PRODUÇÃO, CONSUMO E
RECICLAGEM DE PAPEL NO
BRASIL
Ricardo Motta Pinto Coelho
Introdução
Desde a década de 1980, a produção de embalagens e produtos descartáveis cresceu significativamente,
assim como a produção de lixo, principalmente nos países industrializados. Muitos governos e ONGs
(Organizações Não Governamentais) estão cobrando das indústrias atitudes responsáveis. Neste sentido, o
desenvolvimento econômico deve estar aliado à preservação do meio ambiente. Atividades como
campanhas de coleta seletiva de lixo e reciclagem de alumínio, plástico e papel, já são corriqueiras em
várias cidades do mundo.
No processo de reciclagem, que além de preservar o meio ambiente também gera renda, os materiais mais
reciclados são o vidro, o alumínio, o papel e o plástico. Esta reciclagem ajuda a diminuir significativamente a
poluição da água, do ar e do solo. Muitas empresas estão reciclando materiais como uma maneira de
diminuir os custos de produção de seus produtos.
Outro importante benefício gerado pela reciclagem é a quantidade de novos empregos que ela tem gerado
nos grandes centros urbanos. Muitas pessoas sem emprego formal (com carteira registrada) estão buscando
trabalho neste ramo e conseguindo renda para manterem suas famílias. Cooperativas de catadores de papel
e alumínio, por exemplo, já são comuns nas grandes cidades do Brasil.
Diversos materiais como, por exemplo, o alumínio pode ser reciclado com um índice de reaproveitamento de
aproximadamente 100%. Derretido, ele volta para as linhas de produção das indústrias de embalagens,
reduzindo os custos para as empresas.
Várias campanhas de educação ambiental têm despertado a atenção para o problema do lixo nos grandes
centros urbanos. Cada vez mais, os centros urbanos, com altos índices de crescimento da população, tem
encontrado dificuldades em obter locais para instalarem depósitos de lixo (aterros). Logo, a reciclagem mostra-se
como uma solução viável do ponto de vista econômico, além de ser ambientalmente correta. Nas escolas, muitos
alunos são orientados pelos educadores a separarem o lixo em suas casas. Outro fato interessante é que já é
muito comum nos grandes condomínios residenciais a reciclagem do lixo.
Em regiões de zona rural a reciclagem também está acontecendo. O lixo orgânico (sobras de vegetais, frutas,
grãos e legumes) é utilizado na produção de adubo orgânico para ser usado na agricultura.
Corte de árvores
Energia
Polpa Marron
Preparo das toras
cascas
Retirada das cascas
Branqueamento
Água
Lavagem
Água
Corte dos cavacos
NaOH
Na2S
Água
Polpação
Kraft
Lignina
Papéis de impressão
Papéis para escrever
Papéis para embalagens
Papéis sanitários
Cartões e cartolinas
Papéis crespados
Papéis não classificados
Cloro
ClO2
NaClO
O2
O3
Como podemos verificar, se o ser humano souber utilizar os recursos que a natureza oferece, poderemos ter,
muito em breve, um ambiente mais limpo desenvolvido de forma sustentável.
Curiosidade: Você sabia que muitos produtos levam muitos anos para serem absorvidos pelo meio-ambiente?
Veja abaixo uma relação das substâncias e o tempo que elas levam para serem absorvidas no solo.
· Papel comum: de 2 a 4 semanas
· Cascas de bananas: 2 anos
· Latas: 10 anos
· Vidros: 4.000 anos
· Tecidos: de 100 a 400 anos
· Pontas de cigarros: de 10 a 20 anos
· Couro: 30 anos
· Embalagens de plástico: de 30 a 40 anos
· Cordas de náilon: de 30 a 40 anos
· Chicletes: 5 anos
· Latas de alumínio: de 80 a 100 anos
Reciclagem de papel
Trata-se do reaproveitamento do papel não-funcional para produzir papel reciclado. Há duas grandes fontes de papel a
se reciclar: as aparas pré-consumo (recolhidas pelas próprias fábricas antes que o material passe ao mercado
consumidor) e as aparas pós-consumo (geralmente recolhidas por catadores de ruas). De um modo geral, o papel
reciclado utiliza os dois tipos na sua composição, e tem a cor creme.A aceitação do papel reciclado é crescente,
especialmente no mercado corporativo. O papel reciclado tem um apelo ecológico, o que faz com que alcance um preço
até maior que o material virgem. No Brasil, os papéis reciclados chegavam a custar 40% a mais que o papel virgem em
2001. Em 2004, os preços estavam quase equivalentes, e o material reciclado custava de 3% a 5% a mais. A redução
dos preços foi possibilitada por ganhos de escala, e pela diminuição da margem média de lucro.
