31 REVISTA DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA 1º SEMESTRE 2011 ENTREVISTA CARLOS TEIXEIRA VICE-PRESIDENTE DA JUNTA METROPOLITANA DE LISBOA DESTAQUE 20 ANOS DAS ÁREAS METROPOLITANAS PATRIMÓNIO TAPADA DE MAFRA FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE TRÓIA ÁREAS METROPOLITANAS CONSOLIDAR A LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA ALCOCHETE . ALMADA . AMADORA . BARREIRO. CASCAIS . LISBOA . LOURES. MAFRA . MOITA. MONTIJO . ODIVELAS . OEIRAS . PALMELA . SEIXAL . SESIMBRA . SETÚBAL . SINTRA . VILA FRANCA DE XIRA MUNICÍPIOS QUE CONSTITUEM A ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA Alcochete Largo S.João Baptista 2894-001 ALCOCHETE Tel.21 234 86 00 . Fax 21 234 86 90 www.cm-alcochete.pt Almada Largo Luis de Camões 2800-158 ALMADA Tel. 21 272 40 00 . Fax 21 272 45 55 www.cm-almada.pt Loures Palmela Praça da Liberdade, 4 2674-501 Loures Tel. 21 982 98 00 . Fax 21 982 00 84 www.cm-loures.pt Largo do Município 2954-001 PALMELA Tel. 21 233 66 00 . Fax 21 233 66 59 www.cm-palmela.pt Mafra Seixal Praça do Município 2644-001 MAFRA Tel. 261 810 100 . Fax 261 810 130 www.cm-mafra.pt Alameda dos Bombeiros Voluntários, n.º 45 2844-001 SEIXAL Tel.: 212 276 700 . Fax: 212 276 701 www.cm-seixal.pt Moita Sesimbra Av.Movimento das Forças Armadas 2700-595 AMADORA Tel. 21 436 90 00 . Fax 21 492 20 82 www. cm-amadora.pt Praça da República 2840-422 MOITA Tel. 21 280 67 00 . Fax 21 280 10 08 www.cm-moita.pt Rua da República, 3 2970-741 SESIMBRA Tel. 21 228 85 00 . Fax 21 228 85 26 www.cm-sesimbra.pt Barreiro Amadora Montijo Setúbal Rua Miguel Bombarda 2830-355 BARREIRO Tel. 21 206 80 00 . Fax 21 206 80 01 www.cm-barreiro.pt Rua Manuel N. Nunes Almeida 2870-352 MONTIJO Tel. 21 232 76 00 . Fax 21 232 76 08 www.mun-montijo.pt Praça do Bocage 2900-276 SETÚBAL Tel. 265 541 500 . Fax 265 541 621 www.mun-setubal.pt Cascais Odivelas Sintra Rua Guilherme Gomes Fernandes 2675-372 ODIVELAS Tel. 21 932 00 00 . Fax 21 934 43 93 www.cm-odivelas.pt Largo Dr. Virgílio Horta 2714-501 SINTRA Tel. 21 923 85 00 . Fax 21 923 86 57 www.cm-sintra.pt Oeiras Vila Franca de Xira Largo Marquês de Pombal 2784-501 OEIRAS Tel. 21 440 83 00 Fax 21 440 87 12 www.cm-oeiras.pt Praça Afonso de Albuquerque, 2 2600-093 V.FRANCA de XIRA Tel. 263 280 480 . Fax 263 276 002 www.cm-vfxira.pt Praça 5 de Outubro 2754-501 CASCAIS Tel. 21 482 50 00 . Fax 21 482 50 30 www.cm-cascais.pt Lisboa Praça do Município 1100-365 LISBOA Tel. 21 322 70 00 . Fax 21 322 70 08 www.cm-lisboa.pt EDITORIAL UMA CONSCIÊNCIA CRESCENTE DA VOCAÇÃO REGIONALISTA DAS ÁREAS METROPOLITANAS Carlos Humberto de Carvalho Presidente da JML O tempo decorrido desde a promulgação da primeira Lei das Áreas Metropolitanas, que faz agora vinte anos, deveria ter sido suficiente para o amadurecimento de todas as questões e o esclarecimento de todas as dúvidas. Em consequência disto, deveria ter sido um caminho de progresso na institucionalização de autênticas autarquias metropolitanas, dotadas de consistência democrática e de meios para cumprirem as suas funções. Mas não foi assim que sucedeu. As duas Áreas Metropolitanas (de Lisboa e Porto) criadas pela Lei nº 44/91 têm vivido de expectativas e de frustrações, com um acontecimento maior pelo meio - o Referendo em Novembro de 1998, que travou a instituição das Regiões Administrativas. No caso que nos diz respeito, a Área Metropolitana de Lisboa, para corresponder às suas missões dentro do espartilho legal que não pode ultrapassar, não deixou nunca de debater com o Poder Central todas as vias possíveis de correcção dessas limitações. Pode ser dito que, se houve progresso, foi sobretudo de experiência feito, na consciência crescente do carácter indispensável de um patamar intermédio, verdadeiramente regional e dotado de legitimidade democrática directa, entre os Municípios e o Governo. O debate político também é afectado pelos equívocos que se instalam no seu discurso. Na AML temos procurado esclarecê-los desde o início, tendo mesmo conseguido, a nível da Junta Metropolitana, um consenso muito alargado entre os Presidentes de Câmara com assento na mesma, sobre os projectos e o futuro comum que desejamos construir. Sabemos que esse futuro é neste momento condicionado por factores de agravamento de uma crise financeira, política e social, na Europa e no mundo, que ultrapassam a nossa capacidade de resposta. As questões do serviço da dívida soberana trazem consigo novas pressões de origem externa, que já se debruçam mesmo sobre o mapa da nossa divisão administrativa. Nos tempos difíceis que temos pela frente, compete-nos manter a consciência esclarecida e, ao mesmo tempo, realista sobre o que se passa. O caminho que nos trouxe à definição da autêntica vocação regionalista das Áreas Metropolitanas não foi um capricho político, mas sim uma necessidade tornada mais evidente pelo fracasso das medidas insuficientes que foram sendo legisladas no seu lugar. 4.5 MTPAML FICHA TÉCNICA . Directores Carlos Humberto de Carvalho, Carlos Teixeira, Ministro dos Santos Directora Executiva Sofia Cid Coordenação Editorial Mariana Coelho Produção Editorial e Gráfica Choque de Letras, Publicações Redacção José Miguel Dentinho e Silas de Oliveira Fotografia Diapositivo, Sofia Monteiro, Municípios da AML Colaboradores Permanentes António Valdemar (cultura), João Paulo Martins (aromas), Rui Pimentel (cartonista) Director Criativo Luís Beato Redacção e Propriedade Área Metropolitana de Lisboa, Rua Carlos Mayer, nº2, r/c, 1700-102 LISBOA Tel.: 218 428 570 - Fax: 218 428 577 E-mail: amlgeral@ aml.pt Distribuição Gratuita ISSN:1645 - 7021 Depósito legal nº195580/03 Tiragem: 5000 exemplares.Semestral METRÓPOLES 1º SEMESTRE 2011 12 18 42 SUMÁRIO 46 58 62 EDITORIAL 3 BREVES Notícias dos concelhos da AML 6 ENTREVISTA Vice-Presidente da JML 12 AML SEMESTRE Sustentabilidade Metropolitana 16 18 DESTAQUE Balanço de 20 anos das Áreas Metropolitanas PME’S INOVAÇÃO A plataforma electrónica Gatewit 40 PATRIMÓNIO Tapada de Mafra Festa de Nossa Senhora do Rosário de Tróia 42 FUNDOS COMUNITÁRIOS Plano tecnológico de educação 50 IMAGENS METROPOLITANAS Sofia Monteiro 54 CULTURA O historiador de Lisboa, Matos Sequeira 58 AROMAS Brancos da nova era 62 ACONTECEU Conferência da AML 66 Adeus amigo O David Lopes Ramos deixou-nos este ano. Era um apaixonado das coisas boas da vida: da gastronomia, da culinária, dos ingredientes e temperos, e das pessoas. Conhecia a gastronomia como ninguém e tinha a virtude de a divulgar junto de toda a gente através da palavra escrita. Sem ele ficámos mais pobres, de conhecimento, do convívio, de um amigo... Até sempre JUNTA METROPOLITANA DE LISBOA ALCOCHETE . Centro de saúde Área Metropolitana de Lisboa promoveu workshop sobre “Contabilidade de custos e consolidação de contas nos municípios” A Área Metropolitana de Lisboa, em colaboração com a BDO, promoveu, no passado dia 28 de Março, um workshop sobre “Contabilidade de custos e consolidação de contas nos municípios”, dirigido aos responsáveis financeiros dos Municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Neste workshop foi apresentado o sistema de custeio ABC e debatida a questão da consolidação de contas, no contexto da recentemente publicada Portaria 474/2010, de 8 de Julho. Dinamizaram o workshop o Eng.º Luís Jorge Monteverde, Senior Manager da BDO e Mestre em Gestão, que abordou a temática da Contabilidade de Custos; e a Dr.ª Cristina Sousa Dias, Sénior Manager da BDO e pós-graduada em Corporate Finance, que se deteve na temática da Consolidação de Contas. No final das apresentações houve espaço para um debate, onde todos os participantes puderam colocar as suas dúvidas e partilhar experiências. 6.7 MTPAML Entrou em funcionamento a nova extensão do Centro de Saúde de Alcochete, na freguesia do Samouco. Este novo equipamento social, construído nos antigos Lavadouros Municipais, traduziu-se num investimento municipal de cerca de 600.000 euros. Os munícipes têm agora ao seu dispor três gabinetes para consultas, uma sala de tratamentos, despiário e uma sala de injectáveis / enfermagem, para além das áreas comuns e administrativas. A oferta de serviços contempla ainda um médico e a facilidade dos utentes disporem de consultas médicas todos os dias úteis. . Prestação de contas O ano económico de 2010 contêm, segundo o presidente da autarquia, Luís Franco, “conclusões muito interessantes e positivas no que diz respeito à gestão da Câmara Municipal”. Comparativamente com a despesa efectuada em 2009, no Orçamento de Despesa (14.031.473,85 euros) regista-se uma redução, quer nas despesas correntes, quer nas despesas de capital. Relativamente às receitas (14.468.357,31 euros), enquanto os impostos directos (IMI e IMT) cresceram 26,15% e 9,23%, respectivamente, os indirectos decresceram significativamente em resultado da conjuntura de crise que se faz sentir no país. . Certificação em TIC Numa parceria com a Associação de Municípios da Região de Setúbal, a Biblioteca de Alcochete deu início ao projecto AMRS Qu@lifica, que visa a validação de conhecimentos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) assente na realização de um exame, após o qual os cidadãos podem obter um diploma de competências básicas em TIC conferido pela UMIC – Agência para a Sociedade de Informação. ALMADA . Centro histórico O centro histórico de Almada vai ter uma Área de Reabilitação Urbana (ARU) para promover a revitalização de edifícios degradados através da atribuição de incentivos financeiros, fiscais e de procedimentos. A constituição de uma ARU pretende criar vantagens para quem decida reabilitar os seus edifícios na área consignada, beneficiando proprietários e arrendatários. A área de reabilitação urbana de Almada deverá estar em execução até ao final do ano. . Escola básica avança A Câmara Municipal aprovou, recentemente, a adjudicação das obras de construção da futura escola básica com jardimde-infância na Quinta de Santa Teresa, Charneca da Caparica. Esta escola terá três salas para jardim-de-infância, doze salas para o ensino básico, biblioteca, refeitório, gabinetes de trabalho, instalações sanitárias e balneários, dispondo ainda de campo de jogos, áreas de recreio e uma horta pedagógica. O investimento municipal afecto ao equipamento a edificar cifra-se em 2 milhões de euros. . Plano estratégico do turismo Já está concluído o plano estratégico do sector, um instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentado do concelho, cuja origem remonta a 2006, com a assinatura de um protocolo entre a autarquia e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Dando continuidade aos objectivos consagrados no documento, a Câmara de Almada está a contactar um leque alargado de agentes económicos ligados ao turismo para, em conjunto, avançarem com a implementação de planos específicos, designadamente nas áreas do turismo religioso, golfe e turismo de negócios, circuitos culturais, gastronomia, sol e mar, natureza e desporto. AMADORA . Apoio social Foi lançada a primeira pedra para a construção de um lar de idosos, creche e serviço de apoio domiciliário, na Praça de S. José, Buraca, que resulta duma parceria entre a Câmara Municipal e a Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente (AFID). O futuro equipamento social, a ser construído pela Fundação AFID Diferença, insere-se no Programa de Apoio à Construção de Equipamentos Sociais da Autarquia, custando a sua construção cerca de 2 milhões e 750 mil euros, dos quais cerca de 1,3 milhões são financiados pelo Programa PARES e 413 mil euros pela Câmara Municipal da Amadora. BREVES . Centro de saúde O executivo municipal aprovou, por unanimidade, a doação à Administração Regional de Saúde de um terreno para a construção do Centro de Saúde da Reboleira – a edificar no prazo de quatro anos após a data da escritura – no local onde se encontra actualmente instalado o Centro Comunitário e ATL. A autarquia assume ainda a elaboração do projecto do centro de saúde, cabendo à ARS a disponibilização dos meios técnicos necessários, bem como as características e tipologia do equipamento e respectiva construção. . Casal da Mira A autarquia amadorense celebrou um protocolo com o Instituto da Segurança Social e a Fundação Aga Khan Portugal, para o novo Contrato Local de Desenvolvimento Social do Casal da Mira, na freguesia da Brandoa, que se segue a um outro desenvolvido para o Bairro de Santa Filomena. O CLDS tem a duração de três anos e vai ter quatro eixos de intervenção: emprego, formação e qualificação; intervenção familiar e parental; capacitação da comunidade e das instituições; informação e acessibilidade. BARREIRO . Eco-Moinho do Jim A Câmara Municipal do Barreiro, em cooperação com a Agência Regional de Energia, inaugurou o Eco-Moinho do Jim, um novo espaço dedicado à educação e informação de carácter ambiental. Com a inauguração deste espaço a autarquia pretende aproximar a população das questões energético-ambientais, procurando esclarecer dúvidas e fornecer informação sobre temas como a Eficiência Energética, Energias Renováveis, Qualidade do Ar, Ruído, Alterações Climáticas, entre outros. . Nova ETAR Foi já inaugurada a nova Estação de Tratamento de Águas Residuais do Barreiro/Moita, a maior da península de Setúbal. Com um investimento de 17 milhões de euros, esta infra-estrutura de saneamento básico recolherá e tratará as águas residuais de quase 300 mil habitantes dos dois concelhos e, ainda, de parte do concelho de Palmela. A nova ETAR vai assegurar o tratamento diário de 65 mil metros cúbicos de águas residuais urbanas, cujo sistema inclui também cerca de 44,2 km de emissários e condutas elevatórias e 18 estações elevatórias. . Associativismo local A Câmara Municipal do Barreiro assinalou o Dia Nacional do Associativismo, homenageando uma dezena de instituições centenárias do Concelho. Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, JI D. Pedro V, Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, Sociedade Democrática União Barreirense “Os Franceses”, Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros”, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste, Sociedade Filarmónica União Agrícola 1º de Dezembro, Associação do Comércio, Indústria e Serviços do Barreiro e Moita, Cooperativa Cultural Operária Barreirense e Futebol Clube Barreirense, foram as associações evocadas. CASCAIS . Orçamento participativo Pela primeira vez, o Executivo Municipal utilizou este mecanismo de democracia participativa para permitir que os cidadãos decidam sobre uma parte do orçamento municipal, identificando, debatendo e atribuindo prioridades a projectos de interesse para o concelho. Os projectos exequíveis serão submetidos à votação da população e implementados os mais votados no exercício de 2012/2013. A recolha das propostas decorreu durante a realização de sessões públicas em todas as freguesias do concelho, desde 15 de Junho. . Bandeiras azuis Guincho, Cresmina, Moitas, Tamariz, Poça, S. Pedro do Estoril, Parede, Conceição, Carcavelos, Rainha, Duquesa e Avencas, são as praias do concelho que hasteiam bandeiras azuis em 2011. Bons acessos, nadadores salvadores, apoios de praia, instalações sanitárias, primeiros-socorros, recolha selectiva de resíduos e boa qualidade da água, são alguns dos critérios tidos em conta para a atribuição do galardão, fruto das políticas ambientais que Cascais tem vindo a desenvolver nos últimos anos. . Programas de voluntariado Decorreram, até 15 de Setembro, os Programas de Voluntariado de Verão – Maré Viva (prevenção e segurança nas praias), Cultura Social (apoio social, protecção civil e animação cultural) e Natura Observa (ambiente e preservação da natureza). Com um total de 1700 vagas, os três programas de voluntariado de verão implementados pela Câmara Municipal de Cascais, abrangem jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos envolvidos em diversas actividades que lhes irão proporcionar uma ocupação saudável no período de férias. LISBOA . Prevenção ambiental Os veículos sem catalizador, anteriores a Julho de 1992, deixaram de circular na Av. da Liberdade e na Baixa de Lisboa desde 4 de Julho. A notícia foi avançada pelo vereador Nunes da Silva, precisando que a proibição é válida durante a semana, excepto nos dias úteis entre as 20h00 e as 08h00 e aos fins-de-semana. De fora desta restrição ficam transportes públicos, veículos de emergência, carros históricos certificados, veículos de pessoas com mobilidade reduzida e moradores nas zonas em causa. . Creches públicas A Câmara de Lisboa quer investir mais de 20 milhões de euros nos próximos anos para criar 2.500 novas vagas distribuídas por 76 creches públicas. Os primeiros 11 equipamentos (freguesias da Charneca, Lumiar, Carnide, Benfica, Santa Maria dos Olivais, BREVES Alto do Pina, Santo Condestável e Ajuda) deverão abrir no primeiro semestre de 2012. Segundo a autarquia “o objectivo do programa b. a. bá, consiste em garantir que as creches da rede pública de Lisboa cobram 50 por cento das necessidades da população que vive e trabalha na cidade”. . Estacionamento do Chão de Loureiro A Câmara Municipal procedeu à inauguração do Parque de Estacionamento do Chão de Loureiro, ao Largo do Caldas. O antigo mercado dá agora lugar a um edifício recuperado que vai acolher um moderno Parque de Estacionamento Multifuncional, mantendo a arquitectura tradicional do edifício. O projecto desenvolvido pela EMEL, inclui a criação de 192 lugares de estacionamento, um supermercado, restaurante e cafetaria e a integração futura de um elevador panorâmico. LOURES . PER A Câmara de Loures quer erradicar os quatro bairros de barracas que ainda existem no concelho até ao final deste ano ou no decorrer do primeiro semestre de 2012. Bairro da Torre (Camarate), Quinta da Serra (Prior Velho), Quinta da Vitória (Portela) e Talude Militar (Frielas, Camarate e Unhos) são os quatro núcleos de barracas que restam dos 51 que existiam quando se iniciou o Plano Especial de Realojamento 8.9 MTPAML (PER) em 1993. A execução deste plano governamental já permitiu à autarquia realojar cerca de 2800 pessoas e erradicar 47 bairros de barracas. . Acessos ao hospital de Loures Iniciaram-se as obras de execução dos acessos ao novo Hospital de Loures – com abertura prevista para 2012 - que se vão prolongar por 270 dias. A empreitada que se traduz num investimento municipal superior a 2,1 milhões de euros, passa pela construção de um troço de ligação entre a Rotunda do Centro Comercial Continente e a Rotunda da EN 250 (via L1- 4), estando previsto, no âmbito do Plano de Pormenor do Correio-Mor, a execução da via L1-5 que permitirá o prolongamento da via L1-4 até ao centro de Loures. . Inovação empresarial Foi recentemente apresentado pela autarquia o modelo de dinamização e inovação de empresas do concelho de Loures. Integrado no âmbito do projecto INNOHUBS, cujo objectivo consiste em identificar e partilhar boas práticas de apoio à promoção do empreendedorismo de PME`s. Neste contexto, foi formalizada uma candidatura ao Sistema de Incentivos à Promoção e Capacitação do POR Lisboa em 40%, prevendo-se o envolvimento de um grupo piloto de 30 empresas do concelho, a quem cabe finan- ciar o projecto em 50%, ficando os restantes 10% a cargo da Câmara Municipal. MAFRA . Reserva mundial de surf A Ericeira recebeu a distinção internacional como primeira Reserva de Surf da Europa e segunda do Mundo. O anúncio público foi feito por Mark Massara, representante da organização norte-americana Save the Waves Coalition, em Lisboa. A faixa costeira agora reconhecida estende-se desde a Praia da Empa, na Freguesia da Ericeira, à Praia de S. Lourenço, na Freguesia de Santo Isidro, no Concelho de Mafra, e apresenta sete ondas de classe mundial num espaço de 4 Km. Os critérios de selecção foram a qualidade e consistência das ondas, as características ambientais e o apoio da comunidade local. . GeoMafra O “GeoMafra” – Sistema de Informação Geográfica Municipal, disponibiliza novos conteúdos nas áreas do turismo e do desporto, 24 horas por dia, de forma gratuita. No âmbito do Turismo, foram georreferenciadas áreas como o surf e os Alojamentos Turísticos, podendo ainda acederse à localização de bombas de combustível. No Desporto, foram contemplados os equipamentos desportivos municipais e as infra-estruturas referentes ao associativismo desportivo. . Festival do pão O pão de Mafra, característico da região, deu o mote para a organização de um festival que decorreu no Jardim do Cerco, junto ao Palácio Nacional. A sua produção representa uma das mais importantes actividades industriais do município, com os principais pólos de produção centrados nas zonas do Barril, Carvalhal e Encarnação. Organizado pela Câmara Municipal com o apoio do Turismo de Portugal, Turismo de Lisboa, Giatul e Associação de Comércio, Indústria e Serviços do concelho, o evento veio chamar a atenção para este produto de excelência, actualmente em processo de certificação. MOITA . Pré-escolar aumenta Abriu as portas o novo Jardimde-Infância da EB1/JI nº 1, no âmbito da politica educativa da autarquia moitense de “promover a escola pública de qualidade e para todos”. A construção deste equipamento de ensino resulta de uma candidatura da Câmara da Moita ao Programa Operacional de Lisboa e Vale do Tejo e representa um investimento global de 781.600 euros, suportado pela autarquia em mais de 600 mil euros, o que corresponde a 77,1 por cento do valor total da obra. . Biblioteca estival Esteve a funcionar na Praia Fluvial do Rosário a biblioteca estival, uma iniciativa da Câmara Munici- BREVES pal da Moita com o objectivo de fomentar o gosto pelo livro e pela leitura e, simultaneamente, atrair novos leitores para as bibliotecas municipais. Este posto de leitura, aberto entre 1 de Junho e 31 de Agosto, colocou ao dispor dos interessados a consulta de livros, revistas e jornais na praia, além de jogos de xadrex, damas e dominó, entre outros. dos nomes mais celebrados da escultura da nova geração. A exposição tem como tema principal os pássaros, mas apresenta, também, ao público trabalhos onde a mulher é a figura central. Com esta mostra, a Câmara Municipal do Montijo dá continuidade à sua política de promoção da cultura, em geral, e das artes plásticas, em particular. . Biblioteca do Parque Reabriu ao público, entre 15 de Junho e 31 de Agosto, a “Biblioteca do Parque”, no Parque José Afonso, na Baixa da Banheira. Este espaço municipal dedicado ao lazer, animação cultural e promoção de hábitos de leitura disponibilizou, também, aos seus utilizadores, jornais e revistas para consulta, jogos de mesa e jogos tradicionais. . Frente ribeirinha MONTIJO . Gestão positiva A Câmara Municipal do Montijo aprovou, por maioria, os documentos de prestação de contas referentes ao ano de 2010 que apontam para um saldo positivo de cerca de 2,5 milhões de euros. Do conjunto de obras realizadas no exercício anterior – o maior investimento dos últimos cinco anos - o executivo destaca a Escola Integrada do Esteval/Areias, o Parque Urbano das Piscinas, o Polidesportivo do Alto das Vinhas Grandes, o edifício Multiusos de Pegões, a recuperação e reabilitação do interior dos edifícios da Quinta do Páteo D`Água e os arruamentos do Bairro do Marreco, em Sarilhos Grandes. . Galeria Municipal A Galeria Municipal do Montijo teve em exibição, até 30 de Julho, uma exposição de escultura e desenho de João Cutileiro, um Está patente até Setembro, na Frente Ribeirinha, a exposição “As árvores e as florestas – viagens pela biodiversidade vegetal”, por ocasião da celebração do Ano Internacional das Florestas. A exposição visa realçar a relevância da árvore e das florestas na subsistência do planeta e na sobrevivência das espécies, dando a conhecer um dos aspectos fundamentais da biodiversidade local. no desenvolvimento de programas pedagógicos e no combate ao insucesso e abandono escolar. . Novos equipamentos sociais A Câmara Municipal de Odivelas atribuiu 150 mil euros para apoiar a construção de três equipamentos sociais no concelho – Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Santo Adrião, Centro Comunitário Paroquial de Famões e Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa. A primeira destas instituições vai apoiar 110 pessoas nas valências de lar de idosos, centro de dia e apoio domiciliário. O edifício paroquial de Famões, que entra em funcionamento em Setembro, vai contar com uma creche para 66 crianças e centro de dia para 60 idosos, enquanto as “Casas da Granja”, em Odivelas, darão apoio social com várias valências a cerca de 168 pessoas e disporão de uma creche para 66 crianças. de Odivelas, do arquitecto Paulo Brito da Silva, e outra ao edifício da EB1 e JI do Vale Grande, na Pontinha, da autoria do arquitecto David Luís Pais Dionísio. OEIRAS . Desperdício alimentar A Câmara Municipal de Oeiras implementou um “Programa local contra o desperdício alimentar”, depois de um repto lançado às unidades de restauração e hotelaria do concelho. O programa teve início em Março, contando a jusante com a colaboração de IPSS locais na sinalização das famílias com carências alimentares e/ou na recolha de produtos confeccionados, e a montante com o apoio de restaurantes das freguesias de Algés, Oeiras e Paço de Arcos, unidades hoteleiras das freguesias de Linda-aVelha, Caxias e Porto Salvo e do Grupo Jerónimo Martins. . Jovens cientistas . Arquitectura premiada ODIVELAS . Refeições escolares No próximo ano lectivo, os mais de 6200 alunos do primeiro ciclo e pré-escolar da rede pública de Odivelas vão ter acesso a três refeições diárias na escola (pequeno almoço, almoço e lanche). Esta medida vai traduzir-se num investimento de quase 2,5 milhões de euros. Nos últimos cinco anos, a Câmara de Odivelas investiu cerca de 30 milhões de euros na área da Educação, fundamentalmente no alargamento e modernização da rede escolar, O júri do concurso Prémio Municipal de Arquitectura e Espaço Público, que se realiza pela segunda vez, procedeu à entrega dos prémios referentes ao ano de 2010. O prémio RN/Sanitana foi atribuído ao edifício “Paços do Concelho, na Quinta da Memória, em Odivelas”, projectado pela Appleton & Domingos, Arquitectos Lda. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas: Uma ao edifício da Estação do Metropolitano A Câmara Municipal de Oeiras voltou a distinguir este ano dois cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência com as Bolsas de Instalação para Jovens Cientistas – Começar em Oeiras. Estes incentivos à fixação de investigadores, no valor de 15 mil euros cada, vão permitir a Patrícia Beldade e a Diogo Castro instalarem-se no concelho de Oeiras e iniciar aqui os seus grupos de investigação. Com este programa o Município já BREVES investiu, desde 2005, 300 mil euros na formação e investigação científica no Concelho de Oeiras. . Redução da despesa municipal A autarquia oeirense anunciou uma redução de despesa na ordem dos 14 milhões de euros, no âmbito da prestação de contas do orçamento de 2010, apesar do agravamento da crise económico-financeira que se fez sentir com repercussões ao nível das receitas municipais. Em relação ao ano anterior, verificou-se uma redução da despesa corrente em mais de sete milhões de euros, para os 79,406 milhões, e da despesa de capital em 7,185 milhões de euros, num total de 14,855 milhões de redução da despesa. PALMELA . Loja do cidadão Foi inaugurada a Loja do Cidadão do Pinhal Novo situada nas instalações do mercado municipal. Este espaço de atendimento aos cidadãos faz parte de uma filosofia de 2ª geração de serviços disponíveis em simultâneo e abrangendo um leque alargado de serviços da administração central e do município, como a ADSE, Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, IMTT, Instituto dos Registos e Notariado, entre muitos outros. No conjunto 10.11 MTPAML de facilidades agora disponibilizadas encontra-se, também, uma viatura de atendimento móvel destinada a prestar serviços às populações das zonas rurais. . Conversas de Poial Criado em 2009, no âmbito do projecto “Patrimónios”, este ciclo de conversas iniciadas com o objectivo de contribuir para o enriquecimento das memórias do Centro Histórico, já deu origem a uma exposição que esteve patente na Igreja de Santiago. Ao longo dos próximos meses, até Fevereiro de 2012, são vários os temas propostos para estes encontros informais, que procuram servir de mote para a partilha de fragmentos do passado e debate entre a população e as instituições locais. . Vinhos premiados O X Concurso Internacional de Vinhos “La Selezione del Sindaco” premiou os seis produtores de vinho do concelho de Palmela que participaram no certame em conjunto com o município de Palmela. O concurso decorreu nas localidades italianas de Benevento e Torrecuso, com a presença de 1113 vinhos de 450 adegas. No total, os vinhos de Palmela receberam uma medalha de ouro e sete de prata, confirmando a qualidade da produção vinícola da região. SEIXAL . Aves da Baía do Seixal Com o apoio editorial da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Corroios, foi apresentado publicamente um novo livro da autoria do professor Manuel Lima, intitulado Aves do Sapal de Corroios e doutras Zonas Ribeirinhas do Concelho do Seixal. Com 168 páginas e 155 fo- tografias a cores, o trabalho de investigação desenvolvido ao longo de ano e meio de pesquisa no terreno e agora dado à estampa, aborda a importância da avifauna das zonas ribeirinhas do concelho do Seixal no contexto do património histórico e natural local. . Desenvolvimento ribeirinho SESIMBRA . Homenagem aos homens do mar A capacidade de resistência numa das profissões mais duras, assim como o papel fundamental na construção da identidade sesimbrense foram alguns dos motivos que levaram a Câmara Municipal a homenagear anualmente os profissionais da pesca. O Salão da Sociedade Musical Sesimbrense foi o palco da entrega de galardões a embarcações que se distinguiram em 2010 pelo valor das vendas, e ao pescador há mais tempo em actividade, Manuel Gomes Farinha. . Bandeira azul A Baía do Seixal, recurso classificado como Reserva Ecológica Nacional, tem agora um novo espaço on-line que dá a conhecer os projectos de valorização urbana e ambiental resultantes de 35 candidaturas ao QREN, que estão a dar uma nova vida às frentes ribeirinhas e à própria Baía. O novo site está disponível em baiadoseixal.cm-seixal.pt e explica os objectivos e características de cada um dos projectos. . Nova creche Foi inaugurada a Creche de Santa Teresinha, na Rua Nossa Senhora da Graça, em Corroios, com capacidade para acolher 66 crianças até aos 3 anos de idade. Este novo equipamento social de apoio às famílias mais carenciadas é promovido pelo Centro Social e Paroquial de Corroios, sendo a sua construção co-financiada pela Câmara Municipal do Seixal e pelo Programa PARES. No acto de abertura estiveram presentes o Bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, e o Secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques. A praia do Ouro, em Sesimbra, hasteou a Bandeira Azul, galardão atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa, juntando-se à Praia do Moinho de Baixo, no Meco, igualmente galardoada. Esta distinção é atribuída às zonas balneares que se destacam pelas condições ambientais, de segurança, acessibilidades e informação, comprovadas a boa qualidade da água, a limpeza do areal, os acessos pedonais, a existência de estacionamento e passadeiras, sanitários e posto de primeiros socorros. . Turismo jovem A Assembleia Municipal de Jovens de Sesimbra afirmou-se como um dos principais projectos de cida- BREVES dania dirigidos a alunos das escolas do concelho, e uma referência nacional nesta área. O reforço das actividades desportivas, culturais e gastronómicas ao longo do ano, a divulgação do património, a dinamização do agro-turismo e do turismo religioso, foram algumas das propostas apresentadas pelos alunos participantes na 8ª edição deste fórum juvenil realizado em Maio, inspirados no tema Turismo – Uma Ideia de Futuro para Sesimbra. SETÚBAL . Auditório municipal Reabriu ao público o Cinema Charlot – Auditório Municipal, depois da execução de importantes obras de requalificação a cargo da Câmara Municipal, que implicaram um investimento superior a 220 mil euros, no âmbito de um conjunto de intervenções municipais em vários equipamentos culturais. Para além dos aspectos relacionados com alterações na infra-estrutura básica, condições de segurança, acessibilidades e comodidade, a zona de espectáculos passa a dispor de pavimento inclinado e de capacidade para 260 lugares. . Casa da Baía Foi inaugurada a Casa da Baía, “o estratégico ponto de partida para uma nova dinâmica na promoção de dinamização turística do concelho, um espaço onde vamos mostrar o que temos de melhor e o que mais nos orgulha”, na opinião de Maria das Dores Meira, presidente da autarquia. A Casa da Baía – Centro de Promoção Turística, tem serviços de promoção, divulgação e comercialização de produtos de referência do concelho, como queijo, vinho e doces, zonas de restauração, área vínica e uma loja gourmet. . Alerta de tsunami Setúbal tem já disponível um sistema de alerta de tsunami, único na Europa. O equipamento instalado no Parque Urbano de Albarquel, que vai estar em testes durante um ano, permite detectar um sismo seguido de maremoto, a tempo de avisar a população. Setúbal foi escolhida para a instalação deste dispositivo por ser uma das cidades de maior risco sísmico. Para o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, este programa-piloto, que tem ligação ao Instituto de Meteorologia, “representa um grande avanço na criação de sistemas efectivos de alerta precoce de tsunami”. SINTRA . Qualidade ambiental Sintra é uma das dez zonas do país que vai hastear este ano a bandeira europeia Quality-Coast. As regiões contempladas para o biénio 2011-2012 passam a figurar na lista dos 50 melhores destinos à beira-mar considerados ambientalmente sustentáveis. O prémio europeu é atribuído de dois em dois anos pela EUCC – The Coastal & Marine Union, com sede na Holanda, sendo a candidatura de Sintra apresentada pela Associação de Turismo de Lisboa. . Água gratuita Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Sintra vão avançar com o fornecimento mensal gratuito até cinco metros cúbicos de água e isenção de tarifas fixas para famílias mais carenciadas do concelho, anunciou a empresa. Esta medida, destinada aos beneficiários da Tarifa Social e da Tarifa Sintra Solidária, pessoas que auferem o Rendimento Social de Inserção e desempregados que estejam inscritos no Centro de Emprego, respectivamente, pode beneficiar os mais carenciados com uma poupança na ordem dos 12 euros mensais. . Eléctrico de Sintra O histórico eléctrico de Sintra regressou aos carris no dia 17 de Junho, retomando o seu traçado original entre a Vila de Sintra e a Praia das Maçãs e fazendo, assim, a ligação entre a serra e o mar. O regresso ao activo da linha mais romântica da Europa, foi devidamente assinalado pela autarquia que apela à utilização deste exlibris de Sintra enquanto património histórico que importa preservar e legar às gerações futuras. O horário de verão prolonga-se até 25 de Setembro, de sexta-feira a domingo para o público em geral, sendo as terças e quintas-feiras destinadas aos alugueres. VILA FRANCA DE XIRA . Centro de saúde O novo centro de saúde de Vila Franca de Xira que vai proporcionar atendimento a cerca de 23 mil utentes, já está a funcionar. Com uma área de perto de 3 mil m2, em terreno cedido pelo Município mediante protocolo com a ARSLVT, o novo equipamento hospitalar custou cerca de 2 milhões e trinta mil euros e dispõe de três pisos, compostos, entre outros, por gabinetes médicos, salas de enfermagem e de tratamento de especialidades várias, áreas administrativas, de formação e de pessoal. . Passeio ribeirinho Com conclusão prevista para final de Agosto, está a decorrer a construção do passeio ribeirinho da cidade de Vila Franca de Xira, que faz a ligação entre o caminho pedonal já existente até ao jardim municipal, numa extensão total de 4 km. A empreitada adjudicada pelo valor de 312.830,58 euros contempla a criação de uma área de lazer e recreio em frente à antiga fábrica de descasque de arroz, estando também previstas a reestruturação do cais existente; uma zona de ciclovia e a plantação de espécies arbóreas. . Pavilhão do Cevadeiro No lugar do antigo pavilhão do Parque Urbano do Cevadeiro, está a ser erguido um novo e moderno pavilhão multiusos destinado a actividades culturais e desportivas. A obra, que inclui a remodelação da área envolvente, começou em Janeiro, e foi adjudicada por 2.245.653,00 euros. Esta acção é parte integrante da candidatura ao QREN – Iniciativa “Parcerias para a Regeneração Urbana – Programas Integrados de Valorização de Frentes Ribeirinhas e Marítimas”. A RELAÇÃO PORTO/CIDADE É ESTRATÉGICA Carlos Teixeira, vice-presidente da Junta Metropolitana da Lisboa e presidente da Câmara Municipal de Loures Metrópoles – O mar é um desígnio nacional, contribuindo as actividades que lhe estão associadas com um peso significativo para a economia nacional. No âmbito da sua participação na Associação para a Colaboração entre Portos e Cidades (RETE), como analisa o desenvolvimento futuro das áreas costeiras urbano-portuárias na Área Metropolitana de Lisboa (AML), particularmente no que diz respeito à relação porto-cidade? Carlos Teixeira – Desde há bastante tempo que a Junta Metropolitana de Lisboa vem dando particular importância à relação porto-cidade, pois reconhece que as funções portuárias potenciam as cidades, tal como sucede com o inverso. De facto, as cidades portuárias assumemse cada vez mais como factores estratégicos de desenvolvimento e competitividade e a AML tem um enorme potencial de afirmação mundial a este nível, devido à sua situação geográfica estratégica. É nesse pressuposto que a Junta Metropolitana de Lisboa integra redes de colaboração internacional nesse âmbito, como a RETE e a Associação Internacional das Cidades e Portos (AIVP). A primeira é uma 12.13 MTPAML associação internacional cujo objectivo é desenvolver relações entre cidades portuárias e portos da Europa meridional e mediterrânea e da América Latina. É composta por administrações locais de cidades portuárias, autoridades portuárias e outros organismos de gestão de portos, entidades científicas e de investigação, empresas públicas e privadas ligadas a portos e particulares interessados na relação portocidade. De Portugal, para além da AML, são membros as Administrações do Porto de Lisboa e do Douro e Leixões, dos Portos da Região Autónoma da Madeira e de Setúbal e Sesimbra. A AIVP foi criada em 1988, em Le Havre, por iniciativa de cidades, portos e dos seus parceiros económicos e institucionais, de forma a criar uma estrutura permanente para a troca de informações e contactos. Reúne mais de 170 membros dos cinco continentes, entre regiões, municípios, administrações portuárias, associações profissionais e empresas públicas e privadas ligadas às questões da relação cidade/porto. Mais recentemente, e no âmbito da aprovação de uma candidatura ao Interreg IVC, programa que ajuda as regiões europeias a partilhar conhecimento transferir experiências para melhorar a política regional, ENTREVISTA Para Carlos Teixeira, vice-presidente da Junta Metropolitana da Lisboa e presidente da Câmara Municipal de Loures, a AML tem um enorme potencial de afirmação mundial como região portuária, assumindo-se, cada vez mais, como factor estratégico de desenvolvimento e competitividade. Por isso mesmo é que a organização está actualmente envolvida no Projecto Deltanet, cujo principal objectivo é o desenvolvimento de medidas integradas de planeamento territorial em áreas geograficamente sensíveis, como são os estuários e deltas. a AML está envolvida no Projecto Deltanet, cujo principal objectivo é o desenvolvimento de medidas integradas de planeamento territorial em áreas geograficamente sensíveis, como são os estuários e deltas. Pretendemos, com este projecto, estabelecer uma rede política que aproveite as experiências de regiões de deltas europeias, de forma a assegurar uma análise comparativa e a extrapolação de dados e resultados, para que se dê um intercâmbio e aplicação das melhores práticas relativas à administração da água e ao desenvolvimento dos portos, com o objectivo último de definir um plano de metodologias de governação comum, mas adequáveis, pelos diferentes parceiros, às suas circunstâncias específicas. A participação nestas redes internacionais permite conhecer boas práticas que depois podem ser transpostas para a realidade da Área Metropolitana de Lisboa. Embora esta não tenha competências nessa matéria, tem procurado tomar algumas iniciativas junto das entidades competentes, sendo exemplo disso a participação activa que teve na alteração ao PROT-AML e o acompanhamento da elaboração do Plano de Ordenamento do Estuário do Tejo, ainda em curso, que visa a protecção das suas águas, leitos e margens e dos seus ecossistemas, e a sua valorização ambiental, social, económica e cultural. Apraz-nos registar que estamos num novo ciclo de relacionamento dos poderes locais com as administrações portuárias em Portugal, com a transferência de terrenos não afectos à actividade portuária para o domínio dos municípios, o que permite que estes possam adoptar soluções que melhor servem os interesses colectivos. Metrópoles – Uma das suas áreas de responsabilidade na Junta Metropolitana de Lisboa (JML) é a inclusão social. Atendendo à situação de crise que o país atravessa e à existência de inúmeras situações de exclusão no território metropolitano, que tipo de contributo pode dar a Área Metropolitana de Lisboa para minorar esse flagelo? Carlos Teixeira – Antes de mais importa referir que o actual regime jurídico das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto não é o que os presidentes de Câmara da Área Metropolitana de Lisboa gostariam que fosse. Como não têm um núcleo robusto de competências e meios próprios tornam-se, muitas vezes, inoperantes. No entanto, e apesar destes constrangimentos que a AML tem tentado alterar, a JML tem inscrito, no seu Plano de Actividades para 2011, a promoção da inclusão cultural e social na região. Tem sido desenvolvida de diversas formas. Por um lado, existe o projecto “Orquestras Sinfónicas Juvenis”, aprovado em 2009 no âmbito do PORLisboa, em parceria com os Municípios de Amadora, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sin- tra e Vila Franca de Xira. É inspirado no Sistema Nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela e visa a inserção de crianças e jovens com dificuldades de integração social e educativa em escolas do 1º e 2º ciclos, através da aprendizagem da música. A atribuição de apoios de âmbito social à ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, a fim de garantir o desenvolvimento do programa desportivo em prol dos deficientes visuais da Área Metropolitana de Lisboa, e à Comunidade Vida e Paz, organização que apoia os sem-abrigo com o objectivo de os reinserir como cidadãos participativos na sociedade, são outros exemplos do empenho da JML neste campo. O Observatório de Desenvolvimento Económico e Social (ODES-AML) foi criado através de uma candidatura ao POR Lisboa com o apoio técnico e científico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, com o objectivo de dotar a Área Metropolitana de Lisboa de uma estrutura de base metropolitana que permite olhar atentamente os aspectos mais críticos da região, conhecer as suas dinâmicas e dar uma visão integrada e coerente sobre o modelo de desenvolvimento a adoptar. O conhecimento profundo da realidade e dinâmicas da Área Metropolitana de Lisboa permitem uma maior uma coesão económica e social interna e melhor qualidade de vida dos cidadãos, superando os desafios da modernidade e sustentabilidade que ainda se colocam, num esforço de convergência para os modelos europeus de competitividade. Para responder à crescente necessidade de melhoria do ODESAML, também foram integradas nele as dimensões do desenvolvimento sustentável, ambiente e governança. São vertentes relacionadas com a implementação de uma Agenda 21 Metropolitana e a formação e educação para a sustentabilidade - Universidade para a Sustentabilidade Metropolitana. Estas duas áreas emergentes vêm dotar e reforçar o Observatório de uma maior actualidade e utilidade na monitorização do desenvolvimento económico, social e ambiental da AML, proporcionando, aos municípios, a promoção do desenvolvimento sustentável. Metrópoles – Um dos sectores de actividade que mais tem suscitado a sua atenção enquanto autarca é o das águas. À luz da sua experiência gestionária, designadamente no Serviço Municipalizado (SMAS) de Loures e em órgãos de decisão intermunicipal, como perspectiva a sua evolução, sabendo-se que é um bem escasso e indispensável à vida humana? Carlos Teixeira – Superar a escassez de água é um dos maiores desafios do século XXI. Neste sentido, consideramos que há que apostar na diminuição das perdas nas redes de distribuição de água para ENTREVISTA consumo humano. Por outro lado, há pequenos gestos do dia-a-dia que podem transformar-se numa grande ajuda para poupar água e é nessa consciencialização cívica que temos de actuar através de campanhas que cheguem directamente à população. Os SMAS de Loures são dos maiores serviços municipalizados do país, pois no seu âmbito de actuação inclui também o concelho de Odivelas. Gere abastecimento de água, águas residuais e resíduos sólidos de um espaço com cerca de 370 mil habitantes, com um serviço que tem de ser de qualidade. Hoje há falta de capacidade financeira para investir, o que constitui um problema marcante num território em que as redes de distribuição de água têm cerca de 30 anos, muitas delas implementadas em bairros de génese ilegal pelo voluntariado das pessoas para criarem infraestruturas básicas que não tinham. Hoje muitas estão a ceder. E os investimentos que têm de se feitos nelas são de milhões de euros. As maiores dificuldades são