Universidade Federal do Rio de Janeiro O CUSTO DA INEFICIÊNCIA: UMA ABORDAGEM PARA AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO DESVIO DE PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA NOS CUSTOS DE UM PROJETO João Vítor Emanuel Maia Machado 2014 O CUSTO DA INEFICIÊNCIA: UMA ABORDAGEM PARA AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO DESVIO DE PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA NOS CUSTOS DE UM PROJETO João Vítor Emanuel Maia Machado Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientador: Luís Otávio Cocito de Araújo Rio de Janeiro Maio de 2014 i O CUSTO DA INEFICIÊNCIA: UMA ABORDAGEM PARA AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO DESVIO DE PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA NOS CUSTOS DE UM PROJETO João Vítor Emanuel Maia Machado PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL. Examinado por: ________________________________________________ Prof. Luís Otávio Cocito de Araújo, D.Sc. Prof. Adjunto, EP/UFRJ ________________________________________________ Prof. Eduardo Linhares Qualharini, D.Sc. Prof. Associado, EP/UFRJ ________________________________________________ Prof. Assed Naked Haddad, D.Sc. Prof. Associado, EP/UFRJ RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL MAIO de 2014 ii Machado, João Vítor Emanuel Maia O Custo da Ineficiência: Uma abordagem para avaliação do impacto do desvio de produtividade de mão de obra nos custos de um projeto / João Vítor Emanuel Maia Machado. – Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2014. xvi, 159 p.: il.; 29,7 cm. Orientador: Luís Otávio Cocito Araújo Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Engenharia Civil, 2014. Referencias Bibliográficas: p. 155-159. 1. Produtividade de mão de obra. 2. Gestão de custos. 3. Ineficiência I. Araújo, Luís Otávio Cocito. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil. III. O Custo da Ineficiência: Uma abordagem para avaliação do impacto do desvio de produtividade de mão de obra nos custos de um projeto. iii Dedico esse trabalho a minha mãe, Silvia Maia. iv AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus. Agradeço a minha mãe que desempenhou papel fundamental em minha formação como indivíduo. O homem em quem eu me transformei é fruto tanto da sua garra para me criar quanto dos seus ensinamentos. Você é o meu orgulho. Agradeço a minha namorada, Renata Pinheiro, por me apoiar incondicionalmente em todos os momentos, fazendo com que eu me sinta amado e completo de todas as formas. Muito obrigado por ser quem você é e por ajudar a construir quem eu sou. Agradeço aos meus amigos pessoais que me acompanham em minha trajetória, me aconselham e estão sempre ao meu lado. Agradeço ao Estado brasileiro por ter investido em mim oferecendo-me uma educação pública de qualidade. Agradeço a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro por toda a sua excelência no ensino. Irei sempre me orgulhar de ter tido o privilégio de ocupar suas cadeiras em minha formação no curso de Engenharia Civil. A Andrade Gutierrez S.A, por todo o investimento, apoio e conhecimento transmitido. Meu obrigado se direciona principalmente a todos os profissionais que de certa forma contribuíram para a minha formação enquanto engenheiro e enquanto profissional. Agradeço especialmente ao meu gestor, líder e chefe, engenheiro Marcelo Eduardo Módolo, por me inspirar a me desenvolver no tema de controle e gestão de custos, fundamental para o meu crescimento profissional. Sem suas orientações, dificilmente esse trabalho teria sido conduzido dessa maneira. Obrigado por todo o carinho. v Agradeço, por fim, ao meu orientador, professor Luís Otávio Cocito de Araújo, pela confiança depositada nesse trabalho, pelas orientações fundamentais para o desenvolvimento dessa monografia, e pelos conhecimentos transmitidos. Esse trabalho é fruto da sua dedicação como professor e pesquisador. vi Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil. O Custo da Ineficiência: Uma abordagem para avaliação do impacto do desvio de produtividade de mão de obra nos custos de um projeto João Vítor Emanuel Maia Machado Maio/2014 Orientador: Luís Otávio Cocito de Araújo Curso: Engenharia Civil O setor da construção civil possui particularidades que o diferencia das demais indústrias produtivas. Tradicionalmente, esse setor é conhecido por suas ineficiências e improdutividades, atrasando seus cronogramas e estourando seus orçamentos quase que como regra geral. Nesse sentido, diversos trabalhos foram produzidos nas últimas décadas no intuito de criar metodologias de apuração dos conhecidos indicadores de produtividade. Muito se avançou nos conhecimentos dos processos e características que fazem a produtividade desviar, melhorando ou piorando, no entanto, pouco se sabe sobre os reais impactos que esses desvios causam nos custos de um determinado projeto. A presente monografia tem como objetivo abordar uma metodologia para avaliar como esses impactos afetam os grupos de custos diretos, custos indiretos, e atrasos em eventuais gerações de riquezas. vii Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Civil Engineer. The Cost of Inefficiency: An approach to evaluate the impact of a diversion in labor productivity on projects costs João Vítor Emanuel Maia Machado May/2014 Advisor: Luís Otávio Cocito de Araújo Course: Civil Engineering The construction industry has characteristics that differs from other productive industries. Traditionally this sector is known by its inefficiencies and unproductivity, delaying their schedules and bursting their budgets almost as a rule. In this sense, several works have been produced in recent decades in order to create methodologies for measuring productivity. Much progress has been made in the knowledge of the processes and characteristics that make productivity divert, bettering or worsening, however, little is known about the real impact that these diversion cause in the costs of a particular project. This monograph aims to address a methodology to evaluate how these impacts affect the groups of direct costs, indirect costs, and delays in the eventual generation of wealth. viii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1 1.1 CONTEXTO DO TRABALHO 1 1.2 JUSTIFICATIVA 3 1.3 OBJETIVOS 6 1.3.1 1.3.2 6 6 OBJETIVO PRINCIPAL OBJETIVOS SECUNDÁRIOS DELIMITAÇÃO DO TEMA 7 1.5 METODOLOGIA DA PESQUISA 7 1.4 1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO 10 2 A PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL 11 2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E CONSIDERAÇÕES INICIAIS 11 2.2 CONCEITUAÇÃO E DEFINIÇÃO DA PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA 13 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.2.5 13 15 15 17 19 2.3 2.3.1 2.3.2 2.4 2.4.1 2.4.2 CONCEITUAÇÃO DE UM SISTEMA PRODUTIVO DEFINIÇÃO DE PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA MODELO DOS FATORES FORMULAÇÃO DO INDICADOR DE PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA TERMINOLOGIA DOS INDICADORES INFLUÊNCIAS DA PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA INFLUÊNCIA NOS PRAZOS INFLUÊNCIA NOS CUSTOS FATORES QUE AFETAM A PRODUTIVIDADE 21 21 24 26 FATORES QUE AFETAM NEGATIVAMENTE FATORES QUE AFETAM POSITIVAMENTE 26 40 3 PLANEJAMENTO E CONTROLE DE CUSTOS 47 3.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 47 3.2 PLANEJAMENTO ECONÔMICO 47 3.2.1 3.2.2 48 52 ORÇAMENTO PLANEJAMENTO FÍSICO/EXECUTIVO ix 3.2.3 3.2.4 3.2.5 3.3 3.3.1 3.3.2 3.3.3 3.3.4 FLUXO DE CAIXA HISTOGRAMAS DE RECURSOS ANÁLISE DE RISCOS DO PROJETO CONTROLE DE CUSTOS 58 64 66 67 DIAGRAMA DE PARETO DE CUSTOS – ITENS DE CONTROLE PLANO DE CONTAS DA OBRA SISTEMA DE APROPRIAÇÃO DA PRODUÇÃO – CUSTEIO DAS INFORMAÇÕES ANÁLISE DE CUSTOS E A PRODUTIVIDADE DE MÃO DE OBRA 68 70 73 74 4 O CUSTO DA INEFICIÊNCIA 78 4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 78 4.2 DEFINIÇÃO DE CONCEITOS – CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS 79 4.3 AVALIAÇÃO DO IMPACTO NOS CUSTOS DIRETOS 80 4.3.1 4.3.2 4.3.3 4.3.4 80 81 86 87 4.4 4.4.1 4.4.2 4.4.3 4.4.4 4.4.5 4.5 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA FORMULAÇÃO MATEMÁTICA ANÁLISE E VALIDAÇÃO PROJEÇÃO DO DESVIO AVALIAÇÃO DO IMPACTO NOS CUSTOS INDIRETOS 89 A COMPLEXIDADE DO PROBLEMA COMO É FEITO NOS DIAS DE HOJE METODOLOGIA E DADOS UTILIZADOS APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS CORRELAÇÕES AVALIAÇÃO DO IMPACTO NA GERAÇÃO DE RIQUEZAS 89 90 92 96 107 108 5 APLICAÇÃO 112 5.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 112 5.2 PREMISSAS E CARACTERÍSTICAS DO PROJETO 113 5.3 ORÇAMENTO 115 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.3.4 5.4 5.4.1 5.4.2 5.5 5.5.1 5.5.2 5.5.3 ESTRUTURA ANALÍTICA DE PROJETO COMPOSIÇÕES DE CUSTO UNITÁRIO CUSTO DIRETO CUSTO INDIRETO PLANEJAMENTO FÍSICO 115 115 118 120 120 SEQUENCIAMENTO DAS TAREFAS DEFINIÇÃO DOS RECURSOS E DURAÇÃO DAS TAREFAS CÁLCULO DO IMPACTO 120 125 127 IMPACTO NO CUSTO DIRETO IMPACTO NO CUSTO INDIRETO IMPACTO NA GERAÇÃO DE RIQUEZA 127 129 132 x 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 139 6.1 AÇÕES A SEREM TOMADAS 139 6.2 DISCUSSÕES SOBRE OS RESULTADOS E PROPOSIÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 151 ANEXO 1 153 ANEXO 2 154 REFERÊNCIAS 155 xi Lista de Figuras Figura 1.1 - Áreas afetas por um desvio de produtividade .................................................. 8 Figura 1.2 - Impacto nos custos totais do projeto ................................................................ 9 Figura 2.1 – Representação de um Sistema Produtivo típico ............................................ 13 Figura 2.2 - Processo Produtivo na Ótica da Construção Civil ......................................... 14 Figura 2.3 - Representação gráfica do Modelo dos Fatores. Fonte: (SOUZA, 1996) ....... 16 Figura 2.4 - Relação da produtividade com o índice da RUP ............................................ 18 Figura 2.5 - Diferentes tipos de RUP's............................................................................... 21 Figura 2.6 - Utilização de horas extras. Produção Diária x RUP Diária ........................... 28 Figura 2.7- Variação da produtividade de mão de obra em função das horas trabalhadas por dia e do número de dias trabalhados por semana (elaborado a partir de SCHWARTZKOPF, 2004)....................................................................................................... 29 Figura 2.8 – Relação entre o percentual de aumento da força de trabalho e a perda de eficiência da mão de obra. Fonte: Modification Impact Evaluation Guide, U.S Army Corps of Engineers (1979) ...................................................................................................................... 31 Figura 2.9 – O Efeito da temperatura na eficiência da mão de obra. Fonte: U.S Army Cold Regions Reserch and Engineering Laboratory (1986) ............................................................. 33 Figura 2.10 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 117) .................................................... 34 Figura 2.11 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 174) .................................................... 35 Figura 2.12 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 178) .................................................... 35 Figura 2.13 - Diagrama de Pareto da incidência das respostas .......................................... 37 Figura 2.14- Evolução da proficiência de terminada tarefa com o tempo ......................... 41 xii Figura 2.15 -Tipos de Curva de Aprendizagem - Escala logarítmica. Fonte: (THOMAS et al., 1986) ................................................................................................................................... 42 Figura 2.16 - Caracterização da Melhoria de Processos através da eliminação de tarefas desnecessárias ........................................................................................................................... 43 Figura 2.17 - Exemplo de estruturas de concreto pré-moldadas. Fonte: Tranenge Construção ................................................................................................................................ 46 Figura 2.18 - Exemplos de aduelas de drenagem profunda pré-moldadas. Fonte: COPEL pré-moldados em concreto........................................................................................................ 46 Figura 3.1 - Exemplo de Curva S....................................................................................... 57 Figura 3.2 - Confronto em 3 Curvas S com diferentes produtividades ............................. 58 Figura 3.3 - Exemplo da correlação entre avanço físico do projeto e seu desencaixe no tempo ........................................................................................................................................ 60 Figura 3.4 - Gráficos dos fluxos de caixas da Tabela 3-4 .................................................. 63 Figura 3.5 - Diagrama de Pareto para a CCU da Tabela 3-1 ............................................. 69 Figura 4.1- Avanço físico mensal - OBRA 1 ..................................................................... 96 Figura 4.2 - Avanço Físico Acumulado – OBRA 1 ........................................................... 96 Figura 4.3 - Comparativo entre Indireta prevista e Indireta Real - OBRA 1 ..................... 97 Figura 4.4 - Avanço físico mensal - OBRA 2 .................................................................... 99 Figura 4.5 - Avanço físico acumulado - OBRA 2 ............................................................. 99 Figura 4.6 - Comparativo entre Indireta prevista e Indireta Real - OBRA 2 ................... 100 Figura 4.7- Avanço físico mensal - OBRA 3 ................................................................... 102 Figura 4.8 - Avanço físico acumulado - OBRA 3 ........................................................... 102 Figura 4.9 - Comparativo entre Indireta Prevista e Indireta Real – OBRA 3 .................. 103 Figura 4.10 - Avanço físico mensal - OBRA 4 ................................................................ 105 Figura 4.11- Avanço físico acumulado - OBRA 4 .......................................................... 105 xiii Figura 4.12 - Comparativo entre Indireta Real e Indireta Prevista - OBRA 4................. 106 Figura 4.13 - Correção entre os indicadores .................................................................... 107 Figura 5.1- Planta de Situação do Viaduto ...................................................................... 113 Figura 5.3 - Sequenciamento da sapata tipo .................................................................... 121 Figura 5.2 - Sequenciamento macro do projeto ............................................................... 121 Figura 5.4 - Sequenciamento do pilar tipo ....................................................................... 122 Figura 5.5 - Sequenciamento da travessa tipo ................................................................. 123 Figura 5.6 - Sequenciamento da superestrutura ............................................................... 124 Figura 5.7 - Sequenciamento da Pavimentação ............................................................... 124 Figura 5.8 - Despesas com Mão de Obra ......................................................................... 131 Figura 6.1 - Despesas com mão de obra - Acréscimo de Recursos ................................. 145 Figura 6.2 - Despesas com mão de obra - Utilização de Horas Extras ............................ 146 Figura 6.3 - Análise de sensibilidade - Prejuízo em função da multa diária ................... 150 xiv Lista de Tabelas Tabela 2-1 - Variação percentual da produtividade de mão de obra em função das horas e dias trabalhados por semana (SCHWARTZKOPF, 2004). ...................................................... 29 Tabela 2-2 - Razões que afetaram a queda de desempenho da mão de obra. (Adaptado de SCHWARTZKOPF, 2004)....................................................................................................... 36 Tabela 2-3 – Perdas semanais de homens-hora por operários (Adaptado de SCHWARTZKOPF, 2004)....................................................................................................... 38 Tabela 3-1 - Exemplo de uma CCU típica para execução de fôrmas de madeira para pilares ....................................................................................................................................... 50 Tabela 3-2 - Exemplo de uma EAP ................................................................................... 53 Tabela 3-3 - Planejamento de avanço físico previsto ........................................................ 60 Tabela 3-4 - Fluxos de caixas simétricos ........................................................................... 63 Tabela 3-5 - Valor presente do fluxo de caixa da Tabela 3-4 ............................................ 64 Tabela 3-6 - Histograma de Recursos ................................................................................ 65 Tabela 3-7 - Histograma de Mão de Obra ......................................................................... 66 Tabela 3-8 - Exemplificação do processo para elaboração do Diagrama de Pareto .......... 69 Tabela 3-9 - Exemplo de um plano de contas de acordo com a EAP da Tabela 3-2 ......... 72 Tabela 3-10 - Exemplo do Custo Unitário de um serviço ................................................. 76 Tabela 3-11 - Execução do serviço de fôrmas no mês seguinte ao da Tabela 3-10 .......... 77 Tabela 4-1- CCU Prevista .................................................................................................. 81 Tabela 4-2 - CCU impondo-se um acréscimo de 20% no consumo unitário de carpinteiros ............................................................................................................................... 81 Tabela 4-3 - CCU impondo-se um acréscimo de 50% no consumo unitário de ajudantes 82 Tabela 4-4 - Indicadores OBRA 1 ..................................................................................... 97 Tabela 4-5 - Indicadores OBRA 2 ................................................................................... 100 xv Tabela 4-6- Indicadores OBRA 3 .................................................................................... 103 Tabela 4-7 - Indicadores da OBRA 4 .............................................................................. 106 Tabela 5-1- Estrutura Analítica de Projeto ...................................................................... 116 Tabela 5-2 - CCU de Concreto estrutural ........................................................................ 117 Tabela 5-3 - CCU de Armação em barras de Aço ........................................................... 117 Tabela 5-4 - CCU de Execução de fôrmas de madeira .................................................... 117 Tabela 5-5 - CCU de Montagem e Desmontagem de andaime ....................................... 118 Tabela 5-6 - CCU de Reaterro de vala ............................................................................. 118 Tabela 5-7 - CCU de Montagem e Desmontagem de cimbramento ................................ 118 Tabela 5-8 - Planilha de Custo Direto.............................................................................. 119 Tabela 5-9 - Duração das tarefas da sapata tipo. ............................................................. 126 Tabela 5-10 - Duração das tarefas do pilar tipo. .............................................................. 126 Tabela 5-11 - Duração das tarefas da travessa tipo.......................................................... 126 Tabela 5-12 - Desvio no Custo Direto - DCD ................................................................. 128 Tabela 5-13 - Novas Durações das Atividades ................................................................ 134 Tabela 5-14 - Continuação da Tabela 5-13 ...................................................................... 135 Tabela 5-15 - Quadro Resumo ......................................................................................... 138 Tabela 6-1 - Impacto no Custo Direto ............................................................................. 147 Tabela 6-2 - Resumo dos cenários ................................................................................... 147 Tabela 6-3 - Cenário 2- Multa diária de R$ 10 mil.......................................................... 148 xvi 1 Introdução 1.1 Contexto do Trabalho O segmento da construção civil é tradicionalmente conhecido como um sistema ineficiente e com muitos desperdícios. Não é raro observar determinada obra ou empreendimento que tenha sua entrega adiada por extensão de prazo contratual e seu custo inicial previsto superado. Ora deve-se a falta de planejamento. Ora, mesmo com um bom planejamento, estoura-se o orçamento e cronograma previsto devendo-se a uma má gestão. Claro que não se deve desconsiderar o fato que este segmento depara-se com diversas imprevisibilidades devido às complexidades e incertezas que ora cercam as tomadas de decisões. Muito diferente da indústria seriada. Segundo Santos (2013), a indústria da construção civil ainda caracteriza-se por processos muito convencionais, nos quais a grande maioria das atividades se desenvolvem nos próprios canteiros de obras, sendo poucas as empresas que se utilizam de processos de manufatura. Ainda para este autor, além de o processo construtivo ser muito artesanal e calcado na força do homem, é pouco mecanizado, não existindo padrões de processos a serem seguidos e, assim, em função desta variedade de métodos e procedimentos utilizados, há grande heterogeneidade entre a produtividade das equipes das diversas obras de uma mesma organização. Nesse contexto, muitas obras, sejam de natureza pública ou privada, deparam-se com os conhecidos termos aditivos originados pelos claims (pleitos ou reivindicações) por parte das 1 construtoras contratadas. Pouco se sabe, no entanto, metodologias acuradas para determinar os efetivos acréscimos de custos ocorridos. Weaver (2005), com tom de ironia, salienta: Infelizmente, muitos dos pleitos por extensão de prazo parecem resultar num valor calculado a partir do resultado do quadrado da idade da sua avó e multiplicado pelo último placar Australiano de cricket. (WEAVER, 2005, p.1) Apesar das características ainda artesanais, o presente trabalho se insere num cenário de inovação e expansão tecnológica em busca de ganhos de produtividade. Por um lado, a industrialização dos processos construtivos bate a porta das grandes construtoras como alternativa para mitigar os tão famosos desperdícios de recursos nesse setor. Por outro, o conceito de Construção Lean (Lean Construction), com sua característica Just in Time e melhoria de processos, começa a ser discutido dentro das reuniões nos canteiros de obras. Observando essa tendência, conclui-se que em virtude da busca de industrialização e da inovação, tanto tecnológica quanto de processos, o setor da construção civil, cada vez mais, se preocupará em apurar seus índices de produtividade e como a variação nesses índices afetam os custos e prazos de um empreendimento. Na literatura, encontram-se alguns trabalhos, sempre com um enfoque jurídico, relacionando o impacto nos custos devido atrasos e a acelerações (acceleration) em cronogramas. Embora muito filosoficamente, esses artigos dão algumas diretrizes sobre as áreas que são mobilizadas devido a essas variações. Falta, no entanto, um rigor na determinação desse impacto e ferramentas gerenciais que permitam avaliar de maneira simples e efetiva como um certo desvio de produtividade altera os custos de determinado projeto. 2 1.2 Justificativa Até hoje, muitos trabalhos já abordaram de alguma forma os conceitos de produtividade de mão de obra, como apropriá-la ou como aferi-la. Afinal, o cenário econômico atual se configura por um modelo de concorrência agressiva, em que a redução de custos e prazos, sem comprometer a qualidade, está sempre na cabeça dos gestores das grandes empresas, seja qual for seu segmento de atuação. Dado, portanto, o acirramento da concorrência, sem eficiência no processo produtivo dificilmente uma empresa será bem sucedida, estando fadada ao insucesso. A gestão de produtividade está se tornando um dos quesitos essenciais na formulação das estratégias de competitividade das empresas (MACEDO, 2012). De acordo com Araújo (2000) a eficiência nos processos produtivos, surge como o objetivo a ser alcançados pelas construtoras, a fim de garantir sua lucratividade e, por conseguinte, assegurar sua permanência no mercado. Diversos trabalhos em âmbito nacional têm sidos elaborados no sentido de gerar indicadores físicos de consumo de mão de obra (CARRARO 1998; ARAÚJO, 2000; DANTAS, 2006; REIS, 2007; SILVA, 2008; PALIARI, 2008; SALIM NETO, 2009; ARAÚJO, FILHO, TELLES, 2012). Tais indicadores operacionalizam a gestão de obras, servindo de referência para planejamento de prazo e custos. Afinal, conhecer os custos de produção é uma questão de sobrevivência para as empresas de construção civil (MARCHIORI, 2009). Esses trabalhos, inclusive, vão além da mera determinação fria de indicadores de produtividade atingidos em obras reais. Os autores conseguiram determinar sob quais parâmetros ocorrem variações nesses índices, criando o conceito de produtividade variável. 