Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro Biomédico Faculdade de Enfermagem Sylvia Gonzalez de Queiroz Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia Rio de Janeiro 2008 Sylvia Gonzalez de Queiroz Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Enfermagem, Saúde e Sociedade. Orientadora: Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro Rio de Janeiro 2008 CATALOGAÇÃO DA FONTE UERJ/REDE SIRIUS/CBB Q3 Queiroz, Sylvia Gonzalez de. Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia / Sylvia Gonzalez de Queiroz. - 2008. 97 f. Orientadora: Maria Yvone Chaves Mauro. Dissertação (mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Enfermagem. 1. Enfermagem do trabalho. 2. Enfermeiros - Avaliação de riscos de saúde. 3. Qualidade de vida no trabalho. 4. Câncer Enfermagem. I. Mauro, Maria Yvone Chaves. II. Universidade do Estado do Rio Janeiro. Faculdade de Enfermagem. III. Título. CDU 614.253.5 Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação. _______________________________ Assinatura _______________________ Data i.exe Sylvia Gonzalez de Queiroz Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Enfermagem, Saúde e Sociedade. Aprovada em 13 de março de 2008. Banca Examinadora: ___________________________________________________ Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro (Orientadora) Faculdade de Enfermagem da UERJ ___________________________________________________ Profª. Drª. Regina Célia Gollner Zeitoune Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ ___________________________________________________ Profª. Drª. Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza Faculdade de Enfermagem da UERJ Rio de Janeiro 2008 DEDICATÓRIA Ao meu Pai, que com seu exemplo de superação e luta me ensinou a persistir e superar dificuldades. Aos meus filhos, que compreenderam os momentos em que estive ausente. Ao meu marido Wagner, companheiro incansável nas lutas diárias. Aos meus colegas do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer, queridos companheiros que contribuíram muito para o desenvolvimento deste estudo. Aos enfermeiros do Hospital do Câncer I - INCA que disponibilizaram parte do seu tempo para participar do estudo. À equipe amiga do Programa de Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil – SESDEC, pelo apoio e exemplo de profissionalismo na luta por melhores condições de trabalho. Aos meus colegas do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia. AGRADECIMENTOS A Deus, Luz que guia meus passos direcionando minhas ações Aos Pacientes do Instituto Nacional do Câncer, cuja força na luta pela vida me ensina a superar as dificuldades que a existência nos impõe... À Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, minha orientadora, pela contribuição, amizade, apoio, carinho, atenção e envolvimento na concretização desta pesquisa. Minha admiração pela competência e dedicação na luta por melhores condições de trabalho para a Enfermagem. Meu agradecimento eterno. À Profª. Drª. Maria Lucia do Carmo Cruz Robazzi, meu agradecimento pelas contribuições iniciais que foram relevantes para acreditar na possibilidade de realização do estudo em toda a sua abrangência. RESUMO QUEIROZ, Sylvia Gonzalez de. Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia. 2008. 97 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. O presente estudo teve como objeto as condições de trabalho e a saúde dos enfermeiros no contexto organizacional de uma instituição oncológica. A minha experiência profissional em oncologia em uma Instituição, referência em oncologia clínica e cirúrgica, que desenvolve ações no âmbito assistencial, de ensino e pesquisa, possibilitou-me observar o processo de trabalho dos enfermeiros. Verifiquei a incidência freqüente de licenças médicas para tratamento da saúde e a ocorrência de transtornos de ordem física e mental relacionados ao estresse, trabalho em turnos, sobrecarga de trabalho por déficit de recursos humanos, além das dificuldades do enfermeiro em lidar com situações adversas relacionadas ao tratamento de clientes oncológicos. Trata-se de um estudo não experimental, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa e aporte qualitativo. Este estudo possibilitou identificar os fatores de risco no trabalho a que estavam expostos os enfermeiros oncológicos, descrevendo as condições do ambiente de trabalho e a percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde que foram provocados ou agravados pelo trabalho. Concluiu-se que as condições de trabalho podem interferir diretamente na saúde desses profissionais, haja vista que o problemas de saúde apontados pelos enfermeiros estão intimamente ligados ao cuidado realizado por estes profissionais. Dos problemas provocados pelo trabalho, destacam-se: lesão por material pérfuro-cortante (67%), estresse (52%), mudanças de humor (50%), doenças de pele (46%) dores lombares (45%) e depressão (33%). O estudo evidenciou que deve haver um empenho por parte da organização e da própria categoria para reivindicar melhores condições de trabalho com o objetivo de transformar o processo de trabalho, facilitando a realização das atividades relacionadas ao cuidar e da promoção da saúde do cuidador. A conscientização sobre a possibilidade de adoecimento pelo trabalho deve incentivar o profissional na realização de práticas seguras e na utilização de dispositivos de segurança, principalmente pela implementação de medidas preventivas que possam possibilitar um estilo de trabalho mais saudável. Palavras-chave: Condições de trabalho. Adoecimento. Enfermeiros oncológicos. Saúde ocupacional. ABSTRACT The present study it had as object the conditions of work and the health of the nurses in the context of a oncology institution. My professional experience in oncology in an Institution, reference in clinical and surgical oncology, that develops action in the care scope, of education and research, made possible to observe me the process of work of the nurses, verified the frequent incidence of medical licenses for treatment of the health and the occurrence of related upheavals of physical and mental order to stress it, work in turns, overload of work for deficit of human resources, beyond the difficulties of the nurse in dealing with related adverse situations to the treatment of oncológicos customers. One is about a not experimental study, of descriptive character, with quantitative boarding and arrives in port qualitative. This study work made possible to identify to the factors of risk no the one that were displayed the oncology nurses, describing the conditions do surrounding of dos work and the perception nurses on the health problems that had been provoked or aggravated of work. It was concluded that the work conditions can intervene directly with the health of these professionals, has since the problems of health pointed by the nurses are closely on to the care carried through for these professionals. Of the problems provoked for the work, they are distinguished: Injury for drill-cutting material (67%), stress (52%), mood changes (50%), skin illnesses (46%) lumbar pains (45%)e depression (33%). The study it evidenced that it must have a persistence on the part of the organization and the proper category demanding better conditions of work, with the objective to transform the work process, facilitating the accomplishment of the activities related when taking care of and of the promotion of the health of the caregiver. The awareness on the possibility of sickness for the work must stimulate the professional in the accomplishment of practical insurances and the use of security devices, mainly for the implementation of writs of prevention that can make possible a style of more healthful work. Keywords: Conditions of work. Illness. Oncology nurses. Occupational health. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 - Riscos ocupacionais percebidos freqüentemente e às vezes pelos enfermeiros no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de Terapia Intensiva de uma instituição Oncológica .................................. Gráfico 1 - 61 Aspectos percebidos pelos enfermeiros em relação às condições de trabalho – Temperatura inadequada .................. Quadro 2 - 65 Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os locais de trabalho e instalações ....... Quadro 3 - 67 Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre maquinaria (equipamentos), tecnologia e ferramentas (instrumentais) ................................................... Quadro 4 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre substâncias e materiais utilizados ....... Quadro 5 - 69 Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre fatores ergonômicos ............................ Quadro 6 - 68 - 70 Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e sua relação com as condições de trabalho .............................. 71 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Quantitativo de enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto e UTI Pediátrica ........................................................................... 43 Funcionários e servidores por curso de graduação – INCA novembro/2004 a março/2005 .................................................. 44 Características pessoais dos Enfermeiros lotados no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29) ................................................... 51 Características profissionais dos Enfermeiros lotados no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29) ................................................... 53 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o vínculo empregatício em relação à qualidade do lazer p = 0.1813 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................ 55 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o vínculo empregatício em relação à qualidade do repouso p = 0.1506 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................ 56 Tabela 7 - Cálculo do IMC – Índice de massa corporal da amostra (n=29) 57 Tabela 8 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a realização de atividade física em relação índice de massa corporal p= 0.2348 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ............ 57 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com os hábitos alimentares em relação índice de massa corporal p= 0.6565 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................ 58 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número de vínculos em relação ao lazer p= 0.3668 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ....................................................... 58 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número de vínculos em relação ao repouso p= 0.06621 teste de fisher ou Qui-Quadrado .............................................. 59 Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a carga horária em relação ao repouso p= 0.0071 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ............................................................ 60 Tabela 2 Tabela 3 - Tabela 4 - Tabela 5 - Tabela 6 - Tabela 9 - Tabela 10 - Tabela 11 - Tabela 12 - SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................... 12 Objeto do estudo e contextualização ..................................................... 12 Questões norteadoras ............................................................................. 14 Objetivos do estudo ................................................................................. 15 Justificativa do estudo ............................................................................. 15 Relevância ................................................................................................. 16 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................. 18 1.1 Trabalho ..................................................................................................... 18 1.2 Ambiente de trabalho .............................................................................. 21 1.3 Condições de trabalho ............................................................................ 23 1.4 O processo de saúde-doença e a influência do trabalho ..................... 26 1.5 Saúde do trabalhador .............................................................................. 29 1.6 O trabalho no contexto hospitalar ......................................................... 30 1.7 O trabalho de enfermagem ...................................................................... 32 1.8 Riscos do trabalho de enfermagem ....................................................... 35 1 1.9 Importância da participação dos trabalhadores na avaliação das 2 condições de trabalho ............................................................................. 38 METODOLOGIA 40 2.1 Tipo de estudo .......................................................................................... 40 2.2 Dados da instituição e período de realização do estudo ..................... 40 2.3 Cenário do estudo ................................................................................... 42 2.4 Critérios de inclusão e exclusão ............................................................ 43 2.5 População ................................................................................................. 43 2.6 Aspectos éticos ........................................................................................ 45 2.7 Coleta de dados ........................................................................................ 45 2.8 Tratamento e análise dos dados ............................................................. 49 3 51 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Características pessoais e profissionais dos enfermeiros dos setores estudados ................................................................................... 51 3.2 Cuidados com a própria saúde ............................................................... 55 3.3 Fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos locais de trabalho .............................................................................. 61 3.4 Percepção sobre os problemas do ambiente e condições de trabalho ..................................................................................................... 65 3.5 Percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os problemas nos locais de trabalho ..................................................... 66 3.6 Percepção dos enfermeiros sob re os problemas de saúde e sua relação com as condições de trabalho .................................................. 71 4 CONCLUSÃO ............................................................................................. 74 5 RECOMENDAÇÕES .................................................................................. 76 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 77 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ................. 82 APÊNDICE B – Instrumento de Coleta de Dados ...................................... 84 ANEXO A – Aprovação do Comitê de Ética do INCA ................................ 95 ANEXO B – Autorização dos autores para tradução e utilização do instrumento ................................................................................................. 96 ANEXO C – Aprovação do Comitê de Ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto para realização do projeto "Inovação de Gestão das condições de trabalho em saúde para hospitais do Sistema Único de Saúde - SUS/BRASIL" ................................................................................ 97 12 INTRODUÇÃO A minha experiência profissional em oncologia em uma Instituição, referência em oncologia clínica e cirúrgica, que desenvolve ações no âmbito assistencial, de ensino e pesquisa, possibilitou-me observar o processo de trabalho dos enfermeiros, verificando a incidência freqüente de licenças médicas para tratamento da saúde e a ocorrência de transtornos de ordem física e mental relacionados ao trabalho e às dificuldades do enfermeiro em lidar com situações adversas relacionadas ao tratamento de clientes oncológicos. Estes são motivos que podem favorecer o adoecimento, distúrbios do sono, consumo de álcool e drogas, acidentes e doenças osteomusculares. A motivação para realizar este estudo surgiu também de uma pesquisa multicêntrica sob a coordenação da orientadora deste estudo que objetiva o conhecimento das condições de trabalho da enfermagem, cujos resultados obtidos, a partir da aplicação do questionário utilizado, auxiliaram na validação do referido instrumento de coleta de dados. A assistência de enfermagem em oncologia caracteriza-se pela exigência de um conhecimento técnico-científico qualificado e um desgaste profissional acima da média, originário das demandas excessivas de energia, gerando estresse de maneira insidiosa, cumulativa e progressiva. (CLARK; MC GEE, 1997). O cuidado de enfermagem em oncologia reveste-se de grande complexidade, requerendo do profissional uma competência que vai além da esfera técnicocientífica, com implicações em várias facetas do seu existir dado o esforço para viabilizar um cuidado ético. (POPIM, 2001). A convivência freqüente com a morte expõe o profissional a experiências e vivências de angústia e sofrimento, trazendo-lhe a antevisão de sua própria morte ou lembranças de confronto com a mesma, podendo levá-lo ao esgotamento psíquico, conhecido como burnout, que pode ser entendido como um estado de exaustão prolongada e perda de interesse, advindo da rotina de enfrentamento de situações que evidenciam a finitude, como é o caso em oncologia. Objeto do estudo e contextualização O presente estudo teve como objeto abordar as condições de trabalho e sua 13 relação com os problemas de saúde a partir da percepção dos enfermeiros que trabalham em três setores especializados no tratamento de pacientes críticos de uma instituição oncológica. A prática profissional em oncologia é pautada pelo alto nível de conhecimento tecnológico e a necessidade constante de capacitação e desenvolvimento profissional devido às mudanças constantes do conhecimento. Não obstante, a heterogeneidade das doenças malignas, a variabilidade de prognósticos, a imprevisibilidade da trajetória saúde-doença, a confrontação com desfigurações corporais, deficiências, dor e morte, a confrontação com emoções de clientes e familiares e a incapacidade de restaurar a saúde podem causar no enfermeiro oncológico um sentimento de fracasso repetido. O interesse para desenvolver este estudo surgiu a partir do meu cotidiano profissional em oncologia, onde o trabalho de enfermagem ocupa grande parte do tempo do profissional. A maioria possui uma dupla ou tripla jornada de trabalho em ambientes que os expõem a riscos, podendo interferir na qualidade de vida destes enfermeiros, fato que está relacionado diretamente com as questões relativas à saúde do trabalhador, além de sua relevância na prevenção do adoecimento e na promoção da saúde do enfermeiro. Este estudo pretende conhecer as condições de trabalho e os problemas de saúde do enfermeiro, que trabalha em setores que prestam assistência a pacientes críticos em um hospital especializado, no atendimento à patologia neoplásica maligna e a percepção dos enfermeiros sobre a relação entre adoecimento e trabalho. Vale ressaltar que a abrangência do tema não permitirá uma única conclusão. Estudos de Pitta (1990), Bulhões (1994), Leopardi et al. (1999) e Mauro (2005) demonstram que o processo de promoção da saúde no trabalho é dinâmico, fato que torna pertinente o estudo em questão, favorecendo uma reflexão por parte dos profissionais e dos gestores das instituições de saúde. O trabalho do enfermeiro em oncologia é também influenciado pelo ambiente físico, exigindo conhecimento técnico-científico e equilíbrio emocional para lidar com o complexo processo de saúde-doença. Segundo Dejours (1992), esta situação está relacionada aos componentes afetivos negativos desencadeados ou agravados pelo processo de trabalho. A ansiedade em situações de risco elevado decorre do medo presente nas 14 organizações com mecanismos de controle rígidos e severos e dos efeitos psíquicos adversos das organizações do trabalho que geram tarefas vazias de conteúdo, monótonas e repetitivas. Os conceitos de Dejours sugerem que, quando a organização do trabalho entra em conflito com o funcionamento psíquico dos homens e estão bloqueadas todas as possibilidades de adaptação entre a organização do trabalho e do desejo dos sujeitos, poderá emergir o sofrimento patogênico que pode ser compreendido como um processo dinâmico, onde os profissionais criam estratégias defensivas para se proteger. A partir destas considerações, observa-se a necessidade de refletir sobre esta organização que, com freqüência, favorece o adoecimento do enfermeiro como, por exemplo, a jornada intensa de trabalho que, muitas vezes, é exaustiva. Considera-se também que o hospital, como local de trabalho, é reconhecidamente uma empresa que apresenta uma variedade de riscos à saúde, onde as condições de exposição, já são reconhecidas como condições insalubres pela legislação trabalhista. (BRASIL, 1994). A partir de verbalizações no ambiente de trabalho, observei que os enfermeiros oncológicos almejam o reconhecimento deste problema. Neste sentido, o presente estudo poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias para lidar com os fatores de riscos que são inerentes ao processo, como também para a reformulação da organização do trabalho de enfermagem, com ênfase na divisão do trabalho para garantir a divisão de tarefas, representadas pelas hierarquias, as repartições de responsabilidade e os sistemas de controle. Estas, com freqüência, ocorrem de maneira inadequada e perversa, impondo ao profissional a aceitação de determinadas situações como algo intransponível ou dognificador e, dessa maneira, geradores de sofrimento psíquico e físico. Questões norteadoras 1. Quais os fatores de riscos relacionados às condições de trabalho que podem estar influenciando a saúde dos Enfermeiros? 