UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU FACULDADE INTEGRADA AVM INTEGRAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO DA APRENDIZAGEM (MOODLE) NO ENSINO SOBRE TRANSTORNOS DO SONO NA RESIDÊNCIA MÉDICA EM NEUROLOGIA Por: Marleide da Mota Gomes Orientadores: Ana Paula Oliveira e Vilson Sérgio de Carvalho Rio de Janeiro 2014 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU FACULDADE INTEGRADA AVM INTEGRAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO DA APRENDIZAGEM (MOODLE) NO ENSINO SOBRE TRANSTORNOS DO SONO NA RESIDÊNCIA MÉDICA EM NEUROLOGIA Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau especialista em Docência no Ensino Superior Por: Marleide da Mota Gomes de AGRADECIMENTOS Aos que contribuíram diretamente com esta monografia, expresso minha gratidão: ao professores da AVM, Ana Paula Oliveira e Vilson Sérgio de Carvalho, aos colegas do Instituto de Neurologia-UFRJ (José Luiz de Sá Cavalcanti, Gisele S. Moura Neves, Cristiane Ribeiro Afonso) e ao profissional do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ (Alexandre Bento). DEDICATÓRIA A Uleide da Mota Gomes, minha mãe. RESUMO Esta monografia estuda a educação à distância (EaD) no Brasil e no mundo, o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e suas principais ferramentas, e o ensino sobre sono e seus transtornos, através de um relato de caso. A plataforma de aprendizagem a ser aplicada é a de um sistema de gerenciamento de cursos de código aberto (Moodle) para médicos residentes de neurologia. É ressaltada a importância da EaD na educação continuada médica, pela sua interatividade e auto-promoção da aprendizagem, em uma pedagogia construtivista. METODOLOGIA Este é um estudo de caso, de elaboração de um curso a transcorrer na residência em neurologia do Instituto de Neurologia da UFRJ. O objetivo geral do projeto foi fazer um estudo piloto com o uso da plataforma Moodle de apoio à aprendizagem sobre sono e seus transtornos para médicos residentes em neurologia. Além disso, o projeto foi desenhado para demonstrar a eficácia de um curso on-line como uma ferramenta educacional nesses médicos. Os objetivos específicos incluem: investigar se o Instituto de Neurologia-UFRJ possa manter uma aprendizagem de qualidade, através do desenvolvimento, entrega e manutenção de uma aprendizagem baseada na Internet; explorar estratégias pedagógicas inovadoras para distribuir informação científica e técnica para residentes de neurologia. Foi baseado em uma revisão realizada utilizando uma metodologia qualitativa e análise de fontes primárias e secundárias. Alguns funcionários da universidade informalmente forneceram informações para a construção do curso. Discussões informais com técnico de ambiente virtual de aprendizagem (AVA) – plataforma Moodle, proveu subsídios para o planejamento da montagem do curso on line. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - ENSINO À DISTÂNCIA 11 CAPÍTULO II - AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM 17 CAPÍTULO III - PLATAFORMA MOODLE: UM ESTUDO DE CASO 24 CONCLUSÃO 30 BIBLIOGRAFIA 31 8 INTRODUÇÃO Há carência de educação à distância (EaD) complementar ao ensino presencial no curso de graduação ou pós-graduação em medicina no Brasil, assim como o ensino sobre sono e seus transtornos. Essa é uma lacuna que pode ser atenuada se houver a proposta de estratégias de ensino associadas às convencionais em curriculum de modalidade presencial já congestionado. Educadores em escolas médicas em todo o mundo estão atualmente experimentando formas inovadoras de utilizar a aprendizagem baseada na web para complementar o ensino e processo de aprendizagem existente. Quais seriam as alternativas oferecidas pela EaD para o aprendizado na pósgraduação em medicina? A EaD foi adotada baseada na sugestão de que ela possa promover uma abordagem ativa e importante para aprender com bons resultados dos alunos. Além disso, acredita-se que o uso da plataforma Moodle pode distribuir de forma eficaz os materiais de aula através do meio on-line. O uso de multimídia e tecnologias de Internet, e-learning , pode melhorar a qualidade das atividades de aprendizagem, facilitando o acesso a recursos e serviços, bem como o intercâmbio e a colaboração remota. Essas ferramentas oferecem aos alunos controle sobre tempo, conteúdo, sequência, ritmo de aprendizagem, permitindo-lhes adaptar as suas experiências para atender seus objetivos pessoais de aprendizagem (RUIZ et al., 2006). Há dois modos de aprendizagem eletrônica comuns: EaD e computador. A EaD instrução assistida por utiliza as tecnologias da informação para fornecer instruções para os alunos que estão em locais remotos de um site central. A instrução assistida por computador (também chamada de aprendizado baseada em computador e treinamento baseado em computador) usa computadores para auxiliar na entrega de pacotes multimídia autônomos de aprendizagem e de ensino (RUIZ et al., 2006). Menciona-se que a Internet é usada para a educação de adultos na maioria dos domínios profissionais, mas na educação médica continuada é menos desenvolvida. As vantagens são observadas tanto para os professores quanto para os alunos e o e-learning parece ser pelo menos tão eficaz como a instrução tradicional. No entanto, os alunos não vêem 9 o e-learning como a substituição de treinamento orientado por instrutor tradicional, mas como um complemento a ele, que faz parte de uma estratégia semipresencial - blended-learning (RUIZ et al., 2006). Além