Engenhos e Maracatus: o desenvolvimento de rota turística em
Pernambuco
Tamisa Ramos Vicente – Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de
1
Olinda
Resumo:
Este presente artigo tem como finalidade pontuar sobre o processo de
planejamento turístico da região da Zona da Mata norte do estado pernambucano.
A inauguração do Engenho Santa fé em 1997, transformado-se em um local de
lazer turístico, chama atenção dos órgãos governamentais para o potencial
turístico da região. Foram desenvolvidos ao longo dos anos dois projetos
estruturadores intitulados Engenhos do Norte e Engenhos e Maracatus. Com 13
anos de trabalhos desenvolvidos em prol do turismo, com momentos de boa
atração de visitantes, entretanto não se consolidou demanda turística para região.
Para realização dessa pesquisa reconstruímos esses anos de atuação através de
entrevistas com alguns atores do processo e artigos de jornais.
Palavras-chave: Engenhos e Maracatus; Turismo Cultural; Rotas turísticas.
Introdução:
O plano Nacional de Turismo 2007/2010 apresenta à sociedade em junho de
2007, busca entre outras ações norteadoras a Regionalização do Turismo através da
estruturação dos segmentos turísticos:
“com base para a construção de roteiros turísticos[...] para promover a ampliação e a
diversificação do consumo do produto turístico brasileiro, incentivando o aumento da
taxa de permanência e do gasto médio do turista nacional e internacional ”(Brasil, 2009,
p. 37)
1Bacharel em Turismo , Especialista MBA em Planejamento, Gestão e Marketing do Turismo, Mestre em Turismo.
Docente da Faculdade de Comunicação Tecnologia e Turismo de Olinda, Diretora e coordenadora de projetos da
Associação Reviva. E-mail:[email protected].
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Com este direcionamento em 2009 a Secretaria de Turismo de Pernambuco
juntamente com a Empetur lançou o projeto Pernambuco conhece Pernambuco,
caracterizado com uma série de Rotas Turísticas, com a função de divulgar e estruturar
os mais diversos atrativos turísticos do estado. Com o intuito de incentivar os
pernambucanos a conhecer os atrativos turísticos do Estado, o projeto engloba dez rotas,
sendo elas: Rota Luiz Gonzaga; Rota do Cangaço e do Lampião; Rota da Crença e da
Arte; Rota Náutica da Coroa do Avião; Rota da Moda e da Confecção; Rota dos
Engenhos e dos Maracatus; Rota do Vinho e de São Francisco; Rota Costas dos
Arrecifes; Rota da História e do Mar e Rotas Águas da Mata Sul.
Entre as Rotas lançadas, a Rota Engenhos e Maracatus, têm incluído no seu
roteiro algumas cidades da Zona da Mata Norte Pernambucana, são elas: Paudalho,
Carpina, Tracunhaém, Nazaré da Mata, Vicência, Lagoa do Carro e Itambé.
Esta Rota particularmente foi lançada oficialmente no ano de 2007, em
parceria da secretaria de Turismo e uma instituição chamada Programa de Apoio ao
desenvolvimento sustentável da Zona da Mata - PROMATA, que entre as suas funções
está a diversificação econômica da região da zona da mata do estado. Percebe-se dessa
forma que as políticas de turismo de Estado estão em consonância as políticas federais
de desenvolvimento do Turismo.
O objetivo da presente pesquisa é reconstruir os processos de desenvolvimento
do turismo na região, iniciado em 1997, passando pelo projeto Engenhos do Norte, a
entrada no Promata no processo e a criação da rota Engenhos e Maracatus, lançamento
oficial em 2007 e o relançamento em 2009 pela Secretaria de turismo e a Empetur. Com
a finalidade de perceber os problemas enfrentados na construção da Rota Engenhos e
Maracatus e a dificuldade em consolidá-la.
Como método de pesquisa, realizamos pesquisa documental nos dois maiores
jornais do Estado, Jornal do Commércio e Folha de Pernambuco, entrevistas com
Erivaldo Azevedo, dono do Engenho Santa Fé, empresário da ação desde o inicio, uma
funcionária do Promata, Lucia Barbosa que trabalhou durante o processo de
desenvolvimento do turismo na região, coordenado pelo órgão.
