COOPERJOVEM Coapro adere ao programa educional do cooperativismo PÁGINA 3 Ano 4, nº 19, Janeiro/Fevereiro/2009 A Casa do Cooperativismo Jornal do Sistema OCB/SESCOOP-GO SISTEMA OCB/SESCOP-GO INICIA OPERAÇÃO DO SISTEMA AG, FERRAMENTA DE AUXÍLIO À MODERNIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO COOPERATIVISTA EM GOIÁS 4/5 RUMO À GESTÃO TECNOLÓGICA CRÉDITO LIVRE ADMISSÃO É TEMA DE ESTUDO NA PÓS-GRADUAÇÃO DO SISTEMA OCB/SESCOOP-GO / 6 e 7 E DITORIAL Modernizar é o que interessa “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, dizia o bordão de um personagem da televisiva Escolinha do Professor Raimundo (Chico Anysio). Trazendo esse bordão para nossa vida de trabalho, modernizar nunca esteve tão necessário quanto nos dias que correm. É preocupação que o Sistema OCB/SESCOOP-GO está levando a sério. Tão a sério que investiu dinheiro e pessoal num arrojado projeto de modernização de gestão de nossas cooperativas, cuja arrancada começamos neste início de 2009. Deixando a modéstia de lado, o que queremos com esse Sistema de Acompanhamento de Gestão das Cooperativasde (Sistema AG) não é pouco. Com apoio de todos os nossos dirigentes, ele haverá de promover uma verdadeira revolução no modo como temos administrado nossas sociedades e trará reflexos marcantes também na apresentação institucional do movimento cooperativista goiano perante a sociedade. Não é sonhar demais, basta ver o que esse sistema tem feito no cooperativismo do Paraná, de onde buscamos a parceria com a Ocepar/Sescoop-PR que nos possibilitou ter os direitos de uso do Sistema AG. Como mostramos no texto de capa desta edição, o Sistema AG é a mais completa ferramenta digital de auxílio à gestão de cooperativistas, e o faz de forma integrada, em tempo real. Mas os vários e detalhados relatórios que esse sistema gera, com muita segurança de dados, de pouco valerá se nossos dirigentes não enxergarem nele esse ganho administrativo para suas próprias cooperativas. É esse apelo que passaremos a fazer durante todo o processo de implantação do Sistema AG em Goiás. Aproveitamos o espaço para parabenizar a Coapro pela decisão de abraçar a causa Cooperjovem, como mostramos na página ao lado. É com iniciativas assim que avançaremos no semear da semente cooperativista das novas gerações em nosso estado. Mais à frente, o leitor poderá conferir também que a crise que enfrentamos pode encontrar no cooperativismo de crédito uma saída interessante com o crescimento da livre admissão. Por fim, reforçamos o desejo de que o Brasil tenha neste 2009 que se inicia um ano menos pessimista do que tem sido ventilado. “ O QUE QUEREMOS COM O SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DE GESTÃO DAS COOPERATIVAS NÃO É POUCO. COM APOIO DE NOSSOS DIRIGENTES, ELE HAVERÁ DE PROMOVER UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO NO MODO COMO TEMOS ADMINISTRADO NOSSAS SOCIEDADES COOPERATIVISTAS.” Boa leitura e saudações cooperativistas ANTONIO CHAVAGLIA / PRESIDENTE DO SISTEMA OCB/SESCOOP-GO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente: Antonio Chavaglia (Comigo) Vice-presidente: Antonio Carlos Borges (Agrovale) Secretário: Haroldo Max de Sousa (Centroleite) Membro: Fábio Batista Veloso (Coopmego) Membro: Vanderval Lima Ferreira (Sicoob Goiás Central) Membro: Dejan Rodrigues Nonato (Unicred Brasil Central) Membro: Marcos Mariath Rangel (Sicoob Credicor) Membro: José Abel Alcanfor Ximenes (Unimed Cerrado) Membro: Karla Jorama Tavares Brandão (Uniodonto Goiânia) Presidente: Antonio Chavaglia CONSELHO FISCAL EFETIVO Membro: Welber D´Assis Macedo e Silva (Copal) Membro: Adilson Ferreira de Moraes (Comiva) Membro: Vanderval José Ribeiro (Sicoob Rubiataba) CONSELHO FISCAL SUPLENTE: Membro: Ênio Freitas de Sene (Sicredi Quirinópolis) Membro: João Batista Pereira Machado (Federação das Uniodontos) Membro: Rodrigo