretário notar, deve
escrever a expressão “digo”, retificando a idéia mencionada.
Exemplo: Poderão tomar parte da Sociedade Brasileira de Direito Médico –
SODIME, como sócios, as pessoas jurídicas, digo físicas, cuja atividade
profissional de nível superior se encaixe dentro do âmbito do Direito Médico e da
Legislação da Saúde, ou manterem um concreto interesse por este ramo de
Direito.
6. Se o engano for notado no final da ata, escrever-se-á a expressão “Em
tempo: onde se lê....., leia-se.....”.
Exemplo: Ficaram determinadas para o dia vinte e sete deste mês, no local
acima referido, a instalação solene da Sociedade Irmã da Luz, a discussão e a
aprovação dos seus Estatutos e a eleição de sua Diretoria. Nada mais havendo a
tratar, deu-se por encerrada esta ata, que vai assinada pelos seus sócios ou seus
representantes por procurações. Em tempo: onde se lê “aprovação de seus
Estatutos”, leia-se “aprovação de seu Regimento”.
7. Nas atas, os números devem ser escritos por extenso, evitando-se também
as abreviações.
Página 99
8. O tempo verbal preferencialmente utilizado na ata é o pretérito perfeito do
indicativo.
9. A ata dever ser assinada. Deverão assiná-la todas as pessoas presentes na
reunião ou, quando deliberado, apenas o presidente e o secretário.
10. É permitida a transcrição da atas em folhas digitadas, desde que sejam
convenientemente arquivadas, impossibilitando a fraude.
11. Em casos muitos especiais (como atos rotineiros), usam-se formulários já
impressos, como os das seções eleitorais.
12. A ata é redigida por um secretário efetivo. No caso de sua ausência, nomeiase outro secretário ad hoc designado para essa ocasião. Ad hoc significa para
isso, para este caso.
13. A ata deve conter:
•
•
•
introdução: contextualização (dia, mês, ano e hora da reunião por extenso;
local da reunião e relação dos participantes)
síntese dos fatos e decisões: exposição da ordem do dia, dos fatos mais
importantes, das pautas discutidas e das decisões tomadas; declarações dos
participantes;
encerramento: apresentação dos encaminhamentos finais da reunião,
fechamento do texto da ata e assinaturas. Os fechos podem ser redigidos de
diferentes formas.
Modelos de Fechos
.... Nada mais havendo a tratar, o Senhor Presidente encerrou a sessão e convocou
outra reunião para o dia dez de janeiro, às quatorze horas, quando serão
examinados os assuntos em pauta. E, para constar, lavrei esta ata que subscrevo e
vai assinada pelo Senhor Presidente depois de lida. (assinaturas do Presidente e do
Secretário)
.... Nada mais havendo a tratar, Fulano de Tal agradeceu a presença do Sr.
