UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE FARMÁCIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS BRUNO LEONARDO SILVA SÍNTESE DE GALACTOSÍDEOS DE ARILA INIBIDORES POTENCIAIS DE TRANS-SIALIDASE DE TRYPANOSOMA CRUZI Belo Horizonte – MG 2012 BRUNO LEONARDO SILVA SÍNTESE DE GALACTOSÍDEOS DE ARILA INIBIDORES POTENCIAIS DE TRANS-SIALIDASE DE TRYPANOSOMA CRUZI Dissertação, como requisito parcial, para obter o grau de mestre em Ciências Farmacêuticas, submetida ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais. Orientador Prof. Dr. Ricardo José Alves Belo Horizonte – MG 2012 S586s Silva, Bruno Leonardo. Síntese de galactosídeos de arila inibidores potenciais de transsialidase de Trypanosoma cruzi / Bruno Leonardo Silva. – 2012. 162 f. : il. Orientador: Prof. Dr. Ricardo José Alves. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Farmácia, Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. 1. Trypanosoma cruzi – Teses. 2. Galactosídeos de arila – Teses. 3. Inibidores enzimáticos – Teses. 4. Síntese orgânica – Teses. 5. Modelagem molecular – Teses. 6. Chagas, Doença de – Teses. I. Alves, Ricardo José. II. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Farmácia. III. Título. CDD: 615.19 Dedico este trabalho aos meus pais, Márcio e Marli, que me agraciaram com essa existência e me educaram com bases de amor incondicional e carinho. AGRADECIMENTOS Agradeço ao Professor Ricardo José Alves pelas lições acadêmicas e de vida que nortearam o meu caminhar como profissional e ser humano durante essa convivência. Obrigado por acreditar nas minhas potencialidades e investir nos meus talentos. À minha irmã Aline pela alegria e otimismo dispensados que tornam mais prazerosa e suave a minha caminhada. Aos meus padrinhos Marisa e Henrique pelos exemplos de afeto, dedicação e perseverança que deixam incessantemente para mim e para toda família. À minha avozinha Francisca Natália que sempre lutou pelos valores da família e, durante décadas, batalha pela formação de pessoas de bem. Aos demais familiares, tios e primos e avó materna, que me apoiaram nesta minha trajetória e me assistiram nos momentos de dificuldade. Aos amigos Stefânia, Saulo Andrade, Saulo Braga, Marcela, Thiago, Lucas e Carol que viram no colega de bancada um amigo, abraçaram as dificuldades do grupo como suas e fizeram do ambiente de trabalho um local de respeito, alegria e amizade. Aos demais amigos e colegas do Laboratório de Química Farmacêutica, o meu obrigado pelo companheirismo e apoio. À Lavina pela alegria matinal com que sempre me recebeu no laboratório e por seus exemplos de vida e respeito ao próximo. Aos amigos do Departamento de Saúde da Fraternidade Espírita Irmão Glacus, que fortaleceram com seus verdadeiros exemplos de altruísmo o lado humano da minha formação. Aos amigos da Campanha do Quilo Irmão Palminha pela amizade querida de anos. Aos novos amigos Fernanda, Rafael e Lidyane pelo trabalho social inspirador que realizam e por me abrirem carinhosamente as portas do Centro Juvenil Salesiano. Aos amigos de graduação Renan, Rogério e Lucas pela amizade sincera e divertida dos últimos anos. Aos professores Thais, Renata e Basílio, que nos deram inúmeras lições de profissionalismo e zelaram pela construção de um grupo mais forte e melhor. Ao professor Armando e ao Eduardo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas que trabalham com afinco na melhoria do programa. Ao professor Ronaldo Nagem por me oferecer sua amizade e por me aceitar um ano em seu laboratório, apresentando-me uma fantástica área do conhecimento: a cristalografia de proteínas. Ao professor José Dias de Souza Filho pela ajuda inestimável na realização dos experimentos de RMN. À professora Ivone Carvalho pela disposição em colaborar com o grupo e pela realização dos ensaios enzimáticos. “Não há ciência alguma que tenha surgido completa do cérebro do homem; todas, sem exceção, são o produto de observações sucessivas, apoiadas nas observações precedentes, como em um ponto conhecido para chegar ao desconhecido.” Alan Kardec RESUMO A trans-sialidase de Trypanosoma cruzi (TcTS) é uma enzima de superfície que catalisa a transferência de resíduos do monossacarídeo ácido siálico de sialogliconjugados do hospedeiro para proteínas mucinas amplamente distribuídas na superfície do parasita. Fisiologicamente a TcTS medeia ativamente mecanismos de escape da resposta imune contra T. cruzi, invasão celular e apoptose de células do tecido sanguíneo. Essa enzima, portanto, é essencial para o desenvolvimento da doença de Chagas, sendo reconhecidamente um alvo molecular bastante promissor para o desenvolvimento de fármacos. Nesse contexto, realizou-se neste trabalho o planejamento e a síntese de derivados de D-galactose inibidores potenciais de TcTS, utilizando estratégias de modificação molecular, especialmente simplificação molecular. Dez galactosídeos de arila modificados em C-3 foram sintetizados e caracterizados para serem ensaiados contra TcTS por espectrofluorimetria. Utilizando-se reações clássicas da química de carboidratos, foram sintetizados inicialmente o β-D-galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonilfenila e o β-D- galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonil-2-nitrofenila, a partir dos quais foram realizadas reações regiosseletivas de O-alquilação em C-3. Foram utilizados como eletrófilos iodeto de metila, bromoacetato de terc-butila e bromoacetonitrila. A seletividade foi obtida pelo emprego da técnica do óxido de dibutilestanho, que forma complexos cíclicos estanilados com os galactosídeos e conduz, na presença de agentes alquilantes, aos produtos substituídos em C-3, geralmente com elevado rendimento e seletividade. Posteriormente, os derivados com os substituintes tercbutoxicarbonilmetila e cianometila foram modificados, obtendo-se derivados com os grupos carboximetila e 5-tetrazolilmetila em C-3. Palavras-chave: trans-sialidase de Trypanosoma cruzi, ácido siálico, planejamento de inibidores, dibutilestanho. galactosídeos de arila, alquilação regiosseletiva, óxido de ABSTRACT Trypanosoma cruzi trans-sialidase (TcTS) is a surface enzyme that catalyses the transfer of residues of the monosaccharide sialic acid from host sialoglycoconjugates to the mucins, abundant proteins expressed on the parasite surface. Physiologically TcTs actively participates of the mechanisms of evasion from the immune system, cell invasion and blood cell apoptosis. This enzyme is, therefore, essential for the development of Chagas Disease, and is considered a promising molecular target for drug design. Thus, the aim of the present work was the design and synthesis of Dgalactose-derived potential inhibitors of TcTS using strategies of molecular modification, in special molecular simplification. Ten aryl galactosides modified at carbon-3 were synthesized and characterized for evaluation against TcTS by spectrofluorimetry. By using classical carbohydrate chemistry 4- methoxycarbonylphenyl β-D-galactopyranoside and 4-methoxycarbonyl-2-nitrophenyl β-D-galactopyranoside were prepared. The regioselective 3-O-alkylation of both compounds was then carried out using methyl iodide, tert-butyl bromoacetate and bromoacetonitrile as electrophylic reagents. The regioselectivity was achieved by employing the dibutyltin oxide method, in which cyclic tin complexes are formed and, upon reaction with an alkyl halide, furnish 3-O-alkylated products, in general high yields and selectivity. The alkylated products bearing tert-butoxycarbonylmethyl or cyanomethyl groups were modified in order to obtain derivatives bearing at C-3 a carboxymethyl or a 5-tetrazolylmethyl group. Key words: Trypanosoma cruzi trans-sialidase, sialic acid, drug design, aryl galactosides, regiosselective alkylation, dibutyltin oxide. LISTA DE FIGURAS 1 Fármacos utilizados para o tratamento da doença de Chagas. ................................................. 20 2 Estruturas do ácido neuramínico e seus derivados C-5-substituídos mais comuns. ............. 22 3 Rota biossintética simplificada de Neu5Ac. ................................................................................. 23 4 Atividade enzimática de sialidase, sialiltransferase e trans-sialidade. ..................................... 25 5 Principais eventos bioquímicos mediados pela TcTS decorrentes da infecção pelo Trypanosoma cruzi no hospedeiro vertebrado. ........................................................................... 27 6 Mecanismo catalítico da trans-sialidase de T. cruzi.................................................................... 30 7 Estruturas do ácido siálico (1) e seus derivados miméticos DANA (2), zanamivir (4) e oseltamivir (5). Em (3), o cátion sialosil oxacarbênio, análogo do estado de transição da reação de hidrólise de sialosídeos. ......................................................................................... 31 8 Moléculas com maior atividade avaliadas por Neres e colaboradores e as respectivas CI50 para TcTS. ................................................................................................................................. 33 9 Inibidor covalente avaliado por Carvalho e colaboradores. ....................................................... 34 10 Estruturas do lactitol, ácido lactobiônico e lactotetrazol. ........................................................ 35 11 Galactosídeos fosfonatos avaliados por Busse e colaboradores e as respectivas constantes de inibição (Ki) para TcTS. ....................................................................................... 35 12 C-sialosídeos com maior atividade avaliados por Meinke e colaboradores e as respectivas constantes de dissociação (KD) para TcTS. .......................................................... 36 13 Galactosídeos com maior atividade avaliados por Harrison e colaboradores e as respectivas porcentagens de inibição de TcTS a 1mM. ........................................................... 36 14 Glicosídeos triazólicos com maior atividade avaliados por Campo e colaboradores e as respectivas porcentagens de inibição de TcTS a 1mM. ...................................................... 37 15 Estrutura do gangliosídeo GM3. .................................................................................................. 37 16 Substâncias aromáticas hidroxiladas inibidores de TcTS e as respectivas CI50. .................. 38 17 Derivados de lactose e D-galactose sintetizados no laboratório de Química Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFMG e testados contra TcTS. ........................ 39 18 Estratégias de modificação molecular utilizadas neste trabalho. ........................................... 40 19 Galactosídeos de arila modificados em C-3 propostos para síntese. ..................................... 42 20 Esquema de síntese de 53 e 54 a partir de D-galactose. ........................................................... 43 21 Proposta mecanística de desacetilação de 68 e 69 pelo método de Zemplén. ...................... 44 22 Espectro de RMN de 1H de 53 (200 MHz, DMSO-d6)................................................................... 45 LISTA DE FIGURAS (conclusão) 23 Reação de complexação entre grupos hidroxilas de um poliol e o óxido de dibutilestanho. ............................................................................................................................... 46 24 Exemplos de modificação regiosseletiva da hidroxila de C-3 de galactosídeos parcialmente protegidos. ............................................................................................................. 47 25 Estrutura dimérica proposta para o organoestanho 77. ........................................................... 48 26 Configuração dos organoestanhos formados pela complexação de glicosídeos desprotegidos com óxido de dibutilestanho. ............................................................................ 49 27 Exemplos de modificação regiosseletiva da hidroxila de C-3 de derivados galactosídicos totalmente desprotegidos. ................................................................................. 50 28 Mecanismo simplificado proposto por Kaji e colaboradores para 3-O-glicosilação do galactosídeo de metila catalisada por Bu4NF. ........................................................................... 51 29 Etapa de 3-O-modificação dos galactosídeos 53 e 54. ............................................................. 51 30 Espectro de RMN de 1H dos anômeros α e β de 59. .................................................................. 52 31 Sinais de hidrogênios metilênicos α-tetrazólicos no espectro de RMN de 1H de 64. ............ 54 32 Etapa de desproteção do éster terc-butílico dos galactosídeos 56 e 61. ............................... 57 33 Proposta mecanística de desproteção do éster terc-butílico dos galactosídeos 56 e 61. ................................................................................................................................................... 59 34 Reação de obtenção dos galactosídeos 59 e 64........................................................................ 60 35 Estrutura do substrato MuNANA. ................................................................................................ 62 LISTA DE TABELAS 1 Sialomiméticos testados contra TcTS. ......................................................................................... 32 2 Proporção molar dos reagentes utilizados nas 3-O-alquilações dos galactosídeos 53 e 54....................................................................................................................................................... 69 3 Condições empregadas nas 3-O-alquilações dos galactosídeos 53 e 54. ................................ 70 4 Quantidades de reagentes e solventes utilizados na síntese de 59 e 64. ................................. 83 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS Ac Acetila ADP Adenosina difosfato All Alila Arg Arginina Asp Ácido aspártico ATP Adenosina trifosfato ATR Attenuated Total Reflectance Bn Benzila Bz Benzoíla CCD Cromatografia em Camada Delgada CCS Cromatografia em Coluna de Sílica-Gel CI50 Concentração inibitória de 50% da atividade enzimática CMP Citidina 5-monofosfato COSY Correlated Spectroscopy d Dupleto DANA Ácido 2-desoxi-2,3-didesidro-D-N-acetilneuramínico dd Dupleto duplo ddd Duplo dupleto duplo DEPT Distortionless Enhancement by Polarization Transfer DMSO Dimetilsulfóxido EC Enzyme Commission F.F. Faixa de Fusão FEP Fosfoenolpiruvato F.M. Fórmula Molecular GH Glycoside Hydrolase GlcNAc N-acetil-D-glicosamina Glu Ácido Glutâmico GPI Glicosilfosfatidilinositol His Histidina HMBC Heteronuclear Multiple-Bond Correlation HMQC Heteronuclear Multiple-Quantum Coherence IV Infravermelho LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS (continuação) J Constante de acoplamento escalar KD Constante de dissociação KDN Ácido 2-ceto-3-desoxinonônico LAREMAR Laboratório de Ressonância Magnética de Alta Resolução Leu Leucina M.M. Massa Molar ManNAc N-acetil-D-manosamina ManNAc-6-P N-acetil-D-manosamina-6-fosfato m Multipleto MuNANA Ácido 4-metillumbeliferil-α-D-N-acetilneuramínico NANA Ácido N-acetilneuramínico Neu2en5Ac Ácido 2-desoxi-2,3-didesidro-D-N-acetilneuramínico Neu5Ac Ácido N-acetilneuramínico OMS Organização Mundial de Saúde P Coeficiente de partição óleo-água P.A. Para análise P.E. Ponto de ebulição Pi Fosfato inorgânico PLC Fosfolipase C RMN Ressonância Magnética Nuclear s Simpleto SAPA Shed Acute Phase Antigen Ser Serina SN1 Substituição nucleofílica unimolecular SN2 Substituição nucleofílica bimolecular SVS/MS Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde t Tripleto TcTS Trans-sialidase de Trypanosoma cruzi THF Tetra-hidrofurano Thr Treonina TBAI Iodeto de tetrabutilamônio TMS Tetrametilsilano LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS (conclusão) Trp Triptofano TS Trans-sialidase Tyr Tirosina UDP Uridina difosfato Val Valina WHO World Health Organization ∆ν Variação de deslocamento químico δ Deslocamento químico [α]D Poder rotatório específico ® Marca registrada Número de onda SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 19 1.1 Doença de Chagas ............................................................................................ 19 1.2 Farmacoterapia convencional e novas perspectivas ..................................... 20 1.3 Ácidos siálicos .................................................................................................. 21 1.4 Sialidases, sialiltransferases e trans-sialidases............................................. 24 1.5 Trans-sialidase de Trypanosoma cruzi: alvo potencial para o desenvolvimento de fármacos ......................................................................... 26 1.6 Estrutura, função e mecanismo de ação da TcTS .......................................... 28 1.7 Inibidores da TcTS ............................................................................................ 30 2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 40 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 43 3.1 Síntese dos galactosídeos 53 e 54 .................................................................. 43 3.2 Alquilação 3-O-seletiva dos galactosídeos 53 e 54 ........................................ 45 3.3 Análise espectral dos produtos modificados em C-3 .................................... 53 3.3.1 Caracterização dos galactosídeos 55 e 60 ................................................... 55 3.3.2 Caracterização dos galactosídeos 56 e 61 ................................................... 55 3.3.3 Caracterização dos galactosídeos 58 e 63 ................................................... 56 3.4 Síntese e caracterização dos galactosídeos 57 e 62 ...................................... 57 3.4.1 Caracterização dos galactosídeos 57 e 62 ................................................... 59 3.5 Síntese e caracterização dos galactosídeos 59 e 64 ...................................... 60 3.5.1 Caracterização dos galactosídeos 59 e 64 ................................................... 61 3.6 Ensaios enzimáticos ......................................................................................... 62 4 PARTE EXPERIMENTAL ...................................................................................... 65 4.1 Métodos gerais .................................................................................................. 65 4.2 Métodos de síntese ........................................................................................... 66 4.2.1 Procedimento de síntese de 53 e 54 ............................................................. 66 4.2.2 Procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 ............ 69 4.2.3 Procedimento de síntese de 55 ..................................................................... 70 4.2.4 Procedimento de síntese de 60 ..................................................................... 72 4.2.5 Procedimento de síntese de 56 ..................................................................... 74 4.2.6 Procedimento de síntese de 61 ..................................................................... 75 4.2.7 Procedimento de síntese de 58 ..................................................................... 77 SUMÁRIO (continuação) 4.2.8 Procedimento de síntese de 63 ..................................................................... 78 4.2.9 Procedimento de síntese de 57 e 62 ............................................................. 80 4.2.10 Procedimento de síntese de 59 e 64 ........................................................... 83 4.3 Ensaios enzimáticos ......................................................................................... 86 5 CONCLUSÕES ...................................................................................................... 88 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 89 APÊNDICE A – Espectro no infravermelho de 53 .......................................................... 