Penna de Siqueira (Sicoob Coopercred) Superintendente: Valéria Mendes REDAÇÃO E EDIÇÃO: Edson Wander Jornalista responsável (Mtb 31.158/SP) MARKETING: Bruno Neiva DIAGRAMAÇÃO: Fábio Salazar Membros efetivos: Haroldo Max de Sousa (Centroleite) Sizenando da Silva Campos Jr. (Unimed Goiânia) Euclécio Dionízio Mendonça (Complem) Amarildo Moraes de Oliveira (Comigo) OCB-GO Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás Membros suplentes: Osmar Luiz Salvalaggio (Coacer) João Batista da Paixão Jr. (Cooperbelgo) Luis Tadeu Prudente Santos (Sescoop Nacional) Edmar Queiroz da Silva (Comigo) Av. Deputado Jamel Cecílio, 3427 Jardim Goiás CEP: 74810-100 Goiânia-Goiás Fone: (62) 3240-2600 Fax: (62) 3240-2602 CNPJ: 01.269.612/0001-47 CONSELHO FISCAL : Membros efetivos: Astrogildo Gonçalves Peixoto (Coapil) Pedro Jaime de Araújo Caldas (Coacris) João Gonçalves Vilela (Cagel) Membros suplentes: Carlos Henrique Arruda Duarte (Coacal) Rubens da Cruz Santana (Coval) Danúbio Antônio de Oliveira (Unimed Anápolis) Superintendente: Valéria Mendes www.ocbgo.org.br e-mail: [email protected] DISTRIBUIÇÃO: Publicação dirigida às cooperativas e entidades ligadas direta ou indiretamente ao cooperativismo no estado de Goiás. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, não correspondendo necessariamente à opinião do Sistema OCB/SESCOOP-GO. Permitida a reprodução total ou parcial dos textos deste jornal, desde que citada a fonte. FOTOGRAFIAS: Arquivo Sistema OCB/SESCOOP-GO e divulgação das fontes IMPRESSÃO: Graf Set Tiragem: 5 mil exemplares GOIAS COOPERATIVO 2 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 SESCOOP/GO Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Goiás Av. Deputado Jamel Cecílio, 3427 - Jardim Goiás CEP: 74810-100 Goiânia-Goiás Fone: (62) 3240-8900 Fax: (62) 3240-8902 CNPJ: 07.012.268/0001-92 www.sescoopgo.org.br e-mail:[email protected] Cooperativismo. Você participa. Todos crescem A CASA DO COOPERATIVISMO EM GOIÁS SE PREOCUPA COM O MEIO AMBIENTE. E VOCÊ? E DUCAÇÃO COOPERATIVISTA Coapro oficializa adesão ao Programa Cooperjovem A Cooperativa Mista Agropecuária dos Produtores Rurais de Orizona (Coapro) oficializou no dia 16 de fevereiro sua entrada no Programa Cooperjovem, que leva ensinamentos cooperativistas às salas de aula de escolas públicas pelo apadrinhamento de cooperativas. O programa nacional é coordenado em Goiás pelo SESCOOP/GO. Em Orizona, a Coapro vai apadrinhar a Escola Estadual Maria Benedita Veloso e já ofereceu, em parceria com o SESCOOP/GO, o curso "Jogos Cooperativos e Exercícios Vivenciais" aos professores e funcionários da escola. Cerca de 350 alunos e 28 professores da escola serão beneficiados pelo programa. Na solenidade de lançamento da adesão da cooperativa e da escola no programa, o presidente da Coapro, Haroldo Max de Sousa, destacou a importância da implantação do Cooperjovem na cidade. “Os alunos dessa escola são em sua grande maioria filhos de famílias ligadas direta ou indiretamente ao trabalho COOPERATIVA DE ORIZONA APADRINHA ESCOLA ESTADUAL E VAI BENEFICIAR 350 ALUNOS E 28 PROFESSORES NO PROGRAMA COORDENADO PELO SESCOOP/GO O presidente da Coapro, Haroldo Max de Sousa, fala durante solenidade de lançamento do Cooperjovem em Orizona Programa vai beneficiar mais de 20 mil pessoas neste ano no campo, que é o foco de atuação da Coapro. Tenho certeza de que essa união nossa, do SESCOOP/GO e da comunidade dessa escola no Cooperjovem renderá frutos duradouros para todos”, afirmou Max de Sousa em solenidade que contou com a presença da diretoria da Coapro e da escola, além de representante do SESCOOP/GO. Com a adesão da Coapro ao Cooperjovem, sobe para oito as cooperativas goianas participantes do programa em sete municípios. GOIAS COOPERATIVO O Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Goiás (SESCOOP/GO) já tem pronto seu plano de trabalho para 2009. Segundo a superintendente Valéria Mendes da Silva, foram aprovadas 256 ações com mais de três mil horas/aula de atividades, beneficiando diretamente a mais de 20 mil pessoas em todo o estado. 