UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA ANDRÉ LUIZ DE BRITO AMPLIAÇÃO E MELHORIA NA SUBESTAÇÃO PICI II - CHESF PELA IMPLANTAÇÃO DO 4º TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA 100 MVA 230 kV / 69 kV FORTALEZA 2013 ANDRÉ LUIZ DE BRITO AMPLIAÇÃO E MELHORIA NA SUBESTAÇÃO PICI II - CHESF PELA IMPLANTAÇÃO DO 4º TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA 100 MVA 230 kV / 69 kV Trabalho final de curso submetido à Coordenação do curso de Engenharia Elétrica, como requisito parcial de obtenção do título de Engenheiro Eletricista. Orientador: Prof. Dr. José Almeida do Nascimento FORTALEZA 2013 Ao Senhor Jesus Cristo. AGRADECIMENTO Ao Senhor Jesus Cristo, toda honra e toda glória, pelo dom da vida, pelo dom da esperança e da perseverança. Aos meus familiares, Helena (In memory- mãe de criação), Lucimar (mãe), Zuleide (esposa) e filhos Beatriz e Samuel, que contribuíram para que eu pudesse cumprir com minhas atividades acadêmicas e agregar valores essenciais à vida. Ao meu orientador Prof. José Almeida do Nascimento e co-orientador Prof. Aílson Pereira, por seu trabalho, paciência e conselhos. Aos professores do Departamento de Engenharia Elétrica da UFC, por transmitirem conhecimentos ao longo da graduação. Aos meus colegas e companheiros operadores, técnicos e engenheiros da CHESF, que sempre incentivaram meus sonhos e estiveram sempre ao meu lado esclarecendo dúvidas do dia a dia da engenharia, e em especial aos companheiros operadores da SE Delmiro Gouveia - CHESF (Iuri, Guilherme, Gilson, Helton, Jaime, Jorge Barbosa, Jorge Alves, Lamartine, Mauro, Rafaela e Valentim), que muito contribuiu para chegar até aqui. Enfim, a todas as pessoas que por motivo de esquecimento não foram citadas aqui, saibam que as suas contribuições foram determinantes para permanecer na graduação e concluí-la de forma plena. RESUMO Este trabalho apresenta um estudo sobre a implantação de um novo transformador de potência em 230 kV/69 kV a SE PCD (PICI II) pertencente à CHESF, destacando os aspectos construtivos do transformador, bem como avaliar as conseqüências desta implantação para o sistema elétrico de potência na região metropolitana da cidade de Fortaleza. O quarto transformador de potência faz parte do plano de ampliação e reforço do sistema elétrico da rede básica (RB) visto que há previsão de sobrecarga nos transformadores da SE PCD até o final do ano 2013. A coordenação do PAR (Plano de Ampliação e Reforço) é de responsabilidade do ONS. A subestação de Pici II pertencente à Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) é alimentada por duas linhas em 230 kV e três transformadores 230/69 kV de 100 MVA, com carga atual em torno de 240 MW. A SE PCD está interligada com a subestação da COELCE Pici I (PCI) que supre os consumidores dos bairros situado na região oeste da cidade de Fortaleza, Barra do Ceará, Presidente Kennedy, Parangaba, Bom sucesso, Bom Jardim. Neste estudo destaca-se que foi apresentado um descritivo dos principais componentes do transformador, estudo de fluxo de potência utilizando a ferramenta computacional PowerWorld. Para realizar o fluxo de potência, foi considerada a regional de Fortaleza, Delmiro Gouveia e Pici no período de carga leve, média e pesada, com três transformadores e com o quarto transformador instalado. Verificou-se com estas simulações um incremento de 33% na potência instalada desta SE, eliminação de sobrecarga em condição normal de operação, redução no corte ou transferência de carga, quando de contingência em uma das três unidades de 100 MVA e viabilizou transferência de cargas entre as subestações de Pici II, Fortaleza e Delmiro Gouveia durante intervenções programadas ou de emergência mantendo os níveis de tensão dentro da faixa estabelecida pela ONS e concessionárias de energia. Palavras-Chave: Transformador de Potência, Fluxo de Potência e Contingência. ABSTRACT This paper presents a study on the implementation of a new power transformer in 230 kV/69 kV SE PWD (PICI II) belonging to CHESF , highlighting the constructive aspects of the transformer , as well as evaluating the consequences of this deployment for the electric power system in metropolitan region of Fortaleza . The fourth power transformer, which is expected to power the 2nd half of 2013, is part of the expansion plan and strengthening the electrical system of the grid (RB) as there is forecast overload in the SE PCD processors by the end of the year 2013. The coordination of PAR (Plan Expansion and Enhancement) is the responsibility of ONS. The Pici II substation belonging to Sao Francisco Hydroelectric Company (CHESF) is powered by two 230 kV lines and three 230/69 kV 100 MVA transformers, current load with around 240 MW. The SE PCD is interlinked with the substation COELCE Pici I (PCI) that supplies customers in the neighborhoods located west of the city of Fortaleza, Barra Ceará, President Kennedy, Parangaba, Bom Sucesso, Bom Jardim. This study stands out a description of the main transformer components, power flow study using a computational tool PowerWorld was presented. To perform the power flow was considered only regional Fortaleza, Delmiro Gouveia and Pici period in light, medium and heavy load with three transformers and with four transformer instaladed. Verificy these simulations with an increase of 33 % in installed power of this SE, eliminating overhead during normal operation condition, cut or reduction in load transfer when the contingency in one of three units of 100 MVA and enables transfer of loads between substations II Pici, Fortaleza and Delmiro Gouveia during interventions scheduled or emergency maintaining voltage levels within the range established by ONS Keywords: Power Transformer, Power Flow and Contingency. and power utilities. LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 – Sistema Interligado Nacional...............................................................................13 Figura 1.2 – Centro Regional de Operação – CHESF............................................................. 15 Figura 1.3 – Distância (Km) entre Geração e SE PCD............................................................ 17 Figura 1.4 – Área de Operação Norte – CHESF......................................................................19 Figura 1.5 – Diagrama Unifilar – SE Pici II – CHESF............................................................21 Figura 1.6 – Carga – Período de 2005 – 2013..........................................................................20 Figura 1.7 – Diagrama Unifilar – Regional Pici – COELCE...................................................23 Figura 2.1 – Ligação e Fasor de Tensão- Transformador Y-∆.................................................24 Figura 2.2 – Níveis de tensão obedecidos nos sistemas elétricos.............................................26 Figura 2.3– Núcleo Magnético................................................................................................. 27 Figura 2.4- Transformador de potência em Y-∆...................................................................... 29 Figura 2.5 – Tanque Principal.................................................................................................. 30 Figura 2.6 – Tanque de Expansão........................................................................................... 31 Figura 2.7 – Conexão entre Tanque Principal e Expansão...................................................... 31 Figura 2.8 – Conexão entre Tanque Principal e Expansão - Vista Interna.............................. 32 Figura 2.9 – Tanque de Expansão.......................................................................................32 Figura 2.10 – Sistema de preservação selado por bolsa de borracha........................................33 Figura 2.11 - Núcleo do transformador................................................................................... 34 Figura 2.12 – Bucha de Alta / Baixa tensão............................................................................ 35 Figura 2.13– Descrição da Bucha............................................................................................ 35 Figura 2.14a– Tubulação/Válvulas.......................................................................................... 36 Figura 2.14b – Radiadores/Ventiladores montados................................................................ 37 Figura 2.15 – Ventiladores...................................................................................................... 38 Figura 2.16 - Secador de ar...................................................................................................... 38 Figura 2.17 - Indicador de nível de óleo.................................................................................. 39 Figura 2.18 - Relé de gás........................................................................................................ 40 Figura 2.18a - Indicador de Gás...............................................................................................40 Figura 2.19 – Válvula de Segurança........................................................................................ 40 Figura 2.20 – Descrição do Comutador................................................................................... 42 4Figura 2.21 – Comutador de Derivações em Carga............................................................... 43 Figura 2.22 – Relação Tap x Tensão.........................................................................................44 Figura 3.1 – Fluxo entre Barras K e M.....................................................................................46 Figura 3.2 – Representação barra 1 / 2......................................................................................48 Figura 3.3 – Potência x Defasamento Angular (θ)....................................................................49 Figura 3.4 – Modelo Pi (π)........................................................................................................51 Figura 3.5 – Modelo π generalizado.........................................................................................53 Figura 4.1 – Diagrama de Interligação entre barramentos........................................................55 LISTA DE TABELAS Tabela 1.1 – Interligação do SIN.............................................................................................14 Tabela 1.2 – Regiões e Empresas Eletrobrás............................................................................14 Tabela 2.1 – Característica do transformador ABB................................................................29 Tabela 3.1- Tensões entre fases admissíveis a 60 Hz..............................................................45 Tabela 3.2 - Fator de Potência admissíveis a 60 Hz................................................................45 Tabela 3.3 – Relação X/R.........................................................................................................50 Tabela 4.1 – Parâmetros de Equipamento................................................................................56 Tabela 4.2 – Temperatura admissível ( Óleo / Enrolamento)...................................................57 Tabela 4.3 – Refrigeração x Carregamento............................................................................. 