LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS, LÍNGUA NATURAL DO SUJEITO SURDO Ferreira, Luísa Bischof Justus1 - UNICENTRO Grupo de Trabalho de Pesquisa: Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo Este projeto de pesquisa de cunho bibliográfico, teve como resultado mostrar a importância da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, como língua natural do sujeito surdo, para o desenvolvimento cognitivo, psicológico, social. Para todas as pessoas a comunicação é de extrema importância para a sobrevivência, para sermos compreendidos é necessário que saibamos uma língua, que muitas vezes aprendemos de maneira natural, desde quando nascemos somos expostos à uma língua por meio de nossos pais, familiares, para os ouvintes a língua oral é de fácil aprendizagem, porém para os surdos é grande a dificuldade para compreende-la, sendo necessária estudá-la. A língua de sinais não é universal, sendo que cada país possui a sua, no Brasil a LIBRAS é reconhecida e regulamentada como a língua oficial da comunidade surda desde 2002, sendo o principal meio de comunicação, assim os surdos se expressam de forma natural, e que são capazes de compreender o mundo que os cerca, mas a realidade dos surdos brasileiros é que primeiramente lhes é ensinado a língua oral, no caso o português, e posteriormente a LIBRAS, sendo necessário oportunizar o primeiro contato com sua língua materna desde quando se descobre a surdez, a família precisa ser a principal fonte incentivadora, para não prejudicar o desenvolvimento do surdo para que possam compreender o mundo a sua volta, sendo a LIBRAS uma língua espacial-visual facilita o entendimento das palavras, por se tratar de uma língua natural, não sendo necessário um treinamento para aprende-la, e o português lhes é ensinado na maneira escrita, tornando o sujeito surdo um ser bilíngue. Palavras-chave: LIBRAS. Língua Natural. Surdo, Bilíngue. 1. Introdução Para todas as pessoas a comunicação é a maneira mais importante para expressar seu pensamento, seu sentimento, sua opinião. Para isso utilizamos uma língua, podemos dizer que 1 Pós Graduada em LIBRAS pela instituição Uníntese. Professora Interprete Colaboradora da Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO. E-mail: [email protected] ISSN 2176-1396 22086 a linguagem é natural do ser humano. Sobre comunicação e linguagem, os autores UZAN et al (2008) citam o seguinte: A comunicação é uma necessidade humana, e as linguagens oral e escrita são as formas mais comuns de comunicação. Por isso, pode-se dizer que a linguagem é natural do ser humano e, através da linguagem, o ser humano estrutura seu pensamento, traduz o que sente, registra o que conhece, se comunica com os outros, produz significação e sentido. (UZAN et al, 2008, p.1). Desde nosso nascimento somos expostos à comunicação, no caso das crianças ouvintes o contato com o português, língua natural, é dada desde os primeiros dias de vida, para as crianças surdas esta chance não é oferecida, conforme menciona CAPORALI et al (2005), [...] a criança ouvinte desde seu nascimento é exposta à língua oral, dessa forma é fornecida para ela a oportunidade de adquirir uma língua natural, a qual irá permitir realizar trocas comunicativas, vivenciar situações do seu meio e, assim, possuir uma língua efetiva e constituir sua linguagem. Para a criança surda deveria ser dada a mesma oportunidade, de adquirir uma língua própria para constituir sua linguagem. (CAPORALI et al, 2005, p. 587) A língua portuguesa é uma língua oral-auditiva, sendo que para os ouvintes adquiri-la se torna uma maneira fácil e natural, pois a todo momento somos expostos a ela. A língua de sinais é uma língua visual-espacial, sendo esta natural para o surdo, pois não é necessário um treinamento para adquiri-la, conforme cita RUBIO et al (2014, p. 14) “a língua de sinais é a única que pode ser adquirida naturalmente pelo surdo; basta que ele seja posto em contato com os seus pares. Já a língua oral pode ser aprendida, mas não adquirida espontaneamente”, sendo assim fazendo com que tenham o primeiro contato com sua língua natural