97 APÊNDICE B – Espectro de RMN de 1H de 53 (DMSO-d6; 200 MHz) ................................. 98 APÊNDICE C – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 53 (DMSO-d6; 50 MHz) ................................................................................................. 99 ................................. APÊNDICE D – Espectro no infravermelho de 54 ......................................................... 100 APÊNDICE E – Espectro de RMN de 1H de 54 (DMSO-d6; 200 MHz)................................. 101 APÊNDICE F – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 54 (DMSO-d6; 50 MHz)................................................................................................. 102 ............................ APÊNDICE G – Espectro no infravermelho de 55 ......................................................... 103 APÊNDICE H – Espectro de RMN de 1H de 55 (piridina-d5; 400 MHz)............................... 104 APÊNDICE I – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 55 (piridina-d5; 100 MHz) .................................................................................................. 105 .............. APÊNDICE J – Mapa de contornos COSY de 55 (piridina-d5; 400 MHz) ............................ 106 APÊNDICE K – Mapa de contornos HMQC de 55 (piridina-d5; 400 MHz) .......................... 107 APÊNDICE L – Mapa de contornos HMBC de 55 (piridina-d5; 400 MHz) ........................... 108 APÊNDICE M – Espectro no infravermelho de 56 ......................................................... 109 APÊNDICE N – Espectro de RMN de 1H de 56 (CDCl3; 400 MHz) ..................................... 110 APÊNDICE O – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 56 (CDCl3; 100 MHz) ................................................................................................ 111 .................................... APÊNDICE P – Mapa de contornos COSY de 56 (CDCl3; 400 MHz).................................. 112 APÊNDICE Q – Mapa de contornos HMQC de 56 (CDCl3; 400 MHz) ................................ 113 APÊNDICE R – Mapa de contornos HMBC de 56 (CDCl3; 400 MHz) ................................. 114 APÊNDICE S – Espectro no infravermelho de 57 ......................................................... 115 APÊNDICE T – Espectro de RMN de 1H de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ................................. 116 APÊNDICE U – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 57 (DMSO-d6; 100 MHz) ................................................................................................ 117 ................................. SUMÁRIO (continuação) APÊNDICE V – Mapa de contornos COSY de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ............................. 118 APÊNDICE X – Mapa de contornos HMQC de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ............................ 119 APÊNDICE Y – Mapa de contornos HMBC de 57 (DMSO-d6; 400 MHz)............................. 120 APÊNDICE W – Espectro no infravermelho de 58 ........................................................ 121 APÊNDICE Z – Espectro de RMN de 1H de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) ................................. 122 APÊNDICE AA – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 58 (DMSO-d6; ................................................................ 100 MHz) ........................................................................................ 123 APÊNDICE BB – Mapa de contornos COSY de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) .......................... 124 APÊNDICE CC – Mapa de contornos HMQC de 58 (DMSO-d6; 400 MHz).......................... 125 APÊNDICE DD – Mapa de contornos HMBC de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) .......................... 126 APÊNDICE EE – Espectro no infravermelho de 59 ....................................................... 127 APÊNDICE FF – Espectro de RMN de 1H de 59 (DMSO-d6; 400 MHz)............................... 128 APÊNDICE GG – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 59 (DMSO-d6; 100 MHz) ....................................................................................... 129 ..................................................................... APÊNDICE HH – Mapa de contornos COSY de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) .......................... 130 APÊNDICE II – Mapa de contornos HMQC de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) ............................. 131 APÊNDICE JJ – Mapa de contornos HMBC de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) ........................... 132 APÊNDICE KK – Espectro no infravermelho de 60 ...................................................... 133 APÊNDICE LL – Espectro de RMN de 1H de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ............................. 134 APÊNDICE MM – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 60 (piridina-d5; 100 MHz) ....................................................................................... 135 ......................................................................... APÊNDICE NN – Mapa de contornos COSY de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ........................ 136 APÊNDICE OO – Mapa de contornos HMQC de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ....................... 137 APÊNDICE PP – Mapa de contornos HMBC de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ........................ 138 APÊNDICE QQ – Espectro no infravermelho de 61 ...................................................... 139 APÊNDICE RR – Espectro de RMN de 1H de 61 (CDCl3; 400 MHz) .................................. 140 APÊNDICE SS – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 61 (CDCl3; 100 MHz) .............................................................................................. 141 ............................................................ APÊNDICE TT – Mapa de contornos COSY de 61 (CDCl3; 400 MHz)................................ 142 APÊNDICE UU – Mapa de contornos HMQC de 61 (CDCl3; 400 MHz) .............................. 143 APÊNDICE VV – Mapa de contornos HMBC de 61 (CDCl3; 400 MHz) ............................... 144 APÊNDICE XX – Espectro no infravermelho de 62 ....................................................... 145 SUMÁRIO (conclusão) APÊNDICE YY – Espectro de RMN de 1H de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) .............................. 146 APÊNDICE WW – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 62 (DMSO-d6; ................................................................................... 100 MHz) ...................................................................................... 147 APÊNDICE ZZ – Mapa de contornos COSY de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ........................... 148 APÊNDICE AAA – Mapa de contornos HMQC de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ....................... 149 APÊNDICE BBB – Mapa de contornos HMBC de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ....................... 150 APÊNDICE CCC – Espectro no infravermelho de 63 .................................................... 151 APÊNDICE DDD – Espectro de RMN de 1H de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ........................... 152 APÊNDICE EEE – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 63 (DMSO-d6; 100 MHz) ...................................................................................... 153 ........................................................................................ APÊNDICE FFF – Mapa de contornos COSY de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ......................... 154 APÊNDICE GGG – Mapa de contornos HMQC de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ...................... 155 APÊNDICE HHH – Mapa de contornos HMBC de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ....................... 156 APÊNDICE III – Espectro no infravermelho de 64 ......................................................... 157 APÊNDICE JJJ – Espectro de RMN de 1H de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ............................. 158 APÊNDICE KKK – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 64 (DMSO-d6; 100 MHz) ....................................................................................................... 159 ............................................................................................... APÊNDICE LLL – Mapa de contornos COSY de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ......................... 160 APÊNDICE MMM – Mapa de contornos HMQC de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ...................... 161 APÊNDICE NNN – Mapa de contornos HMBC de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ....................... 162 19 1 INTRODUÇÃO 1.1 Doença de Chagas A doença de Chagas ou tripanossomíase americana é uma infecção parasitária crônica causada pelo hemoflagelado Trypanosoma cruzi. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa doença tropical acomete 10 milhões de indivíduos e representa um risco para uma população de 25 milhões de pessoas da América Latina, geograficamente distribuídas desde o México até o sul da Argentina, onde a enfermidade tem caráter endêmico (WHO, 2010). A existência de diferentes formas evolutivas do parasita bem como de um elevado número de reservatórios vertebrados e insetos triatomínios que participam do ciclo de transmissão torna bastante complexa essa zoonose e, portanto, tem impossibilitado a sua erradicação. As estratégias para eliminação da doença de Chagas baseiam-se no controle dos vetores, triagem sistemática dos doadores de sangue em todos os países endêmicos, detecção e tratamento da transmissão congênita e tratamento de crianças infectadas e de casos agudos. Nas duas últimas décadas, intervenções dessa natureza contribuíram significativamente para a interrupção da transmissão da infecção em importantes áreas de risco. Brasil, Chile e Uruguai declararam-se livres da transmissão da doença de Chagas pelo Triatoma infestans, o principal vetor domiciliar nesses países. Contudo, a prevalência da doença ainda permanece elevada. Em 2007, estimou-se a existência de 7.694.500 pessoas infectadas (1,448%) nos 21 países onde a doença de Chagas é endêmica. O número de novos casos anuais devido à transmissão vetorial e congênita são 41.200 e 14.385, respectivamente (WHO, 2007). No Brasil, de 2006 a 2010 foram notificados 799 casos de doença de Chagas aguda, com índice de letalidade de 2,25%. No estágio crônico, onde está a maioria dos chagásicos, 30 a 40% dos casos evoluem para formas graves de cardiopatia e/ou megaformações digestivas, o que provoca grande impacto nos sistemas de saúde pública (SVS/MS, 2011). 20 1.2 Farmacoterapia convencional e novas perspectivas Desde o final dos anos 1970, há somente dois fármacos disponíveis no mercado para o tratamento da doença de Chagas: o nifurtimox (Lampit®) e o benznidazol (Radanil® e Rochagan®) (Figura 1). Ambos os fármacos são tripanocidas contra as formas tripomastigotas e amastigotas do T. cruzi e reduzem consideravelmente os níveis de parasitemia, a gravidade e a letalidade na fase aguda da doença, obtendose curas parasitológicas em 80% dos casos. Entretanto, são bem menos eficazes na fase crônica, não se obtendo, nesse estágio, sucesso terapêutico em mais de 20% das pessoas tratadas (CANÇADO, 1999). Figura 1 – Fármacos utilizados para o tratamento da doença de Chagas. N O S N N O O N O Nifurtimox O N H N O N O O Benznidazol O nifurtimox é um 5-nitrofurano administrado por via oral, seus efeitos adversos são bastante comuns e cerca de 50% dos pacientes não toleram o tratamento até o fim. Seu modo de ação não está totalmente elucidado, mas provavelmente envolve a redução e oxidação cíclica do grupo nitro, produzindo ânion superóxido, peróxido de hidrogênio e radicais livres, justificando a reduzida seletividade do fármaco (DIAS et al., 2009). O estresse oxidativo provocado por esse ciclo redox é responsável por danos em macromoléculas celulares como DNA, lipídeos de membrana e proteínas (FAIRLAMB, 2003). O nifurtimox apresenta sérios problemas de toxicidade e não se encontra mais disponível comercialmente, mas permanece na lista de medicamentos essenciais da OMS (WHO, 2010). O benznidazol, um análogo nitroimidazólico, por outro lado, não atua através do ciclo redox e não está envolvido diretamente na formação de espécies reativas de oxigênio. Há evidências de que o efeito tripanocida do benznidazol deve-se principalmente à ação direta de nitro-radicais e metabólitos eletrofílicos do fármaco, 21 que se ligam covalentemente às macromoléculas do T. cruzi (DIAS et al., 2009). Embora o tratamento com esse fármaco seja recomendado devido à falta de opção terapêutica, o benznidazol também causa efeitos adversos frequentemente graves tais como: reações de hipersensibilidade, dermatite com erupções cutâneas, depressão da medula óssea, trombocitopenia e polineuropatia periférica (RODRIGUES-COURA e DE CASTRO, 2002). Diante desse panorama típico de uma doença negligenciada, uma intensa busca por novas opções quimioterápicas mais efetivas e seguras para combater a doenças de Chagas tem sido feita nos últimos anos. As principais estratégias exploradas para o planejamento racional de novos fármacos envolvem a inibição das seguintes vias bioquímicas do Trypanosoma cruzi: biossíntese de novo do ergosterol, proteólise mediada por cruzipaína, metabolismo do pirofosfato, síntese e metabolismo redox da tripanotiona e recaptação de purinas. Atividade seletiva contra T. cruzi dos inibidores dessas vias já foi demonstrada in vitro e in vivo (URBINA, 2010 e 2003; WHO, 2007). 1.3 Ácidos siálicos Os derivados do ácido neuramínico (Figura 2), conhecidos como ácidos siálicos, constituem uma família de monossacarídeos de nove carbonos derivados de hexose, amplamente distribuídos entre as glicoproteínas e os glicolipídeos de membrana. Eles são encontrados principalmente em posições terminais de cadeias oligossacarídicas da superfície celular e, ocasionalmente, de cadeias laterais de âncoras de glicosilfosfatidilinositol (GPI). Esses açúcares também podem ocupar posições internas dentro de glicanas, sendo mais comum quando um resíduo do monossacarídeo é anexado a outro, muitas vezes em posição C-8. Além disso, resíduos internos podem ocorrer nas unidades de repetição de alguns polissacarídeos bacterianos e oligossacarídeos equinodermais (VARKI, 2009). 22 Figura 2 - Estruturas do ácido neuramínico e seus derivados C-5-substituídos mais comuns. HO OH 9 8 7 R 1 OH 6 5 HO O 4 COOH 2 OH R= NHCOCH3 NHCOCH2OH OH NH2 (Neu5Ac; NANA) (Neu5Gc) (KDN) (Neu) 3 Grande variedade estrutural surge das modificações naturais do esqueleto carbônico desses carboidratos (Figura 2). C-5 pode ter um grupo N-acetil (Neu5Ac; NANA) ou uma hidroxila (como em KDN). O grupo 5-N-acetil também pode ser hidroxilado, originando o ácido N-glicolilneuramínico (Neu5Gc). Menos comumente, o grupo 5-Namino não é acilado, dando o ácido neuramínico (Neu). Cada uma destas quatro moléculas, Neu5Ac, Neu5Gc, KDN e Neu, pode conter um ou mais substituintes adicionais nas hidroxilas em C-4, C-7, C-8 e C-9 (O-acetil, O-metil-, O-sulfato, Olactil ou grupos fosfato). Formas insaturada e anidra de ácido siálico livre também existem, 2-desoxi-2,3-didesidro-Neu5Ac (Neu2en5Ac) é a mais comum (VARKI, 2009). O ácido siálico mais abundante em eucariotos é o Neu5Ac, frequentemente chamado somente de “ácido siálico” (LEHNINGER, 2005). Neu5Ac e Kdn são os principais precursores metabólicos dos ácidos siálicos de origem animal. Em organismos vertebrados, o ácido N-acetilneuramínico é obtido no citosol das células pela condensação de N-acetil-D-manosamina-6-fosfato (ManNAc6-P) com fosfoenolpiruvato e subsequente desfosforilação. O precursor fosfatado ManNAc-6-P é produzido a partir de UDP-N-acetilglicosamina ou N-acetilglicosamina em duas etapas: uma epimerização em C-2 e uma fosforilação na hidroxila de C-6 (Figura 3; DE FÁTIMA et al., 2005). 23 Figura 3 – Rota biossintética simplificada de Neu5Ac. O grupo ácido carboxílico rboxílico dos ácidos siálicos está ionizado em pH fisiológico, mas pode também,, em uma cadeia oligossacarídica, estar condensado na forma lactônica com uma hidroxila de carboidratos adjacentes ou na forma lactâmica com um grupo amino livre de C-5. C Além dessa a diversidade estrutural, diferentes d conectividades podem ser obtidas pela formação da ligação α-glicosídica glicosídica entre C-2 do ácido siálico e um açúcar adjacente, promovida por sialiltransferases específicas. As posições aceptoras mais comuns são os carbonos C-3 3 e C-6 C de resíduos de galactose e C-6 6 de galactosamina (VARKI, 2009). A diversidade química dos derivados do ácido neuramínico contribui para a enorme variedade de estruturas sacarídicas que compõem o glicocálice amplamente distribuído na superfície das da células. Com efeito, esses monossacarídeos estão envolvidos em diversos processos biológicos, atuam como mediadores em interações específicas célula-célula célula célula e interações entre célula e componentes da matriz z extracelular, uma vez que podem ser reconhecidos por anticorpos e lectinas específicas de origem endógena endógen e exógena (SCHAUER, 2004). A alta expressão de ácidos siálicos na superfície externa de d membranas celulares e em glicoproteínas secretadas, como proteínas sanguíneas e mucinas, mucinas sugere que eles têm funções na estabilização das d membranas. Eles protegem as células e 24 macromoléculas do ataque de proteases e glicosidades, estendendo seu tempo de vida e função (VARKI, 2009). Devido à carga dos grupos carboxilato, os ácidos siálicos estão envolvidos na ligação e no transporte de fármacos e íons, como cátions Ca2+. A repulsão eletrostática das cargas negativas estabiliza as conformações de proteínas, incluindo enzimas, aumenta a viscosidade das mucinas e evita agregação de eritrócitos (IZUMIDA et al., 1991). 1.4 Sialidases, sialiltransferases e trans-sialidases Sialidases ou neuraminidases são enzimas hidrolíticas (EC 3.2.1.18) que catalisam a remoção de resíduos terminais de ácido siálico da cadeia oligossacarídica de glicoconjugados (Figura 4). Fisiologicamente esse fenômeno leva à captura e degradação de glicoproteínas plasmáticas pelo fígado, que contém receptores de proteínas asialiladas (sem ácido siálico). Mecanismo semelhante é responsável pela depuração hepática dos eritrócitos, indicando que a desialilação de gliconjugados de membrana constitui um método de marcação de células velhas e que, portanto, precisam ser renovadas (LEHNINGER, 2005). O ácido siálico participa de muitos processos patológicos principalmente como sítio de reconhecimento de macromoléculas virais e bacterianas. As neuraminidases do vírus Influenza tipo A e B atuam no processamento de novos vírions sintetizados quando estes brotam de uma célula infectada e evitam a auto-aglutinação de vírus. Outro exemplo é a sialidase do Vibrio cholerae, que possui um papel muito bem definido no desenvolvimento da cólera. A sialidase remove unidades de ácido siálico de glangliosídeos das células da mucosa intestinal para criar GM1, o sítio de ligação da toxina colérica (TAYLOR, 1996). Outra importante família de enzimas envolvidas no metabolismo dos sialosídeos, oligossacarídeos contendo ácido siálico, é formada pelas sialiltransferases (EC 2.4.99.X; Figura 4). Estas são glicosiltransferases que catalisam a transferência de ácido siálico de citidina 5-monofosfafo de ácido siálico (CMP-ácido siálico; CMPNeu5Ac) para glicoconjugados, usualmente em resíduos terminais de galactose, Nacetilgalactosamina ou outro resíduo de ácido siálico (CHEN e VARKI, 2010). Podem ser formadas ligações glicosídicas α2,3, α2,6, ou α2,8, dependendo da 25 especificidade da sialiltransferase envolvida na catálise (HARDUIN HARDUIN-LEPERS et al., 2001). Figura 4 – Atividade enzimática de sialidase, sialiltransferase e trans-sialidade. trans cariotos inferiores que também expressam sialidases, um restrito grupo Entre os eucariotos do reino Protozoa, incapaz de sintetizar o ácido siálico de novo, desenvolveu uma notável capacidade de adquiri-lo adquiri lo de sialoglicoconjugados do hospedeiro. O protozoário causador da doença doenç de Chagas, Trypanosoma cruzi, cruzi incorpora resíduos de ácido siálico do hospedeiro em suas próprias moléculas de superfície por meio da trans-sialidase (TS; Figura 4) (SCHENKMAN et al., 1994). Essa Es enzima é uma sialidase modificada que, ao invés de remover o ácido siálico, transfere-o transfere de sialoglicoconjugados do hospedeiro para proteínas mucinas extensamente distribuídas uídas na superfície do parasito (PREVIATO et al., 1985; FRASCH, 2000). A trans-sialidase sialidase também foi encontrada em tripanosomatídeos africanos como Trypanosoma brucei brucei, Trypanosoma brucei gambiense, Trypanosoma brucei rhodosiense e Trypanosoma congolense (ENGSTLER et al., 1993a; 199 1993b; 1995). Curiosamente, as espécies Trypanosoma evansi, Trypanosoma equiperdum não expressam trans-sialidase sialidase ou sialidase, enquanto que Trypanosoma rangeli possui somente sialidase (ENGSTLER ENGSTLER et al., 1995; PONTES-DE-CARVALHO CARVALHO et al., 1993; PEREIRA e MOSS,, 1985). 