UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR SUL DO MARANHÃO CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS ELAYNE CRISTINA DA SILVA COSTA MARCOS DA SILVA CAVALCANTE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS: ESTUDO DE CASO DE UMA CONSTRUTORA DE GRANDE PORTE Imperatriz 2009 ELAYNE CRISTINA DA SILVA COSTA MARCOS DA SILVA CAVALCANTE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS: ESTUDO DE CASO DE UMA CONSTRUTORA DE GRANDE PORTE Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas da Unidade de Ensino Superior do Sul do Maranhão UNISULMA, como requisito para obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas. Orientador: Profº. Esp. Jullys Allan Guimarães Gama Imperatriz 2009 ELAYNE CRISTINA DA SILVA COSTA MARCOS DA SILVA CAVALCANTE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS: ESTUDO DE CASO DE UMA CONSTRUTORA DE GRANDE PORTE Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas da Unidade de Ensino Superior do Sul do Maranhão UNISULMA, como requisito para obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas. Aprovada em: ____/____/____ BANCA EXAMINADORA ____________________________________________________ Prof. Jullys Allan Guimarães Gama (Orientador) Especialização em Educação Ambiental pela Universidade Estadual do Maranhão. Especialização em Auditoria e Perícia Ambiental pela Universidade Gama ____________________________________________________ Profº. Iane Paula Rego Cunha Msc. em Biologia Vegetal pelo Instituto Botânico de São Paulo. Dotouranda em Ciências Biológicas ____________________________________________________ Profº Milena Pupo Raimam Msc. em Microbiologia Ambiental da Universidade Estadual de Londrina PR. Aos nossos pais e irmãos, pelo apoio, carinho e dedicação. AGRADECIMENTOS A Deus que proporciona-me tudo, especialmente durante esta etapa da minha vida, que socorreu-me espiritualmente, dando-me serenidade e forças para continuar. Ao Professor e orientador, Jullys Allan Guimarães Gama, pelos ensinamentos, e importante colaboração na discussão do trabalho, dosando as críticas com comentários de incentivo. À minha família; Elias de Andrade Costa, Maria dos Santos Barbosa da Silva (pais), Elle Mayara da Silva Costa e Elanderson da Silva Costa (irmãos). Ao meu namorado, Rodrigo Lima de Sousa; aos amigos e companheiros que estiveram presente durante todo o curso e formação acadêmica, agradecer seria pouco, com eles compartilho a realização deste trabalho, porque eles têm sido co-autores dos momentos mais importantes da minha vida. Aos companheiros de trabalho: Josélia Borsatto, Ridelma Barbosa e Wainey Teixeira, pela cobertura direta ou indireta, que deram-me nesse último período da faculdade. Devo dizer-lhes que aprendi com vocês a generosa solidariedade e o carinho desprendido. Elayne Cristina da Silva Costa Em primeiro momento, agradeço a Deus por ter aberto as portas deste curso. Aos meus pais: Bernardo Alves Cavalcante e Raimunda Nonata da Silva, pelo apoio incondicional, pela ajuda financeira, pelas palavras de motivação, enfim, por tudo que sou e serei. A todas as pessoas que estiveram ligadas diretamente com a realização desse trabalho monográfico, entre elas minha parceira e verdadeira amiga, Janeth. Ao nosso orientador, professor Jullys pela paciência, confiança, perseverança e compreensão que teve durante o tempo de realização do mesmo. Àqueles que estiveram presente nas horas boas e nas horas ruins, com certeza não iriam faltar meus colegas de turma, obrigado pelo respeito, convivência e carinho que tiveram com a minha pessoa. À Instituição e aos professores em geral, pois cada um, com seu ensinamento, tiveram seu papel de importância até o presente momento. À minha companheira de guerra na construção desse trabalho, muito obrigado pela cumplicidade e compromisso, Elayne! E por fim, agradeço novamente a Deus, pela benção de concluir essa última etapa do curso e por realizar-me pessoalmente. Marcos da Silva Cavalcante , “Na verdade, não são os avanços científicos e industriais que ameaçam o homem e a natureza, mas sim a maneira errada e inconsciente como a humanidade aplica as suas conquistas tecnológicas”. (Jacques Yves Cousteau) RESUMO A construção civil é reconhecida como um dos setores mais importantes para o desenvolvimento econômico e social do país, porém consiste numa atividade impactante devido ao grande consumo de matéria-prima, a modificação da paisagem e a grande geração de resíduos que, em sua grande maioria, são disponibilizados de forma indiscriminada. O município de Imperatriz, situado no estado do Maranhão, não dispõe de uma estrutura apropriada para a disposição final dos seus resíduos, inclusive os de construção civil. Portanto, faz-se necessário o gerenciamento e a reutilização estrutural destes resíduos que tomam importância não apenas ambiental, mas também legal. O presente estudo foi desenvolvido em uma construtora de grande porte com o objetivo de caracterizar e analisar o gerenciamento dos resíduos sólidos da obra, através da aplicação de questionários aos colaboradores, levantamento das fontes geradoras, classificação e destino final dos resíduos gerados pela referida empresa. A partir dos resultados alcançados com esta pesquisa, constatou-se que é possível implementar e gerenciar resíduos sólidos de construção civil de grande porte, mesmo que a cidade em que está localizada não disponha de estrutura para ampará-la. Palavras chave: Resíduos. Disposição final. Construção civil. ABSTRACT The construction industry is recognized as one of the most important sectors for economic and social development of the country, but consists of an impacting activity due to the large consumption of raw materials, the change of scenery and great generation of waste, mostly, are available indiscriminately. The city of Imperatriz, located in the state of Maranhao, lacks a proper infrastructure for the final disposal of their waste, including construction. Therefore, it is necessary to design, management and reuse their structural residues that take importance not only environmental but also legal. This study was conducted in a large construction company aiming to characterize and analyze the management of solid waste site, through the application of questionnaires to employees, a survey of the sources, classification and disposal of waste generated by that company. From the results achieved with this research, we found that it is possible to implement and manage solid waste from construction of large, even though the city where it is located does not have structure to support them. Key words: Solid waste. Construction. Management. LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas CAEMA: Companhia de Água e Esgoto do Maranhão Cm: Centímetros CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente DD: Dificilmente Degradáveis EPI: Equipamento de Proteção Individual ETE: Estação de Tratamento de Esgoto EUA: Estados Unidos da América FD: Facilmente Degradáveis Hab: Habitantes IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPT: Instituto de Pesquisas Tecnológicas ISO: Organização Internacional para Padronização Kg: Quilograma Km: Quilômetro MD: Moderadamente Degradáveis ND: Não Degradáveis NOx: Dióxido de Nitrogênio NBR: Norma Brasileira RCC: Resíduos de Construção Civil RCD: Resíduos de Construção e Demolição SISNAMA: Sistema Nacional do Meio Ambiente SOx: Dióxido de Enxofre Ton: Toneladas LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01: Vista aérea do canteiro de obras da construtora “A”. ......................... 42 Figuras 02 e 03: Coletores de resíduos distribuídos no canteiro de obras. ......... 48 Figuras 04 e 05. Baia utilizada para a segregação dos resíduos. ....................... 48 Figura 06: Entulhos de construção sendo reaproveitados nas estradas de serviços. ............................................................................................... 49 Figura 07: Resíduos de aço gerados na obra, sendo recolhidos pela empresa responsável. .......................................................................... 49 Figuras 08 e 09: Transportes utilizados no recolhimento ................................ 50 Figuras 10 e 11: Funcionários com EPI’s na coleta dos resíduos da empresa. ..................................................................................... 50 Gráfico 01: Tempo de Trabalho na empresa ........................................................ 52 Gráfico 02: Participação em treinamentos de coleta seletiva pela empresa ........ 53 Gráfico 03: Implantação da coleta seletiva no empreendimento .......................... 54 Gráfico 04: Existência de coletores padronizados e suficientes na empresa ....... 55 Gráfico 05: A coleta seletiva na opinião dos participantes da pesquisa. .............. 55 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Tempo de Sobrevivência de Microorganismo Patogênicos nos Resíduos Sólidos (em dias) ............................................................... 21 Tabela 02: Enfermidades relacionadas com os Resíduos Sólidos, Transmitidas por Macro Vetores e Reservatórios. .............................. 22 Tabela 03: Relação incineração x co-processamento: Vantagens e Desvantagens ..................................................................................... 34 Tabela 04: Setores da Construtora “A” com os respectivos resíduos sólidos gerados............................................................................................... 46 Tabela 05: Análise qualitativa dos resíduos da construção civil gerado pela Construtora “A”, segundo a Resolução CONAMA N° 307 (2002) e NBR 10004 (2004).............................................................................. 47 Tabela 06: Disposição final dos resíduos gerados da Construtora “A” ................. 