tardio, de acordo com CAPORALI et al (2005) Vivemos em uma sociedade na qual a língua oral é imperativa, e por consequência caberá a todos que fazem parte dela se adequarem aos seus meios de comunicação, independentemente de suas possibilidades. Qualquer outra forma de comunicação, como ocorre com a língua de sinais, é considerada inferior e impossível de ser comparada com as línguas orais. (CAPORALI et al, 2005, p. 584). Para tanto, a família se torna a principal fonte incentivadora para que a criança surda tenha o contato com sua língua natural desde os primeiros anos de vida, muitas vezes os pais não aceitam a língua de sinais, prejudicando o desenvolvimento cognitivo, emocional e pessoal da criança, segundo FALCÃO (2007) “a interação familiar possibilita a aquisição de valores culturais e morais imprescindíveis na formação da pessoa cidadã”, sobre esse assunto as autoras CAPORALI et al (2005), expõem sua opinião 22087 É imprescindível para essa criança e para sua família que o contato com a língua de sinais seja estabelecido o mais rápido possível. Quando a família aceita a surdez e a LIBRAS como uma modalidade comunicativa importante e passa a utilizá-la com a criança, esta irá apresentar condição para realizar novas aquisições, impulsionando seu desenvolvimento linguístico. A família, então, exerce papel determinante para o estabelecimento da língua de sinais, como língua funcionante no discurso da criança surda nos primeiros anos de vida. Quando a criança não recebe o suporte familiar, apresentará, muitas vezes, resultados insatisfatórios quanto ao desenvolvimento de linguagem e comunicação, o que irá afetá-la emocionalmente. A família é o alicerce para a criança e quando esta base não está firme advirão consequências para o desenvolvimento, gerando comportamentos agressivos e frustrações. (CAPORALI et al 2005, p. 591). Infelizmente muitos pais não sabem como agir ao descobrir a surdez de seu filho (a), faltando até mesmo informações de profissionais da área a respeito da língua de sinais, mas quanto mais tardio for o contato do surdo com sua língua natural maior será a possibilidade do mesmo ter futuros problemas, emocionais, cognitivos, sendo então firmada a importância em aprender sua língua, LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais desde seu nascimento, quando inicia-se o processo de comunicação. Se os pais recebessem orientação por parte dos profissionais sobre a importância da LIBRAS no desenvolvimento do surdo e das possibilidades de comunicação que ela oferece (uma vez que a criança pode aprender, contar sobre os seus sentimentos e situações vivenciadas), com certeza haveriam menos complicações e problemas emocionais. Daí a importância dos pais em adquirir a LIBRAS o mais rápido possível. (RUBIO et al, 2014, p.10). Desenvolvimento LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais Primeiramente é importante compreender sobre a língua de sinais, é uma língua visual-gestual, o que se diferencia da nossa língua portuguesa, que é oral-auditiva, porém tem seus significados, suas regras e exercem o papel fundamental de um língua, a comunicação, expressando o sentimento, vontades e ideias do locutor, a língua de sinais não é universal, cada país possui a sua, conforme cita RUBIO et al (2014): As línguas de sinais não são universais. Cada uma possui sua própria estrutura gramatical. A língua de sinais, assim como a língua oral é a representação da cultura de um povo. Países com a mesma língua oral possuem línguas de sinais diferentes. Um exemplo, é o caso de Brasil e Portugal. Por mais que esses países possuam a mesma língua oral, possuem língua de sinais diferentes. (RUBIO et al, 2014, p.3). A autora CAPORALI et al (2005, p.589), expressa sobre respeitar a língua de sinais, pois exerce o papel fundamental que é a comunicação, “a língua de sinais tem como meio 22088 propagador o campo gesto-visual, o que a diferencia da língua oral, que utiliza o canal oralauditivo. Além dessa diferença, também apresenta antagonismos quanto às regras constitutivas. No entanto, a língua de sinais deve ser respeitada como língua, pois