DESPORTO A DIREITO: OS CONSELHOS DO SELECCIONADOR
* Luís Cassiano Neves
Luís Filipe Scolari comentou esta semana ao The Sun uma eventual transferência de Cristiano
Ronaldo, sugerindo o Barcelona como destino “ideal”. Entusiasmou-se com a dupla de sonho que
Cristiano Ronaldo formaria com Ronaldinho e sublinhou o sol, sempre brilhante, da Cidade Condal.
Embalado, riscou a hipótese Real Madrid, alegando que o clube “privilegia heróis e estrelas
individuais”. Não está em causa o mérito da apreciação técnica e social feita pelo Seleccionador
Nacional, nem sequer o seu direito de aconselhar um jogador que treina e a quem deseja rápido
progresso desportivo. Poderá, contudo, questionar-se a forma pública como o “conselho” foi dado
e as suas consequências desportivas e económicas.
Neste momento, Jorge Mendes negoceia com o Manchester United – empregador esquecido por
Scolari – a renovação do contrato de Cristiano Ronaldo. Facilmente se percebe que o
aconselhamento público de Scolari ajudará o empresário na procura de um salário
substancialmente melhor. E poderá inflaccionar o valor do passe de um atleta que, curiosamente,
é pretendido pelo Real Madrid – precisamente o clube desaconselhado. Seria desajustado atribuir
ao comentário de Felipão um papel decisivo nas relações de mercado entre jogadores, clubes e
agentes. Mas existe claramente uma possibilidade de influência, mesmo que marginal. Será que
aos treinadores deveria estar vedada a possibilidade de interferência, ainda que indirecta, nos
negócios do futebol?
* Advogado - Grupo de Prática de Direito do Desporto
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