2. Qual a percepção dos Enfermeiros sobre a relação entre os problemas de saúde e as condições de trabalho? 15 Objetivos do estudo Objetivo geral Estudar as condições de trabalho e os problemas de saúde segundo a percepção dos enfermeiros oncológicos. Objetivos específicos 1. Caracterizar o perfil pessoal, profissional e cuidados com a própria saúde dos enfermeiros oncológicos; 2. Identificar os fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos locais de trabalho; 3. Analisar as condições do ambiente de trabalho dos enfermeiros oncológicos; 4. Discutir os problemas de saúde apontados pelos enfermeiros, provocados ou agravados pelo trabalho. Justificativa do estudo Os enfermeiros oncológicos vivenciam situações de penosidade, sofrimento e morte, agravadas pelas características do processo e do ambiente de trabalho. Sabe-se da dificuldade desses profissionais em perceber no processo de trabalho as condições capazes de gerar doenças e/ou acidentes. Algumas patologias são de caráter irreversível, enquanto outras podem ser previsíveis. Por esta razão, todo conhecimento produzido deveria ser utilizado para a prevenção dos problemas de saúde apresentados por esses trabalhadores. (MAURO, 2005). Entretanto, observou-se, com freqüência, uma atitude de desprendimento do próprio trabalhador, que emprega toda sua energia a seus clientes e ao progresso dos conhecimentos científicos e tecnológicos, abstendo-se de prestar atenção às suas próprias necessidades de saúde e de lazer. Neste sentido, foi verificado que o ambiente de trabalho é diversificado e organizado de acordo com suas peculiaridades, caracterizado pela assistência ao cliente oncológico com prognósticos imprevisíveis, portadores de doenças pré- existentes, exigindo dos profissionais competência técnica e equilíbrio psíquico para lidar com as situações apresentadas no cotidiano de uma instituição oncológica. O enfermeiro é obrigado a adaptar-se a tudo isto, orientando-se através das políticas e normas organizacionais da instituição. 16 Segundo Leopardi e Lunardi Filho (1999), as instituições de saúde proporcionam um trabalho insalubre e desgastante, mas continua sendo um lugar criado pelos e para os seres humanos o que significa, fundamentalmente, que eles mesmos, técnicos e indivíduos que procuram atendimento das necessidades de saúde, deverão ser eles próprios os melhores agentes da transformação. A participação dos trabalhadores é considerada essencial para a identificação dos fatores de risco presentes no trabalho e das repercussões destes sobre o processo saúde-doença. Também é fundamental para a transformação das condições geradoras de acidentes e doença. Na atualidade, o crescimento das relações informais e precárias de trabalho exige a criação ou identificação de novas modalidades de representação dos trabalhadores, para além das organizações sindicais tradicionais. (SILVEIRA; RIBEIRO; LINO, 2005). Relevância Este estudo permite reflexões sobre questões relativas à saúde e condições de trabalho do enfermeiro que atua em oncologia, cuja atuação profissional vai além da atividade técnico-científica, pois o cotidiano desses profissionais envolve um cenário de dor, sofrimento, esperança e cura. Este contexto profissional exige do Enfermeiro um movimento de doação, pois o ato de cuidar, em oncologia, é uma atividade onde as exigências psicológicas do paciente e família vão além do simples cuidado físico. De acordo com Pitta (1990), o hospital pode ser entendido como um espaço mítico, aonde as exigências psicológicas do paciente e família vão além do simples cuidado físico, verificações dos sinais vitais e aplicações das terapêuticas. O sorriso, a atenção, a bondade, o calor humano e o conhecimento técnico também são necessidades a serem atendidas. Segundo esta autora, a atividade de lidar com a dor, doença e morte tem sido identificada como condição insalubre, penosa e difícil para todos. Ainda, segundo Pitta (1990), a sobrecarga mental, acrescida da carga física, é geradora de alterações afetivas, desencadeando fenômenos de ordem psicológica, psicossociológica e ainda neurofisiológica. É crescente o número de publicações referentes a agravos psíquicos, medicalização e suicídios de médicos e enfermeiros. A partir destas considerações, observou-se a necessidade de desenvolver 17 este estudo para refletir sobre a saúde dos trabalhadores de enfermagem, entendendo que a promoção da saúde não se ocupa apenas de promover o desenvolvimento das habilidades pessoais e da capacidade da pessoa de influir sobre os fatores que determinam a saúde, mas incluir, também, a intervenção sobre o meio ambiente, para reforçar tanto aqueles fatores que sustentam estilos de vida saudáveis como para modificar aqueles que os impedem de serem postos em prática. Esta estratégia pode ser entendida como: conseguir que as opções mais saudáveis sejam as mais fáceis de eleger (NUTBEAN,1986). Do ponto de vista social, o conhecimento científico dos fatores que propiciam condições inadequadas de trabalho e adoecimento, são elementos significativos para os profissionais fundamentarem suas reivindicações por melhorias de condições de trabalho e de saúde. 18 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1.1 Trabalho Segundo Alves (2002), o trabalho pode ser compreendido, estritamente como esforço físico ou mecânico, como energia despendida pelos seres humanos, animais ou máquinas. Isto é, o trabalho é a energia que quando colocada em movimento tem por resultado a transformação dos elementos em estado de natureza, a produção, manutenção e modificação de bens ou serviços necessários a sobrevivência humana. Com base em Marx (1968), Alves (2002) refere que trabalho humano é resultante do dispêndio de energia física e mental, voltada direta ou indiretamente para a produção de bens e serviços, visando a reprodução da vida humana, individual e social. O trabalho humano atualmente é obrigatório, diferentemente do que curiosamente não ocorre com os insetos (abelhas, formigas) ou certas aves (o joãode-barro), isto é, de natureza instintiva. Na espécie humana não existe o instinto do trabalho. Trata-se de uma atividade convencional que antigamente visava exclusivamente ao sustento biológico (cultivo, criação de gado, artesanato). Nos dias de hoje, o trabalho é uma atividade sofisticada que envolve tecnologia e inovação contínua, transformando-se em posição, em status que eleva e dá importância ao ser humano. É também obrigatório como meio e recurso de sobrevivência, uma vez que fornece ao indivíduo, como compensação, uma remuneração, um salário com o qual pode prover o seu sustento e o da família. Entretanto, não trabalhamos apenas pelo salário que recebemos, fazemos pela satisfação emocional profunda que sentimos com a realização e os resultados que colhemos através do nosso esforço. Do ponto de vista biológico, o trabalho não é necessário ao ser humano, podendo inclusive, ser excessivo ou perigoso, tornar-se prejudicial ao organismo, ocasionando doenças profissionais ou relacionadas ao trabalho pelo esforço físico ou psicoemocional despendido. (MIELNIK, 1976). Através do trabalho, estabelece-se novas relações humanas, acumulando mais experiências, conhecimentos e emoções. É uma fonte de socialização, possibilitando o contato com a comunidade no local de trabalho. Contudo, embora seja uma instituição social, o trabalho está ligado antes de tudo, a certo sentimento de angústia, de preocupação, pois, em geral, quase sempre se começa a trabalhar 19 na adolescência, fase de alterações, de mudanças. Para o adolescente, pelo menos no início, o trabalho assume a forma de imposição, de obrigação, não sendo agradavelmente recebido. Devido ao sentido digno do trabalho e à compensação recebida pelo mesmo, os jovens reagem com interesse e se sentem motivados a procurar trabalho e a permanecer nele. (MIELNIK, 1976). Segundo Codo, Sampaio e Hitomi (1993), o trabalho do ponto de vista do capitalismo se caracterizou pela ruptura entre trabalho e afetividade, concretizandose em uma divisão de papéis entre o homem e a mulher, com a entrada da mulher no mercado de trabalho. Por um lado, é um passo importante para a igualdade entre homens e mulheres; por outro, submete a mulher às relações capitalistas de produção. Na medida em que a reprodução foi sendo assumida pelo Estado ou pela iniciativa privada, a mulher deixou de comparecer como portadora da afetividade nas relações familiares, que até bem pouco tempo a mulher era a única representante. Tal fato é bastante evidente no trabalho de enfermagem, tendo em vista a predominância feminina na categoria, fato que é bastante peculiar, pois é freqüente a realização do duplo papel pelas trabalhadoras de enfermagem, refletindo a penosa divisão de papéis que estas mulheres enfrentam no seu cotidiano (trabalho profissional e trabalho doméstico). De maneira simplificada, pode-se dizer que com a ocupação da mulher na força de trabalho, a família atual se encontra órfã da afetividade. Se a alienação do trabalho determinou toda a expressão afetiva na família, ao transformar a família pelo ingresso da mulher na produção, desmontou-se a tradicional divisão de papéis. (CODO; SAMPAIO; HITOMI, 1993). O trabalho pode ser considerado como uma das principais atividades do ser humano, mas também uma condição que pode gerar múltiplos problemas de saúde. Sem dúvida, o trabalho desde o seu surgimento permitiu desenvolvimento para a humanidade, determinando avanço tecnológico e estabelecendo relações entre os grupos humanos. Entretanto, o trabalho pode ocasionar diversas alterações na saúde do trabalhador, inclusive a morte. (BENAVIDES, 2000). Para Dejours, Abdoucheli e Jayet (1994), o trabalho pode ser fonte de subsistência do homem, de acúmulo de riquezas, realização profissional e outras satisfações, como também pode ser fonte de sofrimentos, de doenças, de exploração e de escravidão que, muitas vezes são suportadas pelo trabalhador devido à necessidade de sobrevivência pessoal e de sua família, nem sempre com a 20 devida compensação social e/ou econômica. No Brasil, a População Economicamente Ativa (PEA), segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (PNAD 2002), era de 82.902.480 pessoas, das quais 75.471.556 consideradas ocupadas. Destes, 41.755.449 eram empregados (2.903.311 com carteira assinada); 4.991.101 militares e estatutários e 13.861.037 sem carteira assinada ou sem declaração; 5.833.448 eram empregados domésticos (1.556.369 com carteira assinada; 4.275.881 sem carteira assinada e 1.198 sem declaração); 17.224.328 eram trabalhadores por conta própria; 3.317.084 eram empregadores; 3.006.860 eram trabalhadores na produção para próprio consumo e construção para próprio uso; e 4.334.387 eram trabalhadores não remunerados. Portanto, entre os 75.471.556 trabalhadores ocupados em 2002, apenas 22.903.311 (com carteira assinada) possuíam cobertura da legislação trabalhista e do Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT, o que indica que a maioria dos trabalhadores brasileiros não dispunha de um trabalho decente e digno, com as garantias sociais e econômicas desejadas. Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, trabalho decente é um trabalho produtivo, remunerado, exercido em condições de liberdade, segurança e equidade, sem discriminação e capaz de garantir uma vida digna ao trabalhador. O trabalho é mediador de integração social, seja por seu valor econômico (subsistência), seja pelo aspecto cultural (simbólico), tendo, assim, importância fundamental na constituição da subjetividade, no modo de vida e, portanto, na saúde física e mental das pessoas. A contribuição do trabalho para as alterações da saúde mental das pessoas dá-se a partir de ampla gama de aspectos: desde fatores pontuais, como a exposição a determinado agente tóxico, até a complexa articulação de fatores relativos à organização do trabalho, como a divisão e parcelamento das tarefas, as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica organizacional. (BRASIL, 2000). Com base em Marx (1968), Alves (2002) infere que o trabalho é desprovido de interesse e estruturado para que os seus agentes sejam transformados em simples apêndice da máquina. Os trabalhadores possuem diferentes graus de qualificação, ficando sujeitos a ampliar a sua destreza em determinadas operações para que seja diminuído o tempo gasto em cada uma delas, aumentando a produtividade e diminuindo o valor do trabalho e da própria força de trabalho, reduzindo, assim, os gastos e maximizando os lucros. 21 Nesse sentido, o caráter do trabalho expressa o conteúdo da organização social do trabalho e é determinado pelo modo de produção dominante. Assim, no capitalismo, ele é determinado pela existência da sociedade privada nos meios de produção, que implica na exploração do homem pelo homem e pela lei fundamental desse tipo de sociedade, a lei da mais valia. (ALVES, 2002). Segundo Mielnick (1976), a atividade humana tem significado tríplice: material, psicológico e social. Para que o trabalho seja realmente uma atividade agradável e compensadora, é necessário que tenha uma representação psicológica muito mais intensa e importante do que mera remuneração. Conforme a legislação vigente, o trabalhador deve permanecer dedicado ao trabalho, no local, por um tempo determinado. Esse tempo subdivide-se em tempo de trabalho necessário ou pago e tempo de trabalho suplementar ou não pago. A questão que se coloca para a enfermagem é a seguinte: durante quanto tempo é permitido ao empregador consumir a força de trabalho dos trabalhadores de enfermagem? O capital ao não se preocupar com a duração da vida dessa força de trabalho tenta prolongar a sua jornada ao máximo possível, a fim de expropriar maiores níveis de produtividade e, portanto, maior consumo de força de trabalho. (ALVES, 2002). 1.2 Ambiente de Trabalho No âmbito da avaliação do posto de trabalho está a análise dos tipos de programas e serviços existentes para determinar se estes são adequados e se respondem às necessidades de proteção e promoção da saúde dos trabalhadores. Os programas de promoção da saúde propiciam situações que favorecem ao exercício físico e a nutrição, podem melhorar a saúde e a boa condição física global dos trabalhadores e, assim, reduzir a vulnerabilidade de exposição a riscos e a lesões de qualquer natureza. Os programas de proteção da saúde com o emprego de precauções universais e equipamento de proteção, podem reduzir consideravelmente os níveis de exposição. (MAURO, 2005). No estabelecimento de uma relação entre qualquer resposta humana e o nível de exposição relacionada ao trabalho, ou num contexto profissional, é necessário que se conheçam as atividades e as necessidades do trabalhador, as fases dos processos de trabalho e todos os aspectos do ambiente de trabalho. Diante de milhares de produtos químicos e processos novos no ambiente de trabalho compete 22 aos profissionais de saúde delinear novos riscos profissionais, detectar problemas existentes, desenvolver e implementar estratégias de prevenção, antes da ocorrência de danos no ser humano. (BULHÕES, 1998). O objetivo da avaliação do local de trabalho consiste em garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável, protegendo e promovendo o bem-estar físico e mental do trabalhador. Segundo Bulhões (1998), o ambiente apresenta três subdivisões: o ambiente físico, com o qual se interage diariamente, capaz de determinar respostas no ser humano; o ambiente biológico, pois em qualquer situação com que se convive, além de outros seres humanos com os quais se partilha o universo, existem vários organismos e microorganismos vivos que estão a todo tempo interagindo; e o ambiente socioeconômico, no qual cada ser humano está inserido e devido a isso, tem determinada a condição de salário, de renda, remuneração, enfim, sua posição social. A exposição do trabalhador às condições do ambiente de trabalho resulta da convergência de vários fenômenos, todos sujeitos a variações de tempo e espaço. As concentrações de contaminantes no local de trabalho são causadas por múltiplas fontes, cujos índices de emissão são dependentes do tempo. Tais concentrações são afetadas pelos níveis de ventilação, que dependem do tempo e do espaço. A modelagem de concentrações no local de trabalho é difícil por suas próprias características e a avaliação da exposição também exige um entendimento do comportamento do trabalhador. (BULHÕES, 1998). Os fatores nocivos do ambiente são as condições físicas, organizacionais, administrativas ou técnicas existentes nos locais de trabalho, que possibilitam a ocorrência de acidentes do trabalho e/ou adoecimento. (HAAG, 2001). De acordo com a Portaria nº 25 do Ministério do Trabalho e Emprego de 29 de dezembro de 1994, que determina que seja executada e cumprida a Convenção n.º 148, da Organização Internacional do Trabalho - OIT, sobre a Proteção dos Trabalhadores Contra os Riscos Profissionais Devidos à Contaminação do Ar, ao Ruído e a Vibrações no Local de Trabalho, os riscos são classificados em: • Riscos Físicos - formas de energia como ruídos, vibrações, pressões anormais, radiações ionizantes ou não, ultra e infra-som (NR-09 e NR-15). Objeto de avaliação quantitativa; • Riscos Químicos - substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar 23 no organismo por via respiratória, absorvidos pela pele ou por ingestão, na forma de gases, vapores, neblinas, poeiras ou fumos (NR-09, NR-15 e NR32). Objeto de avaliação quantitativa e qualitativa; • Riscos Biológicos - bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, etc (NR- 09); • Riscos Ergonômicos - são elementos físicos e organizacionais que interferem no conforto da atividade laboral e conseqüentemente nas características psicofisiológicas do trabalhador (NR-17) e que incluem: - Posto de trabalho inadequado (mobiliário, equipamentos e dispositivos) - “Lay-out” inadequado (caminhos obstruídos, corredores estreitos, etc) - Ventilação e iluminação inadequadas - Esforços repetitivos - Problemas relativos ao trabalho em turno - Assédio moral - Problemas relacionados com a organização do trabalho; • Riscos de Acidentes (condições com potencial de causar danos aos trabalhadores nas mais diversas formas, levando-se em consideração o não cumprimento das normas técnicas previstas). 