3 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 Segundo a superintendência, esses números podem aumentar ainda mais no decorrer do exercício, quando novos pedidos encaminhados poderão ser aprovados pelo conselho, depois de analisados. O calendário de atividades deste ano do SESCOOP/GO foi aberto em fevereiro com dois cursos voltados às centrais de cooperativismo de crédito goiano. G ESTÃO COOPERATIVISTA Por uma administração moderna e eficiente SISTEMA OCB/SESCOOP-GO TRAZ DO PARANÁ NOVA FERRAMENTA PARA AUXILIAR COOPERATIVAS GOIANAS A MELHORAR GESTÃO E FORTALECER O SETOR NO ESTADO 2009 entrará para a história do cooperativismo goiano como o anomarco na transformação da gestão do setor no estado. É nisso que os conselhos de administração da OCB-GO e do SESCOOP/GO apostam ao dar início à operação do Sistema de Análise e Acompanhamento das Cooperativas, o Sistema Autogestão, cuja sigla passa a ser adotada como Sistema AG. As primeiras cooperativas que aderiram ao programa já iniciaram o treinamento. O Sistema AG consiste num moderno e completo programa de computador em linguagem web (internet) que integra informações financeiras, de controle administrativo e recursos humanos das cooperativas e foi cedido ao cooperativismo goiano mediante acordo de parceria feito com o Sistema Ocepar/SescoopPR durante o 4º Seminário Estadual de Cooperativismo. Por ele, as cooperativas singulares ou centrais passam a ter o completo controle das operações produtivas de seu negócio, obtendo maior segurança na tomada de decisões em vários aspectos da gestão. Para ter uma idéia das possibilidades que o Sistema AG oferece, basta lembrar que ele gera mais de 300 indicadores dos diversos ramos em tempo real e de forma integrada. Todo o banco de dados do Sistema AG ficará no SESCOOP/GO, que investiu na reestruturação de sua rede de informática, capacitação de pessoal e aquisição de um servidor exclusivo para o novo sistema.As cooperativas poderão integrar o sistema sem custos adicionais, bastando assinar o termo de adesão e ter um computador com uma configuração mínima conectado à internet. O acesso é pessoal e intransferível, com perfis diferenciados para cada usuário garantindo assim a segurança das informações. Segundo o presidente do Sistema OCB/SESCOOP-GO, Antonio Chavaglia, o intuito maior em implantar o Sistema AG em Goiás é o de fomentar a “mudança na cultura administrativa” das cooperativas e fortalecer mais o setor. “Esse sistema é uma ferramenta fundamental para nós, já foi testado com sucesso no Paraná, chegando inclusive a salvar cooperativas em processo de liquidação. O que propomos aqui é um modelo integrado de crescimento do cooperativismo no estado”, comentou Chavaglia. Durante a assinatura do acordo com Sistema GOIAS COOPERATIVO OCB/SESCOOP-GO, o presidente do Sistema OCEPAR/SESCOOP-PR, João Paulo Koslovski destacou a importância que o Acompanhamento dos Indicadores de Gestão teve no processo de profissionalização da gestão que o cooperativismo paranaense experimentou com a sua implantação. “De 2000 a 2008, tivemos um aumento de 250 mil para 500 mil cooperados e de 13 mil para 50 mil colaboradores”, revelou Koslovski enfatizando que esse crescimento só se deu por causa do ganho no aprimoramento da gestão e redução de custos proporcionado por esse sistema de acompanhamento, “o que resultou em cooperativas mais saudáveis e prósperas financeiramente”. No Paraná, a implantação do sistema se deu com toda a orientação às cooperativas no que tange o domínio no lançamento de dados e principalmente como trabalhar administrativamente as informações geradas pelo Sistema AG. “É exatamente como faremos aqui. Nossa intenção é estar sempre próximos das cooperativas nessa fase de implementação, faremos o que estiver ao nosso alcance para melhor ajudá-las, mas para isso precisaremos contar com a participação efetiva dos presidentes e principais executivos das cooperativas”, afirmou Chavaglia referindo-se à necessidade de o sistema ser alimentado de maneira correta pelas cooperativas. 