Número 09 | julho g u a r u l h o s : a NEVILLE 2013 e s t r a t é g i a B ROD Y : C ONTRA LIPPIN C OTT : MAR C AS SEM A d o m o v i m e n t o C ULTURA | p á g . GENÉRI C A | F RONTEIRAS | p á g . 2 2 3 6 p á g . 4 4 www.invepar.com.br e d i t o r i a l D2B DesignToBranding Magazine | 5 Horizonte de oportunidades Caro amigo, o mercado tem várias faces e a da economia criativa sorriu ao longo do ano passado. Se, por um lado, o Brasil não está crescendo da forma que esperávamos, nós do GAD’ – Grupo de Serviços de Marca continuamos firmes na nossa trajetória de crescimento consistente e continuado, acreditando há 29 anos que muito temos a aprender e fazer, por nós e pelo nosso País. Neste sentido, podemos ressaltar que uma das principais características do empreendedorismo brasileiro é, notadamente, a criatividade e sabemos muito bem trabalhar os temas da adaptação e da inovação. Recentemente, aprimorando os resultados para os clientes, colhemos importantes frutos em grandes projetos, incluindo GRU AIRPORT, 3M FloorCare, PLIGG e AM/PM, bem como um grande case de Varejo para Magazine Luiza. Alguns desses projetos receberam alto reconhecimento, incluindo três estatuetas do Prêmio Idea Brasil, Prêmio POPAI e Prêmio Museu da Casa Brasileira. As oportunidades continuam. Neste ano, obras ligadas à infraestrutura acontecem em todo o País, evidenciando a necessidade de projetos voltados à mobilidade urbana. A proximidade dos mais importantes eventos esportivos no Brasil, em 2014 e 2016, também aquece o mercado e aponta um horizonte promissor. O primeiro teste já começou com a Copa das Confederações. O cenário pode ficar ainda melhor se o Governo desatar alguns nós gerados por entraves políticos. Ainda mais depois de todas as manifestações. Não estamos mais nos bastidores, somos todos protagonistas neste momento de uma nova postura cívica. Acreditamos nas oportunidades e estamos com o pé no acelerador. O futuro é próspero para marcas que se posicionam e se fortalecem com gestão permanente. Invepar. Uma nova marca para ir cada vez mais longe. A crença do GAD’ no poder de mobilização e engajamento das marcas ganhou perspectiva global a partir da parceria estratégica firmada em 2012 com a norteamericana Lippincott, pioneira em consultoria de branding. O movimento foi tão bem-sucedido que decidimos trilhar o mesmo caminho em outra área de grande potencial, o wayfinding design. Estabelecemos uma aliança com a holandesa Mijksenaar, uma das mais renomadas consultorias do mundo neste segmento. Muito foi feito e, por isso, acreditamos que podemos fazer muito mais. Começamos atendendo ao chamado de nossa missão e levamos a você conteúdo de valor. Nas próximas páginas, conheça detalhes sobre a Herman Miller, pioneira na produção de peças que mudaram o imaginário e desejo de seus consumidores. Ainda, saiba tudo sobre o Social Design, que promove a aproximação do design às questões sociais, tendo como exemplo o Winterhouse Institute. A Invepar não para de crescer. Em apenas 5 anos, as empresas que compõem o grupo passaram de 2 para 11 e abriram caminho para os novos investimentos e a ampliação da sua área de atuação. Mas não paramos por aí, a Invepar também ganhou uma nova identidade visual, desenvolvida pela Gad. Seguir sempre em frente é o que nos movimenta. Mais uma vez, propomos um exercício de pensamento a partir de iniciativas inovadoras e reafirmamos a visão internacional do GAD’. Acreditamos que experiências, sem dúvida, ultrapassam fronteiras, criam vínculos, transformam negócios e direcionam mudanças. Assim, elaboramos a revista que está em suas mãos. mobilidade inteligente VLT CARIOCA Boa leitura e ótimas reflexões! Luciano Deos Número 09 | Julho 2013 Publisher: Luciano Deos | [email protected] Diretor Executivo: Valpírio Monteiro | [email protected] Editor associado: Carolina Fillmann Colaboração: Flávio Ilha, Carolina Leal, Tatiana Gappmayer, Andreas Muller, Ricardo Lacerda e Pedro Henrique Tavares Coordenação de produção: Carolina Fillmann Diretor de Arte: Valpírio Monteiro Design/Diagramação: Carolina Fillmann, Lumi Hinohara e Tássia Mohr Esquemas/Gráficos: Design de Maria Finalização: Design de Maria Revisão: Press Revisão Produção Gráfica: Fabiana Crippa e Daniel Soriano Fotografia: Denise Wichmann, Mikio Okamoto, Luciola Okamoto e arquivo GAD’ Papel capa: Couche L2-Suzano 230g Papel miolo: Couche L2-Suzano 90g Fontes: Didot, Warnock, Helvetica Neue e Myriad Pro Impressão: Posigraf Tiragem: 10.000 exemplares Colaboradores e personagens desta edição Amar Trivedi é Gerente de Desenvolvimento de Negócios da sy-ENGAGE - Nova Zelândia, consultoria especialista em mídia social. Também é coordenador do Midia Social Club em Auckland. Leia neste número 8 ByTheWay Especial | Lippincott Marcas sem Fronteiras estratégia de marca | Guarulhos Felipe Taborda é designer gráfico. Formado pela PUC / RJ, estudou cinema e fotografia na London International Film School (Inglaterra), Communication Arts no New York Institute of Technology e Graphic Design na School of Visual Arts (EUA). A Posigraf produz impressos certificados com o selo FSC, que identifica os produtos fabricados com matéria-prima proveniente de florestas manejadas segundo rigorosos padrões sociais, ambientais e econômicos. A estratégia do movimento perfil | NEVILLE BRODY Manifesto contra a cultura genérica TREnDS | Wayfinding design Pistas visuais educação | winterhouse institute O design para fazer o bem Ralph Wiegmann é presidente do Fórum Internacional de Design (Prêmio IF). 22 Retail experience design | magazine luiza Experiência emocional de consumo 22 36 36 44 52 58 44 64 case | DESIGN DE PRODUTO 3m Evolução sob o olhar de especialistas 70 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação ( CIP ) D111 D2B – Design to Branding Magazine / GAD’. – vol. 1, n. 1 (dez. 1994) - . – São Paulo: D2B Publicações e Promoções, 1994- v.;il. Irregular ISSN: 2237-9827 1. Design. 2. Arquitetura. 3.Inovação. I. Design to Branding Magazine. II. GAD’ CDD 745.2 Ficha Catalográfica elaborada por Sabrina Vicari CRB 10/1594 Para receber gratuitamente um exemplar desta revista, solicite pelo e-mail [email protected]. artigo | Inovação IF Conselho Editorial Eugênio Bucci é jornalista e professor da ESPM e da ECAUSP. Foi presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007 e assina colunas quinzenais na Revista Época e no Jornal O Estado de São Paulo. É autor de livros sobre ética do jornalismo, televisão e comunicação. Fabrício Tarouco é coordenador do Bacharelado em Design da Unisinos e professor nos cursos de Design, Comunicação Digital, Arquitetura, Moda e Design de Produto. É membro do Conselho de Design do Jornal Zero Hora. Para anunciar nesta revista, entre em contato com a nossa Área Comercial: 011 3040.2222 | 051 3326.2554 Isabel Borba é diretora comercial, de publicidade e circulação da Editora Trip. Esta é uma publicação da D2B Publicações e Promoções Ltda., empresa do GAD’ Serviços de Marca. João de Souza Leite é designer, autor de A herança do olhar: o design de Aloisio Magalhães e de inúmeros outros artigos, por duas vezes contemplado com o Prêmio Museu da Casa Brasileira (SP), é professor e pesquisador em design na ESDI/ Uerj e no Departamento de Artes & Design da PUC-Rio. www.gad.com.br São Paulo / SP (11) 3040 2222 | Rua do Rócio, 288 / 12° andar Bairro Vila Olímpia | 04552-000 Porto Alegre / RS (51) 3326 2500 | Av. Ceará, 320 Bairro São João | 90240-510 Leandro Tonetto é coordenador do Bacharelado em Design da Unisinos, sócio da Zooma – Consumer Experience, representante da Design & Emotion Society no Brasil, psicólogo pesquisador na área de Experiência do Usuário. Na vanguarda evolutiva do design Case | ESTRATÉGIA DE PRODUTO pligg Novas Fronteiras do plugar 76 64 84 Artigo | emotional design Os designers do imaterial na projetação para emoções Visual merchandising | lojas AMPM Design a serviço da conveniência design | Hermann Miller 90 76 98 Fábrica de ícones 102 ByTheSearch 112 OhMyGad! 114 ByTheBook 116 Opinião 118 84 98 O poder da face humana D2B DesignToBranding Magazine | 9 Veja mais: http://olegdou.com/ Quando criança, Oleg Dou passava horas intrigado com um livro de imagens pré-renascentistas. De família de artistas, o pequeno Oleg buscava compreender as diferentes expressões retratadas – de rostos tristes, outros estranhos e mais alguns que pareciam estar felizes, ou loucos, ou vazios de emoção. Depois disso, foi a vez de observar álbuns de família, recortes de jornais e revistas...Queria encontrar nessas novas figuras um sentimento de ambivalência, o que chamasse sua atenção e que o perturbasse de alguma maneira. A este curioso “método de observação”, Oleg somou um ta- lento aguçado para a fotografia digital, convertendo em arte a complexidade de expressões humanas. “Sou um artista que usa a fotografia como meio de comunicação”, define-se Oleg Dou. “Meu trabalho favorito é mostrar algo que não seja estereótipo. Isso pode ser por meio de freiras assustadas, pessoas que fingem chorar ou crianças infelizes – tudo o que não se espera ver”, explica o artista-fotógrafo ao acrescentar que se inspira em pinturas clássicas para produzir fotos de uma beleza plástica inimitável e que também por isso já rendeu a ele diversas premiações mundo afora, como o de Fotógrafo do Ano, na categoria Fineart, do International Photography Awards, no ano de 2008. “Meu objetivo, contudo, não é apenas criar beleza pela beleza, mas criar imagens que sejam poderosas”, ressalta. Um dos seus mais recentes projetos conta sua trajetória como artista, além de ser inspirado no livro The Face of Another, do escritor japonês Kobo Abe. O Another Face contém duas partes: a primeira é uma série de retratos fotográficos de grande formato, com faces cobertas de papel e desenhos. A segunda parte é, como o artista-fotógrafo identifica, um pseudo- documentário a partir de suas imagens de infância, clicadas na década de 1980. Foi nesta época que ele assistiu o filme O homem que ri (The man who laughs, de 1928, baseado no romance de Victor Hugo) e ficou abalado com a aparência do personagem principal – um sujeito que trabalhava no circo e que trazia enormes cicatrizes, que iam de sua boca até seus ouvidos. O trabalho é, assim, a combinação desses falsos sorrisos, do universo circense subvertido e do distúrbio causado pela ambivalência, algo que causa, sem dúvida, distintas reações em seu espectador. Um novo museu para o Design D2B DesignToBranding Magazine | 11 Veja mais: www.designmuseum.org Fundado há mais de 20 anos e um dos mais importantes centros de memória de arquitetura e design do mundo, o Design Museum, em Londres, prepara-se para mudar de endereço. E a nova residência não poderia ser mais emblemática: o Commonwealth Institute (CI), prédio icônico modernista da década de 1960 que estava sem receber atividades havia mais de uma década. Com uma área três vezes maior que a sede atual e um investimento total que supera 80 milhões de libras, o novo museu se localizará junto ao Kensington’s Cultural Quarter, onde já estão reunidas outras instituições deste tipo, como o Museu de História Natural e o Museu da Ciência. Mais que catapultar o Design Museum a outro patamar na promoção do design e da arquitetura contemporânea, a mudança possibilitará estimular uma plataforma criativa e transdisciplinar entre os diversos segmentos artísticos localizados num mesmo quarteirão. A equipe que assina a nova sede é composta por profissionais que fizeram parte do projeto original de construção do CI, como o arquiteto Lord Cunlliffe e o engenheiro James Sutherland. Além deles, o Design Museum leva a assinatura de dois dos principais expoentes arquitetônicos da atualidade: o inglês John Pawson, responsável pelo redesenho do interior da edificação, e do escritório holandês OMA, que se encarregou do planejamento paisagístico externo. “A coisa mais emocionante é que, no final de tudo isso, Londres terá um museu de classe mundial de design, com galerias para exposições permanentes e temporárias, espaços de educação e biblioteca. Há um simbolismo particularmente agradável no fato de que, ao fazer este legado para as gerações futuras, estamos reaproveitando uma obra arquitetônica icônica. Espero que o resultado demonstre que você não precisa demolir prédios antigos para fazer um novo e maravilhoso espaço público”, ressalta o empolgado Pawson, que possui uma trajetória de mais de três décadas dedicadas à concepção de projetos residenciais, comerciais, da arquitetura efêmera e da remodelação de edifícios. A expectativa com a alteração de residência e o incremento de mais atividades à rotina do museu é que seu número atual de visitantes de 500 mil/ano duplique. Legado para o design gráfico Fotógrafo, construtor efêmero, artista, designer, professor, mas, sobretudo, um criativo. Assim era Gustav Klutsis, nascido em 1895, na Letônia. Pioneiro no desenvolvimento da fotomontagem – técnica que combina o uso de imagens, tipografia e fotografia –, Klutsis realizou seus estudos em artes em Riga e em São Petersburgo, além de, em 1919, aprender com o artista Kazimir Malevich. Posteriormente, foi professor de teoria da cor na Vkhutemas – mais importante centro para a difusão do construtivismo, racionalismo e suprematismo russos, local onde também desenvolveu intervenções artísticas para eventos e elaborou D2B DesignToBranding Magazine | 13 pequenas construções por meio do design e da arquitetura. Defensor do Stalinismo, Klutsis foi um dos responsáveis por conceber a retórica visual da propaganda da recém-criada União Soviética, especialmente no período em que contempla a difusão da sua revolução cultural, social e econômica. Tal produção inclui o desenho de cartazes, displays, outdoors e de espaços utilizados para os mais diferentes momentos do regime. Dizia ele que, para o novo momento da nação, era necessário estabelecer um novo código imagístico, ultrapassando as artes ditas tradicionais. Por isso o uso somado da fotomontagem com a cor, a pintura e de outros recursos gráficos. Uma de suas colaborações mais importantes destinou-se à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais, realizada em Paris, no ano de 1925. Preso e morto pelo mesmo regime que apoiava, Gustav Klutsis faleceu no ano de 1938. No entanto, seu legado para o design gráfico assim como para as diversas artes em que atuou permanece presente. Veja mais: www.moma.org/collection/artist.php?artist_id=12501 Uma alegoria tecnológica e extraordinária Imagine um aeroporto lotado: pessoas transitando de um lado a outro, filas para fazer o check-in ou o embarque, vistoria de segurança e recebimento da mala. Etapas geralmente estressantes para qualquer um que deseja viajar de avião. Agora imagine o mesmo aeroporto com enormes intervenções espaciais que unem a tecnologia, a arquitetura, o design e um grande senso estético. O resultado desta combinação possibilita ambientes mais harmônicos e tranquilos de se frequentar. Assim são os aeroportos de San José, na Califórnia, e de Atlanta, na Georgia, ambos localizados nos Estados Unidos, que contam com as instalações eCLOUD e airFIELD, respectivamente. A base para elaborar os dois projetos é a mesma: o cristal líquido somado à programação tecnológica, às artes e à cria- D2B DesignToBranding Magazine | 15 Veja mais: www.airfieldsculpture.com/ www.ecloudproject.com/ tividade. Para elaborar o eCLOUD, a inspiração surgiu das condições meteorológicas de diferentes partes do mundo. Estas alterações climáticas funcionam como um código que programa digitalmente o fluxo das milhares de placas de cristal posicionadas pelo ambiente. Em função de sua origem, as instalações em formato de nuvens nunca apresentam o mesmo aspecto, às vezes estão mais translúcidas e, em outras, mais escuras. Já o airFIELD – a mais recente criação da empresa –, as esculturas são influenciadas em tempo real pelo tráfego aéreo do próprio aeroporto: viagens de curta distância, por exemplo, produzem um efeito distinto das viagens de distância maior no seu comportamento. Além disso, o volume de chegadas e partidas dos aviões também provoca a mudança visual das instalações, que se parecem com o movimento do vento. Texturas inquietas Londres, Hong Kong, ou o interior do Japão. Em qualquer um desses lugares, pode-se conferir uma das impactantes criações do Heatherwick Studio. A empresa de origem inglesa, fundada em 1994 por Thomas Heatherwick, concebe projetos que unem a arquitetura, a infraestrutura urbana, o design e as artes com uma capacidade única de antever novas formas de viver e relacionar-se com o mundo. O resultado desta combinação são produções cada vez mais icônicas e que traduzem uma contemporaneidade nas diferentes disciplinas trabalhadas. Isto pode ser um hotel-design, um templo budista, um novo modelo para o ônibus londrino ou uma intervenção num centro comercial. No entanto, nada se compara ao pavilhão desenvolvido para o governo britânico durante a Feira Expo 2010, ocorrida na China. A história do projeto iniciou em 2007, quando o estúdio venceu o concurso para criar o espaço. O desafio consistia em estabelecer um dos cinco mais populares pavilhões para a famosa feira – que reúne 200 países participantes e recebe cerca de 70 milhões de visitantes. Além disso, o projeto deveria considerar três pontos fundamentais: desenhar uma arquitetura externa como reflexo do conteúdo a ser exibido; ser um espaço público no qual os visitantes poderiam relaxar; e, por último, ser simples, mas com uma imagem forte o su- D2B DesignToBranding Magazine | 17 ficiente para chamar a atenção entre tantos outros pavilhões distribuídos pela Expo. Com um orçamento reduzido, o estúdio focou-se em idealizar algo grandioso que simbolizasse a Inglaterra e que estivesse em sintonia com a proposta da feira: melhor cidade, melhor vida. A inspiração veio justamente da criatividade e da inovação inglesas, com a concepção do Seed Cathedral. Com 20 metros de altura e construído a partir de 60 mil cordões ópticos de 7,5 metros de comprimento cada, o Seed Cathedral somou o trabalho do Royal Botanical Gardens e seu banco de sementes com a apresentação das cidades inglesas. Durante o dia, o interior era iluminado apenas pela luz do dia filtrada por meio de sementes instaladas em cada cordão óptico. Já pela noite, fontes de luz de cada haste colocaram toda a estrutura para brilhar. E, com a ajuda do vento, a estrutura dos cabos se movia, produzindo um efeito dinâmico e sensorial. Após o fim do evento, cada elemento óptico e seu conteúdo foram distribuídos entre as escolas chinesas e inglesas numa analogia às sementes dos dentes de leão, que se dispersam com a brisa. Uma maneira de manter permanentemente um conceito que estimula a natureza em total harmonia com a vida moderna. Veja mais: www.heatherwick.com Design engajado Hernán Berdichevsky Argentina Fidel Sclavo Uruguay Jonathan Barnbrook England + Marwan Kaabour . illustration Izzy Way Diego Bermúdez Colombia Jamila Varawala India Para saber mais: www.globallmix.com Michal Batory Poland Isidro Ferrer Spain . photo Hugo Ferrer Goded Sandra Monterroso Guatemala Pekka Loiri Finland Barbara Szaniecki Brazil Tudo começou há pouco mais de 20 anos. Era época da Rio 92 e momento de se refletir sobre a preservação do meio ambiente e, assim, do futuro do planeta. O designer Felipe Taborda, já um profissional reconhecido na área, teve então uma ideia: convidar 30 artistas gráficos do mundo todo para conceber uma mostra de pôsteres que traduzisse visualmente a importância e urgência do tema. O resultado deste encontro foi 30 cartazes para o meio ambiente e o desenvolvimento, exposto durante o evento e que tornou-se numa referência no design gráfico mundial. Duas décadas depois – com a organização do Rio +20 –, foi a vez de retomar a ideia e celebrar mais uma vez o meio ambiente, com a concepção da mostra de cartazes Globo-all Mix. Nesta nova incursão, Taborda convidou um novo time de 30 designers, como Alain Le Quernec, da França; Alejandro Magallanes, do México; Celeste Prieto, do Paraguai; Lizá Ramalho, de Portugal; e Jamila Varawala, da Índia. As peças gráficas, que combinam diferentes tipos de expressões artísticas, possuem, como na primeira exposição, extrema força visual, sem deixarem de ser objetivas: trazem uma visão positiva quanto à sustentabilidade somada à conscientização da população, alertando quanto ao futuro da humanidade. Assim é, por exemplo, a flor “radioativa”, do polonês Michal Batory, ou do planeta desolado, do brasileiro Fábio Arruda. Além disso, a iniciativa – que promoveu também um debate sobre a relação entre design e sustentabilidade – extrapolou as fronteiras do evento brasileiro: a série de cartazes já foi exposta em diversas partes do mundo, como Hungria, Japão e Bolívia, numa maneira de manter viva essa causa. D2B DesignToBranding Magazine | 19 D2B DesignToBranding Magazine | 21 b r a n d i ng | l i pp i nc o t t Marcas sem fronteiras A Lippincott consagrou o conceito de identidade corporativa e deu personalidade a algumas das marcas mais reconhecidas do mundo. Agora, ao lado do GAD’lippincott, o desafio é contar uma nova história no Brasil. b r a n d i ng | l i pp i nc o t t Talvez você não saiba quem foi Gordon