disso, Fordis et al. (2005) consideram que a educação médica continuada baseada na Internet pode produzir mudanças no comportamento objetivamente medidos, bem como ganhos em conhecimento sustentado ao longo de 12 semanas, como estudado, que são comparáveis ou superiores aos realizados a partir de atividades eficazes ao vivo. Participantes da educação médica continuada on-line muitas vezes completam a atividade de aprendizagem ao longo de várias sessões, em contraste com um único workshop interativo, ao vivo. Repetidas visitas ao site podem fornecer reforço adicional de aprendizagem. O desempenho pode ser também incrementado, pois os participantes da educação médica continuada on-line são capazes de se mover no site e estruturar sua própria aprendizagem. Lakhan et al. (2013) relatam que estudantes e médicos residentes de hoje são alvos móveis, com multitarefa, trabalhando em várias posições, e, muitas vezes servindo a populações que estão longe de seu instrutor e instituição de ensino. Da mesma forma, na prática, os médicos modernos são muitas vezes chamados para trabalhar em locais distantes, sem apoio acadêmico adequado. Assim, as tecnologias de colaboração modernas podem ser usadas para fornecer apoio diagnóstico e social, ajudando residentes de neurologia para ser mais bem sucedidos em sua aprendizagem e prática profissional. Mais provavelmente, a maneira mais eficaz de usar a tecnologia moderna será em conjunto com métodos de aprendizagem tradicionais à beira do leito, de acordo com Lakhan et al. (2013). A importância da EaD também é ressaltada na criação da Secretaria de EaD – SEED do Ministério da Educação, estabelecida oficialmente via Decreto nº 1.917, de 27 de maio de 1996. Assim, a SEED atua como um agente de inovação de métodos didático-pedagógicos por incentivo ao uso de tecnologias de informação e comunicação e de EaD. Este presente trabalho teve como objetivo geral investigar, analisar e apontar características relevantes de uma ferramenta de EAD, distribuída livremente na internet, no que se refere à utilização e alinhamento com as recomendações da SEED como ambiente virtual de ensino e aprendizado com qualidade em vários aspectos (MEC, 2007). 10 Foi também objetivo deste trabalho conhecer a importância da plataforma Moodle para o sucesso do ensino sobre sono e seus transtornos: • Reconhecer como são realizados os processos de implantação da plataforma Moodle; • Discriminar os principais componentes da Plataforma Moodle; • Analisar um modelo de aprendizagem para apresentação do material de ensino; • Estudar um ensino cooperativo. Este trabalho está dividido em três capítulos, além da introdução e conclusão. A introdução levanta a questão do e-learning , seus diferentes aspectos e sua importância na medicina. O primeiro capítulo aborda o EaD, no mundo e no Brasil. O segundo capítulo faz considerações sobre o ambiente virtual de aprendizagem e o último constrói um estudo de caso sobre o uso de uma ferramenta de EaD, Moodle, explorando as suas capacidades. A conclusão se apoia na investigação e análise realizadas, bem como nas limitações e dificuldades encontradas para sua realização, além das propostas para futuros estudos. 11 CAPÍTULO I ENSINO À DISTÂNCIA Um problema principal deste capítulo diz respeito à definição da tecnologia de aprendizagem que é transcrita de formas diversas e intercambiavelmente: ambientes de EaD, e-learning e ensino on-line. Um outro problema diz respeito às características do ambiente de aprendizagem, o que será visto nas próximas seções, mas já é dado um breve histórico da EaD. A EaD tem uma história que se estende por pelo menos dois séculos, desde a correspondência básica por meio do serviço postal até a grande variedade de ferramentas disponíveis através da internet (MOORE et al., 2011). A forma mais moderna, aprendizagem on-line, ocorreu a partir dos anos 1980. O desenho de diferentes tipos de ambientes de aprendizagem pode depender do objetivo de aprendizagem, público-alvo, o acesso (físico, virtual e / ou ambos), e do tipo de conteúdo. É importante saber como o ambiente de aprendizagem é utilizado, as influências das ferramentas e técnicas nos resultados de aprendizagem e como a tecnologia evolui. Existe um problema de termos usados, como já mencionado. O e-learning é também chamado de aprendizagem baseada na web, aprendizagem on-line, aprendizagem distribuída, instrução assistida por computador, ou aprendizagem baseada na Internet (RUIZ et al., 2006). Como os computadores tornaram-se envolvidos na oferta de educação, materiais didáticos, uma proposta de definição identificou a entrega de utilizando mídia impressa e eletrônica. A entrega de instrução inclui um instrutor que estava fisicamente localizado em um lugar diferente do aluno, bem como, possivelmente, fornecendo a instrução em forma assíncrona. A definição também afirmou que a EaD utiliza mídias emergentes e experiências associadas para proporcionar oportunidades de aprendizagem. Em relação às diferentes expectativas e percepções sobre os rótulos dos ambientes de aprendizagem (ensino à distância, e-learning e ensino on-line), de acordo com Moore et al. (2011), muitos autores acreditam que haja relação entre eles, mas parecem inseguros em suas próprias narrativas descritivas (MOORE et al. 2011). Em seguida, o termo evoluiu para descrever outras formas de aprendizagem, por exemplo, aprendizagem on- 12 line, e-learning, mediada por tecnologia, colaborativa on-line, virtual, baseada na