A pesquisa Operacional e os Recursos Renováveis 4 a 7 de novembro de 2003, Natal-RN PLANEJAMENTO DE CIRCUITOS SECUNDÁRIOS DE DISTRIBUIÇÃO USANDO ALGORITMO EVOLUTIVO ESPECIALIZADO Antonio Marcos Cossi Grupo de Pesquisa em Distribuição de Energia Elétrica Departamento de Engenharia Elétrica - Unesp-Ilha Solteira Av. Brasil Norte, 364 – Caixa Postal 31 CEP 15.385-000, Ilha Solteira, SP, Brasil E-mail:[email protected] José Roberto S. Mantovani Grupo de Pesquisa em Distribuição de Energia Elétrica Departamento de Engenharia Elétrica - Unesp-Ilha Solteira Av. Brasil Norte, 364 – Caixa Postal 31 15.385-000, Ilha Solteira, SP, Brasil E-mail: [email protected] Resumo - dedicated evolutionary algorithm (EA), which uses codification schemas, genetic operators and control parameters designed and directed to consider the specific characteristics of the secondary network planning. The codification schema maps the possible solutions that attend the necessary requests to obtain an efficient and low cost project system - suitable dimensioning of the conductors, load balance among the phases, and the transformer located in the load center of the secondary system. An efficient four-lines three-phase power flow algorithm is used as an auxiliary methodology of the EA for computing the adaptation function of the solution proposal of each individual. Results obtained from two tests secondary distribution systems, are presented. Keywords - Secondary Network, Optimization, Evolutionary Algorithms, Power Flow I. Introdução O aumento do consumo de energia elétrica com a ligação de novos consumidores aos sistemas existentes e a criação de novas áreas residenciais, comerciais e industriais que devem ser energizadas, torna o problema do planejamento da expansão dos sistemas de distribuição como um dos mais importantes para as companhias distribuidoras, tendo em conta os importantes investimentos que têm de ser feitos nessa área. Os estudos de expansão são baseados no sistema existente, em previsões de consumos futuros, extensos cálculos econômicos e elétricos, além da experiência e capacidade de julgamento do planejador. No entanto, o desenvolvimento de estudos mais elaborados com um número maior de projetos alternativos e o uso de modelos matemáticos e técnicas de otimização pode melhorar significativamente as soluções tradicionais atingidas pelos planejadores. Para um sistema de distribuição, o nível de consumo presente é conhecido e os níveis futuros podem ser previstos para um estágio (geralmente um ano) ou para vários estágios. Conseqüentemente, o problema genérico consiste em planejar a expansão do sistema de distribuição (para um ou mais estágios) para atender as demandas, procurando maximizar os atributos: economia, confiabilidade, segurança e qualidade de serviço do fornecimento de energia. O sistema de distribuição é subdividido em dois subsistemas, sendo um que tem início nas subestações de distribuição (média tensão) e chega aos transformadores de rua, constituindo a rede primária, e o outro que tem início nos transformadores abaixadores e chega aos pontos de consumo (baixa tensão), constituindo a rede secundária, parte esta do sistema tratada neste trabalho. A importância de estudos de otimização e expansão da rede secundária está no fato desta concentrar a maior parte das perdas de todo o sistema de energia elétrica, devido a sua baixa tensão, o que requer o planejamento de uma rede otimizada. Essa otimização e expansão envolve a instalação de transformadores abaixadores e a conexão destes com os pontos de consumo. Desta forma, no planejamento de redes secundárias, os seguintes requisitos devem ser simultaneamente atendidos [5]: 1. Balanceamento das cargas nas respectivas fases do circuito [8]: Distribuição das cargas balanceadas entre as fases do circuito evitará o surgimento de níveis inadequados de tensão e conseqüentemente uma tensão de neutro menor. Esta medida dentro do contexto geral do planejamento de redes secundárias é menos onerosa econômica e tecnicamente. 