HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DA TECNOLOGIA DE
ALIMENTOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA
José Marcondes Borges
TECNOLOGIA DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL
Convidado pelo professor Paulo Henrique Alves da Silva para falar sobre a
história do Departamento de Tecnologia de Alimentos no Simpósio de Avaliação e
Projeção do Curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Viçosa,
considerando meu estado de saúde e minha idade, achei conveniente escrevê-la para
ser lida na referida solenidade, pedindo a atenção dos ouvintes para possível falha de
memória ou dos registros consultados.
A Tecnologia de Alimentos tomou parte no planejamento inicial da Escola
Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), com a construção da Leiteria do
Departamento de Zootecnia, que foi derribada para a edificação do atual Laticínios,
mais precisamente sua parede sul, locada, mais ou menos, no eixo central dela. Aliás, os
prédios da atual Tecnologia ocupam a parte inicial da antiga Zootecnia, que começava
com uma balança para pesar animais, na estrada que ficava entre a Diretoria de Material
e o Edifício Alfred Beck Andersen. O Estábulo ficava atrás da Leiteria e abrigos,
currais, baias e outras dependências da Zootecnia se estendiam até as proximidades da
atual Floricultura, onde ainda existem as ruínas do aviário.
Depósito de
forragens
Cocheira para
muares
Estábulo
de bezerros
Estábulo
Leiteria
Balança
Dado o caráter histórico desta publicação, será transcrita do Relatório Bello
Lisboa, um dos melhores repositórios da história da Instituição, a parte referente à
Leiteria, respeitando a ortografia original.
“Abrigo nº 8 - Leiteria e Estábulos – Departamento de Zootechnia.
A planta deste abrigo comprehende um corpo principal de 21,3 x 10,20, a
metade do qual tem o pé direito de 4,00 e a outra metade o de 2,80 e 2 pequenos
puchados lateraes.
A primeira metade da planta se divide em 4 salas em que estão installados
machinismos, de accordo com a legenda da planta que se segue, 2 corredores normaes
entre si e 2 camaras frias; na segunda parte da planta estão os estabulos para l6 vaccas.
Um dos puchados comprehende uma ante-camara e uma camara frigorífica e o outro,
um w.c. e chuveiro, e commodo para caldeira de vapor.
A construcção, excluindo os machinismos, cuja installação vae descripta em
outro capítulo, importou em 46:826$561”.
Considerando a honestidade e a competência dos engenheiros Bello Lisboa,
Chefe da Comissão de Construção, e Mario das Neves Machado, Chefe do Escritório,
essa quantia exprime o valor real, sem sub ou super faturamentos.
2
Quanto à instalação, será transcrita outra parte do Relatório.
“ Lacticínios: - No laboratorio rural de lacticinios foram assentes: Laboratorio
para analyse de leite; deposito de 200 litros, de ferro estanhado; pasteurisador, para 400
litros á hora, de 25 – 90º celsius, dinamarquez F.M. horizontal; 1 esfriador tubular, para
400 ls. á hora, baixando o leite de 90º a 40º celsius; 1 desnatadeira Alfa Laval nº 4 para
100 litros; tubulação para leite; 1 fabrica de gelo, constituída dum compressor vertical
Sabroe, de producção 7.400 caloria á hora, 1 condensador tubular, l tanque congelador
de chapa de aço, 1 agitador completo; tres câmaras frigoríficas e 1 ante-camara, todas
isoladas a corticite; 1 bomba para salmôra; 1 motor electrico de 7,5 H.P.”.
Estábulo de bezerros
Leiteria
e
Estábulo
Nesse particular, de acordo com o “Anuario, 1927”, de autoria de Peter Henry
Rolfs, datado de 1º. de maio de 1928, deve ser citado Hermann Rehaag como o
primeiro professor e organizador do Departamento de Zootecnia e o responsável pela
compra do equipamento acima citado e da “instalação da leiteria, sendo a mais
necessária, bem como a mais demorada, teve a preferência sobre todos os outros
serviços”.