sentidas nas zonas de maior densidade urbana. Muitos dos projectos que foram desenvolvidos em Loures e Odivelas foram aprovados há 30 anos. Não tiveram em conta a pressão do crescimento urbanística e populacional, com influência directa nos consumos de água e no aumento de pressão sobre as condutas, que rebentam mais frequentemente. É preciso responder a essas necessidades e não tem havido fundos comunitários que nos ajudem a supri-las. Apesar de haver entidades que fizeram parcerias com privados, nós mantemo-nos fiéis ao princípio de que a parte pública pode funcionar com qualidade. Tem é de ser paga, fazendo repercutir sobre os cida- 14.15 MTPAML dãos, os custos do saneamento básico e do tratamento do lixo. Estávamos a cobrar 32% do valor da água para o saneamento e, recentemente, tivemos de aumentar esse valor para cerca de 90% por recomendação da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR). É um aumento significativo, mas é a forma de podermos honrar os compromissos para com a Simtejo, do Grupo Águas de Portugal, à qual fomos obrigados a aderir. Como temos de lhe pagar uma taxa por cada metro cúbico tratado, temos vindo a acumular dívidas porque a câmara estava a suportar esse custo. Mas já não o podemos fazer. Quando aderimos ao sistema de tratamento de águas residuais, em 2002, já tínhamos as nossas Etars a funcionar. Acabámos, por isso, de ser um parceiro investidor em alguns municípios vizinhos que não as tratavam e, por isso, não pagavam este trabalho. Eu considero que tem de haver neste sector regulação como existe para o da electricidade, em que todos pagam o mesmo porque o preço do quilowatt está tabelado, o que ainda não acontece. É preciso normalizar os valores que se pagam pela água, tratamento de esgotos e resíduos em todo o país, para que as condições sejam iguais para todos. Nós já fizémos algumas coisas para diminuir custos. Para os podermos reduzir em relação ao abastecimento de água, recorremos à telegestão dos depósitos, já implantada a 100% no concelho de Loures e 80% no de Odivelas. É claro que a implementação deste sistema implicou investimento tecnológico e em formação das equipas operadoras. Mas foi uma forma de reduzir, com eficácia, perdas no sistema de abastecimento. ENTREVISTA Temos a vantagem de ter uma central incineradora em S. João da Talha, no nosso concelho, para os resíduos sólidos, porque é uma empresa com saúde financeira, devido aos municípios pagarem. E agora houve a adesão de 14 municípios da Resioeste, cujos cidadãos passaram a ter as suas tarifas substancialmente reduzidas, em face disso. Nós conseguimos também ter bons resultados ao nível da Valorsul, porque fica próximo do nosso território, o que nos diminui alguns custos de transporte para tratamento de resíduos. Metrópoles – Em época de crise, nem sempre a cultura e o turismo estão na primeira linha de preocupações dos decisores políticos. Neste contexto, com que instrumentos conta a AML para potenciar o vasto e diversificado património arquitectónico e paisagístico do território metropolitano? Como vê a interacção entre cultura e turismo no contexto mais geral do desenvolvimento sustentável? Carlos Teixeira – Em época de crise é, de facto, um desafio encontrar estratégias para proteger e potenciar o património metropolitano. No entanto, na AML temos tentado responder a este desafio, não só através do Observatório de Desenvolvimento Económico e Social, que já mencionei, mas também através da divulgação da oferta cultural. A Agenda Cultural e Desportiva Metropolitana online é exemplo disso. Temos também apoiado a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento e promoção da arte da dança em todas as autarquias da AML, e promover o acesso à cultura por parte de todos os cidadãos. De referir ainda que os municípios da AML têm feito um esforço para canalizar, mesmo numa época de sérias dificuldades orçamentais investimentos para a requalificação sócio-urbanística, para qualificar e integrar distintos espaços da cidade e estimular a revitalização sócioeconómica de zonas degradadas, recuperando património e estimulando, por isso, a dinamização do turismo. Neste campo, o concelho de Loures tem grandes dificuldades para concorrer com Lisboa. Mas também com Sintra, com os seus palácios e quintas, que constituem um património inigualável. Por isso tivemos de apostar com imaginação naquilo que temos de diferente. É o caso dos vinhos de Bucelas. Este ano comemoramos os cem anos da demarcação desta região, a segunda mais antiga do país, a seguir à do Vinho do Porto. Lançámos também a construção de um museu temático em Bucelas, que está em fase de grande desenvolvimento e esperamos que seja inaugurado para o ano. Procurámos desenvolver todas as empresas vitivinícolas do concelho, todas sediadas na freguesia de Bucelas e temos ajudado a promover as marcas. Estamos também a aprovar projectos de turismo de habitação nas quintas, para que as pessoas possam também pernoitar no concelho quando percorrem a Rota de Vinhos. E criámos a confraria do Arinto, a casta branca principal do vinho de Bucelas, para a qual temos captado muitos cidadãos, não só do concelho de Loures como de fora. Para além disso, temos feito parcerias com os concelhos de Oeiras, Sintra e Cascais, que albergam outras pequenas regiões vitivinícolas da região de Lisboa, as de Colares e Carcavelos, para o seu desenvolvimento conjunto. Também dinamizamos passeios como o Circuito Alrota/Arpim, fortificação integrante das Linhas Defensivas de Torres Vedras. Através dele, os visitantes dispõem de um percurso pedestre em paisagem rural, onde é possível estabelecer também o contacto visual com diversas obras militares localizadas nos municípios limítrofes. São iniciativas como estas que fazem com que as pessoas comecem a aparecer. A agricultura é outra área que também temos vindo a potenciar. Levamos a efeito, com a confederação de jovens agricultores, uma feira na primeira semana de cada mês numa zona nobre do concelho, na zona da Expo a freguesia de Moscavide. Pessoalmente considero e defendo que construir uma base social e cultural sólida é um passo importante para o desenvolvimento de um turismo sustentável. Por outro lado, a promoção da imagem da região é uma acção de primordial importância para o seu desenvolvimento sócio-económico, não só pelo importante efeito que os seus resultados podem produzir na indução de externalidades positivas, mas também na renovação e revitalização dos seus factores internos de competitividade. CENTRO PARA A SUSTENTABILIDADE METROPOLITANA NOVO DESENVOLVIMENTO NA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA AML SEMESTRE A pensar na necessidade de um futuro mais sustentável para a região, a Área Metropolitana de Lisboa está a desenvolver o Centro para a Sustentabilidade Metropolitana (CSM) com o apoio da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O Centro é composto por três núcleos principais: Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social Sustentável, Agenda 21 Metropolitana e Universidade para a Sustentabilidade Metropolitana. O Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social Sustentável (ODES) e é uma estrutura de recolha, compilação, tratamento, produção e difusão de informação e conhecimento, no domínio da sustentabilidade da AML, com o objectivo de ser uma ferramenta de apoio à gestão e decisão. A base de dados que está a ser criada (alguns dados e relatórios já estão publicados no site da Área Metropolitana de Lisboa – www.aml.pt) pretende organizar a vasta informação disponível e dispersa sobre o território da região, necessária para construir um Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável para a Área Metropolitana de Lisboa. Pretende-se que permita, também, o desenvolvimento de um sistema de monitorização e avaliação da sustentabilidade territorial e da estratégia de valorização dos territórios metropolitanos, de forma a promover princípios fundamentais da gestão integrada do território, como a sustentabilidade e solidariedade interoperacional, coesão e equidade social, prevenção e precaução, abordagem sistémica, suporte científico e técnico, subsidiariedade, participação, co-responsabilidade e operacionalidade. A (A21M) é um fórum privilegiado de encontro, reflexão, discussão e partilha de interesses, visões e capacidades dos diversos agentes institucionais e sociedade civil, para que, em conjunto, possam intervir e colaborar na formulação e execução de acções que promovam o desenvolvimento sustentável da região. Deverá servir de base ao desenvolvimento de relações entre a AML, as autarquias e outros organismos promotores da sustentabilidade, utentes e o cidadão interessado, como instrumento de promoção da cidadania activa e de uma boa governança regional. No âmbito da Agenda 21 metropolitana já foram realizadas três visitas envolvendo técnicos e decisores representantes dos 18 Municípios da AML. Foram feitas com o intuito de apresentar projectos municipais implementados que são exemplos de boas práticas, e debater, no local, as suas condições de desenvolvimento e resultados. Foram realizadas a “Mira Sintra – Bairro Sustentável”, “Cabaz Prove: Promover e Vender” e “Agenda 21 da criança de Almada – parlamento dos pequenos deputados”. A Universidade para a Sustentabilidade Metropolitana (UM) dedicase à promoção da formação profissional, investigação e aumento de competências, para capacitar os vários actores metropolitanos nos domínios da sustentabilidade. Este ano já decorreram várias acções de formação no âmbito da UM, sobre governança participação para a sustentabilidade e indicadores de sustentabilidade regional. O CSM responde, assim, à necessidade da AML juntar, à dimensão económica e social do observatório já existente, outras vertentes do desenvolvimento sustentável, nomeadamente a ambiental e a governança. DESTAQUE | ABERTURA BALANÇO DOS VINTE ANOS DA INSTITUIÇÃO LEGAL DAS ÁREAS METROPOLITANAS DESTAQUE | ABERTURA A instituição das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto faz agora vinte anos. Pode parecer tempo suficiente para o estabelecimento de estruturas estáveis e bem definidas. Mas a verdade é que o debate sobre a sua natureza e regime jurídico, as suas atribuições, competências, e mesmo os seus meios de subsistência, não está concluído. Três Leis, aprovadas em Assembleias representando diversas maiorias parlamentares e promulgadas por três diferentes Presidentes da República, marcam o percurso da sua vida como um caminho condicionado por um debate político pouco propenso à obtenção de soluções consensuais. A primeira delas, a da fundação, é a Lei nº 44/91, de 2 de Agosto, promulgada pelo então Presidente Mário Soares, sendo Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva. Refere-se exclusivamente às Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. Doze anos depois, com a Lei nº 10/2003, promulgada pelo Presidente Jorge Sampaio, sendo Primeiro-Ministro José Manuel Durão Barroso, passa a falar-se de entidades de dois tipos, as Grandes Áreas Metropolitanas e as Comunidades Urbanas. As GAM’s têm obrigatoriamente um mínimo de nove Municípios com, pelo menos, 350 mil habitantes; as Comunidades Urbanas têm um mínimo de três Municípios com, pelo menos, 150 mil habitantes. Pelo meio fica a polémica em torno da regionalização e a derrota em referendo nacional, em Novembro de 1998, do projecto de iniciativa do Partido Socialista, negociado com o PCP e o PEV para tomar a forma de um acordo comum. Em Agosto do mesmo ano já tinha sido promulgada a Lei nº 19/98, que criava as regiões administrativas previstas na Constituição (mas a revisão constitucional do ano anterior tinha deixado claro que a sua instituição efectiva dependia de referendo). Temos então que há diferenças, não só de doutrina mas de expectativa, entre as Áreas Metropolitanas concebidas como o necessário patamar intermédio entre o Poder Central e o Poder Local (e ponto de chegada de um processo de regionalização) e as mesmas Áreas Metropolitanas limitadas a viver da delegação de poderes concedidos pelos dois outros patamares. A questão de fundo é se podem, ou não, ter legitimidade democrática directa, com órgãos eleitos pelos cidadãos. a favor do PS, da CDU e do proponente (com 14 abstenções do PSD e do IOMAF), exigindo ao Governo “um novo projecto-lei que estabeleça a eleição directa pelos cidadãos dos órgãos políticos das GAM’s.” Em Dezembro de 2007, tendo sido analisadas duas versões do antreprojecto do Governo, a Assembleia Metropolitana aprovou por unanimidade um parecer defendendo a eleição directa dos seus membros, e contestando o facto de a Junta Metropolitana deixar de ser o A questão de fundo é se as Áreas Metropolitanas podem, ou não, ter legitimidade democrática directa, com órgãos eleitos pelos cidadãos. Esta expectativa existiu até à saída da Lei nº 46/2008, de 27 de Agosto, promulgada pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva, sendo Primeiro-Ministro José Sócrates. A reacção da Junta Metropolitana de Lisboa já era de surpresa e de “recusa unânime e liminar” desde o conhecimento, um ano antes, do projecto deste diploma. Em documento enviado ao então Secretário de Estado da Administração Local, Dr. Eduardo Cabrita, o Presidente da JML, Carlos Humberto de Carvalho, lembrou que a necessidade de reforçar a legitimidade dos órgãos metropolitanos já fora aceite pelo Governo e que, em reunião tida com a Junta em 16 de Março de 2006, havia mesmo sido dito que este processo assumiria, ainda naquele mandato, “uma fase de transição preparatória do novo modelo de divisão político administrativo, com eleição directa das autarquias metropolitanas para Lisboa e Porto”. Também a Assembleia Metropolitana de Lisboa, mesmo com a diversidade e a evolução das tendências políticas nela representadas, manteve esta reivindicação ao longo do tempo. Em Abril de 2006 foi aprovada por maioria uma moção do Bloco de Esquerda que teve 38 votos órgão executivo e passar a ser “o órgão representativo dos órgãos executivos municipais” da Área Metropolitana. Em Novembro de 2008 foi aprovada por maioria, com 32 votos a favor da CDU, PSD, Bloco de Esquerda e IOMAF (e 16 abstenções do PS), uma moção da CDU que manifesta “profundo desagrado ao Governo e à Assembleia da República por terem avançado e aprovado a proposta de Lei que, desde o início, recolheu opiniões contrárias da Junta e da Assembleia Metropolitana de Lisboa” e pede a revogação da Lei nº 46/2008. Por motivos exteriores à AML e ao País, a situação presente tem ainda mais incertezas, que chegam agora à questão da própria revisão de fundo da divisão administrativa de todo o território nacional. Independentemente do que venha a seguir, a Metrópoles reune, na presente edição, um conjunto de testemunhos sobre os 20 anos das Áreas Metropolitanas, produzidos por onze personalidades que tiveram, nas diversas fases do processo, um papel de protagonistas na sua definição jurídica e direcção política - a quem ficamos gratos pela disponibilidade com que atenderam a nossa solicitação. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Uma solução legislativa equilibrada e oportuna José Manuel Nunes Liberato Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território em 1991 Enquanto Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território entre 1985 e 1992, acompanhei de perto a génese da Lei nº 44/91, de 2 de Agosto. Este diploma, cujo vigésimo aniversário agora se assinala, instituiu as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, conceito e figura jurídico-institucional que visou alcançar uma articulação mais profunda entre vários municípios, com implicações aos mais diversos níveis: gestão da rede viária e acessibilidades, transportes, serviços de interesse comum, vida económica e empre- 20.21 MTPAML sarial, partilha de serviços, equipamentos e infra-estruturas de uso colectivo. Na época, como muitos se recordam, o debate sobre a organização do território a nível supramunicipal estava polarizado pela questão da criação das regiões administrativas. Em torno dessa questão formaram-se correntes políticas e de opinião antagónicas que, com toda a legitimidade, pugnavam pela criação das regiões ou contestavam a sua necessidade. De ambos os lados se esgrimiam argumentos poderosos, por vezes num tom inflamado. Enquanto isso, o País registava níveis de desenvolvimento que obrigavam a que, fosse qual fosse o destino a dar ao “dossier” da regionalização, existisse uma maior coordenação intermunicipal, até pela imposição pragmática de alcançar uma gestão e aplicação racional, correcta e eficiente dos fundos comunitários que afluíam ao País. À medida que as condições de coordenação regional se estruturavam e Portugal se modernizava a passos largos, era cada vez mais claro que o processo de regionalização perdia fôlego. Mas, ao mesmo tempo, reconhecia-se que se impunha introduzir mudanças na gestão do território. A formação de pólos de cidades contíguas ou muito próximas, de média e grande envergadura, suscitava problemas específicos, que havia que resolver. Desde há muito se falava na necessidade de um aprofundamento da cooperação entre municípios e existiam experiências frutuosas em domínios particulares e circunscritos. Olhando para o território português, no início dos anos 90, que pontos mais flagrantemen- te mostravam a necessidade de coordenação supramunicipal? Certamente, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, bem como o Algarve. O crescimento populacional em torno das grandes urbes do litoral reclamava que, da parte do poder político, existisse uma resposta rápida mas, ao mesmo tempo, solidamente apoiada de um ponto de vista técnico. O Governo, que na altura dispunha de maioria absoluta na Assembleia da República, introduzira no seu Programa, que escrupulosamente queria cumprir, a criação das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. Haveria, pois, que definir um quadro jurídico claro que definisse, entre o mais, o seu âmbito territorial, as respectivas atribuições, os aspectos patrimoniais e financeiros, os órgãos directivos, sua composição e modo de financiamento. Enfim, um conjunto alargado de questões. Para mais, uma opção de fundo tomada na altura iria, naturalmente, “cristalizar-se”. Uma vez definida uma estrutura e um âmbito territorial, seria desaconselhável que, a breve trecho, se introduzissem alterações de fundo, sem prejuízo, como é óbvio, dos ajustamentos que todo o diploma jurídico pode sofrer uma vez confrontado e aplicado “no terreno” - e, neste caso, a expressão “no terreno” é particularmente adequada... O regime a definir tinha, pois, de ser flexível, mas, de alguma forma perdurável no tempo. Definidos os seus principais parâmetros, seria difícil e desaconselhável retroceder. Tratava-se de uma inovação de grande significado na estruturação de áreas-chave do País, sendo por demais conhecidas as DESTAQUE | OPINIÃO controvérsias que mudanças neste domínio sempre provocam. Aspirava-se, assim, a aprovar um regime caracterizado por três vectores: (1) adequação à realidade; (2) estabilidade nas soluções adoptadas; (3) flexibilidade na concretização das grandes linhas orientadoras. Em paralelo, corria o processo dos planos directores municipais. Por outras palavras, tinha sido definida pelo Governo como prioritária a preparação, aprovação e entrada em vigor dos Planos Directores Municipais então quase inexistentes. Portugal mudara e, na época, mudava a um ritmo vertiginoso. Era fundamental que o crescimento económico e as transformações sociais ocorridas fossem enquadrados por instrumentos jurídicos de planeamento que assegurassem um correcto ordenamento do território, regulassem de forma ajustada às novas realidades a gestão do espaço urbano, assegurassem que valores como a qualidade de vida não fossem postergados. Como é evidente, a prioridade atribuída aos PDM’s era um elemento que tornava ainda mais premente, necessária e justificada a criação de áreas metropolitanas, com vista a que existisse uma articulação dos planos urbanísticos a nível supramunicipal. Na definição dos destinos do território e no uso dos solos, feita em articulação do poder central com o poder autárquico, teria de existir uma exigente cooperação entre municípios, de modo a atenuar conflitos e rivalidades, sobreposições e desperdício de recursos. Se a cooperação intermunicipal se afigurava crucial em todo o País, nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto assumia proporções de grande dimensão e premência. Era impensável que os municípios envolvidos não cooperassem entre si, não se articulassem de forma mais profunda e marcada. Observada esta realidade a uma distância de 20 anos, é difícil alcançar, em toda a sua dimensão, a forma “radical” como o País mudara. Aos anos de crescimento e grande concentração urbana do marcelismo seguira-se o período revolucionário. Agora, Portugal abraçara o projecto europeu, com tudo o que isto implicava para um desenvolvimento que era, por natureza, acelerado e, por isso mesmo, deveria ser sustentado. Aos mais novos, importa recordar que os meios tecnológicos não eram, de forma alguma, comparáveis aos que hoje existem. Em termos de infra-estruturas, Portugal estava a grande distância dos seus parceiros europeus. Havia que actuar rapidamente – mas ponderadamente. O futuro impunha-se ao presente. As populações começavam a desfrutar de um nível de vida e de bem-estar que as tornava mais exigentes para com o Estado e a Administração. No domínio dos transportes, por exemplo, era imperioso fornecer um enquadramento institucional para articulação entre os vários municípios e os diversos tipos de transporte, sem esquecer a acção muito intensa e dinâmica que, em paralelo, o poder central operava nesse campo. De todo este processo não poderia ser uma fonte de despesas desproporcionadas. A Administração Central e os Municípios tinham de encontrar pontos de entendimento, colocando o interesse nacional acima de interesses locais ou políticos. Os investimentos tinham de ser coordenados, em benefício das populações, não em proveito dos detentores do poder. No final, penso, em suma, que a solução legislativa foi equilibrada, abriu novas perspectivas na cooperação supramunicipal que tiveram resultados profícuos e duradouros. Recusaram-se mudanças aventureiras e impensadas, do mesmo passo que se assegurou que a génese da Lei não criava uma estrutura cara e burocrática. Seria descabido, dado o envolvimento que tive neste processo, louvar os seus resultados para além daquilo que é incontroverso e objectivo. Ajustamentos a fazer, sem dúvida que a Lei os reclamava. Melhorias a introduzir, era inquestionável que teriam de ser feitas, ponderada e equilibradamente, com o decurso do tempo. Haveria ainda que fazer uma avaliação dos méritos e dos deméritos, corrigir o que se impunha corrigir. Mas, num balanço global, orgulho-me de ter estado associado à Lei nº 44/91. Uma lei necessária e oportuna, sem dúvida. E que, por isso, deve ser assinalada no seu vigésimo aniversário. Quanto ao Algarve, fácil era concluir nos finais dos anos 80 do século XX que o crescimento urbanístico se encontrava descontrolado. Com efeito, a maior parte dos municípios algarvios não dispunha de planos urbanísticos aprovados, pelo que as decisões de construção eram tomadas de forma absolutamente casuística e sem visão de médio prazo. Desta situação resultou a construção de inúmeros edifícios sem qualidade em áreas de enorme interesse paisagístico e rústico e a constituição dos chamados “direitos adquiridos” de construção. A resposta do Governo foi a aprovação do Plano Regional de Ordenamento do Algarve (PROTAL), o primeiro que se realizou em Portugal. Depois de múltiplas reuniões com os municípios, da realização de audições públicas em todas as sedes de concelho, o Plano veio a ser aprovado, não sem ter gerado bastante controvérsia. Com efeito, os interesses constituídos viam atingidos alguns investimentos especulativos, ao mesmo tempo que os movimentos ecologistas se caracterizaram por uma completa inacção na defesa de um Algarve ambientalmente mais ordenado. Há quem legitimamente considere que o crescimento urbanístico descaracterizou muito do Algarve que existiu até aos anos 60. Interrogo-me sobre o que seria o Algarve se não tivesse existido o PROTAL e a coragem de o aprovar, sem olhar aos custos políticos que daí pudessem resultar no curto prazo. Agradeço, pois, à revista Metrópoles esta oportunidade para, num breve e despretensioso depoimento, recordar um tempo de desafios complexos e de grandes realizações que muito fizeram por Portugal e pelos Portugueses. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Os vinte anos da Lei que cria as Áreas Metropolitanas Miguel Relvas Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território em 2003 Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares Passam vinte anos sobre a criação das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, instituídas pela Lei n.º 44/91, de 2 de Agosto. Em 2003, no desempenho de funções governativas, tive a honra de participar directamente na concepção de um novo ordenamento jurídico, mais consentâneo com as exigências descentralizadoras consagradas constitucionalmente e assumidas pela União Europeia, que abrangeu outras centralidades no território nacional. Deu-se então ênfase às chamadas entidades supramunicipais - orientadas para a gestão integrada de espaços metropolitanos e urbanos – no propósito de contribuir para a resolução de problemas concretos e para a promoção de relações de complementaridade e de solidariedade entre municípios territorialmente contíguos. O nosso propósito foi o de legitimar, em diploma adequado e oportuno, a legítima reivindicação da emergência de um patamar intermédio entre a Administração Central e a Administração Local susceptível de contrariar as desigualdades até aí existentes entre o litoral e o interior, bem como dar início a um processo seguro e fir- 22.23 MTPAML me de descentralização de competências. A Lei nº 10/2003, de 13 de Maio, previa a possibilidade da existência de áreas metropolitanas de dois tipos, a saber, as grandes áreas metropolitanas (onde se incluíram as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, de 1991, agregadoras de pelo menos nove municípios contíguos) e as comunidades urbanas cuja dimensão seria estabelecida a partir de um ratio de 150 mil habitantes. A Lei nº 10/2003 estribava-se no fomento do livre associativismo dos municípios, em função de características comuns, e num modelo organizacional não imposto centralmente. Neste contexto, definimos as atribuições destas novas entidades no sentido de uma gestão mais eficaz e integrada de investimentos municipais de interesse supramunicipal, de uma eficiente coordenação do desempenho intermunicipal e deste com a administração central, designadamente nas áreas das infraestruturas, do saneamento básico, da saúde, da educação, do ambiente, conservação da natureza e recursos naturais, da segurança e protecção civil, da acessibilidade e transportes, dos equipamentos DESTAQUE | OPINIÃO de utilização colectiva, do turismo e da cultura, dos apoios ao desporto, à juventude e às actividades de lazer. Previa-se ainda que a liquidação e cobrança de impostos passasse também para estas entidades municipais bem como a sua integração nos órgãos de gestão dos quadros comunitários de apoio, como veio a acontecer. De facto, garantimos que, na prossecução das suas atribuições, além das receitas próprias, das transferências do orçamento do Estado e dos municípios - transferências resultantes da contratualização da Administração Central ou de outras entidades e privadas -, as áreas metropolitanas dispusessem de acesso a fundos comunitários. Destaco, aliás, o envolvimento das autarquias no caminho que conduziu à aprovação da legislação de 2003, independentemente de quaisquer tutelas e opções partidárias, privilegiando-se a representatividade das populações. Em 2008, o modelo organizativo supramunicipal viu surgir um quadro institucional específico para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto que as diferenciou das restantes associações de municípios, quer em matéria de competências e de governança institucional, quer em termos de base da organização territorial, que passou a ter por referência os limites das NUTS III na perspectiva da reestruturação da Administração Central do Estado e da gestão do QREN. Em plena consonância com os deveres de responsabilidade, de solidariedade, de cidadania e de abertura que o XIX Governo Constitucional assumiu perante os Portugueses, particularmente no que à Administração Local e Modernização Administrativa diz res- peito, prosseguiremos na linha de progresso e de modernidade iniciada há vinte anos com a Lei n.º 44/91, de 2 de Agosto, e continuada, no essencial, pela legislação posterior de 2003, à qual estive particularmente ligado, e de 2008. Tal linha não dispensa, antes impõe, um registo permanente de proximidade com os cidadãos, por um lado, e de maior vigor e exigência quanto à descentralização administrativa, por outro, que assegure e promova a coesão nacional e a competitividade territorial através do poder local. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Áreas Metropolitanas Duas décadas em busca de identidade e legitimidade Eduardo Cabrita Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território em 2008 Deputado pelo Partido Socialista na Assembleia da República A coerência territorial do Estado e a consolidação de novos patamares de descentralização de políticas públicas têm sido filhos bastardos do programa de acção constitucional definido em 1976. A coordenação territorial de políticas públicas, a delimitação clara de competências entre os níveis nacional, regional e local, o desenvolvimento de uma estratégia ativa de subsidiariedade e a densificação da terra de todos e de ninguém entre o Terreiro do Paço e os Municípios raramente têm sido prioridades políticas. As excepções são momentos que não ajudam à serenidade do discurso nem a que sejam alcançados consensos, como a excitação em torno do referendo de 1998 sobre regionalização ou a forma panfletária como tem sido discutida a questão dos Governos Civis. A consolidação das estruturas de planeamento regional desde a década de 80 do século passado não permitiu ainda ao PRACE, no primeiro Governo de José Sócrates, erradicar os últimos resquícios da organização distrital remanescentes em áreas resilientes à coerência territorial como as 24.25 MTPAML finanças, a segurança social ou a proteção civil. De facto, enquanto o distrito subsistir enquanto círculo eleitoral, será impossível eliminar essa formatação das cabeças dos responsáveis políticos de base territorial. O processo de descentralização de competências para os Municípios, mesmo se com uma linha de rumo estabelecido pela Lei nº 159/99 (Lei-Quadro de Transferência de Competências), tem sido marcado por múltiplos preconceitos e uma visão unicitária que torna ainda mais relevantes os processos inovadores ocorridos com a descentralização no ensino básico, nos agrupamentos de centros de saúde ou na gestão de zonas ribeirinhas. Sem admitir uma dimensão experimental baseada na confiança sobre as potencialidades de uma gestão de proximidade não haverá progressos na descentralização. As Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto respondem à permissão constitucional de existência de formas de organização autárquica específica nas grandes áreas urbanas. Mas o conceito de área metropolitana tem estado marcado desde sempre pela pantanosa indefinição entre a coordenação territorial DESTAQUE | OPINIÃO da administração desconcentrada do Estado, o espaço potencial das regiões administrativas, os limites do intermunicipalismo e a reserva de competências dos Municípios. As Leis nºs 10 e 11/2003, ao admitirem um modelo autogestionário de geometria variável e ao permitirem a criação de Áreas Metropolitanas sem requisitos de concentração urbana só preenchidos na Grande Lisboa e no Grande Porto, representam o momento culminante do processo de desestruturação dos espaços alegadamente metropolitanos. As Leis nºs 45 e 46/2008 inserem-se num processo de clarificação dos modelos de governação das associações de municípios, estabilizam o quadro territorial e transformam a gestão de investimentos apoiados por fundos europeus numa nova área central de intervenção. Pela primeira vez, cerca de 30% dos Programas Operacionais Regionais passaram a ser geridos pelos Municípios, ainda que com uma difícil adaptação à patologia hiper-regulamentar que afeta o QREN. As Áreas Metropolitanas ficaram a meio da ponte entre as reservas dos Municípios em permitir a existência de um órgão executivo permanente – a Comissão Executiva Metropolitana – e o mito da eleição direta criando regiões metropolitanas de facto. A eleição direta de órgãos metropolitanos liquidaria de vez a já difusa esperança de criação de regiões, mesmo que não eleitas, com base no consenso em torno das 5 Regiões-Plano. Seria inviável qualquer planeamento regional em Lisboa e Vale do Tejo com uma Grande Lisboa com órgãos eleitos diretamente. Mas mais do que uma questão de legitimidade carecem as Áreas Metropolitanas de um défice de identidade que só pode ser superado pela atribuição a estas da gestão partilhada de um conjunto de questões hoje geridas pelo Estado, por empresas públicas ou isoladamente pelos Municípios. Mais do que um patamar adicional de autarquia local, horizonte audacioso e pouco provável, as Áreas Metropolitanas devem conquistar o espaço da gestão eficiente de problemas e sistemas que só existem nas grandes áreas urbanas. Tal exige órgãos executivos com legitimidade indireta mas com visibilidade, peso político e capacidade de decisão efetiva. O Presidente da Comissão Europeia ou os Secretários-Gerais da ONU ou da NATO são exemplos de cargos de primeiro plano com competências efetivas e legitimidade indireta. A gestão da EPAL, das linhas suburbanas da CP ou das empresas metropolitanas de resíduos (a partir de competências nacionais) ou do estacionamento, da mobilidade rodoviária ou da promoção turística (a partir de poderes municipais) seriam desafios para dar identidade, visibilidade e legitimidade própria às Áreas Metropolitanas. Mas para tal é necessária a confluência virtuosa da vontade de descentralizar poderes detidos por empresas públicas sem rosto nem responsabilidade com a vontade dos autarcas de atribuir às Áreas Metropolitanas poderes que lhes cabem nos limites municipais. Em 2013 grande parte dos atuais autarcas não se poderão recandidatar e talvez seja a hora para alguns deles aspirarem a pôr a sua experiência ao serviço das Áreas Metropolitanas. Temos dois anos para definir o caderno de encargos, o quadro financeiro e a forma de contratualização de competências atualmente nacionais ou municipais. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS AML – 20 anos e sem legitimidade democrática Daniel Branco Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa (1992-1998) Deputado da Assembleia Metropolitana pela CDU Quando recebi o convite para participar neste número da “Metrópoles”, que assinala o 20º aniversário da instituição da Área Metropolitana de Lisboa, uma questão se pôs de imediato no meu espírito: - Porque é que, tendo já duas décadas, esta instituição não é reconhecida por quase ninguém? Ao aceitar o referido convite, pretendo dar, uma vez mais, a minha opinião sobre o porquê de isto ser assim, pese embora o empenho e a vontade de quem sempre quis que fosse de maneira diversa. Ou, dito de outro 26.27 MTPAML modo, para deixar mais um registo do real fracasso que os 20 anos decorridos significaram com o adoptar de soluções medrosas, burocráticas, sem legitimidade que resulte da escolha de todos, que o Poder Central tem utilizado para fingir que pretendeu dar outra orientação ao devir caótico, sempre ao serviço dos mesmos interesses, que tem marcado o denominado “desenvolvimento” da AML. O espaço que constitui a AML é denso, heterogéneo e desarticulado. A vivência democrática, resultante da Revolução de Abril, obrigou a olhar, de modo diferente, esta realidade. Com as Reuniões Inter Câmaras e o funcionamento dos GCOM – Gabinetes Coordenadores de Obras Municipais, foi-se formando uma interligação entre Municípios e iniciando um interrelacionamento entre a Administração Local e a Administração Central. No decurso dos anos 80, aprofundou-se o entendimento entre os diversos Municípios, com grande empenho de todos os Presidentes de Câmara, sendo de relevar o papel do Presidente CDS, da C. M. Lisboa - Nuno Kruz Abecassis. Foi avançando a ideia de formação de uma Associação de Municípios da Área Metropolitana de Lisboa, não se aceitando a inoperância dos sucessivos Governos em não criarem a autarquia especial metropolitana, que a Constituição da República havia consagrado. Em Outubro de 1987 realizou-se, na Fundação Calouste Gulbenkian, o I Seminário Internacional – “Área Metropolitana de Lisboa – Que futuro?” que, organizado pela Universidade de Lisboa, com múltiplas colaborações de eleitos locais, foi o maior espaço de análise e de debate colectivo até hoje feito sobre esta tão importante área. A pressão conjunta de várias entidades – sobretudo Universidade e eleitos locais – fez com que a CCDRLVT avançasse, em 1990, com a elaboração do “Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa – PROTAML”, em cuja fase inicial participaram, activamente, os Municípios envolvidos. O Governo de então e a Assembleia da República, na sequência da pressão que as necessidades e a intervenção dos Municípios iam impondo, teve que avançar com a institucionalização da AML. Como se perfilaram então os diferentes partidos sobre esta matéria? - O PSD apontou para “uma nova estrutura autárquica” formada a partir dos Presidentes das Câmaras e dos membros eleitos das Assembleias Municipais; - O PS preconizou “a criação de uma orgânica de cooperação permanente, envolvendo a administração central, a administração local e, no futuro, a regional”, tendo proposto a constituição de uma Associação de Municípios de tipo especial; - O PCP tem mantido, desde início, a mesma posição – os problemas existentes só podem ir sendo resolvidos com a existência de uma autarquia metropolitana, democraticamente legitimada pelo voto de todos os eleitores re- DESTAQUE | OPINIÃO sidentes nesta área e assente nos princípios da democracia descentralizada e participada que defendemos. O que resultou foi a solução ambígua proposta pelo PSD, tendo sido criada a instituição Área Metropolitana de Lisboa pela Lei nº 44/91, de 2 de Agosto. A instalação dos primeiros órgãos da AML ocorreu em Maio de 1992. Como, dos dezoito Presidentes de Câmara que constituíam a Junta Metropolitana, a CDU tinha onze, competiu a esta força política a indicação do Presidente da Junta, tendo essa eleição recaído em mim. A Comissão Permanente da Junta integrou também, como Vice-Presidentes, Eufrázio Filipe, Jorge Sampaio, Mata Cáceres e Isaltino Morais. Para meu adjunto, escolhi João Saraiva, que já havia sido Presidente de Câmara e Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do PCP. Na presidência da Assembleia Metropolitana ficou o meu camarada José Manuel Maia. Durante este período, de 1992 a 1994, a Junta Metropolitana reuniu rotativamente nos vários Municípios, acompanhou a elaboração do PROTAML e a sua coordenação com os Planos Directores Municipais, discutiu as problemáticas da habitação e da reconversão de loteamentos ilegais, analisou, directamente em Bruxelas, com o Comissário Europeu, os apoios comunitários que, depois, e após negociações em Portugal com o Governo, foram colocados sob a gestão directa da AML. Foi também neste primeiro mandato que, em colaboração com os serviços da Presidência da República, se participou, activamente, na Presidência Aberta na AML, no início de 1993. O segundo mandato da AML inicia-se a 8 de Fevereiro de 1994, tendo eu sido, de novo, eleito Presidente da Junta Metropolitana, embora me encontrasse hospitalizado à data, devido a uma intervenção cirúrgica a que fui submetido. Na Comissão Permanente ficaram José Luís Lopes Pereira, Edite Estrela, Mata Cáceres e Isaltino Morais. Como meu adjunto foi nomeado João Almeida. O Presidente da Assembleia Metropolitana continuou a ser José Manuel Maia. Durante o período de 1994 a 1998, trabalhouse, quanto nos foi possível, nos domínios do Sistema de Informação Geográfica (com protocolo com o Centro Nacional de Informação Geográfica existente na altura); continuámos a seguir a evolução – já bastante mais lenta – do PROTAML; tomámos posição crítica em relação à tentativa de passagem da habitação social para cima das autarquias, de que resultou o PER; continuámos a contratualização dos apoios comunitários; no âmbito da preparação da EXPO 98, colaborou-se activamente com o Comissário da mesma; e deu-se início aos trabalhos que levaram à criação da VALORSUL. Após esta fase, dos seis anos iniciais da AML, tive um interregno de participação activa na mesma, de 1998 a 2005. No mandato au- tárquico anterior voltei à AML, desde então como membro da Assembleia Metropolitana, cargo que mantenho, de novo, neste mandato. Sou, assim, o único membro que conjuga a experiência de anterior elemento da Junta Metropolitana com a de actual deputado da Assembleia Metropolitana. Depois de todas as promessas e posições anteriormente assumidas por diferentes partidos, está hoje em vigor nova legislação que regulamenta o funcionamento da AML – a Lei 46/2008, de 27 de Agosto – que, não trazendo nada de novo, e tendo tido opinião contra, unânime, da Junta e da Assembleia Metropolitana, limita ainda mais a acção dos órgãos e em coisa alguma contribuiu para melhorar o anteriormente existente. É justo então perguntar: - Porquê continuar a trabalhar nesta ilusão da AML? A resposta não é difícil de encontrar. No Relatório e Contas de 2010, da Área Metropolitana de Lisboa, diz-se, no referente à Central de Compras Electrónicas, que as poupanças conseguidas, em 2010, representaram cerca de 2,2 milhões de euros, ou seja, um aumento de 46% face ao ano anterior. Se tivermos em conta que a despesa total com o funcionamento da instituição AML, em 2010, foi de 1.369.781,17€, justifica-se plenamente manter, nos moldes o mais correctos possível, o funcionamento desta tão limitada instituição. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Falta uma abordagem regional aos problemas do território e coragem política para a fazer João Barroso Soares Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa (1998-2001) Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República O problema de fundo é o de saber se o País tem ou não condições, e se quer, avançar para uma nova divisão administrativa do território. Sempre fui um defensor da regionalização e continuo a ser, mas numa lógica que é mais profunda do que a mera regionalização, tal como foi proposta nos termos do referendo em 1998. Estive do lado dos que queriam a regionaliza- 28.29 MTPAML ção, embora tendo algumas dúvidas quanto ao mapa das regiões que foi proposto na altura. O nosso País tem um problema com uma divisão administrativa que praticamente não é tocada desde o séc. XIX, quando Mouzinho da Silveira e Passos Manuel fizeram uma reforma dolorosíssima para eles, do ponto de vista político. Esse processo levou à extinção de algumas centenas de Municípios. E acho que depois dessas reformas não se fez nada, ou o que se fez foi pior. O País transformou-se, o seu tecido económico e urbano teve a evolução que todos conhecemos, mas a divisão administrativa do território manteve-se, ou agravou-se. Em que perspectiva? Na de que, no pós 25 de Abril, houve um processo de barganha entre as várias forças políticas no sentido de se criarem novas divisões, algumas das quais profundamente absurdas, e para mim o paradigma dessa absurdidade é, salvo erro, o concelho de Barcelos, que tem 89 freguesias, que é o recorde nacional absoluto. Lisboa agora está a tentar (honra seja, ao António Costa e à sua equipa) reagrupar freguesias, mas sabemos como isso tem sido um processo longo e doloroso, e como encontra dificuldades, algumas entendíveis, do ponto de vista político partidário. Mas a verdade é que no pós 25 de Abril houve uma barganha - transformar vilas em cidades, criar novas freguesias e criar até novos concelhos. Quando passei pelo Parlamento, entre 87 e 89, antes de ter responsabilidades autárquicas em Lisboa, era o António Guterres que presidia à Comissão Parlamentar do Poder Local, onde eu estava, e ele conseguiu um entendimento entre as forças políticas, da esquerda à direita, no sentido de travar essa permanente criação de novos concelhos e novas freguesias; mas depois o próprio Governo de António Guterres, de quem fui apoiante, voltou a criar novos concelhos. Para mim, a questão de fundo é esta: a divisão administrativa do território continental português está hoje profundamente desajustada da realidade sociológica, económica, urbana... Sintra, no quadro da AML, é para mim um dos paradigmas mais claros do absurdo de uma divisão administrativa que já não tem a ver com a realidade. Porque Sintra é um concelho grande em território e muitíssimo grande em população. Era predominantemente rural e transformou-se, a partir dos anos 60, num concelho também urbano. É dos poucos concelhos que têm duas cidades, cada uma com mais de cem mil habitantes e além delas a vila de Sintra; as duas cidades são Queluz e Agualva-Cacém; mais o Alguei- DESTAQUE | OPINIÃO rão – Mem Martins, que é uma das maiores freguesias da Europa, tem também mais de cem mil habitantes. Isto é um absurdo, que tem consequências a todos os níveis. A divisão entre as missões da PSP e da GNR - tradicionalmente, a primeira tinha responsabilidades, em matéria de ordem e segurança, nas zonas urbanas, e a GNR nas zonas rurais - é impossível de fazer. E é assim a todos os outros níveis: tem a ver com a habitação, com os transportes e acessibilidades, com o saneamento básico, com o abastecimento de água. A lógica da actual divisão administrativa é incapaz de dar resposta em termos minimamente aceitáveis a realidades deste tipo. Eu acredito profundamente na regionalização, mas não sei se seremos capazes de encontrar a necessária vontade política, nas forças representadas no Parlamento nacional. Porque a regionalização tem de fazerse, evidentemente, com a transferência de competências e meios da Administração Central para uma Administração Regional legitimada, e também com a transferência de meios e de competências das Autarquias para novas entidades de natureza regional. Se há uma área onde a existência de 18 Municípios, com as competências que têm, me parece completamente absurda e precisa de ser revista, é a Área Metropolitana de Lisboa, onde fazia sentido ter uma entidade regional, legitimada democraticamente, com efectivo poder do ponto de vista de enfrentar as grandes questões. Claro que sabemos, até porque conhecemos a nossa história, que estas coisas se fazem por pequenos passos, não se conseguem cortes radicais. Mas as necessidades são de tal maneira urgentes que era preciso ter uma outra audácia. A memória que tenho, do trabalho que me honrou muito, na Junta Metropolitana, que presidi durante seis anos, quando fui autarca de Lisboa, é de discussões boas e interessantes, mas de um chauvinismo local, ao nível municipal, terrível. Nunca encontrei ao nível do Governo Central, quando lá estive, seja qual for o partido político no poder, incluindo o meu, nunca vi real vontade de transferir competências, e muito menos as vi serem transferidas, tirando pequenas coisas. Por outro lado, continua a encontrar-se uma barganha chauvinista local na disputa pelos apoios para as várias coisas (na fase em que eu tive responsabilidades directas ainda havia fundos comunitários substanciais). Vamos a coisas concretas de que tenho me- mória directa: as questões do saneamento básico e dos resíduos sólidos, por exemplo. Não conseguimos encontrar um consenso, no quadro da Área Metropolitana e da Junta Metropolitana, para resolver em conjunto um problema que era claramente conjunto, e na altura tivémos quatro municípios, com forças políticas distintas, que adoptaram e construiram uma determinada solução, e outros quatro que adoptaram outra. Enquanto não houver uma abordagem regional aos problemas, eles não podem ser enfrentados. E se formos pelo lado dos custos, dados os apertos em que estamos (com esta nova liderança europeia, sem visão), faz todo o sentido. Agora, a coragem política para resolver isto, é outra história. Espero que isso seja possível e obviamente, como português, acho que tem que ser feito por nós. Mas também não sou ingénuo. A pressão exterior não é só negativa, também pode ajudar.. Penso que a experiência da Junta Metropolitana é muito interessante, mas ainda está aquém daquilo que me parece absolutamente necessário e espero que, como no judo, nós tiremos partido da situação difícil em que estamos. Porque é preciso ir buscar o lado positivo da situação difícil. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Há um conjunto de problemas que não é possível ultrapassar ao nível dos Municípios Maria da Luz Rosinha Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa (2002-2005) Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Escrever sobre a Área Metropolitana de Lisboa, num momento em que o assunto volta à primeira página dos jornais, é bem mais fácil do que quando tudo está sereno. E digo isto com a tranquilidade de quem durante quatro anos assumiu as funções de Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa (JML) e tentou remar contra a maré. Há efectivamente um suporte legal à existência da JML, que lhe é conferida pela legislação, mas o reconhecimento da sua importância é nulo e encontra-se esvaziada a sua função - apesar dos esforços que reconheço do actual Presidente, a exemplo do que aconteceu comigo -, porque lhe falta legitimidade na constituição, que entendo dever ser por escrutínio directo e não, como hoje acontece, em que acaba por ser um Senado de Presidentes de Câmara. Presidentes de Câmara que se reúnem mensalmente, nunca esquecendo o seu espaço municipal e os interesses do mesmo. Já em vários momentos se constituíram instrumentos legais que atribuíram à JML competências alargadas, mas competências essas que resultavam da transferência de competências dos Municípios para a Junta Metropolitana, o que não se revelou 30.31 MTPAML exequível e nunca veio a acontecer. É necessário fazer a discussão do modelo da Área Metropolitana, mas fazê-lo com clareza e objectividade, numa discussão despida de constrangimentos partidários, claramente centrada no interesse da maior eficácia na gestão da coisa comum. É necessário desmistificar muita desinformação que tem circulado, para interesse de muitos, é certo, mas para prejuízo de muitos mais, sobre o que serão os supostos inconvenientes da regionalização e da criação de entidades supra municipais. Há um conjunto de problemas que não é mais possível ultrapassar ao nível dos Municípios, dos seus meios e dos seus limites. Problemas relacionados com acessibilidades, transportes, equipamentos, ganham escala na sua solução quando encarados de um ponto de vista Metropolitano ou Regional. Isso obriga a uma nova atitude a que todos devemos estar vinculados. O interesse das pessoas assim o exige. DESTAQUE | OPINIÃO Os vinte anos da Área Metropolitana de Lisboa Helder Nobre Madeira Presidente da Assembleia Metropolitana de Lisboa (1992-1993) Membro da Assembleia Municipal do Barreiro, pela CDU, e da Assembleia Metropolitana de Lisboa até Outubro de 2009 Estão a ser assinaladas duas décadas da criação da Área Metropolitana de Lisboa. Quando saiu a Lei nº 44/91, de 2 de Agosto, houve alguma expectativa, pois sentia-se a necessidade de dotar esta área de meios, mecanismos e instrumentos que assegurassem uma visão integrada e uma resposta ao nível do planeamento, gestão e política de investimentos no território. Era importante que a AML tivesse um papel essencial e colocasse um travão à descoordenação da intervenção dos vários departamentos da Administração Central e Empresas Públicas com actuação no território e fosse um parceiro privilegiado quanto ao planeamento e ordenamento a nível regional. Com o decorrer dos tempos foi-se verificando que as expectativas eram cada vez menores, sendo a AML ignorada pela Administração Central e continuando esta a decidir como decidia, isto é, como se não houvesse AML. Começou a notar-se não haver vontade política para que a Área Metropolitana de Lisboa se afirmasse, apesar de algumas iniciativas legislativas apresentadas na Assembleia da República, que não tiveram sequência. Os problemas concretos com que se debate a AML, principalmente os que resultam da ausência de claras opções políticas, foram- se agravando, e não nos podemos esquecer que neste território vivem 2,5 milhões de habitantes nos 18 municípios que actualmente compõem a AML. Isto, só por si, justifica que se altere a situação actual. Outros factores que têm contribuído para a situação de ineficácia da AML são: a ausência de eleitos em regime de permanência e exclusividade, a escassez de meios financeiros e uma melhor definição das atribuições e competências. Penso que, dada a experiência de funcionamento da AML e sem prejuízo de uma resposta futura no quadro da criação das Regiões Administrativas do Continente, é importante que a AML assuma o carácter de autarquia metropolitana que a Constituição da República permite. Uma autarquia metropolitana dotada de legitimidade democrática, por meio de eleição directa e universal dos seus órgãos. Aliás, não estou a dizer nada de novo, pois uma proposta com estes objectivos foi aprovada por unanimidade na reunião da Assembleia Metropolitana em 8 de Julho de 2002, com os votos de todas as forças políticas que na altura compunham aquele órgão. Desta decisão foi dado conhecimento ao Governo e à Assembleia da República. Podíamos ter feito mais e melhor na defesa dos interesses e direitos da população da AML. Fizemos o que nos foi possível. Espero que no futuro a situação da AML se altere e não deixemos passar mais 20 anos sem que se tomem medidas para transformar a AML num organismo vivo, eficaz e com poder e legitimidade para resolver os problemas do seu território. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS A oportunidade de criar efectivas Áreas Metropolitanas ficou mais uma vez pelo caminho Carlos Humberto de Carvalho Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa (2005-2009 / 2009-2013) Presidente da Câmara Municipal do Barreiro O mandato de 2005-2009, no qual iniciei funções como Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, foi um mandato que poderia ter sido determinante para o futuro da Área Metropolitana de Lisboa. No início do mandato, vigorava a Lei n.º 10/2003, de 13 de Maio, que em oposição à primeira lei das Áreas Metropolitanas (Lei n.º 44/91, de 2 de Agosto) previa a liberdade de associativismo. No entanto, os requisitos para a sua criação eram, exclusivamente, territoriais, administrativos e demográficos. Ora, a Área Metropolitana precisa de ser mais do que isso, tendo em conta a sua relevância ao nível nacional em termos de indicadores populacionais, económicos e sociais. Para além disso, as competências que estavam atribuídas às Grandes Áreas Metropolitanas eram partilhadas entre a administração central e a administração local, pelo que, para serem verdadeiras competências metropolitanas, teria de haver protocolos de descentralização de competências, o que nunca chegou a acontecer. Defendi sempre que a Junta Metropolitana tem que ter uma intervenção acima do Município, tem que ter uma visão regional, e isso só seria possível criado um novo quadro legislativo que 32.33 MTPAML institucionalizasse, de facto, as Áreas Metropolitanas - criação de órgãos metropolitanos que permitam que elas tenham eleição directa e que lhes dêem competências e meios para poderem intervir na resolução dos problemas das populações e da região. Ora, os anos de 2007 e 2008 foram marcados pela discussão e análise do novo regime jurídico das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, proposto pela administração central no âmbito do PRACE – Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, que viria substituir a Lei n.º 10/2003, de 13 de Maio, formalmente publicado na Lei n.º 46/2008, de 27 de Agosto. Antes da sua publicação, a Junta Metropolitana de Lisboa teve uma atitude proactiva na apresentação de sugestões e das suas discordâncias relativamente ao projecto-lei, tendo por base a experiência dos sucessivos executivos e os constrangimentos que enfrentaram. Apesar desse empenho da Junta Metropolitana, o novo regime jurídico aprovado, e que entrou plenamente em vigor no actual mandato, não foi ao encontro das expectativas, tendo retomado o modelo associativo impositivo da Lei n.º 44/91, de 2 de Agosto. Na realidade, considero que esse debate não DESTAQUE | OPINIÃO ficou encerrado, pois a Junta Metropolitana tomou uma posição clara, considerando que o modelo aprovado continua a sofrer de insuficiências, nomeadamente: • Uma natureza jurídica de associação de municípios, sem “identidade autárquica” nem órgãos representativos, eleitos por sufrágio directo e universal, o que cria dificuldades de conciliação entre os interesses municipais e os interesses metropolitanos. • Ausência de um núcleo robusto de competências próprias, e de uma matriz funcional de carácter metropolitano. A maior parte das atribuições são de “coordenação”, “articulação”, “participação” e “cooperação” entre municípios e entre estes e a administração central. As competências e atribuições provêm, em sentido descendente, do Estado e, em sentido ascendente, das autarquias, resultando, desta situação, a precariedade da decisão. Visando a prossecução dos interesses próprios da população metropolitana, a Junta Metropolitana defendeu junto do Governo a inclusão de um quadro de competências próprias, de cariz metropolitano, que vá para além de uma mera tentativa de optimização das intervenções dos vários municípios integrantes. Em concreto, deverão ser competências pró- prias das Áreas Metropolitanas a elaboração dos Planos de Ordenamento do Território de âmbito Metropolitano e garantir a sua compatibilização com os planos directores municipais e sectoriais; a elaboração dos documentos de orientação estratégica regional; a elaboração do Plano de Mobilidade das Áreas Metropolitanas, garantindo a sua articulação com os planos de mobilidade municipais e integração nos órgãos de decisão das Autoridades Metropolitanas de Transportes; a integração nos órgãos de decisão das Administrações Portuárias no sentido da convergência estratégica das políticas portuárias com as políticas de cidade; e a prestação de serviços partilhados aos Municípios, apenas para dar alguns exemplos. • A redução do financiamento, fundamental para a operatividade real das transferências de competências. O auxílio estatal é imperioso para fazer face ao acréscimo de responsabilidades que a transferência de atribuições acarreta, pelo menos até serem criadas fontes de financiamento próprias e permanentes. Assim, a publicação do novo regime jurídico voltou a colocar em cima da mesa, com toda a clareza, a necessidade de se criar uma nova instância política de âmbito metropolitano, dotada de legitimidade própria e apetrechada de meios de intervenção eficazes, ou seja, de verdadeiras autarquias metropolitanas, com um quadro de competências próprias, de cariz metropolitano e meios de concretização, nomeadamente recursos financeiros, as “outras formas de organização autárquica” que a Constituição prevê desde 1976. Mas, em minha opinião, é necessário ir ainda mais longe e exigir a Regionalização. Em 1991 foi aprovada a Lei-Quadro das Regiões Administrativas (Lei n.º 56/91, de 13 de Agosto), que viria a ser desenvolvida em 1998 (Lei n.º 19/98 de 28 de Abril), dividindo o País em oito Regiões Administrativas. A sua instituição em concreto, de acordo com o artigo 256º da CRP, ficou pendente do voto favorável expresso pela maioria dos cidadãos eleitores que se pronunciassem em consulta directa. A vitória do “não” ao Referendo sobre a instituição em concreto das Regiões, em 1998, veio adiar, até hoje, a criação das Regiões Administrativas no território Continental. Acredito, no entanto, que com a Regionalização será possível a intervenção em matérias que não são resolúveis à escala local, mas que não atingem uma dimensão nacional e, por isso, têm de ser resolvidas ao nível regional, por um órgão representativo da população. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS É absolutamente necessário um Poder Regional Metropolitano José Manuel Maia Presidente da Assembleia Metropolitana de Lisboa (1993-1997 / 1998-2001) Presidente da Assembleia Municipal de Almada Comemora-se este ano o 20º aniversário da criação das Áreas Metropolitanas. Comemora-se também este ano o 35º aniversário da criação do Poder Local Democrático. 34.35 MTPAML São fundadas e justas as razões para se comemorarem estes aniversários, pois são consequência e sequência da Revolução do 25 de Abril de 1974 e da aprovação da Constituição da República no dia 2 de Abril de 1976. Celebram-se trinta e cinco anos de exercício democrático do Poder Local, que rompeu com todo o poder concentrado nos Ministros, numa visão autoritária, centralizadora e profundamente antidemocrática da ditadura fascista, que conferia aos “Municípios” o papel de meros executantes das decisões e opções do Poder Central. Celebram-se trinta e cinco anos do Poder Local Democrático, cuja acção não pode deixar de ser reconhecida de muito meritória. No entanto, o edifício democrático do Estado continua incompleto. A instituição das Regiões Administrativas, o terceiro pilar desse edifício consagrado na Constituição da República, continua por concretizar. Permanecem, infelizmente para o desenvolvimento harmonioso do País, visões centralizadoras do poder político, opositores à existência de órgãos democráticos na gestão das regiões, permitindo a deslocação para um nível mais próximo dos cidadãos da resolução de problemas que, considerados exclusivamente pelo Poder Central, mais dificilmente apresentam as soluções adequadas. Foi em consideração da complexidade dos problemas existentes nas áreas de maior concentração populacional que foi reforçado o reconhecimento da importância da dimensão metropolitana no planeamento e desenvolvimento do território. A ideia de área metropolitana como um espaço territorial com fortes relações de interdependência dos seus sistemas urbanos e de vida obrigou ao debate político, em consideração de não ser possível resolver com eficácia os inúmeros problemas e o cabal aproveitamento das potencialidades sem uma estrutura de enlace, coordenadora, compatibilizadora e integradora das iniciativas, vontades, necessidades e esforços dos Poderes Local e Nacional. É assim que no início da década de 90 surge o processo legislativo de criação das instituições metropolitanas, em resposta à necessidade cada vez mais sentida de dotar estas áreas de meios, mecanismos e instrumentos que assegurassem uma visão integrada e uma resposta ao nível do planeamento, gestão e política de investimentos no território. DESTAQUE | OPINIÃO Em 2 de Agosto de 1991 é publicada a primeira Lei (nº 44/91) de criação das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, determinando no seu artigo 1º que “As Áreas Metropolitanas são pessoas colectivas de direito público de âmbito territorial e visam a prossecução de interesses próprios das populações da área dos municípios integrantes”. Era assim assumido por Lei da República que as AM eram uma categoria de autarquia local, em cumprimento do estipulado no actual nº 3 do artigo 236º da Constituição da República. Mas a exigência da natureza autárquica obriga também à existência de, pelo menos, uma assembleia eleita por sufrágio universal directo e secreto dos cidadãos, o que não aconteceu, pois a assembleia foi composta por membros eleitos pelas assembleias municipais dos municípios que as integram, ao arrepio do artigo 239º da CRP. Nos dias de hoje vigora para as Áreas Metropolitanas a Lei 46/2008, de 27 de Junho, que revogou a Lei nº 10/2003, que por sua vez tinha revogado a Lei de 1991. A nova Lei, como a anterior, não melhorou o conceito de áreas metropolitanas, antes pelo contrário, desde logo porque deixaram de visar “a prossecução de interesses próprios das po- pulações” para visarem “a prossecução dos interesses comuns aos municípios”. Ou seja, a Lei em vigor continua a não cumprir o preceito constitucional, pois baseia-se num modelo de associativismo municipal não voluntário, quando o que é aceitável e necessário é uma entidade autárquica com competências e órgãos legitimados democraticamente pelo voto popular. Hoje, como ontem, considero que as Áreas Metropolitanas, pela sua condição híbrida, sem poderes e sem meios, não conseguem a integração das políticas municipais para um efectivo desenvolvimento dos respectivos territórios e suas gentes. Estão desde há muito identificados os principais estrangulamentos e constrangimentos e a solução é cumprir e efectivar os preceitos constitucionais. Por exemplo, todos reconhecem por experiência verificada que o facto de a Junta Metropolitana (órgão executivo) ser constituído pelos Presidentes das Câmaras, que estão obrigados à defesa dos interesses próprios dos seus munícipes e prestam contas perante estes e a respectiva Assembleia Municipal que aprovou o plano e orçamento municipal, gera conflitos insolúveis, frequentemente contraditórios entre os níveis municipal e metropolitano. As políticas e os objectivos estratégicos de desenvolvimento das Áreas Metropolitanas não podem continuar a ser a soma das partes (Municípios) que as integram, têm que ser algo mais, substancialmente melhor e com legitimidade democrática dada pelos cidadãos metropolitanos. A actual situação é desarrazoada, assim como desgastante para os eleitos por um esforço inglório, frustrante, designadamente para os Presidentes das Câmaras Municipais. É absolutamente necessário um Poder Regional Metropolitano, dotado de competências claras e de meios eficazes, nomeadamente recursos financeiros, para funcionarem entre o Poder Central e os Poderes Municipais, capaz de responder aos problemas que, não tendo dimensão nacional, só têm solução ao nível supramunicipal/regional. A posição estratégica da AML ao nível nacional, evidenciada pelo seu peso populacional, social e económico, obriga e determina, reforçadamente em situação de crise, a garantir a sua gestão eficaz, que pode e deve ser assegurada por eleitos legitimados democraticamente por via directa, apoiados numa estrutura ligeira de serviços vocacionados para o estudo técnico e de planeamento e para o apoio à decisão. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS Falta ao edifício do Poder Local o pilar das Regiões Administrativas Joaquim Martins Gonçalves Presidente da Assembleia Metropolitana de Lisboa (2002-2005) Presidente da Assembleia Municipal da Moita e da Assembleia Distrital de Setúbal Há dois conceitos que são princípios fundamentais da vida democrática, o princípio da subsidiariedade e o princípio da democracia participada. O princípio da subsidiariedade, emanado pela Carta Europeia de Autonomia Local sob 36.37 MTPAML a responsabilidade do Conselho da Europa, ratificada pela Assembleia da República e pelo Presidente da República através do Decreto nº 59/90 de 23 de Outubro, refere no seu artigo 4º que o exercício das responsabilidades públicas, regra geral e de preferência deve ser atribuído às autoridades que estão mais próximas dos cidadãos, devendo a atribuição de uma responsabilidade a uma outra autoridade ter em conta a amplitude, a natureza e as exigências de eficácia e de economia. O princípio da democracia participada ou da cidadania tem como exemplo mais directo a aproximação dos eleitos aos eleitores, que se concretiza com a informação, a explicação das prioridades políticas das obras e acções, a audição dos cidadãos, a modernização e agilização dos processos administrativos - isto é, não só a prática da democracia formal, mas a ida à raiz da palavra democracia, o poder do povo. É histórico no nosso país que o Poder Central, em nome das crises económicas, tome medidas de centralização, tendo sido assim ao longo dos tempos modernos. “A história repete-se” e, a um ciclo de descentralização, assiste-se à volta de políticas centralistas já ensaiadas anteriormente. Tais políticas contradizem o princípio da subsidiariedade, são inimigas da evolução económica das regiões e do País, pois está provado que o poder mais próximo do cidadão torna as decisões a mais baixo custo e, pelo princípio da democracia participada, são tomadas as melhores decisões sob o ponto de vista das populações a que servem. Foi anunciado que está em estudo uma reforma administrativa imposta pelo estrangeiro, de fusão e extinção de Freguesias e Municípios. Os eleitos locais e as populações devem estar atentos aos princípios constitucionais da cidadania, para que tais estudos não sigam uma lógica de processo meramente administrativo, em contradição com eles. Tais decisões devem passar pela audição e discussão das populações; nem tão pouco devem ter a lógica tão em voga, do velho pensamento economicista de “duas tábuas”, de um lado o “Deve”, do outro o “Haver”. O Estado não é uma empresa neoliberal e, num processo económico básico, deverá sempre regular e manter o equilíbrio com as empresas e com as famílias; para além disso deverá cuidar do equilíbrio financeiro do seu território pois, se não o fizer, será responsável pelo aumento das desigualdades territoriais, bem visíveis entre o litoral e o interior do País. Não faz sentido “alterar as regras do jogo” quando este não chegou ao fim. O edifício do Poder Local ainda não está definitivamente construído. Falta-lhe um pilar essencial, as DESTAQUE | OPINIÃO Regiões Administrativas; além disso, às Câmaras Municipais e às Juntas de Freguesia ainda não foram dadas todas as potencialidades de descentralização de competências, acompanhadas pelos respectivos meios financeiros. A Regionalização e as autarquias regionais devem ser o motor da economia. A tomada de posição de autarcas de todas as forças do espectro político do Poder Local na Assembleia Metropolitana de Lisboa, com a aprovação por unanimidade, em 8 de Julho de 2002, de uma resolução afirmando que o modelo existente desde 1991 estava esgotado e que o poder legislativo deverá considerar que a AML seja uma verdadeira Autarquia Metropolitana, eleita directamente pelas populações, com poderes e finanças próprias, continua, neste ano de 2011, completamente actualizada. Desde 2004, as condições políticas na Grande Área Metropolitana de Lisboa agravaramse. As Grandes Opções do Plano e o Orçamento sofreram uma redução de 37,4% pelo segundo ano consecutivo, devido aos condicionalismos provocados pela Lei 10/2003, verificando-se uma não evolução da GAML aos níveis institucional, económico e político, tendendo esta para uma Associação Intermunicipal, visto que o referido subfinanciamento reduz a sua eficácia e não atinge os objectivos da própria lei que a criou. Este problema continua actual mesmo após a implementação da Lei 45/2008, que transformou as GAMs e Comunidades Urbanas em Associações de Municípios, e do novo regime jurídico das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, definido pela Lei 46/2008, não se cumprindo o princípio da subsidiariedade. E não é reiterada a constituição de uma autarquia metropolitana, que seja concorrente com as metrópoles europeias (nomeadamente no eixo estratégico Lisboa, Madrid, Barcelona) no sentido de uma verdadeira Região Administrativa. A actual legislação sobre as GAMs poderá ter como pontos fortes: a reforma dos modelos de cooperação intermunicipal; o aumento do lote de atribuições do regime anterior, sextuplicando o número de competências dos seus órgãos, o que constitui uma concretização dos objectivos da Lei 159/99; dá às GAMs a competência de promoção e elaboração dos Planos Regionais de Ordenamento do Território. Esta legislação tem como pontos fracos serem autênticas Associações de Municípios e não verdadeiras autarquias metropolitanas: existe uma falta de legitimidade política, pois os Órgãos Metropolitanos não são eleitos directamente pelas populações; há falta de autonomia financeira e de operacionalidade; existem problemas de adaptação em tão curto espaço de tempo ao nível da organização interna. Há uma oportunidade que foi perdida ao longo do tempo, se fosse concretizada uma verdadeira descentralização e um abrir de portas no caminho para a instituição de uma verdadeira Autarquia Metropolitana, com competências próprias. A situação em que nos encontramos é ameaçada pela duplicidade da gestão municipal e metropolitana, que constrange as decisões intermunicipais, pelo facto de os autarcas só estarem legitimados politicamente no seu Município. Há constrangimentos num Poder Local com grandes dificuldades financeiras, num País com frágil descentralização do Estado relativamente a outros países da União Europeia. E as transferências de atribuições e competências não são acompanhadas dos meios humanos, dos recursos financeiros e do património adequados ao desempenho da função transferida. As Leis 10 e 11/2003 foram “uma mão cheia de nada”. A falta de visão descentralizadora e de estruturas intermédias entre o Governo e os Municípios estão a dificultar o desenvolvimento. Para serem resolvidos os problemas, é necessário termos uma administração descentralizada, o avanço da desconcentração dos Serviços do Estado e caminharmos tendencialmente para a Regionalização, onde incluo as regiões metropolitanas de Lisboa e do Porto. DESTAQUE | OPINIÃO | CASCAIS É necessário criar uma verdadeira “autarquia metropolitana” nos termos previstos pela Constituição João Serrano Presidente da Assembleia Metropolitana de Lisboa (2005-2009 / 2009-2013) A Área Metropolitana de Lisboa, esta grande metrópole, é um território complexo, com realidades muito diferentes e com fortes contradições. A Área Metropolitana de Lisboa, em que estamos inseridos, regista a maior concentração populacional e económica de Portugal. Nos seus dezoito concelhos, que constituem 38.39 MTPAML 3,3% do território nacional, residem quase 3 milhões de habitantes, sendo 2 milhões na área urbana de Lisboa, ou seja, cerca de ¼ da população portuguesa. Ao nível económico concentra cerca de 25% da população activa, 30% das empresas nacionais, 33% do emprego e contribui com mais de 36% do PIB nacional. Num mesmo espaço temos uma fortíssima pressão urbana e uma elevada concentração humana, tendencialmente superior à média nacional, onde coabitam com fenómenos de solidão, de isolamento e de exclusão; temos uma população activa comparativamente mais qualificada que a média nacional e ao mesmo tempo com debilidades na oferta de ensino profissional e tecnológico; e temos uma qualidade de vida da população acima da média nacional, uma preocupante diminuição do rendimento das famílias e um elevado índice de pobreza e condições de vida degradadas. Num mesmo território existem realidades urbanas, suburbanas e áreas rurais. Esta é a nossa cidade. A nossa cidade metropolitana. Nos últimos trinta anos Portugal mudou, e com ele a “cidade tradicional”, onde se exerce o poder local, evoluiu para a cidade metropolitana, como realidade económica e funcional, em processo de constituição permanente. A realidade metropolitana actual caracterizase pela intensidade da ocorrência simultânea de situações de pluripresença e pluripertença territorial por parte dos indivíduos, dos agregados familiares, das organizações, derivadas da expansão suburbana das cidades modernas, que rompe definitivamente com a caracterização tradicional das áreas urbanas - a uma população, um território e uma circunscrição político-administrativa - e, consequentemente, com as formas de governo local que lhes eram próprias. A suburbanização das cidades modernas, facilitada em muito pela expansão do transporte público e do transporte privado individual, provocou o corte espacial entre os locais de residência e de trabalho. O nosso quotidiano organiza-se cada vez mais em torno de múltiplos interesses – a habitação, a escola dos filhos, o emprego, o supermercado, o ginásio ou as lojas do centro comercial – que apenas por mera coincidência se localizarão na mesma área, no mesmo território, no mesmo concelho. DESTAQUE | OPINIÃO Esta Cidade Metropolitana exige uma organização própria, com poder para impor e afirmar uma visão regional, com força política para ter uma palavra nas opções de investimento público. Em boa hora, a revista Metrópoles propõe uma reflexão, passados quase trinta anos da criação do Poder Local democrático em Portugal, sobre a experiência adquirida e a necessidade de introduzir as mudanças que se impõem, de forma a consolidar o quadro jurídico do Poder Local. Criadas em 1991, as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto nunca tiveram poderes executivos de intervenção e tiveram um papel pouco ou nada relevante no que se refere à intervenção efectiva, nas matérias previstas na Lei, nem se afirmaram, junto das populações, como uma instância intermédia de poder. O actual modelo não serve, não é actuante, não é reconhecido pelo cidadão! Quanto às razões que têm contribuído para isso: • A débil legitimidade democrática da Junta e da Assembleia Metropolitana, que assenta numa eleição em cada um dos Municípios integrantes, sem reconhecimento de legiti- midade política por parte da população metropolitana. • Uma estrutura executiva onde cada um dos seus membros entende o cargo como representação do seu Município e não como elementos integrantes de um órgão metropolitano, não se reconhecendo com poder para tomar decisões de cariz metropolitano, o que inibe a formulação de qualquer estratégia concertada a essa escala. • A ausência de um núcleo de atribuições e competências, de natureza metropolitana, claras e objectivas, que permita a separação entre as competências municipais e metropolitanas, bem como de recursos humanos e financeiros que lhes confiram um poder efectivo. Portugal insiste em ser um dos poucos Países da União Europeia que não dispõe de um poder de nível intermédio de decisão política, entre o Poder Local e o Poder Central. Portugal insiste em não ter um poder intermédio, quando assistimos a profundas alterações nas formas de vida na sociedade moderna, gerando problemas de resolução incompatível com o figurino de gestão municipal tradicional: os transportes, o saneamento, o planeamento e ordenamento do território, a rede de equipamentos escolares, culturais e desportivos, a disponibilização de serviços públicos aos cidadãos. Daí que sou a favor da existência de um poder intermédio, como aliás acontece em quase todos os Países da Europa. Por isso não devemos desistir da criação de um País de Regiões Político-Administrativas. Até lá, defendo a optimização das Áreas Metropolitanas com atribuições e competências reforçadas, como modelo que precede a criação das regiões e a eleição directa dos seus órgãos. Não falo em mais uma entidade metropolitana de natureza administrativa que congregue competências espalhadas por várias instâncias distritais metropolitanas e organismos desconcentrados do Estado. Do que falo é da criação de uma verdadeira “autarquia metropolitana”, nos termos previstos pela CRP. Numa palavra, esta Cidade metropolitana carece de um quadro de governação metropolitana. Carece de um Governo Metropolitano. Carece de uma Autarquia Metropolitana. É este o grande desafio que a Assembleia Metropolitana de Lisboa tem pela frente e que, estou certo, contará com o apoio de todos. PME’S INOVAÇÃO A PLATAFORMA GATEWIT Começou como uma boa ideia para ligar, através da internet, organismos do Estado e fornecedores. Com os avanços alcançados no sector de compras electrónicas em Portugal, a Gatewit prepara o futuro avançando para a União Europeia Já este ano a empresa trocou a sua anterior designação – Construlink – pela actual, reflectindo o início de um novo ciclo de crescimento em novos mercados, através da diversificação de soluções associadas a plataformas electrónicas e da entrada noutros países. A Gatewit S.A. desenvolve aplicações suportadas via Internet ancoradas em plataformas de interacção entre entidades que actuam na área business to business. O vector fundamental onde esta empresa tem vindo a desenvolver a sua actividade é na contratação electrónica, associada a compras, aquisições, agregação, ou seja, todo o ciclo que se designa de procurement, incluindo o sourcing, facturas e pagamentos electrónicos. O embrião da empresa surgiu em 1999 em resultado de um projecto de financiamento preparado pelo Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico (IST) e aceite pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Em 2001 foi constituída a sociedade. No capital inicial estiveram a Web-Lab, a Teixeira Duarte e o grupo Ossa, aliando-se o conhecimento técnico à experiência de campo. Desde então a Gatewit tem-se posicionado no mercado das Tecnologias de Informação, apresentando serviços e-business disponibilizados via Internet. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Construção e do Imobiliário (INCI), a Gatewit tem actualmente cerca de 60% do mercado nacional. O INCI gere, em conjunto com a Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP), o portal Base, espaço público, único e multifuncional, que agrega toda a informação sobre os contratos celebrados ao abrigo do Código dos Contratos Públicos, abrangendo as suas fases de formação e de execução. Trata-se de uma iniciativa que assenta 40.41 MTPAML na ideia de maior transparência na divulgação da contratação pública efectuada em Portugal. A informação constante neste portal tem como referência o universo de todas as entidades adjudicantes, constituindo ainda o suporte para o cumprimento das obrigações anuais de comunicação, à Comissão Europeia, da informação estatística sobre contratação pública, bem como para a constituição e funcionamento do Observatório das Obras Públicas. “Evitando as burocracias anteriores assentes em suporte papel e validação de envio pelos CTT, a plataforma Gatewit, gratuitamente, valida todo o processamento documental com um selo digital”, refere Pedro Paulo, 35 anos, CEO da empresa, licenciado pelo Instituto Superior Técnico (IST) e um dos mentores do projecto Construlink, que abraçou no último ano do curso. O negócio da Gatewit é suportado pelas entidades que compram os serviços (ministérios, autarquias, hospitais ou empresas municipais), enquanto os clientes privados são os fornecedores de serviços. Há vários tipos de contratos que a empresa disponibiliza, mas os mais habituais são os anuais, em que os compradores pagam para ter o serviço disponível e apoio técnico fornecido por um gestor de cliente. Este faz também o acompanhamento de procedimentos quando a entidade tem dificuldade em lançá-los. As plataformas electrónicas facilitam toda a gestão de compras, permitindo, a quem as utiliza, ter um melhor controlo sobre o que está a gastar. Pedro Paulo defende que o caminho actual levará a que todos os processos de aquisição por entidades ligadas ao Estado se façam através de meios electrónicos. Mesmo os ajustes directos que não PME’S INOVAÇÃO têm sido obrigatórios até aqui. A uniformização das compras permite que cada um, em vez de estar a negociar preços diferentes para aquisições que se irão decorrer ao longo do ano para alguns artigos, consiga estabelecer valores médios por artigo para que cada organismo desse ministério o possa comprar à medida das suas necessidades”, refere o gestor. Hoje a Gatewit procura alargar o âmbito da sua oferta para além do lançamento de concursos públicos para organismos de Estado. “Há uma variedade grande de serviços que oferecemos, como a presença de um consultor permanente nas instalações dos clientes”, acrescenta Pedro Paulo. Mas também há entidades que querem ter uma plataforma autónoma sem que os seus fornecedores entrem na da Gatewit. Querem algo que se designa Look and feel. O termo é utilizado em relação à interface gráfica e compreende os aspectos da concepção, incluindo cores, formas, disposição e tipos de caracteres (o “Look”) e o comportamento de elementos dinâmicos como botões, caixas e menus (o “Feel”). Nas interfaces de sistemas operativos, o look and feel serve dois propósitos gerais. Em primeiro lugar, ajuda na identificação da marca e produtos e serviço de empresas ou instituições. Em segundo lugar, facilita a utilização, pois permite, a quem usa a plataforma, familiarizar-se com a forma de funcionamento de produtos e serviços com o mesmo look and feel. A oferta que a Gatewit disponibiliza faz com que o preço a pagar pelos clientes seja muito diferenciado, variando entre dois e 200 mil euros por ano. São valores que também dependem do tipo de programas e do número de horas de formação que a empresa lhes forneça. O volume de negócios da Gatewit em 2010, ainda com a anterior designação, foi de 4 milhões de euros. Para este ano, o CEO da empresa gostaria de chegar a valores entre os 6 e 7 milhões de euros. Depende muito da estabilidade e da vitalidade económica dos mercados internacionais, como Espanha, o primeiro avanço da empresa para fora do território nacional. “Mas este é um ano de eleições, um momento de viragem que nos faz perder algum tempo”, afirma Pedro Paulo. A aposta na Europa como via de internacionalização deve-se ao estado actual da economia nacional e à existência de um quadro legal que favorece esse avanço. “Existe uma directiva que indica que os Estados membros devem utilizar meios electrónicos para a aquisição de bens e serviços de empreitadas. No meu entender, todas as empresas devem encarar a internacionalização quase como uma obrigatoriedade. Não podemos pensar em manter-nos apenas aqui face ao actual clima de incerteza e toda a instabilidade política e económica”, diz o responsável da Gatewit. Portugal foi um dos primeiros Estados membros a fazer a transposição da legislação europeia, e os outros países deverão avançar também nesse sentido. Embora mais direccionada para a construção civil de início, a Gatewit S.A. tem vindo a desenvolver diversas plataformas para apoio às com- pras electrónicas para a administração pública central e local, como acontece com a Plataforma Compras Públicas. A prospecção do negócio fez-se ouvindo os potenciais interessados e associando alguns alunos ao projecto, entre os quais programadores, que começaram a desenvolver o site. “Os vários estudos que fizemos na altura tinham como objectivo definir a forma como o conceito iria ser desenvolvido, apesar de ainda não existir internet nas obras e ainda não fazer sentido que fossem efectuadas consultas através deste meio”, diz Pedro Paulo. O plano delineado levou ao desenvolvimento, em 2004, de uma plataforma para orçamentação e informação sobre produtos para o sector da construção civil, aquilo que habitualmente se designa como Request for Quotation (RFQ). A Gatewit foi a primeira empresa nacional a apresentar publicamente, em finais do ano 2005, uma plataforma electrónica de compras públicas que permitia a aquisição de bens de acordo com a legislação em vigor. “Foi um sucesso extremamente importante para a empresa, e foi útil porque serviu para mostrar à comunidade, principalmente à Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP) que existia em Portugal uma plataforma desenvolvida e muito adaptada à nossa legislação”, sustenta Pedro Paulo. No último ano e, contrariando a situação económica mundial, a empresa voltou a crescer, aumentado a sua carteira de clientes em mais de quatro centenas, conquistando clientes como o Banco de Portugal, Assembleia da República, Anacom, Estradas de Portugal, Parque Escolar, Instituto da Segurança Social, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Ministério da Saúde, Ministério da Ciência e Tecnologia, Câmaras Municipais, IPO do Porto, Hospital da Guarda, Hospital de Setúbal e AMAL (Associação de Municípios do Algarve), entre muitos outros. A Gatewit anunciou recentemente a criação da plataforma electrónica “O Poder de mudar Portugal”, que vai ligar a sociedade civil aos decisores políticos, tirando partido da estreita relação que tem com estes protagonistas. A plataforma www.opoderdemudarportugal.com vai permitir que empresas e cidadãos possam apresentar as suas ideias inovadoras para melhorar a situação socioeconómica de Portugal, que serão posteriormente transmitidas pela empresa aos respectivos ministérios. O objectivo é mobilizar a sociedade civil e sensibilizar a administração pública para um contexto de mudança de atitude que contribua para o desenvolvimento da economia nacional e para a resolução de questões sociais, promovendo um crescimento sustentável. TAPADA NACIONAL DE MAFRA UM LUGAR ÚNICO Criada para satisfazer vontades reais, a Tapada de Mafra é hoje um espaço nobre de conservação da natureza de visita obrigatória PATRIMÓNIO A Real Tapada de Mafra foi criada em 1747 para proporcionar um envolvimento adequado ao Convento de Mafra e constituir, ao mesmo tempo, um espaço de recreio de caça do rei D. João V e da sua corte e fornecer lenha e outros produtos. Com uma área de 1187 hectares, este espaço ímpar está rodeado por um muro de alvenaria de pedra e cal com 16 km de comprimento. Foi dividido em três partes separadas por dois muros construídos em 1828, estando actualmente a primeira, com 360 hectares, sob administração militar. Tratando-se duma área florestal com fortes potencialidades para a prática cinegética, os reis encontraram neste espaço um local especialmente vocacionado para a caça e o lazer, conferindo-lhe um cunho próprio de nobreza, ainda hoje preservado e continuado. Mafra, pela sua proximidade à Corte em Lisboa, constituiu, a par de Salvaterra de Magos, área privilegiada de caça dos reis e rainhas da Casa de Bragança. A tradição fazia-se sentir nas batidas e montarias, com o tiro feito a curtas distâncias sobre a caça em movimento. Na época de D. João V deu-se um grande incremento ao fabrico nacional de armas de fogo e caça, que teve continuidade no reinado do seu filho D. José I. À medida que se tornavam distintas das armas de guerra, assumiam-se como objectos de ostentação, espelhando o poder económico e o gosto do seu possuidor. A introdução da carabina na caça em Portugal deve-se D. Fernando Saxe Coburgo Gotha, marido da rainha D. Maria II. De origem alemã, grande caçador e coleccionador de armas, transmitiu aos seus filhos, D. Pedro e D. Luís, o gosto pela actividade e pelos valores da natureza. O último, que reinou 28 anos, manifestou interesse pela natureza e pela caça muito para além do seu aspecto lúdico, que transmitiu também ao seu filho, o futuro rei D. Carlos I, bases estas que vieram a resultar na sua figura de notável naturalista, oceanógrafo e fotógrafo. O penúltimo rei de Portugal foi considerado um grande caçador, não tanto pelo número de animais abatidos ou pelo tempo que dedicava a esta actividade, mas sobretudo pela sua atitude perante a caça e pela forma como a integrava de forma harmoniosa noutros saberes. Foi um frequentador assíduo e entusiasta da Tapada de Mafra, gosto partilhado pela sua mulher, a rainha D. Amélia, tornando-se na figura mais emblemática que por lá passava. Segundo Alexandre Herculano, escritor e grande entusiasta do desenvolvimento agrícola do país, a Tapada, em 1843 e na sequência da vitória do regime liberal, foi instituída como Granja Real, quintamodelo para o desenvolvimento da agricultura, silvicultura e criação de cavalos na região. Mas o projecto não vingou e o espaço retomou as suas funções iniciais. Com a implantação da República, passou a designar-se Tapada Nacional de Mafra, sendo utilizada fundamentalmente para o exercício da caça e actos protocolares. A partir de 1941 foi submetida ao regime florestal total, sob tutela