A constituição de Sistemas Locais de
Inovação e Produção no Rio Grande do
Sul: uma análise das redes de empresas
de conservas, move1eiras, de máquinas
e implementos agrícolas e de autopeças
Paulo Antônio Zawislak'
Janalna Ruttoni"'
Cristina Rodrigues de Borba vteire:"
Resumo
A constante busca por mais eficiência e competitividade por parte das
empresas tem levado ao estabelecimento de estratégias diversas. Uma das
ostreteaios é a organização industrial na forma de redes de empresas, que visa
ao desenvolvimento e à predominância de relações cooperativas interfirmas.
Esse artigo objetiva discutir questões que permitam avançar nas discussões
sobre esse assunto e apontar caminhos para que seja possivel, em qualquer
setor, implantar uma rede de empresas voltada para atividades de inovação e de
produção. Para tanto, são apresentados
e analisados o conceito e as
caracteristicas de uma rede de empresas e a definição do Sistema Local de
Inovação e Produção (SL/IP). Considerando-se esses aspectos, são examinadas
quatro redes de empresas no Rio Grande do Sul dos setores industriais de
conservas, moveleiro, máquinas e implementas agricolas e autopeças,
constatando-se que essas redes ainda não são caracterizadas como SL/IPs.
Entende-se que é fundamental a transformação das redes de empresas em
SL/IPs para que seja possivel ampliar a capacidade competitiva das mesmas. Nesse sentido, são descritas ações, identificadas pelos próprios integrantes das redes (empresários e representantes de instituições diversas),
necessárias para que tal mudança ocorra.
*
H
***
Economista. Doutor pela Universidade de Paris VII. Professor e Pesquisador
IPPGAlNITEC. E-mail: [email protected]
da UFRGS/EAI
Economista. Mestre em Administração pela UFRGS/ENPPGAlNITEC.
e Docente da Unisinos. Evmail: [email protected]
Pesquisadora
do NITEC
Economista. Mestre em Administração
e Assessora Técnica da PMPAlSMIC.
Pesquisadora
do NITEC
pela UFRGS/EAlPPGAlNITEC.
E-mail: [email protected]
66
.'
1 - Introdução
As mudanças tecnoiógicas têm gerado importantes spill-overs na atividade
inovativa das firmas. A realização e o gerenciamento dessas atividades têm
ficado mais complexos, resultando em custos mais elevados de pesquisa e
desenvolvimenfo. Além disso, a conjunção de características econômicas, sociais, industriais e produtivas cria uma verdadeira situação de "hipercompetição".
A busca por uma posição em mercados dinâmicos e exigentes - de onde
surge, por exemplo, a percepção de ciclos de vida de produtos e processos
mais curtos - faz com que as empresas adotem padrões estratégicos altamente arriscados.
Essa realidade têcnico-econõmica tem atingido todos os setores e empresas. Aqueles de alta tecnologia têm conseguido, por força do contínuo efeito novidade de suas aplicações, manter um certo padrão de rentabilizaçâo dos
negócios. Porém os setores ditos tradicionais, obrigados a contornar a "ausência" de novidades a partir de reduções de custos e de inovações
incrementais, se vêem obrigados a buscar alternativas de sobrevivência. Ora,
no cenário acima descrito, essa dificuldade de acompanhar um ritmo mais
dínâmíco amplia ainda maís o quadro de íncerteza.
A estratégia de estabelecer relações interindustriais, mais especificamente as redes de empresas, aparece como alternativa competitiva para empresas
de setores tradicionais, principalmente as de pequeno e médio portes. Via de
regra, as redes vêm sendo construídas para permitir que sejam fabricados
produtos de modo mais eficiente. Entretanto o que se observa é uma divisão
entre os processos de produção e de inovação no padrão de relacionamento
entre as empresas.
As redes de empresas mais adequadas aos novos padrões de competição são aquelas em que prevalecem as relações para a troca de conhecimentos, tecnologias, etc., ou seja, são aquelas onde são realizadas atividades que
resultam em mais aprendizagem, capacitaçâo e competitividade coletiva. Isso
constitui um verdadeiro sistema de empresas destinado à produção e à inovação.
O artigo objetiva discutir questões que permitam avançar nesse assunto e
apontar caminhos para que seja possível, em qualquer rede de empresas,
implantar um sistema de produção e inovaçâo. Para tanto, o trabalho está
estruturado em mais cinco partes. Na segunda e na terceira partes, são apresentados o conceito e as características de rede de empresas. A quarta parte
contém uma explicação do que se entende por Sistema Local de Inovação e
Produçâo. Na quinta parte, há uma análise de quatro redes de empresas gaúchas à luz dos conceitos de rede de empresas e de SLlIP. Por fim, são feitas as
considerações finais.
·
, -,
67
2 - Conceituação de rede de empresas
o contexto no qual se inserem as charnadas redes de empresas está
relacionado com a análise de cooperação que vem dominando parte das novas
alternativas de organização industrial (Contractor, Lorange, 1988; Pisano, Teece,
1989; Hagedoorn, 1990; Dodgson, 1993; Vosin, Plunket, Bellon, 2000).
A partir dos conceitos de custos de transação e instituições (Coase, 1937;
Williamson, 1985), busca-se entender qual é a melhor alternativa entre o poder
do mercado e o das firmas (hierarquia) na definição de rumos mais eficientes
para a realização da atividade econõmica. Essa alternativa é uma situação
intermediária de governança, definida como uma relação cooperativa.
Na tentativa de descobrir qual é a melhor estratégia - se de fato cooperar ou não -, é possivel concluir que, devido aos elevados riscos (e conseqüentes custos) de entrada em um mercado de alta competição ("hipercompetição"), as empresas, para viabilizarem seus investimentos em novas tecnologias
e em capacitação tecnológica, buscam respaldo na estratégia de cooperação.
O que se pode depreender dessas constatações é o fato de que toda e qualquer
relação de cooperação parte de uma relação de troca que precisa ser
caracterizada pela complementaridade de ativos, bem como ser regulada de
modo que todos os participantes possam ter seus ganhos (Zawislak, 1996;
2000).
A partir disso, é possível definir um conceito para rede de empresas que
vai muito além de uma relação de governança bilateral e deve tratar as premissas de cooperação industrial em um patamar mais complexo: o das relações
multilaterais.
A rede de empresas pode ser definida como um aglomerado de empresas
(não necessariamente estabelecidas no mesmo espaço geográfico) cujas competências individuais, desde que ligadas umas às outras, geram um sistema
que, a rigor, pode ser visto como um organismo economicamente mais eficiente do que a simples soma das partes. Seria um pouco como a one big firm
preconizada por Coase (1937).
Por trás da one big firm está a busca por um elevadissimo grau de especialização e focalização dos recursos e das competências individuais que,
através da interação a partir da rede, dão consistência à complementaridade e
geram a sinergia necessária (externalidades positivas) para fazer face ao cenário anteriormente sumarizado.