Rehaag, prussiano de nascimento e portador de
vários diplomas de escolas alemãs, incluindo o de
veterinário, veio para o Brasil para trabalhar em uma
escola de padres, em Olinda, Pernambuco, e chegou a
Viçosa, com a experiência de 12 anos de trabalho em
vários lugares no Brasil.
Em seu relatório, constante do mesmo Anuário,
Rehaag fala de sua posse, em 27 de março de 1927, das
primeiras construções, inclusive da Leiteria, da
aquisição dos primeiros animais, da instalação dos
laboratórios, do ensino, do sistema de criação, do estado
sanitário dos bovinos, da produção de leite, da leiteria,
dos suínos, das consultas veterinárias e das viagens a
serviço.
Além do laboratório de leite, ele instalou um outro, mais simples, para o ensino, na sede do DepartaHermann Rehaag
mento de Zootecnia, no Prédio Principal, hoje, Edifício Arthur da Silva Bernardes.
3
Essa sede funcionou por muitos anos na esquina sudeste do segundo andar e
constava de cinco salas: uma sala de aula, contígua ao corredor, o laboratório, a sala
do professor, a sala para esqueletos humano e de animais e a sala para depósito.
No início, a produção de leite foi muito baixa, a maior parte consumida pelos
próprios bezerros, pequena parte pelos porcos e o resto vendido à cozinha do Internato
da ESAV, aos empregados e trabalhadores, ao preço de 500 réis, por litro. Mais tarde,
com a produção de manteiga, os bezerros passaram a ser alimentados com leite
desnatado.
A fabricação de manteiga começou em janeiro de 1928 e a fábrica de gelo em
novembro de 1927. Esta sempre funcionou normalmente e sua produção, em dezembro,
foi de 1.635 quilos de gelo, usada na manipulação do creme, na conservação do leite e
da manteiga e para a venda dos blocos na cidade e aos empregados da Escola.
Com a saída de Hermann Rehaag para trabalhar no Ministério da Agricultura,
no fim de 1928, assumiu a direção da Leiteria e dos Laticínios, em setembro de 1929, o
professor Elvino Alves Ferreira, que aí permaneceu até julho de
1932.
O professor Alfred Beck Andersen, técnico laticinista
dinamarquês, entrou para o serviço da ESAV em 1º. de janeiro de
1933 e aposentou-se em 24 de fevereiro de 1965, sempre
trabalhando na área, quer no Departamento de Zootecnia, quer no
de Tecnologia de Alimentos, de acordo com a organização da
ESAV, da UREMG e da UFV.
A partir de 14 de maio de 1935 até 12 de fevereiro de 1937,
Svend Bording Rasmunssen, dinamarquês, lecionou Laticínios, e
Alphonse van Lier, também dinamarquês, aí trabalhou de 1º. de
agosto de 1935 a 2 de janeiro de 1937.
Beck Andersen
A história mais recente da Tecnologia de Produtos de
de Origem Animal cabe ao professor Alonso Salustiano Pereira, que a acompanhou,
juntamente e após a saída do professor Beck, e que nela introduziu o estudo das carnes
e pescados.
TECNOLOGIA DE PRODUTOS DE ORIGEM VEGETAL
Quanto à Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal, pouco se sabe de suas
origens na Instituição, a não ser o que consta oficialmente nos Regulamentos.
No Decreto 7.323, de 25 de agosto de 1926, assinado pelo Governador Fernando
de Mello Vianna e seu Secretário de Agricultura, Daniel Serapião de Carvalho,
intitulado “Da Aprovação do Regulamento da Escola Superior de Agricultura e
Veterinaria”, consta:
“Art. 12. As matérias componentes dos diversos cursos da Escola ficarão
distribuídos em quinze cadeiras, que constituirão os departamentos de ensino da Escola,
e serão assim comprehendidos:
7ª. Cadeira – Chimica: Chimica geral e inorganica. Chimica organica. Chimica
analytica. Chimica agricola. Noções de Chimica biologica. Tecnologia. Inspecção e
conservação de productos alimentares.
