UFRRJ INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA DISSERTAÇÃO Características de Reprodução, Peso ao Nascer e Mortalidade de Caprinos Anglo-nubianos, no Município do Rio de Janeiro. Luís Fernando Dias Medeiros 2004 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA CARACTERÍSTICAS DE REPRODUÇÃO, PESO AO NASCER E MORTALIDADE DE CAPRINOS ANGLO-NUBIANOS, NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. LUÍS FERNANDO DIAS MEDEIROS Sob a Orientação do Professor José Paulo de Oliveira e Co-orientação do Professor Victor Cruz Rodrigues Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Área de Concentração em Produção Animal. Seropédica, RJ Junho de 2004 UFRRJ / Biblioteca Central / Divisão de Processamentos Técnicos 636.30824 M488c T Medeiros, Luís Fernando Dias, 1953Características de reprodução, peso ao nascer e mortalidade de caprinos anglonubianos, no município do Rio de Janeiro/ Luís Fernando Dias Medeiros. – 2004. 85f. : grafs., tab. Orientador: José Paulo de Oliveira. Dissertação(mestrado) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto de Zootecnia. Bibliografia: f. 72-85. 1. Caprino – Criação – Teses. 2. Caprino – Nutrição – Teses. 3. Caprino – Reprodução – Teses. I. Oliveira, José Paulo de. II. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Instituto de Zootecnia. III. Título. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA LUÍS FERNANDO DIAS MEDEIROS Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, área de Concentração em Produção Animal,. DISSERTAÇÃO APROVADA EM 04/06/2004 José Paulo de Oliveira. Dr. UFRRJ (Orientador) Luis Humberto Castillo Estrada. Dr. UENF Paulo Oldemar Scherer. Dr. UFRRJ RESUMO MEDEIROS, Luís Fernando Dias. Características de reprodução, peso ao nascer e mortalidade de caprinos Anglo-nubianos, no Município do Rio de Janeiro. 2004. 85 p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia). Instituto de Zootecnia. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica,RJ, 2004 Objetivou-se neste estudo avaliar o desempenho produtivo e reprodutivo de um rebanho de caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime semi-intensivo. A duração média do período de gestação das cabras foi de 148,46 + 0,515 dias. Foi verificado intervalos de 141 a 155 dias para a duração da gestação, com uma maior concentração (65,8%) de partos entre 146 e 150 dias. O período de gestação foi influenciado significativamente pelo tipo de parição e pelo ano (P<0,01), época e ordem de parição (P<0,05). Constatou-se a existência de uma relação inversa entre o número de crias e a duração da gestação. As parições ocorreram, na sua maioria, no período entre os meses de julho à outubro (88,5%), revelando assim, que o sistema de criação não interferiu na parição sazonal dos caprinos mantidos na região Centro-Sul do Brasil. A taxa de fertilidade foi de 80,4%, a taxa de gemelidade e o índice de prolificidade foram de 52,3% e 1,66 crias/cabras paridas, respectivamente. A taxa de fertilidade das cabras, foi influenciada significativamente (P<0,05) pelo ano e época de cobertura. O índice de prolificidade das matrizes foi influenciado significativamente pela época e ordem de parição (P<0,01) e para o ano de parição (P<0,05). O método diferencial de Weinberg mostrou que a proporção de parições gemelares de origem monozigótica foi de 3,1%. O peso médio ao nascer da cria foi de 3,175 + 0,038 kg. O peso ao nascer foi influenciado significativamente (P<0,01) pelo tipo de parição, sexo da cria e da interação tipo de parição x sexo das crias. Os efeitos do ano, ordem de parição e da interação ano de nascimento x tipo de parição também foram significativos (P<0,05). A taxa de mortalidade de cabritos do nascimento aos 90 dias de idade foi de 8,9%. A época, o tipo de nascimento e a idade das crias exerceram influência significativa (P<0,01) e o sexo e o ano de nascimento (P<0,05) sobre a mortalidade de cabritos. Existiu uma associação positiva entre o peso ao nascer e o percentual de sobrevivência, e uma associação negativa entre o índice de prolificidade e a sobrevivência das crias. Palavras-chave: clima tropical úmido, raça exótica, sistema de criação semi-intensivo ABSTRACT MEDEIROS, Luís Fernando Dias. Reproductive traits, birth weight and mortality of Anglo-nubian goats, in Rio de Janeiro. Seropédica. UFRuralRJ, 2004. 85 p. (Dissertação, Mestrado em Zootecnia). Some reproductive aspects of a group of Anglo-nubian goats raised under semiintensive conditions, were analysed. The average duration of the frequency of the gestation period of the goats ranged from 148,46 + 0,515 days. Intervals ranging from 141 to 155 days were verified to the gestation period, with a higher concentration (65,8%) between 146 and 150 days. The gestation period was significantly influenced by parturition type and by year (P<0,01), season and parturition order (P<0,05). It was verified the existence of an inverse relation between the number of newborns and the gestation duration. Parturition ocurred mostly between july and october (88,5%), revealing therefore that the raising creation system did not interfeer in the sazonal parturition of the goats kept in Southern Central Brazil. The fertility percentual at birth was 80,4%, twin birth percentual and prolificity index were 52,3% and 1,66 kids/calving doe, respectively. The fertility percentual of goats was significant influenced (P<0,05) by year and covering season. The prolificity index of goats was significant influenced by season and parturition order (P<0,01) and by parturition year (P<0,05). The Weinberg method showed that the proportion of twin parturition of monozigotic origin was 3,1%. The birth weight kids was 3,175 + 0,038 kg. The birth weight was significant influenced (P<0,01) by the parturition type, kids sex and the interation of parturition type x kids sex. The effects of year, parturition order and the interation of birth year x parturition type were also significative (P<0,05). The mortality at 90 days old was 8,9%. The season, the birth type and kids age was significant influenced (P<0,01) and sex and year of birth (P<0,05) by kids mortality. There was a positive association between birth weight and survival percentual, and a negative association between prolificity index and kids survival. Key words: humity tropical region, exotic breed, semi-intensive system LISTA DE TABELAS Tabela 1. Médias de períodos de gestação de caprinos Anglo-nubianos e cruzados................................................................................................ 9 Tabela 2. Médias de fertilidade de algumas raças de caprinos exóticos, nativos ou tipos comuns (SRD) e cruzados....................................................... 13 Tabela 3. Médias de prolificidade e gemelidade de algumas raças de caprinos exóticos, nativos ou tipos comuns (SRD) e cruzados........................... 18 Tabela 4. Peso médio de cabritos Anglo-nubianos e cruzados, ao nascimento, segundo o sexo e tipo de parição.......................................................... 22 Tabela 5. Análise de variância do período de gestação de cabras da raça Anglo-nubiana....................................................................................... 41 Tabela 6. Período de gestação médio e erro padrão, em dias, de cabras da raça Anglo-nubiana....................................................................................... 42 Tabela 7. Freqüência de distribuição do período de gestação (PG) de caprinos da raça Anglo-nubiana.......................................................................... 43 Tabela 8. Análise de variância para fertilidade de cabras da raça Anglonubiana.................................................................................................. 46 Tabela 9. Fertilidade média e erro padrão, em percentual, de cabras da raça Anglo-nubiana....................................................................................... 48 Tabela 10. Análise de variância para prolificidade de cabras da raça Anglonubiana.................................................................................................. 51 Tabela 11. Prolificidade média e erro padrão, em crias por cabras paridas, de cabras da raça Anglo-nubiana............................................................... 52 Tabela 12. Tipo de parição e número de crias em relação ao sexo, em cabras da raça Anglo-nubiana............................................................................... 55 Tabela 13. Análise de variância do peso ao nascer de cabritos da raça Anglonubiana.................................................................................................. 56 Tabela 14. Peso ao nascer médio e erro padrão, em quilogramas, de cabras da raça Anglo-nubiana............................................................................... 58 Tabela 15. Análise de variância da taxa de mortalidade de cabritos jovens (até 90 dias de idade) da raça Anglo-nubiana.............................................. 65 Tabela 16. Mortalidade média e erro padrão, em percentual, de cabritos da raça Anglo-nubiana....................................................................................... 67 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Distribuição das parições em cabras da raça Anglo-nubiana durante o ano........................................................................................................... 45 Figura 2. Percentual de parições gemelares em cabras da raça Anglo-nubiana, em função da ordem de parição............................................................... 54 Figura 3. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana, em função do ano de nascimento.......................................................................................... 59 Figura 4. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana em função da ordem de parição................................................................................................ 61 Figura 5. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana, em função do sexo e do tipo de parição................................................................................. 62 Figura 6. Análise de regressão do tipo de parição * (1 – simples, 2 – duplo, 3 – triplo, 4 – quádruplo) sobre o peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana......................................................................................... 63 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................01 2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................02 2.1 Fatores que Influenciam o Desempenho Produtivo dos Caprinos..................02 2.1.1 Raça...............................................................................................................02 2.1.2 Meio ambiente...............................................................................................04 2.2 Desempenho Produtivo dos Caprinos.............................................................05 2.2.1 Período de gestação........................................................................................05 2.2.2 Fertilidade.......................................................................................................09 2.2.3 Prolificidade...................................................................................................16 2.2.4 Peso ao nascer.................................................................................................20 2.2.5 Mortalidade.....................................................................................................29 3 MATERIAL E MÉTODOS.............................................................................35 3.1 Localização do Experimento............................................................................35 3.1.1 Temperatura e precipitação.............................................................................35 3.1.2 Solos................................................................................................................35 3.2 Rebanho............................................................................................................35 3.2.1 Manejo alimentar, reprodutivo e sanitário.......................................................36 3.2.2 Instalações........................................................................................................37 3.2.3 Coleta de Dados...............................................................................................37 3.3 Delineamento Experimental..............................................................................37 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................41 4.1 Período de Gestação...........................................................................................41 4.1.1 Ano de parição..................................................................................................43 4.1.2 Época de parição...............................................................................................44 4.1.3 Ordem de parição..............................................................................................45 4.1.4 Tipo de parição.................................................................................................45 4.2 Fertilidade..........................................................................................................46 4.2.1 Ano de cobertura...............................................................................................47 4.2.2 Época de cobertura............................................................................................48 4.2.3 Ordem de parição..............................................................................................50 4.3 Prolificidade......................................................................................................50 4.3.1 Ano de parição...................................................................................................51 4.3.2 Época de parição................................................................................................53 4.3.3 Ordem de parição...............................................................................................53 4.4 Peso ao Nascer....................................................................................................56 4.4.1 Ano de nascimento.............................................................................................57 4.4.2 Época de parição................................................................................................59 4.4.3 Ordem de parição...............................................................................................60 4.4.4 Tipo de parição...................................................................................................61 4.4.5 Sexo das crias.....................................................................................................63 4.4.6 Interação ano de nascimento x tipo de parição...................................................64 4.4.7 Interação tipo de parição x sexo das crias...........................................................65 4.5 Mortalidade...........................................................................................................65 4.5.1 Sexo das crias......................................................................................................66 4.5.2 Ano de nascimento..............................................................................................66 4.5.3 Época de nascimento...........................................................................................68 4.5.4 Tipo de nascimento..............................................................................................68 4.5.5 Idade das crias......................................................................................................69 5 CONCLUSÕES.......................................................................................................71 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................72 1 INTRODUÇÃO Em criatórios de caprinos, que se dedicam à produção de leite e/ou carne, o número de animais nascidos (e viáveis) ao ano tem influência na viabilidade econômica da atividade, tanto por permitir uma maior pressão de seleção quanto por propiciar um maior número de animais para venda. O desempenho reprodutivo satisfatório, e conseqüentemente, o aumento da produtividade, pode ser atingido face a adoção de um programa sanitário profilático, melhoria da alimentação e das pastagens, emprego de adequado manejo reprodutivo, conforto térmico dos animais, com relação à ambiência interna do cabril, sombreamento dos pastos e pressão de seleção. Portanto, há um consenso de que práticas de manejo inadequado, principalmente no que diz respeito aos aspectos de nutrição, sanidade e reprodução, sem desconsiderar o estresse térmico, refletem de modo negativo no potencial produtivo do animal, resultando em baixo índice de produtividade. Na região Centro-Sul do Brasil, a caprinocultura vem se desenvolvendo e estruturando, baseando-se na criação de raças exóticas como a Anglo-nubiana de dupla utilidade (leite e carne), a Boer para produção de carne, ambas do tronco africano, e, as raças européias do subtronco alpino, como a Parda Alemã, a Parda Alpina, a Saanen e a Toggenburg, todas de aptidão leiteira. Na região Sudeste e demais núcleos de caprinos do país, a raça Anglo-nubiana está sendo difundida, sendo ainda restritos os estudos conduzidos com o objetivo de se conhecer o seu comportamento e conseqüentemente suas potencialidades. Em razão disso, há poucas informações sobre a produtividade dessa raça, em termos de região Sudeste, particularmente no Estado do Rio de Janeiro. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o comportamento reprodutivo e produtivo de um rebanho caprino da raça Anglo-nubiana, criado em regime semiintensivo, no Município do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Fatores que Influenciam o Desempenho Produtivo dos Caprinos O desempenho produtivo da espécie caprina, como de qualquer outra espécie doméstica, depende da interação do patrimônio genético do indivíduo e de fatores do meio ambiente. O primeiro, de caráter intrínseco, é identificado através da raça ou tipo racial ao qual pertencem. O segundo, de caráter extrínseco, é de grande variabilidade e reúne, em sí, uma gama de outros fatores como: alimentação, manejo, sanidade, clima, etc., apresentando-se como responsável direto pela manifestação ou não do potencial produtivo dos animais (ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). A eficiência reprodutiva dos ruminantes e, no caso, da espécie caprina, quando isolada, possivelmente, é o parâmetro que mais contribui para a produção do rebanho uma vez que, na ausência da reprodução, a produção restringe-se ao patamar zero ou próximo dele (FOOTE & SIMPLÍCIO, 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). Entretanto, para que a reprodução maximize a produção, é necessário que se usem práticas de manejo, em geral, e reprodutivo, economicamente viáveis e adequadas a cada sistema de manejo; extensivo, semi-intensivo e intensivo, dessa forma, contribuindo positivamente para aumentar o desfrute do rebanho. Contudo, para o uso adequado e racional de práticas de manejo reprodutivo, é imperativo que se conheçam o comportamento reprodutivo da espécie ou raça caprina e suas interações com o meio ambiente (SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO et al., 1999). 2.1.1 Raça A ênfase dada a raça ou tipo racial, na produção animal, é justificada pelas características próprias de cada grupo, quer pelo tamanho e peso corporal dos indivíduos, pela aptidão, pela eficiência de se reproduzir, ou mesmo, pela resistência às doenças e infestações parasitárias (SIMPLÍCIO, 1980; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). De maneira geral, as raças caprinas nativas dos trópicos, utilizadas para a produção de carne, em criações extensivas, são caracterizadas pelo pequeno porte, adaptabilidade e baixa exigência nutricional, enquanto, para a produção de leite, normalmente são utilizadas raças selecionadas, originárias das regiões de clima temperado, criadas puras ou em cruzamento com raças nativas ou tipos comuns (SANTOS et al., 1984; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1997 e 1998; RIBEIRO, 1998). Apesar de se apresentarem adaptados, os caprinos de raças nativas nacionais e os tipos comuns sem raça definida (SRD) mostram baixa velocidade de crescimento. Visando aumentar a produção de carne nos caprinos das raças nativas e SRD, a curto prazo, seria necessário o cruzamento desses animais com raças exóticas de maior porte como por exemplo, a Anglo-nubiana (SANTOS et al., 1984; FERNANDES et al., 1985; MEDEIROS et al., 1990, 1992a, 1997 e 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). Nos últimos anos, caprinos de raças exóticas têm sido introduzidos no Estado do Rio de Janeiro para programas de cruzamento absorvente com animais SRD, visando à obtenção do puro por cruza, com a finalidade de incrementar a produção de leite (MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a e 1997). Dentre esses, encontram-se os da raça Anglo-nubiana, do tronco africano. A Anglo-nubiana classifica-se como uma raça produtora de leite e carne (JARDIM, 1977; WILSON et al., 1980; AZEVEDO, 1982; MEDEIROS & GIRÃO, 1984; RIBEIRO, 1998). Tem sido selecionada primariamente para produção de leite, revelando características consideráveis de crescimento e de carcaça (JARDIM, 1977; SANTOS et al., 1984; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a, 1997 e 1998). Essa tem sido utilizada em programas de cruzamento com raças nativas ou tipos comuns (SRD), no Brasil e em várias regiões do mundo, com resultados satisfatórios (MAHMUD & DEVENDRA, 1970; CASTILLO et al., 1972 e 1973; GARCIA et al., 1978; WILSON et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1982; SANTOS et al., 1984; FERNANDES et al., 1985; WAHID et al., 1987; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1990, 1992a e 1997; SILVA & ARAÚJO, 2000). DEVENDRA & BURNS (1970 e 1980) afirmam que as taxas de parição são razoavelmente altas para a maioria das raças caprinas em boas condições e que a Anglonubiana apresenta umas das maiores taxas de parição. AZEVEDO (1982) comentou que, pelas condições de adaptação e de produção, a raça Anglo-nubiana, nas condições do Nordeste do Brasil, torna-se uma das mais aconselhadas para programas de cruzamento com caprinos nativos nacionais. O cruzamento das raças nativas do Nordeste do Brasil (Moxotó, Canindé, Repartida, Marota e Gurgueia) com as raças exóticas de aptidão leiteira, tanto do tronco africano (Anglo-nubiana) como as do tronco europeu, especialmente as do subtronco alpino (Parda Alpina, Saanen e Parda Alemã), nas condições semi-áridas do Nordeste, constitui a maneira mais rápida de melhorar geneticamente os caprinos nativos (FIGUEIREDO et al., 1982; FERNANDES et al., 1985; PIMENTA FILHO & RIBEIRO, 1995; SILVA & ARAÚJO, 1998, 2000 e 2001). JARDIM et al. (1965), JARDIM (1977), VIEIRA (1984) e MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a, 1997 e 1998) apontam a raça Anglo-nubiana como uma das mais recomendadas para as condições do Brasil Central, por ser oriunda de clima tropical e por apresentar uma produção de leite e carne superior às raças nativas e tipos comuns nacionais. Além de ser uma raça muito fértil, apresenta uma alta taxa de prolificidade (DEVENDRA & BURNS, 1970 e 1980; ALVES, 1986; SILVA & ARAÚJO, 2000). MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a e 1998), no Estado do Rio de Janeiro, trabalhando em regime de criação semi-intensivo, registraram um bom desempenho dos caprinos Anglo-nubianos puros, no que se refere ao desenvolvimento ponderal e alguns aspectos reprodutivos (fertilidade, prolificidade e intervalo de partos). No Estado de São Paulo, SANCHES RODA et al. (1995), trabalhando em regime de criação extensivo, verificaram uma boa performance do caprino Anglonubiano, comparado ao nativo Moxotó, no que se refere ao peso ao nascimento das crias e a taxa de prolificidade. Vários trabalhos realizados em diferentes regiões têm demonstrado a superioridade do animal ½ Anglo-nubiano + ½ nativo sobre o nativo, relativo ao desenvolvimento ponderal (MAHMUD & DEVENDRA, 1970; CASTILLO et al., 1972, 1973 e 1978; GARCIA et al., 1978; WILSON et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1982; SANTOS et al., 1984; FERNANDES et al., 1985; WAHID et al., 1987; MEDEIROS et al., 1990 e 1992a), em diferentes sistemas de criação. Esta inclinação está relacionada, possivelmente com a carga genética transmitida pelo Anglo-nubiano e certamente a diferença fenotípica dos cabritos mestiços Anglo-nubiano + comuns, comparados aos comuns, no que se refere ao desenvolvimento ponderal, deve ser mais evidente, com a melhoria das condições de alimentação, aspectos sanitários e manejo geral do rebanho (CARDELINO, 1996). SANTOS et al. (1984), no Estado de São Paulo, registraram um bom desempenho dos caprinos Anglo-nubianos puros e mestiços ½ Anglo-nubiano + ½ Moxotó, quando comparados com animais nacionais, da raça Moxotó, no que se refere ao desenvolvimento ponderal. A utilização da Anglo-nubiana como raça melhoradora sobre o caprino da raça nativa Moxotó, em termos de peso ao nascer, ao desmame e no abate, levou a aumentos na média de pesos da ordem de 13,3; 34 e 45%, respectivamente. MEDEIROS et al. (1990 e 1992a), no Estado do Rio de Janeiro, em sistema semi-intensivo de criação, verificaram um bom desempenho dos caprinos Anglonubianos e mestiços ½ Anglo-nubiano + ½ SRD (sem raça definida), no que se refere ao peso ao nascer, a desmama (3 meses de idade), aos 6, 9 e 12 meses quando comparados aos dos pesos obtidos pelos cabritos SRD, nos diferentes estádios de crescimento estudados. Esses mesmos autores afirmam, que a utilização da raça Anglo-nubiana como raça melhoradora sobre caprinos comuns, em termos de peso ao nascer, à desmama, aos 6, 9 e 12 meses de idade, levou a aumentos na média de pesos da ordem de 22,9; 39,8; 30,0; 31,0 e 31,3%, respectivamente. Por outro lado, o aproveitamento do vigor híbrido ou heterose proporciona o nascimento de crias mais vigorosas, de maior resistência às doenças infecto-contagiosas, de maior velocidade de crescimento, favorecendo a combinação das características desejáveis das raças parentais (PEREIRA, 2001). Segundo MEDEIROS et al. (1997), por ser a Anglo-nubiana uma raça tropical, de dupla utilidade, além de apresentar uma performance produtiva superior aos caprinos SRD no Estado do Rio de Janeiro, seria interessante selecionar indivíduos com maior capacidade leiteira, aliada às boas normas de manejo. Isto para incrementar mais a performance dos caprinos Anglo-nubianos; como também a utilização desta, no Estado do Rio de Janeiro como “raça base”, em programas de cruzamento e/ou no desenvolvimento de novos tipos ou raças, a partir de fecundações cruzadas, com raças mais especializadas em produção láctea, comumente as européias. PRUCOLI et al. (1981) asseveram que as raças Moxotó e Anglo-nubiana, em contraste com a Toggenburg, adaptaram-se melhor às condições extensivas de criação a que foram submetidas, no Estado de São Paulo. MEDEIROS et al. (2001a e 2002a), no Estado do Rio de Janeiro, observaram que o estresse térmico pareceu afetar mais os caprinos da raça Parda Alemã do que os caprinos da raça Anglo-nubiana, visto que os caprinos do tronco africano mantiveram a temperatura, freqüência respiratória e cardíaca em um nível mais baixo, por conseguinte apresentaram um menor desconforto fisiológico, comparado ao Alpino. Isto indica, que deve haver diferença fisiológica dos caprinos, durante a época quente e chuvosa no Município do Rio de Janeiro (caracterizado como uma região de clima tropical úmido). Nesse mesmo Estado, MEDEIROS et al. (2002b) verificaram que houve diferenças significativas entre os caprinos do tronco europeu, subtronco alpino (Saanen e Parda Alemã) e do tronco africano (Anglo-nubiana) no que se refere ao comportamento fisiológico mediante algumas provas de adaptabilidade. A raça do tronco africano apresentou o melhor índice de adaptabilidade, evidenciando que as diferenças fisiológicas entre estes dois troncos devem ser de caráter genético de atributo anatomofisiológico, que afetam a termorregulação dos animais. 