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MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM: AS AÇÕES DO PROFESSOR E O
ENVOLVIMENTO DOS ALUNOS COM A APRENDIZAGEM
ESCOLAR
ANA ELISA DA COSTA MOREIRA - UEL
[email protected]
Resumo
Este estudo teve como objetivos conhecer e analisar os conhecimentos e crenças dos
professores de séries iniciais acerca da motivação dos alunos, visando ampliar a discussão
sobre o tema e contextualizar as pesquisas da área com a realidade escolar brasileira. Foi
elaborado um instrumento de coletas de dados a partir de categorias de análise relacionados à
motivação.
Os resultados obtidos demonstrou-nos um conhecimento restrito sobre a
motivação : o que é , sua verdadeira importância e o papel do professor como um dos
determinantes motivacionais principais. Assim sendo, como hipóteses de solução para o
problema estudado são indicadas; leituras, discussões em grupo para sanar dúvidas, grupos de
estudos a fim de transmitir e refletir sobre os resultados obtidos nessa pesquisa para que possa
ser um estudo o qual aprofunde os conhecimentos dos professores sobre o tema.
Palavras-chave: Motivação, aprendizagem, ações do professor, envolvimento, alunos.
Introdução
A escola como instituição social inserida numa sociedade neoliberal, cujos valores
predominantes são a competição e o “poder” utiliza mecanismos cada vez mais aprimorados
de exclusão e seleção de sujeitos. Essa exclusão se faz necessárias numa sociedade cujo
objetivo é manter e reproduzir as classes sociais.
Dentro deste contexto, são utilizadas diversas explicações fragmentadas para justificar
os fracassos no processo de aprendizagem. Problemas orgânicos (desnutrição), neurológicos,
carência cultural, financeira, familiar (afetiva), falta de capacidade (inteligência), entre outros.
Assim a culpa recai sobre o próprio sujeito “fracassado”, ou seja o sujeito é
compreendido como incapaz devido suas “diferenças” individuais que não permite que
aprenda.
A sociedade e a escola enfatizam e valorizam o erro como sendo negativo,
depreciativo, algo a ser eliminado entre as pessoas capazes , inteligentes e competentes.
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A escola, por sua vez, enquanto instituição responsável pela formação dos
conhecimentos e competências humanas deve trabalhar fazendo com que os educandos
desenvolva crenças positivas a respeito de si mesmo, de sua aprendizagem podendo de acordo
com seu esforço; ou seja, de fator que ele próprio domina e é capaz de reverter.
A importância que o professor atribui ao seu trabalho em sala de aula define suas
ações; metodologia, planejamento, verbalizações tornando-o fundamental dentro do processo
ensino- aprendizagem.
Neste contexto, torna-se indispensável conhecer, analisar e definir as crenças que o
professor possui acerca das categorias de análise do estudo, a influência destas crenças na
aprendizagem dos alunos e o importante papel do educador em sala de aula como agente
motivacional.
A escola reproduz, na maioria das vezes, através de metodologias dos professores, da
organização das salas, dos conteúdos, do currículom oficial, aquilo que o mercado de trabalho
exigem do profissional para ser considerado eficiente e “ideal”, camuflando através de pistas
e verbalizações, os verdadeiros objetivos pelos quais se organizam.
O PROCESSO DE APRENDIZAGEM NA TEORIA COGNITIVISTA E O
IMPORTANTE PAPEL DO PROFESSOR COMO AGENTE
MOTIVACIONAL
A teoria cognitivista principalmente nos anos 70 e 80, trouxe importantes
contribuições na forma de se compreender o ensino e a aprendizagem.
A aprendizagem passou a ser entendida como forma do sujeito construir o
conhecimento de maneira independente com habilidades metacognitivas com as quais possa
controlar seus processos cognitivos durante o processo.
De acordo com Mayer (1992), a aprendizagem consiste em selecionar a informação
releante e interpretá-la mediante seus conhecimentos anteriores. As idéias de Resnick (in
Mayer, 1992) complementam tal conceito ao observar que a aprendizagem acontece não pelo
registro da informação mas pela interpretação da mesma.
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Neste sentido, podemos dizer que com a teoria cognitivista surge uma visão do
aprendiz como processador ativo da informação, por sua vez, entendido
como aquele
indivíduo que constrói seus conhecimentos a partir de três processos cognitivos de
aprendizagem envolvidos em aprendizagem significativa, que são: selecionar a informação
relevante, organizá-la num todo coerente e integrá-la nos conhecimentos já presentes.
