0 FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ CENTRO DE PESQUISAS AGGEU MAGALHÃES Especialização em Saúde Pública ANDREA LOPES DE OLIVEIRA ENDEMIAS NO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE – UM DESAFIO PARA A VIGILÂNCIA EM SAÚDE RECIFE 2010 1 ANDREA LOPES DE OLIVEIRA ENDEMIAS NO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE – UM DESAFIO PARA A VIGILÂNCIA EM SAÚDE Monografia apresentada ao curso de Especialização em Saúde Pública do Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz para a obtenção do título de especialista em saúde pública. Orientadora: Profa.Dra. Lia Giraldo da Silva Augusto Co-orientador: José Marcos da Silva Recife 2010 2 Catalogação na fonte: Biblioteca do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães O48e Oliveira, Andrea Lopes de. Endemias no território estratégico de Suape: um desafio para a vigilância em saúde/ Andrea Lopes de Oliveira. — Recife: A. L. de Oliveira, 2010. 36 p.: il. Monografia (Especialização em Saúde Pública) – Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz. Orientadora: Lia Giraldo da Silva Augusto, co-orientador: José Marcos da Silva. 1. Vigilância da População. 2. Indústria Petroquímica. 3. Doenças Endêmicas. 4. Urbanização. 5. Incidência. 6. Mortalidade. I. Augusto, Lia Giraldo da Silva. II. Silva, José Marcos da. III. Título. CDU 614 3 ANDREA LOPES DE OLIVEIRA ENDEMIAS NO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE – UM DESAFIO PARA A VIGILÂNCIA EM SAÚDE Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Saúde Pública do Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz para a obtenção do título de Especialista em Saúde Pública. Aprovado em: _____/_____/______ BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ Prof. Dra. Lia Giraldo da Silva Augusto - orientadora Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães - CPqAM/FIOCRUZ _______________________________________________ Prof. Ms. Alexandre Barbosa Beltrão - debatedor Faculdade de Ciências Médicas - UPE Recife 2010 4 Dedico todo o esforço aplicado neste estudo... ...aos meus amados pais e irmãos, companheiros de todas as horas. A José Lopes da Silva e Ricardo dos Anjos Lopes... ...exemplos de amor e dedicação (in memorian) 5 AGRADECIMENTOS A Deus que me deu forças para realização desse sonho e permitiu que pessoas maravilhosas cruzassem meu caminho. Aos meus pais Tereza e Adroaldo minha base mais sólida, sempre me apoiando e passando exemplos de amor e perseverança. Aos meios irmãos, Adriana, Júnior e Alexsandro companheiros e amigos, presentes em todos os momentos de minha vida. À orientadora Lia Giraldo pela paciência, dedicação e oportunidade de adquirir novos conhecimentos, sempre estimulando a acreditar e lutar pela saúde pública brasileira. Ao co-orientador Marcos da Silva pelas contribuições essenciais para a realização deste trabalho. A Alexandre Beltrão pelas ricas contribuições dadas a este trabalho e pela honra de tê-lo como debatedor. Aos Docentes do Curso de Especialização em Saúde Pública do CPqAM pelos conhecimentos e incentivo durante a minha formação na Saúde Pública. Aos Funcionários do CPqAM pela atenção e colaboração. Aos colegas da turma de Especialização em Saúde Pública do CPqAM pela amizade, companheirismo e por proporcionarem momentos tão maravilhosos. 6 “Até que o homem estenda o círculo de sua compaixão para todas as coisas vivas, ele não encontrará a paz.” Albert Schweitzer Ganhador do Prêmio Nobel da Paz - 1952 7 Endemias no Território Estratégico de Suape – Um Desafio para a Vigilância em Saúde. Endemic diseases in the Strategical Territory of Suape - a Challenge for the Monitoring in Health. Andrea Lopes de Oliveira1 Lia Giraldo da Silva Augusto2 1,2 Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Av. Professor Moraes Rego, s/n - Campus da UFPE Cidade Universitária | Recife/PE - Brasil | CEP: 50.670-420. Este artigo foi formatado segundo as regras de submissão da revista Ciência e Saúde Coletiva 8 RESUMO Pernambuco está recebendo a Refinaria de Petróleo do Nordeste S/A – REFINE, RNEST, tornando mais forte seu processo de industrialização. Isto ocasiona uma série de novos e complexos problemas para compreensão e gestão do espaço urbano, geralmente associados ao aumento do fluxo migratório e a má ocupação do solo, podendo acarretar na disseminação de novos agentes etiológicos e mudanças de comportamento de endemias. Nesse contexto, esse estudo propôs o levantamento de dados de morbidade e mortalidade de endemias (dengue, esquistossomose, leishmaniose, leptospirose e tuberculose), no Recife e Território Estratégico de Suape, municípios afetados pelo empreendimento; com intuito de servir de linha de base para futuras pesquisas e ações das vigilâncias. As informações foram disponibilizadas pela Secretaria do Estado de Pernambuco (SIM, SINAM), e calculadas as taxas de incidência e mortalidade, no período de 2001 a 2008. Pode-se observar que os impactos de ordem social, econômica e ambiental refletem na saúde da população, porém, na maioria das vezes esses fatores são negligenciados, inclusive pelas autoridades sanitárias; fazendo-se necessário um trabalho integrado, que envolva fatores não só de ordem biológica, mas, também históricas, políticas, econômicas e culturais. Palavras Chaves: Vigilância à Saúde. Indústria Petroquímica. Doenças Endêmicas. Urbanização. Incidência. Mortalidade. 9 ABSTRACT Pernambuco is receiving the Refinery from Northeast Oil S/A – RNEST, REFINE, becoming strong more its process of industrialization. This causes to a series of new and complex problems for understanding and management of the urban space, generally associates to the increase of the migratory flow and me the occupation of the ground, being able to cause the dissemination of new etiológicos agents and changes of behavior of endemic diseases. In this context, this study it considered the data-collecting of morbidade and mortality of endemic diseases (dengue, schistosomiasis, leishmaniasis, leptospirosis and tuberculosis), in Recife and Strategical Territory of Suape, cities affected for the enterprise; with intention to serve of line of base for future research and action of the monitoring. The information had been supplied by the Secretariat of the State of Pernambuco (SIM, SINAM), and calculated the taxes of incidence and mortality, in the period of 2001 the 2008. It can be observed that the impacts of social, economic order and ambient they reflect in the health of the population, however, most of the time these factors are neglected, also for the sanitary authorities; becoming necessary an integrated work, that not only involve factors of biological order, but, also historical, politics, economic and cultural. Words Keys: Monitoring to the Health. Petrochemical industry. Endemic illnesses. Urbanization. Incidence. Mortality. 