4
No Decreto 10.154, de 15 de dezembro de 1931, assinado pelo Governador
Olegário Dias Maciel e seu Secretário de Agricultura, José Monteiro Ribeiro Junqueira, que tratava “Da nova organização a Escola Superior de Agricultura e Veterinária
do Estado de Minas Gerais”, a Tecnologia Agrícola foi tornada independente do
Departamento de Química, mas continuou funcionando junto a ele, por muitos anos, em
uma de suas duas salas pequenas, na esquina sudoeste do primeiro andar do Edifício
Arthur da Silva Bernardes.
“Capítulo IV ------------- Dos Departamentos da Escola.
10) Tecnologia agrícola (Laticínios, conservação de produtos alimentares,
fabricação de assucar e álcool, óleos vegetais, indústrias rurais)”.
Na publicação de Bello Lisboa: Historico e Actualidade – Escola Superior de
Agricultura e Veterinaria – MG, 1935, consta o seguinte programa para ela:
Analyse de assucares e materias saccharinas; analyse de farinha e amido; analyse de
alcool e bebidas alcoolicas; analyse de productos agricolas; analyses de oleos e gorduras
vegetaes; analyse de materias primas, productos, sub productos e residuos de fabricação
de technologia agrícola; analyse de carnes; analyse de oleos e essencias; analyse de
substancias corantes; trabalhos de preparação de culturas puras de fermentos
seleccionados, para a fabricação de alcool, aguardente, vinhos e fructas; trabalhos de
fabricação de vinagres; trabalhos de fabricação de bebidas alcoolicas em pequenas
quantidades; trabalhos de fabricação de vinhos de fructas; analyse de leite; analyse de
manteiga e analyse de queijo.
DEPARTAMENTO DE QUÍMICA
Sala de
Aulas
Tecnologia
Laboratório dos
Professores de
Química
Laboratório
dos
Alunos
Sala dos
Professores
5
Desde então, o Departamento tem mantido sua autonomia, apenas variando de
nome e de lotação, na UREMG e na UFV. Na ESAV, fazia parte integrante do curso
dos engenheiros agrônomos e assim permaneceu até a mudança nessa carreira, a qual
deu origem às profissões de fitotecnista, economista rural, engenheiro agrícola e tecnologista de alimentos. Pelo Regimento Geral da UFV, aprovado pelo Conselho
Universitário, em sua 245ª. reunião, de 24 de fevereiro de 2000, em vigor, o
Departamento de Tecnologia de Alimentos pertence ao Centro de Ciências Exatas e
Tecnológicas.
Também houve mudanças na grade curricular. A fabricação de açúcar e de
álcool, que tinha tido o professor Jayme Rocha de Almeida, da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba, como um de seus técnicos,
cientista e fundador do Instituto Zimotécnico, e era mantida em primeiro plano, foi
sendo deixada para os engenheiros químicos e o estudo aprofundado dos alimentos
passou a predominar.
Entrando no Curso Complementar, hoje Coluni, da ESAV, em 1939, o mineiro
de Sobral, José Marcondes Borges vem acompanhando a história do Departamento
desde então. Disso somente tem lembranças e encontrado registros a partir dessa data.
O primeiro tecnologista de que se lembra é Amaury
Henrique da Silveira, professor na ESAV, de 20 de fevereiro
de 1940 a 15 de dezembro de 1943, e em mais de dez outras
escolas, principalmente em indústrias rurais. Foi diretor de
onze instituições, com destaque para a Chefia do Setor de
Indústrias Rurais da Superintendência do Ensino Agrícola e
Veterinário do Ministério da Agricultura. Publicou mais de
200 trabalhos, nas principais revistas agrícolas do Brasil,
artigos, nos suplementos agrícolas dos mais importantes
jornais do País, e respondeu, na extensão, a mais de 10.000
consultas em sua especialidade. Recentemente, ofertou à
Biblioteca do Departamento um pacote de publicações, feitas
nos últimos quarenta anos de sua vida ativa, sobre Tecnologia
Agrícola, Indústrias Rurais e Tecnologia Alimentar.
