FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS INARA FREITAS DE SOUZA RADHARANI SANTOS DO NASCIMENTO RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA FEIRA LIVRE DA AVENIDA 25 DE SETEMBRO, BELÉM-PA. BELÉM/PA 2014 FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS INARA FREITAS DE SOUZA RADHARANI SANTOS DO NASCIMENTO RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA FEIRA LIVRE DA AVENIDA 25 DE SETEMBRO, BELÉM/PA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas das Faculdades Integradas Ipiranga como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas. Orientadora: Prof.ª MSc. Paula Katharine de Pontes Spada. BELÉM/PA 2014 S719r Souza, Inara Freitas de Resíduos sólidos gerados na feira livre da Avenida 25 de setembro, Belém-Pa / Inara Freitas de Souza, Radharani Santos do Nascimento. -- Belém, 2014. 47 f. Orientador: Paula Katharine de Pontes Spada Trabalho de Conclusão de Curso - (Graduação) – Faculdades Integradas Ipiranga, Licenciatura em Ciências Biológicas. 1. Resíduos sólidos. 2. Feira Livre. 3. Feiras de Belém. I. Nascimento, Radharani Santos do. II. Título. CDD – 21.ed. : 363.7285 CDD. 20. ed. 616.07561 INARA FREITAS DE SOUZA RADHARANI SANTOS DO NASCIMENTO RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA FEIRA LIVRE DA AVENIDA 25 DE SETEMBRO, BELÉM-PA. ORIENTADORA: Prof.ª Paula Katharine de Pontes Spada Assinatura: _________________________________ BANCA EXAMINADORA: Professor: Cláudia Cristina de Sousa Melo Instituição: Faculdades Integradas Ipiranga Assinatura: _________________________________ Professor: Ronald Cristovão de Souza Mascarenhas Instituição: Faculdades Integradas Ipiranga Assinatura:__________________________________ AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradecemos a Deus, por ser essencial em nossas vidas e por nos dar sabedoria e determinação para concluir este projeto, sem ele não seriamos nada. Agradecemos as nossas famílias por todo o amor e compreensão. Aos pais de Inara, Cléia Silva Freitas de Souza (Mãe), Norberto Jorge Alves de Souza (Pai) e irmão Igor Henrique Freitas de Souza, pelo amor, apoio e incentivo que nunca faltaram nessa jornada. Agradecemos a avó de Radharani, Conceição Nascimento, sua mãe Regina Nascimento, seus irmãos Murilo Nascimento, Renata Nascimento, Carolina Nascimento e Mateus Nascimento, suas primas Marina Nascimento e Anita Nascimento e a seu amor Hewzuleivyson Andrade pelo carinho, amor e incentivo para a realização deste trabalho. Não podemos deixar de agradecer ao nosso amigo Davi da Silva Barros, que nos ajudou na construção deste TCC e foi nossa companhia nessa jornada. Agradecemos a professora Fabiana Pimentel que iniciou a construção deste trabalho e ao professor Luís Augusto Ruffeil que nos deu o direcionamento para o tema. Nossos sinceros agradecimentos aos funcionários da SEURB, Hélio e Gilmar e ao funcionário da SECON, Silvio Mauro, pelas informações que foram necessárias para a conclusão de nosso trabalho. À nossa querida professora e orientadora Paula Katharine de Pontes Spada, que dedicou e disponibilizou o seu tempo e paciência para nos orientar neste TCC. Agradecemos ainda a todos os colegas de curso e aos amigos que sempre estiveram ao nosso lado, pelo carinho, em todos os momentos, sejam de alegria, sejam de tristeza que foram compartilhadas ao longo de cada semestre. “Aprendi com o Mestre dos Mestres que a arte de pensar é o tesouro dos sábios. Aprendi um pouco mais a pensar antes de reagir, a expor - e não impor - minhas ideias e a entender que cada pessoa é um ser único no palco da existência [...].” Augusto Cury Resumo Os problemas relacionados com os resíduos sólidos estão presentes na sociedade desde seus primórdios. A quantidade destes resíduos gerados cresce juntamente com as condições sociais da população. Sabe-se que a disposição inadequada dos resíduos e também o seu acúmulo leva, dentre outros fatores, a dispersão de insetos e pequenos animais hospedeiros de agentes causadores de doenças. O objetivo deste trabalho foi investigar os resíduos sólidos gerados na feira livre da Avenida 25 de Setembro, Belém/PA. Os resultados se deram a partir do entendimento de como funciona a organização da feira, da identificação como acontece a destinação final dos resíduos e qual a participação do poder público; verificar quais os principais problemas encontrados a respeito da disposição final dos resíduos sólidos do local e observar quais os principais vetores de doenças encontrados. A escolha da feira como local para o estudo refere-se, principalmente, ao grande número de resíduos observados no local e a má disponibilidade dos mesmos no ambiente. Os sujeitos da pesquisa foram os comerciantes, trabalhadores fixos, vendedores ambulantes, clientes e moradores das adjacências da feira. Os resultados demonstraram que, embora a feira já tenha um montante considerável de investimentos na sua estrutura, muito ainda precisa ser feito em relação à disposição dos resíduos sólidos; É válido ressaltar que a falta de preocupação e/ou o desconhecimento dos problemas gerados com a má disponibilidade destes resíduos independe do sexo, idade ou escolaridade dos vendedores, consumidores e moradores das adjacências da feira. Palavras-chave: Resíduos sólidos, Feira livre, Belém. SUMÁRIO LISTA DE QUADROS E TABELAS ..................................................................................... 8 LISTA DE FIGURAS............................................................................................................... 9 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 11 2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 13 2.1 OBJETIVO GERAL ....................................................................................................... 13 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ......................................................................................... 13 3 MÉTODOS ........................................................................................................................... 14 3.1 TIPOS DE PESQUISA ................................................................................................... 14 3.2 SUJEITOS DA PESQUISA............................................................................................ 14 3.3 LOCAL DA PESQUISA ................................................................................................ 14 3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ............................................................. 15 3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ............................................................. 16 4 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 17 4.1 RESÍDUOS SÓLIDOS ................................................................................................... 17 4.1.1 Aspectos conceituais ...................................................................................................... 17 4.1.2 Crescimento dos resíduos sólidos na sociedade .......................................................... 19 4.1.3 O gerenciamento inadequado e os problemas urbanos e ambientais ....................... 21 4.1.4 Estratégias e legislação .................................................................................................. 24 4.2 FEIRAS LIVRES ............................................................................................................ 27 4.2.1 Aspectos conceituais ...................................................................................................... 27 4.2.2 Legislação ....................................................................................................................... 29 4.2.3 Feira da Av. 25 de Setembro ........................................................................................ 30 5 RESULTADOS .................................................................................................................... 32 5.1 EM RELAÇÃO AOS RESÍDUOS GERADOS ............................................................. 32 5.2 A PARTIR DOS QUESTIONÁRIOS SÓCIO-AMBIENTAIS ..................................... 34 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ......................................................................... 