UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO
CARLOS MAGNO DE SOUZA FARIA
CAROLINE ADÉLIA SILVANO FERREIRA BARROS
ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES FÍSICOS NA
AVENIDA MAJOR AMARANTES DA CIDADE DE VILHENARONDÔNIA
Vilhena
2012
CARLOS MAGNO DE SOUZA FARIA
CAROLINE ADÉLIA SILVANO FERREIRA BARROS
ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES FÍSICOS NA
AVENIDA MAJOR AMARANTES DA CIDADE DE VILHENARONDÔNIA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado
ao
Departamento
de
Comunicação Social - Jornalismo da
Universidade Federal de Rondônia/Unir, sob
orientação da Profa. Dra. Elisabeth K Kimie.
Vilhena
2012
AGRADECIMENTOS
Os primeiros agradecimentos vão para minha personalidade, sim, o
crédito é todo dela, que me permitiu usar tudo o que tive vontade e, ser quem sou.
Não me limito e, não deixo me classificar/rotular. Foram cinco anos, hoje pode
parecer muito tempo, mais eu sei que isso é apenas uma fração do que estar por vir,
ou não.
Depois aos colegas de classe... peço desculpa pelas brigas, e mais,
dizer que lembro e lembrarei de todos com carinho. A nossa desunião acabou nos
unindo, e torço por vocês, e no futuro; não muito distante, espero poder dizer com
orgulho: “eu estudei com esse cara”.
A todas as músicas que eu cantei, sabendo ou não a letra, as
bandas que eu vibrei sem saber o nome, a todas as ideias nosense que tive, todas
as confabulações do Snake Club na escadaria, as reuniões no bosque, as viagens,
os congressos, os festivais, as greves, os pneus queimados, os atestados médicos,
os trabalhos que fiz mas esquecia em casa, aos arquivos que não foram nos anexos,
aos textos dos professores que nunca chegaram no e-mail “mas eu não recebi”,
aos entrevistados a “fonte” de tudo. E por fim ao conhecimento adquirido.
Conheci os amigos que sempre quis ter.
Carlos Magno
AGRADECIMENTOS II
Bom, primeiramente quero agradecer a Deus por ter me permitido
chegar até aqui, e por ter permitido também ser quem eu sou do começo ao fim
desse 5 anos de faculdade, sem precisar me exaltar ou até mesmo me indispor com
alguém, principalmente com meu colega de trabalho e amigo Carlos Magno, que
desde o inicio da escolha desse trabalho me deu forças e me encorajou a seguir
com este tema.
Em segundo, quero agradecer a toda minha família, de mamando a
caducando, por ser quem eles são, e fazerem parte da minha vida da maneira que
eles fazem. Sem vocês eu nada seria, principalmente a Tia Janete e a Tia Josy!
Em especial quero aqui deixar meu mais puro e verdadeiro
sentimento de gratidão a minha mãe, meu exemplo, meu orgulho, minha heroína...
Mãe, a senhora mais que qualquer outra pessoa sabe o quanto eu te admiro e te
respeito por ser o que você é e sempre foi. Dizem que educação vem de berço, e eu
posso confirmar isto, pois sem a senhora e meu pai, hoje eu não seria metade do
que sou. Ver sua garra e determinação com a sua vida, que há tempos estava quase
perdida, foram o que mais impulsionaram a prosseguir nessa jornada, que embora
parecesse fácil, mas no fundo não era... E eram nessas horas que eu sempre
lembrava que a senhora não desistiu e que jamais desistiria dos seus sonhos, por
mais que as circunstâncias mostrassem o contrário; e eu seguindo seus passos faria
o mesmo. E é por isso que te agradeço, por ter se mostrado forte em tantas
situações que eu sabia que não havia como ser forte e a senhora estava ali, firme
como uma rocha. Por isso mãe, o meu muito obrigado por seu meu espelho!
Pai, quero agradecer ao senhor por ter me proporcionado uma
educação de qualidade, mesmo que com algumas dificuldades sempre procurou me
oferecer o que tivesse de melhor, por todas as idas e vindas me levando ao colégio,
aos cursos e depois por algum período me levando e buscando na faculdade
debaixo de chuva ou sol, reclamando menos que o normal. Obrigada!
Enfim, quero agradecer a todos que direta ou indiretamente fizeram
parte da minha formação universitária, deixo aqui minhas saudades!
Caroline Silvano Barros
AGRADECIMENTO AOS PROFESSORES
A estes mestres, o nosso nobre e sincero muito obrigado!
Elisabeth K. Kimie, Lilian Reichert, Aparecida Zuin, Sandro Colferai, Antônio Catalão,
Graça Bernardes, Patrícia Veiga, Mércia, Cibele, Marcus Fiori, Daiane Barth, Evelyn
Morales, Juliano Andrade, Elton Bitencurt, Graziela, Ademilson de Assis Dias, Sérgio
Gouveia Neto, Andrea Cattaneo, Samara Kalil, Carlos Cintra, Claudemir da Silva
Paula.
Obrigado professor,
pelas tentativas incansáveis de nos fazer refletir.
Com sua excelência,
conseguiu nos fazer descobrir um mundo novo,
fantástico, espetacular,
tirar as pedras do caminho, e continuar a retirá-las,
conseguiu nos fazer criar, recriar, começar, recomeçar,
seus ensinamentos ficarão para sempre guardados,
considero-o mestre,
MESTRE do saber, da busca incessantemente pelo conhecimento,
Vossa Excelência,
nos diz em todos os poemas
- Quando estiver no paraíso, não se esqueça de mim!
Eu agora direi:
- Porque buscas o paraíso se ele se encontra na pessoa que tu és, no seu coração,
no seu interior, nos seus atos. O paraíso se encontra dentro de cada um de nós, só
basta termos sensibilidade para entender.
A Pasárgada de Bandeira,
A Terra das Palmeiras de Gonçalves Dias,
O Último Andar de Cecília Meireles,
A Mudança, o Amor, o vôo de Lispector,
O som das Estrelas de Olavo Bilac,
A Tarde Azul de Drummond,
O Cimento da poesia de Vinicius Morais,
Os Lírios do Campo, as Aves de Érico Veríssimo,
O Olhar de Isaac Newton,
A Peça de Teatro de Chaplin,
A Luz de Victor Hugo,
A Riqueza de Kant,
É seu paraíso.
E como em todas as aulas, tínhamos um pensamento para refletir, terminarei com
um pensamento:
E então terei que dizer um adeus, um adeus de um começo e de um fim.
Autor: Jefferson da Silva Divino
“Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo”.
Platão
.
RESUMO
O presente trabalho revela através da fotografia e do experimento de
fotorreportagem, as condições de acessibilidade para portadores de deficiência física
e/ou com mobilidade reduzida, ao longo do percurso de uma das avenidas principais
da cidade de Vilhena/RO - Avenida Major Amarantes. Como metodologia , utilizamos
as pesquisas, as análises bibliográficas, a legislação pertinente ao tema e a
observação in loco para identificar as barreiras arquitetônicas a fim de conhecer e
entrevistar os Portadores de Necessidades Especiais (PNE’s) que transitam na via
pública. O trabalho tem como finalidade apresentar uma exposição fotográfica
intitulada Acessibiliz’Ação composta por 38 (trinta e oito) fotos dividas em 10(dez)
narrativas, que foram baseadas nas entrevistas e relatos coletados com os PNE’s . A
exposição tem caráter itinerante e cumpre o objetivo proporcionando visibilidade
para com a sociedade em relação às condições de acesso para deficientes físicos,
um direito garantido na Constituição Federal de 1988 que manifesta o direito de todo
o cidadão de ir e vir de forma segura e independente pelos espaços de uso público e
coletivo.
Palavras-chave:
Humanos.
Fotorreportagem;
Acessibilidade;
Deficiente
Físico,
Direitos
FARIA, Carlos M. Souza. BARROS, Caroline A. S. Ferreira. ACCESSIBILITY FOR
DISABLED AVENUE IN THE CITY OF MAJOR AMARANTES VILHENARONDÔNIA. 2012. 151. Trabalho de Conclusão de Curso (Jornalismo/Comunicação
Social) – Universidade Federa de Rondônia, Vilhena, 2012.
ABSTRACT
The present work shows through photography and photojournalism
experiment, the accessibility for people with physical disabilities and / or reduced
mobility, along the route of one of the main avenues of the city of Vilhena / RO Major Amarantes Avenue. The methodology used research, analyzes literature,
legislation relevant to the topic and on-site observation to identify architectural
barriers in order to meet and interview the Handicapped (PNE's) passing in the
street.
The
research
aims
to
present
a
photographic
exhibition
entitled
Acessibiliz'Ação composed of 38 (thirty-eight) photos divided into 10 (ten) narratives,
which were based on interviews and collected with the PNE's. The exhibition has
itinerant character and fulfills the goal to provide visibility to the company in relation to
the conditions of access for disabled people, a right guaranteed by the Constitution of
1988, which expresses the right of every citizen to come and go safely and
independently spaces for public use and collective.
Key-words: Photoreport; Accessibility, Disability, Human Rights.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Cruzamento da Avenida Major Amarantes com a Rua Juscelino
Kubistchek. (Exemplo da hierarquia Vivo/móvel/ fixo.) ............................................. 32
Figura 2 – Cruzamento da Avenida Major Amarantes com a Marques Henrique. (Foto
simétrica, os elementos estão divididos proporcionais em ambos os lados) ............ 33
Figura 3 – Ponto de ônibus de concreto fixo na calçada, localizado na Avenida Major
Amarantes próximo ao Rei dos Colchões. (Fotografia em preto e branco com alto
contrates de sombras devido a luz ambiente.) .......................................................... 34
Figura 4 - Formulário para preenchimento de utilização da vaga especial, fornecido
na Secretaria de Trânsito. ......................................................................................... 35
Figura 5 - Weverson Rodrigues................................................................................. 40
Figura 6 - Adalberto em um dos seus locais de trabalho. ......................................... 41
Figura 7 - J. Cristiano ................................................................................................ 42
Figura 8 - Maria de Lourdes e sua moto adaptada. ................................................... 43
Figura 9: Ari Dias Rezino........................................................................................... 44
Figura 10: Allan Brito. ................................................................................................ 45
Figura 11: Layout da exposição ................................................................................ 46
Figura 12: Layout da exposição segunda opção ....................................................... 46
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Orçamento das impressões das imagens ................................................ 46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AACD
Associação de Assistência à Criança Deficiente
ABNT
Associação Brasileira de Normas Técnicas
ACIV
Associação Comercial e Industrial de Vilhena
APAE
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
ASDEFIV
Associação Dos Deficientes Físicos De Vilhena
CEEJA
Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos
MEC
Ministério da Educação
NBR
Norma Brasileira
PNE
Portador de Necessidade Especial
PTRAM
Policia de Trânsito
SEMPLAM
Secretária Municipal de Planejamento
SEMTRAM Secretária Municipal de Transito
SUFRAMA
Superintendência da Zona Franca de Manaus
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 14
2 ACESSIBILIDADE – PENSAMENTO INCLUSIVO E O AGIR ACESSÍVEL. ........ 16
2.1 ACESSIBILIDADE CONCEITOS E NORMAS ..................................................... 16
2.2 PRINCIPAL BARREIRA ...................................................................................... 18
2.2.1 Símbolo universal ............................................................................................. 20
2.3 LEIS DE ACESSIBILIDADE ................................................................................ 21
3 FOTOJORNALISMO ............................................................................................. 24
3.1DEFINIÇÕES DE FOTOGRAFIA ......................................................................... 24
3.2 HISTÓRIA DO FOTOJORNALISMO ................................................................... 25
3.3 FOTOJORNALISMO E O REAL .......................................................................... 29
3.4 LEITURA DA FOTO ............................................................................................ 31
4 METODOLOGIA DE PRODUÇÃO ........................................................................ 35
4.1 ROTINA DE TRABALHO E CAPTURAS DAS IMAGENS ................................... 35
4.2 EQUIPAMENTO .................................................................................................. 38
4.3 MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO ........................................................................... 46
4.4 ORÇAMENTO ..................................................................................................... 46
5 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 47
6 PRODUTO FINAL .................................................................................................. 48
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 96
APÊNDICES ............................................................................................................. 98
APÊNDICE A – DECUPAGEM DOS ÁUDIOS .......................................................... 99
ANEXOS ................................................................................................................. 115
ANEXO A – PAUTAS .............................................................................................. 116
14
INTRODUÇÃO
Por
ser
uma
pesquisa
que
envolve
o
experimento
de
fotorreportagem, tem como principal objetivo mostrar, através da fotografia, as
condições de acessibilidade em Vilhena.
A Avenida Major Amarantes é o centro comercial principal da cidade
de Vilhena, localizada no Cone Sul do estado de Rondônia. Neste local encontramse as principais agências bancárias, lojas e salas comercias, consultórios e clínicas
médicas.
Por apresentar intenso fluxo de pessoas e tráfego de automóveis,
torna-se necessário retratar as facilidades e as dificuldades referentes às barreiras
arquitetônicas para o acesso de pessoas portadoras de deficiência física que
circulam pelas ruas e avenidas. Sendo assim, o acesso para estes sujeitos deve
obedecer às leis de acessibilidade.
Para tal buscamos registrar por meio da
fotografia a disposição de: degraus, lixeiras, bicicletários, placas, postes, árvores e
etc. Obstáculos que, de certa forma, interferem no desenvolvimento e integração
social dos mesmos.
Foi com essa premissa que escolhemos o tema da Acessibilidade
para Deficientes Físicos, ao longo da Avenida Major Amarantes, a fim de dar
visibilidade para a sociedade e ressaltando as possíveis melhorias nas condições de
acesso aos portadores de necessidades especiais.
A cidade de Vilhena é ainda jovem com apenas 33 anos, e deve
crescer seguindo as normas padrões da ABNT de calçadas acessíveis, bem como
cumprir as leis 10. 048 e 10.098 de 19/12/2000 que dispõem em seu artigo 1° que a
aprovação de projeto de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e
informação, de transporte coletivo, bem como a execução de qualquer tipo de obra,
devem se enquadrar nos padrões de acessibilidade.
Nosso objetivo para este projeto experimental é delinear através da
fotorreportagem as condições de acessibilidade para pessoas portadoras de
deficiência física na Avenida Major Amarantes e ainda, mobilizar a população local,
através de uma exposição fotográfica, disponibilizando para esta, a realidade vigente
nas questões que dizem respeito à acessibilidade para os portadores de deficientes
físicos, com o intuito de promover a adequação para atender as reais necessidades
de locomoção para aqueles que fazem uso dessa via de acesso.
15
A parte inicial deste trabalho cumpre o objetivo de conhecer as leis
de acessibilidade expostas na constituição federal e as leis orgânicas do município
para contextualizar, conhecer e compreender apropriadamente a condição do
portador de necessidade física e os seus direitos.
A observação in loco faz-se necessária, pois esta pesquisa
caracteriza-se como um estudo de campo de caráter experimental e exploratório,
portanto é preciso conhecer as dificuldades de acessibilidade na Avenida Major
Amarantes.
Para isso, foram realizadas visitas diuturnamente na avenida que é o
objeto da pesquisa, buscando fazer o reconhecimento da área e seus “pontos
críticos”, que ao longo das entrevistas realizadas com os portadores de deficiência
física relataram, atráves de seus depoimentos, os locais com maiores dificuldades
de se trafegar.
Também foram realizadas entrevistas com base no livro Entrevista
o diálogo Possível – Cremilda Medina (2002) aos órgãos responsáveis por essas
áreas – Secretaria de Transito (SEMTRAN) e Secretaria Municipal de Planejamento
(SEMPLAN) que apresentaram alguns projetos do município sobre o tema aqui
proposto. Após a conclusão das pesquisas, e a elaboração dos fichamentos foi
fundamental para organização do conteúdo, facilitando a busca de determinados
dados, dando início a construção dos três capítulos: O capítulo um apresenta a
revisão bibliográfica sobre os conceitos de acessibilidade e deficiência, o capítulo
dois trata da história da fotografia no Brasil e segue até os termos técnicos da
fotorreportagem e, por último, no capítulo três serão descritos os procedimentos
metodológicos utilizados nesse trabalho.
16
1 ACESSIBILIDADE – PENSAMENTO INCLUSIVO E O AGIR ACESSÍVEL.
1.1 ACESSIBILIDADE CONCEITOS E NORMAS
Nesse capítulo falaremos da definição de deficiência, para então
compreender as necessidades especiais que um portador, descritos nos subtítulos A
Principal Barreira e Acessibilidade Arquitetônica, e também estarão descritas aqui no
capítulo primeiro, os direitos de cada cidadão garantidos pela lei.
Para Schirmer (2007) deficiência é considerada toda perda ou
anormalidade na estrutura anatômica, psicológica ou fisiológica que impossibilite a
prática de atividade ou locomoção.
O comprometimento do aparelho locomotor pode ser ocasionado por
lesões no sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. Em
alguns casos, a deficiência física aparece com outras privações sensoriais visuais ou
auditivas.
