Cabuçu de Baixo 12 A BASE TERRITORIAL O Perímetro de Ação Integrada Cabuçu de Baixo 12 situa-se no distrito Cachoeirinha, sub-bacia hidrográfica do Cabuçu de Baixo, região Norte da Cidade de São Paulo aos pés da Serra da Cantareira. Tem uma área de 404.682m² e se localiza majoritariamente na depressão, prevista originalmente como área verde pública, correspondente a um percurso de aproximadamente 1,2 km do Córrego Guaraú. Da área total de 404.682m², 123.856m² estão constituídos por favelas, o que representa 30,6% da área. Esta área de 123.856m² está integrada por cinco favelas: duas delas na borda do Córrego Guaraú, Eucaliptos e Condessa Amália Matarazzo; duas em áreas de encosta inseridas na trama urbana, Bruna Gallea e Letícia Cini; e uma na borda da Serra da Cantareira, Machado da Silva. A ocupação desta região estabeleceu uma barreira no tecido urbano, que somada a uma topográfica muito íngreme resultou em uma área intensamente segregada do entorno. Estas ocupações acentuaram a impermeabilização do solo e, portanto, transformou o fundo desta bacia em área de risco, além de comprometer o estoque de espaços verdes e áreas públicas de lazer. IDENTIFICAÇÃO DOS ASSENTAMENTOS DENTRO DO PAI possível Esta pequena favela, de recente implantação, tem uma presença de uma nascente que consta no Plano da área de 5.008 m² e está constituída por 98 domicílios. EMPLASA no levantamento do ano 1982. Seu possível Localiza-se no encontro da Rua Francisco Machado da estado de descaracterização deverá ser verificado. Silva –continuação da Rua Condessa Amália Matarazzo- O ÁREAS DE ENCOSTA 1. BRUNA GALLEA Esta favela, já titulada, tem uma área de 13.985 m² e está constituída por 317 domicílios. Por estar localizada no miolo de uma quadra consolidada, apresenta problemas serios de acessibilidade, já que tem apenas duas entradas, uma na Rua Condessa Amália Matarazzo mais importante está constituído pela e a Rua Palmas de São Moisés. Em geral está constituída por construções de alvenaria, mas nas áreas mais íngremes e no miolo, existem Grande parte das construções apresenta um alto índice algumas de precariedade o que constitui um grande risco. A área construções com materiais extremamente mais consolidada é a que tem frente à Rua Palmas de precários. e a outra na Rua Bruna Gallea, ambas estreitas e não São Moisés. Observa-se que os moradores já estão hierarquizadas, inclusive com pontos de acumulação de Existem setores com alta declividade, e risco potencial lixo. de desabamento, que deverão ser avaliados por estudos específicos. Porém estas áreas, por estarem As edificações consolidação da área –com um têm um grande alto grau de predomínio de desenvolvendo diversas atividades do outro lado dessa rua o que constitui um perigo de invasão do parque ao Norte da área. localizadas nos pontos mais altos, também apresentam Da vistas panorâmicas. construções em alvenaria- e uma grande compacidade. mesma forma que as áreas anteriores, está implantada sobre uma topografia muito íngreme, o que Esta característica supõe problemas para a implantação O fato de estar rodeada de ruas consolidadas pode de infraestrutura, de acessibilidade e de ventilação e permitir uma boa integração urbana, e garantir uma iluminação das unidades. correta acessibilidade às áreas internas. Na Rua significa um verdadeiro potencial de desabamento. Também nas áreas altas existem pontos de interesse devido às vistas panorâmica que apresentam. Condessa Matarazzo é possível ver a existência de Existem setores com alta declividade e potencial de risco de desabamento, que deverão ser avaliados por estudos específicos. Estas áreas, porém, por estarem localizadas nos pontos mais altos, apresentam pequenos comércios, creche e uma ONG, que têm Trata-se de uma pequena favela com um grau de vocação consolidação ainda