10 INTRODUÇÃO Pernambuco atualmente está vivendo um momento de expansão e crescimento no setor industrial. Um dos mais relevantes no âmbito do setor secundário é a implantação de uma refinaria de petróleo (Refinaria do Nordeste S/A – REFINE, RNEST ou Refinaria General José Ignácio Abreu e Lima), projetada para processar 200.000 barris/dia de petróleo1,2. O processo de industrialização tem como conseqüência a aceleração da urbanização. Esta condição ocasiona uma série de novos e complexos problemas para a compreensão e gestão do espaço nas sociedades urbanas, sendo que aqueles de ordem sócio-ambiental encontram-se destacados no contexto das cidades3. Essas novas indústrias são recebidas tanto pelos gestores públicos como pela população como progresso, desenvolvimento e geração de empregos. Porém muitas vezes o que se percebe é a exploração de mão de obra não qualificada, importação de serviços (os profissionais de primeiro escalão geralmente são trazidos de outros estados) e os impactos no processo saúde-doença não são avaliados, nem evitados4. As políticas de desenvolvimento e os programas e projetos de investimento podem produzir sérias conseqüências adversas para a saúde5. A lógica do industrialismo e do consumo produz, simultaneamente, estresse ambiental e padrões sócio-espaciais que localizam a vulnerabilidade em grupos sociais específicos6. A deterioração do meio ambiente indubitavelmente afeta a qualidade de vida da população em geral; criando ambientes físicos e sociais extremamente insalubres e propiciadores de redes de infecções de caráter epidêmico e da expansão de doenças circunscritas a nichos endêmicos5, 7. O modelo de desenvolvimento predatório adotado pela sociedade atual vem acarretando em uma degradação socioecológica, resultando na disseminação de novos agentes etiológicos e nas mudanças de comportamento de endemias, como dengue, febre amarela e doenças respiratórias, porém, não se vê a inserção do tema saúde nos Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) dos empreendimentos 7,8,9. Análise feita no EIA/RIMA da RNEST demonstra bem esse enfoque conservacionista, onde não se aprofundam as questões sociais e a relação dos impactos ambientais com a saúde das comunidades e dos trabalhadores. Nesse estudo não se incluiu um diagnóstico situacional da saúde da população de referência para o empreendimento. Constatou-se, ainda, um mecanismo de postergação para as questões sobre o tratamento dos efluentes, riscos potenciais aos trabalhadores, comunidade e consequentemente para a saúde pública9. O desenvolvimento urbano é um processo complexo que envolve fenômenos sociais e econômicos, tais como migração da área rural para a cidade, oportunidades de trabalho e 11 infra-estrutura de serviços urbanos, e, como tal, tem um impacto na saúde da população10. Isto caracteriza a existência de contextos com fortes desigualdades sociais, onde, a falta de acesso ao mercado de consumo é acompanhada pela falta de serviços públicos, agravando as condições de vida dessas populações, tornando-as vulneráveis6. Características individuais, como renda familiar baixa, educação precária, habitação inadequadas, famílias numerosas, desnutrição alimentar, alcoolismo, associado à dificuldade de acesso aos serviços de saúde, má ocupação do solo, contaminação ambiental, saneamento precário, aglomeração e circulação de pessoas, favorecem a instalação e/ou propagação de endemias como tuberculose, esquistossomose, leptospirose, leishmaniose, dengue7, 11. Em suma, a deterioração ambiental, as condições de saúde e o desenvolvimento estão inextricavelmente entrelaçados. O custo humano expresso em pobreza, enfermidades evitáveis, e mortalidade é o preço real da deterioração ambiental, bem como justificativa para a preservação do meio ambiente. Nesse contexto torna-se necessária uma integração das preocupações sanitárias com as ambientais, como parte de um modelo de desenvolvimento sustentável5. Entretanto, há uma valorização dos padrões de excelência tecnológica adotados pelos países ricos, passando a ignorar a saúde como parte essencial das questões sociais e ambientais agudas, decorrentes da desigualdade, da exclusão e da injustiça social. Um sintoma desta orientação é o fato de que ações para conter surtos ou as mobilizações de investigação de endemias, geralmente, só se viabilizam quando grandes centros urbanos tornam-se francamente ameaçados7. Como resultado, o aparato tecnológico não atinge totalmente seus objetivos, isto é, não geram soluções efetivas e mais imediatas para os complexos e dramáticos quadros de saúde impostos pelas endemias e pelas epidemias que venham a surgir7. Torna-se, então, necessário efetuar uma avaliação adequada das repercussões ambientais e sociais, que um empreendimento possa vir a causar, particularmente de suas possíveis conseqüências adversas para a saúde humana5. Nesse contexto, esse estudo propõe o levantamento dados atuais de morbidade e mortalidade de endemias do Recife e Território Estratégico de Suape (TES), municípios com perspectiva de mudanças sócio-ambientais devido à implantação da Refinaria de Petróleo RNEST. Podendo fornecer subsídios para futuras avaliações, e colaborando com as definições das políticas de saúde, ações das vigilâncias e adoção de medidas preventivas por parte das autoridades sanitárias. 12 MÉTODO Realizou-se um estudo descritivo, desenvolvido através da coleta e análise de dados secundários12. A área de estudo compreendeu Recife e mais cinco municípios que compõe o Território Estratégico de Suape: Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Escada. A escolha se deu através da análise da influencia nos municípios, pela instalação do empreendimento da PETROBRAS, a refinaria de petróleo (REFINE, RENEST)1, 13. O Território Estratégico de Suape, com área de 1.774.07 km2 (1,8% de Pernambuco), trata-se de um projeto lançado pelo governo do Estado, objetivando a integração e o desenvolvimento local. Recife entrou no presente estudo por sua importância e proximidade com o Território Estratégico de Suape; sendo a capital do estado, bastante populosa e com presença de várias disjunções sócio-econômicas, deve gerar um intenso fluxo migratório. Além disto, agrega um grande número de instituições de ensino, devendo importar recursos humanos para o empreendimento, se tornando, muito provavelmente uma das principais cidades dormitório 13, 14,15. As endemias abordadas foram selecionadas através da importância epidemiológica para os municípios em questão, e sua relação com os impactos sócio-ambientais gerados pela implantação da refinaria. Compreendendo em: dengue, esquistossomose, leishmaniose, leptospirose e tuberculose 7, 11, 15, 16, 17, 18 . Destas, foram coletados dados de morbidade e mortalidade; e calculado os coeficientes de incidência e mortalidade. Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, extraídos do SINAN (Sistema de Informações Nacional de Agravos Notificados) e SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). Tais dados correspondem aos casos confirmados das doenças no período de 2001 a 2008, contendo informações de município de residência do doente 12, 15, 16. As taxas de incidência e mortalidade foram calculadas a partir de estimativas populacionais consultadas junto ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Houve, ainda, o levantamento de dados sócio-ambientais e de planejamento, para uma melhor análise dos resultados obtidos. 