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 44 8 LISTA DE QUADROS E TABELAS Quadro 1 – Tabela utilizada para a identificação dos resíduos sólidos nos setores da feira da 25 de Setembro, Belém-PA.....................................................................................................15 Quadro 2 – Enfermidades transmitidas por vetores provenientes dos Resíduos Sólidos.......21 Quadro 3 – Tempo de sobrevivência dos micro-organismos patogênicos nos resíduos sólidos......................................................................................................................................22 Quadro 4 – Quantitativo de permissionários e equipamentos da feira da 25, BelémPA.............................................................................................................................................29 Tabela 1 – Distribuição percentual da população por situação de domicílio - Brasil - 1980 a 2010.........................................................................................................................................19 Tabela 2 – Resíduos sólidos gerados na feira livre da 25 de Setembro e seu tempo de decomposição...........................................................................................................................30 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Mapa de localização da Av. 25 de Setembro, Belém-PA.......................................15 Figura 2 – Feira livre da Av. 25 de Setembro, Belém-PA.......................................................15 Figura 3 – Resíduos do tipo não orgânicos encontrados na feira da 25, Belém – PA.............33 Figura 4 – Resíduos orgânicos (caroços de açaí, retraços de carnes e restos de frutas) encontrados na feira da 25, Belém – PA...................................................................................33 Figura 5 – Contêineres de armazenamento provisório de resíduos.........................................34 Figura 6 – Caminhão de lixo da prefeitura coletando os resíduos da feira da 25, Belém – PA ..................................................................................................................................................34 Figura 7 – Distribuição das categorias abordadas na pesquisa de acordo com o grau de escolaridade...............................................................................................................................35 Figura 8 – Naturalidade das categorias abordadas na pesquisa...............................................35 Figura 9 – Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com o interesse pelas questões ambientais ................................................................................................................................35 Figura 10 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as opiniões acerca de haver ou não problemas ambientais na feira.............................................................................36 Figura 11 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com os tipos de poluição encontrados na feira..................................................................................................................36 Figura 12 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as opiniões sobre a qualidade ambiental do bairro do Marco..................................................................................37 10 Figura 13 – Opinião dos entrevistados quanto aos responsáveis por resolver os problemas ambientais do bairro..................................................................................................................37 Figura 14 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as respostas se resíduos sólidos e lixo são a mesma coisa...............................................................................................38 Figura 15 - Distribuição das categorias pesquisadas quanto a afirmativa se há ou não animais no lixo da feira..........................................................................................................................38 Figura 16 – Tipos de animais mais observados pelos pesquisados, nas lixeiras e em torno da feira...........................................................................................................................................38 Figura 17 – Tempo, em anos, de trabalho dos vendedores fixos da feira livre da Av. 25 de Setembro, Belém - PA..............................................................................................................39 Figura 18 – Tipos de produtos mais vendidos pelos vendedores fixos da feira da 25............39 Figura 19 – Respostas dos vendedores fixos se há ou não coleta seletiva na feira livre da 25..............................................................................................................................................40 Figura 20 – Tipos de produtos mais comprados pelos clientes da feira da 25........................40 Figura 21 - Representação dos produtos comprados pelos moradores das adjacências da feira da Av. 25 de Setembro, Belém – PA........................................................................................41 Figura 22 – Feira da 25 de Setembro antes da reforma de 2006. A) Frente da feira e B) Lateral da feira .........................................................................................................................42 Figura 23 – Feira da 25 de Setembro após a reforma de 2006. A) Frente da feira e B) Lateral da feira ......................................................................................................................................42 11 1 INTRODUÇÃO A criação de grandes centros urbanos e a concentração de espaços industriais tem contribuído negativamente para o crescimento de impactos ambientais gerados a partir dos resíduos sólidos. O ambiente urbano é considerado, culturalmente, como um grande produtor de resíduos provenientes da vida concebida nas grandes cidades, como o consumo de produtos industrializados e o exacerbado acúmulo de bens materiais (BAENINGER, 2010). A problemática dos resíduos está ligada diretamente ao modelo de desenvolvimento em que vivemos e ao grande incentivo do consumo, muitas vezes adquirimos coisas que não são necessárias, e tudo o que consumimos produz impacto. Se compararmos a quantidade de lixo gerada há 40 anos para a de agora veremos que a produção destes resíduos era muito inferior à atual. Hoje a população aumentou e a globalização se encontra em um estágio avançado, além disso, as inovações tecnológicas no seguimento dos meios de comunicação (rádio, televisão, internet, celular etc.) facilitaram a dispersão de mercadorias em nível mundial (BAENINGER, 2010; ROLIM, 2000). O resíduo urbano, muitas vezes, é o maior dos responsáveis pelos impactos ambientais. É inconcebível pensar em uma cidade sem considerar a problemática do lixo, desde a etapa de produção até a sua disposição final. Visto que a quantidade de lixo produzida semanalmente por um ser humano é de cinco quilos (NORONHA, 2005). Só no Brasil se produz cerca de 240 mil toneladas de lixo por dia. Com um detalhe: apenas 2% desse total (4,8 mil toneladas) é reciclado (VERRONE, 2012). Observando-se a destinação final dos resíduos, os vazadouros a céu aberto (lixões) constituíram o destino final dos resíduos sólidos em 50,8% dos municípios brasileiros, e só no Pará 94,4% dos municípios mantêm os lixões como destinação final de seus resíduos (IBGE, 2008). Na cidade de Belém, assim como em tantas outras cidades, a destinação comum dos resíduos ainda é o lixão a céu aberto, no local denominado lixão do Aurá. Porém, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina que em 2014 o Brasil não poderá mais ter lixões: eles devem ser substituídos por aterros sanitários - e resíduos recicláveis não poderão mais ser enviados para esses locais. O prazo parece curto para um Estado que está atrasado em relação às regras da lei. Hoje o país ainda tem 2.906 lixões em atividade e das 189 mil toneladas de resíduos sólidos produzidas por dia, apenas 1,4% é reaproveitado (DIÁRIO DO PARÁ, 2013). Há menos de dois anos eram 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente nas cidades brasileiras, apontou estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública 12 e Resíduos Especiais (Abrelpe). Informações atuais da Secretaria Municipal de Saneamento de Belém (Sesan) dão conta de que somente na capital paraense é produzida pelo menos 1,3 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, além de 700 toneladas de entulhos. A prefeitura de Belém consegue recolher 90% desse lixo e 70% do entulho, que vão para o lixão a céu aberto, o Aurá (MAGALHÃES, 2014). É interessante notar que os