Beltrano, do Sr. Ciclano, das demais autoridades presentes e declarou encerrada a
reunião, da qual eu, Janice Pereira, Secretária em exercício, lavrei esta ata, que vai
assinada pelo Sr. Presidente e por mim. (assinaturas do Presidente e da Secretária)
.... A sessão encerrou-se às quatorze horas. Eu, Angélica Ramos, Secretária, lavrei,
transcrevi e assino esta ata. (assinaturas do Presidente, da Secretária e dos demais
presentes)
Exemplos de atas
Página 100
ATA DE FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIREITO MÉDICO
(SODIME)
Aos vinte e cinco dias do mês de outubro de dois mil, na cidade do Recife, estado de
Pernambuco, durante a realização do Brasil Forense 2000, congresso
multidisciplinar, no qual dar-se-á o I CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO
MÉDICO, nas instalações do Mar Hotel Recife, foi criada e fundada a Sociedade
Brasileira de Direito Médico, que identificar-se-á pela sigla de SODIME, que
consistirá numa sociedade de caráter privado para agrupar quantos profissionais de
nível superior manifestarem interesse concreto na questão relativa ao Direito Médico
e à Legislação Sanitária ou da Saúde. Esta entidade que ora se constitui,
desempenhará suas atividades em todo o território brasileiro, terá uma duração
indefinida e sua dissolução tão-somente realizar-se-á por causas previstas nos seus
Estatutos. A Sociedade Brasileira de Direito Médico – SODIME, tem a finalidade de
favorecer, mediante as atividades que realizará, a promoção e difusão dos estudos
relativos ao Direito Médico e à legislação da Saúde, para as quais desempenhará,
entre outras, as seguintes atividades: a) promover os conhecimentos teórico-prático
dos profissionais relacionados ao Direito Médico e a Legislação da Saúde,
proporcionando uma relação médico-paciente adequado às devidas circunstâncias;
b) estimular o interesse do conhecimento do Direito Médico e da Legislação da
Saúde; c) promover e defender a formação e aperfeiçoamento de especialistas nesta
área jurídica; d) promover contatos e intercâmbios científicos inter-disciplinares entre
as diversas pessoas e instituições interessadas em Direito Médico e na Legislação
da Saúde; e) organizar, por si só ou em colaboração com outras organizações ou
entidades, Congressos Simpósios e reuniões ou outras atividades científicas de
Direito Médico ou da Legislação da Saúde; f) editar publicações relacionadas com o
Direito Médico e a Legislação da Saúde, assim como manter e promover a formação
de estudos e bibliotecas especializadas sobre esta matéria; g) promover o incentivo
da criação da disciplina "Direito Médico" nas Escolas de Medicina e de Direito.
Poderão tomar parte da Sociedade Brasileira de Direito Médico – SODIME, como
sócios, as pessoas físicas cuja atividade profissional de nível superior se encaixe
dentro do âmbito do Direito Médico e da Legislação da Saúde, ou manterem um
concreto interesse por este ramo de Direito. Fica determinado o dia vinte e sete
deste mês, no mesmo local acima referido, a instalação solene da Sociedade, a
discussão e a aprovação dos seus Estatutos e a eleição de sua Diretoria. Nada mais
havendo a tratar, deu-se por encerrada esta ata, que vai assinada pelos seus sócios
ou representados por procurações. (Assinaturas).
ATA DA 52ª SESSÃO ORDINÁRIA DE 1995
Aos quatorze duas do mês de junho do ano de mil novecentos e noventa e cinco, às quatorze horas,
na Sala de Reuniões da Fundação Souza Becker, quinto andar, sala quinhentos e vinte e três, do
Edifício do Ministério da fazenda, na cidade de São Paulo, reuniu-se o Conselho da Fundação Souza
Becker, em Sessão Ordinária, presidido pelo Conselheiro-Presidente, Senhor Adalberto Silva, e com
a presença dos Conselheiros Senhores: Antonio Lopes, Carlos Becker, Giovane Melchior e Adão
Morales. Também participou da reunião o Procurador-Presidente da Fazenda Nacional, Senhor
Tomás Pilleti. Iniciados os trabalhos, o Conselheiro-Presidente remeteu aos Conselheiros um projeto
de convênio entre a empresa Max Seguros e a Fundação. Solicitou que todos avaliassem a proposta
Página 101
para identificar a viabilidade do acordo. A seguir, o Procurador-Presidente da Fazenda Nacional fez
uma exposição do Programa de Ação Social desenvolvido pela Fazenda Nacional, destacando as
metas do programa. Após a explanação e a leitura da pauta da próxima reunião, o ConselheiroPresidente encerrou a sessão, da qual, para constar, eu, Alice Ferreira, lavrei esta ata, que segue
assinada por mim e pelos presentes. (assinaturas).
OFÍCIO
O ofício é uma correspondência oficial emitida por órgãos públicos. É
proveniente de uma autoridade e consiste em uma comunicação de qualquer
assunto de ordem administrativa ou estabelecimento de uma ordem. Distingue-se da
carta por apresentar caráter público e só poder ser emitido por órgão da
administração pública, como uma secretaria, um ministério, uma prefeitura e outros.
