Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico
Faculdade de Enfermagem
Sylvia Gonzalez de Queiroz
Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia
Rio de Janeiro
2008
Sylvia Gonzalez de Queiroz
Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia
Dissertação apresentada, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre,
ao Programa de Pós-Graduação em
Enfermagem, da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro. Área de concentração:
Enfermagem, Saúde e Sociedade.
Orientadora: Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro
Rio de Janeiro
2008
CATALOGAÇÃO DA FONTE
UERJ/REDE SIRIUS/CBB
Q3
Queiroz, Sylvia Gonzalez de.
Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia /
Sylvia Gonzalez de Queiroz. - 2008.
97 f.
Orientadora: Maria Yvone Chaves Mauro.
Dissertação (mestrado) – Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, Faculdade de Enfermagem.
1. Enfermagem do trabalho. 2. Enfermeiros - Avaliação de
riscos de saúde. 3. Qualidade de vida no trabalho. 4. Câncer Enfermagem. I. Mauro, Maria Yvone Chaves. II. Universidade do
Estado do Rio Janeiro. Faculdade de Enfermagem. III. Título.
CDU
614.253.5
Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou
parcial desta dissertação.
_______________________________
Assinatura
_______________________
Data
i.exe
Sylvia Gonzalez de Queiroz
Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros em oncologia
Dissertação apresentada, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre,
ao Programa de Pós-Graduação em
Enfermagem, da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro. Área de concentração:
Enfermagem, Saúde e Sociedade.
Aprovada em 13 de março de 2008.
Banca Examinadora:
___________________________________________________
Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro (Orientadora)
Faculdade de Enfermagem da UERJ
___________________________________________________
Profª. Drª. Regina Célia Gollner Zeitoune
Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ
___________________________________________________
Profª. Drª. Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza
Faculdade de Enfermagem da UERJ
Rio de Janeiro
2008
DEDICATÓRIA
Ao meu Pai, que com seu exemplo de superação e luta me ensinou a persistir e
superar dificuldades.
Aos meus filhos, que compreenderam os momentos em que estive ausente.
Ao meu marido Wagner, companheiro incansável nas lutas diárias.
Aos meus colegas do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto
Nacional do Câncer, queridos companheiros que contribuíram muito para o
desenvolvimento deste estudo.
Aos enfermeiros do Hospital do Câncer I - INCA que disponibilizaram parte do seu
tempo para participar do estudo.
À equipe amiga do Programa de Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual
de Saúde e Defesa Civil – SESDEC, pelo apoio e exemplo de profissionalismo na
luta por melhores condições de trabalho.
Aos meus colegas do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia.
AGRADECIMENTOS
A Deus, Luz que guia meus passos direcionando minhas ações
Aos Pacientes do Instituto Nacional do Câncer, cuja força na
luta pela vida me ensina a superar as dificuldades que a existência nos
impõe...
À Profª. Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, minha orientadora, pela
contribuição,
amizade,
apoio,
carinho,
atenção
e
envolvimento
na
concretização desta pesquisa. Minha admiração pela competência e
dedicação na luta por melhores condições de trabalho para a Enfermagem.
Meu agradecimento eterno.
À Profª. Drª. Maria Lucia do Carmo Cruz Robazzi, meu
agradecimento pelas contribuições iniciais que foram relevantes para acreditar
na possibilidade de realização do estudo em toda a sua abrangência.
RESUMO
QUEIROZ, Sylvia Gonzalez de. Condições de trabalho e saúde dos enfermeiros
em oncologia. 2008. 97 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Faculdade de
Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.
O presente estudo teve como objeto as condições de trabalho e a saúde dos
enfermeiros no contexto organizacional de uma instituição oncológica. A minha
experiência profissional em oncologia em uma Instituição, referência em oncologia
clínica e cirúrgica, que desenvolve ações no âmbito assistencial, de ensino e
pesquisa, possibilitou-me observar o processo de trabalho dos enfermeiros.
Verifiquei a incidência freqüente de licenças médicas para tratamento da saúde e a
ocorrência de transtornos de ordem física e mental relacionados ao estresse,
trabalho em turnos, sobrecarga de trabalho por déficit de recursos humanos, além
das dificuldades do enfermeiro em lidar com situações adversas relacionadas ao
tratamento de clientes oncológicos. Trata-se de um estudo não experimental, de
caráter descritivo, com abordagem quantitativa e aporte qualitativo. Este estudo
possibilitou identificar os fatores de risco no trabalho a que estavam expostos os
enfermeiros oncológicos, descrevendo as condições do ambiente de trabalho e a
percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde que foram provocados ou
agravados pelo trabalho. Concluiu-se que as condições de trabalho podem interferir
diretamente na saúde desses profissionais, haja vista que o problemas de saúde
apontados pelos enfermeiros estão intimamente ligados ao cuidado realizado por
estes profissionais. Dos problemas provocados pelo trabalho, destacam-se: lesão
por material pérfuro-cortante (67%), estresse (52%), mudanças de humor (50%),
doenças de pele (46%) dores lombares (45%) e depressão (33%). O estudo
evidenciou que deve haver um empenho por parte da organização e da própria
categoria para reivindicar melhores condições de trabalho com o objetivo de
transformar o processo de trabalho, facilitando a realização das atividades
relacionadas ao cuidar e da promoção da saúde do cuidador. A conscientização
sobre a possibilidade de adoecimento pelo trabalho deve incentivar o profissional na
realização de práticas seguras e na utilização de dispositivos de segurança,
principalmente pela implementação de medidas preventivas que possam possibilitar
um estilo de trabalho mais saudável.
Palavras-chave: Condições de trabalho. Adoecimento. Enfermeiros oncológicos.
Saúde ocupacional.
ABSTRACT
The present study it had as object the conditions of work and the health of the
nurses in the context of a oncology institution. My professional experience in
oncology in an Institution, reference in clinical and surgical oncology, that develops
action in the care scope, of education and research, made possible to observe me
the process of work of the nurses, verified the frequent incidence of medical licenses
for treatment of the health and the occurrence of related upheavals of physical and
mental order to stress it, work in turns, overload of work for deficit of human
resources, beyond the difficulties of the nurse in dealing with related adverse
situations to the treatment of oncológicos customers. One is about a not experimental
study, of descriptive character, with quantitative boarding and arrives in port
qualitative. This study work made possible to identify to the factors of risk no the one
that were displayed the oncology nurses, describing the conditions do surrounding of
dos work and the perception nurses on the health problems that had been provoked
or aggravated of work. It was concluded that the work conditions can intervene
directly with the health of these professionals, has since the problems of health
pointed by the nurses are closely on to the care carried through for these
professionals. Of the problems provoked for the work, they are distinguished: Injury
for drill-cutting material (67%), stress (52%), mood changes (50%), skin illnesses
(46%) lumbar pains (45%)e depression (33%). The study it evidenced that it must
have a persistence on the part of the organization and the proper category
demanding better conditions of work, with the objective to transform the work
process, facilitating the accomplishment of the activities related when taking care of
and of the promotion of the health of the caregiver. The awareness on the possibility
of sickness for the work must stimulate the professional in the accomplishment of
practical insurances and the use of security devices, mainly for the implementation of
writs of prevention that can make possible a style of more healthful work.
Keywords: Conditions of work. Illness. Oncology nurses. Occupational health.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1 -
Riscos ocupacionais percebidos freqüentemente e às vezes
pelos enfermeiros no Centro de Transplante Medula Óssea,
Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de Terapia
Intensiva de uma instituição Oncológica ..................................
Gráfico 1 -
61
Aspectos percebidos pelos enfermeiros em relação às
condições de trabalho – Temperatura inadequada ..................
Quadro 2 -
65
Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços
de enfermagem sobre os locais de trabalho e instalações .......
Quadro 3 -
67
Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços
de enfermagem sobre maquinaria (equipamentos), tecnologia
e ferramentas (instrumentais) ...................................................
Quadro 4 -
Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços
de enfermagem sobre substâncias e materiais utilizados .......
Quadro 5 -
69
Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços
de enfermagem sobre fatores ergonômicos ............................
Quadro 6 -
68
-
70
Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e
sua relação com as condições de trabalho ..............................
71
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -
Quantitativo de enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto e
UTI Pediátrica ...........................................................................
43
Funcionários e servidores por curso de graduação – INCA
novembro/2004 a março/2005 ..................................................
44
Características pessoais dos Enfermeiros lotados no Centro
de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento
Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma
Instituição Oncológica (n=29) ...................................................
51
Características profissionais dos Enfermeiros lotados no
Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento
Intensivo e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de uma
Instituição Oncológica (n=29) ...................................................
53
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
vínculo empregatício em relação à qualidade do lazer p =
0.1813 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................
55
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
vínculo empregatício em relação à qualidade do repouso p =
0.1506 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................
56
Tabela 7 -
Cálculo do IMC – Índice de massa corporal da amostra (n=29)
57
Tabela 8 -
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a
realização de atividade física em relação índice de massa
corporal p= 0.2348 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ............
57
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com os
hábitos alimentares em relação índice de massa corporal p=
0.6565 - teste de fisher ou Qui-Quadrado ................................
58
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
número de vínculos em relação ao lazer p= 0.3668 - teste
de fisher ou Qui-Quadrado .......................................................
58
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
número de vínculos em relação ao repouso p= 0.06621 teste de fisher ou Qui-Quadrado ..............................................
59
Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a
carga horária em relação ao repouso p= 0.0071 - teste de
fisher ou Qui-Quadrado ............................................................
60
Tabela 2 Tabela 3 -
Tabela 4 -
Tabela 5 -
Tabela 6 -
Tabela 9 -
Tabela 10 -
Tabela 11 -
Tabela 12 -
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...........................................................................................
12
Objeto do estudo e contextualização .....................................................
12
Questões norteadoras .............................................................................
14
Objetivos do estudo .................................................................................
15
Justificativa do estudo .............................................................................
15
Relevância .................................................................................................
16
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................
18
1.1 Trabalho .....................................................................................................
18
1.2 Ambiente de trabalho ..............................................................................
21
1.3 Condições de trabalho ............................................................................
23
1.4 O processo de saúde-doença e a influência do trabalho .....................
26
1.5 Saúde do trabalhador ..............................................................................
29
1.6 O trabalho no contexto hospitalar .........................................................
30
1.7 O trabalho de enfermagem ......................................................................
32
1.8 Riscos do trabalho de enfermagem .......................................................
35
1
1.9 Importância da participação dos trabalhadores na avaliação das
2
condições de trabalho .............................................................................
38
METODOLOGIA
40
2.1 Tipo de estudo ..........................................................................................
40
2.2
Dados da instituição e período de realização do estudo .....................
40
2.3
Cenário do estudo ...................................................................................
42
2.4
Critérios de inclusão e exclusão ............................................................
43
2.5
População .................................................................................................
43
2.6 Aspectos éticos ........................................................................................
45
2.7 Coleta de dados ........................................................................................
45
2.8 Tratamento e análise dos dados .............................................................
49
3
51
RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Características pessoais e profissionais dos enfermeiros dos
setores estudados ...................................................................................
51
3.2 Cuidados com a própria saúde ...............................................................
55
3.3 Fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos
nos locais de trabalho ..............................................................................
61
3.4 Percepção sobre os problemas do ambiente e condições de
trabalho .....................................................................................................
65
3.5 Percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre
os problemas nos locais de trabalho .....................................................
66
3.6 Percepção dos enfermeiros sob re os problemas de saúde e sua
relação com as condições de trabalho ..................................................
71
4
CONCLUSÃO .............................................................................................
74
5
RECOMENDAÇÕES ..................................................................................
76
REFERÊNCIAS ..........................................................................................
77
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................
82
APÊNDICE B – Instrumento de Coleta de Dados ......................................
84
ANEXO A – Aprovação do Comitê de Ética do INCA ................................
95
ANEXO B – Autorização dos autores para tradução e utilização do
instrumento .................................................................................................
96
ANEXO C – Aprovação do Comitê de Ética do Hospital Universitário
Pedro Ernesto para realização do projeto "Inovação de Gestão das
condições de trabalho em saúde para hospitais do Sistema Único de
Saúde - SUS/BRASIL" ................................................................................
97
12
INTRODUÇÃO
A minha experiência profissional em oncologia em uma Instituição, referência
em oncologia clínica e cirúrgica, que desenvolve ações no âmbito assistencial, de
ensino e pesquisa, possibilitou-me observar o processo de trabalho dos enfermeiros,
verificando a incidência freqüente de licenças médicas para tratamento da saúde e a
ocorrência de transtornos de ordem física e mental relacionados ao trabalho e às
dificuldades do enfermeiro em lidar com situações adversas relacionadas ao
tratamento de clientes oncológicos. Estes são motivos que podem favorecer o
adoecimento, distúrbios do sono, consumo de álcool e drogas, acidentes e doenças
osteomusculares.
A motivação para realizar este estudo surgiu também de uma pesquisa
multicêntrica sob a coordenação da orientadora deste estudo que objetiva o
conhecimento das condições de trabalho da enfermagem, cujos resultados obtidos,
a partir da aplicação do questionário utilizado, auxiliaram na validação do referido
instrumento de coleta de dados.
A assistência de enfermagem em oncologia caracteriza-se pela exigência de
um conhecimento técnico-científico qualificado e um desgaste profissional acima da
média, originário das demandas excessivas de energia, gerando estresse de
maneira insidiosa, cumulativa e progressiva. (CLARK; MC GEE, 1997).
O cuidado de enfermagem em oncologia reveste-se de grande complexidade,
requerendo do profissional uma competência que vai além da esfera técnicocientífica, com implicações em várias facetas do seu existir dado o esforço para
viabilizar um cuidado ético. (POPIM, 2001).
A convivência freqüente com a morte expõe o profissional a experiências e
vivências de angústia e sofrimento, trazendo-lhe a antevisão de sua própria morte ou
lembranças de confronto com a mesma, podendo levá-lo ao esgotamento psíquico,
conhecido como burnout, que pode ser entendido como um estado de exaustão
prolongada e perda de interesse, advindo da rotina de enfrentamento de situações
que evidenciam a finitude, como é o caso em oncologia.
Objeto do estudo e contextualização
O presente estudo teve como objeto abordar as condições de trabalho e sua
13
relação com os problemas de saúde a partir da percepção dos enfermeiros que
trabalham em três setores especializados no tratamento de pacientes críticos de
uma instituição oncológica.
A prática profissional em oncologia é pautada pelo alto nível de conhecimento
tecnológico e a necessidade constante de capacitação e desenvolvimento
profissional devido às mudanças constantes do conhecimento. Não obstante, a
heterogeneidade das doenças malignas, a variabilidade de prognósticos, a
imprevisibilidade da trajetória saúde-doença, a confrontação com desfigurações
corporais, deficiências, dor e morte, a confrontação com emoções de clientes e
familiares e a incapacidade de restaurar a saúde podem causar no enfermeiro
oncológico um sentimento de fracasso repetido.
O interesse para desenvolver este estudo surgiu a partir do meu cotidiano
profissional em oncologia, onde o trabalho de enfermagem ocupa grande parte do
tempo do profissional. A maioria possui uma dupla ou tripla jornada de trabalho em
ambientes que os expõem a riscos, podendo interferir na qualidade de vida destes
enfermeiros, fato que está relacionado diretamente com as questões relativas à
saúde do trabalhador, além de sua relevância na prevenção do adoecimento e na
promoção da saúde do enfermeiro.
Este estudo pretende conhecer as condições de trabalho e os problemas de
saúde do enfermeiro, que trabalha em setores que prestam assistência a pacientes
críticos em um hospital especializado, no atendimento à patologia neoplásica
maligna e a percepção dos enfermeiros sobre a relação entre adoecimento e
trabalho.
Vale ressaltar que a abrangência do tema não permitirá uma única conclusão.
Estudos de Pitta (1990), Bulhões (1994), Leopardi et al. (1999) e Mauro (2005)
demonstram que o processo de promoção da saúde no trabalho é dinâmico, fato que
torna pertinente o estudo em questão, favorecendo uma reflexão por parte dos
profissionais e dos gestores das instituições de saúde.
O trabalho do enfermeiro em oncologia é também influenciado pelo ambiente
físico, exigindo conhecimento técnico-científico e equilíbrio emocional para lidar com
o complexo processo de saúde-doença.
Segundo Dejours (1992), esta situação está relacionada aos componentes
afetivos negativos desencadeados ou agravados pelo processo de trabalho. A
ansiedade em situações de risco elevado decorre do medo presente nas
14
organizações com mecanismos de controle rígidos e severos e dos efeitos psíquicos
adversos das organizações do trabalho que geram tarefas vazias de conteúdo,
monótonas e repetitivas.
Os conceitos de Dejours sugerem que, quando a organização do trabalho
entra em conflito com o funcionamento psíquico dos homens e estão bloqueadas
todas as possibilidades de adaptação entre a organização do trabalho e do desejo
dos sujeitos, poderá emergir o sofrimento patogênico que pode ser compreendido
como um processo dinâmico, onde os profissionais criam estratégias defensivas
para se proteger.
A partir destas considerações, observa-se a necessidade de refletir sobre esta
organização que, com freqüência, favorece o adoecimento do enfermeiro como, por
exemplo, a jornada intensa de trabalho que, muitas vezes, é exaustiva.
Considera-se
também
que
o
hospital,
como
local
de
trabalho,
é
reconhecidamente uma empresa que apresenta uma variedade de riscos à saúde,
onde as condições de exposição, já são reconhecidas como condições insalubres
pela legislação trabalhista. (BRASIL, 1994).
A partir de verbalizações no ambiente de trabalho, observei que os
enfermeiros oncológicos almejam o reconhecimento deste problema. Neste sentido,
o presente estudo poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias para lidar
com os fatores de riscos que são inerentes ao processo, como também para a
reformulação da organização do trabalho de enfermagem, com ênfase na divisão do
trabalho para garantir a divisão de tarefas, representadas pelas hierarquias, as
repartições de responsabilidade e os sistemas de controle. Estas, com freqüência,
ocorrem de maneira inadequada e perversa, impondo ao profissional a aceitação de
determinadas situações como algo intransponível ou dognificador e, dessa maneira,
geradores de sofrimento psíquico e físico.
Questões norteadoras
1. Quais os fatores de riscos relacionados às condições de trabalho que
podem estar influenciando a saúde dos Enfermeiros?
2. Qual a percepção dos Enfermeiros sobre a relação entre os problemas de
saúde e as condições de trabalho?
15
Objetivos do estudo
Objetivo geral
Estudar as condições de
trabalho e os problemas de saúde segundo a
percepção dos enfermeiros oncológicos.
Objetivos específicos
1. Caracterizar o perfil pessoal, profissional e cuidados com a própria saúde dos
enfermeiros oncológicos;
2. Identificar os fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros
oncológicos nos locais de trabalho;
3. Analisar as condições do ambiente de trabalho dos enfermeiros oncológicos;
4. Discutir os problemas de saúde apontados pelos enfermeiros, provocados ou
agravados pelo trabalho.
Justificativa do estudo
Os enfermeiros oncológicos vivenciam situações de penosidade, sofrimento e
morte, agravadas pelas características do processo e do ambiente de trabalho.
Sabe-se da dificuldade desses profissionais em perceber no processo de
trabalho as condições capazes de gerar doenças e/ou acidentes. Algumas
patologias são de caráter irreversível, enquanto outras podem ser previsíveis. Por
esta razão, todo conhecimento produzido deveria ser utilizado para a prevenção dos
problemas de saúde apresentados por esses trabalhadores. (MAURO, 2005).
Entretanto, observou-se, com freqüência, uma atitude de desprendimento do
próprio trabalhador, que emprega toda sua energia a seus clientes e ao progresso
dos conhecimentos científicos e tecnológicos, abstendo-se de prestar atenção às
suas próprias necessidades de saúde e de lazer.
Neste sentido, foi verificado que o ambiente de trabalho é diversificado e
organizado de acordo com suas peculiaridades, caracterizado pela assistência ao
cliente oncológico com
prognósticos imprevisíveis, portadores de doenças pré-
existentes, exigindo dos profissionais competência técnica e equilíbrio psíquico para
lidar com as situações apresentadas no cotidiano de uma instituição oncológica. O
enfermeiro é obrigado a adaptar-se a tudo isto, orientando-se através das políticas e
normas organizacionais da instituição.