2.1.2 Meio ambiente A base da seleção se encontra na presença de variação em todas as características avaliadas visualmente (aparência) ou medida objetiva (características métricas). A produção animal é uma função da genética e do meio ambiente. Adaptabilidade a um meio ambiente específico, é, portanto, tão importante quanto a seleção para a realização da medição. As leis físicas da natureza ditam os limites dentro dos quais as diversas dimensões do corpo (tamanho) ou função fisiológica (reprodução) podem variar (BONSMA, 2000). Animais submetidos às condições mais próximas dos limites estabelecidos pelas leis físicas da natureza, tendem a ser menos desenvolvidos, assim como, os animais menos estressados pelo meio ambiente tendem a ser mais bem adaptados, sendo aqueles que produzem melhor para aquele meio ambiente. Entre os componentes do meio, destacam-se o clima, a disponibilidade de alimentos e os aspectos sanitários, como os principais fatores capazes de afetar a capacidade produtiva dos caprinos. 2.2 Desempenho Produtivo dos Caprinos O desempenho produtivo dos animais, particularmente dos caprinos, se reflete através da variação dos índices reprodutivos, peculiaridades a cada raça, e da sua capacidade de adaptação ao meio (SIMPLÌCIO et al., 1990 ; SOARES FILHO et al., 2001). Dois aspectos assumem posição de destaque: o primeiro se relaciona com a capacidade reprodutiva, envolvendo, entre outros o período de gestação, a fertilidade, a prolificidade e o peso ao parto da matriz. Dentro das características reprodutivas a fertilidade e a prolificidade são os componentes de maior importância para o sistema de produção na espécie caprina (SIMPLÍCIO, 1980; MIES FILHO, 1982; MOUCHREK & MOULIN, 1987; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO et al., 1999). O segundo diz respeito à mortalidade dos animais, que, por sua vez, está correlacionada com outros aspectos como: peso ao nascer, tipo de parto, idade, sexo, época de nascimento e manejo (RIERA et al., 1980; SIMPLÍCIO, 1980; SARMAH et al., 1981; FIGUEIREDO & PANT, 1982; SOUSA, 1986; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; MEDEIROS et al., 1991 e 1998; MACIEL, 1992; SANCHES RODA et al., 1995; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998a e 1999; SILVA & ARAÚJO, 2000). A nutrição é um dos fatores mais importantes para alcançar altas taxas reprodutivas, pois, quando deficiente, causa aborto e mortalidade de recém nascidos (SRIVASTAVA et al., 1981; SANTOS et al., 1989; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998). 2.2.1 Período de gestação O índice de parto é um indicador preciso da fertilidade do rebanho (DEVENDRA & BURNS, 1970 e 1980; SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). O reconhecimento precoce da prenhez é de considerável interesse econômico pois permite reduzir o intervalo de partos, o desgaste de reprodutores e de rufiões; permite o diagnóstico de infertilidade ou subfertilidade bem como viabiliza o arraçoamento econômico de cabras gestantes (SIMPLÍCIO, 1980; MIES FILHO, 1982; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). O ganho de peso durante a gestação é um reflexo da nutrição materna nesta fase, que pode ser afetado por fatores de ambiente ou pela raça da cabra (SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). Entretanto, a subnutrição durante a gestação leva à produção de cabritos subdesenvolvidos, abortos ou mortalidade dos recém-nascidos (SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). Esse ganho de peso exerce importante influência sobre o crescimento do feto (HAFEZ, 1993) e no desempenho reprodutivo pós-parto da matriz (SPITZER et al., 1995). HAFEZ (1993) comenta que, quando o estado nutricional está em bom nível, a gestação é um processo anabólico, que beneficia o crescimento do feto e incrementa o peso corporal da mãe, o qual diminui durante a lactação. A nutrição adequada da cabra gestante repercutirá positivamente no desenvolvimento do feto. É importante considerar que, durante o terço final da gestação, ocorre um grande incremento nas necessidades nutricionais da fêmea, fato este explicado pelo aumento exponencial da massa fetal. Conseqüentemente, é fundamental suprir esses requerimentos nutricionais, favorecendo, dessa forma um satisfatório desenvolvimento fetal (SIMPLÍCIO, 1980; MIES FILHO, 1982; VIEIRA, 1984; MEDEIROS et al., 1987a; SIMPLÍCIO, 1990; MACIEL, 1992; MAIA & COSTA, 1997; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO, 1998). Na cabra, o período de gestação gira em torno de 150 dias (SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA, 1984; TRALDI, 1985; SINHA, 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; CHEMINEAU & CAGNIE; 1991; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). Analisando 6.342 registros de gestação, ASDELL (1946) nos Estados Unidos, encontrou períodos de gestação com uma variação entre 136 e 164 dias. No Brasil foi observada variação de 136 a 157 dias (JARDIM, 1977; SIMPLÍCIO & NUNES, 1978; SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA, 1984; SIMPLÍCIO et al., 1990). No entanto, há uma grande concentração de partos entre 145 e 156 dias (SINHA, 1987; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). JARDIM et al. (1965) no Estado de São Paulo, estudando alguns aspectos da eficiência reprodutiva de caprinos mestiços Anglonubianos, encontraram uma duração média do período gestacional de 147 dias, sendo que o mínimo observado foi de 137 e o máximo de 161 dias. Segundo esses autores, cerca de 56,9% dos períodos de gestação ocorreram dentro do intervalo de 145 a 149 dias. MEDEIROS et al. (1991) trabalhando com cabras da raça Anglo-nubiana, no Estado do Rio de Janeiro, em regime semi-intensivo, registraram o período de gestação de 147,7 dias, com um mínimo de 141 e um máximo de 155 dias, cerca de 57,4% dos períodos de gestação ocorreram dentro de um intervalo de 146 a 150 dias. Nesse mesmo Estado, estudando 400 registros de gestação de cabras dessa mesma raça, manejados no mesmo sistema de criação, MEDEIROS et al. (2001b) verificaram intervalos de 141 a 155 dias para o período de gestação com maior concentração (64,0%) de partos entre 146º ao 150º dia. A duração da gestação sofre influência de diversos fatores e suas interações, estes, os de origem materna (idade da mãe), fetais (número de crias, peso e sexo das crias e função endócrina), genéticos (espécie, raça e genótipo) e ambientais (nutrição, temperatura e época do ano), estes atuando através de mecanismos fisiológicos, com elevada participação do sistema endócrino (SIMPLÍCIO, 1980; MIES FILHO, 1982; RUVUNA et al., 1987; MEDEIROS et al., 1987a e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO, 1998; SOARES FILHO et al., 2001).O resultado da interação entre estes fatores proporcionará intervalos extensos, para o período de gestação em caprinos (JARDIM, 1977; ILOEJE & VAN VLECK, 1978; VIEIRA, 1984; RUVUNA et al., 1987; SINHA, 1987; MEDEIROS et al., 1987a e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; QURESHI et al., 1991; RIBEIRO, 1998). RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), na Paraíba, verificaram que as condições de ambiente externo, como a época de disponibilidade de alimentos, e interno, idade e tamanho da prole, afetou significativamente a duração da gestação das cabras das raças Canindé e Anglo-nubiana. A época do ano tem certa influência sobre o período de gestação em caprinos. JORDÃO & CALDAS FILHO (1952), em São Paulo, verificaram que as gestações terminadas no inverno e na primavera foram um pouco mais longas, embora o mês não tenha influenciado significativamente a extensão deste período. No Nordeste do Brasil, SIMPLÍCIO & NUNES (1978) trabalhando com cabras sem raça definida (SRD), observaram que a média do período de gestação foi de 148,0 e 146,0 dias para a estação chuvosa e seca, respectivamente. RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), na Paraíba, analisando os dados de cabras nativas da raça Canindé, Anglo-nubiana e Parda Alpina, criadas em regime semi-intensivo, recebendo suplementação alimentar volumosa, concentrada e mineral, verificaram que houve influência significativa do mês de cobrição sobre o período de gestação das raças Canindé e Anglo-nubiana. Os menores períodos de gestação foram encontrados para as nativas cobertas nos meses de março e abril (época chuvosa) 144,4 e 143,6 dias, respectivamente, e para as Anglonubianas cobertas em abril, a gestação durou em torno de 145,1 dias. Esses autores salientaram que, quando cobertas no período “seco” (novembro a janeiro), ambas apresentaram gestação mais prolongada, cujo terço final ocorreu numa época de escassez alimentar. Além disso, detectou-se influência significativa do ano de cobrição sobre o período de gestação das cabras das raças Anglo-nubiana e Canindé, o qual variou de 144,7 a 148,1 dias para as Anglo-nubianas, e 142,7 a 146,4 dias, para as nativas, além de ter havido variações consideráveis das precipitações pluviométricas durante o período de estudo. Nesse estudo, o mês e ano de cobrição não afetaram o período de gestação da raça Parda Alpina. MEDEIROS et al. (2001b) trabalhando no Estado do Rio de Janeiro, Município do Rio de Janeiro, verificaram que o ano e a época de parição influenciaram o período de gestação em cabras Anglo-nubianas, criadas em regime semi-intensivo de exploração. Segundo os autores, uma série de fatores tais como flutuações na qualidade e disponibilidade de forragens e alteração na composição etária do rebanho, podem ter influenciado o ano de parição como fonte de variação do período de gestação das cabras. Salientam ainda, que, as médias dos animais que procriaram no período das “águas” e dos que procriaram no período das “secas” foram respectivamente, de 149,1 e 147,1 dias. Por outro lado, MEDEIROS et al. (1991) nesse mesmo Estado, não observaram influência do mês de parição, assim como da época de parição (estação das “águas” e das “secas”) sobre o período de gestação em cabras desta mesma raça, criadas nas mesmas condições de manejo. Essa diferença pode estar relacionada com a disponibilidade de alimentos (MEDEIROS et al., 1987, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). A suplementação energética (KAWAS et al., 1987) ou a disponibilidade quanti-qualitativa de alimentos (SIMPLÍCIO & NUNES, 1978; SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997) interferem no período de gestação, alongando-o. Quando existe disponibilidade de alimentos, há um aumento médio do período de gestação, e enquanto há uma menor disponibilidade de alimentos, menor será este período (MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). A ordem de parição ou a idade da cabra influenciaram o período de gestação em várias raças caprinas (RUVUNA et al., 1987; QURESHI et al., 1991; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). A gestação nos animais jovens é ligeiramente mais curta do que nos adultos (JARDIM, 1977; SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA, 1984; MEDEIROS et al., 1987a; SIMPLÍCIO et al., 1990). As cabras primíparas, via de conseqüência apresentam um período de gestação mais curto que as multíparas (VIEIRA, 1984; MEDEIROS et al., 1987a e 1991; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). RUVUNA et al. (1987) trabalhando com cabras nativas no Quênia, observaram influência da idade sobre o período de gestação da cabra. Na Índia, QURESHI et al. (1991) também observaram influência da idade sobre o período de gestação em cabras da raça Malvi. No Nordeste, RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), verificaram que houve influência da ordem de parição em cabras da raça Canindé e Anglo-nubiana, onde observaram períodos de gestação de 144,8 e 145,9 dias, respectivamente, em cabras de primeira gestação. Contudo, esses mesmos autores, comentaram que a ordem de parição não teve influência sobre o período de gestação em relação a raça Alpina. Segundo MEDEIROS et al. (2001b), no Estado do Rio de Janeiro, a ordem de parição influenciou o período de gestação de caprinos Anglo-nubianos. Cabras de primeira e segunda parição apresentaram um período de gestação mais curto quando comparadas aos animais de ordens de parições superiores. Quanto ao número de produtos, o período médio de gestação é menor com o aumento da ninhada (JARDIM, 1977; GONZALES STAGNARO, 1977; VIEIRA, 1984; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; RUVUNA et al., 1987; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO et al., 1998b). No Quênia, RUVUNA et al. (1987) e na Índia, QURESHI et al. (1991), verificaram que o tipo de parto exerceu influência sobre o período de gestação de raças nativas, em sistema de criação extensivo. RODRIGUES (1988) na Paraíba, em condições de manejo melhorado, avaliando a capacidade produtiva e reprodutiva de caprinos das raças Anglo-nubiana, Parda Alemã e SRD verificaram que o tipo de parto influenciou o período de gestação das cabras. MEDEIROS et al. (1991) avaliando o desempenho produtivo de caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime semi-intensivo, no Estado do Rio de Janeiro, registraram essa mesma tendência. Cabras que tiveram um só produto geralmente apresentaram um período de gestação ligeiramente mais longo do que as que tiveram dois ou três produtos. RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), na Paraíba, relataram que o tipo de parto influenciou o período de gestação das raças estudadas. Cabras com partos múltiplos tiveram gestação mais curta. No Estado do Rio de Janeiro, MEDEIROS et al. (2001b) constataram influência do tipo de parto sobre o período de gestação em cabras da raça Anglo-nubiana. A média do período de gestação das cabras que tiveram partos simples foi superior àquelas que tiveram partos múltiplos. Há uma relação inversa entre o número de crias e a duração da gestação (RODRIGUES & NERY, 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO, 1998). Todavia, PRASAD et al. (1971) e MISHRA et al. (1979), ambos na Índia, verificaram que o tipo de parto não influenciou o período médio de gestação das cabras de várias raças, em diferentes sistemas de criação. MOULIN & MOUCHREK (1987), avaliando o desempenho de caprinos do tipo SRD, em regime semi-intensivo, no Estado de Minas Gerais, verificaram que a duração média do período de gestação, foi de 147,1 dias, não havendo influência do tipo de parto, embora as cabras de partos múltiplos tivessem tido um período de gestação menor que as de partos simples. Na Tabela 1 estão apresentados alguns períodos de gestação médios encontrados na literatura. Tabela 1. Médias de períodos de gestação de caprinos Anglo-nubianos e cruzados. Raça ou Tipo Período de gestação Referência (dias) Mestiços Anglo- 147,0 JARDIM et al. (1965) nubianos(*) Anglo-nubiana 153,0 DEVENDRA & BURNS (1970) Anglo-nubiana 152,5 GILL & DEV (1972) Anglo-nubiana 150,1 GARCIA et al. (1976) Anglo-nubiana 149,0 GONZALES STAGNARO (1977) Anglo-nubiana 151,5 DEVENDRA & BURNS (1980) Anglo-nubiana 147,0 CHAWALA & BHATNAGAR (1984) Anglo-nubiana 147,5 MEDEIROS et al. (1987a) ½ Anglo-nubiana + ½ SRD 146,2 MEDEIROS et al. (1987a) ¾ Anglo-nubiana + ¼ SRD 146,7 MEDEIROS et al. (1987a) Anglo-nubiana 148,6 RODRIGUES (1988) Anglo-nubiana 148,8 DICKSON et al. (1990) Anglo-nubiana 147,7 MEDEIROS et al. (1991) Anglo-nubiana 146,6 Anglo-nubiana 148,7 RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997) MEDEIROS et al. (2001b) (*) Não foi discriminado, nesse trabalho, o percentual de gens da raça Anglo-nubiana. 2.2.2 Fertilidade Considerando os pequenos ruminantes e, em especial, os caprinos e ovinos, deve-se perseguir a obtenção de alta taxa de reprodução, obtendo-se o maior número de crias desmamadas por fêmea/ano. Por conseguinte, a taxa de reprodução é uma função direta da fertilidade, da prolificidade e da sobrevivência das crias à idade do desmame (SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). O conceito de taxa de reprodução é amplo e engloba, fundamentalmente, o potencial reprodutivo da fêmea e do macho; a habilidade materna, isto é, a facilidade em parir, a capacidade de produção de leite e de cuidar da cria; a capacidade de adaptação e sobrevivência da cria ao novo meio, e das suas interações (MIES FILHO, 1982; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998). O conceito de taxa de reprodução aplica-se a qualquer um dos sistemas de manejo; extensivo, semi-intensivo e intensivo (SIMPLÍCIO, 1980; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; SANCHES RODA et al., 1995; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). Segundo SIMPLÍCIO (1980), o número de serviços por concepção evidencia o estado sanitário e nutricional do rebanho e o bom manejo reprodutivo empregado. O mesmo associado à fertilidade ao parto, ao índice de gemelidade e a prolificidade são parâmetros importantes para a avaliação da maturidade sexual e desempenho reprodutivo do macho e da fêmea caprina (DEVENDRA & BURNS, 1970; SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). A fertilidade indica a proporção de animais que se reproduzem em relação ao número de animais em condições reprodutivas. Portanto, quando esse valor é baixo, indica que o número de animais efetivamente se reproduzindo está abaixo do número potencial e fatalmente ocorrerá impacto sobre a idade ao primeiro parto e o intervalo de partos (SIMPLÍCIO, 1980; FIGUEIREDO et al., 1982; SIMPLÍCIO et al., 1990; GONÇALVES, 1996; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999; SOARES FILHO et al., 2001). O efeito do ano, através das condições climáticas, de manejo e nutricional dos animais, no período de acasalamento e/ou no início da gestação, provavelmente seja o principal responsável pela variação da fertilidade em caprinos (NUNES & SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO, 1980; MISHRA et al. 1983; SIMPLÍCIO et al., 1990; MAIA & COSTA, 1997). ALVES (1986), SIMPLÍCIO et al. (1990), GONÇALVES (1996), RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997) e SOARES FILHO et al. (2001) asseveram que há diferença nas taxas de fertilidade de caprinos, observada entre anos; isso é um fato comum dentro da espécie e está relacionada a uma gama de fatores, sendo os principais: estado nutricional e sanitário do rebanho, clima, manejo e desempenho reprodutivo do ano anterior. Na Venezuela, GARCIA et al. (1973) e GONZALES STAGNARO et al. (1974), observaram a influência do ano sobre a fertilidade de cabras de várias raças exóticas. Citaram uma possível ação estimulante do regime pluvial sobre o desenvolvimento dos pastos e conseqüentemente da alimentação para desencadear a estação reprodutiva e maior fertilidade nas cabras, em ambiente tropical. Esta explanação esta em consonância com relatos de SIMPLÍCIO (1980), SIMPLÍCIO et al. (1990), GONÇALVES (1996) e RIBEIRO (1998). A fertilidade em caprinos é influenciada significativamente pelo ano, idade da matriz e pelo ambiente ao qual se encontra submetida, principalmente pela alimentação (SIMPLÍCIO, 1980; FOOTE & SIMPLÍCIO, 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; GONÇALVES, 1996; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). SILVA FILHO & REAL (1979), estudando a eficiência reprodutiva de 24 rebanhos do tipo SRD, na Zona da Caatinga, na Bahia, encontraram uma fertilidade em torno de 74,5%. Esses autores, concluíram que o ano influenciou a taxa de fertilidade das cabras. GIRÃO et al. (1980), investigando o desempenho de caprinos, submetidos a cinco diferentes sistemas de produção, no Estado do Piauí, envolvendo raças nativa e exótica (Bhuj), durante dois anos, encontraram grandes variações na fertilidade (68,0 a 92,5%) atribuídas às diferenças entre os cinco sistemas de criação estudados, desde o mais rudimentar até aquele com adoção de práticas racionais de manejo sanitário, alimentar e instalações, sendo que a fertilidade média foi de 80%. MEDEIROS et al. (1982), observando o comportamento produtivo de um rebanho da raça Bhuj, no Piauí, durante dois anos, encontraram 75 e 82% de fêmeas paridas, para o primeiro e segundo ano, respectivamente. Nesse sentido, SINGH & SINGH (1974), estudando a performance de caprinos da raça Jamnapari, na Índia, durante sete anos, obtiveram uma fertilidade média para o período, de 79,6%. Observaram, porém, ao longo do período, índices de fertilidade que variaram de 57,6 a 100% de um ano para o outro, havendo efeito do ano sobre a taxa de fertilidade das cabras. RODRIGUES (1988), na Paraíba, verificou que o ano de parição e a interação ano versus raça exerceram influência significativa sobre a taxa de parição das cabras, que foi de 66, 72 e 73% para as raças Parda Alemã, Anglo-nubiana e SRD, respectivamente. A fertilidade da fêmea caprina assume valores, que podem atingir grandes amplitudes, em função da época do ano, devido ao estado nutricional do animal (SIMPLÍCIO, 1980; ALVES, 1986; SIMPLÍCIO et al., 1990; GONÇALVES, 1996; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). ALVES (1986) estudando por três anos, no Ceará, cinco rebanhos de caprinos do tipo SRD, verificou que, entre épocas, bem como entre épocas dentro do ano, a freqüência de parições comportou-se diferente, observando-se sempre uma superioridade de nascimento na época seca, exceção feita para a época dentro do segundo ano, onde épocas seca e chuvosa não apresentaram diferenças. NUNES et al. (1981), trabalhando com cabras do tipo SRD, no Estado do Ceará, submetidas à estação de monta, em diferentes épocas do ano verificaram que a fertilidade variou de 69,3 a 95,2% de uma época à outra. A esse respeito, MISHRA et al. (1983), pesquisando a relação entre a fertilidade de fêmeas da raça Sirohi, na Índia, e a época de seu acasalamento, constataram uma superioridade da fertilidade ao parto, dos animais acasalados no verão (77,1%), sobre aqueles acasalados na primavera (67,8%) e destes, sobre os acasalados no outono (34,4%). A estas variações, os autores atribuíram às condições ambientais, física e nutricional dos animais, à época do acasalamento e/ou no início da gestação, podendo aí ter ocorrido mortalidade embrionária precoce ou aborto não identificado. Procurando estabelecer a melhor época de acasalamento dos caprinos na região Nordeste, objetivando um maior número de crias nascidas, NUNES & SIMPLÍCIO (1980) estudaram o desempenho de dois rebanhos caprinos SRD, submetidos a duas épocas de acasalamento, durante dois anos; sendo que a fertilidade encontrada para a primeira época (janeiro – março), foi de 46%, enquanto que para a segunda (agosto – setembro) foi de 68%, havendo influência da época de cobertura sobre a taxa de fertilidade dos rebanhos estudados. Na região Norte do Brasil, MAIA (1994) avaliando o desempenho reprodutivo de caprinos mestiços Anglo-nubianos em três épocas de cobertura (EC/I, EC/II e EC/III), durante dois anos, observou que a fertilidade registrada para EC/I (fevereiro – março) foi de 80,8%, enquanto para EC/II (junho – julho) foi de 50,8%, e para EC/III (outubro – novembro) foi de 7,7%. Embora, para EC/III, 46,4% das fêmeas expostas tenham manifestado atividade reprodutiva, 92,3% das coberturas foram inférteis. Relatou, ainda, que, se pode considerar a estação de monta nos meses de junho e julho como uma estação secundária. Fêmeas que não forem cobertas na primeira estação de cobertura poderão ser submetidas a esta segunda alternativa. Estudos envolvendo cabras das raças Saanen, Anglo-nubiana, Toggenburg e Alpina Francesa, na zona tropical da Venezuela, mostraram uma taxa de parição média de 63,1% (GONZALES STAGNARO et al., 1974). No Ceará, SIMPLÍCIO et al. (1981) trabalhando com cabras SRD, submetidos ao manejo tradicional de exploração (extensivo), observaram uma taxa de fertilidade média referente a dois anos de estudo, de 85,1%. Estudo realizado por BENTO (1985) no Rio de Janeiro, com cabras Parda Alemã, criadas em regime semi-intensivo, encontrou uma taxa de fertilidade da ordem de 80,1%, durante dois anos de observação. Nesse mesmo Estado, MEDEIROS et al. (1991) observando o comportamento produtivo de um rebanho de caprinos da raça Anglo-nubiana, em regime de criação semi-intensivo, durante 3 anos, encontraram 73,0; 76,9 e 84,6% de fêmeas paridas, para o primeiro, segundo e terceiro ano, respectivamente. Esses autores, reportaram que o aumento da taxa de fertilidade ao parto durante os anos de estudo, foi devido a melhoria das condições de alimentação, aspecto sanitário e manejo reprodutivo do rebanho. MAIA & COSTA (1997) trabalhando com caprinos da raça Canindé, manejados em regime semi-extensivo, no Estado do Rio Grande do Norte, obtiveram uma taxa de fertilidade ao parto de 82,3%. Este valor encontrado foi superior ao de FIGUEIREDO et al. (1982) para essa raça nativa (73,8%), em regime de pastagem nativa no Estado do Ceará, e por SOUZA et al. (1984) para o mesmo ecotipo de animal (79,2%), em condições de manejo semi-extensivo em pastagens de capim buffel (Cenchrus ciliares) na Paraíba. MEDEIROS et al. (1987b e 1992b) avaliando a performance reprodutiva