baixo, localizada em um terreno de se constituírem em uma pequena centralidade. Porém a atual configuração da rua não é comprometido, a adequada. preservada para evitar mais invasões nas áreas verdes interessantes vistas panorâmicas. em uma área que deveria ser vizinhas. A frente à Rua Condessa Amália Matarazzo tem uma 2. LETÍCIA CINI Esta favela tem uma área de 37.217 m² e está constituída por 450 domicílios Localiza-se entre as Ruas Condessa Amália Matarazzo, Letícia Cini e Palmas de São Moisés, é uma área que, como Bruna Gallea, apresenta um alto grau de consolidação, porém evidencia problemas mais extensão de 360m sem nenhum atravessamento, o que É possível considerar a hipótese de remover total ou se constitui em um problema de integração com o parcialmente o conjunto, e propor uma alternativa de restante do bairro e com o acesso ao Córrego. projeto e de programa que valorizem a sua condição de “mirante”. Pensamos na possibilidade de implantação A presença de uma Escola e de uma ONG, localizadas no setor Norte da área podem representar um potencial programático a ser explorado no projeto desta favela. graves que a Bruna Gallea. 3. FRANCISCO MACHADO DA SILVA de um edifício de uso importante para a comunidade – CEU, por exemplo, que além da sua condição de centralidade se constitua em um fator de controle de futuras invasões ao parque da Serra da Cantareira. ÁREAS DE FUNDO DE VALE um elemento estruturador da paisagem, e no centro de OUTROS ASSENTAMENTOS VIZINHOS AO PAI interesse de um possível parque ao longo da área. 4. EUCALIPTOS Fora da área do PAI, porém com contribuições diretas 5. CONDESSA AMÁLIA MATARAZZO ao Córrego Guaraú por estarem em micro bacias Esta Favela está localizada às margens do córrego vizinhas, existem algumas favelas que entendemos Guaraú, entre as Ruas Condessa Amália Matarazzo e um Esta favela tem 17.672 m² e está constituída por 250 condomínio residencial. Tem uma área de 49.976 m² e domicílios. Está localizada na borda do córrego a jusante está constituída por 1000 domicílios. da favela Eucaliptos, entre as Ruas Condessa Amália Matarazzo, Brasiluso Lopes e Edgard Sales. devem ser reurbanizadas para assegurar a despoluição total do tramo Norte do Córrego. A. Dentre os problemas que apresenta o mais evidente é o Favela Índio Peri, localizada a Leste do PAI no l imite do Horto Florestal em área de ZEIS Área próprio córrego, que nas épocas de enchente inunda Com frente às ruas encontram-se construções de boa muitas moradias construídas na sua borda. Já foram qualidade, demolidas várias edificações, mas o risco de inundação encontrar algumas construções precárias, muitas delas ainda é evidente. A própria demolição, e a não edificadas no próprio limite do curso de água. e enfrentados ao córrego aprox: 25.000m² podemos B. Favela localizada no lado Sul da Rua Índio Peri | Área aprox: 9.000m² | Extensão: 500m. remoção do entulho por ela gerado favoreceu a presença de ratos, inclusive com registro de ataques a crianças nas moradias das redondezas. Ainda se trata de uma área relativamente pequena, a C. sua localização no limite da zona de atuação, faz Gouveia e Almir Rodrigues | Área aprox: pensar algumas pequenas operações de projeto que 6.000m², Extensão: 300m. Embora o setor que tem frente à Rua Condessa Amália transformem esse conjunto na ‘porta’ da área para Matarazzo apresente edificações de relativa qualidade, quem vem pela Rua Afonso Lopes Vieira - conexão e em alguns casos pequenos comércios e serviços, nas natural com o centro da cidade-. D. Extensão: 400m. materiais inadequados e improvisados e as vielas com Além do problema de alagamento por conta do córrego, existem algumas árvores –eucaliptos- que E. Considerando uma composição de 3,5 hab/domicílio as F. CONDESSA MATARAZZO 497 hab/há LETICIA CINI 423 hab/há MACHADO 686 