Na Europa, o papel reciclado em escala industrial chega a custar mais barato que o virgem, graças à eficiência na coleta
seletiva e ao acesso mais difícil à celulose, comparado ao do Brasil.
Outros
19,67
Sanitários
16,86
Consumo Mundial de Papel (2005)
Milhões de Toneladas (x 106 ton)
Embalagem
84,3
Categorias
Embalagem
Imprensa
36,5
Imprimir e escrever
Cartão
Imprensa
Sanitários
Outros
Cartão
42,15
Imprimir e escrever
81,4
1 - CENÁRIO INTERNACIONAL
Produção e Consumo Mundiais de Papel
A produção e o consumo mundiais de papel vêm crescendo há mais de quinze anos. A
taxa média verificada na década de 80, para o crescimento da demanda mundial, foi de
3,6% a.a. e de 3,3% a.a. para o período 1990/95. As perspectivas para o horizonte
1995/2005 são de taxas anuais médias ao redor de 3,3%.
CONSUMO MUNDIAL DE PAPEL
milhões t
PERÍODO 1980 1990 VARIAÇÃO
% a.a.
90/80
1995 VARIAÇÃO
% a.a.
95/90
2005 VARIAÇÃO
% a.a.
2005/1995
CONSUMO
MUNDIAL
168 239 3,6 281 3,3 390 3,3
Fonte: PPI e RISI
Entre todas as categorias de papel, o tipo imprimir e escrever é o que vem apresentando
as maiores taxas de crescimento devido ao uso cada vez mais intensivo de propaganda
(mala direta), além das tecnologias desenvolvidas para escritórios (fax, copiadoras,
impressoras, computadores pessoais, etc.) e o barateamento da impressão, permitindo
uma maior diversidade de títulos de revistas e periódicos.
Entre todas as categorias de papel, o tipo imprimir e escrever é o que vem apresentando as maiores taxas
de crescimento devido ao uso cada vez mais intensivo de propaganda (mala direta), além das tecnologias
desenvolvidas para escritórios (fax, copiadoras,impressoras, computadores pessoais, etc.) e o
barateamento da impressão, permitindo uma maior diversidade de títulos de revistas e periódicos.
Os maiores produtores e também consumidores de papel são os países desenvolvidos: EUA, Japão e Canadá
respondem por cerca de 47% da produção mundial e EUA, Japão e Alemanha consomem 50% de todo o papel
produzido. O Brasil ocupa o 11o lugar entre os países produtores e o 12o entre os consumidores depapel. O consumo
per capta brasileiro é de 34 kg/habitante, é muito baixo quando comparado aos trinta maiores cujos números variam
entre os limites de 332 kg (EUA) e 97 kg (Grécia). Entre os componentes do Mercosul, o Brasil fica em desvantagem em
relação à Argentina, cujo consumo per capita em 1994
foi de 45kg. Destaque também deve ser dado para a China, que já se apresenta como o terceiro maior produtor e
consumidor de papel, atrás apenas de Estados Unidos e Japão. O consumo per capita de papel na China alcançou, em
1994, o nível de 20 kg, patamar bastante inferior aos dos Estados Unidos e Japão (230 kg).
Consumo per capta de Papel
2007
350
kg/hab.ano
280
Consumo per capta de Papel
210
140
70
0
País
O comércio de papel, em 1995, movimentou cerca de 72 milhões de toneladas, correspondendo a US$ 80 bilhões e a 26%
da produção mundial. O fluxo mais intenso de comércio é apresentado pelos segmentos embalagem, imprimir e escrever e
papel de imprensa. A importação de papel é concentrada (cerca de 50%) em seis países: EUA, Alemanha, Inglaterra,
França, China e Itália. Os Estados Unidos apresentam um fluxo intenso com o Canadá no comércio de papel de imprensa.