26 1.5 Trans-sialidase de Trypanosoma cruzi: alvo potencial para o desenvolvimento de fármacos A atividade de neuraminidase exibida pelo Trypanosoma cruzi, encontrada nas formas tripomastigotas sanguíneas, mas ausente nas formas amastigotas intracelulares, foi pioneiramente descrita em 1983 (PEREIRA, 1983). Verificou-se, posteriormente, que o parasito também possui a atividade de trans-sialidase mediada por enzimas de membrana com âncora de GPI (PREVIATO et al., 1985) e que ambas as atividades catalíticas são exercidas pela mesma enzima, a transsialidase do Trypanosoma cruzi (TcTS) (SCHENKMAN et al., 1992). A TcTS possui muitas características específicas que a tornam um bom alvo para o desenvolvimento de fármacos para o tratamento da doença de Chagas (NERES et al., 2008). Trata-se de uma enzima de membrana essencial para o parasito, pois, como dito anteriormente, os tripanosomatídeos são incapazes de biossintetizar o ácido siálico e de adquiri-lo por vias alternativas. A expressão de trans-sialidases é significativamente maior em tripomastigotas, principalmente na forma sanguínea invasiva (ATWOOD III et al., 2005), o que facilitaria o direcionamento de quimioterápicos para esse alvo. A participação da trans-sialidase na patogênese da doença de Chagas é corroborada por um número cada vez maior de estudos (Figura 5). A TcTS está envolvida na evasão do protozoário da resposta imune mediada pelo complemento, permitindo imediata sobrevida das formas tripomastigotas liberadas na corrente sanguínea (TOMLINSON e RAPER, 1998). Outro mecanismo de defesa é a sialilação de glicoproteínas mucinas da superfície do parasito, produzindo uma cobertura de moléculas negativamente carregadas sobre o patógeno e protegendo-o da lise por anticorpos humanos anti-α-galactosídicos (PEREIRA-CHIOCCOLA et al., 2000). A expressão da TcTS é consideravelmente aumentada em cepas do protozoário mais letais quando comparada com os níveis da enzima presentes em cepas menos letais (RISSO, 2004). Os fenótipos invasivos do protozoário são restritos a populações que expressam a trans-sialidase, o que torna a enzima um importante fator de virulência do T. cruzi. (PEREIRA et al, 1996). 27 Figura 5 – Principais eventos bioquímicos mediados pela TcTS decorrentes da infecção pelo Trypanosoma cruzi no hospedeiro vertebrado. _________________________ Adaptado de Buscaglia, Buscaglia 2006 O modo pelo qual a TcTS medeia a adesão e invasão celular não está totalmente esclarecido. A importância do ácido siálico na superfície perfície das células hospedeiras para a invasão foi demonstrada em trabalhos independentes, através de experimentos com células de ovário de hamster deficientes deficientes de ácido siálico. Estas Est células são fracamente invadidas pelo patógeno quando comparadas com as células selvagens (CIAVAGLIA et al., 1993; MING et al., 1993; SCHENKMAN CHENKMAN; EICHINGER, 1993a). Por outro lado, há evidências de que unidades de ácido siálico na superfície do parasito também participa articipam do o processo de invasão celular. celular A incubação de tripomastigotas em meio contendo sialoglicoproteínas, aumenta aument a penetração do T. cruzi em cultura de fibroblastos (PIRAS et al, 1987). Foi observado que uma significativa redução da adesão e invasão celular ocorre quando epítopos sialilados (Ssp-3) formados em tripomastigotas pomastigotas pela ação da trans-sialidase trans sialidase são neutralizados 28 por anticorpos monoclonais (SCHENKMAN et al., 1991). Entretanto, vários estudos contrariam tais resultados, segundo os quais a remoção do ácido siálico na superfície do parasito ou sua neutralização por anticorpos é capaz de aumentar a infecção celular pelo T. cruzi (YOSHIDA et al., 1997; PRIOLI et al., 1990; CAVALLESCO et al., 1988; VILLALTA et al., 1984). Uma vez que a TcTS possui uma âncora de GPI, esta pode ser clivada pela enzima fosfolipase C, ocorrendo a liberação da enzima exógena para a corrente sanguínea. A TcTS livre é capaz de remover resíduos de ácido siálico da superfície plaquetária, causando trombocitopenia na fase aguda da doença de Chagas (TRIBULATTI et al., 2005), e de induzir apoptose em células do timo, baço e gânglios periféricos (MUCCI et al., 2002; LEGUIZAMON et al., 1999). Constatou-se ainda que a apoptose induzida pela TcTS no sistema imune é desencadeada pela sialilação das células alvo (MUCCI et al., 2006). 1.6 Estrutura, função e mecanismo de ação da TcTS A TcTS é codificada por genes de uma superfamília constituída de 1430 membros, a maior família do genoma diplóide do Trypanosoma cruzi, evidenciando a importância da modificação do perfil de sialilação do patógeno para a sua sobrevivência no hospedeiro. Deste total somente 12 membros codificam TS enzimaticamente ativas, 725 codificam proteínas do tipo TS enzimaticamente inativas e outros 693 membros são pseudogenes (EL SAYED et al., 2005). Verificou-se por experimentos de sequenciamento que a perda de atividade enzimática da trans-sialidase deve-se a mutação pontual Tyr342His (CREMONA et al., 1995). Contudo, membros do grupo enzimaticamente inativo conservam a afinidade pela β-galactose com idêntica especificidade àquela apresentada pela TcTS enzimaticamente ativa (CREMONA et al., 1999). A TcTS é um membro da família das glicosídeo-hidrolases GH33 (http://www.cazy.org) e foi classificada como uma exo-α-sialidase (EC 3.2.1.18). No entanto, TcTS comporta-se como uma trans-sialidase in vivo e in vitro na presença de substratos adequados, açúcares doadores e aceptores de ácido siálico. TcTS catalisa a transferência de ácido siálico de α-2,3-sialoglicoconjugados β-galactose 29 terminal do hospedeiro para outras unidades β-galactosil de mucinas da superfície do parasita (Figura 5; AGUSTÍ et al., 2004). Estruturalmente a TcTS possui duas regiões principais: um domínio catalítico globular N-terminal com arranjo propulsor β de seis lâminas, conectado por uma longa α-hélice a um domínio antigênico C-terminal do tipo lectina, com sequências repetidas de 12 resíduos de aminoácidos que constituem o antígeno de fase aguda da trans-sialidase (Shed acute phase antigen - SAPA) (BUSCHIAZZO et al., 2002). A variabilidade da quantidade de repetições SAPA, assim como o tamanho do domínio N-terminal (entre 640 e 1000 aminoácidos), resultam em proteínas que variam de 85 a mais de 200 kDa de peso molecular (FRASCH, 2000). A arquitetura molecular do sítio ativo da enzima conserva diversas características das sialidases microbianas: uma tríade de argininas (Arg 35, Arg245 e Arg314), que forma ligação iônica com o grupo carboxilato do ácido siálico, um ácido glutâmico (Glu357) que estabiliza a Arg35, um ácido aspártico essencial para a catálise (Asp 59), e dois resíduos (Tyr342 e Glu230) adequadamente posicionados no fundo sítio ativo para estabilizar as espécies reativas do estado de transição. Há um bolso hidrofóbico, conservado em todas as sialidases, que acomoda o grupo N-acetil do ácido siálico, definido pela cadeia lateral dos resíduos Val95, Leu176 e Trp120 (BUSCHIAZZO et al., 2002). A TcTS possui dois (sub)sítios no centro ativo: o sítio de ligação ao ácido siálico e o sítio de ligação à galactose. O primeiro está presente em todas as sialiadases, porém, ligeiramente modificado na TcTS; enquanto que o segundo está ausente em todas as sialidases e se forma somente com a ligação do substrato doador de ácido siálico. Induzindo o substrato tal modificação, o mecanismo catalítico inicia-se pelo ataque nucleofílico da Tyr342 reativa ao carbono anomérico do ácido siálico via reação SN2. Em seguida, via catálise geral ácido-base, o Glu230 ativador da Tyr342 capta o próton da hidroxila desse aminoácido e o Asp59 protona o resíduo de galactose abandonador (AMAYA et al., 2004; BUSCHIAZZO et al., 2000, 2002). Forma-se então um intermediário covalente sialil-enzima (WATTS et al., 2003). Ocorre novamente uma etapa SN2 para regeneração da enzima e formação do produto sialilado com retenção de configuração do carbono anomérico do resíduo de ácido siálico (TODESCHINI et al., 2000). O nucleófilo, desta vez, é o grupo hidroxila 30 do carbono 3 do resíduo de galactose aceptor e os resíduos Glu230 e Asp59 novamente realizam a catálise geral ácido-base (Figura 6). Figura 6 – Mecanismo catalítico da trans-sialidase de T. cruzi. _________________________ Adaptado de Neres, 2008 A reação bissubstrato catalisada pela TcTS acontece por um mecanismo de dupla troca ou Ping-Pong (DAMAGER et al., 2008; AMAYA et al., 2004), uma vez que o substrato aceptor, lactose por exemplo, somente se liga à enzima quando o ácido siálico já efetivamente ocupou o sítio ativo (BUSCHIAZZO et al., 2002). 1.7 Inibidores da TcTS Acredita-se que a seletividade seja uma característica dos inibidores de TcTS, devido a ausência do alvo no organismo humano, capaz de sintetizar o ácido siálico. Tal suposição é corroborada pelo fato de que neuraminidases virais, homólogos relativamente distantes da TcTS, são seletivamente inibidas por fármacos miméticos do ácido siálico ou análogos do seu estado de transição, como o ácido 2-desoxi-2,3- 31 didesidro-D-N-acetilneuramínico acetilneuramínico 1 (DANA) (VON ITZTEIN et al., 1993). Dentre esses, destacam-se o zanamivir 4 e o oseltamivir 5 (Figura 7), fármacos bastante seguros e potentes contra o vírus Influenza Influenza A e B, devido a sua seletividade pela sialidase viral (BRUNTON, 2006). Figura 7 – Estruturas do ácido siálico (1) e seus derivados miméticos DANA (2), zanamivir (4) e oseltamivir (5). Em (3), o cátion sialosil oxacarbênio, ox análogo do estado de transição da reação de hidrólise de sialosídeos. sialosídeos Apesar de todas as evidências anteriormente citadas, a TcTS não foi totalmente validada como alvo terapêutico, uma vez que a descoberta de pequenas moléculas, moléculas potentes inibidores da sua atividade enzimática, enzimática aconteceu somente a partir de 2009 20 e, portanto, a efetividade desses compostos no tratamento da doença de Chagas ainda não foi demonstrada. demonstrada. Os inibidores de sialidases virais DANA (Ki = 12,3 mM) e seus derivados, incluindo o zanamivir, zanamivir, falharam em inibir a TcTS (NERES et al., 2007). Curiosamente, a sialidase de Trypanosoma rangeli é fortemente inibida por DANA (Ki = 0,15 nM), a despeito de haver 70% de identidade na sequência do domínio catalítico dessa sialidase em relação a trans-sialidase tran sialidase homóloga do Trypanosoma cruzi (PARIS et al., 2005). Outros sialomiméticos,, que conservam um grupo ácido para reproduzir a ligação iônica entre o ácido siálico e a tríade de argininas, foram ensaiados contra TcTS 32 (Tabela 1). Avaliou-se uma substituição bioisostérica do ácido carboxílico do ácido siálico por um grupo ácido fosfônico, obtendo-se excelentes inibidores de sialidases, mas não houve inibição de TcTS na concentração de 1mM (ENGSTLER et al., 1994). Tabela 1 – Sialomiméticos testados contra TcTS. Sialomiméticos e inibição de TcTS OH HO R1 OH O AcHN OH HO O AcHN HO 6 R1 = PO32-; R2 = H 7 R1 = H; R2 = PO32(ambos, sem inibição a 1 mM)a ENGSTLER, M. et al, 1994 F F WATTS, A. G. et al, 2003 8 (completa inibição a 20 mM) inibidor covalente O RO HO - AcHN COOH OH R2 HO Referência PO3 Et NH4 H STREICHER, H.; + BUSSE, H., 2006 H3 C OPO32- N HO 9 R1 = CH2CH2 OH (CI50 4,7 mM)a 10 R1 = H (CI50 5,7 mM)a NH2 O NH HO N NH HO O 12 (Ki ~ 0,3 mM - CI50 0,54 mM)b não competitivo ou misto M. A., 1993 11 (Ki 7,3 mM)a não-competitivo OH O FERRERO-GARCIA, NERES, J. et al, 2007 X 13 X = O (CI50 0,44 mM)b 14 X = S (CI50 0,54 mM)b _________________________ a = Ensaios de transferência de ácido siálico; b = Ensaios de hidrólise de MuNANA. 33 Derivados monoésteres de ciclo-hexenofosfonato (derivados de DANA) também foram avaliados, mas não se observou atividade inibitória (STREICHER e BUSSE, 2006). O piridoxal fosfato 11 apresentou fraca inibição não-competitiva contra TcTS (Ki = 7,3 mM), entretanto, seus análogos piridoxina, piridoxal e fosfato de piridoxamina são inativos (FERRERO-GARCIA et al., 1993). Neres e colaboradores, utilizando estratégias de simplificação molecular, sintetizaram sialomiméticos ácidos derivados de piridina e de ácido benzóico, porém os resultados foram demasiadamente modestos (Tabela 1; NERES et al., 2007). Posteriormente, outras moléculas foram descobertas pelo grupo por meio de triagem in silico, com valores experimentais de CI50 ligeiramente menores, porém da mesma ordem de grandeza (submilimolar) (Figura 8; NERES et al., 2009) Figura 8 – Moléculas com maior atividade avaliadas por Neres e colaboradores e as respectivas CI50 para TcTS. O O HO S O H N S S O O N H S O N N N 16 CI50 0,15 mM 15 CI50 0,28 mM HO O O O O S N H O O O HN OH S O 17 CI50 0,27 mM 18 CI50 0,21 mM Inibição covalente foi descrita para diferentes compostos fluorados. O ácido 2,3difluorosiálico 8 apresenta perfil de inibição da TcTS tempo-dependente, resultante da formação de uma ligação covalente de C-2 com a hidroxila fenólica de Tyr342. Porém, completa inibição somente ocorre em elevadas concentrações do carboidrato (20 mM) e a enzima recobre atividade quando o excesso do ligante é eliminado (WATTS et al., 2003). Mesmo perfil de inibição apresentou derivados de 8 acrescidos de grupos hidrofóbicos em C-9 (BUCHINI et al., 2008). Por um mecanismo distinto, Carvalho e colaboradores relataram a inibição tempo- 34 dependente e irreversível por 19 (Figura 9), molécula capaz de inibir 50% da atividade enzimática a 0,6 mM após incubação e de reduzir em 34% a infecção de células LLC-MK2 a 1mM. Foi proposto que a aglicona do sialosídeo liga-se covalentemente aos resíduos Arg245 ou Asp247 (CARVALHO et al., 2010a). Figura 9 – Inibidor covalente avaliado por Carvalho e colaboradores. OH O OH O AcHN HO OH HO NO2 O CF 2H 19 Uma vez que a trans-sialidase de T. cruzi possui um sítio de ligação à galactose, esse monossacarídeo constitui interessante modelo para proposição de derivados. O lactitol 20, derivado de lactose constituído por uma galactose substituída em C-1 pelo poliol glucitol (Figura 10), é um mimético do substrato aceptor de ácido siálico. Ocorre ávida competição do lactitol pela TcTS (Ki 0,57 mM), prevenindo a sialilação de lactose, N-acetil-lactosamina e β-D-galactopiranosídeo de 4-metilumbeliferila, um substrato fluorescente da TcTS (AGUSTÍ et al., 2004). A sialiação de mucinas do T. cruzi é prevenida em concentrações milimolares pelo composto e a infecção de células mamíferas é reduzida em 20-27%. O lactitol, contudo, não é um inibidor efetivo, mas somente um substrato preferencial aos substratos convencionais (AGUSTÍ et al., 2004). Derivados ácidos do lactitol, ácido lactobiônico 21 e lactotetrazol 22 (Figura 10) são inativos em ensaios de transferência de ácido siálico. Além disso, o ácido lactobiônico foi um bom substrato aceptor de ácido siálico nas condições experimentais utilizadas e, uma vez sialilado, também um bom substrato doador (AGUSTÍ et al., 2004). 35 Figura 10 – Estruturas do lactitol, ácido lactobiônico e lactotetrazol. OH OH HO O OH N NH N OH HO OH O HO OH CH2OH OH N COOH OH O HO CH 2OH OH CH 2OH OH 20 OH O OH HO OH O HO O OH CH 2OH OH 21 22 Uma série de derivados fosfonatos de D-galactose 23-31 foram avaliados, mas não apresentaram boa atividade (Figura 11; BUSSE et al., 2007). Figura 11 – Galactosídeos fosfonatos avaliados por Busse e colaboradores e as respectivas constantes de inibição (Ki) para TcTS. O O R P O HO HO O O P O R O OH 23 R = CH3 OH OH HO O O OH O OMe R P O O OH O OMe OH 27 R = H 28 R = OH 25 R = CH3 HO 24 R = AcHN HO HO 26 R = AcHN HO HO 29 R = AcHN OH 30 R = AcHN 31 R = _________________________ Valores de Ki: 23: >8 mM; 24: sem inibição; 25: ~3 mM; 26: ~1,5 mM; 27: >8 mM; 28: >8 mM; 29: ~8 mM; 30: >8 mM; 31: ~6 mM Inibição pouco maior, com valores de KD submilimolares, foi observada para Csialosídeos com resíduos aromáticos, sintetizados por metátase de olefinas e testados por ressonância plasmônica de superfície (Figura 12; MEINKE et al., 2011). 36 Figura 12 – C-sialosídeos com maior atividade avaliados por Meinke e colaboradores e as respectivas constantes de dissociação (KD) para TcTS. OH O OH HO COOH OH O AcHN HO 33 R1 = H KD 0,16 mM 34 R2 = NH2 KD 0,35 mM 32 KD 0,37 mM biblioteca de galactosídeos, O AcHN HO Uma R COOH OH N-acetillactosaminas e tiogalactosídeos sistematicamente substituídos por diversos grupos químicos, foi avaliada quanto à atividade como inibidor e substrato de TcTS, por meio de ensaio radioquímico. Observou-se que o bloqueio ou substituição da hidroxila de C-3 é a modificação que mais reduz a capacidade aceptora de ácido siálico dessas moléculas, corroborando estudos anteriores. Quanto à atividade inibitória, os galactosídeos de octila não substituído 35 e o O-metilado em C-6 36 (Figura 13) foram os melhores, apresentando 75 e 84% de inibição enzimática a 1 mM, respectivamente (HARRISON et al., 2011). Figura 13 - Galactosídeos com maior atividade avaliados por Harrison e colaboradores e as respectivas porcentagens de inibição de TcTS a 1mM. HO HO OH O HO O HO OH OCH3 O O OH 35 75% 36 84% A avaliação de uma biblioteca de galactosídeos modificados em C-1 e C-6 e glicosídeos e gulosídeos modificados em C-3, contendo o núcleo 1,2,3-triazol 1,4dissubstituído, levou à descoberta de moléculas bastante promissoras (Figura 14). Esses compostos apresentaram altos índices de inibição na concentração 1 mM. A 0,5 mM o derivado 38 foi o mais ativo, inibindo 30% da atividade enzimática (CAMPO et al., 2012; CARVALHO et al., 2010b). 