assume a mesma função da língua oral, a comunicação”. As autoras RUBIO et al (2014), citam sobre a naturalidade da língua de sinais, também demonstram as regras, e as constantes mudanças que esta língua sofre, pois sempre há novos sinais sendo criados. As línguas de sinais são naturais, pois surgiram do convívio entre as pessoas. Elas podem ser comparadas à complexidade e expressividade das línguas orais, pois pode ser passado qualquer conceito, concreto ou abstrato, emocional ou racional, complexo ou simples por meio delas. Trata-se de línguas organizadas e não de simples junção de gestos. Por este motivo, por terem regras e serem totalmente estruturadas, são chamadas Línguas. As línguas de sinais diferenciam-se das línguas orais porque se utilizam de um meio visual-espacial, ou seja, na elaboração das línguas de sinais precisamos olhar os movimentos que o emissor realiza para entendermos sua mensagem. As línguas de sinais possuem mecanismos morfológicos, sintáticos e semânticos. O canal usado nas línguas de sinais (o espaço) pode contribuir muito para a produção de sinais que estejam mais em contato com a realidade do que puramente as palavras. Como todas as outras, as línguas de sinais estão em constante mudança com novos sinais, sendo introduzidos pela comunidade Surda de acordo com sua necessidade. (RUBIO et al, 2014, p.3). Sobre a Língua Brasileira de Sinais, ela é uma língua completa e cheia de significados, foi reconhecida no ano de 2002 como língua oficial da comunidade surda brasileira. Conforme citam os autores UZAN et al (2008, p.2) “a Libras, assim como diversas línguas existentes, é composta por níveis linguísticos: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Assim, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos na qual há uma forma de comunicação e expressão, de natureza visual- motora, com estrutura gramatical própria”. Para o pesquisador FALCÃO (2007), o aprendizado da LIBRAS deixa o surdo livre, para viver, para se expressar, ou simplesmente para SER. Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz…apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver. Nesta perspectiva de agregar valores além da Língua Portuguesa, a Libras se apresenta como intensificador da formação bilíngue, Libras e Língua Portuguesa. (FALCÃO, 2007). Bilinguismo O bilinguismo se refere ao conhecimento de duas línguas, podendo ser na modalidade escrita e/ou oral, conforme CAPORALI et al (2005) cita: 22089 O bilinguismo possibilita ao surdo adquirir/aprender a língua que faz parte da comunidade surda. O trabalho bilíngue educacional respeita as particularidades da criança surda, estabelecendo suas capacidades como meio para essa criança realizar seu aprendizado. Esta proposta também oferece o acesso à língua oral e aos conhecimentos sistematizados, priorizando que a educação deve ser construída a partir de uma primeira língua, a de sinais, para em seguida ocorrer a aquisição da segunda língua, o português (oral e/ou escrito). (CAPORALI et al, 2005, p. 591). Sobre bilinguismo a autora BORTOLOTI, menciona que é algo muito simples, que faz parte da educação do surdo para melhorar seu aprendizado no contexto escolar. Bilinguismo, é o uso de dois ou mais sistemas distintos da linguagem pela mesma pessoa, é uma proposta de ensino, acessível à criança surda e ouvinte, duas línguas no contexto escolar, fazendo parte da proposta pedagógica, e em que profissionais através da LIBRAS possam melhorar o ensino–aprendizagem do o aluno surdo. O Bilinguismo é considerado algo mais do que o simples, uso de duas línguas. (BORTOLOTI, p. 13). Para o sujeito surdo, é importante que o mesmo aprenda primeiramente sua língua natural, LIBRAS, para que então está o ajude a compreender a aquisição de uma segunda língua. Assim, a concepção bilíngue linguística e cultural luta para que o sujeito surdo tenha o direito de adquirir/aprender a LIBRAS e que está o auxilie, não só na aquisição da segunda língua (majoritária), mas que permita sua real integração na sociedade, pois ao adquirir uma língua estruturada o surdo pode criar concepções e oportunidades, participando