apresenta
Um filme de Carlos Cortez
Baseado em obra de Plínio Marcos
Apresentando Maxwell Nascimento
Com Ailton Graça e Milhem Cortaz
e quarenta adolescentes da região portuária de Santos
participação especial de Maria Luisa Mendonça e Ângela Leal
Uma produção Gullane Filmes
Co-produção com Caravan Pass (França) e Roma Film (Itália)
Distribuição Downtown Filmes
www.queroofilme.com.br
1
Índice
Elenco......................................................................................................................pág. 3
Equipe.....................................................................................................................pág. 4
Festivais e Prêmios ................................................................................................pág. 5
Apresentação..........................................................................................................pág. 6
Sinopse..................................................................................................................pág. 10
Diretor......................................................................................................... ..........pág. 12
Plínio Marcos.........................................................................................................pág. 16
Elenco....................................................................................................................pág. 18
Roteiro e dramaturgia............................................................................................pág. 25
Preparação de elenco...........................................................................................pág. 29
Montagem...............................................................................................................pág.29
Fotografia..............................................................................................................pág. 30
Dir. de Arte............................................................................................................pág. 31
Figurino..................................................................................................................pág. 32
Trilha Sonora.........................................................................................................pág. 33
Produção...............................................................................................................pág. 33
Distribuição............................................................................................................pág. 37
Oficinas Quero.......................................................................................................pág. 38
Parceiros...............................................................................................................pág. 39
Assessoria de Imprensa
F&M ProCultura (Flávia Miranda, Renata Lima e Margarida Oliveira)
[email protected] ; [email protected] e [email protected]
Telefone: (11) 3263-0197
Primeiro Plano Comunicação (Anna Luiza Muller e Ana Roditi)
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Downtown Filmes (Vitor Brasil)
[email protected]
Telefone: (21) 2106-6999
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Elenco
Maxwell Nascimento................................................................................................Querô
Maria Luisa Mendonça...............................................................................Mãe de Querô
Ângela Leal ........................................................................................................... Violeta
Ailton Graça.........................................................................................................Brandão
Milhem Cortaz..................................................................................................Seu Edgar
Claudia Juliana......................................................................................................... Gina
Eduardo Chagas................................................................................................... Sabará
Eliseu Paranhos........................................................................................................Naná
Giulio Lopes...................................................................................................... Delegado
Silvia Lourenço..............................................................................................“Autoridade”
Igor Maximiliano.................................................................................................... Tainha
Leandro Carvalho de Oliveira.............................................................................. Bolacha
Nildo Ferreira......................................................................................................... Mosca
Alessandra Santos..................................................................................................... Lica
Equipe
Roteiro e Direção........................................................................................Carlos Cortez
Direção de Fotografia.............................................................. Hélcio Alemão Nagamine
Direção de Arte........................................................................................ Frederico Pinto
Montagem........................................................................................... Paulo Sacramento
Preparação de Atores......................................................................... Luiz Mario Vicente
Produzido por........................................... Caio Gullane Débora Ivanov Fabiano Gullane
Colaboração no Roteiro.............................................. Braulio Mantovani Luiz Bolognesi
Dramaturgia........................................................................................... Christiane Rieira
Produção de Elenco......................................................... Tammy Weiss Samantha Rillo
Figurino................................................................................................. Cristina Camargo
Maquiagem ..................................................................................................Gabi Moraes
Som Direto..................................................................................................... Louis Robin
Desenho de Som......................................................................................... Ricardo Reis
Trilha Sonora.......................................................................................... André Abujamra
Mixagem................................................................... Armando Torres Jr. e Ricardo Reis
Direção de Produção..........................................................................................Rui Pires
Coordenação de Pós-Produção.............................. Alessandra Casolari e Patrícia Nelly
Coordenação de lançamento.........................................Manuela Mandler e Fred Avellar
Coordenação Executiva....................................................................... Sônia Hamburger
Drama - Brasil – 2006 – 90 MIN - Dolby Digital – 1:1,85
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Festivais e Prêmios
39º. Festival de Brasília de Cinema Brasileiro
Melhor Ator
Melhor Roteiro
Melhor Direção de Arte
Melhor Som
14º. Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá
Melhor Filme
Melhor Ator
Melhor Direção
Melhor Roteiro
Melhor Direção de Arte
Melhor Produção
17º. Cine Ceará: Festival Ibero-Americano de Cinema
Melhor Longa-metragem
Melhor Ator
Melhor Montagem
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Sinopse Curta
Filho de uma prostituta, Querô é um adolescente pobre e órfão, que vive sozinho na
região portuária de Santos. Achando-se dono do próprio destino, Querô não se dobra
à disciplina opressora da Febem, ao jogo fácil do tráfico de drogas e, muito menos,
aos policiais corruptos que o perseguem.
Sinopse longa
Querô é um adolescente pobre que vive na região portuária de Santos. Fora da escola
e sem perspectiva de futuro, Querô acaba atrás das grades da Febem.
Lá vive o regime cruel, imposto pelo monitor carrasco, Seu Edgar. Sofre também
muitas humilhações dos próprios internos. Também lá, numa cela imunda,
compreende a atitude da mãe, uma prostituta de beira de cais que se suicidou no dia
em que ele nasceu. Tudo alimenta mais seu ódio e desejo de vingança. Até o dia em
que ele foge.
Fora da Febem, Querô tenta levar uma vida normal e se apaixona por Lica, sua
redenção. Mas o passado ainda o persegue.
Sabará, um policial corrupto, ameaça mandá-lo de volta para Febem, caso Querô não
se disponha a pagar um “pedágio” por sua liberdade.
Sem saída e frustrado por não poder ser a pessoa que Lica vê nele, Querô parte para
o tudo ou nada.
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Apresentação
Baseado no romance Querô – Uma Reportagem Maldita, escrito pelo dramaturgo
Plínio Marcos na década de 70, o filme conta a saga de Jerônimo, um garoto
abandonado que vive na zona portuária de Santos. Querô marca a estréia de Carlos
Cortez na direção de longas-metragens de ficção.
De forma humana, Querô retrata a solidão em que vive este garoto largado à própria
sorte. O filme é resultado de um longo processo de trabalho de Cortez e da produtora
Gullane Filmes, que apostaram não só na força e na atualidade da história, mas
também na riqueza dos cenários que a cidade de Santos oferece e no talento de
jovens que vivem na mesma região retratada por Plínio em seu romance.
Plínio Marcos costumava dizer sobre seus personagens “que nem Deus olha por eles”,
e em condição sub-humana, o “dramaturgo maldito” pedia para que dessem tudo de
mais humano que eles tinham na alma. Querô é a expressão máxima dessa literatura
pliniana.
O filme aborda valores humanos, como a dura experiência do abandono. Os
relacionamentos frágeis que se rompem conforme os interesses imediatos e o
isolamento provocado pela exclusão. Aborda também o inconformismo do
personagem principal pelo fato de se sentir empurrado para uma condição que ele não
escolheu, para uma realidade dura e inevitável. Situação que muitos jovens brasileiros
experimentam e a qual tentam reagir de diversas maneiras, algumas violentas.
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Através da sua luta solitária e desesperada para ser tratado como gente, Querô vai
emocionar e discutir de forma humana e solidária a condição de muitos jovens
brasileiros condenados ao abandono.
