apresenta Um filme de Carlos Cortez Baseado em obra de Plínio Marcos Apresentando Maxwell Nascimento Com Ailton Graça e Milhem Cortaz e quarenta adolescentes da região portuária de Santos participação especial de Maria Luisa Mendonça e Ângela Leal Uma produção Gullane Filmes Co-produção com Caravan Pass (França) e Roma Film (Itália) Distribuição Downtown Filmes www.queroofilme.com.br 1 Índice Elenco......................................................................................................................pág. 3 Equipe.....................................................................................................................pág. 4 Festivais e Prêmios ................................................................................................pág. 5 Apresentação..........................................................................................................pág. 6 Sinopse..................................................................................................................pág. 10 Diretor......................................................................................................... ..........pág. 12 Plínio Marcos.........................................................................................................pág. 16 Elenco....................................................................................................................pág. 18 Roteiro e dramaturgia............................................................................................pág. 25 Preparação de elenco...........................................................................................pág. 29 Montagem...............................................................................................................pág.29 Fotografia..............................................................................................................pág. 30 Dir. de Arte............................................................................................................pág. 31 Figurino..................................................................................................................pág. 32 Trilha Sonora.........................................................................................................pág. 33 Produção...............................................................................................................pág. 33 Distribuição............................................................................................................pág. 37 Oficinas Quero.......................................................................................................pág. 38 Parceiros...............................................................................................................pág. 39 Assessoria de Imprensa F&M ProCultura (Flávia Miranda, Renata Lima e Margarida Oliveira) [email protected] ; [email protected] e [email protected] Telefone: (11) 3263-0197 Primeiro Plano Comunicação (Anna Luiza Muller e Ana Roditi) [email protected]; [email protected] Telefone: (21) 2286-3699 Downtown Filmes (Vitor Brasil) [email protected] Telefone: (21) 2106-6999 2 Elenco Maxwell Nascimento................................................................................................Querô Maria Luisa Mendonça...............................................................................Mãe de Querô Ângela Leal ........................................................................................................... Violeta Ailton Graça.........................................................................................................Brandão Milhem Cortaz..................................................................................................Seu Edgar Claudia Juliana......................................................................................................... Gina Eduardo Chagas................................................................................................... Sabará Eliseu Paranhos........................................................................................................Naná Giulio Lopes...................................................................................................... Delegado Silvia Lourenço..............................................................................................“Autoridade” Igor Maximiliano.................................................................................................... Tainha Leandro Carvalho de Oliveira.............................................................................. Bolacha Nildo Ferreira......................................................................................................... Mosca Alessandra Santos..................................................................................................... Lica Equipe Roteiro e Direção........................................................................................Carlos Cortez Direção de Fotografia.............................................................. Hélcio Alemão Nagamine Direção de Arte........................................................................................ Frederico Pinto Montagem........................................................................................... Paulo Sacramento Preparação de Atores......................................................................... Luiz Mario Vicente Produzido por........................................... Caio Gullane Débora Ivanov Fabiano Gullane Colaboração no Roteiro.............................................. Braulio Mantovani Luiz Bolognesi Dramaturgia........................................................................................... Christiane Rieira Produção de Elenco......................................................... Tammy Weiss Samantha Rillo Figurino................................................................................................. Cristina Camargo Maquiagem ..................................................................................................Gabi Moraes Som Direto..................................................................................................... Louis Robin Desenho de Som......................................................................................... Ricardo Reis Trilha Sonora.......................................................................................... André Abujamra Mixagem................................................................... Armando Torres Jr. e Ricardo Reis Direção de Produção..........................................................................................Rui Pires Coordenação de Pós-Produção.............................. Alessandra Casolari e Patrícia Nelly Coordenação de lançamento.........................................Manuela Mandler e Fred Avellar Coordenação Executiva....................................................................... Sônia Hamburger Drama - Brasil – 2006 – 90 MIN - Dolby Digital – 1:1,85 3 Festivais e Prêmios 39º. Festival de Brasília de Cinema Brasileiro Melhor Ator Melhor Roteiro Melhor Direção de Arte Melhor Som 14º. Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá Melhor Filme Melhor Ator Melhor Direção Melhor Roteiro Melhor Direção de Arte Melhor Produção 17º. Cine Ceará: Festival Ibero-Americano de Cinema Melhor Longa-metragem Melhor Ator Melhor Montagem 4 Sinopse Curta Filho de uma prostituta, Querô é um adolescente pobre e órfão, que vive sozinho na região portuária de Santos. Achando-se dono do próprio destino, Querô não se dobra à disciplina opressora da Febem, ao jogo fácil do tráfico de drogas e, muito menos, aos policiais corruptos que o perseguem. Sinopse longa Querô é um adolescente pobre que vive na região portuária de Santos. Fora da escola e sem perspectiva de futuro, Querô acaba atrás das grades da Febem. Lá vive o regime cruel, imposto pelo monitor carrasco, Seu Edgar. Sofre também muitas humilhações dos próprios internos. Também lá, numa cela imunda, compreende a atitude da mãe, uma prostituta de beira de cais que se suicidou no dia em que ele nasceu. Tudo alimenta mais seu ódio e desejo de vingança. Até o dia em que ele foge. Fora da Febem, Querô tenta levar uma vida normal e se apaixona por Lica, sua redenção. Mas o passado ainda o persegue. Sabará, um policial corrupto, ameaça mandá-lo de volta para Febem, caso Querô não se disponha a pagar um “pedágio” por sua liberdade. Sem saída e frustrado por não poder ser a pessoa que Lica vê nele, Querô parte para o tudo ou nada. 5 Apresentação Baseado no romance Querô – Uma Reportagem Maldita, escrito pelo dramaturgo Plínio Marcos na década de 70, o filme conta a saga de Jerônimo, um garoto abandonado que vive na zona portuária de Santos. Querô marca a estréia de Carlos Cortez na direção de longas-metragens de ficção. De forma humana, Querô retrata a solidão em que vive este garoto largado à própria sorte. O filme é resultado de um longo processo de trabalho de Cortez e da produtora Gullane Filmes, que apostaram não só na força e na atualidade da história, mas também na riqueza dos cenários que a cidade de Santos oferece e no talento de jovens que vivem na mesma região retratada por Plínio em seu romance. Plínio Marcos costumava dizer sobre seus personagens “que nem Deus olha por eles”, e em condição sub-humana, o “dramaturgo maldito” pedia para que dessem tudo de mais humano que eles tinham na alma. Querô é a expressão máxima dessa literatura pliniana. O filme aborda valores humanos, como a dura experiência do abandono. Os relacionamentos frágeis que se rompem conforme os interesses imediatos e o isolamento provocado pela exclusão. Aborda também o inconformismo do personagem principal pelo fato de se sentir empurrado para uma condição que ele não escolheu, para uma realidade dura e inevitável. Situação que muitos jovens brasileiros experimentam e a qual tentam reagir de diversas maneiras, algumas violentas. 6 Através da sua luta solitária e desesperada para ser tratado como gente, Querô vai emocionar e discutir de forma humana e solidária a condição de muitos jovens brasileiros condenados ao abandono. Para viver esta história, o diretor Carlos Cortez optou por trabalhar com adolescentes que conheciam de perto essa realidade. Eles não só atuaram no filme como participaram do processo de criação do roteiro. “Existia um roteiro, muito bem estruturado com a colaboração de Bráulio Mantovani e do Luiz Bolognesi, que contou inclusive com a recomendação do Sundance Institute, mas eu resolvi não partir do roteiro, e sim, através de improvisações com os meninos, chegar ao roteiro” comenta Cortez. A formação do elenco foi um capítulo à parte na composição do longametragem. Para encontrar o protagonista, seus amigos e companheiros da Febem, a equipe de seleção de elenco saiu a campo pelas escolas, casas, cortiços e ruas de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá. Foram realizados testes com mais de 1200 meninos de 12 a 21 anos. Destes, cerca de 200 freqüentaram oficinas testes coordenadas pelo preparador de atores Luiz Mario Vicente. 40 adolescentes foram selecionados e passaram a freqüentar oficinas de interpretação e integraram o elenco oficial de Querô. “Eu também queria dar voz e visibilidade a um grupo de jovens que, na maioria, são praticamente invisíveis em sua própria comunidade", declara Cortez, que está feliz em ter conseguido também cumprir esta tarefa. Após este extenso processo, o elenco final dos garotos contou com Maxwell Nascimento para viver o papel de Querô. Para contracenar com estes jovens, o filme teve a participação de atores tarimbados como Maria Luisa Mendonça (Mãe de Querô), Ângela Leal (Violeta), Ailton Graça (Brandão) e Milhem Cortaz (Seu Edgar). O longa tem ainda a participação de Claudia Juliana, Eduardo Chagas, Eliseu Paranhos, Giulio Lopes e Silvia Lourenço. O trabalho com os jovens santistas teve tamanha repercussão positiva na comunidade que até hoje a Gullane Filmes, com o apoio da prefeitura de Santos, do SESC e da Unisantos, mantém oficinas e atividades educativas no local. Pela relevância social, o projeto Querô mereceu o apoio do Unicef e da Comissão de Direitos Humanos da OAB. 7 O Diretor - Carlos Cortez Carlos Cortez iniciou sua carreira como roteirista e durante 10 anos trabalhou nas melhores produtoras de São Paulo. Paralelamente escreveu e dirigiu inúmeros documentários abordando questões sociais e culturais de sua cidade, o que lhe conferiu prêmios como “melhor filme” no Festival Internacional de Documentários It’s All True, além de importantes prêmios nos festivais de Brasília e Gramado. Como documentarista destacam-se entre seus trabalhos, Seu Nenê da Vila Matilde e Geraldo Filme, projetos sobre a origem do samba paulista e sobre os compositores que construíram essa história. Querô é o primeiro longa-metragem de ficção de Carlos que foi recomendado pelo próprio Plínio Marcos para transportar sua obra para ao cinema. O filme foi reconhecido pelos festivais em que passou faturando 13 prêmios incluindo melhor roteiro, melhor direção e melhor filme. 8 Palavra do Diretor Lavei a alma. Realizei vários sonhos. Primeiro queria ir fundo nos sentimentos daquele adolescente solitário que vive nas quebradas do porto de Santos e que eu já conhecia através da obra do Plínio, mas queria conhecer mais. Queria conhecer os armazéns onde ele ás vezes dormia, o cortiço onde ele morou, as amizades que ele criou, o amor que apareceu e tudo que cerca a vida de um adolescente sem perspectiva como o Querô. O processo de preparação dos atores, a preparação do filme e as filmagens me permitiram tudo isso. Depois queria trabalhar com o roteiro em aberto. Tinha um roteiro muito bem discutido e elaborado com a colaboração do Luiz Bolognese e o Bráulio Mantovani, além das incansáveis discussões com a Chris Riera, mas eu queria que o elenco chegasse no roteiro e não partisse dele. O Luiz Mário me ajudou e conseguimos realizar esse sonho com muita tranqüilidade. Queria trabalhar com jovens não-atores por dois motivos: primeiro trazer para o filme uma verdade que o filme precisava; segundo dar visibilidade a um grupo de adolescentes, a maioria, invisíveis na sua própria cidade. Conseguimos os dois. O filme trás a verdade dos cortiços, do porto, da FEBEM e o grupo de 40 atores jovens vê o filme como um poderoso instrumento de discussão de uma realidade que muitos conhecem de perto e que precisa ser modificada. Muitos deles que eram vistos como “menores perigosos”, hoje são reconhecidos na rua como talentos. Queria filmar no Porto, boates e bares da região e com o apoio das autoridades e de muita gente dos cortiços e das quebradas onde filmamos, conseguimos. 480 pessoas participaram como figurantes do filme, a maioria moradores dos cortiços do centro. E a colaboração se estendeu seja emprestando seus quartos para usarmos como set de filmagem, seja trocando com a equipe de arte, moveis, utensílios, cortinas e objetos pessoais para fazer parte dos cenários seja até garantindo o silêncio de lares, bares, porto e até ponto de drogas para que pudéssemos filmar com um som limpo. Queria uma direção de arte e fotografia que seguisse a emoção do personagem principal, mas também trouxesse a naturalidade que o filme pedia. É consenso que o trabalho do Fred e Alemão só falta ter cheiro. Queria também uma montagem que respeitasse o tempo das ações e que transmitisse a delicadeza que o filme tem, mesmo dentro de uma realidade dura. O Paulo Sacramento soube entender isso no primeiro contato com o material e o filme transita do duro ao delicado com muita sensibilidade. Por fim queria que o filme fosse produzido por produtores corajosos que abraçassem esse projeto com alma e coragem foi o que não faltou na Gullane Filmes e em toda equipe que ajudou a contar essa história. 