web, etc. Assim, as semelhanças encontradas em todas as definições é que alguma forma de instrução ocorre entre duas partes (um aluno e um instrutor), é realizada em diferentes épocas e / ou locais, e usa diferentes formas de materiais instrucionais. Tavangarian et al. (2004), apud Moore et al. (2011), incluíram o modelo teórico construtivista como parte da definição deste ensino, afirmando que o e-learning não é apenas processual, mas, também, mostra alguns transformação da experiência de um indivíduo para o conhecimento do indivíduo através do processo de construção do conhecimento. Como afirmado por Moore et al. (2011), é óbvio que há alguma incerteza quanto ao que exatamente são as características do termo, mas o que está claro é que todas as formas de e-learning, aplicativos, programas, objetos, sites, etc, sejam eles podem, eventualmente, proporcionar uma oportunidade de aprendizagem para os indivíduos. Aprendizagem on-line é descrita pela maioria dos autores como o acesso a experiências de aprendizagem através do uso de alguma tecnologia. Muitos autores acreditam que haja uma relação entre EaD e aprendizagem on-line, mas parecem inseguros em suas próprias descrições. Outra característica do núcleo de ambientes de aprendizagem é a metodologia de projeto. Cursos, programas e objetos de aprendizagem estão disponíveis no Ambiente de Aprendizagem on-line, pode ser individualizado, auto-dirigido ou guiado pelo instrutor. A forma mais comum de desenho do curso à distância em ambientes tradicionais de ensino, como as universidades, é ministrado por instrutor que orienta os alunos através do conteúdo de instrução exigido. Neste tipo de ambiente de aprendizagem, o professor controla o sequenciamento de instrução e ritmo, e todos os alunos participam das mesmas atividades de aprendizagem em horários especificados (MOORE et al., 2011). Nos primórdios da EaD, as primeiras iniciativas ocorreram por meio de cursos por correspondência, e, após, com apoio do rádio e televisão. O incremento desta modalidade de ensino nos anos de 1990 foi também facilitado pela disseminação das tecnologias de informação e de comunicação. Assim, começaram a surgir programas oficiais e formais de EaD. No Brasil, os primeiros programas formais foram devotados à Formação Continuada de Professores da Rede Pública, e às iniciativas de oferta de cursos de Lato 13 Sensu, cursos de extensão e cursos livres (MUGNOL, 2009). No início, houve a preocupação constante com o acesso à educação dos excluídos da educação escolar presencial, mas posteriormente com abrangência maior. Houve também a necessidade do desenvolvimento de um sistema normativo para a EaD, e o Ministério da Educação vem publicando uma série de portarias normativas que estão servindo de fonte legal para demarcar os espaços, as formas de atuação das instituições e as características dos cursos (MEC, 2007). Deu-se início assim a uma era de amplos debates sobre esta modalidade, apesar de rejeição de uma parte significativa da comunidade educacional (MUGNOL, 2009). Em associação a esta legislação, aprofunda-se o desenvolvimento e a utilização das tecnologias de comunicação e informação, inclusive com o desenvolvimento de equipamentos tecnológicos e softwares especialmente voltados para a EaD, com atenção às especificações locais da América latina, sobretudo do Brasil, no que se refere à igualdade de acesso a informação e diferenças regionais (MUGNOL, 2009). No Brasil, como em outros países da América Latina, o ensino por correspondência foi acompanhado e em muitos casos superado por metodologias que utilizavam a radio-difusão ou tele-difusão, pois o governo brasileiro iniciou certa tradição ao utilizar a rede de emissoras de rádio para a distribuição de programas educativos e culturais (MUGNOL, 2009). A partir da década de 1970, o governo brasileiro criou uma série de programas cujo objetivo era fomentar as iniciativas de EaD, como o Programa Nacional de Tecnologias Educacionais, o Projeto Minerva, a TV escola de São Luís do Maranhão, a TV Universitária de Recife, a TVE do Rio de Janeiro, a TV Cultura em São Paulo, o projeto FEPLAN no Rio Grande do Sul, o IRDEB na Bahia e o Projeto SACI no Rio Grande do Norte, como mencionado por Mugnol, 2009. Ao mesmo tempo, foi incentivada a modalidade de EaD que, a partir de então, passou a ser desenvolvida principalmente pela iniciativa privada. No Brasil, a EaD vem tendo grande incremento após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. A EaD, conforme dispõe o parágrafo 4º, do inciso IV, do artigo 32, passou a ser definida como uma modalidade utilizada para “complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais”; e segundo o inciso 2, do artigo 87, cada município deve ser responsável por “prover cursos presenciais 14 ou à distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados” como referido por Mugnol, 2009. O Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, estabeleceu o reconhecimento no sistema oficial de ensino dos cursos ofertados na modalidade por Instituições credenciadas pelo MEC (MUGNOL, 2009). Conforme os Referenciais de Qualidade para a EaD no Brasil (2007), a modalidade de EaD obteve respaldo legal em todos os níveis e modalidades de ensino com a LDB-1996 que estabelece, em seu artigo 80, a possibilidade de uso orgânico da modalidade de EaD. Esse artigo foi regulamentado posteriormente pelos Decretos 2.494 e 2.561, de 1998, que foram revogados pelo Decreto 5.622, em vigência desde sua