O comprometimento da função física poderá acontecer quando existe a falta
de um membro (amputação), sua má-formação ou deformação (alterações
que acometem o sistema muscular e esquelético). (SCHIRMER, 2007,
p.22)
Conforme o período de estudo sobre o tema aparecem outros
conceitos como incapacidade, que é toda restrição ou falta da capacidade de
realizar determinada atividade, considerada normal para qualquer ser humano, e o
impedimento,
situação
desvantajosa
para
um
determinado
indivíduo,
em
consequência de uma deficiência1.
Assim, impedimento caracteriza-se como uma alteração, dano ou
lesão psicológica, fisiológica ou anatômica em alguma parte do corpo. A deficiência
está relacionada às sequelas que limitam a execução de atividades, e a
1
A ONU estima que existam 600 milhões de pessoas com deficiência no planeta, das quais 400
milhões estão nos países em desenvolvimento, sendo que, 75 milhões na América Latina e Caribe.
De acordo com o Censo Demográfico de 2000, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), há no país 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5%
da população brasileira. Deste total: 48,1% têm alguma deficiência visual; 22,9% têm deficiência
motora; 16,7% têm deficiência auditiva; 8,3% têm deficiência mental; e 4,1% têm deficiência física. O
Censo 2010, ainda em fase de conclusão no que diz respeito aos dados sobre pessoas com
deficiências, estima que a população de brasileiros com deficiência esteja em torno de 27 milhões de
pessoas. Dados retirados do artigo científico - Entre invisibilidades e movimentos: as pessoas com
deficiência na reivindicação do acesso à informação, cidadania e direito à saúde.
17
incapacidade refere-se aos obstáculos encontrados por uma pessoa com deficiência,
em sua participação considerando a idade, o sexo, os fatores culturais, sociais e
econômicos. (CAPUTO, 2003)
Atualmente, usam-se muito os termos “pessoa portadora de
necessidades especiais”, “pessoa com necessidades especiais” e “portadores de
necessidades especiais” (PNE), expressões recomendadas pelo Ministério da
Educação e Cultura (MEC), para evitar o uso da palavra “deficiente”, supostamente
pejorativa. Porém, “necessidades especiais” não são sinônimo de deficiência e
“portadores” parece termo inadequado, pois necessidades não se portam como
objetos.(CAPUTO, 2003)
As pessoas são diferentes, pois convivem e desenvolvem-se em
culturas distintas. Segundo Caputo (2003), no contexto histórico, a humanidade lutou
para que todos tivessem os mesmos direitos e hoje, as pessoas querem ter o direito
de ser diferente, poder assumir a sua diferença. “Em vez de exigirem mais equidade
entre os seres humanos e lutarem por mais igualdade, de insistirem na demanda de
cidadania igual para todas essas minorias querem respeito e o direito de ser
diferentes.” (p.40)
No entanto, a igualdade sugere o respeito às diferenças pessoais
como salienta o Programa de Ação Mundial para Pessoas com Deficiência:
O princípio da igualdade de direitos entre pessoas com ou sem deficiência
significa que as necessidades de todo indivíduo são da mesma importância;
que essas necessidades devem constituir a base do planejamento social e
que todos os recursos devem ser empregados de maneira que garantam
2
igual oportunidade de participação a todo indivíduo.
O artigo 5º da Constituição Federal Brasileira (1988) estabelece que
todo cidadão brasileiro tem o direito de ir e vir. Ou seja, qualquer pessoa, livre ou
não de deficiência ou mobilidade reduzida, deve ter o direito de poder chegar
facilmente e com segurança a qualquer lugar. A acessibilidade faz-se necessária
para qualquer indivíduo poder chegar a determinado lugar, com conforto e de forma
independente. Os passeios em locais inacessíveis geram frustração, inibindo a
circulação
dessas pessoas,
levando-as ao
isolamento,
forçando-as
a
se
concentrarem em espaços fechados, muitas das vezes se isolando em casa e,
2
Trecho do texto escrito por Geraldo Nogueira; Direitos Humanos e Acessibilidade no Rio de Janeiro.
2007. Disponível em < http://www.bengalalegal.com/geraldo> acesso em 13/10/2011.
18
portanto, impedindo-as de sociabilizar. No caso de um usuário de cadeira de rodas,
as calçadas devem ser rebaixadas e/ou rampas sinalizadas, com dimensões
adequadas para sua segurança. Já um deficiente visual necessita de mapas táteis
em braile, para poder transitar livremente. Assim, qualquer PNE sentirá que faz parte
da sociedade ao estabelecer relações com as demais pessoas.
Os ambientes acessíveis não promovem apenas o bem-estar para as
pessoas com deficiência, mas também contemplam em atender toda a
gama de diferenças humanas. (SCHIRMER, 2007, p. 107).
Os passeios públicos devem facilitar a circulação dos pedestres e
possibilitar que as pessoas PNE e seus familiares encontrassem menores ou
nenhuma dificuldade para chegar até igrejas, hospitais, cinemas, estabelecimentos
comerciais, parques e praças. Conforme o GEOUSP – Departamento de Geografia
da Universidade de São Paulo, (2004), a acessibilidade não é somente física, mas
também simbólica, e a apropriação social dos espaços públicos urbanos tem
implicações que ultrapassam o design físico de ruas, praças, parques, largos,
shoppings e prédios públicos. Com certeza, o impedimento do uso do espaço pelas
pessoas com deficiência pode ser gerado por questões físicas, tecnológicas ou
atitudinais. A acessibilidade será espontânea quando o espaço for projetado com a
participação de todos os agentes, que não permitirão a existência de barreiras. 3
1.2 PRINCIPAL BARREIRA
Acessibilidade arquitetônica é um direito garantido por lei, para que
qualquer indivíduo possa usar/usufruir de todos os espaços públicos com total
segurança, de acordo com suas limitações. Lei nº 10.098, de 19.12.2000, cujo artigo
2º, I, a enuncia nos seguintes termos:
[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e
autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das
edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por
pessoas portadoras de deficiência e com mobilidade reduzida.
E ainda, a definição de acessibilidade adotada pela Norma Brasileira
3
Disponível em < http://www.bengalalegal.com/acessibilidade > escrito por Flávia Maria de Paiva
Vital – Acessibilidade: O Espaço se Transforma a Todo Momento. 2008. Acesso em 13 de outubro de
2010.
19
de Regulamentação – NBR – 9050:2004 (Associação Brasileira de Normas
Técnicas, 2004), que a discerne como a “possibilidade e condição de alcance,
percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de
edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano e elementos” As barreiras são
resultado de projetos que não respeitam as normas de acessibilidade, em muitos
casos a falha está na tentativa de acertar sem o conhecimento técnico necessário;
em outras palavras, é a falta de fiscalização a principal causadora de situações
inacessíveis. Os empecilhos geralmente estão em instalações físicas, mobília
inadequada, nas mais variadas opções de informações que não englobam todos, na
programação visual deficitária.
A acessibilidade arquitetônica se faz mediante uma análise das condições
do ambiente, numa parceria constante entre profissionais da educação e
profissionais da arquitetura e engenharia dentro de uma perspectiva ampla
de inclusão. (SCHIRMER, 2007, p.105)
Sabemos que as calçadas são os espaços público democráticos do
dia-a-dia, já que movimentam todas as atividades econômicas da cidade. Através
delas, chegamos ao trabalho, ao comércio ou até em locais de lazer. “[...] a praça
abre um território especial, uma região teoricamente do “povo”. Uma espécie de sala
de visitas coletivas” (DAMATTA, 1997, p. 44). O grande ponto é que esses espaços,
conforme determinam as leis, são de total responsabilidade do proprietário do imóvel
e, por isso, nos deparamos com as mais variadas situações: degraus e pisos
impróprios, raízes de árvores, ambulantes, suporte para bicicletas, lixeiras, telefones
públicos, placas de sinalização, suporte para toldos, postes, enfim, passeios
deteriorados e, o mais grave, inacessíveis.
[...] o espaço público é perigoso e como tudo que o representa é, em
princípio, negativo porque tem um ponto de vista autoritário, impositivo,
falho, fundado no descaso e na linguagem da lei que, igualando, subordina
e explora. (DAMATTA, 1997, p.59).
A cidade pode ser vista pelos PNE como um lugar cheio de
armadilhas, perigoso e repleto de obstáculos a serem superados. O dicionário afirma
que o termo “acessibilidade” é um substantivo que denota a qualidade de ser
acessível, mas o termo foi ampliado, acessibilidade é mais que construir apenas
rampas (GIL, 2006).
20
Se é certo que o adjetivo “público” diz respeito a uma acessibilidade
generalizada e irrestrita, um espaço acessível a todos deve significar, por
outro lado, algo mais do que o simples acesso físico a espaços “abertos” de
uso coletivo. (GEOUSP, 2004, p.22)
É
necessário
compreender
e
distinguir
entre
as
barreiras
arquitetônicas; segundo a lei 10.098/2000, as barreiras urbanísticas são as
existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público, as barreiras nas
edificações considera as entorno e no interior das edificações de uso público e
coletivo. As barreiras nos transportes, principalmente no público, caracterizam-se
pela ausência de plataforma de elevação e rampas adaptadas para a subida e
descida de um PNE. E, por fim, as barreiras no que tange às informações e às
formas de comunicação, ou seja, que impossibilitam ou dificultam a expressão e o
recebimento de mensagens.
1.2.1 Símbolo universal
“O homem é o único animal capaz de criar símbolo” (CAPUTO,
2003, p.44). A necessidade de criação do símbolo universal foi fundamental para
fácil
compreensão de
qualquer
pessoa,
independentemente
da formação,
conhecimento, idioma, capacidade sensorial. Assim, o desenho representado por um
cadeirante tem ligação direta e eficaz com os usuários e as informações
necessárias. O símbolo deve ser colocado em espaços ou locais de ampla
visibilidade, tal como previsto nas normas de acessibilidade da Associação Brasileira
de Normas e Técnicas (ABNT) e na lei n° 7.405, de 12 de novembro de 1985.
Art. 1º - É obrigatória a colocação, de forma visível, do Símbolo
Internacional de Acesso, em todos os locais que possibilitem acesso,
circulação e utilização por pessoas portadoras de deficiência, e em todos os
serviços que forem postos à sua disposição ou que possibilitem o seu uso.
Através do desenho universal, os ambientes, os meios de transporte
e os utensílios serão projetados para todos e, portanto, não apenas para pessoas
com necessidades especiais. Quaisquer que sejam os produtos, equipamentos,
ambientes e meios de comunicação devem ser idealizados tendo base no Desenho
Universal, que recomenda que tudo deve ser utilizado por todos, sem necessidade
de adaptação. E, com o começo da fase da inclusão, hoje entendemos que a
acessibilidade não é apenas arquitetônica, pois existem barreiras de vários tipos,
21
sendo uma delas a barreira humana, a qual torna o meio físico menos ou nada
acessível, isso porque geralmente não desenvolvem o pensamento inclusivo.
A consciência do direito de construir uma identidade própria e do
reconhecimento da identidade do outro traduz-se no direito à igualdade e no
respeito às diferenças, assegurando oportunidades diferenciadas
(equidade), tantas quantas forem necessárias, com vistas à buscas de
igualdade. (MEC/SEESP, 2001, p. 08).
A lei n° 7.405 também estabelece regras básicas no que diz respeito
às medidas necessárias para uma boa locomoção de quem é PNE. As vagas de
estacionamento reservadas para o portador de necessidades especiais devem ter a
largura mínima de 3,66 cm; a abertura do elevador deve ter, no mínimo, 100
centímetros, sendo as dimensões internas mínimas de 120 cm x 150 cm; os
telefones públicos, altura máxima de 120 cm; banheiros compatíveis ao uso do PNE
e a sua mobilidade, com barra de apoio nas laterais do vaso sanitário, dispositivo de
descarga na altura dos joelhos e a pia com altura máxima de 120 cm; rampas de
acesso com piso antiderrapante com largura mínima de 120 cm; corrimão de ambos
os lados com altura máxima de 80 cm.
Só é permitida a colocação do Símbolo Internacional de Acesso nos
locais comprovadamente adequados às pessoas portadoras de necessidades
especiais.
1.3 LEIS DE ACESSIBILIDADE
O artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
assegura que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em
direitos, dotados de razão e de consciência, devendo agir uns para com os outros
em espírito de fraternidade.
No início da discussão sobre os Direitos Humanos, defendia-se a
proteção geral e abstrata, com base na igualdade. Hoje em dia, passou-se a
respeitar as peculiaridades e particularidade da pessoa como sujeito de direito. O
respeito à diversidade caracteriza-se em compreender as diferenças promovendose, assim, a cidadania.
O conceito de sociedade inclusiva valoriza a diversidade como item
inerente à constituição de qualquer sociedade, garantindo o acesso e a participação
22
de todos, a todas as oportunidades, independente das diferenças de cada um.
De maneira geral, esta Declaração assegura às pessoas com deficiência os
mesmos direitos à liberdade, a uma vida digna, à educação fundamental, ao
desenvolvimento pessoal e social e à livre participação na vida da
comunidade. (MEC/SEESP, 2001, p.15)
As pessoas são diferentes e têm necessidades diversas e o
cumprimento da lei exige que elas tenham atendimento apropriado a suas
particularidades individuais e, em momento algum, isso não pode ser confundido
com privilégio, segundo o MEC (2001).
A Constituição Federal do Brasil (1988) assume o princípio da
igualdade como pilar fundamental de uma sociedade democrática e justa, quando
reza, no caput do seu Art. 5°, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no
país, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade”.4 O Decreto lei número 3298/99, sobre a Política Nacional para a
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, regulamenta que:
Desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade civil, de modo
a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência no
contexto socioeconômico e cultural; estabelecimento de mecanismo e
instrumento legais e operacionais que assegurem às pessoas portadoras de
deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos que, decorrentes da
constituição e das leis, propiciam o seu bem-estar pessoal, social e
econômico; respeito às pessoas portadoras de deficiência, que devem
receber igualdade de oportunidade na sociedade, por reconhecimento dos
direitos que lhes são assegurados, sem privilégio ou paternalismo.
(MEC/SEESP, 2001, p.20).
Os decretos que regulamentam as Leis 10.048, de oito de novembro
de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, determinam que: o Conselho
Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, os Conselhos Estaduais,
Municipais e as Organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência
poderão acompanhar e sugerir medidas para aprovação de projetos de natureza
arquitetônica e urbanística, também nos de comunicação e informação, de
transporte coletivo e na execução de qualquer obra, pública ou coletiva.
Sobre as Condições Gerais da Acessibilidade, o Art. 8° da Lei n°
4
O trecho que diz respeito sobre inclusão e acessibilidade pode ser encontrado em, SEESP/MEC.
Educação inclusiva: a fundamentação filosófica. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Especial, 2004.
23
10.048 considera: acessibilidade como uma condição para utilização, com
segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos
urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e
meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com
mobilidade reduzida.
Portanto, é dever do Estado promover a igualdade e incentivar o
pensamento inclusivo e o agir acessível, fazendo com que os programas de
acessibilidade façam parte das políticas públicas e das decisões do governo. Para o
indivíduo tornar-se de fato cidadão, é necessário interação com toda a sociedade,
oferecendo e recebendo de todas suas experiências, habilidades e especificidades,
numa troca crescente em busca de progresso e de melhores condições de vida para
todos.
24
2 FOTOJORNALISMO
Este capítulo apresentará inicialmente definições sobre a fotografia e
pontuar os principais processos que marcaram o fotojornalismo, desde a sua origem
até a atualidade: os principais fotógrafos e sua evolução tecnológica e transcorrerá
até a fotorreportagem.
2.1DEFINIÇÕES DE FOTOGRAFIA
Para Lima (1988) a palavra fotografia tem duas origens, a primeira
vem da Grécia, foto = luz, grafia = escrita, assim a fotografia é a arte de escrever
utilizando a luz. No Japão a fotografia se diz Sha-Shin, que significa reflexo da
realidade, a fotografia é uma forma de expressão visual.
A fotografia nasceu no século XIX, beneficiando de outros inventos
ligados a artes visuais, a câmera escura e clara, e da vontade de encontrar uma
maneira de reprodução mecânica da realidade visual (SOUZA, 2004).
Segundo Buitoni (2011) a fotografia passou a existir da convergência
da câmera escura (ótica) e a sensibilidade de substâncias (química). A fotografia
surgiu a partir da luz do sol e da origem luminosa da técnica. Os criadores da técnica
fotográfica trabalhavam com a luz solar impresso sobre uma superfície tratada ou
revestida de produtos químicos. Esse experimento era chamado de Daguerreótipo
que consiste em uma placa de cobre, revestida por uma fina camada de prata, que
fica fotossensível devido à exposição a vapores de iodo.
A fotografia nasceu dentro da dinâmica da sociedade industrial
europeia em pleno século XIX para melhor documentá-la, servindo de instrumentos
nas mais diversas áreas, ao crescente contexto de valorização da ciência e de
processos de pesquisa e como grande auxiliar na memória, complementa Buitoni
(2011). ”A fotografia nasceu como registro e logo ampliou sua área de influência,
começando a ilustrar cenas e acontecimentos do mundo” (BUITONI, 2011, p.09). A
fotografia no Brasil teve inicio em 1833, com o francês Hercule Florence. O jovem
príncipe D. Pedro II, na época com apenas 14 anos, fotografou por toda a vida,
registrando a história desse país completa Buitoni (2011).