de rebanhos caprinos, encontraram uma taxa de fertilidade ao parto de 76,1% e 71,4%, para as respectivas raças nativas Gurgueia e Marota, criadas em sistema de criação semi-extensivo de exploração, no Estado do Piauí. Na Tabela 2 são apresentadas as variações da fertilidade de algumas raças caprinas segundo a literatura. Tabela 2. Médias de fertilidade de algumas raças de caprinos exóticos, nativos ou tipos comuns (SRD) e cruzados. Raça ou Tipo Fertilidade (%) Referência Anglo-nubiana 66,70 GONZALES STAGNARO et al. (1974) Alpina Francesa 51,20 GONZALES STAGNARO et al. (1974) Toggenburg 62,90 GONZALES STAGNARO et al. (1974) Saanen 71,60 GONZALES STAGNARO et al. (1974) Marota 84,43 SIMPLÍCIO & NUNES (1979) Moxotó 80,20 SIMPLÍCIO & NUNES (1979) Repartida 75,00 SIMPLÍCIO & NUNES (1979) Canindé 90,91 BELLAVER et al. (1979) Anglo-nubiana 60,00 BELLAVER et al. (1979) Bhuj 60,00 BELLAVER et al. (1979) Anglo-nubiana 91,66 RODRIGUES et al. (1981) Parda Alemã 77,27 RODRIGUES et al. (1981) SRD 78,40 SIMPLÍCIO et al. (1981) SRD 84,50 ALVES (1986) Gurgueia 76,10 MEDEIROS et al. (1987b) SRD 77,60 MOULIN & MOUCHREK (1987) Anglo-nubiana 78,10 MEDEIROS et al. (1991) Canindé 83,58 MACIEL (1992) Mestiços Anglonubianos(*) + SRD 55,30 MAIA (1994) Anglo-nubiana 84,58 MEDEIROS et al. (1998) Alpinas 78,80 RIBEIRO et al. (1999) (*) Não foi discriminado, nesse trabalho, o percentual de gens da raça Anglo-nubiana. A espécie caprina possui características reprodutivas variáveis com relação a expressão sexual no macho e na fêmea, comportando-se como poliéstrica estacional em regiões de clima temperado e como poliéstrica contínua (anual) em regiões de clima tropical (GONZALES STAGNARO et al., 1974; McDOWELL & BOVE, 1977; SIMPLÍCIO & NUNES, 1978; SIMPLÍCIO, 1980; ALVES, 1986; CHEMINEAU, 1986a; SIMPLÍCIO et al., 1990; HAFEZ, 1993), bem como os machos, são capazes de se reproduzir, satisfatoriamente, ao longo do ano, desde que adequadamente bem manejados, principalmente no que se refere aos aspectos nutricional e sanitário (CHEMINEAU, 1986b; SIMPLÍCIO et al., 1990). Este aspecto permite uma grande flexibilidade de manejo, pois é possível fazer estação de monta, cobrir e/ou inseminar cabras em qualquer época do ano (SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990). Considera-se que nessas regiões, a alta umidade relativa do ar, isolada ou em associação com a elevada temperatura ambiente, exerce maior efeito negativo sobre a libido e sobre as características quanti-qualitativas do sêmen, do que a temperatura ambiente por si só e o fotoperíodo (ELWISHY et al.,1971; CORTEEL, 1977; HAFEZ, 1993). Contrariamente, em regiões de clima temperado, o fotoperíodo é o principal fator a condicionar a fêmea caprina a comportar-se como poliéstrica estacional (SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; REX, 1995), bem como a favorecer o macho a produzir e liberar sêmen de má qualidade e apresentar acentuada variação na libido (CORTEEL, 1977; HAFEZ, 1993). Caprinos originários de países de clima temperado apresentam marcante influência quanto às variações do fotoperíodo, já que iniciam seu ciclo reprodutivo anual em função da diminuição da intensidade de luz diária, o que se reflete significativamente na eficiência reprodutiva e produtiva (MOUCHREK & MOULIN, 1987; SIMPLÍCIO et al., 1990; CHEMINEAU et al., 1993; GALINA et al., 1995; SOARES FILHO et al., 2001). O fotoperíodo e a temperatura são fatores principais de interferência na reprodução dos caprinos, sendo que o primeiro como interdependência da latitude, com um caráter diretamente proporcional (CHEMINEAU et al., 1993). Na cabra como em outros pequenos ruminantes, a estacionalidade reprodutiva depende da interação de fatores genéticos e ambientais, sendo os ambientais de maior importância e fundamentalmente o fotoperíodo, que regulam a atividade sexual do rebanho caprino (SIMPLÍCIO et al., 1990; HAFEZ, 1993; REX, 1995, MEDEIROS et al., 1998 e 2001b). THANGAVELU et al. (1985) trabalhando com caprinos de raças nativas da Malásia, sob regime de amamentação contínua, relataram que até o desmame (90 dias) todas as fêmeas permaneceram com os ovários inativos. Uma vez que a amamentação exerce influência negativa sobre o restabelecimento da atividade ovariana, prolongando o período de anestro (GONZALES STAGNARO, 1991; MAIA & COSTA, 1997). Além do mais, a manifestação do estro anovulatório e formação de estrutura luteínica transitória durante o período de passagem (transição) do anestro para a ciclicidade normal pós-parto também são freqüentes em cabras (THANGAVELU et al., 1985; ANDRIOLI et al., 1989). Agregados à temperatura ambiente nesta ocasião e à qualidade do sêmen (CORTEEL, 1977; SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; HAFEZ, 1993), são estes fatores, entre outros, que influenciam a fertilidade em caprinos. Na Bahia, os animais SRD apresentaram cio em duas épocas de cobrição fértil (uma de outubro a novembro e outra de março a maio), visto que as condições exploratórias têm desnível marcante entre os meses com referência à alimentação (SILVA FILHO & REAL, 1979). Esses mesmos autores informaram, que essas duas épocas de monta estão relacionadas com o índice pluviométrico da região. Segundo GUIMARÃES FILHO (1983), não havendo no Nordeste a influência do fotoperíodo, torna-se teoricamente mais fácil a escolha das estações de monta de maneira a contemplar os eventos cobertura, parições e desmama com épocas que lhes sejam favoráveis. Na prática, contudo, isto é muito difícil, se não existir, simultaneamente um programa de suplementação alimentar das matrizes e crias (GUIMARÃES FILHO, 1983; ALVES, 1986; GUIMARÃES FILHO & GÓES, 1988; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; MACIEL, 1992; MAIA & COSTA, 1997; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; SILVA & ARAÚJO, 2000). Com relação à distribuição das parições durante o ano, SANTIAGO (1946), no Estado de São Paulo, trabalhando com caprinos das raças Saanen, Toggenburg e Anglonubiana, registrou que 60% das coberturas ocorreram entre os períodos compreendidos entre março e maio. JORDÃO & CALDAS FILHO (1952) nesse mesmo Estado, avaliando o desempenho produtivo de caprinos da raça Anglo-nubiana, Saanen, Toggenburg e Angorá, além de mestiços de Anglo-nubiano e Toggenburg, verificaram que em média 60,5% das coberturas ocorreram entre os meses de fevereiro e maio. As maiores freqüências de parições ocorreram de julho a novembro. JARDIM et al. (1965), estudando os aspectos da eficiência reprodutiva de caprinos, ainda no Estado de São Paulo, observaram a maior freqüência de cobertura nos animais comuns nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril, totalizando 44,2%, as maiores freqüências de parições ocorreram entre os meses de junho a agosto. Nos rebanhos de mestiços Anglo-nubianos + comuns, as maiores freqüências de parições ocorreram entre os meses de junho a outubro (86,6%). JARDIM (1977), nesse mesmo Estado, cita que as parições ocorrem em maior concentração nos meses de agosto, setembro e outubro, em diferentes raças e tipos de caprinos. Ainda, no Estado de São Paulo, SANCHES RODA et al. (1995) verificaram para a raça Anglo-nubiana que as parições se distribuíam nos meses de maio a outubro, com maior concentração entre julho e outubro. Segundo VIEIRA (1984) na região Centro-Sul do Brasil, notadamente nos Estados da região Sul, onde o clima é subtropical, a incidência de estros é registrada nos meses de janeiro, fevereiro e março, quando 80% das cabras são cobertas. MOUCHREK & MOULIN (1987), avaliando o comportamento sexual de fêmeas caprinas SRD, no Estado de Minas Gerais, verificaram que a maioria das coberturas ocorreram de janeiro a julho, sendo que as parições ocorreram, notadamente no segundo semestre do ano (nos meses de julho a dezembro). Segundo esses autores, não houve manifestação de estros no final do inverno e durante toda a primavera, embora com o registro de precipitações pluviométricas e disponibilidade de alimentos. Afirmaram, ainda, que, em climas temperado e subtropical o fotoperíodo condiciona a cabra a se comportar como poliéstrica estacional. BENTO (1985) registrou a ocorrência de 48% de coberturas férteis no período de março a maio, em caprinos da raça Parda Alemã, no Estado do Rio de Janeiro. MEDEIROS et al. (1990), estudando o crescimento comparativo de cabritos SRD e cruzados com Anglo-nubianos no Estado do Rio de Janeiro, observaram que as parições das matrizes SRD se deram ao longo de todos os meses do ano, contudo, 70% dos nascimentos ocorreram entre os meses de maio a outubro. Nesse mesmo Estado, MEDEIROS et al. (1991) avaliando por um período de três anos, alguns caracteres reprodutivos e produtivos de caprinos da raça Anglo-nubiana, observaram, que os meses com maior densidade de coberturas foram os de janeiro (13,8%), fevereiro (17,2%), março (19,3%), abril (18,2%) e maio (11,5%), totalizando 80,5% de coberturas. As maiores freqüências de parições ocorreram de junho a novembro (85,0%). Não houve manifestação de estro no período de agosto a novembro. MEDEIROS et al. (1992a), comparando o desenvolvimento ponderal de cabritos Anglo-nubianos, SRD e ½ Anglonubiano + SRD, verificaram, ainda no Estado do Rio de Janeiro, que as parições ocorreram em todos os meses do ano; contudo, 77,5% e 62,5% se deram entre os meses de maio a outubro, respectivamente, para as cabras Anglo-nubianas e SRD. MEDEIROS et al. (1998), no mesmo Estado, estudando por um período de sete anos, a performance produtiva de um rebanho caprino da raça Anglo-nubiana, registraram que os meses com maior freqüência de parições foram os de junho (11,0%), julho (22,2%), agosto (23,7%), setembro (18,4%) e outubro (11,3%), num total de 86,8%. MEDEIROS et al. (2001b) trabalhando com caprinos Anglo-nubianos, observaram que as parições ocorreram, na sua maioria, no período entre os meses de junho a outubro (85,2%), revelando assim, que o sistema de criação não interferiu na parição sazonal dos caprinos de raças exóticas na região Centro-Sul do Brasil. Segundo MEDEIROS et al. (1991 e 1998), a freqüência de manifestação do estro aumenta à medida que diminui o comprimento do dia. Neste caso, o auge da estação reprodutiva ocorre nos meses de outono (quando os dias são mais curtos, estendendo-se pelo inverno). Essa norma de estacionalidade é seguida, de acordo com TRALDI (1985), pela maioria das cabras exóticas, em particular as leiteiras, do tronco europeu, criadas na região Centro-Sul do Brasil, as quais apresentaram ciclos estrais de fevereiro a julho, com maior incidência no mês de abril. Nessa região do país, os animais se apresentam como poliéstricos estacionais, passando a ter estros regulares apenas no verão e outono, o que diferencia dos animais da região Nordeste, onde existe pouca variação no ciclo anual do fotoperíodo, devido à latitude, predominando os poliéstricos contínuos, segundo SILVA FILHO & REAL (1979), SIMPLÍCIO (1980), GUIMARÃES FILHO (1983), SIMPLÍCIO et al.(1986 e 1990) e SOARES FILHO et al. (2001). Este comportamento reprodutivo também foi citado por MAIA (1994), trabalhando com caprinos mestiços Anglo-nubianos, onde as condições climáticas da região Norte do Brasil são relativamente constantes o ano todo, e onde não ocorrem variações aparentes no fotoperíodo, a atividade reprodutiva dos caprinos se estende por todos os meses do ano. 2.2.3 Prolificidade Prolificidade é a capacidade do animal produzir muitos descendentes, sendo um atributo inerente ao indivíduo, a família, a raça ou a espécie animal (MIES FILHO, 1982, SIMPLÍCIO et al.,1990) e apresenta grande influência na eficiência reprodutiva. A prolificidade é uma característica de ordem fisiológica com variações dentro da espécie e da raça (RIERA, 1982; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998; GONÇALVES, 1996). JARDIM (1977) afirma ser a gemelidade um atributo hereditário. Segundo GONÇALVES (1996) o aumento do número de cabritos nascidos por ano, possibilita uma maior intensidade de seleção, e conseqüentemente, maiores ganhos genéticos são esperados, mesmo sendo esta característica de baixa herdabilidade e repetibilidade. O índice de prolificidade é usado para expressar o número de produtos nascidos por cabra/parto, ocorridos no mesmo período (MIES FILHO, 1982; SIMPLÍCI0 et al., 1990). Na prática, quando associado à fertilidade ao parto, é uma medida importante para se determinar a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho (MIES FILHO, 1982; MOULIN & MOUCHREK, 1987; FOOTE & SIMPLÍCIO, 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998, MEDEIROS et al. 1998, SILVA & ARAÚJO, 2000). Segundo RIBEIRO et al. (1999), quando nasce apenas um cabrito, principalmente da segunda cria em diante, além de significar menos animais disponíveis, pode acarretar o nascimento de animais muito pesados que podem causar problemas de parto e normalmente são menos ágeis. Esses mesmos autores afirmam, ainda, que, uma prolificidade superior a três também não é desejável, pois, se de um lado aumenta o número de animais, é desgastante para a mãe e pode acarretar nascimento de crias muito leves, prejudicando a sua viabilidade. No caso de aleitamento natural é um motivo a mais para se preferir dois cabritos por parto. Segundo RIERA (1982), SIMPLÍCIO et al. (1990), MAIA & COSTA (1997) e SILVA & ARAÚJO (2000), o tipo de nascimento em cabras é influenciado pelo nível nutricional da fêmea no momento da concepção e durante a gestação. O aumento na disponibilidade de forragem tem sido mostrado como capaz de melhorar o desempenho reprodutivo em caprinos, através do aumento na incidência de partos múltiplos (GUIMARÃES FILHO & GÓES, 1988; SANCHES RODA et al., 1995; SILVA & ARAÚJO, 2000). O nível nutricional da cabra no momento da concepção, a época, o ano, a raça, a idade e o peso da cabra, são fatores que podem influenciar a taxa de prolificidade dos rebanhos caprinos (ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; MAIA, 1994; SANCHES RODA et al., 1995; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998; MEDEIROS et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). BELLAVER et al. (1979), observaram em cabras Anglo-nubianas, paridas na estação seca do Nordeste do país, que o número de cabritos nascidos por fêmea parida, foi de 1,40. LIMA et al. (1988) registraram em cabras nativas do tipo SRD, em sistema tradicional de manejo, nesta mesma região, um total de 57,7% de partos simples, 35,6% gemelares e 1,1% triplos. RODRIGUES et al. (1981) na Paraíba, em sistema de criação melhorado, registraram em cabras da raça Anglo-nubiana uma prolificidade de 1,71 cria/parto, tendo ocorrido 38,5% de partos simples, 51,3% de partos gemelares e 10,2% de partos triplos. MITTAL (1976), estudando a raça Jamnapari, na Índia, relatou uma prolificidade de 1,54; enquanto que para a raça Barbari, o índice foi de 1,36 cria/parto. MEDEIROS et al. (1982), trabalhando com caprinos da raça Bhuj, em regime de pasto nativo, no Estado do Piauí, Nordeste do Brasil, e verificaram que a prolificidade média para dois anos, foi de 1,42 cabrito/parto. Por outro lado, MOLOKWU & IGONO (1982), trabalhando com a raça Red Sokoto, na Nigéria, ao longo de dois anos, encontraram uma prolificidade de 1,48 cria/parto, manejados em regime extensivo, de savanas. MOULIN & MOUCHREK (1987) trabalhando com cabras SRD, em regime semi-intensivo, no Estado de Minas Gerais, obtiveram uma prolificidade de 1,52, a incidência de partos simples e duplos comportou-se percentualmente em igualdade, isto é, 49,4%. Os partos triplos tiveram uma taxa de 1,2%. No Estado do Rio de Janeiro, MEDEIROS et al. (1991) estudando caprinos da raça Anglo-nubiana, durante três anos, em sistema semi-intensivo encontraram prolificidade média de 1,65, sendo a gemelidade de 48,8%. Procurando estabelecer época de cobertura de cabras mestiças Anglo-nubianas no Estado do Acre, região Norte do Brasil (clima equatorial), objetivando uma melhor performance reprodutiva, traduzida por uma melhor taxa de fertilidade e um maior número de crias nascidas, MAIA (1994), registrou uma média de 1,45; 1,43 e 1,00 cabrito nascido por cabra parida, em três estações de acasalamento, fevereiro e março, junho e julho, e outubro e novembro, respectivamente, apresentando duas estações climáticas bem definidas, uma seca, de junho a setembro e outra chuvosa, no restante do ano. SANCHES RODA et al. (1995), no Estado de São Paulo, em regime de criação extensiva, registraram 277 parições simples (57,9%), 195 gemelares (40,8%), cinco triplas (1,0%) e uma quádrupla (0,21%). MAIA & COSTA (1997), no Rio Grande do Norte, trabalhando com caprinos da raça Canindé, criados em regime semi-extensivo de exploração, relataram um percentual de partos simples de 37,8%, de partos duplos 56,4% e 5,4% de triplos, obtendo-se uma média de 1,67 cabrito nascido por cabra parida. Segundo RIERA et al. (1980), SIMPLÍCIO et al. (1990), MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a e 1998) e SILVA & ARAÚJO (2000), as taxas de mortalidade em caprinos, estão associadas positivamente com a prolificidade e negativamente com o peso ao nascer. Na Tabela 3 são apresentadas as variações da gemelidade e prolificidade de algumas raças caprinas segundo a literatura. Tabela 3. Médias de prolificidade e gemelidade de algumas raças de caprinos exóticos, nativos ou tipos comuns (SRD) e cruzados. Raça ou Tipo Anglo-nubiana ½ Anglo-nubiana + ½ SRD Anglo-nubiana Anglo-nubiana Anglo-nubiana Anglo-nubiana + nativa Anglo-nubiana Anglo-nubiana Anglo-nubiana Toggenburg Saanen Marota Moxotó Repartida Canindé Anglo-nubiana Jamnapari Parda Alemã SRD Alpina Parda Alemã SRD Gurgueia Anglo-nubiana Gemelidade (%) 53,37 57,35 Prolificidade Referência 55,80 1,72 2,01 1,43 1,75 1,91 2,45 2,29 1,63 1,52 1,59 1,39 1,65 1,30 1,47 1,60 1,40 1,54 1,61 1,44 1,07 1,58 1,29 1,36 1,61 JORDÃO & CALDAS FILHO (1952) JORDÃO & CALDAS FILHO (1952) DEVENDRA (1962) EPSTEIN & HERZ (1964) SHALASH et al. (1970) DEVENDRA & BURNS (1970) DEVENDRA & BURNS (1970) GILL & DEV (1972) GONZALES STAGNARO et al. (1974) GONZALES STAGNARO et al. (1974) GONZALES STAGNARO et al. (1974) SIMPLÍCIO & NUNES (1979) SIMPLÍCIO & NUNES (1979) SIMPLÍCIO & NUNES (1979) BELLAVER et al. (1979) BELLAVER et al. (1979) KHAN (1980) RODRIGUES et al. (1981) SIMPLÍCIO et al. (1981) CHAWALA & BHATNAGAR (1984) BENTO (1985) ALVES (1986) MEDEIROS et al. (1987b) MEDEIROS et al. (1987a) Mestiços Anglo-nubianos(*) + SRD 53,50 1,59 MEDEIROS et al. (1987a) Anglo-nubiana Canindé 48,80 1,65 1,30 MEDEIROS et al. (1991) MACIEL (1992) 1,33 MAIA (1994) 1,44 1,71 SANCHES RODA et al. (1995) MEDEIROS et al. (1998) Alpinas ½ Parda Alpina + ½ Moxotó 1,50 1,69 RIBEIRO et al. (1999) SILVA & ARAÚJO (2000) ¾ Parda Alpina + ¼ Moxotó 1,59 SILVA & ARAÚJO (2000) ½ Anglo-nubiana + ¼ Parda Alpina + ¼ Moxotó Anglo-nubiana 1,78 SILVA & ARAÚJO (2000) 1,76 SOUZA (2001) 56,75 62,30 66,45 63,75 51,50 47,20 36,90 33,40 62,50 27,63 47,61 60,00 40,00 40,62 Mestiços Anglo-nubianos(*) Anglo-nubiana Anglo-nubiana 40,79 50,00 (*) Não foi discriminado, nesse trabalho, o percentual de gens da raça Anglo-nubiana. MEDEIROS et al. (1998), trabalhando com caprinos da raça Anglo-nubiana, no Estado do Rio de Janeiro, em regime semi-intensivo, verificaram que 39,2% das parições foram simples e 60,7% foram múltiplas. Das parições múltiplas, 50,0% foram gemelares, 7,8% triplas e 2,8% quádruplas, de um total de 140 parições. Segundo os mesmos autores, a prolificidade foi influenciada pelo ano de parição das cabras. Os caprinos apresentam, em média, até 50% de partos gemelares. Este aspecto é responsável, em grande parte, pelo maior ou menor desempenho produtivo da espécie (JARDIM, 1977; SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA, 1984; MOULIN & MOUCHREK, 1987; FOOTE & SIMPLÍCIO, 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). Um alto percentual de partos múltiplos implica numa alta prolificidade e pode resultar numa elevada taxa de mortalidade entre os animais jovens, oriundos, particularmente, dos referidos partos (RIERA et al., 1980; RIERA, 1982; MAIA & COSTA, 1997). Porém, segundo OPPONG & YEBUAH (1981), esta ótica negativa poderá ser superada com a dispensa de maiores cuidados à criação. Esses mesmos autores reportam, que num estudo realizado durante cinco anos, no Oeste da África, a prolificidade dos caprinos nativos, daquela região, foi bastante alta, atingindo valores superiores a 1,60 cabrito/parto. Salientam ainda, que, o ano influiu sobre esta característica estudada. Na Índia, GILL & DEV (1972), trabalhando com as raças Alpina Francesa e Anglo-nubiana, encontraram índices de prolificidade de 1,56 e 1,63, respectivamente, consideradas ótimas, visto tratar-se de raças exóticas naquele país. Existem evidências de que a prolificidade aumenta com a idade do animal, com incrementos de partos múltiplos após a primeira parição (DEVENDRA & BURNS, 1970 e 1980; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1998; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). PRASAD et al. (1971) estudaram a freqüência de partos múltiplos da raça Barbari, em condições extensivas na Índia, e encontraram prolificidades de 1,21; 1,59; 1,77; 1,88 e 1,83 cabrito por parto para a primeira, segunda, terceira, quarta e quinta parições, respectivamente. MUKUNDAM & RAJAGOPOLAN (1971), na Índia, observaram que no nascimento de caprinos da raça Malabari, 47% eram simples, 42,4% gêmeos e 10,6% triplos. Verificaram, ainda, que cabras com menos de dois anos produziram mais parições simples do que fêmeas de outras idades. PRAKASH & SINGH (1985), trabalhando com cabras nativas da Índia e mestiços com raças européias, verificaram que o ano e a idade do animal tiveram efeito na incidência de nascimentos múltiplos. O meio ambiente caracterizado pelas condições anuais, principalmente por disponibilidade de pastagem (devido ao número de animais por área ou devido às condições destas pastagens decorrentes de pluviosidade, geadas, secas, etc.), pode influenciar na incidência de parições gemelares (SIMPLÍCIO, 1980; SIMPLÍCIO et al., 1990; SANCHES RODA et al., 1995; GONÇALVES, 1996; RIBEIRO, 1998). Desta maneira, o ano pode constituir eventualmente uma fonte de variação na prolificidade dessa espécie. VIEIRA et al. (1987), no Estado de Pernambuco, trabalhando com caprinos da raça Moxotó, durante os anos de 1983 e 1984, e observaram que a percentagem de parições múltiplas foi de 28,2 e 35,9%, nesses dois anos, respectivamente. Os mesmos reportam que houve influência do ano e da ordem de parição na prolificidade das cabras. RODRIGUES (1988) na Paraíba, observou que a prolificidade de matrizes das raças Anglo-nubiana, Parda Alemã e SRD foram de 1,36; 1,44 e 1,57 cabrito/parto, respectivamente. O mesmo reportou que a prolificidade foi influenciada pelo peso a cobrição e pelo ano de nascimento. Avaliando as características produtivas de caprinos mestiços (½ Pardo Alpino + ½ Moxotó, ¾ Pardo Alpino + ¼ Moxotó e ½ Anglo-nubiano + ¼ Pardo Alpino + ¼ Moxotó) no semi-árido do Nordeste do Brasil, no período de 1993 a 1997, SILVA & ARAÚJO (2000), verificaram que o ano de parição exerceu efeito significativo sobre a prolificidade das cabras. Esses mesmos autores citam, que as diferenças observadas entre anos, principalmente a partir de 1995, refletem maior disponibilidade e qualidade das forragens, em que as matrizes estavam em bom estado nutricional, em função da maior precipitação pluvial ocorrida de 1995 a 1997. Asseveram, ainda, que as cabras mestiças apresentaram prolificidade dentro dos padrões normais, porém semelhante aos caprinos do Nordeste, em condições semi-árida. GANGWAR & YADAV (1987), trabalhando com cabras nativas da Índia, verificaram que o ano de nascimento não influenciou a incidência de partos múltiplos. Na Índia, PRASAD et al. (1971) obtiveram maior porcentagem de partos múltiplos no inverno do que no verão (58% versus 45,1%), atribuindo o resultado ao efeito de fatores ligados à nutrição dos animais. Por outro lado, na Venezuela, GONZALES STAGNARO et al. (1974), atribuíram ao efeito do fotoperiodismo o grande número de partos múltiplos (média de 45,9%), como conseqüência da maior atividade ovariana durante a estação de reprodução principal. Aplicando-se o teste (HOGBEN, 1946) para partos gemelares, MEDEIROS et al. (1998) obtiveram uma freqüência de partos gemelares monozigóticos de 2,8% em cabras da raça Anglo-nubiana, no Estado do Rio de Janeiro. SANCHES RODA et al. (1995) aplicando este mesmo teste obtiveram uma freqüência de 3,0% de partos gemelares monozigóticos em cabras desta mesma raça no Estado de São Paulo. 