16
Segundo Leopardi e Lunardi Filho (1999), as instituições de saúde
proporcionam um trabalho insalubre e desgastante, mas continua sendo um lugar
criado pelos e para os seres humanos o que significa, fundamentalmente, que eles
mesmos, técnicos e indivíduos que procuram atendimento das necessidades de
saúde, deverão ser eles próprios os melhores agentes da transformação.
A participação dos trabalhadores é considerada essencial para a identificação
dos fatores de risco presentes no trabalho e das repercussões destes sobre o
processo saúde-doença. Também é fundamental para a transformação das
condições geradoras de acidentes e doença. Na atualidade, o crescimento das
relações informais e precárias de trabalho exige a criação ou identificação de novas
modalidades de representação dos trabalhadores, para além das organizações
sindicais tradicionais. (SILVEIRA; RIBEIRO; LINO, 2005).
Relevância
Este estudo permite reflexões sobre questões relativas à saúde e condições
de trabalho do enfermeiro que atua em oncologia, cuja atuação profissional vai além
da atividade técnico-científica, pois o cotidiano desses profissionais envolve um
cenário de dor, sofrimento, esperança e cura.
Este contexto profissional exige do Enfermeiro um movimento de doação, pois
o ato de cuidar, em oncologia, é uma atividade onde as exigências psicológicas do
paciente e família vão além do simples cuidado físico.
De acordo com Pitta (1990), o hospital pode ser entendido como um espaço
mítico, aonde as exigências psicológicas do paciente e família vão além do simples
cuidado físico, verificações dos sinais vitais e aplicações das terapêuticas. O sorriso,
a atenção, a bondade, o calor humano e o conhecimento técnico também são
necessidades a serem atendidas. Segundo esta autora, a atividade de lidar com a
dor, doença e morte tem sido identificada como condição insalubre, penosa e difícil
para todos.
Ainda, segundo Pitta (1990), a sobrecarga mental, acrescida da carga física, é
geradora de alterações afetivas, desencadeando fenômenos de ordem psicológica,
psicossociológica e ainda neurofisiológica. É crescente o número de publicações
referentes a agravos psíquicos, medicalização e suicídios de médicos e
enfermeiros.
A partir destas considerações, observou-se a necessidade de desenvolver
17
este estudo para refletir sobre a saúde dos trabalhadores de enfermagem,
entendendo que a promoção da saúde não se ocupa apenas de promover o
desenvolvimento das habilidades pessoais e da capacidade da pessoa de influir
sobre os fatores que determinam a saúde, mas incluir, também, a intervenção sobre
o meio ambiente, para reforçar tanto aqueles fatores que sustentam estilos de vida
saudáveis como para modificar aqueles que os impedem de serem postos em
prática. Esta estratégia pode ser entendida como: conseguir que as opções mais
saudáveis sejam as mais fáceis de eleger (NUTBEAN,1986).
Do ponto de vista social, o conhecimento científico dos fatores que propiciam
condições inadequadas de trabalho e adoecimento, são elementos significativos
para os profissionais fundamentarem suas reivindicações por melhorias de
condições de trabalho e de saúde.
18
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 Trabalho
Segundo Alves (2002), o trabalho pode ser compreendido, estritamente como
esforço físico ou mecânico, como energia despendida pelos seres humanos, animais
ou máquinas. Isto é, o trabalho é a energia que quando colocada em movimento
tem por resultado a transformação dos elementos em estado de natureza, a
produção, manutenção e modificação de bens ou serviços necessários a
sobrevivência humana.
Com base em Marx (1968), Alves (2002) refere que trabalho humano é
resultante do dispêndio de energia física e mental, voltada direta ou indiretamente
para a produção de bens e serviços, visando a reprodução da vida humana,
individual e social.
O trabalho humano atualmente é obrigatório, diferentemente do que
curiosamente não ocorre com os insetos (abelhas, formigas) ou certas aves (o joãode-barro), isto é, de natureza instintiva. Na espécie humana não existe o instinto do
trabalho. Trata-se de uma atividade convencional que antigamente visava
exclusivamente ao sustento biológico (cultivo, criação de gado, artesanato).
Nos dias de hoje, o trabalho é uma atividade sofisticada que envolve
tecnologia e inovação contínua, transformando-se em posição, em status que eleva
e dá importância ao ser humano. É também obrigatório como meio e recurso de
sobrevivência, uma vez que fornece ao indivíduo, como compensação, uma
remuneração, um salário com o qual pode prover o seu sustento e o da família.
Entretanto, não trabalhamos apenas pelo salário que recebemos, fazemos pela
satisfação emocional profunda que sentimos com a realização e os resultados que
colhemos através do nosso esforço. Do ponto de vista biológico, o trabalho não é
necessário ao ser humano, podendo inclusive, ser excessivo ou perigoso, tornar-se
prejudicial ao organismo, ocasionando doenças profissionais ou relacionadas ao
trabalho pelo esforço físico ou psicoemocional despendido. (MIELNIK, 1976).
Através do trabalho, estabelece-se novas relações humanas, acumulando
mais experiências, conhecimentos e emoções.
É uma fonte de socialização,
possibilitando o contato com a comunidade no local de trabalho. Contudo, embora
seja uma instituição social, o trabalho está ligado antes de tudo, a certo sentimento
de angústia, de preocupação, pois, em geral, quase sempre se começa a trabalhar
19
na adolescência, fase de alterações, de mudanças. Para o adolescente, pelo menos
no início, o trabalho assume a forma de imposição, de obrigação, não sendo
agradavelmente recebido. Devido ao sentido digno do trabalho e à compensação
recebida pelo mesmo, os jovens reagem com interesse e se sentem motivados a
procurar trabalho e a permanecer nele. (MIELNIK, 1976).
Segundo Codo, Sampaio e Hitomi (1993), o trabalho do ponto de vista do
capitalismo se caracterizou pela ruptura entre trabalho e afetividade, concretizandose em uma divisão de papéis entre o homem e a mulher, com a entrada da mulher
no mercado de trabalho. Por um lado, é um passo importante para a igualdade
entre homens e mulheres; por outro, submete a mulher às relações capitalistas de
produção. Na medida em que a reprodução foi sendo assumida pelo Estado ou pela
iniciativa privada, a mulher deixou de comparecer como portadora da afetividade nas
relações familiares, que até bem pouco tempo a mulher era a única representante.
Tal fato é bastante evidente no trabalho de enfermagem, tendo em vista a
predominância feminina na categoria, fato que é bastante peculiar, pois é freqüente
a realização do duplo papel pelas trabalhadoras de enfermagem, refletindo a penosa
divisão de papéis que estas mulheres enfrentam no seu cotidiano (trabalho
profissional e trabalho doméstico).
De maneira simplificada, pode-se dizer que com a ocupação da mulher na
força de trabalho, a família atual se encontra órfã da afetividade. Se a alienação do
trabalho determinou toda a expressão afetiva na família, ao transformar a família
pelo ingresso da mulher na produção, desmontou-se a tradicional divisão de papéis.
(CODO; SAMPAIO; HITOMI, 1993).
O trabalho pode ser considerado como uma das principais atividades do ser
humano, mas também uma condição que pode gerar múltiplos problemas de saúde.
Sem dúvida, o trabalho desde o seu surgimento permitiu desenvolvimento para a
humanidade, determinando avanço tecnológico e estabelecendo relações entre os
grupos humanos. Entretanto, o trabalho pode ocasionar diversas alterações na
saúde do trabalhador, inclusive a morte. (BENAVIDES, 2000).
Para Dejours, Abdoucheli e Jayet (1994), o trabalho pode ser fonte de
subsistência do homem, de acúmulo de riquezas, realização profissional e outras
satisfações, como também pode ser fonte de sofrimentos, de doenças, de
exploração e de escravidão que, muitas vezes são suportadas pelo trabalhador
devido à necessidade de sobrevivência pessoal e de sua família, nem sempre com a
20
devida compensação social e/ou econômica.
No Brasil, a População Economicamente Ativa (PEA), segundo estimativa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (PNAD 2002), era de
82.902.480 pessoas, das quais 75.471.556 consideradas ocupadas. Destes,
41.755.449 eram empregados (2.903.311 com carteira assinada); 4.991.101
militares e estatutários e 13.861.037 sem carteira assinada ou sem declaração;
5.833.448 eram empregados domésticos (1.556.369 com carteira assinada;
4.275.881 sem carteira assinada e 1.198 sem declaração); 17.224.328 eram
trabalhadores por conta própria; 3.317.084 eram empregadores; 3.006.860 eram
trabalhadores na produção para próprio consumo e construção para próprio uso; e
4.334.387 eram trabalhadores não remunerados.
Portanto, entre os 75.471.556
trabalhadores ocupados em 2002, apenas 22.903.311 (com carteira assinada)
possuíam cobertura da legislação trabalhista e do Seguro de Acidentes do Trabalho
– SAT, o que indica que a maioria dos trabalhadores brasileiros não dispunha de um
trabalho decente e digno, com as garantias sociais e econômicas desejadas.
Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, trabalho decente é
um trabalho produtivo, remunerado, exercido em condições de liberdade, segurança
e equidade, sem discriminação e capaz de garantir uma vida digna ao trabalhador.
O trabalho é mediador de integração social, seja por seu valor econômico
(subsistência), seja pelo aspecto cultural (simbólico), tendo, assim, importância
fundamental na constituição da subjetividade, no modo de vida e, portanto, na saúde
física e mental das pessoas. A contribuição do trabalho para as alterações da saúde
mental das pessoas dá-se a partir de ampla gama de aspectos: desde fatores
pontuais, como a exposição a determinado agente tóxico, até a complexa articulação
de fatores relativos à organização do trabalho, como a divisão e parcelamento das
tarefas, as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica
organizacional. (BRASIL, 2000).
Com base em Marx (1968), Alves (2002) infere que o trabalho é desprovido
de interesse e estruturado para que os seus agentes sejam transformados em
simples apêndice da máquina. Os trabalhadores possuem diferentes graus de
qualificação, ficando sujeitos a ampliar a sua destreza em determinadas operações
para que seja diminuído o tempo gasto em cada uma delas, aumentando a
produtividade e diminuindo o valor do trabalho e da própria força de trabalho,
reduzindo, assim, os gastos e maximizando os lucros.
21
Nesse sentido, o caráter do trabalho expressa o conteúdo da organização
social do trabalho e é determinado pelo modo de produção dominante. Assim, no
capitalismo, ele é determinado pela existência da sociedade privada nos meios de
produção, que implica na exploração do homem pelo homem e pela lei fundamental
desse tipo de sociedade, a lei da mais valia. (ALVES, 2002).
Segundo Mielnick (1976), a atividade humana tem significado tríplice:
material, psicológico e social. Para que o trabalho seja realmente uma atividade
agradável e compensadora, é necessário que tenha uma representação psicológica
muito mais intensa e importante do que mera remuneração.
Conforme a legislação vigente, o trabalhador deve permanecer dedicado ao
trabalho, no local, por um tempo determinado. Esse tempo subdivide-se em tempo
de trabalho necessário ou pago e tempo de trabalho suplementar ou não pago. A
questão que se coloca para a enfermagem é a seguinte: durante quanto tempo é
permitido ao empregador consumir a força de trabalho dos trabalhadores de
enfermagem? O capital ao não se preocupar com a duração da vida dessa força de
trabalho tenta prolongar a sua jornada ao máximo possível, a fim de expropriar
maiores níveis de produtividade e, portanto, maior consumo de força de trabalho.
(ALVES, 2002).
1.2 Ambiente de Trabalho
No âmbito da avaliação do posto de trabalho está a análise dos tipos de
programas e serviços existentes para determinar se estes são adequados e se
respondem às necessidades de proteção e promoção da saúde dos trabalhadores.
Os programas de promoção da saúde propiciam situações que favorecem ao
exercício físico e a nutrição, podem melhorar a saúde e a boa condição física global
dos trabalhadores e, assim, reduzir a vulnerabilidade de exposição a riscos e a
lesões de qualquer natureza. Os programas de proteção da saúde com o emprego
de
precauções
universais
e
equipamento
de
proteção,
podem
reduzir
consideravelmente os níveis de exposição. (MAURO, 2005).
No estabelecimento de uma relação entre qualquer resposta humana e o nível
de exposição relacionada ao trabalho, ou num contexto profissional, é necessário
que se conheçam as atividades e as necessidades do trabalhador, as fases dos
processos de trabalho e todos os aspectos do ambiente de trabalho. Diante de
milhares de produtos químicos e processos novos no ambiente de trabalho compete
22
aos profissionais de saúde delinear novos riscos profissionais, detectar problemas
existentes, desenvolver e implementar estratégias de prevenção, antes da
ocorrência de danos no ser humano. (BULHÕES, 1998).
O objetivo da avaliação do local de trabalho consiste em garantir um ambiente
de trabalho seguro e saudável, protegendo e promovendo o bem-estar físico e
mental do trabalhador.
Segundo Bulhões (1998), o ambiente apresenta três subdivisões: o ambiente
físico, com o qual se interage diariamente, capaz de determinar respostas no ser
humano; o ambiente biológico, pois em qualquer situação com que se convive, além
de outros seres humanos com os quais se partilha o universo, existem vários
organismos e microorganismos vivos que estão a todo tempo interagindo; e o
ambiente socioeconômico, no qual cada ser humano está inserido e devido a isso,
tem determinada a condição de salário, de renda, remuneração, enfim, sua posição
social.
A exposição do trabalhador às condições do ambiente de trabalho resulta da
convergência de vários fenômenos, todos sujeitos a variações de tempo e espaço.
As concentrações de contaminantes no local de trabalho são causadas por múltiplas
fontes, cujos índices de emissão são dependentes do tempo. Tais concentrações
são afetadas pelos níveis de ventilação, que dependem do tempo e do espaço. A
modelagem de concentrações no local de trabalho é difícil por suas próprias
características e a avaliação da exposição também exige um
entendimento do
comportamento do trabalhador. (BULHÕES, 1998).
Os fatores nocivos do ambiente são as condições físicas, organizacionais,
administrativas ou técnicas existentes nos locais de trabalho, que possibilitam a
ocorrência de acidentes do trabalho e/ou adoecimento. (HAAG, 2001).
De acordo com a Portaria nº 25 do Ministério do Trabalho e Emprego de 29
de dezembro de 1994, que determina que seja executada e cumprida a Convenção
n.º 148, da Organização Internacional do Trabalho - OIT, sobre a Proteção dos
Trabalhadores Contra os Riscos Profissionais Devidos à Contaminação do Ar, ao
Ruído e a Vibrações no Local de Trabalho, os riscos são classificados em:
•
Riscos Físicos - formas de energia como ruídos, vibrações, pressões
anormais, radiações ionizantes ou não, ultra e infra-som (NR-09 e NR-15).
Objeto de avaliação quantitativa;
•
Riscos Químicos - substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar
23
no organismo por via respiratória, absorvidos pela pele ou por ingestão, na
forma de gases, vapores, neblinas, poeiras ou fumos (NR-09, NR-15 e NR32). Objeto de avaliação quantitativa e qualitativa;
•
Riscos Biológicos - bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus,
etc (NR- 09);
•
Riscos Ergonômicos - são elementos físicos e organizacionais que interferem
no conforto da atividade laboral e conseqüentemente nas características
psicofisiológicas do trabalhador (NR-17) e que incluem:
- Posto de trabalho inadequado (mobiliário, equipamentos e dispositivos)
- “Lay-out” inadequado (caminhos obstruídos, corredores estreitos, etc)
- Ventilação e iluminação inadequadas
- Esforços repetitivos
- Problemas relativos ao trabalho em turno
- Assédio moral
- Problemas relacionados com a organização do trabalho;
•
Riscos de Acidentes (condições com potencial de causar danos aos
trabalhadores nas mais diversas formas, levando-se em consideração o não
cumprimento das normas técnicas previstas).
1.3 Condições de trabalho
Benavides (2000) refere que as condições de trabalho podem ser definidas
como o conjunto de variáveis que definem a realização de uma tarefa concreta e o
entorno em que esta se realiza, estas variáveis determinam a saúde do indivíduo
que a executa, com a tripla dimensão física, psíquica e social.
As condições de trabalho representam o conjunto de fatores que podem ser
denominados como exigências da organização, execução, remuneração e ambiente
do trabalho – capazes de determinar a conduta do trabalhador. Dessa maneira, o
indivíduo responde com a execução de uma atividade ou conduta passível de ser
analisada sob diferentes aspectos: perceptivos, motores e cognitivos. (ABEN, 2006).
As condições de trabalho marcam o corpo do trabalhador. O envelhecimento
precoce e a incapacidade resultante de acidentes e de doenças profissionais são
algumas marcas em seu corpo físico. O alcoolismo e o uso indiscriminado de psicofármacos refletem as marcas em seu corpo psíquico. (ABEN, 2006).
A discussão sobre aspectos teóricos e gerais de “condições de trabalho” se
24
justifica porque os estudos sobre condições de trabalho na enfermagem relacionamse principalmente com oferta de mão-de-obra, porém, são escassos, descontínuos,
abstratos e contemplam basicamente informações quantitativas. (ALVES, 2002).
Segundo Alves (2002), tentar contribuir para o desnudamento das condições
de trabalho de uma força de trabalho feminina como a da enfermagem é um desafio,
visto que este é um objeto complexo, polêmico e a sua análise demanda um saber
específico, além de compreender que as relações sociais de produção dominantes
desempenham um papel fundamental na determinação das condições de trabalho.
Uma vez que a sociedade brasileira é capitalista, muito embora coexistam com
outros modos de produção, este fato deve ser considerado como importante, porque
a condição da força de trabalho, passa a ser agravada por um tipo de
desenvolvimento econômico baseado na super exploração dos trabalhadores e na
concentração de renda.
Nesse sentido, a enfermagem ainda enfrenta dificuldades pra reivindicar
melhores condições de trabalho, uma vez que com freqüência o profissional se
submete à condições inadequadas de trabalho em decorrência da necessidade
pessoal de sustento próprio e de sua família. Este fato é agravado pela
predominância feminina na profissão, pois de maneira geral as demandas familiares
e domésticas sobrecarregam a mulher, que em decorrência da necessidade
econômica é obrigada a trabalhar em mais de um emprego e ainda realizar as
atividades ligadas à administração do lar.
De acordo com Mauro (2005), o termo condições de trabalho engloba
diversos aspectos da situação de trabalho envolvendo os fatores de risco
associados aos aspectos materiais, relacionais, psicológicos, organizacionais e
outros presentes no contexto de trabalho. Dentre estes, pode-se considerar:
o
ambiente de trabalho, os fatores de risco, as cargas física, mental e psíquica, as
relações de trabalho, o conteúdo do trabalho, as incertezas, os horários e o
funcionamento da organização.
As condições de trabalho podem ser consideradas objetivas, porque podem
ser mensuradas; e subjetivas, porque são determinadas pela opinião, experiência do
trabalhador, sendo, neste caso, necessário analisar as impressões emitidas pelos
trabalhadores. Os elementos objetivos já estão sendo especificados nas Normas
Regulamentadoras como variáveis ou indicadores. Os elementos subjetivos
aparecem de forma mais geral em relação à saúde, pois considera que os elementos
25
físicos e psíquicos influenciam na situação de trabalho.
O reconhecimento do papel do trabalho na determinação e evolução do
processo saúde-doença dos trabalhadores tem implicações éticas, técnicas e legais,
que se refletem sobre a organização e o provimento de ações de saúde para esse
segmento da população, na rede de serviços de saúde.
O estabelecimento da
relação causal ou do nexo entre um determinado evento de saúde-dano ou doençaindividual ou coletivo, potencial ou instalado. É uma dada condição de trabalho que
constitui a condição básica para a implementação das ações de Saúde do
Trabalhador nos serviços de saúde presentes nos ambientes e condições de
trabalho e/ou a partir da identificação de um diagnóstico, tratamento e prevenção
dos danos, lesões ou doenças provocados pelo trabalho, no indivíduo ou no coletivo
de trabalhadores. (BRASIL, 2000).
Resumidamente, pode-se entender que condições de trabalho é tudo aquilo
que gira em torno de trabalho e
implica em um posto de trabalho no espaço
específico de uma empresa ou unidade produtiva, com instalações e atividades
delimitadas por objetos que são requeridos para que o trabalhador realize operações
e tarefas determinadas, tendo como
marco as relações formalizadas jurídica e
organizacionalmente. (BENAVIDES, 2000).