Lippincott. Mas é muito provável que conviva diariamente com seu legado. Que está por toda parte: em supermercados, em aviões, em telefones celulares e até em uma singela latinha de Coca-Cola. Gordon, muito prazer, foi o cofundador da Lippincott, um dos mais arrojados escritórios de branding e design do mundo. Ao lado do arquiteto e designer Walter Margulies, ele estabeleceu novos padrões de construção de marca e foi o responsável por criar e difundir o conceito de identidade corporativa. Os desdobramentos desse trabalho, que começou em Nova York, 70 anos atrás, despontam hoje em um portfólio de 3 mil clientes ao redor do mundo – inclusive no Brasil – e abrangem marcas consagradas no olimpo do branding. A Lippincott deu novo brilho à identidade visual do Walmart; ajudou a Delta Airlines a arremeter depois de quase ir à falência, em 2007; conduziu a Samsung a um discurso de marca coerente para todos os segmentos em que atua; e ainda criou, no final dos anos 60, aquela inconfundível “onda” que dá personalidade ao logo da Coca-Cola em qualquer cultura, tempo e lugar. No Brasil, a Lippincott estabeleceu a plataforma de posicionamento que ajudou a expandir as fronteiras da marca Vale, a segunda maior mineradora do mundo. E tudo indica que a lista de cases brasileiros vai crescer mais: desde maio de 2012, o escritório norte-americano é o novo parceiro estratégico do Gad’Branding. Uma união de forças que pretende estabelecer um padrão diferenciado de construção de marca para as companhias brasileiras que estão em processo de internacionalização (veja mais detalhes sobre a parceria na página 33). A trajetória que levou a Lippincott ao cume do mercado de branding e design não foi trilhada ao acaso. Baseou-se em uma filosofia diferenciada: a de que marcas são “possibilidades” – isto é, ativos capazes de criar desejos, moldar experiências de consumo e redefinir demandas de mercado. Para a Lippincott, uma marca é mais do que a representação de uma empresa e do que ela faz; é, também, uma forma de estabelecer até onde essa empresa pode (e quer) chegar. Nesse cenário, o grande desafio é combinar o pensamento estratégico do cliente com uma excelência criativa em design e transformar, assim, as “possibilidades” da marca em resultados concretos de negócios. E é isso que a Lippincott faz. Foi com esses princípios que, em 2011, a Lippincott redesenhou a identidade visual da Starbucks. Na época, a rede de cafeterias buscava um meio de comunicar com clareza a sua visão de futuro e oferecer ao consumidor experiências mais envolventes de compra. Os profissionais da Lippincott foram a campo e renovaram os principais elementos da marca. Desenvolveram uma cartilha com orientações de aplicação desses elementos e estabeleceram as abordagens visuais capazes de comunicar o novo posicionamento da Starbucks. Uso do logo, padrões gráficos e tipográficos, repertório de imagens e cores, layouts e linguagens – nada ficou de fora. Hoje, a Starbucks se posiciona não só como uma rede de cafeterias, mas também como um espaço de convivência que retém e encanta o consumidor. Mais: em fevereiro deste ano, a marca foi premiada como um dos 100 melhores cases de reposicionamento, segundo o Rebrand 100® Global Awards – um dos mais respeitados prêmios da área. Marcas que contam histórias Rick Wise, atual CEO da Lippincott, é quem tem a missão de comandar o legado de inovações deixado por Gordon e Walter. Formado na Universidade da Pensilvânia e com MBA pela Wharton, ele acumula mais de 20 anos de experiências com consultoria focada em branding, tendo passado por clientes como Chevrolet, Johnson Controls, Samsung e Walmart. Mais do que um especialista em marcas, Rick é um multiplicador do pensamento que rege o trabalho da Lippincott. Nos Estados Unidos, costuma assinar artigos especializados em publicações do calibre de Harvard Business Review, The Wall Street Journal, Financial Times e MIT Sloan Management Review. Em 2003, lançou em coautoria o livro How to Grow When Markets Don’t (“Como Crescer Quando os Mercados Não Crescem”, ainda sem tradução no Brasil). É ele que tem a função de manter a Lippincott no centro gerador das grandes tendências de branding. Para Rick, a nova fronteira das marcas está no storytelling. Isto é: na capacidade de, literalmente, contar histórias que cativem o consumidor. “As marcas que vão se destacar nos próximos cinco anos serão aquelas que contam histórias autênticas, trazidas b r a n d i ng | l i pp i nc o t t D2B DesignToBranding Magazine | 27 1943 à vida por meio de experiências inspiradoras e encantadoras [para o cliente]. Essas marcas vão balancear aquilo que é verdadeiro e genuíno com aquilo que é novo para, assim, manterem-se relevantes e adoradas”, sustenta ele, em entrevista à D2B. Hoje, garante o CEO da Lippincott, o mundo é controlado pelo consumidor. Com acesso ilimitado à informação e um olhar cada vez mais crítico em relação aos discursos das marca, é ele – o consumidor – quem tem o poder de definir quais empresas terão mais ou menos espaço para prosperar. Nesse cenário, as estratégias de branding precisam ter o consumidor como um aliado. E é justamente aí que entra a importância do storytelling: é preciso ter boas histórias para conquistar o consumidor e tê-lo como um aliado. Histórias, nesse caso, significam não só o conjunto de discursos explícitos da marca, mas também as suas entrelinhas. Isto é: ações, comportamentos e outros pontos de contato que moldam a experiência do consumidor. A Lippincott acredita que essas histórias precisam ser autênticas para criar uma ligação emocional entre a marca e as pessoas. A mesma lógica se aplica à programação de design das marcas. Connie Birdsall, diretora de criação da Lippincott, destaca que há uma transformação acontecendo no papel do design: em vez de uma simples ferramenta para processos criativos, a disciplina está se tornando uma das bases fundamentais das estratégias de identidade corporativa. “Antigamente, tinha a função de padronizar todos os elementos da identidade: o logo, a tipografia, as cores e onde o conteúdo deveria ir. Hoje, no entanto, o design de excelência é necessário para criar um mundo novo e levar o consumidor a tentar descobri-lo”, compara ela (confira a íntegra da entrevista de Connie na página 31). O caso da Starbucks é fruto desse pensamento. E não é o único – o currículo de cases da Lippincott também passa por Dell, Manitowoc, Taca, Hyatt, Infiniti e The Gilette Company, entre mais de 300 marcas. Um exemplo emblemático é o eBay. Na última década, o mais popular portal de e-commerce do planeta revolucionou sua plataforma de operação. Deixou de ser apenas um site de leilões e revenda de produtos usados e começou a oferecer produtos novos, com pronta-entrega e um sistema de pagamentos ágil e confiável. A companhia também diversificou os pontos de contato com o consumidor ao entrar – e assumir a liderança – no mercado de aplicações mobile. Entretanto, durante todo esse processo, tanto o logo quanto a identidade corporativa do eBay continuaram exatamente iguais. Era preciso renová-los. Mas como fazer isso com uma marca-ícone do e-commerce, conhecida e admirada globalmente, sem sonegar a sua bagagem histórica? A resposta começou a ser desenhada com uma bateria de pesquisas de campo. Os profissionais da Lippincott promoveram workshops com executivos, funcionários e agências do eBay para identificar a estratégia e delinear a real personalidade da marca. Também sistematizou seu conjunto de atributos e ela- Today borou uma narrativa própria que foi traduzida em uma nova identidade visual para a marca. Em setembro de 2012, o eBay apresentou ao mundo um logo mais leve e vibrante, sóbrio e consistente. A nova realidade do maior portal de e-commerce do mundo despontava, enfim, em sua maior assinatura. O Brasil no mapa do branding Agora, o expertise da Lippincott está mais próxima das empresas brasileiras. Desde maio de 2012, o escritório norte-americano mantém uma joint-venture com o Gad’Branding, braço de estratégias de marca do grupo GAD’. O resultado dessa união de forças é o Gad’Lippincott, uma consultoria de negócios talhada para dar suporte às empresas brasileiras que buscam a internacionalização. A ideia é aplicar, aqui, as mesmas metodologias e abordagens utilizadas pela Lippincott na construção de grandes marcas como Coca-Cola, McDonald’s e Starbucks, entre outras. Ao mesmo tempo, a Lippincott abre b r a n d i ng | l i pp i nc o t t D2B DesignToBranding Magazine | 29 O processo da Lippincott O que nos faz diferentes Rigor analítico e poder criativo Nós exclusivamente combinamos negócios baseados no pensamento estratégico e na excelência em design para transformar possibilidades de marcas em resultados para os negócios. Nós acreditamos na imaginação, mas uma estratégia rigorosa estratégia e um design poderoso são reflexo de ideias inteligentes. Visual Silhuetas em anúncios para iPod Apple Som Assinatura sônica Intel Toque Forma ergonômica, cabos emborrachados Oxo Forma Vidro nostálgico em formato de garrafa Coca-Cola Perfume Aroma de madeira no interior Rolls Royce Sinais de assinaturas Voz ”Obrigada por voar conosco” JetBlue Comportamento Humano Baristas bem treinados Starbucks Cor Distintiva caixa azul Tiffany Serviço 24/7 serviço customizado Zappos Produto único Ignição para canhoto Porsche Ritual Emparelhamento com uma cunha de cal Corona uma importante frente de negócios em um dos mercados mais cobiçados do mundo. “Como líderes globais em estratégia e design de marca, a Lippincott precisa servir seus clientes em todos os mercados que eles desejarem atuar”, resume Richard Wilke, diretor de Desenvolvimento de Negócios Globais da Lippincott. Como o Brasil tem mantido boas médias de crescimento econômico, é natural que cada vez mais clientes mirem suas marcas para cá. “Muitos deles nos Estados Unidos, Europa ou Ásia nos pedem orientação para atuar no mercado brasileiro,” garante Richard. O CEO, Rick Wise, concorda. Embora não envolva troca de ações entre as companhias, a parceria ajudará a Lippincott a ganhar terreno em um mercado promissor. “Temos uma boa oportunidade ao trazer as aptidões globais da Lippincott e aliá-las à experiência local do GAD’”, explica. Fundador e CEO do Gad’Branding, Luciano Deos diz que a união com a Lippincott vem da vocação comum para construir marcas de qualidade. Para ele, o DNA das duas empresas se encaixa com naturalidade e cobre uma lacuna no atual segmento de branding. “A aliança coloca à disposição do mercado brasileiro uma consultoria de negócios por meio de todo o potencial que pode ser explorado a partir da estratégia e identidade das marcas. Além disso, criamos uma operação verdadeiramente forte, local e globalmente”, destaca. A parceria tem duas mãos: além de beneficiar a Lippincott no mercado brasileiro, ajudará a levar os clientes do GAD’ para novos mercados. “Eles querem crescer na América Latina e nós pretendemos alavancar nossos negócios em escala internacional, tomando como base o extenso portfólio do nosso sócio”, detalha Deos. A aliança já começa a render os primeiros frutos. Recentemente, o Gad’Lippincott foi contratado pela Associação Nacional das Indústrias do Biscoito (Anib), que reúne os fabricantes de grandes marcas do setor – como Bauducco e Piraquê. O objetivo da entidade é revisar o planejamento estratégico e desenvolver uma estratégia de branding para a Brazilian Biscuit, uma marca criada especialmente para promover os biscoitos brasileiros no exterior. O projeto prevê a realização de estudos para entender as preferências dos consumidores estrangeiros e mapear oportunidades de inserção internacional das empresas participantes da Brazilian Biscuit. Também busca meios de aprimorar a imagem dos produtos brasileiros lá fora. Será a primeira oportunidade para o Gad’Lippincott mostrar a que veio. “Isso é inédito na América Latina: dois dos maiores escritórios de branding do mundo unidos para oferecer soluções diferenciadas”, explica Luciano Deos. Gordon e Walter ficariam orgulhosos. Histórias autênticas • Onde estão as grandes oportunidades? • Qual é a força da marca, hoje, tanto em história quanto em experiência? • Como se articular de uma forma simples, emocional e tangível? • Quais são as opções para o futuro? Assinaturas inovadoras • Onde está a maior influência do “aborrecimento do cliente” que podemos resolver através da experiência? • Que inovações podemos ser pioneiros para desencavar uma experiência única para a marca? Design imersivo • Qual é o portfólio de marcas que é tanto autêntica quanto flexível? • Quais são as formas que podemos mergulhar o cliente em uma rica abordagem de projeto em todos os pontos de contato? Organização energizada • Qual é a estratégia para envolver as equipes? • Que elementos do programa são necessários para inspirar crença e permitir ação? b r a n d i ng | l i pp i nc o t t D2B DesignToBranding Magazine | 31 Pergunte à Lippincott Desde que as marcas deixaram de ser mera ferramenta de design, a ordem do dia é elevá-las a status estratégico para os clientes. Especialmente na Lippincott O que esperar de uma marca? No mínimo, que ela funcione como o grande referencial de empresas, produtos ou serviços; no máximo, incontáveis possibilidades. Em um cenário desafiador, a Lippincott vem traçando estratégias de design de marcas para clientes nos mais diferentes mercados. Nos Estados Unidos, no Oriente Médio ou no Brasil, a regra é a mesma: é preciso entender – e responder – os anseios do consumidor por meio de experiências autênticas e inspiradoras. A D2B conversou com três executivos da Lippincott para entender as tendências globais do branding, a evolução do design de marca e as estratégias da parceria com o Gad’Branding. Confira: “Será preciso estabelecer um equilíbrio entre aquilo que é verdadeiro e genuíno e o que é novo e vital” Rick Wise, CEO da Lippincott Como você vê o mercado de branding daqui a cinco anos? A hiperconectividade e a transparência radical criaram um conjunto de desafios para as empresas, mudando o modo como elas devem construir suas relações com os clientes. As marcas precisarão contar uma história autêntica, levando aos consumidores experiências encantadoras. Será preciso estabelecer um equilíbrio entre aquilo que é verdadeiro e genuíno e o que é novo e vital para que elas sejam relevantes. É aí que enxergo a Lippincott: ao lado destas marcas, ajudando-as a fazer acontecer. E no curto prazo, quais são os objetivos da Lippincott? Continuamos a ver crescimento nos Estados Unidos e em re- giões como Ásia, Oriente Médio e América Latina. Nestes mercados, sentimos que há um aumento na demanda por serviços que vão além do trabalho tradicional de marcas. São projetos que envolvem ações como mudanças de posicionamento, elaboração de portfólio, nomenclaturas e design – buscando levar uma experiência inovadora para o cliente. Que diferenciais a Lippincott apresenta para se destacar nestes mercados? Quando a empresa começou, trabalhávamos muito com design industrial. O cenário era bem diferente do que é hoje. Atualmente, temos uma gama diversificada de backgrounds. Em nossas equipes, temos estrategistas, cientistas de marketing, consultores, antropólogos, sociólogos, designers gráficos, ilustradores, linguistas, arquitetos, escritores... Trabalhamos unidos, de maneira altamente colaborativa e com o objetivo de construir as melhores marcas de amanhã. Rick Wise Connie Birdsall “As empresas perceberam que o design pode tornar uma marca mais humana” Connie Birdsall, diretora de Criação Como você tem visto a evolução do design? Quando comecei, o foco estava principalmente na consistência da marca. A identidade era vista de maneira um tanto intransigente. Os sistemas de design eram criados com objetivo de padronizar os elementos básicos da identidade, como logo, tipologia, cores e posição do conteúdo. Hoje, no entanto, o design de excelência é necessário para criar um mundo novo e levar o consumidor a tentar descobri-lo. A ideia de que o design pode ter papel significativo no negócio não é um conceito novo, mas, com as mídias digitais e a aceleração do ciclo de vida das marcas, as empresas perceberam que ele pode tornar uma marca mais humana, permitindo que ela cresça e evolua sem perder a relevância e a defesa de sua unidade. Além disso, os projetos não devem estar restritos à aparência da marca, mas fazer com que ela leve os consumidores a mergulhar em uma grande ideia. O design é dinâmico, e não estático; é baseado Richard Wilke em ideias, e não em aplicações. As expressões de marca requerem dupla autenticidade: com a sinceridade, que faz com que ela seja crível e confiável, e com os novos elementos criativos, que dão energia, repercussão e vitalidade. Que tendências estão despontando no design de marca? A forma como marcas se comportam no tempo e no espaço impacta na maneira como pensamos o design. Atualmente, já imaginamos algo começando pelo contexto digital, em que vamos nos valer da experiência do movimento. Ao mesmo tempo, temos que ter em mente que aquilo ainda é uma imagem fixa. A assinatura do design e as surpresas que ela pode trazer também devem ser duradouras. Tudo isso é parte da transição do design com “d” minúsculo para o design com “D” maiúsculo. Estamos vendo como as marcas precisam evoluir e analisando as maneiras como o design pode ajudá-las a se manterem vibrantes, vitais, novas e excitantes. Como fazer para que a identidade de uma marca seja bem interpretada em diferentes culturas? b r a n d i ng | l i pp i nc o t t A primeira coisa é dar flexibilidade ao design. Assim, é possível transformar a marca e o projeto em algo relevante para mercados locais. Ao mesmo tempo, é importante ter elementos que não mudem e que sejam coerentes com as diferentes culturas – como idioma, cores e imagens – e com a estrutura global da empresa. “É preciso não perder a essência da marca, adaptando-a à cultura local sem deixar de ser fiel à clareza daquilo que ela representa” Richard Wilke, diretor de Desenvolvimento de Negócios Globais Para a Lippincott, qual é a importância da parceria com o GAD’? O objetivo é duplo: continuar a servir nossos clientes globais a expandirem negócios na América Latina e ajudar as empresas líderes do Brasil a construir suas marcas com sucesso no cenário externo. Para isso, é importante ter um parceiro forte, que entenda o ambiente de negócios e a cultura local. Como você avalia o intercâmbio entre Lippincott e GAD’? A razão para termos selecionado o GAD’ é que sentimos que eles têm uma filosofia similar sobre o contexto do negócio. Assim como nós, colocam ênfase na estratégia e no design. Até agora, provamos haver muita simbiose em nosso trabalho conjunto. Que conselhos você daria para empresas que querem inserir suas marcas no mercado da América Latina? Trata-se de uma coleção de países muito distintos. Por isso, não existem regras para latino-americanos. Neste mercado, a competição é íngreme e a autenticidade é chave. Não basta vender um produto ou serviço, mas sim mergulhar na cultura e na compreensão das demandas dos consumidores para então oferecer algo a eles. Mesmo assim, é preciso não perder a essência da marca, adaptando-a à cultura local sem deixar de ser fiel ao que ela representa globalmente. D2B DesignToBranding Magazine | 33 Via de mão dupla O Brasil está na vitrine do mundo. Cada vez mais grupos estrangeiros cobiçam o crescente poder de consumo no país – ao mesmo tempo em que cada vez mais empresas brasileiras desbravam negócios no mercado externo. Atento tanto em quem chega como em quem sai, o Gad’Branding formou uma aliança estratégica com a norte-americana Lippincott, formando o Gad’Lippincott. Luciano Deos, CEO do GAD’, fala sobre o novo desafio: parceria. Um dos primeiros projetos desenvolvidos foi para a Associação Nacional das Indústrias do Biscoito (Anib), que reúne marcas como Bauducco e Piraquê. O trabalho envolve um profundo estudo da marca de promoção comercial deles, a Brazilian Biscuit, e tem como objetivo posicionar os biscoitos brasileiros de forma diferenciada internacionalmente. Além disso, estamos apoiando a Anib na revisão de seu planejamento estratégico. Como você avalia este momento para o Gad’? Com muita tranquilidade e confiança. A aliança que estamos formando com a Lippincott coloca à disposição do mercado uma consultoria de negócios que utiliza todo o potencial da estratégia e da identidade das marcas. Criamos uma operação verdadeiramente forte para projetos locais e intervenções globais. Isso é inédito na América Latina: dois dos maiores escritórios de branding do mundo unidos para oferecer soluções diferenciadas. As organizações brasileiras sabem cuidar das suas marcas? As marcas precisam ser observadas sob duas óticas: existe a marca de empresa ligada à corporação e existe a marca de produtos ou serviços. De forma geral, as empresas estão recém começando a entender o papel da marca como construção da imagem e elemento que direciona o discurso da organização. Mas estamos avançando. Onde GAD’ e Lippincott pretendem chegar com a parceria? Enquanto o GAD’ é líder no mercado brasileiro em projetos de branding e design, a Lippincott foi precursora no desenvolvimento de metodologias e