Pois essa rede de empresas, com uma verdadeira "complementaridade
exponencial", causada, justamente, pela existência de externalidades positivas,
ocasiona um sem-número de alternativas inovadoras. Considerando-se que toda
inovação tem como clara vantagem não estar referenciada com a noção corrente
68
de preços de mercado' e que, por isso, elimina (mesmo que temporariamente)
a ida ao mercado para encontrar o preço ótimo, dentro da lógica de Coase, sua
introdução nos mercados dá-se "sem" custos de transação, logo, com nítidas
vantagens competitivas (Zawislak, 2001).
Em suma, graças às inéditas complementaridade
e sinergia e à
subseqüente geração de novos ativos, as redes de empresas proporcionam
um ganho tipicamente inovador, contextualmente impossível para cada um dos
recursos e competências, se vistos de forma individual. As redes proporcionam, ao seu conjunto de firmas, a definição de um novo patamar competitivo,
em que eficiência, flexibilidade e capacidade de inovação passam a ser
decisórios, e a tecnologia e o mercado passam a se imbricar de forma dinâmica e continua.
3 - Caracterização de rede de empresas
Para que se possa entender melhor a rede e, só então, avançar no sentido
de apontar soluções mais amplas para setores tradicionais ("inovação, além de
simples produção"), buscou-se definir um conjunto de características que deve
ser sempre levado em conta (Zawislak, Ruffoni, 2001).
Essas características, intimamente relacionadas com a definição acima,
devem considerar, em um primeiro nível, o que se poderia qualificar de "elementos constituintes", a saber, a existência de uma atmosfera industrial específica, de uma infra-estrutura disponível e de uma referência geográfica claramente definida, para, em um segundo nível, serem tratados os "elementos
dinamizadores", ou seja, a forma de interação e complementaridade entre as
empresas e a existência (ou não) de um padrão de coordenação.
3.1 - Atmosfera industrial
A idéia de atmosfera industrial aqui apresentada é de inspiração
marshalliana, devidamente reforçada por Bencattini (1992). Nessa situação,
fica clara a existência de um "ganho extraordinário" (quase "inovador", se for
considerada uma posição schumpeteriana) advindo do simples fato de um
conjunto de empresas estar se relacionando com um objetivo comum. O resultado dessa interação é a geração das chamadas externai idades positivas.
1
Devido ao seu caráter 'Inédito,a inovação será o preço de mercado.
69
É a partir da noção de objetivo comum que advém a noção de atmosfera
industrial aqui defendida. Em outras palavras, não basta o simples conjunto de
empresas; se não houver um objetivo comum, não haverá o surgimento de uma
atmosfera industrial específica.
Em não havendo especificidade tecnológica e produtiva marcante na rede,
estar-se-á diante de uma visão genérica'. Sendo assim, além do conjunto de
empresas em si, é necessário que haja um elo de ligação específico entre
elas, que haja uma tecnologia específica dominante, ou, ainda, um tipo de produto
específico resultante, enfim, todo um esforço específico àquele conjunto de
empresas.
Nesse sentido, a atmosfera industrial de uma rede de empresas deve
caracterizar-se pelos seguintes aspectos;
a) conhecimento
e tecnologia específicos;
b) mobilidade do conhecimento;
c) identidade industrial comum;
d) estratégia coletiva específica;
e) efeitos de aprendizagem, traduzidos em capacitação e em inovação;
f) mão-de-obra adaptada e adequada às necessidades
rede;
(específicas) da
g) rede específica, estabelecida e conhecida de fornecedores, de subcontratação e de prestação de serviços; e
h) clientes específicos claramente definidos (existência de mercado externo ao aglomerado).
Em suma, a atmosfera será definida como sendo específica ou genérica.
A atmosfera industrial específica é aquela que contempla ações relacionadas
com a realização de alguma atividade inovativa e produtiva claramente definida
e limitada, como é o caso das cadeias de suprimentos ou dos distritos industriais. Já a atmosfera industrial genérica é caracterizada pela existência de
diferentes atividades de empresas com fins igualmente diversos, mesmo se
num mesmo setor industrial, como os pólos tecnológicos.
2
Como será visto mais adiante, nos casos de redes de empresas com atmosfera industrial
"genérica", a geração de externai idades dar-se-á apenas a partir da infra-estrutura disponível.
70
3.2 - Infra-estrutura
A infra-estrutura é o primeiro elemento gerador de externai idades positivas para a rede de empresas. Muitas vezes, a infra-estrutura é o elemento de
atração de empresas que, uma vez instaladas, possam criar a atmosfera industrial - esta, sim, fonte maior de externai idades positivas, conforme visto
anteriormente.
Via de regra, a infra-estrutura pode ser de tipo institucional, pública e/ou
privada, ou, ainda, estar baseada em organizações de apoio científico e
tecnológico.
Por infra-estrutura institucional, entendem-se não só as instituições físicas que a formam, como, por exemplo, os diferentes órgãos governamentais,
os sindicatos, as associações de classe, mas também a forma com que esses
agentes estabelecem um padrão de relacionamento consolidado e reconhecido entre si no intuito de gerar um processo dinâmico na e para a rede enfim, o papel esperado e previamente reconhecido de cada um. Uma cadeia
produtiva tem por premissa a existência desse tipo de infra-estrutura, a qual
não exige um caráter físico, mas, justamente, institucional para construir e
reforçar seus elos.
A infra-estrutura pública caracteriza-se pela oferta de serviços fundamentais, como saneamento básico (água e rede de esgotos), fontes de energia
(elétrica ou alternativas), rodovias e transporte, estrutura de ensino fundamental,
rede de saúde, etc.
Já a infra-estrutura privada I'efere-se à existência de todo um conjunto de
profissionais que podem exercer atividades diretas ou indiretas para a rede de
empresas, como consultores, profissionais liberais, serviços técnicos, comércio, dentre outros. O melhor exemplo é quando, na instalação de uma nova
empresa, seus decisores optam por escolher regiões em que há toda uma
malha de profissionais e serviços preexistentes.
E, por último, há a chamada infra-estrutura constituída pelas organizações de apoio científico e tecnológico, como as universidades, os centros
tecnológicos, os institutos de pesquisas, as incubadoras, etc., cuja influência é
determinante na qualificação e no sucesso de uma rede. Por exemplo, tanto os
parques como os pólos tecnológicos têm nesse quesito um elemento-chave de
dinârnica.
3.3 - Referência geográfica
Conforme a definição de rede, a proximidade geográfica não é fator
determinante, pois, independentemente da localização, a formação dessa rede
71
deve estar baseada na geração de complementaridade e de extemalidades
positivas. Isso, porém, não impede que se entenda a rede de modo diferente
se as empresas estiverem próximas ou distantes.
Nos casos de redes onde a proximidade for chave, como, por exemplo,
um cluster, os parques e os pólos tecnológicos, ou, ainda, os distritos industriais, as vantagens da rede terão sua origem e concretização estabelecidas
local e coletivamente.
Já quando as empresas estiverem fisicamente distantes, a complementaridade e as extemalidades deverão ser obtidas de modo individual a partir de
outras localidades, sendo concretizadas em algum tipo de elo "unificador" da
rede. Esse elo pode ser entendido, por exemplo, pela existência de uma empresa-lider da cadeia produtiva.