hab/há BRUNA GALLEA 798 hab/há EUCALIPOS 701 hab/há Constatamos, porém, que o condomínio vizinho de 10 córrego contribuindo a insalubridade do local. Embora a presença dos problemas anotados, o fato da existência do córrego, que não recebe poluição a montante, leva a pensar que se poderia transformar em Favela localizada ao Norte da Praça Henrique Yuaso |Área aprox: 5.000m². densidades das favelas da área de estudo são: apresentam perigo eminente de queda. edifícios de 18 andares, joga o esgoto diretamente no Favela Sucupira II, localizada ao longo da Rua Afonso Lopes Viera | Área aprox: 23.500m² | bordas do córrego e no miolo as construções são de persistente presença de água contaminada. Favela localizada no lado Leste das Ruas Carlos Favela Coimbra, localizada nas Ruas João Ricardo e Luis António Sobral. LOCALIZAÇÃO DAS FAVELAS NO PLANO DE DECLIVIDADES CONCEITO URBANÍSTICO O Plano Urbanístico do Perímetro de Ação Integrado (PAI) Cabuçú de reordenamento Baixo urbano 12 procura que gerar um compatibilize a qualificação físico-espacial com a melhoria sócioeconômica e cultural, desenvolvimento visando integrado e promover sustentável o da comunidade. Dessa forma, busca-se possibilitar a integração social dos moradores através não só da melhoria das condições físico-urbanísticas, mas também de um conjunto de ações no campo sócio-econômico, que possam abrir perspectivas de resgate da cidadania da população desfavorecida e de geração de trabalho e renda. Nesse sentido, após a identificação dos problemas identificados no diagnóstico, foi elaborado um conjunto de proposições que deverão favorecer o ordenamento do processo de crescimento da comunidade. CRITERIOS DE ORDENAÇÃO A diferença dos projetos urbanos tradicionais localizados em áreas “formais”, aqui a ordenação jamais seria possível a partir de uma legislação normativa. Neste caso será obtida pela presença de OPERAÇÕES ESTRUTURADORAS DE PROJETO. As ruas que conectam a área com o resto do tecido urbano, as novas infra-estruturas e equipamentos, as áreas livres qualificadas e as novas habilitações devem ser os elementos que dêem uma nova ordem a esse setor urbano à vez que o integrem, como mais um bairro, ao tecido da cidade. ESTRATEGIAS E TATICAS DE PROJETO Integrar a Favela à área Respeitar a topografia e a morfologia do lugar Melhorar as condições ambientais incorporando qualidade urbana • Melhorando as vias de atravessamento do vale • Consolidando e qualificando as vias perimetrais • Abrindo vielas de pedestres (para suporte de infraestrutura) • • • Melhorando a integração ao sistema de transporte público (modificação de percursos de ônibus) Implantando equipamentos e espaços públicos qualificados Definindo e preservando a borda da Serra da Cantareira • • Concebendo a infra-estrutura como suporte de usos e novos espaços • Criando um parque público ao longo do Córrego G Utilizando a água como recurso e elemento de lazer • Redefinindo as bordas do Córrego com novas habitações e equipamentos comunitários • Criando uma centralidade no setor Norte da área do PAI • Plantando árvores e implantando mobiliário urbano em ruas, vielas e praças. • Criando pequenas praças e pátios de iluminação nos miolos de quadra (e não mais como um fator de risco à saúde) • Adaptando a arquitetura à topografia e ao arranjo urbano existente (priorizando edifícios integrados à malha urbana e evitando grandes condomínios) REDE VIÁRIA A atual malha pública é resultado dos acréscimos de loteamentos realizados sem uma diretriz geral, onde cada traçado busca sua própria economia sem preocupações que vão além do próprio empreendimento. Este “modus operandi” resulta em um mosaico com descontinuidades isolando alguns setores urbanos dos principais eixos de conexão da cidade. As características descritas dificultam o estabelecimento