Para viver esta história, o diretor Carlos Cortez optou por trabalhar com adolescentes
que conheciam de perto essa realidade. Eles não só atuaram no filme como
participaram do processo de criação do roteiro. “Existia um roteiro, muito bem
estruturado com a colaboração de Bráulio Mantovani e do Luiz Bolognesi, que contou
inclusive com a recomendação do Sundance Institute, mas eu resolvi não partir do
roteiro, e sim, através de improvisações com os meninos, chegar ao roteiro” comenta
Cortez. A formação do elenco foi um capítulo à parte na composição do longametragem. Para encontrar o protagonista, seus amigos e companheiros da Febem, a
equipe de seleção de elenco saiu a campo pelas escolas, casas, cortiços e ruas de
Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá. Foram realizados testes com mais de 1200
meninos de 12 a 21 anos. Destes, cerca de 200 freqüentaram oficinas testes
coordenadas pelo preparador de atores Luiz Mario Vicente. 40 adolescentes foram
selecionados e passaram a freqüentar oficinas de interpretação e integraram o elenco
oficial de Querô.
“Eu também queria dar voz e visibilidade a um grupo de jovens que, na maioria, são
praticamente invisíveis em sua própria comunidade", declara Cortez, que está feliz em
ter conseguido também cumprir esta tarefa.
Após este extenso processo, o elenco final dos garotos contou com Maxwell
Nascimento para viver o papel de Querô. Para contracenar com estes jovens, o filme
teve a participação de atores tarimbados como Maria Luisa Mendonça (Mãe de
Querô), Ângela Leal (Violeta), Ailton Graça (Brandão) e Milhem Cortaz (Seu Edgar). O
longa tem ainda a participação de Claudia Juliana, Eduardo Chagas, Eliseu Paranhos,
Giulio Lopes e Silvia Lourenço.
O trabalho com os jovens santistas teve tamanha repercussão positiva na comunidade
que até hoje a Gullane Filmes, com o apoio da prefeitura de Santos, do SESC e da
Unisantos, mantém oficinas e atividades educativas no local. Pela relevância social, o
projeto Querô mereceu o apoio do Unicef e da Comissão de Direitos Humanos da
OAB.
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O Diretor - Carlos Cortez
Carlos Cortez iniciou sua carreira como roteirista e durante 10 anos trabalhou nas
melhores produtoras de São Paulo. Paralelamente escreveu e dirigiu inúmeros
documentários abordando questões sociais e culturais de sua cidade, o que lhe
conferiu prêmios como “melhor filme” no Festival Internacional de Documentários It’s
All True, além de importantes prêmios nos festivais de Brasília e Gramado. Como
documentarista destacam-se entre seus trabalhos, Seu Nenê da Vila Matilde e
Geraldo Filme, projetos sobre a origem do samba paulista e sobre os compositores
que construíram essa história. Querô é o primeiro longa-metragem de ficção de Carlos
que foi recomendado pelo próprio Plínio Marcos para transportar sua obra para ao
cinema. O filme foi reconhecido pelos festivais em que passou faturando 13 prêmios
incluindo melhor roteiro, melhor direção e melhor filme.
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Palavra do Diretor
Lavei a alma. Realizei vários sonhos.
Primeiro queria ir fundo nos sentimentos daquele adolescente solitário que vive nas
quebradas do porto de Santos e que eu já conhecia através da obra do Plínio, mas
queria conhecer mais.
Queria conhecer os armazéns onde ele ás vezes dormia, o cortiço onde ele morou, as
amizades que ele criou, o amor que apareceu e tudo que cerca a vida de um
adolescente sem perspectiva como o Querô. O processo de preparação dos atores, a
preparação do filme e as filmagens me permitiram tudo isso.
Depois queria trabalhar com o roteiro em aberto. Tinha um roteiro muito bem discutido
e elaborado com a colaboração do Luiz Bolognese e o Bráulio Mantovani, além das
incansáveis discussões com a Chris Riera, mas eu queria que o elenco chegasse no
roteiro e não partisse dele. O Luiz Mário me ajudou e conseguimos realizar esse
sonho com muita tranqüilidade.
Queria trabalhar com jovens não-atores por dois motivos: primeiro trazer para o filme
uma verdade que o filme precisava; segundo dar visibilidade a um grupo de
adolescentes, a maioria, invisíveis na sua própria cidade. Conseguimos os dois. O
filme trás a verdade dos cortiços, do porto, da FEBEM e o grupo de 40 atores jovens
vê o filme como um poderoso instrumento de discussão de uma realidade que muitos
conhecem de perto e que precisa ser modificada. Muitos deles que eram vistos como
“menores perigosos”, hoje são reconhecidos na rua como talentos.
Queria filmar no Porto, boates e bares da região e com o apoio das autoridades e de
muita gente dos cortiços e das quebradas onde filmamos, conseguimos.
480 pessoas participaram como figurantes do filme, a maioria moradores dos cortiços
do centro. E a colaboração se estendeu seja emprestando seus quartos para usarmos
como set de filmagem, seja trocando com a equipe de arte, moveis, utensílios, cortinas
e objetos pessoais para fazer parte dos cenários seja até garantindo o silêncio de
lares, bares, porto e até ponto de drogas para que pudéssemos filmar com um som
limpo.
Queria uma direção de arte e fotografia que seguisse a emoção do personagem
principal, mas também trouxesse a naturalidade que o filme pedia. É consenso que o
trabalho do Fred e Alemão só falta ter cheiro.
Queria também uma montagem que respeitasse o tempo das ações e que transmitisse
a delicadeza que o filme tem, mesmo dentro de uma realidade dura. O Paulo
Sacramento soube entender isso no primeiro contato com o material e o filme transita
do duro ao delicado com muita sensibilidade.
Por fim queria que o filme fosse produzido por produtores corajosos que abraçassem
esse projeto com alma e coragem foi o que não faltou na Gullane Filmes e em toda
equipe que ajudou a contar essa história.
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Como surgiu a idéia e a vontade de levar Querô para as telas?
Muitos me perguntam: porque fazer Querô? É simples, eu queria fazer um filme sobre
abandono. Porque abandono é uma experiência universal. Todo mundo tem medo de
viver sozinho, todo mundo tem medo de acabar sozinho. Eu queria tratar desse
assunto e achava muito bonito a forma com que o Plínio tratava no Querô. É óbvio que
queria também discutir a questão dos adolescentes no Brasil. Pegar um cara que não
está no tráfico, mas também não está na escola, não está trabalhando, não está em
lugar nenhum. O Querô é um cara assim
Qual a sua impressão do texto de Plínio e da sua linguagem?
O Plínio viu o abandono de uma forma única. Muitos criticavam seu modo de escrever,
já eu costumo dizer que cada texto do Plínio é emoção, é trama em forma de pílula,
um negócio absolutamente concentrado. Você começa a ler e aquela coisa explode na
sua frente, então cada leitura que você fizer vai explodir de um jeito novo.
Ao transpor uma obra literária para o cinema, são necessárias adaptações para
o novo meio. Como foi fazer a releitura de Querô? Como adaptá-lo para que se
comunique com o momento presente?
O cinema é outra linguagem, mas como toda forma de arte tem o papel de cuidar da
alma e também tem a responsabilidade sobre aquele momento histórico em que é
realizado. No Brasil as pessoas enxergam com muito fascismo essa questão da
juventude. Quando os meios de comunicação discutem essa questão, discutem para
pedir maioridade aos dezesseis anos, discutem para pedir mais repressão, é muito
fascista. Eu acho que o cinema tem que discutir isso de uma forma mais humana,
mais profunda, com mais cuidado. Esse é um papel que o cinema também tem. O
Plínio discutia o Querô com bastante sensibilidade, com bastante solidariedade, com
bastante seriedade.
O que fez você abraçar o projeto? O que fez você optar por retratar esse
momento atual através de uma história de Plínio Marcos?
Eu acho que o que me fez abraçar o projeto, abraçar essa história do Plínio, foi o fato
de que ninguém viu com tanta solidariedade, com tanta humanidade, com tanta
delicadeza esse universo como o Plínio Marcos viu. O pessoal, que como ele mesmo
dizia, o pessoal que nem Deus olha por eles, o pessoal que vive lá no lugar onde o
vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos. E ele conseguia ver tudo com uma
ternura e humanidade que é espantosa e interessante resgatar. Esses foram, mais ou
menos, os motivos que me levaram a embarcar nessa de fazer Querô.