Zona da Mata Norte de Pernambuco
Composta por dezessete municípios, foi uma das primeiras áreas a ser
explorada economicamente na primeira metade do século XV, primeiro com a extração
do Pau Brasil e depois pelo cultivo de cana de açúcar e a implantação dos engenhos para
o fabrico do açúcar. Desde então, a região caracteriza-se economicamente pela
monocultura da cana e de seus derivados. “eram terras que foram utilizadas
principalmente pelo cultivo da cana-de-açúcar, e esse cultivo fez surgir engenhos, casas
grandes, senzalas” (SILVA, 2008, p.24).
A região da zona da mata norte também é rica na construção e na perpertuação
das manifestações culturais de Pernambuco , o Maracatu Rural que tornou-se símbolo
do turismo do Estado é um exemplo, existe também outras danças fascinantes como o
Cavalo Marinho e a Ciranda. Dessa forma além do patrimônio material com os
engenhos, o patrimônio imaterial com as danças e músicas da região são um traço
marcante da Zona da Mata Norte, a criação cultural do seu povo.
Com a decadência econômica da região através das décadas, devido a uma
série de acontecimentos desde a produção do açúcar de beterraba e aos processos de
abolição da escravatura, à revolução das máquinas, secas e etc. Transformando muitos
engenhos em apenas plantadores de cana e não mais produtores de açúcar. Esses
acontecimentos transformaram a região da mata Norte, hoje caracterizada como:
Possui um quadro sócio-ambiental que evidencia a pobreza e a falta de oportunidades
que comprometem a vida das pessoas, ampliado pelo uso predatório dos recursos
naturais, um crescimento urbano desordenado e o pouco investimento em políticas
públicas com a finalidade de promover o desenvolvimento humano (Promata,
www.promata.pe.gov.br)
Entretanto, a pesar da pobreza da maioria de sua população a região, possui
uma grande influência na história e na cultura do Estado, ainda com construções que
remontam o período do auge do açúcar; com casas grandes, engenhos e senzalas em
razoável estado de conservação. Com essas peculiaridades que o primeiro
empreendimento com objetivos para o lazer turístico foi organizado na região. O
engenho Santa Fé adapta suas instalações para o turismo, com a criação de um
Restaurante, lago para pesque e pague e a adaptação do antigo curral em apartamentos
para hospedagem em 1997.
“aqui a atividade era a cana[...] com a crise das secas na década de 1990 tive que criar
uma alternativa para não perder a propriedade, como isso aqui era um ponto favorável
perto de Recife, tem uma estrutura boa, casa de purgar, eu fiz uma opção pelo turismo
rural [...] tudo desenvolvido com minha cabeça e recursos meus,
tudo”(AZEVEDO,2010)
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Após a visualização pelo governo da potencialidade da zona da mata para o
turismo a partir desse empreendimento foi sugerido a criação do projeto maior para a
atividade, com a criação do Projeto Engenhos do Norte, uma parceria entre a
Seplandes, Prefeitura de Nazaré da Mata, Sebrae e o Consórcio dos Donos dos
Engenhos.
Consórcio Engenhos do Norte
Projeto criado pela arquiteta Vitória Andrade, que concebeu o projeto
arquitetônico do Engenho Santa Fé em local de lazer, sugere a então Secretaria de
Planejamento e Desenvolvimento Social do Estado – Seplandes, a ação Engenhos do
Norte, “O projeto de revitalização produtiva dos engenhos da Mata Norte [...] visando a
diversificação econômica da região” (Jornal do Commércio, 20.05.2001). Integrando
inicialmente cinco engenhos da cidade de Nazaré da Mata, foram eles: Santa Fé, Lagoa
Dantas, Várzea Grande, Ventura e Bonito.
Cada um desses engenhos teria um apelo diferenciado, nas palavras da
idealizadora: “tomando como critérios vocações e potencialidades existentes”. O Santa
fé com a temática lazer e hospedagem; o Lagoa Dantas, local do inicio da cidade de
Nazaré da mata, seria o engenho de eventos; o engenho Várzea Grande, na época o
mais preservado teria como função o engenho de cerimoniais, mais propriamente
casamentos; O engenho Ventura, como já possuía uma pequena escola, aumentaria as
suas ações educacionais se tornando o engenho escola, para capacitação nas mais
diversas atuações necessárias para a atividade turística; E por fim, o engenho Bonito na
visitação de sua capela secular e no fabrico de doces da região.
