índice 4 ADM - Aeroportos de Moçambique 6 CFM - Caminhos-de-Ferro de Moçambique 10 INCM - Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique 18 Transportes e Comunicações em Conselho Coordenador em Nacala 20 Transporte urbano de passageiros reorganiza-se 22 LAM - Linhas Aéreas de Moçambique 24 Paulo Zucula empossa novos quadros para cargos de chefia 26 Instituto Nacional de Meteorologia e a gestão conjunta de calamidades naturais em Moçambique Paginação e Design Gráfico Logistel, SA www.logistel.pt 32 TDM - Telecomunicações de Moçambique Colaboração Logistel, SA Logistec, SA 36 Bicicleta, custos energéticos e saúde 40 Transporte Intermodal e Políticas de Transporte Impressão Madeira & Madeira SA 50 Camiões sobre plataformas ferroviárias Tiragem 2 000 Exemplares 52 Transporte Marítimo de Linhas Regulares Contentorizadas 54 A Macrologística ao serviço do Desenvolvimento 56 Aviação Civil e Protocolo de Quioto 60 A Segurança do Transporte Aéreo e Globalização 62 Prevenção e Segurança Rodoviária 64 Utilização de Biocombustíveis nos Transportes 66 Cabotagem Marítima em Moçambique 68 Gás Natural no Transporte Rodoviário 70 BREVES Ficha Técnica Propriedade Ministério dos Transportes e Comunicações Rua Mártires de Inhaminga, 336. C. Postal, 276. Telefones (258) 21430152/5. Fax (258) 21431028. E-mail, [email protected]. Maputo Director Verlopes Pascoal Nhampossa Colaboradores Aeroportos de Moçambique, E.P. (ADM); Escola Nacional de Aeronáutica (ENA); Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM); Instituto Nacional de Meteorologia (INAM); Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, E.P. (CFM); Telecomunicações de Moçambique (TDM); Transportes Públicos de Maputo (TPM). Distribuição Gratuíta Aposta na segurança e na modernização das suas infra-estruturas Investimento na modernização e na sustentabilidade Empreendimento estimula desenvolvimento da região Os desafios do Futuro Regista crescimento e aposta na modernização Aposta na transmissão em fibra óptica Transporte combinado em andamento Estratégias de crescimento e concentração de activos Objectivo Mobilizador de toda a Sociedade: O que fazer? EDITORIAL Paulo Francisco Zucula, Ministro dos Transportes e Comunicações Em qualquer dos ângulos com que se olhe o processo de desenvolvimento de qualquer País, coloca-se sempre a importância dos transportes e das comunicações. Isto foi sempre válido em qualquer época histórica e sempre o será no futuro. Moçambique, um País ainda a sair dos escombros de destruição, embarcou numa aposta sem precedentes para eliminar a pobreza absoluta no seio da sua Sociedade. Qualquer estratégia ou critérios de priorização que se adoptem para arrancar o povo moçambicano da senda da miséria, os transportes e comunicações lá estarão sempre a desempenhar um papel central e imprescindível. LEME O acesso aos serviços básicos de educação, saúde, água, habitação, etc., não se materializa sem os transportes e sem as comunicações. As trocas comerciais não se efectuam sem que haja o seu escoamento nem o conhecimento da sua existência e validade. A segurança pública é deficiente ou incipiente se as comunicações e os transportes funcionam deficientemente. Por estas e por outras razões, não seria exagero considerar que o sector de transportes e comunicações na governação do País funciona como a coluna vertebral da economia. A coluna vertebral é daquelas peças do corpo que enquanto funciona convenientemente nem questionamos a sua existência. Mas basta ter só uma vértebra deficiente para afectar o desempenho global do corpo e o seu arranjo implica sempre intervenções complexas com riscos múltiplos. A família do Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) tem consciência de que o sector hoje sofre de várias enfermidades e tem vários obstáculos a vencer. Entre eles, destacam-se os custos dos combustíveis, a escassez de recursos financeiros e humanos qualificados, a poluição, a qualidade e a segurança dos transportes, a sua organização e a sua gestão, etc. O MTC reconhece que o País é abençoado na vertente dos transportes e comunicações. A criatividade da população, a iniciativa do sector privado, a localização estratégica na SADC, uma costa longa que nos permite usar o mar, o potencial agrícola, mineiro e turístico, etc. O reconhecimento destes desafios e destas oportunidades fez surgir a revista LEME como plataforma onde se podem debater ideias de como vencer as barreiras e abraçar as oportunidades. Como veículo de debate, a LEME pretende ser um instrumento que facilita a informação e a formação, onde se destacam as realizações, as dificuldades e as projecções do que fazer. A LEME vai tentar cobrir a lacuna informativa existente entre a família do MTC e o público em geral, bem como procurar servir como ponte entre o nosso sector e os outros sectores afins. Nesta fase a LEME virá ao público três vezes ao ano, mas com a ambição de aumentar a sua frequência e a comunicação com o publico em geral. O LEME é nosso, e para nós. Aqui são bem vindas ideias, debates e sugestões. Na LEME vamos procurar montar, polir e executar políticas e estratégias que efectivamente contribuam para construir um amanhã de esperança, risonho e promissor. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Aeroportos de Moçambique aposta na Segurança e na Modernização das suas infra-estruturas A empresa Aeroportos de Moçambique está a implementar o programa de ampliação e modernização das suas infra-estruturas aeroportuárias por forma a adequá-las à operacionalidade actual e às previsões do crescimento do tráfego Nacional e internacional do País. A Empresa Aeroportos de Moçambique E.P., gere 19 aeroportos e aeródromos espalhados por todas as províncias do País. Destes, três são internacionais, nomeadamente Maputo, Beira e Nampula; cinco são aeródromos principais, nomeadamente Vilankulo, Quelimane, Tete, Pemba e Lichinga e os restantes onze são aeródromos secundários. Modernização e Ampliação do Aeroporto Internacional de Maputo No ano 2000 foi lançado um concurso para a concessão do Aeroporto Internacional de Maputo, tendo sido seleccionado o consórcio liderado pela empresa de aeroportos da África do Sul, ACSA. 4 Este processo, contudo, foi interrompido pelo facto de se ter concluído que a figura de concessão iria inviabilizar a empresa ADM, E.P. no seu todo, dada a necessidade de subsidiar, através do Aeroporto Internacional de Maputo, vários outros aeroportos/aeródromos do País que tem tido uma exploração deficitária. Devido à necessidade de assegurar o desenvolvimento e a modernização preconizados para o Aeroporto Internacional de Maputo, salvaguardando a continuidade dos outros aeroportos/aeródromos, considerou-se importante adoptar outro modelo de desenvolvimento. Os trabalhos a executar visam, essencialmente: a construção de um novo terminal internacional de passageiros e respectiva plataforma de estacionamento de LEME Presidente da República, no acto do lançamento da primeira pedra da ampliação e modernização do Aeroporto Internacional de Maputo. aeronaves; a ampliação para o lado terra do terminal existente e a transformação deste em terminal doméstico e em zona comercial livre; construção de um novo terminal de carga e respectivos acessos e parque de viaturas; construção de nova torre de controlo e respectivos acessos e parque de estacionamento de viaturas; Construção de novo pavilhão VIP Presidencial e respectivos acessos e parque de estacionamento de viaturas, entre outros melhoramentos. A obra foi adjudicada à AFECC, em 27 de Outubro de 2006, e está avaliada em cerca de 73 milhões de dólares. A fiscalização será garantida pelo consórcio, formado pelas firmas SEED/NACO/SSI, vencedor do concurso lançado para o efeito. LEME No que se refere ao ponto de situação da implementação do Projecto, está em curso a contrução do Terminal de Carga, visando criar condições para a transferência dos serviços realizados no terminal existente e permitir a demolição deste para no seu lugar se dar início à construção do Terminal Internacional de Passageiros. As obras, iniciadas a 9 de Abril do corrente ano, têm permitido empregar, até ao momento, 188 trabalhadores, dos quais 53 chineses e 135 moçambicanos, esperando-se que as mesmas estejam concluídas até Outubro de 2008. Aeródromo de Pemba Com o objectivo de aumentar a capacidade de acolhimento, considerando um tráfego de quinhentos mil passageiros/ano, a empresa Aeroportos de Moçambique apostou na reabilitação e na expansão do Aeródromo de Pemba. O aeródromo de Pemba movimenta actualmente um tráfego de oitenta e cinco mil passageiros/ano, universo superior à sua capacidade. Nova Aerogare de Vilankulo A Aerogare existente movimenta já hoje um tráfego de mais de sessenta e dois mil passageiros ano. A sua capacidade está já ultrapassada. Estima-se que no futuro, o tráfego de passageiros poderá ser superior a duzentos mil passageiros/ano, o que coloca a necessidade da construção de uma nova aerogare. Na sequência do concurso lançado no ano passado, para o efeito, foi seleccionada a empresa AFECC para elaborar o projecto e executar as obras. Com vista ao financiamento total desta acção, estão em curso negociações, com a AFD – Agência Francesa de Desenvolvimento, estando previsto que a AFD tome a decisão final a este respeito. Aeroportos da Beira, Quelimane e Tete O projecto consiste na reposição e modernização das infra – estruturas básicas dos três aeroportos da Região Centro do País e no melhoramento dos equipamentos, de acordo com as recomendações da ICAO. Este projecto será financiado por fundos provenientes da DANIDA. O respectivo concurso foi lançado em 2007. Prevê-se a conclusão do projecto em 17 meses, contados a partir de Fevereiro deste ano de 2008. Transformação do Aeródromo Militar de Nacala Em Outubro de 2006, a Empresa Aeroportos de Moçambique, E.P. assinou um acordo de financiamento com a USTDA, para a realização do estudo de Viabilidade para a Ampliação e Modernização dos Aeródromos de Pemba ou Nacala. Em Novembro do mesmo ano foi lançado um concurso para a selecção de uma empresa americana para a realização deste estudo. A empresa AAROTEC - Infrastructure Group Inc. foi seleccionada e foi assinado o respectivo contrato. Este estudo consistiu, fundamentalmente no exame do potencial de crescimento dos Aeroportos de Pemba e Nacala; Na avaliação do impacto do desenvolvimento dos Aeródrmos de Pemba ou Nacala nos outros Aeródromos; na elaboração do plano director de desenvolvimento para o Aeródromo de Nacala. A AAROTEC - Infrastructure Group Inc submeteu o relatório final do estudo em Março de 2008. O Conselho de Administração da ADM, E.P. aprovou o relatório em Maio. Este relatório estima em 60 milhões de dólares o valor do projecto. Estão em curso contactos com várias entidades para angariação de financiamento, incluindo-se a possibilidade da participação do sector privado. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 5 Caminhos de Ferro de Moçambique Investimento na Modernização e na Sustentabilidade A Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) alcançou resultados operacionais positivos nos exercícios económicos dos últimos quatro anos, fruto de uma filosofia que assenta, num maior rigor na gestão, diversificação de receitas, redução de custos e controlo dos orçamentos colocados à disposição de cada sector de actividade da Empresa. Apesar da conjuntura económica regional e internacional motivada pela subida galopante dos preços do petróleo, o CFM assume-se hoje como uma Empresa sólida, consolidada, económica e financeiramente viável e, sobretudo, com todas condições criadas para cumprir o seu plano estratégico de desenvolvimento concebido em 1998. Depois de concluída a concessão das linhas dos sistemas ferroviários Centro e Norte do País, o Governo Moçambicano decidiu não alargar a experiência para o sistema ferroviário Sul, tendo o CFM apostado no investimento de cerca de 20 milhões de dólares para renovação da linha de Ressano Garcia, por forma a torná-la mais competitiva no contexto Regional. 6 LEME Este investimento cobriu ainda a reabilitação do Nó da Machava, da fábrica de travessas de betão, no Umbelúzi, das estações ferroviárias ao longo da linha de Ressano além de intervenções das linhas de Goba, Ramal de Salamanga e acesso ao porto de Maputo. Paralelamente, o Conselho de Administração do CFM aprovou um orçamento adicional de 31 milhões de dólares para melhorar o desempenho da área ferroviária, nomeadamente no recondicionamento e reconversão de 45 locomotivas, reabilitação e requalificação das oficinas gerais do CFM Sul, além da capacitação da rede com meios de tracção suficientes para responder à demanda, através do aluguer, de longa duração, de dez locomotivas à India. Ligado a este esforço, o CFM reintroduziu o serviço público de transporte de passageiros na área periurbana de Maputo, operação subsidiada pela Empresa em cerca de 85 por cento no âmbito da sua responsabilidade social. Presentemente e ainda no mesmo contexto, o CFM está em processo de aquisição de seis automotoras para o sistema ferroviário Sul, cada uma das quais com capacidade para 210 passageiros. As carruagens que actualmente servem a área peri-urbana de Maputo vão reforçar as carreiras de longo curso, nomeadamente para Ressano Garcia e Chicualacuala. No âmbito do desenvolvimento de uma zona económica especial, na Província de Maputo, foi desenhado o projecto Ponta Dobela, que prevê a construção, manutenção e operação de um porto no Distrito de Matutuine. Ocupando uma área de 22.382 hectares, o projecto contempla também o desenvolvimento da actividade industrial, comercial, turística e outras facilidades específicas de uma zona franca industrial, com um investimento estimado em 500 milhões de dólares, dos quais 15 milhões serão desembolsados pelo CFM. Numa primeira fase, será construído um depósito LEME Sede da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique para o armazenamento de combustíveis destinados à distribuição na região, seguindo-se, posteriormente, a implementação de um porto comercial para manuseamento sobretudo de minerais. Um dos resultados do projecto de restruturação dos Portos e Caminhos de Ferro foi a introdução do processo de transformação e mudança não só da visão como do modelo de negócio da Empresa, que passou a investir num sistema moderno e integrado de informação. Outra janela está aberta à vigilância do shipping internacional que hoje marca toda a corrente de transportes, para o que se aposta na exploração do potencial da costa, das baías, enseadas, portos e toda a complementaridade que essa cadeia pode construir não só entre si como com as indústrias marítima e do turismo. Com esta visão de futuro, o CFM criou, em parceria com um parceiro do Reino Unido, uma empresa de leasing de equipamento ferroviário de tracção e de reboque, denominada Xitimela Leasing Limited, com sede nas Maurícias. Paralelamente, os CFM possuem actualmente acções em outras 15 empresas, dez das quais do sector ferro-portuário e as restantes nos ramos do turismo, aluguer de equipamentos, infraestruturas rodoviárias e materiais de construção, tudo no contexto da diversificação de actividades e negócios preconizada no programa de restruturação dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 7 EMPREENDIMENTO ESTIMULA DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO Sistema ferroviário do Centro Na região Centro do País, a Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira SARL iniciou, em Dezembro de 2004, a exploração da linha de Machipanda, para a 8 de Março assumir a responsabilidade sobre a linha de Sena, num projecto orçado em 110 milhões de dólares, financiados pelo Banco Mundial. 8 LEME Concebido para decorrer até 2009, o projecto vai envolver um investimento no desenvolvimento de infraestruturas na ordem dos 157 milhões de dólares, estando a ser executado com recurso a capacidades internas, nomeadamente recursos tecnológicos, materiais e humanos. Olhando para a perspectiva de acomodar o tráfego adicional de carvão de Moatize, em Tete, o investimento em infra-estruturas no sistema ferro-portuário Centro poderá atingir os 400 milhões de dólares nos próximos tempos, numa operação que inclui a construção de um terminal de carvão e a dragagem do porto da Beira. Para a dragagem de emergência do canal de acesso ao porto da Beira foram investidos 18 milhões de dólares, seis milhões dos quais desembolsados pelo CFM. Com vista a solucionar de uma vez por todas a questão da dragagem do porto da Beira, a Dinamarca está a apoiar Moçambique na aquisição de uma draga oceânica capaz de dragar anualmente cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, com uma implicação financeira de 36,6 milhões de dólares. Paralelamente, o Governo criou um Fundo Nacional de Dragagem, gerido pelos CFM e que é alimentado com contribuições provenientes das taxas de ajudas à navegação, comparticipações directas do Orçamento do Estado, fundos próprios da Emodraga e comparticipações do CFM que actualmente atingem os 2,5 milhões de dólares, com a perspectiva de se atingir, no futuro, os quatro milhões de dólares por ano. Em 2002, o CFM iniciou, com meios humanos, materiais e financeiros próprios, a reconstrução da linha-férrea de Sena, tendo o apoio externo surgido apenas depois de concluídos os trabalhos. O projecto da linha de Sena compreende a reconstrução de 670 quilómetros de via entre Dondo, em Sofala e Moatize, em Tete, incluindo os ramais Nhamitanga-Marromeu e Dona Ana – Vila Nova da Fronteira. O cronograma dos trabalhos prevê o arranque da operação no troço Beira-Inhaminga-Inhamitanga-Marromeu até Setembro de 2008 e a chegada a Moatize em 2009, para o que foram mobilizados empreiteiros moçambicanos, zimbabweanos, sul-africanos e indianos. No primeiro trimestre do corrente ano foram concluídas as obras de reabilitação do porto de Quelimane, com um investimento de 14 milhões de dólares disponibilizados pelo banco alemão KfW e pelo CFM. À luz deste projecto foi reabilitada as infra e super estruturas do cais, tabuleiro, pavimentos, sistemas de drenagem, de abastecimento de água e electricidade, armazéns, escritórios e vedação de todo o perímetro do Porto, bem como a aquisição de uma grua de grande porte a ser utilizada pelos concessionários do porto, a Cornelder Quelimane. LEME 9 Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Instituto nacional das Cominicações de Moçambique os desafios do futuro O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) tem por finalidade, em conformidade com o artigo 4 do Decreto N.º 32/2001, de 6 de Novembro, regular e fiscalizar o sector das comunicações, bem como a gestão do espectro de frequências radioeléctricas. A instituição conta hoje com cerca de 100 trabalhadores, distribuídos pela Sede (Maputo) e Delegações Regionais Centro (Beira) e Norte (Nampula). O INCM está sujeito à tutela do Ministro responsável pela área das comunicações, gozando da autonomia administrativa (capacidade para praticar actos administrativos próprios), financeira (capacidade de decidir as suas despesas e seu orçamento) e patrimonial (capacidade de ter património próprio) e dos poderes de actuação e de atribuições adequadas para a tomada de decisões pelo mesmo. Neste artigo apresentamos as grandes conquistas alcançadas por esta Autoridade Reguladora, os principais indicadores dos sectores postal e de telecomunicações, os programas traçados, os desafios e horizontes futuros. serviços de telecomunicações e produzindo a riqueza). Tentando sumarizar os grandes marcos alcançados pelo INCM e pelo País, no domínio da regulação dos sectores postal e de telecomunicações, apresentam-se alguns aspectos de planificação de organização geral e de regulamentação. Assim: no domínio da organização geral, podem ser destacados, como marcos positivos, os seguintes: -A definição de objectivos e metas a atingir no quadriénio 2004-2007; -A aprovação de uma estrutura orgânica do INCM mais consentânea com a realidade circundante; Regular para desenvolver o País 10 LEME No âmbito do amplo programa de reforma do Sector das Telecomunicações, adoptado pelo Governo, procedeu-se a uma profunda liberalização do mercado, abrindo espaço para o desenvolvimento multifacetado do mesmo. Isto exigiu uma repartição clara do papel e das funções de cada interveniente, nomeadamente o Governo (com a responsabilidade da definição das políticas e estratégias), o INCM (servindo de árbitro e guardião e garante da aplicação das leis do sector) e os operadores (com a responsabilidade de implementar as Leis, provendo o País com as melhores soluções e -O desenvolvimento de uma relação institucional com os operadores que resultou no maior respeito e reconhecimento por estes do lugar e papel da autoridade reguladora; -A formação de vários quadros e especialistas com vista a responder de forma mais eficaz às exigências presentes e futuras; -O início da criação de condições de trabalho, incluindo infra-estruturas e equipamentos, que dignificam a autoridade reguladora. LEME No domínio da legislação, são dignos de destaque, entre outros, os seguintes aspectos: -A preparação, em estreita colaboração com a tutela, de vários instrumentos legais subsequentemente aprovados pelo Parlamento e/ou pelo Governo; -A preparação, aprovação e implementação do quadro legal que estabeleceu o novo Plano de Numeração; -O licenciamento de vários operadores postais e de telecomunicações, dando corpo à realidade da abertura do mercado e conferindo maior competividade e melhoria de serviços; -O estabelecimento de um sistema de monitoria e controlo do espectro radioeléctrico moderno, conferindo ao País maior capacidade de gestão deste recurso escasso e de neutralizar possíveis violadores da Lei e Ordem e da nossa Soberania; - Condução com sucesso do estabelecimento do tarifário de interligação baseado nos custos prospectivos incrementais de longo prazo e no consenso dos próprios operadores de telecomunicações. Entre os aspectos ainda não resolvidos satisfatoriamente, contam-se: - O alinhamento de vários aspectos de legislação com a nova realidade do desenvolvimento caracterizado pela convergência tecnológica; - O desenho da estratégia de desenvolvimento do INCM de forma a melhor se enquadrar na realidade actual e responder cabalmente às exigências do fim do monopólio na telefonia fixa. Nos próximos anos, a meta é atingir novos patamares de exigência na regulação, à luz das orientações do Governo e do Plano Estratégico da instituição, de forma a atrair mais investimento Nacional e estrangeiro no sector e assegurar que os moçambicanos beneficiem do melhor em termos de infra-estruturas e serviços postais e de telecomunicações. Na foto, de esquerda para direita: Administrador Rufino Nombora, Administradora Maria Cremilda Massingue, Presidente do Conselho de Administração Salomão Manhiça, Administrador Guilherme Mavila, Administrador Américo Muchanga Génese do regime regulatório do INCM Com o advento da Independência Nacional, foi imperativa a criação de instituições que expressem a realidade político-económica então recém-formada em Moçambique. A separação dos Correios e das Telecomunicações registada em 1982, constitui um dos marcos dessa incontornável transformação das instituições que desembocou no aparecimento de diferentes unidades com claras e distintas atribuições e competências. Os Decretos 22/92, de 10 de Setembro, 23/92, de 10 de Setembro, e 24/92, de 10 de Setembro, que criam, respectivamente, o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), a Empresa Nacional Telecomunicações de Moçambique, abreviadamente designada por Telecomunicações de Moçambique, E.P. (TDM) e Empresa Nacional Correios de Moçambique, E.P. abreviadamente designada por Correios de Moçambique, E.P. (CDM), vieram cristalizar uma nova abordagem, distinguindo claramente entre funções políticas, regulativas e operacionais, e imprimindo, desse modo, um maior dinamismo no desenvolvimento posterior dos Sectores Postal e de Telecomunicações. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 11 Se bem que os dois últimos Decretos concorrem para a introdução de um novo regime jurídico, o preconizado pela Lei N.º 17/91, de 3 de Agosto, aplicável às empresas estatais originando profundas alterações na gestão das empresas dotadas de capital do Estado, o primeiro Decreto, N.