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O autor e sua obra - Plínio Marcos
Palhaço, vendedor, funileiro, encanador, jogador de futebol, humorista, ator,
dramaturgo, tarólogo, escritor. O santista Plínio Marcos fez de tudo um pouco. Mas foi
como dramaturgo e escritor que encontrou seu ofício e ficou internacionalmente
conhecido como o autor responsável por levar para os palcos o universo marginal da
sociedade brasileira. Plínio abordou como poucos, usando com propriedade a
linguagem autêntica dos personagens excluídos que viviam na carne a violência do
submundo, temas tabus como machismo, drogas, exclusão social, abandono, crime,
estupro, prostituição, exploração.
Nascido em Santos, em 1935, e falecido em São Paulo, em 1999. Na adolescência,
para conquistar uma garota por qual estava apaixonado, entrou para o circo. Por
vários anos foi o palhaço Frajola, personagem que levou para a TV-R de Santos e por
qual foi apontado como o "o cômico mais querido da cidade". Mas sua formação
cultural se revolucionou quando, em 1958, conheceu a escritora Patrícia Galvão, a
Pagu, que precisava de um ator para a peça infantil Pluft, o Fantasminha, peça infantil
da qual era produtora. Pagu lhe apresentou os principais intelectuais da época e o
introduziu à obra de mestres do teatro mundial.
Plínio contava que, até escrever sua primeira peça, Barrela (em 1958), nunca havia
pensado em ser dramaturgo. Escreveu depois de ficar profundamente chocado com
uma notícia de um rapaz que havia sido estuprado na prisão. A peça causou furor na
época e o elevou ao nível de ‘gênio teatral’, digno de ser comparado a Nelson
Rodrigues.
A partir de Barrela (levada para o cinema por Marco Antonio Cury em 1990), Plínio
estava decidido a ser dramaturgo. Escreveu incessantemente e criou obras-primas
como Dois Perdidos Numa Noite Suja (1966), que foi adaptada para o cinema por Braz
Chediak em 1970 e José Joffily em 2002; Navalha na Carne (1967), que também foi
levada às telas por Braz Chediak, em 1969; e por Neville D`Almeida, em 1997; O
Abajur Lilás (1969), Oração Para Um Pé-de-Chinelo (1969) entre outros.
Após 1968, Plíno Marcos não conseguia mais encenar. Até mesmo peças que já
haviam sido apresentadas em diversas ocasiões foram barradas pela censura. Passou
a ser taxado como dramaturgo maldito pois suas palavras desestruturavam a lógica da
ditadura. Querô - Uma Reportagem Maldita surgiu assim, em uma época em que
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encenar era impossível. Plínio colocou nas páginas de uma novela as figuras e
histórias que gritavam para serem contadas. Achou na literatura narrativa a saída para
continuar a retratar e denúnciar as mazelas que via pelas “quebradas” de Santos.
Querô – Uma Reportagem Maldita foi escrito em 1976 e adaptado para o teatro pelo
próprio Plínio em 1979. Antes de Carlos Cortez, Reginaldo Faria já havia, em 1977,
contado no cinema a história do garoto, em um longa-metragem que, em vez de
Querô, levou o nome de Barra-Pesada.
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Elenco
Maxwell Nascimento (Querô)
Max e os companheiros de set não conseguiam esconder a imensa alegria que
sentiram quando foi anunciado o prêmio de Melhor Ator do Festival de Cinema de
Brasília 2006: Maxwell Nascimento. O prêmio não era só um reconhecimento à
atuação individual do jovem ator, mas a todo um processo de amadurecimento dele e
de todos os garotos.
Felizmente, a infância de Max foi muito mais saudável que a de Querô. Apesar de
interpretar um garoto abandonado, Maxwell Nascimento, o Max, é um garoto que tem
seus pais presentes. Ele tomou o primeiro contato com a produção do filme quando
jogava futebol em sua escola. "Eu vi a Tammy (Weiss, produtora do elenco jovem do
filme) conversando com um amigo. Achei a história de fazer um filme na Baixada meio
estranha, mas não tinha mesmo nada para fazer e arrisquei. Foi a melhor coisa que eu
podia ter feito. Eu já tinha tirado o ano de 2005 (ano em que o filme foi rodado) para
não fazer nada, estava indo mal na escola. Depois de entrar para as oficinas, até aula
particular eu comecei a fazer", conta o garoto, que nunca tinha visto um filme nacional
no cinema. Para viver Querô, Max não precisou buscar inspiração em uma realidade
distante. Acostumado com a violência de seu próprio bairro, o garoto é prova real da
vitalidade dos jovens que são obrigados a conviver com o crime desde sempre. "Eu vi
amigos meus serem presos, alguns até foram mortos. Quando vejo os meninos irem
parar na Febem, penso que tive muita sorte. Minha mãe deu Graças a Deus que entrei
para o filme", declara ele, que cresceu querendo ser jogador de futebol. "Mas agora eu
quero ser ator" afirma Max que além de vencer como melhor ator no Festival de
Brasília, arrebatou prêmios no Festival de Cinema de Cuiabá e no Cine Ceará.
Segundo o garoto, o processo das Oficinas foi intenso, eram horas puxadas de
exercícios, mas tudo valeu a pena, pois aprendeu bastante e até quebrou alguns
preconceitos e tabus em relação ao corpo e a afetividade, “Na minha vida sempre
rolou um preconceito de homem tocando no outro, se abraçando, mas nas oficinas,
nas aulas de expressão corporal, a gente vai vendo que tudo isso é besteira. A gente
vai quebrando os nossos preconceitos e vai aprendendo a conviver com gente
bastante diferente”.
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Qual foi o momento mais marcante das oficinas?
Pra mim o momento mais marcante foi no último dia das oficinas quando estava o
grupo inteiro, os quarenta garotos, todos juntos recebendo o certificado. No começo
ninguém conhecia ninguém e naquele dia estava todo mundo junto, um chamando o
outro pelo apelido cada vez que alguém ia pegar o certificado. No começo ninguém
acreditava que a gente ia se tornar um grupo e no final a gente se tornou mais que um
grupo, a gente se tornou uma família. Foi um momento muito importante pra mim e
acho que pra todos os garotos. E esse certificado também significava que a gente era
vencedor, porque a gente batalhou bastante pra estar ali, pra chegar nesse momento.
Qual o exercício que mais te marcou?
Foi o exercício de “Bio”, um exercício que a gente fazia de dançar e de soltar o corpo.
Porque no começo das oficinas estava todo mundo muito duro e no final todo mundo
estava bem solto. O exercício entrou totalmente no corpo da gente e a gente entrou de
cabeça nesse exercício também. Outro que eu gostava bastante era de interpretação,
onde um podia jogar com o outro nas improvisações.
Qual foi o maior desafio durante todo o processo de filmagem? Quais foram as
cenas mais difíceis, que te desafiaram mais?
Acho que foi entrar na cena. Porque a gente acordava às quatro da manhã, então para
entrar na cena era mais difícil. Mas sempre dava certo. Agora, a cena mais difícil acho
que foi a curra, porque era bem chocante. Até para os garotos que estavam fazendo
essa cena comigo foi a mais chocante porque a gente era colega, todo mundo era
amigo e a gente precisava se transformar. Uma cena difícil também foi a cena com a
Lica, a cena do beijo, porque ela foi trocada sete vezes no dia, então a gente tinha que
correr atrás. Mas o Luiz sempre ajudava a gente e a gente batalhava e conseguia
fazer.