publicação em 20 de dezembro de 2005 (MUGNOL, 2009). Desde então, temos observado o surgimento crescente de cursos de graduação à distância no Brasil, principalmente na área de formação de professores. Em 2007, o MEC publicou uma série de referenciais de qualidade para regular o setor (MEC, 2007). Hoje, segundo o MEC, a expansão do sistema está acelerada e grande parte dos cursos está qualificada. Conforme os Referenciais de Qualidade para a Educação Superior à distância no Brasil (MEC, 2007), os cursos superiores à distância devem prever momentos de encontros presenciais, e a instituição deverá em seu projeto de curso: • descrever como se dará a interação entre estudantes, tutores e professores ao longo do curso, em especial, o modelo de tutoria; • quantificar o número de professores/hora disponíveis para os atendimentos requeridos pelos estudantes e quantificar a relação tutor/estudantes; • informar a previsão dos momentos presenciais, em particular os horários de tutoria presencial e de tutoria a distância, planejados para o curso e qual a estratégia a ser usada; • informar aos estudantes, desde o início do curso, nomes, horários, formas e números para contato com professores, tutores e pessoal de apoio; • informar locais e datas de provas e datas limite para as diferentes atividades (matrícula, recuperação e outras); 15 • descrever o sistema de orientação e acompanhamento do estudante, garantindo que os estudantes tenham sua evolução e dificuldades regularmente monitoradas, que recebam respostas rápidas a suas dúvidas, e incentivos e orientação quanto ao progresso nos estudos; • assegurar flexibilidade no atendimento ao estudante, oferecendo horários ampliados para o atendimento tutorial; · dispor de pólos de apoio descentralizados de atendimento ao estudante, com infra-estrutura • valer-se de compatível, para modalidades as atividades comunicacionais presenciais; síncronas e assíncronas como videoconferências, chats na Internet, fax, telefones, rádio para promover a interação em tempo real entre docentes, tutores e estudantes; • facilitar a interação entre estudantes, por meio de atividades coletivas, presenciais ou via ambientes de aprendizagem adequadamente desenhados e implementados para o curso, que incentivem a comunicação entre colegas; • planejar a formação, a supervisão e a avaliação dos tutores e outros profissionais que atuam nos pólos de apoio descentralizados, de modo a assegurar padrão de qualidade no atendimento aos estudantes; • abrir espaço para uma representação de estudantes, em órgãos colegiados de decisão, de modo a receber feedback e aperfeiçoar os processos. Ainda conforme os mencionados Referenciais (MEC, 2007), é importante que a proposta de material didático para cursos superiores à distância inclua um Guia Geral do Curso, impresso e/ou em formato digital, que: • Oriente o estudante quanto às características da EaD e quanto aos direitos, deveres e normas de estudo a serem adotadas, durante o curso; • Contenha informações gerais sobre o curso (grade curricular, ementas, etc.); 16 • Informe, de maneira clara e precisa, que materiais serão colocados à disposição do estudante (livros-texto, cadernos de atividades, leituras complementares, roteiros, obras de referência, CD Rom, web-sites, vídeos, ou seja, um conjunto - impresso e/ou disponível na rede - que se articula com outras tecnologias de comunicação e informação para garantir flexibilidade e diversidade); • Defina as formas de interação com professores, professores e colegas; • Apresente o sistema de acompanhamento, avaliação e todas as demais orientações que darão segurança durante o processo educacional. Em relação ao conteúdo de cada material educacional é recomendado pela SEED (MEC, 2007) que também seja disponibilizado um outro Guia que: • oriente o estudante quanto às características do processo de ensino e aprendizagem particulares de cada conteúdo; • informe ao estudante a equipe de docentes responsável pela gestão do processo de ensino; • informe ao estudante a equipe de tutores e os horários de atendimento; • apresente cronograma (data, horário, local - quando for o caso) para o sistema de acompanhamento e avaliação. 17 CAPÍTULO II AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM Com o advento de uma nova era em tecnologia da informação, a aprendizagem baseada na web está se tornando um componente importante do processo do ensino e aprendizagem em instituições de ensino superior. O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é o “local virtual” onde, em geral, os cursos na modalidade à distância ou semipresencial acontecem e existem recursos que permitem a interação dos alunos entre si e com a equipe de professores e educadores. No entanto, a terminologia de AVA não é uniformemente aplicada. O AVA é por vezes também chamado de Virtual learning environment (VLE) – Entorno Virtual de Aprendizagem; Learning Management System (LMS) – Sistemas de Gestão de Aprendizagem; Course Management System (CMS) – Sistema de Gestão de Cursos; Managed Learning Environment (MLE) – Ambiente Controlado de Aprendizagem; Integrated learning system(ILS) – Sistema Integrado de Aprendizagem; Learning Support System (LSS) – Sistema Suporte de Aprendizagem; Learning Platform (LP) - Plataforma de Aprendizagem, etc (RODRIGUEZ, 2009). Por mais que os termos sejam usados como sinônimos, alguns autores vêem cada um de forma diferente (MOORE et al., 2011). Rodriguez (2009) resume-os como “contentores de cursos” que também