Assim sendo, a aprendizagem ocorreria da seguinte forma: os estímulos que o aluno
recebe através das verbalizações , elogios, feedbacks, estruturação da sala de aula pelo
professor faz com que os conhecimentos trabalhados sejam armazenados na memória de curta
duração. A memória sensorial corresponde a informação visual, auditiva que o sujeito recebe.
Portanto tem uma capacidade limitada de retenção. Quando essas informações são
armazenadas na memória de curta duração (MCD) o indivíduo codifica as informações
transmitidas e as organiza na mente de maneira a torná-las um todo de conhecimento
coerente.
O professor, ao fazer seus alunos utilizarem os mais diversos processos mentais
através de estratégias variadas em sala de aula e metodologia adequada, permite que o
conhecimento que até então foi apenas codificado seja ativado e que o aprendiz consiga
estabelecer relação entre os conhecimentos prévios e os novos conhecimentos , selecionando
as informações relevantes, integrando os conhecimentos e originando, ao mesmo tempo,
novas informações a respeito do mesmo assunto. Isso devido a memória de longa duração
(MLD) ser responsável pela recuperação de conteúdos (armazenados) na memória de curta
duração (MCD) pela introjeção dos mesmos tornando o sujeito apto para utilizar processos
mentais complexos.
Por conseguinte, na perspectiva da teoria cognitivista o aprendiz deve esforçar-se, ser
auto-regulado tendo controle pessoal sobre seu processo de aprendizagem. Deverá resgatar
seus conhecimentos anteriores; usar os conhecimentos que ja´possui para compreender os
conhecimentos que lhe estão sendo passados. Esses conhecimentos precisam ser bem
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definidos e objetivos.
Dependendo da concepção que o professor tenha de aprendizagem e de ensino os
alunos podem incorporar , através principalmente das verbalizações que executa em sala de
aula , uma concepção de transmissão do conhecimento ou uma concepção de construção do
conhecimento. Ou seja, o papel que o professor desempenha na interação com seus alunos faz
com que estes valorizem o ato de aprender numa abordagem profunda ou superficial do
conhecimento.
Abordagem profunda do conhecimento entendida enquanto promotora de atividades
desafiadoras, práticas educativas intrinsecamente interessantes e envolventes ,relevância dos
avanços significativos no desenvolvimento intelectual (comparando-o consigo mesmo).
Por outro lado, a abordagem superficial do conhecimento preocupa-se muito mais
com os fracassos , promovendo um clima de aprendizagem individualizado e competitivo(
“ser o melhor”).
O professor de acordo com suas crenças, verbalizações, atividades, estratégias,
metodologias, avaliações colabora para que seus alunos aumentem ou”minguem” a autoestima que possuem a cerca das crenças sobre si mesmos.
É muito importante que o professor acredite no indispensável papel que desempenha
em sala de aula pois, vários estudos comprovam a influência das expectativas do professor
sobre o sucesso ou fracasso dos alunos na aprendizagem escolar.
Neste contexto Coll e Miras
professores
(1996) esclarece que as representações que os
têm de seus alunos determinam as
expectativas em relação a capacidade
intelectual dos mesmos. Em uma perspectiva cognitivista, a motivação é um processo por
meio do qual a atividade dirigida a uma meta é instigada e sustentada. Sendo um processo,
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nós não a observamos diretamente mas a inferimos a partir de comportamentos como: escolha
de tarefas, esforço, persistência e verbalizações (Stipck,1998). Neste sentido, a motivação
intrínseca é revelada quando a pessoa faz algo por se sentir recompensada diretamente pela
realização da tarefa. Essas experiências envolvem prazer e satisfação. A pessoa revela ter seus
corpos e mentes envolvidos, observam o nível de concentração como sendo muito profundo.
De acordo com Bzuneck (2010) a motivação intrínseca é “ influenciada principalmente por
ações do professor. A sala de aula é fonte de influência para nível de envolvimento do aluno.”
Ainda de acordo com o mesmo autor o estilo motivacional do professor , crenças vinculadas
a personalidade do professor tem influência significativa para a motivação intrínseca.
Desta maneira a motivação intrínseca torna-se um conceito útil para explicar “ o
porquê das pessoas se comportarem de maneiras diversas em ambientes naturais complexos,
de selecionarem um determinado tipo de informação, de excluírem pensamentos ou sensações
irrelevantes, de esforçarem-se ou despenderem energia psíquica. A motivação intrínseca pode
expressar porque as pessoas se movem pela curiosidade e novidade , sentem-se na direção de
suas ações e são autodeterminadas”. (Guimarães, 1996:18).