O destinatário pode ser órgão público ou cidadão qualquer.
Ofício é uma correspondência externa usada principalmente pelos órgãos de
governo e autarquias.
Deve ser impresso ou datilografado em papel tamanho ofício. Seu conteúdo é
de caráter oficial.
São partes de um ofício:
Timbre ou cabeçalho: dizeres impressos na folha, símbolo da empresa,
entidade, do órgão que emite o ofício.
Número do ofício: número de ordem do documento. Exemplo: Of. nº 60199 (= ofício número 601, do ano de 1999).
Local e data: coloca-se ponto após ao ano.
Vocativo: tratamento ou cargo do destinatário, seguido de vírgula.
Exemplos: Senhor Presidente, Senhor Diretor. Exemplos:
Senhora Ministra,
Senhor Chefe de Gabinete,
Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Texto: exposição do assunto, devendo apresentar uma introdução
(exposição do assunto: se houver mais de um assunto, cada idéia deve
ser abordada em um parágrafo distinto), um desenvolvimento
(detalhamento do assunto) e uma conclusão (reafirmação do assunto).
Fecho ou cumprimento final: serve para encerrar o texto e saudar o
destinatário. Formas de fecho: Atenciosamente para autoridades de
mesma hierarquia ou de hierarquia inferior; Respeitosamente para
autoridades superiores, inclusive o Presidente da República.
Assinatura: nome do autor da comunicação, cargo ou função. Exemplo:
Página 102
(espaço para assinatura)
JARBAS PASSARINHO
Ministro da Justiça
Anexos: se for necessário
Endereço: fórmula de tratamento, nome civil do receptor e cargo ou
função do receptor, seguidos da localidade e destino.
É muito comum encontrar ofício com introduções e fechos superados.
Portanto observe as formas adequadas de iniciar e encerrar a redação de um ofício.
Introdução
Expressão desgastada
•
•
•
•
Fecho
•
•
•
•
•
Expressão atual
Vimos, por intermédio do presente, levar
ao conhecimento de V. Sa. que...
Este ofício tem por finalidade levar ao
conhecimento de V. Sa. que....
Tenho a honra de informar que...
Cumpre-me informar que...
•
•
Comunicamos a V. Sa.
que...
Informamos a V. Sa. que..
Informo Vossa Excelência.
de que....
Encaminho a V. Sa....
Com protestos de estima e apreço...
Com os protestos de elevada estima e
distinta consideração.
Aproveitamos o ensejo para reafirmar a
V. Sa. nossos protestos de estima e
apreço.
Aproveitamos o ensejo para reafirmar a
V. Sa. nossos votos de estima e apreço.
Cordiais saudações.
•
•
Atenciosamente,
Respeitosamente,
•
•
Na redação de ofícios, são utilizados os pronomes de tratamento. Veja os
principais para fazer a escolha correta na hora de se dirigir ao prefeito, ao Presidente,
etc:
Pronomes de
Abreviatura
Emprego
Singular
Plural
Tratamento
Senhor
Senhora
Senhorita
Sr.
Sra.
Srta.
Sres.
Sras.
Srtas.
Você, vocês
Vossa Alteza
Vossa Eminência
Vossa Excelência
v.
V. A.
V. Ema.
V. Exa.
VV.AA.
V. Emas.
V. Exas.
Vossa Magnificência
Vossa Majestade
Vossa Reverendíssima
Vossa Paternidade
Vossa Santidade
V. Maga.
V.M.
V.P.
V.P.
V.S.
V. Magas.
VV.MM.
VV.PP.
VV.PP.
-
Trato respeitoso
Trato respeitoso
Trato respeitoso (usado só para mulheres
solteiras)
Trato familiar
Príncipes, arquiduques e duques
Cardeais
Autoridades superiores (presidentes, ministros,
deputados, etc)
Reitores
Reis e imperadores
Superiores de ordem religiosa
Superiores de ordem religiosa
Papa
Página 103
Vossa Senhoria
V.Sa.