13 ASPECTOS ÉTICOS Este estudo esteve vinculado ao Projeto ―Estudo de cenários de risco na cadeia produtiva do petróleo em Pernambuco e proposição de indicadores para vigilância da saúde e comunicação de risco‖, desenvolvido no Laboratório de Saúde Ambiente e Trabalho (LASAT) do Departamento de Saúde Coletiva (NESC) do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM)/Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), e que possui recursos do convênio CGVAM/SVS/FIOCRUZ, de CAAE – 0111.0.095.000-08, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do CPqAM/ FIOCRUZ. RESULTADOS E DISCUSSÃO Com a implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco haverá um aumento nos investimentos e programas de incentivo que irão provocar uma dinâmica econômica de grande impacto na área existente, afetando o seu território e alterando a realidade ambiental e sócio-cultural. Ao mesmo tempo em que essas empresas contribuem para elevar o Produto Interno Bruto (PIB), os processos produtivos industriais introduzem no ambiente novos riscos, que não se circunscrevem aos muros da fábrica, comprometendo os ecossistemas e a população do entorno1,2. Esses pontos se tornam atrativos devido à perspectiva de criação de empregos e geração de renda, fazendo com que haja uma mudança demográfica, devido ao aumento do fluxo migratório. Como resultado há um crescimento desordenado destas cidades, com surgimento de bolsões de pobreza (favelas, cortiços, áreas de invasão), nas quais se destacam as carências de habitação, saneamento básico e alimentação 19. Em toda região estudada já há evidências dessa pressão sócio-demográfica, com um aumento populacional considerável (tabela 1) e a com existência de áreas de carência habitacional, que apesar de serem muitas vezes os locais de recrudescência ou aumento dos casos de endemias, não se encontram cadastrados ou tem cadastros antigos, cerca de dez anos13, 14, 19. Essa situação se torna mais grave quando se leva em consideração que nas cinco principais cidades que compõem o Território Estratégico há uma previsão de crescimento de 11% no número de moradores, chegando a 110 mil pessoas, com uma taxa de urbanização de 94,3% e um déficit habitacional de 40.000 casas 13,14. Essa população se torna mais vulnerável por não ter pleno a recursos financeiros, informação e serviços públicos. Além disto, a corrente migratória, o adensamento populacional, as condições de saneamento favorecem a transmissão de parasitos, tuberculose, 14 leptospirose, dengue e de outras endemias que antes estavam circunscritas a áreas rurais como a esquistossomose e leishmaniose 7, 18. Tabela 1. População estimada de Recife e dos municípios do Território Estratégico de Suape 2001 a 2008 Cabo de Santo Agostinho 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 160.968 166.286 169.229 172.150 163.139 169.986 58.450 59.850 62.163 156.004 158.435 Escada 57.377 57.657 57.803 58.111 58.281 Ipojuca 60.925 62.197 63.550 66.390 67.963 69.523 70.070 74.059 592.297 601.426 610.648 630.008 640.722 651.355 665.387 678.346 Jaboatão dos Guararapes 50.401 51.324 52.308 54.373 55.516 56.650 52.830 55.102 Recife 1.437.190 1.449.135 1.461.320 1.486.869 1.501.008 1.515.052 1.533.580 1.549.980 Total 2.354.194 2.380.174 2.406.597 2.462.037 2.492.719 2.523.180 2.544.856 2.589.636 Moreno Fonte: DATASUS DENGUE A dengue é uma doença infecciosa causada por vírus de genoma RNA. São conhecidos quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Seu principal vetor é o mosquito Aedes aegypti, que se encontra adaptado ao ambiente doméstico e associado ao crescimento demográfico, como também aos intercâmbios internacionais. Estes fatores, assim como as variações na pluviosidade e temperatura do ambiente, favorecem a dispersão do mosquito e disseminação dos sorotipos virais, na medida em que as populações humanas dispõem de recipientes propícios à reprodução do vetor 20. A dengue é hoje a principal doença re-emergente no mundo, sendo as razões para essa re-emergência extremamente complexas e não totalmente compreendidas, tornando esta endemia um dos maiores problemas de saúde pública, que desafia as ações das vigilâncias 21,22 . Além, disso, tem grande repercussão econômica e social ao afetar a força de trabalho, prejudicar o comparecimento escolar e a organização do atendimento à saúde 20. Quanto ao agente etiológico, o vírus do dengue tem sua propagação hoje grandemente facilitada pelo aumento da intensidade e velocidade do tráfego aéreo e terrestre e intensa urbanização das cidades. As dificuldades de combater este mosquito, em grandes e médias cidades, são muitas. Há facilidades para sua proliferação e limitações para reduzir seus índices de infestação, geradas pela complexidade da vida urbana atual 21,22. É de transmissão essencialmente urbana, ambiente no qual se encontram todos os fatores fundamentais para sua ocorrência: o homem, o vírus, o vetor e principalmente as condições políticas, econômicas e culturais que formam a estrutura que permite o 15 estabelecimento da cadeia de transmissão. As mudanças demográficas ocorridas com a industrialização consistiram em intensos fluxos migratórios rurais-urbanos, resultando num ―inchaço‖ das cidades, propiciando grande fonte de indivíduos suscetíveis e infectados concentrados em áreas restritas. Este fato, associado às condições precárias de saneamento básico, moradia inadequada, e fatores culturais e educacionais proporcionam condições ecológicas favoráveis à transmissão dos vírus da dengue, que se adaptou perfeitamente ao ambiente doméstico, processo conhecido como domiciliação 23. O saneamento básico, particularmente o abastecimento de água e a coleta de lixo, mostra-se insuficiente ou inadequado nas periferias. Uma das conseqüências desta situação é o aumento do número de criadouros potenciais do principal mosquito vetor. Associada a esta situação, o sistema produtivo industrial moderno, que produz uma grande quantidade de recipientes descartáveis, entre plásticos, latas e outros materiais, cujo destino inadequado, abandonados em quintais, ao longo das vias públicas, nas praias e em terrenos baldios, também contribui para a proliferação do inseto transmissor do dengue 21. A dengue mostra-se como um forte problema nos municípios abordados, sendo todos considerados prioritários para o Programa Nacional de Controle da Dengue24. Esta situação pode se agravar, pois com a implantação da refinaria, essas cidades passarão a ser pólos regionais de desenvolvimento, geradores de fluxo populacional, representando um fator de instalação e difusão do vírus da dengue 23. Há infestação por Aedes aegypti em 100% dos municípios do Estado e circulação de três sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3. Em 2002, houve uma grande epidemia de dengue, associada à re-introdução deste último sorotipo, atingindo toda região em