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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
O Orientador Educacional e sua Atuação no Processo
Avaliativo
Uma Reflexão Transformada em Ação
Apresentação de monografia à Universidade Candido
Mendes
como requisito parcial para obtenção do grau de
especialista
em Orientação Educacional.
Por: IRAILDES SANTANA
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“As escolas deveriam entender
mais de seres humanos e de
amor do que de conteúdos e
técnicas educativas. Elas têm
contribuído em demasia para a
construção de neuróticos por
não entenderem de amor, de
sonhos,
de
fantasias,
de
símbolos e de dores.” CLÁUDIO
SANTINI
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AGRADECIMENTOS
... Ao meu mestre Jesus,
... Aos meus queridos pais,
... Ao meu querido companheiro,
... À minha querida orientadora do curso.
5
DEDICATÓRIA
... A todos os professores-educadores,
... A todos os alunos,
... A um ser humano melhor.
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RESUMO
O tema deste estudo é o Orientador Educacional e sua atuação no processo
avaliativo.
A importância deste profissional no ambiente escolar é reconhecido por todos os
envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Portanto, vale ressaltar que a
atribuição do Orientador Educacional com o auxílio dos demais educadores é o
desafio de fazer da escola um ambiente adequado e agradável para todos e,
sobretudo fazer dela uma instituição educativa, no sentido mais amplo do termo.
Para que ocorra este ambiente, é correto admitir que a avaliação é essencial à
educação. Inerente e indissociável enquanto concebida como questionamento,
reflexão sobre a ação. Educar é fazer ato de sujeito, é problematizar o mundo em
que vivemos para superar as contradições, comprometendo-se com esse mundo
para recriá-lo constantemente.
A necessidade da elaboração desse trabalho deve-se à inquietação sofrida por
muitos professores quando o assunto é o sistema de avaliação de aprendizagem
escolar. Busca investigar e analisar pensamentos e ações pedagógicas, que
possam contribuir para a postura crítica e eficaz do professor, a fim de favorecer a
aprendizagem e recuperar a auto-estima dos alunos, formando cidadãos
autônomos, críticos e sujeitos comprometidos com a construção de um mundo
mais humano.
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METODOLOGIA
A pesquisa para que possa ser qualificada como científica precisa ser conduzida de
maneira sistematizada e procurar um conhecimento que se refira à realidade. O
pesquisador estuda a realidade sob os mais variados aspectos, com distintos
objetivos e diversos níveis de profundidade.
Esta pesquisa foi bibliográfica, pois investigou o problema a partir do referencial
teórico existente nas fontes de pesquisa. Trabalha com fontes bibliográficas, isto é,
com informações contidas em livros, publicações, revistas, jornais, internet e outros.
As fontes teóricas têm como autores: Paulo Freire, Vasconcelos, Luckesi, Hoffman,
Gadotti, Joel Martins, Vygotsky, Jean Piaget... Foi também uma pesquisa
documental, pois investigou a realidade presente. Estudou documentos com o fim
de descrever e comparar tendências, usos e costumes. Foi também uma pesquisa
de estudo de campo, pois foram registradas observações espontâneas, na coleta de
dados e registro de variáveis consideradas significativas para posteriores análises.
Neste estudo foi aplicada a técnica da entrevista para a coleta de dados.
Este trabalho foi desenvolvido em uma escola pública de Salvador (BA), onde foram
entrevistados 10 (dez) professores. O estudo foi realizado no período de agosto a
outubro de 2008.
Alguns professores foram ouvidos e suas respostas foram registradas, seguindo um
roteiro de entrevistas. Além de entrevistas esses professores foram observados no
seu dia-a-dia em sala de aula, visando verificar sua postura diante dos alunos, sua
postura diante da correção de tarefas e sua atitude com relação aos erros cometidos
pelos alunos. Na sala dos professores, eles também foram observados nas
conversas e discussões aguçadas pelas situações que permeiam o processo de
avaliação. Os dados da entrevista foram agrupados de acordo com a semelhança
das respostas dadas para que se possa obter uma interpretação e análise apurada
dos resultados. Esses resultados foram confrontados com os registros de
observação, visando a coerência ou não da prática com as idéias dos profissionais
de educação.
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ......................................................... 9
2. ORIENTADOR EDUCACIONAL
2.1 O Papel do Orientador Educacional................... 11
2.2 Acompanhamento e Aconselhamento
em Orientação Educacional............................... 13
2.3 Desafios da Teoria e da Prática ........................ 15
2.4 Refletindo sobre a Escola ............................... 17
3. UMA REFLEXÃO TRANSFORMADA EM AÇÃO
3.1 As Modalidades da Avaliação ........................... 19
3.2 Como Avaliar .................................................... 21
3.3 O Professor e a Avaliação:
Companheiros Inseparáveis .............................. 23
3.4 O Ato de Avaliar................................................ 25
3.5 O “erro” como fonte de aprendizagem ............. 27
4..RELEVÂNCIA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
NA PRÁTICA AVALIATIVA PARA A
FORMAÇÃO DO HOMEM
4.1 Integração Professor-Aluno ............................. 30
4.2 Integração Aluno-Aluno.................................... 33
4.3 Integração Escola-Família............................... 34
4.4 Avaliação Escolar na Escola de Hoje.............. 35
4.5 Alternativas Pedagógicas aos Educadores
na Prática Avaliativa........................................ 38
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................... 41
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................... 43
7. ANEXOS................................................................ 44
8. ÍNDICE .................................................................... 49
9. FOLHA DE AVALIAÇÃO ......................................... 50
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INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância do Orientador Educacional
no ambiente escolar partindo do pressuposto, que se faz necessário uma
educação que conceba o indivíduo de maneira integral – considerando os aspectos
físicos, emocionais, cognitivos e sociais que podem interferir no processo de
desenvolvimento e da aprendizagem humanas – este profissional precisa trabalhar
em parceria com os demais profissionais da escola, bem como com os alunos e a
comunidade, fomentando uma prática educativa crítica, criativa, reflexiva e
emancipatória. Sendo um ser em formação, o aluno necessita de orientação de
diferentes instituições, desde a família até a igreja ou o clube que eventualmente
possa freqüentar. No que se refere à família – a principal instituição educativa –
deve-se lembrar que o despreparo dos pais e a possibilidade cada vez maior de
que a mulher se ausente de casa a fim de trabalhar contribuem para que os
genitores ou responsáveis tenham menores condições e disponibilidade na
orientação dos filhos. Por outro lado, como o aluno passa, quase sempre, um
grande número de horas na escola, e como esta é a instituição mais bem
aparelhada para exercer influência sistemática na educação dos jovens, espera-se
dela, hoje, bem mais do que a transmissão de conhecimentos. Entretanto, algumas
características do nosso sistema educacional – baixo rendimento de aprendizagem
e, logicamente altos índices de repetência e de evasão – revelam que a mesma
não está sequer realizando, a contento, a sua tarefa precípua, que é o ensino.
Dada a complexidade dessa problemática e considerando que são numerosos e
diversificados os fatores que causam o fracasso escolar, conclui-se que a
educação não pode se esgotar unicamente na relação professor-aluno. Então o
Orientador Educacional atua como facilitador sistemático e contínuo dando
assistência profissional por meio de métodos e técnicas pedagógicas e/ou
psicológicas, exercida direta ou indiretamente sobre os alunos, levando-os ao
conhecimento de suas características pessoais e do ambiente sócio cultural, a fim
de que possam tomar decisões apropriadas às melhores perspectivas de seu
desenvolvimento pessoal e social.
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Busca-se através deste estudo, proporcionar condições para refletir sobre a
avaliação como uma ação de acompanhamento e não de julgamento, das
possibilidades e dificuldades do educando e do educador, e de como esse
processo pode acontecer de maneira significativa, não se esquecendo que a
avaliação não pode ser vista como um fim, mas um meio para que se permita
verificar até que ponto os objetivos estão sendo alcançados. Para que isto
aconteça o Orientador Educacional objetiva, essencialmente, desenvolver uma
reflexão crítica da realidade educacional e explicitar as suas possíveis
contribuições para a melhoria das condições da escola e da qualidade da
educação.
