Os Teatros Municipais Breves Reflexões de Enquadramento A razão de ser de um teatro municipal: Missão e Objectivos Teatros Públicos e Teatros Privados O panorama dos equipamentos cénicos em Portugal, geralmente designados por teatros, cine-teatros e auditórios, e à semelhança dos restantes países da União Europeia, é composto e no que à propriedade diz respeito, por duas distintas categorias de teatros – os teatros públicos e os teatros privados. Cumprem, por razões inerentes à sua própria “razão constitutiva” ou pacto social, missões diferentes que determinam objectivos também diferentes. Missão Pública e Missão Privada De uma forma simplificada, os teatros privados cumprem uma missão privada. Basicamente, servir o interesse particular do seu proprietário. Esse interesse particular pode ser de natureza essencialmente comercial ou essencialmente artística. Conforme seja propriedade de um empresário ou de um artista ou grupo artístico. Em qualquer das circunstâncias, o interesse privado ou corporativo prevalece legitimamente, sobre o interesse público. Nesta categoria, incluem-se equipamentos tão distintos como e no caso de Lisboa, o Teatro Tivoli, o Centro Cultural de Belém, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Teatro do Bairro Alto, o Teatro Aberto, a Culturgest, etc, etc... Servem objectivos tão distintos como o lucro, a notoriedade e a visibilidade, a autoria artística e criativa (do clássico ao contemporâneo)... Por outro lado, são equipamentos públicos aqueles teatros de que o Estado é proprietário e que cumprem uma missão eminentemente pública ou de serviço público, na salvaguarda dos interesses dos cidadãos. É o caso do Teatro Nacional de S. Carlos, do Teatro Nacional D. Maria II, do Teatro Nacional S. João, etc, etc... e, naturalmente, dos Teatros Municipais. Embora relativo a estes últimos e na grande maioria dos casos o “interesse público” ainda só se tenha traduzido essencialmente na salvaguarda patrimonial (o edifício do teatro). O serviço público A razão de ser dos teatros públicos é a de prestarem um serviço público. E a quem? Aos “diferentes públicos” e aos “diferentes artistas” e “agentes culturais”, contribuindo para a concretização do direito constitucionalmente reconhecido de acesso de todos os cidadãos à Educação e à Cultura. Parece óbvio. No entanto, a questão da definição de “serviço público” é, de per si, complexa e levanta múltiplas questões adjacentes. Por exemplo, por “acesso” à Cultura não se entende apenas a reunião de condições para “ver” ou para “assistir” a actividades culturais. O “acesso” deverá facilitar aos públicos instrumentos para uma correcta descodificação e consciente fruição crítica do objecto cultural – por outras palavras, não basta construir auto estradas, é necessário construir os acessos secundários a essas auto estradas, informar os cidadãos da sua existência, sob pena de as mesmas ficarem desertas e servirem para poucos ou nenhuns, ensinar os cidadãos a conduzir, etc... Por outro lado o “serviço público” é também a capacidade de salvaguardar a oferta de bens e de serviços culturais que, em cada cidade, uma ou várias minorias ideológicas, estéticas e/ou sociais não encontram, porque não rentáveis ou interessantes no “mercado do entretenimento” ou no “mercado institucional” ou oficial. Também há que equacionar distintos “patamares” de “serviço público”. Um teatro nacional, por exemplo, cumprindo uma missão de serviço público, não terá de, obrigatoriamente, prosseguir os mesmos objectivos de um teatro municipal. E viceversa. A salvaguarda do serviço público como um todo, como uma obrigação do Estado, cumpre-se através da definição de uma política cultural coerente, onde as artes cénicas e os respectivos e indispensáveis equipamentos que contribuem para a sua existência, desempenham um papel próprio e muitas vezes, desejavelmente, complementar e relativo. Pela sua proximidade às populações, as autarquias e os teatros municipais por elas tutelados, podem asseguram melhor do que qualquer outra entidade pública ou privada, o acesso das populações “locais” às artes do espectáculo. Cada autarquia cumprirá esse serviço público de acesso à Cultura, de acordo com uma política cultural local adequada às características próprias da sua população específica (públicos locais e artistas locais), estimulando complementaridade entre os museus, as bibliotecas e os teatros, por exemplo, mas simultaneamente atenta às realidades artísticas e culturais, nacionais e internacionais, circundantes. De acordo com a sua especificidade local (a sua política cultural local) uma autarquia