conceitos que envolvem branding – além de ter o prestígio de atender às principais marcas do mundo, como Coca-Cola e McDonald’s. Eles querem crescer na América Latina, e nós pretendemos alavancar negócios em escala internacional, tomando como base o extenso portfólio do novo sócio. Como está sendo trabalhar com eles? A sinergia do DNA das duas empresas é o principal vetor da Quem lidera esse avanço? Empresas exportadoras, que passam por um processo de construção de produtos globalizados. Há bons exemplos, mas ainda assim temos uma gama relativamente pequena de produtos internacionalizados. Jamais teremos marcas mundialmente reconhecidas se não tivermos produtos globais – o que demanda estratégia e investimento. O mundo dos negócios normalmente é pautado pelo tangível, mas a marca também tem valor – embora dif ícil de atribuir de maneira objetiva. Hoje, as marcas são mais despojadas, o que as aproxima do consumidor. O que todas terão que fazer é colocar verdade no novo discurso. Mas a grande maioria não colocará. D2B DesignToBranding Magazine | 35 e s t r a t ég i a d e m a r c a | A e r o p o r t o G u a r u l h o s A Estratégia do Movimento O dinamismo e a internacionalização do mais movimentado aeroporto do hemisfério Sul estão traduzidos no novo nome e marca estrategicamente criados pelo GAD’Lippincott. e s t r a t ég i a d e m a r c a | A e r o p o r t o Cenário de chegadas e partidas, de histórias de cerca de 35 milhões de pessoas que, anualmente, se encontram, se despedem e seguem suas trajetórias, o Aeroporto Internacional de Guarulhos precisava de um nome para chamar de seu. Um nome que representasse toda a importância de um dos maiores complexos aeroportuários da América Latina. Identificado por muitos como Cumbica e Guarulhos e, por alguns, pelo oficial Governador André Franco Montoro, faltava ao equipamento uma denominação única, que revelasse ao mais desavisado dos passageiros todo o dinamismo e internacionalização do local onde ele se encontrava. Foi dessa reflexão inicial do trabalho de branding do Gad’Lippincott que nasceu a nova designação GRU Airport – Aeroporto Internacional de São Paulo. G u a r u l h o s O nome precisava, além da facilidade na assimilação pelos públicos interno e externo e na replicação nas mais variadas mídias, reforçar a realidade atual de investimentos, de aperfeiçoamentos e de preparação para o futuro. A ideia foi desenvolvida a partir da intenção de aproveitar a sigla GRU, que simboliza o complexo em todo o mundo. Com isso definido, foi acrescentada a palavra em inglês Airport, adequando o equipamento para uma nova etapa de transformações e de voos com destino à qualificação da infraestrutura. Principal porta de entrada do Brasil, é do complexo inaugurado em 1985 que chegam e partem 51% das viagens internacionais e 50% da carga ou mala postal, conforme pesquisa da Skytrax de 2012, que analisa o mercado de aviação. Concebido para voos domésticos (exceto a ponte aérea Rio-São Paulo) e para outros países, ocupa hoje a quarta posição como melhor ae- EFICIENTE FACILITADOR D2B DesignToBranding Magazine | 37 roporto da América Latina, de acordo com análise do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizada em 2008, com rotas para mais de 23 nações. Tornar o equipamento em um ícone do país e no maior hub aeroviário latino-americano é um dos objetivos a serem alcançados por meio da construção estratégica do nome, da marca, da linguagem e da identidade visual do GRU Airport. Eficiência à demanda Constituído por três terminais (e com recursos liberados no ano passado para a construção do Terminal 4), mais de 250 balcões de check in e em torno de 40 companhias aéreas que ali operam, o aeroporto tem uma capacidade potencial para atender a 60 milhões de passageiros/ano nas próximas duas décadas, sinaliza a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República. Para responder com eficiência à elevada demanda que vem sendo registrada – impulsionada por fatores como o crescimento do poder aquisitivo da Classe C e pela perspectiva do incremento de aproximadamente três milhões de turistas na Copa do Mundo de 2014 –, o GRU Airport está passando por modificações para se adaptar ao novo momento vivido pelo setor, assim como para alterar a visão negativa existente no Brasil e no exterior sobre o segmento, consequência do apagão aéreo e da falta de investimentos na área. Uma das ações postas em prática pelo governo federal para reverter esse cenário e aparelhar os complexos para comportar aeronaves de grande porte e disponibilizar uma gama diferenciada de serviços e produtos para quem precisa esperar seu voo envolve a concessão dos terminais à iniciativa privada. O GRU Airport, por exemplo, foi concedido em 2012 ao consór- DIVERSIDADE PRÓXIMO e s t r a t ég i a d e m a r c a | A e r o p o r t o cio Invepar/Airports Company South Africa (ACSA), por um período de 20 anos, pelo valor de R$ 16,2 bilhões. Ambas as empresas contam com expertise nesse ramo de atuação e na gestão do fluxo intenso de passageiros. Ainda no ano passado, após a definição do novo nome, o Gad’Lippincott embarcou no projeto de dar à marca a alma e a energia de São Paulo, a cidade brasileira mais influente no panorama econômico global. Essência dinâmica Assim como a capital paulista, o GRU Airport não para. Esse dinamismo, força motriz da cidade para evoluir e estar em constante transformação, inspirou o novo posicionamento do aeroporto: Guarulhos sempre em movimento. Ele simboliza a rota que começa a ser percorrida em busca de mais qualidade e de tornar o complexo uma referência nacional e internacional (passando a configurar na lista dos 100 melhores do mundo), conectando pessoas, lugares e negócios com respeito às relações estabelecidas. Até o resultado final obtido, um aprofundado processo de diagnóstico do mercado, da percepção dos diferentes públicos que G u a r u l h o s convergem naquele espaço, de como o consórcio administrador iria expressar sua essência e visão de negócio e de elaboração da identidade e linguagem visual foi realizado. Para representar a etapa de reconhecimento do GRU Airport, quatro atributos principais são transmitidos: o de eficiente, de facilitador, de diversidade e de proximidade, características essas que, combinadas, refletem a ideia de movimento e de dinamismo que permeia toda a marca e impulsiona as mudanças. O principal objetivo de se posicionar de forma diferenciada dentro do contexto aeroportuário brasileiro, criando um novo patamar para os complexos nacionais, foi alcançado pelas mudanças concretizadas, avalia o gerente de Comunicação do GRU Airport, Nicolau Maranini. Ele destaca que o pioneirismo da iniciativa resultou em uma marca impactante e ágil. “As pessoas olham o nome GRU Airport e não associam com a Infraero ou com o antigo complexo, elas percebem algo inovador”, assinala. Maranini complementa que o estudo realizado pelo Gad’Lippincott acertou em cheio o alvo ao definir os atributos e o posicionamento do equipamento. A próxima e desafiante etapa do processo, adianta o gerente, D2B DesignToBranding Magazine | 39 e s t r a t ég i a d e m a r c a | A e r o p o r t o é incorporar essas características ao dia a dia, instrumentalizando os públicos internos para que elas sejam praticadas de fato. “Aeroporto como marca é algo recente no Brasil, que nós vamos nos deparar mais frequentemente à medida que os complexos aeroportuários forem sendo privatizados. É uma realidade nova. Nunca houve no país uma preocupação em posicionar os equipamentos estatais”, observa Luciano Deos, CEO do Gad’Lippincott. A organização das operações, das instalações, a qualidade da infraestrutura e a melhoria contínua dos procedimentos também comunicam a eficiência pela qual o aeroporto almeja ser identificado. Da mesma forma, a capacidade de integrar, simplificar e deixar mais fácil qualquer tarefa remete ao perfil de facilitador do empreendimento. Já a diversidade é outra peculiaridade que o GRU Airport compartilha com São Paulo ao ser inclusivo, he- G u a r u l h o s terogêneo, flexível e trabalhar com diversas culturas e olhares que se relacionam de maneira harmoniosa. Por compreender que seu negócio é feito por pessoas e parcerias, acredita que ser próximo é essencial para obter a transparência necessária nas relações. Além de posicionar o complexo, existia ainda na consultoria do Gad’Lippincott a preocupação de transmitir uma mensagem clara à comunidade em torno do aeroporto, formada por funcionários e parceiros, que têm orgulho do que representa o GRU Airport não apenas para São Paulo, mas também para o Brasil. Imagens que contam histórias A trajetória percorrida pelas aeronaves na pista foi a inspiração para os fios que compõem o logotipo do GRU Airport. O recurso gráfico, que pode ser usado em outros materiais de divulgação, simboliza a grandiosidade do maior hub da América Latina e o fluxo de movimento das pessoas que circulam pelo D2B DesignToBranding Magazine | 41 complexo, criando, com o impacto visual, narrativas atrativas. O preto é usado com relevância na identidade, com tipografia principal da família Neo Sans, conferindo-lhe modernidade e elegância. A sua combinação com laranja, verde, magenta e azul é utilizada para diversificar e surpreender. A fotografia foi outra linguagem empregada pelo Gad’Lippincott para reforçar os atributos da marca. Através de imagens informativas e sofisticadas, pessoas contam histórias através de olhares expressivos ou do dinamismo da ação em andamento, transmitindo sentimentos e sonhos. Elas representam não apenas os passageiros que chegam e saem do aeroporto, mas também os funcionários, parceiros, maquinário e estrutura que movimentam o complexo. Com o lançamento do nome, da marca e da identidade visual, uma verdadeira mudança cultural e estratégica foi promovida. E, para que suas características sejam postas em prática, esse novo rumo deve permear o planejamento de comunicação e todos os meios de expressão do aeroporto com seus mais distintos públicos, garantindo que o GRU Airport não pare nunca. D2B DesignToBranding Magazine | 43 BUILDING BRANDS™ TRANS FORMING BUSINESS MARCAS NÃO SÃO CHAMADAS DE MARCAS POR ACASO. ELAS IMPRIMEM. PERMANECEM. TRADUZEM UMA VISÃO DE NEGÓCIO, QUE ENTREGA UMA PROMESSA DE MARCA. CRIAM MOMENTOS, RECORDAÇÕES, SENTIMENTOS. E DEVEM ATRAVESSAR O TEMPO. TÊM O PODER DE CONVIVEREM EM TODOS OS MOMENTOS COM SEUS CONSUMIDORES. O GAD É UMA CONSULTORIA COM EXPERTISE NA CONSTRUÇÃO DE MARCAS. ATRAVÉS DE UM PROCESSO INTEGRADO E CONTÍNUO, OFERECE UM CONJUNTO DE SERVIÇOS QUE ENVOLVEM RACIOCÍNIO ESTRATÉGICO, GERANDO DIFERENCIAÇÃO E VALOR PARA O NEGÓCIO, DESIGN, CRIANDO EXPERIÊNCIAS ÚNICAS DE MARCA, E COMUNICAÇÃO, ATIVANDO E GERENCIANDO CADA NOVA ETAPA. TRÊS COMPETÊNCIAS QUE SE COMPLETAM, TRANSFORMAM NEGÓCIOS, PROPORCIONAM UMA VISÃO AMPLIADA, TRAZEM NOVAS POSSIBILIDADES E NOVOS RESULTADOS, MAS UMA ÚNICA CONVICÇÃO: MARCA É O BEM MAIS VALIOSO DE UMA EMPRESA. www.gad.com.br D2B DesignToBranding Magazine | 45 perfil | Neville Brody Manifesto contra a cultura genérica de experiências radicais ao racionalismo e neutralidade, brody tem avançado constantemente os limites da comunicação visual por meio de um trabalho desafiador. perfil | Neville Brody D2B DesignToBranding Magazine | 47 Dizer que o britânico Neville Brody é o designer editorial mais influente desde os anos 1980 é dizer o óbvio. Inventivo, original e, sobretudo, um dos líderes do racionalismo da escola suíça de design, que soube ver além das soluções mecanicistas do modernismo, Brody promoveu uma fusão de estilos e, com isso, revolucionou o mercado tipográfico da indústria gráfica por um longo tempo, promovendo uma verdadeira oxigenação no estilo de algumas das publicações mais lidas dos mercados europeus. O designer começou a ganhar notoriedade com uma medida simples, embora de dif ícil assimilação: a incorporação e a mistura de tipografias no desenho editorial, como forma de driblar a sempre dif ícil tarefa de criar novas fontes que se diferenciassem das existentes no mercado. As escolhas passam a privilegiar menos o desenho original de uma fonte de letras do que o modo como elas são utilizadas, agregando a elas sobreposições, cores e realinhamentos. Um grande movimento mundial de revalorização de seu trabalho ganha força – e o exemplo mais contundente é a retrospectiva da revista Fuse, lançada no mercado europeu em 2012 e com promessa de chegar ao Brasil em agosto deste ano. A coletânea reúne os 18 números anuais da publicação, mais dois volumes inéditos, 10 pôsteres A2 e 24 novas fontes que podem ser acessadas mediante a apresentação de um código especial. Brody merece. Porém, isso é passado e, de certa forma, já se tornou trivial, como os compassos do pianista Dave Brubeck que revolucionaram o jazz em 1959, mas que, hoje, soam comuns – graças a Deus. Com Brody ocorreu mais ou menos a mesma coisa: desde suas intervenções históricas na revista The Face e passando pelas capas produzidas para artistas importantes, como James Brown e Depeche Mode, o designer estabeleceu uma familia- Domando a rebeldia punk ridade com suas invenções que foram legitimadas quando, no final dos anos 1980, tornou-se diretor artístico da revista Arena. Numa linha oposta ao seu estilo desenvolvido até então, que incluía experiências radicais tomando como ponto de partida a cultura punk que florescia na Europa, Brody partiu para uma linguagem mais racionalista e neutra. De certa forma, como não cansam de dizer os analistas culturais, o artista “domou” a rebeldia punk e a transformou em verdadeira expressão artística. Em 1987, ele fundou The Studio, onde deu continuidade a seu estilo expressivo – a partir de 1994, o ateliê passa a se chamar Research Studios e continua a promover novos e inspirados artistas. Antes, já havia impresso seu estilo contundente na criação de fontes para a indústria tipográfica – a mais especial desenhada especialmente para a revista The Face, berço da sua notoriedade, e que foi batizada com o nome da publicação. Brody, 55 anos, tem avançado constantemente os limites da comunicação visual por meio de um trabalho experimental e de- perfil | Neville Brody safiador – como desafiadora é sua vida fora dos estúdios. Crítico com o que chama de “cultura genérica”, Brody defende hoje que a economia criativa – responsável por uma grande parcela do PIB de alguns países europeus, a Inglaterra entre eles – siga valorizando a expressão artística em detrimento do consumo. Para Brody, a criação também está virando uma commodity – uma mercadoria primária cotada nos mercados internacionais. O designer lembra que a hipótese de uma recessão europeia tem servido como uma cortina de fumaça para reduzir direitos sociais e aumentar a distância econômica entre as pessoas, com reflexos na produção cultural. Brody se escandaliza com o fato de a Inglaterra viver atualmente seu pior momento de igualdade social nos últimos 150 anos. “É incrível pensar que o diretor de uma grande companhia ganha mil vezes mais que o trabalhador mais comum dessa mesma empresa”, dispara. D2B DesignToBranding Magazine | 49 Experimentando sem barreiras Esse espírito rebelde sempre o acompanhou. Tendo vivenciado toda a explosão punk que varreu a Europa – especialmente a Inglaterra –, a partir de 1977, Brody foi influenciado diretamente pelo estilo agressivo e iconoclasta dos músicos pós-rock. A ponto de se interessar por outros iconoclastas das artes plásticas, entre eles os dadaístas do início do século 20. Brody estudou design gráfico no London College of Printing entre 1976 e 1979, mas cansou das regras estabelecidas – que, segundo ele, limitavam seu estilo – e desistiu da formação acadêmica. A carreira, de fato, começou com a criação de grafismos para grupos de música punks e indies. Seus primeiros trabalhos foram capas de discos para editoras independentes, como a Stiff Records. A partir de 1979, ganhou fama com o design para o grupo indie inglês Cabaret Voltaire. Mais uma vez, a contestação estava no seu caminho. Seria no design editorial das “lifestyle magazines” dos anos 1980, entretanto, que Neville Brody iria atingir notoriedade mundial e conquistar uma legião de admiradores. O que não deixa de ser irônico, já que essas revistas inauguraram no mercado mundial a preocupação com um comportamento fútil e descartável. E consumista. Mas a presença do seu estilo ousado estava lá, especialmente nas seções de música, moda e comportamento das revistas. “Sou partidário da experimentação sem barreiras. Quando deixei a universidade, vivi com muita dificuldade durante quatro ou cinco anos. Mas estava fazendo o que queria fazer, e isso se mostrou muito importante”, diz. Assim como o design se transformou ao longo das últimas décadas, evoluindo de questões representativas da estética para a análise de processos até assumir o papel de articulador estratégico das marcas, Brody também se autodefine hoje como um estrategista de branding e, além de palestras e uma variedade de iniciativas culturais e educativas, atua tanto de forma independente como em conjunto com outros designers em projetos comerciais e privados que orientam o Research Studios. Os clientes do ateliê se estendem a todos os meios e suportes de produção, como web impressão, design ambiental e até legendas de filmes. Uma empresa paralela ao Research Studios produz e também publica trabalhos multimídia experimentais de artistas mais jovens e – como Brody – ousados e contestadores. Ao mesmo tempo, o artista continua desenhando e criando novas fontes digitais, sua verdadeira vocação. perfil | Neville Brody D2B DesignToBranding Magazine | 51 É preciso correr riscos, ousar e eliminar barreiras O senhor foi um dos primeiros profissionais a entender a importância das máquinas e ferramentas da Apple e um dos primeiros a usar os recursos apresentados por elas, isso lá no começo dos anos 1980. Como é sua adaptação atual às novas tecnologias, cada vez mais radicais? Posso dizer que tem sido incrível. É a maior oportunidade que vivenciamos em várias gerações. Esta nova cultura digital equivale à importância que teve o vapor, por exemplo, na revolução industrial. Pode ser, na minha opinião, o surgimento de um novo Renascimento. Que futuro terá o design em nível mundial com os constantes avanços tecnológicos e com o acesso de mais profissionais a recursos técnicos quase ilimitados? Não sou pessimista, mas, na verdade, vejo com certo senso crítico algumas coisas que estão acontecendo e que não me parecem boas. Mas que não são técnicas, de jeito nenhum. Sou crítico com o crescimento disso que denomino “cultura genérica”, onde, por exemplo, todas as coisas se parecem iguais, têm muitos projetos semelhantes, muitas características contemporâneas comuns. Nesse sentido, penso que a importância da criatividade e da expressão e identidade individuais – do design como conceito, enfim – estão se perdendo. Quando a cultura foi convertida em mais uma forma de ganhar dinheiro em vez de um espaço para explorar ideias na sociedade, acabou se transformando numa commodity. Começamos a acreditar que as pessoas eram mais reconhecíveis pelo que compravam do que pelo que expressavam. As últimas revoltas de Londres [referência aos conflitos de agosto de 2011 iniciados em Tottenham, na zona norte da capital inglesa e uma das regiões mais pobres do país] exemplificam isso. A sociedade diz: isso é o que precisas ter. Mas muitos não podem acessar esses bens e aí os conflitos são inevitáveis. Essa cultura genérica surge dos grandes negócios que convertem tudo em uma commodity. Coletânea com 18 números anuais da Fuse, a publicação celebra os 20 anos da lendária revista. Como essa sua percepção política, digamos assim, se relaciona com o design? Na verdade, não sei. O problema é que neste momento, na Europa, predomina o pensamento de recessão, que não é mais, me parece, que uma cortina de fumaça para poder tirar o maior benef ício de quantos for possível. O dinheiro existe, está em circulação, mas está em menos mãos que antes. As oportunidades no mercado do design editorial, nesse sentido, diminuem porque os clientes, as empresas, passam a gastar menos dinheiro, correm menos riscos. Sou muito partidário da experimentação livre, sem barreiras. Quando deixei a universidade [em 1979], fui pobre durante quatro ou cinco anos. Mas estava fazendo algo que queria fazer, e isso se mostrou muito importante. É preciso fazer escolhas. Falta, na sua opinião, essa visão mais crítica entre os jovens profissionais do mercado atual? Há um conformismo demasiado? Na minha opinião, as pessoas têm muito medo. São reticentes em adotar determinadas opiniões porque pensam que perderão seus clientes, que ficarão sem trabalho, essas coisas. Isso pode acontecer, é claro. Mas penso que é hora de voltar a correr riscos, de ousar, de eliminar barreiras. O que de pior pode acontecer que já não tenha acontecido? Penso que na medida em que nós, profissionais, nos dermos conta disso, estaremos diante de uma nova era dourada do design. O que o senhor diria para esses profissionais que, de certa forma, estão pessimistas com os rumos do design contemporâneo? Diria que é preciso ter fé em suas próprias crenças. É preciso buscar de verdade aquilo em que eles