1.3 Condições de trabalho Benavides (2000) refere que as condições de trabalho podem ser definidas como o conjunto de variáveis que definem a realização de uma tarefa concreta e o entorno em que esta se realiza, estas variáveis determinam a saúde do indivíduo que a executa, com a tripla dimensão física, psíquica e social. As condições de trabalho representam o conjunto de fatores que podem ser denominados como exigências da organização, execução, remuneração e ambiente do trabalho – capazes de determinar a conduta do trabalhador. Dessa maneira, o indivíduo responde com a execução de uma atividade ou conduta passível de ser analisada sob diferentes aspectos: perceptivos, motores e cognitivos. (ABEN, 2006). As condições de trabalho marcam o corpo do trabalhador. O envelhecimento precoce e a incapacidade resultante de acidentes e de doenças profissionais são algumas marcas em seu corpo físico. O alcoolismo e o uso indiscriminado de psicofármacos refletem as marcas em seu corpo psíquico. (ABEN, 2006). A discussão sobre aspectos teóricos e gerais de “condições de trabalho” se 24 justifica porque os estudos sobre condições de trabalho na enfermagem relacionamse principalmente com oferta de mão-de-obra, porém, são escassos, descontínuos, abstratos e contemplam basicamente informações quantitativas. (ALVES, 2002). Segundo Alves (2002), tentar contribuir para o desnudamento das condições de trabalho de uma força de trabalho feminina como a da enfermagem é um desafio, visto que este é um objeto complexo, polêmico e a sua análise demanda um saber específico, além de compreender que as relações sociais de produção dominantes desempenham um papel fundamental na determinação das condições de trabalho. Uma vez que a sociedade brasileira é capitalista, muito embora coexistam com outros modos de produção, este fato deve ser considerado como importante, porque a condição da força de trabalho, passa a ser agravada por um tipo de desenvolvimento econômico baseado na super exploração dos trabalhadores e na concentração de renda. Nesse sentido, a enfermagem ainda enfrenta dificuldades pra reivindicar melhores condições de trabalho, uma vez que com freqüência o profissional se submete à condições inadequadas de trabalho em decorrência da necessidade pessoal de sustento próprio e de sua família. Este fato é agravado pela predominância feminina na profissão, pois de maneira geral as demandas familiares e domésticas sobrecarregam a mulher, que em decorrência da necessidade econômica é obrigada a trabalhar em mais de um emprego e ainda realizar as atividades ligadas à administração do lar. De acordo com Mauro (2005), o termo condições de trabalho engloba diversos aspectos da situação de trabalho envolvendo os fatores de risco associados aos aspectos materiais, relacionais, psicológicos, organizacionais e outros presentes no contexto de trabalho. Dentre estes, pode-se considerar: o ambiente de trabalho, os fatores de risco, as cargas física, mental e psíquica, as relações de trabalho, o conteúdo do trabalho, as incertezas, os horários e o funcionamento da organização. As condições de trabalho podem ser consideradas objetivas, porque podem ser mensuradas; e subjetivas, porque são determinadas pela opinião, experiência do trabalhador, sendo, neste caso, necessário analisar as impressões emitidas pelos trabalhadores. Os elementos objetivos já estão sendo especificados nas Normas Regulamentadoras como variáveis ou indicadores. Os elementos subjetivos aparecem de forma mais geral em relação à saúde, pois considera que os elementos 25 físicos e psíquicos influenciam na situação de trabalho. O reconhecimento do papel do trabalho na determinação e evolução do processo saúde-doença dos trabalhadores tem implicações éticas, técnicas e legais, que se refletem sobre a organização e o provimento de ações de saúde para esse segmento da população, na rede de serviços de saúde. O estabelecimento da relação causal ou do nexo entre um determinado evento de saúde-dano ou doençaindividual ou coletivo, potencial ou instalado. É uma dada condição de trabalho que constitui a condição básica para a implementação das ações de Saúde do Trabalhador nos serviços de saúde presentes nos ambientes e condições de trabalho e/ou a partir da identificação de um diagnóstico, tratamento e prevenção dos danos, lesões ou doenças provocados pelo trabalho, no indivíduo ou no coletivo de trabalhadores. (BRASIL, 2000). Resumidamente, pode-se entender que condições de trabalho é tudo aquilo que gira em torno de trabalho e implica em um posto de trabalho no espaço específico de uma empresa ou unidade produtiva, com instalações e atividades delimitadas por objetos que são requeridos para que o trabalhador realize operações e tarefas determinadas, tendo como marco as relações formalizadas jurídica e organizacionalmente. (BENAVIDES, 2000). Falar de trabalho na enfermagem é falar de condições de trabalho que, baseando-se em Marx (1968), representam todas aquelas condições materiais que concorrem para o desenvolvimento do processo de trabalho, as quais não se identificam diretamente com o referido processo, mas sem as quais este não poderia ser executado, ou o seria de modo imperfeito. As condições de trabalho expressam um conjunto de fatores que determinam a qualidade e produtividade do trabalho e que são determinadas, fundamentalmente, pelos elementos do conteúdo do trabalho e pela qualidade e complexidade do próprio trabalho. (RODRIGUEZ in ALVES, 2002). Para Alves (2002), os trabalhadores da enfermagem se submetem a determinadas condições de trabalho a partir do acordo trabalhista, que propicia o início do processo de trabalho. O espaço para isso é encontrado na superestrutura que, por não representar a esfera produtiva da sociedade, oportuniza o desenvolvimento de um trabalho improdutivo do ponto de vista econômico, mas necessário ao controle social, à reprodução da força de trabalho do núcleo verdadeiramente capitalista da economia brasileira e à manutenção do sistema 26 empresarial da saúde. Ao lado da organização científica do trabalho e dos meios de trabalho tomamos, ainda como referência para análise, os agentes dos processos de trabalho diretamente atingidos pela qualidade das condições de trabalho que são também co-responsáveis pela mesma. Estes aspectos são relacionados com o caráter e a natureza do trabalho que produzem, com o parcelamento e com o espaço onde esse trabalho é materializado, considerando a predominância do sexo feminino entre os trabalhadores de enfermagem. (ALVES, 2002). Segundo Alves (2002), instrumentalizem a defesa é clara a necessidade de subsídios que dos conteúdos das lutas por melhores condições de trabalho na enfermagem. 1.4 O processo de saúde-doença e a influência do trabalho A associação entre o trabalho, a saúde e a doença dos trabalhadores tem sido objeto da observação e reflexão dos homens há séculos e está registrada, ao longo dos tempos, nos estudos de historiadores, filósofos, escritores, médicos, cientistas sociais e artistas. (MENDES; DIAS, 1991). O processo saúde-adoecimento do trabalhador resulta da complexa e dinâmica interação das condições gerais de vida, das relações de trabalho, do processo e do controle que os próprios trabalhadores colocam em ação para interferirem nas suas condições de vida e trabalho. (HAAG, 2001). A Revolução Industrial, iniciada em meados do Século XVIII, na Inglaterra, introduziu uma nova forma de produzir e organizar o trabalho, com profundas repercussões no modo de viver, adoecer e morrer dos trabalhadores. (MENDES; DIAS, 1991). O trabalhador conforme sua ocupação está exposto a riscos “específicos” de adoecer e morrer, devendo ser protegido, segundo as práticas da Medicina do Trabalho. (MENDES; DIAS, 1991). A aceleração do processo social de mudanças tecnológicas e organizacionais nos processos de trabalho, que ocorreram após a 2ª Guerra Mundial, repercutiu no modo de vida dos grupos humanos e se refletem nas formas de adoecer e morrer, e em decorrência do movimento e organização dos trabalhadores. Esta prática foi sendo modificada e ampliada dando lugar à Saúde Ocupacional. (MENDES; DIAS, 1991). 27 A abordagem das relações saúde e trabalho ganhou novo enfoque na década de 70, particularmente no âmbito da América Latina, sob a influência do marco teórico da Epidemiologia social, que se constituiu um dos pilares do campo da Saúde do Trabalhador. (LAURELL; NORIEGA, 1989). O reconhecimento do processo Saúde-doença dos trabalhadores não é determinado apenas no âmbito da fábrica ou da produção. É indiscutível o papel e a importância dos riscos para a saúde gerados em processos de trabalho particulares. Vários fatores, como: poeiras, substâncias químicas tóxicas, ruído, vibração, calor ou frio excessivos, radiações ionizantes e não-ionizantes, microorganismos, posturas e movimentos requeridos pelo trabalho, tensão, monotonia, relações autoritárias e conflituosas com as chefias e gerências, entre outros fatores de risco, constituem “cargas de trabalho” responsáveis por danos à saúde dos trabalhadores. (FACCHINI, 1994). O processo denominado “Terceira Revolução Industrial” ou de “Reestruturação Produtiva” ocorrido nos anos 90, pode ser entendido como uma nova forma de produzir, incentivada pelos avanços tecnológicos, e por novas formas de organizar e gerir o trabalho, introduzindo mudanças radicais na vida e nas relações das pessoas e dos países e, por conseqüência, no viver e adoecer dos trabalhadores. (FERREIRA, 2000). Este processo de “universalização” do mundo e das desigualdades sociais crescentes se caracteriza pela concentração do poder político e econômico, a deterioração da qualidade de vida, expressa na poluição e degradação ambiental, o desemprego, o crescimento de formas variadas de violência, entre outros. Entretanto, observa-se, também, o aumento da expectativa de vida e abrem-se novas perspectivas de revisão dos atuais sistemas de valores ético-políticos e estéticos. (GUATTARI, 1990; DOWBOR, 1998). Esta transformação causou grande repercussão social, como a diminuição dos postos de trabalho que vieram acarretar o desemprego. A diminuição absoluta do emprego foi também acrescida do aumento das exigências e qualificações requeridas dos trabalhadores, reforçando a exclusão dos menos qualificados, dos muito jovens, dos mais idosos, dos menos escolarizados e/ou portadores de algum tipo de desvantagem bio-psíquica ou social. (MENDES; DIAS, 1991). O crescimento do trabalho no setor informal, que já ocupa mais de 50% da População Economicamente Ativa (PEA) nos grandes centros urbanos brasileiros, 28 exemplifica a “precarização” do trabalho, decorrente da subcontratação do trabalho, nas práticas de “terceirização” e “quarteirização” das atividades, do trabalho temporário, sendo facilitada pelas mudanças na legislação trabalhista que rege as relações de trabalho. (MENDES; DIAS, 1991). As inovações tecnológicas têm promovido a redução ou eliminação de alguns fatores de risco ocupacional, tornando o trabalho em alguns ramos uma atividade econômica mais leve, menos perigosa, porém introduzido “novas” cargas de trabalho, principalmente de natureza psíquica, com crescente sofrimento mental para os trabalhadores. (MENDES; DIAS, 1991). Neste sentido, pode-se citar que com o surgimento da tecnologia da informação e do computador nos processos de trabalho da enfermagem, alguns profissionais são obrigados a utilizar estas novas ferramentas para realização de atividades como: prescrição de enfermagem eletrônica, estatísticas e outras, fato que pode favorecer o aumento da carga psíquica e mental relacionada ao trabalho. Observa-se o aparecimento de outros efeitos adversos do trabalho, ainda pouco conhecidos, caracterizados por um tempo de latência longo: a leucemia em trabalhadores expostos ao benzeno ou o câncer de pulmão nos expostos à poeira de sílica. Os efeitos neuro-comportamentais em trabalhadores expostos a solventes também são um exemplo. (MENDES; DIAS, 1991). As inovações tecnológicas e os novos métodos gerenciais são responsáveis pela intensificação do trabalho, com aumento do ritmo, das responsabilidades e da complexidade das tarefas no trabalho, se traduzindo em manifestações de envelhecimento prematuro, no adoecimento e morte por doenças cardiovasculares e outras doenças crônico-degenerativas. As doenças ósteomusculares relacionadas com o trabalho (DORT) e sintomas de origem psíquica, como: a síndrome da fadiga crônica, a síndrome de “burnout” são patologias relacionadas ao trabalho presente no contexto atual. (FRANCO, 1997). Desse modo, o entendimento e a intervenção sobre a saúde dos trabalhadores apontam para novas abordagens e enfoques que traduzem o processo de reestruturação produtiva na globalização da economia. As mudanças urbanas, as transformações organizacionais do trabalho, os fatores de risco industriais e ambientais e os aspectos da saúde psico-física do trabalhador devem ser cada vez mais considerados. (FRANCO, 1997). 29 1.5 Saúde do trabalhador A saúde dos trabalhadores deve ser considerada uma prática social e sua implementação deve ocorrer no âmbito da Saúde Pública, buscando contribuir para a transformação da realidade de saúde dos trabalhadores e da população em geral. Na América Latina, nos anos 70, emerge uma formulação teórica sobre as relações saúde-trabalho acompanhada de uma nova prática sanitária, através da busca no “social” da determinação dos agravos à saúde dos trabalhadores (LAURELL, 1991). As relações trabalho e saúde-doença são vinculadas de maneira particular ao processo de industrialização e, em conseqüência, disso ao processo de urbanização. Nesse mesmo período, os trabalhadores exigem a regulamentação da jornada de trabalho e melhores salários, defendendo inclusive sua saúde e integridade física, através da luta por melhores condições de trabalho. (LACAZ, 1983). A existência de um movimento mundial de modificação nas legislações de saúde e segurança no trabalho vem encontrando respaldo nas políticas da Organização Internacional do Trabalho – OIT e da Organização Mundial de Saúde – OMS. Na Espanha, Itália, França e mesmo na OMS e na OIT observa-se uma nova nomenclatura para os serviços denominados de Higiene, Segurança e Medicina Ocupacional, Industrial ou do Trabalho, sendo atualmente denominados Serviços de Saúde do Trabalhador ou de Saúde no Trabalho. Isto pode ser entendido como reflexo de uma maior participação dos trabalhadores, caracterizando uma mudança no enfoque, que deixa de centrar as atenções nos riscos do ambiente de trabalho, se preocupando com a saúde do trabalhador, conferindo um conceito mais amplo e participativo. (HAAG, 2001). A Saúde do Trabalhador pode ser definida como uma área do conhecimento que estuda o processo de saúde e doença dos grupos humanos, bem como sua relação com o trabalho. O trabalho pode ser entendido como um espaço de dominação e submissão do trabalhador pelo capital, mas, também, de resistência, e de constituição. De forma lenta, os trabalhadores buscam o controle sobre as condições e os ambientes de trabalho, tornando-os mais saudáveis. (MENDES; DIAS, 1991). A compreensão dos processos de trabalho deve estar associada ao consumo de bens e serviços e ao conjunto de valores, crenças, idéias e representações 30 sociais próprios de um momento da história humana. (HAAG, 2001). Nesse contexto, as políticas de promoção de saúde do trabalhador devem acompanhar as mudanças econômicas, sociais e culturais da população. O processo de construção do campo da saúde dos trabalhadores está centrado em um pilar: a luta dos trabalhadores por melhores condições de vida e trabalho, através do reconhecimento de seu saber nos processos de trabalho, do direito à informação, do direito de recusa ao trabalho perigoso e insalubre objetivando a humanização do trabalho. (MENDES; DIAS, 1991). Desse modo, além das conseqüências mais visíveis, diretas e específicas das condições e ambientes de trabalho sobre a saúde, em decorrência da ação de agentes nocivos de natureza física, química, biológica e etc, é importante desvendar as relação trabalho e subjetividade. (SATO, 1993). A psicopatologia do trabalho se insere neste âmbito: o sofrimento está no centro da relação psíquica do homem com o trabalho. O objetivo não é eliminar o sofrimento da situação de trabalho, mas as conseqüências mentais sobre a saúde dos trabalhadores, mesmo na ausência de doenças. Este é o objeto de estudo da psicopatologia do trabalho. (DEJOURS, 1986). Segundo Bulhões (1998), o Conselho Internacional de Enfermeiras (CIE) apóia firmemente a elaboração de programas de saúde no trabalho para todos os trabalhadores, incluindo-se o pessoal dos serviços de saúde. As medidas de segurança devem fazer parte integrante dos programas de formação do pessoal de saúde em todos os níveis, e os administradores deveriam complementar essa função básica, através de programas de educação permanente, formal ou informal. 1.6 O trabalho no contexto hospitalar Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde (1957), hospital pode ser definido como uma organização de caráter médico e social, cuja função é assegurar assistência médica completa, curativa e preventiva à população e cujos serviços externos se irradiam até a célula familiar; é um centro de medicina e de pesquisa bio-social. O hospital é um espaço de trabalho complexo com processos de trabalho diversos, que são interativos e dependentes entre si, que ocorrem em diferentes níveis profissionais envolvendo tarefas específicas. (SOUZA, 1983). O conceito de hospital busca traduzir sua importância social e razão de ser para as pessoas. O hospital veicula a idéia de dor e sofrimento, local de perda e 31 desalento, embora também seja estabelecida a idéia de solução de um problema, de felicidade pelo nascimento de um nova vida, de refúgio por encontrar assistência e cuidado e de alento para o desespero. (KAWAMOTO; FORTES, 1986). No ambiente hospitalar são estabelecidas relações profissionais, cujo desenrolar de atividades com autonomia e poder de decisão são em sua grande maioria direcionados ao saber médico que detêm maior hegemonia e espaços para tomadas de decisão e de contra decisão, com relação à internação, prescrição de medicamentos, exames e a concessão da alta hospitalar. O trabalho hospitalar é executado por uma interação multidisciplinar de médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e outros com a finalidade de oferecer assistência integral à saúde da comunidade. (KAWAMOTO; FORTES, 1986). O exercício da Enfermagem no contexto dos movimentos Renascentistas e da Reforma Protestante correspondeu ao período em que ocorreu a retomada da ciência, o progresso social e intelectual da Renascença e a evolução das universidades, mas não constituíram fator de crescimento para a Enfermagem. Esta permaneceu enclausurada nos hospitais religiosos, de maneira empírica e desarticulada durante muito tempo, vindo desagregar-se ainda mais a partir dos movimentos de Reforma Religiosa e das conturbações da Santa Inquisição, quando o hospital passou a ser um insalubre depósito de doentes, onde homens, mulheres e crianças utilizavam as mesmas dependências, em leitos coletivos. Este momento histórico correspondeu a um período em que a enfermagem possuía uma caráter indigno e sua atividades eram realizadas por mulheres de caráter duvidoso e de baixa classe social. (ABEN, 2006). Este fato explica as dificuldades enfrentadas até hoje pela categoria para obter o reconhecimento e o prestígio social merecido, embora a enfermagem represente 65% de toda força de trabalho no âmbito hospitalar. A enfermagem, no contexto histórico do hospital, é resultante do momento histórico de cada povo, suas crenças, religião e costumes. Para a era cristã, a enfermagem representou-se pelas religiosas, que executavam as tarefas de cuidar e curar os doentes; era uma atividade, um trabalho de caráter exclusivamente espiritual, voltado para a caridade e benevolência. (SANTOS, 2001). Atualmente, esta característica ainda é muito solicitada pelos clientes hospitalizados, que apelam pela bondade da enfermeira para sanar sua dor, para 32 desabafar seus sentimentos de ódio e rancor pela assistência, pela comida e pela insatisfação no período de internação. (SANTOS, 2001). A disciplina ética é muito cobrada em profissões hierarquizadas como a enfermagem, representando uma forma de exercício de dominação dos que possuem maior autonomia profissional e liberdade de agir, visto que alguém deve vigiar e cuidar do doente por 24 horas. A enfermagem executa esse papel, se responsabilizando por vários cuidados, desde os mais simples, como o de alimentar o doente, trocar roupas de cama e higienização até a realização de procedimentos mais complexos como a realização de cateterismos venosos de inserção periférica e procedimentos de hemodiálise e assistência integral à pacientes em estado crítico. (SANTOS, 2001). Segundo Lima (1996), as pessoas não devem ser consideradas peças adaptáveis de uma máquina, mas como seres complexos que têm necessidades também complexas e que precisam ser satisfeitas para assegurar o bom desempenho organizacional. Atualmente, as organizações que objetivam um melhor desempenho, investem em processos de qualidade, incentivando a responsabilidade pelo trabalho, mas também integrando as necessidades individuais e organizacionais. A gestão participativa entende que as pessoas são recursos valiosos que podem enriquecer o trabalho de diferentes formas com oportunidades adequadas. 