dados estão em constante crescimento, ainda segundo Magalhães (2014), os dados da Abrelpe mostram também que a média de lixo por habitante saltou de 0,88 quilos por dia para 0,93 no ano seguinte, 2011. Dos resíduos sólidos urbanos (RSU) recolhidos, 27,3% tiveram como destino os aterros sanitários, 36,2% os aterros controlados e outros 36,5% os lixões. Em 2010, esses índices eram 26,9%, 36,2% e 36,9%, respectivamente. Sabe-se que a disposição inadequada dos resíduos, e também o seu acúmulo, leva, dentre outros fatores, a dispersão de insetos e pequenos animais hospedeiros de agentes causadores de doenças como a dengue e leptospirose. É importante lembrar que o lixo acumulado produz um líquido denominado chorume, que possui coloração escura e cheiro desagradável. A substância gerada atinge as águas subterrâneas (aquíferos e lençóis freáticos) causando a sua contaminação. Além disso, existe a contaminação dos solos e das pessoas que mantêm contato com os detritos. Nesse contexto, o local de estudo foi a feira livre localizada na Avenida 25 de Setembro, no bairro do Marco, em Belém-PA. A importância em direcionar esse estudo para uma feira se deu exatamente em investigar os problemas enfrentados pelos comerciantes e consumidores a respeito dos impactos causados pela disposição dos resíduos sólidos. Os motivos que se sucederam para a escolha da feira referem-se principalmente, ao grande número de resíduos observados no local e a má disponibilidade dos mesmos no ambiente, com isso foram levantados também outros aspectos que foram investigados no decorrer da pesquisa, como a relação dos resíduos com possíveis vetores de doenças, por exemplo. Estas características despertaram o interesse em investigar a relação da comunidade com esses problemas e o que os órgãos públicos tem feito para a minimização desses fatores. 13 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL • Identificar os resíduos sólidos gerados na feira livre da Avenida 25 de Setembro, Belém/PA. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Entender como funciona a organização da feira da Avenida 25 de Setembro no bairro do Marco; Identificar como acontece a destinação final dos resíduos e qual a participação do poder público; Verificar quais os principais problemas encontrados a respeito da disposição final dos resíduos sólidos; Observar quais os principais vetores de doenças encontrados no local da feira. 14 3 MÉTODOS 3.1 TIPOS DE PESQUISA Foram realizadas pesquisas bibliográficas constantes no decorrer de todo o trabalho tendo como fonte de consulta livros, publicações em artigos científicos, teses e dissertações acadêmicas, legislações, revistas, jornais e bem como em sites específicos e, seguido disto, houve a pesquisa de campo, a fim de obter-se as informações necessárias para se alcançar os objetivos propostos. O estudo bibliográfico foi realizado a partir dos temas principais deste trabalho que primeiramente citamos os resíduos sólidos e sua legislação, englobando os fatos que acarretaram o seu crescimento na sociedade, os problemas gerados pelo mau gerenciamento e suas estratégias de minimização. E, seguidos destes, o estudo das feiras livres com sua legislação para que chegássemos à feira da 25 de Setembro de maneira a conhecer sua história a partir das literaturas. 3.2 SUJEITOS DA PESQUISA A pesquisa se baseou em estudar os resíduos sólidos gerados em um ambiente de feira, logo, os sujeitos da pesquisa foram os comerciantes do local, trabalhadores fixos e vendedores ambulantes, clientes e moradores das adjacências. Dessa maneira procurou-se entender os diversos olhares e ângulos de quem participa direta ou indiretamente da feira, e a concepção que se tem de todo este contingente de pessoas sobre a disposição dos resíduos e as problemáticas geradas por eles no local de pesquisa, e de que maneira essas categorias distintas contribuem para a minimização dos problemas causados pelos resíduos sólidos. 3.3 LOCAL DA PESQUISA Trata-se de uma feira livre localizada na Avenida 25 de Setembro, no bairro do Marco, situada entre as avenidas Duque de Caxias e Almirante Barroso. Conhecida popularmente como “feira da 25”, caracteriza-se por um espaço amplo onde funciona a comercializazão de diversos produtos e reúne pessoas de vários lugares da região para a comercialização e procura de mercadorias. 15 Figura 1 – Mapa de localização da Av. 25 de Setembro, Belém-PA. Fonte: Adaptado de Google Maps. Figura 2 – Feira livre da Av. 25 de Setembro, Belém-PA. Fonte: Arquivo pessoal. 3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS A coleta de dados foi feita essencialmente por entrevistas, realizadas de maneira informal, onde contamos com um aparelho gravador, com autorização do entrevistado, para suporte de coleta das informações. Durante as entrevistas introduziu-se, no desenrolar da conversa, um questionário que contou com perguntas de caráter simples e objetivo com o intuito de se alcançar as informações necessárias para a pesquisa. Foi utilizado também o registro fotográfico do local para reter as imagens das condições do ambiente pesquisado. 16 O levantamento dos tipos de resíduos sólidos foi realizado a partir de uma tabela de verificação, conforme pode ser observado a seguir no quadro 1, a qual apresenta o quadro utilizado no processo de identificação dos resíduos sólidos, que permite relacionar os resíduos gerados pelas atividades desenvolvidas no local. Dessa maneira procurou-se verificar quais os tipos de resíduos gerados em cada setor da feira. Os resultados da identificação dos resíduos sólidos, realizada com o quadro 1, foram tabelados de acordo com cada setor da feira e relacionados com o tempo de decomposição de cada categoria. Resíduos ___ Setores da Feira Hortifrútis Carnes e Açaí e peixes Lanches Observações Vestuário Diversos Orgânicos Papel Plástico Metal Vidro Papelão Madeira Outros Quadro 1 – Tabela utilizada para a identificação dos Resíduos Sólidos nos setores da feira da 25 de Setembro, Belém-PA. 3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS Foram realizadas um total de 119 entrevistas de caráter objetivo. Os dados foram primeiramente organizados em planilhas do Microsoft Excel e os resultados demonstrados a partir de gráficos e tabelas. 17 4 REFERENCIAL TEÓRICO 4.1 RESÍDUOS SÓLIDOS 4.1.1 Aspectos conceituais Definir “lixo” ou “resíduos sólidos” é uma tarefa complicada, pois existem diversas formas e pontos de vista diferentes a respeito e, em geral, são definidos de acordo com a conveniência e preferência de cada um (BIDONE, 1999). Para alguns autores, o termo “resíduo sólido” diferencia-se do termo “lixo” porque o último não possui qualquer tipo de valor, já que é aquilo que deve ser apenas descartado, enquanto o primeiro possui valor econômico por possibilitar o reaproveitamento no processo produtivo (DEMAJOROVIC, 1995). Como afirma Valle (1995) “Os resíduos sólidos urbanos compreendem os resíduos domésticos, comerciais e industriais, são considerados como rejeito os resíduos que não tenham aproveitamento econômico por nenhum processo tecnológico disponível e acessível”. Entretanto, Aisse (1982) diz que “Os resíduos sólidos podem ser objetos que não mais possuem valor ou utilidade, porções de materiais sem significado econômico, sobras de processamento industriais ou sobras domesticas a serem descartadas, ou seja, qualquer coisa que se deseje jogar fora”. Os resíduos sólidos são, segundo Lopes (2006), representados por materiais descartados pelas atividades humanas, os quais podem ser reciclados e parcialmente reaproveitados, tendo entre outros benefícios, proteção à saúde pública, economia de divisas e de recursos naturais. Para Noronha (2005), o conceito de resíduos vem se modificando ao longo dos anos. O que era instituído como resíduo há aproximadamente 20 anos atrás, hoje pode não ser mais. E o que é resíduo hoje, provavelmente, não o será no futuro. A associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da Norma Brasileira Registrada (NBR) 10.004 (2004), define resíduos sólidos como os resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. 