Não existe uma só definição para imagens, no conceito geral sobre
fotografia considera-se diversas possibilidades para o visual, pois a imagem é
25
polissêmica e pode ser interpretada atribuindo-se diferentes significados;
dentre
elas pode ser muitas coisas ao mesmo tempo (BUITONI, 2011).
Para Lima (1988) a invenção da fotografia democratizou a arte, tanto
na sua feitura quanto no sentido da divulgação em larga escala das outras artes,
sobretudo da pintura.
A primeira grande tendência na fotografia foi utilizar a luz do dia,
feito que integrou a fotografia como arte, Os pictorialistas consideravam que se a
fotografia queria ser reconhecida como arte tinha de se fazer pintura, pelo que
exploravam fotograficamente os efeitos da atmosfera, do clima(névoa, chuva) e da
luz (crepúsculo, contraluz) (SOUZA, 2004, p. 24)
2.2 HISTÓRIA DO FOTOJORNALISMO
Quando se pensa em fotojornalismo, logo vem à ideia de imagens
fortes, guerras, desastres naturais, violência e pobreza. Essas imagens são
correspondentes à vontade de mudar e denunciar esses extremos da realidade
(SOUZA, 2004).
As primeiras manifestações do que um dia seria o fotojornalismo,
aconteceu quando foi fotografado um acontecimento, tendo essa imagem chegado
ao público, como testemunho do acontecimento (SOUZA, 2004).
Para o fotojornalismo ser reconhecido de fato na história,
necessitava de processos de reprodução que só surgiu no final século XIX até
meados do século passado, desenhistas e gravuristas eram os intermediários entre
os fotógrafos e os leitores. Os fotógrafos registravam o acontecimento, e os
desenhistas reproduziam a cena. As ferramentas utilizadas consistiam no uso doa
lápis, papel, pincel e tinta para desenhar, depois eram gravadas na madeira e
reproduzidas as cópias, reitera o autor.
Uma dessas primeiras fotografias de acontecimentos foi a de um
incêndio que destruiu o bairro de Hamburgo em 1842 e caracterizou a primeira
fotografia de notícia (SOUZA, 2004).
Mas rigorosamente, a fotografia é usada como news médium,
entrando na história da informação, desde, provavelmente, 1842, embora, com
propriedade, não se possa falar da existência do fotojornalismo nessa altura
(SOUSA, 2004, p.25).
26
O daguerreópito de autoria de William e Fredecrik Langenhein, que
mostra uma multidão na Filadélfia em um movimento antimigração foi a primeira
fotografia de um movimento social; e a primeira guerra onde os jornais enviaram
correspondentes foi a Guerra Americano-Mexicana de 1846 – 1848, as fotos eram
de soldados e oficiais (SOUZA, 2004).
Em meados do século XIX surgem as publicações ilustradas e a
primeira revista ilustrada foi The Ilustrated London News em maio de 1842. Entre
1855 e 1860 a venda desta cresceu de 200 mil para 300 mil exemplares e indicou a
crescente apreciação de leitores pela imagem (SOUZA, 2004).
Os fotógrafos que participavam de expedições eram os autênticos
fotodocumentaristas, pois viajavam para locais remotos sob o peso dos
equipamentos de grandes dimensões que eram verdadeiros laboratórios (SOUZA,
2004).
Souza (2004) rememora que as exigências do público e dos
profissionais direcionam aos avanços tecnológicos para calibrar as qualidades na
produção fotográfica. As principais conquistas foram a diminuição do tempo de
exposição e do aperfeiçoamento das lentes e a adoção de novos processos na
produção e manuseio como o do colódio úmido (que destronou o daguerreotipo)
(SOUZA, 2004).
No fotojornalismo, a conquista do movimento permitido por estes
avanços congelar a ação, quase em tempo real, possibilitando fotografar o
imprevisto, chegar ao instantâneo e aproximar-se da realidade. (SOUZA, 2004). O
mesmo acontece com a melhoria das lentes, que possibilitou fotografias em
interiores sem à iluminação artificial, o que facilita, por exemplo, fotografar sem que
as pessoas percebam que estão sendo fotografadas, dando naturalidade e
verossimilhança à foto (SOUZA, 2004).
Em 1855 acorreu uma exposição fotográfica em Paris, e pela
primeira vez são exibidas provas retocadas de negativos do fotografo Franz
Hamfstagel, com a sua invenção do retoque do negativo também abriu o
questionamento da manipulação de imagens (SOUZA, 2004).
As fotos de Roger Fenton da Guerra da Crimeia são fotos de
soldados e oficiais posando para foto, em muitas delas estão sorridentes, as
imagens de campo de batalha estão sem cadáver, Fenton não mostrou o horror da
guerra. “A intenção dos fotógrafos referenciados é visível: dar ao leitor um
27
testemunho, mostrar a quem não está lá como é ou o que sucedeu e como sucedeu”
(SOUZA, 2004, p.55).
O avanço da tecnologia fotográfica digital banalizou o ato de
fotografar, simplificando-o. Hoje, qualquer pessoa pode captar uma imagem com o
uso do celular e câmeras digitais, mas uma boa fotografia pede muito mais do que
um simples click, pois é preciso considerar a sensibilidade do autor da imagem
(BUITONI, 2011).
A “Revista da Semana” lançada no Rio de Janeiro em 1900, já trazia
uma foto na capa e marcou o início da união fotografia; a revista “O Cruzeiro” de
Assis Chateaubriand foi responsável pelo imaginário visual brasileiro porque
desenvolveu fotorreportagens como uma novela documenta, reitera a autora.
Buitoni (2011) relembra que Adolfo Bloch, editor da revista
“Manchete” impulsionou o crescimento de Brasília com o apoio a Juscelino
Kubitschek e a revista “Realidade” da Editora Abril, mapeou o país trazendo novos
olhares para mostrar a gente dessa terra, com grandes reportagens compostas de
texto e foto. A revista “Veja” fundada em 1968, no início disponibilizou grande parte
das suas publicações aos ensaios fotográficos, ao longo do tempo foi se adaptando
ao padrão das revistas semanais de informação. Já às revistas norte americanas
“Times” e “Newsweek” ainda apresentam fotos de grandes densidades.
Dois jornais cariocas colocaram a fotografia no eixo de suas
fórmulas editoriais: “Jornal do Brasil”, de 1891 e o “Ultima Hora”, fundado em 1951,
por Samuel Wainer que revolucionou o jornalismo brasileiro publicando grandes
fotos na primeira pagina de esporte com o uso de cores e inovou ao publicar os
créditos dos fotógrafos (BUITONI, 2011).
O “jornal da Tarde” do grupo “O Estado de S. Paulo” fundado em
1966 e também representou uma ruptura na estética tradicional na imagem, com
diagramação inovadora fotos que tomavam toda a primeira página (BUITONI, 2011).
Quando a câmera se tornou livre de fato sem o uso do tripé e
passou a ser portátil com lentes que permitiam o descobrimento de proezas de
observação detalhada através do zoom, a fotografia adquiriu imediatismo e um valor
maior que qualquer relato verbal (SONTAG, 2003)
Conforme Sontag (2003) em 1945 foi o ano em que a fotografia
tomou grandes dimensões, com a realidade mais abomináveis e superou todas
narrativas complexas, com fotos tiradas na Alemanha nos campos de concentração
28
em Bergen-Belsen, Buchenwald e Dachau e as fotos tiradas por testemunhas
japonesas como Yosuke Yamahata, na incineração da população de Hiroshima e de
Nagasaki, no início de agosto.
“Fazer o sofrimento avultar, globaliza-lo, pode incitar as pessoas a
sentir que deveriam “importar-se” mais. Também as convidam a sentir que os
sofrimentos e os infortúnios são demasiados vastos, demasiados irrevogáveis,
demasiado épicos para serem alterados, em alguma medida significativa, por
qualquer intervenção política local” (SONTAG 2003, p.68).
As revistas populares mais antigas do século XIX destaque para
National Geographic e Berliner Ilustrierte Zeitung que usavam fotos como ilustração.
Em decorrência disso surgiram as revistas semanais como a francesa Vu (1929), e a
americana Life (1936) e a inglesa Picture Post (1938) que dedicavam suas
publicação a fotografia, às vezes acompanhadas de pequenos textos (SONTAG,
2003).
A iniciativa de Robert Capa e de seus amigos, Henri Cartier-Bresson
e David Chim Seymour inaugurou a Agencia Fotográfica Magnum, em Paris 1947
que funcionava em modelo de cooperativa. O objetivo imediato da Magnum era
representar fotógrafos autônomos e aventureiros para as revistas fotográficas, o que
acabou tornando a agência no mais prestigioso consorcio de fotojornalistas. O lema
era: fazer a crônica de seu tempo, fosse este de guerra ou de paz, como
testemunhas honestas, livres de preconceitos chauvinistas (tendenciosa) (SONTAG,
2003).
As fotos de Larry Burrows publicadas na revista Life a partir de 1962,
de vietnamitas e de recrutas americanos feridos, reforçou o clamor contra a
presença das tropas americanas no Vietnã. Em 1971, Burrows foi derrubado a tiros
junto com mais três fotógrafos quando sobrevoava em um helicóptero militar dos
Estados Unidos. A revista Life encerrou suas atividades em 1972. Burrows foi o
primeiro fotógrafo importante a cobrir toda uma guerra em cores. No Vietnã, a
fotografia tornou-se uma critica a guerra (SONTAG, 2003).
O mais perturbador é olhar as seis mil fotos tiradas entre 1975 e
1979, de pessoas condenadas à morte numa prisão secreta no subúrbio de Pnhom
Penh no Camboja, onde ocorreu a execução de mais de 14 mil cambojanos,
acusados de intelectuais contra-revolucionários (SONTAG, 2003).
Segundo Sontag (2003), as fotos que retratam sofrimento não
29
devem ser belas e as legendas não devem pregar a moral. Pois uma bela foto
desvia a atenção do tema comprometendo-a como foto documento. Trazer uma
realidade dolorosa pra mais perto, algo que precisa ser visto incita o espectador a
sentir a realidade vivida por outros. No entanto, completa Sontag que as fotos,
muitas vezes, melhoram o ambiente retratado, porque uma das funções da fotografia
consiste em aperfeiçoar a aparência normal das coisas.
O poder de uma imagem pode ser constatado na experiência feita
no Canadá; Nesse país calcula-se que 45 mil pessoas morreram nos últimos anos
devido ao fumo, então em todos maços de cigarros tinha uma fotografia de impacto,
das doenças que causam o tabagismo. A pesquisa realizada por órgãos de saúde
constatou que essas fotografias eram 60 vezes mais eficazes para o abandono do
fumo do que uma advertência verbal. Essa campanha também foi adotada no Brasil
e, assim como no Canadá, os fumantes viraram os rostos tomados pelo sentimento
de nojo quando viram as fotos. Finaliza Sontag(2003) que as pessoas têm meios de
se defenderem do que é perturbador ou podem se habituar ao horror na vida real e
às imagens respectivas.
2.3 FOTOJORNALISMO E O REAL
Salienta Buitoni (2011) que a função comunicativa da imagem tem
como finalidade, estabelecer uma relação direta com seus observadores, seja para
estimular uma ação ou para instruir sobre algum processo, ou para informação
imediata. Sontag complementa que “as fotos são meios de tornar o “real” (ou “mais
real”) assuntos que as pessoas socialmente privilegiadas, ou simplesmente em
segurança, talvez preferissem ignorar” (2003, p.12).
A mesma autora completa que ao pensar fotografia, a realidade
aparece em todas as formas comunicativas com finalidades de registro ou para
trabalhos artísticos. A verdade pertence às esferas éticas e não se relaciona com o
mundo sensível, complementa Buitoni (2011)
Buitoni (2011) releva que o senso comum costuma atribuir critérios
de verdade sobre a fotografia e acaba sendo considerado como documento, em
alguns casos esse argumento é tão forte que a fotografia começou a ser usada
como prova judicial e como forma de identificação de pessoas em bancos de dados.
Como a fotografia é de origem científica, isso fez que toda a técnica utilizada fosse
30
de imediata considerada verdadeira. “A fotografia recorta, circunscreve. Um clique
separa a cena do resto do mundo” (BUITONI, 2011, p.22).
Já no século XX o embate sobre o real se estendeu de modo
predominante para apontar a fotografia como “impressão de realidade” altamente
codificada. Autores como Umberto Eco, Christian Metz, Roland Barthes, Ruldof
Arnheim e Pierre Bourdieu, acreditam que a fotografia não tem poder de imitação ou
reprodução perfeita: estamos diante de um dispositivo cultural, altamente codificado.
Para eles, a câmera escura não é neutra e a imagem fotográfica carrega uma
pseudo-objetividade (BUITONI, 2011).
A única coisa que a fotografia comprova é de que houve um
momento em que aquele referente foi clicado. A fotografia se estabelece a partir de
uma conexão física com os eu referente ou objeto, a fotografia atesta a existência
daquele objeto no momento em que foi fotografado, afirma Buitoni (2011).
O fotógrafo antes de tudo escolheu o que fotografar, com qual
câmera e com qual regulagem e aí então aciona o disparador. O conceito de índice
só se aplica no momento em que acontece a transferência luminosa, porque depois
de capturada a imagem pode ser modificada (BUITONI, 2011).
Buitoni (2011) defende que a fotografia garante a existência do
referente no momento do clique, mas, mesmo assim a cena pode ser alterada pelo
uso da regulagem do equipamento, ou seja, um flagrante com uma lente comum
será completamente diferente de outro feito com uma lente grande angular.
Não é só na fotografia que aparece o questionamento sobre o real,
mas sim em todas as representações criadas pelo homem. A fotografia aqui pode
ser dividida em três estágios, o da imagem pré-fotográfica que é a representação
figurativa feita pela mão humana, desenho, pintura, etc. O segundo é a imagem
fotográfica que é a imagem captada por aparelho técnico com uso de instrumentos
óticos (lentes) e baseado em princípios físico-químicos; seus rastros são
perceptíveis visualmente. Por último a imagem pós – fotográfica, imagem produzida
a partir de pixels eletrônicos; leitura e edição dependem de programas
informatizados ou seja a imagem digital (BUITONI, 2011).
“Richard Avedon : “um retrato em Fotografia é a imagem de uma pessoa
que sabe que vai ser fotografada”. Essa definição exclui a pessoa pega de
surpresa e inclui a pessoa que pode não estar olhando para o aparelho
fotográfico”. (LIMA, 1988, p.93)
31
Souza (2004) complementa que os retratos também vão buscar toda
a referência nas artes, as poses, os cenários e toda a composição da pintura, assim
a fotografia na época era uma extensão da pintura. Mesmo facilitando o trabalho dos
retratistas da época, a pintura não desapareceu, pelo contrário, pode se liberar das
amarras do realismo.
2.4 LEITURA DA FOTO
Ivan Lima (1988) afirma que existem dois tipos de usuários para a
linguagem fotográfica. O primeiro é o emissor, que utiliza a fotografia como
expressão e comunicação, conforme a sua ideologia. O segundo é o receptor, os
leitores, que se utilizam da imagem produzida pela fotografia para ler e interpretar o
fato, o acontecimento ou obra.
A primeira condição, a mais importante, é que é necessário saber
‘ler’. Ninguém sabe ler sem ter aprendido e todos creem poder ler fotografias sem o
mínimo estudo prévio, o que é um grande erro. (LIMA, 1988, p.18).
A maioria das pessoas não sabem ler as fotos. A leitura e
interpretação das fotografias baseiam-se em três ciências: história, semiologia e a
psicologia. Vamos aos porquês disso tudo.
Não é possível conseguir interpretar uma fotografia sem conhecer a
história que ela está inserida, independentemente se é uma fotografia de família,
imprensa, ou artística. Em segundo lugar vêm os conhecimentos ligados à
semiologia, o saber da escrita icônica. Os estudos sobre psicologia se refere a três
personagens: o fotógrafo, o fotografado e o leitor. (LIMA 1988)
Lima (1988) defende, não existe uma foto que tenha a mesma
interpretação por um brasileiro, um francês e um chinês, é um erro achar que a
fotografia é universal. “Uma fotografia representando objetos ou fenômenos
desconhecidos é quase tão muda quanto um texto escrito em uma língua que a
gente nunca viu”. (LIMA, 1988, p.18)
Na leitura de uma foto, quando existe um componente vivo, este
domina sempre os outros elementos, o que pode variar é a sua intensidade e a
supremacia emocional. Componentes móveis dominam sobre os componentes fixos,
independente do tamanho dos respectivos. Vivo/móvel/ fixo define Lima (1988)
32
Figura 1 – Cruzamento da Avenida Major Amarantes com a Rua Juscelino Kubistchek. (Exemplo da
hierarquia Vivo/móvel/ fixo.)