37 Figura 14 – Glicosídeos triazólicos com maior atividade avaliados por Campo e colaboradores e as respectivas porcentagens de inibição de TcTS a 1mM. OH OH HO COOH O AcHN N O HO N R R= HO OH OH HO O HO O HO OH HO O HO HO OH 37 88% N O HO OH 38 91% OH OH OH 39 67% 40 69% O gangliosídeo GM3 41 (Figura 15) é um bom substrato de TcTS e, interessantemente, análogos dessa molécula se mostraram bons inibidores de TcTS. O derivado desóxi em C-4 ou C-8 e o metóxi em C4 no resíduo de ácido siálico inibiram a trans-sialidase com valores de CI50 que variam de 10-100 µM (VANDEKERCKHOVE et al., 1992). Figura 15 – Estrutura do gangliosídeo GM3. HO OH OH COO- OH AcHN O OH O O OH HO 41 OH HO O O O CERAMIDA OH Em trabalhos independentes, substâncias poliaromáticas poliidroxiladas apareceram como potentes inibidores de TcTS, os mais promissores descobertos até o momento (Figura 16). Kim e colaboradores sintetizaram e ensaiaram chalconas hidroxiladas e quinolinas contendo sulfonamidas, obtendo-se CI50 submicromolar (KIM et al., 2009). Por meio de refinada triagem de um vasto banco de substâncias naturais, foi descoberto um grupo de flavonóides e antraquinonas, também com excelente 38 atividade inibitória sobre TcTS, sendo o composto 45 e a miricetina 46 os mais ativos de cada classe (ARIOKA et al., 2010). Figura 16 – Substâncias aromáticas hidroxiladas inibidores de TcTS e as respectivas CI50. O O R1 R2 OH OH OH OH O 42 R1 = H; R2 = O S O S OH OH O O 43 R1 = ; R2 = H S 44 O OH OH O O HO OH HO O Cl OH OH OH O OH 45 OH O 46 _________________________ Valores de CI50 – 42: 2,5 µM; 43: 0,9 µM; 44: 0.6 µM; 45: 0,58 µM; 46: 17 µM A despeito de muitos resultados negativos, importantes avanços foram feitos na busca de um inibidor, o que culminou na obtenção novos protótipos. Pode-se observar que a descoberta de potentes inibidores de TcTS está bastante desafiadora, pois nenhum planejamento racional foi totalmente inequívoco, apesar da elucidação de muitos aspectos estruturais da enzima. Isso é explicado, pelo menos em parte, pela complexidade e flexibilidade da macromolécula (DEMIR e ROITBERG 2009; NERES et al., 2008), pois o encaixe induzido decorrente da interação ligante-enzima foi verificado desde a resolução da estrutura 3D da transsialidase (AMAYA et al., 2004; BUSCHIAZZO et al., 2002) e tem sido paulatinamente melhor compreendido por meios de estudos cristalográficos e de modelagem molecular. Os resíduos Tyr119 e Trp312 são apontados nos estudos como as principais subestruturas responsáveis pela plasticidade enzimática, pois estão em regiões de 39 loop, na entrada do sítio ativo e, devido a sua flexibilidade, modulam a afinidade dos ligantes pela macromolécula e vice-versa (BUSCHIAZZO et al., 2012; MITCHELL et al., 2010; DEMIR e ROITBERG, 2009). O primeiro aminoácido foi bloqueado pelo mais potente inibidor descrito de TcTS, um anticorpo monoclonal (KD ~ 0,72 nM e CI50 0,056 nM) (BUSCHIAZZO et al., 2012). No contexto do presente trabalho, derivados de lactose e D-galactose 47-54 sintetizados no laboratório de Química Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFMG (Figura 17) foram ensaiados com TcTS por espectrofluorimetria contínua, em colaboração com a Dra. Ivone Carvalho da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP-Ribeirão Preto. Não houve inibição significativa, os derivados mais ativos foram os compostos 49 e 54, com 13 e 14% de inibição, respectivamente, na concentração de 1mM. Figura 17 – Derivados de lactose e D-galactose sintetizados no laboratório de Química Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFMG e testados contra TcTS. O HO OH O HO OCH3 OH HO O O OH O HO O OH O HO OCH3 OH HO O O O OH OH I 47 48 O HO OH O HO HO O O OH HO OH OH O HO O HO OH HO 50 OH HO HO O H N OH OH OH O 49 O O O OH HO O HO H N OH OH 51 OH HO O O HO OH OCH3 OH O NO2 O OH OCH3 O 52 53 O 54 40 2 OBJETIVOS Objetivou-se neste trabalho sintetizar e caracterizar espectrometricamente galactosídeos de arila 3-O-substituídos inibidores potenciais de TcTS. Almejou-se ainda avaliar a atividade inibitória dessas substâncias por meio de ensaio enzimático de hidrólise de MuNANA por espectrofluorimetria contínua (DOUGLAS et al., 2006). A estratégia utilizada para proposição de inibidores potenciais de TcTS com fácil acesso sintético consistiu em modificações moleculares do substrato doador de ácido siálico 3’-sialil-lactose (Figura 18). O núcleo de D-galactose, como discutido anteriormente, é um interessante arcabouço (scaffold) para proposição de inibidores e, portanto, foi mantido. Figura 18 – Estratégias de modificação molecular utilizadas neste trabalho. OH HO HO O OH O AcHN OH OH OH O O HO O OH HO O OH OH 3'-sialil-lactose Simplificação molecular HO O OH OH O O X O O OH OCH3 I Bioisosterismo N N Simplificação molecular NH N OH O OH O X O O OH X = H, NO2 OH H3CO OCH3 II OH O X O O OH OCH3 III 41 Por outro lado, o resíduo de glicose parece não ser essencial para uma boa interação do substrato com o sítio catalítico. Por análise do modo como a lactose interage com TcTS, por meio de cristalografia de raios-X do complexo enzimaligante, pode-se observar que a glicose do dissacarídeo interage minimamente com a macromolécula, pois o resíduo está pouco penetrado na fenda catalítica. Somente uma ligação de hidrogênio mediada por água da hidroxila de C-3 da glicose com Arg311 foi encontrada (BUSCHIAZZO et al., 2002). Com efeito, esse pressuposto é corroborado por estudo de análogos de lactose que falharam em inibir a TcTS (AGUSTÍ et al., 2004). Logo, foi proposta a substituição da porção correspondente à lactose por galactosídeos de arila, ou seja, planejou-se a troca do resíduo de glicose por um grupo aromático hidrofóbico. Foi proposta uma simplificação molecular da porção sialil do substrato, eliminandose todos os centros quirais do resíduo de ácido siálico e originando estruturas do tipo I (Figura 18). A subestrutura foi substituída por um grupo carboximetila, o mais simples fragmento capaz de mimetizar a ligação iônica entre o grupo ácido carboxílico do substrato e a tríade de argininas (Arg 35, Arg245 e Arg314) do sítio catalítico enzimático. Planejou-se também a substituição bioisostérica do grupo carboxilato do fragmento carboximetila por um grupo 5-tetrazolil, originando estruturas do tipo II, com o intuito de se investigar a relevância de tal modificação para a atividade. A adição de um grupo metila ao oxigênio de C-3, conforme estruturas do tipo III (Figura 18), foi proposta para se avaliar a importância do bloqueio dessa posição. Sem um grupo ácido, será possível avaliar a importância da ligação iônica acima citada para a ancoragem dos ligantes. Justificando ainda a seleção dessas estruturas, é importante ressaltar que, uma vez substituído, o oxigênio de C-3 perde seu caráter nucleofílico, logo nenhuma das estruturas propostas pode ser substrato aceptor de ácido siálico (Figura 6). Assim colocado, foram propostos para síntese 10 galactosídeos de arila modificados em C-3 (Figura 19). A aglicona selecionada é o 4-hidroxibenzoato de metila (nipagin), que é facilmente disponível e contribui para o caráter hidrofóbico das substâncias. O grupo nitro foi adicionado porque o derivado galactosídico nitrado 50 previamente testado foi o que apresentou melhor inibição (Figura 16). Essas 42 agliconas aumentam a lipossolubilidade e o log P dos galactosídeos e contribuem para o balanço das propriedades hidrofílicas e lipofílicas das moléculas. Assim, pode-se explorar mais consistentemente o efeito hidrofóbico decorrente da interação ligante-enzima. Figura 19 – Galactosídeos de arila modificados em C-3 propostos para síntese. X=H HO R O OH O X O OH H COOC(CH3)3 COOH CN OCH3 H N N 59 R = O N N 55 56 57 58 R= R= R= R= X = NO2 R=H R = COOC(CH 3)3 R = COOH R = CN H N N 64 N N 60 61 62 63 As substâncias 56, 61, 58 e 63, que não se aplicam às estruturas tipo I, II ou III do planejamento anteriormente exposto, são intermediários de síntese, porém é objetivo neste trabalho realizar seus ensaios enzimáticos em conjunto com os outros galactosídeos sintetizados. 43 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Síntese dos galactosídeos 53 e 54 A síntese de 53 e 54 foi feita a partir de D-galactose, conforme mostrado na rota de síntese a seguir. Figura 20 – Esquema de síntese de 53 e 54 a partir de D-galactose. HO OH HO i O OH OH AcO OAc AcO AcO OAc ii AcO 66 OAc O iv O OAc 68 X = H 69 X = NO2 OCH3 O iii O 67 HO X OAc AcO Br OAc 65 AcO O AcO HO OH O X O OH 53 X = H 54 X = NO2 OCH3 O _________________________ i) Ac2O, AcONa, 100 ºC; ii) HBr, Ac2O, CH2Cl2, temperatura ambiente; iii) fenol correspondente, LiOH, acetona/H2O, temperatura ambiente; iv) MeONa/MeOH, 0 ºC Utilizaram-se as condições experimentais estabelecidas no laboratório por Carvalho e colaboradores, que relataram a síntese de 53 e 54 (CARVALHO, 2008). Inicialmente, foi feita a peracetilação de D-galactose com anidrido acético e acetato de sódio anidro, condições que produzem majoritamente a forma anomérica β do produto, obtendo-se 66 com rendimento de 45%, após recristalização. Em seguida, produziu-se o brometo de galactopiranosila peracetilado 67 por meio da reação de 66 com solução acética de brometo de hidrogênio. O intermediário 67 foi obtido com 98% de rendimento. Os haletos de O-acilglicosila são intermediários bastante úteis na síntese de glicosídeos de alquila/arila, sendo os brometos de acetilglicosila os mais comumente 44 utilizados, uma vez que eles são mais reativos do que os cloretos e mais estáveis do que os iodetos correspondentes (COLLINS e FERRIER, 1995). O haleto 67 foi utilizado imediatamente na etapa posterior, a síntese dos galactopiranosídeos de arila peracetilados por meio da reação de glicosilação de fenóis em meio alcalino (CONCHIE et al., 1957). Os produtos 68 e 69 foram obtidos com rendimentos de 69 e 53%, respectivamente, após recristalização. A síntese dos galactosídeos desacetilados 53 e 54 foi feita empregando-se o método de Zemplén (CONCHIE et al., 1957), que consiste em uma transesterificação dos grupos ésteres do carboidrato com metóxido de sódio em metanol (Figura 21). Figura 21 – Proposta mecanística de desacetilação de 68 e 69 pelo método de Zemplén. CH3O- Na+ + 1/2 H2 CH3 OH + Na .. :O: O AcO O O AcO OAr .. CH3 O .. : OAc AcO AcO O O OCH3 O OCH3 AcO .. :O: O AcO OAr AcO OH O OAc .. OAr + CH 3O .. : CH3 O H OAc OAc 68 X = H; 69 X = NO2 AcO OAr Ar = HO HO OH O X .. OAr + CH3 O .. : OH 53 X = H; 54 X = NO2 O OCH3 Por esse método, as reações são realizadas em condições brandas e fornecem os produtos com rendimento e pureza elevados. Os materiais de partida acetilados 68 e 69 são consumidos em apenas 15 minutos, quando ocorre precipitação parcial do produto correspondente, facilitando a percepção do término da reação. Os produtos 53 e 54 foram obtidos com rendimentos de 91 e 86%, respectivamente. Os galactosídeos desprotegidos foram caracterizados por ponto de fusão, [α]D, espectrometria no infravermelho, de RMN de 1H, 13 C e subespectro DEPT-135. No espectro no infravermelho (páginas 97 e 100, para os derivados 53 e 54, respectivamente), observam-se bandas de estiramento de ligação C=C e C=O (1674 45 cm-1 para 53; 1725 cm-1 para 54), compatíveis com a estrutura da aglicona. No espectro do galactosídeo nitrado também são observadas bandas de estiramento do grupo nitro em 1532 e 1361 cm-1. No espectro de RMN de 1H (páginas 98 e 101, para os derivados 53 e 54, respectivamente) podem ser identificados os sinais da metoxila e dos hidrogênios aromáticos, compatíveis com o padrão de substituição do anel benzênico. Há um dupleto correspondente ao hidrogênio anomérico com deslocamento químico em torno de 5 ppm e constante de acoplamento J1,2 de 7,6 Hz, o que confirma a obtenção dos produtos 53 e 54 na forma anomérica β, como pode ser observado na Figura 22. 5.260 5.235 4.971 4.933 4.896 4.722 4.694 4.669 4.566 4.543 3.811 3.730 3.713 3.695 3.653 3.628 3.603 3.581 3.567 3.554 3.529 3.502 3.468 3.419 3.179 3.153 7.140 7.096 7.926 7.882 Figura 22 – Espectro de RMN de 1H de 53 (200 MHz, DMSO-d6). OH HO 6 O1 5 HO 3 2 O OH 7 8 9 10 12 OCH3 13 14 11 H-14 O H-9; H-11 H-8; H-12 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 1.01 1.01 8.0 1.99 8.5 1.00 9.0 2.00 9.5 2.00 10.0 H-1 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 ppm 2.99 1.00 2.03 2.00 14.81 4 3.2 Alquilação 3-O-seletiva dos galactosídeos 53 e 54 A alquilação regiosseletiva da hidroxila de C-3 dos galactosídeos 53 e 54 foi realizada via compostos organoestanhos como intermediários. Sabe-se que a complexação de grupos hidroxila com óxido de dibutilestanho aumenta a nucleofilia dos átomos de oxigênio envolvidos e os tornam mais reativos do que hidroxilas livres 46 na presença de reagentes eletrofílicos. Logo, a complexação seletiva de hidroxilas específicas de poliois pode, consequentemente, modificar as reatividades relativas desses grupos, permitindo a realização de alquilações, acilações e oxidações regiosseletivas em substâncias poliidroxiladas como os carboidratos. Assim, evita-se ou minimiza-se o uso das técnicas de bloqueio/desbloqueio de grupos que não estão envolvidos diretamente na reação de interesse (COLLINS e FERRIER, 1995). Hidroxilas de carboidratos são queladas pelo óxido de dibutilestanho produzindo derivados cíclicos estanilados. O complexo é obtido quantitativamente preparandose em metanol sob refluxo uma mistura do material de partida hidroxilado com o óxido de dibutilestanho, em quantidades estequiométricas, conforme a reação a seguir (DAVID e HANESSIAN, 1985). Figura 23 – Reação de complexação entre grupos hidroxilas de um poliol e o óxido de dibutilestanho. O óxido de dibutilestanho, empregado inicialmente em acilações seletivas de ribonucleosídeos, tem importante aplicabilidade em modificações seletivas de monossacarídeos hexapiranosídicos, incluindo β-galactosídeos de alquila. Descobriu-se que galactosídeos parcialmente protegidos com somente as hidroxilas de C-3 e C-4 livres complexam com o óxido de dibutilestanho e o complexo obtido reage com eletrófilos, originando majoritariamente produtos modificados em C-3 com elevado rendimento (Figura 24; DAVID et al., 1981; NASHED e ANDERSON, 1976). 47 Figura 24 – Exemplos de modificação regiosseletiva da hidroxila de C-3 de galactosídeos parcialmente protegidos. OBn HO O HO Bu Bu2SnO Bu Sn O 71 OBn O Bu OBn Bu2SnO Bu Sn O OBn 76 72 73 74 75 O eletrófilo OBn OBn 77 O BnO OAll OBn O OBn R1O BnO OAll 70 HO HO eletrófilo O O BnO OAll HO OBn R1 = Bz (81%) R1 = Bn (72%) R1 = All (79%) R1 = Me (77%) HO R2O OBn O OBn OBn 78 R2 = Bn (87%) 79 R2 = CH2 OMe (92%) _________________________ Bz = benzoíla; Bn = benzila; All = alila; Me = metila A regiosseletividade observada nessas reações é explicada conjuntamente por uma série de fatores estruturais característicos do intermediário organometálico (DAVID e HANESSIAN, 1985). Verificou-se que o óxido de dibutilestanho complexa preferencialmente com hidroxilas vicinais dos monossacarídeos formando um anel de cinco membros, como pode ser observados nas estruturas 71 e 77. Em solventes apolares, contudo, propõe-se que o derivado estanilado exista em equilíbrio com uma forma dimérica, na qual o átomo de estanho é pentacoordenado e possui um arranjo de bipirâmide trigonal (Figura 25). 48 Figura 25 – Estrutura dimérica proposta para o organoestanho 77. OBn OBn O OBn Bu O Sn O BnO Bu OBn O OBn O Sn O Bu Bu Nesse dímero os átomos de oxigênio de C-3 são bicoordenados e estão em posições apicais, ao passo que os átomos de oxigênio de C-4 são tricoordenados e estão em posições equatoriais com relação ao átomo de estanho. Os primeiros são estericamente menos impedidos e aceptores de maior densidade eletrônica proveniente da ligação Sn-O do que os segundos, logo o caráter nucleofílico dos oxigênios de C-3 é maior do que os de C-4 (DAVID e HANESSIAN, 1985). A estrutura dimérica foi confirmada para diferentes complexos estanilados de monossacarídeos por experimentos de cristalografia de raios-X e de RMN de 1H, 13C e 119 Sn em solução (CAMERON et al., 1992; GRINDLEY e THANGARASA, 1990; SMITH et al., 1972). O método do óxido de dibutilestanho também foi utilizado em modificações seletivas de glicosídeos totalmente desprotegidos, destacando-se o estudo abrangente de Haque e colaboradores (HAQUE et al., 1985; TSUDA et al., 1983; MUNAVU e SZMANT, 1976; GONÇALVES et al., 2005; DAVID et al. 1991). Devido à presença de vários grupos hidroxilas nesses carboidratos, complexos com diferentes arranjos podem ser obtidos. Constatou-se, entretanto, que aqueles que possuem as hidroxilas queladas com configuração cis (axial-equatorial) são mais estáveis e, portanto, formam-se preferencialmente (Figura 26). 49 Figura 26 – Configuração dos organoestanhos formados pela complexação de glicosídeos desprotegidos com óxido de dibutilestanho. _________________________ A estrutura sacarídica foi simplificada para facilitar a visualização Observou-se também que todos os complexos do tipo IV, ativam seletivamente o oxigênio equatorial (localizado na posição apical do dímero) em reações de substituição anteriormente. nucleofílica, Logo, corroborando galactosídeos a proposta totalmente dimérica desprotegidos apresentada também são modificados seletivamente em C-3 pelo método do óxido de dibutilestanho. Este foi bastante eficiente em reações de alquilação 3-O-seletivas em β-galactopiranosídeos de metila e benzila (Figura 27). 50 Figura 27 – Exemplos de modificação regiosseletiva da hidroxila de C-3 de derivados galactosídicos totalmente desprotegidos. HO HO OH O 1) Bu 2SnO OBn 2) eletrófilo OH HO OH O R1O 81 R1 = CH2 CH=CH2 (85%) 82 R1 = Bn (67%) OBn OH Referência: DAVID et al., 1981 80 HO HO OH O OMe 1) Bu 2SnO 2) eletrófilo OH HO OH O R2O 84 R2 = Bn (95%) 85 R2 = CH2 OCH3 (93%) OMe OH Referência: HAQUE et al., 1985 83 HO HO OH O 1) Bu 2SnO OMe 2) eletrófilo OH HO R3 = (CH2)nCH3 OH O R3O 86 n = 13 (43%) 87 n = 11 (54%) 88 n = 9 (52%) OMe OH 83 HO HO Referência: GONÇALVES et al., 2005 OH O OH 89 SMe O 1) Bu 2SnO 2) eletrófilo O HO OH O O SMe OH 90 (70%) Referência: PRODGER et al., 1996 Alais e Veyrières relataram um aumento da velocidade da reação de alquilação seletiva de derivados manopiranosídicos pelo uso de 0,1-0,3 equivalente de haletos de tetrabutilamônio (ALAIS e VEYRIÈRES, 1981). O uso de sais de flúor como catalisador em reações em que se utilizam óxido de dibutilestanho também foi relatado (NAGASHIMA e OHNO, 1991). Foi proposto, então, que os ânions haleto coordenam com o estanho no complexo estanilado formando um par iônico e, posteriormente, um ânion alcóxido nucleofílico (Figura 28; ALAIS e VEYRIÈRES, 1981; NAGASHIMA e OHNO, 1991; DAVID et al., 1981; KAJI et al., 2003). 51 Figura 28 – Mecanismo simplificado proposto por Kaji e colaboradores para 3-O-glicosilação do galactosídeo de metila catalisada por Bu4NF. Neste trabalho, os produtos de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 foram obtidos pelo método do óxido de dibutilestanho nas condições experimentais relatadas por Prodger e colaboradores (Figura 29; PRODGER et al., 1996). A complexação de 53 e 54 com Bu2SnO foi realizada em metanol e ocorreu com variação da turbidez da reação, conforme descrito na literatura (HAQUE et al., 1985). Os meios de reação, inicialmente turvos, ficaram totalmente límpidos após uma hora aproximadamente. Ao término da reação, o metanol foi removido, uma vez que a etapa posterior de alquilação é feita em THF, um solvente aprótico. Foi obtido um sólido branco (complexo de 53) ou amarelo (complexo de 54), utilizado em seguida sem purificação e caracterização. Para a alquilação propriamente dita foram adicionados ao complexo estanilado THF anidro, o eletrófilo correspondente e, como catalisador, iodeto de tetrabutilamônio (TBAI). Figura 29 – Etapa de 3-O-modificação dos galactosídeos 53 e 54. HO HO HO OH O X 1) Bu2SnO, MeOH, 60 ºC O OH OCH 3 O 53 X = H 54 X = NO2 R O OH O X O OH OCH3 O 2) TBAI, eletrófilo,THF X= H X = NO2 55 R = H 60 R = H 56 R = COOC(CH3)3 61 R = COOC(CH3)3 63 R = CN 58 R = CN Foram obtidos rendimentos modestos a elevados: 55 (54%), 60 (32%), 56 (82%), 61 (73%), 58 (61%), 63 (64%). Os produtos foram obtidos com elevada pureza por CCS 52 do material bruto de reação, porém as nitrilas 58 e 63 e os derivados metilados 55 e 60 precisaram ser recromatografados para eliminação de contaminação residual. Esta foi atribuída, com base nos sinais observados nos espectros de RMN de 1H e 13 C dos materiais contaminados, ao iodeto de tetrabutilamônio. O contaminante, de que em CCD revela positivamente em vapores de iodo, foi removido por CCS adicional (eluente: acetato de etila). Apesar de a etapa de alquilação ser realizada em solução diluída em THF a 60 ºC, condições bastante suaves, ocorreu anomerização nas reações dos derivados nitrados, como pode ser observado no espectro de RMN de 1 H de 61 após purificação por CCS. (Figura 30). O 3.475 3.467 3.451 3.443 3.5 ppm 0.69 3.6 2.66 0.95 4.45 0.73 4.391 4.375 4.348 4.332 4.311 4.302 4.286 4.278 4.203 4.193 4.179 4.158 4.136 4.115 4.074 4.039 4.023 4.009 3.993 3.933 3.903 3.881 3.870 3.842 3.826 3.809 3.795 3.788 3.771 3.763 3.756 3.742 3.728 3.7 14 7.0 6.5 6.0 0.42 7.5 0.47 0.60 8.0 1.09 1.00 3.8 OCH3 H-α1 8.5 3.9 9 13 9.0 4.0 10 11 9.5 4.1 8 12 10.0 0.74 NO2 7 4.2 1.41 O OH 4.3 0.54 O1 4.4 ppm H-β1 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 ppm 11.11 2 5.1 0.50 3 ppm 0.60 O 15 6.0 0.55 16 6 5 0.61 0.55 0.60 0.54 1.41 0.74 0.73 0.95 4.45 2.66 0.69 O OH 0.61 17 4 0.42 HO O 18 5.023 5.004 5.910 5.901 8.536 8.532 8.468 8.463 8.221 8.216 8.195 8.174 8.169 7.488 7.466 7.393 7.371 7.276 5.910 5.901 5.023 5.004 4.391 4.375 4.348 4.332 4.311 4.302 4.286 4.278 4.203 4.193 4.179 4.158 4.136 4.115 4.074 4.039 4.023 4.009 3.993 3.933 3.903 3.881 3.870 3.842 3.826 3.809 3.795 3.788 3.771 3.763 3.756 3.742 3.728 3.475 3.467 3.451 3.443 2.169 1.505 1.480 Figura 30 – Espectro de RMN de 1H dos anômeros α e β de 59. Esse resultado foi contornado com o abaixamento da temperatura de reação para temperatura ambiente, o que resultou em um aumento de cerca de 100% do tempo de reação. No entanto, ambas as reações de metilação, tanto a síntese do derivado 53 nitrado 60, quanto do não-nitrado 55, foram conduzidas por tempos iguais. Assim, atribui-se à diferença de temperatura, a grande diferença de rendimento observada na síntese desses compostos. As reações de metilação foram bastante lentas e não houve consumo completo do material de partida. Após 4 dias de reação, quando não mais se observou por CCD progresso significativo da reação, decidiu-se elaborá-las. Esses resultados são concordantes com os de Haque e colaboradores, que realizaram metilações pelo mesmo método, porém em condições mais drásticas de reação do que outras alquilações, como temperatura elevada (100 ºC) e grande excesso do agente alquilante (até 30 equivalentes de iodeto de metila) (HAQUE et al., 1985). Em termos mecanísticos, os eletrófilos utilizados, iodeto de metila, bromoacetato de terc-butila e bromoacetonitrila, reagem via SN2. Porém, na reação do eletrófilo αbromocarbonílico, o estado de transição é estabilizado pela carbonila, devido à sobreposição do orbital molecular antiligante π* da ligação C=O com o orbital p ocupado do oxigênio nucleofílico (CLAYDEN et al., 2001). Esse efeito ativador do caráter eletrofílico do carbono ligado ao halogênio ocorre similarmente no bromoacetonitrila, mas não ocorre no iodeto de metila. Justifica-se, assim, a menor reatividade deste eletrófilo, a despeito do seu menor impedimento estérico. 