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2 . O ORIENTADOR EDUCACIONAL
2.1 O Papel do Orientador Educacional
Segundo o Decreto nº 72.846 de 26 de setembro de 1973, regulamentada pela Lei
nº 5.564, de 21/12/68 provê o exercício da profissão de Orientador Educacional.
De acordo com o Art. 1º constitui o objeto da Orientação Educacional a assistência
ao educando, individualmente ou em grupo, no âmbito do ensino de 1º e 2º graus,
visando o desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade,
ordenando e integrando os elementos que exercem influência em sua formação e
preparando-o para o exercício das opções básicas.
A orientação é um processo educativo individualizado de ajuda ao educando, em
sua progressiva realização pessoal, através da livre escolha de valores de cada
educando, e exercido intencionalmente por educadores em diversas situações.
Desta forma, o orientador faz com que o orientando descubra por si mesmo os
valores para a sua realização pessoal, através das escolhas que irão configurar o
seu futuro. A função do orientador é importante na democratização da escola,
considerado um agente de mudanças
O papel do Orientador Educacional é auxiliar o educador a estabelecer vínculos
com a realidade mais ampla. É o elo entre os alunos e a escola, favorecendo o
processo de integração escola/família/comunidade.
O papel do Orientador Educacional neste processo é o de facilitador, levando em
consideração o contexto educacional, social e cultural onde está inserido,
orientando, despertando potenciais, desfazendo bloqueios, abrindo canais de
comunicação, mostrando caminhos e possibilidades criativas. O Orientador
Educacional deve sensibilizar o professor para que ele desça do pedestal, do
poder absoluto e se ver como um ser humano, carregado de qualidades e também
de defeitos, que erra tanto quanto os alunos, e assim, verá como é prazeroso o
seu papel de educador, que tem a oportunidade de descortinar, juntamente com o
aluno, o potencial de ambos, numa troca de crescimento mútuo.
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Enfim, tendo papel singular e fundamental no desenvolvimento das pessoas, a
educação escolar e todos os envolvidos, devem preparar para o exercício da
cidadania, compreensão mútua entre os povos e a concretização da democracia,
preocupando-se com a ética. Para o alcance desse objetivo se faz necessário
construir novos olhares pedagógicos que libertem o pensamento das tradições
opressoras. Segundo Freire, uma educação dialógica que estabeleça relação de
conhecimento com a alma, sentimentos e emoções. É preciso saber conhecer,
fazer e ainda é preciso saber ser juntos.
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2.2 Acompanhamento e Aconselhamento em Orientação Educacional
A profissão de Orientador Educacional se exerce na órbita pública ou privada, por
meio de planejamento, coordenação, supervisão, execução, aconselhamento e
acompanhamento às atividades de orientação educacional, bem como por meio de
estudos, pesquisas, pareceres compreendidos no seu campo profissional.
Historicamente, a escola tem assumido, de modo gradativo, as mais diversas
funções, mas é importante ter em mente que a função precípua dessa instituição é
a de transmitir conhecimentos. Espera-se, pois, que a escola ensine e que o aluno
aprenda. Nesse sentido, são importantes e contribuem para a aprendizagem:
fatores sócio-econômicos e culturais, ambiente escolar e familiar próprios;
professores bem preparados e motivados; métodos de ensino e material
adequados, além de, por parte do aluno, assiduidade, adaptação à escola,
disciplina, bons hábitos de estudo, condições físicas e psicológicas favoráveis, e
bom relacionamento com professores e demais funcionários, bem como com os
colegas. Faz-se necessária, portanto, a existência do profissional de orientação
educacional para lidar com os problemas de aprendizagem e de ensino. A atuação
deste profissional será trabalhar com o acompanhamento escolar do aluno, com a
didática empregada pelos docentes, orientando e aconselhando estes. É uma
tarefa bastante complexa, devendo ser fundamentada em premissas e princípios,
ser baseada em diagnósticos objetivos e ser realizada por meio de estratégias
preferencialmente preventivas, mas também remediativas, quando necessário.
O trabalho de acompanhamento do rendimento escolar dos alunos terá início na
escola, envolvendo todos os que nela atuam, passando depois a níveis, séries,
turmas, disciplinas e professores. Preventivamente, o Orientador Educacional fará
reuniões com professores, pais, alunos, enfim com quem for necessário, para
assegurar que todas as condições levem a um melhor aproveitamento escolar por
parte dos alunos
O Orientador Educacional dinamiza o fenômeno educacional, abrindo os olhos para
a verificação do cotidiano para, assim, orientá-los para a realidade social, como
fenômeno educativo que acontece além da escola, compreendendo o processo de
formação atitudinal e de vivência, onde a individualidade tem valor, a partir da
cultura, auto-estima, valores e crenças.
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O Orientador Educacional é um profissional de apoio que visa assessorar a equipe
diretiva e a coordenação pedagógica, contribuindo na integração da comunidade
escolar de forma preventiva e educativa, auxiliando no desenvolvimento integral de
seus membros em consonância com os objetivos propostos pelo projeto político
pedagógico. Atua diretamente com pais, professores de alunos que apresentam
dificuldades nas áreas afetiva, cognitiva e social, realizando encaminhamento
quando necessário a alguns setores médicos, conselho tutelar, etc. Trabalha
juntamente com pais e professores na busca de alternativas para minimizar
dificuldades pedagógicas, investigando as implicações sociais, cognitivas e
emocionais de defasagem de aprendizagem.
Ao Orientador Educacional cabe desenvolver o processo de aconselhamento junto
aos alunos, abrangendo conduta, estudos e orientação para trabalho, em
cooperação com professores, família e comunidade; assessorar o trabalho
docente, acompanhando o desempenho dos professores em relação a
peculiaridades do processo ensino-aprendizagem; acompanhando o processo de
avaliação e recuperação do aluno; encaminhar os alunos a especialistas quando
se fizer necessário; montar e coordenar o desenvolvimento de esquema de contato
permanente com a família do aluno; organiza e participa juntamente com
professores, alunos e coordenação pedagógica e equipe diretiva, do conselho de
classe participativo, que visa encontrar alternativas em conjunto para a solução de
problemas educacionais. Na área do aconselhamento, é importante ter sempre
presente que aconselhar não significa ministrar conselhos ou recomendar
determinadas atitudes, opções ou comportamentos em detrimento de outros.
Aconselhar é assistir a pessoa, levando-a a refletir sobre determinada situação,
problema ou dificuldade: sobre as implicações e conseqüências de diferentes
alternativas disponíveis, no caso, para que possa discernir e decidir-se por uma ou
outra, conforme seu arbítrio, suas possibilidades e sua conveniência.
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2.3 Desafios da teoria e da prática
Este estudo pretende permitir ao Orientador Educacional dimensionar sua ação
frente às atuais demandas da educação, da escola e do mundo contemporâneo.
Retomar a legislação vigente, de forma a permitir a caracterização dos princípios
norteadores da prática do Orientador Educacional no cotidiano escolar. Pretende
esclarecer a importância da participação do orientador na elaboração e revisão do
projeto político da escola, mediante uma reflexão crítica da realidade educacional,
com bases filosóficas, científicas, tecnológicas e pedagógicas que fundamentam a
organização escolar, tendo como objetivo explicitar as contribuições do orientador
para a formação do cidadão pleno, com uma educação de qualidade para a
consolidação de uma sociedade mais justa e solidária.
O Orientador Educacional atua em conjunto com todos os membros da escola,
especialmente com os discentes e docentes. A construção de uma parceria entre o
orientador, o professor e o diretor, redimensiona as práticas pedagógicas, pois
encontra a solução dos problemas no coletivo, através do diálogo e do planejamento
de acordo com a realidade, visando alcançar os objetivos propostos e uma melhor
qualidade na aprendizagem.
Caminha-se em busca de uma ação reflexiva em que orientadores, supervisores e
professores examinam, questionam e avaliam criticamente a sua prática.
