VALE DOS BARRIS : LUGAR DE ESPECTÁCULO PRIMEIRO E SEGUNDO FIM-DE-SEMANA DO MÊS fevereiro a maio 2014 O Teatro O Bando continua em Fevereiro VALE DOS BARRIS LUGAR DE ESPECTÁCULO, ciclo iniciado em em Outubro, completando assim oito meses de intensa e diversificada programação. No PRIMEIRO E SEGUNDO FIM DE SEMANA DE CADA MÊS, até Maio, Vale dos Barris será espaço de apresentação de espectáculos próprios, de estreias resultado de residências artísticas e de criações de grupos de todo o país, parceiros de uma rede informal que pretende fomentar a troca e a partilha de espectáculos numa lógica de afinidade e contaminação. Desenvolvida em palcos inusitados, em espaços não convencionais, interiores e exteriores, VALE DOS BARRIS - LUGAR DE ESPECTÁCULO é uma iniciativa de programação que se estabelece numa relação directa com a Quinta, situada em pleno Parque Natural Serra da Arrábida. Para que cada fim-de-semana seja uma experiência para quem nos visita! Dias 1 e 2 e 8 e 9 de Fevereiro, SENHOR IMAGINÁRIO, a mais recente criação do Teatro O Bando, inicia a segunda parte da programação. Esta criação a partir de contos de Vergílio Ferreira, revela Jeremias, um Oleiro à escuta das vozes caladas, dessas diminutas vozes que surgem entre classes desfavorecidas e classes trabalhadoras. Estreada em Agosto, e depois de um período de itinerância onde passou no World Stage Design, em Cardiff no País de Gales, chega pela primeira vez a Palmela, para dois fins-de-semana de apresentações. Dia 1 e 2 de Março, os nossos parceiros da Serra de Montemuro trazem o seu mais recente espectáculo a Palmela. PING PONG PAU é uma comédia com texto de Ricardo Alves, música de José Salgueiro e encenação de Gonçalo Amorim, numa co-produção do Teatro Regional da Serra de Montemuro com o Teatro Experimental do Porto. Ainda em Março, vamos receber dias 8 e 9 a companhia brasileira Cia. de um Actor Só que vem ao Bando para uma residência artística que culmina na apresentação do monólogo MODESTA PROPOSTA, baseado no texto homónimo do escritor irlandês Jonathan Swift que reflecte sobre a pobreza infantil, para “prevenir que as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país”. Dia 5 e 6 de Abril, o Útero Teatro apresenta EUROPA NAQUELE LUGAR, uma coprodução com o Teatro O Bando. Este projeto de Teatro e Dança é dirigido por Romeu Runa e Miguel Moreira e conta com a interpretação de Catarina Félix e Sandra Rosado. Depois de uma fase de contacto com uma escola da nossa região, os elementos do Útero Teatro instalam-se em Vale dos Barris e apresentam um espectáculo sobre os conceitos de “sentimento de pertença”, “território” e “cidadania”. A 12 e 13 de Abril, integrado na nossa rede informal de grupos, voltamos a receber os Peripécia Teatro, companhia de Vila Real, que vem apresentar a mais recente criação, CASO HAMLET, a partir de Hamlet de William Shakespeare. Três catedráticos, paródicos de tão minuciosos, risíveis de tão teóricos, serão o mote para que o público possa disfrutar de um Hamlet essencial, único e desconstruído. A 3 e 4 de Maio, o Trigo Limpo Teatro Acert vem a Vale dos Barris. A companhia de Tondela, traz na bagagem SERMÃO AOS PEIXES, a partir de Padre António Vieira e Karl Valentin com encenação e dramaturgia de Pompeu José e Raquel Costa. Neste espectáculo estreado em 2012, um casal de sem-abrigo dá voz ao texto alegórico do SERMÃO que ainda mantém toda a sua actualidade e acutilância. A programação termina a 10 e 11 de Maio com OLHOS DE GIGANTE. Esta criação do Teatro O Bando, estreada em Março de 2013, é uma co-produção com o Teatro Nacional D. Maria II, é uma encenação de João Brites e Miguel Jesus com música de Jorge Salgueiro e conta com Ana Brandão e Raúl Atalaia no elenco. Para além da apresentação de espectáculos, todos os Sábados os espectadores são convidados a deixar-se estar pelo Bando e a participar nas CONVERSAS EM REDOR DO ESPECTÁCULO, momentos informais de convívio, partilha e indagação. Sejam bem vindos a Vale dos Barris! senhor imaginário teatro o bando 1 e 2, 8 e 9 de fevereiro :: sábado às 21h e domingo às 17h Interposto entre a sua