Os estudos atuais da motivação intrínseca valeram-se de idéias desenvolvidas por
autores com White (1959) e deCharms.
White Chamava a atenção para o fato que todo ser humano tem uma propensão natural
para agir de forma competente com seu ambiente.
Os estudos de White (1975) foram influenciados pelo descontentamento decorrente
das explicações provenientes da teoria do drive que, segundo revisão de Weiner (1990), foi a
abordagem teórica que mais influenciou os trabalhos experimentais durante as décadas de 50
a 70.
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Na formulação destes estudos, White utiliza o termo competência para definir a
capacidade do organismo em interagir satisfatoriamente com seu ambiente. A competência
teria um aspecto motivacional que levaria o organismo a tentativas de domínio, não podendo
ser atribuídas a impulsos frente às necessidades os a instintos.
deCharms observa outra tendência inerente ao ser humano que é a de sentir-se
autodeterminado, isto é, origem ou sujeito de suas ações. Desse modo, situações que oferecem
poucas possibilidades de escolha ou pouco exercício dessa autonomia seriam prejudiciais à
motivação do sujeito.
De acordo com a visão de deCharms, “os hábitos são aprendidos para guiar a ação
(serem utilizados na ação). Ou seja, na interrelação hábitos-conhecimentos combinados com
a motivação, podemos dizer que a pessoa possui “lócus de causalidade interno”.
Este lócus interno de causalidade possibilita que o aprendiz acredite que possa se
tornar cada vez mais competente e responsável pelo seu próprio aperfeiçoamento, cabendo
principalmente a si as escolhas sobre a melhor maneira de executar as atividades exigidas pelo
professor que dependerá de sua vontade de aprender em profundidade ou de forma superficial.
Neste sentido, podemos dizer, que o lócus interno de causalidade auxilia no desenvolvimento
da autoconfiança, segurança, autonomia, autodeterminação; ou seja. Sentimentos bastante
positivos para que o sujeito obtenha uma aprendizagem significativa e real.
A medida que a pessoa percebe-se manipulada externamente aprendendo apenas a
assimilar informações e repeti-las como se fosse verdades imutáveis e únicas, podemos dizer
que possui o lócus externo de causalidade.
deCharms acrescenta que o professor necessita acreditar que todos os estudantes
podem ter a experiência de ser origem, sujeitos do seu próprio processo de aprendizagem,
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portanto, possui lócus interno de causalidade cabendo ao professor criar uma atmosfera na
qual isso seja permitido.
Essa atmosfera deve respeitar a individualidade dos alunos tendo uma relação
empática entre eles. Fazendo-os analisar os resultados de suas tarefas e chegarem a
conclusões sem induzi-los, tolerando aprender com os erros, vendo-o de forma positiva.
Desta maneira manterá na sala de aula emoções positivas, sentimentos, sobre si
mesmos possibilitando a valorização do aprimoramento dos conhecimentos. Percebendo o
sucesso na aprendizagem devido principalmente ao esforço despendido.
Deci e Ryan, já no final da década de 70, propõem a Teoria da Avaliação Cognitiva,
diretamente ligadas as idéias anteriores, ressaltando os mesmos elementos de percepção de
competência e de autodeterminação como sendo os principais fatores determinantes da
motivação intrínseca.
Caracterizam a motivação intrínseca através de três proposições básicas: 1ª é
fundamental para a promoção da motivação intrínseca o lócus interno de causalidade. As
ações frente a uma atividade são vistas como autodeterminadas ou derivadas da própria
vontade do indivíduo. 2ª outra característica importante para o comportamento
intrinsecamente motivado; é a percepção de competência para desempenhar adequadamente
determinada atividade de aprendizagem e 3ª proposição refere-se ao significado funcional de
um evento relevante que afeta a motivação intrínseca, sendo este significado dependente da
natureza do contexto interpessoal e intrapessoal” (GUIMARÃES, 1996:14).
Neste contexto a motivação intrínseca é considerada motivação para o trabalho mental
Bzuneck (2010) “trabalho árduo, difícil,demorado o qual há engajamento no trabalho de
aprender . Engajamento cognitivo, emocional, uso de estratégias de aprendizagem( pensar,
ligar com o que já sabe, associar, verificar se está aprendendo)”.