57 Tabela 4.4 – Níveis de Sobrecarga adotado em transformadores da CHESF......................... 58 Tabela 4.5 – Níveis de Sobrecarga conforme Norma Brasileira...............................................58 Tabela 4.6 – Caso 1 - Carregamento inicial............................................................................. 60 Tabela 4.6.1 – Tensão barramento de 230 kV / 69 kV – Condições Normais.. ...................... 60 Tabela 4.7 – Caso 1 - Carregamento Final – Condição de Contingência................................ 61 Tabela 4.7.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais........................... 61 Tabela 4.8 – Caso 2 - Carregamento inicial............................................................................. 63 Tabela 4.8.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais........................... 63 Tabela 4.9 – Caso 2 - Carregamento Final – Condição de Contingência................................ 64 Tabela 4.9.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais........................... 64 Tabela 4.10 – Caso 3 - Carregamento inicial........................................................................... 65 Tabela 4.10.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais......................... 65 Tabela 4.11 – Caso 3 - Carregamento Final – Condição de Contingência.............................. 67 Tabela 4.11.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais......................... 67 Tabela 4.12 – Caso 4 - Carregamento inicial........................................................................... 69 Tabela 4.12.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais..........................70 Tabela 4.13 – Caso 4 - Carregamento Final – Condição de Contingência...............................70 Tabela 4.13.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais..........................70 Tabela 4.14 – Caso 5 - Carregamento inicial........................................................................... 72 Tabela 4.14.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais..........................72 Tabela 4.15 – Caso 5 - Carregamento Final – Condição de Contingência...............................73 Tabela 4.15.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais..........................73 Sumário Capítulo 1: INTRODUÇÃO ................................................................................................... 12 1.1 Cenário Nacional do Setor Elétrico ................................................................ 12 1.2 Centro de Operação Norte – Chesf ................................................................. 14 1.3 histórico da SE Pici II (PCD) .......................................................................... 19 1.4 Justificativa ..................................................................................................... 23 1.5 Objetivos ......................................................................................................... 23 1.6 Estrutura do trabalho ....................................................................................... 23 Capítulo 2 – TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA .............................................................. 24 2.3 Transformador de Potência ABB .................................................................... 28 2.3.4 ÓleoBuchas de alta tensão ................................................................................ 34 2.3.5 Radiadores ....................................................................................................... 36 2.3.6 Secador de ar à sílica-gel ................................................................................. 38 2.3.7 Indicador de nível de óleo ................................................................................ 38 2.3.8 Relé de Gás (Buchholz)................................................................................... 39 2.3.9 Válvula de Segurança ...................................................................................... 40 Capítulo 3: ESTUDO EM REGIME PERMANENTE E EMERGÊNCIA.............................. 45 Capítulo 4: ESTUDOS DE CASOS ........................................................................................ 55 4.2 Estudos de Casos – Três Transformadores energizado em paralelo na SE PCD 4.2.2 Caso 2 – Carga Média..................................................................................... 63 4.2.3 Caso 3 – Carga Pesada .................................................................................... 66 4.3 Estudos de Casos – Quatro Transformadores energizados na SE PCD 4.3.1 Caso 4 – Carga Leve (4TR) ............................................................................ 69 4.3.2 Caso 5 – Carga Média..................................................................................... 72 Capítulo 5: CONCLUSÃO ....................................................................................................... 75 12 CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO 1.1 Cenário Nacional do Setor Elétrico O consumo de energia elétrica cresce impulsionado pelos incentivos governamentais através de programas sociais, a ascensão da classe média brasileira, pelo crescimento do comércio e indústria (EPE, 2013). O crescimento do consumo de energia elétrica, principalmente nas grandes metrópoles, exige-se mais investimentos na expansão do sistema de geração, transmissão e distribuição e, consequentemente, um crescimento no número de subestações, linhas de transmissão e novos equipamentos. Neste contexto é que a ampliação e reforço em instalações da Companhia Hidrelétrica do São Francisco – CHESF é um compromisso da empresa em atender com qualidade e dentro do prazo previsto no Plano de Ampliação e Reforço (PAR) 2010-2012 da ONS. De acordo com os estudos em conjuntos com Ministério Minas e Energia, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) há um acréscimo de 2.150km de linha de transmissão e 24.874 em instalação de transformadores com custo de investimento da ordem de R$ 4 Bilhões de reais (ONS – PAR 2010-2012) Neste cenário é que o sistema brasileiro de energia se utiliza dos recursos do sistema interligado entre as macros regiões do Brasil, exceto parte da região norte, que representa 2% do mercado e se encontra isolado. A função principal deste intercâmbio é fazer fluir de forma plena e eficiente o escoamento de energia entre as regiões demográficas do Brasil. O Sistema Interligado Nacional (SIN), representado na figura 1.1, é constituído pela Rede Básica (RB), que são instalações ou equipamentos com níveis de tensão maior ou igual a 230 kV, e integrantes de concessões de serviço público de energia elétrica. Compõe-se de um sistema hidrotérmico, com forte predominância de usinas hidrelétricas, geralmente localizadas longe dos centros de carga, e por uma malha de transmissão, que abrange as empresas das regiões geoelétricas Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte, totalizando uma extensão de linhas de aproximadamente 103.361,7km (ONS, 2013). A CHESF tem aproximadamente 18.644km em extensão de linha de transmissão, conforme anexo A. 13 Figura 1.1 – Sistema Interligado Nacional Fonte: ONS, 2013 O SIN propicia a transferência de energia entre as regiões do país, permitindo o bom uso dos recursos hidrológicos e o despacho ótimo hidrotérmico, ou seja, explorando de diversas formas os regimes hidrológico das bacias hidrográficas do Brasil. Portanto, representa um vetor de otimização econômica, pois utiliza os recursos de geração e transmissão para atender o mercado consumidor com confiabilidade, continuidade e economia. A tabela 1.1, apresenta as principais interligações que compõem o Sistema Interligado Nacional e na tabela 1.2 apresenta as empresas do grupo Eletrobrás predominantes nas regiões. 14 Tabela 1.1 – Interligação do SIN Interligação LT´s de interligação Tucuruí / Presidente Dutra / Teresina / Sobral (C1/C2) Norte / Nordeste Colinas / Ribeiro Gonçalves / São João do Piauí / Sobradinho Serra da Mesa / Correntina / Bom Jesus da Lapa / Ibicoara / Governador Centro-Oeste / Sudeste / Nordeste Mangabeira Norte/Sudeste Imperatriz / Colinas / Miracema / Gurupi / Serra da Mesa Sul / Sudeste Bateias /Ibiuna e outras Fonte: ONS, 2013 Tabela 1.2 – Regiões e Empresas Eletrobrás Região Empresas Norte Eletronorte Nordeste Chesf Centro-Oeste/Sudeste Sul Furnas Eletrosul Fonte: ONS, 2013 1.2 Centro de Operação Norte – Chesf A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), empresa subsidiária do grupo ELETROBRAS, é uma empresa cuja missão é produzir, transmitir e comercializar energia elétrica com qualidade, de forma rentável e sustentável. A CHESF possui um dos maiores sistemas de transmissão de energia elétrica em alta tensão do Brasil. São mais de 18 mil quilômetros de linhas operando nas tensões de 500 kV, 230 kV, 138 kV e 69 kV. A CHESF atua em 6(seis) áreas, ou seja, subsistema, a citar: Área Centro, Área Leste, Área Norte, Área Oeste, Área Sudoeste e Área Sul. Cada área é coordenada pelo os centros regionais, a citar e conforme figura 1.2: CROP – Centro Regional de Operação de Paulo Afonso CROS – Centro Regional de Operação Sul/Sudoeste – Sede : Salvador CROL – Centro Regional de Operação Leste – Sede: Recife CRON – Centro Regional de Operação Norte – Sede: Fortaleza CROO – Centro Regional de Operação Oeste – Sede: Teresina 15 Todos os centros de operação regional são coordenados pelo Centro de Operação do Sistema (COOS), com sede na cidade do Recife. Figura 1.2 – Centro Regional de Operação - CHESF Fonte: Chesf, 2012 O Estado do Ceará está interligado ao SIN através das seguintes interligações: Norte - Usina de Tucuruí conectando a transmissão em 500 kV/230 kV da SE Presidente Prudente, Teresina I, Teresina II até Sobral II/Sobral III. Sul – Usina de Paulo Afonso conectando a transmissão 500 kV até SE Milagres, Quixadá até Fortaleza II(FZD). No eixo de 230 kV, segue da SE Milagres, Banabuíu até Fortaleza I (FTZ). Centro – Eixo de 500 kV interligado entre Ribeirão Gonçalves, São João do Piauí chegando até SE Milagres. 