Neste estudo abordamos a atuação dos docentes visando refletir com estes um
processo avaliativo justo, solidário levando em consideração e refletindo sobre as
diversas razões que leva o aluno a sair-se “mal” nas avaliações ocorridas no âmbito
escolar. Podemos citar alguns exemplos: ausência de limites, violência, erotização
precoce, AIDS, drogas, falta de educação emocional, com perdas mal resolvidas,
estresse infantil, baixo aproveitamento escolar, anorexia, bulimia, indisciplina, o
processo de desenvolvimento psíquico e biológico, as alterações de humor e
mudanças
hormonais
que
contribuem para
comportamentos
agressivos
e
desenvolvimento da sexualidade precoce. Um dos problemas emergentes, que não
podemos esquecer jamais, nesse contexto é a Síndrome do Pensamento Acelerado
(SPA).
Este profissional, o Orientador Educacional, tem a capacitação para o exercício de
uma prática de orientação em sintonia com as novas descobertas científicas das
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neurociências a fim de mediar o processo de aprendizagem do aluno em sua
relação com a escola, professores, família, sociedade e mundo virtual.
Segundo Freire (1990, p. 28) “há pedagogia que tem por objetivo domesticar os
alunos, e há as que pretendem a humanização dos alunos”. Ou seja, de um lado
estaria a pedagogia que pretende a conservação da sociedade e, por isso, propõe e
pratica a adaptação e o enquadramento dos alunos no modelo social e, de outro
lado, a pedagogia que busca oferecer ao educando meios pelos quais possa ser
sujeito desse processo. A escolha está nas mãos dos educadores e depende da
concepção que se tem sobre a educação, liberdade e igualdade.
Enfim, a prática avaliativa deve ser capaz de ir além de avaliar a aprendizagem, mas
entender o valor individual de cada aluno, propiciando o seu crescimento como
indivíduo e como integrante de uma sociedade. E que acima de tudo, seja uma
avaliação envolvida com uma prática pedagógica real, inovadora, não excludente e
muito amorosa. (Luckesi)
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2.4 Refletindo sobre a Escola
A Escola Hoje
Salas de aula isoladas umas das outras e limitadas em recursos, mesas e cadeiras
dispostas em filas, o professor desempenhando a função de dono e entregador
principal do conhecimento, a apresentação da informação limitada ao uso de livrostexto e do quadro (branco) e quase sempre limiar e seqüencial.
Neste cenário, o papel ativo é exercido pelo professor, o aluno é um elemento
passivo, um mero receptor dos pacotes de informação preparados pelo sistema
educacional. Há poucas oportunidades para a simulação de eventos naturais ou
imaginários, tanto para aumentar a compreensão de conceitos complexos quanto
para estimular a imaginação
O currículo educacional é visto através de uma filosofia compartimentada: o
conhecimento humano é dividido em classificações estanques (matemática,
geografia, história, literatura, português, língua estrangeira, biologia, física,
química, etc.) sem a mais remota possibilidade de ver possíveis interrelacionamentos entre elas.
E, finalmente, o aluno que consegue terminar este tipo de estudo é considerado
“formado”, pronto para o mercado de trabalho e sem necessidade de estudos
posteriores.
A quantidade de novas informações disponíveis e com novas formas de acessálas, o aumento da complexidade dos setores da vida tanto profissional como
pessoal; a necessidade de passar a fazer relacionamentos entre campos de
conhecimento antes tratados isoladamente; a cada vez mais necessária
reciclagem de profissionais para manterem-se atualizados frente à velocidade das
transformações, sugere a premente necessidade de mudanças nos velhos
paradigmas de educação.
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Como a Escola precisaria ser
A escola precisaria ser principalmente um lugar destinado à aprendizagem, rico em
recursos, na qual os alunos pudessem:
. Construir seus conhecimentos segundo estilos individuais de aprendizagem;
. Propiciar atividades pedagógicas inovadoras;
. Desenvolver no aluno a capacidade de pensar e expressar-se com clareza,
solucionar problemas e tomar decisões com responsabilidade;
. E com um currículo que ofereça uma visão multidisciplinar dos conhecimentos e
que valorize outros tipos de inteligência além da lingüística e da lógica-matemática
e que aumente o uso das novas tecnologias de comunicação.
Segundo Vygotsky (1991) “A aprendizagem e o desenvolvimento estão interrelacionados desde o primeiro dia de vida da criança.”
Para finalizar, numa perspectiva vygotskiana, a escola tem o papel de possibilitar
às crianças a constituição de conhecimentos que não seriam possíveis em outros
lugares. Ela deve promover a interação do aluno com outras pessoas e também
com os objetos da cultura – livros, filmes, arte – de modo que ele possa formar um
sentimento de pertencimento a essa cultura e, com isso, tornar-se capaz de agir
sobre o mundo.
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3 . UMA REFLEXÃO TRANSFORMADA EM AÇÃO
3.1 As Modalidades da Avaliação
Por ser a alma do processo ensino e aprendizagem a avaliação é um tema que
está sempre sendo abordado por muitos estudiosos. É a forma como é conduzida
a avaliação educacional, com objetivos distintos e desenvolvidos em diferentes
momentos durante o processo ensino-aprendizagem. A avaliação desempenha
grande papel para se atingir o domínio do que é ensinado aos alunos e preconiza
três modalidades de avaliação para que se possa levar a maior parte dos alunos
ao sucesso: avaliação como diagnóstico, avaliação formativa e avaliação somativa.
Diagnóstica: Tem por função determinar a presença ou ausência de habilidade
que constituem pré-requisitos para determinadas atividades de aprendizagem.
Detecta-se o nível de conhecimento inicial dos alunos e dificuldades de
aprendizagem. Aplica-se
este tipo de avaliação no início de uma unidade,
semestre ou ano letivo a fim de organizar os agrupamentos de alunos, e também,
durante a instrução, quando o aluno apresenta dificuldades. As avaliações
diagnósticas depois de corrigidas, servirão de base para a elaboração dos
programas de recuperação da aprendizagem e para o acompanhamento na
melhoria do rendimento do aluno.
Formativa: Tem por função retroinformar (Feedback) o aluno e o professor sobre o
desenvolvimento da aprendizagem através da unidade de ensino, localizando as
falhas de maneira que técnicas corretivas possam ser introduzidas. Desta maneira
assegura-se a “recuperação” do aluno pela utilização de técnicas alternativas que
levam ao aperfeiçoamento da aprendizagem. Permite imediata retificação da
aprendizagem e enseja pronta recuperação de conteúdos significativos. Constitui
instrumento precioso para aplicação dos princípios da avaliação contínua e dá
ênfase à função formativa.
Somativa: Tem por função determinar os resultados alcançados nas unidades em
curso. E, também atribuir qualificações como conceito, notas, graus, créditos. A
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interpretação dos resultados podem ser referenciadas a normas e também a
critérios de desempenho. É a avaliação que verifica o grau ou a extensão com que
os objetivos principais de cada disciplina foram alcançados. É a constatação
quantitativa da função formativa.
Segundo Vasconcelos (2000):
“ A avaliação é um processo abrangente da existência
humana, que implica uma reflexão crítica sobre a
prática, no sentido de captar seus avanços, suas
resistências, suas dificuldades e possibilitar uma
tomada
de decisão sobre o fazer para superar
os obstáculos”.
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3.2 Como Avaliar?
A palavra avaliar é originária do latim e provém da composição a-valere, que
significa “dar valor a...” . Alguns autores definem a avaliação como:
“... um componente do processo de ensino que visa, através da verificação e
qualificação dos resultados obtidos, determina a correspondência destes com os
objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às atividades
didáticas seguinte.” (Libâneo)
“... um juízo de qualidade sobre dados relevantes, tendo em vista uma tomada de
decisão.” (Luckesi)
Compete à avaliação a verificação e a qualificação. A verificação acontece por
meio das informações levantadas pelo professor nas provas, exercícios, tarefas e
observação de desempenho dos alunos. A qualificação acontece por intermédio de
comprovação dos resultados alcançados, tendo em vista os objetivos e, conforme
o caso, atribuição de notas ou conceitos.