3.4 - Formas de interação e complementaridade
As formas de interação, que permitem a geração de fato de complementaridade e extemalidades, podem ser consideradas do tipo direta ou indireta.
Na interação direta, existem relações de troca devidamente formalizadas
para garantir a complementaridade entre as empresas que compõem a rede.
Seja para a comercialização, seja para a produção e/ou para o desenvolvimento
tecnológico, haverá um padrão de relação (horizontal ou vertical') entre as
empresas:
- na relação comercial, as empresas comercializam formalmente entre si
produtos fabricados individualmente (relação vertical);
- na relação comercial e produtiva, as empresas, em conjunto, produzem
e comercializam entre si e com outros (relação horizontal e vertical); e
- na relação comercial, produtiva e tecnológica, as empresas desenvolvem, em parceria e ao longo da cadeia de valor (criação, design, produção, distribuição, comercialização e pós-venda), soluções que serão
apropriadas, em diferentes graus, de modo coletivo (relação vertical e
horizontal).
É interessante notar que, na medida em que se aprofunda a complementaridade (a partir de relações horizontais e verticais), a dependência mútua
das empresas de uma rede igualmente se aprofunda. Esse fato exige, como
será visto a seguir, um padrão de coordenação cada vez mais complexo.
3
Segundo Amato Neto (2000), as redes de empresas podem ser verticais, quando as relações de
cooperação e troca caracterizam "elos" de um único processo, e horizontais, quando as relações se dão entre empresas que produzem e oferecem ativos similares.
72
Na interação indireta, não existem relações formais de troca; no entanto,
apesar disso, são geradas complementaridades
na forma de economias de
localização. Esse parece ser o caso exclusivo dos c/usters, em que um grupo
de empresas sem relação específica acaba por obter economias de localização, como, por exemplo, a existência de um centro comercial ou de escolas
fundamentais que atraiam empresas e garantam qualidade de vida a seus empregados.
3.5 - Padrão de coordenação
Toda e qualquer organização - e uma rede não é diferente - deve
buscar estabelecer um padrão de coordenação para sua estrutura e dinâmica.
Segundo a chamada Teoria dos Custos de Transação, além da coordenação
pelo mercado e pela hierarquia (empresa), haveria um tipo intermediário, a
governança, justamente o tipo de coordenação para as redes de empresas.
Na realidade, os diferentes tipos de coordenaçâo de uma rede estão
relacionados com a forma de organização desta, ou seja, se é uma rede top
down ou uma rede flexível (Casarotto Filho; Pires, 1999).
As primeiras são formadas por empresas que se tornaram fornecedoras
ou subfornecedoras de uma empresa-líder. A organização da rede é, na realidade, determinada a ptiori, e toda a responsabilidade pela transmissão de
informações e pela concatenação dos elos é feita segundo a estratégia e por um
departamento específico dessa empresa central.
Já as redes flexíveis caracterizam-se pela união de empresas, cuja organização será dada a posteriori, segundo as competências reveladas de cada uma
delas ou segundo o estabelecimento formal de um objetivo comum. Nesse caso,
pode ser formada uma estrutura coletiva de coordenação, materializando-se
em um comitê-gestor.
Há, ainda, figuras hibridas, como o surgimento de associações de classe
em distritos industriais, as quais poderiam exercer o papel de comitê-gestor,
mas, muitas vezes, acabam por representar um grupo de interesse em especial.
,i
:,'~a
I
,-,...~.~-73
o Quadro
Quadro
1 resume as idéias expostas nesta seção.
1
Características
predominantes
nas redes de empresas
....
ELEMENTOS
CONSTITUINTES
Atmosfera
Industrial
Infra-Estrutura
Genérica ou
específica
Institucional,
pública, priva-
I da e de apoio
científico e
tecnológico
ELEMENTOS
Referência
Interação
Geográfica
Próxima ou
distante
Direta ou
indireta
DINAMIZADORES
.:
Cornplernentaridade
Comercial
produtiva e
tecnológica
I
'"
Padrão de
Coordenação
. Empresa-líder
i ou comlté-qesI
tor
i
Na próxima parte do trabalho, apresenta-se uma explicação do que se
entende por uma rede de empresas competitiva, ou seja, mais adequada aos
padrões atuais da "hipercompetição", que foi denominada de Sistema Local de
Inovação e Produção.
4 - Sistema Local de Inovação e Produção
Por Sistema Local de Inovação e Produção, entende-se uma rede local el
lou regional de vinculos interindustriais que amplia o processo de troca de
bens e serviços para uma relação de troca de ativos intangíveis (conhecimento) e tangíveis (tecnologia - produtos e processos). Considerando o atual
padrão de mudança e de concorrência, um SLlIP deve criar condições para
estimular a capacitação com vistas à inovação e à competitividade a partir de
uma aprendizagem por interação (cooperação) por parte dos diferentes agentes que compõem a rede de instituições e organizações.
Essa situação difere de quando a inovação ocorre sem necessariamente
estar baseada em relações de cooperação entre os integrantes da rede. Assim, o aprendizado e a capacitação tecnológica tendem a ser individuais, gerando novos ativos, os quais irão reduzir os custos de transação, porém não de
forma coletiva. Isso caracteriza uma forma de interação de rede de empresas,
entretanto não caracteriza um SLl/P.
A partir do momento em que existe um processo de inovação tecnológica
que é gerado através da cooperação entre os diferentes integrantes de um
!
I
I
74
sistema de produção, a aprendizagem e a capacitação tecnológica desses
agentes tendem a ser coletivas. É um ganho para a rede de empresas e não
especificamente para alguns integrantes. A relação cooperativa, por si só, é
que passa a reduzir os custos de transação.
A concepção de um SLI/P deve permitir um amplo, homogêneo e
retroalimentado domínio da cadeia de valor (criação, design, produção, distribuição, comercialização, pós-venda, criação e assim por diante), baseado no
trinômio aprendizado-cooperação-capacitação
para a geração de inovação
pela rede de empresas.
A Figura 1 resume a idéia exposta anteriormente.
Figura 1
Lógica do Sistema Local de Inovação e Produção
APRENDIZAGEM
,
,
CAPACITAÇÃO
COOPERAÇÃO
Sistema
INOVAÇÃO
Local de Produção
A inovação não é vista apenas como a introdução de novas máquinas e
equipamentos e/ou o lançamento de novos produtos, ainda que estes sejam
aspectos essenciais. Mais do que isso, é importante considerar inovação no
seu sentido mais amplo, justamente aquele que envolve desde as novas formas
de articulação entre os diversos agentes econômicos e instituiçôes até uma
nova cultura organizacional e competitiva de uma determinada região.
Sob esse ponto de vista, a inovação é conseqüência de um processo de
interação entre os diferentes agentes (empresários, trabalhadores, instituiçôes,
dentre outros), que, a partir da difusão dos conhecimentos e da capacitação
produtiva, atingirão, em sinergia com as diferentes instâncias governamentais
(municipal, estadual e federal), um novo padrão de desenvolvimento econômico.
75
4.1 - Características do SLl/P
o SLl/P é um conceito que vai além da idéia dos "distritos marshallianos".