Os países europeus são grandes importadores de papéis para imprimir e escrever e embalagens. Os principais países
exportadores de papel são Canadá, Finlândia, Suécia e EUA, atuando o primeiro fortemente em papel de imprensa, a
Finlândia no tipo imprimir e
escrever e os EUA concentrados em papéis para embalagem. A exportação da Suécia é amais equilibrada entre os principais
tipos de papel.
Comércio Internacional de Papel (1990-1995)
80
100
(x 106 toneladas)
60
60
40
40
20
0
1989
20
1990
1991
1992
1993
ANO
Quantidade
ANO
1994
1995
0
1996
(x 106 US $)
80
As exportações brasileiras de papel alcançaram 1.229 mil t em 1995 (1,7% das exportações mundiais) e concentram-se
nos tipos imprimir/escrever não revestidos e embalagem (kraftliner). Até meados da década de 80, o mercado externo era
usado pelos produtores de papel para colocação do volume não absorvido no País. A partir do agravamento da recessão
interna e da boa receptividade do papel brasileiro no exterior,
a postura dos produtores nacionais foi se modificando e, atualmente, as exportações de papel assumem vital importância
na ocupação da capacidade produtiva. O Brasil já se situa como um dos três maiores fornecedores mundiais de papel
para imprimir e escrever
não revestido, à base de celulose, tendo exportado, em 1995, 720 mil toneladas, o que significou 40% da produção
nacional deste tipo de papel.
A Europa, até 1991, era o principal mercado para os produtores de papel brasileiros. Hoje, pode-se considerar as
exportações distribuídas igualmente por três blocos:América Latina, Europa e Ásia/África/EUA. O crescimento das
exportações para o Mercosul tem sido expressivo, assim como paraos EUA que, no período out/88-jul/90, estava fechado
para o Brasil como retaliação comercial devido ao impasse ocorrido na questão do reconhecimento de patentes.
Papel
Destino das Exportações Brasileiras
2007
América do Norte
12%
Europa
17%
Asia e Oceania
8%
África
6%
América Latina
57%
Total = US$ 1,7 bilhão
Celulose
Destino das Exportações Brasileiras
2007
América do Norte
20%
Europa
54%
Asia e Oceania
25%
África
0%
América Latina
1%
Total = US $ 3,0 bilhões
A produção de celulose de mercado alcançou cerca de 30 milhões de toneladas em 1995, sendo de 55% e 45%,
respectivamente, a distribuição entre as fibras longas e curtas. Durante a década de 80, a celulose de fibra longa
mostrou-se preponderante sendo até hoje a referência para o estabelecimento dos preços dos demais tipos (em 1980
a produção de fibra longa correspondia a 63% do total produzido). O expressivo aumento da participação da celulose
de fibra curta de eucalipto,introduzida no mercado a partir do final da década de 70 pelos países então chamados de
não tradicionais produtores (Brasil, Portugal e Espanha), reverteu esse quadro, deslocando a fibra longa em sua
trajetória de crescimento. Recentemente, o ingresso de países asiáticos neste mercado, em particular da Indonésia,
tem contribuído para elevarainda mais a oferta de fibra curta.
Celulose Sulfato Branqueada
Milhões de Toneladas
9,0
F Longa
F Curta
6,0
3,0
0,0
na
Ca
dá
EU
A
ia
v
iná
nd
a
c
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ric
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il
as
é
on
Ind
ia
sia
a
eM
lás
Produção de Celulose (Fibra Curta) – Eucalipto
Milhões de Toneladas
12000
Brasil
Chile
Espanha
Portugal
China
8000
4000
0
1990
1995
2000
ANOS
2005
2010
O consumo mundial de celulose sulfato branqueada de mercado apresentou taxas de crescimento de 2,6% a.a. no período
1980/90 e de 6,0% a.a. entre 1990 e 1995. Contudo, essa elevada taxa dos últimos anos foi devida a um consumo
atipicamente baixo em1990; se o horizonte for ampliado para 1988/95, a taxa encontrada é de 3,5% a.a. Para o período
1995/99, estima-se que a taxa média anual de crescimento fique ao redor de 2,6%; para a fibra de eucalipto espera-se
crescimento superior, com taxa de 4,8% a.a. Os principais países consumidores são EUA, Alemanha, Japão, França e Itália
que, juntos, respondem por mais de 50% da demanda de celulose sulfato branqueada. Deve-se destacar o bom crescimento
da fibra de eucalipto nesses mercados.