E como foi trabalhar com os atores profissionais?
Eu aprendi bastante com eles, principalmente com o Milhem que conviveu com a
gente durante os ensaios. Ele sempre dava dicas pra gente de como entrar na cena,
como sair da cena. Foi uma experiência bacana poder atuar do lado deles, nunca
imaginei poder atuar com esses grandões. Eu aprendi muito com eles.
Qual foi o momento mais marcante da filmagem?
Tiveram tantos momentos marcantes, mas acho que o mais marcante foi o momento
da reza do último dia. A gente sempre fazia um tipo de reza antes e depois das cenas
e nesse dia a gente juntou toda a equipe e o elenco e todo mundo fez a reza junto. Foi
uma forma legal de fechar esse último dia de filmagem.
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Maria Luísa Mendonça (Piedade)
Querô é filho de Piedade com o abandono. Prostituta do cais do porto, Piedade é a
figura mítica para um garoto que nunca conheceu um colo materno, pois esta o
abandona logo que nasce. Apesar de amar seu filho e manter-se firme até seu
nascimento, a frágil Piedade sucumbe diante do desespero de ser posta para fora do
bordel onde trabalhava no dia em que dá à luz ao bebê Jerônimo. Sem saída, ela
encontra um destino trágico e deixa seu filho nos braços do abandono.
Quem dá vida a esta personagem tão mítica e, ao mesmo tempo, tão real é a atriz
Maria Luísa Mendonça. Dona de um currículo cinematográfico invejável, com trabalhos
como Quem Matou Pixote?, Carandiru, Jogo Subterrâneo, e o ainda inédito O
Magnata , Maria Luísa ficou conhecida pelo público na novela Renascer e desde então
fez diversos trabalhos na telinha dentre eles Engraçadinha, A Muralha, Os Mais, Um
Só Coração, Senhora do Destino e a minissérie da HBO, Mandrake.
A atriz conta que encontrou em Piedade um grande desafio. “Ela é uma mulher muito
complexa. Apesar de ter uma participação em cena muito breve, permeia toda a ação
do filme e a vida de Querô. Não foi fácil encontrar o equilíbrio entre o caricato que uma
prostituta pode oferecer para uma atriz e a figura real e humana que ela era”, conta a
atriz, que encarou cenas de arrepiar. “No início, o pessoal da equipe chegou a se
questionar como seria a cena em que eu teria de ser colocada em um caminhão do
IML. Realmente, vou confessar, foi arrepiante me deitar naquela caixa gelada,
totalmente maquiada como um cadáver. Mas eu consegui e, no fim, valeu a pena.
Tenho muito orgulho da Piedade”, relata a atriz, que destaca a união do grupo como
fator crucial para seu trabalho. “Seria outra personagem, outra atuação e outro filme se
nossa equipe não fosse tão coesa. Desde a direção sempre delicada do Carlão até os
ensaios com o Max, um garoto que demonstrou desde sempre ter muita competência
e segurança, até mesmo com os caminhos percorridos pela cidade. Tudo conspirou a
favor. Andei muito pelas ruas da região onde a história se passa. E era uma sensação
tão forte. Era como se eu sentisse a presença da Piedade. Como se visse em tantas
outras aquela mulher de vida tão trágica, que, num ato de desespero, dá um grito de
socorro, mas também abandona seu filho à própria sorte”.
Ailton Graça (Brandão)
“Brandão é um brasileiro típico, comum, com tudo de bom e de ruim que isso possa
significar”, diz o ator Ailton Graça, que dá vida a este personagem crucial para o
desfecho da saga do garoto Querô. “Ele é um cara gente boa, engraçado, que adora
fazer piada, rir com e dos outros. Mas que também é rude, que vive na miséria em que
muitos brasileiros também vivem. Para sobreviver, às vezes se torna até animalesco.
E estas explosões acabam atingindo o ainda inexperiente Querô.”, continua o ator que
foi revelado no cinema em Carandiru (de Hector Babenco), ganhou a TV com a novela
América e hoje é um dos atores mais queridos do público brasileiro após ter
participado de diversos filmes dentre eles, Meu tio matou um cara, Tapete Vermelho e
Contra Todos e das novelas Cobras e Lagartos e da atual Sete Pecados. “Brandão é
diferente de tudo que eu já tinha feito. Ao mesmo tempo em que quer ser um cara
bacana, respeitado, ele acaba se tornando mais um predador na selva em que vive.
Ele é um estivador que explora os garotos que trabalham no cais do porto. Obriga
muitos meninos a trabalharem para ele. Ele humilha e extorque estes meninos como
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Querô. É complexo e contraditório”, analisa Ailton, que destaca o processo de
preparação para o filme como um dos pontos fortes do projeto. “Para começar, não
havia roteiro propriamente dito, mas sim situações propostas que eram trabalhadas
em equipe nas oficinas e nos ensaios. O Luiz (Luiz Mario, preparador de elenco) nos
propunha uma questão e a desenvolvíamos. Este processo orgânico e dinâmico foi
crucial para a composição do meu personagem e para a integração de todo o elenco.
Fiquei muito feliz com o resultado, tanto do trabalho de ser dirigido pelo Carlão quanto
de ensaiar com atores como Maria Luísa Mendonça e o Max, que estava em pleno
processo de formação. Foi tudo muito rico. Exatamente como acho que o mestre
Plínio, que tão bem soube captar o lado obscuro da sociedade e da alma brasileira,
gostaria que tivesse sido”.
Milhem Cortaz (Edgar)
“O Edgar é o porteiro que virou zelador. É como um pai, e, ao mesmo tempo, carrasco
daqueles meninos. Ele realmente acredita que está educando a garotada. Porque
também foi na base da porrada que ele foi educado”. Assim o ator Milhem Cortaz
define seu personagem em Querô, um truculento inspetor da Febem, que acaba
entrando em uma briga com Querô e é gravemente ferido pelo garoto.
Edgar é, ainda que de viés, a figura paterna e masculina que tanto falta à formação do
menino abandonado em que Querô se transformou. O inspetor trata os garotos de
quem toma conta como se fossem da família, mas, ao mesmo tempo, é extremamente
rude e cruel com eles. “O Edgar é uma somatória de outros personagens que existem
no livro, mas que, na transposição para o cinema, foram condensados em um só. Ele
é um personagem absolutamente humano. Há tantos ‘Edgares’ por aí. Eu sempre
observo que os pobres (pobre sim. E não humildes, porque humildade não tem a ver
com condição social) valorizam muito a noção de família, a dignidade. Algo que nós,
mais favorecidos nem sempre damos tanto valor. Algo que nós já damos como certo”,
comenta Milhem. “Para o Edgar, este emprego não é o melhor do mundo, mas é o
único que ele tem. E ele vai ser o melhor inspetor do mundo, o melhor que puder ser.
Ele é contraditório. Ele realmente vê aqueles meninos como uma extensão de sua
família, mas é incapaz de tratá-los com carinho porque ele tão pouco recebeu isso na
infância. Chega a ser algo como um ser humano em estado puro. Ele e os meninos
formam um só bando de abandonados”, continua o ator, que tem experiência com
personagens outsiders e problemáticos em filmes como Carandiru (de Hector
Babenco)l, A Concepção (de José Eduardo Belmonte), Um Céu de Estrelas (de Tata
Amaral) e, mais recentemente, os ainda inéditos Nossa Vida Não Cabe num Opala (de
Reinaldo Pinheiro), Tropa de Elite (de José Padilha) e Encarnação do Demônio, de
José Mojica Marins.
Ângela Leal (Violeta)
Violeta é, de certa forma, responsável pela desgraça e pela criação de Querô. É esta
dona de bordel da região do Cais do Porto de Santos quem expulsa Piedade, mãe de
Jerônimo (que depois ganha o cruel apelido), logo após ela dar à luz ao garoto.