3.3 Análise espectral dos produtos modificados em C-3 Os produtos modificados em C-3 foram caracterizados por faixa de fusão, [α]D, espectrometria no infravermelho, de RMN de 1 H, 13 C, subespectro DEPT-135, mapas de contornos COSY, HMQC e HMBC. Todos tiveram sua identidade química confirmada pelos métodos espectrométricos. Para facilitar a análise espectral dos compostos, atribuiu-se, em todas as moléculas, o número 15 ao grupo (metila ou metileno) diretamente ligado ao oxigênio de C-3. Algumas características espectrais importantes na identificação dos compostos são comuns nos espectros dessas substâncias. Nos mapas de contornos HMBC são observadas as correlações H-3xC-15 e H-15xC-3. Conclui-se, assim, que as alquilações ocorreram seletivamente na posição 3, conforme descrito na literatura. 54 Os espectros de RMN de H1 dos produtos que possuem um metileno na posição 15 contêm sinais espectrais de segunda ordem. Os sinais desses hidrogênios metilênicos (H-15a e H-15b) são dupletos com constantes de acoplamento geminal elevadas de 14-17 Hz. Eles formam um sistema de acoplamento de spin do tipo AB e o valor da razão ∆ν/J é bem reduzido, logo o “efeito telhado” é bastante pronunciado nesses sinais (Figura 31). Figura 31 – Sinais de hidrogênios metilênicos α-tetrazólicos no espectro de RMN de 1H de 64. O deslocamento químico dos sinais de H-15 variou bastante conforme a vizinhança. O sinal de H-15a (hidrogênio metilênico mais desprotegido) do derivado tetrazólico 64 está a δ 5,05 ppm, ao passo que o sinal correspondente do derivado ácido 55 está a δ 3,79 ppm. Os hidrogênios H-15 de 64 estão no cone de desproteção do anel tetrazólico, que possui um efeito de anisotropia diamagnética bastante intenso, enquanto que o efeito anisotrópico da carbonila sobre os hidrogênios H-15 de 55 é mais fraco. Observou-se também que não houve acoplamento eficiente entre os hidrogênios H-4 e H-5. Em todos os espectros de RMN de 1H, somente a constante de acoplamento J4,3 foi encontrada no sinal de H-4, com exceção dos espectros de 58 e 63 nos quais também se observou acoplamento entre H-4 e OH-4. Além disso, corroborando esses achados, não se observa correlação entre H-4 e H-5 no mapa de contornos COSY dos produtos modificados em C-3. De acordo com esse resultado, o valor da 55 constante de acoplamento J4,5 do galactopiranosídeo de metila encontrado na literatura é bastante reduzido, de apenas 0,8 Hz (BOCK e THØGERSEN, 1982). 3.3.1 Caracterização dos galactosídeos 55 e 60 OH HO 6 5 4 H3 CO 15 3 O1 2 X O OH 7 8 9 10 12 OCH3 13 11 14 O 55 X = H; 60 X = NO2 No espectro de RMN de 1H do produto 55 (página 104) são observados dois simpletos a δ 3,77 e 3,60 ppm, que correspondem às metoxilas da molécula. No espectro de RMN de 1H do produto nitrado 60 (página 134) os sinais dos grupos metoxila estão a δ 3,79 e 3,60 ppm. O sinal de maior deslocamento químico corresponde à metoxila do éster aromático, devido ao efeito anisotrópico da carbonila. Diferentemente, no espectro de RMN de 13 C o sinal de maior deslocamento químico corresponde à metoxila do carboidrato. No espectro de RMN de 13 C de 55 (página 105) os sinais dos referidos grupos estão a δ 57,3 e 51,7 ppm, enquanto que, no espectro de RMN de 13C de 60 (página 135), esses sinais estão a δ 57,3 e 52,3 ppm. 3.3.2 Caracterização dos galactosídeos 56 e 61 HO O 18 17 O 16 4 O 15 3 OH 6 5 2 O1 OH X O 8 7 9 10 12 11 O 56 X = H; 61 X = NO2 OCH3 13 14 56 No espectro no infravermelho de 56 e 61 (páginas 108 e 138, respectivamente) há duas bandas de estiramento C=O, uma da carbonila alifática e outra da aromática, sendo que a primeira é observada em maior frequência (1721 e 1697 cm1, para o derivado 56; 1730 e 1718 cm-1, para o derivado 61). No espectro de RMN de 1H de ambas as moléculas (página 109, para o derivado 56; página 139, para o derivado 61) observa-se o simpleto relativo aos hidrogênios tercbutílicos com integral correspondendo a nove átomos a δ 1,49 ppm. São observados também dois dupletos parcialmente sobrepostos ao sinal de H-2, que correspondem aos hidrogênios metilênicos H-15a e H-15b do substituinte em C-3. Eles estão a δ 4,26 e 4,15 ppm no espectro do composto 56 e a δ 4,36 e 4,16 ppm no espectro do composto nitrado 61. Nesses sinais, há uma constante de acoplamento elevada J15a,15b de 17,2 Hz, característica de acoplamento de hidrogênios geminais. No subespectro DEPT-135 de 56 e 61 (páginas 111 e 141, respectivamente), os sinais de C-15 estão a δ 68,1 e 68,7 ppm, respectivamente. Devido ao efeito anisotrópico da carbonila adjacente ao metileno, tanto os hidrogênios quanto o carbono desse grupo são mais desprotegidos do que os respectivos átomos do metileno 6 do núcleo de D-galactose. No espectro de RMN de 13 C de 56 e 61 (páginas 111 e 141, respectivamente), os sinais de C-16 e C-18 foram observados a δ 171,5 e 28,3 ppm, para ambos os compostos. O sinal de C-17 de 56 e 61 está a δ 83,5 e 83,3 ppm, respectivamente. Assim, pela análise conjunta dos sinais e bandas mencionados, confirma-se a identidade desses produtos. 3.3.3 Caracterização dos galactosídeos 58 e 63 OH HO N 4 16 5 O 15 X 6 3 2 O1 OH O 7 8 9 10 12 11 O 58 X = H; 63 X = NO2 OCH3 13 14 57 Não é observada banda de estiramento de nitrila no espectro no infravermelho de 58 e 63 (páginas 121 e 151, respectivamente). No espectro de RMN de 1H desses compostos (página 122, para o derivado 58; página 152, para o derivado 63) os dupletos de H-15a e H-15b são observados a δ 4,62 e 4,58 ppm para o produto 58 e a δ 4,62 e 4,57 para o produto 63. Há nesses sinais uma constante de acoplamento geminal J15a,15b de 16,4 e 16,2 Hz, para os compostos 58 e 63, respectivamente. No subespectro DEPT-135 de 58 e 63 (páginas 123 e 153, respectivamente) o sinal de C-15 está a δ 54,7 ppm. Contrariamente ao que é observado para os compostos 56 e 61, esse carbono está localizado em uma região de proteção do grupo nitrila, logo seu sinal pode ser observado mais próximo ao sinal do TMS do que o sinal de C-6 do núcleo de D-galactosse e com um deslocamento químico 14 ppm menor do que o deslocamento químico de C-15 de 56 e 61. Para ambos os galactosídeos, o sinal do carbono da nitrila no espectro de RMN de 13 C (página 123, para o derivado 58; página 153, para o derivado 63) aparece a δ 117,7 ppm, um valor que está em um intervalo de deslocamento químico característico desse grupo funcional. 3.4 Síntese e caracterização dos galactosídeos 57 e 62 Esses derivados foram obtidos conforme a reação a seguir. Figura 32 – Etapa de desproteção do éster terc-butílico dos galactosídeos 56 e 61. O O HO O OH O CF 3COOH, CH2 Cl 2, 0 ºC X O OH O HO HO O OH O X O OH OCH3 OCH3 O O 56 X = H 61 X = NO2 57 X = H 62 X = NO2 A reação de desproteção dos ésteres terc-butílicos foi realizada com ácido trifluoracético/diclorometano 1:1 em banho de gelo, que são condições 58 experimentais otimizadas a partir de relato de Gong e colaboradores (GONG et al., 2009). O material de partida é consumido totalmente em duas horas. Ao final da reação, o excesso de ácido trifluoroacético foi removido por meio de coevaporações, de forma rápida e eficiente. Utilizou-se convenientemente diclorometano nesse processo, pois o solvente já faz parte do meio reacional e pode ser eliminado facilmente a baixa temperatura. Além disso, por ser um solvente de baixa polaridade, ocorre cristalização do produto polar à medida que o ácido trifluoracético é removido. Os produtos 57 e 62 foram purificados por CCS e obtidos com 75 e 76% de rendimento, respectivamente. Foi observado que ambos os compostos são deliquescentes e, portanto, após a obtenção na forma cristalina, a exposição dessas substâncias ao ar foi evitada ao máximo. É proposto que a síntese dos galactosídeos ácidos se processa por um mecanismo SN1 no qual se produz o cátion terc-butílico, de forma semelhante à desproteção de aminas protegidas por pelo grupo terc-butoxicarbonila (Figura 33). Pelo uso sistemático dessa técnica em síntese de peptídeos, descobriu-se que a principal forma de neutralização do cátion terc-butílico é o ataque nucleofílico do ânion trifluoroacetato formando o trifluoracetato de terc-butila (SURESHBABU e NARENDRA, 2011; LUNDT, et al., 1978). Esse mecanismo é coerente com a observação experimental de que a reação não ocorre com quantidades catalíticas de ácido trifluoracético. 59 Figura 33 – Proposta mecanística de desproteção do éster terc-butílico dos galactosídeos 56 e 61. .. O: O OH HO O O OAr + H OH O H .. O - (CF3COO-) O CF3 HO O O OH O OH 56 X=H, 61 X = NO2 O OH HO O Ar = O OH O OAr .. :O .. OAr + O - (Produto) OH X O CF3 CF3 O 57 X=H, 62 X = NO2 OCH3 3.4.1 Caracterização dos galactosídeos 57 e 62 Os produtos carboxilados foram caracterizados por faixa de fusão, [α]D, espectrometria no infravermelho, de RMN de 1 13 H, C, subespectro DEPT-135, mapas de contornos COSY, HMQC e HMBC. HO O HO 16 4 O 15 3 OH 6 5 2 O1 OH X O 8 7 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 57 X = H; 62 X = NO2 No espectro no infravermelho dos produtos ácidos (página 115, para o produto 57; página 145, para o produto 62) as bandas são mais alargadas do que as dos compostos anteriores e somente uma banda de carbonila foi observada (1706 cm-1 para 57; 1720 cm-1 para 62). No espectro de RMN de 1H de 57 (página 116) os dupletos de H-15a e H-15b são observados a δ 3,79 e 3,70 ppm. Há nesses sinais uma constante de acoplamento 60 geminal J15a,15b de 16,0 Hz. No subespectro DEPT-135 de 57 e 62 (páginas 117 e 147, respectivamente) o sinal de C-15 está a δ 69,2 e 68,7 ppm, respectivamente. No espectro de RMN de 13 C de 57 e 62 (páginas 117 e 147, respectivamente), o sinal de C-16 de 57 e 62 é observado a δ 174,4 e 174,6 ppm, respectivamente. Esses valores estão num intervalo de deslocamento químico característico de carbono carbonílico de ácido carboxílico e são ligeiramente maiores do que os valores de deslocamento químico do sinal do carbono das carbonilas correspondentes dos ésteres de 56 e 61. Não são observados os sinais de C-17 e C-18 do grupo terc-butílico citados na caracterização dos respectivos precursores, os galactosídeos 56 e 61. Com todas essas observações espectrométricas confirmase que a reação de desproteção dos ésteres terc-butílicos foi realizada com êxito. 3.5 Síntese e caracterização dos galactosídeos 59 e 64 Esses derivados foram obtidos conforme a reação a seguir. Figura 34 – Reação de obtenção dos galactosídeos 59 e 64. HO N O OH O X NaN3, NH4Cl O OH OCH3 THF, H2O, O 58 X = H 63 X = NO2 N N HN N HO O OH O X O OH 65 ºC OCH3 O 59 X = H 64 X = NO2 A síntese dos derivados tetrazólicos foi realizada sob condições experimentais adaptadas do relato de Viana e colaboradores (VIANA, 2007). Realizou-se a reação sob aquecimento, com largo excesso de azida de sódio e cloreto de amônio e um volume bastante reduzido de uma mistura de THF/H2O 1:1, o solvente da reação. Nessas condições o consumo do material partida se completa em aproximadamente 60 horas. Ao final da reação o meio é acidificado até pH 1 e o solvente orgânico é eliminado. O procedimento extrativo com acetato de etila descrito na referência utilizada não foi 61 adequado, pois 59 e 64 são bastante polares. Dessa forma, os produtos não se transferem eficientemente para a fase orgânica e o rendimento diminui consideravelmente. Logo, procurou-se otimizar as condições de elaboração da reação para favorecer a precipitação do produto isento de sal. Na síntese do produto 59, o volume de água adicionado por meio do HCl utilizado para acidificação do meio foi suficiente para solubilizar o material inorgânico e permitir, após evaporação do THF, a precipitação do produto. Foi necessária uma recristalização para se obter 59 espectrometricamente puro, obtendo-se, então, o produto com 51% de rendimento. A síntese do derivado nitrado foi mais difícil, pois, utilizando o mesmo procedimento adotado na obtenção de 59, houve cocristalização de azida da sódio, detectada no infravermelho pela presença de uma banda em 2118 cm-1. Assim, decidiu-se fazer uma extração exaustiva com acetato de etila em pequena escala. A contaminação foi eliminada e o produto 64 foi obtido com 32% de rendimento. 3.5.1 Caracterização dos galactosídeos 59 e 64 Os produtos tetrazólicos foram caracterizados espectrometria no infravermelho, de RMN de por 1 H, faixa de fusão, [α]D, 13 C, subespectro DEPT-135, mapas de contornos COSY, HMQC e HMBC. HN N 16 OH HO N N 5 O 15 X 6 4 3 2 O1 OH O 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 59 X = H; 64 X = NO 2 No espectro de RMN de 1H de 59 e 64 (páginas 128 e 158, respectivamente) observam-se os dupletos de H-15a e H-15b a δ 5,06 e 5,01 ppm para o produto 59 e a δ 5,05 e 4,99 para o produto 64. Esses sinais estão, em média, 0,4 ppm mais distantes do sinal do TMS do que os respectivos sinais dos seus precursores, os 62 galactosídeos 58 e 63. Percebe-se, portanto, que a vizinhança do grupo metileno em questão foi modificada, como se propõe na reação acima. Há nesses sinais há uma constante de acoplamento geminal J15a,15b de 13,6 Hz, para ambos os produtos. No subespectro DEPT-135 de 59 e 64 (páginas 129 e 159, respectivamente) o sinal do metileno C-15 está a δ 69,2 e 68,7 ppm, respectivamente. Esses sinais estão, em média, 14,3 ppm mais distantes do sinal do TMS do que os respectivos sinais dos galactosídeos de partida. No espectro de RMN de 13 C de 59 e 64 (páginas 129 e 159, respectivamente) é observado o sinal do carbono do anel tetrazólico a δ 154,3 e 154,5 ppm, respectivamente. Além disso, não se observa o sinal do carbono da nitrila de 56 e 61, confirmando-se, juntamente com os outros sinais analisados, o consumo do material de partida e a formação efetiva dos produtos 59 e 64. 3.6 Ensaios enzimáticos Os galactosídeos 53-64 sintetizados neste trabalho foram testados contra a TcTS em colaboração com a Dr. Ivone Carvalho da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP-Ribeirão Preto. Utilizou-se a técnica espectrofluorimétrica contínua desenvolvida por Douglas e colaboradores (DOUGLAS et al., 2006) que consiste em um ensaio de hidrólise do substrato ácido 4-metillumbeliferil-α-D-N-acetilneuramínico 91 (MuNANA; Figura 35) pela TcTS. Quando não há inibição da enzima, ocorre hidrólise da ligação sialosídica, liberação da aglicona fluorescente e, consequentemente, detecção de maiores unidades de fluorescência. Em caso de inibição enzimática, menores unidades de fluorescência são observadas. Figura 35 - Estrutura do substrato MuNANA. CH3 HO OH COOH OH O AcHN O HO 91 O O 63 Os derivados de D-galactose planejados e sintetizados apresentaram baixa atividade inibitória de TcTS na concentração de 1mM, com porcentagens de inibição inferior àquela apresentada pelo controle positivo piridoxal fosfato 11. O composto mais ativo foi o galactosídeo 64, que inibiu com 41% da atividade enzimática (Gráfico 1). Os derivados ácidos 62 e 64 também foram ensaiados na concentração de 500 µM e apresentaram 16 e 23% de inibição de TcTS, respectivamente, ao passo que o controle positivo exibiu 56% de inibição. Apesar da impossibilidade dos galactosídeos obtidos atuarem como substratos de TcTS, observa-se que a introdução de um grupo metila ou cianometila no oxigênio de C-3 dos galactosídeos diminui a atividade inibitória de TcTS. Esses resultados são concordantes com os de Harrison e colaboradores que verificaram que o derivado 3-O-metilado do galactosídeo de octila apresenta apenas 13% de inibição de TcTS a 1 mM, ao passo que o respectivo galactosídeo não modificado exibiu 75% de inibição na mesma concentração (HARRISON et al., 2011). Gráfico 1 – Porcentagem de inibição de TcTS pelos galactosídeos 53-64 a 1mM. 100 79 % de inibição de TcTS 90 80 70 60 31 50 41 40 24 30 21 18 19 11 20 10 10 7 5 5 6 0 Galactosídeos ensaiados contra TcTS 64 Os derivados ácidos 57 e 62 também apresentaram atividades inibitórias inferiores a dos galactosídeos não modificados 53 e 54, sugerindo-se, assim, que a contribuição da ligação iônica com a tríade de argininas para a ancoragem dos ligantes foi superestimada e/ou que o gasto energético com a dessolvatação do grupo ácido carboxílico foi muito elevado. Corroborando tais resultados, muitas substâncias ácidas testadas contra a TcTS foram inativas, como mostrado na introdução deste trabalho, ou seja, a essencialidade da referida ligação iônica para a ancoragem dos ligantes não foi demonstrada. Observa-se, contudo, que a substituição bioisostérica do grupo ácido carboxílico pelo grupo tetrazol e a introdução do grupo nitro na aglicona foram substituições moleculares que aumentaram a atividade dos galactosídeos. As bases moleculares que elevaram a esse incremento de atividade devem ser investigadas mais acuradamente. 65 4 PARTE EXPERIMENTAL 4.1 Métodos gerais Utilizaram-se solventes P.A. sem tratamento prévio ou a fração média dos respectivos destilados simples, conforme está descrito em cada experimento. A obtenção de tetra-hidrofurano (THF) anidro foi feita por meio de desidratação química: 100 mL de uma suspensão 5% m/V de sódio metálico finamente dividido em THF foi deixada em repouso por 24 horas. Em seguida, adicionou-se uma ponta de espátula do indicador benzofenona e a mistura foi refluxada até viragem de cor amarela para azul escuro persistente. Frações do solvente destilado, coletado em funil de adição, foram adicionadas diretamente no(s) meio(s) de reação. Faixas de fusão (F.F.) foram determinadas em aparelho Microquímica MQAPF 301 e não foram corrigidas. Valores de poder rotatório específico, [α]D, foram determinados em polarímetro ADP220 Bellinghan + Stanley Ltd., a 20º C. Os espectros no infravermelho (IV) foram obtidos pela técnica de Reflectância Total Atenuada (ATR) em aparelho de Spectrum One, Perkin-Elmer. Os espectros de RMN de 1H e 13C foram obtidos em espectrômetros DPX 200 e DPX 400, ambos da Brucker. Utilizou-se tetrametilsilano (TMS) ou o próprio solvente deuterado como padrão interno. Os valores de deslocamento químico (δ) foram expressos em ppm e as constantes de acoplamento (J), em hertz. A evolução das reações foi acompanhada por meio de cromatografia em camada delgada (CCD) em placas confeccionadas no próprio laboratório com sílica gel 60 G Merck. Os sistemas de eluentes empregados estão especificados em cada experimento. Os reveladores utilizados foram vapores de iodo e solução etanólica de ácido sulfúrico 15% V/V, com aquecimento a 150 ºC logo após aplicação. Em cromatografia em coluna de sílica (CCS), foi utilizada sílica gel 60 Merck com intervalo granulométrico de 0,040-0,063 mm. Os sistemas de eluentes empregados estão especificados em cada experimento. 