16 A figura 1.3 mostra a distância em quilômetros(km) das fontes de geração norte, Tucuruí pertencente a ELETRONORTE e fontes de geração sul oriundas das usinas de Paulo Afonso e Luiz Gonzaga pertencente a CHESF, até a SE PCD. Figura 1.3 – Distância (Km) entre Geração e SE PCD Fonte: Próprio Autor 17 A figura 1.4, representa a área Norte que é coordenada pelo CRON, cuja área de atuação é o estado do Ceará, parte do oeste do Rio Grande do Norte, mais especificamente na SE Mossoró, e parte oeste da Paraíba, através da Usina e SE Curemas. A área norte é composta atualmente por 15 barras de 230 kV, 5 barras de 500 kV, 39 linhas de transmissão e 37 transformadores de potência. No Ceará, o Centro Regional de Operação Norte (CRON) da CHESF opera de forma coordenada o regional de Fortaleza, compreendendo as subestações de Fortaleza I (FTZ) 230 kV, Fortaleza II (FZD) 500 kV, Pici II (PCD) e Cauípe (CPE) 230 kV, responsáveis por cerca de 60% da energia da grande Fortaleza e da SE Delmiro Gouveia (DMG) 230 kV, responsável pelos outros 40% da energia do regional (CRON, 2012). Em 2013, a área norte receberá duas novas subestações, a SE Aquiraz II (AQD) e Pecém II (PED), que fazem parte do Plano de Obras 2013/2022, autorização CC 004/2010. Com isto, haverá um aumento de potência instalada de 400 MVA da SE AQD e 3600MVA da SE PED. A SE AQD aliviará o regional de fortaleza, principalmente as subestações de Delmiro Gouveia e Fortaleza I, em torno de 40% (CRON, 2013). Com relação a SE PED será a maior subestação da CHESF com capacidade instalada de 3600MVA e projetada para ter 36 linhas de transmissão em 230 kV que atenderá demandas de geração alternativas em que os fluxos advindos desta geração serão escoados para o Sistema Interligado Nacional (SIN). A figura 1.4 mostra as subestações que o Centro Regional de Operação Norte (CRON) supervisiona e as interligações oriundas das fontes de geração da usina de Tucuruí, do complexo de Paulo Afonso e Sobradinho. 18 Figura 1.4 – Área de Operação Norte – CHESF Fonte: Chesf , 2013 19 1.3 Histórico da SE Pici II (PCD) A SE PCD, energizada em maio de 2005, é uma subestação de alta tensão em 230 kV / 69 kV com a seguinte configuração: Duas linhas de transmissão em 230 kV provenientes do barramento da SE FORTALEZA II (FZD), um barramento do tipo principal/auxiliar e três transformadores de 230 kV/69 kV - 100 MVA. O barramento de 69 kV é de responsabilidade da COELCE. Em 2005, a SE foi energizada com dois transformadores de 100 MVA com carga em torno de 60 a 70 MW, em 2009 o carregamento dos transformadores atingiu em torno de 160 MW e em 2013 a carga máxima é de aproximadamente 240 MW. A figura 1.5 mostra o gráfico da evolução de carga no período de 2005 a 2013, baseado em coleta de dados do sistema supervisório da SE PCD, em tempo-real, SAGE. Neste período é importante ressaltar alguns pontos, tais como: em 2009 a carga atingia 80% da capacidade instalada da SE, logo neste mesmo ano, foi energizado o terceiro transformador aumentando a capacidade instalada para 300 MVA. Em 2013, a carga está em torno de 79% a 80% da capacidade instalada. Portanto, há de considerar a necessidade urgente da implantação do quarto transformador de potência. Figura 1.5 – Carga – Período de 2005 - 2013 Carga(MW) 300 200 Carga(MW) 100 0 2005 2009 2013 Fonte: SAGE, 2013 A subestação Pici II (SE PCD), representada pelo diagrama unifilar da figura 1.6, é uma subestação abaixadora que faz fronteira do sistema de transmissão da CHESF com a concessionária de energia elétrica do Ceará – COELCE. Os transformadores trifásicos de potência têm o secundário, em 69 kV, ligado em delta. Transformadores com conexões em delta operam como um sistema isolado da terra com o fim de filtrar as correntes de harmônicos produzidas pelas LT´s de 69 kV da barra de 69 kV da SE Pici II (COELCE). 20 Figura 1.6 – Diagrama Unifilar – SE Pici II - CHESF Fonte: CHESF, 2013 21 A subestação atende aos consumidores da região metropolitana de Fortaleza, essencialmente os bairros da área oeste, a citar: Barra do Ceará, Presidente Kennedy, Parangaba, Jurema, Bom Sucesso, Bom Jardim. Além destes, temos o Metrofor e Fábrica Unitêxtil. Observando a configuração estabelecida no regional da COELCE, conforme figura 1.7, as cargas da regional de PCI da COELCE são normalmente abastecidas pela subestação PCD da CHESF. Porém, há possibilidade de serem abastecidas pela regional de Fortaleza, especificamente, da SE FTZ da CHESF através das linhas de 69 kV, 02J7 e 02J8, que interliga à subestação de PARANGABA (PGB), pertencente a COELCE. Da SE PGB, saem as linhas de 69 kV, 02P1, 02P2 e 02P3 e delas saem derivações de linhas, a citar: • Da 02P1 deriva para 02L6 e conecta-se a barra da SE PCI da COELCE; • Da 02P2 deriva para 02L7 e conecta-se a barra da SE PCI da COELCE; • Da 02P3 deriva para 02L5 e conecta-se a barra da SE PCI da COELCE; 22 Pici II - CHESF Figura 1.7 – Diagrama Unifilar – Regional Pici – COELCE Fonte: COELCE, 2013 23 1.4 Justificativa A motivação para realizar este estudo foi de conhecer o comportamento dinâmico das cargas no sistema de interligação de barras entre as regionais de Pici II, Fortaleza e Delmiro Gouveia, antes e depois da instalação do quarto transformador. 1.5 Objetivos O objetivo deste trabalho é mostrar as conseqüências da implantação do quarto transformador de potência de 100 MVAr quanto ao acréscimo da potência instalada, a possibilidade de transferência de cargas entre as barras da regional de Pici II e Fortaleza, a descrição das partes construtivas e os níveis de tensão dos barramentos quando ocorre perda de um dos transformadores da SE Pici II. 1.6 Estrutura do trabalho A divisão deste trabalho foi feito em cinco capítulos, conforme descrito a seguir: • Capítulo 2 – Apresentar as características físicas do transformador, destacando equipamentos auxiliares importantes. • Capítulo 3 – Estabelecer as equações do fluxo de potência e modelagem para linhas de transmissão e transformador. • Capítulo 4 – Apresentar os resultados da simulação de fluxo de cargas, utilizando o software POWERWORLD, considerando patamares de carga leve, média e pesada, com três transformadores e quatro transformadores. • Capítulo 5 – Apresentar a conclusão do trabalho e sugestões para estudos futuros. 24 CAPÍTULO 2 – TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA 2.1 Introdução O transformador é um elemento ativo que garante e dá ao sistema possibilidades de obter diversos níveis de tensão. Temos no mercado uma variedade de transformadores como monofásico a dois enrolamentos, monofásico a três enrolamentos, trifásico ou banco de três trafos monofásicos. O transformador instalado na SE PCD é do tipo trifásico 230 kV/69 kV, ligado em Y-∆ e capaz de fornecer até 100 MVA. A norma brasileira NBR 5356 diz que, independentemente do tipo de ligação, se Y-∆ ou ∆-Y, as tensões de linha secundárias ܸሶ ab, ܸሶ bc , ܸሶ ca devem estar atrasadas de 30º em relação às tensões de linha primárias ܸሶ AB , ܸሶ BC e ܸሶ CA. A Figura 2.1 mostra um transformador trifásico Y-∆ com relação de transformação monofásica N1 / N2. Figura 2.1 – Ligação e Fasor de Tensão- Transformador Y-∆ Fonte: Borges Carmem, 2005 25 A seguir, a figura 2.2 mostra um sistema de corrente alternada com vários níveis de tensão. Figura 2.2 – Níveis de tensão obedecidos nos sistemas elétricos Fonte: CEFET-MG, 2010 A flexibilidade de obter vários níveis de tensão ao longo do sistema de potência é devido aos transformadores, equipamentos estáticos de alta eficiência e grande confiabilidade. 2.2 Princípio de Funcionamento O transformador é um equipamento estático que transporta energia elétrica, por indução eletromagnética, do primário (entrada) para o secundário (saída), como representado esquematicamente na figura 2.3. O princípio de funcionamento do transformador está baseado na lei de Faraday, em que a tensão nos terminais de uma bobina é igual e de sinal oposto ao produto do número de espiras pela variação do fluxo que envolve as espiras (Barthold, 1983). 26 A figura 2.3 mostra o circuito magnético formado por chapas de aço-silício com duas bobinas enroladas com N números de espiras. Sendo assim, se estabelece os enrolamentos de alta tensão ou primário (N1) e enrolamentos de baixa tensão ou secundário (N2). Figura 2.3– Núcleo Magnético Fonte: NOGUEIRA, D., & ALVES D., 2009 As principais variáveis que definem o dimensionamento de um transformador são a bitola dos condutores (corrente) e o material isolante utilizado (tensão). Os enrolamentos de alta tensão (AT) são constituídos por várias espiras de fio fino, sendo que os enrolamentos de baixa tensão (BT) possuem um menor número de espiras com bitola maior. Supondo que o fluxo alternado circule no circuito magnético, desprezando as resistências, a tensão por espira será constante e segue a relação derivada da Lei de Faraday, ܸ1 ܰ1 = =ࢇ ܸ2 ܰ2 (1) Desprezando a relutância magnética e as perdas no núcleo, os ampere-espiras dos dois enrolamentos serão iguais e segue a relação ܫ1 ܰ2 = =ܽ ܫ2 ܰ1 (2) 27 Portanto, a razão entre as tensões do primário e do secundário, bem como entre os respectivos números de espiras dos seus enrolamentos, definem a relação de transformação (a) de um transformador. Considere que as potências aparentes na entrada e na saída do transformador são iguais, ou seja, S1=S2, logo temos: (3) ܸ1. ܫ1 = ܸ2. ܫ2 portanto, ܸ1 ܫ2 = ܸ2 ܫ1 (4) Assim, fica definida a equação fundamental de transformação ܸ1 ܰ1 ܫ2 = = ܸ2 ܰ2 ܫ1 (5) Como conseqüência pode-se acrescentar à equação 5 a relação entre impedância do primário e secundário. Sabe-se que a tensão no enrolamento primário é dado por ܸ1 = ܼ1 ∗ ܫ1 e a tensão no enrolamento secundário é dado por ܸ2 = ܼ2 ∗ ܫ2 , dividindo-se V1 por V2, temos a equação 6, dada por: ܸ1 ܼ1 ܫ1 = ∗ ܸ2 ܼ2 ܫ2 (6) Portanto, pode-se concluir que a relação entre a impedância e enrolamento é dada por: ଵ ଶ =( ேଵ ேଶ )ଶ (7) ou seja, a impedância é proporcional ao quadrado do número de espiras no enrolamento, portanto, relacionando a equação (5) e (7), temos: ܼ1 ܸ1 ଶ ܫ2 =( ) = ( )ଶ ܼ2 ܸ2 ܫ1 (8) A relação entre impedância, tensão e corrente é o que torna dinâmico o controle de potência em transformadores e o fluxo de potência entre instalações do Sistema Elétrico de Potência (SEP). 