acreditam. D2B DesignToBranding Magazine | 53 tr ends | wayfinding d e s i gn Pistas visuais Conjunto de pistas constituídas por elementos visuais, auditivos e até táteis, wayfinding design permite localização espacial segura e orientada sem a experiência perturbadora e estressante da falta de informação t r e n d s | wayfinding d e s i gn Pense num campus universitário repleto de blocos, salas de aula, laboratórios, bibliotecas – dos quais você quer achar apenas um endereço. Ainda por cima, com vias para carros no seu interior, entradas, saídas, estacionamentos, acessos. Informações decisivas como a localização no espaço urbano da cidade, o número do prédio e o andar onde se encontra são fundamentais para cumprir esse objetivo, embora estejam tão naturalizadas no nosso cotidiano que as usamos automaticamente. Agora, pense nesse mesmo complexo completamente às escuras, onde o frequentador não tenha qualquer contato visual com as informações necessárias. Pense na sua própria cidade sem luz, sem os nomes das ruas nas esquinas, sem uma planta de orientação, sem as coordenadas necessárias ao deslocamento eficiente. Pronto, você percebeu como pode ser difícil – quando não impossível – viver num mundo sem sinalização. D2B DesignToBranding Magazine | 55 Wayfinding é isto: não mais que um conjunto de pistas constituídas por elementos visuais, auditivos, e até táteis, que nos permitem movimentar no espaço de maneira segura e informada. Percorrer um complexo onde este conjunto de pistas não seja adequado ou suficiente pode se tornar uma experiência perturbadora e estressante. O termo surgiu nos anos 1960, no campo da arquitetura, para designar o conjunto de elementos urbanísticos que permitem “navegar” na cidade. Englobava os nomes de ruas e números de portas, mapas e sinais indicativos, mas também elementos marcantes e referenciais de uma cidade, como praças, monumentos, ícones urbanos. Na década seguinte o conceito foi evoluindo para uma aplicação mais genérica. O conceito de “orientação intuitiva” contido no wayfinding parte do pressuposto de que o frequentador de um espaço qualquer precisa entender a sua organização, perceber onde está e onde está o local para onde quer ir, e então “traçar” o seu percurso, mesmo que mentalmente. Fazemos isso diariamente quando conhecemos o caminho. Mas, ao longo de um percurso desconhecido, podemos ser ajudados por um conjunto grande de elementos objetivos. Pense, por exemplo, no maior terminal aéreo de passageiros do Brasil, que recebe cerca de 35 milhões de pessoas por ano em situações de pico, que podem levar qualquer um a se atrasar para uma conexão ou simplesmente se perder entre um terminal e outro. Para evitar o estresse, uma nova identidade foi implantada no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para aplicar os conceitos mais modernos de wayfinding design num espaço brasileiro – a sinalização é fruto de uma parceria do GAD’ com a holandesa Mijksenaar, uma das consultorias mais importantes do mundo no segmento de sinalização. Mais do que uma sinalização eficiente, esse conceito está baseado no tripé orientação, navegação e informação. Os usuários são “guiados” sabendo, em primeiro lugar, onde estão e em que direção está seu destino, bem como qual o caminho a seguir e a melhor forma de percorrê-lo. O objetivo é tornar mais tranquila, fácil e confortável a experiência de frequentar um ambiente estressante como um aeroporto. No wayfinding, os sinais de informação estão presentes de forma abundante, o que faz as pessoas que frequentam ambientes movimentados e com muitas opções de rotas encontrarem os caminhos adequados sem grande esforço. Esse complexo de sinais inclui nomenclaturas, mapas, sistemas de informação verbal e numérica e também uma infinidade de observações. “A remodelação de Guarulhos a partir da parceria com a Mijksenaar visa proporcionar ao passageiro uma experiência superior. Bons sistemas de sinais geram grande impacto na satisfação do usuário, aumentando a confiança no prestador do serviço. Além disso, a economia de tempo na mobilidade permite aos usuários melhores condições para usufruir outras atividades, como a área comercial”, destaca Leonardo Araújo, diretor executivo do Gad’Retail e um dos responsáveis pelo projeto de Guarulhos com a Mijksenaar. O investimento para o projeto foi de R$ 3,5 milhões. A empresa fundada pelo holandês Paul Mijksenaar é uma das mais importantes consultorias do mundo especializadas em wayfinding, que envolve o design de orientação visual, navegação e sistemas de informação. O escopo do trabalho vai desde instruções básicas aos usuários até a sinalização complexa. A empresa foi fundada em 1986 e tem seus projetos desenvolvidos a partir de abordagens sistemáticas e análises aprofundadas. Atualmente, tem escritório também em Nova York e firmou parceria com o GAD’ para a abertura de uma sucursal no Brasil no final de 2012. Responsável, entre outros, pelos sistemas de informação do metrô de Amsterdã e dos três aeroportos de Nova York (JFK, La Guardia e Newark), além do aeroporto de Roterdã, Paul Mijksenaar, 68 anos, exerce também atividade docente na Universidade Técnica de Delft (Holanda) e prática em design de informação. Além disso, é responsável por diversas publicações científicas significativas e relevantes em sistemas de mapas e é autor, entre outros, dos livros Open here: the art of visual design (com Peter Westendorp, Stewart, Tabori & Chang, 1999) e Visual function: an introduction to information design (Princeton Architectural Press, 1997). Nenhum deles foi traduzido para o português. t r e n d s | wayfinding d e s i gn Os primeiros contatos entre o GAD’ e a Mijksenaar foram feitos no início de 2012. O fato de que o primeiro projeto foi concluído cerca de oito meses depois é sem precedentes, segundo Herbert Seevinck, sócio da empresa holandesa. “Você pode dizer com segurança que isso representa o começo de um voo e de uma excelente colaboração. Apesar das distâncias geográficas, as duas empresas se complementam bem, tanto no nível de negócios quanto no nível criativo”, disse Seevinck. “Quando fomos convidados a melhorar a sinalização de Guarulhos, nós imediatamente pensamos em buscar a consultoria mais respeitada do mundo. A dedicação e a colaboração entre as equipes de São Paulo e Amsterdã fizeram o redesenho de Guarulhos tornar-se uma referência no Brasil e na América Latina”, complementa Luciano Deos, CEO do Gad’Serviços de Marca. A sinalização correta, compreensível, consistente e com bom design é essencial para a orientação e para o conforto do público. “A nossa proposta tem como premissas os direcionamentos claros, informações precisas e instruções simples. Ela também D2B DesignToBranding Magazine | 57 contempla a utilização sustentável dos recursos, além de diversificar e integrar os meios de comunicação implementados”, ressalta Leonardo Araújo. Segundo ele, o wayfinding gera um diferencial na oferta do serviço e constitui uma solução com demanda crescente no Brasil, em operações como portos, aeroportos e metrô. Para dar início ao processo, a consultoria formada pelo GAD’ e pela Mijksenaar pesquisou o segmento no cenário internacional e brasileiro, ouvindo atentamente os públicos de interesse. Além da concepção do projeto de wayfinding, a consultoria esteve à frente de todo o processo de implantação da nova marca – GRU Airport –, que incluiu a capacitação de colaboradores e a gestão de fornecedores e parceiros na área de comunicação. Foram 90 dias de trabalho, que envolveu também a mudança de marca, desde os uniformes dos funcionários, identificação dos ônibus até o treinamento dos atendentes no SAC e nos balcões. Tudo para dotar o processo dos sinais abundantes e familiares que o wayfinding exige. O que é o wayfinding design Trata-se de um passo à frente em relação ao conceito de sinalização. Mais do que isso, o wayfinding procura tornar um local tradicionalmente movimentado e hostil – como um aeroporto – em um espaço confortável do ponto de vista da informação e que gere bem-estar nos usuários, especialmente nos “marinheiros” de primeira viagem. Esse conceito pode ser descrito como um processo de maximização da informação visual para facilitar trajetos num ambiente complexo – e de como encontrar os caminhos necessários nesses ambientes. Em suma, de organização espacial e ambiental. Três passos essenciais delimitam o wayfinding (encontrando o caminho, literalmente): 1. Em primeiro lugar, o usuário recebe a informação mesmo enquanto está se deslocando, seja dentro de um veículo ou a pé. 2. Depois, esse usuário processa a informação visual e escrita e a elabora mentalmente. 3. Por fim, o terceiro passo é tomar uma decisão baseado no que foi observado. D2B DesignToBranding Magazine | 59 e d uc a ç ã o | w i n t e r h o us e Ins t i t u t e Design para fazer o bem Pioneiro em fomentar a aproximação do design com as questões sociais, o Winterhouse Institute busca apoio para desenvolver novos projetos. e d uc a ç ã o | w i n t e r h o us e i ns t i t u t e D2B DesignToBranding Magazine | 61 Na Índia, uma empresa conhecida como Selco Solar utiliza o design thinking como disciplina básica para desenvolver painéis solares de baixo custo – que podem ser instalados em casas de famílias carentes, ajudando-as a ter acesso à energia de forma barata e sustentável. É um projeto novo e de impacto ainda limitado. Mas que dá uma ideia do poder transformador que o design pode exercer sobre a sociedade. Poder que o Winterhouse Institute pretende fomentar nos quatro cantos do planeta. Tudo começou em junho de 2008. Na época, a Rockefeller Foundation, instituição filantrópica que financia projetos sociais ao redor do mundo, havia recém-promovido um simpósio sobre o impacto social do design – dando ênfase a projetos como o da Selco Solar. Ao final do evento, que ocorreu na cidade de Bellagio, na Itália, a instituição publicou um relatório mostrando que, sim, o design pode ser um vetor de transformações sociais. “Já aprendemos esta simples lição: nos dias de hoje, nada pode ser tocado – de um descascador de vegetais a uma escova de dentes, de um celular a um tênis – sem ver (e sentir) a diferença que o design pode fazer e o sucesso comercial que ele pode alimentar”. Pronto: estava plantada uma semente que logo germinaria no outro lado do oceano, com a criação do Winterhouse Institute, em Hamden, no estado norte-americano de Connecticut. “Depois do evento, a Rockefeller Foundation me procurou para saber se eu estava disposto a coordenar iniciativas para promover o design com impacto social. Foi o começo de um importante trabalho”, relata William Drenttel, cofundador do Winterhouse Institute, braço sem fins lucrativos do Winterhouse Studio, ambas as organizações criadas por ele em parceria com a também designer Jessica Helfand. DESIGN SUMMIT ASPEN THE 2009 ASPEN DESIGN SUMMIT WAS ORGANIZED BY WILLIAM DRENTTEL OF WINTERHOUSE INSTITUTE, IN PARTNERSHIP WITH AIGA AND WITH SUPPORT FROM THE ROCKEFELLER FOUNDATION. Um desafio global Pouco mais de um ano depois, às vésperas do Natal de 2009, Drenttel arrumaria as malas para percorrer o mundo propagando a importância do design como instrumento de transformação social. A viagem, cujo ponto de partida foi Nova York, durou cerca de cinco meses, tempo suficiente para percorrer países como Índia, China e África do Sul. Em entrevista à D2B, Drenttel revela que, em diversas oportunidades, sua cabeça martelava diante do mesmo questionamen- É da pequena Hamden, em Connecticut, que partem muitas das ideias que atribuem ao design uma relevância mais social Entre as iniciativas promovidas pelo Winterhouse Institute, algumas das que mais se destacam são os workshops e seminários to: como explicar a relevância social do design, especialmente para quem nem é da área? Pois essa tem sido, justamente, a sua missão à frente do Winterhouse Institute depois de um aporte de US$ 1,5 milhão recebido pela Rockefeller Foundation para incentivar seu trabalho. O aporte tinha o objetivo de fomentar projetos e ações envolvendo o design inclusivo em diferentes pontos do planeta. E foi graças a esse movimento que o Winterhouse Institute conseguiu tirar do papel alguns importantes projetos. Um deles foi a realização de simpósios anuais para discutir o tema – e que já se tornaram referenciais para o setor. Nos encontros, Drenttel e Jessica comandam debates que analisam os rumos do mercado de design, sempre procurando vinculá-lo a questões sociais. Entre os interlocutores, estão não só designers como também representantes de escolas de design, de empresas e das mais variadas ONGs. “Algumas escolas já estão trabalhando com organizações voltadas para o desenvolvimento social. Além delas, grandes empresas têm direcionado seus planejamentos para a questão”, ressalta Drenttel. Um dos parceiros do Winterhouse Institute é a Teach For All, ONG internacional formada por empresas de 20 países, cuja finalidade é fomentar a formação de líderes com visão acurada sobre os problemas da sociedade. “Nossos horizontes estão se expandindo. O Teach for All é e d uc a ç ã o | w i n t e r h o us e i ns t i t u t e apenas uma das instituições com quem trabalhamos”, observa Drenttel. Além de firmar parcerias e apoiar ONGs, algumas iniciativas são capitaneadas diretamente pelo Winterhouse Institute. É o caso do Change Observer and Places, uma ferramenta jornalística online que busca compreender e relatar iniciativas relacionadas ao design voltado para mudanças sociais. Ainda no campo editorial, o instituto promove anualmente o Winterhouse Writing Awards, premiação que reconhece as melhores publicações que abordam o design sob um prisma mais crítico. Uma gota no oceano Com dinheiro em caixa, em 2010 foi a vez de Drenttel retomar o debate realizado dois anos antes pela Rockefeller Foundation em Bellagio. Segundo ele, o encontro no norte da Itália foi o mais emblemático promovido até agora pelo Winterhouse Institute, reunindo um público formado por designers, curadores de arte, historiadores e jornalistas. Considerado crucial para o A parceria entre os designers William Drenttel e Jessica Helfand fortalece as ações do Winterhouse Institute e de seu braço sem fins lucrativos, o Winterhouse Studio D2B DesignToBranding Magazine | 63 estabelecimento de novas diretrizes para a instituição e seus propósitos, o evento chamou também a atenção pelo seu título um tanto peculiar: Razões para Não ser Bonito: Simpósio sobre Design, Mudanças Sociais e o ‘Museu’. Afinal, já estava mais do que na hora de ir além da beleza estética: o belo também pode – e deve – fazer o bem. Do encontro surgiriam reflexões capazes de transcender a atuação do Winterhouse Institute. Hoje, quatro anos depois que a Rockefeller Foundation deu o empurrão inicial, Drentell e Jessica buscam novos apoiadores. Só assim será possível cruzar fronteiras novamente. “Infelizmente, não temos orçamento para voltar a viajar para fora dos Estados Unidos”, lamenta Drenttel. Fundador da NESsT, ONG que financia projetos sociais em mercados emergentes, o designer Lee Davis também integra a diretoria do Winterhouse Institute e reconhece que o design social ainda não ganhou seu devido reconhecimento. Mesmo assim, diz ele, é preciso manter viva a esperança: “Está havendo um grande movimento de designers para essa área. Assim como há profissionais de design trabalhando em áreas específicas, como produção gráfica e desenvolvimento de produtos, a parte social está tomando dimensões maiores”, afirma. Para ele, criar novas maneiras de desenhar e divulgar produtos e serviços é algo premente. “A criatividade é algo único e deve ser muito valorizada. Por muito tempo, o mundo não entendeu que o design pode ser utilizado como ferramenta de transformação social, algo em que o Winterhouse Institute foi pioneiro”, acrescenta Davis. Entre o design e a sociedade A tese se ampara em ações como o Projeto M: durante 15 dias, em agosto de 2009, um grupo de jovens designers ajudou a promover o Pizza Farm, em Canaan, na zona rural de Connecticut. O evento, realizado ao longo de um dia, tinha como objetivo distribuir gratuitamente pizzas para promover a venda de alimentos produzidos na localidade. Uma iniciativa pontual, mas capaz de transformar para melhor a vida daqueles pequenos produtores. O Pizza Farm ainda é uma gota no oceano. Assim como ele, outro caso interessante é o do Polling Place Photo Project, capaz de também estreitar laços entre o design e a sociedade. Desenvolvido pelo Winterhouse Institute em parceria com a Associação Americana de Artes Gráficas, o projeto foi um experimento nacional de jornalismo cidadão feito a partir da cobertura fotográfica das eleições norte-americanas. Realizada pela primeira vez em novembro de 2006, a iniciativa repetiu a dose com sucesso em 2008 – desta vez, apoiada pelo The New York Times. É preciso ir além Sem o endereço em mãos, é dif ícil encontrar o Winterhouse Institute. A casa que abriga a sede da instituição fica no número 150 da Deepwood Drive, em Connecticut, e se confunde em meio a tantas outras do bairro de Hamden. Mais do que um simples escritório de design, o Winterhouse estendeu suas atividades para as páginas editoriais de revistas como a The New Yorker e a Yale University Press. Fundado em 1997, como um estúdio de design gráfico que trabalhava para publicações impressas e online (entre elas, as duas citadas acima), o Winterhouse sempre deu atenção especial aos projetos envolvendo cultura e educação. A virada para o design social só aconteceu depois do incentivo financeiro da Rockefeller Foundation, em 2009. Desde então, o instituto tem se destacado pelo desenvolvimento de ideias, ações e reflexões sobre os aspectos sociais do design. Sua função é difundir a ideia de que é possível usar o design como uma ferramenta capaz de transformar a sociedade – para melhor. “É uma falácia dizer que as ONGs pretendem investir mais em design. No entanto, o verdadeiro desafio está em criar uma estrutura em torno disso”. Foi com essa frase que William Drenttel chamou a atenção da Rockefeller Foundation em Bellagio, em 2008. Dali em diante, o Winterhouse Institute liderou o debate global sobre o tema. Mas ainda não da maneira que seus fundadores gostariam. Para um de seus diretores, Lee Davis, poucas organizações estão seriamente dispostas a realizar aportes capazes de elevar o design a instrumento de transformação da sociedade. “Sempre temos que buscar alternativas para custear nossos projetos”, lastima. Como dizia o relatório da Rockefeller Foundation, em 2008: “Quando empresas de design colaboram com ONGs, grandes avanços acontecem”. De lá para cá, alguma coisa mudou para melhor. E muitas dessas mudanças se devem à obstinação daqueles que comandam o Winterhouse Institute. r e ta i l e x p e r i e nc e d e s i gn | M a g a z i n e Experiência Lu i z a emocional de consumo A nova comunicação visual da Magazine Luiza reforça vínculo emocional com o público consumidor e repercute no incremento do volume de vendas. r e ta i l e x p e r i e nc e d e s i gn | m a g a z i n e Com mais de 50 anos de atuação, 613 lojas instaladas em 16 estados brasileiros e cerca de oito mil itens à venda para casa, a rede Magazine Luiza tinha pela frente um desafio e tanto: atualizar suas unidades, com a melhoria da exposição dos artigos, bem como da circulação interna de seu público consumidor – essencialmente oriundo das classes C e D. Ao mesmo tempo, precisava transmitir por meio de uma comunicação visual eficiente os valores da empresa e dar às lojas um aspecto fun, alegre, traduzindo nos pontos de venda (PDV) o posicionamento “Vem ser Feliz”. Ao longo dos três últimos anos, uma equipe multidisciplinar do Gad’Retail trabalhou com o objetivo de transformar o momento da compra em uma experiência emocional positiva para os clientes. Do olhar macro ao mínimo detalhe do negócio, todos os elementos que envolvem o processo de consumo foram avaliados. No total, a atividade do Gad’Retail abrangeu os serviços de retail experience design, a definição de linguagem e de comunicação visual e merchandising, incluindo aí o redesign das fachadas. O retail experience design cria experiências e vínculos emocionais da marca com seus públicos ao desenvolver uma atmosfera na qual seus valores, cultura, estética e clientes se conectam em ambientes de varejo inspiradores, gerando engajamento. Uma das soluções empregadas pelo GAD’ foi o conceito Colors, que consiste na aplicação de um sistema de comunicação visual baseado em cores que fortalecem a sinalização e o ordenamento dos espaços internos e que estejam em sintonia com a marca. Em função da carga de informações cognitivas que comunicam, as cores são essenciais para ambientes de varejo e impactam na decisão de compra, uma vez que estimulam os sentidos e influenciam o estado de espírito dos consumidores. Nesse projeto, as cores selecionadas formam um arco-íris que simboliza, entre outras características, a brasilidade, a simplicidade, o acesso democrático, a capacidade de ser feliz, a fartura e o ar pop personificados pelo Magazine Luiza. Thais Fagundes, executiva de conta do Gad’Retail, complementa que o arco-íris representa também a diversidade do mix de produtos comercializados