1.7 O trabalho de enfermagem O trabalho de enfermagem é organizado pela lógica administrativa taylorista, é um trabalho decomposto por tarefas, hierarquizado e sistematizado. Os trabalhadores são organizados por categorias profissionais e atribuições sistematizadas pela “lei do exercício profissional” (Lei nº 7.498 de junho de 1988). Esta lei determina a execução de atividades consideradas de maior e menor grau de complexidade de acordo com as categorias e o saber dos trabalhadores da equipe de enfermagem (Decreto Lei nº 94.406 de 08 de junho de 1987), com formação profissional, conhecimentos e saberes teóricos científicos. Analisando o contexto histórico da Enfermagem, quando o trabalho intelectual foi separado do manual por Florence Nightingale, as atividades intelectuais passaram a ser desenvolvidas por pessoas de classe social elevada, com boa educação, possuidoras de conduta ética e moral, denominadas ladies 33 nurses – enfermeiras. Em contrapartida, as pessoas que executavam atividades manuais provinham de classes mais pobres, cujo desenvolvimento de tais atividades não exigia capacidade cognitiva. Esperava-se destas pessoas um comportamento moral, ético e subserviência, além de desenvoltura motora, sendo denominadas as nurses – auxiliares e técnicos de enfermagem. Este fato conferiu à profissão um caráter elitista, resultando numa fragmentação profissional e social muito grande. (SOUZA, 2006). Esta divisão hierárquica existe até os dias de hoje; o enfermeiro realiza as atividades de maior complexidade e a função gerencial. Os técnicos e auxiliares de enfermagem realizam as tarefas delegadas pelo enfermeiro e de menor grau de complexidade. As habilidades técnicas e de prática são adquiridas pela experiência profissional e pela realização de especializações, caracterizando o processo de trabalho pela exigência de qualificação, habilidade e destreza. A distribuição de atividades em graus de maior e menor complexidade é organizada de forma hierarquizada de acordo com o grau de formação e o nível de escolaridade. (LIMA, 1994). Segundo a ABEN (2006), a enfermagem tem mais de 40 especialidades no Brasil, cujo domínio de sua prática inclui: • Prestação de cuidados diretos e a avaliação de seu impacto; • Defesa dos interesses dos pacientes e da saúde em geral; • Supervisão e delegação de tarefas; • Direção e gestão; • Ensino e Pesquisa; • Elaboração da Política de saúde. A enfermagem possui algumas características peculiares, tais como: ser prestadora de assistência ininterrupta 24 horas por dia, sendo responsável por atividades diretamente relacionadas ao cuidado e a recuperação das condições satisfatórias de vida e execução de cerca de 60% das ações de saúde. São os trabalhadores da saúde que mais entram em contato físico com os doentes, com uma predominância do gênero feminino e de formação profissional fragmentada e hierarquizada. (LIMA, 1994). Um dos aspectos que contribui para aumentar a vulnerabilidade do trabalhador de enfermagem e de todo o pessoal do setor saúde é a falta de 34 informação da maioria de seus integrantes sobre assuntos relativos à saúde do trabalhador. Isto reforça a presença de dois importantes fatores na ampliação dos riscos ocupacionais: a ignorância do risco e a dificuldade para compreender, aceitar e cumprir as medidas de segurança do trabalho. (LIMA, 1994). O resultado do trabalho da enfermagem é a produção de um serviço, que pode se transformar artificialmente em mercadoria. O trabalhador de enfermagem ao se sujeitar às condições gerais do mercado de trabalho, possibilitou a transformação de seus trabalhadores em força de trabalho, portanto, passíveis de serem contratados, e de receberem um salário por um determinado período de tempo, para a realização de um trabalho capaz de apresentar um valor excedente e não mais apenas, o caráter caritativo. Tornou-se uma profissão constituinte do sistema de produção geral, sujeito às mesmas determinações do trabalho em geral. (LEOPARDI et al., 1999). Segundo a ABEN (2006), no setor de saúde, a enfermagem é uma categoria de trabalhadores que ocupa singular função. Para cumprir um dos mais importantes papéis sociais e de grande relevância econômica, o trabalhador de enfermagem muito avançou cientificamente para atender às atuais e crescentes exigências, como: a realização de diagnósticos mais precisos, cirurgias mais seguras com pósoperatório melhor monitorado; maior cobertura vacinal das populações infantil e idosa. Nas muitas e diferentes etapas de todos esses processos, o trabalhador de enfermagem tem necessária presença. Para a ABEN (2006), nos últimos 20 anos, os trabalhadores de enfermagem contribuíram para conquistar os avanços na tecnologia e conhecimentos em saúde com a participação de outras categorias de trabalhadores nas seguintes lutas: a epidemia de AIDS, o recrudescimento da tuberculose, o câncer, o aumento das patologias psicossociais e outras. Entretanto, ainda falta o reconhecimento de sua própria vulnerabilidade aos riscos ocupacionais, tendo em vista algumas das características já apontadas em Riscos do trabalho de Enfermagem, que se identifica pelo fato da enfermagem ser: • O maior grupo individualizado de trabalhadores de saúde; • Prestadora de assistência ininterrupta, 24 horas por dia; • Executora de cerca de 60 % das ações de saúde; • A categoria que mais entra em contato físico com os doentes; • Por excelência, uma profissão feminina; 35 • Bastante diversificada em sua formação. (ABEN – RJ, 2006). O quantitativo de enfermeiros cadastrados no conselho Federal de Enfermagem contabiliza atualmente 137.896 enfermeiros (dado obtido no site do COFEN, 2007). Este profissional tem o papel de detentor do saber e de controlador do processo de trabalho da enfermagem, cabendo aos demais trabalhadores (auxiliares e técnicos de enfermagem) executar tarefas delegadas. (LEOPARDI et al., 1999). 1.8 Riscos do trabalho de enfermagem Segundo Bulhões (1994), o enfoque à Saúde do Trabalhador e a inserção da enfermagem enquanto profissão se caracteriza pela prestação de assistência, sofrendo conseqüências da organização do trabalho, pois as relações saúde e trabalho se estabelecem no cotidiano, fato que faz com que a enfermagem se conscientize mais dos riscos ocupacionais, entendendo-os como resultado de um processo histórico, cultural e social. A figura do enfermeiro está tradicionalmente ligada às instituições hospitalares. Estas atividades estão associadas à tensão emocional, longas jornadas de trabalho, baixa remuneração, condições de insalubridade do ambiente de trabalho e duplo emprego, levando-os ao absenteísmo, que proporcionalmente faz aumentar a carga de trabalho dos demais elementos da equipe. (BULHÕES, 1994). Atualmente, o hospital é o principal local de trabalho da equipe de enfermagem que permanece a maior parte de sua vida produtiva neste ambiente, freqüentemente em mais de um turno de trabalho, devido aos baixos salários. Podese entender que a mesma instituição que tenta salvar vidas e recuperar a saúde das pessoas enfermas é a mesma que favorece o adoecimento dos profissionais, pois, aparentemente, não há preocupação com a proteção, promoção e manutenção da saúde de seus trabalhadores. (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004). A preocupação com a saúde do trabalhador de enfermagem ocorre desde 1700, através da publicação de Ramazzini, que questionou a contaminação de parteiras, possíveis precursoras dos profissionais de enfermagem, durante a realização de seu trabalho (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004). Segundo Robazzi, Marziale e Rocha (2004), a consolidação e o 36 reconhecimento das ações de risco, os perigos de manipularem antibióticos de última geração, os problemas que podem ocorrer com o preparo de antineoplásicos, as dermatites que podem ser ocasionadas pelo uso prolongado de luvas ou degermantes e outras substâncias químicas utilizadas no ambiente hospitalar, ocorreram a partir da observação desses profissionais e da verbalização dos trabalhadores sobre os riscos. No ambiente hospitalar, existe uma multiplicidade de riscos para os trabalhadores de enfermagem, porém, existem basicamente os riscos: biológicos, físicos, químicos, psicossociais e ergonômicos. Os biológicos são os responsáveis por infecções agudas e crônicas, ocasionadas por vírus, fungos e bactérias. Os físicos são aqueles causados pelas radiações, vibrações, ruídos, temperatura ambiental, iluminação e eletricidade. Os riscos químicos são os gerados pelo manuseio de uma variedade grande de substâncias químicas e também pela administração de medicamentos que podem provocar desde simples alergias até importantes neoplasias. Os riscos psicossociais são desencadeados pelo contato com o sofrimento do paciente (estresse, fadiga mental, etc). Os ergonômicos são gerados principalmente pela postura inadequada dos profissionais de enfermagem em situações como movimentação de pacientes, flexões da coluna freqüentes, entre outros. (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004). Os riscos ocupacionais de enfermagem, de acordo com Bulhões (1994), são classificados, de acordo com a natureza: Riscos físicos: ruídos, vibrações, radiações ionizantes e não ionizantes, frio, calor, pressões, umidade, etc. Riscos químicos: poeira, fumos, névoas, neblina, gases, vapores, produtos químicos e quimioterápicos. Riscos biológicos: vírus, bactérias, protozoários, fungos, parasitas, bacilos. Riscos ergonômicos: levantamento de peso, postura inadequada, controle rígido de produtividade, ritmos excessivos, trabalho noturno, jornadas longas, monotonia, estresse físico e psíquico. Riscos de acidentes: local físico inadequado, máquinas sem proteção, ferramentas inadequadas, iluminação inadequada, eletricidade inadequada e existência de animais peçonhentos. No conceito de Laurell e Noriega (1989), os riscos físicos, advindos das cargas físicas são aqueles representados pelo efeito do calor, ruído, das radiações 37 ionizantes e dos níveis de iluminação. Os riscos mecânicos advindos das cargas mecânicas são representados pelas quedas, escorregões ou outras lesões de natureza mecânica, inclusive relacionadas à equipamentos como:macas, cadeiras de rodas e camas. (LAURELL; NORIEGA, 1989). Ainda, baseando-se em Laurell e Noriega (1989), os riscos biológicos são os advindos das cargas biológicas. Estes são encontrados nos trabalhadores de enfermagem, pela natureza do seu trabalho, e sua exposição ocorre em função do contato íntimo e freqüente com pacientes contaminados. As práticas de enfermagem que envolvem riscos químicos são várias. Destacamos o manuseio de produtos químicos que são largamente utilizados nos hospitais com diversas finalidades como agentes de limpeza, desinfecção e esterilização (quaternário de amônia, glutaraldeído, óxido de etileno, etc) e a manipulação de alguns medicamentos destacando-se os quimioterápicos que, muitas vezes, são manipulados sem capela de fluxo laminar, luvas, capotes e máscaras. Quanto às cargas psíquicas, com base em Laurell e Noriega (1989), pode-se considerar a fadiga, a tensão, a perda de controle sobre o trabalho, as dobras de plantão, o trabalho subordinado, parcelado e fragmentado, a repetição de tarefas, o ritmo acelerado de trabalho, o contato com o cliente, a observação do sofrimento, a angústia causada pela doença e a ansiedade nas incertezas da vida e a morte. Os riscos das cargas fisiológicas podem advir da postura incômoda, do trabalho em pé por longos períodos, do trabalho em turnos, da ansiedade, do estresse e pelas situações difíceis vivenciadas pelo profissional de enfermagem como dor e morte, conforme o conceito de Laurell e Noriega (1989). O trabalho da enfermagem exige atenção constante, concentração, memória, capacidade perceptiva, visual e auditiva, podendo causar fadiga mental e prejuízo na qualidade da execução das tarefas. 38 1.9 Importância da participação dos trabalhadores na avaliação das condições de trabalho Segundo Boix et al. (2001), a prevenção é o controle dos riscos no local de trabalho, implica na mudança da realidade dessas condições de trabalho através da capacidade de mobilização e decisão dos que estão envolvidos no processo, como gestores e trabalhadores. Este processo faz parte das tarefas dos prevencionistas (técnico encarregado da promoção da saúde dos trabalhadores), tanto quanto medir o nível da exposição ao risco e estabelecer as medidas de controle e prevenção. Na concepção do modelo técnico-prevencionista que é neutro, atualmente utilizado no cumprimento da legislação, prevalece a realidade de pressupostos baseados apenas em conhecimentos técnicos sobre qualquer outro tipo de enfoque, deixando à margem considerações de caráter sócio-cultural, incluindo características próprias de saúde do trabalhador. (BOIX et al., 2001). Boix et al. (2001, p. 25) referem que, “a experiência dos trabalhadores é algo especialmente ausente neste modelo”, porque pretende conhecer o risco do trabalho, exclusivamente com base na avaliação técnica supostamente objetiva. No melhor dos casos, se incorpora formalmente um levantamento realizado com os trabalhadores como informação complementar, sem, contudo, considerar nenhum valor em termos de conhecimento, excluindo os fatores culturais que intervém na construção social da percepção do risco e da saúde, o que corresponde a percepção subjetiva dos trabalhadores. Esta maneira de analisar o risco comporta um conhecimento apenas parcial da realidade, especificamente no que se refere aos mecanismos sócio-culturais que geram e mantém situações de risco. Este enfoque técnico-quantitativo é objetivo e pretende basicamente calcular a probabilidade de um determinado perigo ou risco e estimar a magnitude das conseqüências ou perdas. (BOIX et al., 2001). De acordo com Boix et al. (2001), o outro enfoque é subjetivo e permite levar em consideração os diferentes significados dos riscos, em função das pessoas que os percebem (percepção individual) e sua relação com os contextos sócio-culturais em que se produzem (percepção coletiva). Neste caso, a percepção do risco no trabalho pelos trabalhadores pode estar condicionada à fatores que eles consideram como relevantes para sua saúde (significado), a sua inquietação com a possibilidade de sofrer um dano e suas 39 conseqüências (incertezas) e as expectativas do controle relacionados aos riscos (confiança). Estas percepções podem estar influenciadas pelas características pessoais dos trabalhadores (gênero, idade, situação familiar e outras), contudo, na experiência de Boix et al. (2001), tais fatores não têm se mostrado muito relevantes. Do ponto de vista preventivo, o que interessa principalmente não é a percepção de cada trabalhador, mas as percepções coletivas construídas a partir da experiência comum em determinadas condições de trabalho. De fato, o que interessa ao estudo são os significados sobre os riscos do trabalho ao qual compartilham a maioria dos trabalhadores e que condicionam a determinadas formas de pensar e de atuar. Isto significa que a avaliação das condições de trabalho com base na percepção dos trabalhadores leva a identificação de um diagnóstico de tendências de problemas e fatores determinantes da saúde/doença decorrentes das condições de trabalho, tendo em vista a proposição de programas de saúde do trabalhador. A partir desse diagnóstico serão identificados os riscos iminentes para os quais deverão ser realizadas as mensurações técnicas correspondentes. (BOIX et al., 2001). Não se pode afirmar que os ditos significados compartilhados sejam opções voluntárias ou aleatórias, mas o resultado do que em sociologia se denominam “condições materiais de existência que compartilham os trabalhadores”. (BOIX et al., 2001, p. 25). Contudo, as avaliações subjetivas formariam parte de uma realidade do risco, tanto quanto a estimativa técnica de sua probabilidade ou de sua magnitude, assim, por exemplo, para conhecer o risco real na utilização de uma substância química, deveremos saber suas propriedades toxicológicas (perigo potencial para a saúde), as condições de utilização (probabilidade de exposição) e os níveis de contaminação (gravidade da exposição), como também se deve perguntar sobre se os trabalhadores expostos percebem a situação como uma ameaça para sua própria saúde e a de seus companheiros. (BOIX et al., 2001). Neste contexto, o estudo visa o conhecimento das condições gerais da situação de trabalho em enfermagem, que certamente indicará os fatores mais significativos de risco, os quais irão direcionar também para aspectos específicos a serem estudados, como no caso do estudo em oncologia. 40 2 METODOLOGIA 2.1 Tipo de estudo Trata-se de um estudo não experimental, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa e aporte qualitativo que, através das informações dos sujeitos, obtidas a partir do instrumento de coleta de dados e pelo detalhamento das técnicas qualitativas para análise da informação foram verificados resultados dos questionários. (RICHARDSON, 1999). Para Polit e Hungler (1995, p. 277), “[...] a pesquisa quantitativa enfatiza o raciocínio dedutivo, as regras das lógicas e os atributos mensuráveis da experiência humana [...] e tem como base os procedimentos estatísticos para análise das informações numéricas sob controle do pesquisador”. A pesquisa descritiva é aquela que tem como função principal a análise do objeto, procurando descrever a situação sem nela interferir, ou seja, a pesquisa descritiva serve para descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los, isto é, sem a interferência do pesquisador. (GIL, 1999). A pesquisa descritiva baseia-se na descrição de fenômenos relativos à profissão, baseados em observação, descrição e classificação dos fenômenos observados. É uma modalidade de pesquisa muito utilizada na enfermagem. Ela se subdivide em pesquisa de campo, que busca a descrição dos fenômenos em cenários naturais, examinando profundamente as práticas, comportamentos e atitudes das pessoas ou grupos em ação na vida real. (POLIT; HUNGLER ,1995). 2.2 Dados da instituição e período de realização do estudo O Instituto Nacional de Câncer - INCA é um órgão do Ministério da Saúde que tem como missão desenvolver ações nacionais visando à prevenção e controle do câncer e, como referência, prestar serviços oncológicos no âmbito do SUS. O INCA está estruturado em seis grandes áreas representadas pelas seguintes Coordenações: Coordenação de Assistência – COAS; Coordenação de Prevenção e Vigilância – CONPREV; Coordenação de Pesquisa – CPQ; Coordenação de Ensino e Divulgação Científica – CEDC; Coordenação de Administração – COAD; Coordenação de Recursos Humanos – CRH Coordenação de Ações Estratégicas – COAE. e 41 A área de assistência médico-hospitalar é constituída por quatro Hospitais de Câncer: HC I, HC II, HC III, HC IV, pelo Centro de Transplante de Medula Óssea (CEMO) e pela Divisão de Patologia (DIPAT). Os dados institucionais foram obtidos a partir de informações consultadas na publicação A gestão do trabalho no INCA/MS (BRASIL, 2006) da Coordenação de Recursos Humanos da Instituição. O perfil da Força de Trabalho do INCA foi obtido no Sistema de Informações gerenciais em RH – SIGRH/INCA. (BRASIL, 2006). De um quantitativo de 3.245 trabalhadores, 56,1% é composto por servidores do quadro efetivo do Ministério da Saúde e 43,9% contratados pela Fundação Ary Frauzino - FAF. Segundo Almeida, Junqueira e Oliveira (2007), as mulheres são a maioria entre os trabalhadores do INCA: 62,3%. Na área de prevenção, assistência e pesquisa estão as maiores concentrações do sexo feminino. A faixa etária da força de trabalho do INCA é de menos de 50 anos, com uma característica nítida entre os mais idosos, ou seja, acima de 60 anos; em torno de 85% são vinculados ao Ministério da Saúde, e os mais jovens, com até 29 anos, são contratados pela FAF. Situação geral da Instituição A gestão do trabalho no INCA tem como pressuposto básico, os processo de regulação do trabalho. As ações, procedimentos e normatizações dessa área produzem efeitos e conseqüências no conjunto dos processos relacionados ao sistema de recursos humanos como um todo, e que vão desde a seleção de pessoal até o desenvolvimento e monitoramento da força de trabalho. A regulação do trabalho no INCA, tendo em vista a parceria com a Fundação Ary Frauzino, gera contextos diferenciados de gestão. O quadro de pessoal do INCA é regido por duas diferentes legislações trabalhistas: Regime Jurídico Único - RJU e Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, o que acarreta diferentes modalidades de intervenção e acompanhamento. (BRASIL, 2006). A Divisão de Saúde do Trabalhador - DISAT é a divisão da CRH/INCA que tem como principal objetivo cuidar da saúde de seus trabalhadores, buscando uma melhoria da qualidade de vida nos locais de trabalho. O sistema de vigilância me Saúde do Trabalhador, capaz de identificar e intervir sobre as situações de risco e suas repercussões na saúde do trabalhador é priorizado e se subdivide em 42 Vigilância e Promoção Integral de Saúde e Vigilância dos Ambientes de Trabalho. Nesse contexto, a Divisão de Saúde do Trabalhador realiza rotineiramente atividades que contribuem para consolidar parcerias e co-responsabilidades pelo processo e organização do trabalho em saúde. A análise dos acidentes de trabalho é realizada por uma avaliação coletiva e co-participativa com todos os envolvidos. As medidas educativas de prevenção e combate a incêndio, as avaliações ergonômicas, visando o conforto ambiental e as recomendações de biossegurança são premissas básicas desenvolvidas na Instituição. É importante ressaltar o grande interesse dos trabalhadores que participaram do estudo sobre medidas de segurança na prevenção de acidentes e em situações de emergência, fato que deve ser motivo de reflexão e atenção por parte dos responsáveis pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. A coleta de dados foi realizada no período de 15 de Outubro a 15 de Novembro de 2007. 