cumpre parte da sua obrigação de serviço público na defesa do acesso das populações à Cultura, através (também) da promoção do acesso às artes do espectáculo e, para tal: assegura circuitos próprios de produção, de co-produção, de compra de espectáculos; assegura canais adequados de distribuição (teatros e equipamentos culturais próprios ou de terceiros que para os devidos efeitos arrenda ou negoceia); assegura a organização de actividades de iniciativa municipal, e/ou paralelamente subsidia entidades privadas (por exemplo companhias de teatro, de dança, orquestras, etc...) que assegurem parte da organização das actividades de desígnio público cometidas em matéria cultural à autarquia. Por isso uma autarquia pode ser proprietária de um teatro, mas concedê-lo a uma companhia de teatro ou de dança, privadas, e deste modo cumprir também parte da sua missão cultural de serviço público – casos, por exemplo e em Lisboa, do Teatro da Comuna, do Teatro Aberto, do Cinearte... Mas este tipo de situação, não cabe no conceito alargado de teatro municipal que aqui nos congrega. Objectivos de um teatro municipal, para lá da propriedade Ponto prévio - Quando aqui nos referimos aos objectivos de um teatro municipal para lá da questão da propriedade, significa que nos referimos a um conceito artístico e cultural de teatro municipal e independentemente de esse conceito se materializar em actividades numa sala de propriedade municipal ou numa sala privada mas arrendada ou cedida para o cumprimento da missão desse teatro municipal. Por isso dizemos que mesmo que o teatro ainda não esteja construído, as ideias do teatro, partes da sua futura programação, serviços educativos, etc... podem ir sendo desenvolvidos em outros espaços da autarquia ou em outros espaços privados ou públicos. De um ponto de vista cultural strictu sensu, os objectivos de um teatro municipal são: - democratizar o acesso às artes do espectáculo e performativas em toda a sua diversidade criar, formar e fidelizar públicos promover a qualificação do tecido cultural e artístico local O cumprimento cumulativo destes três objectivos incentiva o cumprimento da Missão do teatro municipal. Isto é, permite que o teatro municipal seja um espaço de apresentação de espectáculos, mesmo que não necessariamente de todos os espectáculos. Não compactuando com uma filosofia de programação avulsa, casuística e sem critérios artísticos, mas programando espectáculos e outras actividades que se insiram numa estratégia de desenvolvimento artístico e cultural da população local, atempadamente definida de acordo com esse objectivo – e não de outro qualquer como o da especulação mercantilista, o do cardápio estatístico, o do dirigismo estético, político e ideológico. Por isso dizemos que um “teatro para todos” não significa uma “programação” para todos. (Um teatro para todos pressupõe, isso sim, diferentes programações aptas a chegarem a diferentes públicos ou aptas a atraire diferentes públicos mas sempre com base em estudos prévios de análise e de estudo dos comportamentos de artistas e de públicos. No respeito pelos diferentes níveis de desenvolvimento local e de acordo com a diversidade social e cultural de cada uma das populações abrangidas por cada um dos teatros municipais). Consideramos que a valorização da imagem do município e a cooperação que o teatro municipal promova com outros agentes culturais públicos e privados são outros dois importantes objectivos que complementam os anteriores e que quando cumpridos garantem a razão de ser do Teatro Municipal. O investimento nos teatros municipais A concretização dos objectivos anteriormente definidos obriga a autarquia a dois tipos de investimento: - - O investimento em equipamentos físicos (teatros, equipamentos de som luz e palco, recursos técnicos e humanos de funcionamento, manutenção de equipamentos...). O investimento em conteúdos (programação) e promoção 1. O Investimento em equipamentos físicos Um teatro é um equipamento complexo que deverá ser construído ou reformulado em função de um prévio projecto artístico e de acordo com a sua identidade municipal. Como tal deverá ser um teatro apto a apresentar espectáculos de teatro, de dança, de música, de ópera, cinema... É pois de extrema importância evitar que por causas de natureza arquitectónica e de construção o teatro fique inapto para o cumprimento de todas as obrigações culturais e impossibilitado de cumprir em pleno a sua missão de serviço público. Desta constatação decorre que o teatro deverá estar dotado de um palco e de uma caixa de palco profissionais com dimensões