arte e a nação, um Oleiro está à escuta das vozes caladas, dessas diminutas vozes alternativas que surgem entre classes desfavorecidas e classes trabalhadoras. Jeremias, que também é coveiro nas horas mais escuras, sorri sempre, enquanto interpela uma nação inteira, uma aldeia no cabo do mundo. Nascido dos contos de Vergílio Ferreira, este SENHOR IMAGINÁRIO viaja com a loja às costas, transportando a dúvida sobre o local onde deverá construir-se a fonte da aldeia e carregando a certeza sobre a grande razão que está por trás da sede de todas as nações. Afinal, todos sabemos que se não dermos mais voz às minorias, seguiremos sempre o mesmo rumo. Mas ainda assim hesitamos em gritar, mesmo quando o que está em causa é a defesa da soberania de um país emancipado. monólogo desenvolvido a partir de auto da purificação baseado em contos de vergílio ferreira encenação sara de castro e joão brites cenografia joão brites oralidade teresa lima figurinos clara bento desenho de luz joão cáceres alves e david palma com guilherme noronha criação teatro o bando ping pong pau teatro de montemuro 1 e 2 de março :: sábado às 21h e domingo às 17h No alto da serra havia uma casa. Dentro da casa estava a bancada. Em cima da bancada havia uma serra. E a serra tinha ferrugem. Era uma serra húmida, a serra que tinha a casa com uma bancada onde estava uma serra ferrugenta. Numa velha carpintaria, quatro primos reúnem-se para tentar recuperar a herança do avô. Como carvalhos plantados, de bolotas primas e na mesma encosta, seria de esperar que tivessem crescido com as mesmas curvaturas, mas os ventos que os moldaram, apesar da proximidade, foram diversos e cada um cresceu diferente e único. Quatro vontades, quatro sensibilidades, quatro verdades quase inconciliáveis, para o mesmo problema. À medida que o mundo cresceu ficou mais pequeno, e a concorrência chega dos quatro cantos do mundo. Colheres de pau da China, madeiras de Madagáscar, móveis do Ikea ou candomblé do Brasil. Para que as coisas pudessem ficar iguais algo tinha que mudar. Nisso estavam todos de acordo. Só falta saber o quê, se a disposição dos móveis, se a forma de trabalhar ou se um desmancho para quebrar o encosto. texto ricardo alves encenação gonçalo amorim direcção musical josé salgueiro cenografia maria joão castelo figurinos catarina barros construção de cenários carlos cal assistência à construção de cenários maria da conceição almeida desenho de luz paulo duarte interpretação de abel duarte, eduardo correia, inês pereira e maria teresa barbosa direcção de produção paula teixeira e teresa leal criação teatro regional da serra de montemuro co-produção teatro experimental do porto modesta proposta cia. de um actor só(brasil) 8 e 9 de março :: sábado às 21h e domingo às 17h O espetáculo modesta proposta pertence à esteira histórica que tem Bertold Brecht e o teatro dialético como referência. Esteticamente, o espetáculo e a sua linguagem são centrados no trabalho do actor: a utilização de metalinguagens; a opção por intertextualidades; a abolição da excessiva presença de elementos cénicos; a proposta de utilização do espaço teatral de forma não convencional; e a exploração de múltiplas temporalidades. modesta proposta mostra-nos um estranho viajante de meia idade que percorre cidades e vilas. Viaja num triciclo onde carrega as poucas coisas que lhe pertencem: as suas memórias e amarguras. Inspirado na sátira de Jonathan Swift (1729) o espectáculo tem como tema a miséria na infância. a partir do texto uma modesta proposta para prevenir que, na irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a república de jonathan swift (1729) encenação e interpretação ramon aguiar supervisão jan gomes uma criação cia. de um actor só (Brasil) apoio à residência artística teatro o bando europa - naquele lugar útero teatro 5 e 6 de abril :: sábado às 21h e domingo às 17h europa – naquele lugar vem convidar à reflexão das jovens mentes sobre o significado da identidade. Num primeiro momento os artistas invadem a Escola, desenvolvendo acções disruptivas nos intervalos e salas de aulas despertando alunos e