51 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 16 2.1 Resíduos sólidos ................................................................................................ 16 2.2 Classificação dos resíduos................................................................................. 18 3 RESÍDUOS NO MUNDO ....................................................................................... 23 3.1 Resíduos no Brasil .............................................................................................. 24 3.2 Resíduos na Cidade de Imperatriz-MA............................................................... 25 4 RESÍDUOS SÓLIDO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL ........................ 27 4.1 Classificação dos resíduos sólidos da construção civil ................................ 28 4.2 Impactos ambientais associados ao gerenciamento inadequado dos RCC ................................................................................................................ 29 4.3 Alternativas para redução do impacto ambiental ................................ 30 5 PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ................................ 32 5.1 Métodos de tratamento e destinação final......................................................... 33 5.1.1 Processos térmicos ................................................................................................ 33 5.1.2 Processos físicos ................................................................................................ 35 6 6.1 DIRETRIZES PARA GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL ........................................................................................... 37 Norma Brasileira para Gestão de Resíduos ...................................................... 37 6.2 Princípios legais................................................................................................ 37 6.3 Competências ................................................................................................ 38 6.4 Política Nacional do Meio Ambiente................................................................ 38 6.5 Resolução CONAMA 307/02 ................................................................................ 39 6.6 Lei Orgânica do Município de Imperatriz-MA .................................................... 39 6.7 Legislações aplicáveis a Construção Civil ........................................................ 41 7 METODOLOGIA ................................................................................................ 42 7.1 Área de Estudo................................................................................................ 42 7.2 Delineamento da Pesquisa.................................................................................. 43 8 RESULTADOS E DISCURSSÕES ................................................................ 45 8.1 Gerenciamento na Construtora “A” ................................................................ 45 8.1.1 Geração de Resíduos ............................................................................................ 45 8.1.2 Acondicionamento................................................................................................ 47 8.1.3 Coleta e transporte................................................................................................ 49 8.1.4 Disposição final ................................................................................................ 51 8.2 Questionários aplicados aos colaboradores da Construtora “A” 9 CONCLUSÃO ................................................................................................ 57 52 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 59 APÊNDICE ................................................................................................ 62 ANEXOS ................................................................................................................ 64 14 1 INTRODUÇÃO Com o advento da Revolução Industrial e o crescente processo de urbanização, a natureza passou a sofrer fortes intervenções em sua estrutura, tornando-se, ao longo dos anos, motivo de preocupação em todo mundo, principalmente, no que diz respeito aos países subdesenvolvidos. As agressões ambientais, a exploração predatória dos recursos naturais e a falta de controle no lançamento de resíduos sólidos e líquidos no ambiente, são alguns exemplos básicos dos problemas ambientais enfrentados atualmente. Com o crescimento acelerado da população, conseqüentemente houve um aumento na produção de bens e serviços. Estes, por sua vez, acarretam uma geração cada vez maior de resíduos, que, por conseguinte, são coletados, na maior parte das vezes, inadequadamente, trazendo significativos impactos à saúde pública e ao meio ambiente. Segundo o IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas (2000), no Brasil, são produzidas em torno de 100 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, relativas, portanto, a uma fração bastante significativa da produção urbana, constituídas, basicamente, por materiais orgânicos fermentáveis e resíduos sólidos, tais como: papel e papelão, trapos, palhas, folhagens e tecidos celulares (TCHOBANOGLOUS; THEISSEN; ELIASSEN, 1993). Por outro lado, a destinação final desses resíduos, no Brasil, é muito problemática. Várias formas já foram e continuam sendo utilizadas para esconder rejeitos da sociedade. O método de dispor os resíduos sólidos, inclusive os de construção civil, de forma inadequada, a céu aberto sobre o solo, na forma de “lixões”, é pratica da maioria dos brasileiros. Da mesma forma, a atividade industrial da construção civil é considerada uma das maiores geradoras de resíduos, com características que necessitam de disposição final adequada. Por apresentar riscos de poluição ambiental e de saúde pública, a destinação dos resíduos deve ocorrer em áreas preparadas, gerando o mínimo de impacto sobre o ambiente e a saúde humana. Diante disso, o presente trabalho, desenvolvido no município de Imperatriz-MA, teve como objetivo, caracterizar e analisar o gerenciamento dos resíduos sólidos de uma construtora de grande porte, através da aplicação de 15 questionários aos colaboradores, levantamento das fontes geradoras, classificação e destino final dos resíduos gerados, visto que a cidade em que está localizada a empresa, não dispõe de estrutura para ampará-la, por falta de um aterro industrial controlado. Assim, esta pesquisa justifica-se pela necessidade de avaliação da eficácia dos programas de gerenciamento de resíduos sólidos, implantados em empresas geradoras de rejeitos, a exemplo da construção civil, que podem ser prejudiciais e causadores de grandes impactos ao ambiente, comprometendo os seres vivos, que já nasceram e os que pertencerão às futuras gerações. 16 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Resíduos Sólidos A problemática que envolve o homem e o ‘lixo’ é tão antiga quanto a sua própria existência, contudo, a sua capacidade de geração de resíduos era bastante limitada se comparada com os dias atuais. Para ilustrar esse fato, pode-se verificar em vários relatos nas escrituras sagradas que citam o comportamento do homem primitivo em relação aos seus rejeitos. Na cidade de Jerusalém, por exemplo, animais que eram sacrificados tinham suas peles, carnes e excrementos incinerados. Entretanto, a origem da palavra lixo é obscura, não se pode afirmar com precisão qual a sua procedência exata. Para Rocha (1993), o vocábulo ‘lixo’ deriva do latim lix, que significa cinza ou lixívia, ou ainda, seria uma derivação do verbo lixare, do latim medieval, que indica o ato de polir. Já na mitologia greco-romana, a palavra ‘lixo’ é nome próprio, refere-se a um dos filhos de Egito casado com Cleodora e não guarda relação com o significado em nossa língua. Segundo Bidone e Povinelli (1999), o termo resíduo sólido, que muitas vezes é sinônimo para lixo, deriva do latim residuu e significa sobras de substâncias, acrescido de sólido para diferenciar de resíduos líquidos ou gasosos. O conceito de lixo e resíduo, de acordo com Calderoni (1998), varia conforme a época e o lugar, sendo que também depende de fatores econômicos, jurídicos, ambientais, sociais e tecnológicos, pois o termo ‘lixo’, na linguagem corrente, é sinônimo de ‘resíduo’. Nos processos produtivos industriais geralmente utiliza-se ‘resíduos’ como significado de ‘rejeitos’ ou ‘refugos’. Os resíduos sólidos são materiais heterogêneos, (inerte, minerais e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. Os resíduos sólidos constituem problemas sanitário, econômico e principalmente estético. Com base em Lima (2001), considera-se que os resíduos sólidos são constituídos de substâncias: 17 Facilmente Degradáveis (FD): resto de comida, sobra de cozinha, folhas, capim, casca de frutas, animais mortos e excrementos; Moderadamente Degradáveis (MD): papel, papelão e outros produtos celulósicos; Dificilmente Degradáveis (DD): trapo, couro, pano, madeira, borracha, cabelo, pena de galinha, osso, plástico; Não Degradáveis (ND): metal não ferroso, vidro, pedras, cinzas, terra, areia, cerâmica. Contudo, sua composição varia de comunidade para comunidade, de acordo com os hábitos da população, número de habitantes local, poder aquisitivo, variações sazonais, clima, desenvolvimento, nível educacional, variando ainda para a mesma comunidade como as estações do ano. Os resíduos sólidos apresentam grande diversidade e complexidade. As suas características físicas, químicas e biológicas variam de acordo com sua a fonte ou atividade geradora. Fatores econômicos, sociais, geográficos, educacionais, culturais, tecnológicos e legais afetam o processo de geração dos resíduos sólidos, tanto em relação à quantidade gerada, quanto à sua composição qualitativa. Uma vez gerado o resíduo, a forma como é manejado, tratado e destinado pode alterar suas características de maneira, que em certos casos, os riscos à saúde e ao ambiente são potencializados. A ABNT, através da norma NBR 10.004/ 2004 define resíduos sólidos como: Resíduos nos estados sólidos e semi-sólido que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções, técnica e economicamente, inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (CASTILHOS JR, et al., 2006, p. 01). Nesta definição observa-se as varias fontes ou atividades geradoras de resíduos, como também, a possibilidade do resíduo apresentar-se em diferentes estados físicos como os lodos de estações de tratamento de água e esgoto. Esta norma classifica os resíduos quanto a sua periculosidade à saúde pública e ao meio ambiente. O grau de periculosidade dos resíduos depende de suas propriedades físicas, químicas e infecto-contagiosas. 