2. Posicionamento do transformador abaixador: Posicionamento adequado do transformador em um circuito da rede secundária poderá fornecer uma melhor equivalência de nível de tensão para as cargas. Esta medida deve ser avaliada considerando a topologia da rede primária para uma ação técnica e economicamente viável. 3. Recondutoramento dos circuitos: A especificação de cabos adequados para o circuito, geralmente constitui a melhor solução para a obtenção de níveis adequados de tensão. Esta é a solução geralmente adotada, provocando uma melhora significativa das restrições de queda de tensão e carregamento dos cabos. No entanto, sua troca redunda em maiores investimentos econômicos e tempos de execução maiores que nos casos anteriores. Vários métodos têm sido empregados no estudo do planejamento ótimo de redes primárias e secundárias de distribuição: otimização clássica - Branch-And-Bound, Modelos de Transportes e Decomposição de Benders [2], [6], [9] e [10], métodos heurísticos e atualmente as meta-heurísticas - Algoritmos Genéticos, Simulated Annealing e Busca Tabu [1], [4], [8] e [11]. No entanto, existem poucos artigos que tratam de projetos de redes secundárias de distribuição, quando comparados à rede primária. Dentre os poucos artigos dedicados a parte secundária do sistema de distribuição, encontram-se os trabalhos utilizando programação matemática inteira-mista [6] e [7]. O modelo apresentado em [6], utiliza como metodologia de otimização para projetos de redes secundárias um método computacional baseado em programação matemática inteira-mista para minimizar os custos operacionais e de investimentos dos requisitos citados anteriormente 1648 (localização do transformador, dimensionamento dos cabos e balanceamento das cargas), com o objetivo de melhorar o perfil de tensão do circuito. No trabalho desenvolvido em [7], são usadas também formulações matemáticas baseadas em modelos de otimização inteira-mista, visando contornar e resolver possíveis problemas das metodologias heurísticas que apresentam resultados sub-ótimos (ótimos locais). O modelo de função objetivo considera número, localização e o tipo dos transformadores, além da melhor conexão destes à rede primária e aos pontos de carga minimizando os custos totais. As restrições estão relacionadas com as condições de operação da rede secundária – tensão, perdas e atendimento da demanda. O planejamento da rede secundária é coordenado, através de técnicas heurísticas adequadas com a rede primária existente e/ou planejada. Neste trabalho o planejamento de circuitos secundários é formulado como um problema de programação não linear inteiro misto (PNLIM). A função objetivo considera os custos nos investimentos na troca de cabos, posição dos transformadores e balanceamento das cargas além dos custos de operação relacionados com as perdas nos alimentadores. As restrições são o atendimento das demandas, perfil da magnitude das tensões e capacidade física dos transformadores e cabos. O estado da rede para avaliar cada proposta de planejamento é obtido via um programa de cálculo de fluxo de potência (FP) trifásico [3]. Para solução do PNLIM resultante é proposto o emprego de Algoritmos Evolutivos