Amaury Silveira
O professor Jorge Leme Júnior
veio da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba, para lecionar na ESAV,
onde permaneceu de 19 de setembro de 1944 a 3 de março de
1948. Trouxe para nós a tendência da evolução da tecnologia
rural para uma tecnologia mais industrial, predominante nessa
Escola, e sua inteligente concepção pessoal do futuro da
tecnologia de alimentos, de que era adepto, principalmente da
indústria de conservas. De volta a São Paulo, trabalhou ainda
na ESALQ e na Universidade de Campinas, onde foi Diretor da
Faculdade de Engenharia de Alimentos.
Em co-autoria com José Marcondes Borges, escreveu
o livro “Açúcar de Cana”, livro didático e técnico sobre a
Jorge Leme Júnior
fabricação do açúcar, que deve ter sido o primeiro livro
editado em nossa Instituição e do qual foram publicadas, pelo menos, três edições.
Daqui para frente, a trajetória do Departamento tem muito a ver com assuntos
que envolvem a pessoa de José Marcondes Borges, por ser sido “o berimbau de uma no-
6
ta só”, professor de Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal, sozinho, na ESAV, por
muitos anos.
No último ano de seu curso tinha sido convidado para trabalhar no
Departamento de Zootecnia, formando-se, em 15 de dezembro de 1944, engenheiroagrônomo; mas, nos últimos dias de 1944, foi convocado pelo Exército Nacional e,
aproximando-se o fim da Segunda Guerra Mundial, dispensado, no primeiro
semestre de 1945. Ao voltar, estando preenchido o cargo de professor na Zootecnia,
foi lotado no Departamento de Biologia, onde permaneceu até 8 de março de 1948,
quando, em substituição ao
professor Jorge Leme Junior, ingressou no
Departamento de Tecnologia Rural, mais tarde denominado de Tecnologia de
Alimentos.
Felizmente, em curto estágio com o professor Jorge
Leme Júnior, obteve o máximo de informações possíveis e
notável apostila sobre Conservação de Alimentos, o modo
que lhe permitiu lecionar, razoavelmente, no último ano do
curso Superior de Agronomia, toda a matéria de Tecnologia
de Produtos de Origem Vegetal, em dois semestres, com três
aulas teóricas e duas práticas, por semana. Pela exigüidade do
espaço de que dispunha no Departamento de Química, mal
servindo para as aulas práticas e impossibilitando qualquer
experimentação e pesquisa, usou o tempo para estudar e
preparar as aulas.
De 1948 a 1951, sua luta por uma instalação condigna
Marcondes Borges
para a Tecnologia foi uma constante, o que se pode comprovar especialmente no relatório anual, em que mostrava, para a
administração, a situação precária da Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal,
impossibilitada de realizar qualquer experimentação ou pesquisa e, até mesmo,
imprópria, para o conceito de vanguarda da ESAV. Uma das dificuldades era o fato de
os dois andares do Prédio Principal estarem ocupados pelos departamentos originais Agronomia, Horticultura, Engenharia Rural, Química, Biologia, Solos e Adubos,
Zootecnia, Administração Rural e Veterinária - e o Porão não permitir uma instalação
definitiva. Nessa época, com o progresso da Instituição, já se cogitava seriamente na
mudança dos departamentos para sedes próprias, fora do Prédio Principal, o que
implicava elevadas somas para a sua concretização, e a preferência tenderia, possívelmente, para os departamentos tradicionais.
Sem outra solução para o problema, a alternativa foi a melhoria do ensino,
com a redação de notas mimeografadas sobre os variados assuntos das aulas teóricas
e práticas e, em co-autoria com o professor Leme, a elaboração de uma apostila sobre a
fabricação de açúcar, que mais tarde foi melhorada e transformada em livro.
Ausente, Marcondes, em 1952 e 1953, para um mestrado na Purdue University,
nos Estados Unidos da América, toda a carga do Departamento recaiu sobre o professor
Beck. Este, há muito tempo, tinha estabelecido seu gabinete e sala de aulas no cômodo
situado na esquina sudoeste do Porão; e, na volta dos EUA, Marcondes achou que a
melhor solução para localizar a Tecnologia, ainda que provisoriamente, seria adaptar
mais salas do Porão, anexas à de Beck.