18 2.2 Classificação dos resíduos A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define pela NBR 10004 (NBR 10004/2004, p.3) que os resíduos são classificados em: a) resíduos classe I – Perigosos; b) resíduos classe II – Não perigosos; c) resíduos classe II A – Não inertes; d) resíduos classe II B –. Inertes Os resíduos classe I, considerados pela norma como perigosos, são aqueles que apresentam periculosidade ou características como: a) Inflamabilidade; b) Corrosividade; c) Reatividade; d) Toxicidade; e) Patogenicidade. Segundo a ABNT (NBR 10004/2004, p. 5), os resíduos classe II não perigosos, são descritos pela norma como, por exemplo: a) Resíduo de restaurante (restos de alimentos); b) Sucata de metais ferrosos; c) Resíduo de madeira; d) Bagaço de cana. Os resíduos classe II A – Não-inertes, são classificados pela ABNT (NBR 10004/2004, p. 5), como aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I – Perigosos ou de resíduos classe II B – Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não-Inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a NBR 10007 (apud IETEC, 2003 [online]), e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme NBR 10006, não tiverem nenhum em água. Já os resíduos classe II B – Inertes são de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. 19 De acordo com o Ambiente Brasil (2009), os resíduos podem ser classificados quanto às características físicas como: - Seco: papéis, plásticos, metais, couros tratados, tecidos, vidros, madeiras, guardanapos e tolhas de papel, pontas de cigarro, isopor, lâmpadas, parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças; Molhado: restos de comida, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, etc. Quanto à composição química: - Orgânico: composto por pó de café e chá, cabelos, restos de alimentos, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, ossos, aparas e podas de jardim; - Inorgânico: composto por produtos manufaturados como plásticos, vidros, borrachas, tecidos, metais (alumínio, ferro, etc.), isopor, lâmpadas, velas, parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças, etc. Quanto à origem: - Domiciliar: originado da vida diária das residências, constituído por restos de alimentos (tais como cascas de frutas, verduras, etc.), produtos deteriorados, jornais, revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens, pode conter alguns resíduos tóxicos; - Comercial: originado dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc. - Público e de Serviços de Saúde: originados dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, galerias, córregos, restos de podas de plantas, limpeza de feiras livres, etc, constituído por restos de vegetais diversos, embalagens, etc. - Hospitalar: descartados por hospitais, farmácias, clínicas veterinárias (algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, curativos, sangue coagulado, órgãos e tecidos removidos, meios de cultura e animais utilizados em testes, resina sintética, filmes fotográficos de raios X). Em função de suas características, merece um cuidado especial em seu acondicionamento, 20 manipulação e disposição final. Deve ser incinerado e os resíduos levados para aterro sanitário; - Portos, Aeroportos, Terminais Rodoviários e Ferroviários: resíduos sépticos, ou seja, que contém ou potencialmente podem conter germes patogênicos. Basicamente originam-se de material de higiene pessoal e restos de alimentos, que podem hospedar doenças provenientes de outras cidades, estados e países. - Industrial: originado nas atividades dos diversos ramos da indústria, tais como: o metalúrgico, o químico, o petroquímico, o de papelaria, da indústria alimentícia, etc. O lixo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se grande quantidade de lixo tóxico. Esse tipo de lixo necessita de tratamento especial pelo seu potencial de envenenamento. - Radioativo: resíduos provenientes da atividade nuclear (resíduos de atividades com urânio, césio, tório, radônio, cobalto), que devem ser manuseados apenas com equipamentos e técnicos adequados; - Agrícola - resíduos sólidos das atividades, agrícola e pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc. O lixo proveniente de pesticidas é considerado tóxico e necessita de tratamento especial. - Entulho: resíduos da construção civil: demolições e restos de obras, solos de escavações. O entulho é geralmente um material inerte, passível de reaproveitamento. Quanto às características físicas: - Composição gravimétrica: traduz o percentual de cada componente em relação ao peso total do lixo; - Peso específico: é o peso dos resíduos em função do volume por eles ocupado, expresso em kg/m³. Sua determinação é fundamental para o dimensionamento de equipamentos e instalações; - Teor de umidade: esta característica tem influência decisiva, principalmente nos processos de tratamento e destinação do lixo. Varia muito em função das estações do ano e da incidência de chuvas; - Compressividade: também conhecida como grau de compactação, indica a redução de volume que uma massa de lixo pode sofrer, quando submetida a uma 21 pressão determinada. A compressividade do lixo situa-se entre 1:3 e 1:4 para uma pressão equivalente a 4 kg/cm2. Tais valores são utilizados para dimensionamento de equipamentos compactadores. - Chorume: substância líquida decorrente da decomposição de material orgânico. Quanto às características biológicas: Segundo Lima (2001), a massa dos resíduos sólidos apresenta agentes patogênicos e microorganismos prejudiciais à saúde humana. A tabela 01 apresenta o tempo de sobrevivência (em dias) de microorganismos patogênicos presentes nos resíduos sólidos. Tabela 01: Tempo de Sobrevivência de Microorganismo Patogênicos nos Resíduos Sólidos (em dias) Microorganismos Doenças R.S. (dias) Bactérias - - Salmonella typhi Febre Tifóide 29-70 Salmonella paratyphi Febre Paratifóide 29-70 Salmonella sp Samoneloses 29-70 Shigella Desinteira Bacilar 02-07 Coliformes fecais Gastroenterites 35 Leptospira Leptospirose 15-43 Mycrobacterium tuberculosis Tuberculose 150-180 Vibrio chelerae Cólera 1-13 Vírus - - Enterovírus Poliomelite (Polivírus) 20-70 Helmintos - - Ascaris lumbricóides Ascaridíase 2000 – 2500 Trichuris trichiura Trichiuríase 1800** Larvar de ancilóstomos Ancilostomose 35** Outras larvas de vermes - 25-40 Protozoários - - Entamoeba histolytica Amebíase 08-12 Fonte: Lima (2001 p. 34) 22 A Tabela 02 apresenta a forma de transmissão de enfermidades transmitidas por Macro Vetores e Reservatório relacionados com os resíduos sólidos. Tabela 02: Enfermidades relacionadas com os Resíduos Sólidos, Transmitidas por Macro Vetores e Reservatórios. Vetores Forma de Transmissão Rato e Pulga Mordida, urina, fezes e picada. Mosca Asas, patas, corpo, fezes e saliva. Mosquito Picada Barata Asas, patas, corpo e fezes Gado e Porco Ingestão de carne contaminada. Cão e Gato Urina e fezes Fonte: Lima (2001 p. 34) Enfermindades Leptospirose Peste Bubônica Tifo Murino Febre Tifóide Cólera Amebíese Desinteria Giardíase Ascaridíase Malária Febre Amarela Dengue Lechimaniose Febre Tifóide Cólera Giardíase Teníase Cisticercose Toxoplasmose 23 3 RESÍDUOS NO MUNDO O homem é certamente a espécie que mais modifica o meio em que vive devido a sua alta capacidade de inteligência e raciocínio, o que vem acarretando um grande desequilíbrio da biosfera. Vivemos em uma sociedade moderna onde adotou-se um modelo de desenvolvimento que gera um elevado padrão de produção e consumo devido ao acelerado crescimento populacional, o que resulta em um processo de urbanização intenso e desordenado, gerando sérios problemas de ordem ambiental e de saúde pública (BELI et al., 2005). Neste momento de grande desenvolvimento tecnológico em que vivemos surge a necessidade de estudos e projetos para solução do lixo que está intimamente ligada à sua composição qualitativa, assim como suas características físico-químicas e biológicas. De acordo com Oliveira (2009), a população mundial, é hoje mais de 6 bilhões de habitantes e esteja gerando 570 milhões de ton/ano, sendo que os maiores geradores são: Estados Unidos da América - EUA com 210 milhões ton/ano , Japão 100 milhões ton/ano, Inglaterra 40 milhões ton/ano, França 30 milhões ton/ano e Alemanha 30 milhões ton/ anos (todos pesos aproximados). Observa-se que os maiores geradores são países altamente povoados e com economias desenvolvidas. Estes países têm o gerenciamento de resíduos, onde a seletividade dos mesmos é alta, ocorrendo principalmente em países europeus e no Japão. Nos países desenvolvidos, há uso de incineração do lixo para gerar energia (Inglaterra e Alemanha). Nos EUA 50% do lixo é destinado a aterros sanitários adequados e o restante em forma de incineração, reciclagem, compostagem e outros. (OLIVEIRA, 2009). 