ativamente do convívio em seu meio. (CAPOLARI et al 2005, p.592). O contato com sua língua facilita a compreensão sobre o mundo, facilitando a compreensão das palavras e os seus significados. A proposta educacional bilíngue é a que mais possibilita o desenvolvimento integral da criança surda, uma vez que respeita a sua condição proporcionando que está se desenvolva primeiramente na sua língua natural. O contato com a comunidade surda proporciona a formação da identidade de surdo e confere a este a capacidade de domínio da linguagem, podendo assim dar significado ao mundo. A intenção não é isolar o indivíduo surdo a um grupo, mas permitir que primeiro este tenha a chance de adquirir a linguagem assim como o ouvinte. Após isso, o surdo pode ser posto em contato com a Língua Portuguesa. Pela LIBRAS, o surdo atribui significado a palavra escrita e o processo de alfabetização torna-se mais fácil. (RUBIO et al, 2014, p.14). Desenvolvimento do Sujeito Surdo através da LIBRAS O objetivo desta pesquisa é demonstrar a importância para o desenvolvimento cognitivo, a facilidade em aprender, questionar, e se expressar do surdo por meio de sua língua natural a LIBRAS, como é um projeto de cunho bibliográfico, foi levantado vários autores que citam sobre esse assunto, o desenvolvimento do sujeito surdo por meio da 22090 LIBRAS, conforme (BORTOLOTI, p. 17) descreve “consideramos a importância da LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos, como forma de facilitar conhecimentos e a aquisição de vocabulário amplo”. LIBRAS como língua natural do sujeito surdo, ou seja, não é necessário um treinamento para adquiri-la e aprende-la. Através da LIBRAS o surdo é capaz de compreender o mundo em que vive, dar significados às palavras, comunicar-se, expor seus sentimentos, desejos, exercer seu papel em uma sociedade. Muitas vezes com a língua portuguesa não conseguem se expressar ou entender os significados das palavras. Os autores UZAN et al, explicam porque a LIBRAS é a língua natural da comunidade surda: [...] a Libras é uma língua natural surgida entre os surdos brasileiros com o propósito de atender às necessidades comunicativas de sua comunidade. São línguas naturais porque, como as línguas orais, surgiram espontaneamente da interação entre os surdos, além de, através de sua estrutura, poderem expressar qualquer conceito desde o descritivo/concreto ao emocional/abstrato. (UZAN et al, 2008, p.2). Por meio da LIBRAS, sua língua materna, o sujeito surdo consegue aprender e conhecer a língua portuguesa, construindo os significados de uma segunda língua, facilitando assim seu entendimento conforme citam os autores RUBIO et al (2014). A partir da aquisição da Língua de Sinais que a criança constrói sua subjetividade, compreendendo o que se passa ao seu redor, trocando ideias, ou seja, através da LIBRAS a criança pode dar significado ao mundo. A aquisição da LIBRAS é que dará condições de se desenvolver as relações interpessoais, constituindo assim o funcionamento cognitivo e afetivo promovendo a constituição da subjetividade. O surdo ao adquirir a LIBRAS como primeira língua tem a condição de desenvolver todas as suas potencialidades, para depois ser posto em contato com a língua majoritária na modalidade oral ou escrita que promoverá sua inserção social. Nesse processo a LIBRAS tem função mediadora no processo de aprendizagem da Língua Portuguesa. (RUBIO et al, 2014, p.12). Porém, infelizmente muitos surdos aprendem a LIBRAS após aprenderem o português, sem ter um primeiro contato com sua língua natural de imediato, sendo assim a importância em fazer com que tenham um contato o mais rápido possível com sua língua materna, conforme relata CAPORALI et al (2005) Há então a necessidade de se colocar a criança surda próxima de seus pares o mais rápido possível, ou seja, em contato com um adulto surdo, fluente em LIBRAS, que será para essa criança o meio mais fácil de propiciar sua aquisição da língua. Nestas condições, adquirindo a LIBRAS, ela se tornará capaz de significar o mundo. As experiências mais promissoras indicam para a necessidade de atuação direta dos adultos surdos sinalizadores com os surdos que não têm acesso à língua de sinais, para que este se dê de forma rápida e eficiente, além de isso contribuir para a formação da identidade de pessoa surda desses sujeitos. (CAPORALI et al, 2005, p. 588). 