3 Tal conceito inova ao demonstrar que os índices podem variar grosseiramente dependendo de qual situação ou qual procedimento executivo seja adotado no processo produtivo. Muito pouco, no entanto, têm sido abordado quais são os reais impactos em um projeto dado um desvio de produtividade. É sabido que ser ineficiente tem um preço, mas o quanto isso efetivamente custa não é uma estimativa trivial. Marchiori (2009) afirma ser crucial para as empresas de construção civil ter um prognóstico do custo total de um empreendimento. O presente trabalho propõe que além de tal necessidade, tão fundamental quanto, é a necessidade de se avaliar qual o impacto de nossa gestão e decisões no desempenho econômico do projeto. Devido à falta de controle, muitas empresas, na tentativa de optar por uma política de busca de melhorias, deparam-se com a falta de conhecimento da real eficiência dos seus processos construtivos (ANDRADE, 1998). Araújo (2000) destaca que a conscientização quanto ao real desempenho das empresas é de suma importância para que uma análise e uma posterior intervenção possam corrigir as falhas ora detectadas. Este autor relaciona as falhas, em parte, ao desperdício de mão de obra e de materiais nas várias etapas do processo produtivo. Ainda segundo Araújo (2000), a questão da produtividade de mão de obra na construção civil tem de ser entendida como primordial para o sucesso, já que ela representa um item extremamente importante na Composição de Custo Unitário (CCU) dos serviços da obra. Souza (1996) destaca que este recurso pode ser considerado como o de mais difícil gestão nas obras e que o entendimento das razões que o fazem melhorar ou piorar constitui de ferramenta gerencial essencial para o suporte de decisões dos engenheiros de construção civil. Além disso, ainda olhando para os recursos da construção civil, a mão de obra tem uma funcionalidade um pouco mais peculiar que a dos materiais. Esse insumo atua, 4 simultaneamente, em dois grupos gerencias: quer seja como Homem-hora consumido no processo de agregar valor aos produtos, afetando o grupo de custos, quer seja como força de trabalho capaz de dar avanço físico nos projetos e, portanto, influenciando o grupo de planejamentos. Dado, então, um desvio no consumo previsto desse recurso, uma piora de produtividade, essa variação será sentida tanto nos custos do empreendimento como no prazo de seu cronograma. Como será demonstrado adiante, um desvio de 20% na produtividade de determinada mão de obra em determino serviço, não necessariamente significará um acréscimo de 20% nos seus custos, embora, no entanto, signifique necessariamente um acréscimo de 20% em seu prazo. Fayet (2006) cita Sink et al. (1989) levantando que a mais importante e talvez única razão para se medir o desempenho de um sistema é apoiar sua melhoria. Para estes autores, por meio do processo de medição é possível identificar as capacidades dos sistemas e os níveis de desempenho factíveis de serem atingidos. Ressaltam, portanto, que o ponto alto do processo de medição de desempenho é obter informações sobre onde se deve concentrar as ações, redirecionando recursos para alcançar as melhorias desejadas. Neste trabalho tenta-se expandir a noção de medição de desempenho no que tange os indicadores de produtividade. Propõem-se demonstrar que gerar apenas indicadores de Razão Unitária de Produção (RUP) 1, pode levar a conclusão equivocadas no que tange o desempenho econômico de um projeto. A RUP por si só alimenta de forma completa os gestores de obra, que estão familiarizados com os custos envolvidos no empreendimento. Para os ocupantes de cargos estratégicos, no entanto, que permanecem mais afastados da rotina da 1 Razão Unitária de Produção é o termo comumente utilizado na literatura de gestão da produção na construção civil para refletir a relação entre entradas e saídas de determinado serviço, sendo expressa em homens-hora consumidos por unidade de serviço produzido. 5 obra, esses números podem não refletir o impacto gerado. Este trabalho tem a pretensão de demonstrar que dependendo do contexto com que determinado serviço venha a ter um desvio de produtividade de mão de obra, o impacto possa oscilar de maneira significativa. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo Principal O objetivo desta monografia é modelar matematicamente como um desvio de produtividade de mão de obra irá impactar nos custos de um projeto. Pretende-se, portanto, em diversas situações, mapear de que forma uma ingerência a cerca deste recurso consegue influenciar os resultados econômicos de um empreendimento, estimando, dessa forma, os prejuízos decorrentes dessa falta de gestão. 1.3.2 Objetivos Secundários Destacam-se os seguintes objetivos secundários: a) Estudar o impacto da produtividade nos custos diretos; b) Relacionar o desvio da RUP com atrasos no cronograma; c) Modelar de que forma um atraso no cronograma afeta os custos indiretos do projeto d) Avaliar a diferença entre ser ineficiente em um serviço que pertence ao caminho crítico de um projeto e um que não; e) Aplicar o método proposto em um estudo de caso 6 1.4 Delimitação do Tema Na presente monografia ter-se-á enfoques em empreendimento que possuam geração de riquezas ao final da execução das obras. Isto é: a) Hidrelétricas, termelétricas e usinas geradoras de energia b) Centros comerciais c) Refinarias d) Plataformas de extração de petróleo e) Indústrias f) Etc. Faz-se essa distinção, pois esta pesquisa não pretende abordar os custos por multas judiciais ocorridos em atrasos de entregas de chaves em empreendimentos imobiliários. Acrescenta-se, no entanto, que o processo de avaliação de impacto será semelhante, variandose apenas os dados de entrada. 1.5 Metodologia da Pesquisa Seguindo essa linha, este trabalho avaliará os impactos dos desvios de produtividade, com um enfoque em gestão de custos, nas seguintes áreas: a) Custos diretos do projeto b) Custos indiretos c) Eventuais atrasos na geração de riquezas do empreendimento Sobre essa ótica, observar-se-á que a ordem em termos de impacto nos custos dos três grupos acima citados pode variar, concluindo que a tomada de decisões no redirecionamento 7 de recursos sofrerá grande influência influência dependendo do cenário inserido. Isto é, caso em um determinado cenário, o principal impacto demonstrado seja o de atrasos na geração de riquezas, concluir-se-áá que o acréscimo de custos diretos com o objetivo de aumentar a sua equipe de produção, objetivando etivando um aumento da capacidade produtiva, possa ser a melhor decisão. Aproveita-se se para destacar que esse cenário configurar-se-ia configurar ia por um contexto em que a produtividade meta, definida em custo e em planejamento, não possa ser atingida. Dessa forma, aumentar-se-ia ia a capacidade produtiva pelo aumento do número de recursos, e não por melhoria de produtividade. Ou seja, pretendendo-se pretendendo se gerar mais produto, empregando-se empregando mais recursos. As Figuras 1.1 e 1.2 relacionam, relacionam através desta metodologia, de que forma um desvio de produtividade impacta nas diversas áreas de um projeto. Desvio de Produtividade Aumento dos custos diretos do serviço Atrasos no Cronograma Não comprimento do contrato Aumento dos custos Indiretos do projeto Atraso na geração de riqueza do empreendimento Multas judiciais Figura 1.1 - Áreas afetas por um desvio de produtividade 8 Aumento dos custos indiretos Atraso na geração de riqueza do empreendimento Aumento dos custos diretos Impacto nos custos totais do projeto Figura 1.2 - Impacto nos custos totais do projeto Observando as imagens, conclui-se conclui que dado um desvio de produtividade de mão de obra, duas consequências imediatas podem ser sentidas. Em m primeiro lugar, ao se consumir mais Homen-hora para realizar a mesma quantidade de trabalho, configurando-se configurando a perda de eficiência no processo produtivo, tem-se tem se um imediato aumento nos custos diretos do projeto. Por outro lado, essa perda de eficiência refletirá em mais tempo para executar a mesma unidade dade de serviço, caracterizando, portanto, atrasos na conclusão do trabalho. Esse atraso, por sua vez, pertencendo o serviço no caminho crítico do cronograma, poderá refletir num aumento de prazo para conclusão da obra que, dessa forma, aumentariam os custos cust indiretos de apoio à produção e postergariam eventuais atrasos na geração de riqueza desse empreendimento. Observa--se se também, que o não comprimento no contrato poderá acarretar em custos advindos de multas judiciais, o que foge ao escopo de estudo deste trabalho. 9 1.6 Estrutura do Trabalho A monografia será apresentada conforme os capítulos a seguir. No capítulo 2, faz-se uma revisita a bibliografia, levantando os conceitos inerentes ao estudo de produtividade de mão de obra na construção civil. Estes conceitos servirão de base para o desenvolvimento da metodologia apresentada nesta monografia. No capítulo 3, ainda dentro de uma revisão, aborda-se os principais pontos referentes ao planejamento e gestão de custos de projetos. Aproveita-se para fazer uma breve abordagem dos conceitos de matemática financeira e de fluxo de caixa, relacionado o impacto dos juros ao longo do tempo. No capítulo 4 apresenta-se o desenvolvimento do método proposto por este estudo. Esse desenvolvimento utilizará dos conceitos definidos nos dois capítulos anteriores. Uma aplicação formal da metodologia abordada no capitulo 4 se dará no capítulo 5. Por fim, o capítulo 6 traz as considerações finais e conclusões desse trabalho, finalizando com proposições para futuras pesquisas. 10 2 A Produtividade de Mão de Obra na Construção Civil 2.1 Contextualização e Considerações iniciais A produtividade de mão de obra, as razões que a fazem ser diferentes de seus valores estimados e os impactos ocorridos decorrente desse desvio, são áreas de interesse tanto para construtoras, como para os contratantes na construção civil. Dado que a perda de produtividade de mão de obra seja, provavelmente, a maior causa de claims e de acréscimo de custos na construção civil (SCHWATZKOPF, 2004), o presente trabalho pretende desenvolver ferramentas para quantificar de maneira simples e eficaz como um desvio de produtividade afeta os custos de um projeto. Para tanto, torna-se necessário conceituar a questão da produtividade de mão de obra na construção civil. Araújo (2000) levanta que embora a construção civil, ainda no início do século XX, tenha protagonizado o pioneirismo ao fazer considerações com a questão da produtividade de mão de obra, este setor deixou de ser o palco principal para tais preocupações, assistindo a Indústria Seriada avançar a passos largos nesse quesito. Recentemente, após longo período de dormência, obervando o sucesso ora conquistado pela Indústria Seriada, o setor da construção civil voltara a demonstrar interesse para essa disciplina. Assim, nas últimas duas décadas, um grupo de pesquisadores do Departamento de Engenharia de Construção Civil, da Universidade de São Paulo, sob coordenação do Prof. Doutor Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, dedicou sua atenção na conceituação e elaboração 11 de métodos que permitissem a mensuração e posterior análise da produtividade de mão de obra nos principais serviços da construção civil. Esses trabalhos contribuíram de maneira ímpar no progresso da gestão da produção de obras no Brasil, operacionalizando a questão de orçamentação de projetos e servindo de referência para as medições de desempenho nesse setor. Um dos manuais mais respeitados de orçamentos para construção civil, a TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos), em sua 13ª edição, demonstra essa contribuição: Os dados relativos à mão de obra passaram a ser acumulados a partir dos trabalhos realizados pelo Prof. Dr. Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, durante sua permanência (de 1993 a 1995) na Pennsylvania State University, como pesquisador visitante, trabalhando em parceria com o Prof. Dr. H. Randolph Thomas, daquela Instituição. (...) Os dados de produtividade da mão de obra foram também enriquecidos com vários trabalhos de pesquisadores participantes dos programas de pós-graduação do PCC-USP. (TCPO, 2010, p.45) O Brasil enfrentou duros períodos de baixos investimentos em infraestrutura e habitação ao longo das últimas décadas. Passado esse momento, encabeçando os grandes desafios que surgiram, a busca pela produtividade nas tarefas executadas virou conceito quase que clichê dentro das obras. Nesse sentido, as organizações vem tentando racionalizar seus processos produtivos, aumento seu grau de industrialização, visando diminuir custos diretos e indiretos (SANTOS, 2013), já que, em linhas gerais, sabe-se que o lucro de qualquer operação é calculado através da subtração dos custos das receitas obtidas. No desejo de aumentar seus lucros, entretanto, é muito complicado atuar-se do lado das receitas, visto que os preços de vendas de produtos e serviços, geralmente, são ditados pelos mercados através das leis de 12 oferta e demanda. Assim, a única alternativa que resta é a de atuar no lado dos custos, daí a necessidade de se tornar cada vez mais eficiente, ou seja, cada vez mais produtivo. 2.2 Conceituação e Definição da Produtividade de Mão de Obra 2.2.1 Conceituação de um Sistema Produtivo A produção de bens e serviços é dada por um processo de transformação em que um conjunto de recursos iniciais interagem de modo a gerar um produto final. Como pode ser visto na Figura 2.1, oss recursos iniciais podem ser entendidos como as entradas, entradas e o produto final como as saídas de um sistema produtivo. ENTRADAS PROCESSO SAÍDAS PRODUTIVO •Conjunto de Recursos Iniciais •Produto final Figura 2.1 – Representação de um Sistema Produtivo típico Dependendo doo mercado que esteja inserido esse sistema produtivo, as entradas e saídas, bem como o próprio processo produtivo, produtiv podem variar. Por exemplo, no mercado financeiro, as entradas podem ser entendidas como o capital ou recurso financeiro investido, investido o processo produtivo como o conjunto de técnicas de especulação e capitalização desse investimento, e as saídas como o ganho de capital propriamente dito. No âmbito da construção civil, 13 detalhado na Figura 2.2, entende-se entende as entradas como os insumos básicos de determinado deter serviço, e a conclusão deste último, último como a saída. Mão de obra Materiais Processo Equipamentos Produtivo Serviço Executado Figura 2.2 - Processo Produtivo na Ótica da Construção Civil Os insumos básicos desta indústria agrupam-se em mão de obra, materiais e equipamentos, cada ada qual com sua particularidade no que se refere a sua gestão. Os materiais, materiais por um lado, estão ligados ao conceito de desperdício, em que se deve assegurar a melhor forma de estocagem e aplicação buscando busc mitigar as perdas, já que,, caso contrário, significará acréscimo de custos tanto para adquirir mais material como para dar a adequada destinação do resíduo gerado.. Por exemplo, na otimização de corte e dobra de armadura com o objetivo de melhor utilizar as barras de aço virgem, ou no cuidado com o manuseio das d formas de madeira, possibilitando maior ciclo de reutilizações. Por outro lado, quanto aos equipamentos, foca-se se no conceito de percentual de tempo em serviço, visto que, em geral, geral horas a 14 disposição, ou aguardando liberação de frente de serviço, são os grandes vilões desse grupo de insumo. No que se refere à mão de obra, por fim, o controle de seu desempenho se dá através do conceito de produtividade, foco de discussão deste capítulo. 2.2.2 Definição de Produtividade de Mão de Obra Pode-se encontrar diversas definições precisas para o conceito de produtividade. Independente do contexto inserido, no entanto, produtividade estará sempre ligada ao conceito de eficiência no processo de transformação de entradas em saídas. Ou seja, quanto mais eficiente for um processo, mais produtivo este será. Ao restringir esta conceituação para a mão de obra, tem-se que a produtividade consiste na eficiência da transformação do esforço humano em serviços de construção (PALIARI, 2008). 2.2.3 Modelo dos Fatores O método para medição da produtividade adotado nessa pesquisa será o Modelo dos Fatores. Esse método, proposto inicialmente por Thomas; Yiakoumis (1987), propõe a existência de fatores que interferem no desempenho de determinado serviço, mesmo desconsiderando a existência de uma curva de aprendizado nas atividades repetitivas. Esses fatores são divididos em dois grupos: um deles relacionado ao contexto com que a atividade está sendo realizada, e outro relacionado ao conteúdo desse trabalho. De acordo com esses autores, o contexto está ligado às características físicas do trabalho propriamente dita, ou seja, os detalhes de projeto e especificações de materiais, enquanto que o conteúdo relaciona-se com o ambiente de trabalho, com os aspectos organizacionais, gerencias, etc. (PALIARI, 15 2008). Além destes dois grandes grupos, pode-se levantar um terceiro grupo a parte que relaciona as anormalidades que por ventura ocorrem num dia típico de obra, influenciando, assim, as medidas diárias de produtividade. O nome do método advém do fato deste estar baseado nos estudos dos fatores que afetam os índices de produtividade diariamente. Nesse contexto, portanto, a simples apropriação de índices de produtividade de mão de obra pouco será útil, caso esta não venha acompanhada do entendimento associado aos fatores que a fazem melhorar ou piorar (ARAÚJO, 2000). A teoria de Thomas; Yiakoumis (1987) que da a base ao método presume que o trabalho de uma equipe é afetado por um conjunto de fatores que impactam seu desempenho aleatória ou sistematicamente. Desse modo, caso esses fatores possam ser extraídos matematicamente da curva de produtividade percebida, chegar-se-ia a uma curva de referência para este serviço. De forma objetiva, Araújo (2000), através de Souza (1996), destaca que “o modelo se refere à discussão da variação da produtividade diária. Se as condições de trabalho se mantivessem constantemente iguais a uma situação padrão, a produtividade somente variaria se houvesse aprendizado.”. Analisando a Figura 2.3, claramente consegue-se observar essa afirmação, dado a curva real de produtividade distanciando-se da curva de referência diariamente devido aos diversos fatores. Figura 2.3 - Representação gráfica do Modelo dos Fatores. Fonte: (SOUZA, 1996) 16 2.2.4 Formulação do indicador de produtividade de mão de obra Tendo definido o conceito de produtividade como uma relação entre entradas e saídas, procede-se com formulação matemática deste indicador de acordo com a equação 2.1 a seguir: = . ∆ Eq. (2.1) Em que: • RUP = Razão unitária de produção é o índice de produtividade • R = Recursos utilizados, sendo expresso em Homens(H). • ∆t = Tempo em que os recursos R desprenderam na execução do serviço, sendo expresso em horas (h). O cálculo de ∆t pode ser feito através da multiplicação do número de horas que determinado recurso consome por dia, vezes o número de dias em que aquele recurso esteve direcionado para um serviço; • QS = Quantidade de serviço executado pelos recursos R durante o tempo ∆t, sendo expresso em unidades de serviço (m³ de concreto, m² de alvenaria, kg de armação, m de drenagem, etc.) Diante da equação 2.1 consegue-se observar a relação de eficiência do processo produtivo sendo expressa matematicamente. Da equação, observa-se que quanto menor o produto de R por ∆t para uma dada QS, menor será o valor da RUP e, portanto, mais eficiente o processo. Essa mesma conclusão poderia ter sido tirada no caso de para um dado produto de R por ∆t, 17 quando maior a QS produzida, menor também será a RUP,, caracterizando eficiência. efic Assim, como regra geral, tem-se que quanto maior a produtividade, menor será o valor da RUP. Produtividade RUP Figura 2.44 - Relação da produtividade com o índice da RUP Muito importante, nesse momento, destacar que para o cálculo da quantidade de serviço considera-se se a quantidade líquida de serviço produtivo concluído,, descontando-se, descontando por exemplo, a produção de serviços mal executados que por ventura venham a ser novamente refeitos. Nessa mesma ótica, quando quando da apropriação do tempo em que os recursos desprenderam na execução desse serviço, deve-se deve considerar tantos as horas produtivas, ou seja, aquelas que efetivamente o recurso está no processo de agregar valor ao produto, quanto as horas improdutivas, em m que o recurso encontra-se encontra se paralisado a disposição de liberação de frente de serviço, ou aguardando a chegada de material. Assim, não bastaria para determinação de um índice ficar ao lado de um operário cronometrando o tempo em que ele executa determinada tarefa, sob pena de se considerar apenas os tempos produtivos, desconsiderando-se as perdas que ora ocorrem no processo produtivo. 18 2.2.5 Terminologia dos indicadores Paliari (2008) cita Souza (2001) ao classificar o indicador de produtividade de acordo com dois critérios: a) Abrangência da mão de obra Refere-se ao tipo de mão de obra analisado, podendo a RUP ser classificada como RUP Oficial, quando faz referencia aos oficias envolvidos diretamente no processo (armadores, carpinteiros, pedreiros, etc), ou RUP Direta, quando além dos oficiais que comandam a tarefa inclui-se também os homens-hora dos ajudantes que apoiam aquele oficial. Propõe-se na presente pesquisa, que tal separação seja feita de acordo com a função do operário, exatamente como é feito em relação aos oficiais. Por exemplo, ao invés de se considerar a RUP Direta, será mais interessante calcular a RUPAJUDANTE e a RUPARMADOR separadamente. b) Intervalo de tempo Quanto ao intervalo de tempo tem-se a RUP Diária, representando os índices mensurados dia-a-dia na obra, a RUP Cumulativa, representando os resultados acumulados durante certo período de tempo (conforme a equação 2.2 a seguir) e, por fim, a RUP Cíclica, adotada quando os serviços se repetem em ciclos de produção bem definidos. = ∑ . ∆ ∑ Eq. (2.2) 19 Sendo o índice i variando de 1 até o total de recursos n aplicados na produção desse serviço, e o índice j variando de 1 até o dia k em que se está computando as produções realizadas. Cabe ressaltar que pode-se misturar as duas classificações anteriormente descritas, tendo-se, por exemplo, uma RUP Cumulativa Oficial ou uma RUP DiáriaARMADOR. Além destas RUP’s, tem-se a RUP Potencial que corresponde à mediana dos valores da RUP Diária menores ou iguais à RUP Cumulativa final. De acordo com Paliari (2008), a RUP Potencial corresponde a “um valor da RUP Diária associado à sensação de bom desempenho e que, ao mesmo tempo, mostra-se factível em função dos valores de RUP Diária detectados”. O presente autor propõe a ampliação desta terminologia, incluindo a RUP Meta, que defini-se como a RUP definida previamente em custo ou em planejamento. As diferentes tipos de RUP’s encontram-se apresentadas na Figura 2.5. 20 Figura 2.5 - Diferentes tipos de RUP's 2.3 Influências da Produtividade de mão de obra Como citado na introdução, a produtividade afeta dois grupos gerenciais: o grupo de custos, e o grupo de planejamento. planejamento Esses dois aspectos serão abordados em separadamente a seguir. 2.3.1 Influência nos Prazos Sendo a produtividade a eficiência no processo de transformação de insumos em produtos, é natural pensar que quão mais ineficiente a mão de obra for, mais lenta será a execução de determinado serviço. serviço. De fato, a produtividade de mão de obra está diretamente ligada ao conceito de velocidade de execução de uma determinada tarefa. Variando a equação 2.1 de uma forma alternativa, isolando a variável ∆t, tem-se: 21 ∆ = . Eq. (2.3) Em que, claramente, consegui-se observar as seguintes relações: a) Quanto menor a produtividade, ou seja, quanto maior a RUP, maior o tempo necessário para concluir determinada tarefa. b) Quanto maior a quantidade de serviço QS a ser realizada, maior será o tempo necessário para conclusão da tarefa. c) Quanto maior a quantidade de recursos empregados R menor será o tempo de execução de uma tarefa. Além dos pontos anteriormente obervados, existe um importante fato que precisa-se destacar: a linearidade da produtividade com o tempo de execução de serviços. Esse fato transmite a seguinte conclusão: Caso em um determinado cenário se mantiver a quantidade de recursos empregados como uma constante, ter-se-á que uma piora de X% na produtividade implicará, necessariamente, num acréscimo de X% de tempo necessário para conclusão de uma unidade da tarefa. Matematicamente, basta substituir QS pela unidade e a variável de recursos R por uma constante 1/kR. Nesse ponto, aproveita-se para inserir uma variável que será muito utilizada ao longo dessa monografia, o desvio de produtividade percentual ∆, assim, tem-se: ∆ = . .1 = = . 1/ Eq. (2.4) Sendo ∆t expresso em horas por unidade de serviço, e o fator kR igual ao inverso da quantidade de recursos empregada, considerada constante nesse desenvolvimento. 22 Multiplicando-se o lado direito dessa equação por um fator igual a (1 + ∆) e mudando a variável ∆t por ∆t’ tem-se: ∆′ = . . (1 + $) Eq. (2.5) Em que ∆ é a variação percentual da produtividade real frente à produtividade meta, ou seja: ∆= &'() −1 *'+( Eq. (2.6) Para exemplificar essa formulação, adota-se um pequeno exemplo. Suponha-se que se pretenda realizar um serviço de armação com RUP Meta igual 0,06 Hh/kg, dispondo-se de dois armadores, tem-se: = 1 1 = = 0,5 2 Portanto: ∆ = . = 0,5.0,06 = 0,03 ℎ 4 Caso nas situações reais os armadores não consigam atingir essa meta, executando, por exemplo, 0,072 Hh/kg, ter-se-ia: ∆= 0,072 − 1 = 0,2 = 20% 0,060 ∆ 7 = . . (1 + ∆) = 0,5.0,06(1 + 0,2) = 0,03. 