Falar de trabalho na enfermagem é falar de condições de trabalho que,
baseando-se em Marx (1968), representam todas aquelas condições materiais que
concorrem para o desenvolvimento do processo de trabalho, as quais não se
identificam diretamente com o referido processo, mas sem as quais este não poderia
ser executado, ou o seria de modo imperfeito. As condições de trabalho expressam
um conjunto de fatores que determinam a qualidade e produtividade do trabalho e
que são determinadas, fundamentalmente, pelos elementos do conteúdo do trabalho
e pela qualidade e complexidade do próprio trabalho. (RODRIGUEZ in ALVES,
2002).
Para Alves (2002), os trabalhadores da enfermagem se submetem a
determinadas condições de trabalho a partir do acordo trabalhista, que propicia o
início do processo de trabalho. O espaço para isso é encontrado na superestrutura
que, por não representar a esfera produtiva da sociedade, oportuniza o
desenvolvimento de um trabalho improdutivo do ponto de vista econômico, mas
necessário ao controle social, à reprodução da força de trabalho do núcleo
verdadeiramente capitalista da economia brasileira e à manutenção do sistema
26
empresarial da saúde.
Ao lado da organização científica do trabalho e dos meios de trabalho
tomamos, ainda como referência para análise, os agentes dos processos de trabalho
diretamente atingidos pela qualidade das condições de trabalho que são também
co-responsáveis pela mesma. Estes aspectos são relacionados com o caráter e a
natureza do trabalho que produzem, com o parcelamento e com o espaço onde esse
trabalho é materializado, considerando a predominância do sexo feminino entre os
trabalhadores de enfermagem. (ALVES, 2002).
Segundo
Alves
(2002),
instrumentalizem a defesa
é
clara
a
necessidade
de
subsídios
que
dos conteúdos das lutas por melhores condições de
trabalho na enfermagem.
1.4 O processo de saúde-doença e a influência do trabalho
A associação entre o trabalho, a saúde e a doença dos trabalhadores tem
sido objeto da observação e reflexão dos homens há séculos e está registrada, ao
longo dos tempos, nos estudos de historiadores, filósofos, escritores, médicos,
cientistas sociais e artistas. (MENDES; DIAS, 1991).
O processo saúde-adoecimento do trabalhador resulta da complexa e
dinâmica interação das condições gerais de vida, das relações de trabalho, do
processo e do controle que os próprios trabalhadores colocam em ação para
interferirem nas suas condições de vida e trabalho. (HAAG, 2001).
A Revolução Industrial, iniciada em meados do Século XVIII, na Inglaterra,
introduziu uma nova forma de produzir e organizar o trabalho, com profundas
repercussões no modo de viver, adoecer e morrer dos trabalhadores. (MENDES;
DIAS, 1991).
O trabalhador conforme sua ocupação está exposto a riscos “específicos” de
adoecer e morrer, devendo ser protegido, segundo as práticas da Medicina do
Trabalho. (MENDES; DIAS, 1991).
A aceleração do processo social de mudanças tecnológicas e organizacionais
nos processos de trabalho, que ocorreram após a 2ª Guerra Mundial, repercutiu no
modo de vida dos grupos humanos e se refletem nas formas de adoecer e morrer, e
em decorrência do movimento e organização dos trabalhadores. Esta prática foi
sendo modificada e ampliada dando lugar à Saúde Ocupacional. (MENDES; DIAS,
1991).
27
A abordagem das relações saúde e trabalho ganhou novo enfoque na década
de 70, particularmente no âmbito da América Latina, sob a influência do marco
teórico da Epidemiologia social, que se constituiu um dos pilares do campo da
Saúde do Trabalhador. (LAURELL; NORIEGA, 1989).
O reconhecimento do processo Saúde-doença dos trabalhadores não é
determinado apenas no âmbito da fábrica ou da produção. É indiscutível o papel e a
importância dos riscos para a saúde gerados em processos de trabalho particulares.
Vários fatores, como: poeiras, substâncias químicas tóxicas, ruído, vibração, calor ou
frio excessivos, radiações ionizantes e não-ionizantes, microorganismos, posturas e
movimentos requeridos pelo trabalho, tensão, monotonia, relações autoritárias e
conflituosas com as chefias e gerências, entre outros fatores de risco, constituem
“cargas de trabalho” responsáveis por danos à saúde dos trabalhadores.
(FACCHINI, 1994).
O
processo
denominado
“Terceira
Revolução
Industrial”
ou
de
“Reestruturação Produtiva” ocorrido nos anos 90, pode ser entendido como uma
nova forma de produzir, incentivada pelos avanços tecnológicos, e por novas formas
de organizar e gerir o trabalho, introduzindo mudanças radicais na vida e nas
relações das pessoas e dos países e, por conseqüência, no viver e adoecer dos
trabalhadores. (FERREIRA, 2000).
Este processo de “universalização” do mundo e das desigualdades sociais
crescentes se caracteriza pela concentração do poder político e econômico, a
deterioração da qualidade de vida, expressa na poluição e degradação ambiental, o
desemprego, o crescimento de formas variadas de violência, entre outros.
Entretanto, observa-se, também, o aumento da expectativa de vida e abrem-se
novas perspectivas de revisão dos atuais sistemas de valores ético-políticos e
estéticos. (GUATTARI, 1990; DOWBOR, 1998).
Esta transformação causou grande repercussão social, como a diminuição
dos postos de trabalho que vieram acarretar o desemprego. A diminuição absoluta
do emprego foi também acrescida do aumento das exigências e qualificações
requeridas dos trabalhadores, reforçando a exclusão dos menos qualificados, dos
muito jovens, dos mais idosos, dos menos escolarizados e/ou portadores de algum
tipo de desvantagem bio-psíquica ou social. (MENDES; DIAS, 1991).
O crescimento do trabalho no setor informal, que já ocupa mais de 50% da
População Economicamente Ativa (PEA) nos grandes centros urbanos brasileiros,
28
exemplifica a “precarização” do trabalho, decorrente da subcontratação do trabalho,
nas práticas de “terceirização” e “quarteirização” das atividades, do trabalho
temporário, sendo facilitada pelas mudanças na legislação trabalhista que rege as
relações de trabalho. (MENDES; DIAS, 1991).
As inovações tecnológicas têm promovido a redução ou eliminação de alguns
fatores de risco ocupacional, tornando o trabalho em alguns ramos uma atividade
econômica mais leve, menos perigosa, porém introduzido “novas” cargas de
trabalho, principalmente de natureza psíquica, com crescente sofrimento mental para
os trabalhadores. (MENDES; DIAS, 1991).
Neste sentido, pode-se citar que com o surgimento da tecnologia da
informação e do computador nos processos de trabalho da enfermagem, alguns
profissionais são obrigados a utilizar estas novas ferramentas para realização de
atividades como: prescrição de enfermagem eletrônica, estatísticas e outras, fato
que pode favorecer o aumento da carga psíquica e mental relacionada ao trabalho.
Observa-se o aparecimento de outros efeitos adversos do trabalho, ainda
pouco conhecidos, caracterizados por um tempo de latência longo: a leucemia em
trabalhadores expostos ao benzeno ou o câncer de pulmão nos expostos à poeira
de sílica. Os efeitos neuro-comportamentais em trabalhadores expostos a solventes
também são um exemplo. (MENDES; DIAS, 1991).
As inovações tecnológicas e os novos métodos gerenciais são responsáveis
pela intensificação do trabalho, com aumento do ritmo, das responsabilidades e da
complexidade das tarefas no trabalho, se traduzindo em manifestações de
envelhecimento prematuro, no adoecimento e morte por doenças cardiovasculares e
outras doenças crônico-degenerativas. As doenças ósteomusculares relacionadas
com o trabalho (DORT) e sintomas de origem psíquica, como: a síndrome da fadiga
crônica, a síndrome de “burnout” são patologias relacionadas ao trabalho presente
no contexto atual. (FRANCO, 1997).
Desse
modo, o entendimento e a intervenção sobre a saúde dos
trabalhadores apontam para novas abordagens e enfoques que traduzem o
processo de reestruturação produtiva na globalização da economia. As mudanças
urbanas, as transformações organizacionais do trabalho, os fatores de risco
industriais e ambientais e os aspectos da saúde psico-física do trabalhador devem
ser cada vez mais considerados. (FRANCO, 1997).
29
1.5 Saúde do trabalhador
A saúde dos trabalhadores deve ser considerada uma prática social e sua
implementação deve ocorrer no âmbito da Saúde Pública, buscando contribuir para
a transformação da realidade de saúde dos trabalhadores e da população em geral.
Na América Latina, nos anos 70, emerge uma formulação teórica sobre as
relações saúde-trabalho acompanhada de uma nova prática sanitária, através da
busca no “social” da determinação dos agravos à saúde dos trabalhadores
(LAURELL, 1991). As relações trabalho e saúde-doença são vinculadas de maneira
particular ao processo de industrialização e, em conseqüência, disso ao processo de
urbanização.
Nesse mesmo período, os trabalhadores exigem a regulamentação da
jornada de trabalho e melhores salários, defendendo inclusive sua saúde e
integridade física, através da luta por melhores condições de trabalho. (LACAZ,
1983).
A existência de um movimento mundial de modificação nas legislações de
saúde e segurança no trabalho vem encontrando respaldo nas políticas da
Organização Internacional do Trabalho – OIT e da Organização Mundial de Saúde –
OMS. Na Espanha, Itália, França e mesmo na OMS e na OIT observa-se uma nova
nomenclatura para os serviços denominados de Higiene, Segurança e Medicina
Ocupacional, Industrial ou do Trabalho, sendo atualmente denominados Serviços de
Saúde do Trabalhador ou de Saúde no Trabalho. Isto pode ser entendido como
reflexo de uma maior participação dos trabalhadores, caracterizando uma mudança
no enfoque, que deixa de centrar as atenções nos riscos do ambiente de trabalho,
se preocupando com a saúde do trabalhador, conferindo um conceito mais amplo
e participativo. (HAAG, 2001).
A Saúde do Trabalhador pode ser definida como uma área do conhecimento
que estuda o
processo de saúde e doença dos grupos humanos, bem como sua
relação com o trabalho. O trabalho pode ser entendido como um espaço de
dominação e submissão do trabalhador pelo capital, mas, também, de resistência, e
de constituição.
De forma lenta, os trabalhadores
buscam o controle sobre as
condições e os ambientes de trabalho, tornando-os mais saudáveis. (MENDES;
DIAS, 1991).
A compreensão dos processos de trabalho deve estar associada ao consumo
de bens e serviços e ao conjunto de valores, crenças, idéias e representações
30
sociais próprios de um momento da história humana. (HAAG, 2001).
Nesse contexto, as políticas de promoção de saúde do trabalhador devem
acompanhar as mudanças econômicas, sociais e culturais da população.
O processo de construção do campo da saúde dos trabalhadores está
centrado em um pilar: a luta dos trabalhadores por melhores condições de vida e
trabalho, através do reconhecimento de seu saber nos processos de trabalho, do
direito à informação, do direito de recusa ao trabalho perigoso e insalubre
objetivando a humanização do trabalho. (MENDES; DIAS, 1991).
Desse modo, além das conseqüências mais visíveis, diretas e específicas das
condições e ambientes de trabalho sobre a saúde, em decorrência da ação de
agentes nocivos de natureza física, química, biológica e etc, é importante desvendar
as relação trabalho e subjetividade. (SATO, 1993).
A psicopatologia do trabalho se insere neste âmbito: o sofrimento está no
centro da relação psíquica do homem com o trabalho. O objetivo não é eliminar o
sofrimento da situação de trabalho, mas as conseqüências mentais sobre a saúde
dos trabalhadores, mesmo na ausência de doenças. Este é o objeto de estudo da
psicopatologia do trabalho. (DEJOURS, 1986).
Segundo Bulhões (1998), o Conselho Internacional de Enfermeiras (CIE)
apóia firmemente a elaboração de programas de saúde no trabalho para todos os
trabalhadores, incluindo-se o pessoal dos serviços de saúde. As medidas de
segurança devem fazer parte integrante dos programas de formação do pessoal de
saúde em todos os níveis, e os administradores deveriam complementar essa
função básica, através de programas de educação permanente, formal ou informal.
1.6 O trabalho no contexto hospitalar
Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde (1957), hospital pode ser
definido como uma organização de caráter médico e social, cuja função é assegurar
assistência médica completa, curativa e preventiva à população e cujos serviços
externos se irradiam até a célula familiar; é um centro de medicina e de pesquisa
bio-social. O hospital é um espaço de trabalho complexo com processos de trabalho
diversos, que são interativos e dependentes entre si, que ocorrem em diferentes
níveis profissionais envolvendo tarefas específicas. (SOUZA, 1983).
O conceito de hospital busca traduzir sua importância social e razão de ser
para as pessoas. O hospital veicula a idéia de dor e sofrimento, local de perda e
31
desalento, embora também seja estabelecida a idéia de solução de um problema, de
felicidade pelo nascimento de um nova vida, de refúgio por encontrar assistência e
cuidado e de alento para o desespero. (KAWAMOTO; FORTES, 1986).
No ambiente hospitalar são estabelecidas relações profissionais, cujo
desenrolar de atividades com autonomia e poder de decisão são em sua grande
maioria direcionados ao saber médico que detêm maior hegemonia e espaços para
tomadas de decisão e de contra decisão, com relação à internação, prescrição
de medicamentos, exames e a concessão da alta hospitalar. O trabalho hospitalar
é executado por uma interação multidisciplinar de médicos, enfermeiros,
nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e outros com a finalidade de oferecer
assistência integral à saúde da comunidade. (KAWAMOTO; FORTES, 1986).
O exercício da Enfermagem no contexto dos movimentos Renascentistas e da
Reforma Protestante correspondeu ao período em que ocorreu a retomada da
ciência, o progresso social e intelectual da Renascença e a evolução das
universidades, mas não constituíram fator de crescimento para a Enfermagem. Esta
permaneceu enclausurada nos hospitais religiosos, de maneira empírica e
desarticulada durante muito tempo, vindo desagregar-se ainda mais a partir dos
movimentos de Reforma Religiosa e das conturbações da Santa Inquisição, quando
o hospital passou a ser um insalubre depósito de doentes, onde homens, mulheres
e crianças utilizavam as mesmas dependências, em leitos coletivos. Este momento
histórico correspondeu a um período em que a enfermagem possuía uma caráter
indigno e sua atividades eram realizadas por mulheres de caráter duvidoso e de
baixa classe social. (ABEN, 2006).
Este fato explica as dificuldades enfrentadas até hoje pela categoria para
obter o reconhecimento e o prestígio social merecido, embora a enfermagem
represente 65% de toda força de trabalho no âmbito hospitalar.
A enfermagem, no contexto histórico do hospital, é resultante do momento
histórico de cada povo, suas crenças, religião e costumes. Para a era cristã, a
enfermagem representou-se pelas religiosas, que executavam as tarefas de cuidar e
curar os doentes; era uma atividade, um trabalho de caráter exclusivamente
espiritual, voltado para a caridade e benevolência. (SANTOS, 2001).
Atualmente, esta característica ainda é muito solicitada pelos clientes
hospitalizados, que apelam pela bondade da enfermeira para sanar sua dor, para
32
desabafar seus sentimentos de ódio e rancor pela assistência, pela comida e pela
insatisfação no período de internação. (SANTOS, 2001).
A disciplina ética é muito cobrada em profissões hierarquizadas como a
enfermagem, representando uma forma de exercício de dominação dos que
possuem maior autonomia profissional e liberdade de agir, visto que alguém deve
vigiar e cuidar do doente por 24 horas. A enfermagem executa esse papel, se
responsabilizando por vários cuidados, desde os mais simples, como o de alimentar
o doente, trocar roupas de cama e higienização até a realização de procedimentos
mais complexos como a realização de cateterismos venosos de inserção periférica e
procedimentos de hemodiálise e assistência integral à pacientes em estado crítico.
(SANTOS, 2001).
Segundo Lima (1996), as pessoas não devem ser consideradas peças
adaptáveis de uma máquina, mas como seres complexos que têm necessidades
também complexas e que precisam ser satisfeitas para assegurar o bom
desempenho organizacional.
Atualmente, as organizações que objetivam um melhor desempenho,
investem em processos de qualidade, incentivando a responsabilidade pelo trabalho,
mas também integrando as necessidades individuais e organizacionais. A gestão
participativa entende que as pessoas são recursos valiosos que podem enriquecer o
trabalho de diferentes formas com oportunidades adequadas.
1.7 O trabalho de enfermagem
O trabalho de enfermagem é organizado pela lógica administrativa taylorista,
é um trabalho decomposto por tarefas, hierarquizado e sistematizado. Os
trabalhadores
são
organizados
por
categorias
profissionais
e
atribuições
sistematizadas pela “lei do exercício profissional” (Lei nº 7.498 de junho de 1988).
Esta lei determina a execução de atividades consideradas de maior e menor grau de
complexidade de acordo com as categorias e o saber dos trabalhadores da equipe
de enfermagem (Decreto Lei nº 94.406 de 08 de junho de 1987), com formação
profissional, conhecimentos e saberes teóricos científicos.
Analisando o contexto histórico da Enfermagem, quando
o trabalho
intelectual foi separado do manual por Florence Nightingale, as atividades
intelectuais passaram a ser desenvolvidas por pessoas de classe social elevada,
com boa educação, possuidoras de conduta ética e moral, denominadas ladies
33
nurses – enfermeiras. Em contrapartida, as pessoas que executavam atividades
manuais provinham de classes mais pobres, cujo desenvolvimento de tais atividades
não exigia capacidade cognitiva. Esperava-se destas pessoas um comportamento
moral, ético e subserviência, além de desenvoltura motora, sendo denominadas as
nurses – auxiliares e técnicos de enfermagem. Este fato conferiu à profissão um
caráter elitista, resultando numa fragmentação profissional e social muito grande.
(SOUZA, 2006).
Esta divisão hierárquica existe até os dias de hoje; o enfermeiro realiza as
atividades de maior complexidade e a função gerencial. Os técnicos e auxiliares de
enfermagem realizam as tarefas delegadas pelo enfermeiro e de menor grau de
complexidade.
As habilidades técnicas e de prática são adquiridas pela experiência
profissional e pela realização de especializações, caracterizando o processo de
trabalho pela exigência de qualificação, habilidade e destreza. A distribuição de
atividades em graus de maior e menor
complexidade é organizada de forma
hierarquizada de acordo com o grau de formação e o nível de escolaridade. (LIMA,
1994).
Segundo a ABEN (2006), a enfermagem tem mais de 40 especialidades no
Brasil, cujo domínio de sua prática inclui:
•
Prestação de cuidados diretos e a avaliação de seu impacto;
•
Defesa dos interesses dos pacientes e da saúde em geral;
•
Supervisão e delegação de tarefas;
•
Direção e gestão;
•
Ensino e Pesquisa;
•
Elaboração da Política de saúde.
A enfermagem possui algumas características peculiares, tais como: ser
prestadora de assistência ininterrupta 24 horas por dia, sendo responsável por
atividades diretamente relacionadas ao cuidado e a recuperação das condições
satisfatórias de vida e execução de cerca de 60% das ações de saúde. São os
trabalhadores da saúde que mais entram em contato físico com os doentes, com
uma predominância do gênero feminino e de formação profissional fragmentada e
hierarquizada. (LIMA, 1994).
Um dos aspectos que contribui para aumentar a vulnerabilidade do
trabalhador de enfermagem e de todo o pessoal do setor saúde é a falta de
34
informação da maioria de seus integrantes sobre assuntos relativos à saúde do
trabalhador. Isto reforça a presença de dois importantes fatores na ampliação dos
riscos ocupacionais: a ignorância do risco e a dificuldade para compreender, aceitar
e cumprir as medidas de segurança do trabalho. (LIMA, 1994).
O resultado do trabalho da enfermagem é a produção de um serviço, que
pode se transformar artificialmente em mercadoria. O trabalhador de enfermagem ao
se sujeitar às condições gerais do mercado de trabalho, possibilitou a transformação
de seus trabalhadores em força de trabalho, portanto, passíveis de serem
contratados, e de receberem um salário por um determinado período de tempo, para
a realização de um trabalho capaz de apresentar um valor excedente e não mais
apenas, o caráter caritativo. Tornou-se uma profissão constituinte do sistema de
produção geral, sujeito às mesmas determinações do trabalho em geral. (LEOPARDI
et al., 1999).