Suas principais características podem ser explicadas nos seguintes itens:
- a questão "local" (além de localização geográfica em si) leva em conta a
formação de uma atmosfera industrial (grife regional, afinidades culturais) propícia às relações de cooperação;
- a noção de "sistema" evidencia que as relações (que podem ser horizontais e verticais) entre as firmas dessa aglomeração não são ocasionais;
- a geração de externai idades específicas a partir da interação entre os
agentes evidencia uma infra-estrutura completa no sentido de existirem
universidades, empresas, centros tecnológicos, governos e associações;
- a existência de uma central de informação, virtual ou real, com o objetivo
de ser um sistema de informação sobre as questões de oferta e demanda tecnológica existentes na rede de empresas e disponíveis para todos;
- a forma de interação apresenta complementaridade em todas as etapas
da cadeia de valor (criação, design, produção, distribuição, comercialização e pós-venda), e a interação baseia-se nas relações de troca,
objetivando melhorar desde a etapa de desenvolvimento tecnológico até
a etapa comercial; e, por isso tudo,
- diz respeito à "inovação e à produção", no sentido do acúmulo generalizado e comunitário de competências tecnológicas para a realização de
produtos específicos que dinamizem, de modo particular, o sistema locaI.
Em suma, fica evidente a supremacia da eficiência coletiva sobre a eficiência individual (Humphrey, Schmitz, 1998).
Na realidade, para que se fale em eficiência coletiva, é necessário que se
estabeleça uma forma ampla e irrestrita de coordenação da rede. Muito mais
do que atender a interesses individuais (mesmo que espalhados pela rede,
como é o caso de uma empresa-Iider), é necessário atender a interesses
coletivos.
4.2 - Coordenação do SLl/P
o objetivo maior da rede é oferecer condições para que seus "usuários"
possam usufruir de um desempenho
melhor adaptado ao cenário de
"hipercompetição". O que se quer ressaltar aqui é a necessidade de se estabe-
76
lecer um novo patamar de coordenação. Ou seja, evoluir de um padrão de
coordenação especificamente moldado para situações em que haja o predomínio da eficiência individual para um padrão de coordenação que consiga
levar em conta a instabilidade e a dinâmica do sistema como um todo, buscando a eficiência coletiva.
Não se trata de coordenação pelo mercado, nem pela hierarquia. Não ê,
igualmente, uma coordenação a partir de um simples contrato (governança
bilateral), formal ou informal. Trata-se, muito mais, de coordenação a partir da
relação sistêmica (relação de cooperaçâo) estabelecida entre as partes. É o
que Furlanetto e Zawislak (2000) chamam de "coordenação sistêmica", mas
que será entendida, de modo mais simples, como uma central de gerenciamento
da rede (CGR).
O contrato continua tendo sua importância no processo de governança
das relações. É, no entanto, a noção de "central" que permite, justamente,
ultrapassar alguns problemas, notadamente a questão dos contratos imperfeitos (ou incompletos).' Isso se daria não porque em uma CGR surgiria a figura
do "contrato perfeito", mas porque essa central passaria a ter "visão" do sistema como um todo. Nesse caso, estabelece-se um mecanismo capaz de empreender uma continua busca do nível apropriado de uso dos recursos, de
aproveitar cada competência disponível e, principalmente, de aceitar e adotar
os novos conhecimentos desenvolvidos - daí a noção de continua evolução
contratual (Williamson, 1985).
Esse mecanismo deve permitir que se identifiquem, inicialmente, as "moedas de troca" de cada usuário envolvido, bem como que se levante e se estabeleça o conjunto de precondições estruturais, institucionais e técnico-científicas
para o desenvolvimento de tecnologias e operações. Na prática, o levantamento e o estabelecimento dessas precondições, via CGR, se dá a partir do uso
das novas técnicas e ferramentas de gestão disponíveis. A crescente integração
eletrõnica (B2B, B2C, e-commerce), o uso de bases de dados e cadastros
dinâmicos, o levantamento de ofertas e de demandas por ativos, o estabelecimento de fóruns e oficinas de gestão (grupos de decisão), os exercícios de
benchmarking,
a construção de mapas de conhecimento
e de mapas
tecnológicos, dentre outros, irão permitir que a rede real seja visualizada virtualmente, o que facilitará o surgimento de um modelo realmente dinâmico de
coordenação das firmas e suas conexões.
4
o contrato
seria, na realidade, um conjunto de salvaguardas previamente determinadas para
proteger ambos os contratantes. Ora, uma vez que a dinâmica econômica é "mais rápida" que a
dinâmica contratual, muitas vezes a salvaguarda torna-se, rapidamente, desatualizada e obsoleta. Daí a imperfeição, ex ante, do contrato.
77
A partir da capacidade de visualização da rede, a CGR deve estabelecer
canais concretos para a continua retroalimentação do (e para o) sistema como
um todo. Essa retroalimentação se daria a partir de uma interação dinàmica
com o ambiente institucional, tanto em termos de fluxo de informações como de
transações. Assim, estão criadas as principais condições para a continua identificação de novos recursos e para o desenvolvimento de novas competências
(aprendizado e inovação), que só se tornam possiveis com a concreta formação de uma rede. É necessário estabelecer meios para fazer com que as
transações da rede (interna e externamente) sejam orientadas no sentido de
gerar o menor custo de transação possivel.
Em suma, é absolutamente necessário que haja, por parte da CGR, o
reconhecimento de que, além de estimular a retroalimentação em si (fundamentai em ambientes
dinãmicos),
esta deve criar condições
para o
"florescimento" dos novos ativos especificos, tangiveis e intangíveis, que serão
criados exclusivamente por causa da formação da rede. Essa é, na realidade,
a grande vantagem competitiva da rede e que não pode ser desconsiderada no
momento de regular todo o processo.
No Quadro 2, são resumidas as idéias descritas nesta parte do artigo.
Quadro 2
Características
predominantes
no SL1/P
..
.
ELEMENTOS
Atmosfera
Industrial
Específica
(propícia à
cooperação)
CONSTITUINTES
Heterêncla
Geográfica
Infra-Estrutura
Existência de
todos os tipos
(institucional,
pública, priva-
Próximo
(propícia à
cooperação)
da e de apoio
cientifico e
tecnológico)
I
ELEMENTOS
Interação
Predominantemente direta,
podendo existir
também a
indireta
DINAMIZADORES
Complementartdade
Em todas as
etapas da cadeia de valor
(comercial,
produtiva e
tecnológica)
Padrão de
Coordenação
CGR
Após essa descrição teórica, são apresentadas informações empíricas
sobre quatro redes de empresas do Rio Grande do Sul. O objetivo é, a partir da
realização de uma análise à luz dos conceitos de redes de empresas e SLl/Ps,
poder identificar ações concretas que permitam estabelecer os rumos da evolução dessas redes em direção à formação de legítimos SLl/Ps.
i
78
5 - Análise de quatro redes de empresas no Rio
Grande do Sul
o Rio Grande do Sul caracteriza-se por ter diferentes tipos de redes de
empresas em sua estrutura industrial. Existem grupos de empresas que se
destinam a produzir desde bens de consumo não duráveis, como é o caso do
vinho na serra gaúcha, até bens de capital, como máquinas agrícolas na região noroeste do Estado. O que diferencia tais grupos de empresas são suas
características peculiares, como a atmosfera industrial - genérica ou específica -, a referência geográfica - próxima ou distante -, diferentes formas
de interação, etc., porém todas são denominadas "redes de empresas".