1,2 = 0,036 ℎ 4 23 Caso esses armadores estejam executando a armação de um bloco de fundação que pode, em alguns casos, pesar algo em torno de duas toneladas, tem-se os seguintes resultados: = 289 = 2.0004 ∆:;:<= = 0,03 ℎ . 20004 = 60ℎ 4 ∆′ :;:<= = 0,036 ℎ . 20004 = 72ℎ 4 Assumindo uma praticabilidade2 de 9h trabalháveis por dia, ter-se-ia que a previsão de conclusão desse serviço seria de 60h, ou seja, 6,67 dias, enquanto que na realidade estar-se-ia levando 72h, ou seja, 8 dias. Caso o serviço de fundação esteja no caminho crítico3 do cronograma dessa obra, esses 1,33 dias perdidos na conclusão da armação dos blocos, nas condições desse exemplo, significariam 1,33 dias de atraso na entrega da obra. Essa discussão será retomada em profundidade no capítulo 4. 2.3.2 Influência nos Custos O segundo grupo gerencial afetado pela produtividade de mão de obra é o grupo de custos. Como demonstrado no tópico anterior, caso a mão de obra execute um serviço de 2 Praticabilidade é um estudo que relaciona a quantidade de horas produtivas disponíveis ao longo do tempo da obra. Por exemplo, em períodos chuvosos, costuma-se ter uma baixa praticabilidade.Como em projetos, em geral, não é comum se planejar pressupondo previamente a utilização de horas extras, o aumento da quantidade de horas produtivas disponíveis diariamente aumentará a praticabilidade real frente a prevista. 3 Caminho crítico de um cronograma é definido como o sequenciamento de tarefas que, caso tenham seus prazos atrasados em número n números de dias, produzirão um atraso de n dias na conclusão do projeto. 24 forma menos eficiente que o previsto inicialmente, esses trabalhadores irão demorar mais tempo para concluir a mesma unidade de serviço (no exemplo anterior verifica-se a demora de 0,036 h/kg contra as 0,030 h/kg previstas inicialmente). Considerando-se que a mão de obra direta4 normalmente é paga por hora, e sabendo que essa mão de obra está executando menos serviços num dado intervalo de tempo, tem-se que o custo horário do funcionário é diluído em menos unidades produtivas, encarecendo, portanto, o custo dessa atividade. Quando se fala que a RUP Meta é de 0,06 Hh/kg de aço armado está se fazendo uma previsão de custo com a mão de obra para execução de um kg de armadura. Supondo, por exemplo, que o custo do armador seja de R$ 20,00 por hora trabalhada, está-se imaginando que o custo com mão de obra para produzir um kg de armadura seja de: >?Ã?AB?C = 0,06 Dℎ $ $ .20 = F, GH 4 Dℎ IJ Dessa análise, consegui-se observar a seguinte relação geral: Em que: >?Ã?AB?C = . KLMNO&á&O Eq. (2.7) a) CUSTOMÃO DE OBRA é o custo da mão de obra na execução do serviço e é dado em reais por unidade de serviço b) RUP é a produtividade da mão de obra sendo expressa em homens-hora por unidade de serviço 4 Mão de obra direta é o conceito que se aplica para diferenciar os funcionários que trabalham efetivamente na produção, dos que trabalham nas tarefas administrativas. Esses últimos são denominados de mão de obra indireta. 25 c) CUSTOhorário é o custo horário da mão de obra, sendo expresso em reais por homem-hora Da equação 2.7, consegue-se obervar com clareza que, caso a produtividade tenha uma variação, esse desvio será sentido diretamente no custo realizado com a mão de obra. As relações demonstrada nesse tópico serão bastante utilizadas no capítulo 4 quando desenvolve-se uma metodologia para avaliação do impacto no custo direto. 2.4 Fatores que afetam a Produtividade Tendo formalizado a nomenclatura que este trabalho irá utilizar no seu decorrer, parte-se para explorar os fatores que fazem a produtividade variar, afinal, com o objetivo de se calcular como um desvio de produtividade de mão de obra impacto nos custo de um projeto, primeiro precisa-se definir o que causa um desvio de produtividade. Optou-se por analisar esses fatores em dois grandes grupos: Fatores que afetam negativamente e fatores que afetam positivamente a produtividade. 2.4.1 Fatores que afetam negativamente Schwartzkopf (2004) consolidou diversos estudos elaborados a cerca de fatores que afetam a produtividade de mão de obra na construção civil. Esses impactos foram agrupados em: a) Devido à horas extras e utilização de mais de um turno de trabalho b) Devido às acelerações no cronograma c) Relacionado às condições climáticas d) Devido às características do projeto 26 e) Devido à capacidade de gerenciamento de mão de obra Apesar de em muitas situações um desvio da produtividade envolver mais de um dos destes grupos simultaneamente, a análise em separado facilita sua compreensão. 2.4.1.1 Impactos da utilização de horas extras e de mais de um turno de trabalho A utilização de horas extras (“overtime”), segundo Schwartzkopf (2004), defini-se como a utilização da mão de obra por mais horas que aquelas definidas nas leis trabalhistas regionais. Ainda que sob a hipótese de manter a mesma eficiência no processo produtivo, a utilização deste artifício causará serviços executados a um custo maior, já que o custo horário da mão de obra em situações de horas extras sofre aumentos que podem até dobrar seus valores iniciais. Mesmo assim, em muitas ocasiões, gestores optam por estender suas atividades diárias de trabalho com o objetivo, por exemplo, de compensar atrasos no cronograma. Essa compensação se dá através do aumento da praticabilidade, o que ocasiona um ganho na capacidade produtiva diária da equipe. Mesmo havendo um ganho na capacidade produtiva, ocasionado pela disponibilização de mais homens-hora diariamente, haverá uma redução da produtividade da mão de obra, calcada pela perda da eficiência no processo. O gráfico da Figura 2.6 ilustra essa situação, em que o aumento de horas extras diárias possibilita um ganho da capacidade produtiva, entretanto, uma redução da produtividade é observada pelo aumento dos valores da RUP Diária. 27 Aumento de Horas Extras diárias Figura 2.6 - Utilização de horas extras. Produção Diária x RUP Diária Um estudo realizado em 34 plantas industriais pelo US Department of Labor, Labor e citado na obra de Schwartzkopf (2004), concluiu que a) O absenteísmo bsenteísmo aumenta à medida que o número de horas extras aumenta b) Os acidentes cidentes com afastamento aumentam com o aumento das horas extras semanais c) A prática de horas extras aumenta a fadiga da mão de obra diminuindo diminui sua produtividade Os dados desses estudos estão resumidos na Tabela 2.1 e na Figura 2.7. 2.7 28 Tabela 2-1 - Variação percentual da produtividade de mão de obra em função das horas e dias trabalhados por semana (SCHWARTZKOPF, 2004). Dias Trabalhados por Semana Horas Trabalhadas por dia % de Produtividade 5 5 5 5 5 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 100% 95% 92% 89% 86% 97% 88% 82% 78% 75% 92% 83% 78% 75% 72% Figura 2.7- Variação da produtividade de mão de obra em função das horas trabalhadas por dia e do número de dias trabalhados por semana (elaborado a partir de SCHWARTZKOPF, 2004). 2004) 29 Quanto à utilização de diferentes turnos de trabalho, Schwartzkopf (2004) cita um estudo da Construction Industry Institute (1988) que concluiu que o turno diurno tende a ser mais produtivo que o turno noturno. 2.4.1.2 Impactos devido a Acelerações Aceleração em uma construção ocorre quando seu cronograma, ou uma de suas etapas, é executado num prazo menor que o que seria requerido quando executado em condições normais (SCHWARTZKOPF, 2004). Este artifício pode ser utilizado como meio para cotornar atrasos incorporados ao cronograma no passado ou para utilizar de condições climáticas favoráveis. O aumento da capacidade produtiva, nesse caso, deve-se ao aumento da força de trabalho através da contratação de mais mão de obra. Schwartzkopf (2004) levanta, no entanto, que aumentar o tamanho das equipes e a quantidade de homens nas frentes de serviços pode causar sobrecarga na área de trabalho, reduzindo consideravelmente a produtividade da mão de obra. Essa afirmação, baseada no estudo da U.S Army Corps of Engineers (1979), está demonstrada na Figura 2.8, em que se observa que um aumento da força de trabalho de 35% em relação ao considerado normal, ou seja, em relação ao planejado, causará uma perda de eficiência de quase 20%. 30 Figura 2.8 – Relação entre o percentual de aumento da força de trabalho e a perda de eficiência da mão de obra. Fonte: Modification Impact Evaluation Guide, U.S Army Corps of Engineers (1979) Esse acréscimo de mão de obra com o objetivo de se executar mais tarefas simultaneamente, alterando a sequência inicial de atividades prevista, pode causar o fenômeno conhecido como “Trade Stacking”, que significa a lotação das áreas de trabalho pelos operários devido ao processo de aceleração do cronograma. Essa lotação das áreas causará uma perda de produtividade que, por sua vez, elevará os custos previstos, além de desbalançear o fluxo de caixa inicialmente estimado. Nesse sentido, Thomas; Smith (1990) correlacionaram a ineficiência com a densidade de operários por metro quadrado de área trabalhável. O trabalho desses autores concluiu que 100% de eficiência está atrelada a uma densidade de um trabalhador para cada 23,5 m². O limite inferior de densidade tolerável é de 10 m² por pessoa, o que ocasionaria um acréscimo de 50% de recursos necessários para executar a mesma tarefa no mesmo tempo. 31 Além dos aspectos citados, destaca-se também o fato de que uma decisão de aceleração de cronograma influenciará numa maior necessidade de gestão do projeto, já que as demandas por materiais, ferramentas, e logística da mão de obra, ficarão mais complexas. Pouco adiantará contratar mais recursos se o gestor não conseguir utilizá-los da forma adequada, gerando desperdícios. Por fim, ressalta-se que a opção de aceleração de cronograma alterará o fluxo de caixa previsto, já que, além de contratar mais mão de obra, serão consumidos materiais a uma velocidade maior, assim, em determinados casos, essa decisão pode gerar custo de capital para o empreendimento. 2.4.1.3 Impactos devido às condições climáticas Condições climáticas desfavoráveis impactam diretamente na produtividade da mão de obra. Eventos como temperaturas muito altas, temperaturas muito baixas, umidade, chuvas, neves e ventos fortes podem afetar a eficiência do processo produtivo. Temperaturas muito baixas afetam os operários tanto psicologicamente, quanto fisiologicamente (SCHWARTZKOPF, 2004). Um dos maiores impactos dessa condição é a diminuição física da temperatura nas superfícies das mãos que pode ocasionar dois principais efeitos: primeiro, diminuir a sensibilidade cutânea das mãos dos operários, o que pode fazer com que mais acidentes ocorram; e em segundo lugar, diminuir a destreza para os trabalhos manuais, que causa a diminuição de produtividade diretamente. Temperaturas muito altas, por outro lado, também causam redução da produtividade provocada pelo stress de um ambiente quente. Essa situação pode causar cãibras, insolação, exaustão pelo calor, etc. Um estudo da U.S Army Cold Regions Reserch and Engineering 32 Laboratory (1986), concluiu que a temperatura ideal para execução de tarefas da construção civil, gira em torno de 14ºC. Variações em relação a essa temperatura, tanto para mais, como Percentage of Productivity para menos, influenciará negativamente na produtividade, como pode ser visto na Figura 2.9. Figura 2.9 – O Efeito da temperatura na eficiência da mão de obra. Fonte: U.S Army Cold Regions Reserch and Engineering Laboratory (1986) A chuva pode impacta de duas formas. A primeira, quando mais forte, impossibilitando a execução de determinados serviços como, por exemplo, a compactação de aterros e movimentações de terras. Com as frentes de serviços paralisadas, tem-se o consumo de horas improdutivas sendo computadas sem o devido acréscimo de produção, ocasionando, portanto, uma redução da produtividade acumulada. Na segunda forma, quando mais branda, o que permite a execução de determinados serviços, a perda de eficiência deve-se ao fato de a mão de obra trabalhar de forma mais cautelosa, dado uma situação de insegurança. 33 2.4.1.4 Impactos devido às características do projeto Dependendo das características do projeto, pode haver grandes variações dos índices de produtividade. No caso de cravação de estacas pré-moldadas, por exemplo, a resistência do solo, e a adequada locação para cravação permitindo boa movimentação do equipamento, afetam diretamente a velocidade de execução do serviço (Figura 2.10). Figura 2.10 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 117) Por outro lado, em serviços de armação de vigas (Figura 2.11), o diâmetro das barras e o espaçamento dos estribos podem tornar a execução de uma mesma unidade de serviço mais rápida ou demorada. Nesse mesmo sentido, em serviços de fôrmas de vigas (Figura 2.12), há de se considerar a seção transversal, predominância de pilares retangulares, e as quantidades de travas por m². 34 Figura 2.11 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 174) Figura 2.12 - Variação da produtividade da mão de obra para o serviço de cravação de estacas pré-moldadas (FONTE: TCPO, 13ª edição, pg 178) 35 Todos esses efeitos originaram os estudos das conhecidas produtividades variáveis, ou réguas de produtividade, que mostram sob quais condições construtivas determinados índices de produtividade variam. Essa é uma informação importantíssima, pois ao utilizar os dados acumulados historicamente pode-se estar cometendo um grande erro de planejamento ao não levantar em conta as características particulares de um projeto. 2.4.1.5 Impactos devido ao gerenciamento do projeto Borcherding; Garner (1981) estudaram as maiores causas da queda de produtividade em obras de grande porte. Suas pesquisas consistiram em questionar os próprios trabalhadores sobre qual o motivo que estaria causando a perda de eficiência no processo produtivo. Seus resultados estão resumidos na Tabela 2.2. Causas Disponibilidade de Material Necessidade de refazer serviços já executados Disponibilidade de Ferramentas Lotação (overcrowded) das áreas de trabalho Atrasos devido a inspeções Incompetências dos chefes Relacionamento da equipe Mudanças de turnos dos operários Absenteísmo dos operários Alterações provocadas pelos chefes Incidências % 1293 894 889 486 340 338 230 127 113 69 27,1% 18,7% 18,6% 10,2% 7,1% 7,1% 4,8% 2,7% 2,4% 1,4% Tabela 2-2 - Razões que afetaram a queda de desempenho da mão de obra. (Adaptado de SCHWARTZKOPF, 2004) 36 A partir dos resultados de Schwartzkopf (2004), construiu-se o Diagrama de Pareto que pode ser visualizado na Figura 2.13. Nesse gráfico, consegue-se observar, na região destacada em vermelho, que 75% do total de queixas abordam os temas de disponibilidade de material, necessidade de refazer serviços já executados, disponibilidade de ferramentas e, lotação das áreas de trabalho. Todas essas questões estão diretamente ligadas ao gerenciamento do projeto, o que demonstra claramente a necessidade de se preocupar, e muito, com esse tema. Figura 2.13 - Diagrama de Pareto da incidência das respostas O estudo de Borcherding; Garner (1981) ainda estimou, nas obras pesquisadas, as perdas semanais de homens-hora por operários devido às diversas causas. A Tabela 2.3 resume esses dados, e demonstra uma excelente correlação com as percepções dos funcionários apresentada Tabela 2.2. 37 Tabela 2-3 – Perdas semanais de homens-hora por operários (Adaptado de SCHWARTZKOPF, 2004) Perdas semanais de homens-hora por operários Causa Disponibilidade de Material Horas consumidas na reexecução de serviços Lotação das áreas de trabalho Disponibilidade de Ferramentas Relacionamento da equipe Atrasos devido a inspeções Horas de inspeção Homens-hora 6,27 5,70 5,00 3,80 3,29 2,66 2,12 Thomas et al. (1990), tentaram relacionar um mal gerenciamento de materiais com os impactos na produtividade de mão de obra. Esse estudo concluiu que 18% dos homens-hora consumidos em um projeto eram de natureza improdutiva, devido à ineficiência desse gerenciamento. A ociosidade de mão de obra é uma das maiores, senão a maior, causa de perda de eficiência na construção civil5. O gerenciamento das áreas de suprimentos, compras e almoxarifado tem de estar em perfeita sintonia com o setor de produção na tentativa de mitigar essa perda. Nessa lógica, parar a produção por falta de material é algo inimaginável por gestores que almejam alcançar elevados índices de produtividade, por isso, os conceitos e fundamentos do ”Supply Chain”, ou gestão da cadeia de suprimentos, encontram-se bastante difundidos no mercado, embora a maior concentração ainda seja encontrada na indústria manufatureira. 5 Araújo (2012) faz uma extensa discussão sobre a proposição de um novo modelo de lidar com a ineficiência de mão de obra. Em seu trabalho, esse autor aborda o conceito de estratificação das “entradas” da produtividade de mão de obra em que, dessa forma, pode-se observar como uma equipe consumiu seus “Hh”, sendo assim possível de observar os fatores que conduziram a determinado desvio. 38 As horas consumidas na reexecução de serviços já concluídos podem ser encaradas como horas improdutivas. Na realidade, esse cenário é pior do que um cenário apenas de horas improdutivas, caso em que sua mão de obra ficaria parada, sendo consumidos homens-hora sem acréscimo de produção, já que para o cálculo do índice de produtividade, como descrito anteriormente, só são computadas as produção efetivas, desconsiderando-se retrabalhos. Nessa situação, além da queda de produtividade, que elevará automaticamente os custos do serviço, tem-se o acréscimo com custos de materiais e equipamentos para refazer o trabalho ora mal feito. Um bom gerenciamento de qualidade do produto, processos bem descritos, e investimento em prevenção podem auxiliar na redução dessas falhas com a diminuição da variabilidade do processo produtivo (SANTOS, 2013). Por fim, ainda no que tange os impactos do gerenciamento do projeto na produtividade de mão de obra, apesar de não conter nos estudos de Borcherding; Garner (1981), precisa-se ressaltar a importância do adequado dimensionamento de recursos e sequenciamento de tarefas. Esse dimensionamento precisa ser feito levando-se em consideração a produtividade e a capacidade produtiva do serviço seguinte na cadeia de produção, ou seja, não adianta ter-se um grande potencial produtivo em etapas preliminares, que produzirão muitas entregas, se a capacidade produtiva adiante for menor. Esse é um típico caso de gargalo no processo, onde as etapas predecessoras entregam mais do que as tarefas sucessoras são capazes de trabalhar. Grandes problemas ocorrem em função dessa deficiência de planejamento, para citar apenas duas, tem-se: a) A ociosidade das equipes nas etapas predecessoras, o que prejudica a performance dessa mão de obra. b) O crescente nível de estoques produzidos que, além de afetar a área física de produção, prejudicando a logística, caracteriza-se por um desencaixe antecipado 39 e, portanto, custo de capital, devido à execução de um fluxo de caixa não ideal para o projeto. 2.4.2 Fatores que afetam positivamente Os ganhos efetivos de produtividade poderão ocorrer em três situações distintas, a saber: a) Curva de aprendizado b) Melhoria contínua de processos c) Inovações tecnológicas e industrializações de serviços 2.4.2.1 Curva de aprendizado Na execução de tarefas repetitivas, a própria mão de obra é capaz de descobrir meios de executar um serviço mais agilmente, dado o aprendizado e os reflexos absorvidos durante o processo. Esse aprendizado culminará na diminuição do tempo de execução dos serviços e, consequentemente, em ganhos de produtividade decorrente da redução no consumo de homens-hora por unidade de serviço produzido. Essa redução é ocasionada pelo sucessivo aperfeiçoamento na execução do trabalho e da familiarização da equipe no ambiente de produção (LEITE, 2004). Normalmente, o aumento da retenção de informações que permitam a execução do serviço de maneira mais ágil, são mais suáveis no início, tendo um acréscimo de intensidade com o tempo, e tendendo a equilibrar gradualmente após determinado período. Esse equilíbrio caracteriza-se por um esgotamento da capacidade de aprendizado do serviço na forma como ele é executado atualmente. Essas características podem ser observadas na Figura 2.14, que mostra graficamente a evolução da proficiência de determinada tarefa com o tempo. 40 Figura 2.14- Evolução da proficiência de terminada tarefa com o tempo (Fonte: Barnat, 1996) A necessidade de se preocupar com as curvas de aprendizado aprendizado advém de duas principais questões. Em primeiro lugar, objetivando a obtenção de preços mais competitivos, competitivos ainda na fase de orçamentação, oriundos da consideração de ganhos de produtividade ao longo de um processo produtivo.. E, em segundo lugar, numa boa estimativa sobre os índices de produtividade futuros que serão atingidos ao longo do tempo. Essa segunda consideração irá influenciar numa nova quantidade de recursos necessários,, inferior a que seria obtida caso se ignorasse o efeito da aprendizagem, para dar continuidade no processo produtivo. Essa preocupação está alinhada com os impactos do gerenciamento do projeto anteriormente discutido, já que, caso existam mais trabalhadores que os necessários para performar uma determinada atividade, o ganho de capacidade capacidade produtiva poderá ocasionar na produção e acumulo de estoques e, consequentemente, na ociosidade da mão de obra. Embora se tenha argumentado a favor da consideração do ganho de produtividade ocasionado pelas curvas de aprendizado, o presente autor ressalta essalta que precisa-se precisa de muita cautela para utilizar estas considerações. Primeiro, segundo Leite (2004), esses ganhos serão 41 percebidos somente em serviços de longa duração, com grande grau de repetição, e extremamente dependentes da mão de obra. Segundo, de acordo com Schwartzkopf (2004), foi demonstrado que existe uma rápida taxa de “desaprendizagem”, e que se ocorrerem grandes atrasos entre os ciclos de repetições, será necessário reiniciar todo o processo de aprendizado. Esse é um significante impacto decorrente das interrupções contratuais que por vezes ocorrem. Diversos modelos se propõem a parametrizar de que forma, ou melhor, através de que curva, se dão os ganhos de produtividade. A Figura 2.15 mostra a variação da RUP Cumulativa em decorrência do aumento das unidades produzidas de acordo com alguns modelos. Figura 2.15 -Tipos de Curva de Aprendizagem - Escala logarítmica. Fonte: (THOMAS et al., 1986) Extensas e detalhas discussões sobre esses modelos de curvas de aprendizados podem ser encontradas em A Validation of Leaning Curve Models Available on the Construction 42 Industry6. Pela facilidade da aplicação, e pela natureza dos dados disponíveis, o modelo linear é o mais aplicado na indústria da construção civil (SCHWARTZKOPF, 2004). 2.4.2.2 Melhoria contínua de processos Dado o esgotamento da capacidade de ganho de produtividade através das curvas de aprendizado, surge a necessidade de se alterar a forma como o serviço, ou processo, vem sendo executando. Essa melhoria de processos caracteriza-se caracteriza se por mudanças na forma como se encadeiam as atividades,, como na Figura 2.16, 2.16 eliminando-se se etapas desnecessárias e otimizando-se as tarefas que não podem ser eliminadas como, por exemplo, deslocamentos de trabalhadores, dores, localização de ferramentas, ferramenta suporte de suprimentos, etc. Tarefa 1 Tarefa 2 Tarefa 3 Tarefa 5 Tarefa 4 Tarefa 6 Tarefa 7 Tarefa 8 Figura 2.16 - Caracterização da Melhoria de Processos através da eliminação de tarefas desnecessárias 6 Ward & Thomas, A Validation of Leaning Curve Models Available on the Construction Industry. Industry Pennsylvania State University, Construction Management Reserch Serie, Report No. 20. 1984 43 Pode-se, de uma forma geral, dividir o tempo de trabalho da mão de obra nos seguintes grupos: a) Tempo em atividades que agregam valor Nesse processo tem-se a mão de obra trabalhando efetivamente no processo de transformação de insumos em produtos. b) Tempo de perdas evitáveis Esse tempo é caracterizado por perdas no processo produtivo que poderiam ser totalmente evitadas como, por exemplo, ociosidade, tempo de espera dos funcionários para liberação de frente de serviço, tempo de espera para chegada de materiais e ferramentas e tempo de perdas com produtos defeituosos. c) Tempo de perdas inevitáveis Esse grupo caracteriza-se por perdas inerentes do processo construtivo que não podem ser evitadas como o transporte de trabalhadores, perdas de movimento de funcionários. Essas perdas podem, no entanto, serem trabalhadas para serem otimizadas, diminuído ao máximo sua duração. Inevitavelmente, a cultura de melhoria contínua de processos, muito difundida na indústria seriada, vem cada vez mais entrando na indústria da construção civil. Encabeçando essa cultura tem-se o “Lean Thinking”, ou Pensamento Enxuto, oriundo da cultura do “Lean Production” implementada pela Toyota em meados do século passado através da TPS (Toyota Production System). Desde o início da década de 90, a partir dos estudos de Lauri 44 Koskela (1992), intitulado Application of the New Production Philosophy to Construction7, diversos pesquisadores internacionais tem voltado suas atenções para essa nova filosofia produtiva e adaptando essa cultura de produção enxuta, originaria da indústria manufatureira, para a construção civil. Em 1993, através das iniciativas dos engenheiros americanos Gregory Howell e Glenn Ballard, foi consolidado o termo “Lean Construction”, que hoje agrupa pesquisadores do mundo todo anualmente no IGLC – International Group for Lean Construction. No Brasil, a partir de 1996, os estudos da NORIE (Núcleo Orientado para Inovação da Edificação) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, têm contribuído para disseminação nacional. 