Competição na Indústria de Celulose
A competição nesta indústria se dá por preço e qualidade. As escalas de produção das novas plantas são cada vez maiores
proporcionando menores custos unitários mas exigindo vultosos investimentos que, associados à disponibilidade de matériaprima florestal. A diferenciação de produto torna-se cada vez mais relevante, revertendo o tradicional tratamento de commod
0A pressão ambientalista tem levado as empresas a investir no desenvolvimento e implantação de novas tecnologias de
processo, com destaque para a área de branqueamento, além de pesados gastos com controle ambiental. A tendência que s
verifica atualmente é no sentido do “efluente zero”, ou seja, sistema fechado de produção. O custo da madeira tem-se elevad
ultimamente, movido por dois fatores: pressões ambientalistas para não se cortar florestas e escassez de recursos florestais
boa qualidade. A indústria também vem sentindo a pressão de se substituir fibras virgens por material reciclado. A legislação
países desenvolvidos, principalmente da União Européia, tem obrigado ao uso de percentagens crescentes de reciclados na
composição dos papéis. Por trás dessas pressões, há o interesse em diminuir a quantidade de lixo produzida pelas grandes
cidades. O percentual de reciclagem tem-se elevado nos últimos anos. No Brasil, estima-se que 40% do papel seja reciclado
Entretanto, este percentual, na realidade, deve ser significativamente maior, mas a falta de estatísticas impede seu correto
dimensionamento.As empresas brasileiras de celulose de mercado têm respondido rapidamente às exigências de seus
consumidores, adaptando seus processos produtivos às novas normas e credenciando-se à obtenção do certificado ISO-900
(todas as produtoras têm o certificado). Tem-se verificado, também, a implantação de rígidos programas de redução de custo
modernização administrativa objetivando estruturas mais leves e capazes de responder às demandas de uma competição
globalizada.
Produção, Consumo e Principais Produtores Nacionais
A indústria brasileira de papel e celulose apresentou um significativo desempenho no período 1980/95, fundamentado
basicamente no comércio internacional, uma vez que o consumo aparente do país foi incapaz de absorver todo o
crescimento verificado na produção, que elevou-se de 3,36 milhões de toneladas de papel e 2,87 milhões t de
celulose, em 1980, para, respectivamente, 5,85 milhões e 5,44 milhões de toneladas, em 1995.
A produção brasileira de celulose fibra curta é a que apresentou maior crescimento, sendo o tipo preponderantemente
exportado pelo Brasil. O destino da fibra longa é o uso cativo na fabricação de papéis para embalagem, principalmente. Em
31.12.95, o setor possuía 1,5 milhão de hectares de reflorestamentos próprios, sendo 61% de eucalipto e 37% de Pinus.
Durante o ano de 1995 foram implantados e/ou reformados 98 mil ha de reflorestamentos. O número total de empresas de
papel e celulose no Brasil, no final de 1995, era de 235, com a produção de papel concentrada (65%) em grupo reduzido
(26 empresas). Apenas cinco grandes empresas respondem por toda a produção brasileira de celulose de
mercado.
19
80
19
81
19
82
19
83
19
84
19
85
19
86
19
87
19
88
19
89
19
90
19
91
19
92
19
93
19
94
19
95
20
06
20
07
Milhões de Toneladas
Brasil: produção e consumo de papel
10,0
8,0
Produção
Consumo
6,0
4,0
2,0
0,0
ANO
Comércio Exterior de Papel e Celulose - 2007
Brasil
6,0
Exportação
US$ Bilhões
5,0
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
ANO
Importação
Todas as maiores empresas
são verticalizadas desde a
base florestal, apresentandose
com bom grau de
modernidade industrial,
sendo os grupos produtores
nacionais altamente
especializados em
determinada fibra, com
exceção apenas do Grupo
Klabin, que atua em todos os
principais segmentos de
papel e em celulose de
mercado, a exemplo do que
ocorre com os grandes
grupos mundiais.