Segundo a ABEN (2006), no setor de saúde, a enfermagem é uma categoria
de trabalhadores que ocupa singular função. Para cumprir um dos mais importantes
papéis sociais e de grande relevância econômica, o trabalhador de enfermagem
muito avançou cientificamente para atender às atuais e crescentes exigências,
como: a realização de diagnósticos mais precisos, cirurgias mais seguras com pósoperatório melhor monitorado; maior cobertura vacinal das populações infantil e
idosa. Nas muitas e diferentes etapas de todos esses processos, o trabalhador de
enfermagem tem necessária presença.
Para a ABEN (2006), nos últimos 20 anos, os trabalhadores de enfermagem
contribuíram para conquistar os avanços na tecnologia e conhecimentos em saúde
com a participação de outras categorias de trabalhadores nas seguintes lutas: a
epidemia de AIDS, o recrudescimento da tuberculose, o câncer, o aumento das
patologias psicossociais e outras. Entretanto, ainda falta o reconhecimento de sua
própria vulnerabilidade aos riscos ocupacionais, tendo em vista algumas das
características já apontadas em Riscos do trabalho de Enfermagem, que se
identifica pelo fato da enfermagem ser:
•
O maior grupo individualizado de trabalhadores de saúde;
•
Prestadora de assistência ininterrupta, 24 horas por dia;
•
Executora de cerca de 60 % das ações de saúde;
•
A categoria que mais entra em contato físico com os doentes;
•
Por excelência, uma profissão feminina;
35
•
Bastante diversificada em sua formação. (ABEN – RJ, 2006).
O quantitativo de enfermeiros cadastrados no conselho Federal de
Enfermagem contabiliza atualmente 137.896 enfermeiros (dado obtido no site do
COFEN, 2007). Este profissional tem o papel de detentor do saber e de controlador
do processo de trabalho da enfermagem, cabendo aos demais trabalhadores
(auxiliares e técnicos de enfermagem) executar tarefas delegadas. (LEOPARDI et
al., 1999).
1.8 Riscos do trabalho de enfermagem
Segundo Bulhões (1994), o enfoque à Saúde do Trabalhador e a inserção da
enfermagem enquanto profissão se caracteriza pela prestação de assistência,
sofrendo conseqüências da organização do trabalho, pois as relações saúde e
trabalho se estabelecem no cotidiano, fato que faz com que a enfermagem se
conscientize mais dos riscos ocupacionais, entendendo-os como resultado de um
processo histórico, cultural e social.
A figura do enfermeiro está tradicionalmente ligada às instituições
hospitalares. Estas atividades estão associadas à tensão emocional, longas
jornadas de trabalho, baixa remuneração, condições de insalubridade do ambiente
de trabalho e duplo emprego, levando-os ao absenteísmo, que proporcionalmente
faz aumentar a carga de trabalho dos demais elementos da equipe. (BULHÕES,
1994).
Atualmente, o hospital é o principal local de trabalho da equipe de
enfermagem que permanece a maior parte de sua vida produtiva neste ambiente,
freqüentemente em mais de um turno de trabalho, devido aos baixos salários. Podese entender que a mesma instituição que tenta salvar vidas e recuperar a saúde
das pessoas enfermas é a mesma que favorece o adoecimento dos profissionais,
pois, aparentemente, não há preocupação com a proteção, promoção e manutenção
da saúde de seus trabalhadores. (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004).
A preocupação com a saúde do trabalhador de enfermagem ocorre desde
1700, através da publicação de Ramazzini, que questionou a contaminação de
parteiras, possíveis precursoras dos profissionais de enfermagem, durante a
realização de seu trabalho (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004).
Segundo
Robazzi,
Marziale
e
Rocha
(2004),
a
consolidação
e
o
36
reconhecimento das ações de risco, os perigos de manipularem antibióticos de
última geração, os problemas que podem ocorrer com o preparo de antineoplásicos,
as dermatites que podem ser ocasionadas pelo uso prolongado de luvas ou
degermantes e outras substâncias químicas utilizadas no ambiente hospitalar,
ocorreram a partir da observação desses profissionais e da verbalização dos
trabalhadores sobre os riscos.
No ambiente hospitalar, existe uma multiplicidade de riscos para os
trabalhadores de enfermagem, porém, existem basicamente os riscos: biológicos,
físicos, químicos, psicossociais e ergonômicos. Os biológicos são os responsáveis
por infecções agudas e crônicas, ocasionadas por vírus, fungos e bactérias. Os
físicos são aqueles causados pelas radiações, vibrações, ruídos, temperatura
ambiental, iluminação e eletricidade. Os riscos químicos são os gerados pelo
manuseio de uma variedade grande de substâncias químicas e também pela
administração de medicamentos que podem provocar desde simples alergias até
importantes neoplasias. Os riscos psicossociais são desencadeados pelo contato
com o sofrimento do paciente (estresse, fadiga mental, etc). Os ergonômicos são
gerados principalmente pela postura inadequada dos profissionais de enfermagem
em situações como movimentação de pacientes, flexões da coluna freqüentes, entre
outros. (ROBAZZI; MARZIALE; ROCHA, 2004).
Os riscos ocupacionais de enfermagem, de acordo com Bulhões (1994), são
classificados, de acordo com a natureza:
Riscos físicos:
ruídos, vibrações, radiações ionizantes e não ionizantes, frio, calor,
pressões, umidade, etc.
Riscos químicos: poeira, fumos, névoas, neblina, gases, vapores, produtos químicos
e quimioterápicos.
Riscos biológicos: vírus, bactérias, protozoários, fungos, parasitas, bacilos.
Riscos ergonômicos: levantamento de peso, postura inadequada, controle rígido de
produtividade, ritmos excessivos, trabalho noturno, jornadas
longas, monotonia, estresse físico e psíquico.
Riscos de acidentes: local físico inadequado, máquinas sem proteção, ferramentas
inadequadas, iluminação inadequada, eletricidade inadequada
e existência de animais peçonhentos.
No conceito de Laurell e Noriega (1989), os riscos físicos, advindos das
cargas físicas são aqueles representados pelo efeito do calor, ruído, das radiações
37
ionizantes e dos níveis de iluminação.
Os riscos mecânicos advindos das cargas mecânicas são representados
pelas quedas, escorregões ou outras lesões de natureza mecânica, inclusive
relacionadas à equipamentos como:macas, cadeiras de rodas e camas. (LAURELL;
NORIEGA, 1989).
Ainda, baseando-se em Laurell e Noriega (1989), os riscos biológicos são
os advindos das cargas biológicas. Estes são encontrados nos trabalhadores de
enfermagem, pela natureza do seu trabalho, e sua exposição ocorre em função do
contato íntimo e freqüente com pacientes contaminados.
As práticas de enfermagem que envolvem riscos químicos são várias.
Destacamos o manuseio de produtos químicos que são largamente utilizados nos
hospitais com diversas finalidades como agentes de limpeza, desinfecção e
esterilização (quaternário de amônia, glutaraldeído, óxido de etileno, etc) e a
manipulação de alguns medicamentos destacando-se os quimioterápicos que,
muitas vezes, são manipulados sem capela de fluxo laminar, luvas, capotes e
máscaras.
Quanto às cargas psíquicas, com base em Laurell e Noriega (1989), pode-se
considerar a fadiga, a tensão, a perda de controle sobre o trabalho, as dobras de
plantão, o trabalho subordinado, parcelado e fragmentado, a repetição de tarefas, o
ritmo acelerado de trabalho, o contato com o cliente, a observação do sofrimento, a
angústia causada pela doença e a ansiedade nas incertezas da vida e a morte.
Os riscos das cargas fisiológicas podem advir da postura incômoda, do
trabalho em pé por longos períodos, do trabalho em turnos, da ansiedade, do
estresse e pelas situações difíceis vivenciadas pelo profissional de enfermagem
como dor e morte, conforme o conceito de Laurell e Noriega (1989).
O trabalho da enfermagem exige atenção constante, concentração,
memória, capacidade perceptiva, visual e auditiva, podendo causar fadiga mental e
prejuízo na qualidade da execução das tarefas.
38
1.9 Importância da participação dos trabalhadores na avaliação das condições
de trabalho
Segundo Boix et al. (2001), a prevenção é o controle dos riscos no local de
trabalho, implica na mudança da realidade dessas condições de trabalho através da
capacidade de mobilização e decisão dos que estão envolvidos no processo, como
gestores e trabalhadores.
Este processo faz parte das tarefas dos prevencionistas (técnico encarregado
da promoção da saúde dos trabalhadores), tanto quanto medir o nível da exposição
ao risco e estabelecer as medidas de controle e prevenção.
Na concepção do modelo técnico-prevencionista que é neutro, atualmente
utilizado no cumprimento da legislação, prevalece a realidade de pressupostos
baseados apenas em conhecimentos técnicos sobre qualquer outro tipo de enfoque,
deixando à margem considerações de caráter sócio-cultural, incluindo características
próprias de saúde do trabalhador. (BOIX et al., 2001).
Boix et al. (2001, p. 25) referem que, “a experiência dos trabalhadores é algo
especialmente ausente neste modelo”, porque pretende conhecer o risco do
trabalho, exclusivamente com base na avaliação técnica supostamente objetiva. No
melhor dos casos, se incorpora formalmente um levantamento realizado com os
trabalhadores como informação complementar, sem, contudo, considerar nenhum
valor em termos de conhecimento, excluindo os fatores culturais que intervém na
construção social da percepção do risco e da saúde, o que corresponde a percepção
subjetiva dos trabalhadores.
Esta maneira de analisar o risco comporta um conhecimento apenas parcial
da realidade, especificamente no que se refere aos mecanismos sócio-culturais que
geram e mantém situações de risco. Este enfoque técnico-quantitativo é objetivo e
pretende basicamente calcular a probabilidade de um determinado perigo ou risco e
estimar a magnitude das conseqüências ou perdas. (BOIX et al., 2001).
De acordo com Boix et al. (2001), o outro enfoque é subjetivo e permite levar
em consideração os diferentes significados dos riscos, em função das pessoas que
os percebem (percepção individual) e sua relação com os contextos sócio-culturais
em que se produzem (percepção coletiva).
Neste caso, a percepção do risco no trabalho pelos trabalhadores pode estar
condicionada à fatores que eles consideram como relevantes para sua saúde
(significado), a sua inquietação com a possibilidade de sofrer um dano e suas
39
conseqüências (incertezas) e as expectativas do controle relacionados aos riscos
(confiança).
Estas percepções podem estar influenciadas pelas características pessoais
dos trabalhadores (gênero, idade, situação familiar e outras), contudo,
na
experiência de Boix et al. (2001), tais fatores não têm se mostrado muito relevantes.
Do ponto de vista preventivo, o que interessa principalmente não é a
percepção de cada trabalhador, mas as percepções coletivas construídas a partir da
experiência comum em determinadas condições de trabalho. De fato, o que
interessa ao estudo são os significados sobre os riscos do trabalho ao qual
compartilham a maioria dos trabalhadores e que condicionam a determinadas
formas de pensar e de atuar.
Isto significa que a avaliação das condições de
trabalho com base na percepção dos trabalhadores leva a identificação de um
diagnóstico de tendências de problemas e fatores determinantes da saúde/doença
decorrentes das condições de trabalho, tendo em vista a proposição de programas
de saúde do trabalhador. A partir desse diagnóstico serão identificados os riscos
iminentes para os quais deverão ser realizadas as mensurações técnicas
correspondentes. (BOIX et al., 2001).
Não se pode afirmar que os ditos significados compartilhados sejam opções
voluntárias ou aleatórias, mas o resultado do que em sociologia se denominam
“condições materiais de existência que compartilham os trabalhadores”. (BOIX et al.,
2001, p. 25).
Contudo, as avaliações subjetivas formariam parte de uma realidade do risco,
tanto quanto a estimativa técnica de sua probabilidade ou de sua magnitude, assim,
por exemplo, para conhecer o risco real na utilização de uma substância química,
deveremos saber suas propriedades toxicológicas (perigo potencial para a saúde),
as condições de utilização (probabilidade de exposição) e os níveis de contaminação
(gravidade da exposição), como também se deve perguntar sobre se os
trabalhadores expostos percebem a situação como uma ameaça para sua própria
saúde e a de seus companheiros. (BOIX et al., 2001).
Neste contexto, o estudo visa o conhecimento das condições gerais da
situação de trabalho em enfermagem, que
certamente indicará os fatores mais
significativos de risco, os quais irão direcionar também para aspectos específicos a
serem estudados, como no caso do estudo em oncologia.
40
2 METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
Trata-se de um estudo não experimental, de caráter descritivo, com
abordagem quantitativa e aporte qualitativo que, através das informações dos
sujeitos, obtidas a partir do instrumento de coleta de dados e pelo detalhamento das
técnicas qualitativas para análise da informação foram verificados resultados dos
questionários. (RICHARDSON, 1999).
Para Polit e Hungler (1995, p. 277), “[...] a pesquisa quantitativa enfatiza o
raciocínio dedutivo, as regras das lógicas e os atributos mensuráveis da experiência
humana [...] e tem como base os procedimentos estatísticos para análise das
informações numéricas sob controle do pesquisador”.
A pesquisa descritiva é aquela que tem como função principal a análise do
objeto, procurando descrever a situação sem nela interferir, ou seja, a pesquisa
descritiva serve para descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los,
classificá-los e interpretá-los, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos
sem manipulá-los, isto é, sem a interferência do pesquisador. (GIL, 1999).
A pesquisa descritiva baseia-se na descrição de fenômenos relativos à
profissão, baseados em observação, descrição e classificação dos fenômenos
observados. É uma modalidade de pesquisa muito utilizada na enfermagem. Ela se
subdivide em pesquisa de campo, que busca a descrição dos fenômenos em
cenários naturais, examinando profundamente as práticas, comportamentos e
atitudes das pessoas ou grupos em ação na vida real. (POLIT; HUNGLER ,1995).
2.2 Dados da instituição e período de realização do estudo
O Instituto Nacional de Câncer - INCA é um órgão do Ministério da Saúde que
tem como missão desenvolver ações nacionais visando à prevenção e controle do
câncer e, como referência, prestar serviços oncológicos no âmbito do SUS.
O INCA está estruturado em seis grandes áreas representadas pelas
seguintes Coordenações: Coordenação de Assistência – COAS; Coordenação de
Prevenção e Vigilância – CONPREV; Coordenação de Pesquisa – CPQ;
Coordenação de Ensino e Divulgação Científica – CEDC; Coordenação de
Administração – COAD; Coordenação de Recursos Humanos – CRH
Coordenação de Ações Estratégicas – COAE.
e
41
A área de assistência médico-hospitalar é constituída por quatro Hospitais de
Câncer: HC I, HC II, HC III, HC IV, pelo Centro de Transplante de Medula Óssea
(CEMO) e pela Divisão de Patologia (DIPAT).
Os dados institucionais foram obtidos a partir de informações consultadas na
publicação A gestão do trabalho no INCA/MS (BRASIL, 2006) da Coordenação de
Recursos Humanos da Instituição.
O perfil da Força de Trabalho do INCA foi obtido no Sistema de Informações
gerenciais em RH – SIGRH/INCA. (BRASIL, 2006).
De um quantitativo de 3.245 trabalhadores, 56,1% é composto por servidores
do quadro efetivo do Ministério da Saúde e 43,9% contratados pela Fundação Ary
Frauzino - FAF.
Segundo Almeida, Junqueira e Oliveira (2007), as mulheres são a maioria
entre os trabalhadores do INCA:
62,3%. Na área de prevenção, assistência e
pesquisa estão as maiores concentrações do sexo feminino. A faixa etária da força
de trabalho do INCA é de menos de 50 anos, com uma característica nítida entre os
mais idosos, ou seja, acima de 60 anos; em torno de 85% são vinculados ao
Ministério da Saúde, e os mais jovens, com até 29 anos, são contratados pela FAF.
Situação geral da Instituição
A gestão do trabalho no INCA tem como pressuposto básico, os processo de
regulação do trabalho. As ações, procedimentos e normatizações dessa área
produzem efeitos e conseqüências no conjunto dos processos relacionados ao
sistema de recursos humanos como um todo, e que vão desde a seleção de pessoal
até o desenvolvimento e monitoramento da força de trabalho. A regulação do
trabalho no INCA, tendo em vista a parceria com a Fundação Ary Frauzino, gera
contextos diferenciados de gestão. O quadro de pessoal do INCA é regido por duas
diferentes legislações trabalhistas: Regime Jurídico Único - RJU e Consolidação das
Leis do Trabalho - CLT, o que acarreta diferentes modalidades de intervenção e
acompanhamento. (BRASIL, 2006).
A Divisão de Saúde do Trabalhador - DISAT é a divisão da CRH/INCA que
tem como principal objetivo cuidar da saúde de seus trabalhadores, buscando uma
melhoria da qualidade de vida nos locais de trabalho. O sistema de vigilância me
Saúde do Trabalhador, capaz de identificar e intervir sobre as situações de risco e
suas repercussões na saúde do trabalhador é priorizado e se subdivide em
42
Vigilância e Promoção Integral de Saúde e Vigilância dos Ambientes de Trabalho.
Nesse contexto, a Divisão de Saúde do Trabalhador realiza rotineiramente
atividades que contribuem para consolidar parcerias e co-responsabilidades pelo
processo e organização do trabalho em saúde. A análise dos acidentes de trabalho
é realizada por uma avaliação coletiva e co-participativa com todos os envolvidos.
As medidas educativas de prevenção e combate a incêndio, as avaliações
ergonômicas, visando o conforto ambiental e as recomendações de biossegurança
são premissas básicas desenvolvidas na Instituição.
É importante ressaltar o grande interesse dos trabalhadores que participaram
do estudo sobre medidas de segurança na prevenção de acidentes e em situações
de emergência, fato que deve ser motivo de reflexão e atenção por parte dos
responsáveis pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA.
A coleta de dados foi realizada no período de 15 de Outubro a 15 de
Novembro de 2007.
2.3 Cenário do estudo
O estudo foi realizado no Centro de Transplante de Medula Óssea – CEMO,
no Centro de Tratamento Intensivo Adulto e na Unidade de Terapia Intensiva
Pediátrica. O Centro de Transplante de Medula Óssea está localizado no 7º andar
do HC I, possui uma unidade de internação com capacidade de 12 leitos para
internação, uma unidade ambulatorial e laboratório de imunogenética.
O CEMO é a unidade de atendimento a pacientes com doenças
hematológicas malignas e afecções correlatas, indicadas para transplante de medula
óssea. A unidade integra o Sistema Nacional de Transplante, do Ministério da
Saúde, coordenando o Banco de Células de Sangue de cordão, o Banco de Cordão
Umbilical e Placentário (BSCUP), a Divisão de Imunogenética e Transplante de
Medula (DITRAN) e o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).
O Centro de Tratamento Intensivo Adulto está localizado no 10º andar, com
capacidade para 10 leitos de internação e a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica,
localizada no 5º andar, com capacidade para 06 leitos de internação. O CTI Adulto e
a UTI Pediátrica são setores da unidade hospitalar do Hospital do Câncer I – HC I
do Instituto Nacional do Câncer, referência em Oncologia Clínica e Cirúrgica,
localizado no Centro, no município do Rio de Janeiro. Trata-se de um hospital de
oncologia, de grande porte, com capacidade para 217 leitos de internação
43
hospitalar.
2.4 Critérios de inclusão e exclusão
A amostra foi constituída pelo seguinte critério de inclusão: enfermeiros
lotados no Centro de Transplante de Medula Óssea - CEMO, Centro de Tratamento
Intensivo Adulto e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital do Câncer I
que trabalhem há pelo menos dois anos em Oncologia e que concordem em
participar da pesquisa.
O critério foi estabelecido a partir da experiência vivenciada no cotidiano a
partir da observação direta destes profissionais, pois com dois anos de atuação
profissional o enfermeiro pode identificar com uma maior clareza as características
do seu processo de trabalho.
Foram excluídos da pesquisa enfermeiros que estavam usufruindo de férias e
licenças, que se recusaram a participar do estudo, que não preencheram as
características relativas ao critério de inclusão e os que não devolveram o
questionário no prazo estipulado.
2.5 População
Constituída por 68 enfermeiros que atuavam no Centro de Transplante de
Medula Óssea - CEMO, Centro de Tratamento Intensivo Adulto e Unidade de
Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital do Câncer I.