O projeto teve o investimento inicial de R$ 4 milhões de reais (JORNAL DO
COMMÉRCIO, 20.05.01) em parceria com o governo do estado, Sebrae, Prefeitura de
Nazaré da Mata e o consórcio de donos dos engenhos. Esse primeiro recurso
direcionados na recuperação das estruturas dos engenhos, implementando atividades
que diversificassem os produtos produzidos pelos mesmos, e, por fim, na captação de
mão de obra local para serem absorvidos pelos engenhos nas áreas de hotelaria,
organização de eventos e guias de turismo. (JORNAL DO COMMÉRCIO, 20.05.2001)
Segundo esta mesma matéria jornalística cerca de 525 trabalhadores foram capacitados
pelo projeto.
O Consórcio dos Engenhos do Norte, obteve um bom inicio, o dono do
Engenho Santa fé, Erivaldo Azevedo, comemorava no ano de 2001 a média de público
do seu estabelecimento de 150 pessoas por final de semana e sonhava em ampliar o
números de Uhs da pousada. O Engenhos do Norte tornou-se o projeto piloto do recém
criado Programa ao apoio ao desenvolvimento sustentável da Zona da mata de
Pernambuco – Promata.
O Promata programa criado pelo Governo de Pernambuco em 2001 com o
apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com a proposta de
desenvolver ações integradas nas áreas de saúde, educação, infra-estrutura, gestão de
projetos ambientais e por fim na diversificação econômica. E é nesse último aspecto que
a atividade turística é incentivada na região a partir do plano piloto do consórcio dos
Engenhos do Norte.
A prefeitura de Nazaré da Mata além de apostar no turismo através dos
engenhos, também incentivou a manifestação cultural mais proeminente da cidade o
Maracatu Rural. Criando o slogan NAZARÉ DA MATA A TERRA DO MARACATU,
proporcionando além do encontro tradicional dos maracatus na segunda feira de
carnaval, também no segundo semestre do ano.
Engenhos e Maracatus
A função do Promata centraliza-se na região da zona da mata como um todo,
ela expande as ações do Consórcio do Engenhos do Norte para os outros municípios
com potencial de se encaixar no projeto, então inserem-se no contexto as cidades de
Goiana, Lagoa de Itaenga, Carpina, Vicência, Itambé, Aliança, Tracunhaén e Buenos
Aires, além é claro de Nazaré da Mata.
O Promata inicia suas atividades em 2001, porém só recebe o empréstimo do
BID em 2002, com a estimativa de receber US$ 90 milhões do banco e o governo de
Pernambuco entraria com cerca de R$ 60 milhões de contrapartida. Tem como função
segundo o então governador do Estado Jarbas Vasconcelos:
A região exige uma maior presença do Estado há muito tempo e nunca tínhamos
encontrado o caminho um caminho seguro. Agora, depois de estudos profundos, o
Promata dará condições de mudar a face da Zona da Mata de Pernambuco [...] onde a
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opulência dos canaviais sempre contrastou com a miséria dos trabalhadores (Folha de
Pernambuco, 06.03.2002)
A proposta do Promata em relação ao turismo era diversificar a economia da
região, acreditavam que: “Um dos pontos principais para o crescimento da atividade do
turismo em uma determinada região é a existência de produtos turísticos estruturados
que possibilitem a elaboração de roteiros turísticos.”2 (site promata).
Com esse contexto o Promata inicia seu trabalho com o turismo levando para
outras cidades da zona da mata, que possuíam esse recorte dos Engenhos do Norte, e
realizam uma série de iniciativas para organizar as potencialidades em atrativos
turísticos, como por exemplo a cidade de goiana, com a estruturação do engenho Uruaé
para o turismo, a restauração do Engenho Poço comprido em Vicência, o único engenho
tombado pelo IPHAN.
A ação do Promata nesse caminho era de integrar as cidades através de rotas
turísticas, e o define:
Planejar um Roteiro Turístico é, portanto, planejar um conjunto de atividades que
definam, identifiquem e estruturem um caminho, segundo determinado objetivo ou
tema entretenedor e de total satisfação ao usuário (site promata)
O programa atuou com ênfase no desenvolvimento do turismo da região entre
os anos de 2002 a 2006, investindo em ações de construção e recuperação de
equipamentos turísticos, obras de infra-estrutura básica e turística, capacitação de mão
de obra e ações de divulgação dos atrativos turísticos da região.