Em seu relatório anual, de 1954, para a Diretoria da ESAV, escreveu: “É
oportuno observar que, neste ano, para não interromper aulas práticas, fui obrigado a
recorrer às instalações da cozinha e ao uso de fogões improvisados ao ar livre”.
7
No relatório de 1955, ponderou: “Tenho a lastimar que a demora de oito meses
na impressão da apostila sobre açúcar tenha causado transtorno ao curso...” e, ainda,
sobre a mudança para o Porão: “Laboratório para alunos. Desde fins de agosto que os
serviços de carpintaria e pintura estão concluídos, faltando entretanto o principal, ou
seja, água, esgoto, energia e meio de aquecimento. Não posso compreender a demora
em serviços de tão pouca monta, nas condições presentes. A tubulação de água está,
quando muito, a dois metros dos balcões e a de esgoto a um metro, mais ou menos”.
SEDE PROVISÓRIA DO DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA RURAL
Gabinete dos
professores
Gasogênio
“Benoid”
Laboratório
dos alunos
Sala
de
aulas
Laborat.
Profess.
Em 1956, a sala de aulas e o laboratório dos alunos estavam completos. Além
das aulas para o Curso Superior e para o Agrotécnico, com o laboratório para
professores disponível, Marcondes iniciou um projeto de experimentação com
variedades de soja para a fabricação de leite de boas palatabilidade e qualidades
alimentícias. A instalação, mesmo modesta, além de permitir a experimentação, abriu a
possibilidade de ampliação do corpo docente, para diminuir a sobrecarga de aulas sobre
Beck e Marcondes, o que aconteceu com a contratação de Adão José Rezende Pinheiro,
que tomou posse em 12 de novembro de 1957.
O ingresso de Adão no corpo docente diminuiu a sobrecarga de aulas sobre o
professor Beck, facilitou a ida de Marcondes, em 1958, para a Tecnologia da Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, ESALQ, em Piracicaba, onde preparou uma
tese. Aprovado no concurso, em 1959, recebeu o título de Doutor em Tecnologia de
Produtos de Origem Vegetal e assumiu o cargo de Professor Catedrático na UREMG.
Convidado para instalar a Seção de Conservas de Alimentos do Instituto de
Tecnologia Rural da Universidade do Ceará, esteve em Fortaleza, entre 1960 e 1962,
regressando em 1963.
Inicialmente, como Chefe do Departamento, pretendia instalar a Tecnologia na
área da atual Fábrica de Rações, ao que se opôs o Reitor Flamarion Ferreira, exigindo
que fosse situada na atual locação.
8
Em sendo Reitor da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais Edson
Potsch Magalhães e Diretor da Escola Superior de Agricultura Geraldo Martins
Chaves, tudo mudou. As constantes dificuldades do Departamento foram superadas e
iniciado um período de franco progresso, em todos os sentidos.
Apoiado pela Administração, Marcondes esteve no Rio de Janeiro, em 1963,
para prestar informações a técnicos do Grupo Executivo da Racionalização da Cafeicultura do Instituto Brasileiro do Café, GERCA – IBC, sobre o projeto de criação das
indústrias-piloto, do qual obteve recursos da ordem de vinte milhões de cruzeiros, para começar sua execução, pois a idéia coincidia com o projeto desse órgão de substituir
a cultura de café por produtos alimentícios. Nesse particular, deve ser citada a ajuda
do ex-aluno Onofre Braga de Faria, responsável pelo GERCA em Minas Gerais.
Em 1965, foi publicado o livro “Açúcar de Cana”, de Jorge Leme Júnior e José
Marcondes Borges, o primeiro a ser editado pela Instituição, sonho multiplicado, hoje,
muitas vezes, pela Editora UFV.
Foi também publicada a apostila, de 204 páginas,
“Práticas de Tecnologia Rural”, de autoria de José Marcondes
Borges, usada por muitos anos em aulas práticas, mesmo depois
da aposentadoria dele.