inserem ferramentas de comunicação e acompanhamento dos alunos. Os AVA podem ser vistos como ferramentas ou plataformas construídas com diferentes tipos de aplicações com uma divisão "tradicional" em ferramentas de desenvolvimento de autoria / conteúdo de conteúdo de software e sistemas de gestão de cursos / aprendizagem. Os sistemas podem integrar as duas funções. São ambientes que utilizam plataformas especialmente planejadas para abrigar cursos, como a Moodle. Neste caso, existem áreas para apresentação de conteúdos em vídeo, animações, textos, atividades de verificação da aprendizagem – não avaliativas e avaliativas, assim como espaços para interação síncrona, por meio de chat, e interação assíncrona, através dos fóruns de discussão. A organização do ambiente virtual permite ao aluno um acompanhamento organizado e sistematizado daquilo que é 18 estudado a cada semana. A recuperação da informação e dos conteúdos estudados também é um dos benefícios proporcionados por cursos à distância que utilizam AVA que podem ser comerciais ou desenvolvidas pelas próprias instituições de ensino. Exemplo de AVA-LMS de código aberto é o Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) que tem sido cada vez mais utilizado em todo o mundo. Ferramentas da web 2.0 e redes sociais também passaram a ser usadas como plataformas em EaD, tais como blogs e microblogs, wikis, redes sociais e as Google Apps (ferramentas do Google). Muitas instituições de ensino superior têm adotado sistemas de gerenciamento de cursos a fim de facilitar as atividades de ensino on-line. Elas consistem em pacotes de software que permitem que os educadores construam sites de aprendizagem on-line. Isto favorece o carregamento de materiais de conteúdo, facilita a comunicação estudante-estudante/estudante-professor via fóruns de discussão, e-mail e funções de chat, cria questionários on-line e gerencia estudantes individualmente ou grupos. Esses recursos podem ajudar os educadores a organizar os seus materiais do curso, distribuir materiais de aprendizagem de forma eficiente e introduzir métodos criativos de ensino. Esses meios também podem ser usados para implementar avaliação do curso em andamento, facilitar a aprendizagem colaborativa e melhorar a aprendizagem dos alunos. Outras características da boa plataforma de aprendizagem dizem respeito a sua facilidade de usar, ser prontamente disponível, estável, flexível e capaz de se integrar com outras plataformas. Embora plataformas comerciais estejam disponíveis sob uma taxa de licenciamento, muitas instituições estão adotando aplicativos de código aberto, que carregam benefícios em termos de custo e funcionalidade. A mais amplamente usada é a Moodle que foi criado por Martin Dougiamas (Curtin University of Technology, Perth, WA, Austrália). Há uma grande comunidade de usuários do Moodle em todo o mundo, inclusive na UFRJ. Como informado no site do Google, em 15 de janeiro de 2014, existem 66148 currently sites ativos que são registrados em 233 países. No Brasil existem 4440 sites total (1362 são privados). 19 Afghanistan Albania Argentina Algeria Armenia Belgium Belize Belarus And Saba Bosnia And Herzegovina Burundi Cambodia Cuba Benin Bermuda Botswana Canada Colombia Comoros Ecuador Egypt El Salvador Estonia Polynesia Gabon Guam Guatemala Guernsey India Indonesia Jordan Guyana Ghana Gibraltar Democratic Republic Latvia Lebanon Mauritius Mauritania Montenegro Niger Guinea Paraguay Mexico Mayotte Morocco Nicaragua Mozambique Nigeria Slovakia Slovenia Sweden Thailand Uganda Myanmar Samoa Rwanda Timor-Leste Togo Uruguay Virgin Islands, British Réunion Pakistan Saint Kitts And Nevis South Africa Tokelau Tonga Senegal Spain Taiwan Puerto Rico Tajikistan Tunisia Lao People's Macedonia, The Martinique Monaco Mongolia New Zealand Panama Qatar Papua New Romania Sierra Leone Sudan Suriname Wallis And Futuna Vanuatu Saint Singapore Swaziland Tanzania, United Republic Of Turkey Turks And Caicos Islands United Kingdom United States Uzbekistan Jersey Saint Pierre And Miquelon Serbia Sri Lanka Trinidad And Tobago Macao New Caledonia Iceland Japan Marshall Islands Saint Lucia Guadeloupe Kyrgyzstan Palestine, State Of French Hungary Moldova, Republic Of Netherlands Oman Saudi Arabia Syrian Arab Republic Ukraine United Arab Emirates States Minor Outlying Islands Norway Sao Tome And Principe Solomon Islands Switzerland Nepal Namibia Costa Rica Grenada Jamaica Kuwait Malta Christmas Island French Guiana Hong Kong Luxembourg Mali Poland Portugal Philippines Russian Federation Maldives Burkina Faso Dominican Republic Greenland Italy Lithuania Liechtenstein Malaysia Bonaire, Sint Eustatius Cook Islands France Korea, Republic Of Micronesia, Federated States Of Northern Mariana Islands Peru Vincent And The Grenadines Libya Malawi Bangladesh Bulgaria Dominica Greece Ireland Israel Korea, Democratic People's Republic Of Liberia Djibouti Honduras Holy See (Vatican City State) Iraq Bahrain Chile China Finland Fiji Kenya Madagascar Denmark Faroe Islands Kazakhstan Former Yugoslav Republic Of Bahamas Congo, The Democratic Republic Of The Iran, Islamic Republic Of Antigua And Barbuda Brunei Darussalam Cayman Islands Côte D'Ivoire Ethiopia Haiti Antarctica Azerbaijan Brazil Germany Georgia Gambia Anguilla Bolivia, Plurinational State Of Bhutan Cape Verde Czech Republic Cyprus Angola Austria Bouvet Island Cameroon Cocos (Keeling) Islands Croatia Australia Aruba Barbados Andorra American Samoa United Venezuela, Bolivarian