Lima (1988) complementa que a leitura da foto é ao contrário da
leitura da escrita que é linear e unidimensional, a da foto é bidimensional e
prospectiva. A imagem é a combinação de duas estruturas, a geométrica e a
perceptual.
A estrutura geométrica é o estático, simétrica, onde há proporções:
um lado deve corresponder ao outro, em cima e embaixo. A estrutura perceptual é
dinâmica, descrição anatômica e particularizada, orgânica, assimétrica e não
geométrica. O que vale nessa estrutura são os valores visuais sentidos. Segundo
Lima (1988) pela estrutura perceptual o lado esquerdo é o início e o lado direito a
conclusão. A mensagem é dada da esquerda para direita.
33
Figura 2 – Cruzamento da Avenida Major Amarantes com a Marques Henrique. (Foto simétrica, os
elementos estão divididos proporcionais em ambos os lados)
Lima (1988) conclui que a leitura de uma foto se decompõe em três
fases: percepção, identificação e interpretação. A percepção é ótica, os olhos
percebem as formas e as tonalidades. Ela não ultrapassa meio segundo. A leitura de
identificação é uma ação as vezes ótica as vezes mental, identifica os componentes
e registra mentalmente o seu conteúdo. A terceira fase é a interpretação é
puramente mental, aqui manifesta o caractere polissêmico da fotografia. Quando os
leitores fazem parte do mesmo meio sócio-culturais, tendem fazer a mesma leitura
de identificação, mas cada um interpreta da sua forma, em função de sua idade, de
seu sexo, de sua profissão e de sua ideologia.
As exposições de fotografia é um espaço físico, o visitante se orienta
pela organização desses espaços e a sequência das imagens; nesse caso observa
o conjunto do trabalho do autor, é nas exposições fotográficas que a legenda
representa o papel mais secundário. O fotógrafo é a pessoa certa pra fazer a
legenda da sua imagem. Ele conhece bem o motivo porque apertou o botão da
câmera, somada as condições daquele instante. Cabe a ele também por meio da
legenda preservar a transmissão da mensagem a ser passada (LIMA 1988).
A legenda é parte integrante de uma fotografia. Como a fotografia é
o produto da relação espaço-tempo, (espaço = localização, tempo = época), essa
34
relação constitui a legenda mínima de uma imagem, que, com o crédito (o nome do
fotógrafo), compõe dados essenciais que devem acompanhar uma fotografia (LIMA,
1988, p.31).
Figura 3 – Ponto de ônibus de concreto fixo na calçada, localizado na Avenida Major Amarantes
próximo ao Rei dos Colchões. (Fotografia em preto e branco com alto contrates de sombras devido a
luz ambiente.)
Para que a fotografia tenha conteúdo é necessário que o seu
praticante domine três requisitos: a arte, o saber e o acaso. A arte é toda a
composição dos componentes (vivo/móvel/fixo) e dos contrates dentro do espaço da
imagem somada com a capacidade de comunicação. O saber são os códigos de
conhecimento da pessoa que pratica. Na fotografia isso corresponde à estética, ao
histórico do assunto e a especialidade do fotografo É através da corrente ideológica
e/ou movimento artístico na qual está inserido o fotógrafo, que os códigos éticos do
seu trabalho são identificados. O acaso são os imprevistos aos quais está sujeita a
fotografia no instante da tomada da foto. A fotografia é a única arte consagrada que
há presença do acaso (LIMA 1988).
35
3 METODOLOGIA DE PRODUÇÃO
3.1 ROTINA DE TRABALHO E CAPTURAS DAS IMAGENS
No dia 22 de março de 2012, elaboramos as pautas fotográfica e
fomos a campo produzir algumas imagens das calçadas bem como suas barreiras,
ao longo da Avenida Major Amarantes. Essa etapa foi realizada com base nos
relatos de alguns portadores de necessidades especiais (PNE) entrevistados por
nós, os quais colaboraram muito para essa pesquisa, pois através de seus
depoimentos passamos a conhecer os locais críticos da avenida antes referida.
Em certo ponto da avenida nos deparamos com um veículo
estacionado em uma vaga destinada ao PNE, e por não saber como era realizada a
fiscalização desse tipo de ação na cidade paramos de fotografar e, fomos até a
Polícia do Trânsito (PTRAN) onde lá falamos com o policial J.Ferreira que nos
revelou a forma de autuação feita, ele nos informou também que na Secretaria
Municipal de Trânsito (SEMTRAN) iríamos encontrar mais informações a respeito do
assunto, bem como o formulário e adesivos que devem ser usados por esses PNE’s
(figura 1) para que seja fácil identificação dos veículos cadastrados na Semtran.
.
Figura 4 - Formulário para preenchimento de utilização da vaga especial, fornecido na Secretaria de
Trânsito.
Fomos até a SEMTRAN e durante uma conversa com o Secretário
de Trânsito do Município, Arli Schultz, coletamos a informação que a Prefeitura
Municipal através da Secretaria de Planejamento e da própria Secretaria de Trânsito,
tem um projeto em tramitação quanto as melhorias das condições de acessibilidade
36
em Vilhena. Ao saber desse projeto, procuramos nos informar melhor com o
secretário quanto a esse projeto, e o mesmo nos falou que há expectativas pra que
esse projeto seja aprovado até o segundo semestre desse ano de 2012. No projeto
fica estabelecido que adequações deverão ser feitas em toda a cidade. Um aspecto
da sua fala nos chamou atenção quando ele mencionou que as obras começariam
pela Avenida Major Amarantes (objeto da nossa pesquisa), foi então que elencamos
pra ele alguns pontos “críticos” da acessibilidade na avenida. No término da
conversa, ele nos sugeriu que fossemos até a SEMPLAN falar com alguém
responsável pela aprovação, execução e fiscalização de todas as obras realizadas
no município, inclusive a que será feita através desse projeto que vimos na Semtran.
Chegando à Semplan conversamos com o funcionário Gilmar, que nos falou sobre
uma Comissão que está responsável em modificar a lei do município quanto à
acessibilidade, a qual por sinal está ultrapassada, e não atende a quase nenhuma
obrigação que nela exige. Descobrimos ainda que existe um projeto que destina
uma verba de 24 milhões de reais para se fazer a drenagem das galerias pluviais da
cidade, e que isso geraria um “quebra-quebra” nas ruas, o que pode dificultar ainda
mais a circulação de portadores de necessidade
especiais (física). As leis do
município não nos foram repassadas, e no site da Prefeitura não as encontramos
disponíveis.
No dia 24 de março, nos deslocamos até a Avenida Major
Amarantes a fim de capturar algumas imagens sobre o tema proposto, mas isso não
foi possível pois as condições climáticas abruptamente se inverte, a tarde que estava
ensolarada passou, em questão de minutos, para uma tarde chuvosa e nublada,
sem iluminação natural, o que impossibilitou o nosso trabalho, pois a nossa intenção
era fotografar no modo manual e sem flash. No dia seguinte, ao encontrar com a
professora Elisabeth, relatamos essa dificuldade sobre a iluminação e a mesma nos
orientou para verificar as possibilidades oferecidas pela Nikon D3100 quanto ao uso
da iluminação. Então no dia 27 de março, no período da tarde, fomos até a Praça
Nossa Senhora Aparecida testar alguns recursos que a câmera oferece. Os testes
foram satisfatórios, pois aprendemos a manipular melhor o ISO da câmera, White
Balance, e a inovar com alguns outros ângulos.
No dia 17 de abril fomos até a avenida para aplicar algumas das
técnicas adquiridas com a análise das obras referenciais teóricas nas quais nos
embasamos para realizar este trabalho. Ao fotografar, buscamos sempre posicionar
37
a câmera na horizontal, porque essa posição é melhor percebida pelo olho humano,
primeiro porque ela nos dá a dimensão de que existe simetria na foto, pois se
colocarmos algo separando a foto, os dois lados ficam com os objetos divididos em
partes iguais, com isso ressaltamos o que queremos mostrar, o referente, que
geralmente fica no centro da foto. Descobrimos também, que para uma foto ficar
com caráter de flagrante é necessário que o nosso objeto fotografado, no caso
quando for uma pessoa, não olhe diretamente para dentro da lente da câmera, com
isso passamos a nos “esconder” atrás de objetos que disfarçavam a nossa
presença, foi então que conseguimos algumas fotografias interessantes nesse
sentido, ficando registrada de forma espontânea. Ainda nesse dia realizamos um
passeio noturno com objetivo de mostrar o que nas ocasiões fica oculto, às vezes
por falta de iluminação ou até mesmo da disposição de mesas e cadeiras que os
comerciantes donos de lanchonetes, bares, barracas de lanches e espetinhos fazem
ao distribuí-las nas calçadas em frente a seus estabelecimentos, impossibilitando
parcial e até mesmo totalmente o trânsito de pedestres nesses locais, fotos essas
que revelam o uso inadequado das calçadas, ocupando um lugar destinado a
pessoas, violando assim o direito de ir e vir de cada um.
No dia 23 de abril elaboramos o questionário com as perguntas que
deram início as entrevistas, que foram realizadas entre os dias 24 e 27 com alguns
PNE’s, que encontramos ao longo a avenida Major Amarantes, inclusive o
presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Vilhena (ASDEFIV).
No dia 30 de abril, por volta das 11h00 horas, horário de pico, fomos
a campo fotografar a movimentação na avenida. Como era véspera de feriado, o
fluxo de pessoas poderia ser maior e assim, as opções para os registros fotográficos
aumentavam consideravelmente; e por ser final de mês, muitos compareceriam aos
bancos para receberem seus pagamentos, inclusive os PNE’s. Dessa forma fomos a
campo para tentar realizar alguns flagrantes envolvendo os deficientes neste dia.
Dias 2 e 3 de maio saímos a campo para fotografar em preto e
branco e alternar ângulos de tomada. A partir das 11h00 do dia 3 fomos à casa do
Allan Brito 11 acompanhar um passeio pela Avenida Major Amarantes, com a sua
mãe Ellen que o auxilia nos trajetos mais difíceis, pois ele não tem condições físicas
de descer em rampas inadequadas, isso quando há rampas. Gravamos uma
entrevista com e ele, a qual consta em nosso cronograma. Já à tarde conseguimos
uma cadeira de rodas emprestada na APAE – Associação de Pais e Amigos dos
38
Excepcionais - e percorremos a Avenida, e concluímos que, mesmo com um
acompanhante empurrando a cadeira de rodas não é fácil transitar na avenida, pois
existem muitos obstáculos.
Encerrada as visitas in loco, focamos apenas na finalização do
memorial e revisão do trabalho.
3.2 EQUIPAMENTO
O equipamento utilizado para realização da fotorreportagem foi uma
câmera Nikon D3100 (digital intercambiável). A escolha do equipamento digital se
deu por questões lógicas e práticas, já que esse tipo de câmera não necessita
revelar o filme fotográfico, além do que, o filme da câmera analógica limita a
quantidade de fotos que podem ser tiradas.
A câmera digital oferece ao fotojornalista a liberdade de clicar
quantas fotos quiser, e posteriormente selecionar as melhores para serem
impressas. O difícil é escolher entre tantas imagens as selecionadas para o trabalho
final. Nós tivemos bastante dificuldade em selecionar as 38 imagens finais, entre as
mais de mil e quinhentas composições realizadas em três messes de trabalho.
A câmera digital também poupa tempo, já que para saber se as
imagens captadas ficaram adequadas ao trabalho e, se estão dentro do padrão de
qualidade técnica, basta conectar a câmera a um computador, ou simplesmente
visualiza-lás no próprio visor da máquina.
O
trabalho
de
fotorreportagem
foi
realizado
com
algumas
dificuldades, a principal dentre elas foi o fato de que o nosso trabalho precisava ser
registrado no centro comercial da cidade, nosso objeto de pesquisa. Por está razão,
inúmeras pessoas transitavam nas calçadas da avenida, e algumas dessas pessoas
ao avistarem a câmera mudavam de um lado da calçada para o outro, adentravam
as lojas, alteravam o comportamento, ou até mesmo pousavam para câmera, e por
esses motivos rendeu a algumas fotografias um vazio de elementos vivos.
Usamos as mais variadas e estranhas formas de fotografar, na
tentativa de driblar esse problema, como: fotografar escondido em arbustos, atrás de
postes, dentro de carro, com sombrinha e outras façanhas. Também tivemos que
“escalar” alguns prédios da cidade em busca de um ângulo que melhor retratasse a
imagem. O fato de sermos uma dupla nos ajudou nessas aventuras, pois enquanto
39
um escalava o outro segurava e regulava o equipamento, (a cena muitas vezes era
engraçada).
Outro problema que enfrentamos foi a dificuldade em encontrar
portadores de necessidades especiais transitando na rua, no total encontramos oito,
quatro deles usam automóveis adaptados, e os outro quatro andam de forma
independente, com o auxilio de muletas e cadeiras de rodas, um dos dois
cadeirantes necessita da ajuda da mãe para poder se locomover. Desses oito PNE’s
somente seis aceitaram participar das entrevistas que nós realizamos.
A lente grande angular é objetiva (18-55 mm) de abertura máxima do
diafragma f 5.6, com estabilização da imagem VR e zoom de 3x, o que garante fotos
e vídeos mais nítidos mesmo com a câmera em mãos. Utilizamos a Nikon D3100
para gravar as entrevistas e o Software Express Scribe que é gratuito para auxilio na
decupagem dos áudios, pois este programa permite reduzir a velocidade do
vídeo/áudio enquanto se faz a transcrição das falas.
3.3 OS PERSONAGENS
O processo da escolha dos personagens foi feito de acordo com as
visitas que realizamos na Avenida Major Amarantes. Desde o início sabíamos que
esse seria um processo bastante desgastante e complicado, pois escolhemos a
Avenida que possui o maior fluxo de pessoas em toda sua extensão. Embora a
Avenida Major Amarantes seja sim, a mais intensa da cidade, encontramos ai uma
contradição, pois em todo o tempo que estivemos observando às mudanças, as
pessoas, a condição física dessa avenida, encontrou-se um percentual muito baixo
de PNE’s transitando pelo local. Em Vilhena, aproximadamente, existem em torno de
500 deficientes físicos, e em três meses de apuração do trabalho nas ruas,
encontramos somente cinco pessoas dessa classe. O que de certa forma, dificultou
ainda mais, o que já sabíamos que seria difícil, pois a partir dessa premissa, saímos
“a caça” dessas pessoas. Foi então que além do Allan, do Weverson e do Adalberto,
que foram os quais tivemos acesso ali mesmo na rua, que descobrimos o Professor
Cristiano, o Ari Rezende atual presidente da ASDEFIV - Associação de Deficientes
Físicos de Vilhena, e a vendedora Maria de Lurdes.
A partir desse primeiro contato, de apresentações, começamos a
nos falar com mais frequência, e marcar algumas outras entrevistas, com intuito de
descobrir mais sobre a vida desses personagens, desde o seu nascimento, como
40
adquiriram a anomalia se foi ou não de forma adquirida, e questionamos também
sobre o preconceito.
Figura 5 - Weverson Rodrigues.
O estudante de direito Weverson Rodrigues da Silva, 23 anos, foi
diagnosticado com Paralisia Cerebral, o termo paralisia cerebral (PC) é usado para
definir qualquer desordem caracterizada por alteração do movimento secundária a
uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento.
5
Até os seus três
primeiros anos de vida ele andou nas pontas dos pés, porém com dificuldade. Após
algum tempo passou por uma cirurgia de correção nos calcanhares para andar
normalmente, o que acabou prejudicando ainda mais os movimentos das pernas,
não corrigindo a imperfeição e sim trazendo mais dificuldades ao caminhar. E desde
os três anos de idade ele vem fazendo acompanhamento na AACD - Associação de
Assistência à Criança Deficiente, Em todos esses anos, já passou por 19 cirurgias
na tentativa de melhorar a maneira de andar. Hoje, é praticante de Jiu-jitsu e define
o esporte como seu estilo de vida. Locomove-se com auxilio de muletas em trajetos
curtos, e com uma motoneta adaptada em trajetos longos . Mora em Vilhena ha seis
anos.
5
Disponível em <http://www.sarah.br/paginas/doencas/po/p_01_paralisia_cerebral.htm>
41
Figura 6 - Adalberto em um dos seus locais de trabalho.
Adalberto Moura de Jales, 44 anos, mora em Vilhena há 14 anos,
tornou-se deficiente físico em decorrência de um tiro acidental, que acertou a medula
óssea, a lesão medular traumática ocorre quando um evento traumático, como o
associado a acidentes automobilísticos ou motociclísticos, mergulho, agressão com
arma de fogo ou queda, resulta em lesão das estruturas medulares interrompendo a
passagem de estímulos nervosos através da medula.
6
Hoje trabalha como
representante comercial, e é fácil encontrá-lo na cidade, sempre está no
estacionamento do Supermercado Pato Branco- Unidade Centro - vendendo panos
de prato. Disse-nos que já viajou por quase todas as cidades do estado de
Rondônia, devido o seu trabalho, e garante que apesar de tudo, Vilhena ainda é a
cidade “com mais acessibilidade para um deficiente físico”. Além da sua cadeira de
rodas, utiliza um automóvel adaptado, que ele mesmo adaptou para se locomover.