V.Sas.
Pessoas que exercem cargos importantes
(cônsules, oficiais , chefes de seção,
comerciantes, etc)
Exemplo de ofício:
TIMBRE
Of. nº 97/98
Porto Alegre, 29 de setembro de 1998.
Senhor Secretário,
comunicamos a V. Sa. que este centro comunitário realizará, no
período de 20 de outubro a 20 de novembro do corrente ano, a
Campanha de Prevenção do Câncer.
Solicitamos, pois, a V. Sa. a gentileza de indicar dois médicos
dessa Secretaria para participarem da Campanha, que contará com o
assessoramento técnico–pedagógico da Agência Brasileira da
Organização Mundial da Saúde.
Contamos com a sua colaboração.
Atenciosamente,
Ana Amélia Torres
Presidente
Ilmo. Sr.
José Tavares Lima
Secretário Municipal de Saúde
Rua Marechal Floriano, 147
Santa Vitória do Palmar / RS
. Memorando
O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades
administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo
nível ou em níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação
eminentemente interna. Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser
empregado para a exposição de projetos, idéias, diretrizes, etc. a serem adotados
por determinado setor do serviço público.
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Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em
qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos
burocráticos. Para evitar desnecessário aumento do número de comunicações, os
despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso de
falta de espaço, em folha de continuação. Esse procedimento permite formar uma
espécie de processo simplificado, assegurando maior transparência à tomada de
decisões, e permitindo que se historie o andamento da matéria tratada no
memorando. Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício,
com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que
ocupa.
Exemplos:
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídico.
Exemplo de Memorando
5 cm
Mem. 118/DJ
Em 12 de abril de 1991
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Assunto: Administração. Instalação de microcomputadores
1.
Nos termos do Plano Geral de informatização, solicito a Vossa Senhoria verificar a possibilidade
de que sejam instalados três microcomputadores neste Departamento.
2
Sem descer a maiores detalhes técnicos, acrescento, apenas, que o ideal seria que o
equipamento fosse dotado de disco rígido e de monitor padrão EGA. Quanto a programas, haveria
necessidade de dois tipos: um processador de textos, e outro gerenciador de banco de dados.
3.
O treinamento de pessoal para operação dos micros poderia ficar a cargo da Seção de
Treinamento do Departamento de Modernização, cuja chefia já manifestou seu acordo a respeito.
4.
Devo mencionar, por fim, que a informatização dos trabalhos deste Departamento ensejará
racional distribuição de tarefas entre os servidores e, sobretudo, uma melhoria na qualidade dos
serviços prestados.
Atenciosamente,
[nome do signatário]
[cargo do signatário]
3 cm
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ANEXO 10
CRASE
Crase é a fusão escrita e oral de duas vogais idênticas. É a fusão da preposição a com o
artigo a(s). A crase é indicada pelo acento grave [`].
Condições para ocorrência de crase
1) O termo regente deve exigir a preposição a.
2) O termo regido tem que ser uma palavra feminina que admita o artigo a(s).
Exemplo: Ele se dirigiu a + a fazenda. → Ele se dirigiu à fazenda.
↓
↓
Prep. Art.
Empregos da crase
Dependendo de certos fatores presentes na estrutura da frase, o emprego do sinal
de crase pode ser obrigatório, opcional ou proibido. Veja:
Emprego
Crase
Casos
Exemplos
Em locuções adverbiais femininas de
tempo, modo e lugar
Saí às pressas e cheguei às dez
horas.
Voltaremos à vila em breve.
Ela saiu à procura de ajuda.
Esfriava à medida que escurecia.
À proporção que se aproximava o dia
da entrega do prêmio, mais ansiosos
ficavam os atores.
Refiro-me à UFRJ. (à universidade).
Ele fez bifes à milanesa.