questão (tabela 3) 24,25 . Com o aumento da migração há risco de introdução de um novo sorotipo, sendo os municípios abordados mais expostos, pela presença do porto (Porto de Suape) e pela ampliação das estruturas viárias e ferroviárias, incentivada pela implantação da RNEST 22,25. Os dados mostram em toa área estudada, uma queda na incidência para dengue, depois de 2002. Porém, os números ainda são altos e constantes, apontado para falhas nas medidas prevenção e controle da endemia. Que exige um mínimo de saneamento básico, organização e eficácia do sistema de saúde, necessitando, do envolvimento de outros setores da sociedade, particularmente na questão da melhoria das condições de urbanização e de habitação, coleta regular de lixo, abastecimento permanente de água encanada e educação escolar 19, 26. De um modo geral, as medidas de prevenção e controle da dengue têm sido prioritariamente direcionadas ao vetor, sendo sua intervenção feita principalmente pelo uso massivo de inseticida. Há que se considerar que áreas de transmissão do dengue coincidem 16 com as áreas de outros problemas predisponentes (má nutrição, anemia ferropriva, diarréia, entre outros). E diante destes aspectos, o uso de inseticida além de pouco efetivo deveria ser contra-indicado pelo impacto negativo sobre o sistema imunológico. Os projetos de saneamento e as ações de educação estão até hoje em segundo plano e na verdade o programa de controle de dengue e seus ajustes subseqüentes permanecem, de modo geral, paralelos à Atenção Básica à Saúde 21,25. É importante ressaltar que os dados de mortalidade estão incompletos, havendo ainda, uma discordância entre o informado pelo SIM e o informado pelo SINAM da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, sendo isto um reflexo da desorganização e falta de comunicação entre os setores de saúde. ESQUISTOSSOMOSE A esquistossomose é uma das doenças mais difundidas no planeta, constituindo grande problema de saúde pública. Intrinsecamente ligada às maneiras de o homem morar, viver e trabalhar, essa endemia está associada, à pobreza e ao baixo desenvolvimento econômico que gera a necessidade de utilização de águas naturais contaminadas para o exercício da agricultura, trabalho doméstico e/ou lazer. A contaminação das águas procede das fezes humanas infestadas; em paralelo, susceptíveis se contaminam nas águas naturais infestadas por cercárias. O ciclo da doença é relativamente simples (homem-água-caramujo-águahomem), mas, de enorme complexidade social, profundamente adstrito à realidade e às necessidades cotidianas das pessoas 26,27. Paisagisticamente é uma doença de terras boas e bem servidas de água, em regime perene, sendo o contato das pessoas com as essas águas cada vez mais comum. Com o surto de industrialização a demanda de habitações de baixo custo levou ao loteamento dos terrenos anteriormente desprezados, próximos às coleções hídricas 26. A utilização desses terrenos não só trouxe uma população de poucos recursos para a proximidade dos cursos de água, mas também, graças a uma urbanização não planejada, movida pela especulação imobiliária, levou à formação de condições mais propícias à transmissão da esquistossomose. Essas são características comuns dentro do território em estudo, rico em águas, como os afluentes Capibaribe, Ipojuca, Pirapama, Utinga de Cima, Gurjaú, muito utilizados para o trabalho (pesca, agricultura), lazer e para própria moradia (palafitas, invasões) 26, 27, 28,29. A esquistossomose, antes própria do meio rural, tem hoje reconhecido um potencial de disseminação por meio de migrações, passando a ter sua transmissão detectada em cidades de maiores porte. Isso é justificado por serem áreas de maior concentração industrial, ou seja, 17 pólos de atração de correntes migratórias. Destaque-se que embora nas grandes cidades ou capitais, as áreas de infecção sejam raras ou inexistentes no centro e nos bairros onde habita a população com maior poder econômico, as periferias destas, reproduzem as más condições de saneamento que permitem a instalação de novos focos de esquistossomose29, 30, 31. Porém, estudo feito em Ipojuca, Pernambuco, mostrou uma mudança no perfil epidemiológico da doença, atingindo em algumas ocasiões as classes mais favorecidas. Em área rurais, a esquistossomose se apresenta predominantemente sob a forma crônica, incidindo na classe social de baixa renda e tendo como vetor a Biomphalaria straminea. No litoral, a doença é representada por casos agudos em pessoas de classes média e alta, sendo o vetor a Biomphalaria glabrata e geralmente ocasionada por cheias em época de chuva 28. Apesar de notório os sub-registros desta endemia, em todo território estudado, observa-se um aumento no número de casos, podendo-se associar ao vertiginoso crescimento dos exames para detecção da esquistossomose (tabela 2 e 3). Os municípios abordados apresentam casos confirmados, com exceção de Recife, que não faz controle da esquistossomose. Porém, isto não significa ausência da doença, mas, sim, uma debilidade dos sistemas de informação e das ações de vigilância. Pois, apesar de não haver registro no SINAM, há registro no SIM e SIH, com 219 internações no período estudado 15,16,32. Isso se torna mais grave quando se analisa a composição das cidades, que favorece a instalação da endemia; pois, possuem as condições bioecológicas apropriadas para a transmissão: existência de coleções hídricas com o hospedeiro intermediário e clima compatível; e socioecológicas: características ambientais modificadas pela ocupação social do espaço, como as favelas, que com seus esgotos a céu aberto drenando para uma coleção hídrica próxima, constitui-se, num disseminador da doença 28, 33,34. Dentro do contexto de implantação da RNEST, pode ocorrer uma melhora nos índices de morbidade desta doença, devido aos grandes investimentos que serão feitos em saneamento nas cidades atingidas pelo empreendimento¹³. Porém, se for considerado o fato que esses municípios vão se tornar pontos atrativos, que no estado de Pernambuco, a esquistossomose é historicamente endêmica na região rural e que esta endemia vem sofrendo um processo de urbanização, atingido principalmente os menos favorecidos, pode-se concluir que o número de casos venha a aumentar³4. Apesar da vasta bagagem de conhecimento acadêmico e dos avanços da clínica, imunologia e terapêutica da esquistossomose, o controle da endemia ainda se constitui em um desafio para os órgãos governamentais. Os programas de controle, mesmo instrumentalizados 18 com tecnologias eficazes, implementam-se ignorado os determinantes sociais e culturais da endemia, assim como as necessidades e os conhecimentos das populações atingidas²7. Tabela 3. Número de exames para esquistossomose. 