que possibilita estudos de planejamento, tanto para redes radiais como para redes fracamente malhadas, com vistas a encontrar a configuração ótima sob os aspectos técnicos e econômicos. Utilizando a metodologia proposta foram obtidos resultados para dois circuitos secundários de distribuição de topologia radial. Sendo o primeiro um circuito 6 barras utilizado por [6], onde foram feitas algumas considerações e o segundo um ramal de 29 barras da cidade de Bragança Paulista-SP. Os resultados são apresentados e discutidos. II. Formulação Genérica do Problema O planejamento de redes secundárias de distribuição consiste em minimizar os custos de operação e investimento visando atender um conjunto de restrições operacionais tais como o atendimento das demandas de energia dos consumidores com nível de tensão acima de valores pré-estabelecidos por norma. Genericamente, o planejamento de redes secundárias de distribuição, pode ser estabelecido como: custos de investimentos (instalação, recondutoramento, etc) Minimizar + custos operacionais (perdas) s.a. Atendimento da demanda: leis de Kirchhoff Qualidade do serviço: queda de tensão máxima permitida nos alimentadores Restrições físicas de operação dos equipamentos: capacidade do transformador abaixador II.1. Função Objetivo Envolve os custos fixos e variáveis dos elementos que compõem o sistema de distribuição (circuito secundário) tanto na operação quanto na expansão durante o período de planejamento. A solução ótima refere-se ao menor custo calculado para uma dada configuração inicial da rede. Os custos fixos representam os investimentos na instalação de novos elementos (cabos, transformadores abaixadores, etc) no sistema. Os custos variáveis representam as despesas necessárias para operar o sistema elétrico. 1649 II.2. Restrições As restrições utilizadas nesta formulação foram: Balanço da Demanda e Queda de Tensão: São baseadas nas leis de Kirchhoff. O balanço de demanda para cada nó do circuito, asseguram que o somatório do fluxo líquido de potência seja nulo. As restrições de queda de tensão impõem que o perfil de tensão do circuito seja mantido dentro de limites pré-estabelecidos. Máximo Fluxo de Potência: Responsável pelo limite da capacidade nos alimentadores e transformadores abaixadores (existentes ou futuros), durante o período de planejamento. III. Técnica de Solução Para a solução do planejamento da expansão de circuitos secundários de distribuição utilizou-se um algoritmo evolutivo dedicado que explora as características do problema com vistas a obter eficiência e mapear adequadamente as possíveis soluções. Os Algoritmos Evolutivos são modelos matemáticos inspirados na natureza, que se utilizam dos mecanismos da evolução e da genética natural para buscar soluções de boa qualidade para problemas de otimização mal comportados e de modelagem complexa. O Algoritmo Evolutivo trabalha com um conjunto de indivíduos (soluções codificadas) que constituem uma população. Cada uma dessas soluções são conhecidas como cromossomos. Tal população é capaz de evoluir devido a aplicação dos processos de seleção, recombinação e mutação. Os indivíduos mais fortes sobrevivem durante o processo de otimização propiciando o surgimento de melhores configurações com indivíduos mais evoluídos, levando a possíveis soluções ótimas para o problema. A seguir detalham-se as características do Algoritmo Evolutivo desenvolvido e implementado para o planejamento da expansão de circuitos secundários. III.1. Sistema de Codificação Utilizado Na solução de problemas da vida real usando algoritmos evolutivos, o esquema de