Ao longo desse período, várias ações de divulgação foram realizadas como por
exemplo, o Sebrae em 2004 lança o projeto Roteiros de Pernambuco, material que
propunha atividades de turismo nas regiões do Estado, um guia turístico com propostas
de roteiros, para o público alvo que incluía a “imprensa especializada, embaixadas
brasileiras, as universidades de turismo no pais, as centrais de divulgação e informações
turísticas, as feiras de turismo e as principais entidades de promoção do
turismo”(ROTEIROS DE PERNAMBUCO, 2004).
Nesse material a zona da mata está inserida no contexto como roteiro ecorural
com programa de 7 dias e 6 noites. Com inicio na cidade de Vicência passando por
2WWW.promata.pe.gov.br. Acessado em 13 de abril de 2010
Carpina, Nazaré da Mata, Tracunhaém Lagoa do Carro e por fim Goiana. Com a
introdução do roteiro por Mota Menezes:
“percorrer tais propriedades rurais e reavivar certos costumes – os doces e demais
alimentos diferenciados – são melhores coisas de se fazer no momento. Por outro lado,
a paisagem mansa e suave que se forma no horizonte, traduz a beleza da região, rica em
arborização tropical e exótica. Estritos e antigos caminhos nos atraem e nos levam, de
corpo e alma, àquela vida frugal e simples do campo, em absoluto com a agitação das
cidades de hoje” (MENEZES, 2004, p.13)
Em 2005 o estado levou para o salão de turismo o destino zona da mata, e
Márcia Borborema, a então diretora de interiorização da Empetur, afirmava que: “a
região já conta com uma série de engenhos qualificados para o turismo” (JORNAL DO
COMMERCIO, 19.05).
No final de 2006, o Promata lança oficialmente a Rota Engenhos e
Maracatus, com cerca de 90 atrativos turísticos e equipamentos turísticos espalhados
pela região, divididos em três roteiros, denominados: ecológicos, histórico-culturais e
religiosos. No período de lançamento o jornal local descreveu a rota da seguinte forma:
E se a idéia é justamente mergulhar na época dos senhores e sinhás, a viagem começa
pelo Engenho Poço Comprido, em Vicência, o mais antigo do Estado que sobreviveu ao
tempo. Data de 1736[...]Impagável da rota é ouvir as histórias de gente que viveu os
tempos áureos dos engenhos, como João Correia de Andrade, proprietário do Jundiá,
também em Vicência. Impressiona aqui a enorme casa de purgar preservada, além da
casa grande, que conserva os moveis e decoração da época. “retirávamos até 40 pães de
açúcar por dia no auge”, conta.[...] Em cada parada, a farta gastronomia interiorana é
onipresente: pães, bolos, bolachas, queijo coalho, carne de bode, entre outros quitutes,
incentivam a gula. A essa altura, qualquer turista estará convencido do quanto o turismo
de Pernambuco é feito muito mais do que sol e mar (jornal do commércio, 30.11.2006).
Foram investidos no processo de desenvolvimento turístico da região pelo
Promata os valores de R$10 milhões ao longo desses anos. Com o lançamento oficial e
de grande escala no ano de 2006/2007, com a realização de vários famtur destinados aos
jornalistas e operadores e agentes de receptivo, a expectativa do órgão era que: “as
operadoras (e os turistas) comprem a idéia, definindo suas rotas especificas para a
comercialização dos roteiros junto aos potenciais visitantes” (JORNAL DO
COMMERCIO, 26.11.2006).
Após o processo de divulgação da Rota Engenhos e Maracatus, em 2007, o
Promata finaliza sua atuação na Zona da Mata com o viés turístico, passando então para
a recém criada Secretaria de Turismo de Pernambuco e a Empetur a responsabilidade
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pela divulgação continua do destino turístico Zona da Mata de Pernambuco. Após a
saída do Promata, ações efetivas de publicidade para a rota Engenhos e Maracatus só
acorre em 2009 com o lançamento do Projeto Pernambuco conhece Pernambuco.