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Total Cabo de Santo Agostinho 487 2013 3145 3511 5399 6483 6878 4177 32093 Escada 487 3843 7784 5238 7821 9469 7488 5583 47713 Ipojuca - - - 327 69 4131 4957 6551 16035 487 3843 7784 5291 20385 23208 23869 8259 93126 Moreno - - 9 327 524 7294 8919 9967 27040 Recife - - - - - - - - - Total 1461 9699 18722 14694 34198 46867 52111 34537 216007 Jaboatão dos Guararapes * Fonte: SINAM/GMVEV/DG-VEA/SEVS/Secretaria Estadual de Saúde – PE (-) Não foram fornecidos dados LEISHMANIOSE A leishmaniose é uma é uma zooantroponose, sendo o vetor um mosquito (flebotomíneo) e principal reservatório, o homem²6. Pode se apresentar de duas formas: a leishmaniose tegumentar americana (LTA), não contagiosa de evolução crônica, que acomete as estruturas da pele e cartilaginosas da nasofaringe, de forma localizada ou difusa, causada por várias espécies de protozoários; e a leishmaniose víscera (LV), causada pela Leishmania chagasi, que acomete o sistema linfomonocitário de forma sistêmica, muitas vezes com letal26,35. Sua prevenção é complexa, principalmente quando residências e campos de trabalho (situações de vida e de trabalho) se alocam em encostas de morros e matas que são habitats prediletos do vetor26. Cada vez mais amplia sua área de ocorrência, ultrapassando antigos limites geográficos e tornando-se um sério problema de saúde pública35. É extremamente difundida no País, sobretudo a LTA. Já a LV é considerada endêmica em 19 estados do país, destacando-se aqueles da região Nordeste, responsáveis pela maior parte dos casos notificados 26, 36, 37 . De enfermidade tipicamente rural, passou a urbanizar-se em várias partes do Brasil, como se tratasse de uma ruralização de espaços urbanos periféricos26. O paradigma da endemia rural é substituído pelo da doença associada a modificações ambientais, à ocupação desordenada do espaço urbano e às precárias condições de vida da população exposta ao risco39. 19 Mudanças ambientais têm sido associadas a mudanças no seu perfil epidemiológico com descrições cada vez mais freqüentes de surtos em áreas urbanas e peri-urbanas, sugerindo uma adaptação do vetor, com notável capacidade de domiciliação, e de todo seu ecossistema a essas regiões38. Nesses casos, o surgimento da infecção está primariamente relacionado com o processo migratório e com aglomerados semi-urbanizados. A pobreza agrava a situação de morbidade e mortalidade desta endemia. Muitas famílias vindas do interior se estabelecem na periferia das cidades de médio e grande porte, formando aglomerados densamente povoados que apresentam precárias condições de infra-estrutura e saneamento básico, ficando expostas a presença de animais sinantrópicos e consequentemente da doença. Outro fator é que crianças que periodicamente, apresentam-se mal nutridas, favorecem sobremaneira a expressão e o agravamento da leishmaniose37, 39. Casas de barro e outras habitações precárias, ocupando de forma desorganizada o espaço situado no limite da cidade com a mata, favorecem o contato reservatório-vetorhomem e, por conseguinte, o surgimento de casos, contribuindo, portanto, para o aumento da incidência da doença. Nas cidades diversos fatores servem de estímulo para a domiciliação do flebótomo, contribuindo para a ocorrência de transmissão ativa urbana: pobreza, desnutrição, grande número de cães infectados, oferta de fontes alimentares humanas e animais, arborização abundante em quintais, potenciais criadouros de insetos e acúmulo de lixo, presença de abrigos de animais silvestres no perímetro urbano, revelando uma doença de íntimas relações com as condições sociais as quais os indivíduos estão submetidos 36. Da mesma forma, a construção de novas estradas (rodovias e ferrovias) expõe os indivíduos não imunes e desprotegidos (madeireiros, lavradores, ecologistas) a vetores nativos e seus parasitas. Na região de SUAPE, as ampliações das vias (BR-101, BR-232, PE-60), que irão dar acesso ao empreendimento, representam importantes vias para o fluxo da população e constituem bons exemplos desse processo. As áreas desmatadas de mangue e mata atlântica, tanto para construção das rodovias, como moradia da população os torna mais expostos 34,37 . Assim, à proporção que o conjunto das atividades humanas se intensifica nessas áreas endêmicas, o padrão da infecção leishmaniótica tende a mudar, como uma resposta natural dos elos da cadeia epidemiológica diante das pressões antrópicas produzidas. A entrada de novos migrantes, sem imunidade à picada dos vetores antropofílicos e aos parasitas, os tornam vulneráveis às infecções, abrindo a possibilidade de novos surtos epidêmicos39. Em Pernambuco houve uma acentuada expansão geográfica da doença. Além do surgimento de novos focos, foi observada a persistência das antigas áreas de ocorrência, sendo isto associado ao intenso fluxo migratório intermunicipal. Estes movimentos populacionais 20 permitem tanto a introdução do agente causador da leishmaniose em áreas livres, quanto à inserção de indivíduos susceptíveis em áreas endêmicas 37, 39. Notam-se altas taxas de incidências, sendo os municípios como Cabo de Santo Agostinho e Moreno, que possuem áreas de mata próximas ao aglomerado urbano, com os maiores números (tabela 3). Os dados fornecidos de mortalidade pelo SIM, não especificavam qual o tipo de leishmaniose ocorrida, porém, o SINAM informou que não há registro de mortalidade por leishmaniose tegumentar americana, na região estudada, levando a conclusão que as mortes registradas eram devidas à leishmaniose visceral. É válido destacar que, apesar das incidências serem maiores na LTA, a mortalidade por LV pode ser associada a sua maior gravidade (tabela 4). Contudo, estes dados não são totalmente confiáveis, pois, o total de mortes informadas pelo SINAM não são compatíveis com os do SIM, demonstrando uma fragilidade no sistema de informação. Este quadro tende a piorar, se com a implantação da refinaria não houver a formação de políticas públicas de controle da urbanização, já que de fato, a maioria dos casos está associada à pressão antrópica sobre o ambiente e ocupação desordenada do espaço físico. A escassez de recursos e a atual falta de infra-estrutura dos serviços de saúde tornam as atuais medidas de controle pouco factíveis. Esse quadro vem favorecendo a perpetuação do ciclo vicioso entre pobreza e doença, muitas vezes, negligenciada37. LEPTOSPIROSE A leptospirose, uma das zoonoses mais difundidas no mundo, é endêmica no Brasil, sendo comum a ocorrência de surtos epidêmicos nas épocas de maior precipitação pluviométrica. É uma doença aguda e endêmica, transmitida sendo as águas superficiais contaminadas com Leptospira interrogans, eliminadas pela urina de ratos infectados, a principal via de transmissão da enfermidade para o homem e para os animais40,41. A manutenção de leptospira nas regiões urbanas e rurais do Brasil é favorecida pelo clima tropical úmido e uma vasta população de roedores. O seu ciclo de transmissão envolve a interação entre reservatórios animais, um ambiente favorável e grupos humanos suscetíveis. Os fatores de risco associados à infecção dependem, portanto, de características da organização espacial, dos ecossistemas e das condições de vida e trabalho da população40. Nos centros urbanos, a deficiência de saneamento básico constitui fator essencial para a proliferação