2.3 Cenário do estudo O estudo foi realizado no Centro de Transplante de Medula Óssea – CEMO, no Centro de Tratamento Intensivo Adulto e na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica. O Centro de Transplante de Medula Óssea está localizado no 7º andar do HC I, possui uma unidade de internação com capacidade de 12 leitos para internação, uma unidade ambulatorial e laboratório de imunogenética. O CEMO é a unidade de atendimento a pacientes com doenças hematológicas malignas e afecções correlatas, indicadas para transplante de medula óssea. A unidade integra o Sistema Nacional de Transplante, do Ministério da Saúde, coordenando o Banco de Células de Sangue de cordão, o Banco de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP), a Divisão de Imunogenética e Transplante de Medula (DITRAN) e o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). O Centro de Tratamento Intensivo Adulto está localizado no 10º andar, com capacidade para 10 leitos de internação e a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, localizada no 5º andar, com capacidade para 06 leitos de internação. O CTI Adulto e a UTI Pediátrica são setores da unidade hospitalar do Hospital do Câncer I – HC I do Instituto Nacional do Câncer, referência em Oncologia Clínica e Cirúrgica, localizado no Centro, no município do Rio de Janeiro. Trata-se de um hospital de oncologia, de grande porte, com capacidade para 217 leitos de internação 43 hospitalar. 2.4 Critérios de inclusão e exclusão A amostra foi constituída pelo seguinte critério de inclusão: enfermeiros lotados no Centro de Transplante de Medula Óssea - CEMO, Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital do Câncer I que trabalhem há pelo menos dois anos em Oncologia e que concordem em participar da pesquisa. O critério foi estabelecido a partir da experiência vivenciada no cotidiano a partir da observação direta destes profissionais, pois com dois anos de atuação profissional o enfermeiro pode identificar com uma maior clareza as características do seu processo de trabalho. Foram excluídos da pesquisa enfermeiros que estavam usufruindo de férias e licenças, que se recusaram a participar do estudo, que não preencheram as características relativas ao critério de inclusão e os que não devolveram o questionário no prazo estipulado. 2.5 População Constituída por 68 enfermeiros que atuavam no Centro de Transplante de Medula Óssea - CEMO, Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital do Câncer I. Tabela 1 - Quantitativo de enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto e UTI Pediátrica Setor Quantitativo de Enfermeiros CEMO 41 CTI Adulto 15 UTI Pediátrica 12 TOTAL 68 Fonte: Serviço de Enfermagem do HC I e Serviço de Enfermagem do CEMO A jornada de trabalho de 40 horas semanais é organizada em uma escala de plantão de 12X60 horas com 03 complementações mensais, isto é, o enfermeiro trabalha em uma escala de plantão de 12 horas e folga 60 horas, totalizando uma média de 13 plantões/mês. Alguns enfermeiros possuem escala de serviço como 44 diaristas e trabalham 08 horas/dia de 2ª a 6ª feira. Tabela 2 - Funcionários e servidores por curso de graduação - INCA novembro/2004 a março/2005 Cursos de graduação INCA % MS % FAF por grandes áreas % Saúde 1667 72,7 864 73,2 803 72,2 Medicina 474 20,7 269 22,8 205 18,4 Enfermagem 353 15,4 158 13,4 195 17,5 Odontologia 5 0,2 2 0,2 3 0,3 Ciências biológicas 119 5,2 64 5,4 55 4,9 Outros cursos da saúde 91 4,0 55 4,7 36 3,2 Sociais 53 2,3 31 2,6 22 2,0 Humanas 37 1,6 18 1,5 19 1,7 Engenharias 15 0,7 9 0,8 6 0,5 Outras áreas 401 17,5 194 16,4 207 18,6 Total 2292 100,0 1180 100,0 1112 100,0 Fonte: CRH/INCA Na Tabela 2, observamos o quantitativo de enfermeiros de acordo com o vínculo empregatício, no período de novembro de 2004 a março de 2005, o INCA possuía 353 enfermeiros, sendo 158 com vínculo pelo Ministério da Saúde e 195 contratados pela Fundação Ary Frauzino – FAF. Vale ressaltar que, atualmente, a Instituição adotou outro critério de ingresso, ou seja, através de um processo seletivo que também tem sido adotado por outras Instituições ligadas ao Ministério da Saúde, a contratação temporária por dois anos. Desse modo, é importante esclarecer que de um total de 68 enfermeiros que atuavam nos setores estudados no período de coleta de dados, apenas 44 enfermeiros preencheram o critério de inclusão, uma vez que 24 enfermeiros lotados nos referidos setores trabalham na Instituição sob o regime de contratação temporária há menos de 02 anos. Esta modalidade de contrato de trabalho pode ser entendida como um exemplo atual da realidade das relações de trabalho que caracteriza a precarização do trabalho que, segundo Dejours (2006), pode ser entendida como uma realidade subjetiva vivida pelos trabalhadores, isto é, conviver em um mundo onde se perdeu várias garantias trabalhistas, direitos e conquistas adquiridas, que protegiam socialmente e psiquicamente as pessoas. 45 Nos setores pesquisados encontram-se lotados atualmente 68 enfermeiros, sendo que destes somente 44 preencheram os critérios de inclusão da pesquisa. Destes, 05 enfermeiros encontravam-se de férias, 06 enfermeiros de licença médica e 04 enfermeiros não devolveram o questionário no prazo estabelecido, totalizando 15 enfermeiros excluídos do estudo. Obedecidos aos critérios estabelecidos, tornaram-se sujeitos do estudo 29 enfermeiros, que responderam ao questionário (Seção A, B e C), representando 42,6 % em relação ao total de 68 enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto e UTI Pediátrica. 2.6 Aspectos éticos Os enfermeiros dos setores estudados foram convidados a participarem do estudo e orientados quanto aos objetivos da mesma e quanto ao preenchimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A), segundo o Comitê de Ética em Pesquisa do INCA, de acordo com as normas e exigências contidas na Resolução 196/96 – CNS. O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa do INCA em 23 de Agosto de 2007 (Anexo A) e encaminhado para registro na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP em 23 de agosto de 2007. 2.7 Coleta de dados Os instrumentos de coleta de dados foram os formulários propostos por Boix e Vogel (1997) para indústrias e adaptado para instituições hospitalares. Os instrumentos foram modificados para atender aos objetivos propostos na pesquisa. O instrumento utilizado tem origem no livro “La evaluación e riesgos em los lugares e trabajo – guia para uma intervención sindical”, e Pere Boix e Laurent Voguel, publicado pela “Oficina Técnica Sindical Europea para la salud y seguridad: BTS”, em 2000, na Espanha com edições em Inglês e Francês. Este guia foi preparado durante o desenvolvimento de dois seminários organizados pela “Associación Europea para la Formación de los trabajadores em nuevas Tecnologias – AFFET”, realizados em 1995 e 1997 com a participação e sindicalistas, o que foi concebido como uma ferramenta prática, com a finalidade de avaliar as condições de trabalho por parte dos trabalhadores em matéria de saúde e segurança na empresa. 46 Este instrumento de pesquisa tem como fundamentos: 1) a subjetividade do trabalhador na avaliação dos riscos à saúde pelo próprio trabalhador, a partir de informações que se situam no centro do objeto e estudo, o trabalho que é uma atividade humana consciente e inseparável dos conhecimentos que permitam ao trabalhador identificar, controlar ou encontrar formas e melhor adaptar o próprio trabalho às suas condições reais de trabalho; 2) A visão profissional através da observação as condições e trabalho, tendo como foco os fatores de risco ocupacional no ambiente e trabalho. A proposta metodológica apoia-se em oito pontos: 1. Diagnóstico da situação envolvendo os trabalhadores; 2. Identificação dos problemas na opinião dos trabalhadores e na observação sobre os locais de trabalho; 3. Coleta das informações; 4. Identificação os riscos; 5. Avaliação dos riscos; 6. Avaliação as alternativas de solução; 7. Proposição de plano de intervenção; 8. Proposição de seguimento e controle das medidas preventivas. Apesar da proposta original ter sido criada para ser realizada pelos sindicatos dos trabalhadores, o projeto principal do qual faz parte este estudo tem experimentado uma série de adaptações da metodologia proposta originalmente pelos autores Boix e Voguel (1997), substituindo o papel dos sindicalistas pelo papel de um técnico profissional, neste caso, o coordenador deste estudo (profissional que pertence à instituição) e a participação dos trabalhadores que são os profissionais de enfermagem que atuam no hospital. Desta forma, a pesquisa se propõe a cumprir do 1º ao 6º ponto recomendado pelos autores, e encaminhar posteriormente os resultados do levantamento para os gestores da saúde desses trabalhadores como contribuição e subsídios para que constituam subsídios para a operacionalização dos pontos 7 e 8. O modelo original do instrumento passou por diversas etapas de aplicação, avaliação e adaptação, a saber: 1º) - foi feita a tradução do instrumento original espanhol para o português, pela Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, coordenadora do projeto inicial de pesquisa e orientadora desta pesquisa; 47 2º) - consulta aos autores do modelo original, tendo sido autorizada sua aplicação no Brasil (Anexo B); 3º) - o instrumento em português sofreu uma nova versão para o espanhol para avaliar a fidelidade da interpretação; 4º) - o instrumento foi avaliado e aplicado primeiramente numa empresa de transporte de bebidas em Volta Redonda em 2001 (monografia e conclusão do curso de Enfermagem), sob orientação a Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, cujo projeto e relatório foram avaliados por uma Comissão Examinadora de peritos na área desse conhecimento e por pesquisadores do CNPq (Bolsa de Produção de Pesquisa – PQ e bolsas de Iniciação Científica – IC); 5º) - O instrumento foi posteriormente adaptado para hospital, passando pelo mesmo processo, tendo sido aplicado primeiramente entre 2001 e 2003 num hospital público de Volta Redonda com a coordenação da mesma orientadora, e por outros pesquisadores, também como objeto de Monografia de Conclusão de Curso de Graduação da FENF/UERJ, submetido novamente a avaliação de Comissão Examinadora da mesma Faculdade e por pesquisadores do CNPq (Bolsas PQ e IC; 6º) - Os resultados desta aplicação foram novamente avaliados, fazendo-se as readaptações necessárias para as atividades em saúde, e em 2003 foi aplicado, em parte, em duas clínicas de um Hospital Universitário no Rio de Janeiro, como objeto de estudo de uma Monografia de Iniciação Científica, passando pelo mesmo processo; 7º) - O mesmo instrumento sofreu aplicação parcial, como objeto de dissertação: em um Hospital Municipal em Campos (2004), de um Hospital da rede privada em Campos (2005), de um Hospital Estadual do Rio de Janeiro (2004) e de um Hospital do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (2003), estando agora em fase final de validação metodológica e aplicado em um Hospital Universitário (2006) e em dois Hospitais Federais (2007); 8º) - Este instrumento foi também utilizado em Unidades Básicas de Saúde de dois Municípios do RJ, estando esta modalidade em fase de validação. Como nas experiências hospitalares o instrumento foi sempre aplicado em partes, e o número de trabalhadores foi pequeno para validar o instrumento completo, em todas as suas modalidades, o mesmo está sendo objeto de uma validação global (o instrumento em toda sua extensão) como Projeto de Pesquisa com apoio do CNPq, intitulado “Inovação de gestão das condições de trabalho em 48 saúde para hospitais do Sistema Único de Saúde/ SUS – BRASIL” (Anexo C), sob a coordenação da orientadora deste estudo, após o que será publicado em periódico indexado, com todas as modificações, a partir do instrumento original, sendo a pesquisa objeto deste estudo, considerada como Projeto Piloto da validação global do instrumento. Em todos os casos em que o instrumento foi aplicado, foram utilizadas as referências: “MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto Sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000”. Para a coleta de informações, nesta pesquisa, foi utilizado o instrumento denominado QUESTIONÁRIO (Apêndice B), embora contenha uma parte para ser coletada através de observações. O instrumento foi subdividido em seções e classificado por letras maiúsculas e números arábicos, conforme a denominação a seguir: QUESTIONÁRIO: SEÇÃO A – Identificação dos sujeitos da pesquisa. SEÇÃO B – Identificação dos problemas B1 – Problemas do ambiente de trabalho B2 - Problemas de saúde dos trabalhadores e sua relação com as condições de trabalho. SEÇÃO C – Fatores organizacionais e relações no trabalho. C1 – Organização do Trabalho. C2 – Desigualdade no Trabalho. SEÇÃO D – Observação de problemas nos locais de trabalho. D1 – Locais de trabalho e instalações. D2 – Maquinaria (equipamentos), tecnologia e ferramentas ( instrumentais). D3 – Substâncias e materiais utilizados. D4 – Fatores ergonômicos. SEÇÃO E – Dados da Instituição. E1- Características gerais dos trabalhadores (quadro de pessoal). E2 – Situação geral da Instituição. E3 – Política de prevenção na Instituição. E4 – Interesse dos trabalhadores na prevenção de riscos. 49 Na coleta de informações, foram utilizados os seguintes procedimentos: • Seções A, B e C – as questões foram respondidas pelos sujeitos da pesquisa, que constituiu a amostra de 29 enfermeiros. • Seção D – estas questões foram respondidas a partir da percepção realizada das coordenadoras do serviço de enfermagem, constituída por uma amostra de 03 enfermeiros, que fazem parte das equipes de enfermagem dos setores estudados. • Seção E – foram obtidos dados a partir de informações consultadas na publicação A gestão do trabalho no INCA/MS (BRASIL, 2006) da Coordenação de Recursos Humanos da Instituição. metodologia, no subtítulo: Estes dados foram descritos na Dados da instituição e período de realização do estudo. Os questionários (Apêndice B) foram distribuídos individualmente para cada enfermeiro e para os coordenadores de enfermagem, sendo realizada uma breve explicação sobre o instrumento e esclarecimento de dúvidas após leitura do mesmo. Devido às características das unidades, ou seja, atendimento a pacientes críticos, foi estabelecido o prazo de uma semana para devolução do questionário devidamente respondido. É importante ressaltar que, para fins de análise dos resultados, não foram utilizados todos os dados obtidos, priorizou-se os dados referentes aos objetivos do estudo. Vale ressaltar que os demais dados serão utilizados para a produção de artigos científicos. 2.8 Tratamento e análise dos dados Os dados coletados foram categorizados e discutidos com vistas ao referencial teórico. Os dados quantitativos foram organizados por grupos de variáveis em função dos objetivos do estudo, servindo de base para análises estatísticas e descritivas dos resultados, que serão representadas por associações numéricas em termos percentuais absolutos e relativos e apresentados em tabelas, gráficos e quadros. O programa EPi-INFO foi utilizado para tratamento e análise estatística dos dados. Para a realização de algumas análises estatísticas, foi utilizado o Teste Exato 50 de Fisher (que é similar ao Qui-Quadrado) para amostras pequenas. A identificação entre as variáveis ocorre quando o valor de p é menor que 0.05. Pretende-se que os resultados desta pesquisa constituam um diagnóstico da situação de trabalho nos setores analisados, com vistas a fornecer subsídios para a elaboração de um projeto de melhoria das condições de trabalho na Instituição. 51 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos foram apresentados e organizados para atender aos objetivos do estudo: caracterização pessoal e profissional dos enfermeiros dos setores estudados, cuidados com a própria saúde, fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros nos locais de trabalho, análise das condições do ambiente de trabalho dos enfermeiros oncológicos e discussão sobre os problemas de saúde apontados pelos enfermeiros, provocados ou agravados pelo trabalho. 3.1 Características pessoais e profissionais dos enfermeiros dos setores estudados Tabela 3 - Características pessoais dos Enfermeiros lotados no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29) Variáveis Respostas f % Sexo Fem Masc 21 8 72 28 20 a 29 30 a 39 40 a 49 Mais de 50 Não respondeu 1 7 16 4 1 3,4 24,1 55,2 3,8 3,4 Estado civil Solteiro Casado 12 17 41,4 58,6 Nº de filhos 1 2 4 Não respondeu 12 4 1 2 63,1 21,1 5,3 10,5 Idade Fonte: Pesquisa de Campo Em relação às características gerais da população estudada, observou-se que predominantemente eram do sexo feminino 21 (72%), fato que coincide com os estudos de Bulhões (1994), que afirma que a profissão de Enfermagem é por excelência, feminina. Esta constatação vem se modificando gradativamente com a inserção cada vez maior de homens no mercado de trabalho da enfermagem. Com relação à idade, verifica-se uma concentração de 16 (55%) na faixa etária entre 40-49 anos, considerada economicamente produtiva, 17 (59%) são 52 casados e que 19 (66%) possuem filhos. Quanto à enfermagem, como opção profissional, Sobral (1994) refere ser uma profissão de mulheres, do gênero feminino, que envolve representações sociais inerentes às "características" da mulher ideal numa sociedade ainda dominada pelos homens, tais como: submissão, abnegação, disciplina, pureza, humildade e "domesticidade". Reforçando este pensamento, Moreira (1999) lembra que a enfermagem, como o magistério, é caracterizada como uma profissão de mulheres, profissão esta que, no mundo público, representava uma extensão do lar, de um feminino dócil, que cuida, nutre e educa. (SOBRAL, 1994). Este fato é cultural na sociedade mundial, especialmente ocidental, onde as práticas de cuidados são realizadas por mulheres, porque elas são responsáveis pela evolução da história de cuidar da humanidade, até os dias de hoje. (COLLIÈRE, 1999). Observa-se que a maior freqüência é de profissionais casados ou similares (58%), caracterizando que provavelmente estes trabalhadores desempenham dupla ou tripla jornada, em decorrência de suas atribuições domésticas, familiares e profissionais. Destaca-se, também, que o fato de ser casado ou viver maritalmente com alguém é uma responsabilidade, que exige deste profissional um certo grau de flexibilidade para conciliar as características do trabalho (trabalho em turnos, jornadas longas, processo de trabalho que interfere no equilíbrio emocional devido às situações de sofrimento vivenciadas e responsabilidade por lidar com pessoas enfermas), o que provavelmente interfere na vida social e familiar. Com relação ao número de filhos, apenas 5% tem 4 filhos, ocorrendo uma prevalência de 60% nos que tem 1 filho, fato que pode ser explicado pela necessidade de possuir mais de um emprego, conforme demonstrado na tabela que se segue, 31% possui dois vínculos profissionais, contribuindo para a redução do nº de filhos, uma vez que a educação e os cuidados exigidos pela maternidade são em geral responsabilidade da mulher e a existência de mais de um emprego pode interferir na vida familiar. 