A utilização do termo avaliar, não se refere apenas aos aspectos quantitativos,
mas também aos qualitativos da aprendizagem, os quais abrangem a aquisição de
conhecimentos
e
informações,
resultantes
dos
conteúdos
curriculares
estabelecidos, como também das habilidades, atitudes, hábitos de estudo e
ajustamento pessoal e social.
A avaliação conduz o aluno a perceber o seu aprendizado, sem a qual se torna
impossível a tentativa de sanar suas dificuldades, permitindo assim, a retomada e
a recondução da aprendizagem. O aluno como sujeito do processo de avaliação,
deve ter consciência, e reconhecer suas dificuldades, erros e acertos e trocar
informações com o professor, para que, em conjunto, consiga então alcançar a
aprendizagem.
A avaliação é essencial à educação. Inerente e indissociável enquanto concebida
como problematização, questionamento, reflexão sobre a ação. Segundo Gadotti
(1984): “Educar é fazer ato de sujeito, é problematizar o mundo em que vivemos
para superar as contradições, comprometendo-se com esse mundo para recriá-lo
constantemente.”
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É importante ressaltar que todas as atividades programadas pela escola visam à
formação integral do educando, isto é, uma formação que considere, de forma
completa e harmônica, os diferentes aspectos do desenvolvimento do aluno, como
o intelectual, o físico, o social, o emocional, o moral, o cívico, o vocacional, enfim,
todos aqueles que dizem respeito ao ser humano. Por esse motivo, em qualquer
momento, durante as aulas ou fora delas, o estudante deverá receber, de forma
direta, indireta ou difusa, orientação relativa a cada um desses aspectos, dentre
eles, também o moral, o cívico e o religioso. Numerosos são os conteúdos,
noções, informações, normas e conceitos que ele adquire nessas áreas,
considerando assim, de fundamental importância a aprendizagem de valores e
atitudes.
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3.3 O Professor e a Avaliação: Companheiros Inseparáveis
Na escola, professor e avaliação estão lado a lado, pois um não existe sem o outro
quando se quer verificar o crescimento do aluno. Contudo, a prática pedagógica da
avaliação varia de professor para professor. É comum ouvir alguns falarem que a
avaliação tem que mudar, que ela precisa ser processual, de fato. No entanto,
esses mesmos professores, continuam utilizando apenas testes e provas para
avaliar seus alunos. Há um choque muito grande entre o discurso e a prática.
Segundo HOFFMAN(1993),”...a contradição discurso
e a prática de alguns educadores e, principalmente
ação classificatória e autoritária, exercida pela
maioria, encontra explicação na concepção de
avaliação do educador, reflexo de sua estória
de vida como aluno e professor.”
O professor, de modo geral, não tem consciência de que é mais um agente desse
jogo de discriminação e dominação social. Continua fazendo aquilo que sempre foi
feito na escola, já que, ele é fruto de uma avaliação tradicional, na qual, os únicos
recursos para avaliação eram os testes e provas, marcadas com antecedência,
servindo apenas como uma forma de classificar e promover ou não o aluno de uma
série para outra.
Em nenhum momento, pode-se negar que alguns professores têm procurado
superar este tipo de avaliação. Mas, as dúvidas e questionamentos são muitos na
hora de verificar quais os resultados obtidos.
Em virtude de uma preparação inadequada sobre o significado de avaliar, o
professor não tem o domínio de como o aluno se desenvolve, de como aprende,
de qual é o sentido do seu trabalho. Tem-se, portanto, um professor mal preparado
e que, na maioria das vezes, não consegue desempenhar uma avaliação diferente
daquela presenciada durante sua história de vida. Despreparados, muitos
professores
não
encontram
saída
para
redimensionar
sua
prática
e,
conseqüentemente, sentem-se desestimulados.
Apesar de alguns professores estarem arraigados no seu passado e da falta de
qualificação, é possível mudar a avaliação escolar. O professor tem um papel
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fundamental, pois é ele quem está em sala de aula, atuando diretamente na base.
Para superar os problemas existentes, faz-se necessário atentar para as seguintes
sugestões: uma conscientização político-educacional dos professores para que
percebam que vêm sendo usados pelo sistema dominante; a avaliação tem que
mudar, pois não pode ser mais um exercício de poder, pelo qual muitas vezes, a
nota serve para coagir o aluno; nem um mero exercício de cobrança de itens
memorizados e muito menos uma medida de um comportamento a ser
classificado. Lutar contra concepções equivocadas através de sessões de estudo
para dar um novo sentido à avaliação. A maior preocupação do professor deverá
ser a de perguntar-se constantemente, o que pode fazer para ajudar cada aluno a
crescer, como ele pode trabalhar para que cada um enriqueça sempre mais seu
saber, sem esquecer que só aprendemos aquelas coisas que nos dão prazer.
Segundo GADOTTI (1999,P.3), “o professor precisará estar atento, pois o mundo
não pára: as mudanças são rápidas e muitas, e o professor tem que acompanhálas, buscando novas informações através de livros, congressos, debates e cursos.”
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3.4 O Ato de Avaliar
Avaliar um educando implica acolhê-lo no seu modo de ver, como está, para daí,
decidir o que fazer.
A disposição de acolher está no sujeito do avaliador e não no objeto da avaliação.
O avaliador é o adulto da relação de avaliação, por isso, ele deve possuir a
disposição de acolher. Ele é o detentor dessa disposição. E, sem ela, não há
avaliação. Não é possível avaliar um objeto, uma pessoa ou uma ação, caso ela
seja recusada ou excluída desde o início, ou mesmo julgada previamente. Que
mais se pode fazer com um objeto, ação ou pessoa que foram recusados, desde o
primeiro momento? Nada, com certeza! Então, a disposição para acolher é, pois, o
ponto de partida para qualquer prática de avaliação. É um estado psicológico
oposto ao estado de exclusão, que tem na sua base o julgamento prévio que está
sempre na defesa ou no ataque, nunca no acolhimento. A disposição para julgar
previamente não é uma prática de avaliação, porque exclui.
Para se ter essa disposição para acolher, importa estar atento a ela. Não
nascemos naturalmente com ela, mas sim, a construimos, a desenvolvemos,
estando atentos ao modo como recebemos as coisas. Se antes de ouvirmos ou
virmos alguma coisa, já estamos julgando, positiva ou negativamente, com certeza,
não somos capazes de acolher. A avaliação só nos propiciará condições para a
obtenção de uma melhor qualidade de vida, se estiver assentada sobre a
disposição para acolher.
O ato de avaliar, como todo e qualquer ato de conhecer, inicia-se pela
constatação, que nos dá a garantia de que o educando é como é. Não há a
possibilidade de avaliação sem a constatação. A constatação oferece a “base
material” para a segunda parte do ato de diagnosticar, que é qualificar, ou seja,
atribuir uma qualidade positiva ou negativa ao educando. Porém, essa qualificação
não se dá no vazio. Ela é estabelecida a partir de um determinado critério de
qualidade que temos, ou que estabelecemos para este educando.
Desde que diagnosticado, ou seja, configurado e qualificado, há algo,
obrigatoriamente a ser feito: uma tomada de decisão sobre ele. O ato de qualificar,
por si, implica numa tomada de decisão. Caso o educando seja qualificado como
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insatisfatório, o que fazer com ele? O ato de avaliar, não é um ato neutro que se
encerra na constatação. Ele é um ato dinâmico, que implica na decisão “do que
fazer”. Sem este ato de decidir, o ato de avaliar não se completa. Ela não se
realiza.
Em síntese, avaliar é um ato pelo qual, através de uma disposição acolhedora,
qualificamos alguma coisa (um objeto, ação ou pessoa), tendo em vista, de alguma
forma, tomar uma decisão sobre ela.