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Dentre esses fatores contextuais Deci e Ryan enfatizam o fator intrapessoal como
decisivo na determinação da motivação intrínseca. A medida que depende principalmente do
próprio sujeito, da representação que tem sobre si mesmo, de sua auto-estima, de seu esforço,
de seu dispendio de tempo e energia, de sua persistência. Atribui suas causas de êxito e
fracassos a fatores dependentes de si próprio. Portanto estáveis, controláveis e modificáveis
portanto altamente motivador.
A definição de motivação extrínseca apresenta-se menos elaborada . Definida como
“sendo a motivação para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa, como a obtenção de
recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento ou objetivando atender aos mandatos de
outras pessoas , demonstração de competição ou de habilidades em relação a outras.”
(GUIMARÃES, 1996:11)
O lócus externo de causalidade implica em outra pessoa ou objeto interferindo com a
causação pessoal, levando a pessoa a perceber-se como uma “marionete”, resultando em
sentimentos negativos de ser externamente guiado.
O aprendiz, por sua vez, torna-se inseguro para expor suas idéias sobre qualquer
assunto, apresenta dificuldades em utilizar seus processos cognitivos e metacognitivos, apenas
reproduzindo cópias do que ouviu e aprendeu. Dificilmente consegue integrar os conceitos
recém-aprendidos com os anteriores.
Sobre as verbalizações, as presentes descobertas sugerem que “o elogio verbal e o
“feedback” positivo incrementam a motivação intrínseca das pessoas. O elogio verbal mesmo
sendo um motivador extrínseco pode alterar positivamente as atitudes e o comportamento.
O elogio para ser eficaz precisa ser dado de forma moderada e diversificada. Ou seja, é
preciso encontrar formas diferentes de dizer a mesma coisa para a criança para não parecer
“papagaio” diante delas. É de fundamental importância o elogio individual a fim de não expor
o aluno. Pode ser usado de forma escrita ou verbal.
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Segundo Pintrich e Schunck (1996) para que elogios sejam eficazes deve “fazer
referência explícita ao esforço constatado, ao capricho ou à persistência. O aluno repetirá o
empenho , persistirá apesar da demora em concluir a tarefa , ou das dificuldades a ela
inerentes. Elogios dados a comportamentos que levaram àquele desempenho ou pelas
estratégias empregadas, que atribui bom desempenho à capacidade dos alunos, que aponta
progresso verificado. Deve ser dado individualmente com naturalidade e sem comparações
com desempenho de outros alunos. É fundamental que o professor aplique elogios em relação
a comportamentos e aspectos bem definidos”.(BZUNECK, 2010:37)
Além de elogiar a performance do indivíduo para motivá-lo o professor precisa dar
“feedbacks”. O feedback “segue imediatamente uma avaliação e representa uma das mais
importantes formas de interação professor-aluno (...) o feedback que o aluno recebe afeta
tanto o processo de aprendizagem como a própria motivação(...) . Há dois tipos de feedbacks
positivos e negativos (corretivos),ou seja , negativo
no sentido
de correção do
erro.”(BZUNECK,2010:29). Existem ainda “feedbacks” simples ou depreciativo. O
“feedback” simples acontece quando você simplesmente aponta o erro. Também é chamado
de “feedback” corretivo. O “feedback “ depreciativo ocorre quando mexe profundamente com
a auto-estima do aluno.
O uso de recompensas externas , de modo contrário ao que supunham as abordagens
associativas da aprendizagem até a década de sessenta, foi considerada como prejudicial a
motivação intrínseca por focalizar a tarefa como um meio para alcançar algo externo.
Resultados de pesquisas recentes apontam alto grau de valorização de recompensas
externas para motivar alunos Rocha (2002) crença de elogiá-los até pela inteligência. Ryan e
La Guardia (1999), Ryan e Stiller (1991) e Vansteenkiste, Lens e Deci(2006), apoiados em
diversos depoimentos e pesquisas de professores apontam “ que pesa muito no sistema
escolar uma cultura que privilegie o produto e a quantidade de conteúdos a serem vencidos, o
que faz as avaliações e notas serem vistos como instrumentos mais eficazes para tais
resultados. (...) Também apontam limitações sérias na formação acadêmica dos professores.
Outros pesquisadores apontam a sobrecarga de trabalho que representa condição que lhes
roubam energia psíquica e a serenidade, necessárias para utilizarem certas habilidades e
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praticarem empatia junto a seus alunos.” (GUIMARÃES, 2010:54/55)
As metas são um importante elemento instigador da motivação para conseguir os
objetivos acadêmicos.