A organização de empresas em forma de redes parece ser apropriada
para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, porém somente esse
fator não é suficiente para que a competitividade esteja assegurada. É necessário o estabelecimento de competências que gerem processos de aprendizado, capacitação e cooperação.
Dessa forma, verifica-se a necessidade de prospectar informações sobre
as redes, visando conhecê-Ias melhor e poder, então, propor alternativas para
que seja possível desenvolver, além das redes de empresas naturalmente existentes, verdadeiros SLllPs.
5.1 - Projeto
O projeto intitulado Identificação e Análise de Informações sobre os Sistemas Locais de Produção do Rio Grande do Sul, desenvolvido pela Secretaria do
Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), tem por objetivo definir políticas públicas setoriais e implementar ações específicas daí decorrentes, visando à constituição de um processo virtuoso de interação no sentido de
formar SLl/Ps.
Para a realização de uma etapa do projeto, a Sedai contou com o apoio
técnico do Núcleo de Gestão da Inovação Tecnológica (Nítec)> na aplicação de
um método específico de obtenção de informações em quatro redes de empresas nomear pelo Governo do Estado. Essa etapa foi realizada de agosto de
2000 até março de 2001.
As quatro redes de empresas selecionadas foram: conservas, na região
sul; moveleiro, na serra; máquinas e implementos agrícolas, na região noroeste; e autopeças, também na serra.
5
o Nitec
é um núcleo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da
Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
79
5.2 - Método
Foram realizadas quatro oficinas de trabalho para cada uma das redes de
empresas utilizando-se o método de grupo focal' (foeus group). Esse método
permite a obtenção de informações relevantes e atuais, de forma econõmica e
imediata, através da percepção de representantes dos diferentes agentes envolvidos - empresas, organizações e instituições - em uma realidade-alvo.
As quatro oficinas realizadas para cada rede de empresas tinham objetivos
distintos. A primeira oficina foi realizada com o objetivo de sistematizar informações, as quais possibilitaram a montagem de um diagnóstico perceptivo
sobre as redes.' A segunda e a terceira oficinas foram realizadas visando à
identificação dos problemas referentes às dimensões técnico-produtiva
e
institucional, bem como à definição de ações e/ou políticas necessárias para
solucionar os problemas que impedem a existência de uma maior dinâmica nas
redes de empresas. A quarta e última oficina objetivou o encaminhamento das
ações propostas nas oficinas anteriores.
5.3 - Resumo das informações
Nesta parte do artigo, o objetivo é realizar uma análise à luz dos conceitos
de redes de empresas e SLllPs. Para isso, são descritos os elementos constituintes e os dinamizadores verificados em cada uma das quatro redes de empresas. As informações apresentadas são um resumo dos resultados obtidos
nas oficinas de grupo focal e representam a percepção dos agentes envolvidos
nas redes de empresas.'
5.3.1 - Conservas
A indústria de conservas vegetais no Rio Grande do Sul está situada na
zona sul do Estado, mais especificamente na região de Pelotas, considerando
ainda os Municípios de Morro Redondo, São Lourenço do Sul, Canguçu, Capão
6
7
B
Considera-se grupo focal um determinado número de pessoas reunidas em um mesmo lugar a
fim de discutir um tópico de interesse comum. Utiliza-se a técnica de oficinas de trabalho com
grupo focal no intuito de buscar novas idéias para reforçar dados secundários, oriundos de
cadastros, relatórios, diagnósticos e publicações em geral. Tal ferramenta fornece evidências
subjetivas como, por exemplo, o conhecimento sobre o assunto abordado, tendências do setor
e definição de ações.
A primeira oficina não foi realizada
para a rede de empresas
de autopeças.
Todas as informações citadas estão mencionadas nos relatórios de cada rede de empresas,
autoria do Nitec, conforme citados na Bibliografia.
de
80
do Leão, Herval do Sul, Arroio Grande, Pedro Osório e Piratini. É uma localização apropriada à produção de frutas e hortaliças. Caracteriza-se pelo clima
temperado e pelo porte pequeno da maioria das propriedades - unidades
familiares -, que fornecem matéria-prima - produtos in natura - para o
processamento industrial.
A atmosfera industrial da rede de empresas de conservas é definida
como específica. Tal característica pode ser observada na produção de "pêssego em conserva", sendo este o produto mais importante da região. Além da
cultura do pêssego, outros produtos locais demandados pela indústria e que
reforçam a especificidade da rede são o milho doce, o pepino, o aspargo, o
morango, o figo e a abóbora.
Em relação à infra-estrutura pública, não há uma oferta apropriada de
serviços fundamentais, visto que os participantes mencionaram a necessidade
de realização de investimentos em estradas, escolas, sistema de irrigação e
diferentes formas de comunicação.
Há um conjunto de instituições que constituem a infra-estrutura de apoio
científico e tecnológico para as empresas dessa rede, como, por exemplo, a
Emater e a Embrapa. Uma neoessidade mencionada pelos participantes das
oficinas foi a criação de um centro tecnológico de alimentos, que teria o objetivo
de realizar pesquisas e formar recursos humanos qualificados.
Além 61SS0, observa-se a existência de instituições, como universidades e
centros tecnológicos locais, que poderiam apoiar no processo de desenvolvimento; entretanto, segundo os participantes, tais instituições não apresentam
uma dinàmica adequada às necessidades da rede.
No que tange à infra-estrutura privada, destaca-se a carência de profissionais especializados e assistência técnica insuficiente para atender às necessidades das empresas.
Em termos de infra-estrutura institucional, constatou-se que não há necessidade de serem criadas muitas outras estruturas, mas, tão-somente, de
serem refeitas as relações entre as instituições.
A localização geográfica da rede é próxima, situando-se principalmente
na região de influência de Pelotas. Os agentes envolvidos com essa rede, que
participaram das oficinas de trabalho, ressaltaram a localização das empresas
integrantes como uma vantagem para esse setor industrial.
A forma de interação é predominantemente direta. Existem relações de
jusante a montante da cadeia produtiva, desde os produtores rurais até os
consumidores finais, prevalecendo uma complementaridade, principalmente,
comercial.
As diferenças econõmicas entre os elos da cadeia produtiva dessa rede
refletem-se na capacidade de desenvolvimento de novos produtos, resultando
na inexistência de relações para complementaridade produtiva e tecnológica.
81
É válido mencionar que há, atualmente, um esforço maior de "cooperação" do
que havia no passado, apesar de essa atitude ainda ser incipiente.
A respeito do padrão de coordenação da rede de empresas de conservas' não existe nenhum comitê-gestor, nem a coordenação via empresa-líder.