pela rede de lojas. Assim, associado ao azul principal da marca, esse conjunto de tons é utilizado para identificar os diferentes pontos de relacionamento, como nos serviços Luiza Cred, Luiza Viagens, nas caixas e nos locais de atendimento. O uso em conjunto das cores é um recurso disponível para sinalizar promoções ou para dar destaque a áreas estratégicas. l u i z a D2B DesignToBranding Magazine | 67 Nas fachadas, a atenção se volta à adoção do azul associado a um tom secundário, que remete a um dos setores de produtos do Magazine Luiza. A opção de combinação de cores oferece liberdade às unidades sem fugir da identificação com a marca, assim como possibilita a sua adequação às distintas realidades onde estão localizadas as estruturas. O luminoso nas fachadas com o lettering da marca teve seus cantos arredondados, tornando-se mais um ícone da empresa. Outra vantagem estratégica é o alinhamento do Magazine Luiza aos benef ícios de um ambiente urbano menos poluído visualmente, dentro das normas de sinalização de cada cidade. “A nova comunicação visual estabelece uma atmosfera agradável e alegre para o público da rede. Para isso, foram estabelecidos itens que podem ser classificados como permanentes (ícones, tipografia, grafismos de apoio e painéis de ambientação), temporários (merchandising, comunicação promocional e precários) e complementares (sacolas, uniformes e material de expediente). Cada área, além de um tom específico, recebeu uma foto para facilitar a localização dos artigos e a circulação pelos setores”, explica Thais. A tradução do conceito Ser Feliz É, relacionado ao posicionamento da marca, foi outra inovação introduzida pelo GAD’ ao conseguir transmitir por meio de poesia concreta as vantagens dos produtos. Ao aliar imagens de pessoas utilizando os itens a frases inspiradoras, o material – que pode ser usado D2B DesignToBranding Magazine | 69 Características simbolizadas por cores Os tons selecionados para cada setor das lojas do Magazine Luiza transmitem emoções e características do mix de produtos ali reunidos. • Azul principal: tom ligado à confiança e segurança. • Púrpura: uma cor mais masculina, foi atribuída à área de tecnologia. • Laranja: relacionada ao apelo da compra, foi escolhida para simbolizar as promoções. • Verde: cor fácil de ser percebida, foi adotada para identificar os eletrodomésticos. • Vermelho: tom da urgência, da compra por impulso e da sofisticação, por isso foi recomendado para o uso no segmento de presentes. • Rosa: cor associada à beleza e à sensualidade e aos itens voltados para os cuidados com a aparência feminina. • Amarelo: jovem e que chama a atenção, esse tom foi ligado ao setor de brinquedos. • Ocre (amarelo-queimado): alegre e otimista, a cor foi designada para o segmentos de móveis. em paredes coloridas ou painéis de ambientação – aproxima o Magazine Luiza de seus consumidores de maneira emocional, revelando distintas interpretações e manifestações de felicidade. “Em todo projeto, buscamos potencializar a marca, tornando a experiência de compra mais profunda”, destaca Leonardo Araújo, diretor executivo do Gad’Retail. Os resultados da mudança já aparecem: as lojas dentro dos novos princípios de exposição e comunicação visual foram líderes de faturamento da companhia no final de semana em que foram inauguradas. Na avaliação da gerente nacional de Merchandising do Magazine Luiza, Denise Barbone, o trabalho realizado pelo GAD’ foi excelente e está sendo implantado em todas as unidades da rede. A próxima etapa, adianta a gerente, é atingir melhorias contínuas através de workshops com a área de operação e comercial. Exposição contribui para experiência de compra A concepção dos novos expositores considerou o grande fluxo de pessoas que passavam pelas unidades e a dificuldade que elas tinham para experimentar os produtos, pois estes ficavam trancados em armários, impedindo que fossem manuseados. A partir da observação do mobiliário e da movimentação na área de áudio e vídeo, todo o layout das lojas foi planejado pelo Gad’Retail visando incrementar a experiência de consumo e dispor os itens e serviços de maneira estratégica, valorizando a convergência entre os departamentos. Denise salienta que a estimativa era desenvolver 100% do mobiliário de exposição de uma loja convencional em apenas seis meses, assim como aumentar em, pelo menos, 30% a capacidade de apresentação dos itens. Thais comenta que uma das metas na criação dos novos expositores era a de facilitar o acesso aos produtos leves e poder ter uma quantidade e variedade maior deles no móvel, influenciando em sua profundidade. “Assim, o colaborador ganha tempo para concretizar outras vendas ao não precisar ir até o depósito buscar mais unidades do mesmo artigo”, observa. Era preciso também racionalizar os investimentos e ganhar em escala de produção. A solução encontrada foi a de desenvolver peças modulares para as gôndolas de ilhas e paredes, que podem ser adaptadas de acordo com o tamanho da unidade, como um jogo de Lego. Com as mudanças desencadeadas, a navegação dos clientes foi otimizada através da definição de corredores largos e da possibilidade de comparar artigos e preços, uma vez que os elementos foram melhor agrupados por categoria. “Conseguimos atingir em 100% nossas expectativas. Estamos agora finalizando uma revisão final nos custos dos mobiliários para melhor aproveitamento dos substratos e consequente redução do custo de fabricação”, comemora Denise. c a s e | DE S I G N DE P ROD U TO 3 m Em um exercício de codesign e design thinking, clientes foram peças-chave na elaboração da linha de produtos de floor care da 3M, desenvolvida pelo GAD’Innovation. c a s e | DE S I G N DE P ROD U TO 3 m Presente em mais de 65 países, a 3M no Brasil sempre teve sua imagem associada especialmente à confecção de esponjas por meio da Scotch-Brite. Assim, promover uma extensão de marca, conquistando espaço em um novo segmento do mercado de home care, que agregasse design e funcionalidade – características já presentes em outros produtos da companhia – constituíram-se em um desafio e tanto para a multinacional. Somado a isso, aliar uma mudança de percepção de materiais de limpeza antes considerados de “menor importância” no dia a dia doméstico das moradias. Como conceber uma estratégia mais bem-sucedida para o seu lançamento? Que atributos devem ser destacados? Como estabelecer paradigmas diferentes sobre o uso de produtos como vassouras, rodos e escovas? Esses novos itens tinham também que equilibrar as necessidades do público-alvo com a viabilidade técnica e os objetivos estratégicos de negócio da 3M no país – como a de ser a maior subsidiária do grupo em vendas de artigos de consumo fora dos Estados Unidos até 2015. Era preciso ainda tornar esses objetos em peças que aliassem beleza e D2B DesignToBranding Magazine | 73 conforto para quem os utiliza, concorrendo com as marcas já consolidadas nesse setor. O Gad’Innovation foi o responsável em responder à tamanha complexidade. Uma verdadeira inversão no processo tradicional de desenvolvimento foi posta em prática, colocando as consumidoras no centro do processo de elaboração dos produtos. A intenção foi compreender aquilo que era importante para as clientes, quais os problemas relacionados às tarefas mais comuns do cotidiano permaneciam sem serem resolvidos, bem como os desejos e as aspirações de consumo futuros. Além de pesquisa de abordagem etnográfica efetuada com dezenas de mulheres, o GAD’ realizou uma imersão no universo da limpeza doméstica, desvendando cada uma das tarefas, assim como fez um mergulho profundo no funcionamento da fábrica adquirida pela 3M em Bom Princípio (RS), em 2010 – e que será responsável pela produção de cerca de 70% dos artigos do portfólio nacional. Os objetivos dessa etapa foram diagnosticar as oportunidades e as restrições tecnológicas existentes, eliminando riscos na tangibilização dos conceitos sugeridos. Para fundamentar a nova linha de vassouras, rodos e escovas, aplicaram-se diversas metodologias de inovação no agrupamento e priorização das informações, análise de ponto de venda (PDV), posicionamento dos demais players, modelagem e direcionamento de linguagem. A atuação do Gad’Innovation destacou-se também pela inclusão do codesign e do design thinking no processo criativo, com a reunião de designers e de consumidoras desde a identificação das necessidades até os workshops de avaliação. “O principal diferencial do projeto foi ouvir as clientes e entender o ponto de vista delas sobre o que é inovador e quais os valores transmitidos”, comenta Sarah Cheque, gerente de produtos de home care da 3M. Qualidade garantida Facilitar os afazeres diários relacionadas à limpeza era uma premissa para os novos produtos da multinacional. Sarah releva que a intenção era unir a solução de problemas, como dores devido à angulação das vassouras e a pouca durabilidade das cerdas, à beleza estética. “Com essa linha inovadora e sustentável, os itens não precisam mais ficar escondidos atrás da porta, na área de serviço. Eles foram projetados para serem expostos”, frisa ela. Os artigos possuem design c a s e | DE S I G N DE P ROD U TO 3 m clean e moderno, com cores premium, validadas pelas mulheres ouvidas ao longo do processo de desenvolvimento. O detalhamento e a engenharia de design, realizados pela equipe que participou da imersão com as consumidoras, permitiram que o objetivo de design se mantivesse verdadeiro e autêntico durante a viabilização para os meios produtivos. Possibilitaram ainda que diferentes cores fossem projetadas para os itens através da criação de componentes sobrepostos com encaixes inteligentes. “Isso foi decisivo para gerar diferenciação no setor, com fixação mais segura e robusta, evitando o emprego de técnicas de coinjeção, que prejudicariam os esforços sustentáveis de reciclagem por impossibilitarem sua desmontagem na separação dos materiais”, descreve Fabiano Pottes, gerente de Inovação e Design do Gad’Lippincott. Ele acrescenta que a estratégia de design teve um papel fundamental para conduzir os desenvolvedores a resolverem as dificuldades observadas, priorizando os pontos decisivos para o sucesso do projeto. A definição de uma linguagem própria mostrou-se valiosa para atender às percepções e aos desejos locais, criar diferenciação e ao mesmo tempo buscar evoluir a linguagem atual da marca global, assim como para direcionar os atributos de design para que o público-alvo perceba, no mercado, as vassouras, os rodos e as escovas da Scotch-Brite como produtos superiores, de melhor qualidade e design. D2B DesignToBranding Magazine | 75 Do local ao global Lançada no começo de 2012, a campanha da nova linha da 3M focou na inovação para chamar a atenção das clientes. Com o mote Pode Varrer o Passado, os produtos já registram resultados positivos de comercialização, com boa aceitação das consumidoras e de grandes redes de varejo, adianta Sarah Cheque. “Estamos ganhando espaço nas gôndolas, junto a marcas consolidadas no setor há muito tempo”, comemora. Segundo ela, o trabalho realizado pelo Gad’Innovation alcançou os objetivos esperados ao elaborar produtos alinhados às aspirações do público-alvo e às possibilidades técnicas da companhia. Pottes assinala que esse projeto – vencedor do Prêmio Idea Brasil pelo desenvolvimento e relevância em uma categoria pouco explorada – foi a primeira intervenção da 3M nesse segmento no país. Era uma busca por uma solução para necessidades locais, mas que pudesse ser amplamente globalizada. “O trabalho nasceu com as demandas das usuárias brasileiras, porém sempre tivemos em mente que esse projeto poderia ir para fora e, realmente, foi o destino que ele teve”, ressalta ele. Outras operações internacionais da multinacional se interessaram pela proposta e fizeram entrevistas com o grupo do Gad’Lippincott para compreender o processo criativo e poder replicá-lo na Europa, na Ásia, nos Estados Unidos e na China. D2B DesignToBranding Magazine | 77 a r t i g o | p r ê m i o i f Na vanguarda evolutiva do design por Ralph Wiegmann* Ao longo de seis décadas, o iF construiu uma história reconhecida mundialmente por antecipar tendências e premiar ideias e conceitos inovadores No Brasil, existe um ditado que diz “só quem acredita no futuro acredita no presente”. Para o iF e o V Fórum Internacional de Design GmbH, a máxima é especialmente verdadeira. Basta lembrar quando, em 1953, as portas do Sonderschau Formgerechter Industrieerzeugnisse se abriram pela primeira vez, no salão 8 da Feira de Comércio de Hannover: desde então, nossa história é caracterizada por uma constante renovação, cujo maior objetivo é trazer respostas para um mundo em mutação. Assim, garantimos que o design estará sempre em linha com o que há de mais inovador no planeta. Em 2013, comemoramos o 60º aniversário do iF, uma história bem-sucedida que fala por si só e que muito nos orgulha. Basta ver a relevância do prêmio iF Design, atualmente um dos maiores e mais importantes reconhecimentos internacionais do segmento de design. Além disso, a marca iF se tornou referencial de qualidade para muito além do Brasil. Mesmo diante de um contexto bem-sucedido, temos plena consciência dos desafios e mudanças que vêm pela frente. Em uma incrível exposição digital permanente, apresentamos os vencedores do prêmio iF Design 2013 em HafenCity, moderno bairro de Hamburgo, na Alemanha. Com a exposição, será possível conhecer os 75 ganhadores do iF de Ouro em suas versões originais. Além disso, a mostra contemplará uma vasta gama de produtos, congregando itens como design de comunicação e embalagens. Um exemplo a ser seguido Voltando à década de 1950 e aos anos seguintes... Naquela época, o mundo testemunhava uma expansão mercadológica na medida certa. Comércio e indústria cresciam em sintonia, oferecendo às pessoas muitas das coisas que nos hoje rodeiam e que até então sequer haviam sido inventadas. Um movimento que me lembra Steve Jobs, um dos pioneiros a mostrar que é preciso acreditar em si mesmo e lutar por suas ideias. Hoje, as invenções do guru da Apple são objetos imprescindíveis no universo digital – um meio do qual, como o próprio Jobs chegou a dizer, “as pessoas sequer percebem que necessitam”. A relação entre Jobs e a Apple, entre criador e criatura, era demasiadamente estreita, íntima. Para conquistar seus objetivos, foi preciso muitas vezes se valer de métodos ortodoxos. Mesmo para Jonathan Ive, o genial e mais famoso designer da Apple, é dif ícil fazer com que a empresa preencha a lacuna deixada pela morte de Steve Jobs. Um fato que tocou mui- tas pessoas e que, assim como elas, me comoveu. Com seu fim, desvanecia o homem que concebeu e desenvolveu uma série de produtos que têm alma, que são realmente capazes de conectar e de se conectar com seus usuários. Ao fazer esse movimento, Jobs revolucionou não apenas o design exterior de muitos itens como também seus significados. O resultado disso tudo foi a criação de produtos que se tornaram ícones no século 21. O fundador da Apple significou um clichê que vai muito além do designer vestindo blusa preta de gola alta e calça jeans. Tal como um mágico em festa infantil, ele sempre tirava algo novo da cartola. São inovações capazes de transformar rostos cansados de quem acampava na frente de uma loja da Apple apenas para ser o primeiro a pôr as mãos em um novo produto. Não é exatamente isso o que todos os designers querem? Desenvolver itens que definem uma marca de tal maneira que basta bater o olho em sua logomarca para ser contagiado por um sentimento de expectativa e alegria? E, antes que esqueçamos: estamos falando de uma marca extremamente bem-sucedida sob o ponto de vista dos negócios. Dona do quinto lugar nas categorias Criativas e Empresa do ranking do iF, a Apple dá o perfeito retrato dos últimos três anos dos prêmios iF Design. À frente dela, aparece a Samsung, em primeiro lugar, seguida por Sony, Royal Philips e LG. E não sem uma louvável explicação: essas corporações, naturalmente, também desenvolvem inovações incríveis e produtos de enorme destaque e relevância para o mundo do design. Mas é a Apple que detém o recorde do iF: em 2008, no prêmio iF Design de Produto, a empresa que ainda tinha Steve Jobs à sua frente recebeu nada menos do que oito prêmios de ouro – uma profusão de reconhecimentos até hoje jamais repetida por outra organização. Os prêmios iF Design A própria história do iF é, muitas vezes, estreitamente ligada às empresas que já receberam os prêmios iF e aos seus respectivos produtos. Para conhecer um pouco mais sobre nossa história, basta fazer uma viagem pelo tempo na exposição online do iF (http://exhibition.ifdesign.de/index_de). Nela, é possível conferir as mudanças na estética e o desenvolvimento das novas tecnologias ao longo do tempo, além de visualizar as diferentes tendências por meio de esquemas de cores. O plano virtual proposto apresenta uma emocionante janela sobre o mundo do design, em que as histórias de sucesso de muitas empresas e designers encantam apaixonadas pelo tema. Pela web, é possível ter uma ideia do que será a exposição em HafenCity. a r t i g o | p r ê m i o i F D2B DesignToBranding Magazine | 79 Cases Gad’ vencedores do iF Como identificar um bom prêmio de design Ao longo dos últimos dez anos, o design premiado tornou-se cada vez mais importante para consumidores e fabricantes. Para quem compra, os reconhecimentos servem de orientação, afinal, com uma enorme gama de produtos oferecidos mundo afora, é realmente difícil escolher entre um e outro. Já para os fabricantes, as premiações servem de balizadores de competência, capazes de atestar o acerto em caminhos tomados. Dessa maneira, as premiações se justificam pelo veredito de um júri de especialistas, que têm suas opiniões baseadas em critérios claramente definidos. Uma prova da relevância de iniciativas como a nossa é o número de inscrições registradas nos três prêmios iF independentes (iF Design de Produto, iF Design de Comunicação e iF de Embalagem), que aumentam vertiginosamente a cada ano. Em 2012, nosso júri avaliou 4.352 inscrições provenientes de 51 países. A cada edição, um novo júri internacional é formado, no qual designers, empresários e especialistas de outras áreas trocam suas avaliações e discutem objetivamente o trabalho de cada participante. Uma heterogeneidade particularmente importante para nós. Baseados nela, acreditamos na imparcialidade e confiamos que cada cliente do iF irá esperar que os experts investiguem e compreendam seu trabalho antes de um veredito. Premissas como essas são válidas tanto para profissionais experientes como para novatos no prêmio iF Conceito. Da mesma forma, valem para quem participa do prêmio iF Design para estudantes. Reconhecemos que, atualmente, a era de prêmios de design pode estar chegando ao fim. Não são poucas as premiações de design existentes mundo afora. Algumas delas têm critérios de avaliação nem tão transparentes suficientemente para que ostentem a idoneidade que deveriam. Há quem diga que os prêmios de design são de dif ícil acesso, também. Não concordo totalmente com isso. Como o iF promove premiações, baseio minha opinião Embalagem Claro Estojo Faber Castell Premiados na categoria de produto Computador Nível de Reconhecimento / Imagem • Como é que o prêmio e seus organizadores são posicionados? • Há quanto tempo o prêmio existe? • O valor da marca do prêmio promoverá você como um vencedor do prêmio? • Você pode encontrar relatórios de imprensa sobre o prêmio em diferentes tipos de mídia? Frequência • De quanto em quanto tempo o prêmio acontece? Categorias • Os critérios de avaliação são modernos e claramente definidos? • Os critérios levam em conta as normas internacionalmente reconhecidas para “bom projeto”? Participantes, Inscrições e Escopo • Quantos participantes inscrevem os seus produtos? • Quantas inscrições são submetidas? • É um prêmio regional, nacional ou internacional? • Qual é a disseminação do prêmio e qual o número de países participantes? Taxas • As taxas de participação são claramente definidas e apresentadas de forma transparente? • Existe uma relação custo / eficiência positiva? • O prêmio é ilimitado em termos de tempo e você pode continuar a usar o logo do prêmio, sem ter que pagar taxas adicionais? Júri • O júri é composto por jurados internacionais? • Os membros do júri são especialistas experientes (e têm experiência como jurados também)? • Qual é a relação entre o número de inscrições, o número de jurados e a duração da sessão de júri (quanto tempo o júri leva para avaliar cada inscrição)? • As inscrições são avaliadas por todo o júri ou apenas por membros individuais do júri? • O processo de julgamento é claramente explicado e bem organizado? • Os membros do júri mudam regularmente? • O júri é influenciado pelos organizadores de alguma forma? Exposição / Exposição on-line • As inscrições premiadas são apresentadas em uma exposição física real? • Em caso afirmativo, quais os grupos-alvo que são acessados e quantos visitantes a exposição recebe? • Existe uma exposição on-line das inscrições premiadas? • Se sim, por quanto tempo e quantos cliques de quantos países tem? Publicação / Anuários • Existe uma