2.4.2.3 Inovação tecnológica e industrialização de serviços Chega determinado momento que apenas a melhoria de processos não mais é capaz de aperfeiçoar e tornar mais eficiente um processo produtivo. Nesse estágio, é hora de buscar por inovações tecnológicas que permitam modificar e agilizar a forma com que determinado serviço venha a ser executado. As inovações tecnológicas atuam de modo a produzir ferramentas com capacidade de trabalho maior e mais potente que as existentes, diminuindo dessa forma o tempo de execução de alguns serviços. Além das inovações tecnológicas, destaca-se também a tendência de industrialização de processos construtivos, transformando o canteiro de obras em um canteiro de montagens. Nesse cenário, tem-se a concepção de elementos em pátios ou fábricas próximos da obra, de modo a permitir a criação de um ambiente favorável para produção série, aumentando a 7 KOSKELA, Lauri. Application of the New Production Philosophy to Construction. Technical Report nº 72. Stanford University, Center for Integrated Facility Engineering. 1992 45 produtividade.. A título de exemplo, ressaltam-se a indústria de pré-moldados estruturais (Figura 2.17) e de duelas de drenagem profunda (Figura 2.18). Figura 2.17 - Exemplo de estruturas de concreto pré-moldadas. Fonte: Tranenge Construção Figura 2.18 - Exemplos de aduelas de drenagem profunda pré-moldadas. Fonte: COPEL pré-moldados em concreto 46 3 Planejamento e Controle de Custos 3.1 Considerações Iniciais Seguramente tanto a fase de planejamento econômico, quanto à fase de controle de obras são determinantes para o sucesso financeiro de qualquer empreendimento. Seja o “idealizador” um simples leigo que reforma seu apartamento ou os grandes empresários que idealizam projetos gigantescos, ambos mantém previsões de orçamentos e de desencaixes no momento que contratam a execução de obras. Evidentemente que em proporções e níveis de rigores diferentes. Dentro deste contexto, o tema de planejamento e controle de custos torna-se essencial para atingir o objetivo de rentabilidade de um empreendimento. Assim, esse capítulo abordará os principais pontos no tocando a engenharia econômica das obras. 3.2 Planejamento Econômico Pode-se definir o planejamento econômico de um projeto como a disciplina responsável por prever e estimar os principais aspectos relacionados a: a) Orçamento b) Planejamento físico/executivo do projeto c) Fluxo de caixa d) Histograma de recursos e) Análise de riscos do projeto 47 Nos tópicos a seguir, aborda-se com detalhe cada um dos pontos a cima. 3.2.1 Orçamento Segundo Queiroz (2001) orçamento é todo estudo que tem por objetivo de estimar ou calcular os custos de um projeto ou um serviço qualquer. Para elaborar-se um orçamento duas informações principais são necessárias: custos unitários e quantidades. Assim, o custo total de cada item de um projeto é estimado através da multiplicação do custo unitário pela quantidade desse respectivo item. Nesse ponto, aproveitase para ressaltar que, em muitas das obras realizadas no Brasil, a elaboração do orçamento ocorre antes da fase de definição do projeto executivo da obra, sendo utilizado, portanto, apenas o projeto básico para este estudo. Sem sobras de dúvidas, essa é uma das principais causas de desvio entre o orçamento previsto e o custo real praticado. Apesar de existirem algumas metodologias para orçamentar uma obra, duas delas se destacam como as mais utilizadas, a saber: orçamento através de Custo Unitário Básico (CUB) e orçamento através de Composições de Custo Unitário (CCU). 3.2.1.1 Orçamento através de Custo Unitário Básico (CUB) Como está metodologia não se relaciona com o objetivo desta monografia, este tópico será abordado apenas com caráter introdutório. De acordo com o item 3.9 da Norma Brasileira ABNT NBR 12.721:2006, o conceito de Custo Unitário Básico é o seguinte: Custo por metro quadrado de construção do projeto-padrão considerado, calculado de acordo com a metodologia estabelecida em 8.3, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil, em atendimento ao disposto no artigo 54 da Lei nº 48 4.591/64 e que serve de base para avaliação de parte dos custos de construção das edificações. CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção Este indicador tem por objetivo servir de referência básica para estimativas de custos em projetos de incorporações imobiliárias. Em função da credibilidade alcançada por esse indicador, ele também tem sido utilizado como importante indicador macroeconômico dos custos no setor de construção civil. A estimativa de custos através da utilização do CUB não trás grandes dificuldades. Para tanto, basta buscar a referência do indicador tanto para os níveis de padrões de acabamentos do empreendimento, quanto para a região em que se esteja estudando, e multiplicar pela área total construída. A utilização desta metodologia é fortemente indicada para estimativas e previsões iniciais, ainda na fase de estudos de viabilidade, em que ainda não se obtenha informações mais precisas do projeto. Entretanto, devido a suas limitações, não se recomenda parar um estudo de viabilidade econômica apenas tendo como referência o CUB. Dentro suas limitações, destacam-se: a) Impossibilidade de aplicação em obras de infraestrutura. b) Impossibilidade da estimativa de quais recursos serão utilizados e quais proporções. c) O CUB não aborda características especiais de cada projeto, sendo um indicador médio calculado regionalmente podendo, portanto, desviar consideravelmente em relação à realidade. 49 3.2.1.2 Orçamento através de Composições de Custo Unitário (CCU) Esta metodologia é, sem dúvidas, a mais acurada e completa forma de se orçar qualquer empreendimento. A orçamentação através das CCU, compreende duas fases básicas: a primeira na identificação das características do projeto e levantamentos de seus quantitativos e, em seguida, na elaboração das CCU propriamente ditas. 3.2.1.2.1 Estruturação de uma CCU Uma CCU é estruturada através de uma tabela, contendo as seguintes informações: a) Tipo do insumo b) Descrição do Insumo c) Unidade do insumo (ex.: horas, kg, litros, mês, m³, etc.) d) Quantidade do Insumo e) Custo unitário do Insumo f) Custo parcial A Tabela 3.1 a seguir demonstra uma composição típica, simplificada. Tabela 3-1 - Exemplo de uma CCU típica para execução de fôrmas de madeira para pilares CCU - Execução de fôrmas de madeiras para pilares - m² Tipo do Insumo Descrição do insumo Unid. Qntd. Custo Unit. (R$) Custo Parcial Mão de obra Mão de obra Material Material Total ( R$/m² ) Carpinteiro Ajudante Prego Tábua de Madeira h h kg m² 2,562 0,640 0,300 1,250 18,33 12,49 1,28 9,66 46,96 7,99 0,38 12,08 67,41 50 3.2.1.2.2 Elaboração de uma CCU Através da análise da Tabela 3-1, consegui-se extrair as seguintes informações: Na execução de cada m² de fôrma, irá se consumir: a) 2,562 Hh8 de carpinteiros b) 0,640 Hh de ajudantes c) 0,300 kg de prego d) 1,250 m² de tábua de madeira Além dessas informações, observa-se que o custo total para elaboração de um m² de fôrma é de R$ 67,41. Assim, caso queira-se saber o valor total previsto para se gastar com o serviço de fôrma de uma determinada obra que tenha essa composição, basta multiplicar esse valor pela quantidade total prevista pelo projeto de fôrmas. A grande dificuldade na elaboração de uma CCU é justamente a determinação destes valores. A precisão desta informação varia, e muito, com a experiência do engenheiro orçamentista que esteja coordenado tal estudo. Com esse objetivo, grandes manuais de composições para orçamentos podem ser utilizados como referências, como por exemplo, a já citada TCPO. Entretanto, é sempre recomendado avaliar sobre quais características determinada composição foi montada e avaliar se este cenário aproxima-se da realidade que será encontra na obra em questão. Caso contrário, ajustes podem ser feitos, melhorando ou piorando os índices na coluna “Quantidade”, que nada mais são que os próprios índices de produtividade, como se verá a seguir. 8 Homens-hora. 51 3.2.1.2.3 CCU e a Produtividade de Mão de Obra Como anteriormente destacado, entrando mais a fundo nas quantidades descritas nos item (a) e (b), ressalta-se que esses valores são exatamente a produtividade de mão de obra prevista analisada em profundidade no capítulo 2. Assim, tem-se que 2,562 Hh/m² é a RUP Meta CARPINTEIRO, da mesma forma que 0,640 Hh/m² é a RUP Meta AJUDANTE. Destes números, consegue-se observar que se planejou que uma equipe de carpintaria teria quatro oficiais carpinteiros para cada ajudante, conforme cálculo a seguir. DℎQRSTUVW9RWU8X STUVW9RWU8X Y² ≅ 4,00 DℎQRT\]QT9RX T\]QT9RX 0,640 Y² 2,562 Dessa mesma forma, uma equipe de carpintaria, trabalhando 8h em um determinado dia, teria de produzir 12,50 m² de forma pronta. Para esse cálculo, utilizou-se da Eq. (2.1), isolando-se o termo QS. = . ∆L 4. 8 1. 8 = = = 12,5Y² 2,562 0,640 3.2.2 Planejamento Físico/Executivo 3.2.2.1 Estrutura Analítica de Projeto – EAP A fase de planejamento de qualquer projeto começa-se com a elaboração de um EAP. A EAP nada mais é do que um agrupamento de tarefas que possuam características similares. De forma mais profunda, o PMBOK define a EAP conforme abaixo: 52 Criar a EAP é o processo de subdivisão das entregas e do trabalho do projeto em componentes menores e de gerenciamento mais fácil. A estrutura analítica de projeto (EAP) é uma decomposição hierárquica orientada às entregas do trabalho a ser executado pela equipe para atingir os objetivos do projeto e criar as entregas requisitadas, sendo que cada nível descendentes da EAP representa uma definição gradualmente mais detalhada da definição do trabalho do projeto. PMBOK A título de exemplo, a Tabela 3-2 a seguir demonstra uma EAP básica para um serviço de execução de superestrutura rodoviária. Tabela 3-2 - Exemplo de uma EAP Índice Atividade 1 1.1 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.1.5 1.2 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 Execução de Superestrutura Rodoviária Terraplenagem Escavação de solo Transporte de material para Bota-fora Espalhamento e Compactação de Saibro Controle tecnológico do solo compactado Pavimentação Execução de sub-base Execução de base Imprimação e Pintura de Ligação Espalhamento e compactação de CBUQ Cabe ressaltar que não existe uma única EAP para determinado projeto. A elaboração de uma EAP dependerá tanto do nível gerencial exigido em determinada obra, como do nível de detalhamento factível de ser controlado. 53 3.2.2.2 Sequenciamento das Tarefas As atividades em qualquer projeto seguem um sequenciamento orientado a processos. Isto é, existem tarefas predecessoras e tarefas sucessoras. Não diferente a essa premissa é a indústria da construção civil, em que, por exemplo, para se concretar um pilar precisa-se antes ter terminado a execução das fôrmas e das armaduras. O produto final da fase de planejamento físico/executivo depende muito da experiência e habilidade do planejador. Esse profissional tem que ao mesmo tempo elaborar um sequenciamento otimizado, objetivando uma economia de prazo e de recursos, como também ser factível de ser executado, dado a área de trabalho, índices de produtividade e recursos disponíveis. Pode-se agrupar as formas de sequenciamento em duas grandes áreas: em série ou em paralelo. Atividades em série são aquelas que exigem alguma(s) entrega(s) das atividades predecessoras. Diferentemente, atividades em paralelo são aqueles que suas execuções são totalmente independentemente, não se influenciando de forma alguma. A título de exemplo, utilizando a EAP da Tabela 3-2, tem-se que para a execução da pavimentação necessariamente a fase de terraplenagem daquele trecho tem de estar concluída, impedindo que essas atividades ocorram simultaneamente. No entanto, caso o projeto permita, seria possível abrir duas ou mais frentes de terraplenagens independentes já que, em tese, a terraplenagem de um trecho não influenciaria a de outro. A grande questão da execução de frentes em paralelo culminará nos seguintes pontos: a) Diminuição do tempo de execução da tarefa devido ao fato de se atacar atividades simultaneamente 54 b) Para atender a mais de uma frente de serviço simultaneamente estará se incorrendo em acréscimo de recursos, necessariamente. Dependendo da disponibilidade de oferta desses recursos, a abertura de frentes em paralelo pode ser inviabilizada. c) Devido ao acréscimo de recursos, a gestão e o gerenciamento da obra ficaram mais complexos, exigindo mais habilidades da equipe de controle. A utilização de frentes em paralelo é uma das principais consequências do fenômeno de aceleração tratado no tópico 2.4.1.2. Ou seja, quando o gestor se depara com a necessidade de acelerar seu cronograma, sua primeira ação é a de pensar em como abrir mais frentes de serviço. 3.2.2.3 Duração das tarefas Esta é com certeza a etapa mais vinculada à produtividade de mão de obra. Após o sequenciamento das tarefas a próxima etapa é a de calcular a duração das tarefas e para isso precisa-se saber sua capacidade produtiva, sabendo que, através da (Eq. 2.1): `a`bcd`defgdhci` = j> = ∆ Eq. (3.1) Onde a unidade da capacidade produtiva será em unidade de serviço por horas. Através da capacidade produtiva, pode-se calcular quanto tempo determinada tarefa demorará a ser executada. Utilizando a CCU da Tabela 3-1, tem-se que, para uma única equipe de carpintaria, composta por quatro carpinteiros e um ajudante, sua capacidade produtiva seria de: 55 KTVTSWQTQRU8Q]WkT = 4 Y² = 1,5612 2,562 ℎ Ou, considerando 8h de trabalho por dia: KTVTSWQTQRU8Q]WkT = 1,5612 Y² Y² ℎ Y² = 1,5612 . 8 = 12,5 ℎ ℎ QWT QWT De posse dessa informação e do total de m² de fôrmas a serem executados, determina-se o tempo de duração da tarefa, conforme equação a seguir: ∆ = j> `a`bcd`defgdhci` Eq. (3.2) Se, por exemplo, o projeto de fôrma indique que existam 25 m² para serem executados pela equipe de carpintaria, ter-se-ia que a duração total dessa tarefa seria de 2 dias. ∆ = 25Y² = 2QWTX Y² 12,5 QWT Uma importante ressalva precisa ser feita: ao se falar que a capacidade produtiva da equipe é de 12,5 m²/dia está se falando em valor médio, considerando todas as perdas e ineficiências pertinentes. Muitas vezes a equipe produzirá bem acima desse valor, mas, inevitavelmente, ficará improdutiva em outros momentos. 3.2.2.4 Ferramenta de Controle – “Curva S” Nesse momento, aproveita-se para apresentar uma importante ferramenta de gestão de planejamento, a conhecida “Curva S”. 56 A Curva S é uma ferramenta gráfica dada pela soma acumulativa dos avanços físicos previstos, ou realizados, mensais. A Figura 3.1 exemplifica essa ferramenta. Figura 3.1 - Exemplo de Curva S Na medida em que vai se tendo os avanços reais nos projetos, esses dados vão sendo plotados em nova linha, fazendo-se um comparativo do previsto frente ao real. Sempre que a linha do real estiver por cima da linha do previsto, está-se tendo um avanço físico mais acelerado. De modo diferente, caso contrário, está se evoluindo mais lentamente que o planejado. A relação entre as linhas da Curva S “previsto versus realizada” está intimamente ligada ao conceito da produtividade da mão de obra. Isto é, quão mais produtivo for a execução dos serviços, mais inclinada será a Curva S, conduzindo a avanços físicos mais acelerados. A Figura 3.2, a seguir, contraste três Curvas S distintas. Uma referindo-se a um determinado avanço físico previsto, que conduziria a conclusão do projeto em 8 meses. A segunda, 57 referindo-se aos ganhos de produtividade, que conduziram a conclusão do serviço em 7 meses (Real - 1) e, por fim, um terceiro caso em que por perdas de produtividade, atrasou-se a conclusão para 9 meses (Real – 2). Figura 3.2 - Confronto em 3 Curvas S com diferentes produtividades 3.2.3 Fluxo de Caixa Um dos estudos de engenharia econômica mais importantes em qualquer empreendimento é da estimativa de Fluxo de Caixa previsto. O Fluxo de Caixa será sempre composto de entradas, caracterizado pelas receitas, e saídas, dadas pelos desencaixes. 3.2.3.1 Entradas – Receitas As entradas de um fluxo de caixa são caracterizadas pelo recebimento financeiro em determinada operação. Dependendo do tipo de projeto, essa atividade pode estar muito mais ligada a procedimentos comerciais do que operacionais, isto é, tradando-se de um 58 empreendimento imobiliário, as receitas estarão vinculadas ao departamento de vendas, podendo depender exclusivamente desse setor. De forma uma pouco diferente, do ponto de vista das construtoras em obra de infraestrutura, suas receitas são dadas pelas medições realizadas mensalmente aos órgãos contratantes, estas por sua vez dependem do avanço físico da obra. Sendo assim, nesse último caso, há a possibilidade de se fazer uma previsão de receitas ao longo no tempo, vinculando o avanço físico do projeto com as medições que serão interpostas ao(s) cliente(s). 3.2.3.2 Saídas – Desencaixes Estando de posse tanto das composições de custo unitário (CCU) e do planejamento físico da obra, pode-se calcular os desencaixes previstos no tempo. Um importante conceito precisa ser firmando a esse momento: a diferença entre econômico e financeiro. Econômico é a caracterização de algo realizado ou executado e, diferentemente, financeiro está ligado ao conceito de desencaixe propriamente dito. Essa distinção fica clara ao se considerar, por exemplo, a execução de um serviço de fôrma ao longo dos 25 dias de um mês, em que o material utilizado será adquirido no inicio do mês e será trabalhado pela mão de obra ao longo desse período. Tanto o custo do material, como o custo da mão de obra em cada dia de produção é avaliando por uma variável econômica, o custo. Ou seja, está ligado ao executado. Sabe-se, no entanto, que possivelmente tanto o material adquirido quanto a remuneração dos operários serão pagas somente no início do mês seguinte. Isso caracteriza o momento de desencaixe. A fixação desse conceito é importante em fluxos de caixas, tendo em vista o valor do dinheiro no tempo devido a juros e inflações. 59 Assumi-se, com objetivo de exemplificar um fluxo de desencaixes, o seguinte avanço físico para o serviço de 1000 m² de fôrmas (Tabela 3-3). Tabela 3-3 - Planejamento de avanço físico previsto Mês Avanço Físico 1 4% 2 6% 3 8% 4 15% 5 20% 6 30% 7 10% 8 7% A partir desses dados e, considerando a CCU dada na Tabela 3-1, onde o custo unitário de execução de 1 m² fôrma é de R$ 67,41 e, que os custos incorridos em um mês serão, provavelmente, desencaixados no mês subsequente, tem-se o seguinte fluxo de desencaixes previsto (Figura 3.3). Desse gráfico pode-se observar o “lag”9 entre o econômico e o financeiro, nesse exemplo, assumido como 30 dias. Isto é, a produção de 4% realizada no mês 1, somente foi desencaixada no mês 2. Figura 3.3 - Exemplo da correlação entre avanço físico do projeto e seu desencaixe no tempo 9 “Lag” é uma expressão utilizada para atrasos, ou diferença de momentos. 60 3.2.3.3 Impactos quando ocorrem variações no Fluxo de Caixa Dos conhecimentos de engenharia econômica e de matemática financeira, determina-se com precisão, o valor do dinheiro no tempo. O conceito de valor do dinheiro no tempo, ou melhor, das conhecidas taxas de juros e inflações, são justamente os responsáveis por impactos quando ocorrem variações no fluxo de caixa. Esses impactos são provenientes da definição de custo de capital, que nada mais o que o custo que se tem por desencaixar determinada quantidade financeira, ou seja, se descapitalizar. Para avaliar esse impacto, utiliza-se o conceito de Valor Presente Líquido (VPL) de um fluxo de caixa. O procedimento matemático para o cálculo de um VPL não levanta grandes dificuldades, basta que para isso saiba-se como variar quantidades monetárias ao longo do tempo. Para isso, utiliza-se a Eq. (3.3) a seguir, muito conhecida como sendo a equação de juros compostos. l = (F + c)m Onde: Eq. (3.3) • i é a taxa de desconto, ou taxa real de juros. • n é o número de períodos considerado. • P é o valor presente financeiro. • F é o valor futuro de um investimento P, rendendo por n períodos a uma taxa de juros de i. A Eq. (3.3) tem a capacidade de levar uma quantidade no valor presente para uma quantidade equivalente futura depois de n períodos. Nesse momento, percebe-se que desencaixar ou receber determinada quantidade financeiro hoje ou, fazer o mesmo daqui a 1 mês, significam coisas diferentes. 61 Para a Análise de VPL utiliza-se outra forma de escrever a Eq. (3.3), destacada a seguir: = l F (F + c)m Eq. (3.4) A Eq. (3.4) desempenha o papel inverso da Eq. (3.3). Ela tem a capacidade de trazer um valor no futuro, para seu valor presente equivalente. Nesse momento, utilizando a Eq. (3.4) já se está considerando o custo de capital devido as taxa de juros, ou taxas de atratividade. Falta, no entanto, considerar o efeito da inflação, visto que, certa quantidade de dinheiro hoje comprará menos itens no futuro do que atualmente. Desse modo, a Eq. (3.5) a seguir, análoga a Eq. (3.4) desconta os efeitos da inflação ao longo do tempo: = l F (F + n)m Eq. (3.5) Onde f representa a taxa de inflação no período n entre P e F. Outra forma de interpretar a Eq. (3.5) é a de que se determinado produto no futuro é comprando por um valor F, esse mesmo produto poderá ser comprado no presente por um valor inferior, P. Combinando a Eq. (3.5) juntamente com a E. (3.4), chega-se a Eq. (3.6) que permite movimentar quantidades financeiras descontando-se o custo de capital devido aos juros, e as perdas monetárias devido à inflação. = o 1 1 (1 + W) (1 + p) = o 1 q(1 + W)(1 + p)r 62 = o 1 q1 + W + p + Wpr Fazendo com que a soma i + f + if seja igual a if, isto é, taxa de juros ajustada a inflação, tem-se: = l F (F + cn )m Eq. (3.6) Que é a fórmula para o valor presente P de uma quantidade futura F descontando-se tanto a inflação quanto a taxa de juros. Assim, para realizar a análise de VPL basta aplicar a Eq. (3.6) para cada uma das movimentações financeiras no futuro, retroagindo-as todas para o presente. Para exemplificar esse conceito, utiliza-se dois fluxos de caixas iguais, mas simétricos, que podem ser vistos na Tabela 3-4 e analisadas no gráfico da Figura 3.4. Tabela 3-4 - Fluxos de caixas simétricos Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Total Desencaixe 1 5.000 8.000 12.000 18.000 35.000 45.000 58.000 65.000 12.000 8.000 266.000 Desencaixe 2 8.000 12.000 65.000 58.000 45.000 35.000 18.000 12.000 8.000 5.000 266.000 Figura 3.4 - Gráficos dos fluxos de caixas da Tabela 3-4 63 Considerando uma taxa de custo de capital de 8% a.a e uma inflação média de 6% a.a e, aplicando a Eq. (3.6) para cada uma das parcelas da Tabela 3-4, monta-se a tabela de Valores Presentes, apresentadas na Tabela 3.5. Tabela 3-5 - Valor presente do fluxo de caixa da Tabela 3-4 Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Total VPL (1) 4.944 7.822 11.601 17.207 33.082 42.058 53.601 59.396 10.843 7.147 247.701 VPL (2) 7.910 11.733 62.839 55.444 42.535 32.712 16.635 10.965 7.228 4.467 252.468 Através desse exemplo, pode-se concluir que, caso uma empresa possua determinado passivo, em que ela vá desencaixar esses valores de acordo com o fluxo de caixa “Desencaixe 1”, seria o mesmo que ela desencaixar hoje (mês “0”), o equivalente a R$ 247.701. De forma análoga, caso ela queira fazer o mesmo para o “Desencaixe 2” teria que desencaixar hoje o equivalente a R$ 252.468. Essa diferença representa um acréscimo de quase 2% em apenas 10 meses de análise, demonstrando a importância do valor do dinheiro no tempo. 3.2.4 Histogramas de Recursos De forma análoga ao procedimento utilizado na seção 3.2.3.2 em que se calculou a previsão de desencaixe baseado em uma premissa de avanço físico da execução de fôrmas de madeira, presente na Tabela 3-2, combinada com a CCU da Tabela 3-1, pode-se determinar outro estudo extremamente importante, os Histogramas de Recursos. 