Tem orgulho da sua independência, e revela que mora sozinho, e que sua casa é
toda adaptada com barras de apoio.
6
Disponível em <http://www.sarah.br/paginas/doencas/po/p_08_lesao_medular.htm >
42
Figura 7 – Jesus Cristiano de Paulo
Jesus Cristiano de Paula, 55 anos, teve poliomielite ou paralisia
infantil aos dois meses de idade, é uma doença contagiosa aguda causada pelo
poliovírus (sorotipos 1, 2, 3), que pode infectar crianças e adultos por via fecal-oral
(através do contato direto com as fezes ou com secreções expelidas pela boca das
pessoas infectadas) e provocar ou não paralisia.
7
A partir de então, quando teve
idade para caminhar passou a se locomover com auxílio de muletas. Hoje é um
profissional na área educacional e ministra suas aulas no CEEJA - Centro Estadual
de Educação de Jovens e Adultos. Participou da fundação de três associações para
deficientes físicos, sendo a primeira na sua cidade de origem São José do Rio PretoSP, a segunda aqui em Vilhena-RO em 1988 e a terceira em Alta Floresta-RO. O
trabalho das associações é o de somar com a sociedade, conseguindo conscientizar
a população que o deficiente não é um peso pra sociedade, e mostrar que ele tem
condições de contribuir, trabalhar e pagar seus impostos como uma pessoa dita
“normal”.
7
Disponível em <http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/poliomielite/ >
43
Figura 8 - Maria de Lourdes e sua moto adaptada.
Maria de Lurdes, mais conhecida como Lurdinha, tem 45 anos, e aos
sete meses de vida teve paralisia infantil, desde então só anda por pequenos
trajetos, e com muito esforço e dificuldade. Trabalha como vendedora ambulante,
nas principais avenidas de Vilhena, onde na maioria das vezes, monta sua barraca
de produtos na Praça Padre Ângelo Spadari. Para sua melhor locomoção, adquiriu
uma motoneta com adaptação para triciclo, facilitando assim as “idas e vindas”.
44
Figura 9: Ari Dias Rezino.
Ari Dias Rezino, 45 anos bacharelado em Direito, a princípio foi
diagnosticado com paralisia infantil, mas ele acredita que o motivo o qual gerou sua
deficiência, foi em decorrência de uma cirurgia cardíaca realizada em 1974, a qual
possivelmente o anestesista tenha afetado sua medula. Locomove-se com o uso da
cadeira de rodas e também utiliza um veículo adaptado para deficientes físicos. Hoje
é o atual presidente da ASDEFIV- Associação de Deficientes Físicos de Vilhena.
45
Figura 10: Allan Brito.
Allan Brito, 10 anos, estudante da 4° série do ensino fundamental da
Escola Marizete Mendes, nasceu com mielomeningocele e hidrocefalia, no interior
do cérebro existem espaços chamados de ventrículos que são cavidades naturais
que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido cefalorraquidiano ou
simplesmente liquor, como também é conhecido, a hidrocefalia ocorre quando há um
desequilíbrio entre a produção e a reabsorção desse líquido. A condição mais
comum é uma obstrução da passagem, seja por prematuridade, cistos, tumores,
traumas,
infecções
ou
uma
malformação
do
sistema
nervoso
como
a
mielomeningocele. Em casos raros, a causa é o aumento da produção do líquido em
vez de obstrução. 8 Desde seu nascimento faz acompanhamento no Hospital Sarah
Kubitschek, em Brasília, capital Federal. Hospital que realiza trabalhos para ajudar
na reabilitação e promover a independência de pacientes, que tenham alguma
deficiência em decorrência dessa anomalia. Allan ainda é praticamente, total
dependente da sua mãe, Ellen Brito, por ser menor de idade e também por ainda
não conseguir “transitar” com a sua cadeira de rodas sozinho pelas ruas.
8
Disponível em <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABLBUAL/hidrocefalia-mielomeningocele>
46
3.4 MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO
Escolhemos esses modelos de painéis porque facilita a montagem e
a visualização. A estrutura será feita em tapumes de compensado, em forma de
triangulo, assim uma base se apoia na outra, permitindo montar blocos com as
narrativas, e se juntas estiverem em uma linha linear formam um painel.
Figura 11: Layout da exposição
Figura 12: Layout da exposição segunda opção
3.5 ORÇAMENTO
Tabela 1 - Orçamento das impressões das imagens
Quantidade
Preço unitário (R$)
Revelação e ampliação
38
15,00
570,00
Molduras simples
38
18,50
700,00
2
200,00
400,00
Desenho arquitetônico com AutoCAD –
Exposição Fotográfica
Valor total
Preço total (R$)
1.670,00
47
4 CONCLUSÃO
Realizar esse trabalho não foi uma tarefa fácil, tendo em vista que
esse foi no primeiro Projeto Experimental – Fotorreportagem - realizado com essa
temática na cidade de Vilhena. Ao mesmo tempo que foi um trabalho árduo foi
também bastante gratificante, pois posteriormente ao ouvi-los, pudemos registrar
através das fotografias e das entrevistas, suas histórias de vidas, e de certa forma
aprender com as dificuldades alheias, e saber que nós, individualmente, somos
capazes de transformar e melhorar o dia e a vida de pessoas como Weverson, um
jovem de apenas 23 anos de idade, que vê, embora aja muitas barreiras, não só
arquitetônicas mas também humanas, que se cada um fizer a sua parte e ser o
mínimo de cidadão possível, e saber que todos têm suas peculiaridades, mas que
acima de tudo e qualquer coisa também são seres humanos e têm o direito que a
todos são previsto em lei, que é o direito de ir e vir, sem que de alguma forma seja
violado.
Ao longo desse trabalho, nos tornamos pessoas próximas dessas
pessoas, e que de alguma forma, seja direta ou indiretamente, contribuímos de
forma positiva para a vida deles e sem sobra de dúvidas, eles também contribuíram
e marcaram nossas vidas. Em muitos momentos, fomos pegos tentando controlar
nossas emoções e tentando conter o choro, que inevitavelmente nos veio ao rosto
com as palavras do Allan e sua mãe Ellen, pois por ser o Allan uma criança, com
todo futuro pela frente, ele vê e encara o problema que tem, e as dificuldades que a
ele são impostas, sempre com um sorriso no rosto, e uma maneira de pensar na
vida diferente, tentando sempre mostrar que será capaz de alcançar todos os seus
objetivos.
Por isso, nós cidadãos e cidadãs, devemos ser a mudança que
queremos ver no próximo, e começar a partir de nós mesmos, a mover o “mundo”
para assim transformar a rotina do dia a dia, e vencer as dificuldades que a vida nos
impõe em coisas pequenas e insignificantes.
48
5 PRODUTO FINAL
Neste capítulo é apresentada as fotos escolhidas com suas respectivas narrativas
acompanhadas de suas fichas técnicas.
Acessibiliz’Ação
A sequência de três fotos de espaços/lugares, dentro dos padrões de
acessibilidade aos PNE’s, formam a narrativa que foi chamada de Acessibiliz’Ação.
Essa narrativa recebeu este nome Acessibiliz’ Ação – para dar sentido
a essas duas palavras: Acessibilizar e Ação; porque juntas formam a proposta
principal do nosso tema, que é, se todos tiverem a Ação de Acessibilizar,
proporcionaremos espaços acessíveis a todo e qualquer um cidadão.
Nessa narrativa optamos por fazer as fotos no modo colorido, pois as
cores são imprescindíveis para evidenciar a sinalização feita tanto nas calçadas com
o símbolo universal, mostrando que naquele local a vaga está destinada a pessoas
portadoras de deficiência física, quanto na avenida com as faixas para pedestre e
rebaixamento de guias. A cor amarela, por exemplo, significa atenção, e está é a
que mais se destaca nas três fotografias.
49
Foto:1
Legenda: Esta rampa de acesso, em frente ao Banco do Brasil, é a mais correta da cidade, onde
possui 6° graus de inclinação, adequada para que uma pessoa seja capaz de subir sozinha.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600.
Tempo de exposição: 1/6s.
Abertura: 4.2.
Distância focal: 26 mm.
50
Foto: 2
Legenda: Cruzamento das Avenidas Major Amarantes com Avenida Juscelino Kubitschek, com
sinalização dos dois lados da via intensificado com a cor amarela.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/125s
Abertura: 3.6
Distancia focal: 18 mm
51
Foto: 3
Legenda: Vista aérea do cruzamento da Praça Padre Ângelo Espadari – Rua Ricardo Franco – com a
Avenida Major Amarantes, todos os cruzamentos sinalizados e de forma correta.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/50s
Abertura: 3.7
Distância focal: 18 mm
52
Panorâmica
Essa narrativa leva o nome de Panorâmica porque foi uma sequência
de fotos que foram tiradas do mesmo local e do mesmo ângulo de tomada,
fracionada em três partes, ou melhor, três imagens. Isso, para que se tenha uma
visão ampla do cruzamento. Cruzamento este que oferece pouco, ou quase nada de
acessibilidade.
Uma dificuldade bastante visível nesse cruzamento são as faixas para
pedestres instaladas em locais impróprios para que um pedestre ou um cadeirante
possam transitar. As faixas foram postas nas laterais dos canteiros centrais,
dividindo espaço com a via de trânsito, o que muitas vezes coloca em risco a vida
tanto dos transeuntes quando dos motoristas e motociclistas.
53
Foto 4
Legenda: Faixa para pedestres parcialmente invadindo a via de trânsito. O que coloca a vida dos
transeuntes em risco.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/3200s
Abertura: 4.7
Distância focal: 38 mm
54
Foto 5
Legenda: Vista ampla de um dos cruzamentos principais da cidade de Vilhena. Os canteiros centrais
são inclinados para cima, não possuem rebaixamento de guias nas laterais, e a faixa para pedestre
invadem a pista.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/3200s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
55
Foto 6
Legenda: Em um lado da calçada há rebaixamento de guia, porém no canteiro central, onde deveria
se fazer a pausa para atravessar para o outro lado da avenida, não existe rebaixamento de guia.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/3200s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
56
Pensamento inclusivo - Agir Acessível
Essa sequência de fotos mostra variadas formas de rebaixamentos de
guias existentes em toda a avenida. Podemos ver que em quase todo o trajeto da
Avenida Major Amarantes existe sim a preocupação em se fazer rampas, porém,
muitas vezes essas rampas não cumprem o papel que deveriam cumprir que é o de
dar acesso as pessoas para as calçadas.
Embora haja vontade de fazer “acessibilidade”, existe ainda à falta de
informação, e é onde erramos, pois sem essas informações faremos uma má
acessibilidade, e com isso continuaremos errando. É preciso buscar ajuda de
pessoas capacitadas para a execução e padronização desses locais, sejam eles
públicos ou privados, pois como todo cidadão, um deficiente físico também tem o
direito de ir e vir de forma independente, e para que isso aconteça é necessário,
primeiramente, que não existam barreiras “humanas”, ou seja, se eliminarmos os
pensamentos
arquitetônicas.
não
inclusivos,
juntos
estaremos
eliminando
as
barreiras
57
Foto 7
Legenda: Rebaixamento de guia totalmente deteriorado.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/3s
Abertura: 4.3
Distância focal: 28 mm
58
Foto 8
Legenda: Na tentativa de fazer um rebaixamento de guia correto, o mesmo acabou ficando com um
degrau, o que impede que um deficiente suba sozinho ou acompanhado.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/30s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
59
Foto 9
Legenda: Em um lado da esquina existe a rampa de acesso, mas no outro lado não e o rebaixamento
de guia está fora da faixa para pedestre.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/200s
Abertura: 4
Distância focal: 24 mm
60
Foto 10
Legenda: Rebaixamentos de guia feito de forma correta, rente com a rua e sinalizado.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/3s
Abertura: 4.4
Distância focal: 29 mm
61
Acesso Restrito!
Essa narrativa recebeu o nome de Acesso Restrito com base nas
declarações dos PNE’s que entrevistamos para este trabalho. A sequencia de fotos
revelam as maiores dificuldades encontradas, na Avenida Major Amarantes, por um
deficiente físico; como a utilização da calçada pública como depósito, expositor,
estacionamento para bicicletas, e até mesmo a má utilização e conservação desse
espaço com erros arquitetônicos.
62
Foto 11
Legenda: Exemplo claro de uma calçada sem nenhuma condição de acessibilidade.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/125s
Abertura: 4
Distância focal: 24mm
63
Foto 12
Legenda: Esta imagem deixa claro a situação onde os estabelecimentos comerciais usam o espaço
público em detrimento do privado, utilizando-se das calçadas como depósito, impedindo parcialmente
a possibilidade de se trafegar pela calçada.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/150s
Abertura: 5
Distância focal: 52 mm
64
Foto 13
Legenda: Depredação de calçadas públicas e privadas, que muitas vezes impedem o ir e vir de um
deficiente.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/1600s
Abertura: 4.7
Distância focal: 35 mm
65
Foto 14
,
Legenda: mais uma vez vemos o uso inapropriado da calçada, como depósito de lixo e comércio
ambulante.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/640s
Abertura: 4.8
Distância focal: 45 mm
66
Foto15
Legenda: uso da calçada como expositor e extensão da loja.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/640s
Abertura: 4.8
Distância focal: 44 mm
67
Foto 16
Legenda: podemos ver duas situações erradas nessa imagem, em primeiro plano vemos o bicicletário
impedindo a passagem, e em segundo plano a calçada sendo usada como depósito da construção.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/140s
Abertura: 4.8
Distância focal: 46 mm
68
Foto 17
Legenda: calçada sem rebaixamento de guia, usada como depósito de lixo, e com um obstáculo fixo
no meio – o poste.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/1250s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
69
Foto 18
Legenda: calçada estreita, sem rebaixamento de guia, com vários postes fixados no meio da calçada
impedindo totalmente a passagem de uma pessoa com deficiência física.
Ficha técnica da foto
ISO: 3200
Tempo de exposição: 1/400s
Abertura: 5
Distância focal: 52mm
70
Efeito Contrário
A essa narrativa foi dada o nome de Efeito Contrário, pois na maioria
das vezes, é feito o contrário do que é proposto pelo Decreto 9503/2003, o qual
garante que 2% dos estacionamentos públicos sejam destinados às vagas para
pessoas portadoras de deficiência física; essas vagas devem ser o mais próximo
possível da entrada dos estabelecimentos. Além dos bancos, em Vilhena poucos
estabelecimentos cumprem essa lei, e quando as cumprem, poucas pessoas
respeitam e com isso essas vagas têm sido usadas de forma indevida.
Para utilização dessa vaga, não basta ter a deficiência e o direito
garantindo por lei é necessário que o portador da necessidade especial exerça o
dever de cidadão e cumpra as obrigações relacionadas ao uso dessas vagas, ou
seja, recorrer ao órgão competente e munir-se de todos os aparatos que legitimem a
utilização das vagas, como exemplo o uso do adesivo do Símbolo Universal.
71
Foto19
Legenda: Sem o adesivo que garante o uso da vaga destinada ao PNE, fica clara a situação do que é
feito o contrário.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/160s
Abertura: 5
Distância focal: 52 mm
72
Foto 20
Legenda: uso indevido da vaga. Podemos ver que está pessoa não possui nenhuma deficiência física
ou mobilidade reduzida.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/200s
Abertura: 5
Distância focal: 52 mm
73
Foto 21
Legenda: Evidencia o efeito contrário, onde é possível ver que a vaga está sinalizada com o símbolo
universal, indicando que aquele local é destinado para estacionamento de veículo de um PNE.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/250s
Abertura: 4.8
Distância focal: 46 mm
74
Passagem
Nessa sequencia de três fotos, podemos exemplificar através das
imagens, que muitos estabelecimentos utilizam a calçada como extensão do seu
comércio. É possível notar, que com o passar das horas, o local que não possuía
obstáculo no inicio da manhã, no início da noite já começam a surgir barreiras
nesses mesmos locais e com um agravante ainda maior, a existência de pouca ou
nenhuma iluminação, o que deixa encoberto muitos obstáculos. Outro fator que
chama atenção é a quantidade de carros estacionados nas laterais do meio-fio,
dificultando ainda mais a trafegabilidade de um PNE na calçada, o que muitas vezes
faz com que ele desça e tente trafegar na via de trânsito.
75
Foto 22
Legenda: Estabelecimento comercial fechado durante o dia, na maioria das vezes, significa
passagem livre.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/200s
Abertura: 4.8
Distância focal: 40 mm
76
Foto 23
Legenda: Inicio da noite o mesmo estabelecimento comercial tem parte da calçada ocupada por suas
mesas e cadeiras, o que muitas vezes se torna um obstáculo pra quem tem necessidade especial.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/10s
Abertura: 4.7
Distância focal: 35 mm
77
Foto 24
Legenda: no meio da madrugada, a calçada está quase que em sua totalidade intransitável para um
portador de necessidades especiais.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/20s
Abertura: 4.4
Distância focal: 30 mm
78
PEC Caminha
Essa sequencia de quatro fotos foi intitulada de PEC Caminha – PEC,
porque lembra Projeto de Emenda Constitucional, e tem som de Pé que – nessas
fotos mostramos uns trajetos onde pessoas “normais” conseguem realizar com certa
dificuldade, porém um PNE sozinho não consegue realizar esse mesmo trajeto.