9 Como surgiu a idéia e a vontade de levar Querô para as telas? Muitos me perguntam: porque fazer Querô? É simples, eu queria fazer um filme sobre abandono. Porque abandono é uma experiência universal. Todo mundo tem medo de viver sozinho, todo mundo tem medo de acabar sozinho. Eu queria tratar desse assunto e achava muito bonito a forma com que o Plínio tratava no Querô. É óbvio que queria também discutir a questão dos adolescentes no Brasil. Pegar um cara que não está no tráfico, mas também não está na escola, não está trabalhando, não está em lugar nenhum. O Querô é um cara assim Qual a sua impressão do texto de Plínio e da sua linguagem? O Plínio viu o abandono de uma forma única. Muitos criticavam seu modo de escrever, já eu costumo dizer que cada texto do Plínio é emoção, é trama em forma de pílula, um negócio absolutamente concentrado. Você começa a ler e aquela coisa explode na sua frente, então cada leitura que você fizer vai explodir de um jeito novo. Ao transpor uma obra literária para o cinema, são necessárias adaptações para o novo meio. Como foi fazer a releitura de Querô? Como adaptá-lo para que se comunique com o momento presente? O cinema é outra linguagem, mas como toda forma de arte tem o papel de cuidar da alma e também tem a responsabilidade sobre aquele momento histórico em que é realizado. No Brasil as pessoas enxergam com muito fascismo essa questão da juventude. Quando os meios de comunicação discutem essa questão, discutem para pedir maioridade aos dezesseis anos, discutem para pedir mais repressão, é muito fascista. Eu acho que o cinema tem que discutir isso de uma forma mais humana, mais profunda, com mais cuidado. Esse é um papel que o cinema também tem. O Plínio discutia o Querô com bastante sensibilidade, com bastante solidariedade, com bastante seriedade. O que fez você abraçar o projeto? O que fez você optar por retratar esse momento atual através de uma história de Plínio Marcos? Eu acho que o que me fez abraçar o projeto, abraçar essa história do Plínio, foi o fato de que ninguém viu com tanta solidariedade, com tanta humanidade, com tanta delicadeza esse universo como o Plínio Marcos viu. O pessoal, que como ele mesmo dizia, o pessoal que nem Deus olha por eles, o pessoal que vive lá no lugar onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos. E ele conseguia ver tudo com uma ternura e humanidade que é espantosa e interessante resgatar. Esses foram, mais ou menos, os motivos que me levaram a embarcar nessa de fazer Querô. 10 O autor e sua obra - Plínio Marcos Palhaço, vendedor, funileiro, encanador, jogador de futebol, humorista, ator, dramaturgo, tarólogo, escritor. O santista Plínio Marcos fez de tudo um pouco. Mas foi como dramaturgo e escritor que encontrou seu ofício e ficou internacionalmente conhecido como o autor responsável por levar para os palcos o universo marginal da sociedade brasileira. Plínio abordou como poucos, usando com propriedade a linguagem autêntica dos personagens excluídos que viviam na carne a violência do submundo, temas tabus como machismo, drogas, exclusão social, abandono, crime, estupro, prostituição, exploração. Nascido em Santos, em 1935, e falecido em São Paulo, em 1999. Na adolescência, para conquistar uma garota por qual estava apaixonado, entrou para o circo. Por vários anos foi o palhaço Frajola, personagem que levou para a TV-R de Santos e por qual foi apontado como o "o cômico mais querido da cidade". Mas sua formação cultural se revolucionou quando, em 1958, conheceu a escritora Patrícia Galvão, a Pagu, que precisava de um ator para a peça infantil Pluft, o Fantasminha, peça infantil da qual era produtora. Pagu lhe apresentou os principais intelectuais da época e o introduziu à obra de mestres do teatro mundial. Plínio contava que, até escrever sua primeira peça, Barrela (em 1958), nunca havia pensado em ser dramaturgo. Escreveu depois de ficar profundamente chocado com uma notícia de um rapaz que havia sido estuprado na prisão. A peça causou furor na época e o elevou ao nível de ‘gênio teatral’, digno de ser comparado a Nelson Rodrigues. A partir de Barrela (levada para o cinema por Marco Antonio Cury em 1990), Plínio estava decidido a ser dramaturgo. Escreveu incessantemente e criou obras-primas como Dois Perdidos Numa Noite Suja (1966), que foi adaptada para o cinema por Braz Chediak em 1970 e José Joffily em 2002; Navalha na Carne (1967), que também foi levada às telas por Braz Chediak, em 1969; e por Neville D`Almeida, em 1997; O Abajur Lilás (1969), Oração Para Um Pé-de-Chinelo (1969) entre outros. Após 1968, Plíno Marcos não conseguia mais encenar. Até mesmo peças que já haviam sido apresentadas em diversas ocasiões foram barradas pela censura. Passou a ser taxado como dramaturgo maldito pois suas palavras desestruturavam a lógica da ditadura. Querô - Uma Reportagem Maldita surgiu assim, em uma época em que 11 encenar era impossível. Plínio colocou nas páginas de uma novela as figuras e histórias que gritavam para serem contadas. Achou na literatura narrativa a saída para continuar a retratar e denúnciar as mazelas que via pelas “quebradas” de Santos. Querô – Uma Reportagem Maldita foi escrito em 1976 e adaptado para o teatro pelo próprio Plínio em 1979. Antes de Carlos Cortez, Reginaldo Faria já havia, em 1977, contado no cinema a história do garoto, em um longa-metragem que, em vez de Querô, levou o nome de Barra-Pesada. 12 Elenco Maxwell Nascimento (Querô) Max e os companheiros de set não conseguiam esconder a imensa alegria que sentiram quando foi anunciado o prêmio de Melhor Ator do Festival de Cinema de Brasília 2006: Maxwell Nascimento. O prêmio não era só um reconhecimento à atuação individual do jovem ator, mas a todo um processo de amadurecimento dele e de todos os garotos. Felizmente, a infância de Max foi muito mais saudável que a de Querô. Apesar de interpretar um garoto abandonado, Maxwell Nascimento, o Max, é um garoto que tem seus pais presentes. Ele tomou o primeiro contato com a produção do filme quando jogava futebol em sua escola. "Eu vi a Tammy (Weiss, produtora do elenco jovem do filme) conversando com um amigo. Achei a história de fazer um filme na Baixada meio estranha, mas não tinha mesmo nada para fazer e arrisquei. Foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Eu já tinha tirado o ano de 2005 (ano em que o filme foi rodado) para não fazer nada, estava indo mal na escola. Depois de entrar para as oficinas, até aula particular eu comecei a fazer", conta o garoto, que nunca tinha visto um filme nacional no cinema. Para viver Querô, Max não precisou buscar inspiração em uma realidade distante. Acostumado com a violência de seu próprio bairro, o garoto é prova real da vitalidade dos jovens que são obrigados a conviver com o crime desde sempre. "Eu vi amigos meus serem presos, alguns até foram mortos. Quando vejo os meninos irem parar na Febem, penso que tive muita sorte. Minha mãe deu Graças a Deus que entrei para o filme", declara ele, que cresceu querendo ser jogador de futebol. "Mas agora eu quero ser ator" afirma Max que além de vencer como melhor ator no Festival de Brasília, arrebatou prêmios no Festival de Cinema de Cuiabá e no Cine Ceará. Segundo o garoto, o processo das Oficinas foi intenso, eram horas puxadas de exercícios, mas tudo valeu a pena, pois aprendeu bastante e até quebrou alguns preconceitos e tabus em relação ao corpo e a afetividade, “Na minha vida sempre rolou um preconceito de homem tocando no outro, se abraçando, mas nas oficinas, nas aulas de expressão corporal, a gente vai vendo que tudo isso é besteira. A gente vai quebrando os nossos preconceitos e vai aprendendo a conviver com gente bastante diferente”. 