Sobre esse assunto, foi referida a criação de uma Câmara Setorial, que teria
como função extrapolar para a esfera política questões referentes à capacitação
setorial. É importante mencionar que essa forma de coordenação difere da
idéia da central de gerenciamento da rede, no sentido de que, na Câmara
Setorial, ainda não prevalece um modelo dinâmico de coordenação, conforme
explicado na seção 4.2 deste artigo.
5.3.2 - Moveleiro
A rede de empresas do setor moveleiro da serra gaúcha compreende,
preferencialmente,
os Municípios de Bento Gonçalves, Flores da Cunha,
Farroupilha, Caxias do Sul, Garíbaldi, São Marcos e Antônio Prado. Essa rede
responde por mais de 70% do faturamento setorial em nível estadual, sendo
que apenas o Município de Bento Gonçalves é responsável por 45% das vendas totais da indústria moveleira do Rio Grande do Sul.
A atmosfera industrial dessa rede é especifica. A especificidade tecnológica e produtiva é observada na produção de móveis residenciais, que representam 92% do total fabricado, móveis para escritório, 7%, e móveis institucionais, 1%.
A infra-estrutura privada dessa rede de empresas é a própria cidade de
Bento Gonçalves, com suas escolas, seus profissionais, seu comércio, etc.,
que estão envolvidos com as atividades da indústria moveleira. Em relação aos
serviços técnicos, verificou-se a inexistência de programas de treinamento e
de capacitação direcionados a profissionais da área do varejo.
Sobre a infra-estrutura de apoio cientifico e tecnológico, os participantes
das oficinas consideraram as universidades e os centros tecnológicos localizados próximos a essa rede de empresas fontes de inovação. Com vistas a
melhorar a estrutura existente, foi sugerida a criação de um centro de design,
que deve servir para o desenvolvimento de produtos e contar com a participação de diferentes instituições (empresas, universidade, centros tecnológicos,
etc.).
Questões referentes à infra-estrutura pública foram pouco referidas, salientando-se a necessidade de investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias.
O padrão de relacionamento estabelecido entre os integrantes dessa rede,
o que representa a infra-estrutura institucional, necessita de modificações no
sentido de serem estabelecidas mais relações de cooperação. Como exemplo,
menciona-se o fato de que as empresas dessa rede, normalmente, buscam
82
tecnologias atualizadas em mercados de outros países. Esse fato dificulta o
estabelecimento de relações mais sólidas entre os elos de fornecimento e impede o desenvolvimento de empresas nacionais produtoras de bens de capital
para o setor moveleiro.
A localização geográfica é caracterizada como próxima e foi ressaltada
pelos integrantes da rede como uma vantagem para esse setor industrial.
A interação é predominantemente indireta. A atuação no mercado, em
grande parte das vezes, ainda privilegia a competição e não a cooperação. Os
participantes das oficinas de trabalho acreditam que, se as empresas formassem uma "verdadeira" rede, poderiam investir na busca por economias de
escala na valorização dos produtos e também na distribuição destes.
Nessa rede de empresas,
não exístem relações formaís para
comercialização, produção e desenvolvimento tecnológico, uma vez que faltam
fornecedores de novos materiais (como MDF e aglomerado) e a produção
nacional de máquinas e equipamentos tecnologicamente atualizados é reduzida, dentre outros aspectos. Portanto, não há complementaridade comercial,
produtiva ou tecnológica. A complementaridade gerada ocorre na forma de
economias de localização.
Quanto ao padrão de coordenação, de acordo com o conceito descrito
na seção 3.5, é inexistente, não havendo nem um comitê-gestor, nem uma
empresa-líder.
5.3.3 - Máquinas e implementos agrícolas
A rede de empresas de máquinas e implementas agrícolas está situada
no noroeste do Rio Grande do Sul, na chamada Região da Produção, onde
estão localizadas as cidades de Ijuí, Santa Rosa, Santo Ângelo, dentre outras.
A produção dessa rede distribui-se da seguinte forma em termos de faturamento:
colheitadeira (30%), plantadeira e semeadeira (25%), silos e armazenagem
(15%), trator (10%), implementas agrícolas diversos (10%), peças (7%) e equipamentos para irrigação (3%).
Em relação à atmosfera industrial, a rede de máquinas e implementas
agrícolas pode ser considerada específica. De forma geral, as empresas têm
conhecimento dos elos que constítuem a cadeía e estão dedícadas a constítuír
uma identidade industrial única. Entretanto ainda estão distantes da construção de estratégias conjuntas. Há disparidades entre as empresas, como o fato
de as de maior porte deterem o conhecimento das novas tecnologias, enquanto
as menores acompanham o desenvolvimento daquelas, ou seja, são seguidoras.
A infra-estrutura do tipo institucional, segundo os participantes das oficinas de trabalho, não se constitui como um fator relevante para o fortalecimento
83
da rede, sendo pouco mencionada. Já a infra-estrutura pública está aquém das
necessidades do setor, especialmente no que diz respeito ao transporte
rodoviário. Também foram referidas deficiências em telefonia, estradas e energia. Outra dificuldade encontrada está relacionada com a infra-estrutura privada, pois há carência de profissionais, consultorias, serviços técnicos, dentre
outros.
Em relação à infra-estrutura de apoio científico e tecnológico, existem
universidades e centros tecnológicos, tendo sido destacada a necessidade de
aprofundar a relação entre estes e as empresas. Além disso, foi sugerida a
criação de uma "rede virtual", com informações sobre fontes de financiamento,
cadastro de empresas e instituições, e que poderia proporcionar a criação de
um centro de tecnologia e apoio. Tal centro teria como objetivo oferecer, por
exemplo, formação de mão-de-obra, atividades de pesquisa e desenvolvimento
tecnológico, ievantamento das demandas do setor, organização de palestras e
visitas, avaliação de projetos, etc.
A localização das empresas que fazem parte da rede é relativamente
próxima, uma vez que as principais empresas estão locaiizadas na região noroeste do Estado. Porém importantes fornecedores têm suas sedes em localldades mais distantes, como na Região Metropolitana de Porto Alegre. Na opinião dos participantes das oficinas de trabalho, a caracteristica da localização
não impede o desenvolvimento do setor industrial.
Nessa rede, constata-se que a interação ainda é, na maior parte das
vezes, de forma indireta. Algumas relações diretas são observadas, já existindo, por parte dos empresários, uma conscientização da necessidade de tornar
as relações tanto horizontais quanto verticais, pois é isso que permitirá a obtenção de complementaridade e de externalidades positivas.
A complementaridade é gerada através das relações comerciais. Referente a esse aspecto, já existem iniciativas para serem desenvolvidas, além das
relações comerciais, também relações produtivas.
Por fim, foi analisada a forma de coordenação existente na rede. Verificou-se que a coordenação não é realizada nem por um comitê-gestor, nem por
uma empresa-lider. De fato, a rede ainda não possui uma coordenação definida, estando em fase de fortaiecimento das relações entre os agentes integrantes.