22091 Sobre esse tema a autora BORTOLOTI também cita que de maneira oral não é possível o surdo expressar suas ideias, sendo por meio da língua de sinais a possibilidade de se comunicar. A Língua de Sinais é utilizada pela maioria das pessoas surdas oferecendo a elas a oportunidade da comunicação e expressão, desenvolvendo seu potencial de maneira que, a língua oral não os permite, pois é organizada de uma forma que define suas próprias regras em todos os níveis linguísticos [...] expressando ideias complexas e abstratas, transmitindo informações. (BORTOLOTI, p.17) É de extrema importância incentivar os pais, toda a comunidade sobre a relevância da LIBRAS para o crescimento e aprendizado dos surdos, conforme cita FALCÃO (2007), é essencial para as crianças surdas utilizarem a Língua de Sinais de sua comunidade com seus pais, com os profissionais da área educacional e com as pessoas de convívio mais próximo para que garanta o desenvolvimento psíquico, social, político e psicológico. É de fundamental importância a interação entre as crianças na sociedade, sem formação de guetos nem de comunidades isoladas, onde todos convivem e interagem física e linguisticamente. A convivência interpessoal e dialética deve ser percebida com naturalidade e refletida sobre os papéis sociais cuja vida, dignamente vivida, funciona como referencial histórico e cultural e não como modelo para ninguém. É preciso atribuir perspectivas e possibilidades humanas entendendo o surdo como um ser eficiente, que se comunica por outro canal e, consequentemente, tem outra língua. (FALCÃO, 2007). Os autores Uzan et al (2008) em sua pesquisa mostram que as pessoas surdas utilizam a visão e os gestos para se comunicarem, sendo a língua de sinais tendo a mesma função de uma língua oral – a comunicação. Os atuais linguísticos demonstram que a língua de sinais oferece para as pessoas surdas o mesmo conteúdo e funções necessárias à mediação das experiências de aprendizagem, formais ou informais, oportunizando-lhes o desenvolvimento pleno da linguagem, pois faz isso utilizando outro canal a visão e uma outra forma de comunicação a língua de sinais. Embora a grande maioria desconheça, esse conjunto de “gestos desenhados no ar” estrutura uma língua organizada, com as mesmas funções das línguas orais. (UZANet al, 2008, p.4). Para o desenvolvimento dos surdos é importante que os mesmos tenham contato com sua língua natural desde crianças, sendo integradas na comunidade surda, oportunizando assim seu crescimento pessoal, cognitivo, para MARQUES et al (2013, p. 516) “a Libras é fundamental para que o sujeito surdo alcance o patamar mais alto no desenvolvimento, tornando-se humanizado no nível cultural próprio aos dias contemporâneos”, e a autora STROBEL (2008) cita em sua pesquisa: 22092 Os sujeitos surdos que tem acesso à língua de sinais e à participação da comunidade surda tem maior segurança, auto-estima e identidade surda. Por isto, é importante que as crianças surdas convivam com pessoas surdas adultas em quem se identificam e tem acesso às informações e conhecimentos no seu cotidiano. (STROBEL, 2008, p. 61). Sobre o desenvolvimento do sujeito surdo, CAPORALI et al (2005), Pensando no indivíduo surdo, acreditamos que seja importante para este como sujeito: crescer, desenvolver-se, amadurecer, construir e constituir-se inserido numa língua própria e natural. A criança, ao ter acesso a uma língua, passa a desenvolver linguagem, interagindo com o outro, repensando suas ações, elaborando seu pensamento, vivenciando novas experiências e se desenvolvendo. Uma criança que não escuta possui as mesmas condições de aprendizagem que uma criança ouvinte, porém o acesso à linguagem se dará por meio do canal gesto-visual. Ao permitir que a criança surda tenha a oportunidade de se desenvolver de forma análoga à das crianças ouvintes, estar-se-á