Usamos o PB para evidenciar os obstáculos e os mesmos ângulos de
tomada para retratar as mesmas dificuldades em outros lugares da Avenida Major
Amarante, ângulos estes como se fossemos uma pessoa que usa cadeira de rodas,
procuramos retratar na altura de uma pessoa sentada para exibir a visão que ela tem
da calçada, bem como de todos os obstáculos nela existente.
79
Foto 25
Legenda: “os pés que caminham” sentem dificuldades em transitar por calçadas irregulares.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/640s
Abertura: 5
Distância focal: 48 mm
80
Foto 26
Legenda: a falta de zelo e manutenção do que é público, gera transtorno e dificuldades a todo
cidadão.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/2000s
Abertura: 5
Distância focal: 55 mm
81
Foto 27
Legenda: obstáculos, que, muitas vezes, impedem que um deficiente saia de casa.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/2500s
Abertura: 4.7
Distância focal: 35 mm
82
Foto 28
Legenda: a falta de preocupação, tanto do poder público quanto do poder privado, quase sempre
privam os deficientes de exercerem seu direito de ir e vir.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/2500s
Abertura: 4.8
Distância focal: 45 mm
83
Construção Civil - Desconstrução Social
Essa narrativa revela o descaso e a falta de respeito para com os
pedestres que transitam na Avenida Major Amarantes em decorrência das obras em
andamento. Esta narrativa contém três fotos em preto e branco, pois nesse modo
fotográfico evita-se que outros elementos da composição da imagem, como o
colorido, fiquem em evidência e ofusque o dramático nas imagens. Esta sequência
expressa dor e tristeza.
O que pode ser visto como um benefício para a sociedade com a
obra ou reforma para “algo melhor”, em muitos casos, causam transtornos nos
passeios públicos; ou seja, materiais para construção civil atrapalham e até mesmo
interrompem a passagem de pedestres nas calçadas.
84
Foto 29
Legenda: Em meio a tentativas de tornar a cidade mais bonita no sentido “arquitetônico” da coisa,
essa mesma iniciativa acaba por deteriorar o que já não estava correto; pra quem tem dificuldades
em “transitar”.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/2500s
Abertura: 4.8
Distância focal: 45 mm
85
Foto 30
Legenda: Muitas obras, esquecidas pelos donos, além de poluir visualmente a cidade com essas
obras inacabadas, são motivos para que um PNE deixe de ter sua convivência social.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/2500s
Abertura: 4.5
Distância focal: 45 mm
86
Foto 31
Legenda: Uso da calçada pública, em detrimento do que é privado.
Ficha técnica da foto
ISO: 1600
Tempo de exposição: 1/640s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
87
Realidade
Nessa sequência de quatro fotos realizamos um flagrante de um PNE
que diariamente usa a Avenida Major Amarantes para trabalhar. Nas imagens
podemos ver algumas dificuldades que essa pessoa encontra ao sair de sua casa.
Dificuldades essas que, muitas vezes, fazem com que esses PNE’s não saiam de
seus lares. Estes nos revelaram que evitam porque não gostam de se “expor ao
ridículo”.
As fotos foram tiradas na função automática porque para este
momento decisivo, regular a câmera na função manual resultaria em perder a
oportunidade de clicar o flagrante. Acreditamos ser esta característica essencial para
a construção de uma fotorreportagem.
88
Foto 32
Legenda: Flagrante do momento em que o PNE precisa abandonar a calçada devido a obstáculos
existentes em função de uma obra, e se colocar em meio aos veículos.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/125s
Abertura: 5
Distância focal: 55 mm
89
Foto 33
Legenda: Uma das dificuldades encontradas, todos os dias, por Adalberto quando sai para trabalhar,
haja visto que o mesmo é vendedor ambulante.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/60s
Abertura: 5
Distância focal: 55 mm
90
Foto 34
Legenda: Pode-se observar que em um lado da via existe o rebaixamento de guia e no outro não, o
qual é necessário para que um deficiente físico suba e desça de uma calçada para outra.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/250s
Abertura: 3.7
Distância focal: 18 mm
91
Foto 35
Legenda: Meio fio alto sem rebaixamento de guia, uma constante barreiras arquitetônicas vista em
toda a extensão da Avenida Major Amarantes.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/125s
Abertura: 5
Distância focal: 52 mm
92
Convivência Social
As próximas três fotos revelam a tentativa de sociabilização dos PNE’s.
Podemos ver cada um deles, cada qual com a sua limitação física, tentando interagir
com a sociedade de igual pra igual, mesmo onde muitas vezes a sociedade onde
estão inseridos não facilite isso. A essa narrativa demos o nome de Convivência
Social, e com ela encerramos nosso trabalho, e deixamos uma pergunta aberta: É
possível, em meio a tantas barreiras (arquitetônicas ou humanas) que essas
pessoas tenha uma convivência social sem que, para que isso implorem por
melhorias nas condições de acessibilidade que são garantidas por lei?
93
Foto 36
Legenda: Em meio a tantas dificuldades, Weverson, ainda vê motivos para seguir em frente, e
mostrar que é capaz de superar a todos os obstáculos, sejam eles humanos ou arquitetônicos.
Ficha técnica da foto
ISO: 400
Tempo de exposição: 1/500s
Abertura: 3.6
Distância focal: 18 mm
94
Foto 37
Legenda: Apesar de todas as dificuldades impostas a essa classe, os mesmos sejam eles jovens ou
não, não se deixam abater ou até mesmo desistir de ir em busca de uma convivência social.
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/6s
Abertura: 5
Distância focal: 55 mm
95
Foto 38
Legenda: Jovem olhando para o “futuro”, um futuro aparentemente inacessível. Será que ele vai ter a
chance e poder esperar para ver esse futuro? Futuro esse que lhe ofereça melhores condições ao
sair de casa, sem que pra isso esteja acompanhado de sua mãe?
Ficha técnica da foto
ISO: 100
Tempo de exposição: 1/600s
Abertura: 4.7
Distância focal: 38 mm
96
REFERÊNCIAS
Associação Brasileira de Normas e Técnicas. NBR 9050/ 2004: Acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Disponível em:
<http//:www.mpdft.gov.br/sicorde/NBR9050-31052004.pdf>. Acesso em 10 e maio de
2011.
BRASIL. Lei n° 10098 de 19 de dezembro de 2000. Coordenadoria Nacional para
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Acessibilidade. Brasília:
Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2005.
BUITONI, Dulcilia Schroeder. Fotografia e jornalismo: a informação pela imagem.
São Paulo: Saraiva, 2011.
CAPUTO, M. E; GUIMARÃES .M. Educação Inclusiva. Rio de Janeiro: DP&A,
2003, p. 22 – 45.
DAMATTA, R. A casa e a rua. 5. Ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p 29 – 64.
GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, N° 15, 2004, p. 21 – 37.
GIL, M. Acessibilidade, Inclusão Social e Desenho Universal: Tudo a Ver. 2006.
Disponível em < http://www.bengalalegal.com/martagil > acesso em, 10/10/2011.
LIMA, R. Expansão Urbana e a Acessibilidade – o Caso das Cidades Médias
Brasileiras. São Carlos, 1998.
LIMA, I. A fotografia é a sua linguagem. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1988.
MACHADO, A. A ilusão especular introdução à fotografia. São Paulo: Brasiliense,
1984.
MEDINA, C. A. Entrevista o Diálogo possível. São Paulo: Ática, 2002.
NOGUEIRA, G. Direitos Humanos e Acessibilidade no Rio de Janeiro. 2007.
Disponível em < http://www.bengalalegal.com/geraldo> acesso em 13/10/2011.
97
NONATO, D. N. Acessibilidade Arquitetônica Como Direito Humano Das
Pessoas Com Deficiência. 2011. Disponível em <
http://www.cesrei.com.br/ojs/index.php/orbis/article/viewFile/63/41 > acesso em
25/01/1012.
O discurso fotográfico. Londrina: Ed. UEL, 1999
SCHIRMER, C. R... [et al.]. Deficiência Física (Atendimento Educacional
Especializado). São Paulo: MEC/SEESP, 2007, p.105 – 108.
SCHIRMER, C. R... [et al.]. Deficiência Física (Atendimento Educacional
Especializado). São Paulo: MEC/SEESP, 2007, p.22 – 25.
SEESP/ MEC. Educação inclusiva: a fundamentação filosófica. Brasília: Ministério
da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2004.
SOUSA, J. P. Uma História Crítica do Fotojornalismo Ocidental. Florianópolis: Letras
Contemporâneas, 2004.
SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das letras,
2003.
VITAL, F.M.P. Acessibilidade: O Espaço se Transforma a Todo Momento. 2008.
Disponível em < http://www.bengalalegal.com/acessibilidade > acesso em 13/10/2011.
98
APÊNDICES
99
APÊNDICE A – Decupagem dos áudios
Carol: Qual o seu nome completo?
Maria: Maria de Lurdes Alves
C: Quantos anos você tem?
M: 45 anos
C: Há quanto tempo você descobriu que era portadora de necessidades
especiais? Já nasceu? Como é que foi?
M: Desde o sétimo mês de idade, foi paralisia infantil.
C: Sobre acessibilidade aqui em Vilhena como é que você vê que Vilhena tá
hoje em relação a isso?
M: Não tô vendo muito acessibilidade, sempre a gente encontra barreira, dificuldade
em todos lugares, além da rua ainda tem os balcões, que no meu caso fica difícil pra
mim, nos lugares que eu chego que é alto aqueles balcões, é assim, pra tem muitos
lugares, que tem lugares altos na subida e não tem rampa, já conversei sobre isso,
mas, quem eu vejo não vê muita coisa
C: Você acha que Vilhena tem que melhorar muito?
M: Muito.
C: Se e fosse hoje o que teria que mudar em Vilhena de imediato, pra ficar um
pouco mais acessível, pra você e pra todos que tem alguma dificuldade de
locomoção?
M: É isso que eu tô te falando, é muitas rampas muitos lugares que precisam quase
todos lugares, é muito difícil pro um cadeirante, e outra coisa, agente chega nos
lugares e têm outros veículos no lugar da gente, né, igual esses dias tive que
estacionar quase duas quadras, ficou difícil pra eu andar, porque eu não aguento
andar, é difícil. É difícil demais, pra pessoa, assim pra mim que tem isso ai, e mais
pra cadeirante. Muito difícil mesmo
C: Mas você acha que Vilhena pode ser ainda um modelo de acessibilidade?
M: Eu acredito que pode ter mais acesso pra essas pessoas, mas até agora não.
C: Você conhece outra cidade do estado que seja Vilhena?
M: Tem lugar menor que aqui que tem todo lugar que eu fui tem acesso.
C: Que cidade?
M: Jaru, Ouro preto que é menor que aqui, mas tá bem organizado isso aí.
C: E enquanto ao preconceito, você acha que existe ainda muito preconceito
em relação com as pessoas que são portadoras de necessidades especiais?
M: Bastante.
C: Acredita que um dia vai mudar isso?
M: A gente espera!
C: E se você pra você deixar uma mensagem pras pessoas a respeito de
100
acessibilidade o quê que você diria, pra todo mundo assim?
M: Diria que tem que melhorar, assim, porque tem tantos deficientes que não podem
sair de dentro casa a dificuldade é tanta que eles estão dentro de casa, e eu gostaria
que melhorasse e mesmo, eu já conversei com varias pessoas sobre isso, e é o que
eu te falei eu gostaria que tivesse rampa em todos os lugares, de imediato, se eu
fosse uma pessoa que pudesse reagir com isso ai, eu fazia, porque eu sei o quê que
é ficar em uma cadeira de roda porque eu já fiquei. Você não tem ideia.
C: Hoje você tem só o problema de locomoção, você não depende mais tanto
da cadeira de roda, mas mesmo assim você não consegue andar longa
distancia?
M: Não, não consigo, se for longa distancia sem isso aí (moto adaptada) ai tem que
ser em cadeira de rodas, porque eu não aguento andar.
C: Você tem mobilidade reduzida?
M: Eu tenho, sinto dor, não aguento andar mesmo ultimamente, problema de coluna,
tenho que tomar remédio direto pra isso.
Carol: Qual o seu nome?
Ari: Ari Dias Rezino
C: Qual a sua idade?
A: 45 anos
C: Há quanto tempo você é portador de necessidades especiais?
A: Olha esse problema meu, a primeira vez que tive no medico em Maringá eles
falaram que eu tinha paralisia infantil, só que aí eu tive com um medico lá e usei
aquelas botas ortopédicas por três anos e não deu em nada, ai fui pro hospital em
londrina, de londrina fui pra São Paulo lá eles disseram que eu tinha doença
degenerativa, eu acho, do meu ponto de vista, foi por causa de uma cirurgia do
coração em 1974, a anestesia ele deve ter dado alguma anestesia em mim que deve
ter tocado a minha medula, mas eu não posso provar nada clinicamente, então fica
do jeito que tá, e ai o negocio é progressivo tem que ir fazendo um pouco fisioterapia
e tal, me prejudica a minha bexiga um negocio que estava me incomodando, mas
agente vai tocando, se adaptando ao meio.
C: Então desde 74 que o senhor...
A: É em 74 eu fiz a cirurgia do coração, e a partir de 76 eu comecei a mancar a
andar na ponta do pé, puxar perna, arrastar perna ai eu me desloco, eu consigo ficar
em pé, mas é o problema que vê ô é no andar, o problema de eu andar é que tá me
dando um calo, eu consigo escorar e ficar de pé, mas pra eu ter mais mobilidade e
rapidez eu uso a cadeira que é mais fácil.
C: Você conhece alguma cidade do estado que tenha condições de
acessibilidade?
A: Vilhena ainda é melhor porque devido à topografia por ser uma cidade plana, é
melhor que colorado, Jaru, ouro preto, Vilhena graças a Deus 90%, tirando a
avenida beira rio pra baixo, isso ajuda muito, Nas questões de coisa natural, agora
as barreiras físicas tipo construção do poder público é complicado o que tá saindo,
porque a lei determina que as rampas tem que ter no máximo 6 graus de inclinação,
101
isso não existe, lá no banco do Brasil tem, aquela rampa de acesso tem 6 graus de
inclinação e tem que ter 1 metro e 20 de largura pra passar a cadeira.
C: Então você acha que Vilhena tem condições de um dia ser uma cidade
modelo?
A: Tem, eu acho que falta mais a questão politica, vontade de seus administradores,
mesmo porque esse projeto de acessibilidade existe uma verba do governo federal
que se a administração publica fizer um projeto e mandar pra Brasília, o governo
federal manda o dinheiro, é liberado pro ministério da cidade, libera mais de um
milhão de reais por ano pra cidade, então isso aí é uma questão política mesmo,
Faça o projeto e manda pra Brasília o ministério da cidade aprova, traz e faça gente,
executa o projeto na cidade.
C: Se fosse pra você elencar hoje o que Vilhena precisa mudar imediatamente,
assim para que as pessoas com necessidades especiais consigam transitar na
Avenida Major Amarantes, no que diz respeito a se locomover sozinho?
A: Olha primeira coisa, nivelamento das calçadas, rebaixamento de guia, piso táteis
para deficiente visual que não tem, e essa questão de urbanizar, organizar a calçada
que é para o pedestre, não é pra ciclistas, não é pra propaganda não é pra nada, é
pro pedestre, se tá entendendo, pro ser humano conviver com as perninhas dele, no
caso de um deficiente físico ele usa o que? Usa uma cadeira de rodas, ele tem que
ter aquele acesso pra ele, mas não tem é difícil, tá com um projeto pra se fazer, mas
tem uns três ou quatro, mas ninguém executa.
C: Então, o que o senhor acha que tem que ser tirado essas coisas que
impendem, bicicletários...
A: É estacionamento de bicicleta, propaganda, placa da loja até que se for removível
não tem tanto incomodo, porque quem finca alguma coisa na calçada, chumba no
concreto aí fica complicado, a plaquinha você pode licença pra pessoa, porque afinal
de contas ele também é um cidadão que tá pagando seus impostos, mas depende
do poder legislativo, que se faça essas leis e que se faça cumprir, lei de isolamento
urbano, de ocupação do solo, deve ser feito.
C: Sobre preconceito assim, tem muito preconceito com o senhor ou com essa
categoria na verdade, ainda existe muito preconceito?