de roedores. Portanto, os grupos socioeconômicos menos privilegiados, com dificuldade de acesso à educação e saúde, habitando moradias precárias, em regiões periféricas às margens de córregos ou esgotos a céu aberto, expostos com freqüência a 21 enchentes, são os que apresentam maior risco de contrair a infecção37. Em suma, a doença tem um forte significado sócio–econômico–cultural, e é difundida por fatores como o crescimento desordenado de grandes centros urbanos, as migrações, as deficiências nas condições de saneamento básico e o acúmulo desordenado de lixo 41,42. Os municípios abordados tem características importantes que favorecem a propagação da doença, como o clima, presença de áreas sujeitas a inundações e carências habitacionais e de saneamento13, 29. O previsível desenvolvimento econômico, trazido pela implantação da Refinaria em Pernambuco, tende a estimular a migração, agravando a situação epidemiológica da leptospirose. Pois, estudos demonstram que mudanças sem planejamento adequado nas cidades têm contribuído para a ocorrência de inundações e a conseqüente disseminação de doenças infecciosas40,43. Adensamentos urbanos modernos são marcados por uma grande rede de vias públicas que facilitam a circulação de bens e de pessoas, mas exigem a crescente utilização de asfalto e concreto que reduzem a capacidade de absorção d’água diretamente pelo solo, dificultando o escoamento de águas das chuvas pelas galerias pluviais. Soma-se a esse aspecto o problema de destinação do lixo, com acondicionamento incorreto em terrenos baldios ou mesmo em espaços públicos. Em época de chuva, o lixo acumulado nas ruas é carregado até as galerias pluviais, entupindo-as. O solo impermeabilizado, incapaz de absorver as águas da chuva, aumenta o volume hídrico nas vias públicas favorecendo a ocorrência de inundações incontroláveis43. As taxas de incidência e mortalidade da leptospirose em todo território se mostra de forma constante, evidenciando falhas nas medidas de controle (tabela 3 e 4). Deste modo, o cuidado com esta endemia tem que ser baseado em intervenções sobre um ou mais elos conhecidos da cadeia epidemiológica que sejam capazes de vir a interrompê-la, devendo levar em consideração fatores como o local de moradia dos indivíduos e suas relações com as fontes de contágio, o crescimento populacional, a altimetria, os principais cursos de água e ausência de redes de esgoto40,43. TUBERCULOSE Em termos clássicos, a tuberculose é descrita como uma doença crônica, infectocontagiosa, cujo agente etiológico é o Mycobacterium tuberculosis. Sua transmissão se dá por via inalatória, a partir de aerossóis durante o ato da tosse, fala e espirro de pessoas eliminadoras de bacilos. Clinicamente divide-se em duas formas: extra-pulmonar (pleural, linfática, gênito-urinária, miliar, osteo-articular e meningite) e a pulmonar (Benenson, 1983). 22 Em relação à sua ocorrência, apresenta distribuição universal, tendo como principal reservatório o homem44. A tuberculose é um grave problema de Saúde Pública, principalmente na idade mais produtiva das pessoas, destruindo a vida dos cidadãos mais frágeis socialmente. Tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo em países desenvolvidos ou de economias emergentes, mas que expõem contrastes profundos de desenvolvimento, estando a doença associada a altos indicadores de pobreza 45. Recentemente em várias partes do mundo, inclusive nos países mais industrializados, houve um ressurgimento da tuberculose com um aumento no número de casos de modo consistente, com evidência de que esse incremento continuará. Embora a tuberculose seja um problema geral da civilização, atingindo indistintamente as pessoas, ela guarda importantes características sociais¹¹. A OMS assinala como principais causas para a gravidade da situação atual da tuberculose no mundo os seguintes fatos: desigualdade social, advento da AIDS, envelhecimento da população, grandes movimentos migratórios45. Tudo indica que seus riscos ampliaram na proporção do adensamento das populações. A urbanização, com a decorrente aproximação e a convivência prolongada dos indivíduos, tem sido importante fator de multiplicação da tuberculose. Além do movimento histórico da tuberculose, ela tem mostrado grande desenvolvimento de acordo com o ambiente social, pois, os elementos que traduzem este, estão intimamente afetados na transmissão e evolução da doença ¹¹. Nos espaços urbanos os seguintes locais tem alto potencial de reprodução da tuberculose: as favelas, mocambos, alagados, invasões, populações agrupadas em calamidades públicas, populações que vivem em ambientes socialmente fechados (escola, creches, presídios, casas correcionais, abrigos sociais ou idosos etc.). Na esfera do indivíduo são fatores associados à tuberculose: infecção pelo HIV, adoecimento por sarampo, desnutrição, alcoolismo crônico e uso de drogas imunossupressoras¹¹. Apresenta como problema principal, no Brasil, o binômio: cobertura do diagnóstico e continuidade terapêutica. A presença de forma estável desta endemia e as altas taxas de incidência e mortalidade observadas em todo território durante todo o período estudado, demonstra bem essa situação (tabela 3 e 4). Diagnosticar e tratar o mais rápido possível a tuberculose é uma grande medida prática para salvar vidas e recuperar a saúde dos enfermos ¹¹, 26. Há problemas sérios na área da saúde pública. O primeiro deles é a continuidade dos programas. O segundo, a adequação das propostas. Os fatores prognósticos para insucesso do 23 tratamento da tuberculose pulmonar entre os indivíduos geralmente estão interrelacionados, sendo de natureza biológica, clínica e social. Às vezes, as propostas focalizam o problema da tuberculose como se ele representasse apenas um somatório dos tuberculosos existentes, mas na realidade, o problema inclui fundamentalmente a área social. Para o tuberculoso, a solução implica o uso de esquemas terapêuticos eficazes (tipo RMP+ INH+ PZA). Para a tuberculose, a solução exige programas que visem uma qualidade de vida mais adequada 45, 46, 47. Pernambuco é o terceiro Estado brasileiro em caso de incidência de tuberculose, existindo 15 municípios prioritários para o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), destes incluem-se: Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes e Recife. Observa-se uma alta taxa de incidência e mortalidade em todos os municípios abordados, principalmente em Recife. Considerando que este município irá importar muito dos trabalhadores do empreendimento em questão, pode-se prever um aumento na propagação desta endemia. Merecendo destaque o município de Escada, pois, apesar de não fazer parte dos PNCT, tem seus coeficientes altos, muitas vezes ultrapassando outros que fazem parte do programa, mostrando uma falha nos programas de vigilância 46. É preocupante a influência que a refinaria pode gerar ao tipo de urbanização que ocorrerá nos locais estudados, pois, mesmo com todas as medidas de tratamento, ela não será eficaz se não forem promovidas melhorias sócio-econômicas. As