professores a pensar conceitos como o sentimento de pertença, o território ou a cidadania. Quebra-se o quotidiano para desarrumar pensamentos e desconstruir dogmas, usando o teatro e a dança como forma de chegar ao outro para o questionar e reconhecer. O segundo momento deste projeto acontece no Teatro, através de uma peça inspirada na obra Europa de Javier Nuñez Gasco e de Berlinde de Bruyckere destinada aos livres pensadores despertados nas escolas. direcção miguel moreira e romeu runa com catarina félix e sandra rosado música pedro carneiro luz joão garcia miguel fotografias de divulgação carlos ferreira / teatro virgínia, joão octávio peixoto / guimarães 2012 e miguel moreira criação útero teatro co-produção centro cultural vila flor (Guimarães), cine-teatro de estarreja, joão garcia miguel unipessoal, teatro aveirense, teatro o bando, teatro-cine de torres vedras, teatro académico gil vicente (Coimbra), teatro virgínia (Torres Novas) e útero associação cultural. caso hamlet peripécia teatro 12 e 13 de abril :: sábado às 21h e domingo às 17h “(Ser ou não ser?) O que fazer? Atacaremos a obra da mesma maneira com que se empunha a espada: com força e sensibilidade. Como quem segura na mão um pequeno pássaro: apertando o suficiente para que não escape e com a delicadeza necessária para que não sufoque. Abordaremos este clássico com força criativa e fiel sensibilidade. Será uma criação onde irão contrastar momentos genuínos da criatividade deste colectivo, com algumas cenas integrais da autoria do dramaturgo Inglês, em interpretações que levam ao palco um Hamlet clássico mas repleto de vida. Vida real.” Três catedráticos, paródicos de tão minuciosos, risíveis de tão teóricos, serão o mote para que o público possa disfrutar de um Hamlet essencial, apesar de desconstruído. Misterioso, apesar de desmistificado. O público acabará por captar a trama e os conflitos centrais da peça, através de uma linguagem plena de força física, intensidade emocional e sensibilidade visual. Os doutorados acabarão por provar, involuntariamente, que um drama tão complexo e problemático continua a ser tão atraente devido, sobretudo, à sua eficácia dramática. Finalmente, as respostas a todas as questões estão no próprio texto, na última palavra de Hamlet: silêncio. Parece querer dissuadir-nos de fazer perguntas sobre a sua tragédia. baseado em hamlet de william shakespeare criação e interpretação ángel fragua, noelia domínguez e sérgio agostinho co-criação, direcção e dramaturgia josé carlos garcia direcção de actores nas interpretações de Hamlet luis blat iluminação paulo neto sonoplastia e operação de luz e som paulo alves adereços e espaço cénico zetavares produção executiva sara casal criação peripécia teatro sermão aos peixes trigo limpo teatro acert 3 e 4 de maio :: sábado às 21h e domingo às 17h O “Sermão de Santo António aos Peixes” foi proferido pelo Padre António Vieira em 1654 mas mantém toda a actualidade. A crítica que o autor faz ao ser humano através da alegoria dos peixes é tão notável e acutilante que, infelizmente, continua a fazer todo o sentido. No espetáculo do Trigo Limpo Teatro Acert, um casal de sem-abrigo dá voz ao texto do Sermão. Principalmente ele, uma vez que de cada vez que ela tenta falar se vê impossibilitada de o fazer. O casal acorda frente ao público e, paralelamente, ao seu ritual diário, mínimo no caso deles. Vão proferindo as palavras do Sermão, como se da sua verdade se tratasse. De exemplo em exemplo desferem a sua raiva e encontram as razões da sua miséria. Ironizam sobre a sua situação através da situação actual de toda a humanidade, perdão, através do louvor das virtudes e da repreensão dos vícios, não dos homens, mas dos peixes… a partir de sermão de santo antónio aos peixes de padre antónio vieira e o aquário de karl valentin concepção pompeu josé dramaturgia, encenação e interpretação pompeu josé e raquel costa cenografia zétavares e pompeu josé música gustavo dinis desenho de luz luís viegas técnico paulo neto colaboração no cenário cláudio lima e rui ribeiro carpintaria carmoserra desenho gráfico zétavares fotografia carlos teles e ricardo chaves produção marta costa 98ª criação do trigo limpo teatro acert olhos de gigante teatro o bando 10 e 11 de maio :: sábado às 21h e domingo às 17h “Não tenhas medo de estares a ver a tua cabeça a ir directamente para a loucura, não tenhas medo! Deixa-a ir até à loucura! Ajuda-a a ir até à loucura. Vai tu também, pessoalmente, com a tua cabeça até à loucura!”