Republic Of Viet Nam Western Sahara Yemen Zambia Zimbabwe Åland Islands Existem revisões abrangentes no que diz respeito às características da platafoma Moodle e desenvolvimento de cursos on-line, além disso, muitos educadores estão atualmente experimentando formas inovadoras de usá-la, seja para ministrar cursos totalmente on-line ou complementar ao seu ensino presencial. Como já comentado, a plataforma Moodle é um software livre de licenciamento e de construção modular que facilita o desenvolvimento de funcionalidades adicionais. Quanto à sua implantação e bases técnicas, são transcritas as suas características, segundo BRADL (2005): “Moodle funciona sem modificação em Unix, Linux, Windows, Mac OS X, NetWare e qualquer outro sistema que suporte PHP 20 (linguagem de script embutida no HTML), incluindo a maioria dos provedores de hospedagem. Os dados são armazenado numa base de dados única: MySQL e PostgreSQL dão melhor suporte, mas também pode ser usado Oracle, IBM DB2, Microsoft SQL Server, Borland Interbase, Informix, Visual Foxpro, SAP DB, SQLite, Sybase, Microsoft Access, ADO, e acesso genérico ODBC de banco de dados, uma vez que utiliza ADOdb (http://www.adodb.sourceforge.net). " A plataforma Moodle é baseado em uma pedagogia socio-construtivista, com a participação de alunos e professores na experiência educacional. Em outras palavras, há a criação de oportunidades para facilitar a expressão de todos, favorecendo e construindo novas ideias. A ressaltar que os alunos aprendem melhor ao agir efetivamente, sendo o aprendizado resultado não apenas pela interação com o professor, mas também com os demais alunos e consigo mesmo (NAKAMURA, 2009). Assim, o objetivo desta plataforma é fornecer um conjunto de ferramentas que suporta uma aprendizagem on-line baseada em inquérito-descoberta, e que se propõe a criar um ambiente para a interação colaborativa autônoma entre os alunos, ou, além do ensino em sala de aula convencional (BRANDL, 2005). Cada usuário é identificado genericamente no Moodle como “participante” e pode ser classificado como Administrador (acesso total), Criador de curso (acesso total e pode ser um dos professores), Professor (compete ministrar o curso), Tutor (não pode alterar atividades), Aluno ou Usuário e Convidado (menor privilégio) (NAKAMURA, 2009). As características da plataforma Moodle são apresentadas a seguir: Administração (do site, dos usuários, de curso) e módulos (Tarefa, Chat, Pesquisa de Opinião, Fórum, Questionário, Recursos, Pesquisa de Avaliação, Laboratório de avaliação). Vide também quadros nas páginas seguintes. 21 22 Como mencionado por Seluakumaran et al. (2011), em termos de educação médica de graduação, vários estudos têm relatado o uso da plataforma Moodle no ensino de farmacologia, cirurgia, radiologia, dermatologia, medicina de emergência e disciplinas eletivas. Isto sugere que a implementação do Moodle foi geralmente bem aceita pelos alunos como um complemento aos métodos tradicionais de ensino e fez uma contribuição efetiva para o processo de ensino e aprendizagem. 23 Um exemplo de aplicação de sucesso do Moodle foi o de reforço ao ensino presencial de parasitologia e micologia na graduação de medicina no Brasil, como referido por Mezzari et al. (2012). Isto é o que se chama ensino semipresencial, em inglês, blended learning, onde a maior parte dos conteúdos é transmitido em EaD, em associação a situações de aprendizagem presenciais. Outra plataforma similar a Moodle, é a Constructore que é uma ferramenta de autoria de cursos/AVA do Laboratório de tecnologias Cognitivas do NUTES/UFRJ para facilitar a construção de atividades educativas enriquecidas pelos recursos da Internet por docentes universitários, sem que precisem ter o domínio da programação computacional ou recorrer ao auxílio de outros profissionais (ESPÍNDOLA et al.). A Constructore possui três ambientes principais (do professor, de criação do curso, do curso) e dispõe de: Página inicial (página com apresentação do curso); Módulos (onde os objetos de aprendizagem, atividades e formulários são inseridos e organizados; na página inicial de cada módulo pode ser inserida uma apresentação de seus objetivos, atividades, etc); Comunicação (avisos, fórum, e-mail e perguntas freqüentes); Consulta (glossário, links e bibliografia); Participantes (lista de todos os participantes, com acesso às suas páginas pessoais); Página pessoal (página do usuário); e Gerência (recursos para acompanhamento do curso, tais como administração de usuários, boletim, histórico de navegação e estatísticas de uso). Em relação aos cursos on line sobre sono para profissionais da área da saúde, eles são disponíveis na América do Norte e na Europa, mas não no Brasil. A apresentação da EaD sobre sono fornecida a psicólogos segundo PEACHEY e ZELMAN (2012) dão a dimensão da viabilidade da proposta a ser feita no próximo capítulo. 