24 3.1 Resíduos no Brasil O tratamento dado aos resíduos sólidos no Brasil pode ser bem avaliado a partir da própria dificuldade em obter informações confiáveis e detalhadas sobre o tema. Os dados existentes sobre o assunto são escassos, falhos e conflitantes, a começar das estimativas sobre a quantidade de resíduos gerados (JURAS, 2009). A realidade sobre a produção, tratamento e destino dos resíduos precisam ser conhecidos de forma integrada para que soluções adequadas sejam propostas. Nos dias atuais, os resíduos continuam sendo considerados como importantes fontes de contaminação do ambiente, ocasionando um efeito bumerangue para o próprio homem. É o que se sabe até o momento. Talvez outros efeitos só possam ser descobertos no decorrer dos anos, ou sentidos nas gerações futuras. A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2000, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2008) revelou que o lixo produzido diariamente no Brasil chegava a 125.281 toneladas, sendo que 47,1% eram destinados a aterros sanitários, 22,3% a aterros controlados e apenas 30,5% a lixões. Ou seja, mais de 69% de todo o lixo coletado no Brasil apresentava um destino final adequado, em aterros sanitários e/ou 18% controlados. Todavia, em número de municípios, o resultado não é tão favorável: 63,6% utilizavam lixões e 32,2%, aterros adequados (13,8% sanitários, 18,4% aterros controlados), sendo que 5% não informaram para onde vão seus resíduos. Os números da pesquisa permitem, ainda, uma estimativa sobre a quantidade coletada de lixo diariamente, onde, nas cidades com até 200.000 habitantes, são recolhidos de 450 a 700 gramas por habitante; nas cidades com mais de 200 mil habitantes, essa quantidade aumenta para a faixa entre 800 e 1.200 gramas por habitante. 25 3.2 Resíduos na cidade de Imperatriz-MA O município de Imperatriz localiza-se no oeste do Estado do Maranhão, na microregião 38ª, tendo como limites os municípios de Cidelândia, São Francisco do Brejão, João Lisboa, Davinópolis, Governador Edilson Lobão e com o Estado do Tocantins. “Está Situada a 639 quilômetros da capital com as coordenadas geográficas 5°31’32”; latitude; 47º26’35” longitude, com altitude média de 92 metros acima do nível do mar e área geográfica de 1.538,21 km², que corresponde a 0,46% do Estado (333.365,6) km² (VELOSO et al., apud SILVA, et al., 2009). A população da cidade de Imperatriz apresenta em torno de 236.311 habitantes, segundo dados coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008). Segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Infra-estrutura e Transporte de Imperatriz/MA, há uma produção diária de resíduos sólidos estimada em 280 toneladas, que equivale a 0,82 kg por habitantes dia, sendo maior que a média nacional que está próxima dos 0,65kg/hab. (SILVA, et al., 2009). Observou-se a inexistência de legislações específicas para a regulamentação gerencial de resíduos sólidos no município, no entanto, faz uso do código de postura municipal (Lei n° 850/97) como única referência local (IMPERATRIZ, apud SILVA et al., 2009). Um dos pontos que inclusive ainda nem saiu do papel e, que fora elemento de destaque dentro do Plano Diretor de Imperatriz, fora àquele que diz respeito à construção de um aterro sanitário para a cidade. O objetivo era promover uma melhor e mais adequada destinação final para os resíduos sólidos produzidos pela cidade de Imperatriz-MA. Todavia apesar dos já 06 (seis) anos de aprovação do Plano, todo o lixo produzido em Imperatriz-MA, continua sendo despejado a céu aberto (Lixão Municipal). Diariamente, são encaminhados para o lixão municipal todos os resíduos produzidos pela cidade (lixo doméstico, industrial e hospitalar, etc.), sem qualquer preocupação ou tratamento aparente; isso apesar do Plano de Lei 002/2004 frisar enfaticamente a necessidade primordial por um tratamento adequado aos resíduos sólidos aqui produzidos (reciclagem e reutilização como insumo nas cadeias 26 produtivas), isso apesar de destacar este mesmo Plano, a necessidade emergencial de construção de um aterro sanitário para atender a demanda urbana de Imperatriz, o que até o presente momento também não fora feito (VALADARES, 2009). 27 4 RESÍDUOS SÓLIDOS NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL A macroestrutura da indústria da construção civil, atividade também denominada de construbusiness, que envolve desde o setor de materiais, a construção propriamente de edificações e a construção pesada como, por exemplo, construção de hidroelétricas, de estradas, até a atividade imobiliária, são conhecidas como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social do Brasil (BRASIL, 1996). O construbusiness é um ramo da atividade industrial que gera uma grande quantidade de empregos e absorve um expressivo contingente de mão-deobra dos mais diversos tipos e, em especial, os profissionais menos qualificados e socialmente mais dependentes. Além disso, é um setor que gera mais empregos a um custo baixo (BRASIL, 1996). De outra forma, a cadeia produtiva da construção civil consome entre 14 e 50% de recursos naturais extraídos do planeta; no Japão corresponde a cerca de 50% dos materiais que circulam na economia e nos Estados Unidos, o consumo de mais de dois bilhões de toneladas representam cerca de 75% dos materiais circulantes (JOHN et al., 2000). Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD), em sua maioria, apresentam natureza mineral (como por exemplo: concretos, argamassas, rochas, solos, e cerâmicas). Eles são responsáveis pelo esgotamento de áreas de aterros em cidades de médio e grande porte uma vez que eles correspondem a mais de 50% dos resíduos sólidos urbanos. Além disso, os mesmos geram altos custos sócio-econômicos e ambientais nessas cidades em função das deposições irregulares (ÂNGULO, 2005). No Brasil os RCD também atingem alevadas proporções da massa dos resíduos sólidos urbanos: variam de 51 a 70% (PINTO, apud SCHNEIDER, 2003 [online]). Essa grande massa de resíduos, quando mal gerenciada, degrada a qualidade da vida urbana, sobrecarrega os serviços municipais de limpeza pública e reforça no país a desigualdade social, uma vez que escassos recursos públicos são continuamente drenados para pagar a conta coleta, transporte e disposição de resíduos depositados irregularmente em áreas públicas, conta essa que, na realidade, é de responsabilidade dos geradores. 28 De acordo com Brasil (2009), o Brasil no ano de 2002, passou a destacarse, o estabelecimento de políticas públicas, normas, especificações técnicas e instrumentos econômicos, voltados ao equacionamento dos problemas resultantes de manejo inadequado dos resíduos da construção civil. Este conjunto de políticas, normas e instrumentos econômicos colocam o país em destaque entre os situados no Hemisfério Sul. E, por outro lado, possibilita que os agentes envolvidos na cadeia dos resíduos desenvolvam iniciativas dos processos de gestão. Existe hoje um grande número de construtoras que, capitaneadas por suas instituições setoriais em diversas unidades da Federação, instituem sistemas de gerenciamento em seus canteiros de obra. Há, ainda, um interesse expressivo de empreendedores privados para a abertura de novos e rentáveis negócios nas atividades de triagem e reciclagem. São ações que vem de encontro ao esforço crescente dos municípios, principalmente os que se posicionam como pólos regionais, de dar cumprimento às diretrizes do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. 4.1 Classificação dos resíduos sólidos da construção civil A preocupação com os resíduos sólidos é cada vez maior e, desta forma, são buscados meios de melhor estudá-los. Uma maneira de fazer isto é através da sua classificação. O Art. 3° da Resolução 307/2002, Conama (2002) classifica os resíduos da seguinte forma: I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.) argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras; II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais 29 como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros; III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso; IV - Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros. Segundo essa Resolução, os resíduos da construção civil os provenientes de execução, reforma, reparo e demolição de obras de Construção Civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: blocos cerâmicos, concretos em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, vulgarmente são chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. 4.2 Impactos ambientais associados ao gerenciamento inadequado dos RCC Juntamente com a grande importância da indústria da construção civil como alavanca para o desenvolvimento social e econômico do país, este setor também vem, na mesma intensidade, gerando impactos negativos para o meio ambiente. Todas as etapas do processo construtivo, tais como: extração da matériaprima, produção de materiais, construção, utilização e demolição, causam impactos ambientais que afetam direta ou indiretamente os seguintes aspectos: A saúde, a segurança e o bem-estar da população; As atividades sociais e econômicas; A biota; As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; A qualidade dos recursos ambientais. De acordo com Cassa, Carneiro e Brum (2001), são várias as 30 conseqüências negativas causadas pelo fluxo irracional e descontrolado do grande volume de Resíduos de Construção Civil - RCC gerado nos municípios. Dentre os problemas causados por este ineficaz gerenciamento desses resíduos, que foi denominado por Pinto (apud SCHNEIDER, 2003) de gestão corretiva, podemos destacar o impacto ambiental e o econômico. Os impactos ambientais causados pela má gestão dos RCC são devido a não captação compromissada dos resíduos da construção civil, a inexistência de políticas públicas que disciplinem a destinação dos resíduos. Tudo isso associado a um ineficaz gerenciamento ambiental de alguns agentes ligados à gestão dos RCC, impõe-se à população um expressivo número de áreas degradadas denominadas, conforme Pinto e Gonzáles (2005), de bota-foras clandestinos ou de deposições irregulares. Essas duas áreas estão quase sempre localizadas nas periferias das cidades onde há maior número de áreas livres. Vizinhas a estas áreas, encontra-se a população mais carente, a qual é mais afetada pelos problemas causados pela disposição incorreta dos RCC. A disposição inadequada dos resíduos, além de ocasionar transtorno à população, demanda de vultosos investimentos financeiros, o que coloca a indústria da construção civil o centro de discussões na busca de desenvolvimento sustentável nas suas diversas dimensões. 