º 22/92, inovava, então, o leque das instituições com a formação de uma Autoridade Reguladora, com actividades específicas que se resumem no que é conhecido por regulação — o estabelecimento de regras pelo Estado, utilizando o seu poder coercivo no mercado, a fiscalização do cumprimento dessas regras e a punição de actos ilegais. Delegação Regional Norte representa as províncias de Niassa, Cabo-Delgado e Nampula Principais realizações do INCM As grandes realizações do INCM enquadram-se nos domínios geral e regulatório. No domínio da organização geral, podemos destacar, como marcos positivos, os seguintes: - A definição de objectivos e metas a atingir no quadriénio 2004-2007; - A aprovação de uma estrutura orgânica do INCM mais consentânea com a realidade circundante; - Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Direcção Geral composta de três direcções, 5 gabinetes, 7 departamentos, 4 repartições e 3 delegações regionais - Norte (com sede em Nampula), Centro (com sede na Beira) e Sul (representada pela própria sede em Maputo, prevendo a Lei uma delegação autónoma; 12 - O desenvolvimento de uma relação institucional com os operadores que resultou no maior respeito e reconhecimento por estes do lugar e papel da autoridade reguladora; - A formação de vários quadros e especialistas, com vista a responder de forma mais eficaz às exigências presentes e futuras; LEME - O início da criação de condições de trabalho, incluindo infra-estruturas e equipamentos, que dignificam a autoridade reguladora; - Construção do Edifício-Sede do INCM iniciada em Dezembro de 2006, cuja conclusão é prevista em 2008. É de referir que: a Delegação Regional Norte representa as províncias de Niassa, Cabo-Delgado e Nampula; a Delegação Regional Centro, as províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia; a Delegação Regional Sul, as províncias de Inhambane, Gaza, Maputo Província e Maputo Cidade. Ainda no contexto da organização geral, foram elaborados e fixados diversos dispositivos normativos, visando clarificar e regular vários procedimentos internos. A capacitação institucional tem sido chave de sucesso do desenvolvimento do INCM, sendo de destacar a realização de programas de formação clássica e de cursos especiais de curta duração. Especial atenção tem sido dada à formação em matérias especializadas de intervenção do INCM, que se realiza no âmbito dos acordos de cooperação técnica com autoridades reguladoras do Brasil, Portugal, organizações regionais e internacionais. LEME No domínio da legislação, são dignos de destaque, entre outros, os seguintes aspectos: -A preparação, em estreita colaboração com a tutela, de vários instrumentos legais subsequentemente aprovados pelo Parlamento e/ou pelo Governo; -A preparação, aprovação e implementação do quadro legal que estabeleceu o novo Plano de Numeração; - O licenciamento de vários operadores postais e de telecomunicações, dando corpo à realidade da abertura do mercado e conferindo maior competividade e melhoria dos serviços; -O estabelecimento de um sistema de monitoria e controlo do espectro radioeléctrico moderno, conferindo ao País maior capacidade de gestão deste recurso escasso e de neutralizar possíveis violadores da Lei e Ordem e da nossa Soberania; discriminatório e transparência. Em Dezembro de 2007 foi aplicado novo tarifário, decorrente do comum acordo dos operadores (Resolução N.º 13 CA/INCM707, de 19 de Dezembro de 2007). Paralelamente e quanto ao serviço de acesso universal às telecomunicações, o Conselho de Ministros aprovou, em 19 de Dezembro de 2006, a criação do Fundo de Serviço de Acesso Universal, tendo sido importante a participação do INCM na preparação dos documentos de base. Com base nos dispositivos legais previstos no Regulamento Básico de Utilização de Radiocomunicações, aprovado pelo Decreto N.º 23/93, de 5 de Outubro, o INCM elaborou, em 2006, a proposta do regulamento de homologação, a enriquecer com a auscultação das sensibilidades dos stakeholders, em particular, dos operadores para posterior envio ao Conselho Consultivo do MTC e ao Conselho de Ministros para aprovação. - Condução com sucesso do estabelecimento do tarifário de interligação baseado nos custos prospectivos incrementais de longo prazo e no consenso dos próprios operadores de telecomunicações. Foram realizadas várias acções contempladas na Lei N.º 14/99, de 1 de Novembro, visando assegurar a continuidade efectiva do processo de liberalização do mercado das telecomunicações. Especialmente, o INCM elaborou vários instrumentos legais, aprovados pelo Conselho de Ministros. Neste âmbito e como exemplo, foi aprovada pela Assembleia da República a Lei Nº 8/2004, de 21 de Julho (Lei Base das Telecomunicações), revogando a Lei N.º 14/99, de 1 de Novembro. Esta Lei tem por objectivo principal clarificar melhor o papel de cada interveniente no mercado de telecomunicações, em constante mudança, nomeadamente do Governo, da Autoridade Reguladora e dos operadores e provedores de serviços. Nos últimos anos o INCM continuou a dedicar especial atenção à elaboração de novos instrumentos legais e à aplicação da legislação existente, de forma a garantir um ambiente de competição sã, tratamento não Em 2007 o INCM concluiu a implementação do Projecto de instalação do Sistema de Gestão e Monitorização do Espectro Radioeléctrico, abreviadamente conhecido por SGME. O sistema enquadra-se no processo de revitalização do sector das comunicações Nacionais e tem por objectivo dotar o Estado Moçambicano de um instrumento eficaz que lhe permita gerir, administrar e proteger o espectro radioeléctrico. O SGME vem desencorajar o uso ilegal do espectro radioeléctrico que tem sido uma das causas da vulnerabilidade da segurança de alguns sectores e de prejuízos à economia do País. O Sistema SGME visa gerir e monitorar as comunicações terrestres, aéreas, marítimas e orbitais, através da detecção, identificação e posterior tratamento informatizado dos sinais emitidos em todo o território Nacional e áreas limítrofes. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 13 SMC : Centro de Gestão do Espectro NCC: Centro Nacional de Controlo FMS: Estação Fixa de Monitorização MMS: Estação Móvel de Monitorização Sistema de Gestão de Monitoria do Espectro Radioeléctrico Este Sistema vem, para além do objectivo genérico acima referido, dotar o País de uma ferramenta importante e necessária para: - Detectar o uso indevido do espectro radioeléctrico (equipamentos e sistemas de comunicações ilegais e comunicações interditas); - Colaborar com as Forças de Defesa e Segurança Nacionais no garante da segurança Nacional e sobretudo no combate à criminalidade e terrorismo, participando em acções de comprovação técnica de emissões, quando solicitados; 14 - Solucionar casos de interferências prejudiciais nos e entre os sistemas de comunicações; - Realizar a comprovação técnica de emissões radioeléctricas Nacionais e transfronteiriças; - Gerir a distribuição e uso eficiente de frequências em território Nacional; LEME Este Sistema trará, como resultados, a melhoria da qualidade das comunicações efectuadas pelos serviços, a diminuição e desencorajamento do uso ilegal do espectro como um recurso escasso, o controlo eficiente das nossas fronteiras e, consequentemente, constituirá um factor de melhoria da qualidade de vida das populações. As tecnologias de comunicações constituem um elemento essencial e de grande importância no desenvolvimento em geral dos sectores industriais, transportes, agrários, de defesa e segurança, de prevenção de calamidades e emergências e de prestação de serviços. A criação de um clima de comunicações eficientes e seguras e essencialmente livres de interferências, irá também dinamizar o sector económico Nacional, através da massificação do uso de tecnologias inovadoras e principalmente na atracção de potenciais investidores para as zonas rurais. Encontram-se em estado avançado as obras de construção do edifício-sede de raiz do INCM. As obras foram iniciadas em Dezembro de 2006 e prevê-se a sua conclusão no ano em curso, após a observação LEME das cinco fases de construção: preliminar, fundações, superestrutura, acabamentos e arranjos exteriores. O novo edifício-sede do INCM será um complexo composto de um edifício principal de 5 pisos de escritórios (área útil de cerca de 5000m2), um anfiteatro (área útil de cerca de 550m2) um restaurante (área útil de cerca de 200m2), ginásio e sauna (área útil de cerca de 150m2). No exterior será construído um parque de estacionamento para 100 viaturas, uma piscina e um campo de jogos. O INCM funciona, hoje, num dos edifícios da capital do País com problemas sérios de escassez de espaço físico. Com a conclusão das obras em curso, esta instituição poderá proporcionar aos seus funcionários melhores condições de trabalho. Principais indicadores dos sectores postal e de Telecomunicações Segundo um estudo encomendado pelo INCM, o mercado das telecomunicações em Moçambique está, nos últimos tempos, a registar um crescimento acelerado, tendo passado de 8.6% para 12.59% de penetração telefónica em 2005 e 2006, respectivamente. Encontram-se neste momento licenciadas e registadas duas empresas de telefonia móvel, a Moçambique Celular (mCel) e a VM, SARL (Vodacom) e uma Empresa operadora de serviços de telefonia fixa, a Telecomunicações de Moçambique, SARL (TDM), dezassete empresas especializadas na transmissão de dados e Internet, dez no serviço de acesso à Internet, duas na televisão por cabo, cinco no acesso fixo via rádio, entre outros operadores. No que concerne à área postal, o INCM licenciou, só em 2007, dez novos operadores. De entre os vários indicadores de sucesso de Moçambique nas comunicações, são de destacar a introdução da concorrência no sector de telefonia móvel, a rápida expansão da cobertura geográfica da mesma, o crescimento da teledensidade global (móvel e fixo) de 1,40 linhas, em 2002, para 12,63 linhas, em 20071; o crescimento global dos subscritores (do móvel e do fixo) de 547.576, em 2002, para cerca de 1 3.500.000, em finais de 2007; a introdução de novas tecnologias destinadas a fornecer novos serviços e o desenvolvimento de uma política Nacional coerente das Tecnologias de Informação e Comunicações; a redução dos preços do equipamento terminal, permitindo que um número cada vez maior de consumidores tenha capacidade de adquirir e de usufruir dos respectivos benefícios; a entrada de novos operadores de transmissão de dados e prestadores de serviços de Internet e outros serviços de valor acrescentado, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e socioeconómico do País. No entanto, o Sector Postal continuou a avançar num ritmo desacelerado, apresentando hoje apenas 14 operadores e prestadores de serviços. Além disso, há uma distribuição desproporcional dos mesmos ditada por factores económicos que levam à maior concentração das empresas em Maputo. À excepção da EDMA, LDA, sediada na Beira, capital provincial de Sofala, os restantes treze operadores encontram-se na capital do País. 15 O novo edifício-sede do INCM 5 pisos de escritórios, um anfiteatro, um restaurante, ginásio e sauna, parque de estacionamento para 100 viaturas, uma piscina e um campo de jogos. Teledensidade é o número de linhas telefónicas por 100 habitantes Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Os grandes desafios do INCM São vários os desafios do INCM, mas, de entre eles, há os críticos para o fortalecimento da visibilidade institucional, ou seja: 16 a)Auto-afirmação do INCM, como autoridade reguladora das áreas postal e de telecomunicações; b) Fortalecimento da fiscalização; c) Contribuição para a implementação efetiva do serviço de acesso universal; d) Contribuição para a melhoria da qualidade de cobertura da telefonia móvel no País; e) Contribuição para a expansão dos serviços de telefonia aos distritos que ainda não os têm 2 ; f) Criação do modelo de licença unificada de telecomunicações face ao crescente movimento de convergência tecnológica de redes e serviços; g) Realização de campanhas de informação e divulgação dirigidas aos operadores e ao público em geral, com vista a estimular a migração do actual sistema analógico para o sistema digital; h) Criação de comités de consulta, um válido mecanismo de ligação com a sociedade, particularmente com os destinatários dos actos do INCM, compostos por pessoas com conhecimentos adequados para representar os interesses e os pontos de vista dos utilizadores, dos consumidores, dos operadores e prestadores de serviços de telecomunicações, com o fim de aconselhar o Instituto em questões técnicas específicas. 2 A grande meta definida para o sector no Quinquénio do Governo (2005-2009) é expandir as telecomunicações para mais zonas do País. LEME O quadro legal exige a esta Instituição Pública uma actuação de modo a que, num mercado em constante mudança como o de Moçambique, sejam promovidos tipos e qualidade de serviços postais, de telecomunicações e radiocomunicações, tendo em conta o interesse público. Este mesmo quadro legal impõe aos operadores e prestadores de serviços nessas áreas formas regradas e civilizadas de funcionamento, sendo a aplicação das mesmas fiscalizada pelo INCM. O fortalecimento da visibilidade institucional e o aprofundamento do reconhecimento público do Regulador moçambicano são apenas meios porque o cumprimento cabal das atribuições do INCM é o fim por que se luta, uma vez que esta instituição está ao serviço do desenvolvimento das empresas, de outras organizações, das pessoas e do País. Transportes e Comunicações em Conselho Coordenador em Nacala O Ministério dos Transportes e Comunicações realizou, de 3 a 5 de Setembro do corrente ano, o seu XXVI Conselho Coordenador, na Cidade portuária de Nacala, na Província de Nampula, sob o lema: “Transportes e Comunicações: Repensando no seu Papel para o Desenvolvimento e Combate à Pobreza”. 18 LEME LEME Ministro dos Transportes e Comunicações com quadros do Ministério O evento teve como objectivo fazer o balanço da implementação das deliberações do XXV Conselho Coordenador, realizado em Agosto de 2007, em Namaacha, Província de Maputo, com vista a imprimir maior celeridade no ritmo de desenvolvimento do Sector dos Transportes e Comunicações para o ano de 2009. O desempenho do Sector em 2007, a avaliação do grau do cumprimento do Programa Quinquenal do Governo (2005/2009), o Plano Económico Social para 2009 e a Proposta do Plano Estratégico do Sector dos Transportes e Comunicações, constituíram documentos de destaque, analisados no encontro, para além de reflexões sobre os diferentes ramos do sector. Analisou-se, igualmente, o grau de implementação da Matriz do Sector Privado, aprovado na 10.ª Conferência Anual do sector Privado (CASP 2007), para além de várias iniciativas de capacitação dos participantes, como liderança e comunicação e formação de equipas (Team – building). A escolha de Nacala como local da realização do evento enquadrou-se na implementação da iniciativa de desenvolvimento distrital, para além de constituir uma oportunidade para os diferentes participantes do Conselho Coordenador estabelecerem um contacto Ministro dos Transportes e Comunicações, Eng.º Paulo Zucula, orientou o Conselho Coordenador do Sector, em Nacala com a realidade local, tendo-se realizado visitas a diversas infra-estruturas do Sector dos Transportes e Comunicações, implantadas em Nacala, com referência para o Porto. Outro aspecto a salientar no Conselho Coordenador do MTC foi a orientação das suas actividades para a redefinição do papel do Sector no desenvolvimento e combate à pobreza, facto destacado no respectivo lema do evento. Participaram no Conselho Coordenador dirigentes e quadros do MTC, representantes dos Institutos e Empresas do Sector, Sindicatos, Associações dos operadores e outros convidados de instituições públicas e privadas. 19 Entrega de Diplomas de Honra Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Transporte urbano de passageiros reorganiza-se O Ministério dos Transportes e Comunicações vai introduzir novas medidas para a reorganização do sistema do transporte urbano de passageiros, como forma de responder às actuais exigências da dinâmica do mercado de transportes nas principais urbes do País. 20 LEME Com efeito, o Conselho de Ministros aprovou, em 1 de Abril do corrente ano, a Estratégia de reorganização e gestão do sistema de transportes públicos urbanos que enquadra o transporte como a coluna vertebral do desenvolvimento do País, por ser um factor importante na motivação dos investimentos, determinação dos preços da matéria-prima e produtos acabados e acondicionamento dos parâmetros de actividades de recreação e lazer, para além do reconhecimento do papel social desenvolvido pelo transporte urbano para a materialização dos demais direitos dos cidadãos. A estratégia prevê melhorias no sistema de mobilidade e acessibilidade, administração do trânsito, minimização de distâncias e tempo, atenção especial aos grupos sociais mais vulneráveis, para além da melhor gestão dos transportes públicos. De entre as medidas a implementar o destaque vai para a introdução da operação multi-modal, combinando o transporte rodoviário, ferroviário e o marítimo, reforma do sistema tarifário, passando a privilegiar o serviço pré-pago e integração tarifária entre os operadores, bem como o maior envolvimento dos Municípios na solução dos problemas de transporte, reforma do sistema de assistência técnica e aprovisionamento de peças, entre outras. Actualmente, a gestão dos transportes públicos urbanos na capital do País e na cidade-satélite da Matola está a cargo do sector público, através da Empresa Pública Transportes Públicos Urbanos (TPM) e do sector privado representado por várias Associações de Maputo e arredores congregados ou não na Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviário (FEMATRO), sendo caracterizado por exiguidade e envelhecimento das frotas dos equipamentos, deficiente assistência técnica e frequente congestionamento do tráfego. Na Empresa Transporte Público de Maputo (TPM, E.P.) destaque vai para a sua reestruturação que resultou em três novas unidades empresariais, nomeadamente a Transportes Público de Maputo Cidade, a Transportes Público da Matola, tuteladas pelos respectivos municípios e uma unidade autónoma de assistência técnica, Tecno - Assist. Para o efeito, o Ministério dos Transportes e Comunicações está já a trabalhar com os Municípios e o Sector Privado, com vista à operacionalização da estratégia aprovada. LAM REGISTA CRESCIMENTO E APOSTA NA MODERNIZAÇÃO A companhia aérea Nacional, LAM, registou um crescimento de 29% no número de passageiros transportados no mercado doméstico e 6% nas rotas regionais, durante o 1º semestre de 2008, comparativamente ao mesmo período do ano passado. 22 LEME Estes dados foram apresentados durante o encontro de avaliação do Plano Estratégico da Empresa para o triénio 2008-2010 que decorreu em Agosto último na cidade da Matola. “O desafio é atingirmos a meta histórica dos 500 mil passageiros no final de 2008”, afirmou o Presidente do Conselho de Administração da Empresa, Eng. José Viegas. Durante o encontro, os quadros seniores da Empresa analisaram, ainda, o impacto do aumento do preço do combustível, bem como as medidas implementadas que se resumiram num reajuste da rede de exploração, com uma redução em 13% da oferta de lugares e no aumento do preço das passagens em 10% “que fica muito além dos aumentos registados nos 6 meses do corrente ano, sendo que o combustível representa já cerca de 55% dos custos operacionais”. A implementação do bilhete e check in electrónico a 100% foi uma das conquistas da Empresa, uma vez que “passamos a poupar cerca de 9 dólares no processamento dos mesmos, para além dos ganhos em matéria ambiental que conseguimos com a diminuição dos gastos em papel”, afirmou o Dr. Jeremias Tchamo, Administrador Financeiro da Empresa. No âmbito das perspectivas desenhadas para o 2º Semestre do corrente ano, destacam-se o processo de renovação da frota, num investimento orçado em aproximadamente 100 milhões de dólares. “Esperamos, brevemente, oferecer aos nossos clientes novas experiências, com a chegada de duas aeronaves de última geração, com capacidade para transportar 75 passageiros e que consomem menos 30% do que os actuais BOEING 737-200 e poluem muito menos o meio ambiente. Estamos confiantes que a renovação da frota vai-nos trazer ganhos de produtividade e também permitir maiores poupanças no combustível”, frisou o PCA da Empresa. Para fazer face ao processo de modernização em curso, a Empresa já iniciou a formação do seu pessoal, em particular das áreas técnicas, tendo como horizonte o crescimento da Empresa, que no inicio do ano realinhou a sua estratégia com o objectivo de ser um forte competidor no Mercado regional. “Estabelecemos um programa de formação que prevê a expansão e crescimento da LAM a médio/longo-prazo e vamos formar pilotos, de raiz, estando já em curso a selecção de 20 jovens para frequentarem o curso de pilotagem numa academia na Etiópia. O acordo nesse sentido já foi formalizado e representa um investimento de 950 mil dólares no capital humano”, afirmou o Administrador Técnico Operacional, Comandante João Abreu. A Empresa prevê também que, até ao fim do ano, já tenha implementado o sistema de reservas e vendas de bilhetes através da Internet, bem como a expansão dos serviços da sua actual linha do cliente, para uma filosofia de Central de Atendimento, acessível a partir de qualquer ponto do mundo. “A entrada de novas aeronaves na frota, a introdução das vendas através da Internet e a extensão dos serviços que oferecemos na nossa linha do cliente irão revolucionar, certamente, o negócio da aviação Nacional, criando assim as condições necessárias para que a Empresa seja mais competitiva e eficiente”, afirmou o PCA da LAM, o Eng.º José Viegas. Paulo Zucula empossa novos quadros para cargos de chefia O Ministro dos Transportes e Comunicações, Eng.º Paulo Francisco Zucula, conferiu posse, no dia 15 de Agosto do ano corrente, à Chefe do Gabinete do Ministro, Dr.ª Ema Chicoco e à Chefe do Departamento Jurídico, Dr.ª Sérgia Langa. Paulo Zucula, ladeado pela Chefe do Gabinete, Ema Chicoco (à sua direita) e a Chefe do Departamento Jurídico, Sérgia Langa 24 Ema Chicoco, licenciada em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane, até à data da sua nomeação exercia as funções de Chefe do Departamento das Comunicações do Ministério dos Transportes e Comunicações e substitui António Augusto Bulande que chefiava o Gabinete do Ministro há pouco mais de três anos. Sérgia Langa, formada em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane, até à data da sua nomeação era Técnica afecta ao Departamento Jurídico e vai preencher a vaga deixada por Albano Lourenço Júnior, LEME nomeado para o cargo de Secretário Permanente do Ministério dos Transportes e Comunicações. Falando na cerimónia de tomada de posse dos novos quadros, o Ministro dos Transportes e Comunicações referiu que a nomeação dos novos quadros enquadra-se num processo normal de reestruturação do Sector. Sobre os desafios que se colocam aos quadros empossados, o Ministro destacou a celeridade na tramitação dos pedidos dos cidadãos que demandam os serviços prestados no Ministério dos Transportes e Comunicações, para além de cultivar o espírito de trabalho em equipa. LEME 25 Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Instituto Nacional de Meteorologia e a Gestão Conjunta de Calamidades Naturais em Moçambique Com vista a imprimir uma maior intervenção no que diz respeito ao monitoramento e Gestão de Calamidades Naturais em Moçambique foi criado, após as cheias de 2000, o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), que é um órgão multi-sectorial composto por várias institutições que trabalham directamente na gestão de calamidades naturais. Neste âmbito, o Instituto Nacional de Meteorologia destacou dois técnicos, que estão a trabalhar na produção de previsões de risco para as bacias hidrográficas e monitoramento de outros factores climáticos nas regiões afectadas. A brigada destacada do INAM no CENOE tem por missão produzir previsões de risco para as bacias hidrográficas usando como parâmetro a quantidade de precipitação e as zonas de ocorrência de chuvas; monitoramento dos eventos climáticos tais como: ciclones tropicais e depressões que atravessam o canal de Moçambique, bem como estudar e criar cenários em coordenação com a Direcção Nacional de Águas e ARA-Zambeze, para monitorar a subida e descida dos caudais nas diversas bacias. Neste contexto, verifica-se um contributo notável das previsões meteorológicas para a gestão das bacias hidrográficas não só no vale do Zambeze, como também noutras bacias hidrográficas onde, nas épocas chuvosas as cheias e outros eventos do tempo e clima, têm sido frequentes. 