24 CAPÍTULO III PLATAFORMA MOODLE: UM ESTUDO DE CASO Atualmente, a plataforma de e-learning Moodle já é utilizada na UFRJ em algumas iniciativas isoladas. Foi proposta o uso desta plataforma no curso Fundamentos sobre Transtornos do Sono, abreviadamente denominado Neurologia-Sono, no curso de residência de neurologia do Instituto de Neurologia-UFRJ. A plataforma Moodle inclui recursos que promovem a aprendizagem ativa e permite o carregamento de informações do curso e de materiais relevantes das aulas. O Curso Online, Neurologia-Sono O sono é um dos processos mais importantes da vida e serve para várias funções, incluindo a preservação, restauração e processamento da memória. A interrupção repetida do ciclo natural do sono ou a falta de iniciar o sono (ou seja, transtorno do sono) pode levar a um déficit de sono, o que por sua vez provoca fadiga física, mental e emocional. Isso é evidenciado pelo fato de que muitos indivíduos com um transtorno do sono pode ter diminuição da qualidade de vida. Este curso irá fornecer informações sobre a fisiologia do sono, as causas, fatores de risco, epidemiologia e fisiologia de uma variedade de transtornos do sono; diagnóstico, incluindo o histórico do paciente, avaliação de hábitos de sono, exame físico, exames laboratoriais e estudos do sono, e tratamentos para melhorar os padrões de sono, incluindo estilo de vida / mudança de comportamento (i.e., "higiene do sono"), farmacoterapia e outras opções de tratamento para os pacientes. É reservado espaço para conhecer os fundamentos do estagiamento do sono na polissonografia. Público Este curso introdutório é projetado para os residentes médicos do Instituto de Neurologia-UFRJ. 25 Objetivo Geral Fornecer aos neurologistas informações necessárias para identificar e tratar eficazmente os pacientes com transtornos do sono, melhorando assim a sua qualidade de vida. Objetivos específicos 1. Discutir a fisiologia do sono normal. 2. Descrever a classificação dos transtornos do sono. 3. Comparar e contrastar os tipos de insônias e seu diagnóstico e tratamento associado. 4. Avaliar os principais tipos de transtornos respiratórios relacionados com o sono, a apnéia obstrutiva do sono em particular. 5. Identificar os sinais e sintomas da narcolepsia. 6. Descrever as características de hipersonia não narcoléptica. 7. Analisar as complicações e os sintomas de transtornos do sono do ritmo circadiano. 8. Descrever as características, diagnóstico e tratamento de parassonias. 9. Avaliar a apresentação e tratamento dos transtornos do movimento relacionados com o sono. 10. Analisar os diferentes estágios de sono, transtornos respiratórios, movimentos anormais de um ponto de vista prático, com base em registros de polissonografia. Pressupostos - No processo de desenho do curso, uma das preocupações fundamentais é a pedagogia e a definição de qual o modelo de formação considerado útil e motivador, não só para os formandos, mas também para os professores. Os pressupostos que surgiram dessa reflexão, bem como da experiência na utilização da plataforma Moodle em sistema de EaD, são a base deste curso. Contextualização da unidade curricular - O sono e seus transtornos ainda não constituem uma das disciplinas obrigatórias oferecidas no curso de residência neurológica, apesar de sua importância. A residência é 26 tradicionalmente ensinada através de palestras professorais e sessões práticas, que envolvem interações face-a-face com os alunos. Plano de estudos - Esta unidade decorrerá no período aproximado de 11 semanas, a primeira de apresentação da plataforma, e as demais de uma semana para cada módulo. O plano de estudos está abaixo. Conteúdo 1. Neurobiologia do sono; 2. Classificação dos transtornos do sono; 3. Abordagens diagnósticas; 4. Abordagens terapêuticas; 5. Insônia; 6. Sonolência excessiva diurna; 7. Movimentos ou comportamentos anormais durante o sono; 8. Incapacidade de dormir na hora desejada; 9. Polissonografia: aspectos gerais; 10. Polissonografia: introdução ao estagiamento. Desenvolvimento e metodologia - No ano letivo de 2013 a residência de Neurologia contou com nove residentes de neurologia. O curso de residência tem um componente teórico e um prático. Com a utilização de um modelo on line, sobre transtonos do sono, juntou-se a estes dois componentes um terceiro, o e-learning . A plataforma potencialmente possibilitará um importante veículo de sustentação e complementaridade da comunicação entre os participantes, bem como um potencial instrumento de trabalho de grupo. Todas as mensagens colocadas nos fóruns serão automaticamente redireccionadas para o e-mail institucional de todos os participantes. É ainda fornecido aos residentes uma orientação geral sobre o curso. Aparentemente, este deverá ser o primeiro curso na plataforma Moodle para este grupo de alunos de pós-graduação. Os residentes serão convidados ao auto-registro no site da Neurologia-Sono usando nomes de usuários individuais e endereços de e-mail. Eles receberão uma breve explicação sobre Neurologia -Sono durante a semana introdutória. Junto com um conjunto de 27 instruções sobre o registro, os alunos também registrarão sua senha de acesso ao site e serão automaticamente alocados em dois grupos de até cinco alunos. As inscrições para Neurologia-Sono serão eletivas. O conteúdo do curso em Moodle será organizado em tópicos sob a forma de leitura e exercícios semanais. Para cada tópico do programa será realizado um trabalho em grupo. Cada grupo terá acesso ao enunciado do trabalho através da página on-line da unidade e, posteriormente, também o submeterá, dentro do prazo estabelecido para entrega, por esta via. Os trabalhos serão distribuídos ao longo das semanas do curso e servirão para aplicação e consolidação dos conhecimentos adquiridos. O conteúdo Neurologia - sono será projetado usando os temas já apresentados. A seção de comunicação entre alunosalunos e alunos-professores será feita através de um fórum de discussão online (Neurologia-sono também permitirá aos alunos enviar mensagens pessoais entre eles e os professores para discussão privada). O