53 Tabela 4 - Características profissionais dos Enfermeiros lotados no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29) Variáveis Respostas f % Tipo de vínculo Estatutário Celetista Contrato temp. 13 15 1 44,8 51,7 3,4 Nº de vínculos empregatícios 1 2 3 Não respondeu 11 9 1 8 37,9 31,0 3,4 27,6 Turno de trabalho Diurno Noturno Ambos 16 4 9 55 14 31 30 horas 40 horas 60 horas 80 horas Mais de 80 horas Não respondeu 1 18 6 2 1 1 3,4 62,1 20,7 6,9 3,4 3,4 Carga horária semanal Fonte: Pesquisa de Campo A Tabela 4 revela que 55 % dos enfermeiros trabalham no plantão diurno e que 9 (31%) exercem dupla jornada de trabalho. É relevante observar que 11 (37%) trabalham somente em um emprego, seguido de 9 (31%) com dois empregos, esta prevalência maior de enfermeiros com 01 emprego pode ser explicada pela jornada de 40 horas exercidas no hospital estudado, dificultando a possibilidade de conciliar mais um emprego, embora, 31 % dos enfermeiros estudados afirmem a existência de 02 vínculos empregatícios. Dos enfermeiros participantes do estudo, 14% referem trabalhar somente à noite e 31% trabalha em ambos os turnos. Este fato tem efeito importante que pode ter repercussões no trabalho. Segundo Rotenberg (2004), o trabalho em turnos interfere na vida familiar de forma bastante significativa. Os trabalhadores em turnos vivenciam um cotidiano essencialmente diferente do restante de outras áreas ou comunidade, em termos de distribuição temporal de suas atividades, exigindo uma outra organização de vida que possa conciliar trabalho, vida social e familiar. É importante evidenciar que 27,6% não responderam a questão sobre o número de vínculo, pode-se entender que existe um certo receio para responder tal 54 questão, talvez relacionada ao excesso de carga horária trabalhada, fato que tem sido objeto de discussão junto a instâncias jurídicas e entidades representativas da categoria de enfermagem. Constatou-se que 18 (62%) trabalhavam 40 horas semanais, seguidos de 6 (20%) que cumprem uma carga horária total de 60 horas semanais. Segundo a ABEN (2006), estes dados podem ser facilitadores para o surgimento ou agravamento de doenças físicas, psicológicas ou sociais, uma vez que a enfermagem tem algumas características peculiares, tais como: ser prestadora de assistência ininterrupta 24 horas por dia, realizar atividades diretamente relacionadas ao cuidado e a recuperação das condições satisfatórias de vida, sendo responsável pela execução de cerca de 60% das ações de saúde, sendo os trabalhadores da saúde que mais entram em contato físico com os doentes, somando-se a sua peculiaridade de predominância do gênero feminino e de formação profissional fragmentada e hierarquizada. Estes fatores podem ser somados às características intrínsecas dessas unidades, como o atendimento aos pacientes em situações terminais e grande quantidade de tarefas a serem desempenhadas pelo profissional de enfermagem. É relevante observar que os enfermeiros têm sua situação de trabalho definida, com segurança em relação aos seus benefícios sociais e amparados pelo RJU – Regime Jurídico Único ou pela CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, uma vez que 13 (45%) são estatutários, 15 (52%) são celetistas e apenas 01 (3%) trabalha sob o regime de contratação temporária há dois anos. Vale ressaltar que, segundo Franco (1997), o crescimento do trabalho no setor informal, já ocupa mais de 50% da População Economicamente Ativa (PEA), nos grandes centros urbanos brasileiros. A contratação de trabalhadores por um período pré-determinado ou temporário exemplifica a “precarização” do trabalho, que pode ser entendida como subcontratação de trabalho, prática de “terceirização” e “quarteirização” das atividades trabalhistas e trabalho domiciliar. Estas situações no mundo do trabalho atual estão sendo facilitadas pelas mudanças propostas na legislação trabalhista, que devem disciplinar as relações de trabalho e proteger os trabalhadores. Desse modo, é importante esclarecer que de um total de 68 enfermeiros que atuavam nos setores estudados no período de coleta de dados, apenas 44 enfermeiros preencheram o critério de inclusão, uma vez que 24 enfermeiros lotados 55 nos referidos setores trabalham na Instituição sob o regime de contratação temporária há menos de 02 anos. 3.2 Cuidados com a própria saúde Atualmente, os trabalhadores para atender suas necessidades econômicas e de sua família enfrentam, desencadeantes de no cotidiano, situações que podem ser fatores estresse. O estresse pode ser entendido como um alarme natural do organismo, que o prepara para vivenciar situações de luta ou de fuga, é uma herança genética dos nossos ancestrais que viviam em constante perigo. Outro conceito entende que cada indivíduo enfrenta o estressor de uma maneira específica, caracterizando sua reação. (MOREIRA; MELO FILHO, 1992). Existem várias maneiras para se controlar o estresse: prática de atividades físicas, repouso adequado, alimentação balanceada, lazer e outras. O equilíbrio físico e psicoemocional pode se fortalecido com a realização de atividades que melhorem a qualidade de vida Com relação aos cuidados com a própria saúde, os enfermeiros dos setores estudados responderam questões relativas a lazer, repouso, hábitos alimentares, realização de atividade física e qualidade do sono. Os dados obtidos foram correlacionados com o tipo de vínculo empregatícios, nº de vínculos (empregos) e carga horária semanal. Esta correlação foi obtida através da aplicação do teste de fisher ou Qui-quadrado, cujo resultado de p deve ser menor que 0,05 para que exista significância entre as variáveis. Tabela 5 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o vínculo empregatício em relação à qualidade do lazer p = 0.1813 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Lazer Deixa a Vínculo empreDesconhece desejar Satisfatório Muito bom gatício Estatutário 0 3 10 0 Celetista 0 8 7 0 Cont. temporário) 0 0 1 0 Fonte: Pesquisa de campo Na Tabela 5, podemos observar que os Enfermeiros que possuem o vínculo estatutário demonstram um nível de satisfação maior em relação ao aspecto 56 relacionado ao lazer, fato que talvez possa ser explicado pela diferença salarial existente entre o enfermeiro com vínculo estatutário e o enfermeiro com vínculo celetista, uma vez que a remuneração do vínculo estatutário é maior. No entanto, não houve uma correlação significativa entre as variáveis: Lazer e vínculo empregatício (p›0,05 – teste de Fisher) Tabela 6 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o vínculo empregatício em relação à qualidade do repouso p = 0.1506 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Deixa a Repouso Desconhece Satisfatório Muito bom desejar Vínculo empregatício Estatutário 0 2 10 1 Celetista 0 6 9 0 Estatutário(cont. temporário) 0 1 0 0 FONTE: Pesquisa de campo Na Tabela 6, não se observa uma diferença significativa em relação ao vínculo empregatício e o aspecto relacionado ao repouso. O quadro também indica que 19 (65%) consideram satisfatório o repouso realizado (p›0,05 – teste de Fisher). O trabalho de enfermagem é caracterizado pelo predomínio do cuidado às pessoas doentes, sendo desenvolvido de forma contínua, ou seja, é uma atividade profissional cotidiana. Na prática do cuidado, os profissionais se deparam diariamente com dores, sofrimento, perdas e morte, impondo sofrimento e desgaste emocional e físico a quem o realiza. Entendemos, assim, que o cuidado é uma questão de presente no dia-a-dia do enfermeiro e sua equipe. É seu instrumento de trabalho, mas pode levar o cuidador a sofrimento físicos e psicológicos, afetando a sua forma de cuidar. Sendo assim, torna-se relevante que o enfermeiro compreenda a importância de cuidar de si. O repouso adequado com qualidade e tempos suficiente, bem como uma vida social, são importantes para o bem estar físico e mental, pois se não estamos “bem cuidados”, não teremos condições de prestar um bom cuidado. (LUNARDI; LUNARDI FILHO, 1999). 57 Tabela 07 - Cálculo do IMC – Índice de massa corporal da amostra (n=29) IMC Freqüência % Peso Normal 12 41 Sobrepeso 7 24 Obesidade 7 24 Não respondeu 3 10 Total 29 100 Fonte: Pesquisa de campo O cálculo do índice de massa corporal - IMC (Kg/m2) foi realizado pela divisão do peso (KG) pelo quadrado da altura (m). A classificação obedeceu os critérios recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) 12 : IMC < 18,5kg/m2 (Baixo peso); IMC > 18,5 e até 24,9kg/m2 (Eutrófico); IMC > 25 e até 29,9kg/m2 (Sobrepeso) e IMC > 30,0kg/m2 (Obeso). Na Tabela 7, observamos que 12 (41%) dos enfermeiros encontram-se na faixa de peso normal ou eutrófico, 7 (24%) são obesos e 7(24%) encontram-se com sobrepeso, isto é, acima do peso considerado normal. Ao analisar essa tabela, pode-se verificar que aproximadamente 44% dos enfermeiros estão acima do peso, o que pode ser justificado pelo sedentarismo, já que 19 (65%) consideram que a prática de atividade física deixa a desejar, conforme demonstrado na Tabela 8. Tabela 8 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a realização de atividade física em relação ao índice de massa corporal p= 0.2348 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Atividade física Deixa a Desconhece Satisfatório Muito bom desejar IMC Peso Normal 2 9 1 0 Sobrepeso 0 6 0 1 Obesidade 3 4 0 0 TOTAL 5 19 1 1 Fonte: Pesquisa de campo Na Tabela 8, verifica-se que 19 dos 29 enfermeiros que participaram do estudo consideram que a prática de atividade física deixa a desejar. Este quadro mostra a percepção do enfermeiro sobre um dos aspectos relativos a qualidade de vida, indicando que a realização de atividade física deveria ser presente no seu 58 cotidiano. A realização de exercícios diminui o risco de hipertensão por diminuir a resistência vascular periférica e aumentar o condicionamento cardíaco. Uma vez que a grande parte da amostra é sedentária há uma necessidade de enfatizar a realização de exercícios regulares, como recomendar a evolução gradual de algum exercício aeróbico, do tipo caminhadas rápidas de 15 a 45 minutos, numa freqüência de 3 a 5 vezes por semana. (McABEE, 1995). IMC Tabela 9 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com os hábitos alimentares em relação índice de massa corporal p= 0.6565 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Hábitos alimentares Deixa a Desconhece Satisfatório Muito bom desejar Peso Normal 0 1 10 1 Sobrepeso 0 1 5 1 Obesidade 1 2 4 0 Fonte: Pesquisa de campo Observa-se na Tabela 9 que 19 enfermeiros estão satisfeitos com os seus hábitos alimentares e que destes, 4 são obesos, 10 possuem peso normal e 05 estão na faixa de sobrepeso, fato que pode ser explicado pelo ritmo acelerado de trabalho nas unidades estudadas, favorecendo a realização de refeições rápidas, em geral com grande quantidade de carboidratos e com baixa qualidade nutricional. Tabela 10 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número de vínculos em relação ao lazer p= 0.3668 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Lazer Deixa a Desconhece Satisfatório Muito bom desejar Nº de vínculos 0 4 7 0 2 0 2 7 0 3 0 1 0 0 Não resp 0 4 4 0 1 Fonte: Pesquisa de campo 59 Tabela 11 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número de vínculos em relação ao repouso p= 0.06621 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Repouso Desconhece Deixa a desejar Satisfatório Muito bom Nº de vínculos 1 0 2 9 0 2 0 6 3 0 3 0 0 1 0 Não resp 0 1 6 1 Fonte: Pesquisa de campo Nas Tabelas 10 e 11, com relação aos cuidados com a própria saúde, 18 (62%) consideraram satisfatório os aspectos relacionados ao lazer. Quanto ao repouso, 19 (65%) disseram que estavam satisfeitos e 14 (48%) consideraram satisfatória a qualidade do sono. A maioria dos enfermeiros (19 - 65%) considerara seus hábitos alimentares satisfatórios e 19 dos participantes (65%) apontaram que a prática de atividade física deixa a desejar. 20 (69%) disseram possuir imunização dupla completa e 22 (76%) relataram imunização para hepatite B completa. Infelizmente, com os novos estilos de vida adotados pelas constantes mudanças da vida moderna, a dupla jornada de trabalho, realizada pelas mulheres em função das atividades domésticas e familiares, podem contribuir para a deterioração da saúde física e mental destas trabalhadoras. (BREILH,1991) A seguinte verbalização foi registrada por um enfermeiro no instrumento de coleta de dados (questionário nº 01): “O alto ritmo na jornada de trabalho nos impede de compatibilizar o trabalho principalmente com a vida social, a familiar fica um pouco prejudicada por causa dos horários. E ocorre uma grande produção braçal incapacitando a produção científica e uma possibilidade de promoção”. 60 Tabela 12 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o carga horária em relação ao repouso p= 0.0071 - teste de fisher ou Qui-Quadrado Repouso Desconhece Deixa a desejar Satisfatório Muito bom Carga horária 30 horas 0 0 0 1 40 horas 0 3 15 0 60 horas 0 4 2 0 80 horas 0 1 1 0 Mais de 80 horas 0 0 1 0 Outros 0 1 0 0 Fonte: Pesquisa de campo Na Tabela 12, observa-se que dos Enfermeiros que trabalham 40 horas, 15 (51%) consideram satisfatório o repouso, enquanto que 4 (14%) que trabalham 60 horas, consideram que deixa a desejar. Clancy (1995) refere que o trabalho em turnos apresenta para o trabalhador alterações do sono, o ajuste mais lento fará com que o trabalhador tente dormir quando seu ritmo biológico estará sinalizando para a vigília. O sono diurno será contrário às atividades de familiares e vizinhos com muito ruído. As alterações da vida doméstica e social em razão das noites de trabalho, as longas jornadas sucessivas,trazem mudanças físico hormonais que o mantém em desajuste dos ritmos biológicos e com perturbações do ciclo sono/vigília o que propicia ao estresse, a modificações comportamentais tais como fumar mais e beber mais café para ficar em alerta, o que culminará em doenças e agravos a saúde. O ideal de dormir oito horas diárias e de repousar a fim de eliminar o cansaço pouco real para muitos trabalhadores, que em média conseguem dormir de 4 a 5 horas. 61 3.3 Fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos locais de trabalho Risco biológico Risco Ergonômico Risco Físico Risco Químico Não corresponde Percepção do risco Riscos percebidos Freq. Ás vezes n % n % 1 Risco de contrair infecção 21 72.4 6 20,7 2 Manutenção de postura inadequada 14 48.3 12 41,4 3 Presença de radiação 13 44.8 9 31 4 Ritmo de trabalho acelerado 13 44.8 15 51,7 5 Ruído muito elevado no trabalho 12 41.4 10 34,5 6 Temperatura inadequada 11 37.9 10 34,5 7 Trabalho isolado que dificulta o contato com outros setores 11 37.9 5 17,2 8 Risco de acidentes por sobrecarga de trabalho 9 31 13 44,8 9 Desconforto pela falta de espaço ou má distribuição 8 27.6 14 48,3 10 Esforço físico que produz fadiga 8 27.6 13 44,8 11 Ordem e limpeza insuficientes 6 20.7 13 44,8 12 Inalação de substância nociva no ambiente 6 20.7 9 31 13 Manipulação de cargas pesadas 6 20.7 14 48,3 14 Risco de incêndio ou explosão 5 17.2 8 27,6 Risco de queda de materiais 4 13.8 14 48,3 Fumos,gases, vapores ou aerossóis em excesso 4 13.8 13 44,8 17 Organização insatisfatória de horários e turnos de trabalho 4 13.8 13 44,8 18 Dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência 3 10.3 8 27,6 19 Ar/ventilação insuficiente 3 10.3 8 27,6 20 Iluminação insuficiente 3 10.3 8 27,6 15 16 Quadro 1 Riscos ocupacionais percebidos “freqüentemente” e “às vezes” pelos enfermeiros no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de Terapia Intensiva de uma instituição Oncológica Fonte: Pesquisa de campo 62 Optou-se por analisar os dados com maiores freqüências, considerando os riscos apontados freqüentemente e às vezes pelos enfermeiros (n=29), considerando a significância do evento no trabalho. De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2005), a Norma Regulamentadora - NR 9, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. O risco ocupacional mais apontado foi o risco de contrair infecção (72,4%), seguido de manutenção de postura inadequada (48,3%), presença de radiação (44,8%), ritmo de trabalho acelerado (44,8%), ruído muito elevado no trabalho (41,4%) e temperatura inadequada (37,9%). Constatou-se que os problemas do ambiente de trabalho percebidos pelos enfermeiros aparecem em maior número quando relacionados ao cuidado direto aos pacientes e às próprias características dos pacientes críticos, tais como: presença de sangue, secreções, fluidos corpóreos por incisões, sondagens, cateteres, expondo os enfermeiros a esse contato; elevado número de procedimentos e intervenções terapêuticas que necessitam utilizar materiais pérfuro-cortantes e equipamentos; dependência dos pacientes, que exige esforço físico dos trabalhadores; investigação diagnóstica devida a patologias diversas, expondo os enfermeiros a infecções e doenças não confirmadas. Resende e Fortaleza (2001) referem que os trabalhadores da saúde estão expostos com freqüência aos riscos biológicos. Os maiores riscos de infecção estão relacionados às doenças transmitidas por sangue e fluidos corpóreos (hepatite B, hepatite C e HIV) e às que ocorrem através de infecção aérea (tuberculose, varicela-zoster e sarampo). Segundo Resende e Fortaleza (2001), os trabalhadores estão expostos ao risco de adquirir estas infecções através de lesão perfurocortante, contato com membrana, mucosa ou pele (rachadura da pele, dermatite e etc.), possibilitando o contato com sangue e fluidos corpóreos potencialmente infectados. Esta constatação já foi descrita em um estudo realizado por Costa e Deus (1989), onde foi verificado que os riscos ocupacionais da equipe intensivista estão inter-relacionados com os riscos de seus pacientes. Nos setores onde foi realizado o estudo, apenas 6 (20,7%) dos enfermeiros 63 relataram inalação de substância nociva “freqüentemente”. Esses dados demonstram uma baixa percepção dos enfermeiros em relação à exposição a tais produtos e seus danos à saúde. Nestes setores (UTI adulto, CTI pediátrico e Centro de Transplante de Medula Óssea) existe exposição considerável dos trabalhadores aos medicamentos, inclusive quimioterápicos, produtos de limpeza e anti-sépticos que, entretanto, é pouco valorizada. Estes riscos foram amplamente discutidos por Laurell e Noriega (1989), destacando o manuseio freqüente de substâncias químicas pelos trabalhadores de enfermagem. Nas Unidades para atendimento a pacientes críticos (UTI, CTI, Unidades de Internação que realizam transplantes) existe uma grande variedade de equipamentos disponíveis para monitorar os pacientes e auxiliar a equipe de trabalho. No entanto, a tecnologia nova nem sempre atende às expectativas, ocorrendo falha no desempenho ou problemas técnicos que acabam por impedir as melhorias para os pacientes e para os profissionais. (NISHIDE; MALTA; AQUINO, 2000). Estas falhas e problemas técnicos estão relacionados com a manutenção de equipamentos como capelas de fluxo laminar, refrigeração, filtros de ar, iluminação e etc. Entretanto, vale ressaltar as verbalizações, que foram redigidas pelos enfermeiros no instrumento de coleta de dados: “Riscos devidos ao tratamento em si, tais como manipulação de quimioterápicos, material biológico”. (questionário nº 20) “As quimioterapias poderiam ser diluídas (preparadas) pelo farmacêutico”. (questionário nº 26) No quadro acima, observa-se uma prevalência em torno de 50% com relação às questões relativas a carga física e organização do trabalho do enfermeiro em oncologia, este percentual não difere muito de outros estudos já realizados. Um estudo de Nishide, Malta e Aquino (2000) refere que o esforço físico com lesão corporal foi apontado por 31 (46%) dos trabalhadores como um dos principais riscos ocupacionais, já que os trabalhadores de enfermagem em unidades críticas desenvolvem muitas atividades que exigem esforço físico, como mobilização de pacientes pesados e manipulação de equipamentos (monitores, desfibriladores e outros). 64 A identificação de risco por quedas (15 - 52%) e desconforto pela falta de espaço (14 - 48%), são considerados fatores presentes no ambiente de trabalho, constituindo causa real ou potencial de acidentes e lesões. Nishide, Malta e Aquino (2000) afirmam que esses riscos não são específicos da área hospitalar e existem também em indústrias e atividades comerciais, refletindo impacto nas condições de saúde dos trabalhadores. Os riscos percebidos às vezes mais incidentes foram clima inadequado em relação aos companheiros de trabalho (55%), risco de queda no ambiente de trabalho (51%), ritmo de trabalho acelerado (51%), conflito com clientes ou usuários (51%) e incompatibilização do trabalho no hospital com o trabalho doméstico. As queixas como mal estar, ansiedade e desgosto de ir ao trabalho e trabalhar são o reflexo do desgaste sofrido por estes profissionais que se vêem fortemente atingidos pelas questões organizacionais do seu processo de trabalho, em que o controle gerencial e as atividades de rotina representam um fator de adoecimento. Estes fatores podem gerar situações de estresse e depressão, em resposta a carga psíquica do trabalho, pelo constante lidar com os mecanismos psíquicos de defesa em confronto com o sofrimento e com a morte. (DEJOURS, 1992). Vale ressaltar as seguintes verbalizações registradas no instrumento de coleta de dados: “Organização insatisfatória do trabalho devido à falta de espaço nos quartos duplos, sendo desconfortável para o paciente e acompanhantes. Falta espaço físico para trabalhar adequadamente”. (questionário n º 26) “Neste item friso recursos insuficientes, pois necessito de um bom computador, um espaço para estudo, uma sala para receber especializandos, residentes....e tudo é muito dividido...