Quando atuamos junto a pessoas, a qualificação e a decisão necessitam ser
dialogadas. O ato de avaliar não é um ato impositivo, mas sim um ato dialógico,
amoroso e construtivo. Deste modo, a avaliação é um auxiliar de uma vida melhor,
mais rica e mais plena, em qualquer um de seus setores, desde que constata,
qualifica e orienta possibilidades novas e certamente mais adequadas.
27
3.5 O “erro” como fonte de aprendizagem
A ação mediadora do professor, as suas intervenções pedagógicas, desafiadoras,
não podem, ao mesmo tempo ser uniforme em todas as situações de tarefas dos
alunos. Os erros que os alunos apresentam podem ser de natureza diversa.
Fundamentalmente é necessária a reflexão teórica sobre cada resposta específica
do aluno. Não há possibilidade de desenvolvermos procedimentos de intervenção
que sirvam de regras gerais, que se apliquem a todas as tarefas, seja qual for a
natureza. Nenhum extremo é válido: considerar que sempre devemos dizer a
resposta certa para o aluno ou, no outro extremo, considerar que todo e qualquer
erro que ele cometa tenha o caráter construtivo e que ele poderá descobrir todas
as respostas.
A tentativa é no sentido de inverter a hierarquia tradicional onde o acerto é
valorizado na escola e o erro é punido em todas as circunstâncias e, ao mesmo
tempo, de ultrapassar o significado da correção/ retificação para o de interpretação
da lógica possível do aluno diante da área de conhecimento em questão. E nunca
é demais repetir, que essa ultrapassagem é o ponto de partida para uma ação
avaliativa mediadora.
A ação avaliativa mediadora está presente justamente entre uma tarefa do aluno e
a tarefa posterior. Consiste na ação educativa decorrente da análise dos seus
entendimentos, de modo a favorecer a este aluno o alcance de um saber
competente, a aproximação com a verdade científica.
Cada tarefa significa um estágio de sua evolução, do seu desenvolvimento e
portanto, não há como somá-las para calcular médias.
Elas complementam-se, interpenetram-se. Com material importante para as ações
posteriores, exigem o registro sério e detalhado das questões que se observa. Tais
dados não podem nem devem permanecer como informações generalistas ou
superficiais a respeito das manifestações dos alunos. O acompanhamento das
tarefas exige um registro, um julgamento do “acerto” ou do “erro”.
No caso da aprendizagem escolar, pode ocorrer o erro na manifestação da
conduta apreendida, uma vez que já se tenha o padrão do conhecimento, das
habilidades ou das soluções a serem apreendidas. Quando um aluno, em uma
28
prova ou em uma prática, manifesta não ter adquirido determinado conhecimento
ou habilidade, por meio de uma conduta que não condiz com o padrão existente,
então podemos dizer que ele errou. Cometeu um erro em relação ao padrão.
Tanto o “sucesso/ insucesso” como o “acerto/ erro” podem ser utilizados como
fonte de virtude em geral e como fonte de “virtude” na aprendizagem escolar. No
caso da solução bem ou mal sucedida de uma busca, seja ela de investigação
científica ou de solução prática de alguma necessidade, o “não- sucesso” é, em
primeiro lugar, um indicador de que ainda não se chegou à solução necessária, e,
em segundo lugar, a indicação de um modo de “como não se resolver” essa
determinada necessidade. O fato de não se chegar à solução bem-sucedida indica,
no caso, o trampolim para um novo salto.
Os erros da aprendizagem, que emergem a partir de um padrão de conduta
cognitivo ou prático já estabelecido pela ciência ou pela tecnologia, servem
positivamente de ponto de partida para o avanço, na medida em que são
identificados e compreendidos, e sua compreensão é o passo fundamental para a
sua superação. Há que se observar que, o erro, como manifestação de uma
conduta não-aprendida, decorre do fato de que há um padrão já produzido e
ordenado
que
dá
direção
do
avanço
da
aprendizagem
do
aluno
e,
conseqüentemente, à compreensão do desvio, possibilitando a sua correção
inteligente. Isso significa a aquisição consciente e elaborada de uma conduta ou de
uma habilidade, bem como um passo à frente na aprendizagem ou no
desenvolvimento. O erro, para ser utilizado como fonte de virtude ou de
crescimento, necessita de efetiva verificação, para ver se estamos diante ou da
valorização preconceituosa de um fato, ou de esforço, visando compreender o erro
quanto à sua constituição (como é esse erro?) e origem (como emergiu esse erro?)
A questão do erro, da culpa e do castigo na prática escolar está bastante articulada
com a questão da avaliação da aprendizagem. Esta, à medida que se foi
desvinculando, ao longo do tempo, da efetiva realidade da aprendizagem para
tornar-se um instrumento de ameaça e disciplinamento da personalidade do
educando, passou a servir de suporte para a imputação de culpabilidade e para a
decisão de castigo.
29
De fato, a avaliação da aprendizagem deveria servir de suporte para a qualificação
daquilo que acontece com o educando, diante dos objetivos que se têm, de tal
modo que se pudesse verificar como agir para ajudá-lo a alcançar o que procura. A
avaliação não deveria ser fonte de decisão sobre o castigo, mas de decisão sobre
os caminhos do crescimento sadio e feliz.
O insucesso e o erro, em si, não são necessários para o crescimento, porém, uma
vez que ocorram, não devemos fazer deles fontes de culpa e de castigo, mas
trampolins para o salto em direção a uma vida consciente, sadia e feliz.
30
4. RELEVÂNCIA DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NA PRÁTICA AVALIATIVA
PARA A FORMAÇÃO DO HOMEM
4.1 Integração Professor-Aluno
O objetivo geral deste trabalho será possibilitar aos professores melhor
conhecimento dos alunos, oferecendo, assim, maiores possibilidades de
entrosamento positivo entre ambos e mais adequada ação didática por parte dos
docentes, a fim de ser obtido melhor rendimento escolar construindo cidadãos
autônomos e conscientes do seu papel na sociedade. Embora, como vimos, a
função precípua da escola seja o ensino, ela tem assumido, cada vez mais, a
responsabilidade pela educação integral do aluno. Tal objetivo não deixa de ser
legítimo, pois o indivíduo é um ser complexo que se desenvolve não só no aspecto
intelectual como também, e concomitantemente, no afetivo emocional, físico-motor,
social, sexual, vocacional, enfim, em todos os aspectos de sua personalidade. Por
esta razão e também porque dificuldades e problemas nessas áreas poderão
afetar o rendimento escolar do aluno, o orientador educacional não pode
desconsiderá-las no seu trabalho.
Segundo MARTINS (1980) “o que deveria estar presente no paradigma de
avaliação do aluno e do professor, como indivíduos humanos, é que a essência do
relacionamento fosse sempre um encontro em que ambos os participantes se
modificassem”
Na
integração
professor-aluno,
a
escola
enquanto
instituição
educativa
desempenha um papel fundamental, sendo palco das diversas situações que
propiciam esta integração, principalmente no que tange sua dimensão socializante,
a qual prepara o indivíduo para a convivência em grupo e em sociedade. Segundo
Freire (1967, p.66) “o diálogo é uma relação horizontal. Nutre-se de amor,
humildade, esperança, fé e confiança.” Na fala de Freire, percebe-se o vínculo
entre o diálogo e o fator afetivo que norteará a virtude primordial do diálogo, o
respeito aos alunos não somente como receptores, mas enquanto indivíduos.
31
As relações afetivas que o aluno estabelece com os colegas e professores são de
grande valor na educação, pois a afetividade constitui a base de todas as reações
da pessoa diante da vida.
De acordo com Pimentel (1967), “a afetividade é quem direciona todos os nossos
atos. Ela é na verdade, o elemento que mais influencia na formação do nosso
caráter.” O diálogo é de suma importância para a integração professor-aluno no
fator psicológico, sendo vínculo entre o cognitivo e as ações concretas. Portanto, o
diálogo é uma exigência existencial que possibilita a comunicação e para pôr em
prática o diálogo, o educador deve colocar-se na posição humilde de quem não
sabe tudo.