A: Tem tipo assim, taxado de coitadinho, aleijado não sei o que e tal, você trata por
igual, que nem nós estamos tendo uma entrevista aqui nivelando e olhando você,
agora eu ter que ficar olhado pra cima ou você olhando pra baixo, eu acho que tem
que tratar como qualquer ser humano com igualdade, mas que tem isso aí não se
preocupa não, isso ai que você falou (em off) do pessoal não respeitar o
estacionamento no shopping, no mercado o pessoal não respeita, já cheguei
educadamente e falar com pessoas normais, ditas normais que eu acho que a
deficiente tá é na cabeça da pessoa e não no físico, as pessoas te mostram o dedo
sabe tipo, é complicado. Uma coisa que eu venho batalhando, faço parte do
conselho municipal de transito, é que se normatizem esses estacionamentos,
rodoviária, no shopping, na clinica e tal pra normatizar e fazer sinalização horizontal
e vertical e fazer esses pitstops pra conscientizar e também exigir das autoridades
competentes e a policia pra que se faça a atuação se tá entendendo? Que nem eu
dei uma ideia para o secretario, a placa que você vai colocar para o estacionamento
do idoso e deficiente, embaixo você coloca o telefone da policia ou o da PETRAM, o
102
cidadão que tá lá vaga hoje tem que ter um documento que é tirado aqui ele coloca
no painel do carro, não tendo aquele adesivo lá, automaticamente você tá ocupando
uma vaga que não é sua, então tá entendo, então eu acho que o brasileiro é meio
rebelde, faça sair do bolso pra ele sentir um pouco ai ele se atina.
C: Você pode falar um pouco das leis que você conhece sobre acessibilidade?
A: Tem o decreto federal 5296 de 2004 ele normatiza duas leis a 10.048 e a 10.098
sobre essa questão de acessibilidade, sobre essa questão de reserva de mercado
na questão de cadeirante público, pros portadores de necessidades especiais,
retifica também os tipos de necessidades especiais, o que é qualificado com
deficiência física. Existe lei do governo federal que também isenta o deficiente físico
na aquisição de veículos, de carros, se tá me entendendo, que é o decreto da
secretária de fazendo do governo federal, que passa até 127 há tendo motorização
2.0, álcool e gasolina fabricação nacional você chega a ter 35% de desconto pra
você adquirir um carro desse. Tá tramitando no congresso nacional, que já tem oito
anos na gaveta pra isenção fiscal pra você adquiri equipamentos importados, pra
você ter uma ideia eu procurei a Athilaide americana pra eu comprar uma cadeira de
rodas de fibra de carbono, custa 1.800 Dólar e pesa 4,5 quilos, essa aqui pesa 30
quilos e custa dois mil reais, são 3.800 reais lá no estados unidos, ai fui ver com a
receita federal pra importar certinho com o meu nome, CPF, tudo certinho ai eles
consultaram no Rio de Janeiro, vou ter que pagar seis mil de imposto, isso eu acho
um absurdo, ainda falei, gente eu tô importando uma cadeira de rodas não estou
importando uma Ferrari, uma moto ou um carro então a e também tem outras leis
né, essa questão de trabalhar por cotas de deficientes no serviço público, tem essa
da medicina também, da qualidade tem outras leis que tá mudando agora pra ensino
especial para os portadores de necessidades especial, e que também se faça né
cumprir a lei nessa questão de acessibilidade nas escolas, porque é difícil, eu
estudei no alvares uns 20 anos atrás, e hoje é complicado fizeram umas rampas lá,
mas fizeram por fazer, ponha um cadeirante e ele subir uma rampa daquela, não
tem condição, eu acho o seguinte que o poder publico tem que agir também, faça
bem feito, faça uma vez só, não faça duas ou três vezes, que eles não querem fazer
direito, fazem duas três vezes, não é por aí isso aí.
C: E a questão de carteira de habilitação, a gente andou investigando e fica em
torno de 6 a 7 mil que você tem que pagar pro DETRAN?
A: Ó, inclusive essa visita que o governador teve aqui no sábado na escola lá em
cima na Paraná, eu mandei um oficio para o governador requerendo um veiculo
adaptado pra ficar no DETRAN do estado pra ficar a disposição das autos escolas
que não tem, o DETRAN fornece, mas autoescola que não tem então tipo assim,
pela associação o próprio deficiente que queira tirar habilitação, faz um documento e
faz um requerimento no SIDETRAM, e a autoescola que ele escolher tem que ter um
pessoa capacitada pra fazer essa... Preparar pra habilitação né, é uma coisa que
não fica caro pro estado e dá pra fazer, porque é difícil fazer habilitação, e tem que
ser menos tachas nas coisas, ser mais acessível também o direito do cidadão.
C: Porque agente andou vendo com algumas pessoas e fica em torno de seis
mil reais pra vocês fazerem lá no DETRAM, fazer as autorizações e tudo, ai
você paga uma taxa de seis mil reais e além você tem que fazer a adaptação no
seu carro ou moto tudo por sua conta.
A: É muito caro, o estado tinha que abocanhar menos de quem precisa e juntar mais
103
do que por demais, o cidadão do estado tá precisando respirar um pouco.
C: Há quanto tempo o senhor é presidente da associação?
A: Já tem cinco anos e meio.
C: E qual a maior dificuldade que os deficientes relatam pra vocês, o que eles
encontram?
A: Eu venho lutando não é de hoje nessa questão da capacitação, nas escolas de
informática, software e hardware que possa fazer a capacitação do deficiente,
mesmo que exista essa lei de cota de trabalho que determina às empresas a cima
de 100 funcionários, mas não é que esse deficiente tem que ser uma pedra, não,
então você capacita, chama os donos, os empresários pra ver que tipo de
capacitação você deseja, de informática, em braile, alguma coisa tá entendendo, pro
deficiente auditivo, tem empresa que emprega bastante gente, a maior empresa que
empregam deficientes aqui em Vilhena é o grupo pato branco, então chega a sentar
com o pessoal, os diretores, que tipo de ferramenta de trabalho você deseja, ai você
vai de encontro e prepara pra você ficar um cidadão hábil. Que tem um projeto há
bastante tempo nessa questão digitação aqui na SUFRAMA, são 160 digitadores,
tem uns três ou quatro deficiente só, agente vem tentando que a associação
administre isso aí para que possa da prioridade pra pegar um deficiente, são 160
famílias, é um salário bom, tá incluso o transporte ida e volta, mas o estado não é
interesse deles, deixa quieto, a gente não intende deixa quieto isso ai.
Tem alguma mensagem que o senhor queira deixar em relação à acessibilidade?
O que eu espero é que as autoridades públicas, não sejam altruístas, porque há
dificuldades pra qualquer ser humano, por um deficiente físico é pior ainda, porque
além de todas as barreias que você tem você tem a arquitetônica é complicado, essa
questão de você não poder se locomover, agora é uma coisinha que eu não espero
que se faça da noite pro dia, mas que vá fazendo um pouco em cada administração,
eu espero isso aí.
104
Carol: Nome completo?
Weverson: Weverson Rodrigues da Silva
C: Idade?
W: 23 anos
C: Você já nasceu com a deficiência? Decorrência do quê que foi?
W: Foi paralisia cerebral, é aquela história de que quando a criança nasce prematura
ou não respira afeta uma parte do cérebro, no meu caso afetou a parte que controla
as pernas, a motorcidade das pernas ai conforme eu vou crescendo o nervo não
desenvolve basicamente o médico disse assim: o seu cérebro manda uma
mensagem errada para sua perna e isso enrijece o nervo, daí afeta a sua
locomoção. Foi isso que ele me disse.
C: Mas com o passar do tempo você foi fazendo fisioterapia? Mas você andava
ou não andava?
W: Eu andava de ponta de pé quando era criança. Fiz duas cirurgias erradas no
calcanhar que afetaram a minha marcha daí conforme eu vou crescendo o nervo não
desenvolve por consequência dessa cirurgia errada que eu fiz. M as antes eu só
andava de ponta de pé quando era criança. Depois dessas cirurgias erradas, eu fiz
tratamento na AACD de São Paulo, que vocês veem direto na televisão. Trato lá
desde os três anos, fiz 19 cirurgias nas pernas, tudo na mesma condição, assim,
fazia uma e faltava alguma coisa ou fazia uma e atrapalhava em outro lado as
pernas, então estive sempre fazendo cirurgia. Aí hoje cheguei em um certo ponto
que as cirurgias ou elas não são mais necessárias ou se eu fizer mais alguma nas
condições que eu me encontro, pode não ter o efeito esperado, então eles disseram
que era melhor manter como estava, porque eu sou praticamente independente em
qualquer ponto. Então essa é a questão, parei as cirurgias por não haver mais
necessidades.
C: E quanto à questão de acessibilidade em Vilhena? Um rapaz falou pra gente
que pra ele que usa cadeira de rodas é necessário que se faça rampas nas
esquinas. E pra você o que acha que precisa ser feito?
W: Eu não sou cadeirante, mas eu encontro dificuldades e acho que como ele,
assim porque tipo, as rampas tem que existir, às vezes muitos lugares não tem
rampas. Em outros casos as bicicletas estão em lugares que atrapalham a
locomoção geral, porque tipo, aqueles guarda bicicletas ficam praticamente no meio
da calcada. Muitas dessas calçadas estão rachadas ou mal cuidadas, isso aí já não
é coisa da prefeitura, é parte do comercio, e tipo eles deveriam cuidar disso também
e outras coisas tipo, locais de livre acesso, tem estabelecimentos ai na cidade que
ou tem escadas e não tem rampas ou simplesmente não tem rampa de acesso em
lugar nenhum. A acessibilidade de Vilhena não é tão ruim, em ponto do tipo assim,
não, vou parar de andar porque não tem como, mas tipo é bem complicado, é
complicado nesse ponto, são muitos desníveis, são muitas rachaduras, você tem
que andar com muita atenção, tipo não é fácil, mas também não vou dizer que é
impossível andar nas ruas.
C: Você disse pra gente que você estuda o curso de direito, o quê que te
motivou a fazer esse curso, tem a ver com a sua necessidade especial?
W: Não, não vou dizer que é por causa disso não, sempre fui apaixonado, tipo
105
assim, desde que era apaixonado por direito, eu tinha uns 16, 17 anos, sempre
gostei daquela atuação, daquela coisa de lei, eu sempre fui apaixonado pela luta em
si de direito, assim, não que eu não vá me tornar advogado, mas é uma coisa que
posso dizer pra vocês que tá me fazendo crescer mentalmente. Assim porque cada
dia que eu vou lá eu tô aprendendo muito e cada dia eu tô me apaixonando mais, se
provavelmente eu tiver apto eu quero exercer a função de advogado mais pra frente.
É eu acho que são vários pontos culminantes que determinam o que você vai ser
daqui pra frente, de um tempo pra frente dentro da faculdade, que é uma coisa meio
complexa de se dizer até porque tipo, ou você se torna advogado e defende alguém
ou você segue a área pública, então, eu ainda tô resolvendo isso aí. O que eu vou
fazer pra minha vida mesmo é terminar esse curso de Direito, que é uma coisa que
eu tô amando fazer aí depois eu penso no resto.
C: Você pratica luta?
W: É eu pratico Jiu-jitsu.
C: Há quanto tempo?
W: Um ano e dois meses
C: Você faz na modalidade pra deficiente ou faz junto com os outros?
W: Aqui no estado em si é raro achar deficientes que lutam então eu pratico com
pessoas normais mesmo
C: E o professor não encontrou dificuldades?
W: Não ele foi bem paciente, ele é um cara bem paciente, ele me ensina tudo, sem
problema nenhum, o que eu não sei ele adapta, então agente tem buscado uma, ele.
Vou dizer pra você o que eu disse pra outras pessoas, o Jiu-jitsu pra mim é um estilo
de vida, me completou assim, encontrei no Jiu-jitsu o que eu não encontrei e
nenhum outro lugar assim, é uma. Pra mim é um estilo de vida hoje. Tudo que
aprendi nesse um ano e dois meses eu agradeço ao Jiu-jitsu e agradeço meu
professor Alexandre Thomas Herson, que muito tem feito por mim nesses um ano e
dois meses. Eu me encontrei nessa arte
C: E quanto à questão de acessibilidade no estado de Rondônia? Você
conhece outras cidades?
W: Olha eu já fui a Porto Velho, e posso dizer pra você que a acessibilidade onde eu
estive não é fácil, e uma coisa meio que degradante assim.
C: É menos que aqui?
W: Onde eu estive sim, onde eu estive é bem menos. É uma cidade bem desleixada,
naquele ponto acessibilidade eu não vi lá eu vi dificuldade. Por ser uma cidade maior
por ser uma cidade grande, embora a questão deveria ser, ah deveria ter mais
acessibilidade por ser uma cidade do estado, tipo a capital, eu vi foi dificuldade por
lá ser meio desleixado.
C: Você acha que Vilhena tem condições de se tornar modelo na questão de
acessibilidade?
W: Não é difícil, não é difícil pelo fato dessa cidade está em desenvolvimento, se os
comerciantes interessassem, fizessem como tudo tem que ser no papel, seria fácil
fazer. Só que é complicado a questão, eu não tô implicando, mas a questão é as
bicicletas que ficam no meio, a calçada é trânsito livre. Quantas vezes você tá
106
andando, você esbarra em outra pessoa, porque você tem que tirar do rumo das
bicicletas. Ai você acaba descendo pra rua.
C: É difícil mesmo porque, deveria ter mesmo um lugar só pra elas, igual tem
estacionamento pra carro deveria ter o da bicicleta.
W: É só pra elas, porque calçada é transito livre.
C: Não impede só você de atravessar, impede todo mundo é complicado, a
gente ontem estava fotografando a gente vê que todo mundo tem dificuldade
pra passar.
W: Uma vez tipo, você sai pra rua ali, você sai pra rua correndo o risco de ser
atropelado, isso quase acontece, ai você volta pra calçada. Sabe é uma coisa, aqui
trecho ali entre a Caixa Econômica e a Daniela, tava os mais, tipo assim é o trecho
mais chato que tem pra andar, agora com o término das construções ali eu acho que
vai dar uma melhorada, porque melhorou a calçada , mas, tá tipo assim, tá meio
desleixado.
C: Tem alguma coisa que você queira dizer a respeito disso, pra gente sobre
acessibilidade?
W: Não, tudo em questão é vontade de fazer, porque, como tem. Eu não acredito
que se alguém disser que não tem como fazer, claro que tem sim, sempre existe um
jeito de fazer, não só na questão da deficiência, igual vocês mesmos disseram, é
difícil pra qualquer um, assim trafegando nas ruas. Então eu acho assim, falta
vontade do comercio, até do poder público de fazer alguma coisa quanto a isso, mas
em si não tenho mais nada a acrescentar não, acho que é uma falta de vontade
mesmo, é uma questão de querer fazer.
107
Carol: Como é o seu nome completo?
Jesus: Jesus Cristiano de Paula
C: Qual a sua idade?
J: 55 anos
C: Há quanto tempo o senhor é portador de necessidades especiais?
J: Tive poliomielite com dois meses de idade.
C: E a partir de então sempre com dificuldade pra se locomover?
J: Sim, no começo quando chega naquela idade que a criança começa a andar eu
arrastejava, ai depois com cinco pra seis anos, eu comecei a andar de pé, mas com
auxilio da muleta, aí que foi descoberto que eu tive a poliomielite, fui vitima da
conhecida também paralisia infantil. Eu nasci em 1954, foi exatamente esse ano em
que o governo não importou as vacinas, eu sou de São José do Rio Preto interior de
São Paulo, então naquela região de São José do Rio Preto, Bauru, Lins, todo aquele
interior de São Paulo ouve um surto de paralisa infantil, foi justamente nessa época
que o governo não importou as vacinas. Infelizmente existem hoje inúmeras pessoas
portadoras de necessidades especiais em função desse ocorrido, em função dá não
importação da vacina e em função ao surto que ouve na época. Infelizmente somos
vitimas dessa doença.
C: Em falta de responsabilidade do próprio governo né...
J: Foi um ato irresponsável do governo, prova-se que uns 40 a 50 anos depois o
descaso com a saúde não é de hoje, já vem de eras atrás.
C: Qual a profissão do senhor?
J: Eu sou professor.
C: E quanto às questões de acessibilidade em Vilhena, como que o senhor
acha que a cidade está em relação a isso?
J: Em relação à acessibilidade Vilhena hoje deixa muito a desejar, infelizmente hoje
a gente tem encontrado muitas barreiras, principalmente o pessoal que é cadeirante,
o pessoal que usa cadeira de rodas infelizmente pra eles é muito difícil a
acessibilidade, pra gente que usa muleta também, mas pros cadeirantes é mais
ainda.
C: Porque eles precisam das rampas, e muitas vezes não tem...
J: Muitas vezes não tem a rampa, problemas de estacionamento para os veículos
dos deficientes - Portadores de Necessidade Especiais, infelizmente as pessoas
acabam desrespeitando a lei e invade o estacionamento, eu já chamei a policia
várias vezes e eles têm atendido prontamente, pelo menos pra mim nunca tive
problema todas as vezes que eu necessitei da ajuda deles eles tiveram aí,
prontamente me atenderam.
C: O senhor acha que Vilhena tem condições de ser uma cidade modelo nas
questões de acessibilidade?
J: Com certeza!
C: Por quê?