18 De acordo com Política Nacional de resíduos Sólidos (PNRS) disposta na Lei 12.305, de agosto de 2010, entende-se por Resíduos Sólidos todo: “material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível”. Os resíduos sólidos possuem várias denominações, e naturezas, origens diferenciadas e diversas composições. A gestão dos vários tipos de resíduos tem responsabilidades definidas em legislações específicas e implica sistemas diferenciados de coleta, tratamento e disposição final (BESEN & JACOBI, 2011). Para a Lei nº 12.305/10, Art. 13, os resíduos sólidos têm a seguinte classificação: I - quanto à origem: a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas; b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”; d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos na alínea “c”; f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais; g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS; h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis; i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; 19 k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios; II - quanto à periculosidade: a) resíduos perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica; b) resíduos não perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”. 4.1.2 Crescimento dos resíduos sólidos na sociedade O crescimento na disposição dos resíduos sólidos progride de acordo com o crescente número de indústrias e população. Esse constante crescimento está associado principalmente à evolução dos costumes, criação ou mudanças de hábitos, melhoria do nível de vida, desenvolvimento industrial e outros, que têm provocado crescente ampliação no poder aquisitivo per capita, com consequência direta na quantidade total de resíduos sólidos produzidos particularmente nas cidades. Ou seja, de acordo com o aumento das condições aquisitivas da população há uma elevação no consumo e consequentemente na geração dos resíduos na sociedade (BROLLO, 2001). Começamos nossas considerações com a década de 40 que, segundo Lopes (2003), representa o marco inicial da preocupação com o meio ambiente, principalmente com o que diz respeito à possível escassez dos recursos naturais de fontes não renováveis, visto que a indústria já começava a se firmar e, com o crescimento da demanda de população e exploração das matérias-primas, começava-se também o processo de aumento dos resíduos juntamente com a sociedade. É notável que como consequência do elevado nível de consumo ocorre o crescimento acelerado do volume final de resíduos a serem dispostos, proporcionalmente à expansão da produção e do consumismo, características que começam a ser bem marcadas durante a década dos anos 60 e início das seguintes (ALCÂNTARA, 2005). Anos estes marcados pelo êxodo rural e o crescimento populacional nas grandes cidades, o que nos afirma que quanto maior a população maior a quantidade de resíduos gerados (ALCÂNTARA, 2005; LOPES, 2006). Na década de 70 e 80 a sociedade já começava a vivenciar um crescimento populacional muito extenso nas cidades, e nos anos 90 mais da metade da população se deslocaram para as grandes cidades, como se observa em Lopes (2006): 20 Uma das tendências que marcaram o século XX foi a concentração da população em áreas urbanas. No Brasil, por exemplo, se a primeira metade do século a população urbana nunca passou de 36% (atingido em 1950), o censo de 1970 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrava esta inversão: 56% dos brasileiros habitavam as cidades. No censo de 1980 já correspondia a 67% da população e em 1995 à cerca de 75%. A falta de oportunidade de trabalho e de acesso a terra no campo, o “canto dos cisnes” da industrialização e a oportunidade de usufruir de melhores serviços públicos (como a educação e a saúde) foram, sem dúvida, os principais fatores para essa alteração. Esses danos acabam por sustentar as estimativas da ONU de que, em 2005 o planeta será habitado por 8 bilhões de pessoas e, desse total, se persistir a tendência de migração para as cidades nos países em desenvolvimento, mais de cinco milhões morarão em área urbana. Na tabela 1 podemos confirmar os dados da expansão do contingente de pessoas se deslocando das áreas rurais para as cidades nos anos de 1980 a 2010. Tabela 1 - Distribuição percentual da população por situação de domicílio - Brasil - 1980 a 2010. Por situação do domicílio (%) Urbana Rural 1980 67,70 32,30 1991 75,47 24,53 1996 78,36 21,64 2000 81,23 18,77 2010 84,36 15,64 Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1980, 1991, 2000 e 2010, e Contagem da População 1996. Lopes (2006) nos ressalta ainda que a maneira de se morar nas cidades também mudou. A implantação da cultura do “produto descartável”, através das propagandas como sendo práticos e modernos fez com que o hábito de consumo dos moradores das cidades, principalmente daqueles com maior poder de compra, alcançassem padrões insustentáveis. A industrialização acelerada e desordenada faz nascerem os desequilíbrios ambientais, afinal tudo é pensado para durar pouco de modo que é mais barato comprar um objeto novo que consertar um antigo (LOPES, 2006). Portilho (2004, apud OLIVEIRA, 2012), considera que a crise ambiental, em relação ao aumento de resíduos, é uma construção social e que, ao longo do tempo, veio ganhando novas características de acordo com as revoluções de cada década. Para a autora até a década de 1970 – os problemas ambientais eram decorrentes do crescimento populacional; a partir da década de 1970 – os problemas eram decorrentes do impacto da produção; a partir da década de 1990 – os problemas são decorrentes do impacto do consumo. 21 Além do expressivo crescimento da geração desses resíduos, observam-se, ainda, ao longo dos últimos anos, mudanças significativas em sua composição e características e o aumento de sua periculosidade. Até a metade do século passado, a composição do lixo era predominantemente de matéria orgânica, de restos de alimentos. Hoje, materiais como plásticos, isopores, pilhas, baterias de celular e lâmpadas são presenças cada vez mais constante na coleta (LOPES, 2006). Essas mudanças decorrem especialmente dos modelos de desenvolvimento pautados pela obsolescência programada dos produtos, pelo descarte e pela mudança nos padrões de consumo baseados no consumo excessivo e supérfluo (BESEN & JACOBI, 2011). 4.1.3 O gerenciamento inadequado e os problemas urbanos e ambientais Atualmente, na maioria das cidades brasileiras, os resíduos são descartados em lixões ou terrenos vazios, podendo provocar degradações ambientais e vários outros problemas (LOPES, 2003). A falta de um modelo eficaz no gerenciamento dos resíduos, como o seu mau acondicionamento e acúmulo em ambientes inapropriados, tem criado situações de conflitos e problemas para a saúde do homem e o meio ambiente, como problemas sociais e até mesmo econômicos, consequentemente influenciando na qualidade de vida da população local (FERREIRA, 2008; LOPES, 2006). Vemos que o lixo produzido e não coletado é disposto de maneira irregular nas ruas, em rios, córregos e terrenos vazios, e tem efeitos tais como assoreamento de rios e córregos, entupimento de bueiros com consequente aumento de enchentes nas épocas de chuva, além da destruição de áreas verdes, mau cheiro, proliferação de moscas, baratas e ratos, todos com graves consequências diretas ou indiretas para a saúde pública (BESEN & JACOBI, 2011). É interessante notar que durante a Idade Média a humanidade já se via diante de epidemias na época desconhecidas. Eram as chamadas pragas e pestes, que decorriam de problemas ligados à atividade humana. As características mais marcantes era o esgoto que corria a céu aberto e o lixo que acumulava-se nas ruas. As doenças apareciam e milhares de pessoas morriam, sendo vitimados reis, príncipes, senhores feudais, artesãos, servos, padres dentre outros (REIS, 2008). Hoje sabemos que a disposição inadequada dos resíduos contribui para o desenvolvimento de agentes patogênicos responsáveis pela proliferação de diversas doenças, uma vez que os vetores utilizam o ambiente do lixo como abrigo, alimento e local ideal para sua reprodução de maneira a colocar a população em risco, sobretudo àquela que vive junto 22 ou próximo às áreas em que o lixo esteja inadequadamente disposto (SILVA & LIPORONE, 2011). O quadro 2 relaciona as doenças, seus respectivos vetores e as formas de transmissão que se dão em decorrência do acúmulo de resíduos no ambiente urbano. VETORES FORMAS DE TRANSMISSÃO ENFERMIDADES Rato e Pulga Mordida, urina, fezes e picada Leptospirose, Peste Bubônica, Tifo Murino Mosca Asas, patas, corpo, fezes e saliva Febre Tifoide, Cólera, Amebíase, Giardíase, Ascaridíase Mosquito Picada Malária, Febre Amarela, Dengue, Leishmanioses Barata Asas, patas, corpo e fezes Febre Tifoide, Cólera, Giardíase Gado e Porco Ingestão de carne contaminada Teníase, Cisticercose Cão e Gato Urina e fezes Toxoplasmose Quadro 2 – Enfermidades transmitidas por vetores provenientes dos Resíduos Sólidos. Fonte: Manual de Saneamento – Funasa/MS – 1999 A partir do momento que este montante de resíduos passa a configurar-se como abrigo para ratos, moscas e baratas, o mesmo se torna foco de atração de outros animais, geralmente peçonhentos como serpentes, aranhas e escorpiões que buscam nestes locais outros animais que se caracterizam como sua fonte de alimentação (SILVA & LIPORONE, 2011). Além destes riscos oferecidos pelos animais, ainda há os agentes microscópicos que podem oferecer risco biológico quando em contato com o ser humano. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as principais bactérias presentes nos resíduos urbanos são: Escherichia coli, Klebsiella spp., Enterobacter spp., Proteus spp., Staphylococcus spp., Enterococus, Pseudomonas spp., Bacillus spp. e Cândida spp. (SILVA & LIPORONE, 2011). O Quadro 3 nos mostra o tempo de vida de alguns micro-organismos patogênicos possivelmente presentes em resíduos sólidos. 23 MICRO-ORGANISMOS DOENÇAS TEMPO DE VIDA (DIAS) Bactérias Salmonella typhi Febre tifoide 29-70 Coliformes fecais Gastroenterites 35 Leptospira Leptospirose 15-43 Mycrobacterium tuberculosis Tuberculose 150-180 Vibrio cholerae Cólera 01-13 Vírus Enterovírus Poliomielite 20-70 Helmintos Ascaris lumbricóides Ascaridiase 2.000-2.500 Trichuris trichiura Trichiuríase 1800 Larvas de ancilóstomos Ancilostomose 35 Protozoários Entamoeba Amebiase 8-12 Quadro 3 - Tempo de sobrevivência dos micro-organismos patogênicos nos resíduos sólidos. Fonte: FUNASA (2004) apud REIS (2008). Segundo Lopes (2006), além dos problemas relacionados à área da saúde, o lixo também pode contribuir com impactos ambientais, visto que entende-se por impactos ambientais qualquer alteração nas propriedades químicas, físicas e biológicas do ambiente. A autora diz ainda que a disposição inadequada dos resíduos pode gerar contaminação dos recursos naturais como: água, ar e solo. O homem também causa a poluição ambiental pelo lançamento de resíduos de seu próprio processo biológico (dejetos), ou resultantes de suas atividades. Ao lançar estes resíduos no solo, no ar ou na água, ele provoca alterações que podem ser caracterizadas como poluição, ou seja, serem prejudiciais ao homem, a outros seres, e aos usos do recurso ambiental (MOTA, 1997). Mota (1997) nos apresenta ainda que como consequência da poluição ambiental, podem ser enumeradas: prejuízos à saúde humana, como vimos acima; danos à flora e a fauna; prejuízos materiais; prejuízos às atividades sociais, econômicas e culturais; desfiguração da paisagem e desvalorização de áreas. 24 4.1.4 Estratégias e legislação A minimização da produção de resíduos, a maximização de práticas de reutilização e reciclagem ambientalmente corretas, a promoção de sistemas de tratamento e disposição de resíduos compatíveis com a preservação ambiental, a extensão de cobertura dos serviços de coleta e destino final são estratégias viáveis para a problemática dos resíduos (REGO et al., 2002). A minimização deve ser uma das prioridades na gestão dos resíduos sólidos, através de mudanças de hábito e de consumo tais como o menor uso de embalagens, a produção de bens materiais mais duráveis, ou com peças mais facilmente substituíveis, e o aumento da reciclagem e da compostagem (SOUSA, 2012; VALLE, 1995). Tendo em vista a grande problemática na disposição destes resíduos, é necessário que se atue, de maneira educativa como nos mostra Nunesmaia (2001): Em pleno século XXI, no âmbito mundial é preciso repensar a gestão dos resíduos em seu conjunto. Preconiza-se a redução de resíduos na fonte, mas apenas com vistas à sua destinação final (aterro sanitário, incineração), o que requer ainda garantias mínimas de segurança ao meio ambiente e à saúde humana. Prega-se a necessidade de mudanças de comportamento/hábitos do cidadão, da sociedade moderna, relativos a redução de consumo e produção. A concretização dessa ambição parece-nos um grande desafio para a política de comunicação/educação ambiental junto à sociedade. Ainda de acordo com Nunesmaia (2001), a problemática dos resíduos sólidos não é recente, pois sempre esteve presente na sociedade, entretanto, nas últimas décadas, ela tem recebido um olhar diferenciado do ponto de vista legislativo, isso se dá a partir do momento em que o movimento ambientalista toma consciência e relaciona resíduos sólidos, qualidade de vida e qualidade ambiental. No Brasil, em 2010, foi promulgada a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS – Lei no 12.305; BRASIL, 2010), que estava sendo pensada a mais de 20 anos antes da tramitação, a qual se baseou na sustentabilidade, estabelecendo seus pilares nos seguintes princípios: 1. Não geração; 2. Redução; 3. Reutilização; e 4. Reciclagem. Antes da promulgação da PNRS, não havia regulamentação nacional sobre gerenciamento de resíduos sólidos urbanos, nem a instituição bem definida das obrigações e responsabilidades dos agentes que integram o ciclo de vida dos produtos. Diante disso, com o crescimento dos resíduos sólidos na sociedade, fazia-se necessária a elaboração de diretrizes gerais que atendessem às demandas do país e que envolvessem assuntos tais como mudanças na cadeia 25 produtiva, valorização dos resíduos sólidos e integração da população de forma mais ativa (SOUSA, 2012). Dessa maneira, a Política Nacional de Saneamento Básico (PNSB), Lei n. 11.445, de 2007, é responsável por delimitar os marcos legais da limpeza urbana, em especial da gestão e manejo dos resíduos sólidos no Brasil que, juntamente com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê mudanças significativas no gerenciamento do destino final dos resíduos, são os dois marcos legislativos em que se prevê o que se deve proceder em relação aos resíduos de qualquer natureza. Segundo a lei nº 12.305 de 02 de Agosto de 2010, Art. 21, O plano de gerenciamento de resíduos sólidos tem o seguinte conteúdo mínimo: I - descrição do empreendimento ou atividade; II - diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados, contendo a origem, o volume e a caracterização dos resíduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados; III - observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa e, se houver o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos: a) explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos; b) definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas do gerenciamento de resíduos sólidos sob responsabilidade do gerador; IV - identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores; V - ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou acidentes; VI - metas e procedimentos relacionados à minimização da geração de resíduos sólidos e, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à reutilização e reciclagem; VII - se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na forma do art. 31; VIII - medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos; IX - periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo de vigência da respectiva licença de operação a cargo dos órgãos do Sisnama. Entre tantas formas de tratamento e destinos finais dos resíduos, a que mais se destaca entre os autores, por seu grande campo de vantagens, é a reciclagem que, segundo Brasil (2000), dentre alguns benefícios pode-se citar a preservação dos recursos naturais, a redução da poluição do ar e das águas, a diminuição da quantidade de resíduos a ser aterrada e a geração de emprego com a criação de usinas de reciclagem. Por outro lado, a reciclagem de resíduos sólidos enfrenta obstáculos como diminuição da qualidade técnica do material, contaminação dos resíduos e custo comparativamente maior de utilizar matéria-prima virgem na fabricação de determinados produtos. 