codificação da estrutura cromossômica influi no desempenho computacional do algoritmo e na qualidade das soluções obtidas. A codificação em base decimal inteira é utilizada para mapear as possíveis soluções para o problema de planejamento das redes secundárias. As vantagens deste sistema de codificação são armazenar uma maior quantidade de informações que a codificação binária, para um cromossomo de mesmo tamanho e trabalhar com a representação real das variáveis do problema. A Figura 1 ilustra um circuito secundário e as variáveis envolvidas no problema, onde o nó de referência é o poste com transformador, (Pabc,Qabc) as cargas ativas e reativas instaladas em cada nó nas fases A,B e C respectivamente e os trechos entre os nós com suas respectivas bitolas (#). Figura 1: Circuito Secundário de Distribuição O esquema de codificação para um circuito genérico é mostrado na Figura 2. 1650 Figura 2: Sistema de Codificação para o Problema Neste esquema, para circuitos secundários, tem-se: Pja, Pjb, Pjc, Qja, Qjb, Qjc: proposta de ligação das cargas ativas e reativas nas fases A, B, C para cada barra j do sistema, para j=1,...,nb (nb: número de barras); As posições seguintes j=1,...,nL representam as bitolas dos condutores em cada um dos trechos j da rede secundária; A última posição é reservada para indicar dentre todos os pontos possíveis para alocar o transformador no circuito secundário, o ponto onde o mesmo está alocado. Uma possível configuração inicial para a rede da Figura 1 através de números inteiros, representando as variáveis do problema, está ilustrada na Figura 3. Figura 3: Cromossomo Inicial Assim, as cargas instaladas nas fases A, B e C são representadas pelos números 1, 2 e 3. Os cabos utilizados em cada trecho do circuito são representados por números que identificam as bitolas do cabo (tipo 1 (#1), 2 (#2) e 4 (#4)). Por fim o poste com transformador instalado representado pelo número do nó da rede (nó 0). O tamanho do cromossomo está diretamente relacionado com a dimensão do circuito em estudo. III.2. População Inicial A geração da população inicial é realizada aleatoriamente. No entanto nada impede uma inicialização mais adequada utilizando métodos heurísticos construtivos baseados em regras práticas obtidas da experiência dos operadores e engenheiros do setor de planejamento das concessionárias. III.3. Avaliação Cada indivíduo da população é avaliado de acordo com a função de adaptação a qual implicará diretamente na permanência do mesmo nas gerações futuras com base nos resultados do fluxo de potência empregado no processo [3]. Trata-se de um fluxo de potência trifásico para solução de redes de distribuição radial e/ou fracamente malhada, usando uma técnica de compensação mult-port e formulações básicas das leis de Kirchhoff. Este método possui excelentes características de convergência e é muito robusto. A função de adaptação (fa) pode ser escrita matematicamente como: 1651 lim cal fa = ci + ∑ rabc .i abc ⋅ T ⋅ (custo do kWh) + fp.∑ Viabc − Viabc i =1 i =1 0 L K 2 2 se Viabc se Viabc min min > Viabc < Viabc cal cal > Viabc < Viabc Sendo: ci = custos de investimentos T = período L = número de ramais do sistema K = número de nós do sistema rabc = impedância própria dos condutores iabc = corrente de ramo produto (rabc .iabc 2) = perdas totais do sistema em watts fp = fator de penalização ||Vlim-Vcal||2 = limites para queda de tensão Vabc cal = tensão calculada Vabc lim = tensão limiar ( Vabc minimol < Vabc li m< Vabc maximol) III.4. Seleção No processo de seleção, utilizou-se a técnica de torneio, onde são realizados n jogos, sendo n o