Ironicamente, é ela quem acolhe o bebê nos braços assim que Piedade é encontrada
morta. Violeta é uma mulher que possui, como todos, seu lado humano e solidário,
mas este lado vem quase sempre soterrado de cinismo e ódio dos tantos sofrimentos
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que o mundo causou em sua alma. “Ela é uma personagem profundamente
contraditória e humana ao mesmo tempo. Ela cria o garoto, mas à base de porrada,
xingamentos e humilhações. Ela demonstra ter carinho e se preocupar com ele, mas
só sabe expressar isso tudo com base na violência. É uma mulher que, para
sobreviver, acabou se masculinizando e se endurecendo”, analisa Ângela, que, até ser
convidada por Carlos Cortez para o papel, estava afastada das telas há tempos. “Eu
estava me dedicando aos meus projetos de ação social e cultural. Eu desenvolvo
atividades exatamente com prostitutas e garotos de rua e sei muito bem como é este
universo. Além disso, sou grande admiradora da obra de Plínio Marcos. Pensei bem e,
claro, a conclusão era de que este era um projeto imperdível”, conta a atriz, que
cresceu em uma região próxima a bordéis. “Quando eu era criança, eu sempre via as
prostitutas que trabalhavam no bairro. Vi este ambiente de muito perto. Então, para
compor a Violeta, eu busquei minhas memórias de infância. Não foi fácil dar vazão a
uma mulher que se torna quase um monstro alimentado pelo enorme rancor que ela
sente das pessoas. Ela acaba se tornando extremamente cruel e exerce toda esta
crueldade em Querô, uma criança que não tem ferramentas para lutar contra isso”.
Além do trabalho cinematográfico, Ângela faz questão de ressaltar o trabalho ‘por trás
das câmeras’ do projeto Querô. “Envolvimento, responsabilidade, participação social é
algo tão raro em nossa sociedade hoje. Todos estão tão apressados e
descomprometidos com suas cidades, suas comunidades. Ver um trabalho como o de
Querô, as oficinas com os garotos, que aprenderam conosco mas também nos
ensinaram muito, é algo extremamente gratificante. Um trabalho que me encheu de
esperança e alegria.”
Recentemente Ângela Leal voltou as telinhas, após um intervalo de seis anos, na
novela Páginas da Vida. Com vinte e sete trabalhos na televisão, entre miniséries e
novelas, a atriz participou de momentos notórios da história da TV brasileira. Entre
seus trabalhos estão Irmãos Coragem, Gabriela, Escrava Isaura, O Bem Amado,
Roque Santeiro, Pantanal e a recente minissérie Chiquinha Gonzaga. No Cinema
participou dos filmes Zuzu Angel (2006), de Sérgio Rezende, Perdoa-me por me
traíres (1980), de Braz Chediak, entre outros.
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Roteiro - Carlos Cortez
Colaboração de Bráulio Mantovani e Luiz Bolognesi
O grande, talvez o maior, desafio de Carlos Cortez ao transpor para o cinema a obra
de Plínio Marcos era manter o caráter de urgência que o autor sempre soube dar a
seus livros. Para isso, era necessário atualizar a trama passada em Santos, mas sem
perder a espontaneidade que o dramaturgo conferiu a seu texto nos anos 70. “Era
necessário que os personagens do filme falassem a linguagem corrente, a língua
falada na periferia, mas com naturalidade, sem que os atores parecessem encenar,
mas sim falar como qualquer pessoa comum”, explica Cortez.
Para que a transposição da obra fosse o mais natural possível, a melhor saída foi
trabalhar com um ‘roteiro em aberto’, ou seja, que os roteiristas trabalhassem com os
atores em busca não só de diálogos genuínos como também da dramaticidade e
veracidade das situações. Os atores, mais que simplesmente desempenhar as ações
do roteiro, passaram a ser co-autores e a dar contribuições valiosas. “Esta foi a melhor
saída. Os garotos, por exemplo, dominam a linguagem que nós não dominamos. E a
usam de maneira natural, pois ela faz parte do cotidiano deles. Eles conhecem
também a realidade em que se passa a história, as situações e as personagens que
permeiam as quebradas de Santos. No início, não foi fácil, pois é um trabalho de
entender tanto as ações criadas por nós para a história assim como a forma com que
estes garotos a desempenhariam em seu dia-a-dia. Aos poucos, os diálogos foram
sendo formados, as situações foram ganhando vida e o roteiro tomando corpo”,
continua o diretor, que contou com a colaboração dos roteiristas Luiz Bolognesi e
Bráulio Mantovani para a elaboração do roteiro. “O trabalho em conjunto foi crucial.
Bráulio e Luiz ofereceram soluções ideais para um roteiro que não deveria perder o
caráter de ‘porrada’ que o Plínio Marcos imprimiu à obra, mas que tinha de ganhar o
frescor e a agilidade de uma história passada nos dias de hoje”, completa Cortez.
A prosa cortante de Plínio Marcos também sofreu uma interpretação de Cortez. “O
Plínio nos dá um verdadeiro soco no estômago em Querô. Não há respiro, não há
redenção. É um livro duro e cruel. Quando o temos na mão, se o baque é muito forte,
pode-se dar um tempo. Deixar a leitura para depois. Já no cinema o fluxo é contínuo.
É preciso dar respiro para o espectador. E isso só foi possível graças aos
contrapontos que encontramos, como trabalhar o drama pessoal do garoto que é
abandonado, sem necessariamente falar só de violência, mas de seu lado mais íntimo,
seus medos, suas frustrações e, até mesmo, suas alegrias e amores”, completa
Cortez.
Luiz Bolognesi
Luiz Bolognesi, um dos mais renomados roteiristas brasileiros da atualidade, é quem
divide a colaboração no roteiro de Querô com Bráulio Mantovani. Com formação em
jornalismo pela PUC São Paulo e em ciências sociais pela USP, Bolognesi foi redator
na Folha de São Paulo e na Rede Globo.
Entre seus vários trabalhos como roteirista, destacam-se os filmes Bicho de Sete
Cabeças; Chega de Saudade; Quatrocentos Contra Um (em preparação); o telefilme
Arouche Palace, da Sony/Gullane; a série Animais do Brasil para a National
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Geographic; o documentários Doutores da Alegria, de Mara Mourão e O Mundo em
Duas Voltas, de David Schürmann
Bráulio Mantovani
Bráulio Mantovani divide a colaboração no roteiro de Querô com Luiz Bolognesi. O
roteirista, hoje um dos mais requisitados do Brasil, morou na Espanha de 1991 a 1993,
onde cursou mestrado em roteiros para longa-metragem. Mas foi com a adaptação
para as telas do romance de Paulo Lins, Cidade de Deus, dirigido por Fernando
Meirelles que se tornou um roteirista internacionalmente reconhecido. Pelo trabalho,
Mantovani foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, em 2004. Foi ainda
colaborador de Meirelles no roteiro de O Jardineiro Fiel, que também foi indicado ao
Oscar nesta categoria. No Brasil, participou da elaboração de roteiros de episódios da
série Cidade dos Homens, da TV Globo, e do curta-metragem Palace II, também de
Fernando Meirelles e Kátia Lund. Mais recentemente trabalhou na adaptação para a
ficção do drama de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua carioca que seqüestrou
um ônibus no Rio de Janeiro em 2000. O caso dramático ganhou as telas com o
documentário Ônibus 174, de José Padilha, e vai ser tornar um longa-metragem de
ficção dirigido por Bruno Barreto. É com Padilha que Bráulio também trabalhou no
roteiro de Tropa de Elite, filme inspirado no livro Elite da Tropa, escrito por André
Batista, Luiz Eduardo Simões e Rodrigo Pimentel.