13 Qual foi o momento mais marcante das oficinas? Pra mim o momento mais marcante foi no último dia das oficinas quando estava o grupo inteiro, os quarenta garotos, todos juntos recebendo o certificado. No começo ninguém conhecia ninguém e naquele dia estava todo mundo junto, um chamando o outro pelo apelido cada vez que alguém ia pegar o certificado. No começo ninguém acreditava que a gente ia se tornar um grupo e no final a gente se tornou mais que um grupo, a gente se tornou uma família. Foi um momento muito importante pra mim e acho que pra todos os garotos. E esse certificado também significava que a gente era vencedor, porque a gente batalhou bastante pra estar ali, pra chegar nesse momento. Qual o exercício que mais te marcou? Foi o exercício de “Bio”, um exercício que a gente fazia de dançar e de soltar o corpo. Porque no começo das oficinas estava todo mundo muito duro e no final todo mundo estava bem solto. O exercício entrou totalmente no corpo da gente e a gente entrou de cabeça nesse exercício também. Outro que eu gostava bastante era de interpretação, onde um podia jogar com o outro nas improvisações. Qual foi o maior desafio durante todo o processo de filmagem? Quais foram as cenas mais difíceis, que te desafiaram mais? Acho que foi entrar na cena. Porque a gente acordava às quatro da manhã, então para entrar na cena era mais difícil. Mas sempre dava certo. Agora, a cena mais difícil acho que foi a curra, porque era bem chocante. Até para os garotos que estavam fazendo essa cena comigo foi a mais chocante porque a gente era colega, todo mundo era amigo e a gente precisava se transformar. Uma cena difícil também foi a cena com a Lica, a cena do beijo, porque ela foi trocada sete vezes no dia, então a gente tinha que correr atrás. Mas o Luiz sempre ajudava a gente e a gente batalhava e conseguia fazer. E como foi trabalhar com os atores profissionais? Eu aprendi bastante com eles, principalmente com o Milhem que conviveu com a gente durante os ensaios. Ele sempre dava dicas pra gente de como entrar na cena, como sair da cena. Foi uma experiência bacana poder atuar do lado deles, nunca imaginei poder atuar com esses grandões. Eu aprendi muito com eles. Qual foi o momento mais marcante da filmagem? Tiveram tantos momentos marcantes, mas acho que o mais marcante foi o momento da reza do último dia. A gente sempre fazia um tipo de reza antes e depois das cenas e nesse dia a gente juntou toda a equipe e o elenco e todo mundo fez a reza junto. Foi uma forma legal de fechar esse último dia de filmagem. 14 Maria Luísa Mendonça (Piedade) Querô é filho de Piedade com o abandono. Prostituta do cais do porto, Piedade é a figura mítica para um garoto que nunca conheceu um colo materno, pois esta o abandona logo que nasce. Apesar de amar seu filho e manter-se firme até seu nascimento, a frágil Piedade sucumbe diante do desespero de ser posta para fora do bordel onde trabalhava no dia em que dá à luz ao bebê Jerônimo. Sem saída, ela encontra um destino trágico e deixa seu filho nos braços do abandono. Quem dá vida a esta personagem tão mítica e, ao mesmo tempo, tão real é a atriz Maria Luísa Mendonça. Dona de um currículo cinematográfico invejável, com trabalhos como Quem Matou Pixote?, Carandiru, Jogo Subterrâneo, e o ainda inédito O Magnata , Maria Luísa ficou conhecida pelo público na novela Renascer e desde então fez diversos trabalhos na telinha dentre eles Engraçadinha, A Muralha, Os Mais, Um Só Coração, Senhora do Destino e a minissérie da HBO, Mandrake. A atriz conta que encontrou em Piedade um grande desafio. “Ela é uma mulher muito complexa. Apesar de ter uma participação em cena muito breve, permeia toda a ação do filme e a vida de Querô. Não foi fácil encontrar o equilíbrio entre o caricato que uma prostituta pode oferecer para uma atriz e a figura real e humana que ela era”, conta a atriz, que encarou cenas de arrepiar. “No início, o pessoal da equipe chegou a se questionar como seria a cena em que eu teria de ser colocada em um caminhão do IML. Realmente, vou confessar, foi arrepiante me deitar naquela caixa gelada, totalmente maquiada como um cadáver. Mas eu consegui e, no fim, valeu a pena. Tenho muito orgulho da Piedade”, relata a atriz, que destaca a união do grupo como fator crucial para seu trabalho. “Seria outra personagem, outra atuação e outro filme se nossa equipe não fosse tão coesa. Desde a direção sempre delicada do Carlão até os ensaios com o Max, um garoto que demonstrou desde sempre ter muita competência e segurança, até mesmo com os caminhos percorridos pela cidade. Tudo conspirou a favor. Andei muito pelas ruas da região onde a história se passa. E era uma sensação tão forte. Era como se eu sentisse a presença da Piedade. Como se visse em tantas outras aquela mulher de vida tão trágica, que, num ato de desespero, dá um grito de socorro, mas também abandona seu filho à própria sorte”. Ailton Graça (Brandão) “Brandão é um brasileiro típico, comum, com tudo de bom e de ruim que isso possa significar”, diz o ator Ailton Graça, que dá vida a este personagem crucial para o desfecho da saga do garoto Querô. “Ele é um cara gente boa, engraçado, que adora fazer piada, rir com e dos outros. Mas que também é rude, que vive na miséria em que muitos brasileiros também vivem. Para sobreviver, às vezes se torna até animalesco. E estas explosões acabam atingindo o ainda inexperiente Querô.”, continua o ator que foi revelado no cinema em Carandiru (de Hector Babenco), ganhou a TV com a novela América e hoje é um dos atores mais queridos do público brasileiro após ter participado de diversos filmes dentre eles, Meu tio matou um cara, Tapete Vermelho e Contra Todos e das novelas Cobras e Lagartos e da atual Sete Pecados. “Brandão é diferente de tudo que eu já tinha feito. Ao mesmo tempo em que quer ser um cara bacana, respeitado, ele acaba se tornando mais um predador na selva em que vive. Ele é um estivador que explora os garotos que trabalham no cais do porto. Obriga muitos meninos a trabalharem para ele. Ele humilha e extorque estes meninos como 15 Querô. É complexo e contraditório”, analisa Ailton, que destaca o processo de preparação para o filme como um dos pontos fortes do projeto. “Para começar, não havia roteiro propriamente dito, mas sim situações propostas que eram trabalhadas em equipe nas oficinas e nos ensaios. O Luiz (Luiz Mario, preparador de elenco) nos propunha uma questão e a desenvolvíamos. Este processo orgânico e dinâmico foi crucial para a composição do meu personagem e para a integração de todo o elenco. Fiquei muito feliz com o resultado, tanto do trabalho de ser dirigido pelo Carlão quanto de ensaiar com atores como Maria Luísa Mendonça e o Max, que estava em pleno processo de formação. Foi tudo muito rico. Exatamente como acho que o mestre Plínio, que tão bem soube captar o lado obscuro da sociedade e da alma brasileira, gostaria que tivesse sido”. Milhem Cortaz (Edgar) “O Edgar é o porteiro que virou zelador. É como um pai, e, ao mesmo tempo, carrasco daqueles meninos. Ele realmente acredita que está educando a garotada. Porque também foi na base da porrada que ele foi educado”. Assim o ator Milhem Cortaz define seu personagem em Querô, um truculento inspetor da Febem, que acaba entrando em uma briga com Querô e é gravemente ferido pelo garoto. Edgar é, ainda que de viés, a figura paterna e masculina que tanto falta à formação do menino abandonado em que Querô se transformou. O inspetor trata os garotos de quem toma