Em locuções prepositivas (à+ palavra
feminina + de) e conjuntivas (à + palavra
feminina + que)
obrigatória
Quando
estão
subentendidas
as
expressões à moda de, à maneira de ou
palavras como faculdade, empresa,
companhia, mesmo que seja diante de
palavras masculinas.
Com pronomes possessivos (minha, sua,
nossa, etc)
Com nomes de mulher
Crase
opcional
Com a palavra até
Antes de palavras masculinas
Antes de verbos
Crase
proibida
Antes de essa(s), esta (s), cuja(s)
Antes de pronomes pessoais (inclusive os
de tratamento)
Quando há preposição no singular
seguida de um substantivo no plural
Entre palavras repetidas
Ele se dirigiu à minha irmã.
Ele se dirigiu a minha irmã.
Eu me refiro à Patrícia.
Eu me refiro a Patrícia.
A estrada vai até à praia.
A estrada vai até a praia.
Escreva o texto a lápis.
As vendas a prazo aumentaram.
Ele começou a gritar.
Passou a acreditar em milagres.
Dou valor a essa vitória.
Obedeço a ela, não a V. Sa.
Não vamos a festas do clube.
Assistimos a manifestações públicas
em Brasília.
Referia-se a pessoas ricas.
Estávamos frente a frente.
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Antes de nomes de lugar que não
admitem artigo ou sem especificação.
Antes da palavra casa (se não houver
especificação)
Antes da palavra terra (no sentido oposto
ao de “água”)
O vocalista irá a Curitiba para uma
apresentação.
Somente na outra semana voltará a
Diamantina.
Importante! O vocalista irá à bela
Curitiba para uma apresentação.
Somente na outra semana voltará à
histórica Diamantina.
Chegamos cedo a casa.
Chegamos cedo à bela casa.
Importante! Vamos à casa de meus
amigos.
O náufrago chegou a terra.
Importante! “Terra” com sentido de
planeta e de terra natal admitem
crase.
A espaçonave voltará à Terra em um
mês.
Sempre sonhou retornar à terra em
que nasceu.
EXERCÍCIOS
1.
Reescreva as frases a seguir, completando-as com a, à ou às:
a) O supermercado vende ___ atacadistas ____ vista e ____ prazo e ainda faz entrega
em domicílio ____ pedido do freguês.
b) Saboreamos um tutu ___ mineira, num restaurante aconchegante ___ pouca
distância do hotel, mas ou menos ___ sete horas.
c) Sentou-se ____ e pôs-se ___ reescrever uma ___ uma ____ páginas do relatório.
d) Garanto ___ você que compete ____ ela, pelo menos ___ meu ver, tomar ____
providências necessárias para resolver o caso, pois ____ qualquer momento estará
____ entrada do prédio ____ comissão parlamentar.
2. Considerando que você aprendeu sobre o assunto, tente explicar por que,
nestas frases, não ocorre crase.
a) O ricaço gastava dinheiro a rodo.
b) Rapidamente aprendeu a ler.
c) Não me submeto a uma ordem desse tipo.
d) Ele não conseguiu responder a nenhuma questão de interpretação de texto.
e) Os dois rivais estavam face a face.
3. Complete as frases com A, AS, À ou ÀS.
a) Voltou ___ fazenda no final de semana para andar ____ cavalo.
b) A reunião será ____ uma hora, na sala da diretoria.
c) Encontrei Maria debruçada ____ janela, esperando ___ hora de viajar.
d) Comunico ___ Vossa Senhoria ___ transferência de acordo para ___ próxima semana.
e) O gerente foi ____ Inglaterra ____ negócios e não ____ passeio.
4. Indique a frase em que a presença ou ausência do acento grave está INCORRETA.
a) Fui à casa de meu professor.
b) A transmissão do evento começa às dez horas.
c) Costumava-se vestir à moda italiana.
d) Logo percebi a quem você se referia, naquele momento.
e) Foi à Bruxelas para assistir à uma conferência sobre o aquecimento global.