Papel
Klabin
17%
Outros
32%
Suzano
11%
Inpacel
3%
Pisa
3%
Trombini
4%
Rigesa
4%
Outros
17%
Igaras
6%
Votorantim
9%
Ripasa
5%
Champion
6%
Klabin
Suzano
Votorantim
Ripasa
Champion
Igaras
Rigesa
Trombini
Pisa
Inpacel
Outros
Celulose
Aracruz
39%
Riocell
9%
Aracruz
Cenibra
Bahia Sul
Jari
Jari
10%
Riocell
Outros
Bahia Sul
11%
Cenibra
14%
Comércio Externo Brasileiro
A balança comercial do setor vem
registrando saldos positivos crescentes,
tendo contribuído, em 1995, com cerca
de 6% das exportações totais do Brasil:
entre papel e celulose, o valor exportado
somou US$ 2,7 bilhões, com
importações de US$ 1,1 bilhão.
As importações brasileiras de papel são,
basicamente, dos tipos imprensa
(principalmente do Canadá) e
imprimir/escrever revestidos (Finlândia).
Em 1995, situaram-se na ordem de 805
mil toneladas, sendo 68% superior às
importações de 1994.
Papel no Brasil: Comércio Exterior
x 103 toneladas
2000
1600
1200
800
400
0
1990
1991
1992
1993
1994
ANO
Exportação de Papel
Importação de papel
1995
Em termos de fibras, a tendência de
aproveitar-se cada vez mais o papel usado, provocará taxas de crescimento bastante
diferenciadas entre as fibras virgem e recicladas: 2,7 contra 4,7% a.a. no período
1995/2005. Também aqui espera-se a ocorrência de déficits de oferta.
Florestas Plantadas no Brasil - 2007
500
Estados
300
200
100
Estados
A
M
RJ
AP
PA
SC
S
M
RS
G
Es
ta
do
s
M
PR
BA
0
SP
x 1000 ha
400
A principal vantagem competitiva do Brasil é a sua tecnologia florestal, onde, após 25 anos, o desenvolvimento
genético alcançado para o eucalipto permite o corte para industrialização em 7 anos, com alta produtividade. As
florestas boreais tem um ciclo de 30 anos, sendo que usualmente corta-se mata nativa. Essa vantagem, entretanto,
num médio prazo, é ameaçada por outros países de climas tropical e subtropical, especialmente os asiáticos.
Reciclagem do Papel
Significa fazer papel empregando como matéria-prima papéis, cartões, cartolinas e papelões, provenientes de:
Rebarbas geradas durante os processos de fabricação destes materiais, ou de sua conversão em artefatos, ou
ainda geradas em gráficas;
Artefatos destes materiais pré ou pós-consumo
Atualmente, a matéria-prima vegetal mais utilizada na fabricação do papel é a madeira, embora outras também
possam ser empregadas. Estas matérias-primas são hoje processadas química ou mecanicamente, ou por uma
combinação dos dois modos, gerando como produto o que se denomina de pasta celulósica, que pode ainda ser
branqueada, caso se deseje uma pasta de cor branca. A pasta celulósica, branqueada ou não, nada mais é do que
as fibras celulósicas liberadas, prontas para serem empregadas na fabricação do papel.
A pasta celulósica também pode prover do processamento do papel, ou seja, da reciclagem do papel. Neste caso,
os papéis coletados para esse fim recebem o nome de aparas. O termo apara surgiu para designar as rebarbas do
processamento do papel em fábricas e em gráficas e passou a ter uma abrangência maior, designando, como já foi
dito, todos os papéis coletados para serem reciclados.
As aparas provém de atividades comerciais, e em menor quantidade de residências e de outras fontes, como
instituições e escolas.
As aparas de papel podem ser recolhidas por um sistema de coleta seletiva, ou por um sistema comercial, utilizado
há anos, que envolve o catador de papel e o aparista.
Hoje, a força que propulsiona a reciclagem de papel ainda é econômica, mas o fator ambiental tem servido também
como alavanca.
A preocupação com o meio ambiente criou uma demanda por "produtos e processos amigos do meio ambiente" e
reciclar papel é uma forma de responder a esta demanda.
Assim, os principais fatores de incentivo à reciclagem de papel, além dos econômicos, são: a preservação de
recursos naturais (matéria-prima, energia e água), a minimização da poluição e a diminuição da quantidade de lixo
que vai para os aterros. Dentre estes, certamente o último é o que tem tido maior peso nos países que adotam
medidas legislativas em prol da reciclagem.