26 A atenção passa a concentrar-se na redução do volume de resíduos desde o inicio do processo produtivo e em todas as etapas da cadeia produtiva. Assim, antes de diminuir a produção de determinados bens, passa a ser prioritário impedir que sejam gerados. Ao invés de buscar a reciclagem, propõe-se a reutilização (ALCÂNTARA, 2005). Com isso, concorda Lopes (2006) que, incentivar a redução da geração dos resíduos é uma das estratégias mais eficazes, serve até mesmo para que os municípios consigam reduzir sua receita no que se refere aos gastos com a coleta, tratamento e disposição final destes. Não podemos dizer que um dia os resíduos sólidos serão eliminados nem mesmo que paremos de produzi-los, pois estes são gerados pela maioria das atividades humanas, portanto essa ideia não se faz possível (LOPES, 2003). Por isso a tão grande importância em minimizar seus efeitos no ambiente, como nos afirma Sousa (2012), em seu trabalho sobre Resíduos Sólidos Urbanos: Dificilmente a produção de RSU será eliminada, pois esses são gerados pela maioria das atividades da vida cotidiana, como por exemplo atividades domésticas e varrição de vias públicas. Porém, a busca pela minimização é de suma importância. Alguns dos efeitos que a redução pode gerar são: diminuição do uso de recursos naturais, dos custos de produção e das emissões de poluentes e de gases do efeito estufa (GEE). Além disso, diminui-se a necessidade de áreas para o tratamento e para a disposição final dos resíduos. Dessa maneira, das tantas estratégias de minimização dos problemas relacionados aos dejetos, a diminuição da origem desses resíduos se torna uma atitude muito mais concreta no que diz respeito a sua diminuição do ambiente, pois se o resíduo não é gerado, não é gerado também um problema de controle do resíduo. Seguidos desse pensamento teríamos a redução sendo aplicada desde os processos industriais, com a redução de embalagens e o desenvolvimento de produtos mais duráveis (NUNESMAIA, 2001). A administração pública municipal tem a responsabilidade de gerenciar os resíduos sólidos, desde a sua coleta até a sua disposição final, que deve ser ambientalmente segura (BESEN & JACOBI, 2011). Ferreira (2008) concorda que para que os Resíduos Sólidos Urbanos – RSU possam ter o manejo adequado e sejam devidamente dispostos, demanda do município a formação de equipe com pessoal especializado e treinado para atuar em todas as etapas do gerenciamento desses resíduos. Nesse aspecto, amplo trabalho de educação ambiental deve ser promovido na cidade para que resulte na modificação de hábitos dos moradores e assim possa causar uma imagem positiva de consciência ambiental da população. 27 O parágrafo 1º da lei nº 12.305/10 nos diz que “O plano de gerenciamento de resíduos sólidos atenderá ao disposto no plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos do respectivo Município, sem prejuízo das normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa.” Institui, ainda, a Política Nacional de Resíduos Sólidos que para a elaboração, implementação, operacionalização e monitoramento de todas as etapas do plano de gerenciamento de resíduos sólidos, nelas incluído o controle da disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, será designado responsável técnico devidamente habilitado. A lei 12.305 prevê também que os municípios terão prazo até este ano (2014) para fazer um plano de manejo dos resíduos sólidos em conformidade com as novas diretrizes; todas as entidades estão proibidas de manter ou criar lixões. As prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem; a União, os Estados e os municípios são obrigados a elaborar planos para tratar de resíduos sólidos, estabelecendo metas e programas de reciclagem; os municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão; os consórcios intermunicipais para a área de lixo terão prioridade no financiamento federal; e o texto trata também da possibilidade de incineração de lixo para evitar o acúmulo de resíduos (MAGALHÃES, 2014). 4.2 FEIRAS LIVRES 4.2.1 Aspectos conceituais Conceituar feira é bem mais que delimitar um espaço físico onde ocorre a simples venda de mercadorias é na verdade, sobretudo, pensar em toda a vivência que acontece nesse misto de ralações, a afirmação de Silva (2006) demarca bem esta questão: A Feira representa o espaço onde a cultura popular está viva e interagindo de forma direta com a realidade que a cerca. Decorre, sobretudo, da compreensão de que entre bancos e barracas dá-se a troca de cultura numa relação de “escambo sociocultural”, onde os protagonistas são o feirante humilde e o produtor rural calejado e rico em sabedoria popular. Ao longo de todo o seu trabalho Silva (2006) afirma que a feira é como um patrimônio sociocultural que reproduz e consagra a cultura a partir de uma relação de troca e venda existente na prática comercial em qualquer esfera. Essa ideia é defendida também por Mascarenhas (2008): 28 A feira livre representa uma experiência peculiar de sociabilidade e de uso da rua, uma tradição urbana tornada obsoleta pela expansão do automóvel e do moderno varejo, mas que luta para persistir na paisagem urbana. Através da territorialidade popular das feiras livres, buscamos desenvolver uma reflexão ampliada acerca de algumas das tendências mais gerais da metrópole contemporânea, portadora das novas formas de acumulação e de condições de sobrevivência material, de afirmação cultural e de busca do exercício da cidadania. No que se trata das feiras livres de Belém do Pará, Medeiros (2010) afirma que estas têm uma dinâmica de formação e funcionamento bastante diferente das feiras espalhadas pelas demais regiões brasileiras. A formação histórica, o sistema de funcionamento, a forma de ocupação espacial, bem como a localização geográfica, são elementos que fazem das feiras livres belenenses verdadeiros espaços diferenciados, tipicamente, locais e únicos. A história das feiras livres em Belém confunde-se com a própria história de desenvolvimento da cidade. Na medida em que vamos analisando o histórico das feiras da cidade, conseguimos fazer um acompanhamento da sua evolução com os eventos históricos que acompanham a região como um todo e as necessidades da população. As feiras livres na capital paraense, em sua grande parte, apresentam esses elementos passíveis de uma leitura geográfica e podem ser compreendidas como espaços apropriados, por um determinado grupo social (feirante) que busca sua afirmação no contexto de produção do espaço urbano que se encontra sempre em constantes mudanças (MEDEIROS, 2010). É interessante notar que no início do estabelecimento da cidade de Belém, a vida comercial da cidade se dava em torno do rio, ou seja, o rio era tido como o elemento central de estruturação da vida urbana de modo a se organizar a partir das relações sócio-espaciais mantidas com as regiões mais próximas. Dessa maneira, atualmente, para se entender a funcionalidade e principalmente a localização geográfica das feiras em Belém é imprescindível se observar o processo de expansão urbana dessa grande cidade e seus aspectos histórico-espaciais, fatos que se demonstram claros em Medeiros (2010): Com o processo de expansão urbana, intensificado a partir do século XIX, a cidade passa a ocupar novas áreas em direção às regiões mais afastadas do centro comercial. Nesse sentido, surgiram os bairros de Nazaré, São Brás, Canudos, Fátima e Marco. A ocupação se dava pela incorporação de novas áreas, cada vez mais distantes do núcleo original de povoamento da cidade. Acompanhando esse rápido processo de expansão urbana, as feiras livres passaram a ocupar rapidamente os principais logradouros públicos municipais e, de certa forma, virando as costas para o rio, com a exceção daquelas já existentes. 29 As informações descritas pela autora acima deixa claro que as feiras foram se afastando do núcleo inicial da cidade, que se dava em torno do rio, de acordo com a expansão de seu território e a criação de novos bairros e a necessidade de outros pontos de comercio. Segundo dados da SECON (2007) apud (TEIXEIRA & COUTINHO, 2010), o município de Belém do Pará é composto de 42 feiras livres, onde é possível encontrar diversos produtos relacionados à alimentação, artesanato, medicina popular, artigos industrializados, entre outros. Para a SECON, a feira é uma estrutura de barracas, padronizadas, tendo a possibilidade de ser móvel ou não. No entanto, nota-se que a maioria absoluta das feiras de Belém não obedece a uma ordem de padronização, motivada pela falta de ações políticas. 