tamanho da população. Em cada jogo foram selecionadas aleatoriamente três configurações diferentes da população corrente e escolhida aquela com o melhor valor da função de adaptação (melhor solução), formando assim uma nova população intermediária. III.5. Recombinação O processo de recombinação utilizado, até o presente estágio de desenvolvimento desta pesquisa, é a recombinação de um único ponto para cada um dos diferentes tipos de variáveis (balanceamento de cargas, bitola de condutores e posição do trafo na rede), mapeados pela estrutura do cromossomo. Ou seja, a parcela de uma configuração é trocada com a parcela correspondente da outra configuração do mesmo par selecionado. A Figura 4 exemplifica o processo de Recombinação, onde são trocadas as parcelas escolhidas como pontos de recombinação entre os pares. Figura 4: Exemplo de Cromossomos Recombinados III.6. Mutação O processo de mutação é do tipo indutivo em que se efetua uma alteração no cromossomo de acordo com a taxa de mutação pré-estabelecida. Para efetuar a mutação, para cada um dos setores de variáveis que compõem o cromossomo, procede-se da seguinte maneira: 1652 max max Distribuição de cargas: realizar uma rotação nas cargas das fases A, B e C (trocar cargas das fases). Bitola dos cabos: Alterar bitola do cabo, para um valor nominal acima ou abaixo da bitola existente. A decisão se vai aumentar ou diminuir a bitola do cabo é aleatória. Posição do transformador: Alterar a posição do transformador na rede para um poste à esquerda ou à direta do mesmo. Sendo esta escolha de maneira aleatória. A Figura 5 exemplifica este processo. Figura 5: Exemplo de Cromossomo Aplicando Mutação IV. Resultados O Algoritmo Evolutivo foi implementado em linguagem FORTRAN. Os resultados apresentados com a topologia e os parâmetros envolvidos no problema das soluções encontradas são para dois circuitos elétricos (rede secundária) de topologia radial. Ambos considerados circuitos em operação. Foram feitas algumas simulações considerando a possibilidade da troca do tipo de cabo nos trechos do circuito, da localização do transformador em qualquer nó da rede e da troca das cargas entre as fases, para encontrar uma solução viável economicamente e com um perfil de tensão adequado. O custo da operação do sistema (perdas) foi calculado considerando um estágio de um ano. IV.1. Circuito 1 Sistema teste baseado no circuito utilizado em [6], constituído por 6 nós e um transformador abaixador, cuja configuração e o tipo de cabo em cada trecho da rede estão ilustrados na Figura 6. A Tabela 1 representa os custos das variáveis envolvidas no problema e a Tabela 2 ilustra os tipos de cabos e cargas instaladas nas fases A, B e C respectivamente. Figura 6: Configuração Inicial do Circuito Secundário Tabela 1: Custos das Variáveis do Problema Cabos #1 #2 #3 #4 Instalação Custo fixo ($/km) 20,0 25,0 30,0 35,0 800,0 1653 Custo ($) 80,0 Custo ($) 10,0 Custo ($) 0,1 Transformador Balanceamento das Cargas kWh Tabela 2: Tipos de Cabos e Cargas Por Poste do Circuito Cabos Cabos R (pu) X (pu) #1 46,81 62,40 #2 38,14 61,75 #3 26,47 59,56 #4 67,23 62,68 Cargas por Fase (KVA) Poste A B C 0 1 2 3 4 5 3,0 3,0 6,0 2,0 3,0 4,0 2,0 4,0 0,0 6,0 3,0 4,0 2,0 2,0 0,0 4,0 4,0 6,0 Parâmetros utilizados: Fator de potência = 0,9 Distância entre os postes = 0,1 km Taxa de Recombinação = 0,7 Taxa de Mutação = 0,007 Número de iterações = 15 Tamanho da população = 30 Tensão nominal do circuito = 127 volts Potência base = 100 MVA Limites de tensão = 0,95 Vnominal < Vcalculado < 1,05 Vnominal Os resultados da melhor solução obtida nas simulações, encontram-se