CONTEXTO GEOTÉCNICO EM SÃO PAULO E CURITIBA José Maria de Camargo Barros IPT 2 Sumário • Argilas cinza-esverdeadas de São Paulo x Formação Guabirotuba • Solos residuais de São Paulo x Solos residuais de Curitiba • Rigidez dos solos sedimentares – solos residuais de São Paulo ARGILAS CINZA-ESVERDEADAS DE SÃO PAULO X ARGILAS DA FORMAÇÃO GUABIROTUBA 4 Argilas Sedimentares Duras • Argilas siltosas e siltes argilosos muito sobreadensados (maiores pesos de terra no passado, ressecamento, cimentação, etc.). • Elevada resistência. Coeficientes de empuxo em repouso maiores do que a unidade. Envoltória curva abaixo da tensão de escoamento. • Presença de descontinuidades e fraturamentos • Minerais expansivos: baixa resistência residual (ruptura progressiva), desagregação em ciclos de secagem –umedecimento (empastilhamento). • Geralmente, excelente material para fundações, mas pode apresentar instabilidade em taludes e escavações 5 Formação Guabirotuba • N.A. variável (desde a superfície até 10/15 m). • Ação de intemperismo químico. • Solo menos alterado (cinza): esmectita –”sabão de caboclo”. • Solo mais alterado (vermelho, amarelo e marrom): caulinita. • Superfícies polidas (slickensides), a distâncias centimétricas ou decimétricas. • “Empastilhamento quando exposto. • Fraturamentos e descontinuidades, que reduzem a resistência do maciço. Efeito de escala. • Quando escavado pode se tornar instável. Taludes de corte podem romper com inclinações reduzidas. 6 Argilas cinza-esverdeadas (taguá) • Ocorrem em amplas áreas da Bacia Sedimentar de São Paulo, sempre abaixo do N.A. • Argilo-minerais presentes: caulinita, esmectita, ilita. • Desagregação em ciclos de secagem-umedecimento • São fissuradas e há registro de casos de instabilidade de taludes e rupturas em escavações de túneis. 7 Comparação entre parâmetros Parâmetro Argila cinza-esverdeada Formação Guabirotuba 0,61 a 0,87 0,83 a 1,17 w (%) Sr (%) 22 a 29 85 a 96 23 a 41 79 a 100% LL (%) 50 a 90% (22 a 80%)* 30 a 60% (7 a 35%)* Acima da linha A (abaixo da linha A)* 43 a 110% e IP (%) Carta de Plasticidade 19 a 61% Acima da linha A σ´vm(kPa) 300 a 4800 310 a 1300 (650) Ativid. coloidal ϕ´ residual Ko E 0,1%/Su 0,6 a 1,1 (0,3 a 0,5)* 10 a 14o (1,5 a 3)* 750 a 1700 0,7 a 0,9 *Estação Sacomã (Metrô-SP) <10o >3 1000 a 1500 SOLOS RESIDUAIS DE SÃO PAULO X SOLOS RESIDUAIS DE CURITIBA 9 Solos Residuais Solo residual jovem ou saprolítico: solo que exibe estruturas herdadas da rocha matriz mas com perda de toda a consistência da rocha. • Permite facilmente a identificação de sua rocha de origem. • Heterogeneidade, anisotropia, descontinuidades, foliações. Solo residual maduro: camada que sofreu intemperismo mais intenso; perdeu toda a estrutura original da rocha. • -Mais homogêneo, mais poroso e mais argiloso. 10 Estrutura cimentada • Solos residuais jovens: ligações remanescentes da rocha de origem ou reações químicas que possam ter ocorrido no processo de intemperização. • Solo residual maduro: em geral resultante de processos pedológicos – solos lateríticos. • A cimentação aumenta a rigidez, afeta a resistência ao cisalhamento e a compressibilidade (tensão de escoamento; curva de cedência) Em geral não saturados (efeito da sucção) 11 Solos Residuais de Curitiba • Solos de Migmatito: areias argilosas e siltes arenosos • Solos de Diabásio: mais argilosos 12 Solos Residuais de São Paulo • Solos residuais de xistos, filitos, de gnaisses e granitos. • Solos silto-arenosos, principalmente os de gnaisse e xisto. • Solos de granito e filito apresentam maior % de argila. 13 Comparação entre parâmetros Parâmetro Jovem com feições reliquiares Curitiba Jovem Maduro (horizonte C) São Paulo gnaisse LL 32 (média) 46 (média) NP a 70% IP 5 (média) 14 (média) NP a 40% Carta de Plasticidade Abaixo da linha A Abaixo da linha A Acima da linha A e k (cm/s) 0,5 1,5 10-4 a 10-6 0,6 0,53 a 1,2 10-4 a 10-7 Cc σ´vm (kPa) 0,12 0,73 70 a 800 0,60 0,29 (±0,09) 130 a 1100 f(e) Cαe (%) c´ (kPa) ϕ´ Ko ϕ´ residual 0,23 a 0,4 35 (±30) 28,8º (±6o) 1 a 3,8 18 a 22º (teor de mica elevado) RIGIDEZ DOS SOLOS SEDIMENTARES X RIGIDEZ DOS SOLOS RESIDUAIS 15 Solos de São Paulo Comparação entre os valores de G 0,1% • Argilas vermelhas: 300 y = 5x y = 11x 250 G0,1% (MPa) G0,1% = 12 Nspt • Solos Variegados G0,1% = 11 Nspt • Argilas cinza-esverdeadas G0,1% = 5 Nspt • Solos residuais G0,1% =0,9 Nspt+37 350 200 150 y = 0,9x + 37 y = 12x 100 50 0 0 20 40 60 Nspt 80 100 16 Go de ensaios de campo (cross hole) Solos lateríticos 600 Go=20,3N+56 500 Go (MPa) 400 300 Argilas Vermelhas São Paulo Bauru (residual de arenito) São Carlos (sedimentar) 200 100 Campinas (residual de diabásio) 0 0 5 10 15 Nspt 20 25 30 17 Previsão de G0,1% de Solos Lateríticos 600 Ohsaki e Iwasaki (1973) 500 Go=27,5Nspt Go (MPa) 400 300 200 Imai e Tonouchi (1982) 100 saprolíticos lateríticos 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 Nspt Solos sedimentares e residuais lateríticos G0,1%=0,4Go=0,4*27,5Nspt=11Nspt Massad (2012) Argilas Vermelhas G0,1%=12Nspt 18 Previsão de G0,1% de Solos Saprolíticos 600 500 Ohsaki e Iwasaki (1973) 400 Go (MPa) Go=2,3Nspt+94 300 200 Imai e Tonouchi (1982) 100 saprolíticos lateríticos 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 Nspt Solos saprolíticos G 0,1% =0,3Go=0,3* (2,3Nspt+94)=0,7Nspt+28 Futai e al. (2012) Solos residuais da RMSP G0,1%=0,9Nspt +37 19 Conclusões sobre a rigidez dos solos de São Paulo • Tem-se hoje métodos mais precisos para determinação dos parâmetros de rigidez dos nossos solos • Relação G/Nspt é extremamente afetada pelo processo de laterização (tanto em solos sedimentares quanto em solos residuais). • Muito importante avaliar se o solo é laterítico ou não. • Solos saprolíticos – variação de G com o Nspt bem menos acentuada que a observada em todos os solos da Bacia Sedimentar de São Paulo • Não se nota nesses solos efeito significativo da cimentação.