São consideradas como núcleo de pensamento que aglutina modos peculiares de
perceber a situação, processar as informações, e que explicam os comportamentos e a direção
do esforço. “ As pesquisas realizadas com base nessa teoria têm buscado compreender como
os estudantes pensam acerca de si próprios, porque se envolvem em determinadas tarefas e
porque buscam atingir determinados objetivos acadëmicos. Estes estudiosos consideram que o
tipo de orientação de meta predominante nos alunos interfere na maneira como se envolvem
com
as
atividades
escolares.”(ZENORINI,2010:102)
(AMES,
1992;ANDERMAN&MAEHR,1994;DWECK & LEGGETT,1988; ELLIOT&DECK,1988
entre outros).
Várias terminologias têm sido utilizadas para definirmos os tipos de metas. Como:
meta de aprender, metas de envolvimento na tarefa (NICHOLLS,1984; BUTTLER 1987),
meta de domínio (AMES e ARCHER, 1988; HARACKIEWICZ e ELIOT, 1993); todas
voltadas para a busca da pessoa em incrementar sua própria competência, a meta ego ou
performance, meta de alienação acadêmica ou evitação do trabalho , meta ligada a valorização
social, meta relacionada a recompensas externas.
Desta maneira o sujeito pode ao mesmo tempo, perseguir duas ou mais metas numa
única tarefa, em outras atividades precisará escolher a melhor meta para realizar suas tarefas
.Em situações de sala de aula, já foram descobertas e descritas diversas metas assumidas pelos
estudantes sendo estas denominadas de maneiras diversas.
Tratando-se especificamente da meta de aprender, Alonso esclarece que o aprendiz
pode expressa-la ao desejar incrementar sua própria competência (gosta de aprender novos
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conhecimentos, novas destrezas), ao fazer a tarefa que deseja executar por que ele a escolheu,
sentindo-se totalmente absorto pela natureza da tarefa. As emoções envolvidas nessa meta são
altamente positivas e gratificantes, como por exemplo, senso de competência , aumento da
crença em si mesmo, do auto domínio. Desta maneira, alunos com tal envolvimento, não se
amedrontam diante de desafios com grau moderado de dificuldades, processam informações
com profundidade pois utilizam diversas estratégias para aprender. Preocupam-se com seu
processo de aprendizagem e não com o produto final.
Devido a isso, toleram os erros e fracassos como naturais e necessários para que possa
realmente aprender. Estabelecem uma relação com o professor de parceria na busca de novos
conhecimentos. O educador, por sua vez , auxilia no desenvolvimento dessa meta ao
estruturar a sala de aula de maneira cooperativa, dando atendimento individual, fornecendo
pistas e verbalizações que façam os alunos se preocupar com o próprio esforço , as atividades
são organizadas de forma específica num nível intermediário de desafio e o professor oferece
feedback tanto positivo como corretivo. As expectativas em relação a aprendizagem dos
alunos influencia a valorização de metas, objetivos que tornam clara a concepção de
conhecimento que o professor acredita.
O professor em sala de aula deve possibilitar um trabalho no qual o professor trabalhe
de forma diversificada com a estruturação de trabalhos em grupo : individual, em duplas
ou,pequenos grupos, possibilitando aos sujeitos a divisão de tarefas e consequentemente de
responsabilidades fazendo com que todos participem de acordo com suas habilidades
específicas. Esse trabalho contribui para a formação de sujeitos ativos,dinâmicos,
questionadores, reflexivos, autônomos e responsáveis sobre suas escolhas, mais suscetíveis
em buscar o conhecimento de maneira profunda.
O trabalho em grupo de forma cooperativa permite uma dialogicidade verdadeira em
que “ os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, no respeito a ela’
(FREIRE,1996:67) . Além disso, respeita a curiosidade do educando, seu gosto estético, sua
inquietude e sua linguagem. Desta maneira estaremos estruturando um ambiente em que o
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movimento de busca, curiosidades e indagações, são constantes e portanto formadora de seres
motivados (éticos) conscientes de seu papel social.
Refletindo sobre o papel do professor na motivação dos sujeitos torna-se bastante
significativo e crucial para que os educandos possam se engajar na sua própria aprendizagem
como sujeitos auto-motivados que sabem o que precisam, para que precisam e como fazer
para que os conhecimentos que adquirem ao longo do processo de escolarização possam ser
utilizados de modo significativo.