Tabela 1 - Quantitativo de enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto
e UTI Pediátrica
Setor
Quantitativo de Enfermeiros
CEMO
41
CTI Adulto
15
UTI Pediátrica
12
TOTAL
68
Fonte: Serviço de Enfermagem do HC I e Serviço de Enfermagem do CEMO
A jornada de trabalho de 40 horas semanais é organizada em uma escala de
plantão de 12X60 horas com 03 complementações mensais, isto é, o enfermeiro
trabalha em uma escala de plantão de 12 horas e folga 60 horas, totalizando uma
média de 13 plantões/mês. Alguns enfermeiros possuem escala de serviço como
44
diaristas e trabalham 08 horas/dia de 2ª a 6ª feira.
Tabela 2 - Funcionários e servidores por curso de graduação - INCA
novembro/2004 a março/2005
Cursos de graduação
INCA
%
MS
%
FAF
por grandes áreas
%
Saúde
1667
72,7
864
73,2
803
72,2
Medicina
474
20,7
269
22,8
205
18,4
Enfermagem
353
15,4
158
13,4
195
17,5
Odontologia
5
0,2
2
0,2
3
0,3
Ciências biológicas
119
5,2
64
5,4
55
4,9
Outros cursos da saúde
91
4,0
55
4,7
36
3,2
Sociais
53
2,3
31
2,6
22
2,0
Humanas
37
1,6
18
1,5
19
1,7
Engenharias
15
0,7
9
0,8
6
0,5
Outras áreas
401
17,5
194
16,4
207
18,6
Total
2292
100,0
1180
100,0
1112
100,0
Fonte: CRH/INCA
Na Tabela 2, observamos o quantitativo de enfermeiros de acordo com o
vínculo empregatício, no período de novembro de 2004 a março de 2005, o INCA
possuía 353 enfermeiros, sendo 158 com vínculo pelo Ministério da Saúde e 195
contratados pela Fundação Ary Frauzino – FAF.
Vale ressaltar que, atualmente, a
Instituição adotou outro critério de ingresso, ou seja, através de um processo seletivo
que também tem sido adotado por outras Instituições ligadas ao Ministério da Saúde,
a contratação temporária por dois anos.
Desse modo, é importante esclarecer que de um total de 68 enfermeiros que
atuavam nos setores estudados no período de coleta de dados, apenas 44
enfermeiros preencheram o critério de inclusão, uma vez que 24 enfermeiros lotados
nos referidos setores trabalham na Instituição sob o regime de contratação
temporária há menos de 02 anos.
Esta modalidade de contrato de trabalho pode ser entendida como um
exemplo atual da realidade das relações de trabalho que caracteriza a precarização
do trabalho que, segundo Dejours (2006), pode ser entendida como uma realidade
subjetiva vivida pelos trabalhadores, isto é, conviver em um mundo onde se perdeu
várias garantias trabalhistas, direitos e conquistas adquiridas, que protegiam
socialmente e psiquicamente as pessoas.
45
Nos setores pesquisados encontram-se lotados atualmente 68 enfermeiros,
sendo que destes somente 44 preencheram os critérios de inclusão da pesquisa.
Destes, 05 enfermeiros encontravam-se de férias, 06 enfermeiros de licença médica
e 04 enfermeiros não devolveram o questionário no prazo estabelecido, totalizando
15 enfermeiros excluídos do estudo.
Obedecidos aos critérios estabelecidos, tornaram-se sujeitos do estudo 29
enfermeiros, que responderam ao questionário (Seção A, B e C), representando
42,6 % em relação ao total de 68 enfermeiros lotados no CEMO, CTI Adulto e UTI
Pediátrica.
2.6 Aspectos éticos
Os enfermeiros dos setores estudados foram convidados a participarem do
estudo e orientados quanto aos objetivos da mesma e quanto ao preenchimento e
assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A), segundo
o Comitê de Ética em Pesquisa do INCA, de acordo com as normas e exigências
contidas na Resolução 196/96 – CNS.
O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa do INCA em 23 de
Agosto de 2007 (Anexo A) e encaminhado para registro na Comissão Nacional de
Ética em Pesquisa - CONEP em 23 de agosto de 2007.
2.7 Coleta de dados
Os instrumentos de coleta de dados foram os formulários propostos por Boix
e Vogel (1997) para indústrias e adaptado para instituições hospitalares. Os
instrumentos foram modificados para atender aos objetivos propostos na pesquisa.
O instrumento utilizado tem origem no livro “La evaluación e riesgos em los
lugares e trabajo – guia para uma intervención sindical”, e Pere Boix e Laurent
Voguel, publicado pela “Oficina Técnica Sindical Europea para la salud y seguridad:
BTS”, em 2000, na Espanha com edições em Inglês e Francês.
Este guia foi preparado durante o desenvolvimento de dois seminários
organizados pela “Associación Europea para la Formación de los trabajadores em
nuevas Tecnologias – AFFET”, realizados em 1995 e 1997 com a participação e
sindicalistas, o que foi concebido como uma ferramenta prática, com a finalidade de
avaliar as condições de trabalho por parte dos trabalhadores em matéria de saúde e
segurança na empresa.
46
Este instrumento de pesquisa tem como fundamentos:
1) a subjetividade do trabalhador na avaliação dos riscos à saúde pelo próprio
trabalhador, a partir de informações que se situam no centro do objeto e estudo, o
trabalho que é uma atividade humana consciente e inseparável dos conhecimentos
que permitam ao trabalhador identificar, controlar ou encontrar formas e melhor
adaptar o próprio trabalho às suas condições reais de trabalho;
2) A visão profissional através da observação as condições e trabalho, tendo
como foco os fatores de risco ocupacional no ambiente e trabalho.
A proposta metodológica apoia-se em oito pontos:
1. Diagnóstico da situação envolvendo os trabalhadores;
2. Identificação dos problemas na opinião dos trabalhadores e na observação
sobre os locais de trabalho;
3. Coleta das informações;
4. Identificação os riscos;
5. Avaliação dos riscos;
6. Avaliação as alternativas de solução;
7. Proposição de plano de intervenção;
8. Proposição de seguimento e controle das medidas preventivas.
Apesar da proposta original ter sido criada para ser realizada pelos sindicatos
dos trabalhadores, o projeto principal do qual faz parte este estudo tem
experimentado uma série de adaptações da metodologia proposta originalmente
pelos autores Boix e Voguel (1997), substituindo o papel dos sindicalistas pelo
papel de um técnico profissional, neste caso, o coordenador deste estudo
(profissional que pertence à instituição) e a participação dos trabalhadores que são
os profissionais de enfermagem que atuam no hospital.
Desta forma, a pesquisa se propõe a cumprir do 1º ao 6º ponto recomendado
pelos autores, e encaminhar posteriormente os resultados do levantamento para os
gestores da saúde desses trabalhadores como contribuição e subsídios para que
constituam subsídios para a operacionalização dos pontos 7 e 8.
O modelo original do instrumento passou por diversas etapas de aplicação,
avaliação e adaptação, a saber:
1º) - foi feita a tradução do instrumento original espanhol para o português,
pela Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, coordenadora do projeto inicial de pesquisa e
orientadora desta pesquisa;
47
2º) - consulta aos autores do modelo original, tendo sido autorizada sua
aplicação no Brasil (Anexo B);
3º) - o instrumento em português sofreu uma nova versão para o espanhol
para avaliar a fidelidade da interpretação;
4º) - o instrumento foi avaliado e aplicado primeiramente numa empresa de
transporte de bebidas em Volta Redonda em 2001 (monografia e conclusão do curso
de Enfermagem), sob orientação a Drª. Maria Yvone Chaves Mauro, cujo projeto e
relatório foram avaliados por uma Comissão Examinadora de peritos na área desse
conhecimento e por pesquisadores do CNPq (Bolsa de Produção de Pesquisa – PQ
e bolsas de Iniciação Científica – IC);
5º) - O instrumento foi posteriormente adaptado para hospital, passando pelo
mesmo processo, tendo sido aplicado primeiramente entre 2001 e 2003 num hospital
público de Volta Redonda com a coordenação da mesma orientadora, e por outros
pesquisadores, também como objeto de Monografia de Conclusão de Curso de
Graduação da FENF/UERJ, submetido novamente a avaliação de Comissão
Examinadora da mesma Faculdade e por pesquisadores do CNPq (Bolsas PQ e IC;
6º) - Os resultados desta aplicação foram novamente avaliados, fazendo-se
as readaptações necessárias para as atividades em saúde, e em 2003 foi aplicado,
em parte, em duas clínicas de um Hospital Universitário no Rio de Janeiro, como
objeto de estudo de uma Monografia de Iniciação Científica, passando pelo mesmo
processo;
7º) - O mesmo instrumento sofreu aplicação parcial, como objeto de
dissertação: em um Hospital Municipal em Campos (2004), de um Hospital da rede
privada em Campos (2005), de um Hospital Estadual do Rio de Janeiro (2004) e de
um Hospital do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (2003), estando agora em
fase final de validação metodológica e aplicado em um Hospital Universitário (2006)
e em dois Hospitais Federais (2007);
8º) - Este instrumento foi também utilizado em Unidades Básicas de Saúde de
dois Municípios do RJ, estando esta modalidade em fase de validação.
Como nas experiências hospitalares o instrumento foi sempre aplicado em
partes, e o número de trabalhadores foi pequeno para validar o instrumento
completo, em todas as suas modalidades, o mesmo está sendo objeto de uma
validação global (o instrumento em toda sua extensão) como Projeto de Pesquisa
com apoio do CNPq, intitulado “Inovação de gestão das condições de trabalho em
48
saúde para hospitais do Sistema Único de Saúde/ SUS – BRASIL” (Anexo C), sob a
coordenação da orientadora deste estudo, após o que será publicado em periódico
indexado, com todas as modificações, a partir do instrumento original, sendo a
pesquisa objeto deste estudo, considerada como Projeto Piloto da validação global
do instrumento.
Em todos os casos em que o instrumento foi aplicado, foram utilizadas as
referências: “MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent.
LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una
intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad –
ISTAS – Instituto Sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000”.
Para a coleta de informações, nesta pesquisa, foi utilizado o instrumento
denominado QUESTIONÁRIO (Apêndice B), embora contenha uma parte para ser
coletada através de observações. O instrumento foi subdividido em seções e
classificado por letras maiúsculas e números arábicos, conforme a denominação a
seguir:
QUESTIONÁRIO:
SEÇÃO A – Identificação dos sujeitos da pesquisa.
SEÇÃO B – Identificação dos problemas
B1 – Problemas do ambiente de trabalho
B2 - Problemas de saúde dos trabalhadores e sua relação com as condições de
trabalho.
SEÇÃO C – Fatores organizacionais e relações no trabalho.
C1 – Organização do Trabalho.
C2 – Desigualdade no Trabalho.
SEÇÃO D – Observação de problemas nos locais de trabalho.
D1 – Locais de trabalho e instalações.
D2 – Maquinaria (equipamentos), tecnologia e ferramentas ( instrumentais).
D3 – Substâncias e materiais utilizados.
D4 – Fatores ergonômicos.
SEÇÃO E – Dados da Instituição.
E1- Características gerais dos trabalhadores (quadro de pessoal).
E2 – Situação geral da Instituição.
E3 – Política de prevenção na Instituição.
E4 – Interesse dos trabalhadores na prevenção de riscos.
49
Na coleta de informações, foram utilizados os seguintes procedimentos:
•
Seções A, B e C – as questões foram respondidas pelos sujeitos da pesquisa,
que constituiu a amostra de 29 enfermeiros.
•
Seção D – estas questões foram respondidas a partir da percepção realizada
das coordenadoras do serviço de enfermagem, constituída por uma amostra de
03 enfermeiros, que fazem parte das equipes de enfermagem dos setores
estudados.
•
Seção E – foram obtidos dados a partir de
informações consultadas na
publicação A gestão do trabalho no INCA/MS (BRASIL, 2006) da Coordenação
de Recursos Humanos da Instituição.
metodologia, no subtítulo:
Estes dados foram descritos na
Dados da instituição e período de realização do
estudo.
Os questionários (Apêndice B) foram distribuídos individualmente para cada
enfermeiro e para os coordenadores de enfermagem, sendo realizada uma breve
explicação sobre o instrumento e esclarecimento de dúvidas após leitura do mesmo.
Devido às características das unidades, ou seja, atendimento a pacientes
críticos, foi estabelecido o prazo de uma semana para devolução do questionário
devidamente respondido.
É importante ressaltar que, para fins de análise dos resultados, não foram
utilizados todos os dados obtidos, priorizou-se os dados referentes aos objetivos do
estudo. Vale ressaltar que os demais dados serão utilizados para a produção de
artigos científicos.
2.8 Tratamento e análise dos dados
Os dados coletados foram categorizados e discutidos com vistas ao
referencial teórico.
Os dados quantitativos foram organizados por grupos de variáveis em função
dos objetivos do estudo, servindo de base para análises estatísticas e descritivas
dos resultados, que serão representadas por associações numéricas em termos
percentuais absolutos e relativos e apresentados em tabelas, gráficos e quadros.
O programa EPi-INFO foi utilizado para tratamento e análise estatística dos
dados.
Para a realização de algumas análises estatísticas, foi utilizado o Teste Exato
50
de Fisher (que é similar ao Qui-Quadrado) para amostras pequenas. A identificação
entre as variáveis ocorre quando o valor de p é menor que 0.05.
Pretende-se que os resultados desta pesquisa constituam um diagnóstico da
situação de trabalho nos setores analisados, com vistas a fornecer subsídios para a
elaboração de um projeto de melhoria das condições de trabalho na Instituição.
51
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos foram apresentados e organizados para atender aos
objetivos do estudo: caracterização pessoal e profissional dos enfermeiros dos
setores estudados, cuidados com a própria saúde, fatores de risco a que estão
expostos os enfermeiros nos locais de trabalho, análise das condições do ambiente
de trabalho dos enfermeiros oncológicos e discussão sobre os problemas de saúde
apontados pelos enfermeiros, provocados ou agravados pelo trabalho.
3.1
Características pessoais e profissionais dos enfermeiros dos setores
estudados
Tabela 3 - Características pessoais dos Enfermeiros lotados no Centro de
Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de
Terapia Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29)
Variáveis
Respostas
f
%
Sexo
Fem
Masc
21
8
72
28
20 a 29
30 a 39
40 a 49
Mais de 50
Não respondeu
1
7
16
4
1
3,4
24,1
55,2
3,8
3,4
Estado civil
Solteiro
Casado
12
17
41,4
58,6
Nº de filhos
1
2
4
Não respondeu
12
4
1
2
63,1
21,1
5,3
10,5
Idade
Fonte: Pesquisa de Campo
Em relação às características gerais da população estudada, observou-se que
predominantemente eram do sexo feminino 21 (72%), fato que coincide com os
estudos de Bulhões (1994), que afirma que a profissão de Enfermagem é por
excelência, feminina. Esta constatação vem se modificando gradativamente com a
inserção cada vez maior de homens no mercado de trabalho da enfermagem.
Com relação à idade, verifica-se uma concentração de 16 (55%) na faixa
etária entre 40-49 anos, considerada economicamente produtiva, 17 (59%) são
52
casados e que 19 (66%) possuem filhos.
Quanto à enfermagem, como opção profissional, Sobral (1994) refere ser uma
profissão de mulheres, do gênero feminino, que envolve representações sociais
inerentes às "características" da mulher ideal numa sociedade ainda dominada pelos
homens, tais como: submissão, abnegação, disciplina, pureza, humildade e
"domesticidade". Reforçando este pensamento, Moreira (1999) lembra que a
enfermagem, como o magistério, é caracterizada como uma profissão de mulheres,
profissão esta que, no mundo público, representava uma extensão do lar, de um
feminino dócil, que cuida, nutre e educa. (SOBRAL, 1994).
Este fato é cultural na sociedade mundial, especialmente ocidental, onde as
práticas de cuidados são realizadas por mulheres, porque elas são responsáveis
pela
evolução da história de cuidar da humanidade, até os dias de hoje.
(COLLIÈRE, 1999).
Observa-se que a maior freqüência é de profissionais casados ou similares
(58%), caracterizando que provavelmente estes trabalhadores desempenham dupla
ou tripla jornada, em decorrência de suas atribuições domésticas, familiares e
profissionais.
Destaca-se, também, que o fato de ser casado ou viver maritalmente com
alguém é uma responsabilidade, que exige deste profissional um certo grau de
flexibilidade para conciliar as características do trabalho (trabalho em turnos,
jornadas longas, processo de trabalho que interfere no equilíbrio emocional devido
às situações de sofrimento vivenciadas e responsabilidade por lidar com pessoas
enfermas), o que provavelmente interfere na vida social e familiar.
Com relação ao número de filhos, apenas 5% tem 4 filhos, ocorrendo uma
prevalência de 60% nos que tem 1 filho, fato que pode ser explicado pela
necessidade de possuir mais de um emprego, conforme demonstrado na tabela que
se segue, 31% possui dois vínculos profissionais, contribuindo para a redução do nº
de filhos, uma vez que a educação e os cuidados exigidos pela maternidade são em
geral responsabilidade da mulher e a existência de mais de um emprego pode
interferir na vida familiar.
53
Tabela 4 - Características profissionais dos Enfermeiros lotados no Centro de
Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo e Unidade de Terapia
Intensiva Pediátrica de uma Instituição Oncológica (n=29)
Variáveis
Respostas
f
%
Tipo de vínculo
Estatutário
Celetista
Contrato temp.
13
15
1
44,8
51,7
3,4
Nº de vínculos
empregatícios
1
2
3
Não respondeu
11
9
1
8
37,9
31,0
3,4
27,6
Turno de trabalho
Diurno
Noturno
Ambos
16
4
9
55
14
31
30 horas
40 horas
60 horas
80 horas
Mais de 80 horas
Não respondeu
1
18
6
2
1
1
3,4
62,1
20,7
6,9
3,4
3,4
Carga horária semanal
Fonte: Pesquisa de Campo
A Tabela 4 revela que 55 % dos enfermeiros trabalham no plantão diurno e
que 9 (31%) exercem dupla jornada de trabalho.
É relevante observar que 11
(37%) trabalham somente em um emprego, seguido de 9 (31%) com dois empregos,
esta prevalência maior de enfermeiros com 01 emprego pode ser explicada pela
jornada de 40 horas exercidas no hospital estudado, dificultando a possibilidade de
conciliar mais um emprego, embora, 31 % dos enfermeiros estudados afirmem a
existência de 02 vínculos empregatícios.
Dos enfermeiros participantes do estudo, 14% referem trabalhar somente à
noite e 31% trabalha em ambos os turnos. Este fato tem efeito importante que pode
ter repercussões no trabalho.
Segundo Rotenberg (2004), o trabalho em turnos interfere na vida familiar de
forma bastante significativa. Os trabalhadores em turnos vivenciam um cotidiano
essencialmente diferente do restante de outras áreas ou comunidade, em termos de
distribuição temporal de suas atividades, exigindo uma outra organização de vida
que possa conciliar trabalho, vida social e familiar.
É importante evidenciar que 27,6% não responderam a questão sobre o
número de vínculo, pode-se entender que existe um certo receio para responder tal
54
questão, talvez relacionada ao excesso de carga horária trabalhada, fato que tem
sido objeto de discussão junto a instâncias jurídicas e entidades representativas da
categoria de enfermagem.
Constatou-se que 18 (62%) trabalhavam 40 horas semanais, seguidos de 6
(20%) que cumprem uma carga horária total de 60 horas semanais.
Segundo a ABEN (2006), estes dados podem ser facilitadores para o
surgimento ou agravamento de doenças físicas, psicológicas ou sociais, uma vez
que a enfermagem tem algumas características peculiares, tais como: ser prestadora
de assistência ininterrupta 24 horas por dia, realizar atividades diretamente
relacionadas ao cuidado e a recuperação das condições satisfatórias de vida, sendo
responsável pela execução de cerca de 60% das ações de saúde, sendo os
trabalhadores da saúde que mais entram em contato físico com os doentes,
somando-se a sua peculiaridade de predominância do gênero feminino e de
formação profissional fragmentada e hierarquizada. Estes fatores podem ser
somados às características intrínsecas dessas unidades, como o atendimento aos
pacientes em situações terminais e grande quantidade de tarefas a serem
desempenhadas pelo profissional de enfermagem.