condições de pobreza reduzem a imunidade; a alimentação inadequada aumenta o risco de efeitos adversos dos quimioterápicos e, consequentemente o abandono do tratamento, além da doença estar associada a fatores como alcoolismo, grandes concentrações e aglomerações urbanas ¹¹, 47. Tabela 3. Coeficiente de Incidência por 100.000 habitantes, por causas específicas segundo ano de ocorrência – Recife e Território Estratégico de Suape 2001 a 2008* 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Recife 208,1 2413,7 10,5 9,3 34,8 72,8 50,3 217,0 TES 47,4 1568,6 66,4 312,0 65,3 119,3 293,5 230,4 Recife - - - - - - - - TES 23,2 375,4 691,0 312,0 521,4 696,1 520,3 320,8 Recife 1,9 2,9 0 1,4 0,9 20,3 0,3 0,1 TES 49,6 102,3 31,8 90,4 45,9 90,3 14,5 4,8 Recife 0,1 0,1 0,1 0,3 0,1 0 0,1 0,2 TES 0,2 0,2 0 0,1 0,4 0,4 0,2 0,1 Recife 6,7 9,2 4,0 8,9 7,4 5,7 4,2 5,6 TES 11,6 7,4 6,0 7,7 6,2 4,5 3,9 3,2 Recife 85,4 93,0 105,2 112,9 114,3 97,3 99,5 102,7 DENGUE ESQUISTOSSOMOSE LEISHMANIOSE TEG. AMERICANA LEISHMANIOSE VISCERAL LEPTOSPIROSE TUBERCULOSE 24 TES 55,5 60,8 59,5 55,0 58,4 55,8 49,8 54,0 * Fonte: SINAM/GMVEV/DG-VEA/SEVS/Secretaria Estadual de Saúde – PE (-) Não foram fornecidos dados Tabela 4. Taxa de Mortalidade por 100.000 habitantes, por causas específicas segundo ano de ocorrência – Recife e Território Estratégico de Suape (TES) 2001 a 2008* 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Recife 0,1 1,0 0 0,1 0 0,1 0,2 1,6 TES 0 0,3 0 0 0 0,1 0,6 0,7 Recife 2,0 1,7 2,2 2,7 2,1 0 0 0 TES 1,6 2,7 2,3 2,4 2,2 3,2 2,6 3,1 Recife 0 0 0 0,1 0 1,8 2,8 2,1 TES 0,1 0,2 0 0 0 0,1 0 0 Recife 1,1 1,1 0,6 1,3 0,8 0,9 0,8 0,5 TES 1,0 1,1 0,7 1,2 0,9 0,7 0,6 0,3 Recife 11,8 9,0 10,1 9,7 8,5 9,0 8,1 7,2 TES 7,3 7,2 6,2 7,2 6,1 5,6 6,5 5,2 DENGUE ESQUISTOSSOMOSE LEISHMANIOSE LEPTOSPIROSE TUBERCULOSE * Fonte: SIM/GMVEV/DG-VEA/SEVS/Secretaria Estadual de Saúde – PE 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os avanços tecnológicos possibilitaram o desenvolvimento da sociedade moderna. Este desenvolvimento, baseado na economia capitalista, vem ocasionando um distanciamento da relação homem-natureza. É inegável que o modelo de desenvolvimento atual vem ignorando o princípio da sustentabilidade, causando impactos de ordem social, econômica e ambiental, que reflete na saúde da população. Apesar de vários estudos mostrarem que a saúde está intimamente ligada ao ambiente, ainda é falho o envolvimento de temas relacionados a ela com os impactos que um empreendimento pode causar, sendo ignorado inclusive pelas autoridades sanitárias, que acabam fracassando nos processos de prevenção das doenças. A indústria petrolífera tem um elevador poder econômico e traz consigo as mudanças estruturais nos municípios influenciados pelo empreendimento, incentivando a urbanização descontrolada. Em geral, esses locais se tornam pólos regionais de desenvolvimento geradores de um fluxo populacional que pode representar um fator de difusão pra várias endemias, conferindo a tais locais uma grande importância estratégica no combate a elas. Pode-se concluir que as características socioeconômicas da população vêm a determinar a ocupação do solo nestas cidades. Esta condição se expressa nas condições de vida dos moradores, refletindo no modo de reprodução das endemias e na distribuição desigual dos diferentes grupos de risco, demonstrando a complexidade dos problemas sociais e políticos que afetam a qualidade ambiental e de vida. As endemias abordadas recrudesceram no Estado nos últimos anos, em virtude de intensa movimentação humana e de incapacidade das vigilâncias quando da ameaça de sua reintrodução, sendo a implantação da refinaria um fator agravante para este quadro. Por isso, a importância de se lançar um olhar mais atento nos municípios que serão afetados pelo empreendimento. As ações das vigilâncias têm que se adequar às mudanças sócio-ambientais sofridas pela população, ou seja, a prevenção e controle devem ser estabelecidos com base nos conhecimentos científicos e técnicos disponíveis, levando em consideração fatores não só de ordem biológica, mas, também históricas, políticas, culturais e econômicas. Fazendo-se necessário um trabalho integrado, intersetorial e com fortalecimento das organizações sociais Casos destas endemias podem evidenciar a vulnerabilidades dos serviços de saúde e de programas preventivos, devendo ser encarados como eventos sentinela de condições sócioambientais desfavoráveis. Algumas limitações estiveram presentes neste estudo. Os casos aqui incluídos correspondem a dados secundários da SES-PE, onde se pode observar algumas falhas em relação à notificação das endemias, indicando fragilidade dos sistemas de 26 informação. Portanto, é provável que, alguns casos não tenham sido notificados, escondendo a real magnitude do problema. Mas, serve de alerta para a necessidade de novas investigações sobre o tema, com ênfase na definição das áreas de risco, na formação de políticas públicas e ações das vigilâncias que avaliem o real impacto de um novo empreendimento sobre a incidência de doenças na população. 27 REFERÊNCIAS 1. Petrobras. Sonho Concretizado. Petrobras Magazine, ed. 48, 2007 [acessado 2009 dez 01]. Disponível em: http://www2.petrobras.com.br//PetrobrasMagazine/pm48/port/sonho_3.html. 2. Suape. Complexo Industrial Portuário. Complexo de Suape [acessado 2010 Fev 01]. Disponível em: http://www.suape.pe.gov.br/complexo_suape.asp.html. 3. Ferreira JDA, Azevedo PV, Farias MSS, Lira VM. Determinação da Vulnerabilidade Ambiental na Vila dos Teimosos, Campina Grande – PB. Uberlândia: Caminhos da Geografia, 2008. v.9, n.25 p.115-120 [acessado 2010 Jan 13]. Disponível em: http://www.ig.ufu.br/revista/caminhos.html. 4. 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Salud Publica 2001; 9(6): 368-74. 31 APÊNDICE A - LEVANTAMENTO DE CARÊNCIAS HABITACIONAIS DE RECIFE E DOS MUNICÍPIOS DO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE Cabo de Santo Agostinho Favelas ou assemelhados – existência Cadastro de favelas ou assemelhados - existência Grau de abrangência do cadastro de favelas ou assemelhados Ano da última atualização do cadastro de favelas ou assemelhados Número de favelas ou assemelhados cadastrados Número de domicílios em favelas ou assemelhados cadastrados Cortiços - existência Cadastro de cortiços – existência Grau de abrangência do cadastro de cortiços Ano da última atualização do cadastro de cortiços Número de cortiços cadastrados Loteamentos clandestinos existência Cadastro de loteamentos clandestinos - existência Grau de abrangência do cadastro de loteamentos clandestinos Ano da última atualização do cadastro de loteamentos clandestinos Número de loteamentos clandestinos cadastrados Loteamentos irregulares existência Cadastro de loteamentos irregulares - existência Grau de abrangência do cadastro de loteamentos irregulares Ano da última atualização do cadastro de loteamentos irregulares Número de loteamentos irregulares cadastrados Sim Sim Escada Não sabe informar Não Aplicável Ipojuca Jaboatão dos Guararapes