conta como se fossem da família, mas, ao mesmo tempo, é extremamente rude e cruel com eles. “O Edgar é uma somatória de outros personagens que existem no livro, mas que, na transposição para o cinema, foram condensados em um só. Ele é um personagem absolutamente humano. Há tantos ‘Edgares’ por aí. Eu sempre observo que os pobres (pobre sim. E não humildes, porque humildade não tem a ver com condição social) valorizam muito a noção de família, a dignidade. Algo que nós, mais favorecidos nem sempre damos tanto valor. Algo que nós já damos como certo”, comenta Milhem. “Para o Edgar, este emprego não é o melhor do mundo, mas é o único que ele tem. E ele vai ser o melhor inspetor do mundo, o melhor que puder ser. Ele é contraditório. Ele realmente vê aqueles meninos como uma extensão de sua família, mas é incapaz de tratá-los com carinho porque ele tão pouco recebeu isso na infância. Chega a ser algo como um ser humano em estado puro. Ele e os meninos formam um só bando de abandonados”, continua o ator, que tem experiência com personagens outsiders e problemáticos em filmes como Carandiru (de Hector Babenco)l, A Concepção (de José Eduardo Belmonte), Um Céu de Estrelas (de Tata Amaral) e, mais recentemente, os ainda inéditos Nossa Vida Não Cabe num Opala (de Reinaldo Pinheiro), Tropa de Elite (de José Padilha) e Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins. Ângela Leal (Violeta) Violeta é, de certa forma, responsável pela desgraça e pela criação de Querô. É esta dona de bordel da região do Cais do Porto de Santos quem expulsa Piedade, mãe de Jerônimo (que depois ganha o cruel apelido), logo após ela dar à luz ao garoto. Ironicamente, é ela quem acolhe o bebê nos braços assim que Piedade é encontrada morta. Violeta é uma mulher que possui, como todos, seu lado humano e solidário, mas este lado vem quase sempre soterrado de cinismo e ódio dos tantos sofrimentos 16 que o mundo causou em sua alma. “Ela é uma personagem profundamente contraditória e humana ao mesmo tempo. Ela cria o garoto, mas à base de porrada, xingamentos e humilhações. Ela demonstra ter carinho e se preocupar com ele, mas só sabe expressar isso tudo com base na violência. É uma mulher que, para sobreviver, acabou se masculinizando e se endurecendo”, analisa Ângela, que, até ser convidada por Carlos Cortez para o papel, estava afastada das telas há tempos. “Eu estava me dedicando aos meus projetos de ação social e cultural. Eu desenvolvo atividades exatamente com prostitutas e garotos de rua e sei muito bem como é este universo. Além disso, sou grande admiradora da obra de Plínio Marcos. Pensei bem e, claro, a conclusão era de que este era um projeto imperdível”, conta a atriz, que cresceu em uma região próxima a bordéis. “Quando eu era criança, eu sempre via as prostitutas que trabalhavam no bairro. Vi este ambiente de muito perto. Então, para compor a Violeta, eu busquei minhas memórias de infância. Não foi fácil dar vazão a uma mulher que se torna quase um monstro alimentado pelo enorme rancor que ela sente das pessoas. Ela acaba se tornando extremamente cruel e exerce toda esta crueldade em Querô, uma criança que não tem ferramentas para lutar contra isso”. Além do trabalho cinematográfico, Ângela faz questão de ressaltar o trabalho ‘por trás das câmeras’ do projeto Querô. “Envolvimento, responsabilidade, participação social é algo tão raro em nossa sociedade hoje. Todos estão tão apressados e descomprometidos com suas cidades, suas comunidades. Ver um trabalho como o de Querô, as oficinas com os garotos, que aprenderam conosco mas também nos ensinaram muito, é algo extremamente gratificante. Um trabalho que me encheu de esperança e alegria.” Recentemente Ângela Leal voltou as telinhas, após um intervalo de seis anos, na novela Páginas da Vida. Com vinte e sete trabalhos na televisão, entre miniséries e novelas, a atriz participou de momentos notórios da história da TV brasileira. Entre seus trabalhos estão Irmãos Coragem, Gabriela, Escrava Isaura, O Bem Amado, Roque Santeiro, Pantanal e a recente minissérie Chiquinha Gonzaga. No Cinema participou dos filmes Zuzu Angel (2006), de Sérgio Rezende, Perdoa-me por me traíres (1980), de Braz Chediak, entre outros. 17 Roteiro - Carlos Cortez Colaboração de Bráulio Mantovani e Luiz Bolognesi O grande, talvez o maior, desafio de Carlos Cortez ao transpor para o cinema a obra de Plínio Marcos era manter o caráter de urgência que o autor sempre soube dar a seus livros. Para isso, era necessário atualizar a trama passada em Santos, mas sem perder a espontaneidade que o dramaturgo conferiu a seu texto nos anos 70. “Era necessário que os personagens do filme falassem a linguagem corrente, a língua falada na periferia, mas com naturalidade, sem que os atores parecessem encenar, mas sim falar como qualquer pessoa comum”, explica Cortez. Para que a transposição da obra fosse o mais natural possível, a melhor saída foi trabalhar com um ‘roteiro em aberto’, ou seja, que os roteiristas trabalhassem com os atores em busca não só de diálogos genuínos como também da dramaticidade e veracidade das situações. Os atores, mais que simplesmente desempenhar as ações do roteiro, passaram a ser co-autores e a dar contribuições valiosas. “Esta foi a melhor saída. Os garotos, por exemplo, dominam a linguagem que nós não dominamos. E a usam de maneira natural, pois ela faz parte do cotidiano deles. Eles conhecem também a realidade em que se passa a história, as situações e as personagens que permeiam as quebradas de Santos. No início, não foi fácil, pois é um trabalho de entender tanto as ações criadas por nós para a história assim como a forma com que estes garotos a desempenhariam em seu dia-a-dia. Aos poucos, os diálogos foram sendo formados, as situações foram ganhando vida e o roteiro tomando corpo”, continua o diretor, que contou com a colaboração dos roteiristas Luiz Bolognesi e Bráulio Mantovani para a elaboração do roteiro. “O trabalho em conjunto foi crucial. Bráulio e Luiz ofereceram soluções ideais para um roteiro que não deveria perder o caráter de ‘porrada’ que o Plínio Marcos imprimiu à obra, mas que tinha de ganhar o frescor e a agilidade de uma história passada nos dias de hoje”, completa Cortez. A prosa cortante de Plínio Marcos também sofreu uma interpretação de Cortez. “O Plínio nos dá um verdadeiro soco no estômago em Querô. Não há respiro, não há redenção. É um livro duro e cruel. Quando o temos na mão, se o baque é muito forte, pode-se dar um tempo. Deixar a leitura para depois. Já no cinema o fluxo é contínuo. É preciso dar respiro para o espectador. E isso só foi possível graças aos contrapontos que encontramos, como trabalhar o drama pessoal do garoto que é abandonado, sem necessariamente falar só de violência, mas de seu lado mais íntimo, seus medos, suas frustrações e, até mesmo, suas alegrias e amores”, completa Cortez. Luiz Bolognesi Luiz Bolognesi, um dos mais renomados roteiristas brasileiros da atualidade, é quem divide a colaboração no roteiro de Querô com Bráulio Mantovani. Com formação em jornalismo pela PUC São Paulo e em ciências sociais pela USP, Bolognesi foi redator na Folha de São Paulo e na Rede Globo. Entre seus vários trabalhos como roteirista, destacam-se os filmes Bicho de Sete Cabeças; Chega de Saudade; Quatrocentos Contra Um (em preparação); o telefilme Arouche Palace, da Sony/Gullane; a série Animais do Brasil para a National 18 Geographic; o documentários Doutores da Alegria, de Mara Mourão e O Mundo em Duas Voltas, de David Schürmann Bráulio Mantovani Bráulio Mantovani divide a colaboração no roteiro de Querô com Luiz Bolognesi. O roteirista, hoje um dos mais requisitados do Brasil, morou na Espanha de 1991 a 1993, onde cursou mestrado em roteiros para longa-metragem. Mas foi com a adaptação