de percursos lógicos de transporte público, criando vazios de serviço em alguns setores. Entendemos por percursos lógicos, a sua compatibilidade com o desenho e hierarquia da malha viária e a ponderada eqüidistância a todas as áreas. Com respeito aos fluxos de pedestres, não existem fluxos muito definidos já que não existem centralidades sociais de lazer e de comércio concentradas e bem definidas. A situação, hoje, é de dispersão e exclusão da área. Estas condições acabam por potencializar um dos principais problemas dos assentamentos irregulares: a exclusão urbana. Uma nova hierarquia viária As intervenções propostas na malha pública tentam estabelecer uma hierarquia de leitura coincidente com a nova legibilidade e conectividade urbana desejada para o PAI. As ruas hierarquizadas intersectam a malha existente em pontos chaves, que estabelecem novas conexões e potencializam a mobilidade e a integração física e social da área. Este novo traçado interconecta pontos em ruptura da malha existente do entorno. Ruas a abrir • Ruas Edgar Sales, Brasiluso Lopes, Condessa Amália Matarazzo. • Continuação da Rua Santo Adriano até a Av. Plantação de árvores e alargamento do passeio e Santa Inês. ajuste do alinhamento das construções que invadiram • Continuação da Rua Des. Rodrigues Sette até a o espaço público. Rua Santo Adriano. Vielas | escadarias a implantar Estas intervenções permitirão interligar a área de atuação no sentido N-S e melhorar a acessibilidade, A segurança atravessamento transversal por ruas veiculares. A única e conectividade veicular do setor topografia íngreme da área dificulta o Eucaliptos. rua que atravessa é a São Lourenço do Sul. Ruas a fechar Para melhorar a integração da área com o bairro se propõe a abertura de uma serie vielas e escadarias que • Trecho da Rua Condessa Amália Matarazzo entre a Rua Machado da Silva e a Av. Santa Inês. Esta intervenção permitirá transformar em interligam as Ruas Condessa Amália Matarazzo e Santo Adriano com o novo Parque ao longo do Córrego. praça equipada um espaço de difícil acesso e quase sem qualificação e uso. As favelas Letícia Cini e Bruna Galeia terão melhorada a acessibilidade com a trama viária ‘formal’ a través da abertura de novas vielas e escadarias para pedestres. Ruas a modificar • Trecho da Rua São Lourenço do Sul entre as Ruas Ciclovias a implantar Professor Monteiro de Camargo e Caiena. A topografia relativamente plana da várzea do • Cruzamento da Av. Mariana Caligiori Ronchetti com as Ruas Caiena e Mário Amorim. Estas operações de ajuste do desenho da geometria das ruas facilitarão a implantação de linhas de transporte público na área de intervenção. • Av. Peri Ronchetti e Av. Mariana Caligiori Ronchetti. Córrego Guaraú permite a implementação de um sistema de ciclovia que a interligue com outras áreas da cidade. Coincidindo com a implantação do Parque Linear ao longo do Córrego Guaraú se propõe a criação de uma ciclovia que interligue a área com a Terminal Nova Cachoeirinha (distante 3km) a través da Rua Afonso Plantação de árvores e alargamento do passeio Lopes Vieira e a Av. Inajar de Souza, facilitando assim a compatível com o suporte de transporte público. integração dos ciclistas ao sistema de transporte público estrutural. TRANSPORTE PÚBLICO Na escala da cidade, o perímetro Cabuçú de Baixo 12 está suficientemente servido por numerosas linhas de ônibus do sistema de transporte público de São Paulo. Encontra-se a 2 km da Terminal de Ônibus Vila Nova Cachoeirinha e é servido por linhas diretas que a conectam com a Estação Santana da Linha 1 do Metrô. Hoje todas as linhas de ônibus percorrem o perímetro do PAI e nenhuma delas atravessa o setor. Embora em termos gerais a área esteja suficientemente atendida pelo sistema público, o atual desenho dos percursos das linhas de ônibus, produto