É relevante observar que os enfermeiros têm sua situação de trabalho
definida, com segurança em relação aos seus benefícios sociais e amparados pelo
RJU – Regime Jurídico Único ou pela CLT – Consolidação das Leis do Trabalho,
uma vez que 13 (45%) são estatutários, 15 (52%) são celetistas e apenas 01 (3%)
trabalha sob o regime de contratação temporária há dois anos.
Vale ressaltar que, segundo Franco (1997), o crescimento do trabalho no
setor informal, já ocupa mais de 50% da População Economicamente Ativa (PEA),
nos grandes centros urbanos brasileiros. A contratação de trabalhadores por um
período pré-determinado ou temporário exemplifica a “precarização” do trabalho, que
pode ser entendida como subcontratação de trabalho, prática de “terceirização” e
“quarteirização” das atividades trabalhistas e trabalho domiciliar. Estas situações no
mundo do trabalho atual estão sendo facilitadas pelas mudanças propostas na
legislação trabalhista, que devem disciplinar as relações de trabalho e proteger os
trabalhadores.
Desse modo, é importante esclarecer que de um total de 68 enfermeiros que
atuavam nos setores estudados no período de coleta de dados, apenas 44
enfermeiros preencheram o critério de inclusão, uma vez que 24 enfermeiros lotados
55
nos referidos setores trabalham na Instituição sob o regime de contratação
temporária há menos de 02 anos.
3.2 Cuidados com a própria saúde
Atualmente, os trabalhadores para atender suas necessidades econômicas e de
sua
família
enfrentam,
desencadeantes de
no
cotidiano,
situações
que
podem
ser
fatores
estresse. O estresse pode ser entendido como um alarme
natural do organismo, que o prepara para vivenciar situações de luta ou de fuga, é
uma herança genética dos nossos ancestrais que viviam em constante perigo. Outro
conceito entende que cada indivíduo enfrenta o estressor de uma maneira
específica, caracterizando sua reação. (MOREIRA; MELO FILHO, 1992).
Existem várias maneiras para se controlar o estresse: prática de atividades
físicas, repouso adequado, alimentação balanceada, lazer e outras. O equilíbrio
físico e psicoemocional pode se fortalecido com a realização de atividades que
melhorem a qualidade de vida
Com relação aos cuidados com a própria saúde, os enfermeiros dos setores
estudados responderam questões relativas a lazer, repouso, hábitos alimentares,
realização de atividade física e qualidade do sono. Os dados obtidos foram
correlacionados com o tipo de vínculo empregatícios, nº de vínculos (empregos) e
carga horária semanal. Esta correlação foi obtida através da aplicação do teste de
fisher ou Qui-quadrado, cujo resultado de p deve ser menor que 0,05 para que exista
significância entre as variáveis.
Tabela 5 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
vínculo empregatício em relação à qualidade do lazer
p = 0.1813 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Lazer
Deixa a
Vínculo empreDesconhece
desejar
Satisfatório
Muito bom
gatício
Estatutário
0
3
10
0
Celetista
0
8
7
0
Cont. temporário)
0
0
1
0
Fonte: Pesquisa de campo
Na Tabela 5, podemos observar que os Enfermeiros que possuem o vínculo
estatutário demonstram um nível de satisfação maior em relação ao aspecto
56
relacionado ao lazer, fato que talvez possa ser explicado pela diferença salarial
existente entre o enfermeiro com vínculo estatutário e o enfermeiro com vínculo
celetista, uma vez que a remuneração do vínculo estatutário é maior.
No entanto, não houve uma correlação significativa entre as variáveis: Lazer e
vínculo empregatício (p›0,05 – teste de Fisher)
Tabela 6 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o
vínculo empregatício em relação à qualidade do repouso
p = 0.1506 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Deixa a
Repouso
Desconhece
Satisfatório Muito bom
desejar
Vínculo empregatício
Estatutário
0
2
10
1
Celetista
0
6
9
0
Estatutário(cont.
temporário)
0
1
0
0
FONTE: Pesquisa de campo
Na Tabela 6, não se observa uma diferença significativa em relação ao
vínculo empregatício e o aspecto relacionado ao repouso. O quadro também indica
que 19 (65%) consideram satisfatório o repouso realizado (p›0,05 – teste de Fisher).
O trabalho de enfermagem é caracterizado pelo predomínio do cuidado às
pessoas doentes, sendo desenvolvido de forma contínua, ou seja, é uma atividade
profissional cotidiana. Na prática do cuidado, os profissionais se deparam
diariamente com dores, sofrimento, perdas e morte, impondo sofrimento e desgaste
emocional e físico a quem o realiza.
Entendemos, assim, que o cuidado é uma questão de presente no dia-a-dia
do enfermeiro e sua equipe.
É seu instrumento de trabalho, mas pode levar o
cuidador a sofrimento físicos e psicológicos, afetando a sua forma de cuidar.
Sendo assim, torna-se relevante que o enfermeiro compreenda a importância
de cuidar de si. O repouso adequado com qualidade e tempos suficiente, bem como
uma vida social, são importantes para o bem estar físico e mental, pois se não
estamos “bem cuidados”, não teremos condições de prestar um bom cuidado.
(LUNARDI; LUNARDI FILHO, 1999).
57
Tabela 07 - Cálculo do IMC – Índice de massa corporal da
amostra (n=29)
IMC
Freqüência
%
Peso Normal
12
41
Sobrepeso
7
24
Obesidade
7
24
Não respondeu
3
10
Total
29
100
Fonte: Pesquisa de campo
O cálculo do índice de massa corporal - IMC (Kg/m2) foi realizado pela divisão
do peso (KG) pelo quadrado da altura (m). A classificação obedeceu os critérios
recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
12
: IMC < 18,5kg/m2
(Baixo peso); IMC > 18,5 e até 24,9kg/m2 (Eutrófico); IMC > 25 e até 29,9kg/m2
(Sobrepeso) e IMC > 30,0kg/m2 (Obeso).
Na Tabela 7, observamos que 12 (41%) dos enfermeiros encontram-se na
faixa de peso normal ou eutrófico, 7 (24%) são obesos e 7(24%) encontram-se com
sobrepeso, isto é, acima do peso considerado normal. Ao analisar essa tabela,
pode-se verificar que aproximadamente 44% dos enfermeiros estão acima do peso,
o que pode ser justificado pelo sedentarismo, já que 19 (65%) consideram que a
prática de atividade física deixa a desejar, conforme demonstrado na Tabela 8.
Tabela 8 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com a realização
de atividade física em relação ao índice de massa corporal
p= 0.2348 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Atividade física
Deixa a
Desconhece
Satisfatório Muito bom
desejar
IMC
Peso Normal
2
9
1
0
Sobrepeso
0
6
0
1
Obesidade
3
4
0
0
TOTAL
5
19
1
1
Fonte: Pesquisa de campo
Na Tabela 8, verifica-se que 19 dos 29 enfermeiros que participaram do
estudo consideram que a prática de atividade física deixa a desejar. Este quadro
mostra a percepção do enfermeiro sobre um dos aspectos relativos a qualidade de
vida, indicando que a realização de atividade física deveria ser presente no seu
58
cotidiano.
A realização de exercícios diminui o risco de hipertensão por diminuir a
resistência vascular periférica e aumentar o condicionamento cardíaco. Uma vez que
a grande parte da amostra é sedentária há uma necessidade de enfatizar a
realização de exercícios regulares, como recomendar a evolução gradual de algum
exercício aeróbico, do tipo caminhadas rápidas de 15 a 45 minutos, numa freqüência
de 3 a 5 vezes por semana. (McABEE, 1995).
IMC
Tabela 9 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com
os hábitos alimentares em relação índice de massa corporal
p= 0.6565 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Hábitos alimentares
Deixa a
Desconhece
Satisfatório Muito bom
desejar
Peso Normal
0
1
10
1
Sobrepeso
0
1
5
1
Obesidade
1
2
4
0
Fonte: Pesquisa de campo
Observa-se na Tabela 9 que 19 enfermeiros estão satisfeitos com os seus
hábitos alimentares e que destes, 4 são obesos, 10 possuem peso normal e 05
estão na faixa de sobrepeso, fato que pode ser explicado pelo ritmo acelerado de
trabalho nas unidades estudadas, favorecendo a realização de refeições rápidas, em
geral com grande quantidade de carboidratos e com baixa qualidade nutricional.
Tabela 10 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número
de vínculos em relação ao lazer
p= 0.3668 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Lazer
Deixa a
Desconhece
Satisfatório Muito bom
desejar
Nº de vínculos
0
4
7
0
2
0
2
7
0
3
0
1
0
0
Não resp
0
4
4
0
1
Fonte: Pesquisa de campo
59
Tabela 11 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o número de
vínculos em relação ao repouso
p= 0.06621 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Repouso
Desconhece Deixa a desejar Satisfatório Muito bom
Nº de vínculos
1
0
2
9
0
2
0
6
3
0
3
0
0
1
0
Não resp
0
1
6
1
Fonte: Pesquisa de campo
Nas Tabelas 10 e 11, com relação aos cuidados com a própria saúde, 18
(62%) consideraram satisfatório os aspectos relacionados ao lazer. Quanto ao
repouso, 19 (65%) disseram que estavam satisfeitos e 14 (48%) consideraram
satisfatória a qualidade do sono.
A maioria dos enfermeiros (19 - 65%) considerara seus hábitos alimentares
satisfatórios e 19 dos participantes (65%) apontaram que a prática de atividade física
deixa a desejar. 20 (69%) disseram possuir imunização dupla completa e 22 (76%)
relataram imunização para hepatite B completa.
Infelizmente, com os novos estilos de vida adotados pelas constantes
mudanças da vida moderna, a dupla jornada de trabalho, realizada pelas mulheres
em função das atividades domésticas e familiares, podem contribuir para a
deterioração da saúde física e mental destas trabalhadoras. (BREILH,1991)
A seguinte verbalização foi registrada por um enfermeiro no instrumento de
coleta de dados (questionário nº 01):
“O alto ritmo na jornada de trabalho nos impede de compatibilizar o
trabalho principalmente com a vida social, a familiar fica um pouco
prejudicada por causa dos horários. E ocorre uma grande produção braçal
incapacitando a produção científica e uma possibilidade de promoção”.
60
Tabela 12 - Distribuição das respostas dos Enfermeiros de acordo com o carga horária em
relação ao repouso p= 0.0071 - teste de fisher ou Qui-Quadrado
Repouso
Desconhece Deixa a desejar Satisfatório Muito bom
Carga horária
30 horas
0
0
0
1
40 horas
0
3
15
0
60 horas
0
4
2
0
80 horas
0
1
1
0
Mais de 80 horas
0
0
1
0
Outros
0
1
0
0
Fonte: Pesquisa de campo
Na Tabela 12, observa-se que dos Enfermeiros que trabalham 40 horas, 15
(51%) consideram satisfatório o repouso, enquanto que 4 (14%) que trabalham 60
horas, consideram que deixa a desejar.
Clancy (1995) refere que o trabalho em turnos apresenta para o trabalhador
alterações do sono, o ajuste mais lento fará com que o trabalhador tente dormir
quando seu ritmo biológico estará sinalizando para a vigília. O sono diurno será
contrário às atividades de familiares e vizinhos com muito ruído. As alterações da
vida doméstica e social em razão das noites de trabalho, as longas jornadas
sucessivas,trazem mudanças físico hormonais que o mantém em desajuste dos
ritmos biológicos e com perturbações do ciclo sono/vigília o que propicia ao estresse,
a modificações comportamentais tais como fumar mais e beber mais café para ficar
em alerta, o que culminará em doenças e agravos a saúde. O ideal de dormir oito
horas diárias e de repousar a fim de eliminar o cansaço pouco real para muitos
trabalhadores, que em média conseguem dormir de 4 a 5 horas.
61
3.3 Fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos
locais de trabalho
Risco biológico
Risco Ergonômico
Risco Físico
Risco Químico
Não corresponde
Percepção do risco
Riscos percebidos
Freq.
Ás vezes
n
%
n
%
1
Risco de contrair infecção
21
72.4
6
20,7
2
Manutenção de postura inadequada
14
48.3
12
41,4
3
Presença de radiação
13
44.8
9
31
4
Ritmo de trabalho acelerado
13
44.8
15
51,7
5
Ruído muito elevado no trabalho
12
41.4
10
34,5
6
Temperatura inadequada
11
37.9
10
34,5
7
Trabalho isolado que dificulta o contato com outros setores
11
37.9
5
17,2
8
Risco de acidentes por sobrecarga de trabalho
9
31
13
44,8
9
Desconforto pela falta de espaço ou má distribuição
8
27.6
14
48,3
10 Esforço físico que produz fadiga
8
27.6
13
44,8
11 Ordem e limpeza insuficientes
6
20.7
13
44,8
12 Inalação de substância nociva no ambiente
6
20.7
9
31
13 Manipulação de cargas pesadas
6
20.7
14
48,3
14 Risco de incêndio ou explosão
5
17.2
8
27,6
Risco de queda de materiais
4
13.8
14
48,3
Fumos,gases, vapores ou aerossóis em excesso
4
13.8
13
44,8
17 Organização insatisfatória de horários e turnos de trabalho
4
13.8
13
44,8
18 Dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência
3
10.3
8
27,6
19 Ar/ventilação insuficiente
3
10.3
8
27,6
20 Iluminação insuficiente
3
10.3
8
27,6
15
16
Quadro 1 Riscos ocupacionais percebidos “freqüentemente” e “às vezes” pelos
enfermeiros no Centro de Transplante Medula Óssea, Centro de Tratamento Intensivo
Adulto e Unidade de Terapia Intensiva de uma instituição Oncológica
Fonte: Pesquisa de campo
62
Optou-se por analisar os dados com maiores freqüências, considerando os
riscos
apontados
freqüentemente
e
às
vezes
pelos
enfermeiros
(n=29),
considerando a significância do evento no trabalho.
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2005),
a Norma
Regulamentadora - NR 9, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos,
químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua
natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de
causar danos à saúde do trabalhador.
O risco ocupacional mais apontado foi o risco de contrair infecção (72,4%),
seguido de manutenção de postura inadequada (48,3%), presença de radiação
(44,8%), ritmo de trabalho acelerado (44,8%), ruído muito elevado no trabalho
(41,4%) e temperatura inadequada (37,9%).
Constatou-se que os problemas do ambiente de trabalho percebidos pelos
enfermeiros aparecem em maior número quando relacionados ao cuidado direto aos
pacientes e às próprias características dos pacientes críticos, tais como: presença
de sangue, secreções, fluidos corpóreos por incisões, sondagens, cateteres,
expondo os enfermeiros a esse contato; elevado número de procedimentos e
intervenções terapêuticas que necessitam utilizar materiais pérfuro-cortantes e
equipamentos;
dependência
dos
pacientes,
que
exige
esforço
físico
dos
trabalhadores; investigação diagnóstica devida a patologias diversas, expondo os
enfermeiros a infecções e doenças não confirmadas.
Resende e Fortaleza (2001) referem que os trabalhadores da saúde estão
expostos com freqüência aos riscos biológicos. Os maiores riscos de infecção estão
relacionados às doenças transmitidas por sangue e fluidos corpóreos (hepatite B,
hepatite C e HIV)
e às que ocorrem através de infecção aérea (tuberculose,
varicela-zoster e sarampo).
Segundo Resende e Fortaleza (2001), os trabalhadores estão expostos ao
risco de adquirir estas infecções através de lesão perfurocortante, contato com
membrana, mucosa ou pele (rachadura da pele, dermatite e etc.), possibilitando o
contato com sangue e fluidos corpóreos potencialmente infectados.
Esta constatação já foi descrita em um estudo realizado por Costa e Deus
(1989), onde foi verificado que os riscos ocupacionais da equipe intensivista estão
inter-relacionados com os riscos de seus pacientes.
Nos setores onde foi realizado o estudo, apenas 6 (20,7%) dos enfermeiros
63
relataram
inalação
de
substância
nociva
“freqüentemente”.
Esses
dados
demonstram uma baixa percepção dos enfermeiros em relação à exposição a tais
produtos e seus danos à saúde.
Nestes setores (UTI adulto, CTI
pediátrico e
Centro de Transplante de Medula Óssea) existe exposição considerável dos
trabalhadores aos medicamentos, inclusive quimioterápicos, produtos de limpeza e
anti-sépticos que, entretanto, é pouco valorizada. Estes riscos foram amplamente
discutidos por Laurell e Noriega (1989), destacando o manuseio freqüente de
substâncias químicas pelos trabalhadores de enfermagem.
Nas Unidades para atendimento a pacientes críticos (UTI, CTI, Unidades de
Internação
que
realizam
transplantes)
existe
uma
grande
variedade
de
equipamentos disponíveis para monitorar os pacientes e auxiliar a equipe de
trabalho. No entanto, a tecnologia nova nem sempre atende às expectativas,
ocorrendo falha no desempenho ou problemas técnicos que acabam por impedir as
melhorias para os pacientes e para os profissionais. (NISHIDE; MALTA; AQUINO,
2000).
Estas falhas e problemas técnicos estão relacionados com a manutenção de
equipamentos como capelas de fluxo laminar, refrigeração, filtros de ar, iluminação
e etc.
Entretanto, vale ressaltar as verbalizações, que foram redigidas pelos
enfermeiros no instrumento de coleta de dados:
“Riscos devidos ao tratamento em si, tais como manipulação de
quimioterápicos, material biológico”. (questionário nº 20)
“As quimioterapias poderiam ser diluídas (preparadas) pelo farmacêutico”.
(questionário nº 26)
No quadro acima, observa-se uma prevalência em torno de 50% com relação
às questões relativas a carga física e organização do trabalho do enfermeiro em
oncologia, este percentual não difere muito de outros estudos já realizados.
Um estudo de Nishide, Malta e Aquino (2000) refere que o esforço físico com
lesão corporal foi apontado por 31 (46%) dos trabalhadores como um dos principais
riscos ocupacionais, já que os trabalhadores de enfermagem em unidades críticas
desenvolvem muitas atividades que exigem esforço físico, como mobilização de
pacientes pesados e manipulação de equipamentos (monitores, desfibriladores e
outros).
64
A identificação de risco por quedas (15 - 52%) e desconforto pela falta de
espaço (14 - 48%), são considerados fatores presentes no ambiente de trabalho,
constituindo causa real ou potencial de acidentes e lesões.
Nishide, Malta e Aquino (2000) afirmam que esses riscos não são específicos
da área hospitalar e existem também em indústrias e atividades comerciais,
refletindo impacto nas condições de saúde dos trabalhadores.
Os riscos percebidos às vezes mais incidentes foram clima inadequado em
relação aos companheiros de trabalho (55%), risco de queda no ambiente de
trabalho (51%), ritmo de trabalho acelerado (51%), conflito com clientes ou usuários
(51%) e incompatibilização do trabalho no hospital com o trabalho doméstico.
As queixas como mal estar, ansiedade e desgosto de ir ao trabalho e
trabalhar são o reflexo do desgaste sofrido por estes profissionais que se vêem
fortemente atingidos pelas questões organizacionais do seu processo de trabalho,
em que o controle gerencial e as atividades de rotina representam um fator de
adoecimento.
Estes fatores podem gerar situações de estresse e depressão, em
resposta a carga psíquica do trabalho, pelo constante lidar com os mecanismos
psíquicos de defesa em confronto com o sofrimento e com a morte. (DEJOURS,
1992).
Vale ressaltar as seguintes verbalizações registradas no instrumento de
coleta de dados:
“Organização insatisfatória do trabalho devido à falta de espaço nos
quartos duplos, sendo desconfortável para o paciente e acompanhantes.
Falta espaço físico para trabalhar adequadamente”. (questionário n º 26)
“Neste item friso recursos insuficientes, pois necessito de um bom
computador, um espaço para estudo, uma sala para receber
especializandos, residentes....e tudo é muito dividido...é um pouco
complicado”. (questionário n º 12)
Walton (1973) destaca que a qualidade de vida no trabalho visa proteger o
empregado, favorecendo melhores condições de vida dentro e fora da organização.
Para que a qualidade de vida no trabalho seja alcançada é necessário que: o
trabalhador receba um salário justo e adequado ao trabalho realizado; os
trabalhadores não sejam expostos às condições físicas e psicológicas perigosas e
horários de trabalho excessivos.
65
Ainda, segundo Walton (1973), para que os trabalhadores possam usar e
desenvolver suas habilidades e capacidades são necessários: autonomia no
trabalho, utilização de múltiplas habilidades, informação e perspectiva de
crescimento profissional, realização de tarefas completas e planejamento das
atividades.