28 2.3 Transformador de Potência ABB Nas próximas seções desse capítulo serão mostradas as principais características de um transformador de potência do fabricante ABB (ASEA BROWN BOVER) usado pela CHESF. A Tabela 2.1 apresenta os dados de placa do equipamento e a Figura 2.4 é apresentada uma foto do equipamento. Figura 2.4- Transformador de potência em Y-∆ Fonte: Chesf, 2013 29 Tabela 2.1 - Características do transformador ABB Transformador trifásico de potência em Y-∆ Fabricante Tipo ABB HC/OP/OPTLR-D Potência nominal 65MVA/80MVA/100 MVA Tensão Nominal 230 kV(Y )/ 69 kV(∆) Frequência 60Hz Sistema de Resfriamento 12 Ventiladores Comutador de Carga 21 posições Volume de Óleo Isolante 48600 litros Fonte: ABB, 2013 2.3.1 Tanque Principal Figura 2.5 – Tanque Principal Fonte: Próprio Autor A figura 2.5, mostra o tanque principal do transformador. É uma caixa metálica, de alta resistência mecânica, onde estão inseridos os principais componentes ativos do transformador (enrolamentos, núcleo, óleo, etc.) O tanque principal é completamente cheio de óleo mineral isolante que tem dupla função: melhorar o isolamento da parte ativa e promover a necessária troca de calor entre a parte ativa e o meio ambiente através dos radiadores. 30 No interior do tanque principal existe outro tanque que serve de abrigo para a chave do comutador sob carga. O óleo deste tanque não está em contato com o óleo do tanque principal. 2.3.2 Tanque de Expansão O transformador está submetido a variações de temperatura e ao ciclo de diário de carga. Com isto, o óleo aumenta de volume (dilatação) quando a temperatura aumenta e diminui de volume (contração) quando a temperatura diminui. Para possibilitar a dinâmica do óleo é montado no tanque principal do transformador um depósito de metal, ou seja, tanque de expansão, que é isolado da atmosfera e evita contaminação do óleo por gás ou umidade. A figura 2.6, mostra a localização física, em destaque, do tanque de expansão. Figura 2.6 – Tanque de Expansão Fonte: Chesf, 2011 A interligação entre o tanque principal e tanque de expansão dar-se-á através de tubulações adequadas e são conectadas através de duas válvulas e o relé de gás, conforme figura 2.7 e 2.8. O tanque de expansão permite conexões com o secador de ar à sílica-gel, relé de gás, indicador de nível de óleo e válvulas para enchimento e drenagem de óleo. O tanque de expansão comunica-se com o tanque principal através do relé de gás. As válvulas funcionam para isolar o tanque de expansão do tanque principal, quando necessário. 31 Figura 2.7 – Conexão entre Tanque Principal e Expansão Relé de Gás Válvulas Fonte: Chesf, 2011 Figura 2.8 – Conexão entre Tanque Principal e Expansão - Vista Interna Fonte: Chesf, 2011 A figura 2.9 mostra que o tanque de expansão é dividido em duas partes: Uma serve para expansão do óleo do tanque principal (maior volume) e o outro serve para expansão do óleo do tanque da chave comutadora, ou seja, comutador de tape (menor volume). 32 Figura 2.9 – Tanque de Expansão Divisória(solda) Fonte: Chesf, 2011 Em proporções, 2/3 do tanque de expansão é utilizado para a dilatação do óleo proveniente do tanque principal e 1/3 do tanque de expansão é utilizado para a dilatação do óleo proveniente do tanque da chave comutadora. A figura 2.9 mostra uma divisória de chapa soldada no tanque de expansão. Em geral, o sistema de preservação está classificado como sistema aberto ou selado. No caso do transformador de potência instalado na SE PCD é do tipo selado, ou seja, na parte interna do tanque de expansão têm-se uma bolsa de borracha ou membrana que separa o líquido isolante da atmosfera livrando-o da umidade e da oxidação. Na figura 2.10 segue descrição de partes do tanque de expansão. Figura 2.10 – Sistema de preservação selado por bolsa de borracha Vista Superior Vista Lateral Fonte: ABB, 2012 33 Descrição dos componentes: 1 – Corpo 6 – Base 11 – Ajuste de Bóia 2 - Tampa 7 – Válvula 1” 12 - Reforço 3 - Tubulação para relé 4 - Bolsa de Borracha 5 – Suporte 8 – Tubulação do secador 13 – Conexão p/ Bolsa 9 – Conexão p/ INO 10 – Indicador de Nível 2.3.3 Núcleo Magnético O núcleo magnético de um transformador é fundamental em sua operação, pois é o elemento que proporciona o caminho para passagem dos fluxos magnéticos gerados pelas correntes que percorrem os enrolamentos (NOGUEIRA & ALVES, 2009). O núcleo é formado por chapas de aço-silício, laminadas a frio, cobertas por película isolante. A laminação a frio seguida de tratamento térmico orienta os domínios magnéticos no sentido da laminação, permitindo alcançar altas densidades de fluxo com perdas reduzidas e baixas correntes de magnetização. As chapas são sustentadas por uma estrutura constituída de vigas metálicas, interligadas por tirantes, e por faixas de fibras de vidro impregnadas por resina (Irapoan Garrido, 1985). Os enrolamentos consistem em condutores isolados, enrolados no núcleo do transformador, sendo que o condutor utilizado é de seção quadrada. Na Figura 2.11 é possível observar a disposição do núcleo e enrolamentos do transformador. Figura 2.11 - Núcleo do transformador Fonte: ABB, 2012 34 2.3.4 Buchas de alta tensão O transformador é composto de três buchas do lado de alta tensão(230 kVH1,H2,H3), três buchas do lado de baixa tensão(69 kV - X1,X2,X3) e uma bucha neutro em 230 kV, HO, conforme figura 2.12. Figura 2.12 - Buchas de Alta/Baixa do transformador H1 H3 H2 X1 X2 X3 Bucha em 230 kV Bucha em 69V Fonte: Chesf, 2012 A bucha é um isolador oco com passagem para cabos condutores, conforme figura 2.13, em perfil. 35 Figura 2.13 – Descrição Partes da Bucha Condutor Fonte: Manual ABB, 2011 36 2.3.5 Radiadores / Ventiladores São equipamentos auxiliares instalados em torno do tanque principal e interligados ao seu interior através de válvulas superiores e inferiores, cuja finalidade é aumentar a área de dissipação do calor do óleo contido no interior do transformador, conforme figura 2.14a e 2.14b. Figura 2.14a– Tubulação/Válvulas Tubulação Superior Válvulas Superiores Válvulas Inferiores Tubulação Inferior Fonte: Chesf, 2013 Quando o transformador estiver em operação, estas válvulas deverão está abertas, isto é necessário para permitir que o óleo mais quente da parte superior penetre nos radiadores, sendo distribuído pelos diversos compartimentos, resfriando e retornando ao tanque principal. Em conjunto com os radiadores têm-se 12 ventiladores instalados na parte inferior de cada radiador que auxiliarão no resfriamento do óleo, conforme figura 2.14b. Sem os ventiladores, o transformador está projetado para fornecer 65MVA de potência nominal obedecendo aos valores de temperatura estabelecidos pelo fabricante. Para fornecer 80MVA é necessário entrar com o primeiro grupo de ventiladores composto de 4 ou 8 ventiladores e para se conseguir fornecer 100 MVA é necessário entrar com o segundo grupo de ventiladores composto de 8 ou 4 ventiladores. Este transformador é classificado como ONAN/ONAF/ONAF. Ver anexo B, que indica classificação dos transformadores referente ao sistema de resfriamento. 37 Figura 2.14b – Radiadores/Ventiladores montados Fonte: Chesf, 2013 À medida que a temperatura do óleo e do enrolamento aumenta os grupos de ventiladores vão sendo ligados automaticamente por um sistema de sensores instalados nos medidores de temperatura. Com isto, faz-se necessário estabelecer inspeções periódicas durante os turnos operacionais fim verificarmos o pleno funcionamento dos ventiladores. Na figura 2.15, mostra-se a disposição dos ventiladores acoplados aos radiadores. No anexo C, é dado um exemplo que indica o quanto de potência do transformador se perde quando de defeito nos ventiladores. Figura 2.15 – Ventiladores Fonte: Chesf, 2013 38 2.3.6 Secador de ar à sílica-gel O secador de ar tem a função de adsorver a umidade do ar aspirado pelo tanque de expansão. O dispositivo é composto de um recipiente metálico, no qual está contido o agente secador (sílica gel). Durante o funcionamento normal do transformador, o óleo aquece e dilata, expulsando o ar do tanque de expansão através do secador de ar, havendo diminuição da temperatura do óleo, acompanhada da respectiva redução de volume. Forma-se, então, uma depressão de ar no tanque de expansão e este ar passa através dos cristais de sílica gel, que retiram a umidade do ar, e sem umidade, o ar penetra no tanque de expansão. A Figura 2.16 mostra o secador de ar do transformador de potência. Figura 2.16 - Secador de ar Tanque Principal Comutador Fonte: Chesf (2012). 2.3.7 Indicador de nível de óleo O óleo isolante se dilata ou se contrai conforme a variação da temperatura ambiente e do carregamento. Em função disso haverá elevação ou abaixamento do nível do óleo que será mostrado pelo indicador de nível do óleo. A Figura 2.17 mostra o indicador de nível do óleo no tanque principal e no comutador. 39 Figura 2.17 - Indicador de nível de óleo Tanque Principal Comutador Fonte: Chesf, 2012 2.3.8 Relé de Gás (Buchholz) O relé de gás detecta a formação de gás e rápida movimentação de óleo no transformador, sendo instalado entre o tanque principal e o tanque de expansão do óleo, como mostra a Figura 2.18. No relé de gás, internamente encontram-se uma bóia superior e outra inferior. A bóia superior é forçada a descer quando existe acúmulo de gases na câmera do relé, isso acontece quando ocorrem faltas internas incipientes. Já no caso de uma falta de grande porte caracterizado por um curto-circuito interno devido à falha de isolação, provoca-se um rápido aquecimento do óleo e formação de grandes bolhas de gás. As bolhas de gás juntamente com óleo sobem e passam no relé de gás, que faz deflexionar a bóia inferior (Kindermann, 2006). O relé de gás possui um dispositivo indicador de volume de gás, que fica localizado na parte inferior do transformador, conforme figura 2.18. Ele é utilizado pela equipe de manutenção para a retirada dos gases do relé de gás para posterior análise. 40 Figura 2.18 - Relé de gás Figura 2.18a - Indicador de Gás Fonte: ABB, 2012 2.3.9 Válvula de Segurança Figura 2.19 – Válvula de Segurança Fonte: Chesf, 2012 A figura 2.19 mostra a válvula de segurança do transformador. Está localizada na parte superior do tanque principal e opera quando há uma sobre pressão no tanque decorrente de um curto circuito entre espiras ou enrolamentos. A atuação da válvula de segurança consiste no rompimento da tampa, o que faz o óleo escorrer para fora do tanque. Esta atuação é a última opção de proteção para defeitos internos ao tanque. 