POLIMORFISMOS DE MIRNA NA SUSCEPTIBILIDADE A
LEISHMANIOSE CUTÂNEA CAUSADA POR L. guyanensis NO ESTADO
DO AMAZONAS
Bolsista: Tirza Gabrielle Ramos de Mesquita
Orientador: Dr. Rajendranath Ramasawmy ¹,
Colaboradores : Luan Oliveira, Felipe Jules, José Junior, Wonei Vital, Sinésio Talhari,
Anette Chrusciak-Talhari, Jorge Guerra²
Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado¹, Universidade Do Estado do
Amazonas²
INTRODUÇÃO
Leishmaniose é uma doença infecciosa crônica causada
por parasitas protozoários do gênero Leishmania spp¹. A
interação entre patógeno e hospedeiro possui vários
níveis de complexidade, incluindo o background
genético do hospedeiro, virulência do parasito, vetor e
ambiente favorável para o desenvolvimento das lesões².
No estado do Amazonas, L. guyanensis é a espécie mais
prevalente que causa leishmaniose cutânea (LC).³ Há
estudos que demonstram uma agregação familiar da LC
e LM nas áreas endêmicas, 4 e foi sugerido que existe
um gene com maior efeito controlando a
susceptibilidade a leishmaniose
tegumentar.5
MicroRNAs (miRNAs) são moléculas de RNA de fita
simples não-codificantes de 18-26 nucleotídeos que
induzem o silenciamento e, possivelmente, a expressão
de seus genes alvos.6
RESULTADOS
Para os SNPs hsa-miR-499 e hsa-miR-146 foram
genotipadas
584
e
595
amostras,
respectivamente. As frequências alélicas de
ambos os polimorfismos estão dentro do
equilíbrio de Hardy-Weinberg. O alelo C de hsamiR-146 está associado com a susceptibilidade a
LC quando comparado ao grupo controle.
Indivíduos homozigotos para o alelo C tem duas
vezes mais chance de desenvolver a LC durante a
infecção pela L. guyanensis (P= 0.02; OR=1.9 [95%
CI 1.1 – 3.3]). Nenhuma associação foi observada
com o SNP hsa-miR-499.
OBJETIVOS
Investigamos os variantes do gene miRNA na
susceptibilidade a LC causada por L. guyanensis em
pacientes com LC e indivíduos saudáveis (controles),
sem sinal ou histórico de LC, procedentes das mesmas
áreas endêmicas.
MATERIAIS E MÉTODOS
Os SNPS foram identificados por PCR-RFLP, para análise
da discriminação alélica do gene miRNA. Os seguintes
iniciadores foram desenhados para genotipar o SNP
hsa-miR-146 (rs2910164): F: 5’-CAT GGG TTG TGT CAG
TGT CAG AAC T-3’ e R: 5’-GCC TTC TGT CTC CAG TCT TCC3’, gerando um fragmento de 146 pb pelo PCR. A
discriminação alélica foi realizada utilizando a enzima
HpyCH4III, específica para o alelo G, gerando dois
fragmentos (121+25 pb), enquanto na presença do alelo
C o sítio de restrição desaparece (146 pb). Para o SNP
hsa-miR-499 (rs3746444): F: 5’-CAC TTC CCT GCC AAA
TCC CCG TCC CTC CCA-3’ e R: 5’-AGT GAT GTT TAA CTC
CTC TCC GCG TGA-3’, gerando um fragmento de 140 pb
pelo PCR. A discriminação alélica foi feita utilizando a
enzima HpyCH4IV, específica para o alelo C, gerando
dois fragmentos (110+30 pb), enquanto na presença do
alelo T o sítio de restrição desaparece (140 pb).
Frequências dos genótipos e alelos
Genótipos
Casos
Controles
miRNA-146 G>C
n= 319
n= 276
CC
GC
GG
Alelos
C
G
53 (17%)
150 (47%)
116 (36%)
25 (9%)
146 (53%)
105 (38%)
256 (40%)
382 (60%)
n= 332
196 (36%)
356 (64%)
n= 252
267 (80%)
61 (19%)
4 (1%)
206 (82%)
42 (17%)
4 (1%)
NS
NS
NS
595 (90%)
69 (10%)
454 (90%)
50 (10%)
NS
NS
miRNA-499 C>T
TT
CT
CC
Alelos
T
C
Comparisons
GG Vs.CC
GC+GG Vs.CC
GC Vs.CC
G Vs.C
p-value
0.02
0.006
0.006
0.1
OR [95%CI] pv
1.9 [1.1 - 3.3]
0.5 [0.3 - 0.82]
0.5 [0.29 - 0.82]
1.2 [0.9-1.5]
1
Tabela 1. Frequências genotípicas e alélicas do polimorfismo de
nucleotídeo hsa-miR-499 e hsa-miR-146 em pacientes com
leishmania cutânea (LC) e controles saudáveis.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a FAPEAM, CNPq, CAPES e FMT-HVD.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Alvar J, Vélez ID, Bern C, Herrero M, Desjeux P, Cano J et al.
Leishmaniasis worldwide and global estimates of its incidence. PLoS One
2012; 7: e35671.
2.Handman E, Elso C, Foote S. Genes and susceptibility to leishmaniasis.
Adv Parasitol 2005; 59: 1-75.
3. Benicio Ede A, Gadelha EP, Talhari A, et al. Combining diagnostic
procedures for the management of leishmaniasis in areas with high
prevalence of Leishmania guyanensis. An Bras Dermatol 2011; 86:1141-4.
4. Castellucci L, Cheng LH, Araújo C, Guimarães LH, Lessa H, Machado P et
al. Familial aggregation of mucosal leishmaniasis in northeast Brazil. Am J
Trop Med Hyg 2005; 73: 69-73.
5. Alcaïs A, Abel L, David C, Torrez ME, Flandre P, Dedet JP. Evidence for a
major gene controlling susceptibility to tegumentary leishmaniasis in a
recently exposed Bolivian population. Am J Hum Genet 1997; 61: 968-79.
6. N. S. Geraci, J. C. Tan , M. A. Mcdowell. Characterization of microRNA
expression profiles in Leishmania infected human phagocytes. Parasite
Immunology, 2015, 37, 43–51 DOI: 10.1111
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polimorfismos de mirna na susceptibilidade a leishmania - FMT-AM