Moreno Recife Sim Sim Sim Sim Não Sim Não Sim Total Não Aplicável Não Aplicável Parcial Não Aplicável Parcial 2000 Não Aplicável Não Aplicável 2000 Não Aplicável 1999 22 Não Aplicável Não Aplicável 32 Não Aplicável 421 1500 Não Aplicável Não Aplicável Não Disponível Não Aplicável 154280 Sim Não Sim Sim Sim Não Não Não Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não sabe informar Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não sabe informar Sim Sim Não Não Aplicável Não Sim Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Parcial Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável 2001 Não Aplicável Não sabe informar Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Sim Não sabe informar Sim Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Sim Sim Sim Sim Não Total 2001 Não Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável 3 Sim Sim Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não Aplicável Não sabe informar Não Aplicável Ignorado Sim Sim Total Não Aplicável Total Não Aplicável Não Aplicável Parcial 2001 Não Aplicável 2001 Não Aplicável Não Aplicável 2001 34 Não Aplicável 3 Não Aplicável Não Aplicável Ignorado Fonte: IBGE, Perfil dos Municípios Brasileiros – Gestão Pública, 2001 APÊNDICE B - NÚMERO DE CASOS E COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA POR 100 MIL HABITANTES, POR CAUSAS ESPECÍFICAS SEGUNDO ANO DE OCORRÊNCIA – RECIFE E MUNICÍPIOS DO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE 2001 A 2008* DENGUE Casos Cabo 2001 Incidênc. 2002 2003 Incidênc. Casos Incidênc. Casos 2945,1 327 203,1 2004 2005 2006 2007 Incidênc. Casos Incidênc. Casos Incidênc. Casos Incidênc. Casos 73 43,9 216 127,6 416 241,6 1913 1172,6 Casos 312 200,0 4666 Escada 28 48,8 135 234,1 18 31,1 0 0,0 1 1,7 16 27,4 6 10,0 3 4,8 Ipojuca 56 91,9 668 1074,0 55 86,5 16 24,1 281 413,5 57 82,0 53 75,6 18 294,4 Jaboatão 18 3,0 8737 1452,7 187 30,6 41 6,5 144 22,5 646 99,2 866 130,1 1462 215,5 Moreno Recife 678 2008 Incidênc. 398,9 21 41,7 398 775,5 41 78,4 2 3,7 6 10,8 68 120,0 130 246,1 34 61,7 2991 208,1 34978 2413,7 154 10,5 138 9,3 522 34,8 1103 72,8 771 50,3 3363 217,0 ESQUISTOSSOMOSE Cabo 71 45,5 713 450,0 940 584,0 708 425,8 825 487,5 602 349,7 948 581,1 456 268,3 Escada 71 123,7 1391 2412,5 2796 4837,1 1093 1880,9 1530 2625,2 1704 2915,3 1165 1946,5 874 1406,0 Ipojuca - - - - - - 73 110,0 4 5,9 869 1249,9 591 843,4 371 501,0 Jaboatão 71 12,0 1391 231,3 2796 457,9 1096 174,0 2781 434,0 2743 421,1 1891 284,2 967 142,6 Moreno - - - - 0 0,0 73 134,3 31 55,8 1100 1941,7 667 1262,5 667 1210,5 Recife - - - - - - - - - - - - - - - - LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA Cabo 266 170,5 581 366,7 147 91,3 616 370,4 182 107,5 672 390,4 53 32,5 3 1,8 Escada 42 73,2 14 24,3 42 72,7 84 144,6 56 96,1 28 47,9 64 106,9 13 20,9 Ipojuca 7 11,5 182 292,6 28 44,1 21 31,6 21 30,9 14 20,1 3 4,3 6 8,1 Jaboatão 28 4,7 14 2,3 7 1,1 14 2,2 28 4,4 84 12,9 7 1,1 4 0,6 Moreno 112 222,2 161 313,7 77 147,2 147 270,4 168 302,6 112 197,7 20 37,9 24 43,6 Recife 28 1,9 42 2,9 0 0,0 21 1,4 14 0,9 308 20,3 5 0,3 2 0,1 LEISHMANIOSE VISCERAL Cabo 1 0,6 0 0,0 1 0,0 0 0,0 1 0,0 0 0,0 1 0,0 0 0,0 Escada - - - - - - - - - - - - - - - - Ipojuca 0 0,0 1 1,6 0 0,0 0 0,0 3 4,4 4 5,8 2 2,9 1 1,4 Jaboatão 1 0,2 1 0,2 0 0,0 1 0,2 1 0,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Moreno - - - - - - - - - - - - - - - - Recife 1 0,1 2 0,1 2 0,1 4 0,3 1 0,1 0 0,0 2 0,1 3 0,2 LEPTOSPIROSE Cabo 16 10,3 9 5,7 14 8,7 11 6,6 10 5,9 9 5,2 9 5,5 5 2,9 Escada 8 13,9 7 12,1 1 1,7 4 6,9 9 15,4 1 1,7 3 5,0 2 3,2 Ipojuca 2 3,3 0 0,0 0 0,0 0 0,0 2 2,9 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Jaboatão 73 12,3 51 8,5 39 6,4 55 8,7 31 4,8 31 4,8 24 3,6 23 3,4 Moreno 7 13,9 2 3,9 3 5,7 5 9,2 9 16,2 4 7,1 3 5,7 3 5,4 Recife 97 6,7 134 9,2 59 4,0 132 8,9 111 7,4 86 5,7 65 4,2 87 5,6 TUBERCULOSE Cabo 85 54,5 88 55,5 108 67,1 92 55,3 103 60,9 101 58,7 99 60,7 101 59,4 Escada 28 48,8 39 67,6 28 48,4 21 36,1 30 51,5 18 30,8 25 41,8 27 43,4 Ipojuca 39 64,0 32 51,4 24 37,8 16 24,1 45 66,2 36 51,8 23 32,8 33 44,6 Jaboatão 337 56,9 391 65,0 387 63,4 392 62,2 381 59,5 382 58,6 332 49,9 385 56,8 Moreno 20 39,7 16 31,2 15 28,7 15 27,6 20 36,0 27 47,7 25 47,3 15 27,2 1228 85,4 1348 93,0 1538 105,2 1678 112,9 1715 114,3 1474 97,3 1526 99,5 1592 102,7 Recife * Fonte: SINAM/GMVEV/DG-VEA/SEVS/Secretaria Estadual de Saúde – PE (-) Não foram fornecidos dados APÊNDICE C - NÚMERO DE ÓBITOS E TAXA DE MORTALIDADE POR 100 MIL HABITANTES, POR CAUSAS ESPECÍFICAS SEGUNDO ANO DE OCORRÊNCIA – RECIFE E MUNICÍPIOS DO TERRITÓRIO ESTRATÉGICO DE SUAPE 2001 A 2008* DENGUE 2001 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2002 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2003 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2004 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2005 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2006 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2007 Taxa Nº de de óbitos Mort. 2008 Taxa Nº de de óbitos Mort. Cabo 0 0,0 3 1,9 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Escada - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Ipojuca - - - - - - - - - - Jaboatão 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0 1 0,2 6 0,9 7 1,0 Moreno - - - - - - - - - - - - - - - - Recife 2 0,1 14 1,0 0 0,0 1 0,1 0 0,0 2 0,1 3 0,2 25 1,6 ESQUISTOSSOMOSE Cabo 5 3,2 3 1,9 9 5,4 6 3,6 3 1,8 9 5,2 3 1,8 8 4,7 Escada 1 1,7 8 13,9 7 12,1 0 0,0 3 5,1 6 10,3 4 6,7 4 6,4 Ipojuca 1 1,6 2 3,2 0 0,0 2 3,0 2 2,9 0 0,0 3 4,3 4 5,4 Jaboatão 6 1,0 11 1,8 6 1,0 11 1,7 11 1,7 16 2,5 15 2,3 13 1,9 Moreno 2 4,0 1 1,9 0 0,0 4 7,4 3 5,4 1 1,8 1 1,9 3 5,4 Recife 29 2,0 25 1,7 32 2,2 40 2,7 32 2,1 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,6 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 LEISHMANIOSE Cabo Escada - - - - - - - - - - - - - - - - Ipojuca 0 0,0 2 3,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 1,4 0 0,0 0 0,0 Jaboatão - - - - - - - - - - - - - - - - Moreno - - - - - - - - - - - - - - - - Recife 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,1 0 0,0 28 1,8 43 2,8 32 2,1 LEPTOSPIROSE Cabo 1 0,6 3 1,9 3 1,8 3 1,8 3 1,8 0 0,0 2 1,2 2 1,2 Escada 1 1,7 2 3,5 0 0,0 0 0,0 2 3,4 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Ipojuca 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 1,5 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Jaboatão 5 0,8 5 0,8 4 0,7 8 1,3 3 0,5 6 0,9 4 0,6 1 0,1 2 4,0 0 0,0 0 0,0 1 1,8 0 0,0 1 1,8 0 0,0 0 0,0 1,1 16 1,1 9 0,6 20 1,3 12 0,8 13 0,9 12 0,8 7 0,5 Moreno Recife 16 TUBERCULOSE Cabo 11 7,1 6 3,8 13 7,8 9 5,4 13 7,7 9 5,2 6 3,7 10 5,9 Escada 6 10,5 4 6,9 2 3,5 2 3,4 0 0,0 2 3,4 2 3,3 5 8,0 Ipojuca 4 6,6 3 4,8 3 4,7 2 3,0 4 5,9 2 2,9 4 5,7 1 1,4 Jaboatão 43 7,3 52 8,6 40 6,6 57 9,0 40 6,2 42 6,4 52 7,8 34 5,0 Moreno Recife 3 6,0 2 3,9 1 1,9 0 0,0 3 5,4 3 5,3 2 3,8 4 7,3 169 11,8 131 9,0 147 10,1 144 9,7 128 8,5 136 9,0 124 8,1 111 7,2 * Fonte: SIM/GMVEV/DG-VEA/SEVS/Secretaria Estadual de Saúde - PE (-) Não foram fornecidos dados.