2.3.10 Comutador de Tapes em carga ou Comutador de Derivação em Carga - CDC Os Comutadores de Derivação em Carga – CDC, que são empregados largamente e praticamente indispensáveis nos grandes sistemas elétricos, começaram a partir de 1925, 41 sendo um equipamento essencial para o controle de tensão e fluxo de potência. (DMS/CHESF). A necessidade de fornecer ao consumidor e ao sistema uma tensão que, apesar das variações de carga, permaneça o mais constante possível e cujo controle seja feito sem interrupção, fez com que se torne comum o uso de transformadores com comutador de derivações em carga. O estágio de desenvolvimento em que este equipamento se encontra, pode-se considerar de grande confiabilidade, porém é necessário uma atenção especial para este equipamento, pois seu desempenho pode comprometer o funcionamento do transformador com conseqüências drásticas para o consumidor/sistema. A seguir mostra-se de forma separada a operação mecânica e elétrica de comutação de tape, porém friso que a mecânica e a elétrica atuam de forma conjunta à operação de comutação de derivação (TAPE) em carga. O ato de elevar ou reduzir o tape é uma interação somatória ou subtrativa de fluxos magnéticos gerados no enrolamento principal e enrolamento de regulação. 2.3.10.1 Operação Mecânica do Comutador de Tape O comutador em carga é instalado no tanque do transformador. O mecanismo de acionamento, que pode ser feito por motor ou manivela, é acoplado ao tanque do transformador e conectado ao comutador em carga por meio de eixos de acionamento e engrenagem cônica, conforme figura 2.20. O mecanismo de acionamento gira o eixo acionador vertical que transmite para eixo horizontal e deste atua na chave desviadora para aumentar ou diminuir o tape, ou seja, o número de espiras. Apesar do comutador está interno ao tanque principal, o óleo que contém a chave desviadora está separado do óleo do tanque do transformador. É importante ressaltar, que a comutação de tapes é feita no enrolamento de alta tensão, pois o nível de corrente é menor, o que garante uma vida útil elevada para este tipo de equipamento. De acordo com o manual do fabricante ABB, o número de operações executadas pelo comutador em carga é registrado por um contador, instalado no gabinete do mecanismo acionado por motor, conforme figura 2.20. O número de operações registradas deve ser anotado em todas as inspeções e recondicionamentos. 42 Figura 2.20 – CDC – Mecânica Fonte: Manual ABB Normalmente, o comutador em carga deve ser recondicionado com regularidade em intervalos de 300.000 operações. Se as operações do comutador ocorrerem raramente e passar muito tempo até alcançarem as 300.000 operações, o intervalo entre os recondicionamentos deverá ser limitado ao tempo indicado na placa de especificações (normalmente 15 anos). 2.3.10.2 Operação elétrica do Comutador de Tape Inicialmente é necessário mostra as partes principais do comutador ou comutador de derivações em carga, conforme vista na figura 2.21. 43 Figura 2.21 – CDC – Elétrica Fonte: Chesf 2010 Seletor de derivações: Dispositivo destinado a conduzir corrente, porém não a estabelecer ou interrompê-la, usado em conjunto com uma chave comutadora para selecionar ligações das derivações. Chave Comutadora: Dispositivo utilizado em conjunto com um seletor de derivações para conduzir, estabelecer e interromper corrente em circuitos já selecionados. Pré-seletor: Dispositivo destinado a conduzir corrente, mas não a estabelecê-la ou interrompê-la, utilizado em conjunto com um seletor de derivações ou com uma chave seletora para permitir utilizar os seus contatos e as derivações a eles ligadas, mais de uma vez no decorrer do deslocamento de uma posição extrema a outra. A comutação de tape é uma seqüência completa de operação desde o início até a conclusão da transferência da corrente de uma derivação do enrolamento ao outro adjacente. O processo acontece através da interação de fluxos magnéticos, ou seja, ao elevar um tape os 44 fluxos se somam e ao reduzir um tape t os fluxos se subtraem, considerando siderando figura 2.22. No caso específico, o transformador instalado tem 21 posições em que cada uma indica a quantidade de espiras e a relação com o nível de tensão. A posição 7 (sete) é tida como posição nominal a qual fornece o nível de tensão em 230 kV no lado primário do transformador. A passagem de uma posição para outra é feita através da chave comutadora que permite um fluxo de corrente nos dois tapes e em seguida estabelece o tape final desejado. Figura 2.22 – Relação Tap x Tensão 20-22 20-21 20-22 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11A 11 11B 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 20-21 LIGAÇÃO POSIÇÃO TENSÃO ( V ) 1-30 2-30 3-30 4-30 5-30 6-30 7-30 8-30 9-30 10-30 11-30 12-30 1-30 2-30 3-30 4-30 5-30 6-30 7-30 8-30 9-30 10-30 11-30 257000 252500 248000 243500 239000 234500 230000 225500 221000 216500 212000 207500 203000 198500 194000 189500 185000 180500 176000 171500 167000 Fonte: Manual Técnico da CHESF Considerando a equação 1, mantendo-se mantendo se a tensão e o número de espiras de baixa (N2) constante, para aumentar a tensão de 69 kV para 70kV, temos que diminuir o número de espiras no enrolamento de alta tensão (N1), ou seja, elevar o tape do transformador. 45 CAPÍTULO 3: ESTUDO EM REGIME PERMANENTE E EMERGÊNCIA 3.1 Estudo de Fluxo de Potência O estudo de fluxo de potência consiste em verificar o comportamento do sistema em regime permanente, tanto em condição normal como durante emergências visando avaliar se os níveis de tensão nos barramentos do sistema e os fluxos de potência nas LT e transformadores atendem aos critérios estabelecidos no Submódulo 23.3. Conforme item 5.3.2 do submódulo 23.3 dos procedimentos de rede da ONS, as faixas de tensão estabelecidas na Tabela 3.1 devem ser utilizadas como referência para as simulações que serão realizadas no capítulo 4, bem como a faixa de fator de potência, conforme tabela 3.2 Tabela 3.1 Tensões entre fases admissíveis a 60 Hz Fonte: ONS Tabela 3.2 Fator de Potência admissíveis a 60 Hz Fonte: ONS 46 3.1.2 – Premissas Básicas do Fluxo de Potência O sistema para este estudo é representado por um conjunto de equações não lineares que são utilizadas para o cálculo do estado de operação do sistema elétrico através de métodos computacionais desenvolvidos ao longo de muitos anos. (STEVENSON STEVENSON, 1986). As equações de fluxo de potência pot ncia podem ser aplicadas tanto em sistemas de grande porte quanto em pequenas instalações. instala Através da análise lise do fluxo de potência pot pode-se conhecer o desempenho de sistemas sob o ponto de vista operacional ou planejamento. Para isto, uma boa análise do fluxo de potência deve garantir algumas premissas, a citar: • Segurança: a simulação do fluxo de potência no SEE é eficaz no sentido de se estimar eventuais violações nos limites de operação. operação. Por exemplo, para valores de tensão tensã a operação de sistema deve adotar variação entre 0.95pu e 1.05pu. Um sistema seguro é aquele que garanta detectar tectar problemas futuros que possam causar a perda de transmissão de energia, perda de estabilidade ou causar o colapso do sistema; • Planejamento e Operação: a análise do fluxo de potência atua como uma poderosa ferramenta no processo de avaliação de novas configurações do sistema elétrico para atender o aumento da demanda dentro dos limites da segurança do sistema elétrico. Assim, também se procura configurações dos sistemas elétricos com m as menores perdas de operação; • Simulação de Sistemas Elétricos operando sob condições anormais decorrentes da saída de operação de equipamentos como linhas de transmissão, transformadores e unidades geradoras. A saída de operação desses equipamentos pode se dar pela necessidade de manutenção preventiva ou corretiva, ou ainda, em se tratando de linhas de transmissão, pelo desligamento automático após descargas atmosféricas.(UNESP, atmosféricas.(UNESP, 2007). 3.1.3 - Formulação Básica do Fluxo de Potência Figura 3.1 – Fluxo entre Barras K e M Fonte: Próprio Autor 47 Considerando o sistema da figura 3.1, a formulação básica do problema considera que a cada barra da rede são associadas quatro variáveis, a saber, (STEVENSON, 1986): Vk - magnitude da tensão nodal na barra k; θk - Ângulo da tensão nodal na barra k; Pk - Potência ativa líquida calculada na barra k; Qk - Potência reativa líquida calculada na barra k. Um sistema de potência normalmente contém barras de carga e barras de geração. Ao se resolver as equações de fluxo de potência, normalmente adotam-se uma barra como referência também conhecida como barra de balanço ou barra infinita. O nome de barra infinita vem do fato de que a tensão permanece constante independente do valor de corrente ou potência. O valor da tensão e do defasamento angular da barra de referência são conhecidos. O mais comum é adotar uma barra de geração como referência. A seguir, temos os três tipos de barras: - Barra de referência ou barra Vθ (Swing ou Slack) – Barra tipo 2 São dados Vk e θk; São calculados Pk e Qk; - Barra de Geração ou barra PV (Flutuação) – Barra tipo 1 São dados Pk e Vk; São calculados Qk e θk; - Barras de Carga ou barra PQ – Barra tipo 0 São dados Pk e Qk; São calculados Vk e θk; As injeções de potência ativa e reativa em uma barra obedecem a lei de Kirchhoff, são iguais a soma dos fluxos que deixam a barra através das linhas de transmissão e transformadores. As equações de fluxo de potência quase sempre se resumem em: [Ynó][Vnó] = [Inó ] = [Snó / Vnó ] (9) 48 onde: [ ܻሶ nó ] – Matriz de Admitância nodal. [ ܸሶ nó ] - Vetor de Tensão. [ nó] - Vetor de Correntes injetadas. A equação acima pode ter característica caracter linear ou nãoo linear, dependendo do modelo das potências ncias nas barras ou de hipóteses hip simplificadoras. O exemplo a seguir, demonstra um fluxo de potência simplificado fim esclarecer a equação 9.. O sistema baseia-se baseia em duas barras 1 e 2, sendo que a barra 1 é da referência e a barra 2 pode ser PQ ou PV. PV Considere a figura 3.2. Figura 3.2 – Representação barra 1 / 2 Fonte: Própria Na figura 3.2, a potência S12 flui da barra 1 para barra 2 e pode ser calculado através da equação 10,, a citar: S12 = V1[(V1-V2)/Z12 + V1/Z10]* (10) Onde, Z12 representa a impedância da barra 1 a barra 2. Supondo um sistema sem perdas e desprezando as conexões conex a terra obtém-se: S12 = [V12 - V1V2 (θ1- θ2)] / (-jX12] (11) Separando as parte real e imaginária imagin obtém-se: P12 = [V1V2 sen(θ1- θ2 )] / X12, (12) onde P12 representa a potência ativa. Q12 = [V12 - V1V2 cos(θ1- θ2 )] / X12, (13) 49 onde Q12 representa a potência reativa. A equação 12 da potência ativa pode ser simplificada ainda mais nos casos em que a barra 2 é controlada por reativos. Supondo que a barra 1 e 2 tenham ܸሶ = 1,0 então obtém-se: P12 = - B12 sen θ12 (14) A equação 14, fornece resultados com razoável precisão para sistemas onde o efeito resistivo é menor do que o efeito reativo. Estas condições se aplicam ao sistema de alta tensão de grande porte. A figura 3.3, mostra a representação gráfica da equação simplificada da potência ativa. Figura 3.3 – Potência x Defasamento Angular (θ) Fonte: Própria A relação entre Potência(P) e Defasamento Angular (θ) mostra que a máxima capacidade de transmissão depende diretamente do seno da defasagem angular θ e o módulo das tensões dos barramentos adjacentes e depende inversamente da reatância indutiva por toda extensão da linha de transmissão. Portanto, a abertura do ângulo limita a capacidade de transmissão de uma barra para outra. A relação X/R determina a característica de um sistema. Se este é um sistema mais indutivo ou resistivo. A tabela 3.1 estabelece a relação entre sistema de transmissão e distribuição, quanto a relação X/R. 50 Tabela 3.3 – Relação X/R Setor Relação X/R Transmissão >> 1, X >> R Distribuição << 1, X << R Os problemas de fluxo de potência não são lineares e geralmente apresentam uma complexidade que só permite a solução numérica. As restrições de operação de um problema de fluxo de potência são formadas por: Limites das tensões nas barras PQ: Limites de injeções de potência reativa das barras PV: É importante observar que a inclusão dos controles provoca piora da taxa de convergência do processo iterativo, podendo ainda provocar sua divergência e facilitar o aparecimento de soluções múltiplas para o problema original (UNESP, 2007). 