66 Os experimentos de RMN foram conduzidos no Laboratório de Ressonância Magnética de Alta Resolução (LAREMAR) do Departamento de Química da UFMG. Todos os demais, excetuando os ensaios biológicos, foram realizados no Laboratório de Química Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFMG. 4.2 Métodos de síntese 4.2.1 Procedimento de síntese de 53 e 54 AcO AcO OAc O HO X MeONa/MeOH O OAc OCH3 HO OH O X O OH O 68 X = H 69 X = NO2 OCH3 O 53 X = H 54 X = NO2 Em um balão de 125 mL foi preparada uma solução de metóxido de sódio pela adição de cerca de 30 mg de sódio metálico a 80 mL de metanol destilado, com resfriamento em banho de gelo e água. A esta solução adicionou-se o galactosídeo tetra-O-acetilado correspondente (2,00 g (4,14 mmol) de 68 ou 1,95 g (3,70 mmol) de 69) e ao balão foi acoplado um tubo com cloreto de cálcio. O resfriamento foi mantido durante a reação, realizada sob agitação magnética e acompanhada por CCD (eluente: acetato de etila/metanol 9:1). Ao fim da reação, a mistura foi neutralizada até pH 7 com resina ácida Amberlite® IRA 120 previamente lavada com metanol, ligeiramente aquecida em banho-maria até completa solubilização do produto parcialmente insolúvel e filtrada para remoção da resina. O solvente foi removido em evaporador rotatório. Os galactosídeos 53 e 54 foram obtidos com rendimentos de 91 e 86%, respectivamente. 67 4.2.1.1 Dados de caracterização de β-D-galactopiranosídeo de 4- metoxicarbonilfenila (53) Sólido branco [1,19 g (3,79 mmol; 91%) a partir de 2,00 g (4,14 mmol) de 68] F.M.: C14H18O8 M.M.: 314,29 g.mol-1 F.F.: 183,6 - 184,9 ºC [literatura: 153,5 - 155 ºC (CARVALHO, 2008)] [α] –44 (c 0,5 MeOH) OH HO 6 4 O1 5 HO 3 2 OH O 7 8 IV ( 11 /cm-1): 3580, 3378, 3205 (ν O-H); 1674 (ν C=O); 1606, 1514, 1439 (ν C=C); 9 10 12 máx OCH3 13 14 O 1250 (ν C-O da aglicona); 1085, 1057, 1031, 1023 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 200 MHz): 7,90 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H-11); 7,12 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H12); 5,25 (d; 1H; J 5,0 Hz; OH); 4,95 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 4,92 (d; 1H; OH); 4,69 (t; 1H; JOH-6,6a 5,4 Hz, JOH-6,6b 5,4 Hz; OH-6); 4,56 (d; 1H; J 4,6 Hz; OH); 3,81 (s; 3H; H-14); 3,71 (m; 1H; H-4); 3,65-3,42 (m; H-2, H-3, H-5, H-6a, H-6b) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 50 MHz): 165,94 (C-13); 161,29 (C-7); 131,14 (C-9, C-11); 122,92 (C-10); 116,09 (C-8, C-12); 100,45 (C-1); 75,67 (C-5); 73,27 (C3); 70,24 (C-2); 68,15 (C-4); 60,37 (C-6); 51,98 (C-14) Os espectros no IV, de RMN de 1H, de nas páginas 97-99, respectivamente. 13 C e subespectro DEPT-135 de 53 estão 68 4.2.1.2 Dados de caracterização de β-D-galactopiranosídeo de 4- metoxicarbonil-2-nitrofenila (54) Sólido branco [1,14 g (3,17 mmol; 86%) a OH HO O1 5 HO 3 2 OH partir de 1,95 g (3,70 mmol) de 69] NO2 6 4 O 7 8 F.M.: C14H17NO10 9 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 359,29 g.mol-1 F.F.: 180,7 - 182,5 ºC decompõe [literatura: 198 ºC decompõe (CARVALHO, 2008)] [α] –90 (c 0,4 MeOH) [literatura: [α] –88 (c 0,4 MeOH) (CARVALHO, 2008); [α] – 90 (c 0,4 MeOH) (KRÖGER e THIEM, 2007)] IV ( máx /cm-1): 3547, 3374 (ν O-H); 1725 (ν C=O); 1617, 1498, 1436 (ν C=C); 1532, 1361 (ν NO2); 1275 (ν C-O da aglicona); 1063, 1019 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 200 MHz): 8,33 (d; 1H; J9,11 2,0 Hz; H-9); 8,14 (dd; 1H; J11,9 2,0 Hz, J11,12 8,8 Hz; H-11); 7,54 (d; 1H; J12,11 8,8 Hz; H-12); 5,31 (d; 1H; J 2,8 Hz; OH); 5,17 (d; 1H; J1,2 7,4 Hz; H-1); 4,99 (d; 1H; J 4,8 Hz; OH); 4,79 (m; 1H; OH-6); 4,69 (d; 1H; J 3,4 Hz; OH); 3,85 (s; H-14); 3,73-3,55 (m; H-2, H-3, H-4, H5, H-6a, H-6b) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 50 MHz): 164,59 (C-13); 153,29 (C-7); 139,74 (C-8); 134,79 (C-11); 126,05 (C-9); 123,01 (C-10); 117,28 (C-12); 101,01 (C-1); 76,10 (C-5); 73,43 (C-3); 70,18 (C-2); 68,18 (C-4); 60,48 (C-6); 52,75 (C-14) Os espectros no IV, de RMN de 1H, de nas páginas 100-102, respectivamente. 13 C e subespectro DEPT-135 de 54 estão 69 4.2.2 Procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 HO HO HO OH O X R 1) Bu2SnO, MeOH O OH OCH3 O O X O OH OCH3 O 2) TBAI, eletrófilo, THF 53 X = H 54 X = NO2 O OH X=H X = NO2 55 R = H 60 R = H 56 R = COOC(CH3)3 61 R = COOC(CH3)3 63 R = CN 58 R = CN A um balão de 125 mL foram adicionados 30 mL de metanol destilado, 0,300 g do galactosídeo correspondente (0,95 mmol de 53; 0,83 mmol de 54) e óxido de dibutilestanho. Ao balão acoplou-se um tubo com cloreto de cálcio e essa mistura foi submetida à agitação magnética e aquecimento a 60 ºC em banho de óleo por uma hora e meia. Em seguida, o solvente foi removido em evaporador rotatório. Ao mesmo balão onde foi feita a síntese do complexo de estanho, adicionaram-se 28 mL de THF anidro para síntese dos derivados não-nitrados ou 16 mL para síntese dos nitrados, o catalisador iodeto de tetrabutilamônio e o agente alquilante (Tabela 2), manipulado somente em capela. Acoplou-se um tubo com cloreto de cálcio ao balão e a mistura reagente foi submetida à agitação magnética. Tabela 2 – Proporção molar dos reagentes utilizados nas 3-O-alquilações dos galactosídeos 53 e 54. Material de partida (MP) Eletrófilo Proporção molar – MP/Bu2SnO/TBAI/eletrófilo Produto (Rendimento) 53 MeI 1/1,1/0,5/11,6 55 (54%) 54 MeI 1/1,1/0,5/11,6 60 (32%) 53 BrCH2COOC(CH3)3 1/1,5/0,5/5,8 56 (82%) 54 BrCH2COOC(CH3)3 1/1,5/0,5/5,8 61 (73%) 53 BrCH2CN 1/1,5/0,5/5,8 58 (61%) 54 BrCH2CN 1/1,5/0,5/5,8 63 (53%) 70 As alquilações de 53 foram feitas sob aquecimento a 60 ºC em banho de óleo e as alquilações de 54 foram feitas à temperatura ambiente. Uma vez detectado por CCD o término ou, exclusivamente na síntese de 55 e 60, a não-evolução da reação, o solvente foi removido em evaporador rotatório, formando-se um óleo castanho. Esse material foi diretamente purificado por CCS. Tabela 3 – Condições empregadas nas 3-O-alquilações dos galactosídeos 53 e 54. Produto Eluente da CCD (3 eluições) Tempo de reação (horas) Temperatura 55 diclorometano/MeOH 93:7 24 60 ºC 60 diclorometano /MeOH 93:7 48 ambiente 56 diclorometano /MeOH 96,5:3,5 24 60 ºC 61 diclorometano /MeOH 96,5:3,5 48 ambiente 58 diclorometano /MeOH 95:5 96 60 ºC 63 diclorometano /MeOH 95:5 96 ambiente Ambas as etapas de formação do intermediário organometálico e alquilação propriamente dita, foram feitas mais de uma vez, exceto a síntese de 55. Na maioria delas, realizou-se escalonamento para maiores quantidades, como será citado em cada procedimento de síntese, porém a proporção molar dos reagentes, temperatura e tempo de reação acima citados foram mantidos. 4.2.3 Procedimento de síntese de 55 HO HO OH HO O 1) Bu2SnO, MeOH O OH OCH3 2) TBAI, MeI, THF H3CO OH O O OH O 53 OCH3 O 55 71 O derivado 55 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas, com três modificações. Primeiramente, optou-se por modificar o sistema de reação, colocando um condensador entre o balão e o tubo com cloreto de cálcio, para minimizar a perda do iodeto de metila por volatilização. A segunda alteração foi o modo de adição do agente alquilante, acrescentado de duas vezes. Iniciou-se a reação com 5,8 equivalentes de iodeto de metila e, após 24 horas, devido ao andamento modesto da reação e à volatilidade do eletrófilo (p.e. 42,5 ºC), foram adicionados mais 5,8 equivalentes. A última modificação foi o momento de adição do catalisador, adicionado somente após 32 horas de reação. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,300 g (0,95 mmol) de 53, 0,257 g (1,05 mmol) de Bu2SnO, 30 mL de metanol, 0,176 g de Bu4NI (0,48 mmol), 2 x 0,35 mL (11,08 mmol) de iodeto de metila e 28 mL de THF anidro. Após 96 horas, mesmo sem completo consumo do material de partida, elaborou-se a reação. Foi feita CCS (eluente: diclorometano/ metanol 94,5:5,5) do material bruto de reação. Obtiveram-se duas frações de interesse, uma contendo 0,143 g de produto contaminado com TBAI e outra contendo 0,125 g de produto contaminado com quantidade residual de TBAI e um subproduto com polaridade muito próxima ao produto, possivelmente, resultado de anomerização. A primeira foi recromatografada por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,118 g do derivado metilado desejado. A segunda foi recristalizada em MeOH/éter etílico, produzindo 0,057 g de produto puro. Ao final de toda elaboração, foi obtido 0,169 g (54%) do produto 55. 4.2.3.1 Dados de caracterização de 3-O-metil-β-D-galactopiranosídeo de 4metoxicarbonilfenila (55) HO 54%) a partir de 0,300 g (0,95 mmol) 6 4 5 H3CO 15 Sólido branco [0,169 g (0,51 mmol; OH 3 2 O1 O OH 7 8 de 53] 9 10 12 11 OCH3 13 O 14 F.M.: C15H20O8 M.M.: 328,31 g.mol-1 F.F.: 161,6 - 164,0 ºC [α] –36 (c 0,5 MeOH) 72 IV ( máx /cm -1 ): 3416 (ν O-H); 1713 (ν C=O); 1604, 1586, 1432 (ν C=C); 1238 (ν C-O da aglicona); 1050 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; piridina-d5; 400 MHz): 8,07 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H11); 7,36 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H-12); 5,65 (d; 1H; J1,2 7,7 Hz; H-1); 4,79 (dd; 1H; J2,1 7,7 Hz, J2,3 9,3 Hz; H-2); 4,68 (d; 1H; J4,3 3,0 Hz; H-4); 4,48 (m; 2H; H-6a, H6b); 4,25 (m; 1H; H-5); 3,77 (s; 3H; H-14); 3,72 (dd; 1H; J3,2 9,3 Hz, J3,4 3,0 Hz; H-3); 3,60 (s; 3H; H-15) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; piridina-d5; 100 MHz): 166,58 (C-13); 162,20 (C-7); 131,83 (C-9, C-11); 124,10 (C-10); 116,57 (C-8, C-12); 102,13 (C-1); 84,81 (C-3); 77,49 (C-5); 70,66 (C-2); 65,83 (C-4); 62,27 (C-6); 57,28 (C-15); 51,74 (C-14) HMBC (piridina-d5; 400 MHz): H-3xC-15; H-15xC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 HMBC de C, subespectro DEPT-135, mapa de 55 estão nas páginas 103-108, respectivamente. 4.2.4 Procedimento de síntese de 60 HO HO OH HO NO2 O 1) Bu2SnO, MeOH O OH OCH3 2) TBAI, MeI, THF H3CO OH NO2 O O OH O 54 OCH3 O 60 O derivado 60 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas, com as modificações citadas no procedimento de síntese de 53, exceto pelo uso de condensador. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,350 g (0,97 mmol) de 54, 0,272 g (1,09 mmol) de Bu2SnO, 35 mL de metanol, 0,182 g (0,49 mmol) de Bu4NI, 2 x 0,36 mL (11,45 mmol) de iodeto de metila e 19 mL de THF anidro. 73 Após 96 horas, mesmo sem completo consumo do material de partida, elaborou-se a reação. Foi feita CCS (eluente: diclorometano/ metanol 94,5:5,5) do material bruto de reação, obtendo-se 0,130 g de produto contaminado com TBAI. Esse material foi recromatografado por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,115 g (32%) de produto 60. 4.2.4.1 Dados de caracterização de 3-O-metil-β-D-galactopiranosídeo de 4metoxicarbonil-2-nitrofenila (60) OH HO 6 5 4 H3 CO 15 Sólido amarelo pálido [0,115 g (0,31 2 3 O1 OH mmol; 32%) a partir de 0,350 g (0,97 NO2 O 7 8 mmol) de 54] 9 F.M.: C15H19NO10 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 373,31 g.mol-1 F.F.: 150,7 – 151,9 ºC [α] –76 (c 0,5 MeOH) IV ( máx /cm-1): 3525, 3347 (ν O-H); 1700 (ν C=O); 1619, 1440 (ν C=C); 1537, 1352 (ν NO2); 1264 (ν C-O da aglicona); 1075, 1053 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; piridina-d5; 400 MHz): 8,53 (d; 1H; J9,11 2,0 Hz; H-9); 8,07 (dd; 1H; J11,9 2,0 Hz, J11,12 8,8 Hz; H-11); 7,89 (m; 1H; OH); 7,79 (d; 1H; J12,11 8,8 Hz; H-12); 6,87 (m; 1H; OH); 6,60 (m; 1H; OH); 5,80 (d; 1H; J1,2 8,0 Hz; H-1); 4,82 (m; 1H; H-2); 4,64 (d; 1H; J4,3 2,9 Hz; H-4); 4,53 (dd; 1H; J6a,5 6,8 Hz, J6a,6b 11,2 Hz; H6a); 4,43 (dd; 1H; J6b,5 4,8 Hz, J6b,6a 11,2 Hz; H-6b); 4,30 (m; 1H; H-5); 3,79 (s; 3H; H-14); 3,72 (dd; 1H; J3,2 9,4 Hz, J3,4 2,9 Hz; H-3); 3,60 (s; 3H; H-15) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; piridina-d5; 100 MHz): 164,83 (C-13); 154,26 (C-7); 140,57 (C-8); 134,92 (C-11); 126,72 (C-9); 122,99 (C-10); 117,67 (C-12); 102,80 (C1); 84,83 (C-3); 78,10 (C-5); 70,16 (C-2); 65,74 (C-4); 62,26 (C-6); 57,30 (C-15); 52,30 (C-14) HMBC (piridina-d5; 400 MHz): H-3xC-15; H-15xC-3 74 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 C, subespectro DEPT-135, mapa de HMBC de 60 estão nas páginas 133-138, respectivamente. 4.2.5 Procedimento de síntese de 56 HO OH O HO O 1) Bu2SnO, MeOH O O OH OCH3 O HO OH O O O OH 2) BrCH2COOC(CH3)3 TBAI, THF OCH3 O 53 56 O derivado 56 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,400 g (1,27 mmol) de 53, 0,475 g (1,91 mmol) de Bu2SnO, 40 mL de metanol, 0,235 g (0,64 mmol) de Bu4NI, 1,09 mL (7,38 mmol) de bromoacetato de terc-butila e 37 mL de THF anidro. O material bruto de reação foi elaborado por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,448 g (82%) do produto 56. 4.2.5.1 Dados de caracterização de 3-O-(terc-butoxicarbonilmetil)-β-D- galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonilfenila (56) HO O 18 17 O 16 4 O 15 3 Sólido branco [0,448 g (1,04 OH 6 5 2 O1 OH mmol; 82%) a partir de 0,400 O 7 8 g (1,27 mmol) de 53] 9 F.M.: C20H28O10 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 428,43 g.mol-1 F.F.: 83,2 - 84,8 ºC [α] –44 (c 0,5 CHCl3) IV ( máx /cm-1): 3531, 3405 (ν O-H); 1721 (ν C=O éster alifático); 1697 (ν C=O éster aromático); 1605, 1508, 1437 (ν C=C); 1245 (ν C-O da aglicona); 1062 (ν C-O do carboidrato) 75 RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; CDCl3; 400 MHz): 7,98 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H-11); 7,07 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H-12); 5,01 (d; 1H; J1,2 8,0 Hz; H-1); 4,26 (d; 1H; J15a,15b 17,2 Hz; H-15a); 4,15 (d; 1H; J15b,15a 17,2 Hz; H-15b); 4,13 (m; 1H; H-2); 4,06 (d; 1H; J4,3 2,8 Hz; H-4); 4,00 (dd; 1H; J6a,5 6,6 Hz, J6a,6b 11,8 Hz; H-6a); 3,88 (s; 3H; H-14); 3,86 (dd; 1H; J6b,5 4,8 Hz, J6b,6a 11,8 Hz; H-6b); 3,68 (m; 1H; H-5); 3,41 (dd; 1H; J3,2 9,6 Hz, J3,4 2,8 Hz; H-3); 1,49 (s; 9H; H-18) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; CDCl3; 100 MHz): 171,54 (C-16); 166,89 (C-13); 160,85 (C-7); 131,74 (C-9, C-11); 124,61 (C-10); 116,30 (C-8, C-12); 100,55 (C-1); 84,06 (C3); 83,53 (C-17); 74,92 (C-5); 70,00 (C-2); 68,14 (C-15); 66,80 (C-4); 62,52 (C-6); 52,18 (C-14); 28,27 (C-18) HMBC (CDCl3; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 HMBC de C, subespectro DEPT-135, mapa de 56 estão nas páginas 109-114, respectivamente. 4.2.6 Procedimento de síntese de 61 HO HO OH NO2 O 1) Bu2SnO, MeOH O O OH OCH3 O 54 O HO O OH O NO2 O OH 2) BrCH2COOC(CH3)3 TBAI, THF OCH3 O 61 O derivado 61 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas. Devido ao escalonamento, os volumes de metanol e THF foram proporcionalmente reduzidos em 30%. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,710 g (1,98 mmol) de 54, 0,735 g (2,96 mmol) de Bu2SnO, 50 mL de metanol, 0,364 g (0,99 mmol) de Bu4NI, 1,69 mL (11,5 mmol) de bromoacetato de terc-butila e 26 mL de THF anidro. O material bruto de reação foi elaborado por CCS (eluente: clorofórmio/metanol 98:2), obtendo-se 0,686 g (73%) do produto 61. Formou-se um material resinoso, porém conseguiu-se a cristalização do galactosídeo após solubilização do produto 76 em volume mínimo de acetona, adição de éter etílico e atrito nas paredes do balão com uma espátula. Os solventes foram removidos em evaporador rotatório e o produto se conservou no estado cristalino. 4.2.6.1 Dados de caracterização de 3-O-(terc-butoxicarbonilmetil)-β-D- galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonil-2-nitrofenila (61) HO O 18 17 O 16 4 15 3 2 O1 O OH mmol; 73%) a partir de 0,710 NO2 6 5 O Sólido branco [0,686 g (1,45 OH 7 8 g (1,98 mmol) de 54] 9 10 12 11 OCH3 13 14 O F.M.: C20H27NO12 M.M.: 473,43 g.mol-1 F.F.: 136,5 - 137,4 ºC [α] +36 (c 0,5 CHCl3) IV ( máx /cm-1): 3523, 3391 (ν O-H); 1730 (ν C=O éster alifático); 1718 (ν C=O éster aromático); 1618, 1436 (ν C=C); 1529, 1349 (ν NO2); 1259 (ν C-O da aglicona); 1244, 1059 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; CDCl3; 400 MHz): 8,49 (d; 1H; J9,11 2,0 Hz; H-9); 8,19 (dd; 1H; J11,9 2,0 Hz, J11,12 8,8 Hz; H-11); 7,39 (d; 1H; J12,11 8,8 Hz; H-12); 5,01 (d; 1H; J1,2 7,8 Hz; H-1); 4,36 (d; 1H; J15a,15b 17,2 Hz; H-15a); 4,19 (dd; 1H; J2,1 7,8 Hz, J2,3 9,3 Hz; H-2); 4,16 (d; 1H; J15b,15a 17,2 Hz; H-15b); 4,11 (d; 1H; J4,3 2,9 Hz; H-4); 4,04 (dd; 1H; J6a,5 6,4 Hz, J6a,6b 12,0 Hz; H-6a); 3,94 (s; 3H; H-14); 3,91 (dd; 1H; J6b,5 4,4 Hz, J6b,6a 12,0 Hz; H-6b); 3,75 (m; 1H; H-5); 3,47 (dd; 1H; J3,2 9,3 Hz, J3,4 2,9 Hz; H-3); 1,49 (s; 9H; H-18) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; CDCl3; 100 MHz): 171,47 (C-16); 164,90 (C-13); 153,74 (C-7); 140,27 (C-8); 135,52 (C-11); 127,30 (C-9); 125,00 (C-10); 117,98 (C-12); 102,69 (C-1); 83,25 (C-17); 83,06 (C-3); 75,44 (C-5); 70,26 (C-2); 68,66 (C-15); 67,16 (C-4); 62,56 (C-6); 52,83 (C-14); 28,27 (C-18) HMBC (CDCl3; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 77 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 C, subespectro DEPT-135, mapa de HMBC de 61 estão nas páginas 139-144, respectivamente. 4.2.7 Procedimento de síntese de 58 HO OH O HO 1) Bu2SnO, MeOH O OH N HO OH O O O OH OCH3 2) TBAI, BrCH2 CN, THF O 53 OCH3 O 58 O derivado 58 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,300 g (0,95 mmol) de 53, 0,356 g (1,43 mmol) de Bu2SnO, 30 mL de metanol, 0,176 g (0,48 mmol) de Bu4NI, 0,40 mL (5,54 mmol) de bromoacetonitrila e 28 mL de THF anidro. O material bruto de reação foi elaborado por CCS (eluente: diclorometano/metanol 97:3), obtendo-se 0,260 g de produto contaminado com TBAI. Esse material foi recromatografado por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,206 g (61%) do produto 58. 4.2.7.1 Dados de caracterização de 3-O-(cianometil)-β-D-galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonilfenila (58) OH HO N 5 O 15 61%) a partir de 0,300 g (0,95 6 4 16 Sólido branco [0,206 g (0,58 mmol; 3 2 O1 O OH 7 8 mmol) de 53] 9 10 12 11 OCH3 13 14 O F.M.: C16H19NO8 M.M.: 353,32 g.mol-1 F.F.: 171,4 – 171,8 ºC [α] –36 (c 0,5 MeOH) 78 IV ( máx /cm-1): 3525, 3182 (ν O-H); 1709 (ν C=O); 1607, 1584, 1514, 1442 (ν C=C); 1244 (ν C-O da aglicona); 1069, 1052 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 7,91 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H11); 7,13 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H-12); 5,58 (d; 1H; JOH-2,2 5,6 Hz; OH-2); 5,05 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 4,84 (d; 1H; JOH-4,4 5,4 Hz; OH-4); 4,73 (t; 1H; JOH-6,6a 5,6 Hz, JOH-6,6b 5,6 Hz; OH-6); 4,62 (d; 1H; J15a,15b 16,4 Hz; H-15a); 4,58 (d; 1H; J15b,15a 16,4 Hz; H-15b); 3,99 (dd; 1H; J4,OH-4 5,4 Hz, J4,3 3,2 Hz; H-4); 3,82 (s; 3H; H-14); 3,75 (ddd; 1H; J2,OH-2 5,6 Hz, J2,1 7,6 Hz, J2,3 9,6 Hz; H-2); 3,66 (m; 1H; H-5); 3,56 (qn; 1H; J6a,OH-6 5,6 Hz, J6a,5 5,6 Hz, J6a,6b 11,2 Hz; H-6a); 3,49 (qn; 1H; J6b,OH-6 5,6 Hz, J6b,5 5,7 Hz, J6b,6a 11,2 Hz; H-6b); 3,47 (dd; 1H; J3,2 9,6 Hz, J3,4 3,2 Hz; H-3) RMN de 13C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 165,79 (C-13); 161,03 (C-7); 131,06 (C-9, C-11); 123,02 (C-10); 117,72 (C-16); 116,03 (C-8, C-12); 100,00 (C-1); 81,82 (C-3); 75,17 (C-5); 68,94 (C-2); 64,20 (C-4); 59,94 (C-6); 54,75 (C-15); 51,88 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 C, subespectro DEPT-135, mapa de HMBC de 58 estão nas páginas 121-126, respectivamente. 