4 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 Parceria: Chavaglia, do Sistema OCB/SESCO do Sistema OCEPAR/SESCOOP-PR, durante Segurança da informa No início de fevereiro, quatro cooperativas do Sistema OCB/SESCOOP-GO começaram o treinamento de uso do Sistema AG. Gestores da Agrovale, Centroleite, Coapro e Complem conheceram as normas de uso e fizeram exercícios práticos de lançamento de dados no sistema, assessorados pelos técnicos da Casa do Cooperativismo Goiano. As quatro cooperativas são do ramo agropecuário e todas têm o leite como principal negócio. Segundo a superintendente Valéria Mendes da Silva, o treinamento abriu uma série que será realizada à medida em que as cooperativas forem aderindo ao Sistema AG. “Nosso maior desafio será mostrar ao cooperativismo goiano que o Sistema AG tem PRIMEIRAS IMPRESSÕES Depoimentos de gestores cooperativistas que participaram do primeiro treinamento do Sistema AG S O programa é bom, só propusemos à OCB-GO fazer alguns ajustes para o nosso caso porque o Sistema AG gera mais relatórios contábeis do que de produção. Há um relatório de produção nele, mas é anual. Nossa necessidade é ter ferramentas capazes de gerar relatórios mensais ou mesmo semanais. A solicitação já foi analisada e será implantada pela OCB-GO. Mas sem dúvida é um sistema bastante completo e vai auxiliar muito as cooperativas a aperfeiçoar suas análises financeiras” ANTONIO MORAIS RESENDE, superintendente da Cooperativa Central de Laticínios de Goiás (Centroleite) OOP-GO (à esquerda), com Koslovski, assinatura da cessão de uso do Sistema AG S Ainda não utilizamos o sistema, mas pelo que vi no treinamento ele vai nos ajudar muito, especialmente em relação à análise e gerenciamento da cooperativa. E isso ainda vai agregar bons resultados para nós no futuro. Após nossa assembléia geral, já pretendemos adequar a cooperativa para iniciar a utilização do sistema” ação é um dos pontos-chave do Sistema AG ILNELIO MARTINS DE MEDEIROS, gerente administrativo- financeiro da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Vale do Paranaíba (Agrovale) S Achei o programa muito bom. Ainda não abastecemos com os dados da cooperativa, mas acredito que vai ser uma ferramenta excelente para nosso trabalho. Estamos tentando fazer o lançamento dos dados o mais rápido possível para iniciarmos em breve o uso do sistema” Técnicos do SESCOOP/GO falam a gestores em treinamento do Sistema AG uma importância imensa, no sentido de melhor orientar a gestão de nossas cooperativas. E esses objetivos só serão atingidos com o apoio e o comprometimento delas”, disse Valéria. Além de normas e exercícios de uso, o treinamento mostra o nível de segurança das informações que o Sistema AG proporciona às cooperativas. Há uma política de TI (Tecnologia da Informação) que determina que informações detalhadas e confidenciais da cooperativa não são divulgadas. Segundo explica Francisco da Silva Cavalcante, responsável pela Tecnologia da Informação do Sistema OCB/SESCOOP-GO, o acesso ao Sistema AG, é pessoal e intransferível, com perfis diferenciados e garantidos por senha para cada tipo de usuário. Com isso, toda e qualquer alteração cadastral pode ser identificada, ressaltou o técnico. GOIAS COOPERATIVO LUCIANA DE CARVALHO CANEDO gerente comercial da Cooperativa Mista Agropecuária dos Produtores Rurais de Orizona (Coapro) S O treinamento atendeu às expectativas e foi muito proveitoso e percebi