3.1.4 – Modelagem de Linhas de transmissão e Transformadores Estabelecer as equações matemáticas que modelem os principais equipamentos de um sistema elétrico de potência é essencial. Neste tópico, será definida a modelagem de linha de transmissão e transformador, visto que a nível sistêmico são equipamentos essenciais para realizar o escoamento de energia desde a geração até os sistemas de distribuição. 3.1.4.1 – Linhas de Transmissão Existem basicamente dois(2) modelos para representar uma linha de transmissão que são: O modelo PI (π) e modelo T, porém o mais utilizado é o modelo PI (π), por proporcional simplicidade na dedução das equações. A figura 2.1 apresenta o modelo π equivalente da linha de transmissão, 51 que é definido por três parâmetros: a resistência série rkm; a reatância série xkm, ௦ (xkm>0, indutivo); e a susceptância shunt b (bkm >0, capacitivo). Figura 3.4 – Modelo Pi(π) Fonte: UNESP/2007 Dados: Impedância série: zkm = rkm +jxkm => ykm = onde ଵ Z =gkm + jbkm, ykm = Admitância série; gkm = Condutância série; bkm = Susceptância série A corrente de saída da barra k é dada por: ௦ Ikm = ykm (Ek – Em) + j b Ek (15) ௦ Ikm = (ykm + j b ) Ek - ykm Em onde Ek =Vk ݁ ఏ e Em =Vm ݁ ఏ A corrente saindo da barra m é dada por: ௦ Imk = Ykm (Em – Ek) + j b Em (16) ௦ ) Em Imk = - Ykm Ek + (Ykm + j b O fluxo de potência complexa da barra K para barra M, é: S*km= Pkm – j Qkm = E*k Ikm (17) onde Ikm = Ykm (Ek - Em) + jbkm Ek Pkm e Qkm são, respectivamente, as partes real e imaginária. 52 então, S*km = Ek* (Ykm (Ek - Em) + jbkm Ek ) = Ykm Vଶ - Ykm E ∗ Em + jbkm Vଶ ௦ ) V ଶ - (gkm + jbkm ) Vk Vm (cosߠkm - senߠkm) = (gkm + jbkm +jbkm + jb (18) onde ߠkm = θk – θm . Logo, Pkm = gkm V - Vk Vm (gkm cosࣂkm + bkm senࣂkm) (19) ࢙ࢎ Qkm = -(bkm + jb ) V - Vk Vm (gkm senࣂkm - bkm cosࣂkm) (20) O fluxo de potência complexa da barra M para barra K, é: Pmk = gkm V - Vk Vm (gkm cosࣂkm - bkm senࣂkm) (21) ࢙ࢎ Qmk = - (bkm + jb ) V - Vk Vm (gkmsenࣂkm + bkmcosࣂkm) (22) Com relação as perdas de potência ativa e reativa nas linhas de transmissão pode-se obtê-la da seguinte forma: Pperdas = Pkm + Pmk = gkm (Vଶ + V ଶ - 2Vk Vm cosߠkm ) = gm | Ek – Em|2 (23) ௦ Qperdas = Qkm + Qmk = - jb (V ଶ + V ଶ ) - bkm (V ଶ + V ଶ - 2Vk Vm cosߠkm) ࢙ࢎ = - jb (V + V ) - bkm | Ek – Em|2 (24) 53 3.1.4.2 – Transformadores Através da generalização do modelo equivalente de linhas de transmissão, transformadores em fase e transformadores defasadores, obtém-se o modelo π para fluxo de potência entre duas barras, conforme representado na Figura 3.5: Figura 3.5 – Modelo π generalizado Fonte: UNESP/2007 O modelo apresentado na figura 3.5 , incrementa transformador com relação de transformação de 1 para tkm (1: tkm ) e a partir desse modelo, as equações gerais para o fluxo de potência ativa e reativa podem ser expressas da seguinte maneira: Pkm = (akm Vk )2 gkm – (akm Vk ) Vm [gkm cos(ࣂkm+ ࣐km) + bkm sen(ࣂkm+ ࣐km)] (24) ࢙ࢎ Qkm = - (akm Vk )2 ( bkm + jb ) – (akm Vk ) Vm [gkm cos(ࣂkm+ ࣐km) + ࣂkm+ ࣐km] (25) Onde: Vk – Fasor tensão na barra k; θk - Ângulo da tensão na barra k; θkm- Diferença entre os ângulos das barras k e m, ou também chamado de abertura angular entre as barras k e m; Pkm - Fluxo de potência ativa que sai da barra k em direção à barra m; Qkm - Fluxo de potência reativa que sai da barra k em direção à barra m; gkm - Condutância série da linha de transmissão entre as barras k e m; 54 bkm- Susceptância indutiva série da linha de transmissão entre as barras k e m; ௦ b - Susceptância capacitiva em derivação da linha de transmissão entre as barras k e m; 1: tkm - Representa a relação de transformação complexa do transformador ideal, com t = akm݁ ఝ ; akm - Relação de transformação de um transformador entre as barras k e m; φkm - Relação de defasagem angular para transformadores defasadores entre as barras k e m. Para modelar as equações acima, considere os seguintes parâmetros: - Linhas de transmissão, akm = 1 e φkm = 0; ௦ - Transformador em fase, b = 0 e φkm = 0; ௦ - Transformador defasadores puros, b = 0 e akm = 1; ௦ - Transformadores defasados, b = 0. Logo, utilizando alguns desses parâmetros podemos estabelecer o fluxo de potência considerando os vários tipos de transformadores. 55 CAPÍTULO 4: ESTUDOS DE CASOS 4.1 Introdução Este capítulo apresenta os resultados da simulação de perda de um transformador da SE PCD em duas situações: Situação real com três transformadores energizados em paralelo e a situação futura com a instalação do quarto transformador. As simulações foram realizadas com o programa POWERWORLD, para período de carga leve, carga média e pesada e irão demonstrar os níveis de carregamento e níveis de tensão nos barramentos 230 kV/69 kV das SE PCD, FZD (sem barramento de 69 kV), FTZ e DMG. Em seguida, foram feitas mais duas simulações no período de carga leve e média com o quarto transformador instalado. Para efeito de simulação, considerar o diagrama da figura 4.1 Figura 4.1 – Diagrama de Interligação entre barramentos SE FZD SE FZD 500 kV 230 kV SE PICI II SE PICI I 230 kV (COELCE) SE FTZ 230 kV SE FTZ - 69 kV TUCURUÍ (COELCE) CE 4BC 1BC PAULO AFONSO SE DMG 230 kV 1BC Fonte: Próprio Autor SE PGB SE DMG 69 kV 4BC 56 A figura 4.1 mostra a interligação radial entre os barramentos da SE FZD com o barramento de 230 kV da SE Pici II(PCD), SE FTZ e SE DMG. Quanto ao barramento de 69 kV da SE FTZ tem uma interligação em anel com a SE Pici I, via rede de subtransmissão da COELCE e outra com o barramento de 69 kV da SE DMG da CHESF. Com relação aos equipamentos de regulação podemos citar: Na SE PCD apenas os transformadores de potência reguladores, na SE FTZ têm-se um compensador estático (CE) 140/200 MVAR, um banco de capacitores (BC) em 230 kV de 50 MVAr e quatro bancos capacitores de 69 kV de 25 MVAr e na SE DMG têm-se um banco de capacitores (BC) em 230 kV de 50 MVAr e quatro bancos capacitores de 69 kV de 25 MVAr. Os recursos citados são utilizados para regulação de tensão e controle de reativos na área de Fortaleza em condições normais de operação ou em contingência. Para um melhor entendimento dos resultados, em cada caso são apresentadas quatro tabelas, a citar: • Relatório de dados com potência ativa/reativa,tap,fator de potência e carregamento dos transformadores da SE PCD, FTZ e DMG; • Tensões/ângulos nas barras de 230 kV das SE PCD, SE FZD, SE FTZ, SE DMG, antes e depois da perda de um transformador na SE PCD; • Tensões/ângulos nas barras de 69 kV das SE PCD, SE FTZ e SE DMG, antes e depois da perda de um transformador na SE PCD. A tabela 4.1 indica a impedância para os transformadores da SE PCD de acordo com o submódulo 2.3 do ONS subitem 7.1.5.1 que limita o valor máximo de impedância em 14%. Tabela 4.1 – Parâmetros de Equipamento Equipamento Parâmetros do Equipamento em porcentagem (%) Resistência Reatância Susceptância 04T1 - 13,26 - 04T2 - 13,19 - 04T3 - 13,25 - 04T4 - 13,25 - Fonte: CHESF 57 4.1.1 Carregamento de Transformadores Definir os limites de carregamento do transformador é essencial para o bom desempenho do equipamento, portanto não estabelecer estes limites implica em perda da vida útil do transformador. Intensas sobrecargas, perda de componentes do sistema de refrigeração, falta de periodicidade na coleta de óleo (cromatografia ou físico-química) para análise são fatores que provocam perda na vida útil do transformador. Com relação a temperatura do óleo e enrolamento, a norma NBR 5416 estabelece limites de temperatura de acordo com a classe do transformador (55º ou 65º), conforme tabela 4.2. Tabela 4.2 – Temperatura admissível ( Óleo / Enrolamento) Fonte: NBR 5416/1997 Com relação ao sistema de refrigeração, ou seja, radiadores e ventiladores, a norma estabelece limites de carregamento para parte do sistema de refrigeração em pleno funcionamento, conforme tabela 4.3. Tabela 4.3 – Refrigeração x Carregamento Fonte: NBR 5416/1997 58 Conforme tabela 4.3, para carga permitida produz-se a mesma elevação de temperatura se tivéssemos com o sistema de refrigeração com a totalidade do sistema em pleno funcionamento. Com relação a sobrecarga em transformadores, a norma estabelece limites de carregamento desejáveis fim evitar um envelhecimento das partes ativas e isolantes(papel) do transformador, diminuindo a expectativa de vida do equipamento. Os critérios estabelecidos para a operação em relação à sobrecarga em transformadores pela concessionária de transmissão CHESF são mostrados na tabela 4.4, conforme submódulo 2.3 e Resolução Normativa 461/2011 da ONS. Tabela 4.4 – Níveis de Sobrecarga adotado em transformadores da CHESF Tipo de Carregamento Normal Emergência de Curta Duração Emergência de Longa Duração Sobrecarga(%) 0% (zero por cento) Tempo em Sobrecarga 20% (máximo admitido) 30 minutos 20% (máximo admitido) 4 horas diária Fonte: ONS e CHESF De acordo com NBR 5416/1997, a sobrecarga admissível está estabelecida conforme tabela 4.5. Tabela 4.5 – Níveis de Sobrecarga conforme Norma Brasileira Tipo de Carregamento Normal Emergência de Curta Duração Emergência de Longa Duração Trafo até 100 MVA 150% (zero por cento) Trafo > 100 MVA 130% (zero por cento) 150% (máximo admitido) 130% (máximo admitido) 150% (máximo admitido) 140% (máximo admitido) Fonte: NBR 5416/1997 Percebe-se entre a tabela 4.4 e 4.5 que os limites de sobrecargas estabelecidos pela concessionária de transmissão estão dentro dos padrões estabelecidos pela NBR 5416/1997. Hoje, de acordo a nota técnica da ANEEL de nº 007/2000 deverá incorrer encargos por perda adicional de vida útil e riscos de falha, decorrentes de sobrecargas. 