para as telas do romance de Paulo Lins, Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles que se tornou um roteirista internacionalmente reconhecido. Pelo trabalho, Mantovani foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, em 2004. Foi ainda colaborador de Meirelles no roteiro de O Jardineiro Fiel, que também foi indicado ao Oscar nesta categoria. No Brasil, participou da elaboração de roteiros de episódios da série Cidade dos Homens, da TV Globo, e do curta-metragem Palace II, também de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Mais recentemente trabalhou na adaptação para a ficção do drama de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua carioca que seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro em 2000. O caso dramático ganhou as telas com o documentário Ônibus 174, de José Padilha, e vai ser tornar um longa-metragem de ficção dirigido por Bruno Barreto. É com Padilha que Bráulio também trabalhou no roteiro de Tropa de Elite, filme inspirado no livro Elite da Tropa, escrito por André Batista, Luiz Eduardo Simões e Rodrigo Pimentel. Dramaturgia - Chris Riera Onde começa a função do responsável pela dramaturgia no processo de roteirizar uma história? É Chris Riera quem responde. “Minha participação em Querô começa quando já há um primeiro tratamento do roteiro. Toda a equipe se reuniu para que definíssemos saídas viáveis para que a história fosse filmada da melhor maneira”, explica Chris, que tem formação em Teoria Literária e Dramaturgia. “O desafio era tornar Querô um roteiro cada vez mais natural sem que perdesse seu caráter ficcional. Além disso, outra tarefa nossa era trazer Querô para os dias de hoje”, continua a roteirista. “Tanto para Querô quanto para outros projetos que trabalho sempre primo pela naturalidade. Dispenso todos os manuais de roteiro que há no mercado. Cada história é única e fórmulas prontas não ajudam em nada e o projeto perde a sensibilidade”, acrescenta ela. Chris auxilia o roteirista e diretor na construção dramatúrgica do roteiro buscando soluções possíveis para melhor estruturação da história que ele quer contar, porém nunca impõe uma opinião ou um método, as soluções e caminhos são encontrados juntos. Preparação de Elenco - Luiz Mario Vicente O preparador de elenco Luiz Mario Vicente tinha nada mais que dois meses para preparar 40 jovens selecionados em comunidades de baixa renda da Baixada Santista. Neste período curto, Luiz Mario teria de conduzir estes garotos a Querô. Seguindo a proposta do diretor Carlos Cortez de não escalar atores para viverem os papéis dos garotos no filme, mas sim de garotos que realmente habitam as entranhas da Baixada Santista, a equipe foi à procura destes jovens. Por isso, o fator mais importante do trabalho era prepará-los para o processo e não para serem somente atores. “Sempre digo que este é um filme-processo, ou seja, não estava em jogo só o 19 espetáculo a ser filmado, mas toda uma vivência por qual não só os meninos, mas toda equipe passou. Nas entrevistas com os garotos, que foram mais de 1200, sempre prestávamos atenção na atitude do garoto, no olhar, na sua capacidade de dar um depoimento sincero, de expressar afetividade, além, é claro, da capacidade inata de cada um ser cativante”, explica Luiz. “Eu sou da Baixada e conheço bem a realidade. Muito por isso, pude dar dicas para minha equipe, que foi literalmente à caça destes jovens. Isso também ajudou na hora de lidar com os meninos. Eles sempre foram nossos parceiros. Era sempre um trabalho de troca. Eles tinham conhecimentos que nós não tínhamos. Nós tínhamos ferramentas para ajudá-los nesta formação necessária para o filme”, continua ele, que tem preparação teatral e por vários anos integrou a equipe do diretor Antunes Filhos e deu aulas no CPTzinho (Centro de Pesquisas Teatrais). O fator afetividade pode parecer controverso, mas era exatamente este o conceito que Luiz Mario e o diretor Carlos Cortez perseguiam em todo o processo. “Era necessário trabalhar a polaridade. Em vez de despertar nesses garotos o instinto mais violento, queríamos estimular exatamente o oposto, ou seja, a afetividade, o trabalho em equipe, a cooperação, o carinho, enfim, o amor. Acredito que somente através da polarização do oposto era possível entender a extrema violência por qual o personagem estava passando”, conta o preparador. Os 40 garotos selecionados para as Oficinas Querô ainda tiveram uma série de aulas de capoeira, interpretação, expressão corporal, expressão vocal, entre outras. “Estas aulas buscavam formá-los não só para o filme, mas para o futuro. Procuramos despertar neles a capacidade para o jogo, o lúdico e a troca. Além do desempenho individual, eles também tinham de trabalhar bem em grupo. Foi um caminho muito intenso porque, além de tudo, eles também tinham de entrar no processo de preparação de um personagem. Pense no desafio que isso já é para um ator profissional. Imagine, então, para garotos que não possuíam a mínima experiência”, comenta Luiz Mario, que sempre teve o cuidado de proteger o microcosmo que criou para os garotos. “Nossa maior preocupação sempre foi de que o processo tinha de ser bom para as pessoas e não um processo que fosse melhor para o filme a qualquer custo..O grupo precisava estar em harmonia. O Max soube captar isso desde sempre e demonstrou muito equilíbrio”, continua ele, para quem Maxwell Nascimento, além do talento, sempre teve muita disciplina, fator crucial para ser escolhido como protagonista. “Muitos garotos tinham ótimo desempenho. Max tinha a sabedoria de ser capaz de entrar muito rápido no personagem e dar tudo de si para uma cena intensa e, ao mesmo tempo, sair rápido daquele universo e recuperar seu equilíbrio. Ele demonstrou muita responsabilidade e soube trabalhar bem a força interna que tanto queríamos despertar em todos aqueles meninos”. Montagem - Paulo Sacramento Ao iniciar o processo de montagem, Paulo Sacramento teve um desafio inédito ao se deparar com o material de Querô. “O filme tinha sido captado com duas câmera. Uma era mais cinema, mais ficção mesmo. A outra era uma câmera que dava a tudo um ar mais documental, ágil, mais próximo da cena em si”, conta ele, que passou seis meses imerso no universo do garoto Querô para, finalmente, chegar ao corte final do longametragem. “Foi uma tarefa e tanto, mas também foi muito bom poder contar com duas câmeras. Ás vezes, de acordo com a dramaticidade de cada cena, era mais adequado usar uma imagem mais documental outras vezes não. Foi um privilégio poder trabalhar 20 assim”, conta Sacramento, que é montador experiente e tem no currículo a direção do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro. Paulo assinou a montagem do documentário de Carlos Cortez, Geraldo Filme, e está agora editando o mais recente filme de Laís Bodanzky, Chega de Saudade. Para Querô, Sacramento repetiu a parceria com Cortez e embarcou no projeto de realizar um filme imerso num constante processo de transformação e criação. “Isso foi mesmo muito interessante, pois o roteiro foi constantemente atualizado com a colaboração dos garotos e dos atores. Na montagem, isso também transparece. A cena da rebelião, por exemplo, revela como a proposta de misturar realidade e ficção podem casar muito bem”, comenta o montador, que em breve se dedicará à edição de Encarnação do Demônio, o novo filme de José Mojica, que Sacramento também participa como produtor, com a Gullane Filmes. “A escolha de que câmera usar sempre foi de acordo com a dramaturgia e nunca estética. Eu nunca tinha usado este recurso, mas fiquei feliz com o resultado”. Fotografia - Hélcio Nagamine Hélcio ‘Alemão’ Nagamine tem vasta experiência em direção de fotografia e em projetos audaciosos. Formado em fotografia para o cinema na Escola de