4.3 Alternativas para redução do Impacto Ambiental Os profissionais da indústria da construção civil vêm buscando a implementação de processos, desenvolvimento de pesquisas e de ensino, e devem ser capacitados a divulgar as mudanças necessárias e dispostos a derrubar os paradigmas existentes no setor da construção civil brasileira. De acordo com John (et al., 2000), no ano de 1999, foi publicada pelo International Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB) uma Agenda 21 para o setor da construção civil, denominada de Agenda 21 on Sustainable Construction. Este documento aponta como base sustentabilidade da indústria da construção civil, os seguintes critérios: para a 31 Redução do consumo energético e da extração dos recursos minerais; Conservação das áreas naturais e de biodiversidade; Manutenção da qualidade do ambiente construído. Baseado nestas idéias, John (et al., 2000) propuseram uma Agenda 21 para a indústria da construção civil brasileira, a qual baseava-se nas seguintes propostas: Redução das perdas de materiais com o melhoramento dos processos construtivos; Reciclagem dos resíduos da indústria da construção civil, para que estes sejam empregados como materiais de construção; e Durabilidade e manutenção de edificações. Segundo Vásquez (2001), a indústria da construção civil sustentável deve investir numa produção baseada na redução de geração de resíduos, desenvolvendo tecnologias limpas, utilização de materiais recicláveis, reutilizáveis ou secundários e na coleta e deposição de inertes. O setor da construção civil começou a participar das discussões a respeito do controle e da responsabilidade pela destinação de seus resíduos sólidos, através da Resolução nº. 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Atualmente, o que tem sido observado é que as empresas que atuam no setor da construção civil têm apresentado uma conduta ambiental mais responsável, por exemplo, as que buscam a certificação da Organização Internacional para Padronização - ISO 14001. 32 5 PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil conforme a Resolução 307/2002, Conama (2002), é o sistema de gestão que visa reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos, incluindo planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos e recursos para desenvolver e implementar as ações necessárias ao cumprimento das etapas previstas em programas e planos. O Projeto de Gerenciamento deve, de forma sumária, seguir às exigências das seguintes etapas da Resolução CONAMA nº 307/2002. No Art. 9º da Resolução 307/2002, Conama (2002), os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deverão contemplar as seguintes etapas: I - caracterização: nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos; II - triagem: deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos estabelecidas no art. 3º desta Resolução; III - acondicionamento: o gerador deve garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a etapa de transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível, as condições de reutilização e de reciclagem; IV - transporte: deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as normas técnicas vigentes para o transporte de resíduos; V - destinação: deverá ser prevista de acordo com o estabelecido na referida Resolução. No Art. 10° da Resolução 307/2002, Conama (2002), os resíduos da construção civil deverão ser destinados das seguintes formas: I - Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura; II - Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura; 33 III - Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas; IV - Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas. Dessa forma, é preciso que exista a implantação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos, a fim de que seja feito dentro dos padrões estabelecidos. 5.1 Métodos de tratamento e destinação final O aproveitamento dos resíduos gerados pode trazer benefícios interessantes, tanto do ponto de vista ambiental, segundo (SISTEMA FIRJAN, 2006) como também econômicos: Na redução da criação e utilização de aterros; Nos gastos com acondicionamento e transporte; Na redução da utilização dos recursos naturais; Na diminuição dos riscos ambientais proporcionados por esses resíduos. Do ponto de vista econômico, essas soluções são atrativas tanto na redução de custos de transporte e da disposição legal do aterro, quanto na redução dos custos globais das matérias-primas. A escolha dos métodos de tratamento e disposição final deve considerar fatores técnicos, legais e financeiros. A seguir estão descritos os principais métodos de tratamento e disposição final. 5.1.1 Processos térmicos Existe uma grande variedade de técnicas de tratamento baseadas na aplicação de calor aos resíduos, os chamados processos térmicos. Os produtos 34 resultantes do emprego dessas técnicas dependem da quantidade de calor utilizada. De acordo com (SISTEMA FIRJAN, 2006), os processos térmicos mais usuais incluem: Incineração: O processo de incineração utiliza a combustão controlada para degradar termicamente materiais residuais. Os equipamentos envolvidos na incineração garantem fornecimento de oxigênio, turbulência, tempo de residência e temperatura adequados e devem ser equipados com mecanismos de controle de poluição para a remoção dos produtos da combustão incompleta e das emissões de particulados, de Dióxido de Enxofre - SOx e Dióxido de Nitrogênio - NOx. É necessária a correta disposição dos resíduos sólidos resultantes (cinzas) após a incineração. As cinzas devem ter sua composição analisada para que seja determinado o melhor método de disposição, que normalmente são utilizados aterros industriais. Observa-se na tabela 03, as vantagens e desvantagens dos processos térmicos de incineração. Co-Processamento: O co-processamento consiste no reaproveitamento de resíduos nos processos de fabricação de cimento. O resíduo é utilizado como substituto parcial de combustível ou matéria-prima e as cinzas resultantes são incorporadas ao produto final, o que deve ser feito de forma controlada e ambientalmente segura. Esta é uma alternativa de baixo custo freqüentemente utilizada para tratamento térmico de grande variedade de resíduos. Observa-se na tabela 03, as vantagens e desvantagens dos processos térmicos de co-processamento. Pirólise: A pirólise consiste na decomposição química do resíduo orgânico por calor na ausência de oxigênio. Os resíduos selecionados devem ser triturados e enviados a um reator pirolítico onde os compostos orgânicos são volatilizados e parcialmente decompostos. A pirólise é um processo muito eficiente de destinação final de resíduos sólidos. Porém, por ser ainda custoso no que tange à sua manutenção, necessita de maior aprimoramento tecnológico. 35 Plasma: O plasma é o gás ionizado por meio de temperaturas superiores a 3000 ºC, tornando-se uma forma especial de material gasoso que conduz eletricidade. A característica de alta energia e temperatura do plasma permite um tempo de reação curto em relação ao incinerador clássico, permitindo uma velocidade de destruição mais alta e a construção de reatores menores. 5.1.2 Processos físicos Os processos físicos são normalmente empregados como pré-tratamento para que os resíduos sejam posteriormente encaminhados para tratamento e/ou disposição final. Os processos físicos de tratamento de resíduos englobam: Centrifugação; Separação gravitacional e Redução de partículas. Disposição final em aterros: Aterro Industrial Nos Aterros Industriais, os resíduos são confinados em grandes áreas especialmente projetadas para receber os tipos de resíduos que estão sendo dispostos. Existem aterros para resíduos classe I e classe II (classificação segundo a norma NBR 10004), que diferem entre si no sistema de impermeabilização e controle necessário. 36 Tabela 03: Relação incineração x co-processamento: Vantagens e Desvantagens INCINERAÇÃO COPROCESSAMENTO VANTAGENS Degrada completamente os resíduos, quebrando as moléculas dos componentes perigosos. Tecnologia aceita pelos órgãos ambientais, desde que em instalações licenciadas. Aplicada a grande número de tipos de resíduos. VANTAGENS Resíduos podem ser reaproveitados energeticamente DESVANTAGEM Gera cinzas, que devem ser corretamente dispostas de acordo com a sua composição. Gera emissões atmosféricas, que devem ser controladas. Alto custo. DESVANTAGEM Necessita controle emissões atmosféricas de Alguns resíduos perigosos não podem ser coBaixo custo processados devido à sua composição De acordo com a Resolução CONAMA 264 de 1999, é proibida a destinação via coNão gera cinzas, pois toda processamento dos resíduos: a matéria queimada é “domiciliares brutos, os incorporada ao produto final resíduos de serviços de saúde, os radioativos, explosivos, organoclorados, agrotóxicos e afins”. Fonte: Sistema Firjan (2006 p. 21) 37 6 DIRETRIZES PARA GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL 6.1 Normas Brasileiras para a Gestão de Resíduos Segundo Pasqualotto Filho et al. (2007), diversos são os instrumentos normativos que disciplinam a questão dos RCC, tendo como suporte os princípios de competência administrativa e legal envolvida com os RCC; normas jurídicas que disciplinam a conduta dos geradores dos RCC e administradores públicos; e instrumentos aplicáveis em caso de violação dos direitos difusos. 