Coluna do Augusto
Abrir o código:
um relato pessoal
A contribuição com o software livre em projetos pessoais, na experiência do autor.
por Augusto Campos
U
m dia fui desenvolvedor. Profissional. Com diploma.
Carteira assinada. A vida tem seus mistérios, e com
o tempo acabei migrando para a administração
de sistemas, depois para a Administração propriamente dita, e o resultado disso é que poucas vezes contribuí
diretamente com código para algum projeto open source, apesar de estar envolvido nesse cenário desde 1996.
Houve algumas exceções, incluindo o código de
extensões para outros programas e um sistema de
configuração para conexões PPP discadas, ainda nos
tempos heróicos em que conectar um PC com Linux
à Internet era uma tarefa muito complicada.
Minha contribuição ao longo desses anos sempre
foi mais como cronista e disseminador de informações,
eventualmente como palestrante, às vezes como colaborador financeiro com um ou outro projeto especialmente meritório e necessitado.
A maior parte da minha contribuição ocorre por meio
do site BR-Linux, e já compartilhei com vocês o que me
levou recentemente a abandonar o sistema WordPress (mais o MySQL) que o
mantinha no ar, migrando para um
gerenciador de conteúdo baseado
em arquivos HTML estáticos.
A mudança teve o resultado desejado, fácil de medir pelas consequências diretas: a carga do servidor
de hospedagem, que costumava ficar
acima de 80%, agora costuma ficar
abaixo de 5%. Em decorrência
das mesmas causas, as páginas carregam bem mais
rápido no navegador dos
usuários. Em decorrência
disso, os sites de busca
aumentam o ranking do
site. Em decorrência disso,
mais usuários chegam ao
site todos os dias.
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Há um detalhe importante, central à minha narrativa
de hoje: o gerenciador de conteúdo em questão foi feito
por mim mesmo, em mais horas de desenvolvimento
individual do que eu devo ter realizado nos últimos
5 anos somados. Ele está publicado, caso você queira
conhecer: é o Axe, em http://augustocampos.net/axe
O código em si reflete o que eu sabia de PHP na
época em que ainda era profissional da área, e certamente ainda poderá ser refinado, mas no momento
já me atende.
O resultado pessoal para mim é aquele que eu já
descrevi: o meu site agora carrega mais rápido, demoro
menos horas semanais com tarefas de manutenção e
me sobra mais tempo para escrever, além de ter reduzido o custo de hospedagem etc.
Mas desde o começo do projeto eu tinha uma intenção adicional: disponibilizar o produto e seu códigofonte, para mais interessados. Eu cumpri essa meta,
como você pode confirmar na URL acima. Entretanto,
agora que já fiz, posso compartilhar com vocês: disponibilizar código-fonte de um projeto próprio é mesmo
um exercício de humildade e de paciência.
Humildade porque fica tudo exposto: nossos erros,
artifícios técnicos, uso de recursos desatualizados,
inconsistências e outros atributos que podem estar
presentes em um código sem impedi-lo de funcionar.
Paciência, porque embora contribuições ao projeto sejam escassas (e nem acho que precisariam estar
presentes), não falta gente para criticar a escolha da
licença livre adotada (Apache), do nome, dos parâmetros de chamada, da interface de usuário etc.
São feedbacks bem-vindos, mas quem resolve compartilhar o código de um projeto pessoal fará melhor
se estiver preparado para eles. Ainda assim, tem sido
uma experiência divertida e eu particularmente recomendo! Augusto Campos. n
Augusto César Campos administrador de TI e, desde 1996, mantém o site BR-linux.org,
que cobre a cena do Software Livre no Brasil e no mundo.
www.linuxmagazine.com.br
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