que o sistema é fácil de ser manuseado. Agora vamos fazer uma avaliação para ver se ele vai trazer benefícios e vamos tentar trocar informações constantemente com a OCB-GO para buscar aprimorar o sistema às necessidades da cooperativa. Todo sistema de gestão é muito importante. Já trabalhamos com um, mas o Sistema AG vai trazer uma soma para nosso trabalho porque possibilita análises mais aprofundadas” ITAMAR FERNANDES DE MELO, coordenador-administrativo da Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos (Complem) 5 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 C RÉDITO A hora e a vez da Livre Admissão ESTUDO REALIZADO NA PÓS-GRADUAÇÃO DO SISTEMA OCB/SESCOOP-GO APONTA AS VANTAGENS DA LIVRE ADMISSÃO NO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO odelo de cooperativismo de crédito que mais cresce no país, a livre admissão foi regulamentada pelo Banco Central (BC) em 2003. Em linhas gerais, nesse tipo de cooperativismo de crédito, as cooperativas podem receber como cooperados diferentes tipos de segmento profissional, respeitando-se limites mínimos de capital estabelecidos pelo BC e o raio geográfico de ação. É um avanço para a ampliação do setor no Brasil, que antes só podia contar com cooperativas segmentadas (de produtor rural, comerciante, profissionais liberais etc). Desde então, é crescente o número de cooperativas que se constituem no novo modelo, atentas às possibilidades maiores de capitalização e oferta de crédito a juros mais vantajosos a seus cooperados. Muitas das novas cooperativas de livre admissão surgiram no M meio urbano, mas o cooperativismo de crédito rural vai aderindo aos poucos ao modelo. Segundo dados do Sicoob Goiás Central, das seis cooperativas em funcionamento com livre admissão, cinco são cooperativas de crédito rural que foram transformadas para o novo modelo. Um estudo da última turma do curso de pós-graduação em Gestão, Controladoria e Finanças do Sistema OCB/SESCOOP-GO (realizado há 16 anos com chancela da UCG) mostra os riscos e oportunidades que a livre admissão oferece para as cooperativas de crédito rural. O estudo, feito por Leda Campos Guimarães, Zenaide Furquim Guimarães e Romero Sielkis de Oliveira, os três profissionais do Sicoob Credirural (com sede em Rio Verde e filiais por várias cidades da região sudoeste), tomou por base as experiências das cooperativas Sicoob Agrorural (de Quirinópolis), Sicoob Crediarcos (Arcos, MG) e GOIAS COOPERATIVO Sicoob Saromcredi (São Roque de Minas, MG). Os balanços dos últimos quatro anos das cooperativas mostraram crescimentos consideráveis no capital e quadro social. No Sicoob Saromcredi, por exemplo, o número de associados chegou a 62%, numa mostra do fortalecimento que a cooperativa ganha no modelo de livre admissão. Segundo Leda Guimarães, as principais vantagens da livre admissão são o aumento da 6 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 concorrência com maior oferta de serviços financeiros e redução dos riscos da sazonalidade típica no setor, em virtude das quebras na capacidade produtiva na agricultura ou pecuária. “Agora, claro que os riscos inerentes a uma atividade financeira como essa também aumentam, porque você já não tem tanto o controle da sua carteira de associados como tem nas cooperativas segmentadas”, diz Leda, que é gerente do PAC do Sicoob Goiás Coapil comemora sexto ano e estuda livre admissão Sicoob Credirural em Montividiu. Ela acrescenta que por causa dos riscos, aumenta a necessidade de se ter “uma gestão comprometida com as normas do sistema que impõe controles e regras visando à saúde financeira das cooperativas”. Leda Guimarães sugere que até num momento de crise global de crédito como a atual, o cooperativismo de livre admissão apresenta diferenciais por “democratizar” o acesso ao crédito fazendo com que os recursos “cheguem com