6.2 Princípios legais Dentro dos princípios que orientam a gestão dos RCC, destaca-se: o princípio do poluidor pagador, que sujeita o agente degradador do meio ambiente à obrigação civil de fazer, ou de pagar, além de imposição de sanções administrativas e penais, de acordo com o disposto no § 3º do artigo 225 da Constituição Federal. A declaração do Rio, elaborada a partir do Rio-92, determina em seu princípio 16 que os países devem criar mecanismos para que os poluidores internalizem os custos advindos dos danos causados ao meio ambiente para a produção e/ou prestação de serviços, corrigindo as distorções ambientais impostas à sociedade, em proveito de poucos. Quanto ao princípio da prevenção e precaução, ambos norteiam para o sentido de reduzir ou obstar a prática de atividades ou a produção de matérias que, ainda que potencialmente, possam vir a causar detrimento dos recursos naturais, flora, fauna, saúde humana, degradação visual da paisagem urbana. Nada justifica a displicência com que os RCC são tratados e tolerados (PASQUALOTTO FILHO, et al. 2007). 38 6.3 Competências Há competência material comum da União, estados, distrito federal e municípios no assunto proteção do meio ambiente de acordo com o artigo 23 da Carta Magna de 1988, podendo cada um dos entes federativos fiscalizar e regulamentar condutas para a adequada gestão dos resíduos em estudo. Contudo, de forma específica o artigo 30, inc. V da Constituição Federal disciplina que compete aos municípios, a organização e prestação dos serviços públicos de interesse local, entre eles o gerenciamento dos resíduos urbanos (PASQUALOTTO FILHO, et al. 2007). 6.4 Política Nacional do Meio Ambiente A Lei nº 6.938/81, denominada de Política Nacional do Meio Ambiente, é de grande relevância, uma vez que busca a preservação, melhora e recuperação do meio ambiente nacional, tendo instituído, para tanto, o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que representa o conjunto de órgãos, entidades e normas de todos os entes federativos União, estados, distrito federal e municípios, responsáveis pela gestão ambiental, assim como princípios e conceitos fundamentais para a proteção ambiental, estabelecendo ainda objetivos e instrumentos até então inexistentes na legislação pátria. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é seu órgão central (PASQUALOTTO FILHO, et al. 2007). Há destaque à questão dos RCC, uma vez que sua finalidade é estudar e propor diretrizes e políticas públicas para a preservação do meio ambiente, deliberando sobre as formas de controle ambiental por meio de resoluções, que são normas técnicas e administrativas com força de lei (tema controvertido), voltadas para a execução das diretrizes abstratas constantes na lei nº 6.938/81. No âmbito municipal, é instrumento para a implementação da gestão de resíduos da construção civil o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, a ser elaborado pelos municípios e pelo distrito federal, o qual deverá incorporar o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da 39 Construção Civil; e Projetos de Gerenciamento de Resíduo da Construção Civil (PASQUALOTTO FILHO et al., 2007). 6.5 Resolução Conama 307/02 A Resolução 307, de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente Conama, estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias à minimização dos impactos (efeitos) ambientais, levando em conta a política urbana de pleno desenvolvimento da função social das cidades e da propriedade urbana. Na referida Resolução é definido que os geradores de resíduos da construção civil (entulhos) devem ter como objetivo principal a não-geração de entulhos e, em caráter secundário, a redução, reutilização, reciclagem, bem como a responsabilidade pela destinação final de tais materiais, levando em conta que os mesmos não podem ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em “botafora”, encostas, corpos de água, lotes vagos, bem como em áreas legalmente protegidas por lei (caso, por exemplo, dos manguezais). Para tal exigência da referida Resolução, cada município deve obrigatoriamente desenvolver e implantar o Plano Municipal de Gestão dos Resíduos da Construção Civil. A Resolução foi muito clara ao definir um prazo máximo de dezoito meses, contados a partir de 5 de julho de 2002, para que todos os municípios deixem de fazer a disposição de resíduos de construção civil em aterros domiciliares e em áreas de “bota-fora”, o que não ocorre na realidade (PASQUALOTTO FILHO, et al. 2007). 6.6 Lei Orgânica do Município de Imperatriz-MA A Lei Orgânica da Câmara Municipal de Imperatriz promulgada em 06 de abril de 1990, estabelece no preâmbulo do Capítulo VIII, dos Serviços de Obras Públicas do Art. 115 que o Município promove programas de saneamento básico 40 destinados a melhorar as condições sanitárias e ambientais das áreas urbanas e o nível de saúde da população (IMPERATRIZ, 1990). No parágrafo único deste artigo fica claro que, a ação do Município deverá orientar-se para: I – formular a política municipal de saneamento básico, participando ativamente na formação da política regional e estadual de saneamento básico; II – promover a limpeza das vias e logradouros públicos, a remoção, o tratamento e o destino do lixo domiciliar e de outros resíduos de qualquer natureza; III – regulamentar e fiscalizar a geração, acondicionamento, armazenagem, coleta, transporte e tratamento do destino final de resíduos de qualquer natureza; IV – regulamentar e fiscalizar o transporte, a instalação e a utilização de fontes radioativas empregadas em finalidades de cunho medicional e de pesquisa no Município, prevenindo seus efeitos sobre a população. (IMPERATRIZ, 1990). Contudo, dentre os princípios que regulamentam a gestão dos resíduos de forma específica, o Art. 116 dos serviços de coleta, transporte, tratamento e destino final de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, qualquer que seja o processo adotado, deverão ser executados sem qualquer prejuízo para a saúde e o meio ambiente, observando-se dentre outros os seguintes preceitos: I – preservação, na forma da lei, da boa qualidade das águas superficiais e subterrâneas, impedindo-se sua poluição; II – reaproveitamento, no que couber, de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, especialmente com a finalidade de economia de recursos naturais e energéticos; III – obrigatoriedade de recuperação de áreas degradadas pela exposição de resíduos sólidos e/ou líquidos. (IMPERATRIZ, 1990). Baseado no Art. 117 nos termos desta lei, o Município exige da fonte geradora, que seja executado o prévio tratamento ou acondicionamento de resíduo produzido. No Art. 118, no caso de estabelecimentos industriais, de serviços de saúde, comerciais e de outros serviços de médio e grande porte, o Município exige que os resíduos, bem como os entulhos de obras de construção civil, sejam por eles próprios caracterizados, tratados e depositados em locais adequados sob permanente supervisão, controle e fiscalização do Município. 41 6.7 Legislações aplicáveis a Construção Civil Além da CONAMA 307/2002 e NBR 10004/2004, outras legislações referentes a resíduos também são aplicáveis a Construção Civil. (Anexo A) 42 7 METODOLOGIA 7.1 Área de Estudo A empresa escolhida como estudo de caso para esta pesquisa foi uma construtora “A”, considerada de grande porte e que possui seu canteiro de obras localizado no município de Imperatriz-MA, com uma área de 37 000 m², como mostra a Figura 01. A empresa executa a obra da Ponte sobre o rio Tocantins e seus acessos, ligando a cidade de Imperatriz-MA ao município de São Miguel do Tocantins-TO. Figura 01: Vista aérea do canteiro de obras da construtora “A”. Fonte: Construtora CONSTRAN S/A (2009) Em junho de 2007, a empresa havia contratado média de 600 funcionários para atender alta demanda de trabalho na obra, o que vinha acarretando o grande volume de resíduos gerados e a dificuldade para a destinação destes materiais produzidos, a solução foi o estabelecimento de parcerias entre a construtora “A” e as empresas licenciadas pelos órgãos ambientais para que pudessem efetuar o recolhimento e dar destinação final aos resíduos, visto que o município de Imperatriz-MA, não possui aterro sanitário em operação, e sim um lixão sem gerenciamento, dificultando a implementação de um sistema de coleta seletiva eficiente pela construtora “A”. 43 Com o objetivo de efetuar o recolhimento dos resíduos e atender as especificações ambientais adequando suas atividades em padrões que minimizem os danos ambientais gerados pela construção civil foram feitas parcerias, tais como: empresa de reciclagem RECIMAR (papéis, plásticos, sacos de cimento e marmitas aluminizadas), localizada no município de Imperatriz-MA; empresa de incineração SERQUIPE (não recicláveis e contaminados por óleos, graxas e de ambulatório), localizada na cidade de São Luis-MA; Sucata Mayara (metais diversos), localizada em Imperatriz-MA; empresa de refinaria LWART (óleo e diesel), localizada no estado do Pará. A limpeza das fossas existentes no canteiro de obras e o recolhimento dos dejetos dos banheiros químicos para serem despejados na Estação de Tratamento de Esgoto - ETE da CAEMA (Companhia de Água e Esgoto do Maranhão), eram realizados pelas empresas COIMBRA e BIG JATO, respectivamente. Ambas com sede em Imperatriz-MA. 7.2 Delineamento da Pesquisa O presente trabalho foi realizado no período de janeiro a junho de 2009, dividido em duas etapas: pesquisa bibliográfica e trabalho de campo. O método utilizado foi o crítico dialético, e do ponto de vista dos objetivos, trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa, de natureza descritiva, o que para Triviños (1987), permite ao investigador a capacidade de elaborar significados e interpretações dos fenômenos sociais, ressaltando a idéia do comportamento humano e os fatos pelos quais se manifesta. A pesquisa crítico-dialética questiona, fundamentalmente, a visão estática da realidade. Esta visão não esconde o caráter conflitivo, dinâmico e histórico da realidade. Sua postura marcadamente crítica expressa a pretensão de desvelar, mais que o “conflito das interpretações”, o conflito dos interesses. Essas pesquisas manifestam um “interesse transformador” das situações ou fenômenos estudados, resgatando sua dimensão sempre histórica e desvelando suas possibilidades de mudanças. As propostas nelas contidas caracterizam-se por destacar o dinamismo da práxis transformadora dos homens como agentes históricos. Propõe além da formação da consciência e da resistência espontâneas dos sujeitos históricos nas situações de conflito, a participação ativa na organização social e na ação política (TRIVIÑOS, 1987, p. 45). 