na Tabela 3. Tabela 3: Resultados da Solução Encontrada Para o Circuito 1 Tipo de Cabo Ramais Cabos 0-1 #2 0-2 #2 1-3 #1 2-4 #2 3-5 #2 Cargas por Fase (kVA) Fases Poste 0 1 2 3 4 5 Tensão (Volts) A 2,0 3,0 0,0 2,0 3,0 6,0 B 2,0 2,0 0,0 6,0 3,0 4,0 C 3,0 4,0 6,0 4,0 4,0 4,0 VA VB VB 127,0 126,1 126,4 125,7 125,9 125,7 127,4 126,2 126,9 125,0 126,5 125,0 127,4 126,3 125,8 125,6 125,2 126,6 Poste Selecionado para Localização do Trafo Poste 0 Custo ($) 60,3 IV.2. Circuito 2 1654 Ramal da cidade de Bragança Paulista-SP, constituído por 29 nós e um transformador abaixador, cuja configuração e o tipo de cabo em cada trecho da rede estão ilustrados na Figura 7. A Tabela 4 representam os custos das variáveis do problema e a Tabela 5 ilustra os tipos de cabos com suas impedâncias, além das cargas instaladas nas fases A, B e C respectivamente. Figura 7 : Configuração do Ramal Secundário da Cidade de Bragança Paulista-SP Tabela 4: Custos das Variáveis do Problema Cabos – (Tipos) 1 2 3 4 5 6 Instalação Transformador Balanceamento das Cargas kWh Custo fixo ($/km) 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 800,0 Custo ($) 80,0 Custo ($) 10,0 Custo ($) 0,1 1655 Tabela 5: Tipos de Cabos e Cargas Por Poste do Circuito Cabos Cargas por Fase (KVA) Tipo R (pu) X (pu) 1 50,43 45,97 2 47,84 45,37 3 35,36 33,53 4 31,20 29,59 5 22,88 21,70 6 16,64 15,78 Poste A B C 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 220,7 0,0 501,5 0,0 0,0 0,0 0,0 713,0 209,1 184,4 0,0 291,7 362,7 163,6 419,0 1160,5 819,4 0,0 233,0 0,0 0,0 20,1 0,0 442,1 298,6 108,0 0,0 158,2 490,0 344,9 387,3 1317,1 131,2 0,0 0,0 0,0 0,0 365,7 0,0 561,0 0,0 388,1 0,0 133,5 368,1 141,2 448,3 1133,5 16 0,0 0,0 0,0 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 0,0 367,3 0,0 345,7 327,2 125,0 126,5 0,0 634,3 564,0 160,5 131,2 0,0 625,0 263,1 604,9 66,4 125,0 0,0 189,8 304,0 323,3 407,4 131,2 0,0 838,0 240,0 260,8 0,0 0,0 0,0 189,8 0,0 381,2 632,7 0,0 Parâmetros utilizados: Fator de potência = 0,9 Distância entre os postes = 0,1 km Taxa de Recombinação = 0,7 Taxa de Mutação = 0,007 Número de iterações = 30 Tamanho da população = 60 Tensão nominal do circuito = 127 volts Potência base = 100 MVA Limites de tensão = 0,95 Vnominal < Vcalculado < 1,05 Vnominal Os resultados da melhor solução obtida nas simulações se encontram na Tabela 6. 1656 Tabela 6: Resultados da Solução Encontrada Para o Circuito 2 Cabos nos Ramais Ramais 0-1 0-2 1-3 2-4 3-5 3-6 3-7 4-8 4-9 4-10 5-11 7-12 8-13 10-14 12-15 13-16 14-17 15-18 16-19 16-20 16-21 17-22 17-23 17-24 22-25 24-26 26-27 27-28 Cabos (Tipos) 1 2 3 4 1 2 2 2 3 3 2 1 2 2 2 3 2 1 1 1 2 2 3 3 2 2 2 2 Cargas por Fase (kVA) Fases Poste A B 220,7 131,2 0 0,0 0,0 1 501,5 233,0 2 0,0 0,0 3 0,0 0,0 4 365,7 0,0 5 0,0 0,0 6 442,1 561,0 7 298,6 209,1 8 108,0 388,1 9 0,0 0,0 10 133,5 158,2 11 490,0 362,7 12 163,6 141,2 13 387,3 419,0 14 1160,5 1133,5 15 0,0 0,0 16 0,0 0,0 17 838,0 367,3 18 0,0 263,1 19 260,8 345,7 20 66,4 0,0 21 125,0 125,0 22 0,0 126,5 23 0,0 189,8 24 304,0 0,0 25 381,2 323,3 26 632,7 407,4 27 131,2 0,0 28 Tensão (Volts) VA VB VB C 819,4 0,0 0,0 0,0 0,0 20,1 0,0 713,0 0,0 184,4 0,0 291,7 368,1 344,9 448,3 1317,1 0,0 0,0 625,0 240,0 604,9 327,2 0,0 0,0 189,8 634,3 564,0 160,5 131,2 127,02 126,32 126,37 125,82 126,01 125,72 125,82 125,26 125,86 126,00 125,72 125,69 124,76 125,75 125,35 124,38 125,70 125,05 124,22 125,69 125,64 125,68 124,97 125,05 124,88 124,90 124,67 124,53 124,50 Poste Selecionado para Localização do Trafo Poste 0 Custo ($) 1362,5 127,45 126,96 126,88 126,60 126,54 126,57 126,60 126,17 126,36 126,48 126,31 126,54 125,81 126,22 