adequadas; deverá estar tecnicamente equipado ao nível de equipamentos de luz, som e audiovisual, cinema, dança e música, bem como dotado de uma equipa de recursos humanos técnica, profissional, ao nível de produção/direcção de cena; som e audiovisual; luz e maquinismos de cena. II - O investimento em conteúdos (programação) e promoção É indispensável que a autarquia compreenda que um teatro municipal necessita de ter um orçamento para programação e que a mesma deverá ser “desenhada” por um programador ou director artístico. Essa programação, a nosso ver, não deverá representar apenas uma autoria, mas deverá dar voz e espaço a diversas autorias – qualificadas e exigentes – defendidas pelo programador ou director e capazes de, na sua diversidade e complementaridade, chegar a mais e melhores públicos. Conceber uma programação é propor, imaginar, novos olhares e novas leituras sobre a vida e sobre a realidade, através de diferentes propostas artísticas, é desafiar artistas à produção ou co-produção de novos espectáculos, é criar permanente diálogo com os diversos públicos conduzindo-os à descoberta e à aprendizagem de novas linguagens, de novas emoções. Também é festividade e entretenimento, mas não a festa repetida, sim a festa inovada, vivificada e vivificante. Capaz de respeitar o tradicional, mas sem descurar o contemporâneo. É criar e marcar diferenças. É descobrir em cada cidade e em cada artista local novas mais valias e interligá-las com o(s) pensamento(s) do resto do país e do mundo; é descobrir novas afectividades, novos prazeres, novas cumplicidades. É, fundamentalmente, procurar a concertação de interesses e de desejos diferentes, de diferentes públicos, de diferentes artistas, do próprio poder político e, naturalmente, do próprio programador ou director artístico. É criar uma tal relação com o espectador que este passe a confiar nos desafios que o teatro lhe propõe, sejam elas mais ou menos conhecidas e/ou reconhecidas. Cabe ao político respeitar a autonomia ou direito criativo do programador e este deverá, ao aceitar programar, compreender e reconhecer as grandes opções de política cultural do poder político. O programador deverá atender às necessidades e desejos dos diferentes artistas e dos diferentes públicos locais. A sua programação deverá justificar um Orçamento próprio para a produção, para a co-produção e para a compra de espectáculos “eleitos” em função de determinados objectivos artísticos pedagógicos, sociais e culturais, derivados de uma correcta e justa análise dos públicos e dos potenciais públicos de cada cidade. E da perspectiva de desenvolvimento que se deseje implementar. Mais formação e pedagogia? Mais espectáculos infantis e juvenis? Mais teatro? Mais Música? etc... etc... Mas o programador deverá também ser capaz de inscrever o teatro no circuito cultural do país e, porque não, do mundo – pelo que a carga simbólica do teatro e o seu prestígio e reconhecimento no sistema cultural são fundamentais. Partir da cidade é um imperativo, mas fechar-se na cidade e sobre a cidade é redutor, da mesma forma que limitar a sua actividade ao sistema artístico (relação artistas-públicos, sem mediação capaz de introduzir o equipamento no circuito cultural) é pouco. Impõe-se um permanente olhar sobre o mundo, estimulando-se parcerias e co-produções com outros teatros do país e do estrangeiro, provavelmente com aqueles que já gozam de mediação e que integram o sistema cultural. Neste caso, por exemplo, a parceria do Teatro Viriato, em Viseu, com o Centro Cultural de Belém ou em tempos passados a relação do Teatro Maria Matos em Lisboa, com a companhia Théâtre des Bouffes du Nord (companhia de Peter Brook). O programador deve estar informado sobre a realidade local, mas essa avaliação ganha outra leitura e outra dimensão quando comparada com as outras realidades envolventes – a nível nacional, a nível internacional. O programador tem de viajar pelo país e pelo estrangeiro, conhecer outros espectáculos no país e em outros locais, frequentar festivais artísticos, integrar um circuito de profissionais, ganhar estatuto no circuito cultural – porque a programação tem regras, tem saber, tem ética, exige saber e profissionalismo. O teatro que julgar que programar é apresentar um conjunto avulso de espectáculos, sem uma estratégia cultural previamente definida, não cumpre em nada ou cumpre em pouco a sua função cultural – transfigura-se facilmente numa sala de distribuição, num circuito administrativo, sem identidade cultural própria, sem fidelização nem acompanhamento de públicos, sem motivação à exigência para os artistas