44 O trabalho de campo consistiu em visitas as dependências da Construtora “A”, para levantamento de dados junto à empresa responsável pela fiscalização no empreendimento e aplicação de questionário (Apêndice A), para os colaboradores de todos os setores da obra em estudo. Além disso, foi realizada a análise qualitativa dos resíduos sólidos gerados conforme sua classificação determinada pelas Resoluções CONAMA N° 307/2002 e NBR 10004/2004. 45 8 RESULTADOS E DISCUSSÕES Com o objetivo de verificar mais de perto a realidade da empresa pesquisada denominada de construtora “A” foi realizada uma pesquisa de campo, em que foram aplicados questionários fechados com múltiplas opções aos colaboradores, onde foi possível fazer-se um levantamento das fontes geradoras, bem como a classificação e destino final dos resíduos gerados pela a referida empresa. 8.1 Gerenciamento na Construtora “A” 8.1.1 Geração de Resíduos Os resíduos da construção civil da Construtora “A” foram resultantes do tipo de empreendimento que a empresa realiza, sendo neste caso, a construção de uma ponte estaiada com seus acessos. O levantamento das fontes geradoras dos setores de escritório, refeitório, almoxarifado, usinagem de concreto, oficina mecânica, borracharia, ambulatório e os respectivos resíduos sólidos estão contemplados, conforme Tabela 04. 46 Tabela 04: Setores da Construtora “A” com os respectivos resíduos sólidos gerados. Fontes Geradoras Escritório Refeitório Almoxarifado Usinagem Oficina mecânica Resíduos Gerados Papel Plástico Metais Lâmpada Pilha Bateria Vidro Material não reciclável Lixo orgânico comum Papel Plástico Lixo orgânico comum Metais Lâmpada Pilha Bateria Madeira Vidro Metais Material contaminado Metais Material contaminado Óleo lubrificante Pneus Borracharia Metais Carpintaria Obra Ambulatório Material contaminado Madeira Entulhos de construção civil Resíduo de ambulatório Fonte: Pesquisa de campo/2009. A preocupação da empresa atualmente é o levantamento quantitativo dos resíduos gerados pelo processo de construção civil, isto deve-se, principalmente com disposição final que os mesmos irão receber, a fim de otimizar os custos. Devido à empresa praticar a política dos R’s (reduzir, reutilizar e reciclar) foi possível realizar o levantamento quantitativo de alguns resíduos durante o período da pesquisa. Segundo esse levantamento, realizado no período de janeiro a junho de 2009, houve a produção de 13.696 Kg de papel, 754 Kg de plástico, 1.040 Kg de 47 material contaminado e 3.200 L de óleo lubrificante, conforme notas fiscais e declarações de recolhimento e venda dos resíduos apresentadas no anexo B deste trabalho. Na tabela abaixo, há a qualificação dos resíduos segundo a Resolução CONAMA N° 307 (2002) e NBR 10004 (2004). Tabela 05: Análise qualitativa dos resíduos da construção civil gerado pela Construtora “A”, segundo a Resolução CONAMA N° 307 (2002) e NBR 10004 (2004). CLASSES RESÍDUOS CONAMA Nº 307 Papel Plástico Sucatas de metais ferrosos e não ferrosos Lâmpada Pilha Bateria Vidro Lixo orgânico comum Madeira Material contaminado Óleo lubrificante Pneus Entulhos de construção Resíduo ambulatório NBR 10004 B B Classe II – Não perigoso Classe II – Não perigoso B Classe II – Não perigoso C C C B .............. B D D B A C Classe I – Perigoso Classe I – Perigoso Classe I – Perigoso Classe II – Não perigoso Classe II – Não perigoso Classe II – Não perigoso Classe I – Perigoso Classe I – Perigoso Classe II – Não perigoso Classe II B – inertes Classe I – Perigoso Fonte: Pesquisa de Campo, 2009 8.1.2 Acondicionamento Foi analisado que, o acondicionamento é realizado de maneira eficiente. Dentro de cada setor da empresa há transportadores e coletores padronizados, de acordo com a Resolução CONAMA nº 275/2001 que escabele o código de cores: azul: papel/papelão; vermelho: plástico; amarelo: metal; preto: madeira; laranja: resíduos perigosos; branco: resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde; marron: resíduos orgânicos; cinza: resíduo geral não reciclável ou misturado, ou 48 contaminado não passível de separação (Figuras 02 e 03). Figuras 02 e 03: Coletores de resíduos distribuídos no canteiro de obras. Fonte: Pesquisa de campo, 2009 Os resíduos como papel, plástico, alumínio, madeira, ferro, materiais contaminado, e óleo usado ficam dispostos na baía - central de resíduos, localizada no canteiro de obra, padronizada quanto à identificação, sinalização e provida de base com material impermeabilizante; é um galpão coberto, arejado e dotado de equipamentos para prevenção e combate a incêndios e derramamento de resíduos líquidos. Com sua instalação é possível separar e estocar os resíduos produzidos na obra até a destinação final, para reciclagem, reprocessamento, incineração, encaminhamento ao lixão municipal, ou qualquer outra ação necessária. (Figura 04 e 05). Figuras 04 e 05. Baia utilizada para a segregação dos resíduos. Fonte: Pesquisa de campo, 2009 Em relação o acondicionamento de material inerte constatou-se que a empresa não possui uma central de resíduos de concreto no canteiro de obra. A 49 disposição destes materiais (entulhos de construção) é realizada em local improvisado e os resíduos são reaproveitados na recuperação das estradas de serviço. (Figura 06) Figura 06: Entulhos de construção sendo reaproveitados nas estradas de serviços. Fonte: Pesquisa de campo/2009 8.1.3 Coleta e transporte A empresa dispõe de um Programa de Coleta Seletiva que segue em fase de implantação há um ano e meio. Diariamente é realizada a limpeza nas frentes de serviço em operação e nas áreas administrativas, os resíduos recolhidos são segregados e encaminhados à baia de resíduos de acordo com sua origem. Para posteriormente serem recolhidos para sua destinação final por empresas licenciadas para este serviço (Figura 07). Figura 07: Resíduos de aço gerados na obra, sendo recolhidos pela empresa responsável. Fonte: Pesquisa de campo, 2009 50 Para o transporte destes resíduos dentro da obra a Construtora disponibiliza diariamente um carrinho adequado para a coleta seletiva. Além disso, a empresa possui um transporte apropriado que auxilia no transporte dos entulhos gerados nas frentes de serviço, sendo que, sua freqüência é a cada dois dias, distribuídos na semana (Figura 08 e 09). Figuras 08 e 09: Transportes utilizados no recolhimento Fonte: Pesquisa de campo, 2009 Atendendo às determinações de segurança, as equipes envolvidas no recolhimento dos resíduos gerados pela obra de construção civil utilizam equipamentos de proteção Individual – EPI’s de acordo com a necessidade, tais como: luvas, botas, capacetes, máscaras e coletes (Figura 10 e 11). Figuras 10 e 11: Funcionários com EPI’s na coleta dos resíduos da empresa Fonte: Pesquisa de campo, 2009 51 8.1.4 Disposição final Na tabela 06 observa-se a destinação final dos diferentes resíduos sólidos gerados. Tabela 06: Disposição final dos resíduos gerados da construtora “A” RESÍDUOS CLASSIFICAÇÃO NBR 10004 DESTINO FINAL Papel Plástico Sucatas de metais ferrosos e não ferrosos Lâmpada Pilha Bateria Vidro Lixo orgânico comum Classe II – Não perigoso Classe II – Não perigoso Reciclagem Reciclagem Classe II – Não perigoso Reciclagem Classe I - Perigoso Classe I - Perigoso Classe I - Perigoso Classe II – Não perigoso Classe II – Não perigoso Madeira Classe II – Não perigoso Material contaminado Classe I - Perigoso Óleo lubrificante Classe I - Perigoso Pneus Entulhos de construção Resíduo ambulatório Classe II – Não perigoso Classe II B - inertes Classe I - Perigoso Incineração Incineração Incineração Reciclagem Lixão Reuso – aquecimento nos fornos das cerâmicas. Incineração Empresa especializada – rerrefino Reciclagem Reuso Incineração Fonte: Pesquisa de campo, 2009 Na construtora “A, os resíduos Classe I – Perigoso (lâmpada, pilha, bateria, material contaminado, resíduos de ambulatório) são destinados a empresa licenciada para a incineração. O óleo lubrificante é coletado e enviado a empresa especializada em rerrefino, processo industrial que transforma o óleo usado em óleo básico, principal matéria prima da fabricação do lubrificante acabado. A maioria dos resíduos Classe II - Não perigoso (papel, plástico, sucatas de metais, vidro, pneus) são reciclados por pequenas empresas recicladoras da região. A madeira usada na obra é vendida para ser reutilizada no aquecimento de fornos de cerâmicas. E o lixo orgânico comum, como restos de alimentos são 52 destinados ao lixão da cidade. Quanto os entulhos de construção Classe IIB – inerte, são reaproveitados pela empresa, utilizados na recuperação do nivelamento das estradas de serviço e na recuperação dos taludes do acesso maranhense, afetados pelas chuvas. 