Dramaturgia - Chris Riera
Onde começa a função do responsável pela dramaturgia no processo de roteirizar
uma história? É Chris Riera quem responde. “Minha participação em Querô começa
quando já há um primeiro tratamento do roteiro. Toda a equipe se reuniu para que
definíssemos saídas viáveis para que a história fosse filmada da melhor maneira”,
explica Chris, que tem formação em Teoria Literária e Dramaturgia. “O desafio era
tornar Querô um roteiro cada vez mais natural sem que perdesse seu caráter ficcional.
Além disso, outra tarefa nossa era trazer Querô para os dias de hoje”, continua a
roteirista. “Tanto para Querô quanto para outros projetos que trabalho sempre primo
pela naturalidade. Dispenso todos os manuais de roteiro que há no mercado. Cada
história é única e fórmulas prontas não ajudam em nada e o projeto perde a
sensibilidade”, acrescenta ela. Chris auxilia o roteirista e diretor na construção
dramatúrgica do roteiro buscando soluções possíveis para melhor estruturação da
história que ele quer contar, porém nunca impõe uma opinião ou um método, as
soluções e caminhos são encontrados juntos.
Preparação de Elenco - Luiz Mario Vicente
O preparador de elenco Luiz Mario Vicente tinha nada mais que dois meses para
preparar 40 jovens selecionados em comunidades de baixa renda da Baixada
Santista. Neste período curto, Luiz Mario teria de conduzir estes garotos a Querô.
Seguindo a proposta do diretor Carlos Cortez de não escalar atores para viverem os
papéis dos garotos no filme, mas sim de garotos que realmente habitam as entranhas
da Baixada Santista, a equipe foi à procura destes jovens. Por isso, o fator mais
importante do trabalho era prepará-los para o processo e não para serem somente
atores. “Sempre digo que este é um filme-processo, ou seja, não estava em jogo só o
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espetáculo a ser filmado, mas toda uma vivência por qual não só os meninos, mas
toda equipe passou. Nas entrevistas com os garotos, que foram mais de 1200, sempre
prestávamos atenção na atitude do garoto, no olhar, na sua capacidade de dar um
depoimento sincero, de expressar afetividade, além, é claro, da capacidade inata de
cada um ser cativante”, explica Luiz. “Eu sou da Baixada e conheço bem a realidade.
Muito por isso, pude dar dicas para minha equipe, que foi literalmente à caça destes
jovens. Isso também ajudou na hora de lidar com os meninos. Eles sempre foram
nossos parceiros. Era sempre um trabalho de troca. Eles tinham conhecimentos que
nós não tínhamos. Nós tínhamos ferramentas para ajudá-los nesta formação
necessária para o filme”, continua ele, que tem preparação teatral e por vários anos
integrou a equipe do diretor Antunes Filhos e deu aulas no CPTzinho (Centro de
Pesquisas Teatrais).
O fator afetividade pode parecer controverso, mas era exatamente este o conceito que
Luiz Mario e o diretor Carlos Cortez perseguiam em todo o processo. “Era necessário
trabalhar a polaridade. Em vez de despertar nesses garotos o instinto mais violento,
queríamos estimular exatamente o oposto, ou seja, a afetividade, o trabalho em
equipe, a cooperação, o carinho, enfim, o amor. Acredito que somente através da
polarização do oposto era possível entender a extrema violência por qual o
personagem estava passando”, conta o preparador.
Os 40 garotos selecionados para as Oficinas Querô ainda tiveram uma série de aulas
de capoeira, interpretação, expressão corporal, expressão vocal, entre outras. “Estas
aulas buscavam formá-los não só para o filme, mas para o futuro. Procuramos
despertar neles a capacidade para o jogo, o lúdico e a troca. Além do desempenho
individual, eles também tinham de trabalhar bem em grupo. Foi um caminho muito
intenso porque, além de tudo, eles também tinham de entrar no processo de
preparação de um personagem. Pense no desafio que isso já é para um ator
profissional. Imagine, então, para garotos que não possuíam a mínima experiência”,
comenta Luiz Mario, que sempre teve o cuidado de proteger o microcosmo que criou
para os garotos. “Nossa maior preocupação sempre foi de que o processo tinha de ser
bom para as pessoas e não um processo que fosse melhor para o filme a qualquer
custo..O grupo precisava estar em harmonia. O Max soube captar isso desde sempre
e demonstrou muito equilíbrio”, continua ele, para quem Maxwell Nascimento, além do
talento, sempre teve muita disciplina, fator crucial para ser escolhido como
protagonista. “Muitos garotos tinham ótimo desempenho. Max tinha a sabedoria de ser
capaz de entrar muito rápido no personagem e dar tudo de si para uma cena intensa
e, ao mesmo tempo, sair rápido daquele universo e recuperar seu equilíbrio. Ele
demonstrou muita responsabilidade e soube trabalhar bem a força interna que tanto
queríamos despertar em todos aqueles meninos”.
Montagem - Paulo Sacramento
Ao iniciar o processo de montagem, Paulo Sacramento teve um desafio inédito ao se
deparar com o material de Querô. “O filme tinha sido captado com duas câmera. Uma
era mais cinema, mais ficção mesmo. A outra era uma câmera que dava a tudo um ar
mais documental, ágil, mais próximo da cena em si”, conta ele, que passou seis meses
imerso no universo do garoto Querô para, finalmente, chegar ao corte final do longametragem. “Foi uma tarefa e tanto, mas também foi muito bom poder contar com duas
câmeras. Ás vezes, de acordo com a dramaticidade de cada cena, era mais adequado
usar uma imagem mais documental outras vezes não. Foi um privilégio poder trabalhar
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assim”, conta Sacramento, que é montador experiente e tem no currículo a direção do
documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro.
Paulo assinou a montagem do documentário de Carlos Cortez, Geraldo Filme, e está
agora editando o mais recente filme de Laís Bodanzky, Chega de Saudade. Para
Querô, Sacramento repetiu a parceria com Cortez e embarcou no projeto de realizar
um filme imerso num constante processo de transformação e criação. “Isso foi mesmo
muito interessante, pois o roteiro foi constantemente atualizado com a colaboração
dos garotos e dos atores. Na montagem, isso também transparece. A cena da
rebelião, por exemplo, revela como a proposta de misturar realidade e ficção podem
casar muito bem”, comenta o montador, que em breve se dedicará à edição de
Encarnação do Demônio, o novo filme de José Mojica, que Sacramento também
participa como produtor, com a Gullane Filmes. “A escolha de que câmera usar
sempre foi de acordo com a dramaturgia e nunca estética. Eu nunca tinha usado este
recurso, mas fiquei feliz com o resultado”.
Fotografia - Hélcio Nagamine
Hélcio ‘Alemão’ Nagamine tem vasta experiência em direção de fotografia e em
projetos audaciosos. Formado em fotografia para o cinema na Escola de
Comunicações e Artes da USP, Alemão já assinou trabalhos que vão desde Doutores
da Alegria (de Mara Mourão) até a serie televisiva Carandiru: Outras Histórias,
passando por Confidências do Rio das Mortes, Geraldo Filme e Seu Nenê (também de
Carlos Cortez) e o premiado curta Palíndromo (de Philipe Barcinski, Melhor Fotografia
ABC 2002 e Melhor Fotografia do Festival Salvador Dalí).