fórum também permite aos tutores a postagem de anúncios para um grupo ou todos alunos. Os diapositivos utilizados em um workshop sob a coordenação da autora serão adaptados e disponibilizados para carregamento, logo antes do início de cada módulo-tópico (dez arquivos em pdf), além de um texto panorâmico em pdf sobre transtornos do sono (NEVES et al., 2013) e outro também em pdf sobre estagiamento da polissonografia (RODRIGUES et al., 2012). Perguntas serão enviadas antes das sessões programadas com a recomendação de preparar as respostas no final de cada sessão para envio na seção de tarefas (vide métodos de avaliação). Os comentários sobre esses exercícios serão diponibilizados após o encerramento das atividades de cada módulo. Um total de três recursos audiovisuais na forma de vídeos serão também disponibilizados. Para os materiais obtidos a partir da internet, as fontes relevantes da web serão reconhecidas. 28 Figuras. Plataforma de aprendizagem do curso Neurologia-Sono, acesso (acima), apresentação geral de seus módulos básicos e os de domínio do administrador do curso (no meio), além dos recursos e atividades (abaixo). 29 Métodos de avaliação - A avaliação da unidade curricular terá três componentes: os trabalhos semanais (40%), para os quais a plataforma Moodle funcionará como um instrumento de trabalho, a arguição durante a leitura de registros de polissonografia (20%) e o exame final presencial (40%). Os trabalhos semanais consistirão na resolução, em grupo (ou individualmente), de um conjunto de problemas que serão propostos ao longo do período do curso on-line, através da página da unidade curricular na plataforma Moodle. O exame final seguirá uma estrutura semelhante aos trabalhos semanais. Hospedagem e suporte tecnológico - A parte de hardware/software ficará hospedada no Núcleo de Computação Eletrônica - UFRJ. Todo o suporte, bem como as rotinas de atualizações, anti-vírus e demais questões de segurança do site, serão de responsabilidade do Núcleo de Computação Eletrônica – UFRJ. Administração - Os alunos serão cadastrados a partir do envio de uma planilha eletrônica, onde devem ser preenchidos alguns campos previamente acertados com o professor coordenador da disciplina. A administração do site ficará a cargo do Núcleo de Computação Eletrônica-UFRJ, sendo dos professores a tarefa de administrar os seus respectivos cursos, abastecendoos com as atividades que julgarem pertinentes no processo de aprendizagem, permitindo assim, que a parte administrativa do site fique efetivamente desvinculada da parte pedagógica. Na administração do curso, o professorcriador de curso ficará responsável por todas as configurações, podendo, por exemplo, organizar o conteúdo do curso por semana, ou por tópicos – opção feita neste curso. Tais opções estarão disponíveis no momento da criação da nova disciplina, podendo sofrer alterações a critério do professor-criador de curso. É também de responsabilidade do professor- criador de curso o backup de seu curso, como forma de se resguardar de possíveis contratempos, podendo, ainda, aproveitar dados e atividades de um curso na elaboração de outros a posteriori. 30 CONCLUSÃO A integração da Plataforma Moodle no ensino de médicos residentes pode proporcionar várias vantagens. Esta plataforma é amigável, tem muitos recursos interativos que podem melhorar a experiência de aprendizagem dos alunos, e permitem uma maior flexibilidade no ensino. A introdução desta plataforma também pode melhorar o desempenho dos alunos em seus exames finais, o que sugere impacto positivo na aprendizagem do aluno. Recomendamos a Plataforma Moodle, disponível gratuitamente, como uma opção para os educadores de neurologia que estão interessados em incorporar educação médica continuada com AVA em seu domínio de ensino. A proposta deste curso é um modelo para os futuros cursos e para mais investigações. Recomenda-se que programas de graduação e pós-graduação, além de estágios, devam melhorar a formação na abordagem educacional sobre sono o que pode ser feito por meio de EaD ou ensino semipresencial (blended learning). Assim, a utilização desse complemento no ensino dos cursos médicos pode aumentar a efetividade da formação profissional. O emprego dessas ferramentas pode também detectar um aumento significativo das notas dos alunos que participaram plenamente das atividades oferecidas. Esses dados apontam para possível avaliação positiva da aprendizagem dos residentes de neurologia com o uso desse recurso. Este estudo finaliza com o alerta aos docentes sobre as muitas opções disponíveis para qualificar o ensino presencial, a partir da busca permanentemente de estratégias significativas e interacionistas nas atividades docentes. 31 BIBLIOGRAFIA BRANDL, K. Are you ready to "MOODLE"? Language Learning & Technology, v. 9, n. 2, p. 16-23, 2005. ESPÍNDOLA, Marina Bazzo de; GIANNELLA,Taís Rabetti; STRUCHINER, Miriam. Inovações no ensino superior: análise das percepções de professores que integraram ambientes virtuais de aprendizagem em suas práticas. < Obtido http://www.abed.org.br/congresso2008/tc/511200890159PM.pdf.> em 10.12.2013. FORDIS, M; KING, JE; BALLANTYNE, CM; JONES, PH; SCHNEIDER, KH; Spann, SJ; GREENBERG, SB; GREISINGER, AJ. Comparison of the instructional efficacy of Internet -based CME with live interactive CME workshop s: a randomized controlled trial. JAMA;294(9):1043-51, 2005. LAKHAN, SE; TEPPER, D; SNARSKI R, D; MAYS, M. 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