Pernambuco Conhece Pernambuco:
Projeto criado e implementado pela Secretaria de Turismo do Estado em
conjunto com a Empetur, com objetivo de incentivar os turistas pernambucanos a
viajarem pelo Estado ao invés de saírem de Pernambuco no seu período de descanso. O
então secretário Silvio Costa Filho informava que “60% das pessoas que vivem no
Estado viajam para outras regiões do país sem se dar conta de que as rotas
pernambucanas têm muitos atrativos”. (www.ipernambuco.com.br)
Foram utilizados na campanha cerca de R$ 3,5 milhões englobando 52
municípios do estado divididos em 10 rotas turísticas, dentre elas, a Rota Engenhos e
Maracatus, entretanto o roteiro apresentado no projeto enfatiza as cidades de Paudalho,
Carpina, Tracunhaém, Nazaré da Mata, Vicência, Lagoa do Carro e Itambé.
Caracterizando-a da seguinte maneira:
A Rota Engenhos e Maracatus, nos leva a uma viagem em direção às origens da cultura
pernambucana. O ciclo de açúcar, motor da economia no período colonial, está presente
do início ao fim deste passeio. Nesta rota, o viajante tem a opção de ficar hospedado
nas casas grandes dos antigos engenhos de açúcar, desfrutando da indescritível sensação
de retornar ao passado.
Apesar do esforço do governo em divulgar a rota para os pernambucanos, o
empresário Erivaldo Azevedo do Engenho Santa Fé, afirma que a campanha não levou
turistas em quantidade significativa para a região: “Até aqui nada, agora reunião para
isso sempre tem, até aqui não vi resultado nenhum prático, nada! inclusive nenhum
telefonema[reserva] não chegou aqui sobre isso, nada zero” (AZEVEDO, 2010). Em
entrevista ao Jornal do Commércio, Katia Rejane, responsável pelo receptivo do
engenho Poço comprido em Vicência relata que: “infelizmente a zona da mata não atrai
turista o ano inteiro [...] como não temos visitação continua é inviável abrir pontos
fixos” (2008).
Erivaldo analisa que a rota peca porque todas as ações são isoladas umas das
outras, as iniciativas não conseguiram formar um cluster turístico na região. “isso aqui é
tudo isolado, os hotéis são tudo isolado, que funciona tudo de forma artesanal”.
Como alternativa de manutenção dos espaços, esses dois engenhos Santa Fé e
Poço Comprido se inseriram no processo de políticas públicas de Cultura propostas
pelo ministério da Cultura o primeiro como local do escritório do projeto cultural
Pontão de Cultura Canavial e o segundo como Ponto de Cultura Poço Comprido, os dois
implementando ações de apoio às manifestações culturais da região, como maracatus,
mamulengos, ciranda, etc.
“aqui teve uma melhoria exatamente através da cultura e não do turismo, com a
instalação do ponto de cultura e do Pontão, trás melhoria [...] aqui na região a gente
depende mais das ações da cultura para trazer os turistas do que das ações tomadas pelo
turismo, então especificamente do turismo praticamente isso aqui acabou tudo”
(AZEVEDO,2010).
Erivaldo também acredita que o principal problema da rota Engenhos e
Maracatus está na falta de divulgação contínua, pois em 2007 com um processo de
promoção acentuada no lançamento; um aumento real de demanda foi percebido,
entretanto com a diminuição das promoções e propagandas, hoje quase não recebem
visitantes, apenas em períodos de festejos como carnaval, São João, Encontro de
Maracatus e no restante do ano os equipamentos permanecem ociosos. Ele ainda relata
que neste ano fechou o pesque pague, e o restaurante só abre para excursões e encontros
agendados.
Considerações
Apesar do grande potencial turístico da região, pela sua cultura seja ela material
e imaterial, e as ações desenvolvidas tanto pelo projeto Consorcio do Engenho do Norte
e as ações do Promata, proporcionaram o interesse dos donos dos engenhos a
transformá-los em atrativos turísticos e a restauração de vários equipamentos culturais
como casas de cultura, museus, dentre outros.
Não conseguiram efetivar uma demanda turística para a região, inviabilizando a
maioria dos empreendimentos turísticos criados no período. Os empresários e Lúcia
Barbosa acreditam que o principal problema para não formação de uma demanda
turística para o roteiro é a falta de divulgação continuada, mas percebemos ao longo
dessa pesquisa que, as ações das instituições não conseguiram integrar harmonicamente
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os empresários, impossibilitando um trabalho em conjunto e autônomo das ações
governamentais, fomentando ainda a dependência para com as iniciativas do poder
público.