da descontinuidade da malha urbana existente, dificulta o acesso de parte dos moradores do PAI aos pontos de ônibus. Linhas de ônibus a modificar Para melhorar a cobertura da rede do transporte público para os moradores da área Eucaliptus, propomos modificar o percurso das linhas: 117-1 Cohab Antártica | Pinheiros 1758-1 Jardim Antártica | Metrô Santana E implantar um ponto de ônibus na esquina das ruas São Lourenço do Sul e Condessa Amália Matarazzo. CENTRALIDADES Centralidades | comércios ser específicos (escolas, clubes privados), portanto sem São previstas, também novas, para a circulação de considerada uma pequena centralidade de escala vocação de se tornarem centralidades abertas à pedestres, em alguns casos em continuidade com as local por conter numerosos comércios de pequeno comunidade toda. escadarias existentes no entorno. Uma nova centralidade de lazer está sendo proposta Duas praças pautarão os limites da nova intervenção no centro das comunidades Eucaliptos e Condessa urbana; A Rua Condessa Amália Matarazzo pode porte ao longo de toda sua extensão, em construções de uso misto, e sobre tudo por ser a via coletora das favelas envolvidas no PAI. Amália Matarazzo, resultado de uma solução de Fora da área do PAI, porém muito perto dela, drenagem de calha aberta do córrego Guaraú que localizam-se duas centralidades de maior porte: uma define uma sequencia de praças arborizadas, espelhos na borda Leste da área, na Av. Peri Rochetti desde a d´água com equipamentos de lazer passivo e ativo. Caligiori Ronchetti, entre as Ruas Mário Amorim e área de lazer, espelho d´água e incorporando o SUS A proposta prevê a construção de pequenas pontes Ainda, nesta rua, se prevê intervenções de caráter Essas Centralidades serão potenciadas mediante a pontual com o objetivo de melhorar as condições modificação das calhas das Ruas para melhorar as internas de acessibilidade, estabelecendo no condições ambientais e urbanas e, nos casos da Av. cruzamento com o passeio do Córrego o aumento de Peri nível da faixa carroçável. Rochetti e Av. Mariana Caligiori Ronchetti, comportar a passagem do transporte público. Centralidades | lazer e cultura A área do PAI não apresenta centralidades de lazer ou cultura; não possui espaços abertos minimamente qualificados, apenas uma pequena quadra ao lado do Córrego e outra na esquina das ruas Forte de São Caetano e Palmas de São Moisés, mas ambas sem infra-estrutura de apoio. Vizinhos à área do PAI existem vários equipamentos culturais e esportivos, porém todos eles para usuários Jardim Peri e a igreja Assembleia de Deus. para pedestres, assim como a reconstrução da ponte em concreto armado da Rua São Lourenço do Sul. António da França E. Horta. Córrego com as Avenidas Peri Rochetti, Mariana Caligiori Ronchetti e a Rua Maria Antonia Martins, com Rua Maria Antonia Martins até a Av. Santa Inês, e outra na borda Oeste da área, em parte da Av. Mariana Uma praça a jusante –Praça Baixa- no encontro do Uma praça a montante –Praça Alta- com equipamento cultural de escala zonal na área delimitada pela Av. Francisco Machado de Silva e a Rua Palmas de São Moisés. Essa praça aproveitará as vistas privilegiadas da Serra e da Cidade e deverá se constituir em elemento de controle para impedir novas invasões das áreas verdes. ESPAÇOS LIVRES | SITUAÇÃO ATUAL ESPAÇOS LIVRES Na área do PAI, ao longo do Córrego ainda existem três espaços abertos que apresentam condições de serem valorizados e potencializados no projeto: A área definida pelo encontro do Córrego com as Avenidas Peri Rochetti, Mariana Caligiori Ronchetti e a Rua Maria Antonia Martins. Um setor sem qualificação, mas com potencial de se transformar no ponto de acesso ao conjunto. A área delimitada pela Av. Francisco Machado de Silva, a Rua Palmas de São Moisés e a Favela Francisco