respeitando sua língua, sua diferença. Não se pode mais negar aos surdos o direito de serem parte integrante e participativa de nossa sociedade. Além disso, para que o surdo possa desenvolver-se, não basta apenas permitir que use sua língua, é preciso também promover a integração com sua cultura, para que se identifique e possa utilizar efetivamente a língua de sinais. A comunidade surda terá muita importância para o desenvolvimento da identidade, pois nessa comunidade a língua de sinais ocorre de forma espontânea e efetiva. Todo sujeito precisa interagir em seu meio, apropriar-se de sua cultura e de sua história, e formar sua identidade por intermédio do convívio com o outro. (CAPORALI et al, 2005, p. 595). Por fim, os autores MARQUES et al (2013), pesquisaram que o aprendizado da LIBRAS poderia favorecer também as crianças ouvintes, não apenas as surdas, acontecendo uma interação social na escola, fazendo com que também descubram um novo mundo cheio de significados. [...] em nossa pesquisa indagamos quanto o ensino da Libras poderia favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças surdas e ouvintes. Justificamos que a inserção desse ensino permitiria à criança surda multiplicar o número de interlocutores, passando a ter acesso a trocas linguísticas efetivas com seus pares, enquanto para as crianças ouvintes um novo mundo pode se descortinar, dando-lhes o acesso a um universo cultural até então desconhecido, além de um trabalho corporal diferenciado do existente nesse ensino. Isso significa que com esse ensino as crianças podem se interessar por uma linguagem que emprega recursos como movimento e expressões corporais e faciais, pois estas crianças se encontram em fase de descoberta do mundo e de como podem nele se situar e sobre ele agir. (MARQUES et al 2013, p. 505). Considerações Finais Para podermos expressar nosso pensamento e sentimento nos comunicamos, e assim podemos ser compreendidos, utilizamos uma língua que nos é ensinada de uma maneira natural, a qual aprendemos sem esforços ou dificuldades, e então desde crianças entendemos o mundo a nossa volta. As crianças ouvintes ao nascerem já têm um contato direto com sua 22093 língua natural, o português, porém para a criança surda, este contato é atrasado, pois muitas vezes ao nascerem, nem sempre é diagnosticada a surdez, retardando o aprendizado pela sua língua natural, a língua de sinais (LIBRAS). Os motivos pelo qual a criança demorará mais a aprender a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, se darão pela falta de conhecimento de seus pais, de médicos, os quais muitas vezes optam e aconselham os pais a procurarem fonoaudiólogos e até mesmo realizarem implante coclear. Portanto é de extrema importância que o surdo aprenda a LIBRAS como primeira língua, de forma natural, e posteriormente o português, tornando-o um ser bilíngue, para que possa ser estimulado por meio da LIBRAS fazendo com que a percepção sobre o mundo, a comunicação, o aprendizado de diferentes áreas e seu desenvolvimento cognitivo e emocional se torne muito mais fácil. REFERÊNCIAS BORTOLOTI, R. T. 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Marília – SP: Revista Brasileira de Educação Especial, vol. 19, nº4, p. 503-518, Out/Dez 2013. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-65382013000400003&script=sci_arttext>. Acesso em 11 de agosto de 2014. RUBIO, J. A. S., QUEIROZ, L. S. A aquisição da Linguagem e Integração Social: A LIBRAS como formadora de identidade do surdo. São Roque – SP: Faculdade de São Roque, Revista Eletrônica Saberes da Educação, vol. 5, nº 1, 2014. Disponível em <http://www.facsaoroque.br/novo/publicacoes/publi_atual_2014.html>. Acesso em 23 de outubro de 2014. 22094 STROBEL, K. L. Surdos: Vestígios Culturais não Registrados na História. Florianópolis SC, 2008. Tese de Doutorado em Educação – UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em < http://www.cultura-sorda.eu/resources/Tesis_Strobel_2008.pdf>. Acesso em 04 de setembro de 2014. UZAN, A. J. S., OLIVEIRA, M. R. T. O., LEON, O. R. 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