da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, passando a ser gerida numa perspectiva mais ambiental. Em 1993, a Tapada foi concessionada à Empresa Nacional de Desenvolvimento Agrícola e Cinegético (ENDAC), sociedade de capital exclusivamente público na dependência do Ministério da Agricultura. PATRIMÓNIO A partir de 1998 foi criada uma Cooperativa de Interesse Público para aproveitamento dos seus recursos, participada pela Administração Central, em posição maioritária, a Câmara de Mafra e entidades privadas. Dando continuidade à sua vocação inicial, a Tapada Nacional de Mafra é, hoje, uma zona de caça nacional praticada em total harmonia com a natureza, associando a componente de lazer e a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas, condição indispensável para a sobrevivência das espécies. Sendo um espaço murado e sem predadores naturais, a actividade cinegética permite manter a coexistência entre as diferentes populações animais que nela vivem e, simultaneamente, limitar a pressão destas sobre as espécies vegetais. Jornadas de caça A Tapada efectua, em determinadas alturas do ano, mediante inscrição prévia e limitada, jornadas de caça ao veado, gamo e javali. A limitação desta actividade a determinados períodos do ano permite não interferir com a época de reprodução. O tipo de caça varia de acordo com os animais. Ao javali são feitas esperas nas noites de lua cheia, entre Março e Novembro, enquanto que veados e gamos são caçados selectivamente entre Outubro e Fevereiro. A diversidade de habitats existentes na Tapada de Mafra –bosques, pastagens, matos e linhas de água – permite a existência de um grande número de espécies animais. São, na sua maioria de pequeno porte e hábitos esquivos, e fazem parte do património natural português. As aves constituem um dos grupos animais mais representativos que podem ser observadas a céu aberto. Desde um casal residente da espécie águia-de-Bonelli, a um par de Açores, que nidifica na zona da Barroca, e ao bufo-real, a maior ave de rapina nocturna da Europa, todos eles encontram aqui tranquilidade, abrigo e o alimento necessário para o seu pleno desenvolvimento. Aves de rapina A mais recente habitante da Tapada é a águia-cobreira, observada pela primeira vez em Maio de 2007. As aves de rapina podem ser observadas mais de perto na exposição existente na falcoaria. São nocturnas, como o bufo a coruja e o mocho, ou diurnas, como gaviões, falcões, açores, águias de asa redonda, peneireiros e águias de Bonelli. Para além do visitante ficar a conhecer as características de cada espécie em exposição, pode assistir a uma demonstração de voo de algumas delas. Entre as mais de 60 espécies de pequenas aves que se podem encontrar na Tapada, as mais comuns são os chapins, rabirruivos, tentilhões e as alvéolas. Com sorte também se pode encontrar um ou outra perdiz e suas ninhadas, dependendo da época do ano. Mamíferos como o gamo, o veado, o javali e a raposa, são os mais conhecidos do público que visita a Tapada, até porque são mais fáceis de observar durante as visitas. Mas há outros, como o coelho-bravo, o texugo, a geneta, o sacarrabos, a doninha e o ouriço-cacheiro. Quem percorre a Tapada de Mafra pode bem deliciar-se com a beleza da sua paisagem verde, enquanto tenta encontrar a fauna animal. No seu território desenvolvem-se algumas das espécies mais representativas da flora nacional, como o sobreiro, carvalho-cerquinho e 44.45 MTPAML PATRIMÓNIO o pinheiro-manso, cujos povoamentos constituem o habitat das espécies animais. Aqui e além a floresta e mato passam a vegetação rasteira, zonas de pasto mais intenso onde há mais probabilidade de se poderem observar javalis e gamos. Os veados, em menor número e mais furtivos, dificilmente são visíveis a leigos fora dos cercados. A Tapada é atravessada por algumas linhas de água como a Ribeira de Safarujo, a principal que atravessa o território. Nas suas galerias ripículas é possível encontrar freixos, choupos, amieiros, salgueiros e plátanos, que contribuem para dar várias formas e tonalidades de verde à paisagem local. São o habitat de numerosos invertebrados e de outros animais que deles se alimentam. Nestes locais, são observados diversos tritões, salamandras, rãs, relas, sapos, cágados e diferentes espécies de cobras. O carvalho-cerquinho, também conhecido por carvalho-lusitano ou português, é, em conjunto com o sobreiro, uma das árvores mais emblemáticas da Tapada Nacional de Mafra, desempenhando um papel muito importante na conservação do solo, como fonte de alimento e local de abrigo dos animais e na prevenção dos incêndios. Esta espécie sofreu em Portugal um acentuado declínio durante o século XX. Actualmente, apenas existe em pequenas manchas, o que lhe confere um valor de conservação adicional pela sua raridade. É, deste modo, um importante elemento do património natural da Tapada. O sobreiro é uma árvore de folha persistente, que normalmente não ultrapassa os 20 metros de altura. Muito intolerante ao ensombramento, prefere os climas suaves com elevada percentagem de luz solar e a correspondente humidade atmosférica. Devido à sua textura é muito resistente ao fogo, como se pode observar nas áreas ardidas pelo incêndio de 2003 que devastou o espaço, sendo as únicas árvores que se mantém de pé com folhagem nova exuberante. A cortiça, ainda preta pela acção do fogo, protegeu o seu sistema circulatório, permitindo a sua regeneração. O seu fruto é uma importante fonte de alimento para os animais, pois amadurece no final da época reprodutiva dos gamos e veados, permitindo que recuperem a energia despendida. Estes animais cobiçam também os ramos e as folhas, consumindo-os até à altura alcançada pelas suas hastes. Na Tapada Nacional de Mafra encontra-se um exemplar com cerca de 300 anos, não descortiçado desde 1950, classificado como Árvore de Interesse Público pelo Ministério da Agricultura. Para além deste sobreiro, a Tapada tem também um castanheiro-da-índia e uma olaia com esta classificação. Estas duas árvores têm, aproximadamente, 120 anos e localizam-se no Celebredo, em frente à casa de hóspedes. Matos de aromas intensos O visitante da Tapada pode igualmente desfrutar das cores e dos aromas intensos dos matos que crescem um pouco por todo o lado. São de urze, tojo, pilriteiro, aroeira, trovisco, medronheiro e carrasco. Com o incêndio de Setembro de 2003, áreas de matos e floresta ficaram afectadas, nomeadamente zonas de urze, pinhal-manso, pinhal-bravo e eucaliptal. Na altura, e apesar das medidas preventivas contra o incêndio que caminhava em direcção ao recinto, preparadas pelos bombeiros e pelos serviços da Tapada de Mafra, foi impossível impedir a devastação. O guarda florestal Vitor Claro lembra-se bem dos saltos de fogo para as costas das equipa no terreno. Para as manchas ardidas, as espécies escolhidas para plantação foram as folhosas, por serem menos combustíveis, como são os casos do sobreiro e do carvalho-cerquinho. Após o levantamento e a monitorização da resposta dada pelas diferentes espécies afectadas, procedeu-se à elaboração de uma carta de capacidade de suporte da flora florestal, que serviu de base à escolha das áreas e espécies a plantar. Estão também a ser realizados trabalhos para recuperação do coberto vegetativo autóctone e diminuição da mancha de eucaliptal. Percorrer a Tapada de Mafra é um acto único de encontro com a natureza. O site www.tapadademafra.pt tem muitas opções para quem quiser efectuar os percursos pedestres ou de comboio, com passagem por cercados com animais ou zonas onde eles deambulam em liberdade, de dia e de noite. Estas últimas visitas, em particular, realizam-se apenas nas noites que antecedem a Lua cheia, de Abril a Outubro. Nelas poderá observar-se a fauna nocturna e alguns comportamentos característicos da época do acasalamento do veado e do gamo - a brama - que decorre normalmente em Outubro. O visitante poderá ainda optar pela modalidade que inclui o alojamento na Casa de Hóspedes, onde se pode jantar ou almoçar gamo ou javali, e a visita à Tapada, na companhia, sugerimos nós, de um dos guias de serviço. Só assim se consegue entender melhor o espaço envolvente e a história de um lugar único em Portugal. FESTAS DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE TRÓIA O espectáculo da procissão pelo rio é verdadeiramente deslumbrante e uma das mais belas manifestações da tradição popular portuguesa 46.47 MTPAML PATRIMÓNIO Devoção, festa, mas também convívio em tempo de sol e praia quando as águas estão mais amenas. São, com certeza, motivações diversas que trazem milhares de pessoas todos os anos à romaria em honra de Nossa Senhora do Rosário de Tróia. Pescadores e devotos regressam para pedirem à Santa de Tróia protecção no mar. Os outros vão talvez pela curiosidade em relação ao evento e pela festa e convívio. As celebrações constituem momentos de emoção em torno de uma memória religiosa muita antiga, vivida por alguns núcleos populacionais ligados à actividade piscatória de Setúbal, na margem direita do rio Sado. Foram dinamizadas, primeiro pelas comunidades do Bairro das Fontainhas e depois pelas dos Bairros de São Domingos, Nossa Senhora da Conceição e Santos Nicolau e pelos habitantes dos lugares da Comporta e do Carvalhal, na orla esquerda do Sado. Outros devotos, ao longo dos tempos, foram incorporando esta festa, acarinhada hoje por toda a população, mesmo do Faralhão, Santo Ovídeo e das Praias do Sado. Tróia, lugar ancestral de variados cultos, render-se-ia também à fé cristã no início da sua propagação. Documentos do século XV revelam que existia ali uma ermida que viria a beneficiar, em 1510, da devoção e interesse da rainha D. Leonor e do rei D. João II, seu marido, que há muito vinha dedicando particular atenção ao burgo setubalense. Mandou construir nele um sistema de abastecimento público de água – o Aqueduto dos Arcos – e a Igreja e Convento de Jesus. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, fundamentando-se em André de Resende, no seu De Antiquitatibus Lusitanaiae, de 1593, refere que a capela existia nos finais do século XVI e nela se celebrava a festa de Santa Maria de Tróia, referência que nos indica que esta celebração, apesar de ser dirigida a Nossa Senhora, teve invocações diferentes ao longo do tempo. Para o templo, substancialmente restaurado no século XIX, chegaram a rumar, anualmente, dois círios distintos, organizados pelos camponeses e pescadores da Comporta, Carrasqueira e Carvalhal e pelos marítimos de Setúbal. Se houve períodos em que estiveram interrompidas as festas em honra de Nossa Senhora do Rosário de Tróia, o ressurgimento destas celebrações, em pleno, desde há setenta anos, em muito se deve aos sacristãos das igrejas de Santa Maria da Graça, São Julião, São Sebastião e Nossa Senhora da Anunciada, bem como às sucessivas comissões de festeiros que asseguram a organização. Muito participadas e de patente expressão devocional, as solenidades de Nossa Senhora de Tróia perduram por três dias. Têm início, de acordo com o ciclo das marés, nas primeiras semanas do mês de Agosto de cada novo ano, na Igreja Paroquial de S. Sebastião onde, nos restantes dias, se acolhe a imagem desta popular invocação mariana. Depois de uma missa celebrada no templo, em recordação dos marítimos falecidos, os romeiros descem com o andor até ao embarcadouro das Fontainhas. Aí, quantos quiserem e couberem tomam lugar nas inúmeras embarcações pesqueiras fundeadas. O ribombar dos foguetes, que ecoam em Setúbal, anuncia a partida da imagem. Segue em cortejo fluvial vistosamente engalanado, até ao sítio da Caldeira, na península de Tróia, ancorando nas imediações da vetusta Capela. O espectáculo da procissão pelo rio é verdadeiramente deslumbrante e uma das mais belas manifestações da tradição popular portuguesa. PATRIMÓNIO Já desembarcados e compondo o passo pela toada da charanga, os devotos progridem, a pé, pelo areal escaldante, em jornada entusiasmante que, dando à volta à ermida, culmina com a deposição da imagem da padroeira, num altar levantado no interior. Quando o sol esmorece, logo todos colaboram para esgravatar a lenha nos pinhais em volta, para atear as fogueiras e assentar abrigos que se dispersam pela orla do rio. Mais tarde, ao crepúsculo, inicia-se o convívio festivo, marcado pela partilha de memórias de uma vida dedicada à faina do mar. Há diversão e jogos populares, e o rumor que se ouve nos arraiais, da música que envolve os pares, das pessoas que conversam, prolonga-se até ao alvorecer por toda a praia frouxamente iluminada. Os dias passam e o cenário da festa vai mudando com a maré, com os barcos a ondular cada vez que ela enche e ficando a seco quando vasa. É esta a altura das pessoas se entreterem a mariscar, na procura de conquilhas ou canivetes para o petisco seguinte. Mas são cada vez mais raros pela intensidade da procura. Os dias são marcados também pelas celebrações religiosas que decorrem na capela, pequena para comportar tanta gente. No domingo a missa decorre na praia e é seguida de procissão. E chega o derradeiro dia dos festejos convocados em homenagem à Senhora de Tróia, figurada em “sagrada imagem muito antiga” e com a qual “têm grande devoção os moradores de Setúbal”, como refere Frei Agostinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano (1707). A imagem é conduzida numa segunda procissão, ainda mais colorida, 48.49 MTPAML esplendorosa e tocante, através do Rio Sado, chegando a ir mar dentro, para além da foz do Sado, para, com caprichadas buzinas, e um ou dois foguetes sobrantes anunciar a saudação da Senhora e de seus fraternais peregrinos a quem se encontre no Hospital de Santiago do Outão. Como agradecimento pela benção, os seus funcionários e doentes acenam com panos brancos ao cortejo. É à embarcação com adornos mais deslumbrantes que cabe a honra de transportar a Senhora de Tróia de volta a Setúbal. Regressados ao cais das Fontainhas, os romeiros, já quebrados pelos momentos de intensa folia mas ainda com o alento do fervor da devoção, completam a ascensão íngreme até à Igreja de S. Sebastião, em cujos párocos repousa desde há séculos a administração das celebrações religiosas. Apeada a imagem e cumpridos os cerimoniais de fecho das solenidades, fica a certeza consoladora de que Nossa Senhora do Rosário de Tróia a todos aguardará maternal, confiada e saudosa, para uma nova viagem ao outro lado do rio, no ano seguinte. * Artigo feito com base no texto sobre a “Festa de Nossa Senhora do Rosário de Tróia”, de Horácio Pena, técnico superior da Câmara Municipal de Setúbal. PATRIMÓNIO FUNDOS COMUNITÁRIOS 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO PLANO TECNOLÓGICO DE EDUCAÇÃO No âmbito do Programa Operacional Regional de Lisboa (POR Lisboa) e do Aviso de candidaturas para a “Economia Digital e Sociedade do Conhecimento”, na tipologia de “projectos que visam integrar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos processos de ensino e aprendizagem” no 1.º ciclo do ensino básico, a Área Metropolitana de Lisboa apresentou uma operação conjunta dos 18 Municípios que a integram, a qual foi aprovada com um investimento a co-financiar nas seguintes componentes de intervenção: 50.51 MTPAML • Quadros interactivos, para escolas com 5 ou mais salas de aula (EB1, EB1/JI); • Redes de Área Local, para escolas com 5 ou mais salas de aula (EB1, EB1/JI); • Segurança dos equipamentos, para escolas com 10 ou mais salas de aula. De acordo com o Estudo de Diagnóstico: a modernização tecnológica do sistema de ensino em Portugal – Gabinete de Estatística e Planea- FUNDOS COMUNITÁRIOS mento de Educação (2007), há oportunidades de melhoria em várias áreas do sistema de ensino, que contribuem para o acesso das comunidades escolares à Internet e à produção de conteúdos on-line. Ao nível da tecnologia • Os níveis de utilização das TIC em Portugal são muito inferiores aos dos países da UE15. A reduzida disponibilidade de equipamentos para uso livre de docentes e alunos é uma das principais causas. Daí a importância da disponibilização de computadores, do acesso à Internet e de impressoras fora dos períodos de aula. • No que se refere a equipamentos de apoio, como videoprojectores, impressoras e quadros interactivos, observam-se limitações: O rácio de alunos por impressora é superior a 40; aproximadamente 70% dos equipamentos tem mais de 3 anos; o número de videoprojectores é inferior a 1 por cada 7 salas de aula e apenas 1/3 das escolas dispõe de quadros interactivos. A reduzida disponibilidade destes equipamentos constitui uma forte barreira à utilização de tecnologia nas escolas, pelo que é necessário reforçar a sua dotação. • No que à conectividade diz respeito, grande parte das escolas regista velocidades de acesso limitadas. Para além disso, ainda há um número elevado de computadores (mais de 20 000) sem ligação à Internet. Observa-se, também, que mais de 2/3 das escolas contratam mais do que um acesso à Internet, o que representa um crescimento potencial de custos na ordem dos 20%. É, portanto, importante rever o actual modelo de conectividade dos estabelecimentos de ensino, para assegurar níveis de serviço adequados e eficiência dos investimentos. • Apesar de mais de 90% das escolas possuírem redes locais, observam-se insuficiências em 30% delas, porque cresceram de forma ineficiente e não estruturada. Na maior parte dos estabelecimentos, encontram-se confinadas a áreas pré-definidas e limitadas, restringindo a utilização, pelo que é crucial a sua requalificação. • Apesar de praticamente todas as escolas utilizarem equipamentos informáticos na gestão, apenas 32% possuem intranet (vs. 60% a 70% das escolas nos países da UE mais avançados). É importante promover a implementação desta ferramenta, para acelerar a adopção de tecnologia e aumentar a eficiência da gestão. • Por último, o aumento considerável de equipamentos de elevado custo nas escolas veio reforçar a necessidade de protecção contra furtos e vandalismos. Mas também proporciona a oportunidade de alavancar, nas novas tecnologias, a sua segurança. Actualmente, apenas metade das escolas (49%) dispõem de sistemas electróni- cos de segurança, observando-se ineficiências nos seus modelos de operação e gestão. Há, por isso, necessidade de integrar a segurança nas restantes iniciativas de modernização tecnológica das infra-estruturas escolares. No domínio dos conteúdos • O caminho para a Sociedade da Informação e do Conhecimento implica a alteração dos métodos tradicionais de ensino e aprendizagem, para a qual é crítica a existência de ferramentas e de materiais pedagógicos e de conteúdos adequados. • A utilização de conteúdos e aplicações em Portugal é significativamente mais baixa do que nos países da UE15. Por aluno em FUNDOS COMUNITÁRIOS sala de aula é cerca de 60% da registada na Finlândia, por exemplo. Dada a importância que desempenham na adopção e na utilização de tecnologia, é essencial desenvolver a produção de conteúdos e aplicações de qualidade em língua portuguesa e criar mecanismos de certificação dos mesmos. É também necessário construir mecanismos de incentivo à sua utilização, de forma a assegurar a criação de um mercado dinâmico. • As plataformas virtuais de conhecimento e aprendizagem desempenham um papel crítico na promoção da produção e utilização de conteúdos. A nível internacional, o desenvolvimento in-house de plataformas de e-learning e a promoção da sua utilização é uma prioridade. Em Portugal, assiste-se aos primeiros passos de utilização de plataformas de partilha de conhecimento. Contudo, observam-se algumas limitações ao nível das funcionalidades disponibilizadas e do tipo de utilizações efectuadas. Dado o papel crítico que estas plataformas assumem, é crucial repensar o actual modelo para garantir que é explorado todo o seu potencial catalisador de modernização tecnológica. 52.53 MTPAML • Apesar do aumento do número de equipamentos e dos esforços para aumentar a utilização de e-mail, este canal de comunicação ainda é muito pouco usado (menos de 1/3 das escolas disponibilizam endereços de e-mail a docentes e não docentes vs. 70% a nível europeu). É importante acelerar a sua adopção e uso, pelo seu efeito dinamizador na utilização de tecnologia e de aumento de eficiência na gestão. No âmbito das competências • Observa-se um esforço significativo na formação de docentes e alunos, com a instituição de módulos de formação em tecnologia para os primeiros (frequentados por mais de 30 000 docentes por ano) e a criação das disciplinas TIC. Não obstante, a falta de qualificações ainda é apontada como uma forte barreira à utilização. • É importante reequacionar o actual modelo de formação de docentes, à luz do que se observa nos países de referência, estabelecendo metas e mecanismos de certificação de competências e desenhando programas de formação modulares, contínuos e progressivos. FUNDOS COMUNITÁRIOS • Noutros países, não obstante o apetrechamento e a formação adequados, a utilização de tecnologia tem enfrentado resistência por parte dos agentes, revelando ser fundamental a definição de objectivos de aplicação de TIC na actividade lectiva, na avaliação e na gestão administrativa. • No que aos alunos diz respeito, é importante acelerar a formação em tecnologia, antecipando o contacto com as ferramentas básicas TIC e assegurando que a sua utilização não está confinada a disciplinas específicas, mas que faz parte do dia-a-dia da escola e do método de aprendizagem de todas as matérias. • Por último, e considerando que em 2/3 das escolas a manutenção da infra-estrutura de tecnologia é efectuada por professores e que o número de escolas que recorre a serviços técnicos especializados é 1/4 da média da UE15, urge assegurar a qualificação dos agentes responsáveis pela infra-estrutura tecnológica e pela disseminação da tecnologia – 75% das escolas afirma necessitar de apoio a este nível. Objectivos da operação • Aumentar a velocidade de acesso das escolas à Internet • Permitir que alunos e professores tenham acesso à Internet com e sem fios em todas as salas de aula e restantes espaços escolares • Aumentar a segurança nas escolas • Contribuir para a segurança dos equipamentos, dissuadir intrusões, furtos e roubos nas escolas • Aumentar a produção, distribuição e utilização de conteúdos pedagógicos em suporte informático (e.g. exercícios, manuais escolares, sebentas electrónicas, etc.) • Desenvolver práticas de ensino e aprendizagem interactivas e generalizar o portefólio digital do aluno • Promover a utilização pedagógica de TIC • Aumentar a oferta de conteúdos e aplicações TIC para Educação • Permitir a acessibilidade às TIC por parte de cidadãos com necessidades especiais O “Plano Tecnológico de Educação para o 1.