Etapas da Reciclagem do Papel
Etapa 1: Entrega das aparas (fardo) na fábrica recicladora de papel passa pelo controle de qualidade e é classificado.
Vai para o estoque de aparas . O lote do estoque mais antigo vai para as esteiras transportadoras. O hidrapulper
desagrega o papel, juntamente com água industrial. Depois de desagregado, a bomba puxa a massa de papel para
outras etapas
Etapa 2 - turbo tiraplástico (retirada de plástico)
Etapa 3 - centrifugação para retirada de impurezas (areia, prego, etc)
Etapa 4 - refino da massa onde aditivos são adicionados à massa: sulfato de alumínio, amido de mandioca, etc
Etapa 5 - Caixa de entrada da máquina de papel
Etapa 6 - Mesa formadora (vácuo retira umidade excedente)
Etapa 7 - Prensa acerta gramatura do papel
Etapa 8 - Rolos secadores
Etapa 9 - Enroladeira para gerar as bobinas de papel
Etapa 10 - A bobina de papel acabada vai para o controle de qualidade
Etapa 11 – Estoque ou cartonagem, transformando-se em chapa de papelão, a fim de ser industrializada como caixas
de papelão.
em
an
ha
Países
Consumo
Recuperação
o
a
nl
ân
di
l
lia
Br
as
i
Itá
Ín
di
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M
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na
Ja
pã
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M
Ch
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Es
pa
nh
a
Fr
an
ça
Al
Percentual de Reciclados
Reciclagem de Papel no Mundo - 2007
100
80
60
40
20
0
Reciclagem de Pneus
Os pneus usados podem ser reutilizados após sua recauchutagem. Esta consiste na remoção por raspagem da banda
de rodagem desgastada da carcaça e na colocação de uma nova banda. Após a vulcanização, o pneu "recauchutado"
deverá ter a mesma durabilidade que o novo. A economia do processo favorece os pneus mais caros, como os de
transporte (caminhão, ônibus, avião), pois neste segmentos os custos são melhor monitorados.
Há limites no número de recauchutagem que um pneu suporta sem afetar seu desempenho. Assim sendo, mais cedo
ou mais tarde, os pneus são considerados inservíveis e descartados.Os pneus descartados podem ser reciclados ou
reutilizados para diversos fins. Neste caso, são apresentadas, a seguir, várias opções:
Na engenharia civil:
O uso de carcaças de pneus na engenharia civil envolve diversas soluções criativas, em aplicações bastante
diversificadas, tais como, barreira em acostamentos de estradas, elemento de construção em parques e playgrounds,
quebra-mar, obstáculos para trânsito e, até mesmo, recifes artificiais para criação de peixes.
Na regeneração da borracha:
O processo de regeneração de borracha envolve a separação da borracha vulcanizada dos demais componentes e
sua digestão com vapor e produtos químicos, tais como, álcalis, mercaptanas e óleos minerais. O produto desta
digestão é refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme, ou extrudado para obtenção de material
granulado.A moagem do pneu em partículas finas permite o uso direto do resíduo de borracha em aplicações similares
às da borracha regenerada.
Na geração de energia
O poder calorífico de raspas de pneu eqüivale ao do óleo combustível, ficando em torno de 40 Mej/kg. O poder
calorífico da madeira é por volta de 14 Mej/kg.
Os pneus podem ser queimados em fornos já projetados para otimiza a queima. Em fábricas de cimento, sua queima
já é uma realidade em outros países. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) informa que cerca de 100
milhões de carcaças de pneus são queimadas anualmente nos Estados Unidos com esta finalidade, e que o Brasil já
está experimentando a mesma solução.
No asfalto modificado com borracha
O processo envolve a incorporação da borracha em pedaços ou em pó. Apesar do maior custo, a adição de pneus no
pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de
elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contato dos
veículos com a estrada. Por causa destes benefícios, e também para reduzir o armazenamento de pneus velhos, o
governo americano requer que 5% do material usado para pavimentar estradas federais seja de borracha moída.
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Etapas da Reciclagem do Papel - Ecologia e Gestão Ambiental