26 LEME Com as previsões de risco, adoptou-se a classificação das quantidades de precipitação que se regista em cada região, que consiste em: previsões sem risco – quando se regista precipitação abaixo de 25mm; precipitação de risco baixo – quando se regista a precipitação acima de 25mm e abaixo de 50mm; risco médio – quando se observa a precipitação acima de 50mm e abaixo de 80mm e previsões de alto risco – quando se verifica a precipitação acima de 80mm. Ainda no mesmo âmbito de Gestão de Calamidades Naturais, o Instituto Nacional de Meteorologia, em coordenação com a Direcção Nacional de Águas e a Administração Regional de Águas, na bacia do Zambeze, produz uma previsão - resumo semanal da situação das bacias nos dias posteriores, usando informação meteorológica, a informação das bacias afluentes e as descargas da Hidroélectrica de Cahora Bassa. CPLP Reforça Capacidade Institucional do Domínio de Clima, Recursos Naturais e Ambiente Tendo como pano de fundo o reforço da capacidade institucional e cooperação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Moçambique participou, de 2 a 7 de Março do ano corrente, na Ilha do Sal, em Cabo Verde, no Seminário Internacional sobre Clima e Recurso Naturais nos países de língua oficial portuguesa. A delegação moçambicana foi chefiada pelo Engº. Moisés Vicente Benessene, Director do INAM e integrando o Eng.º Belarmino M. Chivambo, chefe do Departamento dos Recursos Hídricos da DNA, Engº. Francisco Raul Nostado, Chefe do Departamento de Formação e Desenvolvimento Institucional do INAM e Engº. Dennis Peter Faisca Guiamba, Oficial da Informação do INGC. LEME O encontro debruçou-se sobre: o reforço da cooperação entre os países de Língua Oficial Portuguesa e Macau/China no domínio do Clima, Recursos Naturais e Ambiente; o estádio de desenvolvimento das pesquisas nas áreas do Clima e do Desenvolvimento Sustentável; a Monitorização Climática e Ambiental; as Energias Alternativas; as Vulnerabilidades; a Prevenção e o Combate aos efeitos da Variabilidade e Alterações Climáticas, Cenários e Medidas de Adaptação. Outras actividades de relevo levadas ao término no Primeiro Semeste O Instituto Nacional de Meteorologia, INAM, está a desenvolver trabalhos de expansão e de melhoria da sua rede de observação meteorológica. Com efeito, mais duas estações meteorológicas entraram em funcionamento, nomeadamente a de Caia e Milange, para além de se ter concluido, no Primeiro Semestre deste ano, as obras de reconversão do edifício da Aerologia em escritórios. Ainda no semestre em balanço, o INAM introduziu melhorias no seu sistema das telecomunicações meteorológicas, tendo concluído já: a instalação do sistema GPRS (General Pocket Radio Service) e SMS em Caia, a actualização do circuito digital da Beira de 64Kbps para 128Kbps; a reconfiguração do Accesso Múltiplo por Divisão de Código ( CDMA ) de Chimoio para usar o Servidor da empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) e a instalação de Internet usando ADSL (Banda Larga) da TDM em Lichinga. Perspectivas para o Segundo Semestre de 2008 Dentro dos esforços de modo a restituir a rede Nacional de Estações Meteorológicas afectada maioritariamente durante o conflito armado estão perspectivadas: a conclusão das obras e apetrechamento das estações de Mutarara, Metangula e Mecula e o posterior lançamento de concursos para a aquisição de equipamentos; a reabilitação da estação sinóptica de Chicualacuala; a operacionalização dos três Centros Regionais de Meteorologia para reciclagens técnicas de funcionários da sede do INAM e das Províncias, e para a formação de inspectores de qualidade nas Províncias. Ainda sobre a carteira de realizações para o Segundo Semestre, prevê-se o treinamento de dois meteorologistas em Meteorologia Aeronáutica, na África do Sul, a instalação de estação sinóptica automática no Aeroporto de Vilankulo, a introdução de novos e modernos métodos de gestão e organização de actividades, o desenvolvimento de novos produtos e estabelecimento de relações de tipo novo com clientes. No âmbito do fortalecimento da ligação entre o INAM e as comunidades, prevê-se entre outras iniciativas, a realização de campanhas de educação e consciencialização pública através dos órgãos de comunicação social, ONGs e autoridades locais, realização de uma exposição alusiva ao dia da Meteorologia, a realização de inquéritos sobre a qualidade de serviços prestados pelo INAM, seminários para a divulgação dos prognósticos do tempo e clima, continuação da Implementação do projecto RANET e a instalação do sistema de envio de sms nas estações de rádio comunitárias. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 27 TDM aposta na transmissão em Fibra Óptica O desenvolvimento que as Tecnologias de Informação e Comunicação conheceram nos últimos anos, particularmente no final do século XX com o desenvolvimento da Internet, por um lado e, por outro lado, com o facto do País ter alcançado a paz, o que propiciou a estabilidade, a reconstrução e um crescimento económico acelerado, foram factores decisivos para que a TDM repensasse a edificação de uma Rede Nacional de Telecomunicações, ainda mais sólida e operante e de grande capacidade, por forma a dar resposta às crescentes necessidades dos vários sectores de actividade e, por sua vez, catalisar o desenvolvimento económico e social do País. Foi nesse contexto que a empresa Telecomunicações de Moçambique decidiu, como prioridade, o estabelecimento de uma Espinha Dorsal da Rede Nacional de Transmissão (Backbone Transmission Network) com base em cabos de fibra óptica, exemplo do que acontece com outros operadores de telecomunicações. Esta solução não apresenta os inconvenientes da transmissão via satélite e oferece vantagens significativas como, por exemplo, grande capacidade, transmissão de todo o tipo de sinais (voz, dados, Internet, televisão, rádio, etc.), melhor qualidade e maior fiabilidade. É, por isso mesmo, muitas vezes designada por “Auto Estrada de Informação”. O Estágio Actual da Implementação da Espinha Dorsal 28 LEME A primeira etapa da implementação do Backbone consistiu na ligação, através de um cabo submarino de fibra óptica entre Maputo e Beira, com pontos de amarração em Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, o qual foi concluído em 2002. Note-se que o projecto para esta fase foi elaborado quando o País ainda estava na situação de conflito armado, daí a decisão por uma ligação submarina. Procurando formas de acelerar a edificação deste importante programa, o Conselho de Administração da TDM decidiu prosseguir com a implementação do Backbone e, em 2004, deu início à segunda fase, a qual consistiu na ligação entre Beira e Quelimane através da colocação de cabos de fibra terrestres entre Beira e Caia e por via aérea entre Chimuara e Quelimane, tendo esta sido concluída e inaugurada oficialmente em Março de 2007. Entretanto, tendo em conta necessidades do País, sobretudo no domínio da Internet, foi feita a ligação à África do Sul em cabo de fibra óptica, em Ressano Garcia, em Maio de 2006. A terceira fase consistiu na ligação envolvendo os seguintes troços: Quelimane/Mocuba/ e Nampula/ Cuamba/Mocuba, tendo sido oficialmente inaugurada em Abril de 2008. Actualmente e já na sua fase conclusiva, decorrem os trabalhos de instalação dos cabos de fibra óptica entre os seguintes troços: Chimoio/Tete/Caia; Nampula/ Pemba e Cuamba/Lichinga. Faz parte também dos trabalhos em curso a ligação em fibra óptica ao Malawi. Note-se que depois de concluídos os troços acima referidos, o que se espera que aconteça antes do final do primeiro trimestre de 2009, todas as capitais provinciais estarão definitivamente ligadas entre si através de uma infra-estrutura em fibra óptica. Entretanto, acaba de ser assinado um contrato que permitirá a implementação de um projecto que tem como objectivo central assegurar a redundância, através da criação dos chamados anéis ópticos. Esta configuração permite assegurar que não haja interrupção das comunicações em caso de avaria em qualquer ponto da rede ou corte por acidente ou sabotagem do cabo de fibra óptica. No âmbito desse contrato será igualmente feita a ligação em fibra óptica à Suazilândia e ao Zimbabwé. A implementação do Backbone representa inúmeras vantagens para o País, tais como a possibilidade de interligar todas as capitais provinciais, localidades e distritos em simultâneo e em tempo real, fornecendolhes uma significativa melhoria na qualidade de serviço, produtos e soluções de comunicações; serve de suporte ideal para o desenvolvimento e disseminação das Tecnologias de Informação e Comunicação, contribui significativamente na redução dos custos de comunicações, facilita a integração regional do nosso País, bem como a nossa plena participação na Sociedade de Informação, para além de que a partir desta infra-estrutura, tornar-se-á mais fácil proceder à ligação à sede dos distritos bem como a outros pólos de desenvolvimento. Em resumo, todo este esforço demonstra claramente a preocupação central da TDM que é a que consta no slogan da empresa: “Pôr as pessoas a comunicar e desenvolver Moçambique”. REDE NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES E A MISSÃO DA TDM A Empresa Telecomunicações de Moçambique foi criada, como Empresa Estatal, em 1981, através do Decreto N.º 5/81 de 10 de Junho. É interessante notar que, já nessa altura, se entendia que a satisfação crescente do acesso às comunicações pelas populações e pelos diferentes sectores produtivos exigia a edificação de uma rede de telecomunicações sólida e operante. De facto, pode-se ler no preâmbulo do Decreto acima referido, o seguinte: 30 “É, assim, necessário iniciar-se a edificação de uma rede de telecomunicações. Na verdade, a realização dos objectivos sociais e económicos... depende também da criação de uma infra-estrutura sólida e operante...” A progressiva implantação de uma rede Nacional de telecomunicações deverá satisfazer a procura resultante do desenvolvimento de todos os sectores de actividade...”. LEME O que é uma Rede de Telecomunicações? Uma rede de Telecomunicações consiste essencialmente em três componentes, designadamente a rede de Comutação, que é uma rede de centrais que concentra a inteligência de toda a rede; a rede de Transmissão interliga todas as centrais entre si e é igualmente designada por rede de longa distância e a rede de Acesso liga os clientes à rede de telecomunicações. É neste contexto que a TDM iniciou, nos anos oitenta, a implantação em Moçambique da rede de transmissão de longa distância baseada essencialmente num conjunto de Estações Terrenas de Comunicações por satélite ligadas às respectivas centrais e estas ligadas às redes de acesso aos clientes. Esta tecnologia tinha como vantagem, o facto de o seu custo ser ainda moderado face ao tráfego, que era modesto e independente da distância e da tipologia do terreno. Note-se, igualmente, que esta era a única opção tecnicamente viável dado que, na altura, o País se debatia com a situação de conflito armado. Importa também referir que a transmissão por satélite apresenta alguns inconvenientes como, por exemplo, o facto de o satélite não ser propriedade de Moçambique poder afectar a segurança e soberania Nacional; os custos unitários de aluguer de espaço no satélite serem elevados e, consequentemente, à medida que o tráfego vai aumentando como consequência do desenvolvimento do País, a factura a pagar também aumenta; a limitação considerável da capacidade disponível; o atraso na propagação do sinal; a vulnerabilidade da qualidade da transmissão, na medida que ela está sujeita a interferências atmosféricas, entre outras limitantes. Bicicleta, custos energéticos e saúde Ao longo da história o transporte sempre desempenhou um papel preponderante no desenvolvimento económico, social e cultural dos povos do mundo. É o transporte que permite trocas comerciais e dita, com certa força, o valor das mercadorias transportadas. É o transporte que permite o acesso aos serviços básicos que os cidadãos têm como direito universal consagrado na legislação de quase todos os países e em tratados internacionais. 32 LEME É o transporte que viabiliza a busca de conhecimento existente e que tanto precisamos para uma vida socialmente agradável. As trocas de experiências, a assimilação de valores morais, culturais e éticos passa pela necessidade de interacção entre os indivíduos, concorrendo-se, assim, para a universalização e valorização do que temos e somos. Com efeito, desde que o ser humano se estabeleceu na terra que necessita de se locomover, fazendo-se transportar de um sítio para outro, para se alimentar, protecção e defesa ou para se agregar em comunidades com interesses comuns. Sem dúvida que as primeiras formas de se fazer transportar basearam-se nos meios de locomoção do próprio ser. Com a evolução dos tempos cresceu a necessidade de se ganhar tempo como forma de melhorar a busca de sobrevivência, protecção, conquistas de espaço, etc. Foram estes os momentos que desafiaram a inteligência dos primeiros homens (que a par das “descobertas” de fogo, de formas de trabalhar o ferro, do sedentarismo, etc.) tiveram de “inventar” formas mais rápidas de locomoção. Embora não existam registos precisos sobre o surgimento do transporte, por este não ter sido um acto, mas sim um processo, crê-se que uma das primeiras formas de transporte surgiu para responder à necessidade de efectuar trocas comerciais entre povos distantes do local de produção. Numa primeira fase, a humanidade teria recorrido à tracção animal. Apesar de bastante primitivo, o transporte com recurso a este tipo de tracção é considerado uma das ideias bastante importantes para a evolução dos restantes modos de transporte. É que o homem dessa era, com as suas limitações, conseguiu lançar uma semente que levaria a uma sociedade global, onde os povos pudessem cooperar, complementarem os seus sistemas de produção, viver longe dos seus locais de trabalho, a fim de se poderem deslocar, receber e enviar mercadorias para grandes distâncias. Com o advento da urbanização, caracterizada essencialmente por um povoamento aglomerado, o Modelo de bicicleta foi concebido por Leonardo da Vinci em 1490 LEME factor distância começa a ser associado ao tempo perdido durante o percurso, facto que conduziu à necessidade de transporte de passageiros, cuja característica é a valorização da velocidade, preocupação que desafiou as mentes da Humanidade de então. Apesar de não ser consensual, alguma literatura indica que o primeiro serviço público de transporte de passageiros foi idealizado em França, por volta de 1662, quando foi inaugurado um sistema regular de carruagens de madeira, puxada por quatro animais, ligando dois extremos de Paris, baptizado com o nome de ônibus, que em latim significa para todos. O transporte não motorizado não se cingia apenas à tracção animal. Durante vários Séculos, o Homem foi explorando a possibilidade de criar um meio de transporte movido a tracção do próprio homem que veio a evoluir até à bicicleta. Vários autores defendem que a bicicleta surgiu pela mão do Conde francês Mede de Silrac e outros autores consideram que a sua criação foi posterior. No entanto existem registos de que os antigos egípcios já conheciam aquele meio de locomoção ou, pelo menos, já idealizavam nos seus hieroglíficos a figura de um veículo de duas rodas com uma barra sobreposta. Em 1966, monges italianos, no restauro de manuscritos de Leonardo da Vinci, descobriram também desenhos datados de 1490, em que se podia distinguir uma máquina muito semelhante às modernas bicicletas, dotada inclusivamente de pedais e tracção por corrente. O transporte não motorizado viu-se substituído com a Revolução Industrial, nos meados do Século XVIII, altura em que a humanidade conhece a mecanização. Com a energia mecânica, surgiu a importância do combustível, desde o carvão e a hulha, passando pelo petróleo até à electricidade. Tendo cada uma das fontes de energia ordenado o sistema produtivo mundial. Já nos finais do Século XIX, movido por responder à necessidade de lazer, saúde e deslocação para distâncias muito curtas, a humanidade volta a resgatar o transporte não motorizado, a bicicleta moderna. A partir desta altura, cada uma com razões específicas, desde a necessidade do exercício físico, lazer até mesmo transporte de baixo custo, ricos e pobres têm estado a colorir as ruas de grandes cidades e áreas rurais, pedalando animados para diversos destinos. Em face das novas tendências, catalisados pela escalada dos preços dos combustíveis fósseis, uma profunda reflexão se impõe, sobre a massificação do uso de meios alternativos de transporte, que possam reduzir a pressão sobre os combustíveis fósseis. Bicicleta como meio de transporte alternativo Os vestígios do surgimento da bicicleta relegam-nos a crer que a bicicleta teria surgido, numa primeira fase, fabricada com recurso a rodas de madeira, movendo-se com recurso a fricção, através de energia proveniente do “ciclista” que, numa primeira fase, se apoiava no solo e, posteriormente, no sistema de pedais. Em 1790, o Conde francês Sivrac inventou uma máquina a que deu o nome de “celerífero” e que alguns historiadores consideram ser este instrumento, o antepassado da actual bicicleta moderna. O “celerífero” não tinha movimento de direcção, já que a roda dianteira era fixa, nem pedais, o que obrigava o utilizador a empurrá-lo com os pés, ou seja, o “ciclista” andava a pé, mas sentado sobre o “celerífero”. Curiosamente, apesar de pouco cómodo e bastante desconfortável, quando comparado com outros modos de transporte 33 No ano de 1855 o francês Erneste Michaux inventa o pedal, que foi instalado num veículo de duas rodas traseiras e uma dianteira. Os pedais eram ligados à roda dianteira e o invento ficou conhecido como velocípede, palavra oriunda do latim velocidade mais pé ou velocidade movida a pé. Alguns consideram-no bicicleta moderna e, na verdade ficou posteriormente chamado de triciclo. disponíveis na altura, esse tipo de transporte era utilizado para percorrer pequenas distâncias. As razões da opção, provavelmente continuam válidas até hoje. Por volta de 1816, o Barão alemão Karl F. Drais adaptou uma direcção ao “celerífero” que passou a ser denominada de guidão. Junto com o primeiro guidão apareceu a draisiana, uma das primeiras bicicletas. Apesar desse novo equipamento, ainda assim, a bicicleta precisava de crescer mais para se tornar um meio de uso massivo. Em Abril de 1818, o próprio Barão Drais apresenta o seu invento no parque de Luxemburgo, Paris, e meses mais tarde faz o trajecto Beaune-Dijon, França. Esse invento é mais parecido com a actual bicicleta, porém de forma dinâmica bem diferente e de material mais pesado, pois era feita com uma liga de antimónio, metal bem pesado. 34 LEME Em 1840, o escocês Kirkpatrick Macmillan adapta ao eixo traseiro duas bielas ligadas por uma barra de ferro. Isto provocou o avanço da roda traseira, dando-lhe maior estabilidade e possibilidade de mobilidade rápida. Com esse mecanismo a bicicleta ficou mais segura e estável, pois nas curvas evitava o antigo jogo do corpo para o lado oposto ao movimento a fim de manter estável o equilíbrio, já que o equipamento em si era bastante pesado. Do percurso histórico feito a cima, sobre a origem da bicicleta, podemos constatar que a génese deste meio está associada, não só à procura de resposta ao problema do transporte (deslocação de pessoas e bens), mas também à de oferecer uma alternativa de lazer, desporto e saúde. Assim sendo, é insustentável a associação da bicicleta à classe social do seu utilizador. É consensual que a bicicleta é de todos e para todos. Os níveis de crescimento urbano que vem caracterizando nos últimos tempos os países, sobretudo os países em vias de desenvolvimento, traz consigo uma série de consequências de carácter socioeconómico aos principais aglomerados urbanos que se traduz entre outras situações pela ausência de sincronia entre o crescimento urbano e a malha viária. Os espaços viários tornam-se inadequados para comportar de maneira harmónica a quantidade crescente de veículos motorizados e pessoas que realizam as suas deslocações quotidianas. LEME Actualmente, a redução da utilização do automóvel tornou-se uma condição necessária para garantir a mobilidade urbana. Nas viagens de curta duração, a bicicleta tem estado a substituir o automóvel, com vantagens tanto para o ciclista, como para a comunidade em geral. Se a problemática de trânsito não é suficiente para a massificação do uso da bicicleta numa determinada comunidade, inúmeros estudos científicos focam a importância da prática do exercício físico regular na saúde humana, quer ao nível fisiológico, quer ao nível psicológico. A lista de benefícios potenciais ou comprovados, resultantes da utilização da bicicleta são de natureza diversa, abrangendo benefícios económicos, sociais, ecológicos etc. Do ponto de vista económico, não há dúvidas que andar de bicicleta é mais barato do que o uso de qualquer outro meio de transporte. Numa sociedade em que os seus sistemas produtivos são ordenados em função da maior ou menor disponibilidade dos combustíveis fósseis, usar um meio de transporte não motorizado é, sem dúvida, um grande contributo. Do ponto de vista ecológico, a diminuição da poluição sonora e da emissão de gases nocivos lançados para a atmosfera pelos veículos automóveis é um dos ganhos provenientes do uso da bicicleta. A bicicleta pode ser utilizada para a deslocação a longas distâncias. Considerando a força de tracção, actualmente existem três tipos de bicicletas, nomeadamente, a bicicleta a motor, a eléctrica e a bicicleta convencional. A bicicleta a motor, trata-se de um meio misto, em que se lhe aplica um motor auxiliar a gasolina, de baixo consumo, situando-se em média de gasto de 1.5 litros em cada 80 Km. Por seu turno, a bicicleta eléctrica é movida com recurso a uma pilha recarregável. As bicicletas a motor e eléctrica têm a facilidade em subir, fazer face ao vento contrário ou transportar cargas. O pequeno motor eléctrico e a pilha recarregável permitem fazer metade do esforço, ou menos, necessário numa bicicleta convencional. No entanto, um uso mais regular da bicicleta convencional proporciona maior oportunidade de exercício para os seus utilizadores. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 35 TRANSPORTE INTERMODAL E POLÍTICAS DE TRANSPORTE Rui Rodrigues Jornalista e especialista em transportes 36 LEME REDES DE TRANSPORTE INTERMODALIDADE: CONCEITOS O transporte pode ser considerado como um sistema constituído pelas infra-estruturas, pelos veículos e pela respectiva exploração. Existem vários modos de transporte como seja o marítimo, o rodoviário, o ferroviário e o aéreo. Todos possuem uma rede que, no caso da rodovia, é constituída pelas auto-estradas e estradas convencionais, enquanto a ferrovia é servida pela rede convencional, suburbanos e Alta velocidade. Cada uma destas redes é organizada por nós que, na ferrovia, são as estações, no marítimo são os portos e no aéreo são os aeroportos. Os nós podem ser considerados como pontos onde é possível mudar de rede. Os diferentes sistemas de transporte devem promover ao máximo, a coordenação dos seus modos e respectivas redes. Para que tal seja melhorado, é necessário interligar todos os seus nós. As redes de transporte mais eficientes serão aquelas que permitam tirar partido, de uma forma integrada, das vantagens que cada modo de transporte apresenta, reduzindo, assim, os custos económicos, os ambientais e devendo, simultaneamente, ser conjugadas com políticas que invistam num correcto ordenamento do território. Todos os países deveriam possuir um sistema integrado de transportes que teriam, como principais objectivos, a ligação dos sectores produtivos, entre si, aos grandes centros de consumo e uma eficaz acessibilidade a todo o território. Uma boa rede de transportes é uma condição necessária para o desenvolvimento do País; contudo não é suficiente. O transporte intermodal representa o movimento de mercadorias que utiliza dois ou mais modos de transporte, sem manipular a mercadoria nos intercâmbios de modo. O termo intermodalidade corresponde a um sistema em que dois ou mais modos de transporte intervêm no movimento de mercadorias de uma forma integrada. O transporte combinado é um conceito utilizado para designar o transporte intermodal de mercadorias onde a maioria d o itinerário percorrido se efectua de comboio, ou por via marítima e, o menos possível, por rodovia, sendo esta utilizada só na etapa inicial e final. As empresas procuram novas soluções que lhes reduzam os custos, combinando as possibilidades: camião-comboio, barco-comboio, avião-comboio-camião, etc. O transporte combinado permite coordenar os meios de transporte por estrada, ferrovia, mar e, recentemente, aéreo, facilitando a sua intermodalidade. Os meios que utiliza são contentores, caixas móveis, camiões e semi-reboques sobre carruagens e barco. Já se utiliza o transporte de camiões sobre vagões. Em França, esta operação tem o nome de Ferroutage. Logística é um termo de origem militar que estava associado à técnica de deslocação e transporte das tropas e seu abastecimento. É uma actividade ligada ao processo de planeamento e gestão de uma cadeia de abastecimento. LEME A logística teve um grande desenvolvimento após os anos 70, devido à globalização da economia e teve como objectivo a redução dos custos de produção, armazenamento e transporte. Plataformas logísticas são pontos ou áreas de cadeias de transporte e logística onde se concentram actividades de carga, descarga, armazenamento, etiquetagem, etc. É uma zona delimitada no interior da qual se exercem, por diferentes operadores, todas as actividades relativas ao transporte, logística e distribuição de mercadorias. Porto seco é um terminal intermodal de mercadorias, rodo-ferroviário, situado no interior de um país e que possui uma ligação directa a um porto marítimo. O processo de mudança de modo de transporte poderá tornar todo o sistema menos eficiente, implicar um aumento dos custos, provocar demoras e menor fiabilidade nos prazos de entrega, devido aos processos administrativos burocráticos. Será necessário reduzir tais custos e apostar numa correcta gestão da armazenagem e da informação. Além disso, será necessário normalizar e unificar as várias unidades de carga de transporte intermodal dos diferentes países, por exemplo, contentores.Para que tudo seja um sucesso é necessário possuir uma rede de infraestruturas, novas tecnologias, simplificação de processos administrativos e redução dos custos na mudança de modo de transporte. INTERMODALIDADE: VANTAGENS A principal vantagem do transporte intermodal consiste em combinar as potencialidades dos diferentes modos de transporte. Desta combinação podem resultar importantes reduções dos custos económicos, segurança rodoviária, poluição, consumo de energia, redução do tráfego rodoviário. Permite, caso seja utilizado o modo ferroviário ou marítimo que o transporte seja efectuado ao fim de semana ou de noite, com segurança. O transporte intermodal só poderá ser uma realidade se for competitivo perante o transporte rodoviário (unimodal) e, para que tal aconteça, será decisivo que no processo de mudança de modo de transporte, este seja eficaz e de baixo custo; caso contrário, este sistema poderá ser um falhanço. 37 O novo sistema da Modalohr Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações No gráfico, podemos comparar a relação de custos de transporte com a distância a percorrer, ou seja, para grandes distâncias, o comboio e o navio são os transportes mais económicos. O transporte marítimo é lento, mas desloca grandes quantidades de bens por baixo preço. O transporte rodoviário tem limitações de carga, custo significativo e grande impacto negativo nas infra - estruturas de que se serve, mas é o único que permite transporte de porta a porta, pelo que só deve ser usado em curtas deslocações, na origem e destino da cadeia. O avião é o mais rápido e caro, para longas distâncias. Por fim, o modo ferroviário é mais económico, fiável e polui muito menos que o camião, podendo, além disso, minorar a saturação das vias rodoviárias. Actualmente, calcula-se que cerca de 95% do total de transporte tem por base a utilização do petróleo. Qualquer futuro sistema de transporte que seja concebido terá que entrar em linha de conta com uma nova realidade que todos os Governos vão ter que encarar nas próximas décadas: o preço do petróleo barato terminou e não se espera que no futuro a situação se altere. Em 1998, o petróleo custava 12 dólares por barril, hoje já atinge mais de 100 dólares. O novo sistema da Modalohr 38 LEME CAMIÕES SOBRE PLATAFORMAS FERROVIÁRIAS Transporte Combinado em Andamento Rui Rodrigues Jornalista e especialista em transportes Com a globalização, as trocas comerciais entre os diferentes países sofreram enormes aumentos de tráfego, tendo as empresas a oportunidade de aceder a um mercado muito mais vasto. Esta nova realidade originou a procura de alguns meios de transporte de mercadorias, de acordo com as vantagens que cada um possuía. Os barcos podem transportar cargas pesadas, contudo, são lentos. Os aviões são rápidos, mas caros. Por outro lado, os camiões permitem a entrega da mercadoria no local de destino e possuem grande flexibilidade, tendo sido o meio mais utilizado e, devido a isso, a saturação das estradas passou a ser um grande problema. Finalmente, os comboios são mais económicos, fiáveis e poluem muito menos que o camião, podendo, além disso, minorar a saturação das vias rodoviárias. Estudo efectuado pela Universidade de Kaslsruhe (Alemanha) demonstrou que os custos originados pelos acidentes de tráfego e deterioração ambiental representavam quase cerca de 4,6 % do PIB dos 17 países europeus estudados. Desse valor, 92% tinha origem no transporte rodoviário e somente 1,7 % no ferroviário, demonstrando estes valores as vantagens deste modo de transporte. Neste momento, as empresas procuram novas soluções, combinando camião-comboio, barco-comboio, avião-comboio-camião etc. No futuro, estas permitirão entrar em novas actividades associadas ao transporte, como a distribuição e armazenagem. 40 Actualmente, este sector orienta-se para uma actividade cada vez mais especializada e para maiores distâncias e vêm-se concentrando no Transporte Combinado e no Transporte de Cargas. O transporte de cargas homogéneas é um tipo de transporte de mercadorias, tais como, automóveis, carvão, cimento, madeira, etc. O transporte combinado permite coordenar os meios de transporte por estrada, LEME ferrovia, mar e, recentemente, aéreo, facilitando a sua intermodalidade. Os meios que utiliza são contentores, caixas móveis, camiões e semi-reboques sobre carruagens e barco. Já se utiliza, também, o transporte de camiões sobre vagões. Em França, esta operação tem o nome de Ferroutage. O pouco sucesso que estes sistemas têm tido deve-se à limitação de se adaptar apenas o transporte de determinados tipos de camiões e à forte resistência das empresas de camionagem, que vêem nele uma ameaça à sua actividade. O maior sucesso regista-se na Suíça e Áustria, já que estes governos implementaram medidas para a obrigatoriedade deste meio de transporte. LEME CAMIÕES SOBRE PLATAFORMAS FERROVIÁRIAS A empresa Modalohr, após dez anos de estudos, desenvolveu um novo conceito de sistema ferro-rodoviário que responde às actuais necessidades das empresas através de soluções simples, baratas, fiáveis e adaptadas às infra-estruturas existentes. O novo sistema da Modalohr é inovador, pois permite transportar qualquer tipo de camiões e atrelados, com carga e descarga muito rápidas, realizadas pelos próprios motoristas, sendo o tempo da operação independente do número de veículos. Este sistema possibilita que os motoristas trabalhem apenas nos terminais, ou sejam transportados juntamente com a carga, em vagões com restaurante e cama. Um terminal Modalohr é barato e simples de construir porque basta colocar uma linha quase ao mesmo nível (altura) da rodovia. Não é necessário pórtico. O tempo de carga e descarga de 30 camiões pode ser efectuado em cerca de 20 minutos. Carga e descarga é rápida (20 min) e independente do nº camiões. Uma linha férrea que transporte anualmente 1 milhão de toneladas de carga corresponderá, em média, a cerca de 40 mil camiões, ou seja, 110 por dia. 1. Descarga dos camiões 2. Carregamento dos semi-reboques 3. Carregamento dos “tractores” 4. Partida do comboio 41 Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Camiões completos (aceita maioria dos camiões até 4 m de altura) ou Semi-reboques (não é necessário material específico) Vagões Modalohr Tipo de bogie Y33 Y25 Cada vagão rebaixado permite o carregamento de camiões de 4 metros de altura no Gabarit das linhas ferroviárias existentes (UIC GB1). Gabarit é a secção transversal de referência que permite determinar o contorno máximo do material motor e respectivo reboque. O carregamento dos camiões é efectuado directamente através do tractor num plano horizontal e na diagonal, o que possibilita um transbordo muito rápido. O sistema de articulação e de “abertura” dos vagões é inteiramente mecânico e muito simples, o que permite reduzir os custos e dar grande fiabilidade ao sistema. O terminal de carga e descargas é barato pois pode ser constituído por uma superfície 1. Descarga do camião 42 LEME Velocidade máxima 120 Km/h 120 Km/h Carga/eixo 17 Ton/eixo 22,5 Ton/eixo betuminosa que envolve os carris e estando ambos quase ao mesmo nível. A carga e descarga dos camiões sobre os vagões Modalohr necessita de um terminal especializado que convém ser construído num local afastado dos centros urbanos. É constituído por uma só via-férrea e por uma superfície betuminosa à altura dos carris e não é necessária a utilização de qualquer pórtico para movimentar as caixas de carga ou contentores. Não existe problema e interferências com a catenária, o que possibilita a utilização de uma locomotiva eléctrica. O facto do carregamento se efectuar na diagonal permite que o carregamento de cada camião seja independente dos restantes. 2. Separação da caixa de carga LEME 3. Rotação da caixa de carga A carga e descarga dos camiões sobre os vagões Modalohr necessita de um terminal especializado que convém ser construído num local afastado dos centros urbanos. É constituído por uma só via-férrea e por uma superfície betuminosa à altura dos carris e não é necessária a utilização de qualquer pórtico para movimentar as caixas de carga ou contentores. Não existe problema e interferências com a catenária, o que possibilita a utilização de uma locomotiva eléctrica. O facto do carregamento se efectuar na diagonal permite que o carregamento de cada camião seja independente dos restantes. O tempo de carga de 30 camiões é o mesmo que o de um só. 4. Partida do comboio A carga e descarga completa pode ser efectuada em apenas 30 minutos. Outra das vantagens é a carga e descarga em paragens intermédias podendo manterse os restantes camiões nas mesmas posições. A distância entre dois terminais não deve ser inferior a 350 Km. O sistema Modalohr tem condições para ser um êxito comercial, pois oferece soluções standard e responde às actuais necessidades das empresas. Contudo, para ter maior implementação no mercado, deveria, a nosso ver, ter vantagens fiscais, uma que o transporte combinado permite grandes poupanças de energia e reduz a poluição, o que beneficiará o ambiente. Trajecto utilizando a rodovia = 44 Horas. Trajecto utilizando a rodovia + Ferrovia = Ganho de 22 Horas Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 43 Transporte marítimo de linhas regulares contentorizadas Estratégias de crescimento e concentração de activos Yan Alix Director dos Mestrados em Logística Professor de Gestão Marítima-Portuária Escola de Gestão da Normandia- França Programa IPER, Le Havre- França A mundialização das trocas comerciais é um dado adquirido na economia do século XXI. A uniformização das práticas de consumo continua a favorecer a emergência de um mercado único no qual as empresas multinacionais localizam e deslocalizam as suas unidades de produção/distribuição ao sabor das vantagens comparativas de cada uma das regiões do mundo. As trocas de produtos, sejam elas contabilizadas em termos de tonelagem ou em valor constante, permanecem superiores à produção industrial e de manufactura mundial. 44 LEME Este mercado global assenta na “performance” económica e na fiabilidade logística de uma rede multimodal de transporte de envergadura planetária. A indústria do transporte contentorizado serve, assim, os interesses de uma mundialização das trocas, baseando-se nelas para sustentar o seu próprio crescimento. Estandardizar práticas, homogeneizar serviços, procurar economias de escala e de envergadura estão na base de um mercado de contentorização dominado pelas empresas marítimas cada vez mais concentradas. Estas empresas, tendencialmente gigantes, reforçam os seus poderes recorrendo a parcerias técnicas (alianças estratégicas, conferências/consórcios, serviços conjuntos/ partilhas de slots, etc). Os recentes movimentos estratégicos entre operadores de linhas regulares pretende demonstrar a amplitude da concentração dos activos marítimos nas mãos de um grupo restrito de actores privados, sendo que estes optam por estratégias idênticas de massificação dos activos, das capacidades e dos serviços comerciais. Quer se trate da Maersk Line, da CMA-CGM ou ainda da MSC, todos procuram combinar lógicas integradoras verticais ou horizontais ao longo da cadeia internacional de transporte, para alcançar não só o domínio comummente chamado marítimo, mas mais ainda, o de “porta-à-porta”. As estratégias de crescimento podem dividir-se em 5 pontos que combinam: - a fusão dos actores; - a aquisição dos concorrentes e/ou dos parceiros; - a construção naval e gigantismo naval; - a compra de capacidades em segunda-mão; - as alianças estratégicas e partilhas de capacidades /espaços nos principais” trades” Pela sua implicação directa na mundialização da produção e das trocas, o sector do transporte contentorizado não pára de aumentar desde o início dos anos 1960. As práticas técnicas, tecnológicas e logísticas do transporte de mercadorias foram-se transformando à medida que o standard contentorizado ganhava terreno. Na última década, o sucesso da contentorização, segundo os dados sobre a capacidade total desenvolvida entre 1996 e 2005, acelerou (Quadro 1). O mercado da contentorização duplicou com uma capacidade instalada próxima dos 8 milhões de TEU’s para um total superior às 4000 unidades celulares. A taxa de crescimento anual da última década ronda os 10% de TEU’s, no que respeita a navios celulares contentorizados. LEME Quadro 1 Capacidade de contentorização total das 100 primeiras empresas marítimas de linhas regulares (emTEU’s) Ano 1996 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Capacidade total da frota 3 195 000 4 818 000 5 239 000 5 701 000 6 335 000 7 005 000 7 691 000 Fonte : Yann ALIX segundo as compilações da BRS Alphaliner A perenidade comercial de uma actividade de transporte de linhas regulares depende directamente da saúde das taxas de frete, barómetro da flutuação entre a oferta e a procura de serviços de transporte. No sistema actual, em busca de mais concentração e massificação, as empresas mais capazes de sobreviver são as que dispõem da capacidade financeira e comercial para resistir às quedas cíclicas das taxas de frete. A concentração dos actores na indústria da linha regular contentorizada resulta dessas pressões concorrenciais sobre mercados flutuantes no tempo e no espaço. Em períodos de euforia tarifária, quando as taxas de frete estão tendencialmente em alta, as empresas ganham geralmente importantes dividendos. Os leaders do sector procuram então densificar as suas actividades através de estratégias de crescimento imediato. A reactividade no mercado manifesta-se por grandes operações de fusões/aquisições que solucionam, a curto prazo, a urgente necessidade de desenvolver capacidade em segmentos portadores. O sector é, neste caso, alvo de uma contracção com ataques económicos e bolsistas contra companhias com estruturas financeiras debilitadas. Esta solução parece ser uma resposta capitalista ao ajusto imediato das capacidades sobre operações comerciais, especialmente remuneradores. Os grandes operadores não hesitam em assumir riscos comerciais e sobretudo financeiros para sustentar o seu desenvolvimento imediato. Aquisições/fusões dos parceiros e dos concorrentes Dois exemplos, entre outros, encontram-se na oferta pública de aquisição (OPA) do número 1 mundial (Maersk Line) sobre o número 3 (P&O Nedloyd), sendo este também resultado do produto de uma fusão de activos há menos de uma década (1). A Maersk Line, operador de mais de um milhão de TEU’s de capacidade, tomou o controle dos 428.000 TEU’s do grupo P&O Nedloyd passando a operar uma frota mundial superior a 500 navios. A oferta financeira de 2,3 mil milhões de euros permitiu ao gigante dinamarquês uma quota total no mercado mundial de contentorização dos 12,4% para 17,8% (2) (calculados em numero de TEU’s movimentados). A integração da P&O Nedloyd levanta questões estratégicas, tais como as concorrências intra-grupos em alguns mercados, as sobrecargas de capacidades noutros e ainda as soluções informáticas necessárias à integração de dois grupos empresariais com culturas distintas. Da mesma forma, esta aquisição coloca o problema da posição dominante que virá a ocupar a nova entidade Maersk, em alguns segmentos marítimos tais como nas rotas entre a Europa do Oeste e os portos da Costa Leste dos Estados Unidos por exemplo, ou os portos da Costa Oeste de Africa. A Comunidade Europeia e a Administração Americana estão de olhos postos nas potenciais desvios comerciais e tarifarias que resultarão desta tomada de posição da Maersk (3). Um segundo exemplo, a CMA CGM (4), leader francês e 5° mundial do transporte contentorizado, adquiriu os activos marítimos do Grupo Bolloré. A entidade Delmas, actor histórico dos serviços entre a Europa e a África permanece debaixo do controlo de um operador francês em busca de rotas complementares nos mercados africanos (5). Os 50 navios de Delmas (23 em propriedade), permitem à CMA-CGM tornarse número 3 mundial com uma frota total a operar de 230 navios no horizonte de 2008. Nesta óptica, a CMA-CGM reforça a sua capacidade de transporte em forte crescimento nestes últimos anos, consequência da chegada massiva dos grandes navios resultantes de ambiciosas encomendas (6), como resposta ao posicionamento precoce da empresa no mercado chinês (7). A Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 45 CMA-CGM compra a Delmas num contexto económico muito favorável. A CMA-CGM reinveste os seus lucros nas capacidades em segunda-mão, em mercados que não constavam na estratégia de cobertura do operador francês. A indústria marítima, em época de crescimento das actividades, apresenta-se como um “predador” que procura aumentar de imediato o seu posicionamento concorrencial. A vítima da compra concluída encerra as suas actividades, na maior parte das vezes, com uma mais-valia muito confortável, derivada da raridade das capacidades disponíveis e do aumento da procura concomitantemente exercida sobre os valores nominais de cada unidade concedida. Neste caso, a concentração dos serviços marítimos faz-se “com proveito de todos”, com empresas marítimas que desaparecem, deixando os seus accionistas felizes, pois largamente remunerados tendo em conta o contexto de crescimento do mercado. As empresas que dominam apostam no médio e longo prazo, pagando a peso de ouro um desenvolvimento rápido, mas perene, em diferentes ”trades”.No top 10 dos operadores marítimos, a quota-parte atingirá doravante cerca de 60% da oferta total a nível mundial (após integração da P&O Nedloyd e Delmas), contra 43,6% há dez anos atrás (Quadro 2). Esta concentração pelos leaders mundiais mostra ser ainda mais rápida e espectacular quando se observa que o Top 20 mundial concentrava apenas 35% da capacidade total desenvolvida em 1985 e 38,8% em 1990. Quadro 2 Quota-parte dos leaders mundiais no total da frota mundial de contentores Ano 1996 2000 2005 46 % do Top 10 43,6 % 52,7 % 56,4 % % do Top 25 71,1 % 79,8 % 86,4 % Fonte : Yann ALIX segundo as compilações de BRS Alphaliner e de Containerisation International Concentração por compra de unidades especializadas nos trades nichos Outra situação, sanção idêntica: a concentração marítima constrói-se igualmente em altura de flutuação, quando as taxas de frete perdem valor face à concomitância de uma sobre-capacidade da frota mundial LEME (aspecto da oferta) e de uma redução da procura mundial de serviços (aspecto da procura). O armador italo-suiço MSC e o canadiano CP Ships continuam a ser dois exemplos emblemáticos de um crescimento adquirido em contexto de dificuldades económicas/ financeiras/logísticas de concorrentes de tamanho modesto, incapazes de resistir à guerra tarifária e à implementação de novos serviços de Global Carriers. Em cada período de “temporização” do mercado, a CP Ships foi integrando várias empresas, todas elas especialistas dos mercados de nicho, com frotas muitas vezes, pouco consequentes, tanto em número de navios como em capacidade nominal. Desta forma, numa década, 9 operadores passaram a pertencer ao especialista canadiano, levando-o a ocupar o lugar 15 da classificação mundial (Quadro 3). A CP Ships tornouse, em menos de dez anos, um especialista Quadro 3 A estratégia de concentração por aquisição de especialisas históricos de rotas secundarias: Canadian Pacific Ships. Ano 1993 1995 1997 1998 1999 2000 2002 Nome da empresa maritima adquirida Canada Maritime CAST Lykes Lines et Contship Containerlines ANZDL et Ivaran Lines TMM Christiansen Lines Italian Line Fonte : Yann ALIX Todas as empresas absorvidas conservaram o seu objecto social e as suas especialidades em segmentos onde estavam na origem posicionadas. O objectivo estratégico da CP Ships consistiu em posicionar-se através do desenvolvimento de capacidades nos mercados regionais julgados complementares para a oferta de serviços especializados do operador canadiano. Esta visibilidade comercial preservada (denominação da empresa, cor distinta) não impediu que aparecesse outra forma de contracção do mercado com o desaparecimento de entidades comerciais que vêm beneficiar alguns novos “global carriers dos mercados secundários”. LEME A oferta dos serviços marítimos não ficou, por isso, reduzida; pelo contrário, o novo desenvolvimento das capacidades navais desta maneira concentrado implicou normalmente uma estimulante concorrência sobre os trades remuneradores, fora das grandes rivalidades do mercado Este-Oeste. Este crescimento por aquisição de especialistas regionais não impediu que a CP Ships fosse comprada em 2005/2006 pela empresa alemã TUI, cujo ramo de contentorização é mais conhecido sob a denominação Hapag-Lloyd. O operador alemão juntou-se assim às 3 outras empresas europeias presentes no Top 5, deixando a Evergreen ocupar o único lugar asiático na classificação, apresentando uma taxa de crescimento anual, todavia, inferior aos seus concorrentes directos (Quadro 4). Quadro 4 Evolução dos principais operadores marítimos de linhas regulares: Frota e quota de mercado para os anos 2000 e 2006 Empresa Maersk Line MSC CMA-CGM Evergreen Hapag-Lloyd Janeiro de 2000 Ranking TEU’s 1 620 300 5 224 600 12 122 800 2 317 300 14 102 800 % do trotal 12,0 4,4 2,4 6,2 2,0 Janeiro de 2006 Ranking TEU’s 1 1 665 300 2 784 300 3 508 000 4 478 000 5 412 400 % do total 18,2 23,2 5,6 5,2 4,5 Crescimento por ano 17,9 23,2 26,7 7,1 26,1 Fonte : BRS Alphaliner – Liner Market Shares Os resultados falam por si com um processo de concentração que se confirma pela passagem de 12% a mais de 18% do total da capacidade mundial para o dinamarquês Maersk Line. Por outro lado, o número 2, a empresa ítalo-suiça MSC, passou de 4,4% a 8,6%, triplicando a sua capacidade nominal em 5 anos. A subida em potência da MSC concretizou outra forma de concentração horizontal do sector. Crescimento pela compra de capacidades em segunda mão O armador italo-suiço tornou-se especialista nas compras de unidades de contentorização de ocasião, adquirindo navios aptos a servir a sua expansão nos mercados Norte/Sul. A MSC constituiu uma frota e uma capacidade de transporte a uma velocidade incrível, comprando dezenas de navios, atingindo os 200 navios no início de 2000. Esta estratégia deu origem ao reforço de uma estrutura oligopolistica do sector, dado a compra de navios ter sido efectuada junto dos leaders mundiais em curso de modernização das suas frotas e também pela via da integração de capacidades derivadas de empresas de segunda linha, destinadas a desaparecer. Ao invés da CP Ships, a MSC não tentou adquirir empresas marítimas por inteiro. O exemplo dado pela MSC tornou-se pertinente sobretudo a partir de 2001/2002. O operador italo-suiço consolidou os seus activos graças à nova estratégia de crescimento fundada na compra de nove navios de grande porte. Ao contrário dos seus concorrentes directos, a MSC lançou-se numa politica de crescimento, através do aumento das suas encomendas. Combinou a sua estratégia histórica de compra de capacidades disponíveis no mercado com projecção a prazo, com a compra de navios novos. A consolidação pelo domínio das encomendas das grandes unidades de contentorização As perspectivas de consolidação da actividade contentorizada mundial permanecem tão importantes que os Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 47 Quadro 5 Evolução do número do porta-contentores e da capacidade de transporte de MSC. É imperativo situar esta vaga de construção naval dentro do seu panorama histórico. O volume de encomendas da Maersk em 2005 (477 020 TEU’s) ultrapassou largamente a capacidade total desenvolvida pela empresa em 1995 (360 000 TEU’s). Da mesma forma, o total de todas as encomendas acumuladas no dia 1 de Janeiro de 2005 representava 53% da frota total existente. Há que anotar igualmente a subida irreversível da China SCL na classificação mundial com encomendas dignas do Top 5 (40 unidades para 262 500TEU’s). Para além do Top 10, apenas a Mitsui OSK Line (14.