64 Dado uma premissa de avanço físico percentual, consegue-se determinar um avanço em quantitativo de serviços mês a mês, basta que para isso multiplique-se o percentual previsto de execução mensal pelo quantitativo total previsto no projeto. De posse desse valor e, sabendo as quantidades necessárias desses insumos, seja de consumo unitário de materiais, seja de produtividade de mão de obra ou equipamento, para execução de 1 m² de fôrma, pode-se calcular a distribuição de demanda desses recursos no tempo, como pode ser visto na Tabela 3-6. Tabela 3-6 - Histograma de Recursos Mês Carpinteiro (H) Ajudante (H) Prego (Kg) Madeira (m²) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0,58 0,15 12,00 50,00 0,87 0,22 18,00 75,00 1,16 0,29 24,00 100,00 2,18 0,55 45,00 187,50 2,91 0,73 60,00 250,00 4,37 1,09 90,00 375,00 1,46 0,36 30,00 125,00 1,02 0,25 21,00 87,50 0,00 0,00 0,00 0,00 Para o caso da mão de obra adotou-se 22 dias trabalhados por mês e 8 horas trabalhadas por dia, totalizando 176h/mês Os histogramas de recursos tem a finalidade de definir a demanda por determinado insumo mês a mês. Seu resultado auxiliará tanto o setor de departamento de pessoal, no tocante a contratações, quanto ao setor de suprimento, no que diz respeito a compra de materiais. Para ajustar a necessidade de contratação de efetivo, dado o histograma de mão de obra, basta arredondar os valores para cima determinados pela Tabela 3-6, visto que não existe homem fracionário, assim: 65 Tabela 3-7 - Histograma de Mão de Obra Mês Carpinteiro (H) Ajudante (H) 1 1 1 2 1 1 3 2 1 4 3 1 5 3 1 6 5 2 7 2 1 8 2 1 9 0 0 3.2.5 Análise de Riscos do Projeto A análise de riscos do projeto tem a finalidade de se calcular contingências para seu orçamento, tendo em vista as imprevisibilidades que por ventura possam ocorrer. Uma análise de risco precisa foge ao escopo desse trabalho, portanto, apresenta-se apenas em caráter introdutório. A análise de risco caracteriza-se por simulações e cálculos probabilísticos de determinado evento ocorrer. Dessa maneira, o produto de uma análise de risco é determinação de uma probabilidade de cada evento aleatório ocorrer. Para se determinar as contingências necessárias precisa-se antes calcular-se os riscos. Almeida (2010) associa o risco a um acontecimento, ou evento, perigoso, possível de acontecer, mas incerto, e ainda não realizado. O Risco nada mais é que a quantificação de um impacto dado uma probabilidade de que ele ocorra. Matematicamente, o Risco é definido de acordo com a Eq. (3.7). csbg = fgt`tcucd`devwa`bg Eq. (3.7) 66 Portanto, se em um projeto um evento tem uma probabilidade de 5% de ocorrer e, caso ocorra, causasse um impacto de R$ 100.000, haveria a necessidade de se prever uma contingência no orçamento desse projeto no valor de: WXS8 = 0,05x100.000 = $5.000 Isso significa que caso se realize esse projeto 100 vezes e, em todas elas provisione-se essa contingência, ao final da execução desses 100 projetos haver-se-ia guardado um total de R$ 500.000. No entanto, como em 5% das vezes o evento pode ocorrer, em 5 desses projetos ter-se-ia tido dano financeiro tendo, portanto, que desencaixar o impacto por ele gerado, ou seja, R$ 100.000 por ocorrência, totalizando R$ 500.000. O mesmo valor que havia-se provisionado. A execução de um estudo de análise de risco bem feita, minimiza os impactos das incertezas que podem rondar o planejamento de um empreendimento. 3.3 Controle de Custos Após a fase de pré-projeto, referente ao planejamento econômico tratado no item anterior, segue-se para a fase de operação, ou seja, a empreitada de construção propriamente dita. Nessa fase, com o objetivo de se assegurar a rentabilidade do negócio, precisa-se aplicar as técnicas de gestão e gerenciamento de custos, coordenadas por um setor de controle. Nesse item abordar-se procedimentos típicos de controle de custos, calcados por: a) Diagrama de Pareto de Custos – Itens de Controle b) Plano de contas da obra c) Sistema de apropriação de recursos da produção – Custeio das informações 67 d) Análise de custos 3.3.1 Diagrama de Pareto de Custos – Itens de Controle A primeira atividade que uma equipe de controle tem de se preocupar é justamente descobrir “com o que tem que se preocupar”. Para isso, utilizam algumas ferramentas que indicam quais itens que precisam, fundamentalmente, serem controlados. Os chamados Itens de Controle. Desse conceito advém um jargão muito utilizado no dia a dia: “ficar controlando a fuga de formigas, enquanto um elefante foge pelas suas costas”. Uma das principais ferramentas de gestão que indicam graficamente os principais itens de controle é o chamado Diagrama de Pareto10. Esse diagrama classificará os insumos dentro de uma CCU em ordem decrescente de importância em custos. Nesse gráfico são plotadas duas séries: uma em barras e outra em linha. A série em barras é usualmente apresentada em unidades monetárias de custos, enquanto que a série em linhas é plotada em unidades percentuais acumuladas. Para a estruturação do Diagrama de Pareto, precisa-se que os itens sejam dispostos do maior, mais representativo, ao menor, menos representativo. Em seguida, calcula-se o percentual do peso de cada insumo no total da CCU. Por fim, procede-se o cálculo acumulando esses percentuais, chegando ao final com uma soma de 100%. A Tabela 3-8 a seguir, juntamente com o gráfico da Figura 3.5 ilustra o exemplo da elaboração do Diagrama 10 O Diagrama de Pareto é assim chamado em homenagem ao economista italiano Vilfredo Pareto que teorizou uma máxima que 80% dos problemas são devido a 20% das causas. Joseph Moses Juran, famoso engenheiro eletricista e referência mundial nos assuntos ligados a gestão da qualidade foi o responsável pela disseminação dessa técnica. 68 de Pareto da CCU apresentada anteriormente na Tabela 3-1. A Tabela 3-8 possui um outro nome muito difundido no meio de gestão e gerenciamento, chamada de curva ABC. Tabela 3-8 - Exemplificação do processo para elaboração do Diagrama de Pareto Descrição do insumo Carpinteiro Madeira Ajudante Prego Total Custo Parcial % % Acumulado 46,96 12,08 7,99 0,38 67,41 70% 18% 12% 1% 100% 70% 88% 99% 100% Figura 3.5 - Diagrama de Pareto para a CCU da Tabela 3-1 Assim, percebe-se que 70% do custo desse serviço é dado pela mão de obra do carpinteiro, seguido por 18% da madeira que irá compor as fôrmas. Dessa análise, observa-se 69 que 88% dos custos previstos para ocorrer por m² de fôrma estão concentrados tanto na produtividade do carpinteiro quanto na aquisição da madeira e que, definitivamente, os pregos não serão alvo de um controle mais rigoroso. 3.3.2 Plano de Contas da Obra Pode-se afirmar que o sucesso de qualquer trabalho realizado pela equipe de controle estará, sempre, vinculado a elaboração de um bom plano de contas. O plano de contas é a estruturação discriminativa que visa organizar as várias fases de implantação de um projeto (QUEIROZ, 2001). Em outras palavras, o plano de contas nada mais é que a divisão dos serviços a serem realizados na obra, de forma organizada, de acordo com a metodologia de controle que deseja-se aplicar. O sistema de apropriação de recursos e produções, que será tratado na seção 3.3.2 utilizará o conceito do plano de contas. Um plano de contas divide-se em grupos e subgrupos chamados, às vezes, de contas/serviços, e locais. Existem diversas formas de se estruturar um plano de contas de um dado projeto, dependendo do interesse do gestor, do nível de detalhe desejado e da complexidade da obra. Contas ou serviços são atividades que se deseja controlar como, por exemplo: • Aplicação de concreto estrutural; • Execução de Armaduras em barras de aço; • Execução de formas de madeira; • Cravação de estaca pré-moldada; • Execução de alvenaria; 70 • Instalações elétricas; • Instalações hidráulicas; • Escavação de material de 1ª categoria; • Etc. Já locais são propriamente os locais físicos aos quais deseja-se extrair a análise. Exemplo: • 1º Pavimento • Frente de serviço “X” • Etc Isto quer dizer, ao estruturar o plano de contas como proposto anteriormente pode-se, por exemplo, avaliar a performance de uma equipe que esteja executando o serviço de “Execução de Armaduras em barras de aço” na “Frente de Serviço X”. Essa metodologia ajuda em muito a definir planos de ações quando é detectado um desvio de custos. Isto é, caso apenas se indicasse que o serviço de “Execução de Armaduras em barras de aço” desviou do previsto, não se saberia, com precisão, qual foi a equipe que não performou conforme o planejado, dificultando as ações de melhorias dos gestores. Num projeto ideal, recomenda-se que a estruturação do plano de contas seja muito próxima a da EAP de planejamento, definida na seção 3.2.2.1. De qualquer forma, o plano de contas tem de estar alinhado com as CCU para que se possa saber exatamente as previsões de custos unitários para cada tipo de conta/serviço. Essa necessidade ficará mais clara na próxima seção. A seguir, na Tabela 3-9 segue a estruturação de um plano de contas de acordo com a EAP da Tabela 3-2. 71 Tabela 3-9 - Exemplo de um plano de contas de acordo com a EAP da Tabela 3-2 Local Conta Trecho 1 Escavação de solo Transporte de material para Bota-fora Espalhamento e Compactação de Saibro Controle tecnológico do solo compactado Execução de sub-base Execução de base Imprimação e Pintura de Ligação Espalhamento e compactação de CBUQ Trecho 2 Escavação de solo Transporte de material para Bota-fora Espalhamento e Compactação de Saibro Controle tecnológico do solo compactado Execução de sub-base Execução de base Imprimação e Pintura de Ligação Espalhamento e compactação de CBUQ A principal vantagem da estruturação de um plano de contas de acordo com a Tabela 3-9 decorre do fato de permitir que sejam orçadas composições diferentes do mesmo serviço em locais diferentes. Isso quer dizer que, se, por exemplo, o local “Trecho 1” ocupar um lugar físico mais favorável a produção que o “Trecho 2”, suas composições poderão ser orçadas levando-se em conta índices de produtividade melhores. Essa condição permite que uma análise de custos (que será abordada mais a frente) possa levar em conta as particularidades de cada local. 72 3.3.3 Sistema de Apropriação da Produção – Custeio das Informações Essa é uma das etapas mais complexas, se não a mais, da equipe de controle. As atividades começarão no dia em que a obra iniciar e só terminaram no momento em que não houver mais nenhuma produção. De forma simples, a função dos apontadores nada mais é que a de conduzir os recursos consumidos para seus respectivos centros de custos. Em outras palavras, custear as informações em seus respectivos locais. Assim, o objetivo do sistema apropriação é transmitir as informações, a serem compiladas, do que está acontecendo no dia a dia no campo. Essas informações serão passadas, posteriormente, a equipe de controle que a utilizará para determinar os custos reais que estejam incorrendo na obra. Dependendo do porte do projeto, uma equipe de apropriação pode passar dos 50 funcionários, com níveis hierárquicos bem estabelecidos, desde o apontador até o encarregado de apropriação. Dentre as principais informações que a equipe de apropriação tem de colher no campo, destacam-se: a) Produção diária de serviço b) Consumo de materiais c) Utilização e distribuição da mão de obra e equipamentos Sendo assim, em seus controles, os apontadores vão indicando quais recursos estão sendo consumidos, e em quais quantidades, e os relacionando com o plano de contas, tratados na seção anterior (Tabela 3-8). Ou seja, se, por exemplo, uma escavadeira hidráulica ficou trabalhando 9h de um determinado dia no serviço de “Escavação de Solo”, localizada no 73 “Trecho 1”, essa informação será computada nesse centro de custo e utilizada futuramente, em uma análise, para inferir os custos totais consumidos nesse serviço. Embora de extrema importância, os trabalhos de apropriações muitas vezes esbarram em dificuldades. Assim, as informações chegam incompletas ou distorcidas para a equipe de controle trabalhar, conduzindo a resultados imprecisos e não refletindo fielmente o real cenário da produção. Os principais entraves das tarefas de apropriação devem-se ao fato, principalmente, de: • Na tentativa de se economizar custos indiretos, a equipe sempre se encontra subdimensionada, isto é, sempre existem menos apontadores do que o de fato seria necessário. • Como as obras sempre estão com seus cronogramas apertados, evita-se a criação de muitos processos de controle para não engessar a principal atividade das construtoras. Construir. Visto esse complicador, utiliza-se o conceito tratado na seção 3.3.1, do Diagrama de Pareto, em que se estabelecem prioridades de controle, isto é, os itens de controle, pois já que não se pode controlar todos os insumos dentro de uma obra, que controle-se aqueles mais representativos. 3.3.4 Análise de Custos e a Produtividade de Mão de Obra Após a apropriação tratada na seção anterior, com o custeio das informações, segue-se para a compilação desses dados. Nesse momento, todos as informações vindas do campo por intermédio dos apropriadores serão tratadas com o objetivo de se gerar indicadores de 74 performance. O principal indicador a que se refere é o custo unitário real dos serviços que será sempre comparado com aquele previsto na CCU. Como orientado anteriormente, para uma análise eficaz, o plano de contas tem de estar alinhado com as suas CCU de orçamento e, portanto, para cada centro de custo haverá uma sempre CCU prevista. Nessa compilação, procede-se agrupando os insumos de acordo com seus tipos (materiais, mão de obra, equipamentos, etc.). Além dessas informações de custeio, a apropriação trará as informações de produção de serviços, fundamentais para a conclusão da análise. De posse dessas informações, a equipe de controle estará hábil para calcular o custo unitário real do serviço naquele período. A título de exemplo, suponha-se que o período de análise seja de 30 dias e que todas as informações sobre produção, consumo de mão de obra e aquisição de materiais pelo setor suprimento, tenham sido devidamente custeadas no centro de custos de “Execução de Fôrmas de Madeira” no “1º pavimento”. A Tabela 3-10 a resume esse trabalho. 75 Tabela 3-10 - Exemplo do Custo Unitário de um serviço Custo Unitário do Serviço Mês 1 Serviço: Execução de Fôrmas de Madeira Local: 1º Pavimento Tipo do Insumo Descrição do Insumo Mão de Obra Carpinteiro Ajudante Materiais Madeira Prego Custo total do Serviço Custo Unitário Unidade: m² Produção: 127,00 Unidade Quantidade Cotação Custo Parcial h h 533,4 139,7 18,33 12,49 9.777,22 1.744,85 m² kg 190,5 254 9,66 1,28 1.840,23 325,12 13.687,43 107,78 Analisando o resultando obtido, enxerga-se que o custo unitário atingido pela equipe de produção foi de R$ 107,78 por m² de fôrma, valor quase 60% acima daquele previsto pela CCU da Tabela 3-1. O que se acaba de fazer é exatamente o que se chama de Análise de Custo. Agora, suponha-se que no mês seguinte, a composição real do serviço seja retrada pela Tabela 3-11. 76 Tabela 3-11 - Execução do serviço de fôrmas no mês seguinte ao da Tabela 3-10 Custo Unitário do Serviço Mês 2 Serviço: Execução de Fôrmas de Madeira Local: 1º Pavimento Tipo do Insumo Descrição do Insumo Mão de Obra Carpinteiro Ajudante Materiais Madeira Prego Unidade: m² Produção: 127,00 Unidade Quantidade Cotação Custo Parcial h h 190,5 139,7 18,33 12,49 3.491,87 1.744,85 m² kg 190,5 254 9,66 1,28 1.840,23 325,12 Custo total do Serviço Custo Unitário 7.402,07 58,28 Observa-se que foram mantidos todos os dados iguais ao da Tabela 3-10, apenas mudouse o consumo de carpinteiros e, como consequência, o custo unitário caiu para R$ 58,28 por m². A resposta para esse fenômeno está na produtividade de mão de obra, em que, no segundo caso, trabalhou-se melhor. No próximo capítulo entra-se mais a fundo nesse tema, sendo proposta uma metodologia para avaliação de como que um desvio de produtividade de mão de obra impactará, genericamente, nos custos de um projeto. 77 4 O Custo da Ineficiência 4.1 Considerações Iniciais Tendo abordado os principais pontos e conceitos tocantes tanto no que se refere à produtividade de mão de obra, quanto ao planejamento e gestão de custos de projeto, chega-se no momento de misturar essas duas disciplinas para o desenvolvimento dessa monografia. Este capítulo será divido em: a) Definição de conceitos – Custos diretos e indiretos b) Avaliação do impacto nos custos diretos. c) Avaliação do impacto nos custos indiretos d) Avaliação do impacto na geração de riquezas. Inicialmente conceitua-se a diferença entre custos diretos e indiretos, entendimento essencial para o desenvolvimento desse capítulo. Em seguida, num segundo momento, aborda-se o desvio de custos diretos incorridos decorrentes de uma ineficiência no processo produtivo. Aproveita-se para conceituar uma metodologia de análise de projeções, em que os cenários vivenciados serão projetos para o término da obra. Posteriormente, aborda-se de que forma o desvio de produtividade pode acrescentar custos indiretos e impactar na geração de riquezas de empreendimentos. Esses dois resultados, combinados com o impacto nos custos direitos, servirão de insumos para as análises que serão realizadas no capítulo 6 dessas monografia. Nesse último ponto, irá se estudar as ações corretivas e as possíveis tomadas de decisões cabíveis pelos gestores, dependendo do cenário encontrado. 78 4.2 Definição de conceitos – Custos Diretos e Indiretos Custos diretos são definidos como os custos inerentes a produção direta de serviços, ou seja, atividades que agregam valor. São exemplos de custos diretos os gastos com materiais, equipamentos, mão de obra de produção e subcontratados. Custos associados a overhead da sede11, engenheiros, mestre de obras, funcionários administrativos ou gastos relativos à água, luz, telefone, locação de containers, etc., por outro lado, são todos alocados nas contas indiretas, isto é, custos de apoio. Faz-se essa distinção de agrupamento devido ao fato desses grupos possuírem características distintas de custeio. Os custos diretos em um dado período, por um lado, são diretamente proporcionais ao avanço físico da obra nesse mesmo período, enquanto que, de forma geral, os custos indiretos não dependem da produção. Isto é, caso aloque-se um engenheiro civil para a gestão de determinado projeto, seu custo não irá aumentar nem diminuir em função da produção realizada em um determinado mês. Diferentemente, os custos associados ao fornecimento de concreto dependerão do total de elementos estruturais, por exemplo, concretados em um dado período. Na indústria seriada costuma-se separar os custos em fixos e variáveis. Fixos são aqueles que não mudam em função da produção, como luz, água, depreciação de equipamentos, alugueis, overhead da sede, etc. Enquanto que os variáveis são aqueles referentes aos insumos de produção que dependem diretamente das unidades de mercadorias produzidas. 11 Overhead da sede são os custos associados à sede da empresa como, por exemplo, custos dos executivos (presidentes, diretores, gerentes, etc), aluguel de salas, eletricidade, mão de obra administrativa, gastos com jurídico, seguros, etc. 79 Longe da pretensão de criticar o conceito de custos fixos e variáveis, a adoção destes não se aplica muito bem na construção civil. Essa afirmação deve-se ao fato de embora se tenha dito que os custos indiretos não dependem do avanço físico, estes dependem do nível de produção ao qual a obra vivencia. Isto é, os custos indiretos não são os mesmos do início ao fim do empreendimento, muito pelo contrário, na fase inicial, de mobilização, a equipe de apoio é menor e vai crescendo na medida em que vai se aumentando o nível de produção. Essa conceituação fica clara ao se considerar uma equipe de compras (suprimentos), em que a demanda de materiais no início é muito menor do que no meio da obra, sendo necessários, portanto, menos funcionários. 4.3 Avaliação do Impacto nos Custos Diretos 4.3.1 Caracterização do Problema A discrepância dos custos unitários reais observados nas Tabelas 3-10 e 3-11 do final do capítulo anterior descrevem perfeitamente o problema. Num primeiro momento (Tabela 3-10) observou-se a execução dos serviços de fôrma a um custo unitário de R$ 107,78 por m², enquanto que, em outro cenário (Tabela 3-11), a execução de 1 m² de fôrma saiu por R$ 58,28. A diferença entre esses dois resultados, como falado anteriormente, passa através do conceito de produtividade de mão de obra, já que todos os outros quantitativos permaneceram exatamente iguais. Isto é, trabalhou-se melhor no segundo caso, conduzindo a custos unitários menores. O que se pretende nesta seção é formular uma metodologia para avaliar de que forma um desvio da produtividade de mão de obra poderá causar um acréscimo de custos diretos, sistematizando, dessa forma, uma análise de custos dinâmica. 80 4.3.2 Formulação Matemática O princípio que norteia a formulação do problema advém do fato de que um desvio no custo unitário previsto de determinado serviço, dado um desvio no consumo unitário de determinado insumo, dependerá do peso desse insumo na CCU. Esse princípio fica claro no comparativo entre as Tabelas 4-1, 4-2 e 4-3 a seguir. Tabela 4-1- CCU Prevista CCU - Prevista Tipo do Insumo Descrição do insumo Unid. Qntd. Custo Unit. (R$) Mão de obra Mão de obra Material Material Total Carpinteiro Ajudante Prego Madeira 2,562 0,640 0,300 1,250 18,33 12,49 1,28 9,66 h h kg m² Custo Parcial % 46,96 7,99 0,38 12,08 67,41 69,7% 11,9% 0,6% 17,9% 100,0% Tabela 4-2 - CCU impondo-se um acréscimo de 20% no consumo unitário de carpinteiros Caso 1 -Variação de 20% na RUP de carpinteiros Tipo do Insumo Descrição do insumo Unid. Qntd. Custo Unit. (R$) Custo Parcial (R$) Mão de obra Mão de obra Material Material Total Carpinteiro Ajudante Prego Madeira 3,074 0,640 0,300 1,250 18,33 12,49 1,28 9,66 56,35 7,99 0,38 12,08 76,81 h h kg m² 81 Tabela 4-3 - CCU impondo-se um acréscimo de 50% no consumo unitário de ajudantes Caso 2 -Variação de 50% na RUP de ajudantes Tipo do Insumo Descrição do insumo Unid. Qntd. Custo Unit. (R$) Mão de obra Mão de obra Material Material Total Carpinteiro Ajudante Prego Madeira 2,562 0,960 0,300 1,250 18,33 12,49 1,28 9,66 h h kg m² Custo Parcial 46,96 11,99 0,38 12,08 71,41 Na Tabela 4-1 repetiu-se a composição que tem servido de exemplo nessa monografia, apresentada pela primeira vez na Tabela 3-1. A única diferença é que se incluiu uma coluna de percentual de peso, onde se pode observar que o insumo “carpinteiro” é o mais pesado da composição abrangendo quase que 70% do custo previsto. Essa mesma conclusão foi observada no Diagrama de Pareto da Figura 3.5 no capítulo anterior. Em seguida, aplicou-se 20% de variação no consumo unitário desse insumo, o que conduziu ao resultado observado na Tabela 4-2. Nesse mesmo sentido, o resultado de um acréscimo de 50% no consumo de ajudantes está representado na Tabela 4-3. O que se está a fazer aqui é justamente variar os índices de produtividade de mão de obra. Nesse caso, está se piorando a eficiência do processo, nos carpinteiros em 20% no primeiro caso e, nos ajudantes, em 50% no segundo caso. Como antecipado anteriormente, um impacto de 20% na produtividade de mão de obra de carpinteiros, que é o insumo mais pesado da CCU, elevou o custo unitário do serviço para R$ 76,81, enquanto que, um impacto bem maior, de 50%, na produtividade dos ajudantes, culminou em um acréscimo de custos menor, elevando-o para R$ 71,41. Isso confirma o princípio inicial dessa seção. De forma geral, tem-se: 82 “O impacto no custo direto de cada serviço, dado por um desvio de produtividade de mão de obra, estará sempre vinculado ao peso que esse insumo tem na CCU no serviço.” Objetivando o desenvolvimento de uma formulação matemática geral, precisa-se antes definir algumas nomenclaturas. Seguem abaixo: • CUi = Custo Unitário do insumo i; • Qi,j = Consumo unitário, ou produtividade, do insumo “i” no serviço “j”; • CUTj = Custo Unitário Total do serviço “j”; • Pi,j = Peso do Insumo “i” no Custo Unitário Total do serviço “j” (CUTj) 12; • ∆i,j = Variação percentual da produtividade ou do consumo do insumo “i” no serviço “j”. A partir dessa definição, têm-se as seguintes equações: m y = z jc,y c = jF,y F + jG,y G + ⋯ + jm,y m cF c,y = 12 jc,y c ∑mc=F jc,y c = jc,y c y Eq. (4.1) Eq. (4.2) Caracterizado pela coluna “%” na Tabela 4-1 83 ∆c,y = jB B − Fgh∆c,y = − F B> jB> Eq. (4.3) Em que os somatórios são feitos de i=1 até os “n” insumos da CCU do serviço “j”. Ressalta-se que o indicador RUPPREVISTA na Eq. 4.3 é exatamente a RUPMETA introduzida no capítulo 2. Assim, da Eq. (4.1), pode-se expressar o CUTPREVISTO do serviço “j” conforme a seguir: KL| }~:; = z , K = , K + , K + ⋯ + , K Impondo-se sobre esse resultado uma variação ∆i,j no consumo unitário do insumo “i” do serviço “j”, determina-se o CUTREAL do serviço “j” : KL = z(1 + ∆, ) , K = (1 + ∆, ) , K + (1 + ∆, ) , K + ⋯ + (1 + ∆, ) , K }<= Em que, dividindo-se o CUTREAL pelo CUTPREVISTO do serviço “j” tem-se: KL KL| }<= }~:; = (1 + ∆, ) , K + (1 + ∆, ) , K + ⋯ + (1 + ∆, ) , K KL| }~:; Separando a fração anterior em uma soma de “n” frações e utilizando a relação estabelecida pela Eq. 4.2, tem-se. 84 KL KL| }<= }~:; = (1 + ∆, ), + 1 + ∆, , + ⋯ + 1 + ∆, , = z(1 + ∆, ), Desse resultado, pode-se simplificá-lo expandindo-se o produto através da distributiva e introduzindo uma nova nomenclatura, DCUj , conforme a seguir: K\ = KL \ KL LM \ 9 9 K\ = z(1 + ∆W,\ )W,\ = z W,\ +∆W,\ W,\ W=1 W=1 m Ay = F + z ∆c,y c,y cF Eq. (4.4) Já que: z , = 100% = 1 85 A Eq. 4.4 representa a formulação geral para o impacto do desvio de produtividade de mão de obra nos custos unitários de um serviço em que a sigla DCUj significa “Desvio no Custo Unitário” do serviço “j”. Aproveita-se para destacar que essa formulação foi estruturada sem se especificar ao que se refere a variação percentual ∆i. Assim, essa formulação serve para quaisquer tipos de variação no consumo unitário de insumos. No caso de mão de obra, essa variação será o próprio desvio de produtividade e, em outros casos, será o desvio no consumo unitário desse insumo. 