2.2.4 Peso ao nascer O baixo peso ao nascer tem sido relatado como a causa mais freqüente de mortalidade das crias no período pós-parto, e esse fator assume grande importância na viabilidade e sobrevivência de animais jovens, com forte impacto no retorno econômico de todos os sistemas e tipos de produção de caprinos. Assim, o peso ao nascer tem reflexos diretos no número de animais disponíveis no rebanho, seja qual for o objetivo da exploração (RIBEIRO et al., 1998a). Segundo SHERMAN (1987), a alta porcentagem de perda de cabritos representa uma barreira significativa na caprinocultura e reduz a eficiência de produção em todos os tipos de sistemas de produção de caprinos, com o baixo peso ao nascer sendo um dos principais fatores que predispõe à tais perdas. A importância do peso ao nascer no desempenho produtivo dos caprinos é enfatizada em larga escala, particularmente quando se relaciona com a sobrevivência das crias (RIBEIRO et al., 1998a). RIERA et al. (1980), investigando o comportamento produtivo, envolvendo as raças Anglo-nubiana e Bhuj (exóticas) e Canindé, Marota, Moxotó e Repartida (nativas), concluíram que existe uma associação positiva, entre o peso ao nascer e o percentual de sobrevivência das crias, e que o peso ao nascer e o percentual de partos múltiplos estão correlacionados negativamente. Vários trabalhos têm salientado que o peso ao nascer é um fator importante para a mortalidade de cabritos, sendo que animais de menor peso apresentam uma taxa de mortalidade mais elevada do que aqueles nascidos mais pesados (FIGUEIREDO et al., 1980; RIERA et al., 1980; MEDEIROS et al., 1991 e 1998; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998b). No caso de criatórios especializados em leite mas que também criam os cabritos para corte, a importância do peso ao nascer é mais evidenciada (RIBEIRO, 1998). Porém, quando o peso ao nascer é baixo, este tem alta relação com a mortalidade precoce, quando muito elevado, poderia incorrer em distocia, o que também não seria desejável (RIBEIRO et al., 1998a; SILVA et al., 1998). Alguns autores relatam a correlação positiva alta entre o peso ao nascer e o desenvolvimento ponderal, afetando o peso em diferentes idades, inclusive o peso à cobertura, que é importante no desempenho reprodutivo do rebanho (MAVROGENIS et al., 1984; CRONOJEVIC et al., 1991; SILVA et al., 1993; RIBEIRO et al., 1998a e 1999). MONTEMURRO (1966), na Itália, estudando caprinos Malteses, encontrou um coeficiente de correlação da ordem de 0,83 entre o peso ao nascer e aos 30 dias. Já, MOUCHREK et al. (1981) em Minas Gerais, trabalhando com caprinos de raças leiteiras, do subtronco alpino, observaram um coeficiente de correlação de 0,73 para machos e 0,58 para fêmeas entre o peso ao nascer e o desmame (90 dias). SANTOS et al. (1984), no Estado de São Paulo, estudando o crescimento de cabritos Anglo-nubiano, Moxotó e ½ Anglo-nubiano + ½ Moxotó encontraram um coeficiente de correlação entre o peso ao nascer e o peso a desmama (126 dias), positivo e alto para todos os animais dos tipos estudados (0,95). Igualmente alto e positivo foi o coeficiente de correlação entre o peso ao nascer e a taxa de crescimento do nascimento ao desmame, em torno de 0,98, confirmando a importância da observação do peso ao nascer quando da seleção de animais. MEDEIROS et al. (1991) avaliando alguns caracteres reprodutivos e produtivos de caprinos Anglo-nubianos, no Rio de Janeiro, observaram também, que o coeficiente de correlação entre o peso ao nascer e o peso aos 90 dias (desmama) foi positivo e alto (0,78), para as crias (machos e fêmeas). O peso ao nascer de caprinos pode ser considerado uma característica de importância econômica, devendo-se estudar tanto a fração da variância total que é transmitida de pais para filhos (herdabilidade) como os efeitos ambientais que atuam sobre esta característica (CARDELINO, 1996; GONÇALVES, 1996; PEREIRA, 2001). RIBEIRO et al. (1998a), em São Paulo, trabalhando com caprinos de raças européias, do subtronco alpino, asseveram que o peso ao nascimento dos caprinos apresentou uma estimativa de herdabilidade de moderada magnitude, o que permite esperar uma resposta à seleção para esta característica analisada. Um dos fatores que influencia o peso ao nascer do cabrito é o tipo de parição, seguido pelo sexo da cria. Vários trabalhos têm demonstrado que o macho nasce mais pesado que as fêmeas e, que as crias oriundas de partos simples são mais pesadas ao nascer do que aquelas de partos múltiplos, como apontado pelos dados da literatura apresentados na Tabela 4. Outros aspectos, como a raça, a idade ou a ordem de parição da cabra, o ano de nascimento, a estação ou o mês de nascimento tem influenciado o peso ao nascer de cabritos (DEVENDRA & BURNS, 1970 e 1980; RIERA et al., 1980; BARBIERI et al., 1983; LIMA et al., 1983; SINHA & SAHNI, 1983; ALVES, 1986; SOUSA, 1986; RODRIGUES, 1988; SANTOS et al., 1989; SIMPLÍCIO et al, 1990; SANCHES RODA et al., 1995; RIBEIRO, et al., 1998a; RIBEIRO, 1998; MEDEIROS et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). A disponibilidade de alimentos poderá determinar um melhor ou pior estado nutricional das fêmeas, no terço final da gestação, resultando crias de maior ou menor peso ao nascer (ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SILVA et al., 1993; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998a; RIBEIRO, 1998; LEAL & REIS, 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). Tabela 4. Peso médio de cabritos Anglo-nubianos e cruzados, ao nascimento, segundo o sexo e tipo de parição. Raça Tipo de parto Macho Fêmea Anglo-nubiana Simples 3,70 3,40 EPSTEIN & HERZ (1964) Anglo-nubiana Gemelar 3,30 3,10 EPSTEIN & HERZ (1964) Anglo-nubiana Vários 1,83 1,71 SHALASH et al. (1970) Anglo-nubiana Vários Anglo-nubiana Vários 3,20 2,50 DEVENDRA & BURNS (1970) Anglo-nubiana Simples 3,30 2,90 CASTILLO et al. (1972) Anglo-nubiana Gemelar 2,90 2,70 CASTILLO et al. (1972) Anglo-nubiana Simples 3,10 2,90 VELEZ NAUER et al. (1978) Anglo-nubiana (*) 3,02 2,66 RODRIGUES et al. (1981) Anglo-nubiana Vários 2,94 2,75 SANTOS et al. (1984) Anglo-nubiana Vários 2,19 1,97 SANTOS et al. (1984) Anglo-nubiana Vários 3,27 2,62 SANTOS et al. (1989) Anglo-nubiana (*) 3,23 2,90 SANTOS et al. (1989) ½ Anglo-nubiana + SRD Anglo-nubiana Vários 2,77 2,60 MEDEIROS et al. (1990) Vários 3,10 2,95 MEDEIROS et al. (1991) Anglo-nubiana Vários 3,22 3,07 MEDEIROS et al. (1992a) Mestiços Anglonubiano(**) + ½ Pardo Alpino Vários 2,94 2,79 MAIA (1994) Anglo-nubiana Simples 3,28 3,04 SANCHES RODA et al. (1995) Anglo-nubiana Gemelar 2,62 2,28 SANCHES RODA et al. (1995) Anglo-nubiana Simples 3,60 3,36 MEDEIROS et al. (1998) Anglo-nubiana Gemelar 3,30 3,07 MEDEIROS et al. (1998) 1,83 1,59 Referência SHALASH et al. (1970) (*) Não foi descriminado, nesses trabalhos o tipo de parição. (**) Não foi discriminado, nesse trabalho, o percentual de gens da raça Anglo-nubiana. A maioria dos trabalhos de pesquisa tem evidenciado influência significativa do sexo sobre os pesos dos caprinos nas diversas idades, indicando geralmente superioridade dos machos em relação às fêmeas (McDOWELL & BOVE, 1977; SANTOS et al., 1989; RIBEIRO, 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). O tipo de parição (simples e múltiplo) é um fator de variação nos pesos de caprinos. A maioria dos resultados de pesquisa evidencia que os animais oriundos de partos simples são mais pesados, principalmente nos primeiros estádios de vida. SOUSA (1986) trabalhando com caprinos SRD, no Estado da Paraíba, verificou que o peso ao nascer das crias foi afetado pelo sexo da cria e pelo tipo de parto. Os machos foram mais pesados que as fêmeas e os animais de partos simples foram 13,8% mais pesados que as crias oriundas de partos duplos. MAIA & COSTA (1997) trabalhando com cabras nativas da raça Canindé, no Rio Grande do Norte, criadas em regime semi-extensivo, verificaram que o peso ao nascer foi influenciado pelo sexo da cria e pelo tipo de parto. As crias do sexo feminino apresentaram menor peso ao nascer que aquelas do sexo masculino, bem como as de partos triplos em relação àquelas nascidas de partos simples e duplos. MEDEIROS et al. (1998) no Estado do Rio de Janeiro, analisando os aspectos reprodutivos e produtivos de caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime semiintensivo, observaram a influência do tipo de parto e do sexo sobre o peso ao nascer dos animais oriundos de partos simples, que foi superior a média de peso das crias nascidas de partos múltiplos. Salientam os autores que, a medida que aumentou o número de produtos por parto diminuiu o peso ao nascer. Foi observado também, que os animais oriundos de partos simples foram mais pesados em média do que os de partos duplos, triplos e quádruplos, 9,1; 22,8 e 38,0%, respectivamente. Esses autores reportam, ainda, que a interação sexo e tipo de parto foi significativa, mostrando que o comportamento dos pesos médios ao nascer obtidos pelos cabritos segundo o tipo de parto, foi influenciado pelo sexo. As crias do sexo feminino apresentaram menor peso ao nascer que aquelas do sexo masculino, tanto para partos simples, como para partos múltiplos. Esta mesma tendência foi notada por RIBEIRO et al. (1998a), em São Paulo, que observaram que o peso ao nascimento de cabritos das raças Saanen e Alpina, criados em confinamento, foram influenciados pelo sexo, tipo de parto e da interação sexo x tipo de parto. Os machos foram mais pesados ao nascimento do que as fêmeas. Os cabritos provenientes de partos simples foram mais pesados do que os de partos duplos, que por sua vez foram mais pesados do que os de partos triplos. Segundo, esses mesmos autores, a interação sexo e tipo de parto mostrou que os machos oriundos de partos duplos foram mais pesados que fêmeas de partos simples. SOUZA (2001), trabalhando com caprinos das raças Anglo-nubiana e Saanen, no Estado do Ceará, observaram que o sexo da cria e o tipo de nascimento exerceram influência sobre o peso ao nascer. Na Venezuela, CASTILLO et al. (1978), nas raças Anglo-nubiana, Alpina, Toggenburg e Saanen, constataram que os pesos ao nascimento, à desmama, aos 6 e 12 meses de idade foram influenciados pelo sexo dos animais. MONTALDO & JUAREZ (1982), no México, trabalhando com registros de peso ao nascer das raças Alpina Francesa, Anglo-nubiana, Granadina, Saanen e Toggenburg, observaram que o sexo apresentou efeito em favor dos machos. BURY et al. (1982), na Venezuela, estudando os registros de peso ao nascimento de caprinos nativos e mestiços nativo x Nubiano e nativo x Alpino observaram que em ambos os grupos genéticos os machos superaram de modo significativo as fêmeas, 2,84 x 2,55 kg e 2,75 x 2,36 kg respectivamente. LIMA et al. (1983), no Ceará, estudando o desempenho de crescimento de caprinos SRD na fase de aleitamento, observaram que o sexo influenciou nos pesos ao nascer, aos 41, 69, 97 e 125 dias e ganho de peso do nascimento aos 41 dias, sempre com superioridade dos machos. Estudando os pesos corporais na fase pré-desmama de caprinos Malabari e Saanen x Malabari, MUKUNDAM et al. (1983), na Índia, observaram que o sexo afetou os pesos ao nascimento aos 30, 60 e 90 dias de idade. Na Turquia, OZEKIN & AKÇAPINAR (1983), estudando a raça Angorá, observaram que o sexo influenciou os pesos ao nascer, aos 120, 180 e 320 dias de idade. Na Etiópia, WILSON (1983), analisando dados de mais de mil caprinos nativos, verificou que os pesos ao nascer até os 18 meses de idade foram influenciados pelo sexo dos animais. MISHRA & RAWAT (1984), na Índia, estudando a raça Sirohi, constataram que o peso ao nascimento foi afetado pelo sexo dos caprinos, sendo que os machos foram mais pesados do que as fêmeas. FERNANDES et al. (1985), no Ceará, analisando dados de caprinos mestiços das raças nativas (Marota, Canindé, Moxotó e Repartida) e exóticas (Anglo-nubiana e Bhuj), observaram que o sexo dos animais influenciou os pesos ao nascer, aos 56, 112, 180, 240, 300 e 360 dias de idade, onde os machos foram mais pesados do que as fêmeas. Observaram, ainda, que os animais nascidos de partos simples foram mais pesados do que os de partos gemelares. SIMPLÍCIO et al. (1981), no Estado do Ceará, relacionando o peso ao nascer do cabrito SRD, com o sexo e o tipo de parto, durante dois anos, submetidos ao manejo tradicional de exploração, encontraram 2,09 e 1,90 kg, para machos de partos simples e múltiplos, respectivamente; enquanto que para as fêmeas, na mesma ordem de tipo de parto, o peso ao nascer foi de 2,00 e 1,57 kg. EL-SERAFY & AL-BUSAIDY (1982), no Egito, avaliaram pesos ao nascer de cabritos das raças Anglo-nubiana, Jamnapari e Damascus, e concluíram que os machos geralmente são mais pesados do que as fêmeas. RIBEIRO & SANTOS (1987), no Estado da Paraíba, trabalhando com caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime semi-extensivo, observaram que o peso ao nascer foi influenciado pelo sexo e tipo de parto, com cabritos oriundos de parições simples apresentando maiores pesos ao nascer, em relação aos cabritos provenientes de partos múltiplos. Estudo desenvolvido por RODRIGUES (1988), nesse mesmo Estado, avaliando caprinos de várias raças, criados em sistema semi-intensivo, verificou que o sexo influenciou o peso ao nascer das crias. Os cabritos machos nasceram mais pesados do que as fêmeas. Ainda, nesse Estado, da região Nordeste do país, SANTOS et al. (1989) estudando os aspectos genéticos e de meio sobre os pesos pré-desmame em cabritos das raças Parda Alpina e Anglo-nubiana, criados em regime semi-extensivo, verificaram que o sexo da cria influenciou o peso ao nascimento, bem como nos pesos médios nos diferentes estádios de crescimento estudado (28, 56 e 112 dias de idade). Esses mesmos autores afirmam, ainda, que, a variação observada dependente do sexo permitiu indicar os machos como portadores de melhores pesos, nos estádios de crescimento do nascimento ao desmame (112 dias). SILVA & ARAÚJO (2000), no Estado do Ceará, avaliando a performance produtiva em caprinos mestiços de diferentes grupos genéticos, mantidos em pastagem nativa e, na época seca com suplementação de volumosos, observaram que o sexo do animal apresentou efeito significativo sobre todos os pesos (ao nascer, aos 28, 56 e 84 dias de idade), com exceção do ganho de peso dos 28 aos 56 dias de idade. Os machos foram 3,0; 7,6; 5,0 e 7,0% mais pesados que as fêmeas aos nascer, aos 28, 56 e 84 dias de idade, respectivamente. Esses mesmos autores comentam ainda, que, os machos geralmente ganham mais peso que as fêmeas, fato já observado por outros autores, em caprinos de várias raças, submetidos há vários sistemas de criação. SANCHES RODA et al. (1995), em São Paulo, trabalhando com caprinos da raça Anglo-nubiana e Moxotó em sistema extensivo, observou que o sexo influiu sobre o peso ao nascer dos cabritos, na raça Anglo-nubiana, o que não foi observado na raça Moxotó. ALI & HASNATH (1977), estudando peso ao nascer de animais da raça Black Bengal, em Bangladesh, não observaram influência significativa do sexo. NATH & CHAWALA (1978), na Índia, analisando pesos ao nascimento de caprinos das raças Beetal, Alpina, Alpina x Beetal, Saanen x Beetal e Saanen x (Alpina + Beetal), verificaram que o sexo não apresentou efeito significativo sobre esta característica. Embora os machos tenham sido mais pesados que as fêmeas, MITTAL & PANDEY (1978), ainda na Índia, estudando a taxa de crescimento da raça Barbari, observaram que o sexo não afetou os pesos do nascimento aos 9 meses de idade. ALI (1980), nesse mesmo país, analisando dados de animais da raça Black Bengal, verificou que a diferença de peso entre machos e fêmeas não foi significativa, concluindo que o sexo não influenciou o peso ao nascimento dos caprinos. Estudando o ganho de peso nos períodos 0 a 3, 3 a 6 e 3 aos 12 meses em caprinos da raça Jamnapari, KHAN & SINHA (1983), ainda nesse país, verificaram que o sexo do animal não apresentou influência significativa. PATRO & MADELI (1983), na mesma região, analisando pesos do nascimento aos 24 meses de idade de caprinos da raça Ganjam, constataram que o sexo dos caprinos só apresentou efeito significativo aos 6 e 24 meses de idade. FIGUEIREDO et al. (1982), no Ceará, estudando a performance de caprinos de raças nativas e exóticas, verificaram que o sexo do caprino não apresentou efeito no peso ao nascer. AYOADE & BUTTERWORTH (1982), na região do Sul da África, trabalhando com animais das raças Boer, Malawian e Boer x Malawian, não encontraram efeitos do sexo no peso ao nascimento dos cabritos em qualquer um dos grupos genéticos. MEDEIROS et al. (1990, 1991 e 1992a) avaliando o desempenho comparativo do crescimento de cabritos Anglo-nubianos, SRD e ½ Anglo-nubiano + ½ SRD, não verificaram efeito do sexo no peso ao nascer dos cabritos exóticos, SRD e cruzados, no Estado do Rio de Janeiro, em sistema semi-intensivo de criação. Entretanto, MEDEIROS et al. (1991) observaram, que os machos apresentaram pesos superiores significativo ao das fêmeas, aos três, seis e 12 meses de idade. Segundo, os mesmos autores, as taxas médias diárias de crescimento revelaram que houve diferenças significativas entre sexos, mostrando que os cabritos machos obtiveram maior taxa de crescimento diário do que as fêmeas. Essa mesma tendência, foi notada por MEDEIROS et al. (1990 e 1992a), em que o sexo mostrou ter influenciado significativamente na taxa média diária de crescimento, em que os machos foram superiores, nas etapas estudadas (0 a 3; 3 a 6; 6 a 9 e 9 a 12 meses de idade). Todavia, mesmo não havendo diferenças significativas entre o sexo com relação ao peso ao nascimento, os machos obtiveram maior peso em média comparados às fêmeas, nos três estudos citados. MAIA (1994), no Acre, analisando registros de caprinos manejados em sistema de exploração semi-extensivo, constatou que o sexo do cabrito, só apresentou diferenças significativas aos 90 dias de idade (desmame), onde os machos tiveram um peso médio superior significativo ao das fêmeas. Contudo, os machos obtiveram pesos em média superiores quando comparado ao das fêmeas, com relação ao peso ao nascer, aos 28 e 36 dias de idade, mesmo não havendo diferenças significativas entre o sexo com relação ao peso nessas etapas estudadas. MOULICK & SYRSTAD (1970), na Índia, analisando registros de 1.375 caprinos Black Bengal, observaram que o peso ao nascimento foi afetado pelo tipo de parto, sendo os cabritos descendentes de partos simples superiores aos de partos múltiplos (duplos, triplos e quádruplos). SINGH (1973), trabalhando com dados de peso ao nascimento de caprinos Jamnapari, na Índia, observou a influência do tipo de parto, constatando que os animais oriundos de partos simples eram sempre mais pesados do que os de partos duplos. Na Venezuela, CASTILLO (1978), trabalhando com cabras das raças, Anglonubiana, Alpina Francesa, Toggenburg e Saanen, observaram que o peso ao nascer foi afetado pelo tipo de parto. MUKUNDAM et al. (1981), analisando pesos de caprinos da raça Malabari e Saanen x Malabari, na Índia, criados em regime de confinamento, constataram que o peso ao nascimento foi influenciado pelo tipo de parto. Em caprinos da raça Assam, SARMAH et al. (1981), nesse mesmo país, verificaram que o tipo de parto afetou os pesos ao nascimento, aos 45, 90, 135 e 180 dias de idade. MONTALDO & JUAREZ (1982), analisando registros de caprinos de várias raças no México, concluíram que o tipo de parto influenciou o peso ao nascimento dos animais. KHAN & SINHA (1983), trabalhando com dados de crescimento de caprinos Jamnapari, na Índia, constataram efeito significativo do tipo de parto sobre as taxas de crescimento de 0 a 3, 3 a 6 e 3 a 12 meses de idade. RAGHAVAN & NAIR (1982), na Índia, estudando o peso do nascimento até um ano de idade, caprinos da raça Malabari e seus cruzamentos com as raças Alpina e Saanen, observaram que o tipo de parto só influenciou o peso no primeiro mês de vida dos animais. No Ceará, LIMA et al. (1983) trabalhando com caprinos SRD, observaram que o tipo de parto influenciou os pesos ao nascimento, aos 41, 69, 97 e 125 dias de idade, sendo que os animais oriundos de partos simples foram sempre mais pesados. SINHA & SAHNI (1983), na Índia, analisando registros de peso ao nascimento das raças Barbari, Jamnapari, Black Bengal, Beetal e seus cruzamentos, verificaram efeito do tipo de parto. MUKUNDAM et al. (1983), nessa mesma região, em caprinos Malabari e Saanen x Malabari, constataram que o peso no primeiro mês de idade foi influenciado pelo tipo de parto. Trabalhando com 1.542 caprinos da raça Damascus, MAVROGENIS (1983), na Síria, verificou que o tipo de parto afetou o peso ao nascer, peso à desmama (70 dias), taxa de crescimento pré-desmama e peso aos 140 dias de idade. WILSON (1983), analisando registros de caprinos nativos e cruzados Anglonubianos x nativos, nas Bahamas, constatou que o tipo de parto (simples e duplo) influenciou os pesos ao nascer até os 18 meses de idade. Resultados encontrados por KHAN & SINHA (1983), na Índia, mostraram efeito significativo do tipo de parto sobre os pesos corporais na fase pré-desmame, e superioridade em 12% a favor dos cabritos machos de partos simples em relação aos de partos gemelares, em caprinos Jamnapari. SHARMA et al. (1984), nesse mesmo país, estudando o peso ao nascer de crias oriundas do cruzamento dos caprinos Assam x Beetal, em função do tipo de parto, reportam que, os animais nascidos de partos simples foram mais pesados do que os nascidos de partos múltiplos. RODRIGUES et al. (1981), na Paraíba, verificaram que o tipo de parto influenciou significativamente o peso ao nascer de animais de raças exóticas e nativas nacionais, criados em regime semi-intensivo. RODRIGUES (1988) nesse mesmo Estado, trabalhando com caprinos manejados em sistema semi-intensivo, observou que o tipo de parto influenciou o peso ao nascer das crias. Os animais das raças Anglonubiana, Parda Alemã e comum do tipo SRD de partos simples, foram mais pesados 15,7% ao nascer, do que os de partos múltiplos. Segundo este autor, a raça Anglonubiana produziu cabritos mais pesados ao nascer. Ainda, nesse mesmo Estado, SANTOS et al. (1989), constataram influência do tipo de parto sobre todos os pesos vivos avaliados, no período do nascimento ao desmame, em cabritos Alpinos e Anglo- nubianos. SILVA & ARAÚJO (2000), no Ceará, trabalhando com diferentes grupos genéticos, em condições do semi-árido do Nordeste, observaram que o tipo de nascimento influenciou significativamente todos os pesos estudados (peso ao nascer, aos 28, 56 e 84 dias de idade). As crias oriundas de partos simples foram 19,8; 9,9; 5,4 e 5,5% mais pesadas em relação às de partos duplos, para peso ao nascer, aos 28, 56 e 84 dias idade, respectivamente. Reportam, ainda, que as diferenças de pesos das crias de partos simples em relação às de partos duplos, geralmente, estão relacionadas com o ambiente intra-uterino e a capacidade de produção de leite das matrizes, as quais são influenciadas diretamente pelo estado nutricional das mesmas. PRASAD et al. (1971), na Índia, na raça Barbari, estudando ganho de peso ao nascer até um ano de idade, não constataram influência significativa do tipo de parto (simples e duplo) nesta característica. NATH & CHAWALA (1978), na Índia, analisando registros de animais das raças Beetal, Alpina, Alpina x Beetal, Saanen x Beetal e Saanen x (Alpina + Beetal), não encontraram influência significativa do tipo de parto no peso ao nascimento, embora os cabritos oriundos de partos simples fossem mais pesados. Na raça Barbari, MITTAL & PANDEY (1978), nessa mesma região, também não encontraram influência significativa de tipo de parto sobre os pesos do nascimento aos 9 meses de idade, entretanto os animais oriundos de partos simples foram sempre mais pesados que os de partos duplos. Ainda nessa região, MITTAL (1979), analisando dados de caprinos Barbari e Jamnapari, não encontrou influência significativa do tipo de parto sobre o peso ao nascimento dos animais. O ano de nascimento é considerado um importante fator de variação no peso dos animais em diferentes idades (McDOWELL & BOVE, 1977; SOUSA, 1986; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1998a; SILVA & ARAÚJO, 2000; MIRANDA & McMANUS, 2000). A variação pode ser devida a ação de fatores climáticos (principalmente pluviosidade, temperatura e umidade do ar) sobre os animais e sobre a quantidade e qualidade das pastagens, diferenças genéticas na constituição do rebanho, mudanças etárias, troca de reprodutores, bem como mudanças nas instalações, manejo sanitário e reprodutivo e administração ocorridas no período estudado, organização social, interação entre homem versus animal, etc. McDOWELL & BOVE (1977) citaram que o ano de nascimento pode influenciar no peso ao nascer e a desmama, e que as raças de clima temperado, em suas regiões de origem, apresentam peso ao nascer em média 1,0 kg acima dos pesos apresentados pelas raças nativas de regiões tropicais. MOULICK & SYRSTAD (1970), na Índia, analisando dados de 1.375 caprinos Black Bengal, observaram que o ano afetou o peso ao nascimento dos animais. MUKUNDAM et al. (1983) nessa mesma região, trabalhando com caprinos Malabari e Saanen x Malabari, criados em sistema intensivo, observaram que o ano influenciou os pesos ao nascimento, 30, 60 e 90 dias de vida dos animais. MAVROGENIS (1983), analisando dados de 1.542 caprinos da raça Damascus, na Síria, verificou que o ano de nascimento influenciou os pesos ao nascer, à desmama, aos 140 dias e as taxas de crescimento pré e pós desmame, atribuindo esse efeito a problemas sanitários e disponibilidade de alimentos. Os pesos ao nascer, à desmama e aos 6 meses de idade foram influenciados pelo ano e mês de nascimento, em caprinos das raças Anglo-nubiana, Alpina Francesa, Toggenburg e Saanen, na Venezuela (CASTILLO et al., 1978). RAND (1980), observou que o peso ao nascer de cabritos da raça Beetal e seus cruzamentos com Alpina Francesa e com Anglo-nubiana foi influenciado pelo ano do nascimento dos cabritos. Esta mesma tendência foi verificada por RODRIGUES (1988), na Paraíba, trabalhando com caprinos SRD em sistema semi-intensivo e por MEDEIROS et al. (1998), no Estado do Rio de Janeiro, analisando os fatores do meio ambiente que afetam o peso ao nascer de cabritos Anglo-nubianos, criados em regime semi-intensivo. MONTALDO & JUAREZ (1982), no México, verificaram em caprinos da raça Anglo-nubiana que o peso ao nascer foi influenciado pelo ano de nascimento. JAGTAP (1989), no Oriente Médio, trabalhando com cabras da raça Angorá e mestiças desta, observaram que o ano de nascimento afetou o peso ao nascer de cabritos cruzados, o que não aconteceu com os cabritos puros Angorá. SILVA & ARAÚJO (2000) trabalhando com caprinos mestiços de diferentes grupos genéticos, no semi-árido do Nordeste, observou que o ano de nascimento exerceu influencia significativa sobre o peso ao nascer, aos 56 e 84 dias de idade e sobre os ganhos de peso ao nascimento aos 28 dias, dos 28 aos 56 e dos 56 aos 84 dias de idade. Segundo esses autores, essas diferenças na maioria das vezes, podem ser atribuídas às oscilações na disponibilidade e qualidade das pastagens, em conseqüência das condições climáticas, manejo nutricional e sanitário, aplicados aos animais em cada ano. Segundo SANCHES RODA et al. (1995), no Estado de São Paulo, o ano influenciou significativamente o peso ao nascer do cabrito Anglo-nubiano, o mesmo não acontecendo na raça Moxotó. Esses mesmos autores, citam, que, o esquema criatório extensivo, com o manejo tendo forte dependência das condições ambientais, as variações anuais para os caprinos da raça Anglo-nubiana podem ser consideradas como previsíveis, pois os mesmos, considerados para aptidão dupla (leite e carne), possuem exigências nutricionais a onde o sistema exploratório a campo, fortemente dependente de condições ambientais, pode ou não proporcionar que o animal mostre todo o seu potencial zootécnico. Asseguram, ainda, que o mês de nascimento não influiu sobre o peso ao nascimento tanto na raça Anglo-nubiana quanto na Moxotó. Para a raça Anglonubiana os nascimentos se distribuíram nos meses de maio a outubro, com maior concentração entre julho e outubro. Para a raça Moxotó, os nascimentos ocorreram entre os meses de abril e setembro, com maior concentração no mês de junho. LIMA et al. (1983), investigando o desempenho de caprinos SRD, submetidos ao tradicional sistema de exploração, no Ceará, observaram que os animais nascidos na estação chuvosa apresentaram peso ao nascer superior àqueles nascidos na estação seca. Esta informação está de acordo com NUNES et al. (1981), nesse mesmo Estado, que registraram para cabritos SRD nascidos na época seca, um peso médio de 1,57 kg; enquanto que para os animais nascidos na época chuvosa, de 2,04 kg. ALVES (1986) trabalhando durante três anos com caprinos nativos do tipo SRD, no Estado do Ceará, observou que o peso médio das crias ao nascer foi de 2,49 kg; sendo que para as épocas seca e chuvosa, pesaram 2,48 e 2,50 kg, respectivamente; para as crias nascidas de partos simples e múltiplos o peso foi de 2,62 e 2,36 kg, respectivamente. Este mesmo autor verificou também, diferença entre os pesos ao nascer dos machos 2,55 kg e das fêmeas, 2,43 kg. A idade da cabra à parição também pode constituir-se uma fonte de variação da característica peso ao nascer (MEDEIROS et al., 1998; RIBEIRO et al., 1998a). Segundo HELMAN (1965), na Argentina, há uma tendência das cabras primíparas, assim como aquelas em final de período reprodutivo (devido à idade), parirem cabritos de menor peso do que as cabras de idade intermediária, com idade entre 3 e 5 anos de vida. MONTALDO & JUAREZ (1982) verificaram que a idade da cabra influenciou o peso ao nascer de caprinos Anglo-nubianos, sendo que as crias oriundas de cabras primíparas apresentaram menores pesos ao nascer, no México. Segundo SANTOS et al. (1989), na Paraíba, trabalhando com caprinos de raças exóticas (Alpina e Anglo-nubiana) observaram que a ordem de parto teve efeito significativo sobre o peso ao nascimento, aos 28, 56 e 112 dias (desmama). Verificaram variações em razão da ordem de parição. Cabras de quinta parição produziram cabritos mais pesados ao nascer e ao desmame, do que cabras com números de parições inferiores. No Estado de São Paulo, SANCHES RODA et al. (1995) registraram que a idade da cabra Anglo-nubiana à parição influenciou o peso do cabrito ao nascimento, o que não foi observado na raça Moxotó. Neste mesmo Estado, RIBEIRO et al. (1998a) estudando o peso ao nascer de cabritos do subtronco alpino, Saanen e Alpina, manejados intensivamente, reportam que a idade da mãe ao parto, influenciou o peso ao nascer. Esses mesmos autores citam, que a idade da mãe ao parto pode influenciar o peso ao nascer dos cabritos, uma vez que as primíparas geralmente estão, ainda, em fase de desenvolvimento e têm um peso corporal inferior ao que atingirão em sua maturidade, e, portanto, tendem a parir cabritos mais leves. Contudo, em uma idade mais avançada, tendem também a parir cabritos mais leves. MEDEIROS et al. (1998) no Estado do Rio de Janeiro, trabalhando com cabritos Anglo-nubianos, asseveram que a ordem de parição influenciou o peso das crias ao nascer. Cabras de quinta e sexta parição produziram cabritos mais pesados ao nascer do que cabras de outras ordens. Reportam ainda, que crias oriundas de cabras primíparas apresentaram menor peso ao nascer comparadas as crias de cabras multíparas. SOUZA (2001) trabalhando com as raças Anglo-nubiana e Saanen, no Ceará, verificou influência significativa da ordem de parição sobre o peso ao nascer dos animais. 