é um pouco complicado”. (questionário n º 12) Walton (1973) destaca que a qualidade de vida no trabalho visa proteger o empregado, favorecendo melhores condições de vida dentro e fora da organização. Para que a qualidade de vida no trabalho seja alcançada é necessário que: o trabalhador receba um salário justo e adequado ao trabalho realizado; os trabalhadores não sejam expostos às condições físicas e psicológicas perigosas e horários de trabalho excessivos. 65 Ainda, segundo Walton (1973), para que os trabalhadores possam usar e desenvolver suas habilidades e capacidades são necessários: autonomia no trabalho, utilização de múltiplas habilidades, informação e perspectiva de crescimento profissional, realização de tarefas completas e planejamento das atividades. Ressaltando ainda que é importante que o trabalhador tenha a possibilidade de auto-desenvolvimento, aquisição de novos conhecimentos e oportunidades de promoções e segurança no emprego. 3.4 Percepção sobre os problemas do ambiente e condições de trabalho Os principais problemas do ambiente de trabalho apontados pelos enfermeiros (n=29) foram: umidade excessiva, temperatura inadequada, dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência, ventilação e iluminação insuficiente, destes o mais apontado foi o desconforto térmico relacionado à temperatura inadequada. Temperatura inadequada 15 10 5 Frequentemente Ás vezes Não acontece Desconhece/ignora Não respondeu 0 Gráfico 1 - Aspectos percebidos pelos enfermeiros em relação às condições de trabalho – Temperatura inadequada Fonte: Pesquisa de campo No Gráfico 1, observa-se que 11 enfermeiros referiram que freqüentemente a temperatura é inadequada, o que corresponde a 37,9% da amostra. Este fato pode ser entendido pela dificuldade de estabelecer uma temperatura agradável e a necessidade de manter a temperatura baixa devido à existência de aparelhos, computadores e equipamentos. 66 A temperatura desconfortável no ambiente de trabalho pode causar danos à saúde do trabalhador. Segundo a Portaria ANVISA nº 1884/GM, a temperatura deve ser mantida entre 24 e 26ºC, estável e igual em todas as salas, evitando deslocamentos de ar excessiva e com uma umidade relativa em níveis de 40 a 60%. (BRASIL, 1995). Os aspectos relacionados ao ambiente de trabalho, relativos à umidade excessiva, foram citados por 8 (28%) dos enfermeiros e que 11 (38%) mencionaram que a temperatura é inadequada freqüentemente. Dos 29 enfermeiros, 8 (28%), identificaram a dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência (28%) dos enfermeiros como um dos problemas observados nos ambientes de trabalho. Apesar dos enfermeiros perceberem pouco estes aspectos como risco de acidentes, existem reclamações freqüentes sobre a inadequação da temperatura nas unidades estudadas. Com relação à iluminação, 14 (48%) dos enfermeiros mencionaram que não acontece, fato que pode ser explicado devido a uma recente reforma nos leitos de internação, com a instalação de luminárias, que possibilitaram maior conforto ao paciente, além de facilitar a realização de procedimentos de enfermagem nos pacientes internados. 3.5 Percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os problemas nos locais de trabalho O instrumento de coleta de dados (Apêndice B) foi utilizado para conhecer a percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os problemas nos locais de trabalho estudados (n=03). 67 Variável Sim Não Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou equipamentos 2 1 Desordem e/ou falta de limpeza 0 3 Sistemas de armazenamento inadequados e/ou inseguros 0 3 Falta de segurança para realizar deslocamentos (pisos, escadas) 0 3 Possibilidade de quedas devido à proteção..... 0 3 Condições deficientes de segurança nas instalações elétricas 0 3 Condições de deficientes de segurança nas instalações de gases e pressão 0 3 Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões 2 1 Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de emergência 2 1 Ventilação e climatização inadequadas dos ambientes. 1 2 Iluminação inadequada ao tipo de trabalhado realizado 0 3 Temperatura ambiental inadequada ao tipo de trabalho que se realiza 1 2 Ruído ambiental inadequado para a atenção que é requerida pelas tarefas realizadas 1 2 Vestuários e banheiros insuficientes ou inadequados 1 2 Quadro 2 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os locais de trabalho e instalações Fonte: Pesquisa de campo 68 Variável Sim Não Dispositivos de segurança insuficientes ou inadequados 0 3 Manutenção preventiva inadequada 1 2 Instruções de segurança insuficientes ou inadequadas 0 3 Utilização insegura de máquinas ou ferramentas 0 3 Perigo de acidentes por quedas ou cortes 0 3 Perigo de acidentes por queimaduras 0 3 Perigo de descarga elétrica em máquinas ou ferramentas 0 3 Proteção inadequada frente ao ruído 0 3 Exposição a vibrações por utilização de máquinas ou ferramentas 0 3 Proteção inadequada frente a radiações ionizantes 1 2 Exposição eletromagnética 0 3 Fadiga visual por fontes luminosas nos equipamentos de trabalho 0 3 Exposição a fontes de calor radiante 0 3 Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual 0 3 Quadro 3 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre maquinaria (equipamentos), tecnologia e ferramentas (instrumentais) Fonte: Pesquisa de campo 69 Variável Sim Não Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos 2 1 Embalagens com rótulos inadequados 0 3 Informação insuficiente sobre os riscos das substâncias e materiais 0 3 1 2 0 3 Risco químico por contato com olhos ou pele 1 2 Risco químico por inalação respiratória 1 2 Exposição à carcinogênicos ou mutagênicos 2 1 Exposição a alérgenos 1 2 Exposição à riscos biológicos 2 1 Instalações de proteção coletiva insuficientes ou inadequadas 0 3 Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual 0 3 Contaminação externa (resíduos) 0 3 Risco de acidentes meio ambientais graves (incêndios, explosões) 1 2 Falta de segurança no transporte e/ou armazenamento de substâncias e materiais Má qualidade do ar (presença de umidade, gases, vapores, poeiras e odores) Quadro 4 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre substâncias e materiais utilizados Fonte: Pesquisa de campo 70 Variável Sim Não Arquitetura inadequada dos postos de trabalho em geral 1 2 Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza 2 1 Distribuição inadequada de pessoas e equipamentos 1 2 Desenho inadequado do mobiliário, equipamentos ou ferramentas 0 3 Cadeiras e assentos insuficientes ou inadequados 0 3 Manutenção excessiva de uma mesma postura de trabalho 0 3 Necessidade de adotar posturas forçadas ou desconfortáveis 0 3 As tarefas não permitem mudanças freqüentes de postura. 0 3 Excessiva repetição de movimentos 1 2 Manipulação de cargas desnecessárias 1 2 Manejo inadequado de cargas (peso, volume, altura, deslocamento) 0 3 Manejo prolongado de cargas sem pausas suficientes. 0 3 Armazenamento inadequado que impedem uma correta manipulação de cargas. 0 3 Formação ergonômica insuficiente ou inadequada. 0 3 Quadro 5 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre fatores ergonômicos Fonte: Pesquisa de campo Com relação aos problemas observados nos locais de trabalho, os coordenadores dos serviços de enfermagem apontaram: • Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou equipamentos; • Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões; • Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de emergência; • Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos; • Exposição a carcinogênicos ou mutagênicos; • Exposição ariscos biológicos; • Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza. Calera et al. (2001) referem que um recinto confinado, com aberturas limitadas de entrada e saída e ventilação natural desfavorável, pode acumular contaminantes tóxicos, inflamáveis ou explosivos, ocasionando uma atmosfera deficiente de oxigênio, não sendo concebível para uma ocupação continuada por parte dos trabalhadores. 71 Com relação à utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos, sabe-se que os equipamentos de proteção individual como: máscaras, luvas, aventais, óculos e etc. não oferecem completam proteção, entretanto deverão ser utilizados pelo trabalhador como um método de controle dos riscos no local de trabalho. Os dados apontados no estudo indicam a necessidade de conscientização tanto dos trabalhadores em medidas de prevenção e controle dos problemas no ambiente de trabalho, como dos coordenadores dos serviços de enfermagem, no que concerne a realização análises técnicas com suporte de engenheiros do trabalho e técnicos de segurança do trabalho para a promoção de um ambiente de trabalho mais saudável. 3.6 Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e sua relação com as condições de trabalho Os dados foram obtidos a partir do instrumento de coleta de dados - seção B2, onde constavam 29 problemas de saúde relacionados ou não com o trabalho. Foi realizado um recorte dos 17 mais apontados pelos enfermeiros, destacando-se os provocados, seguidos dos agravados. Sim Ordem de incidência Problemas Provocados n % Agravados n % Total: provocados + agravados n % Estresse 1 12 52.2 6 26.1 18 78.3 Dores lombares 2 10 45.5 3 13.6 13 59.1 Mudanças de humor 3 9 50 3 16.7 12 66.7 Varizes 4 3 17.6 8 47.1 11 64.7 Dore s dos membros inferiore s 5 4 21.1 5 26.3 9 47.4 Doenças de pele 6 6 46.2 2 15.4 8 61.5 Dor de cabeça freqüente 7 2 14.3 6 42.9 8 57.1 P roblemas digestivo s 8 2 16.7 6 50 8 66.7 Doenças infecciosas 9 3 42.9 3 42.9 6 85.7 Hipertensão 10 1 11.1 5 55.6 6 66.7 Lesão por material pérfuro-cortante 11 6 66.7 0 0 6 66.7 Depressão 12 3 33.3 2 22.2 5 55.6 Contaminação com material biológico 13 2 50 0 0 2 50 Câncer 14 1 25 0 0 1 25 Problemas de articulação 15 0 0 1 50 1 50 16 Intoxicação por substâncias químicas 0 0 1 25 1 25 Transtornos do sono 17 0 0 1 33.3 1 33.3 Quadro 6 - Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e sua relação com as condições de trabalho Fonte: Pesquisa de campo 72 Dos problemas provocados pelo trabalho, destacam-se: lesão por material perfurocortante (66,7%), estresse (52,2%), contaminação com material biológico (50,0%), doenças de pele (46,2%), dores lombares (45,5%), mudanças de humor (50,0%) e depressão (33,3%). Estes problemas vêm sendo discutidos por diversos autores que pesquisam sobre o trabalho de enfermagem como Mauro (1986), Bulhões (1994) e Alves (2002). A “lesão por material pérfuro-cortante” foi estudada por Marziale e Rodrigues (2002), através de uma análise da produção científica sobre os acidentes de trabalho com material pérfuro-cortante entre trabalhadores de enfermagem, onde o re-encape de agulhas e o inadequado descarte continuam sendo as práticas inadequadas predisponentes destes acidentes de trabalho. Nas doenças e queixas apontadas neste estudo, identificamos que são de natureza psicossomática, este fato pode estar relacionado com a gravidade dos pacientes, instabilidade do quadro clínico e ao atendimento de situações emergenciais que ocorrem com freqüência nos setores estudados. Segundo Robazzi, Marziale e Rocha (2004), os riscos psicossociais (estresse, fadiga mental, depressão e etc) são desencadeados pelo contato com o sofrimento do paciente. A sobrecarga mental, acrescida de carga física, é geradora de alterações afetivas, desencadeando fenômenos de ordem psicológica, psicossociológica e neurofisiológica. (PITTA, 1990). O trabalho pode ser, ao mesmo tempo, a fonte de subsistência do homem, de acúmulo de riquezas, realização profissional e outras satisfações como, também, pode ser uma fonte de sofrimentos, de doenças, de exploração e de escravidão que, muitas vezes, só é suportado pelo trabalhador devido à necessidade de sobrevivência pessoal e de sua família. (DEJOURS, 1992). Os problemas de saúde agravados apontados foram: hipertensão (55,6%), problemas digestivos (50,0%), varizes (47,1%), dor de cabeça freqüente (42,9%) e doenças infecciosas (42,9%). Atualmente, as doenças ou queixas relacionadas com o trabalho estão sujeitas a uma análise do seu nexo causal com o processo de trabalho. No âmbito dos serviços de saúde, o principal instrumento para a investigação das relações saúde-trabalho é a anamnese ocupacional. Infelizmente, na formação médica esta 73 habilidade não é desenvolvida de maneira enfática, fazendo com que os profissionais tenham dificuldade para utilizá-la no seu cotidiano de trabalho. (BRASIL, 2001). Estudos apresentados no Congresso “Criança 2005”, em Curitiba-PR, do psicólogo cubano professor doutor Jorge Grau Abalo, pesquisador do Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia e chefe do Grupo de Psicologia Nacional do Ministério da Saúde de Cuba, discutiram o adoecimento dos trabalhadores no Sistema de Saúde de Cuba, situando o estresse/sofrimento mental e a Síndrome de “Burnout” como relevantes entre os trabalhadores de saúde de seu país, notados, principalmente, nas equipes que cuidam de pacientes em situação crítica de vida (emergência, unidades de terapia intensiva, enfermarias cirúrgicas), em serviços nos quais a taxa de óbitos é alta (oncologia, doentes renais crônicos e portadores de DST/AIDS). Haddad et al. (1985) referem que em um estudo realizado em um hospital oncológico constatou-se o despreparo emocional do trabalhador de enfermagem que cuidam de pacientes terminais. A ansiedade diante da aplicação de tratamentos agressivos (quimioterapia), que pode ser explicada pelos efeitos colaterais intensos e visíveis causados nos pacientes. Os profissionais não se sentiam preparados para enfrentar a morte do paciente, expressando sentimentos de impotência profissional. Estes sentimentos também são expressos com repercussões psicossomáticas, como as apontadas pelos participantes do estudo (estresse, dor de cabeça e mudanças de humor). As informações referentes ao estado de saúde do trabalhador, como: queixas, sintomas observados ou outros efeitos sobre a saúde e alterações precoces nos parâmetros de saúde podem auxiliar na identificação de condições de risco existentes no ambiente de trabalho. Deve haver uma relação estreita entre os responsáveis pela análise do ambiente e das condições de trabalho (engenheiros, técnicos de segurança, ergonomistas) e os responsáveis pela saúde do trabalhador (médicos, psicólogos, enfermeiros do trabalho, toxicologistas) para uma avaliação adequada das exposições ocupacionais. Este enfoque multidisciplinar permite o desvendamento de relações causais, que podem passar despercebidas. (BRASIL, 2001). 74 4 CONCLUSÃO Este estudo teve como propósito caracterizar o perfil pessoal, profissional e os cuidados com a própria saúde dos enfermeiros em oncologia, identificar os fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos locais de trabalho, analisar as condições de trabalho e discutir os problemas de saúde apontados pelos enfermeiros provocados ou agravados pelo trabalho. Após a análise dos dados pode-se concluir que: 1. Os sujeitos da pesquisa, enfermeiros em sua maioria do sexo feminino, com idade compreendida entre 40 a 49 anos, sendo a maioria casada, tendo em média 01 filho e que cumprem uma jornada semanal de 40 horas, constitui-se um grupo em idade economicamente ativa, cuja faixa etária exige um programa de controle e avaliação sistemática da saúde e da qualidade de vida, tendo em vista a perspectiva de um potencial produtivo à longo prazo; 2. Os enfermeiros, segundo sua percepção, indicaram como maiores riscos ocupacionais do trabalho nos setores estudados: risco de contrair infecção (72,4%), seguido de manutenção de postura inadequada (48,3%), presença de radiação (44,8%), ritmo de trabalho acelerado (44,8%), ruído muito elevado no trabalho (41,4%) e temperatura inadequada (37,9%), trabalho isolado que dificulta o contato com outros setores (37,9%), risco de acidentes por sobrecarga de trabalho (31,0%), desconforto pela falta de espaço ou má distribuição (27,6%) e esforço físico que produz fadiga (27,6%). Ressalta-se que os mais prevalentes são os relacionados ao cuidado direto ao paciente. Esta situação indica a necessidade de maior atenção por parte dos coordenadores de enfermagem para adoção de medidas e práticas seguras e implementação de dispositivos de segurança, bem como a conscientização dos trabalhadores sobres riscos presentes no ambiente de trabalho; 3. Em relação à análise das condições do ambiente de trabalho destacaram-se como principais os aspectos relativos à umidade excessiva, que foram citados por 08 (28 %) dos enfermeiros e que 11 (38%) mencionaram que a temperatura é inadequada freqüentemente. Dos 29 enfermeiros, 8 (28%), identificaram a dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência, o que indica a necessidade de uma análise técnica dos problemas mais significativos do ambiente de trabalho, levando em 75 consideração a participação multidisciplinar (engenheiros do trabalho, técnicos de segurança, trabalhadores e etc.); 4. Em atenção aos problemas de saúde relacionados com o trabalho, os enfermeiros apontaram problemas provocados ou agravados. Destacam-se como provocados: lesão por material pérfuro-cortante (66,7%), estresse (52,2%), contaminação com material biológico (50,0%), doenças de pele (46,2%), dores lombares (45,5%), mudanças de humor (50,0%) e depressão (33,3%). Os problemas de saúde agravados pelo trabalhos, na percepção dos enfermeiros foram: hipertensão (55,6%), problemas digestivos (50,0%), varizes (47,1%), dor de cabeça freqüente (42,9%) e doenças infecciosas (42,9%). Este problemas quando analisados em conjunto, verifica-se que há necessidade de um aprofundamento do estudo, para identificar a relação entre o nexo causal e o processo de trabalho, independentemente de medidas de promoção e proteção da saúde que devam ser implementadas pela instituição. Entende-se que o estabelecimento do nexo causal para trabalhadores da saúde/ enfermagem, diferentemente da exposição à riscos na área industrial, ainda é difícil, devido ao conteúdo de subjetividade presente no processo de trabalho dos profissionais que atuam na área de saúde. Contudo, já existe um quadro esquemático do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece uma relação intrínseca entre trabalho e adoecimento, que exige parecer de peritos da área. Neste sentido, os peritos precisam atentar para a subjetividade do trabalho na área da saúde e mais propriamente da enfermagem, objeto deste estudo. Quanto aos empregadores deste grupo de trabalhadores, é necessário que considerem que quanto maior a saúde e a satisfação do trabalhador, maior a produtividade e a satisfação do cliente. 76 5 RECOMENDAÇÕES Com base nos resultados as seguintes recomendações foram formuladas para contribuir efetivamente, apontando estratégias para melhorar as condições de trabalho e saúde dos profissionais que atuam em instituições oncológicas: • Implementar um programa de acompanhamento individual com atenção biopsicossocial, com ênfase nos seguintes temas: protagonismo, assertividade e reconhecimento de limites, como estratégia para conscientização sobre os riscos ocupacionais e estabelecimento de medidas de promoção e controles dos riscos; • Promover o estabelecimento participativo de objetivos e metas realistas com a equipe, com processo avaliativo regular, desenvolvimento de habilidades individuais e coletivas em função da natureza dos problemas. • Enfatizar atributos comunicacionais, reuniões com as chefias para discutir e encaminhar resoluções e problemas; • Discutir propostas que favoreçam a autonomia da equipe, especificamente nos plantões, reorganizando o processo de trabalho através da flexibilização do horário e pausas para repouso; • Estimular a realização de estudos e pesquisas e discussão de situações de risco no trabalho vivenciadas pela equipe de enfermagem; • Incentivar a participação dos trabalhadores no processo de elaboração e avaliação de planos diretores e de definição de prioridades institucionais, objetivos e metas do serviço; • Estimular o vínculo do trabalhador com os usuários, a equipe e com a instituição, criação de espaços de expressão e de desenvolvimento de talentos cognitivos e artísticos dos trabalhadores; • Participar efetivamente das análises técnicas realizadas por profissionais da área (engenheiros do trabalho, técnicos de segurança do trabalho e etc.) dos ambientes de trabalho, no sentido de contribuir com informações pertinentes e necessárias para a realização das modificações necessárias para a promoção de um ambiente de trabalho saudável. 