Acreditamos que tais dificuldades foram desenvolvidas pelas sucessivas
mudanças dos órgãos responsáveis pelas ações ao longo do processo de turistificação,
mesmo que, continuassem com os mesmos atrativos e as mesmas diretrizes de ação,
pode ter impossibilitado o fomento das atividades de autonomia e a construção de
cluster turístico da região, o que torna a rota Engenhos e Maracatus inviável sem o
auxilio das políticas governamentais.
Outra particularidade da rota é que apesar das ações de promoções feitas pelo
Governo do Estado e o Sebrae nos mais diversos canais de divulgação para o turismo, a
rota não consolidou nenhuma operadora e ou receptivo que
propiciasse o
deslocamentos dos turistas dos pólos como Recife, Olinda e Porto de Galinha, por
exemplo, para conhecer a rota Engenhos e Maracatus, das 05 agencias de receptivos
listadas no site do Promata que supostamente fariam este
roteiro nenhuma delas
concretizou ao menos um grupo de turistas para a região.
O ministério do Turismo em seu plano nacional de turismo 2007/2010 propôs a
entre varias funções de estruturar roteiros turísticos. E a rota Engenhos e Maracatus
deve ser utilizada como referência, enfatizando a importância de transformar os
empresários da rota em atores protagonistas e deixar claro desde o inicio que as ações
governamentais tem um limite de atuação e que eles devem aprender a seguir sozinhos
e que apesar de ser uma boa ferramenta de desenvolvimento do turismo, a rota só é
viável se ela for pensada e administrada em conjunto com todos que fazem parte dela
desenvolvendo acima de tudo a autonomia da Rota Turistica.
Referências:
BRASIL, Ministério do Turismo. Conceitos básicos e apoio à comercialização de
produtos segmentados. Brasília: O ministério, 2009.
MENEZES. J.L da M. Roteiros de Pernambuco. Sebrae, 2004.
SILVA. S. V. da. Maracatu Estrela de Ouro de Aliança: a saga de uma tradição. Recife:
Associação Reviva,2008.
Entrevistas concedidas:
AZEVEDO, E. Erivaldo Azevedo. Depoimento [07 de abril]. Entrevistadora Tamisa
Ramos Vicente. Nazaré da Mata, 2010. 1 cassete sonoro.
BARBOSA. L. Lucia Barbosa. Depoimento [25 de março]. Entrevistadora tamisa
Vicente. Recife, 2010. 1 cassete sonoro.
Matérias de Jornais:
ENGENHOS diversificam atividades. Jornal do commércio, Recife, 20 de maio de
2001.
HOTEL Santa fé quer criar pólo de desenvolvimento na região. Jornal do commércio,
Recife, 20 de maio de 2001.
MAIS que retratos na parede. Revista continente multicultural, Recife, maio de 2001.
PROMATA terá US$ 90 milhões do BID. Folha de Pernambuco, Recife, 06 de março de
2002.
ENGENHO do século 18 é reaberto. Jornal do commércio, Recife, 20 de junho de 2004.
PERNAMBUCO com novos roteiros. Jornal do commércio, Recife, 19 de maio de
2005.
OITO novos roteiros são lançados. Jornal do commércio, Recife, 02 de setembro de
2005.
PARA conhecer mais o Estado. Jornal do commércio, Recife, 04 de novembro de 2004.
PERNAMBUCO se livra do conceito Sol-e-mar. Jornal do commércio, Recife, 03 de
novembro de 2005.
PARA mergulhar na historia. Folha de Pernambuco, Recife, 19 de outubro de 2006.
RUMO à época dos antepassados. Jornal do commércio, Recife, 19 de outubro de 2006.
ENGENHOS e rotas. Folha de Pernambuco, Recife, 30 de outubro de 2006.
VELHOS engenhos. Jornal do commércio, Recife, 30 de novembro de 2006.
GOVERNO investe R$ 10 mi turismo. Jornal do commércio, Recife, 30 de novembro
de 2006.
ENGENHO Poço Comprido sem a merecida atenção. Jornal do commércio, Recife, 28
de setembro de 2008.
PERNAMBUCO de olho nos nativos. Jornal do commércio, Recife, 01 de maio de
2008.
12
ANTIGOS engenhos são opções de hospedagem. Jornal do commércio, Recife, 29 de
janeiro de 2009.
Site:
WWW.promata.pe.gov.br – visitado em 13 de abril de 2010.
www.ipernambuco.com.br – visitado em 13 de abril de 2010.
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