publicação documentando as inscrições premiadas? • Onde está publicada e qual é a tiragem? • Como é distribuída e quais são os grupos-alvo? Comunicação, Marketing e RP • Que medidas de apoio e ferramentas são oferecidas pelos organizadores do prêmio? • Os pontos de ranking são premiados ou há um ranking específico? • Se sim, é um ranking nacional ou internacional? • Será que esse ranking tem uma influência visível no seu ranking criativo em outras apresentações internacionais? • O prêmio vai facilitar o processo de tomada de decisão para potenciais clientes, consumidores ou usuários? Premiados na categoria de comunicação Iluminação Mobiliário Mídia Digital Arquitetura corporativa Mídia Impressa a r t i g o | p r ê m i o i f em argumentos como a necessidade de enfrentar a concorrência e o mercado: só assim é possível estar preparado para ter seu produto comparado com o dos outros competidores. Mas, é claro, essa comparação tem que ser boa e justa, feita por meio de um processo transparente de julgamento e sem resultados predeterminados. Por isso, é importante avaliar o prêmio do qual você pretende participar, valendo-se de critérios que permitam determinar se ele será executado de maneira profissional. Daí os porquês de, alguns anos atrás, termos desenvolvido um conjunto de critérios, válidos para nossas premiações, jurados e participantes. Portanto, é possível identificar um bom prêmio de design: basta levantar algumas informações-chave – como, por exemplo, as que podem ser conferidas no boxe da página anterior. Sustentabilidade com design Em 2013, realizamos a 61ª edição do prêmio iF Design. Isso não apenas reflete uma longa tradição, mas também uma mudança constante nos produtos e conceitos que nossos jurados selecionaram a partir das inscrições feitas sob o selo iF. Os desafios do presente e, especialmente, do futuro são diferentes daqueles do passado. Eles se tornaram maiores e mais complexos. Por isso, o design deve se envolver e estar preparado para ser questionado e avaliado a todo instante. Aqui, o que é importante é identificar novos temas e também dar o devido reconhecimento às pequenas ideias – aquelas inspiradoras, baseadas em abordagens inovadoras. Eu, particularmente, gostaria muito de incentivar designers a seguirem desenvolvendo ideias assim. Ao longo dos últimos anos, alguns aspectos relacionados à sustentabilidade se tornaram parte integrante do desenvolvimento de produtos. Existe uma maior preocupação com as matérias-primas e os recursos naturais, assim como com a pegada carbônica, com a degradação dos materiais e com a eficiência energética de componentes eletrônicos. Este último item, em especial, deverá nos colocar diante de grandes desafios. Os problemas da gestão global de energia tendem a se tornarem tão urgentes quanto o problema de distribuição de alimentos e a troca de conhecimento no mundo. No entanto, o que mais precisamos hoje é repensar a produção industrial em seu mais ínfimo detalhe. Quando falamos da “era da informação e comunicação”, a tendência é de nos sentirmos bem em relação a nós mesmos – afinal, economizamos papel e D2B DesignToBranding Magazine | 81 reduzimos emissões de gases de efeito estufa ao enviar um e-mail, por exemplo. Em outras palavras, imaginamos nossas ações como se fossem benéficas ao meio ambiente, mas isso está longe da verdade. O chavão da “TI Verde” remete à tentativa ainda frágil de segurar o espelho da sustentabilidade para as tecnologias de comunicação e as indústrias. Quer ver? Cientistas da Agência Federal Ambiental Alemã (UBA) calcularam que são necessárias quatro grandes usinas de energia movidas a carvão para fazer o resfriamento e a operação de todos os servidores do país. Ao todo, 10% do consumo total de eletricidade na Alemanha é usado em tecnologias de informação e comunicação. Em 2007, a indústria de TI alemã foi responsável pela emissão de 33 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera – um índice maior que o total de emissões produzidas pelo tráfego aéreo do país. Isso sem falar no consumo de eletricidade atrelado ao uso de computadores domésticos, muitos dos quais estão defasados e, portanto, mais poluidores. Não se pode mais negar que até o conhecimento tem custo: supostamente, cerca de um milhão de computadores trabalham para as ferramentas de busca do Google. O New York Times chegou à conclusão de que um pedido de busca no Google utiliza quase tanta energia quanto uma lâmpada de baixo consumo funcionando por uma hora. Ficamos surpreendidos ao imaginar que a procura por uma palavra na internet envolve entre 700 e mil computadores. Diante de constatações como estas, podemos afirmar que o conhecimento do mundo não vem de graça – tampouco com Premiados na categoria de embalagem a r t i g o | p r ê m i o i f D2B DesignToBranding Magazine | 83 Premiados na categoria de embalagem um rótulo verde. Mesmo assim, apesar de termos consciência dos pecados do passado e de buscarmos uma reorientação da matriz de transportes, as consequências das microatividades ainda não se tornaram um tema importante e debatido. Só nos Estados Unidos, o consumo de energia de todos os centros de dados dobrou entre 2000 e 2005 – uma enorme quantidade de energia e de recursos alocados. O primeiro passo a ser dado em uma direção ambientalmente responsável seria a separação entre hardware e software, bem como fazer uma análise da interação entre esses dois componentes. Precisamos realmente nos debruçarmos em buscar soluções para virtualizações e visualizações inteligentes e eficientes – uma área que requer o trabalho de designers desde a concepção dos projetos. Quem desenvolverá os melhores aplicativos para aparelhos celulares, smartphones e outros multimídia não será tão importante. Mais importante, ainda, será pensar em termos de “menos é mais” – o que significa pensar primeiro para agir depois. Perspectiva: O futuro do prêmio iF Design Neste ano, estivemos reunidos pela segunda vez para a noite de prêmios de design do iF no BMW World, em Munique, no dia 22 de fevereiro. Onde realmente queremos chegar é na criação de uma plataforma transdisciplinar que inspire os discursos sobre o futuro do design e a educação em design. Além das premiações do iF, diversas outras atividades farão parte da Semana de Negócios Criativos de Munique (MCBW). Assim como a cidade alemã tem servido de casa para o iF desde 2007, algumas outras operações têm sido cruciais para a orientação internacional da iF e para o atendimento aos clientes regionais. São os casos da sede em Hannover, assim como das filiais de Taiwan, dos escritórios iF de representação na Polônia, na Coreia do Sul e no Brasil. Na Alemanha, o iF apresentou paralelamente ao CeBIT, em Hannover, uma exibição do que será a exposição em HarborCity, Hamburgo – um lugar conhecido por sua excelente localização e beleza, tanto arquitetonicamente quanto sob o prisma turístico. Seis décadas de desenvolvimento, mudanças e desbravamentos de novos caminhos. Do ponto de vista humano, o iF tornou-se um “bom envelhecedor”. Gostaríamos de continuar a criar o futuro da nossa instituição junto com vocês, nossos clientes. Gostaria de agradecê-los pelas críticas, sugestões e ideias apresentadas ao longo dos anos. Certamente, elas ajudaram a transformar o iF na instituição que é hoje. * Ralph Wiegmann é Diretor do iF Design. D2B DesignToBranding Magazine | 85 c a s e | E S TRAT É G IA DE P ROD U TO p l i gg Novas fronteiras do plugar naming, estratégia, identidade e linguagem de marca contribuem decisivamente para construir experiência de design de produto na área de telefonia via internet. c a s e | E S TRAT É G IA DE P ROD U TO Falar faz parte da condição humana. E nestes tempos de comunicação multifacetada, como falamos! É via celular, internet, redes sociais e até por meio de aplicativos específicos, como o whatsapp, além de todas as outras formas tradicionais de conexão. No entanto, ainda é incipiente a utilização de aparelhos de telefonia com internet no Brasil: por vezes é custoso, dif ícil de acessar ou pouco prático. É neste mercado em potencial que entra a atuação do Gad’Lippincott, contratado para desenvolver a identidade de marca, design de produto, bem como da estratégia de comunicação da Pligg: plugue e ligue. “O GAD’ realizou um trabalho importante e crítico, desde a identificação do perfil do usuário, testando, pesquisando e entendendo o público que iria usar o serviço até o desenvolvimento do produto em si”, conta Paulo Longemann, da Soma Recomendação conceitual Consolidação dos conceitos gerados p l i gg Investimentos, empresa idealizadora do projeto. O Pligg é um serviço de telefonia que possibilita a realização e recebimento de chamadas de longa distância via internet banda larga. O serviço permite a economia nos telefonemas e não possui limites de tempo nem de distância. Inteligente, o serviço contempla um aparelho para a realização das ligações via o seu acoplamento em um computador e tem como outros diferenciais a não necessidade de instalação e atualização de software, além de vir com um número dedicado para as ligações. Utilizando a tecnologia de voz via IP, mais conhecida como VOIP, o Pligg oferece uma conexão com uma qualidade dez vezes superior à da telefonia comum. “Os antecessores desta solução nunca conseguiram captar o interesse do mercado de massa. Isto se tornou um dos grandes objetivos e desafio do trabalho: tangibilizar o serviço com clareza de entendimento e com um design atrativo. Para isso, con- D2B DesignToBranding Magazine | 87 tamos com a participação colaborativa de consumidores em diversas seções de workshops e promovemos testes de usabilidade para provar sua ergonomia”, explica Fabiano Pottes, gerente de inovação e design de produto do Gad’Lippincott. Ele acrescenta que o projeto alocou grandes esforços para tornar uma tecnologia complexa em um produto que comunica simplicidade, usabilidade e instiga a curiosidade. “Por se tratar de uma nova categoria no mercado nacional, foi importante na estratégia de linguagem de design não tornar o produto símbolo de outras categorias, como: telefonia, periféricos de computador, cartão de memoria. O Pligg se posiciona no universo de som e voz. É um novo conceito de telefonia, com outros benef ícios de uso”, diz. Para o desenvolvimento da marca Pligg, assim como do aparelho que compõe o serviço de telefonia via internet, foi utilizada uma metodologia exclusiva do Gad’Lippincott, contemplando Conceito final as etapas de Estratégia, Arquitetura, Design Conceitual e Detalhamento de Design. No composto de Estratégia foram mapeadas as principais referências em serviço de telefonia via web existentes no mercado, posicionamento e comunicação da concorrência, além de serem identificadas novas oportunidades de abordagem, como os diferenciais em relação à melhor usabilidade do produto e os atributos a serem explorados por meio do design. Design elegante Após essa etapa preliminar, definiu-se como linguagem de design o GeoSoft, que consiste na apropriação do atributo confiança apresentada por meio de um desenho robusto, geométrico e de humanização orgânica, evocando também características de vanguardismo e sofisticação. Tal linha de design se inspira em três pontos fundamentais: formas pre- c a s e | E S TRAT É G IA DE P ROD U TO dominantemente geométricas com leve assimetria e acabamento arredondados; mescla de materiais emborrachados e plásticos, com o acabamento fosco e detalhes brilhantes; e a aplicação de cores metalizadas e saturadas, com o uso de tons acinzentados escuros e pigmentos sofisticados. Para tangibilizar esses elementos e considerando as variáveis de complexidade de produção e custo, chegou-se a uma solução que une o design prático e compacto com personalidade e carisma. O extensor cilíndrico utilizado otimiza recursos de produção, além de reter em sua funcionalidade o plug telefônico, não o deixando visível e valoriza o atributo de mobilidade e praticidade do mesmo. “A linguagem de design do aparelho levou em consideração as percepções dos usuários e estabeleceu um novo arquétipo icônico, despertando o interesse de adolescentes, jovens e adultos”, complementa Pottes. Além disso, o desenvolvimento do aparelho integra seus componentes em uma unidade, distante do padrão de periférico de computador. Ocultar o plu- p l i gg gue USB foi outro diferencial estético assim como seu design limpo e neutro, capaz de harmonizar-se bem com os demais equipamentos de informática. A engenharia de design e seu detalhamento para produção em série, realizado pelo time de designers do Gad’Lippincott, foram fundamentais para minimizar alterações e ajustes indesejados por parceiros no exterior na confecção dos moldes. O processo de acompanhamento conduzido pelo GAD’ garantiu maior produtividade e controle técnico de tolerâncias em cada componente para sua perfeita montagem. “A solução apresenta o mínimo de componentes possível, redução de etapas e esforços na montagem das unidades, com encaixes internos eficientes e ausência de parafusos”, reforça Pottes. O Pligg teve sua comercialização iniciada em março deste ano, e a projeção é atingir um total de 150 mil aparelhos vendidos até dezembro de 2013. D2B DesignToBranding Magazine | 89 D2B DesignToBranding Magazine | 91 a r t i g o | E M OTIO N AL DE S I G N Os designers na projetação para emoções Por Leandro Miletto Tonetto* O Design, tradicionalmente focado em pensar forma e função, vem ampliando seu foco de atuação, incluindo a projetação para aspectos imateriais, tais como experiências e emoções. a r t i g o | E M OTIO N AL DE S I G N Pode-se pensar, portanto, no projeto como um canal para que dada marca potencialize o despertar de experiências pretendidas para os usuários. Ao invés de projetar um automóvel, por exemplo, e diagnosticar seus impactos emocionais sobre o usuário após projetá-lo, é possível projetar com base na definição a priori de uma experiência desejada (por exemplo, orgulho de ter o carro ou robustez). Há muito tempo ouço pessoas dizerem que trabalham com design emocional, mas, na verdade, querem dizer que se preocupam com o impacto emocional de seus projetos, o que é muito diferente de projetar para emoções. Design emocional é uma área que busca a profissionalização do projetar para despertar ou evitar emoções particulares. De certa forma, trata-se de uma atividade que sempre foi exercida pelos designers, mas que era desenvolvida sem a certificação de que suas intenções projetuais teriam o impacto pretendido entre os usuários. O design emocional, portanto, não tem foco em produto nem em design gráfico. Muitos perguntam com o que eu trabalho, geralmente buscando ou até mesmo sugerindo que a resposta desejada seria “gráfico” ou “produto”. Eu respondo, sempre, “experiência” ou “emoção”. Projetos legítimos na área seriam, por exemplo, projetar para inspiração, por meio de uma livraria, ou para evitação da frustração, através de um serviço com foco no emagrecimento que contenha elementos que estimulem a adesão à dieta, mesmo frente a retrocessos ou pouca perda de peso. A mudança de visão sobre o objeto de design vem do fato de que tudo o que fazemos tem uma dimensão emocional. Qualquer produto utilizado por nós, evidentemente, segue o mesmo princípio, mesmo que seja algo “neutro”. Até a inferença é uma experiência emocional. O design, nessa perspectiva, pode projetar intencionalmente para buscar despertar ou evitar uma experiência particular, mas este é um processo intencional de projeto, que busca entender as condições que facilitam a ocorrência da experiência desejada e, então, busca incorporar tais condições no projeto. Tenho um exemplo muito interessante sobre design de automóveis. Quando desenvolvi um projeto de pesquisa em nível de pós-doutorado na Faculdade de Design da Universidade de Delft, na Holanda, estudei o design de carros e seus possíveis impactos emocionais entre os usuários. Interessado, entre outros tópicos, em entender a experiência de segurança, fiquei muito intrigado ao perceber que muitos carros que eram tecnicamente muito seguros não eram sentidos desta forma, e que outros, nem tão seguros, eram mais bem avaliados nesta questão. Por quê? Para o público pesquisado, um dos elementos de design au- D2B DesignToBranding Magazine | 93 tomotivo que era um gatilho muito forte para a percepção de segurança era a sensação de estar no controle. Nessa direção, vidros que proporcionassem amplitude visual (vidros amplos) foram avaliados como um grande gatilho para que a pessoa sentisse que estava no controle. Assim, não bastava projetar o carro mais seguro, pois, se os usuários não identificassem tal atributo no produto, a marca não poderia diferenciar-se como produtora de carros seguros. Desse modo, entendemos que não basta ter o que o consumidor deseja, se o design não jogar a favor da marca, estimulando as experiências desejadas entre as pessoas. As ferramentas para fazer esta análise foram incorporadas ao design na década de 1990, mas são oriundas de teorias da psicologia que datam de décadas anteriores. Muitas pessoas me perguntam o que um psicólogo faz no design, e eu respondo, portanto, que ajudo o designer a entender como projetar para potencializar os efeitos desejados de seu projeto entre os usuários, partindo de uma visão psicológica sobre a experiência humana. Todo projeto que é desenvolvido com a intenção de despertar certas emoções, como no exemplo da segurança em carros, ou mesmo de evitar determinadas experiências, deveria ser baseado em pesquisa com usuários, focada na investigação de aspectos psicológicos do consumidor. O designer, se estiver baseado apenas em suas experiências, corre o perigo de sofrer de uma miopia que o faz julgar que todas as pessoas, de segmentos distintos de mercado e grupos de consumo diferentes, terão as mesmas experiências que ele com os mesmos produtos. Não é novidade que, mesmo em nossas vidas pessoais, entendemos que pessoas diferentes vivem experiências distintas nas mesmas situações e sentem-se de formas diferentes nelas, como o gosto por alimentos, bebidas ou tipos de música. Por que isso seria diferente com outros produtos? A questão para os designers, portanto, reside em compreender como fazer tal tipo de análise. Por este motivo, o design com inspiração na Psicologia pode ser um caminho interessante e poderoso, descrito a seguir. a r t i g o | E M OTIO N AL DE S I G N Design com inspiração na Psicologia As emoções em relação aos artefatos podem ser entendidas, na psicologia, como resultados da forma como avaliamos um produto ou serviço. Essa avaliação tem base em uma leitura que fazemos sobre o potencial efeito do produto sobre nosso bem-estar. Este produto tem potencial para causar efeitos positivos sobre nós? Emoções têm foco em um evento específico. Tal evento pode ser entendido como uma das causas da emoção, que podem ser relacionadas a condições, elementos ou pessoas. Emoção, portanto, geralmente tem um objeto facilmente identificado como seu agente causador. Em função desta característica situacional, estados emocionais podem mudar rapidamente e ter intensidades distintas, assim como impactos sobre o comportamento que nos ajudam a lidar com as diferentes situações da vida. Nesta perspectiva, para entender o porquê de uma emoção ocorrer, precisamos compreender as condições nas quais ela é formada e traduzi-las em diretrizes de projeto. Quatro elementos merecem destaque nesta visão: a definição da emoção a ser trabalhada, o perfil de interesses e motivações de uso do consumidor, a forma como o indivíduo processa a informação sobre o produto, e o produto em si. Vejamos a seguir o que são estes elementos. É evidente que, antes mesmo de iniciar qualquer esforço projetual, é preciso definir a experiência para a qual se deseja projetar. Uma marca, por exemplo, pode querer projetar utensílios domésticos (produto) para estimular o orgulho dos usuários em relação à casa (emoção pretendida). Tomemos como exemplo tal contexto. Definidos a emoção e o contexto de projeto, o perfil de interesses e motivações de uso é o primeiro ponto a ser conhecido, quando se deseja entender como potencializar a ocorrência de um efeito emocional desejado entre os usuários a partir do projeto. Pontos-chave para entender o perfil de interesses e motivações são (1) elementos focados no produto/serviço em si, referentes a suas preferências, tais como preferir objetos de cristal, artesanais ou coloridos; (2) ganhos pretendidos com uma atividade, no domínio do design, desempenhada pelo usuário, como, por exemplo, desejar utilizar a casa como um espaço de interação entre amigos, por meio da cozinha; e (3) objetivos de vida, como buscar oportunidades de autoexpressão, ter tempo para relaxar, entre outros. O segundo elemento em análise deve ser compreender a forma como o consumidor “processa a informação”, em lingua- D2B DesignToBranding Magazine | 95 a r t i g o | E M OTIO N AL DE S I G N gem psicológica, sobre os produtos, em função de seu perfil de interesses. Aqui entra aquela questão-chave: “Qual o efeito deste produto sobre o meu bem-estar?” De forma simples e direta, a questão deve ser: “Como tal produto contribui comigo e com meus objetivos?”