locais, que em circunstância alguma devem ser apoiados de modo paternal. Portanto, se é verdade que o teatro municipal deve oferecer aos diversos públicos diversos bens e serviços culturais, diferentes formas de expressão artística, diferentes géneros e estilos, diferentes modos de praticar as artes, também é verdade que essa diversidade obriga a fazer escolhas, pré determinadas em função da referida ideia de estratégia de programação clara e objectiva, capaz de provocar cruzamentos, complementos, desafios; capaz de misturar géneros e estilos e linguagens em função de um conceito, de uma ideia. Apoiados em literatura de qualidade, crítica e analítica, fundamentada e argumentativa, assinada. Na prática, a organização de cada temporada em programação por ciclos de conteúdos, em função de ideias e/ou de autores, a organização de festivais e/ou a reorganização ou complemento das festas das cidades e de outras celebrações de importância nacional ou local. Concluindo, a missão de um teatro municipal cumpre-se com investimento adequado e saber profissional. Com o saber aplicar, optimizar, os investimentos num sector estruturalmente complexo com resultados visíveis a médio e longo prazo e com acompanhamento e estudo permanente dos comportamentos dos públicos. O investimento e a sua optimização exigem saberes específicos e conhecimentos de múltiplas realidades em permanente evolução, recepcionando-se dados novos quotidianamente, num país de assimétrico e por vezes paradoxal desenvolvimento. Como se compreende de tudo o que se tem dito, um teatro culturalmente ambicioso, motor e garante de desenvolvimento de uma sociedade informada e crítica, com repercussões em vários outros sectores – educação, saúde, ambiente, etc, etc... é um equipamento caro, mesmo que sem extravagâncias nem luxos. Porque implica: - Um responsável permanente pela programação; - - Uma estrutura técnica e humana cumprindo determinados parâmetros mínimos, nomeadamente em termos de lotação, dimensões do espaço, diversidade de espaços (camarins, salas de ensaio, etc...), pessoal técnico e técnico-artístico especializado, equipamento técnico; Um orçamento mínimo, estável e previamente definido a afectar às seguintes rubricas: pessoal / actividades e programação / manutenção / informação / divulgação e comunicação / formação, numa proporção a ponderar entre os custos fixos e os custos variáveis. Porque é um equipamento não só caro mas também complexo, com especialização e profissionalismo de saberes, a optimização dos seus recursos torna desejável a sua capacidade de trabalho em rede, em parceria ou associação com outros equipamentos similares. Pelo que é importante a conceptualização sobre a Missão e os objectivos dos Teatros Municipais, de Norte a Sul do país. Alguns aspectos particulares a ponderar Optimizar o funcionamento de um teatro municipal é uma obrigação de qualquer autarquia. Optimizar não significa poupar ou maximizar receitas. Implica, sim, fazer investimentos correctos. A criação de parcerias entre equipamentos similares, parece ser um caminho adequado para um investimento correcto. Falámos várias vezes de que programar obriga a um cuidadoso estudo e avaliação de públicos. Esse estudo deverá ser feito ciclicamente pois os artistas e os públicos estão a viver mudanças muito aceleradas. A co-produção tem, para lá das vantagens económicas óbvias, a capacidade de aumentar a visibilidade, a notoriedade e o prestígio de cada sala de teatro e de cada cidade – É importante não só a co-produção entre Teatros Municipais, mas também entre estes e as companhias artísticas, os teatros nacionais, etc… Públicos – Quantidade Vs Qualidade. A criação, a formação e a fidelização de públicos é uma das principais funções de um Teatro Municipal. Habitualmente confunde-se o sucesso de um teatro apenas com o número de espectadores – se há muitas ou poucas pessoas a assistirem aos espectáculos. Em regra não há preocupação em estudar o grau de envolvimento, fidelização e crescimento intelectual e crítico dos públicos na sua relação com os espectáculos. Muitas vezes, também, não se compreende que alguns espectáculos se destinam a públicos minoritários e que por isso mesmo devem ser programados. Poderá ser mais importante a carga simbólica, a visibilidade e a notoriedade que com certos espectáculos o teatro se projecta, do que a efectiva presença de grande número de espectadores. A cuidadosa mistura de géneros e de públicos é um “cocktail” que tem de ser cuidadosamente preparado. Um Serviço Educativo é essencial nos Teatros Municipais e não se confunde a sua necessidade