Comunicações e Artes da USP, Alemão já assinou trabalhos que vão desde Doutores da Alegria (de Mara Mourão) até a serie televisiva Carandiru: Outras Histórias, passando por Confidências do Rio das Mortes, Geraldo Filme e Seu Nenê (também de Carlos Cortez) e o premiado curta Palíndromo (de Philipe Barcinski, Melhor Fotografia ABC 2002 e Melhor Fotografia do Festival Salvador Dalí). Mas Querô era um projeto que exigia uma concepção diferente de todos os outros trabalhos já realizados por ele. Neste filme, o trabalho com garotos que nunca haviam atuado exigiu uma solução criativa do diretor de fotografia. “Em Querô, o fator ‘nãoatores’ era muito importante. Afinal, ao mesmo tempo em que não queríamos que eles atuassem de uma maneira artificial, engessada, também não podíamos correr muitos riscos de continuidades, com muitos cortes durante a ação”, explica Alemão. “Por isso, a solução encontrada foi filmar tudo com duas câmeras, que nos davam mais poder de escolha da melhor cena. Além disso, o fator dramático iria dizer, na fase de montagem, que imagem, que câmera era mais adequado entrar para o corte final do filme”. Para não perder o ritmo de atuação do elenco, Alemão e Cortez chegaram à conclusão de que o plano-seqüência era a melhor saída. “Nada era cortado. Tudo era seguido e registrado. Usamos duas câmeras 16mm (muito mais leves que as 35mm), que nos permitiam ter mais agilidade, filmar quase toda a ação com câmera na mão e em tomadas e seqüências mais longas. Não perdíamos, assim, o timing da ação”, continua ele, que optou por filmar sempre com as duas câmeras no mesmo eixo. “A filmagem tinha de ser ágil,. A marcação de luz era feita para a câmera A e a câmera B só acompanhava, como se “expiasse” tudo que acontecia, como se fosse um documentário, sem a preocupação estética da câmera A. O conceito da câmera B era de capturar a emoção dos personagens. Enquanto a câmera A tinha a obrigação de narrar a história, a câmera B deveria ficar mais livre, atenta apenas para as emoções”, explica. 21 Esta foi uma solução que nasceu como saída prática às limitações de tempo e ação de Querô, mas acabou se tornando uma ferramenta importante para definir a personalidade visual do filme. “Como o conceito primordial que Carlão sempre trabalhou em cima era o da veracidade, o do real, esta ‘câmera documental’ foi perfeita”. Direção de Arte - Fred Pinto Por sua bela direção de arte, Fred Pinto e sua equipe levaram o Candango de Melhor Direção de Arte no Festival de Cinema de Brasília 2006. Ele já havia ganhado um Candango pelo seu trabalho no curta-metragem Um dia logo depois um outro. Fred, que tem formação em artes plásticas,, morou em Nova York por muitos anos, onde começou a assinar a direção de arte de curtas-metragens dirigidos por amigos cineastas. Quando voltou ao Brasil conheceu a artista Daniela Thomas. A parceria foi crucial para a carreira de Fred, que hoje trabalha no mercado publicitário. Seu primeiro trabalho em longa-metragem foi em Domésticas. A preocupação em estar sempre o mais próximo da realidade que o diretor Carlos Cortez teve ao trabalhar aspectos como roteiro e preparação dos atores também permeou todo o processo de composição visual de Querô.. Não há cenário que não seja real no filme. Da unidade da Febem onde ocorre a rebelião até o cortiço onde mora Querô, passando pela igreja onde sua mãe é encontrada morta e o Porto de Santos, tudo é parte da realidade da Baixada Santista.. Mas nem por isso Querô é um filme que prescinde da direção de arte. “É fruto de um processo muito orgânico, que começou com a procura dos objetos e das locações. Percorremos os lugares onde a história se passaria, entramos nas casas das pessoas, pegamos objetos emprestados, trocamos alguns. Tudo contou com a colaboração das pessoas que realmente vivem naqueles ambientes. Isso imprime na película. Faz toda diferença, pois transmite honestidade”, explica Fred. A veracidade do trabalho de Fred e sua equipe é tamanha que os cenários reais se confundem com a composição de cores e objetos escolhidos especificamente para o filme. “Esta é a magia do cinema. Por mais documental que tudo pareça, há sim uma direção de arte que pensou uma composição visual para o filme, que é um longa bonito de ser visto. Está tudo muito difuso e, ao mesmo tempo, muito bem disposto.” Cada cena foi muito bem estudada e a escolha das cores, dos objetos e dos cenários ocorria em função da emoção do personagem no momento. Eram feitos recortes no real para que fosse utilizada, por exemplo a parede com a melhor textura, com a melhor cor e que estas refletissem a situação daquele personagem naquele momento específico. Fred Pinto e sua equipe foram costurando, pouco a pouco, uma colcha de retalhos na qual cada retalho era o universo de cada personagem. Figurino - Cristina Camargo Cris Camargo atualmente mora em Portugal e tem se dedicado a produções desse país. Ela acaba de realizar o longa Dot.com, de Luís Galvão Teles. Mas Cris tem experiência de sobra no cinema brasileiro. A figurinista foi responsável pelo guardaroupa de produções que são exemplo de excelência. Seu primeiro trabalho para a telona foi com Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles. Em seguida, vieram Central do Brasil (1998), de Walter Salles, O Primeiro Dia (1998), de Walter Salles e 22 DanielaThomas; Narradores de Javé (2003), de Eliane Caffé, Carandiru (2003), de Hector Babenco, Cidade Baixa (2005), de Sérgio Machado, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. Antes de trabalhar no mercado cinematográfico Cris fez produção de moda para a revista Elle e foi responsável pelo guarda-roupa dos DJs da recém-inaugurada MTV. Em Querô, a colaboração dos garotos do elenco e da comunidade da Baixada Santista foi crucial para a composição realista do figurino do filme. "Querô, mesmo tendo certas cenas, ambientes e figurinos que remetem aos anos 70, quando Plínio escreveu o livro, é um filme atual. Isso de certa forma facilita o trabalho, pois a busca está na rua, no dia-a-dia das pessoas. Por outro lado, ser um filme tão atual e verdadeiro, quase documental, aumenta a responsabilidade. Era preciso estar atento para que nada que os personagens usassem parecesse alegórico”, conta Cris, que foi buscar nas casas, nos guarda-roupas dos garotos-atores e de suas famílias o material e a inspiração para seu trabalho. “Os garotos no filme freqüentam a Febem, as ruas, os rincões da periferia santistas. Os adultos são policiais, prostitutas, gente humilde. Todo este vestuário tinha de ser cinematográfico e real ao mesmo tempo. Foi um desafio. Mas um desafio delicioso”. Trilha Sonora - André Abujamra André Abujamra é um dos músicos com mais experiência em trilhas sonoras do cinema brasileiro. Querô é seu mais recente trabalho no cinema. “Fui convidado para fazer apenas a música final dos créditos do filme, mas acabei me apaixonando tanto pelo filme que, no final, fiz várias intervenções musicais. Este é um projeto que tem muita força e que me surpreendeu muito”, comenta Abujamra, que já assinou a trilha sonora de longas-metragens premiados como Carandiru, Os 12 Trabalhos, Durval Discos, Bicho de Sete Cabeças, Ação Entre Amigos, entre outros. Para Querô, Abujamra buscou criar uma trilha que acrescentasse elementos narrativos a uma história já forte e dramática por sua própria origem. “Eu tentei ser o mais econômico possível. Tentei não perturbar o tom documental e realista que o filme já tinha. Esta é uma das grandes forças da história e eu quis manter e ressaltar isso com a trilha, em vez de criar um clima artificial. Acho que consegui.”, Produção - Caio Gullane, Débora Ivanov e Fabiano Gullane O desejo de Carlos Cortez de fazer um filme honesto que retratasse a realidade do abandono tal como fez Plínio Marcos permeou