º no ranking), a CSAV (em 15.º) e a Yang Ming Line (em 18.º) apresentam encomendas superiores a 100 000 TEU’s. Fonte : Yann ALIX 48 LEME leaders globais impõem-se como os maiores actores no que concerne às encomendas de navios novos. Perto de 45% da capacidade mundial de contentorização, em termos de encomendas, em Janeiro de 2005, são detidas pelos 5 principais armadores, o que equivale a 1,45 milhões de TEU’s para um total de 253 navios. A Maersk Line tem encomendados 86 navios, contra 46 da MSC, seguida da CMA-CGM com 45 e por fim P&O Nedloyd com lista para outros 40 (Esquema 1). Nenhuma empresa fora do Top 25 possui encomendas acima dos 16.000 TEU’s, a capacidade dos dois navios entregues à MSC e à CSL em 2004! Por fim, as empresas compreendidas entre o 11.º e 100.º lugar apresentam encomendas totais ligeiramente superiores ao milhão de TEU’s, ou seja, cerca de um terço do total global. Este processo de crescimento pela construção naval não parece querer acalmar, apesar dos receios de derrocada das taxas de frete devida à sobrecapacidade (Quadro 6). LEME Esquema 1 Quadro 6 Encomenda de navios porta-contentores – Situação existente em finais de 2006 Navios 2006 459 2007 516 2008 463 2009 308 2010 53 Fonte: BRS Alphaliner Esta concentração perspectivada no contexto do desenvolvimento de capacidades futuras é encarada como um argumento novo da composição progressiva de uma concentração dos leaders marítimos. Estes últimos, todavia, beneficiados pelos processos de fusão/aquisição, dispõem também das encomendas mais ambiciosas. A consequência directa desta situação poderá traduzir-se por um quase monopólio no mercado mundial Este-Oeste do domínio acrescido dos termos de troca. As quota-partes de mercado continuarão a crescer prejudicando actores de pequeno e média dimensão, incapazes de resistir às pressões concorrenciais das economias de escala e de envergadura geradas, entre outras, pelo gigantismo naval e pela massificação das actividades. Nesse sentido, somos levados a constatar que apenas as grandes firmas mundiais têm suportes financeiros suficientes para sustentar o lançamento em série de navios gigantes superiores a 7.500 TEU’s (Quadro 7). Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 49 Quadro 7 Capacidade desenvolvida para os navios porta-contentores superiores a 7 500 TEU’s de capacidade nominal – 2006/201 2006 Unidades 86 2007 TEU’s 708 300 Unidades TEU’s 146 1 236 000 2008 Unidades TEU’s 188 1 620 200 2009 Unidades TEU’s 239 2 080 400 2009 Unidades TEU’s 256 2 242800 A CMA-CGM, a MSC e as empresas chinesas receberam navios com capacidades superiores a 9500 TEU’s, no início de 2006. A Maersk Line estabeleceu um record com o lançamento da Emma Maersk com capacidade para 13.000 TEU’s, o equivalente a 3 navios Panamax, os maiores fabricados desde há 20 anos! progressivo dos especialistas regionais incapazes de sustentar a pressão tarifária imposta pelos seus novos concorrentes. A lógica do “todo-contentor” reforça também esta evolução pela substituição de navios combinados com custos de exploração demasiado altos para sustentar a concentração contentorizada. Embora haja especificações regionais fortes, como por exemplo circuitos de reboque/caixas móveis nos mercados do Maghreb, esta transposição para o contentor simples parece ser para breve a mais válida opção. EMMA MAERSK quando foi lançando em Odense, na Dinamarca 50 As encomendas e os reposicionamentos de capacidade igual ou superior a 7500 TEU’s alteram as próprias configurações das rotas dos mercados localizados fora das rotas Este-Oeste. A utilização crescente de feeders a partir de pontos nodais das redes de navios gigantes provoca novas relações marítimas e portuárias em regiões como a Bacia Mediterrânica, o espaço Caraíbas ou as rotas intra-asiáticas. A nova classificação dos navios mais pequenos gera concorrências de capacidades «históricas» em mercados secundários, detidos na sua maioria por empresas regionais especializadas. Este fluxo de capacidades nas mãos dos leaders mundiais encoraja uma espécie de oligopolização do mercado com o desaparecimento LEME Alianças estratégicas e parcerias técnico-comerciais: outra forma de concentração do mercado da linha regular Para terminar, convém voltar às modalidades da organização técnica e comercial do transporte de linhas regulares para completar a demonstração desta concentração marítima. De facto, os acordos de parcerias como os consórcios, as conferências e as partilhas de capacidades têm todas como ambição controlar os riscos inerentes à versatilidade dos fluxos e das taxas de frete. As estabilizações tarifárias e concorrenciais trazem alguma segurança num mercado altamente capitalista. A trocas de slot tentam travar os incontornáveis desequilíbrios de fluxos entre rotas marítimas. Por outro lado, a racionalização do desenvolvimento das capacidades, inscreve-se, sobretudo, na vontade de controlo máximo das condições flutuantes do mercado. Consolida a ideia implícita de uma organização em oligopólio com uma planificação quase concertada nos fluxos e nas capacidades disponíveis para o mercado actual e mais ainda, para o mercado futuro. Convém mencionar o peso crescente das alianças estratégicas nas quotas de mercado sobre os segmentos Leste-Oeste para se ficar convencido da dificuldade que representa resistir quando se está em posição de outsider independente. As três grandes alianças mundiais (Grand Alliance, NW Alliance, CHKY Alliance) + Maersk Sealand controlavam mais de 70% das capacidades desenvolvidas no final de 2004 nas três rotas Este-Oeste. Porto da Cidade da Beira 52 conclusão Esta concentração das capacidades e dos fluxos traz aos actores das alianças um poder de mercado cada vez mais difícil de se contestar. Os operadores independentes com meios técnicos e financeiros muito inferiores poderão apenas resistir nos mercados secundários. No entanto, o desaparecimento ou a compra de transportadores marítimos históricos como CMBT, SITRAM ou SOTONAM têm tendência para influenciar a oferta global dos prestadores especializados em África. A situação revela ter contornos cada vez mais mundiais com posicionamentos massivos dos leaders mundiais em mercados Norte-Sul, controlados, até hoje, por uma fracção de especialistas históricos. Daí surgir a pergunta da concentração em continuar na lógica de integração e de massificação dos leaders mundiais. Quais vão ser as consequências destas concentrações nos mercados africanos? Será a rota portuária modificada pelo jogo de concentração dos actores? Como é que a emergência em força dos transportadores chineses pode alterar os termos de concorrência na rota dos mercados africanos? Inúmeras perguntas que deveriam ser talvez colocadas noutro debate: o do peso dos operadores privados de terminais que vêm posicionarse, por sua vez, nos mais importantes portos de África. Será que os países africanos vão saber aproveitar esta nova concorrência portuária, de forma a estimular um mercado concorrencial nos grandes trades marítimos com a Europa e Ásia? 1) No início de 1997,as duas empresas unificadas ocuparam mesmo o 1º lugar em termos de capacidade total disponível. 2) Les échos, Maersk Sealand oferece 2,3 Mil Milhões de Euros para adquirir P&O 12 Maio 2005 3) Jornal da Marinha Mercante, Maersk/Royal P&O Nedlloyd inferior ou superior a 25% dos mercados pertinentes 20 Maio 2005 pag 4 4) O primeiro grupo Francês de linhas regulares contentorizadas resultou de uma fusão entre a Companhia Marítima de Afretamentos (CMA) e a Companhia Geral Marítima (CGM) em 1996 5) Le Monde- a CMA-CGM poder-se-à tornar no 3º armador mundial ,18 Junho 2005 6) Um total de 45 navios e mais de 200 000 TEUs de capacidade anunciados pelos responsáveis da CMA-CGM no fim do ano de 2004 7) A China representa um terço do tráfico contentorizado da CMA-CGM no fim do ano de 2004, com perspectivas de crescimento no sentido do das exportações, que atingem 22%! Ver sobre este assunnto The Giant’s Long March. CMA-CGM Magazine nº 25 Janeiro 2005, 8-11 LEME A MACROLOGÍSTICA AO SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO Paulo Pereira Numa época em que se assiste a grandes transformações do sistema económico mundial, os governos e as sociedades civis têm de ser capazes de criar condições para que o tecido económico nacional possa competir numa economia globalizada. 54 LEME Neste cenário de mutações constantes, o sucesso depende cada vez mais da eficiência dos sistemas logísticos nacionais, suportados em redes complexas de transporte intermodais cuja gestão requer novas tecnologias de informação, localização e comunicação. O sector da Logística em Moçambique que deverá ser suportado por sistemas de transportes racionais, competitivos e sustentáveis, será factor determinante para a dinamização do tecido produtivo Nacional, mesmo quando a este desafio é acrescentada a dificuldade imposta pela geografia moçambicana. Os subsistemas logísticos de apoio ao consumo e à produção apoiam-se actualmente, em estruturas muito deficientes e desarticuladas que provocam índices baixíssimos de performance logística e fazem disparar os custos logísticos dos produtos, com penalização para os consumidores. Neste contexto e, tendo em conta os princípios centrais contidos no protocolo sobre transportes da SADC (Southern Africa Development Countries), Moçambique vive um momento de grandes decisões em matéria de infra-estruturas de transportes e logística que podem catapultar definitivamente o País para o pelotão da frente dos países africanos, no que concerne ao desenvolvimento económico e social. O pensamento estratégico moçambicano deve ter presente o seu relacionamento externo, designada- LEME mente com os parceiros da SADC. Este não pode, porém, comprometer a existência do desenvolvimento dos corredores de transporte, de âmbitos regional e Nacional. Estes sob o ponto de vista logístico, potenciam a ligação entre a procura e a oferta. Eles são desenhados para ligar a indústria extractiva directamente ao transporte marítimo-portuário potenciando, ao longo do seu trajecto, as actividades de natureza agro-indusrial e industrial. Este conceito reforça a aposta nas plataformas logísticas de pendor internacional e numa rede de distribuição assente em infra-estruturas nodais de transporte, que permitam optimizar os fluxos de mercadorias e incrementar a coesão social e territorial. A rede de plataformas logísticas a construir surge da actual necessidade de dotar Moçambique com espaços de concentração de actividades logísticas, é localizar estrategicamente junto dos principais pólos de produção, de consumo, das fronteiras, dos portos, dos aeroportos e dos grandes nós ferroviários. Uma plataforma logística é, por definição, uma zona delimitada onde os distintos operadores exercem todas as actividades, de valor acrescentado, relativas ao transporte, à logística e à distribuição das mercadorias, tanto em tráfego Nacional como internacional. Os parâmetros base para o desenho de qualquer plataforma deve obedecer aos seguintes requisitos: Localização – Em função da sua proximidade a zonas de produção e/ou consumo, bem como de infra-estruturas portuárias, aeroportuárias e das principais áreas transfronteiriças de fluxos de mercadorias; Acessos – Ligação indispensável a elementos estruturantes da rede rodoviária Nacional; Dimensão – Tendo por base as necessidades actuais e considerando a disponibilidade de espaço destinado a usos logísticos para futuras ampliações e operações intermodais; Intermodalidade – É factor determinante a ligação ferroviária com os principais destinos Nacionais e internacionais; Custo – Quer para a instalação quer para a operação e exploração da plataforma; Especialização – Capacidade de promover a concentração empresarial, de forma a obter sinergias e economias de escala entre empresas; Serviços Associados – Para além da oferta de serviços standard às empresas, procurar nomeadamente espaços de concentração tecnológica, centros de formação, serviços empresariais e urbanos e de promoção comercial. A tipologia das plataformas compreende, entre outras, as seguintes: ZAL (Zonas de Actividade Logísticas) – São plataformas logísticas agregadas a portos e situadas adjacentemente a terminais marítimos de contentores que devem fomentar a intermodalidade; Centros de Carga Aérea – Plataformas especializadas de mercadorias no intercâmbio modal terra/ar; Porto seco – Plataforma localizada em terra, permite efectuar a ligação entre um porto marítimo e a respectiva origem/destino; Plataforma de Distribuição Urbana – Plataforma que se destina à criação de grandes centros de distribuição e ao ordenamento dos fluxos de transporte de mercadorias de abastecimento às grandes cidades. Torna-se, assim, evidente que o conceito de plataforma logística envolve a adição de valor. Em suma, a aposta clara na construção destas infra-estruturas de transporte e de logística implica uma profunda mudança em todo o sistema logístico moçambicano, contribuindo para a constituição de um novo cluster de actividade, que aumente a competitividade em diversos sectores da economia e promova a captação de novos investimentos, criando assim emprego e riqueza para o País. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 55 Aviação civil e Protocolo de Quioto Miguel Caetano O Protocolo negociado em Quioto, Japão, constitui um tratado internacional, sobre a égide das Nações Unidas, com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, que visa diminuir substancialmente as concentrações dos principais gases que contribuem para o efeito de estufa, tais como o dióxido de carbono, o metano e o monóxido de azoto, numa tentativa de reduzir a temperatura planetária em 1,4ºC e 5,8ºC até 2100. Tendo este revisões periódicas e estando aberto a alterações. 56 LEME Uma das alterações do Protocolo de Quioto, que estará em discussão em Bali, no mês de Dezembro, é a inclusão do sector da aviação civil no esquema de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir de 2012, sem um período experimental a anteceder. De acordo com o Instituto Nacional de Aviação Civil de Portugal, só para os voos dentro da União Europeia está prevista uma redução de 36% das emissões relativamente ao período tomado como base, ou seja, 2004-2005, equivalente a 31 milhões de toneladas de CO2 e de 45% até 2020, isto é, 44 milhões de toneladas. Giovanni Bisignani, Director Geral e CEO da IATA Associação Internacional de Transporte Aéreo, tendo consciência disso mesmo afirma que “o passo mais importante que podemos hoje dar para reduzir as emissões aéreas é tornar realidade o sonho de um “céu único europeu” no prazo de cinco anos”. Isto mesmo foi escrito em carta enviada à Chanceler alemã Angela Merkel, após a conclusão da Cimeira Mundial de Transporte Aéreo, em Vancouver, em que este foi um dos principais temas. Apelando, deste modo ao G8, para que este assuma o compromisso político de criar um “Céu Único Europeu” até 2012. Na missiva, Bisignani sublinha que a indústria aérea pode apenas cumprir o seu objectivo de se tornar um sector de “emissões zero”, “se os políticos substituírem promessas ambientais vazias por resultados reais”, sendo o “Céu Único Europeu” uma forma de aumentar drasticamente a eficiência das companhias aéreas. Segurança do transporte aéreo e Globalização O anúncio a 10 de Agosto de 2006 de novas ameaças terroristas no solo inglês, um ano após as explosões efectivas do Metro de Londres, gerou o pânico entre os passageiros de Heathrow e colocou de novo a problemática do preço da segurança nos transportes e mais especificamente nos transportes aéreos. “Safety” versus Globalização 58 LEME A Convenção de Chicago de 1944, ratificada hoje por 189 países (cada um com um voto), pretendeu resolver as questões ligadas ao “Safety”, através de regras comuns no que concerne aos aviões, funcionamento das companhias e organização do espaço aéreo. Esta Convenção, regida pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), órgão dependente das Nações Unidas, defende a ideia segundo a qual cada membro é soberano e responsável pela manutenção e segurança dos voos que deles dependem, tendo assim, cada Estado, autoridade para conceder às suas transportadoras nacionais o Certificado de Operadores de Aeronaves (COA) e responsabilidade na salvaguarda da segurança aérea mundial. Na prática, esta decisão revelou-se insuficiente e tacitamente condicionada por barreiras diplomáticas, influências políticas e económicas, internas. O SAFA (Safety Assessment of Foreign Aircraft) instaurado pela ICAO (Internacional Civil Aviation Organization) visa detectar, via auditorias surpresa, as empresas de aviação que não respeitam as normas de segurança. Países como Inglaterra e França foram pioneiros na divulgação de uma lista negra proibindo certas companhias aéreas, consideradas menos seguras, de cruzar os “céus” da Comunidade Europeia. Esta decisão, a par da Directiva europeia de 2006 (mandatory reporting system), torna obrigatória a comunicação dos Acidentes/Incidentes, tendo por objectivo minimizar catástrofes aéreas, evitando novos casos “West Caribbean” (avião colombiano que se despenhou em Agosto de 2005 na Venezuela). Na base deste acidente, esteve, principalmente, a falta de comunicação. As autoridades francesas da Direcção Geral da Aviação Civil (DGAC), responsáveis pelo procedimento casual de auditoria aos 54 pontos dos aparelhos em escala, não foram informadas da existência recente de um relatório colombiano alertando para o não cumprimento de regras de segurança da transportadora privada. A DGAC autorizou, erradamente, a descolagem do avião sem que sejam averiguadas as então desconhecidas deficiências em causa no relatório. Num mundo predominado pelas telecomunicações, estes lapsos parecem não terem mais lugar, no entanto, existem vários exemplos de falhas que custaram a vida a centenas de pessoas. Será nesse sentido que a transferência para um organismo imparcial com fortes poderes a nível mundial, LEME do controlo do cumprimento das normas deverá ser rapidamente considerada para o bem dos passageiros e, numa visão mais alargada do problema, da estabilidade planetária. Actualmente, 60 % do tráfego aéreo mundial é detido pelas grandes companhias que por sua vez, registam apenas 20% dos acidentes ocorridos, a questão que aqui é levantada concerne a adaptação deste sistema institucional e de regulamentação à mundialização e ao crescimento anual do tráfego aéreo de 6% com a imergência de novas companhias low cost em países menos fiscalizados. Por detrás da constatação da desigualdade dos níveis de exigência em matéria de regulamentação existe também a problemática da segurança das próprias infra-estruturas aeroportuárias contra intervenções ilícitas. Se a impressionante capacidade tecnológica do aeroporto Kennedy, NY, EUA, possibilitou a intrusão de “Kamikazes islamistas”, qual será a capacidade de outros aeroportos em evitar que tal suceda? Quais são as defesas e as garantias dadas por países sem os recursos financeiros, técnicos e humanos da Grã-Bretanha ou de Israel? “Security” versus Globalização A polícia britânica interceptou, em Agosto de 2006, onze ingleses de confissão muçulmana, suspeitos de preparem dez atentados contra aviões anglo-saxões com partida de Londres e destino a cidades norteamericanas. A arma, um líquido explosivo, dissimulado na bagagem de mão, teria sido detonada em voo, provocando milhares de mortes, criando um cenário mais mortífero que o sucedido em 11 de Setembro de 2001 nos Estados-Unidos. As medidas de segurança aeroportuárias foram de imediato reforçadas, causando atrasos e cancelamentos em voos nacionais e internacionais, alterando o tráfego aéreo e prejudicando o funcionamento das transportadoras, então altamente abaladas pelos prejuízos financeiros induzidos. Estima-se que a British Airways cancelou nessa semana 1200 ligações, o equivalente a uma perda de cerca de 75 milhões de euros. Independentemente do esforço financeiro em matéria de segurança por parte das sociedades privadas gestoras de alguns aeroportos internacionais (estima-se que o investimento atingiu os 4.4 milhões de euros desde 2001), a British Airport Authority (BAA), comprada recentemente pela empresa de construção espanhola Ferrovial, foi severamente apontada pela falta de soluções reactivas e pela sua lentidão na resolução do caos instalado em Heathrow. Seguiu-se a revolta dos patrões contra a ausência de tropas policiais em ajuda ao pessoal aeroportuário e a sua ameaça de recurso aos tribunais para serem indemnizados pelas perdas registadas. Relativamente à “Security”, tem sido exercida uma grande pressão mundial, por parte da ICAO e na Europa por parte da ECAC e da Comunidade Europeia, através de inspecções, inquéritos e auditorias quer às autoridades da Aviação Civil de cada país, quer às companhias aéreas, quer aos aeroportos, para que as estruturas de segurança, os procedimentos, as infraestruturas e os equipamentos de detecção satisfaçam os requisitos pré-estabelecidos e em evolução permanente. Não podemos esquecer, todavia, que existe, a nível mundial, um confronto técnico constante entre os elementos das organizações terroristas e as organizações da estrutura da aviação civil, com a presença de especialistas em ambos os lados da barricada. O custo da segurança neste contexto de globalização deverá encontrar soluções para além do investimento privado das empresas gestoras, criando taxas adicionais no preço das passagens ou conforme defendeu em entrevista concedida ao jornal francês Le Monde de 19 de Agosto de 2006, Giovanni Bisignani, Presidente da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), atribuindo ao Estado o custo desta segurança, subsidiando os aeroportos como vem a acontecer com os estádios e estações de caminhos-de-ferro. O perigo não reside exclusivamente, hoje, nas deficiências técnicas. Transcendendo qualquer questão de engenharia, o medo das avarias dos anos 60 foi substituído, nos anos 2000, pela ameaça do terrorismo. À medida que a escala de violência aumenta e que se aprofunda a separação das ideologias dos povos e nações, os avanços tecnológicos não chegam para desmotivar ou abortar definitivamente a iniciativa terrorista. Ainda segundo o Presidente da IATA, a melhoria do controlo da segurança nos aeroportos passa, de certa forma, pelo financiamento e pela operação das actividades Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 59 por parte do Estado numa eficiente coordenação entre os agentes no terreno, os recursos policiais, de defesa Nacional e os serviços de inteligência. Para isto acontecer, haverá que definir, entre outras matérias, as responsabilidades, as competências, os deveres e a legitimidade das sociedades anónimas que exploram alguns aeroportos. 