. Um caminho que utilizo muito frequentemente é buscar entender como as pessoas se relacionam com produtos equivalentes. Seguindo a linha do orgulho estimulado por utensílios domésticos no contexto de eventos realizados em torno da cozinha, percebo que existe uma série de opções no mercado que não estimulam que o usuário produza ele mesmo algo de valor, um dos elementos-chave para a projetação para o orgulho. Projetar para o orgulho, seguindo este exemplo, exige que o produto não faça algo pela pessoa. Eles devem facilitar que a própria pessoa faça algo seu, original, de valor e que sinta, a partir de sua produção, orgulho de si e de seu desempenho. Nenhum processo de projetação deste tipo pode oferecer uma visão tão ampla sobre os “gatilhos” (elementos de design) de uma emoção a serem incorporados em um projeto como a busca de resposta pelas perguntas aqui propostas. O produto em si é o último estímulo a ser avaliado. De que forma se pode pensar em diretrizes de projeto para atender tal perfil, considerando o perfil de interesses e motivações traçado? Seguindo o exemplo dado até o momento, uma diretriz D2B DesignToBranding Magazine | 97 importante seria a evidente função de facilitar as atividades do usuário na cozinha, sem, no entanto, resolver os problemas em seu lugar. Assim, uma máquina que prepara o alimento para o consumidor pode ser fantástica para proporcionar praticidade, mas não tende a estimular orgulho, já que não envolve o próprio usuário no processo. Apesar de poder ser entendida como um ótimo produto, a máquina não estaria alinhada com o objetivo de proporcionar orgulho ao usuário. Em síntese, é importante definir a emoção e o contexto de projeto; analisar os usuários em relação a seu perfil de interesses e motivações quanto ao produto/serviço; observar como eles processam as informações sobre tais produtos (se possível, com base em análise de produtos/serviços equivalentes), a fim de compreender o que pode facilitar a ocorrência da experiência emocional desejada e o que pode prejudicá-la; e, a partir de toda esta análise, propor diretrizes de projeto que potencializem os efeitos emocionais desejados do projeto. No mercado contemporâneo, as marcas não têm alternativa senão buscar proporcionar, a partir de seus produtos, experiências aos consumidores que fortaleçam seus posicionamentos. Projetar com esta intenção, como um processo planejado, é um exelente caminho para a redução dos riscos de insucessos indesejados e maior assertividade em cada passo no mercado. Alcances e limites dos projetos para emoção Como área emergente, todas as metodologias de design emocional são muito incipientes. A visão que apresento aqui é apenas uma das tantas possibilidades existentes e que é fundada, até mesmo em função de minha formação, na psicologia e na pesquisa direta com usuários. Mesmo com esta base, apenas um bom projeto de produto não garante a ocorrência dos efeitos emocionais desejados. É importante compreender o perfil de interesses do usuário para potencializar tal efeito e projetar a partir de diretrizes delineadas com base em estudos com os usuários. Compreender tal perfil e aplicá-lo a projetos de design não é uma ciência exata, de modo que é importante que os profissionais entendam que seus projetos terão ótimo potencial para despertar as emoções para as quais se desejou projetar, mas nunca há total garantia de sucesso. Uma análise consistente do usuário pode reduzir muito o risco de insucesso. Para garantir ainda mais que todo o esforço tenha o efeito desejado, é importante que, após projetar, uma etapa final de teste do produto seja desenvolvida. Apenas assim é possível entender se a análise e as diretrizes de projeto geradas a partir dela foram aplicadas de forma consistente ao projeto propriamente dito. Mais uma vez, uma pesquisa com observação direta do consumidor no contexto de uso do produto pode ser um excelente caminho. É importante que o designer entenda que, projetando nessa tradição, ele assume uma visão fundada em relações de causa (elementos de design) e efeito (impactos pretendidos no usuário), tratando seus projetos de forma mais estruturada e sistemática. Os problemas de design normalmente são entendidos como não sendo bem estruturados, e a análise do usuário em projetos para emoção busca proporcionar um maior nível de estruturação sobre o projeto. Não se trata de limitar a criatividade. Projetar com base em diretrizes bem estruturadas que auxiliem a atingir objetivos pode ser libertador para os profissionais, pois delimita o espaço para a criação segura e proporciona a potencialização da ocorrência das experiências desejadas pela marca para os usuários. “Os designers do imaterial na projetação para emoções” são profissionais que buscam projetar efeitos intangíveis, tais como as emoções, a partir de elementos de design que podem ser conscientemente pensados e projetados por profissionais fundamentados em uma cuidadosa análise da experiência humana. * Coordenador do Bacharelado em Design da Unisinos, sócio da Zooma – Consumer Experience, representante da Design & Emotion Society no Brasil, psicólogo pesquisador na área de Experiência do Usuário. v i su a l m e r ch a n d i s i ng | LOJA S A M / P M Design a serviço da conveniência Um espaço. Dois públicos. Tornar possível a convergência de pessoas com necessidades distintas em um único ambiente foi o diferencial do projeto de renovação das lojas da AM/PM. v i su a l m e r ch a n d i s i ng | LOJA S Um estabelecimento comercial de vizinhança que disponibiliza uma gama variada de produtos e continua aberto, enquanto os demais já fecharam suas portas. É a partir desse conceito que surgiram, no início do século 20, nos Estados Unidos, as lojas de conveniência, oferecendo facilidade nas compras de última hora. A primeira delas foi criada em 1927, em Dallas, pelo visionário Jefferson Green ao observar que muitos clientes precisavam adquirir pão, leite e ovos após o horário de funcionamento das mercearias locais. Assim, a Ice Company Southland tornou-se pioneira ao operar 16 horas diárias, sete dias por semana, conforme a Associação Nacional de Lojas de Conveniência norte-americana. A agilidade para estacionar em frente ao local e a inexistência das filas registradas em supermercados foram os catalisadores desse novo tipo de negócio, que acabou espalhando-se naquele país através do sistema de franquias. A partir da década de 1970, as lojas começaram a proporcionar o autosserviço de abastecimento de gasolina, estabelecendo uma relação que se mantém até hoje. É dentro desse contexto que a indústria petrolífera Atlantic Richfield Company (ARCO) inaugurou, em 1974, a rede de conveniência AM/PM, presente em 12 países, entre eles o Brasil. Por aqui, a franquia é administrada pela Ipiranga, empresa do Grupo Ultra, e conta, atualmente, com mais de 1.300 A M / P M lojas em operação em postos de gasolina de diferentes estados. As mudanças econômicas e sociais ocorridas nos últimos anos desencadearam ajustes no perfil e nos frequentadores desses ambientes e levaram a alterações de enfoque e de design para continuarem lucrativos. O investimento no segmento de alimentação foi uma das soluções encontradas, com a área de fast food ganhando espaço no layout dos estabelecimentos, atraindo pessoas com distintas demandas. Para atrair mais clientes, era preciso ampliar o mix de produtos disponíveis, tornar mais fácil a sua localização e reforçar as conveniências do funcionamento dia e noite, sem interrupções. Líder no mercado nacional de conveniência, com 44% de market share, conforme o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), as unidades da AM/PM também estão vivenciando um período de modificações, expandindo seu setor alimentício e readequando suas lojas para que estas dialoguem com a diversidade do público que nelas convergem. Um marco dessa nova visão é a renovação da identidade visual desenvolvida pelo Gad’Retail para a Ipiranga, que precisava responder à ênfase na área de alimentos e instalação de padarias em alguns estabelecimentos. Paralelamente a isso, o projeto tinha que alcançar tanto aquela pessoa que entra na AM/PM para tomar o café da manhã ou para fazer um lanche rápido como quem está indo para a balada e faz uma parada no local ou está abastecendo e lembra que precisa de algum item específico. Thais Fagundes, executiva de conta do Gad’Retail, descreve que o objetivo era deixar os espaços mais funcionais, versáteis, acolhedores, amigáveis e reforçar sua característica de atendimento 24 horas. “O desafio era renovar mantendo elementos permanentes de identidade”, afirma. D2B DesignToBranding Magazine | 101 Comunicação possível A organização espacial das lojas para agilizar a identificação dos setores pelos variados públicos foi viabilizada por meio da definição de duas cores para salientar os itens de consumo rápido e os que levam à permanência do consumidor no lugar. O diferencial de funcionamento dia e noite das unidades foi simbolizado através da escolha do laranja e azul como tons principais para a revitalização dos ambientes. O azul foi relacionado aos produtos de conveniência atendendo a uma necessidade de compra rápida. Já o laranja, que convida a pessoa a ficar no local, aos artigos de refeições e padaria. “Integrar esses dois lados antagônicos, mas que conversam entre si, foi o grande gol desse trabalho”, ressalta Thais. O projeto elaborado pelo Gad’Retail estabeleceu ainda para cada área interna um ícone, acompanhado sempre de uma mensagem que convida ao consumo. Na fachada, dois painéis assinalam a polaridade dos públicos: um mostra um hambúrguer, chamando para um lanche, para uma pausa na correria, e outro um copo de bebida cercada de gelo que parece derreter, associado à urgência de saciar uma demanda. As gôndolas seguem o mesmo padrão de cores, incluindo o vermelho para ressaltar os pontos promocionais. A facilidade de consumo foi obtida nos expositores com a melhor categorização dos produtos. Além disso, foram criadas testeiras superiores usadas como base da comunicação para definir as macrozonas, como Caixa, Gelado, Na Hora e Padaria. Para acessar a Ipirangashop e realizar aquisições online, um ambiente especial foi desenvolvido para que os clientes possam utilizar o computador da loja. Com a tematização dos setores, salienta Thais, foi concretizada a transformação das lojas em ambientes mais inovadores, próximos de seus públicos e que oferecem uma experiência sensorial a seus frequentadores. D e s i gn | h e r m a n m i l l e r Fábrica de ícones Sinônimo de móveis modernos e contemporâneos, a Herman Miller tem o pioneirismo no DNA das peças-desejo que produz. D e s i gn | h e r m a n m i l l e r Os mais lendários designers mundiais tiveram seus traços e formas imortalizados em ícones pela Herman Miller, a partir de meados do século 20. A liberdade cultural e dos costumes que começava a ser vivenciada pela sociedade pós-guerra dos anos 1920 imprimiu seu vanguardismo em distintos setores produtivos. Os ares de mudanças foram percebidos pelo empreendedor D.J. De Pree que, em 1923, fundava, em Zeeland, no Michigan (Estados Unidos), uma das mais emblemáticas fábricas de móveis para residências e escritórios de todos os tempos. Apoiado financeiramente pelo sogro, a companhia recebeu – como homenagem – o nome de seu maior incentivador. O pioneirismo foi, desde o princípio, uma das marcas registradas da empresa, que acompanha e traduz, nos últimos 90 anos, as transformações e necessidades da sociedade em objetos para diferentes tipos de ambientes. Com cerca de cinco mil funcionários, já colaboraram com a fábrica nomes como os de Charles e Ray Eames e George Nelson que criaram, respectivamente, símbolos do design como a poltrona e o pufe Eames e o sofá Marshmallow. Além da inovação, são características intrínsecas da Herman Miller a preocupação quase obsessiva com os detalhes (os produtos são testados milhares de vezes) e a durabilidade das peças, que têm 12 anos de garantia. A esses atributos foram sendo agregadas, ao longo de sua trajetória, outras peculiaridades, como a viabilidade econômica e a sustentabilidade dos itens. A filosofia que permeia todo o processo produtivo da companhia foi disseminada por Charles Eames, cuja linha de poltronas projetadas em 1956 integra a coleção do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Eames defendia que os objetos deveriam ser pensados além da questão estética. Para ele, um bom projeto de design responde a um problema, tem funcionalidade e uma aparência que ultrapassa seu próprio tempo, dando-lhe longevidade. A partir desse conceito, o designer e tantos outros criadores imprimiram em suas peças o equilíbrio perfeito entre beleza e função, elaborando móveis modernos e contemporâneos que são verdadeiras obras de arte. O trabalho em rede com designers dos mais diferentes lugares – dos Estados Unidos à China – foi um modelo vanguardista implementado pela empresa na década de 1930, a partir da necessidade de acompanhar as modificações sociais que ocorriam fora do contexto de Michigan e, dessa forma, evitar o isolamento criativo da fábrica. Este método de atuação foi intro- D2B DesignToBranding Magazine | 105 duzido pelo designer Gilbert Rohde, que acabou tornando-se posteriormente diretor terceirizado de criação da companhia em Nova Iorque. Desde então, já realizaram projetos em parceria com a empresa Alexandre Girard, Isamu Noguchi, Propst Robert, Bill Stumpf, Chadwick Don, Birsel Ayse, Studio 7.5, Yves Béhar, Bola Doug, entre outros renomados profissionais. É, inclusive, dos designers Chadwick Don e Bill Stumpf o ícone que representa a preocupação da Herman Miller com a sustentabilidade: a cadeira Aeron, concebida desde a fase inicial dentro da perspectiva “verde”. Conforme Carla Barbosa, gerente regional da companhia no Brasil, quase dois terços dos materiais da Aeron são reciclados (veja mais na página 70). Ela acrescenta ainda que a responsabilidade ambiental é um dos fundamentos construtivos da empresa. Em 1953, D.J. De Pree afirmou sobre sua empresa que a Herman Miller seria uma boa administradora do meio ambiente. “Com essas palavras, a jornada para ser uma fábrica sustentável tornou-se mais complexa e de longo alcance”, salienta Carla. Para que a sustentabilidade não virasse apenas uma ideia no papel, foram necessárias modificações na forma de projetar e de produzir os móveis. “Nós nos concentramos em manter elevados padrões de qualidade, incorporando matérias-primas, recursos e procedimentos de fabricação mais ecológicos”, comenta a gerente. Nesse sentido, foi elaborado também um conjunto rigoroso de protocolos, chamado Design para o Meio Ambiente (DfE), que orienta as decisões e a maneira de trabalhar da companhia e, consequentemente, dos designers parceiros, que criam suas obras seguindo essas premissas. Cradle-to-cradle A preocupação ambiental engloba todo o processo de desenvolvimento dos objetos da Herman Miller, da pesquisa, criação, fabricação, transporte, distribuição até a comercialização, abrangendo todo o ciclo de vida do produto. Carla Barbosa destaca ainda que a matéria-prima utilizada nas peças é selecionada atentamente. Outra atitude que coloca a empresa no pioneirismo da sustentabilidade é solicitar a composição química dos materiais aos fornecedores para verificar o uso de elementos tóxicos. Até o momento, mais da metade dos itens produzidos pela fábrica passam por essa análise. A intenção é, até 2020, chegar a 100%. “O protocolo de projeto adotado vai além da conformidade regulamentar”, pondera. A durabilidade dos objetos é outro princípio norteador dos móveis produzidos pela Herman Miller, ligado diretamente ao conceito D e s i gn | h e r m a n m i l l e r de sustentabilidade. Carla argumenta que todos os produtos da fábrica são voltados para a utilização repetida, reparação, manutenção e montagem, usando peças-padrão. “Quanto mais qualidade a cadeira ou poltrona tem, mais tempo mantém suas funções”, assinala. Outro cuidado que deve ser observado pelos designers que colaboram com a empresa durante o desenvolvimento de novos projetos é o tempo que dura para o objeto ser desmanchado e refeito. Se ele levar mais de 15 segundos, precisa ser repensado. Essa técnica insere-se na metodologia do Cradle to Cradle (do inglês, berço ao berço – uma brincadeira com a expressão do berço ao túmulo), adotada a partir de 2005 pela fábrica. O conceito, elaborado pelo arquiteto William McDonough e pelo químico Michael Braungart, trata do desenho de produtos e D2B DesignToBranding Magazine | 107 dos respectivos processos produtivos de modo que todas as partes da cadeira ou poltrona, por exemplo, possam ser totalmente reutilizadas em outros procedimentos depois de serem descartadas, minimizando os impactos industriais na natureza. Os desafios criativos para os designers dentro desse cenário, segundo Carla, envolvem três áreas-chave: a química dos materiais e a segurança dos insumos escolhidos, desmontagem (se os produtos podem ser separados no fim de sua vida útil) e reciclabilidade (se os componentes empregados podem ser reciclados). Ela observa também que os profissionais contratados pela Herman Miller têm essas preocupações em seu escopo de trabalho. Entre eles, ela destaca as criações de Yves Béhar, que projetou a cadeira Sayl (veja mais na página 67), e do Studio 7.5, desenvolvedores da cadeira Setu. D e s i gn | h e r m a n m i l l e r D2B DesignToBranding Magazine | 109 Cadeira Aeron, símbolo de um posicionamento Parte do acervo do MoMA, em Nova Iorque, a cadeira Aeron é um marco da preocupação ambiental que a Herman Miller tem com o desenvolvimento de seus produtos. Criado pelos designers Don Chadwick e Bill Stumpf a partir de uma extensa pesquisa, esse ícone mundial – vencedor do prêmio de melhor design da década de 1990 pela revista Business Week – tem 94% de seus componentes recicláveis e é fabricada com materiais sustentáveis, sendo que 66% desses elementos são reaproveitados. A cadeira, da linha escritório, é atualmente o carro-chefe de vendas da companhia e possui certificação Cradle-to-Cradle (do berço ao berço). Além disso, contribui para a obtenção de créditos LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), adequando-a ao conceito de Green Building e de arquitetura corporativa sustentável. Assim como todos os objetos elaborados pela empresa, a Aeron foi idealizada para ter vida longa. Chadwick e Stumpf pensaram o projeto de forma que as peças que sofrem mais desgaste com o passar do tempo fossem agilmente substituídas e recicladas. Outros pontos observados pelos designers, dentro da filosofia da Herman Miller, foram os de simplicidade no momento de manutenção e a facilidade para desmontá-la. O desenvolvimento do produto baseou-se também em levantamento realizado com pessoas idosas que vivem em casas de repouso e passam longos períodos sentadas. Desse ponto de partida, eles definiram alguns critérios a serem refletidos no design final: ergonomicamente, por exemplo, a cadeira deveria interceder pela saúde de quem a usa e ela precisava mover-se e ajustar-se da maneira mais natural e simples possível. Teria ainda que ser inclusiva, acomodando melhor os seus usuários. Para reunir esses atributos em um único item, foram consultados especialistas, como fisioterapeutas, ortopedistas e da área de ergonomia, que avaliaram os ajustes, os movimentos e as facilidades de uso da cadeira. O processo contou também com testes de conforto e estudos antropométricos (que medem o corpo e suas partes) promovidos nos Estados Unidos. O grupo envolvido com a pesquisa executou ainda avaliações térmicas e de pressão para averiguar a distribuição de peso, calor e de umidade no material empregado no assento. Com esses dados em mãos, os designers estabeleceram a relação entre as medidas, alturas e pesos e a preferência por determinado tamanho de cadeira e propor três modelos adequados aos perfis identificados. O resultado desse processo foi uma revolução no segmento de cadeiras de trabalho. As formas projetadas por Chadwick e Stumpf revivam o trabalho de Charles Eames e manifestam, de forma única, a finalidade, utilização e composição dos materiais empregados na Aeron. Você sempre linda tem na Grandes marcas para deixar você ainda mais bonita. Panvel.com • entrega em todo o Brasil D e s i gn | h e r m a n m i l l e r D2B DesignToBranding Magazine | 111 Design que agrega valores Um dos ecodesigners mais aclamados atualmente é o suíço Yves Béhar. Fundador do Fuseproject, conceituado estúdio de design com unidades nas cidades de São Francisco e Nova Iorque, nos Estados Unidos, sua atuação está focada na sustentabilidade, nas relações humanas e na autoexpressão. Com projetos de forte caráter humanista, Béhar acredita que os objetos contam histórias e criam experiências, estabelecendo um diálogo entre pessoas, produtos e marcas. Sua atenção está em ultrapassar a forma, função e beleza dos elementos e somar valores sustentáveis e sociais aos artigos. Para isso, concebe produtos que podem ser transformados em outros, como a garrafa de bebida orgânica – uma alternativa saudável aos refrigerantes – desenhada assimetricamente, permitindo que as crianças brinquem com elas após beberem seu conteúdo, já que elas