4.2.8 Procedimento de síntese de 63 HO HO OH NO2 O 1) Bu2SnO, MeOH O OH OCH3 O HO N O OH O NO2 O OH 2) TBAI, BrCH2 CN, THF 53 OCH3 O 63 O derivado 63 foi sintetizado utilizando-se o procedimento geral de 3-O-alquilação dos galactosídeos 53 e 54 e as condições anteriormente citadas. As quantidades de reagentes e solventes foram estas: 0,400 g (1,11 mmol) de 54, 0,416 g (1,67 mmol) de Bu2SnO, 40 mL de metanol, 0,205 g (0,56 mmol) de Bu4NI, 0,46 mL (6,46 mmol) de bromoacetonitrila e 21 mL de THF anidro. 79 O material bruto de reação foi elaborado por CCS (eluente: clorofórmio/metanol 96,5:3,5), obtendo-se 0,303 g de produto contaminado com TBAI. Esse material foi recromatografado por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,286 g (64%) do produto 63. 4.2.8.1 Dados de caracterização de 3-O-(cianometil)-β-D-galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonil-2-nitrofenila (63) Sólido branco [0,286 g (0,72 mmol; OH HO N 6 5 4 16 O 15 3 2 O1 OH 64%) a partir de 0,400 g (1,11 NO2 O 7 8 mmol) de 54] 9 F.M.: C16H18N2O10 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 398,32 g.mol-1 F.F.: 160,5 – 161,4 ºC [α] –76 (c 0,5 MeOH) IV ( máx /cm-1): 3527, 3482, 3236 (ν O-H); 1696 (ν C=O); 1650, 1618, 1443 (ν C=C); 1535, 1330, (ν NO2); 1273 (ν C-O da aglicona), 1053 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 8,37 (d; 1H; J9,11 2,0 Hz; H-9); 8,17 (dd; 1H; J11,12 8,8 Hz, J11,9 2,0 Hz; H-11); 7,57 (d; 1H; J 12,11 8,8 Hz; H-12); 5,64 (d; 1H; JOH-2,2 5,6 Hz; OH-2); 5,28 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 4,94 (d; 1H; JOH-4,4 5,0 Hz; OH-4); 4,76 (t; 1H; JOH-6,6a 5,6 Hz, JOH-6,6b 5,6 Hz; OH-6); 4,62 (d; 1H; J15a,15b 16,2 Hz; H-15a); 4,57 (d; 1H; J15b,15a 16,2 Hz; H-15b); 4,00 (dd; 1H; J4,OH-4 5,0 Hz, J4,3 3,2 Hz; H-4); 3,87 (s; 3H; H-14); 3,76 (ddd; 1H; J2,OH-2 5,6 Hz, J2,1 7,6 Hz, J2,3 9,4 Hz; H-2); 3,73 (m; 1H; H-5); 3,57 (qn; 1H; J6a,OH-6 5,6 Hz, J6a,5 5,7 Hz, J6a,6b 11,2 Hz; H-6a); 3,51 (qn; 1H; J6b,OH-6 5,6 Hz, J6b,5 5,6 Hz, J6b,6a 11,2 Hz; H-6b); 3,48 (dd; 1H; J3,2 9,4 Hz, J3,4 3,2 Hz; H-3) RMN de 13C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 164,31 (C-13); 152,91 (C-7); 139,64 (C-8); 134,51 (C-11); 125,87 (C-9); 122,98 (C-10); 117,67 (C-16); 117,07 (C-12); 100,41 (C-1); 81,79 (C-3); 75,51 (C-5); 68,68 (C-2); 64,00 (C-4); 59,85 (C-6); 54,73 (C-15); 52,51 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 80 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 C, subespectro DEPT-135, mapa de HMBC de 63 estão nas páginas 151-156, respectivamente. 4.2.9 Procedimento de síntese de 57 e 62 O O HO O OH O CF3COOH, CH2Cl2 X O OH OCH3 O HO HO O OH O X O OH O 56 X = H 61 X = NO2 OCH3 O 57 X = H 62 X = NO2 A um balão de 100 mL foram adicionados 1,5 mL de diclorometano destilado e o éster terc-butílico correspondente nestas quantidades: 0,152 g de 56 (0,35 mmol) ou 0,158 g de 61 (0,33 mmol). A mistura foi submetida à agitação magnética e resfriamento a 0 ºC em banho de gelo e água, condições mantidas até o final do experimento. Após completa solubilização do material de partida, adicionou-se 1,5 mL (20 mmol) de ácido trifluroacético gota a gota e acoplou-se um tubo com cloreto de cálcio ao balão. A reação foi acompanhada por CCD (eluente: acetato de etila, 3 eluições) e tem duração de duas horas. Ao término da reação verteram-se 75 mL de diclorometano no balão e evaporou-se o solvente em evaporador rotatório a 35 ºC até aproximadamente um quarto do volume. Repetiu-se o procedimento duas vezes, porém na última evaporação o solvente foi eliminado completamente. O material sólido obtido foi purificado por CCS (eluente: acetato de etila), obtendo-se 0,098 g (0,26 mmol) de 57 ou 0,106 g (0,25 mmol) de 62, com 75 e 76% de rendimento, respectivamente. 81 4.2.9.1 Dados de caracterização de 3-O-(carboximetil)-β-D-galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonilfenila (57) HO O HO 16 mmol; 75%) a partir de 0,152 g 6 4 5 O 3 15 Sólido branco [0,098 g (0,26 OH 2 O1 O OH 7 8 (0,35 mmol) de 56] 9 10 12 11 OCH3 13 14 Substância deliquescente F.M.: C16H20O10 M.M.: 372,32 g.mol-1 O F.F.: 142,4 – 145,7 ºC [α] –36 (c 0,5 MeOH) IV ( máx /cm -1 ): 3361 (ν O-H); 1706 (ν C=O); 1605, 1509, 1435 (ν C=C); 1241 (ν C-O da aglicona); 1065 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 7,90 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H11); 7,20 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H-12); 4,95 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 3,82 (s; 4H; H-14, H-4); 3,79 (d; 1H; J15a,15b 16,0 Hz; H-15a); 3,70 (d; 1H; J15b,15a 16,0 Hz; H15a); 3,68 (m; 1H; H-2); 3,61 (m; 1H; H-5); 3,57-3,47 (m; 2H; H-6a, H-6b); 3,25 (dd; 1H; J3,2 9,6 Hz, J3,4 2,8 Hz; H-3) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 174,41 (C-16); 165,83 (C-13); 161,17 (C-7); 131,03 (C-9, C-11); 122,78 (C-10); 115,98 (C-8, C-12); 100,71 (C-1); 83,12 (C-3); 75,34 (C-5); 69,17 (C-15); 68,52 (C-2); 64,62 (C-4); 60,42 (C-6); 51,85 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, respectivamente. HMQC e 13 HMBC de C, subespectro DEPT-135, mapa de 57 estão nas páginas 115-120, 82 4.2.9.2 Dados de caracterização de 3-O-(carboximetil)-β-D-galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonil-2-nitrofenila (62) HO O HO 16 6 5 4 O 3 15 Sólido branco [0,106 g (0,25 OH 2 O1 O OH mmol; 76%) a partir de 0,158 g NO2 7 8 (0,33 mmol) de 61] 9 10 12 11 OCH3 13 14 Substância deliquescente F.M.: C16H19NO12 M.M.: 417,32 g.mol-1 O F.F.: 137,2 – 138,6 ºC decompõe [α] –56 (c 0,5 MeOH) IV ( máx /cm-1): 3359 (ν O-H); 1720 (ν C=O); 1617, 1436 (ν C=C); 1534, 1356 (ν NO2); 1269 (ν C-O da aglicona); 1055 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 8,34 (d; 1H; J9,11 2,1 Hz; H-9); 8,14 (dd; 1H; J11,9 2,1 Hz, J11,12 9,1 Hz; H-11); 7,56 (d; 1H; J12,11 9,1 Hz; H-12); 5,19 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 3,90-3,80 (m; 6H; J15b,15a 16 Hz; H-4, H-14, H-15a, H-15b); 3,72-3,67 (m; 2H; H-2, H-5); 3,56 (dd; 1H; J6a,5 5,6 Hz, J6a,6b 10,8 Hz; H-6a); 3,50 (dd; 1H; J6b,5 6,4 Hz, J6b,6a 10,8 Hz; H-6b); 3,30 (dd; 1H; J3,2 9,4 Hz, J3,4 2,6 Hz; H-3) RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 174,60 (C-16); 164,33 (C-13); 152,99 (C-7); 139,63 (C-8); 134,47 (C-11); 125,76 (C-9); 122,82 (C-10); 117,16 (C12); 101,19 (C-1); 82,87 (C-3); 75,70 (C-5); 68,72 (C-15); 68,45 (C-2); 64,46 (C-4); 60,20 (C-6); 52,49 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, respectivamente. HMQC e 13 HMBC de C, subespectro DEPT-135, mapa de 62 estão nas páginas 145-150, 83 4.2.10 Procedimento de síntese de 59 e 64 HO N O OH O X NaN3, NH4Cl O OH N N HN N HO OH O O O OH OCH3 THF, H O 2 O OCH3 O 58 X = H 63 X = NO2 59 X = H 64 X = NO2 A um balão de 50 mL foram adicionados a nitrila correspondente, o cloreto de amônio e a azida de sódio na proporção molar de 1:14:14. Adicionou-se um volume inicial de 1 mL de uma mistura de THF/H2O 1:1, acoplou-se ao balão um condensador de refluxo e submeteu-se a mistura à agitação magnética e aquecimento a 65 ºC em banho de óleo. Uma vez estabelecido equilíbrio térmico entre o meio reacional e a fonte de aquecimento, adicionaram-se ao balão quantidades adicionais de THF/H2O 1:1 em incrementos de 0,5 mL até solubilização completa dos reagentes. O aquecimento, a agitação magnética e o fluxo de água no condensador foram mantidos durante toda a reação, que foi acompanhada por CCD (eluente: acetato de etila/metanol 9:1). Tabela 4 – Quantidades de reagentes e solventes utilizados na síntese de 59 e 64. Nitrila NH4Cl NaN3 THF/H2O 1:1 0,100 g (0,28 mmol) de 58 0,210 g (3,93 mmol) 0,256 g (3,93 mmol) 2 mL 0,150 g (0,38 mmol) de 63 0,280 g (5,23 mmol) 0,340 g (5,23 mmol) 3 mL Ao longo da reação ocorreu redução do volume de solvente e, naturalmente, deposição de material insolúvel nas paredes do balão. Nesses momentos, volumes adicionais de 0,5 mL do mesmo solvente foram adicionados até que houvesse agitação homogênea de todo conteúdo reacional. Ambas as reações tem duração de aproximadamente 60 horas. 84 Após consumo do material de partida, foi feita acidificação do meio com HCl 3 mol/L até pH 1. Em seguida, o balão foi exposto a fluxo de ar comprimido para evaporação de THF. Ocorreu precipitação de produto que foi filtrado e lavado com diclorometano. Na síntese do derivado tetrazólico não nitrado 59, obteve-se um resíduo de 80 mg. Esse sólido foi recristalizado em DMSO/diclorometano, obtendo-se 57 mg (0,10 mmol) de 59. O rendimento da recristalização e da reação foram 71 e 51% respectivamente. Na síntese do derivado tetrazólico nitrado 64, obteve-se um resíduo de 135 mg, porém contaminado com azida de sódio. Foi feita, então, uma extração exaustiva em pequena escala. Adicionaram-se a um frasco de penicilina o resíduo obtido, 3 mL de água e 3 mL de acetato de etila. Tampou-se o frasco com uma tampa de borracha, agitou-se a mistura vigorosamente e, após separação das fases, retirou-se com uma pipeta pasteur o maior volume possível de fase orgânica. Adicionou-se volume de acetato de etila suficiente para completar o volume inicial de 6 mL e repetiu-se o procedimento extrativo. Ao todo foram feitas 20 extrações e as frações orgânicas foram reunidas em um balão de 100 mL. O solvente foi removido em evaporador rotatório, obtendo-se 46 mg (0,10 mmol) de 64. O rendimento da extração e da reação foram 34 e 28%, respectivamente. 4.2.10.1 Dados de caracterização de 3-O-(5-tetrazolimetil)-β-D- galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonilfenila (59) Sólido branco [0,057 g (0,10 HN HO N N N 16 OH 6 5 4 O 15 3 2 O1 O mmol; 51%) a partir de 0,100 g 7 8 OH (0,28 mmol) de 58] 9 F.M.: C16H20N4O8 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 396,35 g.mol-1 F.F.: 198,1 – 199,8 ºC [α] –13 (c 0,3 MeOH) IV ( máx /cm-1): 3524, 3274 (ν O-H); 1701, 1689 (ν C=O); 1605, 1509, 1438 (ν C=C); 1250 (ν C-O da aglicona); 1115, 1065 (ν C-O do carboidrato) 85 RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 7,91 (d; 2H; J9,8; 11,12 8,8 Hz; H-9, H11); 7,13 (d; 2H; J8,9; 12,11 8,8 Hz; H-8, H-12); 5,06 (d; 1H; J15a,15b 13,6 Hz; H-15a); 5,04 (1H; H-1); 5,01 (d; 1H; J15b,15a 13,6 Hz; H-15b); 4,03 (d; 1H; J4,3 3,0 Hz; H-4); 3,82 (s; 3H; H-14); 3,82-3,79 (1H; H-2); 3,65 (m; 1H; H-5); 3,58 (m; 1H; J6a,5 5,6 Hz; H-6a); 3,53-3,49 (1H; H-6b); 3,51 (dd; 1H; J3,2 9,6 Hz, J3,4 3,0 Hz; H-3) RMN de 13C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 165,80 (C-13); 161,03 (C-7); 154,31 (C-16); 131,07 (C-9, C-11); 123,02 (C-10); 116,06 (C-8, C-12); 100,01 (C-1); 81,96 (C-3); 75,25 (C-5); 69,26 (C-2); 64,64 (C-4); 60,52 (C-15); 60,02 (C-6); 51,89 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 C, subespectro DEPT-135, mapa de HMBC de 59 estão nas páginas 127-132, respectivamente. 4.2.10.2 Dados de caracterização de 3-O-(5-tetrazolilmetil)-β-D- galactopiranosídeo de 4-metoxicarbonil-2-nitrofenila (64) Sólido amarelo [0,046 g (0,10 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH mmol; 28%) a partir de 0,150 g NO2 O 7 8 (0,38 mmol) de 63] 9 F.M.: C16H19N5O10 10 12 11 OCH3 13 14 O M.M.: 441,35 g.mol-1 F.F.: 163,9 – 164,9 ºC [α] –47 (c 0,3 MeOH) IV ( máx /cm-1): 3363 (ν O-H); 1727 (ν C=O); 1619, 1439 (ν C=C); 1535, 1348 (ν NO2); 1269 (ν C-O da aglicona); 1052 (ν C-O do carboidrato) RMN de 1H (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 400 MHz): 8,36 (d; 1H; J9,11 2,1 Hz; H-9); 8,16 (dd; 1H; J11,9 2,1 Hz, J11,12 8,9 Hz; H-11); 7,58 (d; 1H; J12,11 8,9 Hz; H-12); 7,27 (m; 2H; OH); 5,26 (d; 1H; J1,2 7,6 Hz; H-1); 5,05 (d; 1H; J15a,15b 13,6 Hz; H-15a); 4,99 (d; 1H; J15b,15a 13,6 Hz; H-15b); 4,79 (s; 1H; OH); 4,05 (d; 1H; J4,3 2,8 Hz; H-4); 3,87 (s; 3H; H-14); 3,81 (m; 1H; H-2); 3,72 (m; 1H; H-5); 3,58 (dd; 1H; J6a,5 5,8 Hz, J6a,6b 10,6 Hz; H-6a); 3,54-3,51 (m; 2H; H-6b, H-3) 86 RMN de 13 C (δ/ppm; J/Hz; DMSO-d6; 100 MHz): 164,32 (C-13); 154,46 (C-16); 152,93 (C-7); 139,65 (C-8); 134,52 (C-11); 125,85 (C-9); 122,95 (C-10); 117,17 (C12); 100,51 (C-1); 82,00 (C-3); 75,59 (C-5); 69,03 (C-2); 64,35 (C-4); 60,67 (C-15); 59,91 (C-6); 52,51 (C-14) HMBC (DMSO-d6; 400 MHz): H-3xC-15; H-15axC-3; H-15bxC-3 Os espectros no IV, de RMN de 1H, de contornos COSY, HMQC e 13 HMBC de C, subespectro DEPT-135, mapa de 64 estão nas páginas 157-162, respectivamente. 4.3 Ensaios enzimáticos Utilizou-se o método espectrofluorimétrico desenvolvido por Douglas e colaboradores (DOUGLAS et al., 2006) e condições experimentais adaptadas por Carvalho e colaboradores (CARVALHO et al., 2010b). Inicialmente foram preparadas soluções dos galactosídeos a 4 mM contendo 5% de DMSO em volume. O ensaio foi realizado em placas de 96 poços, sendo que em cada poço foram adicionados 25 µL de tampão fosfato pH 7,4, 25 µL de solução diluída da enzima recombinante trans-sialidase de Trypanosoma cruzi e 25 µL de solução 4,0 mM de inibidor. O meio reacional foi incubado por 10 minutos a 25 ºC e, em seguida, adicionou-se 25 µL de solução de substrato MuNANA a 0,4 mM. Uma vez que o volume final em cada poço foi 100 µL, a concentração final de amostra e de substrato foi 1 e 0,1 mM, respectivamente. Os derivados nitrados 62 e 64 também foram ensaiados na concentração de 500 µM, sob as mesmas condições citadas. A liberação do fluoróforo ocorreu normalmente no meio reacional sem inibidor (50 µL de tampão + 25 µL de enzima + 25 µL de MuNANA), o controle negativo. Por outro lado, no meio reacional contendo o piridoxal fosfato (25 µL de tampão + 25 µL de enzima + 25 µL de piridoxal fosfato a 4mM + 25 µL de MuNANA), o controle positivo, a liberação do fluoróforo foi inibida. A fluorescência foi monitorada durante 10 minutos a 25 ºC, com comprimentos de onda de excitação e emissão de 360 e 460 87 nm, respectivamente. Foram realizados 3 três experimentos em dias distintos e todas as reações foram feitas em triplicata. Os dados foram analisados no programa Prisma 4.0 e o valor da porcentagem de inibição enzimática foi calculado empregando-se a equação % I = 100 x [1 – (Vi / V0], em que Vi é a velocidade da reação na presença de inibidor e V0 é a velocidade da reação na ausência de inibidor (controle negativo). 88 5 CONCLUSÕES Neste trabalho foram sintetizados 10 galactosídeos de arila modificados em C-3, sendo todos inéditos. Uma vez otimizadas as condições experimentais, as reações de alquilação utilizando óxido de dibutilestanho foram eficientes e seletivas. Esses achados são compatíveis com os resultados igualmente positivos da literatura. Conclui-se, assim, que o método de óxido de dibutilestanho também tem aplicabilidade em reações de alquilação 3-O-seletivas de galactosídeos de arila, relatadas pioneiramente neste trabalho. Os rendimentos dessas reações foram de modestos a elevados; somente a síntese do derivado 55 foi inferior a 50%. A eficiência das reações variou conforme o eletrófilo utilizado, sendo observada a seguinte ordem de reatividade: bromoacetato de terc-butila > bromoacetonitrila > iodeto de metila. O planejamento de galactosídeos de arila inibidores pontenciais de trans-sialidase de Trypanosoma cruzi logrou pouco êxito, uma vez que os produtos obtidos não inibiram sensivelmente a enzima. O simples bloqueio da posição 3 dos galactosídeos 53 e 54 ou mesmo a introdução do grupo ácido carboximetil não incrementaram a atividade biológica dessas moléculas. Observou-se, entretanto, que a introdução de um grupo nitro na aglicona hidrofóbica e a substituição bioisostérica do grupo ácido carboxílico por um grupo tetrazol nos compostos 57 e 62 são modificações moleculares que aumentam significativamente a atividade inibitória de TcTS dos galactosídeos de arila e que podem ser exploradas mais consistentemente. Têm-se como perspectivas sintetizar e ensaiar novos galactosídeos de arila, derivados tetrazólicos modificados em diferentes posições do núcleo de D-galactose e com outras agliconas contendo o grupo nitro. Assim, será possível planejar outro grupo de moléculas com maior potencial inibitório de TcTS e estabecer relações estrutura-atividade mais confiáveis. 89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUSTÍ, R. et al. 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Acesso em: mar. 2010. 97 APÊNDICE A – Espectro no infravermelho de 53 96,3 1922 90 85 2915 2960 2882 3580 1373 810 80 3205 1630 830 75 1398 1422 1197 1514 70 3378 728 65 1439 1674 1218 1324 1131 882 951 %T 60 1606 1179 852 6 4 5 HO 50 902 OH HO 55 1300 3 45 2 O1 OH O 7 8 9 10 12 1250 OCH3 13 14 11 O 40 697 1057 1085 1031 1023 35 772 28,3 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.5 9.0 O1 O OH 8.5 7 8 12 11 10 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 2.99 1.00 2.03 2.00 14.81 3 2 1.01 1.01 10.0 5 1.99 4 1.00 HO 2.00 HO 2.00 5.260 5.235 4.971 4.933 4.896 4.722 4.694 4.669 4.566 4.543 3.811 3.730 3.713 3.695 3.653 3.628 3.603 3.581 3.567 3.554 3.529 3.502 3.468 3.419 3.179 3.153 7.140 7.096 7.926 7.882 98 APÊNDICE B – Espectro de RMN de 1H de 53 (DMSO-d6; 200 MHz) 6 OH 9 13 14 OCH3 O 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 ppm 99 51.979 60.373 75.669 73.269 70.241 68.148 100.452 116.087 122.922 131.144 161.291 165.937 APÊNDICE C – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 53 (DMSO-d6; 50 MHz) OH HO 6 4 O1 5 HO 3 2 O OH 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 100 APÊNDICE D – Espectro no infravermelho de 54 98,1 95 90 85 2888 2958 1649 1579 1169 3547 1690 1498 1388 861 851 883 809 912 897 80 3374 75 1332 1361 1436 70 1219 65 60 OH HO %T 4 5 3 2 O1 OH 680 NO2 6 HO 55 828 O 7 8 1617 982 1129 1101 935 707 9 1725 10 12 11 50 OCH3 13 14 1532 760 O 45 1275 1063 40 35 1019 30,0 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 101 3.847 3.732 3.707 3.672 3.553 5.313 5.299 5.191 5.154 5.002 4.978 4.790 4.700 4.683 7.565 7.521 8.338 8.328 8.166 8.156 8.122 8.112 APÊNDICE E – Espectro de RMN de 1H de 54 (DMSO-d6; 200 MHz) OH HO NO2 6 4 O1 5 HO 3 2 O OH 8 7 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 24.03 7.5 2.13 8.0 1.06 1.09 1.02 8.5 1.01 9.0 1.01 9.5 1.00 10.0 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 ppm 102 52.747 60.484 76.101 73.425 70.184 68.183 101.008 117.275 126.054 123.007 134.792 139.744 153.292 164.585 APÊNDICE F – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 54 (DMSO-d6; 50 MHz) OH HO NO2 6 4 O1 5 HO 3 2 OH O 7 8 9 10 12 OCH3 13 14 11 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 103 APÊNDICE G – Espectro no infravermelho de 55 97,5 95 2068 90 2989 2918 2843 2951 2890 85 80 1467 803 1422 1394 75 1586 70 831 1432 3416 1118 1513 699 1604 65 1135 957 928 666 %T 60 OH HO 55 6 5 4 H3CO 50 15 3 2 1271 1187 O1 O 7 8 OH 11 1238 769 984 754 10 12 45 1713 9 857 OCH3 1020 1099 1072 13 14 O 40 35 1050 30 23,4 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 4.7 4.6 6.5 6.0 4.5 5.5 4.4 4.3 5.0 ppm 4.5 3.80 4.0 3.5 3.0 2.5 3.75 2.0 3.00 4.8 1.01 11 2.99 10 2.99 1.01 3.00 12 1.03 OH 1.03 9.5 8 2.00 2 7 1.00 1.01 2.00 10.0 3 O1 O 1.13 H3CO 6 5 5.66 15 3.604 3.737 3.729 3.714 3.706 3.766 4.266 4.252 4.237 4.519 4.502 4.491 4.474 4.458 4.443 4.430 4.683 4.676 4.810 4.791 4.787 4.767 OH 1.01 1.00 4 2.04 HO 2.00 5.654 5.635 4.810 4.791 4.787 4.767 4.683 4.676 4.519 4.502 4.491 4.474 4.458 4.443 4.430 4.266 4.252 4.237 3.766 3.737 3.729 3.714 3.706 3.604 7.581 7.367 7.345 7.213 8.085 8.063 8.728 104 APÊNDICE H – Espectro de RMN de 1H de 55 (piridina-d5; 400 MHz) 9 13 14 OCH3 O 3.70 3.65 1.5 ppm 1.0 0.5 ppm 105 51.742 57.279 65.825 62.265 70.664 77.485 84.808 102.132 116.574 124.096 131.826 OH HO 6 5 4 H3CO 15 162.198 166.582 APÊNDICE I – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 55 (piridina-d5; 100 MHz) 3 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 106 APÊNDICE J – Mapa de contornos COSY de 55 (piridina-d5; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 3.0 3.5 4.0 OH HO 6 5 4 4.5 H3CO 15 3 2 O1 O 7 8 OH 10 12 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9 11 OCH3 13 14 O 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 107 APÊNDICE K – Mapa de contornos HMQC de 55 (piridina-d5; 400 MHz) ppm9.5 9.0 8.5 8.0 7.5 50 60 70 80 OH HO 6 5 4 H3CO 15 3 2 O1 O 7 8 OH 10 12 11 90 100 110 120 130 140 150 9 OCH3 13 14 O 