O professor deve trabalhar com atividades desafiadoras, nem muito fáceis pois
tornam-se monótonas, rotineiras e mecânicas, nem muito difíceis, pois desmotivam os alunos
que sentem-se incapazes por não resolvê-las , que exigem tempo e tolerância para serem
executadas, explicitando bem os objetivos sociais implícitos , a fim de que desperte o interesse dos alunos pela atividade em si, ou seja, informando sobre as habilidades cognitivas que
desenvolvem.
Suas verbalizações nunca devem destacar
notas, classificar as atividades entre
melhores e piores, principalmente as feitas coletivamente. Deve valorizar a construção de
conhecimento a partir do esforço na execução das atividades que possibilitem interação entre
diferentes opiniões para chegar a um consenso, priorizando o trabalho de auto- análise a
respeito do próprio erro, aprendendo com ele e superando-os e permitindo, sempre que
possível, o trabalho de auto-avaliação daquilo que foi criado por eles ou dado pelo professor.
Para que o trabalho em sala de aula concretize a qualidade é preciso que o professor
sempre se coloque no lugar do aluno para repensar sobre sua prática e aprimorá-la, ou seja,
estabelecer uma relação empática. Assim sendo, permitir que o aluno também se coloque no
lugar do outro nos momentos em que há desrespeito e conflitos nas relações.
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O
educador precisa estar interrelacionando os conteúdos com a vida dos alunos,
ressaltando a utilidade do conhecimento para a vida do sujeito.
De acordo com Bzuneck ( 2010 ) “ ao lado das verbalizações do professor, um
importante fator de convencimento do valor ou importância de uma disciplina por parte dos
alunos consiste em o próprio professor mostrar que acredita nessa importância e assim atuar
como modelo para seus alunos. Tais comportamentos como dedicação, trabalho sério na
preparação de aulas e avaliações , pontualidade e acima de tudo , evidencia-se no entusiasmo
e vitalidade com que trata os assuntos relacionados à sua disciplina .”(BERGIN,1999;
PATRICK ;HISLEY&KEMPLER, 2000).
É fundamental que o professor estabeleça uma relação professor-aluno dialógica em
que se discutam e analisem diferentes pontos de vista. O professor nesse tipo de relação
respeita e discute a curiosidade do grupo frente à vida. Olhando sempre com “olhos
analíticos” para o interior de seu trabalho em sala de aula.
Muitas vezes a escola utiliza metodologias inadequadas ao processo dinâmico e ativo
que é o ato de aprender; subestimam a capacidade do aluno utilizando tarefas fáceis (não
desafiadoras) exigindo pouco esforço; valoriza-se boletins, notas em detrimento de avanços
significativos no desenvolvimento intelectual; o educando aprende valorizar a individualidade
e a competição. O erro é compreendido como fracasso desmotivando e permitindo a auto
depreciação( a descrença em si). Oliveira(2002) define a aprendizagem na interação social
,uma vez que, o indivíduo adquire informações,habilidades, atitudes, valores a partir do
contato com a realidade , meio ambiente e outras pessoas. Segundo Deci e Ryan (1985)
deveríamos considerar o que os estudantes dizem sobre as práticas que aumentam a
motivação para aprender; uma vez que esta motivação e a auto-regulação são naturais. Ocorre
muitas vezes a falta de relevância dos conteúdos e práticas educativas como intrinsecamente
interessantes e envolventes para as metas e interesses pessoais do sujeito.
Os estudos sobre motivação, numa abordagem cognitivista, contribui para
compreendermos alguns aspectos responsáveis pelo fracasso escolar a considerar: as
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expectativas que os professores têm em relação a seus alunos determinando o sucesso ou
fracasso no ato de aprender. De acordo com Ferreira(2002) para aprender um conteúdo
(matéria) o aluno deve ter objetivo que o motive durante o tempo que precisa para realizar as
atividades.
Em situações de sala de aula, já foram descobertas e descritas diversas metas
assumidas pelos estudantes sendo estas denominadas de maneiras diversas.
Quando o professor se preocupa em valorizar/atribuir as causas de êxito e/ou fracassos
nas experiências escolares a fatores externos ao sujeito , como por exemplo variáveis
modificáveis dependendo do esforço na execução das tarefas propostas, do tempo despendido,
do grau de exigência nas atividades e experiências de autonomia possibilitadas ao sujeito, os
alunos passam a compreender o fracassso nas atividades e o erro como variáveis
modificáveis; as quais dependem principalmente da sua maior dedicação, empenho. Vontade,
isto é, querer introjetar enquanto seus os objetivos que lhe foram propostos. Somente assim,
sentir-se-á de seu ato de aprendizagem e, conseqüentemente, adquirirá o senso de autoeficácia (competência e auto-valorização) tão necessários para acreditar no incremento de sua
própria aprendizagem adquirindo autonomia no seu processo de escolarização.