108
J: É destinar, e fazer os projetos inclusive o Ministério das Cidades ele disponibiliza
verbas, é só uma questão de fazer os projetos e mandar pro Ministério e as verbas
viram fazer uma conscientização dos próprios comerciantes através da ACIV e de
todas as pessoas. Então Vilhena tem condições de ser uma cidade modelo no
estado sim. Não do Brasil, porque hoje Curitiba é modelo do Brasil, Vilhena pode se
tornar uma da região norte sim. Por ser uma cidade plana ela oferece condições pra
ser uma cidade modelo. Muitas vezes a gente vê certas barreiras que não há
necessidades de ter aquelas barreiras simplesmente até agora não consegui
entender porque tem aquilo, se foi por querer do comerciante ou do próprio órgão
publico muitas vezes não se há nem a necessidade de se ter aquela escada, então
Vilhena tem condições de ser uma cidade modelo do estado e da região norte.
C: Se fosse hoje, o que o senhor acha que tem que mudar de imediato na
cidade, pra ser um pouco mais acessível?
J: É cumprir a lei de a acessibilidade fazer o que tem que ser feito rebaixamento das
guias, conscientizando os comerciantes pra refazer suas calçadas e dar condições
mesmo de acessibilidade ao deficiente físico, principalmente pro cadeirante que é o
que tem mais dificuldade.
C: E em relação ao preconceito?
J: O preconceito hoje ele é uma questão não vou dizer totalmente resolvida ainda,
mas se diminuiu muito então a sociedade hoje já vê com outros olhos o portador de
deficiência, eu, por exemplo, na época que fiz faculdade, no vestibular me colocaram
no segundo andar, e eu briguei, briguei mesmo disse como é que eu vou subir? A
coordenação do vestibular disse então você fica em uma sala que você tenha
condições e a lista desce até onde você vai fazer a sua prova. Mas não vou dizer
que tá completamente acabado, porque o preconceito infelizmente tem para o
deficiente, para o negro, para o gordo, o magro, o preconceito ele sempre vai existir.
No caso do deficiente o preconceito maior nas décadas 30, 40, 50 na minha época
de estudante o preconceito maior é que a sociedade tinha em mente que o
deficiente era aquela pessoa que tinha que ficar além, além da sociedade, o peso da
sociedade, porque na minha época a sociedade era muito trabalho braçal, então o
trabalho intelectual não era assim, era mais um trabalho braçal então por isso que
havia esse preconceito porque o deficiente não podia trabalhar, faltava-lhe um braço
uma perna, mas a minha geração que eu costumo chamar de geração coca cola, foi
uma geração que muito brigou contra, nós brigávamos feio, eu, por exemplo, no
interior de São Paulo eu montei uma associação, cheguei a Vilhena montei uma que
é essa que existe hoje. Eu monte três associações, uma lá na cidade de onde eu
vim aqui em Vilhena e uma em Alta Floresta onde eu trabalhei então essas
associações trabalhando junto com a sociedade conseguiram assim de uma certa
maneira conscientizar essa sociedade que o deficiente não é um peso pra sociedade
ele tem condições de contribuir, trabalhar e pagar seus impostos como uma pessoa
normal, ditos normais. Hoje essas barreiras já foram não 100% mas já tá bem
melhor, a sociedade hoje já vê a pessoa portadora de necessidade especiais com
outros olhos, então ela não vê com aquele olhar de pesar, com aquela consciência
que o deficiente é um peso. Hoje o deficiente tem a sua liberdade ele tem condições
de trabalhar e ser um profissional e contribuir como qualquer outro cidadão.
C: Quantos anos tem a associação daqui?
J: Foi em 88 que ela foi fundada, tem 23 anos.
109
C: Quando a associação foi fundada muita gente aderiu?
J: Aquela questão né, há resistência sim e há adesões, então eu calculo que meio a
meio, porque naquela época agente não tinha ideia e nem números de deficientes
que tinha na cidade, aqueles que tinha mais consciência, aí a associação foi
mostrando alguns trabalhos e as pessoas foram se associando, houve a resistência,
acredito que o numero existente da época não posso precisar assim mas mais ou
menos meio a meio aderiram e 50% não, e até mesmo ir participar das reuniões, a
própria família escondia, porque infelizmente o preconceito começa dentro da
própria família, a família não expõe, não deixa expor, esse tipo de preconceito ainda
hoje acontece em algumas famílias.
C: Qual a importância da associação?
J: Essa associação tem e teve uma importância muito grande porque ela é uma
entidade que luta pelos direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais,
ela é uma entidade que busca inserir o deficiente no mercado de trabalho e cuida
pra que determinadas coisas não aconteçam, a rejeição o preconceito,
principalmente no mercado de trabalho. É um trabalho de conscientização.
C: Você tem alguma mensagem que queira dizer sobre a acessibilidade?
J: É a mensagem que eu gostaria de dizer é que as pessoas se conscientizem
principalmente em relação às vagas cedidas às pessoas portadoras de
necessidades especiais, que elas colaborem não invadam o espaço que respeitem,
porque é muito difícil pra um deficiente como eu ter que parar dois, três quarteirões
ou vir de cadeira de rodas ou muletas se torna difícil, a vaga já tem ali exatamente
pra facilitar a lei da acessibilidade é pra isso. Porque o projeto da lei de
acessibilidade é exatamente esse, o objetivo alias, é esse, o próprio nome já diz, é
dar acesso mais fácil a pessoa com mobilidade reduzida. Então que as pessoas
respeitem e receba o deficiente com um cidadão não como uma pessoa que se torne
um peso pra sociedade, mas como um cidadão, tenha seus direitos, trabalhar, pagar
seus impostos, divertir como um cidadão comum qualquer.
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Carol: Qual o seu nome completo?
Alan: Allan Brito
C: Quantos anos você tem?
A: 10 anos
C: Você estuda?
A: Sim
C: Você encontrou alguma dificuldade na escola quanto a isso?
A: Não
C: Quando você vai à Avenida Major Amarantes em especifico tem alguma
dificuldade?
A: Alguns lugares sim.
C: O que você acha que é difícil pra você?
A: As rampas.
C: Você sabe perto da onde é mais difícil?
A: Não lembro muito bem não.
C: A principio então é só mesmo a questão das rampas que é mais difícil?
A: Aham.
C: Você não consegue ir, por que você se locomove sozinho?
A: É, alguns lugares sim.
C: Então você não encontra tanta dificuldade?
A: uhum.
C: O que você acha que precisa mudar urgente na Avenida Major Amarantes?
A: Não sei.
C: Será que seriam as rampas? Teria que ter uma em uma esquina e do outro
lado também ter pra você conseguir subir, seria isso?
A: Uhum
C: Agora eu vou falar com a mãe do Allan, seu nome completo?
Ellen: Ellen Brito
C: O que aconteceu com o Allan? Porque ele hoje usa cadeira de rodas?
E: Ele nasceu com Mielomeningocele e hidrocefalia, uma doença que afeta quase o
corpo inteiro né, tem umas crianças que andam e têm outras que não, basicamente
é isso, ele tem bastantes sequelas também, seria interessante assim, pra eu falar
tudo fica difícil, vocês dão uma pesquisada (no laudo).
C: O Allan não chegou a andar?
E: Não, não chegou a andar nenhuma vez, ele sempre fez fisioterapia, hidroterapia,
mas ele não andava, e assim, no começo ele ficava de pezinho, fisioterapeuta
111
pegava e ele ficava de pezinho.
Mas depois ele já não. Com quatro anos nos fomos no SARAH dai os médicos de lá
falaram que ele não ia andar né, ai começou um tratamento no SARAH dai a partir
dos quatro anos que ele começou a usar cadeira de rodas, fez várias cirurgias
também.
C: Ele já fez quantas cirurgias?
E: Ele fez umas 12 já, da bexiga, correção da medula, da válvula, já tirou e colocou
várias vezes outra porque entupiu, mas assim é isso.
C: A senhora às vezes ajuda o Allan, ou nem sempre?
E: Não tem que ajudar, ele não se vira sozinho, sozinho não, até pra andar assim na
rua ele anda um pouquinho porque eu insisto muito, porque tem que fazer andar,
mas não se vira totalmente sozinho, mas eu costumo assim, levo pra escola tento
fazer ele fazer o trajeto da escola sozinho, eu vou do lado, roupa eu coloco em cima
da cama e ele se veste sozinho, tomar banho eu coloco o sabonete do lado, mas
sempre tem que tirar da cadeira pra colocar na cama ou pra colocar na outra
cadeira. Totalmente ainda não, mas eu acho que sim, lá nesse hospital que ele vai é
um hospital de reabilitação, então o que eles insistem mais é pra pessoa se virar
sozinha, é o que eles mais tentam né, ser independente. Então toda vez que ele
chega lá eles perguntam, "o que você tá fazendo de diferente agora? se ta tomando
banho sozinho, ta fazendo isso, ta andando mais na cadeira sozinho". O que eles
querem é que a pessoa seja independente, mas assim a visão que eles têm lá, a
visão que o médico tem não é igual a que a gente tem, na realidade é diferente, a
casa sempre tem né, mas eu tô tentando né, vamos vê.
C: E quanto à acessibilidade em Vilhena, já que a senhora anda com ele, o que
a senhora acha das condições de acessibilidade na Avenida Major Amarantes?
E: Então, tem lugares que dá pra passar e tem lugares que não, então acho que não
é o suficiente, tipo num lugar que dá pra descer, mas no outro lado não dá pra subir,
ou até tem rampa, mas tá totalmente destruída, que tem alguns lugares que não tem
condições, tem degrau, que não tem condições, eu nem passo na rampa empino a
cadeira e passo, se fosse deixar ele sozinho ali ele ia cair porque não tem, ou é mal
feita é alta.
C: Então o que você acha que deveria se mudado imediatamente para que o
Allan consiga sair de casa mais vezes?
E: É realmente o que ele falou, tem que ser essas rampas, mas não adianta em uma
esquina ter e na outra não ter, e também o que eu acho mais assim interessante que
não tem aqui, é na hora de você atravessar, não atravessar à calçada, mas
atravessar o outro lado, não tem, tem mais tá aquele canteiro, e como você vai
atravessar com a cadeira de rodas, tem o meio fio pra pessoa que anda normal,
aquelas pedrinhas que eles colocam lá, só que não tem a rampa, tem aquele
murinho em cima que não tem como agente subir, ai vai ter que ir lá onde está os
carros e não adianta nada, e a faixa de pedestre que tem alguns lugares que está
totalmente inapropriado. Eu acho muito errado, porque se tem aquele negocio que
agente sobe e pra ele não dá, o certo seria a faixa, sei lá, porque a pessoa não vai
atravessar pra subir ali? Também tem isso.
C: Vocês conhecem outra cidade do estado de Rondônia que tenha mais
112
acessibilidade que Vilhena?
E: Eu já fui pra Porto Velho e em Cacoal, mas lá é pior que aqui. Só que Porto Velho
eu não cheguei a andar assim muito na rua. Ji - Paraná eu também fui, mas não
cheguei a andar muito, fui de carro. Então de andar na rua com ele mesmo é aqui.
C: Allan, você sente se tem algum preconceito, alguma coisa na escola?
A: Não.
C: É tranquilo? A professora, trata todo mundo assim, é todo mundo igual?
A: Uhum
C: E você vê alguma outra dificuldade, em relação a você usar cadeiras de
rodas, você vê alguma outra dificuldade a não ser a questão de você ir na rua e
como sua mãe disse não consegue passar sozinho em determinado lugar, tem
alguma outra coisa?
Allan: não
Ellen: Na verdade na escola dele começou a adaptação faz um ano e pouco, não
tinha.
C: E o pessoal se mobilizou?
E: Sim banheiro essas coisas não tinha nada, eu usava o banheiro dos professores
pra levar ele.
C: E a senhora acompanha ele lá?
E: Acompanho, agora que eu deixei um pouco de ir, porque ele tá maiorzinho, mas
quando ele era menor eu ia levava ele na hora do intervalo, levava ele no banheiro,
então agora tem uma pessoa que eles deixaram separada pra quando ele precisa de
alguma coisa, pra ajudar. Mas antes eu ia lá.
C: Ali ele fica até que série?
E: Até esse ano, ai vai pro Alvares de Azevedo.
C: Você tem alguma mensagem que queira deixar pras pessoas sobre você,
uma frase que você goste?
Allan: Não (risada)
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Carol: Nome:
Adalberto: Adalberto Moura de Jales
C: Nasceu aonde?
A: Esperança- Paraíba
C: Quanto tempo você mora aqui em Vilhena?
A: 14 anos
C: Há quanto tempo o senhor é portador de deficiencia física?
A: Há 21 anos.
C: Foi em decorrência do quê?
A: Um tiro pegou no peito e acertou a espinha dorsal.
C: O senhor conhece outra cidade no estado de Rondônia, que tenha alguma
referencia em acessibilidade?
A: No estado de Rondônia não tem, eu conheço todas cidades de Rondônia, e Mato
grosso também, Campo Novo - MT é toda adaptada.
C: O que você acha que precisa ser feito aqui em Vilhena. De imediato pra
melhorar?
A: As rampas das esquinas do comercio tudo da Major Amarantes, é uma
necessidade, e tem que ser bem feita, com ressalto alto você não sobe com a
cadeira. E os canteiros pra você poder atravessar. Fizeram a BR, mas não fizeram
as rampas na rotatória, a prova já tá ali, ninguém olha pela gente.
C: Você acha que Vilhena tem condições de ser cidade modelo de
acessibilidade?
A: Claro que tem cidade maravilhosa dessa, cidade plana.
C: Você trabalha aqui há quanto tempo?
A: Seis anos
C: O senhor tem família?
A: Solteiro.
C: Mora sozinho?
A: E Deus.
C: O senhor tem alguém que te ajude quando precisa ir à rua resolver algo?
A: Eu tenho independência normal.
C: Você mora onde?
A: Bairro Bodanese, Depois da APAE.
C: O Senhor vem sozinho pra cá?
A: Sim
C: O senhor faz que trajeto?
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A: Faço vários, nunca faço o mesmo.
C: Com maior frequência qual o senhor faz?
A: Entro ali no posto nacional e venho embora, ai venho pela Celso Mazutti.
C: Você vem pela beirada da rua?
A: Eu venho de carro.
C: O senhor tem carro adaptado?
A: Tenho, eu mostro ali pra vocês.
C: O senhor tem carteira?
A: To tirando habilitação agora, graças a Deus.
C: O senhor ta fazendo aonde, aqui na cidade mesmo?
A: Lá na Avenida Paraná, tô só esperando um laudo do doutor, tem que ser lá em
Cacoal, tá marcado lá.
A escola marcou tô só esperando falar o dia.
C: É em Cacoal que faz pra quem é portado de deficiência e faz o laudo lá?
A: Tinha um médico aqui, mas ele foi embora, só lá agora.
C: O Senhor encontrou muita dificuldade pra fazer?
A: É complicado
C: Tanto o exame agora, quanto a habilitação em si?
A: O exame até que não, o cara do Sidetram facilita.
C: Você vai ter um professor especializado ou professor normal?
A: Normal mesmo.
C: Vai ser uma experiência tanto pra ele quanto para o senhor...
A: Com certeza, um outro colega meu tá fazendo lá.
C: Ele também é portador de deficiência? Usa cadeira de rodas também?
A: Cadeirante.
C: O seu carro quem adaptou?
A: Como eu sou deficiente há muitos anos, eu mesmo comprei a adaptação e
coloquei.
C: Os controles do carro são todos na mão?
A; Mão e pé.
C: E quanto ao preconceito o senhor acha que tem?
A: (risada) nunca acaba, isso ai nunca acaba, é o de menos.
C: Há quem passa e fica olhando?
A: É o que mais tem, tenho 20 anos de cadeira de rodas, isso só tem a aumentar, as
pessoas não mudam ninguém muda do ser humano.
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ANEXOS
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ANEXO A – Pautas
PAUTA FOTOGRÁFICA
Retranca
Barreiras/Acessibilidade
Fotografar as barreiras arquitetônicas das calçadas: postes, ponto de ônibus,
rampas, faixas, bicicletários, etc. regulagem da câmera manual.
Local:
Avenida
Major
Amarantes – Vilhena-Ro
Fotografar pessoas com dificuldades de transitar.
Fotografar a noite onde os obstáculos muitas vezes ficam ocultos por falta de
iluminação, entre outros motivos.
Fotografar deficientes físicos transitando pela avenida.
117
PAUTA ENTREVISTA
Retranca
Indagar se há projetos de acessibilidade em andamento ou em processo de
Projetos/Acessibilidade
elaboração/ pesquisa, e se tiver algum, solicitar acesso ao projeto, ou algum
Entrevistar o engenheiro civil documento para anexar ao trabalho de pesquisa. E se não tiver, perguntar se a
da Secretaria Municipal de
Planejamento
(SEMPLAN) prefeitura está a par da situação.
Eduardo.
Requerer as leis municipais que regem o assunto.
10/04/20012
no
período
matutino.
Contato: 33214084.
Na SEMTRAN descobri como deficiente adquire cartão que possibilita o acesso
a estacionamento exclusivo aos deficientes. E também se a secretaria tem
Entrevistar o responsável da projetos a respeito das calçadas, quebra-molas e faixas.
Secretária Municipal de trânsito
(SEMTRAN).
Download

Acessibilidade para Deficientes Físicos na Avenida Major