77 REFERÊNCIAS ABEN/RJ. 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Coletânea de textos... Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Previdência e Assistência Social. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. SOBRAL, V.R.S. A purgação do desejo: memórias de enfermeiras. Rio de Janeiro, 1994. 149p. Tese (Doutorado) - Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994. SOUZA, E.F. Novo manual de Enfermagem: procedimentos e cuidados básicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1983. SOUZA, N.V.D.O.; LISBOA, M.T.L. A hierarquia e as relações de poder no trabalho das enfermeiras assistenciais In: Simpósio O Cuidar em Saúde e Enfermagem, 2006, Rio de Janeiro. Anais do Simpósio O Cuidar em Saúde e Enfermagem, 2006. WALTON, R. Quality of working life: what is it? Slon Management. Sloan Management Review, Massachusetts, v. 15, n. 1, p. 11-21, 1973. 82 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido PROJETO DE DISSERTAÇÃO: CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS ENFERMEIROS EM ONCOLOGIA Prezado (a) Colega Após alguns anos atuando como Enfermeira, reconheço o quanto é difícil a utilização do seu tempo em outras atividades que não sejam exclusivas ao trabalho. Por isso, peço apenas alguns minutos de sua atenção. Na tentativa de obter um conhecimento mais preciso sobre as condições de trabalho do Enfermeiro e a sua relação com o processo de adoecimento, estou desenvolvendo um estudo para investigar este tema e suas possíveis correlações, com ênfase nos riscos ocupacionais em Oncologia, objetivando a coleta de dados que após análise poderão esclarecer aspectos relevantes da profissão, bem como a melhoria das condições de trabalho do Enfermeiro. A sua participação no estudo envolve o preenchimento do questionário em anexo, com questões semi-estruturadas e estruturadas, respondido individualmente pelos participantes. Se você concorda em participar do estudo, por favor, leia atentamente as instruções e os itens do questionário e preencha-os em sua íntegra. Se em algum momento você necessitar de mais esclarecimentos relacionados à pesquisa, coloco-me ao seu inteiro dispor. Para isso, basta realizar um contato telefônico. A minha orientadora é a Profª Drª Maria Yvone Chaves Mauro da Faculdade de Enfermagem da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Programa de PósGraduação em Enfermagem - Curso de Mestrado Acadêmico, que pode ser encontrada através do tel. 2568 8175 (Programa de Pós- Graduação da Faculdade de Enfermagem). Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre questões éticas relacionadas ao desenvolvimento da pesquisa, entre em contato com Comitê de Ética em Pesquisa do INCA, Rua André Cavalcanti, 37, Tel. 3233 1410. Sua participação será estritamente voluntária e desde já esclareço. As informações contidas na pesquisa serão confidenciais e tratadas de forma anônima e sigilosa, garantindo sua privacidade. Este estudo oferece os riscos próprios de ler e responder a um questionário, porém, caso isso ocorra, asseguro sua liberdade de retirar seu consentimento, a qualquer momento, deixando de participar do estudo sem que lhe acarrete nenhuma sanção ou prejuízo de suas atividades. 83 Sua participação é de suma importância para continuidade desse trabalho. Conto com sua valiosa colaboração, agradeço pelo empenho, atenção e tempo dispensados. Cordialmente, Sylvia Gonzalez de Queiroz Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Curso de Mestrado Acadêmico Universidade do Estado do Rio de Janeiro Telefones: 2232 8871/ 2242 5738 (residência) 9605 8215 (celular) 2506 6219 (CEMO) E-mail: [email protected] Declaro que, após convenientemente esclarecido (a) pela Pesquisadora e ter compreendido o que me foi explicado, assim como os benefícios, riscos potenciais da participação no mesmo e que não receberei compensação monetária por minha participação. Tive a oportunidade de fazer perguntas e todas foram respondidas. Eu, por intermédio deste, dou livremente meu consentimento para participar neste estudo. Recebi uma cópia assinada deste formulário de consentimento. Rio de janeiro, de de 2007 Assinatura do Enfermeiro: _______________________________________ Nome do (a) Enfermeiro (a): ______________________________________ COREN: _____________ Eu, abaixo assinado, expliquei completamente os detalhes relevantes deste estudo ao participante indicado (a) acima. Pesquisadora: _________________________________________________ 84 APÊNDICE B – Instrumento de Coleta de Dados MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. QUESTIONÁRIO SEÇÃO A – Identificação dos sujeitos da pesquisa 1. FUNÇÃO ENFERMEIRO ESTATUTÁRIO ENFERMEIRO CELETISTA ENFERMEIRO ESTATUTÁRIO (CONTRATO TEMPORÁRIO) 2. SEXO FEMININO MASCULINO 3. IDADE 20 A 29 ANOS 30 A 39 ANOS 40 A 49 ANOS MAIS DE 50 ANOS 4. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS PESO: ALTURA: 5. ESTADO CIVIL SOLTEIRO OU SIMILAR CASADO OU SIMILAR 6. Nº DE VÍNCULOS EMPREGATÍCIOS: 7. TIPO DE JORNADA DIURNA NOTURNA AMBAS 85 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. 8. CARGA HORÁRIA 30 HORAS SEMANAIS 40 HORAS SEMANAIS 60 HORAS SEMANAIS 80 HORAS SEMANAIS MAIS DE 80 HORAS SEMANAIS 9. FAIXA SALARIAL 3 a 5 SALÁRIOS MÍNIMOS 6 A 8 SALÁRIOS MÍNIMOS 9 a 11 SALÁRIOS MÍNIMOS ACIMA DE 12 SALÁRIOS MÍNIMOS 10. TEM FILHOS? SIM QUANTOS? NÃO 11. CUIDADOS COM A SAÚDE VALOR: 4 – MUITO BOM 3 - SATISFATÓRIO 2- DEIXA A DESEJAR 1 - DESCONHECE ASPECTOS 4 3 2 1 LAZER REPOUSO HÁBITOS ALIMENTARES QUALIDADE DO SONO ATIVIDADE FÍSICA IMUNIZAÇÃO DUPLA COMPLETA INCOMPLETA IMUNIZAÇÃO HEPATITE B COMPLETA INCOMPLETA 86 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. SEÇÃO B – Identificação dos problemas B1 – Problemas do ambiente de trabalho GRAU DE FREQUÊNCIA A RESPEITO DOS ASPECTOS EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES DE TRABALHO. VALOR: 4 – FREQUENTEMENTE 3- ÁS VEZES 2- NÃO ACONTECE 1-DESCONHECE/IGNORA VALOR DE FREQUENCIA ASPECTOS PERCEBIDOS PELOS TRABALHADORES 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. DESCONFORTO PELA FALTA DE ESPAÇO OU MÁ DISTRIBUIÇÃO ORDEM E LIMPEZA INSUFICIENTES DIFICULDADE DE DESOCUPAÇÃO DO AMBIENTE EM CASO DE EMERGÊNCIA RISCO DE QUEDA NO AMBIENTE DE TRABALHO RISCO DE QUEDA DE MATERIAIS RISCO DE ACIDENTES EM RELAÇÃO AO MAQUINÁRIO RISCO DE ACIDENTES EM RELAÇÃO ÀS FERRAMENTAS RISCO DE ACIDENTES POR SOBRECARGA DE TRABALHO RISCO DE ACIDENTE ELÉTRICO RISCO DE INCÊNDIO OU EXPLOSÃO TEMPERATURA INADEQUADA UMIDADE EXCESSIVA AR/VENTILAÇÃO INSUFICIENTE INSTALAÇÃO INADEQUADA DE AR CONDICIONADO ILUMINAÇÃO INSUFICIENTE RUÍDO MUITO ELEVADO NO TRABALHO PRESENÇA DE RADIAÇÃO RISCO DE CONTRAIR INFECÇÃO FUMOS,GASES, VAPORES OU AEROSSÓIS EM EXCESSO INALAÇÃO DE SUBSTÂNCIA NOCIVA NO AMBIENTE FALTA DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ESFORÇO FÍSICO QUE PRODUZ FADIGA MANIPULAÇÃO DE CARGAS PESADAS MANUTENÇÃO DE POSTURA INADEQUADA ORGANIZAÇÃO INSATISFATÓRIA DE HORÁRIOS E TURNOS DE TRABALHO RITMO DE TRABALHO ACELERADO TRABALHO MONÓTONO, ROTINEIRO, COM POUCA VARIABILIDADE DE TAREFAS FALTA DE RECURSOS ADEQUADOS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO TRABALHO ISOLADO QUE DIFICULTA O CONTATO COM OUTROS SETORES CONFLITO COM OS CLIENTES OU USUÁRIOS 31. CLIMA INADEQUADO EM RELAÇÃO AOS COMPANHEIROS DE TRABALHO 32. POUCA OPORTUNIDADE DE DECISÃO SOBRE COMO REALIZAR O TRABALHO 33. AGRESSIVIDADE, ABUSO SEXUAL OU VIOLÊNCIA 34. RELAÇÃO INADEQUADA COM OS CHEFES OU ENCARREGADOS 35. INCOMPATIBILIZAÇÃO DO TRABALHO NO HOSPITAL COM O TRABALHO DOMÉSTICO 36. SITUAÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO NO TRABALHO 37. DESCONHECIMENTO OU FORMAÇÃO INSUFICIENTE SOBRE OS RISCOS DO PRÓPRIO TRABALHO 38. FALTA DE TREINAMENTO SOBRE O CONTEÚDO DO TRABALHO 4 3 2 1 87 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. B2 - Problemas de saúde dos trabalhadores e sua relação com as condições de trabalho EXISTE 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 7. 8. 9. PROBLEMAS DE SAÚDE Uso de bebida alcoólica Câncer Perda auditiva Diabetes Depressão Doenças de pele Doenças do coração Doenças do fígado Doenças infecciosas Doenças renais 10 Dor de cabeça frequente 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 24. 25. 26. 27. 28. Dores lombares Lesões da coluna vertebral Dores dos membros inferiores Problemas de articulação Estresse Hipertensão Contaminação com material biológico Lesão por material pérfurocortante Intoxicação por substâncias químicas Mudanças de humor Problemas do sistema nervoso Problemas digestivos Transtornos relacionados com a gravidez Problemas oculares Problemas respiratórios Problemas alérgicos Tensão pré-menstrual Varizes 29. Transtornos do sono 18. 19. 20. 21. 22. 23. SIM NÃO RELAÇÃO COM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO SIM NÃO PROVOCADO AGRAVADO 88 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. SEÇÃO C – Fatores organizacionais e relações no trabalho C1 – Organização do Trabalho (marcar X nos problemas observados): Organização insatisfatória do trabalho em geral Tarefas rotineiras ou monótonas Ritmo de trabalho ou pressão de tempo (prazos) excessivos Recursos insuficientes para alcançar os objetivos nos prazos fixados Trabalho em equipe ou colaboração insuficiente Os trabalhadores não controlam suficientemente seu próprio trabalho Duração da jornada e/ou organização de horários e turnos inadequados Dificuldade para compatibilizar o trabalho com a vida social ou familiar Possibilidade de participação ou consulta insuficiente ou inadequada. Poucas possibilidades de capacitação ou de promoção. Relações insatisfatórias com superiores ou encarregados. Relações insatisfatórias entre os trabalhadores Relações insatisfatórias com os clientes ou usuários. Descrição de problemas: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ _________________________ C2 – Desigualdade no Trabalho (marcar X nos problemas observados): Política inadequada de igualdade de oportunidades no trabalho Situações de discriminação do trabalho de mulheres. Condições de trabalho diferentes segundo o sexo das pessoas. Divisão do trabalho em tarefas de mulheres e tarefas de homens. Situações de abuso sexual. Situações de discriminação por motivos étnicos, culturais, lingüísticos, etc. Condições de trabalho diferentes segundo o tipo de contrato ( efetivo/temporário) Condições de trabalho diferentes segundo o vínculo trabalhista ( CLT, RJU) Identificação de trabalhos de risco para os trabalhadores Proteção insuficiente dos trabalhadores temporários ou efetivos Formação e informação preventiva insuficiente dos trabalhadores temporários. Em geral existe falta de solidariedade e apoio entre os companheiros Em geral existe falta de respeito nas relações entre as pessoas. Descrição de problemas: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ 89 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. SEÇÃO D – OBSERVAÇÃO DE PROBLEMAS NOS LOCAIS DE TRABALHO D1 – LOCAIS DE TRABALHO E INSTALAÇÕES (marcar X nos problemas observados) PROBLEMAS Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou equipamentos Desordem e/ou falta de limpeza Sistemas de armazenamento inadequados e/ou inseguros Falta de segurança para realizar deslocamentos (pisos, escadas) Possibilidade de quedas devido a proteção..... Condições deficientes de segurança nas instalações elétricas Condições de deficientes de segurança nas instalações de gases e pressão Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de emergência Ventilação e climatização inadequadas dos ambientes Iluminação inadequada ao tipo de trabalhado realizado Temperatura ambiental inadequada ao tipo de trabalho que se realiza Ruído ambiental inadequado para a atenção que é requerida pela tarefas realizadas Vestuários e banheiros insuficientes ou inadequados OUTROS: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ D2 – MAQUINARIA ( EQUIPAMENTOS), TECNOLOGIA E INSTRUMENTAIS) (marcar X nos problemas observados): FERRAMENTAS PROBLEMAS Dispositivos de segurança insuficientes ou inadequados Manutenção preventiva inadequada Instruções de segurança insuficientes ou inadequadas Utilização insegura de máquinas ou ferramentas Perigo de acidentes por quedas ou cortes Perigo de acidentes por queimaduras Perigo de descarga elétrica em máquinas ou ferramentas Proteção inadequada frente ao ruído Exposição à vibrações por utilização de máquinas ou ferramentas Proteção inadequada frente a radiações ionizantes Exposição eletromagnética Fadiga visual por fontes luminosas nos equipamentos de trabalho Exposição a fontes de calor radiante Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual Descrição de problemas: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ ( 90 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. D3 – SUBSTÂNCIAS E MATERIAIS UTILIZADOS (marcar X nos problemas observados) PROBLEMAS Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos Embalagens com rótulos inadequados Informação insuficiente sobre os riscos das substâncias e materiais Falta de segurança no transporte e/ou armazenamento de substâncias e materiais Má qualidade do ar ( presença de umidade, gases, vapores, poeiras e odores) Risco químico por contato com olhos ou pele Risco químico por inalação respiratória Exposição à carcinogênicos ou mutagênicos Exposição à alérgenos Exposição à riscos biológicos Instalações de proteção coletiva insuficientes ou inadequadas Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual Contaminação externa (resíduos) Risco de acidentes meio ambientais graves ( incêndios, explosões) Descrição de problemas: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ _________________________ D4 - FATORES ERGONÔMICOS (marcar X nos problemas observados) Arquitetura inadequada dos postos de trabalho em geral Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza Distribuição inadequada de pessoas e equipamentos Desenho inadequado do mobiliário, equipamentos ou ferramentas Cadeiras e assentos insuficientes ou inadequados Manutenção excessiva de uma mesma postura de trabalho Necessidade de adotar posturas forçadas ou desconfortáveis As tarefas não permitem mudanças freqüentes de postura. Excessiva repetição de movimentos Manipulação de cargas desnecessárias Manejo inadequado de cargas (peso, volume, altura, deslocamento) Manejo prolongado de cargas sem pausas suficientes. Armazenamento inadequado que impedem uma correta manipulação de cargas. Formação ergonômica insuficiente ou inadequada. Descrição de problemas: __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 91 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. SEÇÃO E – DADOS DA INSTITUIÇÃO E1- Características gerais dos trabalhadores (quadro de pessoal). 1.1 Atividade Principal: ................................................. 1.2 Número de trabalhadores (as): ................................. HOMENS MULHERES TOTAL PESSOAL EFETIVO PESSOAL CONTRATADO TOTAL 1.3 Há na instituição funcionários temporários? ………………………………………… N de trabalhadores (as) temporários: ……………………………………………………. Homens: …………….................Mulheres: ……………………………………………… 1.4 Nível de Absenteísmo no último ano: …………………………………………………. 1.5 Comitê de Segurança e saúde: Não Sim Composição: ………………………………………………………………………………………………………………… ………………………………………………………………………………… 1.6 Serviço de Controle e Saúde no Trabalho: ………………………………………………………………………………………………………………… …………………………………………………………………………… Próprio: Composição: ............................................................................................................................................... ……………………………………………………………………………………………… Externo: Composição: ................................................................................................................................................ ……………………………………………………………………………………………… Não possui: 1.7 Política da Instituição em matéria de Saúde e Segurança do Trabalho: ………………………………………………………………………………………………………………… …………………………………………………………………………… 1.8 Possíveis condicionantes econômicos das intervenções preventivas: ………………………………………………………………………………………………………………… ………………………………………………………………………………………………………………… ………………………………………………………………… 92 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. E2 – Situação Geral da Instituição: Avaliação geral da situação sobre as seguintes questões: 0 : boa 1: regular 2 : ruim 0 1 2 • Situação econômica atual .......................................................... • Evolução econômica da Instituição .......................................... • Inovação tecnológica................................................................... • Nível tecnológico em relação ao setor econômico...................... • Produtividade ............................................................................ • Competitividade ........................................................................ • Respeito ao meio ambiente ........................................................ • Boa vontade para negociação …………………………………. Apreciação da situação: ............................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................ 93 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. E3 - Política de Prevenção do Hospital Grau de satisfação a respeito dos seguintes aspectos: 0 : alto 1 : médio 2 : baixo 0 • Planejamento geral da política de prevenção. ............................ • Definição de objetivos de prevenção específicos e execução de planos concretos .............................................................................. • Acordos objetivos de prevenção .............................................. • Adequação dos recursos técnicos necessários para os objetivos de prevenção ................................................................................. • Independência e rigor profissional dos serviços de prevenção • Integração dos objetivos de prevenção no sistema de gestão..... • Política de informação dos trabalhadores sobre os riscos do seu Trabalho............................................................................................ • Política de formação dos trabalhadores sobre prevenção de riscos • Consulta e participação dos trabalhadores e seus representantes .. • Funcionamento do comitê de segurança e saúde ........................... • Prioridade de prevenção coletiva sobre a proteção individual ...... • Notificação, registro e investigação dos problemas de saúde e segurança ............................................................................................. • Controle periódico das condições de saúde e segurança do posto de trabalho ........................................................................................... • Vigilância da saúde dos trabalhadores ......................................... 1 2 94 MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000. E4- Interesse dos Trabalhadores na Prevenção de Riscos 0: alto 1: médio 2: baixo 0 • Nível de informação geral sobre temas de saúde e segurança ....... • Grau de preocupação geral por questões de saúde e segurança ..... • Sensibilidade por algum tema específico relacionado com saúde e segurança ........................................................................................... • Confiança e respeito sobre os responsáveis pela prevenção........... • Satisfação a respeito da gestão sindical dos problemas de saúde e segurança ........................................................................................ • Grau de confiança com a inspeção do trabalho .............................. • Grau de confiança com os técnicos do serviço de prevenção........ • Disponibilidade para empreender ações ....................................... • Disponibilidade para empreender ações ou iniciativas coletivas .. • Disponibilidade para participar da identificação e avaliação dos riscos ............................................................................................... 1 2 95 ANEXO A - Aprovação do Comitê de Ética do INCA 96 ANEXO B - Autorização dos autores para tradução e utilização do instrumento 97 ANEXO C - Aprovação do comitê de ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto para realização do projeto "Inovação de Gestão das condições de trabalho em saúde para hospitais do Sistema Único de Saúde - SUS/BRASIL"