60 LEME Em terra, na perspectiva de se vir a atingir fluxos acrescidos de passageiros, o recurso às mais recentes tecnologias deverá ser democratizado, em ordem a assegurar-se o controlo das bagagens de mão e, principalmente, as de porão. A segurança de um país, em matéria de aviação, inicia-se no aeroporto de embarque do passageiro. Em termos práticos, a segurança dos EUA começa em qualquer aeroporto europeu e reciprocamente, no entanto, o embarque de um passageiro num qualquer pequeno aeroporto europeu, antes de uma escala num hub com destino aos Estados Unidos, é hoje sujeito a um único rastreio. Existe de facto o paradoxo entre a defesa da livre circulação numa aldeia planetária e a necessidade de protecção e de barreiras para a garantir. Na mesma lógica da abertura das fronteiras e da globalização apoiada pelo avanço tecnológico, os “check in” automáticos e a compra electrónica de bilhetes, representam uma nova preocupação. Estas facilidades não permitem um contacto visual com o passageiro antes da sua entrada na zona restrita do aeroporto nem o reconhecimento do mesmo à chegada a bordo do aparelho. Idealmente, um sistema de informação biométrica, incluindo a foto no cartão de embarque, facilitaria este processo, sem, porém, ser minimizada a importância da formação dos recursos humanos em matéria de despistagem do perfil do passageiro de risco, embora o “profiling” não seja ainda condição sine qua non da Regulamentação Europeia. Por fim, qualquer pessoa ou veículo (transporte motorizado de catering e outros), presente na área restrita, deveria ser sujeito a controlos de identidade cada vez mais firmes. Nos céus, entre outras medidas, o reforço da segurança poderá passar pela controversa presença de um agente policial em cada avião (air marshal), pela formação da tripulação em matéria de defesa, por cabinas de pilotagem devidamente protegidas e por sistemas de detecção da qualidade do ar capazes de prevenir um ataque químico. Muitas destas acções já são obrigatórias em vários países, incluindo Portugal, no que respeita à protecção no acesso às cabines de pilotagem, mas haverá que pressionar outras companhias e os principais construtores para que estas normas possam ser unânimes e acessíveis a todos. Em conclusão e relativamente às normas de segurança, “Security”, é cada vez mais extensa a lista de artigos proibidos a bordo das cabines em voos: • Líquidos: Bebidas, perfumes, etc. • Géis: Champôs, gel para o cabelo, gelatinas alimentares, etc. • Cremes: Óleos bronzeadores, pasta de dentes, cremes alimentares, etc. • Cosméticos líquidos e batons • Sprays e qualquer outro produto da mesma consistência Relembramos que já foram temporariamente proibidos os aparelhos electrónicos como os telemóveis, computadores portáteis, consolas de jogo, etc. Doravante, apenas uma única bagagem de mão será autorizada e há que contar com demoras na hora do “check in” e na passagem pelos controlos de segurança devido às novas modalidades de embarque de passageiros. O transporte aéreo constituiu, desde sempre, um dos grandes apoiantes da globalização. A sua segurança contra actos de intervenção ilícita deverá ser pensada em conjunto de forma a preserválo das ameaças terroristas cujo objectivo é destabilizar a liberdade de movimento das pessoas e dos bens. Enfim, estabelecer as regras de segurança, normalizar procedimentos, formar e comunicar, são passos indispensáveis que deverão ser assumidos e fiscalizados pelas entidades competentes existentes ou a criar. Prevenção e Segurança Rodoviária Objectivo mobilizador de toda a Sociedade: o que fazer? José Manuel Trigoso Quando utilizamos a via pública, somos confrontados com um conjunto de situações muito diversificadas que nos são colocadas pelo ambiente rodoviário, em constante mutação e às quais temos que responder de forma adequada. De acordo com vários estudos, um condutor toma, em média, 12 decisões por minuto, ou seja uma decisão em cada 5 segundos. 62 LEME Quando, num dado momento e num dado local, as situações que nos são colocadas ultrapassarem a nossa capacidade de tomar a decisão adequada, verifica-se uma ruptura no equilíbrio do sistema. Essa ruptura é um acidente rodoviário. Esses acidentes dão origem à morte anual de 1.300.000 pessoas, provocando também, anualmente, o tratamento hospitalar de cerca de 50.000.000. Expressando-nos de outra forma, são 3.500 mortos e 135.000 feridos em cada dia que passa, ou 145 mortos e 5.600 feridos por cada hora. Estes números são aterradores, mas são sobretudo escandalosos. Porquê? Porque são evitáveis! Não são, meramente consequência da sorte ou do azar, mas sim da qualidade do sistema rodoviário. Na Europa, o sistema de transporte rodoviário, cujos índices de sinistralidade são inferiores aos do resto do mundo, apresenta taxas de mortalidade quase 30 vezes superiores às dos sistemas de transporte aéreo e ferroviário. O que fazer? Reduzir as dificuldades impostas pelo ambiente rodoviário e aumentar as capacidades dos seus utilizadores. Como poderemos reduzir as dificuldades impostas pelo ambiente rodoviário? - Melhorando a gestão do sistema de transportes e o ordenamento do território, com vista a reduzir a exposição ao risco (por exemplo, mais transportes públicos, menores distâncias nas deslocações para o trabalho e para a escola), a reduzir o risco de acidente, face ao volume de trânsito existente (por exemplo: segregação de vias de trânsito, passagens desniveladas para peões, iluminação nocturna, medidas de acalmia de trânsito, maior capacidade LEME de travagem dos veículos), a reduzir o risco de danos corporais, em consequência de acidentes rodoviários (por exemplo, rails de protecção, dispositivos de amortecimento de colisões, cintos de segurança, capacetes de protecção, sistema de emergência médica). - Concebendo, construindo e conservando infra-estruturas rodoviárias que proporcionem uma circulação em segurança a todos os tipos de utentes a que se destinam, ou seja, estradas que permitam a segregação entre os diversos tipos de veículos, que favoreçam a prática de velocidades adequadas a cada situação que disponham de equipamentos apropriados à protecção dos diversos tipos de utentes vulneráveis que induzam comportamentos adequados nos diferentes tipos de condutores e nos peões e que, também, estejam equipadas com dispositivos que, em caso de acidente, contribuam, de forma decisiva, para a redução dos danos corporais resultantes. - Estabelecendo um quadro legal que defina, de forma clara e racional, as regras que regulam o Cidade de Maputo comportamento dos utentes, aplicando uma fiscalização rigorosa dessas regras e organizando um sistema que assegure a aplicação das correspondentes sanções, em tempo útil. Sanções essas que simultaneamente, sejam proporcionais à gravidade da infracção cometida, desencorajando a prática de infracções e, simultaneamente, que sejam pedagógicas, a fim de reduzir reincidências. E o que fazer para aumentar as capacidades dos utentes? - Concebendo e implementando um processo de educação contínua. De facto, a atitude e a competência dos utentes depende da sua educação, como cidadãos, e do seu treino, como utentes da estrada. Devemos, pois, promover uma educação rodoviária, entendida esta como um processo pedagógico que induza no indivíduo as motivações, as atitudes, os conhecimentos e as competências indispensáveis à interiorização e enraizamento de padrões de comportamento que visem a segurança no trânsito. A educação deve ser um processo contínuo em todas as etapas do desenvolvimento do indivíduo, desde a idade pré-escolar até aos níveis mais elevados de escolaridade e estendendo-se ao longo das diferentes fases da sua vida, enquanto condutor. Nesta perspectiva, a educação rodoviária só poderá ser bem sucedida se for integrada no contexto da formação global do indivíduo. Consequentemente, não pode prescindir da acção conjunta de diversas instituições e agentes educativos com intervenção nesta área, nomeadamente a Família e a Escola. Para se conseguir, com eficácia, uma Política Nacional de Segurança Rodoviária, é necessário conceber, elaborar e implementar um Plano Nacional de Prevenção Rodoviária que analise a situação, defina objectivos e acções, estabeleça prioridades, determine e quantifique prazos e meios e estabeleça responsabilidades na coordenação, na execução e na avaliação das medidas. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 63 Utilização de BioCombustíveis nos Transportes João Reis Simões O sector dos transportes é responsável, em muitos países, por uma parte muito significativa das emissões poluentes, em particular das que produzem efeito de estufa e, portanto, contribuem para as alterações climáticas. As formas de energia dominantes nos transportes são derivadas do petróleo: gasolina e gasóleo. A utilização do gás natural, sendo relativamente mais recente, apenas atingiu uma parcela importante numa quantidade reduzida de países. Qualquer destas duas formas de energia primária, não renováveis, são finitas, admitindo-se que, algures, em meados do presente século, poderão vir a esgotar-se. 64 LEME Os impactos das alterações climáticas, que cada vez se farão sentir de modo mais intenso e frequente, levaram à análise de formas de energia alternativas, com particular interesse para as renováveis, electricidade produzida em centrais nucleares, solares (fotovoltáicas), eólicas, a partir da energia das ondas ou biocombustíveis. Para os transportes, a energia eléctrica assim gerada, permite a produção de hidrogénio, através da electrólise da água. Os veículos disporão de células de combustível, onde o hidrogénio reage com o oxigénio do ar, produzindo energia eléctrica e vapor de água. A tracção será feita por motores eléctricos. Relativamente aos biocombustíveis, nos transportes, temos o éster metílico, que poderá ser utilizado em motores de ciclo Diesel, puro ou misturado no gasóleo e o álcool etílico, puro ou misturado na gasolina, para utilização em motores de ciclo Otto. Estas soluções têm sido desenvolvidas como contributo para a redução das emissões com efeito de estufa, dado que a parcela das emissões que lhes corresponde é absorvida pelas novas plantações. LEME No entanto, o impacte social que esta nova fileira agrícola pode ter em Moçambique é tanto ou mais importante do que o impacte ambiental, na medida em que permite fixar pessoas no interior do País. A produção de álcool etílico pode conseguir-se a partir de milho, cana de açucar, de beterraba sacarina, etc. A produção de éster metílico pode conseguir-se a partir de oleaginosas, dendê, mamona, algodão (caroço), amendoim, brassica, girassol, colza, soja, etc. A escolha de cada uma das plantas referidas depende da qualidade dos solos e da pluviosidade das zonas agrícolas a utilizar. No caso do éster metílico, a sua produção faz-se através da reacção química entre o óleo e o álcool metílico (transesterificação), resultando, ainda da reacção, glicerina, que é um produto de fácil comercialização. As unidades industriais de produção dos biocombustíveis devem ser agregadas à zona agrícola de modo que toda a mais valia possa ser captada pela população do agregado habitacional. O País que mais recentemente enveredou por um projecto nacional de produção de éster metílico, à semelhança do que fizera há alguns anos atrás para o álcool, foi o Brasil, podendo ser seguidas algumas das soluções aí concebidas, em particular a contratualização com famílias que habitam em zonas interiores. Por exemplo, para o dendê admitem-se valores de produtividade de 4.500 L/ha, considerando-se que com 5 ha se pode remunerar uma família. Para produzir biodiesel será necessário dispor de 10% daquele volume de álcool. O biodiesel assim produzido pode ser utilizado localmente, nos tractores e outros veículos, ou comercializado, para o que será certamente necessário fazer intervir a SONANGOL. Se a produção for elevada é admissível a exportação para países com reduzida área agrícola disponível. O biodiesel pode ser misturado com o gasóleo, em várias percentagens, sendo as mais comuns - 5% (B5), 10% (B10), 20% (B20) – tendo sido demonstrado que até 30% não é necessário realizar qualquer alteração nos motores. Para percentagens superiores até aos 100% é necessário que os motores tenham, no seu sistema de lubrificação, borrachas (vedantes) que suportem o ataque do éster metílico. Para veículos e motores antigos, a utilização de biodiesel deve fazer-se com precaução, pois a capacidade detergente do éster metílico irá remover todos os resíduos depositados nos depósitos e introduzi-los no circuito de alimentação, o que pode provocar a colmatagem dos filtros de combustível ou o mau funcionamento das bombas injectoras e dos injectores. Deverá começarse por baixas percentagens e progredir depois para as mais elevadas. 65 Cabotagem marítima em Moçambique O sector de Cabotagem Marítima tem sido muito pouco debatido em Moçambique, pelo que pouca gente tem um conhecimento claro acerca da sua importância e das suas potencialidades. 66 LEME A Cabotagem Marítima significa a navegação entre portos numa determinada zona geográfica, utilizando normalmente navios de pequeno porte que navegam ao longo da costa. Se a mesma for efectuada exclusivamente ao longo dos portos de um país denomina-se Cabotagem Nacional, se abranger os portos de vários países denomina-se Cabotagem Internacional. Este sector é considerado como um dos instrumentos fundamentais para a dinamização da economia de um país. No caso de Moçambique que possui uma larga extensão de costa, este tipo de navegação revela ser um potencial prestador de serviço de transporte, uma vez que é um meio de transporte mais barato, mais eficiente e de maior capacidade que os seus concorrentes ferroviário ou rodoviário. Por outro lado, o transporte marítimo de cabotagem permite a criação de trabalho especializado e a obtenção de um know-how necessário ao desenvolvimento do transporte marítimo através de todo o cluster marítimo. A cabotagem abarca mais do que uma mera operação comercial de navios, na medida em que constitui um instrumento relevante na dinamização da economia, na poupança de divisas, e na consolidação das actividades que compõe o cluster marítimo. Por esta razão, muitos países, um pouco por todo o mundo, têm estabelecido políticas de apoio à existência e desenvolvimento das suas cabotagens nacionais. Algumas tentativas de regulamentação e de apoio à Cabotagem Nacional já foram tentadas em Moçambique, as quais todavia não foram suficientemente consistentes e eficazes para alcançarem o objectivo pretendido. A título de exemplo, a própria União Europeia e até os Estados Unidos da América estabeleceram regras de participação e exercício das respectivas cabotagens marítimas bastante mais elaboradas e orientadas para esse objectivo. O esforço de investimento efectuado nos portos, acompanhado das concessões dos terminais portuários ao longo de uma costa com cerca de 2500 quilómetros, constitui um bem público muito valioso que importa rentabilizar. Como noutros países, sobretudo europeus, existe uma política activa no sentido da transferência de cargas do modo rodoviário para o marítimo, através de um maior controlo e restrição ao uso da rodovia e, por outro lado, a eliminação de estrangulamentos que afectam o transporte marítimo ao nível burocrático e administrativo. Em termos comerciais, o mercado moçambicano depende essencialmente do preço. O cliente está muito bem informado do preço que é praticado não apenas pelo transporte marítimo como pelos outros modos de transporte. O tempo de passagem do navio pelo porto, turn around, é um factor importante para a eficiência do transporte marítimo. Moçambique vive actualmente uma fase de desenvolvimento positivo devido à concessão dos terminais a entidades privadas. Este desenvolvimento permite perspectivar uma evolução positiva também para a cabotagem. Presentemente, em Moçambique, o ambiente para uma empresa que actua no mercado de cabotagem evoluiu muitíssimo, uma vez que os portos estão cada vez mais especializados no tratamento de entradas e saídas de cargas, fazendo com que o factor tempo em porto, tanto do navio, como da carga, diminua, o que acaba por ser um factor de preferência tanto da parte do armador como do cliente. CIDADES DO FUTURO AMIGAS DO AMBIENTE Começam a sair do “papel” as ecocidades comprometidas com a defesa do planeta Terra. Faltava o Mundo sentir no bolso os prejuízos causados pelo ser humano ao meio ambiente para que grandes projectos de sustentabilidade se tornassem uma realidade. Toquio, Japão 68 LEME Diante da ameaça que o aquecimento global inflige à economia e à prosperidade social, diversos países estão a investir na criação de cidades ditas sustentáveis. Outra motivação tem a ver com as projecções de que o planeta Terra terá metade da população a viver em centros urbanos ainda neste século. Também chamadas ecocidades ou Cidades Verdes, todas elas têm, por meio de um conjunto de iniciativas adoptadas, um objectivo em comum: serem livres da emissão de carbono, um dos principais causadores do aquecimento e das mudanças climáticas. Algumas cidades serão erguidas do zero, totalmente novas. Outras irão requalificar locais abandonados, poluídos e/ou problemáticos. Mais do que uma ingénua ideia conduzida por quem quer fazer do Mundo um lugar melhor para viver, as cidades sustentáveis são, na sua maioria, um sinónimo de negócio, de empreendimento lucrativo. Neste âmbito, milhões de dólares, circulam por projectos que envolvem governos, multinacionais e empresas privadas. Actualmente, a China e os Emirados Árabes Unidos lideram a “corrida” pela construção de cidades sustentáveis. O curioso é que estes dois países são alguns dos maiores responsáveis pela grave situação ambiental do planeta. Se os Emirados Árabes Unidos são donos das maiores reservas de petróleo da Terra, sendo este combustível fóssil um dos grandes causadores do aquecimento global, a China é um dos países com as maiores taxas de poluição ambientais. LEME Oásis moderno Masdar é o nome da ecocidade dos Emirados Árabes Unidos. Ficará no território de Abu Dhabi, uma rica cidade-estado cujo Governo pretende investir, inicialmente, 15 biliões de dólares no projecto, até 2016. A meta é que ela seja livre de emissão de carbono. Carros movidos a combustível fóssil não poderão circular e os prédios comerciais e residências funcionarão à base de painéis solares, nos quais será investido 1 bilião de dólares. Toda a água utilizada e o lixo produzido pela população serão reciclados. Masdar vai abrigar universidades, centro de pesquisa e mais de 1500 empresas que contarão com um atractivo pacote de incentivos. A cidade terá uma população de 50 mil pessoas. Reunidos nesta empreitada ecológica estão fabricantes de automóveis, como a Mitsubishi e a Rolls-Royce e, multinacionais do sector de energia, como a Shell e a BP. No seu site da Internet, a Rolls-Royce menciona que assinou com o Governo de Abu Dhabi um acordo para juntos identificarem “oportunidades comerciais nos sectores aeroespacial, marinho, industrial e de energias renováveis”. Se o vizinho emirado do Dubai cria gigantescos empreendimentos turísticos para se preparar para a era do fim dos combustíveis fósseis, Abu Dhabi viu nos projectos sustentáveis o seu grande trunfo para o futuro. Por isso, o seu Governo criou a empresa Abu Dhabi Future Energy para desenvolver mais projectos sustentáveis e tecnologias de energias renováveis, atitude que faz parte de uma política de diversificação da economia da cidade-estado traçada a partir de 2004. World Trade Center, Dubai 69 Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações Projecto chinês Já na China, nasce Dongtan. Quando estiver pronta, em 2010, a nova urbe fará contraste com o restante do País que acolhe 1,5 biliões de habitantes e abriga 16 das 20 cidades mais poluídas do Mundo. Trata-se de um desafio enorme patrocinado pelo Governo chinês e posto em prática pela segunda maior construtora do País, Shangai Industrial Investment Corporation (SIIC). A SIIC, por sua vez, contratou o escritório britânico de arquitectura Arup que opera em projectos sustentáveis em vários pontos do globo. A ecocidade de Dongtan ficará na ilha de Chongming, no rio Yangtze, apenas a 25 quilómetros de Shangai, uma das metrópoles chinesas mais industrializadas e a “campeã” em poluição. Os números do investimento ainda são mantidos em segredo, mas não devem ser baixos para uma cidade que será ligada ao continente por um túnel de 9 quilómetros e mais uma ponte que será uma das maiores do Mundo, quando os seus 13 quilómetros estiverem prontos. Inicialmente, Dongtan terá 10 mil habitantes, mas a projecção é de que por volta de 2050, abrigue meio milhão. Tomar uma ecocidade economicamente viável também é um desafio. Assim como Masdar, Dongtan investirá em infraestruturas para que as casas dos seus habitantes estejam a cerca de sete minutos a pé de escolas, hospitais e paragens de transporte público. Apenas serão permitidos carros, motos e autocarros movidos a combustível renovável e limpo, ou electricidade. Os prédios serão projectados de forma a receber o máximo de luz solar, para evitar gastos com energia eléctrica e sistemas de aquecimento. Actualmente, a China e os Emirados Árabes Unidos lideram a “corrida” pela construção de cidades sustentáveis. O curioso é que estes dois paises são alguns dos maiores responsáveis pela grave situação ambiental do planeta. Hong Kong Wan Chai 70 LEME LEME Teatro Nacional, Pequim Não serão altos, para que não seja necessário gastar energia com elevadores. A energia virá de fontes alternativas e renováveis como o vento, o biogás e a biomassa – até a casca do arroz entrará neste processo. Boa parte do lixo será reciclado e utilizado como fertilizante. Há vários projectos de cidades sustentáveis no Mundo, inclusive na própria China, onde outras construções estão previstas, caso a empreitada de Dongtan dê certo. O Governo britânico mostrou-se interessado no assunto e anunciou planos similares para o Reino Unido depois que os seus representantes conheceram o projecto de Dongtan. Recentemente, foi divulgada uma lista de 15 ecocidades a serem construídas ao longo da próxima década em diferentes áreas do País. Os planos do Governo incluem 3 milhões de novos lares sustentáveis até 2020. Primeiros exemplos Apesar de parecer novidade, estas empreitadas ecológicas já existem há algum tempo, embora em proporções menores. Um dos primeiros projectos de urbes sustentáveis no Mundo surgiu na década passada na cidade canadiana de Okotokos, onde o plano de desenvolvimento é baseado na capacidade do rio Sheep que corre na região. O fornecimento de água inclui medidas de conservação, uma fábrica de tratamento de resíduos e acções para conservar o leito do rio. Nesta zona fica a comunidade Solar Drake Landing, inaugurada em 2005 com a contribuição de 2 milhões de dólares do Governo canadiano. Trata-se de um bairro planeado para armazenar energia solar soba a terra durante o Verão e distribuí-la para o sistema de aquecimento de cada casa no Inverno. Para orgulho dos seus idealizadores, a Solar Drake Landing é uma espécie de referência no assunto ecocidade. Como fica numa região que recebe por ano quase tanta energia solar quanto a Itália e Grécia, sugere que o mesmo poderia ser feito em países onde esta fonte é abundante. A Suécia também entrou no negócio quando, em 1990, começou a recuperar uma antiga zona industrial na sua capital, Estocolmo. Ali foi erguido um bairro de casas dotadas de painéis solares e construídas com materiais ambientalmente correctos para não emitirem carbono. Chamado de Hammarby Sjostad, o bairro acolhe 10 mil moradores, mas espera-se que tenha capacidade para acolher 25 mil em 2015. O ritmo das construções não deve diminuir. Prova disto é que na última edição da Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades (CMDC), realizada no início deste ano em Porto Alegre (Brasil), foi apresentada a proposta para um prémio chamado Cidades Inclusivas. A ideia é fazer com que a ecocidade vitoriosa ganhe exposição mundial, divulgue as suas práticas para o resto do Mundo e incentive mais projectos deste género. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 71 Gás natural no transporte rodoviário O Ministério dos Transportes e Comunicações de Moçambique, está a ponderar adoptar a introdução do gás natural nos transportes colectivos, em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Económico italiano. 