Para que a aprendizagem aconteça é necessário que o professor reconheça seu
papel diante da interação que manterá com seu aluno. O professor deve estar
atento à sua função primeira que é de saber apresentar condições favoráveis à
apropriação, por parte do alunado, de conhecimentos acumulados e socialmente
tidos como relevantes. São estes conhecimentos que servirão de instrumental para
seu agir no mundo, para “o pensar” sobre si e sobre todas as coisas da sua vida. O
professor precisa dar ao aluno, apoio moral e sentimentos de segurança e
confiança, ou seja, estimular o auto/conceito do aluno. O educador deve evitar
fazer críticas negativas para não aguçar a insegurança e o sentimento de
incapacidade. O educador precisa reconhecer a sua significação para o educando,
respeitando as limitações do mesmo, favorecendo uma relação baseada no
respeito mútuo. Assim, propiciando um ambiente escolar favorável a uma
aprendizagem significativa.
Por tudo isto relatado, o Orientador Educacional deve promover e dinamizar
momentos de reflexão, estudos e troca de experiências para professores, dando
subsídios para que possa mediar o processo de aprendizagem, respeitando a
singularidade de seus alunos. Além da saúde física do aluno, há que se
considerar, também, a emocional. Dada a complexidade da problemática familiar,
agravada pelas crises socioeconômicas que afetam a família, a freqüência de
alunos com problemas emocionais tem aumentado gradativamente. Muitos
apresentam comportamentos agressivos, de revolta ou de apatia. Outros se
apresentam tímidos ou superprotegidos. Todos estes comportamentos podem
32
influenciar na aquisição da aprendizagem dos alunos. Por isso é fundamental a
mediação do Orientador Educacional para esclarecer e sinalizar possíveis
soluções. Um olhar de respeito às diferenças dos alunos significa essencialmente
a tentativa de conhecê-los e admirá-los em sua singularidade, muito mais do que
encontrar meios ou critérios para argumentar sobre o seu desempenho ou
rentabilidade em comparação com os demais. É necessário valorizar o diferente
em educação como essencial à condição humana, como positivo e desencadeador
das relações de cooperação, porque o diferente enquanto negativo leva ao
individualismo, à competição, à segregação.
Refletir sobre a natureza do ato avaliativo, valorizando o aluno e sua inclusão no
processo avaliativo. A ação avaliativa inclusiva se desenvolve em benefício ao
educando e dá-se fundamentalmente pela proximidade entre quem educa e quem
é educado, pela curiosidade de conhecer a quem educa e conhecendo a
descoberta de si próprio.
33
4.2 Integração Aluno-Aluno
Para propiciar a interatividade aluno/aluno, o professor deve criar atividades que
facilitem a aprendizagem colaborativa, ou seja, que proporcionem uma troca de
conhecimentos entre os alunos para que juntos, construam os conhecimentos.
Este tipo de aprendizagem é caracterizado pela presença de pequenos grupos de
alunos que interagem na busca da realização de uma tarefa em comum aplicando
e sintetizando os vários conhecimentos. A pesquisa educacional revela que o
aprendizado é maior quando os alunos se envolvem em interatividade uns com os
outros, pois os fatores cognitivos e meta/cognitivos, os fatores motivadores e
afetivos, os fatores sociais e estruturais ligados às diferenças pessoais por meio
das trocas interativas promovem um melhor resultado no processo de
aprendizagem.
Essas
atividades
despertam
no
aluno
um
senso
de
comprometimento, já que ele reconhece que a sua aprendizagem, bem como a
aprendizagem de outra pessoa dependem da sua participação e interesse no
conteúdo da disciplina.
Segundo Freire: “O mundo não é. O mundo está sendo.” Assim, devemos olhar a
ação do Orientador Educacional, buscando no cotidiano a criação do novo, de
formas alternativas de atuação, comprometidas com a construção de saberes que
rompam com as velhas estruturas de conhecimento, prontas e acabadas. Desta
forma, despertaremos no aluno a alegria do descobrir, do recriar e de ser o
arquiteto de sua própria vida.
34
4.3 Integração Escola-Família
Geralmente a iniciação das pessoas na cultura, nos valores e nas normas da
sociedade começa na família. Para que o desenvolvimento da personalidade das
crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma
atmosfera de crescente progressão educativa.
Nesta perspectiva, a escola por sua maior aproximação às famílias é uma
instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho
avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola,
quanto da família, em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos
desafios que impõe nossa sociedade.
A atuação da família na escola deve ser complementar à ação educativa. Jamais
deve funcionar como substituta da escola que não assume suas responsabilidades
e tenta passá-las para os pais. A escola precisa dos pais, mas deve ser agradável
para atraí-los.
O desenvolvimento do educando pressupõe o desenvolvimento das diversas
facetas do seu ser humano: a cognição, a afetividade, a psicomotricidade e o modo
de viver. Cada sujeito – criança, jovem ou adulto se educa no processo social
como um todo: na trama das relações familiares, grupais, políticas... A educação é
o meio pelo qual a sociedade se reproduz e se renova cultural e espiritualmente. A
sociedade necessita reproduzir-se para manter o estágio de desenvolvimento a
que chegou, mas necessita também renovar-se para atender às necessidades e
aos desafios emergentes. A educação, nas suas diversas possibilidades, serve à
reprodução, mas também à renovação da sociedade.
35
4.4 Avaliação Escolar na Escola de Hoje
Analisando como ocorre a avaliação na escola hoje, constatamos que a prática
escolar se realiza dentro de um modelo teórico de compreensão que pressupõe a
educação como um mecanismo de conservação e reprodução da sociedade.
Assim sendo, o autoritarismo é o elemento necessário para a garantia desse
modelo social, daí a prática da avaliação manifestar-se de forma autoritária e
exclusiva.
Um dos problemas evidenciados em pesquisa sobre o enfoque dado à avaliação
pelo professor (RAPHAEL, 1993) foi a dificuldade de conduzi-la em sala de aula,
como processo integrado ao ensino-aprendizagem, que teria a função retroalimentadora. A avaliação das escolas de ensino fundamental e médio é um
momento estanque do procedimento curricular e, assim, é realçada sua função
classificatória. Além disso, a avaliação, tal como é realizada, não colabora para a
consecução de objetivos destinados a uma formação crítica e criativa. É centrada
na reprodução de conhecimentos, tais como foram emitidos pelo professor,
avaliando muito mais o ensino do que a aprendizagem, entendida num contexto
interativo e de construção.
Dentro do quadro de disciplinas, a avaliação não leva à interligação de
conhecimentos – a interdisciplinaridade – por se realizar de modo fragmentário,
isolado em unidades temporais ou pedagógicas. A retomada para a continuidade,
que seria a avaliação diagnóstica, e a avaliação ao longo do processo – a
formativa – seria minimizada em função da avaliação somativa, essencialmente
classificatória e burocrática.
Se levarmos em conta o próprio conceito de avaliação, que supõe processo, juízo
de valor e decisão, chega-se com LUCKESI (1990) à conclusão de que realmente
a escola não faz avaliação e sim verificação de aprendizagem.
A avaliação é necessária em qualquer processo humano consciente. E o que
chama atenção é a gana reprovatória que foi disseminada no magistério, ainda que
cercada das melhores intenções. Como explicar esta sina classificatória? De onde
vem este desejo tão forte dos professores de reprovar os alunos.
Embora cada um, a seu modo, esteja buscando algo de bom para os alunos, o que
se têm visto são equívocos. Em termos de avaliação, constata-se que as
mudanças não têm atingido o chão da sala de aula. Coloca-se então a questão
como superar estas dificuldades, num contexto onde os preconceitos estão
36
fortemente enraizados? Sabemos que avaliar é um ato pelo qual, através de uma
disposição acolhedora, qualificamos alguma coisa, um objeto, uma ação ou uma
pessoa. O ato de avaliar não é um ato impositivo, mas sim, um ato dialógico,
amoroso e construtivo. O avaliador é aquele que deve possuir a disposição de
acolher. Ele é o detentor dessa disposição, e sem ela não há avaliação. O
professor não nasce naturalmente com disposição de acolher, mas desenvolve
esta atitude no decorrer da sua prática educativa.