8.2 Questionários aplicados aos colaboradores da Construtora “A” Considerando o efetivo atual de 120 colaboradores na obra, foram entrevistados 48 colaboradores nos diferentes setores representando 40% deste dos entrevistados. A seguir estão comentados os resultados obtidos com aplicação dos questionários nos setores de segurança, transporte, administrativo, terraplanagem, carpintaria, meio ambiente, fiscalização, manutenção, limpeza, que foram analisados mediante a elaboração de gráficos, visando facilitar a compreensão dos mesmos. O Gráfico 1 apresenta o tempo de trabalho dos colaboradores na Construtora “A”. Dos entrevistados, 41,88% trabalham a mais de um ano na empresa e 8,37% estão na empresa a menos de seis meses. 1 a 6 meses 8,37% 6 meses a 1 ano 29,31% 20,44% 1 a 2 anos Mais de 2anos 41,88% Gráfico 01: Tempo de Trabalho na empresa Fonte Pesquisa de campo, 2009 53 Quando indagados sobre a participação em treinamentos e ou palestras de conscientização sobre a coleta seletiva ofertada pela Construtora “A”, 93,75% dos entrevistados (Gráfico 02) afirmaram participar com freqüência destas ações. Isto porque, além da construtora realizar palestras durante os DDC’s (Diálogos Diários de Conscientização), existe ainda, os treinamentos realizados pela Consultoria responsável pela gestão ambiental do empreendimento. Sim 6,25% Não 93,75% Gráfico 02: Participação em treinamentos de coleta seletiva pela empresa Fonte: Pesquisa de campo/2009 Quanto à implantação da coleta seletiva no empreendimento pela Construtora “A”, 46,30% dos contemplados na pesquisa consideraram ótima e 38,97% boa. Apenas o pequeno percentual de 14,73% avaliou como regular (Gráfico 03). 54 Ótima 14,73% Boa Regular 46,30% 38,97% Gráfico 03: Implantação da coleta seletiva no empreendimento Fonte: Pesquisa de campo/2009 No que confere à existência de coletores de resíduos padronizados e suficientes para a coleta seletiva, 95,84% dos entrevistados afirmou a existência destes e em quantidade satisfatória por cada setor, conforme apresentado no Gráfico 04. No entanto, percebe-se que apesar da existência dos coletores, há resistência em colaborar na implementação deste processo. O índice de 4,16% foi obtido na frente de terraplenagem da obra, área de acesso livre à população interceptada pelo empreendimento, acarretando no desaparecimento freqüente dos coletores disponibilizados pela Construtora “A”. 55 4,16% Sim Não 95,84% Gráfico 04: Existência de coletores padronizados e suficientes na empresa Fonte: Pesquisa de campo/2009 Na opinião dos entrevistados, 30% deles acham que a redução do acúmulo de lixo na obra, possibilita, principalmente a reciclagem de materiais que iriam para o lixo (25%) e melhora a limpeza e a higiene nas dependências da obra (26%) e gera emprego e renda (19%). Reduz o acúmulo de lixo na obra 19% 30% Possibilita a reciclagem de materiais que irão para o lixo Melhora a limpeza e a higiene das dependências da obra Gera emprego e renda 26% 25% Gráfico 05: A coleta seletiva na opinião dos participantes da pesquisa. Fonte: Pesquisa de campo/2009 Levando-se em consideração os aspectos demonstrados acima, pode-se 56 inferir que a coleta seletiva é um trabalho de conscientização e mobilização permanente para a adoção de atitudes baseadas na aplicação dos princípios da política dos 3 “Rs”, que deve envolver a todos na busca da preservação do meio ambiente e da qualidade de vida, tanto na Construtora “A” em estudo, quanto na comunidade em geral. 57 9 CONCLUSÃO O gerenciamento adequado dos resíduos produzidos pelas empresas inclui a sua redução, reutilização e reciclagem, tornando o processo construtivo mais rentável e competitivo, além de mais saudável. Além da gestão de resíduos, deve-se buscar o uso racional de água, de energia, de recursos naturais e promover a educação ambiental. Também é necessário que ocorra regulamentação e fiscalização eficientes, e principalmente uma mudança cultural para o setor da construção civil. Conclui-se que a Construtora ora estudada, possui um adequado gerenciamento de resíduos sólidos, pois se preocupa com a questão sócioambiental. Porém, esta empresa pode optar pela melhoria contínua buscando reduzir os resíduos gerados, através de adaptações no processo, assim como procurar outras formas de destinação aos resíduos perigosos investindo em práticas e tecnologias que promovam a minimização destes resíduos. Quanto aos resíduos inertes, observou-se que os mesmos não atendem a NBR 15113/2004, que trata da solução adequada para disposição dos resíduos classe A, apesar das insistentes solicitações realizadas pela fiscalização técnica. A disposição destes materiais (entulhos de construção) incluindo também os resultantes da lavagem dos caminhões betoneiras, é realizada em local improvisado e os resíduos são reaproveitados na recuperação das estradas de serviço. Sugere-se ainda, como forma de destinação ambientalmente adequada para o lixo orgânico gerado nos refeitórios, a doação para fins agrícolas. A coleta seletiva, ainda em fase de implementação, pela construtora em estudo, encontra obstáculos na segregação e utilização dos coletores, o que possivelmente pode estar relacionado ao aspecto cultural observado na população do município, em não dar o tratamento correto ao lixo produzido no dia-a-dia. A partir dos resultados alcançados com esta pesquisa, constatou-se que é possível implementar e gerenciar resíduos sólidos de construção civil de grande porte, mesmo que a cidade em que está localizada não disponha de estrutura para ampará-lo. Ainda que sejam importantes a reciclagem e a destinação dos RCC, verificou-se que a questão deve ser tratada como um todo, globalmente, e que 58 iniciativas como a executada por esta construtora, não sejam apenas casos isolados, mas que tornem-se uma prática comum no dia-a-dia da empresa. 59 REFERÊNCIAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas, International organization for standardization. NBR ISO 14001: Sistemas de gestão ambiental - Especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro, 1996. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10.004: Classificação dos Resíduos Sólidos – 2004. AMBIENTE BRASIL. Resíduos tóxicos/Características Físicas do Lixo. Disponível em:<http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./residuos/index.php3& conteudo=./residuos/residuos.html>. Acesso em: 02 mai. 2009. ÂNGULO, Sergio Cirelli. Caracterização de Resíduos de Construção e Demolição. Suporte ao Projeto de Instalação de Reciclagem e Controle da Qualidade. 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Há quanto tempo trabalha na empresa? a. ( ) 1 a 6 meses b. ( ) 6 meses a 1 ano c. ( ) 1 a 2 anos d. ( ) Mais de 2 anos 2. Já participou de treinamentos e / ou palestras de conscientização sobre a coleta seletiva ofertada pela empresa? a. ( ) Sim b. ( ) Não 3. Como você considera a implantação da coleta seletiva no empreendimento? a. ( ) Ótima b. ( ) Boa c. ( ) Regular d. ( ) Ruim 4. No seu setor existem coletores de resíduos padronizados e suficientes para a coleta seletiva? a. ( ) Sim b. ( ) Não 5. Em sua opinião, a coleta seletiva: a. ( ) Reduz o acumulo de lixo na obra; b. ( ) Possibilita a reciclagem de materiais que irão para o lixo; c. ( ) Melhora a limpeza e a higiene das dependências da obra; d. ( ) Gera emprego e renda; e. ( ) Não traz beneficio algum Obrigada pela sua colaboração. 64 ANEXOS 65 Anexo A: Legislações aplicáveis a Construção Civil Além da CONAMA 307/2002 e NBR 10004/2004, outras legislações referentes a resíduos também são aplicáveis a Construção Civil. São elas: Resolução CONAMA 257:1999 – Dispõe sobre a destinação final de pilhas e baterias usadas Resolução CONAMA 258:1999 – Coleta e destinação final adequada aos pneus inservíveis Resolução CONAMA 275:2001 – Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na coleta seletiva Resolução CONAMA 001-A:86 – Dispõe sobre transporte de produtos perigosos em território nacional Portaria ANTT Instruçõescomplementares nº ao 420, de 12 regulamento de de Fevereiro de 2004 transporte terrestre – de produtosperigosos. Portaria ANP nº 127, de 30 de julho de 1999 – Estabelece a regulamentação para a atividade de coleta de óleo lubrificante usado ou contaminado a ser exercida por pessoa jurídica sediada no País. ANVISA RDC 342, de 13 de dezembro de 2002 – Institui e aprova o Termo de Referência para elaboração dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos a serem apresentados à ANVISA. NBR 7503:2001 – Ficha de emergência e envelope para o transporte terrestre de produtos perigosos NBR 13.221:2000 – Transporte de Resíduos NBR 11.174:1990 – Armazenamento de Resíduos classe II (não inertes) e classe III (inertes) NBR ISO 14001: Sistemas de gestão ambiental - Especificação e diretrizes para uso. NBR 15112: Resíduos da construção civil e resíduos volumosos -Áreas de transbordo e triagem - Diretrizes para projeto, implantação e operação. NBR 15113: Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes Aterros - Diretrizes para projeto, implantação e operação. NBR 15114: Resíduos sólidos da construção civil - Áreas de reciclagem- 66 Diretrizes para projeto, implantação e operação NBR 15115: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Execução de camadas de pavimentação NBR 15116: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural Requisitos. Lei Estadual nº 7.058/02 – Dispõe sobre a fiscalização, infrações e penalidades relativas à proteção ao meio ambiente. Lei Federal nº 9.605/98 – Lei de Crimes Ambientais Art. 54 – Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora 67 Anexo B: Documento de saída de Resíduos de sucatas 68 Anexo C: Nota fiscal da saída de óleo da LWART LUFRICANTES LTDA 69 Anexo D: Nota fiscal da saída de Resíduos contaminados SERQUIP