4.2.2 Legislação Em 1996 foi instituída a lei Nº 28, de 26 de novembro, que trata das feiras livres, cujo artigo 1º, capítulo I, nos diz: “As Feiras Livres deverão localizar se em logradouros públicos do Município e se destinar à venda de gêneros alimentícios de primeira necessidade, produtos agrícolas, avicultura e pequena criação, horticultura, pomicultura, floricultura, artefatos de pequenas indústrias, artesanato e outros, de acordo com a necessidade e autorização do Departamento competente”. Segundo a lei, “As Feiras Livres funcionarão nos locais e dias designados pelo Departamento competente. As Feiras Livres terão inicio às 6:00 horas e o seu encerramento às 13:00 horas. Os feirantes não poderão armar barracas antes das 4:00 horas, e devendo desarmá-las até às 14:30 horas, deixando livre o local, sob pena de apreensão da matrícula. As Feiras Livres deverão ser planejadas pelo Departamento competente, que organizará Planta Cadastral e estabelecerá o número de feirantes para cada Feira, bem como sua localização e serão oficializadas por Decreto. A Feira só será oficializada se atingir o número mínimo de 25 (vinte e cinco) bancas ou barracas”. Sobre o espaço e a manutenção da feira, a lei estabelece que, “As bancas e barracas serão colocadas simetricamente de modo a não impedir o livre trânsito de pedestres; Haverá inspeção Higiênico-Sanitária e Vigilância Sanitária Municipal permanente nas Feiras Livres, à qual caberá atuar no que diz respeito às questões Higiênico-Sanitárias. Os produtos deverão ser comercializados em bancas, barracas e veículos especiais, cujos modelos e especificações deverão ser previamente aprovados pelos setores competentes” (Setor de Fiscalização e Vigilância Sanitária). 30 4.2.3 Feira da Av. 25 de Setembro Segundo a SECON (Secretaria Municipal de Economia), a feira da 25 de Setembro, situada na Av. do mesmo nome, entre as travessas Jutaí e Antônio Baena, ocupa o lugar de destaque como principal polo de comercialização de farinha em Belém. O nome da Avenida 25 de Setembro, foi em comemoração a vitória da Força Policial Paraense nesse dia do ano de 1897, em Canudos, que resultou da derrota definitiva de Antônio Conselheiro e seus comandados. Inaugurada em 13 de Julho de 1970, a feira da 25 de Setembro foi uma opção encontrada para alocar ao feirantes irregulares localizados na Praça do Operário e em frente ao Berço de Belém. Nessa época, foi somente ocupado o canteiro central da avenida entre Jutaí e Mercês. Na administração do Gestor Municipal Lorewal Rei de Magalhães, houve a ocupação do outro canteiro central situado entre Tv. Mercês e Antônio Baena, onde foram alocados os feirantes que trabalhavam em frente ao antigo mercado de peixe, atual setor de refeição do Complexo de São Brás. Na gestão do prefeito Augusto Rezende a feira passou por uma revitalização e no final da gestão do prefeito Edmilson Rodrigues a feira da área I (entre Trav. Jutaí e Trav. Mercês), passou por um processo de reforma mais complexa, sendo concluída em janeiro de 2006, já na gestão do prefeito Duciomar Costa, e a área II (entre as Travessas das Mercês e Antônio Baena), foi revitalizada, passando a ser denominada “Complexo de Abastecimento da 25 de Setembro. A feira é composta de 422 equipamentos (120 barracas, 290 boxes e 12 tanques) e 265 permissionários, distribuídos conforme o quadro: ATIVIDADES Nº DE PERMISSIONÁRIOS Nº DE EQUIPAMENTOS HORTIGRANJEIRO 68 134 INDUSTRIALIZADO 27 35 LANCHES 7 7 REFEIÇÃO 35 48 POLPA DE FRUTAS 2 5 MERCEARIA 28 45 FARINHA 35 67 PLANTAS ORNAMENTAIS 3 5 ERVAS MEDICINAIS 4 4 ART. PARA PÁSSAROS 3 3 31 SERVIÇOS 7 7 PEIXES 7 10 CAMARÃO SECO 28 36 CARANGUEJO 8 12 DEPÓSITO TOTAL 1 265 422 Quadro 4 – Quantitativo de permissionários e equipamentos da feira da 25, Belém - PA. Fonte: SECON 32 5 RESULTADOS 5.1 GERAÇÃO DE RESÍDUOS Foram identificados, a partir do quadro 1, os tipos de resíduos sólidos gerados na feira, conforme está listado na tabela 2. Além dos resíduos encontrados na feira, pode-se verificar na tabela o tempo estimado de decomposição de cada categoria de material. Tabela 2 – Resíduos sólidos gerados na feira livre da 25 de Setembro e seu tempo de decomposição. Composição Orgânicos Resíduos sólidos Decomposição Restos de alimentos, vísceras 6 a 14 meses de peixe, retraços de carnes, caroços de açaí, restos de ração para pássaros. Papelão, Papel lenços, caixas, 3 meses a 6 meses embalagens, cubas de ovos, jornal. Plástico Sacolas, descartáveis (pratos, Mais de 100 anos copos, talheres, canudinhos), tampinhas. Latinhas, fivelas, partes de Metal 10 anos gaiolas. Madeira Caixotes, paneiro. Mais de 10 anos Outros Caixas de isopor. Indeterminado Os resíduos gerados em maior quantidade na feira são os de composição orgânica, composto por frutas, verduras, legumes, restos de alimento etc. (figura 4), impróprios para a comercialização. Observou-se também que os tipos de resíduos variam em cada setor, no setor de carnes, peixes açaí e lanches os orgânicos prevalecem, já nos demais setores o papelão e o isopor são bastante comuns. Pode-se também verificar, nas figuras 3 e 4, que os resíduos, em sua maioria, são depositados bem próximo às valas e beiras das calçadas o que, de certa maneira, pode vir a prejudicar o escoamento das chuvas. 33 Figura 3 – Resíduos do tipo não orgânicos encontrados na feira da 25, Belém – PA. Fonte: Arquivo pessoal. Figura 4 – Resíduos orgânicos (caroços de açaí, retraços de carnes e restos de frutas) encontrados na feira da 25, Belém – PA. Fonte: Arquivo pessoal A coleta e a destinação final dos resíduos encontrados na feira livre da Av. 25 de Setembro se dá a partir do armazenamento feito com sacolas plásticas depositadas em contêineres (figura 5) cituados e expostos na própria feira para serem coletados e transportados por caminhões de lixo (figura 6), que segundo a maioria dos vendedores e moradores das adjacências, passam mais de 3 vezes durante a semana para transportar os resíduos até o seu destino final, o qual provavelmente será o aterro sanitário do Aurá. 34 Figura 5 – Contêineres de armazenamento provisório de resíduos. Fonte: Arquivo pessoal Figura 6 – Caminhão de lixo da prefeitura coletando os resíduos da feira da 25, Belém – PA. Fonte: Arquivo pessoal 5.2 CONTEXTOS SÓCIOAMBIENTAIS O grupo pesquisado abrange 50 clientes, 33 vendedores fixos, 20 moradores e 16 vendedores ambulantes, sendo que a maioria dos entrevistados apresenta como grau de escolaridade o ensino médio completo, tendo em vista os clientes e os moradores apresentam maior grau de instrução do que os vendedores do local da pesquisa (Figura 7). Ainda podemos perceber que a maioria dos entrevistados nasceu em Belém – PA, sendo que alguns clientes e vendedores ambulantes vêm de outros municípios para comprar e vender seus produtos respectivamente (Figura 8). Quando perguntados sobre as questões ambientais a maioria dos entrevistados de todas as categorias afirmaram que possuem algum tipo de interesse (Figura 9) e responderam que acham que existe problemas ambientais na feira da 25 (Figura 10). 35 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Vendedor Fixo Vendedor Ambulante Cliente Morador Figura 7 – Distribuição das categorias abordadas na pesquisa de acordo com o grau de escolaridade. 45 40 35 30 Vendedor Fixo 25 Vendedor Ambulante 20 Cliente 15 Morador 10 5 0 Belém Outra cidade Figura 8 – Naturalidade das categorias abordadas na pesquisa. Número total de pessoas 40 35 30 25 20 Vendedores fixos 15 Vendedores Ambulantes 10 Clientes 5 Moradores 0 Muito Pouco Mais ou Menos Nada Respostas Figura 9 – Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com o interesse pelas questões ambientais. número total de pessoas 36 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Vendedor Fixo Vendedor Ambulante Cliente Moradores Sim Não Respostas Figura 10 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as opiniões acerca de haver ou não problemas ambientais na feira. Como nos mostra a figura 11 todas as categorias encontram problemas ambientais na feira, os vendedores ambulantes são os menos incomodados em relação a isso, já a maioria dos clientes encontram no local praticamente todos os itens apontados. A qualidade ambiental do bairro como um todo é bem vista pela maioria dos vendedores (figura 12) e os responsáveis para resolver os problemas encontrados, para grande parte dos entrevistados, são a prefeitura e os moradores apesar de alguns depositarem essa responsabilidade apenas à prefeitura (figura 13). Número total de pessoas 30 25 20 Vendedor Fixo 15 Vendedor Ambulante 10 Cliente 5 Morador 0 Poluição visual Poluição sonora Poluição ambiental Todas as afirmativas Respostas Figura 11 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com os tipos de poluição encontrados na feira. Número total de pessoa 37 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Vendedor Fixo Vendedor Ambulante Cliente Morador Boa Ruim Precária Não sei Respostas Número total de pessoas Figura 12 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as opiniões sobre a qualidade ambiental do bairro do Marco. 