Deste modo a avaliação é um auxiliar que poderá proporcionar condições para a
obtenção de uma melhor qualidade na educação
Quando observamos o processo escolar, temos certeza de quanto a avaliação
praticada nas escolas está longe deste ideal. A forma de avaliar continua sendo
tradicional, classificatória e se resume muitas vezes em aprovar ou reprovar.
Família, professores, coordenadores, secretaria da escola e secretaria da
educação se preocupam com resultados e números. A prática de avaliar utilizada
na escola quase nada tem a ver com avaliação da aprendizagem. É centrada na
avaliação dos conteúdos medidos através de provas e testes.
Segundo LUCKESI (1995, p. 42) esta prática serve para separar os eleitos dos não
eleitos. Dessa forma a “avaliação” da aprendizagem se restringe à classificação
obtida através de notas e registros o que tende a ignorar a evolução do homem e a
desacreditar que as pessoas podem mudar.
Esse tipo de avaliação verificadora não traduz e não retrata a verdadeira ação
educativa e, ainda, cria um antagonismo e uma desconfiança.
Raramente encontramos docentes que realizam uma avaliação criteriosa que
contemple os alunos compreendendo os seus avanços, dificuldades e que possa
ajudá-los a atingir os objetivos do projeto pedagógico ao qual está inserido. A
avaliação, portanto, só pode ser definida através de um projeto que articule sua
prática, a qualidade dos resultados deve ser garantida através de ações bem
definidas. É através da avaliação, capacidade desenvolvida pelo ser humano que é
garantido qualquer processo, crescimento e evolução do homem. Ao realizar a
avaliação o sujeito percebe aquilo que foi feito, seus objetivos, o que precisa
melhorar, o que se pretende fazer para o futuro. A prática da avaliação faz evoluir
a nossa consciência crítica, a nossa capacidade de analisar o que fazemos e o que
os outros fizeram. Só através de uma análise cuidadosa poderemos mudar o rumo
de nossa ação.
37
Na prática da avaliação escolar o aluno deverá ser orientado o suficiente para
entender o que vai realizar (conteúdos a serem estudados), o motivo da realização
dessa tarefa e o que poderá alcançar quando for realizada.
No processo da avaliação da aprendizagem deve ser considerado como
fundamental, a assimilação pelo aluno, daquilo que foi ensinado, pois permitirá ao
professor observar e investigar como o aluno se posiciona diante do mundo ao
construir suas verdades. Nessa dimensão, avaliar é dinamizar oportunidades de
ação-reflexão, num acompanhamento permanente do professor, que incitará o
aluno a novas questões a partir das respostas recebidas.
Uma prática avaliativa coerente com essa perspectiva exige do professor o
aprofundamento em teorias do conhecimento. Exige uma visão, ao mesmo tempo,
ampla e detalhada de sua disciplina. Fundamentos teóricos que lhe permitam
estabelecer conexões entre as hipóteses formuladas pelo aluno e a base científica
do conhecimento. Visão essa que lhe permita vislumbrar novas questões e
possibilidades de investigação a serem sugeridas para o educando e a partir das
quais se dará a continuidade e o aprofundamento de cada área do conhecimento.
A avaliação deixa de ser um momento terminal do processo educativo (como hoje
é concebida) para se transformar na busca incessante de compreensão das
dificuldades do educando e na dinamização de novas oportunidades de
conhecimento. Pensar como o aluno pensa e porque ele pensa dessa forma, não é
tarefa costumeira dos professores.
A ação avaliativa abrange justamente a compreensão do processo de cognição.
Por
que
o
que
interessa fundamentalmente
ao
educador
é
dinamizar
oportunidades de o aluno refletir sobre o mundo e conduzi-lo à construção de um
maior número de verdades.
Enfim, segundo CHIAROTTINO (1998) “não há começo nem limites nem fins
absolutos no processo de construção do conhecimento.”
38
4.5 Alternativas Pedagógicas aos Educadores na Prática Avaliativa
Enfim, professor, chegou a hora de refletir sobre a sua avaliação...
De acordo com a LDB nº 9394/96 a avaliação do desempenho do aluno deve ser
contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os
quantitativos e dos resultados ao longo do período letivo sobre os de eventuais
provas finais. Sendo assim, o que deve ser ressaltado no ato da avaliação é a
qualidade da aprendizagem revelada pelo aluno, tendo como parâmetro os Marcos
de Aprendizagem (competências e habilidades necessárias para cada ano de
escolarização). Dessa forma “cai por terra” a visão equivocada de que “qualidade”
tem a ver com a atribuição de notas ou conceitos para comportamento,
assiduidade, pontualidade e participação, embora na construção global do conceito
de “aluno”, esses aspectos devam ser também considerados.
Avaliando a Avaliação
A essência da avaliação é seu caráter diagnóstico. Deve ser realizada durante todo
o processo ensino-aprendizagem, investigando, levantando informações sobre o
desempenho do aluno e do fazer pedagógico do professor.
É o que chamamos de avaliação inicial ou diagnóstica, onde são “checados” os
conhecimentos prévios, ou seja, tudo aquilo que o aluno vem construindo ao longo
da sua vida, dentro e/ou fora da escola. Checar conhecimentos prévios não
significa apenas a avaliação inicial que acontece no início do ano letivo. Acontece
sempre que um novo conteúdo é trabalhado na sala de aula, durante todo o
processo ensino-aprendizagem.
Avaliar cumulativamente é...
Considerar a construção dos conhecimentos acumulados e ampliados pelo aluno,
facilitando o processo de novas aprendizagens.
Portanto, o seu papel professor, no processo de acompanhamento da
aprendizagem do aluno deve ser o de identificar o quanto e como o aluno
aprendeu e desafiá-lo para novas aprendizagens.
39
Que instrumentos utilizar?
Todo instrumento utilizado para identificar progressos e dificuldades do aluno
devem ser considerados instrumentos de avaliação e todos têm o seu grau de
importância no processo avaliativo, a depender de cada situação e do que se
pretende avaliar.
Devem ser utilizados como instrumento de avaliação:
A observação, entrevistas, atividades diárias, fichas de acompanhamento, diário de
classe, relatórios, a “fala” do aluno, auto-avaliação, questionários, testes/provas,
caderno do aluno, seminários, conselho de classe...
Apoio pedagógico e recuperação semestral, uma retomada no processo...
Mas, o que é mesmo recuperar? Segundo Aurélio, recuperar é recobrar, adquirir
novamente, reabilitar. No processo ensino-aprendizagem, o foco da recuperação é
a aprendizagem do aluno e não a nota.
Recuperação paralela/ instantânea, o apoio pedagógico tão importante na
relação com o aluno
Toda vez que for identificada uma dificuldade de aprendizagem do aluno, o
professor deve buscar novas estratégias de abordagem desse conteúdo, utilizando
novos instrumentos de avaliação para assegurar as competências e as habilidades
desejadas.
Seja criativo, reveja sua prática. Reavalie-se
Então, avaliar nessa perspectiva significa...
Tornar a avaliação um ato democrático, onde as opiniões são ouvidas e
respeitadas e os agentes envolvidos têm a clareza dos objetivos, conscientizandose da necessidade de se auto-avaliarem, perdendo, dessa forma, o caráter
punitivo, autoritário, unilateral, tornando-se, portanto, um processo participativo/
emancipatório.
40
Então...
“A avaliação como crítica de um percurso de ação
será então, um ato amoroso,um ato de cuidado,
pelo qual todos verificam como estão criando
seu “bebê” e como podem trabalhar para que
ele cresça”.
Cipriano Luckesi
41
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Busquei neste estudo uma reflexão sobre a importância do Orientador Educacional
no processo avaliativo escolar. Uma reflexão sobre o ato de avaliar como um
momento de crescimento para professores e alunos. Refletir a avaliação é refletir o
planejamento, o estabelecimento dos objetivos, a prática pedagógica dentro e fora
das salas de aula; enfim, refletir o próprio currículo oculto.