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 108 APÊNDICE L – Mapa de contornos HMBC de 55 (piridina-d5; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 50 6 5 4 H3CO 15 3 2 O1 O 7 8 OH 100 110 120 130 140 150 160 170 5.0 4.5 4.0 3.5 9 10 12 90 5.5 OH HO 80 6.0 H-3xC-15 60 70 6.5 11 OCH3 13 14 O H-15xC-3 ppm 109 APÊNDICE M – Espectro no infravermelho de 56 100,3 95 2091 2995 2957 2933 3531 90 3405 85 1583 1461 1421 80 1316 806 75 919 70 %T HO O 18 65 17 O 60 16 6 5 4 O 15 1508 OH 3 2 O1 886 1371 O 7 8 9 1605 983 1179 OH 10 12 11 55 1396 1437 672 853 1721 OCH3 656 13 14 1283 O 751 697 50 1143 1012 1116 45 1697 768 40 1245 1062 35 29,7 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 15 9.5 3 9.0 2 8.5 7 8 OH 12 10 11 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 3.9 3.8 4.5 4.0 3.5 1.01 1.03 4.00 1.05 1.01 1.08 0.91 1.00 O1 O 4.0 3.7 ppm 3.45 3.0 2.5 2.0 9.09 O 6 5 4.1 5.16 10.0 O 16 4 4.2 1.00 0.91 1.08 1.01 1.05 4.00 1.03 1.01 17 HO 4.3 0.99 O OH 2.02 18 2.00 3.4275 3.4197 3.4040 3.3962 3.697 3.683 3.669 3.883 3.867 3.849 3.837 4.065 4.059 4.022 4.005 3.992 3.976 4.165 4.152 4.128 4.122 4.109 4.245 4.288 1.489 5.015 4.995 4.288 4.245 4.165 4.152 4.128 4.122 4.109 4.065 4.059 4.022 4.005 3.992 3.976 3.883 3.867 3.849 3.837 3.697 3.683 3.669 3.428 3.420 3.404 3.396 2.627 7.077 7.055 7.989 7.967 110 APÊNDICE N – Espectro de RMN de 1H de 56 (CDCl3; 400 MHz) ppm 9 13 14 OCH3 O 1.5 1.0 0.5 ppm 111 18 17 O 16 6 5 4 O 15 28.268 52.175 74.918 69.996 68.139 66.796 62.521 84.058 83.531 100.550 116.295 124.606 131.737 160.854 OH HO O 166.887 171.543 APÊNDICE O – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 56 (CDCl3; 100 MHz) 3 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 112 APÊNDICE P – Mapa de contornos COSY de 56 (CDCl3; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 1.0 1.5 2.0 2.5 17 3.0 O 16 OH HO O 18 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 8 OH 10 12 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9 11 OCH3 13 14 O 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 ppm 113 APÊNDICE Q – Mapa de contornos HMQC de 56 (CDCl3; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 30 40 50 17 60 O 16 OH HO O 18 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 8 OH 10 12 11 70 80 90 100 110 120 130 9 OCH3 13 14 O 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 ppm 114 APÊNDICE R – Mapa de contornos HMBC de 56 (CDCl3; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 17 O 16 OH HO O 18 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 8 OH 9 H-3xC-15 10 12 11 OCH3 13 14 O H-15xC-3 2.5 2.0 1.5 ppm 115 APÊNDICE S – Espectro no infravermelho de 57 100,1 95 2893 90 3361 85 922 892 80 1509 1174 75 HO O 70 %T 65 806 HO 16 4 O 15 3 1706 OH 6 5 2 O1 OH 60 1435 848 1149 O 7 8 9 1605 10 12 11 1285 695 OCH3 13 14 O 1241 1104 769 55 50 45 1065 39,6 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 11 3.8 8.5 8.0 7.5 7.0 3.7 3.6 6.5 6.0 42.22 10 3.5 5.5 3.4 3.3 5.0 4.5 4.09 0.95 1.01 1.16 1.09 2.28 42.22 9.0 12 2.28 OH 1.09 2 8 0.92 9.5 3 7 1.16 15 3.265 3.258 3.241 3.234 3.332 3.716 3.699 3.676 3.656 3.618 3.604 3.588 3.570 3.542 3.513 3.495 3.471 3.771 3.816 O1 O 1.01 O 6 5 0.98 10.0 16 4 OH 0.95 4.09 HO HO 2.06 O 2.00 4.960 4.941 3.816 3.771 3.716 3.699 3.676 3.656 3.618 3.604 3.588 3.570 3.542 3.513 3.495 3.471 3.332 3.265 3.258 3.241 3.234 7.130 7.108 7.906 7.884 116 APÊNDICE T – Espectro de RMN de 1H de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) 9 13 14 OCH3 O ppm 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 ppm 117 HO O HO 16 4 O 15 51.847 69.174 68.516 64.616 60.422 75.341 83.118 100.712 115.978 122.783 131.028 161.167 165.825 174.405 APÊNDICE U – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 57 (DMSO-d6; 100 MHz) OH 6 5 3 2 O1 O OH 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 118 APÊNDICE V – Mapa de contornos COSY de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 3.0 3.5 4.0 HO 4.5 HO O 16 4 O 15 3 OH 6 5 2 O1 O OH 7 8 10 12 11 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 9 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 119 APÊNDICE X – Mapa de contornos HMQC de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 50 60 HO O 70 80 90 100 110 120 130 HO 16 4 O 15 3 OH 6 5 2 O1 O OH 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 120 APÊNDICE Y – Mapa de contornos HMBC de 57 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 50 60 70 HO 80 HO O 16 4 O 15 3 OH 6 5 2 O1 O OH 7 8 10 12 11 90 100 110 120 130 140 150 160 170 H-3xC-15 9 OCH3 13 14 O H-15xC-3 3.0 ppm 121 APÊNDICE W – Espectro no infravermelho de 58 98,7 95 2930 2905 90 3182 1584 3525 1423 85 1514 811 1397 1374 1336 1197 957 833 847 80 N %T OH HO 75 5 O 15 1607 1182 1142 1152 6 4 16 70 703 712 1442 3 2 O1 OH O 7 8 893 862 9 655 1287 10 12 11 65 989 1015 1108 1028 OCH3 1709 13 14 O 1244 774 60 1069 55 1052 50 47,5 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.0 8.5 4.8 8.0 7.5 7.0 6.5 4.7 6.0 4.6 5.5 ppm 5.0 4.00 4.5 ppm 4.0 3.8 3.5 3.0 2.5 3.7 2.0 3.6 1.5 1.0 2.024 10 1.031 11 1.043 12 1.076 8 2.942 7 1.033 OH O 1.001 O1 1.03 2.94 1.08 1.04 1.03 2.02 6.58 9.5 3 2 1.00 1.02 1.01 1.01 1.00 10.0 15 5 1.009 16 O 1.00 4 1.013 1.023 N 2.01 HO 2.00 3.820 3.782 3.768 3.763 3.758 3.749 3.744 3.739 3.725 3.674 3.658 3.643 3.590 3.575 3.563 3.548 3.534 3.520 3.506 3.490 3.481 3.465 3.458 3.998 3.990 3.985 3.977 4.547 4.609 4.588 4.650 4.745 4.731 4.718 4.847 4.833 5.590 5.576 5.060 5.041 4.847 4.833 4.745 4.731 4.718 4.650 4.609 4.588 4.547 3.998 3.990 3.985 3.977 3.820 3.782 3.768 3.763 3.758 3.749 3.744 3.739 3.725 3.674 3.658 3.643 3.590 3.575 3.563 3.548 3.534 3.520 3.506 3.490 3.481 3.465 3.458 3.330 7.142 7.120 7.924 7.902 122 APÊNDICE Z – Espectro de RMN de 1H de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) OH 6 9 13 14 OCH3 O 3.5 0.5 ppm ppm 123 5 O 15 54.749 51.877 59.939 64.197 68.937 75.174 81.821 99.995 117.715 116.033 123.021 6 4 16 131.058 OH HO N 161.028 165.788 APÊNDICE AA – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 58 (DMSO-d6; 100 MHz) 3 2 O1 O OH 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 124 APÊNDICE BB – Mapa de contornos COSY de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 3.0 3.5 HO 4.0 N 4 16 4.5 6 5 O 15 OH 3 2 O1 OH O 7 8 9 10 12 11 O 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 OCH3 13 14 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 125 APÊNDICE CC – Mapa de contornos HMQC de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.0 7.5 7.0 6.5 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 135 HO N 4 16 6 5 O 15 OH 3 2 O1 OH O 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 126 APÊNDICE DD – Mapa de contornos HMBC de 58 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 50 H-3xC-15 60 HO 70 N 4 16 80 6 5 O 15 OH 3 2 O1 OH O 7 8 10 12 11 90 100 110 120 130 140 150 160 9 OCH3 13 14 O H-15xC-3 3.5 ppm 127 APÊNDICE EE – Espectro no infravermelho de 59 98,9 98 96 94 2876 1331 3524 1585 92 946 1561 1391 1193 1181 3274 90 808 1509 964 991 88 1143 1701 86 %T 84 82 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 80 1605 3 2 O1 O 675 882 859 847 902 1438 730 1014 657 1300 1689 7 8 701 9 1250 OH 10 12 11 772 OCH3 1115 13 14 O 78 76 1047 74 72 71,1 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.0 8.5 OH 11 10 5.10 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.05 5.5 5.00 5.0 13 14 OCH3 O 4.5 4.0 3.5 4.987 5.030 5.021 5.046 5.080 3.8 3.7 3.0 2.5 3.6 2.0 3.5 1.5 3.343 3.668 3.653 3.637 3.600 3.573 3.559 3.528 3.520 3.512 3.504 3.496 3.486 9 3.819 3.787 ppm 2.32 12 8 1.33 7 1.21 O1 O 4.10 3 2 1.06 4.10 1.21 1.33 2.32 O 6 5 1.06 2.01 4 1.22 9.5 15 OH 2.01 1.06 10.0 HO 2.02 N N HN N 16 2.00 5.080 5.046 5.030 5.021 4.987 4.730 4.034 4.027 3.819 3.787 3.668 3.653 3.637 3.600 3.573 3.559 3.528 3.520 3.512 3.504 3.496 3.486 3.343 7.145 7.123 7.923 7.901 128 APÊNDICE FF – Espectro de RMN de 1H de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) 3.4 1.0 ppm 0.5 ppm 129 N N HN N 16 51.886 64.639 60.516 60.015 69.257 75.245 81.961 100.011 116.055 123.017 131.066 154.313 OH HO 6 5 4 O 15 161.030 165.801 APÊNDICE GG – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 59 (DMSO-d6; 100 MHz) 3 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 130 APÊNDICE HH – Mapa de contornos COSY de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 3.0 3.5 4.0 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 OH 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 9 10 12 4.5 8 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 131 APÊNDICE II – Mapa de contornos HMQC de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 132 APÊNDICE JJ – Mapa de contornos HMBC de 59 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 50 80 90 100 110 120 130 140 150 160 4.0 3.5 3.0 H-3xC-15 60 70 4.5 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O H-15xC-3 ppm 133 APÊNDICE KK – Espectro no infravermelho de 60 97,1 95 90 2833 2879 2931 85 80 1577 3347 1494 1458 1404 1385 3525 1154 852 811 1191 75 1352 1440 70 OH HO %T 65 6 5 4 H3 CO 15 60 837 824 3 2 698 NO2 O1 O 7 8 1619 1135 666 967 9 1700 1537 1296 OH 10 12 OCH3 769 1250 989 13 14 11 1264 O 55 977 912 1106 758 1020 50 1053 45 1075 39,0 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 4.7 4.6 6.0 4.5 5.5 4.4 4.3 5.0 9 13 14 OCH3 O 4.5 4.0 3.5 3.0 4.311 4.297 4.282 4.550 4.533 4.522 4.505 4.446 4.434 4.418 4.405 4.647 4.640 4.837 4.814 4.794 4.928 3.8 3.7 2.5 2.0 3.595 3.736 3.728 3.712 3.704 NO2 3.786 ppm 3.00 4.8 1.02 4.9 2.95 11 1.03 10 1.06 OH 1.01 12 8 2.95 1.02 3.00 9.5 7 1.31 1.03 1.01 1.06 1.03 10.0 3 2 O1 O 1.00 H3 CO 6 5 1.03 1.31 15 OH 1.76 4 0.99 0.71 1.08 HO 0.91 5.806 5.787 4.928 4.837 4.814 4.794 4.647 4.640 4.550 4.533 4.522 4.505 4.446 4.434 4.418 4.405 4.311 4.297 4.282 3.786 3.736 3.728 3.712 3.704 3.595 6.600 6.871 8.729 8.538 8.533 8.086 8.081 8.064 8.059 7.889 7.795 7.773 7.580 7.212 134 APÊNDICE LL – Espectro de RMN de 1H de 60 (piridina-d5; 400 MHz) 3.6 ppm 1.5 1.0 0.5 ppm 135 52.297 57.297 65.738 62.255 70.157 78.096 84.832 102.802 117.670 126.722 122.987 134.920 140.572 OH HO 6 5 4 H3 CO 15 154.260 164.833 APÊNDICE MM – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 60 (piridina-d5; 100 MHz) 3 2 O1 O NO2 7 8 9 OH 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 136 APÊNDICE NN – Mapa de contornos COSY de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 3.5 4.0 OH HO 4.5 H3 CO 15 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 6 5 4 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 137 APÊNDICE OO – Mapa de contornos HMQC de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 50 60 OH HO 70 H3 CO 15 80 90 100 110 120 130 140 150 6 5 4 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 138 APÊNDICE PP – Mapa de contornos HMBC de 60 (piridina-d5; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 50 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 H-3xC-15 60 70 80 100 110 120 130 140 150 160 6 5 4 H3 CO 15 90 OH HO 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O H-15xC-3 ppm 139 APÊNDICE QQ – Espectro no infravermelho de 61 99,0 95 2989 2958 2883 90 3523 85 1578 1470 1412 80 3391 1197 1394 75 731 899 891 70 1370 1436 1349 65 60 %T 55 50 O 18 17 O 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH 45 662 1173 691 917 1618 NO2 O 7 8 1296 9 1529 12 11 705 OCH3 13 14 757 1110 O 40 1017 980 1147 1134 1730 10 769 840 824 1718 1259 1243 35 30 25 1059 20 15,8 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 O 15 9.5 6 5 3 9.0 2 O1 NO2 O OH 7 8.5 12 11 8.0 10 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 3.9 4.5 3.8 4.0 1.15 4.0 1.11 4.1 4.26 1.10 4.2 1.07 2.14 1.07 8 4.3 3.7 3.5 3.6 3.0 2.5 2.0 9.58 4 4.4 1.07 2.14 1.07 1.10 4.26 1.11 1.15 10.0 O 16 OH 1.05 17 HO 1.05 O 1.05 18 1.00 3.480 3.473 3.457 3.449 3.759 3.745 3.732 3.938 3.925 3.914 3.895 3.884 4.215 4.195 4.192 4.175 4.132 4.111 4.104 4.064 4.048 4.034 4.018 4.340 4.383 1.488 5.021 5.002 4.383 4.340 4.215 4.195 4.192 4.175 4.132 4.111 4.104 4.064 4.048 4.034 4.018 3.938 3.925 3.914 3.895 3.884 3.759 3.745 3.732 3.480 3.473 3.457 3.449 7.396 7.374 8.487 8.482 8.207 8.202 8.185 8.180 140 APÊNDICE RR – Espectro de RMN de 1H de 61 (CDCl3; 400 MHz) ppm 9 13 14 OCH3 O 1.5 1.0 0.5 ppm 141 17 O 16 6 5 4 O 15 28.274 52.829 70.258 68.664 67.158 62.561 75.438 83.254 83.063 102.692 117.982 127.295 125.004 135.521 140.273 153.738 OH HO O 18 164.897 171.465 APÊNDICE SS – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 61 (CDCl3; 100 MHz) 3 2 O1 OH NO2 O 7 8 9 10 12 OCH3 13 14 11 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 142 APÊNDICE TT – Mapa de contornos COSY de 61 (CDCl3; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 17 O 16 OH HO O 18 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 ppm 143 APÊNDICE UU – Mapa de contornos HMQC de 61 (CDCl3; 400 MHz) ppm9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 17 O 16 OH HO O 18 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 7 8 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 ppm 144 APÊNDICE VV – Mapa de contornos HMBC de 61 (CDCl3; 400 MHz) ppm 9.0 8.5 8.0 18 O 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 20 30 40 50 60 70 17 O 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 7 8 9 10 12 11 OCH3 H-3xC-15 13 14 O 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 H-15xC-3 2.5 2.0 1.5 ppm 145 APÊNDICE XX – Espectro no infravermelho de 62 99,7 95 2900 90 3359 1498 85 1203 911 80 %T 1356 O 75 70 HO HO 16 4 15 OH 3 2 982 826 NO2 6 5 O 1436 1720 O1 O 7 8 9 1617 697 OH 10 12 11 1534 OCH3 1021 13 14 1118 O 65 60 757 1269 55 1055 51,2 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 10 8.5 11 3.9 8.0 7.5 7.0 3.8 6.5 3.7 3.6 6.0 3.5 3.4 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 0.52 OH 1.14 12 8 3.314 3.308 3.291 3.284 3.724 3.700 3.680 3.665 3.581 3.567 3.554 3.540 3.521 3.505 3.494 3.478 3.802 3.900 3.867 3.842 NO2 0.51 9.0 7 1.22 3 2 O1 O 1.53 7.06 2.91 1.22 1.22 1.14 9.5 5 1.22 15 6 2.91 7.06 O OH 1.33 10.0 16 4 1.03 HO HO 1.02 O 1.00 1.187 1.169 1.151 5.197 5.178 4.051 4.033 4.015 3.998 3.900 3.867 3.842 3.802 3.724 3.700 3.680 3.665 3.581 3.567 3.554 3.540 3.521 3.505 3.494 3.478 3.314 3.308 3.291 3.284 2.500 1.982 7.567 7.544 8.346 8.341 8.154 8.149 8.132 8.126 146 APÊNDICE YY – Espectro de RMN de 1H de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) 9 13 14 OCH3 O ppm 1.5 1.0 0.5 ppm 147 HO O HO 16 4 15 3 52.492 68.716 68.453 64.463 60.200 59.748 75.701 82.871 101.185 117.161 125.761 122.818 134.470 139.626 152.985 OH NO2 6 5 O 164.333 174.604 APÊNDICE WW – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 62 (DMSO-d6; 100 MHz) 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 OCH3 13 14 11 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 148 APÊNDICE ZZ – Mapa de contornos COSY de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 3.0 3.5 4.0 HO 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 HO O 16 4 3 NO2 6 5 O 15 OH 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 149 APÊNDICE AAA – Mapa de contornos HMQC de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 50 55 60 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 135 HO O 65 HO 16 4 3 NO2 6 5 O 15 OH 2 O1 O 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 150 APÊNDICE BBB – Mapa de contornos HMBC de 62 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 50 60 80 HO O 70 HO 16 4 3 NO2 6 5 O 15 OH 2 O1 O 7 OH 100 110 120 130 140 150 160 170 180 9 10 12 90 8 11 H-3xC-15 OCH3 13 14 O H-15xC-3 151 APÊNDICE CCC – Espectro no infravermelho de 63 98,5 95 1577 1497 3096 2934 2876 90 3527 3482 1199 1397 3236 1164 1650 881 933 910 901 991 858 828 967 85 80 1300 N %T 70 OH HO 75 6 5 4 16 O 15 1443 3 2 1618 NO2 O1 O 7 8 1137 10 12 773 762 1330 1025 OCH3 13 11 1535 14 712 O 65 691 1344 9 1696 OH 1253 1114 1083 1273 60 55 1053 50,8 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 3 9.5 2 9.0 NO2 7 12 8 OH 11 10 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 2.05 3.7 1.01 4.00 ppm 1.01 ppm 1.06 1.01 1.12 1.01 1.02 4.6 1.01 3.00 1.06 1.01 1.01 2.05 10.96 15 O1 O 4.7 1.03 1.02 1.01 1.12 10.0 O 6 5 4.8 1.00 16 OH 1.03 4.9 1.01 4 1.00 N 1.00 HO 0.93 3.786 3.772 3.767 3.763 3.753 3.749 3.743 3.725 3.709 3.580 3.567 3.553 3.538 3.534 3.519 3.505 3.493 3.485 3.478 3.469 3.462 4.012 4.004 4.000 3.992 4.545 4.609 4.586 4.649 4.774 4.760 4.746 4.945 4.932 5.643 5.629 5.290 5.271 4.945 4.932 4.774 4.760 4.746 4.649 4.609 4.586 4.545 4.012 4.004 4.000 3.992 3.874 3.786 3.772 3.767 3.763 3.753 3.749 3.743 3.725 3.709 3.595 3.580 3.567 3.553 3.538 3.534 3.519 3.505 3.493 3.485 3.478 3.469 3.462 3.329 7.580 7.558 8.367 8.362 8.182 8.177 8.160 8.155 152 APÊNDICE DDD – Espectro de RMN de 1H de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) 3.6 3.5 ppm 9 13 14 OCH3 O 1.0 0.5 ppm 153 6 5 4 16 O 15 54.729 52.509 63.995 59.851 68.676 75.509 81.788 100.413 125.872 122.979 117.671 117.068 134.508 139.635 OH HO N 152.905 164.306 APÊNDICE EEE – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 63 (DMSO-d6; 100 MHz) 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 OCH3 13 14 11 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 154 APÊNDICE FFF – Mapa de contornos COSY de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 3.0 3.5 4.0 OH HO N 6 5 4 16 O 15 3 2 O1 O NO2 7 OH 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9 10 12 4.5 8 11 OCH3 13 14 O 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 155 APÊNDICE GGG – Mapa de contornos HMQC de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 135 OH HO N 6 5 4 16 O 15 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 ppm 156 APÊNDICE HHH – Mapa de contornos HMBC de 63 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 50 H-3xC-15 60 70 N 90 100 110 120 130 140 150 160 170 6 5 4 16 80 OH HO O 15 3 2 O1 O NO2 7 8 OH 9 10 12 11 OCH3 13 14 O H-15xC-3 3.5 ppm 157 APÊNDICE III – Espectro no infravermelho de 64 98,3 95 3363 2945 1578 1497 1197 90 854 85 1439 975 1619 80 %T 75 883 907 826 896 777 1348 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 70 3 2 O1 OH 705 766 NO2 O 7 8 1727 9 758 10 12 11 1316 1294 1535 OCH3 1118 13 14 O 1269 65 1093 1068 60 1052 55 52,2 4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 cm-1 1600 1400 1200 1000 800 650,0 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 5.05 6.0 5.00 5.5 ppm 5.0 4.5 4.0 4.0 3.5 3.0 3.9 2.5 3.8 2.0 3.7 1.5 1.0 2.56 5.10 1.46 11 1.30 10 1.40 12 2.90 NO2 8 1.08 OH 7 1.08 2.90 1.40 1.30 1.46 2.56 9.5 3 O 1.07 15 2 O1 1.00 1.00 1.07 0.96 1.00 O 6 5 1.87 4 0.96 10.0 HO 0.92 N N HN N 16 0.92 3.603 3.588 3.576 3.562 3.535 3.529 3.519 3.512 3.492 3.735 3.719 3.704 3.872 3.836 3.825 3.801 3.782 4.053 4.046 4.969 5.003 5.038 5.072 5.274 5.255 5.072 5.038 5.003 4.969 4.790 4.053 4.046 3.872 3.836 3.825 3.801 3.782 3.735 3.719 3.704 3.603 3.588 3.576 3.562 3.535 3.529 3.519 3.512 3.492 7.266 7.592 7.570 8.367 8.362 8.178 8.172 8.155 8.150 158 APÊNDICE JJJ – Espectro de RMN de 1H de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) OH 9 13 14 OCH3 O 3.6 ppm 0.5 ppm 159 N N HN N 16 52.507 69.026 64.346 60.668 59.910 75.586 82.003 100.505 117.172 125.850 122.953 134.521 139.646 OH HO 6 5 4 O 15 154.460 152.934 164.318 APÊNDICE KKK – Espectro de RMN de 13C e Subespectro DEPT-135 de 64 (DMSO-d6; 100 MHz) 3 2 O1 NO2 O OH 8 7 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 ppm 160 APÊNDICE LLL – Mapa de contornos COSY de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 8 7 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 161 APÊNDICE MMM – Mapa de contornos HMQC de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 8 7 9 10 12 11 OCH3 13 14 O 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 ppm 162 APÊNDICE NNN – Mapa de contornos HMBC de 64 (DMSO-d6; 400 MHz) ppm9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 50 60 70 80 N N HN N 16 OH HO 6 5 4 O 15 3 2 O1 OH NO2 O 8 7 10 12 11 90 100 110 120 130 140 150 160 H-3xC-15 9 OCH3 13 14 O H-15xC-3 ppm