4.3.3 Análise e Validação Nesse momento precisa-se validar a equação desenvolvida anteriormente. Para tanto, utilizaremos os resultados obtidos através das Tabelas 4-1 a 4-3. No resultado obtido na Tabela 4-2, em que se impôs um desvio de 20% na RUP dos carpinteiros, chegou-se a um custo unitário de R$ 76,81 contra um valor de R$ 67,41 previsto, portanto. K = KL }<= 76,81 = = 1,139 → 113,9% KL| }~:; 67,41 O que representa um acréscimo de 13,9% do real frente ao previsto. Aplicando a equação dos pesos (Eq. 4.2) para calcular o peso do insumo “carpinteiro” na CCU de fôrma, tem-se: < |:} ; = < |:} ; K< |:} ; ∑ K , = < |:} ; = < |:} ; K< |:} ; KL = 0,6966 → 69,66% = 2,562.18,33 67,41 86 Esse resultado pode ser observado na coluna “%” da Tabela 4-1. Utilizando, agora, a Eq. 4.2 para calcular o desvio de produtividade, tem-se: ∆, = }<= 3,074 −1= − 1 = 0,2 = 20% | }~:< 2,562 Como esperado, já que se aplicou 20% de variação na RUP de carpinteiros. Assim, juntando esses dois resultados na Eq. 4.4 que se quer validar, têm-se: KÔ < KL }<= = = 1 + z ∆, , = 1 + (0,2. 0,6966) = 1,139 → 113,9% KL| }~:; Que é o mesmo resultado obtido através das análises das composições, como se queria demonstrar. Assim, pode-se observar a facilidade de aplicação da Eq. 4-4 em situações prática em que se basta conhecer o peso de determinada mão de obra na CCU do serviço e, dado um desvio de produtividade, calcular o quanto que essa variação poderá onerar seu custo unitário. Através da Eq. 4-4 percebe-se o quão dependente dos pesos dos insumos é a gestão de custos de obras. Nesse sentido, nos exemplos das Tabelas 4-2 e 4-3, observou-se que variar 50% da produtividade dos ajudantes onera menos que variar apenas 20% nos carpinteiros. 4.3.4 Projeção do Desvio Tendo formulado a operação de cálculo para o desvio de custo unitário dado uma variação da produtividade de mão de obra real frente à prevista (ou, meta), pode-se projetar essa ineficiência para o término do contrato, estimando o quanto isso onera a rentabilidade do projeto. 87 Recomenda-se que para o cálculo da projeção, utilize-se a RUPCUMULATIVA na determinação da variação percentual de produtividade ∆i. Essa recomendação visa estimar um cenário projetado dado o histórico real vivenciado na obra. Dessa forma, o cenário projetado para um serviço “j” pode ser calculado utilizando a Eq. 4.5 a seguir: AAy = Ay − F. y . j>y Eq. (4.5) Onde: • DCDj é o Desvio no Custo Direto devido as variações no serviço “j”; • DCUj é o Desvio no Custo Unitário do serviço “j”devido as suas variações de produtividade; • CUTj é o Custo Unitário Total previsto para o serviço “j”; • QSj é a Quantidade de Serviço total para o serviço “j”. Assim, utilizando o resultando da Eq. 4.4 dentro da Eq. 4.5, tem-se: m AAy = z ∆c,y c,y . y . j>y c=F Eq. (4.6) Em que, generalizando para todos os “k” serviços da obra, resume-se a Eq. 4.7, que avalia o desvio no custo direto total do empreendimento, dado as variações percentuais de produtividades ∆i nos “i” insumos do projeto. 88 I m AA? = z z ∆c,y c,y . y . j> y=F cF y Eq. (4.7) Ressalta-se que da mesma forma que todos os exemplos aqui foram calculados para uma situação de ineficiência no processo produtivo, as equações aqui desenvolvidas também são válidas no caso contrário. Nessa ocasião, o desvio de produtividade percentual ∆i,j será uma grandeza negativa e, ao aplicá-lo na Eq. 4.4, encontrar-se-á um valor menor que 1, caracterizando que o custo unitário real foi menor que o previsto. Dessa mesma forma, utilizando-o tanto na Eq. 4.6 como na Eq. 4.7, encontrar-se-á valores negativos, o que representará uma economia. 4.4 Avaliação do Impacto nos Custos Indiretos 4.4.1 A Complexidade do Problema Esta com certeza é a disciplina mais complexa de se avaliar, no que se refere a desvio de custos previsto versus realizado. Diferentemente da metodologia apresentada na seção anterior, em que se modelou uma forma determinística para o cálculo do acréscimo de custos diretos devido a um desvio de produtividade, no grupo de custos indiretos essa análise é muito mais complicada. Isso se deve ao fato da dificuldade de se relacionar o custeio indireto com o custeio direto. Como anteriormente mencionado, existe uma relação entre os gastos com despesas indiretas e o nível de produção ao qual a obra vivencia. No entanto, essa relação não é facilmente 89 determinada matematicamente, tendo em vista que depende, e muito, do tipo de obra que se está analisando. Seguindo esse raciocínio, as análises a seguir nessa seção serão de caráter qualitativo, demonstrando a forte relação que existe entre os custos indiretos do projeto e a eficiência no qual o empreendimento utiliza sua mão de obra. 4.4.2 Como é feito nos dias de hoje Apesar de não existirem muitos estudos nessa área, existem algumas metodologias práticas que são muito utilizadas para avaliar o acréscimo de custo indireto dado uma estrapolação de prazos. Muito embora essas metodologias tenham sido desenvolvidas para calcular uma parte do acréscimo do custo indireto, os overheads, serviços que elas desempenham muito bem, essas metodologias tem sido, na opinião do presente autor, equivocadamente expandida para o cálculo do acréscimo de todos os custos indiretos. A primeira das metodologias a que se refere é conhecida como “Fórmula de Eichleay”, expressa pela Eq. 4.10 a seguir. MD()O(O = oT]UTYR98Q8S89UT8 . MD:;:<= oT]UTYR98L8TQT YVURXT Eq. (4.8) Em que “OH” é a sigla para overhead. LTxTQWáUWTQRMD = MD()O(O UT8URTQ8S89UT8 Eq. (4.9) 90 Em que o prazo real do contrato é considerado em dias e inclui o prazo total para conclusão da obra, incluindo os dias de atraso. E, por fim: bfésbcwgde? = (`v`dcáfc`de?). Ac`sde`f`sg Eq. (4.10) Essa metodologia considera as seguintes premissas: a) A alocação dos custos de overhead são proporcionais ao peso que aquele contrato tem pra companhia b) Os custos com overhead direcionados a um projeto é constate Quanto à premissa “a” não há nada a que se acrescentar. De fato a alocação desses custos depende do volume do contrato em relação a todos os outros contratos da empresa. Diferentemente, a premissa “b” não é uma unanimidade, tendo em vista que ela assume que o direcionamento de overhead para um projeto depende exclusivamente do percentual que aquele projeto representa no faturamento total da empresa, independente do seu prazo de execução e eventuais atrasos. Isto é, se um contrato direcionar “X” unidades monetárias como parte do overhead para um dado projeto, esse valor não aumentará mesmo que a obra seja concluída com atrasos. Corrigindo essa distorção, uma metodologia chamada de “Método Canadense” segue os mesmos passos do procedimento anterior, com apenas uma distinção, na Eq. 4.9, que segue rescrita para essa metodologia conforme a seguir: LTxTQWáUWTQRMD = MD()O(O UT88UW4W9TQ8S89UT8 Eq. (4.11) Com essa correção, pode-se dizer que as premissas adotadas por esse método são: 91 a) A alocação dos custos de overhead são proporcionais ao peso que aquele contrato tem pra companhia; b) Os custos com overhead direcionados a um projeto são imaginados para serem custeados ao longo da execução prevista para o projeto, sofrendo aumento caso ocorra acréscimo de prazo. Dessa maneira, com a reescrição da premissa “b”, essa teoria fica muito mais aceitável. Apesar de ter-se aberto essa discussão a respeito do custeio de overhead, o problema principal não ocorre nessa etapa. Equivocamente, o que ocorre, é que a mesma teoria que acaba de ser descrita é utilizada para todos os custos indiretos, ou seja, supõe-se que o acréscimo de custo indireto para um projeto que sofreu atrasos seja proporcional aos dias a mais que a obra levou para ser concluída. Isto é: LTxTQWáUWTQR9QWURT = 9QWURTVURkWXT UT88UW4W9TQ8S89UT8 bfésbcwgdemdcfe` = (`v`dcáfc`demdcfe`). Ac`sde`f`sg Eq. (4.12) Eq. (4.13) Nas próximas seções da presente monografia mostrar-se-á que a realidade é um pouco diferente dessa premissa. 4.4.3 Metodologia e Dados Utilizados Antes de iniciar as discussões, faz-se uma apresentação dos dados e metodologias que serão utilizados. 92 Os dados foram extraídos a partir de obras reais de infraestrutura, executadas por uma das maiores empresas brasileiras desse setor. Devido ao sigilo óbvio dessas informações, os dados serão tratados apenas em cunho percentual, tendo em vista que essas informações se tratam de vantagens competitivas dessa empresa em concorrências públicas. Nesse mesmo sentido, não serão fornecidos os nomes das obras, nem suas características principais. Uma nomenclatura típica, criada pelo presente autor, será utilizada apenas para diferenciação dos dados. Quando se fizer necessário o fornecimento de alguma observação específica de um dado projeto, objetivando exclusivamente a pontuação de algum conceito, determinada informação será considerada. Teve-se acesso as seguintes informações, de um total de 4 obras: a) Avanço físico previsto para o projeto mês a mês; b) Avanço físico real do projeto mês a mês; c) Custo total previsto com mão de obra direta; d) Custo total real com mão de obra direta; e) Custo total previsto para o projeto; f) Custo total real para o projeto; g) Distribuição de custo previsto para a indireta mês a mês; h) Custeio real de indireta mês a mês. Todos os dados foram equalizados para se referirem as mesmas quantidades de produção, ou seja, caso tenham ocorrido mudanças em quantitativos de serviços previsto em relação aquilo que se de fato se realizou, essas discrepâncias foram desconsideradas de forma a permitir uma comparação. Dessas informações, irá se utilizar as seguintes nomenclaturas: 93 a) IR – Custo Indireto Real b) IP – Custo Indireto Previsto c) DMODREAL – Despesa com Mão de Obra Direta Real d) DMODPREVISTO – Despesa com Mão de Obra Direta Prevista Nesse sentido, três importantes relações serão criadas, conforme a seguir: a) I/D – Razão entre o Custo Total da Indireta pelo Custo Total da Direta; Tem como objetivo mostrar uma coerência entre o custo indireto e o custo direto tanto real quanto o previsto. Essa relação varia dependendo do tipo e das características da obra, variando da ordem de 15 a 30%. b) IR/IP – Razão entre o Custo da Indireta Real pela Indireta Prevista; Esse indicador tem como objetivo mostra o custo indireto real frente ao previsto. Caso esse indicador seja maior que 1, significa que incorreu-se em mais custos indiretos que o inicialmente planejado. c) DMODREAL/DMODPREVISTO – Razão entre o Custo Total com mão de obra direta real pelo Custo Total com mão de obra direta prevista. O Objetivo desse indicador é mostrar a perda de produtividade de mão de obra direta. Tendo em vista que DMODPREVISTO13 é calculado através das RUPMETA previstas nas CCU, tem-se que caso DMODREAL seja maior que 13 O procedimento para o cálculo de DMODPREVSITO é uma consequência do cálculo do Histograma de Recursos que foi abordado na seção 3.2.4 desta monografia. Para tanto, determinando-se o Histograma de Recursos, basta multiplicá-lo pelos custos associados com cada uma das funções diretas. 94 o previsto, utilizou-se mais Hh por unidade de serviço, caracterizando, assim, perda na eficiência produtiva. Em cada análise foi gerado três gráficos, a saber: • Avanço físico Previsto versus Realizado mensal; • Avanço físico acumulado Previsto versus Realizado (Curva S); • Avanço cumulativo do consumo da Indireta Prevista e da Real frente à Prevista (Curva S) A esses gráficos, acrescenta-se ao final uma tabela contendo os indicadores acima apresentados e outros dados relevantes. 95 4.4.4 Apresentação e Análise dos Dados 4.4.4.1 OBRA 1 Figura 4.1- Avanço físico mensal - OBRA 1 Figura 4.2 - Avanço Físico Acumulado – OBRA 1 96 Figura 4.3 - Comparativo entre Indireta prevista e Indireta Real - OBRA 1 Tabela 4-4 - Indicadores OBRA 1 Indicador Valor Prazo Previsto 17 meses Prazo Real 30 meses I/D Previsto 27,3% I/D Real 31,6% DMODREAL/DMODPREVISTO 117,2% IR/IP 135,7% A OBRA 1 apresentou baixa capacidade produtiva real frente a planejada, como pode ser observado nos gráficos da Figura 4.1 e 4.2, o que ocasionou o rompimento com o prazo previsto. Através do indicador DMODREAL/DMODPREVISTO, pode-se observar que houve perda de produtividade na execução dos serviços, isto é, consumiu-se mais Hh por unidade de serviço produzida. Mesmo nesse cenário, na OBRA 1 optou-se por não acrescer a quantidade 97 de recursos originalmente prevista, isto é, trabalhou-se com baixa produtividade mas respeitando a quantidade de homens planejadas. Como resultado dessa estratégia, analisando a Tabela 4-4, houve um acréscimo de prazo de mais de 12 meses, 76,4% a mais que o previsto, apesar de um acréscimo de custos com mão de obra direta de apenas 17,2%. Além disso, houve um rompimento dos custos indiretos previstos na ordem de 35,7% a mais. Essa consequência deve-se ao fato de no mês previsto para a conclusão do projeto a obra ter avançado apenas algo em torno de 73% do total previsto, isto é, faltando ainda muitos serviços pela frente o que exigiu o mantimento de equipes de apoio indireto por muito tempo. Isso tudo ainda é agravado pelo fato de a obra ter avançado mais lentamente em suas fases finais, onerando ainda mais seu resultado. 98 4.4.4.2 OBRA 2 Figura 4.4 - Avanço físico mensal - OBRA 2 Figura 4.5 - Avanço físico acumulado - OBRA 2 99 Figura 4.6 - Comparativo entre Indireta prevista e Indireta Real - OBRA 2 Tabela 4-5 - Indicadores OBRA 2 Indicador Valor Prazo Previsto 19 meses Prazo Real 16 meses I/D Previsto 13,1% I/D Real 13,8% DMODREAL/DMODPREVISTO 135,7% IR/IP 142,9% Diferentemente da OBRA 1, está era uma obra em que o cumprimento ou redução do prazo era fundamental. Assim, como pode ser observado nos gráficos da Figura 4.5 e 4.6, trabalhou-se com perda de produtividade durante os 10 primeiros meses do contrato. Se vendo na necessidade de cumprimento do cronograma, optou-se por acrescentar em demasia a quantidade de recursos estimada inicialmente. Dessa forma, mesmo trabalhando-se com 100 menos eficiência que o previsto, o aumento da quantidade de recursos possibilitou abertura de diversas frentes de serviço, conduzindo a um ganho de capacidade produtiva. Esse ganho de capacidade produtiva pode ser observado no 14º mês, em que se avançou mais de 20% do total previsto para o projeto. Esse é um caso clássico dos efeitos de aceleração, abordados em profundidade no capítulo 2. Como consequência dessa decisão, o efeito de aceleração ocorre em mão dupla, isto é, da mesma forma que ele possibilidade um aumento da capacidade produtiva através da adição de mais recursos, ocorre uma piora ainda mais acentuada da produtividade de mão de obra, isso em decorrência do efeito de overcrowding, estudado por Thomas (1990), e ainda da complexidade de gestão que passa a se enfrentar nesses períodos em que se atacam diversas frentes simultaneamente. Nessa obra, observou-se um acréscimo de 35,7% dos gastos com mão de obra, acompanhados ainda por um acréscimo de 42,9% dos custos indiretos. Esse acréscimo de custo indireto decorre do fato de para se possibilitar o ataque em diversas frentes simultaneamente, diferente do que fora planejado no estudo do projeto, aumentam-se as quantidades de engenheiros, mestres, encarregados, além de se inflar os quadros com compradores, financeiro, departamento pessoal, etc. Esse é um excelente caso que demonstra a correlação do acréscimo de custos indiretos com a perda de produtividade de mão de obra. Diferentemente do que as metodologias introduzidas na seção 4.4.2 iriam prever, tendo em vista que não houve atraso no cronograma, mas, no entanto, houve acréscimo de custos indiretos. 101 4.4.4.3 OBRA 3 Figura 4.7- Avanço físico mensal - OBRA 3 Figura 4.8 - Avanço físico acumulado - OBRA 3 102 Figura 4.9 - Comparativo entre Indireta Prevista e Indireta Real – OBRA 3 Tabela 4-6- Indicadores OBRA 3 Indicador Valor Prazo Previsto 36 meses Prazo Real 19 meses I/D Previsto 29,7% I/D Real 31,7% DMODREAL/DMODPREVISTO 72,9% IR/IP 78,0% A OBRA 3, em consonância com o que pôde ser visto nas obras anteriores, apresentou uma forte correlação entre a produtividade de mão de obra e os custos indiretos do projeto. Nesse caso, conseguiu-se utilizar os recursos eficientemente, conduzindo a um custo total com mão de obra de 72,9% daquele previsto. Esse ganho de produtividade real frente ao previsto conduziu a avanços físicos maiores que aqueles imaginados (Figuras 4.8 e 4.9), levando a conclusão da obra bem antes do prazo estimado. Esses ganhos de produtividade 103 foram ocasionados pela utilização de métodos industriais e de inovações construtivas que permitiram avanços físicos da ordem de 8% ao mês, quase o dobro do que fora planejado. A proximidade dos indicadores I/D previsto e I/D real, como pode ser visto na Tabela 4-6, demonstra que esse não é um caso em que “orçou-se” bem a indireta do projeto, tendo vista que os indicadores tanto no caso previsto, como no caso real, estiveram bem próximo. O caso da OBRA 3 demonstra como a implementação de inovações tecnológicas tem um potencial gigantesco no mercado da construção civil. Suas consequências vão ocorrendo em efeito cascata, tendo em vista que com a adoção de inovações construtivas consegue-se produzir mais unidades de serviço por mês. Levando isso em consideração e mantendo-se a quantidade de homens que fora planejado inicialmente, estará se conduzindo a melhorias de produtividade. Essa melhoria de produtividade conduz a economias no custo com mão de obra real frente à prevista, além da redução do prazo de execução da obra que, por sua vez, possibilita a desmobilização da indireta mais cedo que o planejado diminuindo, assim, o custo indireto real. 104 4.4.4.4 OBRA 4 Figura 4.10 - Avanço físico mensal - OBRA 4 Figura 4.11- Avanço físico acumulado - OBRA 4 105 Figura 4.12 - Comparativo entre Indireta Real e Indireta Prevista - OBRA 4 Tabela 4-7 - Indicadores da OBRA 4 Indicador Valor Prazo Previsto 19 meses Prazo Real 28 meses I/D Previsto 18,5% I/D Real 17,8% DMODREAL/DMODPREVISTO 84,7% IR/IP 99,0% O caso da OBRA 4 difere um pouco dos anteriores. Nessa obra extrapolou-se em 9 meses o prazo inicialmente previsto, no entanto, não foram percebidos aumentos nos custos indiretos do projeto como pode ser observado pelo indicador IR/IP na Tabela 4-7. No entanto, também trabalhou-se de forma eficiente no que se refere a produtividade de mão de obra, observando o indicador DMODREAL/DMODPREVISTO. A aparente inconsistência desses dados se deve ao fato desse caso ser de uma obra que teve um período de paralisação por causa do cliente entre 106 os meses 14 e 20, como pode ser visto nas Figuras 4.11 e 4.12, o que conduziu a avanços físicos quase que insignificantes. Nesse período, no entanto, a mão de obra direta foi praticamente toda dispensada, mantendo-se apenas uma equipe mínima, o que assegurou que essa paralisação não ocasionasse improdutividade e mão de obra ociosa. Assim, os ganhos de produtividades conquistados antes da paralisação, que levaram a economias de custo indireto e, portanto, num indicador IR/IP ainda menor, foram “consumidos” pelo período de paralisação e seu consequente acréscimo de prazo que conduziu a gastos em se manter instalações paralisadas e a custeio de overhead incorrendo por mais tempo. 4.4.5 Correlações Tendo observado os indicadores IR/IP e DMODREAL/DMODPREVISTO produzidos em cada uma das 4 obras apresentadas anteriormente, consegue-se montar a seguinte correlação entre seus dados, como pode ser visto no gráfico da Figura 4.13 Figura 4.13 - Correção entre os indicadores 107 Essa correlação demonstra claramente a afinidade entre a eficiência na utilização da mão de obra, ou seja, sua produtividade, e a relação entre o custo indireto real e o previsto para cada uma das obras. Assim, pode-se concluir que a metodologia que fixa o desvio no custo indireto com o acréscimo de prazo se caracteriza através da afirmação que um desvio de produtividade, ou seja, uma perda da eficiência na utilização de recursos, conduzirá a acréscimo de prazo no cronograma que, por sua vez, acarretarão em aumentos de custos indiretos. Essa metodologia, entretanto, não descreve bem quando se lança mão das estratégias de aceleração em que opta-se por um acréscimo de recursos objetivando um aumento da capacidade produtiva e, consequentemente, o atendimento ao cronograma. Nessas situações, ocorre a elevação dos custos indiretos mesmo não havendo atrasos na entrega da obra. Esse caso pôde ser observado na OBRA 2. 4.5 Avaliação do Impacto na Geração de Riquezas Esse grupo, apesar de ser o mais fácil de ser formalizado matematicamente, talvez seja aquele que se precise de mais atenção. Imagine, por exemplo, o que o atraso na obra de construção de uma usina hidrelétrica pode gerar de passivo por dia. São valores gigantescos que transformaria qualquer resultado na etapa construtiva em prejuízo ao final da obra. Nesse mesmo sentido, incluem-se obras como, por exemplo: Refinarias; Portos; Plataformas de petróleo; Shopping; Indústrias; Termelétricas; Usinas Nucleares; Linhas de Transmissão; Etc. 108 A avaliação do impacto nessas eventuais gerações de riquezas de empreendimentos após a conclusão da obra concentrará os mesmos pontos observados no impacto no custo direito (seção 4.3), entretanto, a análise dessa vez será feita em termos de prazo, e não do ponto de vista da CCU. Ou seja, partir-se-á da seguinte premissa: a) O desvio nas eventuais gerações de riquezas será calculado através da estimativa do número de dias de atraso da obra, tendo em vista os desvios de produtividade na execução de seus serviços; b) O prazo para conclusão da obra é dado pela duração do seu caminho crítico; Assim, adapta-se a Eq. (2.1), reproduzida a seguir, para a Eq. (4.13) capaz de calcular o prazo para execução de um serviço “j”. = ∆y = . ∆ j>y . y y Eq. (2.1) Eq. (4.13) Considerando um desvio de produtividade de mão de obra ∆j, temos que o desvio no prazo da conclusão do serviço (∆Tj) pode ser expresso pela Eq. 4.14 a seguir: ∆y = j>y . y . (F + ∆y ) j>y . y − y y Eq. (4.14) Que pode ser simplificada para: ∆L = . . ∆ E, utilizado a Eq. 4.13, tem-se, finalmente: 109 ∆y = ∆y . ∆y Eq. (4.15) O que, mais uma vez, demonstra a linearidade da produtividade com o prazo de execução dos serviços. Tendo determinado a Eq. (4.15), não se pode assumir que todo desvio de produtividade causa acréscimo de prazo ao cronograma. Como premissado pelo item (b) anteriormente, o prazo de conclusão da obra será igual ao prazo de execução do caminho crítico. Portanto, somente quando o atraso ∆Tj influenciar no prazo do caminho crítico é que ele deverá ser considerado para efeitos de atraso da obra. Isso decorre do fato de que muitos serviços possuem folgas em suas execuções, permitindo que alguns atrasos possam ocorrer sem comprometer o cronograma. Assim, definindo-se como ξj como sendo a folga que determinado serviço “j” tem até influenciar o caminho crítico do projeto e θj como o acréscimo de dias no caminho crítico, tem-se a Eq. 4.16: ∆y − y ,XR∆L − > 0 £ ∆y , XR = 0 y = H, XR∆L − ≤ 0 Eq. (4.16) Que nada mais significa que: • Caso o desvio na conclusão do serviço ∆Tj seja maior que a folga ξj que ele tem, isso significará um acréscimo de θj = ∆Tj - ξj dias no cronograma. • Caso ele não possua folga alguma (ξj = 0) sendo, portanto, um serviço pertencente ao caminho crítico, isso significará um acréscimo de θj = ∆Tj dias no cronograma. 110 • Caso contrário, o caminho crítico continuará inalterado. Generalizando para todos os “k” serviços da obra, tem-se: I = z y yF Eq. (4.17) Assim, sendo α o custo diário por atraso na entrega da obra, conclui-se para a Eq. 4.18; A¤ = ¥. Eq. (4.18) Em que DGR é o Desvio na Geração de Riquezas. No próximo capítulo será aplicada a metodologia aqui apresentada com o objetivo de se realizar um estudo de caso. Nesse estudo serão criados cenários de desvio de produtividade com o objetivo de se analisar como um dado desvio impactou em cada um dos três grupos de custos aqui apresentados. Por fim, no 6º capítulo, irá se discutir as ações a serem tomadas dependendo do cenário contratual que a obra esteja inserida. 111 5 Aplicação 5.1 Considerações Iniciais O presente capítulo vem com o objetivo de aplicar os conceitos desenvolvidos no capítulo anterior, de forma a se observar, num caso prático, como o desvio de produtividade de mão de obra em determinados serviços impactam economicamente na rentabilidade de um empreendimento. Para tanto, será estudado um caso simples de uma parte da obra de um viaduto contratada por uma refinaria com o objetivo de escoar sua produção. Na próxima seção, serão fornecidas algumas características do projeto, além de ser premissado uma multa por atraso de entrega da obra. Para a aplicação da metodologia proposta, será necessária a definição de algumas etapas preliminares, a saber: a) Orçamento de Custo Direto; b) Orçamento de Custo Indireto; c) Planejamento Físico da Obra Como a elaboração precisa das etapas anteriores foge ao objetivo desta monografia, sua determinação será feita de forma aproximada, visando apenas a aplicação dos conceitos do capítulo 4. 