72 Esta medida visa reduzir a dependência do mercado Nacional da importação de combustíveis, bem como permitir uma melhor conservação do meio ambiente no que respeita à emissão de gases com efeitos de estufa. A introdução do gás natural e a respectiva conversão de viaturas para passarem a usar este recurso energético existente em Moçambique, em quantidades estimadas em 3,6 biliões de pés cúbicos, distribuídos pelas reservas de Temane e Pande, na Província de Inhambane, sul do País. Para além de ajudar a reduzir o efeito negativo da alta do preço do petróleo, a utilização do gás natural tem também vantagens para o ambiente e para a saúde humana. Em 2007, começaram a funcionar em Moçambique os primeiros quatro autocarros movidos a gás natural, todos da empresa pública TPM – Transportes Públicos de Maputo. A utilização do gás natural envolve menos custos comparativamente ao combustível tradicional, tendo em conta que uma quantidade equivalente a um LEME litro de gás custa 18 meticais (0,99 euros) e 42 meticais (1,18 euros) pagos pelo litro de gasóleo e gasolina, respectivamente. A utilização de gás natural nos transportes públicos poderá ser massificada para contornar o crescente custo do petróleo. Os transportadores privados de passageiros, manifestam-se animados com a medida. Contudo, serão necessários, entre outros passos, a conversão para gás de um motor a gasolina ou a gasóleo a um preço que poderá atingir o equivalente a cerca de 2500 dólares. Os ambientalistas, estão satisfeitos com as perspectivas que o gás oferece, não só em termos económicos mas também e sobretudo para a saúde pública. É que a utilização da gasolina e do diesel, aos níveis actuais e com tendência para aumentar, encerra consigo um também crescente potencial para a ocorrência cada vez mais frequente de doenças de índole respiratória. BREVES Governo reforça a frota dos TPM em mais 100 novos autocarros TPM no Distrito Municipal da Linha da Catembe Como resultado da estratégia adoptada pelo Governo de Moçambique para aumentar a oferta do transporte público de passageiros através do reforço dos meios de transporte, no dia 29 de Abril do corrente ano, procedeu-se a assinatura do contrato de financiamento de 100 novos autocarros da marca VW 17.210, com o BCI FOMENTO . Os primeiros começaram a operar já em Maio, até finais de Novembro deste ano entrarão em funcionamento os restantes. Em meados de Junho, os TPM em coordenação com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, procederam à abertura da linha da Catembe, com a alocação de um autocarro para assegurar o transporte público dos passageiros do Distrito, o que irá contribuir para minimizar os sérios problemas de transporte existentes, facilitando a circulação e a ligação entre os vários bairros. Com a introdução desta linha, o público utente deixará de depender exclusivamente dos transportadores semi-colectivos. A cerimónia da entrega formal do autocarro dos TPM contou com a presença do Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche e de outras Autoridades Locais. Contratação de novos trabalhadores para a área de Tráfego Maputo e Matola começam a sentir o impacto do reforço da frota 74 LEME Com a chegada gradual dos autocarros, encomendados pelo Governo, caminha-se para a prestação de um serviço de transporte de passageiros que cada vez mais responde a crescente procura nas cidades de Maputo e Matola, tendo-se procedido à reactivação progressiva de linhas que haviam sido encerradas devido à falta de autocarros, nomeadamente Museu – Laulane; Museu – Aeroporto; Praça dos Trabalhadores – Acipol; Museu – Acipol; Museu - Magoanine - Via Jardim; Museu - Missão Roque Via Hulene; Praça dos Trabalhadores - Liberdade e Museu - Liberdade. É expectativa dos TPM poderem contribuir para a diminuição pogressiva das grandes filas de passageiros nas paragens e terminais, nas horas de ponta e para a redução da depêndencia dos munícipes dos transportes semi-colectivos, conferindo maior segurança, conforto , qualidade e pontualidade. Contrariando a máxima preconceituosa de que “mulher para cobrança não serve”, depois de uma aturada controvérsia, decidiu apostar no potencial feminino, admitindo 10 mulheres para a cobrança nos autocarros, adoptando pela primeira vez na história da empresa, uma metodologia usada há bastante tempo por empresas de muitos países. Os TPM pretenderam comprovar por meio desta experiência, que, quando há mulher na cobrança, existe menor incidência na práctica de infracções ou fraudes, nas reclamações por parte de passageiros e nas possibilidades destes optarem por actos de violência. BREVESLEME Perspectivas para o Segundo Semestre Para o segundo semestre do corrente ano, os TPM perspectivam melhorias a través da implementação das seguintes acções: Reabertura da carreira da Texlom e introdução das linhas para Moza, CMC e Carreiras especiais para Ministérios: introdução do Sistema de Segurança Electrónica Digital; construção de Alpendres nos terminais de Marracuene e Nkobe; recuperação de autocarros imobilizados – MercedesBenz 1317, Yutong e MAN; manutenção e reparação da frota em circulação; aquisição de máquina automática de lavagem de autocarros. Açucar de Morromeu escoado por via férrea A produção da Açucareira de Morromeu, em Sofala, voltará a ser escoada por via-férrea até ao final do ano, com o projectado reinício de circulação de comboios comerciais no troço da Linha de Sena , ligando a fábrica ao Porto da Beira. Actualmente, 60% da produção é escoada por batelão, num percurso de 1800 Kms . Os restantes 40% chegam ao Porto da Beira por camião, num percurso de 600 kms. Segundo o projecto de reconstrução da Linha de Sena, já foram reabilitados 330 km dos 670 km previstos. O acesso ferroviário à Açucareira realiza-se pelo ramal Inhamitanga-Morromeu, com 88 km de extensão, actualmente também em fase de reabilitação. Com a reabertura da Linha de Sena e a não utilização da via rodoviária e fluvial, haverá uma redução substancial de custos. De facto, a eficiência deste último meio de transporte está relacionada com as marés, no rio Zambeze, pois, na maré vazia, há uma diminuição de mais de 50% na carga transportada. Para o ano de 2008, e segundo as previsões, estima-se em 636 619 o número de toneladas de cana recebidas naquela unidade industrial, contra as 552.466 toneladas em 2007, tendo o período de moagem sido iniciado em 19 de Maio, devendo terminar em 12 de Novembro. O Projecto de reconstrução da linha de Sena foi lançado pelo Governo Moçambicano em 1988. Devido aos constantes actos de sabotagem, os trabalhos foram posteriormente interrompidos, sendo retomados em 2002, tendo sido utilizados fundos próprios da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM ) e de financiamentos da IDA (Agência Internacional de Desenvolvimento). Diversificação dos Serviços A Empresa Transportes Públicos de Maputo (TPM) procedeu em finais do ano passado ao lançamento de cinco autocarros de luxo, destinados ao serviço especial de aluguer. Com 56 e 46 lugares, os autocarros da marca Astra Tourism Bus (Euro II – Deluxe), visam diversificar e melhorar os serviços prestados, atender 75 serviços turisticos e arrecadar mais receitas para a Empresa. Desde a sua entrada em funcionamento, os autocarros têm sido uma mais valia para a Empresa, contribuindo de forma significativa para o aumento dos proveitos. Refira-se que a Empresa procedeu à contratação de cinco assistentes de bordo, para assegurar a prestação de um serviço mais personalizado e de maior qualidade para os seus clientes. Através de Concurso Internacional, foi seleccionado o Consórcio RICON – formado pelas empresas indianas RITES Lda e IRCON Int - para, juntamente com os CFM, formarem a Companhia de Caminhos de Ferro da Beira SARL, que, desde 2004 gere o sistema ferroviário da Beira, do qual a Linha de Sena é parte integrante. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 75 BREVES A economia de Moçambique cresceu 6,7% no primeiro semestre A economia de Moçambique cresceu 6,7% no primeiro semestre deste ano, contra 8,8% do período homólogo de 2007, uma taxa de crescimento inferior aos 7% previstos pelo Governo. A produção global cresceu 6,7%, apesar dos enormes constrangimentos resultantes da conjuntura internacional, caracterizada pela subida do preço dos combustíveis e alimentos. O Conselho de Ministros de Moçambique concluiu, ainda, na sua XIX Sessão Ordinária que a inflação média foi contida na ordem dos 10,4%. Tete melhora verificação efectiva de mercadorias em trânsito para os países vizinhos A verificação das mercadorias em trânsito pelo Corredor de Tete passará a ser feita com maior segurança e comodidade com a recente entrada em funcionamento de parte do terminal de viaturas em construção nas instalações dos Serviços Provinciais das Alfândegas naquele ponto do País. Cerca de 500 camiões cruzam diariamente a província de Tete, com destino ao Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, África do Sul ou Porto da Beira, tornando aquela Região no maior corredor rodoviário de Moçambique. O projecto de terminal de viaturas de Tete que incluiu a construção de escritórios centrais, prevê ainda a edificação de um parque. Construção de quatro pontes na Zambézia e Tete 76 LEME Já arrancou oficialmente o projecto de construção de quatro pontes sobre os rios Licungo I e II, ligando os distritos de Maganja da Costa e Namacura, e Cua-Cua, entre as regiões de Mopeia e Luabo, na Zambézia, e Cheza, que facilitará a circulação de pessoas e bens entre Mutarara e diferentes regiões da Província de Tete. As cerimónias do lançamento oficial do projecto decorreram na sede distrital de Mopeia. Das quatro pontes, três serão edificadas na Província da Zambézia, sendo que duas ficarão sobre os rios Licungo I e II, cada uma com 50,25 metros de comprimento e 6 de largura e, contam, ainda, com enormes passeios, bem como acessos. Aeródromo de Quelimane em obras de modernização O processo de selecção da empresa que vai executar obras de reabilitação e expansão do Aeródromo de Quelimane, na Zambézia, está já em curso, num projecto da ADM – Aeroportos de Moçambique, destinado a aumentar a capacidade de acolhimento e desembaraço de tráfego. O objectivo da ADM é maximizar o potencial de negócio, tendo em vista a realização, em 2010, do Campeonato Mundial de Futebol, na vizinha África do Sul. O Aeródromo de Quelimane vem registando, nos últimos tempos, um crescimento considerável de tráfego, facto que torna necessário adequar as suas infraestruturas às novas exigências que se colocam, incluindo a melhoria das condições de segurança e comodidade dos passageiros. Obras da Linha de Sena serão brevemente concluidas Estão em fase de conclusão as obras a decorrer na Linha de Sena, o que irá facilitar a ligação entre as Províncias de Sofala e de Tete, faltando somente os acabamentos de pintura das estruturas metálicas e a colocação de travessas na linha férrea na Ponte Dona Ana, numa extensão de 4 quilómetros. Corredor de desenvolvimento do Norte recebe mais locomotivas A partir de Setembro, estarão ao serviço do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN) sedeado em Nampula, mais seis locomotivas, quatro das quais já se encontram em Maputo estando as restantes em tránsito da Índia, num investimento de 3,5 M Euros. O CDN, que conta com o porto de águas profundas de Nacala , está a desenvolver umaestratégia comercial que envolve os 77 km de linha férrea de ligação ao Malawi. Esta empresa tornou-se 100% moçambicana após a aquisição das participações da Edlows e da American Railways Corporation pelo BCI e pelo Grupo Insitec. BREVESLEME Melhorar sistemas de transportes é essencial para o desenvolvimento regional A África Austral deverá dotar-se de sistemas de transportes rodoviário, ferroviário e marítimo seguros, fiáveis e com interligação entre os diversos países da região de modo a responder melhor ao processo de integração económica, facilitando, entre outras necessidades, a mobilidade de pessoas e bens e as trocas comerciais. Dentro deste espírito surge o Corredor de Desenvolvimento de Maputo, iniciativa de desenvolvimento espacial que liga Moçambique à África do Sul, que tem como objectivos o desenvolvimento das infraestruturas de transportes e comunicações e que visa o investimento na região e a cooperação públicoprivada na sua gestão. Para debater estes e outros temas teve lugar em Maputo a reunião anual do MCLI - Maputo Corridor Logistics Iniciative, com ligações aos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Entidades que trabalham em conjunto na promoção do Corredor de Maputo. Desta reunião saíram, entre outras sugestões, recomendações para serem melhorados os serviços prestados nos postos fronteiriços entre África do Sul, Suazilândia e Moçambique no que respeita ao transporte ferroviário e rodoviário. De recordar que a Iniciativa de Desenvolvimento Espacial (SDI-em inglês no original) deu origem ao surgimento de vários corredores de desenvolvimento regional, de que é exemplo concreto o Corredor de Nacala, que liga o Porto de Nacala, em Moçambique, ao Malawi, onde 70% da população vive ao longo do referido corredor, tendo as autoridades dos dois países acordado na necessidade de expansão e reabilitação das infra-estruturas de transportes. As vias-férreas existentes já foram concessionadas, decorrendo, neste momento, trabalhos de reabilitação. Outro Corredor a considerar é o de Mtwara que liga Moçambique ao Malawi, Tanzânia e Zâmbia. Neste, deve-se incluir a modernização e expansão dos portos de Mtwara, Mbamba Bay e Manda, ambos situados no Lago Malawi/Nyasa/Niassa, assim como a modernização de várias infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias. A Ponte do Unidade, concebida para atravessar o Rio Rovuma, irá contribuir significativamente para a melhoria da rede de estradas, sendo também de grande importância a Estação de Energia Térmica de Mchuchuma, o viaduto petrolífero Mtwara-Mbamba Bay e o projecto de gás do Songo. Cerca de 500 vias na Capital vão ser identificadas Inicia-se, brevemente, o processo de colocação de placas de identificação com a nova toponímia em 500 vias na cidade de Maputo. Esta acção visa divulgar as actuais designações das avenidas, ruas, pracetas e travessas, bem como facilitar a localização dos diversos pontos da urbe. A fixação das placas de identificação foi uma empreitada sujeita a concurso público, faltando apenas a promulgação dos novos topónimos por parte do Ministério da Administração Estatal (MAE). Não está ainda apurada a data de afixação das placas, no entanto prevê-se o arranque da obra, logo após a emissão de parecer do MAE. Enquanto não se inicia a empreitada já adjudicada, o CMCM lançou ontem um outro concurso com vista à selecção das empresas que possam fabricar, fornecer e colocar placas de identificação nas demais vias públicas da cidade. Actualmente, apenas 800 das cerca de 2700 vias de acesso, registadas na cidade de Maputo, possuem denominação. As restantes 1900 são identificadas por números codificados, facto que se mostra bastante constrangedor para os munícipes. No sentido de inverter este cenário, a Assembleia Municipal aprovou um regulamento de atribuição de topónimos em 2006, tendo sido criada, como consequência, a Comissão de Toponímia, para o estudo e a atribuição de nomes às vias. Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 77 BREVES Paralelamente, decorre um projecto para alteração da designação dos distritos municipais, que actualmente é feita através de números. Pretende-se que os Distritos Municipais 1, 2, 3, 4 e 5 mudem de designação e passem a ter nomes, facto que já se verifica em Catembe e Inhaca. Carboníferas disputam exclusividade na linha de Sena O potencial das reservas de carvão existentes na Província de Tete está a concorrer para que um número crescente de empresas licenciadas para exercer a exploração e/ou exportação disputem a exclusividade do uso da linha-férrea de Sena. Juntamente com o Porto da Beira, constituem a cadeia natural logística do transporte daquele mineral. Os CFM – Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, já deixaram claro que para facilitar o desenvolvimento do País e dos agentes económicos em questão, não irá restringir o acesso às infraestruturas para qualquer que seja o agente económico e que a linha-férrea e o terminal do carvão vão ser explorados no conceito básico de múltiplo utilizador. Fibra Óptica e Projecto Rural em Tete (TDM) 78 LEME Nos dias 14 e 15 de Junho realizaram-se respectivamente, as cerimónias de lançamento do projecto de Fibra Óptica “Chimoio-Tete-Caia” e a inauguração do Projecto Rural Tete. “A cerimónia de lançamento do projecto representa um passo importante na implementação da espinha dorsal da rede nacional de transmissão “backbone”, na medida em que a implementação deste projecto vai permitir garantir a extensão da fibra óptica a todas as capitais provinciais”. O projecto de Fibra Óptica, lançado em Canolonga, na cidade de Tete, foi orçamentado em cerca de 15 milhões de Euros, montante financiado pelo “Nordea Bank” da Dinamarca, através do apoio concedido pela DANIDA, organização dinamarquesa de apoio ao desenvolvimento. No Distrito de Ulóngue, realizou-se a cerimónia de inauguração do “Projecto Rural Tete” que cobre as localidades do Dómue, Calómuè e Unlónguè, no Distrito de Angónia, Kambulatsitsi e Zóbuè, no Distrito de Moatize, na vila sede de Tsangano, bem como Furancungo, no distrito de Tsangano. Este projecto permite igualmente modernizar as ligações entre Tete-Songo e TeteMoatize. Inspecção cobre trezentas viaturas No quadro da campanha de inspecção levada a cabo no último fim-de-semana de Julho, foram inspeccionados, em Maputo, cerca de 300 veículos (ligeiros e pesados) pelo Instituto Nacional de Viação (INAV) visando a sensibilização dos automobilistas para a necessidade de manter os seus veículos automóveis em boas condições mecânicas. Esta campanha, insere-se na prevenção e redução da sinistralidade rodoviária, tendo continuidade noutros centros urbanos do País, nomeadamente nas cidades da Matola e Beira. Nos últimos 2 anos ocorreram 10.533 acidentes de viação, dos quais resultaram 16.583 vítimas humanas, (2797 mortes, 6652 feridos graves e 7134 ligeiros). Uma das principais causas dos acidentes de viação que ceifam centenas de vidas humanas, para além de causarem avultados danos materiais, é a deficiência mecânica dos veículos automóveis (relacionada com problemas de travões, iluminação, pneumáticos, etc.). British Airways e Iberia estudam criação de novo gigante do ar A BA e a IBERIA anunciaram estar a negociar uma fusão. Caso o negócio se concretize nascerá um novo gigante da aviação, com vendas totais estimadas em 16.420 milhões de Euros. A operação, "unanimemente apoiada pelos conselhos de administração das duas empresas", de acordo com comunicado conjunto, pressupõe uma troca de acções, mas mantém as insígnias das duas transportadoras no activo. Aguarda-se o aval da Comissão Europeia e das entidades reguladoras dos dois países para a concretização do negócio. A ligação entre as duas companhias tem cerca de dez anos e começou com a cooperação BREVESLEME na aliança global “Oneworld” contando com o aumento da participação da BA na IBERIA em 2007 de 9 para 13,5%. A IBERIA reforçou entretanto a presença na BA, e detém directamente 2,99% do capital da empresa e 6,99%, via contratos derivados do preço das acções. A companhia britânica, terceira maior de entre as europeias, atingiu um volume de negócios de 10.900 milhões de Euros no exercício que terminou em 31 de Dezembro de 2007, o que significa uma subida de 3,1% face ao período homólogo do ano anterior. A IBERIA, que foi suspensa na Bolsa de Madrid antes do anúncio, facturou mais 2,5% em 2007, atingindo os 5520 milhões de Euros. A aproximação das duas companhias começou em 2007, altura em que ainda se considerava uma aliança tripartida, que incluía a American Airlines que acabou por desistir da concentração. Este anúncio é especialmente desfavorável ao gigante formado pela Air France e KLM, que, em 2004 uniram esforços no sentido de criar a maior companhia de aviação do Mundo. Apesar de ganhar um concorrente à altura, esta aliança mantém o primeiro lugar na indústria da aviação, com uma facturação acumulada de 24.100 milhões de Euros, no exercício fiscal de 2007. Porto da Beira Estão para breve obras no Porto de Pesca da Beira O Porto de Pesca da Beira, Província de Sofala, irá sofrer obras de reabilitação muito em breve. Ultrapassados os constrangimentos que vinham ditando o atraso no início dos trabalhos, o Governo diz já ter o aval dos doadores, nomeadamente, o BADEA – Banco Árabe para o Desenvolvimento de África e o BID – Banco Islâmico de Desenvolvimento, para a utilização do montante disponibilizado mesmo que não cubra a totalidade da despesa necessária para o melhoramento completo da infraestrutura. Uma avaliação realizada por uma consultoria internacional, apontava que a restauração completa do Porto de Pesca da Beira custaria 20 milhões de dólares. Contudo, após o lançamento do concurso público para a adjudicação das obras, concluiu-se que as mesmas custariam o dobro, ou seja, mais de 40 milhões de dólares. Empresa pública de Telefones Móveis obteve em 2007, lucros de 9 milhões de Euros A operadora pública da Rede Móvel Moçambicana, Mcel, obteve lucros de cerca de nove milhões de Euros em 2007, o que se traduz num crescimento de resultados na ordem de 12% em relação a 2006. No mesmo período, a operadora atingiu três milhões de clientes e expandiu o seu sinal em cerca de 60% do território Nacional. A quota de mercado que a Mcel Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 79 BREVES controla passou de 76% em 2006 para 80% em 2007. A Mcel aposta na expansão e modernização da sua base tecnológica, prevendo para este ano, investimentos na ordem dos 46 milhões de Euros e igual montante para 2009. Além da Mcel maioritariamente detida pelo Estado e com alguma participação de investidores privados, opera ainda no mercado moçambicano das Redes Móveis, a Vodacom Moçambique, que tem como accionista de referência o Grupo Vodacom sul-áfricano. valor de 750 milhões de dólares (valor utilizado 1 300 Dólares por Tonelada). A Petromac SA detém cerca de 35% do mercado. Vários factores têm contribuído para a subida dos preços nos mercados internacionais. A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) prevê um aumento de 1,3 milhões de barris de petróleo de procura até 2012, prevendo que, após essa data, o aumento da procura se cifre em 1,2 milhões. Nos países em desenvolvimento, a procura futura estará intimamente ligada ao sector de transportes, ainda segundo a OPEP . Face à crise internacional de petróleos, a petromac investe na logística de combustíveis Construção do pipeline Matola-RAS : Obras iniciam-se em Novembro Até 2010 a Petromac – Petróleos de Moçambique SA irá investir , face ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional, mais de 145 milhões de dólares na logística para o armazenamento de combustíveis. Este investimento é necessário para o País ultrapassar as dificuldades logísticas existentes, principalmente na armazenagem, nos principais portos nacionais. O parque de armazenagem e industrial, herdado da década de 60 do século passado, está obsoleto, pelo que é necessário um processo de reabilitação e expansão do mesmo, de molde a tirar vantagem do actual crescimento de combustíveis na região. 80 LEME A Petromac SA tem compromissos com outros parceiros para o investimento faseado a três anos, de cerca de 100 milhões de dólares em instalações de armazenagem oceânica costeira de Maputo, tendo sido feito, na Beira, o lançamento de um novo sistema de tanques com capacidade de 80 mil metros cúbicos, no valor de 45 milhões de dólares. Por outro lado, irão ser construídos tanques de armazenagem em Vandúzi (Sete mil metros cúbicos), sendo que em Nacala, irão ser reabilitados os tanques existentes e aumentada a sua capacidade, prevendo-se também a construção de novas linhas de transporte de combustível do Porto para as áreas de armazenagem. O consumo anual de combustíveis, em Moçambique é de 400 mil metros cúbicos (700 milhões de litros) no Atrasos na aprovação da versão final do relatório do estudo do impacto ambiental (EIA) ditaram o adiamento para Novembro deste ano da construção do oleoduto que vai transportar derivados de petróleo do Porto da Matola para a região industrial de Nelspruit, na África do Sul. Cobrindo uma extensão de 450 Km, o oleoduto terá capacidade para transportar anualmente 3,5 milhões de m3 de combustíveis, esperando-se a sua operacionalidade até 2011, segundo projecções da Petroline Holdings, Pty. A construção deste pipeline, surge após os graves problemas que a partir de finais de 2005 marcaram o fornecimento de combustíveis na África do Sul, gerando impactos negativos em vários sectores da economia daquele país. Esta obra visa reduzir consideravelmente os custos de importação dos combustíveis. Com um investimento estimado em 537 milhões de dólares, o projecto compreende, além de melhoramentos a nível do terminal de combustíveis do Porto da Matola, a construção de 64 Km de pipeline em território moçambicano até à fronteira com a África do Sul, bem como 135 Km da fronteira até Nelspruit e, ainda, 249 Km que ligam à região de Kendal. Prevêm-se três pontos de toma, sendo o principal, no Porto da Matola e os restantes em Nelspruit e Kendal, sendo este último de ligação à rede Nacional BREVES de distribuição de combustíveis, já disponível. O ponto de toma de Nelspruit terá uma capacidade entre 500 mil e 1500 m3 de combustíveis por ano, os remanescentes 2 mil a 3 mil m3 serão levados ao ponto de toma de Kendal, para alimentar a Rede Nacional de distribuição. Actualmente, o terminal de combustíveis da Matola tem capacidade para manusear um milhão de toneladas/ano, prevendo-se que após a conclusão da intervenção no quadro deste projecto, a mesma se eleve para cinco milhões de toneladas de combustíveis em igual período. Ponte sobre o rio zambeze Transporte de cargas via-férrea aumentou de Janeiro a Maio 435 Trabalhadores, entre engenheiros e operários de todas as categorias – 387 moçambicanos, trabalham noite e dia para terem a obra pronta no próximo ano. Quem passa pelas margens do Zambeze tem assim oportunidade de admirar esta imponente infra-estrutura com os seus robustos alicerces e a sua extraordinária presença arquitectónica que enche de orgulho todos aqueles que têm contribuído para que o sonho se torne realidade. As três linhas, Sul, Centro e Norte, que integram o sistema ferroviário de Moçambique, transportaram mais de 1,65 milhões de toneladas de carga diversa de Janeiro a Maio, um aumento homólogo de 9,2. Da totalidade da carga, 1.477 milhões de toneladas foram transportadas nas linhas de Ressano Garcia, Goba e Limpopo, linhas que continuam sob gestão directa da empresa pública de Portos e Caminhos-deFerro de Moçambique (CFM). De acordo com um relatório da CFM, enquanto a carga transportada internamente registou um aumento de 97,8 mil toneladas, o tráfego internacional baixou 42,4 mil toneladas devido à crise económica no Zimbabué. Contribuíram para este decréscimo as quedas registadas no ferro-crómio, amianto, açúcar e adubos transportados. 