126,03 125,54 126,14 125,82 125,48 126,09 126,07 126,14 125,80 125,80 125,69 125,80 125,56 125,49 125,49 127,45 126,82 126,78 126,36 126,34 126,30 126,36 125,83 126,07 126,31 126,05 126,25 125,39 125,79 125,67 125,05 125,63 125,37 124,93 125,59 125,52 125,57 125,25 125,37 125,23 125,13 125,07 125,02 125,00 IV.3. Comentários dos testes De acordo com o AE implementado, para ambos os circuitos, este convergiu (como ilustra a Figura 8) para uma solução que apresentam configurações com um perfil adequado de tensão para as cargas e custos reduzidos, obedecendo critérios de valores para os investimentos. Assim, para o circuito 1, a melhor configuração encontrada foi apenas equilibrando de maneira adequada as cargas nas fases A, B e C com custo relativamente baixo, como mostrado na Tabela 3. No entanto, para o circuito 2, além de equilibrar de maneira adequada as cargas, houve também a troca de alguns cabos nos trechos do circuito obtendo assim um custo bem maior, como ilustrado na Tabela 6. Para ambos os circuitos não foi necessário a mudança do transformador de posição, onde se pode concluir que os mesmos já se encontram no centro de carga do sistema. 1657 Para um posicionamento adequado do transformador no circuito secundário do sistema de distribuição, deve-se levar em conta estudos sobre a rede primária para uma solução técnica e economicamente viável. Devido ao tamanho das redes, o tempo de processamento utilizando uma máquina Pentium Celeron 533 MHz, foi relativamente baixo. Sendo 12 segundos para o circuito 1 e 3,5 min para o circuito 2. Figura 8: Média da Função Objetivo Versus Número de Iterações – (a) Circuito 1 e (b) Circuito 2 Os gráficos ilustrados na Figura 8, mostram um comportamento de convergência prematura. Para resolver este problema, pretende-se utilizar técnicas durante os processos de seleção, recombinação e mutação para diversificar a população e fugir de soluções ótimas locais. V. Conclusões Neste trabalho foi desenvolvido e implementado um Algoritmo Evolutivo especializado para a solução do problema do planejamento de circuitos secundários de distribuição. As particularidades deste algoritmo: operadores genéticos, sistema de codificação, parâmetros de controle, comportamento do Fluxo de Potência Trifásico e o modelo matemático adotado, permitem obter um bom desempenho da metodologia para circuitos com um grande número de variáveis de decisão. Através dos resultados obtidos envolvendo as possíveis ações de controle no planejamento, ou seja: balanceamento das cargas entre as fases, localização ideal para o transformador na rede e a seleção do melhor tipo de cabo para os trechos do circuito, pode-se verificar a eficiência e as potencialidades deste método. Agradecimentos Os autores agradecem à CTEEP – Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista e à FEPISA – Fundação de Ensino, Pesquisa e Extensão de Ilha Solteira pelo apoio financeiro através de bolsa de mestrado. 1658 Referências Bibliográficas [1] Ramírez-Rosado, I. J. e Bernal-Agustín, J. L. (1998). Genetic Algorithms Applied to the Design of Large Power Distribution Systems, IEEE Transactions on Power Systems, Vol.13, nº 2. [2] Sun, D. I. et al. (1982). Optimal Distribution Substation and Primary Feeder Planning Via the Fixed Charge Network Formulation, IEEE Transactions on Power Systems, PWRD 3 (1), p. 341-348. [3] Cheng, C. S. e Shirmohammadi, D. (1995). A Three-Phase Power Flow Method For Real-Time Distribution System Analysis, IEEE Transactions on Power Systems, Vol. 10, nº 2. [4] Proença, L. M. B. (1993). 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