º Ciclo na AML” abrange as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico dos 18 municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa. A sua intervenção nas tipologias de projecto incide nas Redes de Área Local, nos Quadros Interactivos e na Segurança dos Equipamentos, abrangendo um universo de 400 escolas com um total de 78.509 alunos. INVESTIMENTO POR TIPOLOGIA DE INTERVENÇÃO INVESTIMENTO ELEGÍVEL TOTAL INVESTIMENTO NÃO ELEGÍVEL TOTAL INVESTIMENTO TOTAL Redes de Área Local 930.754,98 3.413.994,26 4.344.749,24 Quadros Interactivos 1.230.710,00 2.507.209,64 3.737.919,64 490.600,80 867.190,00 1.357.790,80 2.652.065,78 6.788.393,90 9.440.459,68 Segurança dos Equipamentos TOTAL DO INVESTIMENTO A Área Metropolitana de Lisboa, para além de promover a candidatura conjunta, celebrou, através da sua Central de Compras Electrónicas (cce-aml), para os dezoito Municípios associados, os Acordos Quadros das Redes da Área Local (LAN’s), Quadros Interactivos e Segurança dos Equipamentos. A celebração destes Acordos Quadros permitirá, por um lado, fomentar e concretizar os objectivos preconizados na candidatura e, por outro, contribuir para a redução de custos de aquisição dos equipamentos e para a melhoria da qualidade dos bens e dos ser- viços prestados. Esta melhoria é o resultado directo dos esforços conjuntos dos municípios, em sede de comissões técnicas constituídas para a definição dos requisitos e especificações técnicas, a constarem das peças concursais dos Concursos Públicos de âmbito Internacional. Prevê-se que até ao final do ano de 2011 esteja concretizado 90% do investimento elegível aprovado, no valor de 2.916.476,20 euros, com uma taxa de co-financiamento FEDER 40% no valor de 1.060.821,31 euros. IMAGENS METROPOLITANAS Sofia Monteiro Existe um percurso que adoro fazer a pé desde os dias de faculdade – o chamado passeio romântico - que começa no Largo do Rato; seguindo pela Rua da Escola Politécnica; passando pelo Jardim Botânico (o borboletário é de sonho) em direcção ao Príncipe Real; continuando a descer ao lado do miradouro de São Pedro de Alcântara em direcção ao Largo da Igreja de São Roque, depois até ao Largo de Camões e Chiado - um pequeno desvio para passar pelos teatros São Carlos e São Luís - continuando a descer pela Rua do Alecrim até ao Cais do Sodré... e depois voltar! Há lugares na cidade de Lisboa que são uma descoberta para o resto da nossa vida. Licenciada em Arquitectura há 14 anos, Sofia Monteiro actua há 8 anos no mundo do design e multimédia através da sua empresa mediaFoundry, na qual exerce funções de sócia gerente e designer. A fotografia fez sempre parte da sua vida e começou a concretizar-se fortemente desde há quatro anos, quando começou a fotografar sob a água. A Natureza e o mergulho são dos suportes principais de actuação e a fotografia subaquática é uma constante descoberta. Áreas de actuação Subaquática: modelo, ambiente, peixe, macro. Terrestre: família e crianças, paisagem natural e urbana, animais de estimação, macro. Rua da Escola Politécnica – Jardim Botânico e Borboletário. Para os amantes da Natureza e para completar a riqueza da diversidade que caracteriza esta lugar de Lisboa, existe um paraíso natural onde várias espécies coabitam em sossego. O Borboletário existe dentro do Jardim Botânico e permite visitas tranquilas a este mundo de beleza micro. 54.55 MTPAML IMAGENS METROPOLITANAS IMAGENS METROPOLITANAS Bairro Alto – Abraçado pelo Largo de Camões, o Bairro Alto é outro ponto emblemático de passagem obrigatória. Aqui reúne-se a diversidade do carácter lisboeta embora cada vez mais povoado de outras nacionalidades. Largo do Camões – Ritmos acelerados de manhã, à tarde e à noite, quando se misturam gentes de todas as nacionalidades e idades a festejar o final de um dia de trabalho, um ponto de encontro, ou uma noite de férias num dos mais emblemáticos ambientes nocturnos da Europa. 56.57 MTPAML IMAGENS METROPOLITANAS Rua do Alecrim – Perfumada com pormenores que nos transportam para outras épocas. MATOS SEQUEIRA HISTORIADOR DE LISBOA António Valdemar Presidente da Academia Nacional de Belas Artes CULTURA A história de Lisboa, com rigor factual e expressão literária tem, nos seus primórdios, o testemunho de Fernão Lopes. É nas suas crónicas que se depara o registo, a evolução e o desfecho de acontecimentos e intervenções de figuras civis, militares e religiosas que restabeleceram a independência de Portugal. Lisboa, capital do reino, ocupou na crise de 1383-1385 um lugar decisivo. Podemos considerar Fernão Lopes o primeiro grande escritor de Lisboa mas, também, o primeiro grande historiador de Lisboa e de uma das épocas políticas de maior significado nacional. Constituem objecto de citação obrigatória dois autores contemporâneos, na transição do século XVI para o século XVII, que acompanharam a perda da independência e o domínio filipino, sem oportunidade de assistir, em 1640, à proclamação da Restauração, e às guerras e acções diplomáticas que a consolidaram: Luis Mendes de Vasconcelos (15421623), autor Do Sitio de Lisboa – Diálogos (1608); e Frei Nicolau de Oliveira (1566-1634) autor do Livro das Grandezas de Lisboa (1620). Ambos são naturais de Lisboa e elegeram Lisboa para tema de obras que fazem parte das referências literárias e históricas do século XVII, mencionadas em pormenor por Barbosa Machado e por Inocêncio, mas ainda em todos os inventários bibliográficos relativos à cidade. Todavia, Fernando Castelo Branco, uma das maiores autoridades na história de Lisboa, indica Júlio de Castilho (1840-1919) como o fundador da olisipografia. Esta integração de Castilho como figura tutelar dos estudos acerca da cidade situa-se a partir de 1879, data da publicação do primeiro tomo de Lisboa Antiga, dedicado ao Bairro Alto, que será completado com mais dois volumes; e em numerosos outros tomos com as denominações genéricas Lisboa Antiga – Bairros Orientais, Ribeira de Lisboa e, ainda, Memórias de Castilho. Em paralelo com uma produção muito extensa, Júlio de Castilho estimulou duas gerações de olisipógrafos. Alguns deles ainda privaram directamente com o historiador, na sua casa do Paço do Lumiar, e recolheram da sua conversa erudita, ou dos seus livros, elementos fundamentais para escrever inúmeros trabalhos. No primeiro núcleo destacaramse Freire de Oliveira (1841-1916); J. Gomes de Brito (1843-1923); João Pinto de Carvalho TINOP (1858-1936). Seguiram-se Augusto Vieira da Silva (1869-1951); Gustavo de Matos Sequeira (1880-1962); Norberto de Araújo (1889-1952); e Luís Pastor de Macedo (1901-1971). Foi, no seu tempo, Matos Sequeira um dos que mais actuaram e se distinguiram na segunda geração de olisipógrafos impulsionada por Castilho. O mestre orgulhava-se do discípulo e o discípulo orgulhavase do mestre. Basta aludir um facto: Castilho, quando investigava a freguesia de São Mamede e a história da sua igreja paroquial, solicitou esclarecimentos a Matos Sequeira. Pouco depois, apresentou- lhe um texto com informação tão copiosa e documentada que Júlio de Castilho não hesitou em o transcrever, na íntegra, no respectivo volume da Lisboa Antiga – Bairros Orientais. Foi a consagração, e o reconhecimento do mérito do jovem investigador. Gustavo de Matos Sequeira viveu as várias dimensões culturais, sociais e políticas, do fim do século XIX e das primeiras décadas do século XX: a desagregação progressiva da Monarquia, o regicídio, a implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, os sucessivos episódios que determinaram a queda do novo regime, o Golpe de 28 de Maio de 1926, a ditadura militar e a ditadura de Salazar até ao começo dos anos 60. Profissionalmente, mediante concurso de provas públicas, Matos Sequeira era funcionário da Alfândega de Lisboa. Sob a acusação de envolvimento nos preparativos, em 1931, de uma revolução contra a ditadura, foi preso e destituído do cargo de subdirector. Antigo aluno do Colégio Militar, sem concluir qualquer formação universitária, frequentou a Escola Politécnica de Lisboa, o Instituto Industrial e o Curso Superior de Letras. Por isto não pode ser classificado de autodidacta. O jornalismo, o teatro e a investigação dominaram os interesses in- GOSTOS E AROMAS CULTURA telectuais de Matos Sequeira. Tem intensa colaboração dispersa nos jornais, O Mundo, A Manhã, Diário da Tarde, O Dia, O Século e Diário Popular. Colaborou também nas revistas Ocidente, Ilustração Portuguesa, Terra Portuguesa, Atlântida, Feira da Ladra, Domingo Ilustrado, Século Ilustrado, Panorama, Colóquio, Revista Municipal e Olisipo. Parte desses textos, umas vezes assinados, outras não, ficou reunida em livro: Tempo Passado, 1924; Relação de Vários casos notáveis, 1925; Teatro de Outros Tempos, 1932; Mediterrâneo, crónicas de viagens, 1934. Mas na área da investigação histórica, arqueológica e artística podemos citar, entre as principais obras, na maioria circunscritas a Lisboa: Depois do Terramoto (4 volumes), 1916, 1918, 1922 e 1934; O Carmo e a Trindade (3 volumes) 1939 a 1941; Inventário Artístico de Portugal Distrito de Santarém, 1949; Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Leiria, 1955; História do Teatro Nacional D. Maria II (2 volumes), 1955; História do Palácio Nacional da Ajuda, 1961. Também é autor de numerosos opúsculos, muitos deles textos de conferências e comunicações académicas, no âmbito de efemérides nacionais e regionais, prefácios para exposições, para leilões de livros antigos ou de peças de arte e antiguidades: Guia Turístico de Lisboa, 1926; Catálogo da Exposição Olisiponense, 1914; Palácios e Solares Portugueses, 1931; História do Trajo, 1932; Évora, 1932; Queluz, 1930; Elogio Histórico do Visconde de Castilho; Catálogo da Exposição Ameal, ilustrado por Alberto Souza, 1921; Catálogo dos Manuscritos da Colecção Ameal, 1924; Lisboa, (monografia para a Exposição de Sevilha), 1929; Os Continuadores de Sá de Miranda, 1930; A Abelheira (História de uma Fábrica), 1935; A Indústria do Vidro em Portugal; A Evolução da Cidade, 1935; A Universalidade de Gil Vicente, 1939; A Fisionomia de Lisboa, 1939; Fradique Mendes, símbolo dos Vencidos da Vida, 1942; Como se Visita Lisboa, 1932; Catálogo da Exposição dos Barristas Portugueses, 1938; A Cidade de D. João V, 1952; A Cozinha dos Paços de Vila Viçosa, 1952; O Mundo Português, 1956. Coordenou a obra Lisboa - Oito Séculos de História; é coautor, com Nogueira de Brito, de A Sé de Lisboa, 1930; e da Monografia Histórica de Lisboa, 1924 (incluída no Guia de Portugal organizado por Raul Proença); foi, com Luís Pastor Macedo, do livro A Nossa Lisboa; foi co-autor, com Rocha Júnior, de Olivença, (crónicas e reportagens com ilustrações de Alberto Souza); e também com Bourbon e Meneses, coautor do livro, Figuras Históricas de Portugal. 60.61 MTPAML Escreveu, traduziu e adaptou muitas peças de teatro, em colaboração com André Brun e, sobretudo, Pereira Coelho. Para actualizar textos clássicos e aproximá-los do grande público, procedeu ao arranjo de várias peças: Auto da Fé, O Velho da Horta e Quem tem Farelos, de Gil Vicente; Auto das Regateiras, de António Ribeiro Chiado; Auto da Bela Menina, de Sebastião Pires; Auto do Mouro Encantado, de António Prestes; Fidalgo Aprendiz, Relógios Falantes e Visita das Fontes, de D. Francisco Manuel de Melo; Guerras do Alecrim e Manjerona, de António José da Silva; Assembleia ou Partida, de Correia Garção; e Ulíssipo, de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Desta última, representada no Teatro Nacional de D. Maria, fez parte do elenco Maria Barroso. Da relação de Matos Sequeira com o mundo do espectáculo e da luta travada pela defesa dos direitos de autor, poderá acrescentar-se que foi um dos funda- CULTURA dores e dirigentes da Sociedade Portuguesa de Autores e Compositores Portugueses, actual Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e colaborador da revista Autores. Também ficou associado a outras iniciativas de grande projecção: Exposição das Mulheres Portuguesas, no jornal O Século, em 1933; Exposição Triunfal do Desporto, no Automóvel Clube, em 1934; Exposição Biblio-iconográfica de Lisboa, em 1935; Exposição dos Artistas de Coimbra, no jornal O Século, em 1937; Exposição do Mundo Português, em 1940; Exposição dos Barristas, em 1938, no Museu de Arte Antiga; Exposição do Terramoto de 1755, no Parque Eduardo VII, em 1935; Exposição do Centenário da Imprensa em 1941; Exposição dos retratos do século XVII, no Palácio da Independência, em 1943. Em 1926 Matos Sequeira organizou, com Leitão de Barros e Alberto Souza, o Mercado do Século XVII, no Largo de São Domingos; em 1935 a reconstituição da Lisboa Antiga, na Cerca das Francesinhas; em 1934, o Cortejo Histórico Colonial do Porto, em 1940, a Casa de Santo António e o Bairro Comercial e Industrial, na Exposição do Mundo Português, 1940; e em 1943, com Leitão de Barros e Mimon Anahory, a reconstituição de uma feira antiga no Parque de Palhavã, (actual espaço da Fundação Gulbenkian). Foi a primeira edição da Feira Popular de Lisboa, promovida pelo jornal O Século, que se transferiu em 1961 para Entrecampos. Após décadas de funcionamento nos meses de Verão, extinguiu-se, recentemente ignorando-se, no decurso de várias polémicas e processos judiciais, se voltará ainda a ser um dos locais de encontro da cidade com a sua população e os que a visitam. Pertenceu Matos Sequeira à Academia das Ciências de Lisboa, à Academia Nacional de Belas Artes, à Academia Portuguesa da História. Em todas elas marcou a sua presença e apresentou comunicações. Mas, além das Academias e da Sociedade de Autores, Matos Sequeira teve outros vínculos: à Associação dos Arqueólogos Portugueses e ao Grupo dos Amigos de Lisboa. Integrou a comissão organizadora do Grupo dos Amigos de Lisboa. A partir de Julho de 1936, Matos Sequeira dirigiu e colaborou, com assiduidade, na Olisipo, revista que tem interpretado os objectivos desta instituição: contribuir para o estudo da história e expansão de Lisboa e a solução dos problemas de urbanismo; defender o património artístico, monumental e documental olisiponense; criar opinião pública que reforce a acção colectiva do grupo; dar apoio a instituições oficiais e particulares, que se ocupem da administração da salvaguarda e do progresso de Lisboa. Matos Sequeira nasceu (9-12-1880), viveu e faleceu (218-1962) em Lisboa. Sempre na mesma rua e na mesma casa, durante mais de 80 anos. Apesar de conhecer e andar por toda a cidade, de se repartir todos os dias, entre a zona ribeirinha, a sede da Alfândega; a Baixa, o Chiado, as tertúlias das livrarias e dos cafés e alguns teatros; e o Bairro Alto das redacções dos jornais, o universo afectivo de Matos Sequeira concentrava-se na freguesia de São Mamede, na velha casa de família que o recorda numa lápide. A rua, também, ficou com o seu nome. Esta inscrição na toponímia é uma das homenagens que a cidade já prestou a um dos mais notáveis estudiosos da história de Lisboa. GOSTOS E AROMAS OS BRANCOS DA NOVA ERA MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE OS HÁBITOS DE CONSUMO João Paulo Martins Jornalista GOSTOS E AROMAS O consumo do vinho tem variado muito ao longo das últimas décadas. Essa evolução verificou-se, não só em termos de volume, mas também no tipo de vinho mais apreciado pelo consumidor. Repare-se: no tempo dos nossos pais e avós, numa época em que Portugal era um país colonial e em cujos territórios não se produzia vinho, fazia-se um vinho que muito diferia daquele que hoje apreciamos. As diferenças podem ser encontradas nos grandes e nos pequenos pormenores. Mas antes de irmos a essas minudências fixemo-nos no essencial: a ideia de produzir vinho em grande quantidade levou a que se optasse por castas de uva muito produtivas, as chamadas castas paga-dívidas, capazes de multiplicar por quatro a produtividade normal de uma vinha. Veja-se este exemplo: na actualidade, um vinho tinto, para ter direito à Denominação de Origem Dão, não pode resultar de uma produção por hectare superior a 60 hectolitros, ou seja, 6 000 litros; nesses outros tempos, a produção podia facilmente chegar aos 20 ou mesmo 30 000 litros por hectare. Percebe-se assim melhor que as grandes casas agrícolas do sul do país, do Ribatejo e da Estremadura, tivessem uma desmesurada capacida- uma descida vertiginosa que não parou até aos de de armazenagem. A empresa vinícola DFJ, que nossos dias. Portugal passou dos quase 100 litros nasceu do nada e se desenvolveu sem ser “herdei- per capita nos anos 80 para os actuais cerca de ra” de uma qualquer família há muito produtora, 40 litros. Este movimento não foi só nacional e adquiriu e instalou-se numa quinta do Ribatejo, a o mesmo aconteceu em França, com quem dis- quinta da Fonte Bela, nome seguramente menos putámos durante muito tempo o primeiro lugar conhecido do que a quinta da Alorna, da Lagoal- da lista dos maiores bebedores. A conjugação va ou Fiuza. É verdade, a quinta não é um nome destes dois vectores – fim do império e menor sonante mas a capacidade de armazenamento de consumo – alteraram para sempre o modus vinho que ali estava instalada é absolutamente operandi do vinho em Portugal, principalmente desconcertante, não só em depósitos de cimento no sul (em termos de reconversão da vinha) e como também em naves de enormes tonéis que no centro, com a falência ou encerramento de outrora estiveram cheios de vinho. muitas caves na Bairrada. Quem não se lembra Esse mundo morreu e, na maior parte dos aspec- das Caves Império (que nome insólito!), Caves tos, não deixou saudades. O que entretanto se Valdarcos, Caves Fundação, Borlido, Barrocão? passou foi o encontro de duas linhas que conver- Nenhuma delas produzia um cacho de uvas, ne- giram no início dos anos 90 do século passado: nhuma tinha vinhas próprias e o mesmo aconte- com o desaparecimento do império e o retorno à cia com as Caves Aliança ou as Caves São João, pátria dos consumidores habituados aos vinhos as que mais fama atingiram na região. Alguns tradicionais, morreu também uma das principais nomes perduram até hoje, mas as empresas ti- fontes de escoamento da produção nacional; por veram de ter um grande jogo de cintura para so- outro lado, o consumo per capita iniciou então breviverem no Novo Mundo que estava a nascer. GOSTOS E AROMAS Novas castas, novos sabores Quando chegou a hora da reconversão, da substituição das castas paga-dívidas por outras que pudessem ter bom acolhimento junto dos consumidores, novas variedades surgiram entre nós. Aos poucos o consumidor foi-se habituando a ouvir falar de castas, a saber que este era feito com duas e aquele era mono-varietal, que este era com castas francesas e aquele com outras do Douro ou do Dão. Aos poucos o panorama mudou, uma vez que cresceram os produtores-engarrafadores e as novas empresas e gradualmente foram perdendo peso as adegas cooperativas, principalmente nas zonas estremenha e ribatejana. Alguém se lembra da última vez que bebeu um vinho da cooperativa da Chamusca, de Tomar, de São Mamede da Ventosa ou da Carvoeira? Esse mundo também mudou; na Estremadura chegaram a existir 23 adegas cooperativas e aquela que chegou a ser a maior – Torres Vedras – já se encontra encerrada há uns bons anos. Paulatinamente têm vindo a fechar, a falir, a declarar insolvência e outras encontraram nichos de mercado interessantes, como a venda de toda a produção a granel ou em tetra-pack para Angola. Deste quadro salvam-se as seis cooperativas do Alentejo que, embora com níveis de saúde financeira diferentes, ainda estão todas abertas. Novos produtores e novas castas originaram necessariamente novos vinhos, de tipo novo, a que aos poucos os consumidores se foram habituando. Falando só em brancos, hoje é corriqueiro falar em Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier ou Verdelho mas essas castas não existiam no sul do país. Felizmente que algumas desse tempo ainda cá estão e vão ficar, como o Fernão Pires ou o Arinto e alguns produtores teimosos lá vão fazendo o que podem por castas a que cada vez se liga menos (talvez injustamente) como o Vital, a Tália, a Trincadeira das Pratas, o Tamarez, Perrum, Rabo de Ovelha e tantas outras. A grande diferença, dizem os produtores, é que as novas castas permitem que até os chamados vinhos de entrada de gama, os mais baratos do portefólio, tenham bons aromas e na boca se mostrem bem estruturados e consigam também uma continuada qualidade ao longo dos anos em cave. Este mar, que não é de rosas, também tem espinhos: praticamente já não há vinhas velhas no Alentejo, exceptuando na serra de São Mamede, em Portalegre, e com o arranque vai-se também 64.65 MTPAML GOSTOS E AROMAS a variabilidade genética das vinhas, condição essencial para asse- da modernidade, dizem alguns, é a morte de muita da tradição pro- gurar o seu futuro. Hoje, em vez de replantar com varas da própria dutiva nacional, dizem outros. Condenados a produzir o mesmo que vinha, os produtores têm de recorrer aos viveiristas, onde a variabi- o resto do mundo? Seria uma tristeza, para um país com 340 castas lidade clonal do material vegetativo é muito limitada. São os custos autónomas. ACONTECEU PROMOVIDA PELA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA CONFERÊNCIA “LISBOA – UMA ÁREA METROPOLITANA EUROPEIA E GLOBAL” A Comissão Permanente de Desenvolvimento Económico da Assembleia Metropolitana de Lisboa, em parceria com o Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa promoveu, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Conferência “LISBOA – Uma Área Metropolitana Europeia e Global”. Este evento, que contou com as palavras do Presidente da Assembleia Metropolitana de Lisboa, João Serrano, na sua abertura institucional, pretendeu ser um espaço de reflexão e debate sobre os desafios da competitividade e desenvolvimento sustentável que a Área Metropolitana de Lisboa, a par de outras congéneres europeias, enfrenta num mundo cada vez mais globalizado. Os seus objectivos foram definir fraquezas e ameaças, apontar forças e oportunidades e conhecer algumas das políticas que estão a ser implementadas e as linhas de orientação estratégica para o futuro. Os oradores que contribuíram para que os objectivos da conferência fossem alcançados foram os seguintes: 1.º Painel - Uma AML Europeia e Global – Constrangimentos, Oportunidades e Desafios - Diogo Abreu - Director do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa - Mário Vale - Director do Núcleo de Estratégias Territoriais do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa e Coordenador da Avaliação ex-ante do POR Lisboa 2.º Painel - Uma AML Europeia e Global – Estratégias de Desenvolvimento para a Região 66.67 MTPAML - Carlos Humberto de Carvalho – Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa - Jorge Moreira da Silva – Consultor do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Fernanda Carmo - Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades O encerramento da conferência foi assegurado pelo Presidente da Comissão Permanente de Desenvolvimento Económico da Assembleia Metropolitana de Lisboa, Paulo Silva. Área Metropolitana de Lisboa Almada Amadora Barreiro Cascais Lisboa Loures Mafra Moita Montijo Odivelas Oeiras Palmela Seixal Sesimbra Setúbal Sintra Vila Franca de Xira Rua Carlos Mayer, 2 - R/C • 1700-102 LISBOA Telef.: 351-21 842 85 70 • Fax: 351-21 842 85 77 http://www.aml.pt • e-mail: [email protected] P O RT U G A L Alcochete