2.2.5 Mortalidade As altas taxas de mortalidade de cabritos tem reduzido sensivelmente a taxa de desfrute do rebanho nacional, constituindo-se assim num ponto de estrangulamento na viabilização econômica da exploração e num impedimento ao processo de seleção (RODRIGUES, 1988; RIBEIRO, 1998). Vários são os fatores e causas que podem influenciar na taxa de mortalidade dos caprinos. Entre outros, a literatura enfatiza como sendo os principais: a raça, o sexo, o ano, a época de nascimento, a idade, o peso ao nascer, o tipo de parto do qual o animal é oriundo e o manejo empregado na exploração do rebanho (RIERA et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1980; SIMPLÍCIO, 1980; CHAWALA et al., 1982; RIERA, 1982; SANTOS et al., 1984; SHARMA et al., 1984; ALVES, 1986; SHERMAN, 1987; RODRIGUES, 1988; SIMPLÍCIO et al., 1990; MEDEIROS et al., 1991 e 1998; MAIA, 1994; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1998a; LEAL & REIS, 1998). CASTILLO et al. (1973), na Venezuela, registraram uma taxa de mortalidade do nascimento aos 90 dias de idade (desmama) de 15,0% para animais ½ Anglo-nubianos + ½ Criollos e 18,9% para os ¾ Anglo-nubianos + ¼ Criollos. Os mesmos autores encontraram uma porcentagem de mortalidade da ordem de 7,1 e 4,9%, do desmame aos 12 meses, para animais ½ Anglo-nubianos + ½ Criollos e ¾ Anglo-nubianos + ¼ Criollos, respectivamente. RIERA et al. (1980), no Ceará, sob condições de criação extensiva, obtiveram, em caprinos jovens das raças Canindé, Moxotó, Marota, Repartida, Bhuj e Anglonubiana, taxas de mortalidade de 23,3; 12,5; 9,0; 9,0; 33,3 e 28,5%, respectivamente. ARAÚJO & FRANCISCO FILHO (1981), no Estado de Pernambuco, encontraram para ½ Anglo-nubiano + ½ SRD taxas de mortalidade da ordem de 61,7% para caprinos jovens e 17,6% para adultos, em condições de manejo tradicional (extensivo), e de 18,5% para jovens e 5,0% para adultos, em condições de manejo melhorado. PRUCOLI et al. (1981), em São Paulo, trabalhando em condições de criação extensiva, registraram uma taxa de mortalidade do nascimento à desmama (105 dias de idade), de 21,4% para animais da raça Anglo-nubiana e 27,2% para a Moxotó. Nesse mesmo Estado, SANTOS et al. (1984), em regime de criação semi-intensiva, observaram uma taxa de mortalidade do nascimento à desmama (126 dias de idade), de 22,2%, 8,7% e 18,5% para Anglo-nubianos, ½ Anglo-nubianos + ½ Moxotó e Moxotó, respectivamente. Segundo os mesmos autores, a menor mortalidade observada no ½ Anglo-nubiano + ½ Moxotó se deve, provavelmente, ao fato das crias apresentarem um bom peso ao nascer, aliado a adaptabilidade do caprino nativo. Citam, ainda, que a maioria dos óbitos foi devida a problemas pulmonares, em razão da estação de nascimento ocorrer no período de junho a setembro, em pleno inverno. Alguns resultaram de acidentes durante o período inicial do aleitamento com mamadeira, em razão da introdução de leite no pulmão. Contudo, concluíram que a melhoria das condições de alimentação e manejo não diminuiu a taxa de mortalidade que permaneceu elevada. MEDEIROS et al. (1990), no Rio de Janeiro, trabalhando em condições de criação semi-intensiva, registraram uma taxa de mortalidade da ordem de 7,0% do nascimento à desmama (90 dias de idade) e de 3,0% da desmama a um ano de idade, para caprinos ½ Anglo-nubiano + ½ SRD; para animais SRD, na mesma seqüência, a taxa de mortalidade foi de 10,5 e 4,5%. MAIA (1994), no Acre, avaliando o desempenho de cabritos mestiços Anglonubianos + ½ Pardo Alpino, oriundos de três estações de acasalamento distintas, em regime de exploração semi-extensiva, observou uma taxa de mortalidade da ordem de 35,6% do nascimento até o desmame (90 dias de idade) e de 45% do desmame até um ano de idade, em dois anos de estudo (1992 e 1993), contudo 23,6% de mortalidade ocorreram nas 72 horas de vida. O tipo de nascimento e a época de parição tem sido relacionado com a mortalidade de cabritos, sendo estes últimos fatores associados ao peso ao nascer e a disponibilidade de forragens, nas diferentes épocas do ano (FIGUEIREDO et al., 1980; RIERA et al., 1980; RODRIGUES et al. 1981; GUIMARÃES FILHO, 1983; SOUZA et al., 1984; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1991 e 1998; SANCHES RODA et al., 1995; SILVA & ARAÚJO, 2000). BELLAVER et al. (1979), no Estado do Ceará, registraram taxas de mortalidade em adultos da ordem de 12,0% e, em jovens (do nascimento até um ano de idade) de 52,3%, em caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime de pastagem nativa, com parição na estação seca. SHARMA et al. (1984), na Índia, encontraram influência na taxa de mortalidade de cabritos de acordo com a época de nascimento, atribuindo tais resultados ao efeito de carência alimentar durante a fase de aleitamento. MAIA (1994), na região Norte do Brasil, analisando a produtividade de três estações de cobertura (fevereiro – março, junho – julho e outubro – novembro) em termos de crias vivas no final de um ano, observou que em 1992, a estação de cobertura ocorrida em fevereiro e março (EC/I) superou a estação de junho e julho (EC/II). Embora a taxa de fertilidade da estação de cobertura EC/II tenha sido inferior (50,8%) a da EC/I (70,0%), a taxa de mortalidade das crias (22,2%) da EC/II, além de bem inferior a da EC/I (52,0%), se manteve estável dos 5 aos 12 meses de idade. Desta forma, a perda de produtividade representada pela taxa de fertilidade mais baixa da EC/II, foi compensada pelo menor número de crias mortas, resultando assim num maior número de crias vivas ao desmame e a um ano de idade. A porcentagem de mortalidade é alta durante a primeira etapa de crescimento e tende a decrescer a partir do quarto e sexto mês de vida (MITTAL, 1976; MAZUNDAR et al., 1980; SANTOS et al., 1984; ALVES, 1986; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a e 1998; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998a; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). GILL & DEV (1972) na Índia, encontraram mortalidade de 53,3 e 45,1% para as raças Alpina Francesa e Anglo-nubiana, respectivamente, atribuindo a maior mortalidade da raça Alpina Francesa à alta susceptibilidade desta raça à doenças, por ser oriunda de clima temperado. As pneumonias, as gastroenterites, as septicemias, os parasitos gastropulmonares e as coccidioses têm sido consideradas como as principais causas de mortalidade de cabritos jovens (GILL & DEV, 1972; KAPUR et al., 1974; MAZUNDAR et al., 1980; SHARMA et al., 1984; MISHRA et al., 1984; SANTOS et al., 1984; SOUSA, 1986; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a e 1998; RIBEIRO, 1998). Os três primeiros meses de vida são os mais críticos para os cabritos, porque ainda não tem o seu sistema imunológico completamente desenvolvido (RIERA et al., 1980; RIERA, 1982; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a e 1998; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998b). No Estado do Rio de Janeiro, MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a e 1998) trabalhando com caprinos da raça Anglo-nubiana, em regime semi-intensivo, observaram que as doenças pulmonares, pelo menos em parte, foram responsáveis pela mortalidade dos cabritos nos 30 primeiros dias de idade, notadamente nos recémnascidos (primeiras semanas de vida), onde ocorreram o maior número de óbitos, provavelmente, em razão da maior concentração de nascimentos no período de inverno. A mortalidade de cabritos nos 4-6 meses de vida está relacionada principalmente com o efeito da carência alimentar durante a fase de aleitamento, devido à baixa produção leiteira das matrizes, o que é agravado pelo número de crias mamando, pelo manejo sanitário dispensado aos cabritos e pelas condições de abrigo (MAIA & COSTA, 1997). RODRIGUES (1988), na Paraíba, observou que o peso ao nascer e o ano de nascimento influenciaram a mortalidade dos cabritos. As taxas de mortalidade foram de 25,1; 26,3 e 15,8% para animais da raça Parda Alemã, Anglo-nubiana e SRD, respectivamente. MITTAL (1976), estudando os fatores que afetam a taxa de mortalidade dos caprinos das raças Jamnapari e Barbari, sob condições similares de alimentação e manejo, na Índia, reportou que a raça, o sexo, o tipo de parto e a época do nascimento não apresentaram efeito significativo sobre a taxa de mortalidade dos animais. Salienta o autor que, o peso ao nascer influenciou os índices de mortalidade dos cabritos, sendo que, para os animais com peso ao nascer mais baixos, tiveram uma taxa de mortalidade, acentuadamente, mais elevada que aqueles nascidos mais pesados. O peso ao nascer de 0,5 a 1,0 kg e 1,0 a 2,0 kg, para as raças Barbari e Jamnapari, respectivamente, apresentaram taxas de mortalidade de 80 e 100%, para a mesma ordem. Por outro lado, quando os pesos ao nascer foram de 3,0 a 4,0 kg e 4,0 a 5,0 kg, para a mesma ordem das raças, as taxas de sobrevivência registradas foram de 100%, para ambas as raças. Um outro fator de grande importância para a taxa de mortalidade, observado pelo autor, foi a idade do animal à morte, sendo que, o período crítico foi de até os primeiros 30 dias de vida, quando registraram-se 49,5 e 39% de mortalidade para as raças Barbari e Jamnapari, respectivamente. Foi observado também que, a medida em que houve incremento na idade do animal, ocorreu um decréscimo da taxa de mortalidade do rebanho, registrando-se dos 7 aos 9 meses de idade, taxas da ordem de 3,1 e 0,0%, para a mesma ordem das raças. Quando a estação de nascimento ocorreu no inverno, observou-se 35,1 e 52,1% de mortalidade, para as raças Barbari e Jamnapari, respectivamente; enquanto que no outono, registraram-se as menores taxas de 6,3 e 8,6% para as raças Barbari e Jamnapari, respectivamente. FIGUEIREDO & PANT (1982), no Nordeste do Brasil, trabalhando com caprinos das raças Moxotó, Marota, Canindé e Repartida, analisando a idade à morte do nascimento aos 365 dias de vida, concluíram que o tipo de parto não revelou efeito sobre a mortalidade dos cabritos. Observaram que o peso ao nascer foi o fator mais relevante para o tempo de sobrevivência dos animais e que, nos primeiros cinco dias de vida, ocorreu o maior percentual de mortalidade, 37% do total. Por sua vez, SARMAH et al. (1981), trabalhando com caprinos da raça Assam, na Índia, registraram uma taxa 38,9% de mortalidade para os cabritos nascidos de partos simples, 55% para os nascidos de partos duplos, e 75% para os nascidos de partos triplos. SIMPLÍCIO et al. (1981), estudando cabritos SRD, submetidos ao manejo tradicional de exploração do Nordeste, encontraram uma mortalidade de 68,1; 60,9; 71,9 e 100,0% para animais oriundos de partos simples, duplos, triplos e quádruplos, respectivamente. BARBIERI et al. (1983) na Itália, observaram que a mortalidade de cabritos até os 38 dias de idade foi de 7,4% e foi significativamente maior em machos do que em fêmeas (13,2 versus 2,3%). MISHRA et al. (1984), em região semi-árida da Índia, encontraram resultados semelhantes, com efeitos maiores na mortalidade de machos (15,9 versus 7,4%). Por outro lado, no Peru, VELEZ NAUER et al. (1978) verificaram, para a raça Anglo-nubiana, uma taxa de mortalidade, do nascimento à desmama (84 dias de idade), da ordem de 17,7% em machos e 20,2% em fêmeas. Esta mesma tendência foi observada por MEDEIROS et al. (1990, 1991 e 1992a), onde não constataram efeito significativo do sexo sobre a taxa de mortalidade de caprinos da raça Anglo-nubiana, no Estado do Rio de Janeiro, em criação semi-intensiva. RIERA et al. (1980), investigando os fatores que afetam a mortalidade dos cabritos, no Estado do Ceará, envolvendo animais nativos e exóticos, registraram uma mortalidade total de 17,4%, até os primeiros 180 dias de vida. Observou-se, a existência de uma associação positiva entre o peso ao nascer e o percentual de sobrevivência dos cabritos, já que todas as mortes ocorreram nas crias com peso ao nascer abaixo de 2,0 kg; enquanto que para aquelas com peso acima de 2,0 kg, não se registrou nenhuma ocorrência de morte. O fator idade, também estudado pelos autores, revelou que os sete primeiros dias de vida foram os mais críticos para a sobrevivência das crias. Porém, entre os 60 e 112 dias de idade, verificou-se um novo aumento da taxa de mortalidade, 21%. Concluíram que existem dois períodos críticos na sobrevivência das crias; no primeiro (0 a 7 dias), a mortalidade é mais influenciada pelo baixo peso ao nascer e no segundo (60 a 112 dias), pela baixa produção de leite das matrizes, o que leva à deficiência nutricional. Esse fato foi registrado, também, por FIGUEIREDO & PANT (1982), no Nordeste. Esses autores verificaram ainda, que o sexo foi outro fator a determinar diferentes taxas de mortalidade, bem como diferentes períodos de sobrevivência. Nos machos, a mortalidade atingiu 64%, contra 36% verificada nas fêmeas. A idade média registrada para sobrevivência foi de 19 e 28 dias, para machos e fêmeas, respectivamente. Segundo os autores, o tipo de parto foi outro fator a afetar a taxa de mortalidade, ponteando 24,2 e 75,8%, para as crias oriundas de partos simples e múltiplos, pela ordem. Por sua vez, CHAWALA et al. (1982), avaliando os fatores que afetam a mortalidade dos caprinos, das raças Beetal, Alpina e Saanen, bem como seus cruzamentos, na Índia, envolvendo cerca de 1.500 cabritos, encontraram uma taxa média de mortalidade até os 6 meses de idade, por volta de 32%, sendo que os limites foram 25,2% para ½ Saanen + ½ Beetal e 48% para os da raça Alpina. Os autores verificaram, também, uma mortalidade mais elevada no primeiro mês de vida das crias, 23,4% do total. Houve influência das estações do ano (inverno e verão) sobre a taxa de mortalidade, sendo 62,2% para os cabritos nascidos no inverno e 7,9% para os nascidos no verão. Esses mesmos autores, observaram, ainda, que houve influência do ano sobre a taxa de mortalidade dos cabritos, sendo os limites entre os anos estudados de 16,5 e 39,8%. A importância da mortalidade dos caprinos, na região Nordeste do Brasil, foi reportada por FIGUEIREDO et al. (1980), que estudando a mortalidade das crias, de acordo com o mês de nascimento e a faixa etária da ocorrência da morte, verificaram uma alta mortalidade, cuja média foi de 66,4% e que, para os animais nascidos na época seca (junho a dezembro), esta taxa atingiu 88%; enquanto que para aqueles nascidos na época chuvosa (janeiro a maio), a taxa foi de 46%. Salientam os autores, que o maior percentual de mortes ocorreram entre 30 a 180 dias de idade, 44,5%; seguido do período correspondido entre o nascimento e as primeiras 72 horas de vida, 27,2%. Os mesmos autores, observaram influência do mês de nascimento na taxa de mortalidade do nascimento até um ano de idade, sendo a maior taxa nos animais nascidos na época seca. No Rio Grande do Norte, MAIA & COSTA (1997), trabalhando com caprinos Canindé explorado em regime semi-extensivo, verificaram que a taxa de mortalidade de crias do nascimento ao desmame (90 dias) foi de 17,7%. Afirmam, ainda, que a baixa taxa de mortalidade até o desmame obtida neste estudo, comparada com os dados obtidos por vários autores trabalhando com caprinos no Nordeste, tenha sido favorecida pela época de nascimento que ocorreu durante os dois últimos meses do período chuvoso, favorecendo assim, à maior disponibilidade de forragens às fêmeas, nos dois primeiros meses de lactação e conseqüentemente, a maior produção de leite pelas matrizes, bem como a suplementação alimentar fornecidas às crias, a partir do oitavo dia de vida. As altas taxas de mortalidade de cabritos nos sistemas semi-extensivos de criação são causadas, principalmente, pela insuficiência na produção de leite das matrizes, agravada pela ocorrência de partos gemelares e parição na época seca, associada ao manejo sanitário ineficiente e uso de instalações inadequadas (RODRIGUES et al., 1992; MAIA & COSTA, 1997). As altas taxas de mortalidade registradas para os atuais sistemas de produção de caprinos no Nordeste, estão associados principalmente às condições de manejo ultraextensivo a que os rebanhos são submetidos (GUIMARÃES FILHO, 1983; GUIMARÃES FILHO & GÓES, 1988; RODRIGUES et al., 1992; MAIA & COSTA, 1997). Observa-se também, que essas taxas de mortalidade são maiores em crias nascidas durante a estação seca do que naquelas nascidas na estação chuvosa e, em crias oriundas de partos múltiplos do que naquelas oriundas de partos simples (MITTAL, 1976; SARMAH et al., 1981; FIGUEIREDO & PANT, 1982; GUIMARÃES FILHO, 1983; GUIMARÃES FILHO & GÓES, 1988; MAIA & COSTA, 1997). No Estado do Rio de Janeiro, MEDEIROS et al. (1990), avaliando o crescimento comparativo de cabritos SRD e cruzados ½ Anglo-nubiano + ½ SRD, verificaram que 82,5% das mortalidades foram provenientes de partos múltiplos, e que a maioria dos óbitos foi devido a problemas pulmonares, razão da maior concentração de nascimentos ter ocorrido no período de inverno. MEDEIROS et al. (1991) ainda, no Estado do Rio de Janeiro, trabalhando com caprinos Anglo-nubianos, em regime semi-intensivo, observaram taxas médias de mortalidade da ordem de 12,8% para animais jovens (de 0 a 12 meses). No primeiro ano, a mortalidade dos animais jovens foi de 12,6%, no segundo, foi de 15,2% e no terceiro ano, 10,6%; sendo que 67,5% dos animais mortos nasceram de partos múltiplos, e a maioria dos óbitos ocorreram no período de inverno e primavera (primeiro terço da primavera), em razão da maior concentração de nascimentos nessa ocasião. Esta mesma tendência foi observada por MEDEIROS et al. (1992a), nesse mesmo Estado, todavia com uma taxa de mortalidade proveniente de partos múltiplos ainda maior (80,2%), além da concentração de partos no período de inverno (menor disponibilidade de alimento e temperaturas mais baixas) os animais provenientes de partos múltiplos eram mais leves do que os de partos simples. Estes mesmos autores registraram, para caprinos Anglo-nubianos, ½ Anglo-nubiano + ½ SRD e SRD uma taxa de mortalidade de 12,2; 11,0 e 14,7%, respectivamente, do nascimento até os 3 meses de idade (desmama). MEDEIROS et al. (1998) verificaram em caprinos da raça Anglo-nubiana, criados em regime semi-intensivo de exploração, no Estado do Rio de Janeiro, uma taxa de mortalidade das crias do nascimento ao desmame (90 dias de idade) da ordem de 9,5%. Cerca de 65,2% das mortes de crias ocorreram na primeira semana, notadamente, nas primeiras 72 horas de vida (mortalidade neonatal). Foi verificado que dentro do período de nascimento – desmama, houve um decréscimo no índice de mortalidade com o avanço da idade, sendo que nos primeiros 30 dias de vida deu-se a ocorrência maior de óbitos. Tal situação tem sido apontada pela literatura (RIERA et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1980; FIGUEIREDO & PANT, 1982; ALVES, 1986; MEDEIROS et al., 1990, 1991 e 1992a; MAIA & COSTA, 1997). Isto revela, que a idade do animal é um outro fator de grande importância para a taxa de mortalidade. MEDEIROS et al. (1998), reportam ainda, que, o período crítico foi a primeira semana de vida das crias. Esta situação está de acordo com os trabalhos de RIERA et al. (1980), FIGUEIREDO et al. (1980), FIGUEIREDO & PANT (1982), ALVES (1986), RODRIGUES (1988), MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a), MAIA & COSTA (1997) e RIBEIRO et al. (1998a). Cerca de 45% das mortes de crias observadas no estudo de MAIA & COSTA (1997) ocorreram nas primeiras 72 horas de vida (mortalidade neonatal), para caprinos Canindé, em criação semi-extensiva, na zona semi-árida do Rio Grande do Norte. Esses mesmos autores reportam, que o baixo peso ao nascer pode ter sido o principal fator responsável por estas mortalidades, uma vez que se observou diferença entre o peso médio ao nascer das crias que morreram até às 72 horas de vida (1,50 + 0,35 kg) e o das crias que sobreviveram (1,96 + 0,38 kg) no mesmo período. Relatam ainda, que, ao se analisar a distribuição da taxa de mortalidade até o desmame, dentro dos tipos de nascimentos, observou-se maior percentual (81,8%) para cabritos nascidos de partos múltiplos do que para aqueles nascidos de partos simples (18,2%). ALVES (1986), no Estado do Ceará, trabalhando com animais nativos do tipo SRD encontrou taxa de mortalidade no valor de 12,7%; enquanto que para os animais com até um ano de vida, a mortalidade atingiu 21,6%. Do total de mortes ocorridas entre 0 e 365 dias de vida, 85,6% aconteceram dentro dos 6 meses de idade. Nesse período, observaram-se duas fases críticas: a primeira de 0 a 7 dias de vida, quando morreram 37,8% e a segunda dos 31 aos 180 dias, com valores semelhantes, morreram 38,9%. Observou-se também que, nos 30 primeiros dias de vida, morreram 46,7%. A taxa de 12,7% de mortalidade, relativamente baixa, encontrada para este trabalho, deve ser explicada pela baixa prolificidade média dos rebanhos (1,29) e pelo elevado peso ao nascer (2,49 kg). 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Localização do Experimento Os dados utilizados neste estudo referem-se aos animais criados na Fazenda “Berro D’Água do Rio da Prata”, Campo Grande, pertencente ao proprietário Hélio Gonçalves, situada na Zona Oeste (divisão geográfica) do Município da cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro. Geograficamente, a fazenda, situa-se a 43°32’ de longitude Oeste e 22°55’ de latitude Sul de GW, aproximadamente, e a uma altitude de menos de 50m acima do nível do mar. 3.1.1 Temperatura e precipitação De acordo com a classificação climática de Köppen o clima é descrito como Aw, do tipo quente e úmido (tropical úmido), com chuvas de verão e estiagem no inverno.Também descrito como litorâneo úmido (exposto à massa tropical marítima), controlado por massas de ar equatoriais e tropicais. Em síntese, o clima da região é tropical chuvoso com estação seca, longa e bem definida, de maio a setembro. A temperatura média foi de 23,7°C; a média das máximas foi de 27,2°C e das mínimas de 21°C; a temperatura máxima absoluta foi de 38,9°C e a mínima absoluta de 11,1°C; a umidade relativa média foi de 79%; e a precipitação anual média de 1.325mm, concentrando nos meses de outubro a março. Mesmo localizada numa zona relativamente distante à linha do Equador, não se verificaram variações térmicas de grandes amplitudes em torno da média anual. A temperatura média do mês mais frio foi superior a 18°C e a precipitação média situou-se entre 1.175 a 1.475mm, com o mês mais seco apresentando menos de 50mm de precipitação. Os dados climatológicos reportados sobre a temperatura, umidade relativa do ar e precipitação pluviométrica são referentes a 12 anos de observações (1974 a 1985), MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (1992). No período que corresponde os anos 1961 a 1990 a precipitação anual média no período das “secas” (maio a setembro) foi de 421,6mm, e no período das “águas” (outubro a abril) foi de 963,4mm (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 1992). 3.1.2 Solos A área experimental, era localizada em relevo ondulado e plano de várzea. O primeiro, classificado como solo argissolo vermelho-amarelo de argila de atividade baixa a moderada e textura média/argilosa. O segundo, classificado como aluvial de argila de atividade baixa a moderada e textura indiscriminada (EMBRAPA, 1980). 3.2 Rebanho Foram utilizados para o referido estudo caprinos da raça Anglo-nubiana (tronco africano) POI (puro de origem internacional) e PON (puro de origem nacional), de dupla utilidade (carne e leite). A finalidade desta exploração, era a venda de matrizes e reprodutores. 