toda a produção executiva do projeto. Segundo o produtor Caio Gullane “ o Carlão sempre quis extrair a essência que a cidade de Santos oferecia. Quis aproveitar ao máximo o potencial que Plínio Marcos já havia enxergado em ambientes que muitas vezes mal paramos para perceber que existem” Do ponto de vista da produção, esta interação entre a cidade e filme começou muito antes das filmagens. “O Carlão já utilizou a cidade como ponto de partida do roteiro. Foi lá que o escreveu e utilizou sua atmosfera como laboratório. Em vez de recrutar jovens atores em grupos teatrais, preferimos buscar o talento dos garotos da Baixada 23 Santista. Em vez de construir cenários, fomos buscar nas entranhas da cidade os cortiços, vielas, armazéns e ruas as locações ideais para a história acontecer”, comenta Débora Ivanov. Toda a cidade se tornou parceira do filme. “Criamos uma estrutura que pudesse atender às necessidades de toda a equipe. E isso significou apresentar o projeto e negociar não só com os poderes formais da cidade, como prefeitura e secretarias de cultura, mas também com os poderes informais, como as associações de bairro, associações de moradores de cortiços, moradores e comerciantes locais. Foi uma verdadeira expedição. Definimos nosso foco e partimos para a ação de campo como faríamos em qualquer outro filme. A diferença é que a cidade também se apaixonou pelo projeto.”, conta Caio Gullane. Mais que um método, a produção de Querô exigiu dos profissionais soluções dignas de um processo experimental. Em vez de buscar patrocínio em empresas convencionais, a equipe buscou parcerias com pólos locais de produção. Neste ritmo, até o Porto de Santos entrou para o projeto. “Saber observar as potencialidades locais também está aí, na capacidade de perceber que empresas que não estão necessariamente ligadas ao cinema podem investir na área cultural. Foi um processo vivo, que foi sendo constantemente aprimorado e adequado com os desafios que iam aparecendo”, conta Débora. Este processo de experimentação deu tão certo que as Oficinas Querô não se encerraram com o fim das filmagens. “Muito pelo contrário. Já formamos outras duas turmas. Alguns garotos trabalharam conosco em outros projetos. Outros estão trabalhando em Santos em produtoras. E estamos ajudando outros a montarem uma produtora própria”, conta Caio. “Até prêmios em festivais, como o Curta Santos, eles ganharam. E suas produções têm sido muito bem recebidas. Para nós, é a coroação de um projeto de vida”, conclui Débora. Gullane Filmes Criada em 1996, pelos irmãos Caio Gullane e Fabiano Gullane, é atualmente uma das mais ativas empresas do audiovisual brasileiro. Nos últimos anos foi responsável por produções de grande sucesso em crítica e público no Brasil e no exterior. Entre os filmes produzidos ou co-produzidos pelos irmãos Gullane estão Bicho de sete Cabeças, Carandiru, Nina, Benjamim, Narradores de Javé, entre outros. Com projetos diferenciados para cinema e televisão, que variam de acordo com o porte, a mídia e o público alvo, a Gullane Filmes tem como principal desafio agregar às suas produções a máxima qualidade artística e técnica, para garantir o sucesso comercial e o retorno para parceiros e investidores. Em 2006, realizou O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, premiado filme de Cao Hamburguer, que retrata o Brasil dos anos 70 sob os olhos de um garoto de 12 anos e representou neste ano o Brasil na competição do Festival de Cinema de Berlim. Em 2007 lançou o documentário O Mundo em Duas Voltas, e atualmente prepara o lançamento do Querô. No segundo semestre, a Gullane Filmes lançará O Magnata, filme com argumento de Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr. e no inicio de 2008 24 será lançado Chega de Saudade, segundo filme de Laís Bodanzky, a premiada diretora de Bicho de Sete Cabeças. Outro projeto em pós-produção é a parceria com a Olhos de Cão Encarnação do Demônio, o novo filme de José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, com lançamento previsto para 2008. Em parceria com a Warner Bros, a Gullane Filmes está desenvolvendo os longametragem Mano, inspirado na coleção de livros infanto-juvenis de Gilberto Dimenstein e Brincante, com a direção de Walter Carvalho, a fascinante história de Tonheta, o caixeiro viajante que consagrou Antônio Nóbrega nos palcos. Este ano a Gullane Filmes marca também o estreitamento de suas relações internacionais com a realização de uma co-produção com a Itália e outra com a China. Se tratam de dois projetos dirigidos por importantes diretores consagrados nos principais festivais do mundo, Marco Bechis, Itália e Yu Likwai, China. No entanto, a Gullane Filmes não se restringe apenas a projetos para o cinema. Em Junho iniciou as filmagens de uma série de ficção para a HBO e está desenvolvendo um telefilme para o canal SONY. Engaja-se ainda no desenvolvimento social por meio das Oficinas Querô, um projeto apoiado pelo Unicef e Fundação Abrinq que promove a inclusão social de adolescentes através de cursos de cinema na Baixada Santista. Downtown Filmes A Downtown Filmes é uma empresa independente de distribuição, com proposta de oferecer ao público, filmes de todas as nacionalidades e das mais diversas temáticas, estilos e gêneros. Entre as diferentes cinematografias, o produto brasileiro, que nos últimos anos tem conquistado um número cada vez maior de espectadores, ocupa lugar de destaque na carteira de lançamentos da distribuidora. 25 Oficinas QUERÔ A realização de oficinas de preparação de atores com os jovens santistas teve tamanha repercussão positiva na comunidade que até hoje a Gullane Filmes, com o apoio do Unicef, da prefeitura de Santos, do SESC e da Unisantos, mantém atividades educativas no local. "Muitos dos meninos que participaram e participam destas oficinas eram taxados como ‘figuras perigosas’. Hoje, eles são reconhecidos na rua como talentos. Eles têm uma garra incrível, uma força de vontade que normalmente é desperdiçada. Foi um sonho poder, ao menos, despertar e aproveitar o talento destes meninos", comenta Cortez. Débora Ivanov completa: "Este trabalho despertou os garotos para novas perspectivas. Depois de encerradas as filmagens de Querô, realizamos uma nova série de oficinas que ensinam o ‘ofício cinematográfico’ a eles. Deu tão certo que o primeiro curta produzido por eles foi premiado no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e ganhou o prêmio da crítica no Festival de Curtas de Santos, e foi selecionado para o Festival de Curtas do Rio de Janeiro. Já estamos na quarta edição das oficinas e um quarto curta-metragem já está sendo produzido." Além disso, vários garotos passaram a exercer o ofício aprendido em produtoras, cinemas e centros culturais. “Eles não conseguiram só aprender e se divertir. Eles estão conseguindo se inserir num mercado de trabalho tão competitivo como o nosso hoje em dia. Isso é muito bom. Estamos ajudando um grupo a montar sua própria produtora. Nós não damos nada de mão beijada para eles. Nós damos o estímulo, ensinamos, passamos a experiência. E eles começam a caminhar sozinhos. É a parte mais gratificante de todo o processo”, conta Cortez. 26 Patrocínio Máster MRS Porto de Santos Tecom Comgás Prefeitura Municipal de Santos Participação Funcine / RB1 Cinema BNDS / Rio Bravo / Aracruz Patrocínio Libra Terminais Eletrobrás Infraero Programa de Fomento ao Cinema Paulista – Santander Banespa / CPFL / Sabesp Apoio Ministério da Cultura – Lei de Incentivo à Cultura Ancine – Lei do Audiovisual Apoio Institucional Unicef Fundação Abrinq Brasil um País de Todos Ancine Produtores Associados Estúdios Mega Mega Color Locall Produção Gullane Filmes Co-produção Fonds Sud Cinema Caravan Pass (França) Roma Film (Itália) Distribuição Downtown Filmes 27