Ao contrário, se o professor através de verbalizações, pistas, ações em sala de aula
atribui as causas de êxitos e/ou fracassos a fatores externos aos alunos (fora do domínio
destes) como; na comparação entre os sujeitos (comum nas situações competitivas), na forma
de encarar o erro como algo depreciativo reflexo de incapacidade, pouca “inteligência”, faz
com que estes adquiram uma preocupação em “ser o melhor “.
É fundamental que o professor desenvolva no aluno a busca pela meta aprender. Será a
partir da compreensão de que a aprendizagem exige o uso de diversos processos mentais
portanto não é uma tarefa fácil, o que a torna difícil (desafiadora), exige tolerância,
persistência e concentração. Somente assim é que o aluno adquirirá autodirecionamento,
autimotivação e desenvolverá ferramentas para auto-avaliar seu trabalho. Essa meta mantém o
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sujeito motivado durante grande parte do processo de aprendizagem, porém, nas escolas tem
sido extremamente difícil alcançá-la e mantê-la.
A sociedade da forma com que se organiza mascara os mecanismos cada vez mais
aprimorados de exclusão social. Como exemplo podemos citar a competição dentro do
mercado de trabalho como valor predominante perpetuando o individualismo , ser o melhor ,
a falta de ética tornando fácil organizar o trabalho utilizando práticas como a terciarização,
globalização, empregos informais e autônomos.
A competição é elemento presente em diversas atividades humanas , não é diferente no
ambiente educativo, em que cada aprendiz se esforça para superar colegas.
Assim sendo, a competição é considerada “natural” nas diversas atividades humanas.
No contexto escolar aparece claramente nas verbalizações , práticas metodológicas;
organizações das estruturas das salas de aula , inclusive utilizada como estratégia de ação dos
professores para que os educandos produzam mais e melhor ( comparando-os sempre
mutuamente) . É uma estratégia escolar utilizada como meio para motivar os alunos a
aprender. Porém pesquisas constataram que a competição é uma das causas responsáveis pela
ausência de motivação para aprender.
O
professor acredita na competição como estratégia para incentivar os alunos a se
esforçarem mais, como forma benéfica de quebrar a monotonia, desconsiderando a verdadeira
força motivacional da competição que na realidade esconde a raiz de consideráveis efeitos
negativos para o aspecto motivacional, a medida que fornece pistas suficientes para que cada
aluno perceba que o objetivo primordial é de vencer os outros , ser melhor que os
demais.Neste contexto compara-se os alunos exaltando publicamente as características
positivas ou de progresso intelectual de um determinado aluno, transmitindo para os demais
que devem ser como ele ou até melhores.
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Considerando este contexto, a competição é uma prática bastante difundida nas escolas
porque não se reconhecem os verdadeiros valores implícitos por trás de sua prática.
Desde a organização da escola , entre os profissionais da educação existe a cultura do
individualismo a qual docentes não tem por hábito partilhar experiências especialmente
problemas e dificuldades uma vez que pode expor suas falhas (dificuldades/ erros).
Reproduzindo a estrutura competitiva em sala de aula .
Segundo Jonhson e
Jonhson (1985)
a
competitividade gera
alguns
comportamentos e reações emocionais como: menos promoção de interações, pode haver
mais obstruções aos esforços dos colegas para o desempenho , há uma redução no auxílio
entre os alunos, aumenta-se as tendências anti-sociais , exarcebando esses efeitos quando
ocorre a derrota . O sucesso nas tarefas pode representar diminuição na popularidade entre os
colegas , a comemoração do sucesso individual pode levar os demais alunos a se sentirem
inadequados, ciumentos e zangados, uma vez que não tem o que comemorar, agravando esses
efeitos quando são envolvidos pais e professores.
O clima competitivo faz com que o indivíduo direcione seus objetivos para a busca
pela valorização social, o indivíduo atribui seus êxitos e/ou fracassos nas experiências
escolares a causas externas como: à sorte, ao professor, aos pais, à facilidade das tarefas,
considerando tudo estável sem possibilidades de mudanças (fatores internos: inteligência,
memória, organização das informações).
A escola precisa analisar a sala de aula como espaço complexo caracterizado por sua
multidimensionalidade, simultaneidade de eventos, imprevisibilidade, imediaticidade e
unicidade.