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PONTUAÇÃO
Quando falamos, precisamos fazer certas pausas mais ou menos prolongadas
entre as partes do nosso discurso. algumas dessas pausas servem para retornarmos o
fôlego; outras, no entanto, devem ser feitas obrigatoriamente, caso contrário, ou não
seremos entendidos, ou nossa mensagem será interpretada de forma diferente.
A língua escrita, não dispondo dos recursos de ritmo e melodia próprios da fala,
serve-se de sinais de pontuação para marcar o sentido dos enunciados. Um texto escrito
sem pontuação não tem sentido preciso. Uma frase adquire sentidos diferentes quando
pontuada de diferentes formas. Os sinais de pontuação servem para marcar a pausa, o
ritmo e a entonação na leitura e também para substituir outros componentes específicos
da língua falada, como os gestos e a expressão facial. A pontuação facilita a leitura e
torna mais claro e preciso o texto.
A pontuação marca, na escrita, as diferenças de entonação, contribuindo para tornar
mais preciso o sentido que se quer dar ao texto.
Veja as frases a seguir e observe o emprego de sinais de pontuação e o conteúdo
de cada mensagem.
É favor não sentar: pintado.
É favor não sentar pintado.
É favor não sentar, Pintado.
Qual é o sentido que se depreende em cada uma das frases?
As pausas e entonações do texto escrito são marcadas por sinais de pontuação: doispontos, vírgula, ponto-e-vírgula, ponto, travessão, ponto de exclamação, ponto de
interrogação, aspas, parênteses, reticências.
Os sinais de pontuação são sinais gráficos usados para indicar as pausas, a entonação e o
ritmo da leitura de um texto.
1. VÍRGULA
Emprega-se a vírgula para:
separar enumeração:
Sua observação foi agressiva, irônica, antipática.
separar aposto:
Fernanda Montenegro, atriz talentosa, foi homenageada.
separar orações adjetivas explicativas:
Seus olhos, que eram negros, brilhavam muito.
separar orações adjetivas explicativas:
Seus olhos, que eram negros, brilhavam muito.
separar o vocativo:
Você ouviu, Maria, que notícia estranha?
Prezado diretor, comunico que a sua empresa será notificada por infringir leis trabalhistas.
•
isolar adjunto adverbial deslocado quando ele é extenso ou quando se quer
destacar:
À noite, faço um curso de inglês intensivo.
Na manhã do dia 15 de março, ladrões invadiram um supermercado na zona sul da cidade.
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•
isolar expressões explicativas, como isto é, ou seja, a saber, por exemplo, ou
melhor, etc:
O diretor titubeou, isto é, não concordou de pronto com a decisão.
• separar nomes de lugar, em datas e endereços:
Santa Cruz do Sul, 25 de maio de 2006.
Rua do Ouro, 228.
• indicar a supressão do verbo:
Nós preferimos café, e eles, chá.
• separar orações coordenadas que não são ligadas pelo conector “e”:
Viajou no fim de semana, foi visitar os pais.
Talvez seja engano meu, mas acho que ela está mais serena agora.
OBSERVAÇÃO: separar as orações coordenadas pelo conector “e” quando o sujeito das
orações não for o mesmo:
A criatura desviou-se, e as linhas se moveram.
separar orações subordinadas adverbiais antepostas à oração principal:
Embora vivesse no interior, vinha muito à capital.
Quando eu era menino, ouvia muitas histórias macabras.
•
quando aparecer uma oração iniciada com gerúndio, esta oração deverá ser
separada, obrigatoriamente, por vírgula:
Jamais conseguirá o apoio de seus pais, agindo impensadamente.
• separar orações intercaladas:
Esses fatos, conforme informou o jornal, são falsos.
Não se emprega vírgula entre o sujeito e o predicado de uma oração nem se usa vírgula
para separar o verbo de seus complementos.
A Mata Atlântica está perdendo um campo de futebol a cada quatro minutos.