112 5.2 Premissas e Características do Projeto O projeto se trata da construção de um viaduto de concreto armado em 4 apoios e em mão dupla com o objetivo de escoar a produção de uma refinaria recém construída. O viaduto vencerá um vão de 20,5 metros tendo uma largura de aproximadamente 12 metros. A Figura 5.1 a seguir mostra a planta de situação desse viaduto que transpõe a “Estrada ABC”. Figura 5.1- Planta de Situação do Viaduto 113 Tendo em vista que o viaduto é de concreto armado, os serviços que serão escolhidos para variar a produtividade de mão de obra serão os serviços de armação, fôrma e concretagem. A seguir seguem as características gerais do projeto: • 4 sapatas, cada uma contendo: o 24 m³ de concreto o 1.720 kg de armadura o 27 m² de fôrma o 17 m³ de reaterro compactado • 4 pilares, cada uma contendo: o 5 m³ de concreto o 500 kg de armadura o 17 m² de fôrma o 144,0 m² x mês de andaimes • 2 travessas, cada uma contendo: o 24,5 m³ de concreto o 2.366,9 kg de armadura o 56,2 m² de fôrma o 72,0 m³ x mês de cimbramento • 5 Vigas, pré-lajes e lajes que serão pré-fabricadas e, tanto sua fabricação, quanto seu lançamento serão subcontratados. • 70,8 toneladas de pavimentação que será subcontratada 114 A CONTRATANTE estabeleceu multa de R$ 25.000,00 por dia útil de atraso, tendo em vista que cada dia de atraso significaria um dia sem poder escoar e distribuir sua produção. Nesse mesmo sentido, caso a obra seja entregue num prazo menor que o previsto, um valor igual ao da multa diária será pago, a título de bônus, por dia de antecipação da entrega. 5.3 Orçamento 5.3.1 Estrutura Analítica de Projeto Segue apresentado na Tabela 5-1 a EAP da obra. As nomenclaturas E1 e E2 referem-se a Encontro 1 e Encontro 2, respectivamente. 5.3.2 Composições de Custo Unitário Tendo definido a EAP da obra, segue-se para a elaboração das CCU que, juntamente com o levantamento de quantitativos apresentado na seção 5.2, permitirão o cálculo do custo direto previsto. As Tabelas 5-2 até 5-7 apresentam as CCU utilizadas. 115 Tabela 5-1- Estrutura Analítica de Projeto EAP 1 1.1 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.1.4 1.2 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 1.3 1.3.1 1.3.2 1.3.3 1.3.4 1.4 1.4.1 1.4.2 1.4.3 1.4.4 2 2.1 2.1.1 2.1.1.1 2.1.1.2 2.1.1.3 2.1.1.4 2.1.2 2.1.2.1 2.1.2.2 2.1.2.3 2.1.2.4 2.1.3 2.1.3.4 2.1.3.5 2.1.3.6 2.1.3.7 2.1.4 2.1.4.5 2.1.4.6 2.1.4.7 2.1.4.8 2.2 2.2.1 2.2.1.1 2.2.1.2 2.2.1.3 2.2.1.4 2.2.2 2.2.2.1 2.2.2.2 2.2.2.3 2.2.2.4 3 3.1 4 4.1 INFRAESTRUTURA SAPATA E1-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação de Vala SAPATA E1-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação de Vala SAPATA E2-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação de Vala SAPATA E2-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação de Vala MESOESTRUTURA PILARES PILAR E1-A Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E1-B Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E2-A Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E2-B Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural TRAVESSAS E1 A-B Cibramento Armação Forma Concreto Estrutural E2 A-B Cibramento Armação Forma Concreto Estrutural SUPERESTRUTURA Fabricação e Lançamento das Vigas e Lajes PAVIMENTAÇÃO Execução de Pavimento Flexível 116 Tabela 5-2 - CCU de Concreto estrutural Lancamento de concreto estrutural em peças armadas ITEM M3 UNIDADE COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL Ajudante H 3,2000 R$ 12,49 R$ 39,96 Carpinteiro H 1,6000 R$ 18,33 R$ 29,33 Pedreiro H 1,6000 R$ 18,33 R$ 29,33 Ferramentas manuais VB 0,3233 R$ 3,00 R$ 0,97 Concreto bombeavel de usina 30MPa M3 1,0500 R$ 269,94 R$ 283,44 R$ 383,03 TOTAL Tabela 5-3 - CCU de Armação em barras de Aço Armação em Aço CA-50 para concreto armado ITEM KG UNIDADE COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL Aco CA-50, 12,50mm.Fornecimento KG 1,0300 R$ 2,49 R$ 2,56 Arame recozido no 18 KG 0,0300 R$ 3,84 R$ 0,08 Ajudante H 0,0600 R$ 12,49 R$ 0,75 Armador H 0,0600 R$ 18,33 R$ 1,10 Ferramentas manuais VB 0,0080 R$ 3,00 R$ 0,02 R$ 4,51 TOTAL Tabela 5-4 - CCU de Execução de fôrmas de madeira Formas de placas de Madeirit ITEM M2 UNIDADE COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL Ajudante H 4,0000 R$ 12,49 R$ 49,96 Carpinteiro H 3,0000 R$ 18,33 R$ 54,99 Desmoldante de formas M2 1,0000 R$ 3,39 R$ 3,39 Chapa de madeira plastificada (2200 x 1100 x 17)mm M2 0,2500 R$ 27,46 R$ 6,87 Peca de madeira serrada (7,5cm x 7,5cm / 3" x 3") M 1,1000 R$ 2,98 R$ 3,28 Peca de madeira serrada(2,5cm x 22,5cm / 1" x 9") M 1,8200 R$ 2,93 R$ 5,33 Peca de madeira serrada (2,5cm x 30cm / 1" x 12") M 1,3300 R$ 4,73 R$ 6,29 Madeira serrada (7,5cm x 22,5cm / 3" x 9") M 1,1500 R$ 27,11 R$ 31,18 Prego com cabeca, de (18x30) KG 0,3500 R$ 4,28 R$ 1,50 Ferramentas manuais VB 0,2967 R$ 3,00 R$ 0,89 TOTAL R$ 163,67 117 Tabela 5-5 - CCU de Montagem e Desmontagem de andaime Montagem e desmontagem de andaime tubular ITEM M2 x MÊS UNIDADE COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL Servente H 0,4000 R$ 12,49 R$ 5,00 Feitor H 0,0330 R$ 20,26 R$ 0,67 VB 0,0233 R$ 3,00 R$ 0,07 M3/MÊ 1,0000 R$ 7,50 R$ 7,50 Ferramentas manuais Aluguel de escoramento tubular R$ 13,23 TOTAL Tabela 5-6 - CCU de Reaterro de vala Reaterro de vala compactado manualmente com soquete vibratório ITEM UNIDADE M3 COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL R$ 12,49 R$ 13,11 Servente H 1,0500 Soquete Vibratório de 78Kg H 1,0500 R$ 5,06 R$ 5,31 Feitor H 0,0866 R$ 20,26 R$ 1,76 Ferramentas manuais VB 0,0567 R$ 3,00 R$ 0,17 R$ 20,35 TOTAL Tabela 5-7 - CCU de Montagem e Desmontagem de cimbramento Montagem e desmontagem de escoramento tubular ITEM UNIDADE M3 x MÊS COEFICIENTE CUSTO UNITÁRIO CUSTO PARCIAL R$ 12,49 R$ 3,75 Ajudante H 0,3000 Montador de Andaime H 0,2000 R$ 18,33 R$ 3,67 Caminhao com Carroceria Fixa H 0,0400 R$ 101,58 R$ 4,06 VB 0,0333 R$ 3,00 R$ 0,10 M3/MÊS 1,0000 R$ 7,50 Ferramentas manuais Aluguel de escoramento tubular R$ 7,50 R$ 19,08 TOTAL 5.3.3 Custo Direto Tendo apresentado as CCU de acordo com a estrutura da EAP apresentada na Tabela 5-1 e, considerando os quantitativos apresentados na seção 5.2, tem-se: 118 Tabela 5-8 - Planilha de Custo Direto Orçamento EAP INFRAESTRUTURA SAPATA E1-A Forma Armação Reaterro/Compactação de Vala Concreto Estrutural SAPATA E1-B Forma Armação Reaterro/Compactação de Vala Concreto Estrutural SAPATA E2-A Forma Armação Reaterro/Compactação de Vala Concreto Estrutural SAPATA E2-B Forma Armação Reaterro/Compactação de Vala Concreto Estrutural MESOESTRUTURA PILARES PILAR E1-A Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E1-B Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E2-A Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural PILAR E2-B Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural TRAVESSAS E1 A-B Cibramento Armação Forma Concreto Estrutural E2 A-B Cibramento Armação Forma Concreto Estrutural SUPERESTRUTURA Fabricação e Lançamento das Vigas e Lajes PAVIMENTAÇÃO Execução de Pavimento Flexível TOTAL DA OBRA UNID. m² kg m³ m³ QNTD. CUSTO UNIT. 27,0 1.720,0 17,0 24,0 24,0 27,0 1.720,0 17,0 24,0 R$ 166,99 R$ 4,51 R$ 20,35 R$ 383,03 R$ 166,99 R$ 4,51 R$ 20,35 R$ 383,03 m² kg m³ m³ 27,0 1.720,0 17,0 24,0 24,0 27,0 1.720,0 17,0 24,0 m² x mês kg m² m³ 144,0 500,0 17,0 5,0 R$ 13,23 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 m² x mês kg m² m³ 144,0 500,0 17,0 5,0 R$ 13,23 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 m² x mês kg m² m³ 144,0 500,0 17,0 5,0 R$ 13,23 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 m² x mês kg m² m³ 144,0 500,0 17,0 5,0 R$ 13,23 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 m³ x mês kg m² m³ 72,0 2.366,9 56,2 24,5 R$ 19,08 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 kg kg m² m³ 72,0 2.366,9 56,2 24,5 R$ 19,08 R$ 4,51 R$ 166,99 R$ 383,03 m² 246,0 R$ 2.527,99 ton 70,8 R$ 273,29 m² kg m³ m³ m² kg m³ m³ R$ 166,99 R$ 4,51 R$ 20,35 R$ 383,03 R$ 166,99 R$ 4,51 R$ 20,35 R$ 383,03 CUSTO PARCIAL R$ 87.224,51 R$ 21.806,13 R$ 4.508,83 R$ 7.758,58 R$ 345,98 R$ 9.192,74 R$ 21.806,13 R$ 4.508,83 R$ 7.758,58 R$ 345,98 R$ 9.192,74 R$ 21.806,13 R$ 4.508,83 R$ 7.758,58 R$ 345,98 R$ 9.192,74 R$ 21.806,13 R$ 4.508,83 R$ 7.758,58 R$ 345,98 R$ 9.192,74 R$ 97.299,43 R$ 35.660,67 R$ 8.915,17 R$ 1.905,72 R$ 2.255,40 R$ 2.838,89 R$ 1.915,15 R$ 8.915,17 R$ 1.905,72 R$ 2.255,40 R$ 2.838,89 R$ 1.915,15 R$ 8.915,17 R$ 1.905,72 R$ 2.255,40 R$ 2.838,89 R$ 1.915,15 R$ 8.915,17 R$ 1.905,72 R$ 2.255,40 R$ 2.838,89 R$ 1.915,15 R$ 61.638,76 R$ 30.819,38 R$ 1.373,47 R$ 10.676,61 R$ 9.385,04 R$ 9.384,26 R$ 30.819,38 R$ 1.373,47 R$ 10.676,61 R$ 9.385,04 R$ 9.384,26 R$ 621.885,83 R$ 621.885,83 R$ 19.362,05 R$ 19.362,05 R$ 825.771,83 119 5.3.4 Custo Indireto Como alternativa para simplificar o orçamento de custos indiretos, esse valor será estimado como sendo 19% do custo direto (fator I/D) calculado anteriormente. Assim, temos: • Custo Indireto = 0,19 x 825.771,83 = R$ 156.896,65 5.4 Planejamento Físico 5.4.1 Sequenciamento das Tarefas Fazendo uso da EAP definida pela Tabela 5-1, pode-se partir para a definição do planejamento físico da obra. O sequenciamento adotado será baseado em duas restrições, a saber: a) Hierarquia de processos Tarefas que tenham a necessidade de serem executadas e concluídas anteriormente ao início de outra tarefa. Por exemplo, somente pode-se concretar um elemento estrutural após ter-se concluído tanto as formas quanto a armação. b) Otimização e restrição de recursos Em tarefas que transcorram de forma independente (paralelo) será imposta uma restrição de recursos visando sua otimização. Por exemplo, ao se executar as sapatas de fundações distintas, apesar de a execução de uma fôrma ser independente da outra, irá se impor um sequenciamento de modo que o início da execução da fôrma de uma determinada sapata dependa da conclusão da execução da fôrma de uma outra sapata trabalhada anteriormente. 120 Dessa maneira, coforme a Figura 5.2, tem-se se os seguintes sequenciamentos macros do projeto: Infraestrutura Mesoestrutura •Sapatas Superestrutura •Pilares Pilares •Travessas Travessas •Vigas •Lajes Pavimentação •Execução de pavimento flexível Figura 5.2 - Sequenciamento macro do projeto • Sequenciamento da sapata tipo – Infraestrutura Sapata •Forma Forma •Armação Armação •Concreto Concreto Estrutural •Reaterro/Compactação Reaterro/Compactação Figura 5.3 - Sequenciamento da sapata tipo Começa-se se pela execução das fôrmas e, em série, prossegueprossegue-se para armação, concretagem e termina-se termina se com o reaterro e compactação manual da vala. 121 • Sequenciamento do pilar tipo – Mesoestrutura Pilar •Gabarito Gabarito para Armação •Montagem Montagem Andaime •Armação Armação •Forma Forma •Concreto Concreto Estrutural •Desforma Desforma Figura 5.4 - Sequenciamento do pilar tipo Após a pega do concreto da sapata, inicia-se inicia se com a marcação do gabarito para armação, tendo a montagem de andaimes ocorrendo em paralelo com essa etapa. Após a conclusão da marcação do gabarito, inicia-se inicia se a armação dos pilares. Tendo terminado a armação dos pilares e a montagem dos andaimes, prossegue-se prossegue com a execução das fôrmas e travamentos. travamentos. Após a conclusão da fôrma, programa-se programa a concretagem para ocorrer no dia seguinte. A desfôrma rma ocorre 5 dias após a concretagem. 122 • Sequenciamento da travessa tipo – Mesoestrutura Travessa •Montagem Montagem Cimbramento •Forma Forma de Fundo •Armação Armação •Forma Forma Lateral •Concreto Concreto Estrutural •Desforma Desforma •Grout Grout Apoio Neoprene •Retirada Retirada do Cimbramento Figura 5.5 - Sequenciamento da travessa tipo Após a conclusão de dois pilares de um mesmo encontro, inicia-se inicia a execução da travessa, caracterizada pelo início da montagem do cimbramento logo após a desforma dos pilares. A fase de execução de fôrmas é quebrada em duas etapas: fôrmas de fundo e fôrmas laterais. Isso é feito tendo em vista que após o cimbramento dá-se dá se sequência com a montagem da fôrma de fundo e, em seguida, com a execução da armadura. Após a conclusão da armadura, instalam-se as fôrmas laterais, com os devidos travamentos necessários. necessários Após essa tarefa, programa-se se a concretagem para o dia seguinte, aguardando 5 dias para a desforma. Após a desforma, executa-se executa se a o grouteamento do apoio neoprene, concluindo a travessa com a retirada do cimbramento. 123 • Sequenciamento da Superestrutura Superest Superestrutura •Içamento Içamento das Vigas •Lajes Lajes pré-fabricadas pré •Transversinas Transversinas •Cortinas Cortinas Figura 5.6 - Sequenciamento da superestrutura A superestrutura, nesse projeto sendo executada através de subcontratados, iniciainicia se pelo içamento das vigas e, em seguida, o posicionamento das pré-lajes. pré Após essa etapa, segue-se segue com a execução das transversinas e finaliza-se finaliza com a execução das cortinas nos encontros. Como todas essas etapas etapa serão subempreitadass,, seu planejamento será apresentado apenas de fôrma macro. • Sequenciamento da Pavimentação Pavimentação •Imprimação Imprimação •Pintura Pintura de Ligação •Lançamento Lançamento e compactação de CBUQ Figura 5.7 - Sequenciamento da Pavimentação 124 A pavimentação tem início com a execução de uma cada de imprimação, com o objetivo de impermeabilizar a camada inferior. Após essa etapa, lança-se a pintura de ligação para dar liga a mistura de CBUQ que será lançada e compactada em seguida. Como essa etapa também será subempreitada, seu planejamento será feito apenas de forma macro. 5.4.2 Definição dos Recursos e Duração das Tarefas Com o objetivo de compactar o cronograma, a obra possuirá duas equipes de modo a permitir a execução de sapatas e pilares em paralelo. Após a montagem, por exemplo, da fôrma da sapata E1-A, a equipe de carpintaria pode seguir para a montagem da fôrma da sapata E2-A enquanto que a equipe que trabalha na sapata E1-B, seguirá para a sapata E2-B. Para o cálculo da duração das tarefas será utilizado da Eq. 5.1 a seguir. ∆y = Onde: j>y . y y Eq. (5.1) • QSj é a quantidade de serviço “j” a ser realizado; • RUPj é a produtividade de mão de obra do recurso principal, retirado da CCU; • Rj é a quantidade de recursos empregadas na execução do serviço “j”; • ∆tj é a duração da tarefa “j” em horas. Para transformar sua unidade em dias, basta considerarmos 8,8h por dia de trabalho. Aplicando a Eq. (5.1) aos serviços desse projeto, pode-se resumir esse resultado para as estruturas tipo conforme as Tabelas 5-9 a 5-11 a seguir: 125 Tabela 5-9 - Duração das tarefas da sapata tipo. Serviço Recurso Principal Forma Armação Reaterro/Compactação Concreto Estrutural Produtividade Quantidade Recursos (Hh/u.s) de Serviço (Homens) Carpinteiro Armador Servente Pedreiro 3,00 0,06 1,05 1,60 27,00 1.720,00 17,00 24,00 Duração (dias) 5 6 2 4 2 2 1 1 Tabela 5-10 - Duração das tarefas do pilar tipo. Serviço Recurso Principal Montagem de Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Servente Armador Carpinteiro Pedreiro Produtividade Quantidade Recursos (Hh/u.s) de Serviço (Homens) 0,40 0,06 3,00 1,60 144,00 500,00 17,00 5,00 Duração (dias) 4 2 5 1 2 2 1 1 Tabela 5-11 - Duração das tarefas da travessa tipo. Serviço Cimbramento Armação Forma Concreto Estrutural Recurso Principal Montador de Andaime Armador Carpinteiro Pedreiro Produtividade Quantidade Recursos (Hh/u.s) de Serviço (Homens) 0,20 0,06 3,00 1,60 72,00 2.366,90 56,20 24,50 Duração (dias) 1 4 7 4 2 4 3 1 Lembrando que nas travessas o serviço de fôrma foi quebrado em fôrmas de fundo (1 dia) e fôrmas laterais (2 dias). Os demais serviços (superestrutura e pavimentação) possuem durações definidas em contratos com os subempreiteiros não sendo, portanto, estimados por cálculos de produtividade. Todos os resultados aqui apresentados, encontram-se em um cronograma completo no Anexo 1 dessa monografia. 126 5.5 Cálculo do Impacto Para aplicação da metodologia apresentada no capítulo 4, será premissado os seguintes desvios percentuais de produtividade: a) Serviço de Fôrma ∆CARPINTEIRO = 20% ∆AJUDANTE = 30% b) Serviço de Armação ∆ARMADOR = 30% ∆AJUDANTE = -10% c) Serviço de Concretagem ∆PEDREIRO = 20% ∆CARPINTEIRO = -10% ∆AJUDANTE = 30% 5.5.1 Impacto no Custo Direto O início da avaliação do impacto do desvio de produtividade no custo direto da obra se dá pela determinação dos pesos Pi,j dos insumos “i” em suas respectivas composições “j”, calculados de acordo com a Eq. 4,2. Assim, tem-se: < |:} ;,Ô < <¦§¨<:},Ô < = , = = <, = 54,99 = 33,6% 163,67 49,96 = 30,5% 163,67 127 < <¨; ,< <ÇÃ; <¦§¨<:},< |}¨ < <ÇÃ; } ;,; }:; = < = <¦,< = = |, = |:} ;,; }:; <¦§¨<:},; }:; ,< = 0,75 = 16,6% 4,51 29,33 = 7,7% 383,03 = , = = <, = 1,10 = 24,4% 4,51 29,33 = 7,7% 383,03 39,96 = 10,4% 383,03 De posse desses resultados, aplica-se a Eq. 4.6 para cálculo e projeção do desvio no custo direto DCDj em cada um desses serviços. Para as quantidades de serviço QSj somam-se o quantitativo total de projeto para cada um dos serviços “j”. Assim: Tabela 5-12 - Desvio no Custo Direto - DCD (1) (2) (3) (4) (5)=(2).(3).(4) Serviço z ∆c,y c,y CUTj QSj K = z ∆c,y c,y KL 288,4 R$ 7.494,19 13.613,8 R$ 3.471,85 165,0 R$ 2.462,20 Fôrma (0,2 . 0,336 + 0,3 . 0,305) = 0,159 R$ 163,67 Armação (0,3 . 0,244 -0,1 . 0,166) = 0,057 R$ 4,51 Concreto (0,2 . 0,077 – 0,1. 0,077 + 0,3 . 0,104) R$ 383,03 = 0,039 Total R$ 13.428,23 128 A linha do “Total” nada mais é do que a aplicação da Eq. 4.7, em que se fez o somatório do impacto individual de cada um dos serviços nos custos diretos da obra. Em uma primeira análise, esse impacto parece ser pequeno (algo entorno de 2%) quanto comparado ao valor total da obra. No entanto, cabe uma discussão mais profunda a cerca desse resultado. Uma verificação mais detalhada da planilha de orçamento permite concluir que aproximadamente 78% do contrato foram de serviços subcontratados (superestrutura e pavimentação), não sendo dependentes, portanto, de variações de produtividade. Assim, ao comparar esse desvio no custo direto com os 22% do contrato que depende da produtividade de mão de obra, observa-se que o impacto foi da ordem 7,3%. 5.5.2 Impacto no Custo Indireto Para o cálculo do impacto no custo indireto, o procedimento será o seguinte: a) Calcular a Despesa com Mão de Obra direta prevista - DMODPREVISTO. b) Calcular a Despesa com Mão de Obra direta real - DMODREAL. c) Calcular o indicador DMODREAL/DMODPREVISTA. d) Calcular a estimativa da relação IR/IP (Custo Indireto Real sobre Custo Indireto Real Previsto) através da regressão linear obtida no gráfico da Figura 4.13. e) Calcular a estimativa de Custo Indireto Real (IR) a partir do Custo Indireto Previsto (IP). Da Figura 5.8 a seguir, pode-se obter os valores para os itens (a) e (b) do procedimento anterior e calcular o indicador DMODREAL/DMODPREVISTA 129 90.484,28 ªM }<= = = F, F«¬ → 117,4% ªM| }~:< 77.056,05 Caracterizando que os desvios de produtividade impostos fizeram a obra incorrer em 17,4% a mais de gastos com mão de obra. Como a quantidade de serviço produzida foi exatamente igual à prevista, temos que esse indicador também pode ser interpretado como a perda média da produtividade de mão de obra. Além disso, pode-se observar que o Desvio no Custo Direto, DCD, é exatamente a diferença entre DMODREAL e DMODPREVISTA. Assim, entrando com a relação anterior na regressão linear do gráfico da Figura 4.13, apresentada aqui através da Eq. 5.2, tem-se: A?AB = F, H¬H. ® ¯ + H, H«H° A?AB>? Eq. (5.2) = 1,0409. (1,174) + 0,0706 = F, GG → FG, G% | 130 Serviço La nça mento de concreto estrutura l em peça s a rma da s Arma çã o em Aço CA-50 pa ra concreto a rma do Forma s de pl a ca s de Ma deiri t Monta gem e des monta gem de a nda i me tubula r Rea terro de va l a , compa cta do ma nua l mente com s oquete vi bra tório Monta gem e des monta gem de escora mento tubula r Quantidade de Serviço Mão de Obra Produtividade Prevista (Hh/u.s) Variação Produtividade Real (Hh/u.s) Custo Unitário Despesa Prevista Ajuda nte 3,20 30% 4,16 R$ 12,49 R$ 6.594,19 R$ 8.572,45 Ca rpi nteiro 1,60 -10% 1,44 R$ 18,33 R$ 4.839,38 R$ 4.355,45 Pedrei ro 1,60 20% 1,92 R$ 18,33 R$ 4.839,38 R$ 5.807,26 Ajuda nte 0,06 -10% 0,05 R$ 12,49 R$ 10.201,36 R$ 9.181,23 Arma dor 0,06 30% 0,08 R$ 18,33 R$ 14.973,27 R$ 19.465,26 Ajuda nte 4,00 30% 5,20 R$ 12,49 R$ 14.407,31 R$ 18.729,50 Ca rpi nteiro 3,00 20% 3,60 R$ 18,33 R$ 15.859,98 R$ 19.031,98 Servente 0,40 0% 0,40 R$ 12,49 R$ 2.877,47 R$ 2.877,47 Fei tor 0,03 0% 0,03 R$ 20,26 R$ 385,16 R$ 385,16 Servente 1,05 0% 1,05 R$ 12,49 R$ 891,71 R$ 891,71 Fei tor 0,09 0% 0,09 R$ 20,26 R$ 119,37 R$ 119,37 Ajuda nte 0,30 0% 0,30 R$ 12,49 R$ 539,52 R$ 539,52 Monta dor de Anda ime 0,20 0% 0,20 R$ 18,33 R$ 527,93 R$ 527,93 Despesa Real 165,00 13.613,80 288,40 576,00 68,00 144,00 TOTAL Figura 5.8 - Despesas com Mão de Obra R$ 77.056,05 R$ 90.484,28 131 Assim, pode-se estimar o Custo Indireto Real, conforme a seguir. = 1,292. | = 1,292. 156.896,65 = $GHG. «FH, ¬° E, portanto, o Desvio no Custo Indireto: A = − | = 202.710,46 − 156.896,65 = $¬±. ²F³, ²G 5.5.3 Impacto na Geração de Riqueza Para determinar como o desvio de produtividade impactou na geração de riqueza, precisase verificar como que o cronograma foi afetado. Assim, o procedimento de cálculo inicia-se determinando o desvio no prazo da conclusão do serviço ∆T determinado pela Eq.4.15, reproduzido a seguir através da Eq.5.3. Onde; ∆y = ∆y . ∆y • ∆tj é a duração da execução prevista do serviço “j”; • ∆j é o desvio de produtividade do recurso principal da tarefa “j”. Eq. (5.3) Conforme estabelecido na seção 4.5¸ o Desvio na Geração de Riquezas, DGR, é definido através do número de dias de atraso provocando ao cronograma devido ao desvio de 132 produtividade. Para tanto, precisa-se conhecer as folgas ξ que os serviços tem, tendo em vista que nem sempre ao se atrasar uma determinada atividade irá se atrasar o cronograma. O problema que ocorre é em determinar com precisão a folga de seu cronograma quando o projeto começa a ficar grande. Essa dificuldade existe tendo em vista que o processo para determinar o caminho crítico de um cronograma é um processo iterativo. O que essa afirmação quer dizer é que se um determinado serviço “A” possuir 2 dias de folga mas um outro serviço “B” predecessor a “A” atrasar em 1 dia, o serviço “A” terá sua folga recalculada para apenas 1 dia. Uma excelente metodologia para fugir a esse problema é utilizar o software Microsoft Project em que basta você inserir as novas durações das atividades devido as suas variações de produtividade, que o algoritmo do programa irá automaticamente recalcular quantos dias serão necessários para concluir o projeto. A diferença entre a duração inicial e a duração final é exatamente quantos dias o projeto atrasou. Com esse objetivo, criou-se a Tabela 5-13 a seguir. Essa tabela contém as novas durações das atividades dado um desvio de produtividade ∆ e, consequentemente, uma variação no prazo ∆T. 133 Tabela 5-13 - Novas Durações das Atividades EAP ATIVIDADE 1.2 1.2.1 1.2.1.1 1.2.1.2 1.2.1.3 1.2.1.4 1.2.2 1.2.2.1 1.2.2.2 1.2.2.3 1.2.2.4 1.2.3 1.2.3.1 1.2.3.2 1.2.3.3 1.2.3.4 1.2.4 1.2.4.1 1.2.4.2 1.2.4.3 1.2.4.4 1.3 1.3.1 1.3.1.1 1.3.1.1.1 1.3.1.1.2 1.3.1.1.3 1.3.1.1.4 1.3.1.1.5 1.3.1.1.6 1.3.1.2 1.3.1.2.1 1.3.1.2.2 1.3.1.2.3 1.3.1.2.4 1.3.1.2.5 1.3.1.2.6 1.3.1.3 1.3.1.3.1 1.3.1.3.2 1.3.1.3.3 1.3.1.3.4 1.3.1.3.5 1.3.1.3.6 1.3.1.4 1.3.1.4.1 1.3.1.4.2 1.3.1.4.3 1.3.1.4.4 1.3.1.4.5 1.3.1.4.6 INFRAESTRUTURA SAPATA E1-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E1-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação MESOESTRUTURA PILARES PILAR E1-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E1-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E2-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E2-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma DURAÇÃO (Dias) Δ ΔT (Dias) ξ (Dias) NOVA DURAÇÃO (Dias) 2 2 1 1 20% 30% 20% 1 1 1 0 0 2 60 3 3 2 1 2 2 1 1 20% 30% 20% 1 1 1 0 0 2 60 3 3 2 1 2 2 1 1 20% 30% 20% 1 1 1 0 0 0 58 3 3 2 1 2 2 1 1 20% 30% 20% 1 1 1 0 0 0 58 3 3 2 1 2 3 2 2 2 2 1 2 3 2 2 1 2 3 2 2 2 2 1 2 3 2 2 1 0 1 0 0 0 0 1 2 3 2 2 1 0 1 0 0 0 0 1 2 3 2 2 1 1 2 2 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 2 2 1 1 1 30% 20% 20% 30% 20% 20% 30% 20% 20% 30% 20% 20% 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 134 Tabela 5-14 - Continuação da Tabela 5-13 EAP ATIVIDADE 1.3.2 1.3.2.1 1.3.2.1.1 1.3.2.1.2 1.3.2.1.3 1.3.2.1.4 1.3.2.1.5 1.3.2.1.6 1.3.2.1.7 1.3.2.1.8 1.3.2.2 1.3.2.2.1 1.3.2.2.2 1.3.2.2.3 1.3.2.2.4 1.3.2.2.5 1.3.2.2.6 1.3.2.2.7 1.3.2.2.8 1.4 1.4.1 1.4.1.1 1.4.1.2 1.4.1.3 1.4.1.4 1.4.1.5 1.4.2 1.4.2.1 1.4.2.2 1.4.3 1.4.3.1 1.4.3.2 1.4.3.3 1.4.4 1.4.4.1 1.4.4.2 1.5 1.5.1 TRAVESSAS E1 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento E2 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento SUPERESTRUTURA IÇAMENTO DE VIGAS Viga V1 Viga V2 Viga V3 Viga V4 Viga V5 LAJES Lançamento de Lajes Consolidação Laje TRANSVERSINAS Transversina T1 Transversina T2 Transversina T3 CORTINAS Cortina E1 Cortina E2 PAVIMENTAÇÃO Execução de pavimento flexível DURAÇÃO (Dias) ξ (Dias) NOVA DURAÇÃO (Dias) 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 6 3 2 1 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 2 2 6 3 2 1 1 2 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 0 0 1 1 6 6 6 0 0 0 6 6 6 6 6 0 0 6 6 2 0 2 2 1 4 2 1 1 1 2 2 1 4 2 1 1 1 2 Δ ΔT (Dias) 20% 30% 20% 20% 1 2 1 1 20% 30% 20% 20% 1 2 1 1 Para a coluna de folgas, ξ¸o próprio Microsoft Project tem uma função para calcular. O que pode ser visto nos serviços do pacote PILAR E1-A é exatamente a questão de iteratividade de cálculo do caminho crítico e das folgas que se alertou anteriormente. Como se vê, os serviços de armação, fôrma e concreto possuem 2 dias de folga e cada um deles está sofrendo um acréscimo de prazo de 1 dia. Uma análise fria poderia levar a conclusão equivocada de que como os serviços possuem 2 dias de folga e estão atrasando apenas 1 dia, eles não estariam impactando no cronograma. No entanto, quando o serviço de armação sofre 135 1 dia de atraso, os serviços de fôrma e concreto tem suas folgas recalculadas para apenas 1 dia. Em seguida, dessa mesma maneira, quando o serviço de armação atrasa em 1 dia, o serviço de concreto passa a ter sua folga recalculada para 0 dias. Por fim, quando o concreto atraso em 1 dia ele impacta diretamente no cronograma. No Anexo 2 consta o novo cronograma com as novas durações das atividades, dado o desvio de produtividade incorrido. Comparando a duração total entre os dois cronogramas, conclui-se: ´ = 78 − 66 = 12QWTX E, aplicando a Eq. 4.18: µ = ¶. ´ Onde α é a multa por dia útil de atraso, definida nesse exemplo como R$ 25.000,00, e DGR o Desvio na Geração de Riquezas. Portanto, tem-se: A¤ = $G±. HHH.FG = $³HH. HHH, HH Uma forma alternativa de se estimar os dias de atraso no cronograma, θ, ao invés de se considerar a perda de produtividade real que cada serviço teve e analisar como cada uma delas impactou no caminho crítico do cronograma, seria a de supor que todos os serviços da obra tiveram uma perda de produtividade igual à perda de produtividade média. No exemplo adotado, a perda de produtividade média foi de 17,4%. Sabendo que o desvio no prazo de conclusão de um tarefa “j” é dada pela equação 5.3, reproduzida a seguir: 136 ∆y = ∆y . ∆y Eq. (5.3) Se todas as “j” tarefas tiverem suas RUP’s aumentadas (perda de produtividade) em um valor igual à perda média, definido como desvio de produtividade médio : RXkW8QRU8Q]WkWQTQRªéQW8 = ∆·= ªM }<= ªM| }~:< Pode-se estimar o desvio no prazo de conclusão da obra ∆TOBRA como sendo, aproximadamente, o dado pela Eq.5.4 a seguir: Assim: ¸ ∆?C = ∆?C . ∆ Eq. (5.4) ¸ = 66.0,174 = 11,48QWTX ∆?C = ∆?C . ∆ Que mostra bastante coerência com o resultado preciso determinado com o auxílio do Microsoft Project. Por fim, o quadro da Tabela 5-15 a seguir resume todos os desvios estimados: 137 Tabela 5-15 - Quadro Resumo Área Custo Direto Custo Indireto Geração de Riqueza Total SIGLA DCD DCI DGR Valor R$ 13.469,68 R$ 45.813,82 R$ 300.000,00 R$ 359.283,50 No capítulo 6 serão discutidos os resultados encontrados nesse capítulo e as possíveis ações a serem tomadas dependendo da relação entre os valores de DCD, DCI e DGR. Além disso, serão conduzidas as últimas considerações dessa monografia e proposições para estudos futuros. 