conectam-se e viram novas formas. Influenciado pela modernidade e funcionalidade germânica da mãe e pela expressividade e poesia turca do pai, o designer, que busca em suas criações o equilíbrio entre essas culturas, encontrou seu caminho ainda adolescente ao unir duas paixões em um único e inusitado objeto: o windsurf e o esqui. Utilizando uma prancha, encaixe de mastro, correia para os pés e aletas metálicas, ele conseguia deslizar pelos lagos congelados da Suíça. Desse fato em diante, o caminho percorrido o levou à escola de design e ao Vale do Silício norte-americano, onde o recém-formado Béhar passou a atuar em uma consultoria para companhias que estavam promovendo mudanças nos computadores para introduzi-los no mercado residencial. Ao perceber que a modificação era mais estética, mudou-se para São Francisco e montou seu próprio estúdio de design. Admirador de Charles e Ray Eames, o designer também quis realizar algo em conjunto com a Herman Miller e, um dia, ligou para lá e disse que queria trabalhar com a empresa. Da parceria nasceram as cadeiras Sayl e as luminárias Leaf e Ardea. Para o projeto da Leaf, que levou quatro anos e meio, foram desenvolvidas tanto a luminária como a lâmpada. A intenção era proporcionar uma combinação única de cores e luminosidade. O usuário pode escolher desde uma luz suave até uma brilhante. Para isso, na base do objeto, mistura-se o brilho de um lado e a coloração de outro. Já a Sayl, com uma composição 91% reciclável, foi inspirada em um símbolo de São Francisco: a Golden Gate Bridge. Béhar questionou se os princípios da engenharia de uma ponte seriam aplicáveis em uma cadeira. Além de viável, ele percebeu que, usando uma torre de sustentação para as costas, poderia reduzir os materiais usados, diminuindo o peso e o impacto ambiental do produto. O nome Sayl faz uma referência aos veleiros (do inglês sail) que passam por baixo da Golden Gate e à estrutura de sustentação em forma de Y (a troca do i da palavra sail por y agrega os dois conceitos representados). Com informações da Herman Miller D2B DesignToBranding Magazine | 113 Marcas de conteúdo Por Amar Trivedi/NZ O marketing pode não ser tudo atualmente, mas tudo é marketing, assim como conteúdo pode não ser tudo hoje em dia, porém tudo é marketing de conteúdo. Desde o funcionário que posta no Facebook imagens da festa da empresa onde trabalha e recebe muitos comentários e vê o número de curtir crescer, passando pela mobilização virtual para a abertura da Olimpíada de Londres em 2012 até a transmissão e repercussão das notícias nos computadores e smartphones. Diante desse cenário, a promoção de um negócio em qualquer mídia social, seja ela online ou offline, significa produção de conteúdo da marca. Os mais experientes gerentes de marketing que analisam as redes sociais apontam o marketing de conteúdo como uma inovação digital e, mais recentemente, como um gerador de renda. Por sua faceta onipresente e sua facilidade de acesso, as mídias sociais são espaços nos quais conteúdos são criados constantemente por meio do compartilhamento das informações e dos curtir distribuídos digitalmente sobre as mais variadas atividades que ocorrem à nossa volta. Para quem essa descrição parece um discurso muito “a la Forrest Gump” (filme com Tom Hanks), o marketing de conteúdo é, por definição, o processo de gerar materiais de marketing e de comunicação, identificar mercados-alvo e transmitir as informações aos públicos específicos, por meio de publicidade paga ou mídia espontânea. São dois os objetivos a serem alcançados: o criativo e o de marketing. O primeiro tem como meta a produção de material que interesse ao público-alvo da empresa a ponto de alguém divulgá-lo entre os amigos, querer mais e, dessa forma, estabelecer uma comunidade em torno daquele conteúdo. Já o segundo, busca ampliar a inserção do material, tornando-o viral, e, a longo prazo, construir experiências positivas envolvendo a pessoa com a marca e criando um vínculo de lealdade. Contudo, a chave de ouro é acrescentar valor à comunidade aproveitando a inteligência coletiva para o fortalecimento da marca. Visão holística Um avanço para as empresas é o gerenciamento holístico do conteúdo, trabalhando o seu ciclo contínuo. Essa nova maneira de atuar demanda habilidades e um time multidisciplinar. Além disso, a colaboração social é pré-requisito para obter bons resultados para a marca. O processo deve iniciar internamente nas áreas de marketing e tecnologia, depois circular pela companhia e, então, externamente, através dos negócios. Essa alteração social será gradual, já que se trata de uma mudança de paradigma. Coca-Cola, IBM – com o seu projeto Planeta Mais Inteligente, – e TED.com (com os vídeos sobre experiências inovadoras) são empresas que atingiram a posição de rock star nos resultados positivos alcançados por meio do marketing de conteúdo. Atualmente, com a voracidade por conteúdo existente – e as inesgotáveis fontes de onde ele sai –, o marketing digital baseia-se em duas vertentes, a da Colaboração Social (um novo mundo de trabalho criado a partir da colaboração das empresas para negócios sociais) e a de Gestão da Informação (que se refere a dar sentido à grande quantidade de conteúdo que é gerado). No panorama mundial de transição das companhias das melhores práticas de mídias sociais para a transformação social empresarial, o marketing de conteúdo será o passo adiante na evolução das empresas no futuro. Content Marketing Usage (by tactic) 79% Social Media (excluding blogs) 78% Article Posting 62% In-Person Events 61% eNewsletters 55% Case Studies 51% Blogs 43% White Papers 42% Webinars/Webcasts 42% Print Magazines 41% Videos 31% Promoting Content in Tradicional Media 30% Microsites 25% Print Newsletters 23% Research Reports 21% Data-Driven Content Marketing 16% Podcasts 15% Digital Magazines 11% Mobile 11% Virtual Conferences 9% eBooks Jogo dos 7 acertos do Ciclo Contínuo de Conteúdo 1. Criar Sempre elabore conteúdo com sua audiência em mente. Seja consistente e crie um fluxo de informações. Deixe o material fácil de digerir e embale-o e apresente-o melhor. 2. Cuidar Engaje, eduque, entretenha o seu público-alvo com conteúdo novo para evitar a fadiga. Identifique e qualifique as fontes, pois não é factível criar material o tempo todo. 3. Integrar Intensifique o conteúdo de marca nos canais que aumentam o impacto, o alcance e o retorno. O cenário fragmentado atual da mídia exige a integração por meio de múltiplos pontos de contato. 4. Socializar Os 4S da distribuição e entrega de conteúdo: pesquisável, pesquisável, social e simples. Ouça, interaja e se engaje com a audiência. Aprenda e respeite as diferenças. 5. Analisar Os 4M da análise de dados são: meça, monitore, modere e modifique. Primeiro, identifique os seus indicadoreschave de desempenho (do inglês, KPI). Crie um canal de retorno focado no insight. Selecione uma ferramenta tecnológica que melhor funcione para você. 6. Otimizar Otimize o conteúdo para pessoas. Pense em jogos e apps amigáveis. 7. Capitalizar Defina métricas ROI (tecnologia de mensuração e da estrutura organizacional para entender, quantificar e otimizar ganhos com marketing): engajamento da marca, vendas no varejo e aquisição de clientes. Evolua para um modelo de negócio social, alinhe com vendas de marketing de conteúdo. gad! CPFL: 100 anos e alinhada ao design A CPFL energia chegou aos 100 anos realizando um intenso trabalho de branding, com ampla participação do GAD’. Para as comemorações do centenário, o Gad’Lippincott desenvolveu a marca dos 100 anos da CPFL, onipresente em todos os momentos dos festejos, bem como nos materiais institucionais e papelaria. A Gad’Red participou no planejamento e execução da campanha de comunicação do público De dentro D2B DesignToBranding Magazine | 115 para fora interno. Além dessas iniciativas, o Gad’Retail foi o responsável pela transformação da sede da empresa, em Campinas (SP), por meio do corporate design. Gelli à frente da Abedesign Após quatro anos como presidente da Abedesign (Associação Brasileira das Empresas de Design), Luciano Deos passou o cargo para Gustavo Gelli. Sócio da Tátil Design, Gustavo foi eleito presidente da entidade para o biênio 2013/2015, tomando posse em maio. Deos passou a fazer parte do Conselho Consultivo da Associação. Gestão para o futuro das marcas O Gad’Lippincott apresentou pela primeira vez no Brasil a pesquisa BrandView Brasil 2013. Realizada há quatro anos nos EUA, Inglaterra e China, o estudo chegou ao país abordando mais de 4 mil consumidores e 150 marcas brasileiras e globais. O BrandView mede a perfor- mance em escala global através de um conjunto de dimensões estratégicas que indicam o atual desempenho da marca e como os gestores podem melhorá-las para o futuro. Júri em Cannes O presidente do GAD’, Luciano Deos, foi um dos 21 responsáveis por avaliar os melhores trabalhos de design no 60º Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions. O evento, que aconteceu em junho, é o mais importante do mundo em seu segmento. Deos já havia participado do júri em 2009 e 2011, este último como presidente do júri. Habibs renova marca e posicionamento Em março, foram lançados a nova marca e o novo posicionamento do Habibs, criados pelo Gad’Lippincott. Além da releitura de logos, tipografias e linguagem, o Habibs quer ser percebido pelo cliente como uma rede que gosta de surpreender. Por isso, foi de- finido como posicionamento o conceito “Muito mais do que você imagina”. Fila é ouro na 13ª edição do POPAI O projeto para a vitrine Cool Winter da loja Fila da Oscar Freire, criado pelo GAD’, recebeu Ouro na categoria Trade Temporário, do 13º prêmio POPAI Brasil. A premiação, que destacou os melhores projetos para ponto de venda no país entre 2011 e 2012, teve mais de 150 peças inscritas. Mobilidade urbana Andres Borthagaray, diretor do IVM (Institut pour la Ville en Mouvement), e Nicole Rosner visitaram o GAD’ em Porto Alegre e aproveitaram para fazer uma reunião com o prefeito da cidade, José Fortunati, acompanhados de Valpirio Monteiro, diretor de comunicação corporativa do GAD’. O IVM é uma entidade sem fins lucrativos que tem como propósito desenvolver uma cultura de mobilidade urbana e acompanhar suas mutações. Discussão sobre estímulos de compra Leonardo Araújo, diretor executivo do Gad’Retail, levou sua experiência à frente de inovadores projetos de design de varejo para mediar o Painel Curto Circuito, durante o Retail Design São Paulo (Redesign 2013). Araújo discutiu a contribuição do design para elevar os estímulos emocionais e racionais na hora da compra, além do seu uso como ferramenta estratégica para evolução dos negócios e diretrizes para futuros projetos varejistas. Ilustração, D2B DesignToBranding Magazine | 117 D2B DesignToBranding Magazine | 117 design e sentido Luana Alvares, designer, diretora de criação e head of brand do Gad’ Eu recomendo Complexidade em rede Viagem ao imaginário O jeito Google de ser e fazer Metodologia para criação de marca Notável design Entrevista com a criatividade Vivemos em um mundo complexo e dinâmico, onde os negócios precisam mudar para acompanhar os novos tempos. Sim, ainda precisam. Mesmo que muita coisa tenha se ajustado, empresas ainda relutam em alterar a forma como falam com seus clientes, custando a entender que os mercados são feitos de pessoas. É por isso que The Cluetrain Manifesto permanece mais relevante do que nunca, mesmo depois de dez anos de sua publicação original. Seus quatro autores, especialistas de internet, conduzem os leitores através de uma nova realidade do mercado em rede. A edição de 10 anos de aniversário inclui palavras de Jake McKee sobre marketing, JP Rangaswami sobre empresa, e Dan Gillmor sobre mídia. The Cluetrain Manifesto permanece uma leitura essencial para qualquer pessoa. Capturar a essência de Pablo Neruda em suas perguntas foi o desafio que o ilustrador espanhol Isidro Ferrer enfrentou ao ilustrar a obra póstuma do poeta chileno O Livro das Perguntas. Em um ousado experimento vanguardista editado pela Cosac Naify, ilustrações feitas através da reprodução fotográfica de colagens e pequenas instalações dão vida a um diálogo entre texto e forma, que compõem um cenário surrealista questionador dos animais, elementos da natureza, significado de vida e morte e da própria existência. As ilustrações surgem como metáforas da maneira de um dos maiores poetas do século 20 perceber o mundo. E tudo isso em uma publicação destinada ao público infantil. Longe da tentativa de contar a história do Google, Jeff Jarvis tenta compreender o modo de pensar de uma das empresas de internet que cresceu de forma mais rápida em todos os tempos. O jeito Google de fazer as coisas pode ajudar as iniciativas de internet a crescer e prosperar, desde que se pense no modo Google. Como forma de pensar, o autor traz afirmações como “dê aos usuários o controle”, “bem-vindo à economia pós-escassez” ou “pense de maneira distribuída”. Ainda, o autor dedica capítulos inteiros a especular como seria se o Google entrasse em vários negócios estabelecidos, desde mídia até alimentos & bebidas, passando por energia, telefonia, mercado imobiliário e bancos. Considerado uma referência essencial para toda empresa ou designer que trabalha com marca, o livro Design de Identidade da Marca chega à sua 3ª edição enriquecida com novos estudos de caso. Dividindo o livro em três partes – percepção, processo e prática –, Alina Wheeler, designer, consultora e conferencista especializada em gestão de marcas, aplica sua imaginação estratégica e sua capacidade de gestão de processos analisando marcas de sucesso mundial como Hermann Miller, General Electric, além da campanha presidencial de 2008 do presidente norte-americano Barak Obama. Como diferencial, essa 3ª edição ainda traz à tona temas da atualidade ligados à sustentabilidade e a redes sociais. Além de ser o mais importante arquiteto finlandês do século 20, Hugo Alvar Aalto Henrik também foi um dos designers de mobiliário mais notáveis da era moderna. Não bastasse o seu trabalho ser considerado um sistema completo, por incluir bancos, cadeiras, poltronas e carrinhos de chá, o livro conta ainda com os trabalhos de Aino Marsio-Aalto, que de funcionária tornou-se sua esposa. O trabalho de Hugo Alvar é caracterizado por formações de linhas curvas. Já Aino se caracteriza por desenhos simples e elegantes que permanecem como clássicos há mais de 60 anos. Juntos, recheiam esta publicação que apresenta o essencial de um mobiliário pioneiro, objetos de vidro e luminárias que se reúnem em uma seleção bem editada de fotografias, pinturas, desenhos e esboços. Mesmo com mais de dez anos desde o lançamento de sua primeira edição, Standing on the shoulders of giants é um daqueles livros cuja leitura passa a ser essencial para quem trabalha com criatividade. Com o propósito de revelar um pouquinho do segredo de grandes nomes deste mercado, a obra documenta aspectos pessoais e inusitados de ser criativo, por meio de entrevistas transcritas em primeira pessoa. Nomes de peso, como Phillipe Starck, Ridley Scott, Oliviero Toscani, Wim Wenders, Dennis Hopper, Michael Conrad, Tony Scott, Neville Brody, Alan Parker, fazem parte desta impressionante coleção de entrevistas que o autor, Hermann Vaske, um bem-sucedido produtor e diretor, conseguiu reunir. The cluetrain manifesto – 10th anniversary edition, Rick Levine, Christopher Locke, Doc Searls, David Weinberger, Basic Books, 2009 O livro das perguntas, Pablo Neruda, Cosac Naify, 2008 What would google do?, Jeff Jarvis, Harper Business, 2009 Design de Identidade de Marca Alina Wheeler, Bookman, 3ª edição, 2012 Alvar & Aino Aalto.design, Collection Bischofberger, Thomas Kellein, Hatje Cantz, 2005 Standing on the shoulders of giants, Die Gestalten Verl, 2001 Reflexões filosóficas sobre a natureza, escritos sobre memórias, indagações a respeito das intervenções visuais e gráficas do mundo ao nosso redor são pano de fundo para este exuberante livro de Mariah Bantjes. A ilustradora espanhola dedicou 15 meses projetando esta obra, repleta de ilustrações inéditas, que reúnem uma variedade de forma, abundâncias de tipos e estilos gráficos. Todo impresso com uma quinta cor dourada, o livro I Wonder se preocupa em passar ao leitor uma experiência única, na qual a relação entre o conteúdo e as ilustrações é totalmente interdependente. Sua capa dura revestida de cetim, marcada com folhas de ouro e prata, apenas introduz o desenrolar de uma obra onde os artigos parecem não ter relação, mas à medida que as páginas passam, tecem juntos um pensamento unificado. I wonder, Mariah Bantjes Thames & Hudson 2010 Op i n i ã o | j o ã o d e s o uz a Suas obras gerenciadas l e i t e com a mais importante matéria-prima: Para entender o design Três dimensões caracterizam a atividade de um designer. Por vezes excludentes, por vezes complementares, essas três representações do designer definem as relações do campo do design com a arte, com o conhecimento do artífice e com a perspectiva das engenharias e de outras atividades relacionadas à administração de instituições e organizações, sejam elas comerciais ou não. Essa abordagem vem em socorro daqueles que, ao se aproximar do design, seja por seu consumo ou por sua formação, não conseguem discernir razoavelmente o que qualifica esta identidade profissional, ora se apresentando mais comprometida com cada uma daquelas hipóteses. Na medida em que cada uma dessas representações estabelece diferentes prioridades e relevâncias a serem conferidas à ação do designer, esta espécie de matriz também oferece ao menos avisado a possibilidade de maior entendimento do que seja, efetivamente, design. Desde as mudanças radicais proporcionadas no Ocidente pela industrialização nos séculos 18 e 19, a relação entre as artes e o design está em pauta. No contexto da sua divisão em Belas Artes e Artes aplicadas, a promoção do belo e do artístico desde cedo se tornou mandatória. Em seguida, frente aos problemas sociais e filosóficos trazidos aos meios urbanos pela industrialização, tentou-se recuperar o aspecto humanizado contido na operação manual do oficial artífice, gerando possibilidades divergentes ao mainstream industrial. Essa vertente serviu de base para parte do pensamento original de Walter Gropius quando da criação da Bauhaus, onde a formação profissional tentava replicar o ambiente de transmissão de conhecimento próprio às antigas oficinas artesanais. Foi somente no pós-Segunda Guerra Mundial que uma nova ideia se firmou, importante para nós, brasileiros, por logo vir a se transformar em modelo para o ensino superior de design no Brasil — o designer como projetador de projetos, totalmente divorciado das artes e dos procedimentos artesanais. No contemporâneo, entretanto, tendo o eixo econômico da produção industrial cedido espaço a outro eixo, o dos serviços, já não nos servem conceitos que defendam a exclusão daqueles campos. Hoje, se impõe uma necessária atualização conceitual e instrumental a respeito de design. Há que se compreender, e aceitar, a contribuição central do comportamento criativo, por muitas vezes descompromissado com as correntes de pensamento mais serenamente incorporadas ao senso comum. Há que se aceitar como verdadeira a hipótese da produção artesanal de pequeno porte, por ali poder estar contido o germe de atividade futura de maior alcance, ou ainda, em seu próprio registro, na qualidade per se de produção em menor escala dedicada a públicos específicos, não mais o conceito de público em massa. Entenda-se aqui, na perspectiva da produção artesanal, as inúmeras atividades desenvolvidas nos meios digitais, aquela não caracterizando-se somente como resgate de técnica e formas de produção tradicionais. Por fim, há que se reequacionar a questão do projeto dedicado ao desenho de coisas no mundo, para pensarmos no pensamento de projeto como gestão de sistemas e processos. Será somente na medida em que habilidades tão diversas sejam tratadas com maior afinco e aprofundamento pelo mundo do design que, talvez, possamos pensar em uma maior permeabilidade da sua noção por toda a sociedade brasileira. João de Souza Leite, designer, autor de A herança do olhar: o design de Aloisio Magalhães e de inúmeros outros artigos, por duas vezes contemplado com o Prêmio Museu da Casa Brasileira (SP), é professor e pesquisador em design na ESDI/Uerj e no Departamento de Artes & Design da PUC-Rio. inteligência. A Metroll é especialista no Gerenciamento de Projetos e Obras em ambientes de varejo e corporativos para ROLL OUT, LOJAS NOVAS, RETROFITS e REFORMAS. + de 1.200 projetos e obras gerenciados para importantes varejistas em todo o Brasil. Somente em 2012, foram + de 500 PDV’s gerenciados em 13 Planos de Expansão. Com equipe multidisciplinar experiente, composta por engenheiros, arquitetos e administradores oferece o gerenciamento completo em toda a cadeia de valor do empreendimento, do planejamento à entrega da obra. Metodologia exclusiva de gerenciamento de projetos e obras, baseada nas melhores práticas do Project Management Institute (PMI-USA). São Paulo 11 2362 4628 | Porto Alegre 51 3086 3133 | www.metroll.com.br D2B DesignToBranding Magazine | 119