A avaliação educacional – escolar – deve assumir sua posição dialética de
diagnosticar para o crescimento da pessoa, e capaz de situar-se numa pedagogia
preocupada com a transformação social.
O Orientador Educacional auxilia no repensar a prática de avaliar a fim de que
sejam desmitificados os meios de avaliação como instrumentos auxiliares no
exercício do autoritarismo pedagógico.
Dentro do processo de avaliação, o Orientador Educacional deve incentivar o
professor a perguntar-se constantemente: “Estou preparado para avaliar?” “Para
que estou avaliando?” “Em que preciso mudar?” “O que fazer para que meus
alunos não se prendam só em notas?””Será que estou avaliando voltado para os
objetivos previstos?” Esses são questionamentos comuns que deveriam ser feitos
pelos educadores preocupados com o processo de aprendizagem. Como reverter
esses questionamentos em ação concreta a fim de nos ajudar e ajudar o aluno a
situar-se como agente de sua própria aprendizagem, de forma responsável e
dinâmica.
Avaliar é auxiliar o indivíduo a aprender a se auto-avaliar, a buscar novos
caminhos para a sua realização, com sabedoria e responsabilidade.
O que resta então a fazer? Unir nossas forças, Orientadores Educacionais,
Professores, Direção e toda a comunidade escolar, nos engajarmos na luta por
uma educação libertadora, rever nossa prática pedagógica, criar nossa sistemática
de avaliação de acordo com o aluno que temos e que desejamos formar,
respeitando suas limitações e valorizando sua capacidade. Mas, para que tal ação
se concretize, urge que a escola defina também que tipo de aluno quer formar e a
que sociedade ela aspira.
Avaliar, antes de ser a análise de uma questão pontual, é uma síntese e, assim,
precisa ser pensada, como totalidade – que abarca do início ao fim de uma etapa
determinada. Avaliar é uma questão do cotidiano – aquela que deve fazer todos os
42
dias – que na escola se traduz na interação professor/ aluno, no acompanhamento
individual e coletivo, no conhecimento e reconhecimento dos avanços e limites. Na
escola, a avaliação só tem sentido se for para o aluno um aprendizado, para que
na escola e na vida ele se avalie sempre e se construa sempre.
Neste estudo foi observado que há uma dificuldade muito grande em torno da
avaliação. Através deste trabalho pode-se perceber o quanto o sistema de
avaliação está defasado. Constatou-se que os professores não estão tão
disponíveis e abertas às mudanças, todavia, houve um grande acolhimento e ficou
evidente que o sistema de avaliação urge por mudanças.
Através da análise dos dados obtidos na observação e entrevista desse trabalho,
verificou-se que é necessário trilhar um caminho ainda longo na busca de uma
prática avaliativa emancipatória e mediadora. Um número ainda reduzido de
professores, de fato, realiza algum trabalho voltado para a avaliação processual,
contudo, deve-se lembrar que as escolas estão principiando este tipo de prática e
que toda mudança é lenta e repleta de resistência. Os trabalhos observados dentro
desta nova perspectiva são limitados devido à pressão de uma vida acadêmica
recheada pelo tradicional. Alguns tentam, buscam, executam: outros criticam a
iniciativa dos que querem mudar e se acomodam. Há ainda aqueles profissionais
que na teoria soa maravilhosamente, mas na prática acabam caindo na mesmice.
A avaliação deve ser “a reflexão transformada em ação”. A ação dinâmica do diaa-dia favorece a novas reflexões do professor sobre sua realidade e
acompanhamento detalhado do educando, na sua busca de construção do
conhecimento. Um processo interativo, através do qual, todos nós educadores e
educandos aprendem sobre si mesmos e sobre a realidade escolar no ato próprio
da avaliação.
Concluindo, avaliar é acompanhar o processo de construção do conhecimento do
aluno. É uma reflexão transformada em ação servindo à transformação social.
43
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARIÉS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Zahar,
1983.
CARVALHO, Maria de L. R. da S. A função do Orientador Educacional. São
Paulo: Cortez, 1979.
CARVALHO, Maria de L. R. da S. A função do Orientador Educacional. São
Paulo: Cortez e Moraes, 1979.
FUSARI, José Cerchi. O planejamento educacional e prática dos educadores.
Revista Ande, v.8, p.33-40, 1984.
GIACAGLIA, Lia R. A. Orientação Vocacional por atividades: uma nova teoria e
uma nova prática. São Paulo: Thomson, 2003.
LUCKESI, C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições. 9ª
Ed. São Paulo: Cortez, 1999.
MINICUCCI,
A.
Relações
Humanas:
Psicologia
do
Relacionamento
Interpessoal. 6ª Ed. São Paulo: Atlas, 2001.
www.duplipensar.net/artigos/2006-Q2/avaliacao-escolar-e-afetividade.html -
44
7. ANEXOS
Anexo 1 – Modelo de entrevista
Anexo 2 – Avaliação e Afetividade
Anexo 3 – Mensagem O Poema da Paz
Anexo 4 – Imagem do Mestre Jesus Cristo
45
ANEXO 1
Universidade Cândido Mendes
Aluna: Iraildes Santana
Matrícula: 41.726
Curso: Orientação Educacional
Tema: O Orientador Educacional e sua atuação no Processo Avaliativo
Entrevista
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
Nome do entrevistado.
Qual a sua formação acadêmica?
Quanto tempo atua na área de educação?
O que o levou a interessar-se nesta área?
Como você avalia os seus alunos?
Você se sente seguro para avaliar os seus alunos?
Como você define a avaliação processual?
Você pratica a avaliação processual no seu cotidiano escolar? Como?
Explique a diferença entre a avaliação qualitativa e a quantitativa e qual a sua
importância?
10. O que se pratica na escola atual: Verificação ou Avaliação? Explique.
11. Os seus conteúdos são acessíveis e significativos?
12. Consegue se comunicar adequadamente com seus alunos?
13. Os métodos e os recursos auxiliares de ensino estão adequados?
14. Você consegue dar atenção aos alunos com mais dificuldades?
15. Consegue ajudar seus alunos a ampliarem suas aspirações e a terem perspectivas de
futuro?
16. Para você avaliar é incluir ou excluir o aluno? Como se inclui ou exclui o aluno?
17. Você concorda com esta frase de Luckesi: A avaliação de aprendizagem é um ato
amoroso?
18. Você reconhece a importância do ato de avaliar no processo de formação do
homem?
19. Você se considera um professor/educador? Justifique.
20. Como você se auto-avalia?
46
ANEXO 2
“As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de
conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para a
construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de
símbolos e de dores”. CLÁUDIO SALTINI
Referência:
www.duplipensar.net/artigos/2006-Q2/avaliacao-escolar-e-afetividade.html -
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ANEXO 3
REFLEXÃO
O Poema da Paz
0 dia mais belo - Hoje
A coisa mais fácil - Equivocar-se
O obstáculo maior - 0 medo
0 erro maior - Abandonar-se
A raiz de todos os males - 0 egoísmo
A distração mais bela?- 0 trabalho
A pior derrota - 0 desalento
Os melhores professores - As crianças
A primeira necessidade - Comunicar-se
0 que mais faz feliz - Ser útil aos demais
0 mistério maior? - A morte
0 pior defeito - 0 mau humor
A coisa mais perigosa - A mentira
0 sentimento pior - 0 rancor
0 presente mais belo - 0 perdão,
0 mais imprescindível - 0 lar
A estrada mais rápida - 0 caminho correto
A sensação mais grata -A paz interior
0 resguardo mais eficaz - 0 sorriso
0 melhor remédio - 0 otimismo
A maior satisfação - 0 dever cumprido
A força mais potente do mundo - A fé
As pessoas mais necessárias - Os pais
A coisa mais bela de todas - 0 amor
48
ANEXO 4
MESTRE JESUS CRISTO
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50
h
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Iraildes Santana - AVM Faculdade Integrada