138 6 Considerações Finais 6.1 Ações a serem tomadas Os resultados finais obtidos no capítulo 5 abrem espaço para diversas discussões, a serem tratadas nessa seção. Uma análise rápida da Tabela 5-15 não deixa dúvidas em relação a qual seria a maior preocupação de qualquer gestor a frente da obra do exemplo. Um dia de atraso na entrega da obra já custaria ao projeto mais que todo o acréscimo de custo direto provocado pela perda de eficiência no sistema produtivo. Em situações como essa vale o uso dos artifícios de “aceleração”, discutidos em profundidade no capítulo 2 dessa monografia. Quando uma decisão como essa é tomada, o acréscimo de recursos produtivos irá aumentar a força de trabalho atuante o que, consequentemente, irá aumentar a capacidade produtiva, já que esta é definida pela Eq. 3.1 a seguir: `a`bcd`defgdhci` = B Eq. (3.1) Dessa equação observa-se claramente qual o efeito do aumento da variável “R” na capacidade produtiva. Entretanto, um aumento dessa variável possui também consequências negativas, tendo em vista que a RUP passa a ser função da quantidade de recursos, tendo em 139 vista os efeitos de lotação das áreas de trabalho (overcrowding) e o aumento considerável da complexidade no que se refere à gestão dos canteiros de obra. Dos estudos de Schwartzkopf (2004) (Figura 2.8), um aumento da força de trabalho da ordem de 35%, causaria uma perda de 20% na produtividade da mão de obra. Lembrando que quanto mais produtivo for um sistema, menor será o indicador da RUP e, maior em caso contrário, tem-se: ∆<|<¨<¨}| ;¨§:~< = 1,35. − = H, FG± 1,20. }<= }<= B Ou seja, um acréscimo em relação ao nível normal de 35% da quantidade de recursos, produziria um ganho de 12,5% de capacidade produtiva efetiva. Outra forma de se tentar contornar os atrasos, sem que para isso se faça uso do aumento da força de trabalho, seria o aumento da praticabilidade do projeto através da utilização de horas extras. Dessa estratégia, como pôde ser observado nos trabalhos do US Department of Labor, e citados na obra de Schwartzkopf (2004), e reproduzidos nessa monografia na Figura 2.7 e na Tabela 2.1, um aumento dos dias produtivos semanais de 5 para 7 dias, com um aumento da carga horário diária de 8h para 12h, pode provocar uma perda de 28% na produtividade de mão de obra. Essa perda é consequência dos aumentos do absenteísmo, das fadigas e dos acidentes com afastamento da mão de obra devido ao excesso de horas extras. Assim, analisando esses dados, tem-se: 140 ¹=8 ℎ QWTX ℎ . 5 = 40 QWT XRYT9T XRYT9T Em que a variável “X” representa a quantidade de horas disponíveis por recurso por semana. Aumento as horas diárias de 8h para 12h, e os dias úteis de 5 para 7 dias, tem-se: ¹′ = 12 ℎ QWTX ℎ . 7 = 84 QWT XRYT9T XRYT9T Caracterizando o aumento da praticabilidade. Dessa forma, tem-se: KTVTSWQTQRU8Q]WkT() = B Cuja unidade é unidades de serviço por hora, ou, então: KTVTSWQTQRU8Q]WkT() = ℎ ¬H. . 40 ® ¯ = XRYT9T B Cuja unidade é unidades de serviço por semana. Comparando esse resultando com: KTVTSWQTQRU8Q]WkTº() = }<= .1,28 . 84 ® ℎ °±, °³. ¯= XRYT9T B Confrontando esses dois resultados, tem-se: 141 ∆AAB?A = °±, °³. ¬H. ¬H. − = H, °¬H. ® ¯ B B B Representando um acréscimo de 64,0% em relação à capacidade produtiva inicial. Embora essa analise demonstre ser, matematicamente, mais eficaz a utilização de horas extras do que o aumento da força de trabalho para níveis acima do normal, existem passivos subjetivos que precisam ser considerados ao se tomar essas decisões. A qualidade de vida do operário que abrange tempos mínimos para repouso diário e descanso semanal remunerado tem de serem sempre respeitados. Em virtude disso, as diversas organizações de controle do trabalho ao redor do mundo impõe as conhecidas leis trabalhistas, que limitam a “exploração” da mão de obra até um nível que não prejudique a saúde do trabalhador. Devido a esse fato, a estratégia de aceleração é geralmente uma composição das duas alternativas anteriormente descritas. Aumento na quantidade de recurso, e utilização de horas extras até o máximo permitido pela lei trabalhista local. Sabendo que o aumento da capacidade produtiva influencia diretamente na redução do prazo do cronograma e que, um aumento da RUP (perda de produtividade) influencia diretamente no aumento dos custos diretos e, consequentemente, indiretos do projeto, pode-se fazer a seguinte afirmação: “Ao se utilizar das estratégias de aceleração, estará se incorrendo em acréscimo de custos diretos e indiretos. Sendo assim, sua utilização somente fará sentido caso haja algum benefício em sentido contrário.” 142 Assim, sabendo que o prazo de execução de determinado serviço é inversamente proporcional à capacidade produtiva, ou seja, um acréscimo de 10% na capacidade produtiva significa uma redução de 10% na duração de uma tarefa. Sabendo também que a piora de produtividade tratada anteriormente irá impactar em um sistema já improdutivo, ou seja, piorar 20% da produtividade em um sistema que já possuía uma piora de produtividade real de 17,4% em média, significa piorar a produtividade total em algo entorno de 40%, ou seja: RXkW8QRVU8Q]WkWQTQRYéQW88T = 1,20. 1,174 = 1,409 → 140,9% Outra forma de se observar essa afirmação é considerando que a despesa com mão de obra real (DMODREAL) é definida para a RUPREAL atingida pelas equipes. Se, ao se adotar uma estratégia de aceleração esse indicador sofrer um aumento de 20% (devido ao efeito de overcrowding no caso de acréscimo de recursos), pode-se afirmar que a despesa com mão de obra aumentará também em 20%, isto é: ªM }<= < É;¨} }§ ; = 1,20. ªM }<= = 1,20. R$90.484,28 = R$108.581,14 A aplicação anterior é exatamente imposição de uma piora de produtividade de 20% em um sistema que já era improdutivo (em 17,4%). A Figura 6-1, análoga a Figura 5-8, comprova o cálculo acima. A análise para o cálculo de DMODREAL no caso da utilização de horas extras é um pouco mais cautelosa que a anterior, tendo em vista que além da improdutividade devido ao aumento 143 do absenteísmo e do esgotamento físico da força de trabalho, também ocorre a incidência de custos unitários maiores, ou seja, a hora dos operários sofrem um acréscimo adicional. Esse reajuste depende da região e dos acordos sindicais locais, mas, para esse trabalho, será adotado um acréscimo de 70%. Esse cálculo encontra-se na Figura 6-2. 144 Serviço La nca mento de concreto es trutura l em peça s a rma da s Arma çã o em Aço CA-50 pa ra concreto a rma do Forma s de pl a ca s de Ma dei ri t Quantidade de Serviço 165,00 Produtividade Prevista (Hh/u.s) Variação (1) Variação (2) Produtividade Real (Hh/u.s) Custo Unitário Ajuda nte 3,20 30% 20% 4,99 R$ 12,49 R$ 6.594,19 R$ 10.286,94 Carpi ntei ro 1,60 -10% 20% 1,73 R$ 18,33 R$ 4.839,38 R$ 5.226,53 Pedrei ro 1,60 20% 20% 2,30 R$ 18,33 R$ 4.839,38 R$ 6.968,71 Ajuda nte 0,06 -10% 20% 0,06 R$ 12,49 R$ 10.201,36 R$ 11.017,47 Arma dor 0,06 30% 20% 0,09 R$ 18,33 R$ 14.973,27 R$ 23.358,31 Ajuda nte 4,00 30% 20% 6,24 R$ 12,49 R$ 14.407,31 R$ 22.475,40 Carpi ntei ro 3,00 20% 20% 4,32 R$ 18,33 R$ 15.859,98 R$ 22.838,37 Servente 0,40 0% 20% 0,48 R$ 12,49 R$ 2.877,47 R$ 3.452,96 Fei tor 0,03 0% 20% 0,04 R$ 20,26 R$ 385,16 R$ 462,19 Servente 1,05 0% 20% 1,26 R$ 12,49 R$ 891,71 R$ 1.070,06 Fei tor 0,09 0% 20% 0,10 R$ 20,26 R$ 119,37 R$ 143,24 Ajuda nte 0,30 0% 20% 0,36 R$ 12,49 R$ 539,52 R$ 647,43 Monta dor de Anda i me 0,20 0% 20% 0,24 R$ 18,33 R$ 527,93 R$ 633,52 Despesa Prevista Despesa Real 13.613,80 288,40 Monta gem e des monta gem de a nda i me tubul a r 576,00 Rea terro de va l a , compa cta do ma nua l mente com s oquete vi bra tóri o 68,00 Monta gem e des monta gem de es cora mento tubul a r Mão de Obra 144,00 TOTAL R$ 77.056,05 R$ 108.581,14 Figura 6.1 - Despesas com mão de obra - Acréscimo de Recursos 145 Serviço La nça mento de concreto es trutura l em peça s a rma da s Arma çã o em Aço CA-50 pa ra concreto a rma do Forma s de pl a ca s de Ma dei ri t Monta gem e des monta gem de a nda i me tubul a r Rea terro de va l a , compa cta do ma nua l mente com s oquete vi bra tóri o Monta gem e des monta gem de es cora mento tubul a r Quantidade de Serviço 165,00 Mão de Obra Produtividade Prevista (Hh/u.s) Variação (1) Variação (2) Produtividade Real (Hh/u.s) Custo Unitário Ajuda nte 3,20 30% 28% 5,32 R$ 21,23 R$ 6.594,19 R$ 18.653,65 Ca rpi ntei ro 1,60 -10% 28% 1,84 R$ 31,16 R$ 4.839,38 R$ 9.477,45 Pedrei ro 1,60 20% 28% 2,46 R$ 31,16 R$ 4.839,38 R$ 12.636,60 Ajuda nte 0,06 -10% 28% 0,07 R$ 21,23 R$ 10.201,36 R$ 19.978,35 Arma dor 0,06 30% 28% 0,10 R$ 31,16 R$ 14.973,27 R$ 42.356,40 Ajuda nte 4,00 30% 28% 6,66 R$ 21,23 R$ 14.407,31 R$ 40.755,40 Ca rpi ntei ro 3,00 20% 28% 4,61 R$ 31,16 R$ 15.859,98 R$ 41.413,58 Servente 0,40 0% 28% 0,51 R$ 21,23 R$ 2.877,47 R$ 6.261,37 Fei tor 0,03 0% 28% 0,04 R$ 34,45 R$ 385,16 R$ 838,11 Servente 1,05 0% 28% 1,34 R$ 21,23 R$ 891,71 R$ 1.940,37 Fei tor 0,09 0% 28% 0,11 R$ 34,45 R$ 119,37 R$ 259,74 Ajuda nte 0,30 0% 28% 0,38 R$ 21,23 R$ 539,52 R$ 1.174,01 Monta dor de Anda i me 0,20 0% 28% 0,26 R$ 31,16 R$ 527,93 R$ 1.148,78 Despesa Prevista Despesa Real 13.613,80 288,40 576,00 68,00 144,00 TOTAL R$ 77.056,05 R$ 196.893,80 Figura 6.2 - Despesas com mão de obra - Utilização de Horas Extras 146 Na Tabela 6-1 a seguir segue o resumo dos resultados obtidos para o Desvio no Custo Direto (DCD): Tabela 6-1 - Impacto no Custo Direto Cenário DMODr/DMODp DMODreal DCD Previsto 100,0% R$ 77.056,05 Real 117,4% R$ 90.484,28 R$ 13.428,23 Acréscimo de Recursos 140,9% R$ 108.581,14 R$ 31.525,09 Utilização de Horas Extras 255,5% R$ 196.893,80 R$ 119.837,75 - Além de onerar os custos diretos, a improdutividade adicional irá acrescentar, também, custos indiretos e, em compensação o aumento da capacidade produtiva reduzirá o prazo de execução da obra, influenciando as multas por geração de riqueza. Utilizando a regressão linear da Eq. 5.2 para o cálculo do Desvio no Custo Indireto, e recalculando a duração estimada para a conclusão do projeto, dado o ganho de capacidade produtiva, pode-se montar o quadro resumo da Tabela 6-2 a seguir: Tabela 6-2 - Resumo dos cenários Ganho de capacidade Produtiva (%) Prazo (dias) DCD DCI DGR Total Improdutivo - 78 R$ 13.428,23 R$ 45.813,82 R$ 300.000,00 R$ 359.242,05 Acelerado Acréscimo de Recursos 12,5% 70 R$ 31.525,09 R$ 84.308,71 R$ 100.000,00 R$ 215.833,80 Acelerado Utilização de Horas Extras 64,0% 48 R$ 119.837,75 R$ 271.479,85 -R$ 450.000,00 -R$ 58.682,40 Cenário Característica Real 147 Desses dados pode-se perceber que os efeitos de aceleração produziram acréscimo tanto de custo direto quanto indireto, entretanto, o ganho na capacidade produtiva levou a obra a ser concluída num prazo menor que aquele realizado anteriormente, fazendo com que o projeto incorresse em menos multas (no caso de acréscimo de recursos) e até invertendo o resultado a seu favor, ganhando bônus pela conclusão antecipada (utilização de horas extras). Evidentemente que as situações abordadas acima se tratam apenas em cunho acadêmico, tendo em vista que nunca uma obra iria atuar exclusivamente com a utilização de horas extras, trabalhando-se 7 dias por semana e 12h por dia, ou exclusivamente com acréscimo de recursos. Na realidade o que ocorre é uma composição entre as duas ações. De qualquer forma, em qualquer um dos cenários analisados na Tabela 6-2, as estratégias de aceleração conduziram a prejuízos menores que aquele percebido no cenário real, com destaque para o cenário de utilização de horas extras. Esse resultando, no entanto, é muito dependente da premissa feita para a multa diária. Suponha-se, por exemplo, que ao invés de R$ 25 mil por dia, a multa diária tivesse sido premissada em R$ 10 mil por dia. Fazendo todas as mesmas suposições, adapta-se a Tabele 62 para o novo DGR, como pode ser observado na Tabela 6-3. Tabela 6-3 - Cenário 2- Multa diária de R$ 10 mil Ganho de capacidade Produtiva (%) Prazo (dias) DCD DCI DGR Total Improdutivo - 78 R$ 13.428,23 R$ 45.813,82 R$ 120.000,00 R$ 179.242,05 Acelerado Acréscimo de Recursos 12,5% 70 R$ 31.525,09 R$ 84.308,71 R$ 40.000,00 R$ 155.833,80 Acelerado Utilização de Horas Extras 64,0% 48 R$ 119.837,75 R$ 271.479,85 -R$ 180.000,00 R$ 211.317,60 Cenário Característica Real 148 Da análise da Tabela 6-3 observa-se que nesse cenário a utilização exclusiva de horas extras não se torna mais tão atrativa. Muito pelo contrário, ela conduz a um prejuízo maior que aquele observado no cenário real. A partir das análises dos resultados obtidos nas Tabelas 6-2 e 6-3, que demonstram a forte correlação entre o prejuízo total e a premissa de multa/bônus diário, cria-se uma análise de sensibilidade que relacionará o prejuízo de cada cenário com uma premissa de multa. Essa análise pode ser observada na Figura 6-3 a seguir. Assim, se observado o gráfico anterior, conclui-se que até uma multa diária de R$ 7 mil nenhuma alternativa torna-se interessante, valendo mais apena atuar improdutivamente. A partir desse valor, até aproximadamente uns R$ 13,5 mil, um acréscimo de recursos começa a se justificar, tendo em vista que os ganhos provenientes da redução de prazo superam os acréscimos de custos necessários. Por fim, para valores a partir de R$ 13,5 mil, a utilização do cenário de horas extras levaria ao menor dos prejuízos observados. De posse dessas informações, um fato que precisa ser destacado é a importância da agilidade em se perceber que um projeto esteja atuando de forma improdutiva. Faz-se essa afirmação tendo em vista que qualquer estratégia de gestão a ser adotada somente irá impactar nas atividades futuras da obra e, quanto antes ela seja adotada maior será seu campo de efetividade. Nesse sentido, por fim, acrescenta-se que existe sempre uma parcela subjetiva que não pode ser calculada. Essa parcela refere-se à reputação que a construtora tem no mercado, já que atrasos sempre prejudicam a imagem da CONTRATADA. 149 Prejuízo Análise de Sensibilidade (Mil R$) R$ 450 R$ 400 R$ 350 R$ 300 R$ 250 R$ 200 R$ 150 R$ 100 R$ 50 R$ 25.000 R$ 24.000 R$ 23.000 R$ 22.000 R$ 21.000 R$ 20.000 R$ 19.000 R$ 18.000 R$ 17.000 R$ 16.000 R$ 15.000 R$ 14.000 R$ 13.000 R$ 12.000 R$ 11.000 R$ 10.000 R$ 9.000 R$ 8.000 R$ 7.000 R$ 6.000 R$ 5.000 R$ 4.000 R$ 3.000 R$ 2.000 -R$ 50 R$ 1.000 R$ 0 -R$ 100 Multa/Bônus Diário Improdutivo Acréscimo de Recursos Figura 6.3 - Análise de sensibilidade - Prejuízo em função da multa diária Utilização de Horas Extras 150 6.2 Discussões sobre os resultados e proposições para trabalhos futuros A presente monografia chega ao fim tendo avaliando em profundidade os seguintes pontos: a) Definição e conceituação da produtividade de mão de obra, analisando os principais pontos que a fazem melhorar ou piorar nas diversas situações da construção civil; b) Definição dos principais conceitos necessários para implementar um planejamento econômico em uma obra, bem como os requisitos estruturais necessários afim de se possuir um gestão de custos eficiente; c) Proposição de modelos matemáticos para avaliar como um desvio de produtividade de mão de obra impactou nos custos diretos (DCD), indiretos (DCI), e na geração de riquezas (DGR), além de avaliar sua influência nos prazos de um projeto. Os métodos para avaliação do desvio no custo direto (DCD) e do desvio nas gerações de riqueza (DGR) são modelos precisos. Diferente desses dois, o modelo para avaliação do desvio no custo indireto (DCI) foi um modelo de regressão linear, baseado nos pontos gerados a partir de 4 obras analisadas. Como resultado obtido para o desvio no custo indireto obteve-se a equação de regressão linear presente no gráfico da Figura 4.13 e reproduzida a seguir: 151 A?AB = F, H¬H. ® ¯ + H, H«H° A?AB>? Eq. (6.1) Uma crítica a esse modelo é a do fato de que ele não está ajustado à condição de contorno básica de que se uma obra não desviar sua produtividade, ou seja, se DMODREAL for igual à DMODPREVISTO, o modelo prevê uma variação do custo indireto real frente ao previsto de 11,15%, o que representa um erro grave. Apesar dessa observação, pontua-se a forte correlação entre o desvio no custo indireto e a produtividade de mão de obra. Essa relação ocorre tendo em vista que ao se trabalhar com produtividade, menos frentes precisam ser abertas simultaneamente para se assegurar uma determinada capacidade produtiva, diminuindo-se automaticamente a quantidade de funcionários indiretos necessários (engenheiros, mestres, encarregados, etc.) e alguns custos agregados (alimentação, transporte, exames médicos, etc). Além disso, ao se trabalhar alinhado com o cronograma, pode-se executar um planejamento eficaz de aquisição de suprimentos e contratações, com programações antecipadas e bem efetivas, fugindo ao “resolver de última hora” muito tradicional em nossas obras. Por fim, o presente autor sugere a realização de trabalhos aprofundando essa pesquisa, com o objetivo de se obterem mais pontos, permitindo um ajuste linear mais adequado. Como sugestão, aconselha-se que tais trabalhos sejam feitos agrupando-se as obras de acordo com suas características (índices I/D próximos), tendo em vista que a estrutura da indireta depende das particularidades de cada obra. 152 ANEXO 1 153 ID WBS Task Name Duration M 1 1 2 3 1.1 1.2 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1.2.1 1.2.1.1 1.2.1.2 1.2.1.3 1.2.1.4 1.2.2 1.2.2.1 1.2.2.2 1.2.2.3 1.2.2.4 1.2.3 1.2.3.1 1.2.3.2 1.2.3.3 1.2.3.4 1.2.4 1.2.4.1 1.2.4.2 1.2.4.3 1.2.4.4 1.3 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 1.3.1 1.3.1.1 1.3.1.1.1 1.3.1.1.2 1.3.1.1.3 1.3.1.1.4 1.3.1.1.5 1.3.1.1.6 1.3.1.2 1.3.1.2.1 1.3.1.2.2 1.3.1.2.3 1.3.1.2.4 1.3.1.2.5 1.3.1.2.6 1.3.1.3 1.3.1.3.1 1.3.1.3.2 1.3.1.3.3 1.3.1.3.4 1.3.1.3.5 Project: Anexo1 Date: Wed 14/05/14 CONSTRUÇÃO DO VIADUTO Ínicio da Obra INFRAESTRUTURA SAPATA E1-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E1-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação MESOESTRUTURA PILARES PILAR E1-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E1-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E2-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural F 04 Jan '15 T S W 18 Jan '15 S T M F 01 Feb '15 T S W 15 Feb '15 S T M F 01 Mar '15 T S W 15 Mar '15 S T M 66 d 05/01 0d 8d 6d 2d 2d 1d 1d 6d 2d 2d 1d 1d 6d 2d 2d 1d 1d 6d 2d 2d 1d 1d 32 d 13 d 11 d 1d 2d 2d 1d 1d 1d 11 d 1d 2d 2d 1d 1d 1d 11 d 1d 2d 2d 1d 1d Task Progress Summary External Tasks Deadline Split Milestone Project Summary External Milestone Critical Page 1 F 29 Mar '15 T S W 12 Apr '15 S T M F 26 Apr ' T ID WBS Task Name Duration M 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 1.3.1.3.6 1.3.1.4 1.3.1.4.1 1.3.1.4.2 1.3.1.4.3 1.3.1.4.4 1.3.1.4.5 1.3.1.4.6 1.3.2 1.3.2.1 1.3.2.1.1 1.3.2.1.2 1.3.2.1.3 1.3.2.1.4 1.3.2.1.5 1.3.2.1.6 1.3.2.1.7 1.3.2.1.8 1.3.2.2 1.3.2.2.1 1.3.2.2.2 1.3.2.2.3 1.3.2.2.4 1.3.2.2.5 1.3.2.2.6 1.3.2.2.7 1.3.2.2.8 1.4 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 1.4.1 1.4.1.1 1.4.1.2 1.4.1.3 1.4.1.4 1.4.1.5 1.4.2 1.4.2.1 1.4.2.2 1.4.3 1.4.3.1 1.4.3.2 1.4.3.3 1.4.4 1.4.4.1 1.4.4.2 1.5 91 92 1.5.1 1.6 Project: Anexo1 Date: Wed 14/05/14 Desforma PILAR E2-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma TRAVESSAS E1 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento E2 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento SUPERESTRUTURA IÇAMENTO DE VIGAS Viga V1 Viga V2 Viga V3 Viga V4 Viga V5 LAJES Lançamento de Lajes Consolidação Laje TRANSVERSINAS Transversina T1 Transversina T2 Transversina T3 CORTINAS Cortina E1 Cortina E2 PAVIMENTAÇÃO Execução de pavimento flexível Conclusão da Obra F 04 Jan '15 T S W 18 Jan '15 S T M F 01 Feb '15 T S W 15 Feb '15 S T M F 01 Mar '15 T S W 15 Mar '15 S T M F 29 Mar '15 T S W 12 Apr '15 S T 1d 11 d 1d 2d 2d 1d 1d 1d 21 d 19 d 2d 1d 4d 2d 1d 1d 1d 2d 19 d 2d 1d 4d 2d 1d 1d 1d 2d 27 d 1d 1d 1d 1d 1d 1d 2d 1d 1d 18 d 6d 6d 6d 6d 6d 6d 2d 2d 0d 06/04 Task Progress Summary External Tasks Deadline Split Milestone Project Summary External Milestone Critical Page 2 M F 26 Apr ' T ANEXO 2 154 ID WBS Task Name Duration M 1 1 2 3 1.1 1.2 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1.2.1 1.2.1.1 1.2.1.2 1.2.1.3 1.2.1.4 1.2.2 1.2.2.1 1.2.2.2 1.2.2.3 1.2.2.4 1.2.3 1.2.3.1 1.2.3.2 1.2.3.3 1.2.3.4 1.2.4 1.2.4.1 1.2.4.2 1.2.4.3 1.2.4.4 1.3 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 1.3.1 1.3.1.1 1.3.1.1.1 1.3.1.1.2 1.3.1.1.3 1.3.1.1.4 1.3.1.1.5 1.3.1.1.6 1.3.1.2 1.3.1.2.1 1.3.1.2.2 1.3.1.2.3 1.3.1.2.4 1.3.1.2.5 1.3.1.2.6 1.3.1.3 1.3.1.3.1 1.3.1.3.2 1.3.1.3.3 1.3.1.3.4 1.3.1.3.5 Project: Anexo2 Date: Wed 14/05/14 CONSTRUÇÃO DO VIADUTO Ínicio da Obra INFRAESTRUTURA SAPATA E1-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E1-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-A Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação SAPATA E2-B Forma Armação Concreto Estrutural Reaterro/Compactação MESOESTRUTURA PILARES PILAR E1-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E1-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma PILAR E2-A Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural F 04 Jan '15 T S W 18 Jan '15 S T M F 01 Feb '15 T S W 15 Feb '15 S T M F 01 Mar '15 T S W 15 Mar '15 S T M F 29 Mar '15 T S 78 d 05/01 0d 12 d 9d 3d 3d 2d 1d 9d 3d 3d 2d 1d 9d 3d 3d 2d 1d 9d 3d 3d 2d 1d 41 d 17 d 14 d 1d 2d 3d 2d 2d 1d 14 d 1d 2d 3d 2d 2d 1d 14 d 1d 2d 3d 2d 2d Task Progress Summary External Tasks Deadline Split Milestone Project Summary External Milestone Critical Page 1 W 12 Apr '15 S T M F 26 Apr '15 T S W 10 May '15 S T M ID WBS Task Name Duration M 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 1.3.1.3.6 1.3.1.4 1.3.1.4.1 1.3.1.4.2 1.3.1.4.3 1.3.1.4.4 1.3.1.4.5 1.3.1.4.6 1.3.2 1.3.2.1 1.3.2.1.1 1.3.2.1.2 1.3.2.1.3 1.3.2.1.4 1.3.2.1.5 1.3.2.1.6 1.3.2.1.7 1.3.2.1.8 1.3.2.2 1.3.2.2.1 1.3.2.2.2 1.3.2.2.3 1.3.2.2.4 1.3.2.2.5 1.3.2.2.6 1.3.2.2.7 1.3.2.2.8 1.4 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 1.4.1 1.4.1.1 1.4.1.2 1.4.1.3 1.4.1.4 1.4.1.5 1.4.2 1.4.2.1 1.4.2.2 1.4.3 1.4.3.1 1.4.3.2 1.4.3.3 1.4.4 1.4.4.1 1.4.4.2 1.5 91 92 1.5.1 1.6 Project: Anexo2 Date: Wed 14/05/14 Desforma PILAR E2-B Gabarito para Armação Montagem Andaime Armação Forma Concreto Estrutural Desforma TRAVESSAS E1 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento E2 A-B Montagem Cimbramento Forma de Fundo Armação Forma Lateral Concreto Estrutural Desforma Grout Apoio Neoprene Retirada do Cimbramento SUPERESTRUTURA IÇAMENTO DE VIGAS Viga V1 Viga V2 Viga V3 Viga V4 Viga V5 LAJES Lançamento de Lajes Consolidação Laje TRANSVERSINAS Transversina T1 Transversina T2 Transversina T3 CORTINAS Cortina E1 Cortina E2 PAVIMENTAÇÃO Execução de pavimento flexível Conclusão da Obra F 04 Jan '15 T S W 18 Jan '15 S T M F 01 Feb '15 T S W 15 Feb '15 S T M F 01 Mar '15 T S W 15 Mar '15 S T M F 29 Mar '15 T S W 12 Apr '15 S T M F 26 Apr '15 T S 1d 14 d 1d 2d 3d 2d 2d 1d 27 d 24 d 2d 2d 6d 3d 2d 1d 1d 2d 24 d 2d 2d 6d 3d 2d 1d 1d 2d 27 d 1d 1d 1d 1d 1d 1d 2d 1d 1d 18 d 6d 6d 6d 6d 6d 6d 2d 2d 0d 22/04 Task Progress Summary External Tasks Deadline Split Milestone Project Summary External Milestone Critical Page 2 W 10 May '15 S T M Referências ANDRADE, A.C., 1999. 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