82 No entanto, verificou-se um crescimento nos volumes de tráfego Nacional, com mais 22,4 mil toneladas de açúcar, melaço, recovagens, algodão e pedra, transportados, este ano, comparativamente a 2007. No tráfego Nacional aumentaram os volumes de pedra transportada, enquanto que no Internacional houve um incremento nos volumes de carvão, aço, magnetite, ferro-crómio, soja, bentonite, adubos, enxofre, combustível, pedra e melaço transportados através da linha de Ressano Garcia. LEME Muita gente duvidou que a construção da ponte sobre o Rio Zambeze que liga Caia a Chimuara, nas províncias de Sofala e Zambézia, se tornasse uma realidade. Apesar do arranque das obras, nem todos davam como certa a sua conclusão. No entanto, os resultados estão à vista. Esta maravilha da engenharia fascina todos aqueles que por lá passam, pois muitos não acreditavam que aquela majestosa obra de arte seria um dia edificada. Telecom sediada em Moçambique O Governo Moçambicano assinou um acordo com a Associação de Telecomunicações da África Austral para implantação da sede da SATA. O acordo, visa tornar Moçambique, num centro de decisões sobre oportunidades de investimento, dentro do sector das telecomunicações. O Ministro dos Transportes e Comunicações, afirmou recentemente que Moçambique está agora a contribuir activamente para a integração regional no sector das telecomunicações e consequente desenvolvimento económico. A Associação foi criada em 2002, na sequência da supressão da Comissão dos Transportes e Comunicações da África do Sul que operava a partir de Gaberone – Botswana. A Associação de Telecomunicações da África Austral que operava temporariamente em Maputo escolheu agora esta cidade para permanência da sua sede. BREVESLEME Dragagem vai renovar confiança dos utilizadores trajecto percorrido pelos operadores daquele país, ter sido relativamente mais curto. Foram lançados, no quadro do relançamento do porto da Beira, projectos para a dragagem de emergência do canal de acesso ao porto e, respectivas bacias de manobras, numa operação orçada em 18 milhões de dólares, 6 milhões dos quais suportados pela empresa CFM - Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique e os restantes 12 milhões pelo Governo da Holanda. Paralelamente, a Dinamarca está a financiar a aquisição de uma draga oceânica com capacidade para remover 2,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos por ano, a qual vai igualmente operar no porto da Beira. Actualmente, os operadores Nacionais de carga rodoviária vivem um novo desafio, designadamente o transporte de condensados de gás de Temane, uma mercadoria descrita como sendo, extremamente perigosa. Contudo, há já alguns anos que este produto é transportado e nunca houve um grande acidente, revelando que os motoristas estão bem treinados. Aliada a esta intervenção, a Dinamarca vai investir, adicionalmente, 36,6 milhões de dólares na recapacitação do Trem Naval do CFM de apoio à navegação ao nível daquele porto. Com vista a resolver de forma definitiva o problema do sector de dragagens no País, o Governo decidiu estabelecer o Fundo Nacional de Dragagens (FND), gerido pelo CFM. O FND terá a contribuição de taxas de ajuda à navegação, com participações directas do Orçamento do Estado, proveitos próprios da EMODRAGA e contribuições do CFM. Transportadores atentos à conquista de mercado A qualidade das companhias Nacionais de transportes está à vista, ganhando concursos internacionais para transportar carga para vários países estrangeiros, mostrando a competência internacional para concorrer no contexto da integração regional na SADC. Semáforos reduzem caos na condução O caos vinha caracterizando a condução rodoviária devido, às avarias constantes dos sinais luminosos de regulação do trânsito em diversas ruas, avenidas e cruzamentos da cidade de Maputo. Em reconhecimento desta situação, as autoridades municipais iniciaram, este ano, um programa de colocação de novos semáforos com o objectivo de resolver definitivamente o problema de congestionamentos que se verificam, particularmente nas horas consideradas de ponta. Já é possível conduzir com relativa segurança. A aposta das autoridades municipais é de colocar em todos os cruzamentos das artérias da cidade de Maputo os sinais luminosos reguladores do trânsito. Há já alguns anos, esta aptidão tinha sido realçada, no âmbito da construção do gasoduto Pande-Secunda, em que as companhias moçambicanas terminaram as operações de transporte de tubos e outros materiais com uma antecipação de cerca de três meses, contra os dois de atraso do lado sul-africano, tendo em conta o Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 83 BREVES INAV emite 24 mil cartas de condução O INAV – Instituto Nacional de Viação, já emitiu mais de 24 mil novas Cartas de Condução, num modelo aprovado pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC. Esta carta é segura e de difícil falsificação, permitindo ao condutor circular sem restrições na SADC. A produção da nova Carta de Condução iniciou-se em Novembro do ano passado, abrangendo, numa primeira fase, as cidades de Maputo, Matola e da Beira. As cartas antigas podem ser trocadas até 2010. Quem tiver uma carta com validade até 2011, pode trocá-la até 2010. Contudo, nada impede que possa trocá-la agora. O INAV informa que a produção da nova carta demora apenas alguns minutos. Moçambique prevê gastar em 2008 700 milhões de dólares a importar combustíveis Os gastos na aquisição e importação de combustíveis para Moçambique no próximo ano de 2008, poderão ascender os cerca de 700 milhões de dólares, segundo as projecções apresentadas pelo Governo. As razões do aumento do volume dos gastos que até agora rondavam entre os 200 milhões de dólares por ano, prendem-se com o facto do agravamento de preços dos combustíveis no mercado internacional ser constante. Apesar de se pensar na introdução de uso de biocombustíveis no País, cujo começo não está para breve, em nenhum momento os tais biocombustíveis, vão substituir os combustíveis actualmente usados, apesar do efeito de estufa que estão a causar ao nosso ambiente. Projecto de produção de Biocombustível 84 LEME O Estado poderá arrecadar 57 milhões de dólares de receitas fiscais, a partir de 2011, na produção do projecto que ocupará uma área de 18 mil hectares para a produção de cana-de-açúcar. Este projecto é da sociedade Mozambique Principle Energy, de capital maioritariamente das Maurícias, no posto administrativo de Dombe, distrito de Sussundenga, província de Manica. Prevê-se que venha a produzir cerca de 213 milhões de litros de bio-combustíveis para o mercado Nacional e regional, a partir de 2012, prevendo o Estado a arrecadação de receitas fiscais para o Estado e emprego na ordem de 2.668 postos de trabalho. TPM reactivam rotas Os TPM – Transportes Públicos de Maputo, estão a reactivar as rotas que tinham encerrado devido à falta de autocarros como reflexo da chegada de novos autocarros. Os munícipes do bairro da Liberdade, na Matola, voltaram a ter um autocarro que vai ligar entre aquela zona residencial e a baixa da cidade de Maputo, facto que não se verificava há alguns anos. As rotas Laulane - Museu e Aeroporto - Museu são outras ligações que os TPM reabriram recentemente, após a chegada dos novos autocarros importados da África do Sul pelo Governo, para reforçar a diminuta frota da transportadora rodoviária pública da capital. No âmbito do programa estabelecido, os TPM deverão receber 100 unidades novas até Outubro, das quais 20 já estão em circulação. Com a chegada dos últimos dez autocarros, os TPM passam a contar com 99 viaturas, mas apenas uma média de cinquenta é que é diariamente colocada nas estradas. À medida da chegada dos novos autocarros, os TPM vão reactivando as rotas encerradas e abrir outras que tenham acessos adequados para os autocarros, tendo como principal objectivo, para já, a zona da Mozal e de Magoanine “CMC”, cuja estrada está em construção, como exemplos das que serão abrangidas pela expansão. Os 100 autocarros que agora estão a ser entregues foram prometidos aos munícipes de Maputo aquando da visita de trabalho que o Ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, efectuou aos TPM, a 17 de Março passado. Na ocasião, o Ministro anunciou que o Estado estava em processo de aquisição de 100 viaturas que chegariam em cinco lotes de 20 cada, acrescentando que a ideia é atacar a grave crise da diminuta frota dos TPM e, simultaneamente, reforçar a capacidade das suas oficinas para garantir a manutenção dos autocarros. BREVESLEME Desafios da integração Até 2009, os CFM – Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique estarão equipados com meios humanos e materiais para operar com padrões de segurança reconhecidos internacionalmente, investindo actualmente na reabilitação das linhas, como na formação do pessoal e na adequação de outras infraestruturas que compõem a unidade. Num projecto orçado em 31 milhões de dólares, os CFM vão reabilitar 670 vagões, num projecto orçado em 31 milhões de dólares, a ser adjudicado a uma companhia estrangeira, além de um outro lote de 150 vagões actualmente em reparação nas Oficinas Gerais da empresa, em Maputo. A empresa estrangeira que se vai ocupar da reabilitação dos 670 vagões deverá ter, além da necessária competência técnica, capacidade de mobilizar carga para ser transportada pelos vagões reabilitados, numa perspectiva de curto e médio prazos, se reaverem os 30 milhões de dólares que serão investidos na recuperação do material circulante. O objectivo dos CFM é acabar com o gasto anual de cerca de 600 mil randes em despesas com o aluguer de vagões aos Caminhos de Ferro Sul-Africanos, Spoornet. O ideal seria ter pelo menos 2000 vagões em circulação, para fazer face à crescente demanda de transporte de carga, situação que poderá agravar-se com o incremento dos volumes de comércio no âmbito da integração regional. Transporte de carga A partir de 2009, o transporte de carga na linhaférrea de Ressano Garcia estima-se atingir 9 milhões de toneladas por ano, será um dos frutos da evolução alicerçada no desejo manifestado pelos Governos de Moçambique e da África do Sul de incrementarem o comércio bilateral entre os dois Países. É o resultado da aposta na reabilitação e estabilização da linha, num investimento orçado em 20 milhões de dólares, a capacidade da ferrovia vai evoluir de 4 milhões de toneladas por ano, em 2007, para 7 milhões de toneladas até finais de 2008. Deste investimento destacam-se as intervenções no chamado nó ferroviário da Machava, a reposição da capacidade produtiva da fábrica de travessas de betão do Umbelúzi, a renovação das estações ferroviárias e a reabilitação da Linha Maputo - Ressano Garcia, numa extensão de 88 quilómetros, conferindo-lhe uma capacidade de 20 toneladas por eixo. Foram reabilitadas 14 linhas de manobras e reforçadas as linhas na estação da Machava que dão acesso ao porto da Matola, onde funcionam os terminais de carvão, de combustíveis, de alumínios e de cereais a granel. A empresa tem, também, dois projectos de recuperação de locomotivas, o primeiro dos quais envolve um lote de 6 unidades a serem reparadas no País, com um investimento orçado em 2,8 milhões de dólares e, um segundo, orçado em 31 milhões de dólares que comporta outras 45 locomotivas, a serem reacondicionadas na África do Sul. A British Airways junta-se à RollsRoyce para encontrar alternativa ao petróleo Influenciada pela escalada do preço do petróleo a indústria da aviação poderá estar a atravessar uma das piores crises dos últimos anos. A dependência do petróleo está a criar inúmeras dificuldades sendo que todos os planos são poucos para fazer face a esta situação. A inércia não é solução e alguns planos já estão a ser traçados, como é o caso do projecto que envolve a British Airways e a RollsRoyce que vão iniciar um programa de testes para investigar a viabilidade de combustíveis alternativos para a indústria da aviação, arrancando com um rigoroso processo, ao convidar fornecedores para oferecer amostras de combustíveis alternativos para testar em motores Rolls-Royce RB211 de um Boeing 747 da British Airways. Estes testes serão realizados num banco de ensaio nas instalações da Rolls-Royce em Derbi, Inglaterra. Nestes testes, irão tentar identificar alternativas viáveis com potencial de reduzir emissões de carbono e a diminuição da dependência do petróleo, onde serão escolhidos quatro combustíveis alternativos que irão ser submetidos a testes em laboratórios antes de serem testados nos motores Rolls-Royce em 2009. Estima-se que os testes estarão concluídos no Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 85 BREVES final de Março de 2009, altura em que os resultados serão analisados. A British Airways espera que com o combustível alternativo conseguir reduzir em 30% as emissões de dióxido de carbono até 2010. LAM recebe certificação da IATA A LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, foi recentemente certificada pela Associação Internacional dos Transportadores Aéreos (IATA) como uma empresa que cumpre todos os requesitos de excelência em termos de segurança operacional, através do seu programa IOSA - IATA (Operational Safety Audit). A IOSA é um programa de auditoria defenido pela IATA e reconhecido internacionalmente que preconiza os melhores padrões de segurança operacional e no qual são auditados 928 requesitos, em particular os processos de gestão e procedimentos operacionais das companhias aéreas. contexto da liberalização internacional desta actividade. Os mecanismos de partilha do mercado de transporte aéreo, no geral, estão definidos na Convenção Sobre a Aviação Civil Internacional de Chicago, mas a nível do Continente Africano foi estabelecida na Declaração de Yammoussoukro. Ligação aérea entre Maputo e Luanda está para breve As cidades de Maputo e Luanda deverão passar a estar ligadas por voos directos a partir de Novembro. A LAM - Linhas Aérea de Moçambique e a TAAG Linhas Aéreas de Angola estão a articular calendários com as exigências da IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, para que as capitais dos dois países passem a ter ligações aéreas directas já a partir de Novembro deste ano. Actualmente, viajar entre Moçambique e Angola implica apanhar dois voos entre Maputo e Joanesburgo, na África do Sul e daí para Luanda e vice-versa. A LAM reforça a frota de aeronaves Presidente do CA da LAM, Eng. José Viegas 86 Liberalização do transporte aéreo: Espaço aéreo aberto ao tráfego internacional Já está liberalizado o espaço aéreo Nacional ao tráfego internacional de transporte de passageiros, carga e encomendas postais. Moçambique foi subscritor da Declaração de Yommoussokro que preconiza a liberalização do transporte aéreo no Continente Africano. De acordo com o documento, a medida enquadra-se nas reformas em curso no ramo dos transportes aéreos, no LEME A LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, reforçou a sua frota de aeronaves com a chegada de mais uma aeronave do tipo Boeing 737-200, baptizada com o nome de Quirimbas, um paradisíaco arquipélago com enorme potencial turístico. A LAM passa a contar na sua frota com um total de quatro aeronaves, cada uma com uma capacidade para transportar 108 passageiros, reforçando assim a capacidade de oferecer uma elevada qualidade de serviços e continuar a ser uma referência na indústria de aviação civil mundial. LAM assina acordos de Interline com a SAA e TAP A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, a TAP – Transportes Aéreos de Portugal e a SAA – South African Airways, assinaram o acordo de Interline, permitindo que os clientes destas companhias possam adquirir as suas viagens, fazendo uso do sistema de bilhete electrónico, nas rotas operadas pelas três companhias nas BREVESLEME respectivas lojas de venda espalhadas no mundo. Os acordos Interline são um instrumento da IATA Associação Internacional dos Transportadores Aéreos, no sentido de permitir uma maior cooperação entre as companhias nas áreas de distribuição e vendas de produtos e serviços. Recorde-se que a LAM já implementou com sucesso o bilhete electrónico que vem substituir o bilhete convencional e está inserido na estratégia da companhia aérea Nacional, como um factor essencial para uma maior competitividade e crescimento da empresa. A LAM em Pemba A companhia aérea, LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, no âmbito do seu ciclo de melhoria contínua e de forma a oferecer maior conforto e comodidade aos seus clientes, inaugurou este ano um novo Terminal de Vendas na cidade de Pemba, num edifício de dois pisos, que representa um investimento de 600.000 USD. O Terminal está equipado com tecnologia de ponta e preparada para oferecer o maior conforto e comodidade aos clientes. De referir que este edifício, abrange uma biblioteca, baptizada com o nome de Ângelo Alberto Chichava que foi uma figura ímpar na indústria da aviação Nacional Moçambicana. Somente bilhetes electrónicos No âmbito do processo de modernização em curso, a LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, passou a emitir a partir do dia 1 de Junho, somente os bilhetes de viagem em formato electrónico. A companhia aérea Nacional cumpre as directrizes da IATA - Associação Internacional dos Transportadores Aéreos que definiu como prazo limite o dia 31 de Maio para que as empresas filiadas nesta Associação deixassem de emitir os bilhetes de viagem em papel que segundo dados avançados pela IATA, vão permitir às companhias aéreas reduzirem os custos no processamento dos históricos bilhetes de papel. A LAM adopta medidas no âmbito estrutural e comercial Atendendo ao aumento do preço dos combustíveis, a LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, vê-se forçada a adoptar medidas de âmbito estrutural e comercial, de forma a não penalizar os esforços que vêm sendo desenvolvidos, no sentido de melhorar a competitividade da empresa. Tendo como base os resultados financeiros preliminares relativos ao exercício de 2007, os quais mostram sinais de recuperação, o Conselho de Administração, definiu como prioridade a consolidação dos mesmos e a modernização da empresa, estando para o efeito a desenvolver todos os esforços neste sentido. Ao longo do presente ano, o preço do combustível passou de 35% para cerca de 50%. Como consequência do agravamento deste elemento de custo operacional, a facturação teve um aumento na ordem dos 950 mil dólares mensais. Neste sentido, a LAM vê-se na contingência de definir acções correctivas, visando atingir os objectivos preconizados, como a consolidação dos resultados financeiros, a manutenção dos padrões de segurança e a melhoria contínua da qualidade de serviço que presta aos seus clientes, facto que necessariamente passa pela tomada de decisões economicamente viáveis. Moçambique Maningue Nice A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique lançou o produto, designado Moçambique Maningue Nice. O Moçambique Maningue Nice é um produto que permite aos clientes visitarem mais do que um destino no País, pagando somente um valor acrescentado por cada destino adicional. Deste modo, a LAM reforça a sua aposta na dinamização do turismo interno oferecendo o produto Moçambique Maningue Nice a possibilidade dos moçambicanos “irem para fora cá dentro”. Mais operadores aéreos A partir deste ano algumas rotas regionais terão mais operadores do transporte aéreo, quebrando-se assim os monopólios até aqui detidos por certas companhias Publicação do Ministério dos Transportes e Comunicações 87 BREVES da região. A abertura das rotas regionais é uma medida inscrita no quadro do processo de integração regional tendo em vista custos de transporte mais acessíveis, tendo em vista a utilização das infraestruturas existentes o que poderá favorecer a economia. Em construção no aeroporto de Maputo: Terminal de carga pronto até Outubro O novo terminal de carga do Aeroporto Internacional de Maputo deverá estar pronto até finais de Outubro, segundo a ADM – Aeroportos de Moçambique. As restantes componentes do projecto de modernização e ampliação do aeroporto de Mavalane deverão estar concluídas em princípios de 2010. Com estas novas infraestruturas, o aeroporto de Maputo ficará com uma capacidade para atender 900 mil passageiros por ano, contra a actual estimada em 300 mil, com a perspectiva de, posteriormente, a mesma ser alargada para um limite de três milhões de passageiros por ano. Nova empresa de handling 88 LEME A ADM - Aeroportos de Moçambique e a LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, assinaram um acordo de parceria com a Tri Handling Services, das Ilhas Maurícias, com vista à constituição de uma nova empresa de handling, denominada Mozambique Airport Handling Services. A criação da Mozambique Airport Handling Services enquadra-se na estratégia de reestruturação em curso na LAM que abrange as áreas de check in de passageiros, manuseio de bagagem, carga, correio, bem como de todo o equipamento de terra necessário para a operação das aeronaves. Este acordo possibilita a autonomização da área de handling nos aeroportos de Maputo e Beira. A LAM e a ADM esperam elevar o padrão de qualidade dos serviços prestados, tornando-os destinos mais atractivos. Esta parceria vai dedicar-se ao ground handling, isto é, um serviço que consiste em prestar uma assistência interna aos passageiros e à carga a partir do momento em que é feito o check in, passando pela sala de embarque até à porta do avião. A assistência a ser prestada aos passageiros estende-se também ao local de destino e à viagem no sentido inverso. Com a criação desta empresa a LAM deixa de ter exclusividade, o que atesta também que a transportadora aérea Nacional pretende virar-se exclusivamente para aquela que é a sua vocação, a de transportar passageiros e carga, passando a actividade de handling a ser complementar ao serviço da companhia. Este acordo estabelece ainda que os 220 trabalhadores da LAM que actualmente fazem o ground handling, serão transferidos para a nova empresa, com a garantia de que irão usufruir das mesmas condições que tinham até então. Portugal e Moçambique assinam acordo para reforço de ligações aéreas Portugal e Moçambique assinaram um acordo de princípio para aumentar o número de ligações aéreas entre os dois Países. O anúncio foi feito à margem das cerimónias oficiais que marcaram o início da visita de Estado de Cavaco Silva a Moçambique. Fonte da presidência portuguesa disse aos jornalistas que para já, a partir de Julho, os voos semanais passarão de quatro para cinco. Quanto a uma intensificação do tráfego aéreo, o mesmo responsável disse ainda que a existência de novas rotas dependerá das negociações que a LAM e a TAP irão iniciar, justificando-se com os pedidos crescentes de empresários portugueses que investem em Moçambique, principalmente no sector do Turismo. Aeroporto de Maputo