O acontecimento principal do ano de 1965 foi, em 15 de
dezembro, a inauguração do prédio da indústria-piloto de
conservas, que funcionou também, algum tempo, como a sede
do Departamento de Tecnologia. Na cerimônia, disse
Marcondes “Desta feita, tenho a grata satisfação de expressar a
Vossa Excelência o nosso júbilo por ver o início da
concretização do acalentado sonho de toda a nossa vida
profissional nesta Escola. Referimo-nos à inauguração do prédio
da indústria-piloto de conservas, a primeira das construídas, o lançamento da Pedra
Fundamental e o início da construção do prédio do Laticínios, que deverão constituir o
Instituto de Tecnologia Rural”.
Edifício da Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal
e da Indústria-Piloto de Conservas
9
Em outro trecho, afirma: “Somente nos resta a necessidade de conseguirmos
mais alguns técnicos de alto gabarito, para ajudarem no planejamento de outras seções”,
fato que 44 anos depois, hoje, estamos presenciando.
Em 1º. de fevereiro de 1965, foram criados os institutos, incluindo o de Tecnologia de Alimentos, que substituiu o Departamento de Tecnologia Rural.
Em 1965, Geraldo Luiz Pinto,
admitido no corpo docente em 1963, e
Joanito Campos Júnior, recém-contratado, viajaram para a Espanha, onde
freqüentaram cursos de especialização na
Escola de Tecnologia de Valença,
enquanto Adão Pinheiro continuou os
estudos na Purdue University, com vistas
em seu Ph.D.
Depois de um estágio na Universidade da Califórnia, em Davis, e uma
viagem de estudos nos Estados Unidos,
em 1965, José Marcondes Borges foi
nomeado para dirigir o Instituto de
Tecnologia de Alimentos.
O corpo docente da Tecnologia
de Produtos de Origem Animal, em
1966, era constituído de Alfred Beck An- Sala de Esterilização da Piloto de Conservas
dersen, Adão José Rezende Pinheiro e
mais tarde, em 1969, Alonso Salustiano Pereira e Dílson Teixeira Coelho; o da
Tecnologia de Produtos de
Origem Vegetal era formado
por José Marcondes Borges,
Geraldo Luiz Pinto, Joanito
Campos Júnior e, a partir de
1969, Elmo Ferreira, Renato
Cruz e, de 1965, Geraldo
Sílvio Natalino.
Em 1966, ocorreu com pesar - a aposentadoria do
velho mestre Alfred Beck
Andersen. Sua presença lhana,
desde os primórdios da ESAV,
era parte integrante da Instituição,que, ao mesmo tempo,
Prédio do Laticínios, em construção
sentirá sua ausência e guardará
dele gratas lembranças.
Outro acontecimento de importância no ano de 1966 foi a construção do
prédio para instalação do Laticínios.
A antiga leiteria, há muito tempo em péssimo estado, com as velhas máquinas se
desintegrando, foi mantida, até então, apenas para contemporizar, e, como foi dito
anteriormente, derribada para ser aberto o alicerce do predio.
10
Em 1967, instalaram-se a Indústria de Conservas de Produtos de Origem Animal, no prédio hoje denominado de Alfred Beck Andersen, e a maquinaria do Laticínios.
Edifício da Tecnologia dos Produtos de Origem Animal e de Laticínios
Foi também instalada, em prédio próprio, a maquinaria para industrialização da
farinha de mandioca.
Parte da maquinaria para fabricação de farinha de mandioca
11
Feita a compra das máquinas para a indústria-piloto de óleos, ficou-se aguardando a construção do prédio onde seriam instaladas.
Nessa altura dos acontecimentos,
é dever de justiça e de gratidão dizer o
papel importantíssimo que representaram para a instalação das indústriaspiloto as dotações concedidas à Instituição pelo GERCA-IBC, pela CAPES,
pelo Projeto Purdue-Brasil e pelo
governo mineiro e as máquinas doadas
pela Fundação Rockefeller para a piloto
de conservas, bem como a ajuda do exaluno Miguel Martins Chaves no desemPrensa da Piloto de Óleos
baraço burocrático do material.