59 Além disso, a desenergização de um transformador seja em contingência ou programada para intervenção provoca uma perda de receita devido a indisponibilidade temporária do ativo, ou seja, do transformador. (Resolução ANEEL - 270/2007). 4.2 Estudos de Casos – Três Transformadores energizado em paralelo na SE PCD Para subsidiar os estudos de casos seguintes, foi feito um levantamento de cargas na SE PCD, considerando o dia 02/10/2013, conforme ANEXO D. Utilizamos, durante os períodos de carga leve, média ou pesada do sistema, o valor máximo da potência ativa / reativa para o período definido em cada caso. Os períodos de carga estão definidos de acordo com estabelecido pelo Operador Nacional de Sistema (ONS), a citar: • Carga Leve – 00:00 às 08:00 e 23:00 às 00:00 • Carga Média – 08:00 às 18:00 • Carga Pesada – 18:00 às 22:00 Para os casos seguintes considerar como referência os carregamentos dos transformadores da SE PCD, FTZ e DMG, conforme tabela 4.6, ressaltando que é um perfil de carga real, atualizado e capturado do Sistema de Aquisição de Gerenciamento de Energia (SAGE). 60 4.2.1 CASO 1 – CARGA LEVE No caso 1, considerando a SE PCD com três transformadores, nível de carregamento e níveis de tensão na carga LEVE, conforme tabelas 4.6, 4.6.1. Tabela 4.6 – Caso 1 - Carregamento inicial SE PCD(3TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 143,1/24,2 289,1 / 69,8 181,8 / 19,3 TAPE 8 8 8 (1R) FP 0,986 0,972 0,994 Carregamento 48% 75% 47% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.6.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 227,2 /20,2º SE PCD 228,5/21º SE FZD 228,5 /20,9º SE FTZ 228,2/ 0,7º SE DMG 69,1/16,7º - 69,2/17,5º 69,3/17,5º Fonte: Próprio Autor 61 Considerando a perda de um transformador na SE PCD o nível de carregamento e níveis de tensão podem ser vistos conforme tabelas 4.7, 4.7.1. Tabela 4.7 – Caso 1 - Carregamento Final – Condição de Contingência SE PCD(2TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 143,1/24,2 289,1 / 69,8 182,3 / 19,3 TAPE 8 8 8 FP 0,986 0,972 0,994 Carregamento 73% 75% 47% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.7.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ 227,2/20,2º SE PCD 228,5/21º SE FZD 228,5/20,9º SE FTZ 68,5 /14,9º - Fonte: Próprio Autor 70,8 /15,9º SE DMG 228,2/ 20,7º SE DMG 69,3/17,5º 62 Análise dos Resultados: 1. Na condição de carga leve, o desligamento intempestivo do transformador não provocará perda de carga, porém aumentará em 25 MW o carregamento de cada transformador remanescente da SE PCD; 2. O nível de tensão nas barras de 230 kV não se alterou já o nível de tensão de 69 kV da SE PCD reduziu em torno de 0,7%, nas demais barras não se alterou; 3. Para manter os níveis de tensão da barra de 69 kV da SE PCD as seguintes ações podem ser realizadas: • Elevar o tape do transformador da SE PCD de 8 para 9; • Ou energizar mais um banco capacitor na SE FTZ ( Não adequado ). 4. Nesta condição de carga e neste período, durante a semana, é possível programar uma liberação de intervenção nos transformadores ou equipamentos auxiliares da SE PCD até no máximo 06:00 da manhã; 5. Atualmente, a barra de 69 kV da SE FTZ recebe potência gerada da usina térmica (UTE) de Maracanaú, em torno de 120 MW. Com isto, diminui o carregamento dos transformadores da SE FTZ e possibilita uma transferência de carga da SE PCD para SE FTZ, caso se perda mais um transformador, no período de carga LEVE. 63 4.2.2 Caso 2 – Carga Média No caso 2, considerando a SE PCD com três transformadores, nível de carregamento e níveis de tensão na carga MÉDIA, conforme tabelas 4.8, 4.8.1. Tabela 4.8 – Caso 2 - Carregamento inicial SE PCD(3TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 246/74,9 416 / 130,8 348,1 / 112,4 TAPE 10 10 9 FP 0,957 0,955 0,956 Carregamento 86% 77% 91% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.8.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 227,8/13,3º SE PCD 231,2/12º SE FZD 231,2/12,1º SE FTZ 231/12,5º SE DMG 69,9/19,9º - 71,4/17,7º 71,5/19,3º Fonte: Próprio Autor 64 Considerando a perda de um transformador na SE PCD o nível de carregamento e níveis de tensão podem ser vistos conforme tabelas 4.9, 4.9.1. Tabela 4.9 – Caso 2 - Carregamento Final – Condição de Contingência SE PCD(2TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 246/74,9 416 / 130,8 348,1 / 112,4 TAPE 10 10 9 FP 0,957 0,954 0,955 Carregamento 134% 77% 91% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.9.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Contingência SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 227,1/13,3º SE PCD 230,9/12º SE FZD 230,9/12º SE FTZ 230,7/12,5º SE DMG 68,1/22,3º - 71,3 /17,1º 71,3/19º Fonte: Próprio Autor 65 Análise dos Resultados: 1. Na condição de carga MÉDIA, com desligamento intempestivo do transformador haverá um aumento em torno de 54,8% no carregamento de cada transformador remanescente da SE PCD; 2. A variação do carregamento no período de carga média é maior que em carga pesada. Isto se justifica, pois a demanda máxima do dia registrada na SE PCD, normalmente, se dá no período diurno; 3. Percebe-se pequena redução de tensão nos barramentos de 230 kV e afundamento da tensão de 69 kV, devido a sobrecarga nos trafos remanescentes; 4. Devido a sobrecarga é necessário transferir de 40 MW a 70 MW da SE PCD para a SE FTZ. Para isto acontecer, é necessário atuação do operador de sistema fim possibilitar transferência de cargas mantendo os níveis de tensão nos barramentos e controle de carregamento dos quatro transformadores nas SE FTZ e SE DMG, de acordo como fluxo a seguir: -70 MW da SE PCD 50 MW para SE FTZ 20 MW para DMG 66 4.2.3 Caso 3 – Carga Pesada No caso 3, considerando a SE PCD com três transformadores, nível de carregamento e níveis de tensão na carga PESADA, conforme tabelas 4.10, 4.10.1 e 4.10.2. Tabela 4.10 – Caso 3 - Carregamento inicial SE PCD(3TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 239/61,8 381,9 / 99,1 319,3 / 83,4 TAPE 10 9 9 FP 0,968 0,968 0,968 Carregamento 82% 66% 81% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.10.1 - Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 229,6/11,1º SE PCD 232,5/9,8º SE FZD 232,6/9,8º SE FTZ 232,9/4,8º SE DMG 70,3/12,2º - 71,2/14,5º 71,2/13,2º Fonte: Próprio Autor 67 Considerando a perda de um transformador na SE PCD o nível de carregamento e níveis de tensão podem ser vistos conforme tabelas 4.11, 4.11.1. Tabela 4.11 – Caso 3 - Carregamento Final – Condição de Contingência SE PCD(2TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 239/74,9 381,9 / 99,1 319,3 / 83,4 TAPE 10 9 9 FP 0,954 0,968 0,968 Carregamento 130% 66% 81% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.11.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 229/11º SE PCD 232,3/9,8º SE FZD 232,4/9,8º SE FTZ 232,6/10,2º SE DMG 69,2 /9,7º - 71,1 /14,7º 71,1/13,4º Fonte: Próprio Autor 68 Análise dos Resultados: 1. Na condição de carga PESADA, com desligamento intempestivo do transformador haverá um aumento em torno de 45% no carregamento de cada transformador remanescente da SE PCD; 2. Percebe-se pequena redução de tensão nos barramentos de 230 kV e afundamento da tensão de 69 kV, em torno de 1.6 kV. A redução de tensão de 69 kV é menor que no período de carga média; 3. Observou-se uma sobrecarga acentuada nos trafos remanescentes da SE PCD. Com isto é necessário transferir cargas do regional de Pici para o regional de Fortaleza, visto que a SE FTZ tem um baixo carregamento, em torno de 56%, devido a entrada da UTE Maracanaú, o que garante uma transferência de até 120MW. Portanto, diminui-se o carregamento dos transformadores da SE PCD para 89% e aumenta-se o carregamento dos trafos da SE FTZ para 88%; 4. Nesta condição de carga, é impossível liberação de um dos transformadores da SE PCD, visto que acarretaria sobrecarga no trafo remanescente em torno de 145%. É uma situação crítica, que necessitaria um corte de carga em torno de 116MW para regional da SE FTZ e SE DMG. Manter banco de capacitores de 230 kV e 69 kV energizados da SE FTZ/SE DMG e CE de Fortaleza, fornecendo no mínimo 40,6MVAR de reativos capacitivo, fim manter níveis de tensão desejáveis e adequados a contingência; 5. Nesta situação orienta-se que manobras de liberação só podem ser executadas após o horário de ponta e observando os limites de carregamento dos trafos da SE FTZ e SE DMG. 69 4.3 Estudos de Casos – Quatro Transformadores energizados na SE PCD – Situação Futura – Previsão de Energização dezembro/2013. Para os casos seguintes foi considerado o mesmo perfil de carga utilizado nos casos do subitem 4.2. 4.3.1 Caso 4 – Carga Leve (4TR) No caso 4, considerando a SE PCD com quatro transformadores, nível de carregamento e níveis de tensão na carga LEVE, conforme tabelas 4.12, 4.12.1. Tabela 4.12 – Caso 4 - Carregamento inicial SE SE DADOS PCD(4TR) FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 143,1/24,2 289,1 / 69,8 181,8 / 19,3 TAPE 8 8 8 (1R) FP 0,986 0,972 0,994 Carregamento 36% 74% 46% Fonte: Próprio Autor Tabela 4.12.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 227,3/20,2º SE PCD 228,5/21º SE FZD 228,5/20,9º SE FTZ 228,2/20,7º SE DMG 68,9/17,5º - 70,8 /15,9º 69,3/17,5º Fonte: Próprio Autor 70 Considerando a perda de um transformador na SE PCD o nível de carregamento e níveis de tensão podem ser vistos conforme tabelas 4.13, 4.13.1. Tabela 4.13 – Caso 4 - Carregamento Final – Condição de Contingência SE PCD(3TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 143,1/24,2 289,1 / 69,8 182,3 / 19,3 TAPE 8 8 8 FP 0,986 0,972 0,994 Carregamento 48% 74% 46% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.13.