3.2.1 Manejo alimentar, reprodutivo e sanitário O sistema de criação adotado durante o período do estudo, foi o semi-intensivo onde os animais eram alimentados à base de capim elefante (Pennisetum purpureum Schum), capim colonião (Panicum maximum Jacq.), capim jaraguá (Hyparrhenia rufa (Ness) Stapf), feno de alfafa (Medicago sativa), com suplementação de ração comercial e sal mineral, durante todos os meses do ano. Havendo uma melhoria dessa suplementação alimentar (concentrado e volumoso) a partir de 1979/1980, na época das “secas”. Os animais eram manejados a campo no período das 7 às 11 horas ou das 13 às 17 horas, durante 3 ou 4 vezes por semana, durante todo o ano. No período da estação de monta natural, as matrizes ficavam no pasto com reprodutores ou rufiões no final da tarde, toda a noite e início da manhã. A pastagem (20,5, ha) era constituída fundamentalmente por piquetes de capim colonião (Panicum maximum Jacq.) e capim jaraguá (Hyparrhenia rufa (Ness) Stapf). A área destinada a capineira era aproximadamente 7,5 ha, constituída de capim elefante (Pennisetum purpureum Schum). A partir do quarto mês de vida, todos os animais recebiam vacinações contra febre aftosa de 4 em 4 meses; e contra raiva, a partir do sexto mês de idade, uma vez por ano. Os animais eram vermifugados quando os resultados dos exames coprológicos atingiam valores iguais ou superiores a 500 ovos por grama (O.P.G.) de fezes. Após o nascimento, procedia-se ao corte e desinfecção do cordão umbilical dos recém nascidos com iodo a 10%, e tratamento anti-helmíntico após os 30 dias de vida. O controle e o combate a eimeriose eram efetuados com sulfas ou amprosol adicionados à água. Outros problemas de ordem sanitária que ocorreram foram tratados de acordo com a recomendação do técnico da propriedade. O desmame das crias ocorreram aos 150 dias de idade. A amamentação era natural contínua apenas na primeira semana de idade, a partir da segunda semana em diante a amamentação era natural controlada (as crias tinham acesso a mãe duas vezes ao dia, pela manhã e a tarde) e artificial, onde as crias recebiam leite de vaca oferecido em baldes coletivos ou mamadeiras individuais. Esse procedimento foi até os 90 dias de idade; a partir desta data até o desmame as crias recebiam apenas o aleitamento artificial. Independente do sistema de aleitamento adotado, a partir da segunda semana de vida, as crias começavam a ter acesso a pasto (piquetes para cabritos jovens), anexo ao solário, além de receberem uma mistura mineral, água a vontade, feno de alfafa (Medicago sativa) e, a partir da quarta semana, recebiam ração comercial (16% de PB e 2.600 kcal) em quantidades crescentes. Era adotado o sistema de monta natural controlada, onde as fêmeas, divididas em lotes, eram mantidas com um reprodutor das 16 às 8 horas do dia seguinte para a realização das coberturas, usando a proporção de um reprodutor para cada quinze ou vinte matrizes. Em outras ocasiões, para detecção da cabra em cio, era usado um rufião (macho caprino vasectomizado), com o dorso pintado, a matriz era identificada e colocada com o reprodutor previamente escolhido. O reprodutor tinha a oportunidade de dar dois saltos, um pela manhã e outro à tarde. O período da estação de cobertura compreendia o final do verão, todos os meses de outono e início do inverno (a partir da segunda quinzena de fevereiro até a primeira quinzena de julho), época em que ocorre diminuição do comprimento do dia. Fora da estação de cobertura principal (“natural”), como rotina, todas as fêmeas eram observadas individualmente todos os dias pela manhã, com intenção de identificar sinais do estro. Não foi utilizado o sistema de reprodução programada composto pela indução do cio com luz artificial nos meses em que as fêmeas se apresentavam com anestro funcional. Antes de iniciar a estação de monta, todas as matrizes eram submetidas a avaliação da condição corporal. 3.2.2 Instalações A instalação teve por função abrigar os animais, quase permanentemente, sofrendo limpeza constante, devido à concentração de animais. O cabril era de madeira de piso ripado suspenso. Em razão do custo elevado desse tipo de cabril, procurou-se colocar numa única instalação várias divisões necessárias para a finalidade de exploração desse rebanho, a seguir: baias individuais para reprodutores, baias coletivas para crias, baias coletivas para matrizes, entre essas as fêmeas em gestação, as não gestantes e as cabritas de reposição, baias maternidade, sala para farmácia e depósito de materiais, área para preparo e depósito de ração, áreas para armazenar feno, área onde se utilizava a picadeira, solário (área de exercícios para os cabritinhos), sala de ordenha e escritório. 3.2.3 Coleta de Dados Os dados concernentes às matrizes e suas crias foram registradas em fichas de controle zootécnico (individual, reprodutivo, desenvolvimento ponderal e sanitário) e, ao longo de doze anos (1974 e 1985), foram analisados os seguintes parâmetros: período de gestação (dias), fertilidade (%), prolificidade (crias por cabra parida) e gemelidade (%), proporção sexual (%), peso ao nascer (kg) e mortalidade das crias (%). 3.3 Delineamento Experimental O período de gestação (675 observações) foi obtido de 82 cabras e analisado segundo o ano (1974 a 1985), a época do ano (período das “águas” e período das “secas”), ordem de parição (1° a 9°) e tipo de parição (simples, duplo, triplo ou quádruplo). Foi considerado como período das “águas” os meses de outubro a abril e das “secas” os meses de maio a setembro. Foi analisada também, a freqüência de distribuição do período de gestação das matrizes. A fertilidade foi calculada dividindo-se o número de partos pelo número de fêmeas em idade reprodutiva e multiplicando-se por 100, para obter o resultado em porcentagem. Esse parâmetro foi analisado estatisticamente considerando como fonte de variação, o ano de cobertura, a época de cobertura e a ordem de parição. A prolificidade foi calculada dividindo-se o número de crias pelo número de partos. Para essa característica utilizou-se os nascimentos de 1.123 cabritos oriundos de 675 parições. Essa característica foi analisada considerando o possível efeito do ano de parição, época de parição e ordem de parição das matrizes. Considerando-se que o efeito ambiente teria maior influência em relação ao aumento da taxa ovulatória (parições dizigóticas), ao passo que as parições monozigóticas sofreriam maior influência do patrimônio genético, determinou-se a incidência de partos gemelares, aplicando-se o método de Weinberg (HOGBEN, 1946) às freqüências relativas de partos gemelares de mesmo sexo e sexos diferentes. Para estimar a proporção de pares monozigóticos e dizigóticos em uma amostra de gêmeos, bastará conhecer o número de pares de gêmeos discordantes do sexo. De acordo com o método diferencial de Weinberg, o número total de pares dizigóticos será considerado como o dobro do número de pares discordantes quanto ao sexo, enquanto que o número de monozigóticos obtido pela diferença entre o total de gêmeos e o de pares dizigóticos. Uma apresentação mais geral do método diferencial de Weinberg considera que as freqüências de recém-nascidos do sexo masculino (p) e do sexo feminino (q) podem ser aceitos como estimativas das probabilidades de nascimento desses cabritos. Desse modo, considera-se que as probabilidades de encontro dos três tipos de pares dizigóticos são P (DZMM) = p2, P (DZMF) = 2 pq e P (DZDD) = q2, sendo evidentemente, p2 + 2 pq + q2 = 1 ou 100%. Visto que no total de pares dizigóticos (DZ) a freqüência esperada daqueles que são discordantes quanto ao sexo (DZMF) e 2 pq, pode-se escrever DZMF / DZ = 2 pq, de onde se tira a fórmula DZ = DZMF / 2 pq. Foi calculada também a distribuição das parições em relação aos meses do ano, sendo que os dados utilizados abrangeram as 675 informações de parições. O peso ao nascer das crias, no total de 1.123 observações, foi analisado estatisticamente considerando como fonte de variação, o ano de nascimento, a época de parição, a ordem de parição, o tipo de parição e o sexo das crias. Foi estudado também, a taxa de mortalidade dos cabritos até 90 dias de vida (idade do desaleitamento natural controlado), no total de 100 observações. Essa característica foi investigada segundo o sexo das crias, ano de nascimento, época de nascimento, tipo de nascimento e idade das crias, baseando-se nas 1.123 observações de cabritos nascidos. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualisado. Para a análise de variância dos dados, foi utilizado o método dos mínimos quadrados segundo HARVEY (1987). A comparação das médias foi realizada pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os modelos estatísticos usados na análise das características reprodutivas e produtivas foram: a) Período de gestação Yijkl = µ + Ai + Ej + Ok + Tl + e ijkl Onde: Yijkl = período de gestação; µ = constante inerente a todas as observações; Ai = efeito do ano de parição (1974 a 1985); Ej = efeito da época de parição (período das “águas” e das “secas”); Ok = efeito da ordem de parição (1ª a 9ª); Tl = efeito do tipo de parição (simples, duplos, triplos e quádruplos); e ijkl = erro aleatório a cada observação, suposto de distribuição normal e independente. b) Fertilidade Yijk = µ + Ai + Ej + Ok + e ijk Onde: Yijk = taxa de fertilidade (classificada como zero = insucesso e 1 = sucesso); µ = constante inerente a todas as observações; Ai = efeito do ano de cobertura (1974 a 1985); Ej = efeito da época de cobertura (período das “águas” e das “secas”); Ok = efeito da ordem de parição (1ª a 9ª); e ijk = erro aleatório a cada observação, suposto de distribuição normal e independente. c) Prolificidade Yijk = µ + Ai + Ej + Ok + e ijk Onde: Yijk = prolificidade, tomada como 1 ou 2 ou 3 ou 4; µ = constante inerente a todas as observações; Ai = efeito do ano de parição (1974 a 1985); Ej = efeito da época de parição (período das “águas” e das “secas”); Ok = efeito da ordem de parição (1ª a 9ª); e ijk = erro aleatório a cada observação, suposto de distribuição normal e independente. d) Peso ao nascer Yijklm = µ + Ai + Ej + Ok + Tl + Sm + ATil + TSlm + eijklm Onde: Yijklm = peso do cabrito ao nascimento; µ = constante inerente a todas as observações; Ai = efeito do ano de nascimento (1974 a 1985); Ej = efeito da época de parição (período das “águas” e das “secas”); Ok = efeito da ordem de parição (1a a 9a); Tl = efeito do tipo de parição (simples, duplos, triplos e quádruplos); Sm = efeito do sexo da cria (macho ou fêmea); ATil = efeito da interação ano de nascimento x tipo de parição; TSlm = efeito da interação tipo de parição x sexo da cria; eijklm = erro aleatório a cada observação, suposto de distribuição normal e independente. e) Mortalidade Yijklm = µ + Si + Aj + Ek + Tl + Im + eijklm Onde: Yijklm = taxa de mortalidade (classificada como zero = insucesso e 1 = sucesso); µ = constante inerente a todas as observações; Si = efeito do sexo das crias (macho ou fêmea) Aj = efeito do ano de nascimento (1974 a 1985); Ek = efeito da época de nascimento (período das “águas” e das “secas”); Tl = efeito do tipo de nascimento (simples, duplos, triplos e quádruplos); Im = efeito da idade das crias por período (0 – 7, 8 – 30, 31 – 90 dias de vida) eijklm = erro aleatório a cada observação, suposto de distribuição normal e independente. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados das análises de variância e do teste de comparação de médias para as características de reprodução, peso ao nascer e mortalidade; assim como a freqüência de distribuição do período de gestação, a taxa de partos gemelares, a proporção sexual e a incidência de partos gemelares monozigóticos dos animais estudados encontram-se a seguir: 4.1 Período de Gestação O período de gestação foi influenciado significativamente pelo tipo de parição (P<0,01), e pelo ano, época e ordem de parição (P<0,05), conforme Tabela 5. Tabela 5. Análise de variância do período de gestação de cabras da raça Anglonubiana. Fonte de variação GL QM Ano de parição 11 304,92 * Época de parição 1 114,07 * Ordem de parição 8 57,71 * Tipo de parição 3 308,63 ** Resíduo 651 5,11 Total 674 CV = 2,7 % * = Significativo (P<0,05) ** = Significativo (P<0,01) O período médio de gestação das cabras Anglo-nubianas, obtido neste estudo (Tabela 6) foi semelhante àqueles obtidos por GONZALES STAGNARO (1977), RODRIGUES (1988), DICKSON et al. (1990) e MEDEIROS et al. (2001b), conforme Tabela 1. Todavia, este valor médio referente ao período de gestação foi menor do que os encontrados por GILL & DEV (1972), DEVENDRA & BURNS (1970 e 1980) e GARCIA et al. (1976), maior do que o citado por JARDIM et al. (1965), CHAWALA & BHATNAGAR (1984), MEDEIROS et al. (1987a e 1991) e RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), todos com caprinos da raça Anglo-nubiana puros e mestiços, em diferentes sistemas de criação. Tabela 6. Período de gestação médio e erro padrão, em dias, de cabras da raça Anglo-nubiana. Fonte de variação Médias (Erro Padrão) Média geral Ano de parição: 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 Época de parição: “Secas” “Águas” Ordem de parição: 1a 2a 3a 4a 5a 6a 7a 8a 9a Tipo de parição: Simples Duplo Triplo Quádruplo 148,46 (0,515) 146,47 147,60 147,64 147,31 147,87 149,41 149,00 148,08 147,90 148,93 149,14 149,28 (0,390) c (0,412) ab (0,334) ab (0,351) b (0,329) ab (0,461) a (0,362) a (0,373) ab (0,401) ab (0,436) a (0,490) a (0,531) a 147,80 (0,133) b 149,12 (0,251) a 146,98 147,90 148,15 148,31 147,98 148,04 149,00 149,88 148,75 (0,293) c (0,292) b (0,294) ab (0,292) ab (0,290) ab (0,321) ab (0,416) ab (0,532) a (0,801) ab 149,50 147,78 145,20 142,83 (0,182) a (0,177) b (0,320) c (0,921) d Nota: Médias seguidas de mesma letra dentro de cada fator de classificação não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%. O período médio de gestação foi de 148,46 + 0,515 dias (Tabela 6). Foi verificado um intervalo de 141 a 155 dias para o período de gestação, com uma maior concentração (65,8%) de partos entre o 146º e 150º dia, conforme a Tabela 7. A magnitude do período de gestação das cabras obtida neste trabalho foi semelhante a faixa de variação e bastante próxima da faixa de concentração citadas por MEDEIROS et al. (1991 e 2001b), que trabalhando com caprinos Anglo-nubianos, registraram, respectivamente, um período de gestação mínimo de 141 e 142 dias e um máximo de 155 e 156 dias para os dois trabalhos, sendo que 57,4% e 64,0% dos períodos de gestação ocorreram na faixa de 146 a 150 dias, para a mesma ordem. JARDIM et al. (1965) verificaram para caprinos mestiços Anglo-nubianos, uma duração média do período de gestação de 147 dias, sendo que o mínimo observado foi de 137 e o máximo de 161 dias, sendo esta magnitude um pouco maior que a observada no presente estudo. Segundo esses autores, cerca de 56,9% dos períodos de gestação ocorreram dentro de um intervalo de 145 a 149 dias. De maneira geral, tal registro também corrobora com o do presente estudo. Tabela 7. Freqüência de distribuição do período de gestação (PG) de caprinos da raça Anglo-nubiana. PG (dias) Nº de observações Freqüência (%) 141 – 145 113 16,7 146 – 150 444 65,8 151 – 155 118 17,5 A variação do período de gestação obtido neste estudo, conforme as Tabelas 6 e 7, está dentro da faixa reportada por outros autores (JARDIM et al., 1965; JARDIM, 1977; SIMPLÍCIO & NUNES, 1978; SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA, 1984; SINHA, 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al.,1990; CHEMINEAU & CAGNIE, 1991; MAIA & COSTA, 1997; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO, 1998), trabalhando com várias raças e tipos de caprinos, em diferentes sistemas de criação. 4.1.1 Ano de parição O ano de parição influenciou significativamente (P<0,05) o período de gestação das cabras (Tabela 5). Este fato foi verificado por MEDEIROS et al. (2001b) estudando um rebanho de caprinos da raça Anglo-nubiana, em regime de criação semi-intensivo, e por RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), trabalhando com caprinos da raça Canindé e Anglo-nubiana, criados em regime semi-intensivo de exploração. Por outro lado, é diferente dos resultados obtidos por este último autor, com cabras da raça Alpina, onde o período de gestação não foi influenciado pelo ano de parição. Os efeitos do ano estão provavelmente relacionados com variações climáticas, alimentação, manejo e aspecto sanitário do rebanho. Uma série de fatores como alteração etária do rebanho, melhorias das condições de manejo, especialmente no que se refere à alimentação e além de um possível efeito genético, podem ter influenciado o ano de parição como fonte de variação do período de gestação das cabras, neste estudo. A média do período de gestação das matrizes oscilou de 146,47 em 1974 a 149,41 dias em 1979. As médias obtidas para os primeiros cinco anos do trabalho (1974 a 1978) foram inferiores aos dos anos subseqüentes (Tabela 6). Tal fato pode ser atribuído, em parte, às melhorias das condições de manejo, especialmente no que se refere à alimentação e os aspectos sanitários do rebanho. Este comportamento está em consonância com os da literatura citada (SIMPLÍCIO, 1980; KAWAS et al., 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990; MACIEL, 1992; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997). Todavia, é possível que pelo menos em parte, as variações na disponibilidade de forragens, devido as precipitações pluviais através dos anos de estudo, tenham influenciado o período de gestação das matrizes, mesmo havendo uma moderada variação (300mm) nos índices pluviométricos ao longo dos anos (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 1992). 4.1.2 Época de parição A época de parição teve influência significativa (P<0,05) sobre o período de gestação das cabras (Tabela 5). A média dos animais que procriaram no período das “águas” foi maior que aqueles que procriaram no período das “secas”, respectivamente, de 149,12 e 147,80 dias (Tabela 6). Esta tendência também foi verificada por SIMPLÍCIO & NUNES (1978), RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997) e MEDEIROS et al. (2001b). Por outro lado, foi diferente dos resultados obtidos por MEDEIROS et al. (1991), que verificaram que o mês, assim como a estação das “águas” e das “secas” não tiveram influência significativa sobre o período de gestação, em cabras da raça Anglo-nubiana, provavelmente, devido à suplementação dos animais no período da estiagem (época das “secas”). As parições ocorreram no segundo semestre de cada ano, nos meses de inverno e primavera (segunda metade da época das “secas” e primeira metade da época das “águas”), conforme Figura 1. As coberturas férteis ocorreram entre os meses de fevereiro (notadamente a partir da segunda quinzena) até a primeira quinzena de julho, período este que compreende o final do verão, o outono e o início do inverno, época em que ocorre diminuição do comprimento do dia. Mesmo as cabras recebendo suplementação alimentar durante todos os meses do ano, nas parições ocorridas no período das “águas”, nos meses de outubro, novembro e na metade do mês de dezembro (onde encerraram as parições), o período médio de gestação foi maior do que nas cabras que procriaram nos meses de julho, agosto e setembro (período das “secas”), conforme Tabela 6. Em parte a maior disponibilidade e qualidade das forragens no período das “águas”, foi responsável por um período de gestação mais longo, já que as matrizes estavam em bom estado nutricional, preparando melhor o feto. 35 % de parições 30 25 20 15 10 5 0 J F M A M J J A S O N D Meses Figura 1. Distribuição das parições em cabras da raça Anglo-nubiana durante o ano. 4.1.3 Ordem de parição A ordem de parição influenciou significativamente (P<0,05) o período de gestação das cabras (Tabela 5). Esta mesma tendência foi observada por RUVUNA et al. (1987) com animais nativos, QURESHI et al. (1991) com animais da raça Malvi, MEDEIROS et al. (2001b) e RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997), ambos com caprinos Anglo-nubianos. Por outro lado, foi diferente dos resultados obtidos por este último autor, onde a ordem de parição não teve influência significativa em relação a raça Alpina. Foram observadas variações nas médias do período de gestação das matrizes em razão da ordem de parição (Tabela 6). Cabras de primeira e segunda parição apresentaram um período de gestação mais curto quando comparados ao dos animais de ordens de parições superiores. Este fato também foi notado por MEDEIROS et al. (2001b). Esta tendência tem sido relatada na literatura (ASDELL, 1946; JARDIM, 1977; MEDEIROS et al., 1987b; QURESHI et al., 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; SIMPLÍCIO et al., 1990). Uma explicação provável para esse fato é que, por estarem em desenvolvimento, as mães jovens necessitam de maior porção de nutrientes do que as adultas, e por isso sobra menos nutrientes para o desenvolvimento do feto, o que pode diminuir em média o período da gestação dessas cabras. 4.1.4 Tipo de parição Neste estudo, constatou-se uma influência significativa (P<0,01) do tipo de parição sobre o período de gestação das cabras (Tabela 5). A média do período de gestação das cabras que tiveram partos simples foi superior àquelas que tiveram partos múltiplos (Tabela 6). Houve uma relação inversa entre o número de crias e o período de gestação. A explicação provável é, que o ambiente uterino é um fator limitante concorrendo para a diminuição do período de gestação de cabras com partos múltiplos. Tal situação foi verificada nos trabalhos de RUVUNA et al. (1987), QURESHI et al. (1991), RODRIGUES (1988), RODRIGUES DE MEDEIROS et al. (1997) e MEDEIROS et al. (2001b). Observou-se que, à medida que aumentou o número de produtos por concepção, ocorreu diminuição do período de gestação das matrizes. Similar tendência é citada pela literatura (JARDIM, 1977; GONZALES STAGNARO, 1977; RODRIGUES & NERY, 1987; RUVUNA et al., 1987; MEDEIROS et al., 1987a, 1991 e 2001b; RODRIGUES, 1988; QURESHI et al., 1991; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997), todos trabalhando com caprinos de diferentes tipos genéticos, entre esses o Anglo-nubiano. Contudo, PRASAD et al. (1971), MISHRA et al. (1979) e MOULIN & MOUCHREK (1987), não encontraram diferença significativa no período de gestação em cabras com partos simples e múltiplos, em diferentes tipos racias. Neste estudo, o resultado da influência dos fatores estudados (ano, época, ordem e tipo de parição) pode ter sido responsável em parte, por este intervalo de 141 a 155 dias (14 dias) para o período de gestação das matrizes (Tabela 7). Todavia a literatura tem citado variações superiores a 20 dias no período de gestação (ASDELL, 1946; SANTIAGO, 1946; JARDIM et al., 1965; JARDIM, 1977; SIMPLÍCIO & NUNES, 1978; SIMPLÍCIO, 1980; VIEIRA et al., 1987; SIMPLÍCIO et al., 1990; RIBEIRO, 1998), em cabras de diferentes raças e tipos. Valendo-se destes preceitos, é necessário que as cabras gestantes sejam manejadas separadas em piquetes, ou apriscos maternidades no terço final da gestação (entre 100o a 150o dia), sendo o período máximo para início dessa prática, o final do quarto mês de gestação das cabras (120 dias), na intenção de fornecer melhor assistência à parturiente e ao neonato. 4.2 Fertilidade A análise de variância para fertilidade revelou efeito significativo (P<0,05) para o ano e a época de cobertura (Tabela 8). Tabela 8. Análise de variância para fertilidade de cabras da raça Anglo-nubiana. Fonte de variação GL QM Ano de cobertura 11 4,024 * Época de cobertura 1 0,978 * Ordem de parição 8 1,656 ns Resíduo 819 0,510 Total 839 C.V. = 15,8% * = significativo (P<0,05) ns = não significativo (P>0,05) 4.2.1 Ano de cobertura O efeito do ano sobre a taxa de fertilidade foi significativo (P<0,05), conforme Tabela 8, fato este observado por GARCIA et al. (1973), GONZALES STAGNARO et al. (1974), SINGH & SINGH (1974), SILVA FILHO & REAL (1979), NUNES & SIMPLÍCIO (1980), NUNES et al. (1981), MEDEIROS et al. (1982), MISHRA et al. (1983), RODRIGUES (1988), FOOTE & SIMPLÍCIO (1989), SIMPLÍCIO et al. (1990), MEDEIROS et al. (1991) e RIBEIRO et al. (1999), em caprinos de vários grupos raciais, em diferentes sistemas de criação. A taxa de fertilidade verificada neste trabalho foi de 80,4%. Ao longo de 12 anos de observação, foram encontradas variações de 70,5 a 90,2% na taxa de fertilidade das matrizes (Tabela 9). A taxa de fertilidade de 80,4%, encontrada neste trabalho, no que pese alguns registros de valores mais elevados (BELLAVER et al., 1979; SIMPLÍCIO & NUNES, 1979; RODRIGUES et al., 1981; ALVES, 1986; MACIEL, 1992; MEDEIROS et al., 1998), se assemelha às altas taxas e supera grande parte dos percentuais de fertilidade reportados, tanto no Brasil como em outros países (GONZALES STAGNARO et al., 1974; SILVA FILHO & REAL, 1979; GIRÃO et al. 1980; NUNES & SIMPLÍCIO, 1980; SOUZA et al., 1984; BENTO, 1985; MEDEIROS et al., 1987a e 1992a; FIGUEIREDO et al., 1982; MAIA & COSTA, 1997). Esta explanação pode ser conferida na Tabela 2. Tabela 9. Fertilidade média e erro padrão, em percentual, de cabras da raça Anglonubiana. Fonte de variação Média geral Médias (Erro Padrão) 80,47 (0,383) Ano de cobertura: 1974 70,55 (0,412) d 1975 72,75 (0,252) d 1976 75,63 (0,376) c 1977 77,80 (0,132) bc 1978 76,30 (0,378) bc 1979 78,15 (0,494) b 1980 80,25 (0,313) b 1981 80,17 (0,377) b 1982 82,74 (0,611) b 1983 89,75 (0,671) a 1984 91,35 (0,463) a 1985 90,20 (0,434) a Época de cobertura: “Secas” 77,16 (0,412) b “Águas” 83,78 (0,367) a Nota: Médias seguidas de mesma letra dentro de cada fator de classificação não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%. Houve um acréscimo dos níveis de fertilidade durante os anos de estudo, sendo que as taxas mais baixas foram obtidas nos três primeiros anos, conforme Tabela 9. Este aumento da taxa de fertilidade através dos anos, provavelmente foi devido à melhoria das condições de alimentação e manejo sanitário do rebanho, notadamente a partir de 1980. É possível que pelo menos em parte, as variações quanti-qualitativas das forragens, devido as flutuações nos índices pluviométricos através dos anos de estudo, podem ter influenciado a taxa de fertilidade das cabras. 