Ressaltando ainda que é importante que o trabalhador tenha a
possibilidade de auto-desenvolvimento, aquisição de novos conhecimentos e
oportunidades de promoções e segurança no emprego.
3.4 Percepção sobre os problemas do ambiente e condições de trabalho
Os principais problemas do ambiente de trabalho apontados pelos
enfermeiros (n=29) foram: umidade excessiva, temperatura inadequada, dificuldade
de desocupação do ambiente em caso de emergência, ventilação e iluminação
insuficiente, destes o mais apontado foi o desconforto térmico relacionado à
temperatura inadequada.
Temperatura inadequada
15
10
5
Frequentemente
Ás vezes
Não acontece
Desconhece/ignora
Não respondeu
0
Gráfico 1 - Aspectos percebidos pelos enfermeiros em relação às
condições de trabalho – Temperatura inadequada
Fonte: Pesquisa de campo
No Gráfico 1, observa-se que 11 enfermeiros referiram que freqüentemente a
temperatura é inadequada, o que corresponde a 37,9% da amostra. Este fato pode
ser entendido pela dificuldade de estabelecer uma temperatura agradável e a
necessidade de manter a temperatura baixa devido à existência de aparelhos,
computadores e equipamentos.
66
A temperatura desconfortável no ambiente de trabalho pode causar danos à
saúde do trabalhador. Segundo a Portaria ANVISA nº 1884/GM, a temperatura deve
ser mantida entre 24 e 26ºC, estável e igual em todas as salas, evitando
deslocamentos de ar excessiva e com uma umidade relativa em níveis de 40 a 60%.
(BRASIL, 1995).
Os aspectos relacionados ao ambiente de trabalho, relativos à umidade
excessiva, foram citados por 8 (28%) dos enfermeiros e que 11 (38%) mencionaram
que a temperatura é inadequada freqüentemente. Dos 29 enfermeiros, 8 (28%),
identificaram a dificuldade de desocupação do ambiente em caso de emergência
(28%) dos enfermeiros como um dos problemas observados nos ambientes de
trabalho. Apesar dos enfermeiros perceberem pouco estes aspectos como risco de
acidentes, existem reclamações freqüentes sobre a inadequação da temperatura
nas unidades estudadas. Com relação à iluminação, 14 (48%) dos enfermeiros
mencionaram que não acontece, fato que pode ser explicado devido a uma recente
reforma nos leitos de internação, com a instalação de luminárias, que possibilitaram
maior conforto ao paciente, além de facilitar a realização de procedimentos de
enfermagem nos pacientes internados.
3.5 Percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os
problemas nos locais de trabalho
O instrumento de coleta de dados (Apêndice B) foi utilizado para conhecer a
percepção dos coordenadores dos serviços de enfermagem sobre os problemas
nos locais de trabalho estudados (n=03).
67
Variável
Sim
Não
Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou
equipamentos
2
1
Desordem e/ou falta de limpeza
0
3
Sistemas de armazenamento inadequados e/ou inseguros
0
3
Falta de segurança para realizar deslocamentos (pisos, escadas)
0
3
Possibilidade de quedas devido à proteção.....
0
3
Condições deficientes de segurança nas instalações elétricas
0
3
Condições de deficientes de segurança nas instalações de gases e
pressão
0
3
Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões
2
1
Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de
emergência
2
1
Ventilação e climatização inadequadas dos ambientes.
1
2
Iluminação inadequada ao tipo de trabalhado realizado
0
3
Temperatura ambiental inadequada ao tipo de trabalho que se realiza
1
2
Ruído ambiental inadequado para a atenção que é requerida pelas
tarefas realizadas
1
2
Vestuários e banheiros insuficientes ou inadequados
1
2
Quadro 2 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem
sobre os locais de trabalho e instalações
Fonte: Pesquisa de campo
68
Variável
Sim
Não
Dispositivos de segurança insuficientes ou inadequados
0
3
Manutenção preventiva inadequada
1
2
Instruções de segurança insuficientes ou inadequadas
0
3
Utilização insegura de máquinas ou ferramentas
0
3
Perigo de acidentes por quedas ou cortes
0
3
Perigo de acidentes por queimaduras
0
3
Perigo de descarga elétrica em máquinas ou ferramentas
0
3
Proteção inadequada frente ao ruído
0
3
Exposição a vibrações por utilização de máquinas ou ferramentas
0
3
Proteção inadequada frente a radiações ionizantes
1
2
Exposição eletromagnética
0
3
Fadiga visual por fontes luminosas nos equipamentos de trabalho
0
3
Exposição a fontes de calor radiante
0
3
Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual
0
3
Quadro 3 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem
sobre maquinaria (equipamentos), tecnologia e ferramentas (instrumentais)
Fonte: Pesquisa de campo
69
Variável
Sim
Não
Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos
2
1
Embalagens com rótulos inadequados
0
3
Informação insuficiente sobre os riscos das substâncias e materiais
0
3
1
2
0
3
Risco químico por contato com olhos ou pele
1
2
Risco químico por inalação respiratória
1
2
Exposição à carcinogênicos ou mutagênicos
2
1
Exposição a alérgenos
1
2
Exposição à riscos biológicos
2
1
Instalações de proteção coletiva insuficientes ou inadequadas
0
3
Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual
0
3
Contaminação externa (resíduos)
0
3
Risco de acidentes meio ambientais graves (incêndios, explosões)
1
2
Falta de segurança no transporte e/ou armazenamento de substâncias
e materiais
Má qualidade do ar (presença de umidade, gases, vapores, poeiras e
odores)
Quadro 4 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem
sobre substâncias e materiais utilizados
Fonte: Pesquisa de campo
70
Variável
Sim
Não
Arquitetura inadequada dos postos de trabalho em geral
1
2
Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza
2
1
Distribuição inadequada de pessoas e equipamentos
1
2
Desenho inadequado do mobiliário, equipamentos ou ferramentas
0
3
Cadeiras e assentos insuficientes ou inadequados
0
3
Manutenção excessiva de uma mesma postura de trabalho
0
3
Necessidade de adotar posturas forçadas ou desconfortáveis
0
3
As tarefas não permitem mudanças freqüentes de postura.
0
3
Excessiva repetição de movimentos
1
2
Manipulação de cargas desnecessárias
1
2
Manejo inadequado de cargas (peso, volume, altura, deslocamento)
0
3
Manejo prolongado de cargas sem pausas suficientes.
0
3
Armazenamento inadequado que impedem uma correta manipulação
de cargas.
0
3
Formação ergonômica insuficiente ou inadequada.
0
3
Quadro 5 - Distribuição das respostas dos coordenadores dos serviços de enfermagem
sobre fatores ergonômicos
Fonte: Pesquisa de campo
Com relação aos problemas observados nos locais de trabalho, os
coordenadores dos serviços de enfermagem apontaram:
•
Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou equipamentos;
•
Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões;
•
Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de emergência;
•
Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos;
•
Exposição a carcinogênicos ou mutagênicos;
•
Exposição ariscos biológicos;
•
Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza.
Calera et al. (2001) referem que um recinto confinado, com aberturas
limitadas de entrada e saída e ventilação natural desfavorável, pode acumular
contaminantes tóxicos, inflamáveis ou explosivos, ocasionando uma atmosfera
deficiente de oxigênio, não sendo concebível para uma ocupação continuada por
parte dos trabalhadores.
71
Com relação à utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais
perigosos, sabe-se que os equipamentos de proteção individual como: máscaras,
luvas, aventais, óculos e etc. não oferecem completam proteção, entretanto deverão
ser utilizados pelo trabalhador como um método de controle dos riscos no local de
trabalho.
Os dados apontados no estudo indicam a necessidade de conscientização
tanto dos trabalhadores em medidas de prevenção e controle dos problemas no
ambiente de trabalho, como dos coordenadores dos serviços de enfermagem, no
que concerne a realização análises técnicas com suporte de engenheiros do
trabalho e técnicos de segurança do trabalho para a promoção de um ambiente de
trabalho mais saudável.
3.6 Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e sua relação
com as condições de trabalho
Os dados foram obtidos a partir do instrumento de coleta de dados - seção
B2, onde constavam 29 problemas de saúde relacionados ou não com o trabalho.
Foi realizado um recorte dos 17 mais apontados pelos enfermeiros, destacando-se
os provocados, seguidos dos agravados.
Sim
Ordem de
incidência
Problemas
Provocados
n
%
Agravados
n
%
Total:
provocados
+ agravados
n
%
Estresse
1
12
52.2
6
26.1
18
78.3
Dores lombares
2
10
45.5
3
13.6
13
59.1
Mudanças de humor
3
9
50
3
16.7
12
66.7
Varizes
4
3
17.6
8
47.1
11
64.7
Dore
s
dos
membros
inferiore
s
5
4
21.1
5
26.3
9
47.4
Doenças de pele
6
6
46.2
2
15.4
8
61.5
Dor de cabeça freqüente
7
2
14.3
6
42.9
8
57.1
P
roblemas
digestivo
s
8
2
16.7
6
50
8
66.7
Doenças infecciosas
9
3
42.9
3
42.9
6
85.7
Hipertensão
10
1
11.1
5
55.6
6
66.7
Lesão por material pérfuro-cortante
11
6
66.7
0
0
6
66.7
Depressão
12
3
33.3
2
22.2
5
55.6
Contaminação com material biológico
13
2
50
0
0
2
50
Câncer
14
1
25
0
0
1
25
Problemas
de
articulação
15
0
0
1
50
1
50
16
Intoxicação por substâncias químicas
0
0
1
25
1
25
Transtornos do sono
17
0
0
1
33.3
1
33.3
Quadro 6 - Percepção dos enfermeiros sobre os problemas de saúde e sua relação com as
condições de trabalho
Fonte: Pesquisa de campo
72
Dos problemas provocados pelo trabalho, destacam-se: lesão por material
perfurocortante (66,7%),
estresse (52,2%), contaminação com material biológico
(50,0%), doenças de pele (46,2%), dores lombares (45,5%), mudanças de humor
(50,0%) e depressão (33,3%).
Estes problemas vêm sendo discutidos por diversos autores que pesquisam
sobre o trabalho de enfermagem como
Mauro (1986), Bulhões (1994) e Alves
(2002).
A “lesão por material pérfuro-cortante” foi estudada por Marziale e Rodrigues
(2002), através de uma análise da produção científica sobre os acidentes de
trabalho com material pérfuro-cortante entre trabalhadores de enfermagem, onde o
re-encape de agulhas e o inadequado descarte continuam sendo as práticas
inadequadas predisponentes destes acidentes de trabalho.
Nas doenças e queixas apontadas neste estudo, identificamos que são de
natureza psicossomática, este fato pode estar relacionado com a gravidade dos
pacientes, instabilidade do quadro clínico e ao atendimento de situações
emergenciais que ocorrem com freqüência nos setores estudados.
Segundo Robazzi, Marziale e Rocha (2004), os riscos psicossociais (estresse,
fadiga mental, depressão e etc) são desencadeados pelo contato com o sofrimento
do paciente.
A sobrecarga mental, acrescida de carga física, é geradora de alterações
afetivas, desencadeando fenômenos de ordem psicológica, psicossociológica e
neurofisiológica. (PITTA, 1990).
O trabalho pode ser, ao mesmo tempo, a fonte de subsistência do homem, de
acúmulo de riquezas, realização profissional e outras satisfações como, também,
pode ser uma fonte de sofrimentos, de doenças, de exploração e de escravidão que,
muitas vezes, só é suportado pelo trabalhador devido à necessidade de
sobrevivência pessoal e de sua família. (DEJOURS, 1992).
Os problemas de saúde agravados apontados foram: hipertensão (55,6%),
problemas digestivos (50,0%), varizes (47,1%), dor de cabeça freqüente (42,9%) e
doenças infecciosas (42,9%).
Atualmente, as doenças ou queixas relacionadas com o trabalho estão
sujeitas a uma análise do seu nexo causal com o processo de trabalho. No âmbito
dos serviços de saúde, o principal instrumento para a investigação das relações
saúde-trabalho é a anamnese ocupacional. Infelizmente, na formação médica esta
73
habilidade não é desenvolvida de maneira enfática, fazendo com que os
profissionais tenham dificuldade para utilizá-la no seu cotidiano de trabalho.
(BRASIL, 2001).
Estudos apresentados no Congresso “Criança 2005”, em Curitiba-PR, do
psicólogo cubano professor doutor Jorge Grau Abalo, pesquisador do Instituto
Nacional de Oncologia e Radiobiologia e chefe do Grupo de Psicologia Nacional do
Ministério da Saúde de Cuba, discutiram o
adoecimento dos trabalhadores no
Sistema de Saúde de Cuba, situando o estresse/sofrimento mental e a Síndrome de
“Burnout” como relevantes entre os trabalhadores de saúde de seu país, notados,
principalmente, nas equipes que cuidam de pacientes em situação crítica de vida
(emergência, unidades de terapia intensiva, enfermarias cirúrgicas), em serviços nos
quais a taxa de óbitos é alta (oncologia, doentes renais crônicos e portadores de
DST/AIDS).
Haddad et al. (1985) referem que em um estudo realizado em um hospital
oncológico constatou-se o despreparo emocional do trabalhador de enfermagem que
cuidam de pacientes terminais. A ansiedade diante da aplicação de tratamentos
agressivos (quimioterapia), que pode ser explicada pelos efeitos colaterais intensos
e visíveis causados nos pacientes. Os profissionais não se sentiam preparados
para enfrentar a morte do paciente, expressando sentimentos de impotência
profissional. Estes sentimentos também são expressos com repercussões
psicossomáticas, como as apontadas pelos participantes do estudo (estresse, dor de
cabeça e mudanças de humor).
As informações referentes ao estado de saúde do trabalhador, como:
queixas, sintomas observados ou outros efeitos sobre a saúde e alterações precoces
nos parâmetros de saúde podem auxiliar na identificação de condições de risco
existentes no ambiente de trabalho. Deve haver uma relação estreita entre os
responsáveis pela análise do ambiente e das condições de trabalho (engenheiros,
técnicos de segurança, ergonomistas) e os responsáveis pela saúde do trabalhador
(médicos, psicólogos, enfermeiros do trabalho, toxicologistas) para uma avaliação
adequada das exposições ocupacionais. Este enfoque multidisciplinar permite o
desvendamento de relações causais, que podem passar despercebidas. (BRASIL,
2001).
74
4 CONCLUSÃO
Este estudo teve como propósito caracterizar o perfil pessoal, profissional e
os cuidados com a própria saúde dos enfermeiros em oncologia, identificar os
fatores de risco a que estão expostos os enfermeiros oncológicos nos locais de
trabalho, analisar as condições de trabalho e discutir os problemas de saúde
apontados pelos enfermeiros provocados ou agravados pelo trabalho.
Após a análise dos dados pode-se concluir que:
1. Os sujeitos da pesquisa, enfermeiros em sua maioria do sexo feminino, com
idade compreendida entre 40 a 49 anos, sendo a maioria casada, tendo em
média 01 filho e que cumprem uma jornada semanal de 40 horas, constitui-se
um grupo em idade economicamente ativa, cuja faixa etária exige um
programa de controle e avaliação sistemática da saúde e da qualidade de
vida, tendo em vista a perspectiva de um potencial produtivo à longo prazo;
2. Os enfermeiros, segundo sua percepção, indicaram como maiores riscos
ocupacionais do trabalho nos setores estudados: risco de contrair infecção
(72,4%), seguido de manutenção de postura inadequada (48,3%), presença
de radiação (44,8%), ritmo de trabalho acelerado (44,8%), ruído muito
elevado no trabalho (41,4%) e temperatura inadequada (37,9%), trabalho
isolado que dificulta o contato com outros setores (37,9%), risco de acidentes
por sobrecarga de trabalho (31,0%), desconforto pela falta de espaço ou má
distribuição (27,6%) e esforço físico que produz fadiga (27,6%). Ressalta-se
que os mais prevalentes são os relacionados ao cuidado direto ao paciente.
Esta situação indica a necessidade de maior atenção por parte dos
coordenadores de enfermagem para adoção de medidas e práticas seguras e
implementação de dispositivos de segurança, bem como a conscientização
dos trabalhadores sobres riscos presentes no ambiente de trabalho;
3. Em relação à análise das condições do ambiente de trabalho destacaram-se
como principais os aspectos relativos à umidade excessiva, que foram citados
por 08 (28 %) dos enfermeiros e que 11 (38%) mencionaram que a
temperatura é inadequada freqüentemente. Dos 29 enfermeiros, 8 (28%),
identificaram a dificuldade de desocupação do ambiente em caso de
emergência, o que indica a necessidade de uma análise técnica dos
problemas mais significativos do ambiente de trabalho,
levando em
75
consideração a participação multidisciplinar (engenheiros do trabalho,
técnicos de segurança, trabalhadores e etc.);
4. Em atenção aos problemas de saúde relacionados com o trabalho, os
enfermeiros apontaram problemas provocados ou agravados. Destacam-se
como provocados: lesão por material pérfuro-cortante (66,7%),
estresse
(52,2%), contaminação com material biológico (50,0%), doenças de pele
(46,2%), dores lombares (45,5%), mudanças de humor (50,0%) e depressão
(33,3%). Os problemas de saúde agravados pelo trabalhos, na percepção
dos enfermeiros foram: hipertensão (55,6%), problemas digestivos (50,0%),
varizes (47,1%), dor de cabeça freqüente (42,9%) e doenças infecciosas
(42,9%). Este problemas quando analisados em conjunto, verifica-se que há
necessidade de um aprofundamento do estudo, para identificar a relação
entre o nexo causal e o processo de trabalho, independentemente de
medidas de promoção e proteção da saúde que devam ser implementadas
pela instituição.
Entende-se que o estabelecimento do nexo causal para
trabalhadores da saúde/ enfermagem, diferentemente da exposição à riscos
na área industrial, ainda é difícil, devido ao conteúdo de subjetividade
presente no processo de trabalho dos profissionais que atuam na área de
saúde. Contudo, já existe um quadro esquemático do Ministério do Trabalho
e Emprego, que estabelece uma relação intrínseca entre trabalho e
adoecimento, que exige parecer de peritos da área. Neste sentido, os peritos
precisam atentar para a subjetividade do trabalho na área da saúde e mais
propriamente
da
enfermagem,
objeto
deste
estudo.
Quanto
aos
empregadores deste grupo de trabalhadores, é necessário que considerem
que quanto maior a saúde e a satisfação do trabalhador, maior a
produtividade e a satisfação do cliente.
76
5 RECOMENDAÇÕES
Com base nos resultados as seguintes recomendações foram formuladas
para contribuir efetivamente, apontando estratégias para melhorar as condições de
trabalho e saúde dos profissionais que atuam em instituições oncológicas:
•
Implementar um programa de acompanhamento individual com atenção
biopsicossocial, com ênfase nos seguintes temas: protagonismo, assertividade
e
reconhecimento de limites, como estratégia para conscientização sobre os
riscos ocupacionais e estabelecimento de medidas de promoção e controles
dos riscos;
•
Promover o estabelecimento participativo de objetivos e metas realistas com a
equipe, com processo avaliativo regular, desenvolvimento de habilidades
individuais e coletivas em função da natureza dos problemas.
•
Enfatizar atributos comunicacionais, reuniões com as chefias para discutir e
encaminhar resoluções e problemas;
•
Discutir propostas que favoreçam a autonomia da equipe, especificamente
nos plantões, reorganizando o processo de trabalho através da flexibilização
do horário e pausas para repouso;
•
Estimular a realização de estudos e pesquisas e discussão de situações de
risco no trabalho vivenciadas pela equipe de enfermagem;
•
Incentivar a
participação dos trabalhadores no processo de elaboração e
avaliação de planos diretores e de definição de prioridades institucionais,
objetivos e metas do serviço;
•
Estimular o
vínculo do trabalhador com os usuários, a equipe e com a
instituição, criação de espaços de expressão e de desenvolvimento de talentos
cognitivos e artísticos dos trabalhadores;
•
Participar efetivamente das análises técnicas realizadas por profissionais da
área (engenheiros do trabalho, técnicos de segurança do trabalho e etc.) dos
ambientes de trabalho, no sentido de contribuir com informações pertinentes e
necessárias para a realização das modificações necessárias para a promoção
de um ambiente de trabalho saudável.