com a mera apresentação de espectáculos para crianças e/ou jovens. Ver por ver é provavelmente melhor do que não ver, mas não ajuda o público a adquirir novas linguagens, a inter ligar os espectáculos do teatro, com as artes plásticas, com os museus, com o envolvente rural ou piscatório ou urbano, com a música, etc, etc... O Serviço Educativo pode acompanhar todos os géneros de espectáculos e servir também para o público adulto. Ver e analisar um espectáculo, tal como no que às artes visuais diz respeito, exige saber e como tal há que ter informação. Daí a importância de um bom programa - textos de acompanhamento, conferências e debates paralelos, exposições complementares, etc... a par de workshops de formação teórica e prática. Mas também cabe ao Serviço Educativo, inventar outras formas de “ensino lúdico”, afinal de sensibilização, organizando eventos onde o tradicional e o contemporâneo se cruzem, promovendo juntamente com o programador ou director espectáculos que reflictam tradições ou tirem partido das vivências locais e por aí possam motivar os públicos, organizar concursos e passatempos, ter uma atenção especial com cada espectador, muito especialmente se for um jovem... enfim cada caso é um caso, mas todos os casos devem sempre basear as suas decisões em estudo prévio. Importa também compreender que a formação e a fidelização de públicos implica trabalho de marketing e comunicação, e que se tem de divulgar correctamente e amplamente as actividades. Muitas vezes não há público porque a comunicação não passa. Concluindo, exige-se a um Teatro Municipal uma constante preocupação com a quantidade mas também e sobretudo com a qualificação crítica dos públicos, determinante dos espectáculos a realizar. Neste âmbito, entende-se que um Teatro Municipal deve ser um espaço de apresentação de espectáculos que tem por missão prestar um serviço público que promova o desenvolvimento cultural da população local viabilizando o seu acesso regular e diversificado a espectáculos de teatro, dança, música e outras artes performativas. Para tanto, deve ter como objectivos: ¾ Democratizar o acesso às artes do espectáculo e performativas em toda a sua diversidade ¾ Criar, formar e fidelizar públicos ¾ Promover a qualificação do tecido cultural e artístico local ¾ Contribuir para o desenvolvimento e para a valorização da imagem do município ¾ Promover a cooperação com outros agentes culturais públicos e privados ¾ Essa missão e objectivos devem ser operacionalizados através de uma estratégia de programação que assente no entendimento de que um Teatro Municipal é um espaço de concertação entre os interesses dos seus diversos destinatários – o público, os artistas, o poder político, os responsáveis pela programação. Essa estratégia de programação implica, pois, que se considere que um Teatro para todos não deve ser uma programação para todos, e que a programação pressupõe um conhecimento claro dos públicos para quem se trabalha e uma escolha informada e consciente do tipo de bens e serviços que se lhes oferece. Conhecer os púbicos é saber: ¾ que idade têm? ¾ que habilitações têm? ¾ o que fazem? ¾ de que gostam e de que não gostam? ¾ que expectativas têm relativamente ao teatro? Para depois poder ‘segmentá-los’ nomeadamente nas seguintes categorias: ¾ público local: em família; individual (crianças, jovens, adultos, idosos) ¾ público escolar: professores; alunos (1º ciclo, 2º e 3º ciclos, secundário, superior) ¾ visitantes Por outro lado, a actividade de programação significa poder escolher e proporcionar aos diversos públicos: ¾ Diferentes bens e serviços culturais: espectáculos vs ateliês vs conferências e seminários vs outra actividade cultural ¾ Diferentes formas de expressão artística: teatro vs dança vs música vs marionetas vs circo vs filme vs outra forma de expressão cultural ¾ Diferentes géneros e estilos: espectáculo de natureza erudita, popular ou de massas ¾ Diferentes modos de praticar as artes: profissional ou amador Implementar esta estratégia de programação exige, assim: ¾ Um responsável permanente pela programação; ¾ Uma estrutura técnica e humana cumprindo determinados parâmetros mínimos, nomeadamente em termos de lotação, dimensões do espaço, diversidade de espaços (camarins, sala de ensaio, etc), pessoal técnico e técnico-artístico especializado, equipamento técnico; ¾ Um orçamento mínimo, estável e previamente definido a afectar às seguintes rubricas: pessoal /actividades e programação / manutenção/ informação /divulgação e comunicação /formação, numa proporção a ponderar entre os custos fixos e os custos variáveis.