Aposentado como professor pelo
Estado de Minas Gerais, em 28 de fevereiro de 1967, José Marcondes Borges foi
contratado pela UREMG, em 1º de março desse ano, como Diretor do Instituto de
Tecnologia, e permaneceu no cargo até 14 de junho de 1969.
De 1969 a 1971, foi pesquisador e Subdiretor do Centro de Pesquisas do Cacau,
(CEPEC) da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC).
Voltou à Instituição em 1º. de fevereiro de 1972, sendo nomeado Diretor da
Imprensa Universitária e, em 2 de junho de 1972, novamente Chefe do Departamento de
Tecnologia de Alimentos.
Dessa fase de sua administração, o evento mais importante foi, em 1º. de agosto
de 1974, o início do mestrado no Departamento de Tecnologia, em cooperação com a
Escola de Veterinária de Belo Horizonte,
Em 14 de outubro de 1974, deixou a Chefia do Departamento, voltou a dirigir a
Divisão de Bioengenharia do CEPEC, da CEPLAC, e estagiou no Instituut voor Graan,
Meel en Brood, em Wageningen, na Holanda.
A ausência de informações sobre ensino, pesquisa e extensão praticados na
Tecnologia de Alimentos deve-se ao fato de que isso implicaria fugir ao escopo deste
trabalho, mas elas certamente podem ser encontradas nos relatórios anuais dos arquivos
do Departamento.
O ensino foi sempre muito bem cuidado; das pesquisas, serão citados apenas
estes trabalhos, os mais importantes do período: Características industriais das
variedades existentes e recém-introduzidas da cana-de-açúcar, Leite de soja, Pão de
mandioca e soja, Industrialização de frutas tropicais e Aromatização do leite. Quanto à
extensão, além das respostas a consultas e explanações adequadas aos visitantes, eram
dadas aulas de aguardente de cana, vinho de laranja, doces e leite de soja na Semana do
Fazendeiro.
A continuação dessa história é incumbência de Geraldo Luiz Pinto.
12
REFERÊNCIAS
BORGES, José Marcondes. Escola Superior de Agricultura - origem –
desenvolvimento – atualidade. Viçosa, MG: UREMG, IMPRENSA Universitária,
1966. 88p.
BORGES, José Marcondes; SABIONI, Gustavo Soares (Orgs.) Cópia do relatório do
chefe da comissão de construção da Escola Superior de Agricultura e Veterinária
do Estado de Minas Gerais (ESAV), Eng. João Carlos Bello Lisboa, ao secretário
de Agricultura Djalma Pinheiro Chagas. Viçosa, MG: UFV, 2004, 89 p.
BORGES, José Marcondes; SABIONI, Gustavo Soares; MAGALHÃES, Gilson Faria
Potsch (Eds.). A Universidade Federal de Viçosa no Século XX. 2. ed. Viçosa, MG:
Editora UFV, 2006. 671 p.
JANGO JUNIOR, José Enir; LEÃO, Maria Ignez; ASSIS, Ângelo Adriano Faria de;
OBEID, José Antônio (Eds). 80 anos de história do Departamento de Zootecnia da
Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, MG: UFV; DZO, 2007. 191 p.
LISBOA, João Carlos Bello. Historico e actualidade da Escola Superior de
Agricultura e Veterinaria. Belo Horizonte, MG, 1935. 49p.
RELATÓRIOS Anuais do Departamento de Tecnologia Rural.
RELATÓRIOS Anuais do Instituto de Tecnologia Rural.
RELATÓRIOS Anuais do Departamento de Tecnologia de Alimentos.
ROLFS, Peter Henry. Escola Superior de Agricultura e Veterinaria do Estado de
Minas Geraes. Primeiro Anuário, 1927. Bello Horizonte: Secretaria de Agricultura,
Industria, Terras, Viação e Obras Publicas do Estado de Minas Geraes, 1931. 91 p.
Download

historia do dta by jose marcondes borges