EXERCÍCIOS
1. Coloque vírgulas quando necessário:
a)
b)
c)
d)
Meu marido faz aniversário em maio e eu em setembro.
Santa Cruz do Sul 22 de junho de 2006.
Eu você e todo o pessoal vamos ao churrasco da turma.
Santa Cruz do sul que é uma cidade de colonização germânica realizará festa para
homenagear colocnizadores.
e) Meu filho saiba que numa situação dessas é necessário acima de tudo muita
discrição.
f) A questão é saber quando será descoberta a cura das doenças que hoje ainda
matam.
g) João Bosco Medeiros autor de livros sobre redação técnica publicou recentemente
mais uma obra sobre correspondências.
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h) A prefeitura que realizará concurso público em junho para provimento de vagas
aumentará o número de funcionários públicos efetivos.
2. Nos itens a seguir, as frases originais são reescritas, alterando-se a ordem de
seus termos. Observando essas transformações, coloque as vírgulas que julgar
necessárias:
a) Os hóspedes saíram rapidamente do hotel para apreciar a discussão entre
os dois homens tão educados.
I) Para apreciar a discussão entre os dois homens tão educados os hóspedes saíram
rapidamente do hotel.
II) Os hóspedes para apreciar a discussão entre os dois homens tão educados saíram
rapidamente do hotel.
b) Por que o coração se enche de ardor quando vagamos pela cidade vazia?
(Arnaldo Jabor, Folha de S.Paulo, 18 ago. 1991)
I) Por que quando vagamos pela cidade vazia o coração se enche de ardor?
II) Por que o coração quando vagamos pela cidade vazia se enche de ardor?
III) Quando vagamos pela cidade vazia\por que o coração se enche de ardor?
3. Leia o texto e responda às questões.
Uma vírgula esquecida ou mal usada afeta o sentido da frase. A maldita pode mudar o
sentido ou deixar a frase sem sentido. Observe a importância da vírgula no exemplo a
seguir:
“Os técnicos foram à reunião acompanhados da secretária do diretor e de um
coordenador.”
Se usarmos uma vírgula, mudaremos o sentido da frase.
a) Onde a vírgula deve ser colocada para que o sentido da frase seja alterado?
b) Explique a alteração de sentido produzida com a utilização da vírgula.
4. Observe o texto:
Iguais e diferentes
Do lado de fora, somos bastantes diferentes no que se refere à cor da pele e dos cabelos,
à estrutura física, à altura. Internamente, porém, parecemos verdadeiros gêmeos. Se você
pudesse embarcar numa micronave e entrar no corpo humano, como no filme Viagem
insólita, o que você veria? Centenas de ossos, quilômetros de veias e trilhões de cédulas,
trabalhando em conjunto para pôr em funcionamento essa máquina. (O Guia dos
Curiosos)
As vírgulas foram empregadas no texto por razões diversas. Justifique o uso da
vírgula nas seguintes situações:
a) Do lado de fora,
b) à estrutura física, à altura
c) trabalhando em conjunto
5. Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula segue a mesma orientação do
uso da vírgula em “Por causa de sua profissão, Tereza vive recebendo diversas
ameaças de morte”:
a) Quando sair à noite, tome cuidado especial com a segurança.
b) Devido à forte chuva, dois carros perderam o controle e colidiram na RST 471.
c) Depois de encarar as gravações e Sinhá moça, Bruno Gagliasso já está cotado para
trabalhar na próxima novela das oito.
d) Para dar um susto em Rafa, Bodão empurra o Ogromóvel ladeira abaixo.
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e) Juba chega, dá uma pedrada na cabeça do capanga e todos fogem.
6. Observe as frases:
I. Ele foi, logo eu não fui.
II. O menino, disse ele, não vai.
III. Deus, que é Pai, não nos abandona.
IV. Saindo ele e os demais, os meninos ficarão sós.
Identifique a alternativa correta:
a) Em I, há erro de pontuação.
b) Em II e III, as vírgulas podem ser retiradas sem que haja erro.
c) Na I, se se mudar a vírgula de posição, muda-se o sentido da frase.
d) Na II, faltam dois-pontos depois de “disse”.
e) n. d. a.