A respeito dessa questão, os participantes sugeriram uma maior coordenação por meio da Câmara Setorial. Uma ação proposta, que poderia ser
realizada a partir de uma melhor estruturação dessa câmara, é a criação de
um fundo de desenvolvimento setorial. O mecanismo de coordenação via Câmara Setorial difere da idéia da central de gerenciamento da rede, pois ainda
não há predominância das caracteristicas de um modelo dinâmico de coorde-
nação,
84
5.3.4 - Autopeças
A indústria automotiva do Rio Grande do Sul ocupa um lugar de destaque
no Estado, contando com mais de 200 empresas fornecedoras de autopeças.
A rede de autopeças é composta, em sua grande maioria, por micro e pequenas empresas que se localizam na região da serra gaúcha. mais especificamente em Caxias do Sul.
Assim como nas demais redes analisadas, a atmosfera industrial de
auto-peças é específica. A rede de autopeças destaca-se por apresentar uma
transferência de conhecimentos e de tecnologias, apesar de possuir empresas
em diferentes estágios de desenvolvimento tecnológico. Foi ressaltado o estabelecimento de parcerias entre empresas e também com instituições de ensino
e pesquisa como um mecanismo de geração e de difusão de inovações. Outra
questão analisada se refere ao fortalecimento do setor, pois já existe uma visão
mais ampla "de rede" e do papel das diferentes empresas (elos da cadeia).
A rede de autopeças beneficia-se das condições de infra-estrutura
institucional, pública e privada, sendo que as maiores dificuldades manifestadas pelos participantes das oficinas de trabalho são quanto à infra-estrutura
pública. Nesse sentido, há necessidade de qualificar o transporte através da
melhoria da malha rodoviária, dos portos e dos aeroportos, sendo desejado o
investimento em transportes alternativos, como as ferrovias.
Sobre a infra-estrutura de apoio científico e tecnológico, chama atenção
a preocupação dos agentes integrantes dessa rede com a tecnologia produtiva, tendo sido mencionada a necessidade de criação de centros tecnológicos
e escolas técnicas. Também foi destacada a necessidade de melhorar a interação
entre universidades e empresas, para, por exemplo, formar recursos humanos.
A localização geográfica pode ser descrita como relativamente próxima.
Muitas empresas se localizam na serra gaúcha, outras estão próximas da capital do Estado, e existem aquelas que ficam em regiões mais distantes. De uma
maneira geral, aquelas que estão na serra são beneficiadas pela maior possibilidade de interação.
Diferentemente das outras três redes de empresas, a interação nessa
rede é direta, observando-se relações verticais e horizontais e também relações de desenvolvimento tecnológico conjunto. A respeito da complementaridade, constata-se a existência de relações comerciais, produtivas e tecnológicas, verificadas no estabelecimento de parcerias entre empresas e com outros agentes - universidades, centros tecnológicos, etc. É importante ressaltar que, nessa rede de empresas, se observa, com bastante clareza e diversamente das outras redes analisadas, a existência de uma cadeia produtiva.
Sobre a coordenação, assim como nas demais, não está evidenciado
nem um comitê-gestor e nem uma empresa-lider. Entretanto é nessa rede que
se verificam, de forma explícita, condições de estabelecimento de um comitê-gestor.
85
A partir da descrição das principais características
sas foi elaborado o Quadro 3.
das redes de empre-
Quadro 3
Características
I
.....
!
.../
•
ELEMENTOS
DJSCRIMJNAÇÃO
Atmosfera
Industrial
...
predominantes
_.
Referência
GeográfiC<l
(Ur,;{1)
Específica
Pública, privada e de apoio
cientifico e
tecnológico
Movetetrc
Específica
Institucional
privada
e
i
c,
..
.......
no RS
.... - ...
.......... ....
....
Máquinas
Específica
Pública
.
Especifica
Institucional,
pública, privada e de apoio
científico e
tecnológico
.
/
.
/
I Próxima
(Pelotas)
Direta
I Próxima
(Bento
Indireta
.
/
Próxima
(Caxias do
Sul)
.'
Padrão de
·tarid~de.
~o,0r~l1ação
I Comercial
Formação de
uma Câmara
Setorial
regional
I
Relativamente
próxima
(Região
Noroeste)
.....
.. c>
[ Economias
localização
de
I Não
I
Gonçalves)
eimplementes
agrícolas
AlJtppeça~
....
.•.'''<
co
'-'V'''' '~""
COnservas
'.
'''"
de quatro redes de empresas
há
empresa-líder,
nem comitê-
i -qestor
Comercial
produtiva
]Indirela e
direta
e
I Maior
i
I
i
I
1
Direta
Comercial,
produtiva e
tecnológica
coordenação
via Câmara
Setorial
regional
Não há
empresa-líder
Observam-se
condições
para a criação
de um comitê-
-qestor
(1) Estão mencionados
de empresas
aqui aqueles tipos de infra-estrutura
que mais se destacam
em cada uma das redes
Constata-se que as redes de empresas analisadas estão em níveis
tecnológicos e de interação bastante distintos. Assim, é possível classificá-Ias
considerando uma escala da menos desenvolvida tecnologicamente e integrada até a mais desenvolvida e integrada. Assim, ordenam-se as redes da seguinte maneira: conservas, moveleiro, máquinas e implementos agrícolas e
autopeças, conforme a ordem exposta no Quadro 3.
Analisando-se o Quadro 3, verifica-se que as quatro redes de empresas
apresentam, em geral, características adequadas nos elementos constituintes,
porém não se pode concluir o mesmo a respeito dos elementos dinamizadores,
os quais são essenciais para torná-Ias Sistemas Locais de Inovação e Produção. Conclui-se, portanto, que as quatro redes de empresas ainda não podem
86
ser classificadas como SLl/Ps. Para tanto, as questões do trinômio aprendizagem-cooperação-capacitação tecnológica devem ser melhor desenvolvidas por
cada uma das redes, visando à geração de inovações, além do processo de
produção.
Para completar a análise, são apresentadas ações que foram relatadas
pelos agentes envolvidos nas redes de empresas que participaram das oficinas
de trabalho, e que refletem as necessidades de melhorias. As informações das
quatro redes estão agrupadas nos tópicos de aprendizagem, cooperação e
capacitação tecnológica, pelo fato de representarem os primeiros passos em
direção a um SLl/P.
5.4 - Ações necessárias às redes de empresas?
Em relação à aprendizagem, observa-se que algum tipo de financiamento para a geração desta é necessário para todas as quatro redes de empresas,
o que remete à questão da infra-estrutura existente. Além disso, a interação
entre os agentes que constituem as redes é vital para que o processo de
aprendizagem se torne dinãmico. Podem-se citar as seguintes ações necessárias para as quatro redes: parcerias entre empresas e centros tecnológicos ou
universidades, intercãmbios entra centros tecnológicos, identificação das necessidades de qualificação da mão-de-obra nos diterentes níveis das cadeias
de valor, qualificação dos instrutores dos cursos técnicos e oferta de cursos
que reflitam a atual realidade tecnológica dessas redes de empresas.