Sendo assim, embora organize o trabalho (planejamentos, estratégias de ação,
objetivos específicos) lida com variáveis diárias que necessitam de atitudes rápidas ,bem
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pensadas; uma vez que, trabalham com valores, verbalizações , atitudes que colaboram para o
sujeito acreditar na sua capacidade ou acreditar em fatores externos os quais não possui
domínio , portanto incapaz de modificar pelo esforço próprio.
Cabe ao
educador proporcionar ao aluno; percepções sobre sua competência; a
importância de auto-gerir seus estudos, monitorar seu esforço (tempo e energia que dedica as
tarefas) favorecendo um ambiente social que promova a autonomia dos sujeitos.
As situações de aprendizagem devem ser planejadas conhecendo e considerando
informações como base para incrementar a busca pela abordagem profunda do conhecimento.
Segundo Sternberg e Lubart (1999), o indivíduo precisa de um ambiente que encoraje
e reconheça suas idéias criativas .O indivíduo pode ter todas as condições internas necessárias
ou desenvolvimento do pensamento criativo, mas sem estímulo do ambiente, sua criatividade
nunca se manifestará.
Cabe ao professor o desafio de fazer da sala de aula um espaço que valoriza os saberes
e identidade sócio-cultural dos educandos. Possibilitando o confronto de
significados,
desejos, experiências. O professor deve garantir a liberdade e a diversidade das opiniões dos
alunos. Nesse sentido ele é obrigado a abandonar crenças e comportamentos que negam ao
aluno a possibilidade de aprender a partir do que sabe e chegar até onde é capaz de progredir.
A pesquisa foi realizada em duas instituições escolares de Londrina e teve como
sujeitos professores do ensino fundamental, mais especificamente, educadores de pré a
quarta-série. A maioria com formação superior e formação latu senso (especialização) . Foram
distribuídos cinqüenta questionários e foram devolvidos e analisados quarenta e um. Os dados
foram obtidos através de um questionário com questões abertas analisados com base no
trabalho de Pereira (1996). Para a elaboração do instrumento de coleta de dados junto aos
professores foram eleitas algumas categorias de análise a fim de conhecer as crenças e
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conhecimentos dos professores a respeito da : definição de ensino-aprendizagem; o conceito
de motivação; as estratégias promotoras de motivação; o professor enquanto agente
socializador da motivação; a importância da interação professor-aluno para a motivação; o
conhecimento dos professores a respeito dos estudos recentes sobre a motivação; a
competição como estratégia da motivação.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta pesquisa contribuem para o aprimoramento da qualidade de
trabalho do professor em sala de aula; possibilita um repensar sobre a formação profissional e
principalmente, colabora para conhecermos as crenças , valores e conceitos que permeiam a
visão dos professores acerca da motivação e para que assim possamos, através do
aprofundamento teórico sobre essa questão, desocultar os possíveis equívocos. Devido o
tempo de pesquisa ser restrito optamos pelo questionário como instrumento de pesquisa
utilizado para a coleta de dados.
Acredito que o uso desse instrumento possibilitou-nos uma “boa” visão porém parcial
sobre o que os professores conhecem sobre a motivação. Enquanto estudo exploratório
demonstrou-se suficiente para a investigação.
Em relação aos objetivos da pesquisa, os resultados apontaram para o
desconhecimento do importante papel que o professor desempenha em sala de aula para
motivar seus alunos , especificamente, um desconhecimento sobre como fazer um trabalho
que garanta e/ou aumente a motivação dos alunos pela busca do conhecimento.
Este desconhecimento claramente entendido a medida que nós, educadores, em nossas
vidas de aprendizes e depois nos cursos de formação não tivemos oportunidade , muitas vezes
de sermos motivados dessa maneira principalmente falta de aprimoramento teórico de nossa
categoria profissional.
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Assim sendo é preciso primeiro que o professor se mostre aberto para aperfeiçoar esse
conhecimento(na questão da motivação) , realize leituras de diversas e aprofundadas
literaturas sobre essa questão, discuta as dúvidas , as opiniões, as experiências de sala de aula
em conjunto para buscar alternativas consistentes para resolver os problemas motivacionais,
grupos de estudos onde possa ser transmitidos e analisados os resultados dessa pesquisa
passando aos professores algumas sugestões de como trabalhar em prol da motivação em sala
de aula e paralelamente, encontrando outras sugestões entre eles.
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REFEÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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as ações do professor e o envolvimento dos alunos com a