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Vendedor Fixo Vendedor Ambulante Cliente Morador Moradores Prefeitura Todas as alternativas Respostas Figura 13 – Opinião dos entrevistados quanto aos responsáveis por resolver os problemas ambientais do bairro. Podemos observar na figura 14 que a pesquisa nos mostra que a maioria das pessoas consegue diferenciar resíduos sólidos de lixo, apesar de ainda haver dúvidas por alguns dos representantes de todas as categorias. A presença de animais no lixo da feira é notada por todas as categorias, poucos clientes e vendedores fixos afirmam o contrário (figura 15), a figura 16 indica os tipos de animais mais encontrados nas lixeiras e em torno da feira por cada categoria pesquisada. 38 40 Título do Eixo 35 30 25 Vendedor Fixo 20 Vendedor Ambulante 15 Cliente 10 Morador 5 0 Sim Não Não sei Título do Eixo Figura 14 - Distribuição das categorias pesquisadas de acordo com as respostas se resíduos sólidos e lixo são a mesma coisa. Número total de pessoas 40 35 30 . 25 Vendedor Fixo 20 Vendedor Ambulante 15 Cliente 10 Morador 5 0 Sim Não Respostas Figura 15 - Distribuição das categorias pesquisadas quanto a afirmativa se há ou não animais no lixo da feira. Número total de pessoas 25 20 15 Vendedor Fixo 10 Vendedor Ambulante 5 Cliente 0 Morador Cachorro/ Gato Ratos Insetos Todas as (baratas, alternativas moscas, etc.) Respostas Figura 16 – Tipos de animais mais observados pelos pesquisados, nas lixeiras e em torno da feira. 39 Nas entrevistas realizadas com os vendedores fixos percebemos que a maioria deles trabalha há aproximadamente 10 anos no local, outros ainda ultrapassam esse tempo (figura 17). Entre os produtos mais vendidos nos boxes da feira, de acordo com a figura 18, os de origem variada - como artigos para pássaros, móveis e utensílios - são os que mais se destacam. Quanto à coleta municipal dos resíduos da feira 73% dos entrevistados afirmam que ocorre mais de três vezes ao dia, e a maioria dos vendedores depositam seu lixo para ser coletado cerca de duas horas antes da chegada dos coletores, já a coleta seletiva se encontra inexistente segundo grande parte dos vendedores (figura 19). Em relação à limpeza das vias públicas da feira 64% dos vendedores fixos declaram acontecer várias vezes ao dia. 12% 21% Menos de 5 anos De 5 a 10 anos Mais de 10 anos 67% Figura 17 – Tempo, em anos, de trabalho dos vendedores fixos da feira livre da Av. 25 de Setembro, Belém - PA. Hortifrutigranjeiro 18% 25% Pescados Ervas medicinais/Plantas ornamentais 21% 15% Industrializados Lanches/Refeição 9% 12% Outros Figura 18 – Tipos de produtos mais vendidos pelos vendedores fixos da feira da 25. 40 15% Sim Não 85% Figura 19 – Respostas dos vendedores fixos se há ou não coleta seletiva na feira livre da 25. Nos questionários realizados com os vendedores ambulantes notamos que 62% deles comercializam produtos alimentícios, os outros dedicam suas vendas a adereços, produtos eletrônicos e utensílios diversos. Dentre esses vendedores apenas 19% são moradores do bairro, o restante tem suas residências localizadas até mesmo fora do município. Entre os clientes abordados no local 82% apresentam preferência pela feira da 25. E aproximadamente 3/4 da clientela da feira (76%) não reside no bairro e os produtos que mais procuram são os hortifrutigranjeiros (figura 20), em especial as frutas. 18% 38% Hortifrutigranjeiro Pescados 14% Industrializados Outros 30% Figura 20 – Tipos de produtos mais comprados pelos clientes da feira da 25. 41 A partir das perguntas feitas aos Moradores das adjacências da feira, obtemos as seguintes informações: a maioria deles (55%) mora no local há mais de 10 anos, o que possibilitou uma conversa sobre a feira antes da reforma de 2006 (o que aprofundaremos na página 41), 40% dos entrevistados mora há um pouco mais de 5 anos, e 5% moram há menos de 5 anos no local. Ao serem perguntados se costumam comprar algum produto na feira, 90% afirmaram que sim, pois aproveitam a praticidade de morar perto de uma feira, além de ser mais rápido, porém 10% dos moradores entrevistados disseram que não costumam comprar nada na feira, pois não confiam na limpeza e preferem comprar nos supermercados próximos ao local. Aos entrevistados que costumam comprar na feira, também foi perguntado que tipo de produtos eles costumam comprar mais, entre hortifrutigranjeiro, pescados, grãos e temperos, todas as alternativas ou outros tipos de produtos e as respostas obtidas estão representadas na figura 21, o que é notável é que a maioria não possui uma preferência e compram vários tipos de produtos vendidos na feira. Ainda com o questionário, procuramos saber entre os moradores quantas vezes por semana a coleta municipal de lixo passa na feira da 25 e a maioria dos entrevistados afirmaram que este serviço é feito mais de três vezes por semana, o que se compararmos com as resposta dos vendedores fixos, para a mesma pergunta, obteve-se a mesma resposta. 75% desses moradores declararam ainda que depositam seus lixos para serem recolhidos 1 hora antes do caminhão da coleta passar, e que a frequência da limpeza das vias públicas acontece uma vez ao dia, o que entra em contradição com as respostas dos vendedores que afirmam acontecer várias vezes ao dia. Hortifrutigranjeiro 17% 17% Pescados 50% 11% Grãos e temperos ( farinha, lentilha, etc.) 5% Todas as afirmativas Outros Figura 21 - Representação dos produtos comprados pelos moradores das adjacências da feira da Av. 25 de Setembro, Belém – PA. 42 No decorrer das entrevistas, em especial com os moradores das redondezas da feira há mais de 10 anos, assim como vendedores antigos, foi interessante observar as grandes diferenças do local antes e depois das reformas estabelecidas na feira, e também as dificuldades que encontravam com sua estrutura, as imagens a seguir fazem uma comparação dessas diferenças: A) B) Figura 22 – Feira da 25 de Setembro antes da reforma de 2006. A) Frente da feira e B) Lateral da feira Fonte: Seurb A) B) Figura 23 – Feira da 25 de Setembro após a reforma de 2006. A) Frente da feira e B) Lateral da feira. Fonte: Arquivo pessoal. Como podemos observar, na figura 22, a feira era um aglomerado de barracas cobertas com telhas, sem muito espaço livre para que os clientes pudessem transitar no interior do local. Já na figura 23 observamos a feira no seu estado atual, o projeto da nova feira deu a ela um espaço mais amplo e boxes padronizados. 43 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Comparada com outras feiras de mesmo porte, a feira da 25 de Setembro possui uma situação não tão precária em relação aos resíduos sólidos, visto que grande parte das feiras de Belém não possuem ainda sequer um planejamento ou projeto de revitalização em andamento. Entretanto, a feira ainda pode avançar em relação a alguns aspectos importantes no que diz respeito aos resíduos sólidos gerados, como: - Implantação de coleta seletiva; - Uma maior atenção aos riscos predispostos nos resíduos orgânicos expostos; - Implantação de um programa de reciclagem; - E, sobretudo, orientação junto aos feirantes e moradores quanto à importância ambiental no tratamento e destinação adequada dos resíduos. Para que isso seja possível, os moradores, as equipes que cuidam dos resíduos e os responsáveis da feira devem trabalhar em conjunto, reunindo-se regularmente, a fim de analisarem os problemas e procurarem soluções com a finalidade de uma melhor qualidade ambiental e de um melhor serviço oferecido pela feira aos consumidores. Além disso, é importante que a comunidade ao redor da feira, os comerciantes e até mesmo os clientes zelem pela integridade da mesma. Não é difícil notar que, embora tenha sido gasto um montante bastante significativo de verba pública para a revitalização da feira, ainda se vê um descuido ou desvalorização por parte de alguns a respeito das instalações da feira. Vale ressaltar ainda que tanto os moradores quanto os comerciantes devem ter mais cuidados com os contêineres e lixeiras da feira, pois foi verificado que alguns desses estavam quebrados ou havia mais lixo do que a sua capacidade aguentava, devido a esses fatos são comuns à atração de possíveis vetores de doenças que podem acometer enfermidades aos vendedores, clientes e moradores, incluindo os de rua que são comuns nas extremidades da feira. 44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AISSE, M. M., OBLADEN, N. L., SANTOS, A. S. Aproveitamento dos Resíduos Sólidos Urbanos. Curitiba: CNPq/ ITAH/ IPPUC/ LHISAMA- UCPr. Curitiba, 1982. ASSOSSIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2004). NBR 10.004, 2ª ed. Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro. 71 p. ALCÂNTARA, C. 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