7. Pontue adequadamente o texto a seguir, estabelecendo sentido lógico.
Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni terão de conter a ansiedade da estréia por mais um
dia por causa de insistentes e irritantes chuvas em Stuttgart os jogos dos dois tenistas
passaram para hoje para tentar evitar novos problemas de atraso a rodada começará bem
mais cedo se o tempo permitir Guga enfrentará o austríaco Stefan Koubek por volta das 8
horas (de Brasília) (4 pontos-finais e 3 vírgulas).
8. Justifique o emprego das vírgulas nas frases a seguir:
a) Maria deu um presente a todos os seus irmãos e ao namorado, apenas um abraço.
b) Dizem muito que, no Brasil, os corruptos ficam soltos enquanto os ladrões de galinha
vão para a cadeia.
c) Cheguei, peguei o livro, voltei rápido para o colégio.
d) Há aqueles que se esforçam muito, porém nunca são premiados.
e) A geração canguru, isto é, a geração dos filhos que ficam em casa até mais ou menos
trinta anos, tem dificuldade de sair de casa porque não consegue estabilidade financeira.
OUTROS SINAIS DE PONTUAÇÃO
2. PONTO FINAL
Emprega-se no final de frases declarativas:
Os livros foram danificados pelas traças.
3. DOIS-PONTOS
É usado para:
introduzir uma fala num diálogo escrito:
A aeromoça aproximou-se:
_ Os passageiros devem permanecer sentados até o pouso da aeronave.
introduzir uma citação:
Pois estava escrito em cima do jornal: em São Paulo, a polícia proibira comícios na rua e
passeatas embora se falasse vagamente em motins na tarde no Largo da Sé.
introduzir palavras ou orações que servem para enumerar ou esclarecer o
que se afirmou anteriormente:
Lembrei-me do nome e do tipo: era João Francisco Gregório, caboclo robusto,
desconfiado.
4. RETICÊNCIAS
Indicam a interrupção da frase, feita com a finalidade de sugerir:
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dúvida, hesitação, surpresa:
Qualquer dia destes, embarco pra .... pra ... pra China.
suspensão do pensamento ou quebra de seqüência na fala:
_ Vá pra casa, menino! ... aí vem temporal...
supressão de trecho em textos:
Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses ampliam
enormemente o império de sua língua ...
5. PONTO DE INTERROGAÇÃO
Emprega-se no final de frases interrogativas diretas:
Os homens precisam andar armados?
6. PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É usado após uma interjeição ou frase exclamativa para expressar chamamento,
emoções, ordem ou pedido:
Epa! Alguma coisa está errada no trabalho.
Saia do meu quarto!
7. ASPAS
Empregam-se as aspas para:
indicar o início e o final de uma citação:
Machado de Assis disse: “Deve ser um vinho enérgico a política.”
destacar uma palavra ou expressão (como palavra estrangeira, gíria,
neologismo):
Os “anjinhos” já estão prontos? O ônibus escolar chegou.
Você sabe fazer “downloads” de arquivos?
8. PARÊNTESES
Empregam-se os parênteses:
para intercalar uma idéia acessória ou explicativa na frase:
Depois do jantar (mal servido) ele saiu daquele hotel e não voltou mais.
nas indicações bibliográficas:
“Mas quando olhar a mancha viva na minha camisa, talvez faça uma careta e me deixe
passar.” (Chico Buarque)
9. TRAVESSÃO
Emprega-se o travessão para:
indicar a fala ou a mudança de interlocutor nos diálogos escritos:
_ Quer saber de uma coisa? O melhor é nós terminarmos.
_ Terminarmos?
Ele sentiu um frio.
_ Não combinamos mais mesmo.
enfatizar expressões ou orações nas frases:
Foi poeta – e sonhou – e amou na vida.
Página 112