Mas Querô era um projeto que exigia uma concepção diferente de todos os outros
trabalhos já realizados por ele. Neste filme, o trabalho com garotos que nunca haviam
atuado exigiu uma solução criativa do diretor de fotografia. “Em Querô, o fator ‘nãoatores’ era muito importante. Afinal, ao mesmo tempo em que não queríamos que eles
atuassem de uma maneira artificial, engessada, também não podíamos correr muitos
riscos de continuidades, com muitos cortes durante a ação”, explica Alemão. “Por isso,
a solução encontrada foi filmar tudo com duas câmeras, que nos davam mais poder de
escolha da melhor cena. Além disso, o fator dramático iria dizer, na fase de
montagem, que imagem, que câmera era mais adequado entrar para o corte final do
filme”.
Para não perder o ritmo de atuação do elenco, Alemão e Cortez chegaram à
conclusão de que o plano-seqüência era a melhor saída. “Nada era cortado. Tudo era
seguido e registrado. Usamos duas câmeras 16mm (muito mais leves que as 35mm),
que nos permitiam ter mais agilidade, filmar quase toda a ação com câmera na mão e
em tomadas e seqüências mais longas. Não perdíamos, assim, o timing da ação”,
continua ele, que optou por filmar sempre com as duas câmeras no mesmo eixo. “A
filmagem tinha de ser ágil,. A marcação de luz era feita para a câmera A e a câmera B
só acompanhava, como se “expiasse” tudo que acontecia, como se fosse um
documentário, sem a preocupação estética da câmera A. O conceito da câmera B era
de capturar a emoção dos personagens. Enquanto a câmera A tinha a obrigação de
narrar a história, a câmera B deveria ficar mais livre, atenta apenas para as emoções”,
explica.
21
Esta foi uma solução que nasceu como saída prática às limitações de tempo e ação de
Querô, mas acabou se tornando uma ferramenta importante para definir a
personalidade visual do filme. “Como o conceito primordial que Carlão sempre
trabalhou em cima era o da veracidade, o do real, esta ‘câmera documental’ foi
perfeita”.
Direção de Arte - Fred Pinto
Por sua bela direção de arte, Fred Pinto e sua equipe levaram o Candango de Melhor
Direção de Arte no Festival de Cinema de Brasília 2006. Ele já havia ganhado um
Candango pelo seu trabalho no curta-metragem Um dia logo depois um outro.
Fred, que tem formação em artes plásticas,, morou em Nova York por muitos anos,
onde começou a assinar a direção de arte de curtas-metragens dirigidos por amigos
cineastas. Quando voltou ao Brasil conheceu a artista Daniela Thomas. A parceria foi
crucial para a carreira de Fred, que hoje trabalha no mercado publicitário. Seu primeiro
trabalho em longa-metragem foi em Domésticas.
A preocupação em estar sempre o mais próximo da realidade que o diretor Carlos
Cortez teve ao trabalhar aspectos como roteiro e preparação dos atores também
permeou todo o processo de composição visual de Querô.. Não há cenário que não
seja real no filme. Da unidade da Febem onde ocorre a rebelião até o cortiço onde
mora Querô, passando pela igreja onde sua mãe é encontrada morta e o Porto de
Santos, tudo é parte da realidade da Baixada Santista.. Mas nem por isso Querô é um
filme que prescinde da direção de arte. “É fruto de um processo muito orgânico, que
começou com a procura dos objetos e das locações. Percorremos os lugares onde a
história se passaria, entramos nas casas das pessoas, pegamos objetos emprestados,
trocamos alguns. Tudo contou com a colaboração das pessoas que realmente vivem
naqueles ambientes. Isso imprime na película. Faz toda diferença, pois transmite
honestidade”, explica Fred.
A veracidade do trabalho de Fred e sua equipe é tamanha que os cenários reais se
confundem com a composição de cores e objetos escolhidos especificamente para o
filme. “Esta é a magia do cinema. Por mais documental que tudo pareça, há sim uma
direção de arte que pensou uma composição visual para o filme, que é um longa
bonito de ser visto. Está tudo muito difuso e, ao mesmo tempo, muito bem disposto.”
Cada cena foi muito bem estudada e a escolha das cores, dos objetos e dos cenários
ocorria em função da emoção do personagem no momento. Eram feitos recortes no
real para que fosse utilizada, por exemplo a parede com a melhor textura, com a
melhor cor e que estas refletissem a situação daquele personagem naquele momento
específico. Fred Pinto e sua equipe foram costurando, pouco a pouco, uma colcha de
retalhos na qual cada retalho era o universo de cada personagem.
Figurino - Cristina Camargo
Cris Camargo atualmente mora em Portugal e tem se dedicado a produções desse
país. Ela acaba de realizar o longa Dot.com, de Luís Galvão Teles. Mas Cris tem
experiência de sobra no cinema brasileiro. A figurinista foi responsável pelo guardaroupa de produções que são exemplo de excelência. Seu primeiro trabalho para a
telona foi com Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles. Em seguida, vieram Central
do Brasil (1998), de Walter Salles, O Primeiro Dia (1998), de Walter Salles e
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DanielaThomas; Narradores de Javé (2003), de Eliane Caffé, Carandiru (2003), de
Hector Babenco, Cidade Baixa (2005), de Sérgio Machado, e O Ano em que Meus
Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. Antes de trabalhar no mercado
cinematográfico Cris fez produção de moda para a revista Elle e foi responsável pelo
guarda-roupa dos DJs da recém-inaugurada MTV.
Em Querô, a colaboração dos garotos do elenco e da comunidade da Baixada Santista
foi crucial para a composição realista do figurino do filme. "Querô, mesmo tendo certas
cenas, ambientes e figurinos que remetem aos anos 70, quando Plínio escreveu o
livro, é um filme atual. Isso de certa forma facilita o trabalho, pois a busca está na rua,
no dia-a-dia das pessoas. Por outro lado, ser um filme tão atual e verdadeiro, quase
documental, aumenta a responsabilidade. Era preciso estar atento para que nada que
os personagens usassem parecesse alegórico”, conta Cris, que foi buscar nas casas,
nos guarda-roupas dos garotos-atores e de suas famílias o material e a inspiração
para seu trabalho. “Os garotos no filme freqüentam a Febem, as ruas, os rincões da
periferia santistas. Os adultos são policiais, prostitutas, gente humilde. Todo este
vestuário tinha de ser cinematográfico e real ao mesmo tempo. Foi um desafio. Mas
um desafio delicioso”.
Trilha Sonora - André Abujamra
André Abujamra é um dos músicos com mais experiência em trilhas sonoras do
cinema brasileiro. Querô é seu mais recente trabalho no cinema. “Fui convidado para
fazer apenas a música final dos créditos do filme, mas acabei me apaixonando tanto
pelo filme que, no final, fiz várias intervenções musicais. Este é um projeto que tem
muita força e que me surpreendeu muito”, comenta Abujamra, que já assinou a trilha
sonora de longas-metragens premiados como Carandiru, Os 12 Trabalhos, Durval
Discos, Bicho de Sete Cabeças, Ação Entre Amigos, entre outros.
Para Querô, Abujamra buscou criar uma trilha que acrescentasse elementos narrativos
a uma história já forte e dramática por sua própria origem. “Eu tentei ser o mais
econômico possível. Tentei não perturbar o tom documental e realista que o filme já
tinha. Esta é uma das grandes forças da história e eu quis manter e ressaltar isso com
a trilha, em vez de criar um clima artificial. Acho que consegui.”,
Produção - Caio Gullane, Débora Ivanov e Fabiano Gullane
O desejo de Carlos Cortez de fazer um filme honesto que retratasse a realidade do
abandono tal como fez Plínio Marcos permeou toda a produção executiva do projeto.
Segundo o produtor Caio Gullane “ o Carlão sempre quis extrair a essência que a
cidade de Santos oferecia. Quis aproveitar ao máximo o potencial que Plínio Marcos já
havia enxergado em ambientes que muitas vezes mal paramos para perceber que
existem”
Do ponto de vista da produção, esta interação entre a cidade e filme começou muito
antes das filmagens. “O Carlão já utilizou a cidade como ponto de partida do roteiro.