Machado. Uma área com uma localização estratégica que apresenta vistas extraordinárias, mas que está em risco de ser definitivamente invadida pela recente e precária favela Machado da Silva. Uma pequena quadra esportiva implantada recentemente na borda Oeste do Córrego Guaraú em área de remoções na Favela Eucalipos. Propõe-se criar uma área verde ao longo do Córrego com equipamento de lazer e áreas verdes interligando as áreas livres do PAI. (ver cap. Centralidades) Nas Favelas Letícia Cini e Bruna Galeia, conseqüência necessidade de da como implantar infraestrutura - drenagem e esgoto-, serão feitas algumas remoções que darão lugar as pequenas praças. As Avenidas Peri Ronchetti e Mariana Caligiori Ronchetti, e as Ruas Edgar Sales, Brasiluso Lopes e Condessa Amália Matarazzo receberão tratamento paisagístico com plantação de árvores e alargamento dos passeios. ESPAÇOS LIVRES | SITUAÇÃO PROPOSTA O CÓRREGO O projeto parte do pressuposto que a água deve ser No entanto esta solução não deixa uma maleabilidade A entendida como um recurso disponível para toda a no trânsito de pedestres e facilidade de transposição escoamento das vazões de base enquanto que o comunidade e não mais como elemento de risco à entre um lado e outro do curso d’água. excedente de vazão, verificadas em chuvas de saúde. Como uma das premissas na concepção urbanística é grandes intensidades, será drenada para a galeria em a seção fechada através de extravasores. Propomos um sistema de drenagem diferenciado que, de uma maior integração intra-comunidade, seção aberta terá dimensões necessárias ao propomos a canalização a seguir descrita. Esta solução pode ainda prever que somente o deflúvio integrado com a concepção urbanística, dará uma de Trata-se de uma solução mista onde se emprega o uso superficial da área da favela escoe para o canal a céu canalização a céu aberto. Essa solução é a prática de canalização a céu aberto conjugada com seção aberto, enquanto que as descargas provenientes da mais viável para efeitos de manutenção e limpeza fechada. área externa da favela escoem pela galeria fechada. conotação menos agressiva aos aspectos Desta maneira concebido podemos com ter paredes um e elemento fundo que, drenantes, proporcione umidade necessária para atender a vegetação proposta para o fundo de vale. A seção aberta teria dimensões da ordem aproximada de 2,00 m de largura por 0,80 m de profundidade e a seção fechada, de acordo com um pré-dimensionamento efetuado, variaria de 1,50 m de diâmetro na porção mais a montante até uma célula retangular de 2,00 m de largura por 2,00 m de altura na porção mais a jusante do curso d’água. Estas dimensões devem garantir, não só o escoamento para vazões metodologia extremas da adequadas para previstas PMSP/SIURB, as nos como operações de critérios e condições limpeza e manutenção. Para diminuir a velocidade de escoamento da água, foi preservado o percurso ‘meandroso’ do córrego alem da liberação da maior área permeável possível na suas bordas, com equipamentos de lazer - ativo e passivo-, passeios e ciclovia. Estão previstas bacias de retenção, também a céu aberto, a montante da área e no interno dela, que controlarão o regime hidráulico do córrego, e estarão desenhadas para atuarem também como espaços de lazer e qualificação paisagística. .O córrego limpo se constituirá no elemento central da área, um elemento qualificador da paisagem, elemento de lazer e de referência para os moradores e para a vizinhança toda. AS NOVAS HABITAÇÕES PRINCIPIOS DE PROJETO DOS CONJUNTOS Condicionantes locais Edifícios, e não condomínios Dentro da Macro Zona da Proteção Ambiental da Serra A aplicação de princípios de organização espacial com da Cantareira, o PAI Cabuçú de Baixo 12 está uma implantação genérica e um racionalismo formal bairro, um novo LUGAR para