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 227,2/20,2º SE PCD 228,5/21º SE FZD 228,5/20,9º SE FTZ 228,2/20,7º SE DMG 68,7/16,6º - 70,8 /15,9º 69,3/17,5º Fonte: Próprio Autor Análise dos Resultados: 1. Na condição de carga leve, o desligamento intempestivo do transformador não provocará perda de carga, porém haverá um aumento de 32,4% no carregamento de cada transformador da SE PCD; 2. O nível de tensão nas barras de 230 kV não se altera e o nível de tensão de 69 kV da SE PCD reduziu em torno de 0,29%, nas demais barras não se alterou. Índice menor que o verificado no caso 1; 71 3. Nesta situação, devido os níveis de tensão da barra de 69 kV da SE PCD ter baixa redução e o carregamento não atinge 50% dos transformadores, tem-se a flexibilidade de operar o sistema de várias formas, a citar: 3.1 Pode-se energizar banco capacitores de 230 kV da SE FTZ, mantendo as tensões no padrão estabelecido pela ONS e concessionária (COELCE); 3.2 Pode-se elevar o tape dos transformadores remanescentes e energizar o banco capacitor de 230 kV da SE FTZ, com isso garantimos um nível de tensão um pouco mais elevado nos barramentos de 230 kV e 69 kV da SE PCD e caso haja uma perda de mais um transformador na SE PCD os níveis de tensão na barra de 69 kV não sofra reduções drásticas, ou seja, abaixo de 5%. 4. Nesta nova condição de carga e neste período, durante a semana, é possível programar uma liberação de intervenção nos transformadores ou equipamentos auxiliares associados ao transformador (Chaves seccionadoras, TP, TC, Pára-raios) da SE PCD até no máximo 06:00 da manhã, sem a necessidade de transferir cargas do regional de Pici II para Fortaleza I. 72 4.3.2 Caso 5 – Carga Média No caso 5, considerando a SE PCD com quatro transformadores, nível de carregamento e níveis de tensão na carga LEVE, conforme tabelas 4.14, 4.14.1. Tabela 4.14 – Caso 5 - Carregamento inicial SE PCD(4TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 246/74,9 416 / 130,8 363,8 / 112,4 TAPE 9 10 9 FP 0,956 0,955 0,955 Carregamento 60% 79% 92% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.14.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 233,6/14,8º SE PCD 235,9/9,2º SE FZD 236,6/15,9º SE FTZ 236,6/15,4º SE DMG 70,9/10,8º - 70,7/10,2º 70,7/9,3º Fonte: Próprio Autor 73 Considerando a perda de um transformador na SE PCD o nível de carregamento e níveis de tensão podem ser vistos conforme tabelas 4.15, 4.15.1. Tabela 4.15 – Caso 5 - Carregamento Final – Condição de Contingência SE PCD(4TR) SE FTZ(4TR) SE DMG(4TR) Potência Ativa/Reativa 246/74,9 416 / 130,8 363,8 / 112,4 TAPE 9 10 9 FP 0,956 0,954 0,955 Carregamento 81% 75% 92% DADOS Fonte: Próprio Autor Tabela 4.15.1 – Tensão barramento de 230 kV/69 kV – Condições Normais SE PCD SE FZD SE FTZ SE DMG 233,4/14,9 SE PCD 236,5/16 SE FZD 236,5/16º SE FTZ 236,5/15,5º SE DMG 70,2/9,6º - 70,7 /10,3º 70,7/9,4º Fonte: Próprio Autor 74 Análise dos Resultados: 1. Na condição de carga MÉDIA, com desligamento intempestivo do transformador haverá um aumento em torno de 33,3% no carregamento de cada transformador remanescente da SE PCD, permanecendo os três transformadores com 81% de carregamento; 2. Neste período de carga média, diferentemente, quando a SE PCD tinha 3 (três) transformadores, pela análise de carregamento pode-se liberar um dos transformadores para intervenção ou contingência; 3. A liberação de um transformador para intervenção estará condicionado a necessidade inadiável para intervir no equipamento devido a algum defeito que limite o pleno funcionamento do transformador. 75 CAPÍTULO 5: CONCLUSÃO 5.1 Conclusão A partir das simulações de fluxo de potência na subestação de Pici II, com o programa POWERWORLD, foi possível observar a necessidade de ampliação e reforço com a instalação do 4º transformador, visto que na condição de carga média e pesada o carregamento dos transformadores atingiam 82%, e nestas condições, qualquer contingência levaria os transformadores remanescente à sobrecarga elevada. Os 3(três) primeiros casos levaram em consideração a atual situação da SE PCD, ou seja, três transformadores de potência em paralelo. Os 2 (dois) casos subseqüentes foi considerado a implantação do 4º transformador. No caso 1, foi simulado a perda de 1 transformador no período de carga leve, não houve variação de tensão nas subestações de Fortaleza II, Fortaleza I e Delmiro Gouveia, apenas na SE PCD houve afundamento de tensão na barra de 69 kV em torno de 0,7% . Houve aumento no carregamento que não comprometeria os limites de corrente. Nos casos 2 e 3, foi simulado a perda de 1 transformador no período de carga média e pesada, respectivamente, houve variações de tensão nas subestações de Fortaleza II, Fortaleza I e Delmiro Gouveia, devido a sobrecarga imposta aos transformadores remanescentes na SE PCD. Neste caso, o operador de sistema pode aumentar o nível de tensão no barramento da SE Fortaleza II ou realizar transferência de cargas entre as regionais de Pici e Fortaleza. No caso 4, considerando o cenário de quatro transformadores na SE PCD com a perda de um transformador, haverá pequenas variações de tensão no barramento de 69 kV, e com mesmo perfil de carga do caso 1, o carregamento de cada transformador passar ser de 49% , ou seja, com a ampliação foi garantido um incremento de 33% na potência instalada da SE PCD. No caso 5, no período de carga média, houve pequena variação na tensão do barramento de 69 kV e o carregamento dos transformadores permaneceu dentro dos limites de carga de cada trafo. Por fim, chega-se a conclusão que com a implantação do quarto transformador na SE PCD proporcionou uma maior flexibilidade para liberação de intervenção em 76 transformadores, redução em transferências de carga entres as regionais adjacentes e melhor atendimento as cargas da regional de Pici II, eliminando dessa maneira possível sobrecarga em condição normal de operação, prevista para o final do ano 2013, nos três transformadores de 100 MVA atualmente em operação nessa subestação. 5.1 Trabalhos Futuros Para implantação de um novo transformador em determinada instalação são necessários diversos estudos, dentre os quais estão: • Estudo de Previsão de Carga para atender demandas futuras na região metropolitana de Fortaleza, que englobe as subestações Pici II, Fortaleza II, Delmiro Gouveia, Aquiraz II, Pecém II e Cauípe. • Estudo de sobretensão em equipamentos (TP, TC, TPI) associados ao transformador de alta tensão, devido ao efeito de ferroressonância gerado na energização e desenergizaçao de transformadores. • Estudo de supervisório e proteção de transformadores. • Operação de Paralelismo entre transformadores. • Análise de Fluxo de Potência da Regional de Fortaleza, decorrente da energização das subestações de Pecém II e Aquiraz II 77 Referências Bibliográficas CHESF (2013). Dados de equipamentos, linhas de transmissão e fotos em contato com Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. CHESF (2013). Instruções técnicas de equipamentos fornecidas pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. COELCE (2013). Dados de Subestações em contato com a Companhia Energética do Ceará. EPE(2013) Balanço Energético Nacional. Acesso em 15 de Junho de 2013, disponível em https://ben.epe.gov.br/BENRelatorioSintese2013.aspx ONS(2013) Sistema Interligado Nacional. Acesso em 12 de Junho de 2013, disponível em http://www.ons.org.br/conheca_sistema/o_que_e_sin.aspx ONS(2013) Plano de Ampliação e Reforço. Acesso em 04 de Agosto de 2013, disponível em http://www.ons.org.br/plano_ampliacao/plano_ampliacao.aspx/par 2010-2012 DEPARTAMENTO ENGENHARIA INDUSTRIAL ELÉTRICA: CEFET-MG. Conceituação e Classificação de Subestações Elétricas. CEFET-MG. [S.l.]. 2010. ABB(ASEA BROW BOVERI) Manual de Manutenção. Acesso em 10 de Outubro de 2013, disponível em http://www.abb.com.br/Manual NOGUEIRA, D., & ALVES, D. (2009) Transformadores de potência - teoria e aplicação tópicos essenciais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. ONS (2013) Procedimento de Rede – Submodulo 23.3. Limite de tensão e Fator de Potência em Linhas e Transformador. Stevenson William D., Jr. Elementos de Análise de Sistemas de Potência. Editora McGrawHill Ltda, 2ª edição, São Paulo, 1986 CANOSSA J.H. Um Programa Interativo para Estudo de Fluxo de Potência, UNESP - 2007. 78 NBR 5356/1993 – TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA NBR 5617/1997 - Aplicação de Cargas em Transformadores de Potência – Procedimento Bartold, L.O. – Análise de Circuitos de Sistemas de Potência. Convênio – Eletrobrás/UFSM CEPEL. Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia – SAGE - Supervisório 79 ANEXO A – EXTENSÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO – CHESF TRANSMISSÃO LINHAS DE 69 kV LINHAS DE 138 kV LINHAS DE 230 kV LINHAS DE 500 kV EXTENSÃO(Km) 425,5 383,9 12.408,5 5.121,5 QUANTIDADE DE ESTRUTURAS 1.984 1697 31.985 10.791 80 ANEXO B – CLASSIFICAÇÃO – SISTEMA DE RESFRIAMENTO 81 ANEXO C – CÁLCULO DE PERDA DE POTÊNCIA POR VENTILADOR Suponha que um determinado trafo tenha uma potência nominal de 100 MVA (ONAN/ONAF/ONAF) e 14 ventiladores dos quais 2 estejam indisponíveis. Calcular a nova potência. (ONAN/ONAF/ONAF) = (65 MVA/80 MVA/100 MVA) Passos para sabermos a nova potência nominal deste trafo nestas condições 1. Calcular a perda média por ventilador P1V = 100 − 65 14 − 2 P1V = 35 12 P1V = 2,91 Então, cada ventilador provoca uma perda de 2,91 MVA da carga nominal. 2. Calcular a perda total para os 2 ventiladores PtV = 2 ݔ2,91 = 5,83 3. Calcular a potência permitida efetiva. Potencia nova = 100 − 5,83 = ૢ, ૠ ࡹࢂ 82 ANEXO D – LEVANTAMENTO DE CARGAS – SE PCD DIA: 02.10.2013 TRAFO 1 TRAFO 2 TRAFO 3 HORÁRIO 00:00 A 563,3 MW MVAR A MW MVAR A MW MVAR 65,9 11,9 565,9 66 13 567,9 66 14 01:00 521,8 60,6 13,9 524,2 60 14,8 526 60,6 15,6 02:00 493 56,6 11,6 496,3 57 12,8 499,1 56,9 13,6 03:00 473,8 54,8 10,9 477 55 12 479 55 13 04:00 465,8 53,9 10,5 468,5 54,1 11,6 470,8 54 12,4 05:00 458,3 53 10 461,4 53,4 11,1 462,8 53,2 11,9 06:00 407,1 47,7 7,2 409,2 47,7 8,1 411,5 47,7 8,9 07:00 452,39 52,7 9,6 453,1 52,7 10,4 453,7 52,7 11,1 08:00 573,2 66,2 17,2 572,5 66,1 17,8 575,2 65,9 18,7 09:00 630 72,2 20,4 629,5 72 21 633,9 72,1 22 10:00 667,1 75,6 22,5 667 75,5 23,3 670,3 75,5 24,3 11:00 677,7 77,2 23,8 680 77,4 24,5 683,2 77,3 25,6 12:00 657,2 75,5 21 656,2 75,6 21,6 660,8 75,6 22,6 13:00 665,5 76,3 21 667,1 76,3 21,6 670,7 76,1 22,6 14:00 722,6 82 24,2 722,9 82 24,8 725,6 82 25,9 15:00 712,6 81 23,7 711,4 81,8 24,3 720,6 81,4 25,5 16:00 704,7 80,9 23,8 704,6 80,7 24,6 708,3 80,7 25,5 17:00 642,7 73,8 19,39 643,3 73,9 20,6 646,9 73,7 21,6 18:00 686,7 79,7 19,8 687 79,8 20,5 690,7 79,5 21,5 18:30 680,5 79,1 19,1 681,4 79,3 19,7 684,9 79,1 21 19:00 679,9 78,7 19,7 677,3 78,6 20,3 680,3 78,5 21,3 19:30 673,5 78,2 20,5 675,2 78,6 21,2 680,2 78,4 22,3 20:00 669,29 78 20,1 669,7 78,1 20,8 672,2 77,6 21,8 20:30 667,9 77,3 17,2 671,1 77,7 18,1 674,5 77,6 19,2 21:00 681,1 78,3 17,3 682 78,5 18,2 684 78 19,2 22:00 661 76,4 15,3 665,2 76,8 16,4 668,8 76,6 17,3 23:00 628,2 73,2 13,6 629,8 73,4 14,6 632,2 73,3 15,6