Foi lá que o escreveu e utilizou sua atmosfera como laboratório. Em vez de recrutar
jovens atores em grupos teatrais, preferimos buscar o talento dos garotos da Baixada
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Santista. Em vez de construir cenários, fomos buscar nas entranhas da cidade os
cortiços, vielas, armazéns e ruas as locações ideais para a história acontecer”,
comenta Débora Ivanov.
Toda a cidade se tornou parceira do filme. “Criamos uma estrutura que pudesse
atender às necessidades de toda a equipe. E isso significou apresentar o projeto e
negociar não só com os poderes formais da cidade, como prefeitura e secretarias de
cultura, mas também com os poderes informais, como as associações de bairro,
associações de moradores de cortiços, moradores e comerciantes locais. Foi uma
verdadeira expedição. Definimos nosso foco e partimos para a ação de campo como
faríamos em qualquer outro filme. A diferença é que a cidade também se apaixonou
pelo projeto.”, conta Caio Gullane.
Mais que um método, a produção de Querô exigiu dos profissionais soluções dignas
de um processo experimental. Em vez de buscar patrocínio em empresas
convencionais, a equipe buscou parcerias com pólos locais de produção. Neste ritmo,
até o Porto de Santos entrou para o projeto. “Saber observar as potencialidades locais
também está aí, na capacidade de perceber que empresas que não estão
necessariamente ligadas ao cinema podem investir na área cultural. Foi um processo
vivo, que foi sendo constantemente aprimorado e adequado com os desafios que iam
aparecendo”, conta Débora.
Este processo de experimentação deu tão certo que as Oficinas Querô não se
encerraram com o fim das filmagens. “Muito pelo contrário. Já formamos outras duas
turmas. Alguns garotos trabalharam conosco em outros projetos. Outros estão
trabalhando em Santos em produtoras. E estamos ajudando outros a montarem uma
produtora própria”, conta Caio. “Até prêmios em festivais, como o Curta Santos, eles
ganharam. E suas produções têm sido muito bem recebidas. Para nós, é a coroação
de um projeto de vida”, conclui Débora.
Gullane Filmes
Criada em 1996, pelos irmãos Caio Gullane e Fabiano Gullane, é atualmente uma das
mais ativas empresas do audiovisual brasileiro. Nos últimos anos foi responsável por
produções de grande sucesso em crítica e público no Brasil e no exterior. Entre os
filmes produzidos ou co-produzidos pelos irmãos Gullane estão Bicho de sete
Cabeças, Carandiru, Nina, Benjamim, Narradores de Javé, entre outros.
Com projetos diferenciados para cinema e televisão, que variam de acordo com o
porte, a mídia e o público alvo, a Gullane Filmes tem como principal desafio agregar às
suas produções a máxima qualidade artística e técnica, para garantir o sucesso
comercial e o retorno para parceiros e investidores.
Em 2006, realizou O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, premiado filme de Cao
Hamburguer, que retrata o Brasil dos anos 70 sob os olhos de um garoto de 12 anos e
representou neste ano o Brasil na competição do Festival de Cinema de Berlim.
Em 2007 lançou o documentário O Mundo em Duas Voltas, e atualmente prepara o
lançamento do Querô. No segundo semestre, a Gullane Filmes lançará O Magnata,
filme com argumento de Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr. e no inicio de 2008
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será lançado Chega de Saudade, segundo filme de Laís Bodanzky, a premiada
diretora de Bicho de Sete Cabeças.
Outro projeto em pós-produção é a parceria com a Olhos de Cão Encarnação do
Demônio, o novo filme de José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão,
com lançamento previsto para 2008.
Em parceria com a Warner Bros, a Gullane Filmes está desenvolvendo os longametragem Mano, inspirado na coleção de livros infanto-juvenis de Gilberto Dimenstein
e Brincante, com a direção de Walter Carvalho, a fascinante história de Tonheta, o
caixeiro viajante que consagrou Antônio Nóbrega nos palcos.
Este ano a Gullane Filmes marca também o estreitamento de suas relações
internacionais com a realização de uma co-produção com a Itália e outra com a China.
Se tratam de dois projetos dirigidos por importantes diretores consagrados nos
principais festivais do mundo, Marco Bechis, Itália e Yu Likwai, China.
No entanto, a Gullane Filmes não se restringe apenas a projetos para o cinema. Em
Junho iniciou as filmagens de uma série de ficção para a HBO e está desenvolvendo
um telefilme para o canal SONY. Engaja-se ainda no desenvolvimento social por meio
das Oficinas Querô, um projeto apoiado pelo Unicef e Fundação Abrinq que promove a
inclusão social de adolescentes através de cursos de cinema na Baixada Santista.
Downtown Filmes
A Downtown Filmes é uma empresa independente de distribuição, com proposta de
oferecer ao público, filmes de todas as nacionalidades e das mais diversas temáticas,
estilos e gêneros.
Entre as diferentes cinematografias, o produto brasileiro, que nos últimos anos tem
conquistado um número cada vez maior de espectadores, ocupa lugar de destaque na
carteira de lançamentos da distribuidora.
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Oficinas QUERÔ
A realização de oficinas de preparação de atores com os jovens santistas teve
tamanha repercussão positiva na comunidade que até hoje a Gullane Filmes, com o
apoio do Unicef, da prefeitura de Santos, do SESC e da Unisantos, mantém atividades
educativas no local. "Muitos dos meninos que participaram e participam destas oficinas
eram taxados como ‘figuras perigosas’. Hoje, eles são reconhecidos na rua como
talentos. Eles têm uma garra incrível, uma força de vontade que normalmente é
desperdiçada. Foi um sonho poder, ao menos, despertar e aproveitar o talento destes
meninos", comenta Cortez. Débora Ivanov completa: "Este trabalho despertou os
garotos para novas perspectivas. Depois de encerradas as filmagens de Querô,
realizamos uma nova série de oficinas que ensinam o ‘ofício cinematográfico’ a eles.
Deu tão certo que o primeiro curta produzido por eles foi premiado no Festival
Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e ganhou o prêmio da crítica no
Festival de Curtas de Santos, e foi selecionado para o Festival de Curtas do Rio de
Janeiro. Já estamos na quarta edição das oficinas e um quarto curta-metragem já está
sendo produzido."
Além disso, vários garotos passaram a exercer o ofício aprendido em produtoras,
cinemas e centros culturais. “Eles não conseguiram só aprender e se divertir. Eles
estão conseguindo se inserir num mercado de trabalho tão competitivo como o nosso
hoje em dia. Isso é muito bom. Estamos ajudando um grupo a montar sua própria
produtora. Nós não damos nada de mão beijada para eles. Nós damos o estímulo,
ensinamos, passamos a experiência. E eles começam a caminhar sozinhos. É a parte
mais gratificante de todo o processo”, conta Cortez.
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Patrocínio Máster
MRS
Porto de Santos
Tecom
Comgás
Prefeitura Municipal de Santos
Participação
Funcine / RB1 Cinema
BNDS / Rio Bravo / Aracruz
Patrocínio
Libra Terminais
Eletrobrás
Infraero
Programa de Fomento ao Cinema Paulista – Santander Banespa / CPFL / Sabesp
Apoio
Ministério da Cultura – Lei de Incentivo à Cultura
Ancine – Lei do Audiovisual
Apoio Institucional
Unicef
Fundação Abrinq
Brasil um País de Todos
Ancine
Produtores Associados
Estúdios Mega
Mega Color
Locall
Produção
Gullane Filmes
Co-produção
Fonds Sud Cinema
Caravan Pass (França)
Roma Film (Itália)
Distribuição
Downtown Filmes
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