mais facilidade aos setores mais vulneráveis”. Perguntada quando não é aconselhável a opção pela livre admissão, Leda é sucinta: “a meu ver é aconselhável em qualquer segmento”. Para ela, o cooperativismo de crédito de livre admissão continuará crescendo tanto no meio rural como urbano, mas deverá ser maior neste último “por ser um mercado mais amplo”. O estudo do grupo foi apresentado à diretoria do Sicoob Credirural. MONOGRAFIA: (da esquerda para direita): Romero de Oliveira (assistente de crédito), Zenaide Guimarães (conselheira fiscal) e Leda Guimarães (gerente PAC de Montividiu) durante entrega do estudo a Jose Antonio Nogueira Junior, diretor administrativo do Sicoob Credirural. Constituída em fevereiro de 2003, a Cooperativa de Crédito Rural de Piracanjuba (Sicoob Goiás Coapil) comemorou no último dia 17 seu aniversário de seis anos. O balanço do exercício de 2008, já apresentado em assembléia, mostra um crescimento de 60,5% em seu capital social (para R$ 3 milhões) e, apesar da crise no sistema financeiro, a direção do Sicoob Goiás Coapil projeta para este ano um aumento de 36% em seu capital. Para Astrogildo Gonçalves Peixoto, presidente da cooperativa, o resultado positivo reflete a boa aceitação da cooperativa na cidade e entre os cooperados. "O bom atendimento que a cooperativa oferece e a oferta de crédito diferenciado possibilitou esse crescimento significativo", disse Peixoto informando que a cooperativa tem hoje 239 cooperados. Segundo Peixoto, o Sicoob Goiás Coapil surgiu com o objetivo de atender às necessidades de crédito dos cooperados da Cooperativa Agropecuária Mista de Piracanjuba (Coapil), mas não existe obrigatoriedade de filiação as duas cooperativas. "Recebemos grande apoio da Coapil para a constituição da cooperativa de crédito, mas não exigimos que os cooperados pertençam a ela para se associarem à de crédito", contou Peixoto. Com os bons resultados que a cooperativa vem experimentando, a direção já planeja a construção da sede própria (com mais de 700 m²) e realiza estudos de viabilidade de mercado para se transformar em livre admissão. "Estamos procurando proporcionar um melhor atendimento aos cooperados. Caso a mudança [para livre admissão] atenda melhor aos cooperados, vamos providenciá-la", explicou Peixoto. Sicoob Credicer aposta na livre admissão para crescer Com o objetivo de atender à demanda de seus cooperados em toda a região do Vale do São Patrício, a Cooperativa de Crédito de Ceres e Rialma (Sicoob Credicer) foi fundada para atuar com livre admissão. O gerente da cooperativa, César Jaime dos Santos, explica que essa opção atendia melhor aos interesses dos cooperados da região que, pelo fato de dispor de atividades econômicas variadas, exige atendimento a públicos diversificados. "A segmentação deixa a cooperativa limitada. E como GOIAS COOPERATIVO 7 estamos em uma cidade pólo, optamos pela livre admissão", afirmou Santos. Atualmente o Sicoob Credicer possui 170 cooperados e tem um capital social de R$ 770 mil, mas já tem projeto para aumentar seu número de cooperados. Para isso a cooperativa está investindo na divulgação dos serviços por meio dos próprios cooperados. "Até o fim deste ano pretendemos atingir a marca de cerca de 250 cooperados e um capital social de R$1 milhão. Por isso estamos mobilizando os cooperados para JANEIRO/FEVEREIRO/2009 divulgar a cooperativa, apresentando os serviços para outras pessoas e usando nossos serviços para que a marca seja vista" disse o gerente. Segundo ele, o Sicoob Credicer oferece diversos serviços bancários, como cheque especial, cartão de crédito, seguros e a facilidade de acesso aos serviços pela internet, o que favorece a condição de expansão da cooperativa nas duas cidades. "Também pretendemos divulgar os serviços na mídia, mas esse projeto é para o futuro", esclareceu Santos. GIRO COOPERATIVO