4.2.2 Época de cobertura A influência da época de cobertura sobre o índice de fertilidade foi significativa (P<0,05), conforme Tabela 8, fato também observado por NUNES et al. (1981), SIMPLÍCIO et al. (1981), MISHRA et al. (1983), ALVES (1986), MAIA (1994) e RIBEIRO et al. (1999). As médias das taxas de fertilidade obtidas nos anos de estudo foram de 83,7% e 77,1% para a época das “águas” e das “secas”, respectivamente. Esta inclinação, provavelmente foi conseqüência da estação de cobertura ter iniciado no final do período das “águas”, e ser o início da estação de monta principal da espécie caprina nesta região do país. Havendo nesta ocasião, uma maior disponibilidade quali-quantitativa de forragens estimulado pelo regime pluvial, coincidindo com a manifestação do estro à medida que diminuiu o comprimento do dia (efeito do fotoperiodismo), como conseqüência da maior atividade ovariana durante a estação de reprodução principal. As parições ocorreram, na sua maioria, no período entre os meses de julho a outubro (88,5%), contudo 100% das parições ocorreram no segundo semestre de cada ano (julho a dezembro), conforme a Figura 1, revelando que o sistema de criação não interferiu na parição sazonal dos caprinos, criados na região Centro-Sul do país. Foi observada a incidência de estros cobertos, quando o fotoperíodo foi decrescente. As coberturas férteis iniciaram-se efetivamente no final do verão, sendo que o auge da estação reprodutiva ocorreu no período de outono, estendendo-se durante a primeira metade do período de inverno. Esse comportamento reprodutivo apresentado pelas cabras da raça Anglo-nubiana, no referido trabalho está de acordo com os relatos feitos por TRALDI (1985), SIMPLÍCIO et al. (1986 e 1990), MOUCHREK & MOULIN (1987), MOULIN & MOUCHREK (1987), SOARES FILHO et al. (2001) e MEDEIROS et al. (2001b), na região Centro-Sul do país. Não foi observado estro durante a metade final do inverno e toda a primavera, embora com disponibilidade de alimentação e registros de precipitações pluviométricas a partir de outubro (início das “águas”). Dentre os autores que observaram este comportamento, podem ser citados MOUCHREK & MOULIN (1987) e MEDEIROS et al. (1991, 1998 e 2001b). Tal inclinação, de maneira geral, está em consonância também com os relatos de SANTIAGO (1946), JORDÃO & CALDAS FILHO (1952), JARDIM et al. (1965), JARDIM (1977), VIEIRA (1984), BENTO (1985), MEDEIROS et al. (1990 e 1992a) e SANCHES RODA et al. (1995) que mesmo registrando parições em outros meses do ano, notaram maior incidência de coberturas férteis no primeiro semestre e por conseguinte, maiores taxas de nascimento no segundo semestre, em várias raças e tipos de caprinos, entre estas a raça Anglo-nubiana, criados na região Centro-Sul do país, em especial na região Sudeste, em diferentes sistemas de criação. Em razão da estação de parição ter ocorrido na segunda metade do inverno e em todo o período da primavera, as cabras só voltaram a ciclar novamente no ano seguinte, no início da estação de monta principal, no terço final do verão, em todo período do outono e terço inicial de inverno. Por conseguinte, o intervalo entre a parição e a próxima cobertura fértil variou de 4 a 8 meses. Aquelas que pariram no início da estação de parição, tiveram este intervalo maior do que aquelas que conceberam no final da estação. Sendo que, algumas que pariram no terço final da primavera (última semana de novembro e as três primeiras semanas de dezembro) não apresentaram estro no início da estação principal de acasalamento da espécie, em parte, provavelmente, por estarem amamentando suas crias em regime de amamentação natural, porém controlada (até 90 dias de idade), todavia a maioria delas ciclaram na estação de monta principal. Segundo MAIA & COSTA (1997), a amamentação controlada (uma ou duas vezes ao dia) associada a suplementação alimentar adequada, é uma prática de manejo que pode ser adotado pelos sistemas de criação melhorados que visem o aumento da produtividade caprina. A amamentação, notadamente a contínua, exerce influência negativa sobre o restabelecimento da atividade ovariana pós-parto, prolongando o período de anestro (THANGAVELU et al., 1985; GONZALES STAGNARO, 1991; MAIA & COSTA, 1997). Contudo, mesmo a amamentação sendo controlada, esta pode ter sido em parte, a causa da infertilidade (instabilidades hormonais e a falha na ovulação) dessas cabras que não tiveram coberturas férteis no terço final do verão e, notadamente no primeiro terço do outono, parte da estação principal de cobertura. Além de outros fatores (genéticos e ambientais) e suas interações, atuando através de mecanismos fisiológicos com elevada participação do sistema endócrino (CORTEEL, 1977; SIMPLÍCIO, 1980; MIES FILHO, 1982; THANGAVELU et al., 1985; ANDRIOLI et al., 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; HAFEZ, 1993; REX, 1995; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998). 4.2.3 Ordem de parição Não foi observado o efeito significativo (P>0,05) da ordem de parição sobre a fertilidade das cabras (Tabela 8). Essa tendência não foi verificada por DEVENDRA & BURNS (1970), SIMPLÍCIO (1980), FOOTE & SIMPLÍCIO (1989), SIMPLÍCIO et al. (1990) e RIBEIRO (1998), onde a idade ou a ordem de parição teve influência significativa sobre a taxa de fertilidade, em caprinos. Todavia, as menores taxas de fertilidade foram notadas nas cabras primíparas e secundíparas e com as ordens de parição mais altas (oitava e nona). Provavelmente, as matrizes novas não tinham atingido o peso da maturidade e as velhas já estavam no final da vida útil reprodutiva. Por outro lado, outros fatores de ordem genética, hormonal ou ambiental podem ter interferido no processo reprodutivo das fêmeas que não desenvolveram gestação após o acasalamento, contribuindo para falha de fertilização ou perda prematura de embriões (HAFEZ, 1993; MAIA & COSTA, 1997). O estresse causado pela alta temperatura ambiente, já no final da primavera, no início da estação de monta principal, em especial na segunda quinzena de fevereiro, final do verão nesta região, pode também ter influenciado na fertilização, diminuindo a taxa de concepção e aumentando a mortalidade embrionária em algumas cabras. 4.3 Prolificidade A análise de variância (Tabela 10) mostrou que a prolificidade foi influenciada significativamente (P<0,01) pela ordem e época de parição. O ano de parição também exerceu influência significativa (P<0,05) sobre esta característica. Tabela 10. Análise de variância para prolificidade de cabras da raça Anglo-nubiana. Fonte de variação GL QM Ano de parição 11 21,464 * Época de parição 1 102,343 ** Ordem de parição 8 24,869 ** Resíduo 654 8,305 Total 674 C.V. = 15,8% * = significativo (P<0,05) ** = significativo (P<0,01) 4.3.1 Ano de parição A influência do ano (Tabela 10) sobre o índice de prolificidade, tem sido relatada por outros autores (SIMPLÍCIO, 1980; OPPONG & YEBUAH, 1981; PRAKASH & SINGH, 1985; ALVES, 1986; VIEIRA et al., 1987; SIMPLÍCIO et al., 1990; SANCHES RODA et al., 1995; GONÇALVES, 1996; RODRIGUES DE MEDEIROS et al., 1997; RIBEIRO, 1998; MEDEIROS et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000), com várias raças ou tipos de caprinos, em diferentes sistemas de exploração. Por outro lado, foi diferente dos resultados obtidos por GANGWAR & YADAV (1987) trabalhando com cabras nativas da Índia, e cruzadas com raças européias. A prolificidade média para os 12 anos de estudos foi de 1,66 cabrito nascido por cabra parida (Tabela 11). Durante os anos do referido trabalho, foram encontradas variações de 1,55 a 1,78 nos índices de prolificidade do rebanho, para os anos de 1974 e 1985, respectivamente (Tabela 11). Mesmo havendo uma moderada variação na precipitação pluviométrica durante os anos de estudo, provavelmente, houve um reflexo mesmo que discreto, na disponibilidade quanti-qualitativa de forragens ao longo dos anos, influenciando a prolificidade das cabras. Ao longo dos anos do trabalho, observou-se um aumento gradual da prolificidade média das cabras, conforme Tabela 11. Não sendo notado uma inclinação temporal, e sim uma tendência a estabilização com uma prolificidade média acima de 1,70 crias por cabras paridas, a partir de 1979 (Tabela 11). A Anglo-nubiana é uma raça adaptada aos trópicos e de boa prolificidade (JARDIM, 1970; DEVENDRA & BURNS, 1970 e 1980; PRUCOLI et al., 1981; AZEVEDO, 1982; SANTOS et al., 1984; VIEIRA, 1984; FERNANDES et al., 1985; SANCHES RODA et al., 1995; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1992a, 1997, 1998 e 2001b; SILVA & ARAÚJO, 2000). No que pese alguns registros de valores mais elevados de prolificidade da literatura citada (JORDÃO & CALDAS FILHO, 1952; EPSTEIN & HERZ, 1964; DEVENDRA & BURNS, 1970; SHALASH et al., 1970; MEDEIROS, et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000; SOUZA, 2001), o indice médio de prolificidade registrado nesse estudo, se assemelha aos altos índices citados na literatura (GILL & DEV, 1972; BELLAVER et al., 1979; NUNES & SIMPLÍCIO, 1980; RODRIGUES et al., 1981; OPPONG & YEBUAH, 1981; MOLOKWU & IGONO, 1982; MEDEIROS et al., 1982; MOULIN & MOUCHREK, 1987; RODRIGUES, 1988; SOUZA, 2001), e supera a maioria dos autores, citados neste estudo, sendo esta inclinação melhor observda na Tabela 3. Todos esses autores, trabalhando com caprinos de vários grupos genéticos, em diferentes práticas de manejo. Tabela 11. Prolificidade média e erro padrão, em crias por cabras paridas, de cabras da raça Anglo-nubiana. Fonte de variação Médias (Erro Padrão) Média geral Ano de parição: 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 Época de parição: “Secas” “Águas” Ordem de parição: 1a 2a 3a 4a 5a 6a 7a 8a 9a 1,66 (0,080) 1,55 1,57 1,60 1,62 1,65 1,66 1,70 1,68 1,73 1,76 1,75 1,78 (0,037) e (0,041) e (0,056) d (0,065) d (0,058) c (0,042) bc (0,055) b (0,039) b (0,044) ab (0,066) a (0,074) a (0,058) a 1,70 (0,047) b 1,60 (0,066) a 1,55 1,58 1,65 1,70 1,78 1,72 1,65 1,62 1,60 (0,040) d (0,051) d (0,057) c (0,039) b (0,053) a (0,046) b (0,068) c (0,054) cd (0,041) cd Nota: Médias seguidas de mesma letra dentro de cada fator de classificação não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%. Os índices mais baixos (1,55 e 1,57) foram registrados nos dois primeiros anos (1974 e 1975) do estudo (Tabela 11). Provavelmente a baixa idade das cabras neste estudo, foi uma das causas dos menores índices de prolificidade comparados aos anos subseqüentes, visto que, por ocasião da formação deste rebanho, quase todas as matrizes eram jovens, em média com um baixo peso corporal, púberes e nulíparas, sendo que algumas dessas foram adquiridas em estado de prenhez. Por conseguinte, a maioria das parições ocorridas nos dois primeiros anos do trabalho, foram oriundas das cabras primíparas. O aumento da taxa de prolificidade através dos anos do referido estudo, não só foi devido a ordem de parição (aumento da idade média das cabras), e, sim, da melhoria das condições de manejo, em especial da alimentação e do aspecto sanitário do rebanho, no decorrer dos anos, especialmente, a partir de 1979/1980, conforme Tabela 11. 4.3.2 Época de parição A época de parição influenciou significativamente (P<0,01) o índice de prolificidade das cabras (Tabela 10). Este fato foi notado por PRASAD et al. (1971), GONZALES STAGNARO et al. (1974), NUNES & SIMPLÍCIO (1980 e 1981), SIMPLÍCIO (1980), ALVES (1986), RODRIGUES (1988), SIMPLÍCIO et al. (1990), MAIA (1994) e SANCHES RODA et al. (1995), com caprinos de vários tipos raciais, em diferentes sistemas de criação. Os animais que pariram no período das “secas” tiveram maior prolificidade comparados aos que pariram nas “águas”. Provavelmente este fato, pode ser devido à suplementação na época de outono/inverno e durante a gestação. Além disso, na primeira metade, e na maioria das vezes até os dois terços iniciais do outono, os pastos ainda apresentavam boas condições de forragens ao longo dos anos. E, pelo menos em parte, pelo efeito do fotoperiodismo (diminuição da luminosidade) como conseqüência, a maior atividade ovariana durante a estação de reprodução principal da espécie, nessa região do país. A alta prolificidade observada neste estudo, levando-se em consideração a capacidade ovulatória da cabra, pode ser atribuída à época de acasalamento principal da espécie, pois sabe-se que, quando as cabras estão em faixa ascendente de ganho de peso, a taxa ovulatória pode aumentar. Já que a estação de reprodução principal ocorre no final do verão (final do período das águas) e outono, se expandindo, com uma discreta concentração de coberturas férteis no primeiro terço do período de inverno na região, Centro-Sul do país. 4.3.3 Ordem de parição O efeito da ordem de parição sobre a taxa de prolificidade (Tabela 10), também foi notado por DEVENDRA & BURNS (1970 e 1980), MUKUNDAM & RAJAGOPOLAN (1971), PRASAD et al. (1971), PRAKASH & SINGH (1985) e RIBEIRO et al. (1999), em cabras de vários tipos racias, em diferentes sistemas de criação. As taxas de partos gemelares aumentaram à medida que aumentou a ordem de parição das cabras, tendência esta observada por DEVENDRA & BURNS (1970 e 1980), PRASAD et al. (1971), MUKUNDAM & RAJAGOPOLAN (1971), PRAKASH & SINGH (1985) e VIEIRA et al. (1987), em caprinos de diferentes grupos genéticos. Neste estudo, o aumento da prolificidade foi devido pelo menos em parte a maior maturidade fisiológica das matrizes mais velhas em relação as mais jovens. O desenvolvimento do aparelho reprodutivo nas fêmeas jovens, ainda, pode se apresentar incompleto. Neste caso, há ocorrência de mal formação dos gametas femininos. Contudo, as fêmeas mais velhas apresentaram falhas de concepção e/ou gestação, causadas pelo quadro de envelhecimento dos órgãos reprodutivos. Esta tendência pode ser observada na Figura 2, e na Tabela 11, onde menores índices de partos gemelares foram obtidos em cabras de primeira e segunda ordem e oitava e nona ordem, parições estas oriundas de cabras jovens e velhas, respectivamente. Como reflexo da fertilidade e da prolificidade deste rebanho, as taxas de partos gemelares aumentaram durante os anos de estudo a medida que aumentou a ordem de parição, declinando consideravelmente a partir da sétima parição (Figura 2). A taxa média de partos gemelares encontrada durante os anos de estudo, foi de 52,3%. As taxas de partos gemelares variaram de 40,3 a 64,8% para primeira e quinta ordem de parição, respectivamente, podendo ser observada na Figura 2. O valor médio de partos gemelares encontrados nesse trabalho (52,3%), foi superior aos obtidos por MUKUNDAM & RAJAGOPOLAN (1971), GONZALES STAGNARO et al. (1974), SIMPLÍCIO & NUNES (1979), MOULIN & MOUCHREK (1987), VIEIRA et al. (1987), LIMA et al. (1988) e MEDEIROS et al. (1991), SILVA & ARAÚJO (2000), Mostrou-se semelhante à descrita por OPPONG & YEBUAH (1981), RODRIGUES et al. (1981) e MEDEIROS et al. (1987a). Por outro lado, ficou abaixo daquele registrado por MAIA & COSTA (1997). Esta inclinação pode ser também conferida na Tabela 3. Todos os trabalhos citados, foram relativos a várias raças e tipos de caprinos, em diferentes sistemas de criação. % de partos gemelares 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 O rdem de p arição Figura 2. Percentual de parições gemelares em cabras da raça Anglo-nubiana, em função da ordem de parição. De um total de 675 partos, 276 parições foram simples (40,9%) e 399 múltiplos (59,1%). Das parições múltiplas, 353 foram gemelares (88,5%), 43 triplos (10,8%) e 3 quádruplos (0,7%). Do total das parições, 52,3% foram gemelares, 6,4% triplos e 0,4% quádruplos. Esta mesma tendência foi observada no trabalho de RODRIGUES et al. (1981), LIMA et al. (1988), MAIA & COSTA (1997) e MEDEIROS et al. (1998), trabalhando com caprinos Anglo-nubiano, SRD, Canindé e Anglo-nubiano, respectivamente, todos, para partos simples, duplos e triplos; com exceção para LIMA et al. (1988) no que se refere aos partos triplos, que apresentou uma taxa baixa, comparando com os demais. Por outro lado, foi diferente dos resultados obtidos por MUKUNDAM & RAJAGOPOLAN (1971), trabalhando com caprinos Malabari e SANCHES RODA et al. (1995), com cabras da raça Anglo-nubiana, ambos, em especial no que se refere às taxas de partos simples e duplos. O índice de prolificidade obtido no referido estudo pode ser considerado muito bom, indicando condições satisfatórias de manejo (em especial, o alimentar e o sanitário), principalmente considerando que os dados avaliados incluíram as cabras primíparas, que normalmente apresentam uma menor prolificidade. Das parições múltiplas, 353 foram duplas (81 pares macho/macho, 171 pares macho/fêmea e 101 pares fêmea/fêmea), 43 triplas (13 pares macho/macho/macho, 11 pares macho/macho/fêmea, 11 pares macho/fêmea/fêmea e 8 pares fêmea/fêmea/fêmea) e 3 parições quádruplas (um par macho/macho/macho/fêmea, um par macho/macho/fêmea/fêmea, e um par macho/fêmea/fêmea/fêmea), visto na Tabela 12. Tabela 12. Tipo de parição e número de crias em relação ao sexo, em cabras da raça Anglo-nubiana. Machos Fêmeas Total 132 144 276 Macho – Macho 162 - 162 Macho – Fêmea 171 171 342 Fêmea – Fêmea - 202 202 Macho – Macho - Macho 39 - 39 Macho – Macho - Fêmea 22 11 33 Macho – Fêmea - Fêmea 11 22 33 Fêmea – Fêmea - Fêmea - 24 24 Macho – Macho - Macho - Fêmea 3 1 4 Macho – Macho - Fêmea - Fêmea 2 2 4 Macho – Fêmea - Fêmea - Fêmea 1 3 4 543 580 1123 Simples Múltiplos: Total Na amostragem de gêmeos, a freqüência de machos (proporção sexual) foi de 333/706 = 0,4716 + 0,0310 (47,2%). Na amostra total a proporção sexual, expressa como percentagem de machos, foi de 543/1123 = 0,4835 + 0,0210 (48,3%). Na amostra de cabritos machos de parições simples, a proporção foi 132/276 = 0,4782 + 0,0221 (47,8%). Aplicando-se o teste de Weinberg (HOGBEN, 1946), para os partos gemelares, obteve-se uma freqüência de partos gemelares monozigóticos de 3,1%. Este resultado foi muito próximo dos registrados por SANCHES RODA et al. (1995) e MEDEIROS et al. (1998) em caprinos da raça Anglo-nubiana, que aplicando o mesmo teste obtiveram uma freqüência de 3,0 e 2,8% de partos gemelares, respectivamente. 4.4 Peso ao Nascer Os resultados da análise da variância dos pesos ao nascer das crias, encontram-se na Tabela 13. Tabela 13. Análise de variância do peso ao nascer de cabritos da raça Anglonubiana. Fonte de variação GL QM Ano de nascimento 11 0,1368 * Época de parição 1 1,0328 ns Ordem de parição 8 0,0657 * Tipo de parição 3 4,7876 ** Sexo das crias 1 2,7497 ** Interação ano de nascimento x tipo de parição 33 1,867 * Interação tipo de parição x sexo das crias 3 2,6861 ** Resíduo 1062 0,0185 Total 1122 C.V. = 8,2% * = Significativo (P<0,05) ** = Significativo (P<0,01) ns = não significativo Nota: Não há necessidade da inclusão da interação ano de nascimento x tipo de parição, mesmo esta sendo significativa (P<0,05), para a comparação das médias na Tabela 14, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade; em razão do número muito elevado de combinações (48). A análise de variância (Tabela 13) revelou que o peso ao nascer dos animais foi influenciado significativamente (P<0,05) pelo ano e ordem de parição. O tipo de parição e o sexo das crias exerceram influência significativa (P<0,01) sobre esta característica. Havendo influência significativa (P<0,05) da interação ano de nascimento x tipo de parição e da interação tipo de parição x sexo das crias (P<0,01); a fonte de variação época de parição não apresentou influência significativa (P>0,05) sobre o peso ao nascer das crias, todavia os animais nascidos no período das “águas” foram mais pesados do que aqueles nascidos no período das “secas”. 4.4.1 Ano de nascimento O ano de nascimento influenciou significativamente (P<0,05) o peso ao nascer das crias (Tabela 13). Ao longo dos anos, foi observado um aumento gradativo do peso médio ao nascer dos cabritos, logo após o segundo ano do estudo (1975), tendendo a uma estabilização discreta a partir dos anos de 1978/1979, efetivamente a partir de 1980, conforme a Tabela 14 e ilustrada pela Figura 3. Uma série de fatores tais como, flutuações da quantidade e qualidade das forragens, devido as variações, mesmo que discreta, da precipitação pluvial, durante os anos de estudo, a troca de reprodutores, a composição etária, genética dos animais e manejo geral do rebanho, em especial, a alimentação e o aspecto sanitário, podem ter influenciado o ano de nascimento das crias. As médias de peso ao nascer obtidas para os anos de 1974 a 1977 (Tabela 14), foram inferiores àquelas obtidas nos anos subseqüentes, isto pode ser atribuído, a melhoria das condições de alimentação e sanidade do rebanho, e talvez a composição etária do rebanho. Todas as cabras que pariram nestes anos, notadamente nos dois primeiros anos de observação (1974 e 1975) eram jovens, a maioria nulíparas e primíparas, podendo ter contribuído com isso, para um menor peso ao nascer das crias, comparado aos demais anos de estudo (Figura 3). Observou-se que houve um aumento médio crescente do peso ao nascer dos cabritos no decorrer dos anos do trabalho, sendo mais evidente a partir de 1978 em diante, havendo uma menor flutuação dessa variável ano de nascimento sobre o peso ao nascer das crias, conforme consta na Tabela 14, indicando que esse efeito estava, pelo menos em parte, sendo atenuado, em razão da melhoria das condições de manejo geral, refletindo de modo positivo no potencial produtivo desse rebanho, no que se refere ao peso ao nascer. Tabela 14. Peso ao nascer médio e erro padrão, em quilogramas, de cabras da raça Anglo-nubiana. Classificação Média geral Ano de nascimento: 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 Ordem de parição: 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8a 9ª Médias (Erro Padrão) 3,175 (0,038) 3,06 3,09 3,10 3,13 3,18 3,16 3,20 3,24 3,21 3,23 3,27 3,24 (0,034) d (0,071) d (0,031) cd (0,036) c (0,032) b (0,037) bc (0,028) ab (0,028) a (0,044) ab (0,025) a (0,028) a (0,038) a 3,10 3,14 3,16 3,23 3,25 3,22 3,18 3,17 3,13 (0,028) cd (0,027) c (0,024) bc (0,036) ab (0,032) a (0,033) ab (0,026) bc (0,028) bc (0,037) c Tipo de parição: Simples 3,59 (0,024) a Duplo 3,36 (0,018) b Triplo 3,03 (0,029) c Quádruplo 2,72 (0,047) d Sexo das crias: Macho 3,30 (0,088) a Fêmea 3,05 (0,077) b Interação tipo de parição x sexo das crias: Simples x Macho 3,74 (0,041) a Simples x Fêmea 3,44 (0,081) b Duplo x Macho 3,50 (0,031) b Duplo x Fêmea 3,22 (0,055) c Triplo x Macho 3,14 (0,077) c Triplo x Fêmea 2,91 (0,085) d Quádruplo x Macho 2,83 (0,051) e Quádruplo x Fêmea 2,62 (0,053) ef Nota: Médias seguidas de mesma letra dentro de cada fator de classificação não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%. 3,30 Peso ao nascer (kg) 3,25 3,20 3,15 3,10 3,05 3,00 2,95 1974 1975 1876 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 Ano Figura 3. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana, em função do ano de nascimento. A variação anual do peso ao nascer dos cabritos, também foi observada nos estudos realizados por MOULICK & SYRSTAD (1970), CASTILLO et al. (1978), McDOWELL & BOVE (1977), RAND (1980), MONTALDO & JUAREZ (1982), MUKUNDAM et al. (1983), MAVROGENIS (1983), ALVES (1986), RODRIGUES (1988), JAGTAP (1989), MEDEIROS et al. (1998), RIBEIRO (1998) e SILVA & ARAÚJO (2000), todos trabalhando com várias raças ou tipos de caprinos, entre essas a Anglo-nubiana, em diferentes sistemas de manejo. Assim, como por JAGTAP (1989) trabalhando com mestiços da raça Angorá e por SANCHES RODA et al. (1995) em animais Anglo-nubianos. Por outro lado, estes dois últimos autores verificaram que o peso ao nascer não foi influenciado pelo ano de nascimento, em cabritos puros da raça Angorá e Moxotó, respectivamente. Todavia, CASTILLO et al. (1978) estudando as causas das variações na taxa de crescimento de caprinos europeus do subtronco alpino e do tronco africano, verificaram que o ano de nascimento dos animais não só afetou significativamente o peso ao nascer, como influenciou significativamente o peso ao desmame e aos 6 meses de idade. Esta tendência também foi notada por McDOWELL & BOVE (1977), MUKUNDAM et al. (1983), MAVROGENIS (1983), ALVES (1986) e SILVA & ARAÚJO (2000), que observaram que o ano de nascimento dos cabritos de várias raças e tipos, não só influenciou o peso ao nascer, como afetou o peso em diferentes estádios de crescimento. 4.4.2 Época de parição A época de parição não teve influência significativa (P>0,05) sobre o peso ao nascer dos cabritos (Tabela 13), o que está em consonância com os resultados encontrados por SOUSA (1986), MAIA (1994) e SANCHES RODA et al. (1995), na região Nordeste, Norte e Sudeste do Brasil, respectivamente, em caprinos tropicais. No entanto, trabalhos de CASTILLO et al. (1978), NUNES et al. (1981), LIMA et al. (1983) e MEDEIROS et al. (1998), revelaram que o peso dos cabritos ao nascer estava significativamente relacionado com a época de nascimento. Neste estudo, os animais recebiam suplementação alimentar durante o ano todo, em especial no período de menor disponibilidade (quanti-qualitativa) de forragens verdes (época “seca”), nos meses de maio a setembro; talvez, por esta razão não foi observado o efeito da época de parição. A estação ou época de parição, quando relacionada com a disponibilidade de alimento poderá determinar um melhor ou pior estado nutricional das fêmeas, no terço final da gestação, resultando crias de maior ou menor peso ao nascer. 4.4.3 Ordem de parição A ordem de parição apresentou influência significativa (P<0,05) sobre o peso ao nascer dos cabritos (Tabela 13), o que está de acordo com os resultados observados por HELMAN (1965), MONTALDO & JUAREZ (1982), SANTOS et al. (1989), SANCHES RODA et al. (1995), MEDEIROS et al. (1998) e RIBEIRO et al. (1998a), todos analisando o peso ao nascer de várias raças, tanto do tronco europeu como do tronco africano, sendo desse a Anglo-nubiana, em diferentes sistemas de exploração. Por outro lado, essa inclinação não foi notada por SANCHES RODA et al. (1995), em cabras nativas da raça Moxotó. Foi observada variações nas médias de peso ao nascer das crias em razão da ordem de parição (Tabela 14). Cabras de quarta, quinta e sexta parição produziram em média cabritos mais pesados do que cabras de outras ordens de parição (Figura 4). Crias oriundas de cabras primíparas apresentaram menor peso ao nascer comparadas às crias de cabras multíparas (Figura 4). Constatou-se um crescimento do peso médio ao nascimento da primeira até quinta ordem de parição (Tabela 14) havendo um declíneo discreto após esta, porém acentuado a patir da sexta ordem, este comportamento pode ser também visto na Figura 4. Tal tendência também foi notada por HELMAN (1965), MONTALDO & JUAREZ (1982), SANTOS et al. (1989), SANCHES RODA et al. (1995), MEDEIROS et al. (1998) e RIBEIRO et al. (1998a), em diferentes raças de caprinos, entre essas a Anglo-nubiana. Segundo SANTOS et al. (1989), avaliando caprinos das raças Alpina e Anglo-nubiana, observaram que a ordem de parição não só teve efeito sobre o peso ao nascer como também aos 28, 56 e 112 dias de idade (desmama). Por outro lado, SANCHES RODA et al. (1995) não constatou efeito significativo da ordem de parição sobre o peso ao nascer de cabritos da raça Moxotó. 3,3 Peso ao nascer (kg) 3,25 3,2 3,15 3,1 3,05 3 1 2 3 4 5 6 7 8 9 O rdem d e parição Figura 4. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana em função da ordem de parição. Uma explicação para o efeito da ordem de parição sobre o peso ao nascer das crias, é que, por ainda estarem em desenvolvimento, tendo um peso corporal inferior ao que atingirão em sua maturidade, as mães jovens necessitam de uma maior porção de nutrientes do que as adultas, e por isso sobram menos nutrientes para o desenvolvimento do feto, o que pode influir nos pesos das crias ao nascer. Sobrando menos nutrientes para a produção de leite, o que pode influenciar nos pesos das crias e, conseqüentemente, nos pesos até a desmama. Ademais, cabras com idade mais avançada, em final de período reprodutivo, tendem a parir cabritos mais leves. Talvez as matrizes mais jovens apresentam um ambiente uterino mais favorável para nutrir o feto. Este comentário está em consonância com os relatos feitos por HELMAN (1965), MONTALDO & JUAREZ (1982), MIES FILHO (1982), SIMPLÍCIO et al. (1990), SANCHES RODA et al. (1995), RIBEIRO et al. (1998a) e SILVA et al. (1998). 4.4.4 Tipo de parição Constatou-se uma influência significativa (P<0,01) do tipo de parição sobre o peso ao nascer dos cabritos (Tabela 13). A média de peso ao nascer dos animais oriundos de partos simples foi superior à média do peso ao nascer das crias de partos múltiplos (Tabela 14). Observou-se que, à medida que aumentou o número de produtos por parto diminuiu o peso ao nascer das crias (Figura 5). Animais oriundos de partos simples foram 8,6%; 19,1% e 27,4% mais pesados do que os de partos duplos, triplos e quádruplos (Tabela 14), respectivamente. SOUSA (1986) observou que animais oriundos de partos simples foram 13,8% mais pesados ao nascimento que os de partos duplos, o que está de acordo com os resultados registrados por SANCHES RODA et al. (1995), que reportam que animais oriundos de partos simples foram mais pesados 15,7% ao nascer, do que os de partos múltiplos. Nos trabalhos de MEDEIROS et al. (1998) verificou-se esta mesma inclinação, animais de partos simples foram mais pesados ao nascimento em média do que os de partos duplos, triplos e quádruplos, 9,1%, 22,8% e 38,0%, respectivamente. SILVA & ARAÚJO (2000) observaram que as crias oriundas de partos simples foram 19,8% mais pesadas ao nascimento em relação às de partos duplos. 4 Peso ao nascer (kg) 3,5 3 2,5 2 machos 1,5 fêmeas 1 0,5 0 simples duplos triplos quádruplos Tipo de parição Figura 5. Peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana, em função do sexo e do tipo de parição. Resultados semelhantes com relação ao efeito do tipo de parição sobre o peso ao nascer em cabritos foram verificados também por MOULICK & SYRSTAD (1970), SINGH (1973), CASTILLO et al. (1973 e 1978), RODRIGUES et al. (1981), SIMPLÍCIO et al. (1981), MONTALDO & JUAREZ (1982), SINHA & SAHNI (1983), FERNANDES et al. (1985), SOUSA (1986), RODRIGUES (1988), MAIA & COSTA (1997), RIBEIRO et al. (1998a) e SOUZA (2001), todos trabalhando com várias raças e tipos de caprinos, em diferentes sistemas de criação. Uma explicação para isso é, que o ambiente uterino é um fator limitante, concorrendo para a diminuição do peso ao nascer dos cabritos de partos gemelares (SOUSA, 1986). Observou-se neste estudo, que as crias de partos simples apresentaram melhor desenvolvimento que as de partos duplos, caracterizando a inexistência de competição nutricional da cria durante a fase de gestação das cabras. Este comportamento esta em consonância com os resultados obtidos por FIGUEIREDO & PANT (1982), LIMA et al. (1983), SANTOS et al. (1989), MEDEIROS et al. (1998), RIBEIRO et al. (1998a) e SILVA & ARAÚJO (2000). Acredita-se que o menor peso de cabritos nascidos de partos múltiplos é uma ocorrência do aporte de nutrientes, durante seu desenvolvimento intra-uterino ser menor do que para as gestações simples. Dentre os autores que observaram o efeito do tipo de parição sobre o peso ao nascer e em diferentes estádios de crescimento, podem ser citados MUKUNDAM et al. (1981), RAGHAVAN & NAIR (1982), KHAN & SINHA (1983), LIMA et al. (1983), MAVROGENIS (1983), WILSON (1983), SANTOS et al. (1989) e SILVA & ARAÚJO (2000), em todos os casos utilizando diferentes grupos genéticos de caprinos, em vários sistemas de manejo. Segundo SILVA & ARAÚJO (2000), as diferenças dos pesos das crias de partos simples em relação às de partos duplos, geralmente estão relacionadas com o ambiente intra-uterino e a capacidade de produção de leite das cabras, os quais são influenciados pelo estado nutricional das mesmas. Entretanto, alguns pesquisadores não observaram a influência significativa do tipo de parição sobre o peso ao nascer dos cabritos, dentre estes podem ser citados PRASAD et al. (1971) e MITTAL (1979), esses dois autores trabalhando com caprinos da raça Barbari; NATH & CHAWALA (1978) em caprinos de raças exóticas e tropicais e SANCHES RODA et al. (1995) em caprinos da raça nativa Moxotó. Na análise de regressão, foi observado efeito significativo (P<0,01) do tipo de parição sobre o peso ao nascer das crias (Figura 6). A equação de regressão obtida foi: Y’i = 3,8 – 0,3164 Xi, cujo coeficiente de determinação (R2) foi de 66%. 4 Peso ao nascer (kg) 3,5 3 2,5 2 Y'i = 3,8 - 0,3164 Xi 1,5 2 1 R = 0,6589 0,5 0 0 1 2 3 4 5 Tipo de parição* Figura 6. Análise de regressão do tipo de parição * (1 - simples, 2 - duplo, 3 - triplo, 4 - quádruplo) sobre o peso ao nascer de cabritos da raça Anglo-nubiana. 4.4.5 Sexo das crias O peso ao nascer das crias foi influenciado significativamente (P<0,01) pelo sexo, o que está de acordo com os resultados encontrados por SIMPLÍCIO et al. (1981), MONTALDO & JUAREZ (1982), BURY et al. (1982), EL-SERAFY & AL-BUSAYD (1982), LIMA et al. (1983), MUKUNDAM et al. (1983), OZEKIN & AKÇAPINAR (1983), WILSON (1983), MISHRA & RAWAT (1984), FERNANDES et al. (1985), SOUSA (1986), RIBEIRO & SANTOS (1987), RODRIGUES (1988), JAGTAP (1989), SANTOS et al. (1989), SANCHES RODA et al. (1995), MAIA & COSTA (1997), RIBEIRO et al. (1998a), MEDEIROS et al. (1998), SILVA & ARAÚJO (2000) e SOUZA (2001), sendo que vários destes autores registraram que o sexo da cria influenciou também, o peso dos cabritos em diferentes estádios de crescimento, de vários grupos genéticos, em diferentes regimes de exploração. Por outro lado, o sexo da cria não apresentou influência significativa sobre o peso ao nascer dos cabritos segundo alguns autores (ALI & HASNATH, 1977; NATH & CHAWALA, 1978; MITTAL & PANDEY, 1978; ALI, 1980; FIGUEIREDO et al. 1982; AYOADE & BUTTERWORTH, 1982; KHAN & SINHA, 1983; PATRO & MADELI, 1983; MEDEIROS et al., 1990, 1991 e 1992a; MAIA, 1994). Contudo, a maioria desses autores, verificaram que mesmo não havendo influência significativa do sexo das crias sobre o peso ao nascer dos cabritos, comumente os machos foram mais pesados ao nascimento, em diferentes tipos racias, em diferentes sistemas de exploração. O peso médio ao nascer das crias do sexo masculino, foi maior do que as do sexo feminino (Tabela 14). Esses pesos médios ao nascer, podem ser considerados altos, em razão do elevado número de partos múltiplos (59,1%). Como já foi citado anteriormente, vários estudos têm mostrado que as crias oriundas de partos múltiplos são mais leves do que aquelas de partos simples, e, que o macho nasce mais pesado em média do que a fêmea (DEVENDRA & BURNS, 1970; MAHMUD & DEVENDRA, 1970; SINGH & SINGH, 1974; MITTAL, 1979; RIERA, 1982; FIGUEIREDO & PANT, 1982; LIMA et al., 1983; SINHA & SAHNI, 1983; RIBEIRO & SANTOS, 1987; RODRIGUES, 1988; SANTOS et al., 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; SANCHES RODA et al., 1995; MEDEIROS et al., 1998; RIBEIRO et al., 1998a; SILVA & ARAÚJO, 2000), este comentário pode ser visto na Tabela 4. Os machos geralmente ganham mais peso que as fêmeas, fato observado entre vários autores, entre esses SANTOS et al. (1984), RIBEIRO & SANTOS (1987), SANTOS et al. (1989), MEDEIROS et al. (1990, 1991, 1992a e 1998) e SILVA & ARAÚJO (2000), em caprinos de várias raças e tipos, em diferentes sistemas de manejo. No referido trabalho, nasceram 706 crias de partos duplos, 129 triplos e 12 quádruplos (Tabela 12), além de ter nascido 37 fêmeas a mais do que machos, concorrendo em parte para a diminuição da média do peso ao nascer desses cabritos. A superioridade dos pesos dos machos, pode ser devido ao efeito anabólico dos hormônios sexuais secretados pelos fetos machos que, conseqüentemente são capazes de absorver mais nutrientes da mãe durante o desenvolvimento pré-natal. 4.4.6 Interação ano de nascimento x tipo de parição O peso ao nascer dos cabritos foi influenciado significativamente (P<0,05), pela interação ano de nascimento x tipo de parição (Tabela 13). O tipo de parição é uma característica de ordem fisiológica da fêmea, com variações dentro da espécie ou da raça, por conseguinte, controlada por efeitos de genes ativos influenciados pelo efeito do meio, principalmente o ano, que por sua vez, pode sofrer interferência do meio, refletindo entre outros, na disponibilidade de forragens, com conseqüência direta na performance produtiva dos animais (SILVA & ARAÚJO, 2000). Contudo, uma série de fatores como a melhoria das condições de manejo (reprodutivo, alimentar e sanitário), principalmente a partir de 1978, e mais a alteração etária do rebanho, troca de algumas matrizes e reprodutores, além de um possível efeito genético, podem ter influenciado o peso ao nascer dos cabritos. Vários autores observaram a influência do ano e do tipo de parição, sobre o peso ao nascer dos cabritos, tanto de corte como os de leite, em vários tipos raciais, em diferentes práticas de manejo (DEVENDRA & BURNS, 1980; BARBIERI et al., 1983; ALVES, 1986; RODRIGUES, 1988; SANTOS et al., 1989; SIMPLÍCIO et al., 1990; SANCHES RODA et al., 1995; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO et al., 1998a; MEDEIROS et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000; SOUZA, 2001). 4.4.7 Interação tipo de parição x sexo das crias Os pesos médios ao nascer obtidos para machos e fêmeas de partos simples e duplos foram respectivamente, 3,74 versus 3,44 e 3,50 versus 3,22 kg, conforme Tabela 14. Esses valores foram semelhantes aos registrados por EPSTEIN & HERZ (1964) e MEDEIROS et al. (1998), em caprinos da mesma raça, sendo superiores aos demais registros apontados na literatura (Tabela 4). A análise estatística revelou que a interação tipo de parição x sexo das crias (Tabela 13) foi significativa (P<0,01), mostrando que o comportamento dos pesos médios ao nascer obtidos pelos cabritos segundo o tipo de parição, foi influenciado pelo sexo. As crias do sexo feminino apresentaram menor peso ao nascer do que aquelas do sexo masculino, tanto para partos simples, como para partos múltiplos, sendo que os machos de partos duplos foram mais pesados ao nascimento que as fêmeas de partos simples, conforme a Tabela 14 e ilustrada pela Figura 5. Este comportamento também foi notado por MEDEIROS et al. (1998) e RIBEIRO et al. (1998a), trabalhando com caprinos Anglo-nubianos e animais do subtronco alpino (Saanen e Parda Alpina), respectivamente. 4.5 Mortalidade O resultado da análise de variância para mortalidade dos cabritos, encontram-se na Tabela 15. Tabela 15. Análise de variância da taxa de mortalidade de cabritos jovens (até 90 dias de idade) da raça Anglo-nubiana. Fonte de Variação GL QM Sexo das crias 1 7,418 * Ano de nascimento 11 11,177 * Época de nascimento 1 4,963 ** Tipo de nascimento 3 5,842 ** Idade das crias 2 8,147 ** Resíduo 1114 0,265 Total 1122 C.V. = 16,4% * = significativo (P<0,05) ** = significativo (P<0,01) A análise de variância revelou que a taxa de mortalidade dos cabritos foi influenciada significativamente (P<0,01) pela época, tipo de nascimento e idade das crias. O ano de nascimento e o sexo do cabrito também exerceram influência significativa (P<0,05) sobre esta característica (Tabela 15). 4.5.1 Sexo das crias O sexo influenciou significativamente (P<0,05) a taxa de mortalidade das crias (Tabela 15), onde os machos apresentaram maior taxa de mortalidade do que as fêmeas, tendência esta também verificada por FIGUEIREDO & PANT (1982), BARBIERI et al. (1983) e MISHRA et al. (1984), que notaram que a taxa de mortalidade foi maior no macho do que na fêmea (Tabela 16). No referido estudo, provavelmente a maior mortalidade de machos, foi devido ao maior número de machos nascidos oriundos de partos triplos. Contudo, a mortalidade perinatal também foi observada em 4 crias de partos simples, notadamente os machos de maiores pesos, devido a ocorrência de partos distócicos, o que não é desejável (RIBEIRO et al., 1998a; SILVA et al., 1998; SILVA & ARAÚJO, 2000). Contudo, informações sobre mortalidade perinatal são pouco comuns na literatura nacional (MIRANDA & McMANUS, 2000). Por outro lado, o estudo de MITTAL (1976), VELEZ NAUER et al. (1978) e MEDEIROS et al. (1990, 1991 e 1992a) não constataram efeito significativo do sexo sobre a taxa de mortalidade de caprinos, tendo o primeiro autor trabalhado com caprinos das raças indianas (Jamnapari e Barbari), e os dois últimos com caprinos da raça africana (Anglo-nubiana). 4.5.2 Ano de nascimento O ano de nascimento influenciou significativamente (P<0,05) a mortalidade dos cabritos (Tabela 15). Esta inclinação também foi observada por FIGUEIREDO et al. (1980), CHAWALA et al. (1982), SHARMA et al. (1984), RODRIGUES (1988), MEDEIROS et al. (1991 e 1998) e MAIA (1994), em vários grupos genéticos, em diferentes práticas de manejo. Variações temporais, como o ano de nascimento pode influenciar a mortalidade dos cabritos. Os níveis de mortalidade ano a ano, mostraram uma discreta tendência temporal, porém houve pouca variação da taxa de mortalidade dos cabritos nos anos de estudo (Tabela 16). As taxas de mortalidade obtidas para os anos de 1974 a 1977 (Tabela 16) foram superiores daquelas obtidas nos anos subseqüentes; isto pode ser atribuído, a melhoria das condições de alimentação, aspectos sanitários, manejo geral do rebanho, e talvez da composição etária do rebanho. Todas as cabras que pariram nestes anos, principalmente nos três primeiros anos de estudo (1974, 1975 e 1976), conforme Tabela 16, eram novas, a maioria nulíparas e primíparas, podendo ter contribuído com isso para menor peso ao nascer das crias, aumentando pelo menos em parte a taxa de mortalidade dos cabritos. Pelo fato de muitas cabras estarem em estado de desenvolvimento, não preparando bem o feto por ocasião da gestação, e nem a própria, para amamentar a cria no período do nascimento. Observou-se no referido estudo, uma diminuição do índice de mortalidade dos cabritos no decorrer dos anos de estudo. A taxa média de mortalidade dos cabritos nos anos de estudo variou de 7,3 a 14,0% (Tabela 16). Tabela 16. Mortalidade média e erro padrão, em percentual, de cabritos da raça Anglo-nubiana. Classificação Media geral Médias (Erro padrão) 8,90 (1,142) Sexo das crias: Macho 11,00 (2,068) b Fêmea 6,80 (1,081) a 1974 12,50 (1,033) c 1975 11,44 (1,066) c 1976 10,96 (0,877) bc 1977 10,10 (0,931) bc 1978 9,36 (1,035) b 1979 7,97 (0,751) ab 1980 7,73 (0,785) a 1981 8,03 (1,122) ab 1982 7,00 (1,018) a 1983 6,80 (1,407) a 1984 7,07 (0,751) a 1985 7,85 (1,350) a “Águas” 4,00 (1,077) a “Secas” 13,80 (3,047) b Ano de nascimento: Época de nascimento: Tipo de nascimento: Simples 2,90 (1,027) a Duplos 8,62 (0,458) b Triplos 14,75 (1,088) c Quádruplos 100,00 (0,000) d Idade das crias (dias): 0–7 69,00 (8,547) c 8 – 30 21,00 (3,980) b 31 – 90 10,00 (2,288) a Nota: Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada fator de classificação, não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%. 4.5.3 Época de nascimento A variável época de nascimento também afetou significativamente (P<0,01) o índice de mortalidade dos animais. Este fator pode ter sido, em parte relacionado a disponibilidade de forragens. Em razão da maior concentração de nascimentos (88,5%) terem ocorrido nos meses de julho a outubro (segunda metade do período das “secas” e início do período das “águas”), coincidindo com o período de inverno (70% de nascimentos), onde as médias de temperatura foram as mais baixas do ano; e o primeiro terço da primavera (18,5% de nascimentos). Neste período foi onde ocorreu o maior percentual de óbitos, notadamente no período de inverno. Esta situação tem sido observada por vários autores na região Centro-Sul do país, onde as parições têm sido concentradas nesta época do ano, para as raças de caprinos exóticos, como a Anglonubiana (tronco africano), e notadamente as raças do tronco europeu. Todavia, este comportamento também tem sido relatado por alguns autores, em caprinos mestiços exóticos x autóctones, nesta região, que mesmo registrando nascimentos em outros meses do ano observaram maior incidência de nascimentos, no segundo semestre do ano, em particular no período de inverno (SANTIAGO, 1946; JORDÃO & CALDAS FILHO, 1952; JARDIM et al., 1965; JARDIM, 1977; VIEIRA, 1984; BENTO, 1985; TRALDI, 1985; SIMPLÍCIO et al., 1986 e 1990; MOUCHREK & MOULIN, 1987; MEDEIROS et al., 1990, 1991, 1998 e 2001b; SANCHES RODA et al., 1995), em vários tipos raciais, em diferentes sistemas de criação. A estação do ano, principalmente com relação à temperatura ambiente (frio e calor), tem relevante papel na região Centro-Sul do país, onde as estações do ano são mais definidas, onde as raças caprinas têm se comportado como poliéstrica estacional, por esta razão, havendo uma maior concentração de nascimentos nos meses de inverno e primeira metade da primavera, havendo maior concentração das mortalidades, notadamente, no período de inverno. Dentre os autores que encontraram efeito significativo da época de nascimento sobre a taxa de mortalidade em caprinos, podem ser citados (FIGUEIREDO et al., 1980; RIERA et al., 1980; RODRIGUES et al., 1981; CHAWALA et al., 1982; GUIMARÃES FILHO, 1983; SHARMA et al., 1984; SOUZA et al., 1984; SANTOS et al., 1984; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1990, 1991 e 1992a; MAIA, 1994; MAIA & COSTA, 1997), em diferentes práticas de manejo. Por outro lado foi diferente dos resultados obtidos por MITTAL (1976), que não registrou efeito da época de nascimento sobre a mortalidade de cabritos da raça Barbari e Jamnapari. As doenças pulmonares, gastroentéricas e gastropulmonares, pelo menos em parte foram responsáveis pela mortalidade nos primeiros 30 dias de idade, notadamente os recém-nascidos (primeira semana de vida), onde ocorreram o maior número de óbitos. Isto se deve às condições de manejo, relacionado pelo menos em parte ao conforto térmico das crias dentro do cabril, visto que aproximadamente 75% dos óbitos ocorreram no período de inverno. Durante os anos de estudo todos os óbitos de cabritos recém-nascidos (0 a 7° dia de idade), e a maioria dos óbitos de cabritos do 8º ao 30º dia de idade, ocorreram nesta estação do ano. O neonato é provavelmente mais susceptível ao frio e ao calor excessivo. Esses animais têm dificuldade de ajustar a sua temperatura corporal (manutenção da homeotermia), devido a falta de maturação do mecanismo termorregulador, em razão das variações da temperatura ambiente ao longo do dia (variação diurna e noturna), algumas vezes de considerável amplitude (RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 2001a, 2002a e b). Nas primeiras semanas de vida dos cabritos, o sistema imunológico ainda não está desenvolvido, principalmente na primeira semana de vida, notadamente nas primeiras 72 horas. Esta situação, deve ter sido a responsável pela mortalidade dos cabritos na primeira semana de vida. A literatura tem registrado as mais altas taxas de mortalidade de cabritos no período de inverno (PRUCOLI et al., 1981; RODRIGUES et al., 1981; SANTOS et al., 1984; RODRIGUES, 1988; MEDEIROS et al., 1991 e 1998). 4.5.4 Tipo de nascimento O tipo de nascimento influenciou significativamente (P<0,01) a taxa de mortalidade dos cabritos (Tabela 15). Este fato também foi verificado por SARMAH et al. (1981), FIGUEIREDO & PANT (1982), GUIMARÃES FILHO (1983), MEDEIROS et al. (1991, 1992a e 1998) e MAIA & COSTA (1997). Por outro lado, este comportamento não foi verificado por FIGUEIREDO & PANT (1982), avaliando caprinos de raça nativa nacional, onde observaram que o peso ao nascer foi o fator mais relevante para o tempo de sobrevivência das crias. Ao se analisar a taxa de mortalidade das crias, dentro dos tipos de nascimento (Tabela 16), observou-se que todas as crias oriundas de partos quádruplos morreram nas primeiras 72 horas de vida. Houve efeito significativo do tipo de nascimento (P<0,01) sobre a mortalidade neonatal (primeiras 72 horas de vida), conforme Tabela 15. Este fator também influenciou significativamente (P<0,01) a taxa de mortalidade aos 90 dias de idade (Tabela 15). O baixo peso ao nascer pode ter sido o principal fator responsável por estas mortes, uma vez que se observou diferença significativa (P<0,01) entre o peso ao nascer das crias que morreram até as 72 horas de vida, e das crias que sobreviveram no mesmo período, o que está de acordo com RIERA et al. (1980), FIGUEIREDO et al. (1982), ALVES (1986), MEDEIROS et al. (1991 e 1998) e MAIA & COSTA (1997), os quais obtiveram uma associação positiva entre prolificidade e mortalidade de caprinos. 4.5.5 Idade das crias A idade das crias influenciou significativamente (P<0,01) a taxa de mortalidade dos cabritos (Tabela 15). Este fato foi verificado por FIGUEIREDO & PANT (1982), ALVES (1986), MEDEIROS et al. (1991, 1992a e 1998), MAIA & COSTA (1997) e RIBEIRO et al. (1999), em várias raças e tipos de caprinos, em diferentes sistemas de exploração. Cerca de 69,0% das mortes das crias ocorreram na primeira semana (Tabela 16) notadamente nas primeiras 72 horas de vida (mortalidade neonatal). Dentro do período do nascimento aos 90 dias, houve um decréscimo com relação a primeira semana no índice de mortalidade com o avanço da idade, sendo que nos primeiros 30 dias de vida observou-se a maior ocorrência de óbitos (Tabela 16). Tal fato tem sido apontado pela literatura (RIERA et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1980; CHAWALA et al. 1982; FIGUEIREDO & PANT, 1982; ALVES, 1986; MEDEIROS et al., 1991, 1992a e 1998; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999), em diferentes regimes de criação. Ademais, os três primeiros meses de vida, são os mais críticos para o cabrito, porque ainda não tem o seu sistema imunológico completamente desenvolvido. Esta tendência está de acordo com relatos de ALVES (1986), MEDEIROS et al. (1991 e 1998) e MAIA e COSTA (1997). Isto revela que a idade do animal, é um outro fator de grande importância para a taxa de mortalidade, sendo que no presente estudo, o período crítico foi a primeira semana de vida das crias. Esta situação está inteiramente de acordo com relatos de RIERA et al. (1980), ALVES (1986), MEDEIROS et al. (1991 e 1998), MAIA & COSTA (1997) e RIBEIRO et al. (1999). Por outro lado, este comportamento não foi verificado por MAIA (1994), com caprinos mestiços Anglo-nubiano + ½ Pardo Alpino, onde a maior taxa de mortalidade de cabritos foi a partir dos 90 dias (desmame) até um ano de idade. Contudo, 23,6% da mortalidade das crias, ocorreram nas 72 horas de vida. A elevada mortalidade, em caprinos abaixo de 6 meses de idade tem sido reportado pela literatura (RIERA et al., 1980; FIGUEIREDO et al., 1980; FIGUEIREDO & PANT, 1982; CHAWALA et al., 1982; ALVES, 1986; MEDEIROS et al. 1990, 1991, 1992a e 1998; MAIA & COSTA, 1997; RIBEIRO, 1998; RIBEIRO et al., 1999). Em razão da maior concentração de nascimentos ter ocorrido nos meses de inverno, os animais não estão bem adaptados para resistirem às variações de temperatura (principalmente nas primeiras 72 horas de vida), ao longo do dia, onde em determinada região do Centro-Sul do Brasil, ocorrem variações de mais de 15ºC entre as horas mais quentes e as mais frias. Os recém-nascidos apresentam dificuldades para manter a homeotermia, devido a falta de maturação no mecanismo termorregulador, associado as condições de manejo e abrigo dos animais, e Contudo, esta ótica negativa foi superada, em parte, através dos anos, a partir de 1977/1978, com melhoria das condições de alimentação e sanidade, efetivamente, o manejo e o abrigo dos animais jovens, com a intenção de melhorar o conforto térmico desses animais no cabril. A taxa média de mortalidade de cabritos (8,9%) obtida no presente estudo, pode ser considerada baixa, mesmo para animais criados em regime semiintensivo. A mesma pode ser considerada excelente, comparada com os dados citados na literatura. 5 CONCLUSÕES Os resultados observados no presente estudo conduzem às seguintes conclusões: Os fatores de origem materna (ordem de parição), fetal (número de crias) e ambiental (ano e época de parição) afetaram a duração da gestação das cabras. Existiu uma relação inversa entre o número de crias e a duração da gestação. À medida que aumentou o número de produtos por parto, diminuiu o período de gestação das cabras. O ano de cobertura e a época de cobertura exerceram influência significativa na taxa de fertilidade das cabras. As parições ocorreram, na sua maioria, no período entre os meses de julho a outubro. A prolificidade foi influenciada significativamente pelo ano, época e ordem de parição. O índice de prolificidade obtido no referido estudo, pode ser considerado elevado, principalmente se considerar que os dados foram avaliados incluindo as cabras primíparas, que normalmente apresentam uma prolificidade menor. A prolificidade das cabras da raça Anglo-nubiana é predominantemente de origem dizigótica, podendo ser aumentada com melhoria das condições de manejo. O peso ao nascer das crias foi influenciado significativamente pelo ano de nascimento, ordem de parição, tipo de parição e sexo das crias. As crias do sexo masculino apresentaram maior peso ao nascer que aquelas do sexo feminino, tanto para partos simples como para partos múltiplos. Crias de cabras primíparas apresentaram menor peso ao nascer comparadas às crias de cabras multíparas. Constatou-se um crescimento médio do peso ao nascer das crias da primeira até a quinta ordem de parição, declinando após esta. A taxa de mortalidade observada no presente estudo foi influenciada pelo sexo das crias, ano de nascimento, época de nascimento, tipo de nascimento e idade das crias. Foi observada uma associação positiva entre o peso ao nascer e o percentual de sobrevivência, e uma associação negativa entre o índice de prolificidade e a sobrevivência das crias. 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALI, S. Z. Relation of birth weight of kids to their posnatal growth in Black Bengal goats. Indian Vet. J., Madras, v.57, n.12, p.1006-8, 1980. ALI, S. Z.; HASNATH, M. A. Heritability estimate of birth weight of Black Bengal kids at the Bangladesh Agric. University goat Breeding Project. Indian Vet. J., Madras, v.54, n.8, p.632-7, 1977. ALVES, J. U. Desempenho produtivo da caprinocultura no Estado do Ceará no período de 1981 a 1984. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS. Tese de Mestrado. 65 p., 1986. ANDRIOLI, A.; SIMPLÍCIO, A. A.; MACHADO, R. 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