recompor as relações localizado na Zona Mista de Proteção Especial (CV ZM que não levam em consideração as características sociais e gerar uma NOVA IDENTIDADE URBANA. p/02). A esta designação se superpõe o fato de locais para a habitação popular tem-se mostrado também estar contida dentro da Zona Especial de incapaz de propor morfologias que, no seu processo de Interesse Social -1 (ZEIS 1). uso e ocupação, A habitação como conformadora de cidade atendam as expectativas • • O conjunto deve se constituir em estruturador do O conjunto deve se ADAPTAR A TOPOGRAFIA sem conflitos; os térreos dos edifícios devem considerar às e diversas condicionantes como parte essencial do necessidades dos moradores. Embora o fato de que estar em uma ZEIS 1 possibilitaria projeto. de Esta incapacidade manifesta-se, com o passar dos anos, Aproveitamento (CA) de 2,5, a superposição com a CV por uma total descaracterização das concepções ZM p/02 não permite utilizar um Coeficiente de originais, a partir de transformações espaciais realizadas DE USO dos espaços: espaços públicos e espaços Aproveitamento maior do que 1. pela população desses conjuntos. São transformações privados, eliminando áreas sem uso definido, alvo de não só de caráter quantitativo, mas fundamentalmente, apropriações indevidas. construir habitações com um Coeficiente Utilizando um CA=1 na área de projeto é possível implantar aproximadamente 600 novas • Deve propor uma CLARA DEFINIÇÃO DE DOMINIOS de estrutura dos modelos espaciais em questão. • unidades Os edifícios devem ser os DEFINIDORES ESPACIAIS habitacionais. Para o restante dos domicílios a serem Os novos edifícios, além de resolver o problema de DAS RUAS, evitando assim a necessidade de muros e reasentados ser habitação dos moradores afetados pelas remoções, cercos. utilizadas Áreas de Provisão localizadas em zonas de devem se constituir em elementos determinantes na ZEIS externas à área do PAI, mas vizinhas a ela. definição da nova urbanidade proposta. –aproximadamente 200- deverão • O projeto deve INCORPORAR AS NECESSIADES DA POPULAÇÃO tais como garagens e pequenos comércios. Para evitar a segregação –social e física- constatada na implantação de muitos conjuntos habitacionais, o projeto privilegia a construção de edifícios de escala reduzida inseridos no tecido preexistente. Desta forma se evitam os grandes condomínios, para dar lugar a • O projeto deve aceitar naturalmente EVENTUAIS MODIFICAÇÕES decorrentes das lógicas de apropriação dos usuários. edificações de escala e fisionomia compatível com o tecido urbano da favela; integrados formal e socialmente e, sobretudo adaptados à topografia e ao As edificações se localizarão fundamentalmente nas arranjo urbano existente. bordas do Córrego Guaraú para criar uma nova ‘fachada urbana’, definindo formalmente as bordas do novo espaço público criado. PRINCIPIOS DE PROJETO DAS TIPOLOGIAS A unidade como ‘abrigo neutro’ Embora limitadas em suas possibilidades dimensionais a • uma área de 50m², as unidades propostas estão Prever e se adaptar às MUDANÇAS NOS MODOS DE • obrigar a realizar adaptações difíceis e obras VIDA decorrentes dos avanços tecnológicos. custosas. concebidas como um suporte espacial neutro capaz de atender diversas condicionantes de uso e atender possíveis modificações no decorrer do tempo: • Atender novas formas de INTEGRAÇÃO FAMILIAR: família com filhos, casal sem filhos, multi-familias, idosos, etc. UNIDADE EDIFÍCIO "TIRA" 3 e 4 PAVIMENTOS Atender ao ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO sem UNIDADE EDIFÍCIO "PÁTIO" 4 e 5 PAVIMENTOS • Prever ESPAÇOS FLEXÍVEIS sem interferências estruturais e de instalações. UNIDADE EDIFÍCIO "TORRE" 8 e 10 PAVIMENTOS Equipe de Projeto Monica Drucker Ciro Pirondi Ruben Otero Victor Minghini Noelia Monteiro Rebeca Swann Eduardo Costa Vale