. Enquanto alguns só vêm aquilo que está mais perto, ocupados com os afazeres de cada dia, outros sonham com as paisagens e as quimeras mais longínquas, sem conseguirem distinguir os contornos que os rodeiam. Uns não sabem sonhar senão a vida, outros não sabem viver senão o sonho. Mas como se mantém então o mundo a funcionar? E que mundo é o nosso, que vivido ou sonhado, esconde sempre um outro lado? Queremos partir para o desconhecido, sabendo que é preciso parar para partir, mesmo que se parta sem sair do lugar. Sabendo que se lá chegarmos não poderemos mais perguntar à nossa sombra: de quem foges tu? Sabendo que algo terá de desaparecer quando a luz se apagar. Acreditando que alguma coisa finalmente aparecerá quando a escuridão se acender. a partir de almada negreiros dramaturgia e encenação joão brites e miguel jesus cenografia rui francisco música jorge salgueiro oralidade teresa lima figurinos clara bento e fátima santos com ana brandão e raúl atalaia criação teatro o bando co-produção teatro nacional d. maria ii bilheteira | contactos direcções bilheteira bilhetes à venda na sede do teatro o bando toda a programação - o espectador escolhe um dos três preços: 7€, 9€ ou 11€ - protocolos e grupos com mais de 10 pessoas e profissionais e alunos das artes do espectáculo: 5€ - Bilhete com jantar (marcação prévia obrigatória): 15€ contactos Teatro O Bando, Vale dos Barris │ Apartado 152 │2950 Palmela Telefone: 21 233 68 50 │ Fax: 21 233 42 41 www.obando.pt | www.facebook.com/bando.teatro e-mail: [email protected] direcções de carro vindo de lisboa: A2 Sul > saída Palmela > sentido Volta da Pedra (à esquerda na rotunda) > direcção Palmela (à direita nos semáforos) > terceira entrada de Palmela (em frente) > primeira rotunda (em frente, segunda saída) > segunda rotunda – sentido Vale dos Barris (para a esquerda, segunda saída) de autocarro vindo de lisboa: Autocarro número 565 da companhia Transportes Sul do Tejo > partida da Gare do Oriente, Lisboa, e chegada a Palmela, última paragem > duração aproximada – 45 minutos > uma caminhada de 20 minutos até Vale dos Barris Fundado em 1974 e constituindo-se como uma das mais antigas cooperativas culturais do país, o Teatro O Bando assume-se como um colectivo que elege a transfiguração estética enquanto modo de participação cívica e comunitária. Na génese do Bando encontram-se o teatro de rua e as actividades de animação para a infância, em escolas e associações culturais, integradas em projectos de descentralização. As criações do Bando definem-se pela sua dimensão plástica e cenográfica, marcada sobretudo pelas Máquinas de Cena, objectos polissémicos que transportam em si uma ideia de acção. O trabalho dramatúrgico é também muito importante, apresentando a explícita colagem de materiais literários e a inclusão de manifestações de raiz popular. Na sua maioria de autores portugueses, os textos encenados são a grande parte das vezes obras não dramáticas, às quais a forma teatral, nas múltiplas linguagens que integra, confere outra comunicabilidade. Rural ou urbano, adulto ou infantil, erudito ou popular, nacional ou universal, dramático ou narrativo ou poético – tais as fronteiras que o Bando se habituou a transgredir. Ao longo do seu trajecto, o grupo esteve ligado a múltiplos projectos nacionais e internacionais, e a aposta na itinerância continua a levar vários espectáculos por todo o país e além-fronteiras. Depois de diversas moradas, o Bando habita hoje uma Quinta em Vale dos Barris, Palmela, onde se encontra um número ainda insuspeito de palcos potenciais feitos de estrelas, de oliveiras e penedos. Aí, o Bando espera por vós, sempre com uma sopa, pão e queijo, um moscatel, uma conversa ao pé do lume.