A questão da cooperação refere-se ao relacionamento tanto entre clientes e fornecedores, como entre empresas concorrentes, empresas e universidades ou centros tecnológicos, etc. Nesse sentido, foram destacadas ações
para as quatro redes de empresas analisadas, que vão desde a necessidade
de estruturação da própria cadeia produtiva, como é o caso da rede de empresas de conservas, até a necessidade de coordenação da cadeia (já estruturada),
como é o caso da rede de empresas de autopeças.
Somando-se a isso, existem ações que refletem uma necessidade de
modificação da questão cultural. Em geral, observa-se que as empresas atuam
de forma individual no mercado, não agindo de forma cooperativa. Assim,
foram propostas açôes que dizem respeito à criação de um canal de relacionamento ético, coerente e transparente, à implantação de relações de cooperação, à realização de palestras e de visitas no sentido de incentivar parcerias,
dentre outras.
9
Todas as informações citadas estão mencionadas 'lOS relatórios de cada rede de empresas,
autoria do Nitec. conforme citados na Bibliografia.
de
87
A geração de capacitação tecnológica na rede é um processo que vai
além da geração dessa capacitação nas empresas individualmente. Para que
exista esse processo, os conhecimentos e as inovações tecnológicas devem
fluir, permitindo que, de forma cooperativa e coletiva, todos tenham acesso às
melhorias e aos beneficios. Nessa questão, foram destacadas ações como:
implantação de centros tecnológicos especificas, criação de grupos técnicos
especializados, articulação para participação em feiras e eventos internacionais, conhecimento sobre centros tecnológicos ligados às redes e estimulo
para realização de convênios com centros de pesquisas, dentre outros.
Enfim, vários são os aspectos a serem trabalhados. Entretanto é imprescindivel compreender que a geração de redes de empresas mais competitivas
não significa somente colocar as ações necessárias em prática, é preciso algo
mais, é preciso haver gerenciamento da rede, ou, como explicado anteriormente, uma central de gerenciamento da rede.
6 - Considerações finais
A análise de quatro redes de empresas no Rio Grande do Sul permitiu
identificar a necessidade de transformá-Ias em Sistemas Locais de Inovação e
Produção. A transformação das redes não é somente uma questão de melhorar as relações entre os agentes integrantes, mas também de qualificar esses
agentes, seja em termos de atualização tecnológica dos centros de pesquisas,
por exemplo, seja em termos de modificação da cultura para a cooperação.
Considerando o ambiente de "hipercompetição" dos mercados, é inviável
pensar em uma rede de empresas competitiva se não houver uma dinâmica
inovativa, ou seja, um processo de geração de inovações que reverta em agregação de valor aos produtos e processos produtivos e. assim, em diferencial
competitivo. Para tanto, é indispensável a existência do trinômio: aprendizagem-cooperação-capacitação
tecnológica.
Essa parece ser uma alternativa apropriada para o desenvolvimento de
pequenas e médias empresas, principalmente para um país com as caracteristicas industriais do Brasil, frente a processos como a penetração de grandes empresas multinacionais no mercado interno, o aumento do poder de mercado das grandes empresas, via mecanismos de fusôes e aquísíções, dentre
outros.
É importante destacar que as quatro redes de empresas examinadas apresentam aspectos essenciais para um desenvolvimento mais completo, que são:
a localizaçâo geográfica próxima (ou relativamente próxima) e uma atmosfera
industrial específica. O que falta são, principalmente, aqueles aspectos referentes à cooperação, à inovação e à coordenação sistêmica da rede.
88
Bibliografia
•
AMATO NETO, João (2000). Redes de cooperação produtiva e clusters
regionais: oportunidades para as pequenas e médias empresas. São Paulo: Atlas.
BENCATIINI, Giacomo (1992). Le district marshallien: une notion socio-économique.
In: BENKO, Georges, L1PIETZ, Alain. Les régions qui
gagnent. Paris: Presses Universitaires de France.
CASAROTTO FILHO, Nelson, PIRES, Luis Henrique (1999). Redes de Pequenas e Médias Empresas e Desenvolvimento Local: estratégias para
a conquista da competitividade global com base na experiência italiana.
São Paulo: Atlas.
COASE, Ronald (1937). The Nature 01 The Firm. In: WILLlAMSON, O.,
WINTER, S., eds. The nature 01 the firmo origins, evaluations, and
development. Oxlord: Oxlord University, 1993.
CONTRACTOR, Farok J., LORANGE, Peter (1988). Cooperative strategies
in international business: joint ventures and technology partnerships
between firms. USA: Lexington Books.
DODGSON, Mark (1993). Technological Co/laboration in Industry: strategy,
policy and internationalization in innovation. New York: Routledge.
FURLANETIO, ZAWISLAK, P. (2000). Coordenação pela Cadeia Produtiva
uma alternativa ao mercado e à hierarquia. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 24. Anais ...
[s.1. : s.n.].
HAGEDOORN, John. (1990). Organizational model 01 inter-lirm co-operation
and technology transfer. Technovation, v. 10.
HUMPHREY, SCHMITZ (1998). Trust and inter-firm relations in developing
and transition economies. [s.I.]: lOS; University of Sussexs.
NITEC (2000). Relatório para o Arranjo Industrial de Autopeças. Porto
Alegre: Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais/RS.
NITEC (2000).
Relatório para o Arranjo Industrial de Máquinas
Implementos Agrícolas. Porto Alegre: Secretaria do Desenvolvimento
dos Assuntos Internacionais/RS.
e
e
NITEC (2000). Relatório para o Arranjo Industrial de Conservas. Porto
Alegre: Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos internacionais/RS.
89
NITEC (2000). Relatório para o Arranjo Industrial Moveleiro. Porto Alegre:
Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais/RS.
PISANO, G., TEECE, D. (1989). Collaborative arrangements and global
technology strategy: some evidence from the telecommunications equipment
industry. Research on Technologicallnnovation, Management and Policy,
v. 4, p. 227-256.
VOISIN, C.; PLUNKET, A., BELLON,
Industrieile. Paris: Economica.
B., orgs. (2000).
La Coopération
WILLlAMSON, Oliver E (1985). The Economic Institutions ot Capitalism.
New York: Free Press.
ZAWISLAK, Paulo Antônio (1996). Reflexôes a respeito da decisão de fazer
cooperação tecnológica. In: ENCONTRO NACIONAL DE PROGRAMAS DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO - ENANPAD, 20., Rio das Pedras. Anais .... Rio de Janeiro.
ZAWISLAK, Paulo Antônio (2000). Alianças estratégicas: contexto e conceitos
para um modelo de gestão. Saberes, Jaraguá do Sul: UNERJ, v. 1, n. 3,
set./dez.
ZAWISLAK, Paulo Antônio (2001). Cooperação, Inovações e Coordenação:
alternativas para a nova economia. Porto Alegre: NITEC; PPGNENUFRGS.
(mimeo).
ZAWISLAK, Paulo Antônio, RUFFONI, Janaína (2001). Sistema local de inovação e produção: uma alternativa para o desenvolvimento tecnológico de
setores tradicionais. In: ENCONTRO NACIONAL DE PROGRAMAS DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 25., Campinas. Anais ... [s.I.].
(Artigo aprovado a ser publicado nos Anais).
Download

A constituição de Sistemas Locais de Inovação e Produção no Rio