Agenda Legislativa do Cooperativismo 2009 As proposições de interesse das cooperativas brasileiras ao Congresso Nacional, as conquistas realizadas em 2008 e os desafios do setor para deputados e senadores apresentarem projetos de lei neste ano estão reunidos na Agenda Legislativa do Cooperativismo 2009, publicação organizada pela OCB com apoio da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop). A publicação, em sua terceira edição, apresenta cerca de 50 proposições em tramitação no Congresso Nacional, além de 37 propostas que podem se transformar em projetos de lei a serem apresentados pelos deputados e senadores, atendendo às necessidades das cooperativas. Tecnoshow Comigo 2009 terá novidades Nova etapa do Programa de Visita começa em março No dia 16 de março, a equipe técnica do Departamento de Fomento da OCB-GO volta à estrada para nova rodada do Programa de Visitas da organização. O objetivo é estreitar o relacionamento do sindicato com sua base e acompanhar de perto a realidade e as necessidades das cooperativas do Sistema OCB/SESCOOP-GO. No programa, os técnicos reforçam os vínculos permanentes para atender melhor às cooperativas e aproveitam para colher dados para o Censo do Cooperativismo Goiano, raio-x do setor cuja nova edição a OCB-GO planeja publicar em junho. Nesta quarta etapa do programa, os técnicos retomarão o contato com todas as cooperativas registradas no Sistema. Nas visitas, os técnicos levam aos dirigentes documentos e informativos importantes ao dia-a-dia da gestão das cooperativas. A superintendente do Sistema OCB/SESCOOP-GO, Valéria Mendes da Silva, reforça a importância de os dirigentes repassarem as informações solicitadas para a elaboração do Censo do Cooperativismo Goiano. “Este Censo é uma ferramenta importante na hora de reivindicarmos melhor atenção às nossas demandas junto a governos e nossa presença social nas comunidades onde atuamos”, comentou Valéria. A orientação é para que os gestores das cooperativas respondam com antecedência aos questionários do programa, enviados às cooperativas por email. Estes formulários buscam informações específicas de caráter econômico, financeiro e social das cooperativas. A Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) prepara algumas inovações no Centro Tecnológico Comigo (CTC) para promover a Tecnoshow Comigo 2009, grande feira agropecuária que será realizada entre os dias 31 de março e 4 de abril, em Rio Verde. O CTC recebeu 1.500 m2 de calçamento com blocos de pedra, o curral de bovinos ganhou calçamento e cobertura e um novo pavilhão está em construção para oferecer serviços de cópias, emissão de Guias de Transporte de Animais (GTA), notas ficais, dentre outros. Outro destaque do evento neste ano será a Casa da Embrapa, um espaço para abrigar diversas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e apresentar aos produtores as novas tecnologias da instituição. A temática do meio ambiente também estará presente em 2009 no Circuito Ambiental, com grandes novidades para informar e conscientizar os participantes sobre questões ambientais. DE GRÃO EM GRÃO: com carnes, álcool e açúcar, complexo da soja lidera exportações cooperativistas Exportação cooperativista cresceu 21% em 2008 Seguindo o desempenho das exportações totais do Brasil em 2008, o cooperativismo nacional experimentou um crescimento em valores de 21,49% no ano passado em relação ao ano anterior e faturou US$ 4,1 bilhões (ante os US$ 3,3 bilhões de 2007). Os dados fazem parte do estudo da GOIAS COOPERATIVO 8 JANEIRO/FEVEREIRO/2009 Gerência de Mercados (Gemerc) da OCB apresentados no final de janeiro em Brasília. Apesar de um recuo nos volumes embarcados, os ganhos financeiros das exportações das cooperativas foram puxados principalmente pelas commodities agrícolas do complexo da soja, carnes e do setor sucroalcooleiro.