77
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82
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
PROJETO DE DISSERTAÇÃO: CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS
ENFERMEIROS EM ONCOLOGIA
Prezado (a) Colega
Após alguns anos atuando como Enfermeira, reconheço o quanto é difícil a utilização
do seu tempo em outras atividades que não sejam exclusivas ao trabalho.
Por isso, peço apenas alguns minutos de sua atenção.
Na tentativa de obter um conhecimento mais preciso sobre as condições de trabalho do
Enfermeiro e a sua relação com o processo de adoecimento, estou desenvolvendo um estudo
para investigar este tema e suas possíveis correlações, com ênfase nos riscos ocupacionais em
Oncologia, objetivando a coleta de dados que após análise poderão esclarecer aspectos
relevantes da profissão, bem como a melhoria das condições de trabalho do Enfermeiro.
A sua participação no estudo envolve o preenchimento do questionário em anexo, com
questões semi-estruturadas e estruturadas, respondido individualmente pelos participantes.
Se você concorda em participar do estudo, por favor, leia atentamente as instruções e
os itens do questionário e preencha-os em sua íntegra.
Se em algum momento você
necessitar de mais esclarecimentos relacionados à pesquisa, coloco-me ao seu inteiro dispor.
Para isso, basta realizar um contato telefônico.
A minha orientadora é a Profª Drª Maria Yvone Chaves Mauro da Faculdade de
Enfermagem da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Programa de PósGraduação em Enfermagem - Curso de Mestrado Acadêmico, que pode ser encontrada através
do tel. 2568 8175 (Programa de Pós- Graduação da Faculdade de Enfermagem). Se você
tiver alguma consideração ou dúvida sobre questões éticas relacionadas ao desenvolvimento
da pesquisa, entre em contato com Comitê de Ética em Pesquisa do INCA, Rua André
Cavalcanti, 37, Tel. 3233 1410.
Sua participação será estritamente voluntária e desde já esclareço. As informações
contidas na pesquisa serão confidenciais e tratadas de forma anônima e sigilosa, garantindo
sua privacidade.
Este estudo oferece os riscos próprios de ler e responder a um questionário, porém,
caso isso ocorra, asseguro sua liberdade de retirar seu consentimento, a qualquer momento,
deixando de participar do estudo sem que lhe acarrete nenhuma sanção ou prejuízo de suas
atividades.
83
Sua participação é de suma importância para continuidade desse trabalho.
Conto com sua valiosa colaboração, agradeço pelo empenho, atenção e tempo
dispensados.
Cordialmente,
Sylvia Gonzalez de Queiroz
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Curso de Mestrado Acadêmico
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Telefones: 2232 8871/ 2242 5738 (residência) 9605 8215 (celular) 2506 6219
(CEMO)
E-mail: [email protected]
Declaro que, após convenientemente esclarecido (a) pela Pesquisadora e ter
compreendido o que me foi explicado, assim como os benefícios, riscos potenciais da
participação no mesmo e que não receberei compensação monetária por minha participação.
Tive a oportunidade de fazer perguntas e todas foram respondidas. Eu, por intermédio deste,
dou livremente meu consentimento para participar neste estudo.
Recebi uma cópia assinada deste formulário de consentimento.
Rio de janeiro,
de
de 2007
Assinatura do Enfermeiro: _______________________________________
Nome do (a) Enfermeiro (a): ______________________________________
COREN: _____________
Eu, abaixo assinado, expliquei completamente os detalhes relevantes
deste estudo ao participante indicado (a) acima.
Pesquisadora: _________________________________________________
84
APÊNDICE B – Instrumento de Coleta de Dados
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES
DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
QUESTIONÁRIO
SEÇÃO A – Identificação dos sujeitos da pesquisa
1. FUNÇÃO
ENFERMEIRO ESTATUTÁRIO
ENFERMEIRO CELETISTA
ENFERMEIRO ESTATUTÁRIO (CONTRATO TEMPORÁRIO)
2. SEXO
FEMININO
MASCULINO
3. IDADE
20 A 29 ANOS
30 A 39 ANOS
40 A 49 ANOS
MAIS DE 50 ANOS
4. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
PESO:
ALTURA:
5. ESTADO CIVIL
SOLTEIRO OU SIMILAR
CASADO OU SIMILAR
6. Nº DE VÍNCULOS EMPREGATÍCIOS:
7. TIPO DE JORNADA
DIURNA
NOTURNA
AMBAS
85
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES
DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
8.
CARGA HORÁRIA
30 HORAS SEMANAIS
40 HORAS SEMANAIS
60 HORAS SEMANAIS
80 HORAS SEMANAIS
MAIS DE 80 HORAS SEMANAIS
9. FAIXA SALARIAL
3 a 5 SALÁRIOS MÍNIMOS
6 A 8 SALÁRIOS MÍNIMOS
9 a 11 SALÁRIOS MÍNIMOS
ACIMA DE 12 SALÁRIOS MÍNIMOS
10. TEM FILHOS?
SIM
QUANTOS?
NÃO
11. CUIDADOS COM A SAÚDE
VALOR: 4 – MUITO BOM 3 - SATISFATÓRIO 2- DEIXA A DESEJAR 1 - DESCONHECE
ASPECTOS
4
3
2
1
LAZER
REPOUSO
HÁBITOS ALIMENTARES
QUALIDADE DO SONO
ATIVIDADE FÍSICA
IMUNIZAÇÃO DUPLA
COMPLETA
INCOMPLETA
IMUNIZAÇÃO HEPATITE B
COMPLETA
INCOMPLETA
86
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE
RIESGOS EM LOS LUGARES DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y
Seguridad – ISTAS – Instituto sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
SEÇÃO B – Identificação dos problemas
B1 – Problemas do ambiente de trabalho
GRAU DE FREQUÊNCIA A RESPEITO DOS ASPECTOS EM RELAÇÃO ÀS
CONDIÇÕES DE TRABALHO.
VALOR: 4 – FREQUENTEMENTE 3- ÁS VEZES 2- NÃO ACONTECE 1-DESCONHECE/IGNORA
VALOR DE FREQUENCIA
ASPECTOS PERCEBIDOS PELOS TRABALHADORES
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
DESCONFORTO PELA FALTA DE ESPAÇO OU MÁ DISTRIBUIÇÃO
ORDEM E LIMPEZA INSUFICIENTES
DIFICULDADE DE DESOCUPAÇÃO DO AMBIENTE EM CASO DE EMERGÊNCIA
RISCO DE QUEDA NO AMBIENTE DE TRABALHO
RISCO DE QUEDA DE MATERIAIS
RISCO DE ACIDENTES EM RELAÇÃO AO MAQUINÁRIO
RISCO DE ACIDENTES EM RELAÇÃO ÀS FERRAMENTAS
RISCO DE ACIDENTES POR SOBRECARGA DE TRABALHO
RISCO DE ACIDENTE ELÉTRICO
RISCO DE INCÊNDIO OU EXPLOSÃO
TEMPERATURA INADEQUADA
UMIDADE EXCESSIVA
AR/VENTILAÇÃO INSUFICIENTE
INSTALAÇÃO INADEQUADA DE AR CONDICIONADO
ILUMINAÇÃO INSUFICIENTE
RUÍDO MUITO ELEVADO NO TRABALHO
PRESENÇA DE RADIAÇÃO
RISCO DE CONTRAIR INFECÇÃO
FUMOS,GASES, VAPORES OU AEROSSÓIS EM EXCESSO
INALAÇÃO DE SUBSTÂNCIA NOCIVA NO AMBIENTE
FALTA DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL
ESFORÇO FÍSICO QUE PRODUZ FADIGA
MANIPULAÇÃO DE CARGAS PESADAS
MANUTENÇÃO DE POSTURA INADEQUADA
ORGANIZAÇÃO INSATISFATÓRIA DE HORÁRIOS E TURNOS DE TRABALHO
RITMO DE TRABALHO ACELERADO
TRABALHO MONÓTONO, ROTINEIRO, COM POUCA VARIABILIDADE DE TAREFAS
FALTA DE RECURSOS ADEQUADOS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
TRABALHO ISOLADO QUE DIFICULTA O CONTATO COM OUTROS SETORES
CONFLITO COM OS CLIENTES OU USUÁRIOS
31.
CLIMA INADEQUADO EM RELAÇÃO AOS COMPANHEIROS DE TRABALHO
32.
POUCA OPORTUNIDADE DE DECISÃO SOBRE COMO REALIZAR O TRABALHO
33.
AGRESSIVIDADE, ABUSO SEXUAL OU VIOLÊNCIA
34.
RELAÇÃO INADEQUADA COM OS CHEFES OU ENCARREGADOS
35.
INCOMPATIBILIZAÇÃO DO TRABALHO NO HOSPITAL COM O TRABALHO DOMÉSTICO
36.
SITUAÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO NO TRABALHO
37.
DESCONHECIMENTO OU FORMAÇÃO INSUFICIENTE SOBRE OS RISCOS DO PRÓPRIO
TRABALHO
38.
FALTA DE TREINAMENTO SOBRE O CONTEÚDO DO TRABALHO
4
3
2
1
87
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES
DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
B2 - Problemas de saúde dos trabalhadores e sua relação com as condições
de trabalho
EXISTE
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
7.
8.
9.
PROBLEMAS DE SAÚDE
Uso de bebida alcoólica
Câncer
Perda auditiva
Diabetes
Depressão
Doenças de pele
Doenças do coração
Doenças do fígado
Doenças infecciosas
Doenças renais
10
Dor de cabeça frequente
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
24.
25.
26.
27.
28.
Dores lombares
Lesões da coluna vertebral
Dores dos membros inferiores
Problemas de articulação
Estresse
Hipertensão
Contaminação com material
biológico
Lesão por material pérfurocortante
Intoxicação por substâncias
químicas
Mudanças de humor
Problemas do sistema nervoso
Problemas digestivos
Transtornos relacionados com
a gravidez
Problemas oculares
Problemas respiratórios
Problemas alérgicos
Tensão pré-menstrual
Varizes
29.
Transtornos do sono
18.
19.
20.
21.
22.
23.
SIM
NÃO
RELAÇÃO COM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO
SIM
NÃO
PROVOCADO
AGRAVADO
88
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES
DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
SEÇÃO C – Fatores organizacionais e relações no trabalho
C1 – Organização do Trabalho (marcar X nos problemas observados):
Organização insatisfatória do trabalho em geral
Tarefas rotineiras ou monótonas
Ritmo de trabalho ou pressão de tempo (prazos) excessivos
Recursos insuficientes para alcançar os objetivos nos prazos fixados
Trabalho em equipe ou colaboração insuficiente
Os trabalhadores não controlam suficientemente seu próprio trabalho
Duração da jornada e/ou organização de horários e turnos inadequados
Dificuldade para compatibilizar o trabalho com a vida social ou familiar
Possibilidade de participação ou consulta insuficiente ou inadequada.
Poucas possibilidades de capacitação ou de promoção.
Relações insatisfatórias com superiores ou encarregados.
Relações insatisfatórias entre os trabalhadores
Relações insatisfatórias com os clientes ou usuários.
Descrição de problemas:
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
_________________________
C2 – Desigualdade no Trabalho (marcar X nos problemas observados):
Política inadequada de igualdade de oportunidades no trabalho
Situações de discriminação do trabalho de mulheres.
Condições de trabalho diferentes segundo o sexo das pessoas.
Divisão do trabalho em tarefas de mulheres e tarefas de homens.
Situações de abuso sexual.
Situações de discriminação por motivos étnicos, culturais, lingüísticos, etc.
Condições de trabalho diferentes segundo o tipo de contrato ( efetivo/temporário)
Condições de trabalho diferentes segundo o vínculo trabalhista ( CLT, RJU)
Identificação de trabalhos de risco para os trabalhadores
Proteção insuficiente dos trabalhadores temporários ou efetivos
Formação e informação preventiva insuficiente dos trabalhadores temporários.
Em geral existe falta de solidariedade e apoio entre os companheiros
Em geral existe falta de respeito nas relações entre as pessoas.
Descrição de problemas:
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
___________________________________________________
89
MAURO, M.Y.C., adaptação do original – BOIX, Pere; VOGEL, Laurent. LA EVALUACIÓN DE RIESGOS EM LOS LUGARES
DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
SEÇÃO D – OBSERVAÇÃO DE PROBLEMAS NOS LOCAIS DE TRABALHO
D1 – LOCAIS DE TRABALHO E INSTALAÇÕES (marcar X nos problemas observados)
PROBLEMAS
Espaço insuficiente para trabalhar por excesso de pessoas e/ou equipamentos
Desordem e/ou falta de limpeza
Sistemas de armazenamento inadequados e/ou inseguros
Falta de segurança para realizar deslocamentos (pisos, escadas)
Possibilidade de quedas devido a proteção.....
Condições deficientes de segurança nas instalações elétricas
Condições de deficientes de segurança nas instalações de gases e pressão
Sistemas inadequados de prevenção de incêndios e/ou explosões
Sistemas inadequados de evacuação de ambientes em caso de emergência
Ventilação e climatização inadequadas dos ambientes
Iluminação inadequada ao tipo de trabalhado realizado
Temperatura ambiental inadequada ao tipo de trabalho que se realiza
Ruído ambiental inadequado para a atenção que é requerida pela tarefas realizadas
Vestuários e banheiros insuficientes ou inadequados
OUTROS:
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__________________________________________________________________________________________
___________________________________________________
D2 – MAQUINARIA ( EQUIPAMENTOS), TECNOLOGIA E
INSTRUMENTAIS) (marcar X nos problemas observados):
FERRAMENTAS
PROBLEMAS
Dispositivos de segurança insuficientes ou inadequados
Manutenção preventiva inadequada
Instruções de segurança insuficientes ou inadequadas
Utilização insegura de máquinas ou ferramentas
Perigo de acidentes por quedas ou cortes
Perigo de acidentes por queimaduras
Perigo de descarga elétrica em máquinas ou ferramentas
Proteção inadequada frente ao ruído
Exposição à vibrações por utilização de máquinas ou ferramentas
Proteção inadequada frente a radiações ionizantes
Exposição eletromagnética
Fadiga visual por fontes luminosas nos equipamentos de trabalho
Exposição a fontes de calor radiante
Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual
Descrição de problemas:
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DE TRABAJO – Guia para una intervención sindical. BTS – Oficina Técnico Europea para la Salud y Seguridad – ISTAS – Instituto
sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
D3 – SUBSTÂNCIAS E MATERIAIS UTILIZADOS (marcar X nos problemas observados)
PROBLEMAS
Utilização de substâncias químicas nocivas e/ou materiais perigosos
Embalagens com rótulos inadequados
Informação insuficiente sobre os riscos das substâncias e materiais
Falta de segurança no transporte e/ou armazenamento de substâncias e materiais
Má qualidade do ar ( presença de umidade, gases, vapores, poeiras e odores)
Risco químico por contato com olhos ou pele
Risco químico por inalação respiratória
Exposição à carcinogênicos ou mutagênicos
Exposição à alérgenos
Exposição à riscos biológicos
Instalações de proteção coletiva insuficientes ou inadequadas
Utilização inadequada de equipamentos de proteção individual
Contaminação externa (resíduos)
Risco de acidentes meio ambientais graves ( incêndios, explosões)
Descrição de problemas:
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
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D4 - FATORES ERGONÔMICOS (marcar X nos problemas observados)
Arquitetura inadequada dos postos de trabalho em geral
Espaço de trabalho reduzido para a tarefa que se realiza
Distribuição inadequada de pessoas e equipamentos
Desenho inadequado do mobiliário, equipamentos ou ferramentas
Cadeiras e assentos insuficientes ou inadequados
Manutenção excessiva de uma mesma postura de trabalho
Necessidade de adotar posturas forçadas ou desconfortáveis
As tarefas não permitem mudanças freqüentes de postura.
Excessiva repetição de movimentos
Manipulação de cargas desnecessárias
Manejo inadequado de cargas (peso, volume, altura, deslocamento)
Manejo prolongado de cargas sem pausas suficientes.
Armazenamento inadequado que impedem uma correta manipulação de cargas.
Formação ergonômica insuficiente ou inadequada.
Descrição de problemas:
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sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
SEÇÃO E – DADOS DA INSTITUIÇÃO
E1- Características gerais dos trabalhadores (quadro de pessoal).
1.1 Atividade Principal: .................................................
1.2 Número de trabalhadores (as): .................................
HOMENS
MULHERES
TOTAL
PESSOAL EFETIVO
PESSOAL CONTRATADO
TOTAL
1.3 Há na instituição funcionários temporários? …………………………………………
N de trabalhadores (as) temporários: …………………………………………………….
Homens: …………….................Mulheres: ………………………………………………
1.4 Nível de Absenteísmo no último ano: ………………………………………………….
1.5 Comitê de Segurança e saúde: Não
Sim
Composição:
…………………………………………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………………………
1.6 Serviço de Controle e Saúde no Trabalho:
…………………………………………………………………………………………………………………
……………………………………………………………………………
Próprio:
Composição: ...............................................................................................................................................
………………………………………………………………………………………………
Externo:
Composição: ................................................................................................................................................
………………………………………………………………………………………………
Não possui:
1.7 Política da Instituição em matéria de Saúde e Segurança do Trabalho:
…………………………………………………………………………………………………………………
……………………………………………………………………………
1.8 Possíveis condicionantes econômicos das intervenções preventivas:
…………………………………………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………
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sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
E2 – Situação Geral da Instituição:
Avaliação geral da situação sobre as seguintes questões:
0 : boa 1: regular 2 : ruim
0
1
2
• Situação econômica atual ..........................................................
• Evolução econômica da Instituição ..........................................
• Inovação tecnológica...................................................................
•
Nível tecnológico em relação ao setor econômico......................
•
Produtividade ............................................................................
•
Competitividade ........................................................................
•
Respeito ao meio ambiente ........................................................
•
Boa vontade para negociação ………………………………….
Apreciação da situação: ...............................................................................................................
.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................
........................................................................................................................................
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sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
E3 - Política de Prevenção do Hospital
Grau de satisfação a respeito dos seguintes aspectos:
0 : alto 1 : médio 2 : baixo
0
•
Planejamento geral da política de prevenção. ............................
• Definição de objetivos de prevenção específicos e execução de
planos concretos ..............................................................................
•
Acordos objetivos de prevenção ..............................................
• Adequação dos recursos técnicos necessários para os objetivos
de prevenção .................................................................................
•
Independência e rigor profissional dos serviços de prevenção
•
Integração dos objetivos de prevenção no sistema de gestão.....
• Política de informação dos trabalhadores sobre os riscos do seu
Trabalho............................................................................................
•
Política de formação dos trabalhadores sobre prevenção de riscos
•
Consulta e participação dos trabalhadores e seus representantes ..
•
Funcionamento do comitê de segurança e saúde ...........................
•
Prioridade de prevenção coletiva sobre a proteção individual ......
• Notificação, registro e investigação dos problemas de saúde e
segurança .............................................................................................
• Controle periódico das condições de saúde e segurança do posto
de trabalho ...........................................................................................
•
Vigilância da saúde dos trabalhadores .........................................
1
2
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sindical de Trabajo Ambiente y Salud, Espanha, 2000.
E4- Interesse dos Trabalhadores na Prevenção de Riscos
0: alto 1: médio 2: baixo
0
•
Nível de informação geral sobre temas de saúde e segurança .......
•
Grau de preocupação geral por questões de saúde e segurança .....
• Sensibilidade por algum tema específico relacionado com saúde
e segurança ...........................................................................................
•
Confiança e respeito sobre os responsáveis pela prevenção...........
• Satisfação a respeito da gestão sindical dos problemas de saúde
e segurança ........................................................................................
•
Grau de confiança com a inspeção do trabalho ..............................
•
Grau de confiança com os técnicos do serviço de prevenção........
•
Disponibilidade para empreender ações .......................................
•
Disponibilidade para empreender ações ou iniciativas coletivas ..
• Disponibilidade para participar da identificação e avaliação dos
riscos ...............................................................................................
1
2
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ANEXO A - Aprovação do Comitê de Ética do INCA
96
ANEXO B - Autorização dos autores para tradução e utilização do instrumento
97
ANEXO C - Aprovação do comitê de ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto
para realização do projeto "Inovação de Gestão das condições de trabalho em
saúde para hospitais do Sistema Único de Saúde - SUS/BRASIL"
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Projeto da Dissertao - Ministério da Saúde